JULIANA LUZIA GIURANNO SUGESTÃO DE ATUALIZAÇÃO DAS NORMAS BRASILEIRAS RELATIVAS AOS VERGALHÕES UTILIZADOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. SÃO PAULO 2005 JULIANA LUZIA GIURANNO SUGESTÃO DE ATUALIZAÇÃO DAS NORMAS BRASILEIRAS RELATIVAS AOS VERGALHÕES UTILIZADOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. Orientador: Profº. Fernando José Relvas SÃO PAULO 2005 i Esta página é opcional e reservada para dedicatória. ii RESUMO A adequação e atualização das Normas de Especificações dos produtos relacionados a construção civil deveriam acompanhar o desenvolvimento e as necessidades do mercado. As Normas ajudam garantir a segurança e qualidade das construções brasileiras. Em vários segmentos, as Normas de Especificações estão obsoletas, levando os fabricantes a adotarem padrões de acordo com a exigência dos consumidores; dessa forma, fazem com que a prática adotada no mercado fique à frente do que está expresso no texto da Norma oficial. Nos países desenvolvidos, por outro lado, existem normas detalhadas acerca dos produtos e processos de produção, que são esporadicamente revistas de forma a incorporar a evolução técnica dos processos e dos materiais. Este trabalho pretende comparar algumas Normas Brasileiras com Normas Internacionais, chegando ao texto que melhor retrate a realidade da Construção Civil no Brasil. Outro ponto a ser estudado é a identificação de divergências nas Normas Técnicas da Construção Civil no Brasil, dentre elas, os pontos conflitantes nas NBR 6118/2003 – Projeto de Estruturas de Concreto, cujo texto foi revisado no Comitê Brasileiro de Construção Civil (CB-02) e validado pela ABNT em 2003, e NBR 7480/1996 – Barras e Fios de aço destinados a armaduras para concreto armado, que, por sua vez, foi atualizada em 1996, além de pontos não contemplados nos textos dessas Normas. Palavras Chave: Norma, Aço, Vergalhão iii ABSTRACT The adjustment and modernization of product standards of Civil construction items must come along with Market development and customer necessities. Standards should help guaranteeing quality and safety constructions. To many market sections, standards are out of use and are leading the producers to adopt its own standards based on customers’ necessity. In this way, what is being done in the market is way ahead of what is written in the standard. Developed countries have detailed standards regarding both products and manufacture processes. Those standards are rarely reviled aiming the consolidation of technical evolution of both processes and materials. The purpose of this paper is to compare national and international standards searching for a better fit of the Brazilian standard with its own reality. Another point of this paper is to show the differences between two Brazilian standards: (1) NBR 6118/2003 – Projeto de Estruturas de Concreto, last reviewed by the Comitê Brasileiro de Construção Civil (CB-02) at ABNT in 2003, and (2) NBR 7480/1996 – Barras e Fios de aço destinados a armaduras para concreto armado. Key Worlds: Standard, Iron, Steel Bars iv LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 5.1: Dobra de aço no canteiro........................................................................17 Figura 5.2: Superfície de ruptura por fadiga de um eixo............................................22 v LISTA DE TABELAS vi LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas BS Norma Britânica CB Comitê Brasileiro COBRACON Comitê Brasileiro da Construção Civil CONMETRO IAF INMETRO Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial International Acreditation Fórum Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas ISO International Organization for Standardization NBR Norma Brasileira Registrada OMC Organização Mundial do Comércio PBQP-H Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat PROCON vii LISTA DE SÍMBOLOS V Velocidade média na direção do escoamento Fx Carregamento na direção x Φ Diâmetro viii SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.....................................................................................................1 2 OBJETIVOS.........................................................................................................3 2.1 Objetivo Geral................................................................................................................. 3 2.2 Objetivo Específico ....................................................................................................... 4 3 METODOLOGIA DO TRABALHO.......................................................................5 4 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................6 5 A SITUAÇÃO ATUAL DAS NORMAS BRASILEIRAS .......................................8 5.1 A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)........................................ 9 5.2 Equipe para atualização das Normas Técnicas .................................................. 11 5.3 Os benefícios da Normalização e da Certificação.............................................. 13 5.4 Sugestões para revisão da NBR 7480 – Barras e Fios de Aço destinados a Armaduras de Concreto Armado .................................................................................... 15 6 PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO DE CASO ............................31 6.1 Caso 1 - Corrosão........................................................................................................ 33 6.2 Caso - Fadiga................................................................................................................ 38 7 CONCLUSÕES..................................................................................................39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................42 1 1 INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento tecnológico na área da Construção Civil as normas de procedimentos e especificações técnicas empregadas no mercado ficaram, muitas vezes, obsoletas ou conflitantes, não acompanhando a evolução dos processos ou produtos. Ajustar as normas à realidade da Construção Civil requer maior engajamento e interesse dos integrantes do setor, não só pela complexidade do tema e pela necessidade de adequação às novas tecnologias, mas principalmente porque, diferente do que a maioria pensa, não é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) quem elabora as normas, tampouco irá revisá-las quando for necessário. A elaboração e a revisão das normas são realizadas por demanda e efetiva participação dos usuários da norma, que têm uma parcela de responsabilidade por sua desatualização. Por outro lado, em função da ausência de normas adequadas e/ou atualizadas para a Construção Civil, é normal que os participantes interessados passem a adotar suas próprias especificações, cumprindo o que é exigido pelas Normas Brasileiras (NBRs), mas também incorporando inovações de acordo com seus entendimentos e interesses. Em algumas ocasiões, por exemplo, os fabricantes passam a adotar padrões de acordo com a exigência dos consumidores; dessa forma, fazem com que a prática adotada no mercado fique à frente do que está expresso no texto da norma oficial. 