XXIX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
A Engenharia de Produção e o Desenvolvimento Sustentável: Integrando Tecnologia e Gestão.
Salvador, BA, Brasil, 06 a 09 de outubro de 2009
PROCESSO PRODUTIVO NO JORNALLABORATÓRIO CAMPUS
Welandro Damasceno Ramalho (UnB)
[email protected]
Evaldo César Cavalcante Rodrigues (UnB)
[email protected]
A atividade jornalística compreende uma das mais importantes áreas
de influência na sociedade atual. Cada notícia veiculada pode trazer
um impacto significativo. A atividade jornalística deve ser
sistematizada, para que, uma vez organizada e estruturada, possa
gerar processos que proporcionem a correta captura dos dados e das
informações; possibilitando, assim, a disseminação do conhecimento um dos recursos mais valorizados desta sociedade ocidental. O
processo produtivo de um jornal impresso, por exemplo, é bastante
complexo e dinâmico. É característica jornalística a observação e
descrição da realidade. Como ocorre esse processo de descrição da
realidade é um ponto importante que deve ser observado pelos
profissionais envolvidos na redação de um jornal. O sucesso de suas
iniciativas acontecerá no momento em que suas táticas de trabalho e
sua organização produtiva são bem definidas, estabelecidas e
redesenhadas; a fim de manter uma atualização constante da forma de
se “fazer notícias”. Cabe então observar como se dá o processo de
elaboração de um jornal impresso e descrever como se dá o fluxo
produtivo de um produto tão perecível ao tempo e também de grande
valor no contexto social em que este jornal circula, verificando como
os objetivos da produção (qualidade, flexibilidade, rapidez e
confiabilidade) são trabalhados. Analisou-se, como estudo de caso, o
processo produtivo das edições do Jornal-Laboratório CAMPUS
(Universidade de Brasília). Descobriu-se que a produção envolve uma
complexa agenda e as responsabilidades da equipe mudam a cada
edição do jornal - sendo cinco edições semestrais -, fomentando-se a
participação e o desenvolvimento de novas habilidades nos alunos
envolvidos.
Palavras-chaves: Jornal-Laboratório, Processo de Produção, Campus,
Universidade de Brasília.
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3.1
1. Introdução
O controle e gestão do processo produtivo de uma organização são requisitos fundamentais
para busca da eficiência e eficácia da entidade. Para garantir o princípio da continuidade, as
organizações buscam acompanhar as inovações tecnológicas e o dinamismo dos mercados,
com investimentos constantes em pesquisa e inovações na produção.
O Jornal- Laboratório Campus teve sua primeira edição publicada na década de 70, mais
especificamente em novembro de 1970. Seu público principal consiste em professores, alunos
e servidores da Universidade de Brasília. As matérias também se destinam a redações de
jornais, faculdades de comunicação e outros que os alunos participantes de suas edições
considerem de interesse. Este é o Jornal-Laboratório mais antigo do País. Já publicou mais de
335 edições, sendo desenvolvido e produzido pelos alunos do 6º semestre da Faculdade de
Jornalismo da Universidade de Brasília, durante a disciplina intitulada “Campus 2”.
O planejamento e controle da produção são elementos indispensáveis para que sejam
garantidos os objetivos da produção: qualidade, flexibilidade, rapidez e confiabilidade.
Verificar tais objetivos, ao longo do processo produtivo no Jornal-Laboratório Campus,
tornou-se foco dessa pesquisa, tendo em vista que o produto final – que é produzir informação
– era de difícil visualização por parte daqueles que desconhecem este ambiente.
2. Cadeias produtivas e os Sistemas de informações.
As Cadeias Produtivas compreendem todas as atividades articuladas desde a pré-produção até
o consumo final de um bem ou serviço. O seu estudo visa à definição de ações que
possibilitem o aproveitamento das oportunidades identificadas na formação de
empreendedores e empreendimentos que atendem às deficiências e demandas do setor.
Para Turbam, Mclean e Wetherrbe (2004) agregar valor ao longo da cadeia de produtiva é
essencial para o crescimento da competitividade com até mesmo para própria sobrevivência
da organização.
