ÍNDICE INTRODUÇÃO - TRABALHO E ENERGIA NA VIDA HUMANA_______________________________ 2 O domínio do fogo _______________________________________________________________________ O surgimento da agricultura ________________________________________________________________ O surgimento da indústria__________________________________________________________________ O consumo de energia ____________________________________________________________________ 2 3 3 4 CAPÍTULO 1 AS CARGAS ELÉTRICAS _________________________________________________________ 5 LEI DE COULOMB _________________________________________________________________________ 7 EXERCÍCIOS ____________________________________________________________________________ 11 CAMPO ELÉTRICO ______________________________________________________________ 13 LINHAS DE CAMPO _______________________________________________________________________ 14 ELETRÓLISE ____________________________________________________________________________ 15 EXERCÍCIOS ____________________________________________________________________________ 18 CAPÍTULO 2 POTENCIAL ELÉTRICO __________________________________________________________ 20 DIFERENÇA DE POTENCIAL [ddp] ______________________________________________________________ 22 EXERCÍCIOS ____________________________________________________________________________ 25 CORRENTE ELÉTRICA ___________________________________________________________ 26 CORRENTE NOS CONDUTORES SÓLIDOS, LÍQUIDOS E GASOSOS ______________________________________ 26 EXERCÍCIOS ____________________________________________________________________________ 30 CAPÍTULO 3 RESISTÊNCIA ELÉTRICA _________________________________________________________ 33 RESISTOR ______________________________________________________________________________ LÂMPADA ______________________________________________________________________________ DIODO ________________________________________________________________________________ CAPACITOR_____________________________________________________________________________ EXERCÍCIOS ____________________________________________________________________________ ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES _______________________________________________________________ EXERCÍCIOS ____________________________________________________________________________ 33 34 35 36 36 37 38 POTÊNCIA ELÉTRICA____________________________________________________________ 41 EXERCÍCIOS ____________________________________________________________________________ 42 ATIVIDADES _____________________________________________________________________ 44 ATIVIDADE 1 COMPONENTES ELETRÔNICOS _______________________________________________________________ ATIVIDADE 2 O USO DO MULTÍMETRO NAS MEDIDAS DE DIFERENÇA DE POTENCIAL [DDP] E CORRENTE ELÉTRICA _____________ ATIVIDADE 3 MEDIDA DA DDP E DA CORRENTE ELÉTRICA NA ASSOCIAÇÃO SÉRIE ____________________________________ CÓDIGO DE CORES ____________________________________________________________________ ATIVIDADE 4 MEDIDA DA DDP E DA CORRENTE ELÉTRICA NA ASSOCIAÇÃO PARALELO _________________________________ ATIVIDADE 5 O TRANSISTOR – 1ª PARTE _________________________________________________________________ ATIVIDADE 6 O TRANSISTOR – 2ª PARTE _________________________________________________________________ ATIVIDADE 7 O TRANSISTOR – EXERCÍCIOS _______________________________________________________________ ATIVIDADE 8 ANÁLISE DE CIRCUITOS I ___________________________________________________________________ ATIVIDADE 9 ANÁLISE DE CIRCUITOS II __________________________________________________________________ ATIVIDADE 10 ANÁLISE DE CIRCUITOS III __________________________________________________________________ 45 47 50 51 52 53 56 58 60 62 65 INTRODUÇÃO TRABALHO E ENERGIA NA VIDA HUMANA1 O domínio do fogo Há 150 anos não existiam o ônibus ou a iluminação elétrica nas ruas. Naquela época também não havia automóveis, nem computadores ou aparelhos elétricos. Mas, difícil mesmo é imaginar o que terá sido a vida humana há 150 mil anos. Os seres humanos, antes de aprenderem a usar o fogo, viviam praticamente como os outros animais. Só utilizavam o que a natureza lhes proporcionava. O Sol era sua única fonte de luz e calor, comiam frutos que acabavam de colher e comiam crua a carne de outros animais, recém-caçados. A sobrevivência humana só era possível onde houvesse alimento disponível o ano todo e o inverno não fosse rigoroso. Os seres humanos dessa época tinham atividades muito diferentes das que temos hoje. Perambulavam em grupo e comiam o que encontravam. Nem por isso a vida era fácil. Diante de grandes feras, o caçador desarmado muitas vezes levava a pior. Em épocas de seca prolongada havia fome e, então, os grupos humanos lutavam entre si, na disputa por territórios mais férteis. Não se sabe com exatidão quando o homem começou a utilizar o fogo. Certamente há cerca de 20 mil anos já o utilizava e sabia como obtê-lo. Com o domínio do fogo a sobrevivência tornou-se mais fácil. Os seres humanos passaram a produzir luz e calor. O fogo fornecia a luz que iluminava durante a noite e o calor que aquecia nas épocas de frio. Passou a ser possível também cozinhar os alimentos, em vez de comê-los crus. Quando o aparelho digestivo faz a digestão, os alimentos passam por uma série de transformações. Essas transformações se somam às ocorridas fora do estômago, durante o cozimento de um alimento qualquer, facilitando a digestão. 1 Antes de aprender a fazer fogo, o ser humano já fazia instrumentos que facilitavam sua sobrevivência. Ao quebrar o fruto com uma pedra, aumentava e substituía a força de seus punhos e dentes. Ao caçar com um porrete ou uma lança, prolongava o alcance e aumentava a ação de seus braços. Ao cobrir-se de peles de outros animais, reforçava sua própria pele. Os instrumentos e vestimentas que o homem utilizava constituíam, basicamente, uma extensão de seus membros e outras partes do corpo. 2 Ao dominar o fogo, porém, ampliou seu domínio sobre o mundo. O dia estendeu-se para dentro da noite e funções do corpo estenderam-se para fora dele. Mas, se a vida humana tornou-se mais fácil, a organização social ficou mais complicada. As populações cresceram e novas necessidades surgiram: era preciso armazenar lenha seca para as épocas de chuva, moldar barro e queimá-lo para fazer panelas, curtir a pele dos animais. A conquista do fogo mudou muito a vida dos seres humanos. Pela primeira vez aprendiam a utilizar outra fonte de energia que não a do Sol e, dessa forma, ampliaram extraordinariamente sua capacidade de realizar trabalho, ou seja, a capacidade de transformar a natureza. Tinham à disposição uma fonte de energia que podiam utilizar a qualquer mo- 1 Adaptação de texto de Luís Carlos de Menezes mento. Além disso, essa fonte de energia lhes permitia armazenar energia fora de seu corpo. Antes do 3 domínio do fogo, a única energia que o homem Antes de tudo isso, foi preciso fabricar as ferra- guardava, de forma sistemática, era aquela obtida mentas para preparar o solo, além de construir o dos alimentos que comia. forno. Aos poucos o homem aumentou sua capacidade de Há, portanto, muito trabalho precedendo o do padei- prever as necessidades futuras. Preparavam armas, ro. Usa-se também muita energia para fazer as fer- ferramentas e panelas. Só não podiam acumular ramentas e assar o pão. Quem come o pão benefi- muita coisa porque eram nômades. cia-se do trabalho das inúmeras pessoas envolvidas em sua produção. O surgimento da agricultura O domínio do fogo significou uma revolução na vida O surgimento da indústria humana. Outra revolução ocorreu com o surgimento Nos dias de hoje, em todo mundo, quase todas as da agricultura, há cerca de 15 mil anos. coisas são produzidas industrialmente. E é difícil Os seres humanos agricultores deixaram de ser nô- imaginar que tecidos, tesouras, livros, sapatos, fer- mades e, inicialmente, fixaram-se à beira dos rios, ramentas, panelas e tantos outros artefatos pudes- onde a terra é mais úmida e mais fértil, por isso mais sem ser produzidos numa época em que não havia fácil de cultivar. Com a invenção do arado, foi possí- indústrias. vel aproveitar a força muscular dos animais. Não faz mais de 200 anos que surgiu a produção Faz apenas 5 mil anos, aproximadamente, que as industrial em substituição à artesanal. Da mesma primeiras tribos aprenderam a fazer instrumentos de forma que o domínio do fogo e a agricultura, o sur- ferro, capazes de derrubar florestas e sulcar terras gimento da indústria provocou uma grande revolução mais duras. O surgimento desses instrumentos pos- na vida humana. sibilitou que a agricultura se expandisse para longe O que caracterizou o surgimento da indústria foi o da margem dos rios. E, com a expansão da agricultu- emprego de muitas máquinas, usadas em seqüência ra, expandiu-se também a civilização. Aos poucos por operários especializados. Antes da indústria, formaram-se pequenas aldeias e cidades. porém, algumas máquinas já eram utilizadas isola- Se com a agricultura o homem conquistou maior damente, como o moinho de vento ou a roda d'água. segurança, no que diz respeito à sobrevivência, tam- A produção industrial, no entanto, é mais rápida por- bém passou a ter mais trabalho. A agricultura exige que organiza e controla o trabalho humano por meio cuidados com o plantio, a colheita, o armazenamento do uso de máquinas. Mas há outras características. etc. Uma delas é o aparecimento do trabalho especiali- Com a agricultura e o uso de animais, os seres hu- zado, não no sentido artesanal do especialista em manos passaram a controlar mais duas fontes de confeccionar sapatos, mas no sentido da linha de energia: a dos vegetais que plantavam e a dos ani- produção como, por exemplo, é o caso do trabalho mais que usavam. de um especialista em costurar a sola dos sapatos. Ao mesmo tempo, a obtenção dos alimentos passou Outra é o aumento da quantidade de máquinas a a depender do trabalho de muitos homens e mulhe- substituir o esforço humano. res e de maior quantidade de energia. Para fazer um Essas máquinas sempre utilizam algum tipo de ener- pão, tal como hoje ocorre, é preciso preparar o solo gia. As primeiras máquinas industriais eram movidas para o plantio do trigo. Depois de colhido o trigo, é a vapor d’água, produzida pela queima do carvão. feita a farinha, com a qual se faz a massa do pão. Hoje a maioria é movida pela eletricidade ou por Por fim, o pão é assado em um forno. derivados de petróleo. 4 Com o tempo, as indústrias especializaram-se e a correremos o caminho que nos possibilitará conhe- fabricação de um produto passou a depender de um cer com maiores detalhes características de circuitos conjunto de indústrias. Embora cada indústria tenha elétricos. A segunda parte de nosso trabalho – com- se especializado na fabricação de um certo produto, preender os processos envolvidos na geração da todas possuem operários e utilizam matérias-primas energia elétrica pelas usinas e as questões relativas e energia 3 . Utilizam energia elétrica e outras ao aumento e rebaixamento da tensão – serão con- formas de energia obtidas de derivados do petróleo e templados no estudo do eletromagnetismo, que se do carvão. Essa energia é usada em máquinas, cal- dará em seguida ao da eletricidade. deiras e fornos. APLICAÇÃO O consumo de energia Um dos fatores que moldou as sociedades modernas A. Releia o parágrafo assinalado por 1 e explique o significado das frases nele contidas. foi a industrialização. E o modo de produção industrial sofreu grande modificação quando a eletricidade O grupo deverá entregar texto, na próxima se- pôde ser usada em grande escala. A eletricidade mana [no horário da aula] com informações quí- também influenciou de forma radical a vida cotidiana micas e biológicas que apoiem ou refutem as das pessoas. afirmações existentes no parágrafo da questão Ao apertar o botão do interruptor, para acender uma anterior. lâmpada, ou ligar um televisor estamos fechando um Sugestão: o grupo pode entrevistar um profissio- circuito elétrico que liga nossa casa à rede de ener- nal de saúde. gia elétrica. A energia elétrica que chega às residências, indústrias, hospitais, escolas, fazendas etc. é B. Explique a afirmação contida no parágrafo gerada em usinas. Existem vários tipos de usinas. assinalado por No caso do Brasil, as mais importantes são as usinas a) no período a que se refere o texto; b) nos hidrelétricas. Das usinas geradoras, a energia elétrica é conduzida por fios grossos – os cabos de alta tensão – até uma instalação chamada subestação rebaixadora de tensão. A subestação pode estar na cidade ou na zona 2 e dê outros exemplos dias de hoje. C. Em breves palavras, descreva a trajetória da humanidade no que diz respeito ao uso da energia e que, no texto, parece terminar na rural. Da subestação, a energia elétrica é conduzida frase marcada por 3 a equipamentos denominados transformadores de crito há mais de 5 anos; você acrescentaria tensão, como os que existem em alguns postes de alguma nova faceta do uso da energia? [por rua. Dos transformadores é conduzida aos locais de exemplo, a enorme modificação causada consumo, como residências, indústrias, estabeleci- pela informática] mentos comerciais etc. Passa pelo medidor de consumo de energia elétrica [o relógio de luz] e, em seguida, pelos aparelhos que desejamos ligar. Compreender esse processo, que se inicia na usina geradora, e termina na instalação elétrica de nossas residências é o objetivo principal de nosso trabalho. Isso não significa, porém, que a seqüência do conteúdo seguirá esta disposição linear. Inicialmente, per- . Esse texto foi es- 5 A existência dos corpos eletrizados é conhecida desde a Grécia Antiga [cerca de 600 a.C.], mas foi Benjamim Franklin [1706-1790] quem CAPÍTULO 1 finalmente as denominou. Ele chamou a carga que aparece no vidro, que foi atritado com seda, AS CARGAS ELÉTRICAS 2 de "positiva" e a carga que aparece na borracha dura, que foi atritada com pele de animal, de Quando um raio de Sol passa pela fresta de uma sala escura, podemos ver pequenas partículas de poeira, fuligem e cinzas no ar. Enquanto algumas dessas partículas ocorrem naturalmente, muitas outras são produzidas por veículos e fábricas. Essas partículas são um incômodo estético – escurecem nosso ar e sujam nossas vizinhanças – e são um perigo à saúde. Uma maneira de controlar parte desse tipo de poluição é instalar filtros de partículas nas chaminés das indústrias. Essa filtragem não é fácil por que a resistência do ar torna difícil empurrar pequenas partículas para fora do ar. É por isso que as indústrias utilizam filtros eletrônicos. Esses equipamentos retiram partículas do ar usando a força eletrostática – a mesma força que faz as roupas grudarem quando são removidas de uma secadora, por exemplo. Neste capítulo examinaremos a eletricidade estática para entender como os filtros eletrônicos e outros equipamentos funcionam. A eletricidade estática é um fenômeno originado pelas cargas elétricas. A carga elétrica ou simplesmente carga é uma propriedade intrínseca da matéria. Muitas das partículas subatômicas, a partir das quais a matéria é constituída, têm carga. "negativa". Essa escolha determinou, mais tarde, que o elétron, o principal condutor da eletricidade, fosse uma partícula negativamente carregada. A principal evidência da carga elétrica é que os objetos carregados exercem forças sobre outros. Elas podem ser de atração ou repulsão. Se os objetos possuem o mesmo tipo de carga elétrica [ambos positivos ou ambos negativos], então cada um