UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
AMANDA CARLA GANIMO DO NASCIMENTO
A IMAGEM DO PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA PERANTE A
POPULAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE
RECIFE
2009
AMANDA CARLA GANIMO DO NASCIMENTO
A IMAGEM DO PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA PERANTE A
POPULAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Departamento de
Ciência da Informação da Universidade
Federal
de
Pernambuco,
como
requisito para obtenção do título de
Bacharel em Biblioteconomia.
Orientador: Profº. Murilo Artur Araújo
da Silveira
RECIFE
2009
Nascimento, Amanda Carla Ganimo do
A imagem do profissional de Biblioteconomia perante a população
da Região Metropolitana do Recife/ Amanda Carla Ganimo do
Nascimento. – Recife, 2009.
82f.: il.
Inclui bibliografia, anexos e apêndices.
Orientador: Murilo Artur Araújo da Silveira.
1. Bibliotecários 2. Bibliotecários - Estereótipos. Imagem do
Bibliotecário. I. Título
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
CURSO DE GRADUAÇÃO EM BIBLIOTECONOMIA
AMANDA CARLA GANIMO DO NASCIMENTO
A IMAGEM DO PROFISSIONAL DE BIBLIOTECONOMIA PERANTE A POPULAÇÃO DA
REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi aprovado pela banca examinadora do
curso de Graduação em Biblioteconomia constituída pelos seguintes professores:
Profº Murilo Artur Araújo da Silveira
Orientador
Profª.
Profª.
Aprovado em:
DEDICATÓRIA
Aos meus pais, por toda dedicação cedida a mim.
As minhas irmãs, Eduarda e Brenda, por todas as
alegrias.
A professora Susana Schmidt (in memorian), pelos
bons ensinamentos.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos aqueles que participaram de alguma forma para minha
formação acadêmica e minha formação pessoal.
Antes de tudo, agradeço a Deus por guiar sempre o meu caminho.
Aos meus pais, por todo apoio concedido durante esses 24 anos e o amor
sempre presente.
As minhas irmãs, Eduarda e Brenda, pela realização de um sonho, que foi têlas como irmãs.
A todos os outros familiares, sempre tão presentes em minha vida.
A professora Susana Schmidt, por ter me ajudado durante todo o período
acadêmico. Pessoa pela qual sempre terei profunda admiração e respeito.
Ao meu Orientador, Murilo Silveira, pelas horas de dedicação, paciência e
contribuição direta para que esse trabalho tomasse forma.
A Cínthia Holanda, uma pessoa mais que especial. Amiga de todas as horas e
que me ajudou de todas as maneiras para que eu pudesse concluir esse trabalho.
Os puxões de orelha surtiram efeito. O que seria de mim sem você?
A Amélia Mendes, pela amizade sempre tão dedicada.
A turma do grupo do ócio, pelas risadas, pelas alegrias, pelos bons momentos
e claro aquilo que não poderia faltar, pela ociosidade em comum.
A todos os outros amigos, que fazem e sempre farão parte da minha vida.
A todos os professores que passaram pela minha trajetória escolar e
acadêmica e que contribuíram na minha formação.
“Na
próxima
encarnação
Não quero saber de barra
Replay
de
formiga
Eu quero nascer cigarra”.
Itamar Assumpção
não
RESUMO
Apresenta um breve histórico da profissão de bibliotecário. Discute sobre a
formação dos estereótipos e suas conseqüências sociais. Explana a influência da
mídia na formação dos estereótipos ligados aos profissionais da Biblioteconomia.
Estabelece
características
dos
estereótipos
desenvolvidos
pela
sociedade.
Considera a possibilidade de que os estereótipos criados para os bibliotecários,
influenciem na auto-imagem desse profissional. Analisa a imagem desse profissional
através de questionários vista por parte da população da Cidade do Recife.
Palavras-chaves:
bibliotecário.
Estereótipos.
Estereótipo
do
bibliotecário.
Imagem
do
ABSTRACT
Presents a brief history of the profession of librarianship. Discusses the formation
of stereotypes and social consequences. Explains the influence of media in the
formation of stereotypes related to professional librarianship. Establishes the
characteristics of stereotypes developed by the society. Does the possibility that
the stereotypes created for librarians, affect self-image of a trader. Analyzes the
image of a trader through questionnaires seen by the population of the City of
Recife
Keywords: Stereotypes. Stereotype of librarian. Image librarian.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1
Bibliotecária 1
p. 29
Figura 2
Bibliotecária 2
p. 29
Figura 3
Bibliotecária 3
p. 30
Figura 4
Bibliotecária 4
p. 30
Figura 5
Bibliotecária 5
p. 30
Figura 6
Bibliotecário 1
p. 30
Figura 7
Evolução do Bibliotecário
p. 32
Figura 8
Quantidade de formandos por ano
p. 41
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1
Aprovados no vestibular
p. 40
Gráfico 2
1º Grupo: tipo de biblioteca
p. 44
Gráfico 3
2º Grupo: tipo de biblioteca
p. 49
LISTA DE QUADROS
Quadro 1
Perfil Profissional do Bibliotecário no Brasil em Períodos de
p. 19
Tempo
Quadro 2
Características do Bibliotecário em Períodos Históricos
p. 32
Quadro 3
1º Grupo: categorias
p. 45
Quadro 4
1º Grupo: locais de atuação do bibliotecário
p. 45
Quadro 5
1º Grupo: visão a respeito do profissional de Biblioteconomia
p. 46
Quadro 6
1º Grupo: características dos bibliotecários e bibliotecárias
p. 48
Quadro 7
2º Grupo: categorias
p. 50
Quadro 8
2º Grupo: locais de atuação do bibliotecário
p. 50
Quadro 9
2º Grupo: visão a respeito do profissional de Biblioteconomia
p. 51
Quadro 10
2º Grupo: características dos bibliotecários e bibliotecárias
p. 52
LISTA DE SIGLAS
PUC-SP
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
CDD
Classificação Decimal de Dewey
CAC
Centro de Artes e Comunicação
CD
Compact Disc
UFPE
Universidade Federal de Pernambuco
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO
p. 12
2
UM BREVE HISTÓRICO DA PROFISSÃO DE BIBLIOTECÁRIO
p. 13
3
ESTEREÓTIPO: UMA FORMA DE ENTENDER
p. 22
4
O BIBLIOTECÁRIO NA MÍDIA E NA SOCIEDADE: os estereótipos em p. 27
questão
5
O BIBLIOTECÁRIO NA SOCIEDADE: gêneros e estereótipos
p. 33
6
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
p. 42
6.1 Aplicação dos questionários, tabulação e análise dos dados
p. 42
7
p. 43
A IMAGEM DO BIBLIOTECÁRIO NO RECIFE
7.1 A imagem dos bibliotecários pelos indivíduos com nível médio
p. 43
7.2 A imagem dos bibliotecários pelos indivíduos com nível superior
p. 49
8
CONSIDERAÇÔES FINAIS
p. 54
REFERÊNCIAS
p. 55
APÊNDICES
p. 64
ANEXOS
p. 69
1 INTRODUÇÃO
Uma imagem sempre traz consigo várias características e elas, muitas vezes,
recebem sempre interpretações pelo meio que as inserem. Pimentel e Silva (2009)
destacam que nos tempos modernos, a imagem tornou-se um fenômeno cultural,
que estimula o modo do homem enxergar as coisas. Sendo assim, a interpretação
desse fenômeno possibilita uma leitura mais ampla e nada linear daquilo que é
observado. Eles ainda completam que, “falar da imagem e sua interpretação
remetem-nos às teorias sobre o Imaginário e a Arte da Memória” (PIMENTEL; SILVA,
2009, p. 1).
Essa visão, seguida de percepções da realidade e do imaginário, pode ser
empregada a um ser, mas o presente trabalho pretende mostrar a imagem de um
grupo profissional: o bibliotecário; não é de hoje que essa imagem é posta em
xeque. A própria literatura mostra alguns estudos sobre o tema e faz uma reflexão
sobre a forte utilização de estereótipos negativos inseridos a classe. Acredita-se
que esses estereótipos ainda estão presentes na mente de boa parte da sociedade,
como indica o estudo aqui exemplificado. Estudos de imagem pública do
profissional identificaram na maioria das vezes, o bibliotecário estereotipado como
conservador, burocrata, amarrado aos livros, indiferente à realidade social, menos
criativo que outros profissionais, ineficiente, não-intelectual, enfim, com muitos
atributos pessoais e profissionais negativos (OLIVEIRA, 1980).
Ezequiel Theodoro da Silva, Mestre em Educação pela Universidade de Miami
e Doutor em Educação (Psicologia da Educação) pela PUC-SP, demonstra sempre
interesse em falar sobre a importância das bibliotecas na educação. Porém, em
uma palestra ministrada por ele, é abordado o profissional bibliotecário como
mostra o trecho:
O problema da biblioteconomia brasileira está na mentalidade
retrógrada de um grande número de bibliotecários, que se
apresentam como pequenas autoridades: donas dos espaços
públicos; reprodutoras cegas de normas esclerosadas; escravas das
fichas de catalogação e de sistemas fechados de consulta;
seguidoras servis dos códigos (e não dos caminhos concretos da
vida); zumbis de espaços compartimentalizados; marionetes
alienadas que só funcionam ao toque da burocracia, incapazes de
12
sair dos enferrujados trilhos do tecnicismo; bedéis vivendo atrás das
barreiras dos seus balcões; seres desacostumados ao diálogo; cópias
carbono de totens autoritários e tocadoras da mesmice, cujo único
desafio na vida é saber quando vai sair a aposentadoria para que
continuem a fazer nada do nada que sempre fizeram”. (SILVA, 1990,
p. 131)
Com a justificativa de que os estereótipos negativos ainda estão presentes
na imagem deste profissional, o presente estudo busca investigar a imagem
estereotipada do profissional bibliotecário. O objetivo fundamental da pesquisa é
identificar a importância do bibliotecário, a partir da sua função social e suas
representações por um grupo de usuários em Bibliotecas da Cidade do Recife.
Porém, antes de conhecer as opiniões dos questionados, o trabalho traz uma
revisão bibliográfica do histórico da profissão desde a antiguidade até os chamados
tempos modernos, e ainda uma discussão sobre a questão do estereótipo na
sociedade contemporânea.
Em seguida apresenta os procedimentos metodológicos e os resultados
obtidos no processo de pesquisa, pautados na discussão teórica. E por fim, colocase as considerações finais construídas durante o período de realização da
investigação. Inclui ainda anexos e apêndices que contribuíram para o
desenvolvimento do estudo, ao final.
2 UM BREVE HISTÓRICO DA PROFISSÃO DE BIBLIOTECÁRIO
A Biblioteconomia é a disciplina que estuda os fluxos, serviços e produtos da
informação registrada. Nesse âmbito, trata sobre o diagnóstico, planejamento,
implementação, organização, administração, disseminação e uso da informação em
bibliotecas, centro de documentação, sistemas de informação, sites, entre outros.
Segundo Souza (1997, p.49) a “Biblioteconomia é uma arte de organizar
bibliotecas”.
O termo “Biblioteconomia” deriva do termo biblioteca, que é
composto por biblio (livro) e theke (caixa), formação esta que
evidencia a concepção de biblioteca enquanto caixa de livros.
Talvez por esse fato, o grande público associe o termo
13
“biblioteconomia” aos livros, à biblioteca, às técnicas empregadas
e aos serviços prestados no âmbito desta instituição. Todavia, já há
algumas décadas, a área vem trabalhando com a informação
independente do seu suporte físico (discos, patentes, cds, vídeos,
anais de congressos, manuscritos, cartazes, fotografias, histórias
em quadrinhos, mapas, relatórios técnicos) e da instituição que a
possui (GOMES; ALBUQUERQUE, p. 3).
O bibliotecário é o profissional que torna acessível à informação ao usuário,
independentemente do suporte que ela apresente, ou seja, a base do trabalho
desse profissional se direciona para as técnicas de organização e o tratamento da
informação para fins de recuperação e uso. Nesse processo entre busca e
recuperação da informação o bibliotecário é o mediador, sendo o que o que busca
o aprimoramento crítico para avaliar os recursos e os produtos que a informação
disponibiliza. Além de perito no tratamento da informação, é o responsável pela
democratização do acesso à mesma, colaborando para o desenvolvimento social e
os avanços científicos e tecnológicos. Carvalho (1998 apud LIMA; SANTOS; SANTOS;
MACIEL, 2007) exemplifica com exatidão o bibliotecário, classificando-o como o
profissional da ciência da informação que desenvolve as seguintes atividades:
administrativa (planejamento e organização para gerir um bom funcionamento);
formação e manutenção do acervo (aquisição e doação de materiais bibliográficos);
preparo técnico do acervo (representar e descrever de forma temática o acervo
que possui para facilitar sua utilização) e finalmente a atividade de referência.
O ofício de bibliotecário é uma das mais antigas profissões. Para se ter uma
idéia o termo “bibliotecário” surge no ano de 1751, onde foi apresentado em um
artigo de uma Enciclopédia, em que aparece conceituado como “aquele que é
responsável pela guarda, preservação, organização e pelo crescimento dos livros de
uma biblioteca. Ele pode ter também funções literárias que demandam talento.”
(DIDEROT; D‟ALEMBERT, 1993, p. 212). Estima-se, ainda, que a profissão tenha
iniciado nos primórdios da civilização com as práticas dos monges copistas, mas na
Antiguidade Clássica a prática de organização da informação já existia e era
entregue as pessoas consideradas sábias. Martins (1996, p.71) diz que: “Até a
Renascença, as bibliotecas não estão à disposição dos profanos: são organismos
mais ou menos sagrados, ou, pelo menos, religiosos, a que têm acesso apenas os
que fazem parte de uma certa „ordem‟, de um „corpo‟ igualmente religioso”.
