André Carlos Brito
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social
Análise dos jornais: A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação
Universidade Jean Piaget de Cabo Verde
Campus Universitário da Cidade da Praia
Caixa Postal 775, Palmarejo Grande
Cidade da Praia, Santiago
Cabo Verde
15.9.14
André Carlos Brito
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social
Análise dos jornais: A Semana. Expressos das Ilhas e A Nação
Universidade Jean Piaget de Cabo Verde
Campus Universitário da Cidade da Praia
Caixa Postal 775, Palmarejo Grande
Cidade da Praia, Santiago
Cabo Verde
15.9.14
Memória Monográfica apresentada à
Universidade Jean Piaget de Cabo Verde
Como parte dos requisitos para a obtenção do
grau
de
licenciatura
em
Ciências
Comunicação-Variante Jornalismo
Cidade da Praia ao 15 de Julho de 2013
André Carlos Brito
da
Sumário
“Jornalismo e o poder político: jogos de força na esfera social” é o tema proposto para este
trabalho, com o propósito de obtenção do grau de licenciatura em Ciências da Comunicaçãovariante jornalismo.
Com este trabalho, pretende-se analisar as relações existentes entre o jornalismo e o poder
político e as influências que cada um exerce sobre o outro. E que consequências podem surgir
das influencias exercidas entre esses dois ramos.
Para o estudo de caso, tomamos como referências as edições dos jornais A Semana, Expressos
das Ilhas, A Nação, publicadas durante os meses de Janeiro, junho, dezembro referentes ao
ano 2012, procurando demonstrar através das análises feitas das notícias publicadas que
abordam questões políticas nestes semanários quais são as posturas destes jornais. E, por fim,
os resultados da análise foram confrontados com os depoimentos dos jornalistas/directores
desses semanários.
Análise, esta, que foi conduzida continuamente pelos objetivos expostos na introdução do
presente trabalho.
Agradecimentos
Queria agradecer a todos que, de forma indireta ou direta, colaboraram para a efetivação deste
trabalho. Agradeço á Deus pela coragem e força que me tem concedido sempre para enfrentar
os meus desafios.
Aos meus colegas da CCO e aos meus queridos professores, em particular o meu orientador
Doutor Silvino Évora, que me deu pistas valiosas para levar adiante o meu conhecimento
científico.
Da mesma forma, queria manifestar os meus reconhecimentos às pessoas que estiveram
próximas, dando todo o apoio, a minha família, em especial aos meus pais, minha querida
namorada, que tem contribuído imenso com a sua paciência e amor.
Um obrigado ao José Mário Correia, Carlos Santos e Benvindo Neves e a todos trabalhadores
da Uni-Piaget.
Dedicatória
Aos meus pais, Maria Benvinda Semedo Brito, José Henrique Lopes Tavares que souberam
transmitir-me uma educação aprimorada. Aos meus irmãos, Jacqueliny Brito, Niltom Brito,
Jónica Brito, Denice Brito, Cleide Brito e ao eterno amor da minha vida Jessica Gonçalves.
Á Deus por tudo.
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Conteúdo
Introdução .....................................................................................................................................................11
1.
2.
Hipóteses ............................................................................................................................................ 14
Perguntas de partidas: ......................................................................................................................... 14
Capítulo 1: Jornalismo e sociedades democráticas .......................................................................................16
1.1
1.2
1.3
1.4
1.5
1.6
Informar numa sociedade democrática ............................................................................................... 16
Profissional do Jornalismo: entre a isenção e a imparcialidade .......................................................... 21
Guerra dos Conceitos: Objetividade ou neutralidade? ....................................................................... 25
Fundamentos do Jornalismo: O Serviço Público ................................................................................ 29
As Fontes no Jornalismo .................................................................................................................... 32
Economia dos Media: financiamento dos órgãos de comunicação social .......................................... 36
Capítulo 2: Relações de Poder: Jornalismo e Poder Político ........................................................................41
2.1
2.2
2.3
2.4
2.5
2.6
2.7
A Mediatização da Política;................................................................................................................ 41
Marketing Político ou Marketing na Política? .................................................................................... 46
O Poder dos Media na Esfera Democrática ........................................................................................ 50
Jornalismo: Responsabilidade Social ou Responsabilidade Política?................................................. 55
Estudo da Agenda: A agenda-setting (Agenda Mediática, Agenda Pública e Agenda Política) ........ 60
Comunicação Social: Quarto Poder ou Contrapoder? ........................................................................ 63
Comunicação Social e Mediação ........................................................................................................ 67
Capítulo: Análise de conteúdo e discrição dos resultados ............................................................................73
3.1 Discrição dos jornais .......................................................................................................................... 73
3.1.1
Caracterização da amostra ........................................................................................................ 74
3.2 Análise de conteúdo e discrição dos resultados .................................................................................. 74
3.2.1
Géneros jornalísticos predominantes na política ....................................................................... 74
3.2.2
A predominância das fontes jornalísticas nas peças políticas ................................................... 81
3.2.3
Tipologia de títulos predominantes ........................................................................................... 90
3.2.4
Destaque das peças jornalísticas sobre a política nos jornais .................................................... 95
3.2.5
Natureza dos discursos ............................................................................................................ 106
Conclusão ....................................................................................................................................................113
Bibliografia ..................................................................................................................................................119
Anexo1 .........................................................................................................................................................123
Anexo 2 Entrevistas ......................................................................................................................................147
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Quadros
QUADRO 1 - AS FONTES NO JORNAL “A NAÇÃO”.............................................................................................................. 87
QUADRO 2 - ASSINATURA DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A NAÇÃO”....................................................................... 88
QUADRO 3 - POLÍTICA COMO MANCHETE NO JORNAL “A SEMANA” ..................................................................................... 95
QUADRO 4 - PEÇAS SOBRE POLÍTICA COMO “CHAMADA DE 1ª PÁGINA NO JORNAL A SEMANA ................................................... 96
QUADRO 5 - POSIÇÕES EM QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM DENTRO DO JORNAL “A SEMANA” ....................................... 97
QUADRO 6 - TAMANHO DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A SEMANA”........................................................................ 98
QUADRO 7 - POLÍTICA COMO MANCHETE NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ...................................................................... 99
QUADRO 8 - PEÇAS SOBRE POLÍTICA COMO “CHAMADA DE 1ª PÁGINA NO JORNAL EXPRESSOS DAS ILHAS .................................... 99
QUADRO 9 - TAMANHO DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS”....................................................... 101
QUADRO 10 - POLÍTICA COMO MANCHETE NO JORNAL “A NAÇÃO” ................................................................................... 102
QUADRO 11 - PEÇAS POLÍTICAS COMO “CHAMADA DE 1ª PÁGINA NO JORNAL “A NAÇÃO” ..................................................... 102
QUADRO 12 - POSIÇÕES DE DESTAQUE QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM NO JORNAL “A NAÇÃO” .................................. 104
QUADRO 14 - TAMANHO DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A NAÇÃO” .................................................... 104
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Ilhas e A Nação
Gráficos:
GRÁFICO 1 - GÉNEROS JORNALÍSTICOS NO JORNAL “A SEMANA” ......................................................................................... 76
GRÁFICO 2 - GÉNEROS JORNALÍSTICOS NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ........................................................................... 78
GRÁFICO 3 - GÉNEROS JORNALÍSTICOS NO JORNAL “A NAÇÃO” ........................................................................................... 79
GRÁFICO 4 - AS FONTES NO “A SEMANA” ....................................................................................................................... 82
GRÁFICO 5 - ASSINATURA DAS PEÇAS NO “A SEMANA”...................................................................................................... 83
GRÁFICO 6 - ASSINATURA DAS PEÇAS NO “A SEMANA”...................................................................................................... 84
GRÁFICO 7 - AS FONTES NO “EXPRESSOS DAS ILHAS” ........................................................................................................ 84
GRÁFICO 8 - ASSINATURA DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ...................................................... 86
GRÁFICO 9 - ASSINATURA DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ...................................................... 87
GRÁFICO 10 - TIPO DE TÍTULO UTILIZADA NAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A SEMANA” ................................................. 92
GRÁFICO 11 - TIPO DE TÍTULO UTILIZADA NAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” .................................. 93
GRÁFICO 12 - TIPO DE TÍTULOS UTILIZADA NAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A NAÇÃO” ................................................. 94
GRÁFICO 13 - POSIÇÕES DE DESTAQUE QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM NO JORNAL “A SEMANA”................................... 98
GRÁFICO 14 - POSIÇÕES DAS PEÇAS POLÍTICAS DENTRO DO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” ................................................... 100
GRÁFICO 15 - POSIÇÕES DE DESTAQUE QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS” .................. 101
GRÁFICO 16 - POSIÇÕES EM QUE AS PEÇAS SOBRE POLÍTICA OCUPAM DENTRO DO JORNAL “A NAÇÃO” ..................................... 103
GRAFICO 17 - O TOM DAS ABORDAGENS DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “A SEMANA”................................................ 107
GRÁFICO 18 - O TOM DE ABORDAGENS DAS PEÇAS SOBRE A POLÍTICA NO JORNAL “A NAÇÃO” ................................................ 108
GRÁFICO 19 - O TOM DAS ABORDAGENS DAS PEÇAS SOBRE POLÍTICA NO JORNAL “EXPRESSOS DAS ILHAS”................................. 109
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Introdução
Desde sempre, o homem procurou comunicar, compartilhando os seus pensamentos, desejos e
opiniões. O gesto e a voz não foram suficientes para transmitirem as suas mensagens. Assim,
desenvolveu-se modernos meios de comunicação, traduzindo-se hoje numa parafernália de
sistema de divulgação e partilha de informação e conhecimento.
Com o surgimento dos órgãos de comunicação social, estes passaram a ser um dos principais
instrumentos de comunicação para divulgar, não só as notícias, como também mensagens,
ideologias, atitudes e valores. Deste modo, os políticos criaram uma certa dependência em
relação aos media, visto que, é através desses meios que conseguem fazer chegar as suas
mensagens aos destinatários.
Os políticos procuram, assim, ter os media sob o seu controlo para que, através deles, façam
chegar notícias das suas ações aos cidadãos. Daí que para Vladimir Lenin (1870-1924),
“quem controla os media controla a sociedade.”
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
A relação entre os media e os políticos torna-se cada vez menos pacífico, apesar de haver uma
complementaridade, em certas circunstâncias. Por outras palavras, os media precisam das
informações que os políticos possuem e estes, através deles, conseguem transmitir as
mensagens, de uma forma mais rápida e credível.
Os jornalistas e as suas fontes cooperam-se para articular e decidir os perímetros da sociedade
do conhecimento, reeditando as estruturas do poder e do saber.
Ao fazer a recolha e o tratamento dos dados e os seus respetivos enquadramentos e ao
divulgar as informações, os media orientam a opinião pública e estabelecem a agenda dos
consumidores de notícias. Assim, a sociedade passa a debruçar sobre os assuntos de que falam
os media.
A cobertura jornalística sobre os acontecimentos de rotina tende a confirmar a predominância
das fontes ligadas às elites do poder, relativamente a outras fontes. Entretanto, se analisarmos
as primeiras páginas dos jornais da nossa praça, podemos constatar que a maioria das
“histórias” de primeira página são fortemente induzidas pelas fontes governamentais, em que,
na maioria das vezes, surgem a partir dos canais de rotina, tais como os comunicados, as
conferências de imprensa, entre outras iniciativas oficiais.
Esta pesquisa pretende, dentro das delineações impostas pelo contexto em que é apresentado,
analisar o grau de convergência e de divergência existente entre fontes e jornalistas,
debruçando-se sobre os processos pelos quais as fontes ligadas às elites do poder político
controlam e interferem na autonomia dos jornalistas e usam a lógica dos media.
A atividade política está, atualmente, a ser condicionada por um conjunto de meios (a
comunicação social, as sondagens), e os profissionais de outros ramos como os jornalistas e
os conselheiros de comunicação sobretudo através do marketing político. Acondicionada com
esta evolução o exercício da prática política adapta-se a novas regras de funcionamento,
regendo-se pela chamada mediatização da atividade política.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Os media tornaram-se um elemento complementar ao exercício da atividade política e a
manifestação dos processos de comunicação política tornou-se consequência de um conjunto
de interesses correlacionados, integrando publicitários e assessores de imprensa que procuram
aconselhar os clientes, deixando-lhes a causa da elaboração das suas reproduções simbólicas
nos espectros mediáticas. A mesma coisa acontece com as suas campanhas eleitorais, que
ficam entregues à competência técnica, ao uso da criatividade dos profissionais da
comunicação, que procuram produzir nos meios políticos a necessidade do seu serviço e, por
outro lado, a mediatização da atividade política, obrigando os políticos a tornarem a sua ação
tão atraente quanto possível, com a finalidade de atrair a comunicação social.
Pelo ofício que os profissionais da comunicação social desempenham nesta profissão o seu
trabalho é influenciado e mesmo manipulado em diversas situações.
O controlo sobre os media é mais visível e percetível, quando se aflui na relação de
propriedade, por um lado, nos meios públicos o controlo por parte do Estado, por outro lado,
nos meios privados, tendo poder sobre o patrão/acionistas.
Tendo em conta que o tema a ser abordado debruça sobre o jornalismo e o poder político,
verifica-se que, em Cabo Verde, há uma certa proximidade entre esses dois campos. Tendo
em conta que os políticos querem ter sempre os órgãos de comunicação social a seu favor
para que possam influenciar o público e, por outro lado os media querem exercer um trabalho
de forma isenta e imparcial. Daí a intenção desta pesquisa é investigar e compreender como
eles se relacionam e quais são as consequências desse relacionamento para a prática
jornalística, com relevo para alguns jornais da praça.
Durante esta pesquisa ambicionamos atingir especificamente os seguintes objectivos:
 Compreender e analisar os tipos de relações existentes entre os media e o poder
político em Cabo Verde;
 Perceber até que ponto o jornalismo cabo-verdiano é politizado;
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
 Entender como a influência política pode interferir ou pôr em causa a qualidade das
informações e o jornalismo em Cabo Verde;
 Compreender porquê que os órgãos de comunicação social tendem a seguir as agendas
políticas;
 Entender as relações existentes entre os media e as suas fontes.
O presente tema despertou-nos atenção, uma vez que, na sociedade cabo-verdiana, é bastante
comum anotar o questionamento da sociedade relativamente à imparcialidade dos nossos
media em relação às questões que circunscrevem o exercício da atividade política.
1. Hipóteses
O jornalismo cabo-verdiano é politizado porque os media não possuem uma agenda própria
que beneficia o serviço público, servindo mais a classe política de que os cidadãos;
A politização das informações tem como consequência a “descredibilidade” da informação,
porque os cidadãos perdem a confiança na veracidade em relação aquilo que os jornalistas
divulgam;
A inexistência de jornalismo especializado em Cabo Verde faz com que a figura do «quarto
poder» não se manifesta no jornalismo cabo-verdiano;
2. Perguntas de partidas:
Em que medida a politização de informação pode pôr em causa a qualidade do jornalismo em
Cabo Verde?
Tendo em conta a proximidade entre os poderes políticos e mediáticos, como se posicionam
os media como «quarto poder» em Cabo Verde?
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
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Para a concretização deste trabalho, serão utilizados métodos qualitativos, uma vez que, os
objetivos finais são compreender e analisar as relações existentes entre o jornalismo e o poder
político e as suas consequências na qualidade da informação em Cabo Verde. No decorrer
desta investigação pretendo abranger as diversas metodologias de investigação que,
normalmente, são usados nas Ciências Sociais e Humanas. Os instrumentos utilizados para a
recolha dos dados serão:
 Consultas bibliográficas;
 Análise de conteúdos (serão analisados notícias que foram publicados por
alguns órgãos da praça);
 Entrevistas (serão entrevistados os jornalistas, os políticos e os especialistas);
 Consultas de páginas web;
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Capítulo 1: Jornalismo e sociedades democráticas
1.1 Informar numa sociedade democrática
Pela sua habilidade de circunscrever grandes fração de pessoas, os media são vistos, como um
“patrimônio social” basilar para que o direito à comunicação possa ser exercido. O direito à
comunicação sempre foi o elemento basilar de todas as liberdades conquistadas pelo Homem
ao longo dos tempos. Direito de opinião, de expressão, de imprensa e de informação são
direitos específicos e, ao mesmo tempo, interligados, que cooperam tanto para o
desenvolvimento das pessoas, como para o conjunto das sociedades que ambicionam a
configuração de um Estado democrático. Na nossa legislação, estas diretrizes estão expostas
na Constituição da República de Cabo Verde nos artigos 48º e 60º, na revisão de 2010.
Artigo 48º
(Liberdade de expressão e informação)
1.
Todos têm a liberdade de exprimir e de divulgar as suas ideias pela palavra,
pela imagem ou por qualquer outro meio, ninguém podendo ser inquietado pelas suas
opiniões políticas, filosóficas, religiosas ou outras.
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2. Todos têm a liberdade de informar e de serem informados, procurando, recebendo
e divulgando informações e ideias, sob qualquer forma, sem limitações,
discriminações ou impedimentos.
3. É proibida a limitação do exercício dessas liberdades por qualquer tipo ou forma
de censura.
Artigo 60º
(Liberdade de imprensa)
1. É garantida a liberdade de imprensa.
2. À liberdade de imprensa é aplicável o disposto no artigo 47º.
3. É assegurada a liberdade e a independência dos meios de comunicação social
relativamente ao poder político e económico e a sua sujeição a censura de
qualquer espécie.
4. Nos meios de comunicação social do setor público é assegurada a liberdade de
expressão e o confronto de ideias das diversas correntes de opinião.
Hoje, um dos maiores poderes de uma sociedade democrática, figura-se no direito de
informar. Numa sociedade democrática, a imprensa é o maior exemplo da liberdade de
expressão, e pode adquirir várias funcionalidades: o de fiscalizar as ações dos governantes e
também de garantir o funcionamento da democracia. Lutar para informar o povo é contribuir
para que ele possa desfrutar de um direito essencial: o direito de se informar e ser informado.
Nesta era da globalização em que temos que nos preocupar e saber da existência do outro,
estar informado é uma necessidade basilar, uma condição fundamental para que a coabitação
humana se possa estabelecer num clima de paz e confiança. Para reforçar esta ideia realçamos
as interrogações de Fernando Oliveira Paulino (2009:36) segundo que “Torna-se importante
avaliar quais pressupostos teóricos têm orientado a atuação das instituições de comunicação e
quais mecanismos e perspetivas têm sido planejados e colocados em prática para a promoção
da liberdade de expressão compatibilizada com os ideais de Direitos Humanos e
responsabilidade social da mídia”.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Não é possível assimilar uma sociedade livre sem a livre circulação de informação.
Este direito fundamental normalmente é violado com maior frequência nas sociedades com
sistemas não democráticos. Nestes sistemas as informações são usadas e circunscrevem a
técnicas de manipulação da opinião pública. Mas, uma sociedade democrática e livre é uma
sociedade aberta, em que o diálogo prevalece: ou haverá livre circulação de informações ou
será ela encaixada no esquema não democrático. Para Nelson Traquina (2007:12) “ a
democracia não pode ser imaginada como um sistema de governo sem liberdade, e o papel
central do jornalismo, na teoria democrática, é informar o público sem censura. Os pais
fundadores da teoria democrática sempre insistiram, desde o filósofo Milton, na liberdade
como fator essencial da troca de ideias e opiniões, reservando ao jornalismo não apenas o
papel de informar os cidadãos, mas também num quadro de cheks and balances (a divisão do
poder entre poderes), a responsabilidade de vigilante (watchdog) do governo. Tal como a
democracia sem uma imprensa livre é impensável, o jornalismo sem liberdade, ou é farsa ou é
tragédia. Definir o jornalismo num regime totalitário, quer sob formas seculares, como, por
exemplo, o fascismo, quer sob forma religiosa, como por exemplo, o ex-regime dos Taliban
no Afeganistão, é fácil: aí, o jornalismo é propaganda ao serviço do poder instalado”.
Nas sociedades contemporâneas, o conhecimento estabelece um princípio de hierarquização
social tão importante como a riqueza pelo, que a informação representa um poder enorme.
Para Jorge Pedro Sousa “uma democracia de qualidade fortalece o campo jornalístico. Um
campo jornalístico forte e bem estruturado promove a qualidade da democracia”
(www.bocc.ubi.pt)1. Tendo em conta esta afirmação, o que podemos constatar é que, de facto,
quando existe uma democracia de qualidade onde as normas estabelecidas são cumpridas e as
legislações estabelecidas para o jornalismo são respeitadas. Isto implica que um profissional
de comunicação social execute as suas funções da melhor forma possível, permitindo assim
ao mesmo tempo dar maior enriquecimento a esta democracia e uma maior coesão de
funcionamento entre a sociedade e as instituições de comunicação social. Também levando
em conta o segundo ponto da afirmação, quando o autor refere que, um campo jornalístico
forte e bem estruturado promove a qualidade da democracia, isto refere que, quando temos
um jornalismo com uma boa estrutura e exercidos com profissionais capacitados nesta área
1
http://www.bocc.ubi.pt/pag/bocc-o-jornalismo-sousa.pdf
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permite que, o jornalismo/jornalista esteja sempre atento aos detentores do poder, fazendo
com que estes exercem as suas funções de uma forma rigorosa e de qualidade, permitindo que
as diretrizes da democracia sejam respeitadas e se torne cada vez mais forte.
Nessa ordem de ideias, pode-se afirmar que, se um deles é enaltecido, o outro se fortifica; em
contrapartida, se um deles sofre ataque, o outro se enfraquece. Tendo em conta a relevância
da informação para as sociedades atuais, os sistemas legais e as constituições em geral não se
negligenciaram de corporificar meios de proteção deste tão importante fator. Promoveram,
assim, no suceder dos tempos, disposições legais, propondo-se a proteger o chamado “direito
à informação”.
Quando foi fundada as Nações Unidas em 1945 (ONU), foram muitos os critérios que
referiam a relevância do direito à comunicação para o progresso da humanidade. A
Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 declarou em seu artigo XIX, o seguinte:
“Toda a pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade
de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por
quaisquer meios, e independentemente de fronteiras”.
Os países que alinham na organização dos Estados Americanos (OEA) também asseguraram a
necessidade de deliberar meios de proteção à liberdade de expressão e criaram junto à
comissão interamericana de Direitos Humanos, um relatório para a liberdade de expressão.
Na carta de princípios básicos desse relatório, afirma-se que o acesso à informação é
obrigação do Estado e esclarece que monopólios e oligopólios conjuram-se contra a
democracia por restringir a pluralidade e a diversidade dos meios de comunicação. Apenas as
sociedades que garantem o acesso à informação, aos meios de comunicação e que assegure
condições para que as pessoas possam se expressar e se comunicar com liberdade poderão ser
consideradas verdadeiramente democráticas. Em grande parte das sociedades e Estados
totalitários, o direito à liberdade de expressão é perseguido e é visto como uma ameaça ao
regime ditatorial. Estas ações violam expressamente instrumentos internacionais como a
Convenção Americana de Direitos Humanos.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Uma dessas violações tem lugar quando o acesso de todos ao pluralismo dos meios de
comunicação é recusado, ou aproveitado de forma abusiva ou com privilégios. Trata-se de
uma violação muito presente nas sociedades democráticas, mas aqui o abuso do direito tem
estado a acontecer sob a forma da concentração dos meios de comunicação em massa nas
mãos de poucos grupos económicos e políticos.
Sendo que nas sociedades democráticas, a informações tem-se convertido num negócio
poderoso e rentável, hoje o que se verifica é que cada vez mais há uma grande corrida para se
adquirir o poder sobre os órgãos de comunicação social.
Michael Palmer (1992:96) defende que “ Uma pretensa lógica económica é utilizada para
acelerar a concentração e a constituição de poderosos grupos de imprensa. Essas
multinacionais da comunicação controlam um número cada vez maior de jornais, de estações
de rádio e de cadeias de televisão. Restringem assim perigosamente o pluralismo e as
liberdades democráticas”.
Com as consequentes perdas de pluralismo, as grandes empresas mediáticas vão obter o
monopólio, daí vamos ter informações uniformizadas. Com as informações uniformizadas e
controladas pelos interesses económicos das grandes empresas, teremos como consequência
menos qualidade e diversidades das informações. Quando cada vez mais situações deste tipo
tendem-se a manifestar as ideias democráticas vão perdendo os seus valores.
Uma das formas dos cidadãos evitarem das manobras de manipulação é tornarem-se mais
atentos em relação às instituições democráticas e aos órgãos de comunicação social, adotando
uma atitude de permanente reflexão crítica sobre as informações fornecidas.
Nas sociedades democráticas, sobretudo nas ditas sociedades do conhecimento, é preciso ter
muito cuidado com as informações. Diariamente somos “bombardeados” com uma
quantidade enorme de informações, e muitas delas se contradizem, pois é preciso que os
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indivíduos tenham a capacidade de selecionar as informações necessárias para o seu consumo.
Este fenómeno é designado de literacia mediática2.
Para Silvino Évora (2012:4,5) “a literacia mediática é um fenómeno dos nossos dias e, mais
do que ensinar as crianças, os jovens e adolescentes, História, Geografia, Língua Portuguesa e
Matemática, é preciso hoje ensinar-lhes também a lidar com as diferentes plataformas de
comunicação, sejam audiovisuais (rádio, televisão, cinema, CDs e DVDs), sejam elas
eletrónicas ou digitais (a internet, sobretudo). É preciso aprender a usar esses processos
comunicativos de forma ética, tanto na componente de consumo como na componente da
produção, uma vez que todos nós hoje somos consumidores e produtores dos conteúdos que
circulam no ciberespaço”.
1.2 Profissional do Jornalismo: entre a isenção e a imparcialidade
São vários os critérios que norteiam o ofício de um profissional de jornalismo, e entre elas são
levantadas bastantes questões. Imparcialidade3 e isenção são alguns dos princípios-guia do
jornalismo que norteiam a capacidade de descrever os fatos “tais como elas são”. Para melhor
entender esta conceção, tomemos em conta a seguinte afirmação de Nelson Traquina
(2007:76,77) “o ethos dominante, os valores e as normas identificadas com um papel de
árbitro, os procedimentos identificados com o profissionalismo, levarão a que dificilmente os
membros da comunidade jornalística aceitem qualquer ataque à teoria de espelho4, porque a
legitimidade e a credibilidade dos jornalistas estão assentes na crença social que as notícias
refletem a realidade, de que os jornalistas são imparciais devido ao respeito das normas
profissionais e de que asseguram o trabalho de recolher a informação e relatar os factos, sendo
simples mediadores que «reproduzem» o acontecimento na notícia”.
Segundo alguns autores, o conceito de imparcialidade “nasceu no século XVIII e se
desenvolveu até hoje por meio do liberalismo, que parte do ponto de vista de que o jornalista
2
Literacia mediática – é a capacidade que os indivíduos têm de separar e lidar com as informações em diferentes
suportes.
3
Imparcialidade- qualidade da informação jornalística que procura manter o distanciamento face as parte
envolvidas numa investigação, segundo Dicionário de Ciências da Comunicação.
4
Teoria do espelho- é a teoria mais antiga e responde que as notícias são como são porque a realidade assim as
determina.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
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pode trabalhar de forma imparcial sem se envolver nos acontecimentos que descreve”. A
isenção e imparcialidade são dois dos essenciais deveres do jornalista. O jornalista nunca deve
ser tendencioso, isto é, não pode ostentar a sua opinião numa determinada peça diante dos
acontecimentos por si relatados. O jornalista deve sempre adotar por uma atitude isenta e
neutra. Para Nelson Traquina, (2007:75) “com o novo paradigma das notícias como
informação, o papel do jornalista é definido como o de observador que relata com honestidade
e equilíbrio o que acontece, cauteloso em não emitir opiniões pessoais”.
Convém relembrar que o jornalista é um cidadão e como todo ser humano também tem sua
opinião, essa que não deve ser exposta numa peça seja ela um debate, uma entrevista,
reportagem ou uma notícia. Todavia muitas vezes o limite entre o homem e o jornalista é
muito delicado, sendo que ambos são a mesma pessoa, o que poderá levar a uma certa
tendência ou inclinação na apresentação ou averiguação de determinados temas.
A conexão entre Homem e o jornalista não pode influir na construção da notícia, mesmo
sendo uma tarefa delicada. Não se pode castigar um profissional de jornalismo ou um meio de
comunicação social que em alguma circunstância não se conseguiu fazer essa
distinção/separação. O que é de condenar é quando essa inclinação aparece com frequências
num determinado meio de comunicação social ou por parte de um profissional de jornalismo,
pois que os órgãos de comunicação social têm a função de informar e não de manipular.
No entanto há uma outra pendência que se deve ter em conta que é o da influência/pressão por
parte de quem detém o poder sobre os media e que condiciona a informação e a
imparcialidade da mesma. Há casos em que a informação é divulgada apenas sobre uma
perspetiva de forma que não contrapõe a ideologia de quem tem poder sobre o jornalista ou
mesmo sobre o órgão. Situação que atualmente tem condicionado muito no trabalho dos
jornalistas. Segundo Claude Julien (1992:83) “como a informação se tornou um dos filões do
audiovisual, grupos de imprensa - em particular os que são dirigidos por Robert Hersant,
Robert Maxwel, Rupert Murdoch… - procuram apoderar-se de canais de televisão para
tirarem melhor partido dos meios em seu poder”.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
A isenção jornalística exige um nível de independência económica, religiosa e política em
virtude do princípio
básico: o de divulgar informação com
credibilidade aos
leitores/ouvintes/espectadores. Mas, para muitos pesquisadores do jornalismo, esta é uma
discussão já subjugada, uma vez que, muitos já têm a perceção de que o jornalista pensa e
sente como qualquer um outro ser humano e por maior que seja a sua mestria ele é incapaz de
descrever toda a verdade que envolve um acontecimento jornalístico. O que descreve cinge-se
a uma representação da realidade, já convertendo a sua versão e recorte do sucedido, visto ter
que se selecionar e saber distinguir o importante do acessório. Para Ignacio Ramonet
(1999:56) “ os jornalistas não formam um corpo homogéneo. Encontram-se divididos por
diferenças de classe, clivagens ideológicas, debates deontológicos. Por certo que existe,
efectivamente, uma tomada de consciência colectiva: eles conhecem os novos problemas que
se lhes colocam e discutem-nos permanentemente.
Na verdade, serão apenas eles os responsáveis? O emissor tem inegavelmente, uma forte
responsabilidade, mas o cidadão também. Informar-se pressupõe mudar de media; pôr de lado
esta ou aquela fonte se ela é pouco fiável, etc. Os cidadãos têm também eles, um dever: o de
serem activos, e não passivos, na procura de informação. Não se pode, por exemplo,
informar-se exclusivamente através do telejornal que pela sua estrutura ficcional continua a
ser concebido, acima de tudo, para distrair e divertir”.
Agora vamos tentar analisar esta temática sobre a realidade mediática em Cabo Verde. No
nosso país muito se tem questionado sobre a dependência dos órgãos de comunicação
social/profissionais de jornalismo em relação a certas ideologias, sobretudo as partidárias. Na
sociedade cabo-verdiana fazer distinção entre órgãos de comunicação social e ideologias
partidárias não é uma tarefa simples, uma vez que, a maior parte dos media em Cabo Verde
surgiram das ideologias políticas. Segundo Silvino Évora na sua tese de doutoramento
«Concentração dos Medias e liberdade de imprensa», (2010:262), “tendo a consciência de que
a própria classe política não facilita a vida aos jornalistas, dificultando a criação de condições
para o exercício, em liberdade, da actividade informativa, os políticos, quando perdem as
eleições, sabem que o acesso e o tratamento na comunicação social não continua a ser como
no período em que estavam a governar. Diante disso, criam as suas próprias estruturas
informativas, não só para ter por onde canalizar as suas mensagens, como também para
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
dificultarem o trabalho de quem está no governo. O jornal „A Semana‟, o „A Semana Online‟, o „Expresso das Ilhas‟, o „Expresso das Ilhas On-line‟ e o „Liberal On-line‟ têm seguido,
um bocado, a estratégia de batalha política através da imprensa, sendo que, quase todos eles,
sobretudo os impressos, surgiram como resposta de um partido a um desfecho eleitoral.
Ondina Ferreira, ex-ministra, afirma que “a comunicação social, infelizmente, está muito
partidarizada”. Daí com esta situação nos media em Cabo Verde torna-se cada vez mais difícil
para que um profissional de jornalismo consiga trabalhar sobre os princípios guia da atividade
jornalística.
Convém-nos regressar ao início desta problemática, vamos recapitular como o Dicionário de
Ciências da Comunicação define a imparcialidade: este define-a como qualidade da
informação jornalística que procura manter o distanciamento face as partes envolvidas numa
investigação. Levando em conta esta afirmação, não é muito comum encontrar nos media
cabo-verdianos um certo distanciamento nas peças abordadas, sobretudo nos jornais
impressos ou online, pois que é muito raro encontrar afirmações ou citações das duas partes
envolventes (“ou é uma ou é outra”) abordadas numa peça/notícia. O que tem estado a
acontecer é que há uma disputa entre os diferentes grupos políticos com interesse em divulgar
informações favoráveis a si e desfavoráveis aos seus adversários. Como resultado, os cidadãos
passam a apropriar-se de informações valiosas, especificamente, as advindas do contraditório
político.
Mas são vários os manuais do jornalismo que ensinam que o jornalista deve ouvir os dois
lados, isto é, ser isento não interferir nas notícias, procurando sempre deixar de lado os seus
preconceitos e os valores pessoais que podem ferir em momentos que a imparcialidade de ser
conservada. De acordo com o Livro de Estilo Público (1998:34), “o tratamento distanciado e
descomprometido de qualquer assunto. Não está obviamente em causa o direito de os
jornalistas pertencerem a qualquer organização política ou de outra natureza: o jornalista é um
cidadão no pleno gozo dos seus direitos constitucionais. Pode ter clube que quiser e o partido
que entender, as opiniões e as crenças que preferir. Mas não deve nunca confundir as suas
opções privadas com a actividade de que exerce publicamente”. A, isenção a independência e
a imparcialidade em relação aos poderes ou qualquer fonte são critérios que garantem a
credibilidade de qualquer profissional de comunicação ou do próprio órgão de comunicação.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Para que essas características sejam manifestadas no exercício do labor de um profissional de
jornalismo ela deve estar submetida a uma liberdade quase na sua plenitude. Essas
características são conceções românticas criadas em torno do jornalismo que um dia se espera
que se possa vir a manifestar. Segundo Nelson Traquina (2007:13 e 14), “as liberdades são
reais, mas seria romântica uma visão da profissão imaginada como sendo o jornalismo a soma
de todos os jornalistas a agir em plena liberdade. A questão que permanentemente se põe é
precisamente a de saber até que ponto um jornalista é livre, e são livres os jornalistas. A
resposta teórica deste livro reconhece uma «autonomia relativa» do jornalismo, sendo, no
entanto, a sua actividade altamente condicionada. Muitas vezes, o trabalho jornalístico
realiza-se em situações difíceis, marcadas por múltiplas incertezas”.
A isenção e a imparcialidade são mecanismos que devem ser sempre perseguidos pelo
jornalista, mas nada assegura que o leitor, o telespectador e o ouvinte vão interpretar a
informação tal qual foi divulgada pelo profissional do jornalismo. Os profissionais de
comunicação na tentativa de fazer vigorar essas duas características procura que o seu
trabalho atinja um certo nível de credibilidade. No decorrer do seu labor, o jornalista busca
que os valores-guia da sua profissão sejam bem visíveis, daí se questiona o que existe no
jornalismo é objetividade ou neutralidade. Esta reflexão será feita ao longo do subcapítulo que
se segue.
1.3 Guerra dos Conceitos: Objetividade ou neutralidade?
A objetividade e a neutralidade no ofício do jornalismo tem sido pontos de reflexões e
criticas, que tem levantado a questão se é possível elas existirem na pratica jornalística.
Será que se pode atribuir característica, como a objetividade ao jornalismo, uma vez que o
jornalismo é feito de discurso e o discurso é marcado fortemente por ideologias? Para melhor
entender esta problemática devemo-nos então ter em conta o que é de facto jornalismo.
Todavia das tantas formas e maneiras que os estudiosos do jornalismo tentaram definir este
ofício nós aprendemos que o jornalismo se baseia na veracidade das informações (Kuncsky
2001e 2005)5. A realidade relatada (reconstruida) pelo jornalismo é feita sobre princípios
5
http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/especial5_e.htm
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
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peculiares que regem este ofício. Segundo Teun A.Van Dijk (2005:26), “ se o controlo do
discurso é uma forma maior do poder, controlar as mentes das pessoas é outro modo
fundamental de reproduzir a dominância e hegemonia. Dentro de um quadro da ACD 6, o
“controlo da mente” envolve mais do adquirir simplesmente crenças sobre o mundo através
do discurso e da comunicação”. Mediante a reconstrução da realidade o jornalismo não pode
ser uma atividade objetiva.
Esta característica (objetividade) apresentada nos vários livros de estilo, códigos de ética e
manuais de redação deduzem uma perceção positiva da realidade. Presume da possibilidade
de que o relato dos factos pode ser uma reprodução fiel e exata do real. Os textos jornalísticos
possuem a responsabilidade de refletir os fatos, de modo que o seu relato nunca seja a
transmissão de uma ocorrência entendido a partir de um ponto de vista pessoal, mas antes
uma manifestação neutra dos factos ocorridos. O próprio discurso, a partir da qual a
mensagem jornalística será exposta, nunca consegue ser totalmente objetiva e imparcial. Para
Robert Hackett (cit. por Nelson Traquina 1999:107), “à parte o papel do jornalismo como
mediador do mundo social, a própria linguagem não pode funcionar como transmissora direta
do significado ou veracidade supostamente inerente aos acontecimentos. Em parte, isso
acontece porque a rotulagem de algo implica a existência de uma avaliação e de um
contexto”. Logo, as normas que obrigam que os jornalistas tenham uma conduta imparcial são
favoráveis ao encobrimento de toda a ideologia e subjetividade presentes na produção
jornalística. Daí o jornalismo enquanto discurso linguístico e, como tal, inconveniente à
isenção de juízo de valor, não se pode compreender que exista um jornalismo completamente
imparcial, a não ser no mundo das ideias.
Embora os livros de estilo dos órgãos persistirem em defesa de objetividade e neutralidade
como principio que legitima o jornalismo, sabe-se que as reportagens e notícias só são
produzidas por meio de critérios e seleção dos fatos a partir de qualidades dos princípios
ideológicos, geralmente não explicitadas e normalmente naturalizadas.
Diversos estudiosos nas suas análises procuram demostrar a impossibilidade de ser objetivo,
daí se questiona se é possível relatar os acontecimentos/realidades sem interpretá-la, sem
6
ACD-Analise crítica do Discurso
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encarar os fatos a partir de uma determinada perspetiva. Por mais que se tem criticado a
existência da “objetividade”, esta continua a estar na linha da frente dos princípios designados
nos livros de estilo dos media, seja qual for a máxima que ela exprime por detrás.