deles experimenta uma força de repulsão que age no sentido de afastá-los um do outro. Por outro lado, se os objetos possuem cargas opostas [um é positivamente carregado e o outro negativamente carregado], então ficam sujeitos a forças de atração que puxam um em direção ao outro. Essa força entre corpos eletricamente carregados estacionários é chamada de força eletrostática ou coulombiana. Os filtros de ar eletrônicos usam a força eletrostática para puxar a poeira [e outras partículas] para fora do ar. Um filtro típico dá a cada grão de poeira uma carga negativa e, então, os coleta em uma superfície positivamente carregada. Mas como esses grãos tornam-se negativamente carregados? Essa questão levanta três pontos importantes sobre a carga elétrica. Em primeiro lugar o filtro não pode criar carga elétrica. Como a quantidade de movimento, o momento angular e a energia, a carga elétrica é 2 BLOOMFIELD, L. A., How things work: The physics of everyday life, NY: John Wiley & Sons, 1996 uma quantidade física que se conserva e não pode ser criada ou destruída. Pode apenas ser 6 transferida de um corpo para outro. Assim, para o grão está eletricamente neutro. Mas atingir o filtro tornar os grãos de poeira negativos pre- exatamente o valor zero é possível apenas por cisa transferir essa carga negativa de um outro causa de outra importante característica da car- lugar qualquer. ga elétrica: ela é quantizada. Cargas elétricas CARGA ELÉTRICA É UMA GRANDEZA QUE SE CONSERVA são constituídas por múltiplos inteiros de uma quantidade específica, a carga elétrica ele- Em segundo lugar, tornar-se negativamente mentar (e). Ninguém jamais observou um ob- carregado não significa que o corpo não contém jeto isolado com outra coisa que não um núme- nenhuma carga positiva. A matéria é sempre ro inteiro dessa unidade elementar de carga. uma mistura de cargas positivas e negativas e o Por causa da quantização da carga elétrica, o grão de poeira não é exceção. De fato, a força grão de poeira torna-se neutro quando contém eletrostática existente entre as cargas positivas tantas unidades elementares de carga positiva e negativas é o que mantém o grão de poeira quanto de carga elementar negativa. unido. A unidade elementar de carga elétrica é extre- Mas o grão tem uma carga elétrica líquida – a mamente pequena, apenas 1,6x10–19 C. Essa é soma de todas as cargas individuais. Essa car- a quantidade de carga elétrica encontrada na ga elétrica líquida é que determina a força ele- maioria das partículas subatômicas. Um elétron trostática total que o grão experimenta enquanto possui uma unidade de carga elementar negati- passa pelo filtro. Se a quantidade total de carga va e um próton – uma das partículas subatômi- estiver desequilibrada, isto é, se houver excesso cas encontrada no núcleo do átomo – possui de carga positiva ou negativa, então o corpo uma unidade de carga elementar positiva. Como estará eletrizado. as únicas partículas carregadas na matéria SE HOUVER DESEQUILÍBRIO NA QUANTIDADE CARGAS INDIVIDUAIS, O CORPO POSSUI CARGA ELÉTRICA "comum" são elétrons e prótons, um grão de poeira neutro contém o mesmo número de prótons e elétrons. A carga elétrica é medida, no Sistema Internacional de Unidades (SI), em coulomb, cujo sím- A CARGA ELÉTRICA É QUANTIZADA |q| = n e n = 0, 1, 2, 3 ... bolo é C. Um coulomb é uma quantidade muito A tarefa mais difícil do filtro eletrostático é a de grande de carga elétrica. Em um dia seco de eletrizar a poeira. Esse aparelho, também cha- inverno, se andarmos sobre um carpete com mado precipitador eletrostático, usa um efeito sapatos de sola de borracha, acumularemos denominado de efeito corona para dar à poeira algo em torno de 0,000001C de carga elétrica uma carga negativa. Para entender esse tipo de negativa. descarga, precisamos examinar as forças entre Em terceiro lugar, o grão de poeira provavel- as cargas elétricas em maiores detalhes. mente entra no filtro de ar com uma carga líqui- Essas forças dependem de três coisas. Em pri- da nula. Isso porque um grão carregado atrai meiro lugar, como já vimos, dependem do tipo cargas opostas. À medida que adquire essas de carga elétrica dos corpos eletrizados. Cargas cargas opostas, a carga líquida diminui até zero. iguais se repelem enquanto que cargas opostas Quando a carga atinge o valor zero, diz-se que se atraem. Em segundo lugar, a intensidade das 7 forças é proporcional às quantidades de cargas desses corpos. Se a carga elétrica de um deles for duplicada, o valor da força elétrica duplicará. Terceiro, a intensidade dessas forças é inversamente proporcional ao quadrado da distância que separa as duas cargas, isto é, vão ficando mais fracas à medida que os corpos eletrizados se afastam. Por exemplo, se a distância entre os corpos for duplicada, o valor das forças sobre eles cairá quatro vezes, isto é, será um 1/4 do valor inicial; por outro lado, se a distância cair à metade, as forças ficarão 4 vezes maiores do que o valor original. Tais idéias podem ser combinadas para descrever as forças que agem sobre duas cargas elétricas e escrever a CARGA ELÉTRICA ELEMENTAR e = 1,6x10–19 C LEI DE COULOMB Força = constante módulo carga1 . módulo carga 2 (distância entre as cargas) 2 1,0 C ⇒ 6,25 x 1018 elétrons QUANTIZAÇÃO DA CARGA ELÉTRICA |q| = n e ou em símbolos: F=k UNIDADE DE CARGA ELÉTRICA – SI coulomb [C] q1 q 2 d2 Essa relação matemática, proposta pelo físico francês Charles Augustin de Coulomb [17361806], ficou conhecida como lei de Coulomb. A constante eletrostática k, que aparece na relação vale aproximadamente 9,0x109 N m2/C2 e é uma das constantes encontradas na natureza. E, como determina a terceira lei de Newton, a força exercida pela carga1 sobre a carga2 tem o mesmo valor, direção e sentido oposto à força exercida pela carga2 sobre a carga1. LEI DE COULOMB O VALOR DAS FORÇAS ELETROSTÁTICAS EXISTENTES ENTRE DUAS CARGAS ELÉTRICAS É PROPORCIONAL AO PRODUTO DESSAS CARGAS E INVERSAMENTE PROPORCIONAL AO QUADRADO DA DISTÂNCIA ENTRE ELAS. n = 0, 1, 2, 3 ... 8 um corpo não exerce força eletrostática em uma partícula que estiver localizada no seu interior. A lei de Coulomb sobreviveu a todos os testes Além disso, as forcas eletrostáticas agem sem- experimentais, inclusive no interior do átomo. pre na direção da linha que une os centros das Ela descreve corretamente a força entre as partí- cargas elétricas. culas elétricas positivas do núcleo – prótons – e Após essas considerações a respeito da força cada um dos elétrons – negativamente carrega- eletrostática, podemos retornar à questão do dos da eletrosfera. Essa lei simples também da filtro eletrostático. conta da forças que ligam os átomos para formar De acordo com a lei de Coulomb, a repulsão as moléculas e das forças que ligam átomos e entre cargas iguais aumenta dramaticamente moléculas para formar sólidos e líquidos. quando são aproximadas umas das outras. As- Por razões históricas, e por que simplifica mui- sim, quando cargas iguais são forçadas a se tas relações matemáticas, a constante eletros- aglomerar em uma superfície, a intensa repul- 1 . 4 π εo são que aparece pode empurrar algumas delas A quantidade ε0 é chamada permissividade elétri- léculas de gás ou partículas de poeira que estão ca do vácuo. ao redor. Esse fluxo de carga de uma superfície A força eletrostática é uma grandeza vetorial, pois para o gás das proximidades ou poeira é o além de possuir módulo, direção e sentido, obedece efeito corona. ao princípio da superposição. Isso quer dizer que, se Esse tipo de descarga é produzido com maior tivermos n partículas elétricas em uma certa região, facilidade ao redor de pontas afiadas de metal elas interagirão aos pares e a força total sobre cada ou fios finos de metal. Isso porque as cargas uma delas será dada pela soma vetorial r r r r r F1 = F12 + F13 + F14 + ... + F1n [para a partícula 1] iguais tendem a se aglomerar nesses pontos e tática k é usualmente escrita como k = A lei de Coulomb vale para partículas carregadas, corpos carregados que possam ser considerados pontuais, cascas esféricas (incluindo esferas sólidas) uniformemente carregadas. Nesse caso, podemos dizer que: um corpo uniformemente carregado atrai ou repele uma partícula, que está fora desse corpo, como se toda a carga elétrica do corpo estivesse localizada no seu centro. para fora da superfície e passá-las para as mo- empurrar umas às outras para o ar. Esse comportamento não é comum porque as forças de repulsão tendem a espalhar as cargas uniformemente na superfície externa de um objeto metálico. Mas uma ponta ou um fio constitui-se em um lugar onde poucas cargas podem ficar bastante distanciadas do restante das outras cargas de mesmo sinal. Embora essas poucas cargas repilam-se ferozmente, o restante das cargas do objeto as empurram com intensidade suficiente para mantê-las na ponta ou no fio. Colocar carga negativa em uma ponta metálica ou em um fio requer energia, por isso o efeito corona requer uma fonte de energia. O efeito corona não se inicia até que as cargas sejam Por outro lado, fortemente acumuladas e é necessário usar uma grande quantidade de trabalho para empur- 9 rar as últimas poucas cargas através do metal. quantidade de partículas elétricas, o que confere ao Quando o efeito corona se inicia, as cargas elé- íon uma carga elétrica líquida não nula. tricas estão com elevados valores de energia (c) Os 10 elétrons do íon equilibram o efeito de 10 potencial eletrostática. A liberação dessa energia, durante a descarga, é acompanhada da produção de luz. O efeito corona pode ser visto ao redor de fios de alta tensão ou perto das pontas dos pára-raios. Nos navios, o efeito co- prótons do núcleo. Assim, a carga elétrica líquida –19 corresponde à de 1 próton, ou seja, q = +1,6x10 C. 3. Um corpo foi eletrizado por atrito, adquirindo uma –6 carga elétrica – 2,4x10 C [– 2,4 µC]. Que quantida- de de elétrons cedeu ou recebeu? rona é visto próximo ao topo dos mastros e é SOLUÇÃO conhecido como fogo-de-santelmo. Como a carga elétrica apresentada é negativa, o corpo deve ter recebido elétrons. A quantidade n de elétrons adquirida pode ser calculada por: EXEMPLOS |q| = n e –6 –19 2,4x10 C = n (1,6x10 238 1. O urânio 238 [ U], que é encontrado em minério n = 1,5x10 comum de urânio, pode decair por emissão de uma C) 13 4 partícula α [que é o núcleo do hélio, He] e se transformar em tório [ 4. Uma moeda de 1 centavo, de massa m = 3,11 g, 234 Th]: 238 U→ 234 contém quantidades iguais de partículas elétricas 4 Th + He Essa equação respeita o princípio da conservação (a) Assumindo que a moeda é feita apenas de cobre, da carga elétrica? qual o valor q da carga positiva total [igual à carga SOLUÇÃO O número atômico do núcleo pai negativas [elétrons] e positivas [prótons]. 238 U é 92, o que nos diz que esse núcleo contém 92 prótons e carga de 92e. A partícula α emitida tem Z = 2, e o núcleo filho 234 Th tem Z = 90. Assim, a quantidade de carga an- tes do decaimento, 92e, é igual ao total presente depois do decaimento, 90e + 2e. A carga é conservada. SOLUÇÃO Um átomo neutro tem carga negativa total de valor Ze, associada à quantidade de seus elétrons, e uma carga positiva total de mesmo valor, associada à quantidade de prótons de seu núcleo. O número Z é o número atômico do elemento. Para o cobre Z = 29 o que significa que um átomo de Cu tem 29 prótons 2. O átomo de sódio possui número atômico Z =11. + Ao reagir com o cloro (Z = 17), torna-se um íon Na ao ceder um de seus elétrons ao cloro. (a) O número atômico do sódio se modifica, ao se transformar em + Na ? (b) Qual número de elétrons presentes no íon + total negativa] dessa moeda? + Na ? (c) Qual a carga elétrica líquida do íon Na ? O valor da carga q, que procuramos, é NZe, na qual N é o número de átomos da moeda. Para encontrar N, multiplicamos o número de moles do cobre, na moeda, pelo número de átomos em um 23 mol [NA = 6,02x10 átomos/mol – número de Avo- gadro]. O número de moles do cobre na moeda é SOLUÇÃO (a) O número atômico indica a quantidade de prótons existentes no núcleo do átomo e caracteriza o particular elemento ao qual corresponde e não sofre mo- m/M, sendo M a massa atômica do cobre – 63,5 g/mol. Assim N = NA dificação em uma reação química. (b) Como o átomo de Na cedeu 1 elétron, o íon Na e, quando eletricamente neutro, 29 elétrons. + possui 10 elétrons. Há, portanto um desequilíbrio na m M = 6,02x10 23 22 = 2,95x10 átomos 3,11g mol 63,5g/mol átomos 10 Para encontrar o valor da carga total (positiva ou maior, menor ou igual a 2F? (e) Qual a direção da negativa) na moeda força resultante sobre a partícula central? q = NZe 22 –19 = (2,95x10 ) (29) (1,6x10 C) = 137 000 C 5 = 1,37x10 C Essa é uma carga enorme! Para fazermos uma comparação, quando friccionamos um bastão de plástico com pele de animal, teremos sorte de depositar cer–9 ca de 10 C no bastão. (b) Suponha que a carga positiva e a negativa da moeda possa ser concentrada em dois pontos sepa- SOLUÇÃO rados de 100 m. Qual o valor da força eletrostática Esse é um exemplo do princípio da superposição das atrativa entre esses pontos? forças ou do fato de que as forças se somam segun- SOLUÇÃO do as regras da adição vetorial. Da lei de Coulomb, temos (a) Já sabemos que a força ele- F=k trostática é calculada a partir da q1 q2 d 9 Nm 2 (1,37x10 5 C)2 C2 (100m) 2 16 = 1,7x10 N Essa força corresponde ao peso de um corpo de 12 q Q d2 lei de Coulomb. 2 = 9,0x10 cerca de 2x10 F=k toneladas! Mesmo se essas cargas fossem separadas pelo diâmetro da Terra [6400 km], a força atrativa continuaria enorme, correspondente ao peso de 120 ton. De fato, é impossível perturbar muito a neutralidade elétrica da matéria comum. Se tentarmos remover uma fração considerável de cargas de um tipo de sinal (positiva ou negativa) de um Como as partículas têm carga de mesmo valor e a distância d entre 3 elas tem valor igual , as forças sobre a carga central, em virtude da existência de cada uma das cargas do eixo X têm o mesmo valor ⇒ F1 = F2 = F [veja figura]. Observe que as forças foram traçadas na direção da tomaticamente, tendendo a colocá-las de volta. linha que une as cargas e são forças de repulsão. r r (b) As componentes F1X e F2X , que são as projeções r r de F1 e F2 na direção do eixo X, estão representadas 5. A figura mostra uma situação na qual partículas na figura a seguir. corpo, uma enorme força eletrostática aparece au- de carga +q são fixadas em um sistema de eixos ortogonais. As partículas no eixo X são eqüidistantes do eixo Y. Considere, para responder às questões a seguir, a partícula central; essa partícula experimenta forças de cada uma das outras 2 partículas. (a) Os valores dessas forças são iguais ou diferentes? (b) As componentes X dessas duas forças se somam ou se cancelam? (c) As componentes Y dessas duas forças se somam ou se cancelam? (d) O valor da força resultante sobre a partícula central é 3 Essa igualdade pode se provada pelo caso de congruência de triângulos LAL. 11 Como F1 = F2, a geometria da figura nos permite r r afirmar F1X e F2X têm módulos [valor] iguais e são APLICAÇÃO A. O texto apresenta alguma definição para a vetores de mesma direção e sentidos opostos. Des- carga elétrica? [Reavalie sua resposta ao se modo, a adição vetorial resulta nula, ou seja, eles término desta aplicação.] se cancelam. Esse resultado indica que a força ele- B. Que evidência levou a propor a existência trostática sobre a carga central não possui componente na direção do eixo X. r r (c) As componentes F1Y e F2Y , que são as projeções r r de F1 e F2 na direção do eixo Y, estão representadas na figura a seguir. da carga elétrica? C. Que tipos de força aparecem entre as cargas elétricas? Quais as condições para essas forças existirem? D. Quem adotou a convenção de denominar as cargas elétricas por positivas ou negativas?4 E. Liste as características fundamentais da carga elétrica. F. Nomeie e dê as principais características das partículas elementares básicas do átomo. G. O átomo de hidrogênio é neutro. Explique. H. Qual a quantidade de partículas básicas do íon Na+? Qual a carga elétrica do Na+? Usando argumentos geométricos é possível mostrar I. que F1Y = F2Y. Além disso, como essas componentes J. A lei de Coulomb vale para qualquer corpo têm mesma direção e sentido, a adição vetorial resulta em um vetor cujo módulo é FY = F1Y + F2Y. carregado? K. Dado Portanto elas se somam. r r (d) Já dissemos que as forças F1 e F2 têm o mesmo o valor da constante elétrica k = 9,0x109 Nm2 /C2, determine o valor de ε0. L. Em um modelo simples para o átomo de hélio, valor, portanto F1 = F2 = F e F1 + F2 = 2F. dois elétrons orbitam um núcleo constituído Por outro lado, a força resultante sobre a carga cenr r r r tral é F = F = F1Y + F2Y , uma vez que as compoR Escreva a lei de Coulomb para a força elétrica. por dois prótons. A intensidade da força exercida sobre o núcleo, por um dos elétrons, é Y nentes X se anulam. Como F1Y < F1 e F2Y < F2, a maior, menor ou igual à força exercida pelo força resultante é menor do que 2F. núcleo sobre o elétron? Justifique. (e) A direção da resultante é vertical [veja figura]. EXERCÍCIOS 1. Explique, sob o ponto de vista atômico, a razão pela qual a carga elétrica, usualmente, é transferida pelos elétrons. 