André Carlos Brito Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Universidade Jean Piaget de Cabo Verde Campus Universitário da Cidade da Praia Caixa Postal 775, Palmarejo Grande Cidade da Praia, Santiago Cabo Verde 15.9.14 André Carlos Brito Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social Análise dos jornais: A Semana. Expressos das Ilhas e A Nação Universidade Jean Piaget de Cabo Verde Campus Universitário da Cidade da Praia Caixa Postal 775, Palmarejo Grande Cidade da Praia, Santiago Cabo Verde 15.9.14 Memória Monográfica apresentada à Universidade Jean Piaget de Cabo Verde Como parte dos requisitos para a obtenção do grau de licenciatura em Ciências Comunicação-Variante Jornalismo Cidade da Praia ao 15 de Julho de 2013 André Carlos Brito da Sumário “Jornalismo e o poder político: jogos de força na esfera social” é o tema proposto para este trabalho, com o propósito de obtenção do grau de licenciatura em Ciências da Comunicaçãovariante jornalismo. Com este trabalho, pretende-se analisar as relações existentes entre o jornalismo e o poder político e as influências que cada um exerce sobre o outro. E que consequências podem surgir das influencias exercidas entre esses dois ramos. Para o estudo de caso, tomamos como referências as edições dos jornais A Semana, Expressos das Ilhas, A Nação, publicadas durante os meses de Janeiro, junho, dezembro referentes ao ano 2012, procurando demonstrar através das análises feitas das notícias publicadas que abordam questões políticas nestes semanários quais são as posturas destes jornais. E, por fim, os resultados da análise foram confrontados com os depoimentos dos jornalistas/directores desses semanários. Análise, esta, que foi conduzida continuamente pelos objetivos expostos na introdução do presente trabalho. Agradecimentos Queria agradecer a todos que, de forma indireta ou direta, colaboraram para a efetivação deste trabalho. Agradeço á Deus pela coragem e força que me tem concedido sempre para enfrentar os meus desafios. Aos meus colegas da CCO e aos meus queridos professores, em particular o meu orientador Doutor Silvino Évora, que me deu pistas valiosas para levar adiante o meu conhecimento científico. Da mesma forma, queria manifestar os meus reconhecimentos às pessoas que estiveram próximas, dando todo o apoio, a minha família, em especial aos meus pais, minha querida namorada, que tem contribuído imenso com a sua paciência e amor. Um obrigado ao José Mário Correia, Carlos Santos e Benvindo Neves e a todos trabalhadores da Uni-Piaget. Dedicatória Aos meus pais, Maria Benvinda Semedo Brito, José Henrique Lopes Tavares que souberam transmitir-me uma educação aprimorada. Aos meus irmãos, Jacqueliny Brito, Niltom Brito, Jónica Brito, Denice Brito, Cleide Brito e ao eterno amor da minha vida Jessica Gonçalves. Á Deus por tudo. Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Conteúdo Introdução .....................................................................................................................................................11 1. 2. Hipóteses ............................................................................................................................................ 14 Perguntas de partidas: ......................................................................................................................... 14 Capítulo 1: Jornalismo e sociedades democráticas .......................................................................................16 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 Informar numa sociedade democrática ............................................................................................... 16 Profissional do Jornalismo: entre a isenção e a imparcialidade .......................................................... 21 Guerra dos Conceitos: Objetividade ou neutralidade? ....................................................................... 25 Fundamentos do Jornalismo: O Serviço Público ................................................................................ 29 As Fontes no Jornalismo .................................................................................................................... 32 Economia dos Media: financiamento dos órgãos de comunicação social .......................................... 36 Capítulo 2: Relações de Poder: Jornalismo e Poder Político ........................................................................41 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 A Mediatização da Política;................................................................................................................ 41 Marketing Político ou Marketing na Política? .................................................................................... 46 O Poder dos Media na Esfera Democrática ........................................................................................ 50 Jornalismo: Responsabilidade Social ou Responsabilidade Política?................................................. 55 Estudo da Agenda: A agenda-setting (Agenda Mediática, Agenda Pública e Agenda Política) ........ 60 Comunicação Social: Quarto Poder ou Contrapoder? ........................................................................ 63 Comunicação Social e Mediação ........................................................................................................ 67 Capítulo: Análise de conteúdo e discrição dos resultados ............................................................................73 3.1 Discrição dos jornais .......................................................................................................................... 73 3.1.1 Caracterização da amostra ........................................................................................................ 74 3.2 Análise de conteúdo e discrição dos resultados .................................................................................. 74 3.2.1 Géneros jornalísticos predominantes na política ....................................................................... 74 3.2.2 A predominância das fontes jornalísticas nas peças políticas ................................................... 81 3.2.3 Tipologia de títulos predominantes ........................................................................................... 90 3.2.4 Destaque das peças jornalísticas sobre a política nos jornais .................................................... 95 3.2.5 Natureza dos discursos ............................................................................................................ 106 Conclusão ....................................................................................................................................................113 Bibliografia ..................................................................................................................................................119 Anexo1 .........................................................................................................................................................123 Anexo 2 Entrevistas ......................................................................................................................................147 8/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Quadros QUADRO 1 - AS FONTES NO JORNAL “A NAÇÃO”.............................................................................................................. 87 QUADRO 2 - ASSINATURA DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A NAÇÃO”....................................................................... 88 QUADRO 3 - POLÍTICA COMO MANCHETE NO JORNAL “A SEMANA” ..................................................................................... 95 QUADRO 4 - PEÇAS SOBRE POLÍTICA COMO “CHAMADA DE 1ª PÁGINA NO JORNAL A SEMANA ................................................... 96 QUADRO 5 - POSIÇÕES EM QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM DENTRO DO JORNAL “A SEMANA” ....................................... 97 QUADRO 6 - TAMANHO DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A SEMANA”........................................................................ 98 QUADRO 7 - POLÍTICA COMO MANCHETE NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ...................................................................... 99 QUADRO 8 - PEÇAS SOBRE POLÍTICA COMO “CHAMADA DE 1ª PÁGINA NO JORNAL EXPRESSOS DAS ILHAS .................................... 99 QUADRO 9 - TAMANHO DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS”....................................................... 101 QUADRO 10 - POLÍTICA COMO MANCHETE NO JORNAL “A NAÇÃO” ................................................................................... 102 QUADRO 11 - PEÇAS POLÍTICAS COMO “CHAMADA DE 1ª PÁGINA NO JORNAL “A NAÇÃO” ..................................................... 102 QUADRO 12 - POSIÇÕES DE DESTAQUE QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM NO JORNAL “A NAÇÃO” .................................. 104 QUADRO 14 - TAMANHO DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A NAÇÃO” .................................................... 104 9/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráficos: GRÁFICO 1 - GÉNEROS JORNALÍSTICOS NO JORNAL “A SEMANA” ......................................................................................... 76 GRÁFICO 2 - GÉNEROS JORNALÍSTICOS NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ........................................................................... 78 GRÁFICO 3 - GÉNEROS JORNALÍSTICOS NO JORNAL “A NAÇÃO” ........................................................................................... 79 GRÁFICO 4 - AS FONTES NO “A SEMANA” ....................................................................................................................... 82 GRÁFICO 5 - ASSINATURA DAS PEÇAS NO “A SEMANA”...................................................................................................... 83 GRÁFICO 6 - ASSINATURA DAS PEÇAS NO “A SEMANA”...................................................................................................... 84 GRÁFICO 7 - AS FONTES NO “EXPRESSOS DAS ILHAS” ........................................................................................................ 84 GRÁFICO 8 - ASSINATURA DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ...................................................... 86 GRÁFICO 9 - ASSINATURA DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ...................................................... 87 GRÁFICO 10 - TIPO DE TÍTULO UTILIZADA NAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A SEMANA” ................................................. 92 GRÁFICO 11 - TIPO DE TÍTULO UTILIZADA NAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” .................................. 93 GRÁFICO 12 - TIPO DE TÍTULOS UTILIZADA NAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A NAÇÃO” ................................................. 94 GRÁFICO 13 - POSIÇÕES DE DESTAQUE QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM NO JORNAL “A SEMANA”................................... 98 GRÁFICO 14 - POSIÇÕES DAS PEÇAS POLÍTICAS DENTRO DO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ................................................... 100 GRÁFICO 15 - POSIÇÕES DE DESTAQUE QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” .................. 101 GRÁFICO 16 - POSIÇÕES EM QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM DENTRO DO JORNAL “A NAÇÃO” ..................................... 103 GRAFICO 17 - O TOM DAS ABORDAGENS DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A SEMANA”................................................ 107 GRÁFICO 18 - O TOM DE ABORDAGENS DAS PEÇAS SOBRE A POLÍTICA NO JORNAL “A NAÇÃO” ................................................ 108 GRÁFICO 19 - O TOM DAS ABORDAGENS DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS”................................. 109 10/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Introdução Desde sempre, o homem procurou comunicar, compartilhando os seus pensamentos, desejos e opiniões. O gesto e a voz não foram suficientes para transmitirem as suas mensagens. Assim, desenvolveu-se modernos meios de comunicação, traduzindo-se hoje numa parafernália de sistema de divulgação e partilha de informação e conhecimento. Com o surgimento dos órgãos de comunicação social, estes passaram a ser um dos principais instrumentos de comunicação para divulgar, não só as notícias, como também mensagens, ideologias, atitudes e valores. Deste modo, os políticos criaram uma certa dependência em relação aos media, visto que, é através desses meios que conseguem fazer chegar as suas mensagens aos destinatários. Os políticos procuram, assim, ter os media sob o seu controlo para que, através deles, façam chegar notícias das suas ações aos cidadãos. Daí que para Vladimir Lenin (1870-1924), “quem controla os media controla a sociedade.” 11/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação A relação entre os media e os políticos torna-se cada vez menos pacífico, apesar de haver uma complementaridade, em certas circunstâncias. Por outras palavras, os media precisam das informações que os políticos possuem e estes, através deles, conseguem transmitir as mensagens, de uma forma mais rápida e credível. Os jornalistas e as suas fontes cooperam-se para articular e decidir os perímetros da sociedade do conhecimento, reeditando as estruturas do poder e do saber. Ao fazer a recolha e o tratamento dos dados e os seus respetivos enquadramentos e ao divulgar as informações, os media orientam a opinião pública e estabelecem a agenda dos consumidores de notícias. Assim, a sociedade passa a debruçar sobre os assuntos de que falam os media. A cobertura jornalística sobre os acontecimentos de rotina tende a confirmar a predominância das fontes ligadas às elites do poder, relativamente a outras fontes. Entretanto, se analisarmos as primeiras páginas dos jornais da nossa praça, podemos constatar que a maioria das “histórias” de primeira página são fortemente induzidas pelas fontes governamentais, em que, na maioria das vezes, surgem a partir dos canais de rotina, tais como os comunicados, as conferências de imprensa, entre outras iniciativas oficiais. Esta pesquisa pretende, dentro das delineações impostas pelo contexto em que é apresentado, analisar o grau de convergência e de divergência existente entre fontes e jornalistas, debruçando-se sobre os processos pelos quais as fontes ligadas às elites do poder político controlam e interferem na autonomia dos jornalistas e usam a lógica dos media. A atividade política está, atualmente, a ser condicionada por um conjunto de meios (a comunicação social, as sondagens), e os profissionais de outros ramos como os jornalistas e os conselheiros de comunicação sobretudo através do marketing político. Acondicionada com esta evolução o exercício da prática política adapta-se a novas regras de funcionamento, regendo-se pela chamada mediatização da atividade política. 12/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Os media tornaram-se um elemento complementar ao exercício da atividade política e a manifestação dos processos de comunicação política tornou-se consequência de um conjunto de interesses correlacionados, integrando publicitários e assessores de imprensa que procuram aconselhar os clientes, deixando-lhes a causa da elaboração das suas reproduções simbólicas nos espectros mediáticas. A mesma coisa acontece com as suas campanhas eleitorais, que ficam entregues à competência técnica, ao uso da criatividade dos profissionais da comunicação, que procuram produzir nos meios políticos a necessidade do seu serviço e, por outro lado, a mediatização da atividade política, obrigando os políticos a tornarem a sua ação tão atraente quanto possível, com a finalidade de atrair a comunicação social. Pelo ofício que os profissionais da comunicação social desempenham nesta profissão o seu trabalho é influenciado e mesmo manipulado em diversas situações. O controlo sobre os media é mais visível e percetível, quando se aflui na relação de propriedade, por um lado, nos meios públicos o controlo por parte do Estado, por outro lado, nos meios privados, tendo poder sobre o patrão/acionistas. Tendo em conta que o tema a ser abordado debruça sobre o jornalismo e o poder político, verifica-se que, em Cabo Verde, há uma certa proximidade entre esses dois campos. Tendo em conta que os políticos querem ter sempre os órgãos de comunicação social a seu favor para que possam influenciar o público e, por outro lado os media querem exercer um trabalho de forma isenta e imparcial. Daí a intenção desta pesquisa é investigar e compreender como eles se relacionam e quais são as consequências desse relacionamento para a prática jornalística, com relevo para alguns jornais da praça. Durante esta pesquisa ambicionamos atingir especificamente os seguintes objectivos: Compreender e analisar os tipos de relações existentes entre os media e o poder político em Cabo Verde; Perceber até que ponto o jornalismo cabo-verdiano é politizado; 13/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Entender como a influência política pode interferir ou pôr em causa a qualidade das informações e o jornalismo em Cabo Verde; Compreender porquê que os órgãos de comunicação social tendem a seguir as agendas políticas; Entender as relações existentes entre os media e as suas fontes. O presente tema despertou-nos atenção, uma vez que, na sociedade cabo-verdiana, é bastante comum anotar o questionamento da sociedade relativamente à imparcialidade dos nossos media em relação às questões que circunscrevem o exercício da atividade política. 1. Hipóteses O jornalismo cabo-verdiano é politizado porque os media não possuem uma agenda própria que beneficia o serviço público, servindo mais a classe política de que os cidadãos; A politização das informações tem como consequência a “descredibilidade” da informação, porque os cidadãos perdem a confiança na veracidade em relação aquilo que os jornalistas divulgam; A inexistência de jornalismo especializado em Cabo Verde faz com que a figura do «quarto poder» não se manifesta no jornalismo cabo-verdiano; 2. Perguntas de partidas: Em que medida a politização de informação pode pôr em causa a qualidade do jornalismo em Cabo Verde? Tendo em conta a proximidade entre os poderes políticos e mediáticos, como se posicionam os media como «quarto poder» em Cabo Verde? 14/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Para a concretização deste trabalho, serão utilizados métodos qualitativos, uma vez que, os objetivos finais são compreender e analisar as relações existentes entre o jornalismo e o poder político e as suas consequências na qualidade da informação em Cabo Verde. No decorrer desta investigação pretendo abranger as diversas metodologias de investigação que, normalmente, são usados nas Ciências Sociais e Humanas. Os instrumentos utilizados para a recolha dos dados serão: Consultas bibliográficas; Análise de conteúdos (serão analisados notícias que foram publicados por alguns órgãos da praça); Entrevistas (serão entrevistados os jornalistas, os políticos e os especialistas); Consultas de páginas web; 15/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Capítulo 1: Jornalismo e sociedades democráticas 1.1 Informar numa sociedade democrática Pela sua habilidade de circunscrever grandes fração de pessoas, os media são vistos, como um “patrimônio social” basilar para que o direito à comunicação possa ser exercido. O direito à comunicação sempre foi o elemento basilar de todas as liberdades conquistadas pelo Homem ao longo dos tempos. Direito de opinião, de expressão, de imprensa e de informação são direitos específicos e, ao mesmo tempo, interligados, que cooperam tanto para o desenvolvimento das pessoas, como para o conjunto das sociedades que ambicionam a configuração de um Estado democrático. Na nossa legislação, estas diretrizes estão expostas na Constituição da República de Cabo Verde nos artigos 48º e 60º, na revisão de 2010. Artigo 48º (Liberdade de expressão e informação) 1. Todos têm a liberdade de exprimir e de divulgar as suas ideias pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, ninguém podendo ser inquietado pelas suas opiniões políticas, filosóficas, religiosas ou outras. 16/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação 2. Todos têm a liberdade de informar e de serem informados, procurando, recebendo e divulgando informações e ideias, sob qualquer forma, sem limitações, discriminações ou impedimentos. 3. É proibida a limitação do exercício dessas liberdades por qualquer tipo ou forma de censura. Artigo 60º (Liberdade de imprensa) 1. É garantida a liberdade de imprensa. 2. À liberdade de imprensa é aplicável o disposto no artigo 47º. 3. É assegurada a liberdade e a independência dos meios de comunicação social relativamente ao poder político e económico e a sua sujeição a censura de qualquer espécie. 4. Nos meios de comunicação social do setor público é assegurada a liberdade de expressão e o confronto de ideias das diversas correntes de opinião. Hoje, um dos maiores poderes de uma sociedade democrática, figura-se no direito de informar. Numa sociedade democrática, a imprensa é o maior exemplo da liberdade de expressão, e pode adquirir várias funcionalidades: o de fiscalizar as ações dos governantes e também de garantir o funcionamento da democracia. Lutar para informar o povo é contribuir para que ele possa desfrutar de um direito essencial: o direito de se informar e ser informado. Nesta era da globalização em que temos que nos preocupar e saber da existência do outro, estar informado é uma necessidade basilar, uma condição fundamental para que a coabitação humana se possa estabelecer num clima de paz e confiança. Para reforçar esta ideia realçamos as interrogações de Fernando Oliveira Paulino (2009:36) segundo que “Torna-se importante avaliar quais pressupostos teóricos têm orientado a atuação das instituições de comunicação e quais mecanismos e perspetivas têm sido planejados e colocados em prática para a promoção da liberdade de expressão compatibilizada com os ideais de Direitos Humanos e responsabilidade social da mídia”. 17/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Não é possível assimilar uma sociedade livre sem a livre circulação de informação. Este direito fundamental normalmente é violado com maior frequência nas sociedades com sistemas não democráticos. Nestes sistemas as informações são usadas e circunscrevem a técnicas de manipulação da opinião pública. Mas, uma sociedade democrática e livre é uma sociedade aberta, em que o diálogo prevalece: ou haverá livre circulação de informações ou será ela encaixada no esquema não democrático. Para Nelson Traquina (2007:12) “ a democracia não pode ser imaginada como um sistema de governo sem liberdade, e o papel central do jornalismo, na teoria democrática, é informar o público sem censura. Os pais fundadores da teoria democrática sempre insistiram, desde o filósofo Milton, na liberdade como fator essencial da troca de ideias e opiniões, reservando ao jornalismo não apenas o papel de informar os cidadãos, mas também num quadro de cheks and balances (a divisão do poder entre poderes), a responsabilidade de vigilante (watchdog) do governo. Tal como a democracia sem uma imprensa livre é impensável, o jornalismo sem liberdade, ou é farsa ou é tragédia. Definir o jornalismo num regime totalitário, quer sob formas seculares, como, por exemplo, o fascismo, quer sob forma religiosa, como por exemplo, o ex-regime dos Taliban no Afeganistão, é fácil: aí, o jornalismo é propaganda ao serviço do poder instalado”. Nas sociedades contemporâneas, o conhecimento estabelece um princípio de hierarquização social tão importante como a riqueza pelo, que a informação representa um poder enorme. Para Jorge Pedro Sousa “uma democracia de qualidade fortalece o campo jornalístico. Um campo jornalístico forte e bem estruturado promove a qualidade da democracia” (www.bocc.ubi.pt)1. Tendo em conta esta afirmação, o que podemos constatar é que, de facto, quando existe uma democracia de qualidade onde as normas estabelecidas são cumpridas e as legislações estabelecidas para o jornalismo são respeitadas. Isto implica que um profissional de comunicação social execute as suas funções da melhor forma possível, permitindo assim ao mesmo tempo dar maior enriquecimento a esta democracia e uma maior coesão de funcionamento entre a sociedade e as instituições de comunicação social. Também levando em conta o segundo ponto da afirmação, quando o autor refere que, um campo jornalístico forte e bem estruturado promove a qualidade da democracia, isto refere que, quando temos um jornalismo com uma boa estrutura e exercidos com profissionais capacitados nesta área 1 http://www.bocc.ubi.pt/pag/bocc-o-jornalismo-sousa.pdf 18/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação permite que, o jornalismo/jornalista esteja sempre atento aos detentores do poder, fazendo com que estes exercem as suas funções de uma forma rigorosa e de qualidade, permitindo que as diretrizes da democracia sejam respeitadas e se torne cada vez mais forte. Nessa ordem de ideias, pode-se afirmar que, se um deles é enaltecido, o outro se fortifica; em contrapartida, se um deles sofre ataque, o outro se enfraquece. Tendo em conta a relevância da informação para as sociedades atuais, os sistemas legais e as constituições em geral não se negligenciaram de corporificar meios de proteção deste tão importante fator. Promoveram, assim, no suceder dos tempos, disposições legais, propondo-se a proteger o chamado “direito à informação”. Quando foi fundada as Nações Unidas em 1945 (ONU), foram muitos os critérios que referiam a relevância do direito à comunicação para o progresso da humanidade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 declarou em seu artigo XIX, o seguinte: “Toda a pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios, e independentemente de fronteiras”. Os países que alinham na organização dos Estados Americanos (OEA) também asseguraram a necessidade de deliberar meios de proteção à liberdade de expressão e criaram junto à comissão interamericana de Direitos Humanos, um relatório para a liberdade de expressão. Na carta de princípios básicos desse relatório, afirma-se que o acesso à informação é obrigação do Estado e esclarece que monopólios e oligopólios conjuram-se contra a democracia por restringir a pluralidade e a diversidade dos meios de comunicação. Apenas as sociedades que garantem o acesso à informação, aos meios de comunicação e que assegure condições para que as pessoas possam se expressar e se comunicar com liberdade poderão ser consideradas verdadeiramente democráticas. Em grande parte das sociedades e Estados totalitários, o direito à liberdade de expressão é perseguido e é visto como uma ameaça ao regime ditatorial. Estas ações violam expressamente instrumentos internacionais como a Convenção Americana de Direitos Humanos. 19/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Uma dessas violações tem lugar quando o acesso de todos ao pluralismo dos meios de comunicação é recusado, ou aproveitado de forma abusiva ou com privilégios. Trata-se de uma violação muito presente nas sociedades democráticas, mas aqui o abuso do direito tem estado a acontecer sob a forma da concentração dos meios de comunicação em massa nas mãos de poucos grupos económicos e políticos. Sendo que nas sociedades democráticas, a informações tem-se convertido num negócio poderoso e rentável, hoje o que se verifica é que cada vez mais há uma grande corrida para se adquirir o poder sobre os órgãos de comunicação social. Michael Palmer (1992:96) defende que “ Uma pretensa lógica económica é utilizada para acelerar a concentração e a constituição de poderosos grupos de imprensa. Essas multinacionais da comunicação controlam um número cada vez maior de jornais, de estações de rádio e de cadeias de televisão. Restringem assim perigosamente o pluralismo e as liberdades democráticas”. Com as consequentes perdas de pluralismo, as grandes empresas mediáticas vão obter o monopólio, daí vamos ter informações uniformizadas. Com as informações uniformizadas e controladas pelos interesses económicos das grandes empresas, teremos como consequência menos qualidade e diversidades das informações. Quando cada vez mais situações deste tipo tendem-se a manifestar as ideias democráticas vão perdendo os seus valores. Uma das formas dos cidadãos evitarem das manobras de manipulação é tornarem-se mais atentos em relação às instituições democráticas e aos órgãos de comunicação social, adotando uma atitude de permanente reflexão crítica sobre as informações fornecidas. Nas sociedades democráticas, sobretudo nas ditas sociedades do conhecimento, é preciso ter muito cuidado com as informações. Diariamente somos “bombardeados” com uma quantidade enorme de informações, e muitas delas se contradizem, pois é preciso que os 20/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação indivíduos tenham a capacidade de selecionar as informações necessárias para o seu consumo. Este fenómeno é designado de literacia mediática2. Para Silvino Évora (2012:4,5) “a literacia mediática é um fenómeno dos nossos dias e, mais do que ensinar as crianças, os jovens e adolescentes, História, Geografia, Língua Portuguesa e Matemática, é preciso hoje ensinar-lhes também a lidar com as diferentes plataformas de comunicação, sejam audiovisuais (rádio, televisão, cinema, CDs e DVDs), sejam elas eletrónicas ou digitais (a internet, sobretudo). É preciso aprender a usar esses processos comunicativos de forma ética, tanto na componente de consumo como na componente da produção, uma vez que todos nós hoje somos consumidores e produtores dos conteúdos que circulam no ciberespaço”. 1.2 Profissional do Jornalismo: entre a isenção e a imparcialidade São vários os critérios que norteiam o ofício de um profissional de jornalismo, e entre elas são levantadas bastantes questões. Imparcialidade3 e isenção são alguns dos princípios-guia do jornalismo que norteiam a capacidade de descrever os fatos “tais como elas são”. Para melhor entender esta conceção, tomemos em conta a seguinte afirmação de Nelson Traquina (2007:76,77) “o ethos dominante, os valores e as normas identificadas com um papel de árbitro, os procedimentos identificados com o profissionalismo, levarão a que dificilmente os membros da comunidade jornalística aceitem qualquer ataque à teoria de espelho4, porque a legitimidade e a credibilidade dos jornalistas estão assentes na crença social que as notícias refletem a realidade, de que os jornalistas são imparciais devido ao respeito das normas profissionais e de que asseguram o trabalho de recolher a informação e relatar os factos, sendo simples mediadores que «reproduzem» o acontecimento na notícia”. Segundo alguns autores, o conceito de imparcialidade “nasceu no século XVIII e se desenvolveu até hoje por meio do liberalismo, que parte do ponto de vista de que o jornalista 2 Literacia mediática – é a capacidade que os indivíduos têm de separar e lidar com as informações em diferentes suportes. 3 Imparcialidade- qualidade da informação jornalística que procura manter o distanciamento face as parte envolvidas numa investigação, segundo Dicionário de Ciências da Comunicação. 4 Teoria do espelho- é a teoria mais antiga e responde que as notícias são como são porque a realidade assim as determina. 21/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação pode trabalhar de forma imparcial sem se envolver nos acontecimentos que descreve”. A isenção e imparcialidade são dois dos essenciais deveres do jornalista. O jornalista nunca deve ser tendencioso, isto é, não pode ostentar a sua opinião numa determinada peça diante dos acontecimentos por si relatados. O jornalista deve sempre adotar por uma atitude isenta e neutra. Para Nelson Traquina, (2007:75) “com o novo paradigma das notícias como informação, o papel do jornalista é definido como o de observador que relata com honestidade e equilíbrio o que acontece, cauteloso em não emitir opiniões pessoais”. Convém relembrar que o jornalista é um cidadão e como todo ser humano também tem sua opinião, essa que não deve ser exposta numa peça seja ela um debate, uma entrevista, reportagem ou uma notícia. Todavia muitas vezes o limite entre o homem e o jornalista é muito delicado, sendo que ambos são a mesma pessoa, o que poderá levar a uma certa tendência ou inclinação na apresentação ou averiguação de determinados temas. A conexão entre Homem e o jornalista não pode influir na construção da notícia, mesmo sendo uma tarefa delicada. Não se pode castigar um profissional de jornalismo ou um meio de comunicação social que em alguma circunstância não se conseguiu fazer essa distinção/separação. O que é de condenar é quando essa inclinação aparece com frequências num determinado meio de comunicação social ou por parte de um profissional de jornalismo, pois que os órgãos de comunicação social têm a função de informar e não de manipular. No entanto há uma outra pendência que se deve ter em conta que é o da influência/pressão por parte de quem detém o poder sobre os media e que condiciona a informação e a imparcialidade da mesma. Há casos em que a informação é divulgada apenas sobre uma perspetiva de forma que não contrapõe a ideologia de quem tem poder sobre o jornalista ou mesmo sobre o órgão. Situação que atualmente tem condicionado muito no trabalho dos jornalistas. Segundo Claude Julien (1992:83) “como a informação se tornou um dos filões do audiovisual, grupos de imprensa - em particular os que são dirigidos por Robert Hersant, Robert Maxwel, Rupert Murdoch… - procuram apoderar-se de canais de televisão para tirarem melhor partido dos meios em seu poder”. 22/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação A isenção jornalística exige um nível de independência económica, religiosa e política em virtude do princípio básico: o de divulgar informação com credibilidade aos leitores/ouvintes/espectadores. Mas, para muitos pesquisadores do jornalismo, esta é uma discussão já subjugada, uma vez que, muitos já têm a perceção de que o jornalista pensa e sente como qualquer um outro ser humano e por maior que seja a sua mestria ele é incapaz de descrever toda a verdade que envolve um acontecimento jornalístico. O que descreve cinge-se a uma representação da realidade, já convertendo a sua versão e recorte do sucedido, visto ter que se selecionar e saber distinguir o importante do acessório. Para Ignacio Ramonet (1999:56) “ os jornalistas não formam um corpo homogéneo. Encontram-se divididos por diferenças de classe, clivagens ideológicas, debates deontológicos. Por certo que existe, efectivamente, uma tomada de consciência colectiva: eles conhecem os novos problemas que se lhes colocam e discutem-nos permanentemente. Na verdade, serão apenas eles os responsáveis? O emissor tem inegavelmente, uma forte responsabilidade, mas o cidadão também. Informar-se pressupõe mudar de media; pôr de lado esta ou aquela fonte se ela é pouco fiável, etc. Os cidadãos têm também eles, um dever: o de serem activos, e não passivos, na procura de informação. Não se pode, por exemplo, informar-se exclusivamente através do telejornal que pela sua estrutura ficcional continua a ser concebido, acima de tudo, para distrair e divertir”. Agora vamos tentar analisar esta temática sobre a realidade mediática em Cabo Verde. No nosso país muito se tem questionado sobre a dependência dos órgãos de comunicação social/profissionais de jornalismo em relação a certas ideologias, sobretudo as partidárias. Na sociedade cabo-verdiana fazer distinção entre órgãos de comunicação social e ideologias partidárias não é uma tarefa simples, uma vez que, a maior parte dos media em Cabo Verde surgiram das ideologias políticas. Segundo Silvino Évora na sua tese de doutoramento «Concentração dos Medias e liberdade de imprensa», (2010:262), “tendo a consciência de que a própria classe política não facilita a vida aos jornalistas, dificultando a criação de condições para o exercício, em liberdade, da actividade informativa, os políticos, quando perdem as eleições, sabem que o acesso e o tratamento na comunicação social não continua a ser como no período em que estavam a governar. Diante disso, criam as suas próprias estruturas informativas, não só para ter por onde canalizar as suas mensagens, como também para 23/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação dificultarem o trabalho de quem está no governo. O jornal „A Semana‟, o „A Semana Online‟, o „Expresso das Ilhas‟, o „Expresso das Ilhas On-line‟ e o „Liberal On-line‟ têm seguido, um bocado, a estratégia de batalha política através da imprensa, sendo que, quase todos eles, sobretudo os impressos, surgiram como resposta de um partido a um desfecho eleitoral. Ondina Ferreira, ex-ministra, afirma que “a comunicação social, infelizmente, está muito partidarizada”. Daí com esta situação nos media em Cabo Verde torna-se cada vez mais difícil para que um profissional de jornalismo consiga trabalhar sobre os princípios guia da atividade jornalística. Convém-nos regressar ao início desta problemática, vamos recapitular como o Dicionário de Ciências da Comunicação define a imparcialidade: este define-a como qualidade da informação jornalística que procura manter o distanciamento face as partes envolvidas numa investigação. Levando em conta esta afirmação, não é muito comum encontrar nos media cabo-verdianos um certo distanciamento nas peças abordadas, sobretudo nos jornais impressos ou online, pois que é muito raro encontrar afirmações ou citações das duas partes envolventes (“ou é uma ou é outra”) abordadas numa peça/notícia. O que tem estado a acontecer é que há uma disputa entre os diferentes grupos políticos com interesse em divulgar informações favoráveis a si e desfavoráveis aos seus adversários. Como resultado, os cidadãos passam a apropriar-se de informações valiosas, especificamente, as advindas do contraditório político. Mas são vários os manuais do jornalismo que ensinam que o jornalista deve ouvir os dois lados, isto é, ser isento não interferir nas notícias, procurando sempre deixar de lado os seus preconceitos e os valores pessoais que podem ferir em momentos que a imparcialidade de ser conservada. De acordo com o Livro de Estilo Público (1998:34), “o tratamento distanciado e descomprometido de qualquer assunto. Não está obviamente em causa o direito de os jornalistas pertencerem a qualquer organização política ou de outra natureza: o jornalista é um cidadão no pleno gozo dos seus direitos constitucionais. Pode ter clube que quiser e o partido que entender, as opiniões e as crenças que preferir. Mas não deve nunca confundir as suas opções privadas com a actividade de que exerce publicamente”. A, isenção a independência e a imparcialidade em relação aos poderes ou qualquer fonte são critérios que garantem a credibilidade de qualquer profissional de comunicação ou do próprio órgão de comunicação. 