Modelagem Ecológico-Econômica do Rio Purus Bruno César Alves Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA CEP 12228-900, CTA – São José dos Campos, SP – Brasil Bolsista PIBIC-CNPq [email protected] Wilson Cabral de Sousa Júnior Instituto Tecnológico de Aeronáutica End.: Praça Marechal Eduardo Gomes, 50 - Vila das Acácias CEP 12228-900 – São José dos Campos – SP – Brasil [email protected] Resumo. Com o objetivo de criar ferramentas que facilitam a análise do relacionamento de variáveis ecológicas e econômicas do rio Purus, este artigo apresenta o desenvolvimento de modelos ambientais (hidrologia e desmatamento) aplicados à Amazônia brasileira, na bacia do rio Purus. Os modelos (water routing e desmatamento) foram executados no software Simulistics Símile. O primeiro apresentou resultado insatisfatório, relacionado principalmente às limitações de escala do software. O segundo, o qual considerou o problema anterior e teve sua escala reduzida, foi executado a partir de premissas simples e relações doseresposta (variáveis que afetam o desmatamento) uniformizadas. O modelo de desmatamento foi testado para a situação real (desmatamento real) e executado para a simulação de cenário futuro (ano de 2015). Os resultados obtidos foram similares aos apresentados por modelos mais complexos - de dinâmica espacial. A simulação para 2015 prevê aumento de 38% da área desmatada na bacia, em relação aos valores atuais. Palavras chave: modelagem ambiental, Rio Purus, Amazônia, desmatamento. 1.Introdução A partir da necessidade da análise de forma quantitativa de variáveis ecológicas e econômicas que possibilitassem uma visão rápida e confiável em relação a questões como o desmatamento e o fluxo de água de um rio, o presente estudo visa o desenvolvimento de um modelo ecológico econômico relacionado à bacia do Rio Purus, localizada na Amazônia, utilizando o software Simulistics Simile. Foram desenvolvidos dois modelos para a bacia do Rio Purus: o “water routing” e “modelo de desmatamento”. O objetivo do primeiro modelo é simular a rota e a quantidade de água presente em diversos pontos (células) de um rio genérico, a partir de dados de precipitação média de sua região. Para isso o rio Purus foi dividido em uma grade de células com o uso do software Arcview e aplicado ao modelo que foi estudado em detalhes. O modelo foi simulado e avaliado em suas aplicações e limitações. O segundo trata da modelagem do desmatamento a partir da evolução de variáveis que o afetam. O seu desenvolvimento foi baseado na coleta e uniformização dos dados dessas variáveis e uma avaliação do relacionamento entre elas a partir de um critério de aproximação (aproximação quadrática). Por fim, o modelo foi criado e o desmatamento amazônico foi simulado em um cenário futuro. 2. Modelos 2.1. Modelo “Water Routing” O modelo “water routing” foi estudado, em seu funcionamento, e cada parte do mesmo foi analisada para posteriormente executá-lo com a inserção de dados da bacia do rio Purus. O modelo completo é mostrado na Figura 1 com a descrição de suas variáveis na tabela 1. Figura 1. Modelo “water routing”. Tabela 1. Descrição de variáveis (“water routing”). Variáveis Descrição RasterWidth Largura da Grade NumCells Total de células RasterHeight Altura da grade Index Índice Row Linha Column Coluna DirValue Valor de direção NeighborRow Linha da célula vizinha NeighborColumn Coluna da célula vizinha FlowDirection Condição de borda da grade Influx Entrada de água Water Quantidade de água da célula OutFlux Saída de água FlowRate Vazão de água Interfow Água trocada entre células StreamNetwork Condição de fluxo entre células O modelo compreende a entrada de dados de precipitação, vazão e direção de fluxo do rio. Os dados de precipitação e vazão do rio são médias representativas para a região, já os dados de direção de fluxo foram especificados para cada célula do rio previamente dividido. 