Curso de Engenharia Mecânica Automação e Sistemas INSTRUMENTAÇÃO DE TÚNEL DE VENTO PARA LEVANTAMENTO EXPERIMENTAL DE COEFICIENTES DE SUSTENTAÇÃO E ARRASTE EM PERFIS DE ASA Felipe Daniel Ferro Itatiba – São Paulo – Brasil Dezembro de 2008 ii Curso de Engenharia Mecânica Automação e Sistemas INSTRUMENTAÇÃO DE TÚNEL DE VENTO PARA LEVANTAMENTO EXPERIMENTAL DE COEFICIENTES DE SUSTENTAÇÃO E ARRASTE EM PERFIS DE ASA Felipe Daniel Ferro Monografia apresentada à disciplina Trabalho de Conclusão de Curso, do Curso de Engenharia Mecânica Automação e Sistemas da Universidade São Francisco, sob a orientação do Prof. Dr. Paulo Roberto Tardin Jr, como exigência parcial para conclusão do curso de graduação. Orientador: Prof. Dr. Paulo Roberto Tardin Jr Itatiba – São Paulo – Brasil Dezembro de 2008 iii INSTRUMENTAÇÃO DE TÚNEL DE VENTO PARA LEVANTAMENTO EXPERIMENTAL DE COEFICIENTES DE SUSTENTAÇÃO E ARRASTE EM PERFIS DE ASA Felipe Daniel Ferro Monografia defendida e aprovada em 16 de Dezembro de 2008 pela Banca Examinadora assim constituída: Prof. Dr. Paulo Roberto Tardin Jr. (Orientador) USF – Universidade São Francisco – Itatiba – SP. Prof. Dr. Eduardo Balster Martins (Membro Interno) USF – Universidade São Francisco – Itatiba – SP. Prof. Ms Paulo Eduardo Silveira (Membro Interno) USF – Universidade São Francisco – Itatiba – SP. iv Os nossos pais amam-nos porque somos seus filhos, é um fato inalterável. Nos momentos de sucesso, isso pode parecer irrelevante, mas nas ocasiões de fracasso, oferecem um consolo e uma segurança que não se encontram em qualquer outro lugar. (Bertrand Russell) v Agradeço a Deus pela vida, e por proporcionar esta grande realização. Dedico este trabalho aos meus pais, Leonel e Rosemary, por serem grandes exemplos a quem eu pudesse me espelhar. A minhas irmãs Iviane e Andressa pelo incentivo e orações. A minha namorada e futura esposa Kelli, pelo carinho e contribuição nas correções textuais. vi .Agradecimentos Agradeço primeiramente ao Professor Paulo Roberto Tardin Jr, meu orientador, que me incentivou e ajudou para a realização deste trabalho. Agradeço ao Engenheiro Celso Godoy pela paciência e grande ajuda que me forneceu na execução dos experimentos. Agradeço ao Professor Paulo Eduardo Silveira, pela contribuição e fornecimento de material para a execução do trabalho. Agradeço ao Professor Eduardo Balster Martins, pelas dicas e contribuições muito significativas. Agradeço também ao amigo Marcel Henrique Sartorato, que me ajudou nas filmagens para a apresentação do trabalho. E todos os amigos que de forma indireta me ajudaram apenas com uma palavra de incentivo e preocupação. vii Sumário Lista de Símbolos ...................................................................................................................viii Lista de Figuras ....................................................................................................................... ix Lista de Tabelas ........................................................................................................................ x Lista de Gráficos...................................................................................................................... xi Resumo ....................................................................................................................................xii Abstract ..................................................................................................................................xiii 1 Introdução ........................................................................................................................ 14 2 Revisão Bibliográfica ....................................................................................................... 15 2.1 Túnel de Vento ............................................................................................................ 16 2.2 Aspectos Teóricos ....................................................................................................... 17 2.2.1 Coeficientes de Sustentação e Arraste..................................................................19 2.3 Instrumentação ............................................................................................................ 22 2.3.1 Instrumentação Virtual .........................................................................................23 3 Metodologia da instrumentação do túnel de vento ....................................................... 24 3.1 Montagem do Túnel .................................................................................................... 24 3.2 Interface e Aquisição de Dados................................................................................... 26 3.2.1 Calibração do sensor.............................................................................................27 3.3 Programação................................................................................................................ 27 3.4 Cálculo dos coeficientes de sustentação e arraste ....................................................... 32 3.5 Resultados ................................................................................................................... 32 4 Conclusão.......................................................................................................................... 39 4.1 Extensões..................................................................................................................... 39 Apêndice 1 – Calibração do Sensor de Pressão ................................................................... 40 Apêndice 2 – Roteiro Experimental ...................................................................................... 41 Anexo 1 – Folha de Dados do Sensor MPX5010 DP............................................................ 50 Referências Bibliográficas ..................................................................................................... 