UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA AMANDA CARLA GANIMO DO NASCIMENTO A IMAGEM DO PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA PERANTE A POPULAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE RECIFE 2009 AMANDA CARLA GANIMO DO NASCIMENTO A IMAGEM DO PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA PERANTE A POPULAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Biblioteconomia. Orientador: Profº. Murilo Artur Araújo da Silveira RECIFE 2009 Nascimento, Amanda Carla Ganimo do A imagem do profissional de Biblioteconomia perante a população da Região Metropolitana do Recife/ Amanda Carla Ganimo do Nascimento. – Recife, 2009. 82f.: il. Inclui bibliografia, anexos e apêndices. Orientador: Murilo Artur Araújo da Silveira. 1. Bibliotecários 2. Bibliotecários - Estereótipos. Imagem do Bibliotecário. I. Título UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO CURSO DE GRADUAÇÃO EM BIBLIOTECONOMIA AMANDA CARLA GANIMO DO NASCIMENTO A IMAGEM DO PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA PERANTE A POPULAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE Este Trabalho de Conclusão de Curso foi aprovado pela banca examinadora do curso de Graduação em Biblioteconomia constituída pelos seguintes professores: Profº Murilo Artur Araújo da Silveira Orientador Profª. Profª. Aprovado em: DEDICATÓRIA Aos meus pais, por toda dedicação cedida a mim. As minhas irmãs, Eduarda e Brenda, por todas as alegrias. A professora Susana Schmidt (in memorian), pelos bons ensinamentos. AGRADECIMENTOS Agradeço a todos aqueles que participaram de alguma forma para minha formação acadêmica e minha formação pessoal. Antes de tudo, agradeço a Deus por guiar sempre o meu caminho. Aos meus pais, por todo apoio concedido durante esses 24 anos e o amor sempre presente. As minhas irmãs, Eduarda e Brenda, pela realização de um sonho, que foi têlas como irmãs. A todos os outros familiares, sempre tão presentes em minha vida. A professora Susana Schmidt, por ter me ajudado durante todo o período acadêmico. Pessoa pela qual sempre terei profunda admiração e respeito. Ao meu Orientador, Murilo Silveira, pelas horas de dedicação, paciência e contribuição direta para que esse trabalho tomasse forma. A Cínthia Holanda, uma pessoa mais que especial. Amiga de todas as horas e que me ajudou de todas as maneiras para que eu pudesse concluir esse trabalho. Os puxões de orelha surtiram efeito. O que seria de mim sem você? A Amélia Mendes, pela amizade sempre tão dedicada. A turma do grupo do ócio, pelas risadas, pelas alegrias, pelos bons momentos e claro aquilo que não poderia faltar, pela ociosidade em comum. A todos os outros amigos, que fazem e sempre farão parte da minha vida. A todos os professores que passaram pela minha trajetória escolar e acadêmica e que contribuíram na minha formação. “Na próxima encarnação Não quero saber de barra Replay de formiga Eu quero nascer cigarra”. Itamar Assumpção não RESUMO Apresenta um breve histórico da profissão de bibliotecário. Discute sobre a formação dos estereótipos e suas conseqüências sociais. Explana a influência da mídia na formação dos estereótipos ligados aos profissionais da Biblioteconomia. Estabelece características dos estereótipos desenvolvidos pela sociedade. Considera a possibilidade de que os estereótipos criados para os bibliotecários, influenciem na auto-imagem desse profissional. Analisa a imagem desse profissional através de questionários vista por parte da população da Cidade do Recife. Palavras-chaves: bibliotecário. Estereótipos. Estereótipo do bibliotecário. Imagem do ABSTRACT Presents a brief history of the profession of librarianship. Discusses the formation of stereotypes and social consequences. Explains the influence of media in the formation of stereotypes related to professional librarianship. Establishes the characteristics of stereotypes developed by the society. Does the possibility that the stereotypes created for librarians, affect self-image of a trader. Analyzes the image of a trader through questionnaires seen by the population of the City of Recife Keywords: Stereotypes. Stereotype of librarian. Image librarian. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 Bibliotecária 1 p. 29 Figura 2 Bibliotecária 2 p. 29 Figura 3 Bibliotecária 3 p. 30 Figura 4 Bibliotecária 4 p. 30 Figura 5 Bibliotecária 5 p. 30 Figura 6 Bibliotecário 1 p. 30 Figura 7 Evolução do Bibliotecário p. 32 Figura 8 Quantidade de formandos por ano p. 41 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Aprovados no vestibular p. 40 Gráfico 2 1º Grupo: tipo de biblioteca p. 44 Gráfico 3 2º Grupo: tipo de biblioteca p. 49 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Perfil Profissional do Bibliotecário no Brasil em Períodos de p. 19 Tempo Quadro 2 Características do Bibliotecário em Períodos Históricos p. 32 Quadro 3 1º Grupo: categorias p. 45 Quadro 4 1º Grupo: locais de atuação do bibliotecário p. 45 Quadro 5 1º Grupo: visão a respeito do profissional de Biblioteconomia p. 46 Quadro 6 1º Grupo: características dos bibliotecários e bibliotecárias p. 48 Quadro 7 2º Grupo: categorias p. 50 Quadro 8 2º Grupo: locais de atuação do bibliotecário p. 50 Quadro 9 2º Grupo: visão a respeito do profissional de Biblioteconomia p. 51 Quadro 10 2º Grupo: características dos bibliotecários e bibliotecárias p. 52 LISTA DE SIGLAS PUC-SP Pontifícia Universidade Católica de São Paulo CDD Classificação Decimal de Dewey CAC Centro de Artes e Comunicação CD Compact Disc UFPE Universidade Federal de Pernambuco SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO p. 12 2 UM BREVE HISTÓRICO DA PROFISSÃO DE BIBLIOTECÁRIO p. 13 3 ESTEREÓTIPO: UMA FORMA DE ENTENDER p. 22 4 O BIBLIOTECÁRIO NA MÍDIA E NA SOCIEDADE: os estereótipos em p. 27 questão 5 O BIBLIOTECÁRIO NA SOCIEDADE: gêneros e estereótipos p. 33 6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS p. 42 6.1 Aplicação dos questionários, tabulação e análise dos dados p. 42 7 p. 43 A IMAGEM DO BIBLIOTECÁRIO NO RECIFE 7.1 A imagem dos bibliotecários pelos indivíduos com nível médio p. 43 7.2 A imagem dos bibliotecários pelos indivíduos com nível superior p. 49 8 CONSIDERAÇÔES FINAIS p. 54 REFERÊNCIAS p. 55 APÊNDICES p. 64 ANEXOS p. 69 1 INTRODUÇÃO Uma imagem sempre traz consigo várias características e elas, muitas vezes, recebem sempre interpretações pelo meio que as inserem. Pimentel e Silva (2009) destacam que nos tempos modernos, a imagem tornou-se um fenômeno cultural, que estimula o modo do homem enxergar as coisas. Sendo assim, a interpretação desse fenômeno possibilita uma leitura mais ampla e nada linear daquilo que é observado. Eles ainda completam que, “falar da imagem e sua interpretação remetem-nos às teorias sobre o Imaginário e a Arte da Memória” (PIMENTEL; SILVA, 2009, p. 1). Essa visão, seguida de percepções da realidade e do imaginário, pode ser empregada a um ser, mas o presente trabalho pretende mostrar a imagem de um grupo profissional: o bibliotecário; não é de hoje que essa imagem é posta em xeque. A própria literatura mostra alguns estudos sobre o tema e faz uma reflexão sobre a forte utilização de estereótipos negativos inseridos a classe. Acredita-se que esses estereótipos ainda estão presentes na mente de boa parte da sociedade, como indica o estudo aqui exemplificado. Estudos de imagem pública do profissional identificaram na maioria das vezes, o bibliotecário estereotipado como conservador, burocrata, amarrado aos livros, indiferente à realidade social, menos criativo que outros profissionais, ineficiente, não-intelectual, enfim, com muitos atributos pessoais e profissionais negativos (OLIVEIRA, 1980). Ezequiel Theodoro da Silva, Mestre em Educação pela Universidade de Miami e Doutor em Educação (Psicologia da Educação) pela PUC-SP, demonstra sempre interesse em falar sobre a importância das bibliotecas na educação. Porém, em uma palestra ministrada por ele, é abordado o profissional bibliotecário como mostra o trecho: O problema da biblioteconomia brasileira está na mentalidade retrógrada de um grande número de bibliotecários, que se apresentam como pequenas autoridades: donas dos espaços públicos; reprodutoras cegas de normas esclerosadas; escravas das fichas de catalogação e de sistemas fechados de consulta; seguidoras servis dos códigos (e não dos caminhos concretos da vida); zumbis de espaços compartimentalizados; marionetes alienadas que só funcionam ao toque da burocracia, incapazes de 12 sair dos enferrujados trilhos do tecnicismo; bedéis vivendo atrás das barreiras dos seus balcões; seres desacostumados ao diálogo; cópias carbono de totens autoritários e tocadoras da mesmice, cujo único desafio na vida é saber quando vai sair a aposentadoria para que continuem a fazer nada do nada que sempre fizeram”. (SILVA, 1990, p. 131) Com a justificativa de que os estereótipos negativos ainda estão presentes na imagem deste profissional, o presente estudo busca investigar a imagem estereotipada do profissional bibliotecário. O objetivo fundamental da pesquisa é identificar a importância do bibliotecário, a partir da sua função social e suas representações por um grupo de usuários em Bibliotecas da Cidade do Recife. Porém, antes de conhecer as opiniões dos questionados, o trabalho traz uma revisão bibliográfica do histórico da profissão desde a antiguidade até os chamados tempos modernos, e ainda uma discussão sobre a questão do estereótipo na sociedade contemporânea. Em seguida apresenta os procedimentos metodológicos e os resultados obtidos no processo de pesquisa, pautados na discussão teórica. E por fim, colocase as considerações finais construídas durante o período de realização da investigação. Inclui ainda anexos e apêndices que contribuíram para o desenvolvimento do estudo, ao final. 2 UM BREVE HISTÓRICO DA PROFISSÃO DE BIBLIOTECÁRIO A Biblioteconomia é a disciplina que estuda os fluxos, serviços e produtos da informação registrada. Nesse âmbito, trata sobre o diagnóstico, planejamento, implementação, organização, administração, disseminação e uso da informação em bibliotecas, centro de documentação, sistemas de informação, sites, entre outros. Segundo Souza (1997, p.49) a “Biblioteconomia é uma arte de organizar bibliotecas”. O termo “Biblioteconomia” deriva do termo biblioteca, que é composto por biblio (livro) e theke (caixa), formação esta que evidencia a concepção de biblioteca enquanto caixa de livros. Talvez por esse fato, o grande público associe o termo 13 “biblioteconomia” aos livros, à biblioteca, às técnicas empregadas e aos serviços prestados no âmbito desta instituição. Todavia, já há algumas décadas, a área vem trabalhando com a informação independente do seu suporte físico (discos, patentes, cds, vídeos, anais de congressos, manuscritos, cartazes, fotografias, histórias em quadrinhos, mapas, relatórios técnicos) e da instituição que a possui (GOMES; ALBUQUERQUE, p. 3). O bibliotecário é o profissional que torna acessível à informação ao usuário, independentemente do suporte que ela apresente, ou seja, a base do trabalho desse profissional se direciona para as técnicas de organização e o tratamento da informação para fins de recuperação e uso. Nesse processo entre busca e recuperação da informação o bibliotecário é o mediador, sendo o que o que busca o aprimoramento crítico para avaliar os recursos e os produtos que a informação disponibiliza. Além de perito no tratamento da informação, é o responsável pela democratização do acesso à mesma, colaborando para o desenvolvimento social e os avanços científicos e tecnológicos. Carvalho (1998 apud LIMA; SANTOS; SANTOS; MACIEL, 2007) exemplifica com exatidão o bibliotecário, classificando-o como o profissional da ciência da informação que desenvolve as seguintes atividades: administrativa (planejamento e organização para gerir um bom funcionamento); formação e manutenção do acervo (aquisição e doação de materiais bibliográficos); preparo técnico do acervo (representar e descrever de forma temática o acervo que possui para facilitar sua utilização) e finalmente a atividade de referência. O ofício de bibliotecário é uma das mais antigas profissões. Para se ter uma idéia o termo “bibliotecário” surge no ano de 1751, onde foi apresentado em um artigo de uma Enciclopédia, em que aparece conceituado como “aquele que é responsável pela guarda, preservação, organização e pelo crescimento dos livros de uma biblioteca. Ele pode ter também funções literárias que demandam talento.” (DIDEROT; D‟ALEMBERT, 1993, p. 212). Estima-se, ainda, que a profissão tenha iniciado nos primórdios da civilização com as práticas dos monges copistas, mas na Antiguidade Clássica a prática de organização da informação já existia e era entregue as pessoas consideradas sábias. Martins (1996, p.71) diz que: “Até a Renascença, as bibliotecas não estão à disposição dos profanos: são organismos mais ou menos sagrados, ou, pelo menos, religiosos, a que têm acesso apenas os que fazem parte de uma certa „ordem‟, de um „corpo‟ igualmente religioso”. 14 Uma característica marcante e encontrada desse chamado “bibliotecário”, na Antiguidade, é o fato de que não tinha como o papel principal organizar o acervo, seria mais um cargo de confiança, onde quem guardava o conhecimento era dotado de algum tipo de prestígio perante a sociedade da época. Milanesi (2002, p.16) ainda coloca que esse “bibliotecário” era uma espécie de curioso no universo do saber e que “mais se afirmou como um devotado e estranho guardião do saber”. As bibliotecas no Antigo Egito emergiram provavelmente numa data próxima de 2400 a.C. e eram uma espécie de templos religiosos e culturais em simultâneo. Os seus serviços incluíam o armazenamento de comida, a educação de escribas, a administração da justiça, o arquivo histórico, o ensino da medicina e artes espirituais. Quanto aos BIBLIOTECÁRIOS, estes eram também escribas e eram vulgarmente altos oficiais do estado ou sacerdotes. A atividade que exerciam era considerada SAGRADA, devido à habilidade rara que tinham para ler e escrever, o que levava a que o poder e influência que detinham sobre o poder político fosse imenso, ao que parece, consideravelmente maior do que é hoje (RUBIN, 2004, p. 15). A figura do bibliotecário, no período medieval, não é mencionada como uma profissão, visto que a responsabilidade da guarda dos livros era função dos mosteiros e conventos. De acordo com Harrison (2000), na Idade Média os livros já eram “organizados e guardados” por um estudioso que pode ser considerado o “bibliotecário” desta época. Eco (2003) em seu livro “O nome da rosa” exemplifica bem a figura do bibliotecário no período medieval, ao colocar a biblioteca como personagem principal dos acontecimentos do enredo e classificando os monges copistas como os “guardiões do saber”, onde detinham o conhecimento total das obras guardadas nas salas e armários: Somente o bibliotecário recebeu o segredo do bibliotecário que o precedeu, e o comunica, ainda em vida, ao ajudante-bibliotecário, de modo que a morte não o surpreenda, privando a comunidade desse saber. [...] Somente o bibliotecário, além de saber, tem o direito de mover-se no labirinto dos livros, somente ele sabe onde encontrá-los e onde guardá-los, somente ele é responsável pela sua conservação. [...] somente o bibliotecário sabe da colocação do volume, do grau de sua inacessibilidade, que tipo de segredos, de verdade ou de mentiras o volume encerra. Somente ele decide como, e se deve fornecê-lo ao monge que o está requerendo [...] (ECO, 2003, p. 44). 