Mesmo assim diante dos preceitos mencionados, a “guerra” entre esses dois conceitos a
objetividade e a neutralidade, a primeira acaba por perder diante do segundo, pois que a
objetividade acaba por ser uma ilusão imaginaria para o Homem, porque a sua capacidade o
limita de relatar todos os acontecimentos. Para Hubert Beuve-Méry (cit. por José Manuel
Barata-Feyo 1991:217), “a objectividade não existe, resmungava ele. A honestidade sim!
Toda e qualquer informação é forçosamente subjectiva. É apresentada por um jornalista, isto
é, por um homem, com sua sensibilidade, o seu carácter, a sua história, as suas opiniões, os
seus talentos e os seus limites. Resulta de uma escolha, de uma apresentação, com um número
limitado de palavras (ou de imagens) ”.
É mais fácil para um jornalista atingir a neutralidade, quando realiza um trabalho imparcial,
isento, procurando dar a mesma amplitude às partes envolventes, construindo uma peça com
rigor, concisão e clareza. Denis McQuail (2003:177), defende que “a informação deve ser
equilibrada e justa (imparcial), descrevendo perspectivas alternativas de maneira não
sensacionalista nem tendenciosa. A objectividade (e patamares relacionadas de factualidade,
etc.) está longe de ser unanimemente olhada como necessária, virtuosa ou mesmo possível de
atingir”.
No mundo, nenhum facto acontece por acaso, isto é, nada está isolado em tudo há uma
relação, qualquer análise que é feita é efetuado sobre perspetivas. Para Jean-Luc-MartinLagardette (1998:90), “a ciência moderna- e particularmente a física das partículas
elementares- ensinou-nos que a objectividade absoluta é impossível. Basta, por exemplo,
olhar um átomo para lhe modificar a sua aparência. Ela ensina-nos também hoje em dia que
há uma unidade fundamental no universo. Nada pode ser estudado à parte, tudo está
ligado”. A análise objetiva é impossível, porque sempre há uma conexão entre quem analisa e
o facto a ser observado. A análise objetiva é para Lagardette (1998) impossível, uma vez que
para relatar perfeitamente um acontecimento, tal como ocorre será necessário narrar ao
mesmo tempo o conjunto das relações que interagem com esse acontecimento.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
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Com o objetivo de passar uma imagem neutra dos media nas suas produções noticiosas, são
adotadas estratégias de referências, tais como, livros de estilo, estatuto editorial, manual de
redação, de forma que haja uma padronização dos componentes filológicos nos media. Assim
o jornalista pode relatar os factos sob as normas estabelecidas, de modo que não consiga
interferir com as suas convecções pessoais, isto é, permite-lhe fazer uma abordagem neutra
dos acontecimentos.
Muitas vezes falamos e exigimos que haja objetividade no jornalismo, mas esquecemo-nos de
levar em conta que a atividade jornalística, na maioria das vezes, está condicionada de alguma
forma por alguns fatores (económico, políticos, etc.). Daniel Cornu (1994:321, 322) defende
que, “tantas vezes esquecida nos grandes discursos sobre a desinformação e a manipulação,
de que os jornalistas seriam ora instigadores ora vitimas”. Nestas circunstâncias não é fácil
que no exercício da atividade jornalística os acontecimentos sejam relatados/trabalhados com
neutralidade e objetividade, pois que os profissionais da comunicação são confrontados por
vezes de uma forma implícita a abordar os acontecimentos de acordo com a linha editorial
(ideologia) do órgão para qual trabalha.
Investigar a realidade é uma tarefa que o jornalismo pode e deve fazer. Renunciar a ela seria
o mesmo que ser passivo a todo tipo de manipulação e esvaziar o jornalismo de sentido,
exatamente quando tanto se precisa dele. Para Fernando Correia (1997:163), “o
reconhecimento da impossibilidade da absoluta objectividade, com efeito, não autoriza
nenhuma atitude céptica justificadora de todo e qualquer subjectivismo – antes deve reforçar
o empenho, em todas as fases da actividade jornalística, na utilização de procedimentos que
permitam a maior aproximação possível à veracidade dos factos”.
Os profissionais de comunicação invocam a objetividade como uma “manobra astuciosa” para
se defender das críticas no exercício do seu labor (Fernando Correia, 1997). Atualmente são
vários os estudiosos contemporâneos que procuram deslocar a questão da objetividade para a
problemática da neutralidade, isto é, a exatidão dos factos narrados e a lealdade com as fontes,
uma vez que neste ofício é impossível atingir a objetividade na sua plenitude.
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Hoje, debruçar sobre a problemática da objetividade ou neutralidade no jornalismo precisa ser
analisada no âmbito dos vários fatores que englobam a atividade jornalística. Estes conceitos
já não carregam consigo a mesma ideologia (prática) que antes tinha, porque a
informação/notícia tornou-se num produto/negócio bastante poderoso e rentável. A liberdade
é um fator primordial para que qualquer princípio estabelecido através da ética e deontologia
se manifeste. O profissional da comunicação precisa ser livre para ser neutro e estar sempre
na procura de se aproximar da objetividade.
1.4 Fundamentos do Jornalismo: O Serviço Público
Segundo o Dicionário de Ciências da Comunicação, “este conceito designa uma função e
responsabilidade dos meios de comunicação, especialmente aqueles detidos pelo Estado. As
características exatas do termo são objeto de polémica teórica e política, já que não existe um
conceito sobre a sua definição. Na sua generalidade, entende-se por serviço público dos media
o dever de fornecer aos cidadãos um produto comunicativo e informativo e com relevo para a
população”.
Neste sentido, pode-se entender que um órgão que presta serviço público procura envolver
assuntos de interesse público. Isto é, abarcar a sociedade nos assuntos do seu interesse e dos
seus indivíduos, através de informações que conduzem debates públicos e às decisões
coletivas. De acordo com a revista “Jornalismo & Jornalistas7” (edição nº 4, de julho de
2010:6) o serviço público tem o dever de transmitir programas e informações que possam dar
contributos para os cidadãos e a sociedade. Ainda a revista recorre à resolução do Conselho
da União Europeia e dos Representantes dos Estados-Membros de 25 de janeiro de 1999,
ressalvando que, "um amplo acesso do público, sem discriminação e com base na igualdade
de oportunidades, as várias categorias de canais e serviços constitui uma pré-condição
necessária ao cumprimento das obrigações específicas do serviço público de televisão" pelo
que os Estados-Membros devem "manter e aumentar a capacidade do serviço público de
radiodifusão para oferecer ao público uma programação e serviços de qualidade,
nomeadamente através do desenvolvimento e da diversificação das actividades na era digital".
Assim sendo, a relevância da questão do serviço público é tida como responsabilidade do
7
http://www.clubedejornalistas.pt/wp-content/uploads/2010/09/JJ43.pdf
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Estado e na maioria das vezes encontra-se estipulada na Constituição da República. O Estado
tem o dever de criar mecanismos apropriados e necessários aos órgãos públicos de forma a
que estes possam prestar serviços de qualidade para a sua sociedade.
Em Cabo Verde, a questão do serviço público nos media encontra-se vigente na Constituição
da República no artigo 60º.
Artigo 60º
(Liberdade de imprensa)
9. O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de radiodifusão e
de televisão.
O serviço público nos media em Cabo Verde é garantido pela empresa RTC (Rádio e
Televisão de Cabo Verde) onde temos a Rádio de Cabo Verde (RCV) e Televisão de Cabo
Verde (TCV). Em Cabo Verde para além do serviço público de rádio e televisão serem
financiados pelo Estado, também os cidadãos contribuem para o financiamento deste serviço
com uma taxa de 105$00 mensais, que é cobrado na fatura da Electra destinado a empresa
RTC. Para Marco de Oliveira antigo presidente do conselho de Administração da RTC (cit.
Por António Miguel Ndapassoa-2011:35) “hoje, os Estatutos da RTC consagram muito
claramente a prestação do serviço público como seu objeto principal, nos termos do contrato
de concessão com o Estado. Mas, se atualmente isso é um imperativo legal, nos primórdios da
rádio essa necessidade já era sentida, sendo sua obrigação de cumprir esse papel face à
situação de insularidade e atraso em que o nosso arquipélago vivia”.
Os medias que prestam serviço público devem agir em corelação com as outras instituições
que tem a finalidade deste serviço, de forma que possam garantir aos cidadãos um serviço de
qualidade e diversificado. Para melhor compreender esta temática tomemos em conta a
seguinte afirmação de Manuel Pinto (coord. 2005:16): “correlativamente, podemos dizer, pela
afirmativa, que a televisão de serviço público se deferência como realidade específica, quando
e na medida em que se assume como uma instituição da sociedade, agindo em estreita relação
com as outras instituições, vocacionada para lhe dar vez e voz, sem estar condicionada pelas
exigências do sucesso, embora também não as rejeitando”. A questão do serviço público
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verifica-se como um principio marcante a ideologia do jornalismo, como responsabilidade
público, o qual se reflete no seu ideal de prática e na relação com outras instituições.
A prestação do serviço público constitui um dos componentes fundadores de reconhecimento
da atividade jornalística e é um dos elementos de legitimação do profissionalismo no
jornalismo. A atividade jornalística pela ética e deontologia que o rege acaba por ser em si um
serviço público. Os códigos deontológicos e éticos não são apenas mecanismos de apoio e
proteção dos jornalistas. Estes mecanismos também servem para garantir ao público que o
jornalismo existe para servi-lo com exatidão, clareza, imparcialidade e para garantir o respeito
aos direito fundamentais do Homem. Para muitos o jornalismo é uma das atividades que mais
abarca responsabilidades sociais. Daí que a função de serviço público do jornalismo
reivindica um elevado grau de competência e profissionalismo.
Sob o princípio da funcionalidade de interesse público, basilar para a existência das
sociedades democráticas, o jornalismo se apresenta como uma audácia moral, por se encontrar
ao serviço do respeito à vida cultural e política da sociedade. Para Manuel Pinto (coord.
2005:16), “a televisão de serviço público afirma-se e diferencia-se pelo seu caracter de
referência e de exemplaridade. Em lugar de nivelar por baixo, põe a fasquia da exigência mais
elevada possível, no que toca ao profissionalismo, às especificidades do discurso e estética
televisivos, à capacidade de despertar interesse e de alargar horizonte. Não envereda por uma
política minimalista que se circunscreve aos mínimos que a lei prevê”.
Os medias possuem uma grande responsabilidade no que tange ao serviço público, pois devese apresentar como um fator essencial na divulgação de valores, princípios comum para a
coesão e estabilidade de uma sociedade. Daí como tínhamos referido anteriormente, devido a
grande relevância dos media no que diz respeito à prestação do serviço público ser uma das
preocupações do Estado em manter este tipo de serviço nos órgãos que estão sob a sua tutela.
Para Mário Mesquita (cit. por Joaquim Fidalgo 2008:164) “as principais funções atribuídas
aos media noticiosos pela doutrina da “responsabilidade social” consistiam em fornecer a
informação necessária ao debate político, esclarecer o povo sobre acerca das suas opções
políticas, defender os direitos individuais, contribuir para o desenvolvimento da economia
através da prestação de serviços, divertir e, finalmente, assegurar a sua própria autonomia, de
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forma a resistirem às pressões externas”. Os media carregam consigo a responsabilidade de
esclarecer e enquadrar o público para os diversos acontecimentos e setores que existem na
sociedade.
No caso de Cabo Verde, o que podemos constatar em torno das premissas que definem a
responsabilidade dos media na prestação de serviço público, sobretudo os estatais, há
necessidade nos órgãos e nos seus profissionais de prestarem um serviço público com maior
qualidade, em especial à televisão pública (TCV). Não há uma grelha de programação
diversificada que possa responder ao interesse público e que possibilite o debate entre os
cidadãos envolvendo assuntos da vida pública. Há um enaltecimento das advindas dos
contraditórios dos partidos políticos em relação às questões sociais nos espaços informativos.
Constata-se que existe uma necessidade de responsabilizar os media pela democratização das
informações, uma vez que, as suas mensagens possuem um grande impacto na tomada de
decisão dos indivíduos. Para melhor reforçar esta ideia, destacamos Manuel Pinto (coord.
2005:16) que afirma que “é no quadro das dinâmicas sociais que os cidadãos individual ou
organizadamente, podem assumir o serviço público como coisa sua, como espaço e
oportunidade para tomar a palavra e reconhecer as palavras dos concidadãos”.
Atualmente, o jornalismo tornou-se numa atividade que vai muito além do serviço público,
não circunscreve apenas a essa premissa, mas sim um negócio lícito com enorme poderio, em
que ao consumidor é oferecida informação sobre determinados sectores da atualidade, criando
uma audiência que, por sua vez, é vendida aos anunciantes.
1.5 As Fontes no Jornalismo
No jornalismo, as fontes são os possuidores de informação, isto é, podem ser pessoas (variam
tanto para a coletividade ou individualmente) ou documentos (em suportes escritos ou
audiovisuais), pelo mecanismo onde os jornalistas tomam informação, dados ou opiniões,
tendo sempre a preocupação de verificar a veracidade dos dados fornecidos. Devido à
impossibilidade dos jornalistas estarem presentes em todos os acontecimentos, eles precisam
de pessoas (as fontes) que lhes façam o relato dos acontecimentos o mais fiável possível,
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ainda mesmo que estejam presente há uma necessidade de recorrer às fontes para se confirmar
o que foi dito.
Há várias formas através do qual os jornalistas procuram as informações: através do processo
informal (fontes não oficiais: ONGs, sindicatos, anónimos), por telefone em contato com as
fontes oficiais (políticos, porta-voz de empresas/empresários, lideres religiosos), por press
releases enviados pelos gabinetes de comunicação. As fontes constituem componentes
basilares na produção das notícias.
É preciso ter muita prudência com as fontes. Para melhor entendermos esta cautela, tomemos
em consideração o seguinte trecho do Livro de Estilo do Público (1998:65): “ fonte, no
sentido do termo, é todo aquele que fornece informações ao jornal, por iniciativa própria ou
solicitado nesse sentido. Uma fonte não é qualquer pessoa ou qualquer entidade livremente
constituída como tal: só é fonte, aquele (a) a quem (que) o Público reconhece ter competência
e seriedade na informação que presta”. O jornalista/órgão deve estar sempre em contato com
os possuidores de informação (fontes), pois são eles que fornecem a matéria-prima para o seu
trabalho. Uma fonte não viável pode até pôr em causa a credibilidade de um órgão de
comunicação social.
As fontes normalmente passam dados/informações brutos aos media/jornalistas. Como os
jornalistas não são apenas os simples “mensageiros”, estes devem pegar nas informações
adquiridas das fontes e trabalhar de acordo com os critérios dos órgãos/noticiabilidade e
transformá-las em notícias. Assim como é responsável pela informação que divulga também é
responsável pelas fontes que escolhe, pela legitimação dos dados recolhidos, e pela fiabilidade
das informações.
Normalmente a atratividade de uma notícia ou a sua qualidade depende muito das
informações fornecidas pelas fontes. Uma boa fonte pode contribuir para que os jornalistas
produzam certas notícias que possam causar impacto no público, dependendo do conteúdo por
elas proferidas. Segundo Jorge Pedro Sousa (2000:68), “Leon Sigal coloca a enfase do seu
estudo na ideia de que os conteúdos das notícias dependem daquilo que as fontes dizem e do
tipo de fontes consultadas (oficiais e não oficiais), apesar da mediação das organizações
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noticiosas e das rotinas e convenções jornalísticas, entre as quais formas através das quais o
jornalista procura e/ou recebe informação”. Convém lembrar, conforme rege a deontologia
jornalística, que os jornalistas não devem interferir nas notícias (não deve fazer juízo de
valores). Isto implica que os jornalistas devem salvaguardar bem os dados/conteúdos
fornecidos pelas fontes sem deturpá-las. É preciso ter muito cuidado com as transcrições das
afirmações recolhidas, sem se esquecer do contexto em que foram proferidas.
Há casos em que os jornalistas também podem funcionar como fontes, quando estes
trabalham sobre dados oficiais.
Os profissionais do jornalismo procuram as fontes de acordo com as suas demandas de
produção e as categorias que elas ocupam na sociedade. Existe um tratamento diferenciado
entre as fontes na possibilidade de acesso aos órgãos de comunicação social. Para Rogério
Santos (2001:98), “enquanto as mais poderosas (governamentais, grande instituições)
garantem com facilidade a colocação dos seus acontecimentos nas páginas dos jornais ou na
informação televisiva e radiofónica, outras fontes (associações, empresas de menor dimensão,
grupos cívicos organizações não governamentais) lutam pela divulgação dos seus
acontecimentos”. Este é um fenómeno que acontece frequentemente no mundo mediático
cabo-verdiano. Nos órgãos de comunicação social da nossa praça há um enaltecimento das
fontes mais poderosas em detrimento dos restantes. Quanto maior for o conhecimento e
respeito de um possuidor de informação na sociedade numa dada temática, o jornalista
procura cada vez mais validar o seu discurso como verdadeiro.
As fontes utilizam várias estratégias para terem cobertura mediática. Normalmente realizam
conferências de imprensa, comunicados, visitas guiadas com almoço, promovem eventos.
Quando há situações de polémicas, a relação entre os profissionais do jornalismo e fontes de
informação é complexa, marcada por rotinas e interesses vários, apoiada num confronto mais
ou menos difícil de gerir entre as esferas pública e privada. Mas essa relação é, sobretudo,
negociada. A notícia é o resultado de relações e negociações entre jornalistas e fontes.
Todavia as fontes (agentes sociais e organizações) procuram relatar os acontecimentos de
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acordo com as suas perspetivas organizacionais e pessoais para que se mantenha a sua
reputação pública, procurando ao mesmo tempo imobilizar todas as informações que podem
afetar a sua imagem. É preciso entender que a relação entre jornalistas e fontes não provém
exclusivamente das influências diretas. Essa relação é também influenciada fortemente pelo
relacionamento entre os órgãos de comunicação social e as organizações. Os jornalistas têm
que possuir a capacidade de separar as influências que os rodeiam. Para reforçarem esta
conceção realçamos a afirmação de Daniel Cornu (1994:273) segundo a qual é “essencial que
o jornalista, primeira precaução, procure discernir as influências que se exercem sobre a sua
empresa, as redes que o rodeiam, pelo jogo de relações institucionais ou de relações pessoais.
Talvez o conhecimento que de tudo isso tiver o incite à obediência. Mas poderá também leválo à dúvida crítica que, juntando-se à curiosidade, constitui o binómio do jornalismo de
informação. À dúvida crítica, e não obrigatoriamente à suspeita, que é a dúvida menos a
serenidade! Mas esse discernimento não é só para o uso externo. O jornalista deverá aplicá-lo
a si mesmo, ele que se situa em redes de influência não menos reais. Também ele pertence a
um meio social, cultural, económico”.
Há casos em que o jornalista tem por obrigação garantir o sigilo profissional e não revelar as
suas fontes e o dever de proteger a confidencialidade das fontes. Para o Livro de Estilo do
Público “ a fonte pode autorizar a sua identificação ou impedi-la. Pode autorizar a divulgação
da informação que presta ou impedi-la. O primeiro impedimento configura uma situação de
exigência de anonimato. O segundo de “off the record8”. Quando a fonte autoriza a sua
identificação e a divulgação da informação prestada há informação aberta, “on the record”.
Normalmente, o anonimato é usado para proteger a integridade e liberdade das fontes e nestas
situações o profissional de jornalismo deve sempre verificar a veracidade dos fatos
apresentados.
O jornalista na produção noticiosa não pode se circunscrever apenas a uma única fonte. Deve
sempre procurar mais, para que possa confrontar os dados recolhidos. Daniel Cornu
(1994:273) defende que “estas regras profissionais juntam-se as regras deontológicas, que
impõem que não se ampute as informações de elementos essenciais, que não se desnature nem
textos, nem documentos, que se dê como tais as notícias não confirmadas. Tudo isto, que é
8
Off the record- a fonte pode ser citada ipsis verbis, apenas não pode ser identificada, (Dicionário Ciências da
Comunicação).
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Ilhas e A Nação
decisivo na atividade do jornalista, fica no entanto comprometido se este não for capaz de
estabelecer a distância necessária entre ele próprio e a sua fonte”. O jornalista não pode se
deixar envolver emocionalmente com as suas fontes, porque elas também possuem interesses
na divulgação ou não de certas notícias. O profissional do jornalismo antes de abordar
qualquer fonte deve possuir conhecimentos na matéria que pretende relatar, para que não se
deixa ser manipulado pela fonte e sempre estar perante a máxima do interesse público em
detrimento de outros interesses.
1.6 Economia dos Media: financiamento dos órgãos de comunicação
social
Como qualquer organização ou empresa, os órgãos de comunicação social precisam de
financiamento para poderem sobreviver e acar com as despesas existentes.
Atualmente assiste-se a uma intensificação da industrialização do processo de produção e de
difusão dos produtos e serviços comunicacionais. O capitalismo fez com que houvesse uma
capitalização das diferentes atividades sociais.
A dinâmica das tecnologias de informação e de comunicação é um dos fatores
impulsionadores de um novo modelo de crescimento económico e não é possível explicar
apenas nas perspetivas dos mecanismos económicos tradicionais. Pois, exige a necessidade de
uma análise mais profunda e cuidada de alguns dos novos paradigmas emergentes no quadro
da “nova economia”.
Os meios de comunicação social desenvolvem-se hoje num meio concorrencial global em que
as dimensões económicas, técnicas, culturais e sociais conhecem mutações múltiplas mais ou
menos simultâneos e de amplitude desconhecida no passado.
Não é de hoje que as atividades desenvolvidas pelos media se apresentam como um poderoso
produto de comercialização. Para Alfonso Nieto/ Francisco Iglesias (2000:75), “desde de que
existen comerciantes la información está presente en su actividad como medio para conocer la
situación de los mercados y mercancias, compradores y vendedores, matérias primas,
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transportes, cambios de moneda, y cualquier circunstancia política, económica… A lo largo
de la historie, obtener information há sido objetivo prioritario de los comerciantes”. Neste
pequeno trecho podemos entender que os media, apesar de se confirmar a sua razão de ser na
máxima de que existem para o serviço social do público, também nunca deixou de lado o seu
aspeto comercial.
Coabitamos numa sociedade capitalista, onde qualquer serviço visa um retorno. Esse sistema
funciona nos media como em qualquer meio de comunicação. Para Fernando Correia
(1997:50), “o desenvolvimento da imprensa enquanto negócio e, simultaneamente, o
aproveitamento da sua importância (e mais tarde também da rádio e depois da TV) como
instrumento de controlo social e de direcção da sociedade fizeram nascer e avançar uma
poderosa indústria mediática (organizada em grupos económicos cada vez mais fortes)
integrada numa mais vasta industria cultural e, tal como esta, alimentada pelas leis do
mercado e promotora da sua «retórica», erigida em elemento essencial da ideologia
dominante.” Esta afirmação mostra como o poder da imprensa tem atraído cada vez mais
investidores para financiar e investir no setor da comunicação social. Baseando-se na
capacidade que tem como instrumento de controlo social, a imprensa tem despertado interesse
de vários setores para financiá-lo.
Os órgãos de comunicação social são financiados de várias formas para se manter no
mercado. Por vezes, de formas que levantam algumas questões sobre a sua fiabilidade e
credibilidade. Alguns são financiados pelo Estado, pelas taxas cobradas aos cidadãos,
propagandas, pelas publicidades e também por um fenómeno que se tem acontecido
ultimamente com bastante frequência que é o caso das sinergias entre empresas de ramos
diferentes.
Os órgãos de comunicação social que se encontram sob a tutela do Estado são financiados
pelo governo, pela taxa que é comprado aos cidadãos e pelos fundos angariados das
campanhas publicitarias.
Efetivamente, publicidade e jornalismo são coisas diferentes, mas uma não anda sem o outro.
Isto é, servem de âncora a cada um. Embora a comercialização da notícia não seja de hoje,
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ultimamente as relações entre a economia e a informação estreitam-se cada vez mais.
Atualmente, a publicidade ocupa um lugar central e não só como financiadora dos media. Ela
interfere no próprio molde de organizar os espaços e os tempos de cada matéria. Um meio de
comunicação depende muito das campanhas publicitárias para se manter no mercado. Porém,
a publicidade está tomando cada vez mais espaços nos órgãos de comunicação social. Para
entender a importância que a publicidade tem no financiamento dos media, citamos a seguinte
afirmação de John Condry (cit. por Fernando Correia1997:53): «a televisão moderna,
nomeadamente a televisão americana, tem um único objectivo: fazer vender. É
essencialmente um instrumento comercial. Os seus valores são os do mercado; a sua estrutura
e os seus conteúdos são o reflexo desta função. A tarefa dos responsáveis pela programação
consiste em conseguirem captar a atenção do público e conservá-la o tempo suficiente para
poderem em seguida passar uma mensagem publicitária». A publicidade teve um papel
preponderante na proliferação da imprensa e também para o aumento do número de leitores
devido a descida dos preços dos jornais em que, só foi possível com a entrada da publicidade
como um dos principais financiadores dos órgãos.
Apesar de Jornalismo, Publicidade e Propaganda são, em teoria, áreas distintas, eles vivem
entrelaçadas. Nenhum órgão de comunicação social sobrevive sem dividir espaço de suas
publicações a propagandas. É ela que faz uma redação mover-se a todo o vapor. Mesmo que
os leitores tenham que pagar pelas edições de revistas e jornais, esse valor não é suficiente
para manter um órgão e seus trabalhadores. O jornalismo não consegue se sustentar sem a
publicidade e propaganda e é com elas que os meios de comunicação se mantêm no mercado.
O problema é que o recurso às propagandas tem atingido níveis excessivos em muitas
publicações atuais. Este fenómeno leva a que os media destinam um grande percentual dos
seus espaços para propagandas, mirando o lucro e, não raras vezes, fazendo com que os
leitores confundam os conteúdos informativos com os publicitários. Uma das outras formas
que os órgãos de comunicação procuram o seu financiamento é a comercialização dos
programas, em, sobretudo no caso audiovisual em que os órgãos produzem programas e
depois podem vender os programas às outras emissoras, ou lhe é pago uma taxa para os
direitos dos programas. Também uma outra forma de financiamento como por exemplo é o
caso de televisões a pagamento/assinatura, em que as emissoras fazem contrato com os
consumidores e são divulgados os programas em emissões fechadas.
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No mercado competitivo que os media enfrentam hoje, a concorrência entre os vários meios
de comunicação exige cada vez mais maior investimento e aperfeiçoamento para não perder
pelo concorrente. Neste sentido, os órgãos de comunicação social que procuram
financiamento têm estado a fazer fusões com diversas empresas para se manter no mercado da
concorrência. Neste contexto Fernando Correia afirma que (1997:55), “o que interessa aqui
sublinhar, por um lado, é que a intensa movimentação protagonizada nos países mais
desenvolvidos por estes novos actores (oriundo de sectores económicos diversos e com
dinâmicas e experiências empresariais variadas), não só na imprensa diária e periódica mas
também no audiovisual, na edição de livros, na publicidade, nos novos meios
tecnologicamente mais avançados, provocou, como assinala Richeri, uma grande actividade
financeira, caracterizada por fusões e aquisições, joint ventures, cruzamentos de acções,
evidenciando a grande vitalidade, nos planos nacionais e internacionais, do sector dos media”.
Daí vamos ter, por um lado, media adquirindo outras estações ou aumentando os canais na
estratégia de diminuir as despesas com o objetivo de ampliar a série de oferta para os
mercados segmentados e complementares. Também uma outra forma é através da
diversificação metódica nos vários setores da comunicação (relação entre os diversos suportes
ou meios, Ex: da imprensa para audiovisual, livros para televisões) no intuito de obter
sinergias e complementaridade entre os diversos produtos. Por outro lado, regista-se através
de fusões com empresas de outros ramos, de forma que o lucro de um seja investido no outro
(Enrique Bustamante, 2003).
A empresa dos media tem como finalidade principal informar o seu público, e é para isso que
os seus profissionais primam. Todavia, isso só é possível se obtiver os meios de promover a
estabilidade financeira, com o objetivo de adquirir lucros e é esta a preocupação para poder se
manter funcional.
É essencial destacar que, nas sociedades atuais neoliberais, a comunicação “digital” tornou-se
numa mercadoria a mais, circulando conforme as leis do mercado de oferta e procura.
Baseando-se nesta perspetiva pode se dizer que os órgãos de comunicação social não estão a
vender informação aos cidadãos, mas sim estão a comercializar os cidadãos aos publicitários.
Hoje em dia, já é do conhecimento do público que a lógica do mercado é a que predomina,
impõe valores e condicionamentos sobre modos de produção e distribuição, acarretando
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maiores consequências sobre conteúdos e natureza da informação. Desta forma surgem as
seguintes consequências com a concentração de órgãos de comunicação social, a falta de
diversidade cultural, o desequilíbrio dos fluxos de informação, a uniformização e a pobreza
dos conteúdos informativos etc.
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Capítulo 2: Relações de Poder: Jornalismo e Poder Político
2.1 A Mediatização da Política;
A natureza das relações dos media com o poder político é um dos fenómenos largamente
analisadas, sobretudo, desde algumas décadas atrás, sem que haja uma resposta consensual e
incontestável lhe tenha sido encontrada.
Para alguns críticos, os media representam um meio peculiar da política, ela pode manifestarse como o seu desenvolvimento e o suporte sobre qual se apoia. Para outros, os media
afiguram um poder autónomo e por vezes oposto do político. Tanto o primeiro, como o
segundo posicionamento podem de fato citar em seu favor provas convincentes.
Na atualidade são indissociáveis esses dois ramos, já não se pode pensar na política sem
entender como ela é baseada ou trabalhada nos media. Os media hoje são um fator de peso
para a política, fazendo com que a mensagem política se torne numa performance continua
sujeita a uma avaliação permanente. Com o aparecimento dos novos meios de comunicação
deu-se uma remodelação na forma de fazer política, isto é, com o aparecimento da televisão
nos anos 1960, esta tornou-se num dos meios com maior influência sobre a política. Nas
sociedades democráticas atuais, as preferências políticas distanciam-se cada vez mais dos
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fatores culturais, económicas e sociais dos eleitores. Os partidos e seus projetos deixam de ser
o principal foco do debate, na medida em que os media tornam-se capaz de se estabelecer no
principal canal de comunicação entre o cidadão (público) e seus representantes. A visibilidade
mediática passou a ser uma necessidade basilar dos políticos, tirando partida de que a
mediação de massa torna-se mais eficaz do que a rede dos militantes.
Como consequência disto, constata-se de que o cidadão está cada vez mais influenciado a
decidir o seu voto, não pelo vínculo partidário, mas sim de acordo com as questões e
problemas debatidos pelos media em cada eleição. Para melhor entender o peso dos media na
política tomemos a seguinte afirmação de Pailhet (cit. por Gerard Leclerc 1999:155) “A
irrigação da sociedade moderna a nível de informações, ou seja, em enunciados relativos aos
acontecimentos que a atravessam e afectam mais ou menos profundamente, é uma
necessidade vital para o conjunto da população, mas antes de mais para os que a dirigem”.
Atualmente o que se verifica é que há uma forte mediatização da política, uma vez que, os
acontecimentos, os estratagemas políticos e discursos são afeiçoados de acordo com o modo
como podem ser transmitidos nos órgãos de comunicação social, e em particular na forma,
como é transmitida na televisão em função de cumprir determinados parâmetros, diante da sua
capacidade de visibilidade para aparecer mais fácil a um grande número de pessoas.
Hoje, os media são os principais meios difusoras de conhecimento. Daí, adquiriu a capacidade
de representar as temáticas e discussões sociais e também de influenciar diretamente o
desenvolvimento da política. O reconhecimento social e o prestígio dos políticos (política)
estão cada vez mais dependentes da imagem difundida pelos órgãos de comunicação social.
Pode-se constatar que há uma interligação entre o campo mediático e o político, sendo cada
um com as suas características e objetivos. É necessário que os elementos constituintes destes
campos dialoguem com a lógica do outro em suas relações, procurando sempre manter as
características do seu campo de atuação. Porém, a relação entre esses dois campos vão para
além das influências diretas e de domínios. Para reforçar esta conceção realçamos a seguinte
afirmação de Jorge Duarte (2007:86) que sustenta que “ todavia, o papel mais importante que
a comunicação desempenha decorre do poder de longo prazo que ela tem na construção da
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realidade através da representação que faz dos diferentes aspectos da vida humana - das etnias
(branco/negro), dos gêneros (masculino/feminino), das gerações (novo/velho), da estética
(feio/bonito) etc.–e, em particular, da política e dos políticos. É através da comunicação – em
sua centralidade – que a política é construída simbolicamente, adquire significado”.
Pegando na ideia do autor acima referido, em particular, na parte em que refere-se à política,
pode-se então perceber que só damos valor às ações políticas quando os media procuram
sempre mantê-las na “ordem do dia”. Daí a necessidade sempre de a política recorrer aos
media para que possa interagir com o público de uma forma que tenha feedback, podendo
assim ganhar significado. Sabendo da capacidade de produção da visibilidade que os media
possuem, os agentes políticos procuram sempre estar nos órgãos de comunicação, partindo da
ideia de que hoje se deve fazer campanha constantemente.
Nas sociedades contemporâneas a mediação da atividade política tem sido objeto de disputa
de legitimidades e de um espaço de tensões em volta dos media. A comunicação
mediática tem-se afigurado como uma necessidade basilar para a criação de sentido nas
sociedades atuais. Os media passaram a ser um auxilio tecnológico indispensável para a
realização do protótipo político democrático nas atuais sociedades complexas e
superpovoadas. Sendo os órgãos de comunicação (massmedia) instrumentos de comunicação
de massa fazem com que os políticos possam promover um diálogo aberto com todos os
membros da comunidade política, e também para que a praxe democrática não se limite à
participação de elites minoritárias.
Convém lembrar que muitos estudiosos consideram que os media transformaram-se num
importante ator político, sendo ela capaz de fazer interferências diretas no campo da política.
Atualmente, as atividades políticas (comícios, debates, convenções partidárias e
inaugurações) passaram a ser organizadas como programas para os media, o contato direto
entre o eleitorado e o seu candidato foi alterado pela mediação da comunicação social.
Também os órgãos de comunicação passaram a ser a principal fonte de informação dos
eleitores. Segundo Joel Hasse Ferreira9 (2009:10), “o objectivo de uma maior eficácia na
esfera política conduziu à necessidade efectiva de se recorrer às técnicas do marketing e da
9
Joel Hasse Ferreira- Político/Eurodeputado/professor na Universidade Nova de Lisboa.
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comunicação e de se reformatar o discurso político, tendo em conta as exigências mediáticas e
das novas formas de comunicação. …Também sublinho a relevância dada aos novos meios de
comunicação como os blogs e os twitters, hoje já razoavelmente generalizados em certos
meios, nomeadamente mas não só, da política e do jornalismo”10. Nesta perspetiva podemos
verificar que a política teve de se recorrer aos novos meios de comunicação, devido às
exigências mediáticas que as sociedades atuais têm, uma vez que, vivemos numa sociedade
onde se ocorrem vários acontecimentos de uma forma simultânea. A política reformulou-se e
adaptou-se as novas ferramentas (assessores de imprensa, conferências de imprensa,
pressrelease, etc.) de uma forma que se torne numa fonte privilegiada para os media. Daí,
atualmente as estratégias da praxe política moldam-se com o objetivo de ganhar espaço e
tempo nos órgãos de comunicação social, isto é, obtiver a visibilidade mediática.
Para Furio Colombo (1998:228), “a impressão é que tudo acontece em televisão, tudo se
decide em televisão, e nada mais existe fora da televisão”. Aproveitando, desta afirmação
podemos referir que os media, sobretudo, a televisão tornaram num campo bastante aspirado
por muitos políticos, em que para alguns o relevante é estar na media. Mas, convém realçar
que os políticos atualmente são cada vez mais confrontados com as pressões exercidas pelos
órgãos de comunicação social e acontecimentos. Sabendo que a política vai muito além da
arte de comunicar e de propagandas é preciso realçar que muitas ações e decisões tomadas
pelos políticos (governantes) são influenciadas, atualmente, pela forma como os órgãos de
comunicação social e os seus profissionais os abordam (RémyRieffel, 2003).
O fenómeno da mediatização em Cabo Verde é algo que está muito patente na nossa
sociedade. É basta verificar o espaço que a política ocupa nos órgãos de comunicação social,
em que muitas vezes se levanta o problema da partidarização dos meios de comunicação
social cabo-verdiana11. No caso do espaço informativo, há uma sobreposição bem grande dos
conteúdos políticos em detrimento dos restantes (sociais, economia, desporto, cultura, etc.) e,
muitas vezes, são as controvérsias políticas.
10
Prefácio da obra: Marketing e Comunicação Política.
A mediatização da política em Cabo Verde deve-se muito ao vínculo que os órgãos de comunicação social
mantem com as forças políticas e empresariais. Também devido a falta de “profissionalização dos profissionais”
dos media, que em muitas ocasiões deixam levar pelas emoções/afetos que possuem por certas ideologias
políticas.
11
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Antes do surgimento dos meios de comunicação de massa, a praxe política era uma atividade
que se vinculava sobre o tradicionalismo. O público pouco sabia sobre a vida dos políticos,
uma vez que, os políticos procuravam manter a sua vida pessoal reservada, tentavam “não dar
nas vistas”. Hoje, o cenário mudou e a política deixou de fora essas tendências. O que se
verifica, hoje em dia, é que constantemente os cidadãos são “bombardeados” por imagens
políticas, situação esta que tem como consequência um certo desinteresse dos cidadãos pela
política.
Em muitos casos, são próprios os políticos que usam os meios de comunicação eletrónico,
sobretudo, através da internet para divulgarem informações polémicas de forma que possam
atrair a atenção do público. Sendo que os assuntos susceptíveis de chamar atenção do público
os media procuram sempre dar coberturas.
Alguns estudiosos referem que com a mediatização da política, vem perdendo a sua
performance, uma vez que, ela hoje está refém das necessidades mediáticas, fazendo com que
perca certas raízes que tem contestado uma certa insatisfação nos indivíduos. Desde que os
media passaram a ser o lugar central para a análise da praxe política, de uma certa forma,
parece que os media estão a substituir os partidos políticos e os seus atores, pois que estes
(media) tornaram-se no principal agente mobilizador dos cidadãos para participar nas
atividades eleitorais. Para Rémy Rieffel (2003:11), “a relação entre os media e a vida política
constitui, pois, um factor importante para a compreensão dos desafios relacionados com a
evolução da democracias contemporâneas”. Nesta afirmação do autor, podemos constatar o
quanto a sobrevivência dos agentes políticos vai derivar, sobretudo, da forma como vão-se
adaptar às novas tendências dos meios de comunicação. Mas também podemos averiguar que
a mediatização da política está a fazer com que os agentes políticos comportem, da mesma
forma que os atores (vedetas) de um Show/espectáculo, para encantar o público
(espectadores). A identidade política corrompeu-se ao impulsionar a profissionalização dos
políticos e ao subordiná-la à performance mediática, deixando para traz aqueles entusiastas
que fazem política por convicção e ideologia.
