Amanda Cardoso de Almeida Pilatti ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DOS CASOS DE TUBERCULOSE PULMONAR EM PASSO FUNDO/RS DE 2000 A 2004 Trabalho de Conclusão de Curso Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Farmácia da Universidade de Passo Fundo, para obtenção do título de Farmacêutico sob a orientação da professora Msc. Cristiane Barelli. Passo Fundo 2005 Agradecimentos À Universidade de Passo Fundo Ao Curso de Farmácia. A todos os professores que ministraram aulas no decorrer desses anos. À professora orientadora Msc. Cristiane Barelli, pelo acompanhamento. À enfermeira Cláudia Gomes de Freitas, da 6ª CRS pela disponibilidade. À farmacêutica-bioquímica Neiva Loureiro de Moura e técnica em enfermagem Jucélia Martins Castoldi pela ajuda, atenção e amizade; À acadêmica de Secretariado Bilíngüe Andrieli Pilatti, pelo auxílio na coleta de dados, carinho e atenção a mim dispensados. À enfermeira da Secretária de Saúde de Passo Fundo, Mara Dill Nigot, pelo auxílio no recolhimento dos dados. À professora Carla B. C. Gonçalves pelo apoio, compreensão e ajuda indispensável para a conclusão deste trabalho. A DEUS, protetor de todas as horas, agradeço pela saúde e por ter conseguido concluir com êxito o curso de Farmácia. Dedico este trabalho aos meus pais, Alberi e Maria Ceni, que sempre me incentivaram, me deram força e me fizeram ver em cada desafio um motivo a mais para crescer. Também, dedico ao Samuel, meu marido, com quem compartilho uma vida de amor e companheirismo. SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................................5 REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA ....................................................................................7 1 Características epidemiológicas.......................................................................................7 2 Patogênese da tuberculose.............................................................................................11 3 Etiologia .......................................................................................................................13 4 Vigilância epidemiológica.............................................................................................14 5 Diagnóstico...................................................................................................................19 6 Classificação dos quadros clínicos.................................................................................22 7 Tratamento da tuberculose ............................................................................................24 8 Formas de controle da tuberculose no Brasil .................................................................31 OBJETIVOS DO TRABALHO.....................................................................................36 1 Geral.............................................................................................................................36 2 Específicos....................................................................................................................36 REFERÊNCIAS DA REVISÃO....................................................................................37 ARTIGO.........................................................................................................................40 ANEXO A – TABELAS.................................................................................................53 ANEXO B - NORMAS DE PUBLICAÇÃO DO PERIÓDICO ESCOLHIDO...........63 INTRODUÇÃO A tuberculose constitui prioridade de saúde pública no Brasil, caracterizando-se por apresentar elevada incidência e distribuição heterogênea nas diferentes regiões brasileiras, ligando-se diretamente às condições sócio-econômicas da população, bem como aos agravos de saúde. Na maioria dos países desenvolvidos, o ressurgimento da tuberculose tem sido atribuído à infecção pelo HIV, ao aumento da pobreza, da imigração, à desestruturação dos programas de controle e à baixa aderência ao tratamento. O reaparecimento da tuberculose veio acompanhado do aumento da resistência às drogas e à baixa adesão ao tratamento. Segundo Oliveira, Marin-León e Cardoso (2004) o aumento do número de casos de tuberculose pode ser justificado, também, pela falta de interesse em muitos problemas não resolvidos pela imunidade, profilaxia, terapia e identificação microbiológica da tuberculose, além da desatenção com o fato do aumento da resistência dos microorganismos aos antibióticos. Devido à introdução de novos medicamentos a tuberculose tem modificado a sua história antiga, pois ela era sinônimo de letalidade e, hoje em dia, os índices de cura são significativos, devido à moderna quimioterapia que foi introduzida (OLIVEIRA, MARINLEÓN E CARDOSO, 2004). Os problemas da tuberculose no Brasil estão ligados diretamente à área social e por causa disso, muitas vezes, o tratamento não tem continuidade, ou então, as propostas governamentais focalizam esse grave problema de saúde pública como se ele representasse apenas um somatório dos tuberculosos existentes. A esse respeito, Ruffino-Neto (2002) 6 observa que para o tuberculoso, a solução implica o uso de esquemas terapêuticos eficazes, como é o caso do tipo esquema básico, de 2 e 4 meses. Dessa forma, a primeira parte deste trabalho tem por objetivo apresentar a revisão teórica do assunto que será tratado no artigo científico, focalizando a tuberculose em seus aspectos de: epidemiologia, patogênese, características gerais da tuberculose, vigilância epidemiológica, classificação da doença, tratamento e formas de controle. REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA Tendo em vista a verificação das taxas de morbidade da tuberculose pulmonar em Passo Fundo/RS, entre os anos de 2000 a 2004, este capítulo apresenta a revisão bibliográfica acerca da tuberculose pulmonar, abordando os aspectos epidemiológicos, a patogênese, as características gerais da tuberculose, a vigilância epidemiológica, o diagnóstico, a classificação da doença, o tratamento e as formas de controle, que têm sido usadas no Brasil. 1 Características epidemiológicas A epidemiologia, que tradicionalmente é entendida como a disciplina que estuda a distribuição das doenças e dos determinantes de sua prevalência no homem, encontra-se diretamente ligada ao controle da tuberculose, e há muitos anos faz referências a dados que mostram a presença da mesma e seus determinantes ao longo do tempo, de modo a refletir a gravidade da situação em âmbito mundial, bem como a efetividade ou não das estratégias adotadas para controlar esta doença. A propagação da tuberculose no mundo ocorreu pelo contágio inter-humano. Seu caráter epidêmico é de evoluir em ciclos lentos, com maior incidência onde haja aglomeração humana. Por isso, a doença se implantou nos grandes centros industrializados. Começando pelo continente europeu, ela se propagou às demais regiões do globo onde o homem levou o Mycobacterium tuberculosis. Tal fato é exemplificado, em nível de Brasil, pela violenta tuberculização dos povos indígenas, ocorridas após a chegada dos portugueses, quer colonizadores ou missionários vindos da Europa (TARANTINO, 2002). A tuberculose é uma das doenças mais prevalentes no mundo, podendo atacar todos os órgãos e sistemas do organismo. Conseqüentemente, tem grande importância clínica, em 8 especial nos países em desenvolvimento, onde atinge uma parcela significativa da população com menor acesso aos serviços de saúde, agravado pelo baixo nível socioeconômico. Pode-se dizer que a tuberculose (TB) é conhecida há milhares de anos, sendo uma das doenças infecciosas que mais matam no mundo (ROSSETTI et al., 2002). Quando em 1882 o médico alemão Robert Koch anunciou a descoberta do bacilo causador da TB, este já acompanhava a humanidade há milênios. Existem relatos de evidência da doença (Mycobacterium tuberculosis) em ossos humanos pré-históricos encontrados na Alemanha, datados de 8.000 anos a.C. Outrossim, já se descreviam lesões muito semelhantes às provocadas pela TB nas múmias do Egito, bem como documentos antigos, hindus e chineses, relatavam quadros de uma doença pulmonar muito parecida à TB, aumentando o número de citações à medida em que ocorre a passagem da vida nômade para à convivência em vilas e conglomerados (KRITSKI et al., 2000, p. 4). Através dos deslocamentos humanos, advindos de guerras, conquistas e comércio, a doença foi se espalhando pelo mundo, atingindo seu ponto crítico na Europa, no século XVIII. Com a Revolução Industrial, que iniciou o processo do êxodo rural, o aumento das populações urbanas, a pobreza e a elevação das taxas de mortalidade (coeficientes de 200400/100.000 hab.) também chegou junto a “peste branca”1. O panorama atual aponta que nos países em desenvolvimento devem ocorrer cerca de 2,8 milhões de mortes por tuberculose e 7,5 milhões de casos novos, atingindo a todos os grupos etários, com maior predomínio nos indivíduos economicamente ativos (GUIA BRASILEIRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 2004). Desse modo, embora estejamos num novo milênio, a TB continua representando um problema de saúde pública tão grave como no século passado. As taxas de incidência continuam elevadas e nas décadas de 1980 e 1990 registrou-se e existência de mais de 42 milhões de indivíduos infectados, além da ocorrência de cerca de 112.000 óbitos nesse 1 Assim se denomina a tuberculose na década de 1880. Com o período romântico adveio uma nova percepção do binômio doença-doente do peito. Concomitantemente à identificação do agente causal da tísica, procedeu-se a revisão das avaliações anteriores acerca dos infectados que, de sensíveis, passaram a ser percebidos como degenerados, vítimas da miséria e principalmente do desrespeito às regras morais. Enquanto a velha noção de tísica era obliterada pelo novo conceito de tuberculose, no plano epidemiológico definiu-se a peste branca como perturbadora da ordem social, ceifadora de capital humano e inibidora da produção. Aos tísicos restava um só caminho: a exclusão social e o conseqüente isolamento em estações de cura, mais propriamente em instituições sanatoriais onde especialistas médicos tentariam a correção dos espíritos e a cura dos corpos (HERZLICH et al., 1984). 9 período (MINISTÉRIO DA SAÚDE, SÉRIE HISTÓRICA DE DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA, 2001). Com a descoberta da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA/ AIDS) no ano de 1981 constatou-se que, tanto os países desenvolvidos como os em desenvolvimento apresentavam um número crescente de casos notificados de TB em pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Dessa forma, a associação da TB com o HIV se constitui, nos dias de hoje, um sério problema de saúde pública, tendo colaborado para o aumento dos índices da morbidade e mortalidade nos portadores de TB em inúmeros países (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001). A esse respeito pode-se dizer que o aumento do quadro epidêmico da TB possui estreita relação com a AIDS, devido à situação sócio-econômica atual, com aumento da pobreza nos países em desenvolvimento, migrações e crescimento de populações marginais nas grandes cidades, além da deficiência na organização dos serviços de saúde local e ao surgimento de casos multi-resistentes2. Os abandonos de tratamento propiciam a seleção de bacilos multi-resistentes, que causam a Tuberculose Multi-resistente (do inglês multi-drug resistant - MDR) e, nestes casos, as chances de cura diminuem bastante (INFORME TB, 2004). Com base neste quadro é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em 1993, que a TB representava uma doença de emergência mundial, calculando que no mundo existissem cerca de um bilhão e 700 milhões de pessoas infectadas, ou seja, 1/3 da população mundial e 8 milhões de casos novos de TB, por ano, com três milhões de mortes anuais (95% delas nos países em desenvolvimento) (INFORME TB, 2004). Apesar de todo o avanço tecnológico no campo dos recursos diagnósticos, controle e tratamento, esta doença continua matando em percentuais elevados e a OMS já estimava que para o ano de 2005 haveria uma incidência de 12 milhões de casos novos. Atualmente, a AIDS tem contribuído para agravar mais ainda o problema da TB, pois ela promove complicações do quadro clínico ampliando o tempo de administração dos medicamentos e, algumas vezes, promovendo a alteração do esquema terapêutico administrado. Com isso 2 Várias doenças, consideradas extintas, ou restritas a uma determinada área geográfica do planeta, retornaram com força avassaladora nos últimos anos. Surgiram novas linhagens de agentes infecciosos e cepas, há muito conhecidas da medicina, se tornaram em pouco tempo resistentes ao tratamento com antibióticos. Para tais casos usa-se a expressão multi-resistente (STANLEY, 1997). 