GAZETA IMPERIAL Jornal editado pelo Instituto Brasil Imperial Janeiro de 2015 Ano XVIII Número 228 www.brasilimperial.org.br Por um Novo Brasil 2 Palavra do Presidente "SUGERIMOS A LEITURA DO ARTIGO A CLEPTOCRACIA COMO FORMA DE GOVERNO PUBLICADO NESTA EDIÇÃO", IDENTIFIQUE NO ARTIGO AS SEMELHANÇAS COM O ATUAL SISTEMA DE GOVERNO. Vemos neste artigo todas as semelhanças com o sistema de governo brasileiro e, o que é pior não é mera coincidência, está acontecendo literalmente, infelizmente estamos assistindo os fatos que estão levando a nação brasileira à falência, e não conseguimos enxergar ninguém, salvo uns poucos patriotas, que se digne como patriota e voluntário a trabalhar para mudarmos esta situação. Vemos muitos se manifestarem pedindo mudanças, mas infelizmente esses mesmo, nada fazem, alem disso, para que as mudanças aconteçam; acreditam que simplesmente postando no facebook, ou enviando um e-mail já fizeram a sua parte. Fizeram sim, e até acreditam que a sua parte está feita, os outros, que se mecham e promovam o que for necessário para que as mudanças aconteçam, esquecendo-se que os outros estão pensando do mesmo modo. É hora do mudar essa realidade, não podemos mais esperar que o nosso vizinho tome a frente em nosso lugar, é chegada a hora de assumirmos o nosso papel de ator no teatro político brasileiro, é hora de fazermos acontecer, e não esperarmos que o os outros o façam por nós. Se queremos uma sociedade livre e de bons costumes, uma vida saudável como aquela que encontramos nos países colocados pelo Ranking do IDH entre os trinta primeiros do mundo, temos de assumir a liderança e fazer acontecer, para no mínimo colocar o "Nosso Amado Brasil" entre os 10 primeiro colocados. Tem certas lideranças que sugerem que seus simpatizantes não participem de partidos políticos, mas essa mesmas lideranças nada fazem para tomar a frente e liderar os seus simpatizantes a fazer acontecer os seus sonhos. Precisamos de um verdadeiro líder que prove o seu amor pelo Brasil, e que não viva do passado e dos feitos dos seus antepassados, que tenha um projeto de um futuro próximo, e que se disponha a nos liderar, e que vencida a batalha seja aclamado pelo povo, como o fez dom Afonso Henriques que lutou contra a sua mãe que tinha favoritismo pelos nobres galegos e a indiferença para com os fidalgos e eclesiásticos portucalenses que originou a revolta que este liderou. D. Afonso Henriques armou-se cavaleiro em 1122 e em 1128 venceu a batalha de São Mamede contra as forças de sua mãe e Fernão Peres de Trava. Assumiu então o governo do condado e concentrou esforços em negociações junto da Santa Sé para alcançar a autonomia. Simultaneamente procurou alargar os seus domínios, conquistando território aos muçulmanos, enquanto lutava contra as forças de seu primo Afonso 3 VII de Leão e Castela. Em 1139, depois de uma importante vitória contra um contingente mouro na batalha de Ourique, D. Afonso Henriques foi aclamado rei de Portugal, com o apoio das suas tropas. Nascia assim o Reino de Portugal, com capital em Coimbra e iniciava-se a primeira dinastia. A independência portuguesa foi reconhecida por Leão e Castela em 1143 pelo tratado de Zamora. Em 1147, com o apoio de cruzados norte europeus, Afonso I de Portugal conquistou Lisboa. Com a pacificação interna, prosseguiu as conquistas aos mouros, empurrando as fronteiras para sul, desde Leiria ao Alentejo. Não pregamos que ditos lideres e seus liderados peguem em armas, as armas a serem usadas deve ser sempre a coesão em torno do projeto, da estratégia utilizada, e da palavra. É com palavras e ações ordeiras, que deve ser o nosso movimento. Nossos lideres não podem continuar se escondendo atrás de esfarrapadas desculpas, ninguém está pedindo para que eles se candidatem a nada e tão pouco se filiem a partido político. O que queremos é que os simpatizantes não se sintam impedidos de defenderem a sua pátria e de desempenharem os seus deveres de patriotas e de cidadãos, a pátria está exigindo a sua presença e, que parem de se esconder atrás das mesmas desculpas que tem sido impostas pelos seus supostos lideres. Pensem bem, analisem bem a atual situação do país e, se nada fizermos em muito pouco tempo, vamos constatar, a oficialização da cleptocracia como forma de governo. Para reverter essa situação precisamos que todos os patriotas se decidam, de uma vez por todas entrarem em ação, não podemos esperar mais 125 anos pelo que não virá, se não mudarmos nossa estratégia. Venham para o campo de batalha, venham participar da reconstrução da nação, venham sem medo formar o grande elo de União do Partido da Real Democracia Parlamentar RDP, o partido que nasceu para mudar a história do Brasil. RDP todos juntos lutando #PorUmBrasilMaisJusto. [email protected] www.realdemocracia.org.br www.porumbrasilmaisjusto.org.br Comendador Antonyo Cruz Presidente do Instituto Brasil Imperial 4 Artigo Feliz? Ano Novo. Luís Severiano Soares Rodrigues Economista, pós-graduado em história, sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói, Conselheiro Consultivo do Instituto Cultural Dona Isabel I – A Redentora e membro do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro (IPHARJ). Logo no primeiro dia de 2015, o povo brasileiro foi brindado com o exemplo de como não fazer uma cerimônia de transmissão da presidência, pois o que se viu mais parecia uma sucessão de improvisações, que mostra o quanto de arremedo é feito as instituições republicanas brasileiras. A presidente ao chegar ao Congresso Nacional parecia a aniversariante a quem todos queriam beijar. Empossada pelo presidente do Congresso (coronel Calheiros, da muito “ilustre” oligarquia alagoana), antes de começar seu discurso, a presidente choca aos observadores ao dizer insistentemente a um funcionário do congresso, que tentava colocar próximo à ela uma peça histórica com as armas da república, que não era necessário coloca-la ali; fazendo isso a presidente atesta que o símbolo da república, como nós cansamos de repetir, representa um conjunto de instituições que nada valem; devemos, nós monarquistas, agradecer essa atitude da 5 presidente, já que nos dá razão. Devemos ressaltar que havia pouco povo na Praça dos Três Poderes, a maioria eram militantes petistas com bandeirinhas e tudo mais. No discurso da presidente no Congresso um conjunto de contradições, a começar por ter a presidente, ganhado a eleição por pouco mais de um por cento de diferença do seu opositor, e ela dizer que sua eleição é fruto da opção do povo brasileiro (todo?), em manter as conquistas de doze anos de governo petista, seguida pela elencação daquilo que ela acha que foram conquistas efetivadas nos governos Lula e Dilma, parte essa que parecia que ela ainda estava em campanha. A tônica do discurso como um todo foi Dilma se associando aos “êxitos” do governo Lula, mas quando fala dos escândalos flagrantes na Petrobras, a presidente faz questão de dizer que nada daquilo foi verificado durante o seu governo e sim na gestão anterior (presidente Lula), o que dá a impressão que a presidente divide o bônus do seu criador, mas não aceita o ônus, que com certeza vai aumentar. Por falar em Lula, o mesmo na posse da presidente pouco apareceu, que poder-se-ia dizer que ele era o sujeito oculto (Por que será?). O dia depois também foi interessante, pois o ministério foi quase totalmente remodelado, e a mineira Dilma, que tanto enfatizou isso aos mineiros na campanha eleitoral, encheu o ministério de gaúchos, já que ela milita no Rio Grande do Sul e onde perdeu a eleição. Mas o mais interessante do desenrolar dos primeiros dias do segundo governo, principalmente na área econômica, é que os analistas mais categorizados insistem que o trabalho dessa área será corrigir os erros do governo Dilma I, e os ministros arregaçaram as mangas, e já começaram a impor medidas duras de ajuste (o que seria inevitável), as quais a presidente na campanha alegava que seu opositor iria impor ao povo (tão sofrido). Poderíamos dizer que foi fraude eleitoral? Os ministros fazem questão de ressaltar que não se trata de um “pacote de maldades”(sic), é melhor não comentar. As projeções de crescimento econômico são medíocres, as expectativas quanto à inflação ainda são pessimistas. Vamos esperar para ver. Se a presidente acha que o ano é novo, o governo é novo, o ministério é novo, tudo bem, mas os velhos problemas estão aí, a começar pela Petrobrás indo para o brejo, e fevereiro vem aí, com a justiça se pronunciando sobre essa novela tenebrosa, talvez não sobre pedra sobre pedra, e os amigos da presidente terão de se explicar. Vamos esperar. Outro ponto que fevereiro trará, será a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, onde o PMDB já antagonizou o PT, com a indicação de um opositor ao Planalto, com a flagrante conivência do vice-presidente da república, mas a presidente não pode reclamar, pois é uma questão interna do PMDB (fisiológico), o PMDB também quer a presidência do Senado, o governo, talvez, será refém do seu maior aliado, tempos estranhos virão. O ano é novo, mas se ele será feliz, é outra história..... 6 Artigo Um Ministro de Ouro Luís Severiano Soares Rodrigues Economista, pós-graduado em história, sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói, Conselheiro Consultivo do Instituto Cultural Dona Isabel I – A Redentora e membro do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro (IPHARJ). O biografo do almirante Dom Baltazar da Silveira nos diz que: “ o Ministério da Marinha, nos tempos do Império, teve à sua frente paisanos de indiscutível valor” (Silveira, 1943, pag.95), informação essa que nós é confirmada pelo Barão de Jaceguai, falando da campanha do Paraguai, “O Ministério da Marinha, teve, realmente naquela época, nos Pinto Lima, Silveira Lobo e Afonso Celso, Ministros na altura da emergência extraordinária que havia surpreendido a Nação brasileira quase totalmente desarmada. O último daqueles ministros, então jovem político, no começo de sua carreira, a quem coube as maiores responsabilidades da administração naval, desempenhou-se delas, com largura de vistas, a energia e o desassombro de uma estadista consumado” (Jaceguai, 1982, pag.100), essa afirmação também confirma uma expressão famosa do conselheiro Rui Barbosa, onde o notável jurista baiano nos afirma que “na monarquia o parlamento era uma escola de estadistas e na república uma praça de negócios” palavras essas de uma impressionante atualidade. Esse comentário do alte. Jaceguai não poderia servir melhor para se apresentar Afonso Celso de Assis Figueiredo, um dos mais jovens indivíduos a ocupar a pasta da Marinha, então contava com trinta e um anos de idade, ocupando essa pasta no gabinete chefiado pelo Senador Zacarias de Góes e Vasconcellos, esse mineiro de Ouro Preto, futuro conselheiro do Imperador, Senador, Visconde de Ouro Preto e presidente do conselho de ministros (chefe de governo do Império), se notabilizou de sobremaneira na condução dos negócios de sua pasta num momento ímpar da vida nacional, onde qualquer erro poderia trazer efeitos catastróficos para o país. Dando continuidade aos trabalhos de seu antecessor, Ministro Pinto Lima, a quem sempre louvou como homem de ação, Afonso Celso arregaçou as mangas e partiu para o trabalho, iniciando pelo remodelamento e ampliação do Arsenal de Marinha que frente às dimensões do problema na fronteira ocidental do Império, se mostrou pequeno. Como afirmo ao alte. Jaceguai avaliando a vitória brasileira na batalha naval de Riachuelo, “E enquanto nas águas do Paraná, tínhamos conseguido tamanhos resultados, o Governo Imperial com extraordinária energia, provia à construção no país e no estrangeiro do material e do armamento adequados ao ataque das formidáveis fortificações das margens do Paraguai, contra as quais teria sido impotente a esquadra de madeira com que até então 7 tínhamos operado” (Jaceguai, 1982, pag.151). Nesse trabalho, como de resto, em todas as atividades necessárias ao esforço nacional, encontrou no pessoal de marinha o maior profissionalismo, como não poderia deixar de ser em uma monarquia constitucional parlamentarista, onde os governos se alternam, mas o trabalho não pode sofrer descontinuidade. Administrador competente Afonso Celso dava o crédito ao merecimento dos seus subordinados, como, por exemplo, ele nos diz em relação à ampliação do material flutuante encouraçado da esquadra: “ Em 3 anos, foi preparada a maior e melhor parte de tão poderoso elemento de guerra. A contar de 1868 não se alistou mais um marinheiro sequer, não se construiu, nem se comprou, um só navio, limitando-se o trabalho, ainda assim importantes, dos arsenais à reparação dos estragos da luta”. “Honra a administração do Império esse período e manda a justiça que aqui mencionemos os nomes do chefe de divisão Jesuíno Lamego Costa (depois vice-almirante, barão da Laguna e Senador), dos capitães tenentes Level e Branconnôt e do capitão de fragata Henrique Baptista, aquele inspetor do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e estes chefes das oficinas de construções navais, de máquinas e do laboratório pirotécnico, que, como verdadeiros titãs do trabalho, mais contribuíram para os grandes resultados obtidos. Zelo, dedicação patriótica, habilitações profissionais dificilmente se encontram reunidas, no grau em que os manifestaram tão distintos funcionários”. (Ouro Preto, 2ª edição, pag. 34.) Mais de uma vez Afonso Celso teve de ir à Câmara dos Deputados sofre arguições dos membros da oposição, mas sempre da altura de sua honra e sua competência colocou os opositores, aos seus métodos de trabalho, no devido lugar, frente aos apoios recebidos dos membros da situação e das galerias do plenário. Numa dessas idas mostra a amplitude de sua visão frente às necessidades do futuro de um país tão grande e com um litoral proporcional a essa grandeza: “ Tão triste e dura experiência deve servir-nos para alguma coisa. Não nos iludamos; se quisermos gozar os benefícios da paz, se quisermos dormir tranquilos em nossa casa, é necessário que tenhamos um Exército e Esquadra respeitáveis. Nossa Esquadra está hoje nessas condições, é forte e numerosa; mas como ficará ela depois da guerra? (...)”. “ Temos, é verdade, os encouraçados, que são de construção moderna; mas poder-me-á dizer o nobre deputado pelo Rio de Janeiro, poder-me-á dizer alguém, quantos deles, em que estado nos restarão, depois de tomarmos Curupaiti e Humaitá? Os perigos imensos e desconhecidos que os esperam no leito e sobre as barrancas de um rio estreito não poderão reproduzir muitas vezes a terrível catástrofe do Rio de Janeiro? E se tal acontecesse, o que diríeis, senhores, do Governo imprevidente, que não houvesse calculado com todas as hipóteses desfavoráveis, e no momento do perigo se visse obrigado a comprar pelo preço que lhe quisessem impor os navios. Bons ou maus, que achasse à venda, que fossem precisos para prosseguir no desagravo da honra nacional?”