UNIVERSIDADE METODISTA DE PIRACICABA FACULDADE DE GESTÃO E NEGÓCIOS CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS A CONTABILIDADE DE CUSTOS NAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. LUIS ANTONIO PERTILE Piracicaba, SP. 2011 LUIS ANTONIO PERTILE A CONTABILIDADE DE CUSTOS NAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. Monografia apresentada em cumprimento às exigências curriculares do Curso de Graduação em Ciências Contábeis da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Metodista de Piracicaba, área de concentração em Contabilidade Gerencial. Orientadora: Profa. Ms. Miltes Angelita Machuca Martins Piracicaba, SP. 2011 LUIS ANTONIO PERTILE A CONTABILIDADE DE CUSTOS NAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. Monografia julgada adequada para aprovação na disciplina Monografia II do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Metodista de Piracicaba _________________________________________________ Prof(a). Ms. Miltes Angelita Machuca Martins Coordenador(a) do Curso Componentes da banca: _________________________________________________ Presidente: Prof(a). Ms. Miltes Angelita Machuca Martins (orientadora) _________________________________________________ Prof(a). Ms. _________________________________________________ Prof(a). Ms. Piracicaba, 4 de Novembro de 2011 Dedico este trabalho às mulheres mais importantes da minha vida: minha querida mãe Jamile e à minha também querida tia Iraci por todo o apoio moral e financeiro. À minha orientadora Miltes por compartilhar todo seu conhecimento. E por fim, à minha amada tia Mariângela (In memoriam) da qual sentirei eterna saudade. RESUMO Este trabalho teve por objetivo identificar as principais características dos sistemas de custos propostos para as empresas prestadoras de serviços. A tipologia desta pesquisa quanto aos objetivos classifica-se como descritiva porque identifica, registra, analisa, classifica e interpreta os dados. Quanto à abordagem do problema, trata-se de uma pesquisa qualitativa. Como procedimento metodológico, foi adotada a pesquisa bibliográfica, consistindo de revisão da literatura existente em livros, dissertações, artigos científicos impressos e disponíveis na Internet. Constatou-se que o Custeio Baseado em Atividades (ABC) é o mais indicado às organizações de serviços, pois nestas organizações há a predominância dos custos indiretos e este é o método que atribui de forma mais precisa estes custos às atividades. A desvantagem deste método é seu alto custo de implantação, fazendo com que muitas empresas optem por outros métodos de custeio. O custeio por absorção não é indicado para as prestadoras de serviços, pois sua principal função é avaliar estoques, algo inexistente nestas organizações; para tomada de decisão este método não é indicado em decorrência de atribuir de forma subjetiva e arbitrária os custos indiretos. O custeio direto, bem como o custeio variável são úteis para fins gerenciais e foram indicados por alguns dos estudos. No entanto, prevalece o Custeio Baseado em Atividades. Palavras-chave: prestação de serviços, custos, métodos de custeio. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.........................................................................................................7 2 CONTABILIDADE DE CUSTOS............................................................................15 2.1 Terminologias.................................................................................................16 2.1.1 Gastos...................................................................................................16 2.1.2 Investimentos.......................................................................................17 2.1.3 Custos...................................................................................................17 2.1.4 Despesas...............................................................................................17 2.1.5 Pagamentos..........................................................................................17 2.1.6 Perdas...................................................................................................18 2.1.7 Prejuízo.................................................................................................18 2.2 Classificação dos custos..............................................................................18 2.2.1 Custos diretos......................................................................................19 2.2.2 Custos indiretos...................................................................................19 2.2.3 Custos fixos..........................................................................................20 2.2.4 Custos variáveis...................................................................................20 3 SISTEMAS DE CUSTOS.......................................................................................21 3.1 Métodos de custeio.......................................................................................22 3.1.1 Custeio por absorção..........................................................................23 3.1.2 Custeio direto.......................................................................................25 3.1.3 Custeio variável....................................................................................25 3.1.4 Custeio ABC (Custeio Baseado em Atividades)...............................27 3.1.5 Custeio TDABC (Custeio Baseado em Atividade e Tempo).............29 3.2 Formas de custeio - mensuração ...............................................................29 3.2.1 Custo real.............................................................................................30 3.2.2 Custo prévio.........................................................................................30 3.3 Sistemas de acumulação de custos............................................................31 3.3.1 Acumulação por ordem......................................................................32 3.3.2 Acumulação por processo.................................................................33 3.3.3 Acumulação híbrida............................................................................33 4 CUSTOS DE SERVIÇOS.......................................................................................35 4.1 Classificação dos serviços..........................................................................36 4.2 Características dos serviços.......................................................................36 4.3 A contabilidade de custos nas empresas prestadoras de serviços........37 4.4 Características dos sistemas de custos nas empresas de serviços.......38 5 CONCLUSÃO.........................................................................................................49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................51 1 INTRODUÇÃO As constantes mudanças que vêm ocorrendo em todas as áreas, exigem maior rapidez nas tomadas de decisões, o que requer conhecer ferramentas de gestão que sejam eficazes e que possibilitem às empresas condições de enfrentar um ambiente de negócios cada vez mais ativo e disputado. A contabilidade, como as demais áreas do conhecimento, teve que seguir essas mudanças, adaptando-se às novas exigências empresariais, buscando novas ferramentas e reduzindo, na medida do possível, suas limitações para essa realidade. Após a abertura comercial na década de 1990, o número de empresas que concorrem no setor de serviços está em constante crescimento. Esse crescimento possibilita e facilita a entrada de novos concorrentes, muitos deles, empresas estrangeiras com alta capacidade tecnológica no desenvolvimento de serviços, que trazem um panorama de alta competitividade no setor, exigindo das empresas nacionais, rápida adequação de suas técnicas de gestão, principalmente no que tange à gestão estratégica de custos. (ORIGE, 2004, p. 2) A contabilidade de custos está inserida na contabilidade gerencial e dispõe de diferentes métodos de custeio, formas de custeio e sistemas de acumulação, cuja composição culmina em diferentes sistemas de custos aplicáveis a todo tipo de empresa. A contabilidade gerencial não está presa às formalidades legais da contabilidade geral, principalmente no que se refere aos relatórios internos, cujo foco é a tomada de decisão e controle. Como ferramenta gerencial, a contabilidade de custos é capaz de fornecer dados importantes através de Basicamente suas funções de destaque são: algumas funções fundamentais. 8 1) Importante auxiliar no controle, em que, segundo Martins (2006, p. 21), sua maior missão é fornecer dados para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de previsão e, num próximo estágio, acompanhar o que efetivamente ocorreu para comparação com os valores anteriormente definidos. 