Atualmente pode-se perceber que a política, para estar nos media precisa ter a capacidade de
produzir audiências. Assim, pode-se constatar que, hoje em dia, a política submeteu-se a
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certas evidências do sensacionalismo. Para melhor entender o uso das novas ferramenta de
comunicação no campo da política, vamos analisar e refletir sobre um dos elementos
fundamentais para se obter eficácia na política no próximo ponto que se segue.
2.2 Marketing Político ou Marketing na Política?
Para melhor debruçar sobre esta temática vamos descorar um pouco sobre os conceitos de
marketing e marketing político e uma breve síntese sobre a sua história. Debruçar sobre
marketing é descorar sobre as atividades nas quais as empresas se encaixam aos seus
ambientes a nível criativo e rentável.
Para PhilipKotler e Kevin LaneKeller (cit. por Joaquin Caetano e J.Martins Lampreia (coord)
2009:19) “Marketing é um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas
obtêm aquilo que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e livre negociação de
produtos e serviços de valor com outros”. Ainda para American Marketing Association nova
definição de 2005 (cit. por Joaquim Martins e J. Martins Lampreia (coord) 2009:19),
“Marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação,
comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a administração do
relacionamento com eles de modo a beneficiar a organização e o seu público interessado”.
Existem uma variedade definições sobre o marketing, isto é, não existe um conceito único, daí
ela pode ser observada em várias perspetivas.
Fazendo uma compilação entre os vários conceitos de marketing podemos definir marketing
como o método usado para estabelecer que produtos ou serviços poderão interessar aos
consumidores, assim como a estratégia que se irá utilizar nas vendas, comunicações e no
desenvolvimento do negócio. O objetivo do marketing é conceber valor e satisfação no
cliente, gerindo relacionamentos vantajosos para ambas as partes.
O estudo do mercado emergiu da necessidade dos empresários em gerir a nova realidade
provocada pela Revolução Industrial. Naquela altura o marketing encontrava-se numa fase
indissociável da economia e o seu objetivo principal era a obtenção de lucros. Na altura não
existia muita concorrência e os clientes não tinham um grande poder de decisão. Esta situação
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permaneceu até os fins da Segunda Guerra Mundial quando, reagindo ao crescimento da
concorrência, os comerciantes começaram a teorizar sobre como aliciar e lidar com os seus
clientes. Hoje, o marketing conduz nos para ações coordenadas, em que, a ética é tida como
um dos fatores fundamentais e básico do mercado.
O marketing sofre alterações conforme a sociedade desenvolve, uma vez que as necessidades
dos indivíduos modificam perante os anos e a transformação de tendência.
O marketing político em relação aos outros campos de estudo é uma ciência recente que
surgiu no século XX. O conceito de marketing passou a ser aplicado ao ramo da política a
partir da década de 50, nos Estados Unidos da América, onde teve uma grande reputação, e
depois seguiu-se para Europa e o resto do mundo.
Existem 3 fatores que foram cruciais para o desenvolvimento com sucesso de marketing
político nos E.U.A.: 1) o marketing político tem crescido e desenvolvido em paralelo com os
meios de comunicação e as novas técnicas de comunicação; 2) A tradição nos E.U.A. de
eleger, nas eleições democráticas diretas, a maioria dos cargos públicos; 3) O sistema eleitoral
das primárias que provoca existência de campanhas a longa escala. A proliferação das
campanhas cria um clima favorável a consultoria política; devido a sua origem e sucesso ter
iniciado nos Estados Unidos da América levou com que alguns estudiosos a designassem o
fenómeno de “Americanização” das campanhas para referir-se a crescente semelhança das
práticas eleitorais que se observa em todos os países democráticos (Philippe J. Maarek, cit.
por Daniel Medina 2006:212).
Convém realçar que os conteúdos do marketing político foram absorvidos do marketing
comercial, isto é, apesar de algumas diferenças entre eles existem muitas semelhanças como
por exemplo: ambas são formas de persuasão, os seus profissionais necessitam conhecer bem
o produto/serviço que vão apresentar ao mercado, a audiência; eles precisam também
conhecer o melhor possível os adversários ou competidores; ambos utilizam os inquéritos de
opinião ou publicidades como um dos meios mais visíveis para transmitir as suas mensagens;
os profissionais de ambos tipos de marketing tentam persuadir o público de que a sua oferta
apresenta as soluções apropriadas as suas necessidades atuais; Para melhor compreender esta
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ideia tomemos a seguinte afirmação de Bongrande (cit. Por Daniel Medina 2006:212) “ Um
conjunto de técnicas que têm como objectivo adaptar um produto ao seu mercado, torna-lo
conhecido do consumidor, criar a diferença com os produtos concorrentes e, utilizando um
mínimo de meios, optimizar o lucro proveniente da venda (…) têm como objectivo favorecer
a adequação de um candidato ao seu eleitorado potencial, torna-lo conhecido do maior
número de eleitores e de cada um deles, criar a diferença em relação aos concorrentes – eaos
adversários -, e com o número mínimo de meios, optimizar o número de sufrágios que é
necessário ganhar durante a campanha”. Nesta ideia podemos constatar que o marketing
político tem recorrido as várias estratégias de outros tipos marketing que existem adaptandoas ao seu campo de trabalho ou estudo.
Atualmente o conceção de Marketing abarca a configuração de um satisfatório
relacionamento a longo prazo do tipo “ganha-ganha” no qual indivíduos e grupos adquirem
aquilo que almejam e precisam. O marketing se originou para atender as necessidades de
mercado, mas não se limita aos bens de consumo. Também é usado largamente para "vender"
programas sociais e ideias. Hoje, as estratégias/ técnicas de marketing são aplicadas em todos
os sistemas políticos e em muitos aspetos da vida.
De um certo modo podemos até afirmar que o marketing político é um engenho (arte) ou uma
sabedoria da ética da persuasão, uma estratégia integral que assimila a racionalização, a
esquematização e a transmissão da comunicação política, isto é, assimila as principais
estratégias para se obter eficácia nos objetivos delineados (Daniel Medina, 2006:214).
O marketing político além de estar ligado ao discurso persuasivo que tem por finalidade
influenciar os indivíduos nas tomadas de decisões, também tem a finalidade de delinear os
programas políticos e os objetivos. Porém, não é apenas um conjunto de estratégias para
influenciar o comportamento dos indivíduos, principalmente nas épocas eleitorais. Entretanto,
ao inverso da propaganda, o marketing político tem que trabalhar com a verdade e não com a
manipulação12.
12
É fundamental saber distinguir o marketing político do marketing eleitoral. Para J. Martins Lampreia e
Joaquim Caetano (2009:41) “ Para a maioria dos especialistas, a principal diferença entre estas duas áreas do
Marketing está directamente ligada com a duração prática destas acções. Por um lado, o Marketing Político
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Assim como o marketing comercial o marketing político, não é um método neutro, melhor
dizendo não opera como um simples método de promoção. Ele atua sobre todos os elementos
da comunicação política, ocupando um lugar estratégico de grande notoriedade. Convém
realçar que apenas o marketing político não vai fazer um candidato/partido vencer as eleições,
uma vez que, se um candidato não for credível de nada lhe vale o marketing político.
Para Denis Lindon (cit. Por Daniel Medina, 2006:217), “o marketing dota os candidatos e os
partidos de elementos de análise de mercado extremamente eficazes e de estratégias de
comunicação integrantes dos ensinamentos do marketing comercial, representando, nos dias
de hoje, um meio muito forte de pressão sobre o eleitorado”. Atualmente, o que podemos
constatar é que o marketing e os media transformaram-se em mecanismos práticos e
fundamentais ao serviço da gestão e controlo das práticas políticas. Efetivamente a
comunicação política tem submetido a um conjunto de manobras e estratégias de marketing.
Isto faz com que as novas tendências de marketing (Marketing de Guerrilha, Marketing Viral,
Marketing Social, Marketing Digital, etc.) sejam transportadas para a política.
Devido à grande potencialidade que o marketing tem de influenciar os indivíduos, enquanto
tecnologia de manipulação, tem levantado algumas inquietações sobre a possibilidade do seu
mau aproveitamento, em que pode até ser utilizado como uma manobra antidemocrático,
levando a política para o campo comercial (Daniel Medina, 2006:217).
Nos últimos, tempos podemos observar que há uma imposição dos critérios de manipulação e
influência, sobre os critérios políticos e ideológicos, devido à hegemonia dos novos poderes
informais (os media, as redes sociais, sondagens e publicidades), como a fisionomia
quantificada da opinião pública, sobre os poderes institucionais. Sendo estes as principais
ferramentas de marketing, hoje são considerados os principais meios para a transmissão da
comunicação política. Daí com o uso das várias formas de marketing na política, podemos
considerar que o que temos é mais marketing na política que o marketing político.
prolonga-se no tempo da actividade política, enquanto o Marketing eleitoral termina após o resultado das
eleições. Na realidade o Marketing político ajuda o Marketing a conseguir os seus intentos”. Para mais
esclarecimento consultar o livro: “Marketing e Comunicação Política”.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
2.3 O Poder dos Media na Esfera Democrática
Atualmente um dos maiores poderes das sociedades Contemporâneas figura-se no poder dos
órgãos de comunicação social. Convém realçar que, ao mesmo tempo que os media têm um
grande poder nas sociedades democráticas, eles também possuem uma responsabilidade
acrescida, que é o de informar os indivíduos com rigor e qualidade.
Nas sociedades democráticas, os media representam o maior exemplo da liberdade de
expressão. Além de informar, também tem como propósito desempenhar outras funções,
como garantir o funcionamento da democracia e examinar as ações dos governantes. Nas
atuais sociedades democráticas, muitos são os que consideram os media como um “quarto
poder” em relação aos poderes, executivo, legislativo e o judicial, partindo do ponto que os
media são representantes da opinião pública dando vozes aos diferentes indivíduos. Para
Leonor O‟Boyle (cit. Por Nelson Traquina 2007:33), “com a legitimidade da teoria
democrática, os jornalistas podiam salientar o seu duplo papel: como porta-vozes da opinião,
dando expressão às diferentes vozes no interior da sociedade que deveriam ser tidas pelos
governos, e como vigilantes do poder político, que protegem os cidadãos contra os abusos
(históricos) dos governantes. Pareciam deste modo ser qualquer coisa como um tipo de
autoridade eleita pelo povo com a função de apresentar as suas necessidades ao governo”.
Nas sociedades democráticas, os media, de uma certa forma, são protegidos pela legislação
que possibilita o seu funcionamento sem grandes constrangimentos. Para Daniel Medina
(2006:48) “a democracia idealizou os meios de comunicação social como contrapoderes
políticos e também como intermediários entre os agentes políticos e a sociedade civil. Como
contrapoder, os meios de comunicação social admitiam a primazia do poder político,
contestavam-no e fixavam-lhe os limites a não ultrapassar; como “quarto poder” os media
encontram-se ao mesmo nível que ele, não lhe admitindo nenhuma supremacia e pondo em
prática uma verdadeira luta pela influência”.
Daí possuindo os media uma grande potencialidade de dar visibilidade e empreende
influência sobre a população, acabando por ser uma força poderosa e bastante ambicionada
nas sociedades democráticas devido à sua capacidade de influenciar os indivíduos nos seus
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Ilhas e A Nação
comportamentos e na tomada de certas decisões. Isto é, os media representam esfera de
visibilidade, na qual os demais campos sociais se refletem e procuram legitimar-se.
A esfera democrática, não pode funcionar, com eficiência, sem que os media sejam livres,
para que possam funcionar como “watchdog” (vigilante) e como fonte de conhecimento e de
informação aos indivíduos. Para que a democracia proporcione bem-estar aos cidadãos os
media (jornalismo) precisam exercer bem as suas funções13. Ao exercer as suas funções com
precisão, funcionando como vigilante, os media asseguram que a democracia seja exercida
com transparência, fazendo com que os detentores de poderes e as suas ações estejam sempre
nos media de forma que sejam conhecidos para que os indivíduos possam decidir e eleger em
consciência.
Todavia, nas sociedades onde predominam a democracia, os media (jornalismo) encontra-se
ao seu serviço, podendo provê-la de um conjunto de funcionalidades com potencial para
proporcionar a sua estabilização e aprofundamento.
Podemos constatar que atualmente a importância dessas funções, assim como a sua natureza,
inovam ao decorrer do tempo, e alternam com as peculiaridades de cada democracia, como
demonstram hoje as transformações que a era digital trouxe, quer para os media, quer para as
outras formas de comunicação mediada em geral. Porém, não obstante todo o discurso
generalizado no senso comum acerca dos elevados méritos dos media para a democracia,
permanece alguma indefinição acerca dos contornos exatos dos papéis e do estatuto que os
meios de comunicação social“ podem e devem ocupar” contornos esses restritamente
dependentes, quer dos modelos de jornalismo, quer da própria conceção de democracia.
Para Nelson Traquina (2007:12), “a democracia não pode ser imaginada como um sistema de
governo sem liberdade, e o papel central do jornalismo, na teoria democrática, é informar o
público sem censura. Os pais fundadores da teoria democrática sempre insistiram, desde o
filósofo Milton, na liberdade como fatctor essencial da troca de ideias e opiniões, reservando
13
Atualmente nas sociedades, uma das maiores preocupações dos políticos leva em conta em saber lidar com os
instrumentos de que dependem a opinião pública, uma vez que, estamos perante a uma “crise política”. Hoje o
mediatismo exige com que os agentes políticos sejam capazes de compreender e usar as várias técnicas de
comunicação.
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ao jornalismo não apenas o papel de informar os cidadãos, mas também num quadro de
cheksand balances (a divisão do poder entre poderes), a responsabilidade de vigilante
(watchdog) do governo”. Pegando nesta ideia do autor vamos recorrer à conceção clássica da
democracia que prevê três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - prudentes e
exercendo mútuo controlo em benefício do conjunto da sociedade. Os órgãos de comunicação
social formam atualmente uma parte indissolúvel do sistema democrático moderno. Não há
como conceber a democracia sem uma imprensa livre e vigorosa. Os meios de comunicação
social são canais por meio dos quais a sociedade civil se manifesta, troca informações, vigia,
denuncia, emite opiniões e cobra dos três poderes clássicos o normal exercício daquilo que
compreendemos como democracia.
Nas esferas democráticas os media possuem poderes bastante significantes, tais como, o de
influenciar na formação das agendas públicas e governamentais, intermediar relações sociais
entre grupos distintos, participar das controvérsias políticas, atuar como mecanismo
ideológicos capazes de gerar interesses. Essas ações são “encapotadas” sob a norma de “dever
da informação” que seria independente, apartidária, neutro, características constantemente
defendidas pelos órgãos de comunicação social ao retratar a sua atuação. Para Proença de
Carvalho (cit. Por Daniel Medina 2006:43), “hoje, poderá dizer-se com propriedade que a
comunicação social não é apenas um contrapoder; é um poder que condiciona fortemente os
poderes dos órgãos políticos do Estado e influencia decisivamente a evolução social e
cultural, contribuindo para a formação de valores, das crenças, das opiniões, em maior grau
do que instituições como a Família, a Escola, a Igreja”. Assim o espaço público acaba por ser
em grande parte agendado pelo sistema mediático, na qual vai definir o que deve ser ou não
prioritário e o que deve ser ou não legítimo.
Cada vez mais os media estão adquirindo maior importância nas sociedades democráticas.
Hoje vivemos numa sociedade em que a maioria das informações e conhecimentos dos
eventuais factos que ocorrem nas sociedades são adquiridos de uma forma indireta, isto é,
através dos media. Para Proença de Carvalho (cit. Por Daniel Medina 2006:43), “o poder
condicionante que os media exercem sobre os políticos tem levado a que alguns falem mesmo
em democracia de opinião, em contraste com o conceito de democracia representativa, no
sentido de que se governa não de acordo com as ideias e os programas sufragados nas
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eleições, mas com as correntes de opinião pública”. Nas sociedades Contemporâneas
(democráticas), os media têm a capacidade de fazer com que as opiniões dos indivíduos
tenham uma grande repercussão nas decisões dos dirigentes e nas formas de governar.
Por conseguinte, os media, visto como ferramenta da esfera pública, por meio do qual os
indivíduos adquirem conhecimento da sua realidade e a examinam, deveria numa conspecção
normativa interpretar de uma forma adequada essa realidade, dando primazia aos assuntos
mais importantes e que abrangem as maiorias, mesmo que essas questões não envolvam
diretamente os donos dos órgãos de comunicação social, as suas audiências ou os jornalistas.
A correção jornalística também implica, paradoxalmente, não tratar como consensuais
questões controversas. A sociedade atual, em consequência das mutações e transformações
muito impetuosas, encontra-se abarrotada de questões polémicos e de perplexidades, sobre
cujo significado não existe uma opinião consensual ou sobre as quais diferentes instituições
ou indivíduos têm pontos de vista conflituantes. Nessas situações, o papel dos media deve ser
exactamente o de alegar a controvérsia, reportando as ideias de todos os lados envolvidos, de
modo a tornar-se em veículo e lugar da discussão pública pelos cidadãos. Os media permitem
uma participação efetiva dos cidadãos nos debates, constituindo uma forma benigna para
democratizar o espaço “publico”.
Convém realçar que o enorme poder que os media possuem tem estado sob mira e análise de
vários estudiosos, uma vez que a sua ubiquidade e o seu poder influenciam fortemente as
pessoas nas suas decisões, podendo ser usado para o bem ou para o mal. Os órgãos de
comunicação social são forte instrumento da propaganda e têm levantado algumas precauções
no seio da sociedade. Para Tocquevilhe (cit. por Jorge Pedro Sousa 2004:33), “a imprensa
corresponde a esses impulsos, pois favorece determinadas opiniões e leva-as a triunfar mais
rapidamente, promovendo a formação de consensos. Consegue, ainda, incentivar as ações
comuns dos cidadãos preocupados com determinadas questões, que envolvem a vida política.
Porém, a imprensa também pode ser perversa, ajudando a consolidar tiranias e mau gosto e
fomentando a violência”. Nesta perspetiva podemos constatar que os media, além de poder
proporcionar ações positivas, também podem provocar ações negativas, sobretudo na ausência
de um controlo adequado. Ainda, podemos constatar que nos últimos tempos estamos perante
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diversas formas de controlo social que os poderosos grupos de interesse (grupos económicos)
exercem na sociedade, utilizando técnicas de manipulação, como a propaganda, aproveitando
da omnipresença dos media em detrimentos dos meios de controlo direto.
Atualmente os media encontram-se sujeito à um mercado onde a concorrência está cada vez
mais afincada, em que as sujeições e as lógicas comerciais aparecem como uma forma de
sobrevivência. Os media foram transformadas em empresas jornalísticas comerciais. A
informação tornou-se num bem comercial (produto lucrativo), uma forma de adquirir lucros
(Ignacio Ramonet 1999:15).
Neste sentido, podemos averiguar que o poder dos media nas sociedades atuais está
fortemente influenciada por outros poderes da sociedade. O alvorada que os media detinham
nas décadas anteriores (70, 80, exemplo o caso watergate) já não é o mesmo. Hoje os órgãos
de comunicação social não estão a funcionar com a mesma lógica do contrapoder que antes
tinham. O capitalismo liberal fez com que o setor dos media entre no jogo comercial (onde
audiência é vendida aos anunciantes), o mercado de concorrência “contaminou” certas
ideologias que antes reinavam no seio dos media.
Mas podemos constatar que os poderes dos media, apesar de algumas deficiências, produzem
mais aspetos positivos do que negativos, sendo que não existe nenhuma democracia
equilibrada sem os media: os órgãos de comunicação social são os principais
proporcionadores das diversidades de opinião. Como foi referido no início deste ponto, a
democracia não funciona com eficácia sem as grandes potencialidades que os media podem
favorecer aos indivíduos. E para terminar este ponto, vamos mencionar um pequeno trecho de
Jorge Pedro Sousa (2004:287), “nunca como hoje as pessoas puderam adquirir tanta
informação sobre aquilo que se passa no mundo e as personalidades implicadas nos
acontecimentos… A riqueza de informação permite a construção de conhecimentos sólidos
sobre realidade por aqueles que souberem aproveitar. Num sistema democrático, a pluralidade
de visões do mundo permite escolhas. Pode dizer-se que os meios de comunicação social
revolucionaram o mundo e que, globalmente o revolucionaram para melhor”.
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Alguns autores argumentam que, em sociedades complexas, o acesso à informação
contextualizada é ferramenta de poder para cidadãos, permitindo que venham a conhecer e a
exigir os seus direitos, exercendo, desta maneira, a própria independência e cidadania.
Martins e Paulino (2005) resumem que os media fazem parte de uma esfera pública, e como
tal, não podem estar dissociados dos ideais de justiça e de interesse público.
2.4 Jornalismo:
Responsabilidade
Social
ou
Responsabilidade
Política?
A atividade jornalística, desde cedo, se constituiu como uma atividade em que o seu princípio
vincula-se às pretensões coletivas e o bem comum. No decorrer do tempo, esta prática sofreu
inúmeras transformações que contribuiu para o enfraquecimento do seu papel social, levandoo para um novo molde; o do compromisso com o mercado (audiência) e para a sua
sustentabilidade financeira.
A problemática sobre a questão da responsabilidade social no campo jornalístico parece ser
algo reconhecida neste setor. É uma fisionomia que leva consigo uma grande força e impacto
que faz com que as empresas de comunicação o utilizam como um mecanismo de campanhas
institucionais. Este atributo é proveniente da importante função que o jornalismo vem
desempenhando como cenário de debates e ferramenta de movimentos decisivos que
terminaram em conquistas eloquentes para a sociedade. Existem vários documentos que
estabelecem uma relação entre o jornalismo e a responsabilidade social (Código deontológico
dos Jornalista, Lei da comunicação social, Constituição da República). Para reforçar esta ideia
propomos a seguinte afirmação de Fernando Oliveira Paulino (2009:36): “torna-se importante
avaliar quais pressupostos teóricos têm orientado a atuação das instituições de comunicação e
quais mecanismos e perspetivas têm sido planejados e colocados em prática para a promoção
da liberdade de expressão compatibilizada com os ideais de Direitos Humanos e
responsabilidade social da mídia”. São vários os estudos e análises feitos na abordagem da
ética no campo jornalístico que levantam as preocupações em relação a este assunto. Neste
aspeto o autor refere que os media, no desempenho das suas atividades têm de cumprir
funções sociais que possibilitam que os ideais dos Direitos Humanos possam harmonizar e
concretizar-se na pratica. Na lei de comunicação social cabo-verdiana (lei nº56/V/98 de 29 de
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junho) art.º 5º são mencionadas as funções da comunicação social que estabelecem alguns
parâmetros sociais e que os media devem ter sempre em conta no seu exercício.
Artigo 5º
(funções da comunicação social)
A comunicação social tem as seguintes funções:
a) Contribuição para a correcta formação da opinião pública e educação cívica dos
cidadãos;
b) Promoção da democracia;
c) Divulgação de informações e notícias e difusão do conhecimento;
d) Difusão da cultura e reforço dos valores e da identidade nacionais;
e) Defesa da paz e da solidariedade e amizade entre os povos;
Seguindo estas perspectivas, nota-se que os media possuem grandes responsabilidades sociais,
que são fundamentais para o bem-estar e o desenvolvimento dos indivíduos numa sociedade.
Para Claudia Jawsnicker “A função da mídia seria vigiar o Estado para que ele não se desvie
de seus propósitos originais, viabilizando o intercâmbio de informações, possibilitando o
entretenimento e promovendo a troca, como suporte económico capaz de assegurara
independência financeira (Martins e Paulino 2005:3). Mais tarde, em 1892, o publisher
americano Joseph Pulitzer reiterava esta missão, afirmando que a imprensa deveria ser capaz,
desinteressada, imbuída de espírito público e com inteligência para saber o que é direito e
com a coragem para fazê-lo. Em1942, é formulada, pela Comissão pela Liberdade da
Imprensa, nos Estados Unidos, a Teoria da Responsabilidade Social da Imprensa (TRSI). A
plataforma propôs uma agenda para a imprensa, visando o estabelecimento de um sistema de
jornalismo ético, à medida que estabelecia como princípio central que os jornalistas estariam
obrigados a serem responsáveis com o seu público” (www.bocc.ubi.pt)14. É de realçar que os
princípios éticos e deontológicos do jornalismo sempre neles vigoram pressupostos que
marcam este campo, como um setor que deve sempre ter em conta a sua responsabilidade
social. Sendo ele uma área que retrata e aborda os fatos que ocorrem nas sociedades, o
jornalismo nunca deveria se sentir imune às suas responsabilidades sociais, e o que deve-se
ter em conta é sempre delinear bem quais são as responsabilidades sociais que este deve
14
http://www.bocc.ubi.pt/pag/jawsnicker-claudia-reflexao-responsabilidade-social.pdf
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assumir para não se confundir com outras coisas. Pois, o jornalismo tem por missão apurar e
divulgar os fatos sobre as várias perspetivas para que os indivíduos compreendam, entendam
e participem sobre os acontecimentos que ocorrem nas sociedades. Ainda, para
complementar, tomemos a seguinte afirmação de Mesquita (cit. por Joaquim Fidalgo
2008:164): “As principais funções atribuídas aos medias noticiosos pela doutrina da
“responsabilidade social” consistiam em fornecer a informação necessária ao debate político,
esclarecer o povo acerca das suas opções políticas, defender os direitos individuais, contribuir
para o desenvolvimento da economia através da prestação de serviços, divertir e, finalmente,
assegurar a sua própria autonomia, de forma a resistirem às pressões externas. A noção da
“responsabilidade social”, tal como foi repensada no pós-guerra, envolvia uma redefinição
ambiciosa do trabalho jornalístico, reivindicava a necessidade de um jornalismo explicativo
de forma a contextualizar os factos, bem como a transformação dos jornais em espaço de
debate e crítica, abertos ao pluralismo de opiniões”.
Mas, nos últimos tempos, os pressupostos ideais do jornalismo estão a entrar em rutura com a
realidade deste campo nas atuais sociedades contemporâneas. Nas últimas décadas, os meios
de comunicação social transformaram-se em grandes empresas de comunicação, incitando
transformações expressivas no campo da produção jornalística. Hoje, a luta pela
sobrevivência no mercado concorrencial (obtenção de lucro) e a publicidade como principal
suporte de sustentabilidade financeira dos órgãos de comunicação permitiram mudanças
significativas na produção jornalística. Como consequência temos o desaparecimento das suas
principais ideologias e caminhando-o para um novo modelo em que as informações
transformaram-se em produtos comerciais sujeito a jogos de interesse tal como se manifesta
no marketing comercial.
Modificações na estrutura das empresas de comunicação conduziram a uma sujeição da
produção jornalística à lógica de exploração do sistema capitalista. Com a projeção de ações
dos meios de comunicação social na bolsa de valores, a busca por lucros a curto prazo
aumentou. Para maximizar o público, automaticamente os media se submeteram à lógica
empresarial, transformando assim a pauta jornalística. Constata-se que há perdas de notícias
sobre questões sociais (economia, cultura, desporto e política) em relação aos assuntos mais
vendáveis e com alto conteúdo emocional (atrativo). Daí questionamos: o jornalismo está
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mesmo a cumprir a sua responsabilidade social ou está a servir interesses de particulares ou
certas ideologias? A informação se transformou numa mercadoria e está sujeita à lei do
mercado capitalista (procura e oferta), e não de outros princípios, tais como as cívicas e as
éticas. Essa influência comercial trouxe como consequência a redução de custos na fabricação
de notícias e uma precarização do mercado de trabalho. E essa precarização fez e faz com que
os profissionais do jornalismo desrespeitem normas morais e éticas da profissão. O jornalista
perde o teor de educador e identifica-se, cada vez mais, como um simples proletário de um
sistema de produção. No caso de Cabo Verde, pode-se constatar que os nossos órgãos de
comunicação social, especialmente em serviços informativos, existem uma supremacia de
assuntos políticos em relação as questões sociais. Caso como este leva-nos a duvidar cada vez
mais se o jornalismo tem-se comprometido como uma área de forte responsabilidade social,
uma vez que os interesses dos particulares (políticos) são apresentados/noticiados com mais
frequências do que os sociais, sobretudo nos órgãos de serviço público. Para Castilho (cit. por
Claudia Jawsnicker), “a imprensa manteve-se firmemente agarrada a uma agenda políticofinanceira, estreitamente vinculada aos seus interesses corporativos e aos de seus principais
aliados na arena partidária e empresarial, mesmo quando as pesquisas mostraram um aumento
do fosso separando as pautas e a opinião dos leitores”(www.bocc.ubi.pt)16. Isto é desastroso
para o profissional jornalista, ou seja, os media estão a deixar de cumprir as suas
responsabilidades sociais. Estão mais direcionados a desempenhar responsabilidades políticas
do que responsabilidades antes assumidas, como um veículo destinado ao bem comum. Como
foi referido nos pontos anteriores, os media foram “assaltados” por grupos económicos e
políticos que procuram ter os órgãos de comunicação a seu favor para que possam utilizá-los
como instrumento de propaganda das suas ideologias e suas ações. Devido a esses factos,
vamos ter cada vez mais órgãos de comunicação sociais a assumir outras posturas na
sociedade. Isto é, os media vão se apresentar como uma fabrica de produção de informação e
ideologias em que a principal preocupação é a aquisição de mais lucros.
Atualmente o jornalismo sofre muito com o fenómeno de concentração das empresas no seu
ramo, apesar de a concentração possibilitar uma consolidação financeiramente também
permite a perda de diversidades conteúdos jornalísticos, sobretudo através das sinergias, e o
15
http://www.bocc.ubi.pt/pag/jawsnicker-claudia-reflexao-responsabilidade-social.pdf
16
http://www.bocc.ubi.pt/pag/jawsnicker-claudia-reflexao-responsabilidade-social.pdf
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mais grave é que o impossibilita de desempenhar o papel de vigilante dos outros poderes
(económicos, políticos, sociais) de forma que não entre em choque com os interesses políticoeconómicos dos patrões. É curioso falar da responsabilidade social dos media, uma vez que
existe legislação que assegura as suas independências em relação as demais setores
(política/financeira), para que haja prestação de um serviço com responsabilidades sociais,
mas na prática isto não funciona muito bem, porque hoje os media encontram-se fortemente
ligados a grupos económicos e ideologias políticas. Apenas um jornalismo com total
independência e de grande responsabilidade, que pretende informar de forma isenta e
responsável, poderá cumprir de forma eficiente o seu papel social (responsabilidade social).
Nas últimas décadas, o jornalismo romântico17 debilitou, pois surgiu a ideia de um jornalismo
voltado para os interesses mercadológicos. Essa nova tendência do “jornalismo de mercado”
está a colocar em perigo todo o ideal romântico que atravessou esta profissão. Sabe-se que no
jornalismo o seu principal suporte é a credibilidade, e hoje muitos duvidam dela, uma vez que
muitos acham que este está a defender muito mais do que deveria os interesses políticos em
detrimento dos interesses sociais. Ainda há alguns estudiosos que o analisam como um ator
político que vem perdendo as suas responsabilidades sociais ao se corromper juntamente com
a política.
Ao contrário do que acontece em Cabo Verde nos países ocidentais devido à insatisfação do
público com a prestação dos serviços do jornalismo muitas empresas do ramo estão a colocar
em prática novos modelos que possibilitam o equilíbrio de interesses nos media. Este modelo
é a criação do cargo do provedor18 (instrumento crítico e análise do processo jornalístico),
que possibilita um intercâmbio entre o público e os media, fazendo com que os órgãos de
comunicação social abordem também os assuntos que o público deseja ver retratado neles.
17
Jornalismo romântico é aquele jornalismo comprometido com o interesse público, em que a sociedade lhe
encube o poder de fiscalizar as instituições e os detentores do poder.
18
O Provedor possui as competências de atender, analisar e encaminhar as dúvidas, queixas e sugestões dos
leitores de forma que colaboram para aumentar a confiança dos indivíduos (telespetador, leitor, ouvinte) nos
media e para tornar mais transparentes os processos e decisões jornalísticos que intervêm na produção das
notícias.
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2.5 Estudo da Agenda: A agenda-setting (Agenda Mediática, Agenda
Pública e Agenda Política)
Hoje, mais do que nunca, no mundo complexo em que vivemos, onde acontecem várias coisas
ao mesmo tempo, é preciso organizar os assuntos que merecem prioridades de análises e
debates. Definir a prioridade destes assuntos na agenda são questões que vão depender de
certos critérios atribuídos pelas elites políticas, pelos media e que definem o grau de
importância que tem para o público. Atualmente, a questão da agenda-setting tem levantado
algumas preocupações e reflexões, sobretudo na atual conjuntura das sociedades modernas,
em que os diversos agentes procuram legitimar e dar visibilidades às suas ideologias e aos
seus interesses, para que estejam no quotidiano dos cidadãos.
Para Denis McQuail (2003:497), “o agendamento é o processo da influência dos meios de
comunicação de massas (intencional ou não) pelo qual a importância relativa de
acontecimentos noticiosos, assuntos ou personagens, na mente do público é afectada pela
ordem da apresentação noticiosa (ou saliência relativa). Nesta afirmação constata-se que os
media tem um forte poder de influência de definir o grau da importância dos temas para o
público, isto é, a imprensa de uma certa forma define a prioridade dos temas para o público
(agenda pública). Os assuntos ganham importância de acordo com a cobertura feita pelos
media: quanto maior for o enfoque dos media sobre um determinado tema, maior visibilidade
ela ganha e mais fácil será o seu enquadramento na agenda pública/política. Ainda Denis
McQuail (2003:461) defende que “o termo “agendamento” foi cunhado por McCombs e Shaw
(1972, 1993), para descrever um fenómeno já notado há muito estudado no contexto das
campanhas eleitorais. Dearing e Rogers (1996) definem-no como competição contínua entre
protagonistas de questões para chamarem a atenção dos profissionais dos media, do público e
das elites políticas ”.
Uma das grandes capacidades dos media reside no poder de agendar assuntos que merecem
análises e debates. É através da sua agenda-setting que os órgãos de comunicação social
dizem à sociedade quais são os assuntos relevantes do quotidiano. Os media têm uma forte
potencialidade de projetar os assuntos. Se analisarmos os critérios de noticiabilidade vamos
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constatar que são os órgãos de comunicação social que vão fazer hierarquia dos temas que
provavelmente serão debatidos pelo público. Ou seja, são os meios de comunicação social
que, de uma certa forma, vão definir quais os acontecimentos/temas tem prioridade em
relação aos outros e quais os assuntos/temas são mais importantes. Mas convém realçar que
os meios de comunicação social, antes de influenciar a definição das agendas dos outros
setores, eles próprios são agendados através de um complexo jogo de seleção e
enquadramento.
Pegando na realidade cabo-verdiana o que se verifica é que a agenda dos media é quase ela no
total definida pelas notas de imprensa. Como alguns críticos realçam, isto deve-se sobretudo à
forma de fazer o jornalismo em Cabo Verde, aquele jornalismo sentado na redação esperando
pela realização dos eventos, normalmente designado de “jornalismo sentado”. No nosso país,
raras são as situações que constatamos que os órgãos de comunicação social levam alguns
temas para se impor na agenda política. A agenda pública só entra nas agendas mediáticas e
políticas quando acontece algumas manifestações. A questão da agenda em Cabo Verde é
dominada pelo setor político que, normalmente, se apresenta com maior poder de influenciar
as agendas mediáticas e pública.
Para J. Martins Lampreia e Joaquim Caetano (2009:88,89), “a agenda política de um órgão de
comunicação social é definida, na maioria das vezes, por agendamentos anunciados pela
Assessoria de Imprensa. É através desta agenda que, de uma forma geral, os órgãos de
comunicação social estruturam a agenda para uma determinada data. Para além dos
acontecimentos previstos, existem, ainda aqueles que sugerem de uma forma não esperada e
quem tem, ou não, quer ser enquadradas na agenda definida inicialmente”.
Os assessores, após várias análises e pesquisas, determinam quais são os temas do momento,
assuntos que possivelmente estarão em análise nos meios de comunicação social. Juntamente
com o assessorado, procuram quais as melhores respostas, sobretudo para as questões
polémicas. Se reparamos, a assessoria de imprensa da política aconselha o assessorado a
determinar o que é ou não relevante e de interesse público, de modo que possa despertar os
interesses dos media com o objetivo de merecer cobertura mediática. De acordo com os
assuntos abordados nos temas anteriores, existe uma relação complexa entre os media e a
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política, ou seja, há uma correlação entre eles. Na agenda, isto vai manifestar-se também, uma
vez que, assim como os meios de comunicações influenciam a política a participar nos
assuntos focados por eles e a política acabam por lhe dar mais relevância, também a política
por ser um ramo de atuação dos media faz com que estes tendem a seguir a sua agenda.
A importância atribuída a um determinado acontecimento é bastante influenciada pelos
media, pois que bastante indivíduos em vez de fazer a sua avaliação de um determinado
acontecimento, deixa-se simplesmente levar pelo enfoque atribuído pelos órgãos de
comunicação social a um determinado acontecimento. Para McCombs (cit. por José Afonso
2007:33), “a esta transferência do grau de importância que os temas possuem nas agendas dos
media para a agenda pública de uma população convencionou chamar-se, um tanto ou quanto
metaforicamente, agenda-setting, ou determinação da agenda” (www.repositorio.ul.pt)19.
Das afirmações dos autores apresentadas sobre este tema podemos constatar que existe uma
relação de interdependência, ou seja, a agenda política mantém uma relação direta com a
agenda mediática e consequentemente, com a agenda do público, e assim vice-versa. A
construção das agendas públicas, mediática está intimamente relacionada com os métodos de
tomada de audácia política. Mas convém-se realçar que depende em boa parte do contexto.
Para Carlos Erick Brito “dessa maneira, ora essas agendas se diferenciam, ora se mesclam,
ora se confundem, ora se unem e se beneficiam, ora se opõem. A mídia, no papel de
mediadora destas complexas relações, organiza e reorganiza os discursos advindos destes
entrelaçamentos, através das regras de enunciação e estruturas de sedução do discurso
jornalístico”(www.intercom.org.br)21. Mas estas relações podem trazer consequências
negativas, uma vez que os media representam um campo de disputa de interesses e ao mesmo
tempo, sendo o principal agente na formação da agenda pública, pode fazer com que os
indivíduos se movem em boa parte através dos interesses dos políticos.
Hoje, debruçar sobre a questão da agenda-seting é preciso entender a lógica da economia em
que se vigoram os meios de comunicação social, pois que ela alterou profundamente o setor
19
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/284/1/16301_O%2520Poder%2520da%2520Imprensa.pdf
20
http://www.intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2008/resumos/R12-0280-1.pdf
21
http://www.intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2008/resumos/R12-0280-1.pdf
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
mediático. Também deve-se ter em conta as relações existentes entre o campo dos media e o
campo da política e as pressões exercidas entre elas e as suas dependências em relação ao
setor económico.
2.6 Comunicação Social: Quarto Poder ou Contrapoder?
Como podemos abordar o papel social dos órgãos de comunicação social e do jornalismo
especificamente? São eles vistos como “quarto poder” ou “contrapoder”?
