Quarta-feira
27 de agosto de 2014
eleições
Jornal do Comércio - Porto Alegre
Política
João Carlos Rodrigues mira gestão
2014 de qualidade e eficiência técnica
Fernanda Nascimento
[email protected]
A organização de um governo utilizando teorias da administração e voltado para a qualidade
e eficiência técnica são as metas
do candidato João Carlos Rodrigues (PMN) para o governo do Estado. Em entrevista ao Jornal do
Comércio, o candidato defende o
enxugamento da máquina pública,
a redução de secretarias, cargos em
confiança (CCs) e funções gratificadas (FGs) e diz que sua primeira
ação, caso seja eleito, será a realização de uma auditoria nas contas públicas do governo para “ver
onde está o furo da bala”.
O candidato ao Palácio Piratini critica as alianças políticas dos
governos atuais e afirma que não
é necessário maioria no Legislativo para a aprovação de propostas
enviadas pelo Executivo. Rodrigues
acredita que os parlamentares,
mesmo sem integrarem a base
aliada do governo, são capazes de
aprovar projetos que beneficiem o
Rio Grande do Sul. “O que precisamos é mostrar que um, dois ou três
partidos vão governar muito melhor que essa coalizão de partidos
que temos”, disse.
Apoiador do tucano Aécio Neves para a presidência, Rodrigues
diz que segue a orientação nacional das candidaturas do PMN de se
alinharem ao PSDB, mas que não
terá dificuldades em gerir um Estado com apoio de outros partidos.
“No meu governo vai ter PT, PDT,
PSDB, desde que eles provem que
são altamente qualificados para
ocupar cargos públicos.”
Jornal do Comércio – Por que
o senhor deve ser eleito governador?
João Carlos Rodrigues – Sou
apto para isto. O Estado nunca
experimentou um governador da
área de ofício de administrador. Já
teve governador médico, advogado
e jornalista, mas não a experiência
de um governador administrador.
Conheço bem o que é administração e vejo que o Estado está carente disto, de um administrador competente para as finanças do Estado.
JC – Como administrador defende a meritocracia?
Rodrigues – Com certeza, e
está na hora de se defender a meritocracia. Na verdade, temos funcionários públicos que deveriam ser
mais valorizados. A meritocracia
vem para premiar as pessoas que
se empenham em resolver os problemas do Estado, que se colocam
à disposição do governo e muitas
vezes não são valorizadas. E têm
aqueles que não têm mérito e
ocupam cargos que não deveriam
ocupar.
JC – A redução de CCs é uma
das metas?
Rodrigues – Os cargos em
comissão, assim como as funções
gratificadas são importantes dentro
da gestão. Tem que ter pessoas de
confiança para mover a máquina
pública e ajudar a trabalhar. Hoje,
é possível reduzir e aliviar o cofre
do Estado, porque seis mil CCs é
um número muito alto. Vejo a importância dos CCs, mas daqueles
técnicos, não cargos indicados por
partidos políticos.
JC – As secretarias também
terão uma redução?
Rodrigues – Proponho o enxugamento da máquina em todos os
segmentos e setores. A minha primeira ação no governo do Estado
é fazer uma auditoria nas contas
públicas do Estado para ver onde
está o furo da bala e aí, sim, poder
João Carlos Rodrigues (PMN) tem 49 anos e é natural de Porto
resolver os problemas.
Alegre. Administrador de empresas com 25 anos de experiência,
JC – Critica o governo Tarso
ingressou na carreira política na década passada. Em 2008, foi
Genro (PT) pelo endividamento.
candidato a prefeito de Alvorada – cidade onde reside – pelo
Acredita que a gestão de Yeda
PTC. Dois anos mais tarde, disputou o cargo de vice-governador
Crusius (PSDB), que teve com
na chapa de Aroldo Medina (PRP). Em 2013, foi convidado a
slogan déficit zero, foi mais efiingressar no PMN e assumir a presidência do partido.
ciente?
Rodrigues – Se pegar um comparativo entre o governo Yeda e o
governo de Tarso Genro vê-se que a e políticos) confundem o eleitor mais alinhados à direita em sua
diferença é grande e gritante. Achei dizendo que para governar de ver- coligação?