4 Na época em que a convenção foi adotada se acreditava na existência do fluido elétrico. Assim, um corpo eletrizado possuía mais ou menos fluido elétrico. 2. Quando nos penteamos com um pente de 12 10. Uma carga elétrica de 6,70µC está locali- plástico, muitas vezes, ele eletriza o cabelo zada a 5,00 cm de outra carga de – 8,40µC. De- seco. Os fios do cabelo são, então, vivamente terminar a força eletrostática de uma carga sobre repelidos. Explique. a outra. 3. Se um corpo A [pendurado por um fio iso- 11. Suponha que 1,0 g de hidrogênio monoatômi- lante] for atraído por um corpo B, que está ele- co seja separado em elétrons [qe] e prótons [qp]. trizado, podemos concluir que o corpo A está Esses elétrons e prótons são afastados de uma obrigatoriamente eletrizado? Explique. distância igual à existente entre os pólos da Terra. Que força de atração surgirá entre essas duas 4. A quantos elétrons corresponde uma unida- cargas elétricas [qe e qp], nessa situação? de de carga elétrica do SI ⇒ 1,0 C? 12. (a) Calcular o número de elétrons de um pe5. Um corpo foi eletrizado positivamente com –5 uma carga elétrica de 2,4 x 10 C. Quantos queno alfinete de prata, eletricamente neutro, com 10,0 g de massa. A prata tem 47 elétrons por átomo, e a sua massa atômica é 107,87. (b) Cal- elétrons perdeu ou ganhou, nessa situação? cular o valor da carga elétrica dessa quantidade 6. Um certo objeto foi eletrizado ficando com de elétrons. (c) A esse alfinete são adicionados 3,5 x 1018 elétrons em excesso. Qual o valor da elétrons, até que a carga em excesso seja carga elétrica adquirida pelo objeto? Ele está 1,0 mC. Quantos elétrons foram adicionados? eletrizado positiva ou negativamente? 23 -1 constante de Avogadro: NA = 6,022 x 10 mol 6 raio da Terra: R = 6,4 x 10 m 7. O que significa dizer que a carga elétrica é quantizada? 13. Uma carga de 1,3µC está situada no eixo X, em x = – 0,50 m; uma outra carga, de 3,2µC, se 8. Supõe-se que os raios cósmicos sejam situa no eixo X, em x = 1,50 m; e uma terceira constituídos por prótons. Se o fluxo dessas par- carga de 2,5µC, está na origem do eixo x. Deter- tículas minar o módulo da força que age sobre a carga atinge 3 a Terra à taxa de 2 1,5 x 10 prótons/m .s, qual a quantidade de de 2,5µC. Todas as cargas são positivas e fixas. carga elétrica que atinge a superfície da terrestre em 1,0 s? [Adote que o raio da Terra vale 6 6,4 x 10 m. A área da superfície da esfera é A = 4 π r2] 14. Três cargas puntiformes, de valores 2,5µC, 7,0µC e – 4,0µC, estão fixadas nos vértices de um triângulo eqüilátero, como mostra a figura. Calcular o módulo da força resultante sobre a 9. Dois prótons, numa molécula, estão separados por uma distância de 3,8 x 10– 10 m. Determine o valor força eletrostática de uma carga sobre a outra. carga de 7,0µC. 13 A orientação das sementes, tanto na figu- CAMPO ELÉTRICO Um corpo carregado causa modificações nas propriedades elétricas do espaço. Essas propriedades afetam o comportamento de corpos colocados nessa região. Dizemos, então, que se um corpo sofre a ação de uma força elétrica ao ser colocado numa região do espaço, nessa região existe um CAMPO ELÉTRICO. Como exemplo, na figura 1.1, mostramos a fotografia de uma placa carregada, parcialmente imersa em um líquido isolante no qual flutuam sementes de grama. A disposição das sementes evidencia a existência de um campo elétrico criado pela placa. Se não houvesse carga na placa, as sementes estariam distribuídas ao acaso. ra 1.1 como na figura 1.2, indicam que o campo elétrico tem uma direção. Realmente, o campo elétrico caracteriza a força que atua sobre uma unidade de carga elétrica colocada em um ponto qualquer desse campo e, portanto, além do módulo possui direção e o sentido. A razão F dá o valor [módulo] do campo elétriq co em um determinado ponto. Mas para caracterizá-lo completamente é necessário indicar, além de seu módulo, sua direção e sentido, ou seja, é preciso considerar as características vetoriais do campo. De forma geral, podemos escrever que o campo elétrico é dado pela relação r r F E= q As características vetoriais do campo em um determinado ponto estão relacionadas com as Figura 1.1 – Campo elétrico de uma placa carregada. da força que age sobre uma carga elétrica q colocada nesse ponto. Como o sentido da força elétrica depende do sinal de q, adota-se por convenção que a carga utilizada para definir o Se dispusermos paralelamente duas dessas placas, carregadas com cargas de mesmo valor, mas de sinais opostos, o campo produzido por uma delas se combina com o da outra. Esse fato é evidenciado na figura 1.2 pela disposição das sementes. sentido do campo é positiva. Em outras palar vras, o vetor campo elétrico E em um ponto tem a mesma direção e sentido da força que age sobre uma carga positiva colocada nesse ponto. O campo elétrico também atende ao princípio da superposição. Se num ponto de uma região, onde existem n partículas elétricas, colocarmos uma carga de prova, poderemos representar, independentemente, as n forças que agirão sobre ela. A cada uma dessas forças estará asso- Figura 1.2 – Campo elétrico de duas placas carregadas com cargas de sinais opostos. ciado um vetor campo elétrico e o campo elétrico total será obtido da soma vetorial de todos os campos existentes no ponto. LINHAS DE CAMPO 14 Se a carga elétrica é negativa, os vetores O conceito de linhas de campo foi introduzido campo elétrico estarão dirigidos para a carga, pelo físico inglês Michael Faraday, no sécu- em cada ponto do espaço, como mostra a figu- lo XIX, com a finalidade de representar os cam- ra 1.5. Podemos traçar, também nesse caso, as pos por meio de diagramas. linhas de campo correspondentes a essa carga. Para que possamos compreender essa concep- Observe a figura 1.6 e verifique que a configu- ção de Faraday, suponhamos uma carga pontu- ração dessas linhas é idêntica àquela da carga al positiva Q e o campo elétrico no espaço em pontual positiva, diferindo apenas no sentido de torno dela. Em cada ponto desse espaço temos orientação das linhas. No campo da carga posi- um vetor campo elétrico, cujo módulo diminui à tiva as linhas divergem a partir da carga e no da medida que nos afastamos da carga. Na figu- negativa convergem para a carga. ra 1.3 estão representados esses vetores em alguns pontos em torno de Q. Figura 1.5 – Campo elétrico da carga negativa. Figura 1.3 – Campo elétrico de uma carga positiva. Se traçarmos linhas passando por esses vetores, orientadas no mesmo sentido deles, como mostra a figura 1.4, obteremos a representação das linhas de campo dessa carga. Figura 1.6 – Linhas do campo elétrico de uma carga pontual negativa. Essas linhas de campo são configurações relativamente simples. Outras distribuições de carFigura 1.4 – Linhas do campo elétrico de uma carga pontual positiva. gas criam campos cujas linhas podem apresentar formas mais complicadas. A figura 1.7 apresenta uma fotografia e uma representação das linhas de campo de duas cargas iguais e de sinais opostos [DIPOLO]. Em todos os casos, 15 cada linha de campo deve ser traçada de ma- paralelas e igualmente espaçadas, o mesmo neira tal que, em cada ponto, o vetor campo acontecendo com as linhas da região onde está elétrico seja tangente a ela. o ponto B. Isso significa que em cada uma dessas regiões o campo é uniforme, não variando em módulo, direção e sentido. O espaçamento entre as linhas na região do ponto B, porém, é duas vezes maior do que o espaçamento da região onde está o ponto A. Dessa forma, o valor [módulo] do campo elétrico em A será o dobro do valor do campo na região de B. O campo elétrico, no Sistema Internacional de Unidades, é medido em newton/coulomb [N/C]. Assim, se em A o valor do campo é EA = 100 N/C o valor em B será EB = 50 N/C. (a) Figura 1.8 – Representação de duas regiões de um campo elétrico de intensidades diferentes. (b) ELETRÓLISE O fenômeno da eletrólise é interessante não só Figura 1.7 – Campo elétrico de duas cargas iguais e pelas suas aplicações práticas, mas também de sinais opostos. (a) Fotografia de sementes de porque proporcionou uma das primeiras chaves grama. (b) Representação esquemática das linhas sobre a natureza elétrica da matéria e a quanti- de campo. zação da carga elétrica. Suponhamos que se r aplica um campo elétrico E [fig. 1.9] a uma so- As linhas de campo fornecem informações não lução que contém um ácido [como o H 2 SO 4 ] ou apenas sobre a direção e o sentido do campo, a uma base [como NaOH] ou a um sal [como o mas também sobre o módulo do vetor. Quando NaCl]. O campo é produzido pela imersão de as linhas estão mais próximas umas das outras duas placas com cargas opostas, designadas isso indica que o campo elétrico é mais intenso ELETRODOS, no líquido. Observamos então que nessa região. Podemos, então, utilizar o espa- certos tipos de átomos carregados se movem çamento entre as linhas para indicar a intensi- para o eletrodo positivo ou ânodo e outros para dade do campo. Na representação da figura 1.8, o negativo ou cátodo. Esse fenômeno sugere por exemplo, as linhas na região do ponto A são que as moléculas da substância dissolvida te- nham se separado [dissociado] em dois tipos 16 um dos eletrodos, neutralizam-se pelo inter- diferentes de partículas carregadas ou íons. câmbio entre sua carga e a carga dos eletrodos. Alguns íons são carregados positivamente e Normalmente ocorre uma série de reações quími- movem-se na direção e sentido do campo elétri- cas as quais permitem identificar a natureza dos co e são designados cátions. Outros íons são íons que se movem para cada eletrodo. carregados negativamente e movem-se em Depois de algum tempo, um número N de íons sentido oposto ao campo elétrico; são chama- de cada tipo terá chegado a cada eletrodo. A dos de ânions. carga elétrica total Q transferida para cada eletrodo é, então, em valor absoluto Q = Nne. Por isso, a carga necessária para depositar um mol de íons, sobre um eletrodo, é Q = N A n e = Fn onde NA é a constante de Avogadro [número de constituintes elementares em um mol de qualquer substância] e Figura 1.9 – Eletrólise. Os íons movem-se sob a ação do campo elétrico produzido pelos eletrodos. F = NAe é a constante de Faraday, que indica a carga elétrica de um mol de íons com uma unidade de No caso do NaCl, por exemplo, são íons Na carga. Seu valor experimental é que se movem em direção ao cátodo e, por isso F = 9,6485 x 104 C mol – 1 são íons positivos, enquanto os íons Cl se diri- A partir desse valor e do valor já encontrado gem para o ânodo e são negativos. Podemos para a carga elétrica elementar e, obtém-se a + – representá-los por Na e Cl , respectivamente. constante de Avogadro A dissociação do NaCl pode, então, ser escrita como NA = 6,0221 x 1023 mol – 1 em concordância com o valor de NA obtido por + NaCl → Na + Cl – outros métodos. Verificou-se experimentalmente Uma vez que as moléculas de NaCl não mos- que n é um número inteiro igual à valência quí- tram possuir carga elétrica, podemos supor que mica do íon em questão, o que sugere que, são compostas por quantidades iguais de carga quando dois átomos se ligam para formar uma positiva e negativa. Quando as moléculas se molécula5, trocam uma carga ne. Um átomo dissociam, as cargas não se separam por igual, torna-se positivo e outro negativo. A interação de forma a manter as novas partículas neutras. elétrica entre os dois átomos carregados ou Uma das partes da molécula transporta um ex- íons os mantém unidos. cesso de carga elétrica positiva e a outra parte um excesso de carga elétrica negativa. Cada uma dessas partes é um íon. Suponhamos que cada íon positivo transporta uma carga elétrica +ne e cada íon negativo uma carga –ne. Quando esses íons chegam a cada 5 O exemplo refere-se a uma particular forma de ligação entre átomos denominada ligação iônica; além disso, apresenta a situação específica de uma ligação entre dois átomos. 17 SOLUÇÃO A conclusão é que os processos químicos e, em geral, o comportamento da matéria no espaço devem-se às interações elétricas entre átomos e moléculas. Por isso, uma completa compreensão da estrutura elétrica dos átomos e moléculas é essencial para a explicação dos fenômenos que observamos, tanto na matéria inerte como na matéria viva. APLICAÇÃO A. Em um ponto do espaço existe um campo EXEMPLOS elétrico. Como esse fato pode ser verificado? 1. Uma partícula carregada com carga de 2,0 mC está em um ponto do espaço onde o campo elétrico vale 2500 N/C. Qual o valor da força elétrica que age na partícula nesse ponto? B. Para que um corpo fique sujeito à ação de uma força elétrica, quando colocado em um campo elétrico, é necessário que esteja eletrizado? SOLUÇÃO C. Dê as características do vetor campo elétri- O valor da força elétrica sobre a partícula é co [módulo, direção e sentido]. F=qE –3 3 C) (2,500x10 N/C) F = (2,0x10 F = 5,0 N D. Em cada um dos pontos das figuras, represente esquematicamente a direção e sentido do campo elétrico resultante. 2. Um corpo eletrizado com carga – 6,0 µC, quando colocada em um ponto de um campo elétrico, fica –3 sujeito a uma força de 3,6x10 N, vertical para cima. Quais as características do vetor campo elétrico nesse ponto? SOLUÇÃO O valor do campo elétrico é E= F q E= 3,6x10 − 3 N 6,0x10 −6 2 E = 6,0x10 N/C C Como a carga elétrica do corpo é negativa, a força sobre ela tem a mesma direção do campo elétrico e sentido oposto. Assim, o campo elétrico nesse ponto é vertical para baixo. 3. Levando em consideração os dados da figura, represente em cada um dos pontos, a direção e o sentido do campo elétrico. 18 E. Em cada um dos pontos das figuras a se- EXERCÍCIOS guir, desenhe esquematicamente o vetor campo elétrico. –13 15. Uma carga q = 3,0 x 10 C sofre a ação de uma força elétrica de valor 1,5 x 10–10 N, vertical para cima. Determinar o vetor campo elétrico nesse ponto. 16. Um elétron é lançado, a partir do repouso, em um campo elétrico uniforme, de intensidade 4 2,25 x 10 N/C. Calcule a aceleração desse –31 elétron [Adote me = 9,0 x 10 kg]. 