24/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Para que essas características sejam manifestadas no exercício do labor de um profissional de jornalismo ela deve estar submetida a uma liberdade quase na sua plenitude. Essas características são conceções românticas criadas em torno do jornalismo que um dia se espera que se possa vir a manifestar. Segundo Nelson Traquina (2007:13 e 14), “as liberdades são reais, mas seria romântica uma visão da profissão imaginada como sendo o jornalismo a soma de todos os jornalistas a agir em plena liberdade. A questão que permanentemente se põe é precisamente a de saber até que ponto um jornalista é livre, e são livres os jornalistas. A resposta teórica deste livro reconhece uma «autonomia relativa» do jornalismo, sendo, no entanto, a sua actividade altamente condicionada. Muitas vezes, o trabalho jornalístico realiza-se em situações difíceis, marcadas por múltiplas incertezas”. A isenção e a imparcialidade são mecanismos que devem ser sempre perseguidos pelo jornalista, mas nada assegura que o leitor, o telespectador e o ouvinte vão interpretar a informação tal qual foi divulgada pelo profissional do jornalismo. Os profissionais de comunicação na tentativa de fazer vigorar essas duas características procura que o seu trabalho atinja um certo nível de credibilidade. No decorrer do seu labor, o jornalista busca que os valores-guia da sua profissão sejam bem visíveis, daí se questiona o que existe no jornalismo é objetividade ou neutralidade. Esta reflexão será feita ao longo do subcapítulo que se segue. 1.3 Guerra dos Conceitos: Objetividade ou neutralidade? A objetividade e a neutralidade no ofício do jornalismo tem sido pontos de reflexões e criticas, que tem levantado a questão se é possível elas existirem na pratica jornalística. Será que se pode atribuir característica, como a objetividade ao jornalismo, uma vez que o jornalismo é feito de discurso e o discurso é marcado fortemente por ideologias? Para melhor entender esta problemática devemo-nos então ter em conta o que é de facto jornalismo. Todavia das tantas formas e maneiras que os estudiosos do jornalismo tentaram definir este ofício nós aprendemos que o jornalismo se baseia na veracidade das informações (Kuncsky 2001e 2005)5. A realidade relatada (reconstruida) pelo jornalismo é feita sobre princípios 5 http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/especial5_e.htm 25/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação peculiares que regem este ofício. Segundo Teun A.Van Dijk (2005:26), “ se o controlo do discurso é uma forma maior do poder, controlar as mentes das pessoas é outro modo fundamental de reproduzir a dominância e hegemonia. Dentro de um quadro da ACD 6, o “controlo da mente” envolve mais do adquirir simplesmente crenças sobre o mundo através do discurso e da comunicação”. Mediante a reconstrução da realidade o jornalismo não pode ser uma atividade objetiva. Esta característica (objetividade) apresentada nos vários livros de estilo, códigos de ética e manuais de redação deduzem uma perceção positiva da realidade. Presume da possibilidade de que o relato dos factos pode ser uma reprodução fiel e exata do real. Os textos jornalísticos possuem a responsabilidade de refletir os fatos, de modo que o seu relato nunca seja a transmissão de uma ocorrência entendido a partir de um ponto de vista pessoal, mas antes uma manifestação neutra dos factos ocorridos. O próprio discurso, a partir da qual a mensagem jornalística será exposta, nunca consegue ser totalmente objetiva e imparcial. Para Robert Hackett (cit. por Nelson Traquina 1999:107), “à parte o papel do jornalismo como mediador do mundo social, a própria linguagem não pode funcionar como transmissora direta do significado ou veracidade supostamente inerente aos acontecimentos. Em parte, isso acontece porque a rotulagem de algo implica a existência de uma avaliação e de um contexto”. Logo, as normas que obrigam que os jornalistas tenham uma conduta imparcial são favoráveis ao encobrimento de toda a ideologia e subjetividade presentes na produção jornalística. Daí o jornalismo enquanto discurso linguístico e, como tal, inconveniente à isenção de juízo de valor, não se pode compreender que exista um jornalismo completamente imparcial, a não ser no mundo das ideias. Embora os livros de estilo dos órgãos persistirem em defesa de objetividade e neutralidade como principio que legitima o jornalismo, sabe-se que as reportagens e notícias só são produzidas por meio de critérios e seleção dos fatos a partir de qualidades dos princípios ideológicos, geralmente não explicitadas e normalmente naturalizadas. Diversos estudiosos nas suas análises procuram demostrar a impossibilidade de ser objetivo, daí se questiona se é possível relatar os acontecimentos/realidades sem interpretá-la, sem 6 ACD-Analise crítica do Discurso 26/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação encarar os fatos a partir de uma determinada perspetiva. Por mais que se tem criticado a existência da “objetividade”, esta continua a estar na linha da frente dos princípios designados nos livros de estilo dos media, seja qual for a máxima que ela exprime por detrás. Mesmo assim diante dos preceitos mencionados, a “guerra” entre esses dois conceitos a objetividade e a neutralidade, a primeira acaba por perder diante do segundo, pois que a objetividade acaba por ser uma ilusão imaginaria para o Homem, porque a sua capacidade o limita de relatar todos os acontecimentos. Para Hubert Beuve-Méry (cit. por José Manuel Barata-Feyo 1991:217), “a objectividade não existe, resmungava ele. A honestidade sim! Toda e qualquer informação é forçosamente subjectiva. É apresentada por um jornalista, isto é, por um homem, com sua sensibilidade, o seu carácter, a sua história, as suas opiniões, os seus talentos e os seus limites. Resulta de uma escolha, de uma apresentação, com um número limitado de palavras (ou de imagens) ”. É mais fácil para um jornalista atingir a neutralidade, quando realiza um trabalho imparcial, isento, procurando dar a mesma amplitude às partes envolventes, construindo uma peça com rigor, concisão e clareza. Denis McQuail (2003:177), defende que “a informação deve ser equilibrada e justa (imparcial), descrevendo perspectivas alternativas de maneira não sensacionalista nem tendenciosa. A objectividade (e patamares relacionadas de factualidade, etc.) está longe de ser unanimemente olhada como necessária, virtuosa ou mesmo possível de atingir”. No mundo, nenhum facto acontece por acaso, isto é, nada está isolado em tudo há uma relação, qualquer análise que é feita é efetuado sobre perspetivas. Para Jean-Luc-MartinLagardette (1998:90), “a ciência moderna- e particularmente a física das partículas elementares- ensinou-nos que a objectividade absoluta é impossível. Basta, por exemplo, olhar um átomo para lhe modificar a sua aparência. Ela ensina-nos também hoje em dia que há uma unidade fundamental no universo. Nada pode ser estudado à parte, tudo está ligado”. A análise objetiva é impossível, porque sempre há uma conexão entre quem analisa e o facto a ser observado. A análise objetiva é para Lagardette (1998) impossível, uma vez que para relatar perfeitamente um acontecimento, tal como ocorre será necessário narrar ao mesmo tempo o conjunto das relações que interagem com esse acontecimento. 27/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Com o objetivo de passar uma imagem neutra dos media nas suas produções noticiosas, são adotadas estratégias de referências, tais como, livros de estilo, estatuto editorial, manual de redação, de forma que haja uma padronização dos componentes filológicos nos media. Assim o jornalista pode relatar os factos sob as normas estabelecidas, de modo que não consiga interferir com as suas convecções pessoais, isto é, permite-lhe fazer uma abordagem neutra dos acontecimentos. Muitas vezes falamos e exigimos que haja objetividade no jornalismo, mas esquecemo-nos de levar em conta que a atividade jornalística, na maioria das vezes, está condicionada de alguma forma por alguns fatores (económico, políticos, etc.). Daniel Cornu (1994:321, 322) defende que, “tantas vezes esquecida nos grandes discursos sobre a desinformação e a manipulação, de que os jornalistas seriam ora instigadores ora vitimas”. Nestas circunstâncias não é fácil que no exercício da atividade jornalística os acontecimentos sejam relatados/trabalhados com neutralidade e objetividade, pois que os profissionais da comunicação são confrontados por vezes de uma forma implícita a abordar os acontecimentos de acordo com a linha editorial (ideologia) do órgão para qual trabalha. Investigar a realidade é uma tarefa que o jornalismo pode e deve fazer. Renunciar a ela seria o mesmo que ser passivo a todo tipo de manipulação e esvaziar o jornalismo de sentido, exatamente quando tanto se precisa dele. Para Fernando Correia (1997:163), “o reconhecimento da impossibilidade da absoluta objectividade, com efeito, não autoriza nenhuma atitude céptica justificadora de todo e qualquer subjectivismo – antes deve reforçar o empenho, em todas as fases da actividade jornalística, na utilização de procedimentos que permitam a maior aproximação possível à veracidade dos factos”. Os profissionais de comunicação invocam a objetividade como uma “manobra astuciosa” para se defender das críticas no exercício do seu labor (Fernando Correia, 1997). Atualmente são vários os estudiosos contemporâneos que procuram deslocar a questão da objetividade para a problemática da neutralidade, isto é, a exatidão dos factos narrados e a lealdade com as fontes, uma vez que neste ofício é impossível atingir a objetividade na sua plenitude. 28/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Hoje, debruçar sobre a problemática da objetividade ou neutralidade no jornalismo precisa ser analisada no âmbito dos vários fatores que englobam a atividade jornalística. Estes conceitos já não carregam consigo a mesma ideologia (prática) que antes tinha, porque a informação/notícia tornou-se num produto/negócio bastante poderoso e rentável. A liberdade é um fator primordial para que qualquer princípio estabelecido através da ética e deontologia se manifeste. O profissional da comunicação precisa ser livre para ser neutro e estar sempre na procura de se aproximar da objetividade. 1.4 Fundamentos do Jornalismo: O Serviço Público Segundo o Dicionário de Ciências da Comunicação, “este conceito designa uma função e responsabilidade dos meios de comunicação, especialmente aqueles detidos pelo Estado. As características exatas do termo são objeto de polémica teórica e política, já que não existe um conceito sobre a sua definição. Na sua generalidade, entende-se por serviço público dos media o dever de fornecer aos cidadãos um produto comunicativo e informativo e com relevo para a população”. Neste sentido, pode-se entender que um órgão que presta serviço público procura envolver assuntos de interesse público. Isto é, abarcar a sociedade nos assuntos do seu interesse e dos seus indivíduos, através de informações que conduzem debates públicos e às decisões coletivas. De acordo com a revista “Jornalismo & Jornalistas7” (edição nº 4, de julho de 2010:6) o serviço público tem o dever de transmitir programas e informações que possam dar contributos para os cidadãos e a sociedade. Ainda a revista recorre à resolução do Conselho da União Europeia e dos Representantes dos Estados-Membros de 25 de janeiro de 1999, ressalvando que, "um amplo acesso do público, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, as várias categorias de canais e serviços constitui uma pré-condição necessária ao cumprimento das obrigações específicas do serviço público de televisão" pelo que os Estados-Membros devem "manter e aumentar a capacidade do serviço público de radiodifusão para oferecer ao público uma programação e serviços de qualidade, nomeadamente através do desenvolvimento e da diversificação das actividades na era digital". Assim sendo, a relevância da questão do serviço público é tida como responsabilidade do 7 http://www.clubedejornalistas.pt/wp-content/uploads/2010/09/JJ43.pdf 29/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Estado e na maioria das vezes encontra-se estipulada na Constituição da República. O Estado tem o dever de criar mecanismos apropriados e necessários aos órgãos públicos de forma a que estes possam prestar serviços de qualidade para a sua sociedade. Em Cabo Verde, a questão do serviço público nos media encontra-se vigente na Constituição da República no artigo 60º. Artigo 60º (Liberdade de imprensa) 9. O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de radiodifusão e de televisão. O serviço público nos media em Cabo Verde é garantido pela empresa RTC (Rádio e Televisão de Cabo Verde) onde temos a Rádio de Cabo Verde (RCV) e Televisão de Cabo Verde (TCV). Em Cabo Verde para além do serviço público de rádio e televisão serem financiados pelo Estado, também os cidadãos contribuem para o financiamento deste serviço com uma taxa de 105$00 mensais, que é cobrado na fatura da Electra destinado a empresa RTC. Para Marco de Oliveira antigo presidente do conselho de Administração da RTC (cit. Por António Miguel Ndapassoa-2011:35) “hoje, os Estatutos da RTC consagram muito claramente a prestação do serviço público como seu objeto principal, nos termos do contrato de concessão com o Estado. Mas, se atualmente isso é um imperativo legal, nos primórdios da rádio essa necessidade já era sentida, sendo sua obrigação de cumprir esse papel face à situação de insularidade e atraso em que o nosso arquipélago vivia”. Os medias que prestam serviço público devem agir em corelação com as outras instituições que tem a finalidade deste serviço, de forma que possam garantir aos cidadãos um serviço de qualidade e diversificado. Para melhor compreender esta temática tomemos em conta a seguinte afirmação de Manuel Pinto (coord. 2005:16): “correlativamente, podemos dizer, pela afirmativa, que a televisão de serviço público se deferência como realidade específica, quando e na medida em que se assume como uma instituição da sociedade, agindo em estreita relação com as outras instituições, vocacionada para lhe dar vez e voz, sem estar condicionada pelas exigências do sucesso, embora também não as rejeitando”. A questão do serviço público 30/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação verifica-se como um principio marcante a ideologia do jornalismo, como responsabilidade público, o qual se reflete no seu ideal de prática e na relação com outras instituições. A prestação do serviço público constitui um dos componentes fundadores de reconhecimento da atividade jornalística e é um dos elementos de legitimação do profissionalismo no jornalismo. A atividade jornalística pela ética e deontologia que o rege acaba por ser em si um serviço público. Os códigos deontológicos e éticos não são apenas mecanismos de apoio e proteção dos jornalistas. Estes mecanismos também servem para garantir ao público que o jornalismo existe para servi-lo com exatidão, clareza, imparcialidade e para garantir o respeito aos direito fundamentais do Homem. Para muitos o jornalismo é uma das atividades que mais abarca responsabilidades sociais. Daí que a função de serviço público do jornalismo reivindica um elevado grau de competência e profissionalismo. Sob o princípio da funcionalidade de interesse público, basilar para a existência das sociedades democráticas, o jornalismo se apresenta como uma audácia moral, por se encontrar ao serviço do respeito à vida cultural e política da sociedade. Para Manuel Pinto (coord. 2005:16), “a televisão de serviço público afirma-se e diferencia-se pelo seu caracter de referência e de exemplaridade. Em lugar de nivelar por baixo, põe a fasquia da exigência mais elevada possível, no que toca ao profissionalismo, às especificidades do discurso e estética televisivos, à capacidade de despertar interesse e de alargar horizonte. Não envereda por uma política minimalista que se circunscreve aos mínimos que a lei prevê”. Os medias possuem uma grande responsabilidade no que tange ao serviço público, pois devese apresentar como um fator essencial na divulgação de valores, princípios comum para a coesão e estabilidade de uma sociedade. Daí como tínhamos referido anteriormente, devido a grande relevância dos media no que diz respeito à prestação do serviço público ser uma das preocupações do Estado em manter este tipo de serviço nos órgãos que estão sob a sua tutela. Para Mário Mesquita (cit. por Joaquim Fidalgo 2008:164) “as principais funções atribuídas aos media noticiosos pela doutrina da “responsabilidade social” consistiam em fornecer a informação necessária ao debate político, esclarecer o povo sobre acerca das suas opções políticas, defender os direitos individuais, contribuir para o desenvolvimento da economia através da prestação de serviços, divertir e, finalmente, assegurar a sua própria autonomia, de 31/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação forma a resistirem às pressões externas”. Os media carregam consigo a responsabilidade de esclarecer e enquadrar o público para os diversos acontecimentos e setores que existem na sociedade. No caso de Cabo Verde, o que podemos constatar em torno das premissas que definem a responsabilidade dos media na prestação de serviço público, sobretudo os estatais, há necessidade nos órgãos e nos seus profissionais de prestarem um serviço público com maior qualidade, em especial à televisão pública (TCV). Não há uma grelha de programação diversificada que possa responder ao interesse público e que possibilite o debate entre os cidadãos envolvendo assuntos da vida pública. Há um enaltecimento das advindas dos contraditórios dos partidos políticos em relação às questões sociais nos espaços informativos. Constata-se que existe uma necessidade de responsabilizar os media pela democratização das informações, uma vez que, as suas mensagens possuem um grande impacto na tomada de decisão dos indivíduos. Para melhor reforçar esta ideia, destacamos Manuel Pinto (coord. 2005:16) que afirma que “é no quadro das dinâmicas sociais que os cidadãos individual ou organizadamente, podem assumir o serviço público como coisa sua, como espaço e oportunidade para tomar a palavra e reconhecer as palavras dos concidadãos”. Atualmente, o jornalismo tornou-se numa atividade que vai muito além do serviço público, não circunscreve apenas a essa premissa, mas sim um negócio lícito com enorme poderio, em que ao consumidor é oferecida informação sobre determinados sectores da atualidade, criando uma audiência que, por sua vez, é vendida aos anunciantes. 1.5 As Fontes no Jornalismo No jornalismo, as fontes são os possuidores de informação, isto é, podem ser pessoas (variam tanto para a coletividade ou individualmente) ou documentos (em suportes escritos ou audiovisuais), pelo mecanismo onde os jornalistas tomam informação, dados ou opiniões, tendo sempre a preocupação de verificar a veracidade dos dados fornecidos. Devido à impossibilidade dos jornalistas estarem presentes em todos os acontecimentos, eles precisam de pessoas (as fontes) que lhes façam o relato dos acontecimentos o mais fiável possível, 32/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação ainda mesmo que estejam presente há uma necessidade de recorrer às fontes para se confirmar o que foi dito. Há várias formas através do qual os jornalistas procuram as informações: através do processo informal (fontes não oficiais: ONGs, sindicatos, anónimos), por telefone em contato com as fontes oficiais (políticos, porta-voz de empresas/empresários, lideres religiosos), por press releases enviados pelos gabinetes de comunicação. As fontes constituem componentes basilares na produção das notícias. É preciso ter muita prudência com as fontes. Para melhor entendermos esta cautela, tomemos em consideração o seguinte trecho do Livro de Estilo do Público (1998:65): “ fonte, no sentido do termo, é todo aquele que fornece informações ao jornal, por iniciativa própria ou solicitado nesse sentido. Uma fonte não é qualquer pessoa ou qualquer entidade livremente constituída como tal: só é fonte, aquele (a) a quem (que) o Público reconhece ter competência e seriedade na informação que presta”. O jornalista/órgão deve estar sempre em contato com os possuidores de informação (fontes), pois são eles que fornecem a matéria-prima para o seu trabalho. Uma fonte não viável pode até pôr em causa a credibilidade de um órgão de comunicação social. As fontes normalmente passam dados/informações brutos aos media/jornalistas. Como os jornalistas não são apenas os simples “mensageiros”, estes devem pegar nas informações adquiridas das fontes e trabalhar de acordo com os critérios dos órgãos/noticiabilidade e transformá-las em notícias. Assim como é responsável pela informação que divulga também é responsável pelas fontes que escolhe, pela legitimação dos dados recolhidos, e pela fiabilidade das informações. Normalmente a atratividade de uma notícia ou a sua qualidade depende muito das informações fornecidas pelas fontes. Uma boa fonte pode contribuir para que os jornalistas produzam certas notícias que possam causar impacto no público, dependendo do conteúdo por elas proferidas. Segundo Jorge Pedro Sousa (2000:68), “Leon Sigal coloca a enfase do seu estudo na ideia de que os conteúdos das notícias dependem daquilo que as fontes dizem e do tipo de fontes consultadas (oficiais e não oficiais), apesar da mediação das organizações 33/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação noticiosas e das rotinas e convenções jornalísticas, entre as quais formas através das quais o jornalista procura e/ou recebe informação”. Convém lembrar, conforme rege a deontologia jornalística, que os jornalistas não devem interferir nas notícias (não deve fazer juízo de valores). Isto implica que os jornalistas devem salvaguardar bem os dados/conteúdos fornecidos pelas fontes sem deturpá-las. É preciso ter muito cuidado com as transcrições das afirmações recolhidas, sem se esquecer do contexto em que foram proferidas. Há casos em que os jornalistas também podem funcionar como fontes, quando estes trabalham sobre dados oficiais. Os profissionais do jornalismo procuram as fontes de acordo com as suas demandas de produção e as categorias que elas ocupam na sociedade. Existe um tratamento diferenciado entre as fontes na possibilidade de acesso aos órgãos de comunicação social. Para Rogério Santos (2001:98), “enquanto as mais poderosas (governamentais, grande instituições) garantem com facilidade a colocação dos seus acontecimentos nas páginas dos jornais ou na informação televisiva e radiofónica, outras fontes (associações, empresas de menor dimensão, grupos cívicos organizações não governamentais) lutam pela divulgação dos seus acontecimentos”. Este é um fenómeno que acontece frequentemente no mundo mediático cabo-verdiano. Nos órgãos de comunicação social da nossa praça há um enaltecimento das fontes mais poderosas em detrimento dos restantes. Quanto maior for o conhecimento e respeito de um possuidor de informação na sociedade numa dada temática, o jornalista procura cada vez mais validar o seu discurso como verdadeiro. As fontes utilizam várias estratégias para terem cobertura mediática. Normalmente realizam conferências de imprensa, comunicados, visitas guiadas com almoço, promovem eventos. Quando há situações de polémicas, a relação entre os profissionais do jornalismo e fontes de informação é complexa, marcada por rotinas e interesses vários, apoiada num confronto mais ou menos difícil de gerir entre as esferas pública e privada. Mas essa relação é, sobretudo, negociada. A notícia é o resultado de relações e negociações entre jornalistas e fontes. Todavia as fontes (agentes sociais e organizações) procuram relatar os acontecimentos de 34/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação acordo com as suas perspetivas organizacionais e pessoais para que se mantenha a sua reputação pública, procurando ao mesmo tempo imobilizar todas as informações que podem afetar a sua imagem. É preciso entender que a relação entre jornalistas e fontes não provém exclusivamente das influências diretas. Essa relação é também influenciada fortemente pelo relacionamento entre os órgãos de comunicação social e as organizações. Os jornalistas têm que possuir a capacidade de separar as influências que os rodeiam. Para reforçarem esta conceção realçamos a afirmação de Daniel Cornu (1994:273) segundo a qual é “essencial que o jornalista, primeira precaução, procure discernir as influências que se exercem sobre a sua empresa, as redes que o rodeiam, pelo jogo de relações institucionais ou de relações pessoais. Talvez o conhecimento que de tudo isso tiver o incite à obediência. Mas poderá também leválo à dúvida crítica que, juntando-se à curiosidade, constitui o binómio do jornalismo de informação. À dúvida crítica, e não obrigatoriamente à suspeita, que é a dúvida menos a serenidade! Mas esse discernimento não é só para o uso externo. O jornalista deverá aplicá-lo a si mesmo, ele que se situa em redes de influência não menos reais. Também ele pertence a um meio social, cultural, económico”. Há casos em que o jornalista tem por obrigação garantir o sigilo profissional e não revelar as suas fontes e o dever de proteger a confidencialidade das fontes. Para o Livro de Estilo do Público “ a fonte pode autorizar a sua identificação ou impedi-la. Pode autorizar a divulgação da informação que presta ou impedi-la. O primeiro impedimento configura uma situação de exigência de anonimato. O segundo de “off the record8”. Quando a fonte autoriza a sua identificação e a divulgação da informação prestada há informação aberta, “on the record”. Normalmente, o anonimato é usado para proteger a integridade e liberdade das fontes e nestas situações o profissional de jornalismo deve sempre verificar a veracidade dos fatos apresentados. O jornalista na produção noticiosa não pode se circunscrever apenas a uma única fonte. Deve sempre procurar mais, para que possa confrontar os dados recolhidos. Daniel Cornu (1994:273) defende que “estas regras profissionais juntam-se as regras deontológicas, que impõem que não se ampute as informações de elementos essenciais, que não se desnature nem textos, nem documentos, que se dê como tais as notícias não confirmadas. Tudo isto, que é 8 Off the record- a fonte pode ser citada ipsis verbis, apenas não pode ser identificada, (Dicionário Ciências da Comunicação). 35/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação decisivo na atividade do jornalista, fica no entanto comprometido se este não for capaz de estabelecer a distância necessária entre ele próprio e a sua fonte”. O jornalista não pode se deixar envolver emocionalmente com as suas fontes, porque elas também possuem interesses na divulgação ou não de certas notícias. O profissional do jornalismo antes de abordar qualquer fonte deve possuir conhecimentos na matéria que pretende relatar, para que não se deixa ser manipulado pela fonte e sempre estar perante a máxima do interesse público em detrimento de outros interesses. 1.6 Economia dos Media: financiamento dos órgãos de comunicação social Como qualquer organização ou empresa, os órgãos de comunicação social precisam de financiamento para poderem sobreviver e acar com as despesas existentes. Atualmente assiste-se a uma intensificação da industrialização do processo de produção e de difusão dos produtos e serviços comunicacionais. O capitalismo fez com que houvesse uma capitalização das diferentes atividades sociais. A dinâmica das tecnologias de informação e de comunicação é um dos fatores impulsionadores de um novo modelo de crescimento económico e não é possível explicar apenas nas perspetivas dos mecanismos económicos tradicionais. Pois, exige a necessidade de uma análise mais profunda e cuidada de alguns dos novos paradigmas emergentes no quadro da “nova economia”. Os meios de comunicação social desenvolvem-se hoje num meio concorrencial global em que as dimensões económicas, técnicas, culturais e sociais conhecem mutações múltiplas mais ou menos simultâneos e de amplitude desconhecida no passado. Não é de hoje que as atividades desenvolvidas pelos media se apresentam como um poderoso produto de comercialização. Para Alfonso Nieto/ Francisco Iglesias (2000:75), “desde de que existen comerciantes la información está presente en su actividad como medio para conocer la situación de los mercados y mercancias, compradores y vendedores, matérias primas, 36/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação transportes, cambios de moneda, y cualquier circunstancia política, económica… A lo largo de la historie, obtener information há sido objetivo prioritario de los comerciantes”. Neste pequeno trecho podemos entender que os media, apesar de se confirmar a sua razão de ser na máxima de que existem para o serviço social do público, também nunca deixou de lado o seu aspeto comercial. Coabitamos numa sociedade capitalista, onde qualquer serviço visa um retorno. Esse sistema funciona nos media como em qualquer meio de comunicação. Para Fernando Correia (1997:50), “o desenvolvimento da imprensa enquanto negócio e, simultaneamente, o aproveitamento da sua importância (e mais tarde também da rádio e depois da TV) como instrumento de controlo social e de direcção da sociedade fizeram nascer e avançar uma poderosa indústria mediática (organizada em grupos económicos cada vez mais fortes) integrada numa mais vasta industria cultural e, tal como esta, alimentada pelas leis do mercado e promotora da sua «retórica», erigida em elemento essencial da ideologia dominante.” Esta afirmação mostra como o poder da imprensa tem atraído cada vez mais investidores para financiar e investir no setor da comunicação social. Baseando-se na capacidade que tem como instrumento de controlo social, a imprensa tem despertado interesse de vários setores para financiá-lo. Os órgãos de comunicação social são financiados de várias formas para se manter no mercado. Por vezes, de formas que levantam algumas questões sobre a sua fiabilidade e credibilidade. Alguns são financiados pelo Estado, pelas taxas cobradas aos cidadãos, propagandas, pelas publicidades e também por um fenómeno que se tem acontecido ultimamente com bastante frequência que é o caso das sinergias entre empresas de ramos diferentes. Os órgãos de comunicação social que se encontram sob a tutela do Estado são financiados pelo governo, pela taxa que é comprado aos cidadãos e pelos fundos angariados das campanhas publicitarias. Efetivamente, publicidade e jornalismo são coisas diferentes, mas uma não anda sem o outro. Isto é, servem de âncora a cada um. Embora a comercialização da notícia não seja de hoje, 37/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação ultimamente as relações entre a economia e a informação estreitam-se cada vez mais. Atualmente, a publicidade ocupa um lugar central e não só como financiadora dos media. Ela interfere no próprio molde de organizar os espaços e os tempos de cada matéria. Um meio de comunicação depende muito das campanhas publicitárias para se manter no mercado. Porém, a publicidade está tomando cada vez mais espaços nos órgãos de comunicação social. Para entender a importância que a publicidade tem no financiamento dos media, citamos a seguinte afirmação de John Condry (cit. por Fernando Correia1997:53): «a televisão moderna, nomeadamente a televisão americana, tem um único objectivo: fazer vender. É essencialmente um instrumento comercial. Os seus valores são os do mercado; a sua estrutura e os seus conteúdos são o reflexo desta função. A tarefa dos responsáveis pela programação consiste em conseguirem captar a atenção do público e conservá-la o tempo suficiente para poderem em seguida passar uma mensagem publicitária». A publicidade teve um papel preponderante na proliferação da imprensa e também para o aumento do número de leitores devido a descida dos preços dos jornais em que, só foi possível com a entrada da publicidade como um dos principais financiadores dos órgãos. Apesar de Jornalismo, Publicidade e Propaganda são, em teoria, áreas distintas, eles vivem entrelaçadas. Nenhum órgão de comunicação social sobrevive sem dividir espaço de suas publicações a propagandas. É ela que faz uma redação mover-se a todo o vapor. Mesmo que os leitores tenham que pagar pelas edições de revistas e jornais, esse valor não é suficiente para manter um órgão e seus trabalhadores. O jornalismo não consegue se sustentar sem a publicidade e propaganda e é com elas que os meios de comunicação se mantêm no mercado. O problema é que o recurso às propagandas tem atingido níveis excessivos em muitas publicações atuais. Este fenómeno leva a que os media destinam um grande percentual dos seus espaços para propagandas, mirando o lucro e, não raras vezes, fazendo com que os leitores confundam os conteúdos informativos com os publicitários. Uma das outras formas que os órgãos de comunicação procuram o seu financiamento é a comercialização dos programas, em, sobretudo no caso audiovisual em que os órgãos produzem programas e depois podem vender os programas às outras emissoras, ou lhe é pago uma taxa para os direitos dos programas. Também uma outra forma de financiamento como por exemplo é o caso de televisões a pagamento/assinatura, em que as emissoras fazem contrato com os consumidores e são divulgados os programas em emissões fechadas. 38/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação No mercado competitivo que os media enfrentam hoje, a concorrência entre os vários meios de comunicação exige cada vez mais maior investimento e aperfeiçoamento para não perder pelo concorrente. Neste sentido, os órgãos de comunicação social que procuram financiamento têm estado a fazer fusões com diversas empresas para se manter no mercado da concorrência. Neste contexto Fernando Correia afirma que (1997:55), “o que interessa aqui sublinhar, por um lado, é que a intensa movimentação protagonizada nos países mais desenvolvidos por estes novos actores (oriundo de sectores económicos diversos e com dinâmicas e experiências empresariais variadas), não só na imprensa diária e periódica mas também no audiovisual, na edição de livros, na publicidade, nos novos meios tecnologicamente mais avançados, provocou, como assinala Richeri, uma grande actividade financeira, caracterizada por fusões e aquisições, joint ventures, cruzamentos de acções, evidenciando a grande vitalidade, nos planos nacionais e internacionais, do sector dos media”. Daí vamos ter, por um lado, media adquirindo outras estações ou aumentando os canais na estratégia de diminuir as despesas com o objetivo de ampliar a série de oferta para os mercados segmentados e complementares. Também uma outra forma é através da diversificação metódica nos vários setores da comunicação (relação entre os diversos suportes ou meios, Ex: da imprensa para audiovisual, livros para televisões) no intuito de obter sinergias e complementaridade entre os diversos produtos. Por outro lado, regista-se através de fusões com empresas de outros ramos, de forma que o lucro de um seja investido no outro (Enrique Bustamante, 2003). A empresa dos media tem como finalidade principal informar o seu público, e é para isso que os seus profissionais primam. Todavia, isso só é possível se obtiver os meios de promover a estabilidade financeira, com o objetivo de adquirir lucros e é esta a preocupação para poder se manter funcional. É essencial destacar que, nas sociedades atuais neoliberais, a comunicação “digital” tornou-se numa mercadoria a mais, circulando conforme as leis do mercado de oferta e procura. Baseando-se nesta perspetiva pode se dizer que os órgãos de comunicação social não estão a vender informação aos cidadãos, mas sim estão a comercializar os cidadãos aos publicitários. Hoje em dia, já é do conhecimento do público que a lógica do mercado é a que predomina, impõe valores e condicionamentos sobre modos de produção e distribuição, acarretando 39/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação maiores consequências sobre conteúdos e natureza da informação. Desta forma surgem as seguintes consequências com a concentração de órgãos de comunicação social, a falta de diversidade cultural, o desequilíbrio dos fluxos de informação, a uniformização e a pobreza dos conteúdos informativos etc. 40/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Capítulo 2: Relações de Poder: Jornalismo e Poder Político 2.1 A Mediatização da Política; A natureza das relações dos media com o poder político é um dos fenómenos largamente analisadas, sobretudo, desde algumas décadas atrás, sem que haja uma resposta consensual e incontestável lhe tenha sido encontrada. Para alguns críticos, os media representam um meio peculiar da política, ela pode manifestarse como o seu desenvolvimento e o suporte sobre qual se apoia. Para outros, os media afiguram um poder autónomo e por vezes oposto do político. Tanto o primeiro, como o segundo posicionamento podem de fato citar em seu favor provas convincentes. Na atualidade são indissociáveis esses dois ramos, já não se pode pensar na política sem entender como ela é baseada ou trabalhada nos media. Os media hoje são um fator de peso para a política, fazendo com que a mensagem política se torne numa performance continua sujeita a uma avaliação permanente. Com o aparecimento dos novos meios de comunicação deu-se uma remodelação na forma de fazer política, isto é, com o aparecimento da televisão nos anos 1960, esta tornou-se num dos meios com maior influência sobre a política. Nas sociedades democráticas atuais, as preferências políticas distanciam-se cada vez mais dos 41/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação fatores culturais, económicas e sociais dos eleitores. Os partidos e seus projetos deixam de ser o principal foco do debate, na medida em que os media tornam-se capaz de se estabelecer no principal canal de comunicação entre o cidadão (público) e seus representantes. A visibilidade mediática passou a ser uma necessidade basilar dos políticos, tirando partida de que a mediação de massa torna-se mais eficaz do que a rede dos militantes. Como consequência disto, constata-se de que o cidadão está cada vez mais influenciado a decidir o seu voto, não pelo vínculo partidário, mas sim de acordo com as questões e problemas debatidos pelos media em cada eleição. Para melhor entender o peso dos media na política tomemos a seguinte afirmação de Pailhet (cit. por Gerard Leclerc 1999:155) “A irrigação da sociedade moderna a nível de informações, ou seja, em enunciados relativos aos acontecimentos que a atravessam e afectam mais ou menos profundamente, é uma necessidade vital para o conjunto da população, mas antes de mais para os que a dirigem”. Atualmente o que se verifica é que há uma forte mediatização da política, uma vez que, os acontecimentos, os estratagemas políticos e discursos são afeiçoados de acordo com o modo como podem ser transmitidos nos órgãos de comunicação social, e em particular na forma, como é transmitida na televisão em função de cumprir determinados parâmetros, diante da sua capacidade de visibilidade para aparecer mais fácil a um grande número de pessoas. Hoje, os media são os principais meios difusoras de conhecimento. Daí, adquiriu a capacidade de representar as temáticas e discussões sociais e também de influenciar diretamente o desenvolvimento da política. O reconhecimento social e o prestígio dos políticos (política) estão cada vez mais dependentes da imagem difundida pelos órgãos de comunicação social. Pode-se constatar que há uma interligação entre o campo mediático e o político, sendo cada um com as suas características e objetivos. É necessário que os elementos constituintes destes campos dialoguem com a lógica do outro em suas relações, procurando sempre manter as características do seu campo de atuação. Porém, a relação entre esses dois campos vão para além das influências diretas e de domínios. Para reforçar esta conceção realçamos a seguinte afirmação de Jorge Duarte (2007:86) que sustenta que “ todavia, o papel mais importante que a comunicação desempenha decorre do poder de longo prazo que ela tem na construção da 42/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação realidade através da representação que faz dos diferentes aspectos da vida humana - das etnias (branco/negro), dos gêneros (masculino/feminino), das gerações (novo/velho), da estética (feio/bonito) etc.