55 Bibliografia Consultada ......................................................................................................... 56 viii Lista de Símbolos c Corda CD Coeficiente de Arraste CL Coeficiente de Sustentação Cp Coeficiente de Pressão Cx Módulo das Forças em X Cy Módulo das Forças em Y D Arraste F Força Resultante Fx Forças em X Fy Forças em Y g Aceleração da Gravidade h Altitude L Sustentação P Pressão P0 Pressão Estática Pd Pressão Dinâmica Pman Pressão Manométrica Ps Pressão de Estagnação t Temperatura Ambiente V Velocidade de Escoamento α Ângulo de Ataque β Pressão Barométrica ρ Massa Específica τp Tensão de Cisalhamento ix Lista de Figuras FIGURA 2-1- DEMONSTRAÇÃO DA INTERAÇÃO DO AR E PERFIL DE ASA. .................................... 16 FIGURA 2-2- ESQUEMA DAS QUATRO FORÇAS DA AERODINÂMICA, ATUANDO NA ASA DE UM AVIÃO. ............................................................................................................................... 18 FIGURA 2-3 PERFIL AERODINÂMICO .......................................................................................... 19 FIGURA 2-4-A RESULTANTE DA DISTRIBUIÇÃO DE PRESSÃO E DE TENSÃO VISCOSA É DETERMINADA POR INTEGRAÇÃO AO LONGO DA SUPERFÍCIE AFETADA. ............................. 19 FIGURA 2-5–(A) REPRESENTAÇÃO DO FUNCIONAMENTO DE UM TUBO DE PITOT. (B) FOTO DO TUBO DE PITOT UTILIZADO NOS EXPERIMENTOS. ............................................................... 23 FIGURA 3-1–FOTO DO TÚNEL DE VENTO MONTADO .................................................................. 25 FIGURA 3-2–VENTILADOR CENTRIFUGO MONTADO NO TÚNEL. ................................................. 25 FIGURA 3-3–(A) PERFIL DE ASA DENTRO DA TUBULAÇÃO DE SUCÇÃO. (B) PONTOS DE TOMADA DE PRESSÃO NO DISCO GIRATÓRIO. .................................................................................... 26 FIGURA 3-4– (A) REPRESENTAÇÃO DA AQUISIÇÃO DO SINAL DO SENSOR DE PRESSÃO- (B) FOTO DA MONTAGEM PARA A AQUISIÇÃO DE DADOS. .................................................................. 27 FIGURA 3-5– PAINEL FRONTAL DO PROGRAMA......................................................................... 28 FIGURA 3-6– DIAGRAMA DE BLOCOS DA PRESSÃO DINÂMICA................................................... 29 FIGURA 3-7– DIAGRAMA DE BLOCOS DO PESO ESPECIFICO........................................................ 30 FIGURA 3-8– DIAGRAMA DE BLOCOS DA VELOCIDADE. ............................................................ 30 FIGURA 3-9– DIAGRAMA DE BLOCOS DOS PONTOS DE PRESSÃO ................................................. 31 FIGURA 3-10– DIAGRAMA DE BLOCOS DOS COEFICIENTES DE PRESSÃO.................................... 32 x Lista de Tabelas TABELA 1 – ESPECIFICAÇÕES DO VENTILADOR ......................................................................... 25 TABELA 2 - DISTANCIAS DOS PONTOS DO PERFIL ANALISADO .................................................... 32 TABELA 3 –COEFICIENTES DE PRESSÃO PARA ABERTURA DE 30MM .......................................... 33 TABELA 4 -COEFICIENTES DE PRESSÃO PARA ABERTURA DE 15MM ........................................... 34 TABELA 5- COEFICIENTES DE PRESSÃO PARA ABERTURA DE 5MM ............................................. 36 xi Lista de Gráficos GRÁFICO 1................................................................................................................................. 21 GRÁFICO 2................................................................................................................................. 21 GRÁFICO 3 – FORÇA NA DIREÇÃO EM Y – /ABERTURA 30MM .................................................... 33 GRÁFICO 4 – FORÇAS NA DIREÇÃO EM X – ABERTURA 30MM ................................................... 34 GRÁFICO 5- FORÇA NA DIREÇÃO EM Y – ABERTURA 15MM....................................................... 35 GRÁFICO 6 - FORÇA NA DIREÇÃO EM X – ABERTURA 15MM ...................................................... 35 GRÁFICO 7 -FORÇA NA DIREÇÃO EM Y – ABERTURA 5MM......................................................... 36 GRÁFICO 8 - FORÇA NA DIREÇÃO EM X – ABERTURA 5MM ........................................................ 37 GRÁFICO 9 – COEFICIENTE DE SUSTENTAÇÃO X VELOCIDADE .................................................. 38 GRÁFICO 10 – COEFICIENTE DE ARRASTO X VELOCIDADE ........................................................ 38 xii Resumo A aerodinâmica tem como objetivo estudar o escoamento de ar ao redor de corpos ou internamente a eles. A finalidade deste estudo é conhecer como o escoamento influi na estabilidade, desempenho e integridade do corpo a resistência às cargas impostas pelo escoamento. E para orientar o estudante de engenharia, o trabalho apresentado tem como objetivo instrumentar o túnel de vento, de propriedade da Universidade São Francisco, para validar análises e pesquisas já feitas na área da aerodinâmica de perfis, com o auxílio da computação que facilita o entendimento dos cálculos de velocidade de fluxo no túnel e os coeficientes de arraste e sustentação do perfil de asa. PALAVRAS-CHAVE: Túnel Instrumentação com LabView. de Vento, Coeficientes de Arraste e Sustentação, xiii Abstract Aerodynamics aims to study the flow of the air around bodies or internally to them. The purpose of this study is to know how air flow affects the stability, performance and integrity of a body resistance load imposed by the air flow. This will be done thru University São Francisco wind tunnel assembling and instrumentation, which will allow validating analyses and research already made in the area of aerodynamics profiles, with aid computer that makes calculation on speed flow tunnel and the coefficients of drag and lift of profile wing. KEY WORDS: Wind Tunnel, Drag and Lift Coefficients, Instrumentation with LabView. 