17. O ar úmido torna-se ionizado em um campo elétrico de 3,0 x 106 N/C. Nesse campo, qual a intensidade da força eletrostática que age sobre (a) um elétron; (b) um íon com apenas um elétron faltando [p. ex.: Na+]? 18. Uma partícula α [núcleo do átomo de hélio] –27 tem massa de 6,6 x 10 kg e carga +2e. Qual o módulo, direção e sentido do campo elétrico que equilibra seu peso? [g = 10 m/s2] F. Na seção que trata da eletrólise são relacionadas algumas substâncias que podem ser usadas para a observação do fenômeno. 19. Na figura abaixo, as linhas do campo elétrico que estão à direita estão separadas do dobro da distância das da esquerda. Diga em que íons se dissociam esses compostos, para qual dos eletrodos [cátodo ou ânodo] se deslocam e qual a carga elétrica de cada um. G. Para cada um dos compostos do exercício anterior, determine o valor da carga elétrica transferida a cada eletrodo, ao se depositar 1 mol de íons em cada eletrodo. Qual a quantidade total de cargas elétricas que circulou em cada caso? Se o campo elétrico em A vale 40 N/C: (a) que força age em um próton colocado em A? (b) qual o módulo do campo elétrico em B? 20. A figura a seguir mostra três arranjos de linhas de campo elétrico. Em cada um dos arranjos, um próton é abandonado, a partir do repouso, do ponto A e, então, acelerado pelo campo elétrico. Os pontos A e B têm a mesma distância nas três situações. Liste esses três 19 24. Uma gota de água esférica, de 1,20 mm arranjos de acordo com o valor da velocidade de diâmetro, fica suspensa em ar calmo devido com que o próton passa pelo ponto B, come- à presença de um campo elétrico atmosférico çando pelo maior valor. E = 462 N/C, vertical para baixo. Nessa situação: (a) qual é o valor do peso da gota; (b) quantos elétrons em excesso possui essa gota? Volume da esfera V= 21. Um corpo carregado com carga elétrica –10 q = 2,0 x 10 4 3 πr 3 Densidade da água 3 3 d = 1,0 x 10 kg/m C, colocado em uma região de campo elétrico, fica sujeito a uma força elétrica de intensidade F = 3,0 x 10–7 N. Se adicionarmos a esse corpo uma certa quantidade de carga elétrica, de forma que a força elétrica passe a valer F' = 4,5 x 10–7 N, qual o valor dessa quantidade de carga adicionada? 22. Em um ponto de um campo elétrico, o vetor campo elétrico tem direção horizontal, sentido da direita para a esquerda e intensidade 1,0 x 105 N/C. Coloca-se nesse ponto uma carga elétrica de valor – 2,0 mC. Determine a intensidade, a direção e o sentido da força que atua sobre a carga elétrica no ponto considerado. 23. Uma nuvem carregada produz um campo elétrico no ar próximo à superfície terrestre. –9 Uma partícula de carga 4,0 x 10 ação de uma força de 6,0 x 10 –6 C sofre a N, vertical para baixo, quando colocada nesse campo. Nessa situação: (a) qual o módulo, direção e sentido do campo elétrico; (b) qual o módulo, direção e sentido da força eletrostática exercida sobre um próton colocado nessa região; (c) qual o valor da força gravitacional [peso] que age sobre o próton; (d) qual a razão entre a força eletrostática e a força gravitacional, nesse caso? [Adote –27 mp = 1,7 x 10 kg e g = 10 m/s2] RESPOSTAS 1. Sugestão: pesquise sobre o modelo atômico. 2. Sugestão: pesquise sobre eletrização por atrito e contato. 3. Sugestão: pesquise sobre eletrização por indução. 18 4. 6,25 x 10 14 5. Perdeu 1,5 x 10 6. 0,56 C, negativa 7. Consulte o texto 8. 0,12 C –9 9. 1,6 x 10 N [repulsiva] 10. 203 N [atrativa] 6 11. 2,0 X 10 N 24 12. (a) 2,6 X 10 5 (b) 4,2 X 10 C 15 (c) 6,25 X 10 –2 13. 8,8 X 10 N 14. 0,87 N 2 15. 5,0 x 10 N/C, vertical para cima 15 2 16. 4,0 x 10 m/s –13 –13 17. 4,8 x 10 N; 4,8 x 10 N [sentido oposto ao do elétron] –7 18. 2,1 x 10 N/C [vertical para cima] –18 19. (a) 6,4 x 10 N (b) 20 N/C 20. A, B e C –10 21. 1,0 x 10 C 2 22. 2,0 x 10 N, horizontal, da esquerda para a direita 3 23. (a) 1,5 x 10 N/C; –16 (b) 2,4 x 10 N [vertical, para baixo]; –26 (c) 1,7 x 10 N 10 (d) 1,4 x 10 –6 24. (a) 9,0 x 10 N 11 (b) 1,2 x 10 20 CAPÍTULO 2 POTENCIAL ELÉTRICO Essa expressão resulta da aplicação de um dos princípios fundamentais da física: PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DA ENERGIA. O 6 Na situação que acabamos de descrever, falamos sempre em energia cinética e potencial do Quando elevamos um livro do chão até uma livro. Não podemos esquecer, porém, que esse prateleira situada a uma altura d, nossos mús- problema envolve a presença da Terra. De fato, culos realizam um trabalho T, despendendo existe uma interação de natureza gravitacional uma certa quantidade de energia En. entre a Terra e o livro. Assim, tanto o livro é atraído pela Terra, como a Terra o é pelo livro. Podemos, então, utilizar o conceito de campo gravitacional para nos referirmos mais corretamente a esse tipo de situação. Quando realizamos um certo trabalho, fazendo com que o livro se afaste da Terra, dizemos que esse trabalho é armazenado na forma de energia potencial no sistema livro-Terra ou no cam- Figura 2.1 – Um livro é levado, do chão, até uma po gravitacional. prateleira de altura d. Suponhamos que a massa do livro fosse 0,20 kg e que a altura da prateleira d = 1,0 m. Enquanto é levado do chão até a prateleira, o livro possui energia cinética, além da potencial gravitacional. Quando alcançar a prateleira, o Quando elevássemos o livro do chão até a prateleira, a energia potencial gravitacional armazenada no sistema seria: livro, em repouso, não possuirá mais energia EP = m g h = (0,20 kg).(10 m/s2).(1,0 m) cinética, mas terá sido armazenada uma certa quantidade de energia no sistema, na forma de energia potencial gravitacional EP. Se, então, deixarmos o livro cair livremente, sua energia potencial irá se transformando em energia cinética. A uma altura H qualquer do chão, a soma da energia cinética EC(H) com a energia potencial EP(H), nessa posição, é igual à ener- EP = 2,0 joules Da mesma forma, se colocássemos nessa prateleira objetos de massas 0,50 kg, 1,5 kg e 3,0 kg, as energias armazenadas seriam, respectivamente, 5,0 J, 15 J, 30 J. É fácil perceber que a razão EP/m é constante: EP joule 2,0 5,0 15 30 = = = = = 10 m 0,20 0,50 1,5 3,0 qui log rama gia total EM. Podemos escrever: Podemos caracterizar essa posição da prateleiEC(H) + EP(H) = EM ra dizendo que entre ela e o solo há uma diferença de potencial de 10 J/kg. 6 A expressão se refere à energia mecânica do sistema, o que significa que variações de outros tipos de energia foram consideradas desprezíveis. Se adotarmos que o chão possui potencial zero, 21 externa de sentido contrário ao da força que o podemos dizer que a prateleira possui um po- campo elétrico exerce nele. O trabalho realizado tencial de 10 J/kg. O mesmo poderia ser feito para por essa força sobre o elétron causaria o arma- outras posições no campo gravitacional. zenamento de energia potencial no sistema no- Utilizemos o mesmo tipo de raciocínio para o campo vamente. elétrico. O mesmo aconteceria se não apenas um, mas Imagine dois corpos carregados positivamente n elétrons estivessem se deslocado de A para sendo aproximados um do outro. É necessário B. Ao serem levados por uma força externa no- exercer uma força sobre cada corpo para ven- vamente para A, fariam o sistema readquirir a cer a repulsão elétrica entre eles. O trabalho energia potencial que possuía inicialmente. realizado fica armazenado, no campo elétrico Consideramos até agora que as duas placas desses corpos, em uma forma de energia cha- estão isoladas no vácuo. Supusemos ainda que mada energia potencial elétrica. Se abandonar- foram carregadas inicialmente [por exemplo, mos os dois corpos, eles tenderão a se afastar, sendo ligadas aos terminais de uma pilha de um do outro, em movimento acelerado; a ener- lanterna] e, depois, não perderam nem recebe- gia potencial armazenada no campo diminuirá, ram cargas elétricas de fora. transformando-se em cinética dos corpos. O Suponhamos agora que os pontos A e B estão princípio da conservação da energia novamente nas placas e que os elétrons deslocam-se da pla- se verifica, nessa situação. ca negativa para a positiva. Há uma maneira sim- Suponhamos que duas ples de restituir a energia potencial do sistema placas planas carrega- sem levar os mesmos elétrons à posição inicial? das com cargas de si- Se a pilha utilizada para carregar inicialmente as nais opostos são dis- placas for novamente ligada a elas, e assim postas mantida, as cargas nas placas permanecerão paralelamente em uma região onde existe vácuo [fig.2.2]. Figura 2.2 constantes, apesar do deslocamento dos elétrons entre as placas. A pilha manterá as cargas Quando um elétron é mantido na posição A da iniciais, cedendo elétrons à placa negativa e figura, o sistema placas – elétron tem uma certa retirando elétrons da placa positiva. energia potencial que está armazenada no campo A pilha, portanto, é capaz de manter a energia elétrico. A partir do instante em que o elétron é potencial do sistema, restituindo-lhe a energia abandonado, passa a se deslocar para a placa perdida quando os elétrons passam de uma placa positiva sob a ação da força elétrica, adquirindo a outra: para cada elétron que vai da placa nega- velocidade e, conseqüentemente, energia cinéti- tiva para a positiva, a pilha retira um elétron da ca. Enquanto o elétron se desloca de A até B, o placa positiva e fornece um elétron à placa nega- sistema perde energia potencial e realiza trabalho. tiva. As placas mantêm sempre a mesma quanti- Como poderíamos agir de maneira a restituir a dade de cargas e o campo elétrico permanece esse sistema a energia potencial perdida? constante. Além disso, a energia que a pilha for- Isso seria possível se trouxéssemos o elétron nece ao sistema mantém constante a energia de volta à posição A aplicando-lhe uma força armazenada no campo entre as placas. DIFERENÇA DE POTENCIAL [ddp] 22 O campo elétrico que existe no interior de Da mesma maneira que fizemos no caso do duas placas paralelas, eletrizadas com cargas campo gravitacional, podemos dizer que quando de mesmo valor e sinais opostos, é UNIFORME. o elétron está na posição A possui uma energia Isso significa que possui valor constante nessa potencial elétrica EPA e que possui uma energia região e sua direção e sentido não mudam. potencial elétrica EPB em B, em relação a um Além disso, esse campo é perpendicular às pla- referencial fixado. Quando o elétron é levado de cas. B para A por uma força externa, um trabalho T é Assim, se uma carga se deslocar, sob a ação do realizado restituindo ao sistema a energia En campo elétrico, da placa 1 até a placa 2, estará perdida. submetida a uma força CONSTANTE durante todo Analogamente ao que fizemos no campo gravita- o trajeto e essa força será sempre paralela ao cional, podemos definir um potencial elétrico para deslocamento da carga. o ponto A e para o ponto B como sendo: O valor da força é, como sabemos, VA = F=Eq E PA E e VB = PB q q O trabalho T, realizado por essa força, quando a Como En = EPA – EPB, podemos definir a diferen- carga vai da placa 1 para a 2, vale T=Fd ça de potencial elétrico [V] entre os pontos A e sendo d a distância entre as placas. B como: E E E V = VA − VB = n = PA − PB q q q A diferença de potencial [ddp] entre dois pontos de um campo elétrico informa a quantidade de energia Podemos escrever, além disso, que: T F d E q d = = =Ed q q q Como na expressão que será fornecida ou retirada quando entre esses pontos circular uma unidade de carga elétrica. No SI, a diferença de potencial [tensão ou volta- T = E d o primeiro termo q [trabalho por unidade de carga] é a diferença de potencial, podemos reescrevê-la como sendo V=Ed gem] é medida em volt [V] e 1,0 joule 1,0 volt = 1,0 coulomb Essa expressão mostra que existe uma relação particular entre a diferença de potencial e o campo elétrico, no caso das placas paralelas. Podemos dizer o mesmo quando ligamos os RELAÇÃO ENTRE V E E Vamos agora relacionar a diferença de potencial [V = V2 – V1] entre as placas 1 e 2 da figura 2.3 r com o campo elétrico E que existe entre elas. Figura 2.3 – Uma carga elétrica q se move entre duas placas paralelas eletrizadas com cargas de sinais opostos e separadas por uma distância d. extremos de um fio metálico aos terminais de um gerador. No interior do fio se estabelece um campo elétrico que é responsável pelo aparecimento de força elétrica sobre as cargas. Se um fio de comprimento l é ligado aos terminais de um gerador, de diferença de potencial V, podemos escrever V=El 23 Diferença de Potencial [ddp], tensão ou voltagem T En = V= q q ação positiva de energia cinética. Essa energia cinética é adquirida em virtude da conseqüente diminuição da energia potencial elétrica, portanto ∆EP é negativa e: ∆EP = – T Unidade no SI ⇒ volt (V) 1V = 1 J C –14 ∆EP = – 1,2x10 J 2. Um próton se move do ponto i para o ponto f num campo elétrico uniforme, indicado na figura. EXEMPLOS (a) O campo elétrico faz um trabalho positivo ou ne1. Elétrons são continuamente retirados das molé- gativo sobre o próton? culas do ar atmosférico pelas partículas dos raios (b) A energia potencial do sistema aumenta ou dimi- cósmicos provenientes do espaço. Uma vez liberado, nui? o elétron pode se movimentar sob a ação da força r elétrica F em virtude da existência do campo elétrico r E que é produzido na atmosfera pelas partículas SOLUÇÃO elétricas existentes na superfície da Terra. Próximo da linha de campo. Assim, se quisermos que essa da superfície, esse campo vale E = 150 N/C e é dirigido para baixo. partícula se mova em sentido contrário ao do campo, r é necessário aplicar uma força externa F , como é o Qual é o valor da variação caso da situação apresentada. da energia potencial elétrica ∆EP para um elétron livre O campo elétrico, nessa situação, exerce uma força r de sentido contrário ao de F , que não está indicada. quando a força elétrica faz Portanto, o campo elétrico realiza um trabalho nega- com que se mova vertical- tivo sobre o próton. mente para cima, por uma (b) Como uma força externa está agindo sobre o distância de d = 520 m? próton, está ocorrendo uma transferência de energia SOLUÇÃO para o sistema próton-campo. Desse modo, a ener- A variação de energia ∆EP está relacionada com o gia potencial elétrica do sistema aumenta. (a) Uma partícula de carga positiva, sob a ação de um campo elétrico, desloca-se na direção e sentido trabalho realizado sobre o elétron pelo campo elétrico. Da mecânica, sabemos que o trabalho de uma 3. No exemplo 2, movemos um próton de um ponto i força constante de módulo F, que age na direção e para um ponto f, num campo elétrico uniforme. (a) A sentido do deslocamento d do corpo, é T = F d cos θ. força externa realiza um trabalho positivo ou negati- Como o valor da força elétrica F pode ser obtido por vo? (b) O próton se move para pontos de maior ou F = q E, podemos escrever: menor potencial? SOLUÇÃO T = q E d cos θ –19 T = (–1,6x10 –14 T = 1,2x10 C) (150 N/C) (520 m) (– 1) J r (a) A força F age na direção e sentido do desloca- mento do próton, portanto realiza um trabalho positi- Sabemos que esse trabalho é positivo, pois o elétron vo. é acelerado pela força elétrica e aumenta de veloci- (b) O potencial elétrico, à medida que nos desloca- dade ao longo do deslocamento, sofrendo uma vari- mos no sentido da linha de campo, decresce. Como 24 o próton está se deslocando em sentido contrário ao APLICAÇÃO da linha de campo está se movendo para pontos de A. Faça a distinção entre potencial elétrico e maior potencial. energia potencial elétrica. 