–e, em particular, da política e dos políticos. É através da comunicação – em sua centralidade – que a política é construída simbolicamente, adquire significado”. Pegando na ideia do autor acima referido, em particular, na parte em que refere-se à política, pode-se então perceber que só damos valor às ações políticas quando os media procuram sempre mantê-las na “ordem do dia”. Daí a necessidade sempre de a política recorrer aos media para que possa interagir com o público de uma forma que tenha feedback, podendo assim ganhar significado. Sabendo da capacidade de produção da visibilidade que os media possuem, os agentes políticos procuram sempre estar nos órgãos de comunicação, partindo da ideia de que hoje se deve fazer campanha constantemente. Nas sociedades contemporâneas a mediação da atividade política tem sido objeto de disputa de legitimidades e de um espaço de tensões em volta dos media. A comunicação mediática tem-se afigurado como uma necessidade basilar para a criação de sentido nas sociedades atuais. Os media passaram a ser um auxilio tecnológico indispensável para a realização do protótipo político democrático nas atuais sociedades complexas e superpovoadas. Sendo os órgãos de comunicação (massmedia) instrumentos de comunicação de massa fazem com que os políticos possam promover um diálogo aberto com todos os membros da comunidade política, e também para que a praxe democrática não se limite à participação de elites minoritárias. Convém lembrar que muitos estudiosos consideram que os media transformaram-se num importante ator político, sendo ela capaz de fazer interferências diretas no campo da política. Atualmente, as atividades políticas (comícios, debates, convenções partidárias e inaugurações) passaram a ser organizadas como programas para os media, o contato direto entre o eleitorado e o seu candidato foi alterado pela mediação da comunicação social. Também os órgãos de comunicação passaram a ser a principal fonte de informação dos eleitores. Segundo Joel Hasse Ferreira9 (2009:10), “o objectivo de uma maior eficácia na esfera política conduziu à necessidade efectiva de se recorrer às técnicas do marketing e da 9 Joel Hasse Ferreira- Político/Eurodeputado/professor na Universidade Nova de Lisboa. 43/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação comunicação e de se reformatar o discurso político, tendo em conta as exigências mediáticas e das novas formas de comunicação. …Também sublinho a relevância dada aos novos meios de comunicação como os blogs e os twitters, hoje já razoavelmente generalizados em certos meios, nomeadamente mas não só, da política e do jornalismo”10. Nesta perspetiva podemos verificar que a política teve de se recorrer aos novos meios de comunicação, devido às exigências mediáticas que as sociedades atuais têm, uma vez que, vivemos numa sociedade onde se ocorrem vários acontecimentos de uma forma simultânea. A política reformulou-se e adaptou-se as novas ferramentas (assessores de imprensa, conferências de imprensa, pressrelease, etc.) de uma forma que se torne numa fonte privilegiada para os media. Daí, atualmente as estratégias da praxe política moldam-se com o objetivo de ganhar espaço e tempo nos órgãos de comunicação social, isto é, obtiver a visibilidade mediática. Para Furio Colombo (1998:228), “a impressão é que tudo acontece em televisão, tudo se decide em televisão, e nada mais existe fora da televisão”. Aproveitando, desta afirmação podemos referir que os media, sobretudo, a televisão tornaram num campo bastante aspirado por muitos políticos, em que para alguns o relevante é estar na media. Mas, convém realçar que os políticos atualmente são cada vez mais confrontados com as pressões exercidas pelos órgãos de comunicação social e acontecimentos. Sabendo que a política vai muito além da arte de comunicar e de propagandas é preciso realçar que muitas ações e decisões tomadas pelos políticos (governantes) são influenciadas, atualmente, pela forma como os órgãos de comunicação social e os seus profissionais os abordam (RémyRieffel, 2003). O fenómeno da mediatização em Cabo Verde é algo que está muito patente na nossa sociedade. É basta verificar o espaço que a política ocupa nos órgãos de comunicação social, em que muitas vezes se levanta o problema da partidarização dos meios de comunicação social cabo-verdiana11. No caso do espaço informativo, há uma sobreposição bem grande dos conteúdos políticos em detrimento dos restantes (sociais, economia, desporto, cultura, etc.) e, muitas vezes, são as controvérsias políticas. 10 Prefácio da obra: Marketing e Comunicação Política. A mediatização da política em Cabo Verde deve-se muito ao vínculo que os órgãos de comunicação social mantem com as forças políticas e empresariais. Também devido a falta de “profissionalização dos profissionais” dos media, que em muitas ocasiões deixam levar pelas emoções/afetos que possuem por certas ideologias políticas. 11 44/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Antes do surgimento dos meios de comunicação de massa, a praxe política era uma atividade que se vinculava sobre o tradicionalismo. O público pouco sabia sobre a vida dos políticos, uma vez que, os políticos procuravam manter a sua vida pessoal reservada, tentavam “não dar nas vistas”. Hoje, o cenário mudou e a política deixou de fora essas tendências. O que se verifica, hoje em dia, é que constantemente os cidadãos são “bombardeados” por imagens políticas, situação esta que tem como consequência um certo desinteresse dos cidadãos pela política. Em muitos casos, são próprios os políticos que usam os meios de comunicação eletrónico, sobretudo, através da internet para divulgarem informações polémicas de forma que possam atrair a atenção do público. Sendo que os assuntos susceptíveis de chamar atenção do público os media procuram sempre dar coberturas. Alguns estudiosos referem que com a mediatização da política, vem perdendo a sua performance, uma vez que, ela hoje está refém das necessidades mediáticas, fazendo com que perca certas raízes que tem contestado uma certa insatisfação nos indivíduos. Desde que os media passaram a ser o lugar central para a análise da praxe política, de uma certa forma, parece que os media estão a substituir os partidos políticos e os seus atores, pois que estes (media) tornaram-se no principal agente mobilizador dos cidadãos para participar nas atividades eleitorais. Para Rémy Rieffel (2003:11), “a relação entre os media e a vida política constitui, pois, um factor importante para a compreensão dos desafios relacionados com a evolução da democracias contemporâneas”. Nesta afirmação do autor, podemos constatar o quanto a sobrevivência dos agentes políticos vai derivar, sobretudo, da forma como vão-se adaptar às novas tendências dos meios de comunicação. Mas também podemos averiguar que a mediatização da política está a fazer com que os agentes políticos comportem, da mesma forma que os atores (vedetas) de um Show/espectáculo, para encantar o público (espectadores). A identidade política corrompeu-se ao impulsionar a profissionalização dos políticos e ao subordiná-la à performance mediática, deixando para traz aqueles entusiastas que fazem política por convicção e ideologia. Atualmente pode-se perceber que a política, para estar nos media precisa ter a capacidade de produzir audiências. Assim, pode-se constatar que, hoje em dia, a política submeteu-se a 45/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação certas evidências do sensacionalismo. Para melhor entender o uso das novas ferramenta de comunicação no campo da política, vamos analisar e refletir sobre um dos elementos fundamentais para se obter eficácia na política no próximo ponto que se segue. 2.2 Marketing Político ou Marketing na Política? Para melhor debruçar sobre esta temática vamos descorar um pouco sobre os conceitos de marketing e marketing político e uma breve síntese sobre a sua história. Debruçar sobre marketing é descorar sobre as atividades nas quais as empresas se encaixam aos seus ambientes a nível criativo e rentável. Para PhilipKotler e Kevin LaneKeller (cit. por Joaquin Caetano e J.Martins Lampreia (coord) 2009:19) “Marketing é um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros”. Ainda para American Marketing Association nova definição de 2005 (cit. por Joaquim Martins e J. Martins Lampreia (coord) 2009:19), “Marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação, comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a administração do relacionamento com eles de modo a beneficiar a organização e o seu público interessado”. Existem uma variedade definições sobre o marketing, isto é, não existe um conceito único, daí ela pode ser observada em várias perspetivas. Fazendo uma compilação entre os vários conceitos de marketing podemos definir marketing como o método usado para estabelecer que produtos ou serviços poderão interessar aos consumidores, assim como a estratégia que se irá utilizar nas vendas, comunicações e no desenvolvimento do negócio. O objetivo do marketing é conceber valor e satisfação no cliente, gerindo relacionamentos vantajosos para ambas as partes. O estudo do mercado emergiu da necessidade dos empresários em gerir a nova realidade provocada pela Revolução Industrial. Naquela altura o marketing encontrava-se numa fase indissociável da economia e o seu objetivo principal era a obtenção de lucros. Na altura não existia muita concorrência e os clientes não tinham um grande poder de decisão. Esta situação 46/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação permaneceu até os fins da Segunda Guerra Mundial quando, reagindo ao crescimento da concorrência, os comerciantes começaram a teorizar sobre como aliciar e lidar com os seus clientes. Hoje, o marketing conduz nos para ações coordenadas, em que, a ética é tida como um dos fatores fundamentais e básico do mercado. O marketing sofre alterações conforme a sociedade desenvolve, uma vez que as necessidades dos indivíduos modificam perante os anos e a transformação de tendência. O marketing político em relação aos outros campos de estudo é uma ciência recente que surgiu no século XX. O conceito de marketing passou a ser aplicado ao ramo da política a partir da década de 50, nos Estados Unidos da América, onde teve uma grande reputação, e depois seguiu-se para Europa e o resto do mundo. Existem 3 fatores que foram cruciais para o desenvolvimento com sucesso de marketing político nos E.U.A.: 1) o marketing político tem crescido e desenvolvido em paralelo com os meios de comunicação e as novas técnicas de comunicação; 2) A tradição nos E.U.A. de eleger, nas eleições democráticas diretas, a maioria dos cargos públicos; 3) O sistema eleitoral das primárias que provoca existência de campanhas a longa escala. A proliferação das campanhas cria um clima favorável a consultoria política; devido a sua origem e sucesso ter iniciado nos Estados Unidos da América levou com que alguns estudiosos a designassem o fenómeno de “Americanização” das campanhas para referir-se a crescente semelhança das práticas eleitorais que se observa em todos os países democráticos (Philippe J. Maarek, cit. por Daniel Medina 2006:212). Convém realçar que os conteúdos do marketing político foram absorvidos do marketing comercial, isto é, apesar de algumas diferenças entre eles existem muitas semelhanças como por exemplo: ambas são formas de persuasão, os seus profissionais necessitam conhecer bem o produto/serviço que vão apresentar ao mercado, a audiência; eles precisam também conhecer o melhor possível os adversários ou competidores; ambos utilizam os inquéritos de opinião ou publicidades como um dos meios mais visíveis para transmitir as suas mensagens; os profissionais de ambos tipos de marketing tentam persuadir o público de que a sua oferta apresenta as soluções apropriadas as suas necessidades atuais; Para melhor compreender esta 47/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação ideia tomemos a seguinte afirmação de Bongrande (cit. Por Daniel Medina 2006:212) “ Um conjunto de técnicas que têm como objectivo adaptar um produto ao seu mercado, torna-lo conhecido do consumidor, criar a diferença com os produtos concorrentes e, utilizando um mínimo de meios, optimizar o lucro proveniente da venda (…) têm como objectivo favorecer a adequação de um candidato ao seu eleitorado potencial, torna-lo conhecido do maior número de eleitores e de cada um deles, criar a diferença em relação aos concorrentes – eaos adversários -, e com o número mínimo de meios, optimizar o número de sufrágios que é necessário ganhar durante a campanha”. Nesta ideia podemos constatar que o marketing político tem recorrido as várias estratégias de outros tipos marketing que existem adaptandoas ao seu campo de trabalho ou estudo. Atualmente o conceção de Marketing abarca a configuração de um satisfatório relacionamento a longo prazo do tipo “ganha-ganha” no qual indivíduos e grupos adquirem aquilo que almejam e precisam. O marketing se originou para atender as necessidades de mercado, mas não se limita aos bens de consumo. Também é usado largamente para "vender" programas sociais e ideias. Hoje, as estratégias/ técnicas de marketing são aplicadas em todos os sistemas políticos e em muitos aspetos da vida. De um certo modo podemos até afirmar que o marketing político é um engenho (arte) ou uma sabedoria da ética da persuasão, uma estratégia integral que assimila a racionalização, a esquematização e a transmissão da comunicação política, isto é, assimila as principais estratégias para se obter eficácia nos objetivos delineados (Daniel Medina, 2006:214). O marketing político além de estar ligado ao discurso persuasivo que tem por finalidade influenciar os indivíduos nas tomadas de decisões, também tem a finalidade de delinear os programas políticos e os objetivos. Porém, não é apenas um conjunto de estratégias para influenciar o comportamento dos indivíduos, principalmente nas épocas eleitorais. Entretanto, ao inverso da propaganda, o marketing político tem que trabalhar com a verdade e não com a manipulação12. 12 É fundamental saber distinguir o marketing político do marketing eleitoral. Para J. Martins Lampreia e Joaquim Caetano (2009:41) “ Para a maioria dos especialistas, a principal diferença entre estas duas áreas do Marketing está directamente ligada com a duração prática destas acções. Por um lado, o Marketing Político 48/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Assim como o marketing comercial o marketing político, não é um método neutro, melhor dizendo não opera como um simples método de promoção. Ele atua sobre todos os elementos da comunicação política, ocupando um lugar estratégico de grande notoriedade. Convém realçar que apenas o marketing político não vai fazer um candidato/partido vencer as eleições, uma vez que, se um candidato não for credível de nada lhe vale o marketing político. Para Denis Lindon (cit. Por Daniel Medina, 2006:217), “o marketing dota os candidatos e os partidos de elementos de análise de mercado extremamente eficazes e de estratégias de comunicação integrantes dos ensinamentos do marketing comercial, representando, nos dias de hoje, um meio muito forte de pressão sobre o eleitorado”. Atualmente, o que podemos constatar é que o marketing e os media transformaram-se em mecanismos práticos e fundamentais ao serviço da gestão e controlo das práticas políticas. Efetivamente a comunicação política tem submetido a um conjunto de manobras e estratégias de marketing. Isto faz com que as novas tendências de marketing (Marketing de Guerrilha, Marketing Viral, Marketing Social, Marketing Digital, etc.) sejam transportadas para a política. Devido à grande potencialidade que o marketing tem de influenciar os indivíduos, enquanto tecnologia de manipulação, tem levantado algumas inquietações sobre a possibilidade do seu mau aproveitamento, em que pode até ser utilizado como uma manobra antidemocrático, levando a política para o campo comercial (Daniel Medina, 2006:217). Nos últimos, tempos podemos observar que há uma imposição dos critérios de manipulação e influência, sobre os critérios políticos e ideológicos, devido à hegemonia dos novos poderes informais (os media, as redes sociais, sondagens e publicidades), como a fisionomia quantificada da opinião pública, sobre os poderes institucionais. Sendo estes as principais ferramentas de marketing, hoje são considerados os principais meios para a transmissão da comunicação política. Daí com o uso das várias formas de marketing na política, podemos considerar que o que temos é mais marketing na política que o marketing político. prolonga-se no tempo da actividade política, enquanto o Marketing eleitoral termina após o resultado das eleições. Na realidade o Marketing político ajuda o Marketing a conseguir os seus intentos”. Para mais esclarecimento consultar o livro: “Marketing e Comunicação Política”. 49/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação 2.3 O Poder dos Media na Esfera Democrática Atualmente um dos maiores poderes das sociedades Contemporâneas figura-se no poder dos órgãos de comunicação social. Convém realçar que, ao mesmo tempo que os media têm um grande poder nas sociedades democráticas, eles também possuem uma responsabilidade acrescida, que é o de informar os indivíduos com rigor e qualidade. Nas sociedades democráticas, os media representam o maior exemplo da liberdade de expressão. Além de informar, também tem como propósito desempenhar outras funções, como garantir o funcionamento da democracia e examinar as ações dos governantes. Nas atuais sociedades democráticas, muitos são os que consideram os media como um “quarto poder” em relação aos poderes, executivo, legislativo e o judicial, partindo do ponto que os media são representantes da opinião pública dando vozes aos diferentes indivíduos. Para Leonor O‟Boyle (cit. Por Nelson Traquina 2007:33), “com a legitimidade da teoria democrática, os jornalistas podiam salientar o seu duplo papel: como porta-vozes da opinião, dando expressão às diferentes vozes no interior da sociedade que deveriam ser tidas pelos governos, e como vigilantes do poder político, que protegem os cidadãos contra os abusos (históricos) dos governantes. Pareciam deste modo ser qualquer coisa como um tipo de autoridade eleita pelo povo com a função de apresentar as suas necessidades ao governo”. Nas sociedades democráticas, os media, de uma certa forma, são protegidos pela legislação que possibilita o seu funcionamento sem grandes constrangimentos. Para Daniel Medina (2006:48) “a democracia idealizou os meios de comunicação social como contrapoderes políticos e também como intermediários entre os agentes políticos e a sociedade civil. Como contrapoder, os meios de comunicação social admitiam a primazia do poder político, contestavam-no e fixavam-lhe os limites a não ultrapassar; como “quarto poder” os media encontram-se ao mesmo nível que ele, não lhe admitindo nenhuma supremacia e pondo em prática uma verdadeira luta pela influência”. Daí possuindo os media uma grande potencialidade de dar visibilidade e empreende influência sobre a população, acabando por ser uma força poderosa e bastante ambicionada nas sociedades democráticas devido à sua capacidade de influenciar os indivíduos nos seus 50/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação comportamentos e na tomada de certas decisões. Isto é, os media representam esfera de visibilidade, na qual os demais campos sociais se refletem e procuram legitimar-se. A esfera democrática, não pode funcionar, com eficiência, sem que os media sejam livres, para que possam funcionar como “watchdog” (vigilante) e como fonte de conhecimento e de informação aos indivíduos. Para que a democracia proporcione bem-estar aos cidadãos os media (jornalismo) precisam exercer bem as suas funções13. Ao exercer as suas funções com precisão, funcionando como vigilante, os media asseguram que a democracia seja exercida com transparência, fazendo com que os detentores de poderes e as suas ações estejam sempre nos media de forma que sejam conhecidos para que os indivíduos possam decidir e eleger em consciência. Todavia, nas sociedades onde predominam a democracia, os media (jornalismo) encontra-se ao seu serviço, podendo provê-la de um conjunto de funcionalidades com potencial para proporcionar a sua estabilização e aprofundamento. Podemos constatar que atualmente a importância dessas funções, assim como a sua natureza, inovam ao decorrer do tempo, e alternam com as peculiaridades de cada democracia, como demonstram hoje as transformações que a era digital trouxe, quer para os media, quer para as outras formas de comunicação mediada em geral. Porém, não obstante todo o discurso generalizado no senso comum acerca dos elevados méritos dos media para a democracia, permanece alguma indefinição acerca dos contornos exatos dos papéis e do estatuto que os meios de comunicação social“ podem e devem ocupar” contornos esses restritamente dependentes, quer dos modelos de jornalismo, quer da própria conceção de democracia. Para Nelson Traquina (2007:12), “a democracia não pode ser imaginada como um sistema de governo sem liberdade, e o papel central do jornalismo, na teoria democrática, é informar o público sem censura. Os pais fundadores da teoria democrática sempre insistiram, desde o filósofo Milton, na liberdade como fatctor essencial da troca de ideias e opiniões, reservando 13 Atualmente nas sociedades, uma das maiores preocupações dos políticos leva em conta em saber lidar com os instrumentos de que dependem a opinião pública, uma vez que, estamos perante a uma “crise política”. Hoje o mediatismo exige com que os agentes políticos sejam capazes de compreender e usar as várias técnicas de comunicação. 51/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação ao jornalismo não apenas o papel de informar os cidadãos, mas também num quadro de cheksand balances (a divisão do poder entre poderes), a responsabilidade de vigilante (watchdog) do governo”. Pegando nesta ideia do autor vamos recorrer à conceção clássica da democracia que prevê três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - prudentes e exercendo mútuo controlo em benefício do conjunto da sociedade. Os órgãos de comunicação social formam atualmente uma parte indissolúvel do sistema democrático moderno. Não há como conceber a democracia sem uma imprensa livre e vigorosa. Os meios de comunicação social são canais por meio dos quais a sociedade civil se manifesta, troca informações, vigia, denuncia, emite opiniões e cobra dos três poderes clássicos o normal exercício daquilo que compreendemos como democracia. Nas esferas democráticas os media possuem poderes bastante significantes, tais como, o de influenciar na formação das agendas públicas e governamentais, intermediar relações sociais entre grupos distintos, participar das controvérsias políticas, atuar como mecanismo ideológicos capazes de gerar interesses. Essas ações são “encapotadas” sob a norma de “dever da informação” que seria independente, apartidária, neutro, características constantemente defendidas pelos órgãos de comunicação social ao retratar a sua atuação. Para Proença de Carvalho (cit. Por Daniel Medina 2006:43), “hoje, poderá dizer-se com propriedade que a comunicação social não é apenas um contrapoder; é um poder que condiciona fortemente os poderes dos órgãos políticos do Estado e influencia decisivamente a evolução social e cultural, contribuindo para a formação de valores, das crenças, das opiniões, em maior grau do que instituições como a Família, a Escola, a Igreja”. Assim o espaço público acaba por ser em grande parte agendado pelo sistema mediático, na qual vai definir o que deve ser ou não prioritário e o que deve ser ou não legítimo. Cada vez mais os media estão adquirindo maior importância nas sociedades democráticas. Hoje vivemos numa sociedade em que a maioria das informações e conhecimentos dos eventuais factos que ocorrem nas sociedades são adquiridos de uma forma indireta, isto é, através dos media. Para Proença de Carvalho (cit. Por Daniel Medina 2006:43), “o poder condicionante que os media exercem sobre os políticos tem levado a que alguns falem mesmo em democracia de opinião, em contraste com o conceito de democracia representativa, no sentido de que se governa não de acordo com as ideias e os programas sufragados nas 52/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação eleições, mas com as correntes de opinião pública”. Nas sociedades Contemporâneas (democráticas), os media têm a capacidade de fazer com que as opiniões dos indivíduos tenham uma grande repercussão nas decisões dos dirigentes e nas formas de governar. Por conseguinte, os media, visto como ferramenta da esfera pública, por meio do qual os indivíduos adquirem conhecimento da sua realidade e a examinam, deveria numa conspecção normativa interpretar de uma forma adequada essa realidade, dando primazia aos assuntos mais importantes e que abrangem as maiorias, mesmo que essas questões não envolvam diretamente os donos dos órgãos de comunicação social, as suas audiências ou os jornalistas. A correção jornalística também implica, paradoxalmente, não tratar como consensuais questões controversas. A sociedade atual, em consequência das mutações e transformações muito impetuosas, encontra-se abarrotada de questões polémicos e de perplexidades, sobre cujo significado não existe uma opinião consensual ou sobre as quais diferentes instituições ou indivíduos têm pontos de vista conflituantes. Nessas situações, o papel dos media deve ser exactamente o de alegar a controvérsia, reportando as ideias de todos os lados envolvidos, de modo a tornar-se em veículo e lugar da discussão pública pelos cidadãos. Os media permitem uma participação efetiva dos cidadãos nos debates, constituindo uma forma benigna para democratizar o espaço “publico”. Convém realçar que o enorme poder que os media possuem tem estado sob mira e análise de vários estudiosos, uma vez que a sua ubiquidade e o seu poder influenciam fortemente as pessoas nas suas decisões, podendo ser usado para o bem ou para o mal. Os órgãos de comunicação social são forte instrumento da propaganda e têm levantado algumas precauções no seio da sociedade. Para Tocquevilhe (cit. por Jorge Pedro Sousa 2004:33), “a imprensa corresponde a esses impulsos, pois favorece determinadas opiniões e leva-as a triunfar mais rapidamente, promovendo a formação de consensos. Consegue, ainda, incentivar as ações comuns dos cidadãos preocupados com determinadas questões, que envolvem a vida política. Porém, a imprensa também pode ser perversa, ajudando a consolidar tiranias e mau gosto e fomentando a violência”. Nesta perspetiva podemos constatar que os media, além de poder proporcionar ações positivas, também podem provocar ações negativas, sobretudo na ausência de um controlo adequado. Ainda, podemos constatar que nos últimos tempos estamos perante 53/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação diversas formas de controlo social que os poderosos grupos de interesse (grupos económicos) exercem na sociedade, utilizando técnicas de manipulação, como a propaganda, aproveitando da omnipresença dos media em detrimentos dos meios de controlo direto. Atualmente os media encontram-se sujeito à um mercado onde a concorrência está cada vez mais afincada, em que as sujeições e as lógicas comerciais aparecem como uma forma de sobrevivência. Os media foram transformadas em empresas jornalísticas comerciais. A informação tornou-se num bem comercial (produto lucrativo), uma forma de adquirir lucros (Ignacio Ramonet 1999:15). Neste sentido, podemos averiguar que o poder dos media nas sociedades atuais está fortemente influenciada por outros poderes da sociedade. O alvorada que os media detinham nas décadas anteriores (70, 80, exemplo o caso watergate) já não é o mesmo. Hoje os órgãos de comunicação social não estão a funcionar com a mesma lógica do contrapoder que antes tinham. O capitalismo liberal fez com que o setor dos media entre no jogo comercial (onde audiência é vendida aos anunciantes), o mercado de concorrência “contaminou” certas ideologias que antes reinavam no seio dos media. Mas podemos constatar que os poderes dos media, apesar de algumas deficiências, produzem mais aspetos positivos do que negativos, sendo que não existe nenhuma democracia equilibrada sem os media: os órgãos de comunicação social são os principais proporcionadores das diversidades de opinião. Como foi referido no início deste ponto, a democracia não funciona com eficácia sem as grandes potencialidades que os media podem favorecer aos indivíduos. E para terminar este ponto, vamos mencionar um pequeno trecho de Jorge Pedro Sousa (2004:287), “nunca como hoje as pessoas puderam adquirir tanta informação sobre aquilo que se passa no mundo e as personalidades implicadas nos acontecimentos… A riqueza de informação permite a construção de conhecimentos sólidos sobre realidade por aqueles que souberem aproveitar. Num sistema democrático, a pluralidade de visões do mundo permite escolhas. Pode dizer-se que os meios de comunicação social revolucionaram o mundo e que, globalmente o revolucionaram para melhor”. 54/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Alguns autores argumentam que, em sociedades complexas, o acesso à informação contextualizada é ferramenta de poder para cidadãos, permitindo que venham a conhecer e a exigir os seus direitos, exercendo, desta maneira, a própria independência e cidadania. Martins e Paulino (2005) resumem que os media fazem parte de uma esfera pública, e como tal, não podem estar dissociados dos ideais de justiça e de interesse público. 2.4 Jornalismo: Responsabilidade Social ou Responsabilidade Política? A atividade jornalística, desde cedo, se constituiu como uma atividade em que o seu princípio vincula-se às pretensões coletivas e o bem comum. No decorrer do tempo, esta prática sofreu inúmeras transformações que contribuiu para o enfraquecimento do seu papel social, levandoo para um novo molde; o do compromisso com o mercado (audiência) e para a sua sustentabilidade financeira. A problemática sobre a questão da responsabilidade social no campo jornalístico parece ser algo reconhecida neste setor. É uma fisionomia que leva consigo uma grande força e impacto que faz com que as empresas de comunicação o utilizam como um mecanismo de campanhas institucionais. Este atributo é proveniente da importante função que o jornalismo vem desempenhando como cenário de debates e ferramenta de movimentos decisivos que terminaram em conquistas eloquentes para a sociedade. Existem vários documentos que estabelecem uma relação entre o jornalismo e a responsabilidade social (Código deontológico dos Jornalista, Lei da comunicação social, Constituição da República). Para reforçar esta ideia propomos a seguinte afirmação de Fernando Oliveira Paulino (2009:36): “torna-se importante avaliar quais pressupostos teóricos têm orientado a atuação das instituições de comunicação e quais mecanismos e perspetivas têm sido planejados e colocados em prática para a promoção da liberdade de expressão compatibilizada com os ideais de Direitos Humanos e responsabilidade social da mídia”. São vários os estudos e análises feitos na abordagem da ética no campo jornalístico que levantam as preocupações em relação a este assunto. Neste aspeto o autor refere que os media, no desempenho das suas atividades têm de cumprir funções sociais que possibilitam que os ideais dos Direitos Humanos possam harmonizar e concretizar-se na pratica. Na lei de comunicação social cabo-verdiana (lei nº56/V/98 de 29 de 55/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação junho) art.º 5º são mencionadas as funções da comunicação social que estabelecem alguns parâmetros sociais e que os media devem ter sempre em conta no seu exercício. Artigo 5º (funções da comunicação social) A comunicação social tem as seguintes funções: a) Contribuição para a correcta formação da opinião pública e educação cívica dos cidadãos; b) Promoção da democracia; c) Divulgação de informações e notícias e difusão do conhecimento; d) Difusão da cultura e reforço dos valores e da identidade nacionais; e) Defesa da paz e da solidariedade e amizade entre os povos; Seguindo estas perspectivas, nota-se que os media possuem grandes responsabilidades sociais, que são fundamentais para o bem-estar e o desenvolvimento dos indivíduos numa sociedade. Para Claudia Jawsnicker “A função da mídia seria vigiar o Estado para que ele não se desvie de seus propósitos originais, viabilizando o intercâmbio de informações, possibilitando o entretenimento e promovendo a troca, como suporte económico capaz de assegurara independência financeira (Martins e Paulino 2005:3). Mais tarde, em 1892, o publisher americano Joseph Pulitzer reiterava esta missão, afirmando que a imprensa deveria ser capaz, desinteressada, imbuída de espírito público e com inteligência para saber o que é direito e com a coragem para fazê-lo. Em1942, é formulada, pela Comissão pela Liberdade da Imprensa, nos Estados Unidos, a Teoria da Responsabilidade Social da Imprensa (TRSI). A plataforma propôs uma agenda para a imprensa, visando o estabelecimento de um sistema de jornalismo ético, à medida que estabelecia como princípio central que os jornalistas estariam obrigados a serem responsáveis com o seu público” (www.bocc.ubi.pt)14. É de realçar que os princípios éticos e deontológicos do jornalismo sempre neles vigoram pressupostos que marcam este campo, como um setor que deve sempre ter em conta a sua responsabilidade social. Sendo ele uma área que retrata e aborda os fatos que ocorrem nas sociedades, o jornalismo nunca deveria se sentir imune às suas responsabilidades sociais, e o que deve-se ter em conta é sempre delinear bem quais são as responsabilidades sociais que este deve 14 http://www.bocc.ubi.pt/pag/jawsnicker-claudia-reflexao-responsabilidade-social.pdf 56/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação assumir para não se confundir com outras coisas. Pois, o jornalismo tem por missão apurar e divulgar os fatos sobre as várias perspetivas para que os indivíduos compreendam, entendam e participem sobre os acontecimentos que ocorrem nas sociedades. Ainda, para complementar, tomemos a seguinte afirmação de Mesquita (cit. por Joaquim Fidalgo 2008:164): “As principais funções atribuídas aos medias noticiosos pela doutrina da “responsabilidade social” consistiam em fornecer a informação necessária ao debate político, esclarecer o povo acerca das suas opções políticas, defender os direitos individuais, contribuir para o desenvolvimento da economia através da prestação de serviços, divertir e, finalmente, assegurar a sua própria autonomia, de forma a resistirem às pressões externas. A noção da “responsabilidade social”, tal como foi repensada no pós-guerra, envolvia uma redefinição ambiciosa do trabalho jornalístico, reivindicava a necessidade de um jornalismo explicativo de forma a contextualizar os factos, bem como a transformação dos jornais em espaço de debate e crítica, abertos ao pluralismo de opiniões”. Mas, nos últimos tempos, os pressupostos ideais do jornalismo estão a entrar em rutura com a realidade deste campo nas atuais sociedades contemporâneas. Nas últimas décadas, os meios de comunicação social transformaram-se em grandes empresas de comunicação, incitando transformações expressivas no campo da produção jornalística. Hoje, a luta pela sobrevivência no mercado concorrencial (obtenção de lucro) e a publicidade como principal suporte de sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação permitiram mudanças significativas na produção jornalística. Como consequência temos o desaparecimento das suas principais ideologias e caminhando-o para um novo modelo em que as informações transformaram-se em produtos comerciais sujeito a jogos de interesse tal como se manifesta no marketing comercial. Modificações na estrutura das empresas de comunicação conduziram a uma sujeição da produção jornalística à lógica de exploração do sistema capitalista. Com a projeção de ações dos meios de comunicação social na bolsa de valores, a busca por lucros a curto prazo aumentou. Para maximizar o público, automaticamente os media se submeteram à lógica empresarial, transformando assim a pauta jornalística. Constata-se que há perdas de notícias sobre questões sociais (economia, cultura, desporto e política) em relação aos assuntos mais vendáveis e com alto conteúdo emocional (atrativo). Daí questionamos: o jornalismo está 57/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação mesmo a cumprir a sua responsabilidade social ou está a servir interesses de particulares ou certas ideologias? A informação se transformou numa mercadoria e está sujeita à lei do mercado capitalista (procura e oferta), e não de outros princípios, tais como as cívicas e as éticas. Essa influência comercial trouxe como consequência a redução de custos na fabricação de notícias e uma precarização do mercado de trabalho. E essa precarização fez e faz com que os profissionais do jornalismo desrespeitem normas morais e éticas da profissão. O jornalista perde o teor de educador e identifica-se, cada vez mais, como um simples proletário de um sistema de produção. No caso de Cabo Verde, pode-se constatar que os nossos órgãos de comunicação social, especialmente em serviços informativos, existem uma supremacia de assuntos políticos em relação as questões sociais. Caso como este leva-nos a duvidar cada vez mais se o jornalismo tem-se comprometido como uma área de forte responsabilidade social, uma vez que os interesses dos particulares (políticos) são apresentados/noticiados com mais frequências do que os sociais, sobretudo nos órgãos de serviço público. Para Castilho (cit. por Claudia Jawsnicker), “a imprensa manteve-se firmemente agarrada a uma agenda políticofinanceira, estreitamente vinculada aos seus interesses corporativos e aos de seus principais aliados na arena partidária e empresarial, mesmo quando as pesquisas mostraram um aumento do fosso separando as pautas e a opinião dos leitores”(www.bocc.ubi.pt)16. Isto é desastroso para o profissional jornalista, ou seja, os media estão a deixar de cumprir as suas responsabilidades sociais. Estão mais direcionados a desempenhar responsabilidades políticas do que responsabilidades antes assumidas, como um veículo destinado ao bem comum. Como foi referido nos pontos anteriores, os media foram “assaltados” por grupos económicos e políticos que procuram ter os órgãos de comunicação a seu favor para que possam utilizá-los como instrumento de propaganda das suas ideologias e suas ações. Devido a esses factos, vamos ter cada vez mais órgãos de comunicação sociais a assumir outras posturas na sociedade. Isto é, os media vão se apresentar como uma fabrica de produção de informação e ideologias em que a principal preocupação é a aquisição de mais lucros. Atualmente o jornalismo sofre muito com o fenómeno de concentração das empresas no seu ramo, apesar de a concentração possibilitar uma consolidação financeiramente também permite a perda de diversidades conteúdos jornalísticos, sobretudo através das sinergias, e o 15 http://www.bocc.ubi.pt/pag/jawsnicker-claudia-reflexao-responsabilidade-social.pdf 16 http://www.bocc.ubi.pt/pag/jawsnicker-claudia-reflexao-responsabilidade-social.pdf 58/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação mais grave é que o impossibilita de desempenhar o papel de vigilante dos outros poderes (económicos, políticos, sociais) de forma que não entre em choque com os interesses políticoeconómicos dos patrões. É curioso falar da responsabilidade social dos media, uma vez que existe legislação que assegura as suas independências em relação as demais setores (política/financeira), para que haja prestação de um serviço com responsabilidades sociais, mas na prática isto não funciona muito bem, porque hoje os media encontram-se fortemente ligados a grupos económicos e ideologias políticas. Apenas um jornalismo com total independência e de grande responsabilidade, que pretende informar de forma isenta e responsável, poderá cumprir de forma eficiente o seu papel social (responsabilidade social). Nas últimas décadas, o jornalismo romântico17 debilitou, pois surgiu a ideia de um jornalismo voltado para os interesses mercadológicos. Essa nova tendência do “jornalismo de mercado” está a colocar em perigo todo o ideal romântico que atravessou esta profissão. Sabe-se que no jornalismo o seu principal suporte é a credibilidade, e hoje muitos duvidam dela, uma vez que muitos acham que este está a defender muito mais do que deveria os interesses políticos em detrimento dos interesses sociais. Ainda há alguns estudiosos que o analisam como um ator político que vem perdendo as suas responsabilidades sociais ao se corromper juntamente com a política. Ao contrário do que acontece em Cabo Verde nos países ocidentais devido à insatisfação do público com a prestação dos serviços do jornalismo muitas empresas do ramo estão a colocar em prática novos modelos que possibilitam o equilíbrio de interesses nos media. Este modelo é a criação do cargo do provedor18 (instrumento crítico e análise do processo jornalístico), que possibilita um intercâmbio entre o público e os media, fazendo com que os órgãos de comunicação social abordem também os assuntos que o público deseja ver retratado neles. 