10 favorece a incidência de bacilos resistentes à terapia convencional (GANDOLPHO; SCHOR, 1998) (INFORME TB, 2004). No Brasil, a projeção aponta para um índice preocupante, onde cerca de 35 a 45 milhões de pessoas estão infectadas pelo M. tuberculosis, com aproximadamente 100 mil casos novos por ano. Em relação ao número de mortes anuais ocasionadas pela TB estima-se que atinja entre 4 a 5 mil pessoas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). A epidemiologia da tuberculose no Brasil, no final do século XX, representa uma prevalência de 50 milhões de casos infectados sendo que, anualmente, surgem 130.000 novos casos, com um registro de 6.000 óbitos, demonstrando uma incidência superior a de outros países latino-americanos, tais como a Argentina, o Chile, a Colômbia, a Venezuela, Cuba e México. Embora as políticas implementadas tenham obtido sucesso, os dados comprovam que houve a descoberta de 70% dos casos estimados e a cura de 75% dos pacientes tratados. Tal situação se manteve estável na década de 1990 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005). Importante que se atente para a distribuição, morbidade, mortalidade e letalidade da TB, a qual não se caracteriza por variações cíclicas ou sazonais, de importância prática. Segundo dados constantes nos relatos do Ministério da Saúde, Série Histórica das Doenças de Notificação Compulsória (1980-2001) a prevalência observada é maior nas áreas onde ocorre grandes concentração populacional, com precárias condições sociais, econômicas e sanitárias. A distribuição da doença é mundial, com tendência decrescente de morbidade e mortalidade nos países desenvolvidos. Nas áreas com elevada prevalência de infecção por HIV tem ocorrido estabilização ou aumento do número de casos e óbitos por TB. Encontram-se mais sujeitos à doença os indivíduos que convivem com o doente bacilífero, certos grupos com menor imunidade, como os silicólicos e pessoas que estejam fazendo uso de corticosteróides ou infectados pelo HIV (MINISTÉRIO DA SAÚDE, SÉRIE HISTÓRICA DAS DOENÇAS DE NOTIFICAÇÃO COMPULSÓRIA, 1980-2001). Exemplificando com dados concretos as afirmações acima se observa que no Brasil, no ano de 1995, foram notificados 90.978 casos novos de TB, dos quais 45.650 foram formas pulmonares bacilíferas e 14.119 extrapulmonares. Devido às desigualdades sócio-econômicas existentes no Brasil, a variação regional também foi constatada, demonstrando um índice de 126,8 por 100 mil habitantes no Rio de Janeiro e de 25,1 por 100 mil em Goiás (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). 11 Antes do advento da atual quimioterapia, a mortalidade era o indicador utilizado tanto para avaliar a tendência da endemia como para fazer estimativas da morbidade; a prevalência era o dobro da incidência, que por sua vez era o dobro da mortalidade. Mas, atualmente, em plena era quimioterápica, essas equivalências se romperam e hoje é levado muito mais em conta o desempenho do controle da doença, pois praticamente todos têm a chance de se curar diante de um diagnóstico precoce e um tratamento bem administrado (GUIA BRASILEIRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 1998). A mortalidade provocada pela meningite tuberculosa nos primeiros anos de vida, que poderia representar um bom indicador da extensão da doença bacilífera na população adulta, perde espaço devido à cobertura proporcionada pela vacina BCG em muitas regiões. Logo, a análise da mortalidade deve levar em conta a distribuição geográfica, os grupos etários e a associação com o HIV (GUIA BRASILEIRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 1998). 2 Patogênese da tuberculose A TB geralmente é causada pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis, que pelo seu elevado conteúdo lipídico apresenta a característica de ser uma bactéria álcool-ácido resistente. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, a partir de indivíduos portadores da TB que eliminam gotículas pela fala, tosse e espirro. As gotículas menores que 5µ permanecem em suspensão no ar, podendo chegar aos bronquíolos e aos alvéolos, iniciando a multiplicação a partir desse ponto. Fatores ambientais como a luz ultravioleta e a corrente de ar reduzem a probabilidade de infecção (GANDOLPHO; SCHOR, 1998, p. 161) (ROSEMBERG; TARANTINO, 2002). Assim, em relação ao modo de transmissão, no decorrer da fala, espirro e principalmente da tosse de um doente de tuberculose pulmonar bacilífera são lançados no ar gotículas contaminadas de muitos tamanhos, sendo que as mais pesadas se depositam rapidamente e as mais leves permanecem em suspensão no ar. Somente os núcleos secos das gotículas (denominados Núcleo de Wells) podem atingir os bronquíolos e alvéolos e aí iniciar a multiplicação. As gotículas médias são, na grande maioria, retidas pela mucosa do trato respiratório superior e removidas dos brônquios por meio do mecanismo mucociliar. Os 12 bacilos assim removidos são deglutidos, inativados pelo suco gástrico e eliminados nas fezes. Os bacilos que se depositam nas roupas, lençóis, copos e outros objetos, dificilmente se dispersarão em aerossóis e, por isso, não desempenham papel importante na transmissão (GUIA BRASILEIRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 1998). Após a infecção pelo M. tuberculosis, dentre 4 a 12 semanas se detectam as lesões primárias. A maior parte dos casos novos de doença pulmonar acontecem 12 meses após a infecção inicial. A possibilidade de o indivíduo ser infectado e daí vir a desenvolver a TB está relacionada a muitas causas e dentre essas merecem destaque especial às condições sócioeconômicas (RUFFINO-NETTO, 2002). Em relação ao período de incubação a evolução depende também do indivíduo estar infectado pela primeira vez (primo-infecção)3 ou reinfectado (reinfecção exógena)4. A probabilidade de adoecer numa primo-infecção depende da virulência do bacilo, da fonte infectante e das características genéticas dos indivíduos infectados. Em novo contato, após uma infecção natural ou induzida pela BCG5, a resistência depende da resposta imunológica do hospedeiro (GUIA BRASILEIRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 1998). Em se tratando do período de transmissão ela é considerada plena quando o doente estiver eliminando os bacilos e não tiver iniciado o tratamento. Com o esquema terapêutico recomendado, a transmissão é reduzida pouco a pouco, alcançando níveis insignificantes ao 3 Tuberculose de primo infecção (primária ou infantil) é o primeiro contato com o bacilo. Ela é representada pelo Complexo primário tuberculoso ou Tríade lesional: a) - Nódulo de Ghon-Kuss (subpleural); b) - Linfagite (Vaso linfático comprometido); c) - Linfadenite (Linfonodo comprometido).A primo infecção ocorre, principalmente, no pulmão. O bacilo localiza-se o mais perifericamente possível (no alvéolo da região subpleural), ou seja, no andar médio subpleural. Inicialmente, a lesão alveolar é exsudativa . Ela dura alguns dias. Os polimorfonucleares do exsudato são destruídos pelo bacilo. Depois chegam os histiócitos que formam o nódulo histiocitário subpleural e por fim, formam- se as células epitelíoides. O nódulo mede cerca de 5 a 6 mm e corresponde a um conglomerado no qual aparece a necrose cerca de 10 dias após entrada do bacilo. Nessa fase ocorre a viragem do PPD pois aí já há processo inflamatório o qual atinge vasos linfáticos. Então forma- se gânglios linfáticos mediastinais de acordo com o número de bacilos, resistência e patogenicidade do bacilo. Quanto maior a intensidade esses fatores, maior o número de nódulos.Por outro lado, quanto maior a resistência do individuo, menor o número de nódulos. Esses gânglios também estão comprometidos (INFORME TB, 2004). 4 A tuberculose de reiinfecção (pós – primária ou secundária ou do adulto). Reiinfecção endógena (por primo infecção) ou exógena (reexposição ambiental ao bacilo).Nessa, encontramos lesões tuberculosas na região alveolar (INFORME TB, 2004). 5 Vacina BCG – sigla decorrente da expressão Bacilo de Calmette-Guérin, é o nome da vacina antituberculosa preparada com uma subcepa derivada de Mycobacterium bovis, atenuada por repicagens sucessivas. Os estudos mostram que em crianças a aplicação da BCG diminui a incidência de fromas graves de TB, como a meningite e a forma miliar. A vacina BCG é administrada sem prova tuberculínica prévia, na dose de 0,1 mL. É indicada para crianças da faixa etária de 0 a 4 anos, sendo obrigatória para as crianças menores de um ano. Os recémnascidos e crianças soropositivas para HIV ou filhos de mães com AIDS, desde que não apresentem os sintomas da doença, deverão ser vacinados. Também, os trabalhadores de saúde, não reatores à prova tuberculínica, que atendem pacientes com tuberculose e AIDS, também devem ser vacinados com a BCG (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). 13 fim de poucos dias ou semanas. As crianças com tuberculose pulmonar geralmente não são infectantes (GUIA BRASILEIRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 1998). Calcula-se que no espaço de 1 ano, numa comunidade, uma fonte de infecção poderá infectar, em média, 10 a 15 pessoas que com ela tiverem contato (GUIA BRASILEIRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 1998). No aspecto da suscetibilidade e imunidade, o risco de adoecimento é maior nos menores de 5 anos, nos adolescentes, adultos jovens e nos idosos. As reativações de infecções antigas e latentes explicam grande parte dos casos de doença nos idosos. Entre os infectados, a probabilidade de adoecer aumenta quando apresentam a infecção pelo vírus HIV e outras formas de imunocomprometimento. Outrossim, nas pessoas desnutridas, com silicose, diabetes e usuários de drogas endovenosas o risco também aumenta (GUIA BRASILEIRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 2004). 3 Etiologia De conformidade com as Normas Técnicas e Operacionais editadas pela Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul sobre a tuberculose (2001, p. 2) ela se caracteriza por ser uma “doença infecto-contagiosa, que em sua forma pulmonar é transmitida de pessoa a pessoa por um bacilo álcool-ácido resistente, Mycobacterium tuberculosis”. M. tuberculosis pertence à ordem das Actimicetales, família das Mycobateriaceae e gênero Mycobaterium. Tal gênero se caracteriza por bactérias móveis e esporuladas, aeróbias e álcool-ácido-resistentes. No microscópio ele se apresenta, após coloração, isolado ou em pares, como bastonetes delgados, retos ou ligeiramente encurvados, de extremidades arredondadas, com comprimento variando entre 1 a 4 micrômetros por 0.3 a 0.6 µ de espessura. M. tuberculosis é aeróbio e necessita de oxigênio, hidrogênio, carbono, nitrogênio, fósforo, enxofre e de outras substâncias em proporções menores para se desenvolver. A sua reprodução ocorre em meios próprios, em temperatura de 37ºC, em torno de 14 a 15 horas, não se desenvolvendo nos meios de cultura habitualmente empregados na bacteriologia geral. O meio de Loewenstein-Jensen é um dos mais usados. Uma de suas propriedades biológicas diferenciais é a capacidade de produzir niacina (ROSEMBERG e TARANTINO, 2002). 14 O complexo Mycobacterium tuberculosis é constituído de várias espécies: M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum e M. microti. Outras espécies de microbactérias podem produzir quadro clínico semelhante à tuberculose, sendo necessário para diganóstico diferecial a cultura e a identificação das mesmas, pelos laboratórios de referência (MINISTÉRIO DA SAÚDE, GUIA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 2005). Embora o complexo Mycobacterium tuberculosis seja constituído de muitas espécies (M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum e M. microti). M. tuberculosis é considerado o bacilo humano propriamente dito, responsável por cerca de 98% dos casos de tuberculose no mundo (ROSEMBERG e TARANTINO, 2002). 4 Vigilância epidemiológica O Brasil integra o grupo dos 22 países que concentram 80% dos casos de tuberculose no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde (2004), a cada ano que passa cerca de seis mil pessoas morrem no país em decorrência da TB e nos últimos anos, a média de detecção foi de oitenta e cinco mil novos casos no território nacional. A tuberculose continua a receber atenção especial dos profissionais da saúde e da sociedade em geral porque, embora existam políticas implementadas visando o seu controle, ela persiste como um dos graves problemas de saúde pública, desafiando o avanço técnicocientífico no processo de sua erradicação. Em nosso país é uma doença percebida como prioridade entre as políticas governamentais de saúde, merecendo, por isso, diferentes planos governamentais, desde a década de 1930, com o apoio de sucessivas entidades públicas: Serviço Nacional de Tuberculose, Divisão Nacional de Tuberculose, Divisão Nacional de Pneumologia Sanitária e a atual Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária (GUIA BRASILEIRO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 2004). O cenário da tuberculose no Brasil é o reflexo de muitos problemas ligados ao desenvolvimento social, onde os determinantes do estado de pobreza, as fragilidades das organizações do sistema de saúde e as deficiências de gestão limitam a ação da tecnologia e, conseqüentemente, inibem a diminuição das doenças marcadas pelo contexto social (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005). 