2) Importância fundamental com relação às decisões. Ainda, de acordo com Martins (2006, p. 22), seu papel é de extrema importância, pois as informações por ela alimentadas sobre valores relevantes que dizem respeito às conseqüências de curto e longo prazo são utilizadas para determinar a escolha da ação mais adequada à circunstância, como saber, por exemplo, quais serviços oferecem maior retorno, quais devem ser deixados de oferecer, etc. Neste trabalho estuda-se a contabilidade de custos aplicada às organizações de serviços. Problema da pesquisa Orige (2004, p. 2), relata que: O sistema de custos para empresas prestadoras de serviços é importante para os gerentes, porque eles precisam de informações para melhorar a qualidade, pontualidade e eficiência das atividades implementadas, além de compreender precisamente o custo e a lucratividade de cada um de seus serviços e clientes. [....] Observa-se que é bastante comum encontrarem-se empresários atuantes no setor de prestação de serviços, que apresentam dificuldade e desconhecimento para a gestão de custos; essas dificuldades se caracterizam por diversos motivos, alguns deles são: o desconhecimento de como devem fazer para saber os custos dos serviços; a consideração de que é muito trabalhoso, difícil e complicado controlar, acompanhar e tomar decisões em relação aos custos dos serviços oferecidos; o pensamento de que nem sempre isso ajuda a ganhar mais dinheiro. A não implementação de um sistema de custos pode significar a falta de relatórios gerenciais, que, muitas vezes, implica na perda de informações que poderiam contribuir para a maximização do lucro da empresa. Para tanto, é importante que a contabilidade gerencial esteja presente também nas empresas que 9 prestam serviços e não somente nas empresas comerciais e industriais de grande porte. O gerenciamento dos custos poderá proporcionar melhores soluções para seus gastos e contribuir na decisão dos preços dos serviços prestados. Implantar um sistema de custos implica em definir sua estrutura básica, o que requer as escolhas dos seguintes elementos: métodos de custeio; formas de custeio; sistema de acumulação de custos; Padoveze (2006, p. 76) sinaliza que a escolha do método de custeio está em função do modelo de informação e decisão adotado, a forma de custeio irá definir o tipo de mensuração monetária utilizada nos formadores de custos dos serviços, se será utilizado o valor histórico, valor histórico corrigido, valor estimado, valor orçado, valor padronizado, já o sistema de acumulação está em função do processo de elaboração dos produtos e ou serviços. Considerando a ampliação das empresas da área de serviços questiona-se: quais as principais características dos sistemas de custos propostos para as empresas prestadoras de serviços? Objetivo geral O presente trabalho tem por objetivo identificar, a partir da análise das pesquisas já realizadas sobre a contabilidade de custos aplicada as empresas prestadoras de serviços, as principais características dos sistemas de custos propostos a essas organizações. Objetivos específicos Esta pesquisa tem como objetivos específicos: Revisar os sistemas de apuração de custos; 10 Identificar como se caracteriza um sistema de custos aplicável às organizações de serviços; Justificativa Este trabalho destina-se a apresentar à sociedade como também à comunidade científica e outros interessados nesse conhecimento, as principais características dos sistemas de custos implantados nas empresas prestadoras de serviços levantados a partir de pesquisa bibliográfica, o que entende ser útil para futuros pesquisadores e empresários do setor. Particularmente, proporciona oportunidade de maior aprendizado teórico na área de custos, através do conhecimento dos diferentes métodos de custeamento aplicados nas empresas que prestam serviços, podendo assim, identificar qual método se adapta melhor a este ramo de atividade. Por estar limitado às informações obtidas através de pesquisas bibliográficas, o que não o torna dificultoso, pois existe acervo impresso e disponível em meio eletrônico, este trabalho não utilizará ferramentas de coleta de dados como questionários e entrevistas, portanto, a contribuição do autor está em analisar os dados obtidos compartilhando-os a quem tenha interesse. Metodologia De acordo com Demo (1995, p.11), a metodologia é um estudo organizado e sistemático dos caminhos a serem percorridos para se realizar uma pesquisa científica. Segundo Beuren (2009, p. 79), para a formulação da metodologia destacam-se as seguintes tipologias da pesquisa: 11 (...) quanto aos objetivos, que contempla a pesquisa exploratória, descritiva e explicativa; pesquisa quanto aos procedimentos, que aborda o estudo de caso, o levantamento, a pesquisa bibliográfica, documental, participante e experimental; e a pesquisa quanto à abordagem do problema, que compreende a pesquisa qualitativa e a quantitativa. A tipologia desta pesquisa quanto aos objetivos classifica-se como descritiva porque identifica, registra, analisa, classifica e interpreta os dados. Quanto à abordagem do problema, trata-se de uma pesquisa qualitativa, pois não haverá o uso de instrumentos estatísticos. Conforme descreve Beuren (2009, p. 92): Na Contabilidade, é bastante comum o uso da abordagem qualitativa como tipologia de pesquisa. Cabe lembrar que, apesar de a Contabilidade lidar intensamente com números, ela é uma ciência social, e não uma ciência exata como alguns poderiam pensar, o que justifica a relevância do uso da abordagem qualitativa. Como procedimento metodológico, foi adotada a pesquisa bibliográfica, consistindo de revisão da literatura existente em livros, dissertações, artigos científicos impressos e disponíveis na Internet. Ainda segundo Beuren (2009, p. 87): [....] Por meio dessas bibliografias reúnem-se conhecimentos sobre a temática pesquisada. Com base nisso é que se pode elaborar o trabalho monográfico, seja ele em uma perspectiva histórica ou com o intuito de reunir diversas publicações isoladas e atribuir-lhes uma nova leitura. As fontes utilizadas foram, além de livros relacionados à contabilidade de custos, trabalhos apresentados em congressos de iniciação científica disponíveis nos sítios eletrônicos: http://novo.periodicos.capes.gov.br/, http://www.congressousp.fipecafi.org/index.asp, http://www.controladoria.ufpe.br e http://www.abcustos.org.br. Foram efetuados levantamentos nesses periódicos nas publicações efetuadas entre 2001 a 2011 e foram utilizadas como palavras-chave: custos, custeio, métodos de custeio, sistemas de custos, custos na prestação de serviços, ABC. Inicialmente o levantamento foi efetuado no sítio eletrônico http://www.abcustos.org.br da Associação Brasileira de Custos, onde no canto superior direito há o mecanismo de busca. Foi necessário efetivar o pagamento da 12 anuidade, pois os artigos são disponibilizados apenas para quem é associado. Sem isso, o acesso fica restrito apenas ao resumo deles. Nele, detectaram-se dezessete artigos que contemplavam em seu título as palavras-chaves utilizadas. Por questão de tempo hábil para a elaboração deste trabalho, foram analisados sete deles que foram considerados relevantes para responder a questão problema, pois continham em seu conteúdo pelo menos um dos três elementos de um sistema de custos, que são: método de custeio, sistema de acumulação de custos e formas de custeio, além de atender aos objetivos deste trabalho. No Quadro 1 são apresentados os trabalhos encontrados no período de 2001 a 2010. Quadro 1 - Trabalhos encontrados nos Congressos Brasileiros de Custos Ano Edição do Congresso 2001 8ª 2002 9ª 2003 10ª 2004 11ª 2005 12ª 2006 13ª 2007 14ª 2008 15ª Trabalhos encontrados Métodos de custeio nas empresas de serviços - vantagens e desvantagens da aplicação da metodologia ABC em relação às tradicionais. Estudo sobre métodos de custeio em instituições hospitalares O custeio ABC em empresas de serviços: características observadas na implantação em uma empresa do setor Um Estudo Sobre Sistemas de Custeio em Empresas do Setor Hoteleiro: O Caso da Rede Carioca de Hotéis S.A. Os sistemas de acumulação de custos em organizações de serviços: um estudo de caso em uma entidade hospitalar Proposta metodológica de apuração de custos em serviços compartilhados Método de custeio variável, custeio direto e teoria das restrições no contexto da gestão estratégica de custos: um estudo aplicado ao instituto de idiomas Unilínguas A utilização do custeamento ABC em uma organização contábil - uma simulação Custeio em organizações de serviços: abordagem para pequenos meios de hospedagem Gestão de custos nas instituições privadas de ensino: um estudo empírico dos métodos de custeio O activity based costing (ABC) na Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba). Fatores relevantes para implantação, o modelo e os resultados obtidos 2009 16ª 2010 17ª Aplicação do ABC para mensurar a rentabilidade de segmentos de mercado: estudo de caso em transportadora de passageiros Proposta de metodologia para a implantação do sistema de custeio baseado em atividades para organizações hospitalares Implantação de método de custeio em empresa de prestação de serviços ABC versus TDABC: estudo de caso em transportadora Critérios de classificação de custos quanto ao comportamento aplicado em uma entidade hospitalar: uma análise das divergências entre métodos utilizados e o seu impacto no resultado 13 2010 17ª O uso do custeio variável nas decisões gerenciais do laboratório de análises clínicas de um hospital filantrópico no município de Teófilo Otoni, Minas Gerais. Fonte: ABC. Associação Brasileira de Custos. No sítio eletrônico http://www.congressousp.fipecafi.org/index.asp, o acesso aos trabalhos apresentados é gratuito. A página dá acesso ao resumo dos trabalhos ao clicar a opção “Divulgação de Resultados”. Após isso, é possível conferir em tela o resumo de cada trabalho, bem como fazer o download deles. Em seu canto direito é possível acessar os Anais das edições anteriores desde o ano de 2004. Neste sítio eletrônico foram encontrados quatro artigos que continham em seu título as palavras-chaves utilizadas, sendo analisado neste trabalho apenas um deles por falta de tempo disponível para mais análises. Seguem no quadro 2 os artigos encontrados nesta fonte. Quadro 2 – Trabalhos encontrados nos Congressos USP Ano Edição do Congresso Trabalhos encontrados Utilização do custeio variável no gerenciamento de hotéis: 6ª Congresso USP de uma pesquisa no setor hoteleiro do nordeste brasileiro 2006 Controladoria e Contabilidade Utilização dos sistemas de custos pelas instituições de ensino superior do sistema ACAFE - SC 9º Congresso USP de Análise dos estudos empíricos realizados sobre o Time2009 Driven ABC entre os anos de 2004 e 2008 Controladoria e Contabilidade 2010 7º Congresso USP de Iniciação Gestão de custos hospitalar: um estudo de caso Científica em Contabilidade Fonte: Congresso USP de Controladoria e Contabilidade. No portal CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), a busca teve que ser mais minuciosa devido à enorme base de dados existente. Inserindo o prefixo “cont”, foram listadas no resultado fontes como: Revista Contabilidade & Finanças, Contabilidade Vista & Revista, Revista Eletrônica de Contabilidade, Contexto: Revista do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Contabilidade e Revista INGEPRO – Inovação, Gestão e Produção. Nestes cinco periódicos, foram encontrados seis artigos e todos eles abordaram sobre sistemas de custos em organizações na área da saúde. O quadro 3 apresenta os trabalhos encontrados. 