A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS COMO RECURSO DE APRENDIZAGEM E INSTRUMENTO DE CIDADANIA DA PESSOA SURDA. Alessandra Colesel (PROIC-UNICENTRO), Anizia da Costa Zych (Orientadora), e-mail:[email protected]. Universidade Estadual do Centro-Oeste/ Setor de Ciências Humanas Letras e Artes-Irati Palavras-chave: LIBRAS, educando surdo, interação, inserção social, cidadania. Resumo: O presente trabalho propõe-se a disseminar a Língua Brasileira de Sinais junto à sociedade como instrumento capaz de favorecer e qualificar o desenvolvimento da pessoa surda, num processo contínuo de inserção no contexto sócio cultural de beneficio à construção da cidadania participativa, promovendo assim o direito inerente de seus principais usuários os surdos. Introdução A história da Educação de surdos desenvolve-se através de acirradas discussões em relação aos aspectos lingüísticos, centralizados na modalidade da língua a ser dotada. Apesar de se reconhecer a língua de sinais como língua natural do grupo, a resistência pelo seu uso, sempre foi motivo de desentendimento entre os surdos e os profissionais ouvintes envolvidos em sua educação. Assim, renegados em sua linguagem, permanecem os surdos alienados educacionalmente e, discriminados em relação ao contexto sóciocultural. Segundo Sacks (1998), a partir do século XVIII, os surdos passam a ser olhados com mais atenção, sendo então observados nas suas diferentes formas de manifestação das linguagens. Em 1750, surge na França a primeira Escola de Surdos, com o nome de Escola De L Epée, adotando uma língua de sinais com gramática francesa. Na instituição, os surdos recebiam auxílio e se envolviam com o exercício da escrita. Assim, em 1779, Pierre Desloges, publica o primeiro livro feito por um surdo, contando a sua própria história e fazendo uma descrição surpreendente pela realidade dos surdos. Em 1864, foi inaugurada em WASHINGTON, a primeira faculdade para surdos: Clleimbrt Instituion for the Deaf and the Blind. No ano de 1880, em Milão no Congresso Internacional dos Surdos, foi abolido o uso de sinais nas escolas, os professores foram proibidos então de fazer uso da língua de sinais. Anais da SIEPE – Semana de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão 26 a 30 de outubro de 2009 O fato concorreu para que os surdos fossem profundamente prejudicados em seu desenvolvimento, pois as pessoas surdas profundas não apresentam nenhum interesse em adquirir a linguagem oral, em razão do não recebimento dos estímulos auditivos. Desta forma, os profundamente surdos orientam suas ações pelo sentido da visão e, portanto seu interesse recai em manifestações e/ou comunicações relacionadas a outras fontes que não seja a audição. No Brasil em 1857, foi fundada a primeira escola para surdos o Instituto dos Surdos Mudos, hoje o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), é neste Instituto que a Língua de Sinais Francesa trazida pelo Pe. Huet, se mistura com a língua de sinais brasileira antiga, utilizada em várias regiões de Brasil. É neste contexto permeado de contraditórias idéias que o surdo procura forçar a possibilidade de manifestar-se na língua de sinais. Nela é que a comunidade surda confia o poder de um desenvolvimento pleno harmonioso e racional de sua natureza. A partir dessa idéia a língua de sinais deve ser introduzida o mais precocemente possível na vida dos surdos. Metodologia Realizou-se um aprofundamento bibliográfico buscando estudar e conhecer o tema mais profundamente a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), provocando assim uma maior difusão e conscientização através de ampla divulgação envolvendo o contexto educacional. A propagação da língua de Sinais será a partir de agentes educacionais, oferecendo a sociedade mais uma oportunidade de cidadania solidária diante da importância da interatividade com as pessoas surdas, tratando-se de uma pesquisa participativa. Resultados e Discussão A Relação Linguagem e Fala. A linguagem e o pensamento estão intrinsecamente relacionados pois, a partir do diálogo, a mente é estimulada a produzir e explicitar o substrato interno da relação que se configura através da emissão da fala que expressa o pensamento e assume um novo poder para incorporar novas idéias. Pode-se, portanto concluir que o diálogo estimula a produção lingüística. Vygotsky refere-se à linguagem como função social e intelectual tendo uma relação entre intelecto e afeto atendendo assim as necessidades e interesses pessoais, SACKS (1998 p.74). O importante para Vygotsky é o fato de a linguagem constituir-se não apenas como forma de comunicação mas também assumir uma função organizadora, na orientação do pensamento. A fala, no decorrer da orientação é que marca a produção ou explicitação liberada no ato