14 1 INTRODUÇÃO Nos tempos atuais onde os avanços tecnológicos têm superado limites, projetos e pesquisas em diversas áreas são cada vez mais difundidos, no entanto, é engraçado ver que o vôo é algo ainda curioso para muitos. Há muito tempo o homem tem dado asas à imaginação e hoje, o vôo que era algo restrito a poucos, se tornou um meio de transporte rápido, acessível e de grande utilização. Assim é surpreendente como a descrição do vôo não é explorada em livros didáticos e na sala de aula para o melhor entendimento dos princípios básicos da Física. Um avião comercial de grande porte, por exemplo, pode transportar cerca de 600 pessoas, pesando em torno de 350 toneladas; ele percorre uma pista relativamente pequena, e em segundos está no ar podendo voar quase 12.000 km sem reabastecer. Mas como as asas mantêm o avião no ar? Com as quatro forças básicas da aerodinâmica que são: empuxo, peso, arraste e sustentação, tal pergunta será respondida ao longo deste trabalho, que dará uma atenção especial à força de arraste e a de sustentação. O arraste é uma força de resistência ao movimento de um objeto num fluido, gerado por forças de atrito que agem em direção paralela a uma superfície, por exemplo, da asa do avião. De uma forma simples, podemos dizer que a sustentação é a força que mantém um avião no ar; esta, no entanto, não é a única explicação, mas para um melhor entendimento a sustentação pode ser calculada com base em resultados de testes, testes estes feitos com o auxílio de equipamentos que simulam o comportamento do ar ao redor de objetos sólidos. O Túnel de Vento é um destes equipamentos, e é o que vai ser utilizado neste trabalho para que os cálculos possam ser realizados e os resultados de coeficientes de arraste e sustentação de um perfil de asa didático possam ser apresentados. Para aprimorar a utilização do túnel de vento de propriedade da Universidade São Francisco, foi desenvolvido neste trabalho um programa no software LABVIEW, que é capaz de fazer a aquisição de dados através de sensores de pressão e, fazendo uma fácil leitura da pressão, visualizado na tela do computador. Dentre as pressões que são lidas do perfil, outros cálculos são feitos, tornando-o um programa interativo e de fácil utilização. 15 De maneira geral, este trabalho tem como objetivo principal fazer do túnel de vento, agora instrumentado, um equipamento que facilitará o aproveitamento de um recurso que, até então se encontrava em desuso na Universidade. Significará ainda a ilustração prática das teorias de matérias como Mecânica dos Fluídos, o que aumentará o interesse pelas aulas e, conseqüentemente, a qualidade do curso de Engenharia Mecânica. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A efetivação de um projeto se dá com a certeza de que todos os parâmetros, cálculos, medidas e conceitos sejam validados através de pesquisas, que muitas das vezes engenheiros precisam construir modelos para testar e comprovar o projeto idealizado. Por isso empresas desenvolvem cada vez mais softwares que são capazes de simular o real. Segundo FOX & McDONALD (1981) nos estudos aerodinâmicos o maior objetivo é reduzir o gradiente adverso de pressão que ocorre atrás do ponto de máxima espessura do objeto, com esta redução retarda a separação da camada limite, fazendo com que reduza a resistência da pressão, e a forma “perfeita” é aquela que dá resistência total mínima. Conforme VIEIRA (2004) o uso do túnel de vento se faz necessário para a construção desta forma “perfeita”, devido à complexidade da interação do escoamento com o corpo e porque a determinação teórica das cargas aerodinâmicas como; forças e momentos são muitas vezes imprecisos. A complexidade da interação do escoamento com o corpo é devido às velocidades da corrente de ar representar diferentes pressões ao longo do perfil, e por ser de forma arredondada e complexa como na Figura 2-1. 16 Figura 2-1- Demonstração da interação do ar e perfil de asa. 2.1 Túnel de Vento O túnel de vento é a ferramenta de trabalho eficiente que tem por objetivo simular e estudar o efeito do movimento de ar sobre ou ao redor de objetos sólidos. Donald D. Baals e William R. Corliss (WIND TUNNELS OF NASA-1981) contam que os aeronautas do século XIX estudaram o vôo de aves e começaram a construir máquinas de voar baseadas nas estruturas aviárias, e as máquinas “birdlike” falharam lastimosamente. Eles rapidamente perceberam que na realidade não sabiam nada sobre as forças exercidas sobre as superfícies da asa. Isso significava que tinham que criar asas e laboratórios instrumentados, para que as superfícies dos perfis pudessem ser testadas em condições controladas. O túnel de vento é indispensável para o desenvolvimento de aeronaves modernas. Hoje a engenharia aeronáutica não desenvolve um projeto de uma aeronave sem antes primeiro medir a sustentação, arraste e outros parâmetros para garantir a estabilidade do comportamento da asa. No WIKIPEDIA.(Wind Tunnel) diz que em um conjunto de experiências clássico, o inglês Osborne Reynolds (1842-1912) da universidade de Manchester demonstrou que o teste padrão do fluxo de ar sobre um modelo em escala seria o mesmo para o veículo em escala natural se um determinado parâmetro do fluxo fosse o mesmo em ambos os casos. Este parâmetro é conhecido como o número de Reynolds, que é um parâmetro básico na descrição 17 de toda a mecânica dos fluidos para o cálculo do regime de escoamento de um determinado fluido sobre uma superfície. Outro número é o de Mach, homenagem ao físico e filósofo austríaco Ernest Mach (1838 -1916) que é uma unidade de medida de velocidade. Ela é definida como a relação entre a velocidade do objeto e a velocidade do som. Com esses dois números, que devem ser iguais para a situação real à do modelo e com a construção de um modelo geometricamente idêntico em escala reduzida, que em geral é de 1:8 ou 1:10, garante-se a semelhança fluidodinâmica entre o perfil real e o modelo ensaiado no túnel. Em 1915, o Congresso norte-americano criou o National Advisory Committee on Aeronautics (NACA - um precursor da NASA). Durante as décadas de 20 e 30, a NACA conduziu testes de túnel de vento em centenas de formatos de aerofólios (formatos de corte transversal de asa). Os dados obtidos permitiram aos engenheiros calcular antecipadamente a sustentação e arraste que os aerofólios sofrem em diversas condições de vôo. Hoje em dia há muitos pedidos para a modelagem de túnel de vento de camada de limite, por exemplo, para compreender o impacto do vento em prédios, em fábricas, em pontes, etc. o que facilita o projeto de edifícios para construir uma estrutura que resista aos efeitos do vento da maneira mais eficiente possível. O funcionamento do túnel basicamente se dá pelo escoamento do ar que é soprado ou sugado através de um duto equipado com uma seção de teste onde há um visor para análise visual do escoamento. O ar é movido tipicamente através do túnel usando um ou mais ventiladores, centrífugos ou axiais. Para estudarmos todos estes efeitos e análises no túnel de vento, veremos no próximo tópico alguns princípios e conceitos de mecânica dos fluidos para entender e validar os resultados. 