14 Quadro 3 – Trabalhos encontrados no Portal CAPES PORTAL CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Ano Periódico Edição vol. 16, n. 2, p. 29-42 2005 Contabilidade Vista e Revista vol. 16, n. 2, p. 83-101 Contexto Revista do Núcleo 2007 de Estudos e Pesquisas em Contabilidade Revista 2004 Contabilidade e Finanças Revista Eletrônica 2005 de Contabilidade Trabalhos encontrados Análise da aplicabilidade do sistema ABC em hospitais e congêneres Aplicabilidade do custeio baseado em atividades em hospitais vol. 7, n. 11 Aplicação do custeio baseado em atividades: estudo de caso em um laboratório de análises clínicas jan/abr, n. 34, p. 63-79 Custeio baseado em atividades aplicado à prestação de serviços médicos de radiologia mar/mai, vol. 1, n. 3 Análise da departamentalização em uma empresa hospitalar - um estudo de caso Revista INGEPRO v. 1, n. 7, 2009, p. 82-94 2009 Inovação, Gestão e Produção Aplicação do Custeio Baseado em Atividade e Tempo (TDABC) em Laboratórios de Análises Clínicas Fonte: CAPES. Coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior. Optou-se por analisar o penúltimo artigo que aborda sobre o uso da departamentalização, pois foi o único de todos os artigos encontrados, que aborda sobre o uso desta ferramenta, enquanto que o custeio baseado em atividades é tema de muitos trabalhos e será analisado logo mais adiante. A partir desse levantamento foram analisados dez artigos relacionados à contabilidade de custos nas empresas prestadoras de serviços. Elaborou-se um quadro onde constam as seguintes informações: título do artigo, autores, ano da publicação, fonte, palavras-chave, área temática, objetivo, tipo de organização, método de custeio, sistema de acumulação e sistema de mensuração. . 15 2 CONTABILIDADE DE CUSTOS A Contabilidade de Custos teve seu início no século XVIII durante a Era Mercantilista e sua função básica era mensurar os estoques ao final de cada período a fim de obter o custo da mercadoria vendida. De acordo com Padoveze (2006, p. 5) contabilidade de custos “é o segmento da ciência contábil especializado na gestão econômica do custo e dos preços de venda dos produtos e serviços oferecidos pelas empresas”. Padoveze (2006, p. 9), ainda define a contabilidade de custos como: [....] um dos seguimentos da ciência contábil que mais têm apresentado evoluções teóricas ao longo dos últimos anos. É um dos melhores e mais utilizados instrumentos para a gestão empresarial. Em linhas gerais, podemos dizer que a contabilidade de custos tem duas grandes áreas de atuação: a) Custo Contábil: Conceitos e técnicas voltados para a apuração do custo dos produtos e serviços para fins de contabilização e atendimento às necessidades legais e fiscais: b) Custo Gerencial: Conceitos e técnicas voltados para a gestão econômica dos produtos e serviços da empresa, suas atividades, unidades de negócios e seus gestores responsáveis, envolvendo as necessidades de controle, avaliação de desempenho e tomada de decisão. De acordo com Horngren, Foster e Datar (2000, p. 2), a contabilidade de custos faz a mensuração e a relação das informações financeiras e não financeiras que dizem respeito à aquisição e ao consumo de recursos pela organização. Ainda sobre o conceito de contabilidade de custos, podem-se citar algumas definições a seguir: A contabilidade de custos é o ramo da contabilidade que se destina a produzir informações para os diversos níveis gerenciais de uma entidade, 16 como auxílio às funções de determinação de desempenho, de planejamento e controle das operações e de tomada de decisões. (LEONE, 2000, p. 20). Custear é apurar os custos. Mas não significa apenas determiná-los ou calculá-los. Apuração dos custos representa todo o trabalho da Contabilidade de Custos, desde o planejamento da coleta (e a coleta propriamente dita) dos dados até a prestação da informação gerencial de custos. (LEONE, 2000, p. 49). Para melhor compreensão da contabilidade de custos e sua aplicabilidade é importante conhecer algumas terminologias da área, as quais estão tratadas a seguir. 2.1 Terminologias De acordo com Padoveze (2006, p. 13), há palavras como custo, despesa, gasto, que para muitos tem o mesmo significado. A tendência delas é de querer expressar as mesmas coisas. Porém é preciso diferenciá-las tecnicamente entre as principais terminologias. 2.1.1 Gastos Na visão de Martins (2006, p. 24), gasto é toda compra de qualquer produto ou serviço que resulta em sacrifício financeiro para a entidade. Ainda sobre gastos destaca-se a definição dada por Padoveze que corrobora com Martins. Gastos são todas as ocorrências de pagamentos ou de recebimentos de ativos, custos ou despesas. Significam receber os serviços e os produtos para consumo em todo o processo operacional, bem como os pagamentos efetuados e os recebimentos de ativos. Como se pode verificar, gastos são ocorrências de grande abrangência e generalização. Gasto também é sinônimo de dispêndio, o ato de despender. (PADOVEZE, 2006, p. 17) 17 2.1.2 Investimentos “São os gastos efetuados em ativos ou despesas e custos que serão imobilizados ou diferidos. São gastos ativados em função de sua vida útil ou de benefícios futuros”. (PADOVEZE, 2006, p. 17) 2.1.3 Custos Os gastos utilizados na fabricação de um produto ou na execução de um serviço são denominados de custos. Isso porque o termo custo está vinculado ao valor de um ativo. A mão-de-obra utilizada na prestação de serviço é um exemplo disso. 2.1.4 Despesas Segundo Martins (2006, p. 25), despesa é todo bem ou serviço consumido direta ou indiretamente para se obter receitas. “As despesas são itens que reduzem o Patrimônio Líquido e que tem essa característica de representar sacrifícios no processo de obtenção de receitas”. (MARTINS, 2006, p. 26). 2.1.5 Pagamentos “São os atos financeiros de pagar uma dívida, um serviço, um bem ou um direito adquirido. É a execução financeira dos gastos e investimentos da empresa”. (PADOVEZE, 2006, p. 18) 18 2.1.6 Perdas De acordo com Martins (2006, p. 26), é todo bem ou serviço consumido de forma excepcional ou involuntária. Por exemplo, na ocorrência de um incêndio, de uma enchente ou excesso de capacidade ociosa. 2.1.7 Prejuízo Para tal explicação, destaca-se a citação a seguir: É o resultado negativo de uma transação ou de um conjunto de transações. Considerando o conjunto de transações de um período, é a resultante negativa da soma das receitas menos as despesas desse período. Nesse caso, decorre da apuração do resultado de um período, em que as despesas suplantam as receitas desse período. (PADOVEZE, 2006, p. 18) 2.2 Classificação dos custos As classificações dos custos são importantes porque segundo Padoveze (2006, p. 39), “[....] o processo classificatório objetiva agrupar os custos com natureza e objetivos semelhantes em determinadas classes, facilitando a administração, as apurações, análises e modelos de tomada de decisão a serem utilizados posteriormente”. Podem ser classificados quanto a sua facilidade de alocação: custos diretos ou indiretos. Quanto a sua variabilidade: custos fixos ou variáveis. 19 2.2.1 Custos diretos Segundo Leone (2000, p. 59), os custos diretos “[....] são todos os custos que se conseguem identificar com as obras, do modo mais econômico e lógico.” Na definição dada por Bruni e Famá (2009, p. 29), os custos diretos são aqueles diretamente incluídos no cálculo dos produtos ou serviços, pois são possíveis de uma mensuração objetiva. Martins (2006, p. 48), define que custos diretos são aqueles possíveis de medir o seu consumo (horas de mão de obra utilizadas, quilogramas de materiais consumidos). Na prestação de serviço, o principal custo direto é a mão-de-obra direta, que representa os salários e os encargos sociais pagos aos trabalhadores. 2.2.2 Custos indiretos Dentre as definições encontradas sobre esse tema, optou-se por destacar o conceito dado por Padoveze. [....] São os gastos que não podem ser alocados de forma direta ou objetiva aos produtos ou a outro segmento ou atividade operacional e, caso sejam atribuídos aos produtos, serviços ou departamentos, esses gastos o serão por meio de critérios de distribuição (rateio, alocação, apropriação são outros termos utilizados) [....] (PADOVEZE, 2006, p. 42) Um exemplo de custo indireto em empresa que presta serviços de terraplanagem: tem-se o custo com a manutenção dos tratores utilizados na prestação de serviços. 20 2.2.3 Custos fixos Considera-se custo fixo quando, mesmo ocorrendo variações na produção ou nos serviços prestados, o custo não se altera. Supondo uma prestadora de serviço na qual os empregados têm salário mensal estabelecido independentemente da quantidade de hora trabalhada ou serviço prestado, os salários do mês serão fixos, independente da ocorrência ou não do serviço prestado. 2.2.4 Custos variáveis Os custos variáveis têm uma ligação direta com o volume de produção e serviço. Seus valores aumentam ou diminuem conforme as alterações sofridas nas atividades da empresa. Segundo Leone (2000, p. 73) “Os custos variáveis somente aparecem quando a atividade ou a produção é realizada. Nesse sentido eles são evitáveis porque se pode comandar o volume da atividade ou da produção”. Em uma empresa prestadora de serviços de limpeza, são considerados custos variáveis gastos com os materiais de limpeza como: água sanitária, álcool, cera, etc. 21 3 SISTEMAS DE CUSTOS Um sistema de custos é capaz de passar informações importantes aos gestores, dando suporte à tomada de decisões. Segundo Dias (2007, p. 42), utilizando um sistema de custos, é possível indicar qual produto ou serviço é mais lucrativo e deve receber mais investimentos para promover suas vendas, qual setor da empresa precisa reduzir os gastos exagerados ou eliminar os desnecessários. O principal objetivo de um sistema de custos tem sido a mensuração unitária dos custos de produtos e serviços. Para atingir esse objetivo é necessário definir quais gastos farão parte da composição do custo unitário. Essa definição envolve escolher dentre os diferentes métodos de custeio aquele que melhor se adapta com o modelo de informação requerido pelos gestores e para a empresa. Além da escolha do método de custeio, delinear um sistema de custos implica em definir outras questões, como já ressaltado anteriormente. Isso porque um sistema de custos para Guerreiro apud Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 6), é um “conjunto de elementos interdependentes que interagem na consecução de um objetivo comum, coletando, processando e gerando informações derivadas do desempenho das operações”. De acordo com a Figura 1 elaborada por Padoveze (2006, p. 85), primeiramente, o gestor de custos deve definir qual método de custeio será utilizado. Feito isto, é possível utilizar qualquer forma de custeio, que pode ser uma ou até todas se a empresa achar necessário. Por fim, o sistema de acumulação a ser utilizado, dificilmente será de acordo com a escolha do gestor, pois o que quase sempre determina qual sistema de acumulação será aplicado é o modo como a empresa produz seus produtos e consome seus recursos durante a produção. 