BEZERRA. Maria de Lourdes de Oliveira. Pedagogia Histórico-Crítica. Para além da necessidade e da teoria. 2007. 28 p. Material Didático PDE. UEL – Universidade Estadual de Londrina. RESUMO Este artigo apresenta um estudo realizado por meio de bases teóricas sobre a reforma implementada na educação brasileira na década de 90. Refere-se à questão da incorporação e desenvolvimento do trabalho educativo mediante a retomada da pedagogia Histórico-crítica no Paraná, Governo Requião neste início de século, na Educação Profissional, haja vista, que a escola paranaense ainda tem a predominância das Pedagogias do “Aprender a Aprender”. Portanto, este estudo tem como objetivo principal refletir como os professores da Educação Profissional do Município de Jacarezinho estão incorporando a Pedagogia Histórico-Crítica em sua prática na sala de aula. Para tanto foram realizadas entrevistas nos dois colégios de Educação Profissional de Jacarezinho, com o público alvo de professores docentes do ensino médio e educação profissional. Palavras chave: Pedagogia Histórico-crítica. Educação Profissional. Prática. BEZERRA. Maria de Lourdes de Oliveira. Pedagogia Histórico-Crítica. Para além da necessidade e da teoria. 2007. 28 p. Material Didático PDE. UEL – Universidade Estadual de Londrina. RÉSUMÉ Cete article presente um étudie realisité pour moyen à bases theóriques sur la reforme mise em oeuvre dans éducation brésilien dans décade à 90. Se refere à question de la incorporation et développement de travail éducatif moyennant la reprise de la Pedagogie Historique-Critique dans Paraná Gouvernement Requião en ce commencement à siècle, dans éducation profissionnel, ait vu que l’ école parananense encore a la prédominance de les Pédagogies de “Apprendre la Apprendre”. Donc, cett étudie a comme objectif principal refléter avec les professeurs de la éducation profissionnel de Municipe de Jacarezinho être em incorporant la Pedagogie Historique – Critique en sa pratique dans salle de classe. Pour de telle façon realisiées entrevues aux deux collégeés de la éducation profissionnel de Jacarezinho, avec le publique cible de professeurs enseignants do enseignement moyen et profissionnel. Mots – Clé: Pedagogie Historique-Critique. Éducation Profissionnel. Pratique. Pedagogia Histórico-Crítica. Para além da necessidade e da teoria. Maria de Lourdes de Oliveira Bezerra* Ângela Galizzi Vieira Gomide* INTRODUÇÃO Ao iniciarmos este estudo reflexivo sobre a educação do Paraná é necessário rever a reforma implementada no âmbito da educação básica brasileira, a partir de 1990, torna-se pertinente voltarmos o pensamento às tendências que nortearam nossa educação até então, para melhor explicitação didática. Na opinião de Saviani (2007), em entrevista concedida a Contrapontos, o autor divide a história da educação brasileira em quatro momentos distintos sendo o primeiro com a Educação Tradicional Jesuítica, o segundo momento com a Educação Tradicional Leiga, o terceiro com a Educação Nova e o último momento com a Educação Reprodutiva. O autor explicita que desde o primeiro momento até a atualidade o Brasil não possui um sistema nacional de educação e cita quatro hipóteses explicativas para fundamentar tal afirmação: 1ª A estrutura da sociedade de classes dificulta uma ação intensiva e coletiva. 2ª A existência de grupos diferentes em conflitos constantes obstaculizando o alcance de objetivos comuns na educação. 3ª O transplante cultural de outros paises interferindo em nossa cultura tornando nossa realidade ignorada. 4ª A insuficiente formação teórica dos educadores o que facilita a adesão a modismos na educação, não é crítica. Ora, trazendo essa bagagem de percalços na década de 90 com os governos, Collor e Fernando Henrique Cardoso a educação básica brasileira, passa por uma reforma política que pretende camuflar toda gama de interesses capitalistas. *Professora PDE do Colégio Estadual Luiz Setti-E.F.M.P. de Jacarezinho, Docente das FIO / Ourinhos, Mestranda em Educação / UEL. * Professora Mestre Orientadora PDE da UEL. Docente da UEL do Departamento de Educação. Doutoranda em Educação PUC – Curitiba. Segundo pesquisas do IBGE (2003), o Brasil com essa política consegue melhorar o índice de analfabetismo, ou seja, a quantidade de alunos na escola, mas a qualidade não tem melhoria significativa. Em junho de 2007, Newton Duarte em palestra no Shopping Contour em Londrina afirmou que os educadores brasileiros deixaram de ensinar na década de 90, uma média muito grande de conteúdos científicos e de raciocínio interpretativo nas escolas, sendo uma das causas desse fato as pedagogias do “Aprender a Aprender”, como caracteriza Saviani (2007), não contemplam a perspectiva histórica, vivendo somente a atualidade, o que não alcança a visão de conjunto, a visão de futuro, estando a serviço do capitalismo desenfreado e manipulador. Libâneo (2007), cita que a escola está a serviço da produção capitalista forçada a atender a todas as mazelas da sociedade, reproduzindo o consumo exacerbado, o legado da empregabilidade e que há urgência em medidas políticas e de uma pedagogia que trabalhe a teoria-prática-teoria promovendo a consciência crítica real nas salas de aula que indubitavelmente se perdeu nos anos 90 com o neoliberalismo. Nessa ótica pensamos ser de grande relevância o trabalho com a visão do materialismo histórico na perspectiva da Pedagogia Histórico – Crítica que têm o método dialético como pressuposto para que a alienação, o comodismo desinstale da educação. Não cabe mais em nosso século uma visão tradicionalista, mas uma visão com credibilidade científica, com o professor ensinado e o aluno aprendendo de fato. “É mister abalar as certezas, desautorizar o senso comum”. (SAVIANI 2007) Nesta reflexão é imprescindível citarmos a globalização, a nova mola do capitalismo que interfere consideravelmente na educação. A globalização na visão de Libâneo (2007),é uma nova roupagem do capitalismo, que adquire maior força na chamada sociedade do conhecimento¹. Podemos inferir