15 Na Idade Média o bibliotecário era feito para saber e encontrar as informações desejadas, cabendo a ele julgar se essa informação poderia ou não ser transmitida aos demais. Ao receber o livro o bibliotecário devia memorizar a data da aquisição, saber a localização, guardá-lo, além de traçar estratégias para preservá-lo. No início da Renascença a biblioteca dá início, adquirindo no seu sentido moderno, a sua adequada natureza, como também é nessa época que surge junto ao livro, a figura do bibliotecário. Mas nesse período, o bibliotecário ainda era um erudito ou um escritor que cuidava dos acervos, à busca de tranqüilidade para desenvolver seus enredos, ou seja, desde o surgimento das bibliotecas até o período da Renascença os guardiões dos livros não tinham uma existência social como os bibliotecários que conhecemos hoje; eram sempre homens cultos (sacerdotes ou figuras da elite) que viviam reclusos em suas bibliotecas e preocupados em salvaguardar e copiar as obras dos acervos (BIBLIOTECA, 2007). Cabe ainda dizer que, até a Idade Moderna, as bibliotecas, os arquivos e os museus eram uma só instituição, onde eram armazenados todos os tipos de documentos. Weber (2004) aponta que “o livro é essencialmente um instrumento cultural de difusão de idéias, transmissão de conceitos, documentação, entretenimento ou ainda de condensação e acumulação do conhecimento”. Com essa afirmação é fácil compreender o porquê do desenvolvimento da profissão de bibliotecário a partir do século XIX, uma vez que esse profissional surge para facilitar o acesso aos novos formatos da informação. Alguns fatores importantes são enumerados, a seguir, para explicar melhor esse incremento na biblioteconomia: a) aumento considerável da produção bibliográfica do mundo, tornando mais complexa a seleção e aquisição de livros, a organização e manuseio do material; b) o desenvolvimento de novas áreas do conhecimento e uma crescente interrelação entre campos afins; c) a elevação do nível médio de cultura em muitos países, pela escolarização; d) a difusão do ideal democrático, que destaca a dignidade do homem e o estimula a preparar-se para assumir maiores obrigações para seu próprio bem estar; e) a transformação do conceito de biblioteca, para uma “casa de conhecimentos”, com missão educadora, guia e inspiração de todos (LITTON, 1975, p. 109). 16 Weber (2004, p. 8) ainda afirma, que a “[...] história do livro confunde-se, em muitos aspectos, com a história da humanidade”. Dessa forma, assegura-se ao mesmo tempo em que a vida do livro se confunde com a história da humanidade, que o desenvolvimento da profissão de bibliotecário se confunde com o surgimento do livro. No entanto, não se está afirmado que antes do aparecimento do livro não existiam pessoas que tratassem da informação, mas alega-se que a profissão só começou a se desenvolver após a ampliação das novas formas de apresentação da informação, pois se exigia um profissional que tornasse possível a organização e recuperação do conhecimento. A partir do século XIX, as atividades ligadas à Biblioteconomia foram desenvolvendo-se efetivamente, uma vez que, como é conhecido até hoje se exigiam práticas e técnicas apropriadas para a sistematização das informações existentes nos acervos das bibliotecas. Um exemplo que pode ser citado é o de 1876, quando Melvil Dewey publica nos Estados Unidos a primeira edição de sua Classificação Decimal (a CDD), sendo o primeiro sistema de classificação de assuntos a ser amplamente adotado nas bibliotecas, inclusive até a atualidade. Embora desde a Antigüidade tenha-se pensado no desenvolvimento de um sistema ou de uma forma sistemática de classificação do conhecimento humano, foi a partir de Dewey que tais idéias ganharam forma, facilitando assim o acesso dos usuários às suas informações (BIBLIOTECA, 2007). Segundo Becker e Salgado (1995), a primeira escola de graduação em Biblioteconomia foi fundada em 1821, na cidade de Paris com caráter erudito. Posteriormente, em 1887, surgiu, nos Estados Unidos, a segunda escola para formação dos bibliotecários fundada por Melvil Dewey, com enfoque tecnicista, diferentemente da escola francesa. Percebe-se então o desenvolvimento de dois modelos distintos de ensino e formação em Biblioteconomia: o francês (mais humanístico) e o norte-americano (mais pragmático e tecnicista), ambos implementados no século XIX. A École Nationale des Chartes, escola de nível superior que formou bibliotecários durante todo o século XIX, foi o ícone do modelo francês na formação reservada dos arquivistas e bibliotecários. [...] à formação de arquivistas e bibliotecários que começou por ser obtida nas instituições/serviços através do exercício prático 17 quotidiano e que a partir do século XIX, ocorre nas escolas do tipo École Nationale des Chartes, com uma fonte matriz historicista, que espelhava o modelo implantado após a Revolução Francesa, nomeadamente com a formação dos arquivistas-paleógrafos e dos bibliotecários [...] nos Estados Unidos, já havia movimentos, desde 1876, em direção a um reforço maior na formação técnica dos bibliotecários, como publicações voltadas para bibliotecários e articulação para a criação de cursos de formação. Neste ano a American Library Association é fundada. Melvil Dewey consegue formar, em 1887, a primeira turma de sua School of Library Economy, dentro da Columbia University, onde todas as técnicas profissionais eram ensinadas em apenas quatro meses (PINTO, [200], p. 4). No caso do Brasil, a importância dada aos livros e a criação de bibliotecas, acontece no início do século XVI com a abertura dos mosteiros de ordens religiosas, como as dos Jesuítas, dos Franciscanos, dos Carmelitas, dos Beneditinos, dos Capuchinos, dos Mercedários e dos Oratorianos. Fonseca (1979, p.16) cita um provérbio que diz: “convento sem biblioteca é como quartel sem armamento”, que mostra o quão importante e valioso era considerado a criação dessas bibliotecas. É a partir desse momento que no Brasil fala-se da necessidade e da importância do bibliotecário, observado através das cartas escritas pelos jesuítas, como fala Fonseca (1979, p. 13) ao mostrar um trecho dos textos escritos: breviários, bíblias, livros litúrgicos, obras teológicas se misturavam com textos didáticos para o ensino do Latim nos acervos dessas primeiras bibliotecas. Acervos também enriquecidos com os clássicos latinos e portugueses [...] a necessidade de bibliotecários começou a se fazer sentir. Se européias foram as primeiras obras lidas no Brasil europeus também seriam os primeiros bibliotecários. Europeus e jesuítas (FONSECA, 1979, p. 13). A biblioteconomia no Brasil se desenvolveu mais claramente a partir da transferência da rainha D. Maria I, de D. João VI, Príncipe Regente, de toda a família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, onde D. João VI traz a coleção de livros pertencente a família como mais ou menos sessenta mil peças. Em 29 de outubro de 1810 foi inaugurada a Biblioteca Real do Rio de Janeiro, e só em 1814 foi aberta ao público. O Brasil despertou para os livros a partir do desembarque de D. João VI no País, em 7 de março de 1808. A esquadra do monarca português, formada por oito naus, três fragatas, dois brigues, uma escuna de guerra, uma charrua de mantimentos e mais 20 navios mercantes foi pequena para acomodar 15 mil portugueses que 18 fugiam da Europa temendo as invasões napoleônicas (BIBLIOTECA, 2007). No ano de 1911 o Curso de Biblioteconomia é criado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro com um ano de duração e quatro disciplinas lecionadas: Bibliografia, Paleografia e Diplomática, Iconografia e Numismática, mas com início apenas em 1915 e com fim de atividades em 1922 (CASTRO, 2002). Durante esse período o curso é marcado pela influência da França, ou seja, um período mais humanista (ênfase ao aspecto cultural e informativo). Fonseca (1957) narra com nitidez à divisão das etapas da Biblioteconomia brasileira, relatando que a primeira fase ocorreu de 1879 a 1929, onde o curso é dirigido pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e com influência da Biblioteconomia francesa; a segunda, que compreende os anos de 1929 a 1962, onde se desenvolve com a influência norteamericana e a terceira a partir de 1962 que se caracterizou pela uniformidade dos cursos desenvolvidos a partir do currículo mínimo, tentando reunir as duas influências. Adelpha Rodrigues foi aluna da School of Library Science of Columbia University, a escola de Dewey, numa turma de 160 alunos. Era a única da América do Sul e a primeira brasileira, sendo, portanto, a primeira bibliotecária brasileira, com formação superior. Na época era diretora da biblioteca do Mackenzie College, ficando de 1930 a 1931 afastada para poder estudar Biblioteconomia. (BIBLIOTECA, 2007). A Biblioteconomia brasileira, segundo Silveira (2007), é dividida em três períodos específicos, onde é marcado o desenvolvimento do curso até a ampliação de um novo perfil de bibliotecário, conforme mostra o Quadro 1: Períodos de Tempo 1911 a 1960 1960 a 1990 1990 a 2005 Perfil Profissional Caracteriza-se pela disputa ideológica acerca de quais deveriam ser os fundamentos teórico-práticos transmitidos pelos cursos que começam a se formar. Caracteriza-se pela busca de fundamentos de uma Biblioteconomia Nacional, pautados pela tentativa de se discutir, desenvolver e implementar um projeto de Currículo Mínimo que promovesse o reconhecimento legal da profissão, além de instituir coerência e visibilidade à área, ampliando, assim, seu espaço de atuação social. Caracteriza-se pela formação profissional mais adequada face às necessidades culturais e mercadológicas que começam a surgir. Período de busca de um novo perfil de atuação para os 19 bibliotecários, a partir de habilidades e competências requeridas pelos mercados informacionais brasileiros e do Mercosul. Quadro 1 - Perfil Profissional do Bibliotecário no Brasil em Períodos de Tempo De acordo com Schmidt (2002) o Curso de Biblioteconomia em Pernambuco surgiu em 1948, em nível universitário e de responsabilidade da Prefeitura do Recife, tendo como objetivo formar um profissional qualificado a atuar em Bibliotecas. Em 13 de janeiro de 1950, o curso é vinculado à Faculdade de Direito, deixando as instalações da Universidade do Recife e tendo como primeiros coordenadores os professores Edson Nery da Fonseca, Myriam de Gusmão Martins e Cordélia Robalinho de Oliveira Cavalcanti. O reconhecimento do curso aconteceu em 23 de agosto de 1966, após o Decreto nº 59.114. Em 1968, o curso é agregado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, e em 1975, com a criação do Centro e Artes e Comunicação (CAC), o Departamento de Biblioteconomia foi deslocado para o novo centro. No final dos anos 90, o Departamento de Biblioteconomia passou a se denominar Departamento de Ciência da Informação, (SCHMIDT, 2002). O primeiro curso de Biblioteconomia do Recife foi criado pelo Departamento de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal do Recife – dirigido e animado pelo engenheiro José Césio Regueria Costa – porque precisava de bibliotecários para as bibliotecas populares que estavam sendo ou iam ser instaladas nos bairros da Encruzilhada, Casa Amarela e Afogados, tanto para as do ônibusbiblioteca e para os postos de empréstimo em diferentes pontos da cidade. O curso teve a duração de um ano, com três professores: Ernani Cerdeira (Organização e Administração de Bibliotecas e História do livro), Milton Melo (Classificação) e Edson Nery da Fonseca (Bibliografia e Referência e Catalogação.” (FONSECA apud CASTRO, 2000, p. 44 ). Atualmente, o curso de Biblioteconomia em Pernambuco tem como objetivo formar um profissional apto a trabalhar nos processos de organização, disseminação e gestão da informação, encontrada em diferentes suportes (livros, periódicos, CDs, fotografias, internet, etc.) para diversas audiências. Nesse horizonte, o curso almeja atender às necessidades informacionais dos diversos setores e segmentos da sociedade, seguindo a evolução da profissão e o desenvolvimento de novos espaços além da biblioteca, tais como: centros de documentação, centros culturais e de pesquisa, serviços ou redes de informação, arquivos, museus, instituições públicas e privadas, consultorias e etc. Mas para que a Biblioteconomia tomasse novas 20 formas e tivesse mais representação social, foi preciso adotar a tecnologia como aliada, deixando a imagem do profissional mais dinâmica ao ver das outras profissões como diz Cunha (2000, p. 160): como bibliotecários, fazemos parte de um grupo cada vez mais diversificado de profissionais que lidam com a informação, entre eles os arquivistas, documentalistas, os gerentes de base de dados, os consultores da informação, os profissionais da informação, entre outros, e ainda, porque o trato com a informação na sociedade contemporânea requer a atuação de profissionais com uma grande variedade de competências. Coloca-se então que o bibliotecário não pode continuar a ser apenas um mero arrumador e catalogador de livros, assumindo a posição de técnico científico dos materiais. Deve assumir o papel de um técnico que entende além da Biblioteconomia, com características, com noções sólidas sobre assuntos gerais ou mesmo assuntos que compõem o acervo da biblioteca que trabalha (COUTO apud CASTRO, 2000). Coelho Neto (1996) diz que o bibliotecário tem adotado um novo perfil face às novas mudanças organizacionais e com a proliferação rápida da informação, passando do acervo físico para o virtual, pois até pouco tempo os bibliotecários carregavam um perfil insaturado na Idade Média, onde a biblioteca era um lugar de retiro, de isolamento, permitindo a privilegiados, e quem ali atuava era um membro do poder e estabelecia as relações entre o autor e o leitor como intermediário (dono da informação), orientador de leituras (ideologia do poder), um intercessor (censura). Foi-se o tempo em que a biblioteca se parecia com um museu e o bibliotecário era o catador de ratos entre livros embalara dos e os visitantes olhavam com olhos curiosos tomos e manuscritos antigos. Agora a biblioteca é como uma escola, e o bibliotecário é, no mais alto sentido, um professor, e o visitante é um leitor entre livros como um trabalhador entre suas ferramentas (COELHO NETO, 1996, p. 6). Seguindo a linha de raciocínio de Coelho Neto (1996, p. 5), quando destaca que: O papel do Bibliotecário na sociedade está se alterando devido às novas tecnologias de informação e comunicação. Novas formas de 21 trabalhar surgiram porque novas ferramentas foram criadas para o controle, organização e disseminação da informação. O profissional não está mais limitado ao espaço físico da biblioteca; agora ele trabalha com vários suportes em que a informação está registrada, onde o usuário passa a ser o foco principal e não mais o acervo, ao mesmo tempo que a disseminação passa a ter mais importância que a preservação da informação. O que se pode entender é que com o passar dos tempos o bibliotecário foi se modificando, de acordo com a época, a sociedade e as tecnologias disponíveis e que todo esse trabalho, ou melhor, toda essa mutação vem sendo feita para recuperar, disseminar e preservar o conhecimento, tanto o contido nos livros, quanto nos outros suportes. Portanto, não é apenas uma mudança no perfil do profissional tradicional de biblioteconomia ou nos rótulos que a sociedade o coloca, é uma adaptação a novas exigências organizacionais para melhorar assim o seu desempenho profissional, o que se faz valer as cinco leis de Ranganathan que são leis fundamentais instituídas para a Biblioteconomia (os livros são para serem usados; todo leitor tem seu livro; todo livro tem seu leitor; poupe o tempo do leitor; uma biblioteca é um organismo em crescimento), sendo que agora aplicadas aos diversos formatos de informação. 3 ESTEREÓTIPO: UMA FORMA DE ENTENDER Antes de falar sobre a imagem estereotipada aplicada ao bibliotecário, é de grande importância conhecer o que exatamente significa, como o termo se constitui e suas aplicações. Sabe-se que desde os primórdios o homem desenvolveu meios para o registro do cotidiano e de informações diversas do universo no qual está inserido e, juntamente com a evolução dos seres, esses métodos foram se aprimorando até o surgimento de uma das maiores formas de registro da informação através dos tempos: a escrita. Através da escrita é possível se chegar à compreensão, à análise e à interpretação dos fatos, mesmo nunca se ter vivido na época representada. Mas algo chama atenção na história da escrita. Antes mesmo de se ter um alfabeto ou formas mais lógicas de registro, o homem utilizava pinturas, desenhos, formas gráficas diversas para representar o que se queria, eram as chamadas: pinturas rupestres, onde era retratado todo o modo de vida e de convivência dos seres em 22 determinadas épocas. A imagem seria mais uma forma, além da escrita, de se armazenar e de se explicar fatos e informações. Sobre o assunto Langer (2005, sem paginação) exemplifica bem essa relação da escrita com a imagem quando diz que: A história não é feita unicamente de documentos escritos. Está gravada em imagens, que são muito mais poderosas no imaginário que a escrita, pois permitem que a perpetuação das fantasias ocorra facilmente. Em livros didáticos, no cinema, nos quadrinhos, muitos fatos são interpretados por meio de uma representação visual. A imagem vista nem sempre é decifrada como realmente é, uma vez que os indivíduos possuem um campo visual bastante amplo e rico em mensagens ou informações variadas que deixam margens para situações distintas. As pessoas tendem a diminuir o espaço, ou melhor, os dados colhidos, para poder, com mais exatidão, selecionar, quantificar e qualificar o que é de fato importante, com isso associa essa imagem ao que já se tem em consciência. [...] a imagem é um recurso usado pela humanidade desde os tempos pré-históricos, comprovado pelas pinturas encontradas nas cavernas para expressar a cultura humana até os tempos atuais, onde uma produção vertiginosa de imagens nos atropela diariamente, seja ela de cunho publicitário ou artístico [...] esta produção de imagens, seja individual ou coletiva, visa estabelecer uma melhor relação com o mundo. Mas sabe-se que o órgão da visão não é neutro, ele possui limitações, além do indivíduo também afetar essa relação imagem-percepção, através do saber individual, dos afetos, das crenças, entre outros fatores (ROCHO, 2007, p. 17). O julgamento de uma imagem, dentre as diversas possibilidades, pode se direcionar a alguém, possibilitando inúmeras interpretações a quem julga. No processo de julgamento realiza-se uma avaliação do indivíduo por um grupo, e como conseqüência chega-se a uma conclusão precipitada da veracidade da realidade daquele ser em questão. O resultado dessa avaliação é conhecido como estereótipo que “pode ser entendido como uma ferramenta cognitiva utilizada para categorizar na memória a pluralidade dos elementos sociais, com o objetivo de auxiliar o indivíduo a organizar e compreender de forma menos complexa seu ambiente” (LEITE, 2009, p. 6). 23 Etimologicamente falando, a palavra Estereótipo vem de dois termos gregos, estéreos, que significa “sólido e rígido” e typos, que significa tipo, impressão, figura, imagem, forma ou modelo. Segundo Lysardo-Dias (2007) o termo “estereótipo” denomina, inicialmente, a placa gravada sobre o metal para a impressão de imagens e textos por meio de prensa tipográfica, ou seja, era um modelo fixo que não sofre muitas alterações, como a ideia mesmo diz: é a forma de uma representação pronta, banalizada transformada em clichê. Seguindo o raciocínio de Lysardo-Dias (2007) pode-se perceber que o estereótipo seria uma imagem absoluta, uma forma de ajuizamento usado para se absorver dados imutáveis sobre determinado ser na sociedade. A necessidade de se criar grupos é uma forma de facilitar e ajudar a mente humana a reconhecer indivíduos. Diniz (2006, p. 139) aponta como muitos grupos recebem a “generalizações estigmatizadas como: „o nordestino‟, „o turco‟, o menor infrator da FEBEM”. A “generalização” de grupos é feita sem que ocorra uma importância prévia a observação crítica cometida aos que estão inerentes a estes meios citados anteriormente. Martins e Rodrigues (2004) citam estudos que reafirmam o papel importante dos estereótipos na percepção de outros seres humanos, havendo mesmo quem defenda que as pessoas utilizam, prioritariamente, os estereótipos para decodificar a informação complexa sobre indivíduos e grupos, buscando outras interpretações apenas, quando os estereótipos não oferecem explicações suficientes. Castro, Diaz e Veja (1999) completam a teoria de Martins e Rodrigues (2004) sobre a falta de explicações suficientes dentro de um estereótipo, quando diz que o mundo social e humano não é capaz de ser sempre complexo, flexível e crítico, pode-se dizer que há a tendência de se cair no estereótipo. Algumas características foram denominadas por McGarty (2002 apud Walter e Baptista, 2007) sobre o conhecimento da representação estereotipada, mas uma se deve atenção maior, que classifica o estereótipo como um objeto explicativo, utilizado para: esclarecer dúvidas freqüentes como relação à imagem passada por algo ou alguém. Ou seja, o indivíduo entende as relações entre os grupos, analisando contextos no universo onde está inserido, e estuda comparações que buscam os aspectos explícitos e implícitos da comunicação interpessoal, provendo bases para as inferências na forma como as pessoas realmente as fazem. 24 Para melhor compreensão do motivo da criação dos estereótipos por parte da sociedade, é preciso ressaltar o que é pronunciado por Mcgarthy, Yzerbyt e Spears (2002, p.1 apud Walter e Baptista, 2007, p. 28) sobre o assunto: Sem indivíduos não haveria sociedade, mas a menos que indivíduos também se percebam como pertencentes a grupos, isto é, dividindo características, circunstâncias, valores e crenças com outras pessoas, então a sociedade seria sem estrutura ou ordem. Estas percepções de grupos são chamadas de estereótipos. Quando se fala em estereótipos, as características que são mais evidentes e debatidas são as negativas, que podem fazer com que um determinado grupo seja inferiorizado perante o meio. Podemos citar alguns exemplos de estereótipos negativos, tais como: O papel da mulher é ser dona de casa, submissa e atuar de forma secundária nas esferas sociais; do negro é ser sempre subalterno, empregado conformado e feliz; do homossexual é ser „anormal‟ e com traços acentuados do sexo oposto. Esses modelos são definidos como preconceitos (atitude de carga negativa derivada dos estereótipos) (LEITE, 2009, p. 5). Portanto, quanto mais essas definições discursivas forem reforçadas a esses grupos, maior é a chance de que esses enquadramentos sejam sempre os primeiros pensamentos gerados ou recuperados por indivíduos que interajam com um representante desses grupos estigmatizados (LEITE, 2008). Muitos estudiosos discutem sobre o assunto e tentam explicar o caso, sendo um deles é Lysardo-Dias (2007, p. 26) que descreve: O fato de ele ser tomado como uma idéia que foi se solidificando ao longo do tempo e, por isso, possa ter se distanciado da „realidade‟, fez com que fosse entendido como elemento falseador e pernicioso para as relações sociais. Assim, o termo estereótipo assume uma conotação pejorativa já que remete a um conceito falso (na origem inclusive de preconceitos sociais), uma crença desprovida de qualquer senso crítico que encerrava uma simplificação ou uma generalização sem fundamento. Isso permite explicar a aura negativa que reveste o estereótipo. Sem dúvida que o preconceito é um grande termo a ser discutido dentro dos estereótipos. Preconceito nada mais é que, segundo o dicionário Houaiss (2004), 25 um julgamento ou uma opinião concebida previamente, ou seja, é um conceito formado sem fundamento ou conhecimento suficiente. Ao refletir sobre o que diz Pereira et al (2003) percebe-se que o preconceito se refere a uma atitude injusta e negativa em relação a um grupo ou a uma pessoa, que se supõe ser membro do grupo. Desse modo entende-se o perigo por traz dos estereótipos negativos, que é o prévio julgamento, muitas vezes injusto, a grupos e até mesmos indivíduos pertencentes a esses grupos. Um exemplo que pode ser observado, segundo Leite (2009, p. 7), é quando “um desconhecido é considerado perigoso por pertencer a um determinado grupo minoritário”. Considerando esse arquétipo, se podem lembrar os moradores das favelas, que são muitas vezes estereotipados como pessoas ligadas ao crime. Logo se “sugere que é a combinação de estereótipo negativo e crenças pessoais que resulta em atitudes preconceituosas” Devine (1989 apud LEITE, 2009, 7). Bernades (2003, p. 309) elucida o que seria a injustiça social feita quando ocorre um pré-julgamento com relação ao estereótipo passado: As injustiças sociais que resultam da activação e uso dos estereótipos somente podem ser evitadas caso as pessoas consigam controlar os seus pensamentos estereotípicos. Em conseqüência, quer devido a motivações intrínsecas à própria pessoa, quer devido a motivações sociais em geral, alguns indivíduos tentam evitar a influência que a activação dos estereótipos tem nas suas avaliações. A principal questão a que se procura responder é a seguinte: até que ponto é possível controlar a expressão do pensamento categorial? O estereótipo contraproducente pode levar a várias situações, tais como a injustiça social, como foi exemplificado anteriormente. A injustiça social com relação à figura estereotipada seria o evento de existir na sociedade, através de situações que levam ao constrangimento de um indivíduo, mesmo que a pessoa em tese não seja exatamente como foi julgado previamente. Mas como se pode controlar o que será pensando de algo ou alguém? Essa formação de conceito prévio se deve ao fato de já se ter algumas características e pensamentos anteriores com relação ao ser ou ao objeto em questão, ou seja, esses conceitos seriam a junção de opiniões pessoais com as informações captadas do meio em que se vive. 26 4 O BIBLIOTECÁRIO NA MÍDIA E NA SOCIEDADE: os estereótipos em questão Os meios de comunicação de massa possibilitam o crescimento em muitos sentidos dos seres humanos, pois se tornaram uma opção concreta e legitimada para envio e recebimento de mensagens. O indivíduo passa a ter acesso aos fatos, acontecimentos e notícias que não fazem parte do seu cotidiano, transmitida oralmente, ocasionando variações nas formas de apreensão e entendimento. Os meios de comunicação de massa são aqueles que atingem um número maior de indivíduos e são classificados como: sonoro (telefone, rádio); escrito (jornais, diários e revistas); audiovisual (televisão, cinema); multimídia e hipermídia (convergência de duas ou mais mídias tecnológicas em formato digital) (CARVALHO; SCHWARZELMÜLLE, 2006). Por participar ativamente no dia a dia da sociedade, as mídias influenciam a forma de pensar, exercendo um papel determinante na formação de conceitos sobre algo ou alguém. E é assim que Pereira (2002, p.157) descreve a força que a mídia introduz na sociedade: Como artefatos humanos socialmente construídos, transmitidos de geração em geração, não apenas através de contatos diretos entre os diversos agentes sociais, mas também criados e reforçados pelos meios de comunicação, que são capazes de alterar as impressões sobre os grupos em vários sentidos. Hoje, com a evolução tecnológica e o acesso mais rápido e dinâmico às transmissões dos elementos midiáticos, milhões de informações são apresentadas para a população de uma maneira desordenada sem que haja uma preocupação com os efeitos que essa confusão pode causar. Um exemplo muito discutido quando se fala em “poder da mídia” ou “influência dos meios de comunicação” é o da televisão. A televisão seria O fenômeno social e cultural mais impressionante da história da humanidade. É o maior instrumento de socialização que jamais existiu. Nenhum outro meio de comunicação na história havia ocupado tantas horas da vida cotidiana dos cidadãos, e nenhum havia demonstrado um poder de fascinação e de penetração tão grande (FERRÉS, 1998, p. 13 apud MORONI; OLIVEIRA FILHA, 2008). 