Bimestral › Dezembro/Novembro 2010 › N.º 121 › 3 €
Época de Balanço
Revista Comércio de Lisboa CL Novembro.Dezembro.10
Vasco de Mello
Presidente da
Direcção da UACS
Ficha Técnica
UACS - Revista Bimestral
Nº 121 - Novembro/Dezembro 2010
PROPRIEDADE
UACS - União das Associações
do Comércio e Serviços
Rua Castilho, 14 1260-076 Lisboa
Telef. 21 351 56 10
Fax: 21 352 09 07
DIRECTOR
José Quadros
SECRETARIADO
Graça Carvalho
EDITORIAL
SERVIR COM
DEDICAÇÃO
EM TEMPO DE
DIFICULDADES
EDIÇÃO E REDACÇÃO
Notiforma, Imagem
e Comunicação, Lda
Avenida Severiano Falcão, 22, R/c
2685-378 Prior Velho
Telef. 21 941 30 18
Fax: 21 941 83 38
[email protected]
Com o terminar do presente ano, encerra-se um ciclo na União: a actual direcção irá
cessar as suas funções, dando lugar a uma
nova, a qual foi eleita em 25 de Novembro.
colaboradores da União pelo apoio prestado
e pelo magnífico espírito de colaboração e
de dedicação que mantiveram para com as
direcções.
PROJECTO GRÁFICO
Notiforma
Para mim, foi uma grande honra poder servir os colegas durante estes últimos seis
anos, quer primeiro como vice-presidente
da Direcção, como depois como presidente
da Direcção.
Por último, uma palavra de confiança no
futuro.
FOTOGRAFIA
Diapositivo I Notiforma
Agências
PUBLICIDADE
UACS - União das Associações
do Comércio e Serviços
Telef. 21 351 56 10
Fax: 21 352 09 07
IMPRESSÃO
Peres - Soctip S.A.
EN 10 Km 108,3
Porto Alto
2135- 114 Samora Correia
Tiragem Média de Agosto
de 2010
9000 exemplares
Registo na ERC nº 104010
Nº DL 308152/10
SUMÁRIO
››
Foi, igualmente, uma
grande honra, servir
esta nossa Casa do
Comércio, em conjunto com os meus
queridos colegas das
direcções a que tive
a honra de pertencer:
António Matrone, José
Botelho da Silva, José
Quadros, José Ratinho,
Pedro Vieira, Luísa Carvalho, Alexandrino
Pinto, Maria José Vilela, Carlos Santos, Alfredo Santos, António Robalo e Fernando
Caldeira.
Igualmente, tenho que agradecer a todos os
Creio que os tempos
que aí vêm, serão
tempos de grandes
dificuldades e que requerem a agregação
de todos em torno da
nossa União.
Estou certo que os
próximos órgãos sociais da nossa casa
irão desenvolver um
trabalho, na defesa
dos interesses dos comerciantes que representamos, de grande qualidade, tal qual foi
feito até agora.
Tendo em conta a época, desejo a todos
umas Boas Festas.
P.04 EM FOCO Balanço do mandato › P.07 ENTREVISTA Pedro António Costa, Loja das Meias › P.10 ACTUAL Gala do Comércio 2010 ›
P.12 ACTUAL Gala Prémio Mercúrio 2010 › P.14 OPINIÃO «A essência do comércio”, um artigo por João Barreta › P.16 BARÓMETRO Roubo
no retalho › P.17 BARÓMETRO Como proteger a minha empresa › P.18 EM FOCO Conferência Lisboa XXI: que modelos sustentáveis para
a cidade? › P.19 EM FOCO Retalho em Portugal – Contexto actual e perspectivas de evolução › P.20 A SUBIR/A DESCER um balanço ›
P.21 NÓS POR CÁ “O comércio na implantação da República”, por Daniel Alves › P.22 NÓS POR CÁ Eleições dos novos corpos sociais
da UACS para o triénio 2010-2012 › P.24 NÓS POR CÁ “Ouro, um mundo novo”, por Horácio Zagalo › P.26 NOTÍCIAS › P.29 GABINETE
JURÍDICO › P.32 FORMAÇÃO UACS › P.33 GABINETE ECONÓMICO › P.34 GABINETE DE CONTABILIDADE › P.35 GABINETE DE
INSERÇÃO PROFISSIONAL
CL Revista Comércio de Lisboa
Balanço de
Mandato
]
DOSSIER
Novembro.Dezembro.10
Ser agente na mudança da cidade é também comunicar e
“mostrar-se” de forma interventiva. A instituição fê-lo, por
exemplo, junto dos empresários em acções de dinamização
do comércio em diferentes zonas da cidade.]
BALANÇO DE MANDATO
A Direcção cessante da UACS faz um balanço dos últimos três anos de mandato. A
representação dos associados ao mais alto nível noutras entidades, como a CCP e o
Turismo de Lisboa, a acreditação do Gabinete de Medicina no Trabalho e as obras
de manutenção no edifício-sede são alguns dos objectivos atingidos. Pontos esses que
contrastam com a diminuição do número de associados.
Os últimos três anos assistiram a uma mudança de paradigma
económico, social, empresarial, entre muitos outros factores.
Um mundo novo, ao qual o país e a cidade de Lisboa não
foram imunes. A capital juntou, a realidades por todos nós
conhecidas, novos problemas e desafios em áreas como o
tráfego, o urbanismo, a promoção, a legislação. Âmbitos com
implicações nas actividades do comércio e serviços. Uma conjuntura difícil e exigente que obrigou a direcção cessante da
UACS a acompanhar, a reflectir, procurando agilizar processos,
esclarecendo junto dos associados, antecipando e ultrapassando dificuldades.
Um olhar que se fez para dentro da Casa fundada em 1870,
no sentido de lançar pontes para fora, junto das entidades
públicas e privadas. Isto consubstanciado numa imagem que
se quis renovada, apoiada na construção de uma relação de
parceiro credível e numa lógica de independência face a poderes públicos. Algo só possível graças a uma gestão sem recurso a subsídios, sejam eles municipais ou governamentais;
à estabilidade directiva e ao bom funcionamento dos órgãos
da instituição.
Ser agente na mudança da cidade é também comunicar e
“mostrar-se” de forma interventiva. A instituição fê-lo, por
exemplo, junto dos empresários em acções de dinamização
do comércio em diferentes zonas da cidade. Fê-lo na comunicação através de uma renovada Revista Comércio de Lisboa
(bimestral); e do site, com informação actualizada. Garantiu,
ainda, a presença nos órgãos de comunicação local e nacional
e disponibilizou informação de diversa ordem junto dos associados via SMS.
O triénio que agora se encerra viu reforçada a participação
em órgãos de cúpula em diferentes áreas charneira para o
futuro da cidade. Recorde-se que a Direcção da UACS assegurou um lugar na Direcção da Associação de Turismo de
Lisboa (ATL). No contexto desta instituição, a União participou no novo Plano Estratégico de 2011-2014, no que respeita
aos três pólos turísticos de Lisboa: Expo, Baixa Pombalina e
Belém. Refira-se ainda que nestes dois últimos irão operar-se
importantes intervenções.
Trata-se de melhorar a cidade, para quem a vive e visita. Recorde-se, ainda no contexto promoção, que Lisboa foi distinguida, pelo segundo ano consecutivo, com o “Óscar do Turismo” enquanto destino europeu de city breaks. Facto a que a
UACS não fica imune, considerando que o Director Geral do
Turismo de Lisboa, Victor Costa, pelo trabalho desenvolvido
frente à ATL, é figura a distinguir, em 2011, no Dia do Comércio.
Revista Comércio de Lisboa CL Novembro.Dezembro.10
Balanço de
Mandato
]
DOSSIER
A nível interno a Direcção cessante deixa, não obstante a
conjuntura desfavorável, uma situação estável, quer em
termos financeiros, quer no que respeita a compromissos
futuros.]
Paralelamente, a UACS alcançou, nas últimas eleições, uma
vice-presidência da Confederação do Comércio e Serviços de
Portugal (CCP), instituição que, como é sabido, tem um papel
de dinamizador do associativismo, tem assento no Conselho
Económico e Social e, em sede de Concertação Social, é interlocutor entre o mundo empresarial e os sistemas político, social
e fiscal.
Um papel institucional que, a nível autárquico, ficou expresso
numa área-chave enquanto mais-valia para a instituição e seus
associados: o estabelecimento de protocolos, entre eles, aqueles
firmados com Juntas de Freguesia, nomeadamente São Jorge de
Arroios e Olivais. Houve ainda acordos com a Câmara Municipal
de Lisboa (CML) em aspectos importantes para o dia-a-dia dos
associados.
Refira-se, a este propósito, a questão do aumento das taxas
camarárias, assunto na ordem do dia em 2010. Esta realidade
esteve entre as preocupações da direcção cessante da UACS assumindo, junto da CML, um papel de liderança na contestação
do processo. A emissão de horários de funcionamento é outro
dos factores a considerar, na relação da UACS com o município.
Já a relação com os sindicatos não foi imune a alguma tensão.
Recorde-se que a Direcção da UACS não aceitou negociar aumentos das tabelas salariais, visto que as suas propostas de alteração aos Contratos Colectivos de Trabalho (nomeadamente
as relativas a horas nocturnas, flexibilidade de horários ou banco
de horas) não obtiveram qualquer resposta. A negociação dos
CCT seguiu, assim, para o Ministério do Trabalho.
Dentro de portas:
A nível interno a Direcção cessante deixa, não obstante a con-
juntura desfavorável, uma situação estável, quer em termos
financeiros, quer no que respeita a compromissos futuros. Um
triénio marcado pela necessidade de gestão racional dos recursos humanos, sem comprometer o regular funcionamento
da instituição, o cumprimento dos objectivos estabelecidos e a
manutenção, conservação e qualificação do imóvel (factor importante para quem visita e quem trabalha). Ainda a este nível,
assinala-se a rentabilização do património imobiliário com novos contratos de arrendamento. Houve também o recurso a
outsourcing na área da contabilidade e da portaria/segurança,
factor que permitiu estabilizar as contas. Resolvido ficou um
conflito herdado que custou à União mais de 100.000 euros.
Em curso fica a introdução de critérios mais racionais e eficientes na adjudicação de bens e serviços, como por exemplo
a apresentação de propostas em carta fechada, a renegociação dos contratos existentes e a formalização escrita dos mesmos.
Internamente, realça-se a nível dos diferentes gabinetes de
apoio aos associados, a acreditação do Gabinete de Medicina
no Trabalho e a acção de apoio e esclarecimento exercida pelo
Gabinete Jurídico.
Na vertente formação dos associados, salienta-se a bem sucedida candidatura ao Programa Operacional de Potencial Humano (POPH). Realidade que permitiu intensificar as acções de
qualificação dos empresários do sector e seus colaboradores.
Um factor que mereceu olhar atento da Direcção cessante
prende-se com um fenómeno transversal aos movimentos
associativos: a diminuição do número de inscrições. A pensar
em todos aqueles que queiram juntar-se ao movimento associativo, a UACS agilizou o processo de inscrição. Não dei-
CL Revista Comércio de Lisboa
Balanço de
Mandato
]
DOSSIER
Novembro.Dezembro.10
Um factor que mereceu olhar atento da Direcção cessante
prende-se com um fenómeno transversal aos movimentos associativos: a diminuição do número de inscrições.]
xou, também, de promover momentos de encontro, descontracção e debate, como as Noites do Comércio, e a presença
de convidados, especialistas nas diferentes áreas fulcrais para
a actividade comercial.
Fazer um balanço é também momento para ajuizar sobre alguns passos ainda não dados, outros por dar. No triénio que
agora termina, não foi aprovada em Assembleia Geral a proposta de alteração dos Estatutos da Casa. Um passo que a Di-
recção cessante considera fundamental para a modernização
da instituição. Não foi também atingido um outro objectivo
respeitante à reestruturação, modernização e descentralização
dos serviços, este último aspecto numa aproximação às áreas
onde se encontram implantados os associados.
Por efectuar fica um dos objectivos propostos no início de
mandato: a remodelação do hall de entrada e do auditório.
•
OBRAS DE MANUTENÇÃO NO EDIFÍCIO SEDE
A Casa do Comércio, na Rua Castilho, 14, foi alvo de bastantes melhoramentos nos últimos três anos:
Segundo Piso
• Casas de banho novas
• Gabinetes restaurados com pintura nova
• Piso totalmente recuperado e envernizado
• Janelas substituídas nos gabinetes traseiros
Garagem
• Piso novo
• Nova rede de esgotos
• Informação sinalética (pintura, colocação nas paredes e marcação do piso)
• Pintura de tectos e portas
• Remoção do arquivo da Federação do Comércio
Fossa
• Colocação de bombas novas
• Quadro eléctrico reforçado
• Portas novas pintadas
• Remoção de material inerte de todas as salas situadas na zona
da garagem
Auditório
• Todas as madeiras existentes recuperadas e limpas com óleo
renovador
• Inclusão de meios automáticos de água e electricidade nas casas
de banho
Entrada e instalações do pessoal
• Rede de gás natural a substituir garrafas de gás
• Inclusão de meios automáticos de água e electricidade nas casas
de banho
• Substituição de todas as janelas dos gabinetes
• Piso novo no patamar fronteiro à casa de banho
Primeiro Piso
• Sala do Conselho: restauração do piso e todas as paredes em
madeira; pilares de pedra recuperados e reforçados
• Salão Nobre: piso substituído na zona das janelas, envernizado e
com acabamento vidrado; cortinados restaurados, espelhos totalmente substituídos
Sexto Piso
• Intervenção constante devido à existência de deficiências nas
salas, com caixas de passagem de águas pluviais e restaurante
no piso superior
Sétimo Piso
• Restaurante: piso e rede de esgotos substituída na zona da cozinha; corredor pintado e restaurado; casas de banho pintadas e
reforço na varanda
• Área pertença da UACS: cobertura da varanda substituída, recuperação das caixas pluviais, paredes recuperadas nas três salas e
substituição do piso degradado
• Janelas traseiras do edifício substituídas por janelas novas em
alumínio com vidros duplos e climatizados
• Substituição dos ares condicionados
Por fazer
• Recuperação do piso e paredes nas zonas laterais da Sala do
Conselho,
• Recuperação do piso de mármore da entrada e áreas de acesso
às zonas administrativas e auditório
• Colunas de entrada, paredes e corredores de acesso às zonas
administrativas e auditório
• Escadas interiores e paredes
• Clarabóia
Intervenções urgentes
• Recuperação do piso e escadas com degraus soltos
• Cobertura do auditório
• Parte fronteira do edifício no último piso
• Regulamentação da área de cozinha no restaurante pela empresa locatária
• Substituição da fossa degradada existente por uma nova de
alumínio
• Substituição da canalização na garagem
• Intervenção na estrutura exterior do auditório, devido a queda
de águas pluviais
Revista Comércio de Lisboa CL Novembro.Dezembro.10
Pedro António
Costa
]
ENTREVISTA
A inovação é fundamental. Tenho muita sorte em ter três filhos
que estão dentro desta jogada da inovação a 100%.]
ENTREVISTA a Pedro António Costa, Presidente do grupo Loja das Meias
“A BAIXA DE LISBOA DEIXOU
DE SER A NOSSA IMAGEM”
Pedro António Costa rodeado pela mulher, Manuela, e os filhos: Manuela, Marina e Pedro Miguel
Fechar a mítica loja do Rossio foi “doloroso”, mas Pedro António Costa insiste em olhar
para a frente. Em 2011, a Loja das Meias ultrapassa as fronteiras de Lisboa para abrir uma
monomarca no Porto e dar continuidade a um projecto no mercado angolano. Adepto da
inovação, o responsável pela introdução de jeans e de pronto-a-vestir em Portugal adere
agora a novos conceitos ainda pouco explorados e que são já “um sucesso”. A Temporary
Store e a Marc by Marc são disso exemplos. Ambas estão inseridas no comércio de rua, do
qual o empresário é fã confesso.
Começamos pela história da Loja das Meias, uma história de
gestão familiar bem sucedida…
A Loja das Meias tem mais de 100 anos. Começou com o meu
avô, que veio para Lisboa estudar e arranjou emprego numa esquina do Rossio com a Rua Augusta – a primeira Loja das Meias.