17 Jornalismo romântico é aquele jornalismo comprometido com o interesse público, em que a sociedade lhe encube o poder de fiscalizar as instituições e os detentores do poder. 18 O Provedor possui as competências de atender, analisar e encaminhar as dúvidas, queixas e sugestões dos leitores de forma que colaboram para aumentar a confiança dos indivíduos (telespetador, leitor, ouvinte) nos media e para tornar mais transparentes os processos e decisões jornalísticos que intervêm na produção das notícias. 59/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação 2.5 Estudo da Agenda: A agenda-setting (Agenda Mediática, Agenda Pública e Agenda Política) Hoje, mais do que nunca, no mundo complexo em que vivemos, onde acontecem várias coisas ao mesmo tempo, é preciso organizar os assuntos que merecem prioridades de análises e debates. Definir a prioridade destes assuntos na agenda são questões que vão depender de certos critérios atribuídos pelas elites políticas, pelos media e que definem o grau de importância que tem para o público. Atualmente, a questão da agenda-setting tem levantado algumas preocupações e reflexões, sobretudo na atual conjuntura das sociedades modernas, em que os diversos agentes procuram legitimar e dar visibilidades às suas ideologias e aos seus interesses, para que estejam no quotidiano dos cidadãos. Para Denis McQuail (2003:497), “o agendamento é o processo da influência dos meios de comunicação de massas (intencional ou não) pelo qual a importância relativa de acontecimentos noticiosos, assuntos ou personagens, na mente do público é afectada pela ordem da apresentação noticiosa (ou saliência relativa). Nesta afirmação constata-se que os media tem um forte poder de influência de definir o grau da importância dos temas para o público, isto é, a imprensa de uma certa forma define a prioridade dos temas para o público (agenda pública). Os assuntos ganham importância de acordo com a cobertura feita pelos media: quanto maior for o enfoque dos media sobre um determinado tema, maior visibilidade ela ganha e mais fácil será o seu enquadramento na agenda pública/política. Ainda Denis McQuail (2003:461) defende que “o termo “agendamento” foi cunhado por McCombs e Shaw (1972, 1993), para descrever um fenómeno já notado há muito estudado no contexto das campanhas eleitorais. Dearing e Rogers (1996) definem-no como competição contínua entre protagonistas de questões para chamarem a atenção dos profissionais dos media, do público e das elites políticas ”. Uma das grandes capacidades dos media reside no poder de agendar assuntos que merecem análises e debates. É através da sua agenda-setting que os órgãos de comunicação social dizem à sociedade quais são os assuntos relevantes do quotidiano. Os media têm uma forte potencialidade de projetar os assuntos. Se analisarmos os critérios de noticiabilidade vamos 60/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação constatar que são os órgãos de comunicação social que vão fazer hierarquia dos temas que provavelmente serão debatidos pelo público. Ou seja, são os meios de comunicação social que, de uma certa forma, vão definir quais os acontecimentos/temas tem prioridade em relação aos outros e quais os assuntos/temas são mais importantes. Mas convém realçar que os meios de comunicação social, antes de influenciar a definição das agendas dos outros setores, eles próprios são agendados através de um complexo jogo de seleção e enquadramento. Pegando na realidade cabo-verdiana o que se verifica é que a agenda dos media é quase ela no total definida pelas notas de imprensa. Como alguns críticos realçam, isto deve-se sobretudo à forma de fazer o jornalismo em Cabo Verde, aquele jornalismo sentado na redação esperando pela realização dos eventos, normalmente designado de “jornalismo sentado”. No nosso país, raras são as situações que constatamos que os órgãos de comunicação social levam alguns temas para se impor na agenda política. A agenda pública só entra nas agendas mediáticas e políticas quando acontece algumas manifestações. A questão da agenda em Cabo Verde é dominada pelo setor político que, normalmente, se apresenta com maior poder de influenciar as agendas mediáticas e pública. Para J. Martins Lampreia e Joaquim Caetano (2009:88,89), “a agenda política de um órgão de comunicação social é definida, na maioria das vezes, por agendamentos anunciados pela Assessoria de Imprensa. É através desta agenda que, de uma forma geral, os órgãos de comunicação social estruturam a agenda para uma determinada data. Para além dos acontecimentos previstos, existem, ainda aqueles que sugerem de uma forma não esperada e quem tem, ou não, quer ser enquadradas na agenda definida inicialmente”. Os assessores, após várias análises e pesquisas, determinam quais são os temas do momento, assuntos que possivelmente estarão em análise nos meios de comunicação social. Juntamente com o assessorado, procuram quais as melhores respostas, sobretudo para as questões polémicas. Se reparamos, a assessoria de imprensa da política aconselha o assessorado a determinar o que é ou não relevante e de interesse público, de modo que possa despertar os interesses dos media com o objetivo de merecer cobertura mediática. De acordo com os assuntos abordados nos temas anteriores, existe uma relação complexa entre os media e a 61/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação política, ou seja, há uma correlação entre eles. Na agenda, isto vai manifestar-se também, uma vez que, assim como os meios de comunicações influenciam a política a participar nos assuntos focados por eles e a política acabam por lhe dar mais relevância, também a política por ser um ramo de atuação dos media faz com que estes tendem a seguir a sua agenda. A importância atribuída a um determinado acontecimento é bastante influenciada pelos media, pois que bastante indivíduos em vez de fazer a sua avaliação de um determinado acontecimento, deixa-se simplesmente levar pelo enfoque atribuído pelos órgãos de comunicação social a um determinado acontecimento. Para McCombs (cit. por José Afonso 2007:33), “a esta transferência do grau de importância que os temas possuem nas agendas dos media para a agenda pública de uma população convencionou chamar-se, um tanto ou quanto metaforicamente, agenda-setting, ou determinação da agenda” (www.repositorio.ul.pt)19. Das afirmações dos autores apresentadas sobre este tema podemos constatar que existe uma relação de interdependência, ou seja, a agenda política mantém uma relação direta com a agenda mediática e consequentemente, com a agenda do público, e assim vice-versa. A construção das agendas públicas, mediática está intimamente relacionada com os métodos de tomada de audácia política. Mas convém-se realçar que depende em boa parte do contexto. Para Carlos Erick Brito “dessa maneira, ora essas agendas se diferenciam, ora se mesclam, ora se confundem, ora se unem e se beneficiam, ora se opõem. A mídia, no papel de mediadora destas complexas relações, organiza e reorganiza os discursos advindos destes entrelaçamentos, através das regras de enunciação e estruturas de sedução do discurso jornalístico”(www.intercom.org.br)21. Mas estas relações podem trazer consequências negativas, uma vez que os media representam um campo de disputa de interesses e ao mesmo tempo, sendo o principal agente na formação da agenda pública, pode fazer com que os indivíduos se movem em boa parte através dos interesses dos políticos. Hoje, debruçar sobre a questão da agenda-seting é preciso entender a lógica da economia em que se vigoram os meios de comunicação social, pois que ela alterou profundamente o setor 19 http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/284/1/16301_O%2520Poder%2520da%2520Imprensa.pdf 20 http://www.intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2008/resumos/R12-0280-1.pdf 21 http://www.intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2008/resumos/R12-0280-1.pdf 62/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação mediático. Também deve-se ter em conta as relações existentes entre o campo dos media e o campo da política e as pressões exercidas entre elas e as suas dependências em relação ao setor económico. 2.6 Comunicação Social: Quarto Poder ou Contrapoder? Como podemos abordar o papel social dos órgãos de comunicação social e do jornalismo especificamente? São eles vistos como “quarto poder” ou “contrapoder”? Durante algumas décadas, os órgãos de comunicação social serviram como uma força imprescindível contra os excessos de poder, servindo como instrumento de denunciar as injustiças, dar voz às críticas, revelar segredos, repor verdades. Por alguns tempos, os media estavam em sintonia com os ideais da democracia. Convém realçar que as suas práticas foram determinantes nos regimes ditatoriais/totalitários, em que as práticas de violação dos Direitos do Homem são constante em que as informações são duvidosas e também são poucos os que possuem a coragem de se opor/descordar do regime, divulgando arbitrariedades e impetuosidades (de uma certa, forma podemos tomar como exemplo as revoluções que tem estado a acontecer nos países do Norte de África). Para Jorge Pedro Sousa (2006:194,195), “seja como for, o jornalismo, como ainda hoje o concebemos, é uma poderosa e complexa estratégia de comunicação social. É tão poderoso que se pode equiparar aos poderes Executivo, Legislativo e Judicial, sendo frequentemente apelidado de Quarto Poder. Outros ainda apelidam-no de contrapoder, pois o jornalismo é um contraponto aos restantes poderes. À luz da Teoria Democrática, o jornalismo vigia e controla os outros poderes, baseando-se no princípio da liberdade de expressão, em especial, na sua vertente da liberdade de informação (liberdade de informar, informar-se e ser informado). Há, finalmente, autores que defendem que, mais do que um Quarto Poder, o jornalismo é um espaço onde se representam, comunicam e digladiam os restantes poderes, por vezes insidiosamente, funcionando como o "quarto do poder", na feliz expressão de Ricardo Jorge Pinto”. De uma certa forma, pode-se dizer que os media desempenhou todas essas funções mencionada pelo autor. Com a massificação dos órgãos de comunicação e a industrialização das informações houve alterações profundas nesse ramo. 63/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação No passado e ainda hoje são vários os jornalistas que morrem por causas das denúncias que fazem das injustiças, mas, com o passar do tempo, foram muitos as mudanças que aconteceram nesta área. As boas práticas em favor do bem comum foram-se esvaziando, aos poucos, até se chegar ao ponto do jornalismo deixar de cumprir uma boa parte as suas responsabilidades sociais. Nos últimos tempos, o que se tem verificado é que há uma certa duvida, um distanciamento crítico da população em relação aos órgãos de comunicação social e a prática jornalística atual. São muitos os analistas que fazem uma perceção crítica sobre a questão de designar o jornalismo, atualmente de “quarto poder”. Para André Fontaine (cit. por Rita Lopes), “boa parte daquilo que por vezes se designa “quarto poder” deveria com maior exactidão ser classificado precisamente “na categoria do poder feudal”. É por isso que muitos defendem que a expressão “quarto poder” carece de rigor analítico. Em primeiro lugar, porque nem os media, nem o jornalismo correspondem às definições clássicas de poder constituído enquanto capacidade de acção e de meios concretos de coerção no quadro de uma política. Em segundo, porque o conjunto de órgãos da comunicação social e das práticas jornalísticas não se articula num centro decisório unificado e coerente, análogo ao executivo, judicial e legislativo. Em terceiro, e último, porque quer se tenha presente a estrutura das empresas mediáticas, quer se pense nas formas de produção jornalísticas, o grau de autonomia dos media e do jornalismo é reduzido. “O poder dos media é condicionado e controlado por todos os outros, ou seja, pelos centros de decisão política, económica, tecnológica e militar” (www.labcom.ubi.pt)23. Nos últimos anos tem-se estado a verificar-se grandes fusões entre os órgãos de comunicação social e os poderosos grupos económicos e, no mundo actual, uma já não vive sem a outra, em que cujo objetivo é aquisição de novos mercados nacionais e internacionais. Isto deve-se sobretudo às revoluções tecnológicas, nomeadamente à internet, que faz com que haja uma diversidade de informação em curto espaço do tempo para os diversos pontos do globo terrestre. 22 23 http://www.labcom.ubi.pt/files/agoranet/04/lopes-rita-media-e-poder.pdf http://www.labcom.ubi.pt/files/agoranet/04/lopes-rita-media-e-poder.pdf 64/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Para alguns estudiosos/críticos (Ignacio Ramonet, Mário Mesquita etc.) esta abundância de informações é inestimável para vender cada vez mais, para explorar novos mercados e é nela que os grandes grupos económicos dominantes têm crescido cada vez mais, a cujos interesses se subordinam a grande maioria dos meios de comunicação social, tendo como consequências falta de isenção, ética, justiça. Como “quarto poder”, os media deveriam e devem primar por princípios morais, éticos que amparam a democracia e que devem estimular a justiça e a liberdade. Têm como missão informar e denunciar as más práticas, comparar, apurar e questionar todos os assuntos imediatos abordados pelos diversos órgãos de forma a fazer valer as sua missão e cumprir a sua responsabilidade social. No que se refere à designação de “contrapoder”, é algo bastante mais solicitada do que o “quarto poder” atualmente no campo jornalístico, sobretudo nas sociedades democráticas, uma vez que, nestas sociedades se afiguram como uma parte de peso e contrapeso. Esse termo derivou das grandes ações que os jornalistas e os meios de comunicação tiveram no combate ao abuso do poder, por exemplo o caso watergate em que dois jornalistas de um jornal (Washinton Post) podiam derrubar o presidente dos Estados Unidos da América, Richard Nixon (Rita Lopes). O “contrapoder” se verificou sobretudo nas décadas de 70/80 os tempo de aurora do jornalismo investigativo, em que muitas práticas obscuras foram trazidas a tona gerando polémicas e esclarecimentos. Mas com o passar de algum tempo, o jornalismo se perverteu muito no que tange a esta designação. Atualmente, o poder do jornalismo encontrase bastante condicionado por outros, o que o obriga a sujeitar a certas subordinações, que deixa cada vez mais difícil que o “contrapoder” se manifesta como antes. Jornalismo como “contrapoder” tem a tarefa de fiscalizar os outros poderes, algo que pouco se manifesta, devido ao condicionamento que os media encontram sobre a tutela dos grandes grupos económicos e industriais e também pela lógica do mercado atual. Para Julianne Schutz (jornalista australiano cit. por Fernando Oliveira Paulino 2009:73), “o termo “Quarto Poder” é um conceito de definição flexível, de forma que tradicionalmente as instituições de comunicação se projetam como watchdogs (cães de guarda) da democracia, mas nem sempre tem a independência e autonomia necessária para expor publicamente notícias que contrariem 65/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação seus próprios interesses. Assim, a independência necessária para a atuação da mídia tem como contrapartida a accountability a ser medida (…) sem a criação de instrumentos de prestação de contas e responsabilização, a mídia torna-se ou simplesmente um “negócio como outro qualquer”, sem eventuais obrigações e posições privilegiadas de acesso à informação que tem nas democracias”. Nesta afirmação do autor, podemos entender que os media enquanto não são obrigados a prestar contas e cumprir com as suas responsabilidades vão continuar a seguir as lógicas do mercado. E também vão continuar a ser “assaltados” pelos poderosos grupos económicos que vão ditar a regra do jogo neste setor. A busca incessante pela audiência e as fusões, concentrações das empresas norteiam as regras de funcionalidade dos meios de comunicação atual. Diante destas situações questionamos como podem os media atual servir de “contrapoder e quarto poder” se estão sobre fortes influencias. Como disse Ignacio Ramonet, sente-se a necessidade de se criar um outro poder (quinto poder) para regular as funcionalidades dos media para que estes não se tornem apenas um instrumento de manipulação e persuasão dos indivíduos por parte dos detentores do poder. Ainda, para complementar, vamos tomar a seguinte afirmação de Serge Halimui (cit. por Ignacio Ramonet 1999:40,41): “Os media proclamam-se como um contra poder, escreve ele. Mas a imprensa escrita e audiovisual é dominada por um jornalismo reverente, por grupos industriais e financeiros, por um pensamento de mercado, por redes de convivência. Um pequeno grupo de jornalistas, omnipresentes, impõe a sua definição de informaçãomercadoria a uma profissão cada vez mais fragilizado pelo medo de desemprego. Eles servem os interesses dos donos do mundo são os novos cães de fila”. Perante esta afirmação, podemos constatar o quanto é difícil a continuação de conceções românticas (“quarto poder e contrapoder”) que o jornalismo em tempos carregou. Com a massificação do ensino universitário no campo jornalístico passa a haver cada vez mais profissionais do ramo e, daí registou-se uma luta constante para o emprego. O jornalista acaba por deixar-se subordinar aos objetivos do patrão com medo de ir para o desemprego. Apesar de todos os condicionamentos que vêm atravessando o campo dojornalismo, as novas tecnologias podem permitir até um certo ponto uma prática mais saudável no exercício do jornalismo. 66/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Com a evolução das novas tecnologias, o jornalismo atual tem força, competência e influência para ser um meio com a capacidade de se contrapor aos abusos perversos cometidos pelos poderes que constituem/gerem a sociedade e a aproximam da sociedade democrática. Entretanto, a poderosa força dos media, excepcionalmente, é bem usada no controle desses mesmos poderes. Se a grande potencialidade do jornalismo não for usada na administração do bom uso dos outros poderes, que outra força o poderá fazer? Constata-se, hoje em dia, em muitos meios de comunicação social da espécie cão-de-guarda, uma censura precisamente dos outros poderes. É fundamental fazer renascer o jornalismo de watchdog (vigilante) dos poderes económico, político e judicial, para que possa haver uma sociedade, mais estável possível, livre dos abusos de poder, de promiscuidades malignas, corrupção, conservando, assim, vivo um dos pilares de uma sociedade democrata. 2.7 Comunicação Social e Mediação Os órgãos de comunicação social são encarados como um organismo fundamental da atual configuração do sistema social, isto é, como mediadores entre os indivíduos/cidadãos e a realidade social. Os media constituem um dos espaços políticos e sociais de construção e legitimação de identidades. São também lugares onde decorrem e constrõem-se definições e ideologias de diferentes grupos sociais. De acordo com o artigo 2º da Declaração da Unesco sobre os Meios de Comunicação (1978), realça-se que o exercício da liberdade de opinião, da liberdade de expressão e da liberdade de informação, reconhecido como parte integrante dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, constitui um fator essencial do fortalecimento, da paz e da compreensão internacional24. Neste âmbito do exercício da comunicação social, o jornalismo assume se como um dos principais instrumentos dos indivíduos. Os meios de comunicação social 24 http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/temas-de-atuacao/atuacao-e-conteudos-de- apoio/legislacao/discriminacao/ai_discrim_raca_preconceito 67/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação possuem a capacidade de dar voz e vez ao povo e servirem de mediadores de informações e reivindicações com outras instituições. O jornalismo tem responsabilidade social, entretanto emergiu como resultado de enumeras revoluções tecnológicas, da expansão do capitalismo, das pressões dos movimentos sociais pela democratização da sociedade de informação e do conhecimento (Alana Gazoli, 2009). Seguindo esta perspetiva pode-se dizer que é através dos media que os indivíduos ficam a saber das ações dos diferentes atores sociais e, ao mesmo tempo é através dos media que reagem e comunicam com esses fatores. Ainda, para complementar, tomemos a seguinte afirmação de dois cientistas políticos Miguel e Biroli (cit. por Francilaine Munhoz Moraes e Zélia Leal Adghirni2011:4), “[...] a mídia se tornou o principal instrumento de contato entre a elite política e os cidadãos comuns, substituindo, em alguns casos, os próprios partidos políticos, tradicionalmente os mediadores dessa relação”(www.compos.org.br)25. Especificamente neste caso, podemos constatar que, antes os partidos procuravam com maior frequência tentar ter contatos diretos com os cidadãos, mas hoje a situação mudou-se devido aos avanços tecnológicos e aos seus efeitos. Cada vez mais, constatamos uma incessante busca dos políticos de espaços nos órgãos de comunicação social para que possam interagir e debater com o seu eleitorado. A comunicação social como o suporte do exercício do jornalismo e, sendo ele uma atividade direcionada à sociedade, ao estudo da interação entre os meios de comunicação e a sociedade. Muitas legislações atribuem aos órgãos de comunicação social a responsabilidade de ser o instrumento que nos processos sociais deve criar e manter mediações viabilizadas do direito à informação aos indivíduos. Para Daniel Cornu (1994:304), “os jornalistas são legitimados na sua actividade por esse dever para com o público, que reveste no seu significado original de um sentido político, mas cujo alcance se estendeu nas sociedades modernas a outras esferas para lá da esfera específica do poder e das relações com o poder. Os jornalistas agem no seio do espaço público, entendido como um lugar simbólico de troca e comprovações de argumentos contraditórios sobre o conjunto dos assuntos que interessam a sociedade civil. Este espaço reveste-se de um sentido normativo quando a troca, orientada para a procura de um acordo universal, é posta como uma condição do viver junto da política. Nas sociedades 25 http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/642/520 68/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação modernas, este é amplamente ocupado pelos grandes meios de informação, que mediatizam partes importantes da comunicação social”. Ainda, de acordo com esta afirmação, podemos remeter ao conceito do “quarto do poder” que é atribuída aos órgãos de comunicação, que significa o espaço onde os demais podres vão se representar, comunicar e disputar-se. Pois é aqui que os meios de comunicação social/jornalismo vão assumir o seu papel de mediador e intermediário entre as instituições e os restantes poderes. O setor dos órgãos de comunicação social representa uma vasta diversidade pois é através dele que os demais procuram ter espaço de forma que possam ter visibilidade e, por vezes, de uma certa forma se legitimarem. Para melhor compreender este contexto citaremos um exemplo bem prático no caso de Cabo Verde. O setor de energia é um grande problema no nosso país. A população por várias vezes resolveu fazer manifestações, unir-se e fazer abaixo-assinado ao nosso governo. O resultado esperado sempre foi uma solução a curto prazo. Mas muitas vezes apenas um grupo de indivíduos, lutando pelos seus direitos não são atendidos. No entanto se houver a mediação dos meios de comunicação social, o fato se torna público e a pressão exercida pelos meios de comunicação social, pela comunidade afetada e por outros atores que se comoveram com o problema, vai fazer com que o governo se sente obrigado a reestabelecer a normalidade energética, para que se possa manter a imagem de um governo capaz de resolver os problemas do seu país. Para Jorge Pedro Sousa (2006:539), “o campo dos mass media é, portanto, um campo diversificado, um mosaico, inclusivamente porque é nele que os diferentes subsistemas sociais se representam e, até certo ponto, se articulam e legitimam. A importância dos meios de comunicação para a sociedade assenta, efectivamente, nessas enormes capacidades de representação das pessoas, da sociedade e da cultura; de produção e reprodução, de construção e reconstrução dos processos sociais e culturais. Os meios concorrem com outros agentes mediadores, como a família ou a escola, mas têm um papel central na prescrição dos comportamentos e atitudes aceitáveis e convenientes no meio social, no estabelecimento dos parâmetros da normalidade, na disponibilização de informação, na promoção do conhecimento e na oferta social de referentes sobre a realidade. A influência dos meios de comunicação social nas pessoas e na sociedade é mais positiva do que negativa. Os meios 69/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação tiveram um papel importante, talvez mesmo decisivo, na emancipação das pessoas face à ignorância e na construção do ambiente de "conhecimento geral" que caracteriza os nossos tempos”. Nestas afirmações do autor dá para se analisar a grande relevância que a comunicação social tem na mediação. Atualmente, a comunicação assume-se como um dos principais agentes de mediação. Se reparamos, hoje até existe pogramas nos meios de comunicação social onde os indivíduos vão participar em que cujo os objetivos do pograma é a mediação dos conflitos. Pois, daí questionamos se a comunicação social não fosse um meio que tem como função também a mediação, como poderíamos comunicar e discutir os nossos problemas no mundo atual onde existe uma quantidade enorme de informações? O setor da comunicação, por ser um campo de mediação, é um espaço de pressão (jogos de interesses), pois tem a responsabilidade de hierarquizar os assuntos que são tidos como mais relevantes para o público de forma que possa fazer uma divulgação mais adequada, sendo que a sociedade é constituída por um público homogéneo. Ainda convém realçar que a comunicação social não se encontra da mesma forma estruturada do que nas décadas anteriores sobretudo no que tange ao setor do mercado. Para Daniel Cornu (1994:305), “o espaço da informação moderna já não é o do seculo XVIII, quando a imprensa contribuía essencialmente para a difusão das Luzes e para formação da vontade política, quando era suporte de um debate público sobre a organização justa da sociedade e sobre a legitimação do poder político. É o de finais do seculo XX, que assiste à chegada de sociedades cada vez mais complexas, dominadas por sistemas funcionais menos orientados para a procura da justiça e da verdade do que para a procura de eficácia e do sucesso. (…) Os media então situam-se num campo de tensão entre a mediatização funcional das relações entre as grandes organizações sociais e a tomada em linha de conta, herdada da tradição, das esperanças e das aspirações, das exigências de legitimação perceptíveis na sociedade”. Nestas argumentações do autor dá-se para entender o como é difícil para a comunicação social desempenhar as suas funções de mediador na lógica do mercado que rege o setor mediático. Daí, os media são bastante condicionados pelo mercado. Nem sempre os órgãos de comunicação social conseguem fazer uma mediação com bastante sucesso. Os agentes mediadores da comunicação social (jornalistas) encontram-se no meio de um dilema entre os interesses dos 70/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação donos dos órgãos de comunicação social e as normas éticas e deontológicas que regem o seu campo de atuação. Diante destas situações convém questionar: como a comunicação social pode fazer uma mediação justa perante esses condicionamentos? As novas tecnologias de informação e comunicação trouxeram novos desafios para a comunicação social no que refere a rapidez, a interatividade, a mediação. O avanço das novas tecnologias digitais de informação mudou, efetivamente, o setor da comunicação social. Elas contribuíram de uma forma expressiva para a produção de informação de modo não profissional. A internet corresponde por si só um campo de mediação, rompendo todas as barreiras territoriais, permitindo uma comunicação na situação de igualdade (horizontal) entre os usuários (jornalistas, cidadãos), permitindo debates dos temas com relevância para o interesse público. Essas novas tecnologias não vão colocar em causa o papel mediador da comunicação social. Por consequência vai reforçar este estatuto. Numa diversidade de informação é preciso de um meio/agente com capacidade de selecionar os que são de relevância para o público (recorrendo aos critérios de noticiabilidade). Para suportar a nossa posição vamos citar a seguinte afirmação de Dominique Wolton (cit. por Francilaine Munhoz Moraes e Zélia Leal Adghirni 2011:2) “o volume cada vez maior de informações reforça o papel do jornalista como mediador entre o mundo e os cidadãos” (www.compos.org.br)27. Pois a comunicação social possui a capacidade de distinguir o que realmente deve ser relatado, de observar as veracidades das informações e que interesses tem para o público. Hoje, a utilização em massa das novas tecnologias de comunicação, fez surgir as novas esferas públicas e espaços para debates e informação, possibilitando circunstâncias para o exercício da reflexividade. Permitiu que haja possibilidades dos indivíduos divulgarem conteúdos críticos com relevância para o interesse público, ao mesmo tempo permitiu espaços de observação que possibilitam exercer uma vigilância crítica sobre os media que pertencem 26 http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/642/520 27 http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/642/520 71/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação ao mainstream, denunciando as informações comerciais ou ligadas aos interesses estratégicos dominantes. No figurino da democratização do sistema mediático, apareceram oportunidades como uma certa proliferação de imprensa alternativa, a democratização das redes informáticas, a expansão de rádios e televisões comunitárias, as televisões de acesso público. 72/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Capítulo: Análise de conteúdo e discrição dos resultados 3.1 Discrição dos jornais Em 1991, ano em que a abertura política foi consubstanciada com as eleições de 13 de Janeiro, surgiu o jornal A Semana, depois de o PAICV ter perdido o poder para o Movimento para a Democracia (MPD). Trata-se do jornal com maior penetração no mercado mediático cabo-verdiano e tem alguma audiência na diáspora, com particular destaque para a comunidade cabo-verdiana emigrante nos Estados Unidos da América. O jornal A Semana é um semanário generalista que tem um portal na Internet e abrange os diversos sectores da sociedade cabo-verdiana e do internacional. É um dos jornais mais completos, contando com vários suplementos como a Kriolidade, dedicada à cultura; o Cifrão, dedicado à Economia. O jornal Expresso das Ilhas é um dos três semanários cabo-verdianos, tendo uma publicação na Internet que serve para complementar a publicação em papel. Surgindo em 2001, depois da reviravolta política que recolocou o MPD na oposição, o jornal Expresso das Ilhas tem uma componente política muito forte. Entretanto, é uma publicação generalista, com sede da Cidade da Praia, preocupando-se com os grandes temas que atravessam o trama social28. 28 http://nosmedia.wordpress.com/historia-dos-medi/ 73/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação 3.1.1 Caracterização da amostra Para a efetivação deste trabalho nós escolhemos as seguintes amostras: oito entrevistas, quarenta edições dos jornais em análise referentes aos meses de janeiro, junho e dezembro. No que se refere à entrevista, analisamos as entrevistas feitas aos estudiosos e especialistas das ciências da comunicação e director executivo do jornal A Nação José Vicente Lopes, o jornalista político do jornal A Nação Daniel Almeida. Também debruçamos sobre a entrevista feita ao jornalista Jorge Montezinho que desempenha o cargo de chefe de redacção do jornal Expressos das Ilhas e ao mesmo tempo é um dos jornalistas deste jornal que mais tem debruçado sobre a política e do jornal A Semana, analisamos a entrevista proferida pela directora geral do jornal doutora Filomena Silva. Como amostra das entrevistas, analisamos as entrevistas do ministro dos assuntos parlamentares que tutela a pasta da comunicação social Rui Semedo, a estudiosa e professora da área e ex-ministra da pasta de comunicação social Ondina Ferreira. Dissecamos também sobre as entrevistas do líder parlamentar do MPD Elísio Freire e do então líder parlamentar do PAICV, José Manuel de Andrade. Analisamos as edições do mês de Janeiro do ano 2012 de forma que possamos avaliar como o jornal debruçou sobre os conteúdos políticos no início do ano. As edições do mês do Junho também foram analisadas sobre as perspectivas de observar que tipo de continuidade o jornal tem dado aos assuntos relacionados a política depois de seis meses. As últimas edições do dezembro dos jornais serviram para concluir as nossas análises referente a abordagem que os jornais A Semana, Expressos das Ilhas e o A Nação têm dado a questões políticas durante o ano 2012. 