2.2 Aspectos Teóricos Para compreender a necessidade da análise de modelos de perfis de asa em túnel de vento, é preciso entender melhor o vôo. 18 O vento fluindo em uma determinada direção em relação ao avião produz uma força sobre o aeroplano chamada de força aerodinâmica total. Outra grandeza intimamente ligada à força aerodinâmica e também muito importante na descrição do vôo é o ângulo de ataque definido como o ângulo formado entre a corda do aerofólio e a direção da velocidade da corrente livre. A força aerodinâmica total pode ser decomposta em duas componentes: a sustentação e o arraste. Além desta, atuam sobre o avião o peso e o empuxo, representadas abaixo na Figura 2-2. Figura 2-2- Esquema das quatro forças da aerodinâmica, atuando na asa de um avião. Conforme VENNARD JOHN K.(Elementos de Mecânicas dos Fluidos-1978) quando o escoamento ocorre em torno de um objeto que tenha eixo de simetria não alinhado com a direção do escoamento ou quando o corpo não possui nenhuma simetria, o campo de velocidades não é simétrico, ou seja as velocidades e pressões locais serão diferentes em cada lado do objeto, e surgirá uma força perpendicular à direção do escoamento. O exemplo de um perfil indicado na Figura 2-3 nos mostra que a sustentação L é a componente da força aerodinâmica perpendicular à direção do movimento do vôo, o arraste D, a força resultante F que é a resultante entre L e D, e também a resultante de todas as forças de pressão e de atrito que atuam sobre o corpo, o ângulo de ataque α, e a corda c. 19 Figura 2-3 Perfil Aerodinâmico A definição e o cálculo da força de arraste sobre objetos submersos são muito mais difíceis do que o cálculo da força de sustentação. Logo, há a necessidade de serem previstas por meio de medidas experimentais em modelos em túneis de vento. 2.2.1 Coeficientes de Sustentação e Arraste As forças que o fluido exerce sobre perfil podem ser descritas em função da tensão de cisalhamento na parede τp, provocado pelos efeitos viscosos, e da tensão normal que é devida a pressão, P indicado na Figura 2-4. α Figura 2-4-A resultante da distribuição de pressão e de tensão viscosa é determinada por integração ao longo da superfície afetada. O coeficiente de sustentação é a relação entre a força de sustentação e o produto da pressão dinâmica e a área projetada da asa. Estes coeficientes podem ser obtidos pela integração das tensões de cisalhamento e das tensões normais sobre o corpo que está sendo considerado. Conforme VENNARD JOHN K.(Elementos de Mecânica dos Fluidos-1978),as componentes x e y da força que atua num pequeno elemento de área dA são: 20 dFx = ( P ⋅ dA) ⋅ cos α + (τ p ⋅ dA) ⋅ senα (2.1) dF y = −( P ⋅ dA) ⋅ senα + (τ p ⋅ dA) ⋅ cos α (2.2) Assim, os módulos das forças Cx e Cy que atuam no objeto são: C x = ∫ dFx = ∫ P ⋅ cos α ⋅ dA + ∫ τ p ⋅ senα ⋅ dA (2.3) C y = ∫ dF y = − ∫ P ⋅ senα ⋅ dA + ∫ τ p ⋅ cos α ⋅ dA (2.4) A Tensão de cisalhamento, τp sobre o perfil decorre da viscosidade do fluido e dos gradientes de velocidade no escoamento junto ao perfil. O arrasto por atrito não depende somente da distribuição desta tensão, mas também do formato do objeto. VENNARD JOHN K, diz que, como a viscosidade dinâmica dos fluidos usuais é pequena, a contribuição da força de cisalhamento para o arrasto total sobre o corpo é geralmente também muito pequena. Esta conclusão também pode ser reescrita em função dos números adimensionais, ou seja, como os números de Reynolds dos escoamentos usuais são altos, a parte do arrasto total devida às tensões de cisalhamento é muito pequena. Os dispositivos geradores de sustentação mais comuns (aerofólios, pás, etc.) operam numa faixa larga de número de Reynolds na qual o escoamento apresenta uma natureza de camada limite. Nestas circunstâncias, a tensão de cisalhamento na parede, τp,contribui pouco para a sustentação. Outro modo para obter os coeficientes de arraste e sustentação, modo este que será utilizado neste trabalho no capitulo 3.4, é gerando um gráfico da distribuição de pressão no aerofólio, portanto se forem calculadas as áreas sob a distribuição de pressão no gráfico obteremos os valores de Cx e Cy. A criação do gráfico se dá com o perfil de pressão em X e Y considerando o comprimento de atuação da força como um coeficiente percentual do tamanho total no eixo X e para o eixo Y um coeficiente de pressão calculado pela equação (2.5). 