27 Por exercer toda essa função e ter uma história de desenvolvimento “virtuoso”, a televisão se tornou algo indispensável no cotidiano das pessoas, sendo muitas vezes o único meio de acesso aos fatos e acontecimentos do mundo. De acordo com IBGE (2007), em 2007 97,8% dos domicílios no Brasil tinham pelo menos um aparelho de tv. Acredita-se que a grande quantidade de televisores se deve ao poder de sedução da mídia audiovisual, que utiliza de recursos visuais e de linguagem que o público leigo entende. A mídia em questão oferta notícias à sociedade, mantendo a população a par das ocorrências. Entretanto, ao mesmo tempo em que garante o acesso aos fatos e acontecimentos, criam conceitos distorcidos, equivocados, levando as pessoas à geração das mais variadas interpretações diante da condição passiva que ele se coloca. Os estereótipos são bons exemplos que ilustram o papel da mídia televisiva na construção de quadros alterados da realidade. Nessa perspectiva, o estereótipo na mídia se configura como uma estratégia discursiva, onde a comunicação garante uma colocação melhor no discurso empregado, sintetizando os conceitos da representação de um signo (DINIZ, 2006). [...] a partir de alguns poucos exemplos, vemos que a utilização e o poder do estereótipo [...] empregado pelos diferentes meios de comunicação de massa, muitas vezes, numa enunciação passional revestida por figuras que resgatam antigos valores ou impõem outros, o estereótipo adquire status de mito e sua utilização revalida valores da cultura (ideologia) (DINIZ, 2006, p. 139). Assim entende-se o porquê da utilização dos estereótipos em todos os tipos de discursos utilizados pela mídia, seja na comunicação oral, na representação de imagens, na escrita, na publicidade, etc. Esse tipo de reprodução de comunicação acrescentada ao estereótipo oferece os elementos necessários para que a notícia, o indivíduo, ou o objeto em questão sejam representados. A partir da discussão levantada sobre o estereótipo, verifica-se que o bibliotecário é alvo desses meios de comunicação, sendo muito deles negativos que prejudicam não só a auto-imagem desse profissional, como também a forma que a sociedade o vê. Na antiguidade o bibliotecário era visto como um sábio, um homem erudito, dotado de um grau superior de inteligência. Com o passar dos anos essa imagem foi desaparecendo, modificando a formação dos conceitos que a sociedade 28 tem do profissional. Nos dias atuais, a imagem do profissional está associada a um fazer meramente técnico e feito por mulheres. A visão deturpada que a sociedade tem, em relação aos profissionais bibliotecários, reflete-se na imagem que nos é transmitida: uma mulher idosa, ranzinza, sempre exigindo silêncio, fora de moda e que passa a maior parte do seu tempo guardando livros nas estantes (ROCHO, 2007, p. 16). Para exemplificar a situação buscou-se pelo termo bibliotecário em um dos sites de busca mais utilizado no Brasil, o Google. Os resultados apresentados trazem poucas imagens de homens na profissão, indicando assim uma imagem essencialmente feminina ao profissional de biblioteconomia. No Google Imagens a primeira resposta de uma busca foi o aparecimento da expressão pesquisas relacionadas, remetendo ao termo bibliotecária. Das dez primeiras imagens trazidas pela busca, 8 eram mulheres e 2 eram homens, confirmando que a imagem do profissional na Internet está voltada ao sexo feminino. O segundo ponto destacado da busca realizada é a aparência física das bibliotecárias, que na maioria dos casos apresentam mulheres introspectivas, sisudas, vestidas com saias longas e cabelos presos, fazendo uso de óculos. Outro exemplo sobre a imagem do profissional bibliotecário na Internet foi obtido no site gettyimages.com. Ao se pesquisar por librarian (bibliotecário em inglês) centenas de imagens foram recuperadas, muitas delas com as mesmas características citadas anteriormente. As figuras abaixo são algumas imagens obtidas no site. Figura 1 – Bibliotecária 1 Figura 2 – Bibliotecária 2 29 Figura 3 – Bibliotecária 3 Figura 4 – Bibliotecária 4 Figura 5 – Bibliotecária 5 Figura 6 – Bibliotecário 1 Imagens como essas também são ou já foram transmitidas em cenas de televisão e cinema. O trabalho de Rocho (2007) evidencia como a mídia cinematográfica transmite do bibliotecário no período compreendido nas décadas de 1930 a 2000, tendo como base 39 filmes. O estudo em si gira em torno do conceito de “cinema”, classificando-o como “um meio pelo o qual a sociedade 30 expressa-se cultural, artística e ideologicamente”, conseqüentemente o cinema é uma forma de dominação, “de relação de poder entre um grupo e outro”, onde a propagação de estereótipos, seja de qualquer profissão, é uma forma de legitimar o poder existente. Rocho (2007, 36) percebe que a imagem dos bibliotecários retratada, nesses períodos, não sofre grandes alterações e que o profissional de biblioteconomia do sexo masculino é pouco representado, concluindo que há a predominância do estereótipo negativo do bibliotecário nos filmes analisados. A pesquisa de Rocho só apoia mais a teoria da existência do estereótipo contrário dos profissionais de biblioteconomia. Não se pode negar a forte influência que a mídia tem na vida das pessoas, na formação dos seus pensamentos, ideias, ideologias, opiniões, etc., mas a formação da imagem do bibliotecário veiculado pela mídia não foi criado sem fundamentos. De certa forma a mídia reflete o que está presente na sociedade, e essas representações são produtos elaborados a partir de identidades coletivas condicionadas às práticas sociais. No caso dos bibliotecários é preciso analisar o que a literatura diz a respeito da formação dessa imagem, para tentar entender como tais características e esteriótipos foram criados e quais foram as modificações sofridas ao longo da história. Analisando a história da Biblioteconomia observam-se variações tanto na forma de agir, por parte dos bibliotecários ou dos chamados bibliotecários, quanto na forma de representação desse ofício. A profissão foi se desenvolvendo juntamente com a sociedade e as suas práticas profissionais voltadas à informação, exigindo diferentes perfis do bibliotecário. Ilustrando o que foi dito anteriormente deseja-se mostrar a evolução da profissão de bibliotecário expondo algumas figuras, partindo da teoria que certas imagens falam mais do que palavras. 31 Figura 7 - Evolução do Bibliotecário Fonte: http://biblio20.files.wordpress.com/2009/06/capa1.jpg Para melhor entender as transformações sofridas pela profissão do bibliotecário, O Quadro 2 exibe algumas características separadas por período, desde a antiguidade até os dias atuais. Período Características Eram também escribas e tinham altos cargos na sociedade Antiguidade (oficiais do estado ou sacerdotes). Suas atividades eram (280 a.C. a 416) consideradas sagradas e por saber ler e escrever eram donos de fortes influências no poder político. Idade Média Considerados como os guardiões da informação, ou do saber, os clérigos tinham o domínio sobre os livros. A ordem e a preservação da informação era o principal objetivo. Com isso a igreja obtinha um forte poder sobre a sociedade. Os nobres e eruditos também eram responsáveis pelos livros em suas bibliotecas particulares, tendo o mesmo objetivo dos clérigos, acúmulo do conhecimento para si. École Nationale des Chartes Humanista. Erudito. Preservador dos documentos, guardião das XIX - França coleções de manuscritos, livros e outros tipos de impressos. Um 32 bibliotecário culto, ligado a cultura e às artes. Escola de Meivil Dewey Tecnicista, voltado exclusivamente a atividade de tratamento e XIX – Estados Unidos organização de documento. Profissionais ligados à modernidade. Voltado para o trabalho interno da organização da biblioteca. Contemporâneo Mais tecnicista, porém possuidor de características humanísticas. Voltado a novas tecnologias e suportes de informacionais. Educador. Gestor e gerenciador da informação. Quadro 2 - Características do Bibliotecário em Períodos Históricos 5 O BIBLIOTECÁRIO NA SOCIEDADE: gêneros e estereótipos Uma característica notória, como foi percebido na mídia é também colocado na literatura, que a biblioteconomia é uma profissão que tem por maioria, profissionais do sexo feminino. Isso foi verificado em trabalhos feito por Oliveira (1980), onde em sua pesquisa mostra uma porcentagem de 88% e Baptista (2002) de 94,9% de mulheres em relação a homens bibliotecários. Por isso é bem mais comum encontrarmos estereótipos ligados as bibliotecárias. A figura do profissional da Biblioteconomia, que no imaginário popular resume-se à bibliotecária, é obviamente, estereotipada ao extremo: mulher de meia-idade, óculos, nem um pouco atraente, solteira, roupas longas, coque nos cabelos e uma insaciável capacidade de fazer „shiiiiii‟ para os usuários mais barulhentos da biblioteca (BARROS, 2005, p. 4). Alguns autores discutem qual seria a causa da associação da profissão bibliotecária a feminização, mesmo assim não existem muitos estudos que se aprofundem no assunto, ficando difícil a realização de uma compreensão coesa sobre situação. Martucci (1996) coloca a figura da professora como responsável por esse estereótipo ao afirmar que há uma fronteira entre o magistério e a biblioteconomia, uma vez que: a bibliotecária foi encarada como uma professora informal, que exercia sua função de educadora fora do espaço formalizado do ensino, ocorrendo um deslocamento físico da sala de aula para a biblioteca. Era preciso deslocar uma professora para as funções de reunião, organização, armazenamento, preservação e orientação de uso de materiais impressos diversificados, necessários ao 33 enriquecimento do ensino, em um espaço apropriado para estudo e pesquisa (MARTUCCI, 1996, p. 233). Já para Walter e Baptista (2007) existem outras razões que explicam o maior número de mulheres na biblioteconomia: Historicamente, as mulheres são associadas a profissões que não são competitivas, não exigem esforço intelectual, cujo exercício demanda comportamentos e atitudes relacionadas àquelas das donas de casa, como, por exemplo, ordem, asseio e servir pessoas, entre outras; As mulheres, no Brasil, segundo dados constantemente divulgados pela imprensa, percebem menores remunerações que os homens, nas mesmas posições; Das mulheres espera-se, normalmente, comportamentos dóceis e delicados e qualquer atitude mais assertiva é considerada agressividade e pode ser associada ao fato de ser „solteirona‟ e recalcada, enquanto que aos homens essa maior agressividade é associada a um comportamento positivo e de personalidade forte (WALTER; BAPTISTA, 2007, p. 32). Para se ter uma idéia, a primeira turma formada, em 1887, na School of Library Economy, de Melvil Dewey, era basicamente composta por mulheres, surgindo posteriormente uma procura ainda maior desse gênero pela profissão. Jeannette Kremer (1983) mostra um fato curioso na escola de Dewey: Contra as ordens expressas dos curadores da Columbia University, ele [Dewey] abriu as portas às mulheres, que já somavam dezessete dos vinte alunos da primeira turma. Foi por esse motivo demitido da universidade, pouco depois. Em 1889 mudou a sua escola para a University of the State of New York em Albany, com um curso de dois anos em nível de graduação (KRENER, 1983, p. 18). A passagem mostra quão era forte a resistência à entrada de mulheres no mercado de trabalho, nas universidades e no cotidiano da sociedade. Mas diante do empasse, quais seriam as reais condições exigidas para exercer a função de bibliotecário à época? Litton (1975) apresenta quais seriam os requisitos necessários para ser um bibliotecário, que segundo ele são características encontradas nas mulheres o que mais uma vez associa a imagem da mulher ao meio biblioteconômico. espírito de ordem: a natureza do trabalho requer espírito sistemático e analítico, argumentando que na biblioteca moderna não há lugar para pessoas desorganizadas; necessidade constante de educação: existe a necessidade de uma constante ampliação de 34 conhecimentos para a aquisição de habilidades adicionais para o desempenho do trabalho; afabilidade no trato: deve possuir bons modos, delicadeza com os leitores, ter prazer em trabalhar diretamente em contato com o público, ser extrovertido, aproximar-se do leitor, descobrir seus interesses e desejos e cooperar na sua busca de informação; tolerância: o bibliotecário lida com comunidades heterogêneas e a intolerância, impaciência, teimosia e obstinação não são aceitáveis, devendo se mostrar sempre tratável e simpático com seu público; condições físicas: devem ser simpáticos, comunicativos e de boa aparência física (LITTON, 1975, p. 76). Além do estereótipo feminino associado à Biblioteconomia, existe outro tipo de imagem equivocada da profissão, e neste caso se direciona aos homens. Há poucos registros na literatura ou na mídia sobre o assunto, mas que representam o sexo masculino como bibliotecários afeminados e introspectivos, conforme mostram Walter e Baptista (2007, P. 34): Embora haja muito menos textos e dados sobre o tema, existe outro estereótipo associados aos bibliotecários, nesse caso os do sexo masculino, que é o relacionado à orientação sexual dos homens que escolhem essa profissão, geralmente relacionada com a homossexualidade ou com posturas efeminadas). Dos poucos estudos realizados sobre o tema, o de Sable (1969, p. 749) citado por Walter e Baptista (2007, p. 34) é o que mais se destaca, pois consegue agrupar algumas informações dos estereótipos trazidos na profissão do bibliotecário e aponta o receio existente dos homens ao entrar no curso: “os bibliotecários do sexo masculino querem primeiro, antes de comprovar que eles são bibliotecários, comprovar que são homens. Eles não querem ser considerados como pertencentes ao estereótipo feminino”. E, prosseguindo Sable (1969, p. 749 apud WALTER; BAPTISTA, 2007, p. 34) diz que “ele quer pessoalmente excluir-se das características sexuais que o pensamento popular caracteriza