XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental
III-065 - RECICLAGEM DE PAPEL EM CAMPO GRANDE - MS
E OUTROS LOCAIS
Jesner Marcos Escandolhero(1)
Engenheiro Civil pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Mestrando em
Tecnologias Ambientais pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Alessandra Miranda de Souza
Engenheira Civil pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Sônia Corina Hess
Engenheira Química pela Universidade Federal de Santa Catarina. Doutora em Química
Orgânica pela Universidade Federal de Santa Catarina e Pós-Doutorado em Química
Orgânica pela Universidade de Campinas.
Endereço(1): Rua 11 de Setembro, 413 - João Rosa Pires - Campo Grande - MS - CEP: 79003-450 - Brasil Tel: (67) 784-2229 - e-mail: [email protected]
RESUMO
Uma das vantagens de se utilizar a reciclagem de papel é a economia de materiais mais nobres. Como sua
fabricação depende da derrubada de árvores, o papel está no centro das discussões sobre reciclagem
industrial.
Hoje, são cada vez mais e maiores os movimentos em prol da reciclagem. Este fato cria uma demanda tanto
por produtos recicláveis como reciclados. Conseqüentemente, a tendência é reciclar cada vez mais. O setor
papeleiro, não fugindo a regra, vem apresentando um uso crescente de fibras recicladas, representando, para
o ano 2000, 45% da produção mundial de papel.
A reciclagem de papel é uma atividade antiga. Sendo material biodegradável e, portanto, não poluente, a
preocupação ambiental que provoca está ligada apenas à matéria-prima de que é produzido e aos processos
industriais pelos quais é obtido.
PALAVRAS-CHAVE: Reciclagem do Papel, Mercado da Reciclagem, Processos da Reciclagem do Papel.
INTRODUÇÃO
Cedo ou tarde as reações do público, às diversas questões ambientais, encontradas nos países industrializados,
transferem-se para países em desenvolvimento e em processo de industrialização. Nos Estados Unidos, por
exemplo, a indústria de papel, assim como outras indústrias consideradas poluentes, é vigiada atentamente
pelo público. A indústria brasileira de papel não terá destino diverso.1
Uma das vantagens de se utilizar a reciclagem de papel é a economia de materiais mais nobres. Isto quer
dizer que, para a fabricação de alguns tipos de papéis, é possível a utilização de aparas sem perder as
características físicas do produto final. Se fosse utilizada matéria-prima virgem, material mais nobre, não se
obteria um ganho apreciável em qualquer qualidade. Isto é verdade desde que se tenha os equipamentos
necessários para o tratamento adequado das aparas.2
A celulose pode ser obtida a partir de qualquer material fibroso, porém só algumas espécies de árvores
permitem obter a qualidade requerida. As florestas nativas ou virgens não são adequadas para fabricação de
celulose devido a grande variedade de espécies, o que impede manter um padrão de qualidade. No Brasil, as
espécies mais adequadas para produção de celulose são o eucalipto, o pinho e a gmelina.2
Como sua fabricação depende da derrubada de árvores, o papel está no centro das discussões sobre
reciclagem industrial. O reaproveitamento de 75% desse produto jogado fora todos os anos evitaria a
destruição de 35 milhões de árvores.4
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Há de se convir que a quantidade de lixo gerada pelos municípios é de fato grande. No Brasil, estima-se que o
total de lixo gerado por todos os seus municípios é de 250 mil toneladas por dia, sendo que 76% ficam a céu
aberto (“lixões”) e apenas 24% recebem algum tipo de tratamento.5
Outras
4%
Pinus
30%
Eucalipto
66%
Figura 01 – Madeiras usadas na fabricação de pasta celulósica 3
Em 1800 apenas cinco em cada cem habitantes do mundo moravam em cidades. De lá para cá, este número
aumentou para 40. O homem está saindo da zona rural para cidade, onde passa a gerar maior quantidade de
lixo em relação à sua situação anterior. No Brasil, as migrações têm sido fundamentais no processo de
crescimento demográfico das cidades. Hoje, de cada 100 brasileiros, 75 moram em cidades.6
Hoje, são cada vez mais e maiores os movimentos em prol da reciclagem. Este fato cria uma demanda tanto
por produtos recicláveis como reciclados. Conseqüentemente, a tendência é reciclar cada vez mais. O setor
papeleiro, não fugindo a regra, vem apresentando um uso crescente de fibras recicladas, representando, para
o ano 2000, 45% da produção mundial de papel.7
A reciclagem de papel é uma atividade antiga. Sendo material biodegradável e, portanto, não poluente, a
preocupação ambiental que provoca está ligada apenas à matéria-prima de que é produzido e aos processos
industriais pelos quais é obtido. Sua fabricação acarreta lançamento de resíduos nas águas, ar e solo. São
motivos ecológicos ponderáveis justificando sua reciclagem, mas esta vem sendo feita há muito tempo por
outra razão: a econômica.
Mas a reciclagem do papel não é só maravilhas. Podem ser citados alguns aspectos considerados negativos
que, por vezes, aparecem como argumentos contra esta atividade, tais como: os reflorestamentos que
oferecem mais empregos que a reciclagem; as florestas em crescimento que absorvem mais dióxido de
carbono que as florestas maduras em declínio; a reciclagem que requer grandes áreas para estocagem; a
flutuação do mercado; as embalagens que estão cada vez mais sofisticadas dificultando a recuperação das
fibras.
É sabido hoje que o meio ambiente não é capaz de auto-regeneração infinita, assim os limites de poluição
serão cada vez mais restritos. Em alguns centros altamente industrializados o custo de reciclagem já está
deixando de ser um problema de viabilidade.
DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES
2
O termo aparas é atribuído, tecnicamente ao material descartado por processos industriais, ou seja, refiles,
refugos, etc., originários de gráficas, cartonagens, editoras e outros setores que utilizam papel e cartão como
matéria prima. Os artefatos em suas várias formas, que são descartados após a utilização em que constituem a
maioria do material fibroso reciclável, seriam tecnicamente definidos como “papéis usados”. O termo aparas,
no entanto, é usado indistintamente.
O mercado de aparas, ressentiu-se por muito tempo de falta de definição quanto à denominação a ser dada a
seus diversos tipos, assim como da não existência de parâmetros comuns a compradores e vendedores no que
tange a níveis de impurezas, umidade, etc.
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O mesmo tipo de mercadoria recebia denominação diferente nas várias regiões do país e os índices de
umidade, impurezas, que eram aceitos em um cliente, não o eram por outro, enfim não havia padronização de
espécie alguma.
A partir de 1979, em trabalho conjunto, levado a efeito pelo CTCP – Centro Técnico de Celulose e Papel do
IPT – Instituo de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, pela ABRAP – Associação Brasileira dos
Aparistas de Papel e pela ANFPC – Associação dos Fabricantes de Papel e Celulose, este problema foi
equacionado e resolvido.
Foram criadas 22 classificações, entre tipos e sub-tipos, definindo parâmetros mínimos e admissíveis dentro
de cada classificação, possibilitando portanto uma linguagem comum que daí por diante, muito facilitou a
comercialização do setor.
Dentro do trabalho de padronização, definiu-se impurezas e materiais proibitivos da seguinte forma:
- Impurezas – são considerados todos os papéis, cartões e papelão inadequados a uma determinada
finalidade e ainda metal, corda, vidro, madeira, pedra, têxteis, areia, clipes, elásticos, etc.