Durante algumas décadas, os órgãos de comunicação social serviram como uma força
imprescindível contra os excessos de poder, servindo como instrumento de denunciar as
injustiças, dar voz às críticas, revelar segredos, repor verdades. Por alguns tempos, os media
estavam em sintonia com os ideais da democracia.
Convém realçar que as suas práticas foram determinantes nos regimes ditatoriais/totalitários,
em que as práticas de violação dos Direitos do Homem são constante em que as informações
são duvidosas e também são poucos os que possuem a coragem de se opor/descordar do
regime, divulgando arbitrariedades e impetuosidades (de uma certa, forma podemos tomar
como exemplo as revoluções que tem estado a acontecer nos países do Norte de África).
Para Jorge Pedro Sousa (2006:194,195), “seja como for, o jornalismo, como ainda hoje o
concebemos, é uma poderosa e complexa estratégia de comunicação social. É tão poderoso
que se pode equiparar aos poderes Executivo, Legislativo e Judicial, sendo frequentemente
apelidado de Quarto Poder. Outros ainda apelidam-no de contrapoder, pois o jornalismo é
um contraponto aos restantes poderes. À luz da Teoria Democrática, o jornalismo vigia e
controla os outros poderes, baseando-se no princípio da liberdade de expressão, em especial,
na sua vertente da liberdade de informação (liberdade de informar, informar-se e ser
informado). Há, finalmente, autores que defendem que, mais do que um Quarto Poder, o
jornalismo é um espaço onde se representam, comunicam e digladiam os restantes poderes,
por vezes insidiosamente, funcionando como o "quarto do poder", na feliz expressão de
Ricardo Jorge Pinto”. De uma certa forma, pode-se dizer que os media desempenhou todas
essas funções mencionada pelo autor. Com a massificação dos órgãos de comunicação e a
industrialização das informações houve alterações profundas nesse ramo.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
No passado e ainda hoje são vários os jornalistas que morrem por causas das denúncias que
fazem das injustiças, mas, com o passar do tempo, foram muitos as mudanças que
aconteceram nesta área. As boas práticas em favor do bem comum foram-se esvaziando, aos
poucos, até se chegar ao ponto do jornalismo deixar de cumprir uma boa parte as suas
responsabilidades sociais.
Nos últimos tempos, o que se tem verificado é que há uma certa duvida, um distanciamento
crítico da população em relação aos órgãos de comunicação social e a prática jornalística
atual. São muitos os analistas que fazem uma perceção crítica sobre a questão de designar o
jornalismo, atualmente de “quarto poder”. Para André Fontaine (cit. por Rita Lopes), “boa
parte daquilo que por vezes se designa “quarto poder” deveria com maior exactidão ser
classificado precisamente “na categoria do poder feudal”. É por isso que muitos defendem
que a expressão “quarto poder” carece de rigor analítico. Em primeiro lugar, porque nem os
media, nem o jornalismo correspondem às definições clássicas de poder constituído enquanto
capacidade de acção e de meios concretos de coerção no quadro de uma política. Em segundo,
porque o conjunto de órgãos da comunicação social e das práticas jornalísticas não se articula
num centro decisório unificado e coerente, análogo ao executivo, judicial e legislativo. Em
terceiro, e último, porque quer se tenha presente a estrutura das empresas mediáticas, quer se
pense nas formas de produção jornalísticas, o grau de autonomia dos media e do jornalismo é
reduzido. “O poder dos media é condicionado e controlado por todos os outros, ou seja, pelos
centros de decisão política, económica, tecnológica e militar” (www.labcom.ubi.pt)23. Nos
últimos anos tem-se estado a verificar-se grandes fusões entre os órgãos de comunicação
social e os poderosos grupos económicos e, no mundo actual, uma já não vive sem a outra, em
que cujo objetivo é aquisição de novos mercados nacionais e internacionais. Isto deve-se
sobretudo às revoluções tecnológicas, nomeadamente à internet, que faz com que haja uma
diversidade de informação em curto espaço do tempo para os diversos pontos do globo
terrestre.
22
23
http://www.labcom.ubi.pt/files/agoranet/04/lopes-rita-media-e-poder.pdf
http://www.labcom.ubi.pt/files/agoranet/04/lopes-rita-media-e-poder.pdf
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Para alguns estudiosos/críticos (Ignacio Ramonet, Mário Mesquita etc.) esta abundância de
informações é inestimável para vender cada vez mais, para explorar novos mercados e é nela
que os grandes grupos económicos dominantes têm crescido cada vez mais, a cujos interesses
se subordinam a grande maioria dos meios de comunicação social, tendo como consequências
falta de isenção, ética, justiça.
Como “quarto poder”, os media deveriam e devem primar por princípios morais, éticos que
amparam a democracia e que devem estimular a justiça e a liberdade. Têm como missão
informar e denunciar as más práticas, comparar, apurar e questionar todos os assuntos
imediatos abordados pelos diversos órgãos de forma a fazer valer as sua missão e cumprir a
sua responsabilidade social.
No que se refere à designação de “contrapoder”, é algo bastante mais solicitada do que o
“quarto poder” atualmente no campo jornalístico, sobretudo nas sociedades democráticas,
uma vez que, nestas sociedades se afiguram como uma parte de peso e contrapeso. Esse termo
derivou das grandes ações que os jornalistas e os meios de comunicação tiveram no combate
ao abuso do poder, por exemplo o caso watergate em que dois jornalistas de um jornal
(Washinton Post) podiam derrubar o presidente dos Estados Unidos da América, Richard
Nixon (Rita Lopes). O “contrapoder” se verificou sobretudo nas décadas de 70/80 os tempo
de aurora do jornalismo investigativo, em que muitas práticas obscuras foram trazidas a tona
gerando polémicas e esclarecimentos. Mas com o passar de algum tempo, o jornalismo se
perverteu muito no que tange a esta designação. Atualmente, o poder do jornalismo encontrase bastante condicionado por outros, o que o obriga a sujeitar a certas subordinações, que
deixa cada vez mais difícil que o “contrapoder” se manifesta como antes.
Jornalismo como “contrapoder” tem a tarefa de fiscalizar os outros poderes, algo que pouco
se manifesta, devido ao condicionamento que os media encontram sobre a tutela dos grandes
grupos económicos e industriais e também pela lógica do mercado atual. Para Julianne Schutz
(jornalista australiano cit. por Fernando Oliveira Paulino 2009:73), “o termo “Quarto Poder” é
um conceito de definição flexível, de forma que tradicionalmente as instituições de
comunicação se projetam como watchdogs (cães de guarda) da democracia, mas nem sempre
tem a independência e autonomia necessária para expor publicamente notícias que contrariem
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
seus próprios interesses. Assim, a independência necessária para a atuação da mídia tem como
contrapartida a accountability a ser medida (…) sem a criação de instrumentos de prestação
de contas e responsabilização, a mídia torna-se ou simplesmente um “negócio como outro
qualquer”, sem eventuais obrigações e posições privilegiadas de acesso à informação que tem
nas democracias”. Nesta afirmação do autor, podemos entender que os media enquanto não
são obrigados a prestar contas e cumprir com as suas responsabilidades vão continuar a seguir
as lógicas do mercado. E também vão continuar a ser “assaltados” pelos poderosos grupos
económicos que vão ditar a regra do jogo neste setor. A busca incessante pela audiência e as
fusões, concentrações das empresas norteiam as regras de funcionalidade dos meios de
comunicação atual. Diante destas situações questionamos como podem os media atual servir
de “contrapoder e quarto poder” se estão sobre fortes influencias.
Como disse Ignacio Ramonet, sente-se a necessidade de se criar um outro poder (quinto
poder) para regular as funcionalidades dos media para que estes não se tornem apenas um
instrumento de manipulação e persuasão dos indivíduos por parte dos detentores do poder.
Ainda, para complementar, vamos tomar a seguinte afirmação de Serge Halimui (cit. por
Ignacio Ramonet 1999:40,41): “Os media proclamam-se como um contra poder, escreve ele.
Mas a imprensa escrita e audiovisual é dominada por um jornalismo reverente, por grupos
industriais e financeiros, por um pensamento de mercado, por redes de convivência. Um
pequeno grupo de jornalistas, omnipresentes, impõe a sua definição de informaçãomercadoria a uma profissão cada vez mais fragilizado pelo medo de desemprego. Eles servem
os interesses dos donos do mundo são os novos cães de fila”. Perante esta afirmação,
podemos constatar o quanto é difícil a continuação de conceções românticas (“quarto poder e
contrapoder”) que o jornalismo em tempos carregou. Com a massificação do ensino
universitário no campo jornalístico passa a haver cada vez mais profissionais do ramo e, daí
registou-se uma luta constante para o emprego. O jornalista acaba por deixar-se subordinar
aos objetivos do patrão com medo de ir para o desemprego.
Apesar de todos os condicionamentos que vêm atravessando o campo dojornalismo, as novas
tecnologias podem permitir até um certo ponto uma prática mais saudável no exercício do
jornalismo.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Com a evolução das novas tecnologias, o jornalismo atual tem força, competência e influência
para ser um meio com a capacidade de se contrapor aos abusos perversos cometidos pelos
poderes que constituem/gerem a sociedade e a aproximam da sociedade democrática.
Entretanto, a poderosa força dos media, excepcionalmente, é bem usada no controle desses
mesmos poderes. Se a grande potencialidade do jornalismo não for usada na administração do
bom uso dos outros poderes, que outra força o poderá fazer?
Constata-se, hoje em dia, em muitos meios de comunicação social da espécie cão-de-guarda,
uma censura precisamente dos outros poderes.
É fundamental fazer renascer o jornalismo de watchdog (vigilante) dos poderes económico,
político e judicial, para que possa haver uma sociedade, mais estável possível, livre dos
abusos de poder, de promiscuidades malignas, corrupção, conservando, assim, vivo um dos
pilares de uma sociedade democrata.
2.7 Comunicação Social e Mediação
Os órgãos de comunicação social são encarados como um organismo fundamental da atual
configuração do sistema social, isto é, como mediadores entre os indivíduos/cidadãos e a
realidade social. Os media constituem um dos espaços políticos e sociais de construção e
legitimação de identidades. São também lugares onde decorrem e constrõem-se definições e
ideologias de diferentes grupos sociais.
De acordo com o artigo 2º da Declaração da Unesco sobre os Meios de Comunicação (1978),
realça-se que o exercício da liberdade de opinião, da liberdade de expressão e da liberdade de
informação, reconhecido como parte integrante dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais, constitui um fator essencial do fortalecimento, da paz e da compreensão
internacional24. Neste âmbito do exercício da comunicação social, o jornalismo assume se
como um dos principais instrumentos dos indivíduos. Os meios de comunicação social
24
http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/temas-de-atuacao/atuacao-e-conteudos-de-
apoio/legislacao/discriminacao/ai_discrim_raca_preconceito
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possuem a capacidade de dar voz e vez ao povo e servirem de mediadores de informações e
reivindicações com outras instituições.
O jornalismo tem responsabilidade social, entretanto emergiu como resultado de enumeras
revoluções tecnológicas, da expansão do capitalismo, das pressões dos movimentos sociais
pela democratização da sociedade de informação e do conhecimento (Alana Gazoli, 2009).
Seguindo esta perspetiva pode-se dizer que é através dos media que os indivíduos ficam a
saber das ações dos diferentes atores sociais e, ao mesmo tempo é através dos media que
reagem e comunicam com esses fatores. Ainda, para complementar, tomemos a seguinte
afirmação de dois cientistas políticos Miguel e Biroli (cit. por Francilaine Munhoz Moraes e
Zélia Leal Adghirni2011:4), “[...] a mídia se tornou o principal instrumento de contato entre a
elite política e os cidadãos comuns, substituindo, em alguns casos, os próprios partidos
políticos,
tradicionalmente
os
mediadores
dessa
relação”(www.compos.org.br)25.
Especificamente neste caso, podemos constatar que, antes os partidos procuravam com maior
frequência tentar ter contatos diretos com os cidadãos, mas hoje a situação mudou-se devido
aos avanços tecnológicos e aos seus efeitos. Cada vez mais, constatamos uma incessante
busca dos políticos de espaços nos órgãos de comunicação social para que possam interagir e
debater com o seu eleitorado.
A comunicação social como o suporte do exercício do jornalismo e, sendo ele uma atividade
direcionada à sociedade, ao estudo da interação entre os meios de comunicação e a sociedade.
Muitas legislações atribuem aos órgãos de comunicação social a responsabilidade de ser o
instrumento que nos processos sociais deve criar e manter mediações viabilizadas do direito à
informação aos indivíduos. Para Daniel Cornu (1994:304), “os jornalistas são legitimados na
sua actividade por esse dever para com o público, que reveste no seu significado original de
um sentido político, mas cujo alcance se estendeu nas sociedades modernas a outras esferas
para lá da esfera específica do poder e das relações com o poder. Os jornalistas agem no seio
do espaço público, entendido como um lugar simbólico de troca e comprovações de
argumentos contraditórios sobre o conjunto dos assuntos que interessam a sociedade civil.
Este espaço reveste-se de um sentido normativo quando a troca, orientada para a procura de
um acordo universal, é posta como uma condição do viver junto da política. Nas sociedades
25
http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/642/520
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modernas, este é amplamente ocupado pelos grandes meios de informação, que mediatizam
partes importantes da comunicação social”. Ainda, de acordo com esta afirmação, podemos
remeter ao conceito do “quarto do poder” que é atribuída aos órgãos de comunicação, que
significa o espaço onde os demais podres vão se representar, comunicar e disputar-se. Pois é
aqui que os meios de comunicação social/jornalismo vão assumir o seu papel de mediador e
intermediário entre as instituições e os restantes poderes.
O setor dos órgãos de comunicação social representa uma vasta diversidade pois é através
dele que os demais procuram ter espaço de forma que possam ter visibilidade e, por vezes, de
uma certa forma se legitimarem.
Para melhor compreender este contexto citaremos um exemplo bem prático no caso de Cabo
Verde. O setor de energia é um grande problema no nosso país. A população por várias vezes
resolveu fazer manifestações, unir-se e fazer abaixo-assinado ao nosso governo. O resultado
esperado sempre foi uma solução a curto prazo. Mas muitas vezes apenas um grupo de
indivíduos, lutando pelos seus direitos não são atendidos. No entanto se houver a mediação
dos meios de comunicação social, o fato se torna público e a pressão exercida pelos meios de
comunicação social, pela comunidade afetada e por outros atores que se comoveram com o
problema, vai fazer com que o governo se sente obrigado a reestabelecer a normalidade
energética, para que se possa manter a imagem de um governo capaz de resolver os problemas
do seu país.
Para Jorge Pedro Sousa (2006:539), “o campo dos mass media é, portanto, um campo
diversificado, um mosaico, inclusivamente porque é nele que os diferentes subsistemas
sociais se representam e, até certo ponto, se articulam e legitimam. A importância dos meios
de comunicação para a sociedade assenta, efectivamente, nessas enormes capacidades de
representação das pessoas, da sociedade e da cultura; de produção e reprodução, de
construção e reconstrução dos processos sociais e culturais. Os meios concorrem com outros
agentes mediadores, como a família ou a escola, mas têm um papel central na prescrição dos
comportamentos e atitudes aceitáveis e convenientes no meio social, no estabelecimento dos
parâmetros da normalidade, na disponibilização de informação, na promoção do
conhecimento e na oferta social de referentes sobre a realidade. A influência dos meios de
comunicação social nas pessoas e na sociedade é mais positiva do que negativa. Os meios
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tiveram um papel importante, talvez mesmo decisivo, na emancipação das pessoas face à
ignorância e na construção do ambiente de "conhecimento geral" que caracteriza os nossos
tempos”. Nestas afirmações do autor dá para se analisar a grande relevância que a
comunicação social tem na mediação.
Atualmente, a comunicação assume-se como um dos principais agentes de mediação. Se
reparamos, hoje até existe pogramas nos meios de comunicação social onde os indivíduos vão
participar em que cujo os objetivos do pograma é a mediação dos conflitos. Pois, daí
questionamos se a comunicação social não fosse um meio que tem como função também a
mediação, como poderíamos comunicar e discutir os nossos problemas no mundo atual onde
existe uma quantidade enorme de informações?
O setor da comunicação, por ser um campo de mediação, é um espaço de pressão (jogos de
interesses), pois tem a responsabilidade de hierarquizar os assuntos que são tidos como mais
relevantes para o público de forma que possa fazer uma divulgação mais adequada, sendo que
a sociedade é constituída por um público homogéneo. Ainda convém realçar que a
comunicação social não se encontra da mesma forma estruturada do que nas décadas
anteriores sobretudo no que tange ao setor do mercado. Para Daniel Cornu (1994:305), “o
espaço da informação moderna já não é o do seculo XVIII, quando a imprensa contribuía
essencialmente para a difusão das Luzes e para formação da vontade política, quando era
suporte de um debate público sobre a organização justa da sociedade e sobre a legitimação do
poder político. É o de finais do seculo XX, que assiste à chegada de sociedades cada vez mais
complexas, dominadas por sistemas funcionais menos orientados para a procura da justiça e
da verdade do que para a procura de eficácia e do sucesso. (…) Os media então situam-se
num campo de tensão entre a mediatização funcional das relações entre as grandes
organizações sociais e a tomada em linha de conta, herdada da tradição, das esperanças e das
aspirações, das exigências de legitimação perceptíveis na sociedade”. Nestas argumentações
do autor dá-se para entender o como é difícil para a comunicação social desempenhar as suas
funções de mediador na lógica do mercado que rege o setor mediático. Daí, os media são
bastante condicionados pelo mercado. Nem sempre os órgãos de comunicação social
conseguem fazer uma mediação com bastante sucesso. Os agentes mediadores da
comunicação social (jornalistas) encontram-se no meio de um dilema entre os interesses dos
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donos dos órgãos de comunicação social e as normas éticas e deontológicas que regem o seu
campo de atuação. Diante destas situações convém questionar: como a comunicação social
pode fazer uma mediação justa perante esses condicionamentos?
As novas tecnologias de informação e comunicação trouxeram novos desafios para a
comunicação social no que refere a rapidez, a interatividade, a mediação. O avanço das novas
tecnologias digitais de informação mudou, efetivamente, o setor da comunicação social. Elas
contribuíram de uma forma expressiva para a produção de informação de modo não
profissional.
A internet corresponde por si só um campo de mediação, rompendo todas as barreiras
territoriais, permitindo uma comunicação na situação de igualdade (horizontal) entre os
usuários (jornalistas, cidadãos), permitindo debates dos temas com relevância para o interesse
público.
Essas novas tecnologias não vão colocar em causa o papel mediador da comunicação social.
Por consequência vai reforçar este estatuto. Numa diversidade de informação é preciso de um
meio/agente com capacidade de selecionar os que são de relevância para o público
(recorrendo aos critérios de noticiabilidade). Para suportar a nossa posição vamos citar a
seguinte afirmação de Dominique Wolton (cit. por Francilaine Munhoz Moraes e Zélia Leal
Adghirni 2011:2) “o volume cada vez maior de informações reforça o papel do jornalista
como mediador entre o mundo e os cidadãos” (www.compos.org.br)27. Pois a comunicação
social possui a capacidade de distinguir o que realmente deve ser relatado, de observar as
veracidades das informações e que interesses tem para o público.
Hoje, a utilização em massa das novas tecnologias de comunicação, fez surgir as novas
esferas públicas e espaços para debates e informação, possibilitando circunstâncias para o
exercício da reflexividade. Permitiu que haja possibilidades dos indivíduos divulgarem
conteúdos críticos com relevância para o interesse público, ao mesmo tempo permitiu espaços
de observação que possibilitam exercer uma vigilância crítica sobre os media que pertencem
26
http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/642/520
27
http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/642/520
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ao mainstream, denunciando as informações comerciais ou ligadas aos interesses estratégicos
dominantes. No figurino da democratização do sistema mediático, apareceram oportunidades
como uma certa proliferação de imprensa alternativa, a democratização das redes
informáticas, a expansão de rádios e televisões comunitárias, as televisões de acesso público.
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Ilhas e A Nação
Capítulo: Análise de conteúdo e discrição dos resultados
3.1 Discrição dos jornais
Em 1991, ano em que a abertura política foi consubstanciada com as eleições de 13 de
Janeiro, surgiu o jornal A Semana, depois de o PAICV ter perdido o poder para o Movimento
para a Democracia (MPD). Trata-se do jornal com maior penetração no mercado mediático
cabo-verdiano e tem alguma audiência na diáspora, com particular destaque para a
comunidade cabo-verdiana emigrante nos Estados Unidos da América. O jornal A Semana é
um semanário generalista que tem um portal na Internet e abrange os diversos sectores da
sociedade cabo-verdiana e do internacional. É um dos jornais mais completos, contando com
vários suplementos como a Kriolidade, dedicada à cultura; o Cifrão, dedicado à Economia.
O jornal Expresso das Ilhas é um dos três semanários cabo-verdianos, tendo uma publicação
na Internet que serve para complementar a publicação em papel. Surgindo em 2001, depois da
reviravolta política que recolocou o MPD na oposição, o jornal Expresso das Ilhas tem uma
componente política muito forte. Entretanto, é uma publicação generalista, com sede da
Cidade da Praia, preocupando-se com os grandes temas que atravessam o trama social28.
28
http://nosmedia.wordpress.com/historia-dos-medi/
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3.1.1 Caracterização da amostra
Para a efetivação deste trabalho nós escolhemos as seguintes amostras: oito entrevistas,
quarenta edições dos jornais em análise referentes aos meses de janeiro, junho e dezembro.
No que se refere à entrevista, analisamos as entrevistas feitas aos estudiosos e especialistas
das ciências da comunicação e director executivo do jornal A Nação José Vicente Lopes, o
jornalista político do jornal A Nação Daniel Almeida. Também debruçamos sobre a entrevista
feita ao jornalista Jorge Montezinho que desempenha o cargo de chefe de redacção do jornal
Expressos das Ilhas e ao mesmo tempo é um dos jornalistas deste jornal que mais tem
debruçado sobre a política e do jornal A Semana, analisamos a entrevista proferida pela
directora geral do jornal doutora Filomena Silva. Como amostra das entrevistas, analisamos as
entrevistas do ministro dos assuntos parlamentares que tutela a pasta da comunicação social
Rui Semedo, a estudiosa e professora da área e ex-ministra da pasta de comunicação social
Ondina Ferreira. Dissecamos também sobre as entrevistas do líder parlamentar do MPD Elísio
Freire e do então líder parlamentar do PAICV, José Manuel de Andrade.
Analisamos as edições do mês de Janeiro do ano 2012 de forma que possamos avaliar como o
jornal debruçou sobre os conteúdos políticos no início do ano. As edições do mês do Junho
também foram analisadas sobre as perspectivas de observar que tipo de continuidade o jornal
tem dado aos assuntos relacionados a política depois de seis meses. As últimas edições do
dezembro dos jornais serviram para concluir as nossas análises referente a abordagem que os
jornais A Semana, Expressos das Ilhas e o A Nação têm dado a questões políticas durante o
ano 2012.
3.2 Análise de conteúdo e discrição dos resultados
3.2.1 Géneros jornalísticos predominantes na política
Géneros jornalísticos são os “modelos de apropriação e de interpretação da realidade usados
pelos jornalistas”. Correspondem aos diferentes tipos de textos e abordagens que vemos nos
media (notícias, opinião, crónicas, entrevistas, reportagens etc.). No entanto, os géneros
jornalísticos não possuem fronteiras rígidas. Para alguns autores também as fotoreportagens,
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as legendas ou até os faitdivers também são considerados géneros jornalísticos, no sentido de
que correspondem a tipos de abordagem distintos das anteriores.
Reportagem: é um género de texto jornalístico que transmite uma informação por meio da
televisão, rádio, revista. O objetivo da reportagem é levar os fatos ao telespectador ou leitor
de maneira abrangente. Este género procura fazer uma abrangência mais profunda dos fatos,
isto é, ela é exaustiva e profunda, utilizando um estilo narrativo, mais descritivo e
humanizado, faz investigações, tece comentários, levanta questões, discute, argumenta. Uma
reportagem procura contar uma história e levar os leitores a “viver os acontecimentos”. Para
conseguir aproximar os leitores da realidade tratada, a reportagem usa com frequência
elementos de outros géneros jornalísticos (entrevista, crónica, opinião etc.). O que a
reportagem tem de mais aliciante é a função que o repórter exercita, em nome do público: ele
é o representante do público, é alguém do público que presencia, testemunha e depois relata,
informa de maneira que a maioria das pessoas entenda de imediato. É considerado o género
nobre do jornalismo.
Notícia: é o mais comum dos géneros jornalísticos. Refere-se a um texto informativo,
relativamente curto, escrito numa linguagem clara, concisa e directa. As notícias devem ser
atuais, verídicas e despertar o interesse das pessoas.
Breve: Relato sucinto e descritivo de um acontecimento geralmente não tendo mais de dois
ou mais parágrafos curtos, com ou sem citações diretas ou parafraseadas de outras fontes que
não o jornalista e que traz informação nova (Sousa 2004, pág. 181).
Entrevista: existem dois modelos clássicos de entrevista. A mais empregada é a que tem a
forma de perguntas e respostas. Na gíria das redações, é o que se denomina de pinguepongue: em que é feita a introdução para dizer quem é o entrevistado, que assunto domina,
vem uma pergunta e, logo abaixo, a resposta – e assim até a última pergunta com a última
resposta. O outro modelo de entrevista é aquele em que as respostas do entrevistado são
dissolvidas no correr do texto, geralmente com algum verbo que indique a autoria daquela
frase (diz o diretor, afirma o diretor, esclarece o diretor, e assim por diante). Se o jornalista
estudar bem o assunto, informa-se antes a respeito do entrevistado, aumenta a capacidade de
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fazer uma boa entrevista. O aconselhável é que o jornalista tenha pelo menos uma ideia da
resposta correta de toda pergunta que pretende fazer. Assim, dificilmente será confundido
pelo entrevistado.
Para entender quais os géneros jornalísticos predominam no seminário “A semana” vamos
analisar o quadro que se segue em baixo.
Gráfico 1 - Géneros jornalísticos no jornal “A Semana”
70,00%
60,00%
50,00%
Notícia
Reportagem
40,00%
Entrevista
30,00%
Opinião
Breves
20,00%
outros
10,00%
0,00%
junho (edição nº112
dezembro
No semanário “A janeiro
Semana”, nas 6 edições
à nº118) publicadas durante o mês de
Janeiro de 2012, teve no total 29 peças que debruçavam sobre a política. Das 29 peças, o
género notícia foi o que teve maior número de peças com uma percentagem de 66,2%,
obtendo durante as 6 edições 19 peças no total. O género que aparece em 2ª posição com
20,6% é Opinião com uma correspondência de 6 peças; já a Entrevista teve uma
correspondência de 10,3% com apenas 3 peça e em seguida com menos frequência é o género
considerado nobre do jornalismo que apresenta menor percentagem 3,4% com apenas uma
peça.
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Passando os cincos meses, referindo-se ao mês do Junho, o jornal vai ter um acréscimo em
relação aos números de peças que debruçam sobre a política. No decorrer do mês de Junho, o
jornal “A semana” nas 6 edições apresentou um total de 39 peças que abordam assuntos sobre
a política (edição nº1045 à nº1050). O género que teve maior frequência é a Notícia com
48,7% correspondendo à 19 peça; em seguida, encontra-se a Entrevista com 28,2%, tendo 11
peças. Os géneros, Opinião e Breves apresentam-se com a mesma percentagem de 10,2%
tendo cada, uma delas com 4 peças; e com menor percentagem, continua a Reportagem com
1, peça correspondente a 2,5%. É de realçar que o referido mês (junho) foi a temporada das
eleições autárquicas no país.
Já no último mês do ano (Dezembro), o semanário apresentou uma diminuição de peças que
debruçavam sobre a política, tendo apenas 4 edições (edição nº1074 à nº1077), com uma
correspondência no total de 21 peças. A Notícia continuou a ser o género predominante tendo
57,1%, correspondendo a 12 peças; a Opinião apresentou uma correspondência de 23,8%,
com 5 peças: em seguida, aparece a Entrevista com 3 peças correspondentes a 14,2%. O
género Breves teve 1 peça, obtendo 4,7%; e por fim, desta vez a reportagem não teve
nenhuma correspondência.
Para continuarmos a entender/contabilizar as questões do género nos nossos semanários
impressos agora vamos analisar os dados do gráfico nº 2 que possui os dados do jornal
“Expressos das Ilhas”.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Gráfico 2 - Géneros jornalísticos no jornal “Expressos das Ilhas”
O jornal “Expressos das Ilhas” durante o mês de Janeiro de 2012 apresentou 4 edições com
um total de 37 peças que abordavam os assuntos sobre a política. Durante o referido mês o
género que esteve com maior frequência, assim como no jornal anterior, foi a Notícia com
cerca de 67,6%, obtendo 25 peças que relatavam assuntos relacionados com a política. Com a
segunda maior correspondência, predomina a Opinião com 5 peças, tendo13,5%, em seguida
apresenta-se as Breves com 8,1% correspondente a 3 peças e por fim os géneros Reportagem
e Entrevista com a mesma percentagem 5,4 tendo cada uma delas 2 peças.
No mês do junho o jornal teve um ligeiro aumento de peças que debruçavam assuntos
políticos, isto é, o semanário “Expressos das Ilhas” teve no total 39 peças direcionadas à
política nas 4 edições do referido mês. A Notícia continuou a ser o género predominante, com
uma percentagem de 66,7%, obtendo um total de 26 peças e desta vez, com segunda maior
frequência, aparece a Reportagem com 9 peças, tendo 23,1%. Em seguida, aparece o género
Opinião com 7,7%, obtendo 3 peças, as Breves aparecem-se com apenas 1 peça obtendo
2,5%, no referido mês a Entrevista não teve correspondência.
As últimas 4 edições do ano 2012 que se refere ao mês do dezembro o semanário “Expressos
das Ilhas” teve 31 peças no total, que abordavam questões políticas. O género que aparece
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
com maior frequência no referido mês continuou a ser a Notícia com 15 peças, registando-se
48,4%; em seguida sucede as Breves, tendo 16,1% com 5 peças. Os géneros Reportagem e
Opinião aparecem com 4 peças para cada um, obtendo12,9%, cada um deles e em seguida
aparece a Entrevista com 9,7% correspondente a 3 peças.
Para finalizarmos a questão dos géneros predominantes na política nos principais semanários
impressos em Cabo Verde, vamos analisar os resultados do gráfico 3 que se segue com os
dados referentes ao jornal “A Nação”.
Gráfico 3 - Géneros jornalísticos no jornal “A Nação”
80,00%
70,00%
60,00%
Notícia
50,00%
Reportagem
Entrevista
40,00%
Opinião
30,00%
Breves
20,00%
Outros
10,00%
0,00%
janeiro
junho
dezembro
Durante o mês do Janeiro de 2012, o jornal “A Nação” teve 3 edições (edição nº 227 a nº
229), onde apresentou 13 peças que abordavam questões relacionadas com política. No
semanário “A Nação”, durante no referido mês, o género que teve maior representatividade é
a Notícia, com 53,8%, correspondente a 7 peças; em seguida, encontra-se a Reportagem com
3 peças, contendo 23,1%. O género opinião aparece com 15,4%, tendo 2 peças e a Entrevista
com apenas 1 peça, obtendo 7,7%.
Assim como os outros semanários, no mês do Junho o jornal “A Nação” teve um acréscimo
em relação ao número de peças que abordavam assuntos sobre a política. No mês do Junho o
semanário apresentou 4 edições, (edição nº 249 a nº252) obtendo no total 22 peças que
debruçavam sobre a política. A Notícia continuou a ser o género predominante com 15 peças,
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Ilhas e A Nação
usufruindo 68,2%; em seguida, aparece a Reportagem com 27,3%, correspondente a 6 peças.
As breves tiveram apenas uma peça, tendo 4,5%; os outros géneros, no referido mês, não
tiveram correspondência.
No último mês do ano, isto é, em Dezembro, o jornal “A Nação” apresentou nas bancas com 4
edições, totalizando 17 peças com assuntos relacionados à política. O género Notícia continua
como predominante, com 9 peças correspondendo a 52,9%; a Entrevista aparece com 23,5%,
correspondente a 4 peças. Os géneros Opinião e Reportagem aparecem cada um com 11,8%,
referindo-se a 2 peças para cada um.
No que se refere às questões do género nos principais jornais impressos (“A Nação”,
“Expressos das Ilhas”, “A Semana”), em Cabo Verde, na análise feita às amostras,
conseguimos identificar que o género Notícia é o predominante em relação às peças com
assuntos políticos. Sendo a Reportagem o género nobre do jornalismo, de acordo com as
amostras analisadas, podemos constatar que a reportagem é muito pouco utilizada por estes
jornais, tendo em conta que um jornal impresso tem a necessidade de detalhar com
pormenores os assuntos que relata. Das características que os géneros jornalísticos possuem,
podemos constatar também que, na prática, os nossos maiores semanários da praça não fazem
reger com muito rigor de forma que estas características estejam bem presentes nos seus
textos. Já no que se refere às Entrevistas podemos verificar que a matéria feita é muita
baseada nas citações, e estas citações raras vezes são explicadas pelos jornalistas de forma
que o leitor possa entender melhor a mensagem que o entrevistado quer passar.
Nota-se que a predominância das Notícias são, na maioria das vezes, textos elaborados
através de notas de imprensa, conferências de imprensa, palestras, isto é, não são textos que
partem da iniciativa do próprio jornal/jornalista em trazer um assunto para o público. De
acordo o jornalista Daniel Almeida, “existe um certo amorfismo da comunicação social em
relação à política, tendo em conta que os órgãos de comunicação social funcionam
essencialmente a reboque da agenda do governo, nomeadamente, conferências de imprensa e
outras coisas. Não há uma agenda própria dos órgãos de comunicação social e essencialmente
os órgãos públicos em relação a política vão praticamente a reboque das instituições e dos
políticos” (entrevistado a 25.02.2013). Tendo em conta esta afirmação, podemos constatar,
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Ilhas e A Nação
durante as nossas análises, uma incapacidade dos jornais em trazer os grandes temas para a
arena
pública
que
não
sejam
elas
afirmações
mencionadas
pelas
figuras
partidárias/instituições ou partidos políticos. Ainda para Ondina Ferreira, ex-ministra que
tutelava a pasta da comunicação social nos anos 90, “o Jornalismo em Cabo Verde, grosso
modo, não tem “vida própria,” isto é, não faz opinião pública. Encontra-se sem ideias para
fornecer instrumentos de cidadania à sociedade civil. É nisto que reside o grande serviço dos
media. Daí que ande, ou tem andado, quase sempre, a reboque do que o poder político lhe
fornece”, (entrevistada a 18.02.2013).
3.2.2 A predominância das fontes jornalísticas nas peças políticas
No jornalismo as fontes apresentam-se como elemento basilar para a existência de notícias,
não é nada perigoso afirmar que sem as fontes não existem notícias. O jornalista assume o
compromisso de manter sob sigilo o nome de sua fonte de informações, quando for
necessário. A lei protege o direito que o jornalista tem de não revelar quem são as suas fontes.
Como foi dedicado um subtema sobre as fontes no 1º capítulo (5 As fontes no jornalismo)
não iremos debruçar sobre os preceitos teóricos sobre as fontes nesta parte. Pretendemos
analisar o seu recurso nos 3 principais jornais impressos em Cabo Verde. Vamos analisar
dados do gráfico 4 que contem os dados do jornal “A Semana”.
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Gráfico 4 - As fontes no “A Semana”
No semanário “A Semana” identificamos, no total 35 fontes nas edições do mês do janeiro.
As fontes que tiveram maior predominância foram fontes governamentais, com 48,5%
correspondente a 17 fontes; em seguida figuram Indivíduos isolados, com 34,2% (12 fontes)
como fonte. As instituições privadas tiveram uma correspondência de 11,4% (4 fontes) e as
fontes não especificadas aparecem com 5,7% (2 fontes).
No mês do Junho, o jornal “A Semana” aparece com um ligeiro acréscimo de fontes, obtendo
no total 39 fontes. A fonte que aparece com maior frequência neste mês são os Indivíduos
isolados, obtendo 58,9% (23 fontes); as fontes governamentais obtiveram 15,3% (6 fontes),
com a mesma percentagem 15,3% (6 fontes) aprece os jornalistas enquanto fonte. E as fontes
não especificadas figuram com 10,2% (4 fontes).
O semanário “A Semana” contabilizou, no total, 21 fontes nas últimas edições do ano 2012. A
fonte que aparece com maior percentagem no mês do dezembro são Indivíduos isolados com
57,1% (12 fontes); em seguida encontram-se as fontes governamentais que tiveram uma
correspondência de 19% (4 fontes). As fontes não especificadas tiveram uma correspondência
de 14,2% (3 fontes) e as instituições privadas e os jornalistas aparecem como fonte com uma
percentagem de 4,7% (1 fonte) para cada um.
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No capítulo das fontes, no que diz respeito aos textos jornalísticos, a assinatura das peças é
um elemento muito importante que faz com que as notícias ganhem mais relevância e
credibilidade. Identificar o autor do texto na maioria dos casos, quem assina os textos, é o
autor da notícia. Mas, às vezes, é o redator quem assina, ou o editor, ou o subeditor, ou
qualquer outro integrante da redação. O importante é que a assinatura informa ao leitor que
aquele texto tem um autor. Diferente dos outros textos do jornal, sem identificação de autoria,
nesses casos, entende-se que o autor é o próprio jornal. A vantagem da matéria assinada é que
atribui mais credibilidade, aos olhos do leitor.
Para entender a questão da assinatura das peças políticas no jornal “A Semana”, vamos
analisar resultados contidos no gráfico 5.
Gráfico 5 - Assinatura das peças no “A Semana”
No “A Semana”, das 30 peças políticas publicadas durante o mês de Janeiro, 13 peças não
foram assinadas e 17 foram assinadas. Das assinadas, 15 peças foram assinadas com nome
completo, 2 foram com iniciais, de acordo com a tabela da figura 6 que se segue. No mês de
Junho, 23 peças foram assinadas e 11 não tiveram assinaturas e das 23 peças assinadas, 3
foram com iniciais, 20 foram com nome completo. Já no mês de Dezembro, no total das 19
peças políticas, 13 peças foram assinadas e 6 não tiveram assinaturas. Das 13 assinadas, 9
foram assinadas com nome completo e 4 com iniciais dos nomes.
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Gráfico 6 - Assinatura das peças no “A Semana”
Ainda continuando na temática das fontes, vamos analisar os gráficos 7 que contem os dados
do jornal “Expressos das Ilhas”.
Gráfico 7 - As fontes no “Expressos das Ilhas”
O jornal “Expressos das Ilhas”, nas edições do Janeiro de ano 2012, obteve 40 fontes no total,
sendo as fontes governamentais a que tiveram maior correspondência com uma percentagem
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de 67,5% (27 fontes). O Indivíduos isolados como fonte alcançou 25% (10 fontes), enquanto
as fontes não especificadas tiveram 5% (2 fontes) e as instituições privadas conseguiram 2,5%
(1 fonte).