que se a Educação Brasileira ainda não possui um Sistema Nacional de Educação,logo o jogo de poder do capitalismo ________________ ¹ Atitude idealista, subjetivista, bem a gosto do ambiente ideológico pós moderno. Uma ilusão que cumpre uma determinada contemporânea. (Duarte,2006). função ideológica na sociedade capitalista continua sua manipulação. O que devemos compreender e trabalhar no espaço que temos é que fazemos parte desse contexto e como tal temos o dever político e profissional de atuar na transformação dessa realidade e deixar nosso legado para a Educação brasileira como educadores não só atuantes, mas pensantes e transformadores. Daí a importância deste estudo sobre as principais características, concepções e referenciais teóricos que sustentam a Pedagogia Histórico Crítica no Estado do Paraná atualmente, numa linguagem simples, com entrevistas de profissionais envolvidos na escola pública paranaense, o que caracteriza o processo da metodologia dialética deste ensaio. O objetivo principal é refletir como os professores da Educação Profissional do Município de Jacarezinho estão incorporando a Pedagogia Histórico-Crítica em sua prática na sala de aula. As entrevistas serão realizadas nos dois colégios de Educação Profissional do Município de Jacarezinho, com o público alvo de professores docentes do ensino médio e educação profissional que têm como base em suas diretrizes curriculares a Pedagogia Histórica – Crítica. POLÍTICAS EDUCACIONAIS PARANÁ FINAL DO SÉCULO XX. A passagem da educação escolar brasileira do século XX para o século XXI foi de descrenças, percalços, defasagens, com um legado de políticas neoliberais quase em totalidade. Sobre essa questão Libâneo (2007, p.112) escreve que a escola está a serviço do capitalismo formando cidadão extremamente consumista, capacitando mão de obra específica para o produto do capitalismo, para a individualização. Sabemos por meio de pesquisas e estudos realizados, que a qualidade da educação é questionável, merecedora de profundas reflexões. Dessa forma, uma questão problematizadora permanece latente em nossas reflexões remetendo nosso pensamento às pedagogias do “aprender a aprender”, especificamente à década de 90, com os governos de Collor, Fernando Henrique Cardoso e o então ministro da educação, Bresser Pereira, refere-se aqui à desvalorização e o barateamento dos conteúdos científicos, e às instituições internacionais Banco Mundial (BIRD); Banco Internacional de Desenvolvimento ( BID); etc. O que ocorre comumente com os professores da nossa rede pública é o total desconhecimento das políticas educacionais que tramitam na educação brasileira, ou seja, o porquê da instabilidade dos métodos, da pedagogia que ora é uma, ora é outra. As políticas educacionais mudam sem maiores explicações para que evidenciem a teoria e a prática nas salas de aula, muda-se o governo, mudase a pedagogia e o que é pior, a pedagogia não é perenizada, quiçá entendida pelos professores. Quando se trata de questões educacionais em que se prioriza “como se aprende”, reconhecemos uma grande lacuna na história da educação brasileira, lacuna esta que nos deixa perplexos ante a impotência dos educadores para amenizar essa situação problemática, ou seja: “como se aprende”. O que parece claro é que a preocupação se localiza fortemente nas questões de avaliação e não na maneira como acontece a construção do conhecimento, para que se tenha como conseqüência uma produção avaliativa de boa qualidade. E ainda mais, se considerarmos a qualidade da educação e dos cursos de formação de professores, a nossa perplexidade se tornará ainda mais preocupante. Educadores afirmam com muita angústia, que se em todas as trocas de governo mudam as políticas educacionais e conseqüentemente se têm que “pensar a educação” em termos diferentes, mudando, ou melhor, fingindo mudar, não se caminha mesmo. Outra questão que perturba parte do questionamento: Por que é tão difícil a união da teoria e da prática para que realmente a educação tenha uma qualidade de ponta na prática social das pessoas? Se pararmos para uma reflexão também veremos que está ligada às políticas educacionais ainda neoliberalistas. O momento incita a necessidade em começar a lutar e relutar pelas nossas crenças, por aquilo que sabemos por nossa prática, que dá certo, que acontece e faz da escola um local menos enfadonho, menos reprodutivista. Mostra também que antes de tudo isso, é preciso saber o que significa “Qualidade em Educação” (aqui sem a conotação (neo) liberalista, mas a distinção real entre qualidade x quantidade) para os nossos dirigentes em relação aos alunos, é urgente perceberem que são brasileiros com realidades diferentes daquelas que costumam copiar para cumprirem os “contratos” com os bancos internacionais e a educação dessa maneira continua pagando... Quais preços? Muitos... Cifras e cifras, e o pior, contas enormes de valores humanos de nossos meninos que já foram embora. Portanto, com essa visão, pretende-se fazer uma retrospectiva histórica da pedagogia que está em voga no atual governo do Estado do Paraná, a Pedagogia Histórica – crítica, especificamente nos cursos de formação de professores. Em 1984 o mesmo governo que ora estava no poder, também tentou implantar a referida pedagogia (haja vista, a elaboração do Currículo Básico para a Escola Pública do Paraná, 1999), mas com o advento do governo Lerner, não conseguiu ser implementada no estado, ficando então a pedagogia do “aprender a aprender”, desde então. Características Históricas da Era Lerner – 1995/2002: Nas Políticas Educacionais do Ensino Médio e Profissionalizante. Para expor brevemente as características históricas fundamentais do Governo Lerner, este artigo pretende citar sinteticamente as relações que envolveram a reforma do ensino médio e profissional no Paraná, explicitando a relação da reforma educacional do Estado Brasileiro com a reforma educacional no Paraná, a partir de 1995. O Programa de Reforma educacional do Estado foi composto por Projetos/Programas: PQE – Programa de Qualidade no ensino Público Paranaense; PROEM – Programa de Expansão, Melhoria e Inovação no Ensino Médio Paranaense. O Brasil na época era o maior devedor do Sul do continente para o Banco Mundial , FMI – Fundo Monetário Internacional. Isso posto, pode perceber a estreita ligação no contexto da reforma em âmbito Nacional e internacional com os países endividados e exportadores de capital líquido, devendo muito, principalmente os da América Latina para os países centrais do capitalismo. Para subsistir e promoverem a reforma educacional brasileira aliaram-se a trama mundial financeira subordinando-se ao capital financeiro internacional suas políticas públicas de âmbito social e especialmente a educação que em 1998, segundo Libâneo (2007, p.164), contabilizava 2,7 milhões de crianças entre 7 e 14 anos fora da escola. Foi o que aconteceu com o Brasil nos anos 90 com o Governo Collor de Mello quando abriu o mercado brasileiro e iniciou a reforma da educação brasileira. O PROEM e o QPE eram regidos pelo BID e Banco Mundial, promoveu a especulação e o parasitismo do capital financeiro internacional e suas alianças reprodutivas e serviçais com as classes dominantes locais, conforme explica Deitos, 2003, p.103-105: No campo da educação essas “inovações promissoras” foram articuladas e desenvolvidas de várias formas e maneiras, através de incentivo para diretores, programas de “Vale Saber” aos professores da rede estadual, desenvolvimento de projetos, concurso de gestão da excelência entre as escolas estaduais, gincanas, feiras culturais e de equipamentos de informática e livros, cursos de treinamento e aperfeiçoamento aos professores e demais servidores em várias modalidades e de diversos conteúdos, que abrangiam desde a revisão curricular até as assessorias e missões mais pragmáticas e sistemáticas para determinados setores dirigentes nos diversos níveis da SEED e de outros setores da estrutura governamental estadual. Essas medidas produziram segundo o autor, (Deitos, 2003), estratégias ideológicas, financeiras e institucionais. Esses mecanismos foram chamados de mecanismos de eficiências gerencial que nada mais são do que processos coercitivos e ideológicos da produtividade exigidas às empresas no atual contexto de acumulação do capitalismo. Foram criadas agências reguladoras e controladoras no estado em “obediência” à Lei de Responsabilidade Fiscal do governo federal. Na área da educação foram criadas a PARANATEC – Agência Paranaense de Desenvolvimento do Ensino Técnico e a PARANAEDUCAÇÃO – Agência do Serviço Social Autônomo. Havia estreita relação nas escolas através dos diretores e dos convênios com as APMS – Associações de Pais e Mestres, para o repasse de recursos. Porém, como argumenta Deitos 2003, p.110, dentre outros questionamentos: “Como ficam contabilizados os quase 27 milhões de dólares que estavam previstos e aprovados no orçamento do Estado para serem investidos como contrapartida local nas ações do Programa”? O que se sabe realmente é que as ações educacionais e os recursos destinados ao PROEM nada ou quase nada contribuíram à educação paranaense no sentido de retorno ao sistema educacional e muito menos favoreceu a entrada de recursos adicionais para programas educacionais, no âmbito do ensino médio e profissional (Deitos, 2003). Por outro lado, deixou o legado de uma pedagogia reprodutora e produto do capitalismo, uma educação capaz de produzir consumidores e consumistas ao modelo da sociedade vigente. Uma das conseqüências significativas foi a extinção do curso de formação de professores em nível médio pelo programa no Paraná, pois a preocupação e dinâmica do capital sempre alimentaram e envolveram a viabilização especulativa de recursos ao PROEM. O curso de formação de professores retornou no atual governo, mas hoje também é realizado em todo país como política educacional do governo federal, na modalidade denominada educação à distância. Ora, se temos hoje um déficit tão alto na qualidade da educação como admitir um curso de formação de professores à distância? Aqui não se está fazendo apologia contrária a EAD, mas afirmando que a formação em nível de graduação não deve ser cursada acidentalmente uma vez por semana, mas, ao contrário, ser intensiva, com características próprias e presenciais, na qual se questiona, se pensa junto professor e aluno, e ocorre fundamentação teórica, prática, científica e de práxis educativa e humana. Concepção Teórica Relevante Para o Entendimento da Educação Paranaense Hoje. Pedagogias do “Aprender a Aprender” Para trabalhar com o este item usaremos os pressupostos encontrados em Duarte (2006) a fim de melhor compreender o que sejam as pedagogias que a sociedade capitalista contemporânea adota, e que está dicotomizada na Pedagogia Histórico-crítica proposta nas diretrizes curriculares paranaenses. Conforme o autor, faz parte das pedagogias nomeadas por ele como “Aprender a Aprender”, o Construtivismo, a Pedagogia das Competências, a Escola Nova, os estudos na linha do “Professor Reflexivo” etc. Afirma que o “Aprender a aprender” passa a ser revigorado nos meios educacionais porque cabe à escola não o passar do conhecimento do saber objetivo², mas sim de preparar os sujeitos para aprenderem o que a sociedade precisa que aprendam, não importando sua condição alienada e alienante nas relações sociais, importando tão somente as relações sociais essenciais ao capitalismo contemporâneo. A essência do lema “aprender a aprender” é exatamente o esvaziamento do trabalho educativo escolar, transformando-o num processo sem conteúdo. Em última instância o lema “aprender a aprender” é a expressão, no terreno educacional, da crise cultural da sociedade atual. (DUARTE, 2006.p..9). Explicita que a mesma sociedade que prega a individualidade, a autonomia, a liberdade e a criatividade como seus mais altos valores, opera nos indivíduos a mais brutal padronização e o mais brutal esvaziamento. Portanto, pode-se entender segundo os pressupostos do autor que o lema “aprender a