- Materiais Proibitivos – são aqueles cuja presença em quantidade maior que a permissível, segundo a
especificação, tornam as aparas inadequadas para um tipo específico de papel. Dentro dos materiais
proibitivos, pode-se citar os papéis vegetais ou glassine, papel e papelão revestidos com impermeabilizantes,
papel e papelão laminados (tratados ou revestidos com resinas sintéticas, betume, camada metálica ou filme
plástico), colas a base de resina sintética, fitas adesivas sintéticas.
As aparas atualmente comercializadas deveriam obedecer à terminologia e classificação abaixo:
- Cartões Perfurados – (holerite) são aparas de cartões de material fibroso de alta qualidade, usados na
computação de dados. Teor máximo de umidade: 10%. Teor máximo de impurezas: 1%. Teor máximo de
materiais proibitivos: 0%.
- Branco I – são aparas de papéis brancos sem impressão e sem revestimento. Teor máximo de umidade:
10%. Teor máximo de impurezas: 0%. Teor máximo de materiais proibitivos: 0%.
- Branco II – são aparas de formulários contínuos de papel branco, sem papel carbono entre as folhas e
sem revestimento carbonado. Teor máximo de umidade: 10%. Teor máximo de impurezas: 2%. Teor máximo
de materiais proibitivos: 0%.
- Branco III – são aparas de papel de imprensa e jornal, ainda sem impressão. Teor máximo de umidade:
10%. Teor máximo de impurezas: 0%. Teor máximo de materiais proibitivos: 0%.
- Branco IV – são aparas de papéis brancos de escritório, manuscritos e impressos ou datilografados,
cadernos usados sem capas, livros sem capas e impressos em preto. Teor máximo de umidade: 10%. Teor
máximo de impurezas: 5%. Teor máximo de materiais proibitivos: 0%.
- Branco V – são aparas de papéis brancos, com porcentagem mínima de impressão ou com revestimento.
Teor máximo de umidade: 12%. Teor máximo de impurezas: 25%. Teor máximo de materiais proibitivos:
0%.
- Kraft I – são aparas de papel Kraft refugados por defeitos de fabricação ou não utilizados. Teor máximo
de umidade: 10%. Teor máximo de impurezas: 1%. Teor máximo de materiais proibitivos: 0%.
- Kraft II – são aparas de sacos multifoliados já utilizados, de papel Kraft, com fibras e cores diversas, sem
escolha ou seleção. Teor máximo de umidade: 15%. Teor máximo de impurezas: 5%. Teor máximo de
materiais proibitivos: 0%.
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- Cartões de Pasta Mecânica – (aparas Paraná) são aparas de artefatos de papel, produzidos só com pasta
mecânica. Teor máximo de umidade: 12%. Teor máximo de impurezas: 0%. Teor máximo de materiais
proibitivos: 0%.
- Jornais – são aparas de jornais velhos, limos e encalhes de redação. Teor máximo de umidade: 12%.
Teor máximo de impurezas: 1%. Teor máximo de materiais proibitivos: 0%.
- Cartolina I – são aparas de cartões e cartolinas, com ou sem revestimento, sem impressão de qualquer
espécie, provenientes de cartões e cartolinas fabricadas exclusivamente com pasta celulósica. Teor máximo de
umidade: 10%. Teor máximo de impurezas: 0%. Teor máximo de materiais proibitivos: 0%.
- Cartolina II – são aparas de cartões e cartolinas com ou sem revestimento, com impressão ou em cores
variadas. Teor máximo de umidade: 12%. Teor máximo de impurezas: 10%. Teor máximo de materiais
proibitivos: 0%.
- Cartolina III – são aparas de cartões e cartolinas brancas plastificadas, com ou sem impressão. Teor
máximo de umidade: 15%. Teor máximo de impurezas: 3%. Teor máximo de materiais proibitivos: 7%.
- Ondulado I – são aparas obtidas de caixas de papelão ondulado, fabricado com capas de alta resistência.
Teor máximo de umidade: 15%. Teor máximo de impureza: 3%. Teor máximo de materiais proibitivos: 0%.
- Ondulado II – são aparas obtidas de caixas, chapas ou refugos de papelão ondulado, fabricado com capas
de resistência menor que o Ondulado I. Teor máximo de umidade: 15%. Teor máximo de impurezas: 5%.
Teor máximo de materiais proibitivos: 0%.
- Ondulado III – são aparas obtidas de caixas, chapas ou refugos de papelão ondulado, fabricado com
capas de baixa resistência e pontas de tubetes, podendo contar com até 20% de outros tipos de papéis, que
não sejam papelão ondulado. Teor máximo de umidade: 20%. Teor máximo de impurezas: 5%. Teor máximo
de materiais proibitivos: 3%.
- Revistas – são aparas de revistas velhas, encalhadas ou com defeitos de impressão, impressas em papéis
com ou sem revestimento. Teor máximo de umidade: 12%. Teor máximo de impurezas: 2%. Teor máximo de
materiais proibitivos: 1%
- Mista I – são aparas de papéis usados mistos, provenientes de sua maior parte de escritórios, gráficas,
aparas coloridas, resíduos de papéis e cartões diversos, misturados, provenientes de artefatos de papel. Teor
máximo de umidade: 12%. Teor máximo de impurezas: 5%. Teor máximo de materiais proibitivos: 1%.
- Mista II – são aparas de papéis mistos e provenientes de escritórios, lojas comerciais, casas residenciais.
Teor máximo de umidade: 15%. Teor máximo de impurezas: 10%. Teor máximo de materiais proibitivos:
3%.
- Mista III – são aparas de papéis usados mistos, de todas as procedências. Teor máximo de umidade:
20%. Teor máximo de impurezas: 15%. Teor máximo de materiais proibitivos: 5%.
- Tipografia – são aparas de recortes coloridos, provenientes de gráficas e tipografias. Teor máximo de
umidade: 10%. Teor máximo de impurezas: 1%. Teor máximo de materiais proibitivos: 0%.
No que se refere à padronização e comercialização das aparas, fica restrito a sistemas usados no Brasil, uma
vez que, para efeito comercial (exportação e importação), são obedecidos critérios de adoção de uma ou outra
norma internacional.
Embora a classificação apresentada seja a ideal, o que se observa é a grande dificuldade de se adequar os
meios de coleta e reciclagem a tais critérios, sendo que o volume de material coletado se concentra em apenas
alguns tipos dos descritos anteriormente. Muitos acreditam que tal classificação já necessita de revisão, uma
vez que, atualmente, apensas 56% dos fabricantes de papel que consomem aparas a utiliza.8 A seguir são
apresentados mais detalhadamente características do papel de escritório, papel ondulado e das embalagens
cartonadas longa vida.
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DESCRIÇÕES GERAIS: PAPEL DE ESCRITÓRIO
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No Brasil, a disponibilidade de aparas de papel é grande. Mesmo assim, as indústrias precisam
periodicamente fazer importações de aparas para abastecer o mercado. Com a escassez da celulose e o
conseqüente aumento dos preços do reciclado, as indústrias recorrem à importação de aparas em busca de
melhores preços. No entanto, quando há maior oferta de celulose no mercado, a demanda por aparas diminui,
abalando fortemente a estrutura de coleta, que só volta a normalizar vagarosamente. No Brasil, há pouco
incentivo para a reciclagem de papel porque o País é um grande produtor de celulose virgem.