2.1.1. Funcionamento do modelo “Water Routing” A Figura 2 ilustra o módulo de entrada de dados do modelo, no que concerne à sua representação espacial. Figura 2. Modelo “water routing” – parte 1. As variáveis de entrada “RasterWigth” e “NumCells” determinam, respectivamente, o número de células horizontais e o número de células totais em que o rio é dividido. A partir de ambas, a variável “RasterHeight” é determinada (Figura 3). Figura 3. Modelo “water routing” – parte 2. A variável “index” representa o índice de cada célula. Os índices das células do rio são organizados da mesma forma que o exemplo apresentado na Figura 4. Figura 4. Tabela de índices. As variáveis “Row” e “Column” guardam o valor da linha e da coluna do índice (Figura 5). Figura 5. Modelo “water routing” – parte 3. “NeighborRow” armazena o valor da linha para o qual se dirige o fluxo de água. “NeighborRow” faz o mesmo em relação à coluna. A variável “NeighborIndex” armazena o valor do índice para onde se dirige o fluxo de água. A condicional “FlowDirection” se refere à existência da célula para onde se dirige o fluxo de água. “DirValue” armazena a direção do fluxo de uma determinada célula. Os seus valores podem variar de 1 a 8 conforme ilustra a Figura 6. Figura 6. Tabela de direções. Os números representam as direções: 1–nordeste, 2–norte, 3–noroeste, 4-oeste, 5-sudoeste, 6-sul, 7-sudeste e 8-leste. O compartimento “Water” armazena a quantidade de água em cada célula durante o tempo. “Influx” aumenta a quantidade de água de uma célula de acordo com a quantidade de água vinda de outras células vizinhas. “Precip” aumenta a quantidade de água na célula devido à precipitação da região, essa variável é determinada aleatoriamente (representa a indeterminação das chuvas) de acordo com “PrecipSlider”. “OutFlux” representa a quantidade de água que sai e é determinada por “FlowRate” que está associada à velocidade do rio (Figura 7). Figura 7. Modelo “water routing” – parte 4. Essa associação entre células só é possível devido à existência do sub-modelo “Water Routing” (Figura 8). Figura 8. Sub-modelo “water routing” – parte 5. A condicional “StreamNetwork” avalia quais células vizinhas são fornecedoras de fluxo de água para a célula em questão. A variável “interflow” recebe o fluxo de água que é transmitido de cada uma dessas células vizinhas. 2.1.2. Dados gerais do Rio Purus A bacia do Purus é cortada pelo rio Purus, um dos maiores tributários do rio Solimões. O rio Purus percorre aproximadamente 3218 km e atravessa os estados brasileiros do Acre e Amazonas. Ele nasce no Peru a cerca de 500m de altitude e deságua no rio Solimões. (Sousa Júnior et al, 2006). Tendo em vista que o modelo “water routing” não leva em consideração as variações de velocidade, profundidade ou precipitação ao longo do rio, foi necessária a atribuição de valores intermediários para os dados gerais do rio Purus. Precipitação média mensal: 175mm. Fonte: Assis, 2008 Velocidade média: 2 km/h. Fonte: Agência Nacional de Águas, 2008. Faixa de profundidade: 1,2m à 20m. Fonte: Administração das Hidrovias na Amazônia Ocidental, 2008. Largura média: 500 m. Fonte: LabGeo – ITA, 2007. Volume de água utilizado (calculado): 20 bilhões de litros/célula. 