Slack, Chambers e Johnston (2002) colocam que a administração da cadeia produtiva trata da
forma de produção dos bens e serviços, existindo, portando dentro da organização um
processo de transformação. Os autores pontuam que a função produção é um aspecto central
para a organização, pois da produção (bens ou serviços) advém a razão de sua existência. A
função produção não se torna, neste caso, a mais importante, mas – ao lado da função
marketing e da função desenvolvimento de produto/serviço – uma função estratégica e
central.
A transformação consiste (classicamente) na transformação de inputs em outputs, onde o
processo produtivo é enfatizado em sua essência transformadora, gerando uma cadeia que vai
de recursos a serem transformados (entrada) até as saídas para os consumidores.
Ballou (1993) comenta que o problema de programação em organizações produtivas é
determinar quando, onde e quanto produzir. Assim, observa-se que a capacidade produtiva é
limitada e que prover as mercadorias certas no instante e no local necessário é uma
preocupação crítica. Segundo Campos (2001), a busca pela maior integração entre os elos da
cadeia e maior eficiência transfere o foco empresarial para o consumidor final.
O ambiente do mercado atual, marcado por uma concorrência cada vez mais acirrada, pela
globalização da economia e por uma revolução tecnológica acelerada, levou as empresas a
visarem melhorias em seus sistemas, principalmente de produção e de logística e distribuição,
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visando alcançar maior eficiência e melhores serviços, e conseqüentemente, um
posicionamento no mercado favorável.
Apesar de a literatura definir diversos conceitos a respeito de dado, informação e
conhecimento; pode-se chegar a um entendimento comum que um conjunto de dados não
produz necessariamente uma informação, nem um conjunto de informações representa
necessariamente um conhecimento. É comum, então, dentro da literatura acadêmica, a
disposição de níveis hierárquicos relacionados à informação.
Os dados podem conceituados como registros ou fatos em sua forma primária, não
necessariamente físicos. Quando tais registros são coordenados de forma a possuírem valos,
estes dados se transformam em uma informação (BEAL,2007).
Para Beal (2007), o conhecimento que pode ser transformado em documentos, roteiros e
treinamentos é o chamado conhecimento explícito. O conhecimento que é difícil de registrar,
documentar ou ensinar a outras pessoas é o conhecimento tácito - liderança, por exemplo.
Lesca e Almeida (1994) dividem a informação em: a informação de atividade e informação de
convívio. A informação que costuma ser bastante estruturada e normalmente diz respeito ao
nível operacional das e organizações, permitindo à organização garantir suas funções e
tarefas, é a informação de atividade. A informação de convívio é aquela que possibilita aos
indivíduos o relacionamento, podendo inclusive influenciar seus comportamentos. A
informação de convívio é, na maioria das vezes, não estruturada, estando presente em todos os
níveis hierárquicos. É citada a reunião um como um exemplo no qual surge a informação de
convívio. Beal (2007) adiciona mais um tipo de informação a essas categorias de informação:
informação estratégica:
[...] aquela capaz de melhorar o processo decisório em função da sua capacidade de
reduzir o grau de incerteza em relação às variáveis que afetam escolha das melhores
alternativas para a superação de desafios e o alcance dos objetivos organizacionais
(BEAL,2007,p. 15 ).
No século XXI vários sistemas diferentes podem coexistir em uma mesma organização. O
conjunto de vários sistemas de informação denomina-se sistema de informação. O sistema
empresarial global permite que redes eletrônicas interliguem pessoas, informações e a própria
empresa (TURBAN, E. MCLEAN, E. WETHERBE, J; 2004).
Um sistema pode fazer parte de outros sistemas. Bio (1985, p 25, apud BEAL, 2007, pg. 17.)
define sistema de informação como um subsistema do "sistema organização", sendo
constituído de um conjunto de subsistemas de informação interdependentes, tais como o
subsistema financeiro, de marketing, contábil e etc.
Para que a organização desempenhe a sinergia, é necessário qualidade do fluxo informacional
existente para proporcionar o intercâmbio existente para proporcionar o intercâmbio de idéias
e informações. As informações devem levar a organização a uma integração, pois a empresa
que não está vivenciando a sinergia, simplesmente não utiliza as informações a seu favor e
está fadada à extinção (BEAL, 2007).