14
Uma característica marcante e encontrada desse chamado “bibliotecário”,
na Antiguidade, é o fato de que não tinha como o papel principal organizar o
acervo, seria mais um cargo de confiança, onde quem guardava o conhecimento
era dotado de algum tipo de prestígio perante a sociedade da época. Milanesi
(2002, p.16) ainda coloca que esse “bibliotecário” era uma espécie de curioso no
universo do saber e que “mais se afirmou como um devotado e estranho guardião
do saber”.
As bibliotecas no Antigo Egito emergiram provavelmente numa data
próxima de 2400 a.C. e eram uma espécie de templos religiosos e
culturais em simultâneo. Os seus serviços incluíam o
armazenamento de comida, a educação de escribas, a
administração da justiça, o arquivo histórico, o ensino da medicina
e artes espirituais. Quanto aos BIBLIOTECÁRIOS, estes eram
também escribas e eram vulgarmente altos oficiais do estado ou
sacerdotes. A atividade que exerciam era considerada SAGRADA,
devido à habilidade rara que tinham para ler e escrever, o que
levava a que o poder e influência que detinham sobre o poder
político fosse imenso, ao que parece, consideravelmente maior do
que é hoje (RUBIN, 2004, p. 15).
A figura do bibliotecário, no período medieval, não é mencionada como uma
profissão, visto que a responsabilidade da guarda dos livros era função dos
mosteiros e conventos. De acordo com Harrison (2000), na Idade Média os livros já
eram “organizados e guardados” por um estudioso que pode ser considerado o
“bibliotecário” desta época. Eco (2003) em seu livro “O nome da rosa” exemplifica
bem a figura do bibliotecário no período medieval, ao colocar a biblioteca como
personagem principal dos acontecimentos do enredo e classificando os monges
copistas como os “guardiões do saber”, onde detinham o conhecimento total das
obras guardadas nas salas e armários:
Somente o bibliotecário recebeu o segredo do bibliotecário que o
precedeu, e o comunica, ainda em vida, ao ajudante-bibliotecário,
de modo que a morte não o surpreenda, privando a comunidade
desse saber. [...] Somente o bibliotecário, além de saber, tem o
direito de mover-se no labirinto dos livros, somente ele sabe onde
encontrá-los e onde guardá-los, somente ele é responsável pela sua
conservação. [...] somente o bibliotecário sabe da colocação do
volume, do grau de sua inacessibilidade, que tipo de segredos, de
verdade ou de mentiras o volume encerra. Somente ele decide
como, e se deve fornecê-lo ao monge que o está requerendo [...]
(ECO, 2003, p. 44).
15
Na Idade Média o bibliotecário era feito para saber e encontrar as
informações desejadas, cabendo a ele julgar se essa informação poderia ou não ser
transmitida aos demais. Ao receber o livro o bibliotecário devia memorizar a data
da aquisição, saber a localização, guardá-lo, além de traçar estratégias para
preservá-lo.
No início da Renascença a biblioteca dá início, adquirindo no seu sentido
moderno, a sua adequada natureza, como também é nessa época que surge junto
ao livro, a figura do bibliotecário. Mas nesse período, o bibliotecário ainda era um
erudito ou um escritor que cuidava dos acervos, à busca de tranqüilidade para
desenvolver seus enredos, ou seja, desde o surgimento das bibliotecas até o
período da Renascença os guardiões dos livros não tinham uma existência social
como os bibliotecários que conhecemos hoje; eram sempre homens cultos
(sacerdotes ou figuras da elite) que viviam reclusos em suas bibliotecas e
preocupados em salvaguardar e copiar as obras dos acervos (BIBLIOTECA, 2007).
Cabe ainda dizer que, até a Idade Moderna, as bibliotecas, os arquivos e os museus
eram uma só instituição, onde eram armazenados todos os tipos de documentos.
Weber (2004) aponta que “o livro é essencialmente um instrumento cultural de
difusão de idéias, transmissão de conceitos, documentação, entretenimento ou
ainda de condensação e acumulação do conhecimento”. Com essa afirmação é fácil
compreender o porquê do desenvolvimento da profissão de bibliotecário a partir do
século XIX, uma vez que esse profissional surge para facilitar o acesso aos novos
formatos da informação. Alguns fatores importantes são enumerados, a seguir, para
explicar melhor esse incremento na biblioteconomia:
a) aumento considerável da produção bibliográfica do mundo,
tornando mais complexa a seleção e aquisição de livros, a
organização e manuseio do material; b) o desenvolvimento de
novas áreas do conhecimento e uma crescente interrelação entre
campos afins; c) a elevação do nível médio de cultura em muitos
países, pela escolarização; d) a difusão do ideal democrático, que
destaca a dignidade do homem e o estimula a preparar-se para
assumir maiores obrigações para seu próprio bem estar; e) a
transformação do conceito de biblioteca, para uma “casa de
conhecimentos”, com missão educadora, guia e inspiração de todos
(LITTON, 1975, p. 109).
16
Weber (2004, p. 8) ainda afirma, que a “[...] história do livro confunde-se,
em muitos aspectos, com a história da humanidade”. Dessa forma, assegura-se ao
mesmo tempo em que a vida do livro se confunde com a história da humanidade,
que o desenvolvimento da profissão de bibliotecário se confunde com o surgimento
do livro. No entanto, não se está afirmado que antes do aparecimento do livro não
existiam pessoas que tratassem da informação, mas alega-se que a profissão só
começou a se desenvolver após a ampliação das novas formas de apresentação da
informação, pois se exigia um profissional que tornasse possível a organização e
recuperação do conhecimento.
A partir do século XIX, as atividades ligadas à Biblioteconomia foram
desenvolvendo-se efetivamente, uma vez que, como é conhecido até hoje se
exigiam práticas e técnicas apropriadas para a sistematização das informações
existentes nos acervos das bibliotecas. Um exemplo que pode ser citado é o de
1876, quando Melvil Dewey publica nos Estados Unidos a primeira edição de sua
Classificação Decimal (a CDD), sendo o primeiro sistema de classificação de
assuntos a ser amplamente adotado nas bibliotecas, inclusive até a atualidade.
Embora desde a Antigüidade tenha-se pensado no desenvolvimento de um sistema
ou de uma forma sistemática de classificação do conhecimento humano, foi a partir
de Dewey que tais idéias ganharam forma, facilitando assim o acesso dos usuários
às suas informações (BIBLIOTECA, 2007).
Segundo Becker e Salgado (1995), a primeira escola de graduação em
Biblioteconomia foi fundada em 1821, na cidade de Paris com caráter erudito.
Posteriormente, em 1887, surgiu, nos Estados Unidos, a segunda escola para
formação dos bibliotecários fundada por Melvil Dewey, com enfoque tecnicista,
diferentemente da escola francesa. Percebe-se então o desenvolvimento de dois
modelos distintos de ensino e formação em Biblioteconomia: o francês (mais
humanístico) e o norte-americano (mais pragmático e tecnicista), ambos
implementados no século XIX.
A École Nationale des Chartes, escola de nível superior que formou
bibliotecários durante todo o século XIX, foi o ícone do modelo francês na formação
reservada dos arquivistas e bibliotecários.
[...] à formação de arquivistas e bibliotecários que começou por
ser obtida nas instituições/serviços através do exercício prático
17
quotidiano e que a partir do século XIX, ocorre nas escolas do tipo
École Nationale des Chartes, com uma fonte matriz historicista,
que espelhava o modelo implantado após a Revolução Francesa,
nomeadamente com a formação dos arquivistas-paleógrafos e dos
bibliotecários [...] nos Estados Unidos, já havia movimentos, desde
1876, em direção a um reforço maior na formação técnica dos
bibliotecários, como publicações voltadas para bibliotecários e
articulação para a criação de cursos de formação. Neste ano a
American Library Association é fundada. Melvil Dewey consegue
formar, em 1887, a primeira turma de sua School of Library
Economy, dentro da Columbia University, onde todas as técnicas
profissionais eram ensinadas em apenas quatro meses (PINTO, [200], p. 4).
No caso do Brasil, a importância dada aos livros e a criação de bibliotecas,
acontece no início do século XVI com a abertura dos mosteiros de ordens religiosas,
como as dos Jesuítas, dos Franciscanos, dos Carmelitas, dos Beneditinos, dos
Capuchinos, dos Mercedários e dos Oratorianos. Fonseca (1979, p.16) cita um
provérbio que diz: “convento sem biblioteca é como quartel sem armamento”, que
mostra o quão importante e valioso era considerado a criação dessas bibliotecas. É
a partir desse momento que no Brasil fala-se da necessidade e da importância do
bibliotecário, observado através das cartas escritas pelos jesuítas, como fala
Fonseca (1979, p. 13) ao mostrar um trecho dos textos escritos:
breviários, bíblias, livros litúrgicos, obras teológicas se misturavam
com textos didáticos para o ensino do Latim nos acervos dessas
primeiras bibliotecas. Acervos também enriquecidos com os
clássicos latinos e portugueses [...] a necessidade de bibliotecários
começou a se fazer sentir. Se européias foram as primeiras obras
lidas no Brasil europeus também seriam os primeiros bibliotecários.
Europeus e jesuítas (FONSECA, 1979, p. 13).
A biblioteconomia no Brasil se desenvolveu mais claramente a partir da
transferência da rainha D. Maria I, de D. João VI, Príncipe Regente, de toda a
família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, onde D. João VI
traz a coleção de livros pertencente a família como mais ou menos sessenta mil
peças. Em 29 de outubro de 1810 foi inaugurada a Biblioteca Real do Rio de
Janeiro, e só em 1814 foi aberta ao público.
O Brasil despertou para os livros a partir do desembarque de D.
João VI no País, em 7 de março de 1808. A esquadra do monarca
português, formada por oito naus, três fragatas, dois brigues, uma
escuna de guerra, uma charrua de mantimentos e mais 20 navios
mercantes foi pequena para acomodar 15 mil portugueses que
18
fugiam da Europa temendo as invasões napoleônicas (BIBLIOTECA,
2007).
No ano de 1911 o Curso de Biblioteconomia é criado na Biblioteca Nacional
do Rio de Janeiro com um ano de duração e quatro disciplinas lecionadas:
Bibliografia, Paleografia e Diplomática, Iconografia e Numismática, mas com início
apenas em 1915 e com fim de atividades em 1922 (CASTRO, 2002). Durante esse
período o curso é marcado pela influência da França, ou seja, um período mais
humanista (ênfase ao aspecto cultural e informativo). Fonseca (1957) narra com
nitidez à divisão das etapas da Biblioteconomia brasileira, relatando que a primeira
fase ocorreu de 1879 a 1929, onde o curso é dirigido pela Biblioteca Nacional do Rio
de Janeiro e com influência da Biblioteconomia francesa; a segunda, que
compreende os anos de 1929 a 1962, onde se desenvolve com a influência norteamericana e a terceira a partir de 1962 que se caracterizou pela uniformidade dos
cursos desenvolvidos a partir do currículo mínimo, tentando reunir as duas
influências.
Adelpha Rodrigues foi aluna da School of Library Science of Columbia
University, a escola de Dewey, numa turma de 160 alunos. Era a única da América
do Sul e a primeira brasileira, sendo, portanto, a primeira bibliotecária brasileira,
com formação superior. Na época era diretora da biblioteca do Mackenzie College,
ficando de 1930 a 1931 afastada para poder estudar Biblioteconomia. (BIBLIOTECA,
2007).
A Biblioteconomia brasileira, segundo Silveira (2007), é dividida em três
períodos específicos, onde é marcado o desenvolvimento do curso até a ampliação
de um novo perfil de bibliotecário, conforme mostra o Quadro 1:
Períodos de Tempo
1911 a 1960
1960 a 1990
1990 a 2005
Perfil Profissional
Caracteriza-se pela disputa ideológica acerca de quais
deveriam ser os fundamentos teórico-práticos transmitidos
pelos cursos que começam a se formar.
Caracteriza-se pela busca de fundamentos de uma
Biblioteconomia Nacional, pautados pela tentativa de se
discutir, desenvolver e implementar um projeto de Currículo
Mínimo que promovesse o reconhecimento legal da profissão,
além de instituir coerência e visibilidade à área, ampliando,
assim, seu espaço de atuação social.
Caracteriza-se pela formação profissional mais adequada face
às necessidades culturais e mercadológicas que começam a
surgir. Período de busca de um novo perfil de atuação para os
19
bibliotecários, a partir de habilidades e competências
requeridas pelos mercados informacionais brasileiros e do
Mercosul.
Quadro 1 - Perfil Profissional do Bibliotecário no Brasil em Períodos de Tempo
De acordo com Schmidt (2002) o Curso de Biblioteconomia em Pernambuco
surgiu em 1948, em nível universitário e de responsabilidade da Prefeitura do
Recife, tendo como objetivo formar um profissional qualificado a atuar em
Bibliotecas. Em 13 de janeiro de 1950, o curso é vinculado à Faculdade de Direito,
deixando as instalações da Universidade do Recife e tendo como primeiros
coordenadores os professores Edson Nery da Fonseca, Myriam de Gusmão Martins e
Cordélia Robalinho de Oliveira Cavalcanti. O reconhecimento do curso aconteceu
em 23 de agosto de 1966, após o Decreto nº 59.114. Em 1968, o curso é agregado
ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, e em 1975, com a criação do Centro e
Artes e Comunicação (CAC), o Departamento de Biblioteconomia foi deslocado para
o novo centro. No final dos anos 90, o Departamento de Biblioteconomia passou a
se denominar Departamento de Ciência da Informação, (SCHMIDT, 2002).
O primeiro curso de Biblioteconomia do Recife foi criado pelo
Departamento de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal
do Recife – dirigido e animado pelo engenheiro José Césio Regueria
Costa – porque precisava de bibliotecários para as bibliotecas
populares que estavam sendo ou iam ser instaladas nos bairros da
Encruzilhada, Casa Amarela e Afogados, tanto para as do ônibusbiblioteca e para os postos de empréstimo em diferentes pontos da
cidade. O curso teve a duração de um ano, com três professores:
Ernani Cerdeira (Organização e Administração de Bibliotecas e
História do livro), Milton Melo (Classificação) e Edson Nery da
Fonseca (Bibliografia e Referência e Catalogação.” (FONSECA apud
CASTRO, 2000, p. 44 ).