2.1.3. Tabela de direções Os dados de direção de fluxo foram, inicialmente, derivados de dados de altitude. As direções foram definidas da célula de maior altitude para a de menor, porém, devido à imprecisão dos dados, as direções se mostraram irreais em alguns pontos e os dados de altitude foram usados apenas como orientação para a criação manual do mapa de direções de fluxo do rio. Com o uso do Arcview, para a determinação das direções de fluxo, foi gerada uma grade regular sobre a área de trabalho no Rio Purus e essa grade recebeu atributos referentes às direções (Figuras 9 e 10). Para a geração da grade, foi utilizado o software, auxiliar do Arcview, ETGeoWizards. Em seguida, exportou-se uma tabela com os dados de direções de fluxo para o Microsoft Excel, essa tabela foi salva no formato “csv” para servir como tabela de entrada para a variável “DirValue” do modelo. Figura 9: Parte do Rio Purus usado como área de trabalho. Figura 10: Grade com direções de fluxo definidas. Dados da grade: Célula de índice 1: 67º6'38'' W 7º51'32'' S Célula de índice 46599: 64º28'44''W 6º38'34'' S 2.1.4. Layers utilizados no Arcview Arquivo: SRTM_GTOPO_u30_n040w100.tiff Descrição: Mapa de altitudes do noroeste brasileiro. Fonte: http://glcfapp.umiacs.umd.edu. Registro: 068-202. Arquivo: relevo-rec3.tiff Descrição: Mapa de altitudes da área de trabalho. Fonte: Derivado do arquivo SRTM_GTOPO_u30_n040w100.tiff Arquivo: MASSA_DAGUA_PERMANENTE.shp Descrição: Mapa do Rio Purus Fonte: LabGeo – ITA Arquivo: Grade.shp Descrição: Grade gerada na área de trabalho Fonte: LabGeo – ITA A partir dos dados gerais e da tabela de direções foi possível executar o modelo de forma satisfatória com os seguintes valores de entrada: “PrecipSlider”: 0,0012 “Dirvalue”: tabela.csv Número de células: 46599 Número de células horizontais: 317 “FlowRate”: 0,5 As variáveis “FlowRate” e “PrecipSlider” foram determinadas assim de forma que o tempo real de cada iteração fosse de 15 minutos. 2.1.5. Teste e simulação do modelo A execução do modelo gerou resultados pouco interpretáveis de forma muito lenta, o gráfico da quantidade de água nas células fornecida pela simulação é mostrada na Figura 11. As retas divergentes são as células localizadas nos extremos do rio (não aumenta ou não diminui a quantidade de água), já a reta central, é a sobreposição de várias retas que representam todas as outras células do rio. O Simile não permitiu a formação de uma tabela com os dados, pois o número de células é maior que mil. Figura 11. Evolução da quantidade de água das células. O modelo “water rounting” tem o nível de detalhamento muito grande, permitindo assim análises pontuais do rio simulado. Entretanto, em geral, sua aplicabilidade fica restrita a pequenas bacias, pois sua execução foi muito lenta no rio Purus em um computador pessoal, o número excessivo de células não permitiu a formação de tabela e os gráficos obtidos são de difícil interpretação. Pode-se observar também no modelo que o número de células úteis para o rio é muito pequeno perto do número total de células. Isso se deve à obrigatoriedade imprimida pelo modelo do uso de retângulos para a grade de células da área de trabalho. 2.2. Modelo de desmatamento Na criação do modelo de desmatamento, foram identificadas variáveis que se encontravam em diversas referências bibliográficas como fatores de desmatamento. Com o objetivo de facilitar a inserção de dados e a simplificação do modelo, as seguintes variáveis foram selecionadas, a partir da grande quantidade de aparecimento em estudos relacionados ao desmatamento, como as cinco variáveis de maior relacionamento direto: pecuária, extrativismo, mineração, queimadas e população. Foram construídas equações de relacionamento das variáveis com o objeto em modelagem (desmatamento) que serviram de critérios de entrada de dados para o modelo. A validação do modelo foi realizada a partir de dados reais de desmatamento em associação com as variáveis de entrada. 