Nos Estados Unidos, mais da metade do papel de escritório coletado pelas campanhas de reciclagem é
exportada. É crescente o número de indústrias americanas que reutilizam papel de escritório como matériaprima, barateando o custo da produção. Em muitos casos, porém, o custo da fabricação de papel reciclado
pode ser maior do que a produção a partir da celulose virgem. O maior mercado é o de embalagens.
36% do papel e papelão que circularam no País em 1997 retornou à produção através da reciclagem,
totalizando 1,6 milhão de toneladas. Para este cálculo, considerou-se a produção total somada à importação,
subtraindo o volume exportado. No entanto, 75% do total de papéis circulantes no mercado são recicláveis.
A maior parte do papel destinado à reciclagem, cerca de 86%, é gerado por atividades comerciais e
industriais.
No Brasil, existem 22 categorias de aparas - o nome genérico dado aos resíduos de papel, industriais ou
domésticos - classificados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e pela Associação Nacional
dos Fabricantes de Papel e Celulose.
As aparas mais nobres são as "brancas de primeira", que não têm impressão ou qualquer tipo de
revestimento. Em 1997, foram recicladas cerca de 58 mil toneladas deste tipo de papel. Quanto à apara mista,
que é formada pela mistura de vários tipos de papéis, a indústria brasileira reciclou 72 mil toneladas em
1997.
Nos Estados Unidos, o índice de reciclagem do papel de escritório é de 37%.
A reciclagem de papel é antiga. Ao longo dos anos, o material mostrou ser fonte acessível de matéria-prima
limpa. Com a conscientização ambiental, para a redução da quantidade de lixo despejado em aterros e lixões
a céu aberto, os sistemas de reciclagem de papel evoluíram. As campanhas de coleta seletiva se multiplicaram
e aumentou a ação dos catadores nas ruas, que têm no papel usado uma fonte de sustento.
O lixo derivado do papel de escritório é formado por diferentes tipos de papéis, forçando os programas de
reciclagem a priorizar a coleta de algumas categorias mais valiosas, como o papel branco de computador.
Embora tenham menor valor, os papéis mesclados, contendo diferentes fibras e cores, são também coletados
para reciclagem. Os papéis para fins sanitários (toalhas e higiênicos) não são encaminhados para reciclagem.
O mesmo ocorre com papéis vegetais, parafinados, carbono, plastificados e metalizados.
O produto com maior valor no mercado é aquele que segue rígida especificação de matéria-prima. Eles
excluem ou limitam a presença de fibra de madeira e papel colorido. Não podem conter metais, vidros,
cordas, pedras, areia, clipes, elástico e outros materiais que dificultam o reprocessamento do papel usado.
Mas as tecnologias de limpeza do papel para reciclagem estão minimizando o impacto dessas impurezas. A
umidade do papel não pode ser muito alta.
É difícil reduzir a quantidade gerada como resíduo. Os papéis destinados à impressão teoricamente podem
perder peso. As iniciativas para reduzir a geração de papel priorizam a cópia em ambos os lados, além de
diminuir o tamanho das folhas. A automação dos escritórios e a desburocratização favorecem a redução da
quantidade de papéis.
É relativamente fácil de ser decomposto, caso seja picotado de forma adequada, e, misturado a outros
resíduos, torna-se fonte de nitrogênio aos microorganismos.
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É facilmente inflamável, gerando 7.200 BTUs por quilo, comparado aos 4.500 BTUs obtidos por quilo de
lixo urbano como um todo. Papéis confidenciais, cédulas retiradas do mercado e arquivo morto ainda são
incinerados, mas poderiam ser picotados para a reciclagem ou compostagem.
O papel se degrada lentamente em aterros quando não há contato suficiente com ar e água. Nos Estados
Unidos, foram encontrados em aterros jornais da década de 50, ainda em condições de serem lidos.
Papel de escritório é o nome genérico dado a uma variedade de produtos usados em escritórios, incluindo
papéis de carta, blocos de anotações, copiadora, impressora, revistas e folhetos. A qualidade é medida pelas
características de suas fibras. Papéis de carta e copiadora são normalmente brancos, mas podem ter várias
cores. A maioria dos papéis de escritório é fabricada a partir de processos químicos que tratam a polpa da
celulose, retirada das árvores. Entretanto, papel jornal é feito com menos celulose e mais fibras de madeira,
obtidas na primeira etapa da fabricação do papel, e por isso são de menor qualidade.
No Brasil, o consumo de papel gira em torno de 6 milhões de toneladas por ano. No Rio de Janeiro, o papel e
papelão corresponderam a 24% do peso do lixo urbano em 1997. Em 1981, representavam 42%. A queda é
resultado das campanhas de coleta seletiva e do trabalho dos catadores. Nos Estados Unidos, o papel de
escritório constitui 3,3% do lixo.
O papel é separado do lixo e vendido para sucateiros que enviam o material para depósitos. Ali, o papel é
enfardado em prensas e depois encaminhado aos aparistas, que classificam as aparas e revendem para as
fábricas de papel como matéria-prima. Ao chegar à fábrica, o papel entra em uma espécie de grande
liquidificador, chamado "Hidrapulper", que tem a forma de um tanque cilíndrico e um rotor giratório ao
fundo. O equipamento desagrega o papel, misturado com água, formando uma pasta de celulose. Uma
peneira abaixo do rotor deixa passar impurezas, como fibras, pedaços de papel não desagregado, arames e
plástico. Em seguida, são aplicados compostos químicos - água e soda cáustica - para retirar tintas. Uma
depuração mais fina, feita pelo equipamento "Centre-cleaners", separa as areias existentes na pasta. Discos
refinadores abrem um pouco mais as fibras de celulose, melhorando a ligação entre elas. Finalmente, a pasta
é branqueada com compostos de cloro ou peróxido, seguindo para as máquinas de fabricar papel.
DESCRIÇÕES GERAIS: PAPEL ONDULADO
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As caixas feitas em papel ondulado são facilmente recicláveis, consumidas principalmente pelas indústrias de
embalagens, responsáveis pela utilização de 80% das aparas recicladas no Brasil. Somente 18% das aparas
são consumidas para fabricação de papéis sanitários e 8% para aqueles destinados à impressão e escrita. O
papel ondulado é o material que atualmente mais usa material reciclado no País.
No Brasil, os índices de consumo de aparas de papel por região são: Norte (2,5 %), Nordeste (6,7%), CentroOeste (2,4%), Sudeste (60,5%), Sul (26,8%). No mundo, os Estados Unidos são os que mais consomem
aparas, somando 23,4 milhões de toneladas. O Brasil participa com 1,7% do mercado mundial de aparas.
O papel ondulado é classificado em três categorias, conforme sua resistência e teor de mistura com outros
tipos de papel.
71% do volume total de papel ondulado consumido no Brasil é reciclado. Nos Estados Unidos, a taxa é de
70%.No mercado americano, as caixas onduladas têm 21% de sua composição proveniente de papel
reciclado. Muitas caixas têm coloração marrom em suas camadas. Algumas, contudo, usam uma camada
branca, conhecida como "mottled white", composta por papel branco de escritório reciclado.
O valor do papel ondulado varia muito conforme a região e o preparo do material após a separação do lixo.
Muitos países estimulam a reciclagem do papel, incentivando a instalação de usinas depuradoras capazes de
iniciar o processamento e fornecer fardos de celulose secundária para serem usados em qualquer fábrica de
papel, sem que estas necessitem de equipamentos para preparação da polpa de aparas. No Brasil, não há
iniciativas deste tipo.
ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
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O material é de fácil coleta em grandes volumes comerciais, sendo facilmente identificadas quando
misturadas com outros tipos de papel. Por isso seu custo de processamento é relativamente baixo.
A reciclagem de fibras secundárias é tão antiga quanto à própria descoberta do papel, no ano 105 D.C..
Desde aquela época, papéis usados podem ser reconvertidos em polpa para gerar produtos de qualidade
menos refinada, como os miolos das caixas de papelão, cartões e papéis de embalagens. Há muito tempo as
caixas onduladas são recicladas pelos grandes produtores de embalagens. Essa demanda produziu volume
suficiente de papel para justificar o investimento em equipamentos para preparar o material a ser negociado
com sucateiros.
Na medida em que o interesse pela reciclagem aumentou, cresceu também a quantidade de caixas feitas com
material reciclado - uma tonelada de aparas pode evitar o corte de 10 a 12 árvores provenientes de plantações
comerciais reflorestadas. E fabricação de papel com uso de aparas gasta 10 a 50 vezes menos água que no
processo tradicional que usa celulose virgem, além de reduzir o consumo de energia pela metade.
Os produtos que contaminam o papel ondulado são cera, plástico, manchas de óleo, terra, pedaços de
madeira, barbantes, cordas, metais, vidros, entre outros. Fator igualmente limitante é a mistura com a
chamada caixa ondulada amarela, composta por fibras recicladas que perderam a resistência original.
Materiais contaminantes não podem exceder 1% do volume e a perda total no reprocessamento não deve
passar de 5%. A umidade em excesso altera as condições de papel, dificultando sua reciclagem.
As tintas usadas na fabricação do papelão podem inviabilizar tecnicamente sua reciclagem. O mesmo ocorre
se o papel ondulado tiver recebido tratamento anti-umidificação com resinas insolúveis em água. O
rendimento do processo de reciclagem depende do pré-processamento do material - seleção, limpeza,
prensagem - realizado pelo aparista.
As caixas de papel ondulado normalmente têm pouco peso. Nos últimos 10 anos, obteve-se redução de peso
entre 10 e 15%. A necessidade de testes de compressão, empilhamento e ruptura para garantir a resistência
do material, limita sua capacidade de redução do peso. O uso de fibras recicladas em maior quantidade pode
aumentar o peso da caixa de papel ondulado, tornando-a mais resistente.
O papel ondulado, se cortado de forma correta, é decomposto com facilidade. Misturado a outros resíduos
torna-se fonte de nitrogênio aos microorganismos.
O material é facilmente combustível, com poder calorífico de 7.047 BTUs por quilo, comparado com os 4.500
BTUs do lixo urbano como um todo.
O material degrada-se muito lentamente em aterros.
O papel ondulado, também conhecido como corrugado, é usado basicamente em caixas para transporte de
produtos para fábricas, depósitos, escritórios e residências. Normalmente chamado de papelão, embora o
termo não seja tecnicamente correto, este material tem uma camada intermediária de papel entre suas partes
exteriores, disposta em ondulações, na forma de uma sanfona.
O Brasil tem reciclado 1.500 toneladas de papel ondulado por ano, representando 62,5% do total de aparas
encaminhadas para reciclagem. A produção nacional é de 1,6 milhão de toneladas por ano.
No Rio de Janeiro, o papelão - incluindo o papel ondulado - corresponde a 4,1% do lixo. Nos Estados Unidos,
em 1997, o papel ondulado constituiu 12,2% do peso dos resíduos urbanos antes da reciclagem, totalizando
23,9 milhões de toneladas.
Encaminhado pelos aparistas às indústrias papeleiras, o material é desagregado no "Hidrapulper", uma
espécie de liquidificador gigante que separa as fibras, transformando-as em uma mistura homogênea. Em
seguida, por meio de peneiras, retira-se as impurezas, como fitas adesivas e metais.
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No caso do papel ondulado, ao contrário do papel de escritório, não é preciso aplicar técnicas de limpeza fina,
retirada de tintas, branqueamento do material e lavagens especiais.
Com as fibras de melhor qualidade faz-se a capa de papel que é colocada na superfície externa da caixa de
papelão. As de qualidade inferior são usadas na fabricação do forro, que reveste a parte interior. E as de pior
qualidade servem para produzir o miolo ondulado, por meio de uma máquina que se chama "corrugadeira".
DESCRIÇÕES GERAIS: EMBALAGENS CARTONADAS LONGA VIDA
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Em 1996, o Brasil consumiu 3 bilhões de embalagens Longa Vida; em 1997, a produção é de 4,1 bilhões de
unidades. Para se ter uma idéia, 12 bilhões de embalagens cartonadas são consumidas anualmente nos EUA.
A embalagem Longa Vida é uma das mais modernas, preservando alimentos por muitos meses, além de
mantê-los fora do alcance de bactérias e outros microorganismos.
São três os processos possíveis para reciclagem das embalagens cartonadas:
1) Reciclagem das fibras - Feita em um equipamento semelhante a um liquidificador gigante, o
“Hidrapulper”, as fibras são hidratadas com água, separando-se do alumínio/polietileno. Após processo de
purificação, podem ser usadas para produção de papel Kraft, papelão ondulado, embalagens para ovos, etc essas três alternativas constituem mercados no País.
2) Prensagem - Depois de picadas, as embalagens são prensadas a altas temperaturas, produzindo chapas
semelhantes à madeira, ideais para a produção de móveis e divisórias.
3) Incineração com recuperação de energia - O vapor gerado move uma turbina que produz energia elétrica a
ser distribuída para a população.
Há pouca disponibilidade das embalagens Longa Vida no lixo urbano brasileiro. Atualmente, são recicladas
as aparas e sobras da produção das embalagens cartonadas e material pós-consumo, derivados da coleta
seletiva realizada em algumas cidades do País. Na fábrica da Tetra Pak de Monte Mor, no interior do Estado
de São Paulo, o resíduo de polietileno é enviado para reciclagem, servindo de matéria-prima para a produção
de uma série de itens de plástico (sacos, brinquedos, peças, etc.). Já o material laminado é reciclado
integralmente para produção de papel - papel higiênico, papel toalha, papelão ondulado e embalagens de
polpa moldada para ovos.
65% é a taxa de reciclagem de embalagens Longa Vida na Alemanha, que reciclou, em 1997, 124 mil
toneladas de material pós-consumo. Para a indústria alemã de papel e papelão, as fibras têm alto valor.
Cada tonelada de embalagem cartonada reciclada gera, aproximadamente, 650 quilos de papel Kraft,
economizando o corte de 20 árvores cultivadas em áreas de reflorestamento comercial. Os resíduos são
transformados em papel toalha, sacos industriais, solados de sapato, tapetes de carro e espaçadores de
"pallets". No Brasil, é previsto o aumento da reciclagem dessas embalagens nos próximos anos devido,
principalmente, ao aumento do consumo, à expansão dos programas de coleta seletiva e o desenvolvimento
de novos processos tecnológicos. Nos EUA a taxa de reciclagem deste material é 25%.
No Brasil, em decorrência da queda do preço do papel nos últimos dois anos, a cotação média das fibras de
papel contidas nessas embalagens é de R$ 50/t.
As embalagens Longa Vida começaram a ser produzidas, inclusive no Brasil, no início dos anos 70,
permitindo que alimentos líquidos como leite e sucos, semilíquidos como molhos de tomate e viscosos como
maionese chegassem aos consumidores sem necessidade de refrigeração ou conservantes.