Atualmente, o curso de Biblioteconomia em Pernambuco tem como objetivo
formar um profissional apto a trabalhar nos processos de organização, disseminação
e gestão da informação, encontrada em diferentes suportes (livros, periódicos,
CDs, fotografias, internet, etc.) para diversas audiências. Nesse horizonte, o curso
almeja atender às necessidades informacionais dos diversos setores e segmentos da
sociedade, seguindo a evolução da profissão e o desenvolvimento de novos espaços
além da biblioteca, tais como: centros de documentação, centros culturais e de
pesquisa, serviços ou redes de informação, arquivos, museus, instituições públicas
e privadas, consultorias e etc. Mas para que a Biblioteconomia tomasse novas
20
formas e tivesse mais representação social, foi preciso adotar a tecnologia como
aliada, deixando a imagem do profissional mais dinâmica ao ver das outras
profissões como diz Cunha (2000, p. 160):
como bibliotecários, fazemos parte de um grupo cada vez mais
diversificado de profissionais que lidam com a informação, entre
eles os arquivistas, documentalistas, os gerentes de base de
dados, os consultores da informação, os profissionais da
informação, entre outros, e ainda, porque o trato com a
informação na sociedade contemporânea requer a atuação de
profissionais com uma grande variedade de competências.
Coloca-se então que o bibliotecário não pode continuar a ser apenas um
mero arrumador e catalogador de livros, assumindo a posição de técnico científico
dos materiais. Deve assumir o papel de um técnico que entende além da
Biblioteconomia, com características, com noções sólidas sobre assuntos gerais ou
mesmo assuntos que compõem o acervo da biblioteca que trabalha (COUTO apud
CASTRO, 2000). Coelho Neto (1996) diz que o bibliotecário tem adotado um novo
perfil face às novas mudanças organizacionais e com a proliferação rápida da
informação, passando do acervo físico para o virtual, pois até pouco tempo os
bibliotecários carregavam um perfil insaturado na Idade Média, onde a biblioteca
era um lugar de retiro, de isolamento, permitindo a privilegiados, e quem ali
atuava era um membro do poder e estabelecia as relações entre o autor e o leitor
como intermediário (dono da informação), orientador de leituras (ideologia do
poder), um intercessor (censura).
Foi-se o tempo em que a biblioteca se parecia com um museu e o
bibliotecário era o catador de ratos entre livros embalara dos e os
visitantes olhavam com olhos curiosos tomos e manuscritos antigos.
Agora a biblioteca é como uma escola, e o bibliotecário é, no mais
alto sentido, um professor, e o visitante é um leitor entre livros
como um trabalhador entre suas ferramentas (COELHO NETO, 1996,
p. 6).
Seguindo a linha de raciocínio de Coelho Neto (1996, p. 5), quando destaca
que:
O papel do Bibliotecário na sociedade está se alterando devido às
novas tecnologias de informação e comunicação. Novas formas de
21
trabalhar surgiram porque novas ferramentas foram criadas para o
controle, organização e disseminação da informação. O profissional
não está mais limitado ao espaço físico da biblioteca; agora ele
trabalha com vários suportes em que a informação está registrada,
onde o usuário passa a ser o foco principal e não mais o acervo, ao
mesmo tempo que a disseminação passa a ter mais importância que
a preservação da informação.
O que se pode entender é que com o passar dos tempos o bibliotecário foi se
modificando, de acordo com a época, a sociedade e as tecnologias disponíveis e que todo esse
trabalho, ou melhor, toda essa mutação vem sendo feita para recuperar, disseminar e preservar
o conhecimento, tanto o contido nos livros, quanto nos outros suportes. Portanto, não é apenas
uma mudança no perfil do profissional tradicional de biblioteconomia ou nos rótulos que a
sociedade o coloca, é uma adaptação a novas exigências organizacionais para melhorar assim
o seu desempenho profissional, o que se faz valer as cinco leis de Ranganathan que são leis
fundamentais instituídas para a Biblioteconomia (os livros são para serem usados; todo leitor
tem seu livro; todo livro tem seu leitor; poupe o tempo do leitor; uma biblioteca é um
organismo em crescimento), sendo que agora aplicadas aos diversos formatos de informação.
3 ESTEREÓTIPO: UMA FORMA DE ENTENDER
Antes de falar sobre a imagem estereotipada aplicada ao bibliotecário, é de
grande importância conhecer o que exatamente significa, como o termo se
constitui e suas aplicações.
Sabe-se que desde os primórdios o homem desenvolveu meios para o registro
do cotidiano e de informações diversas do universo no qual está inserido e,
juntamente com a evolução dos seres, esses métodos foram se aprimorando até o
surgimento de uma das maiores formas de registro da informação através dos
tempos: a escrita. Através da escrita é possível se chegar à compreensão, à análise
e à interpretação dos fatos, mesmo nunca se ter vivido na época representada. Mas
algo chama atenção na história da escrita. Antes mesmo de se ter um alfabeto ou
formas mais lógicas de registro, o homem utilizava pinturas, desenhos, formas
gráficas diversas para representar o que se queria, eram as chamadas: pinturas
rupestres, onde era retratado todo o modo de vida e de convivência dos seres em
22
determinadas épocas. A imagem seria mais uma forma, além da escrita, de se
armazenar e de se explicar fatos e informações. Sobre o assunto Langer (2005, sem
paginação) exemplifica bem essa relação da escrita com a imagem quando diz que:
A história não é feita unicamente de documentos escritos. Está
gravada em imagens, que são muito mais poderosas no imaginário
que a escrita, pois permitem que a perpetuação das fantasias
ocorra facilmente. Em livros didáticos, no cinema, nos quadrinhos,
muitos fatos são interpretados por meio de uma representação
visual.
A imagem vista nem sempre é decifrada como realmente é, uma vez que os
indivíduos possuem um campo visual bastante amplo e rico em mensagens ou
informações variadas que deixam margens para situações distintas. As pessoas
tendem a diminuir o espaço, ou melhor, os dados colhidos, para poder, com mais
exatidão, selecionar, quantificar e qualificar o que é de fato importante, com isso
associa essa imagem ao que já se tem em consciência.
[...] a imagem é um recurso usado pela humanidade desde os
tempos pré-históricos, comprovado pelas pinturas encontradas nas
cavernas para expressar a cultura humana até os tempos atuais,
onde uma produção vertiginosa de imagens nos atropela
diariamente, seja ela de cunho publicitário ou artístico [...] esta
produção de imagens, seja individual ou coletiva, visa estabelecer
uma melhor relação com o mundo. Mas sabe-se que o órgão da
visão não é neutro, ele possui limitações, além do indivíduo
também afetar essa relação imagem-percepção, através do saber
individual, dos afetos, das crenças, entre outros fatores (ROCHO,
2007, p. 17).
O julgamento de uma imagem, dentre as diversas possibilidades, pode se
direcionar a alguém, possibilitando inúmeras interpretações a quem julga. No
processo de julgamento realiza-se uma avaliação do indivíduo por um grupo, e
como conseqüência chega-se a uma conclusão precipitada da veracidade da
realidade daquele ser em questão. O resultado dessa avaliação é conhecido como
estereótipo que “pode ser entendido como uma ferramenta cognitiva utilizada para
categorizar na memória a pluralidade dos elementos sociais, com o objetivo de
auxiliar o indivíduo a organizar e compreender de forma menos complexa seu
ambiente” (LEITE, 2009, p. 6).
23
Etimologicamente falando, a palavra Estereótipo vem de dois termos gregos,
estéreos, que significa “sólido e rígido” e typos, que significa tipo, impressão,
figura, imagem, forma ou modelo. Segundo Lysardo-Dias (2007) o termo
“estereótipo” denomina, inicialmente, a placa gravada sobre o metal para a
impressão de imagens e textos por meio de prensa tipográfica, ou seja, era um
modelo fixo que não sofre muitas alterações, como a ideia mesmo diz: é a forma
de uma representação pronta, banalizada transformada em clichê. Seguindo o
raciocínio de Lysardo-Dias (2007) pode-se perceber que o estereótipo seria uma
imagem absoluta, uma forma de ajuizamento usado para se absorver dados
imutáveis sobre determinado ser na sociedade.
A necessidade de se criar grupos é uma forma de facilitar e ajudar a mente
humana a reconhecer indivíduos. Diniz (2006, p. 139) aponta como muitos grupos
recebem a “generalizações estigmatizadas como: „o nordestino‟, „o turco‟, o menor
infrator da FEBEM”. A “generalização” de grupos é feita sem que ocorra uma
importância prévia a observação crítica cometida aos que estão inerentes a estes
meios citados anteriormente. Martins e Rodrigues (2004) citam estudos que
reafirmam o papel importante dos estereótipos na percepção de outros seres
humanos, havendo mesmo quem defenda que as pessoas utilizam, prioritariamente,
os estereótipos para decodificar a informação complexa sobre indivíduos e grupos,
buscando outras interpretações apenas, quando os estereótipos não oferecem
explicações suficientes. Castro, Diaz e Veja (1999) completam a teoria de Martins e
Rodrigues (2004) sobre a falta de explicações suficientes dentro de um estereótipo,
quando diz que o mundo social e humano não é capaz de ser sempre complexo,
flexível e crítico, pode-se dizer que há a tendência de se cair no estereótipo.
Algumas características foram denominadas por McGarty (2002 apud Walter e
Baptista, 2007) sobre o conhecimento da representação estereotipada, mas uma se
deve atenção maior, que classifica o estereótipo como um objeto explicativo,
utilizado para: esclarecer dúvidas freqüentes como relação à imagem passada por
algo ou alguém. Ou seja, o indivíduo entende as relações entre os grupos,
analisando contextos no universo onde está inserido, e estuda comparações que
buscam os aspectos explícitos e implícitos da comunicação interpessoal, provendo
bases para as inferências na forma como as pessoas realmente as fazem.
24
Para melhor compreensão do motivo da criação dos estereótipos por parte
da sociedade, é preciso ressaltar o que é pronunciado por Mcgarthy, Yzerbyt e
Spears (2002, p.1 apud Walter e Baptista, 2007, p. 28) sobre o assunto:
Sem indivíduos não haveria sociedade, mas a menos que indivíduos
também se percebam como pertencentes a grupos, isto é, dividindo
características, circunstâncias, valores e crenças com outras
pessoas, então a sociedade seria sem estrutura ou ordem. Estas
percepções de grupos são chamadas de estereótipos.
Quando se fala em estereótipos, as características que são mais evidentes e
debatidas são as negativas, que podem fazer com que um determinado grupo seja
inferiorizado perante o meio. Podemos citar alguns exemplos de estereótipos
negativos, tais como:
O papel da mulher é ser dona de casa, submissa e atuar de
forma secundária nas esferas sociais; do negro é ser sempre
subalterno, empregado conformado e feliz; do homossexual é
ser „anormal‟ e com traços acentuados do sexo oposto. Esses
modelos são definidos como preconceitos (atitude de carga
negativa derivada dos estereótipos) (LEITE, 2009, p. 5).
Portanto, quanto mais essas definições discursivas forem reforçadas a esses
grupos, maior é a chance de que esses enquadramentos sejam sempre os primeiros
pensamentos gerados ou recuperados por indivíduos que interajam com um
representante desses grupos estigmatizados (LEITE, 2008). Muitos estudiosos
discutem sobre o assunto e tentam explicar o caso, sendo um deles é Lysardo-Dias
(2007, p. 26) que descreve:
O fato de ele ser tomado como uma idéia que foi se solidificando ao
longo do tempo e, por isso, possa ter se distanciado da „realidade‟,
fez com que fosse entendido como elemento falseador e pernicioso
para as relações sociais. Assim, o termo estereótipo assume uma
conotação pejorativa já que remete a um conceito falso (na origem
inclusive de preconceitos sociais), uma crença desprovida de
qualquer senso crítico que encerrava uma simplificação ou uma generalização sem fundamento. Isso permite explicar a aura negativa
que reveste o estereótipo.
Sem dúvida que o preconceito é um grande termo a ser discutido dentro dos
estereótipos. Preconceito nada mais é que, segundo o dicionário Houaiss (2004),
25
um julgamento ou uma opinião concebida previamente, ou seja, é um conceito
formado sem fundamento ou conhecimento suficiente. Ao refletir sobre o que diz
Pereira et al (2003) percebe-se que o preconceito se refere a uma atitude injusta e
negativa em relação a um grupo ou a uma pessoa, que se supõe ser membro do
grupo. Desse modo entende-se o perigo por traz dos estereótipos negativos, que é o
prévio julgamento, muitas vezes injusto, a grupos e até mesmos indivíduos
pertencentes a esses grupos. Um exemplo que pode ser observado, segundo Leite
(2009, p. 7), é quando “um desconhecido é considerado perigoso por pertencer a
um determinado grupo minoritário”. Considerando esse arquétipo, se podem
lembrar os moradores das favelas, que são muitas vezes estereotipados como
pessoas ligadas ao crime. Logo se “sugere que é a combinação de estereótipo
negativo e crenças pessoais que resulta em atitudes preconceituosas” Devine (1989
apud LEITE, 2009, 7). Bernades (2003, p. 309) elucida o que seria a injustiça social
feita quando ocorre um pré-julgamento com relação ao estereótipo passado:
As injustiças sociais que resultam da activação e uso dos
estereótipos somente podem ser evitadas caso as pessoas consigam
controlar os seus pensamentos estereotípicos. Em conseqüência,
quer devido a motivações intrínsecas à própria pessoa, quer devido
a motivações sociais em geral, alguns indivíduos tentam evitar a
influência que a activação dos estereótipos tem nas suas avaliações.
A principal questão a que se procura responder é a seguinte: até
que ponto é possível controlar a expressão do pensamento
categorial?