No meio do ano, referindo-se ao mês do Junho, o semanário “Expressos das Ilhas” teve um
acréscimo das fontes, conseguindo totalizar 60 fontes. E a fonte que teve maior frequência
foram as fontes governamentais, com 45% (27 fontes), os jornalistas como fontes alcançaram
26,6% (16 fontes), o Indivíduos isolados conseguiram 21,7% (13 fontes) e as instituições
privadas enquanto fonte atingiram 6,7% (4 fontes).
No mês de Dezembro, o semanário vai registar uma diminuição de fontes nas peças que
debruçam sobre a política, registando-se assim no total 34 fontes. A fonte com maior
correspondência foram as fontes governamentais, com 73,5% (25 fontes); em seguida
aparecem as instituições privadas, com 14,7% (5 fontes) e, por, fim os Indivíduos isolados
como fontes alcançaram 11,8% (4 fontes).
Para reforçar a nossa análise na questão das fontes também vamos analisar os dados dos
gráficos 8 e 9 que contêm os dados que realçam a questão de assinatura das peças no jornal
“Expressos das Ilhas”.
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Gráfico 8 - Assinatura das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas”
No jornal “Expressos das Ilhas”, das 35 peças referentes ao mês de Janeiro, 12 peças
estiveram assinadas e 23 não foram assinadas. Entre as assinadas, todas (12) foram assinadas
com o nome completo do jornalista. Em Junho, no total das peças políticas (40), 29 peças não
tiveram assinaturas, 11 foram assinadas, sendo 10 assinadas com o nome completo do
jornalista e apenas 1 com as iniciais do nome do jornalista. No mês de Dezembro, das 28
peças políticas 15 foram assinadas e 13 não foram assinadas. Das 15 assinadas, 2 tiveram
assinaturas com as iniciais e 13 foram assinadas com o nome completo do jornalista.
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Gráfico 9 - Assinatura das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas”
Para finalizar as análises das fontes utilizadas nas peças políticas, analisaremos os dados do
quadro 10, que correspondem ao semanário “A Nação”.
Quadro 1 - As fontes no jornal “A Nação”
Tipos
de
fontes
utilizadas nas peças
Janeiro
Junho
Dezembro
Total= 1 Peças do
jornalista (6,3%)
Total= 1 Peças do
Jornalista (4%)
Total = 1Peça do
jornalista (7,1%)
Total= 6 fontes
governamentais
(37,5%)
Total= 16 fontes
governamentais
(64%)
Total = 7 fontes
governamentais
(50%)
Total= 0 instituições
Privadas (0%)
Total= 0 fontes
como instituições
privadas (0%)
Total = 0 fontes
como instituição
privada (%)
Total = 3 fontes não
especificadas
(18,7%)
Total= 5 fontes não
especificadas (20%)
Total = 3 fontes não
especificadas
(21,4%)
sobre a política no
jornal “A Nação”
Peça do jornalista
Fontes
governamentais
Instituições
Privadas
Fontes não
especificadas
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Indivíduos isolados
Total das fontes
Total = 6 fontes
como indivíduos
isolados (37,5%)
Total= 3 fontes
como indivíduos
isolados (12%)
Total = 3 fontes
como indivíduos
isolados (21,4%)
Total = 16 (100%)
Total = 25 (100%)
Total = 14 (100%)
No jornal “A Nação”, durante o mês do Janeiro de 2012, foram utilizadas, no total 16 fontes,
nas peças que abordavam temas sobre a política. A fonte que aparece com maior frequência
no referido mês são as fontes governamentais, com 37,5% (6 fontes); com a mesma
percentagem (37,5%) também aparecem os Indivíduos isolados enquanto fonte. As fontes não
especificadas alcançaram 18,7% (3 fontes) e as outras fontes não tiveram correspondência.
Em junho do mesmo ano, o semanário registou um acréscimo em relação ao número de fontes
utilizadas nas peças sobre política, somando no total 25 fontes. A fonte com maior
correspondência no referido mês são as fontes governamentais, com 64% (16 fontes); em
seguida aparecem fontes não especificadas com 20% (5 fontes), os Indivíduos isolados como
fontes alcançaram 12% (3 fontes) e os jornalistas obtiveram 4% (1 fonte) enquanto fonte.
Nas últimas edições do jornal “A Nação”, no mês de dezembro o jornal contabilizou, no total
14 fontes. A fonte com maior predominância foram fontes Governamentais, com 50% (7
fontes). As fontes como Indivíduos Isolados e fontes não Especificadas obtiveram 21,4% cada
um correspondente a 3 fontes para cada um e o jornalista como fonte aparece uma única vez
no mês de Dezembro, com 7,1%. No jornal “A Nação”, os dados referentes à questão das
assinaturas das peças políticas encontram-se nos quadros 2 e 3.
Quadro 2 - Assinatura das peças sobre política no jornal “A Nação”
Assinatura das
peças sobre política
no jornal “A
Nação”
Peças assinadas
Janeiro
Total
Junho
=
12
peça Total
assinadas (90%)
Peças não assinadas
Dezembro
=
11
assinadas (%)
peça Total
=
15
peça
assinadas (%)
Total = 1 peça não Total = 10 peça não Total = 2 peça não
assinadas (10%)
assinadas (%)
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assinadas (%)
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Total
Total = 13 (100%)
Total = 21 (100%)
Total = 17 (100%)
Quadro 3 - Assinatura das peças sobre política no jornal “A Nação”
Assinatura das
peças sobre política
no jornal “A
Nação”
Peças assinadas
com iniciais
Janeiro
Total
Junho
=
1
assinadas
peça Total = 0 peça
assinadas com
com
iniciais (0%)
iniciais (10%)
Dezembro
Total
=
assinadas
1
peça
com
as
iniciais (10%)
Peças assinadas
com o nome
completo
Total = 11 (90 %)
Total = 11 (100%)
Total = 14 (90%)
Total
Total = 12 (100%)
Total =11 (100%)
Total = 15 (100%)
No “A Nação”, das 13 peças políticas do mês de Janeiro, 12 peças foram assinadas e 1 não foi
assinada. Entre as 12 assinadas, 11 foram assinadas com o nome completo do jornalista e
apenas 1 foi assinada com as letras iniciais do nome do jornalista. Em Junho, no total de 21
peças políticas, 10 peças não foram assinadas; 11 tiveram assinaturas, sendo as 11 assinadas
com o nome completo do jornalista. Já no mês de Dezembro, das 17 peças políticas 15 foram
assinadas, 2 não foram assinadas. Das 15 assinadas, apenas uma teve assinatura com as
iniciais e catorze foram assinadas com o nome completo do jornalista.
Da mesma forma que as maiorias das notícias dos jornais impressos (“A Semana”, “Expressos
das Ilhas”, “A Nação”) em Cabo Verde são provenientes das instituições estatais, as suas
fontes também são provenientes dos mesmos. Os nossos semanários privilegiam as fontes
governamentais em relação aos outros, raras são as situações que nós encontramos estes
jornais a citarem especialistas sobre determinados assuntos como fontes. Devido a estas
situações encontraremos principalmente notícias divulgadas de uma forma como que se fosse
a perceção/ideologias dos governantes em relação a certos temas/assuntos. Situações estas
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que, por vezes, podem levar os leitores a questionarem sobre veracidade da forma como um
tal assunto foi abordado.
Tendo em conta uma utilização excessiva das fontes governamentais em relação aos outros
tipos de fonte, isso levou-nos a colocar a problemática da especialização no jornalismo. Para o
líder parlamentar do PAICV, José Manuel de Andrade, “este é um grande desfio da
comunicação social em Cabo Verde. É por isso que temos meios de comunicação a recorrer
sempre a governos e políticos como suas fontes. De certeza, se tivéssemos jornalistas
especializados em Cabo Verde, os órgãos de comunicação, na altura da preparação das suas
notícias, saberiam bem qual a fonte melhor preparada para posicionar-se e pronunciar-se
sobre determinados assuntos” (entrevistado a 17.02. 2013). Pois com esta afirmação mostra-se
uma necessidade de ter profissionais da comunicação social especializados quanto as áreas de
atuação, uma vez que, os especializados possam dar maior contributo sobre um determinado
assunto devido ao domínio que este pode ter, fazendo com que um acontecimento possa ter
uma abordagem com conteúdos mais ricos e esclarecedores, com diversas abordagens. Mas,
de acordo com o editor executivo do jornal A Nação, José Vicente Lopes, “a falta de
jornalistas especializados nos órgãos de comunicação social não é o grande problema de não
haver notícias de grande qualidade: o jornalismo no seu todo tem um quadro legal definido,
tem ainda limitações sobretudo materiais, financeiros porque a luta pela publicidade acaba por
condicionar muitas vezes o exercício da actividade jornalística. São elementos que nós
precisamos de ter em conta, mas o quadro está definido. Só não faz melhor quem não quer,
isto também é um facto” (entrevistado a 25.01.2013). Pensamento este que recai sobre
problemática das influências económicas e sustentabilidade financeira dos media
3.2.3 Tipologia de títulos predominantes
É nos títulos que, na maioria das vezes identificamos as notícias e é através deles que
atribuímos o grau de importância das peças jornalísticas antes de uma leitura; isto é, o índice
de leitura de uma notícia depende da qualidade do título. O título é a chave de um texto
jornalístico. É fundamental que resuma o que está no texto, que seja verdadeiro e que, além
do mais, que seja bonito, atraente, de entendimento imediato ou provocativo. Apesar da
intenção declarada de cativar o leitor, a regra de ouro de todo o título é nunca o enganar,
prometendo em título mais do que aquilo que se tem para lhe oferecer. O resultado disso são
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títulos gritantes e sensacionalistas que usurpam e frustram os leitores. O título deve respeitar
rigorosamente o texto a que se reporta e nunca insinuar.
Os títulos anunciam o texto jornalístico que encabeçam, e são neles que em primeiro lugar o
leitor fixa atenção quando se debruça sobre as páginas de um jornal. O leitor típico vai
viajando de título em título até encontrar algo que lhe prenda definitivamente a atenção, ou
corresponda aos seus interesses quotidianos: aí detém-se, prosseguindo a leitura da notícia.
Nenhum jornalista desconhece a importância da arte de titular e, também, as dificuldades que
a construção de um bom título apresenta. Os títulos são sempre o mais delicado e o mais
difícil de obter numa peça jornalística. Um bom truque consiste em deixá-lo para o fim, para
depois de se ter concluído a peça, altura em que o jornalista domina perfeitamente o seu
conteúdo.
Existem vários tipos de títulos que são usados nos textos jornalísticos e nós seleccionamos
alguns para serem identificados nas peças que debruçam sobre assuntos relacionados com a
política nos três semanários em análise. Entre os títulos que seleccionamos para aplicar na
análise das peças políticas nos jornais “A Semana”, Expressos das Ilhas” e “A Nação”,
escolhemos os seguintes tipos de títulos:
1.
Informativo (é o título que faz referências ao tema abordado, dá a
informação sobre o acontecimento);
2.
Apelativo (são os títulos lúdicos, exclamativos, com função expressiva: há
jogos de palavras, trocadilhos, glosam frases conhecidas);
3.
Interrogativo: normalmente, por regra, não se utiliza o ponto de
interrogação num título; o jornal informa, responde às perguntas dos leitores, tira
a limpo rumores e, portanto, não os veicula. A única possibilidade sempre
excepcional de produzir um título interrogativo é quando o ponto de interrogação,
em vez de se reportar ao conteúdo informativo da notícia, assinalando dúvida ou
desconhecimento, tem propósitos estéticos.
4.
Citativo (é quando temos como título frases citados por algumas fontes,
por vezes, encontramos citação com ou sem aspas);
5.
Implicado (refere-se ao título que emite opinião é crítico ou subjectivo);
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Para abarcarmos a questão dos títulos no jornal “A Semana”, vamos fazer uma análise
descritiva dos dados do gráfico 10.
Gráfico 10 - Tipo de título utilizada nas peças sobre política no jornal “A Semana”
No semanário “A Semana”, nas seis edições do mês de Janeiro do ano 2012 contabilizou-se
um total de 31 títulos nas peças que relatavam assuntos relacionados com a política. Os títulos
informativos aparecem com mais frequência com 64,5%, correspondente a 20 peças com este
tipo de título; em seguida, aparecem os títulos Citativos com 25,8%, obtendo 8 peças com
títulos Citativos. O interrogativo apresenta-se com 6,5%, correspondente a 2 peças e o título
Apelativo aparece em 3,2%, obtendo apenas 1 peça nas edições do mês do janeiro. No mês do
junho de 2012, o jornal vai ter um ligeiro aumento de títulos, obtendo no total 39 títulos. O
título informativo continua a predominar em relação aos outros, contendo 48,7%, que
corresponde a 19 peças com títulos informativos; o título Citativo apresenta uma
correspondência de 43,6%, obtendo 17 peças referentes a este tipo de títulos. Os títulos
Implicado obtiveram 7,7% correspondente a 3 peças com títulos do tipo Implicado. Já no mês
de dezembro do mesmo ano, o semanário “A Semana” apresenta-se nas bancas com 4
edições, tendo no total 19 títulos referentes às peças políticas. O título que aparece com maior
predominância no referido mês são os títulos informativos com 73,7%, correspondente a 14
peças; em seguida surge, os títulos Implicados com 21%, com presença em 4 peças e os
títulos Citativos obtiveram 5,3% com presença em apenas uma peça.
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Continuando a analisar a presença dos tipos de títulos utilizados nos semanários caboverdianos, vamos fazer uma breve análise do gráfico 11 que contem os dados do jornal
“Expressos das Ilhas”.
Gráfico 11 - Tipo de título utilizada nas peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas”
O jornal “Expressos das Ilhas”, nas 4 edições do mês do janeiro do ano 2012, teve no total de
33 títulos. Os títulos informativos apresentaram-se em 19 peças, com uma correspondência de
57,6%; em seguida, temos os títulos Implicados com 27,3% referente a 9 peça. Os títulos
Interrogativos tiveram presença em 3 peças, obtendo assim 9,1%, os títulos Apelativos e
Citativos figuram cada um com 3%, com presença em 1 peça. No mês do Junho, o jornal vai
ter um aumento de números de títulos comparado com o mês de janeiro, totalizando 41
títulos. Os títulos informativos continuam a predominar, obtendo 70,7%, correspondente a
uma presença em 29 peças; em seguida, figura-se os títulos Implicados, com 19,5%,
marcando presença em 8 peças. Os títulos Citativos figuram com 4,9% com uma
correspondência de 2 peças, enquanto os títulos Interrogativos e Apelativos obtiveram 2,4%
cada um, correspondente a 1 peça. Já nas últimas edições do ano 2012, no mês de dezembro o
“Expressos das Ilhas” teve uma diminuição do número de títulos, contabilizando no total 21
títulos referentes aos textos que abordavam assuntos relacionados à política. Os títulos
Informativos continuam na predominância, obtendo 73,1%, com presença em 19 peças; os
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
títulos Citativos e Implicados aparecem cada um com 11,5%, com correspondência de 3 peças
para cada. O título Interrogativo figura com a presença em 1 peça, obtendo 3,8% de presença
no corpus analisado.
Para finalizar as questões dos tipos de títulos utlizados nos semanários de Cabo Verde iremos
analisar os resultados do gráfico 12, que contabilizam os dados do jornal “A Nação”.
Gráfico 12 - Tipo de títulos utilizada nas peças sobre política no jornal “A Nação”
90,00%
80,00%
70,00%
60,00%
Informativo
50,00%
Apelativo
40,00%
Interrogativo
Citativo
30,00%
Implicado
20,00%
10,00%
0,00%
janeiro
junho
dezembro
O jornal “ A Nação”, nas 4 primeiras edições do ano 2012, referindo-se ao mês de Janeiro,
contabilizou um total de 12 títulos, um número muito menor do que os dois outros semanários
(Expressos das Ilhas e o A Semana). À semelhança dos outros jornais, no “A Nação”, o título
Informativo é o que predomina com uma percentagem de 58,3%, correspondente a 7 peças; o
Citativo aparece em 25% das 3 peças com este tipo de título. Os títulos Interrogativos e
apelativos figuram registando-se em 8,3%, com presença de 1 peça para cada um. Passando
cinco meses, o semanário regista um ligeiro aumento de peças (títulos) referentes a assuntos
políticos. No mês de Junho, o jornal obteve no total 21 títulos, sendo que dos 21 títulos, 15
correspondem aos títulos Informativos, contendo uma percentagem de 71,4%. Os títulos
Implicados tiveram presença em 4 peças, obtendo 19% e os Interrogativos figuram em 9,5%,
correspondente a 2 peças. Já nas suas últimas edições do ano 2012, o “A Nação” contabilizou
um total de 17 títulos no mês de dezembro. O título que aparece com maior predominância no
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Ilhas e A Nação
referido mês são os títulos informativos, com 76,5%, correspondente a 13 peças, em seguida,
surge os títulos Citativos, com 17,6% com presença em 3 peças e os títulos Implicados
obtiveram 5,9% com presença em apenas uma peça.
De uma forma geral, os títulos informativos predominam nas peças que abordam assuntos
relacionados com a política nos três maiores semanários impressos em Cabo Verde. Também
é preciso ter em conta até que ponto estes títulos noticiam/relatam a informação presente no
título no decorrer dos textos. Nas análises efetuadas conseguimos observar que, em várias
situações, estes títulos muitas vezes compatuavam da melhor forma em relação aos textos que
acompanhavam, uma vez que, os títulos eram de uma certa forma “embelezados” que
estimulavam uma certa ansiedade no leitor e ao analisar o corpo da notícia em si não
encontrávamos de uma forma bem explicita a informação que se pretendia passar nos títulos.
Uma das grandes fragilidades encontradas na questão dos títulos é a utilização, com
frequência, de certos títulos que nelas levavam conteúdos, por vezes bastante tendenciosos,
mostrando a postura dos jornais perante certos assuntos que contradiziam totalmente a linha
editorial do jornal e a ética jornalística.
3.2.4 Destaque das peças jornalísticas sobre a política nos jornais
Os textos jornalísticos normalmente são paginados e distribuídos dentro de um jornal,
conforme o grau de relevância, ganhando ou não destaques no jornal.
Para analisar as questões do destaque no jornal “A Semana”, vamos começar, primeiro pelas
Manchetes; no quadro número 4 podemos observar os dados referentes às manchetes no ano
2012 no semanário.
Quadro 3 - Política como manchete no jornal “A Semana”
Janeiro
Política
Junho
Dezembro
como Total = 10 Manchete Total = 4 Manchete Total = 2 Manchete
manchete no jornal (100%)
(100%)
“A Semana”
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(100%)
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Ilhas e A Nação
O “A Semana”, nas 6 edições do mês de Janeiro de 2012, obteve, no total 10 manchetes, no
mês do Junho do mesmo ano vai houver uma diminuição de manchetes com assuntos
relacionados com a política, contabilizando, no total 4, manchete. Apesar de ter havido uma
diminuição de manchetes no referido mês, época das eleições autárquicas, o jornal sempre
possuía nas suas edições rubricas de “especial eleição”. Já nas suas últimas edições do ano
2012 (dezembro), o jornal teve apenas 2 manchetes em relação às questões políticas.
No quadro 5, podemos analisar as peças que tiveram destaque como “chamada de 1ª página”
no “A Semana”.
Quadro 4 - Peças sobre política como “chamada de 1ª página no jornal A Semana
Peças sobre política
Janeiro
Junho
Dezembro
como “chamada de 1ª Total = 10 Chamada Total = 17 Chamada Total = 7 Chamada
de 1ª página (100%) de ª página
de 1ª página (100%)
página no jornal A
(100%)
Semana
Já no que diz respeito aos assuntos políticos com “chamada de 1ª página no semanário, vamos
encontrar 10 “chamadas de 1ª página” no jornal referente a Janeiro de 2012 e no mês de junho
verificamos um aumento de “chamada de 1ª página” em relação às peças políticas,
contabilizando no total 17 “chamadas de 1ª página”. No mês de Dezembro, identificamos uma
diminuição de chamada de 1ª página no jornal “A Semana”, totalizando 7 “chamadas de 1ª
página”.
Continuando a analisar os destaques dados às peças políticas no jornal “A semana”, também
analisamos a questão das posições que as peças políticas ocupam no jornal. O quadro 6
revela-nos em que página as peças políticas foram enquadradas.
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Ilhas e A Nação
Quadro 5 - Posições em que as peças sobre política ocupam dentro do jornal “A Semana”
Posições em que as
peças sobre política
ocupam dentro do Janeiro
Junho
Dezembro
jornal “A Semana”
1ª Página
Total
=
sobre
3
a
Peças Total = 1 Peça sobre Total = 1 Peça sobre
política a política (2,7%)
a política (5%)
(9,4%)
Página Interior
Total = 29 Peças Total = 36 Peça Total = 19 Peça
sobre
a
Política sobre
(90,6%)
Ultima Página
Total
(0%)
Total das peças
=
a
Política sobre
(97,3%)
0
Peças Total
=
a
política
(95%)
0
Peças Total
(0%)
=
0
Peças
(0%)
Total = 32 Peças Total = 37 Peças Total = 20 Peças
(100%)
(100%)
(100%)
No que tange à questão de enquadramento das peças políticas dentro do semanário “A
Semana”, o jornal, no mês de Janeiro, contemplou 3 peças na 1ª página; 29 peças foram
encaixadas na página interior e na última página não contemplou nenhuma peça sobre a
política. Em Junho, das 37 peças sobre a política, o jornal contemplou apenas 1 peça na 1ª
página e as restantes (36) foram integrados na página interior do jornal. Já no mês de
Dezembro, das 20 peças políticas no jornal, uma peça foi integrada na 1ª página e 19 foram
encaixadas na página interior.
Ainda no que se refere aos destaques atribuídos aos textos noticiosos de natureza política
dentro do jornal “A semana”, vamos analisar o enquadramento das peças nas páginas impar e
par. Convém realçar que as páginas ímpares são tidas como páginas de maior peso do que as
pares dentro de um jornal, devido à facilidade de visibilidade que elas apresentam. Para a
análise desta questão, vamos fazer uma breve observação do gráfico 13 que possui os dados
do jornal “A Semana” em relação as páginas ímpares e pares.
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Gráfico 13 - Posições de destaque que as peças sobre política ocupam no jornal “A Semana”
Quanto à ocupação das páginas ímpares e pares das peças políticas no “A semana” no mês de
Janeiro, 19 peças ocuparam páginas ímpares e 10 peças políticas preencheram páginas pares.
Em Junho, das 54 peças, 26 foram destacadas nas páginas ímpares, 28 peças ocuparam
páginas pares e, no mês de Dezembro, 17 peças ocuparam páginas pares, enquanto que nas
páginas ímpares foram integradas 5 peças.
E para finalizar a nossa análise quanto ao destaque dado aos textos políticos dentro do
semanário “A Semana”, vamos analisar os resultados do quadro 7 que contém os dados
referentes ao tamanho das peças políticas.
Quadro 6 - Tamanho das peças sobre política no jornal “A Semana”
Tamanho das peças
sobre política no
Janeiro
Junho
Dezembro
jornal “A Semana”
Número
de Total
=
421 Total
=
362 Total
=
222
parágrafos
parágrafos
parágrafos
parágrafos
Número de colunas
Total = 147 colunas
Total = 166 colunas
Total = 71 colunas
Quanto ao tamanho das peças políticas no “A Semana” no mês do Janeiro, durante as 6,
edições as peças políticas obtiveram no total 421 parágrafos, 147 colunas e em Junho
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consumaram no total 362 parágrafos, 166 colunas. Já nas 4 edições, durante o mês de
Dezembro, contabilizou-se, no total, 222 parágrafos e 71 colunas.
Analisando os destaques das peças políticas nos semanários impressos cabo-verdianos agora
vamos centralizar a nossa observação sobre o jornal “Expressos das Ilhas”, iniciando-se pelo
quadro 8 que possui os dados quanto às manchetes.
Quadro 7 - Política como manchete no jornal “Expressos Das Ilhas”
Janeiro
Política
Dezembro
como Total = 3 Manchete Total = 6 Manchete Total = 4 Manchete
manchete no jornal (100%)
“Expressos
Junho
(100%)
(100%)
Das
Ilhas”
O “Expressos das Ilhas”, durante as 4 edições de Janeiro, contabilizou no total, 3 manchetes
relacionados com peças políticas; no mês de Junho, teve um aumento, obtendo, no total, 6
manchetes das peças políticas nas suas edições. E, em Dezembro, obteve no total, 4
manchetes de assuntos relacionados a política.
Para as questões de “chamada de 1ª página” no jornal “Expressos das Ilhas” vamos abordar os
resultados do quadro número 9.
Quadro 8 - Peças sobre política como “chamada de 1ª página no jornal Expressos Das Ilhas
Peças sobre política
Janeiro
Total
= 5 Chamada
como “chamada de 1ª
de 1ª página (100%)
página no jornal
Junho
Total = 7 Chamada
de ª página
(100%)
Dezembro
Total = 7 Chamada
de 1ª página (100%)
Expressos Das Ilhas
De acordo com os dados da tabela da figura 22, nas 4 edições do “Expressos das Ilhas” no
mês de janeiro, o semanário obteve no total 5 “chamadas de 1ª página”, no mês de junho o
semanário teve um aumento consumando assim 7 “chamadas de 1ª página” no total. Já nas
suas últimas edições do ano 2012, referindo-se ao mês de Dezembro, o “Expressos das Ilhas
contabilizou, no total, 7 “chamadas de 1ª página.
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Também quanto aos destaques dados às peças políticas no jornal “Expressos das Ilhas”, da
mesma forma, examinamos a questão das posições que as peças políticas ocupam no jornal. O
gráfico 14 relata em que página as peças políticas foram enquadradas.
Gráfico 14 - Posições das peças políticas dentro do jornal “Expressos das Ilhas”
O semanário “Expressos das Ilhas”, no mês de Janeiro, produziu 3 peças na 1ª página, 35
peças foram empregadas na página interior e na última página não obteve nenhuma peça
política. Já em Junho, das 39 peças políticas, o jornal empregou apenas 1 peça na 1ª página e
nas páginas interiores publicou 38 peças, no mês de dezembro, sendo que 1 peça foi
enquadrada na 1ª página e 31 foram colocadas na página interior.
Quanto ao enquadramento destacado nas páginas ímpares e pares no “Expressos das Ilhas”,
vamos analisar os dados do gráfico 15.
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Gráfico 15 - Posições de destaque que as peças sobre política ocupam no jornal “Expressos das
Ilhas”
O enquadramento dos textos sobre a política, quanto as páginas ímpares e pares no jornal
“Expressos das Ilhas”, durante o mês de Janeiro, 15 peças tiveram enquadramento nas páginas
ímpares; 21 foram enquadradas nas páginas. Em Junho, das 40 peças, 20 preencheram as
páginas pares. Também as páginas ímpares foram ocupadas por 20 peças. No mês de
Dezembro, 6 peças ocuparam as páginas ímpares enquanto nas páginas pares foram
publicadas 36 peças. Finalizando a nossa análise sobre o destaque dado aos textos políticos
dentro do jornal “Expressos das Ilhas”, os resultados do quadro 10 que contém os dados
alusivos ao tamanho das peças políticas.
Quadro 9 - Tamanho das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas”
Tamanho das peças
sobre política no
jornal
Janeiro
Junho
Total=
315 Total=
Dezembro
“Expressos
Das Ilhas”
Número
de
parágrafos
Número de colunas
531 Total=
386
parágrafos
parágrafos
parágrafos
Total = 173 colunas
Total = 193 colunas
Total = 179 colunas
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No que diz respeito ao tamanho das peças políticas no semanário “Expressos das Ilhas” no
mês do janeiro, as peças políticas fizeram um total de 315 parágrafos, 173 colunas durante as
4 edições e em Junho completaram no total 531 parágrafos, 193 colunas. Já nas 4 edições do
mês de dezembro registou-se, no total, 386 parágrafos e 179 colunas.
Para finalizarmos as questões de destaques atribuídos aos textos jornalísticos dentro dos 3
principais semanários impressos no país, fechamos esta questão com uma breve análise no
jornal “A Nação”, começando pela análise do quadro 11, que contém os dados das manchetes
no jornal.
Quadro 10 - Política como manchete no jornal “A Nação”
Janeiro
Política
Junho
Dezembro
como
manchete no jornal Total = 2 Manchete Total = 6 Manchete
“A Nação”
(100%)
Manchete 4 (%)
(100%)
Durante o mês de Janeiro de 2012, o jornal “A Nação” conseguiu, no total, 2 manchetes. Já no
mês do junho, houve um aumento de manchetes com conteúdos relacionados com a política,
registando, no total, 6 manchetes. Nas últimas edições do ano 2012 (dezembro), o jornal teve
apenas 4 manchetes relacionados com questões políticas. No quadro seguinte, podemos
analisar os textos que tiveram destaque com “chamada de 1ª página” no semanário “A
Nação”.
Quadro 11 - Peças políticas como “chamada de 1ª página no jornal “A Nação”
Janeiro
Peças
Junho
Dezembro
políticas
como “chamada de Total = 2chamada Total = 2 chamada Total = 2 chamada
1ª página no jornal de 1ª página (100%)
de 1ª página (100%)
de 1ª página (100%)
“A Nação”
Quanto aos assuntos políticos como “chamada de 1ª página” no “A Nação”, vamos encontrar
no mês de janeiro dois artigos; no mês de junho também obteve 2 “chamada de 1ª página”. No
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mês de Dezembro, em relação às peças políticas, o jornal publicou um total de dois artigos
com “chamada de primeira página”.
No que respeita aos destaques dados às peças políticas do jornal “A Nação”, observamos a
questão das posições que as peças ocupam no jornal. O gráfico 16 descreve em que páginas as
peças políticas foram encaixadas.
Gráfico 16 - Posições em que as peças sobre política ocupam dentro do jornal “A Nação”
O “A Nação” não publicou nenhuma peça na 1ª página no mês de Janeiro. As 13 peças foram
todas empregadas na página interior e na última página não obteve nenhuma peça sobre a
política. Em Junho, também o jornal não destacou nenhuma peça sobre política na 1ª página e
nas páginas interiores enquadrou 20 peças. No mês de dezembro, nenhuma peça foi
enquadrada na 1ª página e foram colocadas 17 peças na página interior.
Já no que diz respeito ao enquadramento destacado nas páginas ímpares e pares no semanário
“A Nação” vamos analisar os dados contidos no quadro 13.
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Quadro 12 - Posições de destaque que as peças sobre política ocupam no jornal “A Nação”
Posições de destaque
que as peças sobre
política ocupam no Janeiro
jornal “A Nação”
Junho
Dezembro
Página Impar
Total = 5 peças
ocuparam páginas
ímpares (38,5%)
Total = 8 peças
ocuparam páginas
pares (61,5%)
Total = 4 peças
ocuparam páginas
ímpares (20%)
Total = 16 peças
ocuparam páginas
pares (80%)
Total = 5 peças
ocuparam páginas
ímpares (29,4%)
Total = 12 peças
ocuparam páginas
pares (70,6 %)
Total = 13 peças
(100%)
Total = 20 peças
(100%)
Total = 17 peças
(100%)
Página par
Total de peças
No que tange à ocupação das páginas ímpares e pares das peças políticas no jornal “A
Nação”, 5 peças preencheram páginas ímpares no mês de janeiro e 8 peças sobre a política
ocuparam páginas pares. Em Junho, 4 peças foram destacadas nas páginas ímpares, 16 peças
preencheram páginas pares e no mês de dezembro 12 peças ocuparam páginas pares enquanto
nas páginas ímpares foram publicadas 5 peças. Para terminarmos a nossa análise ao destaque
dado aos textos políticos dentro dos três principais semanários no país, vamos analisar os
resultados do quadro 14 que contem os dados referentes ao tamanho das peças políticas no
jornal “A Nação”.
Quadro 13 - Tamanho das peças sobre política no jornal “A Nação”
Tamanho das peças
sobre política no
Janeiro
Junho
Total=
122 Total=
Dezembro
jornal “A Nação”
Número
de
parágrafos
Número de colunas
256 Total=
211
parágrafos
parágrafos
parágrafos
Total = 71 colunas
Total = 124 colunas
Total = 99 colunas
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No “A Nação, quanto ao tamanho das peças políticas durante as edições do mês de Janeiro,
estas obtiveram um total de 122 parágrafos, 71 colunas e em Junho consumaram um total de
256 parágrafos, 124 colunas. Já nas 4 edições durante o mês de dezembro registou-se, no
total, 211 parágrafos e 99 colunas.
No que tange à questão do destaque dado às peças políticas dentro dos três semanários caboverdianos em análise, podemos constatar que são-lhes atribuídos grandes destaques dentro dos
jornais e são priorizados em relação aos outros temas abordados no jornal. As matérias/peças
políticas ocupam a maior parte das páginas dos jornais, e ocupam posições destaque nas
páginas dos jornais e na maioria das vezes são acompanhados por fotografias. As peças
políticas nas páginas de destaque dos jornais só perdem em relação às publicidades das
grandes empresas (ex:1ª e última página etc.). A política é o tema de maior predominância
dentro dos três maiores semanários em Cabo Verde (A Semana, A Nação, Expressos das
Ilhas). Para justificar o destaque dado aos assuntos políticos nos jornais tomemos a seguinte
afirmação da directora do jornal A Semana Filomena Silva, concedida numa das nossas
entrevistas, no dia 8 de março de 2013: “O jornalismo como diversas ciências sociais tem de
tudo, diversos graus, níveis, uns mais ligados do que outros, porque o jornalismo da
informação se faz com isso, com política, casos sociais, há outros que preferem dar mais
enfâse às questões económicas. Eu acho que há uma certa mistificação de pessoas,
normalmente estudiosos e académicos que nunca frequentaram redação, nunca estiveram
perto de um jornal e acabam como uma certa mistificação de que o jornalismo cabo-verdiano
está colado a política, mas a minha pergunta é que jornalismo não está colado a política? O
jornalismo é uma ciência social que retrata as relações humanas, assim como as relações de
poder e a política faz parte do dia-a-dia do jornalismo e o jornalismo deve acompanhar e ter o
político como uma parte essencial da democracia, da liberdade de expressão, da governação,
porque nós precisamos da política para podermos desenvolver o nosso futuro, para consolidar
o nosso presente e olhar sem misticismo e sem complexo a nossa realidade. O jornalismo não
vive sem a política e a política não vive sem o jornalismo. Cada um com um grau mais ou
menos de dependência”. De uma forma geral, os profissionais de comunicação afirmam que é
impossível fazer o jornalismo no país sem que os temas de domínio sejam a política. E, para o
director-executivo do jornal A Nação quando confrontado com a problemática da política
ocupar posições de destaques e domínio em relação aos outros temas nos jornais, ele faz a
seguinte afirmação: “Quem tentar fazer diferente não vai ter sucesso. Tudo é político na vida
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e Cabo Verde é um país pequeno onde o distanciamento entre a política e a realidade é
mínimo. Tudo em Cabo Verde está politizado e o jornalismo não pode ser diferente, o
jornalismo não pode fugir da realidade cabo-verdiana até um jogo de futebol é politizado
imagina o jornalismo portanto”. Das entrevistas feita aos profissionais de comunicação, estes
realçam que a política é o prato mais forte e mais apreciado pelos cabo-verdianos, apesar dos
cidadãos reclamarem/criticarem esta situação da política dominar os espaços noticiosos.
3.2.5 Natureza dos discursos
Pela ética jornalística, os textos devem ser sempre imparciais e objectivos; isto é, ser neutro,
não tomando partido.
Mas é preciso realçar que infelizmente nem sempre isto acontece na prática, sendo que hoje
podemos observar cada vez, com maior frequência, nos jornais, alguns textos jornalísticos em
que os profissionais de comunicação ao escreverem os textos noticiosos de uma forma
implícita ou explícita, premeditem um certo ângulo de conotação aos textos noticiosos. Em
alguns destes casos, os textos jornalísticos apresentam uma tonalidade positiva ou negativa.
Na nossa análise do ângulo de abordagem atribuído aos textos jornalísticos que relatam os
assuntos políticos, determinamos três ângulos de abordagem:
Neutra (se o que se disser for no sentido da configuração do próprio acontecimento, com
objectividade, sem tonalidade);
Positiva (discurso com tonalidade positiva, quando se sobrevaloriza incondicionalmente o
significado do acontecimento, e se evitam obstáculos omitindo-os);
Negativa
(discurso
de
tonalidade
jornalística
negativa,
quando
se
subvaloriza
incondicionalmente o acontecimento e se destacam os obstáculos);
Para a nossa análise, quanto ao ângulo de abordagem, vamos começar a analisar os dados do
gráfico 17 que possui os dados relativos ao semanário “A Semana”.
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Grafico 17 - O tom das abordagens das peças sobre política no jornal “A Semana”
No jornal “A Semana” durante as edições de Janeiro de 2012, contabilizamos um total de 31
peças relacionadas com as questões políticas. Das 31 peças, 16 tinham um ângulo de
abordagem com tonalidade neutra, obtendo assim uma percentagem de 51,6%, com
tonalidade positiva conseguimos identificar 10 peças, correspondentes a 32,3%. E com
tonalidade negativa, identificamos 5 peças, contendo 16,1%. Nas edições de junho do mesmo
ano, o jornal obteve um total de 38 peças relacionadas com a política, sendo 18 peças com
uma tonalidade de abordagem neutra, 13 peças possuíam um ângulo de abordagem com
tonalidade positiva e 7 peças figuram com tonalidade negativa, quanto ao ângulo de
abordagem. Nas últimas edições do ano 2012, referindo-se ao mês do Dezembro, o “A
Semana” teve no total 19 peças, 11 peças possuíam ângulos de abordagem neutra
correspondente a 21,1%, 4 peças obtiveram uma abordagem com tonalidade positiva, obtendo
21,1% com a mesma correspondência também figurou a bordagem com tonalidade negativa.
Continuando com as abordagens quanto à tonalidade atribuída às peças políticas nos jornais,
agora vamos analisar o gráfico 18, que possui os dados do jornal “A Nação”,
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Gráfico 18 - O tom de abordagens das peças sobre a política no jornal “A Nação”
O semanário “A Nação” obteve, no total, 13 peças nas edições do mês de janeiro do ano 2012,
9 peças aparecem com ângulo de abordagem numa tonalidade neutra correspondendo a
69,2%. Com tonalidade positiva figura-se 1 peça que corresponde a 7,7%, enquanto que peças
com uma bordagem de tonalidade negativa identificamos 3 peças, obtendo assim 23,1%.
Passando cinco meses, o jornal “A Nação”, em Junho, obteve no total 21 peças com assuntos
políticos. Delas 21 peças 18 teve uma abordagem com tonalidade neutra, possuindo 85,7% e
as restantes 3 peças figuram com uma abordagem em tonalidade negativa obtendo 14,3%. Nas
últimas edições de dezembro de 2012, o “A Nação”, obteve, no total, 17 peças relacionadas
com a política; 82,4% (14 peças) das peças tiveram uma abordagem neutra, 11,8% (2)
aparecem com tonalidades de abordagem negativa e 5,8% (1peça) teve abordagem positiva.