O comércio, nessa altura, abria às 11 da manhã, fechava às onze,
meia-noite; abria ao sábado; praticamente não havia feriados e ao
domingo abria até ao meio dia. Só à tarde é que tinham disponibilidade. Então o meu avô estudava no vão da escada e pedia ao
patrão para ir fazer os exames na Escola Comercial que havia ali
para o Loreto, no cimo do Chiado. O patrão gostava muito dele, via
que não só era trabalhador, como era um rapaz que tinha ideias e
puxava para o bom. E facilitava, incentivava-o a estudar. Quando o
patrão (senhor Pimentel) morreu, deixou a loja aos três empregados que mais estimava: o meu avô mais outros dois. Quando
houve oportunidade, o meu avô comprou as quotas e ficou sozinho com a loja. Nessa altura começaram a trabalhar na Loja das
Meias o meu pai e o meu tio. Uma das coisas que marcou muito
a educação que o meu avô lhes deu, foi levá-los com ele quando
ia para fora. Nessa altura, era raro as pessoas viajarem. Ele ia para
a Alemanha comprar malhas, ia para Paris comprar antiguidades,
era uma pessoa fora do vulgar. Isso fez com que o meu pai e o
meu tio abrissem os olhos. Portugal era um pequeno país, mas
havia um bocadinho mais de evolução das mentalidades lá fora.
Daí a Loja das Meias ser pioneira em certas formas de fazer negócio...
O meu pai começou a fazer montras temáticas. Nessa altura, a Loja
das Meias vendia praticamente malhas, lingerie, camisas e meias,
por isso se chama Loja das Meias. Então começaram a vender
outras coisas: acessórios, foi a primeira loja a ter perfumaria (que
antes se vendia nas drogarias). Durante a guerra 39-45, a loja deu
um salto com muitos imigrantes que fugiam da Alemanha nazi e
passavam aqui de caminho para os Estados Unidos ou para Inglaterra, outros ficaram por cá.
Quando resolveu abrir a loja da Rua Castilho?
Comecei a ver que Lisboa estava a crescer e que tínhamos de
ir para outros lados. A meio caminho entre o centro e a alta da
CL Revista Comércio de Lisboa
Pedro António
Costa
]
ENTREVISTA
Novembro.Dezembro.10
A Temporary Store é tudo coisas novas, coisas que não
se esperam. Ao mesmo tempo, em vez de ter as coisas no
armazém, estão lá para se vender a 50%. Tem sido um
sucesso.]
Loja das Meias
(Castilho)
cidade, achei que a rua Castilho era ideal. Queria um prédio bom,
com nobreza. Estava-se a fazer este (Edifício Castil) e comprámos.
Foi em 1970.
Em 1960, tínhamos feito obras de remodelação no Rossio,
primeiro com o arquitecto Raul Lino. A loja tinha dois andares com
um elevador a ligar o r/c ao 1º andar. Achava que isso era pouco
comercial, então criámos aquela escadaria com o arquitecto Carlos
Tojal, para que os dois pisos ficassem interligados.
Entretanto aparece o 25 de Abril que, diga-se de passagem, não
nos foi prejudicial, de maneira nenhuma. No dia 26 de Abril (as
encomendas já estavam feitas para o Inverno), lembro-me muito
bem de estar com um lápis a cortar umas e aumentar outras,
porque vi que a coisa ia mudar. E realmente fiz isso muito bem,
porque havia determinadas roupas que se usaram nessa altura
que tiveram uma quebra muito grande. Havia outras que não
havia que chegassem, casacos de cabedal e assim.
É preciso uma intuição especial para enfrentar um momento
desses…
Intuição que se ganha. É preciso intuição, boa memória, saber
aquilo que o cliente está a pedir. É preciso ver exactamente os
figurinos de moda. É uma intuição, mas a intuição também se
explora. Na altura, houve problemas sérios de finanças no país,
como voltou a haver agora, e os boletins de importação eram
proibidos. Comecei a fazer muitas coisas cá em Portugal. Criámos
um atelier gerido pela minha mulher e por uma irmã minha, para
fazer aquilo que os clientes queriam. Chegámos a ter 30 mulheres
a fazer aquilo que era preciso: saias azuis, fatos de banho…
E hoje em dia a Loja das Meias continua a ser gerida a nível
familiar, com os seus filhos.
Tenho muita sorte em ter três filhos que estão dentro desta jogada
da inovação a 100%. A minha filha mais velha, Manuela Saldanha,
trata do marketing, que hoje é fundamental nos negócios, e da
parte financeira. É o meu filho, Pedro Miguel, que se ocupa das
compras, do pessoal, das decisões todas, apesar de eu ainda ser
o presidente do grupo. A minha outra filha, Marina, é a criativa do
grupo e também faz as compras. Temos todas as semanas um
meeting, onde todos os assuntos são discutidos, e não se fala
mais nisso.
A inovação é fundamental. Basta ver as últimas aquisições que
a Loja das Meias fez. A Marc by Marc, no Largo de São Carlos,
é muito para a frente, muito moderna. Abrimos também um
outlet que está fantástico, o Temporary Store, ao lado da Câmara
Municipal de Lisboa, no Largo de São Julião. É tudo coisas novas,
coisas que não se esperam. Ao mesmo tempo, em vez de ter as
coisas no armazém, estão lá para se vender a 50%. Tem sido um
sucesso de inovação.
A Castilho Fashion Street é uma iniciativa da Loja das Meias
para dinamizar o comércio de toda esta zona da cidade. Ainda
há espaço para inovar também aqui?
A inovação não pára. Não podemos estar à espera que o cliente
entre, temos que chamar o cliente. Se uma reclamação é bem
Loja das Meias (Amoreiras)
Revista Comércio de Lisboa CL Novembro.Dezembro.10
Pedro António
Costa
]
ENTREVISTA
Adoro ir a Milão, a Roma, a Paris, são cidades com vida, com
gente. Infelizmente, chego a Lisboa e é uma cidade morta. Já
não é de noite só, é de dia.]
atendida (nem que o cliente não tenha muita razão), cativa-se um
cliente. Isto também é inovação.
Mas o consumidor de hoje está muito mais informado, tem
mais opções de escolha. Por outro lado, começa a ter menos
poder de compra…
Outra coisa que eu costumo dizer: o cliente sabe mais do que nós.
Sem dúvida nenhuma, estamos a passar um período mau, não só
Portugal como a Europa toda. Determinadas mercadorias que são
dirigidas para a classe A, como
no nosso caso, não são tão
atingidas com os problemas financeiros, ao contrário daquelas
dirigidas a pessoas que têm
de poupar até para poderem
comer. Há um problema muito
grave no país que é o desemprego. Eu tenho uma obrigação,
que é fazer com que os nossos
empregados não se encontrem
no desemprego. Agora têm de
trabalhar e têm de ser bons.
Não há a dicotomia patrão-pessoal, têm os dois a ganhar.
É adepto de gerir um conjunto
de lojas de rua como se fosse
um centro comercial?
Acho que era muito positivo
se assim fosse. Simplesmente
o português, que tem muitas
Loja das Meias (Cascais)
qualidades, também tem alguns
defeitos. E um dos defeitos dos portugueses em geral é que não
têm espírito associativo.
A Loja das Meias também aposta na internacionalização. Em
que mercados?
Tivemos uma loja pequenina em Luanda que correu muito bem.
Agora estamos com um plano de fazer uma coisa em grande.
Tem de ser feito com muita cautela porque é um investimento
muito grande. Vamos abrir é uma loja de rua no Porto, o Marc by
Marc, uma monomarca americana do Marc Jacobs.
Mas entretanto, além da rua Castilho, já tinham aberto nas
Amoreiras e em Cascais…
Depois da Castilho, achei que isto não pára. Quando se fizeram as
Amoreiras, tive a ideia de ir para lá. Fomos das primeiras lojas a
fazer o acordo com eles e continuamos muito bem. Consideramos
que é um bom centro comercial. Há 15 anos estávamos no Cascais Shopping. Pensei que, com o dinheiro que pagava ali de renda
e com a minha clientela, era melhor uma loja no centro de Cascais. Um dia venho de Paris, o meu filho diz que tinha encontrado
um espaço. No dia seguinte vi o prédio e à 1 da manhã estava a
fechar o contrato.
E dá-se melhor ali, no centro de Cascais?
Muito melhor. Ali, o prédio é meu, e além disso estou a vender
muitíssimo bem. Fui para lá porque Cascais é uma zona de pessoas bem instaladas na vida.
E fechou a loja do Cascais Shopping…
Fechei. Bem sei que o caso de Portugal é diferente do caso de
Itália, de Espanha, de Inglaterra, da Alemanha, dos Estados Unidos... Cá os centros comerciais têm uma força que lá fora não
têm. Não têm porque não os
deixaram fazer, para não matar
as cidades. Hoje em dia um centro comercial mata uma cidade,
mata o pequeno comércio.
Quando dizem que vão abrir um
centro comercial e criar mais
tantos postos de trabalho, acho
que é um sofisma. Vão criar tantos, mas vão criar outros tantos
desempregados também.
Continua a preferir o comércio
de rua?
Eu sou fã de lojas de rua. Gosto
de uma cidade com movimento. Adoro ir a Milão, a Roma, a
Paris, são cidades com vida,
com gente. Infelizmente, chego
a Lisboa e é uma cidade morta.
Já não é de noite só, é de dia.
Sem dúvida os centros comerciais atraem muita gente, o estacionamento é fundamental. Não percebo esta ideia de cortar o
trânsito no Terreiro do Paço. Se a Baixa já estava a morrer, este foi
um dos últimos pregos no caixão. A Câmara Municipal está com
ideia de activar o Terreiro do Paço com lojas e lazer, mas vai ver
que aquilo não vai dar resultado nenhum. Eles lá sabem.
Fechar a Loja das Meias na Baixa foi um ponto de ruptura?
Não, quem sou eu… Foi muito doloroso, mas fechei porque vi que
aquilo não dava. Dei uma vez um exemplo: uma pessoa que tem
dores num dente primeiro tenta arranjar o dente – foi o que nós
fizemos, fizemos obras e gastámos bom dinheiro na transformação da loja do Rossio há cinco, seis anos. Mas aquilo não tinha
cura. Depois arranquei o dente – fechei a loja. A Baixa de Lisboa
deixou de ser a nossa imagem.
Não acha que há excepções no meio de Lisboa?
Há… Um bairro que tinha muita força e que está a cair, do ponto
de vista comercial: Campo de Ourique. Havia uma rua que tinha
muito movimento, que ia dar à Fonte Luminosa, está a cair também. Há um sítio que espero que se mantenha, a parte de cima
do Chiado, com as pessoas a irem para o Bairro Alto. Apraz-me
e fico muito satisfeito quando vejo as pessoas ali, é o único sítio
onde vejo a cidade com vida.
•
10 CL Revista Comércio de Lisboa
Gala do
Comércio
]
ACTUAL
Novembro.Dezembro.10
Na sua intervenção, Paulo Santos expressou o desejo “de que
esta casa continue a desenvolver o trabalho efectuado até
aqui. Um trabalho para as gerações vindouras, sempre ao
lado dos comerciantes”.]
DIA DO COMÉRCIO
EM ÉPOCA DE CRISE UMA GALA COM MENSAGENS DE ESPERANÇA
O dia 19 de Novembro foi momento de gala na sede da União de Associações do Comércio e Serviços (UACS). A Noite do Comércio celebrou, em 2010, bodas de prata. São
25 anos de “casamento” com a homenagem ao associativismo. Uma cerimónia que juntou associados e convidados; entregou galardões por 25 e 50 anos de associativismo,
mas também premiou a juventude dos alunos do comércio.
Carlos Santos, Vasco de Mello e Paulo Santos que recebe o
Caduceu de Ouro Dirigente Associativo
Vasco de Mello, Fernando Caldeira e Fernanda Igrejas após receber o
Caduceu de Ouro Dirigente Associativo
Vasco de Mello entrega a Eugénio Fonseca o Caduceu de Ouro Personalidade do Ano
Vasco de Mello durante a sua intervenção
No auditório da UACS estiveram presentes, entre outras personalidades ligadas ao mundo empresarial e do associativismo,
os vereadores da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Salgado,
Helena Roseta e João Navega; o presidente da Confederação
do Comércio e Serviços de Portugal, João Vieira Lopes; Piedade
Pereira, presidente da Escola de Comércio de Lisboa e Mário
Pereira Gonçalves, presidente da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal.
Para além do sempre emotivo momento da entrega dos Emblemas de Prata (ver caixa), pelos 25 anos de filiação, e de Ouro,
pelos 50 anos de filiação, houve, por proposta da direcção e das
associações, lugar à entrega de três Caduceus de Ouro. Desta forma o Caduceu de Ouro Dirigente Associativo foi entregue a duas
personalidades há muito ligadas ao comércio como empresários:
Paulo Santos e Fernanda Igrejas. Já o Caduceu de Ouro Personali-
dade do Ano destinou-se a uma instituição: a Cáritas Portuguesa,
que se fez representar pelo presidente, Eugénio Fonseca.
Na sua intervenção, Paulo Santos expressou o desejo “de que esta
casa continue a desenvolver o trabalho efectuado até aqui. Um
trabalho para as gerações vindouras, sempre ao lado dos comerciantes”. Fernanda Igrejas salientou o prazer que foi ”passar por
esta casa”, sublinhando que “se há algo que tiramos do associativismo é a confraternização e amizade. Lamento que o pequeno
comércio seja o parente pobre da nossa economia. Desejo para o
executivo camarário que se lembre que o comércio de proximidade tem um papel importante na economia”.
Eugénio Fonseca, da Cáritas Portuguesa, assentou o seu discursou
sobre a palavra solidariedade. “Vivemos numa sociedade de assimetrias. Uns têm demais, outros pouco ou quase nada. Não é
fácil seguir um caminho de apoio. Quero dedicar este galardão a
Revista Comércio de Lisboa CL 11
Novembro.Dezembro.10
Gala do
Comércio
]
ACTUAL
“Num tempo em que se fala de exportações, apercebemo-nos que sem um mercado interno com desenvolvimento de
pequenas e médias empresas dificilmente sairemos da crise
que nos assola”.]
lutar contra essa cultura e ouvir de espírito aberto para integrar
as propostas”.
O vereador para o Urbanismo, Planeamento, Reabilitação Urbana
e Política de Solos mostrou-se ainda interessado em conhecer os
projectos dos alunos da ECL. Isto no seguimento da entrega do
prémio no valor pecuniário de mil euros, patrocinado pela União,
relativo aos vencedores do projecto “Comércio em Cidades Históricas”. A iniciativa, protocolada entre a UACS e a Escola de Comércio
de Lisboa, faz a comparação entre a Baixa Pombalina e a londrina,
e incluiu uma visita de estudo à capital inglesa.
•
PRATA E OURO PARA O ASSOCIATIVISMO
Vasco de Mello e Manuel Salgado
todos os que contribuíram ao longo de 50 anos para o trabalho da
Cáritas. Uma instituição que nasceu para apoiar as crianças órfãs
de pais que andaram nos combates da 2ª Guerra Mundial”. O responsável máximo da Cáritas Portuguesa sublinhou o “drama das
famílias que tiveram que encerrar estabelecimentos comerciais,
que vivem na pobreza envergonhada, a mais dolorosa. A forma
de a combater é a proximidade, a família e os amigos, o pequeno
comércio, onde entramos e temos um confidente”.
Vasco de Mello, presidente da UACS, aproveitando o mote deixado por Eugénio Fonseca e enquadrando-o na actual conjuntura de
crise, sublinhou que “o senhor presidente da Cáritas deu-nos uma
lição. Estou crente de que o bom tempo regressará. O comércio
na cidade de Lisboa não se pode desenvolver em grandes pólos,
onde estão as grandes superfícies, quase todos colocados a Norte
da cidade, muitos deles fora do concelho, dentro da área metropolitana. A cidade precisa de gente. Quando o senhor presidente,
Dr. António Costa, se candidatou, afirmou que a cidade estava no
limite da sustentabilidade económica em função da população
que tem. De facto, torna-se, assim, difícil sustentar a capital. A
reabilitação urbana e o reabitar e reviver da cidade foram um dos
imperativos da câmara e, cremos, irá fazê-lo”. Vasco de Mello sublinhou que, neste contexto, o pequeno comércio terá um papel
na criação de postos de trabalho, na fixação das pessoas. “Isso
fará com que esta casa se encha de associados; que se constituam
novos empresários. Num tempo em que se fala de exportações,
apercebemo-nos que, sem um mercado interno com desenvolvimento de pequenas e médias empresas, dificilmente sairemos
da crise que nos assola”. O presidente da UACS referiu-se ao facto
de “pela primeira vez temos nos galardões empresas ligadas aos
serviços que começaram a surgir há 25 anos e que hoje resistem
à crise e são inovadoras”.
Quero deixar uma última palavra de agradecimento à minha direcção pelo trabalho desenvolvido nos últimos três anos. Uma
futura equipa desta Casa irá continuar certamente este caminho
benéfico”.
