FACULDADES INTEGRADAS “ESPÍRITA” ANA PAULA BIANCHINI DE RESENDE VILMA RESENDE ALVES O APRENDIZADO DE UMA VIDA COMEÇA NA PRIMEIRA INFÂNCIA Utilização de Jogos Cooperativos para incentivar e resgatar Valores Curitiba 2008 ANA PAULA BIANCHINI DE RESENDE VILMA RESENDE ALVES O APRENDIZADO DE UMA VIDA COMEÇA NA PRIMEIRA INFÂNCIA Utilização de Jogos Cooperativos para incentivar e resgatar Valores Monografia apresentada às Faculdades Integradas “Espírita”, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista, Lato sensu, no curso de Pós-graduação em Educação em Valores Humanos. Orientadora Profª Msc. Marilice Trentini Oliveira Curitiba 2008 A Deus, pois sem Ele, não poderíamos vivenciar mais esta etapa da nossa trajetória humana, nos proporcionando um crescimento pessoal imensurável. Aos nossos pais Edmur e Yolanda, ao Francisco (esposo da Vilma) pelo esforço, dedicação e companheirismo em todos os momentos desta e de outras caminhadas. Aos nossos filhos por compreenderem quando nossa ausência se fez presente. Aos nossos amigos pelo incentivo, cooperação e apoio. AGRADECIMENTOS Nossos sinceros agradecimentos... ... a todas as Crianças que participaram deste trabalho, crescendo e nos fazendo crescer com suas descobertas. Obrigada por todo o carinho recompensador; ... a Professora Marilice Trentini Oliveira, nossa professora e orientadora, um muito obrigada de forma especial por seu incentivo, seu carinho e por sua amizade. Suas aulas foram lições em muitos sentidos; ... ao Professor Reard Michel dos Santos que nos abriu caminhos nunca antes pensados, além de nos apresentar, na prática, outras possibilidades de ensino – Educar em Valores Humanos; ... a Professora Alessandra Dallin Naldony (Esc. Mun. Foz do Iguaçu) e a Alexandra Grande de Freitas (CMEI São Leonardo), pois sem a ajuda de vocês este trabalho ficaria somente na teoria, ou então teria uma prática dificultada; ... a Fran, Dani e Flávio que mesmo de longe, por caminhos virtuais, nos apoiaram com seu carinho e doces palavras, acrescentando muito a este trabalho e as nossas vidas; ... a Ju, Mari, Gi, Tetê, Carolzinha, Carlão, Mônica, Edi e Wanda por todas as vezes que fizeram parte do “Exército da Salvação”, ficando com as trigêmeas (Ana Flávia, Ana Maria e Ana Beatriz) para que pudéssemos ir às aulas da pós-graduação; ... a todos que de alguma forma participaram deste trabalho, mesmo que indiretamente, nosso muito obrigada, pois todos fazemos parte desta grandiosa teia da vida, assim sendo, mudamos de alguma forma a vida de todos. ”Se não morre aquele que escreve um livro ou planta uma arvore, com mais razão, não morre o educador, que semeia vida e escreve na alma”. Jean Piaget RESUMO O aprendizado de uma vida começa na primeira infância. Fase esta em que somos absorvedores de todos os conhecimentos. Assim sendo, cabe à Educação Infantil despertar nas crianças os conceitos de valores humanos universais, trabalhando o amor e o respeito às pessoas e ao planeta em que vivemos. E tendo como linha mestra da Educação Infantil o brincar, busca-se trabalhar esses valores através dos Jogos Cooperativos (onde o importante é participar), pois para a criança o que importa é brincar, não importa do que. O objetivo da presente pesquisa é incentivar e resgatar os Valores Humanos em crianças de Educação Infantil, suas famílias e comunidade. A aplicação dos Jogos ocorre em duas turmas de Pré, com crianças de 4 a 6 anos, em dois estabelecimentos de Educação Infantil na cidade de Curitiba (Esc. Mun. Foz do Iguaçu e CMEI São Leonardo). Neste processo busca-se a opinião de teóricos da área da Educação Infantil e dos Jogos Cooperativos, bem como de grandes educadores mundiais. Como resultado obteve-se uma nova visão de mundo pelas crianças, onde o bem coletivo deve prevalecer, evitando-se a competição nos grupos. Aos pais e a comunidade apresenta-se esse novo paradigma através de palestras e caminhada pela Paz. Como educadores cabe-nos a importante tarefa de educar as pessoas que viverão neste planeta nos próximos séculos, fazendo com que todos, mesmo sendo indivíduos únicos, sintam-se parte integrante da grande teia da vida. Palavras-chave: Educação Infantil, Valores Humanos, Jogos Cooperativos. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – CAÇA AO TESOURO................................................................. 39 FIGURA 2 – MÍMICA....................................................................................... 40 FIGURA 3 – CONHECENDO O CORPO........................................................ 41 FIGURA 4 – ORGANIZAR A BAGUNÇA......................................................... 42 FIGURA 5 – ORGANIZAR A BAGUNÇA......................................................... 42 FIGURA 6 – CIRCUITO DE NOÇÃO ESPACIAL............................................ 43 FIGURA 7 – CÍRCULO MÁGICO.................................................................... 44 FIGURA 8 – DANÇA DA CADEIRA INVERTIDA............................................ 45 FIGURA 9 – DANÇA DA CADEIRA INVERTIDA............................................ 45 FIGURA 10 – DANÇA DA CADEIRA INVERTIDA.......................................... 46 FIGURA 11 – DANÇA DA CADEIRA INVERTIDA.......................................... 46 FIGURA 12 – DANÇA DA CADEIRA INVERTIDA.......................................... 47 FIGURA 13 – DANÇA DA CADEIRA INVERTIDA.......................................... 47 FIGURA 14 – NÓ HUMANO COM BOLA........................................................ 48 FIGURA 15 – LENÇOLBOL............................................................................. 49 FIGURA 16 – PERCURSO AS CEGAS.......................................................... 50 FIGURA 17 – ABRAÇANDO A SAUDADE...................................................... 51 FIGURA 18 – ABRAÇANDO A SAUDADE...................................................... 51 FIGURA 19 – JOGO DAS VIRTUDES............................................................ 52 FIGURA 20 – JOGO DAS VIRTUDES............................................................ 52 FIGURA 21 – JOGO DAS VIRTUDES............................................................ 53 FIGURA 22 – JOGO DAS VIRTUDES............................................................ 53 FIGURA 23 – JOGO DAS VIRTUDES............................................................ 54 FIGURA 24 – DANÇA DO ABRAÇO............................................................... 55 FIGURA 25 – DANÇA DO ABRAÇO............................................................... 55 FIGURA 26 – DANÇA DO ABRAÇO............................................................... 56 FIGURA 27 – ESTAMOS TODOS NO MESMO SACO................................... 57 FIGURA 28 – ESTAMOS TODOS NO MESMO SACO................................... 57 FIGURA 29 – ESTAMOS TODOS NO MESMO SACO................................... 58 FIGURA 30 – ESTAMOS TODOS NO MESMO SACO................................... 58 FIGURA 31 – ESTAMOS TODOS NO MESMO SACO................................... 59 FIGURA 32 – PLANTANDO UMA IDÉIA DE AMOR....................................... 59 FIGURA 33 – PLANTANDO UMA IDÉIA DE AMOR....................................... 60 FIGURA 34 – PLANTANDO UMA IDÉIA DE AMOR....................................... 60 FIGURA 35 – PLANTANDO UMA IDÉIA DE AMOR....................................... 61 FIGURA 36 – PLANTANDO UMA IDÉIA DE AMOR....................................... 61 FIGURA 37 – SEMEANDO A PAZ.................................................................. 62 FIGURA 38 – SEMEANDO A PAZ.................................................................. 62 FIGURA 39 – SEMEANDO A PAZ.................................................................. 63 FIGURA 40 – SEMEANDO A PAZ.................................................................. 63 FIGURA 41 – SEMEANDO A PAZ.................................................................. 64 FIGURA 42 – SEMEANDO A PAZ.................................................................. 64 FIGURA 43 – SEMEANDO A PAZ.................................................................. 65 FIGURA 44 – SEMEANDO A PAZ.................................................................. 65 FIGURA 45 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 66 FIGURA 46 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 66 FIGURA 47 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 67 FIGURA 48 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 67 FIGURA 49 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 68 FIGURA 50 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 68 FIGURA 51 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 69 FIGURA 52 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 69 FIGURA 53 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 70 FIGURA 54 – CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA...................... 70 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO......................................................................................... 9 2 EDUCAÇÃO INFANTIL........................................................................... 12 2.1 EDUCAÇÃO INFANTIL EM CURITIBA................................................. 17 3 A CRIANÇA............................................................................................. 21 3.1 DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE..................................... 22 3.2 O BRINCAR........................................................................................... 25 3.3 OS JOGOS COOPERATIVOS.............................................................. 31 4 RELATOS DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL......................................................................................................... 39 4.1 JOGOS COOPERATIVOS DE ESQUEMA CORPORAL.......................... 39 4.2 JOGOS COOPERATIVOS DE NOÇÃO ESPACIAL.................................. 41 4.3 JOGOS COOPERATIVOS PARA LATERALIDADE.................................. 49 4.4 ATIVIDADES DIVERSIFICADAS.............................................................. 50 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................... 71 REFERÊNCIAS............................................................................................... 73 ANEXO............................................................................................................ 