O estereótipo contraproducente pode levar a várias situações, tais como a
injustiça social, como foi exemplificado anteriormente. A injustiça social com
relação à figura estereotipada seria o evento de existir na sociedade, através de
situações que levam ao constrangimento de um indivíduo, mesmo que a pessoa em
tese não seja exatamente como foi julgado previamente. Mas como se pode
controlar o que será pensando de algo ou alguém? Essa formação de conceito prévio
se deve ao fato de já se ter algumas características e pensamentos anteriores com
relação ao ser ou ao objeto em questão, ou seja, esses conceitos seriam a junção
de opiniões pessoais com as informações captadas do meio em que se vive.
26
4 O BIBLIOTECÁRIO NA MÍDIA E NA SOCIEDADE: os estereótipos em questão
Os meios de comunicação de massa possibilitam o crescimento em muitos
sentidos dos seres humanos, pois se tornaram uma opção concreta e legitimada
para envio e recebimento de mensagens. O indivíduo passa a ter acesso aos fatos,
acontecimentos e notícias que não fazem parte do seu cotidiano, transmitida
oralmente, ocasionando variações nas formas de apreensão e entendimento.
Os meios de comunicação de massa são aqueles que atingem um número
maior de indivíduos e são classificados como: sonoro (telefone, rádio); escrito
(jornais, diários e revistas); audiovisual (televisão, cinema); multimídia e
hipermídia (convergência de duas ou mais mídias tecnológicas em formato digital)
(CARVALHO; SCHWARZELMÜLLE, 2006). Por participar ativamente no dia a dia da
sociedade, as mídias influenciam a forma de pensar, exercendo um papel
determinante na formação de conceitos sobre algo ou alguém. E é assim que
Pereira (2002, p.157) descreve a força que a mídia introduz na sociedade:
Como artefatos humanos socialmente construídos, transmitidos de
geração em geração, não apenas através de contatos diretos entre
os diversos agentes sociais, mas também criados e reforçados pelos
meios de comunicação, que são capazes de alterar as impressões
sobre os grupos em vários sentidos.
Hoje, com a evolução tecnológica e o acesso mais rápido e dinâmico às
transmissões dos elementos midiáticos, milhões de informações são apresentadas
para a população de uma maneira desordenada sem que haja uma preocupação
com os efeitos que essa confusão pode causar. Um exemplo muito discutido quando
se fala em “poder da mídia” ou “influência dos meios de comunicação” é o da
televisão. A televisão seria
O fenômeno social e cultural mais impressionante da história da
humanidade. É o maior instrumento de socialização que jamais
existiu. Nenhum outro meio de comunicação na história havia
ocupado tantas horas da vida cotidiana dos cidadãos, e nenhum
havia demonstrado um poder de fascinação e de penetração tão
grande (FERRÉS, 1998, p. 13 apud MORONI; OLIVEIRA FILHA, 2008).
27
Por exercer toda essa função e ter uma história de desenvolvimento
“virtuoso”, a televisão se tornou algo indispensável no cotidiano das pessoas, sendo
muitas vezes o único meio de acesso aos fatos e acontecimentos do mundo. De
acordo com IBGE (2007), em 2007 97,8% dos domicílios no Brasil tinham pelo menos
um aparelho de tv. Acredita-se que a grande quantidade de televisores se deve ao
poder de sedução da mídia audiovisual, que utiliza de recursos visuais e de
linguagem que o público leigo entende.
A mídia em questão oferta notícias à sociedade, mantendo a população a par
das ocorrências. Entretanto, ao mesmo tempo em que garante o acesso aos fatos e
acontecimentos, criam conceitos distorcidos, equivocados, levando as pessoas à
geração das mais variadas interpretações diante da condição passiva que ele se
coloca. Os estereótipos são bons exemplos que ilustram o papel da mídia televisiva
na construção de quadros alterados da realidade. Nessa perspectiva, o estereótipo
na mídia se configura como uma estratégia discursiva, onde a comunicação garante
uma colocação melhor no discurso empregado, sintetizando os conceitos da
representação de um signo (DINIZ, 2006).
[...] a partir de alguns poucos exemplos, vemos que a utilização e o
poder do estereótipo [...] empregado pelos diferentes meios de
comunicação de massa, muitas vezes, numa enunciação passional
revestida por figuras que resgatam antigos valores ou impõem
outros, o estereótipo adquire status de mito e sua utilização
revalida valores da cultura (ideologia) (DINIZ, 2006, p. 139).
Assim entende-se o porquê da utilização dos estereótipos em todos os tipos
de discursos utilizados pela mídia, seja na comunicação oral, na representação de
imagens, na escrita, na publicidade, etc. Esse tipo de reprodução de comunicação
acrescentada ao estereótipo oferece os elementos necessários para que a notícia, o
indivíduo, ou o objeto em questão sejam representados.
A partir da discussão levantada sobre o estereótipo, verifica-se que o
bibliotecário é alvo desses meios de comunicação, sendo muito deles negativos que
prejudicam não só a auto-imagem desse profissional, como também a forma que a
sociedade o vê. Na antiguidade o bibliotecário era visto como um sábio, um homem
erudito, dotado de um grau superior de inteligência. Com o passar dos anos essa
imagem foi desaparecendo, modificando a formação dos conceitos que a sociedade
28
tem do profissional. Nos dias atuais, a imagem do profissional está associada a um
fazer meramente técnico e feito por mulheres.
A visão deturpada que a sociedade tem, em relação aos
profissionais bibliotecários, reflete-se na imagem que nos é
transmitida: uma mulher idosa, ranzinza, sempre exigindo silêncio,
fora de moda e que passa a maior parte do seu tempo guardando
livros nas estantes (ROCHO, 2007, p. 16).
Para exemplificar a situação buscou-se pelo termo bibliotecário em um dos
sites de busca mais utilizado no Brasil, o Google. Os resultados apresentados
trazem poucas imagens de homens na profissão, indicando assim uma imagem
essencialmente feminina ao profissional de biblioteconomia. No Google Imagens a
primeira resposta de uma busca foi o aparecimento da expressão pesquisas
relacionadas, remetendo ao termo bibliotecária. Das dez primeiras imagens
trazidas pela busca, 8 eram mulheres e 2 eram homens, confirmando que a imagem
do profissional na Internet está voltada ao sexo feminino. O segundo ponto
destacado da busca realizada é a aparência física das bibliotecárias, que na maioria
dos casos apresentam mulheres introspectivas, sisudas, vestidas com saias longas e
cabelos presos, fazendo uso de óculos.
Outro exemplo sobre a imagem do profissional bibliotecário na Internet foi
obtido no site gettyimages.com. Ao se pesquisar por librarian (bibliotecário em
inglês) centenas de imagens foram recuperadas, muitas delas com as mesmas
características citadas anteriormente. As figuras abaixo são algumas imagens
obtidas no site.
Figura 1 – Bibliotecária 1
Figura 2 – Bibliotecária 2
29
Figura 3 – Bibliotecária 3
Figura 4 – Bibliotecária 4
Figura 5 – Bibliotecária 5
Figura 6 – Bibliotecário 1
Imagens como essas também são ou já foram transmitidas em cenas de
televisão e cinema. O trabalho de Rocho (2007) evidencia como a mídia
cinematográfica transmite do bibliotecário no período compreendido nas décadas
de 1930 a 2000, tendo como base 39 filmes. O estudo em si gira em torno do
conceito de “cinema”, classificando-o como “um meio pelo o qual a sociedade
30
expressa-se cultural, artística e ideologicamente”, conseqüentemente o cinema é
uma forma de dominação, “de relação de poder entre um grupo e outro”, onde a
propagação de estereótipos, seja de qualquer profissão, é uma forma de legitimar
o poder existente. Rocho (2007, 36) percebe que a imagem dos bibliotecários
retratada, nesses períodos, não sofre grandes alterações e que o profissional de
biblioteconomia do sexo masculino é pouco representado, concluindo que há a
predominância do estereótipo negativo do bibliotecário nos filmes analisados. A
pesquisa de Rocho só apoia mais a teoria da existência do estereótipo contrário dos
profissionais de biblioteconomia.
Não se pode negar a forte influência que a mídia tem na vida das pessoas, na
formação dos seus pensamentos, ideias, ideologias, opiniões, etc., mas a formação
da imagem do bibliotecário veiculado pela mídia não foi criado sem fundamentos.
De certa forma a mídia reflete o que está presente na sociedade, e essas
representações são produtos elaborados a partir de identidades coletivas
condicionadas às práticas sociais. No caso dos bibliotecários é preciso analisar o
que a literatura diz a respeito da formação dessa imagem, para tentar entender
como tais características e esteriótipos foram criados e quais foram as
modificações sofridas ao longo da história.
Analisando a história da Biblioteconomia observam-se variações tanto na
forma de agir, por parte dos bibliotecários ou dos chamados bibliotecários, quanto
na forma de representação desse ofício. A profissão foi se desenvolvendo
juntamente com a sociedade e as suas práticas profissionais voltadas à informação,
exigindo diferentes perfis do bibliotecário. Ilustrando o que foi dito anteriormente
deseja-se mostrar a evolução da profissão de bibliotecário expondo algumas
figuras, partindo da teoria que certas imagens falam mais do que palavras.
31
Figura 7 - Evolução do Bibliotecário
Fonte: http://biblio20.files.wordpress.com/2009/06/capa1.jpg
Para melhor entender as transformações sofridas pela profissão do
bibliotecário, O Quadro 2 exibe algumas características separadas por período,
desde a antiguidade até os dias atuais.
Período
Características
Eram também escribas e tinham altos cargos na sociedade
Antiguidade
(oficiais do estado ou sacerdotes). Suas atividades eram
(280 a.C. a 416)
consideradas sagradas e por saber ler e escrever eram donos de
fortes influências no poder político.
Idade Média
Considerados como os guardiões da informação, ou do saber, os
clérigos tinham o domínio sobre os livros. A ordem e a
preservação da informação era o principal objetivo. Com isso a
igreja obtinha um forte poder sobre a sociedade.
Os nobres e eruditos também eram responsáveis pelos livros em
suas bibliotecas particulares, tendo o mesmo objetivo dos
clérigos, acúmulo do conhecimento para si.
École Nationale des Chartes
Humanista. Erudito. Preservador dos documentos, guardião das
XIX - França
coleções de manuscritos, livros e outros tipos de impressos. Um
32
bibliotecário culto, ligado a cultura e às artes.
Escola de Meivil Dewey
Tecnicista, voltado exclusivamente a atividade de tratamento e
XIX – Estados Unidos
organização de documento. Profissionais ligados à modernidade.
Voltado para o trabalho interno da organização da biblioteca.
Contemporâneo
Mais tecnicista, porém possuidor de características humanísticas.
Voltado a novas tecnologias e suportes de informacionais.
Educador. Gestor e gerenciador da informação.
Quadro 2 - Características do Bibliotecário em Períodos Históricos
5 O BIBLIOTECÁRIO NA SOCIEDADE: gêneros e estereótipos
Uma característica notória, como foi percebido na mídia é também colocado
na literatura, que a biblioteconomia é uma profissão que tem por maioria,
profissionais do sexo feminino. Isso foi verificado em trabalhos feito por Oliveira
(1980), onde em sua pesquisa mostra uma porcentagem de 88% e Baptista (2002) de
94,9% de mulheres em relação a homens bibliotecários.
Por isso é bem mais
comum encontrarmos estereótipos ligados as bibliotecárias.
A figura do profissional da Biblioteconomia, que no imaginário
popular resume-se à bibliotecária, é obviamente, estereotipada ao
extremo: mulher de meia-idade, óculos, nem um pouco atraente,
solteira, roupas longas, coque nos cabelos e uma insaciável
capacidade de fazer „shiiiiii‟ para os usuários mais barulhentos da
biblioteca (BARROS, 2005, p. 4).
Alguns autores discutem qual seria a causa da associação da profissão
bibliotecária a feminização, mesmo assim não existem muitos estudos que se
aprofundem no assunto, ficando difícil a realização de uma compreensão coesa
sobre situação. Martucci (1996) coloca a figura da professora como responsável por
esse estereótipo ao afirmar que há uma fronteira entre o magistério e a
biblioteconomia, uma vez que:
a bibliotecária foi encarada como uma professora informal, que
exercia sua função de educadora fora do espaço formalizado do
ensino, ocorrendo um deslocamento físico da sala de aula para a
biblioteca. Era preciso deslocar uma professora para as funções de
reunião, organização, armazenamento, preservação e orientação
de uso de materiais impressos diversificados, necessários ao
33
enriquecimento do ensino, em um espaço apropriado para estudo e
pesquisa (MARTUCCI, 1996, p. 233).
Já para Walter e Baptista (2007) existem outras razões que explicam o maior
número de mulheres na biblioteconomia:
Historicamente, as mulheres são associadas a profissões que não são
competitivas, não exigem esforço intelectual, cujo exercício
demanda comportamentos e atitudes relacionadas àquelas das
donas de casa, como, por exemplo, ordem, asseio e servir pessoas,
entre outras; As mulheres, no Brasil, segundo dados constantemente
divulgados pela imprensa, percebem menores remunerações que os
homens, nas mesmas posições; Das mulheres espera-se,
normalmente, comportamentos dóceis e delicados e qualquer
atitude mais assertiva é considerada agressividade e pode ser
associada ao fato de ser „solteirona‟ e recalcada, enquanto que aos
homens essa maior agressividade é associada a um comportamento
positivo e de personalidade forte (WALTER; BAPTISTA, 2007, p. 32).
Para se ter uma idéia, a primeira turma formada, em 1887, na School of
Library Economy, de Melvil Dewey, era basicamente composta por mulheres,
surgindo posteriormente uma procura ainda maior desse gênero pela profissão.
Jeannette Kremer (1983) mostra um fato curioso na escola de Dewey:
Contra as ordens expressas dos curadores da Columbia University,
ele [Dewey] abriu as portas às mulheres, que já somavam dezessete
dos vinte alunos da primeira turma. Foi por esse motivo demitido da
universidade, pouco depois. Em 1889 mudou a sua escola para a
University of the State of New York em Albany, com um curso de
dois anos em nível de graduação (KRENER, 1983, p. 18).