3.2 Análise de conteúdo e discrição dos resultados 3.2.1 Géneros jornalísticos predominantes na política Géneros jornalísticos são os “modelos de apropriação e de interpretação da realidade usados pelos jornalistas”. Correspondem aos diferentes tipos de textos e abordagens que vemos nos media (notícias, opinião, crónicas, entrevistas, reportagens etc.). No entanto, os géneros jornalísticos não possuem fronteiras rígidas. Para alguns autores também as fotoreportagens, 74/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação as legendas ou até os faitdivers também são considerados géneros jornalísticos, no sentido de que correspondem a tipos de abordagem distintos das anteriores. Reportagem: é um género de texto jornalístico que transmite uma informação por meio da televisão, rádio, revista. O objetivo da reportagem é levar os fatos ao telespectador ou leitor de maneira abrangente. Este género procura fazer uma abrangência mais profunda dos fatos, isto é, ela é exaustiva e profunda, utilizando um estilo narrativo, mais descritivo e humanizado, faz investigações, tece comentários, levanta questões, discute, argumenta. Uma reportagem procura contar uma história e levar os leitores a “viver os acontecimentos”. Para conseguir aproximar os leitores da realidade tratada, a reportagem usa com frequência elementos de outros géneros jornalísticos (entrevista, crónica, opinião etc.). O que a reportagem tem de mais aliciante é a função que o repórter exercita, em nome do público: ele é o representante do público, é alguém do público que presencia, testemunha e depois relata, informa de maneira que a maioria das pessoas entenda de imediato. É considerado o género nobre do jornalismo. Notícia: é o mais comum dos géneros jornalísticos. Refere-se a um texto informativo, relativamente curto, escrito numa linguagem clara, concisa e directa. As notícias devem ser atuais, verídicas e despertar o interesse das pessoas. Breve: Relato sucinto e descritivo de um acontecimento geralmente não tendo mais de dois ou mais parágrafos curtos, com ou sem citações diretas ou parafraseadas de outras fontes que não o jornalista e que traz informação nova (Sousa 2004, pág. 181). Entrevista: existem dois modelos clássicos de entrevista. A mais empregada é a que tem a forma de perguntas e respostas. Na gíria das redações, é o que se denomina de pinguepongue: em que é feita a introdução para dizer quem é o entrevistado, que assunto domina, vem uma pergunta e, logo abaixo, a resposta – e assim até a última pergunta com a última resposta. O outro modelo de entrevista é aquele em que as respostas do entrevistado são dissolvidas no correr do texto, geralmente com algum verbo que indique a autoria daquela frase (diz o diretor, afirma o diretor, esclarece o diretor, e assim por diante). Se o jornalista estudar bem o assunto, informa-se antes a respeito do entrevistado, aumenta a capacidade de 75/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação fazer uma boa entrevista. O aconselhável é que o jornalista tenha pelo menos uma ideia da resposta correta de toda pergunta que pretende fazer. Assim, dificilmente será confundido pelo entrevistado. Para entender quais os géneros jornalísticos predominam no seminário “A semana” vamos analisar o quadro que se segue em baixo. Gráfico 1 - Géneros jornalísticos no jornal “A Semana” 70,00% 60,00% 50,00% Notícia Reportagem 40,00% Entrevista 30,00% Opinião Breves 20,00% outros 10,00% 0,00% junho (edição nº112 dezembro No semanário “A janeiro Semana”, nas 6 edições à nº118) publicadas durante o mês de Janeiro de 2012, teve no total 29 peças que debruçavam sobre a política. Das 29 peças, o género notícia foi o que teve maior número de peças com uma percentagem de 66,2%, obtendo durante as 6 edições 19 peças no total. O género que aparece em 2ª posição com 20,6% é Opinião com uma correspondência de 6 peças; já a Entrevista teve uma correspondência de 10,3% com apenas 3 peça e em seguida com menos frequência é o género considerado nobre do jornalismo que apresenta menor percentagem 3,4% com apenas uma peça. 76/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Passando os cincos meses, referindo-se ao mês do Junho, o jornal vai ter um acréscimo em relação aos números de peças que debruçam sobre a política. No decorrer do mês de Junho, o jornal “A semana” nas 6 edições apresentou um total de 39 peças que abordam assuntos sobre a política (edição nº1045 à nº1050). O género que teve maior frequência é a Notícia com 48,7% correspondendo à 19 peça; em seguida, encontra-se a Entrevista com 28,2%, tendo 11 peças. Os géneros, Opinião e Breves apresentam-se com a mesma percentagem de 10,2% tendo cada, uma delas com 4 peças; e com menor percentagem, continua a Reportagem com 1, peça correspondente a 2,5%. É de realçar que o referido mês (junho) foi a temporada das eleições autárquicas no país. Já no último mês do ano (Dezembro), o semanário apresentou uma diminuição de peças que debruçavam sobre a política, tendo apenas 4 edições (edição nº1074 à nº1077), com uma correspondência no total de 21 peças. A Notícia continuou a ser o género predominante tendo 57,1%, correspondendo a 12 peças; a Opinião apresentou uma correspondência de 23,8%, com 5 peças: em seguida, aparece a Entrevista com 3 peças correspondentes a 14,2%. O género Breves teve 1 peça, obtendo 4,7%; e por fim, desta vez a reportagem não teve nenhuma correspondência. Para continuarmos a entender/contabilizar as questões do género nos nossos semanários impressos agora vamos analisar os dados do gráfico nº 2 que possui os dados do jornal “Expressos das Ilhas”. 77/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráfico 2 - Géneros jornalísticos no jornal “Expressos das Ilhas” O jornal “Expressos das Ilhas” durante o mês de Janeiro de 2012 apresentou 4 edições com um total de 37 peças que abordavam os assuntos sobre a política. Durante o referido mês o género que esteve com maior frequência, assim como no jornal anterior, foi a Notícia com cerca de 67,6%, obtendo 25 peças que relatavam assuntos relacionados com a política. Com a segunda maior correspondência, predomina a Opinião com 5 peças, tendo13,5%, em seguida apresenta-se as Breves com 8,1% correspondente a 3 peças e por fim os géneros Reportagem e Entrevista com a mesma percentagem 5,4 tendo cada uma delas 2 peças. No mês do junho o jornal teve um ligeiro aumento de peças que debruçavam assuntos políticos, isto é, o semanário “Expressos das Ilhas” teve no total 39 peças direcionadas à política nas 4 edições do referido mês. A Notícia continuou a ser o género predominante, com uma percentagem de 66,7%, obtendo um total de 26 peças e desta vez, com segunda maior frequência, aparece a Reportagem com 9 peças, tendo 23,1%. Em seguida, aparece o género Opinião com 7,7%, obtendo 3 peças, as Breves aparecem-se com apenas 1 peça obtendo 2,5%, no referido mês a Entrevista não teve correspondência. As últimas 4 edições do ano 2012 que se refere ao mês do dezembro o semanário “Expressos das Ilhas” teve 31 peças no total, que abordavam questões políticas. O género que aparece 78/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação com maior frequência no referido mês continuou a ser a Notícia com 15 peças, registando-se 48,4%; em seguida sucede as Breves, tendo 16,1% com 5 peças. Os géneros Reportagem e Opinião aparecem com 4 peças para cada um, obtendo12,9%, cada um deles e em seguida aparece a Entrevista com 9,7% correspondente a 3 peças. Para finalizarmos a questão dos géneros predominantes na política nos principais semanários impressos em Cabo Verde, vamos analisar os resultados do gráfico 3 que se segue com os dados referentes ao jornal “A Nação”. Gráfico 3 - Géneros jornalísticos no jornal “A Nação” 80,00% 70,00% 60,00% Notícia 50,00% Reportagem Entrevista 40,00% Opinião 30,00% Breves 20,00% Outros 10,00% 0,00% janeiro junho dezembro Durante o mês do Janeiro de 2012, o jornal “A Nação” teve 3 edições (edição nº 227 a nº 229), onde apresentou 13 peças que abordavam questões relacionadas com política. No semanário “A Nação”, durante no referido mês, o género que teve maior representatividade é a Notícia, com 53,8%, correspondente a 7 peças; em seguida, encontra-se a Reportagem com 3 peças, contendo 23,1%. O género opinião aparece com 15,4%, tendo 2 peças e a Entrevista com apenas 1 peça, obtendo 7,7%. Assim como os outros semanários, no mês do Junho o jornal “A Nação” teve um acréscimo em relação ao número de peças que abordavam assuntos sobre a política. No mês do Junho o semanário apresentou 4 edições, (edição nº 249 a nº252) obtendo no total 22 peças que debruçavam sobre a política. A Notícia continuou a ser o género predominante com 15 peças, 79/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação usufruindo 68,2%; em seguida, aparece a Reportagem com 27,3%, correspondente a 6 peças. As breves tiveram apenas uma peça, tendo 4,5%; os outros géneros, no referido mês, não tiveram correspondência. No último mês do ano, isto é, em Dezembro, o jornal “A Nação” apresentou nas bancas com 4 edições, totalizando 17 peças com assuntos relacionados à política. O género Notícia continua como predominante, com 9 peças correspondendo a 52,9%; a Entrevista aparece com 23,5%, correspondente a 4 peças. Os géneros Opinião e Reportagem aparecem cada um com 11,8%, referindo-se a 2 peças para cada um. No que se refere às questões do género nos principais jornais impressos (“A Nação”, “Expressos das Ilhas”, “A Semana”), em Cabo Verde, na análise feita às amostras, conseguimos identificar que o género Notícia é o predominante em relação às peças com assuntos políticos. Sendo a Reportagem o género nobre do jornalismo, de acordo com as amostras analisadas, podemos constatar que a reportagem é muito pouco utilizada por estes jornais, tendo em conta que um jornal impresso tem a necessidade de detalhar com pormenores os assuntos que relata. Das características que os géneros jornalísticos possuem, podemos constatar também que, na prática, os nossos maiores semanários da praça não fazem reger com muito rigor de forma que estas características estejam bem presentes nos seus textos. Já no que se refere às Entrevistas podemos verificar que a matéria feita é muita baseada nas citações, e estas citações raras vezes são explicadas pelos jornalistas de forma que o leitor possa entender melhor a mensagem que o entrevistado quer passar. Nota-se que a predominância das Notícias são, na maioria das vezes, textos elaborados através de notas de imprensa, conferências de imprensa, palestras, isto é, não são textos que partem da iniciativa do próprio jornal/jornalista em trazer um assunto para o público. De acordo o jornalista Daniel Almeida, “existe um certo amorfismo da comunicação social em relação à política, tendo em conta que os órgãos de comunicação social funcionam essencialmente a reboque da agenda do governo, nomeadamente, conferências de imprensa e outras coisas. Não há uma agenda própria dos órgãos de comunicação social e essencialmente os órgãos públicos em relação a política vão praticamente a reboque das instituições e dos políticos” (entrevistado a 25.02.2013). Tendo em conta esta afirmação, podemos constatar, 80/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação durante as nossas análises, uma incapacidade dos jornais em trazer os grandes temas para a arena pública que não sejam elas afirmações mencionadas pelas figuras partidárias/instituições ou partidos políticos. Ainda para Ondina Ferreira, ex-ministra que tutelava a pasta da comunicação social nos anos 90, “o Jornalismo em Cabo Verde, grosso modo, não tem “vida própria,” isto é, não faz opinião pública. Encontra-se sem ideias para fornecer instrumentos de cidadania à sociedade civil. É nisto que reside o grande serviço dos media. Daí que ande, ou tem andado, quase sempre, a reboque do que o poder político lhe fornece”, (entrevistada a 18.02.2013). 3.2.2 A predominância das fontes jornalísticas nas peças políticas No jornalismo as fontes apresentam-se como elemento basilar para a existência de notícias, não é nada perigoso afirmar que sem as fontes não existem notícias. O jornalista assume o compromisso de manter sob sigilo o nome de sua fonte de informações, quando for necessário. A lei protege o direito que o jornalista tem de não revelar quem são as suas fontes. Como foi dedicado um subtema sobre as fontes no 1º capítulo (5 As fontes no jornalismo) não iremos debruçar sobre os preceitos teóricos sobre as fontes nesta parte. Pretendemos analisar o seu recurso nos 3 principais jornais impressos em Cabo Verde. Vamos analisar dados do gráfico 4 que contem os dados do jornal “A Semana”. 81/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráfico 4 - As fontes no “A Semana” No semanário “A Semana” identificamos, no total 35 fontes nas edições do mês do janeiro. As fontes que tiveram maior predominância foram fontes governamentais, com 48,5% correspondente a 17 fontes; em seguida figuram Indivíduos isolados, com 34,2% (12 fontes) como fonte. As instituições privadas tiveram uma correspondência de 11,4% (4 fontes) e as fontes não especificadas aparecem com 5,7% (2 fontes). No mês do Junho, o jornal “A Semana” aparece com um ligeiro acréscimo de fontes, obtendo no total 39 fontes. A fonte que aparece com maior frequência neste mês são os Indivíduos isolados, obtendo 58,9% (23 fontes); as fontes governamentais obtiveram 15,3% (6 fontes), com a mesma percentagem 15,3% (6 fontes) aprece os jornalistas enquanto fonte. E as fontes não especificadas figuram com 10,2% (4 fontes). O semanário “A Semana” contabilizou, no total, 21 fontes nas últimas edições do ano 2012. A fonte que aparece com maior percentagem no mês do dezembro são Indivíduos isolados com 57,1% (12 fontes); em seguida encontram-se as fontes governamentais que tiveram uma correspondência de 19% (4 fontes). As fontes não especificadas tiveram uma correspondência de 14,2% (3 fontes) e as instituições privadas e os jornalistas aparecem como fonte com uma percentagem de 4,7% (1 fonte) para cada um. 82/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação No capítulo das fontes, no que diz respeito aos textos jornalísticos, a assinatura das peças é um elemento muito importante que faz com que as notícias ganhem mais relevância e credibilidade. Identificar o autor do texto na maioria dos casos, quem assina os textos, é o autor da notícia. Mas, às vezes, é o redator quem assina, ou o editor, ou o subeditor, ou qualquer outro integrante da redação. O importante é que a assinatura informa ao leitor que aquele texto tem um autor. Diferente dos outros textos do jornal, sem identificação de autoria, nesses casos, entende-se que o autor é o próprio jornal. A vantagem da matéria assinada é que atribui mais credibilidade, aos olhos do leitor. Para entender a questão da assinatura das peças políticas no jornal “A Semana”, vamos analisar resultados contidos no gráfico 5. Gráfico 5 - Assinatura das peças no “A Semana” No “A Semana”, das 30 peças políticas publicadas durante o mês de Janeiro, 13 peças não foram assinadas e 17 foram assinadas. Das assinadas, 15 peças foram assinadas com nome completo, 2 foram com iniciais, de acordo com a tabela da figura 6 que se segue. No mês de Junho, 23 peças foram assinadas e 11 não tiveram assinaturas e das 23 peças assinadas, 3 foram com iniciais, 20 foram com nome completo. Já no mês de Dezembro, no total das 19 peças políticas, 13 peças foram assinadas e 6 não tiveram assinaturas. Das 13 assinadas, 9 foram assinadas com nome completo e 4 com iniciais dos nomes. 83/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráfico 6 - Assinatura das peças no “A Semana” Ainda continuando na temática das fontes, vamos analisar os gráficos 7 que contem os dados do jornal “Expressos das Ilhas”. Gráfico 7 - As fontes no “Expressos das Ilhas” O jornal “Expressos das Ilhas”, nas edições do Janeiro de ano 2012, obteve 40 fontes no total, sendo as fontes governamentais a que tiveram maior correspondência com uma percentagem 84/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação de 67,5% (27 fontes). O Indivíduos isolados como fonte alcançou 25% (10 fontes), enquanto as fontes não especificadas tiveram 5% (2 fontes) e as instituições privadas conseguiram 2,5% (1 fonte). No meio do ano, referindo-se ao mês do Junho, o semanário “Expressos das Ilhas” teve um acréscimo das fontes, conseguindo totalizar 60 fontes. E a fonte que teve maior frequência foram as fontes governamentais, com 45% (27 fontes), os jornalistas como fontes alcançaram 26,6% (16 fontes), o Indivíduos isolados conseguiram 21,7% (13 fontes) e as instituições privadas enquanto fonte atingiram 6,7% (4 fontes). No mês de Dezembro, o semanário vai registar uma diminuição de fontes nas peças que debruçam sobre a política, registando-se assim no total 34 fontes. A fonte com maior correspondência foram as fontes governamentais, com 73,5% (25 fontes); em seguida aparecem as instituições privadas, com 14,7% (5 fontes) e, por, fim os Indivíduos isolados como fontes alcançaram 11,8% (4 fontes). Para reforçar a nossa análise na questão das fontes também vamos analisar os dados dos gráficos 8 e 9 que contêm os dados que realçam a questão de assinatura das peças no jornal “Expressos das Ilhas”. 85/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráfico 8 - Assinatura das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” No jornal “Expressos das Ilhas”, das 35 peças referentes ao mês de Janeiro, 12 peças estiveram assinadas e 23 não foram assinadas. Entre as assinadas, todas (12) foram assinadas com o nome completo do jornalista. Em Junho, no total das peças políticas (40), 29 peças não tiveram assinaturas, 11 foram assinadas, sendo 10 assinadas com o nome completo do jornalista e apenas 1 com as iniciais do nome do jornalista. No mês de Dezembro, das 28 peças políticas 15 foram assinadas e 13 não foram assinadas. Das 15 assinadas, 2 tiveram assinaturas com as iniciais e 13 foram assinadas com o nome completo do jornalista. 86/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráfico 9 - Assinatura das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” Para finalizar as análises das fontes utilizadas nas peças políticas, analisaremos os dados do quadro 10, que correspondem ao semanário “A Nação”. Quadro 1 - As fontes no jornal “A Nação” Tipos de fontes utilizadas nas peças Janeiro Junho Dezembro Total= 1 Peças do jornalista (6,3%) Total= 1 Peças do Jornalista (4%) Total = 1Peça do jornalista (7,1%) Total= 6 fontes governamentais (37,5%) Total= 16 fontes governamentais (64%) Total = 7 fontes governamentais (50%) Total= 0 instituições Privadas (0%) Total= 0 fontes como instituições privadas (0%) Total = 0 fontes como instituição privada (%) Total = 3 fontes não especificadas (18,7%) Total= 5 fontes não especificadas (20%) Total = 3 fontes não especificadas (21,4%) sobre a política no jornal “A Nação” Peça do jornalista Fontes governamentais Instituições Privadas Fontes não especificadas 87/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Indivíduos isolados Total das fontes Total = 6 fontes como indivíduos isolados (37,5%) Total= 3 fontes como indivíduos isolados (12%) Total = 3 fontes como indivíduos isolados (21,4%) Total = 16 (100%) Total = 25 (100%) Total = 14 (100%) No jornal “A Nação”, durante o mês do Janeiro de 2012, foram utilizadas, no total 16 fontes, nas peças que abordavam temas sobre a política. A fonte que aparece com maior frequência no referido mês são as fontes governamentais, com 37,5% (6 fontes); com a mesma percentagem (37,5%) também aparecem os Indivíduos isolados enquanto fonte. As fontes não especificadas alcançaram 18,7% (3 fontes) e as outras fontes não tiveram correspondência. Em junho do mesmo ano, o semanário registou um acréscimo em relação ao número de fontes utilizadas nas peças sobre política, somando no total 25 fontes. A fonte com maior correspondência no referido mês são as fontes governamentais, com 64% (16 fontes); em seguida aparecem fontes não especificadas com 20% (5 fontes), os Indivíduos isolados como fontes alcançaram 12% (3 fontes) e os jornalistas obtiveram 4% (1 fonte) enquanto fonte. Nas últimas edições do jornal “A Nação”, no mês de dezembro o jornal contabilizou, no total 14 fontes. A fonte com maior predominância foram fontes Governamentais, com 50% (7 fontes). As fontes como Indivíduos Isolados e fontes não Especificadas obtiveram 21,4% cada um correspondente a 3 fontes para cada um e o jornalista como fonte aparece uma única vez no mês de Dezembro, com 7,1%. No jornal “A Nação”, os dados referentes à questão das assinaturas das peças políticas encontram-se nos quadros 2 e 3. Quadro 2 - Assinatura das peças sobre política no jornal “A Nação” Assinatura das peças sobre política no jornal “A Nação” Peças assinadas Janeiro Total Junho = 12 peça Total assinadas (90%) Peças não assinadas Dezembro = 11 assinadas (%) peça Total = 15 peça assinadas (%) Total = 1 peça não Total = 10 peça não Total = 2 peça não assinadas (10%) assinadas (%) 88/163 assinadas (%) Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Total Total = 13 (100%) Total = 21 (100%) Total = 17 (100%) Quadro 3 - Assinatura das peças sobre política no jornal “A Nação” Assinatura das peças sobre política no jornal “A Nação” Peças assinadas com iniciais Janeiro Total Junho = 1 assinadas peça Total = 0 peça assinadas com com iniciais (0%) iniciais (10%) Dezembro Total = assinadas 1 peça com as iniciais (10%) Peças assinadas com o nome completo Total = 11 (90 %) Total = 11 (100%) Total = 14 (90%) Total Total = 12 (100%) Total =11 (100%) Total = 15 (100%) No “A Nação”, das 13 peças políticas do mês de Janeiro, 12 peças foram assinadas e 1 não foi assinada. Entre as 12 assinadas, 11 foram assinadas com o nome completo do jornalista e apenas 1 foi assinada com as letras iniciais do nome do jornalista. Em Junho, no total de 21 peças políticas, 10 peças não foram assinadas; 11 tiveram assinaturas, sendo as 11 assinadas com o nome completo do jornalista. Já no mês de Dezembro, das 17 peças políticas 15 foram assinadas, 2 não foram assinadas. Das 15 assinadas, apenas uma teve assinatura com as iniciais e catorze foram assinadas com o nome completo do jornalista. Da mesma forma que as maiorias das notícias dos jornais impressos (“A Semana”, “Expressos das Ilhas”, “A Nação”) em Cabo Verde são provenientes das instituições estatais, as suas fontes também são provenientes dos mesmos. Os nossos semanários privilegiam as fontes governamentais em relação aos outros, raras são as situações que nós encontramos estes jornais a citarem especialistas sobre determinados assuntos como fontes. Devido a estas situações encontraremos principalmente notícias divulgadas de uma forma como que se fosse a perceção/ideologias dos governantes em relação a certos temas/assuntos. Situações estas 89/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação que, por vezes, podem levar os leitores a questionarem sobre veracidade da forma como um tal assunto foi abordado. Tendo em conta uma utilização excessiva das fontes governamentais em relação aos outros tipos de fonte, isso levou-nos a colocar a problemática da especialização no jornalismo. Para o líder parlamentar do PAICV, José Manuel de Andrade, “este é um grande desfio da comunicação social em Cabo Verde. É por isso que temos meios de comunicação a recorrer sempre a governos e políticos como suas fontes. De certeza, se tivéssemos jornalistas especializados em Cabo Verde, os órgãos de comunicação, na altura da preparação das suas notícias, saberiam bem qual a fonte melhor preparada para posicionar-se e pronunciar-se sobre determinados assuntos” (entrevistado a 17.02. 2013). Pois com esta afirmação mostra-se uma necessidade de ter profissionais da comunicação social especializados quanto as áreas de atuação, uma vez que, os especializados possam dar maior contributo sobre um determinado assunto devido ao domínio que este pode ter, fazendo com que um acontecimento possa ter uma abordagem com conteúdos mais ricos e esclarecedores, com diversas abordagens. Mas, de acordo com o editor executivo do jornal A Nação, José Vicente Lopes, “a falta de jornalistas especializados nos órgãos de comunicação social não é o grande problema de não haver notícias de grande qualidade: o jornalismo no seu todo tem um quadro legal definido, tem ainda limitações sobretudo materiais, financeiros porque a luta pela publicidade acaba por condicionar muitas vezes o exercício da actividade jornalística. São elementos que nós precisamos de ter em conta, mas o quadro está definido. Só não faz melhor quem não quer, isto também é um facto” (entrevistado a 25.01.2013). Pensamento este que recai sobre problemática das influências económicas e sustentabilidade financeira dos media 3.2.3 Tipologia de títulos predominantes É nos títulos que, na maioria das vezes identificamos as notícias e é através deles que atribuímos o grau de importância das peças jornalísticas antes de uma leitura; isto é, o índice de leitura de uma notícia depende da qualidade do título. O título é a chave de um texto jornalístico. É fundamental que resuma o que está no texto, que seja verdadeiro e que, além do mais, que seja bonito, atraente, de entendimento imediato ou provocativo. Apesar da intenção declarada de cativar o leitor, a regra de ouro de todo o título é nunca o enganar, prometendo em título mais do que aquilo que se tem para lhe oferecer. O resultado disso são 90/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação títulos gritantes e sensacionalistas que usurpam e frustram os leitores. O título deve respeitar rigorosamente o texto a que se reporta e nunca insinuar. Os títulos anunciam o texto jornalístico que encabeçam, e são neles que em primeiro lugar o leitor fixa atenção quando se debruça sobre as páginas de um jornal. O leitor típico vai viajando de título em título até encontrar algo que lhe prenda definitivamente a atenção, ou corresponda aos seus interesses quotidianos: aí detém-se, prosseguindo a leitura da notícia. Nenhum jornalista desconhece a importância da arte de titular e, também, as dificuldades que a construção de um bom título apresenta. Os títulos são sempre o mais delicado e o mais difícil de obter numa peça jornalística. Um bom truque consiste em deixá-lo para o fim, para depois de se ter concluído a peça, altura em que o jornalista domina perfeitamente o seu conteúdo. Existem vários tipos de títulos que são usados nos textos jornalísticos e nós seleccionamos alguns para serem identificados nas peças que debruçam sobre assuntos relacionados com a política nos três semanários em análise. Entre os títulos que seleccionamos para aplicar na análise das peças políticas nos jornais “A Semana”, Expressos das Ilhas” e “A Nação”, escolhemos os seguintes tipos de títulos: 1. Informativo (é o título que faz referências ao tema abordado, dá a informação sobre o acontecimento); 2. Apelativo (são os títulos lúdicos, exclamativos, com função expressiva: há jogos de palavras, trocadilhos, glosam frases conhecidas); 3. Interrogativo: normalmente, por regra, não se utiliza o ponto de interrogação num título; o jornal informa, responde às perguntas dos leitores, tira a limpo rumores e, portanto, não os veicula. A única possibilidade sempre excepcional de produzir um título interrogativo é quando o ponto de interrogação, em vez de se reportar ao conteúdo informativo da notícia, assinalando dúvida ou desconhecimento, tem propósitos estéticos. 4. Citativo (é quando temos como título frases citados por algumas fontes, por vezes, encontramos citação com ou sem aspas); 5. Implicado (refere-se ao título que emite opinião é crítico ou subjectivo); 91/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Para abarcarmos a questão dos títulos no jornal “A Semana”, vamos fazer uma análise descritiva dos dados do gráfico 10. Gráfico 10 - Tipo de título utilizada nas peças sobre política no jornal “A Semana” No semanário “A Semana”, nas seis edições do mês de Janeiro do ano 2012 contabilizou-se um total de 31 títulos nas peças que relatavam assuntos relacionados com a política. Os títulos informativos aparecem com mais frequência com 64,5%, correspondente a 20 peças com este tipo de título; em seguida, aparecem os títulos Citativos com 25,8%, obtendo 8 peças com títulos Citativos. O interrogativo apresenta-se com 6,5%, correspondente a 2 peças e o título Apelativo aparece em 3,2%, obtendo apenas 1 peça nas edições do mês do janeiro. No mês do junho de 2012, o jornal vai ter um ligeiro aumento de títulos, obtendo no total 39 títulos. O título informativo continua a predominar em relação aos outros, contendo 48,7%, que corresponde a 19 peças com títulos informativos; o título Citativo apresenta uma correspondência de 43,6%, obtendo 17 peças referentes a este tipo de títulos. Os títulos Implicado obtiveram 7,7% correspondente a 3 peças com títulos do tipo Implicado. Já no mês de dezembro do mesmo ano, o semanário “A Semana” apresenta-se nas bancas com 4 edições, tendo no total 19 títulos referentes às peças políticas. O título que aparece com maior predominância no referido mês são os títulos informativos com 73,7%, correspondente a 14 peças; em seguida surge, os títulos Implicados com 21%, com presença em 4 peças e os títulos Citativos obtiveram 5,3% com presença em apenas uma peça. 92/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Continuando a analisar a presença dos tipos de títulos utilizados nos semanários caboverdianos, vamos fazer uma breve análise do gráfico 11 que contem os dados do jornal “Expressos das Ilhas”. Gráfico 11 - Tipo de título utilizada nas peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” O jornal “Expressos das Ilhas”, nas 4 edições do mês do janeiro do ano 2012, teve no total de 33 títulos. Os títulos informativos apresentaram-se em 19 peças, com uma correspondência de 57,6%; em seguida, temos os títulos Implicados com 27,3% referente a 9 peça. Os títulos Interrogativos tiveram presença em 3 peças, obtendo assim 9,1%, os títulos Apelativos e Citativos figuram cada um com 3%, com presença em 1 peça. No mês do Junho, o jornal vai ter um aumento de números de títulos comparado com o mês de janeiro, totalizando 41 títulos. Os títulos informativos continuam a predominar, obtendo 70,7%, correspondente a uma presença em 29 peças; em seguida, figura-se os títulos Implicados, com 19,5%, marcando presença em 8 peças. Os títulos Citativos figuram com 4,9% com uma correspondência de 2 peças, enquanto os títulos Interrogativos e Apelativos obtiveram 2,4% cada um, correspondente a 1 peça. Já nas últimas edições do ano 2012, no mês de dezembro o “Expressos das Ilhas” teve uma diminuição do número de títulos, contabilizando no total 21 títulos referentes aos textos que abordavam assuntos relacionados à política. Os títulos Informativos continuam na predominância, obtendo 73,1%, com presença em 19 peças; os 93/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação títulos Citativos e Implicados aparecem cada um com 11,5%, com correspondência de 3 peças para cada. O título Interrogativo figura com a presença em 1 peça, obtendo 3,8% de presença no corpus analisado. Para finalizar as questões dos tipos de títulos utlizados nos semanários de Cabo Verde iremos analisar os resultados do gráfico 12, que contabilizam os dados do jornal “A Nação”. Gráfico 12 - Tipo de títulos utilizada nas peças sobre política no jornal “A Nação” 90,00% 80,00% 70,00% 60,00% Informativo 50,00% Apelativo 40,00% Interrogativo Citativo 30,00% Implicado 20,00% 10,00% 0,00% janeiro junho dezembro O jornal “ A Nação”, nas 4 primeiras edições do ano 2012, referindo-se ao mês de Janeiro, contabilizou um total de 12 títulos, um número muito menor do que os dois outros semanários (Expressos das Ilhas e o A Semana). À semelhança dos outros jornais, no “A Nação”, o título Informativo é o que predomina com uma percentagem de 58,3%, correspondente a 7 peças; o Citativo aparece em 25% das 3 peças com este tipo de título. Os títulos Interrogativos e apelativos figuram registando-se em 8,3%, com presença de 1 peça para cada um. Passando cinco meses, o semanário regista um ligeiro aumento de peças (títulos) referentes a assuntos políticos. No mês de Junho, o jornal obteve no total 21 títulos, sendo que dos 21 títulos, 15 correspondem aos títulos Informativos, contendo uma percentagem de 71,4%. Os títulos Implicados tiveram presença em 4 peças, obtendo 19% e os Interrogativos figuram em 9,5%, correspondente a 2 peças. Já nas suas últimas edições do ano 2012, o “A Nação” contabilizou um total de 17 títulos no mês de dezembro. O título que aparece com maior predominância no 94/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação referido mês são os títulos informativos, com 76,5%, correspondente a 13 peças, em seguida, surge os títulos Citativos, com 17,6% com presença em 3 peças e os títulos Implicados obtiveram 5,9% com presença em apenas uma peça. De uma forma geral, os títulos informativos predominam nas peças que abordam assuntos relacionados com a política nos três maiores semanários impressos em Cabo Verde. Também é preciso ter em conta até que ponto estes títulos noticiam/relatam a informação presente no título no decorrer dos textos. Nas análises efetuadas conseguimos observar que, em várias situações, estes títulos muitas vezes compatuavam da melhor forma em relação aos textos que acompanhavam, uma vez que, os títulos eram de uma certa forma “embelezados” que estimulavam uma certa ansiedade no leitor e ao analisar o corpo da notícia em si não encontrávamos de uma forma bem explicita a informação que se pretendia passar nos títulos. Uma das grandes fragilidades encontradas na questão dos títulos é a utilização, com frequência, de certos títulos que nelas levavam conteúdos, por vezes bastante tendenciosos, mostrando a postura dos jornais perante certos assuntos que contradiziam totalmente a linha editorial do jornal e a ética jornalística. 3.2.4 Destaque das peças jornalísticas sobre a política nos jornais Os textos jornalísticos normalmente são paginados e distribuídos dentro de um jornal, conforme o grau de relevância, ganhando ou não destaques no jornal. Para analisar as questões do destaque no jornal “A Semana”, vamos começar, primeiro pelas Manchetes; no quadro número 4 podemos observar os dados referentes às manchetes no ano 2012 no semanário. Quadro 3 - Política como manchete no jornal “A Semana” Janeiro Política Junho Dezembro como Total = 10 Manchete Total = 4 Manchete Total = 2 Manchete manchete no jornal (100%) (100%) “A Semana” 95/163 (100%) Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação O “A Semana”, nas 6 edições do mês de Janeiro de 2012, obteve, no total 10 manchetes, no mês do Junho do mesmo ano vai houver uma diminuição de manchetes com assuntos relacionados com a política, contabilizando, no total 4, manchete. Apesar de ter havido uma diminuição de manchetes no referido mês, época das eleições autárquicas, o jornal sempre possuía nas suas edições rubricas de “especial eleição”. Já nas suas últimas edições do ano 2012 (dezembro), o jornal teve apenas 2 manchetes em relação às questões políticas. No quadro 5, podemos analisar as peças que tiveram destaque como “chamada de 1ª página” no “A Semana”. Quadro 4 - Peças sobre política como “chamada de 1ª página no jornal A Semana Peças sobre política Janeiro Junho Dezembro como “chamada de 1ª Total = 10 Chamada Total = 17 Chamada Total = 7 Chamada de 1ª página (100%) de ª página de 1ª página (100%) página no jornal A (100%) Semana Já no que diz respeito aos assuntos políticos com “chamada de 1ª página no semanário, vamos encontrar 10 “chamadas de 1ª página” no jornal referente a Janeiro de 2012 e no mês de junho verificamos um aumento de “chamada de 1ª página” em relação às peças políticas, contabilizando no total 17 “chamadas de 1ª página”. No mês de Dezembro, identificamos uma diminuição de chamada de 1ª página no jornal “A Semana”, totalizando 7 “chamadas de 1ª página”. Continuando a analisar os destaques dados às peças políticas no jornal “A semana”, também analisamos a questão das posições que as peças políticas ocupam no jornal. O quadro 6 revela-nos em que página as peças políticas foram enquadradas. 96/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Quadro 5 - Posições em que as peças sobre política ocupam dentro do jornal “A Semana” Posições em que as peças sobre política ocupam dentro do Janeiro Junho Dezembro jornal “A Semana” 1ª Página Total = sobre 3 a Peças Total = 1 Peça sobre Total = 1 Peça sobre política a política (2,7%) a política (5%) (9,4%) Página Interior Total = 29 Peças Total = 36 Peça Total = 19 Peça sobre a Política sobre (90,6%) Ultima Página Total (0%) Total das peças = a Política sobre (97,3%) 0 Peças Total = a política (95%) 0 Peças Total (0%) = 0 Peças (0%) Total = 32 Peças Total = 37 Peças Total = 20 Peças (100%) (100%) (100%) No que tange à questão de enquadramento das peças políticas dentro do semanário “A Semana”, o jornal, no mês de Janeiro, contemplou 3 peças na 1ª página; 29 peças foram encaixadas na página interior e na última página não contemplou nenhuma peça sobre a política. Em Junho, das 37 peças sobre a política, o jornal contemplou apenas 1 peça na 1ª página e as restantes (36) foram integrados na página interior do jornal. Já no mês de Dezembro, das 20 peças políticas no jornal, uma peça foi integrada na 1ª página e 19 foram encaixadas na página interior. Ainda no que se refere aos destaques atribuídos aos textos noticiosos de natureza política dentro do jornal “A semana”, vamos analisar o enquadramento das peças nas páginas impar e par. Convém realçar que as páginas ímpares são tidas como páginas de maior peso do que as pares dentro de um jornal, devido à facilidade de visibilidade que elas apresentam. Para a análise desta questão, vamos fazer uma breve observação do gráfico 13 que possui os dados do jornal “A Semana” em relação as páginas ímpares e pares. 97/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráfico 13 - Posições de destaque que as peças sobre política ocupam no jornal “A Semana” Quanto à ocupação das páginas ímpares e pares das peças políticas no “A semana” no mês de Janeiro, 19 peças ocuparam páginas ímpares e 10 peças políticas preencheram páginas pares. Em Junho, das 54 peças, 26 foram destacadas nas páginas ímpares, 28 peças ocuparam páginas pares e, no mês de Dezembro, 17 peças ocuparam páginas pares, enquanto que nas páginas ímpares foram integradas 5 peças. E para finalizar a nossa análise quanto ao destaque dado aos textos políticos dentro do semanário “A Semana”, vamos analisar os resultados do quadro 7 que contém os dados referentes ao tamanho das peças políticas. Quadro 6 - Tamanho das peças sobre política no jornal “A Semana” Tamanho das peças sobre política no Janeiro Junho Dezembro jornal “A Semana” Número de Total = 421 Total = 362 Total = 222 parágrafos parágrafos parágrafos parágrafos Número de colunas Total = 147 colunas Total = 166 colunas Total = 71 colunas Quanto ao tamanho das peças políticas no “A Semana” no mês do Janeiro, durante as 6, edições as peças políticas obtiveram no total 421 parágrafos, 147 colunas e em Junho 98/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação consumaram no total 362 parágrafos, 166 colunas. Já nas 4 edições, durante o mês de Dezembro, contabilizou-se, no total, 222 parágrafos e 71 colunas. Analisando os destaques das peças políticas nos semanários impressos cabo-verdianos agora vamos centralizar a nossa observação sobre o jornal “Expressos das Ilhas”, iniciando-se pelo quadro 8 que possui os dados quanto às manchetes. Quadro 7 - Política como manchete no jornal “Expressos Das Ilhas” Janeiro Política Dezembro como Total = 3 Manchete Total = 6 Manchete Total = 4 Manchete manchete no jornal (100%) “Expressos Junho (100%) (100%) Das Ilhas” O “Expressos das Ilhas”, durante as 4 edições de Janeiro, contabilizou no total, 3 manchetes relacionados com peças políticas; no mês de Junho, teve um aumento, obtendo, no total, 6 manchetes das peças políticas nas suas edições. E, em Dezembro, obteve no total, 4 manchetes de assuntos relacionados a política. Para as questões de “chamada de 1ª página” no jornal “Expressos das Ilhas” vamos abordar os resultados do quadro número 9. Quadro 8 - Peças sobre política como “chamada de 1ª página no jornal Expressos Das Ilhas Peças sobre política Janeiro Total = 5 Chamada como “chamada de 1ª de 1ª página (100%) página no jornal Junho Total = 7 Chamada de ª página (100%) Dezembro Total = 7 Chamada de 1ª página (100%) Expressos Das Ilhas De acordo com os dados da tabela da figura 22, nas 4 edições do “Expressos das Ilhas” no mês de janeiro, o semanário obteve no total 5 “chamadas de 1ª página”, no mês de junho o semanário teve um aumento consumando assim 7 “chamadas de 1ª página” no total. Já nas suas últimas edições do ano 2012, referindo-se ao mês de Dezembro, o “Expressos das Ilhas contabilizou, no total, 7 “chamadas de 1ª página. 