75 1 INTRODUÇÃO No decorrer da nossa história, enquanto civilização, o homem, principalmente neste século, concentrou-se muito no desenvolvimento da ciência e tecnologia visando melhorar nossas condições de vida material. Porém, visando o conforto exterior, o ser humano foi deixando de lado o seu plano interior, esquecendo que é corpo, mente e espírito. Como questão que norteou esta monografia buscou descobrir se é possível, com a inserção de Jogos Cooperativos na Educação Infantil, incentivar a prática dos Valores Humanos e resgatar os mesmos na comunidade. Com os Jogos Cooperativos incentivamos valores humanos nas crianças, trabalhando-os de forma natural e consciente. Brincando, a criança não apenas se diverte, mas aprende a se relacionar com o próximo, com a família e comunidade onde vive. Sabemos que a Educação é um processo interno, pelo qual a criança atinge progressivamente seu desenvolvimento integral em todas as dimensões do ser humano, aumentando as possibilidades que a natureza, a genética e o ambiente lhe oferecem, estimulando o que ela tem de melhor daquilo que traz em si mesma enriquecendo seu potencial. É evidente que, através da educação, devemos ajudar as crianças a crescerem como pessoas livres, responsáveis, com capacidade crítica, auxiliando-as a formar seu caráter e a aprender a conduzirem-se como cidadãos, através da interiorização dos valores morais e sociais que devem nortear a convivência pacífica do ser humano em sociedade, através de uma educação que invista na formação de valores desde tenra idade que poderemos formar novas gerações que conheçam e compreendam o mundo, comprometendo-se a melhorá-lo dia-a-dia. Trabalhar com valores representa a formação das habilidades, conhecimentos e atitudes necessárias para construir convivência, respeito, autoconhecimento e disciplina. Se estas habilidades, atitudes e conhecimentos, forem desenvolvidas desde a infância, as crianças poderem ir construindo os princípios que fundamentam os direitos humanos e os terão como horizonte para a sua ação e reflexão. A criança irá construir sua moralidade (sentimentos, crenças, juízos e valores) a partir de sua interação com as inúmeras e cotidianas experiências que tem com as pessoas e com as situações. Se quisermos que construa tais valores, ela necessita interagir com situações em que a honestidade, justiça, a tolerância ou o respeito estejam presentes de fato. A formação de valores nessa faixa etária deverá ser organizada de maneira lúdica, onde a formação de hábitos, e realizações de atividades dirigidas a formar valores, deve desenvolver sentimentos e vivências e não somente reforços externos para orientar a conduta. Tanto a Educação Infantil quanto os anos iniciais do Ensino Fundamental são períodos privilegiados para aprendizagem e, se bem criadas e aproveitadas vivências, situações cotidianas, diálogos, sem esquecer a afetividade e a formação de auto-conceito positivo, já seriam um grande passo para potencializar a diminuição das situações de indisciplina e violência em anos posteriores. Como objetivo desta monografia pensou-se em incentivar e resgatar os Valores Humanos em crianças de Educação Infantil, suas famílias e comunidade; apresentar às crianças da Educação Infantil os Valores Humanos Universais através de Jogos Cooperativos; implantar esses Valores na didática e técnicas de ensino em sala de aula e envolver a comunidade escolar na aplicação desses valores em todos os ambientes (CMEI, Escola, Família e Bairro). A monografia foi desenvolvida em dois estabelecimentos de ensino público, em Curitiba: Centro Municipal de Educação Infantil São Leonardo, situado a Rua Padre Jacinto Miensopust, 1200, Jd. Gabineto e Escola Municipal Foz do Iguaçu – Educação Infantil e Ensino Fundamental, situada na Rua João Reffo, 1080, Santa Felicidade, ambos com salas de Pré onde são atendidas crianças entre 4 e 6 anos, bem como seus pais e/ou responsáveis, e funcionários das Unidades. A seguir discorreremos sobre a Educação Infantil, sua prática em Curitiba, bem como a criança, seu desenvolvimento, a importância do brincar e finalmente sobre os jogos cooperativos, visando o desenvolvimento do ser humano na sua forma mais plena, convivendo num mundo igual para todos. 2 EDUCAÇÃO INFANTIL As crianças brasileiras e suas famílias têm conquistado, recentemente, direitos consagrados através da Constituição Federal de 1988, do Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional (Lei 9394-96). O direito à Educação Básica demanda essencial das sociedades democráticas, vem sendo vigorosamente exigida por toda a sociedade do país, como garantia inalienável do exercício da cidadania plena. A conquista da cidadania plena, da qual todos os brasileiros são titulares, supõe, portanto, entre outros aspectos, o acesso à Educação Básica, constituída pela Educação Infantil, Fundamental e Média. A integração da Educação Infantil no âmbito da Educação Básica, como direito das crianças e suas famílias e dever do Estado, é fruto de muitas lutas desenvolvidas especialmente por educadores, que ao longo dos anos transformaram em ação concreta, legalmente legitimada, esta demanda social por educação e cuidado para crianças de 0 a 6 anos. Considera-se como Educação Infantil, no Brasil, o período de vida escolar em que se atende, pedagogicamente crianças com idade entre 0 e 6 anos. Na Educação Infantil as crianças são estimuladas através de atividades lúdicas e jogos, a exercitar suas capacidades motoras, fazer descobertas e iniciar o processo de letramento. No Brasil a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional chama o equipamento educacional que atende crianças de 0 a 3 anos de Creche e o equipamento que atende as crianças de 4 a 6 anos se chama Pré-escola. Recentemente medidas legais modificaram a idade das crianças da Pré-escola, pois alunos com 6 anos de idade devem obrigatoriamente estar matriculados no primeiro ano do Ensino Fundamental. Os dispositivos legais que estabelecem as modificações citadas são os seguintes: - O Projeto de Lei nº 144/2005, aprovado pelo Senado em 25 de janeiro de 2006, estabelece a duração mínima de 9 (nove) anos para o Ensino Fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Essa medida deverá ser implantada até 2010 pelos Municípios, Estados e Distrito Federal. Durante esse período os sistemas de ensino terão prazo para adaptar-se ao novo modelo de Pré-escola, que agora passará a atender crianças de 4 e 5 anos de idade. A mobilização de organizações da sociedade civil, decisões políticas e programas governamentais têm sido meios eficazes de expansão das matrículas e de aumento da consciência social sobre o direito, a importância e a necessidade da Educação Infantil. É preciso analisar separadamente as faixas etárias de 0 a 3 anos e de 4 a 6 anos, porque foram grupos tratados diferentemente, quer nos objetivos, quer por instituições que atuaram nesse campo, sejam públicas ou privadas. A primeira faixa esteve predominantemente sob a égide da assistência social e tinha uma característica mais assistencial como cuidados físicos, saúde, alimentação. Atendia principalmente as crianças cujas mães trabalhavam fora de casa. Grande parte era atendida por instituições filantrópicas e associações comunitárias, que recebiam apoio financeiro e, em alguns casos, orientação pedagógica de algum órgão público, como a antiga LBA. As estatísticas informavam sobre os atendimentos conveniados, não havendo um levantamento completo de quantas crianças estavam freqüentando algum tipo de instituição nessa faixa etária. Estimativas indicavam até alguns anos atrás, um número de 1400000 crianças atendidas na faixa de 0 a 3 anos. A Sinopse Estatística da Educação Básica reuniu dados de 1998 sobre a creche, indicando um atendimento de 381.804 crianças, em idades que variam e menos de 4 a mais de 9 anos. São dados incompletos, mesmo porque só agora as creches começam a registrar-se nos órgãos de cadastro educacional. Qualquer número, no entanto, será uma quantidade muito pequena diante da magnitude do segmento populacional de 0 a 3 anos, constituído de 12 milhões de crianças. Por determinação da LDB, as creches atenderão crianças de 0 a 3 anos, ficando a faixa de 4 a 6 anos para a Pré-escola, e deverão adotar objetivos educacionais, transformando-se em instituições de educação, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais emanadas do Conselho Nacional de Educação. Essa determinação segue a melhor pedagogia, porque é nessa idade, precisamente, que os estímulos educativos têm maior poder de influência sobre a formação da personalidade e o desenvolvimento da criança. Trata-se de um tempo que não pode estar descuidado ou mal orientado. Esse é um dos temas importantes para o Plano Nacional de Educação. Das 219 mil funções docentes, 129 mil são municipais, 17 mil estaduais e 72,8 mil particulares. Em torno de 13 % dos professores possuem apenas o ensino fundamental, completo ou incompleto; 66% são formados em nível médio e 20% já têm o curso superior. De 1987 para 1998 houve aumento do número dos diplomados em nível universitário trabalhando na Educação Infantil (de 20 para 44 mil), elevando o percentual nessa categoria em relação ao total de professores, o que revela uma progressiva melhoria da qualificação docente. Os com ensino médio completo eram 95 mil em 1987 e em 1998 já chegavam a 146 mil. Esses dados são alvissareiros, considerando-se que nos primeiros anos de vida, dada a maleabilidade da criança às interferências do meio social, especialmente da qualidade das experiências educativas, é fundamental que os profissionais sejam altamente qualificados. Nível de formação acadêmica, no entanto, não significa necessariamente habilidade para educar crianças pequenas. Daí porque os cursos de formação de magistério para a Educação Infantil devem ter uma atenção especial à formação humana, à questão de valores e às habilidades específicas para tratar com seres tão abertos ao mundo e tão ávidos de explorar e conhecer como são as crianças. A Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica. Ela estabelece as bases da personalidade humana, da inteligência, da vida emocional, da socialização. As primeiras experiências da vida são as que marcam mais profundamente a pessoa. Quando positivas, tendem a reforçar, ao longo da vida, as atitudes de autoconfiança, de cooperação, solidariedade, responsabilidade. As ciências que se debruçaram sobre a criança nos últimos cinqüenta anos, investigando como se processa o seu desenvolvimento, coincidem em afirmar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento e aprendizagem posteriores. A pedagogia mesmo vem acumulando considerável experiência e reflexão sobre sua prática nesse campo e definindo os procedimentos mais adequados para oferecer às crianças interessantes, desafiantes e enriquecedoras oportunidades de desenvolvimento. A Educação Infantil inaugura a educação da pessoa. Essa educação se dá na família, na comunidade e nas instituições. As instituições de Educação Infantil vêm se tornando cada vez mais necessárias, como complementares à ação da família, o que já foi afirmado pelo mais importante documento internacional de educação, a Declaração Mundial de Educação para Todos (Jomtien, Tailândia, 1990). A Educação Infantil terá um papel cada vez maior na formação integral da pessoa, no desenvolvimento de sua capacidade de aprendizagem e na elevação do nível de inteligência das pessoas, mesmo porque inteligência não é herdada geneticamente nem transmitida pelo ensino, mas construída pela criança a partir do nascimento, na interação social mediante a ação sobre objetos, as circunstâncias e os fatos. Avaliações longitudinais, embora ainda em pequeno número indicam os efeitos positivos da ação educacional nos primeiros anos de vida, em instituições específicas ou em programas de atenção educativa, quer sobre a vida acadêmica posterior, quer sobre outros aspectos da vida social. Há bastante segurança em afirmar que o investimento em Educação Infantil obtém uma taxa de retorno econômico superior a qualquer outro. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, definidas pelo Conselho Nacional de Educação, consoante determina o art. 9º, V da LDB, complementadas pelas normas dos sistemas de ensino dos Estados e Municípios, estabelecem os marcos para a elaboração das propostas pedagógicas para as crianças de 0 a 6 anos. Nesses dez anos de Plano Nacional de Educação, a demanda de Educação Infantil poderá ser atendida com qualidade, beneficiando a toda criança que necessite e cuja família queira ter seus filhos freqüentando uma instituição educacional. Na distribuição de competências referentes à Educação Infantil, tanto a Constituição Federal quanto a LDB são explícitas na co-responsabilidade das três esferas de governo – Municípios, Estado e União – e da família. A articulação com a família visa, mais do que qualquer outra coisa, ao mútuo conhecimento de processos de educação, valores, expectativas, de tal maneira que a educação familiar e a escolar se complementam e se enriqueçam, produzindo aprendizagens coerentes, mais amplas e profundas. Quanto às esferas administrativas, a União e os Estados atuarão subsidiariamente, porém necessariamente, em apoio técnico e financeiro aos Municípios, consoante o art. 30, VI da Constituição Federal. A Educação Infantil não é obrigatória, mas um direito da criança é uma obrigação do Estado (art.208, IV da Constituição Federal). A criança não está obrigada a freqüentar uma instituição de Educação Infantil, mas sempre que sua família deseje ou necessite, o Poder Público tem o dever de atendê-la. Em vista daquele direito e dos efeitos positivos da Educação Infantil sobre o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças, já constatado por muitas pesquisas, o atendimento de qualquer criança num estabelecimento de Educação Infantil é uma das mais sábias estratégias de desenvolvimento humano, de formação da inteligência e da personalidade, com reflexos positivos sobre todo o processo de aprendizagem posterior. Por isso, no mundo inteiro, esse segmento da educação vem crescendo e sendo recomendado por organismos e conferências internacionais. Em nosso País, no que se refere à limitação de meios financeiros e técnicos, este plano propõe que a oferta pública de Educação Infantil conceda prioridade às crianças das famílias de menor renda, situando as instituições de Educação Infantil nas áreas de maior necessidade e nelas concentrando o melhor de seus recursos técnicos e pedagógicos. Deve-se contemplar também, a necessidade do atendimento em tempo integral para as crianças de idades menores, das famílias de renda mais baixa, quando os pais trabalham fora de casa. Essa prioridade não pode, em hipótese alguma, caracterizar a Educação Infantil pública como uma ação pobre para pobres. O que este plano recomenda é uma educação de qualidade prioritariamente para as crianças mais sujeitas à exclusão ou vítimas dela. A expansão que se verifica no atendimento dessas crianças, conduzirá invariavelmente a universalização, transcendendo a questão da renda familiar. 2.1 EDUCAÇÃO INFANTIL EM CURITIBA Nas últimas décadas o atendimento e a educação das crianças entre 0 e 6 anos na rede pública de Curitiba foi estruturada pela área Assistencial e pela área da Educação. Porém em 2003 as ações que eram desenvolvidas por essas duas Secretarias tomaram uma única trajetória sob a responsabilidade da Secretaria Municipal da Educação. A necessidade de atendimento às crianças de 0 a 6 anos foi mencionadas nos Planos de Ação da Rede Municipal de Ensino dos anos de 1968, 1975, 1980 e 1983. Os primeiros Planos de Ação visavam cuidar e educar, baseando-se em atividades de brincadeiras, desenvolvimento de habilidades de coordenação motora e aprendizagem de hábitos e atitudes. O atendimento infantil estava centrado na guarda e, do ponto de vista educativo, objetivava a disciplina da criança para evitar a marginalização futura, evidenciando-se assim a dicotomia dos processos de guarda e educação. Em 1990, após uma década de grandes avanços na área da educação infantil municipal, foi lançada a Proposta de Atendimento a criança de 0 a 6 anos das Creches da Secretaria Municipal da Criança, para orientação do processo educativo nas creches oficiais. Dos cinco objetivos prioritários estabelecidos, destacavam-se três: ampliar o atendimento, afirmar a creche como espaço de educação e desenvolvimento da criança, procurando superar a perspectiva de guarda e cuidados e desenvolver uma visão sócio-educativa com relação às famílias e às comunidades. Reelaborada e publicada em 1994, com fundamentação pautada por contribuições teóricas de Leontiev, Brazelton, Kamii, Elkonin, Lapierre, a Proposta Pedagógica de 0 a 6 anos, destacava-se a perspectiva sócio-histórica de Vygotsky. Nesta proposta percebe-se que os elementos para tecer um processo de educação infantil sempre estiveram presentes na história, apontando na direção de princípios hoje amplamente defendidos. A elaboração de uma proposta voltada ao desenvolvimento infantil com ações educativas e a capacitação dos profissionais evidenciavam o reconhecimento da creche como espaço de educação. O compromisso com o desenvolvimento integral da criança; o papel do educador como referência para a criança e a compreensão da importância da organização do espaço físico no processo educativo, constituem-se em princípios que vêm fundamentando a educação infantil municipal. A partir deste momento, onde creche estava sendo considerada como espaço de educação, exigiu–se capacitação dos profissionais. Foram criadas oportunidades de cursos, encontros e debates com profissionais de várias áreas de trabalho dentro da Educação Infantil, capacitações estas que são feitas constantemente. Em 1996, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no capítulo I, há a consolidação da Educação Infantil como primeira etapa da educação básica, direito de toda criança, determinando a integração das creches e pré-escolas aos respectivos Sistemas de Ensino e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, 1998, fornecem parâmetros para a organização do trabalho com crianças de zero a seis anos. Neste mesmo período foi lançado pelo Ministério da Educação e Cultura o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, contribuindo ainda mais para esta etapa da educação. Inicialmente foi feito a passagem gradativa das turmas de pré-escola (crianças de seis anos) para as Escolas Municipais. Em 2002 teve início o processo de transição para integrar os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) à Secretaria Municipal de Educação, processo este concluído em abril de 2003. Com a integração, pedagogos atuam durante quatro horas diárias nas unidades oficiais de Educação Infantil para a orientação pedagógica dos profissionais que atuam com a criança de zero a seis anos. Também se deu continuidade às discussões sobre a proposta pedagógica, emergindo a necessidade de se estabelecerem diretrizes para o trabalho educativo. As Diretrizes para a Educação Infantil na rede municipal de Curitiba reafirmam o que está disposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e representam a mentalidade dos profissionais que atuam com a criança de zero a seis anos. A dimensão do desenvolvimento da criança, percebida na visão de criança completa, indica um processo educativo que a considere como foco principal, respeitada em suas diferentes linguagens, expressões e capacidade de criação. Cuidar e educar são à base de sustentação do processo educacional da criança nesta primeira fase da vida e essas ações têm peso e importância vitais para a formação humana. Os elementos da Educação Infantil estão voltados ao desenvolvimento, à aquisição de autonomia e ao domínio de vivências essenciais que impulsionam em direção ao conhecimento. Considerar que a linguagem, a socialização, a expressão, o brincar e o movimento são articuladores do desenvolvimento e, portanto, do conhecimento e que estão em direta relação com o meio social, acena para a compreensão de que o processo educativo só se consolida pela interação com outros indivíduos. A interação social embasa o desenvolvimento e a aprendizagem, e é a mediação do adulto nas relações que a criança estabelece com o ambiente em que vive que possibilita a aquisição da experiência cultural. Que propostas podemos fazer para a Educação Infantil hoje, na perspectiva da formação de sujeitos capazes de intervir na realidade de maneira crítica e criativa? Como as instituições de Educação Infantil têm enfrentado as novas relações entre a criança e a sociedade? Essas questões levam-nos a refletir sobre as práticas educativas voltadas para a criança e provocam a necessidade de ressignificar e de reorganizar os espaços educacionais, mais especificamente a creche e a pré=escola, de modo a estruturá-las criticamente diante das transformações sociais que afetam a criança na contemporaneidade. Nem sempre a infância mereceu o lugar de destaque que tem hoje na nossa sociedade. O novo sentimento de infância passa a ver a criança como o futuro da Nação. Compreendida agora como um ser frágil e inocente e ao mesmo tempo imperfeito e irracional, cabe à educação transformar estes seres em homens inteligentes educados. Como as instituições de Educação Infantil concebem e recebem a criança? Vemos a criança como alguém que nos ensina, vamos ao seu encontro, nos abrimos para recebê-la e verdadeiramente escutá-la, ou a olhamos com um dever-ser, isto é, como alguém que deverá enquadrar-se à nossa lógica, seguindo os degraus da escada que cuidadosamente programamos para ela percorrer? Nós nos relacionamos com ela com alguém que possui uma outra verdade, a qual devemos escutar, ou tentamos ao contrário, subjugá-la ao poder de nossos saberes e de nossas práticas como pedagogos, educadores, psicólogos, assistentes sociais, profissionais de saúde? Como pensar uma proposta para a Educação Infantil, que seja capaz de enfrentar as questões que afetam as relações entre a criança e a sociedade, hoje? Não devemos imaginar que seja possível a existência de um modelo único, adequado a todas as crianças e realidades, pois isso será contrário a tudo o que sabemos sobre as diferenças que constituem as crianças, famílias e educadores, fruto de suas diferentes inserções históricas e culturais na sociedade. Podemos e devemos, entretanto, pensar em alguns eixos orientadores da construção de práticas pedagógicas que deverão ser priorizadas, no sentido de garantir às crianças e possibilidade de construírem seus conhecimentos de forma crítica, criativa e consistente. 