as bibliotecárias do sexo feminino. Sua masculinidade está em questão”. Um fator importante que deve ser salientado, antes de se chegar à autoimagem desse profissional, como diz Roggau (2006), é o fator psicológico onde o ambiente de trabalho muitas vezes pode interferir diretamente no comportamento, provocando a criação de certos estereótipos: 35 Las bibliotecas, desde siempre, han sido elegidas como campo de actividad por aquellas personas inclinadas a la introversión, la disquisición intelectual, la lectura silenciosa, la vivencia em solitario de la literatura, el conocimiento por el conocimiento mismo (ROGGAU, 2006, p. 28). Logo, conclui-se que além dos gêneros masculino e feminino ligados à Biblioteconomia são estereotipados negativamente, a biblioteca também termina sendo revestida por julgamentos errôneos e deturpados. Historicamente os bibliotecários, e consequentemente, a biblioteca serviam apenas a uma pequena parcela da sociedade, sendo esta minoria a elite, que possuía totais poderes sobre o saber. Aqui Roggau (2006) define bem o que foi dito: La imagen elitista de las bibliotecas también aporta al sostenimiento del estereotipo: un espacio reservado para minorías (poder que paradójicamente se nutrió del conocimiento y de la información). La arquitectura de las bibliotecas da cuenta de las ideas de quienes las construyeron: desde esa perspectiva la biblioteca era simbólica (un templo del saber), los libros "sagrados" (objetos intocables), los lectores eran privi-legiados (los intelectuales y los ricos) (ROGGAU, 2006, p. 29). Outro tópico determinante na construção dos estereótipos masculino e feminino, se refere à auto-imagem do bibliotecário. Entende-se por auto-imagem uma projeção descritiva do conhecimento que o indivíduo tem de si próprio, ou seja, é a opinião que a pessoa tem de si. Essa auto-imagem pode ser positiva ou negativa, pode apreciar ou depreciar, dependendo do que for tratado. A autoimagem seria um retrato momentâneo, nem sempre objetivado que cada ser humano faz de si próprio e que deve ser construída continuamente e, para isto, depende concretamente da auto-aceitação e da aceitação por parte das outras pessoas. (MOSQUEIRA; STOBÄUS, 2008). Geralmente as profissões vêm carregadas de algum tipo de imagem de associação e nem sempre são positivas, sendo assim imagens que trazem consigo uma bagagem que influenciam a auto-imagem. Para alguns autores existem até três tipos principais de autoimagem podem ser identificados: uma dimensão individualista do eu, reunindo conceitos como independente, autônomo e separado; uma outra denominada coletivista, que acentua as relações entre o indivíduo e a coletividade; e uma terceira dimensão, que recebe o nome de relacional, cujo foco de atenção são os indivíduos entre si. Não obstante, parece mais parcimoniosa e teoricamente 36 consistente, a clássica definição que prediz dois tipos de autoimagem, não exatamente expressando conteúdos opostos ou conflitantes: independente e interdependente que também recebem as denominações de autônomo e interdependente ou eu privado/individual e eu público/social” (GOUVEIA et al, 2002, p. 50). Quando se fala de auto-imagem parece existir uma intenção de associar essa característica com outra: a auto-estima. A auto-estima seria a avaliação particular que uma pessoa faz de si mesma, como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau. O entendimento da auto-imagem e dos fatores que interferem em sua construção são pesquisados em relação a diversos temas como as relações de poder, absorção de novos conhecimentos e, também, pela influência do trabalho. O que se depreende das diferentes análises é a importância desse elemento como fator de impacto para as pessoas no exercício profissional e, em certo sentido, no desenvolvimento das profissões (WALTER, 2008, p. 21). Partindo desse pressuposto, será que o bibliotecário se aceita como profissional? Alguns estudos que interligam auto-imagem e o profissional de Biblioteconomia dizem que a auto-imagem depende da interdisciplinaridade, ou melhor, da forma como o bibliotecário se apresenta no trabalho, da maneira que se dirige aos usuários. Essa atitude é a criação de uma representação não só do profissional, como também do local de trabalho. Para o usuário, a aparência, a atitude e a prestação de serviço mostra o quanto à biblioteca e os profissionais trabalham para melhor atender as necessidades informacionais solicitadas, porém, em muitos casos, esses profissionais geram “uma apatia profissional e uma falta de interesse pela profissão” (OLIVEIRA, 1980, p. 85), pela falta de reconhecimento sofrido pela Biblioteconomia. Para Farinas citado por Oliveira (1980, p. 23) a realidade profissional é desalentadora, pois falta, por parte dos bibliotecários, a consciência interior de que o profissional realmente é, para que existe e qual o papel que deve ser desempenhado perante a sociedade. Um grande exemplo disso é quando os bibliotecários querem mudar a nomenclatura do nome do curso, buscando fugir de certos rótulos implantados ao longo do tempo. Nesse horizonte, imaginam que se trata de soluções frente a imagem negativa que possuem, revestindo-se com novas denominações que lhes tragam novo status profissional. Com isso, o termo 37 Biblioteconomia vem perdendo a força e o profissional, de certa forma, a identidade e as características que fazem com que os reconheçam. Alguns dos termos que são associados ao Bibliotecário: biblioteconomista, bibliógrafo, cientista de informação, consultor de informação, especialista de informação, gerente de informação, analista da informação, gestor de informação, entre outros. Mas um estudo recente, realizado no Estado de Alagoas, mostra que o bibliotecário vem construindo uma auto-imagem positiva da profissão: Através de nossa pesquisa verificamos que os profissionais bibliotecários possuem uma auto-imagem positiva, sentem-se estimulados a trabalhar como bibliotecários, não mudariam de profissão, e diferente da população vêem na Biblioteconomia oportunidades de ascensão profissional e a necessidade de habilidade e dinamismo para o exercício da profissão. Tudo isso revela o quanto estes profissionais acreditam na importância de seu trabalho, apesar dos problemas de valorização profissional no qual se deparam na busca de seu espaço. O que afirmamos, entretanto, com base em nossa pesquisa, e respaldados pela literatura especializada, é que existe entre estes profissionais a necessidade de uma visão de mundo mais ampla, ou seja, interdisciplinar e transdisciplinar, fator este que contribuiria para o fortalecimento de suas atitudes como profissionais da informação (LIMA; LIMA, 2009, p. 71). Pode-se pensar, então, que o problema não estaria na auto-imagem do profissional e sim na valorização que a sociedade tem a respeito da Biblioteconomia, onde a auto-estima está diretamente ligada à auto-imagem. Ou seja, o bom reconhecimento reflete diretamente na imagem que esse profissional terá do trabalho desenvolvido por ele. Essa auto-imagem positiva deve ser construída com a associação de alguns fatores segundo Mosquera e Stabäus (2008, p. 117), uma vez que a auto-imagem depende da auto-estima, ou seja, a junção da auto-estima à auto-imagem gera o processo de reconhecimento próprio, são elas: segurança e confiança de si mesmo; procura incessante da felicidade; reconhecer as qualidades sem maiores vaidades; não considerar-se superior e nem inferior aos outros; admitir limitações e aspectos menos favoráveis da personalidade; ser aberto e compreensivo; ser capaz de superar os fracassos com categoria e classe; saber estabelecer relações sociais saudáveis e permanentes; ser critico construtivo; e ser, principalmente, coerente e 38 conseqüente consigo mesmo e com ou outros, respeitando-os e dando-lhes as oportunidades de manifestação. O profissional em si que deve mudar o modo que a sociedade o vê, a questão é simples: o indivíduo não nasce bibliotecário, se torna um! Antes de ingressar na Universidade se tem a visão que a sociedade transmite, as conclusões tiradas anteriormente por outras pessoas, e após o ingresso se deve pensar como bibliotecário, agir como bibliotecário. Em Pernambuco, por exemplo, o candidato que quiser concorrer às vagas para o curso de Biblioteconomia terá apenas um Instituto de Ensino a fazer, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde a cada ano são oferecidas 35 vagas. Teoricamente a Universidade deveria formar 35 bibliotecários por ano, evento que não acontece na prática. Em “listões” de candidatos aprovados na universidade, é possível observar alguns pontos: baixa concorrência; notas abaixo do padrão, se comparadas com outros cursos das ciências sociais, que realizam praticamente as mesmas provas e; um número maior de mulheres inscritas. O Gráfico 1, elaborado através das listas de aprovados (Anexo A, B, C, D, E e F), abaixo revela esse último ponto, apresentando um número de mulheres e homens que passaram no vestibular para Biblioteconomia no período compreendido entre 2003 e 2008. 39 30 25 26 23 28 24 25 22 20 15 10 12 12 9 11 13 10 Mulheres Homens 5 0 2003/2004 2005/2006 2007/2008 Gráfico 1 – Aprovados no vestibular O gráfico só comprova o que foi dito anteriormente, que o curso de Biblioteconomia, inclusive em Pernambuco, tem em sua maioria mulheres. Para se ter uma ideia, os aprovados no vestibular no ano de 2008 tinham exatemanete 7 pessoas do sexo masculino e 28 do feminino, mas o que esperar desses novos alunos que ingressam na Universidade? Ao se fazer uma pergunta, em sala de aula, por uma professora do Departamento de Ciência da Informação da UFPE, aos alunos do 1° período de Biblioteconomia, quais seriam os motivos que os levaram a escolheram esse campo, muitas das respostas foram: “Não sabia o que fazer e escolhi o curso com menor concorrência” ou “optei por fazer esse curso, mas trocarei por jornalismo, ou outro curso quando houver oportunidade”. Essas respostas demonstram a falta de interesse da profissão já no momento da escolha. Apesar do pouco interesse demonstrado para aqueles que prestam vestibular para Biblioteconomia e a pouca concorrência, muitas vezes motivada pela falta de conhecimento do que venha a ser o curso, o gráfico apresentado por Figueiredo e Souza (2007), demonstra que a procura, nos últimos anos, no Brasil vem aumentando. E isso se deve a expansão do mercado de trabalho e aos novos cursos de biblioteconomia que foram abertos pelo país nas últimas décadas. 40 Figura 8 - Quantidade de formandos por ano Atualmente 21 estados brasileiros oferecem à formação de bibliotecário, tendo a maior predominância nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste. A tabela em anexo, ANEXO G, apresenta as faculdades e universidade que oferecem o curso no Brasil. O que se entende é que os profissionais de Biblioteconomia, antes mesmo de entrar no curso, devem saber com o que vão lidar. Não basta entrar na Universidade pela baixa concorrência ou por não saber qual profissão irá seguir, todas as atitudes desenvolvidas refletirão diretamente na imagem social desse profissional. A forma que a sociedade vê a carreira é por definição as atitudes criadas pelos bibliotecários, são conceitos, ou melhor, pré-definições que os profissionais trazem consigo durante a vida e que passam quando se tornam realmente profissionais, portanto deve-se assumir um compromisso direto com a BIblioteconomia, onde o bibliotecário, além de um “gestor da informação”, é um inovador independente que mostra valores de predisposição para o incremento da profissão, logo, a mudança da imagem negativa tida pelas pessoas. 41 6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Foi elaborado um questionário de ordem qualitativa e quantitativa, com questões fechadas e abertas, sendo doze perguntas fechadas e três abertas. As três primeiras fornecem dados referentes aos questionados como: sexo, escolaridade e idade. A questão de escolaridade será tratada com mais atenção dentro dessas 03 três questões, pois através dela foram separadas as seguintes amostras da pesquisa: 1º Grupo – Nível médio 2º Grupo – Nível superior Esse dois grupos terão seus resultados analisados separadamente, a fim de estabelecer algumas comparações entre si. A quantidade de questionários aplicados foi dividida por grupo, ficando 33 questionários aplicados ao 1º Grupo e 33 questionários aplicados ao 2º Grupo, totalizando 66 questionários. Os locais escolhidos para aplicação dos questionários foram: · Universidade Federal de Pernambuco – UFPE · Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP · Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco · Colégio Especial – Recife · Colégio Ginásio Pernambucano 6.1 Aplicação dos questionários, tabulação e análise dos dados Ao término do desenvolvimento das questões aplicou-se um pré-teste com a finalidade de se designar as possíveis falhas, tais como: “complexidade das questões, imprecisão na redação, desnecessidade das questões, constrangimentos ao informante, exaustão, etc” (GIL, 1999, p. 137). Com o pré-teste identificaram- 42 se complexidades em alguns termos, que foram modificados posteriormente no questionário final. Os questionários foram aplicados em 5(cinco) lugares, citados anteriormente, tendo apenas duas recusas por parte dos entrevistados. Em média as respostas eram completadas em 6 minutos e os respondentes não apresentavam dificuldades para a compreensão das perguntas. Após a aplicação dos 66 questionários seus dados foram transferidos para uma tabela de resultados, separando cada planilha com a sua devida especificidade e posteriormente foram calculados todos os resultados através do programa Microsoft Excel, por causa da sua facilidade de inclusão de dados, cálculos e criação de gráficos. Essa organização foi feita tendo como base as metodologias sugeridas por Gil (1999), para que houvesse uma análise e interpretação dos dados de forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto pelo trabalho. 7 A IMAGEM DO BIBLIOTECÁRIO NO RECIFE A nível de pesquisa, foi elaborado um questionário que objetivou colher informações a respeito da imagem do bibliotecário perante a sociedade. Através desse questionário foram entrevistadas 66 pessoas, de faixa etária e escolaridade diversas. Embora o questionário permita a estatística de homens e mulheres entrevistados, só será considerado para esta pesquisa dois grupos: o primeiro sendo usuários de nível superior, e o segundo usuários ensino médio. Considerando que usuários de ensino médio utilizam com mais frequencia biblioteca públicas e escolares, e de nível superior as bibliotecas universitárias, será possível distiguir e analisar a imagem dos profissionais que atuam nestes ambientes. 