2.2.1. Coleta de dados e uniformização Os dados pertinentes ao modelo criado foram fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008), Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM, 2008) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa, 2008). Para o tratamento dos dados, foi necessária uma uniformização em relação ao tempo. Para tanto, tendo em vista que a associação perfeitamente correta dos dados a uma equação é impossível, os dados foram submetidos a uma aproximação polinomial de segundo grau, de forma que os dados faltantes puderam ser obtidos a partir desse critério de forma a respeitar os dados reais e não prejudicar a obtenção das equações que relacionam as variáveis, conforme apresentado nas Equações 1 a 6. 500000 Desmatamento (mil km2) 450000 400000 350000 Dados Aproximação quadrática 300000 250000 1994 1996 1998 2000 2002 2004 Ano Figura 12. Desmatamento ao longo do tempo. Fonte de dados: IBGE, 2008. Desmatamento = 104 * Ano 2 − 397174 * Ano + 378593000 Eq. 1 Mineração (milhões de reais) 5 4 3 2 Dados Aproximação quadrática 1 0 1996 1998 2000 2002 2004 2006 Ano Figura 13. Mineração ao longo do tempo. Fonte de dados: DNPM, 2008. Mineraçao = 0, 04829* Ano 2 − 192,82* Ano + 192482 Eq. 2 180000 Queimada (pontos) 160000 140000 120000 100000 Dados Aproximação Quadrática 80000 60000 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Ano Figura 14. Queimadas ao longo do tempo. Fonte de dados: Embrapa, 2008 Queimadas = −854* Ano 2 + 3,43639E6* Ano-3,45611E9 Eq. 3 30000 Pecuária (mil animais) 28000 26000 24000 22000 20000 18000 Dados Aproximação Quadrática 16000 14000 1990 1992 1994 1996 1998 2000 Ano Figura 15. Pecuária ao longo do tempo. Fonte de dados: IBGE, 2008. Pecuaria = 14,53* Ano 2 − 56636* Ano + 5,51702E7 Eq. 4 3400000 Crescimento Populacional 3200000 3000000 2800000 2600000 2400000 Dados Aproximação Quadrática 2200000 2000000 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 Ano Figura 16. População ao longo do tempo. Fonte de dados: IBGE, 2008. Populaçao = −143,53* Ano 2 + 643191* Ano-7,09427E8 Eq. 5 3200000 3000000 Extratvismo (toneladas) 2800000 2600000 2400000 2200000 2000000 1800000 Dados Aproximação Quadrática 1600000 1400000 1200000 1996 1998 2000 2002 2004 2006 Ano Figura 17. Extrativismo ao longo do tempo. Fonte de dados: IBGE, 2008. Extrativismo = 17727 * Ano 2 -7,07996E7 * Ano + 7,06917E10 Desta forma, pode-se obter a tabela completa uniformizada de dados (Tabela 2). Eq. 6 Tabela 2: Dados uniformizados. Ano Pecuária Extrativismo Queimadas (mil animais) (ton) (pontos) Mineração Desmatamento (milhões de reais) População (mil km2) 1996 23085 1436593 5619 0,715 2548510 319873 1997 24479 1680000 31417 0,768 2617160 338034 1998 25088 1320000 55506 0,911 2685610 351311 1999 27352 1280000 88034 1,17 2754221 368694 2000 29195 1440000 64696 1,494 2823177 385953 2001 30342 1720000 97521 1,764 2892420 404179 2002 31880 1960000 156687 2,049 2961801 422344 2003 33448 2240000 133159 2,748 3031068 445570 2004 35045 2200000 166429 3,587 3100139 470000 2005 36670 3040000 161374 4,46 3168927 485324 2006 38325 2520000 186722 5,125 3237246 505438 2.2.2. Descrição do modelo O modelo de desmatamento inicia-se no