3. Estudo de caso - Análise do sistema produtivo das edições do jornal-laboratório
Campus
O Jornal Campus é uma publicação quinzenal, em formato tablóide com 16 páginas, voltado
para a comunidade da UnB e demais interessados. Um dos objetivos do jornal é proporcionar
a experiência vivenciada em uma redação jornalística. Para os alunos, o jornal-laboratório é
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um espaço que proporciona a construção da notícia na redação, além da negociação e da
experiência no envolvimento e compartilhamento do conhecimento adquirido, a partir da
relação da teoria da notícia com os conceitos de trabalho em equipe, organização da produção
e avaliação crítica das tarefas desenvolvidas. A Professora Márcia Marques, do Departamento
de Comunicação da Universidade de Brasília enfatiza:
[...] constitui-se num laboratório que alia princípios e conceitos modernos de
educação, da didática, técnicas de redação e construção da notícia, do design e da
arquitetura da informação com ferramentas de relacionamento humano, marketing e
organização. (MARQUES, 2006, P. 12).
Os projetos de propostas editoriais devem observar características próprias do Jornal Campus,
a saber: tiragem de quatro mil exemplares, formato tablóide - 4X4 cores de 16 páginas e 5
edições semestrais (5 edições serão realizadas pelos alunos ao longo do semestre letivo da
disciplina Campus 2).
3.1 Metodologia
Este trabalho trata-se de uma pesquisa predominantemente descritiva (ROESCH, 2006). A
população deste estudo corresponde aos três jornais-laboratório existentes em Brasília/DF, em
outubro de 2008. A amostra é intencional e corresponde ao Jornal-Laboratório Campus, da
Universidade de Brasília; consistindo tal pesquisa, então, em um estudo de caso.
Alguns aspectos caracterizam o estudo de caso como uma estratégia de pesquisa:
permite o estudo de fenômenos em profundidade dentro de seu contexto; é
especialmente adequado ao estudo de processos e explora fenômenos com base em
vários ângulos (ROESCH,2006,p.201).
Conforme Yin (1981, apud ROESCH, 2006, p. 155) “o estudo de caso não requer
necessariamente um modo único de coleta de dados”.
Quanto à coleta de informações, trata-se de uma pesquisa que utilizou como técnica de coleta
a entrevista não estruturada, sendo utilizada também pesquisa bibliográfica de artigos
científicos sobre o Jornal-Laboratório Campus (UnB).
Entrevistas semi ou não estruturadas são apropriadas quando: [...] b) o objetivo da
entrevista é desenvolver compreensão sobre o „mundo‟ do respondente [...]
(Easterby-Smith et AL., 1991.p.74 apud ROESCH, 2006).
Quanto à entrevista não estruturada, foi realizada, ela foi realizada no dia 07 de outubro de
2008, às 12h 30 minutos, na sede do Jornal-Laboratório Campus. Concederam entrevista a
Aluna Marina de Sá (Editora-Chefe) da edição 330 do Campus e o aluno Max Milliano
Tolentino Melo (Diretor de Arte da referida edição), simultaneamente.
Por meio da entrevista não estruturada com a Editora-Chefe e com o Diretor de Arte,
procurou-se, a explanação geral de como são produzidas as edições do Campus. Laboratório
Campus. Por se tratar de uma entrevista não estruturada (ausência de questionário formulado)
os detalhes da cadeia de produção foram passados de forma espontânea e concisa, por parte
desses dois conhecedores da realidade de produção do Jornal. A entrevista constituiu a base
para a elaboração da análise de como o Campus é feito.
A descrição do processo produtivo foi separada em etapas de produção, onde os detalhes relatados
pelos entrevistados foram expostos. Paralelamente à entrevista realizada inseriram-se, na análise
das informações, trechos dos trabalhos da Professora Márcia Marques, do Departamento de
Jornalismo da UnB, os quais relatam também como o processo produtivo ocorre.
4. Análise dos dados coletados sobre sistema produtivo.
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4.1 Início do semestre – fase de preparação das edições.
Inicialmente, cabe ressaltar nesse tópico, o conceito abordado por Marques(2006), sobre
jornal-laboratório. Marques, citando Lopes (1989) assim coloca:
O jornal-laboratório é um veículo que deve ser feito a partir de um conjunto de
técnicas específicas para um público também específico, com base em pesquisas
sistemáticas em todos os âmbitos, o que inclui a experimentação constante de novas
formas de linguagem, conteúdo e apresentação gráfica. Eventualmente, seu público
pode ser interno, desde que não tenha caráter institucional (Lopes, 1989 apud
MARQUES, 2006).
