Relatório Anual 2012 Quem somos Fundada em 1972, a ActionAid é uma organização sem fins lucrativos, cujo trabalho atinge cerca de 20 milhões de pessoas em 45 países. No Brasil desde 1999, tem sede no Rio de Janeiro e em Recife, atuando em 1.300 comunidades de 13 estados nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste. Missão Trabalhamos junto com as pessoas pobres e excluídas para acabar com a pobreza e as injustiças. Visão Queremos um mundo sem pobreza e injustiças, onde cada pessoa desfrute o direito de ter uma vida digna. Abordagem para mudança Nossa abordagem de direitos humanos põe as pessoas pobres em primeiro lugar, reconhecendo seu poder e sua capacidade de criar a mudança para si mesmas e para as suas comunidades. Somos mais poderosos quando trabalhamos juntos, em solidariedade, conectando e apoiando essas pessoas para se organizarem e defenderem seus direitos, a fim de cobrar dos governos o compromisso com a erradicação da pobreza e das injustiças. Valores • Respeito mútuo • Equidade e Justiça • Honestidade e Transparência • Solidariedade com as pessoas pobres • Independência de qualquer filiação religiosa ou político-partidária • Coragem e Convicção • Humildade Carta do Gestor Executivo e da Presidente do Conselho Caros e caras, O ano de 2012 foi muito intenso para a ActionAid Brasil. Começamos o ano com uma nova estrutura organizacional e estratégia revista, com o intuito de nos tornarmos ainda mais eficientes e nos prepararmos para o crescimento de nossa organização. No ano que passou, tivemos avanços muito significativos. Em nível local, atuamos rapidamente em resposta à mais drástica seca sofrida pela região Nordeste em 40 anos. Reforçamos nosso trabalho com acesso à água para agricultores familiares atingidos pela severa estiagem. Notamos que, apesar de grave, a situação foi vivenciada de maneira diferente do que em outros anos, sem episódios de intensa migração. As iniciativas de convivência com o semiárido que promovemos juntamente com outras organizações parceiras — por meio de construção de cisternas de placa, poços artesianos, barragens subterrâneas e bancos de sementes nativas adaptadas à seca — mostraram-se muito acertadas: tornaram as famílias apoiadas mais preparadas para estocar água e recursos e, assim, resistir às intempéries. Continuamos a aprofundar nosso trabalho com agroecologia e agricultura sustentável em nossos programas rurais em todo o país, apostando na independência, viabilidade financeira e sustentabilidade da agricultura familiar com a adoção desta forma de produzir e viver. Outra forte atuação ao longo do ano foi na redução da vulnerabilidade das mulheres e jovens à violência urbana, à exploração sexual e à dependência de drogas como o crack. Nossos parceiros trabalharam com grupos de mulheres em comunidades de Pernambuco, para identificar as inseguranças e violências sofridas no dia a dia, muitas delas relacionadas à precariedade dos serviços que deviam oferecer-lhes proteção. Com nosso apoio, as demandas foram levadas por elas aos gestores públicos, buscando seu compromisso na promoção de cidades mais seguras. Reconhecendo a importância da reivindicação, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de Recife criou uma gerência específica dedicada ao tema. Nossos programas locais em áreas urbanas continuaram avançando na construção do Direito à Cidade. Houve inúmeras atividades de inclusão dos estudantes de comunidades urbanas excluídas, através da complementação escolar e busca da melhoria do ensino público. Atuamos para a construção da cidadania nessas áreas, reivindicando o direito ao transporte, à educação, à saúde e à segurança. Em parceria com organizações locais e movimentos urbanos, procuramos também assegurar que as obras preparatórias para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, bem como as do PAC, respeitem os direitos das populações mais pobres e vulneráveis. Em nível nacional, empenhamo-nos em fortalecer o diálogo da sociedade civil com o governo federal em relação ao combate à pobreza, à cooperação internacional do governo brasileiro e aos impactos da expansão dos agrocombustíveis. Com a criação de redes de diálogo nestes três temas, pudemos levar coletivamente propostas de aprimoramento do Plano Brasil sem Miséria para a Ministra do Desenvolvimento Social e para o Ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, em Brasília. Estendemos esse diálogo articulado ao Ministério das Relações Exteriores, para garantir que as iniciativas da cooperação internacional brasileira tenham como referência o respeito aos direitos humanos, sociais e ambientais das populações pobres de outros países e assegurar que o posicionamento do Brasil na Rio+20 e no G20 se pautassem por esses valores. O tema da expansão dos biocombustíveis e sua ameaça à segurança alimentar também esteve em nossa agenda de debates e trabalho conjunto. Alcançamos a marca de 15 mil apoiadores brasileiros, dos quais 13 mil como doadores individuais, que contribuem regularmente com nosso trabalho para o fim da pobreza. Expandimos a rede de solidariedade brasileira para Haiti, Guatemala e Moçambique, por meio de acordo com parceiros internacionais que realizam programas sociais nesses países em nosso nome. Nossa rede Activista passou a contar com um grupo permanente de dez voluntários jovens, trabalhando conosco para mobilizar apoiadores em nossas campanhas. Como resultado, ao longo do ano, milhares de pessoas se solidarizaram com ações em defesa da agricultura sustentável, do direito à cidade e do fim da violência contra as mulheres. Agradecemos a todos vocês, apoiadores, doadores, organizações parceiras, conselheiros, activistas e equipe por sua solidariedade constante, por compartilharem conosco o sonho de um mundo sem injustiças e a alegria de lutar por esse ideal todos os dias. Adriano Campolina Kristina Michahelles Gestor Executivo Presidente do Conselho Administrativo Destaques de 2012 • • • • • 1.300 comunidades foram apoiadas no Brasil 57.449 pessoas ampliaram o acesso ao direito à alimentação 5.058 pessoas conquistaram o acesso a alimentos e água na seca 33.489 crianças e jovens ampliaram seu acesso ao direito à educação 41.672 mulheres ampliaram o acesso aos seus direitos de igualdade e autonomia • • 14.061 pessoas ampliaram sua participação democrática 1.370 organizações (movimentos sociais, ONGs, coalizões e associações) trabalharam conosco para superar a pobreza no país • • • 15 mil apoiadores brasileiros juntaram-se a nós 300 doadores contribuíram para o programa Mulheres do Brasil 400 brasileiros engajaram-se no combate à pobreza em outros países, através de nossas parcerias internacionais • 1.921 jovens engajaram-se nas ações da Rede Activista Mudanças Direito à alimentação • Mais agricultores se beneficiando de um melhor acesso à água para a produção. • Mais capacidade das associações de agricultores familiares para realizar projetos de produção, processamento e comercialização. • Mais debate e reflexão em relação a estratégias para lidar com os impactos da expansão dos biocombustíveis sobre a produção e a segurança alimentar. • Mais visibilidade da agricultura familiar e camponesa como produtora de alimentos saudáveis, capaz de mitigar os efeitos das mudanças climáticas. • Mais reflexão coletiva sobre a formulação de políticas para a segurança alimentar — especialmente nas dimensões do acesso à terra, ao território, à água e à assistência técnica — e para a compra pública de produtos da agricultura familiar. Direitos em situações de emergência • Aumento da resistência das famílias atingidas pela seca através da prática de iniciativas agroecológicas. • Aumento de iniciativas de gestão participativa de acesso a água pelas comunidades no semiárido. • Maior número de cisternas, poços e barragens para consumo humano e animal de água. Direito à educação • Mais capacidade de parceiros de aliar famílias, professores e educadores para atuarem juntos em defesa de educação de qualidade em nível local. • Mais oferta de atividades socioeducativas, bibliotecas e creches nas comunidades apoiadas. • Aprovação dos 10% do PIB para o desenvolvimento da educação no pais, previsto no Plano Nacional de Educação. Direitos das mulheres • Mais mulheres lutando pelo seu direito