3 A CRIANÇA A concepção de criança é uma noção historicamente construída e conseqüentemente vem mudando ao longo dos tempos, não se apresentando de forma homogênea nem mesmo no interior de uma mesma sociedade e época. Assim é possível que, por exemplo, em uma mesma cidade existam diferentes maneiras de se considerar as crianças pequenas dependendo da classe social a qual pertencem do grupo étnico do qual fazem parte. Boa parte das crianças pequenas brasileiras enfrentam um cotidiano bastante adverso que as conduz desde muito cedo a precárias condições de vida e ao trabalho infantil, ao abuso e exploração por parte de adultos. Outras crianças são protegidas de todas as maneiras, recebendo de suas famílias e da sociedade em geral todos os cuidados necessários ao seu desenvolvimento. Essa dualidade revela a contradição e conflito de uma sociedade que não resolveu ainda as grandes desigualdades sociais presentes no cotidiano. A criança como todo ser humano, é um sujeito social e histórico faz parte de uma organização familiar que está inserida em uma sociedade, com uma determinada cultura, em um determinado momento histórico. É profundamente marcada pelo meio social em que se desenvolve, mas também o marca. A criança tem na família, biológica ou não, um ponto de referência fundamental, apesar da multiplicidade de interações sociais que estabelece com outras instituições sociais. As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito muito próprio. Nas interações que estabelecem desde cedo com as pessoas que lhe são próximas e com o meio que as circunda, as crianças revelam seu esforço para compreender o mundo em que vivem, as relações contraditórias que presenciam e, por meio das brincadeiras, explicitam as condições de vida a que estão submetidas e seus anseios e desejos. No processo de construção do conhecimento, as crianças se utilizam das mais diferentes linguagens e exercem a capacidade que possuem de terem idéias e hipóteses originais sobre aquilo que buscam desvendar. Nessa perspectiva as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem com as outras pessoas e como o meio em que vivem. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade mas sim fruto de um intenso trabalho de criação, significação e ressignificação. Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e estarem no mundo é o grande desafio da educação infantil e de seus profissionais. Embora os conhecimentos derivados da psicologia, antropologia, sociologia, medicina etc. possam ser de grande valia para desvelar o universo infantil apontando algumas características comuns de ser das crianças, elas permanecem únicas em suas individualidades e diferenças. 3.1 DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE Devemos, desenvolvimento primeiramente, e nos constituição localizar de uma que no processo personalidade, de temos cronologicamente e ontologicamente primeiro o homem em relação ao mundo, ou mesmo, o corpo/consciência em relação à materialidade, aos outros e ao tempo. Esses três elementos estão presentes como constituinte do mundo do qual o Homem faz parte. Segundo Sartre ,1992, “não é em nenhum refúgio que nos descobriremos: é na rua, na cidade, no meio da multidão, coisa entre as coisas, homem entre os homens”. A materialidade constitui-se pelo conjunto de coisas, ou seja, a casa, o carro, as roupas, entre outros objetos que na relação com o homem adquirem um sentido ao mesmo tempo subjetivo e objetivo. Já os outros, são o conjunto de sujeitos, pais, amigos, educadores, colegas... que de alguma forma podem apresentar-se como mediação de ser. O tempo configura-se por meio da relação concreta do homem com o passado, o presente e o futuro. Sendo assim, o homem além de ser um ser social, é passado, é história viva que se materializa no presente a partir de todas as relações que foi estabelecendo. Já o futuro é o espaço para onde o homem se lança, sendo este seu projeto e desejo de ser. O presente é este espaço de tempo, este movimento entre o passado e o futuro. Logo que nasce, o ser humano tem uma consciência indiferenciada, ou seja, não diferencia as coisas e os outros entre si, bem como não se diferencia entre os outros. É através das relações que estabelece e com a mediação dos outros que a criança vai aprendendo a diferenciar-se. Este processo desenvolve a consciência reflexiva que permite aprender as possibilidade e funções das coisas. Desta forma, a personalidade será a resultante de um processo de relações e se constituirá dentro de um contexto material que lhe impõe certos limites e certas possibilidades. Assim, uma pessoa se singularizará, ou seja, constituirá sua personalidade singular, sempre num contexto social, material, de relações concretas. A constituição e o desenvolvimento da personalidade envolvem, então, um processo de socialização, através do qual a criança aprende as suas potencialidades e limites sociais. Aprende a se relacionar com os outros, com as coisas, com seu próprio corpo, a se comportar nos diversos espaços sociais, a entender a organização das coisas. A criança, neste processo, vai adquirindo uma identidade social. Minha idéia de formação é, pois aquela do alcance de um modo de ser, mediante um devir, modo de ser que se caracterizaria por uma qualidade existencial marcada por um máximo possível de emancipação, pela condição de sujeito autônomo. Uma situação de plena humanidade. A educação não é apenas um processo institucional e instrucional, seu lado visível, mas fundamentalmente um investimento formativo do humano, seja na particularidade de relação pedagógica pessoal, seja no âmbito da relação social coletiva. (Severino, 2006, p.2) O contexto escolar com sua organização e estrutura física/material, seus sujeitos e suas correlações de força, seus tempos e espaços pedagógicos, seus conteúdos e formas de ensino, oferecem às crianças determinadas condições. É neste estabelecimento de ensino que a criança passa sua infância e parte de sua juventude, sempre mediada a um processo de socialização. Em qualquer classe o educador sempre se depara com uma diversidade de crianças, estas ainda não possuem uma personalidade constituída, mas viabilizando-se por meio dos processos de socialização, ou mesmo através da inserção e interação da criança nos espaços sociais. Em seguida, a criança passa por um processo de sociologização, onde se demarca o singular dentre o grupo na qual está inserida, se diferenciando dos outros e das coisas. As relações concretas que ocorrem entre os diferentes sujeitos no ambiente escolar são, num primeiro momento, de socialização. Mas, à medida que a criança estabelece vínculos com determinados educadores e colegas, pode avançar para um processo de sociologização e, desta forma, estabelecer relações de mediação, fundamentais no desenvolvimento e constituição da sua personalidade. Segundo Bertolino, 1999, “primeiro o homem existe enquanto corpo/consciência. É depois, ao relacionar-se com o mundo e tudo que o compõe, que vai se essencializando, formando seu Eu, sua Personalidade”. A influência da família no desenvolvimento da personalidade da criança é incontestável, mas e a influência do educador sobre esse desenvolvimento? A criança vai lentamente lutando pela liberdade de sua consciência individual desde a mais tenra idade e, nesta luta, o ambiente escolar exerce um papel fundamental por ser o primeiro local que a criança encontra fora da família. É nele que educadores substituem os pais, os companheiros de sala, os irmãos – isso é inevitável. O educador deve estar consciente deste papel e da sua importância. Deverá entender que sua tarefa não é apenas inserir na cabeça das crianças um número crescente de ensinamentos e sim, antes de tudo, exercer certa influência sobre a personalidade, como um todo. O educador é a ponte mais importante, depois dos pais, da passagem do mundo infantil para o mundo adulto, pois são responsáveis pelo encorajamento ao crescimento e a independência das crianças. O educador deverá, antes de tudo, ser um exemplo. Cidadão que cumpre seus deveres, uma pessoa correta e sadia. O bom exemplo é o melhor método de ensino, uma vez que ocorre espontaneamente e inconscientemente. Diz Jung, 1970, “desde que o relacionamento pessoal entre a criança e o professor seja bom, pouca importância terá se o método didático corresponde ou não às exigências mais modernas”. Sendo assim, é a educação do educador que está sendo observada. É em nós adultos que deve ser iniciada a transformação. 