21 Cp = P (2.5) 1 ⋅ ρ ⋅V 2 2 O Gráfico-1 abaixo representa a distribuição dos coeficientes de pressão do perfil na parte superior e inferior do perfil em relação às distâncias dos pontos de tomada de pressão na direção X, que nos dá a força na direção em Y. Gráfico 1 GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM Y COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) -0.5 -0.4 -0.3 -0.2 SUPERIOR INFERIOR -0.1 0 10 20 30 40 50 60 0 0.1 DISTÂNCIA EM X Já no Gráfico 2 é representada a distribuição dos coeficientes de pressão do perfil na parte superior e inferior do perfil em relação às distâncias dos pontos de tomada de pressão na direção Y, que nos dá a força na direção em X. Gráfico 2 GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM X COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) -0.5 -0.4 -0.3 -0.2 SUPERIOR INFERIOR -0.1 0 5 0 0.1 DISTÂNCIA EM Y 10 15 22 Se calculada a área do gráfico para a força na direção em Y (gráfico-1), é possível obter Cy e, da mesma forma se for calculado a área do gráfico para a força na direção em X (gráfico-2) é obtido Cx. Com estes dois parâmetros calculados, através das equações 2.6 e 2.7, calcula-se o coeficiente de sustentação (CL) e o arrasto (CD). C L = C y ⋅ cos α + C x ⋅ senα (2.6) C D = C y ⋅ senα − C x ⋅ cos α (2.7) 2.3 Instrumentação No túnel de vento, a principal medição feita através de instrumentos é a pressão, em que serão utilizados instrumentos mecânicos e eletrônicos. Segundo Barata (1995), as medições de pressão em fluidos consistem normalmente na determinação de diferenças de pressões médias obtidas em dois pontos de um escoamento ou entre um valor médio e instantâneo em cada ponto. Na medição de pressões diferenciais, a diferença entre a pressão de estagnação e a pressão estática (médias temporais) é interpretada diretamente como o valor da velocidade média local. O instrumento utilizado para fazer esta medição é o tubo de Pitot, como apresentado na Figura 2.5. 23 (A) (B) Figura 2-5–(A) Representação do funcionamento de um Tubo de Pitot. (B) Foto do Tubo de Pitot utilizado nos experimentos. No “nariz” do tubo a pressão medida é a pressão de estagnação, e ao longo do tubo consistem furos para a medição da pressão estática, onde a subtração das duas pressões nos dá a pressão dinâmica conforme equação (2.8). Pd = PS − P0 (2.8) 2.3.1 Instrumentação Virtual Junto com o tubo de Pitot, para fazer a instrumentação do Túnel, a base de toda a instrumentação virtual está na utilização do software LabVIEW (Laboratory Virtual Instrument Engineering Workbench) que é uma linguagem de programação gráfica originária da National Instruments. A primeira versão surgiu em 1986 para o Macintosh e atualmente existem também para os Sistemas Operativos Windows, Linux e Solaris1. A realização de medições e a automação são os principais campos de aplicação do LabVIEW. A programação é feita de acordo com o modelo de fluxo de dados, o que oferece a 1 LabVIEW . Apresenta textos sobre o software e metodologias de programação. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/LabVIEW Acesso em: 25 de outubro de 2008 24 esta linguagem vantagens para a aquisição de dados e para a sua manipulação. Os programas em LabVIEW são chamados de instrumentos virtuais compostos de: • Diagrama de blocos – é a estrutura do programa propriamente dita que contém o código fonte construído de forma gráfica; • Painel frontal – constitui a interface com o usuário, apresentando de forma visual todos os controles, gráficos e indicadores formando uma tela que simula o painel físico de um instrumento. Este pode ser formado por botões, leds, e indicadores que permitem a interação através do mouse ou do teclado do computador. O programa não é processado por um interpretador, mas sim compilado. Deste modo o seu desempenho é comparável às linguagens de programação de alto nível. 3 METODOLOGIA DA INSTRUMENTAÇÃO DO TÚNEL DE VENTO Neste capítulo veremos a montagem do túnel de vento, com a instrumentação preparada para receber a interface com o NI LabView. Para iniciar o processo de instrumentação virtual, foram utilizados os mesmos parâmetros do projeto anterior, Avaliação experimental dos coeficientes de arraste e sustentação em perfis de asa usando túnel de vento, para comparar os novos valores obtidos. 3.1 Montagem do Túnel O túnel de vento de propriedade da Universidade São Francisco, consiste de tubulações quadradas na sucção com área de 0,015m², e na descarga com área de 0,0837m² acopladas entre um ventilador, conforme se vê na Figura 3.1 abaixo. 25 Sucção Descarga Figura 3-1–Foto do Túnel de Vento montado Para simular o ar, o ventilador acoplado nas tubulações é do tipo centrífugo, mostrado na figura 3.2, e na Tabela -1 segue as especificações do mesmo. Figura 3-2–Ventilador Centrifugo montado no túnel. Tabela 1 – Especificações do Ventilador Fabricante Potência Freqüência Rotação Arno 7,5 CV 60 Hz 1750 RPM 26 Tensão Modelo Posição Construtiva - AMCA Arranjo 220/380 V ET 112 LX CCW-90 4-SWSI Na tubulação de sucção há um dispositivo com o perfil de asa estudado, que permite ser rotacionado alterando seu ângulo de ataque, e na parte externa do dispositivo encontram se os pontos para as tomadas de pressão conforme Figura 3-3 abaixo. Alteração do Ângulo de Ataque (A) (B) Figura 3-3–(A) Perfil de Asa dentro da tubulação de sucção. (B) Pontos de tomada de pressão no disco giratório. 3.2 Interface e Aquisição de Dados A aquisição e processamento de sinais exteriores ao computador tornam-se necessários para monitorizar e ou controlar o processo. Para a aquisição e processamento de sinais exteriores foi utilizada a placa de aquisição de dados da National Instruments, e a versão 5.1 do software LabView, representados na Figura 3-4. O sensor de pressão utilizado para fazer a aquisição nas tomadas de pressões do perfil foi o MPX 5010 DP, do fabricante Motorola. Este transdutor combina técnicas avançadas para fornecer um sinal de saída preciso e elevado nível analógico que é proporcional à pressão aplicada. A leitura da pressão varia de 0 a 10 kPA, e o sinal de saída de 0 a 5V. Para esquema de ligação e outras especificações do sensor estão disponíveis no Anexo-1. 27 (A) (B) Figura 3-4– (A) Representação da aquisição do sinal do sensor de pressão- (B) Foto da montagem para a aquisição de dados. 3.2.1 Calibração do sensor O primeiro ensaio do experimento consistiu na calibração do sensor. Processo feito com a comparação dos valores de pressão medida em mmca, e o valor do sinal de saída em V. Depois de realizada a medição, desde a menor pressão até a máxima, gerou-se um gráfico com o auxilio do software Execel, no qual nos deu a equação da reta do gráfico. Esta equação é usada como base fundamental para a leitura correta dos valores impressos na tela do painel frontal do NI LabView. Os dados da calibração e os gráficos encontram-se no Apêndice -1. 