aprender” não é um caminho para a superação do problema educacional enfrentado atualmente, não forma plenamente os indivíduos, pelo contrário é um instrumento ideológico da classe dominante que esvazia a educação escolar que tem como sua clientela a maioria da população. “A sociedade contemporânea lança as massas não só na miséria material, mas também na miséria intelectual”. (DUARTE, 2006.p.8). Alguns questionamentos surgem com este estudo quando se reporta ao chão da escola: Estamos nessa prática quando pedirmos uma pesquisa sem referencial bibliográfico adequado? Quando trabalhamos superficialmente um conteúdo e negamos a busca do científico? Quando deixamos de ensinar para que o aluno corra sozinho em busca seu aprender? Ou é no momento do conselho de classe que as pedagogias do “aprender a aprender” ficam impregnadas em nosso ideário de educadores? São questões difíceis de responder, principalmente porque como vimos o quadro político social, econômico e educacional é muito confuso e contraditório em nosso país. Mas precisam urgentemente ser pensadas, discutidas e colocadas em pauta nos encontros pedagógicos para que efetivamente ocorram mudanças. Infelizmente, o que acontece em nossas escolas, é que detectarmos os erros, mas permanecermos sem mudança na prática pedagógica. _______________ ² Ver Saviani, 2005.ed.9ª p.7,8. Enfoque Metodológico A pesquisa evidencia um estudo desenvolvido partindo do seguinte problema: Como os professores da educação profissional estão incorporando a concepção pedagógica proposta pela SEED nas diretrizes curriculares paranaenses. Consistiu em um estudo dialético para obtenção de dados, por meio de entrevista e questionários o que propiciou subsídios para analisar as diferentes respostas apresentadas pelos professores. Segundo Frigotto (2002), a pesquisa dialética enquanto práxis evidencia que No processo dialético de conhecimento da realidade, o que importa fundamentalmente não é a crítica pela crítica, o conhecimento pelo conhecimento, mas a crítica e o conhecimento crítico para uma prática que altere e transforme a realidade anterior no plano do conhecimento plano histórico-social. (Fazenda,org. 2002), Em termos metodológicos, esta pesquisa se divide em duas etapas. A primeira, se iniciou com uma entrevista com a Coordenadora da Educação Profissional do NRE de Jacarezinho, visando entender com maior clareza toda fundamentação da proposta curricular da SEED e como são repassadas as informações do mesmo órgão oficial da Pedagogia proposta. Realizamos uma entrevista aberta e semi estruturada e finalizamos com uma reflexão sobre a influência da fundamentação teórica da proposta curricular especificada pela entrevistada sobre a prática pedagógica desenvolvida pelos professores na sala de aula. A segunda etapa se caracterizou da seguinte forma: Foi aplicado um questionário à 50 professores da educação profissional representando uma amostra de 76,92% do quadro de docentes das duas instituições pesquisadas, Colégio Estadual Rui Barbosa – E.F.M.P. e Colégio Estadual Luiz Setti - E.F.M.P. Conforme informações levantadas junto ao NRE, com o intuito de verificar qual a pedagogia utilizada na prática escolar, ou seja, como estão incorporando a proposta curricular para os Cursos Profissionalizantes. As questões foram estruturadas e fechadas utilizando a escala de Likert³ de 5 respostas e coletadas por meio de e-mail entregues aos professores no período de 02 de dezembro de 2007 à 20 de janeiro de 2008. Pedagogia Histórico - Crítica : Fundamentação da Proposta Curricular É inegável que a globalização, a revolução tecnológica e a ideologia do livre mercado que é o neoliberalismo em nossa época tem acarretando inevitavelmente o desemprego e a exclusão social. Frigotto (1995), afirma que é necessário antes de disputar concretamente o controle do progresso técnico, do avanço do conhecimento e da qualificação, arrancá-lo da esfera privada e da lógica da exclusão e submetê-lo ao controle democrático da esfera pública, para potencializar a satisfação das necessidades humanas. Perante todos os desafios da sociedade contemporânea e para melhor compreensão segue abaixo um relato da entrevista realizada com a Profª Maria Regina Garcia, Coordenadora da educação profissional no NRE de Jacarezinho. Historicamente, qual o papel social que os cursos profissionalizantes, dentre eles o de formação de professores em nível médio desempenhou na realidade brasileira? Na atualidade, qual o papel social desses cursos? No Paraná, a partir de 1983, iniciam-se inúmeros processos de reformulação Curricular de todos os níveis de ensino, que são concluídas entre 1989 e 1990 implantadas entre 1990 e 1991, com orientações completamente adversas às políticas educacionais assumidas durante os anos de 1980. ______________ ³ A escala de Likert apresenta uma série de cinco proposições, das quais o inquirido deve selecionar uma, podendo esta ser: concorda totalmente, concorda, sem opinião, discorda ou discorda totalmente. É efetuada uma cotação das respostas que varia de modo consecutivo: +2, +1, 0, -1, -2 ou utilizando pontuações de 1 a 5. É necessário ter em atenção quando a proposição é negativa. Nestes casos a pontuação atribuída deverá ser invertida.