22 Figura 1 Esquema da contabilidade de custos Métodos de Custeio Custos do produto Produto(s) ou serviço(s) X Custos do período Processos produtivos Custeio por absorção Custeio variável Sistema de acumulação de custos Custeio direto Custeio ABC Produção por encomenda Produção seriada ou contínua Produção em massa Produção por operações Formas ou sistemas de custeio Produção por atividades MENSURAÇÃO Custeamento por ordem Custo real Custeamento por processo ou atividade Custo estimado/orçado Custeamento híbrido Custo padrão Fonte: Adaptado de Padoveze, 2006, p. 85 A seguir apresenta-se cada um dos fundamentos de um sistema de custos. 3.1 Métodos de custeio O método de custeio é o início da elaboração de um sistema de custos que será implantado nas empresas. Destaca-se a definição dada por Padoveze (2006, p. 151), a qual diz que: 23 [....] o método de custeio é um processo de distribuir os gastos totais, considerando seus principais tipos, aos diversos produtos ou serviços da empresa. [....] a obtenção do custo unitário dos produtos e serviços é um processo de alocação dos gastos totais, admitidos pelo método escolhido, aos diversos produtos ou serviços produzidos pela empresa. Segundo Motta e Escrivão apud Lemos Junior (2008, p. 3), é necessário conhecer as características e utilidades de cada método para que se faça a correta escolha de qual deles adotar. Os métodos de destaque na bibliografia pesquisada estão tratados a seguir. 3.1.1 Custeio por absorção O custeio por absorção é o método aceito pela legislação para a elaboração das demonstrações contábeis. Este método consiste na apropriação de todos os custos aos serviços prestados ou da produção, sejam eles fixos ou variáveis. Nele, computamse, além dos custos diretos de operação (mão de obra, matéria prima, etc.), os custos indiretos de operação (manutenção de equipamentos, controle de qualidade, etc.). Os custos fixos quando indiretos são rateados de acordo com os critérios estabelecidos pela empresa. Segundo Costa e Fazan (2001, p. 9): A característica fundamental desse método de apuração de custos é a sua aplicabilidade razoavelmente simples e a facilidade de entendimento, dispensando grandes estruturas operacionais. Outro fato que o torna muito difundido entre as empresas é que permite avaliação de estoques para apuração de resultados e consequentemente a elaboração de balanços, fato sem relevância na atividade de prestação de serviços, [....] onde não há formação de estoques que seriam consumidos em vendas futuras e sim custos incorridos para a obtenção de uma receita proveniente de uma prestação de serviços. No processo de custeamento unitário, pelo método de absorção, os custos diretos são direcionados aos produtos, que posteriormente absorvem parte dos custos comuns da área de produção. 24 Apesar de ser o único método que atende às exigências da legislação e também ser o de maior facilidade de aplicação e entendimento, não costuma ser vantajoso para fins gerenciais, pois a forma de distribuição dos custos indiretos é feita através da utilização de critérios de rateio sob alguma base de rateio como mão-de-obra direta, hora/máquina, etc. Com isso pode-se chegar a resultados diferentes dos custos unitários e também dos custos totais de cada produto, gerando informações que prejudicam a análise das informações. Uma alternativa para amenizar estas distorções é a departamentalização. Segundo Martins (2006, p. 66), com ela, os custos indiretos: [....] podem ser divididos em dois grandes grupos: os que promovem qualquer tipo de modificação sobre o produto diretamente e os que nem recebem o produto; aqueles são os que atuam sobre o produto e são conhecidos por Departamentos de Produção, enquanto os segundos, que vivem basicamente para execução de serviços auxiliares e não para atuação direta sobre os produtos, são conhecidos por Departamentos de Serviços. De acordo com Mauad e Pamplona (2001, p. 3): Ao dividir a empresa em departamentos produtivos e de serviços, o que, aparentemente pode ser considerada uma tarefa fácil, pode ser um problema pelo fato de alguns departamentos não receberem fisicamente os produtos, pois sua função é a de prestar serviços aos outros departamentos. Para solucionar este problema, o critério mais utilizado é o de hierarquizar os departamentos de serviços de forma que aquele que tiver seus custos distribuídos não receba rateio de nenhum outro e o processo só termina quando todos esses custos sejam rateados de tal forma que recaiam sobre os departamentos de produção e destes para os produtos. O uso da departamentalização faz com que os custos indiretos apurados em cada departamento sejam atribuídos somente aos produtos que necessitam passar por estes departamentos, enquanto que, sem o uso desta ferramenta, todos os custos indiretos são distribuídos a todos os produtos, mesmo que determinado produto, não necessite passar por todos os departamentos. 25 3.1.2 Custeio direto O método de custeio direto, por não ser aceito pela legislação, tem a sua aplicabilidade voltada apenas para fins gerenciais. Para Vartanian apud Reginato e Collatto (2005, p. 5): Custeio Variável não é a mesma coisa que Custeio Direto, pois, neste último, custos fixos que porventura sejam diretamente identificáveis com os objetos de custeio (outros que não sejam as unidades de produto, tais como a linha de produto, o centro de custos, o departamento), a estes são levados, o que jamais deve ocorrer no Custeio Variável. Padoveze (2006, p. 78) explica que: Esse método utiliza, para custeamento dos produtos, apenas os gastos diretos a cada um dos produtos e serviços de uma empresa, sejam eles custos (gastos da área industrial), sejam despesas (gastos da área comercial). Portanto, nesse método, são utilizados para cálculo do custo unitário dos produtos tanto os custos (e despesas) diretos variáveis quanto os fixos. Os custos diretos variáveis são incorporados ao custo dos produtos pelo seu custo unitário específico, e os custos diretos fixos, pelo custo médio em função da quantidade produzida ou vendida. Conforme citado através dos autores acima, são utilizados para a apuração dos custos unitários apenas os gastos passíveis de apropriação direta, sejam eles, variáveis ou fixos. Com isso, os CIF‟s (Custos Indiretos de Fabricação), não são apropriados para a apuração dos custos. 3.1.3 Custeio variável No método de custeio variável, somente os gastos variáveis são computados na apuração do custo unitário de produtos e serviços. Este sistema baseia-se na divisão dos gastos em variáveis e fixos, isto é, os que variam com o nível de atividade da empresa e os que se mantêm constantes dentro de certos níveis de atividades. 26 Vale citar que a legislação não aceita este método para a elaboração das demonstrações contábeis. Ele (o Custeio Variável) de fato fere os Princípios Contábeis, principalmente o Regime de Competência e a Confrontação. Segundo estes, devemos apropriar as receitas e delas deduzir todos os sacrifícios envolvidos para sua obtenção. Ora, se produzimos hoje, incorremos hoje em custos que são sacrifícios para a obtenção das receitas derivadas das vendas dos produtos feitos, e essas vendas poderão em parte vir amanhã. Não seria, dentro desse raciocínio, muito correto jogar todos os custos fixos contra as vendas de hoje, se parte dos produtos feitos só será vendida amanhã; deve então também ficar para amanhã uma parcela dos custos, quer variáveis, quer fixos, relativos a tais produtos. (MARTINS, 2006, p. 203) Essa metodologia de apuração de custo unitário dos produtos e serviços considera tão-somente os custos e despesas variáveis de cada produto ou serviço, sejam eles diretos ou indiretos. Esse método busca um custo unitário do produto ou serviço sem nenhuma dúvida em termos de mensuração monetária, já que, ao utilizar apenas elementos variáveis e, portanto, com valor unitário para cada unidade de produto perfeitamente definido, não usa nenhum conceito de cálculo médio. Essa característica torna esse método o cientificamente recomendável para todos os propósitos de previsões e tomada de decisão. (PADOVEZE, 2006, p. 78) As contribuições informacionais que este método pode fornecer são: A margem de contribuição: segundo Padoveze (2006, p. 278), é a diferença entre receita unitária menos custos e despesas variáveis por unidade, representando o lucro variável. Tem a finalidade de demonstrar se um produto pode contribuir para, inicialmente, amortizar os gastos fixos e, em seguida, gerar o lucro à empresa. Isto ajuda na identificação de qual produto ou serviço deve ter sua venda incentivada por trazer uma maior margem de contribuição, ou o contrário, qual produto ou serviço poderá ser eliminado por não oferecer retorno suficiente para, no mínimo, cobrir os gastos fixos. O ponto de equilíbrio: De acordo com Padoveze (2006, p. 278) demonstra quantas unidades a empresa deve vender para que seja possível cobrir os custos e despesas fixas, bem como os custos e despesas variáveis necessários para a fabricação do produto. Indica o volume efetuado de vendas que não gera lucro e nem prejuízo. 27 A margem de segurança: segundo Bornia apud Biscaro (2006, p. 3) a margem de segurança “consiste no excedente das vendas da empresa sobre as vendas no ponto de equilíbrio”. Supondo que o ponto de equilíbrio da empresa se dá no momento em que ela atinge a quantidade de 5.000 unidades vendidas, mas costumeiramente ela vende 9.000 unidades, este excedente de 4.000 unidades vendidas consiste na margem de segurança, que representa o quanto as vendas podem diminuir sem que o resultado resulte em prejuízo. A alavancagem operacional: segundo Padoveze (2006, p. 279), informa a possibilidade de aumento no lucro total se ocorrer um aumento na produção e também nas vendas. 