99/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Também quanto aos destaques dados às peças políticas no jornal “Expressos das Ilhas”, da mesma forma, examinamos a questão das posições que as peças políticas ocupam no jornal. O gráfico 14 relata em que página as peças políticas foram enquadradas. Gráfico 14 - Posições das peças políticas dentro do jornal “Expressos das Ilhas” O semanário “Expressos das Ilhas”, no mês de Janeiro, produziu 3 peças na 1ª página, 35 peças foram empregadas na página interior e na última página não obteve nenhuma peça política. Já em Junho, das 39 peças políticas, o jornal empregou apenas 1 peça na 1ª página e nas páginas interiores publicou 38 peças, no mês de dezembro, sendo que 1 peça foi enquadrada na 1ª página e 31 foram colocadas na página interior. Quanto ao enquadramento destacado nas páginas ímpares e pares no “Expressos das Ilhas”, vamos analisar os dados do gráfico 15. 100/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráfico 15 - Posições de destaque que as peças sobre política ocupam no jornal “Expressos das Ilhas” O enquadramento dos textos sobre a política, quanto as páginas ímpares e pares no jornal “Expressos das Ilhas”, durante o mês de Janeiro, 15 peças tiveram enquadramento nas páginas ímpares; 21 foram enquadradas nas páginas. Em Junho, das 40 peças, 20 preencheram as páginas pares. Também as páginas ímpares foram ocupadas por 20 peças. No mês de Dezembro, 6 peças ocuparam as páginas ímpares enquanto nas páginas pares foram publicadas 36 peças. Finalizando a nossa análise sobre o destaque dado aos textos políticos dentro do jornal “Expressos das Ilhas”, os resultados do quadro 10 que contém os dados alusivos ao tamanho das peças políticas. Quadro 9 - Tamanho das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” Tamanho das peças sobre política no jornal Janeiro Junho Total= 315 Total= Dezembro “Expressos Das Ilhas” Número de parágrafos Número de colunas 531 Total= 386 parágrafos parágrafos parágrafos Total = 173 colunas Total = 193 colunas Total = 179 colunas 101/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação No que diz respeito ao tamanho das peças políticas no semanário “Expressos das Ilhas” no mês do janeiro, as peças políticas fizeram um total de 315 parágrafos, 173 colunas durante as 4 edições e em Junho completaram no total 531 parágrafos, 193 colunas. Já nas 4 edições do mês de dezembro registou-se, no total, 386 parágrafos e 179 colunas. Para finalizarmos as questões de destaques atribuídos aos textos jornalísticos dentro dos 3 principais semanários impressos no país, fechamos esta questão com uma breve análise no jornal “A Nação”, começando pela análise do quadro 11, que contém os dados das manchetes no jornal. Quadro 10 - Política como manchete no jornal “A Nação” Janeiro Política Junho Dezembro como manchete no jornal Total = 2 Manchete Total = 6 Manchete “A Nação” (100%) Manchete 4 (%) (100%) Durante o mês de Janeiro de 2012, o jornal “A Nação” conseguiu, no total, 2 manchetes. Já no mês do junho, houve um aumento de manchetes com conteúdos relacionados com a política, registando, no total, 6 manchetes. Nas últimas edições do ano 2012 (dezembro), o jornal teve apenas 4 manchetes relacionados com questões políticas. No quadro seguinte, podemos analisar os textos que tiveram destaque com “chamada de 1ª página” no semanário “A Nação”. Quadro 11 - Peças políticas como “chamada de 1ª página no jornal “A Nação” Janeiro Peças Junho Dezembro políticas como “chamada de Total = 2chamada Total = 2 chamada Total = 2 chamada 1ª página no jornal de 1ª página (100%) de 1ª página (100%) de 1ª página (100%) “A Nação” Quanto aos assuntos políticos como “chamada de 1ª página” no “A Nação”, vamos encontrar no mês de janeiro dois artigos; no mês de junho também obteve 2 “chamada de 1ª página”. No 102/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação mês de Dezembro, em relação às peças políticas, o jornal publicou um total de dois artigos com “chamada de primeira página”. No que respeita aos destaques dados às peças políticas do jornal “A Nação”, observamos a questão das posições que as peças ocupam no jornal. O gráfico 16 descreve em que páginas as peças políticas foram encaixadas. Gráfico 16 - Posições em que as peças sobre política ocupam dentro do jornal “A Nação” O “A Nação” não publicou nenhuma peça na 1ª página no mês de Janeiro. As 13 peças foram todas empregadas na página interior e na última página não obteve nenhuma peça sobre a política. Em Junho, também o jornal não destacou nenhuma peça sobre política na 1ª página e nas páginas interiores enquadrou 20 peças. No mês de dezembro, nenhuma peça foi enquadrada na 1ª página e foram colocadas 17 peças na página interior. Já no que diz respeito ao enquadramento destacado nas páginas ímpares e pares no semanário “A Nação” vamos analisar os dados contidos no quadro 13. 103/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Quadro 12 - Posições de destaque que as peças sobre política ocupam no jornal “A Nação” Posições de destaque que as peças sobre política ocupam no Janeiro jornal “A Nação” Junho Dezembro Página Impar Total = 5 peças ocuparam páginas ímpares (38,5%) Total = 8 peças ocuparam páginas pares (61,5%) Total = 4 peças ocuparam páginas ímpares (20%) Total = 16 peças ocuparam páginas pares (80%) Total = 5 peças ocuparam páginas ímpares (29,4%) Total = 12 peças ocuparam páginas pares (70,6 %) Total = 13 peças (100%) Total = 20 peças (100%) Total = 17 peças (100%) Página par Total de peças No que tange à ocupação das páginas ímpares e pares das peças políticas no jornal “A Nação”, 5 peças preencheram páginas ímpares no mês de janeiro e 8 peças sobre a política ocuparam páginas pares. Em Junho, 4 peças foram destacadas nas páginas ímpares, 16 peças preencheram páginas pares e no mês de dezembro 12 peças ocuparam páginas pares enquanto nas páginas ímpares foram publicadas 5 peças. Para terminarmos a nossa análise ao destaque dado aos textos políticos dentro dos três principais semanários no país, vamos analisar os resultados do quadro 14 que contem os dados referentes ao tamanho das peças políticas no jornal “A Nação”. Quadro 13 - Tamanho das peças sobre política no jornal “A Nação” Tamanho das peças sobre política no Janeiro Junho Total= 122 Total= Dezembro jornal “A Nação” Número de parágrafos Número de colunas 256 Total= 211 parágrafos parágrafos parágrafos Total = 71 colunas Total = 124 colunas Total = 99 colunas 104/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação No “A Nação, quanto ao tamanho das peças políticas durante as edições do mês de Janeiro, estas obtiveram um total de 122 parágrafos, 71 colunas e em Junho consumaram um total de 256 parágrafos, 124 colunas. Já nas 4 edições durante o mês de dezembro registou-se, no total, 211 parágrafos e 99 colunas. No que tange à questão do destaque dado às peças políticas dentro dos três semanários caboverdianos em análise, podemos constatar que são-lhes atribuídos grandes destaques dentro dos jornais e são priorizados em relação aos outros temas abordados no jornal. As matérias/peças políticas ocupam a maior parte das páginas dos jornais, e ocupam posições destaque nas páginas dos jornais e na maioria das vezes são acompanhados por fotografias. As peças políticas nas páginas de destaque dos jornais só perdem em relação às publicidades das grandes empresas (ex:1ª e última página etc.). A política é o tema de maior predominância dentro dos três maiores semanários em Cabo Verde (A Semana, A Nação, Expressos das Ilhas). Para justificar o destaque dado aos assuntos políticos nos jornais tomemos a seguinte afirmação da directora do jornal A Semana Filomena Silva, concedida numa das nossas entrevistas, no dia 8 de março de 2013: “O jornalismo como diversas ciências sociais tem de tudo, diversos graus, níveis, uns mais ligados do que outros, porque o jornalismo da informação se faz com isso, com política, casos sociais, há outros que preferem dar mais enfâse às questões económicas. Eu acho que há uma certa mistificação de pessoas, normalmente estudiosos e académicos que nunca frequentaram redação, nunca estiveram perto de um jornal e acabam como uma certa mistificação de que o jornalismo cabo-verdiano está colado a política, mas a minha pergunta é que jornalismo não está colado a política? O jornalismo é uma ciência social que retrata as relações humanas, assim como as relações de poder e a política faz parte do dia-a-dia do jornalismo e o jornalismo deve acompanhar e ter o político como uma parte essencial da democracia, da liberdade de expressão, da governação, porque nós precisamos da política para podermos desenvolver o nosso futuro, para consolidar o nosso presente e olhar sem misticismo e sem complexo a nossa realidade. O jornalismo não vive sem a política e a política não vive sem o jornalismo. Cada um com um grau mais ou menos de dependência”. De uma forma geral, os profissionais de comunicação afirmam que é impossível fazer o jornalismo no país sem que os temas de domínio sejam a política. E, para o director-executivo do jornal A Nação quando confrontado com a problemática da política ocupar posições de destaques e domínio em relação aos outros temas nos jornais, ele faz a seguinte afirmação: “Quem tentar fazer diferente não vai ter sucesso. Tudo é político na vida 105/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação e Cabo Verde é um país pequeno onde o distanciamento entre a política e a realidade é mínimo. Tudo em Cabo Verde está politizado e o jornalismo não pode ser diferente, o jornalismo não pode fugir da realidade cabo-verdiana até um jogo de futebol é politizado imagina o jornalismo portanto”. Das entrevistas feita aos profissionais de comunicação, estes realçam que a política é o prato mais forte e mais apreciado pelos cabo-verdianos, apesar dos cidadãos reclamarem/criticarem esta situação da política dominar os espaços noticiosos. 3.2.5 Natureza dos discursos Pela ética jornalística, os textos devem ser sempre imparciais e objectivos; isto é, ser neutro, não tomando partido. Mas é preciso realçar que infelizmente nem sempre isto acontece na prática, sendo que hoje podemos observar cada vez, com maior frequência, nos jornais, alguns textos jornalísticos em que os profissionais de comunicação ao escreverem os textos noticiosos de uma forma implícita ou explícita, premeditem um certo ângulo de conotação aos textos noticiosos. Em alguns destes casos, os textos jornalísticos apresentam uma tonalidade positiva ou negativa. Na nossa análise do ângulo de abordagem atribuído aos textos jornalísticos que relatam os assuntos políticos, determinamos três ângulos de abordagem: Neutra (se o que se disser for no sentido da configuração do próprio acontecimento, com objectividade, sem tonalidade); Positiva (discurso com tonalidade positiva, quando se sobrevaloriza incondicionalmente o significado do acontecimento, e se evitam obstáculos omitindo-os); Negativa (discurso de tonalidade jornalística negativa, quando se subvaloriza incondicionalmente o acontecimento e se destacam os obstáculos); Para a nossa análise, quanto ao ângulo de abordagem, vamos começar a analisar os dados do gráfico 17 que possui os dados relativos ao semanário “A Semana”. 106/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Grafico 17 - O tom das abordagens das peças sobre política no jornal “A Semana” No jornal “A Semana” durante as edições de Janeiro de 2012, contabilizamos um total de 31 peças relacionadas com as questões políticas. Das 31 peças, 16 tinham um ângulo de abordagem com tonalidade neutra, obtendo assim uma percentagem de 51,6%, com tonalidade positiva conseguimos identificar 10 peças, correspondentes a 32,3%. E com tonalidade negativa, identificamos 5 peças, contendo 16,1%. Nas edições de junho do mesmo ano, o jornal obteve um total de 38 peças relacionadas com a política, sendo 18 peças com uma tonalidade de abordagem neutra, 13 peças possuíam um ângulo de abordagem com tonalidade positiva e 7 peças figuram com tonalidade negativa, quanto ao ângulo de abordagem. Nas últimas edições do ano 2012, referindo-se ao mês do Dezembro, o “A Semana” teve no total 19 peças, 11 peças possuíam ângulos de abordagem neutra correspondente a 21,1%, 4 peças obtiveram uma abordagem com tonalidade positiva, obtendo 21,1% com a mesma correspondência também figurou a bordagem com tonalidade negativa. Continuando com as abordagens quanto à tonalidade atribuída às peças políticas nos jornais, agora vamos analisar o gráfico 18, que possui os dados do jornal “A Nação”, 107/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráfico 18 - O tom de abordagens das peças sobre a política no jornal “A Nação” O semanário “A Nação” obteve, no total, 13 peças nas edições do mês de janeiro do ano 2012, 9 peças aparecem com ângulo de abordagem numa tonalidade neutra correspondendo a 69,2%. Com tonalidade positiva figura-se 1 peça que corresponde a 7,7%, enquanto que peças com uma bordagem de tonalidade negativa identificamos 3 peças, obtendo assim 23,1%. Passando cinco meses, o jornal “A Nação”, em Junho, obteve no total 21 peças com assuntos políticos. Delas 21 peças 18 teve uma abordagem com tonalidade neutra, possuindo 85,7% e as restantes 3 peças figuram com uma abordagem em tonalidade negativa obtendo 14,3%. Nas últimas edições de dezembro de 2012, o “A Nação”, obteve, no total, 17 peças relacionadas com a política; 82,4% (14 peças) das peças tiveram uma abordagem neutra, 11,8% (2) aparecem com tonalidades de abordagem negativa e 5,8% (1peça) teve abordagem positiva. Para finalizar quanto ao ângulo da abordagem atribuído aos textos políticos nos semanários em Cabo Verde vamos analisar o gráfico19, que contém os dados relativos ao jornal “Expressos das Ilhas”. 108/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Gráfico 19 - O tom das abordagens das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” O semanário “Expressos das Ilhas”, no início do ano 2012, referindo-se ao mês de Janeiro, teve um total de 35 peças que abordavam assuntos relacionados com a política. Entre as 35, peças 21 possuíam um ângulo de abordagem com tonalidade neutra, obtendo uma percentagem de 60%, e as bordagens com tonalidade negativa tiveram 34,3%, correspondente a 12 peças. E, com um ângulo de abordagem de tonalidade positiva identificamos 2 peças, com uma correspondência de 5,7%. No mês do junho o “Expressos das Ilhas” obteve no total 39 peças com assuntos políticos e as peças com abordagem de tonalidade neutra teve maior predominância, obtendo 61,5% correspondente a 24 peças. E as peças com tonalidade negativa aparecem com 33,3%, possuindo 13 peças, com 5,1% figura as peças com uma abordagem de tonalidade positiva, obtendo 2 peças. Nas 4 últimas edições do ano 2012 (dezembro), o jornal totalizou 27 peças com assuntos políticos. As peças com uma abordagem de tonalidade neutra figuram com 66,7%, correspondente a 18 peças, e as de tonalidade negativa obtiveram 33,3% contendo 9 peças. É preciso realçar que das análises feitas nos três semanários, quanto à abordagem de tonalidades atribuídas nas peças que relatavam assuntos políticos, quando o jornal “A Semana” relata notícias de tonalidade positiva, normalmente, procura enaltecer as acções do governo ou do partido que sustenta o poder executivo (PAICV); raros são os casos de excepção neste sentido. Para melhor entender esta problemática tomemos as seguintes afirmações da Filomena Silva, directora do jornal: “não vejo nenhum mal nisso; isto acontece em todo o lado; por exemplo, nós assistimos quando, o jornal New York Times proclamou que 109/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação é para eleição Obama. Os jornalistas são cidadãos. Não existe nenhum jornalismo imparcial, isto já seria cientista. O jornalismo faz a sua leitura e dá aos cidadãos elementos para descodificarem. Dizer que um jornal é ligado à esquerda não vejo mal nenhum nisso, A Semana sim é um jornal ligado a esquerda, mas isto não quer dizer que todos os jornalistas do jornal se identificam com os ideais da esquerda. E se isso coincide com um partido de esquerda otimo, mas isto não quer dizer o fato de termos a mesma matriz que estejamos sempre de acordo. Por exemplo, nós encontramos em França jornais como Le Monde, Liberation, entre outros, que estão ligados a certos partidos. Seria mesmo hipocrisia dizer que não se identifica com um tal partido. O correto é garantir a pluralidade e se identificar. Eu posso afirmar sim que o “A semana” é próximo do PAICV, pois o jornal é próximo dos ideais de esquerda. É difícil afirmar estas posições publicamente, mas estão bem visíveis as posições tomadas é basta analisar os editoriais”. Situação, esta que reforça certas ideias e afirmações de que o jornal “A semana” é fortemente conotado como um órgão de ideologias do PAICV. Já quanto às abordagens negativas, coincidência ou não, na maioria das peças com este ângulo de abordagem são textos que tecem fortes críticas aos assuntos relacionados com o actual maior partido de oposição do país, MPD, normalmente referente às Câmaras Municipais, dirigidas pelo MPD. Para reforçar ainda mais esta ideia, tomemos a seguinte afirmação do líder parlamentar do MPD, numa entrevista concedida a nossa investigação: “Neste momento, em Cabo Verde, em relação à imprensa escrita, o que nós temos é uma imprensa partidária e não uma imprensa independente, enquanto a rádio e a televisão pública transformaram-se em grandes porta-vozes do governo em vez de serem porta-vozes dos cidadãos/sociedade civil. O papel do jornalismo na política em Cabo Verde tem sido mais vozes dos partidos do que propriamente vozes da verdade. Considero que neste momento o problema do jornalismo em relação à política não é tanto um problema de criação de condições legais, acima de tudo uma questão de atitude, atitude dos jornalistas e também da classe política mais concretamente de quem está no poder”. Afirmações estas e problemáticas que ao abordamos o jornalista do jornal “Expressos das Ilhas”, Jorge Montezinho, ele argumenta com as seguintes afirmações, “Muitas vezes conotam-se o “Expressos das Ilhas” com o MPD e o A Semana e A Nação com o PAICV. Eu por Expressos das ilhas posso falar: ninguém nunca nos pressionou a escrever notícias contra o governo. Tentamos ser um jornal o mais independente possível e ser independente é isto é estar a fazer marcação cerada àquilo que o governo está a fazer, mas também aquilo que a oposição também está a fazer, porque a política não é só o governo o parlamento e a maioria. Também há a oposição e a oposição também tem que trabalhar e os 110/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação jornalistas têm que estar vigilantes em relação ao trabalho da oposição. O jornalismo tem de ser feito com factos, com dados, com documentos e não baseado no “diz-se, diz-se”, que é o que se faz muito em Cabo Verde. Em Cabo Verde a situação que passa é isto: temos um órgão que tenta ser independente, tenta ser vigilante e temos órgãos que passam mensagens oficiais de governo sem interpretar essa mesma mensagem, o que faz com que estejamos a manipular as pessoas no fundo”. Já, o A Nação, nas edições analisadas, tenta se mostrar como um jornal que está a procurar manter uma certa independência, ora fazendo algumas peças que de uma certa forma beneficia uma e outra ala política, mas tem estado a produzir algumas notícias que, de uma certa forma, aparenta que são baseados em informações não confirmadas e com algumas suposições, o que não é uma boa prática no jornalismo. Para o jornalista do jornal A Nação, Daniel Almeida quando confrontado numa das nossas entrevista com a problemática da aproximação dos órgãos de comunicação social em Cabo Verde a certos partidos políticos, “são os partidos políticos que dizem isso; eu não considero que pode haver situações mais ou menos dúbias, mas acho que não é nada de peso os partidos políticos que quando estão em dificuldades tentam lançar estas farpas, nomeadamente aos órgãos privados, dizendo que tal órgão está mais próximo do partido A ou B, mas de uma forma geral, os jornais tentam fazer os seus trabalhos com uma certa independência”. Afirmações que contradizemos, pois, das análises que efetuamos dos jornais, mostra-se uma clara tendência dos jornais a certos partidos e ainda reforçada com a seguinte afirmação do investigador e director-executivo do jornal “A Nação”, José Vicente Lopes: “no estrangeiro também acontece isso. Nós não estamos a inventar nada de novo” questionado o porquê dos órgãos não assumirem esta relação responde, “eles têm dificuldade, é verdade: tudo tem a ver com a tradição a que pertence o jornalismo cabo-verdiano. O posicionamento ideológico dos órgãos de comunicação nos países anglo-saxónicos é claro e os demais países, nomeadamente, Portugal de onde recebemos a maior influência há ainda o culto de isenção e distanciamento. Os outros países não, sobretudo, nos períodos eleitorais os órgãos de comunicação social assumem abertamente qual é o partido que apoia. Aqui em Cabo Verde não há essa pratica e eu prefiro o modelo cabo-verdiano do que o modelo anglo-saxónico, o que não quer dizer que cada um não pode fazer o seu tipo de influência até porque os leitores não são carneiros. Se um jornalista vai votar num partido “A” esse candidato não ganha necessariamente as eleição. Aqui, em Cabo Verde houve um órgão, apesar de ser incipiente, tentou fazer isso e não teve grande sucesso. Por exemplo, o Jornal Terra Nova já chegou a dizer: meus caros leitores, 111/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação votam no partido ou candidato tal e nem por isso essa indicação teve correspondência de votos na urna: Há uma coisa que eu digo a todo mundo que lê jornais: é que as pessoas tem a capacidade de infiltrar as mensagens que os media vão lhe proporcionar no dia-a-dia, porque as próprias pessoas fazem a sua análise e se a indicação que o texto jornalístico faz não corresponde com à perceção que a pessoa tem, a pessoa simplesmente trava essa indicação ou essa influenciação”. Posicionamento, este que reforça a ideia que conseguimos chegar das análises feitas aos três maiores semanários em Cabo Verde que, de uma certa forma, estão conotados ou tomam partidos por certas ideologias partidárias. 112/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Conclusão Das investigações e estudos realizados, é chegado o momento de tirar conclusões resultantes do nosso trabalho de pesquisa. Para a realização deste trabalho, traçamos alguns objectivos a serem atingidos que condensam na motivação de responder algumas questões à volta das relações estabelecidas entre os órgãos de comunicação social e o poder político, com focagem nos principais jornais impressos de Cabo Verde (A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação). De um modo geral, propúnhamos examinar a prática da actividade jornalística nos semanários de Cabo Verde e analisar as relações entre o poder mediático e o político no nosso país. Como fruto desta nossa investigação, conseguimos formular algumas conclusões acerca do nosso objecto de estudo. No que tange ao exercício do jornalismo, na sua relação com o poder político em Cabo Verde, notamos que a falta de sustentabilidade financeira e a interferência dos poderes políticos são um dos maiores obstáculos ao exercício da profissão. Da mesma forma, conseguimos notar que existe uma certa relação de proximidade entre os semanários que analisamos e os partidos políticos, havendo um domínio dos políticos sobre a agenda dos mesmos. Concluímos que esta relação entre os dois é forte e que apresenta uma dicotomia: identificamos nela tanto uma relação de proximidade como também de conflito. Também 113/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação constatamos que os problemas de equipamentos e formação especializada dos quadros são os grandes desafios que os meios de comunicação social têm para ultrapassar. Relativamente aos outros objectivos traçados, nomeadamente o de perceber até que ponto o jornalismo cabo-verdiano segue a agenda política e como a influência política pode interferir ou pôr em causa a qualidade das informações e do jornalismo, concluímos que o nosso jornalismo está altamente partidarizado, de forma que os jornais da nossa praça são considerados órgãos de certos partidos políticos. Isto ficou fundamentado no facto de as notícias analisadas, quanto à natureza dos discursos, que os três maiores semanários do país são bastante tendenciosos no que se refere às notícias sobre a política. Isto é, existe um índice muito elevado de textos com tonalidades positivas e negativas quanto ao ângulo de abordagem nas notícias com conteúdos relacionados à política. As situações registadas contrariam a ética jornalística, segundo a qual o trabalho jornalístico deve ser imparcial. No jornal “A Semana”, conseguimos identificar que durante o mês de Janeiro do ano 2012, das trinta e uma peças publicadas sobre a política, 32,3% tinham um grau de abordagem com tonalidades positivas, 16,1% correspondiam a tonalidades negativas e apenas 51,6% das peças sobre a política correspondiam a um ângulo de abordagem neutro. Também conseguimos analisar que quando o jornal faz abordagens positivas dos textos, normalmente, são na maioria sempre para exaltar as acções do governo ou do PAICV. Já, quanto ao semanário “Expressos das Ilhas”, apuramos que, das 39 peças sobre a política publicadas durante o mês de Junho do ano 2012, 33,3% tinham um ângulo de abordagem com tonalidade negativa, 5,1% das peças tinham um ângulo de abordagem positiva e 61,5% das peças sobre a política correspondiam a abordagens de tonalidade neutra. Os textos que possuíam um ângulo de abordagem negativa no “Expressos das Ilhas”, normalmente, teciam duras críticas ao governo e as acções do PAICV; quanto às notícias com tom positivo, constatamos que o jornal procura enaltecer as acções do MPD e dos municípios dirigidos por esse partido. No jornal “A Nação”, das 13peças publicadas sobre a política durante Janeiro do ano 2012, 23,1% tinham um ângulo de abordagem com tonalidade negativa, 7,7% correspondiam a tonalidades positivas e 69,2% das peças sobre a política obtiveram uma abordagem neutra. Das notícias analisadas, conseguimos apurar que o “A Nação”, de uma certa forma, procura ser independente, mas por vezes publica notícias tendenciosas em relação a uma e outra 114/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação ideologia partidária. Situações estas que os próprios políticos reconhecem e afirmam que estes jornais funcionam como “porta-vozes” e simples mensageiros das mensagens dos partidos ou agentes políticos. De acordo com Elísio Freire, “a imprensa escrita que nós temos em Cabo Verde é uma imprensa partidária e o papel do jornalismo na política em Cabo verde tem sido mais vozes dos partidos do que propiamente vozes da verdade” (entrevistado a 07.03.2013). Ainda o então líder parlamentar do PAICV, “o grosso da comunicação social são fatos políticos que estão relacionados com as actividades dos órgãos do Estado e partidários, nesta perspectiva entende-se que a comunicação social queira transmitir uma certa tendência favorável a um lado ou a outro. Há alguma tendência clara de posicionamento em função das convicções políticas dos jornalistas” (José Manuel Andrade: entrevistado a 17.02.2013). Convém realçar que a politização da comunicação social, a interferência da política, a autocensura dos próprios jornalistas nos assuntos mediáticos junto da fraca capacidade económica dos órgãos de comunicação social, são os grandes embaraços ao funcionamento no dia-a-dia do jornalismo em Cabo Verde, sobretudo dos jornais impressos. Ainda, a esta problemática, podemos destacar e adicionar os escassos incentivos e investimento nesta área como a acção dos governantes. Também identificamos que esta influência, interferência dos políticos nos assuntos mediáticos e a partidarização da imprensa tem sido um dos principais entraves a efetivação da liberdade de imprensa, juntando a isso a fraca capacidade financeira. Deste modo, podemos certificar que o jornalismo em Cabo Verde está mais atento aos aspectos políticos, o que, de certa forma, nos leva a dizer que o nosso jornalismo está ao serviço da classe política, em especial, dos governantes. Podemos acrescentar a esta conclusão que a imprensa nacional está partidarizada, situação esta que tem impedido avanços dos sectores mediáticos e do país. Nestas situações, como consequência, teremos uma fraca prestação do serviço público nos media, restritamente nos três principais semanários, de um certo modo, ignorando um jornalismo ao serviço da sociedade, centrando as suas abordagens à volta das elites políticas e económicas. No que concerne a um outro objetivo desta nossa investigação, que é analisar as relações estabelecidas entre os media e as suas fontes, podemos notar que esta questão tem sido um 115/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação dos principais problemas que os media em Cabo Verde têm enfrentado, pois ter acesso às fontes não tem sido uma tarefa fácil para os jornalistas. Em Cabo Verde, há um certo receio das instituições em fornecer informações aos órgãos de comunicação social. Isto é, existe uma fraca cultura mediática nas instituições. Também, conseguimos identificar que existe um certo domínio dos políticos como fontes sobre os órgãos. Isto ficou revelado das analises que efetuamos das peças sobre a política nos jornais, “Expressos das Ilhas”, “A Nação” e o “A Semana”, onde as fontes governamentais apresentavam-se em maior percentagem do que as restantes. No jornal “Expressos das Ilhas”, das 34 (100%) fontes existentes nas publicações do mês de Dezembro, 73,5% correspondia a fontes governamentais; em seguida, aparece as instituições privadas como fonte, com 14,7%; depois, temos as demais fontes com uma percentagem menor ainda. Em relação ao jornal “A Nação”, no mês de Junho as fontes governamentais também aparecem com maior percentagem (cerca de 64%), seguido de indivíduos isolados como fontes, com 12%. No semanário “A Semana” também as fontes governamentais dominam em relação às outras. Por exemplo, no mês de Janeiro, as fontes governamentais predominam com 48,5%; seguidamente, aparecem os indivíduos isolados como fontes em cerca de 34,2%. Em muitos casos, a falta de jornalistas especializados tem condicionado nas escolhas das fontes mais adequados para a realização de certas matérias. De uma certa forma, as instituições figuram-se como barreiras aos jornalistas na busca dos dados na produção da sua notícia, postura esta que que vai contra um dos direitos do exercício do jornalismo, que é o de acesso às fontes e que põe em causa a liberdade de imprensa. Inicialmente traçamos a hipótese de que o jornalismo cabo-verdiano é politizado, porque os media não possuem uma agenda própria que beneficia o serviço público, servindo mais a classe política do que os cidadãos. Hipótese esta que confirma, uma vez que, das análises aos jornais, conseguimos apurar que mais de 70% das páginas dos jornais são preenchidos com notícias sobre a política. No jornal “A Semana”, durante as edições de Janeiro do ano 2012, disponibilizou-se 421 parágrafos e 147 colunas para as notícias sobre a política. Já o semanário “Expressos das Ilhas”, das 4 edições no mês do Junho do ano 2012, 531parágrafos e 193 colunas foram ocupadas com notícias relacionadas a política. O “A Nação”, nas suas edições de Dezembro do ano 2012, dedicou 211 parágrafos e 99 colunas às notícias sobre a política. Ainda conseguimos averiguar que a grande maioria das notícias publicadas sobre a política era proveniente das conferências de imprensa ou dos comunicados dirigidos aos órgãos de comunicação social. De acordo com J. Martins e Joaquim Caetano (2009:89) “a 116/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação agenda política de um órgão de comunicação social é definida, na maioria das vezes, por agendamentos anunciados pela Assessoria de Imprensa”. A questão da agenda tem sido um dos maiores problemas dos media. Notamos que os órgãos de comunicação em Cabo Verde mostram-se incapazes de criarem as suas próprias agendas e de definirem, com frequência, a agenda pública. Os órgãos em Cabo Verde e as notícias giram em torno da agenda oficial, situação estas que reforçam as afirmações de que os meios de comunicação social no nosso país andam a “reboque” das instituições políticas. Sabendo que os media mostram-se incapazes de construir as suas próprias agendas, depara-se com a figura de um “quarto poder” muito frágil nos nossos meios de comunicação social. A politização das informações tem como consequência a “descredibilidade” da informação, porque os cidadãos perdem a confiança na veracidade do que os jornalistas divulgam. 117/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação 118/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Bibliografia Traquina Nelson-, Cabrera Ana, Ponte Cristina, Santos Rogério O Jornalismo Português Em análise de Casos -Caminho-2001 Lopes Évora Silvino- Concentração dos Media e Liberdade de Imprensa-2011- -Minerva Coimbra; Oliveira Fernando Paulino Responsabilidade Social Da Mídia-2009- -Brasília: Casa Das Musas; Pinto Manuel e Marinho Sandra Os Media em Portugal nos primeiros cinco anos do séculoXXI-2008- (org) -Campo Das Letras; Ramonet Ignacio A Tirania da Comunicação-1999- -Campos Das Letras; Traquina Nelson- O que é Jornalismo- 2ª edição 2007- -Quimera Editores,Lda.; Bertrand Claude-Jean -A Deontologia Dos Media- -Minerva Coimbra-2002; Cornu Daniel Jornalismo e Verdade Para Uma Ética da Informação-1994- Epistemologia e Sociedade; McQuail Denis Fidalgo Joaquim O Jornalista em Construção- -PORTO EDITORA 2008 Teoria da Comunicação de Massas- -Fundação Gulbenkian-2003 Leclerc Gérard -A Sociedade de Comunicação -Epistemologia e Sociedade-1999; 119/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Lagardette Jean Luc Martin - Manual da Escrita Jornaística-editora Pregaminho- 1998Lisboa; Correia Fernando -Os jornalistas e as Notícias -Caminho-1997-Lisboa Sousa Jorge Pedro-Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação e da Mídia-2004 - Letras Contemporâneas; HACKETT, Robert A. 