2 Nesse contexto, o problema é que no mercado de Construção Civil brasileiro não há garantia de que os fabricantes e construtores atendam às condições mínimas que assegurem qualidade e segurança aos consumidores. Nos países desenvolvidos, por outro lado, existem normas detalhadas acerca dos produtos e processos de produção, que são esporadicamente revistas de forma a incorporar a evolução técnica dos processos e dos materiais. A seguir esse tema será abordado, detalhando-se como as normas técnicas são desenvolvidas no Brasil, e, especificamente sobre o mercado de Construção Civil, mostrando também exemplos que indiquem a situação crítica em que se encontram. Será feito um comparativo entre as Normas Brasileiras de Fadigas e as Normas Internacionais e mostrar o que poderia ser feito para retardar a oxidação no vergalhão. 3 2 OBJETIVOS O objetivo desse trabalho é identificar divergências nas Normas Técnicas da Construção Civil no Brasil, dentre elas, os pontos conflitantes nas NBR 6118/2003 – Projeto de Estruturas de Concreto, cujo texto foi revisado no Comitê Brasileiro de Construção Civil (CB-02) e validado pela ABNT em 2003, e NBR 7480/1996 – Barras e Fios de aço destinados a armaduras para concreto armado, que, por sua vez, foi atualizada em 1996, além de pontos não contemplados nos textos dessas normas. Finalmente, considerando que a ABNT prevê a revisão da NBR 7480/1996 para o próximo ano (2006), propor-se-á um novo texto para a mesma. 2.1 Objetivo Geral Ao se propor a inclusão de pontos não contemplados na NBR 7480/1996, será necessário que se faça um levantamento das necessidades do mercado brasileiro que não são atendidas nas normas atuais. Uma vez que se tenha reunido as necessidades específicas do mercado brasileiro, será possível compará-las com as normas existentes em outros países, cujas normas são reconhecidamente respeitadas no mundo. 4 2.2 Objetivo Específico O objetivo específico é aprofundar a análise da NBR 7480/1996 - Barras e Fios de aço destinados a armaduras para concreto armado, na busca de identificar aspectos a serem melhorados de forma a torná-la mais próxima das reais necessidades do mercado brasileiro, melhor traduzindo as exigências desta norma aos atributos valorizados e percebidos pelos consumidores. 5 3 METODOLOGIA DO TRABALHO A metodologia adotada para a elaboração desse trabalho está baseada na realização de visitas técnicas para realização de pesquisa com segmentos de mercado da Construção Civil, quais sejam: o Construtoras (Matec, Cyrella, Gafisa, dentre outras); o Distribuidores e revendedores; o Fabricantes (Gerdau, Belgo e Votoraço). A pesquisa tem o papel de possibilitar o mapeamento da situação real em que o mercado se encontra quanto ao produto “vergalhão”, ou seja, entender: o se as construtoras estão satisfeitas com os produtos disponíveis ou têm alguma sugestão a fazer; o se os distribuidores e revendedores têm sugestões calcadas na percepção que adquiriram junto a seus clientes; o se os fabricantes atendem às exigências das normas técnicas ou adotam padrões próprios de fabricação. Ainda, com base nos relatos obtidos nas visitas técnicas, serão citados casos de obras representativas, com o intuito de se enriquecer o conteúdo desse trabalho através de exemplos reais onde se atestam as deficiências mencionadas quanto à ausência de normas técnicas atualizadas. 6 4 JUSTIFICATIVA A adequação das normas às necessidades do mercado de Construção Civil é, antes de qualquer coisa, uma questão de segurança das construções brasileiras. Com a qualidade e a durabilidade como características cada vez mais solicitadas, o investimento chega a ser obrigatório, bem como a evolução das novas normas que atendam tais anseios. As normas são elaboradas para regular o mercado e dar garantias ao consumidor de que o produto é de qualidade. Para se manterem competitivas, as empresas têm que investir sempre que houver necessidade de atualização tecnológica de seus processos e produtos. Para ficar de acordo com as normas técnicas, os custos são inerentes à modernização dos processos e produtos, já que as normas refletem o estágio de desenvolvimento tecnológico e as necessidades do mercado em um dado momento. Não se pode atribuir, entretanto à responsabilidade de se fabricar vergalhões “com qualidade” exclusivamente aos fabricantes desses produtos. A princípio, o objetivo primordial desses fabricantes é produzir os itens ao menor custo possível de maneira a possibilitar a obtenção de lucros. Certamente, deve-se reconhecer que muitos desses fabricantes são empresas bem administradas e conscientes de que sua sobrevivência (no médio e longo prazo) está diretamente relacionada à qualidade dos produtos que fabricam e à confiança que 7 os consumidores dedicam a eles, esperando melhor desempenho de obra, menos gastos com pós-ocupação e redução dos riscos de acidente. Por outro lado, não se pode desprezar o risco de que, por exemplo, algum fabricante utilize matérias-prima de pior qualidade na busca de reduzir sua estrutura de custos e melhorar sua competitividade. Por isso, é imprescindível que, não só hajam órgãos de regulamentação, mas que tenham principalmente a capacidade de promover a atualização das Normas Técnicas de acordo com o andamento das tecnologias e das necessidades do mercado consumidor da Construção Civil. 8 5 A SITUAÇÃO ATUAL DAS NORMAS BRASILEIRAS A importância das normas no país aumentou fortemente na década de 90 devido à promulgação do Código de Defesa do Consumidor, aos programas de qualificação, em especial ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), e à abertura da economia. A lei se tornou mais rigorosa, os consumidores, mais exigentes, e os construtores se viram forçados a se preocupar mais com a qualidade das obras. Os setores ligados à Construção Civil passaram a ter mais consciência do papel da normalização, principalmente nas negociações comerciais, levando à criação de vários comitês brasileiros. Em 1994, a ABNT tinha 25 comitês e, dez anos depois, conta com 58, segundo site da ABNT. O estabelecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC) teve papel de destaque nesse contexto, uma vez que as normas internacionais passaram a ser reconhecidas como instrumento nos casos de disputas comerciais entre os países. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, é vedado ao fornecedor de produtos e serviços colocar no mercado qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela ABNT ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro). Portanto, norma técnica não é lei, mas tem força obrigatória. 