crescimento da população, a variável incremento é determinada a partir de observação do crescimento mensal da população na região amazônica. As quatro variáveis com os nomes de mineração, extrativismo, queimadas e pecuária são determinadas a partir da população. Finalmente, o crescimento do desmatamento é determinado a partir das quatro variáveis anteriores. Desta forma, tem-se no compartimento “Desmatamento” a evolução do desmatamento mensal na região amazônica. A obtenção das equações que relacionam as variáveis do modelo se deu por aproximações polinomiais quadráticas dos dados a partir da evolução da população (Equações 7 a 10). A aproximação polinomial quadrática foi escolhida como critério por motivo análogo ao levantado na uniformização de dados. Pecuaria = 2,36504E-9*Populaçao 2 + 0,00869*Populaçao-14583,68839 Eq. 7 Extrativismo = 3,73751E-6*Populaçao 2 -19,52266*Populaçao+2,69152E7 Eq. 8 Queimadas = -1,17739E-7*Populaçao 2 +0,93699*Populaçao-1,61535E6 Eq. 9 Mineraçao = 1,01627E-11*Populaçao 2 -5,23993E-5*Populaçao+68,30689 Eq. 10 No caso do fluxo do desmatamento, por depender de quatro variáveis, o critério utilizado foi de atribuir fatores a cada uma das variáveis de dependência e somá-las. Desmatamento = k1 * Pecuaria + k2 * Extrativismo + k3 * Mineraçao + k4 * Queimadas Eq. 11 Para determinar os quatro fatores, foram utilizadas duas vias, a primeira trata de relacionar as equações passando pelas variáveis intermediárias (Equação 12), já a segunda, trata do relacionamento direto entre população e desmatamento (Equação 13). Via direta da população: 26000 24000 Desmatamento 22000 20000 18000 16000 Dados Aproximação Quadrática 14000 12000 2500000 2600000 2700000 2800000 2900000 3000000 3100000 3200000 3300000 População Figura 18. Desmatamento x População. D( x) = -1,58976E-9*x 2 +0,01502*x-11533,28566 Eq. 12 Via de variáveis intermediárias: D ( x) = k1 * ( p1 x 2 + p2 x + p3 ) + k2 *(e1 x 2 + e2 x + e3 ) + k3 * (m1 x 2 + m2 x + m3 ) + k 4 * (q1 x 2 + q2 x + q3 ) Igualando, temos: k1 p1 + k2 e1 + k3 m1 + k4 q1 = d1 k1 p2 + k2 e2 + k3 m2 + k4 q2 = d 2 k1 p3 + k2 e3 + k3 m3 + k4 q3 = d3 Fazendo: k1 + k2 + k3 + k4 = 1 Temos: ⎡ k1 ⎤ ⎡ p1 − q1 ⎢ ⎥ ⎢ ⎢ k2 ⎥ = ⎢ p2 − q2 ⎢⎣ k3 ⎦⎥ ⎣⎢ p3 − q3 e1 − q1 e2 − q2 e3 − q3 m1 − q1 ⎤ m2 − q2 ⎥⎥ m3 − q3 ⎦⎥ −1 ⎡ d1 − q1 ⎤ ⎢ ⎥ ⎢ d 2 − q2 ⎥ ⎣⎢ d3 − q3 ⎦⎥ Desta forma, conclui-se que: ⎡ k1 ⎤ ⎡ 0,8587 ⎤ ⎢ k ⎥ ⎢ −0, 0021⎥ ⎢ 2⎥ = ⎢ ⎥ ⎢ k3 ⎥ ⎢ 0,1786 ⎥ ⎢ ⎥ ⎢ ⎥ ⎢⎣ k4 ⎥⎦ ⎣ −0, 0352 ⎦ Desmatamento = 0,8587 * Pecuaria − 0, 0021* Extrativismo + 0,1786* Mineraçao − 0, 0352* Queimadas Eq. 13 De acordo com a Equação 13, pode-se concluir que a pecuária tem grande peso na equação do desmatamento, cerca de 80%. É importante observar que o significado desse peso concerne à relação direta entre as variáveis e não necessariamente na relação de causa e efeito. A figura 19 ilustra o modelo de desmatamento. Figura 19. Modelo de desmatamento. 2.2.3. Teste e simulação do modelo O modelo foi iniciado em 1996 e sua evolução foi comparada com os dados existentes. A Figura 20 ilustra a evolução da simulação do modelo comparada aos dados fornecidos pelo IBGE, 2008. 