3.3 Programação A programação gráfica do NI LabVIEW é naturalmente simples de ser compreendida devido ao diagrama de blocos gráfico e sua execução por fluxo de dados. Os diagramas foram 28 feitos com base nos aspectos teóricos já vistos no Capitulo 2.2, dentre outros que serão explicados posteriormente. Na Figura 3.5 é possível ver o painel frontal do programa feito para a análise das pressões nos pontos de tomada do perfil do aerofólio, e os coeficientes de pressão. 6 5 1 2 3 9 4 8 7 Figura 3-5– Painel Frontal do Programa. • (1) No bloco Pressão Estagnação o usuário digita o valor da P0 medido com o Tubo de Pitot. • (2) No bloco Pressão Estática o usuário digita o valor da PS medido com o Tubo de Pitot. • (3) No bloco Pressão Dinâmica o cálculo é feito automaticamente conforme equação 2.8, e representado no diagrama de blocos conforme Figura 3-6. 29 Figura 3-6– Diagrama de blocos da Pressão Dinâmica. • (4) No bloco Massa Específica é calculada a massa específica para calcular a velocidade do fluido. Primeiramente deve se calcular a Pressão Barométrica conforme equação (3.1): 6,5 β = 760 ⋅ 1 − ⋅ h 288 5, 25 (3.1) β = 694mmHg Considerando que o Campus da Universidade São Francisco onde está o Túnel de Vento, em Itatiba, estado de São Paulo com altitude de 760m do nível do mar. Sendo assim o massa específica é calculado automaticamente de acordo com a equação 3.2, e representado no diagrama de blocos mostrado na Figura 3-7. ρ = 1,293 ⋅ 273 ⋅ 273 + t P0 13,595 760 β− (3.2) Considerando (t) temperatura ambiente de 20°C. Parâmetro que pode ser alterado de acordo com a temperatura ambiente medida na hora do experimento. 30 Figura 3-7– Diagrama de blocos do Peso especifico. • (5) No bloco Velocidade é calculada automaticamente a velocidade de acordo com a equação (3.3). V= Pd ⋅ 2 g (3.3) ρ Considerando (g) aceleração da gravidade 9,81 m/s² Figura 3-8– Diagrama de blocos da Velocidade. • (6) No bloco Ângulo de ataque o usuário digita ângulo de ataque, somente para representar o valor do ângulo analisado. • (7) Nos blocos P0,P1,P2,P3 é apresentado o valor de pressão lido pelo sensor de pressão. Na figura abaixo o diagrama de bloco mostra os blocos da aquisição da tensão e convertidos em pressão conforme a calibração feita. 31 Figura 3-9– Diagrama de blocos dos pontos de pressão • (8) No bloco Coeficiente de Pressão são calculados os coeficientes de pressão, que primeiramente é calculado a Pressão conforme equação (3.4). P = Pman − (PS − P0 ) Após o calculo da pressão o coeficiente é calculado com a equação (2.5). (3.4) 32 Figura 3-10– Diagrama de blocos dos Coeficientes de Pressão. • (9) No bloco Perfil Analisado o usuário digita os valores em milímetros as distâncias dos pontos do perfil analisado. Para o perfil estudado os pontos estão representados na tabela-2. O comprimento total do aerofólio é de 100 mm. Tabela 2 - Distancias dos pontos do perfil analisado Superior X Y 1 17 8,5 2 31 9,9 3 56 8,4 Inferior X Y 1 17 3,3 2 31 2,6 3 56 1,5 3.4 Cálculo dos coeficientes de sustentação e arraste Após ter obtido os coeficientes de pressão, e com as dimensões dos pontos no perfil, através do software Matlab é possível calcular os valores de Cy e Cx, com a função TRAPZ, que numericamente avalia um integral usando a regra dos Trapézios. T=TRAPZ (X,Y) – aproxima o integral de uma função que passa pelos pontos com abscissa X e ordenadas Y usando a regra dos trapézios, onde: X – São as posições em X dos pontos de tomadas de pressão (Tabela-2); Y – São os coeficientes de pressão calculados pelo software do Túnel de vento. Com o valor da integral calculado têm-se os coeficientes de sustentação e arraste nas equações 2.6 e 2.7. 3.5 Resultados 33 O experimento para o cálculo dos coeficientes foi realizado com um ângulo de ataque de 7°. As tabelas a seguir apresentam os valores das pressões medidas nos pontos e os respectivos coeficientes de pressão para três diferentes aberturas na sucção do Túnel. • • • • • • Abertura= 30mm Pressão estática = 195mmca Pressão estagnação=85mmca Pressão dinâmica=110 mmca Velocidade= 44,76 m/s Massa específica= 1,077 kg/m³ Tabela 3 –Coeficientes de Pressão para abertura de 30mm Ponto (Pman) Superior (Cp) Superior (Pman) Inferior (mmca) (Cp) Inferior (mmca) 0 154 0,0385 154 0,0385 1 -362 -0,4375 149 0,0375 2 -355 -0,4310 163 0,0492 3 -274 -0,3559 175 0,0611 Após coletados os dados foram gerados gráficos para as forças nas direções Y e X Gráfico 3 – Força na direção em Y – Abertura 30mm GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM Y COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) -0.5 -0.4 -0.3 -0.2 SUPERIOR INFERIOR -0.1 0 10 20 30 40 0 0.1 DISTÂNCIA EM X 50 60 34 Gráfico 4 – Forças na direção em X – Abertura 30mm GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM X COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) -0.5 -0.4 -0.3 -0.2 SUPERIOR INFERIOR -0.1 0 5 10 15 0 0.1 DISTÂNCIA EM Y Com os valores coletados, foram calculados os valores Cy e Cx, conforme descrito no Cap. 3.4, que obtemos os seguintes resultados: Cy=0,1668 Cx=0,0201 Para obter os coeficientes de Sustentação (CL) e o Arrasto (CD), aplicaram-se os valores encontrados de Cy e Cx nas equações 2.6 e 2.7 para o ângulo de 7°. C L = C y ⋅ cos α + C x ⋅ senα (2.6) CL = 0,1389 C D = C y ⋅ senα − C x ⋅ cos α (2.7) CD = 0,094 • • • • • • Abertura= 15mm Pressão estática = 183mmca Pressão estagnação=130mmca Pressão dinâmica=53 mmca Velocidade= 31,05 m/s Massa específica = 1,079 kg/m³ Tabela 4 -Coeficientes de Pressão para abertura de 15mm Ponto (Pman) Superior (Cp) Superior (Pman) Inferior (Cp) Inferior 35 (mmca) (mmca) 0 168 0,2239 168 0,2239 1 -242,31 -0,5680 164,44 0,2143 2 -238 0,5601 169,8 0,2247 3 -207,29 -0,5006 174,25 0,2332 Gráfico 5- Força na direção em Y – Abertura 15mm GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM Y COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) -0.7 -0.6 -0.5 -0.4 -0.3 SUPERIOR -0.2 -0.1 0 10 20 30 40 50 60 