( CRUZ V., Júlio Eduardo (?), Método de Likert de las Tasaciones Sumada [online] [consult 2007.Disponível http://psicsocial.uniandes.edu.co/investigacion_psicosocial/ LIKERT.HTM Ou seja, nem bem se conseguiu iniciar o processo de retomada dos direitos sociais da nação brasileira a serem garantidos pelo setor público, através do fortalecimento das instituições estatais e dos serviços públicos, já se ingressou nos “tempos modernos da cidadania do consumidor”, baseada tão somente nos princípios dos direitos civis, em que ser proprietário é a maior garantia de acesso aos bens materiais e simbólicos. A educação, então, como bem material e simbólico, também entra neste rol de ser considerada como mercadoria e, obviamente, não é mais ofertada como direito social, mas sim como bem a ser comprado ou doado, com caráter filantrópico para quem não puder pagar. Já no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), retratada com a Lei 9.394/96 e, principalmente com o Decreto 2.208/96, implanta-se uma concepção de educação cuja marca é a fragmentação calcada num generalismo oco, sem conteúdo científico, voltado para um desenvolvimento de atitudes de personalidade. Passamos de um tecnicismo também oco e superficial no que se refere ao ensino científico e cultural, para um generalismo eivado no psicologismo individualista batizado de ensino por competências. É importante ressaltar ainda que a Educação Infantil (0 a 6 anos) também foi incluída como componente da Educação Básica na LDB de 1996, e a formação de professores, não foi bem direcionada para esta especificidade, nos cursos Normal seja de nível médio e também nos cursos de Pedagogia do nível superior, havendo portanto, uma lacuna na formação de profissionais plenamente qualificados para educarem as crianças de 0 a 6 anos, faixa etária correspondente à Educação Infantil e de responsabilidade dos municípios. No Paraná, também ocorre uma mudança radical nos rumos da Educação, que acompanhou as tendências já mencionadas anteriormente, no sentido de adequação ao capitalismo de acumulação flexível. Assim, em outubro de 1996, a SEED/PR ordena o fechamento das matrículas de todos os cursos profissionalizantes, inclusive do Magistério, portanto, fica também uma lacuna de oito anos na formação desses profissionais citados no parágrafo acima. Com essas questões complexas e abrangentes, mas compreendidas como fundamentais para discutir a Formação de Professores, a equipe do Departamento de Educação Profissional, hoje Departamento de Educação e Trabalho da SEED/PR – governo de Roberto Requião, junto com representantes de professores da rede e dos técnicos dos demais Departamentos de Ensino da SEED/PR, retoma em 2003, o debate sobre a reconfiguração das propostas de Formação de Professores em nível Médio no Estado do Paraná. Hoje no Paraná, a política do DET/SEED, se direciona para a retomada de uma proposta de formação humana muito diferente daquela que orientou as reformas dos últimos anos. Tanto o MEC como a SEED/PR há um esforço para recuperar a Ciência, a Tecnologia, a Cultura e o Trabalho como princípios educativos, este último no sentido gramsciano. Isso implica em pensar a educação realizada nas instituições públicas como o centro responsável pela formação humana e profissional dos sujeitos sociais, sendo este, hoje, o papel social destes cursos. Nesse sentido, a formação dos professores é uma demanda que a SEED/PR decidiu enfrentar como uma forma se continuar a história do compromisso do setor público paranaense com esse profissionais que precisam ter acesso a essa formação profissional. Quais os pressupostos filosófico-pedagógicos que norteiam os cursos profissionalizantes na Educação Paranaense? As categorias que dão sustentação a esses princípios são: o trabalho, a ciência e a cultura. A proposta de currículo dos cursos profissionalizantes em nível Médio, estão calcados numa visão educacional em que o trabalho é o eixo do processo educativo porque é através dele que o homem, ao modificar a natureza, também se modifica numa perspectiva que incorpora a própria história da formação humana. Os pressupostos epistemológicos e pedagógicos norteadores cursos profissionalizantes em nível Médio, no Estado do Paraná são: • Concepção do materialismo-histórico dos conceitos: Homem, Ciência e Educação. • Pedagogia histórico-crítica • Compreensão da relação entre professor/aluno/conhecimento/trabalho, como resultado das relações sociais de produção ao longo da história. Alguns pensadores fundamentais para o embasamento na organização da proposta deste curso: • Karl Marx e F. Engels • Gramsci • Vygostsky – Luira – Leontiev • Dermeval Saviani • Acácia Kuenzer - Gaudêncio Frigotto • Marise Ramos - Maria Ciavatta. Tomando como base a Matriz Curricular, como é feita a integração entre a Base Nacional Comum e a Parte Específica do curso? Quais os limites para a efetivação desta integração? A Educação Básica ao ser universalizada, por meio da oferta pública e gratuita, pela democratização do acesso e garantia de permanência, ganhará à medida que se integrar com formação profissional de jovens e adultos. Ao assumir essa integralidade, garantirá possibilidades a todos os cidadãos e a satisfação da necessidade de um contínuo aprendizado. Nesse sentido a educação é um direito social básico, universal e fundamental para a construção de uma nação autônoma, soberana, solidária consigo mesma e com outras nações. Ao adotar a integralidade, a Educação Básica estará contribuindo para uma formação humanística e científica de sujeitos autônomos, críticos, criativos e protagonistas da cidadania ativa. O Ensino Médio tem um papel fundamental de lapidar a formação inicial (do Ensino Fundamental), apontando para um devir, um futuro que todos teremos que fazer nascer. Nesse sentido, aprofundamento que o os Ensino jovens Médio, poderão aponta as escolher possibilidades ao longo de de sua escolarização. Se pensarmos nos três eixos que tradicionalmente constituem as trajetórias de formação: o científico, o profissional e o cultural, poderemos organizar este nível de ensino de forma que os unifiquem por não serem excludentes no espaço/tempo da escolarização, mas que poderão ser escolhidos como forma de dedicação mais especializada, que os jovens poderão seguir futuramente. Ou seja, poderão já no Ensino Médio vislumbrar uma dedicação maior à compreensão das ciências de base, a uma profissão como uma forma de conceber a ciência não-desvinculada da técnica e da tecnologia, e a algumas formas de arte. No caso do curso Normal, consideramos que encaminhamos os jovens para a profissão de educador. Portanto, um currículo que possa formá-los solidamente nos fundamentos das diferentes ciências e artes, especialmente na ciência da educação. O currículo não deve ser dicotômico, pois o “fazer e saber sobre o