BEZERRA. Maria de Lourdes de Oliveira. Pedagogia Histórico-Crítica.
Para além da necessidade e da teoria. 2007. 28 p. Material Didático
PDE. UEL – Universidade Estadual de Londrina.
RESUMO
Este artigo apresenta um estudo realizado por meio de bases teóricas sobre
a reforma implementada na educação brasileira na década de 90. Refere-se
à questão da incorporação e desenvolvimento do trabalho educativo
mediante a retomada da pedagogia Histórico-crítica no Paraná, Governo
Requião neste início de século, na Educação Profissional, haja vista, que a
escola paranaense ainda tem a predominância das Pedagogias do “Aprender
a Aprender”. Portanto, este estudo tem como objetivo principal refletir como
os professores da Educação Profissional do Município de Jacarezinho estão
incorporando a Pedagogia Histórico-Crítica em sua prática na sala de aula.
Para tanto foram realizadas entrevistas nos dois colégios de Educação
Profissional de Jacarezinho, com o público alvo de professores docentes do
ensino médio e educação profissional.
Palavras chave: Pedagogia Histórico-crítica. Educação Profissional. Prática.
BEZERRA. Maria de Lourdes de Oliveira. Pedagogia Histórico-Crítica.
Para além da necessidade e da teoria. 2007. 28 p. Material Didático
PDE. UEL – Universidade Estadual de Londrina.
RÉSUMÉ
Cete article presente um étudie realisité pour moyen à bases theóriques sur
la reforme mise em oeuvre dans éducation brésilien dans décade à 90. Se
refere à question de la incorporation et développement de travail éducatif
moyennant la reprise de la Pedagogie Historique-Critique dans Paraná
Gouvernement Requião en ce commencement à siècle, dans éducation
profissionnel, ait vu que l’ école parananense encore a la prédominance de
les Pédagogies de “Apprendre la Apprendre”. Donc, cett étudie a comme
objectif principal refléter avec les professeurs de la éducation profissionnel
de Municipe de Jacarezinho être em incorporant la Pedagogie Historique –
Critique en sa pratique dans salle de classe. Pour de telle façon realisiées
entrevues aux deux collégeés de la éducation profissionnel de Jacarezinho,
avec le publique cible de professeurs enseignants do enseignement moyen
et profissionnel.
Mots – Clé: Pedagogie Historique-Critique. Éducation Profissionnel. Pratique.
Pedagogia Histórico-Crítica. Para além da necessidade e da teoria.
Maria de Lourdes de Oliveira Bezerra*
Ângela Galizzi Vieira Gomide*
INTRODUÇÃO
Ao iniciarmos este estudo reflexivo sobre a educação do Paraná é
necessário rever a reforma implementada no âmbito da educação básica
brasileira, a partir de 1990, torna-se pertinente voltarmos o pensamento às
tendências
que
nortearam
nossa
educação até
então,
para
melhor
explicitação didática.
Na opinião de Saviani (2007), em entrevista concedida a Contrapontos,
o autor divide a história da educação brasileira em quatro momentos
distintos sendo o primeiro com a Educação Tradicional Jesuítica, o segundo
momento com a Educação Tradicional Leiga, o terceiro com a Educação Nova
e o último momento com a Educação Reprodutiva.
O autor explicita que desde o primeiro momento até a atualidade o
Brasil não possui um sistema nacional de educação e cita quatro hipóteses
explicativas para fundamentar tal afirmação:
1ª A estrutura da sociedade de classes dificulta uma ação intensiva e
coletiva.
2ª
A
existência
de
grupos
diferentes
em
conflitos
constantes
obstaculizando o alcance de objetivos comuns na educação.
3ª O transplante cultural de outros paises interferindo em nossa cultura
tornando nossa realidade ignorada.
4ª A insuficiente formação teórica dos educadores o que facilita a
adesão a modismos na educação, não é crítica.
Ora, trazendo essa bagagem de percalços na década de 90 com os
governos, Collor e Fernando Henrique Cardoso a educação básica brasileira,
passa por uma reforma política que pretende camuflar toda gama de
interesses capitalistas.
*Professora PDE do Colégio Estadual Luiz Setti-E.F.M.P. de Jacarezinho, Docente das FIO /
Ourinhos, Mestranda em Educação / UEL.
* Professora Mestre Orientadora PDE da UEL. Docente da UEL do Departamento de
Educação. Doutoranda em Educação PUC – Curitiba.
Segundo pesquisas do IBGE (2003), o Brasil com essa política consegue
melhorar o índice de analfabetismo, ou seja, a quantidade de alunos na
escola, mas a qualidade não tem melhoria significativa.
Em junho de 2007, Newton Duarte em palestra no Shopping Contour
em Londrina afirmou que os educadores brasileiros deixaram de ensinar na
década de 90, uma média muito grande de conteúdos científicos e de
raciocínio interpretativo nas escolas, sendo uma das causas desse fato as
pedagogias do “Aprender a Aprender”, como caracteriza Saviani (2007), não
contemplam a perspectiva histórica, vivendo somente a atualidade, o que
não alcança a visão de conjunto, a visão de futuro, estando a serviço do
capitalismo desenfreado e manipulador.
Libâneo (2007), cita que a escola está a serviço da produção
capitalista forçada a atender a todas as mazelas da sociedade, reproduzindo
o consumo exacerbado, o legado da empregabilidade e que há urgência em
medidas políticas e de uma pedagogia que trabalhe a teoria-prática-teoria
promovendo
a
consciência
crítica
real
nas
salas
de
aula
que
indubitavelmente se perdeu nos anos 90 com o neoliberalismo.
Nessa ótica pensamos ser de grande relevância o trabalho com a visão
do materialismo histórico na perspectiva da Pedagogia Histórico – Crítica que
têm o método dialético como pressuposto para que a alienação, o
comodismo desinstale da educação.
Não cabe mais em nosso século uma visão tradicionalista, mas uma
visão com credibilidade científica, com o professor ensinado e o aluno
aprendendo de fato. “É mister abalar as certezas, desautorizar o senso
comum”. (SAVIANI 2007)
Nesta reflexão é imprescindível citarmos a globalização, a nova mola do
capitalismo que interfere consideravelmente na educação. A globalização na
visão de Libâneo (2007),é uma nova roupagem do capitalismo, que adquire
maior força na chamada sociedade do conhecimento¹.