Para finalizar quanto ao ângulo da abordagem atribuído aos textos políticos nos semanários
em Cabo Verde vamos analisar o gráfico19, que contém os dados relativos ao jornal
“Expressos das Ilhas”.
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Gráfico 19 - O tom das abordagens das peças sobre política no jornal “Expressos Das Ilhas”
O semanário “Expressos das Ilhas”, no início do ano 2012, referindo-se ao mês de Janeiro,
teve um total de 35 peças que abordavam assuntos relacionados com a política. Entre as 35,
peças 21 possuíam um ângulo de abordagem com tonalidade neutra, obtendo uma
percentagem de 60%, e as bordagens com tonalidade negativa tiveram 34,3%, correspondente
a 12 peças. E, com um ângulo de abordagem de tonalidade positiva identificamos 2 peças,
com uma correspondência de 5,7%. No mês do junho o “Expressos das Ilhas” obteve no total
39 peças com assuntos políticos e as peças com abordagem de tonalidade neutra teve maior
predominância, obtendo 61,5% correspondente a 24 peças. E as peças com tonalidade
negativa aparecem com 33,3%, possuindo 13 peças, com 5,1% figura as peças com uma
abordagem de tonalidade positiva, obtendo 2 peças. Nas 4 últimas edições do ano 2012
(dezembro), o jornal totalizou 27 peças com assuntos políticos. As peças com uma abordagem
de tonalidade neutra figuram com 66,7%, correspondente a 18 peças, e as de tonalidade
negativa obtiveram 33,3% contendo 9 peças.
É preciso realçar que das análises feitas nos três semanários, quanto à abordagem de
tonalidades atribuídas nas peças que relatavam assuntos políticos, quando o jornal “A
Semana” relata notícias de tonalidade positiva, normalmente, procura enaltecer as acções do
governo ou do partido que sustenta o poder executivo (PAICV); raros são os casos de
excepção neste sentido. Para melhor entender esta problemática tomemos as seguintes
afirmações da Filomena Silva, directora do jornal: “não vejo nenhum mal nisso; isto acontece
em todo o lado; por exemplo, nós assistimos quando, o jornal New York Times proclamou que
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
é para eleição Obama. Os jornalistas são cidadãos. Não existe nenhum jornalismo imparcial,
isto já seria cientista. O jornalismo faz a sua leitura e dá aos cidadãos elementos para
descodificarem. Dizer que um jornal é ligado à esquerda não vejo mal nenhum nisso, A
Semana sim é um jornal ligado a esquerda, mas isto não quer dizer que todos os jornalistas do
jornal se identificam com os ideais da esquerda. E se isso coincide com um partido de
esquerda otimo, mas isto não quer dizer o fato de termos a mesma matriz que estejamos
sempre de acordo. Por exemplo, nós encontramos em França jornais como Le Monde,
Liberation, entre outros, que estão ligados a certos partidos. Seria mesmo hipocrisia dizer que
não se identifica com um tal partido. O correto é garantir a pluralidade e se identificar. Eu
posso afirmar sim que o “A semana” é próximo do PAICV, pois o jornal é próximo dos ideais
de esquerda. É difícil afirmar estas posições publicamente, mas estão bem visíveis as posições
tomadas é basta analisar os editoriais”. Situação, esta que reforça certas ideias e afirmações de
que o jornal “A semana” é fortemente conotado como um órgão de ideologias do PAICV.
Já quanto às abordagens negativas, coincidência ou não, na maioria das peças com este ângulo
de abordagem são textos que tecem fortes críticas aos assuntos relacionados com o actual
maior partido de oposição do país, MPD, normalmente referente às Câmaras Municipais,
dirigidas pelo MPD. Para reforçar ainda mais esta ideia, tomemos a seguinte afirmação do
líder parlamentar do MPD, numa entrevista concedida a nossa investigação: “Neste momento,
em Cabo Verde, em relação à imprensa escrita, o que nós temos é uma imprensa partidária e
não uma imprensa independente, enquanto a rádio e a televisão pública transformaram-se em
grandes porta-vozes do governo em vez de serem porta-vozes dos cidadãos/sociedade civil. O
papel do jornalismo na política em Cabo Verde tem sido mais vozes dos partidos do que
propriamente vozes da verdade. Considero que neste momento o problema do jornalismo em
relação à política não é tanto um problema de criação de condições legais, acima de tudo uma
questão de atitude, atitude dos jornalistas e também da classe política mais concretamente de
quem está no poder”. Afirmações estas e problemáticas que ao abordamos o jornalista do
jornal “Expressos das Ilhas”, Jorge Montezinho, ele argumenta com as seguintes afirmações,
“Muitas vezes conotam-se o “Expressos das Ilhas” com o MPD e o A Semana e A Nação com
o PAICV. Eu por Expressos das ilhas posso falar: ninguém nunca nos pressionou a escrever
notícias contra o governo. Tentamos ser um jornal o mais independente possível e ser
independente é isto é estar a fazer marcação cerada àquilo que o governo está a fazer, mas
também aquilo que a oposição também está a fazer, porque a política não é só o governo o
parlamento e a maioria. Também há a oposição e a oposição também tem que trabalhar e os
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
jornalistas têm que estar vigilantes em relação ao trabalho da oposição. O jornalismo tem de
ser feito com factos, com dados, com documentos e não baseado no “diz-se, diz-se”, que é o
que se faz muito em Cabo Verde. Em Cabo Verde a situação que passa é isto: temos um órgão
que tenta ser independente, tenta ser vigilante e temos órgãos que passam mensagens oficiais
de governo sem interpretar essa mesma mensagem, o que faz com que estejamos a manipular
as pessoas no fundo”.
Já, o A Nação, nas edições analisadas, tenta se mostrar como um jornal que está a procurar
manter uma certa independência, ora fazendo algumas peças que de uma certa forma
beneficia uma e outra ala política, mas tem estado a produzir algumas notícias que, de uma
certa forma, aparenta que são baseados em informações não confirmadas e com algumas
suposições, o que não é uma boa prática no jornalismo. Para o jornalista do jornal A Nação,
Daniel Almeida quando confrontado numa das nossas entrevista com a problemática da
aproximação dos órgãos de comunicação social em Cabo Verde a certos partidos políticos,
“são os partidos políticos que dizem isso; eu não considero que pode haver situações mais ou
menos dúbias, mas acho que não é nada de peso os partidos políticos que quando estão em
dificuldades tentam lançar estas farpas, nomeadamente aos órgãos privados, dizendo que tal
órgão está mais próximo do partido A ou B, mas de uma forma geral, os jornais tentam fazer
os seus trabalhos com uma certa independência”. Afirmações que contradizemos, pois, das
análises que efetuamos dos jornais, mostra-se uma clara tendência dos jornais a certos
partidos e ainda reforçada com a seguinte afirmação do investigador e director-executivo do
jornal “A Nação”, José Vicente Lopes: “no estrangeiro também acontece isso. Nós não
estamos a inventar nada de novo” questionado o porquê dos órgãos não assumirem esta
relação responde, “eles têm dificuldade, é verdade: tudo tem a ver com a tradição a que
pertence o jornalismo cabo-verdiano. O posicionamento ideológico dos órgãos de
comunicação nos países anglo-saxónicos é claro e os demais países, nomeadamente, Portugal
de onde recebemos a maior influência há ainda o culto de isenção e distanciamento. Os outros
países não, sobretudo, nos períodos eleitorais os órgãos de comunicação social assumem
abertamente qual é o partido que apoia. Aqui em Cabo Verde não há essa pratica e eu prefiro
o modelo cabo-verdiano do que o modelo anglo-saxónico, o que não quer dizer que cada um
não pode fazer o seu tipo de influência até porque os leitores não são carneiros. Se um
jornalista vai votar num partido “A” esse candidato não ganha necessariamente as eleição.
Aqui, em Cabo Verde houve um órgão, apesar de ser incipiente, tentou fazer isso e não teve
grande sucesso. Por exemplo, o Jornal Terra Nova já chegou a dizer: meus caros leitores,
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
votam no partido ou candidato tal e nem por isso essa indicação teve correspondência de
votos na urna: Há uma coisa que eu digo a todo mundo que lê jornais: é que as pessoas tem a
capacidade de infiltrar as mensagens que os media vão lhe proporcionar no dia-a-dia, porque
as próprias pessoas fazem a sua análise e se a indicação que o texto jornalístico faz não
corresponde com à perceção que a pessoa tem, a pessoa simplesmente trava essa indicação ou
essa influenciação”. Posicionamento, este que reforça a ideia que conseguimos chegar das
análises feitas aos três maiores semanários em Cabo Verde que, de uma certa forma, estão
conotados ou tomam partidos por certas ideologias partidárias.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Conclusão
Das investigações e estudos realizados, é chegado o momento de tirar conclusões resultantes
do nosso trabalho de pesquisa.
Para a realização deste trabalho, traçamos alguns objectivos a serem atingidos que condensam
na motivação de responder algumas questões à volta das relações estabelecidas entre os
órgãos de comunicação social e o poder político, com focagem nos principais jornais
impressos de Cabo Verde (A Semana, Expressos das Ilhas e A Nação). De um modo geral,
propúnhamos examinar a prática da actividade jornalística nos semanários de Cabo Verde e
analisar as relações entre o poder mediático e o político no nosso país.
Como fruto desta nossa investigação, conseguimos formular algumas conclusões acerca do
nosso objecto de estudo. No que tange ao exercício do jornalismo, na sua relação com o poder
político em Cabo Verde, notamos que a falta de sustentabilidade financeira e a interferência
dos poderes políticos são um dos maiores obstáculos ao exercício da profissão. Da mesma
forma, conseguimos notar que existe uma certa relação de proximidade entre os semanários
que analisamos e os partidos políticos, havendo um domínio dos políticos sobre a agenda dos
mesmos. Concluímos que esta relação entre os dois é forte e que apresenta uma dicotomia:
identificamos nela tanto uma relação de proximidade como também de conflito. Também
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
constatamos que os problemas de equipamentos e formação especializada dos quadros são os
grandes desafios que os meios de comunicação social têm para ultrapassar.
Relativamente aos outros objectivos traçados, nomeadamente o de perceber até que ponto o
jornalismo cabo-verdiano segue a agenda política e como a influência política pode interferir
ou pôr em causa a qualidade das informações e do jornalismo, concluímos que o nosso
jornalismo está altamente partidarizado, de forma que os jornais da nossa praça são
considerados órgãos de certos partidos políticos. Isto ficou fundamentado no facto de as
notícias analisadas, quanto à natureza dos discursos, que os três maiores semanários do país
são bastante tendenciosos no que se refere às notícias sobre a política. Isto é, existe um índice
muito elevado de textos com tonalidades positivas e negativas quanto ao ângulo de
abordagem nas notícias com conteúdos relacionados à política. As situações registadas
contrariam a ética jornalística, segundo a qual o trabalho jornalístico deve ser imparcial. No
jornal “A Semana”, conseguimos identificar que durante o mês de Janeiro do ano 2012, das
trinta e uma peças publicadas sobre a política, 32,3% tinham um grau de abordagem com
tonalidades positivas, 16,1% correspondiam a tonalidades negativas e apenas 51,6% das peças
sobre a política correspondiam a um ângulo de abordagem neutro. Também conseguimos
analisar que quando o jornal faz abordagens positivas dos textos, normalmente, são na
maioria sempre para exaltar as acções do governo ou do PAICV. Já, quanto ao semanário
“Expressos das Ilhas”, apuramos que, das 39 peças sobre a política publicadas durante o mês
de Junho do ano 2012, 33,3% tinham um ângulo de abordagem com tonalidade negativa,
5,1% das peças tinham um ângulo de abordagem positiva e 61,5% das peças sobre a política
correspondiam a abordagens de tonalidade neutra. Os textos que possuíam um ângulo de
abordagem negativa no “Expressos das Ilhas”, normalmente, teciam duras críticas ao governo
e as acções do PAICV; quanto às notícias com tom positivo, constatamos que o jornal procura
enaltecer as acções do MPD e dos municípios dirigidos por esse partido.
No jornal “A Nação”, das 13peças publicadas sobre a política durante Janeiro do ano 2012,
23,1% tinham um ângulo de abordagem com tonalidade negativa, 7,7% correspondiam a
tonalidades positivas e 69,2% das peças sobre a política obtiveram uma abordagem neutra.
Das notícias analisadas, conseguimos apurar que o “A Nação”, de uma certa forma, procura
ser independente, mas por vezes publica notícias tendenciosas em relação a uma e outra
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
ideologia partidária. Situações estas que os próprios políticos reconhecem e afirmam que estes
jornais funcionam como “porta-vozes” e simples mensageiros das mensagens dos partidos ou
agentes políticos. De acordo com Elísio Freire, “a imprensa escrita que nós temos em Cabo
Verde é uma imprensa partidária e o papel do jornalismo na política em Cabo verde tem sido
mais vozes dos partidos do que propiamente vozes da verdade” (entrevistado a 07.03.2013).
Ainda o então líder parlamentar do PAICV, “o grosso da comunicação social são fatos
políticos que estão relacionados com as actividades dos órgãos do Estado e partidários, nesta
perspectiva entende-se que a comunicação social queira transmitir uma certa tendência
favorável a um lado ou a outro. Há alguma tendência clara de posicionamento em função das
convicções políticas dos jornalistas” (José Manuel Andrade: entrevistado a 17.02.2013).
Convém realçar que a politização da comunicação social, a interferência da política, a
autocensura dos próprios jornalistas nos assuntos mediáticos junto da fraca capacidade
económica dos órgãos de comunicação social, são os grandes embaraços ao funcionamento no
dia-a-dia do jornalismo em Cabo Verde, sobretudo dos jornais impressos. Ainda, a esta
problemática, podemos destacar e adicionar os escassos incentivos e investimento nesta área
como a acção dos governantes.
Também identificamos que esta influência, interferência dos políticos nos assuntos mediáticos
e a partidarização da imprensa tem sido um dos principais entraves a efetivação da liberdade
de imprensa, juntando a isso a fraca capacidade financeira. Deste modo, podemos certificar
que o jornalismo em Cabo Verde está mais atento aos aspectos políticos, o que, de certa
forma, nos leva a dizer que o nosso jornalismo está ao serviço da classe política, em especial,
dos governantes. Podemos acrescentar a esta conclusão que a imprensa nacional está
partidarizada, situação esta que tem impedido avanços dos sectores mediáticos e do país.
Nestas situações, como consequência, teremos uma fraca prestação do serviço público nos
media, restritamente nos três principais semanários, de um certo modo, ignorando um
jornalismo ao serviço da sociedade, centrando as suas abordagens à volta das elites políticas e
económicas.
No que concerne a um outro objetivo desta nossa investigação, que é analisar as relações
estabelecidas entre os media e as suas fontes, podemos notar que esta questão tem sido um
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
dos principais problemas que os media em Cabo Verde têm enfrentado, pois ter acesso às
fontes não tem sido uma tarefa fácil para os jornalistas. Em Cabo Verde, há um certo receio
das instituições em fornecer informações aos órgãos de comunicação social. Isto é, existe uma
fraca cultura mediática nas instituições. Também, conseguimos identificar que existe um certo
domínio dos políticos como fontes sobre os órgãos. Isto ficou revelado das analises que
efetuamos das peças sobre a política nos jornais, “Expressos das Ilhas”, “A Nação” e o “A
Semana”, onde as fontes governamentais apresentavam-se em maior percentagem do que as
restantes. No jornal “Expressos das Ilhas”, das 34 (100%) fontes existentes nas publicações
do mês de Dezembro, 73,5% correspondia a fontes governamentais; em seguida, aparece as
instituições privadas como fonte, com 14,7%; depois, temos as demais fontes com uma
percentagem menor ainda. Em relação ao jornal “A Nação”, no mês de Junho as fontes
governamentais também aparecem com maior percentagem (cerca de 64%), seguido de
indivíduos isolados como fontes, com 12%. No semanário “A Semana” também as fontes
governamentais dominam em relação às outras. Por exemplo, no mês de Janeiro, as fontes
governamentais predominam com 48,5%; seguidamente, aparecem os indivíduos isolados
como fontes em cerca de 34,2%. Em muitos casos, a falta de jornalistas especializados tem
condicionado nas escolhas das fontes mais adequados para a realização de certas matérias. De
uma certa forma, as instituições figuram-se como barreiras aos jornalistas na busca dos dados
na produção da sua notícia, postura esta que que vai contra um dos direitos do exercício do
jornalismo, que é o de acesso às fontes e que põe em causa a liberdade de imprensa.
Inicialmente traçamos a hipótese de que o jornalismo cabo-verdiano é politizado, porque os
media não possuem uma agenda própria que beneficia o serviço público, servindo mais a
classe política do que os cidadãos. Hipótese esta que confirma, uma vez que, das análises aos
jornais, conseguimos apurar que mais de 70% das páginas dos jornais são preenchidos com
notícias sobre a política. No jornal “A Semana”, durante as edições de Janeiro do ano 2012,
disponibilizou-se 421 parágrafos e 147 colunas para as notícias sobre a política. Já o
semanário “Expressos das Ilhas”, das 4 edições no mês do Junho do ano 2012, 531parágrafos
e 193 colunas foram ocupadas com notícias relacionadas a política. O “A Nação”, nas suas
edições de Dezembro do ano 2012, dedicou 211 parágrafos e 99 colunas às notícias sobre a
política. Ainda conseguimos averiguar que a grande maioria das notícias publicadas sobre a
política era proveniente das conferências de imprensa ou dos comunicados dirigidos aos
órgãos de comunicação social. De acordo com J. Martins e Joaquim Caetano (2009:89) “a
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
agenda política de um órgão de comunicação social é definida, na maioria das vezes, por
agendamentos anunciados pela Assessoria de Imprensa”.
A questão da agenda tem sido um dos maiores problemas dos media. Notamos que os órgãos
de comunicação em Cabo Verde mostram-se incapazes de criarem as suas próprias agendas e
de definirem, com frequência, a agenda pública. Os órgãos em Cabo Verde e as notícias giram
em torno da agenda oficial, situação estas que reforçam as afirmações de que os meios de
comunicação social no nosso país andam a “reboque” das instituições políticas. Sabendo que
os media mostram-se incapazes de construir as suas próprias agendas, depara-se com a figura
de um “quarto poder” muito frágil nos nossos meios de comunicação social.
A politização das informações tem como consequência a “descredibilidade” da informação,
porque os cidadãos perdem a confiança na veracidade do que os jornalistas divulgam.
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Ilhas e A Nação
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Anexo1
Janeiro
Política
como Edição
Junho
nº
1012
Edição
Dezembro
nº
1045
Edição
nº1074
manchete
no 6/02/2012
01/06/2012
07/12/2012
jornal
“A 1 Manchete (10%)
1 Manchete (25%)
2 Manchete (100%)
Edição
Edição
Semana”
Edição
nº
1014
nº
1046
17/02/2012
05/06/2012
14/12/2012
2 Manchete (20%)
1 Manchete (25%)
0 Manchete (0%)
Edição
Edição
Edição nº 1076
nº
1015
nº
1047
20/02/2012
12/06/2012
21/12/2012
1 Manchete (10%)
0 Manchete (0%)
0 Manchete (0%)
Edição
Edição
nº
1016
nº
1048
28/12/2012
2 Manchete (20%)
1 Manchete (25%)
0 Manchete (0%)
Edição
Edição
nº
1017
nº
27/02/2012
22/06/2012
3Manchete (30% )
0 Manchete (0%)
Edição
Edição
1018
nº
Total
10 Manchete (100%)
4 Manchete (100%)
Peças sobre política
Janeiro
Edição nº 1012
2 Chamada de 1ª
página (20%)
Edição nº 1014
5 Chamada de 1ª
página (50%)
Edição nº 1016
0 Chamada de 1ª
página (0%)
Edição nº 1017
0 Chamada de 1ª página
Junho
Edição nº 1045
1Chamada de ª página
(5,9%)
Edição nº 1046
4 Chamada de 1ª
página
(23,5%)
Edição n º 1047
4 Chamada de 1ª
página
(23,5%)
Edição nº 1048
1 Chamada de 1ª
página
(5,9%)
Edição nº 1049
2 Chamada de 1ª página
123/163
1077
1050
1 Manchete (25%)
Edição nº 1015
2 Chamada 1ª página
(20%)
1075
1049
1 Manchete (10%)
Semana
nº
15/06/2012
26/06/2012
página no jornal A
Edição
24/02/2012
31/02/2012
como “chamada de 1ª
nº
2 Manchete (100%)
Dezembro
Edição nº 1074
2 Chamada de 1ª
página (28,1%)
Edição nº 1075
1 Chamada de 1ª
página
(14,2%)
Edição nº 1076
3 Chamada de 1ª
página (42,8%)
Edição 1077
1 Chamada de 1ª
página
(14,2%)
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
(0%)
Edição nº 1018
1 Chamada de 1ª
página (10%)
Total
10 Chamada de 1ª
página (100%)
(11,7%)
Edição nº 1050
5 Chamada de 1ª
página
(29,4%)
17 Chamada de 1ª
página (100%)
7 Chamada de 1ª
página (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 1012- 3 N
Edição nº 1º14- 5 N
Edição nº 1015- 4 N
Edição nº 1016- 1 N
Edição nº 1017- 4 N
Edição nº 1018- 2 N
Total= 19 Notícias
(66,2%)
Edição nº 1012- 1RP
Edição nº 1014- 0 RP
Edição nº 1015-0 RP
Edição nº 1016- 0 RP
Edição nº 1017- 0 RP
Edição nº 1018- 0 RP
Total= 1Reportagem
(3,4%)
Edição nº 1012- 0 ENT
Edição nº 1014- 1ENT
Edição nº 1015- 1 ENT
Edição nº 1016-1 ENT
Edição nº 1017-0 ENT
Edição nº 1018- 1 ENT
Total= 3 Entrevistas
(10,3%)
Edição nº 1012- 2 OP
Edição nº 1014- 0 OP
Edição nº 1015- 1 OP
Edição nº 1016- 0 OP
Edição nº 1017- 3 OP
Edição nº 1018- 0 OP
Total= 6 Opiniões
(20,6%)
Edição nº 1045- 2 N
Edição nº 1046- 6 N
Edição nº 1047- 2 N
Edição nº 1048- 0 N
Edição nº 1049- 6 N
Edição nº 1050- 3 N
Total = 19 Notícias
(48,7%)
Edição nº 1045- 1RP
Edição nº 1046- 0 RP
Edição nº 1047- 0RP
Edição nº 1048- 0 RP
Edição nº 1049- 0 RP
Edição nº 1050- 0 RP
Total = 1 Reportagem
(2,5%)
Edição nº 1045- 0 ENT
Edição nº 1046- 1 ENT
Edição nº 1047- 3 ENT
Edição nº 1048- 1 ENT
Edição nº 1049- 2 ENT
Edição nº 1050- 4 ENT
Total = 11Entrevistas
(28,2%)
Edição nº 1045- 1 OP
Edição nº 1046- 0 OP
Edição nº 1047- 1 OP
Edição nº 1048- 2 OP
Edição nº 1049- 0 OP
Edição nº 1050- 0 OP
Total = 4 Opiniões
(10,2%)
Edição nº 1045- 0 Brev
Edição nº 1046- 4 Brev
Edição nº 1047- 0 Brev
Edição nº 1048- 0 Brev
Edição nº 1049- 0 Brev
Edição nº 1050- 0 Brev
Total = 4 Breves
(10,2%)
Edição nº 1074- 3 N
Edição nº 1075- 3 N
Edição nº 1076- 5 N
Edição nº 1077- 1 N
Género das peças
sobre a política no
jornal
“A
Semana”
Notícia
Reportagem
Entrevista
Opinião
Breves
Outros
Nenhum
encontrado
Nenhum
dado
dado Nenhum dado
124/163
Total = 12 Notícias
(57,1%)
Edição nº 1074- 0 RP
Edição nº 1075- 0 RP
Edição nº 1076- 0 RP
Edição nº 1077- 0 RP
Total = 0 Reportagens
(0%)
Edição nº 1074- 2 ENT
Edição nº 1075- 1 ENT
Edição nº 1076- 0 ENT
Edição nº 1077- 0 ENT
Total = 3 Entrevistas
(14,2%)
Edição nº 1074- 1 OP
Edição nº 1075- 1 OP
Edição nº 1076- 1 OP
Edição nº 1077- 2 OP
Total = 5 Opiniões
(23,8%)
Edição nº 1074- 1 Brev
Edição nº 1075- 0 Brev
Edição nº 1076- 0 Brev
Edição nº 1077- 0 Brev
Total = 1 Breves
(4,7%)
Nenhum dado
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
encontrado
encontrado
encontrado
Total de peças que
abordam sobre a
Total = 29 (100%) Total = 39 (100%) Total = 21 (100%)
política
N- Notícias;
RP- Reportagens; ENT- Entrevistas; OP- Opiniões; Brev- Breves;
Tipos
de
fontes
utilizadas nas peças
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 1012- 0 PJ
Edição nº 1014- 0 PJ
Edição nº 1015- 0 PJ
Edição nº 1016- 0 PJ
Edição nº 1017- 0 PJ
Edição nº 1018- 0
Total= 0 Peças do
jornalista (0%)
Edição nº 1012- 4 FG
Edição nº 1014- 2 FG
Edição nº 1015- 5 FG
Edição nº 1016- 2 FG
Edição nº 1017- 3 FG
Edição nº 1018- 1 FG
Total= 17 fontes
governamentais
(48,5%)
Edição nº 1012- 1 IP
Edição nº 1014- 1 IP
Edição nº 1015- 1 IP
Edição nº 1016- 0 IP
Edição nº 1017- 0 IP
Edição nº 1018- 1 IP
Total= 4 instituições
Privadas (11,4%)
Edição nº 1045- 0 PJ
Edição nº 1046- 4 PJ
Edição nº 1047- 1PJ
Edição nº 1048- 0 PJ
Edição nº 1049- 0 PJ
Edição nº 1050- 1PJ
Total= 6 Peças do
Jornalista (15,3%)
Edição nº 1045- 3 FG
Edição nº 1046- 3 FG
Edição nº 1047- 0 FG
Edição nº 1048- 0 FG
Edição nº 1049-0 FG
Edição nº 1050- 0 FG
Total= 6 fontes
governamentais
(15,3%)
Edição nº 1045- 0 IP
Edição nº 1046- 0 IP
Edição nº 1047- 0 IP
Edição nº 1048- 0 IP
Edição nº 1049- 0 IP
Edição nº 1050- 0 IP
Total= 0 fontes como
instituições privadas
(0%)
Edição nº 1045- 1 FNE
Edição nº 1046- 0 FNE
Edição nº 1047- 0 FNE
Edição nº 1048- 0 FNE
Edição nº 1049- 0 FNE
Edição nº 1050- 3 FNE
Total= 4 fontes não
especificadas (10,2%)
Edição nº 1045- 4 II
Edição nº 1046- 5 II
Edição nº 1047- 5 II
Edição nº 1048- 3 II
Edição nº 1049- 0 II
Edição nº 1050- 6 II
Total= 23 fontes como
indivíduos isolados
Edição nº 1074- 0 PJ
Edição nº 1075- 1 PJ
Edição nº 1076- 0 PJ
Edição nº 1077- 0 PJ
sobre a política no
jornal “A Semana”
Peça do jornalista
Fontes
governamentais
Instituições
Privadas
Fontes não
especificadas
Indivíduos isolados
Edição nº 1012- 1 FNE
Edição nº 1014- 1 FNE
Edição nº 1015- 0 FNE
Edição nº 1016- 0 FNE
Edição nº 1017- 0 FNE
Edição nº 1018- 0 FNE
Total = 2 fontes não
especificadas (5,7%)
Edição nº 1012- 2 II
Edição nº 1014- 2 II
Edição nº 1015- 2 II
Edição nº 1016- 1 II
Edição nº 1017- 4 II
Edição nº 1018- 1 II
Total = 12 fontes como
indivíduos isolados
125/163
Total = 1 Peça do
jornalista (4,7%)
Edição nº 1074- 0 FG
Edição nº 1075- 1 FG
Edição nº 1076- 3 FG
Edição nº 1077- 0 FG
Total = 4 fontes
governamentais (19%)
Edição nº 1074- 0 IP
Edição nº 1075- 0 IP
Edição nº 1076- 1 IP
Edição nº 1077- 0 IP
Total = 1 fonte como
instituição privada
(4,7%)
Edição nº 1074- 1FNE
Edição nº 1075- 0 FNE
Edição nº 1076- 1FNE
Edição nº 1077- 1FNE
Total = 3 fontes não
especificadas (14,2%)
Edição nº 1074- 6 II
Edição nº 1075- 2 II
Edição nº 1076- 3 II
Edição nº 1077- 1 II
Total = 12 fontes como
indivíduos isolados
(57,1%)
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Total das fontes
(34,2%)
(58,9%)
Total =35 (100%)
Total = 39 (100%)
Total = 21 (100%)
Junho
Dezembro
Edição nº 1012- 0 P
Edição nº 1045- 0 P
Edição nº 1074- 1 P
Edição nº 1014- 0 P
Edição nº 1046- 1 P
Edição nº 1075- 0 P
Edição nº 1015- 0 P
Edição nº 1047- 0 P
Edição nº 1076- 0 P
Edição nº 1016- 1P
Edição nº 1048- 0 P
Edição nº 1077-0 P
Edição nº 1017- 1P
Edição nº 1049- 0 P
Total = 1 Peça sobre a
Edição nº 1018- 1 P
Edição nº 1050- 0 P
política (5%)
Total = 3 Peças sobre
Total = 1 Peça sobre a
a política (9,4%)
política (2,7%)
Edição nº 1012- 5 P
Edição nº 1045- 5 P
Edição nº 1074- 7 P
Edição nº 1014- 6 P
Edição nº 1046- 9 P
Edição nº 1075- 4 P
Edição nº 1015- 6 P
Edição nº 1047- 5 P
Edição nº 1076- 6 P
Edição nº 1016- 2 P
Edição nº 1048- 4 P
Edição nº 1077- 2 P
Edição nº 1017- 7 P
Edição nº 1049- 6 P
Total = 19 Peça sobre
Edição nº 1018- 3 P
Edição nº 1050- 7 P
a política (95%)
Total = 29 Peças sobre
Total = 36 Peça sobre
a Política (90,6%)
a Política (97,3%)
Edição nº 1012- 0 P
Edição nº 1045- 0 P
Edição nº 1074- 0 P
Edição nº 1014- 0 P
Edição nº 1046- 0 P
Edição nº 1075- 0 P
Edição nº 1015- 0 P
Edição nº 1047- 0 P
Edição nº 1076- 0 P
Edição nº 1016- 0 P
Edição nº 1048- 0 P
Edição nº 1077- 0 P
Edição nº 1017- 0 P
Edição nº 1049- 0 P
Total = 0 Peças (0%)
Edição nº 1018- 0 P
Edição nº 1050- 0 P
Total = 0 Peças (0%)
Total = 0 Peças (0%)
Total
Total
Posições em que as
peças sobre política
ocupam dentro do Janeiro
jornal “A Semana”
1ª Página
Página Interior
Ultima Página
Total das peças
(100%)
=
32
Peças
(100%)
126/163
=
37
Peças
Total
(100%)
=
20
Peças
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Posições
destaque
de
que
as
peças sobre política Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 1012- 4 peças
Edição nº 1045- 1 peça
Edição nº 1074- 3 peças
Edição nº 1014- 5 peças
Edição nº 1046- 7 peças
Edição nº 1075- 1 peça
Edição nº 1015- 3 peças
Edição nº 1047- 5 peças
Edição nº 1076- 1 peça
Edição nº 1016- 1 peça
Edição nº 1048- 1 peça
Edição nº 1077- 0 peça
Edição nº 1017- 3 peças
Edição nº 1049- 6 peças
Edição nº 1018- 3 peças
Edição nº 1050- 6 peças
Total = 5 peças
ocuparam páginas
ímpares (22,7%)
Total = 19 peças
ocuparam páginas
ímpares (65,5%)
Total = 26 peças
ocuparam páginas
ímpares (48,1%)
Edição nº 1012- 2 peças
Edição nº 1045- 5 peças
Edição nº 1074- 7 peças
Edição nº 1014- 1 peça
Edição nº 1046- 7 peças
Edição nº 1075- 3 peças
Edição nº 1015- 3 peças
Edição nº 1047- 2 peças
Edição nº 1076- 5 peças
Edição nº 1016- 2 peças
Edição nº 1048- 3 peças
Edição nº 1077- 2 peças
Edição nº 1017- 4 peças
Edição nº 1049- 4 peças
Edição nº 1018- 0 peças
Edição nº 1050- 7 peças
Total = 10 peças
ocuparam páginas
pares (34,5%)
Total = 17 peças
ocuparam páginas
pares (77,3%)
Total = 28 peças
ocuparam páginas
pares (51,9%)
Total = 29 peças
(100%)
Total = 54 peças
(100%)
Total = 22 peças
(100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
ocupam no jornal
“A Semana”
Página Impar
Página par
Total de peças
Tamanho das peças
sobre política no
jornal “A Semana”
Número
parágrafos
de Edição nº 1012- 79 parg Edição nº 1045- 56 parg Edição nº 1074- 78 parg
Edição nº 1014- 82 parg
Edição nº 1046- 51 parg
Edição nº 1075- 48 parg
Edição nº 1015- 109
Edição nº 1047- 58 parg
Edição nº 1076- 69 parg
parg
Edição nº 1048- 47 parg
Edição nº 1077- 27 parg
Edição nº 1016- 36 parg
Edição nº 1049- 96 parg
Total
127/163
=
222
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Edição nº 1017- 83 parg
Edição nº 1050- 54 parg
Edição nº 1018- 32 parg
Total
Total
parágrafos
=
421
=
parágrafos
362
parágrafos
Número de colunas
Tipo de título utilizada
nas peças sobre política
no jornal “A Semana”
Informativo
Apelativo
Edição nº 1012- 19 col
Edição nº 1045- 20 col
Edição nº 1074- 25 col
Edição nº 1014- 31 col
Edição nº 1046- 29 col
Edição nº 1075- 16 col
Edição nº 1015- 34 col
Edição nº 1047- 29 col
Edição nº 1076- 19 col
Edição nº 1016- 14 col
Edição nº 1048- 16 col
Edição nº 1077- 11 col
Edição nº 1017- 26 col
Edição nº 1049- 39 col
Total = 71 colunas
Edição nº 1018- 23 col
Edição nº 1050- 33 col
Total = 147 colunas
Total = 166 colunas
Janeiro
Edição nº 1012- 4 Inf
Junho
Edição nº 1045- 3 Inf
Dezembro
Edição nº 1074- 5 Inf
Edição nº 1014- 5 Inf
Edição nº 1046- 4 Inf
Edição nº 1075- 3 Inf
Edição nº 1015- 3 Inf
Edição nº 1047- 2 Inf
Edição nº 1076-5 Inf
Edição nº 1016- 1 Inf
Edição nº 1048- 0 Inf
Edição nº 1077-1 Inf
Edição nº 1017- 5 Inf
Edição nº 1049- 5 Inf
Total = 14 peças com
Edição nº 1018- 2 Inf
Edição nº 1050- 5 Inf
título
Total = 20 peças com
Total = 19 peças com
(73,7%)
título
título
informativo
informativo
informativo
(64,5%)
(48,7%)
Edição nº 1017- 1 Ap
Nenhum
Total = 1 peça com
encontrado nas edições
encontrado nas edições
título apelativo (3,2%)
do referido mês
do referido mês
Nenhum
Nenhum
Obs.:
edição
apenas
resultado
Nenhum
resultado
nesta
encontramos
título apelativo.