da interação lingüística. A Anais da SIEPE – Semana de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão 26 a 30 de outubro de 2009 linguagem é o elemento fundamental para a mediação da comunicação, pois permite a constituição do pensamento. A língua como conjunto de relação que se articula com a intervenção do sujeito no contexto ou vice-versa, está articulada num sistema referencial e significativo para o sujeito. Segundo Goldfeld, citado por Bakhtin (1990, p.108): “A língua como um sistema de formas que remetem a uma norma, não passa de uma abstração que só pode ser demonstrada no plano teórico e prática do ponto de vista do deciframento de uma língua morta e de seu ensino.” A linguagem tem importante significação enquanto possibilidade relacional e a LS para o surdo constitui-se na possibilidade de aprender o movimento de manifestação do homem, enquanto ser, que desvela na explicitação do seu discurso. Assim, ele poderá rever de forma mais concreta, seus pensamentos, idéias, envolvendo-se na compreensão dos fatos, questionando a realidade. Segundo Monteiro, a Língua Brasileira de Sinais surge no Brasil com o Segundo Império em 1857, com a fundação da primeira escola para surdos o Instituto dos Surdos Mudos, hoje o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), é neste Instituto que a Língua de Sinais Francesa, trazida pelo Pe. Huet se mistura com a modalidade da antiga Língua de sinais brasileira a qual era utilizada pelas comunidades surdas de várias regiões do Brasil. Em 1970, a educadora de surdos Ivete Vasconcelos visitou a Universidade Gallaudet, chegou ao Brasília Filosofia da Comunicação Total. Na década seguinte, a partir das pesquisas da Professora lingüista Lucinda Ferreira Brito sobre a LIBRAS e, da Professora Eulália Fernandes, a Educação dos Surdos, passa a ser difundido o Bilingüismo. Atualmente, estas três filosofias educacionais ainda persistem paralelamente no Brasil. No ano de 1998 o Estado do Paraná oficializou a Língua de Sinais através da Lei 12095 uma educação bilíngüe no processo de ensinoaprendizagem desde a Educação Infantil, como um meio de comunicação objetiva e de uso corrente. Em 2002, a Língua de Sinais foi reconhecida no Brasil como a Língua Oficial dos Surdos, através da Lei Federal 10436. Segundo Brito (1993), a Língua de Sinais constitui-se de mecanismos “fonológicos, morfológicos, sintáticos e semânticos, para transmitir seus significados, utilizando-se do canal visual-espacial”. Os componentes das palavras se dão por meio da configuração de mãos, movimento e ponto de articulação. A Configuração das Mãos, é a forma que a mão assume para fazer um sinal, na Libras existem quarenta e três configurações. O Ponto de Articulação é o lugar do corpo onde será realizado o sinal é o movimento é o espaço que a mão ocupa no sinal. Conclusões A preocupação com a formação do surdo sob sólidas e significativas experiências sócio-culturais, remete a um possível delineamento da Anais da SIEPE – Semana de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão 26 a 30 de outubro de 2009 educação fundamentada na perspectiva da disseminação da Língua Brasileira de Sinais, como recurso estimulador de novas apropriações. O desafio consiste em investir pressupostos inovadores que permitam aos surdos vivências inusitadas sob perspectivas capazes de desencadear a evolução do pensamento crítico-reflexivo. Como já é sabido, a surdez não rompe totalmente com a possibilidade de comunicação. Portanto, a questão é compreender a realidade dos sujeitos surdos, observando sua forma de interpretar as mensagens do contexto, de refletir sobre a realidade e, de questionar as ações e reações do homem, diante de fenômenos existenciais. Agradecimentos Os agradecimentos deste projeto serão oferecidos carinhosamente aos surdos que participaram do Grupo de Estudos, os quais proporcionaram um importante aprendizado sobre a Língua brasileira de Sinais. Também agradeço a orientadora do projeto Anizia da Costa Zych , a supervisora do Projeto Adriane Meyer Vassão e ao Colégio Estadual São Vicente de Paulo enfim a todos os envolvidos direta ou indiretamente neste projeto. Referências - BRITO, Lucinda F. al organizado. Educação Especial Língua Brasileira de Sinais. Volume II. Brasília MEC., 1993. - SACKS, Oliver. Vendo Vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. - SOARES, Maria Aparecida Leite. A Educação do Surdo no Brasil. São Paulo: EDUSF, 1999. - GOLFELD, Márcia. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-interacionista. São Paulo: Plexus, 1997. - LIBRAS em Contexto: livro do professor/instrutor. Tânia A. Felipe, Myrna S. Monteiro – Brasília. PNAES/MEC-2001. Anais da SIEPE – Semana de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão 26 a 30 de outubro de 2009