3.2 O BRINCAR Crianças brincam e diante dessa questão, devemos considerar a brincadeira como atividade cultural que deve ser incorporada ao currículo da Educação Infantil. Através das brincadeiras, a criança pode desenvolver algumas capacidades importantes, tais como: a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Ao brincar, as crianças exploram e refletem sobre a realidade, a cultura na qual vivem, incorporando e, ao mesmo tempo, questionando regras e papéis sociais. Podemos dizer que nas brincadeiras as crianças podem ultrapassar a realidade, transformando-a através da imaginação. Embora o jogo de faz-de-conta seja caracterizado pela dimensão imaginária é preciso, segundo Vygotsky, argumentar que, ao lado do desprendimento possibilitado pela imaginação, encontra-se a subordinação às regras impostas pela realidade. A gênese do processo do brincar está naquilo que a criança conhece e vivencia; é com base nessa experiência que a criança reelabora situações de sua vida cotidiana, combina e cria novas realidades, desempenha papéis que vivência no cotidiano (filha) e também papéis que não pode ser (mãe, pai, motorista de ônibus, professora, etc.), papéis que aspira ser (cantora, bombeiro, etc.) e, papéis, que a sociedade condena (ladrão, bêbado, etc.). Refletindo sobre suas relações com esses “outros”, vivenciando esses “outros”, a criança toma consciência de si e do mundo, construindo significados sobre a realidade. A brincadeira deve ser um dos eixos da organização do trabalho pedagógico, sobretudo hoje, quando as crianças vivem tão isoladas em suas moradias e vivenciam tão pouco as brincadeiras coletivas. Na perspectiva histórico-cultural, a incorporação da brincadeira nas práticas pedagógicas significa desenvolver diferentes formas de jogos e brincadeiras que contribuam para inúmeras aprendizagens e para a ampliação da rede de significados construídos pelas crianças. Dentre essas diferentes modalidades de brincadeiras que podem ocorrer na creche e na pré-escola citamos as brincadeiras de faz-de-conta, os jogos de construção e os jogos educativos propiciadores de aprendizagem em diferentes áreas do conhecimento. Segundo Kishimoto, 1993, “se desejarmos formar seres criativos, críticos e aptos para tomar decisões, um dos requisitos é o enriquecimento do cotidiano infantil com a inserção de contos, lendas, brinquedos e brincadeiras.” O brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento e a educação da criança. Brincando, a criança tem oportunidade de exercitar suas funções psico-sociais, experimentar desafios, investigar e conhecer o mundo de maneira natural e espontânea. As crianças, desde os primeiros anos de vida, gastam grande parte de seu tempo brincando, jogando e desempenhando atividades lúdicas. Os adultos têm dificuldades de entender que o brincar e o jogar, para a criança, representam sua razão de viver, onde elas se esquecem de tudo que a cerca e se entregam ao fascínio da brincadeira. Muitos pais consideram que a brincadeira representa um prêmio e não é compreendida como uma necessidade da criança. A criança pode começar a se desinteressar pelas atividades escolares, pois estas representam um empecilho à brincadeira, uma forma de punição. Ao brincar e jogar, diversos aspectos são estimulados, desenvolvidos ou aperfeiçoados: - a criatividade; - a memorização; - a cooperação e solidariedade; - a concentração; - a linguagem; a motivação; - a aquisição de conceitos; - a motricidade; - a capacidade de discriminar, julgar, analisar, tomar decisões e aceitar críticas; - a competitividade; a socialização; - a confiança em si e em suas possibilidades; - o respeito às regras e o controle emocional. Na brincadeira, a criança aprende a agir em uma esfera cognitiva, dependendo de motivações e tendências internas, e não dos incentivos fornecidos pelos objetos externos. (Vygotsky, 1991). Para Kishimoto (2002), ao permitir a ação intencional (afetividade), a construção de representações mentais (cognição), a manipulação de objetos e desempenho de ações sensório-motoras (físico) e as trocas nas interações (social), o jogo contempla várias formas de representação da criança o suas múltiplas inteligências contribuindo para a aprendizagem e o desenvolvimento infantil. Vygotsky estabelece uma relação estreita entre o jogo e a aprendizagem, atribuindo-lhe uma grande importância. Para que possamos melhor compreender essa importância é necessário que recordemos algumas idéias de sua teoria do desenvolvimento cognitivo. A principal é que o desenvolvimento cognitivo resulta da interação entre a criança e as pessoas com quem mantém contato regular. Convém lembrar também que o principal conceito da teoria de Vygotsky é o de Zona de Desenvolvimento Proximal, que ele define como diferença entre o desenvolvimento atual da criança e o nível que atinge quando resolve problemas com auxílio, o que leva à conseqüência de que as crianças podem fazer mais do que conseguiram fazer por si sós. No desenvolvimento a imitação e o ensino desempenham um papel de primeira importância. Põem em evidência as qualidades especificamente humanas do cérebro e conduzem a criança a atingir novos níveis de desenvolvimento. A criança fará amanhã sozinha aquilo que hoje é capaz de fazer em cooperação. Por conseguinte, o único tipo correto de pedagogia é aquele que segue em avanço relativamente ao desenvolvimento e o guia; deve ter por objetivo não as funções maduras, mas as funções em vias de maturação. (Vygotsky, 1979: p.138) De acordo com as concepções de Vygotsky, uma prática pedagógica adequada perpassa não somente por deixar as crianças brincarem, mas, fundamentalmente por ajudar as crianças a brincar, por brincar com as crianças e até mesmo por ensinar as crianças a brincar. O lúdico é, no homem, uma forma global de expressão, envolvendo todos os domínios de sua natureza. As características do jogo (forma mais pura do lúdico) favorecem tanto o gesto de criação como o da transmissão cultural pelos elementos e traços que evoca. Os estudos e as pesquisas das ciências humanas e sociais apontam o lúdico como um domínio a ser desenvolvido tanto quanto o cognitivo, o afetivo, o psicomotor, o político... Como forma de expressão o jogo contém em si componentes dos demais domínios da natureza humana favorecendo além de sua integração, oportunidades de detectar expressões particulares neste ou naquele domínio que as atividades requeiram. Por ser uma atividade livre e descontraída, que envolve ritos e regras próprias, que diverte e ao mesmo tempo exige do jogador uma seriedade em busca do sentido do jogo, o lúdico é uma vivência estimuladora e motivadora do comportamento grupal: exige aprendizagem de conhecimentos, habilidades e normas que acabam se incorporando ao cabedal do sujeito que o utilizará inteligentemente em outras situações. Quando o educador participa ludicamente das atividades que seleciona ou cria, põe-se em igualdade de condições e relacionamentos com os conteúdos culturais, com as habilidades, atitudes e normas do jogo, permitindo uma disciplina autônoma e coparticipativa, que favorece a abertura dos canais de comunicação e das mentes, gerando confiança, crença e autenticidades recíproca entre as pessoas. Essa mediação do educador é um relacionamento que se baseia na tomada de consciência de si (capacidade de decodificar sensações e estruturar percepções em sentimentos), de pertencer (capacidade de sentir-se em relações com o mundo e no mundo) e de optar (liberdade de sentir, pensar e agir, capaz de submeter sua vontade individual a uma vontade coletiva que se expressa por meio de valores e normas). Na Educação Infantil um dos eixos norteadores é o Movimento, pois através dele envolvemos aspectos físicos, intelectuais e sociais. Cuida do indivíduo como um todo, um ser global. É inseparável a aprendizagem motora da cognitiva, pois quando uma está sendo trabalhada, automaticamente a outra está ocorrendo. Portanto, os aspectos cognitivos, afetivos e sociais dessa aprendizagem devem merecer especial atenção do educador. A tarefa educacional não se resume ao mero exercício de ensinar. Ensinar é um meio, não um fim. Para que ensinar está refletido nos objetivos a serem alcançados. O que ensinar sintetiza as necessidades dos alunos. Como ensinar implica em fazer corresponder a ação à intenção pedagógica. (Oliveira, 1983, p. 106) Em contrapartida, Paulo Freire define que: As relações que o homem trava no mundo com o mundo (pessoais, impessoais, corpóreas e incorpóreas) apresentam uma ordem tal que características que as distinguem totalmente dos puros contatos, típicos de outra esfera animal. Entendemos que, para o homem, o mundo é uma realidade objetiva, independente dele, possível de ser conhecida. É fundamental, contudo, partirmos de que o homem, ser de relações e não só de contatos, não apenas está no mundo, mas com o mundo. É pela atividade, a que nos referimos corriqueiramente como brincadeira, que a criança aprende a conhecer a si própria, as pessoas que a cercam, as relações entre as pessoas, os papéis que elas assumem. É através do brincar que ela aprende sobre a natureza, os eventos sociais, a estrutura e a dinâmica interna de seu grupo. É através dele também que ela explora as características dos objetos físicos que a rodeiam e chega a compreender seu funcionamento. Do ponto de vista estrutural, os jogos se caracterizam pela predominância da fantasia infantil, aquilo que nós chamamos de imaginação da criança, ou pela predominância de regras. Os primeiros jogos da criança pertencem à primeira categoria, o que não equivale a dizer que eles não tenham regras nenhuma. Há nestes jogos imaginativos uma ordem interna que podemos considerar como regras, as a predominância, todavia, é da fantasia infantil. Os jogos com predominância de regras envolvem conteúdos e ações preestabelecidas que regularão a atividade da criança. Regras implicam na relação com o outro, na ação com o outro, portanto já existe neste caso, uma intenção de partilhar experiências e de participação em atividades várias. Os jogos no desenvolvimento infantil são, ora desempenhados individualmente, ora em duplas, ora em grupos maiores. Não há regras rígidas. Há momentos em que é funcional para a criança realizar sozinha, em outros é a presença do parceiro que constitui a brincadeira. Piaget diz que “o jogo é essencialmente assimilação, ou assimilação predominando sobre a acomodação”. Diz, ainda, que é “assimilação quase pura, quer dizer, pensamento orientado pela preocupação dominante da satisfação individual”. Partindo de jogos e brincadeiras tratadas de forma recreativa, a criança evolui no domínio de seu corpo, desenvolvendo e aperfeiçoando as suas possibilidades de movimento consciente, conquistando novos espaços, superando suas limitações e encarando novos desafios motores, cognitivos, sociais e afetivos. O brincar é insubstituível como parte integrante da Educação Infantil. Não dar oportunidades à criança para brincar representa impedi-lo de trabalhar com seus impulsos, aprendendo, inclusive, a avaliá-los e controlá-los. O brincar é uma forma de adquirir habilidades e conhecimentos, jogando e brincando a criança aprende as qualidades extrínsecas e intrínsecas dos diversos objetos sobre os quais atua, tais como: sua forma, seu tamanho, sua textura, sua cor, sua semelhança e suas diferenças. É jogando e brincando que a criança descobre e desenvolve a sua criatividade e seu “eu”, podendo assim, estruturar e utilizar a sua personalidade integral. Devido a um conceito generalizado de que nas situações em que a criança atua através de jogos ou brincadeiras, ela não está fazendo ou aprendendo nada, a educação formal faz muito pouco uso dessas estratégias. Tem-se, assim, historicamente formada, uma cisão entre o lúdico e o pedagógico, entre o que é brincadeira e o que é estudo sério. Isso do ponto de vista dos adultos, porque para a criança