à terra e aos recursos naturais. • Mais grupos produtivos de mulheres assessoradas por nossos parceiros locais acessando mercados institucionais por meio de políticas públicas. • Mais reflexão das mulheres em situação de pobreza s sobre o assédio sofrido por elas em espaços urbanos. • Meninas e moças pobres mais conscientes dos seus direitos, com mais conhecimento sobre a exploração sexual e a vulnerabilidade ao crack e com capacidade de discutir as questões com seus amigos, familiares e pessoas da comunidade. • Criação de uma Gerência dedicada ao tema de Cidades Seguras para as Mulheres, dentro da Secretaria da Mulher do Recife, em Pernambuco. Direito à participação democrática e erradicação da pobreza • Criação de uma aliança de organizações da sociedade civil e movimentos sociais em torno do Plano Brasil Sem Miséria, com uma plataforma sólida para a ação sobre as políticas públicas de erradicação da pobreza. • Maior número de mulheres e jovens em situação de pobreza, assim como suas organizações, capacitadas para monitorar o orçamento público e cobrar investimentos em serviços de qualidade. • Maior número de pessoas de bairros pobres de centros urbanos do Nordeste e Sudeste reivindicando serviços públicos de qualidade e outros aspectos do direito à cidade. Direito à Alimentação Nosso apoio em números: 57.449 pessoas ampliaram seu acesso ao direito à alimentação Em 2012, tivemos muitos desafios para o nosso trabalho pelo direito à alimentação. No acirrado debate sobre o modelo de desenvolvimento agrícola, o fortalecimento e a promoção da agroecologia tornam-se cada vez mais necessários para erradicar a pobreza e a fome no campo e para garantir um meio ambiente sustentável para todos nós. Nosso principal foco de trabalho nas áreas rurais tem sido o apoio para que os agricultores familiares produzam de forma sustentável, com base na agroecologia, e possam continuar vivendo em suas terras. Fazemos isso em parceria com organizações locais, por meio da promoção do trabalho em redes, atividades de formação, assessoria técnica e social e troca de experiências e de material de apoio para a implantação das estruturas produtivas agroecológicas nos roçados e nos quintais das famílias de agricultores no Nordeste e Norte do país. Realizamos pelo menos quatro visitas a cada uma das organizações parceiras, para atividades de análise e reflexão e para monitoramento e avaliação do trabalho realizado, bem como para identificar histórias de mudança e aprendizagem. Promovendo tecnologias para uma agricultura sustentável ©SASOP | ACTIONAID Em 2012, houve um aumento do número de famílias beneficiadas com as estruturas de acesso à água para a produção agrícola. Apoiamos a construção de cisternas, barragens subterrâneas, poços artesianos, tanques de pedra e bombas de água. A implantação dessas tecnologias está permitindo a criação de roçados e quintais produtivos. A prática da agricultura sustentável é uma ação típica para o empoderamento dos agricultores e suas comunidades, pois, com a criação de sistemas agroecológicos diversificados, amplia-se a capacidade de convivência com o meio ambiente em que vivem as famílias de agricultores. Da mesma forma, incentivam-se formas de solidariedade, que são praticadas por meio de fundos rotativos, bancos de sementes e organização de grupos produtivos para o processamento e a comercialização coletivos Expandindo a capacidade produtiva e o acesso aos mercados Atuando em redes pela defesa da agroecologia e da segurança alimentar Após anos de investimento em abordagens agroecológicas, um número crescente de associações locais apresenta maior capacidade produtiva. Consequentemente, elas estão mais aptas para acessar mercados, especialmente os grupos de mulheres assessoradas pelas organizações parceiras MIQCB, CF-8, MMTRP-AL, CMTR-MA, CMN, Sasop, MOC e CTA. Somadas às outras parceiras — Assema, MST, Esplar, AS-PTA, Comsef, Conviver, AQCC, Caatinga e CAA — estas organizações estão se expandindo e fortalecendo os processos de comercialização já em curso, através da participação em feiras agroecológicas e mercados locais; da presença em feiras regionais e nacionais; do fornecimento de produtos para empresas e corporações que praticam o comércio justo e da entrega de produtos — principalmente para os mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), promovidos pelo governo federal. Apesar das dificuldades de produzir com a seca e de manter esses mercados, os agricultores familiares estão cada vez mais conscientes de que a prática da agricultura sustentável, como a agroecologia, é a alternativa para reduzir sua vulnerabilidade à pobreza e garantir o direito à alimentação e a outros direitos decorrentes da comercialização da produção. Da mesma forma, há uma maior capacidade dos agricultores, especialmente através de suas organizações, para entender o papel da agricultura sustentável na mitigação e redução dos efeitos da mudança climática. O trabalho realizado por organizações parceiras tem construído os sistemas de produção e tecnologias alternativas que servem tanto para divulgar as melhores práticas para outros agricultores, como para ações de campanhas em defesa mais ampla da agricultura familiar e da segurança alimentar por meio de políticas públicas. Nesse sentido, a participação em redes e espaços de controle social de políticas públicas, em níveis local e nacional, tem mostrado ser uma estratégia importante para a realização dos direitos para a população rural em situação de pobreza. Em nível nacional, especialmente por meio da ação da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), organizou-se uma forte mobilização para influenciar a revisão das metas estabelecidas para a agricultura no âmbito da Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), com o objetivo de afirmar a importância dos pequenos agricultores e da agricultura camponesa para a produção de alimentos saudáveis e a mitigação dos efeitos da mudança climática. Neste processo, a ActionAid apoiou a ANA — na realização do seminário internacional sobre agroecologia — e o Comitê de Entidades pelo Combate à Fome e pela Vida (Coep) — na apresentação de um banco de práticas desenvolvidas por agricultores familiares do Brasil e do exterior para adaptação às mudanças do clima. As organizações que compõem a rede ANA desempenharam um papel bem-sucedido na aprovação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), da presidente Dilma Rousseff, durante o I Encontro Unitário dos Resiliência à seca no semiárido: o caso de Seu Louro, na Paraíba O empoderamento de homens e mulheres decorrente da prática da agricultura sustentável é o resultado de um processo de investimento na formação e no acesso aos meios de produção, que foi iniciado nos anos anteriores. Uma rápida visita à propriedade de Seu Louro, agricultor familiar do município de Massaranduba, na Paraíba, mostra como é possível produzir na região semiárida. Com a assessoria da organização parceira AS-PTA e do Pólo de Sindicatos Rurais da Borborema, Seu Louro desenvolveu uma série de técnicas agroecológicas que lhe estão permitindo enfrentar a estiagem. Ele conseguiu diversificar o manejo da água, garantindo abastecimento para a casa, a roça e os animais, usando uma cisterna calçadão, um poço, uma barragem e uma barragem subterrânea. Também estoca forragem para os animais, guarda sementes crioulas para o plantio e mantém um viveiro de plantas nativas, que lhe permite abastecer feiras e os mercados institucionais do PAA e do PNAE. “Com o apoio do Pólo e da AS-PTA, estamos preparados para lidar com as secas”, comemora Seu Louro. Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e da Floresta, dando relevante exemplo da convergência de forças da sociedade civil, em meio a um contexto de fragmentação das lutas populares. Esta reunião reafirmou a agroecologia como proposta unitária das grandes redes e movimentos sociais, o que representa uma nova e importante política no cenário nacional. Retomamos o debate e a reflexão sobre os impactos da expansão dos biocombustíveis na produção de alimentos e na segurança alimentar. Realizamos estudos e propiciamos encontros entre diversas organizações nacionais e movimentos sociais, que fizeram um balanço dos principais problemas do desenvolvimento da agricultura brasileira com o avanço do agronegócio. As atividades estimularam o intercâmbio entre as organizações e as suas diferentes ©CAATINGA | ACTIONAID Inauguração da Feira Agroecológica em Granito, Pernambuco experiências na questão dos biocombustíveis, culminando na elaboração de uma carta-compromisso das organizações, a fim de fortalecer a ajuda mútua e a continuidade da rede para a construção de propostas de incidência sobre o poder público. Nos níveis estadual e nacional, múltiplos parceiros continuaram mobilizados em torno da promoção da segurança alimentar e nutricional, através da participação no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), que tem sido um importante espaço para a reflexão coletiva e a formulação de políticas, mantendo um diálogo crítico e propositivo com o governo. Questões fundamentais para a segurança alimentar têm sido objeto da pauta de discussão, incluindo a terra e o território, água, assistência técnica, educação e compras públicas de agricultura familiar. Direitos nas situações de emergência Nosso apoio em números: 5.058 pessoas conquistaram acesso à água e a alimentos na seca Garantindo água durante a seca no semiárido Em 2012, a região Nordeste viveu a mais grave seca dos últimos 40 anos. Cerca de 10 milhões de pessoas foram atingidas criticamente em 1.317 municípios brasileiros. Em nossas áreas de trabalho, mais de cem mil foram afetadas, cinco mil delas na região de Mirandiba e Carnaubeira da Penha, em Pernambuco, onde atuamos em conjunto com a organização parceira Conviver. Em resposta à situação, enviamos um apelo de emergência por e-mail, em setembro, a todos os nossos doadores e apoiadores. Como resultado, conseguimos R$ 24.365, que se somaram a outros recursos obtidos com a aprovação de dois projetos financiados por grandes doadores internacionais. ©CONVIVER | ACTIONAID Construção de poço levou o acesso à água para famílias da região Graças a essas doações solidárias, conduzimos 21 ações, entre as quais a perfuração e manutenção de poços que garantissem o acesso à água para agricultores familiares, povos indígenas e quilombolas em situação de emergência. Inicialmente, foram beneficiadas diretamente 2.827 pessoas — número que foi aumentando pelas iniciativas de outros parceiros da ActionAid em Pernambuco. A AQCC, o Caatinga e a Conviver consideraram particularmente o impacto da seca sobre as mulheres e, em conjunto com as comunidades, decidiram quais famílias estavam em situação mais grave e deveriam ter atendimento prioritário. A AQCC distribuiu alimentos e água para as famílias chefiadas por mulheres, ou com grávidas e filhos pequenos. A CMN mobilizou grupos de mulheres produtivas com quem trabalha. A Articulação do Semiárido (ASA) — que reúne 12 de nossas organizações parceiras locais e tem importante atuação nacional — participou de audiências públicas e reuniões com representantes dos governos municipal e estadual, para reivindicar o acesso das populações à água por meio das políticas públicas de convivência com o semiárido já existentes, como o Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa 1 Terra e Duas Águas (P1+2). As previsões são de que a seca continuará em 2013, impactando as comunidades e as cem mil pessoas em situação de exclusão com quem trabalhamos. Nossos parceiros locais têm um papel fundamental, local e regionalmente, construindo alternativas resilientes, empreendendo ações emergenciais para garantir o acesso das pessoas à água e mobilizando e organizando ações de influência por políticas públicas. Alguns avanços já ocorreram, como o acesso aos mecanismos de apoio financeiro aos agricultores afetados pela seca e a implementação de ações de emergência. Em 2013, nossos planos de trabalho conjunto dão prioridade às estratégias de defesa contra a seca, como o acesso à água gerido por toda a comunidade. Gestão Participativa da Água em Carnaubeira da Penha e Mirandiba A política pública de abastecimento de água de grande parte do sertão nordestino obedece, geralmente, à lógica clientelista, tornando-se ferramenta política durante os períodos eleitorais. Ainda hoje é comum a troca de votos por caminhões-pipa ou serviços que garantam o acesso das comunidades à água em épocas de seca. Na região semiárida, em que trabalhamos em parceria com a organização local Conviver, o cenário é diferente. A Conviver vem atuando nos municípios de Mirandiba e Carnaubeira da Penha nos últimos cinco anos e tem um profundo conhecimento da população e das condições hídricas da região. Em maio de 2012, a organização preparou um plano de emergência para a expansão do acesso à água. Os funcionários da parceira local realizaram reuniões nas comunidades onde o acesso à água era crítico e apresentaram uma proposta de perfuração de poços. A ideia foi recebida com entusiasmo. Foi explicado aos participantes, no entanto, que seria difícil encontrar água subterrânea e não havia qualquer garantia de sucesso. Outra informação importante foi de que a água seria para o uso coletivo, mesmo se fosse encontrada, eventualmente, na terra de um deles. Todos concordaram e todas as famílias da comunidade assinaram um contrato. Nas reuniões seguintes, as comunidades discutiram possibilidades de onde perfurar os poços. Alguns pontos foram levados em consideração: • Valorização do conhecimento dos idosos na identificação de locais onde achar água • Distância em relação às casas • Distância em relação à eletricidade • Localização na terra de alguém da comunidade Foi difícil reunir esses fatores. Às vezes a probabilidade de encontrar água era boa, mas a distância da fonte de energia para instalar uma bomba era grande. Em outros casos, todos os fatores foram positivos, mas a localização era na terra de um fazendeiro que não daria acesso à comunidade. Finalmente, houve um acordo em relação às áreas pré-selecionadas. ©AS-PTA | ACTIONAID O projeto foi feito de maneira muito participativa, envolvendo as comunidades no planejamento e assegurando um processo de tomada de decisão transparente e democrática. Na aldeia indígena de Tupã, os moradores assinaram um documento, declarando concordar com a decisão. A forma de implementação do projeto — apresentado em um seminário organizado na comunidade do Tiririca — tornou-se um modelo para os governos municipal e estadual. Representantes de outras dez comunidades em Carnaubeira da Penha foram informados de sua bem- sucedida gestão. Líderes indígenas Atikum Pankará, quilombolas e o Fórum de Mulheres de Mirandiba e Carnaubeira da Penha contribuíram para o evento, divulgando seus resultados em outras regiões. Água para a população indígena em Tupã Minervina Maria da Conceição tem 33 anos, vive na aldeia indígena de Tupã, em Carnaubeira da Penha, e é mãe solteira de quatro filhos com idades de 8 meses, 4, 12 e 16 anos. “Nosso maior problema era a água. As mulheres são responsáveis por procurar e cuidar da água. Eu tinha que andar três quilômetros todos os dias a uma comunidade vizinha para encontrar água. Saía de casa às 8 horas e estava de volta ao meiodia. Tinha que ir duas vezes no dia, trazendo a água no lombo do meu burro. Mas a água era ruim e meus filhos ficaram doentes. Agora, com o poço, é muito melhor, a água é boa e a saúde das crianças melhorou. Todas as famílias têm acesso, a gente até pensou em fazer um encanamento para todas as casas. Sem a obrigação de levar água, eu não estou tão cansada e posso me dedicar à educação dos meus filhos. Acho até que eu deveria voltar para escola e concluir os estudos”, diz Minervina, também conhecida como Bilia. A alegria da comunidade agrícola de Quirino Cleocimar, agricultora de 33 anos, é mãe de quatro filhos e vive na comunidade de Quirino, em Mirandiba. A situação da família piorou por causa da seca em 2012. “Quando o caminhão com as máquinas chegou, no primeiro dia todo mundo estava feliz e ansioso para ver o que ia fazer. Foi uma maravilha, porque as pessoas aqui, como o meu sogro, que tem 72 anos, nunca tinham visto um poço ser perfurado. Este é o primeiro e único poço na comunidade. Para nós, foi uma alegria só ver muita água. A alegria foi a mesma que nem o dia em que minha primeira filha nasceu! Fomos a primeira comunidade em que houve perfuração e se encontrou tanta água. Foi uma