Podemos inferir que se a Educação Brasileira ainda não possui um
Sistema Nacional de Educação,logo o jogo de poder do capitalismo
________________
¹ Atitude idealista, subjetivista, bem a gosto do ambiente ideológico pós moderno. Uma
ilusão que cumpre uma determinada
contemporânea. (Duarte,2006).
função
ideológica
na
sociedade
capitalista
continua sua manipulação.
O que devemos compreender e trabalhar no espaço que temos é que
fazemos parte desse contexto e como tal temos o dever político e
profissional de atuar na transformação dessa realidade e deixar nosso legado
para a Educação brasileira como educadores não só atuantes, mas
pensantes e transformadores.
Daí a importância deste estudo sobre as principais características,
concepções e referenciais teóricos que sustentam a Pedagogia Histórico Crítica
no Estado do Paraná atualmente, numa linguagem simples, com
entrevistas de profissionais envolvidos na escola pública paranaense, o que
caracteriza o processo da metodologia dialética deste ensaio.
O objetivo principal é refletir como os professores da Educação
Profissional do Município de Jacarezinho estão incorporando a Pedagogia
Histórico-Crítica em sua prática na sala de aula.
As entrevistas serão realizadas nos dois colégios de Educação
Profissional do Município de Jacarezinho, com o público alvo de professores
docentes do ensino médio e educação profissional que têm como base em
suas diretrizes curriculares a Pedagogia Histórica – Crítica.
POLÍTICAS EDUCACIONAIS PARANÁ FINAL DO SÉCULO XX.
A passagem da educação escolar brasileira do século XX para o século
XXI foi de descrenças, percalços, defasagens, com um legado de políticas
neoliberais quase em totalidade. Sobre essa questão Libâneo (2007, p.112)
escreve que a escola está a serviço do capitalismo formando cidadão
extremamente consumista, capacitando mão de obra específica para o
produto do capitalismo, para a individualização.
Sabemos por meio de pesquisas e estudos realizados, que a qualidade
da educação é questionável, merecedora de profundas reflexões. Dessa
forma, uma questão problematizadora permanece latente em nossas
reflexões remetendo nosso pensamento às pedagogias do “aprender a
aprender”, especificamente à década de 90, com os governos de Collor,
Fernando Henrique Cardoso e o então ministro da educação, Bresser Pereira,
refere-se aqui à desvalorização e o barateamento dos conteúdos científicos,
e às instituições internacionais Banco Mundial (BIRD); Banco Internacional de
Desenvolvimento ( BID); etc.
O que ocorre comumente com os professores da nossa rede pública é o
total desconhecimento das políticas educacionais que tramitam na educação
brasileira, ou seja, o porquê da instabilidade dos métodos, da pedagogia que
ora é uma, ora é outra.
As políticas educacionais mudam sem maiores explicações para que
evidenciem a teoria e a prática nas salas de aula, muda-se o governo, mudase a pedagogia e o que é pior, a pedagogia não é perenizada, quiçá
entendida pelos professores.
Quando se trata de questões educacionais em que se prioriza “como
se aprende”, reconhecemos uma grande lacuna na história da educação
brasileira, lacuna esta que nos deixa perplexos ante a impotência dos
educadores para amenizar essa situação problemática, ou seja: “como se
aprende”.
O que parece claro é que a preocupação se localiza fortemente nas
questões de avaliação e não na maneira como acontece a construção do
conhecimento, para que se tenha como conseqüência uma produção
avaliativa de boa qualidade.
E ainda mais, se considerarmos a qualidade da educação e dos cursos
de formação de professores, a nossa perplexidade se tornará ainda mais
preocupante.
Educadores afirmam com muita angústia, que se em todas as trocas de
governo mudam as políticas educacionais e conseqüentemente se têm que
“pensar a educação” em termos diferentes, mudando, ou melhor, fingindo
mudar, não se caminha mesmo.
Outra questão que perturba parte do questionamento: Por que é tão
difícil a união da teoria e da prática para que realmente a educação tenha
uma qualidade de ponta na prática social das pessoas? Se pararmos para
uma reflexão também veremos que está ligada às políticas educacionais
ainda neoliberalistas.
O momento incita a necessidade em começar a lutar e relutar pelas
nossas crenças, por aquilo que sabemos por nossa prática, que dá certo, que
acontece e faz da escola um local menos enfadonho, menos reprodutivista.
Mostra também que antes de tudo isso, é preciso saber o que significa
“Qualidade em Educação” (aqui sem a conotação (neo) liberalista, mas a
distinção real entre qualidade x quantidade) para os nossos dirigentes em
relação aos alunos, é urgente perceberem que são brasileiros com realidades
diferentes daquelas que costumam copiar para cumprirem os “contratos”
com os bancos internacionais e a educação dessa maneira continua
pagando... Quais preços? Muitos... Cifras e cifras, e o pior, contas enormes
de valores humanos de nossos meninos que já foram embora.
Portanto, com essa visão, pretende-se fazer uma retrospectiva histórica
da pedagogia que está em voga no atual governo do Estado do Paraná, a
Pedagogia Histórica – crítica, especificamente nos cursos de formação de
professores.
Em 1984 o mesmo governo que ora estava no poder, também tentou
implantar a referida pedagogia (haja vista, a elaboração do Currículo Básico
para a Escola Pública do Paraná, 1999), mas com o advento do governo
Lerner, não conseguiu ser implementada no estado, ficando então a
pedagogia do “aprender a aprender”, desde então.
Características Históricas da Era Lerner – 1995/2002: Nas Políticas
Educacionais do Ensino Médio e Profissionalizante.
Para expor brevemente as características históricas fundamentais do
Governo Lerner, este artigo pretende citar sinteticamente as relações que
envolveram a reforma do ensino médio e profissional no Paraná, explicitando
a relação da reforma educacional do Estado Brasileiro com a reforma
educacional no Paraná, a partir de 1995.