o brincar é sempre uma atividade séria, na medida em que mobiliza suas possibilidades intelectuais e afetivas com um fim determinado. O brincar possibilita o desenvolvimento integral da criança, já que ela se envolve afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente; tudo isto de uma maneira envolvente, em que a criança despende energia, imagina, constrói normas e cria alternativas para resolver os imprevistos que surgem no ato de brincar. O brinquedo facilita a apreensão da realidade e é muito mais um processo do que um produto. Não é o fim de uma atividade ou o resultado de uma experiência. É, ao mesmo tempo, a atividade e a experiência, envolvendo a participação total do indivíduo. Exige movimentação física, envolvimento emocional, além do desafio mental que provoca. E neste contexto, a criança só, ou com companheiros, integra-se ou volta-se contra o ambiente em que está. O brincar é a essência da infância; é o veículo do crescimento, é um meio extremamente natural que possibilita à criança explorar o mundo, tanto quanto o do adulto, possibilitando-lhe descobrir-se e entender-se, conhecer os seus sentimentos, as suas idéias e a sua forma de reagir. Através da atividade lúdica a criança forma conceitos, seleciona idéias, estabelece relações lógicas, integra percepções, desenvolve e socializa-se. 3.3 OS JOGOS COOPERATIVOS “A competição constrói muros entre as pessoas, a cooperação constrói pontes.” (TIMOR LESTE, Autor desconhecido) Os Jogos Cooperativos nasceram há milhares de anos, quando membros das comunidades tribais se reuniam para celebrar a vida em volta de uma fogueira. Segundo Barreto (2000): Jogos Cooperativos são dinâmicas de grupo que têm por objetivo, em primeiro lugar, despertar a consciência de cooperação, isto é, mostrar que a cooperação é uma alternativa possível e saudável no campo das relações sociais, em segundo lugar, promover efetivamente a cooperação entre as pessoas, na exata media em que os jogos são, eles próprios, experiências cooperativas. Um dos maiores estudiosos do tema jogos cooperativos é, sem dúvida nenhuma, Terry Orlick, da Universidade de Ottawa, no Canadá, que pesquisou a relação entre o jogo e a sociedade. Em 1978, publicou o livro Vencendo a Competição, que serve de referência para qualquer trabalho sobre cooperação. O tema Jogos Cooperativos é muito desafiador e apaixonante, pois sua proposta é integrar a todos fazendo com que se recupere a essência da vida. Ninguém nasceu para ser discriminado nem excluído, e sim para ser feliz junto, tanto no jogo dentro do Estabelecimento de Ensino como no jogo maior, o jogo da vida. Para Barreto (2000), isso acontece quando a criança joga de forma cooperativa: A criança, como todo ser humano precisa de afirmação. Necessita sentir que tem valor, que é capaz. Nossos comentários como educadores podem estimular e apoiar a afirmação ou também podem cair no negativismo. Os Jogos Cooperativos têm como conceito procurar ensinar e aprender a rever nossas experiências e reciclar pensamentos, sentimentos, intenções e emoções para que reconheçamos e valorizemos nosso próprio jeito de jogar e respeitar o dos outros, em seus diferentes modos de ser. E mais, descobrir que jogando com os outros podemos buscar o crescimento do eu dentro de cada um de nós. Esses jogos vêm com a intenção de compartilhar, unir pessoas, despertar a coragem para correr riscos com pouca preocupação com o fracasso e sucesso em si mesmo. Eles reforçam a confiança em si e nos outros,e todos podem participar autenticamente, onde ganhar e perder são apenas referências para o contínuo aperfeiçoamento pessoal e coletivo. (Brotto, 1997, p.16) Dentro dessa visão, podemos concluir o raciocínio que os jogos cooperativos são uma forma de integrar os valores humanos e a convivência dos indivíduos no desenvolvimento de uma aprendizagem, de forma a estar jogando uns com os outros ao invés de uns contra os outros. O texto abaixo mostra claramente o desejo e a necessidade de uma proposta de jogos cooperativos na sociedade atual e principalmente dentro do ambiente escolar. Este texto foi escrito por Rosalba Gómez e tem um grande valor literário, ele foi publicado em Bases, periódico do Movimiento 69, da Universidade Central da Venezuela, em 1989. Como criança, quando brincava com meus primos, aprendi muitas coisas: o menor, o mais lento ou o mais fraco de nós seria sempre o último, que teria de procurar os outros no “esconde-esconde” e que receberia mais boladas no jogo de “caçador”; o mais vivo, o mais esperto de nossos amiguinhos terminaria sempre sendo o primeiro; aquele que chegasse por último ao objetivo seria “burro”, o objeto de todas as zombarias; o mais forte, mais atento e o maior de nós estabeleceria as regras do jogo...Sobretudo, aprendi que era importante ganhar e que perder poderia por a perder toda a diversão. Mas ganhar nem sempre era divertido; significava inveja, revanches e tristezas, porque a alegria de ganhar costuma ser solitária, não compartilhada. Hoje, dou-me conta de que com esses jogos infantis aprendia, ou reforçava, os valores dessa sociedade injusta em que vivemos: a competição, o egoísmo, o individualismo, a agressão. Brincando reproduzíamos o esquema de ganhadores e perdedores, manipuladores e manipulados, opressores e oprimidos. Desde então nos acostumamos a ver a alegria e o triunfo de alguns poucos é possível somente com a tristeza e a derrota de muitos. Que tal então se jogássemos reinventando os jogos, superando o medo do ridículo, fixando-nos no prazer e na alegria, antes do que em quem ganha ou perde, permitindo a participação de todos, para superar com engenhosidade o desafio, porque é importante que todos nós alcancemos a meta. O jogo cooperativo serve para nos libertar da competição; seu objetivo maior é a participação de todos por uma meta comum. A agressão física é totalmente eliminada, cada participante estabelece seu próprio ritmo, todos se enxergam como importantes e necessários dentro do grupo. Aumentando a confiança e a auto-estima tentando superar desafios ou obstáculos, sempre com alegria e motivação. Os padrões comportamentais fluem dos valores que adquirimos enquanto brincamos e jogamos durante a nossa infância, então o modelo a que estamos expostos resultará no modelo que seguiremos no jogo e fora dele; se hoje em dia ainda não enxergamos muitos atos de cooperação significa que as crianças não estão sendo criadas num ambiente que lhes proporcione aprender por meio de experiências que as sensibilizem para a cooperação. A palavrachave para que possamos cooperar é confiar, ou seja, ficar juntos, já que a confiança é a matéria prima da cooperação, Orlick (1989, p. 122) define de forma magistral o que é cooperar quando diz, “a cooperação exige confiança porque, quando alguém escolhe cooperar, conscientemente coloca seu destino parcialmente nas mãos de outros.” Os Jogos Cooperativos são essencialmente divertidos, pois o riso prende a atenção de todos, e assim acontece o envolvimento de corpo e alma. São atividades que tentam por meio dos jogos diminuir as manifestações de agressividade, promovendo boas atitudes, tais como: sensibilização, amizade, cooperação e solidariedade, facilitando o encontro com os outros que jogam, predominando sempre os objetivos coletivos sobre os objetivos individuais. Durante os Jogos Cooperativos podemos perceber com maior clareza a beleza do jogo e explorar sem medo nem receio de ser excluído; desenvolver junto com todos suas habilidades pessoais e interpessoais. É através dos jogos também que enxergamos a nossa capacidade de conviver, e assim incentivamos a participação, a criatividade e a expressão pessoal de cada participante. Nesses jogos competimos com nossos próprios limites e habilidades e não mais contra os outros. De acordo com Carlos Velázquez Callado, em Uma Educação Física para a Paz: uma proposta possível,faz uma distribuição dos objetivos que serão alcançados e ações desenvolvidas em cada eixo de trabalho (eixo pessoal, eixo social e eixo natural (meio ambiente). No eixo pessoal: - Melhorar a auto-estima: objetivo é favorecer que a criança desde o primeiro momento perceba por si mesmo os aspectos positivos de personalidade, suas capacidades, suas potencialidades e principalmente que perceba que suas virtudes são maiores em número e qualidade do que os aspectos negativos. - Conhecimento e aceitação de si mesmo: despertar na criança a reflexão sobre seus atos, tentar entender o porquê reage de uma determinada maneira as determinadas situações, oferecer instrumentos para que perceba suas habilidades e limitações e tente superar suas dificuldades e principalmente se aceitar como é. - Autonomia para tomar decisões e assumir as decisões tomadas: tratase de discutir com as crianças a responsabilidade em suas ações. Para isso é fundamental que a criança primeiramente confie em si própria e em suas possibilidades e em segundo lugar, planejar um série de ações orientadas para que seja a própria criança ou o grupo que se encarregue de tomar as decisões e que se responsabilize pelas sua decisões tomadas. No eixo social: - Aperfeiçoar as relações interpessoais: se queremos que nossas crianças desenvolvam o máximo suas potencialidades é fundamental que durante o período que estão conosco estejam num clima agradável para todos. - Aceitação do outro: tão importante ser aceito dentro de um grupo é aceitar os demais ou o outro independente de sua raça, sexo, classe social, religião, dificuldades motoras ou cognitivas... - Resolução de conflitos por vias não violentas: parte-se da idéia de que o conflito é algo natural e que, por si mesmo, não é negativo se bem orientado. O negativo é recorrer a violência seja qual for ela, para impor nosso próprio critério. Uma resolução não violenta de conflitos requer uma exposição do nosso ponto de vista sobre o problema, escutar a visão da outra pessoa e alcançar um acordo que seja bom para ambos ou para um coletivo. - Conhecimento e valorização de outras culturas: em um processo de convivência sem violência requer aceitar outros pontos de vista, porque existem outras formas de ver as coisas. Neste sentido é importante conhecermos nossa própria história e cultura para valorizar nosso patrimônio cultural. Mas isso não será desculpas para cair no etnocentrismo e pensar que nossa cultura é a melhor e a única possível. Quando compartilhamos informações sobre outras culturas, percebemos com as crianças que as semelhanças entre as diversas culturas são maiores que as suas diferenças. Por isso devemos oferecer condições e oportunidades para que as crianças possam comparar e buscar pontos de coincidências em nossa própria cultura e em outras culturas. No