4. A diferença de potencial entre o solo e uma nu9 vem, em uma particular tempestade, é de 1,2x10 V. Qual o valor da variação da energia potencial elétrica Para as questões B a E considere a figura 2.2 do texto B. Qual a direção e sentido do campo elétrico de um elétron que se move entre o solo e a nuvem? no interior das placas? Qual a direção e SOLUÇÃO sentido da força que age sobre o elétron, Podemos escrever a diferença de potencial como: colocado no ponto A, devido a esse campo V= ∆EP elétrico? q C. O movimento do elétron tem a mesma dire- e, portanto ção e sentido do campo elétrico? ∆EP = q V –19 ∆EP = (–1,6x10 9 C) (1,2x10 V) –9 ∆EP = –1,9x10 J D. O elétron tem velocidade constante ou seu movimento é acelerado? E. Descreva o que acontece com a energia 5. Em um certo relâmpago, a ddp entre a nuvem e o 9 solo é de 1,0x10 V e a quantidade de carga transfe- mecânica do elétron, à medida que se desloca de A para B. rida 30 C. (a) Qual o módulo da variação da energia F. Considere, agora, que o elétron se move potencial da carga transferida? (b) Se toda essa na direção e sentido de um campo elétri- energia liberada fosse usada para acelerar um carro co uniforme. O valor da energia potencial de 1000 kg, a partir do repouso, qual seria sua velo- do sistema cresce ou decresce? O elétron cidade final? se move no sentido do potencial elétrico SOLUÇÃO crescente ou decrescente? (a) A ddp é dada por V = ∆EP q , assim que descreve a relação entre o campo ∆EP = q V 9 ∆EP = (30 C) (1,0x10 V) 10 ∆EP = 3,0x10 J (b) 1 2 1 2 ∆E = mv − mv C f 2 2 i 1 3,0x1010 J = (1000kg)v 2 f 2 v = f 2(3,0x1010 ) = 7,7 x10 3 m/s 1000kg Observe que esse valor é enorme, do ponto de vista das velocidades cotidianas. Ele corresponde a, aproximadamente, 2100 km/h. G. Considere a relação matemática V = E d, elétrico e a diferença de potencial entre duas placas paralelas eletrizadas. Se a distância entre as placas duplicar, o que ocorre com o valor do campo elétrico, sendo mantida a mesma ddp? 25 EXERCÍCIOS 1. Uma carga elétrica de 3,00 x 10–8 C está em repouso num campo elétrico em um ponto M. Ao ser abandonada, a carga elétrica é acelerada pelo campo de modo que ao passar pelo ponto N está com uma energia cinética de 7,50 x 10 –6 joules. Qual o valor absoluto da ddp entre os pontos e N? 2. Que trabalho deve ser efetuado [por um gerador] para deslocar um número de elétrons igual ao número de Avogadro, de um ponto inicial, onde o potencial elétrico é de 9,0 V, até outro ponto onde o potencial é de – 5,0 V? [Os dois pontos têm o potencial medido relativamente ao mesmo ponto de referência.] 3. Um capacitor é constituído de duas placas paralelas separadas por uma distância de 0,50 mm. Se uma diferença de potencial de 20 V for mantida entre as duas placas, calcule a intensidade do campo elétrico na região entre as placas. 4. Qual o valor da variação da energia cinética de um elétron quando se desloca entre dois pontos cuja diferença de potencial é de 1,0 V, sob a ação do campo elétrico? Esse valor é usado para definir uma unidade de energia que não pertence ao SI mas é muito usada em física atômica ⇒ o elétron-volt [eV]. -19 1 eV = 1,6 x 10 J 26 CORRENTE ELÉTRICA Quando o movimento de cargas elétricas tem um sentido predominante, dizemos que existe corrente elétrica. É o que ocorre quando ligamos um fio aos terminais de uma pilha [ou outra Figura 2.5 fonte de tensão]: nele se estabelece uma corrente elétrica. Para caracterizar quantitativamente a corrente CORRENTE NOS CONDUTORES SÓLIDOS, elétrica, considera-se a quantidade de carga, LÍQUIDOS E GASOSOS que passa em um certo intervalo de tempo, por A maioria dos condutores sólidos é constituída uma seção transversal do condutor. Dessa for- por metais. Cada átomo do metal possui um ou ma, se em t segundos a carga que atravessa a dois [às vezes três] elétrons de valência, isto é, seção transversal é q coulombs, a intensidade elétrons mais fracamente atraídos pelo núcleo. da corrente elétrica i, admitida constante, é Quando uma enorme quantidade desses áto- dada por: mos se empacota para formar o corpo sólido, i= q t esses elétrons libertam-se de seus respectivos núcleos e, conseqüentemente, um número A unidade de corrente elétrica, no SI, recebe o nome de ampere [A], isto é, quando em um se- muito grande deles passa a circular ao acaso entre os átomos das vizinhanças. Tais elétrons gundo a carga que passa por uma seção do fio é são chamados elétrons "livres" e a eles cabe o um coulomb, a corrente elétrica é de um ampere. papel primordial no fenômeno da condução elé- 1,0 ampere = 1,0 coulomb 1,0 segundo Por razões históricas, o sentido da corrente elétrica – de acordo com a convenção internacionalmente aceita – é o sentido do movimento das cargas elétricas positivas [figura 2.4]. trica. O conjunto de elétrons "livres" existentes nos condutores sólidos comporta-se como uma nuvem de cargas elétricas negativas, limitada pela superfície externa do corpo. Quando esses elétrons "livres" movem-se predominantemente em um sentido, constituem a corrente elétrica. A corrente elétrica pode existir também nos líquidos e gases, sob determinadas condições. No caso do mercúrio e metais fundidos, a cor- Figura 2.4 rente elétrica se processa por mecanismos idênticos aos dos metais sólidos, isto é, deve-se Quando uma corrente elétrica é gerada por car- ao movimento de elétrons "livres". No caso dos gas negativas, que se movem em um certo sen- demais líquidos, porém, os responsáveis pela tido [figura 2.5], a corrente elétrica convencional corrente não são os elétrons e sim íons positi- tem sentido oposto. vos e negativos. É o que acontece, por exemplo, nas soluções aquosas de sais, ácidos e bases. 27 Líquidos como óleos vegetais, gasolina, óleo diesel e outros componentes do petróleo são considerados isolantes, pois não possuem íons ou elétrons "livres". A água pura contém íons, embora em concentração muito reduzida. Isso a faz má condutora de eletricidade. Pode haver corrente elétrica também através dos gases, desde que estejam ionizados. Esses íons são produzidos por agentes externos que incidem sobre o gás como, por exemplo, raios X, raios cósmicos, radiações provenientes de fontes radioativas, elétrons emitidos por eletrodos aquecidos ou fontes de alta tensão. Corrente elétrica [constante] q i= t Unidade SI ⇒ ampere (A) 1A = 1 C s No capítulo 1 foi informado que a unidade de carga elétrica, no SI, é o coulomb e que 1 C corresponde à carga de 6,25 x 1018 cargas elementares. Por razões práticas, o coulomb é realizado a partir do ampere. O INMETRO define o coulomb como: a carga elétrica que atravessa em 1 segundo, uma seção transversal de um condutor percorrido por uma corrente invariável de 1 ampere. LÂMPADAS FLUORESCENTES A eficiência energética é crucial na iluminação moderna. Ainda que as lâmpadas incandescentes produzam iluminação confortável e acolhedora, a maior parte da potência que consomem é perdida em luz infravermelha [radiação térmica não visível]. Já as lâmpadas de descarga em gases produzem muito mais luz visível com a mesma potência elétrica e atualmente dominam os escritórios, as indústrias e a iluminação de ruas. Mesmo nas residências, pequenas lâmpadas fluorescentes substituem as incandescentes nos tetos ou abajures. Essas lâmpadas são algo mais caras, mas pagam a si mesmas pela energia que economizam. Há vários tipos de lâmpadas de descarga: fluorescentes, de vapor de mercúrio, de vapor de sódio etc. O coração da lâmpada fluorescente é um tubo de vidro estreito, selado em ambas as extremidades. Esse tubo contém gás argônio, neônio e/ou criptônio em pressões e densidades de apenas 0,3% daquelas da atmosfera exterior ao tubo. Esse tubo também contém algumas gotas de mercúrio líquido e algumas delas evaporam para formar vapor de mercúrio. Cerca de um em muitos milhares de átomos do gás dentro do tubo são átomos de mercúrio e são esses átomos que criam a luz. O tubo acende quando a corrente elétrica passa por ele. Nele há eletrodos de metal em cada uma das extremidades de modo que a corrente pode se estabelecer, através do tubo, de uma extremidade a outra. Mas, enquanto o gás não possui cargas elétricas móveis, não pode conduzir eletricidade. Alguma coisa precisa injetar cargas no interior do gás para que seja possível a condução através dele. As lâmpadas fluorescentes usam duas técnicas para introduzir cargas no gás. A maioria aquece seus eletrodos de modo que a energia térmica ejete elétrons de sua superfície. Outras utilizam altas voltagens para concentrar cargas sobre os eletrodos até que essas cargas empurrem umas às outras para dentro do gás [efeito corona]. Mas, independente da técnica, o resultado é que pelo gás circulará eletricidade. A lâmpada então inicia uma descarga – uma corrente é enviada através do gás. Essa corrente consiste de elétrons acelerados entre os eletrodos da lâmpada. Embora esses elétrons colidam freqüentemente com vários átomos do gás, em geral, chocamse com esses átomos sem perder muita energia. Mas, com alguma freqüência, um elétron colide com um átomo de mercúrio e, então, algo diferente acontece – o átomo de mercúrio se rearranja internamente e absorve parte da energia cinética do elétron. Essa parcela de energia absorvida torna o átomo de mercúrio excitado. Quando ele retorna ao estado fundamental emite radiação. A radiação emitida pelo mercúrio está na região da ultravioleta [RUV], que não é visível. Assim, a lâmpada fluorescente converte a RUV em luz visível usando o pó de phosphor colocado em seu interior. BLOOMFIELD, L. A., How things work: The physics of everyday life, NY: John Wiley & Sons, 1996 28 EXEMPLOS 3. A figura mostra trechos de corrente elétrica através de uma seção reta de um fio em 4 períodos 1. A figura mostra elétrons de condução se moven- diferentes. Classifique em ordem decrescente esses do para a esquerda em um fio. Qual é o sentido (a) r da corrente elétrica i; (b) do campo elétrico E no fio? períodos de acordo com o valor da carga líquida que passa por essa seção reta do fio. SOLUÇÃO (a) A corrente elétrica convencional tem sentido SOLUÇÃO oposto ao do movimento das cargas negativas, por- Considerando a corrente elétrica invariável, podemos tanto é para a direita. escrever i = (b) Os elétrons, sob ação da forca elétrica, se mo- q t q = it vem em sentido contrário ao do campo elétrico. Assim, o campo elétrico tem sentido para a direita. e, portanto Então, no período a ⇒ qa = (2 i) (t) = 2 i t no período b ⇒ qb = (i) (2t) = 2 i t 2. A figura mostra 4 situações nas quais cargas Quando a corrente elétrica não é constante, como positivas e negativas se movem horizontalmente nos períodos c e d, o cálculo integral nos permite através de uma determinadas regiões e fornece a calcular a carga por meio do cálculo da área do grá- taxa com que cada carga se move. Classifique as fico sob a curva. Em c, temos um triângulo [retângu- situações de acordo com o valor da corrente elétrica lo], cuja área é calculada por A = b h/2. No caso do efetiva através das regiões, em ordem crescente. período d, podemos decompor a figura em dois triângulos, um dos quais terá “área” positiva e outro de “área” negativa. Observe que nossos cálculos não correspondem a SOLUÇÃO uma área de fato, pois seu resultado será o valor de A corrente elétrica convencional tem o sentido do uma carga elétrica. Por isso a palavra área foi colo- movimento das cargas positivas e o efeito gerado cada entre aspas. Assim, podemos dizer que a área pelo movimento de cargas negativas em um dado da figura é numericamente igual à carga que circulou sentido é equivalente ao movimento de igual quanti- no intervalo de tempo especificado. dade de cargas positivas em sentido oposto. Assim, podemos dizer que as correntes elétricas, nessas Desse modo, situações, seriam as indicadas na figura: no período c ⇒ qc = (2i) (2t)/2 = 2 i t no período d ⇒ qd = [(2i) (2t)/2] – [(2i) (2t)/2] = 0 A resposta, finalmente, seria que a maior quantidade Então, a corrente elétrica da situação d) seria a me- de carga líquida circula nos períodos a, b e c, sendo nor e as de a), b) e c) seriam as maiores [iguais]. todas iguais. O menor valor corresponde ao período d, que é um valor nulo. 29 4. A corrente elétrica de um feixe de elétrons, que APLICAÇÃO produz imagens em uma tela de um monitor comum, Para as questões de A a D considere a figura é de 200 µA. Quantos elétrons colidem com a tela, a cada segundo? por uma pilha comum [1,5 V] e um fio de liga- SOLUÇÃO ção. Os pontos representam elétrons livres e as O valor da corrente elétrica é i = 200 µA, portanto –6 i = 200x10 A –4 i = 2,00x10 q t setas menores a direção do movimento dessas partículas. A direção e sentido do campo elétrico estão representados pelas setas maiores. A Considerando a corrente elétrica invariável, podemos escrever i = abaixo, que apresenta um circuito constituído Note que vários elementos têm o tamanho alterado para melhor visualização. e, portanto q=it –4 q = (2,00x10 –4 q = 2,0x10 A) (1,0 s) C Como a carga elétrica é quantizada ⇒ |q| = n e n= n= q e 2,0x10 − 4 C 1,6x10 −19 C 15 n = 1,3x10 elétrons A. Sabendo que no interior do fio a quantidade 5. Uma corrente elétrica de 5,0 A foi estabelecida de elétrons, em média, permanece cons- em um determinado fio, por 4,00 min. Quantos (a) tante, se em um intervalo de tempo t, passa- coulombs e (b) elétrons passam através de uma rem n elétrons do fio para o terminal positivo seção reta do fio nesse tempo? da pilha. Quantos elétrons passarão do ter- SOLUÇÃO minal negativo para o fio nesse mesmo in- (a) A carga elétrica que passa por qualquer seção reta do fio é o produto da corrente elétrica pelo intervalo de tempo. Como t = 4,00 min = (4,0 min) (60 s/min) posta? B. O número total de elétrons que há no con- t = 240 s junto fio + pilha sofre alteração quando se q = i t = (5,0 A) (240 s) liga o fio à pilha? q = 1200 C = 1,2x10 C C. Considerando e o valor da carga elétrica O número de elétrons é elementar, assinale C [certo] ou E [errado] 3 (c) tervalo? Qual a justificativa para sua res- n= n= q nas expressões a seguir que apresentam e possíveis relações matemáticas para o valor 1,2x10 3 C 1,6x10 −19 C 21 n = 7,5x10 elétrons da corrente elétrica nesse circuito [que consideraremos constante] e o sentido convencional. [ ] i= ne t sentido horário 30 Assim, a velocidade média de desloca- [ ] i = net sentido anti - horário [ ] i= nq t [ ] i=n e q [ ] i = net − 1 mento dos elétrons no fio é constante. sentido anti - horário Levando em consideração a estrutura atômica do fio, proponha uma justificativa para sentido horário os elétrons possuírem aceleração líquida zero. sentido horário H. A velocidade de deslocamento dos elétrons D. A pilha de 1,5 V dá origem a um campo elé- de um fio de cobre de diâmetro 2 mm2, per- trico de módulo E. Esse campo faz com que corrido por uma corrente de 10 A, é cerca de os elétrons fiquem submetidos a uma força 0,4 mm/s. Isso significa que um elétron leva elétrica de valor F. Se substituirmos essa 25 s para percorrer 1 cm do fio. Como expli- pilha por outra de 3,0 V, a força que agirá car o fato de que, quando fechamos o cir- sobre os elétrons terá o mesmo valor? O cuito de uma lâmpada, por exemplo, ela que ocorre com a corrente elétrica? [Su- acende "imediatamente"? gestão: leve em consideração as questões sobre energia.] I. Na eletrólise de um composto iônico XY, n + cátions do íon X foram depositados no cá- E. A corrente elétrica é uma grandeza para a todo, em um intervalo de tempo t. Qual a qual se utiliza uma seta a fim de indicar seu intensidade da corrente elétrica no circuito, sentido. A corrente elétrica é uma grandeza nesse intervalo de tempo? vetorial? [Sugestão: além de outras considerações possíveis, lembre-se do princípio da superposição.] EXERCÍCIOS 5. Como se pode determinar o sentido de uma F. Na seção que tratou da lei de Coulomb, dis- corrente elétrica? O sentido da corrente sempre semos que a força eletrostática no interior coincide com o do movimento das cargas de um corpo uniformemente eletrizado é elétricas? nula, o que implica um campo elétrico nulo. A figura desta aplicação, porém, mostra um 6. Se, por um circuito flui uma carga de campo elétrico no interior do fio de ligação. 