UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE GEOCIÊNCIAS Guimarães, M.T. C; Sousa, S.M.G.Juventude e contemporaneidade: desafios e perspectivas. León, O.D. Uma revisão das categorias de adolescência e juventude.SecretariaEspecial Editorial,2009. dos Direitos Humanos; Goiânia: UFG: Cânone Vivian Pimentel Araújo. Uma revisão das categorias de adolescência e juventude (Oscar Davilla León) Nas últimas décadas o campo de estudos e conceitualizaçõesquanto às noções de adolescência e juventude se desenvolveram bastante, por isso de os tratarmos como coletivos sociais, de falar e conceber diferentes “adolescências” e “juventudes”, considerando assim a heterogeneidade que se apresenta entre jovens e adolescentes. A diversidade existenteadquiresentido a partir do momento em que admitimos que as categorias de adolescência e juventude sejam construções sócio- históricas, cultural e relacional. Existem várias abordagens disciplinares paraa compreensão dos conceitos de adolescente e juvenil, que variam de acordo com o enfoque dado pelas ciências sociais tal como os conceitos, as estratégias e métodos de pesquisa social, no que se refere à adolescência e juventude também são amplamente discutidos, onde as estratégias qualitativas e com ênfase na subjetividade dos sujeitos têm obtido maior relevância do que as estratégias de corte quantitativo. A partir de uma leitura sociocultural que atualmente tem obtido maior desenvolvimento que as leituras socioeconômicas e sociopolíticas, novos eixos compreensivos de questões que constituem a condição adolescente e juvenil tem obtido destaque. As noções de adolescência e juventude Os conceitos de adolescência e juventude são uma construção sóciohistórica, cultural e relacional, que foram adquirindo sentidos e limites diferentes de acordo com as épocas e processos históricos e sociais. A etapa de passagem da infância para a idade adulta é campo de estudo e de conceitualização da adolescência e juventude. A psicologia ficou responsável por analisar a adolescência por uma perspectiva que parte do sujeito particular e de seus processos de transformação. A categoria juventudes fica por conta de estudos das ciências sociais e humanidades, que toma como centro de seus estudos as relações sociais e as formações sociais no processo de traçar vínculos ou rupturas entre eles. Especialmente para a psicologia, muitas vezes os conceitos adolescência e juventude tem sido tratados como sinônimos. Psicólogo norte americano Stanley Hall, faz um estudo sobre adolescência, que se torna um marco fundacional. Para Hall, a adolescência é uma idade especialmente dramática. Existem diferentes concepções sobre adolescência, mas é possível identificar traços comuns quanto ao desenvolvimento biológico e fisiológico: Etapa final do crescimento Início da capacidade reprodutiva Término da adolescência com o fim do desenvolvimento da capacidade reprodutiva. Ponto de vista cognitivo: Mudanças qualitativas na estrutura do pensamento (Piaget) Razoamento social (conhecimento do eu e dos outros) Processos identitários individuais Existem vários modos de conceitualizar a adolescência com enfoques variados, mas todos esses modos dão ênfase às transformações físicas, biológicas, intelectuais e cognitivas, de identidade e personalidade, sociais e culturais, morais e valorativas. Para Delval as principais concepções sobre adolescência podem sintetizar-se em três teorias que são: A teoria psicanalítica; A teoria sociológica e a Teoria de Piaget. Sendo cada uma delas com ênfase em um aspecto para explicar a adolescência. A Teoria psicanalítica explica a adolescência como um processo que deriva de causas internas. A teoria sociológica compreende a adolescência a partir de causas sociais externas ao sujeito (tensões e pressões do contexto social) A teoria de Piaget que afirma ser a adolescência resultante da interação entre fatores sociais e individuais. Uma aproximação do fenômeno juvenil A categoria juventude foi concebida como umaconstrução social, histórica, cultural e relacional para designar a dinamicidade (evolução/ involução) do conceito. Juventude é uma categoria que tem uma construção histórica e condições sociais específicas que foram produzidas por mudanças sociais que possibilitaram o surgimento do capitalismo. O surgimento do espaço simbólico tornou possível o aparecimento da noção de juventude que será entendida como uma categoria etária, etapa de maturação e subcultura. Enquanto categoria etária, existem limites precisos de acordo com contextos sociais e os fins que se deseja utilizar: 12 a 18 anos adolescência e 15 a 29 anos – juventude, que é subdividida em 15 a 19 anos – 20 a 24 anos e 25 a29 anos. De modo flexível estes limites se estendem para mais ou para menos (12-35), no Brasil é considerada a faixa entre 15 e 24 anos (IPEA). O conceito de juventude é amplamente discutido, mas não se tem claramente uma construção teórica que problematize a realidade dos jovens e nem defini-los como