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01/06/2012 07/12/2012 jornal “A 1 Manchete (10%) 1 Manchete (25%) 2 Manchete (100%) Edição Edição Semana” Edição nº 1014 nº 1046 17/02/2012 05/06/2012 14/12/2012 2 Manchete (20%) 1 Manchete (25%) 0 Manchete (0%) Edição Edição Edição nº 1076 nº 1015 nº 1047 20/02/2012 12/06/2012 21/12/2012 1 Manchete (10%) 0 Manchete (0%) 0 Manchete (0%) Edição Edição nº 1016 nº 1048 28/12/2012 2 Manchete (20%) 1 Manchete (25%) 0 Manchete (0%) Edição Edição nº 1017 nº 27/02/2012 22/06/2012 3Manchete (30% ) 0 Manchete (0%) Edição Edição 1018 nº Total 10 Manchete (100%) 4 Manchete (100%) Peças sobre política Janeiro Edição nº 1012 2 Chamada de 1ª página (20%) Edição nº 1014 5 Chamada de 1ª página (50%) Edição nº 1016 0 Chamada de 1ª página (0%) Edição nº 1017 0 Chamada de 1ª página Junho Edição nº 1045 1Chamada de ª página (5,9%) Edição nº 1046 4 Chamada de 1ª página (23,5%) Edição n º 1047 4 Chamada de 1ª página (23,5%) Edição nº 1048 1 Chamada de 1ª página (5,9%) Edição nº 1049 2 Chamada de 1ª página 123/163 1077 1050 1 Manchete (25%) Edição nº 1015 2 Chamada 1ª página (20%) 1075 1049 1 Manchete (10%) Semana nº 15/06/2012 26/06/2012 página no jornal A Edição 24/02/2012 31/02/2012 como “chamada de 1ª nº 2 Manchete (100%) Dezembro Edição nº 1074 2 Chamada de 1ª página (28,1%) Edição nº 1075 1 Chamada de 1ª página (14,2%) Edição nº 1076 3 Chamada de 1ª página (42,8%) Edição 1077 1 Chamada de 1ª página (14,2%) Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação (0%) Edição nº 1018 1 Chamada de 1ª página (10%) Total 10 Chamada de 1ª página (100%) (11,7%) Edição nº 1050 5 Chamada de 1ª página (29,4%) 17 Chamada de 1ª página (100%) 7 Chamada de 1ª página (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 1012- 3 N Edição nº 1º14- 5 N Edição nº 1015- 4 N Edição nº 1016- 1 N Edição nº 1017- 4 N Edição nº 1018- 2 N Total= 19 Notícias (66,2%) Edição nº 1012- 1RP Edição nº 1014- 0 RP Edição nº 1015-0 RP Edição nº 1016- 0 RP Edição nº 1017- 0 RP Edição nº 1018- 0 RP Total= 1Reportagem (3,4%) Edição nº 1012- 0 ENT Edição nº 1014- 1ENT Edição nº 1015- 1 ENT Edição nº 1016-1 ENT Edição nº 1017-0 ENT Edição nº 1018- 1 ENT Total= 3 Entrevistas (10,3%) Edição nº 1012- 2 OP Edição nº 1014- 0 OP Edição nº 1015- 1 OP Edição nº 1016- 0 OP Edição nº 1017- 3 OP Edição nº 1018- 0 OP Total= 6 Opiniões (20,6%) Edição nº 1045- 2 N Edição nº 1046- 6 N Edição nº 1047- 2 N Edição nº 1048- 0 N Edição nº 1049- 6 N Edição nº 1050- 3 N Total = 19 Notícias (48,7%) Edição nº 1045- 1RP Edição nº 1046- 0 RP Edição nº 1047- 0RP Edição nº 1048- 0 RP Edição nº 1049- 0 RP Edição nº 1050- 0 RP Total = 1 Reportagem (2,5%) Edição nº 1045- 0 ENT Edição nº 1046- 1 ENT Edição nº 1047- 3 ENT Edição nº 1048- 1 ENT Edição nº 1049- 2 ENT Edição nº 1050- 4 ENT Total = 11Entrevistas (28,2%) Edição nº 1045- 1 OP Edição nº 1046- 0 OP Edição nº 1047- 1 OP Edição nº 1048- 2 OP Edição nº 1049- 0 OP Edição nº 1050- 0 OP Total = 4 Opiniões (10,2%) Edição nº 1045- 0 Brev Edição nº 1046- 4 Brev Edição nº 1047- 0 Brev Edição nº 1048- 0 Brev Edição nº 1049- 0 Brev Edição nº 1050- 0 Brev Total = 4 Breves (10,2%) Edição nº 1074- 3 N Edição nº 1075- 3 N Edição nº 1076- 5 N Edição nº 1077- 1 N Género das peças sobre a política no jornal “A Semana” Notícia Reportagem Entrevista Opinião Breves Outros Nenhum encontrado Nenhum dado dado Nenhum dado 124/163 Total = 12 Notícias (57,1%) Edição nº 1074- 0 RP Edição nº 1075- 0 RP Edição nº 1076- 0 RP Edição nº 1077- 0 RP Total = 0 Reportagens (0%) Edição nº 1074- 2 ENT Edição nº 1075- 1 ENT Edição nº 1076- 0 ENT Edição nº 1077- 0 ENT Total = 3 Entrevistas (14,2%) Edição nº 1074- 1 OP Edição nº 1075- 1 OP Edição nº 1076- 1 OP Edição nº 1077- 2 OP Total = 5 Opiniões (23,8%) Edição nº 1074- 1 Brev Edição nº 1075- 0 Brev Edição nº 1076- 0 Brev Edição nº 1077- 0 Brev Total = 1 Breves (4,7%) Nenhum dado Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação encontrado encontrado encontrado Total de peças que abordam sobre a Total = 29 (100%) Total = 39 (100%) Total = 21 (100%) política N- Notícias; RP- Reportagens; ENT- Entrevistas; OP- Opiniões; Brev- Breves; Tipos de fontes utilizadas nas peças Janeiro Junho Dezembro Edição nº 1012- 0 PJ Edição nº 1014- 0 PJ Edição nº 1015- 0 PJ Edição nº 1016- 0 PJ Edição nº 1017- 0 PJ Edição nº 1018- 0 Total= 0 Peças do jornalista (0%) Edição nº 1012- 4 FG Edição nº 1014- 2 FG Edição nº 1015- 5 FG Edição nº 1016- 2 FG Edição nº 1017- 3 FG Edição nº 1018- 1 FG Total= 17 fontes governamentais (48,5%) Edição nº 1012- 1 IP Edição nº 1014- 1 IP Edição nº 1015- 1 IP Edição nº 1016- 0 IP Edição nº 1017- 0 IP Edição nº 1018- 1 IP Total= 4 instituições Privadas (11,4%) Edição nº 1045- 0 PJ Edição nº 1046- 4 PJ Edição nº 1047- 1PJ Edição nº 1048- 0 PJ Edição nº 1049- 0 PJ Edição nº 1050- 1PJ Total= 6 Peças do Jornalista (15,3%) Edição nº 1045- 3 FG Edição nº 1046- 3 FG Edição nº 1047- 0 FG Edição nº 1048- 0 FG Edição nº 1049-0 FG Edição nº 1050- 0 FG Total= 6 fontes governamentais (15,3%) Edição nº 1045- 0 IP Edição nº 1046- 0 IP Edição nº 1047- 0 IP Edição nº 1048- 0 IP Edição nº 1049- 0 IP Edição nº 1050- 0 IP Total= 0 fontes como instituições privadas (0%) Edição nº 1045- 1 FNE Edição nº 1046- 0 FNE Edição nº 1047- 0 FNE Edição nº 1048- 0 FNE Edição nº 1049- 0 FNE Edição nº 1050- 3 FNE Total= 4 fontes não especificadas (10,2%) Edição nº 1045- 4 II Edição nº 1046- 5 II Edição nº 1047- 5 II Edição nº 1048- 3 II Edição nº 1049- 0 II Edição nº 1050- 6 II Total= 23 fontes como indivíduos isolados Edição nº 1074- 0 PJ Edição nº 1075- 1 PJ Edição nº 1076- 0 PJ Edição nº 1077- 0 PJ sobre a política no jornal “A Semana” Peça do jornalista Fontes governamentais Instituições Privadas Fontes não especificadas Indivíduos isolados Edição nº 1012- 1 FNE Edição nº 1014- 1 FNE Edição nº 1015- 0 FNE Edição nº 1016- 0 FNE Edição nº 1017- 0 FNE Edição nº 1018- 0 FNE Total = 2 fontes não especificadas (5,7%) Edição nº 1012- 2 II Edição nº 1014- 2 II Edição nº 1015- 2 II Edição nº 1016- 1 II Edição nº 1017- 4 II Edição nº 1018- 1 II Total = 12 fontes como indivíduos isolados 125/163 Total = 1 Peça do jornalista (4,7%) Edição nº 1074- 0 FG Edição nº 1075- 1 FG Edição nº 1076- 3 FG Edição nº 1077- 0 FG Total = 4 fontes governamentais (19%) Edição nº 1074- 0 IP Edição nº 1075- 0 IP Edição nº 1076- 1 IP Edição nº 1077- 0 IP Total = 1 fonte como instituição privada (4,7%) Edição nº 1074- 1FNE Edição nº 1075- 0 FNE Edição nº 1076- 1FNE Edição nº 1077- 1FNE Total = 3 fontes não especificadas (14,2%) Edição nº 1074- 6 II Edição nº 1075- 2 II Edição nº 1076- 3 II Edição nº 1077- 1 II Total = 12 fontes como indivíduos isolados (57,1%) Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Total das fontes (34,2%) (58,9%) Total =35 (100%) Total = 39 (100%) Total = 21 (100%) Junho Dezembro Edição nº 1012- 0 P Edição nº 1045- 0 P Edição nº 1074- 1 P Edição nº 1014- 0 P Edição nº 1046- 1 P Edição nº 1075- 0 P Edição nº 1015- 0 P Edição nº 1047- 0 P Edição nº 1076- 0 P Edição nº 1016- 1P Edição nº 1048- 0 P Edição nº 1077-0 P Edição nº 1017- 1P Edição nº 1049- 0 P Total = 1 Peça sobre a Edição nº 1018- 1 P Edição nº 1050- 0 P política (5%) Total = 3 Peças sobre Total = 1 Peça sobre a a política (9,4%) política (2,7%) Edição nº 1012- 5 P Edição nº 1045- 5 P Edição nº 1074- 7 P Edição nº 1014- 6 P Edição nº 1046- 9 P Edição nº 1075- 4 P Edição nº 1015- 6 P Edição nº 1047- 5 P Edição nº 1076- 6 P Edição nº 1016- 2 P Edição nº 1048- 4 P Edição nº 1077- 2 P Edição nº 1017- 7 P Edição nº 1049- 6 P Total = 19 Peça sobre Edição nº 1018- 3 P Edição nº 1050- 7 P a política (95%) Total = 29 Peças sobre Total = 36 Peça sobre a Política (90,6%) a Política (97,3%) Edição nº 1012- 0 P Edição nº 1045- 0 P Edição nº 1074- 0 P Edição nº 1014- 0 P Edição nº 1046- 0 P Edição nº 1075- 0 P Edição nº 1015- 0 P Edição nº 1047- 0 P Edição nº 1076- 0 P Edição nº 1016- 0 P Edição nº 1048- 0 P Edição nº 1077- 0 P Edição nº 1017- 0 P Edição nº 1049- 0 P Total = 0 Peças (0%) Edição nº 1018- 0 P Edição nº 1050- 0 P Total = 0 Peças (0%) Total = 0 Peças (0%) Total Total Posições em que as peças sobre política ocupam dentro do Janeiro jornal “A Semana” 1ª Página Página Interior Ultima Página Total das peças (100%) = 32 Peças (100%) 126/163 = 37 Peças Total (100%) = 20 Peças Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Posições destaque de que as peças sobre política Janeiro Junho Dezembro Edição nº 1012- 4 peças Edição nº 1045- 1 peça Edição nº 1074- 3 peças Edição nº 1014- 5 peças Edição nº 1046- 7 peças Edição nº 1075- 1 peça Edição nº 1015- 3 peças Edição nº 1047- 5 peças Edição nº 1076- 1 peça Edição nº 1016- 1 peça Edição nº 1048- 1 peça Edição nº 1077- 0 peça Edição nº 1017- 3 peças Edição nº 1049- 6 peças Edição nº 1018- 3 peças Edição nº 1050- 6 peças Total = 5 peças ocuparam páginas ímpares (22,7%) Total = 19 peças ocuparam páginas ímpares (65,5%) Total = 26 peças ocuparam páginas ímpares (48,1%) Edição nº 1012- 2 peças Edição nº 1045- 5 peças Edição nº 1074- 7 peças Edição nº 1014- 1 peça Edição nº 1046- 7 peças Edição nº 1075- 3 peças Edição nº 1015- 3 peças Edição nº 1047- 2 peças Edição nº 1076- 5 peças Edição nº 1016- 2 peças Edição nº 1048- 3 peças Edição nº 1077- 2 peças Edição nº 1017- 4 peças Edição nº 1049- 4 peças Edição nº 1018- 0 peças Edição nº 1050- 7 peças Total = 10 peças ocuparam páginas pares (34,5%) Total = 17 peças ocuparam páginas pares (77,3%) Total = 28 peças ocuparam páginas pares (51,9%) Total = 29 peças (100%) Total = 54 peças (100%) Total = 22 peças (100%) Janeiro Junho Dezembro ocupam no jornal “A Semana” Página Impar Página par Total de peças Tamanho das peças sobre política no jornal “A Semana” Número parágrafos de Edição nº 1012- 79 parg Edição nº 1045- 56 parg Edição nº 1074- 78 parg Edição nº 1014- 82 parg Edição nº 1046- 51 parg Edição nº 1075- 48 parg Edição nº 1015- 109 Edição nº 1047- 58 parg Edição nº 1076- 69 parg parg Edição nº 1048- 47 parg Edição nº 1077- 27 parg Edição nº 1016- 36 parg Edição nº 1049- 96 parg Total 127/163 = 222 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Edição nº 1017- 83 parg Edição nº 1050- 54 parg Edição nº 1018- 32 parg Total Total parágrafos = 421 = parágrafos 362 parágrafos Número de colunas Tipo de título utilizada nas peças sobre política no jornal “A Semana” Informativo Apelativo Edição nº 1012- 19 col Edição nº 1045- 20 col Edição nº 1074- 25 col Edição nº 1014- 31 col Edição nº 1046- 29 col Edição nº 1075- 16 col Edição nº 1015- 34 col Edição nº 1047- 29 col Edição nº 1076- 19 col Edição nº 1016- 14 col Edição nº 1048- 16 col Edição nº 1077- 11 col Edição nº 1017- 26 col Edição nº 1049- 39 col Total = 71 colunas Edição nº 1018- 23 col Edição nº 1050- 33 col Total = 147 colunas Total = 166 colunas Janeiro Edição nº 1012- 4 Inf Junho Edição nº 1045- 3 Inf Dezembro Edição nº 1074- 5 Inf Edição nº 1014- 5 Inf Edição nº 1046- 4 Inf Edição nº 1075- 3 Inf Edição nº 1015- 3 Inf Edição nº 1047- 2 Inf Edição nº 1076-5 Inf Edição nº 1016- 1 Inf Edição nº 1048- 0 Inf Edição nº 1077-1 Inf Edição nº 1017- 5 Inf Edição nº 1049- 5 Inf Total = 14 peças com Edição nº 1018- 2 Inf Edição nº 1050- 5 Inf título Total = 20 peças com Total = 19 peças com (73,7%) título título informativo informativo informativo (64,5%) (48,7%) Edição nº 1017- 1 Ap Nenhum Total = 1 peça com encontrado nas edições encontrado nas edições título apelativo (3,2%) do referido mês do referido mês Nenhum Nenhum Obs.: edição apenas resultado Nenhum resultado nesta encontramos título apelativo. Interrogativo Edição nº 1014- 1 Int 128/163 resultado resultado Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Edição nº 1017- 1 Int encontrado encontrado Edição nº 1012- 2 Cit Edição nº 1045- 1 Cit Edição nº 1074- 0 Cit Edição nº 1014- 0 Cit Edição nº 1046- 6 Cit Edição nº 1075- 1 Cit Edição nº 1015- 4 Cit Edição nº 1047- 4 Cit Edição nº 1076- 0 Cit Edição nº 1016- 1 Cit Edição nº 1048- 2 Cit Edição nº 1077- 0 Cit Edição nº 1017- 0 Cit Edição nº 1049- 2 Cit Total = 1 peça com Edição nº 1018- 1 Cit Edição nº 1050-2 Cit título citativo (5,3%) Total = 8 peças com Total = 17 peças com título citativo (25,8%) título citativo (43,6%) Nenhum resultado Edição nº 1045- 1 Imp Edição nº 1074- 1 Imp encontrado no referido Edição nº 1046- 0 Imp Edição nº 1075- 0 Imp mês Edição nº 1047- 1 Imp Edição nº 1076- 1 Imp Edição nº 1048- 1 Imp Edição nº 1077- 2 Imp Edição nº 1049- 0 Imp Total = 4 peças com Edição nº 1050- 0 Imp títulos Total = 3 peças com (21%) Total = 2 peças com título interrogativo (6,5%) Citativo Implicado título implicado implicado (7,7%) Total O tom das abordagens das peças sobre política no jornal “A Semana” Positivo Neutro Total = 31 (100%) Total = 39 (100%) Total = 19 (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 1012- 3 peças Edição nº 1045- 0 peça Edição nº 1074- 1 peça Edição nº 1014- 1 peça Edição nº 1046- 7 peças Edição nº 1075- 2 peças Edição nº 1015- 3 peças Edição nº 1047- 2 peças Edição nº 1076- 1 peça Edição nº 1016- 0 peça Edição nº 1048- 0 peça Edição nº 1077- 0 peça Edição nº 1017- 2 peças Edição nº 1049- 1 peça Total = 4 peças com Edição nº 1018- 1 peça Edição nº 1050- 3 peças abordagens Total = 10 peças com Total = 13 peças com (21,1%) abordagens abordagens positiva positiva positiva (32,3%) (34,2%) Edição nº 1012- 2 peças Edição nº 1045- 1 peça Edição nº 1074- 3 peça Edição nº 1014- 5 peças Edição nº 1046- 3 peças Edição nº 1075- 2 peça Edição nº 1015- 4 peças Edição nº 1047- 4 peças Edição nº 1076- 4 peça 129/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Negativo Total Assinatura das peças sobre política no jornal “A Semana” Peças assinadas Edição nº 1016- 2 peças Edição nº 1048- 2 peças Edição nº 1077- 2 peça Edição nº 1017- 3 peças Edição nº 1049- 4 peças Total = 11 peças com Edição nº 1018- 0 peças Edição nº 1050- 4 peças abordagens Total = 16 peças com Total = 18 peças com (57,8%) abordagens abordagens neutra neutra neutra (51,6%) (47,4%) Edição nº 1012- 1 peça Edição nº 1045- 4 peças Edição nº 1074- 2 peças Edição nº 1014- 0 peça Edição nº 1046- 0 peça Edição nº 1075- 0 peças Edição nº 1015- 0 peça Edição nº 1047- 0 peça Edição nº 1076- 1 peça Edição nº 1016- 0 peça Edição nº 1048- 1 peça Edição nº 1077- 1 peça Edição nº 1017- 2 peças Edição nº 1049- 2 peças Total = 4 peças com Edição nº 1018- 2 peças Edição nº 1050- 0 peça abordagens Total = 5 peças com Total = 7 peças com (21,1%) abordagens abordagens negativa negativa negativa (16,1%) (18,4%) Total = 31 (100%) Total = 38 (100%) Total = 19 (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 1045- 2 peças Edição nº 1074- 3 peças Edição nº 1012- 6 peças Edição nº 1046- 4 peças Edição nº 1075- 3 peças Edição nº 1014- 1 peça Edição nº 1047- 4 peças Edição nº 1076- 4 peças Edição nº 1015- 2 peças Edição nº 1048- 3 peças Edição nº 1077- 3 peças Edição nº 1016- 2 peças Edição nº 1049- 6 peças Total Edição nº 1017- 4 peças Edição nº 1050- 4 peças assinadas (68,4%) Edição nº 1018- 2 peças Total Total assinadas (67,6%) = 17 peça assinadas (56,7%) 130/163 = 23 peça = 13 peça Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Edição nº 1045- 2 peças Edição nº 1074- 3 peças Edição nº 1012- 0 peça Edição nº 1046- 4 peças Edição nº 1075- 1 peça Edição nº 1014- 5 peça Edição nº 1047- 2 peças Edição nº 1076- 2 peças Edição nº 1015- 4 peça Edição nº 1048- 0 peça Edição nº 1077- 0 peça Edição nº 1016- 0 peça Edição nº 1049- 1 peça Total = 6 peça não Edição nº 1017- 3 peças Edição nº 1050- 2 peças assinadas (31,6%) Edição nº 1018- 1 peça Total = 11 peça não Total = 13 peça não assinadas (32,4%) Peças não assinadas assinadas (43,3%) Total Assinatura das peças sobre política no jornal “A Semana” Peças assinadas com iniciais Total = 30 (100%) Total = 34 (100%) Total = 19 (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 1012- 0 peça Edição nº 1045- 0 peça Edição nº 1074- 2 peças Edição nº 1014- 0 peça Edição nº 1046- 1 peça Edição nº 1075- 0 peça Edição nº 1015- 1 peça Edição nº 1047- 1 peça Edição nº 1076- 2 peça Edição nº 1016- 1 peça Edição nº 1048- 0 peça Edição nº 1077- 0 peça Edição nº 1017- 0 peça Edição nº 1049- 1 peça Total Edição nº 1018- 0 peça Edição nº 1050- 0 peça Total = 3 peça assinadas com iniciais (13%) assinadas Edição nº 1012- 6 peça Edição nº 1045- 2 peças Edição nº 1074- 1 peça Edição nº 1014- 1 peça Edição nº 1046- 3 peça Edição nº 1075- 3 peças Edição nº 1015- 1 peça Edição nº 1047- 3 peça Edição nº 1076- 2 peças Edição nº 1016- 1 peça Edição nº 1048- 3 peça Edição nº 1077- 3 peças Edição nº 1017- 4 peças Edição nº 1049- 5 peças Total Total = 2 peça assinadas com iniciais = 4 com peças as iniciais (30,8%) (11,8%) Peças assinadas com o nome completo 131/163 = 9 peça Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Edição nº 1018- 2 peças Total = 15 (88,2%) Edição nº 1050- 4 peças assinadas com o nome Total = 20 (87,%) completo do repórter (69,2%) Total = 17 (100%) Total Total = 23 (100%) Total = 13 (100%) EXPRESSOS Janeiro Política como Edição manchete Junho nº 527 no 04/01/2012 jornal “Expressos 1Manchete (33,3%) Edição Das Ilhas” nº 528 Edição Dezembro nº 549 Edição nº 06/06/2012 12/12/2012 2 Manchete (33,3%) 2 Manchete (50%) Edição Edição nº 550 nº 11/01/2012 13/06/2012 19/12/2012 1Manchete (33,3%) 1 Manchete (16,7%) 0Manchete (0%) Edição Edição Edição nº 529 nº 551 nº 18/01/2012 20/06/2013 24/12/2012 0Manchete (0%) 1 Manchete (16,7%) 1Manchete (25%) Edição Edição Edição nº 530 nº 552 nº 576 577 578 579 25/01/2012 27/06/2012 24/12/2012 1 Manchete (33,3%) 2 Manchete (33,3%) 1Manchete (25%) Total 3 Manchete (100%) 6 Manchete (100%) 4 Manchete (100%) Peças sobre política Janeiro Edição nº 527 0 Chamada de 1ª página (%) como “chamada de 1ª página no jornal Expressos Das Ilhas Edição nº 528 2Chamada de 1ª página (40%) Edição nº 529 2 Chamada 1ª página (40%) Edição nº 530 1 Chamada de 1ª Junho Edição nº 549 2 Chamada de ª página (28,5%) Edição nº 550 3 Chamada de 1ª página (42,9%) Edição n º 551 1 Chamada de 1ª página (14,3%) Edição nº 552 1 Chamada de 1ª 132/163 Dezembro Edição nº 576 2 Chamada de 1ª página (28,5%) Edição nº 577 3Chamada de 1ª página (42,9%) Edição nº 578 0 Chamada de 1ª página (0%) Edição nº 579 2 Chamada de 1ª Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação página (20%) Total Género das 5 Chamada de 1ª página (100%) página (14,3%) 7 Chamada de 1ª página (100%) página (28,5%) 7 Chamada de 1ª página (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 527 – 6 N Edição nº 528 – 6 N Edição nº 529 – 4 N Edição nº 530- 9 N Total= 25 Notícias (67,6%) Edição nº 549- 7 N Edição nº 550- 4 N Edição nº 551- 8 N Edição nº 552- 7 N Total = 26 Notícias (66,7%) Edição nº 576- 5 N Edição nº 577- 3 N Edição nº 578- 4 N Edição nº 579- 3 N Edição nº 527- 0 RP Edição nº 528- 2 RP Edição nº 529 - 0 RP Edição nº 530 - 0 RP Total= 2 Reportagem (5,4%) Edição nº 549- 1 RP Edição nº 550- 0 RP Edição nº 551- 3 RP Edição nº 552- 5 RP Total = 9 Reportagem (23,1%) Edição nº 527-1 ENT Edição nº 528-0 ENT Edição nº 529-1 ENT Edição nº 530 -0 ENT Total= 2 Entrevistas (5,4%) Edição nº 549-0 ENT Edição nº 550-0 ENT Edição nº 551-0 ENT Edição nº 552-0 ENT Total = 0 Entrevistas (0%) Edição nº 527 -2 OP Edição nº 528-0 OP Edição nº 529-3 OP Edição nº 530-0 OP Total= 5 Opiniões (13,5%) Edição nº 549-1 OP Edição nº 550-1 OP Edição nº 551 -0 OP Edição nº 552-1 OP Total = 3 Opiniões (7,7%) Edição nº 527-0 Brev Edição nº 528-3 Brev Edição nº 529-0 Brev Edição nº 530-0 Brev Total = 3 Breves (8,1%) Edição nº 549-1 Brev Edição nº 550-0 Brev Edição nº 551 -0 Brev Edição nº 552-0 Brev Total = 1 Breves (2,5%) Nenhum encontrado Nenhum dado encontrado Total = 5 Breves (16,1%) Nenhum dado encontrado Total = 39 (100%) Total = 31 (100%) peças sobre a política no jornal “Expressos Das Ilhas” Notícia Reportagem Entrevista Opinião Breves Outros Total de peças que abordam sobre a dado Total = 37 (100%) 133/163 Total = 15 Notícias (48,4%) Edição nº 576- 1 RP Edição nº 577- 0 RP Edição nº 578- 0 RP Edição nº 579- 3 RP Total = 4 Reportagens (12,9%) Edição nº 576 -2 ENT Edição nº 577- 0 ENT Edição nº 578-1 ENT Edição nº 579-0 ENT Total = 3 Entrevistas (9,7%) Edição nº 576-1 OP Edição nº 577-1 OP Edição nº 578-0 OP Edição nº 579-2 OP Total = 4 Opiniões (12,9%) Edição nº 576-0 Brev Edição nº 577-3 Brev Edição nº 578-0 Brev Edição nº 579-2 Brev Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação política Tipos de fontes utilizadas nas peças Janeiro Junho Dezembro Edição nº 527 - 0 PJ Edição nº 528- 0 PJ Edição nº 529- 0 PJ Edição nº 530-0 PJ Total= 0 Peças do jornalista (0%) Edição nº 549-2 PJ Edição nº 550-1 PJ Edição nº 551-6 PJ Edição nº 552- 7 PJ Total= 16 Peças do Jornalista (26,6%) Edição nº 576- 0 PJ Edição nº 577- 0 PJ Edição nº 578- 0 PJ Edição nº 579-0 PJ Edição nº 527-5 FG Edição nº 528-8 FG Edição nº 529-5FG Edição nº 530-9 FG Total= 27 fontes governamentais (67,5%) Edição nº 549-7 FG Edição nº 550-5 FG Edição nº 551-7 FG Edição nº 552-8 FG Total= 27 fontes governamentais (45%) Edição nº 527 -1 IP Edição nº 528-0 IP Edição nº 529-0 IP Edição nº 530-0 IP Total= 1 instituições Privadas (2,5%) Edição nº 549-3 IP Edição nº 550-0 IP Edição nº 551-1 IP Edição nº 552-0 IP Total= 4 fontes como instituições privadas (6,7%) Edição nº 527-2 FNE Edição nº 528-0 FNE Edição nº 529-0 FNE Edição nº 530-0 FNE Total = 2 fontes não especificadas (5%) Edição nº 549-0 FNE Edição nº 550-0 FNE Edição nº 551-0 FNE Edição nº 552-0 FNE Total= 0 fontes não especificadas (0%) Edição nº 527-2 II Edição nº 528-5 II Edição nº 529-3 II Edição nº 530-0 II Total = 10 fontes como indivíduos isolados (25%) Edição nº 549-5 II Edição nº 550-1 II Edição nº 551-4 II Edição nº 552-3 II Total= 13 fontes como indivíduos isolados (21,7%) Total = 40 (100%) Total = 60 (100%) sobre a política no jornal “Expressos Das Ilhas” Peça do jornalista Fontes governamentais Instituições Privadas Fontes não especificadas Indivíduos isolados Total das fontes 134/163 Total = 0 Peça do jornalista (0%) Edição nº 576-7 FG Edição nº 577-5 FG Edição nº 578-5 FG Edição nº 579-8 FG Total = 25 fontes governamentais (73,5%) Edição nº 576-0 IP Edição nº 577-2 IP Edição nº 578-0 IP Edição nº 579-3 IP Total = 5 fontes como instituição privada (14,7%) Edição nº 576-0 FNE Edição nº577 -0 FNE Edição nº 578-0 FNE Edição nº 579-0 FNE Total = 0 fontes não especificadas (0%) Edição nº 576-2 II Edição nº 577-1 II Edição nº 578-0 II Edição nº 579-1 II Total = 4 fontes como indivíduos isolados (11,8%) Total = 34 (100%) Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Posições em que as peças sobre política ocupam dentro do Janeiro jornal Junho Dezembro “Expressos Das Ilhas” 1ª Página Edição nº 527 -1 P Edição nº 528-0 P Edição nº 529-1 P Edição nº 530-1 P Total = 3 Peças (%) Edição nº 549-1 P Edição nº 550-0 P Edição nº 551-0 P Edição nº 552-0 P Total = 1 Peças (%) Edição nº 576-1P Edição nº 577-0P Edição nº 578-1P Edição nº 579-1P Total = 3 Peças (%) Página Interior Edição nº 527 - 8 P Edição nº 528- 11 P Edição nº 529- 7 P Edição nº 530-9 P Total = 35 Peças (%) Edição nº 549-10P Edição nº 550-5P Edição nº 551-11P Edição nº 552-12P Total = 38 Peças (%) Edição nº 576-9P Edição nº 577-7P Edição nº 578-5P Edição nº 579-10P Total = 31 Peças (%) Ultima Página Edição nº 527 -0 P Edição nº 528-0 P Edição nº 529-0 P Edição nº 530- P Total = 0 Peças (0%) Edição nº 549-0P Edição nº 550-0P Edição nº 551-0P Edição nº 552-0P Total = 0 Peças (0%) Edição nº 576-0P Edição nº 577-0P Edição nº 578-0P Edição nº 579-0P Total = 0 Peças (%) Total das peças Total Total Total = 38 Peças = 39 Peças = 34 Peças (100%) (100%) (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 527-4 peça Edição nº 549 -5 peça Edição nº 576-2 peça Edição nº 528-6 peça Edição nº 550-1 peça Edição nº 577-0 peça Edição nº 529-2 peça Edição nº 551-7 peça Edição nº 578-1 peça Edição nº 530-3 peça Edição nº 552-7 peça Edição nº 579-3 peça Total = 15 peças ocuparam páginas ímpares (41,7%) Edição nº 527-5 peça Total = 20 peças ocuparam páginas ímpares (50%) Edição nº 549-5 peça Total = 6 peças ocuparam páginas ímpares (14,3%) Edição nº 576-7 peça Edição nº 528-5 peça Edição nº 550-4 peça Edição nº 577-7 peça Edição nº 529-5 peça Edição nº 551-6 peça Edição nº 578- 4 peças Edição nº 530-6 peça Edição nº 552-5 peça Edição nº 579-8 peça Total = 21 peças ocuparam páginas pares (58,3%) Total = 20 peças ocuparam páginas pares (50%) Total = 36 peças ocuparam páginas pares (85,7 %) Posições de destaque que as política peças ocupam sobre no jornal “Expressos Das Ilhas” Página Impar Página par 135/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Total de peças Total = 36 peças (100%) Total = 40 peças (100%) Total = 42 peças (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 549 -130 parg Edição nº 576-140 parg Edição nº 528-82 parg Edição nº 550-60 parg Edição nº 577-48 parg Edição nº 529-57 parg Edição nº 551-197 parg Edição nº 578-46 parg Edição nº 530-81 parg Edição nº 552-144 parg Edição nº 579-152 parg Total= 315 parágrafos Total= 531 parágrafos Total= 386 parágrafos Edição nº 527- 61col Edição nº 549-57 col Edição nº 576- 57 col Edição nº 528- 41col Edição nº 550- 21 col Edição nº 577-32 col Edição nº 529- 24 col Edição nº 551- 62 col Edição nº 578- 32 col Edição nº 530- 47 col Edição nº 552- 53 col Edição nº 579- 58 col Total = 173 colunas Total = 193 colunas Total = 179 colunas Janeiro Junho Dezembro Edição nº 527- 5 Inf Edição nº 549- 5 Inf Edição nº 576- 4 Inf Edição nº 528- 4 Inf Edição nº 550- 4 Inf Edição nº 577- 3 Inf Edição nº 529- 3 Inf Edição nº 551- 11 Inf Edição nº 578- 4 Inf Edição nº 530- 7 Inf Edição nº 552- 9 Inf Edição nº 579- 8 Inf Total = 19 peças com Total= 29 peças com Total = 19 peças com título título título Tamanho das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” Número de Edição nº 527-95 parg parágrafos Número de colunas Tipo de título utilizada nas peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” Informativo Apelativo informativo informativo informativo (57,6%) (70,7%) (73,1%) Edição nº 527- 0 Ap Edição nº 549- 1Ap Nenhum Edição nº 528- 0 Ap Edição nº 550- 0 Ap encontrado nas edições Edição nº 529- 1Ap Edição nº 551- 0Ap do referido mês Edição nº 530- 0Ap Edição nº 552- 0Ap Total = 1 peça com Total = 1 peça com título apelativo (3%) título apelativo (2,4%) 136/163 resultado Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Interrogativo Citativo Implicado Total Edição nº 527- 1 Int Edição nº 549- 0 Int Edição nº 576- 1 Int Edição nº 528- 2 Int Edição nº 550- 0 Int Edição nº 577- 0 Int Edição nº 529- 0 Int Edição nº 551- 0 Int Edição nº 578- 0 Int Edição nº 530- 0 Int Edição nº 552- 1 Int Edição nº 579- 0 Int Total = 3 peças com Total = 1 peça com Total = 1 peça com título título título interrogativo interrogativo interrogativo (9,1%) (2,4%) (3,8%) Edição nº 527- 0 Cit Edição nº 549- 0 Cit Edição nº 576- 2 Cit Edição nº 528- 1 Cit Edição nº 550- 1 Cit Edição nº 577- 0 Cit Edição nº 529- 0 Cit Edição nº 551- 1 Cit Edição nº 578- 1 Cit Edição nº 530- 0 Cit Edição nº 552- 0 Cit Edição nº 579- 0 Cit Total = 1 peças com Total = 2 peças com Total = 3 peça com título citativo (3%) título citativo (4,9%) título citativo (11,5%) Edição nº 527- 1 Impl Edição nº 549- 4 Impl Edição nº 576- 1 Impl Edição nº 528- 4 Impl Edição nº 550- 0 Impl Edição nº 577- 1 Impl Edição nº 529- 3 Impl Edição nº 551- 0 Impl Edição nº 578- 0 Impl Edição nº 530- 1 Impl Edição nº 552- 4 Impl Edição nº 579- 1 Impl Total = 9 peças com Total = 8 peças com Total = 3 peças com título título títulos implicado implicado implicado (27,3%) (19,5%) (11,5%) Total = 33 (100%) Total = 41 (100%) Total = 26 (100%) 137/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação O tom das abordagens das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” Janeiro Junho Dezembro Positivo Edição nº 527-1 peça Edição nº 549-1 peça Edição nº 576-0 peça Edição nº 528-1 peça Edição nº 550-1 peça Edição nº 577-0 peça Edição nº 529-0 peça Edição nº 551-0 peça Edição nº 578-0 peça Edição nº 530-0 peça Edição nº 552-0 peça Edição nº 579-0 peça Total = 2 peças com Total = 2 peças com Total = 0 peças com abordagens abordagens abordagens Neutro Negativo Total Assinatura das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” Peças assinadas positiva positiva positiva (5,7%) (5,1%) (0%) Edição nº 527-4 peça Edição nº 549-3 peça Edição nº 576-5 peça Edição nº 528-3 peça Edição nº 550-4 peça Edição nº 577-3 peça Edição nº 529-5 peça Edição nº 551-10 peças Edição nº 578-4 peça Edição nº 530-9 peça Edição nº 552-7 peça Edição nº 579-6 peça Total = 21 peças com Total = 24 peças com Total = 18 peças com abordagens abordagens abordagens positiva positiva positiva (60%) (61,5%) (66,7%) Edição nº 527-3 peça Edição nº 549-6 peça Edição nº 576-3 peça Edição nº 528-7 peça Edição nº 550-0 peça Edição nº 577-1 peça Edição nº 529-2 peça Edição nº 551-1 peça Edição nº 578-1 peça Edição nº 530-0 peça Edição nº 552-6 peça Edição nº 579-4 peça Total = 12 peças com Total = 13 peças com Total = 9 peças com abordagens abordagens abordagens positiva positiva positiva (34,3%) (33,3%) (33,3%%) Total = 35 (100%) Total = 39 (100%) Total = 27 (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 527-3 peça Edição nº 549-4 peça Edição nº 576-8 peça Edição nº 528-2 peça Edição nº 550-1 peça Edição nº 577-1 peça Edição nº 529-3 peça Edição nº 551-3 peça Edição nº 578-1 peça Edição nº 530-4 peça Edição nº 552-3 peça Edição nº 579-5 peça Total Total Total = 12 assinadas (34,3%) peça = 11 assinadas (27,5%) 138/163 peça = 15 assinadas (53,6%) peça Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Peças não assinadas Total Assinatura das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas” Peças assinadas com iniciais Edição nº 527-5 peça Edição nº 549-6 peça Edição nº 576-1peça Edição nº 528-9 peça Edição nº 550-3 peça Edição nº 577-3 peça Edição nº 529-4 peça Edição nº 551-10 peças Edição nº 578-4 peça Edição nº 530-5 peça Edição nº 552-10 peça Edição nº 579-5 peça Total = 23 peça não Total = 29 peça não Total = 13 peça não assinadas (65,7%) assinadas (72,5%) assinadas (46,4%) Total = 35 (100%) Total = 40 (100%) Total = 28 (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 527-0 peça Edição nº 549-1 peça Edição nº 576-1 peça Edição nº 528-0 peça Edição nº 550-0 peça Edição nº 577-0 peça Edição nº 529- peça Edição nº 551-0 peça Edição nº 578-1 peça Edição nº 530-0 peça Edição nº 552-0 peça Edição nº 579-0 peça Total Total = 1 peça assinadas com iniciais (9,1%) Total = 0 peça assinadas com iniciais (0%) Peças assinadas com o nome completo Total = assinadas 2 peça com as iniciais (13,3%) Edição nº 527-3 peça Edição nº 549-3 peça Edição nº 576-7 peça Edição nº 528-2 peça Edição nº 550-1 peça Edição nº 577-1 peça Edição nº 529-3 peça Edição nº 551-3 peça Edição nº 578-1 peça Edição nº 530-4 peça Edição nº 552-3 peça Edição nº 579-4 peça Total = 12 (100 %) Total = 10 (90,9%) Total = 13 (86,7%) Total = (100%) Total =11 (100%) Total = 15 (100%) A Nação Janeiro Política manchete como Edição Junho nº 227 no 05/01/2012 jornal “A Nação” 0 Manchete (0%) Edição nº 228 Edição Dezembro nº 249 Edição nº 07/06/2012 06/12/2012 2 Manchete (33,3%) 1 Manchete (%) Edição Edição nº 250 nº 12/01/2012 14/06/2012 13/12/2012 2 Manchete (100%) 2 Manchete (33,3%) 1Manchete (%) Edição Edição nº 229 139/163 nº 251 275 276 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação 19/01/2012 21/06/2012 0 Manchete (0%) 1 Manchete (16,7%) Edição nº 252 28/06/2012 1 Manchete (16,7%) Total 2 Manchete (100%) 6 Manchete (100%) Janeiro Peças como políticas Edição Junho nº 227 “chamada 05/01/2012 de 1ª página (50%) Edição nº 228 de 1ª página (50%) 0 chamada Edição nº chamada 2 229 de nº 275 1ª 4 chamada de 1ª página (%) nº 250 Edição nº 276 13/12/2012 chamada Edição Edição 06/12/2012 de 1ª página (100%) 19/01/2012 0 249 14/06/2012 chamada Edição nº página (0%) 12/01/2012 1 Edição Dezembro 07/06/2012 de 1ª página no 1chamada jornal “A Nação” Manchete (100%) 3 chamada de página (%) nº 251 21/06/2012 de 1ª página (0%) 0 chamada de 1ª página (0%) Edição nº 252 28/06/2012 0 chamada de 1ª página (0%) Total Género das 2 Manchete (100%) 2 Manchete (100%) Manchete (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 227 – 1 N Edição nº 228 – 3 N Edição nº 229 – 3 N Total= 7 Notícias (53,8%) Edição nº 249-1 N Edição nº 250-8 N Edição nº 251- 3 N Edição nº 252-3 N Total = 15 Notícias (68,2%) Edição nº 249-1 RP Edição nº 250-1 RP Edição nº 251-1 RP Edição nº 252-3 RP Edição nº 275-8 N Edição nº 276-4 N peças sobre a política no jornal “A Nação” Notícia Reportagem Edição nº 227 – 0 RP Edição nº 228 – 2 RP Edição nº 229 – 1 RP 140/163 Total = Notícias (%) Edição nº 275-2 RP Edição nº 276-0 RP Edição nº RP Edição nº RP 1ª Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Entrevista Total= 3 Reportagem (23,1%) Total = 6 Reportagem (27,3%) Edição nº 227 – 0 ENT Edição nº 228 – 1 ENT Edição nº 229 – 0 ENT Total= 1 Entrevistas (7,7%) Edição nº 249-0 ENT Edição nº 250-0 ENT Edição nº 251-0 ENT Edição nº 252-0 ENT Total = 0 Entrevistas (0%) Opinião Edição nº 227 – 2 OP Edição nº 228 – 0 OP Edição nº 229 – 0 OP Total= 2 Opiniões (15,4%) Breves Edição nº 227 – 0 Brev Edição nº 228 – 0 Brev Edição nº 229 – 0 Brev Total = Breves (0%) Outros Nenhum encontrado Total de peças que abordam sobre a política Tipos de dado Edição nº 249-0 OP Edição nº 250-0 OP Edição nº 251 -0 OP Edição nº 252-0 OP Total = 0 Opiniões (0%) Edição nº 249-0 Brev Edição nº 250-0 Brev Edição nº 251 -1 Brev Edição nº 252-0 Brev Total = 1 Breves (4,5%) Nenhum dado encontrado Total = Reportagens (%) Edição nº 275 -0 ENT Edição nº 276-0 ENT Edição nº ENT Edição nº ENT Total = Entrevistas (%) Edição nº 275-2 OP Edição nº 276-1 OP Edição nº - OP Edição nº OP Total = Opiniões (%) Edição nº 275-0 Brev Edição nº 276-0 Brev Edição nº Brev Edição nº Brev Total = Breves (%) Nenhum dado encontrado Total = 13 (100%) Total = 22 (100%) Total = (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 227 - 0 PJ Edição nº 228- 0 PJ Edição nº 229- 1 PJ Total= 1 Peças do jornalista (6,3%) Edição nº 249-1 PJ Edição nº 250-0 PJ Edição nº 251-0 PJ Edição nº 252-0 PJ Total= 1 Peças do Jornalista (4%) Edição nº 275- 1 PJ Edição nº 76- 0 PJ Edição nº- PJ Edição nº - PJ fontes utilizadas nas peças sobre a política no jornal “A Nação” Peça do jornalista Fontes governamentais Instituições Privadas Edição nº 227-1 FG Edição nº 228-4 FG Edição nº 229-1FG Total= 6 fontes governamentais (37,5%) Edição nº 249-1 FG Edição nº 250-6 FG Edição nº 251-5 FG Edição nº 252-4 FG Total= 16 fontes governamentais (64%) Edição nº 227 -0 IP Edição nº 228-0 IP Edição nº 229-0 IP Total= 0 instituições Edição nº 249-0 IP Edição nº 250-0 IP Edição nº 251-0 IP Edição nº 252-0 IP 141/163 Total = Peça do jornalista (%) Edição nº 275-8FG Edição nº 276-3 FG Edição nº - FG Edição nº - FG Total = fontes governamentais (%) Edição nº 275-0 IP Edição nº 276-0 IP Edição nº - IP Edição nº - IP Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Privadas (0%) Fontes não especificadas Indivíduos isolados Total das fontes Total= 0 fontes como instituições privadas (0%) Edição nº 227-1 FNE Edição nº 228-1 FNE Edição nº 229-1 FNE Total = 3 fontes não especificadas (18,7%) Edição nº 549-1 FNE Edição nº 550-1 FNE Edição nº 551-3 FNE Edição nº 552-0 FNE Total= 5 fontes não especificadas (20%) Total = fontes como instituição privada (%) Edição nº 275-1 FNE Edição nº276 -1 FNE Edição nº - FNE Edição nº - FNE Total = 0 fontes não especificadas (0%) Edição nº 275-3 II Edição nº 276-2 II Edição nº - II Edição nº- II Edição nº 227-2 II Edição nº 228-2 II Edição nº 529-2 II Total = 6 fontes como indivíduos isolados (37,5%) Edição nº 249-0 II Edição nº 250-1 II Edição nº 251-0 II Edição nº 252-2 II Total= 3 fontes como indivíduos isolados (12%) Total = 16 (100%) Total = 25 (100%) Total = (100%) Junho Dezembro Total = fontes como indivíduos isolados (%) Posições em que as peças sobre política ocupam dentro do Janeiro jornal “A Nação” 1ª Página Edição nº 227 -0 P Edição nº 228-0 P Edição nº229-0 P Total = 0 Peças (0%) Edição nº 249-0 P Edição nº 250-0 P Edição nº 251-0 P Edição nº 252-0 P Total = 0 Peças (0%) Edição nº 275-0P Edição nº 276-0P Edição nº -P Edição nº -P Total = Peças (%) Página Interior Edição nº 227 -3 P Edição nº 228- 6 P Edição nº 229- 4 P Total = 13 Peças Edição nº 249-2P Edição nº 250-7P Edição nº 251-5P Edição nº 552-6P Total = 20 Peças Edição nº 275-12P Edição nº 276-5P Edição nº -P Edição nº -P Total = Peças (%) (100%) (100%) Ultima Página Edição nº 227 -0 P Edição nº 228-0 P Edição nº 229-0 P Total = 0 Peças (0%) Edição nº 249-0P Edição nº 250-0P Edição nº 251-0P Edição nº 252-0P Total = 0 Peças (0%) Edição nº 275-0P Edição nº 276-0P Edição nº -P Edição nº -P Total = 0 Peças (%) Total das peças Total Total Total = Peças (100%) (100%) = 13 Peças (100%) 142/163 = 20 Peças Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Posições de destaque que as política peças sobre ocupam no Janeiro Junho Dezembro Edição nº 227-3 peça Edição nº 249 -0 peça Edição nº 275-4 peça Edição nº 228-1peça Edição nº 250-2 peça Edição nº 276-1 peça Edição nº 229-1 peça Edição nº 251-1 peça Edição nº - peça Total = 5 peças ocuparam páginas ímpares (38,5%) Edição nº 252-1 peça Edição nº - peça Edição nº 227-0 peça Total = 4 peças ocuparam páginas ímpares (20%) Edição nº 249-2 peça Total = peças ocuparam páginas ímpares (%) Edição nº 275-8 peça Edição nº 228-5 peça Edição nº 250-5 peça Edição nº 276-4 peça Edição nº 229-3 peça Edição nº 251-4 peça Edição nº - peças Total = 8 peças ocuparam páginas pares (61,5%) Edição nº 252-5 peça Edição nº - peça Total = 16 peças ocuparam páginas pares (80%) Total = peças ocuparam páginas pares ( %) Total = 13 peças (100%) Total = 20 peças (100%) Total = peças (100%) Janeiro Junho Dezembro de Edição nº227 -26 parg Edição nº 249 -32 parg Edição nº 275-31 parg Edição nº 228-67 parg Edição nº 250-87 parg Edição nº 276 -34 parg Edição nº229 -29 parg Edição nº 251 -52 parg Edição nº - parg Total= 122 parágrafos Edição nº 252 -94 parg Edição nº - parg Total= 256 parágrafos Total= parágrafos Edição nº 227 -13 col Edição nº 249-11 col Edição nº 275 -63 col Edição nº 228 -40 col Edição nº 250 -45 col Edição nº 276-21 col Edição nº 229 - 18 col Edição nº 251-29 col Edição nº - col Total = 71 colunas Edição nº 252 -39 col Edição nº - col Total = 124 colunas Total = colunas Janeiro Edição nº 227 - 2 Inf Junho Edição nº 249-1 Inf Dezembro Edição nº 275 -6 Inf Edição nº 228 - 2 Inf Edição nº 250-7 Inf Edição nº 276-4 Inf jornal “A Nação” Página Impar Página par Total de peças Tamanho das peças sobre política no jornal “A Nação” Número parágrafos Número de colunas Tipo de título utilizada nas peças sobre política no jornal “A Nação” Informativo 143/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Edição nº 229- 3 Inf Edição nº 251 -4 Inf Edição nº - Inf Total = 7 peças com Edição nº 252 -3 Inf Edição nº - Inf título Total= 15 peças com Total = título título informativo (%) informativo (58,3%) informativo peças com (71,4%) Apelativo Edição nº 227 - 0 Ap Edição nº 249 -0 Ap Nenhum resultado Edição nº 228 - 1 Ap Edição nº 250 - 0 Ap encontrado nas edições Edição nº 229 -0 Ap Edição nº 251 - 0Ap do referido mês Total = 1 peça com Edição nº 252- 0Ap título apelativo (8,3%) Total = 0 peça com título apelativo (0%) Interrogativo Edição nº 227-1 Int Edição nº 249 - 0 Int Nenhum Edição nº 228 -0 Int Edição nº 250- 0 Int encontrado nas edições Edição nº 229 -0 Int Edição nº 251- 0 Int do referido mês Total = 1 peça com Edição nº 252-2 Int título Total = 2 peça com interrogativo (8,3%) título resultado interrogativo (9,5%) Citativo Implicado Total Edição nº 227- 0 Cit Edição nº 249-0 Cit Edição nº 275- 2 Cit Edição nº 228- 3 Cit Edição nº 250-0 Cit Edição nº 276- 0 Cit Edição nº 229 - 0 Cit Edição nº 251-0 Cit Edição nº - Cit Edição nº - 0 Cit Edição nº 252-0 Cit Edição nº - Cit Total = 3 peças com Total = 0 peça com Total = título citativo (25%) título citativo (%) título citativo (%) Edição nº 227-0 Impl Edição nº 249-1 Impl Edição nº 275- 1 Impl Edição nº 228-0 Impl Edição nº 250-1 Impl Edição nº 276- Impl Edição nº 229-0 Impl Edição nº 251-1 Impl Edição nº - Impl Total = 0 peças com Edição nº 252-1 Impl Edição nº - Impl título implicado (%) Total = 4 peça com Total = título implicado (19%) títulos implicado (%) Total = 21 (100%) Total = 2 (100%) Total = 12 (100%) 144/163 peça com peças com Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação O tom das abordagens das peças sobre política no jornal “A Nação” Positivo Janeiro Junho Dezembro Edição nº 227-1 peça Edição nº 249-0 peça Edição nº 275-1 peça Edição nº 228-0 peça Edição nº 250-0 peça Edição nº 276-1 peça Edição nº 229-0 peça Edição nº 251-0 peça Edição nº - peça Total = 1 peças com Edição nº 252-0 peça Edição nº - peça abordagens Total = 0 peças com Total = 0 peças com abordagens abordagens positiva (%) Neutro (0%) Edição nº 227-1 peça Edição nº 249-1 peça Edição nº 275-9 peça Edição nº 228-5 peça Edição nº 250-7 peça Edição nº 276-4 peça Edição nº 229-3 peça Edição nº 251-5 peça Edição nº - peça Total = 9 peças com Edição nº 252-5 peça Edição nº - peça abordagens Total = 18 peças com Total = 0 peças com abordagens abordagens positiva Assinatura das peças sobre política no jornal “A Nação” Peças assinadas positiva positiva (%) (0%) Edição nº 227-1 peça Edição nº 249-1 peça Edição nº 275-2 peça Edição nº 228-1 peça Edição nº 250-1 peça Edição nº 276-2 peça Edição nº 229-1 peça Edição nº 251-0 peça Edição nº - peça Total = 3 peças com Edição nº 252-1 peça Edição nº - peça abordagens Total = 3 peças com Total = 0 peças com abordagens abordagens positiva (%) Total positiva (0%) (%) Negativo positiva positiva positiva (%) (0%) Total = 13 (100%) Total = 21 (100%) Total = (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 227-3 peça Edição nº 249-1 peça Edição nº 275-11 peça Edição nº 228-6 peça Edição nº 250-5 peça Edição nº 276-4 peça Edição nº 229-3 peça Edição nº 251-2 peça Edição nº - peça Total Edição nº 252-3 peça Edição nº - peça Total Total = 12 assinadas (90%) peça = 11 assinadas (%) 145/163 peça = assinadas (%) peça Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Peças não assinadas Total Assinatura das peças sobre política no jornal “A Nação” Peças assinadas com iniciais Edição nº 227-0 peça Edição nº 249-1 peça Edição nº 275-1peça Edição nº 228-0 peça Edição nº 250-3 peça Edição nº 276-1 peça Edição nº 229-1 peça Edição nº 251-3 peças Edição nº - peça Total = 1 peça não Edição nº 252-3 peça Edição nº - peça assinadas (10%) Total = 10 peça não Total = assinadas (%) assinadas (%) Total = 13 (100%) Total = 21 (100%) Total = (100%) Janeiro Junho Dezembro Edição nº 227-0 peça Edição nº 249-0 peça Edição nº 276-0 peça Edição nº 228-1 peça Edição nº 250-0 peça Edição nº 276-0 peça Edição nº 229-0 peça Edição nº 251-0 peça Edição nº - peça Edição nº 252-0 peça Edição nº - peça Total = peça assinadas com iniciais (0%) Total Total = 1 peça assinadas com iniciais (10%) Peças assinadas com o nome completo Total peça não = assinadas peça com as iniciais (%) Edição nº 227-3 peça Edição nº 249-1 peça Edição nº 275-11 peça Edição nº 228-5 peça Edição nº 250-5 peça Edição nº 276-4 peça Edição nº 229-3 peça Edição nº 251-2 peça Edição nº - peça Total = 11 (90 %) Edição nº 252-3 peça Edição nº -peça Total = 11 (100%) Total = (%) Total =11 (100%) Total = (100%) Total = 12 (100%) 146/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Anexo 2 Entrevistas Entrevista ao editor executivo do jornal A Nação José Vicente Lopes – 25 de Janeiro de 2013. Qual a situação actual do jornalismo Cabo-verdiano em relação a política? É difícil de descrever porque não vejo nada de particular que não