7.1 A imagem dos bibliotecários pelos indivíduos com nível médio Do grupo de indivíduos com nível médio, 100% dos entrevistados possuem nível médio completo, e do total 88% têm idade entre 15 e 25 anos, 3% possuem 43 idade entre 26 e 36 anos, 6% possuem idade entre 37 e 47 anos, 3% possuem idade entre 48 e 58 anos. Quanto à frequencia dos que utilizam a biblioteca, 28% responderam sempre, 24% responderam às vezes, 27% responderam regularmente, 21% responderam pouco. Nenhum dos entrevistados afirmam que nunca a utilizam. As bibliotecas públicas foram apontadas como as mais frequentadas, com 46% dos entrevistados. Em segundo lugar ficaram as bibliotecas escolares, com 42%. E em terceiro lugar as bibliotecas universitárias, com 12%, conforme o Gráfico 2. Que tipo de biblioteca você geralmente frequênta? - Nível Médio 12% 46% Bibliotecas Públicas Bibliotecas Escolares Bibliotecas Universitárias 42% Gráfico 2 - 1º Grupo: tipo de biblioteca Na pergunta na biblioteca, você já foi atendido por um bibliotecário?, 37% dos entrevistados responderam sempre, 33% responderam pouco, e 30% responderam nunca. Observa-se que apenas 37% dos entrevistados responderam que sempre foram atendidos por bibliotecários, e a soma de pouco e nunca aparece com 63%. Esse valor pode ser justificado pelo seguinte fator: a falta de bibliotecários nas bibliotecas escolares e a má funcionalidade dessas bibliotecas. As bibliotecas públicas também sofrem desse mal, como a falta de pessoal qualificado e o pouco investimento por parte do governo. Na pergunta em sua opinião, é preciso um bibliotecário para você achar o assunto desejado?, 79% dos entrevistados responderam que sim, e 21% responderam 44 não. O alto número de resposta no sim demonstra que esse tipo de usuário sente uma grande carência de acompanhamento e ajuda dos bibliotecários em pesquisas dentro da biblioteca. Na pergunta você conhece a profissão de bibliotecário?, 52% dos entrevistados responderam que sim, e 48% responderam não. Os números revelam que um pouco mais da metade dos questionados conhecem a profissão. Deve-se lembrar que em muitas escolas a função de bibliotecário é ocupada pelos professores, que administram a biblioteca. Completando a pergunta anterior, independentemente da resposta, fez-se a seguinte pergunta: o que você acha que ele faz? Com base nas respostas dos entrevistados, apresenta-se o quadro X, a partir do trabalho de Eggerl (1996). CATEGORIAS Organizador da Informação Orienta pesquisas Guardião do acervo Domínio técnico (classificação e catalogação) Fornecedor de informações Controle de empréstimo Útil à comunidade Domínio tecnológico (Automação) Conhecimento cultural amplo Sintetizador da informação PERCENTUAL 30 25 13 9 9 4 4 2 2 2 Quadro 3 - 1º Grupo: categorias Na pergunta você acha necessário um curso superior para a formação de um bibliotecário?, 85% dos entrevistados responderam que sim, e 15% responderam não. As respostas indicam que boa parte dos entrevistados entendem a necessidade de uma formação específica para atuar como bibliotecário. Na pergunta “Para você o bibliotecário só trabalha na biblioteca?”, 45% dos entrevistados responderam que sim, e 55% responderam não. Os outros campos no mercado de trabalho que o bibliotecário pode atuar, só são percebidos por um pouco mais da metade dos que responderam o questionário. Os 45% acreditam que só há espaço em bibliotecas para esse profissional atuar. Dos entrevistados que citaram que o bibliotecário não só trabalha em bibliotecas, foram tabulados os seguintes locais, de acordo com o Quadro X. Locais de Atuação do Bibliotecário Percentual 45 Escolas Galerias de arte e atividades culturais e sociais Arquivos Bancos Recepção Livrarias Empresa como um todo Museus Antiquários Repartições Jornais Centros de pesquisas 12 13 9 9 9 9 9 9 9 4 4 4 Quadro 4 - 1º Grupo: locais de atuação do bibliotecário Sobre a pergunta qual a sua visão a respeito deste profissional?, as respostas são exibidas no Quadro X, a seguir. Visão dos Indivíduos Percentual Culto Organizado Não tenho opinião formada Orientador educacional Gentil Atualizado Útil à comunidade Hostil Dinâmico Profissional não atuante Comunicativo Boa aparência Introspectivo Administrador 23 16 11 9 9 9 7 4 2 2 2 2 2 2 Quadro 5 - 1º Grupo: visão a respeito do profissional de Biblioteconomia Sobre as questões abertas foram selecionadas algumas que merecem destaque. Qual a sua visão a respeito deste profissional? Ele deve ser qualificado e capacitado para atender as necessidades dos usuários (Indivíduo 1). 46 Um profissional que tem muito conhecimento, muita cultura...!. (Indivíduo 2) Creio que uma pessoa culta e que entenda bastante de livros. Um profissional importante para a sociedade. (Indivíduo 3). “Na maioria das bibliotecas que frequento, os funcionários, não sei se bibliotecários ou não, tratam mal as pessoas e recusam a atendê-los, inventando desculpas”. (Indivíduo 4). “Ele é de extrema importância, pois sem ele não haveria organização”. (Indivíduo 5). “Não sei. Nunca tive oportunidade de conhecer um bibliotecário”. (Indivíduo 6). “Nunca vejo esse profissional fazendo sua função, pois muitos deles ficam conversando com outros funcionários ao invés de realizarem seus trabalhos”. (Indivíduo 7). Sobre as características físicas e comportamentais do bibliotecário, o Quadro 6 apontam as respostas dos indivíduos. CARACTERÍSTICAS Magro (a) Gordo (a) Indiferente Alto (a) Baixo (a) Indiferente Introvertido (a) Extrovertido (a) Indiferente Velho (a) Jovem Indiferente BIBLIOTECÁRIOS % 40 19 41 43 15 42 29 34 37 33 30 37 BIBLIOTECÁRIAS % 52 27 21 34 33 32 40 39 21 27 33 40 47 Moderno (a) Ultrapassado (a) Indiferente Com óculos Sem óculos Indiferente Cabelos soltos Cabelos Presos Indiferente Bonito (a) Feio (a) Indiferente Chato (a) Simpático (a) Indiferente Elegante Indiferente Cult o (a) Indiferente Solteiro (a) Casado (a) Divorciado (a) Viúvo (a) Indiferente Homossexual Heterossexual Indiferente 49 21 30 61 6 33 - 18 33 49 15 49 36 12 88 88 12 27 21 0 0 52 9 46 45 58 15 27 44 30 26 27 37 36 30 24 46 9 55 36 15 85 67 33 27 21 0 6 46 3 52 45 Quadro 6 – 1º Grupo: características dos bibliotecários e bibliotecárias A imagem percebida pela maioria referente às bibliotecárias, é de uma profissional magra, alta, introvertida, jovem, moderna, com óculos, cabelos presos, bonita, simpática, culta, solteira e heterossexual. Os termos em destaque diferem de alguns estereótipos antigos, mencionados pela literatura como uma profissional gordinha, baixinha, velha e antipática a seus usuários. Já a imagem referente aos bibliotecários são: magro, alto, extrovertido, velho, moderno, com óculos, feio, simpático, culto, solteiro e heterossexual. Os termos em destaque mostram estereótipos mais atuais. A questão da sexualidade contradiz o que diz a literatura, que a sociedade liga os homens dessa profissão a uma figura feminina, dando a entender que são homossexuais. Isso não é visto pela maioria. 48 7.2 A imagem dos bibliotecários pelos indivíduos com nível superior Dos dados colhidos pela pesquisa, 79% possuem nível superior completo e 21% nível superior incompleto. Do conjunto analisado 73% têm idade entre 15 e 25 anos, 15% possuem idade entre 26 e 36 anos, 6% possuem idade entre 37 e 47 anos, 3% possuem idade entre 48 e 58 anos, e 3% possuem idade entre 59 a 69 anos. Quanto a frequência com que utilizam a biblioteca, 43% responderam sempre, 24% responderam às vezes, 18% responderam regularmente, 12% responderam pouco, e 3% afirmam que nunca a utilizam. Na pergunta que tipo de biblioteca você utiliza?, as bibliotecas universitárias foram apontadas como as mais frequentadas, com 79% dos entrevistados. Em segundo lugar ficaram as bibliotecas públicas, com 12%, e dividindo o terceiro lugar as bibliotecas escolares, comunitárias e especializadas, com 3%. Que tipo de biblioteca você geralmente frequenta? - Nível Superior Bibliotecas Públicas 3% 3% 12% 3% Bibliotecas Escolares Bibliotecas Universitárias Bibliotecas Comunitárias 79% Bibliotecas Especializadas Gráfico 3 – 2º Grupo: tipo de biblioteca Na pergunta na biblioteca, você já foi atendido por um bibliotecário?, 46% dos entrevistados responderam pouco, 30% responderam nunca, e apenas 24% responderam sempre. Ao somar a quantidade de pouco e nunca foram atendidos por bibliotecários, chegamos a um número de 76%. Os números demonstram o pouco contato entre os bibliotecários com os os seus usuários, em bibliotecas universitárias. 49 As respostas para a pergunta na sua opinião, é preciso um bibliotecário para você achar o assunto desejado?, indicam que 55% dos entrevistados responderam que sim, e 45% responderam não. Observa-se que a diferença entre as respostas é bem pequena, e o panorama aponta que, apesar do bibliotecário ser importante, não necessita de sua ajuda em suas pesquisas na biblioteca. A pergunta você conhece a profissão de bibliotecário?, 67% responderam que sim e 33% responderam que não. Os valores mostram que este grupo tem mais conhecimento sobre a profissão do bibliotecário do que o grupo anterior. Passando para a pergunta o que você acha que ele faz?, as respostas são apresentadas no Quadro 7, tendo por base as categorias sugeridas por Eggerl (1996). CATEGORIAS Organizador da Informação Orienta pesquisas/ Assistência ao usuário Guardião do acervo Domínio técnico (classificação e catalogação) Fornecedor de informações Controle de empréstimo Útil à comunidade Domínio tecnológico (Automação) Conhecimento cultural amplo Restaura Livros PERCENTUAL 30 22 10 18 6 4 0 2 4 6 Quadro 7 – 2º Grupo: categorias Na pergunta você acha necessário um curso superior para a formação de um bibliotecário?, 76% dos entrevistados responderam que sim, e 24% responderam não. As respostas indicam que boa parte dos entrevistados entendem que para ser bibliotecário, é necessário uma formação de nível superior. Na pergunta para você o bibliotecário só trabalha na biblioteca?, 30% dos entrevistados responderam que sim, e 70% responderam não. Isso mostra que o mercado de trabalho desse profissional vem sendo reconhecido e que o bibliotecário vem sendo visto em outros campos de atuação. Aqueles que citaram que o bibliotecário não só trabalha em bibliotecas, foram colhidos os possíveis lugares de atuação, como mostra o Quadro 8. Locais de Atuação dos Bibliotecários Escolas Galerias de arte e atividades culturais e sociais Percentual - 50 Arquivos Editoras Livrarias Centros de pesquisas Livrarias Empresa como um todo Bancos Museus Centro de restauração de livros Acervos residenciais/ Instituições Repartições Jornais Recepção Antiquários 37 13 10 10 10 10 5 5 5 5 - Quadro 8 – 2º Grupo: locais de atuação do bibliotecário Sobre a pergunta qual a sua visão a respeito deste profissional?, as respostas são exibidas no Quadro 9, a seguir. Visão dos Indivíduos Orientador educacional Profissional não atuante Não tenho opinião formada Organizado Útil à comunidade Culto Comunicativo Atualizado Hostil Administrador Dinâmico Gentil Boa aparência Introspectivo Percentual 17 17 16 10 10 10 7 3 7 3 - Quadro 9 – 2º Grupo: visão a respeito do profissional de Biblioteconomia Sobre as questões abertas foram selecionadas algumas que merecem destaque. Qual a sua visão a respeito deste profissional? “Mal pago. Não faz parte das profissões de destaque. Um povo que não lê, que não está informado...”. (Indivíduo 8). 51 “Uma pessoa com dificuldade em exercer a sua profissão no mercado de trabalho, porque freqüente mente outras pessoas exercem seu papel”. (Indivíduo 9). “Acredito que esse profissional é pouco conhecido e pouco valorizado no mercado de trabalho, embora seja importante seu trabalho. Ele é visto muitas vezes como um profissional ultrapassado e sem utilidade”. (Indivíduo 10). “Acho a profissão necessária e útil para a formação educacional das pessoas”. (Indivíduo 11). “Acho que este profissional deve ser uma pessoa culta, moderna e muito inteligente, que goste muito de ler e preservar os livros”. (Indivíduo 12). “Não conheço profissionais dessa área”. (Indivíduo 13). “Um profissional que possui um potencial, mas é pouco solicitado pelo desconhecimento de suas funções e possíveis contribuições”. (2º Grupo – Nível Superior, 2009) (Indivíduo 14). “Geralmente parece não gostar do que faz. Acho que a imagem e a ideia deve ser atualizada, pois pelo menos eu associo a uma imagem antiga e os novos profissionais da área deveriam lutar para mudar esse estereótipo. E assim ser associado a um profissional moderno, atualizado, simpático, (que na maioria das vezes não são), dinâmico e sempre disposto a ajudar”. (Indivíduo 15). No que se refere às características físicas e comportamentais do bibliotecário, o Quadro 10 apresenta os seguintes números: CARACTERÍSTICAS Magro (a) Gordo (a) Indiferente Alto (a) Baixo (a) Indiferente BIBLIOTECÁRIAS % 21 30 49 15 46 39 BIBLIOTECÁRIOS % 39 18 43 36 21 43 52 Introvertido (a) Extrovertido (a) Indiferente Velho (a) Jovem Indiferente Moderno (a) Ultrapassado (a) Indiferente Com óculos Sem óculos Indiferente Cabelos soltos Cabelos Presos Indiferente Bonito (a) Feio (a) Indiferente Chato (a) Simpático (a) Indiferente Elegante Indiferente Cult o (a) Indiferente Solteiro (a) Casado (a) Divorciado (a) Viúvo (a) Indiferente Homossexual Heterossexual Indiferente 36 46 18 64 15 21 33 52 15 67 3 30 27 43 30 18 27 55 17 55 28 21 79 64 36 21 27 6 6 40 3 49 48 40 36 24 46 24 30 36 46 18 55 27 18 12 39 49 12 58 30 12 88 39 61 30 33 37 15 36 49 Quadro 10 – 2º Grupo: características dos bibliotecários e bibliotecárias A imagem percebida pela maioria referente às bibliotecárias, é de uma profissional gorda, baixa, extrovertida, velha, ultrapassada, com óculos, cabelos presos, feia, simpática, culta, casada e heterossexual. Os termos em destaque aproximam-se mais com alguns estereótipos antigos, mencionados na literatura. Já a imagem referente aos bibliotecários, este grupo tem a seguinte visão: magro, alto, introvertido, velho, ultrapassado, com óculos, feio, simpático, casado e heterossexual. Os termos em destaque mostram estereótipos mais antigos. A questão da sexualidade contradiz o que diz a literatura, que a sociedade 53 liga os homens dessa profissão a uma figura feminina, dando a entender que são homossexuais. 