INFERIOR 0 0.1 0.2 0.3 DISTÂNCIA EM X Gráfico 6 - Força na direção em X – Abertura 15mm GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM X COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) -0.7 -0.6 -0.5 -0.4 -0.3 -0.2 -0.1 0 SUPERIOR 5 10 15 INFERIOR 0 0.1 0.2 0.3 DISTÂNCIA EM Y Cy=0,2408 Cx=0,0329 C L = C y ⋅ cos α + C x ⋅ senα (2.6) 36 CL = 0,2032 C D = C y ⋅ senα − C x ⋅ cos α (2.7) CD = 0,133 Abertura= 5mm Pressão estática = 170mmca Pressão estagnação=160mmca Pressão dinâmica=10 mmca Velocidade= 13,48 m/s Massa específica = 1,080 kg/m³ Tabela 5- Coeficientes de Pressão para abertura de 5mm Ponto (Pman) Superior (Cp) Superior (Pman) Inferior (mmca) (Cp) Inferior (mmca) 0 169 1,6302 169 1,6302 1 -177 -1,9072 169,91 1,6300 2 -174,32 -1,8791 170,77 1,6389 3 -170,42 -1,8391 170,89 1,6400 Gráfico 7 -Força na direção em Y – Abertura 5mm GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM Y COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) • • • • • • -2.5 -2 -1.5 -1 -0.5 0 20 40 0 SUPERIOR INFERIOR 0.5 1 1.5 2 60 DISTÂNCIA EM X 37 Gráfico 8 - Força na direção em X – Abertura 5mm GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM X COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) -2.5 -2 -1.5 -1 -0.5 0 5 10 0 15 SUPERIOR INFERIOR 0.5 1 1.5 2 DISTÂNCIA EM Y Cy=1,6692 Cx=0,1472 C L = C y ⋅ cos α + C x ⋅ senα (2.6) CL = 1,355 C D = C y ⋅ senα − C x ⋅ cos α (2.7) CD = 0,985 Abaixo seguem os gráficos para a melhor representação dos coeficientes em relação às velocidades. 38 Gráfico 9 – Coeficiente de Sustentação X Velocidade Coeficiente de Sustentação (CL) 1.6 1.4 1.2 1 0.8 Sustentação 0.6 0.4 0.2 0 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Velocidade (m/s) Gráfico 10 – Coeficiente de Arrasto X Velocidade 1.1 Coeficiente de Arrasto (CD) 1 0.9 0.8 0.7 0.6 Arrasto 0.5 0.4 0.3 0.2 0.1 0 0 5 10 15 20 25 30 Velocidade (m/s) 35 40 45 50 39 4 CONCLUSÃO Através dos resultados obtidos, é possível validar o programa feito no LabView e, a metodologia aplicada, pois os valores dos coeficientes de arrasto e sustentação tenderam a zero; quanto maior a velocidade de fluxo, da mesma forma já apresentada na monografia “Avaliação experimental dos coeficientes de arraste e sustentação em perfis de asa usando túnel de vento”. O coeficiente de sustentação diminui quando há uma maior velocidade de fluxo prejudicando o vôo, por outro lado quanto menor o coeficiente de arrasto melhor será a condição do vôo. 4.1 Extensões A continuação deste trabalho poderá ocorrer por parte dos futuros alunos do curso de Engenharia Mecânica da Universidade São Francisco; o que pode significar o aprimoramento do programa LabView e, possibilitar ainda que os cálculos e gráficos sejam feitos de maneira automática. Além deste aprimoramento do programa, existe uma carência de outros sensores, que também pode ser constatada pelos futuros alunos do curso de Engenharia Mecânica que venham a se interessar por este trabalho de conclusão de curso. 40 Apêndice 1 – Calibração do Sensor de Pressão Tensão (V) 0.22 0.31 0.41 0.49 0.53 0.65 0.85 0.87 0.88 0.91 0.93 0.94 0.96 0.99 1.01 1.05 1.07 1.08 1.32 1.44 1.46 1.48 1.5 1.56 1.79 1.81 1.84 Calibração Sensor 400 y = 228.97x - 49.23 350 Pressão (mmca) Pressão (mmca) 0 30 41 61 68 96 145 149 150 155 160 161 170 173 181 203 207 218 250 271 281 294 297 302 361 366 372 300 250 Série1 200 Linear (Série1) 150 100 50 0 0 0.5 1 Tensão (V) 1.5 2 41 Apêndice 2 – Roteiro Experimental 1. INTRODUÇÃO O túnel de vento é a ferramenta de trabalho eficiente que tem por objetivo simular e estudar o efeito do movimento de ar sobre ou ao redor de objetos sólidos, que consiste de uma tubulação retangular na sucção onde se localiza o perfil de asa a ser analisado e uma tubulação retangular de descarga, acopladas em um ventilador centrífugo. 2. OBJETIVO O objetivo deste experimento é fazer a análise e cálculos dos coeficientes de arrasto e sustentação de um perfil didático utilizando o túnel de vento do laboratório de mecânica dos fluidos. O experimento deve ser feito com dois ângulos de ataque para que o aluno possa comparar os diferentes valores encontrados e fazer as devidas análises confrontando com a teoria estudada. 3. TEORIA Para compreender a necessidade da análise de modelos de perfis de asa em túnel de vento, é preciso entender melhor o vôo. O vento fluindo em uma determinada direção em relação ao avião produz uma força sobre o aeroplano chamada de força aerodinâmica total. Outra grandeza intimamente ligada à força aerodinâmica e também muito importante na descrição do vôo é o ângulo de ataque definido como o ângulo formado entre a corda do aerofólio e a direção da velocidade da corrente livre. O exemplo de um perfil indicado na figura 1 mostra que a sustentação L é a 42 componente da força aerodinâmica perpendicular à direção do movimento do vôo, o arraste D, a força resultante F que é a resultante entre L e D, e também a resultante de todas as forças de pressão e de atrito que atuam sobre o corpo. Figura 1- Perfil Aerodinâmico 3.1. Coeficientes de Sustentação e Arraste As forças que o fluido exerce sobre perfil podem ser descritas em função da tensão de cisalhamento na parede τp , provocado pelos efeitos viscosos, e da tensão normal que é devida a pressão, P indicado na figura- 2. α Figura 4-A resultante da distribuição de pressão e de tensão viscosa é determinada por integração ao longo da superfície afetada. 