O Programa de Reforma educacional do Estado foi composto por
Projetos/Programas: PQE – Programa de Qualidade no ensino Público
Paranaense; PROEM – Programa de Expansão, Melhoria e Inovação no Ensino
Médio Paranaense.
O Brasil na época era o maior devedor do Sul do continente para o
Banco Mundial , FMI – Fundo Monetário Internacional. Isso posto, pode
perceber a estreita ligação no contexto da reforma em âmbito Nacional e
internacional com os países endividados e exportadores de capital líquido,
devendo muito, principalmente os da América Latina para os países centrais
do capitalismo.
Para subsistir e promoverem a reforma educacional brasileira
aliaram-se a trama mundial financeira subordinando-se ao capital financeiro
internacional suas políticas públicas de âmbito social e especialmente a
educação que em 1998, segundo Libâneo (2007, p.164), contabilizava 2,7
milhões de crianças entre 7 e 14 anos fora da escola.
Foi o que aconteceu com o Brasil nos anos 90 com o Governo Collor de
Mello quando abriu o mercado brasileiro e iniciou a reforma da educação
brasileira. O PROEM e o QPE eram regidos pelo BID e Banco Mundial,
promoveu a especulação e o parasitismo do capital financeiro internacional e
suas alianças reprodutivas e serviçais com as classes dominantes locais,
conforme explica Deitos, 2003, p.103-105:
No campo da educação essas “inovações promissoras” foram
articuladas e desenvolvidas de várias formas e maneiras, através de
incentivo para diretores, programas de “Vale Saber” aos professores
da rede estadual, desenvolvimento de projetos, concurso de gestão da
excelência entre as escolas estaduais, gincanas, feiras culturais e de
equipamentos de informática e livros, cursos de treinamento e
aperfeiçoamento aos professores e demais servidores em várias
modalidades e de diversos conteúdos, que abrangiam desde a revisão
curricular até as assessorias e missões mais pragmáticas e
sistemáticas para determinados setores dirigentes nos diversos níveis
da SEED e de outros setores da estrutura governamental estadual.
Essas medidas produziram segundo o autor, (Deitos, 2003), estratégias
ideológicas, financeiras e institucionais. Esses mecanismos foram chamados
de mecanismos de eficiências gerencial que nada mais são do que processos
coercitivos e ideológicos da produtividade exigidas às empresas no atual
contexto de acumulação do capitalismo.
Foram criadas agências reguladoras e controladoras no estado em
“obediência” à Lei de Responsabilidade Fiscal do governo federal. Na área da
educação
foram
criadas
a
PARANATEC
–
Agência
Paranaense
de
Desenvolvimento do Ensino Técnico e a PARANAEDUCAÇÃO – Agência do
Serviço Social Autônomo. Havia estreita relação nas escolas através dos
diretores e dos convênios com as APMS – Associações de Pais e Mestres,
para o repasse de recursos.
Porém,
como
argumenta
Deitos
2003,
p.110,
dentre
outros
questionamentos: “Como ficam contabilizados os quase 27 milhões de
dólares que estavam previstos e aprovados no orçamento do Estado para
serem investidos como contrapartida local nas ações do Programa”?
O que se sabe realmente é que as ações educacionais e os recursos
destinados ao PROEM nada ou quase nada contribuíram à educação
paranaense no sentido de retorno ao sistema educacional e muito menos
favoreceu a entrada de recursos adicionais para programas educacionais, no
âmbito do ensino médio e profissional (Deitos, 2003).
Por outro lado, deixou o legado de uma pedagogia reprodutora e
produto do capitalismo, uma educação capaz de produzir consumidores e
consumistas ao modelo da sociedade vigente.
Uma das conseqüências significativas foi a extinção do curso de
formação de professores em nível médio pelo programa no Paraná, pois a
preocupação e dinâmica do capital sempre alimentaram e
envolveram a
viabilização especulativa de recursos ao PROEM.
O curso de formação de professores retornou no atual governo, mas hoje
também é realizado em todo país como política educacional do governo
federal, na modalidade denominada educação à distância.
Ora, se temos hoje um déficit tão alto na qualidade da educação como
admitir um curso de formação de professores à distância?
Aqui não se está fazendo apologia contrária a EAD, mas afirmando que a
formação em nível de graduação não deve ser cursada acidentalmente uma
vez por semana, mas, ao contrário, ser intensiva, com características
próprias e presenciais, na qual se questiona, se pensa junto professor e
aluno, e ocorre fundamentação teórica, prática, científica e de práxis
educativa e humana.
Concepção Teórica Relevante Para o Entendimento da Educação
Paranaense Hoje. Pedagogias do “Aprender a Aprender”
Para trabalhar com o este item usaremos os pressupostos encontrados
em Duarte (2006) a fim de melhor compreender o que sejam as pedagogias
que a sociedade capitalista contemporânea adota, e que está dicotomizada
na
Pedagogia
Histórico-crítica
proposta
nas
diretrizes
curriculares
paranaenses.
Conforme o autor, faz parte das pedagogias nomeadas por ele como
“Aprender a Aprender”, o Construtivismo, a Pedagogia das Competências, a
Escola Nova, os estudos na linha do “Professor Reflexivo” etc.
Afirma que o “Aprender a aprender” passa a ser revigorado nos meios
educacionais porque cabe à escola não o passar do conhecimento do saber
objetivo², mas sim de preparar os sujeitos para aprenderem o que a
sociedade precisa que aprendam, não importando sua condição alienada e
alienante nas relações sociais, importando tão somente as relações sociais
essenciais ao capitalismo contemporâneo.
A essência do lema “aprender a aprender” é exatamente o
esvaziamento do trabalho educativo escolar, transformando-o num
processo sem conteúdo. Em última instância o lema “aprender a
aprender” é a expressão, no terreno educacional, da crise cultural da
sociedade atual. (DUARTE, 2006.p..9).
Explicita que a mesma sociedade que prega a individualidade, a
autonomia, a liberdade e a criatividade como seus mais altos valores, opera
nos indivíduos a mais brutal padronização e o mais brutal esvaziamento.