9 5.1 A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) A ABNT é o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. É um Organismo Nacional que oferece credibilidade internacional. É também uma entidade privada, independente e sem fins lucrativos, fundada em 1940, que atua na área de certificação, atualizando-se constantemente e desenvolvendo "know-how" próprio. É reconhecida pelo governo brasileiro como Fórum Nacional de Normalização, além de ser um dos fundadores e único representante da “International Organization for Standardization” (ISO), no Brasil. Além disso, é credenciada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) e reconhecida pela “International Acreditation Fórum” (IAF), para certificar Sistemas da Qualidade (ISO 9000) e Sistemas de Gestão Ambiental (ISO 14001) e diversos produtos e serviços. 5.1.1 O Processo de elaboração das normas Técnicas A ABNT como todos os organismos congêneres em outros países, baseiam-se nos Códigos de Boas Práticas em Normalização da ISO e da OMC para elaboração de suas normas e seguem os mesmos princípios básicos: simplificação, consenso, representatividade, paridade, voluntariedade, atualização. O processo de elaboração de uma norma brasileira, tal qual ocorre de maneira bastante similar na maioria dos países, inicia-se com a demonstração da sociedade da necessidade de normalização de determinado produto ou serviço. (site ABNT). 10 Os Comitês Brasileiros são responsáveis pela elaboração de normas em setores diferentes (eletricidade, construção civil, entre outros). Uma vez determinado o Comitê, este encaminhará o assunto para que seja estudado pelas Comissões de Estudo que compõem o Comitê Brasileiro. Essas Comissões de Estudo são compostas por representantes de todos os segmentos interessados na elaboração do Projeto da Norma, que participam de forma voluntária e, em geral, são custeados por suas empresas ou instituições de origem. Terminado o processo de discussão e elaboração do Projeto de Norma, esse é submetido à Consulta Nacional, na qual qualquer interessado pode encaminhar sugestões ao texto. (site ABNT). Depois disso, o Projeto de Norma apresentado é encaminhado à ABNT para homologação e publicação como Norma Brasileira. Caso haja posicionamentos contrários, verifica-se a consistência técnica dos mesmos e, se pertinentes, o projeto é alterado e circulado em nova Consulta Nacional. (site ABNT). 5.1.2 Comitê Brasileiro de Construção Civil O CB – 02 é o Comitê Brasileiro responsável pela elaboração das normas técnicas de componentes, elementos, produtos ou serviços, utilizados na Construção Civil, abrangendo seus aspectos referentes ao planejamento, projeto, execução, métodos de ensaio, armazenamento, transporte, operação, necessidades do usuário, subdivididas setorialmente. uso e manutenção, e 11 O Comitê Brasileiro da Construção Civil (Cobracon) tem dois desafios principais: sensibilizar o mercado para o cumprimento das normas e garantir aos consumidores imóveis em melhores condições; e estabelecer procedimentos para que as Normas sejam revisadas e sua eficiência melhore, já que grande parte está obsoleta ou conflitante, não refletindo a evolução dos processos ou produtos. 5.2 Equipe para atualização das Normas Técnicas Ajustar as normas à realidade da construção civil requer maior engajamento e interesse do setor envolvido, não só pela complexidade do tema e pela necessidade de adequação às novas tecnologias, mas principalmente porque não é a ABNT quem elabora as normas, tampouco irá revisá-las quando for necessário. A elaboração e revisão das normas são feitas por demanda e efetiva participação dos usuários da norma, que têm uma parcela de responsabilidade por sua atualização. A dificuldade dos comitês brasileiros tem sido aglutinar com a devida intensidade os representantes dos segmentos com interesse no assunto, daí a necessidade de aumentar a cultura de normalização nas empresas. Embora muitas empresas sejam usuárias de normas, algumas consideram que alguém fará o trabalho por elas. Não querem participar do processo porque isso significa a alocação de técnicos no assunto e, conseqüentemente, custos. 12 Os principais custos envolvidos são relativos ao deslocamento dos interessados para participação em reuniões e Comissões de Estudos. Por outro lado, a ABNT alega que, por ser uma associação privada, sem fins lucrativos, depende da geração própria de recursos, e não tem como patrocinar os comitês. É preciso, portanto, encontrar uma solução financeira que satisfaça as necessidades da instituição, bem como descobrir mecanismos de execução e elaboração de normas que possam ser auto-sustentáveis e que possibilitem, ao menos a cada 5 anos, ter uma norma reaberta, revisada e que os participantes voluntários possam se dedicar, sem necessariamente ser na forma de doação de tempo. (site ABNT). Problemas à parte, são notório que o setor de materiais de construção está bem mais organizado do que as construtoras. Por isso, o número de normas para materiais é predominante em detrimento das normalizações dos processos produtivos, que em alguns aspectos podem ser consideradas até como o mais importante. Com isso, a principal reclamação contra os fabricantes é a existência de inúmeras normas que favoreçam segmentos específicos da construção e não a sociedade como um todo. O superintendente do Comitê de Siderurgia (CB-28) defende que nem todos acompanham ou participam como deveriam do processo de discussão das normas, sendo que esta é a oportunidade de fazer com que seus pontos de vista e interesses venham a ser considerados em uma norma técnica, desde que fundamentados. Além disso, aqueles que não participam do processo de elaboração da norma têm outra oportunidade de manifestação por ocasião da Consulta Pública, etapa do processo na qual o texto fica disponibilizado ao público para votação, durante 3 meses, conforme já foi dito anteriormente. Ainda assim, o envio de comentários e críticas das empresas ou instituições que não participaram 13 da elaboração do texto tem sido pequena. Desse modo, não é justo acusar de corporativismo aqueles que investem tempo e recursos num processo que é aberto a todos. O próprio setor da construção admite que sua participação, bem como da sociedade no processo de elaboração de normas dos produtos é ínfima. (site ABNT). Em tese, uma norma brasileira é elaborada por consenso e representatividade das classes envolvidas (separadas em consumidor, produtor e neutro – universidades e laboratórios). Essas regras visam exatamente a eliminar os riscos de predominância de interesses particulares. O consumidor também pode fazer parte desse processo. Um dos maiores desafios encontrados pelos organismos de normalização no mundo é justamente a conscientização do consumidor sobre a existência de normas como ferramenta para sua defesa e sua inserção no processo de elaboração de normas. A ABNT informou que envida esforços para que entidades representativas dos consumidores brasileiros, como Proteção ao consumidor (Procon) por exemplo, possam participar e contribuir com o processo de elaboração das normas brasileiras. 