eixo natural (meio ambiente): - Respeito e preservação da natureza: educar para a paz não se resume somente nas relações humanas, mas também na relação do homem com o meio ambiente em que vivemos e nos desenvolvemos. É dentro da família, na sociedade e na escola que devemos proporcionar às nossas crianças uma série de experiências e informações acerca do meio ambiente e a sua importância para a sobrevivência de todos os seres. As crianças precisam entender que preservar o meio ambiente é preservar a espécie humana. Uma das características dos Jogos Cooperativos, diferente do que muitos imaginam, é justamente não ter uma faixa etária específica em cada jogo, mas, a possibilidade de que os jogos podem e devem ser adaptados ao grupo que joga. Então podemos dizer que esse tipo de jogo é para a criança muito pequena e também para adultos de todas as idades. Um fato deve ser observado, quanto mais jovem é o grupo menos competitivo ele é. A criança pequena é muito receptiva aos desafios cooperativos. Até os 4 ou 5 anos, elas não se interessam pelo resultado final, tudo que querem é a diversão que o jogo pode proporcionar. Os Jogos Cooperativos fazem com que as pessoas que jogam possam apreciar tudo que o jogo pode oferecer, pois não tenho que me preocupar com o resultado final, mas sim com todos os momentos do jogo. Devemos abrir um espaço para que a criança possa jogar e discutir valores humanos tais como ganhar, perder, poder, solidariedade, respeito, sucesso, fracasso, ansiedade, rejeição, jogo limpo, aceitação, amizade, cooperação e competição sadia. O Jogo Cooperativo favorece e muito uma tomada de consciência a respeito desses valores, que são essenciais para nossas vidas. A idéia dos Jogos Cooperativos difundiu-se e, hoje, diversas pessoas os desenvolvem aplicando-os à educação, empresas e serviços comunitários. Em alguns países, a proposta está incluída em escolas de diversas metodologias, sendo utilizada como educação preventiva para conter a crescente violência entre os jovens. Orlick, 1989, diz, “devemos trabalhar para que seres humanos confiantes, cooperativos e felizes não se tornem uma espécie ameaçada de extinção.” Muitos valores surgem em situações de cooperação, assim como a amizade, a sensibilidade, a ajuda mútua, a intercomunicação de idéias e o orgulho em pertencer ao grupo. O papel do educador é o de promover esses valores, fazendo com que eles sejam transformados em uma ética cooperativa. O uso do jogo ajuda a criança a se desenvolver em sua parte afetiva, psicológica, social espiritual e motora. Cabe ao educador entender a importância de trabalhar a cooperação, visto que estamos inseridos em uma cultura extremamente competitiva. É ele que deve entender que essa criança que está na Educação Infantil hoje, amanhã será chefe de família, e que se modificarmos seu comportamento hoje no futuro ela também estará modificando outras pessoas. Orlick, 1978, fala um pouco sobre como os jogos cooperativos promovem a interação social: Jogos Cooperativos ajudam a desenvolver capacidades positivas de interação social, de unidade e de confiança mútuas. Eles também ajudam a elevar os sentimentos de auto-estima, felicidade geral e aceitação mútuas. Em jogos cooperativos cada criança é responsável por contribuir com o resultado bem sucedido do jogo e assim eles todos se sentem co-participantes. Este sentimento de co-participação elimina o medo de rejeição e aumenta o desejo de se envolver. Ao final os jogos cooperativos resultam em uma alegria para todos. Falando da importância da cooperação para a espécie humana Orlick (1989, p.118), diz: A sociedade humana tem sobrevivido porque a cooperação de seus membros tornou possível a sobrevivência. A cooperação contínua é talvez mais importante para o homem que para qualquer outra espécie, porque a ação humana tem um efeito direto sobre todas as outras espécies. Não só tem a capacidade de enriquecer ou destruir a si mesmo, como também a todo o ambiente natural. Urge tomarmos consciência da necessidade da cooperação para a própria sobrevivência da espécie humana. Chegará um momento em que ou cooperamos uns com os outros ou então pereceremos todos. É necessário um novo conceito e processo de Educação pela Paz tal como é definida pela UNESCO, em seus Quatro Pilares da Educação. A Educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; e finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. 4 RELATO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 4.1 JOGOS COOPERATIVOS DE ESQUEMA CORPORAL Os jogos que envolvem esquema corporal têm como objetivo levar a criança a conhecer e reconhecer o corpo em atividades carregadas de significado e afetividade. O jogo cooperativo associado ao tema de esquema corporal abre possibilidades para que as crianças possam conversar sobre o corpo, tomar decisões em grupo e principalmente cooperar para atingir os desafios propostos pelos educadores. - CAÇA AO TESOURO Objetivo do jogo: Procurar as peças e montar o corpo conforme as gravuras. Material: revistas, cartolinas, cola e tesoura. Objetivo da atividade: Cooperar com os colegas ma busca das peças e na montagem do quebra cabeça; Conhecer e reconhecer as partes do corpo e as características das peças para formar a gravura do corpo. FIGURA 1: Caça ao tesouro: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. - MÍMICA Objetivo do jogo: imitar as posições corporais conforme as gravuras mostradas pelos educadores. Objetivo em relação ao esquema corporal – reconhecer a posição do corpo e adequar à posição correta. Material: Recorte de revistas FIGURA 2: Mímica: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. - CONHECENDO O CORPO: Cada criança individualmente deverá desenhar uma parte do corpo que foi orientada pelo educador numa folha de papel escolhida pelo aluno (O educador deixará à escolha folhas de diferentes tamanhos). Após terem desenhado, os alunos irão montar um corpo humano diferente (ficará com aparência estranha porque os alunos fizeram o desenho individualmente sem olhar o desenho dos amigos). Num segundo momento, explicado que o resultado é estranho, os alunos irão montar a um corpo mais harmonioso. Objetivo do esquema corporal: Reconhecer que o corpo não é um amontoado de partes e sim um conjunto, e que cada parte é importante no todo. Objetivo do jogo cooperativo: Cooperar na montagem tanto da 1º fase como na 2º fase. FIGURA 3: Conhecendo o corpo: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. 4.2 JOGOS COOPERATIVOS DE NOÇÃO ESPACIAL Os jogos que envolvem a noção espacial são jogos que associam a identificação e o reconhecimento do espaço, tendo como referência o seu corpo com reconhecimento de distâncias, pesos, medidas, tamanhos, formas, seriação, dentro e fora, em cima e em baixo. Os jogos cooperativos associados ao reconhecimento do espaço favorecem o pensar junto à experimentação e principalmente a cooperação. - ORGANIZAR A BAGUNÇA: Os alunos deverão procurar diferentes objetos com diferentes características e em seguida classificá-los em ordem de peso e tamanho. Objetivo do jogo: Procurar em grupo peças e objetos e ajudar os colegas na identificação e na classificação. FIGURA 4: Organizar a bagunça: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. FIGURA 5: Organizar a bagunça: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. - CIRCUITO DE NOÇÃO ESPACIAL: 1º fase: adequar o seu corpo conforme o espaço elaborado pelos educadores com diferentes objetos; 2º fase: Reorganizar o circuito junto com os colegas visando um melhor reconhecimento dos materiais para passar no circuito novamente. Objetivo cooperativo: Cooperar com os colegas na reconstrução do circuito. Material: Caixas, banco sueco, cordas carteiras, cadeiras... FIGURA 6: Circuito de noção espacial: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. - CÍRCULO MÁGICO: desenhar um círculo grande no chão sobre o qual as crianças deverão ficar de pé e em cima e de mãos dadas. O educador contará uma história onde terão as palavras dentro e fora, em cima e em baixo e todas as crianças deverão juntas entrar ou sair do círculo, ou ficar em pé ou abaixadas. Objetivo da noção espacial: realizar o movimento por meio da história contada pelo educador. Objetivo cooperativo: todos devem se ajudar para conseguirem o objetivo coletivo. FIGURA 7: Círculo mágico: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. - DANÇA DA CADEIRA INVERTIDA Colocar em círculo um número de cadeiras menor que a metade do número de participantes. Em seguida propor o objetivo comum: terminar o jogo com todos os participantes sentados nas cadeiras que sobrarem. Colocar música para todos dançarem. Quando a música parar, TODOS devem sentar usando as cadeiras (e os colos uns dos outros). Em seguida o educador tira uma ou duas cadeiras (e assim sucessivamente). Ninguém sai do jogo e a dança continua até nova parada (e assim por diante). Os educandos vão percebendo que podem se liberar dos velhos, desnecessários e bloqueadores "padrões competitivos". À medida que se desprendem dos antigos hábitos, passam a resgatar e fortalecer a expressão do "potencial cooperativo" de jogar e viver. O jogo prossegue até restar uma cadeira, ou mesmo sem cadeira (vai até onde o grupo desejar). FIGURA 8: Dança da cadeira invertida: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. FIGURA 9: Dança da cadeira invertida: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. FIGURA 10: Dança da cadeira invertida: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. FIGURA 11: Dança da cadeira invertida: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 12: Dança da cadeira invertida: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 13: Dança da cadeira invertida: CMEI São Leonardo . Fonte: RESENDE, A.P.B. - NÓ HUMANO COM BOLAS: Todos formam um círculo e dão as mãos entrelaçadas e embaralhadas com os colegas da frente, em seguida o educador coloca uma bola e o objetivo é que os alunos carreguem essa bola a um lugar pré-determinado sem deixar que a bola caia no chão. Objetivo cooperativo: Ficar junto com os colegas e ajudando para que nenhuma bola caia no chão. FIGURA 14: Nó humano com bola: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. - LENÇOLBOL: As crianças deverão segurar uma ponta do lençol e esticá-lo, e em seguida, com uma bola sobre o lençol deverão mantê-la em cima do mesmo equilibrando-a com a ajuda de todos. . Objetivo: equilíbrio, coordenação e força para manter o lençol esticado. Objetivo cooperativo: cooperar na manipulação do lençol e não deixar a bola cair. Material: lençol e bola FIGURA 15: Lençolbol: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. 