As embalagens cartonadas precisam ser lavadas após o consumo porque os restos de alimentos contidos nelas
dificultam o reprocessamento do material.
Estudos realizados na Alemanha mostram que as embalagens Longa Vida geram 60% menos volume em
aterros sanitários em comparação com garrafas reutilizáveis - em relação às descartáveis, o volume é nove
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vezes menor. Para se ter uma idéia, 300 embalagens cartonadas de 1 litro, vazias e compactadas, ocupam o
espaço equivalente a 11 litros.
O papel existente nas embalagens cartonadas pode ser compostado para produção de humus utilizado em
hortas e jardins.
As embalagens Longa Vida têm poder calorífico de 21.000 BTUs por quilo. Isso significa que uma tonelada
gera energia na forma de calor equivalente ao que é obtido com a queima de 5 metros cúbicos de lenha (50
árvores adultas) ou 500 quilos de óleo combustível. Além do vapor d’água, a queima do resíduo produz gás
carbônico e trióxido de alumínio na forma sólida, usado como agente floculante em tratamento de água ou
como agente refratário em alto-fornos.
O material é estável e atóxico. Em aterros sanitários adequados, a camada de papel se decompõe lentamente.
A embalagem Longa Vida é composta de várias camadas de material - papel duplex (75%), polietileno de
baixa densidade (20%) e alumínio (5%). Assim é criada uma barreira que impede a entrada de luz, ar, água e
microorganismos nos alimentos e bebidas que envolve.
A embalagem cartonada ainda dispensa, por muitos meses, a refrigeração, processo atualmente apontado
como o maior consumidor mundial de CFC (clorofluorcarbono). Com peso unitário baixo, a embalagem
Longa Vida também exige menos quantidade de combustível para ser transportada, contribuindo para
diminuir a emissão de gases poluentes que contribuem para o efeito estufa.
O volume das embalagens Longa Vida representa menos de 1% de todo o lixo doméstico brasileiro. Nos
EUA, o material compõe 0,3% dos resíduos. A embalagem de 1 litro pesa 28g.
A reciclagem da embalagem Longa Vida é feita por meio de alguns equipamentos: o "Hidrapulper", um
purificador, células de flotação para tratamento das águas residuais, peneiras pressurizadas e baterias de
cones purificadores. O material é agitado com água no "Hidrapulper" durante 30 minutos. Depois o líquido
resultante é filtrado e lavado para a recuperação das fibras, usadas na produção de papel toalha, papel Kraft,
papelão ondulado, etc. Os resíduos de alumínio e polietileno são queimados em caldeiras de biomassa, com
filtros, para geração de vapor.
Em outro processo, o material resultante da reciclagem das fibras (plástico/alumínio), que corresponde a 25%
da massa inicial da embalagem, deverá ser reprocessado em um forno de pirólise para recuperação do metal.
O plástico existente servirá como combustível no mesmo forno de pirólise, reduzindo o consumo de gás
natural necessário para a fusão do alumínio.
COLETA E MANUSEIO: FONTES GERADORAS
10
A FAO – Food and Agriculture Organization – classifica as aparas por origem, da seguinte forma:
a)
Material originário de atividades industriais; editoras, gráficas, cartonagens, indústrias de artefatos de
papel e outras indústrias que geram refugos fibrosos.
b) Materiais originários de atividades comerciais e escritórios; supermercados, lojas, repartições públicas,
bancos, empresas de processamento de dados, etc.
c)
Material originário de residências.
d) Material originário de outras fontes.
COLETA E MANUSEIO: HISTÓRICO
10
A coleta de papéis usados no Brasil, foi iniciada junto aos grandes centros populosos, a mais de 50 anos,
sendo que esta atividade estava ligada inicialmente a sobrevivência de imigrantes de origem portuguesa,
árabe, espanhola e italiana.
ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
9
XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental
As fábricas implantadas no Brasil na época foram utilizando aos poucos, aparas em seus processos de
fabricação, até que após a década de 60 o setor recebeu grande incremento em função da crescente
dificuldade de importação de celulose e papel, aliado a um crescimento do mercado interno.
Aos poucos o setor foi evoluindo tecnologicamente e comercialmente, com equipamentos modernos e
ampliando seus negócios.
Consolidou-se desta forma o mercado aparista no Brasil, mercado este que partiu de simples carrilheiros
coletando nas ruas das cidades até apresentar nos dias de hoje, verdadeiros complexos sistêmicos para coleta
de papel, prensas automáticas, estruturas de transporte e desenvolvimento empresarial crescente.
COLETA E MANUSEIO: ESTRUTURA DE COLETA
10
Dependendo da origem do material, aumentam ou diminuem o número de elementos de cadeia de
comercialização das aparas, bem como o sistema de coleta. O comerciante de aparas, o aparista, é o elemento
que vende o material à fábrica recicladora, mas para chegar a este estágio é necessário mais do que a posse do
material. Na realidade o aparista é o banqueiro do sistema, pois a negociação entre a origem do material até a
chegada do mesmo ao aparista, são habitualmente para pagamento à vista ou antecipado, dependendo
evidentemente da situação do mercado, desta forma o aparista usa basicamente sua estrutura de capital que
lhe permite comprar à vista dos intermediários e vender a prazo para as fábricas recicladoras.
Além destes fatos existe o conhecimento de mercado de outras estruturas que o pequeno e médio
intermediário não possuem, sendo obrigados por estes fatores a repassar a mercadoria ao aparista.
O sistema de comercialização é formado de:
a) O dono do material – normalmente é o usuário do artefato de papel ou o encarregado de sua retirada.
Exemplo: donas de casa, empregadas domésticas, zeladores de edifícios, encarregados de indústrias ou
estabelecimentos comerciais.
b) O catador – este é o elemento que recolhe o material, concentrando-o, em algum ponto que permita o
acúmulo do mesmo. Exemplo: carrilheiros catadores de papel em residências e estabelecimentos comerciais,
catadores estruturados para coleta na área central da cidade, empregados da coleta de lixos que separam o
material durante seu trabalho habitual e caminhoneiros com freguesia cativa.
c) O sucateiro – este é o proprietário da área coberta ou não, onde é acumulado o material coletado pelos
catadores.
d) O depósito – normalmente pequenas empresas possuidoras de prensas para enfardar o papel e que contam
habitualmente com caminhão próprio para coleta nos sucateiros.
e) O aparista – é o destinatário do material enfardado pelos depositários.
É evidente que se a concentração de material é significativa, a ligação se faz diretamente entre o proprietário
do material e o aparista. Isto ocorre com estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços de grande e
médio porte, como fábricas de artefatos, bancos, supermercados, lojas, escritórios, repartições públicas, etc.
Alguns aparistas possuem sistemas de coleta com os referidos estabelecimentos, deixando caçambas ou
prensas enfardadeiras no próprio cliente.
ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
10
XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental
Residências
Comércios e
Escritórios
Indústria de artefatos,
gráficas, etc.
Catador
Sucateiro
(prensa)
Sucateiro
Aparista
(prensa)
Tranporte
Próprio
Fábrica
de Papel
Figura 02 – Os caminhos do papel à recicladora 11
COLETA E MANUSEIO: PROBLEMAS INERENTES À ESTRUTURA ATUAL
10
A estrutura de coleta citada, traz consigo alguns problemas graves, entre eles podem ser citados:
a) O procedimento da estrutura de coleta citada leva ao acréscimo no custo dos fretes, pelo fato de haver
muitos repasses de mercadorias.
b) Apenas os grandes aparistas possuem prensas com elevado poder de compactação, uma vez que grande
parte do volume por eles comercializados no Brasil, acarretam problemas de baixa compactação, fazendo que
o preço de frete suba, uma vez que os caminhões trafeguem com volume nominal e carga abaixo da nominal.