15 No entanto, o ressurgimento da doença comprometeu também os países desenvolvidos, que passaram a se preocupar com a TB, dotando orçamentariamente fundos internacionais para o controle da doença. No ano de 2000, representantes de 22 países que concentravam 80% dos casos de TB no mundo assinaram a Declaração de Amsterdam, na qual reforçaram o compromisso de paises envolvidos em priorizar a luta contra a doença bem como a necessidade de buscar parceiros em organizações não governamentais (RUFFINONETO, 2002). De acordo com o Relatório da OMS 2003 - Controle Global da Tuberculose: Vigilância, Planejamento, Financiamento – para o qual contribuem todos os programas nacionais de controle que submetem a OMS casos notificados e resultados terapêuticos –, a incidência mundial da doença cresce aproximadamente 0,4% ao ano. Entre os 210 países do mundo, um total de 155 adotava a estratégia DOTS para combater a doença, representando 61% da população mundial. Ao final daquele ano, foram quantificados 2,4 milhões de novos casos de tuberculose. A estratégia DOTS (Directly observed treatment short-course) surge como a mais eficaz conduta disponível em nível mundial para o controle da epidemia de tuberculose sendo composta por cinco componentes chaves: a) comprometimento político no suporte financeiro das atividades do programa; b) detecção de casos sintomáticos pela baciloscopia; c) tratamento de curta duração e observado; d) regularidade na manutenção de medicamentos; e) sistemas de informação que permita um monitoramento dos resultados. Desde 1995, mais de 10 milhões de pacientes haviam sido tratados pela estratégia DOTS. A porcentagem de tratamentos satisfatórios utilizando-se a DOTS até o ano 2000 foi de, em média, 82%. Os obstáculos mais citados à expansão da estratégia são falta de pessoal qualificado para sua implementação, preparação insuficiente para a descentralização de ações estratégicas, não cumprimento da DOTS pelo setor privado, e falta de vontade política por parte de alguns governos. Este relatório aponta muitos desafios a serem vencidos para erradicação da TB, como por exemplo, o fato de alguns países, especialmente os da África subsahariana, devem melhorar as taxas de cura mediante o tratamento DOTS; aumentar o suporte financeiro à estratégia e incrementar o planejamento da expansão da DOTS, atacando principalmente dificuldades relativas à qualificação de recursos humanos e a infra-estrutura sanitária nos países (RELATÓRIO DA OMS, 2003). 16 Em relação às estratégias adotadas pela OMS, através da adoção da DOTS, em diversos países elas tiveram como base os resultados de investigações clínicas que avaliaram a sensibilidade diagnóstica da microscopia do escarro, o impacto epidemiológico de pacientes bacilíferos e o benefício de tratamentos intermitentes e de curta duração com antituberculosos, a fim de se medir o impacto econômico e o custo-efetividade do tratamento. Porém, apesar da rápida expansão mundial do programa DOTS, uma vez que o Banco Mundial entrou como parceiro dos países que necessitavam, presume-se que a meta de detecção de 70% dos casos somente será atingida em 2013. O desafio internacional atual é expandir o controle nos maiores países onde a doença é endêmica, a fim de acelerar e manter os altos índices de cura já obtidos (WANNMACHER, 2004). Em relação ao Brasil, como a TB é doença prevalente, não foi notado impacto epidemiológico diferente do encontrado em outros países. De cada 100 pessoas que se infectam por contágio com um caso-fonte, 10 a 20 ficarão doentes, sendo que 80% dessas, no primeiro ano. Em média, 50% dos novos doentes serão bacilíferos. A partir destes ocorrerá contágio por via inalatória. Pacientes com tuberculose pulmonar não-bacilíferos e formas extrapulmonares não são contagiosas (WANNMACHER, 2004). Constatada a persistência da TB no Brasil, o Ministério da Saúde estabeleceu o Plano Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), que tinha como meta atingir 100% dos municípios brasileiros, localizar até o ano de 2001 92% dos casos existentes, bem como curar 85% dos casos diagnosticados, além de reduzir no mínimo em 50% a incidência e em dois terços a mortalidade por TB, até o ano de 2007 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999; RUFFINO-NETO, 2001). O referido programa é integrado à rede de serviços de saúde nas três esferas de governo e proporciona diagnóstico padronizado de prevenção e tratamento, bem como garante a distribuição gratuita de medicamentos antituberculosos, permitindo o acesso de toda a população às ações de controle da doença. Centralizou-se a assistência a pacientes tuberculosos em nível estadual a fim de facilitar e evitar que, atendidos por médicos em geral, sofressem erros de prescrição, com conseqüência individuais e epidemiológicas. Tal medida teve a intenção de evitar o surgimento de multirresistência bacteriana. Desse modo, no Brasil, o médico que diagnosticar um caso de TB deve notificar o serviço de controle epidemiológico e encaminhar o paciente à rede de atendimento padronizado. O conjunto dessas normas reduziu a morbimortalidade por infecção tuberculosa no país (MINISTÉRIO DA SAÚDE, PLANO NACIONAL DE CONTROLE DA TB, 1999). 17 O propósito do PNCT é reduzir a transmissão do bacilo da TB na população através de ações de diagnóstico e tratamento, que se constituem nas principais medidas de controle. Desse modo, as prioridades dos serviços de saúde pública incluem a prevenção realizada com vacina BCG intradérmica e quimioprofilaxia6 com isoniazida, diagnóstico precoce (especialmente de bacilíferos) e tratamento com antituberculosos eficazes e suficientemente seguros (WANNMACHER, 2004). Em relação à vigilância da TB enfatiza-se a obtenção de informações por meio de indicadores de saúde, para que possam ser adotadas medidas necessárias à redução do agravo nas comunidades, ou seja, informação para a ação (GUTIERREZ et al., 2001). Por isso que na vigilância da TB normalmente são utilizados indicadores epidemiológicos que mensuram o problema e indicadores operacionais, que refletem a execução das ações. Assim, os principais indicadores epidemiológicos são os seguintes: a) a prevalência da infecção tuberculosa, em geral avaliada na infância; b) a incidência de casos notificados, em geral desdobrada em bacilíferos, c) a meningite dos 0 aos 4 anos, no período de um ano e d) a mortalidade, igualmente refletindo o número de óbitos que ocorrem nesse intervalo de tempo (GUTIERREZ et al., 2001). Em relação à prevalência da infecção tuberculosa é um indicador não regularmente obtenível, pois depende diretamente de inquéritos de reatividade à tuberculina, realizados em amostragens de uma certa faixa etária, normalmente nas crianças escolares ou adultos jovens, e que refletem, pelo percentual de infectados, a quantidade de fontes de infecção existentes numa certa comunidade. A precisão desse indicador aumenta quando a amostragem se repete a certos intervalos de tempo, e o cotejamento de pelo menos duas prevalências possibilita matematicamente o denominado risco anual de infecção tuberculosa, considerado o mais fiel dos indicadores, uma vez que independe de um sistema complexo de diagnóstico e notificação dos casos, como no caso da incidência de bacilíferos, bem como de corretas informações e registros de óbito, como no caso da mortalidade específica. A desvantagem apontada para esse indicador é o risco anual de infecção que somente poderá ser determinado em regiões onde não se tenha realizado vacinação em massa, pelo cruzamento das reações com as 6 A quimioprofilaxia é a medida preventiva pela utilização dos tuberculostáticos com a finalidade de reduzir o risco de adoecimento de um indivíduo infectado. Utiliza-se a Isoniazida (Hidrazida) na dose de 10 mg/kg/dia em adultos e 5 mg/kg/dia em crianças, com dose máxima de 300 mg/dia, por um período de 6 meses. Deve-se ter presente que a indicação da quimioprofilaxia pressupõe a exclusão da TB em atividade (NORMAS TÉCNICAS E OPERACIONAIS, 2001). 18 provocadas pela BCG (atualmente são bem poucas regiões do mundo), e a sua determinação depende de estudos de amostragem complexos (GUTIERREZ et al, 2001). O indicador da incidência de casos pulmonares bacilíferos reflete de modo adequado à situação quando existe uma rede diagnostica voltada para a execução do exame de escarro dos sintomáticos, cobrindo a maior parte do território considerado e quando existe um sistema com capacidade de notificar todos os casos diagnosticados, possibilitando que a cada ano se configurem os coeficientes de incidência da doença, tendo-se, assim, uma idéia concreta da dimensão do problema e da sua evolução ao longo do tempo (GUTIERREZ et al, 2001). Observa-se que a incidência de bacilíferos costuma ter diferentes distribuições por faixa etária, de acordo com a prevalência da endemia sendo mais ou menos alta: nos países de alta prevalência ocorre um pico entre crianças de 0-4 anos, uma depressão da curva entre os 515 anos e o maior pico se registra no adulto-jovem, com decréscimo relativo a partir dos 45 anos. Já nos países de baixa prevalência a incidência é desprezível nas crianças e nos jovens, vai aumentando conforme a idade avança, predominando na velhice (GUTIERREZ et al, 2001). Importante salientar que os coeficientes de incidência por sexo não possuem relevância epidemiológica, a não ser quando se analisa a co-infecção HIV e as formas de contaminação por vírus (GUTIERREZ et al, 2001). A incidência da meningite tuberculosa representa um importante indicador de avaliação da ocorrência da tuberculose na faixa de 0 a 4 anos de idade, quando se registra um primeiro pico de incidência nos países de alta prevalência. Tal indicador é muito importante quando se avalia o impacto de programas de vacinação BCG (GUTIERREZ et al, 2001). O indicador referente à mortalidade específica é o mais tradicional e o mais antigo indicador usado porque as informações de óbitos foram as primeiras a serem levadas em consideração. No entanto, deve-se levar em consideração o fato de que algumas regiões não possuem o registro fiel dos casos de óbitos, por absoluta falta de estrutura. Outro aspecto neste indicador é o que se refere aos casos de tuberculose com critérios diagnósticos mais complexos, especialmente a meningite, onde a falta de recursos pode acarretar índices estatísticos nulos, que atrás de mortes por “causas mal definidas” encontram-se óbitos específicos (GUTIERREZ et al, 2001). 19 5 Diagnóstico Na luta contra a TB, a bacteriologia ocupa um lugar de destaque, possibilitando por meio do conhecimento dos inúmeros aspectos da microbiológicos do bacilo, a sua correta identificação e comportamentos nas mais variadas situações. O diagnóstico da TB, além da avaliação clínica, deve estar fundamentado num dos seguintes métodos: bacteriológico, radiológico, prova tuberculínica, histopatológico ou ainda outros métodos mais modernos de diagnóstico7 (SILVA, 2001). Devido à alta prevalência da doença em muitos países existe a necessidade do uso de métodos laboratoriais simples, rápidos, confiáveis e pouco onerosos, que permitam identificar a maior parte dos doentes, especialmente os denominados “bacilíferos”, que são considerados os grandes responsáveis pela transmissão da TB. Da mesma forma, a bacteriologia possibilita um diagnóstico correto, pelo encontro do bacilo em diferentes materiais, fazendo um diagnóstico preciso ao passo que os demais métodos permitem um diagnóstico indireto, de presunção. Assim, os recursos com que conta a bacteriologia da TB são: a) baciloscopia ou exame direto; b) cultura; c) inoculação em cobaia (ROSEMBERG e TARANTINO, 2002). A identificação do bacilífero é absolutamente prioritária, pois há inúmeras demonstrações de que esses são os pacientes contagiantes, diferentemente dos que têm lesões pulmonares, mas paucibacilares (não identificados pelo exame direto do escarro) e longínquos dos que apresentam lesões extrapulmonares fechadas, onde o contágio é absolutamente impossível (GUTIERREZ et al, 2001) (ROSEMBERG e TARANTINO, 2002). 