750000 700000 Desmatamento 650000 600000 550000 500000 450000 Dados Simile 400000 350000 300000 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 2016 2018 Ano Figura 20. Simulação do desmatamento. O crescimento do desmatamento na região amazônica em 2015 em relação à 2006 é dado pela Equação 14. ⎛ Desmat 2015 ⎞ ⎛ 699613 ⎞ Crescimento = ⎜ − 1⎟ *100 = ⎜ − 1⎟ *100 = 38,51% ⎝ 505085 ⎠ ⎝ Desmat 2006 ⎠ Eq. 14 A Tabela 3 mostra a evolução do desmatamento segundo Gonçalves, 2008. Essa evolução foi obtida a partir do método empírico de pesos de evidência e o uso dos softwares DINAMICA e TerraME. As Equações 15 e 16 mostram o crescimento do desmatamento de 2006 a 2015 obtidas pelos dois softwares. Tabela 3. Percentuais de células transicionadas. Software Região Floresta (%) Desmatamento (%) Purus 94 5 Madeira 77,3 21,6 Madeirinha 84,7 9,3 Purus 91,8 7,2 Madeira 69,4 29,5 Madeirinha 83,4 10,6 Purus 88,9 10,1 Madeira 62,9 36,1 Madeirinha 79,1 14,9 1997 Purus 95,9 3,8 2006 Purus 94 5,7 2015 Purus 92,3 7,4 Ano 1997 DINAMICA 2006 2015 TerraME ⎛ Desmat 2015 ⎞ ⎛ 10,1 ⎞ CrescimentoDinamica = ⎜ − 1⎟ *100 = ⎜ − 1⎟ *100 = 40, 27% ⎝ 7,2 ⎠ ⎝ Desmat 2006 ⎠ Eq. 15 ⎛ Desmat 2015 ⎞ ⎛ 7,4 ⎞ CrescimentoTerraME = ⎜ − 1⎟ *100 = ⎜ − 1⎟ *100 = 29,82% ⎝ 5,7 ⎠ ⎝ Desmat 2006 ⎠ Eq. 16 3. Conclusões Tendo em vista que o Simile se utiliza de Range-Kutta para a evolução do modelo, a limitação do modelo “water routing” se mostra inerente à forma que o modelo foi construido. O método usado no “water routing” pode ser aplicado, desde que os recursos computacionais sejam avançados e o Simile seja atualizado de forma a permitir a criação de tabelas longas ou substituído por um software semelhante que o permita. Quanto ao modelo de desmatamento, a simulação se mostrou muito próxima do real, conclui-se que o modelo pode ser útil para análise de desmatamento e ser ajustado e inserido em um modelo maior que envolva outras características. De acordo com os dados fornecidos pelo Simile, o desmatamento esperado para a região do Purus no ano de 2015 em relação ao fornecido para 2008 é razoável se comparado com o resultado obtido por Gonçalves, 2008. De forma geral, o trabalho se mostra útil para a avaliação do desmatamento na Amazônia a partir das variáveis utilizadas. Esta avaliação deve ser preferida em situações de limitações computacionais ou de dados, principalmente porque trata de uma base mais simples de dados e seleciona poucos fatores de importância no processamento do modelo. 4. Agradecimentos Agradeço a elaboração desse projeto: Wilson Cabral de Sousa Júnior Demerval Aparecido Gonçalves Andrés L. G. Jaime E ao próprio CNPq, que tornou esse trabalho possível. 5. Referências Administração das Hidrovias da Amazônia Ocidental. 2008. AHIMOC. Disponível em: http://www.ahimoc.com.br/interna.php?nomeArquivo=relatorios. Agência Nacional de Águas – ANA. 2008. Hidrologia e Geoquímica da Bacia Amazônica. Disponível em: http://www.ana.gov.br/hibam/bancodedados/BR_06.pdf Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM. 2008. Relatórios de Atividades. Disponível em: http://www.dnpm.gov.br/conteudo.asp?IDSecao=51.. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária– Embrapa. 2007. Monitoramento Orbital de Queimadas. Disponível em: http://www.queimadas.cnpm.embrapa.br/ Global land Cover Facility. 2007. Shuttle Radar Topography Mission. Disponível em: http://glcf.umiacs.umd.edu/data/srtm/. Gonçalves, Demerval Aparecido. Modelagem dinâmica espacial para a geração de cenários de ocupação na Amazônia sul-ocidental. 2008. Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. 2008. Servidor de Arquivos. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/servidor_arquivos_est/. Laboratório de Geomática – ITA – LabGeo. 2007. Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos Sousa Júnior, W. C.; Jaime, A. L. G. ; Waichman, A. V. ; Sinisgalli, P. Gestão das águas na Amazônia: a bacia do rio Purus. In: Workshop Gestão Estratégica de Recursos Hídricos. 2006. Anais. Brasília. I GERH. Porto Alegre: ABRH, 2006.