. A afirmação acima, da necessidade de se ter um exército e uma Marinha, que imponham respeito, por si só já comprovam o quanto de falsidade e mentiras, 8 usaram os republicanos em 1889, ao criarem os boatos de que queria o chefe do governo, diminuir ou acabar com o exército. Quando Afonso Celso se referia à esquadra poderosa, se referia ele em números a uma força que era a sexta do mundo, contando com 94 vasos de guerra, sendo 16 encouraçados, 48 fragatas, corvetas, canhoneiras e transporte de madeira, 12 lanchões de ferro, todos a vapor, 6 navios de vela, 7 pontões-depósitos e 5 chatas armadas. Seu efetivo era de 6.474 homens, entre oficiais e praças. O poder de fogo se constituía em 237 bocas, em sua maioria de grosso calibre. (Vieira, 1949, pag.126). Voltando à sua administração, não se limitou ela a ficar no esforço héculeo de guerra, providenciou também, o jovem ministro, uma estruturação de vários aspectos da administração do Ministério da Marinha. Tratou, ele, de estabelecer normatizações de pessoal, militar e civil no tocante à carreira e vencimentos, em todos os seguimentos dos corpos de aprendizes até ao quadro do pessoal de saúde, passando pelas questões trabalhistas até às questões de punições por delitos cometidos, indo também as questões de pensões e assistência médica para as famílias dos funcionários. Criou também o Museu do Arsenal de Marinha, que mais tarde seria rebatizado de Museu Naval, e que hoje vem a ser um moderno e bem cuidado museu na antiga sede do Clube Naval, próximo à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Providenciou também a organização do Dicionário Marítimo Brasileiro, além de mandar compilar índices sobre a legislação relativa à Marinha e também compilar as consultas ao conselho Supremo Militar. Premiou a bravura brasileira e aliada, criando as medalhas: mérito militar, bravura militar, do Forte de Coimbra e da passagem de Humaitá. Uma iniciativa na sua administração que não deve ser deixada mencionada, vem a ser a construção de uma pequena estrada de ferro pelo Chaco, para a manutenção e abastecimento dos navios que conseguiram passar pela fortaleza de Curupaiti, e que a esquadra de madeira não tinha como abastecer sem estar exposta ao mortal bombardeio daquela fortificação, num esforço singular, que se mostrou acertado pode-se contorna-la e manter aquela flotilha avançada e que muito contribuiu para o momento da tomada da mesma. No tocante à Passagem de Humaitá, fortaleza poderosíssima, tem papel relevante, na medida em que coube a ele cientificar, ao comandante da Esquadra, futuro visconde de Inhaúma, a ideia do governo não era suplantar o Paraguai preservando intata a Esquadra para possíveis emergências ulteriores (Jaceguai, 1982, pag. 107). E isso vai se dar com o ministro quebrando a resistência do comandante da Esquadra em relação ao forçamento da passagem por aquela formidável fortaleza. Desconfiava o vice-almirante J. J. Inácio de que a insistência argentina naquele forçamento tinha por objetivo a destruição da mesma, já que no esforço naval os argentinos só contribuíam com um navio, ou seja, tinham pouco a perder. Tal desconfiança também tinha o almirante Tamandaré em relação aos argentinos nos momentos iniciais da guerra. E mesmo no Exército as desconfianças em relação aos platinos, eram 9 grandes. Relata Afonso Celso: “Por outro lado, tratou o Governo de dissipar as prevenções do vice-almirante, quanto à lealdade dos aliados, mostrando-lhe o erro em que laborava recomendando-lhe cordialidade e confiança nas relações recíprocas ‘Não posso crer dizíamos-lhe em carta confidencial, que a opinião sustentada pelo general Mitre sobre a Passagem de Humaitá, seja inspirada pelo desejo de ver destruída a nossa esquadra. Além do que seus interesses o chamam a nós, ele sabe que a esquadra não se compõe só de encouraçados e que antes de possuí-los já o Brasil se fazia respeitar no Rio da Prata. E, demais, até o presente não tem o Governo motivo para duvidar da sua lealdade; sendo que acerca de armamentos de Martim Garcia recebemos explicações que nos tranquilizam completamente’”(Ouro Preto, 2ª edição, pag.208). A argumentação reiterada acabou rompendo as resistências no escalão superior, e o forçamento de Humaitá se transformou num dos momentos épicos da guerra, com o sucesso dos esforços brasileiros, sua queda passou a ser uma questão de tempo, e depois da queda o fim da guerra é que passou a ser uma questão de tempo, com o sanguinário ditador paraguaio recuando até seu fim na cordilheira, e com ele seu povo a quem ele sacrificou sem compaixão em uma resistência insana. Mais à frente os revezes da política, fazem com que o gabinete Zacarias, frente a desentendimentos com o comandante em chefe das forças aliadas, o marquês de Caxias, pede demissão e é aceita pelo Imperador, que certamente sacrificou o governo para vencer a guerra, já que Caxias era homem certo para por termo àquele conflito que já se alongava por demais. Embora, mais a frente iriam lhe cobrar esse fato. 10 A carreira de Afonso Celso seguiria em frente, inclusive se destacando também como ministro da Fazenda até chegar a Chefia do Governo em 1889, o homem certo para fazer frente às inúmeras dificuldades na economia, encetadas pela libertação dos escravos no ano anterior. Infelizmente o seu governo foi estancado com a surpresa do golpe de estado que impôs à revelia a república aos brasileiros, e disso só temos que lamentar dadas as condições em que se acha o país de hoje, no que tange as deficiências estruturais que mostram os níveis precários de educação do povo, o grau de violência urbana a que a população esta exposta, o elevado índice de