Portanto, pode-se entender segundo os pressupostos do autor que o
lema “aprender a aprender” não é um caminho para a superação do
problema educacional enfrentado atualmente, não forma plenamente os
indivíduos, pelo contrário é um instrumento ideológico da classe dominante
que esvazia a educação escolar que tem como sua clientela a maioria da
população. “A sociedade contemporânea lança as massas não só na miséria
material, mas também na miséria intelectual”. (DUARTE, 2006.p.8).
Alguns questionamentos surgem com este estudo quando se reporta
ao chão da escola: Estamos nessa prática quando pedirmos uma pesquisa
sem
referencial
bibliográfico
adequado?
Quando
trabalhamos
superficialmente um conteúdo e negamos a busca do científico? Quando
deixamos de ensinar para que o aluno corra sozinho em busca seu aprender?
Ou é no momento do conselho de classe que as pedagogias do “aprender a
aprender” ficam impregnadas em nosso ideário de educadores?
São questões difíceis de responder, principalmente porque como vimos o
quadro político social, econômico e educacional é muito confuso e
contraditório em nosso país. Mas precisam urgentemente ser pensadas,
discutidas e colocadas em pauta nos encontros pedagógicos para que
efetivamente ocorram mudanças. Infelizmente, o que acontece em nossas
escolas, é que detectarmos os erros, mas permanecermos sem mudança na
prática pedagógica.
_______________
² Ver Saviani, 2005.ed.9ª p.7,8.
Enfoque Metodológico
A pesquisa evidencia um estudo desenvolvido partindo do seguinte
problema: Como os professores da educação profissional estão incorporando
a concepção pedagógica proposta pela SEED nas diretrizes curriculares
paranaenses.
Consistiu em um estudo dialético para obtenção de dados, por meio de
entrevista e questionários o que propiciou subsídios para analisar as
diferentes respostas apresentadas pelos professores. Segundo Frigotto
(2002), a pesquisa dialética enquanto práxis evidencia que
No processo dialético de conhecimento da realidade, o que importa
fundamentalmente não é a crítica pela crítica, o conhecimento pelo
conhecimento, mas a crítica e o conhecimento crítico para uma prática
que altere e transforme a realidade anterior no plano do conhecimento
plano histórico-social. (Fazenda,org. 2002),
Em termos metodológicos, esta pesquisa se divide em duas etapas. A
primeira, se iniciou com uma entrevista com a Coordenadora da Educação
Profissional do NRE de Jacarezinho, visando entender com maior clareza toda
fundamentação da proposta curricular da SEED e como são repassadas as
informações do mesmo órgão oficial da Pedagogia proposta. Realizamos uma
entrevista aberta e semi estruturada e finalizamos com uma reflexão sobre a
influência da fundamentação teórica da proposta curricular especificada pela
entrevistada sobre a prática pedagógica desenvolvida pelos professores na
sala de aula.
A segunda etapa se caracterizou da seguinte forma: Foi aplicado um
questionário à 50 professores da educação profissional representando uma
amostra
de
76,92%
do
quadro
de
docentes
das
duas
instituições
pesquisadas, Colégio Estadual Rui Barbosa – E.F.M.P. e Colégio Estadual Luiz
Setti - E.F.M.P. Conforme informações levantadas junto ao NRE, com o intuito
de verificar qual a pedagogia utilizada na prática escolar, ou seja, como
estão incorporando a proposta curricular para os Cursos Profissionalizantes.
As questões foram estruturadas e fechadas utilizando a escala de Likert³
de 5 respostas e coletadas por meio de e-mail entregues aos professores no
período de 02 de dezembro de 2007 à 20 de janeiro de 2008.
Pedagogia Histórico - Crítica : Fundamentação da Proposta
Curricular
É inegável que a globalização, a revolução tecnológica e a ideologia do
livre mercado que é o neoliberalismo em nossa época tem acarretando
inevitavelmente o desemprego e a exclusão social.
Frigotto
(1995),
afirma
que
é
necessário
antes
de
disputar
concretamente o controle do progresso técnico, do avanço do conhecimento
e da qualificação, arrancá-lo da esfera privada e da lógica da exclusão e
submetê-lo ao controle democrático da esfera pública, para potencializar a
satisfação das necessidades humanas.
Perante todos os desafios da sociedade contemporânea e para melhor
compreensão segue abaixo um relato da entrevista realizada com a Profª
Maria Regina Garcia, Coordenadora da educação profissional no NRE de
Jacarezinho.
Historicamente,
qual
o
papel
social
que
os
cursos
profissionalizantes, dentre eles o de formação de professores em
nível médio desempenhou na realidade brasileira? Na atualidade,
qual o papel social desses cursos?
No Paraná, a partir de 1983, iniciam-se inúmeros processos de
reformulação Curricular de todos os níveis de ensino, que são concluídas
entre 1989 e 1990 implantadas entre 1990 e 1991, com orientações
completamente adversas às políticas educacionais assumidas durante os
anos de 1980.
______________
³ A escala de Likert apresenta uma série de cinco proposições, das quais o inquirido deve
selecionar uma, podendo esta ser: concorda totalmente, concorda, sem opinião, discorda ou
discorda totalmente. É efetuada uma cotação das respostas que varia de modo consecutivo:
+2, +1, 0, -1, -2 ou utilizando pontuações de 1 a 5. É necessário ter em atenção quando a
proposição é negativa. Nestes casos a pontuação atribuída deverá ser invertida.( CRUZ V.,
Júlio Eduardo (?), Método de Likert de las Tasaciones Sumada [online] [consult
2007.Disponível
http://psicsocial.uniandes.edu.co/investigacion_psicosocial/
LIKERT.HTM
Ou seja, nem bem se conseguiu iniciar o processo de retomada dos
direitos sociais da nação brasileira a serem garantidos pelo setor público,
através do fortalecimento das instituições estatais e dos serviços públicos, já
se ingressou nos “tempos modernos da cidadania do consumidor”, baseada
tão somente nos princípios dos direitos civis, em que ser proprietário é a
maior garantia de acesso aos bens materiais e simbólicos. A educação,
então, como bem material e simbólico, também entra neste rol de ser
considerada como mercadoria e, obviamente, não é mais ofertada como
direito social, mas sim como bem a ser comprado ou doado, com caráter
filantrópico para quem não puder pagar.