fazer” deverão ser elementos integrados ao processo de formação dos alunos. Os saberes disciplinares não poderão ser independentes dos saberes profissionais. Ao ensinar Química, Biologia, Matemática, Português, ou outra disciplina, os docentes deverão ter presente o compromisso com aqueles conhecimentos no sentido de que eles serão ensinados pelos futuros professores das crianças de 0 a 10 anos de idade. Os alunos, por sua vez, deverão estar comprometidos com o processo de aprendizagem porque estão se preparando para um trabalho com características especiais – a educação de crianças. Integrar conhecimentos: - científicos (básico para entender o intelectual) - tecnológicos (é a aplicabilidade) - sócio-históricos (conhecimentos das áreas, das humanas) - das linguagens (fundamental de todos as disciplinas, forma de se expressar) - de gestão (como se organiza o processo de trabalho) Não há limites, e sim um comprometimento profissional dos professores para a real efetivação desta integração. Discuta em linhas gerais, as dificuldades enfrentadas hoje na concretização da proposta de formação de professores em nível médio. Toda mudança gera conflitos e aceitação, e na implantação do curso de Formação de Docentes de forma integrada não foi diferente. Trata-se de uma proposta calcada na visão educacional em que o trabalho é o eixo do processo educativo. Portanto, o trabalho deve ser o centro da formação humana em todo o Ensino Médio, e para atingir este objetivo foi proposto a forma integrada ao Ensino Médio que terá como linha mestra as trajetórias de formação: o científico, o de profissões e o cultural. Dessa forma, os alunos poderão vislumbrar a compreensão das ciências de base, a uma profissão como uma forma de conceber a ciência não desvinculada da técnica e da tecnológica e a algumas formas de arte. Para alcançar este objetivo é preciso que os profissionais de educação se debrucem na proposta para que realmente ela se efetive. Diante disso, foram realizados pela SEED/DET eventos de capacitação de docentes para que haja esta efetivação. Há dificuldades de materiais didáticos atuais, e recursos financeiros para uma melhor qualidade. Mas, em linhas gerais, ainda é a falta de uma melhor compreensão do que se é integrar, que só com o tempo é que irá se concretizar. (Garcia, Maria Regina.2007). Na verdade, por meio deste estudo pode-se inferir que mesmo com os eventos de capacitação docente realizados pela SEED, ainda não aconteceu totalmente a conscientização necessária para a implementação teórico/prática da Pedagogia Histórico – Crítica. Tendo em vista as concepções do “Aprender a Aprender”4 e a proposta da Educação Profissional atualmente, faz-se necessário o aprofundamento pelos professores sobre a pedagogia em voga pela SEED, a Pedagogia Histórico – Crítica. Tal inferência nos levou a realização de uma pesquisa com os professores do Curso de Ensino Médio Integrado para melhor esclarecimento sobre os fatos e dados. Abaixo resultado da pesquisa realizada com professores dos colégios que ofertam a educação profissionalizante no Município de Jacarezinho. _________________ 4Atitude, forma, compreensão e habilidade do aluno ir buscar o conhecimento. Resultados e Discussão Incorporação da Pedagogia Histórico Crítica: Prática Conforme já dissemos, aplicamos um questionário com os professores do Ensino Médio integrado (Educação Profissionalizante), dos Colégios Estaduais do Município de Jacarezinho que ofertam a modalidade, são eles, Colégio Estadual Rui Barbosa – E.F.M.P. e Colégio Estadual Luiz Setti - E.F.M.P. Partindo das informações obtidas nos questionários (modelo em anexo) analisamos qualitativamente as respostas e posteriormente expressamos a nossa compreensão conforme informação contida na tabela 1. Como pode ser observado na tabela 1 obtivemos o indicativo de que a maioria dos professores tem dúvida ou desconhecem a afirmativa, de que a proposta da SEED para a Educação Profissional tem como eixo norteador a Pedagogia Histórico-Crítica, o que descaracteriza afirmar que a proposta está sendo incorporada totalmente pelos professores pesquisados., indicando também a necessidade de um trabalho efetivo de conscientização e fundamentação teórica sobre a Pedagogia. Com relação ao conhecimento do professor sobre os pressupostos básicos que norteiam a Pedagogia Histórico-crítica, podemos inferir que não são conhecidos com clareza e novamente salientamos que é necessário um trabalho de conscientização e de capacitação em relação à fundamentação teórica da pedagogia, visando a apropriação da teoria para que haja ligação com a prática da sala de aula, e desse modo, caracterizando o materialismo dialético da Pedagogia Histórico – Crítica. O método materialista histórico-dialético caracteriza-se pelo movimento do pensamento através da materialidade histórica da vida dos homens em sociedade, isto é, trata-se de descobrir (pelo movimento do pensamento) as leis fundamentais que definem a forma organizativa dos homens em sociedade através da história. Este instrumento de reflexão teorico-prática pode estar colocado para que a realidade educacional aparente seja, pelos educadores, superada, buscando-se então a realidade educacional concreta, pensada, compreendida em seus mais diversos e contraditórios aspectos ( Pires,1996). Quando perguntados se a Pedagogia Histórico – Crítica é a junção do método da Pedagogia Tradicional e da Pedagogia da Escola Nova, as respostas foram preocupantes, necessidade da capacitação demonstrando mais uma vez a sobre a referida Pedagogia, não existindo clareza teórica suficiente sobre o entendimento dos pressupostos da proposta de Saviani. Sobre esta reflexão podemos nos remeter a entrevista concedida por Saviani (2007), a Contrapontos, já citada neste ensaio: Contrapontos - Sobre o debate teórico-metodológico atual, o senhor considera que há uma certa hegemonia dentro das concepções que defendem a pós-modernidade, dentro do meio acadêmico? Sobre a pós-modernidade, suas críticas lhe conferem acusações de defesa