5.3 Os benefícios da Normalização e da Certificação Numa economia onde a competitividade é acirrada e onde as exigências são cada vez mais crescentes, as empresas dependem de sua capacidade de incorporação de novas tecnologias de produtos, processos e serviços. A competição internacional entre as empresas eliminou as tradicionais vantagens baseadas no uso de fatores abundantes e de baixo custo. A normalização é utilizada 14 cada vez mais como um meio para se alcançar à redução de custo da produção e do produto final, mantendo ou melhorando sua qualidade. Os Certificados de Conformidade da ABNT são indispensáveis na elevação do nível de qualidade dos produtos, serviços e sistemas de gestão uma vez que atestam publicamente, por escrito, que determinado produto, processo ou serviço está em conformidade com as normas especificadas. Porém, não se pode pensar na certificação como uma ação isolada e pontual, mas sim como um processo que se inicia com a conscientização da necessidade da qualidade para a manutenção da competitividade e conseqüente permanência no mercado, passando pela utilização de normas técnicas e pela difusão do conceito de qualidade por todos os setores da empresa, abrangendo seus aspectos operacionais internos e o relacionamento com a sociedade e o ambiente. Os benefícios da Normalização/Certificação podem ser classificados da seguinte: 5.3.1 Qualitativos Os benefícios qualitativos da Normalização: o Utilizar adequadamente os recursos (equipamentos, materiais e mão-de-obra) o Uniformizar a produção; o Facilitar o treinamento da mão-de-obra, melhorando seu nível técnico; o Registrar o conhecimento tecnológico e, o Facilitar a contratação ou venda de tecnologia. 15 5.3.2 Quantitativos: Os benefícios quantitativos da Normalização: o Reduzir o consumo de materiais; o Reduzir o desperdício; o Padronizar componentes; o Padronizar equipamentos; o Reduzir a variedade de produtos; o Fornecer procedimentos para cálculos e projetos; o Aumentar a produtividade; o Melhorar a qualidade e, o Controlar processos. 5.4 Sugestões para revisão da NBR 7480 – Barras e Fios de Aço destinados a Armaduras de Concreto Armado O presente estudo analisa os itens já normalizados e propõe alterações e inclusões na NBR 7480 que estão atualmente desatualizados com o mercado ou em conflito com a NBR 6118 que teve sua atualização em 2003. Segue os tópicos que serão abordados no detalhe: Dobramento: para o aço CA50 φ < 20 mm, a norma NBR 7480/96, no Anexo B tabela 2, diz que o diâmetro de pino é 4 φ. No mercado, há a necessidade de que esse 16 material dobre 1,5 φ quando se faz estribos. Quando se dobra um estribo, que normalmente tem a bitola de 4,6 mm sobre uma barra φ 6,3 mm, estamos dobrando 1,5 vezes o diâmetro da barra. A Gerdau, por exemplo, já fabrica barras e fios com essas características, pois era comum a quebra do aço no momento da dobra do estribo. Aderência: a norma NBR 7480, no Anexo B tabela 2, define como coeficiente de conformação superficial mínimo para φ ≥ 10 mm: η= 1,0 para CA 25, η= 1,5 para CA50 e η= 1,5 para CA60. Conflitando a NBR 6118, no item 8.3.2, diz que o coeficiente de conformação superficial mínimo para φ ≥ 10 mm: η= 1,0 para CA 25, η= 1,5 para CA50 e η= 1,2 para CA60. Fadiga: a NBR 6118 está em conflito com a norma de ensaio de Fadiga NBR 7478, e a NBR 7480 é omissa na especificação de desempenho. Corrosão: na norma NBR 7480, no item 4.3, não está claro a tolerância quanto à oxidação permitida / critério de aceitação. 5.4.1 DOBRAMENTO A execução da armadura compreende as seguintes operações: corte, dobramento (foto 5.1), amarração, posicionamento, conferência. As principais peças de concreto 17 armado das benfeitorias de pequeno porte têm formato ou função de: fundações, vigas, pilares, lajes. Em geral, as armaduras são montadas no local da obra, sobre cavaletes onde os vergalhões são amarrados uns aos outros com arame recozido. Emendas de vergalhões devem ser evitadas. Caso sejam necessárias, devem ficar desencontradas (ou desalinhadas). O transpasse (ou trespasse) da emenda deve ter um comprimento de oitenta vezes o diâmetro do vergalhão. Quando são usadas telas soldadas, uma tela deve cobrir 2 malhas da outra. Quando a dobra é realizada no canteiro, utiliza-se a chave de dobra. Possui um baixo custo e a dobra da barra de aço é feita uma de cada vez. Figura 5.1: Dobra de aço no canteiro Obra executada em Recife Para realizar a dobra do aço, na montagem da bancada (foto 5.1), para que o diâmetro do pino de dobramento seja compatível com o aço a ser dobrado. A falta de cuidado nesse item pode fazer com que as barras de aço, quando dobradas, sofram um esforço demasiado, ocorrendo a sua ruptura. 18 Atualmente a norma ABNT NBR-7480 apresenta uma exigência quanto aos diâmetros mínimos para os pinos de dobra (CA50 φ < 20 mm é 4 φ, por exemplo) que não atendem a prática e a realidade dos canteiros de obra. Tal fato já foi percebido pelos fabricantes, sendo que atender a norma não significa necessariamente atender a real necessidade do cliente, estes passaram a operar com margens de segurança maiores de maneira que atendam ao exigido pela referida norma, excedendo em até 50%. A dobra do vergalhão no canteiro de obra, em muitas vezes é realizada em bancadas de madeira, improvisadas e com pinos de dobra que normalmente são formadas por pregos ou mesmo pela própria barra que se deseja dobrar, significando que a exigência do material para este atributo seja de um pino (1φ) de dobra do mesmo diâmetro da barra ou fio a ser dobrado. 5.4.2 ADERÊNCIA O trabalho solidário do concreto com o aço é possível graças às compatibilidades física e química que ocorrem entre os dois materiais: o Compatibilidade física: o aço e o concreto possuem deformações próximas durante as variações térmicas. 19 o Compatibilidade química: o aço não se corrói com o ambiente alcalino do concreto. Além disso, para que o concreto e o aço trabalhem solidariamente, resistindo aos esforços a que são submetidos, deve haver uma aderência entre os dois materiais. Essa aderência é garantida através de ligação mecânica, propiciada pela rugosidade, nervura, das barras de aço e também pela introdução de mossas e saliências na superfície das barras. 5.4.3 FADIGA Os dimensionamentos de estruturas sujeitam os esforços repetidos, como tabuleiros de pontes, pisos industriais, dormentes ferroviários, pavimentos, entre outros, tem se limitado a considerar um fator de minoração como coeficiente de segurança à fadiga. No projeto de estruturas, o tipo e classe de resistência do concreto a ser empregado e as dimensões das seções resistentes, são variáveis essenciais, no que diz respeito à capacidade de carga e à durabilidade e, consequentemente, ao custo de execução e de manutenção da estrutura. As solicitações repetidas impostas às estruturas, conquanto produzam níveis de tensão inferiores à resistência do material, medida em ensaio estático, geram um 20 estado de fissuração intensa que culmina com a desagregação das seções resistentes, caracterizando um estado limite de utilização da estrutura. O aprofundamento dos conhecimentos do fenômeno da fadiga do concreto, que permita dimensionar estruturas duráveis e econômicas trará benefícios de largo alcance aos projetos estruturais, que atualmente se baseiam em estimativas da vida útil à fadiga. A pesquisa bibliográfica mostra que os modelos desenvolvidos para a fadiga de metais e ligas, desde a metade do século, não se aplicam adequadamente ao concreto, devido, principalmente, à sua elevada heterogeneidade e forma de ruptura. Assim, através do estudo de seu comportamento a esforços cíclicos, em combinação com suas principais propriedades mecânicas, são investigadas neste trabalho diferentes misturas de concreto, com o intuito de se criar um modelo de fadiga. 