Interrogativo
Edição nº 1014- 1 Int
128/163
resultado
resultado
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Edição nº 1017- 1 Int
encontrado
encontrado
Edição nº 1012- 2 Cit
Edição nº 1045- 1 Cit
Edição nº 1074- 0 Cit
Edição nº 1014- 0 Cit
Edição nº 1046- 6 Cit
Edição nº 1075- 1 Cit
Edição nº 1015- 4 Cit
Edição nº 1047- 4 Cit
Edição nº 1076- 0 Cit
Edição nº 1016- 1 Cit
Edição nº 1048- 2 Cit
Edição nº 1077- 0 Cit
Edição nº 1017- 0 Cit
Edição nº 1049- 2 Cit
Total = 1 peça com
Edição nº 1018- 1 Cit
Edição nº 1050-2 Cit
título citativo (5,3%)
Total = 8 peças com
Total = 17 peças com
título citativo (25,8%)
título citativo (43,6%)
Nenhum
resultado
Edição nº 1045- 1 Imp
Edição nº 1074- 1 Imp
encontrado no referido
Edição nº 1046- 0 Imp
Edição nº 1075- 0 Imp
mês
Edição nº 1047- 1 Imp
Edição nº 1076- 1 Imp
Edição nº 1048- 1 Imp
Edição nº 1077- 2 Imp
Edição nº 1049- 0 Imp
Total = 4 peças com
Edição nº 1050- 0 Imp
títulos
Total = 3 peças com
(21%)
Total = 2 peças com
título
interrogativo
(6,5%)
Citativo
Implicado
título
implicado
implicado
(7,7%)
Total
O tom das
abordagens das
peças sobre política
no jornal “A
Semana”
Positivo
Neutro
Total = 31 (100%)
Total = 39 (100%)
Total = 19 (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 1012- 3 peças
Edição nº 1045- 0 peça
Edição nº 1074- 1 peça
Edição nº 1014- 1 peça
Edição nº 1046- 7 peças
Edição nº 1075- 2 peças
Edição nº 1015- 3 peças
Edição nº 1047- 2 peças
Edição nº 1076- 1 peça
Edição nº 1016- 0 peça
Edição nº 1048- 0 peça
Edição nº 1077- 0 peça
Edição nº 1017- 2 peças
Edição nº 1049- 1 peça
Total = 4 peças com
Edição nº 1018- 1 peça
Edição nº 1050- 3 peças
abordagens
Total = 10 peças com
Total = 13 peças com
(21,1%)
abordagens
abordagens
positiva
positiva
positiva
(32,3%)
(34,2%)
Edição nº 1012- 2 peças
Edição nº 1045- 1 peça
Edição nº 1074- 3 peça
Edição nº 1014- 5 peças
Edição nº 1046- 3 peças
Edição nº 1075- 2 peça
Edição nº 1015- 4 peças
Edição nº 1047- 4 peças
Edição nº 1076- 4 peça
129/163
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Negativo
Total
Assinatura das
peças sobre política
no jornal “A
Semana”
Peças assinadas
Edição nº 1016- 2 peças
Edição nº 1048- 2 peças
Edição nº 1077- 2 peça
Edição nº 1017- 3 peças
Edição nº 1049- 4 peças
Total = 11 peças com
Edição nº 1018- 0 peças
Edição nº 1050- 4 peças
abordagens
Total = 16 peças com
Total = 18 peças com
(57,8%)
abordagens
abordagens
neutra
neutra
neutra
(51,6%)
(47,4%)
Edição nº 1012- 1 peça
Edição nº 1045- 4 peças
Edição nº 1074- 2 peças
Edição nº 1014- 0 peça
Edição nº 1046- 0 peça
Edição nº 1075- 0 peças
Edição nº 1015- 0 peça
Edição nº 1047- 0 peça
Edição nº 1076- 1 peça
Edição nº 1016- 0 peça
Edição nº 1048- 1 peça
Edição nº 1077- 1 peça
Edição nº 1017- 2 peças
Edição nº 1049- 2 peças
Total = 4 peças com
Edição nº 1018- 2 peças
Edição nº 1050- 0 peça
abordagens
Total = 5 peças com
Total = 7 peças com
(21,1%)
abordagens
abordagens
negativa
negativa
negativa
(16,1%)
(18,4%)
Total = 31 (100%)
Total = 38 (100%)
Total = 19 (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 1045- 2 peças
Edição nº 1074- 3 peças
Edição nº 1012- 6 peças
Edição nº 1046- 4 peças
Edição nº 1075- 3 peças
Edição nº 1014- 1 peça
Edição nº 1047- 4 peças
Edição nº 1076- 4 peças
Edição nº 1015- 2 peças
Edição nº 1048- 3 peças
Edição nº 1077- 3 peças
Edição nº 1016- 2 peças
Edição nº 1049- 6 peças
Total
Edição nº 1017- 4 peças
Edição nº 1050- 4 peças
assinadas (68,4%)
Edição nº 1018- 2 peças
Total
Total
assinadas (67,6%)
=
17
peça
assinadas (56,7%)
130/163
=
23
peça
=
13
peça
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Edição nº 1045- 2 peças
Edição nº 1074- 3 peças
Edição nº 1012- 0 peça
Edição nº 1046- 4 peças
Edição nº 1075- 1 peça
Edição nº 1014- 5 peça
Edição nº 1047- 2 peças
Edição nº 1076- 2 peças
Edição nº 1015- 4 peça
Edição nº 1048- 0 peça
Edição nº 1077- 0 peça
Edição nº 1016- 0 peça
Edição nº 1049- 1 peça
Total = 6 peça não
Edição nº 1017- 3 peças
Edição nº 1050- 2 peças
assinadas (31,6%)
Edição nº 1018- 1 peça
Total = 11 peça não
Total = 13 peça não
assinadas (32,4%)
Peças não assinadas
assinadas (43,3%)
Total
Assinatura das
peças sobre política
no jornal “A
Semana”
Peças assinadas
com iniciais
Total = 30 (100%)
Total = 34 (100%)
Total = 19 (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 1012- 0 peça
Edição nº 1045- 0 peça
Edição nº 1074- 2 peças
Edição nº 1014- 0 peça
Edição nº 1046- 1 peça
Edição nº 1075- 0 peça
Edição nº 1015- 1 peça
Edição nº 1047- 1 peça
Edição nº 1076- 2 peça
Edição nº 1016- 1 peça
Edição nº 1048- 0 peça
Edição nº 1077- 0 peça
Edição nº 1017- 0 peça
Edição nº 1049- 1 peça
Total
Edição nº 1018- 0 peça
Edição nº 1050- 0 peça
Total = 3 peça
assinadas com iniciais
(13%)
assinadas
Edição nº 1012- 6 peça
Edição nº 1045- 2 peças
Edição nº 1074- 1 peça
Edição nº 1014- 1 peça
Edição nº 1046- 3 peça
Edição nº 1075- 3 peças
Edição nº 1015- 1 peça
Edição nº 1047- 3 peça
Edição nº 1076- 2 peças
Edição nº 1016- 1 peça
Edição nº 1048- 3 peça
Edição nº 1077- 3 peças
Edição nº 1017- 4 peças
Edição nº 1049- 5 peças
Total
Total
=
2
peça
assinadas com iniciais
=
4
com
peças
as
iniciais (30,8%)
(11,8%)
Peças assinadas
com o nome
completo
131/163
=
9
peça
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Edição nº 1018- 2 peças
Total = 15 (88,2%)
Edição nº 1050- 4 peças
assinadas com o nome
Total = 20 (87,%)
completo do repórter
(69,2%)
Total = 17 (100%)
Total
Total = 23 (100%)
Total = 13 (100%)
EXPRESSOS
Janeiro
Política
como Edição
manchete
Junho
nº
527
no 04/01/2012
jornal “Expressos 1Manchete (33,3%)
Edição
Das Ilhas”
nº
528
Edição
Dezembro
nº
549
Edição
nº
06/06/2012
12/12/2012
2 Manchete (33,3%)
2 Manchete (50%)
Edição
Edição
nº
550
nº
11/01/2012
13/06/2012
19/12/2012
1Manchete (33,3%)
1 Manchete (16,7%)
0Manchete (0%)
Edição
Edição
Edição
nº
529
nº
551
nº
18/01/2012
20/06/2013
24/12/2012
0Manchete (0%)
1 Manchete (16,7%)
1Manchete (25%)
Edição
Edição
Edição
nº
530
nº
552
nº
576
577
578
579
25/01/2012
27/06/2012
24/12/2012
1 Manchete (33,3%)
2 Manchete (33,3%)
1Manchete (25%)
Total
3 Manchete (100%)
6 Manchete (100%)
4 Manchete (100%)
Peças sobre política
Janeiro
Edição nº 527
0 Chamada de 1ª
página (%)
como “chamada de 1ª
página
no
jornal
Expressos Das Ilhas
Edição nº 528
2Chamada de 1ª
página (40%)
Edição nº 529
2 Chamada 1ª página
(40%)
Edição nº 530
1 Chamada de 1ª
Junho
Edição nº 549
2 Chamada de ª
página
(28,5%)
Edição nº 550
3 Chamada de 1ª
página
(42,9%)
Edição n º 551
1 Chamada de 1ª
página
(14,3%)
Edição nº 552
1 Chamada de 1ª
132/163
Dezembro
Edição nº 576
2 Chamada de 1ª
página (28,5%)
Edição nº 577
3Chamada de 1ª
página
(42,9%)
Edição nº 578
0 Chamada de 1ª
página (0%)
Edição nº 579
2 Chamada de 1ª
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
página (20%)
Total
Género
das
5 Chamada de 1ª
página (100%)
página
(14,3%)
7 Chamada de 1ª
página (100%)
página
(28,5%)
7 Chamada de 1ª
página (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 527 – 6 N
Edição nº 528 – 6 N
Edição nº 529 – 4 N
Edição nº 530- 9 N
Total= 25 Notícias
(67,6%)
Edição nº 549- 7 N
Edição nº 550- 4 N
Edição nº 551- 8 N
Edição nº 552- 7 N
Total = 26 Notícias
(66,7%)
Edição nº 576- 5 N
Edição nº 577- 3 N
Edição nº 578- 4 N
Edição nº 579- 3 N
Edição nº 527- 0 RP
Edição nº 528- 2 RP
Edição nº 529 - 0 RP
Edição nº 530 - 0 RP
Total= 2 Reportagem
(5,4%)
Edição nº 549- 1 RP
Edição nº 550- 0 RP
Edição nº 551- 3 RP
Edição nº 552- 5 RP
Total = 9 Reportagem
(23,1%)
Edição nº 527-1 ENT
Edição nº 528-0 ENT
Edição nº 529-1 ENT
Edição nº 530 -0 ENT
Total= 2 Entrevistas
(5,4%)
Edição nº 549-0 ENT
Edição nº 550-0 ENT
Edição nº 551-0 ENT
Edição nº 552-0 ENT
Total = 0 Entrevistas
(0%)
Edição nº 527 -2 OP
Edição nº 528-0 OP
Edição nº 529-3 OP
Edição nº 530-0 OP
Total= 5 Opiniões
(13,5%)
Edição nº 549-1 OP
Edição nº 550-1 OP
Edição nº 551 -0 OP
Edição nº 552-1 OP
Total = 3 Opiniões
(7,7%)
Edição nº 527-0 Brev
Edição nº 528-3 Brev
Edição nº 529-0 Brev
Edição nº 530-0 Brev
Total = 3 Breves
(8,1%)
Edição nº 549-1 Brev
Edição nº 550-0 Brev
Edição nº 551 -0 Brev
Edição nº 552-0 Brev
Total = 1 Breves
(2,5%)
Nenhum
encontrado
Nenhum dado
encontrado
Total = 5 Breves
(16,1%)
Nenhum dado
encontrado
Total = 39 (100%)
Total = 31 (100%)
peças
sobre a política no
jornal “Expressos Das
Ilhas”
Notícia
Reportagem
Entrevista
Opinião
Breves
Outros
Total de peças que
abordam sobre a
dado
Total = 37 (100%)
133/163
Total = 15 Notícias
(48,4%)
Edição nº 576- 1 RP
Edição nº 577- 0 RP
Edição nº 578- 0 RP
Edição nº 579- 3 RP
Total = 4 Reportagens
(12,9%)
Edição nº 576 -2 ENT
Edição nº 577- 0 ENT
Edição nº 578-1 ENT
Edição nº 579-0 ENT
Total = 3 Entrevistas
(9,7%)
Edição nº 576-1 OP
Edição nº 577-1 OP
Edição nº 578-0 OP
Edição nº 579-2 OP
Total = 4 Opiniões
(12,9%)
Edição nº 576-0 Brev
Edição nº 577-3 Brev
Edição nº 578-0 Brev
Edição nº 579-2 Brev
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
política
Tipos
de
fontes
utilizadas nas peças
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 527 - 0 PJ
Edição nº 528- 0 PJ
Edição nº 529- 0 PJ
Edição nº 530-0 PJ
Total= 0 Peças do
jornalista (0%)
Edição nº 549-2 PJ
Edição nº 550-1 PJ
Edição nº 551-6 PJ
Edição nº 552- 7 PJ
Total= 16 Peças do
Jornalista (26,6%)
Edição nº 576- 0 PJ
Edição nº 577- 0 PJ
Edição nº 578- 0 PJ
Edição nº 579-0 PJ
Edição nº 527-5 FG
Edição nº 528-8 FG
Edição nº 529-5FG
Edição nº 530-9 FG
Total= 27 fontes
governamentais
(67,5%)
Edição nº 549-7 FG
Edição nº 550-5 FG
Edição nº 551-7 FG
Edição nº 552-8 FG
Total= 27 fontes
governamentais (45%)
Edição nº 527 -1 IP
Edição nº 528-0 IP
Edição nº 529-0 IP
Edição nº 530-0 IP
Total= 1 instituições
Privadas (2,5%)
Edição nº 549-3 IP
Edição nº 550-0 IP
Edição nº 551-1 IP
Edição nº 552-0 IP
Total= 4 fontes como
instituições privadas
(6,7%)
Edição nº 527-2 FNE
Edição nº 528-0 FNE
Edição nº 529-0 FNE
Edição nº 530-0 FNE
Total = 2 fontes não
especificadas (5%)
Edição nº 549-0 FNE
Edição nº 550-0 FNE
Edição nº 551-0 FNE
Edição nº 552-0 FNE
Total= 0 fontes não
especificadas (0%)
Edição nº 527-2 II
Edição nº 528-5 II
Edição nº 529-3 II
Edição nº 530-0 II
Total = 10 fontes como
indivíduos isolados
(25%)
Edição nº 549-5 II
Edição nº 550-1 II
Edição nº 551-4 II
Edição nº 552-3 II
Total= 13 fontes como
indivíduos isolados
(21,7%)
Total = 40 (100%)
Total = 60 (100%)
sobre a política no
jornal
“Expressos
Das Ilhas”
Peça do jornalista
Fontes
governamentais
Instituições
Privadas
Fontes não
especificadas
Indivíduos isolados
Total das fontes
134/163
Total = 0 Peça do
jornalista (0%)
Edição nº 576-7 FG
Edição nº 577-5 FG
Edição nº 578-5 FG
Edição nº 579-8 FG
Total = 25 fontes
governamentais
(73,5%)
Edição nº 576-0 IP
Edição nº 577-2 IP
Edição nº 578-0 IP
Edição nº 579-3 IP
Total = 5 fontes como
instituição privada
(14,7%)
Edição nº 576-0 FNE
Edição nº577 -0 FNE
Edição nº 578-0 FNE
Edição nº 579-0 FNE
Total = 0 fontes não
especificadas (0%)
Edição nº 576-2 II
Edição nº 577-1 II
Edição nº 578-0 II
Edição nº 579-1 II
Total = 4 fontes como
indivíduos isolados
(11,8%)
Total = 34 (100%)
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Posições em que as
peças sobre política
ocupam dentro do Janeiro
jornal
Junho
Dezembro
“Expressos
Das Ilhas”
1ª Página
Edição nº 527 -1 P
Edição nº 528-0 P
Edição nº 529-1 P
Edição nº 530-1 P
Total = 3 Peças (%)
Edição nº 549-1 P
Edição nº 550-0 P
Edição nº 551-0 P
Edição nº 552-0 P
Total = 1 Peças (%)
Edição nº 576-1P
Edição nº 577-0P
Edição nº 578-1P
Edição nº 579-1P
Total = 3 Peças (%)
Página Interior
Edição nº 527 - 8 P
Edição nº 528- 11 P
Edição nº 529- 7 P
Edição nº 530-9 P
Total = 35 Peças (%)
Edição nº 549-10P
Edição nº 550-5P
Edição nº 551-11P
Edição nº 552-12P
Total = 38 Peças (%)
Edição nº 576-9P
Edição nº 577-7P
Edição nº 578-5P
Edição nº 579-10P
Total = 31 Peças (%)
Ultima Página
Edição nº 527 -0 P
Edição nº 528-0 P
Edição nº 529-0 P
Edição nº 530- P
Total = 0 Peças (0%)
Edição nº 549-0P
Edição nº 550-0P
Edição nº 551-0P
Edição nº 552-0P
Total = 0 Peças (0%)
Edição nº 576-0P
Edição nº 577-0P
Edição nº 578-0P
Edição nº 579-0P
Total = 0 Peças (%)
Total das peças
Total
Total
Total
=
38
Peças
=
39
Peças
=
34
Peças
(100%)
(100%)
(100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 527-4 peça
Edição nº 549 -5 peça
Edição nº 576-2 peça
Edição nº 528-6 peça
Edição nº 550-1 peça
Edição nº 577-0 peça
Edição nº 529-2 peça
Edição nº 551-7 peça
Edição nº 578-1 peça
Edição nº 530-3 peça
Edição nº 552-7 peça
Edição nº 579-3 peça
Total = 15 peças
ocuparam páginas
ímpares (41,7%)
Edição nº 527-5 peça
Total = 20 peças
ocuparam páginas
ímpares (50%)
Edição nº 549-5 peça
Total = 6 peças
ocuparam páginas
ímpares (14,3%)
Edição nº 576-7 peça
Edição nº 528-5 peça
Edição nº 550-4 peça
Edição nº 577-7 peça
Edição nº 529-5 peça
Edição nº 551-6 peça
Edição nº 578- 4 peças
Edição nº 530-6 peça
Edição nº 552-5 peça
Edição nº 579-8 peça
Total = 21 peças
ocuparam páginas
pares (58,3%)
Total = 20 peças
ocuparam páginas
pares (50%)
Total = 36 peças
ocuparam páginas
pares (85,7 %)
Posições de destaque
que
as
política
peças
ocupam
sobre
no
jornal “Expressos Das
Ilhas”
Página Impar
Página par
135/163
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Total de peças
Total = 36 peças
(100%)
Total = 40 peças
(100%)
Total = 42 peças
(100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 549 -130 parg
Edição nº 576-140 parg
Edição nº 528-82 parg
Edição nº 550-60 parg
Edição nº 577-48 parg
Edição nº 529-57 parg
Edição nº 551-197 parg
Edição nº 578-46 parg
Edição nº 530-81 parg
Edição nº 552-144 parg
Edição nº 579-152 parg
Total= 315 parágrafos
Total= 531 parágrafos
Total= 386 parágrafos
Edição nº 527- 61col
Edição nº 549-57 col
Edição nº 576- 57 col
Edição nº 528- 41col
Edição nº 550- 21 col
Edição nº 577-32 col
Edição nº 529- 24 col
Edição nº 551- 62 col
Edição nº 578- 32 col
Edição nº 530- 47 col
Edição nº 552- 53 col
Edição nº 579- 58 col
Total = 173 colunas
Total = 193 colunas
Total = 179 colunas
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 527- 5 Inf
Edição nº 549- 5 Inf
Edição nº 576- 4 Inf
Edição nº 528- 4 Inf
Edição nº 550- 4 Inf
Edição nº 577- 3 Inf
Edição nº 529- 3 Inf
Edição nº 551- 11 Inf
Edição nº 578- 4 Inf
Edição nº 530- 7 Inf
Edição nº 552- 9 Inf
Edição nº 579- 8 Inf
Total = 19 peças com
Total= 29 peças com
Total = 19 peças com
título
título
título
Tamanho das peças
sobre política no
jornal
“Expressos
Das Ilhas”
Número
de Edição nº 527-95 parg
parágrafos
Número de colunas
Tipo de título utilizada
nas peças sobre política
no jornal “Expressos
Das Ilhas”
Informativo
Apelativo
informativo
informativo
informativo
(57,6%)
(70,7%)
(73,1%)
Edição nº 527- 0 Ap
Edição nº 549- 1Ap
Nenhum
Edição nº 528- 0 Ap
Edição nº 550- 0 Ap
encontrado nas edições
Edição nº 529- 1Ap
Edição nº 551- 0Ap
do referido mês
Edição nº 530- 0Ap
Edição nº 552- 0Ap
Total = 1 peça com
Total = 1 peça com
título apelativo (3%)
título apelativo (2,4%)
136/163
resultado
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Interrogativo
Citativo
Implicado
Total
Edição nº 527- 1 Int
Edição nº 549- 0 Int
Edição nº 576- 1 Int
Edição nº 528- 2 Int
Edição nº 550- 0 Int
Edição nº 577- 0 Int
Edição nº 529- 0 Int
Edição nº 551- 0 Int
Edição nº 578- 0 Int
Edição nº 530- 0 Int
Edição nº 552- 1 Int
Edição nº 579- 0 Int
Total = 3 peças com
Total = 1 peça com
Total = 1 peça com
título
título
título
interrogativo
interrogativo
interrogativo
(9,1%)
(2,4%)
(3,8%)
Edição nº 527- 0 Cit
Edição nº 549- 0 Cit
Edição nº 576- 2 Cit
Edição nº 528- 1 Cit
Edição nº 550- 1 Cit
Edição nº 577- 0 Cit
Edição nº 529- 0 Cit
Edição nº 551- 1 Cit
Edição nº 578- 1 Cit
Edição nº 530- 0 Cit
Edição nº 552- 0 Cit
Edição nº 579- 0 Cit
Total = 1 peças com
Total = 2 peças com
Total = 3 peça com
título citativo (3%)
título citativo (4,9%)
título citativo (11,5%)
Edição nº 527- 1 Impl
Edição nº 549- 4 Impl
Edição nº 576- 1 Impl
Edição nº 528- 4 Impl
Edição nº 550- 0 Impl
Edição nº 577- 1 Impl
Edição nº 529- 3 Impl
Edição nº 551- 0 Impl
Edição nº 578- 0 Impl
Edição nº 530- 1 Impl
Edição nº 552- 4 Impl
Edição nº 579- 1 Impl
Total = 9 peças com
Total = 8 peças com
Total = 3 peças com
título
título
títulos
implicado
implicado
implicado
(27,3%)
(19,5%)
(11,5%)
Total = 33 (100%)
Total = 41 (100%)
Total = 26 (100%)
137/163
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
O tom das abordagens
das peças sobre política
no jornal “Expressos
Das Ilhas”
Janeiro
Junho
Dezembro
Positivo
Edição nº 527-1 peça
Edição nº 549-1 peça
Edição nº 576-0 peça
Edição nº 528-1 peça
Edição nº 550-1 peça
Edição nº 577-0 peça
Edição nº 529-0 peça
Edição nº 551-0 peça
Edição nº 578-0 peça
Edição nº 530-0 peça
Edição nº 552-0 peça
Edição nº 579-0 peça
Total = 2 peças com
Total = 2 peças com
Total = 0 peças com
abordagens
abordagens
abordagens
Neutro
Negativo
Total
Assinatura das
peças sobre política
no jornal
“Expressos Das
Ilhas”
Peças assinadas
positiva
positiva
positiva
(5,7%)
(5,1%)
(0%)
Edição nº 527-4 peça
Edição nº 549-3 peça
Edição nº 576-5 peça
Edição nº 528-3 peça
Edição nº 550-4 peça
Edição nº 577-3 peça
Edição nº 529-5 peça
Edição nº 551-10 peças
Edição nº 578-4 peça
Edição nº 530-9 peça
Edição nº 552-7 peça
Edição nº 579-6 peça
Total = 21 peças com
Total = 24 peças com
Total = 18 peças com
abordagens
abordagens
abordagens
positiva
positiva
positiva
(60%)
(61,5%)
(66,7%)
Edição nº 527-3 peça
Edição nº 549-6 peça
Edição nº 576-3 peça
Edição nº 528-7 peça
Edição nº 550-0 peça
Edição nº 577-1 peça
Edição nº 529-2 peça
Edição nº 551-1 peça
Edição nº 578-1 peça
Edição nº 530-0 peça
Edição nº 552-6 peça
Edição nº 579-4 peça
Total = 12 peças com
Total = 13 peças com
Total = 9 peças com
abordagens
abordagens
abordagens
positiva
positiva
positiva
(34,3%)
(33,3%)
(33,3%%)
Total = 35 (100%)
Total = 39 (100%)
Total = 27 (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 527-3 peça
Edição nº 549-4 peça
Edição nº 576-8 peça
Edição nº 528-2 peça
Edição nº 550-1 peça
Edição nº 577-1 peça
Edição nº 529-3 peça
Edição nº 551-3 peça
Edição nº 578-1 peça
Edição nº 530-4 peça
Edição nº 552-3 peça
Edição nº 579-5 peça
Total
Total
Total
=
12
assinadas (34,3%)
peça
=
11
assinadas (27,5%)
138/163
peça
=
15
assinadas (53,6%)
peça
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Peças não assinadas
Total
Assinatura das
peças sobre política
no jornal
“Expressos Das
Ilhas”
Peças assinadas
com iniciais
Edição nº 527-5 peça
Edição nº 549-6 peça
Edição nº 576-1peça
Edição nº 528-9 peça
Edição nº 550-3 peça
Edição nº 577-3 peça
Edição nº 529-4 peça
Edição nº 551-10 peças
Edição nº 578-4 peça
Edição nº 530-5 peça
Edição nº 552-10 peça
Edição nº 579-5 peça
Total = 23 peça não
Total = 29 peça não
Total = 13 peça não
assinadas (65,7%)
assinadas (72,5%)
assinadas (46,4%)
Total = 35 (100%)
Total = 40 (100%)
Total = 28 (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 527-0 peça
Edição nº 549-1 peça
Edição nº 576-1 peça
Edição nº 528-0 peça
Edição nº 550-0 peça
Edição nº 577-0 peça
Edição nº 529- peça
Edição nº 551-0 peça
Edição nº 578-1 peça
Edição nº 530-0 peça
Edição nº 552-0 peça
Edição nº 579-0 peça
Total
Total = 1 peça
assinadas com iniciais
(9,1%)
Total
=
0
peça
assinadas com iniciais
(0%)
Peças assinadas
com o nome
completo
Total
=
assinadas
2
peça
com
as
iniciais (13,3%)
Edição nº 527-3 peça
Edição nº 549-3 peça
Edição nº 576-7 peça
Edição nº 528-2 peça
Edição nº 550-1 peça
Edição nº 577-1 peça
Edição nº 529-3 peça
Edição nº 551-3 peça
Edição nº 578-1 peça
Edição nº 530-4 peça
Edição nº 552-3 peça
Edição nº 579-4 peça
Total = 12 (100 %)
Total = 10 (90,9%)
Total = 13 (86,7%)
Total = (100%)
Total =11 (100%)
Total = 15 (100%)
A Nação
Janeiro
Política
manchete
como Edição
Junho
nº
227
no 05/01/2012
jornal “A Nação”
0 Manchete (0%)
Edição
nº
228
Edição
Dezembro
nº
249
Edição
nº
07/06/2012
06/12/2012
2 Manchete (33,3%)
1 Manchete (%)
Edição
Edição
nº
250
nº
12/01/2012
14/06/2012
13/12/2012
2 Manchete (100%)
2 Manchete (33,3%)
1Manchete (%)
Edição
Edição
nº
229
139/163
nº
251
275
276
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
19/01/2012
21/06/2012
0 Manchete (0%)
1 Manchete (16,7%)
Edição
nº
252
28/06/2012
1 Manchete (16,7%)
Total
2 Manchete (100%)
6 Manchete (100%)
Janeiro
Peças
como
políticas Edição
Junho
nº
227
“chamada 05/01/2012
de
1ª
página (50%)
Edição
nº
228
de
1ª
página (50%)
0
chamada
Edição
nº
chamada
2
229
de
nº
275
1ª
4
chamada
de
1ª
página (%)
nº
250
Edição
nº
276
13/12/2012
chamada
Edição
Edição
06/12/2012
de
1ª
página (100%)
19/01/2012
0
249
14/06/2012
chamada
Edição
nº
página (0%)
12/01/2012
1
Edição
Dezembro
07/06/2012
de 1ª página no 1chamada
jornal “A Nação”
Manchete (100%)
3
chamada
de
página (%)
nº
251
21/06/2012
de
1ª
página (0%)
0
chamada
de
1ª
página (0%)
Edição
nº
252
28/06/2012
0
chamada
de
1ª
página (0%)
Total
Género
das
2 Manchete (100%)
2 Manchete (100%)
Manchete (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 227 – 1 N
Edição nº 228 – 3 N
Edição nº 229 – 3 N
Total= 7 Notícias
(53,8%)
Edição nº 249-1 N
Edição nº 250-8 N
Edição nº 251- 3 N
Edição nº 252-3 N
Total = 15 Notícias
(68,2%)
Edição nº 249-1 RP
Edição nº 250-1 RP
Edição nº 251-1 RP
Edição nº 252-3 RP
Edição nº 275-8 N
Edição nº 276-4 N
peças
sobre a política no
jornal “A Nação”
Notícia
Reportagem
Edição nº 227 – 0 RP
Edição nº 228 – 2 RP
Edição nº 229 – 1 RP
140/163
Total = Notícias (%)
Edição nº 275-2 RP
Edição nº 276-0 RP
Edição nº RP
Edição nº RP
1ª
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Entrevista
Total= 3 Reportagem
(23,1%)
Total = 6 Reportagem
(27,3%)
Edição nº 227 – 0 ENT
Edição nº 228 – 1 ENT
Edição nº 229 – 0 ENT
Total= 1 Entrevistas
(7,7%)
Edição nº 249-0 ENT
Edição nº 250-0 ENT
Edição nº 251-0 ENT
Edição nº 252-0 ENT
Total = 0 Entrevistas
(0%)
Opinião
Edição nº 227 – 2 OP
Edição nº 228 – 0 OP
Edição nº 229 – 0 OP
Total= 2 Opiniões
(15,4%)
Breves
Edição nº 227 – 0 Brev
Edição nº 228 – 0 Brev
Edição nº 229 – 0 Brev
Total = Breves (0%)
Outros
Nenhum
encontrado
Total de peças que
abordam sobre a
política
Tipos
de
dado
Edição nº 249-0 OP
Edição nº 250-0 OP
Edição nº 251 -0 OP
Edição nº 252-0 OP
Total = 0 Opiniões
(0%)
Edição nº 249-0 Brev
Edição nº 250-0 Brev
Edição nº 251 -1 Brev
Edição nº 252-0 Brev
Total = 1 Breves
(4,5%)
Nenhum dado
encontrado
Total = Reportagens
(%)
Edição nº 275 -0 ENT
Edição nº 276-0 ENT
Edição nº ENT
Edição nº ENT
Total = Entrevistas
(%)
Edição nº 275-2 OP
Edição nº 276-1 OP
Edição nº - OP
Edição nº OP
Total = Opiniões (%)
Edição nº 275-0 Brev
Edição nº 276-0 Brev
Edição nº Brev
Edição nº Brev
Total = Breves (%)
Nenhum dado
encontrado
Total = 13 (100%)
Total = 22 (100%)
Total = (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 227 - 0 PJ
Edição nº 228- 0 PJ
Edição nº 229- 1 PJ
Total= 1 Peças do
jornalista (6,3%)
Edição nº 249-1 PJ
Edição nº 250-0 PJ
Edição nº 251-0 PJ
Edição nº 252-0 PJ
Total= 1 Peças do
Jornalista (4%)
Edição nº 275- 1 PJ
Edição nº 76- 0 PJ
Edição nº- PJ
Edição nº - PJ
fontes
utilizadas nas peças
sobre a política no
jornal “A Nação”
Peça do jornalista
Fontes
governamentais
Instituições
Privadas
Edição nº 227-1 FG
Edição nº 228-4 FG
Edição nº 229-1FG
Total= 6 fontes
governamentais
(37,5%)
Edição nº 249-1 FG
Edição nº 250-6 FG
Edição nº 251-5 FG
Edição nº 252-4 FG
Total= 16 fontes
governamentais (64%)
Edição nº 227 -0 IP
Edição nº 228-0 IP
Edição nº 229-0 IP
Total= 0 instituições
Edição nº 249-0 IP
Edição nº 250-0 IP
Edição nº 251-0 IP
Edição nº 252-0 IP
141/163
Total = Peça do
jornalista (%)
Edição nº 275-8FG
Edição nº 276-3 FG
Edição nº - FG
Edição nº - FG
Total = fontes
governamentais (%)
Edição nº 275-0 IP
Edição nº 276-0 IP
Edição nº - IP
Edição nº - IP
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Privadas (0%)
Fontes não
especificadas
Indivíduos isolados
Total das fontes
Total= 0 fontes como
instituições privadas
(0%)
Edição nº 227-1 FNE
Edição nº 228-1 FNE
Edição nº 229-1 FNE
Total = 3 fontes não
especificadas (18,7%)
Edição nº 549-1 FNE
Edição nº 550-1 FNE
Edição nº 551-3 FNE
Edição nº 552-0 FNE
Total= 5 fontes não
especificadas (20%)
Total = fontes como
instituição privada
(%)
Edição nº 275-1 FNE
Edição nº276 -1 FNE
Edição nº - FNE
Edição nº - FNE
Total = 0 fontes não
especificadas (0%)
Edição nº 275-3 II
Edição nº 276-2 II
Edição nº - II
Edição nº- II
Edição nº 227-2 II
Edição nº 228-2 II
Edição nº 529-2 II
Total = 6 fontes como
indivíduos isolados
(37,5%)
Edição nº 249-0 II
Edição nº 250-1 II
Edição nº 251-0 II
Edição nº 252-2 II
Total= 3 fontes como
indivíduos isolados
(12%)
Total = 16 (100%)
Total = 25 (100%)
Total = (100%)
Junho
Dezembro
Total = fontes como
indivíduos isolados
(%)
Posições em que as
peças sobre política
ocupam dentro do Janeiro
jornal “A Nação”
1ª Página
Edição nº 227 -0 P
Edição nº 228-0 P
Edição nº229-0 P
Total = 0 Peças (0%)
Edição nº 249-0 P
Edição nº 250-0 P
Edição nº 251-0 P
Edição nº 252-0 P
Total = 0 Peças (0%)
Edição nº 275-0P
Edição nº 276-0P
Edição nº -P
Edição nº -P
Total = Peças (%)
Página Interior
Edição nº 227 -3 P
Edição nº 228- 6 P
Edição nº 229- 4 P
Total = 13 Peças
Edição nº 249-2P
Edição nº 250-7P
Edição nº 251-5P
Edição nº 552-6P
Total = 20
Peças
Edição nº 275-12P
Edição nº 276-5P
Edição nº -P
Edição nº -P
Total = Peças (%)
(100%)
(100%)
Ultima Página
Edição nº 227 -0 P
Edição nº 228-0 P
Edição nº 229-0 P
Total = 0 Peças (0%)
Edição nº 249-0P
Edição nº 250-0P
Edição nº 251-0P
Edição nº 252-0P
Total = 0 Peças (0%)
Edição nº 275-0P
Edição nº 276-0P
Edição nº -P
Edição nº -P
Total = 0 Peças (%)
Total das peças
Total
Total
Total = Peças (100%)
(100%)
=
13
Peças
(100%)
142/163
=
20
Peças
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Posições de destaque
que
as
política
peças
sobre
ocupam
no
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 227-3 peça
Edição nº 249 -0 peça
Edição nº 275-4 peça
Edição nº 228-1peça
Edição nº 250-2 peça
Edição nº 276-1 peça
Edição nº 229-1 peça
Edição nº 251-1 peça
Edição nº - peça
Total = 5 peças
ocuparam páginas
ímpares (38,5%)
Edição nº 252-1 peça
Edição nº - peça
Edição nº 227-0 peça
Total = 4 peças
ocuparam páginas
ímpares (20%)
Edição nº 249-2 peça
Total = peças
ocuparam páginas
ímpares (%)
Edição nº 275-8 peça
Edição nº 228-5 peça
Edição nº 250-5 peça
Edição nº 276-4 peça
Edição nº 229-3 peça
Edição nº 251-4 peça
Edição nº - peças
Total = 8 peças
ocuparam páginas
pares (61,5%)
Edição nº 252-5 peça
Edição nº - peça
Total = 16 peças
ocuparam páginas
pares (80%)
Total = peças
ocuparam páginas
pares ( %)
Total = 13 peças
(100%)
Total = 20 peças
(100%)
Total = peças (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
de Edição nº227 -26 parg
Edição nº 249 -32 parg
Edição nº 275-31 parg
Edição nº 228-67 parg
Edição nº 250-87 parg
Edição nº 276 -34 parg
Edição nº229 -29 parg
Edição nº 251 -52 parg
Edição nº - parg
Total= 122 parágrafos
Edição nº 252 -94 parg
Edição nº - parg
Total= 256 parágrafos
Total= parágrafos
Edição nº 227 -13 col
Edição nº 249-11 col
Edição nº 275 -63 col
Edição nº 228 -40 col
Edição nº 250 -45 col
Edição nº 276-21 col
Edição nº 229 - 18 col
Edição nº 251-29 col
Edição nº - col
Total = 71 colunas
Edição nº 252 -39 col
Edição nº - col
Total = 124 colunas
Total = colunas
Janeiro
Edição nº 227 - 2 Inf
Junho
Edição nº 249-1 Inf
Dezembro
Edição nº 275 -6 Inf
Edição nº 228 - 2 Inf
Edição nº 250-7 Inf
Edição nº 276-4 Inf
jornal “A Nação”
Página Impar
Página par
Total de peças
Tamanho das peças
sobre política no
jornal “A Nação”
Número
parágrafos
Número de colunas
Tipo de título utilizada
nas peças sobre política
no jornal “A Nação”
Informativo
143/163
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Edição nº 229- 3 Inf
Edição nº 251 -4 Inf
Edição nº - Inf
Total = 7 peças com
Edição nº 252 -3 Inf
Edição nº - Inf
título
Total= 15 peças com
Total =
título
título informativo (%)
informativo
(58,3%)
informativo
peças com
(71,4%)
Apelativo
Edição nº 227 - 0 Ap
Edição nº 249 -0 Ap
Nenhum
resultado
Edição nº 228 - 1 Ap
Edição nº 250 - 0 Ap
encontrado nas edições
Edição nº 229 -0 Ap
Edição nº 251 - 0Ap
do referido mês
Total = 1 peça com
Edição nº 252- 0Ap
título apelativo (8,3%)
Total = 0 peça com
título apelativo (0%)
Interrogativo
Edição nº 227-1 Int
Edição nº 249 - 0 Int
Nenhum
Edição nº 228 -0 Int
Edição nº 250- 0 Int
encontrado nas edições
Edição nº 229 -0 Int
Edição nº 251- 0 Int
do referido mês
Total = 1 peça com
Edição nº 252-2 Int
título
Total = 2 peça com
interrogativo
(8,3%)
título
resultado
interrogativo
(9,5%)
Citativo
Implicado
Total
Edição nº 227- 0 Cit
Edição nº 249-0 Cit
Edição nº 275- 2 Cit
Edição nº 228- 3 Cit
Edição nº 250-0 Cit
Edição nº 276- 0 Cit
Edição nº 229 - 0 Cit
Edição nº 251-0 Cit
Edição nº - Cit
Edição nº - 0 Cit
Edição nº 252-0 Cit
Edição nº - Cit
Total = 3 peças com
Total = 0 peça com
Total =
título citativo (25%)
título citativo (%)
título citativo (%)
Edição nº 227-0 Impl
Edição nº 249-1 Impl
Edição nº 275- 1 Impl
Edição nº 228-0 Impl
Edição nº 250-1 Impl
Edição nº 276- Impl
Edição nº 229-0 Impl
Edição nº 251-1 Impl
Edição nº - Impl
Total = 0 peças com
Edição nº 252-1 Impl
Edição nº - Impl
título implicado (%)
Total = 4 peça com
Total =
título implicado (19%)
títulos implicado (%)
Total = 21 (100%)
Total = 2 (100%)
Total = 12 (100%)
144/163
peça com
peças com
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
O tom das abordagens
das peças sobre política
no jornal “A Nação”
Positivo
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 227-1 peça
Edição nº 249-0 peça
Edição nº 275-1 peça
Edição nº 228-0 peça
Edição nº 250-0 peça
Edição nº 276-1 peça
Edição nº 229-0 peça
Edição nº 251-0 peça
Edição nº - peça
Total = 1 peças com
Edição nº 252-0 peça
Edição nº - peça
abordagens
Total = 0 peças com
Total = 0 peças com
abordagens
abordagens
positiva
(%)
Neutro
(0%)
Edição nº 227-1 peça
Edição nº 249-1 peça
Edição nº 275-9 peça
Edição nº 228-5 peça
Edição nº 250-7 peça
Edição nº 276-4 peça
Edição nº 229-3 peça
Edição nº 251-5 peça
Edição nº - peça
Total = 9 peças com
Edição nº 252-5 peça
Edição nº - peça
abordagens
Total = 18 peças com
Total = 0 peças com
abordagens
abordagens
positiva
Assinatura das
peças sobre política
no jornal “A
Nação”
Peças assinadas
positiva
positiva
(%)
(0%)
Edição nº 227-1 peça
Edição nº 249-1 peça
Edição nº 275-2 peça
Edição nº 228-1 peça
Edição nº 250-1 peça
Edição nº 276-2 peça
Edição nº 229-1 peça
Edição nº 251-0 peça
Edição nº - peça
Total = 3 peças com
Edição nº 252-1 peça
Edição nº - peça
abordagens
Total = 3 peças com
Total = 0 peças com
abordagens
abordagens
positiva
(%)
Total
positiva
(0%)
(%)
Negativo
positiva
positiva
positiva
(%)
(0%)
Total = 13 (100%)
Total = 21 (100%)
Total = (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 227-3 peça
Edição nº 249-1 peça
Edição nº 275-11 peça
Edição nº 228-6 peça
Edição nº 250-5 peça
Edição nº 276-4 peça
Edição nº 229-3 peça
Edição nº 251-2 peça
Edição nº - peça
Total
Edição nº 252-3 peça
Edição nº - peça
Total
Total
=
12
assinadas (90%)
peça
=
11
assinadas (%)
145/163
peça
=
assinadas (%)
peça
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Peças não assinadas
Total
Assinatura das
peças sobre política
no jornal “A
Nação”
Peças assinadas
com iniciais
Edição nº 227-0 peça
Edição nº 249-1 peça
Edição nº 275-1peça
Edição nº 228-0 peça
Edição nº 250-3 peça
Edição nº 276-1 peça
Edição nº 229-1 peça
Edição nº 251-3 peças
Edição nº - peça
Total = 1 peça não
Edição nº 252-3 peça
Edição nº - peça
assinadas (10%)
Total = 10 peça não
Total =
assinadas (%)
assinadas (%)
Total = 13 (100%)
Total = 21 (100%)
Total = (100%)
Janeiro
Junho
Dezembro
Edição nº 227-0 peça
Edição nº 249-0 peça
Edição nº 276-0 peça
Edição nº 228-1 peça
Edição nº 250-0 peça
Edição nº 276-0 peça
Edição nº 229-0 peça
Edição nº 251-0 peça
Edição nº - peça
Edição nº 252-0 peça
Edição nº - peça
Total = peça
assinadas com iniciais
(0%)
Total
Total
=
1
peça
assinadas com iniciais
(10%)
Peças assinadas
com o nome
completo
Total
peça não
=
assinadas
peça
com
as
iniciais (%)
Edição nº 227-3 peça
Edição nº 249-1 peça
Edição nº 275-11 peça
Edição nº 228-5 peça
Edição nº 250-5 peça
Edição nº 276-4 peça
Edição nº 229-3 peça
Edição nº 251-2 peça
Edição nº - peça
Total = 11 (90 %)
Edição nº 252-3 peça
Edição nº -peça
Total = 11 (100%)
Total = (%)
Total =11 (100%)
Total = (100%)
Total = 12 (100%)
146/163
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Anexo 2 Entrevistas
Entrevista ao editor executivo do jornal A Nação José Vicente Lopes – 25 de Janeiro de
2013.