2,0 coulombs em 5,0 minutos, qual a corrente Que diferença há entre as duas situações, elétrica, em amperes, que nele se estabelece? que justifica essa aparente contradição? G. A 2ª lei de Newton afirma que um corpo, 7. Em um circuito, a corrente elétrica vale sujeito à ação de força resultante não nula, 0,40 A. Qual a carga elétrica que flui nesse possui aceleração. A corrente elétrica esta- circuito, durante 10 segundos? belecida por um gerador de tensão contínua [no caso, a pilha], por outro lado, é uma cor- INFORMAÇÃO rente invariável, ou seja, o número de elé- Há submúltiplos da unidade do SI para a corrente trons que passa por uma seção transversal elétrica que são muito usados: o miliampere (mA) do fio, por segundo, é [em média] o mesmo. e o microampere (µA), que guardam a seguinte correspondência com a unidade: 1 mA = 1 x 10 –3 31 a) Qual o sentido da corrente elétrica no A 1 µA = 1 x 10 – 6 A circuito? 8. A corrente elétrica que se estabelece em b) Qual o valor da corrente elétrica? uma determinada lâmpada tem valor 220 mA. c) Quantos elétrons livres atravessam uma a) Qual o valor dessa corrente em amperes? seção reta do circuito em 10 minutos? b) Que d) Qual a energia dissipada no circuito por carga flui pelo circuito em 3,0 segundos? coulomb de carga? c) Que carga flui no circuito, se a lâmpada ficar d) Qual a energia dissipada no circuito por elé- ligada durante uma aula [50 minutos]? tron livre? 9. Uma corrente elétrica de 75 mA circula em 13. Calcular a intensidade da corrente elétrica um condutor durante 3,0 minutos. no caso em que 3,0 x 10 a) Qual a carga elétrica que flui no condutor certa seção reta de um condutor, a cada nesses 3,0 minutos? segundo. 12 elétrons passam por b) Quantos elétrons por segundo fluem do terminal negativo para o condutor? 14. Em um tubo de raios catódicos, a intensidade de corrente medida é 30 µA. Quantos elétrons atingem a tela do tubo a cada 3 10. Se 5,0 x 10 elétrons por segundo fluem do 40 s? terminal negativo para um condutor, determine: a) a corrente elétrica que percorre o condutor; 15. Pretende-se recobrir de prata uma b) o intervalo de tempo deve o condutor ficar determinada peça. Para tanto, a peça é imersa ligado para que por ele circule uma carga em uma solução que contém íons de prata, Ag+, elétrica de 1,0 coulombs; e ligada ao terminal negativo de uma bateria, de c) o intervalo de tempo obtido no item b em forma a funcionar como um cátodo [ver figura]. milhões de anos. 11. Considere dois condutores X e Y percorridos pelas correntes elétricas descritas nos gráficos a seguir. Que quantidade de carga pelos Uma corrente de 10 A passa através da solução condutores no intervalo de durante 10 minutos. Calcular a massa de prata elétrica circulou –2 0 a 4,0 x 10 s ? depositada na peça. Quantos átomos de prata são depositados nessa situação? 12. Uma bateria de 12 volts alimenta um circuito elétrico, fornecendo 50 C em 4,0 segundos. 32 [Atenção: a corrente elétrica é a soma das correntes produzidas pelos íons positivos e negativos]. RESPOSTAS 1. 250 V 6 2. 1,3 x 10 J 4 3. 4,0 x 10 V/m – 19 4. 1,6 x 10 J 5. –3 6. 6,7 x 10 A 7. 4,0 C 2 8. 0,220 A; 0,66 C; 6,6 x 10 C 17 9. 13,5 C; 4,7 x 10 elétrons –4 –4 10. 8,0 x 10 C; 5,6 x 10 C – 16 15 11. ; 8,0 x 10 C; 1,25 x 10 s; 40 milhões de anos 12. do terminal positivo para o terminal ne22 gativo da bateria; 12,5 A; 4,7 x 10 elétrons; – 18 J 12 J; 1,9 x 10 –7 13. 4,8 x 10 A 15 14. 7,5 x 10 elétrons 22 + 15. 3,3 g; 1,9 x 10 Ag 33 A lâmpada é um elemento de circuito que mantém o valor de resistência elétrica constante? SOLUÇÃO R = 0,50 0,020 R1 = 25 Ω = 1,00 0,025 R2 = 40 Ω 1 R CAPÍTULO 3 2 A resistência elétrica da lâmpada se modifica quando RESISTÊNCIA ELÉTRICA Se um determinado elemento de circuito está submetido a uma ddp V e nele se estabelece uma corrente elétrica i, definimos a resistência elétrica desse elemento como sendo V R= i a ddp em seus terminais muda. RESISTOR O resistor é todo condutor no qual a energia elétrica dissipada é transformada, exclusivamente, em energia térmica. Existe um tipo particular de resistor, utilizado em No Sistema Internacional de Unidades, a uni- circuitos, denominado resistor ôhmico, cujas dade da resistência elétrica é denominada características veremos a seguir. ohm e seu símbolo é a letra grega Ω. Considere o resistor representado simbolicamente na figura 2.6. Ele é mantido a uma tem- 1 ohm = peratura constante e nele se estabelece uma 1 volt 1 ampere corrente elétrica i, quando entre seus terminais é aplicada uma ddp V. Mudando-se a ddp su- 1V 1Ω = 1A cessivamente para V1, V2..., o resistor passa a ser percorrido por correntes de intensidades i1, i2, ... etc. EXEMPLOS 1. Um componente de circuito está submetido a uma ddp de 1,5 V e nele se estabelece uma corrente de 200 mA. Nessa situação, determine a resistência Figura 2.6 – O símbolo usado para representar o desse elemento. resistor nos circuitos elétricos. Quando a resistência SOLUÇÃO é muito pequena, como nos fios de ligação, esses Como R = V 1,5 ⇒R = i 0,200 e R = 7,5 Ω são representados por uma linha contínua. Ohm verificou, experimentalmente, que o quoci2. Foram feitas medidas de ddp e corrente elétrica ente entre a ddp aplicada e a respectiva intensi- para uma lâmpada de filamento e os valores encon- dade de corrente era uma constante caracterís- trados foram: tica do resistor. V1 = 0,50 V i1 = 20 mA V2 = 1,00 V i2 = 25 mA V1 V = 2 = ... = cte = R i1 i2 34 Isso significa que o gráfico V x i [curva caracte- A ddp nominal das lâmpadas atende a valo- rística] é uma reta que passa pela origem. res estabelecidos pelas companhias de energia elétrica; a potência indica o brilho que a lâmpada vai apresentar. Se a lâmpada for submetida a uma ddp muito baixa, existirá corrente elétrica. No entanto, a potência fornecida ao filamento pode não o aquecer a ponto de o tornar incandescente e fazê-lo emitir luz. Quando o filamento começa a incandescer o brilho aumenta à medida que a ddp aumenta. Como a resistência da lâmpada não é constante, o aumento do brilho não é proporcional ao aumento da ddp. Figura 2.7 - Curva característica de um resistor ôhmico. LÂMPADA As lâmpadas incandescentes, normalmente, são constituídas de um fio de tungstênio denominado filamento, cuja temperatura de fusão é cerca de 3400 o C. Esse fio é enrolado em forma de Figura 2.8 – Exemplo de curva característica da lâm- espiral, seu diâmetro é inferior a 0,1 mm e seu pada de filamento comprimento pode atingir 1 m. Passando corrente elétrica pelo filamento, ele se aquece chegando a atingir temperaturas da ordem de 3000o C; o filamento torna-se, então, incandescente e passa a emitir luz. Nessa temperatura, o tungstênio, se estivesse no ar, queimaria rapidamente. É por esse motivo que o filamento é EXEMPLO Determine a resistência elétrica da lâmpada descrita pela curva característica a seguir, nos pontos A e B indicados. colocado no interior de um bulbo de vidro que contém um gás inerte, geralmente o argônio ou o criptônio. A presença do gás retarda a sublimação do filamento, mas não a suprime totalmente. As lâmpadas são comercialmente caracterizadas pela ddp à qual devem ser submetidas e pela potência que devem dissipar. Essas características, que denominamos valores nominais, estão gravadas no bulbo. SOLUÇÃO RA = RB = 0,50 V 0,020 A 1,0 V 0,025 A RA = 25 Ω RB = 40 Ω 35 Os gráficos da corrente elétrica em função do tempo para fontes de tensão contínua e alternada estão representados na figura 2.11. DIODO O diodo é um componente de circuito cuja característica é a de permitir a passagem da corrente elétrica em um único sentido. Os diodos são constituídos, em geral, por um material semicondutor – o silício. Figura 2.11 – A corrente contínua possui valor constante no tempo e isso significa que os elétrons têm velocidade média constante e se deslocam em um As informações sobre o diodo costumam ser único sentido. A corrente alternada varia de valor no apresentadas por meio de sua curva caracterís- tempo. Os elétrons executam um movimento de vai-e- tica, isto é, o gráfico V x i [figura 2.10]. vem, que se repete em intervalos de tempo iguais – um ciclo. Quando um diodo é ligado a uma fonte de tensão alternada, a corrente elétrica se estabelece apenas em um determinado sentido. Figura 2.10 – Exemplo de curva característica do diodo. O diodo utilizado no laboratório funciona em ddp de 0,7 V. Os circuitos eletrônicos costumam ser alimentados por fontes de tensão contínua, que geram corrente contínua. Por questão de praticidade, muitas vezes são ligados à rede elétrica, que fornece tensão alternada. Por isso é necessário retificar a corrente elétrica. O diodo é utilizado para essa finalidade. Figura 2.12 – O diodo ligado a uma fonte de tensão alternada faz com que a corrente elétrica circule em apenas um sentido. Para retificar completamente a corrente é necessário usarmos outro componente associado ao diodo [veja capacitores]. 36 CAPACITOR O capacitor é um componente de circuito cuja função é a de armazenar cargas elétricas. O capacitor plano, representado na figura 2.13, é constituído por duas placas metálicas planas iguais colocadas paralelamente a uma distância d. Essas placas são denominadas armaduras. Entre as armaduras existe um isolante que pode ser papel, cerâmica, óleo etc. Ao ser ligado ao gerador [no caso, uma pilha], o capacitor fica carregado. As armaduras adquirem cargas elétricas de mesmo valor e sinais contrários [+Q e -Q]. No interior das placas se estabelece, então, um campo elétrico uniforme. Figura 2.13 – Representação de um capacitor plano. EXERCÍCIOS 1. O gráfico [V x i ] apresenta a curva característica de um resistor. Qual o valor da resistência elétrica desse resistor? 2. Necessita-se de um resistor que, quando submetido a uma ddp de 2,0 volts, nele se esta- O capacitor pode ser usado em um circuito deno- beleça uma corrente elétrica de 200 mA. Dentre minado retificador de meia onda. Nesse circuito, os resistores [A, B e C] especificados pelas cur- um capacitor é associado a um diodo para retificar vas características a seguir, selecione o(s) ade- a corrente alternada. O funcionamento desse cir- quado(s) para esse circuito. cuito está esquematizado na figura 2.14. 3. Um diodo apresenta a curva característica indicada no gráfico a seguir. Determine a resistência elétrica do diodo quando a ddp em seus terminais é 0,60 V e 0,80 V. Figura 2.14 – Retificador de meia onda 37 balhar com as curvas características dos elementos e obter os resultados graficamente. ASSOCIAÇÃO EM S ÉRIE Vários componentes estão associados em série quando são ligados em seqüência. Nessa situação são percorridos pela mesma corrente elé4. Uma lâmpada de filamento tem sua curva trica. característica apresentada no gráfico. A soma das ddp nos terminais de cada componente é igual à ddp total do circuito. Quando esses componentes são resistores, como no circuito representado na fig. 2.15 A partir dos dados fornecidos por esse gráfico, complete a tabela a seguir. V (V) i (mA) R ( Ω) Figura 2.15 – Resistores em série. 1,0 40 80 130 140 podemos escrever V = V1 + V2 + V3 ou Req i = R1 i + R2 i + R3 i Se a lâmpada começa a incandescer quando e Req = R1 + R2 + R3 sua resistência vale cerca de 5,0 ohms, quais os valores de ddp e corrente elétrica correspon- O termo Req – resistência equivalente – é usado dentes, aproximadamente, a essa situação? para denominar o valor da resistência elétrica do resistor que substitui toda a associação sem lhe modificar as características. ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES Nos circuitos eletrônicos os componentes são ASSOCIAÇÃO EM P ARALELO associados de maneira a produzir resultados Vários componentes estão associados em pa- desejados. Para descrever os tipos de associa- ralelo quando seus terminais estão ligados aos ção possíveis, usaremos o resistor pelo fato de mesmos pontos de um circuito. Nessa situação, esse componente apresentar um comporta- os componentes estão submetidos à mesma mento simples que nos permitirá expressar os ddp e a corrente elétrica total se divide entre os resultados das associações algebricamente. Em elementos do circuito. associações que utilizam outros componentes No caso dos resistores representados no cir- [diodo, capacitor, lâmpada etc.] tem-se de tra- cuito da figura 2.16 38 Figura 2.16 – Resistores associados em paralelo ficam submetidos à mesma ddp 5. Considere os seguintes circuitos: podemos escrever i = i1 + i2 + i3 V R eq = EXERCÍCIOS ou V V V1 + 2 + 3 R1 R2 R3 Como V = V1 = V2 = V3 , a expressão final é 1 1 1 1 = + + R eq R1 R2 R3 Para cada um deles a) nomeie os elementos que o constituem; b) cite modificações podem ser feitas no circui- É fácil verificar, usando essa expressão, que se tivermos n resistores de mesmo valor de resistência R, associados em paralelo, a resistência R equivalente valerá . n Além disso, a resistência equivalente de uma to I para que a lâmpada acenda com maior brilho; c) se a lâmpada LII não acende no circuito II, cite as possíveis causas [considere que a lâmpada foi testada previamente e estava funcionando]. associação em paralelo tem valor sempre menor do que o menor valor das resistências asso- 6. No circuito representa- ciadas. do ao lado, o que ocorre com a lâmpada LI se a lâmpada ASSOCIAÇÃO MISTA LII "queimar"? Justifique sua resposta. Um circuito pode ser composto dos dois tipos de associação – série e paralelo. Um circuito desse tipo é representado na figura a seguir. 7. Um aluno montou o circuito esquematizado. Nele, o dispositivo A pode ser um resistor, um diodo, um capacitor ou um led. a) Ao fechar o circuito, a lâmpada brilhou momentaneamente e depois permaneceu apagada. Figura 2.17 – O resistor R4 está associado em série Nessa situação, o que pode ser o dispositivo A? com o conjunto de resistores [R1, R2 e R3] associa- b) Se o dispositivo A for substituído e, nessa dos em paralelo. nova situação, a lâmpada acender com pouco brilho, por que peça pode ter sido trocado? f) 39 A diferença de potencial VF – VD, conside- 8. Um dispositivo elétrico funciona, de acordo rando os valores encontrados nos itens d e e. com suas especificações, quando ligado a três 11. Três resistores foram associados em para- pilhas comuns [tensão total de 4,5 V]. Nessa lelo e alimentados por uma bateria de 12 V. situação, fica submetido a uma corrente de Nessa situação, a corrente elétrica fornecida 50 mA. Qual o valor do resistor que deve ser pela bateria foi de 12 A Se dois desses resisto- ligado em série a esse dispositivo para que o res tinham, respectivamente, resistências de circuito possa ser alimentado por uma bateria 6,0 Ω e 3,0 Ω, determine a resistência do tercei- de 12 V, sem danificá-lo? ro resistor e a resistência equivalente do circuito. 9. Dois resistores, tais que a resistência elétrica de um é o triplo da resistência elétrica do 12. Considere o circuito esquematizado a se- outro, foram associados em série. Aplicando-se guir. à associação uma ddp de 150 V, verifica-se que o resistor de menor resistência é percorrido por uma corrente elétrica de 15 A. Determine a resistência de cada um dos resistores. 