4.3 JOGOS COOPERATIVOS PARA LATERALIDADE São jogos que visam o conhecimento dos lados pares do corpo, como direita e esquerda. Por ser uma conduta neuro-motora, necessita de atenção do aluno no momento da execução da atividade para não seja apenas a repetição do gesto, mas sim a consciência no reconhecimento dos lados. Os jogos cooperativos associados à lateralidade têm como objetivo levar os colegas a ajudarem uns aos outros nas atividades propostas. - PERCURSO ÀS CEGAS: Divide-se a turma em quatro grupos, onde um colega estará de um lado da quadra vendado e os demais estarão do outro e irão ajudar o colega vendado de sua equipe a chegar a um local predeterminado. Essa ajuda deve ser com comando de direção, por exemplo: à direita, à esquerda, dois passos à frente, etc. No percurso haverá vários objetos que não podem ser tocados pelos alunos vendados. Objetivo cooperativo: Ajudar o colega na travessia somente com palavras na orientação. FIGURA 16: Percurso às cegas: Esc. Mun. Foz do Iguaçu Fonte: ALVES, V.R. 4.4 ATIVIDADES DIVERSIFICADAS - ABRAÇANDO A SAUDADE: crianças sentadas em círculo, o educador explica sobre sentimentos que temos, e que a saudade é um deles. E passa a bola para as crianças pedindo a elas que dêem um abraço na bola, imaginando que a bola é o objeto (pessoa) que a criança tem saudade. Objetivo da atividade: reconhecer sentimentos e expressá-los. FIGURA 17: Abraçando a saudade: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 18: Abraçando a saudade: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. - JOGO DAS VIRTUDES: com as crianças dispostas em círculo o educador explana sobre o que são virtudes, o que são defeitos e que sempre devemos valorizar o que as pessoas têm de bom. Utilizando a bola como disparador, a criança deverá lançar a bola ao alto falando o nome de um colega e uma qualidade que ele possua. Objetivo do jogo: despertar as virtudes entre os colegas. FIGURA 19: Jogo das virtudes: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 20: Jogo das virtudes: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 21: Jogo das virtudes: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 22: Jogo das virtudes: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 23: Jogo das virtudes: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. - DANÇA DO ABRAÇO: nesta atividade as crianças cantam a música Dança do Abraço e realizam os gestos sugeridos pela mesma. Levantar um braço, levantar o outro, Fazer bamboleio e mexer o pescoço. Olhar para o teto, olhar pro sapato, Escolher um amigo e dar um abraço... Objetivo da atividade: estimular o toque entre as crianças, mostrando que abraçar é algo bom e pode ser feito entre todos. FIGURA 24: Dança do Abraço: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 25: Dança do Abraço: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 26: Dança do Abraço: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. - ESTAMOS TODOS NO MESMO SACO: Este jogo facilita a vivência de valores e o surgimento de questões bem interessantes como: desafio comum: percepção clara de interdependência na busca do sucesso; trabalho em equipe: a importância de equilibrarmos nossas ações e harmonizarmos o ritmo do grupo; comunicação: importância do diálogo na escolha da melhor estratégia para continuar jogando, respeito: pelas diferenças possíveis de encontrarmos em um grupo como: tipo físico, idade e diferença de opiniões; persistência: na afinação do grupo e na importância de manter o foco no objetivo. Objetivo do Jogo: As crianças, em duplas, deverão percorrer um determinado caminho juntos dentro de um saco (fronha) até atingir um local determinado pelo educador. Cada criança deverá permanecer com uma perna somente dentro do saco. Material: sacos de tecido ou fronhas. . FIGURA 27: Estamos todos no mesmo saco: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 28: Estamos todos no mesmo saco: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 29: Estamos todos no mesmo saco: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 30: Estamos todos no mesmo saco: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 31: Estamos todos no mesmo saco: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. - PLANTANDO UMA IDÉIA DE AMOR: em momento de roda de conversa foi falado às crianças a importância da preservação do meio ambiente e surgiu a idéia da plantação de flores do lado externo da Unidade de Ensino. Objetivo da atividade: mostrar às crianças que todos os seres precisam de cuidado e que se fizermos nossa parte o mundo ficará melhor e mais bonito. FIGURA 32: Plantando uma idéia de Amor: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 33: Plantando uma idéia de Amor: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 34: Plantando uma idéia de Amor: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 35: Plantando uma idéia de Amor: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 36: Plantando uma idéia de Amor: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. - SEMEANDO A PAZ: realização de caminhada pela comunidade. As crianças tinham em suas mãos balões de gás brancos, com mensagens depositadas dentro dos balões. Os mesmos foram entregues às pessoas da comunidade (pedestres, Unidade de Saúde, nas casas, no Mercado). Ao entregar o balão a criança desejava à pessoa que ela fosse muito feliz e que fizesse outras pessoas felizes também. FIGURA 37: Semeando a Paz: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 38: Semeando a Paz: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 39: Semeando a Paz: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 40: Semeando a Paz: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 41: Semeando a Paz: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 42: Semeando a Paz: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 43 Semeando a Paz: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 44: Semeando a Paz: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. - CUIDANDO DO NOSSO PEQUENO PLANETA: foi solicitado às crianças que trouxessem materiais recicláveis; separação seletiva do material recebido e confecção de “brinquedos” e “móveis” (puff e mesinha) com os recicláveis. FIGURA 45: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 46: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 47: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 48: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 49: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 50: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 51: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 52: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 53: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. FIGURA 54: Cuidando do nosso pequeno Planeta: CMEI São Leonardo Fonte: RESENDE, A.P.B. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final da pesquisa conclui-se que, educar não é uma tarefa fácil e simples, educar uma criança é muito mais do que apenas dizer sim e não, dizer certo ou errado. Educar é uma responsabilidade dos pais, da família, bem como, da escola, dos educadores/professores e também da sociedade em que a criança vive, sendo este, um processo progressivo e de um trabalho conjunto que irá estabelecer as bases da personalidade humana, da inteligência e da vida emocional de cada criança. É sem duvida, que através da educação, nós, educadores e professores, temos um papel importante, depois dos pais, de ajudar a criança a crescer como pessoa livre, responsável, com capacidade critica, auxiliando-a a formar seu caráter e aprender a agir como cidadão. Incentivar e resgatar os Valores Humanos em crianças da Educação infantil, de fato, foi uma idéia de sucesso. Através de jogos cooperativos e implantação desses valores na didática e técnicas de ensino conseguimos trazer para a sala de aula alternativas para estimular e desenvolver aspectos como: a criatividade, a memorização, a cooperação e solidariedade, concentração, motivação, motricidade, competitividade, socialização, confiança em si, respeito às regras e também o controle emocional. Na aplicação prática desse projeto, conseguimos através de jogos e brincadeiras integrar os valores humanos e a convivência dos alunos no desenvolvimento de uma aprendizagem, de forma a estar jogando uns com os outros ao invés de uns contra os outros. Foi possível também, ver claramente como podemos usar nossa criatividade para educar melhor nossas crianças/alunos. Basta ter força de vontade, ser criativo e trazer de dentro de você o seu lado criança, deixar se envolver e não desanimar diante dos desafios. Esse novo método de educar com certeza fará muita diferença para as crianças no futuro, pois ensinar é um meio, não um fim. A criança é a coluna viva do que há de vir. Avançará com as características que lhe facilitamos. Crescerá com a retidão ou com as sinuosidades que lhe traçamos ao desenvolvimento. Desenvolverá depois o que está recebendo agora. REFERÊNCIAS BARRETO, A. V. B. Jogos (Cooperativos) e Sociedade. Disponível em www.cooperando.com.br/artigos1.htm. Acesso em 23 de mai. de 2008. BERTOLINO, Pedro. Modelo antropológico de desenvolvimento e constituição da personalidade singular/universal. Florianópolis: Mimeo, 1999. BRASIL. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996. BROTTO, F. O. Jogos Cooperativos: se o importante é competir, o fundamental é cooperar. São Paulo: Cepeusp, 1995/Santos: Projeto Cooperação, Ed. Re-novada, 1997. DELORS, J. Educação: Um tesouro a descobrir. – 10.ed. – São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2006. FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. FRIEDMANN, A. Brincar: crescer e aprender – o resgate do jogo infantil. São Paulo: Moderna, 1996. JUNG, C. G. Arquétipos e Inconsciente Coletivo. Traduzido por Murmis, M. Buenos Aires: Paidós, 1970. KISHIMOTO, T. M. Jogos tradicionais infantis. São Paulo: Vozes, 1993. KISHIMOTO, T. M. O brincar e suas teorias. 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ANEXO Autorização para uso da imagem e voz Eu, ___________________, portador (a) do RG nº ______________, residente e domiciliado (a) nesta Capital, na rua ______________________, nº ___, na qualidade de responsável legal de _________________________, regularmente matriculado (a) neste Estabelecimento de Ensino, autorizo a utilização e divulgação de sua imagem e voz pela Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, bem como por seus educadores, que poderá ser divulgada e vinculada em TV aberta, TV a cabo, jornal impresso, CD, DVD e internet, para fins institucionais e educacionais. Curitiba, ____ de _____________ de _______. _____________________________ Assinatura do Responsável Legal