Marques (2008 b) descreve que no primeiro dia de aula, os novos alunos são apresentados
ao programa da disciplina Campus 2. O conjunto de 30 alunos matriculados a cada semestre
tem como objetivo comum experimentar os processos, observar a vivência acertos e
desacertos, aprender a negociar em uma organização jornalística, o que, para a autora,
ultrapassa o conceito de escrever para jornal e produzir fotos. O Campus 2 possui cinco
edições por semestre, o diretor para é encarregada de publicar estas cinco edições do jornal
laboratório (jornal laboratório mais antigo do país – 38 anos).
Marina de Sá expõe que o ciclo produtivo do jornal Campos inicia-se nas três primeiras
semanas de que no semestre. São ministradas aulas teóricas sobre o processo produtivo de
elaboração do jornal. Além dos professores do Departamento de Jornalismo são convidados
outros professores e profissionais da área que falarão sobre a administração da produção,
edição, fotos, reportagens, folha de pautas; enfim, cada convidado desenvolve um assunto
de relevância para disciplina.
Transcorridas as três semanas de aulas teóricas, a equipe de alunos que compõem a
disciplina começam a elaborar o projeto base onde discutido o que é preciso ter, como serão
desenvolvidas atividades. Além do projeto base são discutidos o projeto gráfico e projeto
editorial. O projeto editorial definido qual será o público alvo, onde será distribuído jornal,
para quem o jornal vai falar etc. um aspecto interessante do jornal Campus é que o públicoalvo muda a cada edição. Podem ocorrer que a primeira edição seja destinada
principalmente alunos.
Os alunos da disciplina o escolhem, de forma autônoma, qual ou quais serão os públicos
alvos das edições que serão elaboradas. O momento do planejamento editorial e gráfico é
um momento no qual o professor já não participa ativamente das discussões. O professor
fica em sua sala à disposição, para esclarecer as dúvidas. São três professores que auxiliam
os alunos e um secretário de redação (todos pertencentes ao Departamento de Jornalismo).
Um pré-requisito para os professores que ministrarão a disciplina campo 2, além de possuir
doutorado, é ter trabalhado na área obrigatoriamente, atuando como jornalistas.
O aluno Max pontua que a Professora Márcia Marques expõe, logo nas primeiras aulas,
como deve ser definida a estrutura do jornal: Linha Editorial, público-alvo, enfoque, texto
(linguagem do jornal), editorias (Ombudsman, Opinião, Universidade, Cidades, Cultura,
Esporte, Comportamento, Entrevista e a ZEFINÍ).
A cada ano é realizada licitação para a gráfica que vai imprimir os dez exemplares dos dois
semestres. O custo está em torno de 52 mil anuais (apenas da impressão e fotolitos).
4.2 Definição dos cargos
Os alunos Max e Marina colocam que os alunos possuem duas semanas para elaborar o
projeto editorial, onde será definido o que será falado nas edições. Logo no início da
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elaboração do projeto editorial, são definidos os cargos que serão ocupados pelos alunos
naquela edição que está sendo construída. Cada aluno é obrigado a assumir um cargo
diferente em cada uma das cinco edições do semestre. “Por mais que um aluno não goste de
trabalhar com foto é importante, para a disciplina, que o aluno saiba como funciona aquele
trabalho” relata Max.
Diretor de
Redação***
Ombudsman**
Editor-Chefe*
Secretário de
Redação*
Diretor de Arte*
Equipe de revisão*
Editores*
Equipe de
Diagramação*
Equipe de
distribuição*
Fonte: adaptado de Marques (2008 a)
Figura 4.1- Organograma do Campus.