10. Considere o circuito esquematizado. Para esse circuito determine: a) a resistência equivalente; b) a corrente elétrica total do circuito; c) a corrente elétrica que se estabelece em todos os resistores; d) a ddp em todos os resistores. 13. Considerando os dados fornecidos pelo esPara esse circuito, determine: quema do circuito da figura a seguir, determine a) a resistência equivalente; a ddp nos terminais do resistor R = 210 Ω, com: b) a corrente elétrica que se estabelece; a) a chave Ch aberta; c) a ddp em cada resistor; b) a chave Ch fechada. d) o potencial dos pontos B, C, D, E, F e G, considerando o potencial no ponto A igual a zero [VA = 0]; e) O potencial nos pontos A, B, C, D, F e G, considerando o potencial no ponto E nulo [VE = 0]; 40 14. Uma bateria acusa 12 volts quando não está ligada. Quando é ligada ao circuito, representado na figura a seguir, a corrente que se estabelece vale 0,95 A. Determine a resistência interna da pilha. 15. No circuito, F1, F2 e F3 são fusíveis, todos de 5,0 A e resistência desprezível. Os três resistores são idênticos e de valor 1,0 Ω. Se aos pontos X e Y ligarmos os terminais de uma bateria de 12 V, quais fusíveis queimarão? Por quê? 41 O quilowatt-hora é uma unidade de medida muito freqüente na vida cotidiana das pessoas pois é utilizada para indicar o "consumo" de energia nas contas de luz. Essa unidade, portanto, não é uma unidade de potência, embora esteja relacionada a ela. O POTÊNCIA ELÉTRICA kWh é unidade de energia. Para compreender essa afirmação, lembremos A potência é uma grandeza definida na Mecâni- que a potência é definida como ca como sendo a taxa, no tempo, com que de- P= terminado trabalho é realizado. P= T ∆t ou P= ∆E ∆t ∆E ∆t e P ∆t = ∆E portanto a variação de energia pode ser calcu- A unidade da potência, no Sistema Internacional lada multiplicando-se a potência do aparelho de Unidades, é o watt (W) e: pelo intervalo de tempo em que foi utilizado. 1 watt = 1 joule 1 segundo No SI, teríamos P (watt) . ∆t (segundo) = ∆E (joule) Como já vimos, a diferença de potencial está isto é relacionada com o trabalho: (watt) (segundo) ⇒ joule V= T q Ws ⇒ J Se utilizarmos a potência em quilowatt (kW) e o tempo em horas, porém, teremos Assim, podemos escrever a potência como P= ou q Vq =V ∆t ∆t Finalmente podemos definir a potência em fun- P (kW) . ∆t (h) = ∆E (kWh) A relação entre o joule e o quilowatt-hora é (1,0kW) (1,0h) = (1,0 x 103 W) (3,6 x 103 s) = 3,6 x 106 J ção das grandezas elétricas como: P=Vi É norma prática gravar, nos aparelhos elétricos, a potência elétrica, bem como a ddp a que de- EXEMPLO vem ser ligados. Assim, um aparelho que traz a Um aparelho elétrico, alimentado por uma ddp de inscrição: 120 V, tem potência de 60 W. Calcule: 60 W – 120 V a) a intensidade da corrente elétrica no aparelho; tem uma potência elétrica de 60 watts quando b) a energia elétrica dissipada em 8,0 h de uso, ligado entre dois pontos cuja ddp é 120 volts. expressando-a em kWh. Em algumas situações mede-se, também, a a) Como 60 W = (120 V) i potência em quilowatt [1 kW = 103 W] e a energia elétrica em quilowatt-hora (kWh). O QUILOWATT-HORA [kWh] P=Vi i = 60 W/ 120 V = 0,50 A b) Sendo P = 60 W P = 6,0 x 10 ∆t = 8,0 h –2 kW e 42 21. Qual a corrente elétrica fornecida por um T = P ∆t –2 T = (6,0x10 W) (8,0 h) gerador de 200 V operando na potência de T = 0,48 kWh 100 kW? 22. Suponha um pico momentâneo de voltagem de 140 V. Qual o aumento percentual da tensão EXERCÍCIOS e da potência dissipada por uma lâmpada de 16. Em um aparelho elétrico, ligado correta- 120 V e 100 W, admitindo que a resistência do mente, lê-se a inscrição480W–120V filamento não se altere? . Considerando que a carga do elétron vale 1,6 x 10 –19 C, calcule o número de elétrons 23. Uma certa bateria de automóvel tem carac- que passa por uma seção transversal do fio terísticas: 360 ampere-hora e 12 V. Qual a em 1,0 s. energia total que a bateria pode fornecer? 17. Nos terminais de condutor existe uma ddp 24. Um resistor de 55 Ω tem potência nominal de 10 V e a corrente que flui por ele vale de 125 W [potência máxima admissível]; qual a 2,0 A. Calcule a potência elétrica do condutor voltagem operacional máxima admissível? nessa situação. 25. Em uma usina hidrelétrica, uma turbina pro18. Em um aparelho elétrico lê-se: 600W–120V porciona 1500 HP a um gerador. Esse gerador, por sua vez, converte 80% de energia mecânica Estando o aparelho ligado corretamente, de- em energia elétrica. Nessas condições, qual termine: será a corrente elétrica do gerador quando esti- a) a intensidade da corrente elétrica que por ele flui; ver operando com uma diferença de potencial b) a energia elétrica, em kWh, dissipada em de 2000 V? Adote 1HP = 746 W 5,0 h de uso. 26. Considere que determinada companhia de 19. Dispõe-se de 60 lâmpadas que, quando li- energia elétrica cobra R$ 0,30 para cada gadas a uma fonte de tensão de 6,0 V, são per- 1,0 kWh fornecido. Com base nesse valor, de- corridas por uma corrente elétrica de 200 mA. termine o custo em R$ do consumo de da resi- Quantas dessas lâmpadas, associadas em pa- dência descrita na tabela a seguir. ralelo, podem funcionar corretamente quando APARELHO POTÊNCIA (W) TEMPO DE USO alimentadas por um gerador de 18W–6,0V? chuveiro 4400 20 min diários geladeira 600 8,0 h diárias lava-roupas 800 4,0 h semanais ferro elétrico 1000 6,0 h semanais 20. Um resistor de características 100W-220V foi ligada em uma fonte de tensão 110 V. Qual é a potência dissipada pelo resistor nessa situação? [Admita que a resistência do resistor permaneceu constante] TV 90 6,0 h diárias 43 RESPOSTAS 1. 75 Ω 2. A 3. 240 Ω; 80 Ω 4. V (V) 0,10 0,30 0,80 0,90 i (mA) 150 R ( Ω) 2,5 3,8 6,2 6,4 6,7 0,50 V e 100 mA 5. resistor, lâmpada, diodo, fios de ligação, gerador de tensão contínua; retirar o resistor; diodo invertido 6. LI não acende 7. Capacitor; resistor, diodo, led 8. 150 Ω 9. 2,5 Ω e 7,5 Ω 10. 60 Ω; 2,0 A; 20 V, 20 V, 10 V, 40 V e 30 V [sentido antihorário, começando em R1]; 30 V; 30 V, 70 V, 80 V, 100 V e 120 V [sentido horário, começando em A]; 80 V, – 50 V, – 50 V, – 10 V, 20 V e 40 V [sentido horário, começando em A] 11. 2,0 Ω; 1,0 Ω 12. 7,5 Ω; 3,0 A; 1,5 A; 7,5 V, 15 V, 3,0 V, 10,5 V, 4,5 V e 4,5 V 13. 210 V; 165 V 14. 0,63 Ω 15. F1 19 16. 2,5 x 10 elétrons 17. 20 W 18. 5,0 A; 3,0 kWh 19. 15 lâmpadas 20. 25 W 21. 500 A 22. 17%; 36% 7 23. 1,6 x 10 W ou 4,4 kWh 24. 83 V 2 25. 4,5 x 10 26. R$ 72,30 44 ATIVIDADES 45 ATIVIDADE 1 COMPONENTES ELETRÔNICOS INTRODUÇÃO Durante este curso você irá trabalhar, em várias situações, com circuitos elétricos. Para representar esquematicamente esses circuitos são convencionados símbolos para indicar os diversos elementos que os compõem. Na figura a seguir, estão desenhados alguns desses componentes e seus respectivos símbolos. Figura 1 Utilizando esses símbolos, o circuito da figura 2(a) seria representado pelo esquema da figura 2(b). Além de fazer você começar a se familiarizar com a representação dos circuitos, esta atividade tem mais uma finalidade. Quando ligamos os mais diversos aparelhos elétricos de que dispomos, não temos nenhuma preocupação com a forma com que os inserimos nos circuitos. Será que a posição de um determinado componente, em um circuito, interfere em seu funcionamento? Observando a representação do led na fig. 2 e comparando-a com a do mesmo elemento, que está disponível no material de laboratório, podemos notar que um de seus terminais metálicos tem comprimento maior do que o outro. Podemos, então, perguntar: o que ocorreria se esse elemento fosse invertido no circuito, como mostra a fig. 3? É esse tipo de observação que será feita nesta atividade. Figura 2 Figura 3 46 PROCEDIMENTO 1. Na atividade utilizaremos o eliminador de pilhas para alimentar o circuito. Ele deve estar com a chave de seleção de voltagem posicionada em 110 V e ser ligado à tomada de 110 V. Mantenha o eliminador ligado apenas enquanto faz as observações. 2. Retire os componentes da caixa e identifique-os utilizando as representações da figura 1. Você deve ter à sua disposição duas lâmpadas miniatura, com soquete, um diodo, um led, um resistor e um capacitor eletrolítico, além de fios de ligação com garra jacaré. 3. Monte o circuito referência, com uma das lâmpadas miniatura, e observe a lâmpada. O brilho da lâmpada, nessa situação, será o referencial qualitativo para a corrente elétrica que circula no circuito. Se o brilho diminuir, concluiremos que a corrente elétrica também diminuiu; se não se alterar, isso indicará que a corrente também não se modificou e se aumentar, o mesmo terá ocorrido com a corrente. 4. Interrompa o circuito e com o auxílio de um fio com garra jacaré, insira um dos outros componentes no circuito. Observe o brilho da lâmpada e preencha a primeira linha da tabela colocada a seguir. Inverta a posição dos terminais do componente e, baseado nas observações, preencha a segunda linha da tabela. componente lâmpada acende não acende corrente elétrica circula não circula brilho da lâmpada(*) menor igual 1ª posição 2ª posição 1ª posição 2ª posição 1ª posição 2ª posição 1ª posição 2ª posição 1ª posição 2ª posição (*) Em relação ao circuito referência. Se a lâmpada brilhar momentaneamente e depois permanecer apagada, adote que não acende. 5. Dentre os componentes observados, quais permitem que a corrente elétrica circule nos dois sentidos? 6. Quais permitem que a corrente circule em apenas um sentido? 7. Existe algum componente que não permite que a corrente circule? 47 ATIVIDADE 2 O USO DO MULTÍMETRO NAS MEDIDAS DE DIFERENÇA DE POTENCIAL [DDP] E CORRENTE ELÉTRICA INTRODUÇÃO Ao trabalharmos com circuitos elétricos, temos necessidade de medir o valor de algumas grandezas envolvidas com esses circuitos. Para isso é necessário utilizar instrumentos tais como: VOLTÍMETRO É usado para efetuar medidas de diferença de potencial [ddp]. Para medirmos a ddp entre dois pontos, os cabos de prova do aparelho devem se ligados em paralelo com o circuito nos pontos desejados, como mostra a figura. Quando o voltímetro é utilizado, o circuito permanece fechado. AMPERÍMETRO É usado para efetuar medidas de intensidade de corrente elétrica. Se quisermos medir a corrente elétrica em um determinado ponto do circuito, o amperímetro deve ser inserido nesse ponto. Para medir a corrente elétrica é necessário interromper o circuito no ponto desejado. O amperímetro é associado em série com o circuito. OHMÍMETRO É usado para determinar a resistência elétrica de um elemento do circuito. Para fazê-lo, basta ligar os terminais do elemento diretamente ao ohmímetro. Quando o ohmímetro é utilizado, o componente deve estar fora do circuito. O MULTÍMETRO é um aparelho que integra vários medidores, entre eles o voltímetro, o amperímetro e o ohmímetro. O MULTÍMETRO É UM APARELHO QUE DEVE SER MANUSEADO COM CUIDADO! SIGA AS INSTRUÇÕES E NÃO USE OUTRAS ESCALAS OU FAÇA MEDIDAS QUE NÃO ESTEJAM DESCRITAS NO ROTEIRO. AO GIRAR A CHAVE SELETORA, FAÇA-O LENTAMENTE E COM CUIDADO. AO GUARDÁ-LO, COLOQUE A CHAVE SELETORA NA POSIÇÃO OFF. 48 PROCEDIMENTO MEDIDA DA DDP 1. Identifique no aparelho a chave seletora e as entradas VΩ, COM, mA e 20A. A chave seletora deve estar na posição OFF. 2. Coloque a ponta de prova vermelha no terminal VΩ e a ponta preta no terminal COM. Por conven- ção, a cor vermelha representa o positivo e a preta o negativo. 3. Identifique na chave seletora a região DCV [direct current voltage] que significa voltagem em cor- rente contínua. 4. Você vai medir a diferença de potencial [ddp] entre os terminais da fonte. Para isso, conecte a fonte à tomada [110V] e ligue a chave localizada na parte central da fonte. Caso o indicador[led] não acenda, peça o auxílio professor. 5. Com a chave seletora do multímetro na posição DCV 1000, faça o contato das pontas de prova vermelha [VΩ] e preta [COM], respectivamente, com os terminais positivo e negativo da fonte. 6. Faça a leitura do valor indicado pelo aparelho. V= 7. Caso o valor obtido seja inferior ao valor da próxima posição da chave seletora [no caso 200], pas- se-a para essa posição e repita a leitura. Em caso contrário, isto é, se a medida encontrada é superior a 200 V, a operação está terminada e o valor obtido deve ser anotado como sendo a ddp da fonte. V= 8. Repita o procedimento anterior até que o valor obtido seja superior ao valor da próxima posição da chave seletora. ATENÇÃO A posição DCV 2 é a menor escala de leitura para a ddp em corrente contínua que o aparelho possui. Se o sinal " – " aparecer no visor, isso significa que as posições das pontas de prova estão invertidas 49 MEDIDA DA CORRENTE ELÉTRICA ATENÇÃO: NÃO REALIZE NENHUMA MEDIDA ANTES DE TERMINAR A LEITURA DOS ITENS 9 A 16. O RESISTOR COLOCADO NA SAÍDA DA FONTE TEM A FINALIDADE DE PROTEGER O MULTÍMETRO E NÃO DEVE SER REMOVIDO. 9. Coloque a ponta de prova vermelha no terminal mA e a ponta de prova preta no terminal COM. 10. Agora vamos iniciar os procedimentos para medir a intensidade da corrente elétrica em um circuito. Para isso, monte o circuito esquematizado na figura 1. Figura 1 11. Identifique na chave seletora a região DCA, que é utilizada para medir a intensidade de corrente contínua. 12. Como desconhecemos, em geral, o valor da corrente elétrica que circula no circuito, iniciaremos SEMPRE as medidas posicionado a chave seletora no valor mais alto: 200m. 13. Para realizar uma medida de intensidade de corrente elétrica é necessário que a corrente passe pelo medidor – o amperímetro. Assim, a PRIMEIRA PROVIDÊNCIA para que a medida possa ser efetuada é INTERROMPER o circuito no ponto onde se deseja determinar o valor da corrente elétrica. Esse procedimento está ilustrado na figura 2. Figura 2 14. O próximo passo é inserir o aparelho no cir- cuito. Ligue o cabo vermelho ao ponto do circuito [A"] que está conectado ao terminal positivo da fonte e o cabo preto ao ponto [A'] conectado ao terminal negativo da fonte, como mostra a figura 3. Figura 3 15. Faça a leitura do valor indicado no aparelho. i= 16. Se o valor obtido for inferior ao valor da próxima posição da chave seletora [no caso 20m], passe-a para essa posição e repita a leitura. Em caso contrário, isto é, se a medida encontrada é superior a 20 mA, a operação está terminada e o valor obtido deve ser anotado como sendo a intensidade da corrente do circuito. Se você estiver seguro de ter compreendido as instruções, faça a medida solicitada. Caso contrário, esclareça suas dúvidas com o professor. 17. Desligue o multímetro do circuito e feche novamente o circuito da lâmpada. Interrompa o circuito em outro ponto e determine o valor da corrente nesse ponto. A intensidade da corrente elétrica se alterou? 