7 Considerados como Novos Métodos Diagnósticos, Silva (2001) inclui os seguintes: a) Diagnóstico por Biologia Molecular – PCR (Polymerase Chain Reaction) utilizado, principalmente, no diagnóstico da TB extrapulmonar e nas formas pulmonares paucibacilares, cujo diagnóstico bacteriológico é mais difícil; b) RFLP (Restriction Fragment Lenght Polymorphism), utilizado para estudos epidemiológicos porque permite diferenciar as linhagens de M. tuberculosis propiciando a identificação de transmissões intra-hospitalares, surtos e diferenças regionais da infecção tuberculosa; c) Diagnóstico imunológico utilizado amplamente nos casos de TB com baciloscopia negativa, TB extrapulmonar ou nos casos que apresentam dificuldades na obtenção de material para exame. O sorodiagnóstico pela técnica de ELISA (Enzyme Like Immunosorbent Assay) tem demonstrado sensibilidade de 70 a 80% dependendo do estágio evolutivo da doença, e a especificidade varia de acordo com o antígeno empregado, podendo chegar a 100%; d) Detecção de enzimas – método que demonstrou sensibilidade de 100% e especificidade de 97% no diagnóstico de meningite pot TB; e) Cultura em meio líquido - é um exame cultural de rotina que se vale do meio sólido (Lowenstein-Jenssen) para o diagnóstico de micobactérias, e o tempo de incubação varia de 4 a 6 semanas, o que muitas vezes dificulta a condução de casos clínicos. Atualmente pode-se utilizar o sistema de cultura radiométrico com meio líquido seletivo denominado Bactec, capaz de detectar crescimento bacteriano em 7 a 14 dias. 20 O método mais utilizado para o exame baciloscópico é o de Ziehl-Neelsen (Figura 1). O esfregaço na lâmina é corado com fucsina fenicada ao calor. Em seguida é realizada a lavagem com solução de ácido sulfúrico ou ácido nítrico e álcool. As bactérias não perdem a coloração com tal lavagem e por isso são denominadas de álcool-ácido-resistentes. O fundo é corado com azul-de-metileno e ao microscópio os bacilos de Koch aparecem em forma de bastonetes vermelhos em fundo azul (TARANTINO, 2002). Figura 1 – Exame bacterioscópico de escarro corado por Ziehl-Neelsen. (Fonte: MAZA et al, 1999) A cultura representa um método de diagnóstico bastante sensível e específico para as micobactérias, possibilitando o crescimento dos microrganismos, mesmo quando os materiais semeados são pobres em bacilos. Dessa forma, a cultura do bacilo de Koch é indicada nos casos suspeitos de TB pulmonar persistentemente negativos ao exame direto, bem como para o diagnóstico de formas extrapulmonares como meníngea, renal, pleural, óssea e ganglionar. Também é indicada nos casos de suspeita de resistência bacteriana às drogas, acompanhado do teste de sensibilidade. (KRITSKI, 2002). O meio de cultura mais utilizado nos laboratórios de bacteriologia é o de LoewensteinJensen, que utiliza ovo, glicerina e asparagina. Os resultados obtidos são muito bons no que se refere ao isolamento dos bacilos que crescem como colônias rugosas, amarelo-pálidas, entre 20 e 40 dias, se mantidas em estufa a 37ºC, conforme representado na figura 2 (ROSEMBERG e TARANTINO, 2002). 21 Figura 2 – Aspecto macroscópico das colônias de M. tuberculosis em ágar Löewestein-Jensen. (Fonte: MAZA et al, 1999). O método da radiografia de tórax é indicado nas situações sintomáticas respiratórias negativas à baciloscopia direta, comunicantes de todas as idades sem sintomalogia respiratória, suspeitos de TB extrapulmonar e portadores de HIV ou pacientes com AIDS (KRITSKI, 2002). O exame radiológico dos grupos acima mencionados possibilita a seleção de portadores de imagens suspeitas de TB, sendo indispensável o exame bacteriológico para o diagnóstico correto. Tem importante papel na diferenciação das formas de tuberculose de apresentação atípica e no diagnóstico de outras pneumopatias entre os pacientes com AIDS. A abreugrafia indiscriminada, em pessoas aparentemente sadias, não está indicada por ter baixo rendimento, inclusive por expor a população à radiação desnecessária (KRITSKI, 2002). A prova tuberculínica é indicada como método auxiliar no diagnóstico da TB em pessoas não vacinadas com BCG. A referida prova positiva, isoladamente, indica apenas infecção e não necessariamente a tuberculose. Nas pessoas vacinadas com BCG pode-se ter dificuldade na sua interpretação, uma vez que a vacina pode torná-la positiva. A tuberculina usada no Brasil é a PPD-Rt23, aplicada via intradérmica, na dose de 0,1 mL equivalente a 2UT (unidade tuberculínica), na parte anterior do antebraço esquerdo, com seringa tipo tuberculina,de 1mL. A aplicação deve ser evitada caso haja lesões na pele no local de aplicação. A leitura deverá ser realizada entre 72 a 96 horas após a aplicação, com régua milimetrada padronizada. Todas as pessoas infectadas pelo HIV devem ser submetidas à 22 prova tuberculínica. Em tais casos, considera-se reator aquele que apresenta induração maior ou igual a 5 mm e, não reator, aquele com induração de 0 a 4 mm. (KRITSKI et al, 2002). Quanto ao exame anátomo-patológico (histológico e citológico), por meio de biópsia, deve ser realizado sempre que possível nas formas pulmonares. No material recolhido será feito o exame direto, a cultura e o exame anátomo-patológico, a fim de identificar a presença de M. tuberculosis ou o processo inflamatório granulomatoso compatível com diagnóstico de TB (KRITSKI et al, 2002). 6 Classificação dos quadros clínicos A tuberculose, segundo a sua localização no organismo humano, pode se apresentar de forma pulmonar (positiva ou negativa) e extrapulmonar, de acordo com os achados clínicos e em exames complementares que permitam ao médico diagnosticar a referida doença. A TB, normalmente anuncia sua atividade por sintomas e tradicionalmente se considera os casos assintomáticos raros, sendo a tosse e a expectoração os sinais mais freqüentes e, por onde, necessariamente, se deveria iniciar a investigação, sempre que se queira que os casos pulmonares sejam reconhecidos e tratados com a maior solicitude possível (SILVA, 2001). No entanto, outros sintomas também determinam a presença da TB, como a astenia, anorexia, emagrecimento, febre, hemoptises e sudorese noturna, todos comuns a várias doenças que se instalam no pulmão, às vezes com maior intensidade até que a própria TB. Assim como se deve priorizar o exame do escarro de todos os portadores de tosse e expectoração, também se deve levar em conta a presença desses outros sintomas, como indicadores para auxiliar no diagnóstico (GUTIERREZ et al, 2001). O suspeito de TB pulmonar é todo indivíduo com sintomatologia clínica sugestiva: tosse com expectoração por quatro ou mais semanas, febre, perda de peso e apetite ou suspeito ao exame radiológico (MINISTÉRIO AS SAÚDE, GUIA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA, 2004). 23 Um exame de escarro positivo para BAAR8 já é o suficiente para que se possa iniciar um tratamento específico, bem como controlar a evolução desse tratamento, sem nenhum outro indicador. A maior dificuldade está nos casos onde os sintomas estão presentes, existe um radiograma mostrando as lesões compatíveis com a TB e a baciloscopia (em pelo menos duas amostras) é negativa (SILVA, 2001). A TB pulmonar se apresenta de muitas formas, que pode mostra-se sob qualquer tipo de lesão no pulmão, nem sempre detectada pelo exame radiológico (GUTIERREZ et al, 2001). Em relação à tuberculose extrapulmonar, dentro do panorama atual, embora não represente fator de risco no que diz respeito à transmissão da doença, ganha importância devido a sua incidência, em países desenvolvidos ou não, em comorbidade com a AIDS (ROSEMBERG e TARANTINO, 2002). No Brasil, alguns trabalhos sobre AIDS e TB demonstram o aumento significativo das formas extrapulmonares, atingindo cerca de 62% dos casos, tanto nas formas isoladas como nas associadas à forma pulmonar. Antes do advento da AIDS esse percentual oscilava em torno de 10% (CAPONE et al, 2002). A questão do diagnóstico precoce e correto é outro empecilho relacionado às formas extrapulmonares da TB, uma vez que a grande maioria dos casos são representados por formas paucibacilares, limitando a possibilidade diagnóstica pelo exame direto por meio da baciloscopia. Assim, o quadro clínico, epidemiológico e radiológico tem papel relevante no diagnóstico, exigindo comprovação, sempre que possível, através da histopatologia e, sobretudo, por técnicas da biologia celular (CAPONE et al, 2002). Dentre as muitas formas da TB extrapulmonar pode-se mencionar a pleural, peritoneal, pericárdia, ganglionar, laríngea, genitourinária, supra-renal, óssea, meníngea, intestinal, oftálmica e cutânea. A TB pleural representa a forma mais freqüente de TB extrapulmonar e corresponde à principal causa de derrame pleural. A pleura, na maior parte das vezes, é atingida pelo bacilo de Koch por via hematogônica, ocorrendo a denominada tuberculização dos folhetos pleurais, sendo este o fator mais importante. O derrame pleural pode acometer todas as faixas etárias, 8 BAAR Bacilo álcool-ácido resistente – Detecta o bacilo da tuberculose e outras bactérias causadoras de infecção respiratória. 24 predominando entre os adultos jovens, especialmente de 20 a 40 anos. Os sintomas clínicos gerais são a febre, astenia e o emagrecimento (ROSEMBERG e TARANTINO, 2002). Portanto, por ser a TB uma doença de alta prevalência em nosso meio e de muitas apresentações clínicas e radiológicas é freqüente que a mesma seja confundida com outras pneumonias ou doenças respiratórias quando não se conclui o diagnóstico diferencial pela demonstração dos BAAR. 7 Tratamento da tuberculose Após muitos anos de temor em relação à TB foi desenvolvido o primeiro fármaco eficaz contra essa doença, a estreptomicina, por Selma Waksman em 1943. Mas, logo se percebeu que esse agente, sozinho, não era suficiente para combater a doença. Logo, vieram o ácido p-aminossalicílico (PAS) e a isoniazida e nessa associação tudo parecia bem encaminhado, embora o tempo demonstrasse que no limiar do século XXI os médicos ainda se preocupam em como controlar a referida moléstia (SILVA, 2001). A prevenção usual da TB é a vacina BCG, aplicada nos primeiros 30 dias de vida e capaz de proteger contra as formas mais graves da doença. Esta vacina protege os indivíduos não infectados de contrair a TB, conferindo um grau de proteção de 70% a 80%, por um período de aproximadamente 10 anos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). No tratamento da TB são empregadas associações de antituberculosos a fim de impedir seleção e multiplicação de microrganismos resistentes a cada um dos agentes associados. Dos antituberculosos conhecidos dá-se preferência aos considerados essenciais, que figuram na 13ª Lista da OMS e na Relação Nacional dos Medicamentos Essenciais 2002, conforme o quadro abaixo: 25 Quadro 1 – Fármacos antituberculosos Essenciais Outros Isoniazida (INH) ab Claritromicinaa, azitromicina Esparfloxacino, moxifloxacino, gatifloxacino, levofloxacino Rifampicina (RMP)ab Ciprofloxacinoa , ofloxacino Pirazinamida (PZA)ab Ácido (PAS) Estreptomicina (SM) ab Amicacina, canamicina Etambutol (BEM) ab Capreomicina (CM) Etionamida (ETH) ab Ciclosserina (CS) Isoniazida + rifampicinab Terizodona (TZ) Isoniazida + rifampicina + isoniazidab a Novas perspectivas -aminossalicílico Azalida Rifabutina e rifapentina Oxazolidinonas (linezolida) Tioacetazona RENAME 2002 bLista Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS 2003 Fonte: WANNMACHER, 2004. Do quadro acima, destaca-se em importância os bactericidas (rifampicina e isoniazida) com ação intracelular (pirazinamida) ou extracelular (rifampicina e isoniazida) e potência antibacilar definida. Rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol constituem o elenco do esquema DOTS (WANNMACHER, 2004). O tratamento da TB deve ser feito necessariamente nas unidades de saúde referência para tal finalidade. O tratamento é realizado com pelo menos três drogas para evitar a seleção de cepas mutantes resistentes a um ou mais dos quimioterápicos utilizados no esquema. Os esquemas padronizados pelo Ministério da Saúde são descritos a seguir, não importando se o paciente é adulto, gestante ou criança. 26 Quadro 2 – Demonstração da situação e do esquema adotado Situação Sem tratamento anterior (todas as formas exceto meníngea) Com tratamento anterior (todas as formas exceto meníngea) ( ) recidivante do Esquema 1 ou ( ) Retornos após abandono do Esquema 1 Meningite Tuberculosa Falência dos esquemas 1 ou 1R (todas as formas inclusive meníngea) Esquema preconizado 1 1R 2 3 Fonte: Manual de Normas para o Controle da Tuberculose, Ministério da Saúde, 1995. É considerado sem tratamento o paciente que nunca se submeteu à quimioterapia antituberculosa ou a fez por um período menor que 30 dias. No retratamento será adotado o esquema 1R até que os resultados de cultura e teste de sensibilidade estejam disponíveis para melhor orientação da terapêutica. Os pacientes em caso de falência do tratamento, sem resultado da cultura e sensibilidade, deverão receber como terapêutica empírica inicial, o Esquema 3, enquanto aguardam os testes de sensibilidade para definir o melhor tratamento. Diz-se falência do tratamento a persistência do escarro ao final do mesmo. Os pacientes que no início do tratamento são fortemente positivos (baciloscopia ++ ou +++) e mantêm esta situação até o quarto mês de tratamento, ou com positividade inicial seguida de negativação e nova positividade por dois meses consecutivos, a partir do quarto mês de tratamento são também classificados como casos de falência. 