bênção”, celebra Cleocimar. Água limpa e solidária ©HENRIQUE PICARELLI | ACTIONAID ©ACTIONAID Cleocimar também está feliz porque o poço pode garantir a sua subsistência. “O poço é ótimo, porque é bom para nós e pros animais. Dá pra plantar e gerar renda neste ano de seca. Mesmo as mães que moram mais longe, se precisarem dele, podem usar também. Porque elas têm os animais, têm roupa pra lavar. Antes, teve um monte de problemas de saúde, porque a água que a gente bebia era de um olho d’água também usado direto pelos animais. As crianças tinham doenças, sofriam muito com dor de barriga. Agora, a gente não se preocupa, porque o poço é a água que vem da terra, destilada, sabemos que é limpa, é um veio que vem da serra, não tem fossa, não tem nada sujo por perto. É por isso que eu digo que a água é uma maravilha”, conclui Cleocimar. Famílias agricultoras têm acesso à água durante a seca graças às cisternas construídas no Polo da Borborema, Paraíba Direito à Educação Nosso apoio em números: 33.489 crianças e jovens ampliaram seu acesso ao direito à educação A defesa do direito a uma educação pública de qualidade para todos tem sido uma marca do nosso trabalho. A promoção da educação nas comunidades tem sido feita pelas organizações parceiras. A ActionAid apoia, monitora e avalia os resultados dessas ações, de forma a que elas inspirem alternativas de políticas públicas. Em nível local, nossa atuação foi direcionada ao fortalecimento da capacidade de crianças, adolescentes, jovens, educadores e pais para exigir melhores condições dos serviços públicos que garantam o direito à educação pública de qualidade. Nacionalmente, nossa principal estratégia foi concentrar a Campanha Nacional pelo Direito à Educação em torno da aprovação das principais metas relacionadas ao novo Plano Nacional de Educação, especialmente em relação ao aumento do financiamento para uma educação pública de qualidade. Em vários momentos de mobilização em nome desta aprovação, encontramos forte solidariedade da sociedade, inclusive através das nossas mídias sociais. Monitorando a qualidade da educação por meio das cartas das crianças para doadores ©ELISÂNGELA LEITE | ACTIONAID Em 2012, aproveitamos as coletas de mensagens das crianças a seus doadores para ampliar e fortalecer o envolvimento das famílias e dos educadores no debate sobre a educação, tanto no apoio dentro da comunidade como na mobilização em defesa do acesso à educação oferecida pelos governos e da garantia de sua qualidade. Essas atividades ocorreram especialmente nos estados do Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Bahia e Minas Gerais, por intermédio dos parceiros Fase, MST, Esplar, AS-PTA, Caatinga, MMTRP-AL, Sasop, MOC, Grãos de Luz e Griô, CAA e CTA. Reforçando a capacidade de oferta e os equipamentos educacionais Um número crescente de professores e educadores tem atuado junto às famílias nas comunidades apoiadas para a defesa da melhoria do ensino. Em algumas localidades rurais, como o Largo de Junco, no Maranhão, as escolas primárias foram municipalizadas. Na periferia de São Paulo, o parceiro local, Unas, avançou no conceito e implantou uma metodologia pedagógica para fazer da favela de Heliópolis um bairro educador. No Rio de Janeiro, o parceiro local Redes de Desenvolvimento da Maré sistematizou os resultados dos investimentos feitos em seu pré-vestibular comunitário e nas aulas de reforço do ensino médio para aumentar o acesso dos jovens ao ensino público de qualidade. Os dados mostram o sucesso da iniciativa: houve significativo aumento do número de jovens pobres aprovados em universidades públicas. Reforçamos a capacidade das escolas comunitárias, oferecendo cursos de complementação para os alunos, instalando equipamentos — como bibliotecas e creches — e promovendo atividades culturais, esportivas e de capacitação profissional. Estas atividades foram realizadas pelos parceiros locais e, em muitas localidades, contaram com a coordenação de professores e diretores de escolas e a participação efetiva das mães e de outros parentes para exigir a melhoria do ensino oferecido. Nove parceiros continuaram atuando em favor da educação contextualizada no meio rural, especialmente nas questões relacionadas à convivência com o semiárido e ao respeito às culturas tradicionais de povos indígenas e quilombolas. ©ELISÂNGELA LEITE | ACTIONAID Lutando pelo aumento do investimento federal em educação ©ELISÂNGELA LEITE | ACTIONAID Em nível nacional, continuamos participando da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Por meio do movimento “PNE pra Valer” — cuja principal exigência é garantir o investimento de 10% do PIB para o desenvolvimento da educação — conseguimos mobilizar centenas de cidadãos em defesa dessa causa, além de mais de 200 organizações de todo o país — incluindo movimentos sociais, sindicatos, ONGs nacionais e internacionais, fundações e grupos universitários, estudantis e comunitários. Apesar das resistências no Congresso Nacional, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação conseguiu convencer os parlamentares a aprovarem a meta de 10% do PIB para o desenvolvimento da educação e a incluírem este objetivo em todas as fases do processo do Projeto de Lei do Plano Nacional de Educação (PNE) no Congresso. O processo culminou com o pronunciamento público do Ministro da Educação e da Presidente da República em apoio a este objetivo. Direitos das Mulheres Nosso apoio em números: 41.672 mulheres, mulheres jovens e meninas ampliaram o acesso aos seus direitos de igualdade e autonomia O direito das mulheres de viver e produzir no meio rural e urbano tem sido nosso principal foco. Apoiamos iniciativas para ampliar a autonomia econômica das mulheres no campo e na cidade e para reduzir sua vulnerabilidade. Com o grande aumento da população urbana — e, consequentemente, a presença feminina cada vez maior nas cidades —, estamos trabalhando com nossas organizações parceiras para tornar as cidades mais seguras e planejadas para as mulheres e para incentivar mecanismos de prevenção para que jovens e meninas pobres de áreas urbanas não entrem no ciclo de exploração sexual e de dependência de drogas. Nossas organizações parceiras têm um papel fundamental na capacitação e mobilização das mulheres e das comunidades em geral, a fim de levar a público suas demandas e pressionar o governo em busca de mudanças. Conscientizando sobre os direitos à terra e a recursos naturais ©CF8 | ACTIONAID Manifestação de apoio à Chapada do Apodi no Rio Grande do Norte Ao longo de 2012, organizações parceiras como CF-8, MMTRP-AL, CMTR-MA e o MIQCB realizaram, nos estados do Rio Grande do Norte, Alagoas, Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, oficinas de conscientização das mulheres sobre os seus direitos à terra e aos recursos naturais. O MMTRP-AL iniciou com as agricultoras um processo de reflexão sobre a produção de cana de açúcar em Alagoas, o principal produtor do Nordeste. A preocupação com a poluição e a dependência causada pelas indústrias da cana foi intensificada pelo anúncio sobre a construção de um aeroporto na região onde vivem as agricultoras, que temem que os impactos se agravem. O MIQBC, atuante em 42 municípios do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, organizou vários círculos de diálogos com as mulheres quebradeiras de coco-babaçu sobre a importância da Lei do Babaçu Livre, que lhes assegura, em caso de não utilização pelos proprietários, o direito de coletar o coco da palmeira mesmo em terras privadas. Além do fazer trabalho local, o MIQCB tem discutido com os parlamentares a importância e a necessidade da implantação de leis em mais localidades onde existe o recurso natural da qual dependem as quebradeiras. O CF-8 se empenhou na defesa das famílias agricultoras do território de Apodi, no Rio Grande do Norte, ameaçadas de serem despejadas de suas terras para dar espaço à construção de um grande empreendimento do agronegócio, na área da produção irrigada de frutas. Duas mil mulheres mobilizaram-se num protesto pacífico contra a violação dos direitos das agricultoras à terra em que vivem há anos. No Brasil, em 15 cidades de dez estados, milhares de mulheres foram às ruas para expressar solidariedade às agricultoras e para exigir que