Manuel Salgado, “reflectindo” sobre tudo o que ouviu, afirmou
que “não há cidades sem comércio. Lisboa é uma encruzilhada de
mundos. Uma cidade é tão mais poderosa quanto mais fortes os
comerciantes. Ouvimos dizer que `a Câmara nem sempre é amiga
dos munícipes. Tem sempre uma posição de desconfiança em
relação aos munícipes`. Não é essa a nossa postura. Temos que
Lista das empresas distinguidas na noite da Gala do Comércio:
ASSOCIADOS DISTINGUIDOS COM O EMBLEMA DOS 25 ANOS
• PLURIDATA INFORMÁTICA E GESTÃO, LDA.
• EULÁLIA & CARDOSO, LDA.
• SANTOS INÁCIO, LDA.
• BRAVO SOCIEDADE VENDEDORA DE ARMAS DE CAÇA, LDA.
• ARAÚJO GOMES, LDA.
• SALVADOR & MOREIRA, LDA.
• VAZ & A. MONTEIRO, LDA.
• BISFOTO ARTIGOS DE FOTOGRAFIAS E FOTOCÓPIAS, LDA.
• MARIA L. MIRANDA, LDA.
• INTER MODAS INTERNACIONAIS, LDA.
• FRANK E CASAL CALÇADO E CONFECÇÕES, LDA.
• TRIGÉMEOS SOCIEDADE DE CONFECÇÕES, LDA.
• FONTES & MILITÃO
• JOÃO MANUEL RIBEIRO TOMÉ
• CASA FERMONTE, LDA.
• ALEXANDRE AUGUSTO SEVERINO, LDA.
• SOC. DE REPRESENTAÇÕES BARBEX, LDA.
• UESTUDIMATIC ASSISTÊNCIA A APARELHOS ELECTRÓNICOS, LDA.
• MERCEANO LEITÃO & VAZ, LDA.
• CÉLIO DE ALMEIDA, LDA.
• ELECTRO ROMANO COMÉRCIO DE ACESSÓRIOS REP. ELECT., LDA.
• FERREIRA MARTINS & FILHOS, LDA.
• HORTO DO CAMPO GRANDE, S.A.
• LISCAMPO PROD. E ARTIGOS PARA AGRICULTURA, S.A.
• JARDIM DE LOIOS COMERC. DE FLORES, LDA.
• L. N. JÓIAS, LDA.
• JOÃO CONDE RELOJOEIRO JOALHEIRO, LDA.
ASSOCIADOS DISTINGUIDOS COM O EMBLEMA DOS 50 ANOS
• DIAS & PIRES, LDA.
• TABACARIA TABEX, LDA.
• MARQUES & CADETE, LDA.
• MARIA MATILDE & BERTA MARIA, LDA.
• CENTRO AUDITIVO SOC. IMP. DE APAR. AUD. E PRECISÃO, LDA.
• JOSÉ DA SILVA DE ALMEIDA, LDA.
• AGOSTINHO IBÉRICO CALDAS FERNANDES
• CORREIA & GRAÇA, LDA.
• VICTOR MANUEL SIMÕES CORREIA
• EUROCAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADO E VESTUÁRIO, LDA.
• NUNES DOS SANTOS & SANTOS, LDA.
• LUCILAR DE BORBA PEREIRA & RODRIGUES, LDA.
• MOURA & SANTOS, LDA.
• SYMMETRICA, LDA.
• ANTÓNIO DOS SANTOS SOARES
• MARIA DO ROSÁRIO DOS REIS CASAL
• MARQUES SILVA & MARQUES, LDA.
• JOSÉ ALBERTO VICENTE
• FLORES ROMEIRA ROMA (SALVADOR VICENTE GABRIEL, LDA.)
• CASA TRAVASSOS, LDA
• LUÍS PINHEIRO ROCHA
12 CL Revista Comércio de Lisboa
Gala Prémio
Mercúrio
]
ACTUAL
Novembro.Dezembro.10
Num breve balanço da primeira edição, a directora da Escola
de Comércio de Lisboa, Piedade Pereira, fala “num conjunto
de empresas e entidades premiadas que dignificam o comércio”.]
HUMOR E HOMENAGEM NOS
PRÉMIOS MERCÚRIO
Rui Nabeiro recebeu uma ovação de pé ao ser-lhe entregue o Prémio Prestígio. Foi
o ponto alto de uma gala bem-disposta que deu a conhecer projectos empresariais
históricos, inovadores e sem medo da crise.
Nilton fez rir a plateia do auditório da Culturgest ao conduzir a apresentação da cerimónia de entrega de Prémios, a 29 de Novembro
último. Os melhores pontos de venda de 2009 foram distinguidos
em cinco categorias, numa gala que contou com a presença de
Maria Manuel Leitão Marques, Secretária de Estado da Modernização Administrativa, e de Fernando Serrasqueiro, Secretário de
Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor. “Hoje exige-se formação, exige-se maior qualidade, exige-se diferenciação
– tudo isto faz parte do comércio actual”, disse o governante.
Num breve balanço da primeira edição, a directora da Escola de
Comércio de Lisboa, Piedade Pereira, fala “num conjunto de empresas e entidades premiadas que dignificam o comércio”. Nesta
segunda edição, a responsável refere que, nas mais de 300 candidaturas, “continuamos a ter nomeados de norte a sul do país.
É interessante, porque as boas práticas não estão centradas nas
grandes cidades”. E acrescenta que “este evento pode contribuir
para a modernização do comércio, para a valorização do sector e
para criar algum ânimo nos empresários”.
Minor. Quando pegaram no negócio, os pais, Armando José e Regina Cabral Ferreira, voltaram-se ainda mais para a especialização
com a criação de novas receitas. Actualmente, e depois de diversas sociedades, a Conserveira de Lisboa orgulha-se de continuar a
ser uma empresa familiar, dirigida tanto para clientes conhecidos
como para turistas que aqui procuram produtos típicos. A loja tem
um impacto muito positivo na Baixa de Lisboa, atraindo muitos
clientes. “Nunca estivemos virados para publicidade, marketing ou
prémios, por isso não estávamos à espera de ganhar”, confessa
Maria Manuel.
Os outros nomeados para esta categoria eram o Café Santa Cruz
(Coimbra), a Cutelaria Polycarpo, a Livraria Ferin (ambas em Lisboa) e a Machado Joalheiros (Porto).
CATEGORIA NOVOS CONCEITOS
CATEGORIA LOJAS COM HISTÓRIA
A Conserveira de Lisboa, que este ano comemorou 80 anos de
existência, foi a vencedora desta categoria. A terceira geração à
frente da loja, os irmãos Maria Manuel e Tiago Cabral Ferreira, faz
questão em manter a traça inicial datada dos anos 30. Nos últimos anos, a Conserveira tem recuperado os anúncios em vidro
originais e aposta numa recuperação de todo o património. Segundo Maria Manuel, a empresa era inicialmente uma mercearia.
Ao verificar que os produtos mais vendidos eram as conservas
de peixe, o avô, Fernando da Silva Ferreira, criou algumas marcas
próprias, três das quais ainda subsistem: Tricana, Prata do Mar e
O Projecto Manhattan é a primeira central portuguesa de planeamento estratégico de marketing e comunicação.”Ser distinguido
nesta área é, para nós, motivo de orgulho”, reconhece o CEO,
Miguel Velhinho. “Resolver problemas de marketing com muita
rapidez” é o objectivo da empresa, criada em 2007. A aposta é
feita em conceitos inovadores como o idea hunting ou o crowdsourcing para fomentar novas formas de fazer negócio. Qualquer
marca ou empresa pode recorrer aos serviços disponibilizados por
uma bolsa composta por 1500 criativos. Basta responder a um
briefing que indica o tipo de trabalho pretendido, o orçamento disponível (a partir de 1000 euros) e os prazos desejados, e aguardar pelas propostas dos profissionais. Em pouco tempo pode ter
pronto um logótipo, uma publicidade para imprensa ou qualquer
outro serviço.
“As PME têm de tomar consciência de que o mercado agora é
Revista Comércio de Lisboa CL 13
Novembro.Dezembro.10
Gala Prémio
Mercúrio
]
ACTUAL
“Surpreendido” com a atribuição dos prémios Mercúrio,
perante fortes concorrentes, Miguel Zegre tem a consciência
que dirige um negócio inovador e acredita que a distinção
“pode ajudar a credibilizar” o negócio.]
internacional, já não é o português. A plataforma trabalha nessa
realidade”, diz Miguel Velhinho, que acredita que “vai levar algum
tempo, mas vamos ver mais marcas” inscritas no Idea Hunting.
Outros nomeados nesta categoria englobaram a qb Arte e Gourmet (Guimarães), Lavandaria Caffé, A Arte da Terra e Loja das Maquetas (Lisboa).
CATEGORIA COMÉRCIO ONLINE
Peixe de Sesimbra encomendado online é entregue na área da
grande Lisboa em menos de 48 horas, com todas as garantias de
frescura e qualidade. Este é o negócio criado há quatro anos pela
www.peixefresco.com.pt. “O objectivo é eliminar um conjunto de
barreiras no negócio do peixe”, explica Miguel Zegre. O clube de
compradores já ultrapassou os 1300 clientes, garante o jovem
empresário. O êxito desta empresa é tal que o próximo passo é a
expansão para os principais países da Europa. Um contributo para
as exportações portuguesas, já que a empresa pretende trabalhar
apenas com peixe pescado em Sesimbra, Peniche e Açores. Apesar da candidatura a fundos comunitários, entregue até ao final do
ano, Miguel Zegre não conta com estes apoios para avançar com
o projecto de 150 000 euros. “Surpreendido” com a atribuição do
prémio Mercúrio, perante fortes concorrentes, o responsável tem
a consciência que dirige um negócio inovador e acredita que a
distinção “pode ajudar a credibilizar” o negócio.
Os outros nomeados nesta categoria eram: www.continente.pt;
www.cestosdaaldeia.pt; www.fnac.pt e www.ingeniu.com.
OUTROS PRÉMIOS ATRIBUÍDOS
Prémio Personalidade do Ano
Ronald Brodheim
“A empresa tem de ser criadora de oportunidades para a sociedade em
que se insere. Sem estes sentimentos muito afinados, as empresas do
séc. XXI vão viver menos tempo do que as do séc. XX”, avisou o empresário responsável pelas marcas Timberland, Burberry e Furla, entre
outras. A responsabilidade social é, desde o início, uma bandeira do
Grupo, que participa activamente na preservação do meio ambiente e
em diversas acções de voluntariado.
Prémio Prestígio
Rui Nabeiro
O valor humano e a visão de negócio do criador da Delta Cafés são
factores louvados por colaboradores de longa data. Ver “em cada cliente, um amigo” é um lema de vida para Rui Nabeiro, sem dúvida a
personalidade mais aplaudida da noite. “Cada dia que passa, nos meus
quase 80 anos, mais obrigado me sinto a responder pelas pessoas,
num momento tão difícil como o que o mundo atravessa”, declarou
o comendador. “Não tenho dúvida de que com o trabalho de todos,
trabalhando todos os dias, conseguiremos ultrapassar as dificuldades”,
acrescentou. “Saio daqui feliz, mas mais responsável”.
Prémio Formação e Carreira Profissional
Pedro Guerra, 32 anos (Baviera BMW)
Categoria Comércio Alimentar
Sant’Ana Gourmet, Leiria
Prémio Jovem Empresário
Joaquim Malcato, Celeiro da Memória
Categoria Comércio Não Alimentar
Porto Signs, Porto
14 CL Revista Comércio de Lisboa
João Barreta
]
OPINIÃO
Novembro.Dezembro.10
Efectivamente, do Comércio pretende-se tudo. Se é menos
bom, só pode melhorar. Se é bom, só tem de ser (…) cada vez
melhor! Neste aparente jogo de palavras, joga-se, de facto,
quase tudo.]
A ESSÊNCIA DO COMÉRCIO
“(…) toda a gente que serve deve, parece-nos, buscar agradar a quem serve. Para isso
é preciso estudar a quem se serve – mas estudá-lo sem preconceitos nem antecipações;
partindo, não do princípio de que os outros pensam como nós - mas do princípio de
que, se queremos servir os outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos
pensar como eles: o que temos que ver é como é que eles efectivamente pensam, e não
como é que nos seria agradável ou conveniente que eles pensassem. (…)”
O excerto extraído de “A Essência do Comércio”, do nosso
Fernando Pessoa, é de uma pertinência e actualidade tais
que nos merece uma reflexão séria, ainda para mais numa
época do ano em que o Comércio é usado (e abusado!)
como tema recorrente de discursos de ocasião que proliferam nos mais distintos fóruns.
Na citada obra, como noutras do mesmo autor, muitas são,
sem dúvida, as referências e os ensinamentos possíveis
de extrair, constituindo-se, se necessário fosse, como mais
uma prova de que o Comércio tem uma essência própria
que, infelizmente, poucos alcançam, para claro e evidente
prejuízo de todos.
Efectivamente, do Comércio pretende-se tudo. Se é menos
bom, só pode melhorar. Se é bom, só tem de ser (…) cada
vez melhor! Neste aparente jogo de palavras, joga-se, de
facto, quase tudo.
Se tal é verdade e aceite para os vários “subsectores” do Comércio, localizem-se nos centros urbanos, nos meios rurais,
nos centros comerciais, nos mercados, nas feiras, também o
é para as Estruturas Associativas, sejam elas de índole local,
regional ou nacional.
Mas o que é facto é que se pretendermos ir ao âmago da
questão, esta reflexão não pode, nem deve, quedar-se pelo
Comércio propriamente dito e pelas suas Estruturas Associativas, devendo alastrar aos detentores do respectivo
pelouro e/ou tutela (na Administração), quando tal exista
Revista Comércio de Lisboa CL 15
Novembro.Dezembro.10
João Barreta
]
OPINIÃO
Para que se possa “pensar o Comércio” tem que se saber o
que ele é, o que pode ser e, essencialmente, o que queremos
que ele realmente venha a ser.]
formalmente e/ou por pouco que se dê pela sua acção.
Neste âmbito, encontram-se as Autarquias e respectivos
Serviços (Administração Local) e a tutela Governamental
(Secretaria de Estado ou Ministério) e respectivos Serviços
(Administração Central).
Sem pretensiosismo ou ambição de “desmontar” o pensamento de Pessoa sobre a essência do Comércio, mas como
pessoa interessada pelas inúmeras “facetas” do mesmo
(como actividade económica, essencialmente), arriscaria
(não muito!) dizer que tem sido o confrangedor desconhecimento dessa essência que tem relegado o sector para um
papel “secundarizado” no contexto da economia nacional,
ao qual não é alheia a ausência de políticas públicas (Central
e/ou Local) para o sector, nem tão pouco a mais do que
evidente “desconstrução” da Cidade, dos seu(s) Centro(s)
ou Baixa(s). Isto para já não falar da progressiva erosão da
“identidade comercial” (numa óptica, também, cultural)
que histórica e socialmente sempre caracterizou a própria
sociedade Portuguesa e da qual sempre foi uma incontornável referência.
Enveredo mais pela tese do desconhecimento (quiçá,
desinteresse) da essência do Comércio, por parte dos poderes públicos principalmente, mas não descuro uma outra
realidade que, ainda, subsiste – há Comércio (leia-se Estruturas Associativas e Comerciantes) que também desconhecem a sua própria essência. E tem sido, quanto a mim, esta
realidade ancorada, muitas das vezes, num discurso algo
“redondo” de reivindicação que roça, por vezes, a auto-vitimização, que tem vindo a servir de pretexto para que
os poderes públicos menosprezem o papel que o Comércio
deve assumir, por direito e méritos próprios, em tudo aquilo
que seja política económica, política de cidade, política de
inovação, (…).
Em suma, há um longo caminho a percorrer, sendo que em
altura de mudança(s), e apesar das tão faladas resistências
à(s) mesma(s), talvez não seja descabido mudar de paradigma, e apostar naquilo que apelidaria de reivindicação
pedagógica por parte do Comércio para com os poderes públicos, pois só o próprio Comércio (representado pelas suas
Estruturas Associativas) poderá sensibilizar a Administração
(repito, Central e Local) para aquilo que é a essência do sector nas suas diversas vertentes, sendo que a negociação,
a parceria, a cooperação e a colaboração devem ser pensadas e ponderadas, por parte do Comércio, numa posição
de igualdade e bem ciente da importância do sector para a
Economia (nacional e local), para as Cidades e para a sobrevivência e afirmação de ambas.
Para que se possa “pensar o Comércio” tem que se saber o
que ele é, o que pode ser e, essencialmente, o que queremos que ele realmente venha a ser.