É conveniente notar que os custos com frete estão girando em torno de 5 a 20% do total do custo das aparas
postas na fábrica.
c) A baixa compactação acarreta problemas de estocagem nas fábricas de papel, requerendo maiores áreas de
armazenagem e acarretando dificuldade de manuseio, pois os fardos mal compactados se desmantelam com
facilidade, prejudicando o transporte interno do material nas fábricas recicladoras, que são obrigadas a
improvisar métodos próprios de armazenagem, dependendo do tipo de aparas e dos seus fornecedores,
fugindo cada vez mais de ações normalizadas e seguras, e caminhando ao encontro de improvisar, que é
típico das indústrias brasileiras recicladoras devido ao não amadurecimento do mercado aparista brasileiro.
d) Falta de padronização e homogeneidade de material, uma vez que a maior parte dos aparistas compra já
enfardada mais da metade do total das aparas que comercializa. Além do mais, apenas uma pequena faixa de
intermediários e depositários obedecem à classificação existente, por inúmeros motivos, entre eles,
desconhecimento propriamente dito, falta de mão de obra qualificada para classificação correta das aparas e
problemas comerciais. Este problema torna complicado o sistema de preços e as fábricas recicladoras são
obrigadas a gastar mais recursos com uma nova classificação ou sofisticar os seus sistemas de preparação de
massa para receber qualquer tipo de aparas, aumentado o custo e prejudicando a qualidade do produto final.
COLETA E MANUSEIO: PROBLEMAS ECONÔMICOS
10
Decorre de uma estrutura econômica frágil, que possui o Brasil, um problema de difícil solução, que é a
flutuação do mercado. De que adiantaria realizar trabalhos de conscientização da população, com referência
ao reaproveitamento do papel, se não existir um sistema de escoamento confiável que mantenha o sistema
com características constantes. Gasta-se muito tempo na montagem de um sistema de coleta estruturado que
vai se moldando com uma boa situação de mercado, por exemplo: quando o mercado caminha para a retração
esta estrutura se desmantela em suas bases, causando prejuízos de ordem social e reduzindo a taxa de
ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
11
XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental
recuperação. Quando o mercado tende a se normalizar, a estrutura de coleta demora em se reestruturar,
ocorrendo escassez de material e conseqüentemente especulação.
Deveriam ser criados pela iniciativa privada, mecanismos de trabalho que permitissem uma característica
mais estável ao sistema de coleta, beneficiamento e enfardamento de aparas. Isto poderia estimular a
exportação e levar o sistema a uma organização que tenderia a atingir padrões internacionais. O empresário
brasileiro do setor de reciclagem, deve amadurecer e fortalecer as associações de classe no sentido de lutar
junto às autoridades pelos interesses de todas as entidades de pequeno, médio e grande porte, e assim
caminhar para uma harmonia de classes.
COLETA E MANUSEIO: SELEÇÃO E CLASSIFICAÇÃO
10
Estes procedimentos com as aparas dependem do tipo de negócio realizado pelo aparista na compra do
material.
Quando a compra é feita ao nível de descartes industriais, normalmente as aparas são compradas
selecionadas, isentando o aparista de selecionar e classificar o material.
O material proveniente da maioria das demais fontes é selecionado manualmente e classificado pelo aparista.
Este setor enfrenta um problema, pois muitos comerciantes de aparas e compradores, desconhecem a
classificação existente, trabalhando com denominações próprias, oriundas de experiência pessoal ou de
regionalismo, somente o crescimento do mercado fará com que estes elementos participem de quadros
realistas e atualizados.
Quanto à flutuação do mercado, enfrenta-se o problema da marginalização a definições técnicas oficiais da
classificação existente dando lugar à lei simples da oferta e procura.
Esta série de inconvenientes leva alguns a pensar em uma reclassificação ao nível de fábrica. Existem muitos
sistemas diferentes de introdução de aparas em sistema de preparação de massa, sistemas esses que diferem
principalmente em função da produção nominal, disposição física de equipamentos, tipo de material a ser
processado e eficiência na limpeza. Estudos, levando em conta estes fatores é que devem determinar se a
fábrica recicladora deve ou não fazer algum tipo de reclassificação de aparas.
Uma pesquisa a respeito diz que a maioria das fábricas com produção até 100t/dia, fazem uma reclassificação
manual, separando materiais proibitivos e impurezas de grandes dimensões. Quando a produção atinge
maiores quantidades, este processo se torna muito difícil, fazendo com que a fábrica faça investimentos
maiores na área de limpeza automática.
COLETA E MANUSEIO: RECEPÇÃO
10
Além do esquema de reclassificação citado no item 4.6 são feitas algumas rotinas de testes na recepção das
aparas na fábrica, conforme descrito a seguir:
1) Teste de Umidade Relativa Percentual: retira-se amostra de 2, 3 ou mais fardos por carga. As amostras
são pesadas, secas em estufas e pesadas novamente. Desta forma determina-se a umidade média da carga. Se
a umidade estivar além dos limites tratados, negocia-se um desconto com o fornecedor.
2) Verificação da Carga: é comum serem abertos 2 ou 3 fardos por carga para verificação visual de níveis de
impurezas e materiais proibitivos, bem como se a classificação do material confere com o pedido ao
fornecedor. Se os parâmetros não estão de acordo, a carga é devolvida ou negociado desconto.
O PROCESSO DA RECICLAGEM DO PAPEL
A introdução de novas técnicas permite obter um material de alta qualidade a partir de papel usado quando,
no passado recente, esse reaproveitamento resultava num produto acinzentado e grosseiro.4
ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
12
XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental
O primeiro estágio da reciclagem do papel consiste na retirada da tinta. Segundo CROW e SECOR (1986),
dependendo da matéria prima e das especificações do produto final, um processo completo de destintamento
pode ser subdividido em dez etapas básicas, a saber: 1) desagregação; 2) pré-lavagem (com aquecimento e
tratamento químico); 3) peneiramento (de grossos e finos); 4) uso de centre-cleaners reversos para remoção
de partículas de plástico; 5) depuração por centre-cleaners; 6) lavagem; 7) flotação; 8) dispersão; 9)
branqueamento; e 10) recirculação e reposição de águas.12
Após o destintamento, proporciona-se um banho químico que separa suas fibras. Adiciona-se então água,
para produzir uma espécie de “sopa”, que é filtrada para a retenção de grampos e outras impurezas presentes
no papel. Em seguida, pulverizam-se e secam-se as fibras: a massa resultante é prensada em grandes placas e,
ao passar por estufas, tem seu teor de água ainda reduzido.4
Raios X e sensores de infravermelho, fornecem informações a computadores, que controlam espessura, peso,
umidade e conteúdo de caulim do papel. Detectores eletrônicos monitoram a cor do produto, de modo a
garantir a uniformidade necessária para papéis nobres.4
O PROCESSO DA RECICLAGEM DO PAPEL: O USO DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO
13
O peróxido de hidrogênio, usado nos processos de reciclagem de papel é um dos produtos que mais atendem,
de forma conveniente, aspectos ambientais, que até há algum tempo atrás, antes da formação da consciência
ecológica no primeiro mundo, eram julgados desnecessários.