3.1.4 Custeio ABC (Custeio Baseado em Atividades) O Custeio ABC surgiu em meados da década de 80, a fim de suprir as necessidades de informações mais precisas sobre os custos dos produtos e serviços. Para Martins (2006, p. 87), “o Custeio Baseado em Atividades, conhecido como ABC (Activity-Based Costing), é um método de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos [....]”. O que muito se ouve quando se fala em custeio ABC são: atividades, objeto de custo e direcionador de custos dos recursos e direcionador de custos das atividades. O conceito de atividade está a seguir indicado: [....] Podemos definir atividade como o menor segmento de responsabilidade, dentro da empresa, que gera um produto ou um serviço e consome recursos para a execução da atividade necessária à geração desses produtos ou serviços. [....] (PADOVEZE, 2006, p.205) 28 O objeto de custo nada mais é do que o produto ou serviço que recebe os custos. O direcionador de custos dos recursos, segundo Nakagawa (1995, p. 74) é o “mecanismo para rastrear e indicar os recursos consumidos pelas atividades, caso em que é chamado de cost driver de recursos”. O direcionador de custos das atividades, segundo Martins (2006, p. 96), “[....] identifica a maneira como os produtos „consomem‟ atividades e serve para custear produtos (ou outros custeamentos), ou seja, indica a relação entre as atividades e os produtos [....]” Padoveze (2006, p. 204), define: “[....] o custo por atividade como um método de custeamento que identifica um conjunto de custos para cada atividade na organização, que age como um direcionador de custos. Os custos indiretos são então alocados aos produtos e serviços na base do número desses eventos ou transações, que o produto ou serviço tem gerado ou consome como recurso. [....]” Segundo Kaplan e Cooper apud Mauad e Pamplona (2001, p. 6): Este sistema, denominado ABC (Activity-Based Costing ou Custeio Baseado em Atividades), foi desenvolvido, inicialmente, para atender às empresas de manufatura que precisavam melhorar a gestão dos custos, a fim de aprimorar os processos de produção e atendimento ao cliente, transformando, assim, a função financeira de mera narrativa passiva do passado em agente preventivo do futuro [....]. De acordo com Kaplan e Cooper (1998, p. 93), é necessário responder algumas perguntas em relação a este método: 1. Que atividades estão sendo executadas pelos recursos organizacionais? 2. Quanto custa executar atividades organizacionais e processos de negócios? 3. Por que a organização precisa executar atividades e processos de negócios? 4. Quanto de cada atividade é necessário para os produtos, serviços e clientes da organização? O foco principal do método ABC, são os custos indiretos ou fixos. A apuração dos custos variáveis e diretos, segundo Padoveze (2006, p. 204), segue o mesmo processo do custeio por absorção e, além disso, este método é aplicado aos 29 gastos administrativos e comerciais a fim de “[....] identificar os elementos causadores dos gastos de cada atividade, para depois alocá-los aos produtos.[....]” Para Kaplan e Cooper (1998, p. 251) as organizações de serviços são candidatas ideais ao uso deste método, pois quase a totalidade de seus custos são indiretos e fixos. 3.1.5 Custeio TDABC (Custeio Baseado em Atividade e Tempo) O custeio TDABC, de acordo com Bruggeman et al apud Souza et al (2009, p. 5), foi desenvolvido em 1997 por Steven Anderson e em 2001 esta metodologia foi aperfeiçoada por Anderson e também por Robert Kaplan. Segundo Kaplan e Anderson apud Wernek, Lembeck e Mendes (2001, p. 32), o TDABC simplifica o processo de custeio, pois não necessita passar pelos processos de pesquisas e entrevistas com os colaboradores da empresa, a fim de alocar os custos dos recursos às atividades, antes de direcioná-los aos produtos, clientes e demais objetos de custeio. Para isso, são necessários apenas dois parâmetros, segundo Kaplan e Anderson apud Hein, Beuren e Cardoso (2009, p. 84): (i) custo por unidade de tempo da capacidade e (ii) o tempo necessário para realizar uma operação ou de uma atividade. Hein, Beuren e Cardoso (2009, p. 85), explanam que o TDABC utiliza o tempo como principal direcionador de custo, evitando que seja atribuído ao objeto de custo “[....] o tempo ocioso do departamento, que implicava custos maiores que aqueles inerentes às atividades consumidas.” (WERNEK, LEMBECK e MENDES, 2011, p. 33). 3.2 Formas de custeio – mensuração Segundo Padoveze (2006, p. 80), “as formas de custeio compreendem as possibilidades de mensuração possíveis dos custos dos produtos e serviços, em razão das diferentes bases monetárias e de valor existentes no ambiente econômico e empresarial.” 30 Dentre as possibilidades, destacam-se as opções de custeio real e prévio. 3.2.1 Custo real De acordo com Padoveze (2006, p. 80): É a forma mais comum. Tomam-se os gastos reais para apurar o custo unitário dos produtos e serviços. Podemos identificar três grandes variantes de custo real. a) Custo histórico: considera-se um custeamento com custo real histórico quanto (sic) utilizamos tão-somente dados reais já registrados com os valores de suas datas de realização, sem qualquer alteração do padrão monetário; b) Custo histórico corrigido: a aplicação de algum indexador objetivando a atualização monetária de um dado de custo foi muito utilizada em épocas de altas taxas de inflação na economia e pode ser considerada uma variação da forma de custeio real. [....]; c) Custo de reposição: podemos considerar que é uma forma de custeio real, uma vez que o custo de reposição é o custo da próxima compra. [....] Esse método é muito importante, principalmente para fins gerenciais de formação de preços de vendas futuras, e o mínimo que se espera é que o produto da venda seja suficiente para cobrir os custos que irão ocorrer [....]. Nesta forma de custeio, os custos só podem ser mensurados conforme sua ocorrência, portanto eles só serão conhecidos após o término da execução do serviço prestado ou do produto fabricado. 3.2.2 Custo prévio O custo prévio é um dos dois grandes grupos que englobam as principais formas de custeio. Ao contrário do custo real, no custo prévio não se utilizam valores reais e já conhecidos. Calcula-se o custo unitário dos produtos e serviços através de dados futuros, desejados ou esperados, a fim de estabelecer um custo antes de qualquer execução dos serviços. A principal aplicação dessa forma de custeio é para 31 fins gerenciais, como elaborar orçamentos, determinar metas de redução de custos, estimar cálculos para decisões de cunho rápido, etc. (PADOVEZE, 2006, p. 81) As principais variantes são: a) Custo padrão: fundamentalmente, o custo padrão é um custo desejado, o custo que deve ser, um custo ideal, um custo padronizado que fuja das flutuações e inconstâncias do custo real. Sua característica de meta adiciona a possibilidade de comparação com o custo real, tornando-se um grande referencial para controle de custos e atribuição de metas aos gestores da empresa. [....]; b) Custo orçado: é o cálculo do custo unitário utilizando dados constantes do orçamento da empresa. Portanto, é um custo que deve acontecer, mas não necessariamente é um custo que deveria acontecer. Não é igual ao custo padrão porque o padrão é um custo sob condições idealizadas, enquanto o custo orçado e um custo que deverá ser o próximo custo real, com todas as suas eventuais ineficiências; c) Custo estimado: são apurações de custos unitários de produtos e serviços utilizando dados aproximados, para fazer frente a decisões de cunho rápido, tais como orçamentos de prestação de serviços, vendas urgentes de novos produtos e componentes, etc. (PADOVEZE, 2006, p. 81) Nas organizações de serviços, onde não há estoques, portanto não há a exata mensuração do custo do produto fabricado, é bem interessante a utilização do custo prévio, pois em vários casos primeiramente se contrata o serviço para depois executá-lo. As empresas que concorrem em licitações são um exemplo disso, pois para oferecerem seus serviços aos órgãos públicos precisam passar a eles além do prazo para execução dos serviços, o quanto custará executá-los. 3.3 Sistemas de acumulação de custos Compreendem os instrumentos, critérios e sistemas para registro, guarda e acumulação das informações dentro de um ordenamento lógico e coerente com os produtos e sistemas produtivos utilizados pela empresa, de maneira que permitam a utilização das informações geradas nos cálculos efetuados por meio dos métodos de custeamento dentro das formas de custeio utilizadas. (PADOVEZE, 2006 p. 81) 32 Na visão de Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 7), “[....] pode-se inferir serem três os elementos principais que irão delinear qual sistema deverá a empresa operar: a identificação do objeto de custo; a forma de a empresa trabalhar, ou seja, a realidade física operacional e; o modelo decisório da organização.” Para Martins (2006, p. 144), as empresas de serviços podem utilizar ambos os sistemas de acumulação: as companhias de saneamento básico (água e esgoto), energia elétrica, telefonia, etc., utilizam a acumulação por processo; os escritórios de auditoria, de planejamento, de consultoria, de engenharia, fazem uso da acumulação por ordem. Aqui, serão abordados três sistemas de acumulação: 1. Acumulação por ordem; 2. Acumulação por processo; 3. Acumulação híbrida. 3.3.1 Acumulação por ordem Quando a empresa oferece uma variedade de serviços, o custo incorrido em cada um é diferente dos demais, portanto o custo é acumulado por cada ordem de serviço. O serviço é executado sob medida ou por encomenda. Segundo Horngren, Foster e Datar apud Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 9), “considera-se uma ordem uma empreitada que consome recursos para trazer um determinado produto ou serviço ao mercado”. Como exemplos de organizações de serviços que se utilizam deste sistema, estão, segundo Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 10) “[...] as empresas de auditoria, as agências de propaganda, os escritórios de engenharia, de planejamento, de consultoria, de arquitetura, as empresas de conservação e limpeza, companhias de mudanças, dentre outras.” Vale destacar ainda o uso do custo-padrão neste sistema de acumulação, pois muitas vezes a ordem de produção de um serviço não é concluída até o fechamento dos custos. (Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 10) 33 3.3.2 Acumulação por processo Segundo Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 10): Neste tipo de sistema são identificados, pelo sistema de custos, os diversos processos que compõem a produção do produto. A partir de então busca-se o custeamento destes processos, que pode ser via departamento, via centro de custos, via centro de resultados, ou por outra forma que a empresa considerar mais apropriada. Na seqüência, verificam-se quais e quantos produtos foram trabalhados em cada processo, num determinado período de tempo, para se atribuir o custo a esses produtos. De acordo com Leone (2000, p. 236): Não há, normalmente, o pedido do cliente. A função comercial estuda o mercado, às vezes induz o mercado a sentir a necessidade de consumir o produto e isso é feito, principalmente, por meio da propaganda. O mercado aceita o produto. A empresa tem condições de oferecê-lo pelo preço que o mercado aceitá-lo. Esses produtos de grande consumo é que caracterizam a produção por processo. Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 11), enfatizam que o sistema de acumulação por processo é aplicável em algumas organizações de serviços, como por exemplo, as companhias de saneamento básico, energia elétrica, telefonia, dentre outras. 3.3.3 Acumulação híbrida Nos casos onde há a possibilidade de utilizar os dois sistemas de acumulação, dá-se o nome de sistema de acumulação híbrida, pois, segundo Padoveze (2006, p. 84) “ao mesmo tempo em que se obtém o custo de cada processo, pode-se obter também o custo de cada lote de produção que passa pelos processos.” Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 11), citam alguns exemplos de empresas que utilizam deste sistema: “instituições financeiras, restaurantes que 34 trabalham no sistema self-service e no sistema à la carte, alguns escritórios de advocacia.” 35 4 CUSTOS DE SERVIÇOS A forma de apurar o custo dos serviços segue a mesma linha de apuração dos produtos, segundo Padoveze (2006, p. 367). Figura 2 – Linha de apuração dos custos dos serviços Estrutura do serviço Processo de execução Fonte: Elaborada pelo autor O mesmo autor ainda afirma que apesar da variabilidade dos serviços, há a possibilidade da construção de uma estrutura genérica básica. Como exemplo, Padoveze (2006, p. 367) utilizou uma empresa que confecciona cartões de visita, em que os nomes da empresa e da pessoa serão individualizados, enquanto o serviço básico como, tipo de papel, qualidade, quantidade, é o mesmo. De acordo com Padoveze (2006, p. 368), o processo de execução complementa a estrutura do serviço. É onde se define quais as atividades, etapas, tarefas que serão indispensáveis para a execução dos serviços e quanto tempo será necessário em cada uma dessas atividades. Com o mesmo exemplo dos cartões de visita, é necessário avaliar o tempo da mão-de-obra direta utilizada na confecção dos cartões e por quanto tempo é necessário a colaboração dos operadores das máquinas, do desenhista do cartão e de quem monta e embala o serviço. 36 4.1 Classificação dos serviços Na visão de Kotler apud Padoveze (2006, p. 366), os serviços podem ser classificados da seguinte maneira: I. Serviços baseados em pessoas Trabalhadores inexperientes – Exemplos: serviços de jardinagem, serviços de portaria, serviços de limpeza. Trabalhadores experientes – Exemplos: serviços de encanador, serviços de alimentação. Profissionais – Exemplos: advogados, contadores, consultores técnicos. II. Serviços baseados em equipamentos Automatizados – Exemplos: lavagem automática de carros, máquinas automáticas de vendas. Monitorados por operadores não-experientes – Exemplos: cinema, teatro, táxis. Monitorados por operadores experientes – Exemplos: escavadoras, aviões. 4.2 Características dos serviços Para Hansen & Mowen apud Manfrinato (2007, p. 2), as principais características dos serviços são: a intangibilidade, a perecibilidade e a inseparabilidade. Para melhor entendimento sobre essas características, segue a explicação de Kotler apud Padoveze (2006, p. 366), incluindo ainda, a variabilidade. a) Intangibilidade: diferentemente dos produtos físicos, não podem ser vistos, provados, ouvidos ou cheirados antes de serem comprados. b) Inseparabilidade: os serviços são produzidos e consumidos ao mesmo tempo. c) Variabilidade: são altamente variáveis à medida que dependem de quem os executa e de quando e onde são executados. d) Perecibilidade: os serviços não podem ser estocados. 37 4.3 A contabilidade de custos nas empresas prestadoras de serviços A importância das organizações de serviços na economia nacional é fundamentada através dos dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. De acordo com as informações publicadas na Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2008, a taxa de crescimento no setor de serviços superou o Produto Interno Bruto (PIB). O avanço do PIB, em 2008, foi de 5,1%, enquanto que, os serviços não financeiros aumentaram 18,8% na receita operacional líquida, a qual em 2007 registrou R$ 572 bilhões e em 2008 subiu para R$ 680 bilhões, apresentando um crescimento real de 13,1%. Em 2008, o país registrou a existência de 879.691 organizações de serviços, enquanto que em 2007 existiam 793.928, ocasionando um aumento de 10% no número de empresas atuantes neste setor. O setor totalizou 9,23 milhões de empregos em 2008, isto é, um aumento de 860 mil vagas no mercado de trabalho em relação a 2007 quando gerou 8,37 milhões. Em 2009, de acordo com os dados do IBGE, a participação do setor de serviços junto ao PIB registrou um percentual de 68,5% contra 66,7% em 2008, ocasionando um aumento de 1,8%. O setor agropecuário registrou um leve aumento de 0,2%, passando de 5,9% para 6,1%. Já o setor industrial sofreu queda de 1,9% passando de 27,3% em 2008 para 25,4% em 2009. Gráficos 1 e 2 – Participação do setor de serviços junto ao PIB Gráfico 1 – Percentual em 2008 Gráfico 2 – Percentual em 2009 Fonte: IBGE – PAS 2009 (Pesquisa Anual de Serviços) 38 Conforme apresentado nos gráficos 1 e 2, a maior parte das riquezas geradas no país advém do setor de prestação de serviços. A seguir serão demonstradas as principais características dos sistemas de custos propostos para as empresas prestadoras de serviços. De acordo com os estudos realizados por diversos autores, todos os sistemas de custos são passíveis de aplicação nessas empresas. Cabe ao gestor de custos identificar qual se adapta melhor de acordo com as características da empresa. 4.4 Características dos sistemas de custos nas empresas de serviços Apresenta-se a seguir, uma descrição sobre cada artigo disposto nos Quadros 4.1 e 4.2, tendo como objetivo identificar as principais características dos sistemas de custos propostos a essas organizações. Quadro 4.1 – Base de dados TÍTULO AUTORES 1 Custeio em organizações de PIMENTEL, serviços: abordagem A. C. M. para pequenos meios de hospedagem. 2 Utilização do custeio variável no gerenciamento de hotéis: uma pesquisa no setor hoteleiro do nordeste brasileiro 3 Gestão de custos nas instituições privadas LEMOS de ensino: um estudo JUNIOR, empírico dos métodos L.C. et al. de custeio. LEITÃO, C.R.S.; SILVA, J.D.G.D. ANO PUBLI CAÇÃO FONTE PALAVRAS CHAVE ÁREA TEMÁTICA 2007 www.abcustos. org.br Custeio, XIV Congresso Hotelaria Brasileiro de Custos 2006 6º Congresso Controladoria Custeio USP de e variável, setor Controladoria e contabilidade hoteleiro Contabilidade gerencial 2008 www.abcustos. org.br XV Congresso Brasileiro de Custos Gestão custos, Métodos custeio, Instituição Privada Educação Gestão de custos nas empresas de comércios e de serviços de Gestão de de custos nas empresas de comércios e de de serviços 39 4 5 6 7 8 9 10 Métodos de custeio nas empresas de serviços - vantagens e desvantagens da aplicação da metodologia ABC em relação às tradicionais. Os sistemas de acumulação de custos em organizações de serviços: um estudo de caso em uma entidade hospitalar COSTA, J. C. D. da; FAZAN, E. BORINELLI, M.L.; BEUREN, I.M.; GUERREIR O, R. Análise da departamentalização BELTRAME, em uma empresa L. D. hospitalar - um estudo de caso Aplicação do método de custeio baseado em atividades em um escritório de contabilidade: estudo da utilidade do ABC como ferramenta de suporte à gestão O custeio ABC em empresas de serviços: avaliação dos problemas da implantação em uma empresa do setor MIRANDA, L.C.; PEREIRA, L.A.C. MAUAD, L.G.A., PAMPLONA , E.O. Estudo sobre métodos de custeio LAGIOIA, em instituições U.C.T. et al hospitalares ABC versus TDABC: estudo de caso aplicado no setor de manutenção de veículos de uma transportadora de passageiros WERNKE, R.; LEMBECK. M.; MENDES, E.Z. Fonte: Elaborado pelo autor 2001 Mensuração e Gestão de www.abcustos. Métodos de Custos no org.br custeio, Comércio, na VIII Congresso Metodologia Construção Brasileiro de ABC Civil e no Custos Setor de Serviços 2003 www.abcustos. org.br X Congresso Brasileiro de Custos 2005 Hospital; Revista custos; Eletrônica de departamentali Contabilidade zação 2007 I Seminário UFPE de Ciências Contábeis 2001 www.abcustos. A ABC; Activity- mensuração org.br IX Congresso Based Costing; de custos no Brasileiro de serviços setor de Custos serviços Sistemas de acumulação, organizações de serviços Sistemas de custos; método ABC; atividades; direcionadores de custos Sistemas de Custeio Gestão de custos Informação contábil para usuários internos 2002 www.abcustos. org.br IX Congresso Brasileiro de Custos Sistemas de custeio; instituições hospitalares; serviços A mensuração de custos na saúde 2011 ABC; Revista segmentos de Brasileira de mercado; Contabilidade transportadora de passageiros Gestão de custos nas empresas de comércio e serviços. 40 A seguir, o quadro 4.2 apresenta os referenciais do sistema identificados nos artigos, que engloba: o objetivo de cada trabalho, tipo de organização, método de custeio, sistema de acumulação e sistema de mensuração. Quadro 4.2 – Referenciais do sistema OBJETIVO TIPO DE ORGANIZAÇÃO MÉTODO SISTEMA DE SISTEMA DE ACUMULAÇÃO MENSURAÇÃO 1 Qual o sistema de custeio mais adequado às características e à realidade de pequenos meios de hospedagem Empresa hoteleira Não identificado Por processo Não identificado 2 Discutir o método de custeio variável no processo de gestão de hotéis Empresa hoteleira Custeio variável Por ordem Não identificado 3 Realizar uma análise crítica comparativa acerca dos métodos de custeio, cujo foco de abordagem é à função básica de melhor mensuração do custo. Instituição privada de ensino Custeio direto Não identificado Não identificado 4 Demonstrar como o ABC proporciona uma apuração mais adequada dos custos dos diversos serviços prestados. Prestadora de serviços de limpeza hospitalar Custeio ABC Não identificado Não identificado 5 Discutir os sistemas de acumulação de custos no contexto das empresas prestadoras de serviços. Entidade hospitalar Não identificado 6 Analisar o método de alocação dos custos fixos de uma empresa hospitalar Empresa hospitalar Custeio por absorção Por ordem Custo padrão Não identificado Não identificado 41 7 Verificar a utilidade do método ABC como uma ferramenta de suporte à gestão de uma empresa de serviços contábeis 8 Avaliar problemas implantação custeio ABC empresas serviços. 