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo sobre a imagem que o profissional de Biblioteconomia apresenta à sociedade recifense, com o propósito de apresentar se esta imagem é representada de forma antiga ou se já ocorreu a adaptação para os novos tempos. De acordo com o questionário aplicado, pode-se perceber que a imagem do bibliotecário é pouca reconhecida e que vários fatores podem interferir na formação dessa imagem. No nível médio, por exemplo, percebeu-se que há uma frequência maior de uso das bibliotecas públicas do que as escolares, uma vez que as escolas geralmente oferecem bibliotecas que não suprem as necessidades dos alunos, sendo postas de maneira precária e sem um profissional qualificado. Isso consequentemente interfere no conhecimento do aluno sobre quem é, o que faz e qual a importância do bibliotecário para a sociedade. Para confirmar o exposto: 52% do grupo dizem conhecer a profissão e que um profissional qualificado é importante para ajudá-los em suas pesquisas. Já o segundo grupo apresentado demonstra conhecer mais sobre a profissão do que o primeiro grupo. Isso condiz pelo fato das bibliotecas universitárias possuírem uma realidade diferente das bibliotecas escolares, diferente no sentido de existir um número maior de bibliotecários. Porém a maioria diz não precisar desse profissional para encontrar o assunto desejado Analisando não só esses fatores, mas também o próprio bibliotecário, percebe-se que o comportamento ainda reflete bastante na escola de Dewey, com atitudes mais técnicas, diminuindo o contato com o usuário. Silva (1995) rebate essa forma de agir, principalmente nas bibliotecas escolares, ao falar que não se pode admitir que o bibliotecário prenda-se a minúcia tecnicista e, como consequência, relegue a planos inferiores o seu papel principal, qual seja a orientação do leitor, sobretudo dos mais inexperientes, no contato com a biblioteca, com a difusão da informação e a promoção da leitura. 54 Além da visão tecnicista, verificou-se através das respostas que os profissionais da Biblioteconomia são reportados à uma visão mais erudita da profissão, sendo considerados como pessoas cultas, inteligentes e organizadas. Na questão física, os estereótipos antigos são percebidos mais pelo segundo grupo, quando colocam nas bibliotecárias características retrogradas, tais como gorda, baixa, velha ou ultrapassada e nos bibliotecários introvertido, velho, ultrapassado, com óculos ou feio. Além desses pontos encontrados nos bibliotecários, há um outro a ser destacado: sua sexualidade. A opinião pública contradiz com alguns estudos dentro da literatura, ao dizer que os homens dessa profissão não têm uma predisposição para a homossexualidade. Grande parte dos entrevistados coloca que não há um padrão a ser seguido com relação à opção sexual, onde apenas 9% dos entrevistados acham que os bibliotecários são homossexuais. Após a análise da história do surgimento da Biblioteconomia, bem como o seu desenvolvimento com o passar dos tempos, dos profissionais em determinadas épocas e dos estereótipos formados, percebe-se que apesar de se estar numa era onde a tecnologia dita as regras das profissões, que o bibliotecário carrega ainda uma visão mais antiga, pois não há um grau elevado de conhecimento da profissão por parte dos indivíduos. O profissional é considerado, por alguns, como um conservador amarrado aos livros e que não acompanha o desenvolvimento da sociedade. Para que essa situação mude é preciso um reforço maior no marketing profissional e pessoal, marketing que estaria presente também na atuação das suas representações, como associações e conselhos e na modificação das atitudes e comportamentos dos bibliotecários, de forma que sejam favoráveis aos objetivos finais da profissão. REFERÊNCIAS ANTUNES, M. da L. O papel de mediador do bibliotecário de referência na área universitária de saúde. In: CONGRESSO NACIONAL DE BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS, 9., 2007, Lisboa. Anais eletrônicos... Lisboa: Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, 2007. Disponível em: <http://badinfo.apbad.pt/Congresso9/COM18.pdf>. Acesso: 24 set. 2009. 55 BAPTISTA, S. G. Habilidades necessárias para o profissional atuar na era da informação: uma reflexão sobre as tendências do mercado. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 21., 2002, Fortaleza. Anais eletrônicos... Fortaleza: Associação dos Bibliotecários do Ceará, 2002. p. 1-12. Disponível em: <http://www.cid.unb.br/M012/M0122011.ASP?txtID_PRINCIPAL=630>. Acesso em: 24 ago. 2009. BARROS, M. A. Imagem e popularização: a questão dos estereótipos entre os profissionais da Biblioteconomia. In: Encontro Nacional dos Estudantes de Biblioteconomia e Documentação, 28., 2005, Belém. Anais eletrônicos... Belém: UFPA, 2005. Disponivel em: <http://www.sharemation.com/moreno/imagem.pdf>. Acesso em: 19 set. 2009. BECKER, P.; SALGADO, D. M. O bibliotecário no olhar do público escolar. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, n. 6, set. 1998. Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/viewFile/18/5033>. Acesso em: 19 ago. 2009. BERNARDES, D. L. G. Dizer não aos estereótipos sociais: as ironias do controlo mental. Análise Psicológica, v. 3, n. 21, p. 307-321, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v21n3/v21n3a05.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2009. BIBLIOTECA Virtual do Governo do Estado de São Paulo. História da biblioteca e do bibliotecário no mundo e no Brasil. São Paulo: Biblioteca Virtual de São Paulo, 2007. Disponível em: <http://www.bibliotecavirtual.sp.gov/br/especial/docs/200703historiadabibliotec a.pdf>. Acessado em: 20 ago. 2009. 56 CARVALHO, K. de. O profissional da informação: o humano multifacetado. DataGramaZero: Revista de Ciência da Informação, v. 3, n. 5, out. 2002. Disponível em: <http://www.dgz.org.br/out02/Art_03.htm>. Acesso em: 4 ago. 2009. CARVALHO, K; SCHWARZELMÜLLER, A. F. O humano e o tecnológico nas organizações: tecnologia multimídia, um novo instrumento de conhecimento. Revista Tempo Brasileiro, n. 165, abr./jun. 2006. <http://homes.dcc.ufba.br/~frieda/humanoetecnologico.pdf.>. Disponível Acesso em: em: 19 ago. 2009. CASTRO, F. V.; DIAZ, A. V. D.; VEJA, J. L. V. Construcción psicológica da la identidad regional: tópicos y estereótipos en el processo de socialización el referente a Extremadura. Badajoz: Gráfica Disputación Providencial de Badajoz, 1999. CASTRO, C. A. História da Biblioteconomia Brasileira: perspectiva histórica. Brasília: Thesaurus, 2000. COELHO NETO, J. T. Do paradigma do acervo para o paradigma da informação. In: SIMPÓSIO BRASIL-SUL DE INFORMAÇÃO, 1., 1996, Londrina. Anais eletrônicos... Londrina: UEL, 1996. Disponível em: <http://www.ofaj.com.br/disciplinas_conteudo.php?cod=27>. Acesso em: 20 ago. 2009. DIDEROT, D.; D‟ALEMBERT, J. R. L’encyclopédie ou dictionnaire raisonné dessciences, des arts et des métiers. Paris: Flammarion, 1993. DINIZ, M. L. V. P. Estereótipo na mídia: doxa ou ruptura. In: COELHO, J. G.; GUIMARÃES, L.; VICENTE, M. M. (Org.). O futuro: continuidade/ruptura: desafios para a comunicação e para a sociedade. 1 ed. São Paulo: Annablume, 2006, v. 1, p. 134-146. ECO, U. O nome da rosa. Rio de Janeiro: O Globo, 2003. 57 EGGERS, G. A percepção social do profissional bibliotecário: uma pesquisa exploratória. Revista Acb, Florianópolis, v. 1, n.1, p. 33-43, 1996. Disponível em: < http://www.acbsc.org.br/revista/ojs/viewarticle.php?id=6&layout=abstract>. Acesso em: 19 nov. 2009. FIGUEIREDO, M. A. C. de; SOUZA, R. R. Aspectos Profissionais do Bibliotecário. Ciência da Informação, Florianópolis, n. 24, p. 10-31, 2007. Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/viewFile/ 419/407>. Acesso em: 13 nov. 2009 FONSECA, E. N. da. A biblioteconomia brasileira no contexto mundial. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, Brasília: INL, 1979. 112 p. FONSECA, E. N. da. Reformulação do currículo mínimo de biblioteconomia. Brasília: Faculdade de Biblioteconomia da Universidade de Brasília, 1957. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1999. GOMES, K. R.; ALBUQUERQUE, M. E. B. C. de. Estágio supervisionado nos cursos de Biblioteconomia da Região Nordeste. Biblionline, Paraíba, v. 1, n. 2, 2005. Disponível em: http: <//dci2.ccsa.ufpb.br:8080/jspui/bitstream/123456789/ 181/1/Biblionline%20Karina.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2009. GONÇALVES, F. M. da S.; FERREIRA, S. P. A. Biblioteca escolar sob o olhar do aluno. In: COLE- CONGRESSO DE LEITURA DO BRASIL, 16., 2007, Campinas. Anais eletrônicos... Campinas: COLE, 2007. Disponível em: < http://www.alb.com.br/anais16/sem02pdf/sm02ss05_08.pdf >. Acesso em: 20 nov. 2009. GOUVEIA, V. et al . Escala de Auto-Imagem: comprovação da sua estrutura fatorial. Avaliação Psicológica, v.1, n.1, p.49-59, jun. 2002. Disponível em: 58 <http://pepsic.bvs-psi.org.br/pdf/avp/v1n1/v1n1a06.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2009. HARRISON, M. da G. de A. O bibliotecário como agente educacional. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 19., 2000, Porto Alegre. Anais eletrônicos... Porto Alegre: PUCRS, 2006. Disponível em: <http://dici.ibict.br/archive/00000762/>. Acesso em: 03 ago. 2009. INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: 1992/2007, 2007. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/series_estatisticas/exibedados.php?idnivel=BR&idserie=F ED214.> Acesso em: 19 ago. 2009. KREMER, J. M. A formação dos bibliotecários nos Estados Unidos. Palavra-Chave, São Paulo, n. 3, p. 17-19, 1983. Disponível em <http://academica.extralibris.info/bibliotecario/a_formacao_de_bibliotecarios_n. html>. Acesso em: 06 set. 2009. LANGER, J. O perigo dos estereótipos: a representação de personagens e fatos históricos via imagens muitas vezes, em vez de informar corretamente, elege e perpetua fantasias. Duetto, Curitiba, n. 18, 2005. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/o_perigo_dos_estereotipos_imprimi r.html>. Acesso em: 26 de ago. 2009. LEITE, F. Comunicação e Cognição: os efeitos da propaganda contra-intuitiva no deslocamento de crenças e estereótipos. Revista Ciência & Cognição, v. 13, p. 131-141, jun. 2008. Disponível em: <http://dialnet.unirioja.es/servlet/oaia rt?codigo=2557367>. Acesso em: 27 ago. 2009. LEITE, F. Os efeitos do discurso publicitário contra-intuitivo na (des)construção dos estereótipos sociais. Revista Elementa, Comunicação e Cultura, Sorocaba, v.1, n.1, jan./jun. 2009. Disponível em: 59 <http://comunicacaoecultura.uniso.br/elementa/v1_n1_08.pdf>. Acesso em: 27 ago. 2009. LIMA, C. C.; LIMA, K. A auto-imagem do bibliotecário versus a visão social: uma análise da valorização profissional. 2009. 83 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado)– Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2009. LIMA, P. A. S.; SANTOS, P. B. dos; SANTOS, R. P.; MACIEL, S. R. O trabalho do bibliotecário e seu caráter educativo. Revista Eletrônica: Trabalho e Educação em Perspectiva, Belo Horizonte, n. 2, jul. 2007. Disponível em: <http://www.fae.ufmg.br/cadernotextos/backup/artigos/caderno_3/artigo_revisa do_13_paula_de_alcantara.doc.>. Acesso em: 20 ago. 2009. LlTTON, G. Arte e ciência da biblioteconomia. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1975. 209 p. LYSARDO-DIAS, D. A Construção e a desconstrução de estereótipos pela publicidade brasileira. Stockholm Review of Latin American Studies, n. 2, p. 25-35, nov. 2007. Disponível em: <http://www.lai.su.se/gallery/bilagor/SRoLAS No2_2007_pp25-35_LysardoDias.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2009. MARTINS, W. A Palavra escrita: história do livro, da imprensa e da biblioteca. São Paulo: Ática, 1996. 519 p. MARTINS, R. M. L.; RODRIGUES, M. L. M. Estereótipos Sobre Idosos: Uma Representação Social Gerontofóbica. Millenium, n. 29, p. 249-254, jun. 2004. Disponível em: <http://www.ipv.pt/millenium/Millenium29/2.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2009. MARTUCCI, E. M. A feminização e a profissionalização do magistério e da biblioteconomia: uma aproximação. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.1, n.2, p.225-244, jul./dez. 1996 MILANESI, L. Biblioteca. São Paulo: Ateliê, 2002. 60 MORONI, A. O.; OLIVEIRA FILHA, E. A. Estereótipos no telejornalismo brasileiro: identificação e reforço. BOCC: Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação, v. 19, p. 01-52, 2008 Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/moroni-alyohhaoliveira-elza-estereotipos-no-telejornalismo.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2009. MOSQUEIRA, J. J. M.; STOBÄUS, C. D. Auto-imagem, auto-estima e auto-realização na universidade. In: ENRICONE, D. (Org.). A docência na educação superior: sete olhares. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos, 2008. p. 111-128. OLIVEIRA, Z. C. P. Um estudo da auto-imagem profissional do bibliotecário. 1980. 126 f. Dissertação (Mestrado) – Departamento de Biblioteconomia, Faculdade de Estudos Sociais Aplicados, Universidade de Brasília, Brasília, 1980. PIMENTEL, F. P.; SILVA, A. D. Interpretação de Imagens Publicitárias na Memória e na Cultura. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 32., 2009, Curitiba. Anais eletrônicos... Curitiba: INTERCOM, 2009. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2009/resumos/R4-2274-1.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2009. ROCHO, R. de M. O estereótipo do Bibliotecário no Cinema. 2007. 98 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado) – Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007. ROGGAU, Z. Los bibliotecarios, el estereotipo y la comunidad. Información, Cultura y Sociedad, n. 15, p. 13-34, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.org.ar/pdf/ics/n15/n15a02.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2009. RUBIN, R. E. Foundations of library and information science. 2. ed. New York; London: Neal-Schuman, 2004. Disponível em: < http://www.neal- schuman.com/sandbox/images/pdf/9781555705183.pdf>. Acesso em: 19 ago. 2009. SCHMIDT, S. 50 anos do curso de biblioteconomia. Revista Arte e Comunicação. Recife, v. 8, n. 7, p. 57-67, abr. 2002. 