mendicância e indigência nas grandes cidades brasileiras, o alto grau de impunidade em relação aos crimes em geral com destaque para a corrupção política e por aí vai. Devemos lamentar que o golpe que apeou do poder o, agora, visconde de Ouro Preto, e com ele a monarquia constitucional brasileira, levou também um grande amigo da Marinha. Amizade essa que ele pode já em 1894, tributar com a publicação de um grande livro de sua autoria – A Marinha D`Outrora (subsídios para a história), livro importantíssimo, que deveria ser leitura obrigatória para os oficiais da Marinha, e para os patriotas em geral, pelo testemunho de uma vida em prol da grandeza da Pátria, sem medir esforços, e os esforços de um povo que lutou bravamente pela dignidade do Império do Brasil, ofendido e aviltado por um invasor selvagem. E que se patenteia pelo respeito que inspira o seu nome. Bibliografia: Mota, Artur Silveira da (barão de Jaceguai). Reminiscências da Guerra do Paraguai. SDGM. Rio de Janeiro. 1982. Ouro Preto, Visconde de. A Marinha D`Outrora - subsídios para a história. 2ª edição s/d. Livraria J. Leite. PERFIS Parlamentares – Afonso Celso – visconde de Ouro Preto. Câmara dos Deputados – Livraria José Olympio Editora. Brasília. 1978. Silveira, Alfredo Balthazar de. Dom Balthazar da Silveira – Almirante. Editora Mundomar Ltda. Rio de Janeiro. 1943. Vieira, Hermes. Ouro Preto – O homem e a época. Companhia Editora Nacional. São Paulo. 1949. 11 Aniversários JANEIRO Fernando Henrique Vital João da Silva Santos Junio Afonso Menegussi Bruno Simões da Silva Sandoval Villela Hélder Targino Pereira Edilamar Maria Josué da Silva Brito Paulo Roberto Costa Franco Michel Teles Egito Paulo Rene Farias Lessa Rosa Felipe William Rodrigues Silva João Gabriel Guimaraes Ribeiro Victor Hugo Vasquez da Silva Anderson Aurelio dos Santos José Luiz Ribeiro da Silva Luiz Claudio de Souza Almir Gomes Paulo Santos Vinicius Feitosa Paulo Oliveira Sousa Jackson Benete Ferreira Rosinete Sousa Rodrigues Ana Bela Resende Carlos Rogério de Brito Ermidio Ferreira de Melo Neto ferreira Felipe Martins de Lima João Paulo Mesquita Luis Paulo Salvador Rosa Grover Ronald Pardo Holzwarth Luiz Fernando Costa Oliveira Camilo Augusto de Lélis Neto José Monteiro Pessoa Neto Marco Antonio Portella de Macêdo Diego Albuquerque Ribeiro Pimentel Fernando Antonio Pereira Simoes Marcelo Stori Guerra Sérgio Luiz Ferreira de Abreu Daniel da Rocha Simões Israel Azevedo Oliveira de Carvalho Luiz André Maciel Marques Fernando Chiarelli Marcos Antonio Oliveira Campos Marcio Etiene N. A. de Oliveira Paulo Roberto da Silva Fernando Antonio Saraiva de Souza Douglas Bispo Peixoto 1 1 1 2 4 5 6 6 6 6 6 7 7 8 9 9 9 10 10 10 11 13 13 15 15 15 15 15 15 16 16 17 17 17 18 18 18 18 19 19 19 21 21 22 22 25 27 Uberlandia - MG São Paulo - SP MIMOSO DO SUL - ES São Paulo - SP Rio de Janeiro - RJ Salvador - BA Guarulhos - SP Paracatú - MG Campos dos Goytacazes - RJ Goiânia - GO Piratini - RS Ribeirão Preto - SP Brasilia - DF São Paulo - SP Votorantim - SP Curitiba - PR Rio de Jjaneiro - RJ Barra de Santo Antonio - AL Europa Nova Iguaçu - RJ Avaré - SP Rio De Janeiro - RJ Brejo - MA Rio de Janeiro - RJ Araputanga - MT maceió - AL Brasilia - DF Caucaia - CE São Vicente - SP Sao Miguel do Oeste - SC São Paulo - SP Coração de Jesus - MG Manaus - AM Manaus - AM Maceio - AL Ilhéus - BA São Paulo - SP Fortaleza - CE São Paulo - SP Caçapava - SP Belo Horizonte - MG Ribeirão Preto - SP São Paulo - SP Manaus - AM Joinville - SC Fortaleza - CE Rio de Janeiro - RJ Paulo Fideles Rodrigues de Amorim Souza 27 30 Salto de Pirapora - SP Cuiabá – MT 2 2 3 3 5 5 8 8 9 9 9 13 13 14 15 15 16 18 19 19 20 22 23 23 23 26 27 28 São Paulo - SP São Vicente - SP São Carlos - SP São Paulo - SP Franca - SP Taubaté - SP Praia Grande - SP São Paulo - SP Camaragibe - PE Jardim do Seridó - RN São Pedro da Aldeia - RJ Pederneiras - SP 28 28 São Paulo - SP Vitoria de Santo Antão - FEVEREIRO Wagner Bernardino de Seixas Ronaldo Paiva Nunes Diego Profiti Moretti Jairo Braz Souza Anderson Marcelo Batista Jonathan Augusto Costa Fernandes Oliveira Cerqueira Rodrigo Lopes Martinez Dayvson Henrique Brito de Lima Francisco de Assis da Silva Dante Ignacchitti Sara Rozante Marcos Roberto Ferrari Gonçalves João Nicolau Carvalho Victor de Levy Oliveira Ritcharli Alves dos Santos Carlos Henrique Perini Miranda Alexander Augusto Afarelli Jonas Plínio do Nascimento Júnior Gislene Pascutti Douglas Maciel Soares Cavalheiro Bruno Pionkevicz de Souza João Costa Evandro de Jesus Bispo Raíssa Ferro Cacilda Alves de Almeida Everaldo Euclides da Silva José de Arimatéa Nogueira Salvador São José dos Campos - SP Florianópolis - SC Brasília - DF Itaquaquecetuba - SP Mairiporâ - SP Caconde - SP Pelotas - RS São José do Rio Preto - SP Amambai - MS Curiitba - PR Anápolis - GO Laranjeiras - SE São Luís - MA Umuarama - PR Arapiraca - AL Campos dos Goytacazes - RJ Enos Francisco Beolchi José Joaquim da Silva Neto PE 12 A cleptocracia como forma de governo Paulo Roberto de Almeida Diplomata, mestre em planejamento econômico pelo Colégio dos Países em Desenvolvimento da Universidade de Estado de Antuérpia, doutor em ciências