Rodrigues – No meu governo
que o governo Tarso, por ter no go- dade precisa ter maioria na Assemverno federal a presidente Dilma bleia. Não é verdade. Duvido que vai ter PT, PDT, PSDB, desde que
Rousseff (PT), seria de mais dina- um deputado vá contra um projeto eles provem que são altamente
mismo, investimentos na saúde e que beneficie o Estado. O que pre- qualificados para ocupar cargos
segurança, mas não foi o que ocor- cisamos é mostrar que um, dois ou públicos. É óbvio que hoje o PMN
reu. Yeda não tinha isso a favor e três partidos vão governar muito está em uma coligação com Aéfez muito mais. Precisamos de um melhor que essa coalizão de parti- cio e represento a candidatura
governo técnico para dar solução dos que temos. Os partidos apoiam no Estado. O único partido que
às crises. Me vejo como um gover- o governo porque têm interesse em representa Aécio no Rio Grande
no diferenciado de todos eles, por- cargos públicos, para permanência do Sul é PMN, não é o PP de Ana
que tenho solução e conhecimento e sobrevivência dos partidos, é isso Amélia. O PMN está coligado nos
na área da administração, que no que tem que acabar. Os partidos estados brasileiros com o PSDB,
governo deles não teve, foi muito devem entender que eles têm que porque existe uma união naciomais um conchavo de partidos po- estar a serviço do Estado e não se nal que está sendo respeitada.
líticos, um me dá lá, toma cá, do servir do Estado. Eu não contra Se eleito, terei apoio e poderei
que na verdade se preocupar com coligação, desde que ela seja boa administrar o Estado com técnica
questões da saúpara o Estado. e não com política. No momento
de e segurança.
Sou contra coliga- em que se consegue chegar com
“Os partidos
JC – O seções que existem dois ou três partidos para a base,
nhor representa
que são por se consegue governar melhor.
devem entender hoje,
uma chapa pura
interesse político. Não vejo Tarso como um governo
do PMN, mas se que eles têm que Ou seja, estou te péssimo, mas está engessado deeleito precisaria
apoiando, mas vido ao número de partidos que
de uma coalizão estar a serviço do o que ganho em tem no governo. Os partidos são
de partidos para
disso? Sou mecanismo importante para a
Estado e não se troca
ter apoio na
contra o ranço po- democracia, mas não para fazer
Assembleia Le- servir do Estado” lítico. João Carlos política. O PMN não tem preocugislativa. Como
Rodrigues eleito pação de construir o partido, mas
governar sem fazer alianças?
governador do Rio Grande do Sul criar lideranças capacitadas para
Rodrigues – Quem votou 33 e vai conseguir sentar com todos os gerir o bem público.
JC – As pesquisas apontam
elegeu João Carlos Rodrigues como partidos, porque nós não temos negovernador, também elegeu os de- nhuma rusga com nenhum partido que a senadora Ana Amélia (PP)
putados da Assembleia. Os deputa- político. Vejo que a questão da co- e Tarso disputariam o segundo
dos têm os mesmos interesses do alização nada mais é do que uma turno se as eleições fossem hoje.
Quem o senhor apoiaria?
João Carlos. Se eu tiver projetos do grande negociação política.
Rodrigues – Não acredito em
interesse do Rio Grande do Sul, não
JC – Apesar de afirmar que
preciso de coalizão, não preciso não há ranço com partidos, o pesquisa, ela só serve apenas para
comprar partidos para ter um bom PMN está na coligação de Aécio manipular a opinião pública. Mas
governo e aprovar medidas que be- Neves (PSDB). Se o senhor for não conversei com Tarso e Ana
neficiem o Estado. Esse é o grande para o segundo turno, há uma Amélia e não pretendo antes do
problema, eles (os demais partidos tendência de abrigar partidos fim do primeiro turno.
Perfil
FREDY VIEIRA/JC
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João Carlos Rodrigues mira gestão de qualidade e eficiência técnica