do ensino tradicional. Há uma defesa declarada do "tradicionalismo" ou há a possibilidade do "aprender a aprender"? A pedagogia-histórico crítica assume uma postura de ruptura? R.: Do ponto de vista teórico-metodológico a hegemonia, hoje, no campo da história da educação pertence, sem dúvida, à corrente denominada de “história cultural”. E essa corrente se situa certamente no clima dominado pela visão dita pós-moderna. Quanto à contraposição entre “tradicionalismo” e “aprender a aprender”, penso que se trata de uma falsa dicotomia que obrigaria a optar por uma ou outra dessas duas correntes pedagógicas. A pedagogia histórico-crítica se contrapõe tanto ao tradicionalismo pedagógico quanto às pedagogias do aprender a aprender. No primeiro caso, porque a visão tradicional não corresponde mais às necessidades pedagógicas da época atual. No segundo, porque, pretendendo atuar rente à atualidade, as pedagogias do aprender a aprender esvaziam o presente de seu conteúdo histórico e, com isso, perdem a perspectiva de futuro. A pedagogia histórico-crítica pretende superar ambas na construção de uma escola que, saturada de historicidade, prepare os jovens de hoje para se inserir ativamente no mundo presente visando transformá-lo tendo em vista a realização de um futuro que corresponda mais plenamente às necessidades humanas. Saviani (2005) escreve que a Pedagogia Histórico – Crítica é o empenho em compreender a questão educacional com base no desenvolvimento histórico objetivo. Acrescenta com muita clareza que o homem não nasce sabendo ser homem, que é preciso aprender, o que implica o trabalho educativo e que a partir dessa consideração o saber que diretamente interessa à educação é aquele que emerge como resultado do processo de aprendizagem, que é resultado do trabalho educativo. Mas para se chegar a esse resultado a educação tem que partir, tem que ter como matéria - prima de sua atividade, o saber objetivo produzido historicamente. Na prática das salas de aula permite-se observar a fragmentação da prática e da teoria, descaracterizando a proposta da SEED que prima pela importância dos conteúdos científicos, o indicativo nos mostra que os professores sabem e conhecem a importância dos conteúdos científicos mas admitem a existência da fragmentação entre a prática e a teoria, mostrando que o método histórico dialético não é usado. Cabe ainda aqui uma reflexão mais profunda incluindo a confusão estabelecida entre a pedagogia Histórico – Crítica ser a junção das Pedagogias Tradicional e Nova. É comum ouvir essa afirmativa em nossa realidade. Os professores têm a visão da queda do ensino, mas não têm uma prática que possa contribuir realmente para a retomada do ensino e suas prioridades de cientificidade. Os resultados obtidos nesta questão podem nos levar a uma reflexão ainda maior sobre qual pedagogia está realmente sendo usada nas escolas. A porcentagem indica que as “Pedagogias do Aprender a Aprender”, estão ainda sendo aplicadas em maior parte, confirmando o que tínhamos como hipótese inicial nesta pesquisa. A afirmativa Ensino é pesquisa, colocada na entrevista, nos fornece mais uma garantia de que a pedagogia do “Aprender a Aprender” ainda está atuante. Segundo Saviani (2006), foi a Escola Nova que dissolveu a diferença entre pesquisa e ensino, sem se dar conta de que assim fazendo, ao mesmo tempo o ensino era empobrecido inviabilizando - se também a pesquisa. “O ensino não é um processo de pesquisa. Querer transformá-lo num processo de pesquisa é artificializá-lo”. Neste sentido, além da percepção do demonstrativo de teoria e prática desajustadas, nossa preocupação é o senso comum na questão da pesquisa científica e do próprio ensino. A teoria e a prática desajustadas são uma realidade na educação, não só nas salas de aula, mas também entre todos os setores que dirigem a educação. Cabe aqui observar uma ligação com a afirmação feita pela coordenação do curso em entrevista neste trabalho: [...] alcançar este objetivo é preciso que os profissionais de educação se debrucem na proposta para que realmente ela se efetive. Há dificuldades de materiais didáticos atuais, e recursos financeiros para uma melhor qualidade. [...] Mas, em linhas gerais, ainda é a falta de uma melhor compreensão do que se é integrar, que só com o tempo é que irá se concretizar. (Garcia, Maria Regina.2007). Para finalizar a pesquisa colocamos uma afirmação de Saviani (2005),: A Pedagogia crítica implica a clareza dos determinantes sociais da educação, a compreensão do grau em que as contradições da sociedade marcam a educação e, consequentemente, como é preciso se posicionar diante dessas contradições e desenredar a educação das visões ambíguas, para perceber claramente qual é a direção que cabe imprimir à questão educacional” Embora a maioria dos entrevistados concorde com o sentido fundamental da pedagogia crítica, na prática da sala de aula percebemos que sua incorporação ainda não aconteceu, a prática tem sido mais em cima das “Pedagogias do Aprender a Aprender”. No seu conjunto, os dados permitem considerar que os professores da educação Profissionalizante do Município de Jacarezinho, dos Colégios estudados precisam de fundamentação teórica para a aplicabilidade da proposta curricular da SEED no curso. Aqui cabe um alerta: só falamos daquilo que conhecemos, teórica e praticamente. Partindo destas idéias, faz-se necessário um trabalho para que a Pedagogia Histórico – Critica não fique somente na esperança de ser trabalhada. É prioritário um trabalho para que ela não se vá com mais uma troca de governo como já aconteceu anteriormente, mas se transforme numa forma pedagógica efetiva de se trabalhar e fazer educação. O homem é tido como ser social e histórico; embora determinado por contextos econômicos, políticos e culturais, é o criador da realidade social e o transformador desses contextos. A educação é vista como uma prática nas formações sociais e resulta de suas determinações econômicas, sociais e políticas faz parte da superestrutura e, junto com