27 Quadro 3 – Esquema 1 Drogas (mg/kg/dia) – indicado nos casos novos de TB, exceto meningite, segundo a fase de tratamento e peso do paciente: Fases do Drogas tratamento Dose (mg/kg/dia) por peso (kg) Até 20 Kg Entre 20 e Entre 35 e Mais de 45 35 Kg 45 Kg Kg 10 300 450 600 Hidrazida/Isoniazida 10 200 300 400 2 meses Pirazinamida 35 1000 1500 2000 Segunda fase Rifampicina 10 300 450 600 4 meses Hidrazida/Isoniazida 10 200 300 400 Primeira fase Rifampicina Fonte: Manual de Normas para o Controle da Tuberculose, Ministério da Saúde, 1995. Quadro 4 – Esquema 1R Drogas (mg/kg/dia) – esquema reforçado para retratamento e abandono do Esquema 1, segundo a fase do tratamento e peso do paciente Fases tratamento Primeira fase 2 meses Segunda fase 4 meses do Drogas Dose (mg/kg/dia) por peso (kg) Até 20 Kg Rifampicina Hidrazida/Isoniazida 10 10 Entre 20 e 35 Kg 300 200 Entre 35 e Mais de 45 Kg 45 Kg 450 600 300 400 Pirazinamida 35 1000 1500 2000 Etambutol Rifampicina 25 10 600 300 800 450 1200 600 Hidrazida/Isoniazida 10 200 300 400 28 Etambutol 25 600 800 1200 Fonte: Manual de Normas para o Controle da Tuberculose, Ministério da Saúde, 1995. Quadro 5 – Esquema 2 Drogas (mg/kg/dia) – indicado na meningite tuberculosa, segundo a fase de tratamento e peso do paciente Fases do Drogas tratamento Mg/Kg peso/dia Primeira fase 20 600 Hidrazida/Isoniazida 20 400 Pirazinamida 35 2000 Rifampicina 10 a 20 600 Hidrazida/Isoniazida 10 a 20 400 2 meses Segunda fase 7 meses Rifampicina de Dose máxima em Mg Fonte: Manual de Normas para o Controle da Tuberculose, Ministério da Saúde, 1995. Quadro 6 – Esquema 3 Drogas (mg/kg/dia) – indicado na falência de tratamento com os Esquemas 1, 1R e 2, segundo fase de tratamento e peso do paciente Fases do Drogas tratamento Primeira fase Dose (mg/kg/dia) por peso (kg) Até 20 Kg Estreptomicina 20 Entre 20 e Entre 35 e Mais de 45 35 Kg 45 Kg Kg 500 1000 1000 Etionamida 12 250 500 750 29 3 meses Etambutol 25 600 800 1200 Pirazinamida 35 1000 1500 2000 Segunda fase Etionamida 12 250 500 750 9 meses Etambutol 25 600 800 1200 Fonte: Manual de Normas para o Controle da Tuberculose, Ministério da Saúde, 1995. Ainda, em relação ao tratamento Wannmacher (2004) observa que no Brasil o mesmo é realizado com INH, RMP e PZA (esquema terapêutico de primeira linha) por 6 meses, a fim de rapidamente reduzir a proliferação celular e impedir resistência adquirida, utilizando bactericidas potentes com atividade intracelular. Após 2 semanas de tratamento regular, praticamente desaparece o risco de contágio. Já o esquema DOTS propõe quatro antituberculosos (INH, RMP, PZA, etambutol) por 2 meses, seguidos de INH e RMP por 4 meses. Esses tratamentos apresentam uma eficácia de 98-99% se o microrganismo não é multirresistente. Também, no Brasil, em pacientes com falha medicamentosa, excluindo-se a nãoadesão ao tratamento, usa-se o esquema de segunda linha (SEMZ): estreptomicina, etionamida, etambutol e pirazinamida (WANNMACHER, 2004). Outrossim, na quimioprofilaxia é utilizada a isoniazida, para comunicantes de pacientes tuberculoso bacilíferos, em especial os recém-nascidos e lactantes que não podem ser afastados do domicílio, bem como crianças menores de 4 anos e reatores tuberculínicos fortes (cujo risco de adoecer é 2 vezes maior que o de comunicantes não-reatores). Os filhos de mães HIV-positivas devem receber vacina no primeiro ano de vida, desde que não apresentem sinais clínicos da doença. Nos comunicantes acima de 35 anos, a quimioprofilaxia se restringe a indivíduos com risco definido de adquiri a doença, pois essa faixa etária (35-45 anos) está mais propensa à hepatite induzida por isoniazida. A quimioprofilaxia pode ser feita em pessoas recentemente infectadas e nos que apresentam situações espeiciais de risco, como leucemias, linfomas, silicose, doença renal no estágio final, diabetes melito, SIDA (WANNMACHER, 2004). 30 O PNCT recomenda a quimioprofilaxia em comunicantes recém-nascidos e em menores de 5 anos. Nas demais circunstâncias, sugere que sejam pesados os benefícios da quimioprofilaxia e os efeitos adversos da isoniazida (WANNMACHER, 2004). Finalmente, indivíduos inicialmente tuberculino-negativos e submetidos à quimioprofilaxia primária com INH devem repetir o teste após 2 meses. Caso persista o negativo, interrompe-se o antituberculoso; se ficou positivo, a isoniazida será mantida por 6 meses. Quimioprofilaxia secundária, realizada em indivíduos já infectados (tuberculinopositivo) utiliza isoniazida por 12 meses (WANNMACHER, 2004). Logo, pode-se dizer que a cura de pacientes infectados pelo bacilo da TB suscetível a fármacos convencionais geralmente é assegurada com tratamento de 6 meses, desde que os medicamentos sejam tomados de acordo com a prescrição. O curso da terapia deve ser finalizado, mesmo que os sintomas não estejam mais presentes. Gutierrez et al (2001) argumentam que os principais obstáculos da quimioterapia antituberculose são a falta de padronização terapêutica e a desorganização dos serviços de saúde, no sentido de acompanhar de perto qualquer que seja a forma de tratamento da TB. Para tanto, enumeram alguns princípios organizacionais do tratamento da TB, que deveriam ser seguidos: a) a maior parte dos pacientes deveria ser tratada em unidades ambulatoriais, de pequena complexidade, bem próximas aos domicílios; b) o tratamento auto-administrado deveria conter orientações aos pacientes sobre todos os aspectos da doença, uso dos medicamentos, riscos devido à interrupção precoce, bem como ao uso irregular dos fármacos, efeitos colaterais e contagiosidade; c) o tratamento deveria ser acompanhado por profissionais como o agente sanitário, que orientaria e se necessário fosse em busca do paciente a fim de que ele não abandonasse o tratamento; d) cuidaria dos casos mais difíceis inclusive com internação hospitalar; e) os esquemas terapêuticos fossem padronizados; f) o trabalho fosse avaliado com freqüência nas unidades de saúde, sendo que o percentual de abandono de casos bacilíferos é o parâmetro mais importante; g) a distribuição dos medicamentos fosse obrigatória e gratuita, de modo a nunca faltar para os pacientes; 31 h) cuidado com a limpeza e higiene das unidades de saúde, bem como com a humanização do tratamento dos pacientes; i) o governo é o responsável direto pela política de treinamento inicial, contínuo, aperfeiçoamento e valorização salarial de quem trabalha com pacientes de TB. Em suma, a TB possui tratamento e tem cura, com duração provável de 6 meses através da administração diária de pelos menos três drogas em sua fase inicial. A medicação é gratuita e seu fornecimento é realizado somente pelo serviço público. A recomendação da OMS, para que se consiga a cura e se previna o aparecimento da resistência é fazer o tratamento supervisionado (DOTS) além de vacinar com BCG todas as crianças e ter controle dos que convivem com os doentes de TB, principalmente, efetuando o diagnóstico precoce, tratando a todos até a cura, evitando, assim, que os bacilos de espalhem (INFORME TB, 2004). 8 Formas de controle da tuberculose no Brasil Pelos registros encontrados, a tuberculose foi introduzida no Brasil pelos portugueses e missionários jesuítas, a partir do seu descobrimento, no ano de 1500 (RUFFINO-NETTO, 1999). Ao apresentarem um estudo demonstrativo da evolução da mortalidade por tuberculose no Rio de Janeiro, no período compreendido entre 1860 e 1960, Ruffino-Netto e Pereira (1981) analisam os fatores econômicos, demográficos e sociais, bem como as políticas de saúde existentes na época. Nessa análise eles mencionam que, em termos de saúde pública, o Dr. Paulo Cândido, então presidente da Junta Central de Higiene da capital do império, conseguiu junto ao Parlamento que fossem adotadas novas medidas sanitárias para o início do controle da TB. Assim, o Decreto nº 6.387, de 15 de novembro de 1876, propunha uma reorganização nos serviços sanitários nas cidades do império. Do ano de 1870 em diante muitas leis foram baixadas revelando a preocupação com a habitação e, entre 1876 e 1886, cinco decretos e um aviso ministerial cuidaram do aspecto sanitário das residências. No início do século XIX a assistência era prestada por organizações filantrópicas, onde se encontram registros de que um terços dos óbitos era em virtude da tuberculose. No início do século XX, Oswaldo Cruz chama a atenção para a necessidade de maior cuidado das 32 autoridades sanitárias com a TB e por reconhecer a gravidade do problema ele propôs um plano de ação para combater a enfermidade, que não atingiu seus objetivos (RUFFINONETTO, 2002). Carlos Chagas, no final de década de 1910, criou a Inspetoria de profilaxia da Tuberculose, a qual primava pelo diagnóstico e tratamento da TB. Na seqüência, Arlindo de Assis, no ano de 1927 aplicou pela primeira vez o BCG em recém-nascidos. Em 1940, o Ministro Gustavo Capanema criou o Plano Federal de Construção de Sanatórios, o qual previa a conclusão do Sanatório do Distrito Federal, iniciado em 1937. No ano de 1941 foi criado o Serviço Nacional de Tuberculose (SNT), que deveria estudar os problemas referentes à tuberculose, bem como desenvolver formas de ações profiláticas e assistenciais. Em 1946, instalou-se a Campanha Nacional Contra a Tuberculose (CNCT), tendo por finalidade coordenar todas as atividades de controle da doença, uniformizar a orientação nacional, sugerir descentralização dos serviços e efetuar o cadastramento torácico da população. Esta campanha apresentou impacto imediato no programa de Controle da Tuberculose (RUFFINONETTO, 2002). A partir da década de 40 constataram-se significativas alterações na tendência de mortalidade por TB, devido à utilização dos tuberculostáticos: estreptomicina (SM) a partir de 1948; ácido para-amino-salicílico (PAS) a partir de 1949 e hidrazida (INH) a partir de 1952 (RUFFINO-NETTO, 2002). Na década de 60 começaram a ser utilizados os esquemas terapêuticos padronizados. Em 1964 se utiliza o esquema padrão de 18 meses de duração (SM+INH+PAS). Em 1965, o esquema terapêutico é reduzido para 12 meses. Em 1970 a Divisão Nacional de Tuberculose (DNT) passa a substituir o Serviço Nacional de Tuberculose (SNT). No ano de 1971 é criada a Central de Medicamentos (CEME) a qual tem por finalidade fornecer tuberculostáticos para todos os doentes com tuberculose no país. Em 1973 é implantada a vacinação com BCG intradérmica, sendo obrigatória para os menores de um ano de idade a partir do ano de 1976 (RUFFINO-NETTO, 2002). Prosseguindo, no ano de 1975 é inaugurado o II Plano Nacional de Desenvolvimento, o qual engloba o programa de Controle da Tuberculose com a finalidade de integrar os diversos setores do governo e fim de diminuir a morbidade, mortalidade e os problemas sócioeconômicos oriundos da TB. Em 1976 é organizada a Divisão Nacional de Pneumologia Sanitária (DNPS), cuja abrangência não ficou bem delimitada e com isso houve um certo retraimento em relação aos poderes e autonomia do antigo DNT (RUFFINO-NETTO, 2002). 33 O esquema de tratamento de curta duração (6 meses), que utilizava a Rifampicina (RMP) foi introduzido em 1979 (RMP+INH+PZA). No ano de 1981 o INAMPS, a SES e o MS assinaram um convênio com a finalidade de transferir a execução do controle da TB para as SES. A partir desse ano surgem novas estratégias de organização dos serviços de saúde, tais como: Ações Integradas de Saúde (AIS), Sistema Único e Descentralizado de Saúde (SUDS) e, finalmente o Sistema único de Saúde (SUS). Na seqüência, no ano de 1990, foi criada a Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária (CNPS), ligada à Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), sendo extinta a CNCT pelo então presidente Fernando Collor de Mello. Com tantas mudanças ocorreu a desestruturação do PCT em todo país de modo que o programa de controle não foi mais considerado prioridade. Como conseqüência natural, houve a descentralização das ações e com isso um decréscimo no financiamento dos programas e no investimento em capacitações de recursos humanos para atuar nas comunidades. A disseminação da AIDS aumentou o problema da TB pois com a queda da cobertura houve a diminuição da busca de casos novos, constatou-se piora dos resultados de tratamento e também subiram os índices de pessoas que abandonaram por completo o tratamento iniciado (RUFFINO-NETO, 1999). No ano de 1992, na intenção de reativar o PCT, a responsabilidade de treinar, monitorar os tratamentos e realizar as campanhas públicas foi descentralizada da União para os Estados. Em 1993 a OMS reconheceu e declarou o estado de urgência da tuberculose. A partir dessa data, o Ministério da Saúde elaborou o Plano Emergencial para o controle da TB, o qual foi realmente implantado no ano de 1996. Esse Plano teve o objetivo principal de intensificar as atividades específicas em 230 municípios brasileiros onde se concentrava 75% dos casos estimados de TB no Brasil, com vistas a diminuir a transmissão do bacilo na população até o ano de 19989 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999). Em agosto de 1998 o Conselho Nacional de Saúde, através da Resolução n. 284, coincidentemente com o clamor internacional da situação epidemiológica no mundo, reconheceu que a tuberculose era um problema de saúde pública no Brasil, tanto pela sua 9 A escolha dos 230 municípios prioritários no Brasil, para receberem atendimento especial, se baseou em critérios de magnitude epidemiológica da TB e da AIDS, tamanho da população e informações operacionais. O Plano foi feito com base nos valores repassados aos municípios, tendo como base R$ 100,00 (cem reais) para cada caso estimado de TB que deveria ser descoberto no município relacionado. O repasse era concretizado por meio do convênio firmado entre o município e a FUNASA e o mesmo listava as obrigações e limitações na aplicação dos recursos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1996). 