aconteça nos outros espaços a relação existe podendo ser uma relação directa e indirecta. Cabo Verde tem vários órgãos de comunicação social, cada órgão procura relacionar com a política em função daquilo que esse órgão representa, ou seja, nós vamos encontrar varias situações neste domínio. Há alguma pressão da política sobre o jornalismo? Não sei se a pressão é o termo mais correcto há um esforço de influenciação e neste tipo de influenciação que aí é um tipo de abordagem que vai acontecendo as mais diversas formas as vezes é uma influência mais softe e há órgãos que estão mais sujeito a pressões que outros por exemplo eu entendo que os órgãos de comunicação de Estado estão mais sujeitos a pressão do que um órgão privado. O jornalismo cabo-verdiano é politizado? Tudo em Cabo Verde está politizado e o jornalismo não pode ser diferente e não sei porque que seja que o jornalismo seja tirado da realidade cabo-verdiana até um jogo de futebol é politizado imagina o jornalismo portanto. Porquê que a política domina o jornalismo cabo-verdiano em relação a outras áreas? Quem tentar fazer diferente não vai ter sucesso. Tudo é político na vida e Cabo Verde é um país pequeno onde o distanciamento entre a política e a realidade é mínimo. Como é que analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação social em relação a certos partidos políticos? Lá fora também acontece isso nós não estamos a inventar nada de novo. Questionado porque os órgãos não assumem esta relação responde: eles tem dificuldade é verdade; Tudo tem a ver com a tradição a que pertence o jornalismo cabo-verdiano. O 147/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação posicionamento ideológico dos órgãos de comunicação nos países anglo-saxónicos é claro e os outros demais países nomeadamente Portugal de onde recebemos a maior influencia há ainda o culto de isenção e distanciamento, os outros países não, sobretudo nos períodos eleitorais os órgãos de comunicação social assumem abertamente qual é o partido que apoia. Aqui em Cabo Verde não há essa pratica e eu prefiro o modelo cabo-verdiano do que o modelo anglo-saxónico o que não quer dizer que cada um não pode fazer o seu tipo de influência até porque os leitores não são carneiros se um jornalista vai votar num partido “A” esse candidato não ganha necessariamente as eleição, aqui em Cabo Verde houve um órgão apesar de ser incipiente tentou fazer isso não teve grande sucesso, por exemplo o Jornal Terra Nova já chegou a dizer meus caros leitores votam no partido ou candidato tal e nem por isso essa indicação teve correspondência de votos na urna. Há uma coisa que eu digo a todo mundo que lê jornais é que as pessoas tem a capacidade de infiltrar as mensagens que os media vão lhe proporcionar no dia-a-dia, porque as próprias pessoas fazem a sua analise e se a indicação que o texto jornalístico faz não corresponde com a percepção que a pessoa tem a pessoa simplesmente trava essa indicação ou essa influenciação. • Até que ponto a nomeação dos dirigentes dos órgãos de comunicação público pelo governo pode interferir na prática jornalista? Este é um problema que vai sempre existir enquanto Estado tiver meio de comunicação social, qualquer que for o partido que estiver no governo a nível da comunicação social vai sempre procurar dar as suas cartas e a forma de dar estas cartas é através da indicação dos responsáveis da comunicação social o que não significa, entretanto, que na abordagem quotidiana que se vai fazendo dos temas não haja algum esforço de isenção porque mesmo o corpo redactorial de cada órgão de comunicação social é constituído por mais diversas pessoas, não é um director indicado pelo PAICV ou MPD que vai obrigar o jornalista a fazer uma determinada coisa sobre tudo se um jornalista tiver “colhões”( procuram favorecer certos partidos dentro dos órgãos ) é verdade que nem todo o mundo tem “colhão” dentro do meio de comunicação do Estado, mas há gente que tem. 148/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação • Em alguns países o jornalismo adquire um grande poder e designado de «quarto poder». Sente essa força (poder) no nosso jornalismo? Porquê? Sente-se e não se sente, inclusiva esta história de “quarto poder” as vezes é um mito, porque algumas vezes em vez de “quarto poder” é “quarto do poder” convém não exagerar nem tanto a mar nem tanto a terra, isto é dificilmente um partido de governo ou algum titular de cargo público pode ignorar o que sai na comunicação social do Estado, porque se ignorar mais cedo ou mais tarde ele vai pagar por isso. • Como está o jornalismo Cabo-verdiano a assumir a sua responsabilidade pública? Ele vai assumindo da forma que achar que tem que assumir, por exemplo quando se denuncia determinadas situações ou quando se dão eco a determinadas medidas que lesam o interesse público, isto é uma forma de assumir responsabilidade e acho que esta função de assumir responsabilidade é genérica todos de uma forma geral vão cumprindo este papel, porque esta é uma das razões principais de ser de qualquer meio de comunicação social. • Muitos estudiosos designam o jornalismo cabo-verdiano de jornalismo «Sentado» (jornalismo de pouca investigação). Que análise faz desta designação? Quem criou essa expressão é uma pessoa que já não vive que é o Manuel Delgado, porque sobretudo antes da democratização do país e ainda hoje há vários órgãos de comunicação social que se limitam a veicular os pressrealeses que recebem dos mais variados serviços, tanto serviços públicos como privados e essas pessoas de forma acrítica se limitam a transcrever essas notas de informação que vão recebendo há esse jornalismo sentado por um lado e depois há um outro tipo de jornalismo sentado que é apenas cobrir as conferencias, fóruns e estes tipos de actividades e é este tipo de actividade que vai acontecendo muito em Cabo Verde, portanto não é um jornalismo que mergulha no país profundo, não é um jornalismo que sai das redacções a procura da realidade palpitante que existe neste país. 149/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Informações adicionais Eu acho que o jornalismo no seu todo tem um quadro legal definido, tem ainda limitações sobretudo materiais, financeiros porque a luta pela publicidade acaba por condicionar muitas vezes o exercício da actividade jornalística, são elementos que nós precisamos ter em conta, mas o quadro está definido só não faz melhor quem não quer, isto também é um facto. Entrevista ao jornalista político do jornal A Nação Daniel Almeida – 25 de Janeiro de 2013. • Qual a situação actual do jornalismo Cabo-verdiano em relação a política? No meu ponto de vista existe um certo amorfismo da comunicação social em relação a política tendo em conta que os órgãos de comunicação social e essencialmente do Estado e os jornalistas funcionam essencialmente a reboque da agenda do governo, nomeadamente conferências de imprensa e outras coisas não há uma agenda praticamente própria dos órgãos de comunicação social e essencialmente os órgãos públicos em relação a política vão praticamente a reboque das instituições e dos políticos, mas nos últimos tempos verifica-se que há uma tendência de inversão desta situação essencialmente em relação a imprensa privada, fruto daquilo que a imprensa privada tem feito com uma certa acutilância tem provocado algumas situações que se tem vindo a trazer ao público, nomeadamente os escândalos relacionadas com as obras públicas etc. • Há alguma pressão da política sobre o jornalismo? Eu acho que não neste momento os jornalistas tentam impor-se, no passado existiu, mas há sempre esta tentativa e os jornalistas de uma forma geral tem estado a tomar consciência da importância que tem no sentido de fazer a ponte com a sociedade civil, 150/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação por isso acho que os políticos se em momentos fizeram essa pressão, hoje em dia, não fazem, porque sabem-se se fizerem esta pressão podem sair chamuscados. • O jornalismo cabo-verdiano é politizado? Não, por aquilo que eu entendo trabalho num jornal privado que inicialmente era conotado com um partido político, mas por aquilo que nos produzimos e por aquilo que o jornal põe ca fora nota-se que há um claro divórcio entre as diferentes edições com a classe política • Porquê que a política domina o jornalismo cabo-verdiano em relação a outras áreas? É um facto incontornável, infelizmente em Cabo Verde a política continua a ser o prato forte da informação, porque como se diz o cabo-verdiano gosta de intriga, fofoca e normalmente quando se traz um jornal sem política os leitores dizem o jornal está fraco, por isso que há uma tendência de preencher os jornais e os serviços noticiosos de Rádio e Televisão com uma fatia importante de aspecto político. Até porque é na política que se registam mais casos há mais notícias, há mais informações, os políticos, o governo as assembleias passam a vida inteira a bombardear as redacções com notas de imprensa, conferências de imprensa, e são eles que detêm o protagonismo, na esfera social aparecem algumas notícias mas são as mais bombásticas é que normalmente “vendem”, como casos de assassinatos, roubos etc. são os que mais predominam e por isso é difícil livrar da supremacia dos aspectos políticos no jornalismo. Em alguns países o jornalismo adquire um grande poder e designado de «quarto poder». Sente essa força (poder) no nosso jornalismo? Porquê? Como se sabe a comunicação social é o “quarto poder” e como “quarto poder” tem a função de orientar e controlar os outros poderes, por isso tem de haver cada vez mais 151/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação intervenções de jornalistas e órgãos de comunicação social no sentido de fazer esse controlo para evitar desvios que poderão custar caro a nação. Se não houvesse uma massa critica e jornais a denunciarem não sabe o que poderia acontecer com diferentes sociedades onde são os políticos que mandam. Há exemplos de muitas situações onde a imprensa é manietada não tem voz e onde não há uma imprensa livre existe ditadura e os jornalistas devem fazer tudo de forma que evita o surgimento de ditaduras. O quarto poder em Cabo Verde funciona e acho que podia ser melhor, mas tem funcionado ao seu nível. • Como é que analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação social em relação a certos partidos políticos? São os partidos políticos que dizem isso, eu não considero que aja uma aproximação pode haver situações mais ou menos dúbias mas acho que não é nada de peso os partidos políticos que quando estão em dificuldades que tentam lançar estas farpas nomeadamente aos órgãos privados dizendo que tal órgão está mais próximo do partido A ou B, mas de uma forma geral os jornais tentam fazer os seus trabalhos com uma certa independência. • Até que ponto a nomeação dos dirigentes dos órgãos de comunicação público pelo governo pode interferir na prática jornalista? Os órgãos de comunicação pública são órgãos de governo é o governo que gere o Estado e compete ao governo eleger pessoas que lhe da garantia para fazer uma boa gestão administrativa dos órgãos. Mas no que tange a gestão informativa eu acho que compete as administrações fizerem isso mas no estrito escrupuloso respeito das leis que existem sobre a matéria, porque para ser dirigente de um órgão de comunicação social a condição sine-quanon deve ser jornalista • Como está o jornalismo Cabo-verdiano a assumir a sua responsabilidade pública? Vai tentando fazer o seu papel eu acho que o jornalismo hoje já não é o jornalismo que tínhamos há dez vinte anos atrás é um jornalismo mais acutilante fazendo denuncias de situações menos boa e também orientando a classe política para no sentido de enveredarem para caminhos considerados positivos. 152/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação • Muitos estudiosos designam o jornalismo cabo-verdiano de jornalismo «Sentado» (jornalismo de pouca investigação). Que análise faz desta designação? Por acaso esta é uma tendência que não podemos camuflar, mas creio que isso passa essencialmente nos órgãos de comunicação do Estado, porque se não forem cobrir uma conferência de imprensa ou o lançamento de uma pedra ou uma construção relacionada com a agenda do governo, logo o ministro telefona para directores e redacção a tomar satisfações para perguntar porquê que o órgão “X” ou “Y” não esteve. Exemplo disso é quando vamos para uma conferência de imprensa enquanto não chegar a televisão do Estado (TCV) a conferência fica em espaço de espera: o problema é que os políticos dão mais importância a Televisão e a Rádio pública do que aos outros órgãos de comunicação e por isso há essa tendência dos órgãos públicos cobrirem tudo que ou quase tudo que o governo ou os políticos fazem aqui em Cabo Verde. Informações adicionais Que análise faz da descida de Cabo Verde no ranking do índice da liberdade de imprensa dos repórteres sem fronteiras? A presidente da AJOC já disse que isso deveu ao facto de ser utlizado uma nova metodologia, mas eu acredito que a posição que estávamos anteriormente não correspondia realmente ao nosso ranking e acho que no 25º lugar estamos muito bem e anterior qualificação não correspondia a realidade dos factos. Até que ponto a falta de jornalistas especializados tem afectado a prática do jornalismo no dia-a-dia em Cabo Verde? O problema é que não temos grandes meios de comunicação social quem poderia fazer isso com mais cuidado seria os órgãos de imprensa escrita, mas tem limitações de varias ordens limitações financeiras como sabe os jornais não dão retorno financeiro de grande montra e as publicidades que normalmente sustentam os jornais e não há como ter jornalistas especializados e o jornalista tem de ser uma espécie de clinico geral fazer de tudo porque não há meios financeiros para os suportar, mas essencialmente já nos órgãos privados nos jornais já se nota uma tendência por uma certa especialização o que não se regista nos órgãos públicos de televisão e rádio, onde realmente tem meios e poderia fazer esse papel . Entrevista ao jornalista/chefe de redacção do jornal Expressos Das Ilhas Jorge Montezinho – 11 de Fevereiro de 2013. 153/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação • Qual a situação actual do jornalismo Cabo-verdiano em relação a política? Falando de uma forma geral o jornalismo é sempre contra a política. O jornalismo é sempre contrapoder nunca pode ser amigo do poder o jornalista deve vigiar muito atentamente os restantes poderes e neste momento em Cabo Verde no Expressos da Ilhas já estamos a ter este trabalho, nos outros jornais as vezes quando os casos são tão descarados aos quais eles não podem fugir eles tem que fazer também esta vigilância de outra maneira isto não acontece. • Como é que analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação social em relação a certos partidos políticos? Muitas vezes conotam-se o Expressos das Ilhas com MPD e o A Semana e A Nação com o PAICV, eu por Expressos das ilhas posso falar ninguém nunca nos pressionou a escrever notícias contra o governo tentamos ser um jornal mais independente possível e ser independente é isto é estar a fazer marcação cerada aquilo que o governo está a fazer mas também aquilo que a oposição também está a fazer, porque a política não é só o governo o parlamento e a maioria também há a oposição e a oposição também tem que trabalhar e os jornalistas tem que estar vigilante sobre o trabalho da oposição. O jornalismo tem de ser feito com factos com dados com documentos e não baseado no “diz-se, diz-se” que é o que se faz muito em Cabo Verde. Em Cabo Verde a situação que passa é isto temos um órgão tenta ser independente, tenta ser vigilante e temos órgãos que passam mensagens oficiais de governo sem interpretar essa mesma mensagem o que faz com que estejamos a manipular as pessoas no fundo. Há alguma pressão da política sobre o jornalismo? Logicamente que sim isto não é apenas sobre o jornalismo cabo-verdiano é a nível mundial. A política pressiona-nos sempre, porque nós somos um veículo por excelência para chegar as populações, por exemplo aparecer nos media que o governo ofereceu cinco botes aos pescadores do bairro do brasil é uma propaganda extraordinária, e há sempre pressões. Nós também pressionamos os políticos não vamos estar aqui a brincar, não no sentido de os chantajar, no sentido que queremos que nos respondam a isso. O jornalismo cabo-verdiano é politizado? Cabo Verde é politizado todo o país é politizado nós não podemos dar um passo seja por onde for, nós não podemos discutir o que for sem a política vir lá de cima, e o jornalismo caboverdiano é politizado logicamente, há aqui duas questões fundamentais, o jornalista é pessoa e 154/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação como pessoa tem os seus ideais políticos tem as ideologias religiosas, quando esta escrevendo isto tem que ficar de parte, logicamente que vai ter uma influencia porque a objectividade cem por cento (100%) não existe, nós somos seres humanos novamente, nós escrevemos aquilo que vemos, se alguém nos tapar um bocadinho da folha com a mão nós já não estamos a escrever sobre a parte que está tapada. A objectividade não existe o jornalista tem que saber separar as coisas, não pode aplaudir um ministro se gosta dele pessoalmente e se ele está a fazer asneiras ele tem que escrever que ele está a fazer asneiras tem que haver esta separação, por isso que não é jornalista quem quer ou quem pode é jornalista quem sente preparado para isso, em relação a politização dos jornais estão politizados mas não são só os jornais tudo na sociedade cabo-verdiana está politizada. Porquê que a política domina o jornalismo cabo-verdiano em relação a outras áreas? É mas isto é um fenómeno mundial não é só em Cabo Verde, curiosamente com o inicio da crise quando os jornais começaram a perder vendas houve um único só jornal que ganhou “All stret journal” nos E.U.A., subiu nas vendas apostou em quê, política e opiniões, muitas vezes há assuntos que não tem muito a ver com a política mas que são politizados se calhar nos convém a nós começar a fazer esta separação. Sente-se a influência de jornalismo em Cabo Verde sobre a política? Em Cabo Verde não há tanto esse fenómeno porque os políticos usam os jornais para passarem as suas mensagens simplesmente, não uma vigilância constante por parte dos jornalistas. O que se sente também é que falta uma massa crítica interveniente das pessoas que estão a vontade pra falarem aquilo que querem, somos uma sociedade pequena e pobre e no fundo é máquina do Estado que está a movimentar todo o país, e se calhar é por isso que vês que aqui as coisas que lá fora davam direitos a escândalos a demissão de governantes a processos em tribunal aqui aquilo passa despercebido e ninguém se chateia. • Até que ponto a nomeação dos dirigentes dos órgãos de comunicação público pelo governo pode interferir na prática jornalista? Isto é uma questão antiga que passa em muitos países, normalmente os directores dos órgãos públicos são cargos políticos, eu acho que não deveria ser porque os órgãos públicos de comunicação não são órgãos políticos de comunicação, órgão público é de todos nós o trabalho deles é para com a população, no sentido de educar, formar, de informar, etc. Em alguns países o jornalismo adquire um grande poder e designado de «quarto poder». Sente essa força (poder) no nosso jornalismo? Porquê? 155/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Não, porque em Cabo Verde ainda não é esse poder de influência, mas havemos de chegar lá, e o jornalismo nunca deve ser poder deve ser sempre contrapoder quanto a min, e espero que as novas gerações de jornalistas não venham com a ideia de chamar a atenção para um dia chegar a assessores que venham com a vontade de ser4em jornalistas para defenderem o povo cabo-verdiano. • Como está o jornalismo Cabo-verdiano a assumir a sua responsabilidade pública? Mais uma vez falo do Expressos que é aquilo que eu conheço. Cada vez mais estamos a assumir esta função, no nosso jornal não sai nenhuma noticia baseado em boatos e muito raro sai uma notícia baseada numa fonte anónima, só quando a importância da informação é demasiado grande e nós temos comprovação de outras fontes é que sai uma notícia com fonte anónima. Mas isto é excepção por regra toda nossa informação ou é baseada em documentos que nos temos acesso ou em fontes perfeitamente identificada. • Muitos estudiosos designam o jornalismo cabo-verdiano de jornalismo «Sentado» (jornalismo de pouca investigação). Que análise faz desta designação? Mais uma vez temos a questão de os jornais não terem meios financeiros para enviar os jornalistas para fora, mas o próprio jornalista é demasiado preguiçoso naquilo que faz na maior parte das vezes. É no jornalismo no terreno que nós vemos as coisas, ninguém nos conta nós estamos lá e vemos, o jornalismo no terreno é fundamental, o que não quer dizer que o jornalismo de gabinete não seja bem feito, agora para se fazer jornalismo de gabinete não é ligar uma pessoa e fazer uma notícia é ligar uma pessoa consultar informações é ler muito, é ir a internet, ir aos arquivos do próprio jornal e só assim que se faz informação de gabinete de qualidade. O jornalismo faz-se olhos nos olhos. Entrevista a doutora Ondina Ferreira 18 de Fevereiro de 2013 · Que avaliação faz do jornalismo cabo-verdiano em relação a actuação no campo da política? Na minha opinião, o Jornalismo em Cabo Verde, grosso modo, não tem “vida própria,” isto é, não faz opinião pública. Encontra-se sem ideias para fornecer instrumentos de cidadania à sociedade civil. Para mim é nisto que reside o grande serviço dos media. Daí que ande, ou tem andado, quase sempre, a reboque do que o poder político lhe fornece. · Para alguns estudiosos o jornalismo cabo-verdiano é politizado, que percepção tem desta situação? Fazendo uma “ponte” com o que foi dito na resposta anterior, não estaria longe da verdade, se dizer que ele é menos politizado, (no sentido em que a política é uma ciência social), mas mais “partidarizado” e imbuído de um maniqueísmo, em que ressalta a visão: ou é branco ou é preto. Sem se lembrar que há uma palete de cores. Se me for permitido esta metáfora. 156/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação · Para alguns profissionais de comunicação social há uma grande influência da política sobre o jornalismo, situação esta que para eles mancha a prática de um jornalismo de rigor. Qual é a sua opinião sobre esta situação? Talvez seja verdade. Mas a responsabilidade disso caberá também ao jornalismo que se não “descola” do poder político, e consiga uma certa independência na análise e na visão dos problemas com que se defronta o país. · Em muitos países alguns estudiosos designam o jornalismo/media de “quarto poder”. O jornalismo cabo-verdiano abrange esta designação? Porquê? No meu entender, ainda não. Ainda não é o tal “quarto poder.” Apesar de já estarmos no séc. XXI. O Jornalismo cá praticado ou é pró, ou é contra, dependente sempre da situação em vigor. Não existe meio-termo, nem variedade opinativa no sentido global. · Uma das funções do jornalismo é vigiar a actuação dos restantes poderes. O jornalismo cabo-verdiano tem assumido esta responsabilidade? Sim, os jornais ditos da oposição tem feito algum trabalho, há que reconhecê-lo, embora lhes falte ainda alguma profundidade e sobranceria, para não dizer “despessoalização” (que me seja permitida esta expressão) na forma como criticam, ou vigiam o poder político. · Como é que vê/analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação social em relação a certos partidos políticos? Depende, pois há jornais assumidamente partidários. Quando dependem e pertencem a Partidos políticos, nada contra. Agora, Jornais que recebem subvenção do Estado, em certa medida pagos pelos Contribuintes e a fazer ou a prestar, serviço partidário ou apenas situacionista, andarão muito mal… · Que análise faz da descida de Cabo Verde no ranking da liberdade de imprensa dos repórteres sem fronteiras? É sempre sinal negativo a descida. E creio que esta não foi negligenciável… Reflectirá como anda actualmente a liberdade de imprensa em Cabo verde. Entrevista ao líder parlamentar do PAICV- José Manuel de Andrade- 17 de Fevereiro de 2013. Que avaliação faz do jornalismo cabo-verdiano em relação a actuação no campo da política? A comunicação social em Cabo Verde tem um papel importante relativamente a comunicação política, porque a comunicação política influencia e envia mensagens. A comunicação social tem procurado e veiculado as comunicações políticas dos partidos e dos órgãos do poder naturalmente as vezes manipulando. Este é um grande problema que nós temos porque não há uma instância de regulação em funcionamento e temos muita esperança que a entidade reguladora da comunicação social venha ter um papel importante no sentido de normalizar a actuação da comunicação social. Existem observações críticas de que há tendências de alguns 157/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação órgãos de comunicação social por certos partidos políticos e algumas situações de discriminação. Para alguns profissionais de comunicação social há uma grande influência da política sobre o jornalismo, situação esta que para eles mancha a prática de um jornalismo de rigor. Qual é a sua opinião sobre esta situação? A política tem influência sobre o jornalismo a medida que o grosso da comunicação é de teor político e esta influência acaba por criar tendências, tendências de aproximação que as vezes ferem o princípio da imparcialidade. Quando se aborda sobre a influência da política sobre os órgãos de comunicação social há uma tendência em que isto verifica com maior frequência nos órgãos de comunicação publico porque nos órgãos privados como dizem há um maior esbatimento segundo dizem há uma maior liberdade há menos autocensura, mas o que nós dizemos aqui o quadro actual que nós vivemos é de há uma ampla liberdade e as limitações que possa haver por influenciação ou por presunção de influenciação do poder político tem mais a ver com os nichos de relação laboral que existe. Em muitos países alguns estudiosos designam o jornalismo/media de “quarto poder”. O jornalismo cabo-verdiano abrange esta designação? Porquê? Desde há longo tempo que o jornalismo é quarto poder, porque influencia sentido de orientação política das pessoas, o jornalismo tem a possibilidade de “manipular” o certo sentido de tendência para a gestão do poder. E em Cabo Verde nem tanto nós sentimo-lo, as vezes sim, as vezes não também, mas o jornalismo não se cinja apenas a veiculação dos factos noticiosos há artigos de opinião há juízos de valores que nas comunicações se introduzem e criam uma certa tendência para influenciação do povo na variação do exercício do poder político nesta perspectiva nós sentimos isto, porque há órgãos de comunicação social claramente conotados com determinadas forças politicas. Para alguns estudiosos o jornalismo cabo-verdiano é politizado, que percepção tem desta situação? O grosso do produto da comunicação social são fatos políticos que têm a ver com actividades dos órgãos políticos, órgãos de Estado, órgãos partidários e nesta perspectiva entende-se que nos órgãos de comunicação social queiram transmitir uma certa tendência comunicativa 158/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação favorável a um lado ou a outro. Há alguma autocensura ou tendência clara de posicionamento em função das convicções políticas dos jornalistas. Uma das funções do jornalismo é vigiar a actuação dos restantes poderes. O jornalismo cabo-verdiano tem assumido esta responsabilidade? Julgo que sim, não só na produção de debates com contraditórios, mas também na veiculação de artigos de opinião e na discrição de factos. Nós já temos vários casos em que as instâncias judiciais já tiveram agido mediante as denúncias da comunicação. Que analise faz pelo facto de ser o governo a nomear os dirigentes dos órgãos de comunicação social público? Nós estamos num Estado de direito que as leis funcionam, se lei diz que é o governo que tem que nomear nos não temos outra alternativa. O jornalismo cabo-verdiano tem assumido a sua responsabilidade política? Julgo que de algum modo, muitas vezes até com excesso, por exemplo quando vejo algumas atuação de alguns órgãos privados, mas de um certo tem cumprido razoavelmente, pois Cabo Verde em relação aos índices de avaliação dos órgãos de comunicação social tem tido uma boa avaliação. Como vê a questão de especialização dos profissionais de comunicação em relação a atuação no ramo da política? Este é um grande desfio da comunicação social em Cabo Verde, é por isso que temos os meios de comunicação a recorrer sempre a governos e políticos como seus fontes, de certeza se tínhamos jornalistas especializados em Cabo verde/órgãos de comunicação, na altura da preparação das suas notícias saberiam bem qual a fonte melhor preparada para posicionar e pronunciar sobre determinados assuntos. Entrevista ao líder parlamentar do MPD Elísio Freire no dia 07 de março de 2013 Que avaliação faz do jornalismo cabo-verdiano em relação a actuação no campo da política? Considero que neste momento o problema do jornalismo em relação a política não é tanto um problema criações de condições legais, acima de tudo uma questão de atitude, atitude dos jornalistas e também da classe política mais concretamente de quem está no poder. Neste momento em Cabo Verde em relação a imprensa escrita o que nós temos é uma imprensa partidária e não uma imprensa independente enquanto a rádio e a televisão pública transformaram em grandes porta-vozes do governo em vez de serem porta-vozes dos cidadãos/sociedade civil. O papel do jornalismo na política em Cabo Verde tem sido mais vozes dos partidos do que propriamente vozes da verdade. 159/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Para alguns estudiosos o jornalismo cabo-verdiano é politizado, que percepção tem desta situação? O jornalismo cabo-verdiano está altamente politizado é dos sectores que menos evolui nos últimos vinte anos. Em muitos países alguns estudiosos designam o jornalismo/media de “quarto poder”. O jornalismo cabo-verdiano abrange esta designação? Porquê? Os media em Cabo Verde não assumiram o papel do quarto poder, a perceção que se tem neste momento do jornalista em nome de um silencio conveniente e de uma satisfação divorciada como tão bem diz Silvino Évora, estes resolveram fazer “fretes” ao poder instituído em vez de falar a verdade. O jornalismo cabo-verdiano tem assumido a sua responsabilidade política? Penso que não porque os jornalistas aqui em Cabo Verde não fazem investigações, temos alguns casos de corrupção, violência policial e os jornalistas não trabalham sobre estes aspectos para investigar e procurar as veracidades, os nossos jornalistas são bastantes passivos e acomodados e é por isso que é um dos sectores que menos evoluiu no país. Que analise faz pelo facto de ser o governo a nomear os dirigentes dos órgãos de comunicação social público? Esta questão nomeação do conselho da administração e dos directores dos órgãos de comunicação pelo governo está claramente a atrofiar aquilo que é a liberdade de imprensa e a liberdade do próprio jornalista. Eu não me importo nada se um privado pode adotar a linha editorial que quiser, não me preocupo se o jornal A Semana seja do PAICV ou se tem uma linha editorial próxima do PAICV, o que preocupante é se os órgãos públicos venham ser bastante próximo dos partidos, pois deveriam reflectir a pluralidade e serem o mais isento possíveis, mas na prática em Cabo Verde isto não tem acontecido. Para alguns profissionais de comunicação social há uma grande influência da política sobre o jornalismo, situação esta que para eles mancha a prática de um jornalismo de rigor. Qual é a sua opinião sobre esta situação? Por acaso existe uma grande pressão dos políticos sobre o jornalismo sobretudo os políticos que estão no poder que pressionam os jornalistas a fazerem o trabalho da forma como quiserem, podemos constatar que em Cabo Verde um director geral tem mais imprensa e tem mais capacidade de estar/influenciar a imprensa de que um outro deputado da oposição, isto mostra bem o grau de politização e partidarização que a comunicação social chegou, mas o culpado principal desta situação são os jornalistas que são por vezes coniventes. Sente-se a influência de jornalismo em Cabo Verde sobre a política? Não o que pode se constatar é uma constante influência da política sobre o jornalismo. Um dos factores que não tem contribuído para que haja a influência do jornalismo sobre a política 160/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação é porque temos jornalistas partidários e jornalistas passivos sem vontade de ir ao além, de criar assuntos que geram grandes debates no seio da sociedade. Como vê a questão de especialização dos profissionais de comunicação em relação a atuação no ramo da política? Podemos observar que a falta de especialização tem impedido muitos jornalistas de desenvolverem os seus temas de uma forma mais eficiente, mas a questão fundamental é a da atitude e da relação marcadamente que existe entre os poderes instituídos e os jornalistas é preciso quebrar/fazer roturas para que o resto funciona como deve ser. Entrevista a directora do jornal A Semana, Dr.ª Filomena Silva, no dia 08 de março de 2013. Que avaliação faz do jornalismo cabo-verdiano em relação a actuação no campo da política? O jornalismo como diversas ciências sociais tem de tudo, diversos graus, níveis, uns mais ligados do que outros, porque o jornalismo da informação se faz com isso, com política, casos sociais, há outros que preferem dar mais enfâse a questões económicos. Eu acho que há uma certa mistificação de pessoas, normalmente estudiosos e académicos que nunca frequentaram redação, nunca estiveram perto de um jornal e acabam como uma certa mistificação de que o jornalismo cabo-verdiano está colado a política, mas a minha pergunta é que jornalismo não está colado a política? O jornalismo é uma ciência social que retrata as relações humanas, assim como as relações de poder e a política faz parte do dia-a-dia do jornalismo e o jornalismo deve acompanhar e ter o político como uma parte essencial da democracia, da liberdade de expressão, da governação, porque nós precisamos da política para podermos cinzar o nosso futuro, para consolidar o nosso presente e olhar sem misticismo e sem complexo a nossa realidade, o jornalismo não vive sem a política e a política não vive sem o jornalismo, cada um com um grau mais ou menos de dependência. Até que ponto o jornalismo tem sido um “contrapoder” sobretudo em Cabo Verde? O jornalismo não tem que ser contrapoder necessariamente, porque o jornalismo para ser credível muitas vezes tem que elogiar o poder e muitas vezes também um companheiro do poder, mas também tem o direito de exercer o seu papel de contrapoder numa determinada situação, isto não quer dizer que tem que ser sempre contrapoder, pois que estas conceções já são algo que já está ultrapassado. E qualquer órgão de comunicação social tema sua linha editorial, com as suas bandeiras no caso do jornal a semana são, liberdade de expressão, democracia e dar voz aos que menos tem, lutar pela saúde, educação ambiente, justiça. O jornalismo deve aplaudir quando as coisas estão bem e assim também criticar e alertar o governo quando as coisas não estão bem. 161/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Uma das funções do jornalismo é vigiar a actuação dos restantes poderes. O jornalismo cabo-verdiano tem assumido esta responsabilidade? O jornalismo em Cabo Verde tem assumido muito bem esta função, nós temos um bom jornalismo, nós estamos num país onde tudo é vigiado, o jornal A Semana faz isso todos os dias, quando o jornal dá voz aos que não conseguem bem perto dos governantes, quando fazemos avaliação dos trabalhos dos deputados e denunciamos a falta de água em algumas localidades, isto estamos a vigiar e cumprir uma parte da nossa responsabilidade. E repara os nossos políticos respeitam e de que maneira os nossos jornalistas que temos no país. Em muitos países alguns estudiosos designam o jornalismo/media de “quarto poder”. O jornalismo cabo-verdiano abrange esta designação? Porquê? O nosso jornalismo não está de boa saúde, porque o jornalismo nunca está de boa saúde, mas podemos afirmar que o nosso jornalismo abrange a designação do “quarto poder”, mas é preciso realçar que temos muitas dificuldades no jornalismo sobretudo na arrecadação de meios financeiros. Para que os órgãos possam cumprir melhor as suas responsabilidades é preciso que se crie leis que dão mais incentivos de forma que possam possibilitar que o jornalismo funcione sem grandes constrangimentos. E para cumprir melhor o seu labor os jornalistas tem que se formar por se próprio, ler mais, ouvir músicas etc. • Muitos estudiosos designam o jornalismo cabo-verdiano de jornalismo «Sentado» (jornalismo de pouca investigação). Que análise faz desta designação? Eu não estou de acordo com esta designação, pois as pessoas fazem estes tipos de afirmação se calhar nunca tentaram exercer jornalismo na prática. Nos temos bons jornalistas aqui no país e os jornalistas têm esforçado muito para procurar conteúdos de forma a informar os cidadãos deste país. · Como é que vê/analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação social em relação a certos partidos políticos? Não vejo nenhum mal nisso, isto acontece em todo o lado, por exemplo nós assistimos quando o jornal New York Times proclamou que é para eleição Obama. Os jornalistas são cidadãos. Não existe nenhum jornalismo imparcial, isto já seria cientista. O jornalismo faz a sua leitura e da aos cidadãos elementos para se descodificarem. Dizer que um jornal é ligado a esquerda não vejo mal nenhum nisso, A Semana sim é um jornal ligado a esquerda, mas isto não quer dizer que todos os jornalistas do jornal se identificam com os ideais da esquerda. E se isso coincide com um partido da esquerda otimo, mas isto não quer dizer o fato de termos a mesma matriz que estejamos sempre de acordo. Por exemplo nós encontramos em França jornais como Le Monde, Liberation entre outros que estão ligados a certos partidos. Seria mesmo hipocrisia dizer que não se identifica com um tal partido, o correto e garantir a pluralidade e se identificar. Eu posso afirmar sim que o A semana é próximo do PAICV, pois o jornal é próximo dos ideais de esquerda. É difícil afirmar estas posições publicamente, mas estão bem visíveis as posições tomadas é basta analisar os editoriais. 162/163 Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação Que analise faz pelo facto de ser o governo a nomear os dirigentes dos órgãos de comunicação social público? Isto não é uma particularidade de Cabo verde, pois eles são nomeados pelo patrão e o patrão é governo e um órgão público tem que ter controlo do poder. Já chefias intermédias seria uma outra coisa, há que ter maior participação participação dos jornalistas nas redações. 163/163