sociais pela Universidade de Bruxelas. Trabalhou como assessor especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. É autor dos livros: “O Mercosul no contexto regional e internacional” (Aduaneiras, 1993), “ O Brasil e o multilateralismo econômico” (Livraria do Advogado, 1999), “ Relações internacionais e política externa do Brasil: história e sociologia da diplomacia brasileira (UFRGS, 1998)” e “O moderno príncipe – Maquiavel revisitado” (2007). Publicado no Jornal O Estado de S.Paulo O termo "Cleptocracia" refere-se a uma situação regular e constante de corrupção e de roubos sistemáticos praticados no âmbito do Estado, permitido pelos seus agentes. Ela implica que representantes do governo mantenham vínculos com a delinqüência organizada, isto é, com sindicatos do crime. Os mais conhecidos são as associações nascidas no sul da Itália. entre as quais se destaca a máfia, depois disseminada internacionalmente. Nos estados Unidos, Hollywood, com seus dramas e comédias, pode ter edulcorado a ação desses grupos criminosos, que além de intimidar simples comerciantes, corrompem policiais, juízes e até elegeram senadores; A realidade é geralmente mais sórdida do que a que aparece: Ela é feita de muita violência e de grava deterioração da instituições. Foi na Rússia de Putin que a cleptocracia chegou ao seu estado de perfeição institucional. Em suas manifestações práticas, Estados mafiosos, ou governos cleptocráticos, estão associados a situações autoritárias, nas quais predomina o arbítrio dos dirigentes em condições próximas de ditaduras abertas ou disfarçadas. Nada impede, porém, que formas de cleptocracia se instalem pelas vias normais da democracia eletiva, como já se viu no passado da América Latina, e como ainda pode estar ocorrendo mesmo agora. Em manifestações mais amenas do que a corrupção generalizada em todas as esferas de governo, ela pode conviver nos regimes democráticos com formas especiais de atuação política: no sistema americano, por exemplo, isso tem o nome de porkbarrel; Na antiga partidocracia italiana, a lotizzazione e a distribuição de favores recíprocos entre o Executivo e o Legistalivo também redundava em corrupção nos negócios publicos, seja em cargos, seja em concorrências, concessões e compras governamentais. 13 Um livro recém-publicado de uma pesquisadora de política russa e soviética da Universidade de Miami do Estado de Ohio, Karen Dawisha, intitulado “Putin’skleptocracy: whoownsRussia?” (Simon & Schuster, 2014), descreve justamente as formas pelas quais o novo czar conseguiu instalar um sistema predatório que desvia recursos imensos do país e de seus cidadãos trabalhadores para enriquecer um punhado de magnatas devotados inteiramente ao seu absolutismo personalista, funcionando como uma democracia de fachada. Métodos similares de extração de valores não mensuráveis – pois, além de desviar dinheiro real, existe também o chamado custo-oportunidade, ou seja, o que se deixa de investir em outras atividades – podem estar sendo usados em outros países, mas foi na Rússia de Putin que a cleptocracia chegou ao seu estado de perfeição institucional. De certa forma, ela não deixa de ser uma petroditadura. Karen Dawisha lista os expedientes típicos dos regimes corruptos, todos eles em uso, e em expansão, no Estado sucessor da União Soviética – que já era um sistema de roubo “normal” -, mas facilmente encontráveis em outras paragens também: propinas de empresas nacionais e estrangeiras para trabalhar com empresas públicas; pedágios em contratos inflados, não sujeitos a sistemas abertos de licitação nos projetos do governo; regulação ajustada para beneficiar certos grupos e enriquecer os amigos do poder (pode ocorrer em processos viciados de privatização); mecanismos de “coleta” de parte dos recursos amealhados por eles para financiar campanhas eleitorais, ou diretamente para contas bancárias no exterior; operações de comércio exterior, com faturamento a mais ou a menos nos preços; subsídios estatais seletivos; doações legais ou semilegais 14 para obras públicas; transações imobiliárias a preços fictícios, escondendo pagamentos por fora dos contratos; lavagem de dinheiro; financiamento de atividades políticas, com ou sem campanha eleitoral; contas não declaradas em bancos no exterior; maquiagens contábeis nas contas domésticas; arranjos lucrativos com cartéis, quando não com os próprios sindicatos do crime; intimidação, manipulação e controle da mídia; no limite, eliminação física dos “obstáculos” a esses negócios heterodoxos. Déjà vu? É evidente que quanto mais recursos criados na esfera privada, pelos produtores diretos de renda e riqueza, passam pelos mecanismos de intermediação estatal, maiores são as oportunidades para que várias dessas formas de corrupção se instalem de maneira regular no âmbito do Estado. Cleptocracia existe quando os mais altos agentes públicos sancionam, e até estimulam, esses comportamentos típicos de associações criadas para delinquir. A tradição bolchevique conviveu, desde a origem, com várias dessas formas de atividade criminosa, quando não com formas ainda mais diretas de extração de recursos de particulares e