A passagem mostra quão era forte a resistência à entrada de mulheres no
mercado de trabalho, nas universidades e no cotidiano da sociedade. Mas diante do
empasse, quais seriam as reais condições exigidas para exercer a função de
bibliotecário à época? Litton (1975) apresenta quais seriam os requisitos
necessários para ser um bibliotecário, que segundo ele são características
encontradas nas mulheres o que mais uma vez associa a imagem da mulher ao meio
biblioteconômico.
espírito de ordem: a natureza do trabalho requer espírito
sistemático e analítico, argumentando que na biblioteca moderna
não há lugar para pessoas desorganizadas; necessidade constante de
educação: existe a necessidade de uma constante ampliação de
34
conhecimentos para a aquisição de habilidades adicionais para o
desempenho do trabalho; afabilidade no trato: deve possuir bons
modos, delicadeza com os leitores, ter prazer em trabalhar
diretamente em contato com o público, ser extrovertido,
aproximar-se do leitor, descobrir seus interesses e desejos e
cooperar na sua busca de informação; tolerância: o bibliotecário
lida com comunidades heterogêneas e a intolerância, impaciência,
teimosia e obstinação não são aceitáveis, devendo se mostrar
sempre tratável e simpático com seu público; condições físicas:
devem ser simpáticos, comunicativos e de boa aparência física
(LITTON, 1975, p. 76).
Além do estereótipo feminino associado à Biblioteconomia, existe outro tipo
de imagem equivocada da profissão, e neste caso se direciona aos homens. Há
poucos registros na literatura ou na mídia sobre o assunto, mas que representam o
sexo masculino como bibliotecários afeminados e introspectivos, conforme
mostram Walter e Baptista (2007, P. 34):
Embora haja muito menos textos e dados sobre o tema, existe outro
estereótipo associados aos bibliotecários, nesse caso os do sexo
masculino, que é o relacionado à orientação sexual dos homens que
escolhem essa profissão, geralmente relacionada com a
homossexualidade ou com posturas efeminadas).
Dos poucos estudos realizados sobre o tema, o de Sable (1969, p. 749) citado
por Walter e Baptista (2007, p. 34) é o que mais se destaca, pois consegue agrupar
algumas informações dos estereótipos trazidos na profissão do bibliotecário e
aponta o receio existente dos homens ao entrar no curso: “os bibliotecários do sexo
masculino querem primeiro, antes de comprovar que eles são bibliotecários,
comprovar que são homens. Eles não querem ser considerados como pertencentes
ao estereótipo feminino”. E, prosseguindo Sable (1969, p. 749 apud WALTER;
BAPTISTA, 2007, p. 34) diz que “ele quer pessoalmente excluir-se das
características sexuais que o pensamento popular caracteriza as bibliotecárias do
sexo feminino. Sua masculinidade está em questão”.
Um fator importante que deve ser salientado, antes de se chegar à autoimagem desse profissional, como diz Roggau (2006), é o fator psicológico onde o
ambiente de trabalho muitas vezes pode interferir diretamente no comportamento,
provocando a criação de certos estereótipos:
35
Las bibliotecas, desde siempre, han sido elegidas como campo de
actividad por aquellas personas inclinadas a la introversión, la
disquisición intelectual, la lectura silenciosa, la vivencia em
solitario de la literatura, el conocimiento por el conocimiento
mismo (ROGGAU, 2006, p. 28).
Logo, conclui-se que além dos gêneros masculino e feminino ligados à
Biblioteconomia são estereotipados negativamente, a biblioteca também termina
sendo revestida por julgamentos errôneos e deturpados. Historicamente os
bibliotecários, e consequentemente, a biblioteca serviam apenas a uma pequena
parcela da sociedade, sendo esta minoria a elite, que possuía totais poderes sobre
o saber. Aqui Roggau (2006) define bem o que foi dito:
La imagen elitista de las bibliotecas también aporta al
sostenimiento del estereotipo: un espacio reservado para minorías
(poder que paradójicamente se nutrió del conocimiento y de la
información). La arquitectura de las bibliotecas da cuenta de las
ideas de quienes las construyeron: desde esa perspectiva la
biblioteca era simbólica (un templo del saber), los libros "sagrados"
(objetos intocables), los lectores eran privi-legiados (los
intelectuales y los ricos) (ROGGAU, 2006, p. 29).
Outro tópico determinante na construção dos estereótipos masculino e
feminino, se refere à auto-imagem do bibliotecário. Entende-se por auto-imagem
uma projeção descritiva do conhecimento que o indivíduo tem de si próprio, ou
seja, é a opinião que a pessoa tem de si. Essa auto-imagem pode ser positiva ou
negativa, pode apreciar ou depreciar, dependendo do que for tratado. A autoimagem seria um retrato momentâneo, nem sempre objetivado que cada ser
humano faz de si próprio e que deve ser construída continuamente e, para isto,
depende concretamente da auto-aceitação e da aceitação por parte das outras
pessoas. (MOSQUEIRA; STOBÄUS, 2008). Geralmente as profissões vêm carregadas
de algum tipo de imagem de associação e nem sempre são positivas, sendo assim
imagens que trazem consigo uma bagagem que influenciam a auto-imagem.
Para alguns autores existem até três tipos principais de autoimagem podem ser identificados: uma dimensão individualista do
eu, reunindo conceitos como independente, autônomo e separado;
uma outra denominada coletivista, que acentua as relações entre o
indivíduo e a coletividade; e uma terceira dimensão, que recebe o
nome de relacional, cujo foco de atenção são os indivíduos entre si.
Não obstante, parece mais parcimoniosa e teoricamente
36
consistente, a clássica definição que prediz dois tipos de autoimagem, não exatamente expressando conteúdos opostos ou
conflitantes: independente e interdependente que também
recebem as denominações de autônomo e interdependente ou eu
privado/individual e eu público/social” (GOUVEIA et al, 2002, p.
50).
Quando se fala de auto-imagem parece existir uma intenção de associar essa
característica com outra: a auto-estima. A auto-estima seria a avaliação particular
que uma pessoa faz de si mesma, como sendo intrinsecamente positiva ou negativa
em algum grau.
O entendimento da auto-imagem e dos fatores que interferem em
sua construção são pesquisados em relação a diversos temas como
as relações de poder, absorção de novos conhecimentos e,
também, pela influência do trabalho. O que se depreende das
diferentes análises é a importância desse elemento como fator de
impacto para as pessoas no exercício profissional e, em certo
sentido, no desenvolvimento das profissões (WALTER, 2008, p. 21).
Partindo desse pressuposto, será que o bibliotecário se aceita como
profissional? Alguns estudos que interligam auto-imagem e o profissional de
Biblioteconomia dizem que a auto-imagem depende da interdisciplinaridade, ou
melhor, da forma como o bibliotecário se apresenta no trabalho, da maneira que se
dirige aos usuários. Essa atitude é a criação de uma representação não só do
profissional, como também do local de trabalho. Para o usuário, a aparência, a
atitude e a prestação de serviço mostra o quanto à biblioteca e os profissionais
trabalham para melhor atender as necessidades informacionais solicitadas, porém,
em muitos casos, esses profissionais geram “uma apatia profissional e uma falta de
interesse pela profissão” (OLIVEIRA, 1980, p. 85), pela falta de reconhecimento
sofrido pela Biblioteconomia.
Para Farinas citado por Oliveira (1980, p. 23) a realidade profissional é
desalentadora, pois falta, por parte dos bibliotecários, a consciência interior de
que o profissional realmente é, para que existe e qual o papel que deve ser
desempenhado perante a sociedade. Um grande exemplo disso é quando os
bibliotecários querem mudar a nomenclatura do nome do curso, buscando fugir de
certos rótulos implantados ao longo do tempo. Nesse horizonte, imaginam que se
trata de soluções frente a imagem negativa que possuem, revestindo-se com novas
denominações que lhes tragam novo status profissional. Com isso, o termo
37
Biblioteconomia vem perdendo a força e o profissional, de certa forma, a
identidade e as características que fazem com que os reconheçam. Alguns dos
termos que são associados ao Bibliotecário: biblioteconomista, bibliógrafo,
cientista de informação, consultor de informação, especialista de informação,
gerente de informação, analista da informação, gestor de informação, entre
outros.
Mas um estudo recente, realizado no Estado de Alagoas, mostra que o
bibliotecário vem construindo uma auto-imagem positiva da profissão:
Através de nossa pesquisa verificamos que os profissionais
bibliotecários possuem uma auto-imagem positiva, sentem-se
estimulados a trabalhar como bibliotecários, não mudariam de
profissão, e diferente da população vêem na Biblioteconomia
oportunidades de ascensão profissional e a necessidade de
habilidade e dinamismo para o exercício da profissão. Tudo isso
revela o quanto estes profissionais acreditam na importância de seu
trabalho, apesar dos problemas de valorização profissional no qual
se deparam na busca de seu espaço. O que afirmamos, entretanto,
com base em nossa pesquisa, e respaldados pela literatura
especializada, é que existe entre estes profissionais a necessidade
de uma visão de mundo mais ampla, ou seja, interdisciplinar e
transdisciplinar, fator este que contribuiria para o fortalecimento
de suas atitudes como profissionais da informação (LIMA; LIMA,
2009, p. 71).
Pode-se pensar, então, que o problema não estaria na auto-imagem do
profissional e sim na valorização que a sociedade tem a respeito da
Biblioteconomia, onde a auto-estima está diretamente ligada à auto-imagem. Ou
seja, o bom reconhecimento reflete diretamente na imagem que esse profissional
terá do trabalho desenvolvido por ele. Essa auto-imagem positiva deve ser
construída com a associação de alguns fatores segundo Mosquera e Stabäus (2008,
p. 117), uma vez que a auto-imagem depende da auto-estima, ou seja, a junção da
auto-estima à auto-imagem gera o processo de reconhecimento próprio, são elas:
segurança e confiança de si mesmo; procura incessante da
felicidade; reconhecer as qualidades sem maiores vaidades; não
considerar-se superior e nem inferior aos outros; admitir limitações
e aspectos menos favoráveis da personalidade; ser aberto e
compreensivo; ser capaz de superar os fracassos com categoria e
classe; saber estabelecer relações sociais saudáveis e permanentes;
ser critico construtivo; e ser, principalmente, coerente e
38
conseqüente consigo mesmo e com ou outros, respeitando-os e
dando-lhes as oportunidades de manifestação.
O profissional em si que deve mudar o modo que a sociedade o vê, a questão
é simples: o indivíduo não nasce bibliotecário, se torna um! Antes de ingressar na
Universidade se tem a visão que a sociedade transmite, as conclusões tiradas
anteriormente por outras pessoas, e após o ingresso se deve pensar como
bibliotecário, agir como bibliotecário. Em Pernambuco, por exemplo, o candidato
que quiser concorrer às vagas para o curso de Biblioteconomia terá apenas um
Instituto de Ensino a fazer, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde a
cada ano são oferecidas 35 vagas. Teoricamente a Universidade deveria formar 35
bibliotecários por ano, evento que não acontece na prática. Em “listões” de
candidatos aprovados na universidade, é possível observar alguns pontos: baixa
concorrência; notas abaixo do padrão, se comparadas com outros cursos das
ciências sociais, que realizam praticamente as mesmas provas e; um número maior
de mulheres inscritas. O Gráfico 1, elaborado através das listas de aprovados
(Anexo A, B, C, D, E e F), abaixo revela esse último ponto, apresentando um
número de mulheres e homens que passaram no vestibular para Biblioteconomia no
período compreendido entre 2003 e 2008.
39
30
25
26
23
28
24
25
22
20
15
10
12
12
9
11
13
10
Mulheres
Homens
5
0
2003/2004 2005/2006 2007/2008
Gráfico 1 – Aprovados no vestibular
O gráfico só comprova o que foi dito anteriormente, que o curso de
Biblioteconomia, inclusive em Pernambuco, tem em sua maioria mulheres. Para se
ter uma ideia, os aprovados no vestibular no ano de 2008 tinham exatemanete 7
pessoas do sexo masculino e 28 do feminino, mas o que esperar desses novos alunos
que ingressam na Universidade? Ao se fazer uma pergunta, em sala de aula, por
uma professora do Departamento de Ciência da Informação da UFPE, aos alunos do
1° período de Biblioteconomia, quais seriam os motivos que os levaram a
escolheram esse campo, muitas das respostas foram: “Não sabia o que fazer e
escolhi o curso com menor concorrência” ou “optei por fazer esse curso, mas
trocarei por jornalismo, ou outro curso quando houver oportunidade”. Essas
respostas demonstram a falta de interesse da profissão já no momento da escolha.
Apesar do pouco interesse demonstrado para aqueles que prestam vestibular
para Biblioteconomia e a pouca concorrência, muitas vezes motivada pela falta de
conhecimento do que venha a ser o curso, o gráfico apresentado por Figueiredo e
Souza
(2007), demonstra que a procura, nos últimos anos, no Brasil vem
aumentando. E isso se deve a expansão do mercado de trabalho e aos novos cursos
de biblioteconomia que foram abertos pelo país nas últimas décadas.
40
Figura 8 - Quantidade de formandos por ano
Atualmente 21 estados brasileiros oferecem à formação de bibliotecário,
tendo a maior predominância nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste. A tabela em
anexo, ANEXO G, apresenta as faculdades e universidade que oferecem o curso no
Brasil.
O que se entende é que os profissionais de Biblioteconomia, antes mesmo de
entrar no curso, devem saber com o que vão lidar. Não basta entrar na
Universidade pela baixa concorrência ou por não saber qual profissão irá seguir,
todas as atitudes desenvolvidas refletirão diretamente na imagem social desse
profissional. A forma que a sociedade vê a carreira é por definição as atitudes
criadas pelos bibliotecários, são conceitos, ou melhor, pré-definições que os
profissionais trazem consigo durante a vida e que passam quando se tornam
realmente profissionais, portanto deve-se assumir um compromisso direto com a
BIblioteconomia, onde o bibliotecário, além de um “gestor da informação”, é um
inovador independente que mostra valores de predisposição para o incremento da
profissão, logo, a mudança da imagem negativa tida pelas pessoas.