5.4.3.1 Comportamento do Concreto sob tração e fadiga O comportamento à fadiga será analisado principalmente sob tração, em vista das aplicações em estruturas sujeitas à tração: tabuleiros de pontes, pisos industriais e pavimentos. Nesta área de estudo, o concreto é considerado ao nível macroscópico, isto é, como um material homogêneo e isotrópico, em que, uma vez alcançada a tensão de ruptura, instala-se uma fissura perpendicular à direção do esforço máximo de tração. 21 E o comportamento à tração é aqui apresentado sob as diversas formas de aplicação dessas tensões. 5.4.3.2 Comportamento a Fadiga Analogamente aos ensaios estáticos, quando se trata de fadiga, devem-se distinguir as várias formas de carregamento: compressão, tração, flexão e aderência aço/concreto. Embora, aparentemente, os mesmos aspectos gerais são observados para diferentes tipos de carregamentos cíclicos. Com relação à freqüência e amplitude dos ciclos de carga, as solicitações causadas por terremotos, tempestades são de baixa freqüência e alta amplitude, enquanto que aquelas provocadas por vento, ondas e tráfego. 5.4.3.3 Fratura por fadiga Há muita controvérsia sobre as teorias da fratura de fadiga, com respeito à nucleação e à propagação de uma trinca de fadiga, devido à dificuldade de observação da trinca em alguns casos e à variedade de mecanismos que determinam a ruptura do metal. Neste livro, será feito apenas um pequeno resumo com algumas considerações sobre a ruptura por fadiga e o leitor poderá se aprofundar no assunto através da bibliografia existente. 22 As etapas de ruptura de um metal sujeito à fadiga são, essencialmente: nucleação da trinca; propagação da trinca; ruptura da peça ou corpo de prova. As duas primeiras etapas tomam praticamente todo o tempo do ensaio e quando o comprimento da trinca atinge um tamanho tal que a secção tencionada fique relativamente pequena, a porção remanescente não pode resistir à carga e a ruptura ocorre repentinamente. Figura 5.2 – Superfície de ruptura por fadiga de um eixo Fonte: Souza (2005). Assim, o aspecto de uma ruptura por fadiga apresenta duas zonas, uma zona produzida pelo desenvolvimento gradual e progressivo da trinca e outra pela ruptura brusca. Essa última tem o mesmo aspecto da fratura do ferro fundido cinzento ensaiado à tração, isto é, como se fosse uma fratura frágil vista a olho nu. A primeira zona se apresenta lisa, devido à propagação da trinca. 23 Uma ruptura por fadiga sempre é acompanhada de deformação plástica localizada. Essa localização pode acontecer num ponto de concentração de tensões como cantos vivos, entalhes, inclusões, trincas preexistentes, pits de corrosão, contornos de grão, contornos de macla, onde ela se inicia e geralmente, esse inicio se dá na superfície do metal. Uma vez iniciada a trinca, ela se propaga macroscopicamente e de uma maneira descontinua em um plano situado em ângulo reto com o plano das tensões principais atuantes no corpo de prova. Verificou-se experimentalmente que quanto maior for o volume da parte útil do corpo de prova, menor será a resistência à fadiga, pois maior probabilidade existirá para a formação de trincas e conseqüente ruptura. Com altos níveis de tensões, as trincas têm caráter mais dúctil, nucleando no interior do material. A nucleação nas bandas ocorre com tensões mais baixas. 5.4.4 CORROSÃO 24 Define-se corrosão como a transformação de um metal ou liga pela sua interação química ou eletroquímica com o meio em que se encontra como, por exemplo, a atmosfera e a água do mar. Praticamente, todos os metais sofrem avarias por corrosão e os produtos metálicos corroídos podem ficar altamente danificados, além de apresentarem aspectos pouco atrativos do ponto de vista estético, o que muitas vezes, leva à rejeição dos mesmos. Denomina-se ferrugem aos produtos avermelhados que se formam quando o ferro e suas ligas sofrem corrosão pela ação de atmosferas sendo, principalmente, compostos de óxidos de ferro hidratado. Os demais metais também apresentam produtos de corrosão com cor e aparência características, sendo as mais conhecidas: a ferrugem branca, do zinco e dos produtos zincados, a pátina ou azinhavre, do cobre e suas ligas e as manchas pratas, alumínio e outros. 5.4.4.1 Corrosão Atmosférica Durante o armazenamento e transporte, os produtos metálicos podem sofrer um tipo de corrosão, denominado corrosão atmosférica, e que pode ser classificado em: o Corrosão atmosférica seca: corresponde ao ataque provocado por uma reação gás-metal com formação de película, principalmente, óxido. Este tipo de corrosão é extremamente lento à temperatura ambiente e não provoca deterioração substancial da superfície metálica, a menos que existam gases estranhos na atmosfera; 25 o Corrosão atmosférica úmida: ocorre quando se forma uma fina película de eletrólito sobre a superfície do metal, possibilitando um ataque tipo eletroquímico. Esta película é causada pela presença de umidade na atmosfera, obtendo-se a condensação desta com teores de vapor de água inferiores à saturação. Mesmo para uma umidade relativa tão baixa como 60%, pode ocorrer a formação desta película invisível sobre a superfície metálica. A velocidade de corrosão dependerá fortemente da umidade relativa do ar e dos constituintes naturais da atmosfera envolvente do produto, assim como de presença, sobre a superfície, de substância higroscópica, tais como: sais, poeira, produto de corrosão etc.; o Corrosão atmosférica molhada: caracteriza-se pela presença de uma película líquida, grossa e visível sobre a superfície metálica, que pode formar-se por condensação de neblina, por ação da chuva ou quando se tem uma umidade relativa de 100%, ou seja, de saturação. Durante o armazenamento e o transporte, a proteção contra a corrosão atmosférica úmida é a de maior importância, devido à freqüência com que ocorre e por ser a de mais difícil de controlar, pois sua agressividade depende de diversos fatores que variam consideravelmente de um lugar para outro. As mais significativas são: condições climáticas, composição da atmosfera, flutuações de temperatura e umidade relativa. Diferentes experiências mostram que a simples presença de uma película de água pura sobre a superfície metálica, não é suficiente para promover corrosão, e que a velocidade do ataque depende, principalmente, dos sais e gases agressivos 26 dissolvidos, presentes nesta película. Entre os principais tipos de atmosfera distinguem-se, normalmente, o seguinte: o Atmosfera marinha: atmosfera, ao ar livre, sobre o mar e perto da costa. A atmosfera marinha contém cloreto de sódio, quer em forma de cristais, quer em gotículas de água salgada. O teor de cloreto de sódio diminui sensivelmente com o aumento da distância à beira-mar, tornando-se baixo a alguns metros da mesma; o Atmosfera industrial: atmosfera, ao ar livre, em zonas industriais contaminadas por gases cinza; o Atmosfera rural: atmosfera, ao ar livre, a grande distância das fontes poluidoras de ar. Caracteriza-se por um teor relativamente baixo de poluentes; o Atmosfera urbana: atmosfera, ao ar livre, de maiores centros populacionais. A atmosfera dessas cidades contém, normalmente, impurezas em forma de óxidos de enxofre (SO2, SO3) e fuligem. Do ponto de vista da corrosão, as atmosferas das cidades, das zonas industriais e das orlas marítimas são as mais agressivas. As atmosferas também podem ser classificadas de acordo com as diferentes zonas geográficas: tropical, subtropical, temperada, ártica e outras, sendo a tropical a mais agressiva. Comumente, esta se caracteriza por uma umidade relativa, constantemente alta durante todo o ano, oscilando entre 75% a 85% e alcançando, muitas vezes, valores superiores a 90%. Seguem alguns fatores que afetam a velocidade da corrosão atmosférica. 