a terra de Apodi continue com elas, fortalecendo as práticas agroecológicas existentes na região. Como resultado desta atividade, houve a promessa de realização de uma audiência pública com o governo federal, que, no entanto, ainda não foi agendada. Fortalecendo a capacidade de produzir Em 2012, 17 organizações parceiras fortaleceram a capacidade produtiva e organizacional de cerca de 260 grupos de mulheres, com base na agroecologia e na economia solidária, visando à segurança e soberania alimentares e à autonomia econômica das mulheres. Além de grupos produtivos locais, as organizações parceiras assessoram grupos nacionais como a Rede Xique Xique, no Rio Grande do Norte, e a Rede de Mulheres Produtoras do Sertão do Pajeú, em Pernambuco. O CMTR assessorou 14 grupos produtivos de quatro municípios no Maranhão, beneficiando diretamente 106 mulheres. O CF-8 começou a desenvolver atividades com as ©CF8 | ACTIONAID ©ACTIONAID Mobilizando para a defesa dos direitos à terra comunidades de pescadores e de áreas periurbanas no semiárido do Rio Grande do Norte, promovendo a inclusão social e econômica das mulheres. Muitos dos grupos produtivos, porém, enfrentaram dificuldades, devido à seca que assola todo o sertão nordestino. A solução foi tentar abrir canais de diálogo com os governos, para assegurar que as políticas de convivência com o semiárido respondam aos impactos específicos sobre a vida das mulheres. Fortalecendo a capacidade de comercializar Nossas organizações parceiras também realizaram esforços para facilitar o acesso às políticas públicas de comercialização através dos mercados institucionais. O CF-8 deu orientações técnicas à Rede Xique Xique, a fim de facilitar a comercialização dos produtos dos agricultores familiares, especialmente de grupos de mulheres, em feiras locais, estaduais e em mercados institucionais. Na área urbana, a Redes de Desenvolvimento da Maré, no Rio de Janeiro, estabeleceu a cooperativa de mulheres Maré de Sabores, onde elas têm aulas de gastronomia e recebem orientação sobre seus direitos. Mobilizando pelo fim da violência contra a mulher Ao longo do ano, nossa organização parceira Etapas apoiou a participação das mulheres em situação de vulnerabilidade nas comunidades pernambucanas de Córrego do Euclides e Passarinho, em mobilizações políticas, comícios e audiências públicas organizados pelo Fórum de Pernambuco e pela Vigília das Vidas livres da violência e das drogas em Pernambuco Muito se avançou no enfrentamento da violência doméstica no Brasil desde a criação da Lei Maria da Penha, em 2006. Mesmo com limites na sua implementação, é inegável que a Lei estimulou as mulheres a denunciarem seus agressores e a buscarem apoio para sair do ciclo de abusos no âmbito familiar. A violência contra as mulheres, porém, é tão grande e frequente que o assédio e o desrespeito são praticamente considerados naturais nos espaços públicos. Jovens e meninas de periferias urbanas são particularmente vulneráveis à exploração sexual e à dependência de drogas. Para enfrentar esse grave problema, aprovamos junto ao financiador Comic Relief um projeto especial: “Reduzir a exploração sexual de meninas e mulheres jovens”, que completou um ano em 2012. Hoje, já são 360 meninas e jovens de periferias pobres da região metropolitana de Recife e Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, que estão mais conscientes de seus direitos e mais preparadas para se fazerem respeitar e inspirar outras jovens a viver livre de abusos por violência e drogas. Inicialmente, houve apresentação para as jovens interessadas e suas famílias. Cada menina foi informada do propósito do projeto e assumiu o compromisso de participar — além de dar sugestões sobre o detalhamento de metodologias e atividades e os melhores horários para estas, de modo a não haver interferência nas atividades escolares. As organizações parceiras CMC, CMN e Etapas realizaram oficinas para cada grupo das comunidades. Em Ibura, área de atuação da parceira Etapas na periferia da Grande Recife, foi criado um grupo de teatro para expandir o conhecimento nas escolas. A experiência demonstrou o grande potencial multiplicador das atividades na formação de educadores. Essa atividade permitiu que as meninas iniciassem um processo de reflexão sobre os temas como a cidadania, as relações de gênero e a prevenção da exploração sexual de meninas. Direito a cidades mais seguras para as mulheres Nossa iniciativa Cidades Seguras promoveu uma pesquisa para identificar as causas e consequências da violência contra as mulheres e meninas em espaços públicos, favelas urbanas e áreas periurbanas e as mudanças necessárias na oferta de serviços públicos e infraestrutura para garantir segurança e mobilidade nas cidades. Realizamos uma oficina sobre o tema cidades seguras com membros das organizações que compõem o Fórum Estadual de Reforma Urbana de Pernambuco (FERU), a fim de debater o conceito de direito à cidade do ponto de vista de gênero. O objetivo foi sensibilizar as organizações membro do FERU para que realizassem um seminário sobre o tema com as mulheres das comunidades em que elas atuam. Durante o seminário, em Cabo de Santo Agostinho, a questão foi compreendida por todos os participantes como um problema que restringe o direito das mulheres à cidade, impedindo-as de exercer sua liberdade nos centros urbanos. O seminário contou com a presença de cerca de 50 mulheres de diferentes comunidades da região metropolitana do Recife, do FERU e de nossa organização parceira no Rio de Janeiro, a Redes de Desenvolvimento da Maré. ©ACTIONAID Mulheres pelo Fim da Violência. A Etapas também realizou atividades de formação e intercâmbio entre as mulheres dessas comunidades, com o objetivo de proporcionar a troca de experiências sobre as questões que as preocupam, especialmente a violência, e sensibilizar a população. No Rio de Janeiro, as organizações feministas e os movimentos de mulheres realizaram uma audiência pública com vereadoras e pediram o fim da violência de gênero em frente ao Fórum de Justiça. Direito à Participação Democrática e à Erradicação da Pobreza Nosso apoio em números: 14.061 pessoas ampliaram sua participação democrática O direito a exercer a cidadania não se restringe somente a votar em eleições de tempos em tempos. Para muitas pessoas em situação de pobreza, a falta de informação e entendimento sobre os mecanismos de decisão que afetam suas vidas perpetua sua exclusão e favorece o clientelismo e a corrupção. Em 2012, foram muitas as nossas iniciativas para fortalecer as capacidades das pessoas em situação de pobreza, bem como dos movimentos e organizações que lutam para que elas exerçam plenamente sua cidadania. Além de debates sobre as políticas públicas de combate à miséria, houve monitoramento da execução de orçamento público e reivindicação de cidades mais inclusivas e democráticas. Aprimorando o Brasil sem Miséria Junto com o Ibase, convocamos diversas organizações e movimentos sociais para criar uma articulação que dialogasse com o governo sobre o principal plano de combate à extrema pobreza, o Programa Brasil sem Miséria. A renda é o principal parâmetro usado pelo programa para a identificação de linhas de pobreza e a transferência de renda é o seu principal instrumento de superação das situações de pobreza. No entanto, o acesso a serviços públicos de qualidade é um componente fundamental em todas as etapas até a superação. Sem ter os serviços essenciais, os mais pobres não conseguem se integrar em um processo de inclusão produtiva. As mulheres, em particular, são as maiores vítimas dessa exclusão. Assim, os pontos que a coalizão destacou foram: ©AS-PTA | ACTIONAID • A necessidade de realizar um mapeamento das diversas ofertas e demandas dos serviços essenciais para a população em condição de extrema pobreza. • Construção de um programa especial de expansão dos serviços de infraestrutura em áreas rurais e pequenas cidades, por meio de iniciativas que envolvam vários ministérios e com o controle da sociedade civil em sua execução, considerando que quase 50% das pessoas que se encontram em extrema pobreza estão na área rural. A coalizão entregou uma carta de recomendações ao governo, assinada por 20 organizações. Algumas das recomendações foram