Já no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), retratada
com a Lei 9.394/96 e, principalmente com o Decreto 2.208/96, implanta-se
uma concepção de educação cuja marca é a fragmentação calcada num
generalismo oco, sem conteúdo científico, voltado para um desenvolvimento
de atitudes de personalidade. Passamos de um tecnicismo também oco e
superficial no que se refere ao ensino científico e cultural, para um
generalismo eivado no psicologismo individualista batizado de ensino por
competências.
É importante ressaltar ainda que a Educação Infantil (0 a 6 anos)
também foi incluída como componente da Educação Básica na LDB de 1996,
e
a
formação
de
professores,
não
foi
bem
direcionada
para
esta
especificidade, nos cursos Normal seja de nível médio e também nos cursos
de Pedagogia do nível superior, havendo portanto, uma lacuna na formação
de profissionais plenamente qualificados para educarem as crianças de 0 a 6
anos, faixa etária correspondente à Educação Infantil e de responsabilidade
dos municípios.
No Paraná, também ocorre uma mudança radical nos rumos da
Educação, que acompanhou as tendências já mencionadas anteriormente,
no sentido de adequação ao capitalismo de acumulação flexível. Assim, em
outubro de 1996, a SEED/PR ordena o fechamento das matrículas de todos
os cursos profissionalizantes, inclusive do Magistério, portanto, fica
também uma lacuna de oito anos na formação desses profissionais citados
no parágrafo acima.
Com essas questões complexas e abrangentes, mas compreendidas
como fundamentais para discutir a Formação de Professores, a equipe do
Departamento de Educação Profissional, hoje Departamento de Educação e
Trabalho
da
SEED/PR
–
governo
de
Roberto
Requião,
junto
com
representantes de professores da rede e dos técnicos dos demais
Departamentos de Ensino da SEED/PR, retoma em 2003, o debate sobre a
reconfiguração das propostas de Formação de Professores em nível Médio no
Estado do Paraná.
Hoje no Paraná, a política do DET/SEED, se direciona para a retomada
de uma proposta de formação humana muito diferente daquela que orientou
as reformas dos últimos anos. Tanto o MEC como a SEED/PR há um esforço
para recuperar a Ciência, a Tecnologia, a Cultura e o Trabalho como
princípios educativos, este último no sentido gramsciano. Isso implica em
pensar a educação realizada nas instituições públicas como o centro
responsável pela formação humana e profissional dos sujeitos sociais, sendo
este, hoje, o papel social destes cursos.
Nesse sentido, a formação dos professores é uma demanda que a
SEED/PR decidiu enfrentar como uma forma se continuar a história do
compromisso do setor público paranaense com esse profissionais que
precisam ter acesso a essa formação profissional.
Quais os pressupostos filosófico-pedagógicos que norteiam os
cursos profissionalizantes na Educação Paranaense?
As categorias que dão sustentação a esses princípios são: o
trabalho, a ciência e a cultura.
A proposta de currículo dos cursos profissionalizantes em nível Médio,
estão calcados numa visão educacional em que o trabalho é o eixo do
processo educativo porque é através dele que o homem, ao modificar a
natureza, também se modifica numa perspectiva que incorpora a própria
história da formação humana.
Os pressupostos epistemológicos e pedagógicos norteadores cursos
profissionalizantes em nível Médio, no Estado do Paraná são:
•
Concepção do materialismo-histórico dos conceitos: Homem, Ciência e
Educação.
•
Pedagogia histórico-crítica
•
Compreensão da relação entre professor/aluno/conhecimento/trabalho, como
resultado das relações sociais de produção ao longo da história.
Alguns pensadores fundamentais para o embasamento na organização da
proposta deste curso:
•
Karl Marx e F. Engels
•
Gramsci
•
Vygostsky – Luira – Leontiev
•
Dermeval Saviani
•
Acácia Kuenzer - Gaudêncio Frigotto
•
Marise Ramos - Maria Ciavatta.
Tomando como base a Matriz Curricular, como é feita a integração
entre a Base Nacional Comum e a Parte Específica do curso? Quais
os limites para a efetivação desta integração?
A Educação Básica ao ser universalizada, por meio da oferta pública e
gratuita, pela democratização do acesso e garantia de permanência,
ganhará à medida que se integrar com formação profissional de jovens e
adultos. Ao assumir essa integralidade, garantirá possibilidades a todos os
cidadãos e a satisfação da necessidade de um contínuo aprendizado. Nesse
sentido a educação é um direito social básico, universal e fundamental para
a construção de uma nação autônoma, soberana, solidária consigo mesma e
com outras nações.
Ao adotar a integralidade, a Educação Básica estará contribuindo para
uma formação humanística e científica de sujeitos autônomos, críticos,
criativos e protagonistas da cidadania ativa.
O Ensino Médio tem um papel fundamental de lapidar a formação inicial
(do Ensino Fundamental), apontando para um devir, um futuro que todos
teremos que fazer nascer.
Nesse
sentido,
aprofundamento
que
o
os
Ensino
jovens
Médio,
poderão
aponta
as
escolher
possibilidades
ao
longo
de
de
sua
escolarização.
Se pensarmos nos três eixos que tradicionalmente constituem as
trajetórias de formação: o científico, o profissional e o cultural, poderemos
organizar este nível de ensino de forma que os unifiquem por não serem
excludentes no espaço/tempo da escolarização, mas que poderão ser
escolhidos como forma de dedicação mais especializada, que os jovens
poderão seguir futuramente. Ou seja, poderão já no Ensino Médio vislumbrar
uma dedicação maior à compreensão das ciências de base, a uma profissão
como uma forma de conceber a ciência não-desvinculada da técnica e da
tecnologia, e a algumas formas de arte.
No caso do curso Normal, consideramos que encaminhamos os jovens
para a profissão de educador. Portanto, um currículo que possa formá-los
solidamente nos fundamentos das diferentes ciências e artes, especialmente
na ciência da educação.