de agências públicas. É sabido, por exemplo, que Stalin começou sua vida “profissional” na ala leninista do partido operário social-democrata russo empreendendo alguns assaltos a agências postais ou a bancos, como forma de financiar as atividades de propaganda do POSDR. No Brasil, o Minimanual do Guerrilheiro Urbano, de Carlos Marighella, não punha restrições a esse tipo de recurso. O primeiro item do capítulo 9, dedicado às ações dos guerrilheiros, referia-se ao “assalto a banco como modelo popular” (sic), seguido de outros tipos de ação: emboscadas, desvios, confiscos, expropriações de armas, execuções, sequestros, sabotagem, terrorismo, propaganda armada, guerra de nervos (cf. http://www.marxists.org/portugues/marighella/1969/anual/ index.htm). Nem todos os candidatos a guerrilheiros passaram por todas essas etapas e formas de ação. Muitos deles, reciclados, preferiram enveredar por outros tipos de negócios, em alguns casos à la russa. Quando surpreendidos, tentam justificar o método sob o argumento especioso de que “todos fazem assim”; ou então que a indução partiu de agentes privados, ávidos para conquistar mercados de obras públicas. O cinismo também vem junto… 15 Naquele tempo o Brasil era uma Monarquia: O Congresso foi fechado “manu militari” 6 vezes, a saber: José Reinaldo Pedroso de Mello Naquele tempo a forma de governo no Brasil era a Monarquia. Nesse regime o governo é hereditário, passa de pai para filho e o povo não é consultado.” Acredito que, no intuito de se apresentar um texto bem simples ao alcance de crianças, apresentou-se um texto, além de simplório, confuso. Confunde a cabeça da criança ao afirmar: “que desse a eles o direito de escolher o seu representante”. Dá-se a impressão que o povo, na época não escolhia seus representantes, não votava nem opinava. (n.e.: o que não é verdade) É bom lembrar que nossa Monarquia era constitucional, parlamentarista e extremamente democrática (n.e.: para os padrões da época). A tônica era a normalidade constitucional. Não houve, durante o longo Reinado de D. Pedro II (1840/1889), um dia sequer sob ditadura, estado de sítio, estado de emergência, fechamento do Congresso, ou censura à imprensa. Já, na (n.e.: dita “proclamada”) República, tivemos 55 anos de ditadura e estados de sítio/emergência, com suspensão de garantias constitucionais. 1) Deodoro; 2) Vargas/1930 - 1937; 3) Castello Branco; 4) Costa e Silva; 5) Geisel. Vivemos, durante estes cento e poucos anos de República, 60 anos de censura à imprensa! Com tudo isso acabamos acreditando que o que manteve efetivamente a República foi o cacete e o fusil, pois tivemos, neste período, mais de dez mil pessoas com direitos cassados e um outro tanto de “desaparecidos”, covardemente assassinados pelas forças da repressão. E isso que não se debita inteiramente ao golpe de 64, pois ocorreu desde o começo da implantação da República. Sob o Imperador D.Pedro II, 36 gabinetes parlamentaristas sucederam-se normal e legalmente, sem o menor estremecimento institucional, conseguindo, civilizadamente, aquela alternância de partidos no poder, como é desejável numa verdadeira democracia. 16 Na nossa república presidencialista, arremedo caipira da constituição norte-americana, já não há essa possibilidade de se apear um governo indesejável de forma legal e constitucional. Precisa romper-se a lei e conspirar para isso. Em suma, depois de “eleito” o povo que se arda e trate de agüentar o governante. O que aconteceu com o presidente Collor foi mera exceção. Tivesse ele maioria no Congresso e apoio das Forças Armadas, teria feito tudo e mais ainda e nada haveria de lhe acontecer porque a história da república está prenhe de exemplos que demonstram integralmente essa afirmação. Isso acaba nos mostrando que a república é um regime de inferior qualidade. Não sabe ou não quer ministrar os “remédios” para seus próprios males. Veja, por exemplo com que bela “produção” a republica já nos brindou: a) 3 presidentes renunciaram: Deodoro, Jânio e Collor; b) 1 suicidou-se: Getúlio Vargas em 54; c) 2 foram impedidos de tomar posse: Julio Prestes em 30 e Pedro Aleixo em 69; d) 5 foram depostos à força: Washigton Luiz em 30, Vargas em 45, Café Filho em 55, Carlos Luz em 55 e João Goulart em 64; e) 3 grandes revoluções: de 1893, 1930 e 1964, com as respectivas mortandades e barbaridades de praxe; f) dezenas de outros “levantes”, “golpes”, “tentativas”, “intentonas”, e tudo o mais que só com o dicionário na mão poderíamos ter a pretensão de entender; g) 7 constituições; h) centenas de emendas constitucionais; i) vinte e tantas “leis constitucionais”; j) um maço de “atos institucionais”. Disso se conclui que a baderna e a confusão foi muito grande com o advento (n.e.: “instauração”) da república. Um regime estabelecido pela soldadesca amotinada, apoiado pelos escravocratas mais retrógrados, sedentos de vingança pela libertação dos escravos (n.e.: sem qualquer indenização) preconizada e executada pela Princesa Izabel, nunca poderia produzir bons resultados. Em vez disso, ressuscitou toda aquela súcia de canalhas e pândegos com a sua inerente bandalheira que, de pouco em pouco, o Imperador