41
6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Foi elaborado um questionário de ordem qualitativa e quantitativa, com questões
fechadas e abertas, sendo doze perguntas fechadas e três abertas. As três primeiras fornecem
dados referentes aos questionados como: sexo, escolaridade e idade. A questão de
escolaridade será tratada com mais atenção dentro dessas 03 três questões, pois através dela
foram separadas as seguintes amostras da pesquisa:
1º Grupo – Nível médio
2º Grupo – Nível superior
Esse dois grupos terão seus resultados analisados separadamente, a fim de
estabelecer algumas comparações entre si. A quantidade de questionários aplicados
foi dividida por grupo, ficando 33 questionários aplicados ao 1º Grupo e 33
questionários aplicados ao 2º Grupo, totalizando 66 questionários.
Os locais escolhidos para aplicação dos questionários foram:
· Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
· Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP
· Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco
· Colégio Especial – Recife
· Colégio Ginásio Pernambucano
6.1 Aplicação dos questionários, tabulação e análise dos dados
Ao término do desenvolvimento das questões aplicou-se um pré-teste com a
finalidade de se designar as possíveis falhas, tais como: “complexidade das
questões, imprecisão na redação, desnecessidade das questões, constrangimentos
ao informante, exaustão, etc” (GIL, 1999, p. 137). Com o pré-teste identificaram-
42
se complexidades em alguns termos, que foram modificados posteriormente no
questionário final.
Os
questionários
foram
aplicados
em
5(cinco)
lugares,
citados
anteriormente, tendo apenas duas recusas por parte dos entrevistados. Em média
as respostas eram completadas em 6 minutos e os respondentes não apresentavam
dificuldades para a compreensão das perguntas.
Após a aplicação dos 66 questionários seus dados foram transferidos para
uma tabela de resultados, separando cada planilha com a sua devida especificidade
e posteriormente foram calculados todos os resultados através do programa
Microsoft Excel, por causa da sua facilidade de inclusão de dados, cálculos e
criação de gráficos. Essa organização foi feita tendo como base as metodologias
sugeridas por Gil (1999), para que houvesse uma análise e interpretação dos dados
de forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto pelo
trabalho.
7 A IMAGEM DO BIBLIOTECÁRIO NO RECIFE
A nível de pesquisa, foi elaborado um questionário que objetivou colher
informações a respeito da imagem do bibliotecário perante a sociedade. Através
desse questionário foram entrevistadas 66 pessoas, de faixa etária e escolaridade
diversas. Embora o questionário permita a estatística de homens e mulheres
entrevistados, só será considerado para esta pesquisa dois grupos: o primeiro sendo
usuários de nível superior, e o segundo usuários ensino médio. Considerando que
usuários de ensino médio utilizam com mais frequencia biblioteca públicas e
escolares, e de nível superior as bibliotecas universitárias, será possível distiguir e
analisar a imagem dos profissionais que atuam nestes ambientes.
7.1 A imagem dos bibliotecários pelos indivíduos com nível médio
Do grupo de indivíduos com nível médio, 100% dos entrevistados possuem
nível médio completo, e do total 88% têm idade entre 15 e 25 anos, 3% possuem
43
idade entre 26 e 36 anos, 6% possuem idade entre 37 e 47 anos, 3% possuem idade
entre 48 e 58 anos.
Quanto à frequencia dos que utilizam a biblioteca, 28% responderam
sempre, 24% responderam às vezes, 27% responderam regularmente, 21%
responderam pouco. Nenhum dos entrevistados afirmam que nunca a utilizam.
As bibliotecas públicas foram apontadas como as mais frequentadas, com
46% dos entrevistados. Em segundo lugar ficaram as bibliotecas escolares, com 42%.
E em terceiro lugar as bibliotecas universitárias, com 12%, conforme o Gráfico 2.
Que tipo de biblioteca você geralmente frequênta? - Nível
Médio
12%
46%
Bibliotecas Públicas
Bibliotecas Escolares
Bibliotecas Universitárias
42%
Gráfico 2 - 1º Grupo: tipo de biblioteca
Na pergunta na biblioteca, você já foi atendido por um bibliotecário?, 37%
dos
entrevistados
responderam
sempre,
33%
responderam
pouco,
e
30%
responderam nunca.
Observa-se que apenas 37% dos entrevistados responderam que sempre
foram atendidos por bibliotecários, e a soma de pouco e nunca aparece com 63%.
Esse valor pode ser justificado pelo seguinte fator: a falta de bibliotecários nas
bibliotecas escolares e a má funcionalidade dessas bibliotecas. As bibliotecas
públicas também sofrem desse mal, como a falta de pessoal qualificado e o pouco
investimento por parte do governo.
Na pergunta em sua opinião, é preciso um bibliotecário para você achar o
assunto desejado?, 79% dos entrevistados responderam que sim, e 21% responderam
44
não. O alto número de resposta no sim demonstra que esse tipo de usuário sente
uma grande carência de acompanhamento e ajuda dos bibliotecários em pesquisas
dentro da biblioteca.
Na pergunta você conhece a profissão de bibliotecário?, 52% dos
entrevistados responderam que sim, e 48% responderam não. Os números revelam
que um pouco mais da metade dos questionados conhecem a profissão. Deve-se
lembrar que em muitas escolas a função de bibliotecário é ocupada pelos
professores, que administram a biblioteca.
Completando a pergunta anterior, independentemente da resposta, fez-se a
seguinte pergunta: o que você acha que ele faz? Com base nas respostas dos
entrevistados, apresenta-se o quadro X, a partir do trabalho de Eggerl (1996).
CATEGORIAS
Organizador da Informação
Orienta pesquisas
Guardião do acervo
Domínio técnico (classificação e catalogação)
Fornecedor de informações
Controle de empréstimo
Útil à comunidade
Domínio tecnológico (Automação)
Conhecimento cultural amplo
Sintetizador da informação
PERCENTUAL
30
25
13
9
9
4
4
2
2
2
Quadro 3 - 1º Grupo: categorias
Na pergunta você acha necessário um curso superior para a formação de um
bibliotecário?, 85% dos entrevistados responderam que sim, e 15% responderam
não. As respostas indicam que boa parte dos entrevistados entendem a necessidade
de uma formação específica para atuar como bibliotecário.
Na pergunta “Para você o bibliotecário só trabalha na biblioteca?”, 45% dos
entrevistados responderam que sim, e 55% responderam não. Os outros campos no
mercado de trabalho que o bibliotecário pode atuar, só são percebidos por um
pouco mais da metade dos que responderam o questionário. Os 45% acreditam que
só há espaço em bibliotecas para esse profissional atuar.
Dos entrevistados que citaram que o bibliotecário não só trabalha em
bibliotecas, foram tabulados os seguintes locais, de acordo com o Quadro X.
Locais de Atuação do Bibliotecário
Percentual
45
Escolas
Galerias de arte e atividades culturais e sociais
Arquivos
Bancos
Recepção
Livrarias
Empresa como um todo
Museus
Antiquários
Repartições
Jornais
Centros de pesquisas
12
13
9
9
9
9
9
9
9
4
4
4
Quadro 4 - 1º Grupo: locais de atuação do bibliotecário
Sobre a pergunta qual a sua visão a respeito deste profissional?, as respostas
são exibidas no Quadro X, a seguir.
Visão dos Indivíduos
Percentual
Culto
Organizado
Não tenho opinião formada
Orientador educacional
Gentil
Atualizado
Útil à comunidade
Hostil
Dinâmico
Profissional não atuante
Comunicativo
Boa aparência
Introspectivo
Administrador
23
16
11
9
9
9
7
4
2
2
2
2
2
2
Quadro 5 - 1º Grupo: visão a respeito do profissional de Biblioteconomia
Sobre as questões abertas foram selecionadas algumas que merecem
destaque.
Qual a sua visão a respeito deste profissional?
Ele deve ser qualificado e capacitado para atender as necessidades dos usuários
(Indivíduo 1).
46
Um profissional que tem muito conhecimento, muita cultura...!. (Indivíduo 2)
Creio que uma pessoa culta e que entenda bastante de livros. Um profissional importante
para a sociedade. (Indivíduo 3).
“Na maioria das bibliotecas que frequento, os funcionários, não sei se
bibliotecários ou não, tratam mal as pessoas e recusam a atendê-los, inventando
desculpas”. (Indivíduo 4).
“Ele é de extrema importância, pois sem ele não haveria organização”. (Indivíduo
5).
“Não sei. Nunca tive oportunidade de conhecer um bibliotecário”. (Indivíduo 6).
“Nunca vejo esse profissional fazendo sua função, pois muitos deles ficam
conversando com outros funcionários ao invés de realizarem seus trabalhos”.
(Indivíduo 7).
Sobre as características físicas e comportamentais do bibliotecário, o Quadro
6 apontam as respostas dos indivíduos.
CARACTERÍSTICAS
Magro (a)
Gordo (a)
Indiferente
Alto (a)
Baixo (a)
Indiferente
Introvertido (a)
Extrovertido (a)
Indiferente
Velho (a)
Jovem
Indiferente
BIBLIOTECÁRIOS %
40
19
41
43
15
42
29
34
37
33
30
37
BIBLIOTECÁRIAS %
52
27
21
34
33
32
40
39
21
27
33
40
47
Moderno (a)
Ultrapassado (a)
Indiferente
Com óculos
Sem óculos
Indiferente
Cabelos soltos
Cabelos Presos
Indiferente
Bonito (a)
Feio (a)
Indiferente
Chato (a)
Simpático (a)
Indiferente
Elegante
Indiferente
Cult o (a)
Indiferente
Solteiro (a)
Casado (a)
Divorciado (a)
Viúvo (a)
Indiferente
Homossexual
Heterossexual
Indiferente
49
21
30
61
6
33
-
18
33
49
15
49
36
12
88
88
12
27
21
0
0
52
9
46
45
58
15
27
44
30
26
27
37
36
30
24
46
9
55
36
15
85
67
33
27
21
0
6
46
3
52
45
Quadro 6 – 1º Grupo: características dos bibliotecários e bibliotecárias
A imagem percebida pela maioria referente às bibliotecárias, é de uma
profissional magra, alta, introvertida, jovem, moderna, com óculos, cabelos
presos, bonita, simpática, culta, solteira e heterossexual. Os termos em destaque
diferem de alguns estereótipos antigos, mencionados pela literatura como uma
profissional gordinha, baixinha, velha e antipática a seus usuários.
Já a imagem referente aos bibliotecários são: magro, alto, extrovertido,
velho, moderno, com óculos, feio, simpático, culto, solteiro e heterossexual. Os
termos em destaque mostram estereótipos mais atuais. A questão da sexualidade
contradiz o que diz a literatura, que a sociedade liga os homens dessa profissão a
uma figura feminina, dando a entender que são homossexuais. Isso não é visto pela
maioria.
48
7.2 A imagem dos bibliotecários pelos indivíduos com nível superior
Dos dados colhidos pela pesquisa, 79% possuem nível superior completo e
21% nível superior incompleto. Do conjunto analisado 73% têm idade entre 15 e 25
anos, 15% possuem idade entre 26 e 36 anos, 6% possuem idade entre 37 e 47 anos,
3% possuem idade entre 48 e 58 anos, e 3% possuem idade entre 59 a 69 anos.
Quanto a frequência com que utilizam a biblioteca, 43% responderam
sempre, 24% responderam às vezes, 18% responderam regularmente, 12%
responderam pouco, e 3% afirmam que nunca a utilizam.
Na pergunta que tipo de biblioteca você utiliza?, as bibliotecas universitárias
foram apontadas como as mais frequentadas, com 79% dos entrevistados. Em
segundo lugar ficaram as bibliotecas públicas, com 12%, e dividindo o terceiro lugar
as bibliotecas escolares, comunitárias e especializadas, com 3%.
Que tipo de biblioteca você geralmente
frequenta? - Nível Superior
Bibliotecas Públicas
3% 3%
12%
3%
Bibliotecas Escolares
Bibliotecas
Universitárias
Bibliotecas Comunitárias
79%
Bibliotecas
Especializadas
Gráfico 3 – 2º Grupo: tipo de biblioteca
Na pergunta na biblioteca, você já foi atendido por um bibliotecário?, 46%
dos entrevistados responderam pouco, 30% responderam nunca, e apenas 24%
responderam sempre. Ao somar a quantidade de pouco e nunca foram atendidos
por bibliotecários, chegamos a um número de 76%. Os números demonstram o
pouco contato entre os bibliotecários com os os seus usuários, em bibliotecas
universitárias.
49
As respostas para a pergunta na sua opinião, é preciso um bibliotecário para
você achar o assunto desejado?, indicam que 55% dos entrevistados responderam
que sim, e 45% responderam não. Observa-se que a diferença entre as respostas é
bem pequena, e o panorama aponta que, apesar do bibliotecário ser importante,
não necessita de sua ajuda em suas pesquisas na biblioteca.
A pergunta você conhece a profissão de bibliotecário?, 67% responderam que
sim e 33% responderam que não. Os valores mostram que este grupo tem mais
conhecimento sobre a profissão do bibliotecário do que o grupo anterior.
Passando para a pergunta o que você acha que ele faz?, as respostas são
apresentadas no Quadro 7, tendo por base as categorias sugeridas por Eggerl
(1996).
CATEGORIAS
Organizador da Informação
Orienta pesquisas/ Assistência ao usuário
Guardião do acervo
Domínio técnico (classificação e catalogação)
Fornecedor de informações
Controle de empréstimo
Útil à comunidade
Domínio tecnológico (Automação)
Conhecimento cultural amplo
Restaura Livros
PERCENTUAL
30
22
10
18
6
4
0
2
4
6
Quadro 7 – 2º Grupo: categorias
Na pergunta você acha necessário um curso superior para a formação de um
bibliotecário?, 76% dos entrevistados responderam que sim, e 24% responderam
não. As respostas indicam que boa parte dos entrevistados entendem que para ser
bibliotecário, é necessário uma formação de nível superior.