*** função do professor que coordena o projeto
** função que pode haver ou não e exercida por pessoa escolhida pelo professor-diretor de redação entre exalunos do Campus
*função de aluno
São definidos os cargos de editor-chefe, o qual será o coordenador de toda a edição; o
secretário de redação que é o “guardião” daquela edição, sendo um aluno que vai a todas as
reuniões, que sabe tudo que está acontecendo, que assessora os alunos, agenda datas e
desempenha outras funções administrativas; o diretor de arte, que é o responsável pela parte
visual do jornal – como os alunos de e jornalismo não são especialistas em desenho e
ilustrações, o diretor de arte buscar dentro da UnB o fora da UnB, pessoas que
voluntariamente disponham de suas técnicas de ilustração para preencher os desenhos e
ilustrações do Campus.
4.3 Reunião de pauta
Assim que todos os cargos foram definidos de realizada uma reunião intitulada “reunião de
pauta”. Todos os alunos (22 esse 2º semestre de 2008) são obrigados a sugerir reportagens que
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comporão a edição. Mesmo quem é editor, fotógrafo, diretor, tem que trazer sugestões.
Marina de Sá observa que não é apenas trazer algo. São esperadas sugestões consistentes,
sugestões que já tiveram uma breve a pesquisa prévia - um simples levantamento - as quais
poderão ser utilizadas naquela edição.
Neste momento a pauta de reportagens é pré-apurada; é feita, pela turma toda, uma varredura
e triagem sobre as propostas feitas. Durante todo o processo de reunião de pauta e os
professores atuam como se fossem consultores, em geral, são os alunos que definem tudo. “É
como se eu fosse um projeto final de monografia” dispõe Max. Então são apresentadas as
pautas e de forma coletiva elas são escolhidas. Neste momento do semestre é reforçada na
cabeça dos alunos uma noção de hierarquia. Por mais que os alunos sejam colegas, busca-se
uma separação entre a amizade o profissionalismo.
4.4 Fase de apuração
Uma vez que a reunião de pauta definida e inicia-se a fase de apuração, que é a fase mais
longa daquela edição – conforme esclarecem Marina e Max-, durando geralmente uma
semana e meia, na qual são definidas quais serão as matérias específicas que irão compor com
o jornal e que tipo de fotos serão inseridas. As aulas da disciplina „Campus 2‟ ocorrem na
sede do jornal de sexta a sexta. Todos os dias de 08h as 09h, os alunos promovem a reunião
de editoria. O jornal é subdividido em subseções (editorias) e cada repórter de cada subseção
se reúne com seu chefe de subseção – o editor daquela subseção – para definirem o
andamento das matérias, o roteiro de entrevistas, como estão os trabalhos já realizados, as
datas limites. Marina expõe que existe um calendário para entrega de matérias. Depois que a
matéria é escrita, o repórter, respeitando o cronograma definido pala turma (cronograma
daquela edição e das demais edições) essa matéria é repassada aos editores.
No fechamento daquela edição do Campus, as matérias, fotos, figuras e outros são repassados
para a equipe de diagramação “fechar” o jornal. Marina e Max comentam que nesse período
de fechamento do jornal, a equipe que está fechando o jornal só vai embora quando está tudo
organizado e disposto para impressão.
4.5 Interesses sobre as reportagens publicadas
Max elucida que uma vantagem que o Campus tem sobre outros jornais é que ele, além de ser
feito numa estrutura menor, está livre de interesses econômicos. Marina explica que não é um
jornal nem do DCE nem da Reitoria da UnB. Por mais que seja financiado pela Reitoria e
pelo MEC, Max declara que o Campus é um dos poucos lugares onde é exercida a liberdade
total de imprensa. Assuntos polêmicos e passíveis de apoio ou críticas são publicados,
atendidos os padrões de jornalismo.
4.6 O grande “dia do fechamento”
Chega o dia do fechamento, “o grande dia” pontua Max. No caso do fechamento da segunda
edição do 2º semestre de 2008 (ano 38 – edição 330) o fechamento ocorreu nos dias 1º e 2º de
outubro (a edição 331 começou a ser feita, por todos os alunos, no dia 06 de outubro). A
primeira atividade de diagramação inicia-se quando o diretor de arte (Max) e a editora-chefe
(Marina de Sá) se reúnem e pegam a edição anterior (que no caso foi a 1º edição do semestre)
e identificam todos os erros que foram cometidos.