34 importância e gravidade como pela possibilidade e vantagens do seu controle. Assim, concluiu-se que o Plano Emergencial, ainda em implementação, necessitava de correções e por isso foram revistas as estratégias, dentre elas a volta do controle da tuberculose para o Ministério da Saúde, vinculada à Secretaria de Políticas de Saúde (SPS) (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999). Assim, em outubro de 1998 foi lançado o Plano Nacional de Controle da Tuberculose, com as seguintes orientações gerais: o Ministério da Saúde é responsável pelo estabelecimento das normas; pela aquisição e abastecimento de medicamentos; pelo referencial laboratorial e de tratamento; pela coordenação dos sistemas de informações, pelo apoio aos Estados e Municípios e, ainda, pela articulação intersetorial com a finalidade de maximizar os resultados de políticas públicas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, BOLETIM DE PNEUMOLOGIA SANITÁRIA, 1999). Nesse contexto, o PNCT reconhece a importância das ações nos três níveis: União, Estados e Municípios, bem como o envolvimento e participação social das organizações nãogovernamentais. Outrossim, determina a detecção e diagnóstico através da baciloscopia em todos os sintomáticos respiratórios (SR) e contatos. Disponibiliza tuberculostáticos a fim de assegurar o tratamento supervisionado e a vigilância da resistência às drogas. Também adota as normas recomendadas pela OMS para manter o sistema de informações atualizado10 (RUFFINO-NETTO, 2002). Devido à importância do assunto TB no contexto nacional, observa-se que o último PNCT (1998) contemplou os 5 Rs11, propostos por Jones e Thompson (2000), com a finalidade de introduzir uma nova proposta no gerenciamento público. A mesma consta de cinco pontos essenciais: reestruturação; reengenharia; reinvenção; realinhamento e reconceitualização. A reestruturação propôs a eliminação dos convênios, buscando formas de aumentar a eficácia e eficiência da estrutura existente. 10 Desde outubro de 1998, o PNCT introduziu duas inovações: o tratamento supervisionado e a instituição de um bônus de R$ 150,00 (cento e cinqüenta) a R$ 100,00 (cem reais) para cada caso de doente de tuberculose diagnosticado, tratado e curado, respectivamente, se foi utilizado ou não o tratamento supervisionado. O repasse do bônus é realizado automaticamente por ocasião da notificação da alta de cura do paciente. A burocracia exigida na assinatura de convênios ficou liberada para tais casos. Desse modo percebe-se uma evolução da antiga administração burocrática para uma administração gerencial (RUFFINO-NETTO, 2002). 11 Os 5Rs propõem, basicamente, consolidar um modelo que identifique as prioridades e oportunidades de melhoria a fim de permitir um redimensionamento das ações, com vistas a agilizá-las dentro de uma estrutura organizacional (JONES e THOMPSON, 2000). 35 A reengenharia reviu as bases e a utilização lógica dos repasses financeiros para os municípios. Em termos práticos exigiu que o serviço de saúde demonstrasse resultado através da devolução à sociedade de pessoas efetivamente curadas. Tal atitude implica na responsabilidade dos municípios em identificar, diagnosticar, tratar e obter adesão ao Programa, bem como o município deve aperfeiçoar seus sistemas de informação, no sentido de notificar os casos e as curas obtidas. A reinvenção – seguindo a recomendação da OMS, que envolve a estratégia Directly Observed Treatment Short-course (DOTS) orienta o tratamento supervisionado como inovação introduzida pelo PNCT de 1988. Outrossim, a realização do diagnóstico pela baciloscopia, devido ao seu baixo custo, é outro componente da estratégia DOTS adotado pelo PNCT. O realinhamento e a reconceitualização começou a acontecer a partir do ano de 2000, quando a Área Técnica de Pneumologia Sanitária passou a fazer parte do Departamento de Atenção Básica (DAB) da Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde. O Programa de Saúde Familiar (PSF) ao lado dos Agentes Comunitários (PACS) passaram a atuar de modo incisivo no apoio diagnóstico, no tratamento oferecido, bem como no sistema de registros e monitoramento dos casos. Concluindo, pode-se afirmar que no Brasil a TB nunca deixou de se constituir num sério problema de saúde pública. Contudo, com o advento da quimioterapia caíram drasticamente a prevalência e a mortalidade, embora muitos fatores continuem colaborando para que os índices se mantenham estáveis, tais como as falhas nas organizações de saúde e de encaminhamento do programa de controle da TB, o impacto da epidemia do HIV e, a miséria da população,que é outro fator que ajuda a propagar a TB. OBJETIVOS DO TRABALHO 1 Geral Caracterizar epidemiologicamente a tuberculose pulmonar no município de Passo Fundo, RS, no período compreeendido entre 2000 e 2004. 2 Específicos a) Verificar as taxas de morbidade e de cura, bem como os índices de tuberculose pulmonar em Passo Fundo, RS, entre os anos de 2000 a 2004. b) Provocar um processo crítico e reflexivo a respeito da política de saúde, podendo contribuir para o incremento de ações concretas a fim de minimizar este problema de saúde pública. REFERÊNCIAS DA REVISÃO CAPONE, Domenico et al. Tuberculose extrapulmonar. In: TARANTINO, Affonso Berardinelli. Doenças pulmonares. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002, p. 324358. GANDOLPHO, Lílian; SCHOR, Nestor. Tuberculose urogenital aspectos clínicos. In: SCHOR, Nestor; SROUGI, Miguel. Nefrologia – urologia clínica. São Paulo: Sarvier, 1998, p. 160-166. GUTIERREZ , Renato Soares et al. Tuberculose [4-7]. In: SILVA, Luiz Carlos Corrêa da. Condutas em pneumologia. 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ARTIGO Aspectos epidemiológicos da tuberculose pulmonar em Passo Fundo, RS, entre os anos de 2000 a 2004 Epidemiological aspects of tuberculosis in Passo Fundo, RS, from 2000 to 2004 Amanda Cardoso de Almeida Pilatti e Cristiane Barelli RESUMO A tuberculose constitui um problema de saúde pública de âmbito mundial, sendo objeto de programas especiais de controle dos órgãos públicos competentes que vislumbram ações de erradicação ou, ao menos, de controle desta patologia em nível de saúde coletiva. Na maior parte dos países em desenvolvimento, o ressurgimento desta doença tem sido correlacionado à infecção pelo HIV, aumento da pobreza e da imigração, desestruturação dos programas de controle e à baixa adesão dos pacientes ao tratamento. O objetivo deste estudo é verificar as taxas de cura, abandono, óbito e casos ignorados entre os portadores notificados de tuberculose pulmonar em Passo Fundo, RS, no período de 2000 a 2004. Foi realizada uma análise descritiva e retrospectiva dos casos notificados junto à 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, no período temporal delimitado, com base nos registros de saúde preconizados pelo Ministério de Saúde. Constatou-se que a tuberculose pulmonar apresentou 235 notificações, prevalecendo no sexo masculino, com maior incidência entre os 31 e 35 anos. A taxa de cura no período foi elevada. O agravo associado predominante foi o da doença mental. Outrossim, Acadêmica do X Nível do Curso de Farmácia Bioquímica, da Universidade de Passo Fundo, sob a orientação da Professora Mestre Cristiane Barelli. Em colaboração com a 6ª CRS – Divisão de Vigilância Epidemiológica, sob a responsabilidade da enfermeira Cláudia Maria Gomes de Freitas. Endereço para correspondência: Rua Antônio Chaves, 49, 99.300.000 Soledade/RS. E-mail: [email protected]. Telefones: (54) 381-1978; (54) 81171049. 42 constataram-se deficiências no sistema de registro dos dados nas fichas dos pacientes, como por exemplo, muitos dados incompletos, que se refletem na implementação da política de saúde pública, em relação à tuberculose. Palavras-chave: Epidemiologia. Tuberculose Pulmonar. Taxa de morbidade. Taxa de cura. Taxa de abandono. ABSTRACT Tuberculosis constitutes a public health problem of a world ambit, being an object of special programs of control in the public competent body that glimmer actions of erradication or, at least, of control of this pathology in colletive health level. In the most of development countries, the reappearance of this disease has been correlected infection tho the infection of HIV, poverty increase and immigration; unestreucturation of programs of control and to the low adhesion of patients to the treatment. The goal of this study, is to verify the cure rates, abandonment, death and unknown cases among, the notificated bearing of pulmonary tuberculosis in Passo Fundo, RS, in the perior from 2000 to 2004. It was conducted a descriptive analysis and retrospective of notificated cases with the Health Regional Coordenation, in a delimitad time, with basis on registers of health preconized by Minitry of Health. We verified that pulmonary tuberculosis presented 235 notifications, predominating male sex, with most incidence between 31 and 35 years old. The cure rate in the period was high. The aggrieving predominant associated was of a mental disease. Word-key: Tuberculosis pulmonary. Tuberculosis morbidade. Tax of cure. Tax of abandonment. 43 INTRODUÇÃO A tuberculose se constitui prioridade de saúde pública no Brasil, distinguindo-se por configurar no cenário epidemiológico nacional pela elevada incidência e localização geográfica desigual, ressurgindo em todas as regiões brasileiras e demonstrando uma ligação indiscutível com a comorbidade pelo HIV, aumento da pobreza, da imigração, desestruturação dos programas de controle e, ainda, pela baixa adesão dos pacientes ao tratamento11. Considera-se importante aprofundar os conhecimentos sobre a tuberculose, especialmente diante de duas preocupações atuais: os índices de mortalidade e os de comorbidade com o HIV. Durante muitos anos, a tuberculose carrega consigo uma mensagem não totalmente decifrada e, nos dias de hoje ela persiste tal qual no passado, desafiando, de modo intenso, o conhecimento humano e a sua capacidade de detê-lo de forma definitiva3. Diante dessas considerações, o presente estudo objetiva caracterizar epidemiologicamente a tuberculose no município de Passo Fundo, RS, no período compreendido entre 2000 e 2004, com a intenção de verificar as taxas de morbidade e de cura, bem como os índices de tuberculose pulmonar em Passo Fundo, RS, no período delimitado, bem como provocar um processo crítico e reflexivo a respeito da política de saúde, podendo contribuir para o incremento de ações concretas a fim de minimizar este problema de saúde pública. No Brasil, a projeção aponta números preocupantes, onde cerca de 35 a 45 milhões de pessoas estão infectadas pelo M. tuberculosis, com aproximadamente 100 mil casos novos por ano. Em relação ao número de mortes anuais, ocasionadas pela tuberculose, estima-se que o número atinja entre 4 a 5 mil pessoas6.. Portanto, a importância de monitorar esses indicadores de saúde pública reside no fato de se conhecer a realidade de um município brasileiro, que faz parte de um contexto maior, 44 onde o Brasil integra o grupo dos 22 países que concentram 80% dos casos de tuberculose mundial11 5. Dessa forma, pretende-se dar visibilidade a um problema de saúde pública, bem como analisar a política de saúde implementada em nível municipal. MATERIAL E MÉTODOS O primeiro passo para a consecução deste projeto de pesquisa foi a solicitação da autorização para que o mesmo se realizasse, junto à 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, em Passo Fundo. A seguir o projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Passo Fundo, sendo aprovado pelo mesmo. O método escolhido, segundo a abordagem do problema, foi o da pesquisa quantitativa, tendo em vista o uso da quantificação, tanto na coleta quanto no tratamento das informações, com a finalidade de garantir resultados condizentes com a realidade encontrada7. A pesquisa teve caráter descritivo e retrospectivo, pois verificou o número de casos de tuberculose pulmonar registrados na ficha de notificação e investigação de tuberculose, do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no município de Passo Fundo, RS, no período de 2000 a 2004 4 5 6. A análise dos dados se valeu da pesquisa bibliográfica, através de leituras de publicações atuais sobre o assunto, bem como do levantamento de dados junto à Divisão de Vigilância Epidemiológica da 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, por meio da análise do banco de dados referente à tuberculose, que abrange os seguintes itens: dados gerais, de caso, de residência, antecedentes epidemiológicos, clínicos, de laboratório, de tratamento e investigador6. Com base nessas informações, foram verificadas as seguintes variáveis: taxas de cura, abandono e óbito, bem como os dados relativos à idade e sexo das notificações, bem como se apurou os agravos associados e os resultados obtidos das baciloscopias de 2º e 4º mês. 45 Foi utilizado o Excel para tabular os dados estatísticos da pesquisa. RESULTADOS Foram analisados 290 casos registrados no período de 2000 a 2004, no município de Passo Fundo, RS, em relação à forma de tuberculose