Entendida que seja a essência do Comércio, entendido será
que o Comércio é a essência das Cidades. Pensar Cidade
sem pensar Comércio, será negar a vida das Cidades e das
suas gentes.
•
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16 CL Revista Comércio de Lisboa
Furto no retalho
]
BARÓMETROS
Novembro.Dezembro.10
Entre os itens mais furtados apresentaram subida: Roupas
para criança, vestuário, produtos de barbear, carnes cozinhadas, produtos gourmet. Outros itens: cosmética, electrónica,
joalharia.]
FURTO NO RETALHO SOFREU
CONTRACÇÃO EM 2009
Outubro foi mês de apresentação de dois estudos
sobre furto no retalho. Um
com uma incidência exclusiva em Portugal. Outro,
um universo mais largo: 43
países. Denominador comum
ao nosso país: queda na quebra
desconhecida, mais investimento por
parte dos empresários em soluções de
segurança. Dois estudos que recaem
sobre unidades de grande dimensão.
No que respeita à 3ª edição do Barómetro Nacional do Furto no
Retalho, tendo como alvo empresas de dimensão relevante do
sector do retalho em Portugal (responderam 51 insígnias), retira-se como principal nota o facto de em 2009 a quebra desconhecida (ou shrinkage) situar-se em 1,03% do volume de vendas,
cerca de 147 milhões de euros (de um total de 14.310 milhões de
euros). Este número representa uma diminuição face aos valores
verificados nas duas edições anteriores do estudo. 2007 registou
um valor de 1,04% do volume de vendas e em 2008, um número
na casa do 1,16%. Numa evolução a três anos nota-se, ainda, um
decréscimo da quebra desconhecida, no peso da perda total (que
inclui a quebra conhecida). Em 2007 a quebra desconhecida representava 71,96% da quebra total, em 2008 esse valor diminuiu
para 66,7% e em 2009 baixou para 58,73%.
A quebra desconhecida pode ser originada no furto de bens ou
dinheiro por parte de clientes, de funcionários, erros no fornecimento por parte dos fornecedores ou erros de processo. Um bolo
que se divide da seguinte forma: Clientes: 51%; Empregados:
23%; Erros internos: 7%; Outros: 4%. De acordo com 67% das
empresas inquiridas, a rendibilidade das respectivas organizações
é afectada pelo fenómeno da quebra desconhecida. O estudo
sublinha que entre as categorias mais afectadas pelo fenómeno
de shrinkage estão os acessórios de moda e cosméticos, com
15% e 14% respectivamente. Ao nível da grande distribuição, os
principais produtos afectados são as bebidas alcoólicas (22%), os
cosméticos (24%) e as lâminas de barbear (13%). Por seu turno a
quebra desconhecida afectou mais os produtos de marca do que
os produtos de marca branca. No que respeita ao investimento
em equipamentos anti-furto este correspondeu, em 2009, a
0,081% do volume de vendas das empresas do sector do retalho
em Portugal. As etiquetas adesivas continuam a ser a solução que
a maioria das empresas adopta (76,47%) Este estudo é promovido pela Gateway Portugal (empresa de soluções de segurança
electrónica) e encomendado à Premi Valor Consulting, consultora
na área da gestão.
UMA PERSPECTIVA DAS TENDÊNCIAS GLOBAIS DE PERDA DESCONHECIDA
Já o Barómetro Global do Furto no Retalho 2010 (patrocinado
pela Checkpoint Systems), alarga a análise a um painel de 43
países abrangendo perto de mil dos maiores retalhistas, atingindo um valor de vendas na casa dos 712 mil milhões de euros.
De acordo com este barómetro, o furto global no retalho totaliza
no período em análise (Julho 2009/Junho 2010) 87.506 milhões
de euros, ou seja, 1,36% das vendas globais do sector. Trata-se
de uma descida de 5,6% face ao ano anterior sendo, no caso
da Europa, esse valor de 4,4%. O bolo da perda desconhecida
reparte-se entre o furto do cliente e crime organizado (42,4%)
e furto dos empregados (35,3%).
À escala global, o país com maior taxa percentual de perda
desconhecida em relação às vendas é a Índia (2,72%) com uma
diferença substancial face ao segundo classificado, o Brasil com
1,64%. Por seu turno, a taxa mais baixa é a de Taiwan (0,87%).
No compito europeu, a taxa cifra-se nos 1,27%, face aos 1,4%
reportados pelo primeiro estudo em 2000.
Portugal é o país com um índice de taxa de perda desconhecida mais baixa entre os 24 países europeus incluídos no estudo,
com um total 340 milhões de euros, isto é, 1,24% das vendas
totais no retalho. No “Velho Continente”, a taxa mais elevada
recai sobre a Rússia com 1,61%. A mais baixa na Áustria com
0,97%.
No nosso país o furto por parte do cliente ronda os 48,7%, surgindo depois o furto proveniente dos empregados com 28,8%. Por
último os fornecedores com 6,5% e erros internos 16%.
Algumas referências entre os itens mais furtados apresentaram subida: roupas para criança, vestuário, produtos de barbear,
carnes cozinhadas, produtos gourmet. Outros itens foram a
cosmética, electrónica, joalharia. O estudo, uma pesquisa anual
conduzida pelo Centre for Retail Research (Centro de Pesquisa
do Negócio a Retalho) começou em 2001 na Europa e expandiu-se globalmente em 2007.
•
Revista Comércio de Lisboa CL 17
Novembro.Dezembro.10
Controlo das fontes
de risco criminal
]
BARÓMETROS
“as empresas portuguesas têm boas práticas de segurança
na fase das transacções (...) uma aposta sucessiva no
outsourcing, (...) deve ser acompanhada por uma política de
controlo dentro da própria empresa.” ]
“A OCASIÃO FAZ O LADRÃO”
COMO PROTEGER A MINHA EMPRESA
“Há que saber viver com o risco quotidiano. O crime é um fenómeno que tende a alastrar e o furto em estabelecimentos é considerado um crime-estreia”. As palavras são de
Luís Filipe Guerra, subintendente de polícia, que falava no decorrer da apresentação
do “Barómetro Nacional da Quebra no Retalho”.
Para Luís Filipe Guerra “as empresas portuguesas têm boas práticas de segurança na fase das
transacções. Contudo, uma aposta sucessiva
no outsourcing, com a entrega da segurança
a empresas do ramo, deve ser acompanhada
por uma política de controlo dentro da própria
empresa”. Uma realidade que passa pela formação dos funcionários, pelo atendimento com
proximidade, induzindo atenção sobre o cliente
enquanto permanece na loja. “A maioria dos
ladrões não se distingue dos restantes clientes”.
O furto encontra na lógica de mercado actual e
nos modelos comerciais terreno para proliferar.
Porquê? “Nas lojas há grande rotatividade dos
artigos, muitos deles novos, dispostos de forma
PERGUNTAR SEMPRE…
• Questione-se sobre as ocorrências:
Quantas são detectadas e que prejuízo causam? / Qual a percentagem de quebras devidas a furtos? / Quais os artigos mais
furtados e porquê?
• Questione-se sobre os autores:
Qual a percentagem de autores oportunistas? / Existem organizações envolvidas? / Existem métodos específicos para a prática do
crime? / Existem autores habituais?
• Questione-se sobre o espaço e o tempo:
Qual a localização das lojas e qual a envolvência? / Quando ocorrem os furtos? / Existem artigos que representam alvos sazonais?
/ Existe um padrão?
atraente. Opta-se por um sistema de venda em
self-service o que levou à ‘despersonalização`. O
criminoso não rouba ninguém em concreto”.
Referindo-se ao furto em estruturas comerciais
tradicionais em zonas urbanas carenciadas, Luís
Guerra sublinhou que “pode representar uma
erosão significativa da sustentação do comércio”. Não obstante, por vezes, os empresários
não estão motivados a recorrer a instâncias oficiais contra os autores dos furtos. Isto especialmente quando o autor do furto não tem cadastro
criminal, apresenta medo ou arrependimento.
Por outro lado, detenções por erro podem levar
a procedimentos contra a loja; a própria reputação da loja/marca pode ficar prejudicada se
existirem queixas continuadas por furto.
•
• Questione-se sobre as condições da loja:
Qual o tamanho do espaço? / Que tipo de loja é? / Qual o horário?
/ Possui responsável pela segurança? / Os furtos são tratados
como custos da actividade? / Existe investimento em medidas
de segurança passiva? / Onde estão os bens mais furtados? / Os
ladrões podem ocultar objectos sem serem vistos? / Como está
equipada a loja? Tem espelhos, etiquetas electrónicas ou câmaras?
• Questione-se sobre as respostas às ocorrências?
Qual o procedimento policial? / A policia forma e fiscaliza a segurança privada? / Como actua o Ministério Público relativamente às
queixas por furto? / Quais são as decisões judiciais típicas? / Os
autores cumprem as suas penas?
MEDIDAS SIMPLES
Precaver o roubo no espaço loja pode passar por medidas elementares como alterar a configuração dos espaços e utilizar os recursos
materiais e humanos para melhorar a vigilância.
• Reduzir o número de saídas, “pontos mortos” e recantos;
• Colocar espelhos e melhorar a iluminação;
• Estabelecer regras para a utilização de provadores em lojas de roupa;
• Eliminar a desordem e os espaços obstruídos;
• Afastar os artigos das entradas / saídas;
• Criar linhas de observação nos corredores e baixar a altura dos expositores;
• Dispor os artigos de risco acrescido nos locais de vigilância facilitada;
• Exibir apenas parte do produto (a caixa do CD, um sapato do par…)
exigindo a intervenção do assistente de loja;
• Tentar evitar os ajuntamentos junto a artigos de risco aproximando
funcionários;
• Colocar avisos junto a bens frequentemente subtraídos (um estudo
demonstrou que colocar marcas anunciando que o artigo é frequentemente subtraído acabou por eliminar os furtos desses artigos);
• Contratação de mais pessoal com melhor formação no atendimento
ao cliente, na vigilância dos artigos, na resolução de incidentes.
18 CL Revista Comércio de Lisboa
Conferência
Lisboa XXI
]
EM FOCO
Novembro.Dezembro.10
“Desconcentrar e descentralizar para as freguesias é essencial para que o Município possa estar disponível para assumir
as novas dimensões de acção municipal”, afirmou António
Costa.]
NOVO MAPA DE LISBOA PROPÕE
BAIRROS NO LUGAR DE FREGUESIAS
Um estudo encomendado pela Câmara Municipal de Lisboa propõe alternativas para o modelo de governação da cidade. O estudo do ISEG/ICS procurou “enquadrar a Lisboa urbana e
sócio-política”, explicou Augusto Mateus, coordenador geral do trabalho.
ceu. Das opções tidas em conta
pelo estudo, a que levanta mais
polémica é a da redução das actuais 53 freguesias para 24. A alternativa proposta é a criação de
nove estruturas com competências próprias, que passariam a
integrar políticas e a procurar a
eficiência para os investimentos e equipamentos. “Os mapas
apresentados não foram feitos a
régua e esquadro. Há uma coerência territorial e uma análise
profunda da história”, garantiu
João Seixas, coordenador técnico
do estudo.
Para os intervenientes no debate, Lisboa deve ser pioneira e
servir de exemplo na reforma da
Administração Pública. “Desconcentrar e descentralizar para as
freguesias é essencial para que
o Município possa estar disCarta de Qualificações Funcionais, Proposta de Revisão do PDM, 2010
ponível para assumir as novas
A Assembleia Municipal de Lisboa convidou a população para dimensões de acção municipal”, afirmou António Costa. “O
debater, a 9 de Novembro último, a ideia de um novo modelo verdadeiro desafio é o de um novo modelo de governação
de cidade. A apresentação do estudo do ISEG/ICS, coordenado da nossa cidade, assente na tripla descentralização – do Espor Augusto Mateus, foi o ponto
tado para a área metropolitana,
de partida.
do Estado para o Município e do
O trabalho teve em conta inMunicípio para a Freguesia – e na
quéritos, entrevistas, audição
desconcentração dos serviços do
de responsáveis, a comparação
Município”.
com outras urbes europeias e
Também José Adelino Maltez,
diversos modelos académicos,
professor de Ciência Política na
mas também o facto de um
Universidade Técnica de Lisboa,
terço da população ser residente
considera que “a Câmara Municiem habitação social e do ritmo
pal de Lisboa é grande demais.
“fortíssimo” a que a cidade está
Temos que dividir Lisboa em
António Costa na apresentação do estudo. Fonte: CML
perder habitantes. “Não é posvárias ‘câmaras’ que tenham o
sível, no séc. XXI, continuar com um governo metropolitano mesmo papel que os governos regionais”.
com problemas de transporte como os que temos tido até Mas, para alguns deputados municipais, a regionalização
aqui. É tempo de enfrentar os problemas. É uma tarefa colos- aprovada na Assembleia da República deve vir primeiro que
sal que tem de ultrapassar o concelho de Lisboa”, sublinhou o as mudanças a nível local. Recorde-se que a última alteração
antigo ministro da Economia. “O que propomos é chegar a uni- no modelo administrativo da cidade foi feita em 1959.
dades de gestão que podem resultar das juntas de freguesia, Para saber mais sobre o estudo:
com integração de políticas e serviços de qualidade”, esclare- http://www.modelosdegovernacao.am-lisboa.pt/
•
Revista Comércio de Lisboa CL 19
Novembro.Dezembro.10
Evolução do
retalho
]
EM FOCO
“Em Portugal há uma tendência terrível para diluir oportunidades. Convencemo-nos que quando se diz que a economia
vai crescer 3%, todas as empresas crescerão nesse valor. Não
é assim, algumas empresas terão que crescer 3000%.]
QUE EVOLUÇÃO PARA O RETALHO?
Algumas das respostas a esta questão retiram-se da 4ª Conferência “Retalho em Portugal
- Contexto Actual e Perspectivas de Evolução”. Da iniciativa, organizada pela consultora Cushman & Wakefield em parceria com o jornal OJE destacam-se notas relevantes no que respeita a
tendências de consumo, comportamento do consumidor e caminhos futuros.
O professor Augusto Mateus, ex-ministro da economia, subordi- tante anúncio de medidas penalizadoras do poder de compra dos
nou a sua intervenção ao tema “Consumo, consumidores e retalho consumidores continuam a afectar os níveis de confiança dos retaem tempo de crise e mudança”, sublinhando que “uma crise é um lhistas”. 27% dos retalhistas inquiridos admitem um crescimento
momento que pode ser visto de duas maneiras: ou preocupamo- negativo das vendas (em 2007 o valor rondava os 3%). As marcas
-nos, ou procuramos as oportunidades”. Para o professor universi- nacionais são as mais apreensivas.
tário “empresas e consumidores estão a mudar de vida”, o mundo Além da concorrência e do endividamento das famílias, os retamudou em termos tecnológicos, na política, nas organizações, nos lhistas deparam-se com um aumento da taxa de esforço, ou seja,
aspectos humanos. “O século XXI vai ser o do trabalho, não o do a diferença do peso total anual de rendas pagas e dos custos de
emprego”, sublinhou, apontando outras tendências: “Pela primeira condomínio face ao volume de vendas total. Perto de 85% das
vez na História da humanidade, a liderança não está no primeiro marcas considera que a crise económica fez aumentar a sua taxa
mundo. Grande parte da população humana vive hoje no mundo de esforço. O facto prejudica a rentabilidade. Mesmo assim, 23%
do artificial, ou seja, nas cidades”.
dos inquiridos responde que conPor isso, para Augusto Mateus “as
sideram Portugal o país mais rentomadas de decisões têm que
tável para operar. Face ao estudo
dar vida às cidades e aos centros
de 2005, momento em que 90%
históricos”.
dos retalhistas admitia aumentar a
“Em Portugal há uma tendência
sua rede de lojas, o valor apurado
terrível para diluir oportunidades.
este ano cai para os 60%. Perto
Convencemo-nos que, quando se
de 13% dos retalhistas admite,
diz que a economia vai crescer
mesmo reduzir o número de lojas.
3%, todas as empresas crescerão
Entre os que têm nos seus planos
nesse valor. Não é assim, algua expansão, 30% pensa fazê-lo
mas empresas terão que crescer
em Portugal, seguindo-se o Brasil
3000%. Temos de perder o medo
(18%), Espanha (16%) e Angola
de ir buscar crescimento económi(13%).