As matérias são reunidas e diagramadas. Faz-se, pelo próprio jornalista e editor da respectiva
editoria, ali mesmo no aplicativo de edição de texto, a revisão textual. A equipe de
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diagramação também promove uma última revisão textual. A diagramação faz também a
revisão gráfica, que verifica se ficou um item fora do lugar, se o texto está muito longe um do
outro, se a foto está muito grande, se há a devida publicação de crédito em cada foto e
desenho, os aspectos gráficos. Observadas esses erros na edição anterior, a diagramação
também se preocupará em observar estes detalhes para os textos que vão chegando para
compor o jornal. Assim, com a chegada das matérias e elementos que comporão o jornal, os
diagramadores vão fechando a edição, até que chega o último dia.
4.7 Impressão física da tiragem e distribuição.
Quanto à agenda de fechamento da impressão do Jornal, o secretário de redação é responsável
por contatar a gráfica e avisar o dia do fechamento da edição. Uma vez entregue o material, a
gráfica dispõe contratualmente de 24 horas para imprimir a tiragem de 4.000 exemplares. O
responsável por levar à gráfica o jornal Campus para ser impresso é o diretor de arte. O
diretor de arte leva o arquivo em Indesign (aberto para edição) e o arquivo fechado (em
formato PDF). É levado um arquivo aberto em Indesign para caso tiver qualquer erro, o
diretor utilizar um computador da gráfica – onde o programa já está instalado – e alterar
conforme a necessidade. É uma situação não muito bem vinda, uma vez que o computador da
gráfica necessita de ter todas as especificidades de programas instaladas, como por exemplo,
todas as fontes utilizadas na edição devem estar disponíveis.
Uma vez aprovada a impressão, as páginas são organizadas na ordem correta, e o diretor de
arte assina, data o exemplar, colocando a hora e quem está assinando. Deste momento até
completarem 24 horas, a gráfica é, por força contratual, obrigada a entregar todos os
exemplares impressos na sede do Jornal Campus.
4.8 Feedback do leitor
Existe um espaço no Campus, que é o espaço do leitor, onde os leitores enviam suas opiniões
sobre o jornal. Max e Marina comentam que, no geral, os leitores são bastante interessantes. É
disponibilizado também no Jornal um espaço chamado Ombudsman, “são os olhos do leitor
no jornal” diz Max.
Outro ponto a ser observado é o espaço debate, onde um assunto polêmico é discutido por
convidados que cedem uma entrevista e relação ao tema abordado. Visando manter um padrão
ético do debate, são colocadas opiniões que são a favor e são contra.
4.9 Reunião avaliação do processo produtivo e reunião de avaliação do produto
produzido – discussão de controle produtivo.
Logo após a impressão e distribuição, o processo geral de produção ainda não acabou. “É
necessário reunir os alunos e avaliar como se deu a elaboração do jornal e como este se expõe
junto ao público” descreve Max.
A reunião de avaliação do processo objetiva discutir o que não funcionou direito, se houve
sobrecargas de trabalho e quem sofreu esta sobrecarga, são discutidos os processos de revisão,
de alteração e impressão do Campus. Os alunos são convidados a exporem os acontecimentos
daquela edição recém lançada.
Na reunião de avaliação do produto são observadas se a matéria A, B ou C é muito grande ou
pequena, se os títulos são adequados, se as fontes utilizadas foram uma boa escolha, se o
material poderia ter aprofundado mais em algum aspecto, enfim, é detalhado os aspectos deste
produto.
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Marques (2008b) relaciona na figura 4.2 todo o processo produtivo, enfatizando os pontos de
tomada de decisão.
Fonte: Marques (2008 b)
Figura 4.1- Momentos de reflexão e de tomadas de decisão no Campus.
Marques (2008b) assim comenta a figura acima exposta:
Com o produto pronto, os alunos participam da avaliação em duas etapas (figura 3):
de produção e de produto. Na primeira, o foco está no processo, no conjunto das
inter-relações sujeitos-fonte, sujeitos-produtores de mensagens e sujeitos
receptores. Na segunda reunião, o objetivo é analisar o produto impresso, é quando
os alunos conseguem compreender que muitos dos “erros” encontrados no jornal
são reflexo do que foi problemático no processo de produção.
A definição das regras de funcionamento da redação do Campus – e dos papéis
desempenhados pelos profissionais que nela trabalham – tem por objetivo levar o
aluno a compreender os mecanismos do campo em que está inserido e se posicionar
nele, para não aderir de forma indiferente às normas que regem este espaço de luta.