notificada. Dentre as formas notificadas constatou-se o predomínio da forma pulmonar, perfazendo 81% dos casos, em ambos os sexos; seguida da forma extrapulmonar, com 15% e da forma pulmonar + extrapulmonar com 4% (tabela 1). Considerando a evolução da tuberculose pulmonar, ao longo dos 4 anos observa-se que não houve diferenças significativas no número de casos. Constata-se que no ano de 2000 a taxa foi a maior (24%) do período pesquisado, decaindo em 2001 (17%), voltando a subir em 2002 (22%) e mantendo-se estável nos anos de 2003 (19%) e 2004 (18%). Em relação aos casos notificados de tuberculose pulmonar observou-se que o sexo masculino apresentou maior incidência nos anos de 2000, 2001 e 2004 e o sexo feminino no ano de 2002, conforme tabela 2. Os motivos porque ocorreu essa discrepância não foram levantados devido à falta de informação no banco de dados. Quanto à faixa etária acometida da forma pulmonar foi observado que o maior índice dos registros ocorreu entre os 31 e 35 anos, seguido da faixa etária compreendida entre os 36 e 40 anos conforme demonstrado na tabela 3. Dentre os casos notificados de tuberculose pulmonar, foi observado que o agravo associado predominante é o referente à doença mental, seguido da AIDS e do alcoolismo, conforme demonstrado na figura 1 (em anexo). Em relação à baciloscopia 1ª fase, referente a 2 meses, realizada entre os pacientes portadores de tuberculose pulmonar, os registros da 6ª Coordenadoria Regional de Saúde 46 demonstram que a baciloscopia positiva foi encontrada em 48 pacientes, correspondendo a 20% dos casos notificados (tabela 4). Quanto à baciloscopia de 2ª fase correspondente ao 4º mês, foi observado que 89% das baciloscopias não foram realizadas. Em contrapartida, 2% encontravam-se positivas (tabela 5). Em relação à forma de tratamento foi constatado que a predominância é a opção pelo tratamento do esquema I básico, referente à baciloscopia de 1ª fase, correspondente aos 2 meses, indicado nos casos novos de todas as formas de tuberculose pulmonar e extrapulmonar6 (tabela 6). A verificação das taxas de cura, abandono, óbito e casos ignorados demonstram que de modo geral, os índices de cura foram maiores dos que os demais, perfazendo nos quatro anos 66%. Dentre os anos verificados, constatou-se que nos anos de 2001, 2002 e 2003 o número de pacientes curados foi quase linear. Em relação ao índice de abandono, foi observado que o mesmo tem se mantido constante ao longo dos quatro anos verificados, ou seja, em torno de 5%. Os índices de óbito demonstram que no ano de 2001 foram os mais elevados, cerca de 8 pacientes, seguindo-se do ano de 2002, com 7 pacientes (tabela 7). A forma de tuberculose pulmonar registra 64 casos de co-infecção HIV, representando 27% do total de casos notificados nessa forma de tuberculose (tabela 8). DISCUSSÃO A tuberculose é uma das doenças mais prevalentes no mundo, podendo atacar todos os órgãos e sistemas do organismo. Conseqüentemente tem grande importância clínica, em especial nos países em desenvolvimento, onde atinge uma parcela significativa da população 47 com menor acesso aos serviços de saúde, agravado pelo baixo nível sócio-econômico. A tuberculose é conhecida a milhares de anos, sendo uma das doenças infecciosas que mais matam no mundo1 3 11 12 14. Desse modo, o suspeito de tuberculose pulmonar é todo indivíduo com sintomatologia clínica sugestiva da tuberculose pulmonar: tosse com expectoração por quatro ou mais semanas, febre, perda de peso e apetite ou suspeito ao exame radiológico4 5 6. A distribuição da tuberculose nos casos notificados pela Secretaria Municipal de Saúde do município de Passo Fundo, RS, entre os anos de 2000 a 2004, segundo a sua localização no organismo humano, pode se apresentar de forma pulmonar (positiva ou negativa) e na forma extrapulmonar, de acordo com os achados clínicos e em exames complementares que permitam ao médico diagnosticar a referida doença1 2 4 10 11. Entre os casos notificados de tuberculose no município de Passo Fundo, RS, no período de 2000 a 2004 foi constatado que a tuberculose pulmonar superou as formas combinadas da referida doença. Para fins de comparação, encontrou-se na revisão bibliográfica que o indicador da incidência de casos pulmonares bacilíferos reflete de modo adequado à situação quando existe uma rede voltada para a execução do exame de escarro, cobrindo a maior parte do território considerado e quando existe um sistema com capacidade de notificar todos os casos diagnosticados, possibilitando que a cada ano se configurem os coeficientes de incidência da doença, tendo-se, assim, uma idéia concreta da dimensão do problema e da sua evolução ao longo do tempo1 3 15. Em se tratando do sexo dos pacientes foi constatado que o masculino predominou sobre o feminino. Importante salientar que os coeficientes de incidência por sexo não possuem relevância epidemiológica, a não ser quando se analisa a co-infecção HIV e as formas de contaminação por vírus3 12 14. 48 No que diz respeito à faixa etária constatou-se que a compreendida entre os 31 a 35 anos foi a prevalente. Tal constatação nos remete à literatura, a qual observa que a incidência de bacilíferos costuma ter diferentes distribuições por faixa etária, de acordo com a prevalência da endemia, sendo mais ou menos alta nos países de alta prevalência onde ocorre um pico entre crianças de 0-4 anos, uma depressão da curva entre os 5-15 anos e o maior pico se registra no adulto-jovem, com decréscimo relativo a partir dos 45 anos. Já nos países de baixa prevalência a incidência é desprezível nas crianças e nos jovens, vai aumentando conforme a idade avança, predominando na velhice3 15. O agravo associado à tuberculose pulmonar predominante foi o referente aos transtornos psíquicos, embora a AIDS e o alcoolismo tenham atingido altos índices. A esse respeito encontra-se que em relação à tuberculose pulmonar, dentro do panorama atual, embora não represente fator de risco no que diz respeito à transmissão da doença, ganha importância devido a sua incidência, em países desenvolvidos e subdesenvolvidos, devido à disseminação da AIDS10 15. Os dados laboratoriais apontaram para 42% de índices negativos e 20% positivos. No entanto, as lacunas que representam 30% dos dados não identificados revelam que os sistemas de vigilância da tuberculose no Brasil se caracterizam pela lentidão com que geram as informações, as quais se apresentam incompletas, pois não vinculam a ocorrência dos acontecimentos de saúde ao espaço onde eles se manifestam. Outrossim, não são analisados diante dos níveis locais do sistema e por isso não conseguem responder com rapidez aos problemas de saúde constatados10 15. Em relação às taxas que foram objeto de verificação nesta pesquisa foi constatado que entre os 235 casos notificados no decorrer do período investigado os índices de cura de 66% não atingem a meta definida pelo Plano Nacional de Tuberculose, que é de 85%. Constatada a persistência da tuberculose no Brasil, o Ministério da Saúde estabeleceu o Plano Nacional de 49 Controle da Tuberculose (PNCT), que tinha como meta atingir 100% dos municípios brasileiros, localizar até o ano de 2001 92% dos casos existentes, bem como curar 85% dos casos diagnosticados, além de reduzir no mínimo em 50% a incidência e em dois terços a mortalidade por tuberculose até o ano de 20077 12. As taxas de abandono se posicionam no mesmo nível, demonstrando que mantêm um índice semelhante no decorrer do período verificado, ou seja, cerca de 5% dos pacientes abandonam o tratamento. Os abandonos de tratamento provocam a seleção de bacilos multiresistentes, que causam a Tuberculose Multi-resistente (MDR) e, nestes casos, as chances de cura diminuem bastante, além de necessitar um maior número de medicamentos a serem ingeridos diariamente, inclusive medicação injetável, por meses, acarretando maior sofrimento para o doente e um maior custo para os serviços5. As taxas de óbito, por sua vez, se apresentaram mais elevadas nos anos de 2001 e 2002, baixando em 2004 o que demonstra que a epidemiologia da tuberculose no Brasil, no final do século XX, representa uma prevalência de 50 milhões de casos infectados sendo que, anualmente, surgem 130.000 novos casos, com um registro de 6.000 óbitos, demonstrando uma incidência superior a de outros países latino-americanos, tais como a Argentina, o Chile, a Colômbia, a Venezuela, Cuba e México. Embora as políticas implementadas tenham obtido sucesso, os dados comprovam que houve a descoberta de 70% dos casos estimados e a cura de 75% dos pacientes tratados. Tal situação se manteve estável na década de 19905 7. Os casos denominados de ignorados, num total de 20% ao longo do período de tempo verificado, representam àqueles que a Secretaria Municipal de Saúde de Passo Fundo perdeu o contato com os portadores da tuberculose pulmonar. Isso pode significar a falta de comprometimento na notificação e lacunas importantes na garantia das ações de saúde pactuadas pelas 3 esferas de governo, ou seja: municipal, estadual e federal.. 50 O estudo realizado demonstrou que a tuberculose pulmonar é a forma mais encontrada entre os casos notificados no município de Passo Fundo, no período verificado, demonstrando que a média anual sofre pequena oscilação, variando entre 24% (2000) e 18% (2004) de casos registrados (tabela 1). Finalmente, em relação ao tratamento realizado, 65% dos casos utilizam o esquema I básico, 1ª fase, ou seja, o do tratamento durante 2 meses, com o uso de (Rifampicina e Izoniazida), o qual faz uso somente de medicamentos de uso oral, o que possibilita maior adesão ao tratamento indicado pela baixa taxa de abandono correspondente a 5%. Com base nos resultados apresentados podemos concluir que há necessidade de adequação do sistema de saúde, frente à tuberculose, por tratar-se de doença infecto contagiosa, ainda grave, muitas vezes, associadas a pacientes HIV positivos e com agravos, como os de doença mental e alcoolismo. Essas características poderiam contribuir com os índices de desfecho ignorados, que perfazem 20%, o que pode conduzir principalmente a disseminação da doença, pois são pacientes sem seguimento e sem conhecimento por parte do sistema público de saúde. AGRADECIMENTOS Agradeço à 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, sediada no município de Passo Fundo, RS, pela disponibilidade no acesso aos dados aqui trabalhados. 51 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Boffo, Maria marta Santos; Mattos, Ivo Gomes de; Ribeiro, Marta Osório; Oliveira Neto, Isabel Cristina de. Tuberculose associada à AIDS: características demográficas, clínicas e laboratoriais de pacientes atendidos em um serviço de referência do sul do Brasil. Porto Alegre. Jornal Brasileiro de Pneumologia. n. 30.p. 140-146, mar./abr. 2004. 2. Costa, Juvenal Soares Dias da; Gonçalves, Helen; Menezes, Ana Maria B.; Devéns, Eduardo; Piva, Marcelo; Gomes, Maurício; Vaz, Márcia. Controle epidemiológico da tuberculose na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil: adesão ao tratamento. Cad. Saúde Pública. São Paulo. vol. 14. p. 409-415, abr./jun. 1998. 3. Gutierrez , Renato Soares et al. Tuberculose [4-7]. In: SILVA, Luiz Carlos Corrêa da. condutas em pneumologia. São Paulo: Revinter, 2001. vol. 1, p. 412-442. 4. Herzlich, C. 1984. Maladies d’hier, malades d’aujourd’hui. Paris, Payot. Disponível em: <http: www.scielo.br>. Acesso em: 10 set. 2005. 5. Informe Tuberculose: doença curável. São Paulo: Sistema Único de Saúde. Secretaria Municipal da Saúde. Centro de Controle de Doenças. n. 1, p. 1-6, 2004. 6. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica. Brasília: Fundação Nacional da Saúde, 2002. 7. Ministério da Saúde, série histórica de doenças de notificação compulsória por UN, 19802001. Disponível em: <url:http://www.funasa.gov.br>. acesso em 15 jul. 2005. 8. Ministério da Saúde. Plano Nacional de Controle da Tuberculose. Brasília (DF), 2004. Ministério da Saúde. Tuberculose – guia de vigilância epidemiológica. Elaborado pelo Comitê Técnico-Científico de Assessoramento à Tuberculose e Comitê Assessor para Co-infecção HIV-Tuberculose. Brasília: Ministério da Saúde: Fundação Nacional de Saúde, 2002. 52 9. Roesch, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágios e de pesquisa em administração: guia para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudos de caso. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1999. 10. Rosemberg, José; Tarantino, Affonso Berardinelli. Tuberculose. In: Tarantino, Affonso Berardinelli. Doenças pulmonares. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002, p. 294380. 11. Rossetti, MLR, Valim, ARM, Silva, MSN, Rodrigues, VS. Tuberculose resistente: revisão molecular. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 36, n. 4, p. 525-532, abr. 2002. 12. Ruffino-Neto, Antonio. O impacto da reforma do setor saúde sobre os serviços de tuberculose no Brasil. Boletim de pneumologia sanitária, n. 7, p. 7-18, 1999. 13. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde. Disponível em: <www.ministeriodasaude.com.br>. Acesso em 22 ago. 2005. 