50 ATIVIDADE 3 MEDIDA DA DDP E DA CORRENTE ELÉTRICA NA ASSOCIAÇÃO SÉRIE PROCEDIMENTO 1. Monte o circuito esquematizado na figura, utilizando o resistor R1 [faixas: laranja/laranja/preto]. Determine a diferença de potencial nos terminais [A e B] do resistor. VAB = _______volts 2. Abra o circuito no ponto A e determine a corrente elétrica que se estabelece no resistor. iA = _______ mA 3. Monte o circuito esquematizado na figura [R2 – faixas: azul/cinza/preto] e determine as diferenças de potencial entre os pontos A e B, B e C, A e C. VAB = _________ VBC = _________ VAC = _________ 4. Que relação existe entre a soma VAB + VBC e a ddp total do circuito, VAC? 5. Interrompa o circuito, sucessivamente, nos pontos A, B e C e determine a corrente elétrica que existe nessas posições do circuito. iA = ___________ iB = ___________ 6. Que relação existe entre esses valores de corrente elétrica obtidos? iC = ___________ 51 CÓDIGO DE CORES O valor da resistência elétrica de um resistor pode vir gravado em sua carcaça. Esse valor, porém, pode ser informado por uma seqüência de faixas coloridas. O primeiro algarismo do valor da resistência é dado pelo número que corresponde à cor da 1ª faixa; o segundo algarismo é definido pela cor da 2ª faixa. A 3ª faixa determina o expoente da potência de dez. Assim, por exemplo Para determinar o valor da resistência elétrica, nesse caso, utiliza-se o CÓDIGO DE CORES, apresentado na tabela a seguir. COR prateada dourada preta marrom vermelha laranja amarela verde azul violeta cinza branca VALOR –2 –1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Nessa forma de indicar o valor da resistência, o resistor deve apresentar no mínimo três faixas. Em geral, a última faixa representa a tolerância admitida para o valor da resistência. Quando o resistor apresenta apenas três faixas, fica implícito que a tolerância é de 20%. DETERMINADO O VALOR DA RESISTÊNCIA Para encontrar o valor da resistência de um certo resistor, considere a figura a seguir, na qual está representado um resistor que possui quatro faixas coloridas. COR dourada prateada sem 4ª faixa TOLERÂNCIA 5% 10% 20% 52 ATIVIDADE 4 MEDIDA DA DDP E DA CORRENTE ELÉTRICA NA ASSOCIAÇÃO PARALELO PROCEDIMENTO 7. Monte o circuito esquematizado na figura [R1 = 33 Ω e R2 = 68 Ω] e determine as diferenças de potencial entre os pontos A e B, C e D, F e G. VAB = _________ VCD = _________ VFG = _________ 8. Que relação existe entre VCD , VFG e a ddp total do circuito, VAB? 9. Interrompa o circuito, sucessivamente, nos pontos A, C e F e determine a corrente elétrica que existe nessas posições do circuito. iC = ___________ iF = ___________ iA = ___________ 10. Que relação existe entre esses valores de corrente elétrica obtidos? 11. Monte o circuito esquematizado na figura ao lado e determine a ddp nos terminais de cada um dos elementos. Determine também as correntes elétricas que percorrem cada um dos resistores e a corrente elétrica total do circuito. [R3 = 33 Ω] 53 ATIVIDADE 5 O TRANSISTOR – 1ª PARTE Nesta atividade você vai constatar algumas propriedades dos transistores. Um transistor é um dispositivo com três terminais denominados: emissor (E), base (B) e coletor (C), como mostra a figura 1a. No seu material, ele está soldado em um suporte, conforme mostrado na figura 1b. Figura 1 Nos esquemas de circuitos, esse transistor é representado pelo símbolo indicado na figura 2. Figura 2 PROCEDIMENTO 1. Vamos, inicialmente, analisar como se comportam os terminais E (emissor) e B (base) desse transistor. Para tanto, monte o circuito indicado na figura 3. 2. Meça a diferença de potencial nos terminais do resistor (pontos E e A) e nos terminais da fonte. Com base nessas medidas, você pode concluir que há corrente elétrica no circuito? Por quê? 3. Inverta a ligação à fonte e repita as medidas do item 2. Há corrente elétrica nesse circuito? Figura 3 4. Com base nos resultados dos itens 2 e 3, qual dos componentes, usado em aulas anteriores, apresenta o mesmo comportamento do transistor, quando são utilizados somente os terminais B e E (base e emissor)? 5. Desmonte o circuito e monte o indicado na figura 4. 6. Meça a diferença de potencial nos terminais do resistor (pontos C e D) e nos terminais da fonte. Com base nessas medidas, você pode concluir que há corrente elétrica no circuito? 7. Inverta a ligação à fonte e repita as medidas do item 6. Há corrente elétrica nesse circuito? 8. O comportamento do transistor, quando são utilizados somente os terminais B e C, se parece com o do diodo? Por quê? Figura 4 54 9. Em sua opinião e considerando as respostas dadas aos itens de 4 a 8, qual dos esquemas da figura 5 melhor representa o transistor? Figura 5 O esquema que você considerou melhor para representar o transistor vai lhe permitir fazer a previsão que está proposta no próximo item. 10. Você já observou o comportamento de dois circuitos: o primeiro utilizando somente os terminais B e E (base e emissor) e o segundo utilizando somente os terminais B e C (base e coletor). Que comportamento você espera observar quando montar um circuito utilizando os terminais C e E (coletor e emissor)? Em qual dos circuitos das figuras 6 e 7 deve fluir uma corrente elétrica apreciável? Responda sem montar os circuitos. Figura 6 Figura 7 11. Monte o circuito e verifique se sua previsão está correta. Caso não esteja, procure identificar onde ocorreu a falha ou se seu modelo de transistor não é satisfatório. 55 Normalmente, os transistores funcionam com os três terminais ligados a, pelo menos, dois circuitos como mostra a figura 8. Nesse esquema, o circuito gerador de sinais pode representar o circuito de um microfone, de uma antena de rádio, de uma câmera de vídeo ou, simplesmente, uma pilha. Portanto, a palavra "sinal" representa uma tensão (ddp) que é aplicada entre o terminal B (base) e o E (emissor), isto é, a palavra “sinal” é sinônima de tensão ou diferença de potencial. Figura 8 Note que, na figura 8, o circuito I é o mesmo já analisado na figura 6 e, portanto, se consideramos que o transistor é uma mera substituição de dois diodos, conforme esquema da figura 5a podemos prever corretamente elétrica nula no registro RL. Ocorre que quando o transistor está em funcionamento normal, com os três terminais ligados, a previsão de corrente nula no resistor RL nem sempre é verdadeira. E por este motivo que vamos analisar o comportamento do transistor quando ligado como mostra a figura 8. 56 ATIVIDADE 6 O TRANSISTOR – 2ª PARTE 12. Monte o circuito gerador de sinal conforme a figura 9. 13. Meça a ddp entre os pontos D e A e entre os pontos F e A. Estas diferenças de potencial serão aplicadas ao transistor como sinal de entrada. Deixe o circuito montado, mas desligado, soltando o fio em um dos pólos da pilha. Figura 9 14. Monte o circuito esquematizado na figura 10 e, utilizando o multímetro, constante que a ddp (meça) nos terminais do resistor R (S e T) é nula. A ddp entre S e T indicará o sinal de saída que, no momento, é nulo. Figura 10 15. Agora você vai aplicar ao transistor o primeiro sinal de entrada. Religue o circuito gerador de sinais e faça o contato entre os pontos A e E com um fio de ligação. Com outro fio ligue o ponto D ao ponto B. 16. Meça, novamente, a ddp entre os pontos D e A e, também, entre os pontos S e T(VST). Anote-os na tabela 1. 57 17. Desligue o ponto B. Ligue o ponto F ao ponto B. Tabela 1 ENTRADA ddp VDA= SAÍDA ddp VFA= VST= V'ST= Variação da ddp Variação da ddp VFA – VDA= V'ST – VST= 18. Meça a ddp entre os pontos F e A e, novamente, a ddp entre S e T (V'ST). Anote-os na tabela 1. 19. Calcule a variação da ddp de entrada e, também, a variação da ddp de saída. Anote-a na tabela 1. 20. Quantas vezes a variação da ddp na saída é maior que a variação de ddp na entrada? Houve amplificação do sinal de entrada? 58 ATIVIDADE 7 O TRANSISTOR – EXERCÍCIOS A figura 1, representada a seguir, é a família de curvas características do transistor representado na figura 2. As informações dessas duas figuras são válidas para os exercícios 1 e 2. Figura 1 Figura 2 01. Considerando RC = 370 ohms, V = 10 volts a) quais coordenadas do ponto de trabalho quando o sinal de entrada é VB1 ? A que grandezas do circuito correspondem esses valores? b) qual o valor da tensão de saída VST quando VB = VB1 ? c) se o sinal de entrada mudar para VB2, qual o novo ponto de trabalho ? d) qual o novo valor de VST ? 02. Considerando RC = 200 ohms, V = 10 volts, qual o valor de VCE quando a) VB = VB1? b) VB = VB4? AS FIGURAS A SEGUIR SÃO DADOS PARA AS QUESTÕES 3,4 E 5 59 03. Se os terminais E e B, do circuito 2, forem conectados, respectivamente, aos terminais A e D do circuito 1, a) Qual o valor do sinal de entrada? b) Qual a tensão de saída VST? c) Como ficam as respostas dos itens a e b, se E e B forem ligados, respectivamente a A e F? 04. Considerando os resultados do exercício 3, a) Qual a variação da ddp do sinal de entrada? b) Qual a variação da ddp de saída? c) Quanto vale a razão ∆VST / ∆VEB ? 05. Considerando o potencial da base VB = 0,7 volts, qual a resistência do resistor RC, para que a corrente do coletor seja TC = 8 mA ? 60 ATIVIDADE 8 ANÁLISE DE CIRCUITOS I 1. Monte o circuito da figura 1. Figura 1 2. O ponto T (terra) do circuito é convencionado como tendo potencial zero. Meça o potencial do ponto A, que é a própria ddp entre A e T. VA = ________________ 3. Qual o potencial de B? VB = ________________ 4. Ligue E1 ao ponto B e E2 ao ponto A. Nessa situação temos: Meça o potencial de S. VS = _____________ Preencha, com esses dados, a linha correspondente ao item 4 da tabela 1. Tabela 1 Item 04 05 06 07 E1 Potencial (V) E2 S 5. Ligue E1 e E2 ao ponto B. Meça o potencial de S. Preencha a linha correspondente ao item 5 da tabela 1. 6. Ligue E1 ao ponto A e E2 ao ponto B. Meça o potencial de S. Preencha a linha correspondente ao item 6 da tabela 1, 61 7. Ligue E1 e E2 ao ponto A. Meça o potencial de S. Preencha a linha correspondente ao item 7 da tabela 1. 8. Considerando somente os potenciais de entrada (E1 e E2), qual o valor do potencial que você classificaria como baixo? Qual o valor do classificado como alto? 9. Considerando somente os potenciais de saída (S), qual o valor do potencial que você classificaria como baixo? Qual o valor do classificado como alto? 10. Em muitas situações não interessa saber o valor exato dos potenciais de entrada e saída. É suficiente, por exemplo, saber sua classificação relativa como você acabou de fazer. Construa novamente a tabela 1, anotando somente "A" quando o potencial for alto e "B" quando for baixo. Esta nova tabela é a tabela-verdade. 11. O circuito que você acabou de montar é chamado de porta-lógica. Você conhece o operador lógico que corresponde esse circuito? 12. Monte o circuito da figura 2. Figura 2 13. Respeita os procedimentos de 4 a 11. 14. Este circuito também é porta-lógica. A que operador lógico corresponde esse circuito? 62 ATIVIDADE 9 ANÁLISE DE CIRCUITOS II 01. Monte o circuito da figura. 02. Considere o potencial em T (terra) igual a zero. Determine o potencial nos pontos A (alto) e B (baixo). 03. Ligue a entrada ao ponto B; determine o potencial de E e S. Anote-os na tabela 1. item E 3 4 S 04. Ligue a entrada ao ponto B; determine o potencial de E e S. Anote-os na tabela 1. 05.Construa novamente a tabela substituindo os valores dos potenciais pela letra "A" quando for considerado alto e pela letra "B" quando for considerado baixo. 06.Como você descreveria a função desse circuito? 07.Monte o circuito da figura. 08. Anote o potencial de A e B. VA= VB= 63 09. Para cada linha da tabela 2, faça ligações e medidas necessárias para completá-la. Depois, usando a convenção A ⇒ alto e B ⇒ baixo, complete a tabela 3. Tabela 2 E1 B A A B E2 A A B B S (volts) Tabela 3 E1 B A A B E2 A A B B S (A ou B) 10.Você conhece algum operador lógico que pode corresponder a tabela 3? 11. Monte o circuito da figura. 12. Para cada linha da tabela 4, faça ligações e medidas necessárias para completá-la. Usando a convenção A ⇒ alto e B ⇒ baixo, complete a tabela 5. Tabela 4 E1 B A A B E2 A A B B S (volts) Tabela 5 E1 B A A B E2 A A B B 13. Você conhece algum operador lógico que pode corresponder à tabela 5? S (A ou B) 64 14.Nas instruções seguintes, todas as entradas, como a saída, do circuito da figura 4, serão caracterizadas pelo estado do LED a elas associados, isto é, aceso indicaremos por sim e apagado por não. 15. SEM MONTAR o circuito, analise o esquema da figura 4, procurando prever quais acenderiam e quais não acenderiam, se fossem feitas as quatro ligações indicadas na tabela 4. Tabela 4 Ligações E1 em A – E2 em B E1 em A – E2 em A E1 em B – E2 em A E1 em B – E2 em B LED 1 (sim – não) LED 2 (sim - não) LED 3 (sim – não) 16. Monte o circuito e verifique se suas previsões estão corretas. As portas lógicas costumam ser representadas pelos símbolos apresentados no quadro a seguir. 65 ATIVIDADE 10 ANÁLISE DE CIRCUITOS III 1ª parte Uma porta lógica pode ter mais do que duas entradas. A figura a seguir indica uma porta E (AND) com quatro entradas. Para obter uma porta E (AND) com quatro entradas, podemos utilizar três portas E como mostra a figura. 1. Usando os símbolos dos componentes discretos (diodo, resistor, ...) represente o circuito correspondente à figura 2. Faça a lista do material necessário para montar esse circuito. 66 2ª parte Dos muitos dispositivos eletrônicos que se seguiram à introdução do transistor em 1948, certamente o mais revolucionário foi o Circuito Integrado (CI). Os diodos, transistores e outros componentes substituíram com vantagens evidentes as válvulas. Mas os CIs trouxeram inovações aos sistemas eletrônicos cujo alcance ainda não foi de todo investigado. A modificação mais visível está na redução considerável dos circuitos. Sem eles não seria possível incorporar sofisticados equipamentos eletrônicos nas naves espaciais ou popularizar os computadores, que teriam permanecido impraticavelmente grandes. Foi essa a característica que mais empolgou as pessoas comuns. No entanto, a eliminação dos inúmeros componentes discretos (diodos, transistores etc.) dos fios de ligação e das soldas, por um único componente produzido num só pedaço de silício, que é fabricado por processos cuidadosamente controlados, multiplicou a confiabilidade dos equipamentos. Essa é, provavelmente, a grande vantagem dos CIs. Os circuitos integrados apresentam um corpo constituído de material plástico ou cerâmico onde está alojado o circuito (pastilha). Esse circuito é ligado externamente através de um conjunto de terminados chamados LIDES ou PINOS. A cápsula do CI pode ter diferentes formatos. Os mais comuns apresentam pinos em fila dupla. Como mostra na figura 1. A numeração dos pinos tem como referência a marca no corpo do CI Figura 1 Esses CIs são conectados através de soquetes adequados, cujos pinos são soldados em uma placa de circuito impresso. O CI de que você dispõe no seu material é o 7408. Um esquema representando este CI é mostrado na figura 2. Observe o desenho. Veja que ele indica que o circuito desse CI corresponde a quatro portas-lógicas E. Figura 2 1. Além do CI, já montado em uma placa, você dispõe de vários cabos com um terminal. Pegue os cabos preto e vermelho. Com o auxilio da chave de fendas ligue-os, respectivamente, aos pinos 7 e 14. 2. Ligue os terminais dos fios preto e vermelho, respectivamente, às barras inferior e superior da prancha. Observe que, como indica a figura 2, o pino 7 deve ser ligado ao terra (GND=ground), ou seja, ao terminal negativo da fonte e o pino 14 ao VCC (terminal positivo da fonte). 3. Observando a placa do CI, que cores estão sendo utilizadas para indicar as entradas das portaslógicas? Que cor é usada para as saídas? 67 4. Utilizando os cabos com as cores adequadas, escolha uma das portas-lógicas do CI e faça as ligações. 5. Ligue os terminais da fonte à prancha. Lembre-se que a barra superior é ligada ao terminal positivo e a barra inferior ao negativo 6. Ligue a fonte e aplique os sinais ALTO (A) e BAIXO (B) às entradas E1 e E2 que você escolheu. Complete a tabela a seguir e certifique-se que corresponde ao operador E. E1 B B A A E2 B A B A S 7. Faça as ligações necessárias para obter uma porta-lógica de quatro entradas, como analisamos na 1ª parte da atividade. 8. Utilizando a montagem do item anterior, complete a tabela. E1 B A A A B A E2 B A A B A A E3 B A B A A A E4 B B A A A A S * (*) Caso você tenha tempo suficiente, faça as medidas para a tabela completa. 9. Observe os esquemas dos CIs 7432 (figura 4a) e 7400 (figura 4b). Por que tipos de portas-lógicas são construídos esses CIs? Figura 4a Figura 4b