O currículo não deve ser dicotômico, pois o “fazer e saber sobre o
fazer” deverão ser elementos integrados ao processo de formação dos
alunos. Os saberes disciplinares não poderão ser independentes dos saberes
profissionais.
Ao
ensinar
Química,
Biologia,
Matemática,
Português,
ou
outra
disciplina, os docentes deverão ter presente o compromisso com aqueles
conhecimentos no sentido de que eles serão ensinados pelos futuros
professores das crianças de 0 a 10 anos de idade. Os alunos, por sua vez,
deverão estar comprometidos com o processo de aprendizagem porque
estão se preparando para um trabalho com características especiais – a
educação de crianças.
Integrar conhecimentos:
- científicos (básico para entender o intelectual)
- tecnológicos (é a aplicabilidade)
- sócio-históricos (conhecimentos das áreas, das humanas)
- das linguagens (fundamental de todos as disciplinas, forma de se
expressar)
- de gestão (como se organiza o processo de trabalho)
Não
há
limites,
e
sim
um
comprometimento
profissional
dos
professores para a real efetivação desta integração.
Discuta em linhas gerais, as dificuldades enfrentadas hoje na
concretização da proposta de formação de professores em nível
médio.
Toda mudança gera conflitos e aceitação, e na implantação do curso de
Formação de Docentes de forma integrada não foi diferente. Trata-se de uma
proposta calcada na visão educacional em que o trabalho é o eixo do processo
educativo. Portanto, o trabalho deve ser o centro da formação humana em
todo o Ensino Médio, e para atingir este objetivo foi proposto a forma
integrada ao Ensino Médio que terá como linha mestra as trajetórias de
formação: o científico, o de profissões e o cultural. Dessa forma, os alunos
poderão vislumbrar a compreensão das ciências de base, a uma profissão
como uma forma de conceber a ciência não desvinculada da técnica e da
tecnológica e a algumas formas de arte.
Para alcançar este objetivo é preciso que os profissionais de educação
se debrucem na proposta para que realmente ela se efetive.
Diante disso, foram realizados pela SEED/DET eventos de capacitação
de docentes para que haja esta efetivação.
Há dificuldades de materiais didáticos atuais, e recursos financeiros
para uma melhor qualidade.
Mas, em linhas gerais, ainda é a falta de uma melhor compreensão do
que se é integrar, que só com o tempo é que irá se concretizar. (Garcia,
Maria Regina.2007).
Na verdade, por meio deste estudo pode-se inferir que mesmo com os
eventos de capacitação docente realizados pela SEED, ainda não aconteceu
totalmente
a
conscientização
necessária
para
a
implementação
teórico/prática da Pedagogia Histórico – Crítica.
Tendo em vista as concepções do “Aprender a Aprender”4 e a proposta
da Educação Profissional atualmente, faz-se necessário o aprofundamento
pelos professores sobre a pedagogia em voga pela SEED, a Pedagogia
Histórico – Crítica.
Tal inferência nos levou a realização de uma pesquisa com os
professores do Curso de Ensino Médio Integrado para melhor esclarecimento
sobre os fatos e dados.
Abaixo resultado da pesquisa realizada com professores dos colégios
que ofertam a educação profissionalizante no Município de Jacarezinho.
_________________
4Atitude, forma, compreensão e habilidade do aluno ir buscar o conhecimento.
Resultados e Discussão
Incorporação da Pedagogia Histórico Crítica: Prática
Conforme já dissemos, aplicamos um questionário com os professores
do Ensino Médio integrado (Educação Profissionalizante), dos Colégios
Estaduais do Município de Jacarezinho que ofertam a modalidade, são eles,
Colégio Estadual Rui Barbosa – E.F.M.P. e Colégio Estadual Luiz Setti - E.F.M.P.
Partindo das informações obtidas nos questionários (modelo em anexo)
analisamos qualitativamente as respostas e posteriormente expressamos a
nossa compreensão conforme informação contida na tabela 1.
Como pode ser observado na tabela 1 obtivemos o indicativo de que
a maioria dos professores tem dúvida ou desconhecem a afirmativa, de
que a proposta da SEED para a Educação Profissional tem como eixo
norteador a Pedagogia Histórico-Crítica, o que descaracteriza afirmar que
a
proposta
está
sendo
incorporada
totalmente
pelos
professores
pesquisados., indicando também a necessidade de um trabalho efetivo
de conscientização e fundamentação teórica sobre a Pedagogia.
Com relação ao conhecimento do professor sobre os pressupostos
básicos que norteiam a Pedagogia Histórico-crítica, podemos inferir que
não são conhecidos com clareza e novamente salientamos que é
necessário um trabalho de conscientização e de capacitação em relação
à fundamentação teórica da pedagogia, visando a apropriação da teoria
para que haja ligação com a prática da sala de aula, e desse modo,
caracterizando o materialismo dialético da Pedagogia Histórico – Crítica.
O método materialista histórico-dialético caracteriza-se pelo
movimento do pensamento através da materialidade histórica da
vida dos homens em sociedade, isto é, trata-se de descobrir (pelo
movimento do pensamento) as leis fundamentais que definem a
forma organizativa dos homens em sociedade através da história.
Este instrumento de reflexão teorico-prática pode estar colocado
para que a realidade educacional aparente seja, pelos educadores,
superada, buscando-se então a realidade educacional concreta,
pensada, compreendida em seus mais diversos e contraditórios
aspectos ( Pires,1996).
Quando perguntados se a Pedagogia Histórico – Crítica é a junção do
método da Pedagogia Tradicional e da Pedagogia da Escola Nova, as
respostas
foram
preocupantes,
necessidade da capacitação
demonstrando
mais
uma
vez
a
sobre a referida Pedagogia, não existindo
clareza teórica suficiente sobre o entendimento dos pressupostos da
proposta de Saviani. Sobre esta reflexão podemos nos remeter a
entrevista concedida por Saviani (2007), a Contrapontos, já citada neste
ensaio:
Contrapontos - Sobre o debate teórico-metodológico atual, o
senhor considera que há uma certa hegemonia dentro das
concepções que defendem a pós-modernidade, dentro do meio
acadêmico? Sobre a pós-modernidade, suas críticas lhe conferem
acusações de defesa do ensino tradicional. Há uma defesa
declarada
do
"tradicionalismo"
ou
há
a
possibilidade
do
"aprender a aprender"? A pedagogia-histórico crítica assume
uma postura de ruptura?