Na pergunta para você o bibliotecário só trabalha na biblioteca?, 30% dos
entrevistados responderam que sim, e 70% responderam não. Isso mostra que o
mercado de trabalho desse profissional vem sendo reconhecido e que o
bibliotecário vem sendo visto em outros campos de atuação.
Aqueles que citaram que o bibliotecário não só trabalha em bibliotecas,
foram colhidos os possíveis lugares de atuação, como mostra o Quadro 8.
Locais de Atuação dos Bibliotecários
Escolas
Galerias de arte e atividades culturais e sociais
Percentual
-
50
Arquivos
Editoras
Livrarias
Centros de pesquisas
Livrarias
Empresa como um todo
Bancos
Museus
Centro de restauração de livros
Acervos residenciais/ Instituições
Repartições
Jornais
Recepção
Antiquários
37
13
10
10
10
10
5
5
5
5
-
Quadro 8 – 2º Grupo: locais de atuação do bibliotecário
Sobre a pergunta qual a sua visão a respeito deste profissional?, as respostas
são exibidas no Quadro 9, a seguir.
Visão dos Indivíduos
Orientador educacional
Profissional não atuante
Não tenho opinião formada
Organizado
Útil à comunidade
Culto
Comunicativo
Atualizado
Hostil
Administrador
Dinâmico
Gentil
Boa aparência
Introspectivo
Percentual
17
17
16
10
10
10
7
3
7
3
-
Quadro 9 – 2º Grupo: visão a respeito do profissional de Biblioteconomia
Sobre as questões abertas foram selecionadas algumas que merecem
destaque.
Qual a sua visão a respeito deste profissional?
“Mal pago. Não faz parte das profissões de destaque. Um povo que não lê, que não
está informado...”. (Indivíduo 8).
51
“Uma pessoa com dificuldade em exercer a sua profissão no mercado de trabalho,
porque freqüente mente outras pessoas exercem seu papel”. (Indivíduo 9).
“Acredito que esse profissional é pouco conhecido e pouco valorizado no mercado
de trabalho, embora seja importante seu trabalho. Ele é visto muitas vezes como
um profissional ultrapassado e sem utilidade”. (Indivíduo 10).
“Acho a profissão necessária e útil para a formação educacional das pessoas”.
(Indivíduo 11).
“Acho que este profissional deve ser uma pessoa culta, moderna e muito
inteligente, que goste muito de ler e preservar os livros”. (Indivíduo 12).
“Não conheço profissionais dessa área”. (Indivíduo 13).
“Um profissional que possui um potencial, mas é pouco solicitado pelo
desconhecimento de suas funções e possíveis contribuições”. (2º Grupo – Nível
Superior, 2009) (Indivíduo 14).
“Geralmente parece não gostar do que faz. Acho que a imagem e a ideia deve ser
atualizada, pois pelo menos eu associo a uma imagem antiga e os novos
profissionais da área deveriam lutar para mudar esse estereótipo. E assim ser
associado a um profissional moderno, atualizado, simpático, (que na maioria das
vezes não são), dinâmico e sempre disposto a ajudar”. (Indivíduo 15).
No que se refere às características físicas e comportamentais do bibliotecário, o
Quadro 10 apresenta os seguintes números:
CARACTERÍSTICAS
Magro (a)
Gordo (a)
Indiferente
Alto (a)
Baixo (a)
Indiferente
BIBLIOTECÁRIAS
%
21
30
49
15
46
39
BIBLIOTECÁRIOS
%
39
18
43
36
21
43
52
Introvertido (a)
Extrovertido (a)
Indiferente
Velho (a)
Jovem
Indiferente
Moderno (a)
Ultrapassado (a)
Indiferente
Com óculos
Sem óculos
Indiferente
Cabelos soltos
Cabelos Presos
Indiferente
Bonito (a)
Feio (a)
Indiferente
Chato (a)
Simpático (a)
Indiferente
Elegante
Indiferente
Cult o (a)
Indiferente
Solteiro (a)
Casado (a)
Divorciado (a)
Viúvo (a)
Indiferente
Homossexual
Heterossexual
Indiferente
36
46
18
64
15
21
33
52
15
67
3
30
27
43
30
18
27
55
17
55
28
21
79
64
36
21
27
6
6
40
3
49
48
40
36
24
46
24
30
36
46
18
55
27
18
12
39
49
12
58
30
12
88
39
61
30
33
37
15
36
49
Quadro 10 – 2º Grupo: características dos bibliotecários e bibliotecárias
A imagem percebida pela maioria referente às bibliotecárias, é de uma
profissional gorda, baixa, extrovertida, velha, ultrapassada, com óculos, cabelos
presos, feia, simpática, culta, casada e heterossexual. Os termos em destaque
aproximam-se mais com alguns estereótipos antigos, mencionados na literatura.
Já a imagem referente aos bibliotecários, este grupo tem a seguinte visão:
magro, alto, introvertido, velho, ultrapassado, com óculos, feio, simpático,
casado e heterossexual. Os termos em destaque mostram estereótipos mais
antigos. A questão da sexualidade contradiz o que diz a literatura, que a sociedade
53
liga os homens dessa profissão a uma figura feminina, dando a entender que são
homossexuais.
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste trabalho foi realizar um estudo sobre a imagem que o
profissional de Biblioteconomia apresenta à sociedade recifense, com o propósito
de apresentar se esta imagem é representada de forma antiga ou se já ocorreu a
adaptação para os novos tempos.
De acordo com o questionário aplicado, pode-se perceber que a imagem do
bibliotecário é pouca reconhecida e que vários fatores podem interferir na
formação dessa imagem. No nível médio, por exemplo, percebeu-se que há uma
frequência maior de uso das bibliotecas públicas do que as escolares, uma vez que
as escolas geralmente oferecem bibliotecas que não suprem as necessidades dos
alunos, sendo postas de maneira precária e sem um profissional qualificado. Isso
consequentemente interfere no conhecimento do aluno sobre quem é, o que faz e
qual a importância do bibliotecário para a sociedade. Para confirmar o exposto:
52% do grupo dizem conhecer a profissão e que um profissional qualificado é
importante para ajudá-los em suas pesquisas.
Já o segundo grupo apresentado demonstra conhecer mais sobre a profissão
do que o primeiro grupo. Isso condiz pelo fato das bibliotecas universitárias
possuírem uma realidade diferente das bibliotecas escolares, diferente no sentido
de existir um número maior de bibliotecários. Porém a maioria diz não precisar
desse profissional para encontrar o assunto desejado
Analisando não só esses fatores, mas também o próprio bibliotecário,
percebe-se que o comportamento ainda reflete bastante na escola de Dewey, com
atitudes mais técnicas, diminuindo o contato com o usuário. Silva (1995) rebate
essa forma de agir, principalmente nas bibliotecas escolares, ao falar que não se
pode admitir que o bibliotecário prenda-se a minúcia tecnicista e, como
consequência, relegue a planos inferiores o seu papel principal, qual seja a
orientação do leitor, sobretudo dos mais inexperientes, no contato com a
biblioteca, com a difusão da informação e a promoção da leitura.
54
Além da visão tecnicista, verificou-se através das respostas que os
profissionais da Biblioteconomia são reportados à uma visão mais erudita da
profissão, sendo considerados como pessoas cultas, inteligentes e organizadas. Na
questão física, os estereótipos antigos são percebidos mais pelo segundo grupo,
quando colocam nas bibliotecárias características retrogradas, tais como gorda,
baixa, velha ou ultrapassada e nos bibliotecários introvertido, velho, ultrapassado,
com óculos ou feio. Além desses pontos encontrados nos bibliotecários, há um
outro a ser destacado: sua sexualidade. A opinião pública contradiz com alguns
estudos dentro da literatura, ao dizer que os homens dessa profissão não têm uma
predisposição para a homossexualidade. Grande parte dos entrevistados coloca que
não há um padrão a ser seguido com relação à opção sexual, onde apenas 9% dos
entrevistados acham que os bibliotecários são homossexuais.
Após a análise da história do surgimento da Biblioteconomia, bem como o
seu desenvolvimento com o passar dos tempos, dos profissionais em determinadas
épocas e dos estereótipos formados, percebe-se que apesar de se estar numa era
onde a tecnologia dita as regras das profissões, que o bibliotecário carrega ainda
uma visão mais antiga, pois não há um grau elevado de conhecimento da profissão
por parte dos indivíduos. O profissional é considerado, por alguns, como um
conservador amarrado aos livros e que não acompanha o desenvolvimento da
sociedade. Para que essa situação mude é preciso um reforço maior no marketing
profissional e pessoal, marketing que estaria presente também na atuação das suas
representações, como associações e conselhos e na modificação das atitudes e
comportamentos dos bibliotecários, de forma que sejam favoráveis aos objetivos
finais da profissão.
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63
APÊNDICE
64
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO
Universidade Federal de Pernambuco
Centro de Artes e Comunicação
Departamento de Ciência da Informação
Curso de Biblioteconomia
Disciplina: Trabalho de Conclusão de Curso – TCC
Aluna: Amanda Carla Ganimo do Nascimento
“A imagem do profissional de biblioteconomia perante a população da região
metropolitana do Recife”
QUESTIONÁRIO
Sexo:
( )
Masculino
( )
Feminino
Escolaridade:
( )
Segundo Grau – Completo
( )
Segundo Grau – Incompleto
( )
Ensino Superior – Completo
( )
Ensino Superior – Incompleto
Idade:
( )
De 15 a 25 anos
( )
De 26 a 36 anos
( )
De 37 a 47 anos
( )
De 48 a 58 anos
( )
De 58 a 68 anos
( )
Acima de 68 anos
65
Com que frequência você utiliza à biblioteca?
( )
Sempre
( )
Às vezes
( )
Regularmente
( )
Pouco
( )
Nunca
Que tipo de biblioteca você geralmente freqüenta?
( )
Bibliotecas Públicas
( )
Bibliotecas Escolares
( )
Bibliotecas Universitárias
( )
Bibliotecas Comunitárias
( )
Bibliotecas Especializadas
Na biblioteca, você já foi atendido por um bibliotecário?
( )
Sempre
( )
Pouco
( )
Nunca
Na sua opinião, é preciso um bibliotecário para você achar o assunto
desejado?
( ) Sim
( )
Não
Você conhece a profissão de bibliotecário?
( )
Sim
( )
Não
Obs: Independente da resposta, favor responder: O que você acha que ele
faz?
66
Você acha necessário um curso superior para a formação de um
bibliotecário?
( )
Sim
( )
Não
Para você o bibliotecário só trabalha na biblioteca?
( )
Sim
( )
Não.
Se não, onde você acha que esse profissional pode atuar?
Qual a sua visão a respeito deste profissional?