Qual a situação actual do jornalismo Cabo-verdiano em relação a política?
É difícil de descrever porque não vejo nada de particular que não aconteça nos outros
espaços a relação existe podendo ser uma relação directa e indirecta. Cabo Verde tem
vários órgãos de comunicação social, cada órgão procura relacionar com a política em
função daquilo que esse órgão representa, ou seja, nós vamos encontrar varias
situações neste domínio.
Há alguma pressão da política sobre o jornalismo?
Não sei se a pressão é o termo mais correcto há um esforço de influenciação e neste
tipo de influenciação que aí é um tipo de abordagem que vai acontecendo as mais
diversas formas as vezes é uma influência mais softe e há órgãos que estão mais
sujeito a pressões que outros por exemplo eu entendo que os órgãos de comunicação
de Estado estão mais sujeitos a pressão do que um órgão privado.
O jornalismo cabo-verdiano é politizado?
Tudo em Cabo Verde está politizado e o jornalismo não pode ser diferente e não sei
porque que seja que o jornalismo seja tirado da realidade cabo-verdiana até um jogo
de futebol é politizado imagina o jornalismo portanto.
Porquê que a política domina o jornalismo cabo-verdiano em relação a outras
áreas?
Quem tentar fazer diferente não vai ter sucesso. Tudo é político na vida e Cabo Verde
é um país pequeno onde o distanciamento entre a política e a realidade é mínimo.
Como é que analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação social em
relação a certos partidos políticos?
Lá fora também acontece isso nós não estamos a inventar nada de novo. Questionado
porque os órgãos não assumem esta relação responde: eles tem dificuldade é verdade;
Tudo tem a ver com a tradição a que pertence o jornalismo cabo-verdiano. O
147/163
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
posicionamento ideológico dos órgãos de comunicação nos países anglo-saxónicos é
claro e os outros demais países nomeadamente Portugal de onde recebemos a maior
influencia há ainda o culto de isenção e distanciamento, os outros países não,
sobretudo nos períodos eleitorais os órgãos de comunicação social assumem
abertamente qual é o partido que apoia. Aqui em Cabo Verde não há essa pratica e eu
prefiro o modelo cabo-verdiano do que o modelo anglo-saxónico o que não quer dizer
que cada um não pode fazer o seu tipo de influência até porque os leitores não são
carneiros se um jornalista vai votar num partido “A” esse candidato não ganha
necessariamente as eleição, aqui em Cabo Verde houve um órgão apesar de ser
incipiente tentou fazer isso não teve grande sucesso, por exemplo o Jornal Terra Nova
já chegou a dizer meus caros leitores votam no partido ou candidato tal e nem por isso
essa indicação teve correspondência de votos na urna. Há uma coisa que eu digo a
todo mundo que lê jornais é que as pessoas tem a capacidade de infiltrar as mensagens
que os media vão lhe proporcionar no dia-a-dia, porque as próprias pessoas fazem a
sua analise e se a indicação que o texto jornalístico faz não corresponde com a
percepção que a pessoa tem a pessoa simplesmente trava essa indicação ou essa
influenciação.
•
Até que ponto a nomeação dos dirigentes dos órgãos de comunicação
público pelo governo pode interferir na prática jornalista?
Este é um problema que vai sempre existir enquanto Estado tiver meio de
comunicação social, qualquer que for o partido que estiver no governo a nível da
comunicação social vai sempre procurar dar as suas cartas e a forma de dar estas
cartas é através da indicação dos responsáveis da comunicação social o que não
significa, entretanto, que na abordagem quotidiana que se vai fazendo dos temas não
haja algum esforço de isenção porque mesmo o corpo redactorial de cada órgão de
comunicação social é constituído por mais diversas pessoas, não é um director
indicado pelo PAICV ou MPD que vai obrigar o jornalista a fazer uma determinada
coisa sobre tudo se um jornalista tiver “colhões”( procuram favorecer certos partidos
dentro dos órgãos ) é verdade que nem todo o mundo tem “colhão” dentro do meio de
comunicação do Estado, mas há gente que tem.
148/163
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
•
Em alguns países o jornalismo adquire um grande poder e designado de
«quarto poder». Sente essa força (poder) no nosso jornalismo? Porquê?
Sente-se e não se sente, inclusiva esta história de “quarto poder” as vezes é um mito,
porque algumas vezes em vez de “quarto poder” é “quarto do poder” convém não
exagerar nem tanto a mar nem tanto a terra, isto é dificilmente um partido de governo
ou algum titular de cargo público pode ignorar o que sai na comunicação social do
Estado, porque se ignorar mais cedo ou mais tarde ele vai pagar por isso.
•
Como está o jornalismo Cabo-verdiano a assumir a sua responsabilidade
pública?
Ele vai assumindo da forma que achar que tem que assumir, por exemplo quando se
denuncia determinadas situações ou quando se dão eco a determinadas medidas que
lesam o interesse público, isto é uma forma de assumir responsabilidade e acho que
esta função de assumir responsabilidade é genérica todos de uma forma geral vão
cumprindo este papel, porque esta é uma das razões principais de ser de qualquer meio
de comunicação social.
•
Muitos estudiosos designam o jornalismo cabo-verdiano de jornalismo
«Sentado» (jornalismo de pouca investigação). Que análise faz desta designação?
Quem criou essa expressão é uma pessoa que já não vive que é o Manuel Delgado,
porque sobretudo antes da democratização do país e ainda hoje há vários órgãos de
comunicação social que se limitam a veicular os pressrealeses que recebem dos mais
variados serviços, tanto serviços públicos como privados e essas pessoas de forma
acrítica se limitam a transcrever essas notas de informação que vão recebendo há esse
jornalismo sentado por um lado e depois há um outro tipo de jornalismo sentado que é
apenas cobrir as conferencias, fóruns e estes tipos de actividades e é este tipo de
actividade que vai acontecendo muito em Cabo Verde, portanto não é um jornalismo
que mergulha no país profundo, não é um jornalismo que sai das redacções a procura
da realidade palpitante que existe neste país.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Informações adicionais
Eu acho que o jornalismo no seu todo tem um quadro legal definido, tem ainda
limitações sobretudo materiais, financeiros porque a luta pela publicidade acaba por
condicionar muitas vezes o exercício da actividade jornalística, são elementos que nós
precisamos ter em conta, mas o quadro está definido só não faz melhor quem não
quer, isto também é um facto.
Entrevista ao jornalista político do jornal A Nação Daniel Almeida – 25 de
Janeiro de 2013.
• Qual a situação actual do jornalismo Cabo-verdiano em relação a política?
No meu ponto de vista existe um certo amorfismo da comunicação social em relação a
política tendo em conta que os órgãos de comunicação social e essencialmente do
Estado e os jornalistas funcionam essencialmente a reboque da agenda do governo,
nomeadamente conferências de imprensa e outras coisas não há uma agenda
praticamente própria dos órgãos de comunicação social e essencialmente os órgãos
públicos em relação a política vão praticamente a reboque das instituições e dos
políticos, mas nos últimos tempos verifica-se que há uma tendência de inversão desta
situação essencialmente em relação a imprensa privada, fruto daquilo que a imprensa
privada tem feito com uma certa acutilância tem provocado algumas situações que se
tem vindo a trazer ao público, nomeadamente os escândalos relacionadas com as obras
públicas etc.
•
Há alguma pressão da política sobre o jornalismo?
Eu acho que não neste momento os jornalistas tentam impor-se, no passado existiu,
mas há sempre esta tentativa e os jornalistas de uma forma geral tem estado a tomar
consciência da importância que tem no sentido de fazer a ponte com a sociedade civil,
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
por isso acho que os políticos se em momentos fizeram essa pressão, hoje em dia, não
fazem, porque sabem-se se fizerem esta pressão podem sair chamuscados.
•
O jornalismo cabo-verdiano é politizado?
Não, por aquilo que eu entendo trabalho num jornal privado que inicialmente era
conotado com um partido político, mas por aquilo que nos produzimos e por aquilo
que o jornal põe ca fora nota-se que há um claro divórcio entre as diferentes edições
com a classe política
•
Porquê que a política domina o jornalismo cabo-verdiano em relação a
outras áreas?
É um facto incontornável, infelizmente em Cabo Verde a política continua a ser o
prato forte da informação, porque como se diz o cabo-verdiano gosta de intriga, fofoca
e normalmente quando se traz um jornal sem política os leitores dizem o jornal está
fraco, por isso que há uma tendência de preencher os jornais e os serviços noticiosos
de Rádio e Televisão com uma fatia importante de aspecto político. Até porque é na
política que se registam mais casos há mais notícias, há mais informações, os
políticos, o governo as assembleias passam a vida inteira a bombardear as redacções
com notas de imprensa, conferências de imprensa, e são eles que detêm o
protagonismo, na esfera social aparecem algumas notícias mas são as mais
bombásticas é que normalmente “vendem”, como casos de assassinatos, roubos etc.
são os que mais predominam e por isso é difícil livrar da supremacia dos aspectos
políticos no jornalismo.
Em alguns países o jornalismo adquire um grande poder e designado de «quarto
poder». Sente essa força (poder) no nosso jornalismo? Porquê?
Como se sabe a comunicação social é o “quarto poder” e como “quarto poder” tem a
função de orientar e controlar os outros poderes, por isso tem de haver cada vez mais
151/163
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
intervenções de jornalistas e órgãos de comunicação social no sentido de fazer esse
controlo para evitar desvios que poderão custar caro a nação. Se não houvesse uma
massa critica e jornais a denunciarem não sabe o que poderia acontecer com diferentes
sociedades onde são os políticos que mandam. Há exemplos de muitas situações onde
a imprensa é manietada não tem voz e onde não há uma imprensa livre existe ditadura
e os jornalistas devem fazer tudo de forma que evita o surgimento de ditaduras. O
quarto poder em Cabo Verde funciona e acho que podia ser melhor, mas tem
funcionado ao seu nível.
•
Como é que analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação
social em relação a certos partidos políticos?
São os partidos políticos que dizem isso, eu não considero que aja uma aproximação
pode haver situações mais ou menos dúbias mas acho que não é nada de peso os partidos
políticos que quando estão em dificuldades que tentam lançar estas farpas nomeadamente aos
órgãos privados dizendo que tal órgão está mais próximo do partido A ou B, mas de uma
forma geral os jornais tentam fazer os seus trabalhos com uma certa independência.
•
Até que ponto a nomeação dos dirigentes dos órgãos de comunicação
público pelo governo pode interferir na prática jornalista?
Os órgãos de comunicação pública são órgãos de governo é o governo que gere o
Estado e compete ao governo eleger pessoas que lhe da garantia para fazer uma boa gestão
administrativa dos órgãos. Mas no que tange a gestão informativa eu acho que compete as
administrações fizerem isso mas no estrito escrupuloso respeito das leis que existem sobre a
matéria, porque para ser dirigente de um órgão de comunicação social a condição sine-quanon
deve ser jornalista
•
Como está o jornalismo Cabo-verdiano a assumir a sua responsabilidade
pública?
Vai tentando fazer o seu papel eu acho que o jornalismo hoje já não é o jornalismo que
tínhamos há dez vinte anos atrás é um jornalismo mais acutilante fazendo denuncias de
situações menos boa e também orientando a classe política para no sentido de enveredarem
para caminhos considerados positivos.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
•
Muitos estudiosos designam o jornalismo cabo-verdiano de jornalismo «Sentado»
(jornalismo de pouca investigação). Que análise faz desta designação?
Por acaso esta é uma tendência que não podemos camuflar, mas creio que isso passa
essencialmente nos órgãos de comunicação do Estado, porque se não forem cobrir uma
conferência de imprensa ou o lançamento de uma pedra ou uma construção relacionada com a
agenda do governo, logo o ministro telefona para directores e redacção a tomar satisfações
para perguntar porquê que o órgão “X” ou “Y” não esteve. Exemplo disso é quando vamos
para uma conferência de imprensa enquanto não chegar a televisão do Estado (TCV) a
conferência fica em espaço de espera: o problema é que os políticos dão mais importância a
Televisão e a Rádio pública do que aos outros órgãos de comunicação e por isso há essa
tendência dos órgãos públicos cobrirem tudo que ou quase tudo que o governo ou os políticos
fazem aqui em Cabo Verde.
Informações adicionais
Que análise faz da descida de Cabo Verde no ranking do índice da liberdade de
imprensa dos repórteres sem fronteiras?
A presidente da AJOC já disse que isso deveu ao facto de ser utlizado uma nova metodologia,
mas eu acredito que a posição que estávamos anteriormente não correspondia realmente ao
nosso ranking e acho que no 25º lugar estamos muito bem e anterior qualificação não
correspondia a realidade dos factos.
Até que ponto a falta de jornalistas especializados tem afectado a prática do jornalismo
no dia-a-dia em Cabo Verde?
O problema é que não temos grandes meios de comunicação social quem poderia fazer isso
com mais cuidado seria os órgãos de imprensa escrita, mas tem limitações de varias ordens
limitações financeiras como sabe os jornais não dão retorno financeiro de grande montra e as
publicidades que normalmente sustentam os jornais e não há como ter jornalistas
especializados e o jornalista tem de ser uma espécie de clinico geral fazer de tudo porque não
há meios financeiros para os suportar, mas essencialmente já nos órgãos privados nos jornais
já se nota uma tendência por uma certa especialização o que não se regista nos órgãos
públicos de televisão e rádio, onde realmente tem meios e poderia fazer esse papel .
Entrevista ao jornalista/chefe de redacção do jornal Expressos Das Ilhas Jorge
Montezinho – 11 de Fevereiro de 2013.
153/163
Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
• Qual a situação actual do jornalismo Cabo-verdiano em relação a política?
Falando de uma forma geral o jornalismo é sempre contra a política. O jornalismo é sempre
contrapoder nunca pode ser amigo do poder o jornalista deve vigiar muito atentamente os
restantes poderes e neste momento em Cabo Verde no Expressos da Ilhas já estamos a ter este
trabalho, nos outros jornais as vezes quando os casos são tão descarados aos quais eles não
podem fugir eles tem que fazer também esta vigilância de outra maneira isto não acontece.
•
Como é que analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação social em
relação a certos partidos políticos?
Muitas vezes conotam-se o Expressos das Ilhas com MPD e o A Semana e A Nação com o
PAICV, eu por Expressos das ilhas posso falar ninguém nunca nos pressionou a escrever
notícias contra o governo tentamos ser um jornal mais independente possível e ser
independente é isto é estar a fazer marcação cerada aquilo que o governo está a fazer mas
também aquilo que a oposição também está a fazer, porque a política não é só o governo o
parlamento e a maioria também há a oposição e a oposição também tem que trabalhar e os
jornalistas tem que estar vigilante sobre o trabalho da oposição. O jornalismo tem de ser feito
com factos com dados com documentos e não baseado no “diz-se, diz-se” que é o que se faz
muito em Cabo Verde. Em Cabo Verde a situação que passa é isto temos um órgão tenta ser
independente, tenta ser vigilante e temos órgãos que passam mensagens oficiais de governo
sem interpretar essa mesma mensagem o que faz com que estejamos a manipular as pessoas
no fundo.
Há alguma pressão da política sobre o jornalismo?
Logicamente que sim isto não é apenas sobre o jornalismo cabo-verdiano é a nível mundial. A
política pressiona-nos sempre, porque nós somos um veículo por excelência para chegar as
populações, por exemplo aparecer nos media que o governo ofereceu cinco botes aos
pescadores do bairro do brasil é uma propaganda extraordinária, e há sempre pressões. Nós
também pressionamos os políticos não vamos estar aqui a brincar, não no sentido de os
chantajar, no sentido que queremos que nos respondam a isso.
O jornalismo cabo-verdiano é politizado?
Cabo Verde é politizado todo o país é politizado nós não podemos dar um passo seja por onde
for, nós não podemos discutir o que for sem a política vir lá de cima, e o jornalismo caboverdiano é politizado logicamente, há aqui duas questões fundamentais, o jornalista é pessoa e
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
como pessoa tem os seus ideais políticos tem as ideologias religiosas, quando esta escrevendo
isto tem que ficar de parte, logicamente que vai ter uma influencia porque a objectividade cem
por cento (100%) não existe, nós somos seres humanos novamente, nós escrevemos aquilo
que vemos, se alguém nos tapar um bocadinho da folha com a mão nós já não estamos a
escrever sobre a parte que está tapada. A objectividade não existe o jornalista tem que saber
separar as coisas, não pode aplaudir um ministro se gosta dele pessoalmente e se ele está a
fazer asneiras ele tem que escrever que ele está a fazer asneiras tem que haver esta separação,
por isso que não é jornalista quem quer ou quem pode é jornalista quem sente preparado para
isso, em relação a politização dos jornais estão politizados mas não são só os jornais tudo na
sociedade cabo-verdiana está politizada.
Porquê que a política domina o jornalismo cabo-verdiano em relação a outras
áreas?
É mas isto é um fenómeno mundial não é só em Cabo Verde, curiosamente com o
inicio da crise quando os jornais começaram a perder vendas houve um único só jornal
que ganhou “All stret journal” nos E.U.A., subiu nas vendas apostou em quê, política
e opiniões, muitas vezes há assuntos que não tem muito a ver com a política mas que
são politizados se calhar nos convém a nós começar a fazer esta separação.
Sente-se a influência de jornalismo em Cabo Verde sobre a política?
Em Cabo Verde não há tanto esse fenómeno porque os políticos usam os jornais para
passarem as suas mensagens simplesmente, não uma vigilância constante por parte dos
jornalistas. O que se sente também é que falta uma massa crítica interveniente das pessoas que
estão a vontade pra falarem aquilo que querem, somos uma sociedade pequena e pobre e no
fundo é máquina do Estado que está a movimentar todo o país, e se calhar é por isso que vês
que aqui as coisas que lá fora davam direitos a escândalos a demissão de governantes a
processos em tribunal aqui aquilo passa despercebido e ninguém se chateia.
•
Até que ponto a nomeação dos dirigentes dos órgãos de comunicação público pelo
governo pode interferir na prática jornalista?
Isto é uma questão antiga que passa em muitos países, normalmente os directores dos órgãos
públicos são cargos políticos, eu acho que não deveria ser porque os órgãos públicos de
comunicação não são órgãos políticos de comunicação, órgão público é de todos nós o
trabalho deles é para com a população, no sentido de educar, formar, de informar, etc.
Em alguns países o jornalismo adquire um grande poder e designado de «quarto
poder». Sente essa força (poder) no nosso jornalismo? Porquê?
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Não, porque em Cabo Verde ainda não é esse poder de influência, mas havemos de chegar lá,
e o jornalismo nunca deve ser poder deve ser sempre contrapoder quanto a min, e espero que
as novas gerações de jornalistas não venham com a ideia de chamar a atenção para um dia
chegar a assessores que venham com a vontade de ser4em jornalistas para defenderem o povo
cabo-verdiano.
•
Como está o jornalismo Cabo-verdiano a assumir a sua responsabilidade
pública?
Mais uma vez falo do Expressos que é aquilo que eu conheço. Cada vez mais estamos a
assumir esta função, no nosso jornal não sai nenhuma noticia baseado em boatos e muito raro
sai uma notícia baseada numa fonte anónima, só quando a importância da informação é
demasiado grande e nós temos comprovação de outras fontes é que sai uma notícia com fonte
anónima. Mas isto é excepção por regra toda nossa informação ou é baseada em documentos
que nos temos acesso ou em fontes perfeitamente identificada.
•
Muitos estudiosos designam o jornalismo cabo-verdiano de jornalismo «Sentado»
(jornalismo de pouca investigação). Que análise faz desta designação?
Mais uma vez temos a questão de os jornais não terem meios financeiros para enviar os
jornalistas para fora, mas o próprio jornalista é demasiado preguiçoso naquilo que faz na
maior parte das vezes. É no jornalismo no terreno que nós vemos as coisas, ninguém nos
conta nós estamos lá e vemos, o jornalismo no terreno é fundamental, o que não quer dizer
que o jornalismo de gabinete não seja bem feito, agora para se fazer jornalismo de gabinete
não é ligar uma pessoa e fazer uma notícia é ligar uma pessoa consultar informações é ler
muito, é ir a internet, ir aos arquivos do próprio jornal e só assim que se faz informação de
gabinete de qualidade. O jornalismo faz-se olhos nos olhos.
Entrevista a doutora Ondina Ferreira 18 de Fevereiro de 2013
·
Que avaliação faz do jornalismo cabo-verdiano em relação a actuação no
campo da política?
Na minha opinião, o Jornalismo em Cabo Verde, grosso modo, não tem “vida própria,” isto
é, não faz opinião pública. Encontra-se sem ideias para fornecer instrumentos de cidadania à
sociedade civil. Para mim é nisto que reside o grande serviço dos media.
Daí que ande, ou tem andado, quase sempre, a reboque do que o poder político lhe
fornece.
·
Para alguns estudiosos o jornalismo cabo-verdiano é politizado, que
percepção tem desta situação?
Fazendo uma “ponte” com o que foi dito na resposta anterior, não estaria longe da verdade,
se dizer que ele é menos politizado, (no sentido em que a política é uma ciência social), mas
mais “partidarizado” e imbuído de um maniqueísmo, em que ressalta a visão: ou é branco ou
é preto. Sem se lembrar que há uma palete de cores. Se me for permitido esta metáfora.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
·
Para alguns profissionais de comunicação social há uma grande influência
da política sobre o jornalismo, situação esta que para eles mancha a prática de um
jornalismo de rigor. Qual é a sua opinião sobre esta situação?
Talvez seja verdade. Mas a responsabilidade disso caberá também ao jornalismo que se não
“descola” do poder político, e consiga uma certa independência na análise e na visão dos
problemas com que se defronta o país.
·
Em muitos países alguns estudiosos designam o jornalismo/media de “quarto
poder”. O jornalismo cabo-verdiano abrange esta designação? Porquê?
No meu entender, ainda não. Ainda não é o tal “quarto poder.” Apesar de já estarmos no
séc. XXI. O Jornalismo cá praticado ou é pró, ou é contra, dependente sempre da situação em
vigor. Não existe meio-termo, nem variedade opinativa no sentido global.
·
Uma das funções do jornalismo é vigiar a actuação dos restantes poderes. O
jornalismo cabo-verdiano tem assumido esta responsabilidade?
Sim, os jornais ditos da oposição tem feito algum trabalho, há que reconhecê-lo,
embora lhes falte ainda alguma profundidade e sobranceria, para não dizer “despessoalização”
(que me seja permitida esta expressão) na forma como criticam, ou vigiam o poder político.
·
Como é que vê/analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação
social em relação a certos partidos políticos?
Depende, pois há jornais assumidamente partidários. Quando dependem e pertencem a
Partidos políticos, nada contra. Agora, Jornais que recebem subvenção do Estado, em certa
medida pagos pelos Contribuintes e a fazer ou a prestar, serviço partidário ou apenas
situacionista, andarão muito mal…
·
Que análise faz da descida de Cabo Verde no ranking da liberdade de
imprensa dos repórteres sem fronteiras?
É sempre sinal negativo a descida. E creio que esta não foi negligenciável… Reflectirá como
anda actualmente a liberdade de imprensa em Cabo verde.
Entrevista ao líder parlamentar do PAICV- José Manuel de Andrade- 17 de
Fevereiro de 2013.
Que avaliação faz do jornalismo cabo-verdiano em relação a actuação no campo da
política?
A comunicação social em Cabo Verde tem um papel importante relativamente a comunicação
política, porque a comunicação política influencia e envia mensagens. A comunicação social
tem procurado e veiculado as comunicações políticas dos partidos e dos órgãos do poder
naturalmente as vezes manipulando. Este é um grande problema que nós temos porque não há
uma instância de regulação em funcionamento e temos muita esperança que a entidade
reguladora da comunicação social venha ter um papel importante no sentido de normalizar a
actuação da comunicação social. Existem observações críticas de que há tendências de alguns
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
órgãos de comunicação social por certos partidos políticos e algumas situações de
discriminação.
Para alguns profissionais de comunicação social há uma grande influência da
política sobre o jornalismo, situação esta que para eles mancha a prática de um
jornalismo de rigor. Qual é a sua opinião sobre esta situação?
A política tem influência sobre o jornalismo a medida que o grosso da comunicação é
de teor político e esta influência acaba por criar tendências, tendências de
aproximação que as vezes ferem o princípio da imparcialidade. Quando se aborda
sobre a influência da política sobre os órgãos de comunicação social há uma tendência
em que isto verifica com maior frequência nos órgãos de comunicação publico porque
nos órgãos privados como dizem há um maior esbatimento segundo dizem há uma
maior liberdade há menos autocensura, mas o que nós dizemos aqui o quadro actual
que nós vivemos é de há uma ampla liberdade e as limitações que possa haver por
influenciação ou por presunção de influenciação do poder político tem mais a ver com
os nichos de relação laboral que existe.
Em muitos países alguns estudiosos designam o jornalismo/media de “quarto
poder”. O jornalismo cabo-verdiano abrange esta designação? Porquê?
Desde há longo tempo que o jornalismo é quarto poder, porque influencia sentido de
orientação política das pessoas, o jornalismo tem a possibilidade de “manipular” o certo
sentido de tendência para a gestão do poder. E em Cabo Verde nem tanto nós sentimo-lo, as
vezes sim, as vezes não também, mas o jornalismo não se cinja apenas a veiculação dos factos
noticiosos há artigos de opinião há juízos de valores que nas comunicações se introduzem e
criam uma certa tendência para influenciação do povo na variação do exercício do poder
político nesta perspectiva nós sentimos isto, porque há órgãos de comunicação social
claramente conotados com determinadas forças politicas.
Para alguns estudiosos o jornalismo cabo-verdiano é politizado, que percepção
tem desta situação?
O grosso do produto da comunicação social são fatos políticos que têm a ver com actividades
dos órgãos políticos, órgãos de Estado, órgãos partidários e nesta perspectiva entende-se que
nos órgãos de comunicação social queiram transmitir uma certa tendência comunicativa
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
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favorável a um lado ou a outro. Há alguma autocensura ou tendência clara de posicionamento
em função das convicções políticas dos jornalistas.
Uma das funções do jornalismo é vigiar a actuação dos restantes poderes. O
jornalismo cabo-verdiano tem assumido esta responsabilidade?
Julgo que sim, não só na produção de debates com contraditórios, mas também na veiculação
de artigos de opinião e na discrição de factos. Nós já temos vários casos em que as instâncias
judiciais já tiveram agido mediante as denúncias da comunicação.
Que analise faz pelo facto de ser o governo a nomear os dirigentes dos órgãos de
comunicação social público?
Nós estamos num Estado de direito que as leis funcionam, se lei diz que é o governo
que tem que nomear nos não temos outra alternativa.
O jornalismo cabo-verdiano tem assumido a sua responsabilidade política?
Julgo que de algum modo, muitas vezes até com excesso, por exemplo quando vejo algumas
atuação de alguns órgãos privados, mas de um certo tem cumprido razoavelmente, pois Cabo
Verde em relação aos índices de avaliação dos órgãos de comunicação social tem tido uma
boa avaliação.
Como vê a questão de especialização dos profissionais de comunicação em relação
a atuação no ramo da política?
Este é um grande desfio da comunicação social em Cabo Verde, é por isso que temos os
meios de comunicação a recorrer sempre a governos e políticos como seus fontes, de certeza
se tínhamos jornalistas especializados em Cabo verde/órgãos de comunicação, na altura da
preparação das suas notícias saberiam bem qual a fonte melhor preparada para posicionar e
pronunciar sobre determinados assuntos.
Entrevista ao líder parlamentar do MPD Elísio Freire no dia 07 de março de 2013
Que avaliação faz do jornalismo cabo-verdiano em relação a actuação no campo
da política?
Considero que neste momento o problema do jornalismo em relação a política não é tanto um
problema criações de condições legais, acima de tudo uma questão de atitude, atitude dos
jornalistas e também da classe política mais concretamente de quem está no poder. Neste
momento em Cabo Verde em relação a imprensa escrita o que nós temos é uma imprensa
partidária e não uma imprensa independente enquanto a rádio e a televisão pública
transformaram em grandes porta-vozes do governo em vez de serem porta-vozes dos
cidadãos/sociedade civil. O papel do jornalismo na política em Cabo Verde tem sido mais
vozes dos partidos do que propriamente vozes da verdade.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Para alguns estudiosos o jornalismo cabo-verdiano é politizado, que percepção
tem desta situação?
O jornalismo cabo-verdiano está altamente politizado é dos sectores que menos evolui nos
últimos vinte anos.
Em muitos países alguns estudiosos designam o jornalismo/media de “quarto
poder”. O jornalismo cabo-verdiano abrange esta designação? Porquê?
Os media em Cabo Verde não assumiram o papel do quarto poder, a perceção que se tem
neste momento do jornalista em nome de um silencio conveniente e de uma satisfação
divorciada como tão bem diz Silvino Évora, estes resolveram fazer “fretes” ao poder
instituído em vez de falar a verdade.
O jornalismo cabo-verdiano tem assumido a sua responsabilidade política?
Penso que não porque os jornalistas aqui em Cabo Verde não fazem investigações, temos
alguns casos de corrupção, violência policial e os jornalistas não trabalham sobre estes
aspectos para investigar e procurar as veracidades, os nossos jornalistas são bastantes passivos
e acomodados e é por isso que é um dos sectores que menos evoluiu no país.
Que analise faz pelo facto de ser o governo a nomear os dirigentes dos órgãos de
comunicação social público?
Esta questão nomeação do conselho da administração e dos directores dos órgãos de
comunicação pelo governo está claramente a atrofiar aquilo que é a liberdade de imprensa e a
liberdade do próprio jornalista. Eu não me importo nada se um privado pode adotar a linha
editorial que quiser, não me preocupo se o jornal A Semana seja do PAICV ou se tem uma
linha editorial próxima do PAICV, o que preocupante é se os órgãos públicos venham ser
bastante próximo dos partidos, pois deveriam reflectir a pluralidade e serem o mais isento
possíveis, mas na prática em Cabo Verde isto não tem acontecido.
Para alguns profissionais de comunicação social há uma grande influência da
política sobre o jornalismo, situação esta que para eles mancha a prática de um
jornalismo de rigor. Qual é a sua opinião sobre esta situação?
Por acaso existe uma grande pressão dos políticos sobre o jornalismo sobretudo os políticos
que estão no poder que pressionam os jornalistas a fazerem o trabalho da forma como
quiserem, podemos constatar que em Cabo Verde um director geral tem mais imprensa e tem
mais capacidade de estar/influenciar a imprensa de que um outro deputado da oposição, isto
mostra bem o grau de politização e partidarização que a comunicação social chegou, mas o
culpado principal desta situação são os jornalistas que são por vezes coniventes.
Sente-se a influência de jornalismo em Cabo Verde sobre a política?
Não o que pode se constatar é uma constante influência da política sobre o jornalismo. Um
dos factores que não tem contribuído para que haja a influência do jornalismo sobre a política
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
é porque temos jornalistas partidários e jornalistas passivos sem vontade de ir ao além, de
criar assuntos que geram grandes debates no seio da sociedade.
Como vê a questão de especialização dos profissionais de comunicação em relação
a atuação no ramo da política?
Podemos observar que a falta de especialização tem impedido muitos jornalistas de
desenvolverem os seus temas de uma forma mais eficiente, mas a questão fundamental é a da
atitude e da relação marcadamente que existe entre os poderes instituídos e os jornalistas é
preciso quebrar/fazer roturas para que o resto funciona como deve ser.
Entrevista a directora do jornal A Semana, Dr.ª Filomena Silva, no dia 08 de março de
2013.
Que avaliação faz do jornalismo cabo-verdiano em relação a actuação no campo
da política?
O jornalismo como diversas ciências sociais tem de tudo, diversos graus, níveis, uns mais
ligados do que outros, porque o jornalismo da informação se faz com isso, com política, casos
sociais, há outros que preferem dar mais enfâse a questões económicos. Eu acho que há uma
certa mistificação de pessoas, normalmente estudiosos e académicos que nunca frequentaram
redação, nunca estiveram perto de um jornal e acabam como uma certa mistificação de que o
jornalismo cabo-verdiano está colado a política, mas a minha pergunta é que jornalismo não
está colado a política? O jornalismo é uma ciência social que retrata as relações humanas,
assim como as relações de poder e a política faz parte do dia-a-dia do jornalismo e o
jornalismo deve acompanhar e ter o político como uma parte essencial da democracia, da
liberdade de expressão, da governação, porque nós precisamos da política para podermos
cinzar o nosso futuro, para consolidar o nosso presente e olhar sem misticismo e sem
complexo a nossa realidade, o jornalismo não vive sem a política e a política não vive sem o
jornalismo, cada um com um grau mais ou menos de dependência.
Até que ponto o jornalismo tem sido um “contrapoder” sobretudo em Cabo Verde?
O jornalismo não tem que ser contrapoder necessariamente, porque o jornalismo para ser
credível muitas vezes tem que elogiar o poder e muitas vezes também um companheiro do
poder, mas também tem o direito de exercer o seu papel de contrapoder numa determinada
situação, isto não quer dizer que tem que ser sempre contrapoder, pois que estas conceções já
são algo que já está ultrapassado. E qualquer órgão de comunicação social tema sua linha
editorial, com as suas bandeiras no caso do jornal a semana são, liberdade de expressão,
democracia e dar voz aos que menos tem, lutar pela saúde, educação ambiente, justiça. O
jornalismo deve aplaudir quando as coisas estão bem e assim também criticar e alertar o
governo quando as coisas não estão bem.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Uma das funções do jornalismo é vigiar a actuação dos restantes poderes. O
jornalismo cabo-verdiano tem assumido esta responsabilidade?
O jornalismo em Cabo Verde tem assumido muito bem esta função, nós temos um bom
jornalismo, nós estamos num país onde tudo é vigiado, o jornal A Semana faz isso todos os
dias, quando o jornal dá voz aos que não conseguem bem perto dos governantes, quando
fazemos avaliação dos trabalhos dos deputados e denunciamos a falta de água em algumas
localidades, isto estamos a vigiar e cumprir uma parte da nossa responsabilidade. E repara os
nossos políticos respeitam e de que maneira os nossos jornalistas que temos no país.
Em muitos países alguns estudiosos designam o jornalismo/media de “quarto
poder”. O jornalismo cabo-verdiano abrange esta designação? Porquê?
O nosso jornalismo não está de boa saúde, porque o jornalismo nunca está de boa saúde, mas
podemos afirmar que o nosso jornalismo abrange a designação do “quarto poder”, mas é
preciso realçar que temos muitas dificuldades no jornalismo sobretudo na arrecadação de
meios financeiros. Para que os órgãos possam cumprir melhor as suas responsabilidades é
preciso que se crie leis que dão mais incentivos de forma que possam possibilitar que o
jornalismo funcione sem grandes constrangimentos. E para cumprir melhor o seu labor os
jornalistas tem que se formar por se próprio, ler mais, ouvir músicas etc.
• Muitos estudiosos designam o jornalismo cabo-verdiano de jornalismo «Sentado»
(jornalismo de pouca investigação). Que análise faz desta designação?
Eu não estou de acordo com esta designação, pois as pessoas fazem estes tipos de
afirmação se calhar nunca tentaram exercer jornalismo na prática. Nos temos bons jornalistas
aqui no país e os jornalistas têm esforçado muito para procurar conteúdos de forma a informar
os cidadãos deste país.
· Como é que vê/analisa a aproximação de alguns órgãos de comunicação social
em relação a certos partidos políticos?
Não vejo nenhum mal nisso, isto acontece em todo o lado, por exemplo nós assistimos
quando o jornal New York Times proclamou que é para eleição Obama. Os jornalistas são
cidadãos. Não existe nenhum jornalismo imparcial, isto já seria cientista. O jornalismo faz a
sua leitura e da aos cidadãos elementos para se descodificarem. Dizer que um jornal é ligado a
esquerda não vejo mal nenhum nisso, A Semana sim é um jornal ligado a esquerda, mas isto
não quer dizer que todos os jornalistas do jornal se identificam com os ideais da esquerda. E
se isso coincide com um partido da esquerda otimo, mas isto não quer dizer o fato de termos a
mesma matriz que estejamos sempre de acordo. Por exemplo nós encontramos em França
jornais como Le Monde, Liberation entre outros que estão ligados a certos partidos. Seria
mesmo hipocrisia dizer que não se identifica com um tal partido, o correto e garantir a
pluralidade e se identificar. Eu posso afirmar sim que o A semana é próximo do PAICV, pois
o jornal é próximo dos ideais de esquerda. É difícil afirmar estas posições publicamente, mas
estão bem visíveis as posições tomadas é basta analisar os editoriais.
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Jornalismo e poder político: jogos de força na esfera social: Análise dos jornais: A Semana, Expressos das
Ilhas e A Nação
Que analise faz pelo facto de ser o governo a nomear os dirigentes dos órgãos de
comunicação social público?
Isto não é uma particularidade de Cabo verde, pois eles são nomeados pelo patrão e o patrão é
governo e um órgão público tem que ter controlo do poder. Já chefias intermédias seria uma
outra coisa, há que ter maior participação participação dos jornalistas nas redações.
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Andre Brito - Biblioteca digital da UniPiaget