9 Apresentar os principais sistemas de custeio e sua relação com as instituições hospitalares apontando os seus pontos fortes e fracos. os na do em de 10 Avaliar se o TDABC é efetivamente superior ao ABC Empresa de serviços contábeis Custeio ABC Não identificado Não identificado Prestadores de serviços Custeio ABC Não identificado Não identificado Instituição hospitalar Custeio ABC Não identificado Não identificado Empresa de transporte de passageiros Custeio TDABC e ABC Não identificado Não identificado Fonte: Elaborada pelo autor No primeiro artigo, Pimentel (2007), aborda a utilização de um sistema de custos em organizações de hospedagem e tem como objetivo demonstrar qual o sistema de custeio é mais adequado às características e à realidade de pequenos meios de hospedagem. O autor conclui que o sistema de acumulação mais adequado é o sistema de acumulação por processo. Para Castelli apud Pimentel (2007, p. 2), as empresas de hospedagem são organizações que oferecem alojamentos a qualquer tipo de cliente. De acordo com a ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), através de dados atualizados em 31 de Janeiro de 2011, o Brasil possui 5.925 organizações de hospedagem legalmente registradas disponibilizando 275.682 UHs (Unidades Habitacionais) e 662.368 leitos. Deste total, 73,2% são de pequeno porte com 1 a 50 UHs, 15,4% de médio porte com 51 a 100 UHs e 11,4% de grande porte com mais de 100 UHs. Pimentel (2007, p. 5) cita que um hotel pode ofertar uma diversidade de tipos de serviços, porém seu trabalho aborda apenas os serviços de 42 hospedagem, que é seu principal serviço, considerando apenas as unidades habitacionais homogêneas. Portanto, os serviços são oferecidos de maneira repetitiva. Neste artigo analisado, Pimentel (2007, p. 5) foca em hotéis de pequeno porte, os quais são administrados por um grupo familiar e afirma que o sistema de acumulação mais adequado para este tipo de organização é o sistema de acumulação por processo devido à homogeneidade e repetição dos serviços e também por ser mais simples e menos oneroso. Castelli apud Pimentel (2007, p. 5) comenta que um hotel possui gasto elevado com mão de obra e depreciação, pouco gasto com matéria prima, não há estoque de seu principal produto que são as diárias, além da alta incidência de custos fixos. Castelli ainda cita que devem ser apropriados aos centros de custos os custos indiretos, utilizando como base para o rateio, receita, horas de produção, etc. O segundo artigo analisado, Leitão e Silva (2006), também aborda custos nas empresas hoteleiras e tem como objetivo discutir o método de custeio variável no processo de gestão de hotéis, tendo uma opinião diferente em relação ao primeiro artigo analisado quanto ao sistema de acumulação. Leitão e Silva (2006, p. 2) afirmam que: [....] o processo de produção na indústria pode implicar em produtos feitos de forma padrão e num processo mecanizado de produção, que se realiza de maneira repetitiva. Este não é o caso da indústria hoteleira, porque a provisão de alimentos, bebidas e acomodações envolve uma considerável interação com o consumidor. Isto ocorre porque os clientes de um hotel são bastante heterogêneos, o que cria uma demanda por múltiplos tipos de serviços e cria uma incerteza no ambiente do setor hoteleiro. O mesmo artigo aborda também o uso da margem de contribuição a fim de evidenciar a potencialidade de cada cliente, isto é, se determinado serviço oferecido por um preço inferior ao praticado vai contribuir ou não para o aumento do lucro da empresa. Leitão e Silva (2006, p. 13) reforçam que para fins gerenciais, o custeio variável é mais adequado à gestão de hotéis, pois atribui apenas os custos e despesas variáveis aos objetos de custos, deixando os custos fixos apenas na apuração do resultado da empresa. Com a utilização do custeio por absorção, os custos fixos são incorporados a cada objeto de custo através de alguma base de rateio, podendo 43 mascarar a contribuição que cada um deles é capaz de gerar a empresa. Portanto, o foco do artigo está no método de custeio. O terceiro artigo, Lemos Júnior et al (2008), aborda a gestão de custos nas instituições privadas de ensino, nas quais os principais gastos são com mão-de-obra, fazendo um estudo comparativo entre os métodos de custeio por Absorção e Direto aplicados a uma instituição privada de ensino com o objetivo de discutir qual é o método de custeio apropriado para uso gerencial nessas instituições. Segundo Lemos Júnior et al (2008, p. 7), os custos diretos nestas instituições estão representados principalmente pela mão de obra dos professores e coordenadores de cursos. Já os custos indiretos englobam chefias de departamentos, pessoal de apoio de sala de professores, reitores, secretaria geral, diretores, etc. Lemos Júnior et al (2008, p. 8), ainda relata que as instituições de ensino são prestadoras de serviços, sendo assim, desprovidas de estoques. Como o método de custeio por absorção é mais indicado para valorização dos estoques, portanto de maior relevância nas empresas comerciais e industriais, não há porque aplica-lo nas empresas prestadoras de serviços, uma vez que o mesmo se torna deficiente para fins gerenciais. Através dos dados obtidos para tal estudo de caso, Lemos Junior conclui que o custeio por absorção apresentou resultados negativos na maioria dos cursos, pois utilizou-se de algum critério de rateio, fazendo com que alguns cursos absorvessem mais do que deveria dos custos indiretos. Já no custeio direto, o resultado foi positivo para todos os cursos. O quarto artigo, Costa e Fazan (2001), aborda a utilização do custeio ABC em uma empresa prestadora de serviços de limpeza hospitalar, a qual possui contratos de prestação de serviços em cinco hospitais, que foram denominados de contrato A, B, C, D, e E. Costa e Fazan (2001, p. 15), concluem no trabalho que o método de custeio ABC possibilitou uma melhor mensuração dos custos indiretos consumidos em cada contrato, identificando qual deles consumia mais atividades e por consequencia, mais custos indiretos. O quinto artigo, Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003), trata dos sistemas de acumulação de custos tendo como estudo de caso uma entidade 44 hospitalar. Para atingir o objetivo do trabalho os autores se propuseram a responder a seguinte questão: “Qual o papel dos sistemas de acumulação de custos no sistema de custos de uma organização de serviços?” (BORINELLI, BEUREN E GUERREIRO, 2003 p.4). Uma das premissas estabelecidas pelos autores é que tal trabalho não tem como objetivo demonstrar as vantagens e desvantagens dos sistemas de acumulação, mas sim estudar “o que são e como funcionam estes elementos para se verificar sua adequação e aplicação às atividades de serviços.” De acordo com Abbas apud Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 5), os trabalhos de custos em organizações hospitalares são importantes pelos seguintes aspectos: os custos mal-elaborados, a má administração e os preços altos cobrados pelos hospitais, etc. Segundo Borinelli, Beuren e Guerreiro (2003, p. 12), identificar os serviços prestados e os objetos de custos é o primeiro passo para definir o sistema de acumulação a ser adotado. Após isso é necessário analisar a maneira de operar da empresa. No estudo de caso realizado, o hospital em questão organiza seus serviços prestados em seus respectivos departamentos, os quais são tratados como centro de custos pela empresa. Por fim, o artigo analisado afirma que o sistema de acumulação por ordem é o adequado a esta entidade hospitalar, mesmo sendo acumulados seus custos através de centros de custos. O que caracteriza isso é a possibilidade da execução de diversos tipos de serviços ao mesmo tempo. O sexto artigo analisado aborda o uso da departamentalização em uma empresa hospitalar, com o objetivo de analisar o método de alocação dos custos fixos, no qual Beltrame (2005, p. 69), explana que de forma geral os hospitais são divididos por departamentos, áreas ou centros para melhoria da produção médica, colaborando também para melhor acumulação dos custos. Beltrame (2005, p. 71), aponta que as UTI‟s, o bloco cirúrgico, as unidades psiquiátricas e as Unidades I,II e III, são os departamentos produtivos, portanto, geradores de receita. Como departamentos de apoio, aqueles que dão suporte aos departamentos produtivos, estão inseridos: farmácia, administração, nutrição, lavanderia, limpeza, esterilização e condomínio. Para a alocação dos custos fixos, foram utilizados os seguintes critérios, segundo Beltrame (2005, p. 75): 45 O custo da nutrição é repassado para os departamentos que usufruíram os seus serviços. O repasse é feito pelo número de refeições consumidas em cada departamento produtivo. A limpeza é transferida de acordo com a área de cada departamento. A farmácia é transferida de acordo com a conta materiais e medicamentos. Os custos da Administração também são transferidos de acordo com os materiais e os medicamentos. Esterilização não possui um critério definido, mas, normalmente, vem sendo rateada da seguinte forma: 60% para o bloco cirúrgico e de acordo com o número de leitos nas unidades e psiquiatria. O condomínio é transferido com base na área (m²) ocupada. O custo da lavanderia é rateado de acordo com os quilos de roupa lavada por dia para cada departamento produtivo, devido ao controle que o hospital possui. Na conclusão deste artigo, Beltrame (2005, p. 75) afirma que a departamentalização pode ser aplicada a uma empresa hospitalar com o objetivo de prestar informações úteis para controlar os custos e também para tomada de decisão. O sétimo artigo foi elaborado com o objetivo de “[....] verificar a utilidade do método de custeio baseado