Foto: Victor Machado/OJE
co a certos sectores. Hoje, por cada
Já Rafael Gomes Pelote, Head of
emprego que perdemos em sectores concorrenciais, criamos 0,3 Market Intelligence and Costumer Experience, da Sonae Sierra leempregos”, alertou o ex-governante.
vou à conferência o perfil do novo consumidor, com a “confiança
Referindo-se directamente ao retalho, Augusto Mateus considerou em baixo” decorrente da crise (à qual Pelote prefere chamar um
que este não goza de um ambiente com estabilidade política, vive novo paradigma), mas com poder sobre as marcas: “Hoje é o conno seio de uma estrutura de endividamento das famílias não sus- sumidor que manda nas marcas”.
tentada. “A nossa função não é fazer os mesmos centros comer- Rafael Pelote traçou as grandes linhas, em seu entender, que vão
ciais. Algumas das coisas que fizemos afastaram-se das soluções. condicionar o consumo nos próximos anos: económicas (dificulToda a gente vai gastar menos e por outro lado melhor. As marcas dade de acesso ao crédito e o dinheiro a “fugir” para mercados
terão que se converter em guias de salvação do consumidor em emergentes); sociais/demográficas (não existe substituição nas
crise”.
gerações); aparecimento de produtos com experiências associaMarta Leote, Directora de Research & Consulting da Cushman & das; éticas (responsabilidade social) e tecnológicas (como é exemWakefield apresentou algumas das conclusões do Inquérito a Reta- plo as redes sociais). 78% dos utilizadores da internet em Portugal
lhistas 2010 realizado por aquela consultora numa amostra de 61 têm registo no Facebook.
marcas nacionais e internacionais, com preponderância no sector Um contexto onde, de acordo com Pelote, “a fragilidade vai ser
da moda, a operar em Portugal (43% estão presentes no mercado a palavra-chave. 40% dos consumidores começaram a comprar
português há mais de duas décadas). Perto de 30% dos inquiridos marcas próprias. Vamos ter que redefinir o status, ou seja trabalhar
apontaram o comércio de rua como possível canal de expansão da sobre as novas percepções. O que era valorizado já não o é. Aparerede de lojas, contra 50% que disseram preferir o centro comercial. cem aspectos que já não estão relacionados com a posse de bens,
87% das marcas que participaram no estudo admite saturação mas sim com a cultura”. Para Rafael Pelote “as pessoas começam
deste último formato comercial. Por seu turno, 46% dos inquiridos a redescobrir a casa, a buscar autenticidade e simplicidade, organivê o comércio de rua como o futuro para a evolução do sector.
zando-se melhor”. Para o especialista tudo isto não são entraves,
Na sua quinta edição, o inquérito sublinha que “a crise e o cons- são oportunidades.
•
20 CL Revista Comércio de Lisboa
Novembro.Dezembro.10
ALTOS E BAIXOS (Balanço dos últimos três anos)
Dezembro 2007
O Gabinete de Medicina da UACS é uma das entidades acreditadas pela
ACT- Autoridade para as Condições do Trabalho para prestar serviços externos
na área de saúde no trabalho.
Agosto 2008
Iniciado em 2008, o Festival dos Oceanos consegue atrair
350 mil pessoas à capital no mês de Agosto. O programa
foi considerado o segundo Melhor Evento Cultural Europeu
de 2009 nos European Best Event Awards.
Dezembro 2008
Um protocolo assinado entre a CML e a UACS autoriza esta última a emitir aos
associados mapas de horários de funcionamento dos Estabelecimentos de
Venda ao Público e de Prestação de Serviços no Concelho de Lisboa.
Março 2009
Prossegue a campanha “Comércio Anima Lisboa”, desta vez em forma de
faixas para colocar nas montras da cidade, a recordar aos consumidores as
principais datas festivas em que podem e devem dar prendas a amigos e
familiares.
Setembro 2009
A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal e a
Escola de Comércio de Lisboa lançam o Prémio Mercúrio
- o melhor do comércio. O prémio, que conhece agora a
segunda edição, tem por objectivo divulgar e premiar as
melhores práticas do sector.
Abril 2010
Uma vez aprovada a candidatura da UACS ao Programa Operacional Potencial
Humano, inicia-se um novo calendário de formação gratuita para empresários
do sector. Ao mesmo tempo, a UACS mantém-se parceira do CECOA na
formação de quadros para o comércio. Num âmbito mais específico, a ACORS
(Associação dos Comerciantes de Ourivesaria e Relojoaria do Sul) prossegue as
acções de formação em gemologia.
Abril 2010
Apesar do aumento incompreensível sobre a ocupação da via pública, o novo
Regulamento Geral de Taxas, Preços e Outras Receitas do Município de
Lisboa apresenta algumas vantagens, reunindo num só documento os valores
que antes estavam espalhados por vários diplomas. De realçar o papel da UACS
na negociação do Regulamento.
Maio de 2010
A visita de Bento XVI a Portugal foi transmitida para
todos os cantos do mundo. A imagem de Lisboa ficou a
ganhar.
Agosto/Outubro 2010
Diversas iniciativas mostram o empreendedorismo do comércio da cidade. Empresários agrupam-se por bairros ou por sectores de actividade para mostrar
as suas tendências cosmopolitas. Castilho Fashion Street, Chiado After Work,
Proximus (Olivais), Fashion’s Night Out e Sextas-feiras L00:00ngas são acções
para prosseguir.
Novembro 2010
As linhas de crédito PME Investe V e VI, lançadas respectivamente em Maio e em Junho último pelo Governo em
colaboração com várias entidades bancárias, financiaram
milhares de micro, pequenas e médias empresas. No
Orçamento de 2011, o Ministério da Economia prevê mais
3 mil milhões de euros para a VII PME Investe, acrescidos
de 10 milhões de euros especificamente para a modernização
do pequeno comércio.
NOVA O
O
C LECÇÃ
Setembro 2008
Surgem muitos projectos de reabilitação urbana mas
os resultados ainda estão longe das expectativas. A
recuperação da frente ribeirinha prevê o envolvimento de privados e a venda de património da
autarquia; as obras causadas pelo alargamento da
linha do metro não têm fim à vista.
Dezembro 2008
O protocolo entre a UACS e a CML respeitante às
iluminações de Natal foi interrompido pela autarquia que, devido ao reduzido orçamento, prefere
recorrer a patrocínios para alegrar a cidade nesta
quadra festiva. A decisão ocorre 20 anos depois do
incêndio do Chiado. Recorde-se que, antes disso, os
comerciantes tinham suportado sozinhos os custos das
iluminações durante 40 anos.
Fevereiro 2009
Sucessivos planos de circulação automóvel na Baixa
de Lisboa, acompanhados por obras de grande
dimensão no Terreiro do Paço, fazem da principal
zona comercial da cidade um autêntico labirinto.
Setembro 2009
Apesar das intenções declaradas dos candidatos autárquicos, Lisboa
continua a perder moradores e empresas – a um ritmo de menos 10
mil habitantes por ano, com consequências óbvias para o pequeno comércio. Em Agosto de 2010, o diário espanhol El País chamava à cidade
“Lisboa, capital do vazio”.
Fevereiro 2010
A CML pretende concluir 40 quilómetros de pistas para bicicletas
em toda a cidade, incluindo as zonas de Alvalade,
Entrecampos, Avenidas Novas, São Sebastião da
Pedreira e Campolide. Além das implicações
em termos de trânsito e do corte nos lugares
de estacionamento, a UACS teme perder ainda
mais clientes para os seus associados, já que os
ciclistas não são clientes habituais do comércio
tradicional.
Setembro 2010
Apesar de todo o seu potencial, os mercados de
Lisboa ainda não têm uma política definida. Excepção feita para o mercado da Ribeira, em que
a autarquia lançou um concurso de recuperação
ganho pela revista Time Out, e cujo resultado só
deverá ser conhecido em 2012.
Outubro 2010
A intenção foi motivo de reclamações de diversos quadrantes, mas o
Conselho de Ministros acabou mesmo por aprovar o alargamento de
horários das grandes superfícies através do Decreto-lei 111/2010. Os
estabelecimentos com mais de 2000 m2 podem agora funcionar das 6h
às 24h, sete dias por semana.
EM SALDO
S
Revista Comércio de Lisboa CL 21
Novembro.Dezembro.10
A República dos
Lojistas
]
NÓS POR CÁ
No que diz respeito ao pequeno comércio, a ACLL tinha sido
fundada por um significativo grupo de merceeiros e confeiteiros em 1870 e, a partir de meados da década de 1880,
estava a crescer de forma muito intensa.]
«31 DE JANEIRO» DOS LOJISTAS:
O PEQUENO COMÉRCIO DE LISBOA E A REPÚBLICA
A UACS organizou em Outubro um ciclo de conferências “República falhada:
leituras sobre o 31 de Janeiro de 1891”, evento em parceria com o Instituto de
História Contemporânea. O professor Daniel Alves, investigador na instituição,
apresenta-nos a sua visão sobre o “31 de Janeiro dos lojistas: o pequeno comércio de Lisboa e a República”, resumo da tese de doutoramento A República
atrás do balcão: os lojistas de Lisboa na fase final da Monarquia (1870-1910).
No dia 31 de Janeiro de 1894 o governo do Partido Regenerador,
liderado à época por Hintze Ribeiro, decretou a dissolução da Associação Comercial de Lisboa, da Associação Industrial Portuguesa
e da Associação Comercial de Lojistas de Lisboa (ACLL). A medida
de força impunha-se pela crescente contestação que estas três
associações profissionais vinham a desenvolver, desde meados
de 1893, em reacção às medidas financeiras anunciadas pelo governo, nomeadamente ao aumento
das taxas da Contribuição Industrial
e ao agravamento do Imposto de
Selo. Uma contestação que não era
nova, pois era frequente as associações protestarem contra as iniciativas fiscais dos vários governos, mas
que nesta altura assumiu contornos
políticos particularmente significativos, em grande medida devido ao
facto de a dirigir essas entidades,
em particular as que representavam
o mundo do comércio, estarem indivíduos ligados ao Partido Progressista (outro dos partidos monárquicos que se encontrava agora na
oposição) e ao Partido Republicano Português (PRP).
No que diz respeito ao pequeno comércio, a ACLL tinha sido fundada por um significativo grupo de merceeiros e confeiteiros em
1870 e, a partir de meados da década de 1880, estava a crescer
de forma muito intensa em número de sócios e na quantidade
de áreas comerciais que representava. As listagens de associados
da ACLL, que andaram quase sempre acima dos 1200 inscritos na
primeira metade da década de 1890, eram agora compostas por
uma maior diversidade de negócios que a tornavam uma espécie
de microcosmos do conjunto de lojistas da capital, que na altura
rondavam cerca de 10 mil indivíduos.
Esta gente (orgulhosa da sua posição social e ciosa da sua independência, conquistada à custa de um trabalho árduo que os tinha
feito subir, na maior parte dos casos, da posição subalterna de
caixeiros à de donos do seu próprio negócio) era bastante activa
em termos políticos. Por comparação com a restante população
da cidade, os lojistas estavam em maior percentagem nos recenseamentos eleitorais (não obrigatórios na época) e, em média,
iam com maior frequência às urnas (80% votavam, contra 60% da
população geral), quer para as eleições de deputados, quer para
as de vereadores, onde era normal, até meados da década de
1890, estarem presentes 1 a 3 sócios da ACLL em cada vereação
eleita. Ao mesmo tempo, estava a crescer no seio da associação a influência republicana, muito provavelmente fruto de uma
tendência que se fazia sentir no corpo comercial da cidade como
um todo. A partir da década de 1890, os corpos gerentes da ACLL
passaram a ser controlados por lojistas ligados ao movimento
republicano, quando até essa altura
tinham predominado os elementos
monárquicos, em especial, os ligados ao Partido Progressista.
Estas várias tendências, associadas
ao facto do pequeno comércio lisboeta estar a passar por uma forte
pressão económica, derivada da
crise financeira do país e do aumento das rendas das lojas (a esmagadora maioria dos lojistas de Lisboa
eram inquilinos), estavam a levar
os homens que trabalhavam atrás
do balcão a um alinhamento político
cada vez mais identificado com o republicanismo. O crescendo da
ligação entre interesses de classe e propaganda republicana, visível no programa do PRP de 1891, foi potenciado, entre outros factores, pela atitude do governo Regenerador em 1894, tornando o
31 de Janeiro daquele ano um marco fundamental na memória
política dos lojistas, fazendo-os olhar, a partir de então, cada vez
com maior desconfiança para os políticos monárquicos e para a
própria Monarquia.
Nesse sentido, a memória que foram construindo sobre aquela
data, mesmo depois de a ACLL ter sido restaurada em 1897, acabou por funcionar para o radicalismo dos lojistas um pouco como a
memória do golpe do 31 de Janeiro de 1891 haveria de funcionar
para o revolucionarismo dos republicanos. Por isso, foi sem surpresa que na primeira assembleia-geral da ACLL, após o triunfo
da Revolução Republicana de 1910, o presidente José Pinheiro de
Melo tenha proposto “um voto de congratulação (…) certo de que
nesse voto interpretava o sentir não só de todos os assistentes
mas o da totalidade dos associados”. Permita-se acrescentar que
estaria a interpretar também o sentimento da maioria dos lojistas
de Lisboa.
•
ACLL, Boletim, n.º 70, Outubro de 1910, p. 81.
22 CL Revista Comércio de Lisboa
NÓS POR CÁ
UACS
Novembro.Dezembro.10
NOVOS ÓRGÃOS SOCIAIS
DA UACS
No passado dia 25 de Novembro realizaram-se as eleições dos corpos sociais da
União de Associações de Comércio e Serviços para o triénio 2011/13, tendo sido
eleita a seguinte lista:
MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
PRESIDENTE
PEDRO JOSÉ DEL NEGRO FEIST
• Associação de Comerciantes de Armeiros,
Bicicletas, Artigos de Desporto, Drogarias e
Perfumarias, Papelaria, Artigos de Escritório,
Quinquilharias, Brinquedos e Artesanato e
Tabacaria de Lisboa
• Firma Concentra-Produtos para Crianças SA.
VICE-PRESIDENTE
JOSÉ FERREIRA DE MATOS
• Associação Nacional dos Comerciantes de
Equipamentos Científicos, Saúde e Imagem
• Firma Instanta, Lda.
SECRETÁRIO EFECTIVO
MARIA DO CÉU DE JESUS ANTUNES
PRIM DOS SANTOS DRA.
SECRETÁRIO EFECTIVO
MÁRIO JOÃO MARTINS ESTEVES
COLUNA DR.
• Associação Comercial de Moda
• Firma Prim, Unipessoal Lda
• Associação Nacional dos Comerciantes de
Equipamentos Científicos, Saúde e Imagem
• Firma Labometer-Soc. Técnica de Equip. de
Laboratório Lda.
VICE-PRESIDENTE
MARIA ADELAIDE SILVA
DIRECTOR EFECTIVO
ANTÓNIO MACHADO MAGALHÃES DR.
DIRECÇÃO
SECRETÁRIO SUPLENTE
MARIA FILOMENA RODRIGUES DA
COSTA
PRESIDENTE
CARLA CRISTINA HIPÓLITO SÁ
SALSINHA DRA.
• Associação Comercial de Moda
• Firma Eugénia Maria & Filhos, Lda.
• Associação dos Comerciantes de Ourivesaria
e Relojoaria do Sul
• Firma Belo Fio de Ouro-Comércio de Ourivesaria e Relojoaria, Lda.
• Associação Portuguesa dos Prestadores de
Serviços
• Firma Mac-Consultores Associados. Lda.
DIRECTOR EFECTIVO
ESTELA PEREIRA RAPOSO DRA.
DIRECTOR EFECTIVO
JOSÉ ALMEIDA RODRIGUES DR.
DIRECTOR EFECTIVO
CLOTILDE MARIA ANTUNES MADEIRA
DIRECTOR EFECTIVO
JOAQUIM PEDRO POTIER RAPOSO
PULIDO VALENTE
• Associação dos Comerciantes de Ferro, Ferragens e Metais do Distrito de Lisboa
• Firma Costa & Costa, Lda.
• Associação dos Comerciantes de Adornos e
Utilidades do Distrito de Lisboa
• Firma Virgínia Azevedo & Companhia
Lda.
• Associação Comercial de Moda
• Firma Central das Bandeiras, Lda.
• Associação dos Comerciantes de Adornos e
Utilidades do Distrito de Lisboa
• Firma D. Madeira & C. Fernandes, Lda.
• Associação dos Comerciantes de Produtos
Hortícolas, Frutas, Flores, Sementes, Plantas,
Peixes e Criação do Distrito de Lisboa
• Firma Horto do Campo Grande, S.A
Revista Comércio de Lisboa CL 23
Novembro.Dezembro.10
NÓS POR CÁ
UACS
CONSELHO FISCAL
DIRECTOR SUPLENTE
JOÃO FRAZÃO GONÇALVES SOUSA
VALLES
• Associação Nacional dos Comerciantes de
Equipamentos Científicos, Saúde e Imagem
• Firma J. Valles, Lda.