27 o Umidade do ar: o ar atmosférico é uma mistura de ar seco e vapor de água. A quantidade de vapor de água presente no ar é variável mas, para uma dada temperatura, tem-se um valor máximo que um dado volume de ar pode conter. Este valor máximo, denominado saturação, varia com a temperatura tornando-se maior na medida em que esta aumenta. A relação entre o valor de conteúdo de valor de água na atmosfera e o valor de saturação para uma dada temperatura, é denominada umidade relativa (UR). De acordo com a umidade relativa, pode-se caracterizar o ar, como sendo: o Seco: UR até 30%; o Normal: UR entre 50% e 60%; o Úmido: UR entre 80% e 90%; o Saturado: UR de 100%. A umidade do ar é um dos mais importantes fatores que afetam a velocidade da corrosão atmosférica. Contudo, a simples presença de água no ar não causa corrosão e um ar puro, saturado com vapor de água, determina apenas uma corrosão muito leve em metais como por exemplo o ferro e o cobre. Pode-se observar que, embora a umidade relativa seja muito elevada, 99%, por um tempo apreciável, a velocidade da corrosão do ferro mantém-se baixa. O processo de corrosão atmosférica depende da prévia história corrosiva do metal, o que implica a necessidade de se proteger os produtos metálicos desde a etapa de fabricação até o armazenamento e transporte de eventuais contatos com as atmosferas úmidas e poluídas. Observa-se que, uma vez formados, os produtos de 28 corrosão poderão promover posterior condensação de umidade para valores relativamente baixos de umidade relativa. A umidade crítica para um metal, em um determinado meio, depende das propriedades higroscópicas dos produtos de corrosão formados. Várias observações mostraram que existe uma relação definida entre a velocidade de corrosão de um metal na atmosfera e a freqüência, no tempo, com que se alcança essa umidade crítica. Está é, sem dúvida, a razão pela qual a corrosão é acelerada em clima úmido. Composição da atmosfera: como foi indicada anteriormente, a agressividade de uma atmosfera não depende só da umidade do ar, mas de uma conjunção desta com os poluentes. Experiências realizadas na Inglaterra, onde a UR é aproximadamente uniforme em todo país, mostraram que as corrosões do ferro e do zinco são proporcionais ao conteúdo de SO2 na atmosfera. As ligas de alumínio e de cobre também são sensíveis à concentração de SO2. Além dos gases, a atmosfera contém partículas sólidas e líquidas em suspensão, o que permite considerar o ar como uma solução coloidal diluída de diferentes substâncias. Muitas vezes, uma simples filtragem do ar nos ambiente de armazenamento é suficiente para reduzir consideravelmente a velocidade de corrosão. Para avaliar a agressividade da atmosfera, em diferentes regiões, deve-se considerar a composição dos depósitos atmosféricos. Em regiões costeiras, por exemplo, os depósitos têm elevado conteúdo de cloreto de sódio, que é muito agressivo. Zonas rurais, distantes do mar, contém essencialmente carbonato e 29 sulfato de cálcio hidratado que, do ponto de vista da corrosão, são menos agressivos. Especiais atenções merecem as atmosferas industriais, ricas em dióxidos de enxofre, sulfitos e sulfatos que são muito agressivos pois saturam, rapidamente, a fina camada de água condensada sobre os metais, dando valores destacados, com relação à corrosão, provocado pela presença de partículas sólidas, na superfície de produtos metálicos, está relacionado com a facilidade destas partículas absorverem a umidade do ar e originarem um eletrólito ativo. Estas partículas sólidas, por exemplo, NaCl, (NHÁ)s SO4, atuam como núcleos de corrosão, dando origem a produtos que promoverão ainda mais o ataque posterior. o Temperatura: a dependência da velocidade de corrosão atmosférica com a temperatura é bastante complicada e difícil predizer. Em experiências com atmosferas simuladas em laboratório, foi observado que uma elevação de temperatura era acompanhada por um incremento na velocidade de corrosão de ferro e zinco. Mas, a influência da temperatura em atmosferas naturais é mascarada pela influencia de outros fatores, tais como, poluentes e umidade relativa. Uma combinação de temperatura metálica elevada e prolongado contato da superfície metálica com um eletrólito provoca corrosão severa. Porém, o efeito mais destacado de temperatura está relacionado com a possibilidade de condensação de água no ar, sendo que, para um dado teor de vapor de água no ar, uma diminuição da temperatura pode aumentar a umidade relativa, chegando muitas vezes a ultrapassar os valores de umidade critica. Portanto, é da maior importância, no estudo da corrosão atmosférica, a determinação das flutuações de temperaturas, tanto nos locais de armazenamento, como durante o transporte. 30 5.4.4.2 Proteção temporária contra a corrosão Muitos produtos metálicos são armazenados e transportados por períodos mais ou menos longos e, posteriormente, usados em condições que requerem inalterabilidade de suas superfícies. A menos que essas superfícies estejam adequadamente protegidas entre a fabricação e o uso, sofrerão danos por corrosão, que podem ser provocados por: o Contaminação com produtos corrosivos durante o processamento e o manuseio; o Uso de materiais de embalagens contendo substâncias corrosivas; o Proteção inadequada contra corrosão atmosférica; Os efeitos de uma proteção insuficiente são múltiplos, provocando grandes prejuízos como, por exemplo, a necessidade de se efetuar uma decapagem adicional antes do uso das peças, com o correspondente risco de fragilização por hidrogênio ou, no caso de peças de precisão, variações dimensionais. As tensões do meio a que são expostas as embalagens durante o manuseio, armazenamento e transporte são, em linhas gerais, consideravelmente maiores que as sofridas pelo produto durante o uso em operação. Para diminuir os danos provocados nos produtos por essas tensões antes do seu uso em operação, deverão ser adotadas técnicas de embalagem adequadas e, quando necessário, o uso de protetivos temporários contra corrosão. 