O destintamento é o método que as indústrias mais recorrem na reciclagem de aparas, onde são encontradas
duas operações distintas e essenciais: a eliminação das tintas e o branqueamento das fibras celulósicas.
A utilização do peróxido começa ainda do pulper, que faz o destintamento, desintegrando os papéis com ação
simultânea de forças mecânicas, térmicas e químicas. A ação do H2O2 se dá num primeiro momento com a
oxidação do elemento ligante das tintas, que são pigmentos recobertos de um solvente e óleos, ou resinas.
Durante esta etapa, ocorre o amarelecimento da pasta, devido à ação de produtos alcalinos, o que
inviabilizaria a aplicação da apara reciclada em muitos mercados, devido à queda de sua qualidade.
Para evitar isso, acrescenta-se um agente de branqueamento na operação de destintamento. Como os papéis
velhos comumente têm uma quantidade de pasta mecânica, o H2O2 é o produto ideal para o branqueamento
por não ser deslignificante e ser ativo em meio alcalino.
A tecnologia do peróxido para o tratamento de aparas é conhecida há tempos no primeiro mundo, tanto é
que, na virada dos anos de 1973 para 1974, sua utilização passou de 1200t/ano para 2500t/ano de aparas de
papel, devido à segurança no manuseio e à flexibilidade, por não estar quimicamente ligado ao álcali.
Entre os produtos utilizados, como hipoclorito de sódio e hidrosulfatos, que têm as mesmas funções, como a
agravante de que ambos deixam resíduos que precisam ser tratados, o H2O2 leva vantagem, pois só produz
como resíduo final do processo, composições atóxicas de água e oxigênio.
Nestes processos é utilizada muitas vezes a soda cáustica que desintegra os papéis, ocasionando o
amarelecimento, se não for usado em doses exatas. Caso esta matéria prima que está sendo desagregada vá
ser utilizada na fabricação de papel branco, é necessária a ação branqueadora do peróxido, que poderia ser
utilizado desde o início. Uma pesquisa laboratorial revelou que a substituição de soda por peróxido permite a
redução no consumo de hidróxido de sódio (NaOH), pela metade.
Na Europa durante os anos 70, movimentos ambientalistas moveram uma grande campanha contra a
utilização de dióxido de cloro (ClO2), por parte das indústrias de celulose e papel. Este dióxido é um dos mais
antigos e ineficientes branqueadores, reagindo com a madeira e gerando dioxinas cancerígenas em seus
efluentes líquidos e gasosos.
ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental
13
XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental
O Brasil, por ter o parque industrial do setor de celulose e papel mais recente, incorporou as tecnologias de
hipoclorito e peróxidos as suas plantas, evitando esse perigoso produto. No momento são realizadas pesquisas
para a utilização do oxigênio, que gerará só resíduos atóxicos.
O PROCESSO DA RECICLAGEM DO PAPEL: AS EMBALAGENS CARTONADAS
Consumidores verdes do mundo inteiro pressionam as indústrias para usar embalagens feitas de apenas um
material, porque assim é mais fácil reciclá-las. A sueca Tetra Pak fabrica embalagens com três materiais –
papel, polietileno e alumínio – e nada indica que isso esteja prejudicando suas vendas. A empresa, em 1991,
comercializou 60 milhões de embalagens em 112 países, conquistando o mercado de leite, seus derivados
como creme de leite e achocolatados, e também uma infinidade de outros produtos, entre eles extrato de
tomate, água mineral e até vinhos. 14
Segundo a Datamark, uma empresa especializada em pesquisa de mercado de embalagens, foram vendidas no
Brasil 28 mil toneladas de embalagens Tetra Pak em 1991. Isso, segundo estimativa de Graham Wallis,
diretor da Datamark, representa um volume três vezes maior que o de 1985. De acordo com especialistas o
processo mais recomendável para a reciclagem das embalagens é o “Hidrapulper”, usado pelas industrias de
cartonagem, capaz de separar as fibras de papel.14
Um processo físico de separação do alumínio do polietileno está sendo estudado por outra empresa da região
de Campinas, a Rentalplast. O engenheiro Pedro Paulo Pupo, sócio da empresa, também desenvolveu uma
técnica para produzir, através de processo bioquímico, um substrato orgânico e de húmus a partir das
embalagens cartonadas.14
A empresa Tetra Pak afirma que suas embalagens são recicláveis e que vem desenvolvendo métodos para a
reciclagem de resíduos de material de embalagem, formando uma série de produtos finais utilizáveis. Estes
métodos incluem papelão prensado, solas de sapatos, tapetes de carros, tubos de bobinas para papel e filme,
espaçadores de pallets, madeira sintética e caixas para utilização em outras embalagens de gêneros
alimentícios.15
Uma outra propaganda da empresa é relacionada à incineração com recuperação de energia. “As embalagens
Tetra Pak queimam sem fazer sujeira” é o slogan que sugere a redução em até 70% do volume de resíduos
sólidos. Afirma também que em países como a Suécia, os incineradores de resíduos geram, com segurança,
proporções significativas de eletricidade e vapor de processamento para sistemas de aquecimento
municipais.15
O PROCESSO DA RECICLAGEM DO PAPEL: ALGUNS NÚMEROS
16
A reciclagem de papel economiza energia elétrica na fabricação, porque no processo original de produção já
houve o cozimento, branqueamento e refinação, atividades que consomem eletricidade e água.
Na fabricação de 1t de papel gastam-se 100 mil litros de água e 5 mil kW/h de energia. Na reciclagem, para
produção do mesmo volume, o consumo de água é cinqüenta vezes menor (apenas 2 mil litros) e o de energia
cai para a metade (2,5 mil kW/h). A publicação “The Greenpeace Surde to Paper” revela que a produção de
papel por meio de reciclagem causa 74% menos poluição do ar e 35% menos poluição de água. Além disso,
acrescenta que cada tonelada de papel velho reciclada evita o corte de dez a vinte árvores.
Atualmente, o país que mais recicla papel no mundo é a Holanda (69%), seguida pelo Japão (54,2%),
Alemanha (47,6%) e Estados Unidos (24,4%). Neste último país, apesar da menor porcentagem, há, em 34
estados, leis que favorecem o uso de papel reciclado.
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14
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O PAPEL EM CAMPO GRANDE
A empresa Veja Engenharia Ambiental realizou no ano de 1997, pesquisa da composição dos resíduos
sólidos coletados na cidade de Campo Grande obtendo o resultado apresentado na figura 03.17 Também são
apresentados resultados obtidos por outras empresas em diversas cidades para fins de comparativo.
00,00%
90,00%
80,00%
70,00%
60,00%
50,00%
40,00%
30,00%
20,00%
10,00%
Outros
Papel
0,00%
Plástico
Campo
São Paulo
Grande
Rio de
Janeiro
Metal
Salvador
Fortaleza
Vidro
Porto
Alegre
Distrito
Federal
Belo
Horizonte
Figura 03 – Composição média do lixo domiciliar em algumas capitais brasileiras 17, 11
A comparação entre as proporções dos diversos tipos de lixo para as cidades apresentadas na figura 03 fica
prejudicada por diferentes critérios adotados na amostragem, separação e classificação dos mesmos.