respondidas, tais como: a necessidade de mecanismos de participação mais fortes e mais eficientes; a proposta de se considerar o ajuste, em alguns casos, do benefício individual para um benefício coletivo; e a urgência em se concentrar mais na ações em prol da qualidade dos serviços públicos e do acesso a eles como parte essencial do plano de erradicação da pobreza. Também realizamos duas reuniões com o Ministério do Desenvolvimento Social e com a Secretaria Geral da Presidência da República, nas quais externamos nossas preocupações. Apesar de recente, a articulação de organizações da sociedade civil e movimentos sociais em torno do Plano Brasil Sem Miséria, convocada pela ActionAid Brasil, vem sendo bem-sucedida na criação de uma plataforma sólida para a ação sobre as políticas públicas de erradicação da pobreza. Desvendando o orçamento público Para ajudar as comunidades e pessoas em situação de pobreza a cobrar investimentos públicos de qualidade, implantamos, com financiamento da União Europeia, um projeto entre Brasil, Guatemala e Nicarágua, em que se compartilham experiências brasileiras de como monitorar o orçamento governamental. O projeto tem promovido treinamentos, capacitações, campanhas de sensibilização e mobilização em níveis local e nacional, na Guatemala e na Nicarágua. As atividades envolveram diretamente mulheres, jovens e grupos excluídos de três municípios na Nicarágua e cinco na Guatemala. Como resultado, os grupos se sentem motivados, mais capazes de analisar orçamentos e de exercer pressão sobre as autoridades. Reivindicação do direito à cidade: o caso da favela da Maré Situada entre as maiores e mais importantes vias de acesso da cidade do Rio de Janeiro (a Avenida Brasil e a Linha Vermelha) numa região originalmente caracterizada por vegetação de mangue e ocupada por pântanos, o Complexo da Maré tem aproximadamente 132 mil habitantes, em cerca de 40 mil domicílios, agrupados em 16 comunidades. Desde 2009, a ActionAid Brasil está trabalhando em conjunto com as autoridades locais e a organização Redes de Desenvolvimento da Maré para incluir as demandas de combate à discriminação e integrar a Maré na cidade como um bairro igual aos outros. A Redes iniciou um censo da população e dos serviços existentes no local, para pressionar as autoridades a reconhecerem a Maré como um bairro (ausente literal e simbolicamente do mapa do Rio) e melhorar seus serviços. A atividade do censo envolveu: 1) Mapeamento de cartografia da área, publicado como o Guia de Ruas da Maré 2) Diagnóstico do empreendedorismo econômico na região 3) Diagnóstico do número de moradores na região O Guia de Ruas da Maré foi o primeiro resultado do censo. O lançamento, em setembro de 2012, contou com a presença de cerca de 300 pessoas, entre moradores, trabalhadores locais e parceiros institucionais. A primeira edição teve 3 mil exemplares. A publicação, que está sendo distribuída gratuitamente para os moradores da Maré, é um marco na história do bairro, essencial para o reconhecimento oficial das ruas pela cidade do Rio de Janeiro. Com o Guia em mãos, é possível para os moradores afirmar que as ruas têm código postal e receber serviços públicos do governo. Um resultado imediato foi o início da instalação de cartazes com a identificação dos nomes das ruas de Maré, produzidos em azulejo por profissionais da organização parceira como um trabalho pedagógico em reuniões com crianças e adolescentes. Para além da utilidade imediata de facilitar o processo de identificação das ruas e, portanto, de trânsito e de reconhecimento do território, o projeto está promovendo o resgate das histórias das ruas pelos moradores, como forma de fortalecer uma identidade comum. Não se trata apenas um ato de identificação, mas também de pertencimento e de fazer visível o bairro para a cidade. ©AS-PTA | ACTIONAID Encontro de agricultores do Polo da Borborema Reivindicando o direito à cidade As organizações parceiras Unas e FAMMC conseguiram fundos sociais oficiais de construção de moradia, o que beneficiou famílias na periferia de São Paulo e Teresina, respectivamente. Já no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, a parceira CMC liderou a articulação de organizações para enfrentar os impactos negativos do megaprojeto Complexo do Suape sobre o município, que passou a enfrentar problemas de mobilidade urbana, aumento de exploração sexual e consumo de drogas, insegurança pública, remoções e poluição ambiental. da América Latina e África, onde há uma presença cada vez maior de investimentos brasileiros. Por isso, o Brasil tem cada vez mais capacidade de influenciar decisões que afetam a pobreza em todo o mundo. Monitorando a política externa brasileira Durante 2012, organizações da sociedade civil e movimentos sociais uniram-se, visando ao fortalecimento da participação e da capacidade da sociedade civil de influenciar no crescente papel do Brasil nos cenários regional e global. O grupo pretende promover o monitoramento da cooperação brasileira com países da África e América Latina. Juntamente com nossos parceiros, acompanhamos a Conferência Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), buscando fazer com que as vozes, reivindicações e soluções alternativas locais das comunidades com as quais trabalhamos fossem ouvidas. Atuamos ainda na Conferência para fortalecer a importância do combate à pobreza nas resoluções e para denunciar o efeito negativo dos agrocombustíveis sobre o preço dos alimentos e as violações de direitos nas obras dos megaeventos e do PAC. Além de alcançarmos visibilidade para a dura realidade enfrentada pelas comunidades excluídas, conseguimos que a agenda do combate à pobreza e a da importância da adaptação à mudança climática através do fortalecimento da agricultura familiar e da agroecologia tivessem destaque nas resoluções finais. O Brasil vem se consolidando como um ator muito importante no cenário global, pois participa de importantes fóruns de tomada de decisão (G20, Brics, IBSA, Unasul) e vem implementando vários programas de cooperação internacional, sobretudo com países A ActionAid Brasil atuou ainda no acompanhamento das reuniões do G20 e do Brics, sempre dialogando com o governo no sentido de que esses grupos de países priorizem o combate à fome e à pobreza. Também acompanhamos e apoiamos o Comitê da Copa no Rio de Janeiro, buscando participar ativamente das ações de denúncia, mobilização e solidariedade com as pessoas que estão sendo afetadas por despejos e remoções devido às obras relacionadas à Copa do Mundo e às Olimpíadas, criticando as prioridades para a alocação de recursos públicos que não contemplam o direito da população à cidade. Ativismo e Campanhas O engajamento da juventude é uma peça fundamental em nosso trabalho de ativismo e campanhas. Em 2012, consolidamos a rede Activista de jovens voluntários, que nos ajudaram a mobilizar milhares de pessoas pelo fim da violência contra a mulher e em defesa da agricultura sustentável e do aumento do acesso dos trabalhadores rurais à terra. Quero uma agricultura sem veneno! Expansão da rede dos jovens na luta por direitos Realizamos e apoiamos várias atividades durante a Conferência Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e na conferência paralela, a Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro. A ação “Quero uma Agricultura sem Veneno” denunciou o abuso da utilização de agrotóxicos e fertilizantes químicos na produção agropecuária de larga escala e pediu o apoio da população para a agricultura familiar de base agroecológica. A iniciativa teve grande repercussão na mídia e nas redes sociais. No Dia Mundial da Alimentação, em outubro, os Activistas fizeram novo ato, desta vez na praia de Copacabana: com o tema “Branca de Neve, rainha do agronegócio”, foram distribuídas maçãs, simbolizando o veneno do agrotóxico. Em ação conjunta com a Articulação Nacional da Agroecologia (ANA), lançamos a fanpage “Agricultura sem Veneno”, para divulgar a agricultura sustentável e promover um abaixo-assinado para a aprovação do Plano Nacional de Agroecologia e Agricultura Orgânica. Na mesma data, lançamos o relatório sobre a crescente “estrangeirização” da terra nos países pobres e em desenvolvimento, promovida por grandes empreendimentos corporativos. O trabalho