31 O significado do termo temporário não se refere à duração da eficiência de proteção, mas à facilidade com que o material protegido retorna, intencionalmente, às condições originais como, por exemplo, pela simples retirada da embalagem, pelo desengorduramento com solventes ou pela retirada da película protetora por descascamento. A proteção temporária contra corrosão é realizada normalmente: o Por meio de regulagem do clima, ventilação, desumidificação etc; o Pelo uso de substancias anticorrosivas, formadoras de películas protetoras; o Por meio de embalagem adequada utilizando papeis impregnados com inibidores de corrosão, dessecantes ou produtos inibidores voláteis de corrosão; o Pelo uso simultâneo de alguns dos métodos anteriores. A escolha do método adequado depende das condições exigidas quanto ao produto acabado, no que se refere à qualidade, apresentação e funcionabilidade. Os custos do material protetor e da aplicação do mesmo são decisivos, em última análise, na escolha dos diferentes métodos equivalentes de proteção. 6 PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO DE CASO 32 Dentre inúmeros aspectos técnicos regulamentados nas normas brasileiras para fabricação de vergalhões, há especificamente três pontos que serão objeto de estudo de caso no âmbito deste trabalho, quais sejam: o Fadiga o Corrosão O objetivo com o estudo é reforçar a tese de que as exigências atuais previstas na norma ABNT NBR 7480, não garantem a satisfação e mesmo o atendimento básico das necessidades destes com relação ao produto vergalhão (exemplo: pino de dobramento), pois foi percebido que os fabricantes estão investindo muito na realização de pesquisas junto ao mercado a fim de identificar oportunidades e necessidades de seus respectivos clientes, e que eventualmente não são tratadas e/ou exigidas adequadamente de acordo com o mercado. Foi observado que todos os fabricantes operam com uma margem (média) acima de 10% em relação ao mínimo exigido pela referida norma de especificação, pois tais exigências já são de domínio dos fabricantes e por não ter sofrido alteração nos últimos 09 anos, não se têm conhecimento de produtos não conformes (de acordo com a norma NBR 7480) entregues aos clientes nos últimos anos. Um dos desafios de que os órgãos técnicos existentes devem buscar, é o de manter sempre atualizada a norma de especificação dos produtos de acordo com a necessidade dos mesmos, sendo necessário descreverem de maneira objetiva e clara o atributo, o valor e as respectivas tolerâncias. 33 Em linhas gerais, as especificações definidas em um dado momento, tornam-se rapidamente ultrapassadas devido a rápida evolução dos materiais e dos processos aos quais o vergalhão está inserido, e sendo que quando a norma se torna obsoleta em questão de refletir a necessidade a ser atingida, ao mesmo tempo passa a se tornar um documento pouco conhecido e utilizado, tornando-se de domínio de poucos já que o cliente não percebe o ganho de conhecer a mesma visto que esta não lhe traz garantias e/ou soluções em caso de dificuldades. O estudo de caso estará baseado nos seguintes itens: Consultas/visitas técnicas aos fabricantes dos vergalhões (Gerdau e Belgo) para: o constatar os padrões técnicos que estão sendo adotados no processo de produção quanto ao dobramento, oxidação e aderência dos vergalhões; o em visitas técnicas, observar se os padrões informados estão sendo atendidos; Ensaio de laboratório para: o testar a eficiência dos ensaios de fadiga dos materias fabricados através de procedimentos laboratoriais; Visitas a construtoras (Cyrella, Matec, Gafisa, etc.) e obras (realizadas e em andamento) para: o observar o nível de satisfação das construtoras com os materias disponíveis no mercado e se há necessidades não atendidas pelos fabricantes; 6.1 Novos Estudo para Retardar a Corrosão 34 Os revendedores, distribuidores e até algumas construtoras tem colocado a oxidação como um quesito estético necessário. Os clientes costumam ver a oxidação como item de depreciação do produto, chegando a vender aço oxidado como material de segunda linha, com preços mais baixos. As normas não são claras quanto a definições dos critérios de limites de oxidação aceitável. A NBR 7480 diz que é aceitável a oxidação quando ainda é possível removê-la com material abrasivo. A NBR 6118 diz que é aceitável a barra oxidada que não perca mais que 10% do seu diâmetro. Esses critérios ficam sujeitos a interpretações, muitas vezes equivocadas, dos clientes e distribuidores que não possuem conhecimentos técnicos. Tentando sanar essa nova exigência do mercado, alguns fabricantes estudam algumas maneiras para retardar o processo de oxidação, como segue: 6.2.1 Proteção Temporária contra a corrosão por meio de materiais protetores formadores de película Este tipo de proteção é, em geral, o mais usado, tanto para materiais em estado bruto como acabados, durante armazenamento, transporte, entre operações de usinagem e ainda, em serviços, quando uma proteção permanente é indesejável. O método de proteção baseia-se na obtenção de uma película superficial, fácil de aplicar e remover, que atua como uma barreira à penetração de umidade e de substancias agressivas. Esta película deve ainda ser suficientemente grossa e 35 resistente, de modo a impedir que partículas sólidas ou sujeiras possam penetrá-la e chegar até a superfície metálica. 6.2.1.1 Propriedades dos Materiais de Proteção Normalmente, estes materiais, denominados de protetivos temporários, são derivados do petróleo, óleo ou graxas, com adição de substâncias que atuam melhorando as características de adesão e a continuidade da película resultante, e adição de inibidores de corrosão, neutralizadores de ácidos de impressões digitais. Os protetivos temporários devem ser quimicamente inertes, e portanto, não devem conter ácidos ou substâncias que, em presença de umidade ou oxidantes, possam produzir tais ácidos. A estabilidade química destes produtos é também um fator importante, pois os produtos não-estáveis endurecem, o que dificulta a remoção, ou descascam e racham. A radiação solar direta, especialmente nos trópicos, produz efeitos de envelhecimento da película, por ação da luz ultravioleta, e pode ser prejudicial, também, pelo aquecimento da superfície metálica o que acarreta a diminuição da aderência do protetivo, podendo ocorrer o escorrimento do mesmo. Como regra geral, não é aconselhável deixar os produtos protetivos à exposição solar direta. 