outras instâncias culturais, atua na reprodução da ideologia dominante. (Gamboa, 2002). Neste estudo com contexto dialético é fundamental salientar que politicamente nós professores precisamos tomar decisões que sejam calcadas numa realidade social histórica. Não é que não tenhamos competência política. O que nos falta é sem dúvida alguma, a conscientização sobre as políticas educacionais que comandam, mudam e podem voltar sempre que muda um governo no Estado do Paraná. Temos um desafio: definir nossos limites, compreender as causas, buscar explicações, mas prioritariamente, explorar mecanismos políticos de enfrentamento desse tipo de situação. Há que prevalecer o nosso compromisso social com a educação pública de qualidade, formadora de sujeitos historicamente contextualizados. Fica com este estudo a certeza de que as categorias5 que sustentam a Pedagogia Histórico – Crítica, ou seja, o trabalho, categoria ontológica, o homem se humaniza, como ele se humaniza, modifica o meio e produz a cultura. A dialética categoria de totalidade, de visão de conjunto, de história. O materialismo histórico, a práxis, a contradição, a lei da mais valia, são categorias que precisam fazem parte da leitura de mundo dos professores para que haja um entendimento radical sobre a relação do homem com o trabalho, que é por meio dessa relação que se transforma em ser ontológico, que se torna humano e o que cada ciência produz é um conhecimento historicamente produzido, por isso ensinar é dizer para que serve esse conhecimento. Legenda Tabela 1 _______________________ CT = Concordo Totalmente CNT = Concordo não Totalmente ND = Nada a Declarar DNT = Discordo não Totalmente DT = Discordo Totalmente ________________________ ____________________ 5 Estas categorias serão objeto de outro texto, tendo em vista sua importância e extensão. Tabela 1: Porcentagem _________________________________________________ Questã o TOTA L 1 100% 2 3 4 CT 38,00 % 100% 100% 100% 5 100% 6 100% 7 100% 8 100% 9 100% 10 100% 50,91 % 38,00 % 56,00 % 56,00 % 68,00 % 56,00 % 62,00 % CNT 62,00 % 88,00 % 38,00 % 29,09 % 32,00 % 38,00 % 38,00 % 18,00 % 38,00 % 38,00 % ND 12,00 % 12,00 % 10,91 % 12,00 % DT 44,00 % 6,00 % 9,09% 12,00 % 6,00 % 6,00% 6,00% 8,00% ________________________________________________ FonFonte:Tabela elaborada pela autora. DNT 6,00 % 6,00 % __ CONSIDERAÇÕES FINAIS No início deste estudo citamos Saviani (2007), quando afirma que desde o primeiro momento até a atualidade o Brasil não possui um sistema nacional de educação e explicita quatro hipóteses explicativas para fundamentar tal afirmação: 1ª A estrutura da sociedade de classes dificulta uma ação intensiva e coletiva. 2ª A existência de grupos diferentes em conflitos constantes obstaculizando o alcance de objetivos comuns na educação. 3ª O transplante cultural de outros paises interferindo em nossa cultura tornando nossa realidade ignorada. 4ª A insuficiente formação teórica dos educadores o que facilita a adesão a modismos na educação, não é crítica. Hipóteses que deram suporte teórico para esta pesquisa, levando a perceber e a conhecer melhor os percalços da realidade do sistema de ensino e ao mesmo tempo nos instiga a sairmos do comodismo e enfrentarmos com atos a grande dicotomia que existe entre a teoria e a prática no cotidiano das escolas. Pode-se comprovar que a estrutura da sociedade de classes dificulta toda ação coletiva na escola e percebe-se a enormidade de conflitos que não deixam os objetivos serem alcançados. A dificuldade é encontrada tanto com os professores quanto com os alunos. Outro conflito grave é a insuficiente formação teórica dos educadores o que facilita o “aprender a aprender” ou outros modismos pedagógicos. Gostaria que ficasse claro que essa formação teórica deveria acontecer com a capacitação continuada. Conforme determina o art 67 da LDB 9394/96, os sistemas de ensino são obrigados a aperfeiçoarem continuamente seus professores. Um exemplo desta capacitação e está acontecendo no governo do estado do Paraná, por meio do Programa de Desenvolvimento Educacional, PDE. Por mais que se questionem e se angustiem com a situação do ensino os educadores se sentem de mãos atadas, sem ação real frente às salas de aula por inúmeras razões de cunho intelectual, financeiro e tecnológico. Porém, acreditando que o espaço da escola pode e deve se tornar num espaço formativo, torna-se necessário que professores, equipe pedagógica e comunidade construam este espaço, por meio de pesquisas, grupos de estudos, participação em eventos ou em projetos de extensão universitária. Com base nas análises deste ensaio sugerimos que novas pesquisas sejam realizadas e socializadas com a questão do saber-fazer dos docentes, sua competência profissional. Acreditamos que SEED, ao definir uma proposta condizente com um ensino com qualidade, deve trabalhar da mesma forma com os docentes, com a equipe pedagógica e demais envolvidos com o que acontece no chão da escola. É de grande relevância a conscientização política do docente, não sendo apenas de responsabilidade sua a melhoria do ensino público, que, diga-se de passagem, muitas vezes sofre pelo transplante cultural de países com realidades completamente opostas às nossas. É imprescindível o profissional de educação situar-se politicamente no contexto em que atua, pois se tem compreensão de uma teoria tem-se facilidade de incorporá-la e aplicá-la com profissionalismo, com mais acertos que erros, com maior probabilidade de realimentação futura. Em contra - partida, quando não se tem clareza suficiente, a práxis apresenta dicotomia na sua base à teoria e a prática, na prática. O que Saviani (2005), explicita como “prática-teoria-prática”- Pedagogia Histórico – Crítica. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro: 2002. BRASIL. Lei no 9.394, de 20 dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 1996. CRUZ V., Júlio Eduardo (?), Método de Likert de las Tasaciones Sumada [online] [consult 2007. 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