14. Stanley, R. Tratado de patologia. Traduzido por Silva, LCC. 3 ed. São Paulo: Interamericana, 1997. 15. Tarantino, Affonso Beradinelli. Doenças pulmonares. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. 53 ANEXO A – TABELAS Tabela 1 – Resumo dos casos notificados de tuberculose entre os anos de 2000 a 2004 no município de Passo Fundo, RS. 2000 2001 2002 2003 2004 Total Forma M F M F M F M F M F Pulmonar 36 25 31 11 21 27 22 24 25 13 235 Extrapulmonar 5 6 4 5 9 5 5 2 3 5 49 Pulmonar+ - - 1 2 - - 1 1 1 - 6 41 31 36 18 30 32 31 27 29 18 290 Extrapulmonar Total 54 Tabela 2 – Demonstrativo dos casos notificados de tuberculose pulmonar por sexo entre os anos de 2000 a 2004, no município de Passo Fundo, RS. Sexo 2000 2001 2002 2003 2004 Total Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Nº % Masculino 36 26% 31 23% 21 16% 22 17% 25 18% 135 58% Feminino 25 25% 11 11% 27 27% 24 24% 13 13% 100 42% 235 100% Total 55 Tabela 3 – Demonstrativo dos casos notificados de tuberculose pulmonar por faixa etária entre os anos de 2000 a 2004 no município de Passo Fundo, RS. Faixa 2000 2001 2002 2003 2004 TOTAL Etária M F M F M F M F M F M+F % 0 a 5 anos - 1 1 - 1 1 1 1 1 1 8 3% 6 a 10 anos 1 1 1 - 1 1 1 1 1 1 9 4% 11 a 15 anos 1 - - - - - - - 2 3 1,50 % 16 a 20 anos - - 1 1 1 1 1 - 3 - 8 3% 21 a 25 anos 1 1 1 2 2 3 1 3 3 2 19 8% 26 a 30 anos 3 1 6 1 5 1 5 1 5 3 31 13% 31 a 35 anos 1 5 3 2 35 4 1 1 4 3 59 25% 36 a 40 anos 1 3 3 6 21 3 2 3 3 3 48 20% 41 a 45 anos 5 - 1 1 1 - 1 1 1 - 11 5% 46 a 50 anos 1 - 1 1 - 2 2 2 1 - 10 4% 51 a 55 anos 1 - 1 1 - 3 - 1 - - 7 3% 56 a 60 anos 1 - 1 - - 1 1 - - - 4 2% 61 a 65 anos 1 - 1 - - 1 1 1 1 1 7 3% 66 a 70 anos 1 - 1 - - 1 1 - - - 4 2% 71 a 80 anos 2 - 1 - - - - - 1 - 4 2% 81 a 85 anos 1 - - - - 1 1 - - - 3 2% 235 100 Total 56 alcoolismo 22% doença mental 51% aids 27% Figura 1 – Demonstrativo dos casos notificados de tuberculose pulmonar por agravo entre os anos de 2000 a 2004 no município de Passo Fundo, RS. 57 Tabela 4 – Resultado da baciloscopia de 1ª fase Carac./período 2000 2001 2002 2003 2004 Total % Não realizadas 6 2 2 5 3 18 8% Positivas 3 3 21 13 8 48 20% Negativas 40 3 24 17 16 100 42% Célula em branco 18 34 3 9 5 69 30% 235 100% Total 58 Tabela 5 – Resultado da baciloscopia de 2ª fase 2000 M 2001 F M 2002 F M 2003 F M 2004 F M F Total M+F Positiva 1 1 1 - 1 1 - - - - 5 (2%0 Negativa - - - - - 1 1 - - - 2 (1%) Em andamento - - - - - - 1 - 2 1 4 (3%) Não realizada 35 24 30 11 20 19 13 24 23 12 211 (89%) Não identificado - - - - - 6 7 - - - 13 (5%) Total 36 25 31 11 21 27 22 24 25 13 235 (100%) 59 Tabela 6 – Utilização do esquema I (básico: RHZ e RH) e esquema I (básico reforçado: RHZE e RHE) Fases do tratamento 2000 2001 2002 2003 2004 N° % 1ª fase (2 meses) 22 42 39 23 25 15 65% 5 - 9 - - 14 6% - - - - - - - - - - 7 3 10 3% Em andamento 34 - - 16 10 60 26% Total 61 42 48 46 38 235 100% RHZ 2ª fase 4 meses RH 1ª fase 2 meses RHZE 2ª fase 4 meses RHE Legenda dos medicamentos: Rifampicina= R Isoniazida= H Pirazinamida= Z Etambutol= E Estreptomicina= S Etionamida= Et 60 Tabela 7 – Demonstrativo dos casos notificados de tuberculose pulmonar por taxa de cura, abandono e óbito, entre os anos de 2000 a 2004, no município de Passo Fundo, RS. 2000 2001 2002 2003 2004 Total % Cura 45 23 25 25 36 154 66% Abandono 2 2 2 2 3 11 5% Óbito 4 8 7 2 1 22 9% Ignorado/branco 10 5 7 16 10 48 20% 235 100% Total 61 Tabela 8 – Pacientes portadores de HIV Período 2000 2001 2002 2003 2003 Total % HIV 13 22 12 4 13 64 27% 235 100% Total de pacientes com tuberculose pulmonar 62 ANEXO B - Normas de publicação do periódico escolhido Objetivo e política editorial A Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical destina-se à publicação de trabalhos científicos relacionados às doenças infecciosas e parasitárias, medicina preventiva, saúde pública e assuntos correlatos. A revista tem periodicidade bimestral e aceitará trabalhos de pesquisadores brasileiros ou estrangeiros desde que obedeçam às normas e que sejam aprovados pelos relatores indicados pelos Editores. 1. Além de Artigos, a revista publica Comunicações para a divulgação de resultados de ensaios terapêuticos, notas prévias, relatórios técnicos, relatos de casos, cartas ao editor, fatos históricos, resenhas bibliográficas e resumos de teses. Artigos de revisão e editoriais serão publicados por solicitação do Corpo Editorial. 2. Os trabalhos devem ser originais e inéditos, digitados em espaço duplo, deixando margem de 3 cm à esquerda e remetidos em três vias ao endereço abaixo, sendo uma a original. Após revisão, pede-se que os trabalhos sejam enviados em disquete, devidamente acompanhados de uma cópia impressa da versão revisada. Preparação de originais 3. Normas para enviar trabalhos, após revisão, em meio eletrônico; obedecer os seguintes requisitos: a) podem ser utilizados disquetes MS-DOS compatíveis nos formatos 3 1/2" ou 5 1/4". Disquetes de Macintosh no formato 3 1/2" também serão aceitos. Elimine dos disquetes todos os arquivos não pertinentes ao artigo enviado. Escreva na etiqueta do disquete: título do artigo, nome do autor, nome do arquivo, editor de texto utilizado e nome dos arquivos acessórios (folhas de estilos, gráficos, tabelas etc); 63 b) envie artigos compatíveis com os seguintes processadores de texto: Word para Windows (versão 6.0 ou anterior), Word para Mac (versão 6.0 ou anterior), outros formatos podem ser aceitos mediante consulta prévia. Nunca envie artigos em formato ASCII (só texto/"text only"); c) ao redigir o texto, o comando de retorno de linha ("Enter") deve ser utilizado exclusivamente no final dos parágrafos. Não adicione espaços extras ou "tabs" ao texto para obter recuo da primeira linha ou centralização de títulos na página. Tampouco retornos ("enters") adicionais para espaçar os parágrafos. Para obter esses efeitos, utilize apenas os comandos de formatação de parágrafo, disponíveis em todos os editores de texto acima; d) podem ser incluídas tabelas, desde que montadas no próprio editor de texto. Observações e notas de rodapé devem ser, preferencialmente, colocadas após o final do artigo, devidamente numeradas e referenciadas; e) ilustrações, tabelas e gráficos produzidos em outros programas e "importados" para inclusão no texto devem ser enviados em arquivos anexos, em formatos universais de fácil compatibilidade (TIFF, BMP, PICT, GIF etc). Evite formatos não-padronizados (EPS, WMF etc) e arquivos que só podem ser abertos por programas específicos. De qualquer forma, envie sempre uma cópia bem impressa do gráfico, tabela ou ilustração para eventual reprodução. 4. Os trabalhos devem ser redigidos preferencialmente em português, embora sejam também aceitos trabalhos em inglês e espanhol. A linguagem deve ser clara e precisa, e o texto conciso normalmente não ultrapassando 12 páginas digitadas para Artigos e 6 para Comunicações. 5. A seguinte seqüência deve ser observada: a) título original e traduzido e nome dos autores em letras minúsculas. No rodapé, instituição onde foi realizado o trabalho, filiação dos autores, quando for o caso, órgão financiador e o endereço completo para correspondência, inclusive telefone, fax e e-mail; b) resumo: máximo de 150 palavras para os artigos e 50 para as comunicações e relatos de casos. Deve ser informativo e não indicativo, apresentando o objetivo do trabalho, como foi realizado, os resultados alcançados e a conclusão. Não usar abreviaturas ou citações bibliográficas. Citar 4 ou 5 palavras-chave, que expressem com precisão o conteúdo do trabalho; 64 c) abstract: inserido logo após o resumo, deve ser a tradução fiel do mesmo, seguido pelas palavras-chaves; d) introdução: clara, objetiva, contendo informações que justifiquem o trabalho, restringindo as citações ao necessário; e) material e métodos: descrição concisa, sem omitir o essencial para a compreensão e reprodução do trabalho. Métodos e técnicas já estabelecidos devem ser referidos por citação; f) resultados: sempre que necessário devem ser acompanhados por tabelas, figuras ou outras ilustrações, auto-explicativas. Texto e documentação devem ser complementares. Quando aplicáveis, os dados deverão ser submetidos à análise estatística. O conteúdo deve ser informativo, não interpretativo; g) discussão: limitar aos resultados obtidos e conter somente as referências necessárias. O conteúdo deve ser interpretativo e as hipóteses e especulações formuladas com base nos achados; h) agradecimentos: limitados ao indispensável; i) referências bibliográficas: digitadas em minúsculas, sem ponto entre as abreviaturas, em espaço duplo, numeradas e organizadas em ordem alfabética pelo último sobrenome do autor; citar todos os autores de cada referência. Quando houver mais de uma citação do mesmo autor, seguir a ordem cronológica. As citações devem ser referidas no texto pelos respectivos números, acima da palavra correspondente, sem vírgula e sem parênteses; na lista de referências, deve seguir o seguinte estilo e pontuação: Artigos em periódicos (os títulos dos periódicos devem aparecer por extenso): Coura JR, Conceição MJ. Estudo comparativo dos métodos de Lutz, Kato e Simões Barbosa no diagnóstico da esquistossomose mansoni. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 8:153-158, 1974. Livros: Chandra RK, Newberne PM. Nutrition, immunity and infection: machanisms of interactions. Plenum, New York, 1977. Capítulos de livros: Fulton JD. Diagnosis of protozoal diseases. In: Gell PGH, Coombs RRA (ed) Clinical aspects of immunology, 2nd edtition, Blackwell, Oxford, p.133-136, 1968. 65 Resumos de congressos: Daher RH, Almeida Netto JC, Pereira LIA. Disfunção hepática na malária grave. Estudo de 161 casos. In: Resumos do XXXI Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Brasília p.16, 1995. Teses: Tavares W. Contaminação do solo do Estado do Rio de Janeiro pelo Clostridium tetani. Contribuição ao conhecimento da distribuição natural do bacilo tetânico. Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, 1975. Somente deverão ser citados os trabalhos publicados. Dados não publicados ou comunicações pessoais devem ser referidos no texto da seguinte forma: (AB Figueiredo: comunicação pessoal, 1980) e (CD Dias, EF Oliveira: dados não publicados). 6. Tabelas: numeradas em algarismos arábicos e dotadas de título descritivo conciso. Manter seu número ao mínimo necessário e lembrar que tabelas muito grandes são difíceis de serem lidas. Devem ser digitadas em espaço duplo em folhas separadas, sem linhas verticais e as unidades referidas no título de cada coluna. Todos os dados das tabelas, inclusive o título, devem ser em minúsculas, exceto as siglas. 7. Ilustrações: de boa qualidade e numeradas consecutivamente em algarismos arábicos. Além das fotografias, os gráficos, quadros etc. devem ser referidos no texto como Figuras. Anotar no verso com lápis o número da figura e o nome do autor e trabalho. Listar as legendas numeradas com os respectivos símbolos e convenções em folha separada e em espaço duplo. O número de ilustrações deve ser restrito ao mínimo necessário. 8. Comitê de ética: no trabalho de pesquisa envolvendo seres humanos, deverá constar o nome do Comitê de Ética que o aprovou. 9. Permissão dos autores: anexar carta com o ciente de todos os autores concordando com a publicação. 3. Normas para enviar trabalhos, após revisão, em meio eletrônico; obedecer os seguintes requisitos: a) podem ser utilizados disquetes MS-DOS compatíveis nos formatos 3 1/2" ou 5 1/4". Disquetes de Macintosh no formato 3 1/2" também serão aceitos. Elimine dos disquetes todos os arquivos não pertinentes ao artigo enviado. Escreva na etiqueta do disquete: título do 66 artigo, nome do autor, nome do arquivo, editor de texto utilizado e nome dos arquivos acessórios (folhas de estilos, gráficos, tabelas etc); b) envie artigos compatíveis com os seguintes processadores de texto: Word para Windows (versão 6.0 ou anterior), Word para Mac (versão 6.0 ou anterior), outros formatos podem ser aceitos mediante consulta prévia. Nunca envie artigos em formato ASCII (só texto/"text only"); c) ao redigir o texto, o comando de retorno de linha ("Enter") deve ser utilizado exclusivamente no final dos parágrafos. Não adicione espaços extras ou "tabs" ao texto para obter recuo da primeira linha ou centralização de títulos na página. Tampouco retornos ("enters") adicionais para espaçar os parágrafos. Para obter esses efeitos, utilize apenas os comandos de formatação de parágrafo, disponíveis em todos os editores de texto acima; d) podem ser incluídas tabelas, desde que montadas no próprio editor de texto. Observações e notas de rodapé devem ser, preferencialmente, colocadas após o final do artigo, devidamente numeradas e referenciadas; e) ilustrações, tabelas e gráficos produzidos em outros programas e "importados" para inclusão no texto devem ser enviados em arquivos anexos, em formatos universais de fácil compatibilidade (TIFF, BMP, PICT, GIF etc). Evite formatos não-padronizados (EPS, WMF etc) e arquivos que só podem ser abertos por programas específicos. De qualquer forma, envie sempre uma cópia bem impressa do gráfico, tabela ou ilustração para eventual reprodução. 67 68