em atividades (ABC) como uma ferramenta de suporte à gestão de uma empresa de serviços contábeis.” (MIRANDA e PEREIRA, 2007, p. 1) Os dados estatísticos apresentados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), conforme quadro 5, demonstram o crescimento que vem ocorrendo nos últimos anos no número de organizações ativas nos conselhos regionais de contabilidade. Quadro 5 – Organizações ativas nos Conselhos Regionais de Contabilidade ORGANIZAÇÃO TOTAL SOCIEDADE GERAL ANO ESCRITÓRIO INDIVIDUAL 2004 46.835 21.172 68.007 2005 43.528 21.620 65.148 2006 44.194 21.421 65.615 2007 44.746 22.275 67.021 2008 46.039 23.341 69.380 2009 47.095 26.156 73.251 2010 46.972 27.552 76.283 EMPRESÁRIO INDIVIDUAL 1.759 Fonte: Conselho Federal de Contabilidade – comparativo 2004 a 2010 46 Foram apurados neste artigo analisado, os custos dos serviços prestados aos principais clientes de um escritório de contabilidade utilizando os métodos ABC e por absorção. Os dois quadros elaborados por Miranda e Pereira (2007, p.11), estão apresentadas a seguir e demonstram a margem de lucro bruto obtido em relação à receita de cada cliente. Uma demonstra o resultado obtido utilizando o método de custeio ABC, enquanto a outra demonstra pelo método de custeio por absorção. Quadro 6 – Resultado obtido com o método de custeio ABC Cliente A Cliente B Cliente C Cliente D Cliente E Outros Total Custos diretos 48.674,31 34.849,31 16.238,60 11.008,84 2.332,72 21.906,77 135.010,55 Custos indiretos 16.507,16 11.374,30 11.948,19 14.082,51 3.705,53 6.514,81 Custo total 65.181,47 46.223,61 28.186,79 25.091,35 6.038,25 28.421,58 199.143,05 Receita serviço Resultado bruto Margem % Ordem 80.000,00 45.000,00 40.000,00 35.000,00 7.500,00 42.500,00 250.000,00 14.818,53 18,52% 5º (1.223,61) 11.813,21 -2,72% 6º 29,53% 2º 64.132,50 9.908,65 1.461,75 14.078,42 50.856,95 28,31% 3º 19,49% 4º 33,13% 1º 20,34% Fonte: Miranda e Pereira (2007, p. 11) Quadro 7 – Resultado obtido com o método de custeio por absorção Cliente A Custos diretos Cliente B Cliente C Cliente D 48.674,31 34.849,31 16.238,60 11.008,84 Custos indiretos 23.121,19 16.554,07 7.713,64 5.229,40 Cliente E Outros Total 2.332,72 21.906,77 135.010,55 1.108,09 10.406,12 64.132,51 Custo total 71.795,50 51.403,38 23.952,24 16.238,24 3.440,81 32.312,89 199.143,06 Receita serviço Resultado bruto Margem % Ordem 80.000,00 45.000,00 40.000,00 35.000,00 7.500,00 42.500,00 250.000,00 8.204,50 10,26% 5º (6.403,38) 16.047,76 18.761,76 -14,23% 6º 40,12% 3º 53,61% 2º 4.059,19 10.187,11 50.856,94 54,12% 1º 23,97% 4º 20,34% Fonte: Miranda e Pereira (2007, p. 11) No comparativo entre os dois métodos ficou evidente a vantagem do método de custeio ABC na identificação dos custos indiretos consumidos por cada cliente, pois, de acordo com Miranda e Pereira (2007, p. 12): 47 O tratamento e a atribuição dos recursos até que eles cheguem ao objeto de custo final, apesar de terem características subjetivas, apresentam-se mais criteriosos e aprofundados no primeiro modelo – método de custeio baseado em atividades. Os direcionadores utilizados nesse primeiro método orientam e quantificam a relação do consumo de determinado recurso para atender cada cliente. Segundo Miranda e Pereira (2007, p. 11), sendo o cliente A o maior consumidor de custos diretos, no método por absorção foi ele quem mais consumiu os custos indiretos, pois estes foram rateados utilizando como base de rateio a mão de obra direta. Este cliente só não ficou por último, pois sua receita foi superior a do cliente B em R$ 35.000,00. O cliente B nos dois métodos gerou uma margem negativa, pois seu custo total foi superior a sua receita, porém, a apropriação dos custos indiretos apresentou uma diferença de mais de R$ 5.000,00 entre os dois métodos. Outro destaque foi o resultado do cliente E, bem como dos demais clientes da organização que foram agrupados em Outros. No método ABC o cliente E consumiu mais que o triplo dos custos indiretos consumidos no método por absorção, colocando-o como o quarto cliente mais rentável à organização, enquanto que no outro método ele foi o que gerou maior margem de lucratividade. O grupo “Outros” alternou com o cliente E entre os métodos, passando de segundo menor consumidor de custos indiretos no método ABC, para o terceiro maior consumidor no método por absorção. Miranda e Pereira (2007, p. 14), concluem que o método de custeio ABC é uma importante ferramenta de suporte à gestão por ser mais criterioso e aprofundado, fazendo com que os custos indiretos sejam apurados de forma mais precisa, evitando assim um maior grau de arbitrariedade como ocorre no método de custeio por absorção. O oitavo artigo de acordo com Mauad e Pamplona (2001, p. 1), teve como objetivo avaliar os problemas na implantação do custeio ABC em empresas de serviços. Os autores afirmam que “[....] a implantação bem sucedida do ABC não é igual em todas as organizações e deve ser adaptada a uma estratégia, estrutura, capacidade e necessidade únicas da empresa” e finalizam afirmando que o custeio ABC “[....] mostrou ser extremamente eficiente e trouxe informações de grande valia para o gerenciamento eficaz dessas organizações.” (MAUAD e PAMPLONA, 2001, p. 15). 48 O nono artigo elaborado por Lagioia et al (2002, p. 1) tem como objetivo apontar os pontos fortes e fracos dos principais sistemas de custeio (absorção, variável e ABC) e sua relação com as instituições hospitalares. De acordo com Lagioia et al (2002, p. 14), nas instituições hospitalares é possível aplicar diversos métodos de custeio. De mais fácil aplicação, o método de custeio por absorção apresenta desvantagens para fins gerenciais, pois se utiliza de critérios de rateio arbitrários ao tratar dos custos fixos e indiretos. O método de custeio variável é válido para uso gerencial, porém, fere os princípios fundamentais da contabilidade, deixando, portanto, de atender ao fisco. Por fim, o custeio ABC, utiliza-se dos pontos positivos dos outros dois métodos. O ABC segue o mesmo processo do custeio por absorção para apurar os custos variáveis e diretos, apura com melhor precisão os custos fixos e indiretos, e, além disso, fornece informações para uso gerencial, sendo assim, de acordo com os autores, o melhor método para uso nas instituições hospitalares. Como os demais métodos, o ABC também possui desvantagem. por ser de difícil implantação, necessitando do comprometimento de todas as áreas envolvidas no processo. O décimo artigo de autoria de Wernke, Lembeck e Mendes (2011, p.1) tem como objetivo avaliar se o TDABC é efetivamente superior ao ABC. As vantagens observadas neste método na comparação com o ABC são a facilidade de implantação, pois, de acordo com Kaplan e Anderson apud Wernke, Lembeck e Mendes (2011, p. 13), no TDABC são desnecessários os processos de identificar as atividades e atribuir os custos dos departamentos à elas e “[....] a possibilidade de mensurar a capacidade ociosa [....]” Wernke, Lembeck e Mendes (2011, p. 14). Já a desvantagem identificada neste método é o fato de que o valor de custo por minuto é o mesmo para qualquer atividade executada. Incluem como exemplo Wernke, Lembeck e Mendes (2011, p. 14) determinada atividade sendo executada por um funcionário com remuneração mensal de R$ 1.000,00 e outra atividade sendo executada por outro com remuneração de R$ 500,00, fazendo com que o valor do custo por minuto fuja da realidade. 49 5 CONCLUSÃO Este trabalho teve o objetivo de identificar as principais características dos sistemas de custos propostos às organizações de serviços. Destes dez artigos analisados, nenhum deles abordou concomitantemente todo o conceito de sistemas de custos, ou seja, o método de custeio, a forma de custeio e o sistema de acumulação. Oito deles abordaram apenas um dos conceitos, sendo que sete analisaram somente o método de custeio e um artigo analisou apenas o sistema de acumulação. Apenas dois artigos trataram de duas referenciais para delinear um sistema de custos: um deles abordou o método e o sistema de acumulação e o outro abordou o sistema de acumulação e a forma de custeio. Os métodos de custeio abordados foram: custeio por absorção com o uso da departamentalização, custeio variável, custeio direto, custeio TDABC, sendo este abordado uma única vez dentre os artigos analisados e o custeio ABC abordado em cinco artigos. Os sistemas de acumulação tratados foram: acumulação por processo em um artigo e acumulação por ordem em dois artigos. Das formas de custeio foi citado apenas o custo padrão em apenas um artigo. Através das análises dos artigos, ficou evidente que o uso de um sistema de custos como o custeio por absorção, que é adequado para a avaliação de estoques, não atende às necessidades das organizações de serviços, pelo fato destas não possuírem estoques e, pelo fato deste método deixar a desejar no que tange a apuração dos custos indiretos por distribuí-los de forma subjetiva. O custeio direto exclui totalmente os custos indiretos e o custeio variável só utiliza os custos fixos no final do período, por essa razão, não são adequados para fins de avaliação de estoques, mas são úteis para fins gerenciais. 50 São bem aplicáveis nas organizações de serviços, com maior facilidade de implantação do que o método ABC. O que se observou nos artigos analisados, foi a predominância do método de custeio ABC perante os demais. Isto se deve ao fato de que as organizações prestadoras de serviços têm como custos diretos basicamente a mão de obra enquanto que a maioria dos outros custos são indiretos, necessitando distribuí-los da melhor forma possível, ou seja, identificando quais atividades são as maiores consumidoras destes custos, e o melhor método para este fim, é o método de custeio ABC, pois atribui com maior precisão os custos indiretos às atividades e pode ser utilizado na tomada de decisão, portanto, sendo de uso gerencial. A desvantagem deste método é seu alto custo de implantação, fazendo com que muitas empresas optem por outros métodos de custeio. 51 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABC. Associação brasileira de custos. Disponível <http://www.abcustos.org.br/site/capa>. Acesso em: 18 ago. 2010. em: ABIH. Associação brasileira da indústria de hotéis. Disponível em: <http://www.abih.com.br/abih-site/index.php/page/roll?id=1>. Acesso em: 29 ago. 2011. BELTRAME, L. D. 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