DIRECTOR SUPLENTE
FERNANDO CORUJO PINTO PERFEITO
• Associação dos Comerciantes de Adornos e
Utilidades do Distrito de Lisboa
• Firma Fernando Corujo Pinto Perfeito
VOGAL EFECTIVO
MARIA LUÍSA VALADAS CARVALHO
• Associação dos Comerciantes nos Mercados
de Lisboa
• Firma Carvalho & Figueira, Lda
PUBLICIDADE
PRESIDENTE
VASCO LINHARES DE LIMA ÁLVARES DE
MELLO DR.
• Associação Nacional de Comerciantes Revendedores de Lotaria
• Firma Campião & Cª., Sucrs de José Dias & Dias, Lda.
VOGAL EFECTIVO
ANTÓNIO JOAQUIM GOMES DA COSTA DR.
• Associação Portuguesa dos Prestadores de
Serviços
• Firma Clinempresas Gestão e Organização de
Empresas, Lda.
VOGAL SUPLENTE
MANUEL JOAQUIM CARDOSO SOARES
PEREIRA ENG
• Associação Comercial de Moda
• Firma Mário Soares Pereira, Lda.
24 CL Revista Comércio de Lisboa
Novembro.Dezembro.10
NÓS POR CÁ
Associação 5
Carta da Drª Maria do Céu Prim, Presidente da Associação Comercial de Moda
NATAL 2010
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE MODA
Caros colegas.
Será isto uma democracia?
O momento actual exige de nós
um esforço de reflexão sobre os
ensinamentos que a economia
da vida nos dá. Temos de sair
deste ciclo de empobrecimento,
onde o povo português está à
mercê de políticos sem sensibilidade social e sem as políticas
adequadas para os momentos
actuais e futuros.
O que está a passar-se em Portugal entende-se melhor
através do recurso à História. Com os Descobrimentos, entregámos aos ingleses e holandeses o comércio marítimo, em
troca de ouro. Puro facilitismo, 500 anos depois está a cair no
mesmo com a China. Foi-nos dada a hipótese de evoluirmos
com a injecção de biliões de euros que foram desbaratados
em coisas supérfluas e decorativas quando o verdadeiro País
permaneceu incauto gastando o que não tem, iludido por
uma centelha que achavam que não acabaria. Assim, o nosso
problema não é apenas da última década, é de sempre, particularmente dos últimos 36-37 anos.
PORTUGAL NÃO TEM TIDO ESTADISTAS À ALTURA DA SUA
HISTÓRIA. Erros cometidos por falta de visão dos políticos,
conduziram o País a uma encruzilhada onde as regras são
definidas em função de 4 grupos económicos, que numa escandalosa concentração, dominam mais de 80% do comércio
retalhista em Portugal, provocando grandes desequilíbrios
sociais, regionais, da balança comercial, sendo responsáveis
pelo aumento das importações e assim, ao importarem praticamente todos os produtos de mercados onde compram
por centavos e vendem por centenas, provocando o encerramento de empresas agrícolas e industriais, ao desemprego,
principalmente ao longo destes últimos 10 anos, levando ao
endividamento das famílias, à precariedade dos empregos,
ao “PAÍS MAIS POBRE DA EUROPA OCIDENTAL”.
Por outro lado, temos a concorrência de mercados onde se
trabalha 12 horas diárias, sem folgas, sem férias, sem subsídios, direitos, sindicatos, condições de trabalho, em suma
escravidão em pleno século XXI, e é exactamente por tudo
isto que são altamente competitivos, para além de manterem artificialmente a cotação da sua moeda num valor muito
abaixo do seu real valor.
Este é um dos grandes problemas da globalização, que sem
regras, acabará por prejudicar irreversivelmente todos os
países que cumpram condições dignas de trabalho.
A China está a promover uma terrível concorrência desleal
e, se nada se fizer, irá contribuir para mais encerramento de
empresas, desemprego, será o COLAPSO DA DEMOCRACIA
OCIDENTAL.
O sonho da democracia é bonito mas o caminho cheio de “ratoeiras” e “ratazanas” aonde o simples mortal acaba sempre
sendo a vítima.
Que a Alegria, a Felicidade, a Paz, a Harmonia, a Saúde, não
deixem de ser uma constante nas vossas vidas neste ano que
se aproxima.
Desejos de um SANTO NATAL.
•
Revista Comércio de Lisboa CL 25
Novembro.Dezembro.10
NÓS POR CÁ
Associação 11
Artigo do Sr. Horácio Zagalo, Membro dos Corpos Sociais da ACORS
OURO – UM MUNDO NOVO
É do conhecimento geral que o comércio de ourivesaria, tem vindo a diminuir
ano após ano.
Se consultarmos a estatística dos artefactos de ouro e prata contrastados em Portugal, podemos verificar que a diminuição anual é
muito acentuada, como se pode ver pelo seguinte quadro:
PEÇAS DE METAL PRECIOSO MARCADAS PELAS CONTRASTARIAS PARA O MERCADO INTERNO
OURO
Ano
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
PRATA
Quantidade Peso (t)
2.101.968
2.512.201
3.545.918
4.417.803
6.076.541
6.794.364
6.465.661
8.123.128
8.649.993
9.558.265
10.283.516
10.464.445
4,105
5,121
7,878
11,281
17,048
18,318
16,806
22,629
25,139
27,822
32,366
33,000
OURO
Quantidade Peso (t)
13.344.001
13.810.612
8.536.644
6.981.822
5.889.910
5.073.251
4.196.876
3.906.881
3.627.675
4.677.998
4.321.993
4.984.505
64,343
66,438
66,019
65,527
69,839
71,440
56,315
60,229
62,652
68,612
69,310
79,445
Ano
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
PRATA
Quantidade Peso (t)
11.217.671
9.456.753
7.810.426
6.609.906
6.205.662
5.151.165
4.170.180
3.605.762
2.889.357
2.456.333
27,131
22,154
18,614
15,111
13,663
11,182
8,351
6,986
5,101
4,158
Quantidade Peso (t)
6.695.624
5.546.075
5.068.556
5.038.123
4.671.726
4.408.373
4.166.558
4.593.432
5.945.552
5.943.056
96,356
78,383
70,109
74,348
54,113
48,503
43,147
38,427
39,977
38,172
Fonte: INCM
Há diversas razões para a situação que analisamos acima, mas
destacamos duas principais:
A valorização da matéria prima - OURO - aliada às dificuldades
económicas das famílias.
Estas duas situações originaram uma mudança na maior parte
do modo de comercializar, e assim passámos de vendedores a
compradores de ouro, mas também originou o aparecimento e
proliferação de novas largas centenas de comerciantes de ouro.
Por um lado foram os colegas comerciantes de “Casas de Penhor” que além de estenderem o seu normal ramo de comércio,
também à compra de ouro, com abertura de muitas agências,
assim como assistimos à abertura de cerca de cinquenta novas casas deste ramo, mas desta vez com a cobertura de um
Banco.
Além desta proliferação, também o apetite pela compra de
ouro, fez aparecer um novo tipo de comércio do ramo através
de lojas de “franchising”.
Mas além destas, ainda passaram a existir muitas outras, cujos
novos comerciantes, só por ouvirem falar que este era um bom
negócio, se lançaram com armas e bagagens abrindo lojas por
tudo o que é sitio.
Ora havendo cada vez menos ouro novo contrastado, e subindo em flecha o número de compradores de ouro usado, cuja
finalidade é apenas a conversão em barras de ouro que são
depois comercializadas através dos circuitos legais conhecidos,
chegará o dia em que cada vez haverá menos ouro usado para
comercializar. É já prova do que afirmamos, quando assistimos
a um leilão de ouro, que ainda há dois anos atrás, por exemplo,
tinha uma duração de dois dias, e agora é realizado em duas
horas.
Quanto aos valores de PRATA, verifica-se que a uma menor
quantidade de peso, tem correspondido um gradual aumento
do número de peças, o que quer dizer que a crise de compradores se tem alargado para compra de peças cada vez mais
pequenas. O tempo dos serviços, faqueiros salvas e outras
peças de grande porte já acabou.
As consequências para os novos comerciantes de ouro usado,
são evidentes, com o encerramento da porta, e certamente
que muitos não tiveram tempo de rentabilizar o investimento.
Quanto ao comércio tradicional, também aqui as dificuldades
são evidentes, e se o já célebre novo Regulamento não for
brevemente aprovado, também aqui não se vislumbram
grandes hipóteses para uma grande maioria.
Pensamos brevemente voltar a este último tema da não aprovação do novo Regulamento de Contrastaria, cuja aprovação, se
por um lado transforma o comércio tradicional de ourivesaria,
por outro virá certamente a dar a oportunidade de não encerramento para um considerável número de comerciantes.
•
26 CL Revista Comércio de Lisboa
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NOTÍCIAS
Novembro.Dezembro.10
A UACS, por sua vez, encaminhará para a CGD todos os projectos de investimentos e pedidos de apoio financeiro ou de
prestação de serviços bancários, entre outras condições.]
UACS/CGD
PROTOCOLO FINANCEIRO E DE COOPERAÇÃO
A UACS e a CGD assinaram um protocolo nas áreas empresarial
e de clientes particulares. A Caixa compromete-se a patrocinar iniciativas consideradas de interesse comum, tais como a
edição de publicações e a realização de seminários e de encontros, a oferecer publicações editadas pela CGD e a enviar
folhetos/brochuras informativos dos seus produtos e serviços.
A UACS, por sua vez, encaminhará para a CGD todos os projectos de investimentos e pedidos de apoio financeiro ou de
prestação de serviços bancários, entre outras condições.
As empresas associadas da UACS terão acesso a operações e
serviços bancários e financeiros em condições especiais, tais
como Cartão Caixaworks; crédito até 12 meses (curto prazo,
conta corrente); apoio ao investimento/modernização, leasing,
renting, aplicações financeiras, terminais de pagamento automático, seguros e serviços adicionais. Poderão ainda aceder
a garantias bancárias e declarações de capacidade financeira,
cobrança de recibos e letras, créditos em conta para pagamento de remunerações, subsídios, comparticipações e outros
abonos, pagamentos periódicos (água, electricidade, gás, etc.)
e cartões Caixautomática, Caixa Gold e Classic.
Os quadros e colaboradores permanentes da UACS também
têm acesso a um pacote de produtos e serviços da CGD.
Todos os pedidos de concessão de crédito ao abrigo deste protocolo deverão ser entregues junto das agências da Caixa, de
preferência na localizada no concelho da respectiva sede social
ou residência.
•
REPARÁMOS QUE…
• A Câmara vai lançar em 2011 um programa de arrendamento jovem com o objectivo de ocupar algumas das
600 casas municipais devolutas. Os arrendatários fazem
as pequenas obras de que as casas estão a precisar e,
em troca, pagam uma renda à qual são deduzidas essas
despesas. Ao fim de 25 anos, a casa fica para os arrendatários. Uma iniciativa que vai arrancar com uma bolsa
de algumas dezenas de apartamentos. Um projecto que,
para avançar, precisa de uma alteração à lei da renda
resolúvel (permite aos arrendatários ficarem com a propriedade do imóvel ao fim de alguns anos) que só se
aplica a construção nova e não à reabilitação urbana.
• A zona do Príncipe Real, em Lisboa, tem
sido animada com vários eventos das
“Noites Claras”. O objectivo é dinamizar
o comércio de rua (mais de 40 lojas
aderiram à iniciativa) numa área onde
nos últimos 12 meses abriram 24
novos estabelecimentos. A iniciativa
contou com horários alargados das
lojas, concertos de música, inauguração
de exposições ou leitura de poesia.
Na altura António Costa, presidente
do município referiu que “a época dos
centros comerciais nas cidades acabou”.
Será verdade?
• A Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL)
anunciou o arranque das escrituras dos 390 fogos do
Programa EPUL Jovem nos empreendimentos da Praça
de Entrecampos e Paço do Lumiar. As entregas acumu-
lam atrasos que chegam
aos seis anos. Recorde-se que noutro ponto da
cidade, no empreendimento do Martim Moniz
(EPUL Jovem), as obras
estavam paradas desde
2008, reiniciando-se em
Outubro último. O prazo
inicial para conclusão era
2003. Será admissível
numa cidade que perdeu
nas últimas três décadas cem mil habitantes?
• A ANA Aeroportos gastou em 2009 767 mil euros na
construção de uma pista ciclável (3,5 quilómetros, ou
seja, 229 mil euros por cada quilómetro) entre o Vale de
Chelas e o Parque das Nações. Trata-se de uma despesa
desta empresa em contrato por ajuste directo. A pista
deriva de um protocolo assinado com a Câmara de Lisboa
para reduzir o uso do transporte individual. Questionada
sobre o ajuste directo, a empresa afirmou tratar-se de
“uma adjudicação na sequência de uma consulta de cinco
empresas especializadas em pavimentações, de modo a
dar continuidade ao percurso da pista ciclável sem interrupções na sua extensão”. Alguém percebe?
• “A Frente Tejo, sociedade que gere a requalificação e
reabilitação da frente ribeirinha lisboeta, gastou, só em
2009, 772.470 euros em pareceres jurídicos, consultadoria e assessorias diversas (…) Crise, qual crise?”.In Público.
•
Revista Comércio de Lisboa CL 27
Novembro.Dezembro.10
]
NOTÍCIAS
A reter fica a ideia que além dos atributos da loja (formato,
localização) e atributos do produto (preço, marca), existe uma
terceira dimensão que afecta o comportamento do consumidor: a razão da compra.]
Saber comunicar no ponto de venda
Consumo e consumidor estão a mudar, realidades que obrigam a
alterações na forma como se comunica. Estes foram os pressupostos para a organização da 2ª edição da Conferência Distribuição Hoje
(DH) subordinada ao tema “Marketing no Ponto de Venda”.
Do painel de intervenções sublinhe-se a de
Pedro Miguel Silva, senior manager de consultoria da Deloitte, sob o tema “Análise das
novas tendências de consumo: novos estilos
de vida, novas atitudes, novas exigências e
novas necessidades”. A reter fica a ideia que
além dos atributos da loja (formato, localização) e atributos do produto (preço, marca),
existe uma terceira dimensão que afecta o
comportamento do consumidor: a razão da
compra. Neste âmbito, Pedro Silva identifica
seis tipos de consumidor: com ausência de
comportamento; smart shopper (procura as promoções); health
costumers (preocupações com a saúde e bem-estar); orgânicos;
“verdes”; preocupados com a dieta.
Independentemente do tipo de consumidor, os primeiros atributos a
PUBLICIDADE
serem pesquisados (no caso dos produtos alimentares), são sempre
o preço e a data de validade.
Já Carmen Castro, account manager da Metris/GFK, apresentou
conclusões do estudo realizado em 2009 juntamente com a POPAI
(uma associação do sector) em superfícies
nacionais, concluindo que os consumidores
estão mais exigentes, querem comprar em
qualquer lugar e em qualquer hora, querem
ser estimulados, querem estar em controlo
e procuram recompensas emocionais.
Segundo o estudo, ao escolher uma loja, a
proximidade de casa é o factor mais tido
em conta (49%); seguido da prática de
bons preços (35%) e na terceira posição
o hábito (23%). Para Carmen Castro, os
grandes temas que vieram para ficar são
a sustentabilidade e responsabilidade social, a saúde e bem-estar,
a economia (o preço e as promoções), o indivíduo. A especialista
deixou a questão: estarão os retalhistas preparados para esta nova
realidade?
•
28 CL Revista Comércio de Lisboa
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NOTÍCIAS
Novembro.Dezembro.10
Os lojistas contribuem ainda com uma percentagem das vendas realizadas nesse dia para a Associação Ajuda de Berço.]
Neve natalícia na Castilho
Durante o período de Natal, as lojas da Rua Castilho apostam num conjunto de iniciativas para
dinamizar o comércio de rua. A 11 de Dezembro último, as surpresas começaram com a neve
artificial e continuaram com oferta de cocktails,
música ao vivo, DJ, sessões de maquilhagem,
champanhe, scones e Bolo-Rei. Este ano, o evento inclui a venda de um guarda-chuva, no valor de 12 euros que
revertem para a Associação Ajuda de Berço. Os lojistas contribuem
ainda com uma percentagem das vendas realizadas nesse dia para
a mesma instituição. Os horários são alargados
(10h00 – 20h00), incluindo feriados e domingos
de Dezembro. O projecto Castilho Fashion Street
resulta da associação de várias marcas e empresas, tais como a BCBG Maxazria, Coccinelle, Edifício Castil, Empark, Escada Sport, Gerard Darel,
Hoss Intropia, Hotel Altis, Karen Millen, Loja das
Meias, MAX&Co, Nica, Óptica Castilho, Stivali, THE, Weill e Veste Couture, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e da União
de Associações do Comércio e Serviços (UACS).