sujeitos que constituem uma etapa do indivíduo intermediária entre infância e idade adulta, mas elaborar um alicerce teórico conceitual que posicione o conceito e sirva para interpretar os fenômenos juvenis antes de se trabalhar com o objeto real (jovens). A juventude é uma condição social com qualidades específicas, que se manifesta de acordo com características históricas e sociais de cada indivíduo, a idade seria apenas um referencial demográfico. O conceito de juventude está vinculado ao de juvenil e ao de cotidiano. Identificação social e geracional: Modos de vida particulares Práticas sociais e juvenis Comportamentos coletivos (Processo de construção de identidade pessoal e social). Algumas perspectivas analíticas para a compreensão da adolescência e juventude. Existem quatro perspectivas de análise que tentam compreender a adolescência e a juventude. São elas: A das gerações e classes de idade A dos estilos de vida juvenil A dos ritos de passagem A das trajetórias de vida e novas condições juvenis As gerações de classes e idade: O tempo cronológico é pertinente, situação geracional. Define e estabelece as regularidades que configuram uma espécie de estilo de vida. (Modus Cognitivo). Os estilos de vida juvenil: “Modos de ser e fazer que expressem as mudanças que esses sujeitos estariam experimentando na construção de suas identidades pessoais e coletivas ou geracionais”. Novas tecnologias que promovem uma nova experiência de socialização. Ritos de passagem infanto- adolescente-juvenis: Mudanças fisiológicas (mais ou menos homogêneas) e mudanças comportamentais (relacionadas ao contexto cultural). Ritos de iniciação que introduzem o jovem na sociedade (responsabilidades, acessos e restrições).Cada categoria de passagem se relaciona com certos ritos civis os quais tem o objetivo de integrar o menor à comunidade. Cada situação implica em direitos e obrigações diferentes estabelecidos numa categoria social. As trajetórias de vida e novas condições juvenis: Atenção às mudanças e transformações societais, socioeconômicas e culturais. Juventude entendida enquanto uma construção sócio histórica. Organização da vida em três momentos: formação, atividade e aposentadoria. A noção de novas condições juvenis é diferente de situação social dos jovens, pois se refere à estrutura social, valores e cultura particular dos jovens nos processos de transformações sociais contemporâneas. Situação social dos jovens refere-se à análiseterritorial e temporal concreta, como eles vivem e experimentam sua condição de jovens em um espaço em determinado tempo. A ideia de trajetórias de vida remete às mudanças nos modelos e processos de entrada na vida adulta, entendendo a juventude como uma etapa de transição. Seria uma transição do mundo da formação para o mundo do trabalho, de uma situação de dependência para uma situação de autonomia social. Sendo que as trajetórias juvenis são um “reflexo das estruturas e dos processos sociais”. Estruturas de transição e trajetórias Há diferentes formas de entender a juventude, alguns compreendem todos os que se encontram determinada faixa etária. Outra linha foca a juventude como sujeito social e histórico, que cria a sua própria cultura e a terceira define a juventude como processo de transição para a vida adulta, sendo que cada um desses enfoques compreende parcialmente alguns aspectos dos fenômenos juvenis. Estruturas de transição A juventude entendida enquanto processo de transição para a vida adulta, abrange três elementos que geralmente estão interligados: A conformação da família, a entrada no mundo do trabalho e a independência econômica e residencial. Trajetórias sociais juvenis O termo transição serve para fazer referência a um processo duplo que inclui a mudança biológica do crescimento e as passagens de determinadas situações de vida. Pierre Bourdieu define o espaço social, onde cada individuo ocupa uma posição nas coordenadas do capital,principalmente econômico e cultural, o que define as posições entre uns indivíduos e outros, e de acordo com o posicionamento desses indivíduos no espaço, vão se formando grupos através das relações de proximidade e distância e assim formam-se classes de posições diferenciadas. Portanto o espaço social é essencialmente o espaço das relações. O juvenil na modernidade e capitalismo líquido De acordo com o Banco mundial, o enfoque central sobre a juventude estáem cinco transições, que são: da escola para um estilo de vida saudável, para o trabalho, para a formação de família e para a cidadania. Zygmunt Bauman acerca da modernidade e do capitalismo líquido questiona sobre esse processo de individualização, quanto a lógica da responsabilidade individual do jovem, em que cada um é responsável por sua sorte de maneira pessoal. Na sociedade atual onde os jovens “tem maior autonomia e liberdade para estabelecer suas trajetórias e projetos de vida”, o sistema social necessita, portanto, ser mais efetivo, com relação à ampliação das oportunidades sociais.