6.2.1.2 Principio de seleção dos protetivos temporários 36 Antes da escolha do protetivo a ser usado, devem ser considerados os seguintes fatores: o Tempo de proteção requerido; o Tipos de peças a serem tratadas com o protetivo, considerando-se o tamanho e a complexidade das mesmas e o tipo de acabamento superficial; o Tipo de película requerida, oleosa ou não, resiste ao atrito e outras; o Método de aplicação possível: pincelamento, pulverização, imersão ou esfregamento; o Necessidade de remoção e método de remoção possível, considerando-se também, as facilidades no lugar de recepção de mercadoria; o Condições de armazenamento e necessidade de embalagem, assim como, possíveis fatores climáticos aos quais se espera que a mercadoria venha a ser submetida. As qualidades desejáveis do protetivo são: o Boa proteção: o protetivo deve criar uma película uniforme e continua que não escorra, nem rache, nas condições de armazenamento e transporte; o Fácil aplicação e remoção; o Que não ataque outros materiais, metálicos ou não, eventualmente em contato com a superfície a ser protegida; o Que tenha um tempo de secagem adequado: uma secagem muito rápida pode dificultar a aplicação do protetivo e uma muito lenta pode trazer problemas na linha de produção; 37 o Baixa inflamabilidade: o ponto de fulgor deverá estar acima da temperatura ambiente. Geralmente, os protetivos devem pertencer ao grupo 2 de periculosidade, o que significa ponto de fulgor maior que 30°C; caso o ponto de fulgor esteja baixo da temperatura ambiente, medidas especiais de segurança devem ser tomadas; o Não serem prejudiciais à saúde: não podem ser venenosos, nem anestésicos; providencias devem ser tomadas em relação à toxidade, pelo uso de exaustores e boa ventilação; o Devem ser facilmente armazenáveis, devendo manter suas qualidades inalteradas durante, pelo menos, 1 ano. 6.2.1.3 Protetivos temporários aquamossíveis Estes protetivos são aplicados por diluição em água, protegendo a superfície dos produtos metálicos através de uma película, oleosa ou cerosa, que se forma após a evaporação da água. Os protetivos não são inflamáveis e podem ser aplicados sobre produtos úmidos. Em produtos engraxados, a capacidade de aderência é deficiente. Havendo necessidade de embalar-se um produto metálico tratado com esse tipo de protetivo, deve-se esperar que a água evapore. A evaporação pode ser acelerada com auxilio de ventilação e/ou aplicando-se estes protetivos a quente. Os Protetivos AQUOSSOLÚVEIS, solúveis em água, são constituídos por uma mistura de inibidores de corrosão, orgânicos ou inorgânicos, oferecendo uma proteção temporária em ambientes internos ou em embalagens. Seu uso é desaconselhável em ambientes de elevada umidade. Alguns destes produtos atuam 38 como desengraxantes, enquanto que outros podem ser usados como base para pintura posterior. Geralmente, são formulados para proteção de materiais ferrosos; porem, existem protetivos destinados especificamente para proteção de cobre e latão. Estes produtos formam, após evaporação, uma película protetora, geralmente não-oleosa. As outras características desta classe de protetivos, geralmente são: • Espessura da película: variável; • Tempo de proteção? Dependendo do produto usado e da concentração dos mesmos, pode variar de 3 dias a algumas semanas; • Método de aplicação: imersão ou pulverização, a frio ou a quente. A aplicação a quente é aconselhada quando se deseja uma secagem mais rápida; • Temperatura de aplicação: a frio, na temperatura ambiente. A quente, variando entre 70°C e 75°C; • 6.2 Remoção: água fria ou quente, ou limpeza alcalina. Fadiga Hoje, no que diz respeito às Normas de Fadiga, NBR 6118 e NBR 7478, há vários pontos do ensaio ou não são aplicáveis ou não são claros, ou ainda deverão ser definidos pelo próprio executor do ensaio. A NBR 6118, ainda indica a necessidade de ensaios para 4 situações diferentes – retas, dobradas, estribos e soldadas – dentro do concreto, podendo justificar com barras ao ar. Não está claro como se faz para o meio técnico. O critério de avaliação fica a mercê do executor, sendo possíveis diversas interpretações. 39 A NBR 7478 solicita para o executor determinar o limite de fadiga que o material deve resistir, a partir de uma curva de Wohler do próprio material. Assim, cada amostra apresentará um limite particular. Pesquisando várias Normas Internacionais, estudando a Norma Britânica BS4449:1988 – Carbon steel bars for the reinforcement of concrete, para incrementar a Norma Brasileira. A Norma Britânica determina que as barras devam agüentar a 5x106 ciclos de tensão. Diferente das Normas Brasileiras, a Britânica determina um valor para aprovação, sendo que as amostras devam agüentar a 5x106 ciclos de tensão, e devem ser retestadas a cada três anos. A Norma alemã DIN 1045 já testa valores de flutuação de tensões para as combinações mais desfavoráveis em serviço como, barras retas ou com pequena curvatura, barras com forte curvatura (estribos) e malhas soldadas. 7 CONCLUSÕES Conforme explanações citadas até o momento, verificamos que existe uma oportunidade de se revisar a norma de vergalhões, pois existe a necessidade de se 40 definir parâmetros para alguns atributos importantes e que atualmente apenas são citados, ou então são definidos de uma maneira indireta de modo que não fica claro o valor ou objetivo a ser cumprido (exemplo: Fadiga e nível de oxidação). Entendemos que a norma poderia ser revisada com uma freqüência maior, pois as necessidades e exigências do mercado são sempre crescentes e dinâmicas, onde os atributos que nem eram citados em 1996 (ano de emissão da NBR – 7480), hoje são importantes e que inclusive servem de critério de decisão na escolha dos produtos (oxidação e pino de dobra). Conforme indicado, já temos atributos suficientes para explorar e que justificariam a abertura da referida norma para revisão, sendo os atributos citados sempre necessários para que o produto em questão apresente um desempenho superior na aplicação a que se destina, e que assim a oferta de vergalhões no mercado não apresente diferenças significativas quanto a qualidade de produto. A norma atual permite uma faixa tão ampla para alguns atributos ou simplesmente não define claramente parâmetros para alguns atributos (EX.: Fadiga) ou ainda não define um parâmetro que atenda a necessidade do mercado para um determinado atributo (EX.: Pino de dobramento), permitindo que somente os produtores com foco no cliente consigam entregar produtos com a qualidade necessária e exigida pelo mercado, porém em patamares muito superiores aos definidos (ou não) pela norma, algumas vezes com custos superiores aos da concorrência gerando assim eventuais distorções de preço e qualidade, uma vez que as exigências da norma não estão atualizadas de acordo com as necessidades do mercado. 41 Os consumidores deveriam se envolver diretamente nas criações ou atualizações das Normas Brasileiras. As revisões de Normas são realizadas de acordo com as demandas. Com o envolvimento e participação direta das partes interessadas as Normas poderiam proteger mais os consumidores do que os fabricantes.. 42 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 1982. NBR 7478: Método de Ensaio de Barras de Aço para concreto armado ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 1996. NBR 7480: Barras e fios de aço destinados a armadura para concreto armado IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas. 1992. Proteção contra corrosão durante armazenamento e transporte. Ed IPT , SP Normas para contrução civil. Disponível em: <http://www.cobracon.org.br> Acesso em: 01 jun. 2005. Normas Técnicas. Disponível em: <http://www.abnt.org.br> Acesso em: 05 jun 2005. SOUZA, SÉRGIO AUGUSTO – Edgar Blucher (Ed.) Ensaios mecânicos de materiais metálicos. São Paulo, 2005