•
A República em exposição
Está patente, até 31 de Janeiro, na Casa do Comércio (Rua Castilho,
14), uma exposição intitulada “O Pequeno Comércio e a Implementação da República (1870 - 1910)”. Aproveitando a ocasião
do centenário da República, esta exposição, organizada pelo Instituto de História Contemporânea em colaboração com a UACS,
recorda documentos e imagens do comércio lisboeta nos últimos anos da monarquia e o importante papel desempenhado
pelos lojistas da cidade na mudança do
regime.
•
Olivais prosseguem com Proximus
No âmbito do programa Proximus, uma
iniciativa da Junta de Freguesia de Santa
Maria dos Olivais em parceria com a Escola de Comércio de Lisboa, a zona envolvente do mercado da Encarnação Norte
foi alvo de diversas acções de animação
nesta época de festas. Uma acção que se
prende com “a melhoria do espaço público”, segundo Rui Simões, vogal do comércio da Junta de Freguesia. Além das iluminações de rua,
cursos de merchandising para os comerciantes e um concurso de
montras, o programa
incluiu uma tarde musical no passado dia
11 de Dezembro, com
actuações do Coro de
Oeiras e do Coro dos
Serviços Sociais da
Caixa Geral de Depósitos. O mercado garante ainda o funcionamento de duas bancas de
peixe até às 19h, todas as sextas e sábados até ao Natal.
•
PCP propõe Derrama de 0,75%
Já está disponível no site da UACS a proposta do PCP relativa à
redução da derrama para os pequenos e médios comerciantes e
industriais. O documento propõe uma derrama reduzida de 0,75%
sobre o lucro tributável das empresas.
LIVROS
•
NEGOCIAR & VENDER
“Há que não esquecer que apenas falharemos 100% daquilo que não tentarmos”. A frase de João
Alberto Catalão, autor de “Negociar e Vender”, enquadra um contexto de obra que parte de uma realidade incontornável neste início de século XXI: vivemos numa sociedade global, a mais desafiadora de
sempre. Num cenário onde aumenta a competitividade, este livro traz reflexões, estratégias e tácticas
tão simples como eficazes. Numa abordagem clara, um alargado painel de personalidades “oferece”
ao leitor ferramentas operacionais de reflexão e acção, destinadas a potenciar desempenhos “atrevidos”, geradores de diferenciação pessoal e profissional. Abordagens que vão do marketing pessoal à
comunicação comercial e persuasão, passando pelos estilos de vida e tendências de consumo.
Entre as contribuições para este título estão as de Ronald Brodheim (Presidente do Grupo Brodheim),
António Ramalho (antigo Presidente do Conselho de Administração da UNICRE), José Quintã (Director
Geral da SONY Portugal), Maria Manuel Leitão Marques (Secretária de Estado da Modernização Administrativa) e Rui Azinhais
Nabeiro (Presidente do Grupo Nabeiro – Delta Cafés).
Autor: Vários | Ano: 2010 | Editora: Actual Editora | Nº de páginas: 284 | Preço: 21,00 €
Revista Comércio de Lisboa CL 29
Novembro.Dezembro.10
GABINETE
JURÍDICO
Luísa Maria Silva Carvalho,
Coordenadora do Gabinete Jurídico
CÓDIGO DOS REGIMES
CONTRIBUTIVOS
DO SISTEMA PREVIDENCIAL
DE SEGURANÇA SOCIAL
Entra em vigor no dia 01 de Janeiro de 2011
A Lei 110/2009, publicada em 16/9, aprova o Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança
Social, anexo à mesma que, inicialmente, entrava em vigor a
01/01/2010. Porém, em 30 de Dezembro de 2009, foi publicada
a Lei 119/2009 que altera o artigo 6º da citada Lei 110/2009.
Desta alteração resulta que este Código entra em vigor no dia 01
de Janeiro de 2011, e que as disposições constantes dos artigos
277.º a 281.º passam a ter como primeiro ano de referência, para
a entrada em vigor, o ano de 2011, adaptando-se consecutivamente aos anos seguintes.
O presente Código regula os regimes abrangidos pelo sistema
previdencial aplicáveis aos trabalhadores por conta de outrém ou
em situação legalmente equiparada, para efeitos de segurança
social, aos trabalhadores independentes, bem como o regime de
inscrição facultativa. Define o âmbito pessoal, o âmbito material,
a relação jurídica de vinculação e a relação jurídica contributiva
dos referidos regimes.
Regimes Contributivos do Sistema Previdencial: Regime geral
dos trabalhadores por conta de outrem; Regimes aplicáveis a
trabalhadores integrados em categorias ou situações específicas;
Regime aplicável às situações equiparadas a trabalho por conta
de outrem; Regime dos trabalhadores independentes; Regime de
seguro social voluntário.
Regime geral dos trabalhadores por conta de outrem - Trabalhadores abrangidos com carácter de obrigatoriedade: Os
trabalhadores que exercem actividade profissional remunerada
ao abrigo de contrato de trabalho nos termos do disposto no
Código do Trabalho; As pessoas singulares que em função das
características específicas da actividade exercida sejam, nos termos do presente Código, consideradas em situação equiparada à
dos trabalhadores por conta de outrem. Entidades empregadoras abrangidas: As pessoas singulares ou colectivas que beneficiem da actividade dos citados trabalhadores na qualidade de
entidades empregadoras, independentemente da sua natureza
e das finalidades que prossigam; As empresas de trabalho temporário são consideradas entidades empregadoras dos trabalhadores temporários. O fim não lucrativo das entidades empregadoras, qualquer que seja a sua natureza jurídica, não as exclui do
âmbito de aplicação do presente Código.
Integra a protecção nas eventualidades de doença, parentalidade, desemprego, doenças profissionais, invalidez, velhice
e morte, de acordo com o especificamente regulado para cada
eventualidade.
A base de incidência contributiva é a remuneração ilíquida
devida em função do exercício da actividade profissional ou
decorrente da cessação do contrato de trabalho nos termos do
presente Código. As Bases de incidência convencionais são
fixadas por referência ao valor do indexante dos apoios sociais
(IAS). (artº 45º)
Delimitação da base de incidência contributiva
- Para efeitos de delimitação da base de incidência contributiva
consideram-se remunerações as prestações pecuniárias ou em
espécie que nos termos do contrato de trabalho, das normas que
o regem ou dos usos são devidas pelas entidades empregadoras aos trabalhadores como contrapartida do seu trabalho. Integram a base de incidência contributiva, designadamente, as
30 CL Revista Comércio de Lisboa
seguintes prestações:
a) A remuneração base, em dinheiro ou em espécie; b) As
diuturnidades e outros valores estabelecidos em função da
antiguidade dos trabalhadores ao serviço da respectiva entidade
empregadora; c) As comissões, os bónus e outras prestações de natureza análoga; d) Os prémios de rendimento, de
produtividade, de assiduidade, de cobrança, de condução, de
economia e outros de natureza análoga que tenham carácter
de regularidade; e) A remuneração pela prestação de trabalho
suplementar; f) A remuneração por trabalho nocturno; g) A
remuneração correspondente ao período de férias a que o
trabalhador tenha direito; h) Os subsídios de Natal, de Férias,
de Páscoa e outros de natureza análoga; i) Os subsídios por
penosidade, perigo ou outras condições especiais de prestação de trabalho; j) Os subsídios de compensação por isenção
de horário de trabalho ou situações equiparadas; l) Os valores
dos subsídios de refeição, quer sejam atribuídos em dinheiro,
quer em títulos de refeição; m) Os subsídios de residência,
de renda de casa e outros de natureza análoga, que tenham
carácter de regularidade; n) Os valores atribuídos a título de
despesas de representação desde que se encontrem predeterminados; o) As gratificações, pelo valor total atribuído, devidas por força do contrato ou das normas que o regem, ainda que
a sua atribuição esteja condicionada aos bons serviços dos trabalhadores bem como as que revistam carácter de regularidade; p)
As importâncias atribuídas a título de ajudas de custo, abonos
de viagem, despesas de transporte e outras equivalentes; q)
Os abonos para falhas; r) Os montantes atribuídos aos trabalhadores a título de participação nos lucros da empresa, desde
que ao trabalhador não esteja assegurada pelo contrato uma remuneração certa, variável ou mista adequada ao seu trabalho; s)
As despesas resultantes da utilização pessoal pelo trabalhador de viatura automóvel que gere encargos para a entidade
empregadora; t) As despesas de transporte, pecuniárias ou
não, suportadas pela entidade empregadora para custear as
deslocações em benefício dos trabalhadores; u) Os valores
correspondentes às retribuições a cujo recebimento os trabalhadores não tenham direito em consequência de sanção disciplinar;
v) Compensação por cessação do contrato de trabalho por
acordo, nas situações com direito a prestações de desemprego;
x) Os valores despendidos obrigatória ou facultativamente pela
entidade empregadora com aplicações financeiras, a favor dos
trabalhadores, designadamente seguros do ramo «Vida», fundos de pensões e planos de poupança reforma ou quaisquer
regimes complementares de segurança social, quando sejam
objecto de resgate, adiantamento, remição ou qualquer outra
forma de antecipação de correspondente disponibilidade ou em
qualquer caso de recebimento de capital antes da data da passagem à situação de pensionista, ou fora dos condicionalismos
legalmente definidos; z) As importâncias auferidas pela utilização de automóvel próprio em serviço da entidade empregadora; aa) As prestações relacionadas com o desempenho obtido pela empresa quando, quer no respectivo título atributivo
quer pela sua atribuição regular e permanente, revistam carácter
estável independentemente da variabilidade do seu montante.
As prestações a que se referem as alíneas l), p), q), s), t), u),
v) e z) do número anterior estão sujeitas a incidência contributiva, nos mesmos termos previstos no Código do Imposto sobre
o Rendimento das Pessoas Singulares.
Novembro.Dezembro.10
Outras prestações base de incidência (artº 47º) Além das
prestações atrás citadas, todas as que sejam atribuídas ao
trabalhador, com carácter de regularidade, em dinheiro ou
em espécie, directa ou indirectamente como contrapartida da
prestação do trabalho quando ocorram os seguintes pressupostos:
a) A atribuição das mesmas se encontre prevista segundo critérios de objectividade, ainda que sujeita a condições;
b) Constituam um direito do trabalhador e este possa contar com
o seu recebimento independentemente da frequência da concessão.
Valores excluídos da base de incidência (artº 48º):
a) Os valores compensatórios pela não concessão de férias
ou de dias de folga; b) As importâncias atribuídas a título de
complemento de prestações do regime geral de segurança
social; c) Os subsídios concedidos a trabalhadores para compensação de encargos familiares, nomeadamente os relativos
à frequência de creches, jardins-de-infância, estabelecimentos de
educação, lares de idosos e outros serviços ou estabelecimentos de apoio social; d) Os subsídios eventuais destinados ao
pagamento de despesas com assistência médica e medicamentosa do trabalhador e seus familiares; e) Os valores
correspondentes a subsídios de férias, de Natal e outros análogos relativos a bases de incidência convencionais; f) Os valores das refeições tomadas pelos trabalhadores em refeitórios
das respectivas entidades empregadoras; g) As importâncias
atribuídas ao trabalhador a título de indemnização, por força
de declaração judicial da ilicitude do despedimento; h) A compensação por cessação do contrato de trabalho no caso de
despedimento colectivo, por extinção do posto de trabalho e por
inadaptação; i) A indemnização paga ao trabalhador pela cessação, antes de findo o prazo convencional do contrato de trabalho a prazo; j) As importâncias referentes ao desconto concedido aos trabalhadores na aquisição de acções da própria
entidade empregadora ou de sociedades dos grupos empresariais da entidade empregadora.
A taxa contributiva global do regime geral correspondente ao
elenco das eventualidades protegidas é de 34,75%, cabendo
23,75% à entidade empregadora e 11% ao trabalhador, sem
prejuízo do disposto no artigo 53º.
As taxas contributivas aplicáveis a categorias de trabalhadores
ou a situações específicas são fixadas por referência ao custo
de protecção social de cada uma das eventualidades garantidas,
tendo em conta as parcelas que compõem o custo previsto no
artigo 50.º (Princípio geral de adequação da taxa.)
Regimes aplicáveis a trabalhadores integrados em categorias
ou situações específicas
• Trabalhadores em regime de contrato de trabalho de muito
curta duração
São abrangidos pelo regime geral, com as especificidades previstas na presente subsecção, os trabalhadores em regime de contrato de trabalho de muito curta duração, nos termos do disposto
na legislação laboral. (artº 80º)
Constitui base de incidência contributiva a remuneração convencional calculada com base no número de horas de trabalho
prestado e na remuneração horária, que é calculada de acordo
com a seguinte fórmula: Rh = IAS × 12 / 52×40, em que Rh cor-
Novembro.Dezembro.10
Revista Comércio de Lisboa CL 31
responde ao valor da remuneração horária e o IAS ao valor do
indexante dos apoios sociais. (artº 82º)
A taxa contributiva relativa aos trabalhadores em regime de trabalho de muito curta duração é de 26,1% da responsabilidade
das entidades empregadoras. (83º)
do disposto na legislação laboral aplicável. (artº 92º)
A base de incidência contributiva corresponde à remuneração
base auferida pelo trabalhador no período de actividade e à compensação retributiva nos períodos de inactividade, sem prejuízo
do disposto no artigo 46.º. (artº 93º)
• Trabalhadores em situação de pré-reforma
São abrangidos pelo regime geral, com as especificidades previstas, os trabalhadores por conta de outrem com 55 ou mais
anos que nos termos estabelecidos na legislação laboral tenham
celebrado acordo de pré-reforma com as respectivas entidades
empregadoras. (84º nº 1)
A base de incidência
contributiva corresponde
ao valor da remuneração
que serviu de base ao cálculo da prestação de pré-reforma.
Relativamente aos trabalhadores em situação
de pré-reforma com o
âmbito de protecção previsto no n.º 1 do artigo
86.º é mantida a taxa
contributiva que lhe era
aplicada no momento da
passagem à situação de
pré-reforma.
A taxa contributiva relativa aos trabalhadores em situação de
pré-reforma com o âmbito de protecção previsto no n.º 2 do artigo 86.º é de 26,9%, sendo, respectivamente, de 18,3% e de
8,6% para as entidades empregadoras e para os trabalhadores.
À taxa contributiva a cargo das entidades empregadoras dos trabalhadores em situação de pré-reforma nos termos previstos no
n.º 2 do artigo 86.º não se aplica o disposto no artigo 55.º
• Incentivo à contratação de trabalhadores com deficiência
São abrangidos pelo regime geral, com as especificidades previstas, os trabalhadores com deficiência, devendo como tal ser
considerados os que possuam capacidade de trabalho inferior a
80% da capacidade normal exigida a um trabalhador não deficiente no mesmo posto de
trabalho. Para este efeito
apenas são abrangidos
os trabalhadores com
deficiência com contratos
de trabalho sem termo.
(108º)
A taxa contributiva relativa a trabalhadores com
deficiência é de 22,9%,
sendo, respectivamente,
de 11,9% e de 11% para
as entidades empregadoras e trabalhadores. À
taxa contributiva a cargo
das entidades empregadoras dos trabalhadores
com deficiência não se aplica o disposto no artigo 55.º (109º)
• Pensionistas em actividade
São abrangidos pelo regime geral, com as especificidades previstas, os pensionistas de invalidez e velhice de qualquer regime
de protecção social que cumulativamente exerçam actividade
profissional. (artº 89º)
Os pensionistas de invalidez têm direito à protecção nas eventualidades de parentalidade, doenças profissionais, invalidez, velhice
e morte. Os pensionistas de velhice têm direito à protecção nas
eventualidades de parentalidade, doenças profissionais, velhice
e morte.
A taxa contributiva relativa aos pensionistas de invalidez
é de 28,2%, sendo, respectivamente, de 19,3% e de 8,9%
para as entidades empregadoras e para os trabalhadores; e de
pensionistas de velhice é de 23,9%, sendo, respectivamente,
de 16,4% e de 7,5% para as entidades empregadoras e para os
trabalhadores.