havia já sepultado longe das lides públicas. No Império tivemos uma única Constituição e uma única emenda constitucional. Pelos resultados práticos, vê-se que o país, naquele tempo funcionava bem melhor. Durante o Império a Constituição de 1824, chamada de “outorgada” pelos republicanos, mas que realmente fora aprovada por todas as Câmaras Municipais, era tão mais democrática e liberal que as diversas constituições republicanas que nunca se cogitou em “Cláusula Pétrea”. À primeira vista, podemos até afirmar que não teria sido necessário toda aquela parafernália militar para a “proclamação” da república. Bastava que os deputados e senadores aprovassem um anteprojeto de reforma da constituição estabelecendo a república e, na legislatura seguinte, o anteprojeto fosse aprovado, a república seria estabelecida legalmente! Acontece que, na verdade, os republicanos, à época da “proclamação” eram ínfima minoria. Tinham apenas dois patuscos deputados numa Assembléia Geral com mais de 160 membros! Isso, mesmo depois de décadas de 17 propaganda republicana e do amparo do Monarca que sempre recomendava ao Chefe de Polícia que não os incomodasse e os protegesse de alguma provocação. Sob muitos outros aspectos a república também falhou fragorosamente pois nunca teve o apoio afetivo da população. Os governos se sucederam e, invariavelmente, produziram tudo o que a nação nunca desejou. O País que era, na Monarquia, de primeiro mundo, passou a ser subdesenvolvido e sem nenhum prestígio, presa fácil para as hienas nacionais e estrangeiras. Vejamos, por exemplo: a)De 1840 a 1889 tivemos inflação anual de 1,58%. Países de primeiro mundo, na época, tinham inflação variando entre 1,6% a 4%. Quarenta e cinco dias depois da implantação da república a inflação já estava em 11% ao ano, um ano depois já tinha atingido 40% ao ano e cento e poucos anos após já chegou no astronômico numero de cerca de 10.000.000.000.000% (dez trilhões por cento) ao ano. Essa informação foi passada pela revista Finanças Públicas, editada pelo Ministério da Fazenda; 24.09.91, nos informa que no período republicano, enquanto os preços mundiais subiram cerca de 23 vezes, aqui no Brasil esses mesmos preços subiram cerca de 32.000.000.000.000 (trinta e dois trilhões) de vezes; c) No período Monárquico o menor salário do país, pago a um braçal sem nenhuma qualificação era de R25$000 (vinte e cinco mil réis). O maior salário do Império, pago a um Senador, na mesma época, era de R300$000 (trezentos mil réis), apenas doze vezes maior que o mínimo. Atualmente o desequilíbrio é tão gritante que essa mesma relação anda por volta de 200 vezes! Esse menor salário do Império era equivalente a 22,5 gramas de ouro enquanto o atual equivale a menos de 6 gramas. Informação da mesma revista do Ministério da Fazenda. E ainda se tem a desfaçatez de, amiúde, mencionar a mais “justa distribuição de renda”; b) O jornal “O Estado de São Paulo” em edição de d) No período monárquico tínhamos a 2.ª maior frota mercante do mundo. Hoje estamos em 28.º lugar em tonelagem e 32.º lugar em unidades, informado pela Gazeta Mercantil. Acrescida da vergonha de ver navios nossos (alguém aí tem algum navio??) seqüestrados em portos estrangeiros por não terem pago despesas de estadia, etc.; e) Informado pelo Ministério da Marinha que no Império tínhamos a 2.ª maior esquadra naval do mundo, perdendo somente para a Inglaterra, hoje nossa esquadra não da conta nem de patrulhar o litoral contra os pescadores internacionais. Por sorte a capital se acha localizada em Brasília senão, atualmente, qualquer país mais desenvolvido, num ato de guerra, poderia perfeitamente invadir e tomar a capital da república; f) Dos atuais países de primeiro mundo, em número de vinte e cinco, dezoito são monarquias e sete repúblicas. A relação, se bem analisada, pode ser até sugestiva. De forma que a afirmação de que: “Neste dia, em 1889 os brasileiros desejavam outra forma de governo” é tão inverídica que se contivesse um mínimo de verdade: a) a república não precisaria ter sido “proclamada” “manu militari”, como foi; b) os republicanos não teriam uma representação tão medíocre na Assembléia Geral como tinham, considerando 18 os dois gatos pingados da época; c) o plebiscito estabelecido pelo ilegal Decreto n.º 1, de 15 de novembro de 1.889 não teria que ter sido, por justo receio de seus resultados, postergado por mais de 100 anos como o foi; d) a “Cláusula Pétrea”, proibindo o Congresso de discutir quaisquer proposições concernentes à mudança do regime, não teria sido necessária; e) o, também ilegal, Decreto n.º 85-A, de 23 de dezembro de 1889, o famigerado “Decreto-Rolha” que ameaçava de morte todos os que falassem ou agissem contra a implantação da república, com certeza não teria sido editado. Para ponderação de Vossas Senhorias, atenciosamente 19 www.brasilimperial.org.br E você o que está fazendo para mudar, ou você levanta do sofá ou o Brasil afunda, você decide. O RDP Nasceu para mudar a história do Brasil Faça seu cadastro http://www.realdemocracia.org.br/index.php/filiados/novas-filiacoes, e venha você também participar das mudanças históricas do nosso Amado Brasil.