43 O coeficiente de sustentação é a relação entre a força de sustentação e o produto da pressão dinâmica e a área projetada da asa. Estes coeficientes podem ser obtidos pela integração das tensões de cisalhamento e das tensões normais sobre o corpo que está sendo considerado. O modo que será utilizado para os cálculos destes coeficientes neste experimento é gerando um gráfico da distribuição de pressão no aerofólio, portanto se forem calculadas as áreas sob a distribuição de pressão no gráfico obteremos os valores de Cx e Cy. Com estes dois parâmetros calculados, através das equações 1 e 2, calcula-se o coeficiente de sustentação (CL) e o arrasto (CD). C L = C y ⋅ cos α + C x ⋅ senα (1) C D = C y ⋅ senα − C x ⋅ cos α (2) 4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Para a aquisição dos dados dos coeficientes de pressão devem-se seguir os seguintes passos: a) Deixar a tubulação de descarga livre abrindo totalmente a descarga. b) Ajustar a 1ª abertura da tubulação de sucção (por exemplo 30mm). b) Sucção a) Descarga Livre 44 c) Ajustar o ângulo de ataque a ser analisado Alteração do Ângulo de d) Com o auxilio o tubo de Pitot e manômetro tipo U, fazer a medição da pressão estática e estagnação, na tubulação de sucção antes do perfil analisado, inserindo o tubo no orifício que fica na parte superior da tubulação. 45 d) Medição Obs: Para uma boa medição, mantenha o tubo de Pitot parado e posicionado paralelamente a direção do fluxo. Antes de anotar os valores encontrados, repita a medição pelo menos três vezes, para que não tenha incertezas nas medições. Fluxo e) Certifique-se que o programa do Túnel de vento no labview está funcionando corretamente, e se as mangueiras das tomadas de pressão estão conectadas nos sensores. 46 f) Ligar o túnel de vento g) Alimentar o programa com os seguintes dados: - Pressão estática - Pressão estagnação - Ângulo de ataque 47 h) Preencher a tabela a seguir com os dados informados pelo programa. Ponto (Pman) Superior (mmca) (Cp) (Pman) Inferior Superior (mmca) (Csp) Inferior 0 1 2 3 i) Após coletado os dados, gere gráficos para as forças nas direções X e Y, em relação aos pontos de tomadas de pressão do perfil de asas, de acordo com as dimensões definidas na tabela abaixo: Superior X (mm) Y (mm) 1 17 8,5 2 31 9,9 3 56 8,4 Inferior X Y 1 17 3,3 2 31 2,6 3 56 1,5 48 Exemplos de gráficos: GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM Y COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) -0.5 -0.4 -0.3 -0.2 SUPERIOR INFERIOR -0.1 0 10 20 30 40 50 60 0 0.1 DISTÂNCIA EM X GRÁFICO PARA FORÇA NA DIREÇÃO EM X COEFICIENTE DE PRESSÃO (Cp) -0.5 -0.4 -0.3 -0.2 SUPERIOR INFERIOR -0.1 0 5 10 15 0 0.1 DISTÂNCIA EM Y j) Após ter obtido os coeficientes de pressão, e com as dimensões dos pontos no perfil, através do software Matlab é possível calcular os valores de Cy e Cx, com a função TRAPZ, que numericamente avalia um integral usando a regra dos Trapézios. T=TRAPZ (X,Y) – aproxima o integral de uma função que passa pelos pontos com abscissa X e ordenadas Y usando a regra dos trapézios, onde: X – São as dimensões dos pontos de tomadas de pressão; Y – São os coeficientes de pressão calculados pelo software do Túnel de vento. 49 Outras formas podem ser utilizadas para o cálculo da integral como: - Desenhando em escala o gráfico no software AutoCAD. - Calculando manualmente a integral do gráfico (ótima opção para exercitar cálculos de integral). k) Para obtermos os coeficientes de Sustentação (CL) e o Arrasto (CD), aplicamos os valores encontrados de Cy e Cx nas equações 1 e 2 para o ângulo de ataque analisado. l) Repita o procedimento descrito para quatro diferentes ajustes na abertura da sucção, por exemplo, 30,20,10 e 5mm. 5. ANÁLISE DOS RESULTADOS Com os resultados obtidos, responda as perguntas: a) O que acontece com os coeficientes, quando a velocidade do fluxo é alta? b) A que conclusões podem-se chegar com os resultados? c) Quais os parâmetros que deve ser considerados para que uma asa, por exemplo, de avião permaneça no ar? 6. BIBLIOGRAFIA BIBLIOGRAFIA INDICADA Títulos da Bibliografia Básica FOX, Robert W.; McDONALD, Alan T. Introdução à Mecânica dos Fluidos. Tradução de Roberto Francisco Mezzomo, 2ª Edição. Rio de Janeiro:Editora Guanabara Dois S.A., pg.358-369,1981.Título original:Intoduction to Fluid Mechanics. VENNARD John K. Elementos de Mecânicas dos Fluidos. Tradução de Adir M. Luiz. 5ª Edição. Rio de Janeiro:Editora Guanabara Dois S.A.,pg.602-649,1978.Título original:Elementary Fluid Mechanics 50 Anexo 1 – Folha de Dados do Sensor MPX5010 DP 51 52 53 54 55 Referências Bibliográficas BARATA, Jorge Manuel Martins. Mecânica dos Fluídos: Trabalhos de Laboratório. 1995. 44f..Curso de Engenharia Mecânica, Universidade da Beira Interior, Portugal. DONALD, D.Baals; CORLISS, William R. WIND TUNNELS OF NASA: Whirling Arms and the First Wind Tunnels,1981.Disponível em: <http://www.grc.nasa.gov/WWW/K12/WindTunnel/history.html> Acesso em: 18 Outubro 2008. FOX, Robert W.; McDONALD, Alan T. Introdução à Mecânica dos Fluidos. Tradução de Roberto Francisco Mezzomo, 2ª Edição. Rio de Janeiro:Editora Guanabara Dois S.A., pg.358369,1981.Título original:Intoduction to Fluid Mechanics. VENNARD John K. Elementos de Mecânicas dos Fluidos. Tradução de Adir M. Luiz. 5ª Edição. Rio de Janeiro:Editora Guanabara Dois S.A.,pg.602-649,1978.Título original:Elementary Fluid Mechanics VIEIRA, Leandro Franciscon. Avaliação experimental dos coeficientes de arraste e sustentação em perfis de asa usando túnel de vento. 2004. 24f..Curso de Engenharia Mecânica Automação e Sistemas, Universidade São Francisco, Itatiba. WIKIPEDIA .LabVIEW .Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/LabVIEW> Acesso em: 25 Outubro 2008. WIKIPEDIA.Wind Tunnel. Disponível em <http://en.wikipedia.org/wiki/Wind_tunnel> Acesso em: 10 Abril.2008. 56 Bibliografia Consultada AERODINÂMICA.NET.Disponível em <http://aerodinamica.net/aerodinamical> Acesso em: 10 Abril.2008. NATIONAL INSTRUMENTS CORPORATION. LabVIEW: Basics I Course Manual, National Instruments Corporation, Texas, 2000.URL: <htpp://www.ni.com/pdf/products/us/LabVIEWBasicsIout.pdf> Recuperado em 8/11/2008. SIQUEIRA, Thais Gama. Tutorial Sobre Comandos do MATLAB, 2003. URL: <http://www.ime.unicamp.br/~soniag/matlab2.pdf >Recuperado em 8/11/2008. PRAVIA, Zacarias M. C.; CORONETTI, Leandro. UM PROTÓTIPO DE UM MINI TÚNEL DE VENTO (MTV) PARAENSINO DE GRADUAÇÃO 2003. 8f..Curso de Engenharia e Arquitetura, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo. URL: <http:// www.lese.upf.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=8&Itemid=19> Recuperado em 19/04/2008.