À taxa contributiva a cargo das entidades empregadoras dos
pensionistas em actividade não se aplica o disposto no artigo
55.º (artº 91º)
• Trabalhadores em regime de trabalho intermitente
São abrangidos pelo regime geral, com as especificidades previstas, os trabalhadores com contrato de trabalho intermitente ou
em exercício intermitente da prestação de trabalho, nos termos
• Trabalhadores ao serviço de entidades empregadoras sem
fins lucrativos
As entidades empregadoras sem fins lucrativos têm direito à
redução da taxa contributiva global nos termos previstos. A taxa
contributiva relativa a trabalhadores de entidades sem fins lucrativos é determinada em função do âmbito material de protecção e pela dedução da percentagem imputada à parcela da
solidariedade laboral correspondente ao respectivo âmbito material. (artº110º) Consideram-se entidades sem fins lucrativos,
nomeadamente, as Associações de empregadores e respectivas
Uniões, Federações e Confederações; Entidades empregadoras
do pessoal do serviço doméstico e Condomínios de prédios urbanos. (artº111º)
A taxa contributiva relativa aos trabalhadores de entidades
sem fins lucrativos é, quando referente a todas as eventualidades,
de 33,3%, sendo, respectivamente, de 22,3% e de 11% para as
entidades empregadoras e para os trabalhadores. (artº 112º)
Ajustamento progressivo das taxas contributivas - A taxa
contributiva relativa aos trabalhadores das demais entidades sem
fins lucrativos é fixada para o ano de:
i) 2011 em 32% cabendo respectivamente 21% e 11% à entidade empregadora e ao trabalhador;
ii) 2012 em 32,4% cabendo respectivamente 21,4% e 11% à
entidade empregadora e ao trabalhador;
iii) 2013 em 32,8% cabendo respectivamente 21,8% e 11% à
entidade empregadora e ao trabalhador;
iv) 2014 em 33,3% cabendo respectivamente 22,3% e 11% à entidade empregadora e ao trabalhador; (artº 281º nº 1, alínea c).
•
/... (continua na próxima revista)
Revista Comércio de Lisboa CL 35
Novembro.Dezembro.10
GIP/GABINETES
UM SERVIÇO AO DISPOR DOS ASSOCIADOS GIP
Gabinete de Inserção Profissional
Rua Castilho, nº 14 – 1269-076 Lisboa
› Tel: 21 351 56 10 › Fax: 21 352 09 07
› Internet: www.uacs.pt
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
2ª a 6ª feira das 14h00 às 18h00
Contacto: Milena Campante › e-mail: [email protected]
Através deste Gabinete, o Empresário pode usufruir de um serviço gratuito de recrutamento e selecção de colaboradores.
Para tal deverá apresentar ao GIP o seu pedido, definindo o perfil
do candidato a recrutar e as condições que oferece.
O gabinete encarregar-se-á de procurar e entrevistar os candidatos, encaminhando para a empresa apenas aqueles cujo perfil
vá ao encontro dos requisitos exigidos.
OBJECTIVOS DO GIP
›A
poiar jovens e adultos desempregados na definição ou desenvolvimento do seu percurso de inserção ou reinserção no
mercado de trabalho.
ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS
› Informação profissional para jovens e adultos desempregados;
› Apoio à procura activa de emprego;
› Acompanhamento personalizado dos desempregados em fase
de inserção ou reinserção profissional;
› Captação de ofertas junto de entidades empregadoras;
› Divulgação de ofertas de emprego e actividades de colocação;
› Encaminhamento para ofertas de qualificação;
› Divulgação e encaminhamento para medidas de apoio ao emprego, qualificação e empreendedorismo;
› Divulgação de programas comunitários que promovam a mobilidade no emprego e na formação profissional no espaço
europeu;
› Motivação e apoio à participação em ocupações temporárias
ou actividades em regime de voluntariado, que facilitem a inserção no mercado de trabalho;
› Controlo de apresentação periódica dos beneficiários das
prestações de desemprego;
› Outras actividades consideradas necessárias aos desempregados inscritos nos centros de emprego.
UACS SERVIÇOS
A UACS através das suas quinze Associações, Serviços e Gabinetes Técnicos, procura dar resposta às suas questões,
tendo por objectivo o desenvolvimento do comércio e dos serviços.
Gabinete UNIVA UACS
Prestação de Serviços de Recrutamento e selecção de colaboradores; Acolhimento, informação, inserção profissional de
jovens e adultos à procura de emprego.
Gabinete Jurídico
Consultas nas áreas de: Consultadoria, Atendimento Pessoal
dos Associados; Áreas Temáticas: Direito do Trabalho, Comercial, Obrigações, Arrendamento, Consumo, Contra - Ordenacional, etc; Disponibilização de Informação. Instruções de Processos Disciplinares; Avaliações Fiscais de Renda; Reclamações;
Elaboração de minutas de contratos e outros; Períodos de
funcionamento de estabelecimentos comerciais.
Gabinete do Associativismo
Apoio ao Associado.
Gabinete Económico-Financeiro
boradores, ao abrigo da Legislação em vigor, com uma vasta
gama de modalidades de meios auxiliares de diagnóstico para
uma melhor avaliação médica.
Consultas de Clínica Geral e obtenção de receituários e meios
auxiliares de diagnósticos dos Serviços Médicos-Sociais.
Gabinete Arquitectura, Decoração e Obras
Consultas nestas áreas.
Feiras
Informação sobre feiras nacionais e internacionais.
Formação Profissional
Nas áreas de: Atendimento e Venda; Informática; Marketing;
Línguas; Secretariado; Vitrinismo; Área Alimentar.
Gabinete Contabilidade - Fiscalidade
Consultas nas áreas de: Contabilidade, Fiscalidade.
Consultas nas áreas de: Projecto de Candidatura a Programas
Comunitários; Informação protocolos; BES, TOTTA, EMEL.
Gabinete Qualidade
Gabinete de Medicina do Trabalho/Medicina Curativa
Aluguer de Sala
Consultas nessa área. Equipas constituídas por médicos especializados em Medicina do Trabalho, para Associados e cola-
Consultas nas áreas de: Certificação da Qualidade.
Para os mais variados eventos: Formação Profissional,
Conferências, escritórios, Seminários, etc.
A União de Associações do Comércio e Serviços representa a dinâmica no Comércio e Serviços. Se ainda não é associado convidamo-lo a fazer parte da
UACS, seja mais um elemento de força, para a defesa da sua actividade. Para mais informações contacte-nos pelo Telef: 213 515 610 • E-mail: [email protected]
34 CL Revista Comércio de Lisboa
GABINETE
CONTABILIDADE
João Colaço
O que o “Mercado”
ambiciona, salvo
melhor opinião, é que
o “consumidor” nasça,
viva e morra dentro
dos centros comerciais,
obtendo, assim, o
máximo dos proveitos.
Novembro.Dezembro.10
A escalada continua
E quando pensávamos que o pior já tinha
passado, após se ter conseguido a viabilização do Orçamento de Estado para 2011,
através do compromisso assumido publicamente pelo PSD de se abster na sua votação,
pelo que, embora toda a restante oposição
vote contra, serão suficientes os votos do
grupo parlamentar do PS para o aprovar, as
taxas de juro dos financiamentos externos
a que o Governo Português se socorre não
têm cessado de subir. É agora afirmado por
inúmeros analistas que o que está em causa
já não será o Orçamento de Estado em si
mas a real capacidade de o Governo o conseguir implementar em toda a sua plenitude.
Não sabemos, muito sinceramente, o que
mais nos espanta. Se a “miopia” demonstrada pelo Governo nos últimos dois anos,
em que aparentemente tudo corria de feição
e não eram tomadas quaisquer medidas de
restrições orçamentais, e, de repente, o céu
tombou-nos sobre a cabeça obrigando-nos
a comer o pão que o diabo amassou, ou a
hipocrisia dos mercados, os quais, por despudorada ganância, permitiram a especulação
mais desenfreada e obrigaram os governos
dos mais diversos países a intervirem e a injectarem, para o que tiveram de se endividar,
centenas de milhar de milhões de euros para
salvar as sacrossantas instituições de crédito
e sociedades financeiras que foram a causa
dos males que ainda hoje nos atormentam.
Mas o nosso espanto é ainda maior ao verificarmos que estas hecatombes não nos têm
servido de exemplo. O que se discute, nos
grandes areópagos internacionais, não é
como obrigar os beneficiários da autêntica
extorsão de que todos fomos e continuamos
a ser vítimas, a repor a situação anterior à
crise, mas sim como podem ser criados mecanismos que possam minorar, no futuro,
novos ataques especulativos dos “denominados” mercados.
Estamos crentes que esta é
a prova provada de que os
políticos, eleitos pelos respectivos povos, e que
utilizam essa mesma argumentação de que têm
toda a legitimidade para
governar porque foram
quem recebeu essa incumbência através do
voto dos seus concidadãos,
não passam, por muito que
tal lhes fira o orgulho, de meros testas de ferro dos grandes
especuladores que se intitulam de “mercados”...
Pensamos que o mesmo ocorre em Portugal, à devida escala, como não pode deixar
de ser, com o que se passa com o comércio. Os especuladores, agindo em nome do
sacrossanto mercado, investem centenas de
milhões de euros em mega centros comerciais, argumentando que o paradigma do
comércio mudou e que é este o tipo de comércio que os consumidores preferem, para
além de que são criados milhares de novos
postos de trabalho. E os governantes são
levados nesta onda eufórica sem se aperceberem que são mais os postos de trabalho
destruídos do que aqueles que são criados.
Há já dezenas de anos que se torna imprescindível um estudo profundo que equacione
as normas de desenvolvimento harmónico
que os novos espaços habitacionais devem
ter em conta, desde o espaço físico das escolas, dos espaços verdes, do comércio, da
indústria e dos espaços culturais. Mas os
“Mercados” apontam que o ideal é a concentração num único espaço de quase todas estas vertentes, só lá faltam (por enquanto?...)
as maternidades, as escolas e, por trágica
ironia, as agências funerárias...
O que o “Mercado” ambiciona, salvo melhor
opinião, é que o “consumidor” nasça, viva e
morra dentro dos centros comerciais, obtendo, assim, o máximo dos proveitos.
Não será chegado o tempo, Prezados
Leitores, de cada um de nós gritar, Basta?
Não será chegado o tempo de exigir aos
políticos que cumpram a missão para que
foram eleitos e que é a defesa dos cidadãos,
nomeadamente face à oligarquia dos mercados financeiros?
•
Revista Comércio de Lisboa CL 33
Novembro.Dezembro.10
GABINETE
ECONÓMICO-FINANCEIRO
MODCOM
NOVO PERÍODO
DE CANDIDATURAS
Milena Campante
Despacho nº 17440-A/2010 de 19 de Novembro de 2010 de Agosto
A 5ª fase de selecção (regulamentada através do despacho
n.º 27915-C/2009, de 29 de Dezembro, publicado no Diário da
República, 2.ª série, n.º 252, de 31 de Dezembro) dos projectos
MODCOM registou um elevado número de candidaturas, tendo-se
excedido a dotação orçamental prevista.
Por este motivo foi aberta uma nova fase do MODCOM (6ª fase)
destinada única e exclusivamente aos projectos que apesar de
terem sido considerados elegíveis não puderam ser apoiados
(Candidaturas Elegíveis Não Apoiadas).
Esta fase está aberta desde o dia 22 de Novembro (a partir das
12h) até ao dia 3 de Janeiro de 2011 (até às 24h).
Poderão candidatar-se a esta nova fase as empresas que cumprirem as seguintes condições:
• As entidades beneficiárias que apresentaram candidaturas à 5ª
fase e tendo as mesmas sido consideradas Elegíveis não apoiadas. A pontuação final destas candidaturas deverá ser igual ou
superior a 47 pontos e à data da entrega da declaração que inclui
os comprovativos do cumprimento das condições de acesso dos
projectos, possuam uma execução não superior a 40% do investimento total com exclusão do fundo de maneio.
• As novas candidaturas a apresentar na presente fase, que têm de
integrar os mesmos projectos que foram apresentados na fase de
selecção que decorreu no início de 2010 (5ª fase).
• A data de candidatura é a da apresentação do projecto na 5ª fase
do MODCOM, sendo esta a data aplicável, quando referida, para
cumprimento das condições de acesso dos promotores e dos projectos.
• A declaração e os respectivos anexos serão entregues em formato electrónico através da Consola do Cliente que está no site
do IAPMEI.
• A dotação orçamental para esta fase é de 10.000.000 €, repartida da seguinte forma:
- Acção A – 7.500.000 €
- Acção B – 500.000 €
- Acção C – 2.000.000 €.
• As decisões de concessão de incentivos são publicadas no site IAPMEI e da DGAE no dia 12 de Fevereiro de 2011. A partir desta data
iniciam-se os prazos para a comprovação das condições de acesso
e para a celebração dos contratos de concessão de incentivos dos
projectos que venham a ser considerados elegíveis seleccionados.
Para mais informações contacte o Gabinete Económico e Financeiro da UACS ou os sites:
www.uacs.pt • www.iapmei.pt • www.dgae.min-economia.pt
Se é nosso associado e ainda não tem o Serviço de Medicina do Trabalho na sua empresa adira já
Lembramos a obrigatoriedade que as Empresas e Empresários do Comércio e Serviços tem de cumprir a Legislação em vigor
no que se refere à Prevenção de Riscos Profissionais, Medicina do Trabalho e Higiene e Segurança
FICHA PROVISÓRIA DE ADESÃO
UACS - MEDICINA DO TRABALHO ;DJ?:7:;9;HJ?<?97:7;7KJEH?P7:7F;B7ACT#7kjeh_ZWZ[fWhWWi9edZ_‚[iZeJhWXWb^e
Empresa
NPC
Associado n.º
CAE
Nº Seg. Social
Morada (Sede)
Cód. Postal
-
Tel
Fax
Tel
Fax
Tel
Fax
Morada (Correspondência)
Cód. Postal
-
Morada (Estabelecimento)
Cód. Postal
-
Nome completo do(a) Gerente que vai outorgar o Contrato de Adesão
N.º de empregados (incluindo Sócios - Gerentes)
Pretendemos aderir ao serviço de:
N.º de estabelecimentos
E-mail
Medicina do trabalho
Na(s) modalidade(s):
Mod. 0
Mod. 1
Mod. 2
Obs.: a definir sempre na altura da marcação das consultas, admitindo-se uma pluralidade de modalidades.
Se desejar celebrar um contrato de prestação de serviços na área de Higiene e Segurança com a empresa com a qual a UACS tem protocolo,
preencha o campo em baixo;
STA - HIGIENE E SEGURANÇA DO TRABALHO
Higiene e Segurança do Trabalho
STA - Medicina Trabalho (Resto do País)
Higiene e Segurança (Distrito Lisboa e Resto do País)
Data
Assinatura Carimbo
32 CL Revista Comércio de Lisboa
FORMAÇÃO
UACS
Entidade Certificada
Novembro.Dezembro.10
FORMAÇÃO À MEDIDA
O Departamento de Formação da UACS realiza o
diagnóstico de necessidades de formação da sua
empresa e apresenta um projecto de formação à
medida de acordo com os seus objectivos.
No terreno, a equipa de Consultores/Formadores
habilitados, aplica metodologia baseada em casos
reais e fomenta a cooperação entre os diferentes
parceiros no projecto, envolvendo as hierarquias.
FORMAÇÃO GRATUITA MODULAR CERTIFICADA UACS
DESTINATÁRIOS: As habilitações mínimas para os cursos de nível II são o 6º ano e para o nível III são o 9º ano de escolaridade. As inscrições dos licenciados estão limitadas a 10% do total de inscrições
por curso. Com subsídio de refeição no valor de 4,27€/dia, nos termos do Artigo 12 do despacho normativo nº 4-A/2008 de 24 Janeiro.
INFORMAÇÕES: Graça Carvalho • e-mail: [email protected] • Telefone: 21 351 56 10 - Fax: 21 352 09 07
ÁREA
CURSO
Duração
INFORMÁTICA MS OFFICE 2007
Processador de Texto - Nível 3
50H
Folha de Cálculo - Nível 3
50H
Criação de Páginas na Web - Nível 3
25H
SECRETARIADO
Recursos Humanos - Proc. Recrut. Selecção - Nível 3
25H
Legislação Laboral - Nível 3
25H
ALIMENTAR
Higiene e Segurança Alimentar - Nível 2
25H
COMÉRCIO
VITRINISMO - Espaço de Intervenção - Áreas de Exposição, Produtos e Público-Alvo - Nível 3
50H
VITRINISMO - Tecnologia dos Materiais - Cartões, Papeis, Pasta de Papel e Tecidos - Nível 3
50H
Comércio Electrónico - E-business - Nível 3
25H
Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho – Nível 2
25H
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