Marque nos itens abaixo a imagem Marque nos itens abaixo a imagem
que
você
associa
ser
de
uma que
bibliotecária:
□ Magra
□ Alta
□ Introvertida
□ Velha
□ Moderna
(idéias, visual,
estilo de vida)
□ Com óculos
□ Cabelos soltos
você
associa
ser
de
um
bibliotecário:
□ Gorda
□ Baixa
□ Extrovertida
□ Jovem
□ Ultrapassada
(idéias, visual,
estilo de vida)
□ Sem óculos
□ Cabelos Presos
(com o chamado
□ Magro
□ Alto
□ Introvertido
□ Velho
□ Moderno
(idéias, visual,
estilo de vida)
□ Com óculos
□ Bonito
□ Gordo
□ Baixo
□ Extrovertido
□ Jovem
□ Ultrapassado
(idéias, visual,
estilo de vida)
□ Sem óculos
□ Feio
67
□ Bonita
□ Chata
□ Elegante
□ Solteira
□ Divorciada
□ Homossexual
cocó)
□ Feia
□ Simpática
□ Culta
□ Casada
□ Viúva
□ Heterossexual
□ Chato
□ Elegante
□ Solteiro
□ Divorciado
□ Homossexual
□ Simpático
□ Culto
□ Casado
□ Viúvo
□ Heterossexual
68
ANEXOS
69
ANEXO A: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE
BIBLIOTECONOMIA 2003/2004
ADELMA FERREIRA DE ARAUJO
ADELY EDITE RESENDE DE OLIVEIRA
ALLAN DELMIRO BARROS
AMANDA CARLA GANIMO DO NASCIMENTO
AMANDA TEIXEIRA DE LIMA ARAUJO
ANA CATARINA MACEDO DE SENA
ANA PAULA BERNARDINO DE MACEDO
CAMILA MIRANDA DE BARROS VIEIRA
CAROLINE FERREIRA
CASSIO CARVALHO UCHOA DE ALBUQUERQUE
CATARINA GUSMAO FERRAZ CAVALCANTI
CRISTIANE RODRIGUES DE ARAUJO
DIEGO FELIPE FREIRE DE MIRANDA
EDIANE ISABEL SALES DOS SANTOS
ELGITA GUEDES SILVA
ELVIS GONZAGA DA PAIXAO
ERNANI GOMES NEVES FILHO
FRANCISCO LEONARDO RIBEIRO DE ARRUDA
GUSTAVO BRUNO ALCANTARA DE LIMA
HELENA AZEVEDO
JOSELLY DE BARROS GONCALVES
LORENA ROCHA VIEIRA
MACIEL SEVERO DA SILVA
MARCELO DANTAS RODRIGUES
MARIA BETANIA DE SANTANA DA SILVA
NELSON LOURENCO DA SILVA JUNIOR
NIANGELA CAVALCANTI DA MOTA SILVEIRA
NICOLLY SOARES LEITE
RAFAEL ALVES DE OLIVEIRA
RAPHAEL SANTANNA FALCAO CASOTTI
SANDRYNE BERNARDINO BARRETO JANUARIO
SILVANA CARLA ALVES SIQUEIRA
VANESSA DA SILVA CAVALCANTE
VIVIANE GOMES FERREIRA LIMA
WILLIANA CARLA DA SILVA ALVES
70
ANEXO B: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE
BIBLIOTECONOMIA 2004/2005
ABSON SANY VALENTIM DA SILVA
ADRIANA CINTIA DO NASCIMENTO
AMANDA DE SOUZA XAVIER
AMANDA GOMES CORIOLANO DA SILVA
AMANDA TAVARES SILVA LIMA
ANA CECILIA VIEIRA SILVA
ANA PAULA DOS SANTOS MONTEIRO
BONIFACIO MUNIZ DE FARIAS FILHO
BRUNO MARCIO GOUVEIA
CARLA ANDRELLY DO NASCIMENTO
CAROLINA KARLA FERNANDES
CRISTIAN DO NASCIMENTO BOTELHO
DANILO ALVES DE LIMA
EDGREYCE BEZERRA DOS SANTOS
EDUARDO DA CRUZ GOUVEIA DE LIMA
CRISTINA DE FREITAS
ERICA LUCENA PALMEIRA SILVA
FANNY DO COUTO RIBEIRO
GISEANI BEZERRA DA SILVA
GRAZIELLA DA SILVA MOURA
JOAO ANTONIO B OLIVEIRA DE SANTANA
JULIANA MARIA SILVA VIEIRA
JULYANE DE ARAUJO SILVA
KARLA PATRICIA FERREIRA DE LIMA
MARIANA DE ALMEIDA HOLANDA
MARIO FERNANDES DA SILVA MARQUES
NATALIA LELIS MOURA DE OLIVEIRA
NATALY SOARES LEITE
RAMONA CAROLINA AZEVEDO DA SILVA
REBECCA NASCIMENTO DE COIMBRA
RENATA CAVALCANTI VASCONCELOS
SUSIMERY VILA NOVA SILVA
SUZANNA CONCEICAO DIAS DA PAZ
TATIANA GUIMARAES DE OLIVEIRA
71
ANEXO C: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE
BIBLIOTECONOMIA 2005/2006
ALINE SILVA BATISTA
AMELIA GRANJA MARQUES DE OLIVEIRA MENDES
ANA CAROLINA SILVA
ANA CLAUDIA BEZERRA DE MELO
ANA LUIZA DE SOUZA E SILVA
CARLA IZABEL MATOS LINS
CECILIA DANIELE DA CONCEICAO
CHARLENE MARIA DOS SANTOS
CRISTIANO JOSE PINTO FERREIRA
DANILO MONTEIRO LEAO
DANILO RIBEIRO DE OLIVEIRA
DEBORA DUQUE DE ALMEIDA BRAGA
DENIZE JOSE DE SOUZA
EDMAR NASCIMENTO DE OLIVEIRA JUNIOR
FABIO FERNANDES CALDAS GALVAO
FRANCISCO DAS CHAGAS BATISTA RODRIGUES
GILVANEDJA FERREIRA MENDES DA SILVA
HUGO CARLOS CAVALCANTI
JACIANE FREIRE SANTANA
JENNIFER CHRISTINA VILA NOVA DE SENA
JESSICA CAVALCANTI DE ALMEIDA
LILIAN PATRICIA DA PENHA SILVA
LUIZ ALBERTO LOBO BELTRAO
MARCELO SOUZA DA SILVA
MARIA CLECIANE ANIBAL DO NASCIMENTO
MARIANA SOUZA CARNEIRO DOS SANTOS
MARILUCY DA SILVA FERREIRA
MIRTYSIULA CADENGUE LOPES
PAULO ALBERTO SALDANHA LIMA
PIETRO OTAVIO SANTIAGO DA SILVA
RAFAELA SANTOS DA SILVA
SUELLEN ROBERTA MENDES DAS CHAGAS
TALITA DE MENDONCA SILVA
TARCIANA SANTANA OLIVEIRA
WILMA OLEGARIO PEREIRA DA COSTA
72
ANEXO D: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE
BIBLIOTECONOMIA 2006/2007
ADNA MÁRCIA OLIVEIRA DE SENA
AÉCIO OBERDAM DOS SANTOS
BRUNO CRESPO SOARES
BRUNO NICODEMOS BISPO DA SILVA
CAIO RAFAEL LEOMOINE DE LUNA MORAIS
CINTHIA MARIA SILVA DE HOLANDA
CRISTIANE MENEZES DA SILVA
DARCY GOMES DA SILVA
DOMINIQUE DE LIRA VIEIRA
EDVANIA COSMO DA SILVA
FERNANDO ANTONIO DE OLIVEIRA B JUNIOR
ITACY BEZERRA DE OLIVEIRA
JANYPAULA DE ALBUQUERQUE MELO
JOSE DOMINGOS DE LIMA NETO
KAMILA PATRÍCIA DE MORAIS XAVIER
KASSANDRA KALLYNA NUNES DE SOUZA
KENNEDY DE ALBUQUERQUE SANTOS
KLEITON LUIZ PREDO DA SILVA
LILIANE RODRIGUES DE ASSIS
LUCIANA FERREIRA DE SANTANA
LUCIRLEY SALES BARROS
MAIRA RIBEIRO DE SANTANA
MARIA REGINA LEITE PEREIRA BORBA
MARIANA NETO BANDEIRA
PEDRO VITOR PONTES FERRAZ
PRISCILA DO NASCIMENTO BEZERRA
RENATA JEANE DE SANTANA
ROSA CRISTINA DA CONCEIÇÃO
SEVERINO RAMOS DA SILVA
SILVIA DE PAULA ALCÂNTARA
TÂMARA CHRISTINA MONTEIRO DE CARVALHO
THIAGO LEITE AMARO DA SILVA
VIVIANE ELLEN SA SILVA
WASHINGTON DA SILVA RAMOS
WEMERSON RODRIGO DA SILVA
73
ANEXO E: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE
BIBLIOTECONOMIA 2007/2008
ALANA JULYELLEN SA LEITAO B. DE SOUZA
ANA LIGIA FELICIANO DOS SANTOS
ARABELLY KARLA ASCOLI DE LIMA
BRUNA ISABELLE MEDEIROS DE MORAIS
CRISTIANE MARIA ALVES
EMMELY CRISTINY LOPES SILVA
FABIOLA DE BARROS NUNES
FANAVIDA ALMEIDA DA SILVA
FLAVIANA FRANCO DE ALMEIDA
GLEIBSON JOSE DA SILVA
HELIO BRAYNER DO NASCIMENTO
IALY CINTRA FERREIRA
IZABELLA NOBREGA DE MELO MADUREIRA
JESSICA FERNANDA DA ROCHA SILVA
JESSICA MONIQUE DE LIRA VIEIRA
JORGE LUIZ DE ALBUQUERQUE BARROS
JOSE GUSTAVO FRANCA NASCIMENTO
JOSE MIXTO DA SILVA JUNIOR
LUCIANA CARVALHO DE LIMA
LUIS HENRIQUE NATARIO MEDEIROS TAVORA
MANUEL DA NOBREGA NETO
MARILIA RIANNY PEREIRA COSMOS
MARIO LOPES DA SILVA
MICAELLE VERISSIMO ROSENO DA SILVA
MONICK TRAJANO DOS SANTOS
NATALIA CAVALCANTI COUTO
NEUMAN BARBARA DA SILVA
PAULA CABRAL MARQUES
REMI CORREIA LAPA
RENATA MARIA SILVA RAMOS
RIANE MELO DE FREITAS ALVES
RUHANA BERG DA SILVA ARAUJO
TATIANA RAISSA DE SOUSA FERNANDES
TATIANE VIEIRA GONCALVES
TULIO DE MORAIS REVOREDO
74
ANEXO F: LISTA DOS APROVADOS NO VESTIBULAR PARA O CURSO DE
BIBLIOTECONOMIA 2008/2009
ABERCIO VITAL GANTOIS RAMOS MARTINS
ALEXSANDRA MAGNA FERREIRA
ALLINI PAULINI NASCIMENTO SILVA
AMANDA RODRIGUES DEODATO SILVA
ANA ELIZABETE LINS
ANA GABRIELA AUSTREGESILO NEPOMUCENO
ANTONIO JOAQUIM DE OLIVEIRA
ARLINE ALESSANA LIRA LINS
BARBARA MONTEIRO DE LIMA
CAROLINE SOARES DA SILVA
FILIPE FREIRE ISIDRO
GRAZIELLA RONCONI SOUTO
HOTON ESTEVES MATIAS DA SILVA
IGOR PIRES LIMA
ISIS CORTEZ CORCINO
IVONE DE JESUS ROCHA VIANA
JACILEIDE MARIA DE OLIVEIRA SILVA
JEANE RODRIGUES DA SILVA
JESSICA RAFAELA SILVA DE LIRA
JOANA DARC DE LIMA
JONATAN CANDIDO DA SILVA
JORGE LUIZ FERREIRA DA SILVA
JULIANA DE ALBUQUERQUE SILVA
JULIETE ISABELE ALVES CALAZANS
LUCIANA RODRIGUES FERREIRA VAREJAO
MARIA GLAUCIENE LINS
MIZIA VIDAL LIMA PAES BARRETO TAVARES U
NICOLY CHRISTINI MONTEIRO DOS SANTOS
PATRICIA ALVES DA SILVA
PATRICIA DOMINGUES COSTA
PATRICIA LAFAYETTE GOIS
RANYELLE MARIA DE ARAUJO SILVA
RAQUELLE CAVALCANTI DE SOUZA
ROSIANA STALLAIKEN DE BARROS LEITE
VERUSCA CORREIA DA SILVA
75
ANEXO G – TABELA CURSOS DE BIBLIOTECONOMIA NO BRASIL
Nomes dos
Cursos
Instituição
Biblioteconomia Faculdades
Integradas
Teresa D‟Àvila –
FATEA
Biblioteconomia Universidade
Estadual
Paulista
Júlio de
Mesquita
Filho - UNESP
Biblioteconomia Universidade
Federal do Rio
Grande do
Norte UFRN
Biblioteconomia Universidade
Federal do Rio
Grande do Sul UFRGS
Biblioteconomia Faculdades
Integradas
Coração
de Jesus FAINC
Biblioteconomia Universidade
Federal da
Paraíba UFPB
Biblioteconomia Fundação
Universidade do
Estado de Santa
Catarina UDESC
Biblioteconomia Universidade de
São
Paulo - USP
Biblioteconomia Centro
Universitário
de Formiga UNIFORMG
Biblioteconomia Universidade
Federal de
Cidade/UF
Ano de
Oferece pós-
Criação
graduação
Lorena/SP
1975
Marilia/SP
1977

Natal/RN
1997
Porto Alegre/RS
1947
Santo André/SP
1976
João Pessoa/PB
1969

Florianópolis/SC
2001
São Paulo/SP
1966

Formiga/MG
1968
Goiânia/GO
1980
76
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Biblioteconomia
Goiás UFG
Universidade
Federal de
Santa
Catarina - UFSC
Universidade
Federal do
Maranhão UFMA
Biblioteconomia
Universidade de
Brasília - UnB
Universidade
Federal de
Alagoas UFAL
Fundação
Universidade
Federal do Rio
Grande - FURG
Universidade
Federal do
Ceará UFC
Universidade
Federal de
Minas
Gerais - UFMG
Universidade
Santa
Úrsula - USU
Universidade
Estadual de
Londrina - UEL
Universidade
Federal de
Mato
Grosso - UFMT
Universidade
Federal do
Amazonas UFAM
Universidade
Federal do
Estado
do Rio de
Janeiro UNIRIO
Florianópolis/SC
1974

São Luis/MA
1969
Brasília/DF
1966

Maceió/AL
1999
Rio Grande/RS
1975
Fortaleza/CE
1965
Belo
1950
Horizonte/MG
Rio de

1957
Janeiro/RJ
Londrina/PR
1977

Rondonópolis/MT 1999
Manaus/AM
1966
Rio de
1911
Janeiro/RJ

77
Biblioteconomia Universidade
Federal do
Espírito
Biblioteconomia Universidade
Federal de
Pernambuco UFPE
Biblioteconomia Instituto de
Ensino
Superior da
Funlec - IESF
Biblioteconomia Escola Superior
de
Ensino Anísio
Teixeira CESAT
Biblioteconomia Universidade
Estadual do
Piauí UESPI
Biblioteconomia Instituto
Manchester
Paulista de
Ensino
Superior IMAPES
Biblioteconomia Faculdade de
Ciências da
Informação de
Caratinga FCIC
Biblioteconomia Centro
Universitário
Assunção UniFAI
Biblioteconomia Universidade
Federal do
Ceará UFC
Biblioteconomia Universidade
Federal do Pará
UFPA
Biblioteconomia Pontifícia
Universidade
Católica de
Campinas PUCCampinas
Biblioteconomia Faculdade de
Vitória/ES
1975
Recife/PE
1950
Campo
2001
Grande/RS
Serra/ES
2009
Teresina/PI
2003
Sorocaba/SP
2005
Caratinga/MG
2007
São Paulo/SP
2005
Juazeiro do
2006
Norte/CE
Belém/PA
1963
Campinas/SP
1945

São Paulo/SP
1948
78
e
Ciência da
Informação
Biblioteconomia
e
Ciência da
Informação FaBCI
Biblioteconomia Universidade
São Carlos/SP
e
Federal de São
Ciência da
Carlos - UFSCAR
Informação
1994
Biblioteconomia Universidade
e
Federal
Documentação Fluminense
- UFF
Biblioteconomia Pontifícia
e
Universidade
Documentação Católica do
Paraná PUCPR
Niterói/RJ
Curitiba/PR
2005
Biblioteconomia Universidade
e
Federal da
Documentação Bahia UFBA
Biblioteconomia Universidade
e
Federal do Rio
Gestão de
de
Unidades de
Janeiro - UFRJ
Informação
Salvador/BA
1942
Biblioteconomia Universidade
e
Federal de
Documentação Sergipe
São
Cristóvão/SE
1963


Rio de
2005
Janeiro/RJ
2009
79
Download

A História da Profissão de Bibliotecário - Liber