(MARQUES, 2008b, p. 10).
4.10 Orçamento, localização, arranjo físico e tecnologias aplicadas.
O jornal é um dos projetos mais caros da UnB para a área de humanas. Por edição (são cinco
a cada semestre) é gasto por volta de 7.000 para a impressão dos 4.000 exemplares de cada
edição, como explica Max. Além do gasto com a impressão do jornal, há os custos com
equipamentos e manutenção dos equipamentos. A matéria possui três professores e existem
gastos com materiais de escritório em geral, enfatizando-se gastos com impressora e papel
dado as características do jornal (capas que serão escolhidas para a edição são impressas
inúmeras vezes até ser escolhida aquela que comporá a edição). A professora chefe da matéria
é a coordenadora de laboratório da faculdade. O jornal é assessorado por um servidor do
Departamento de Jornalismo. O jornal Campus fica situado no departamento de Jornalismo,
situado na Universidade de Brasília, Campus Universitário Darcy Ribeiro - Instituto Central
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de Ciências-Ala Norte (prédio Minhocão) – Brasília.
Fonte: elaborado pelo autor
Figura 4.3 - Layout da sede do Campus.
Na parte A da figura 4.3, fica a equipe de diagramação. Na parte B fica a maioria da equipe,
editando as matérias. Na ala C existe uma grande mesa de reunião e um quadro negro para
anotações. Na parte D fica a sala dos professores e os arquivos de edições antigas do JornalLaboratório.
A tecnologia utilizada pelo Campus consiste em cerca de 30 computadores comuns e ligados em
rede, programas de edição de texto, os programas Photoshop, Adobe Indesign e o Ilustrator. Na
sede da gráfica também foram instalados os programas utilizados na sede do Campus, a fim de
serem feitas correções se necessário.
5. Conclusão
Slack, Chambers e Johnston (2002) relatam que os objetivos da produção são: qualidade,
flexibilidade, rapidez e confiabilidade. O processo produtivo verificado no Jornal-Laboratório
se mostrou bastante flexível, tendo em vista que os cargos são definidos por edição e os
alunos assumem responsabilidades diferentes a cada edição. Os entrevistados relataram sobre
a qualidade do Jornal, a qual, para eles, consiste numa característica primordial das edições e
o fato do jornal ter sido um dos primeiros do país contribuiu para o desenvolvimento da
qualidade. A rapidez foi verificada em todas as fases de construção do jornal impresso; desde
as reuniões iniciais, até a impressão e distribuição e a confiabilidade se demonstra através do
valor da informação expresso nas editorias, fazendo com que cada edição influencie
consistentemente o seu público-alvo (o qual é convidado pelo Campus a participar ativamente
na crítica de cada edição).
Foram descritas as etapas de produção do Jornal (Fase de preparação das edições, Definição
dos cargos, Reunião de pauta, Fase de apuração, O grande “dia do fechamento”, Impressão
física da tiragem e distribuição,
Feedback do leitor e por fim, Reunião avaliação do
processo produtivo e reunião de avaliação do produto produzido – discussão de controle
produtivo). Foi elucidada qual tecnologia é empregada na produção do Jornal e como ocorre o
controle produtivo (reuniões e avaliações).
Por fim o estudo verificou empiricamente que o trabalho no Campus é sempre realizado em
equipe, nos moldes do processo de produção da notícia em uma redação da grande imprensa.
Os estudantes do 6º semestre do curso concebem, elaboram, executam, avaliam e distribuem o
produto jornalístico, participando de todas as fases de montagem das edições, durante os 15
dias que separam um número do outro, sendo cinco edições a cada período, com tiragem de 4
mil exemplares.
Referências
BALLOU, R. H. Logística empresarial: transporte, administração de materiais e distribuição física. São Paulo:
Atlas, 1993.
BEAL, A. Gestão estratégica da informação: como transformar a informação e a tecnologia da informação em
fatores de crescimento e de alto desempenho nas organizações. São Paulo: Atlas, 2007.
CAMPOS, V. Na Mira da Eficiência. In: Revista Distribuição. Agosto, 2001. Acessado no site <
www.revistadistribuicao.com.br> , visitado em 10/10/2008.
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