R.: Do ponto de vista teórico-metodológico a hegemonia, hoje, no campo
da história da educação pertence, sem dúvida, à corrente denominada de
“história cultural”. E essa corrente se situa certamente no clima
dominado pela visão dita pós-moderna. Quanto à contraposição entre
“tradicionalismo” e “aprender a aprender”, penso que se trata de uma
falsa dicotomia que obrigaria a optar por uma ou outra dessas duas
correntes pedagógicas. A pedagogia histórico-crítica se contrapõe tanto
ao tradicionalismo pedagógico quanto às pedagogias do aprender a
aprender. No primeiro caso, porque a visão tradicional não corresponde
mais às necessidades pedagógicas da época atual. No segundo, porque,
pretendendo atuar rente à atualidade, as pedagogias do aprender a
aprender esvaziam o presente de seu conteúdo histórico e, com isso,
perdem a perspectiva de futuro. A pedagogia histórico-crítica pretende
superar ambas na construção de uma escola que, saturada de
historicidade, prepare os jovens de hoje para se inserir ativamente no
mundo presente visando transformá-lo tendo em vista a realização de um
futuro que corresponda mais plenamente às necessidades humanas.
Saviani (2005) escreve que a Pedagogia Histórico – Crítica
é o
empenho em compreender a questão educacional com base no
desenvolvimento histórico objetivo. Acrescenta com muita clareza que o
homem não nasce sabendo ser homem, que é preciso aprender, o que
implica o trabalho educativo e que a partir dessa consideração o saber
que diretamente interessa à educação é aquele que emerge como
resultado do processo de aprendizagem, que é resultado do trabalho
educativo. Mas para se chegar a esse resultado a educação tem que
partir, tem que ter como matéria - prima de sua atividade, o saber
objetivo produzido historicamente.
Na prática das salas de aula permite-se observar a fragmentação da
prática e da teoria, descaracterizando a proposta da SEED que prima pela
importância dos conteúdos científicos, o indicativo nos mostra que os
professores sabem e conhecem a importância dos conteúdos científicos
mas admitem a existência da fragmentação entre a prática e a teoria,
mostrando que o método histórico dialético não é usado. Cabe ainda aqui
uma reflexão mais profunda incluindo a confusão estabelecida entre a
pedagogia Histórico – Crítica ser a junção das Pedagogias Tradicional e
Nova. É comum ouvir essa afirmativa em nossa realidade.
Os professores têm a visão da queda do ensino, mas não têm uma
prática que possa contribuir realmente para a retomada do ensino e suas
prioridades de cientificidade. Os resultados obtidos nesta questão podem
nos levar a uma reflexão ainda maior sobre qual pedagogia está
realmente sendo usada nas escolas. A porcentagem indica que as
“Pedagogias do Aprender a Aprender”, estão ainda sendo aplicadas em
maior parte, confirmando o que tínhamos como hipótese inicial
nesta
pesquisa.
A afirmativa Ensino é pesquisa, colocada na entrevista, nos fornece
mais uma garantia de que a pedagogia do “Aprender a Aprender” ainda
está atuante. Segundo Saviani (2006), foi a Escola Nova que dissolveu a
diferença entre pesquisa e ensino, sem se dar conta de que assim
fazendo, ao mesmo tempo o ensino era empobrecido inviabilizando - se
também a pesquisa. “O ensino não é um processo de pesquisa. Querer
transformá-lo num processo de pesquisa é artificializá-lo”.
Neste sentido, além da percepção do demonstrativo de teoria e
prática desajustadas, nossa preocupação é o senso comum na questão
da pesquisa científica e do próprio ensino.
A teoria e a prática desajustadas são uma realidade na educação,
não só nas salas de aula, mas também entre todos os setores que
dirigem a educação. Cabe aqui observar uma ligação com a afirmação
feita pela coordenação do curso em entrevista neste trabalho:
[...] alcançar este objetivo é preciso que os profissionais de
educação se debrucem na proposta para que realmente ela se
efetive. Há dificuldades de materiais didáticos atuais, e recursos
financeiros para uma melhor qualidade.
[...] Mas, em linhas gerais, ainda é a falta de uma melhor
compreensão do que se é integrar, que só com o tempo é que irá
se concretizar. (Garcia, Maria Regina.2007).
Para finalizar a pesquisa colocamos uma afirmação de Saviani (2005),:
A Pedagogia crítica implica a clareza dos determinantes sociais da
educação, a compreensão do grau em que as contradições da sociedade
marcam a educação e, consequentemente, como é preciso se posicionar
diante dessas contradições e desenredar a educação das visões ambíguas,
para perceber claramente qual é a direção que cabe imprimir à questão
educacional” Embora a maioria dos entrevistados concorde com o sentido
fundamental da pedagogia crítica, na prática da sala de aula percebemos
que sua incorporação ainda não aconteceu, a prática tem sido mais em
cima das “Pedagogias do Aprender a Aprender”.
No seu conjunto, os dados permitem considerar que os professores da
educação Profissionalizante do Município de Jacarezinho, dos Colégios
estudados precisam de fundamentação teórica para a aplicabilidade da
proposta curricular da SEED no curso. Aqui cabe um alerta: só falamos
daquilo que conhecemos, teórica e praticamente.
Partindo destas idéias, faz-se necessário um trabalho para que a
Pedagogia Histórico – Critica não fique somente na esperança de ser
trabalhada. É prioritário um trabalho para que ela não se vá com mais
uma troca de governo como já aconteceu anteriormente, mas se
transforme numa forma pedagógica efetiva de se trabalhar e fazer
educação.
O homem é tido como ser social e histórico; embora determinado
por contextos econômicos, políticos e culturais, é o criador da
realidade social e o transformador desses contextos. A educação é
vista como uma prática nas formações sociais e resulta de suas
determinações econômicas, sociais e políticas faz parte da
superestrutura e, junto com outras instâncias culturais, atua na
reprodução da ideologia dominante. (Gamboa, 2002).