Observa-se que dos totais coletados, são, na maioria, quantidades oriundas do lixo domiciliar, sendo que no
montante não estão quantificados os totais destinados à reciclagem diretamente pelas empresas geradoras dos
resíduos, como comércios, repartições públicas e indústrias, ou mesmo as quantidades coletadas por catadores
e sucateiros diretamente nos domicílios.
Assim como nas maiores cidades do país, Campo Grande já possui uma estrutura razoável de coleta,
prensagem e distribuição de aparas.
Como a função do catador de aparas é uma atividade informal, não existem estatísticas confiáveis que
permitam determinar a quantidade de empregos e a produtividade do setor para Campo Grande.
Também não há dados que traduzam confiavelmente as proporções segundo fontes de origem das aparas de
Campo Grande destinadas à reciclagem, podendo ser feita referência à origem e utilização de aparas no
Brasil, conforme figuras 04 e 05.
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15
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Residências
10%
Outros
4%
Atividades Industriais e
Comerciais
86%
Figura 04 – Origem das aparas no Brasil (1990) 18
Papel para Fins Sanitários
18%
Papel para Imprimir e
Escrever
2%
Papel para Embalagem
80%
Figura 05 – Produtos fabricados com aparas (1990) 18
Segundo informações obtidas da maior empresa da cidade de Campo Grande, METAP – Metais e Aparas de
Papel Ltda., o Estado ainda não suportaria uma indústria de papel reciclado, embora tenha sido observado em
visitas a outras empresas que produzem artigos de papel, que o consumo deste produto é alto, tanto em
Campo Grande como em todo Estado de Mato Grosso do Sul. As bobinas de papel reciclado aqui utilizadas
são provenientes dos Estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul, locais estes com maior desenvolvimento sócio-econômico e cultural e onde a reciclagem
acontece com maior intensidade.
A empresa citada detém a maior parcela de recebimento de aparas de Campo Grande, pois terceiriza prensas
a sucateiros que enviam fardos já prensados, conseguindo assim um melhor desempenho do sistema. Além de
prensas terceirizadas na cidade, as possui em mais 20 cidades do interior, alcançando valores que chegaram a
1400 toneladas de papel e papelão no mês de agosto.
Assim como em quase todo o país, as empresas aparistas de Campo Grande não seguem as 22 classificações
sugeridas pela ANAFPC – Associação Nacional dos fabricantes de Papel e Celulose e pelo IPT – Instituto de
Pesquisas Tecnológicas. O argumento levantado é a falta de mão de obra especializada com o conseqüente
aumento do custo do processo, atraso no serviço e exigência e maior área para depósito. Entretanto têm
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16
XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental
conhecimento que o preço pago pelas indústrias recicladoras é mais alto para fardos classificados segundo
sugestão da ANAFPC e do IPT.
O preço médio pago em setembro de 1999 para os seguintes tipos de aparas pelas empresas da cidade são:
a) Papel Ondulado prensado:
b) Papel Ondulado solto:
c) Jornais e Revistas prensados:
d) Jornais e Revistas soltos:
e) Papel Branco:
R$ 0,16/kg
R$ 0,08/kg
R$ 0,16/kg
R$ 0,08/kg
R$ 0,22/kg
Ainda seguindo esta simples classificação anterior, utilizadas pelas empresas da cidade, foram informados os
seguintes percentuais de participação, por tipo, do volume total de aparas recebido:
a) Papel Ondulado:
70 a 80%
b) Jornais e Revistas:
08 a 10%
c) Papel Branco e Outros: 10 a 22%
Não foi conseguido obter informações detalhadas com relação ao controle de impurezas e materiais
proibitivos, alegando-se que os fardos que chegam prensados são fiscalizados apenas visualmente, e os papéis
soltos são recusados se apresentaram contaminação muito evidente.
PROPOSTA DE AÇÕES PARA A RECICLAGEM DE PAPEL EM CAMPO GRANDE
O economista Wagner José Lopes (1993)18 elaborou um plano de ações integradas visando o sucesso da
reciclagem de papel no país. Tal plano, com certas adequações, provavelmente garantiria, não só em Campo
Grande, mas como em muitas outras cidades, o avanço do sistema de reciclagem de papel. O plano consiste
em:
- 1°. Integração: é necessário um planejamento estratégico global, coordenado pelo Governo do Estado,
com a participação de municípios, empresas de limpeza e coleta, empresas recicladoras, representantes do
comércio, comerciantes de resíduos recicláveis, sucateiros, catadores, escolas, enfim todas as entidades
envolvidas no processo da reciclagem. Nesse aspecto têm-se no Estado de Mato Grosso do Sul as atividades
do Fórum de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos coordenado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente,
em andamento.
- 2°. Educação: preparar programa de educação ambiental, fazendo parte do currículo escolar matéria
sobre o assunto, treinamento de professores, e programas de treinamento de funcionários nas empresas.
- 3°. Informação: obrigar que conste de todas as embalagens e materiais com condições de ser reciclado, a
informação RECICLÁVEL. É importante que as fontes geradoras tenham com clareza os conceitos de
reciclado e reciclável, pois nem tudo que é reciclado pode ser reciclado. Reciclável – é todo resíduo em
condições de recuperação, desde que exista tecnologia disponível. Reciclado – é todo produto fabricado
parcial ou totalmente, utilizando como matéria prima resíduos recuperados.
- 4°. Reciclagem no amplo sentido: a reciclagem deve ser sempre dirigida para a melhor alternativa de
utilização dos resíduos recuperados, que atenda às exigências técnicas e econômicas, ou seja, um resíduo
recuperado não precisa necessariamente voltar à sua forma de origem. Por exemplo: uma lata de alumínio
poderá ser reciclada e transformar-se em portões, grades ou janelas, se esta aplicação for técnica e
economicamente mais viável do que transformá-la novamente em lata de alumínio. Neste item pode ser
enquadrado o programa “UFMS Lixo Zero”, desenvolvido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul,
que transforma, com tecnologia simples e barata, embalagens cartonadas de longa vida e papéis de impressão
usados em blocos, cadernos e cadernetas que atendem as populações carentes.
- 5°. Novas fontes de suprimento: é necessário que apareçam fontes alternativas de suprimento de aparas,
além dos aparistas. Acredita-se que as empresas de coleta e limpeza, em futuro próximo, deverão se
estruturar e incorporar às suas atividades a comercialização de resíduos recicláveis.
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XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental
- 6°. Coleta seletiva: o projeto de coleta seletiva não deve ser abandonado, pelo contrário, deve ser
incentivado, porém precisa ser revisto e ter suas falhas corrigidas. É importante que sejam estudadas
alternativas de descentralização e regionalização e da privatização sob monitoramento da Prefeitura. No caso
de Campo Grande, a coleta seletiva tende a ser implantada de forma já privatizada, sendo que a coleta
tradicional já é feita por uma empresa privada concessionária dos serviços.
- 7°. Legislação: reavaliar a legislação que disciplina o fluxo do lixo, bem como alterar a tributação da
coleta de lixo, desvinculando-a do IPTU, tomando para efeito de exemplo a legislação da Alemanha, fazendose as devidas análises e adaptações à realidade e necessidade de Campo Grande.
Diante de todas estas propostas conclui-se que o caminho a percorrer é longo, muita coisa deve mudar e ficar
esclarecido que não é possível soluções individualizadas. O trabalho deve ser conquistado em níveis,
evoluindo com a participação da sociedade, informando, educando, mudando de comportamento, com
reestruturação e alteração da legislação comprometendo o poder público.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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iii-065 - reciclagem de papel em campo grande - ms e