61 SILVA, E. T. da. Bibliotecas públicas e escolares face à estrutura e conjuntura nacionais. Revista de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, v. 18, n 1, p. 129-143, jan./jun. 1990. Disponível em: <http://164.41.105.3/index.php/RBB/article/viewFile/618/616>. Acesso em: 19 nov. 2009. SILVA, W. C. da. Miséria da biblioteca escolar. São Paulo: Cortez, 1995. SILVEIRA, F. J. N. Biblioteca como lugar de práticas culturais: uma discussão a partir dos currículos de Biblioteconomia no Brasil. 2007. 246 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. SOUZA, F. das C. de. Biblioteconomia no Brasil: profissão e educação. Florianópolis: Associação Catarinense de Bibliotecários: Biblioteca Universitária da UFSC, 1997. 142 p. PINTO, M. M. G. A. A Formação de Arquivistas no Quadro da Ciência da Informação: o caso da Universidade do Porto. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS DE TRADIÇÃO IBÉRICA, 9., [200-] Porto. Anais eletrônicos… Porto: Universidade do Porto, [200-]. Disponível em: <http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3089.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2009. PEREIRA, M. E. Imagens e significado e o processamento dos estereótipos. Estudos de Psicologia, v. 7, n. 2, p. 389-397, jul./dez. 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/cgi-bin/fbpe/fbtext?pid=S1413-294X200200020002 0>. Acesso em: 24 ago. 2009. PEREIRA, M. E. et al. Os estereótipos e o viés lingüístico intergrupal. Interação em Psicologia, v. 7, n. 1, p. 125-137, 2003. Disponível em: < http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/psicologia/article/viewFile/3215/2577>. Acesso em: 19 ago. 2009. 62 PRECONCEITO. In: DICIONÁRIO Houaiss. 2. ed. São Paulo: Objetiva, 2004. THE EVOLVING Librarian. 2009. Altura: 748 pixels. Largura: 476 pixels. 55.65 Kb. Formato JPEG. Compactado. Disponível em: <http://biblio20.files.wordpress.com/2009/06/capa1.jpg>. Acesso em 19. set. 2009. WALTER, M. T. M. T. Bibliotecário no Brasil: representações da profissão. 2008. 344 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação)-Departamento de Ciência da Informação, Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasília, 2008. WALTER, M. T. T.; BAPTISTA, S. G. A força dos estereótipos na construção da imagem profissional dos bibliotecários. Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 17, n. 3, p. 27-38, 2007. Disponível em: < http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/962/1583>. Acesso em: 19 ago. 2009. WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2004. 63 APÊNDICE 64 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO Universidade Federal de Pernambuco Centro de Artes e Comunicação Departamento de Ciência da Informação Curso de Biblioteconomia Disciplina: Trabalho de Conclusão de Curso – TCC Aluna: Amanda Carla Ganimo do Nascimento “A imagem do profissional de biblioteconomia perante a população da região metropolitana do Recife” QUESTIONÁRIO Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino Escolaridade: ( ) Segundo Grau – Completo ( ) Segundo Grau – Incompleto ( ) Ensino Superior – Completo ( ) Ensino Superior – Incompleto Idade: ( ) De 15 a 25 anos ( ) De 26 a 36 anos ( ) De 37 a 47 anos ( ) De 48 a 58 anos ( ) De 58 a 68 anos ( ) Acima de 68 anos 65 Com que frequência você utiliza à biblioteca? ( ) Sempre ( ) Às vezes ( ) Regularmente ( ) Pouco ( ) Nunca Que tipo de biblioteca você geralmente freqüenta? ( ) Bibliotecas Públicas ( ) Bibliotecas Escolares ( ) Bibliotecas Universitárias ( ) Bibliotecas Comunitárias ( ) Bibliotecas Especializadas Na biblioteca, você já foi atendido por um bibliotecário? ( ) Sempre ( ) Pouco ( ) Nunca Na sua opinião, é preciso um bibliotecário para você achar o assunto desejado? ( ) Sim ( ) Não Você conhece a profissão de bibliotecário? ( ) Sim ( ) Não Obs: Independente da resposta, favor responder: O que você acha que ele faz? 66 Você acha necessário um curso superior para a formação de um bibliotecário? ( ) Sim ( ) Não Para você o bibliotecário só trabalha na biblioteca? ( ) Sim ( ) Não. Se não, onde você acha que esse profissional pode atuar? Qual a sua visão a respeito deste profissional? Marque nos itens abaixo a imagem Marque nos itens abaixo a imagem que você associa ser de uma que bibliotecária: □ Magra □ Alta □ Introvertida □ Velha □ Moderna (idéias, visual, estilo de vida) □ Com óculos □ Cabelos soltos você associa ser de um bibliotecário: □ Gorda □ Baixa □ Extrovertida □ Jovem □ Ultrapassada (idéias, visual, estilo de vida) □ Sem óculos □ Cabelos Presos (com o chamado □ Magro □ Alto □ Introvertido □ Velho □ Moderno (idéias, visual, estilo de vida) □ Com óculos □ Bonito □ Gordo □ Baixo □ Extrovertido □ Jovem □ Ultrapassado (idéias, visual, estilo de vida) □ Sem óculos □ Feio 67 □ Bonita □ Chata □ Elegante □ Solteira □ Divorciada □ Homossexual cocó) □ Feia □ Simpática □ Culta □ Casada □ Viúva □ Heterossexual □ Chato □ Elegante □ Solteiro □ Divorciado □ Homossexual □ Simpático □ Culto □ Casado □ Viúvo □ Heterossexual 68 ANEXOS 69 ANEXO A: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA 2003/2004 ADELMA FERREIRA DE ARAUJO ADELY EDITE RESENDE DE OLIVEIRA ALLAN DELMIRO BARROS AMANDA CARLA GANIMO DO NASCIMENTO AMANDA TEIXEIRA DE LIMA ARAUJO ANA CATARINA MACEDO DE SENA ANA PAULA BERNARDINO DE MACEDO CAMILA MIRANDA DE BARROS VIEIRA CAROLINE FERREIRA CASSIO CARVALHO UCHOA DE ALBUQUERQUE CATARINA GUSMAO FERRAZ CAVALCANTI CRISTIANE RODRIGUES DE ARAUJO DIEGO FELIPE FREIRE DE MIRANDA EDIANE ISABEL SALES DOS SANTOS ELGITA GUEDES SILVA ELVIS GONZAGA DA PAIXAO ERNANI GOMES NEVES FILHO FRANCISCO LEONARDO RIBEIRO DE ARRUDA GUSTAVO BRUNO ALCANTARA DE LIMA HELENA AZEVEDO JOSELLY DE BARROS GONCALVES LORENA ROCHA VIEIRA MACIEL SEVERO DA SILVA MARCELO DANTAS RODRIGUES MARIA BETANIA DE SANTANA DA SILVA NELSON LOURENCO DA SILVA JUNIOR NIANGELA CAVALCANTI DA MOTA SILVEIRA NICOLLY SOARES LEITE RAFAEL ALVES DE OLIVEIRA RAPHAEL SANTANNA FALCAO CASOTTI SANDRYNE BERNARDINO BARRETO JANUARIO SILVANA CARLA ALVES SIQUEIRA VANESSA DA SILVA CAVALCANTE VIVIANE GOMES FERREIRA LIMA WILLIANA CARLA DA SILVA ALVES 70 ANEXO B: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA 2004/2005 ABSON SANY VALENTIM DA SILVA ADRIANA CINTIA DO NASCIMENTO AMANDA DE SOUZA XAVIER AMANDA GOMES CORIOLANO DA SILVA AMANDA TAVARES SILVA LIMA ANA CECILIA VIEIRA SILVA ANA PAULA DOS SANTOS MONTEIRO BONIFACIO MUNIZ DE FARIAS FILHO BRUNO MARCIO GOUVEIA CARLA ANDRELLY DO NASCIMENTO CAROLINA KARLA FERNANDES CRISTIAN DO NASCIMENTO BOTELHO DANILO ALVES DE LIMA EDGREYCE BEZERRA DOS SANTOS EDUARDO DA CRUZ GOUVEIA DE LIMA CRISTINA DE FREITAS ERICA LUCENA PALMEIRA SILVA FANNY DO COUTO RIBEIRO GISEANI BEZERRA DA SILVA GRAZIELLA DA SILVA MOURA JOAO ANTONIO B OLIVEIRA DE SANTANA JULIANA MARIA SILVA VIEIRA JULYANE DE ARAUJO SILVA KARLA PATRICIA FERREIRA DE LIMA MARIANA DE ALMEIDA HOLANDA MARIO FERNANDES DA SILVA MARQUES NATALIA LELIS MOURA DE OLIVEIRA NATALY SOARES LEITE RAMONA CAROLINA AZEVEDO DA SILVA REBECCA NASCIMENTO DE COIMBRA RENATA CAVALCANTI VASCONCELOS SUSIMERY VILA NOVA SILVA SUZANNA CONCEICAO DIAS DA PAZ TATIANA GUIMARAES DE OLIVEIRA 71 ANEXO C: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA 2005/2006 ALINE SILVA BATISTA AMELIA GRANJA MARQUES DE OLIVEIRA MENDES ANA CAROLINA SILVA ANA CLAUDIA BEZERRA DE MELO ANA LUIZA DE SOUZA E SILVA CARLA IZABEL MATOS LINS CECILIA DANIELE DA CONCEICAO CHARLENE MARIA DOS SANTOS CRISTIANO JOSE PINTO FERREIRA DANILO MONTEIRO LEAO DANILO RIBEIRO DE OLIVEIRA DEBORA DUQUE DE ALMEIDA BRAGA DENIZE JOSE DE SOUZA EDMAR NASCIMENTO DE OLIVEIRA JUNIOR FABIO FERNANDES CALDAS GALVAO FRANCISCO DAS CHAGAS BATISTA RODRIGUES GILVANEDJA FERREIRA MENDES DA SILVA HUGO CARLOS CAVALCANTI JACIANE FREIRE SANTANA JENNIFER CHRISTINA VILA NOVA DE SENA JESSICA CAVALCANTI DE ALMEIDA LILIAN PATRICIA DA PENHA SILVA LUIZ ALBERTO LOBO BELTRAO MARCELO SOUZA DA SILVA MARIA CLECIANE ANIBAL DO NASCIMENTO MARIANA SOUZA CARNEIRO DOS SANTOS MARILUCY DA SILVA FERREIRA MIRTYSIULA CADENGUE LOPES PAULO ALBERTO SALDANHA LIMA PIETRO OTAVIO SANTIAGO DA SILVA RAFAELA SANTOS DA SILVA SUELLEN ROBERTA MENDES DAS CHAGAS TALITA DE MENDONCA SILVA TARCIANA SANTANA OLIVEIRA WILMA OLEGARIO PEREIRA DA COSTA 72 ANEXO D: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA 2006/2007 ADNA MÁRCIA OLIVEIRA DE SENA AÉCIO OBERDAM DOS SANTOS BRUNO CRESPO SOARES BRUNO NICODEMOS BISPO DA SILVA CAIO RAFAEL LEOMOINE DE LUNA MORAIS CINTHIA MARIA SILVA DE HOLANDA CRISTIANE MENEZES DA SILVA DARCY GOMES DA SILVA DOMINIQUE DE LIRA VIEIRA EDVANIA COSMO DA SILVA FERNANDO ANTONIO DE OLIVEIRA B JUNIOR ITACY BEZERRA DE OLIVEIRA JANYPAULA DE ALBUQUERQUE MELO JOSE DOMINGOS DE LIMA NETO KAMILA PATRÍCIA DE MORAIS XAVIER KASSANDRA KALLYNA NUNES DE SOUZA KENNEDY DE ALBUQUERQUE SANTOS KLEITON LUIZ PREDO DA SILVA LILIANE RODRIGUES DE ASSIS LUCIANA FERREIRA DE SANTANA LUCIRLEY SALES BARROS MAIRA RIBEIRO DE SANTANA MARIA REGINA LEITE PEREIRA BORBA MARIANA NETO BANDEIRA PEDRO VITOR PONTES FERRAZ PRISCILA DO NASCIMENTO BEZERRA RENATA JEANE DE SANTANA ROSA CRISTINA DA CONCEIÇÃO SEVERINO RAMOS DA SILVA SILVIA DE PAULA ALCÂNTARA TÂMARA CHRISTINA MONTEIRO DE CARVALHO THIAGO LEITE AMARO DA SILVA VIVIANE ELLEN SA SILVA WASHINGTON DA SILVA RAMOS WEMERSON RODRIGO DA SILVA 73 ANEXO E: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA 2007/2008 ALANA JULYELLEN SA LEITAO B. DE SOUZA ANA LIGIA FELICIANO DOS SANTOS ARABELLY KARLA ASCOLI DE LIMA BRUNA ISABELLE MEDEIROS DE MORAIS CRISTIANE MARIA ALVES EMMELY CRISTINY LOPES SILVA FABIOLA DE BARROS NUNES FANAVIDA ALMEIDA DA SILVA FLAVIANA FRANCO DE ALMEIDA GLEIBSON JOSE DA SILVA HELIO BRAYNER DO NASCIMENTO IALY CINTRA FERREIRA IZABELLA NOBREGA DE MELO MADUREIRA JESSICA FERNANDA DA ROCHA SILVA JESSICA MONIQUE DE LIRA VIEIRA JORGE LUIZ DE ALBUQUERQUE BARROS JOSE GUSTAVO FRANCA NASCIMENTO JOSE MIXTO DA SILVA JUNIOR LUCIANA CARVALHO DE LIMA LUIS HENRIQUE NATARIO MEDEIROS TAVORA MANUEL DA NOBREGA NETO MARILIA RIANNY PEREIRA COSMOS MARIO LOPES DA SILVA MICAELLE VERISSIMO ROSENO DA SILVA MONICK TRAJANO DOS SANTOS NATALIA CAVALCANTI COUTO NEUMAN BARBARA DA SILVA PAULA CABRAL MARQUES REMI CORREIA LAPA RENATA MARIA SILVA RAMOS RIANE MELO DE FREITAS ALVES RUHANA BERG DA SILVA ARAUJO TATIANA RAISSA DE SOUSA FERNANDES TATIANE VIEIRA GONCALVES TULIO DE MORAIS REVOREDO 74 ANEXO F: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE BIBLIOTECONOMIA 2008/2009 ABERCIO VITAL GANTOIS RAMOS MARTINS ALEXSANDRA MAGNA FERREIRA ALLINI PAULINI NASCIMENTO SILVA AMANDA RODRIGUES DEODATO SILVA ANA ELIZABETE LINS ANA GABRIELA AUSTREGESILO NEPOMUCENO ANTONIO JOAQUIM DE OLIVEIRA ARLINE ALESSANA LIRA LINS BARBARA MONTEIRO DE LIMA CAROLINE SOARES DA SILVA FILIPE FREIRE ISIDRO GRAZIELLA RONCONI SOUTO HOTON ESTEVES MATIAS DA SILVA IGOR PIRES LIMA ISIS CORTEZ CORCINO IVONE DE JESUS ROCHA VIANA JACILEIDE MARIA DE OLIVEIRA SILVA JEANE RODRIGUES DA SILVA JESSICA RAFAELA SILVA DE LIRA JOANA DARC DE LIMA JONATAN CANDIDO DA SILVA JORGE LUIZ FERREIRA DA SILVA JULIANA DE ALBUQUERQUE SILVA JULIETE ISABELE ALVES CALAZANS LUCIANA RODRIGUES FERREIRA VAREJAO MARIA GLAUCIENE LINS MIZIA VIDAL LIMA PAES BARRETO TAVARES U NICOLY CHRISTINI MONTEIRO DOS SANTOS PATRICIA ALVES DA SILVA PATRICIA DOMINGUES COSTA PATRICIA LAFAYETTE GOIS RANYELLE MARIA DE ARAUJO SILVA RAQUELLE CAVALCANTI DE SOUZA ROSIANA STALLAIKEN DE BARROS LEITE VERUSCA CORREIA DA SILVA 75 ANEXO G – TABELA CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL Nomes dos Cursos Instituição Biblioteconomia Faculdades Integradas Teresa D‟Àvila – FATEA Biblioteconomia Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP Biblioteconomia Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN Biblioteconomia Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS Biblioteconomia Faculdades Integradas Coração de Jesus FAINC Biblioteconomia Universidade Federal da Paraíba UFPB Biblioteconomia Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC Biblioteconomia Universidade de São Paulo - USP Biblioteconomia Centro Universitário de Formiga UNIFORMG Biblioteconomia Universidade Federal de Cidade/UF Ano de Oferece pós- Criação graduação Lorena/SP 1975 Marilia/SP 1977 Natal/RN 1997 Porto Alegre/RS 1947 Santo André/SP 1976 João Pessoa/PB 1969 Florianópolis/SC 2001 São Paulo/SP 1966 Formiga/MG 1968 Goiânia/GO 1980 76 Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Biblioteconomia Goiás UFG Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC Universidade Federal do Maranhão UFMA Biblioteconomia Universidade de Brasília - UnB Universidade Federal de Alagoas UFAL Fundação Universidade Federal do Rio Grande - FURG Universidade Federal do Ceará UFC Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG Universidade Santa Úrsula - USU Universidade Estadual de Londrina - UEL Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT Universidade Federal do Amazonas UFAM Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO Florianópolis/SC 1974 São Luis/MA 1969 Brasília/DF 1966 Maceió/AL 1999 Rio Grande/RS 1975 Fortaleza/CE 1965 Belo 1950 Horizonte/MG Rio de 1957 Janeiro/RJ Londrina/PR 1977 Rondonópolis/MT 1999 Manaus/AM 1966 Rio de 1911 Janeiro/RJ 77 Biblioteconomia Universidade Federal do Espírito Biblioteconomia Universidade Federal de Pernambuco UFPE Biblioteconomia Instituto de Ensino Superior da Funlec - IESF Biblioteconomia Escola Superior de Ensino Anísio Teixeira CESAT Biblioteconomia Universidade Estadual do Piauí UESPI Biblioteconomia Instituto Manchester Paulista de Ensino Superior IMAPES Biblioteconomia Faculdade de Ciências da Informação de Caratinga FCIC Biblioteconomia Centro Universitário Assunção UniFAI Biblioteconomia Universidade Federal do Ceará UFC Biblioteconomia Universidade Federal do Pará UFPA Biblioteconomia Pontifícia Universidade Católica de Campinas PUCCampinas Biblioteconomia Faculdade de Vitória/ES 1975 Recife/PE 1950 Campo 2001 Grande/RS Serra/ES 2009 Teresina/PI 2003 Sorocaba/SP 2005 Caratinga/MG 2007 São Paulo/SP 2005 Juazeiro do 2006 Norte/CE Belém/PA 1963 Campinas/SP 1945 São Paulo/SP 1948 78 e Ciência da Informação Biblioteconomia e Ciência da Informação FaBCI Biblioteconomia Universidade São Carlos/SP e Federal de São Ciência da Carlos - UFSCAR Informação 1994 Biblioteconomia Universidade e Federal Documentação Fluminense - UFF Biblioteconomia Pontifícia e Universidade Documentação Católica do Paraná PUCPR Niterói/RJ Curitiba/PR 2005 Biblioteconomia Universidade e Federal da Documentação Bahia UFBA Biblioteconomia Universidade e Federal do Rio Gestão de de Unidades de Janeiro - UFRJ Informação Salvador/BA 1942 Biblioteconomia Universidade e Federal de Documentação Sergipe São Cristóvão/SE 1963 Rio de 2005 Janeiro/RJ 2009 79