Neste estudo com contexto dialético é fundamental salientar que
politicamente nós professores precisamos tomar decisões que sejam
calcadas numa realidade social histórica. Não é que não tenhamos
competência política. O que nos falta é sem dúvida alguma, a
conscientização sobre as políticas educacionais que comandam, mudam
e podem voltar sempre que muda um governo no Estado do Paraná.
Temos um desafio: definir nossos limites, compreender as causas, buscar
explicações, mas prioritariamente, explorar mecanismos políticos de
enfrentamento desse tipo de situação. Há que prevalecer o nosso
compromisso social com a educação pública de qualidade, formadora de
sujeitos historicamente contextualizados.
Fica com este estudo a certeza de que as categorias5 que sustentam
a Pedagogia Histórico – Crítica, ou seja, o trabalho, categoria ontológica,
o homem se humaniza, como ele se humaniza, modifica o meio e produz
a cultura.
A dialética categoria de totalidade, de visão de conjunto, de história.
O materialismo histórico, a práxis, a contradição, a lei da mais valia, são
categorias que precisam fazem parte da leitura de mundo dos
professores para que haja um entendimento radical sobre a relação do
homem com o trabalho, que é por meio dessa relação que se transforma
em ser ontológico, que se torna humano e o que cada ciência produz é
um conhecimento historicamente produzido, por isso ensinar é dizer para
que serve esse conhecimento.
Legenda Tabela 1
_______________________
CT = Concordo Totalmente
CNT = Concordo não Totalmente
ND = Nada a Declarar
DNT = Discordo não Totalmente
DT = Discordo Totalmente
________________________
____________________
5 Estas categorias serão objeto de outro texto, tendo em vista sua importância e
extensão.
Tabela 1: Porcentagem
_________________________________________________
Questã
o
TOTA
L
1
100%
2
3
4
CT
38,00
%
100%
100%
100%
5
100%
6
100%
7
100%
8
100%
9
100%
10
100%
50,91
%
38,00
%
56,00
%
56,00
%
68,00
%
56,00
%
62,00
%
CNT
62,00
%
88,00
%
38,00
%
29,09
%
32,00
%
38,00
%
38,00
%
18,00
%
38,00
%
38,00
%
ND
12,00
%
12,00
%
10,91
%
12,00
%
DT
44,00
%
6,00
%
9,09%
12,00
%
6,00
%
6,00%
6,00%
8,00%
________________________________________________
FonFonte:Tabela elaborada pela autora.
DNT
6,00
%
6,00
%
__
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No início deste estudo citamos Saviani (2007), quando afirma que desde
o primeiro momento até a atualidade o Brasil não possui um sistema
nacional de educação e explicita quatro hipóteses explicativas para
fundamentar tal afirmação:
1ª A estrutura da sociedade de classes dificulta uma ação intensiva e
coletiva.
2ª
A
existência
de
grupos
diferentes
em
conflitos
constantes
obstaculizando o alcance de objetivos comuns na educação.
3ª O transplante cultural de outros paises interferindo em nossa cultura
tornando nossa realidade ignorada.
4ª A insuficiente formação teórica dos educadores o que facilita a
adesão a modismos na educação, não é crítica.
Hipóteses que deram suporte teórico para esta pesquisa, levando a
perceber e a conhecer melhor os percalços da realidade do sistema de
ensino e ao mesmo tempo nos instiga a sairmos do comodismo e
enfrentarmos com atos a grande dicotomia que existe entre a teoria e a
prática no cotidiano das escolas.
Pode-se comprovar que a estrutura da sociedade de classes dificulta
toda ação coletiva na escola e percebe-se a enormidade de conflitos que não
deixam os objetivos serem alcançados. A dificuldade é encontrada tanto com
os professores quanto com os alunos.
Outro conflito grave é a insuficiente formação teórica dos educadores o
que facilita o “aprender a aprender” ou outros modismos pedagógicos.
Gostaria que ficasse claro que essa formação teórica deveria acontecer com
a capacitação continuada. Conforme determina o art 67 da LDB 9394/96, os
sistemas de ensino são obrigados a aperfeiçoarem continuamente seus
professores. Um exemplo desta capacitação e está acontecendo no governo
do
estado
do
Paraná,
por
meio
do
Programa
de
Desenvolvimento
Educacional, PDE.
Por mais que se questionem e se angustiem com a situação do ensino os
educadores se sentem de mãos atadas, sem ação real frente às salas de aula
por inúmeras razões de cunho intelectual, financeiro e tecnológico. Porém,
acreditando que o espaço da escola pode e deve se tornar num espaço
formativo, torna-se necessário que professores, equipe pedagógica e
comunidade construam este espaço, por meio de pesquisas, grupos de
estudos, participação em eventos ou em projetos de extensão universitária.
Com base nas análises deste ensaio sugerimos que novas pesquisas
sejam realizadas e socializadas com a questão do saber-fazer dos docentes,
sua competência profissional.
Acreditamos que SEED, ao definir uma proposta condizente com um
ensino com qualidade, deve trabalhar da mesma forma com os docentes,
com a equipe pedagógica e demais envolvidos com o que acontece no chão
da escola. É de grande relevância a conscientização política do docente, não
sendo apenas de responsabilidade sua a melhoria do ensino público, que,
diga-se de passagem, muitas vezes sofre pelo transplante cultural de países
com realidades completamente opostas às nossas.
É imprescindível o profissional de educação situar-se politicamente no
contexto em que atua, pois se tem compreensão de uma teoria tem-se
facilidade de incorporá-la e aplicá-la com profissionalismo, com mais acertos
que erros, com maior probabilidade de realimentação futura.
Em contra - partida, quando não se tem clareza suficiente, a práxis
apresenta dicotomia na sua base à teoria e a prática, na prática. O que
Saviani (2005), explicita como “prática-teoria-prática”- Pedagogia Histórico –
Crítica.
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BEZERRA. Maria de Lourdes de Oliveira. Pedagogia Histórico