com os jovens voluntários foi além de mobilizações em datas chave do ano. Houve reuniões de formação em direitos, planejamento de ações, criação e manutenção de uma fanpage activista e participação em eventos e palestras em universidades, para divulgação dos temas. No planejamento conjunto, consolidamos o engajamento de um grupo voluntário de dez jovens, que, ao longo do ano, conseguiram manter a mobilização de 1.921 apoiadores. Juventude mobilizada por nossos parceiros locais Doze parceiros continuaram a envolver jovens em projetos de educação ambiental e contextualizada, comunicação, artesanato, cultura e esporte. Houve a realização de fóruns regionais de jovens para troca de experiências e aprofundamento do debate sobre o papel da juventude na promoção da agricultura sustentável, da educação contextualizada e da igualdade de gênero, com uma perspectiva de garantir um futuro melhor para a juventude rural. Defesa de cidades seguras para mulheres Produzimos um pequeno filme sobre a situação de insegurança urbana de mulheres na cidade de Cabo de Santo Agostinho, com testemunhos de mulheres e gestores públicos, que ressaltaram a intensificação da vulnerabilidade das meninas e jovens pobres após a implantação do Complexo do Suape na região. O filme está disponível em nosso canal do YouTube e pode ser visto em http://youtu.be/NPra4dhwjko. Activistas fazem ação por uma agricultura sem veneno durante a Rio +20 No Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher, os Activistas se solidarizaram com organizações parceiras do movimento de mulheres com mensagens de repúdio ao machismo e à violência de gênero. Activistas no Dia Internacional da Juventude Solidariedade e visibilidade Chegamos ao fim de 2012 muito mais conhecidos, comentados e apoiados. Conquistamos 6 mil novos doadores regulares, atingindo a marca de 13 mil no total — um crescimento de quase 100% em relação ao número de doadores de 2011. Nossa embaixadora Julia Lemmertz gravou um filme institucional que foi exibido na Rede Globo e na rede de cinemas Cinemark, em São Paulo, Rio, Salvador e Recife. Em solidariedade aos atingidos pela seca do Nordeste, Julia também gravou um filme de apelo para doações de emergência. Este foi exibido na internet e nos ajudou a arrecadar recursos para o enfrentamento da situação. ©MARCOSRIBAS | ACTIONAID A cantora Luiza Possi visitou nosso trabalho com a parceira Unas em Heliópolis, São Paulo, e se tornou nossa embaixadora digital. O engajamento da Luiza Possi, particularmente na ação de doação especial para o Dia das Mães, levou a um grande crescimento de seguidores, comentários e visualizações de nossos canais de mídias sociais. Foram realizadas duas visitas de doadores às comunidades apoiadas pelo nosso trabalho, uma em junho, no Recife, aproveitando o lançamento do novo escritório da ActionAid, e outra em novembro, no estado de Alagoas, relatada a seguir. Nossos posicionamentos e ações e a atuação dos Activistas geraram mais de 300 menções na mídia impressa, digital e eletrônica, com 21 milhões de leitores/visitantes. Mão na massa para construir a mudança juntos Doadores visitam a comunidade de Passarinho em Recife, Pernambuco ©HÉLDER TAVARES | ACTIONAID Durante o Mão na Massa doadores ajudaram a construir uma biblioteca em Vista Alegre, Alagoas ©ERICO HILLER | ACTIONAID Em 2012, organizamos a terceira iniciativa “Mão na Massa”, com visita de doadores às áreas onde atuamos, para conhecer as belezas naturais e ajudar a construir benfeitorias na comunidade, em conjunto com as famílias apoiadas. Dessa vez, o “Mão na Massa” aconteceu em Alagoas, na região de atuação do parceiro MMTRP-AL. A comunidade escolhida foi Bela Vista, do município de Igreja Nova, na região do Baixo São Francisco. O mutirão foi para montar uma biblioteca para as crianças e suas famílias. Antes da viagem, realizamos uma campanha para arrecadação de livros, jogos, brinquedos e uma TV para a inauguração do espaço. Os dez doadores que participaram da viagem arregaçaram as mangas e contribuíram com pintura e montagem dos móveis, além da organização do material recebido. Foi um momento de integração e muita emoção entre todos que participaram da visita. Com esta mobilização, criamos um bonito e confortável espaço que está beneficiando aproximadamente 95 famílias, que hoje podem ler, estudar, brincar... e sonhar! Solidariedade sem fronteiras Os doadores brasileiros se solidarizaram também com programas de combate à pobreza em Moçambique, Guatemala e Haiti. Esses países passaram por guerras ou conflitos políticos intensos, estiagens severas e desastres naturais, que resultaram na ausência de serviços básicos ou grande precariedade em sua oferta. Para levar a eles a solidariedade de milhares de brasileiros, estabelecemos parcerias com a ActionAid Internacional e organizações nacionais de outros países que fazem parte de nossa federação, onde asseguramos que elas financiem e implementem ações de combate à pobreza em cada um desses países. Através dessas parcerias, estamos provendo acesso a água, alimentação e produção agrícola, além de promover educação, defesa dos direitos das mulheres, prevenção ao cólera, geração de renda e mobilizações pela transparência do uso de recursos públicos e pelo acesso à terra e à habitação. ©FABRIZIA GRANATIERI | ACTIONAID Luiza Possi e Julia Lemmertz visitam Unas em Heliópolis, São Paulo Julia Lemmertz e Malu Mader apoiaram a ActionAid durante o Rio Restaurant Week Finanças A receita da ActionAid Brasil é composta por doações regulares de pessoas físicas, de parcerias institucionais e de grandes doações individuais. Nossos doadores individuais são brasileiros, italianos, ingleses, suecos e gregos. Em 2012, a doação real total de receita de pessoa física representou 99% da renda total. Apesar da perda significativa de receita de pessoa física proveniente de Grécia, Reino Unido e Itália, em grande parte devido à retração financeira na Europa, houve compensação por um crescimento de 58% na arrecadação no Brasil, comparado ao ano anterior. Não houve novos contratos de parcerias institucionais (fontes oficiais e de outros parceiros), mas mantivemos as atuais, que estão sendo gerenciadas desde antes de 2010. Nossos contratos atuais são com a Fundação Renato Corti (da Itália), União Europeia, Danida (governo da Dinamarca) e Ford Foundation (dos Estados Unidos). O convênio com a Wallace Foundation (também dos Estados Unidos) foi renovado. Nossas contas foram auditadas e aprovadas pela empresa BDO e pela auditoria interna da ActionAid Internacional. O Conselho e a Coordenação Gestora da ActionAid estão trabalhando juntos para controlar e mitigar os riscos financeiros impostos pela crise econômica na Europa e pela flutuação da sua moeda. Este processo deve ser aprofundado em 2013, juntamente com a flexibilidade necessária para adaptar os planos se ocorrer uma mudança substancial no contexto. Receitas (R$) Doações de pessoas físicas (brasileiras e estrangeiras) Doações institucionais (AAI, fundações e agências de cooperação) Total 2010 2011 2012 11.104.476,64 11.082.747,84 14.834.471,33 Brasil Estrangeiro 4.733.668,27 10.100.803,05 1.836.645,92 30.784,73 131.222,40 12.941.122,56 11.113.532,57 14.965.693,73 Doações de pessoas físicas O crescimento do número de doadores brasileiros e a valorização cambial da Libra em relação ao Real, contribuíram para o aumento de 34% da receita em 2012. Reservas GBP (£) 2010 2011 2012 953.000,00 148.000,00 221.678,56 2,714 2,674 3,096 2.586.442,00 395.678,00 686.338,98 Taxa Média R$ Observação: Este Resultado Líquido comporá as reservas. Despesas • Análise Estatutária (R$) 2010 2011 2012 Projetos 9.371.773,32 74% 8.096.598,14 65% 9.667.616,84 68% Captação de Recursos 1.657.468,10 13% 1.872.700,00 15% 2.498.084,25 17% Gerais e Administrativas 1.642.280,20 13% 2.441.621,58 20% 2.113.653,06 15% Total 12.671.521,62 100% 12.410.919,71 100% 14.279.354,15 100% Observação: Este demonstrativo contempla as despesas realizadas a partir de receitas oriundas de todas as doações recebidas pela ActionAid Brasil (do exterior e locais). As receitas locais (Apadrinhamento Brasil) são distribuídas da seguinte forma: Projetos – 80%, Administrativo - 10% e Captação – 10%. Análise Temática (R$) 2010 2011 2012 Direito à Alimentação 3.549.447,28 38% 3.361.193,29 41% 4.097.187,26 42% Direitos das Mulheres e Afrodescendentes 2.399.677,39 25% 1.981.386,87 24% 2.837.161,52 30% Direito à Educação 1.941.536,00 21% 1.206.648,36 15% 1.355.447,28 14% Direito à Participação Democrática 1.481.112,66 16% 1.672.016,50 20% 1.377.820,78 14% Total 9.371.773,32 100% 8.221.245,02 100% 9.667.616,84 100% Onde atuamos Secretariado internacional Johannesburgo, África do Sul Escritórios de Coordenação Regional de Países África Nairóbi, Quênia Américas Rio de Janeiro, Brasil Ásia Bangcoc, Tailândia Europa Bruxelas, Bélgica ActionAid nas Américas Brasil | Estados Unidos | Guatemala | Haiti | Nicarágua | República Dominicana ActionAid na Europa Bélgica | Dinamarca | França | Grécia | Holanda | Irlanda | Itália | Reino Unido | Suécia ActionAid na Ásia Afeganistão | Bangladesh | Camboja | China | Índia | Laos | Mianmar | Nepal | Paquistão | Tailândia | Vietnã ActionAid na África África do Sul | Burkina Faso | Burundi | Etiópia | Gâmbia | Gana | Quênia | Libéria | Malauí | Moçambique | Nigéria | República do Congo | Ruanda | Senegal | Serra Leoa | Somalilândia | Tanzânia | Uganda | Zâmbia | Zimbábue ActionAid na Oceania Austrália Organizações parceiras locais no Brasil Nordeste AQCC AS-PTA ASSEMA Caatinga CF-8 CMC CMN CMTR-MA Comsef Conviver Esplar Etapas FAMMC Grãos de Luz e Griôs MIQCB MOC MMTRP-AL MST Sasop Norte Fase MIQCB Sudeste CAA-MN Ceacc CTA-ZM Redes Unas Nossa equipe Conselho Administrativo Conselho Fiscal Kristina Michahelles Silvio Caccia Bava Lindolpho Souza Clélia Maury Pauline Matin-Alvarez Fátima Mello Reginaldo Sales Magalhães Verena Alberti Jacqueline Pitanguy Andréa Alice da Cunha Faria Nelson de Almeida Costa Uaçaí de Magalhães Lopes Equipe Gestora Gestor Executivo Adriano Campolina Gestor de Programas Avanildo Duque Kristina Michahelles Silvio Caccia Bava Lindolpho Souza Clélia Maury Rudi Lewin Pauline Matrin-Alvarez Fátima Mello Reginaldo Sales Magalhães Verena Alberti Jacqueline Pitanguy Andréa Alice da Cunha Faria Beatriz Maria Alasia de Heredia Carlos Eduardo de Souza David Santos (Frei David) Guacira de Oliveira Gustavo Lins Ribeiro José Maurício Arruti Maíra Martins Maria Celi Scalon Marilene Souza Coordenadora de Direitos das Mulheres Ana Paula Ferreira Gestor Financeiro Apóstolos Michalas Gestor de Mobilização de Recursos Bruno Benjamim Gestora de Vínculos Solidários Celia Bartone Gestora de Comunicação e Campanhas Glauce Arzua ©ACTIONAID Assembleia Nacional Glossário AQCC — Associação de Quilombolas de Conceição das Criolas: www.nordestecerrado.com.br/aqccassociacao-quilombola-de-conceicao-das-criolas-pe/ CONSEA - Conselho Nacional de Segurança Alimentar: www4.planalto.gov.br/consea CONVIVER no Sertão — (87) 3885-1540 ANA — Articulação Nacional da Agroecologia: www.agroecologia.org.br ASA — Articulação do Semiárido: www.asabrasil.org.br AS-PTA — Assessoria e Serviços em Projetos de Tecnologia Alternativa: www.aspta.org.br ASSEMA — Associação em Áreas de Assentamento do Estado do Maranhão: www.assema.org.br BRASIL SEM MISÉRIA — Programa criado no governo Dilma Rousseff para ampliar o acesso dos mais pobres a políticas sociais: www.brasilsemmiseria.gov.br BRICS — Agrupamento dos países emergentes Brasil, Rússia, Índia China e África do Sul: www.itamaraty.gov.br/temas/mecanismos-interregionais/agrupamento-brics CAATINGA — Centro de Assessoria e Apoio a Trabalhadores/as e Instituições Não Governamentais Alternativas: www.caatinga.org.br CAA-NM — Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas: www.caa.org.br CEACC — Centro de Estudos e Ações Culturais e de Cidadania: www.ceacc.org.br/site/Ins_Equipe.aspx CF-8 — Centro Feminista 8 de Março: www.cf8.org.br CMC — Centro das Mulheres do Cabo: www.mulheresdocabo.org.br CMN — Casa da Mulher do Nordeste: www.casadamulherdonordeste.org.br CMTR-MA — Coletivo de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Estado do Maranhão: www.mmtrne.org.br COEP — Rede Nacional de Mobilização Social: www.coepbrasil.org.br COMSEF — Comunidade Semeando o Futuro: (81) 3656-1399 COMIC RELIEF — Comic Relief (literalmente em português: Alívio Cômico) é uma organização britânica de caridade, que usa o riso para combater a miséria: www.comicrelief.com CTA-ZM — Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata: www.facebook.com/CTAZM ESPLAR - Escritório de Planejamento e Assessoria Rural: www.esplar.org.br ETAPAS - Equipe Técnica de Assessoria Pesquisa e Ação Social: www.etapas.org.br FASE — Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional: www.fase.org.br/v2 FAMMC - Federação das Associações de Moradores e Conselhos Comunitários do Piauí: (86) 3223-4967 FERU — Fórum Estadual de Reforma Urbana de Pernambuco: www.forumreformaurbana.org.br FNRU — Fórum Nacional de Reforma Urbana: www.forumreformaurbana.org.br G20 — Grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia: www.pt.wikipedia.org/wiki/G20 GRÃOS DE LUZ E GRIÔS — www.acaogrio.org.br IBSA — Iniciativa trilateral entre Índia, Brasil e África do Sul para promover a cooperação Sul-Sul: www2.enap.gov.br/ibas/ index.php?option=com_content&task=view&id=13&Itemid=27 LEI MARIA DA PENHA — Lei nº 11.340 que cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/ Lei/L11340.htm MÃO NA MASSA — A iniciativa Mão na Massa é uma oportunidade do doador da ActionAid conhecer a realidade das comunidades e ajudar diretamente num projeto comunitário: www.actionaid.org.br/ fa%C3%A7a-parte/m%C3%A3o-na-massa MIQCB — Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu: www.miqcb.org.br MOC — Movimento de Organização Comunitária: www.moc.org.br MMTRP-AL — Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais: www.mmtrne.org.br MST — Movimento dos Trabalhadores Sem Terra: www.mst.org.br MULHERES DO BRASIL — Programa de doações para o trabalho da ActionAid Brasil de empoderamento econômico e social das mulheres pobres: www.actionaidmulheres.org.br P1MC - Programa 1 Milhão de Cisternas: www.asabrasil.org.br P1+2 — Programa 1 Terra e 2 Águas: www.asabrasil.org.br PAA — Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal que cria mercados institucionais para a produção do agricultor familiar: www.mda.gov.br/ portal/saf/programas/paa PAC — Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal que tem como prioridades o investimento em infraestrutura, em áreas como saneamento, habitação, transporte, energia e recursos hídricos, entre outros: www.pac.gov.br PNAE — Programa Nacional de Alimentação Escolar do governo federal que prevê que 30% doa alimentos da merenda escolar sejam comprados da agricultura familiar: www.fnde.gov.br/programas/alimentacaoescolar/alimentacao-escolar-apresentacao PNE - Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020: www.pne.ufpr.br/?page_id=16 SASOP — Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais: www.sasop.org.br REDE ACTIVISTA - Rede global de jovens da ActionAid e parceiros que agem para um mundo sem pobreza: www.actionaid.org.br/faca-parte REDES DE DESENVOLVIMENTO DA MARÉ — www.redesdamare.org.br REDE DE COMERCIALIZAÇÃO SOLIDÁRIA XIQUE XIQUE — www.redexiquexique.blogspot.com.br RIO+20 — A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável: www.rio20.gov.br UNAS — União de Núcleos, Associações e Sociedades dos Moradores e Heliópolis e São João Clímaco: www.unas.org.br UNASUL — A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) formada pelos doze países da América do Sul: www.itamaraty.gov.br/temas/america-do-sul-eintegracao-regional/unasul ActionAid Brasil www.actionaid.org.br Junte-se a nós nas redes sociais! www.facebook.com/actionaidbrasil https://www.facebook.com/ActivistaBrasil twitter.com/ActionAidBrasil www.youtube.com/user/ActionAidnoBrasil plus.google.com/u/0/b/106881892582951049960/106881892582951049960 www.linkedin.com/company/actionaid-brasil Apadrinhe já! www.mudeumavida.org.br Rua Morais e Vale, 111 / 5º andar – Centro CEP 20021-260 Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: +55 21 2189 4600 Fax: +55 21 2189 4612 Em Recife Travessa Viscondessa do Livramento, 168 (anexo) — Derby CEP 52010-060 — Recife – PE – Brasil Tel.: + 55 81 3221 3425 [email protected] www.actionaid.org.br © PROJETO GRÁFICO: MAIS PV | CAPA: ARTE SOBRE FOTO DE HENRIQUE PICARELLI/ACTIONAID No Rio de Janeiro