Proposta N° 7041 Situação do APC: Em revisão pelo autor Autor: DANIELE ANDREA JANOWSKI Estabelecimento: NICOLAU COPÉRNICO, C E - E FUND MÉDIO Ensino: E F 5/8 SERIE Disciplina: EDUCACAO FÍSICA Conteúdo: GINÁSTICA Cor do conteúdo: AZUL 1. Paraná Título: Escolas combatem obesidade no Paraná Texto: A atitude tomada pelo Governo do Estado do Paraná em relação a venda de alimentos nas cantinas escolares foi uma medida importante para restringir o consumo de produtos com pouco valor nutricional e alto teor de gorduras. Esta ação deve ter continuidade na ação educativa dos professores mostrando aos alunos a importância de uma alimentação balanceada e rica em nutrientes para a saúde. O texto na íntegra encontrase em anexo. (anexo) Hora do recreio. A criançada se aglomera em volta da cantina à procura das mais variadas guloseimas. Doces, salgadinhos, sorvetes e refrigerantes estão entre as preferidas dos alunos. A cena que imaginamos acima pode ser vista na maioria das escolas brasileiras, menos nas situadas no estado do Paraná. Isso porque, no último mês de junho, o governo paranaense criou uma lei que proíbe a venda de alimentos com alto valor calórico e baixo valor nutricional nos estabelecimentos de ensino do estado, tanto públicos quanto particulares. A medida causou muita polêmica entre os estudantes. A maioria se mostrou inconformada com o fato de não ter mais à disposição, nas prateleiras das cantinas, doces e salgadinhos. “Não gostei muito disso, pois sempre costumo comprar uns docinhos na hora do intervalo”, conta Bruno de Oliveira, aluno da 6.ª série do Colégio Paranaense, de Curitiba. “Quando a cantina do colégio não vender mais doces, vou comprar na banquinha da frente”, planeja. Segundo o governo, o principal objetivo da nova lei é fazer com que os estudantes comam alimentos mais saudáveis, como sanduíches e sucos naturais, em vez de guloseimas ricas em calorias. As escolas têm até o final deste ano para se adequarem à nova regulamentação. “Sério? Não acredito!”. Essa foi a reação da aluna Juliana Valdivieso, do Grupo Escolar D. Pedro II, ao tomar conhecimento do fim da venda de guloseimas nas cantinas das escolas. Acostumada a fazer “uma boquinha” na hora do recreio, a estudante, que está na 5.ª série, além de ter ficado surpresa, lamenta a atitude. “É uma pena. Tudo o que eu mais gosto de comer eles vão proibir”, conta, referindo-se aos salgadinhos, refrigerantes e balas. O aluno Matheus Sales Pereira Neto, do Colégio Pinheiro do Paraná, também se mostrou contrariado. “Quem são eles para dizer o que eu devo ou não comer? Acho que cada um tem o direito de comer o que quiser”, diz. Desaprovações à parte, o Ministério Público informou que, depois que estiver esgotado o prazo de 180 dias para as instituições se adaptarem à nova lei, serão feitas visitas aos colégios do estado para ver se eles estão cumprindo-a. Apesar de a maioria dos alunos ter ficado frustrada com a medida, alguns simpatizaram com a idéia. “Achei uma boa atitude, pois hoje em dia não temos muitas opções de alimentos saudáveis na cantina, como sanduíches naturais e suco de frutas. E os alunos que não gostam muito de salgadinhos e doces não vão mais precisar trazer lanche de casa”, afirma Elisa Dinelli, aluna da 6.ª série do Colégio Paranaense, uma das poucas a concordar com a proposta do governo. Segundo a nutricionista Sheyla Santos Quelle Alonso, a principal medida que o estado deveria tomar é conscientizar as crianças sobre a importância de terem uma alimentação saudável. “Acho importante e válida esse tipo de ação; entretanto, deveria haver também um trabalho de educação e orientação para que as crianças soubessem o porquê dessas restrições. O caminho não é a proibição, mas, sim, a educação”, ressalta. Já para a professora e nutricionista Isa de Pádua Cintra, a nova lei é apenas um começo. Ela afirma que o papel dos pais na alimentação dos filhos é outro fator que deve ser levado em conta. “Essa medida tomada pelo governo do Paraná é positiva, mas não é só isso o que deve ser feito. Acredito que esse é apenas um passo, pois ainda há muito a se fazer, a começar pelos pais, que devem prestar mais atenção na alimentação dos filhos. Muitas vezes são eles que preparam o lanche das crianças, e o que se vê dentro da lancheira? Doces e salgadinhos. Acho que a mudança deve começar por aí”, opina. http://www.educacional.com.br/reportagens/obesidade/obesidade_parana.asp acesso em 20/11/2007. 2. Problematização do Conteúdo Chamada para a Problematização: A mudança de hábitos de vida dos alunos através das atividades físicas, da ginástica e dos cuidados com o corpo para a manutenção da saúde. Texto: Quando nos encontramos frente a frente com os alunos objetivando a construção de conhecimentos e saberes, na efetivação da prática educacional relativa a disciplina, surge a confrontação operacional entre teoria e prática. É onde nos damos conta de que algumas metodologias ou instrumentos utilizados apresentam ou não os resultados que consideramos satisfatórios. Entramos não mais no terreno das abstrações teóricas, mas no momento real de “ser professor”, momento no qual são apresentadas as variáveis que irão influenciar diretamente no trabalho discente, as características de cada turma, de cada escola ou da sociedade, as particularidades de cada professor, um ser humano com virtudes e defeitos e com uma singularidade definida que o faz ser e fazer segundo seus próprios afetos e capacidades. Entre as finalidades mais autênticas e legítimas da Educação Física e sua realização na prática, onde seu profissional se coloca face a face – ou corpo a corpo – diante daqueles que estão sob sua orientação, é que se interpõem as barreiras que precisam ser vencidas. (MEDINA.1985, p.8) Ocorre então dentro desta relação professor x alunos o ambiente da aprendizagem, mais ou menos ideal, porém, sempre único e impossível de ser reproduzido em outro contexto. Para a implementação de formas de trabalho que priorizem os alunos, que os levem a entender o corpo e a compreender suas necessidades e seus anseios, devemos primeiramente vê-los com novos olhos e interpretá-los de acordo com suas singularidades. Melhorar a qualidade de vida dos alunos refere-se a fatores individuais e a tomada de uma postura crítica em relação as suas condições de vida e seus meios de subsistência. Devemos estar atentos para fatores sociais que determinam, muitas vezes, condições precárias e falta de condições básicas de saúde como moradia, alimentação, assistência médica e demais fatores preponderantes para o bem estar humano, porém podemos sim trabalhar com os conhecimentos pertinentes a nossa área na busca de cidadãos críticos e conscientes da importância da prática da atividade física, da importância da saúde e de uma busca constante por viver cada vez melhor. A problematização requer que seja feita a averiguação acerca de quais atividades e com que freqüência os alunos praticam atividades físicas, seja na escola ou em atividades cotidianas e, como apresenta-se o conhecimento destes alunos frente a atividade física relacionada a saúde. Este trabalho busca modos de interferir positivamente no desenvolvimento das aulas de Educação Física levando conhecimentos e estimulando à prática de atividades físicas prazerosas e com significação aos alunos. Não podemos desvincular do tema das diversas interferências sociais como a saúde individual, mas podemos sinalizar algumas atitudes que podem atenuar e corroborar para a manutenção da saúde e do bem-estar de nossos alunos. BIBLIOGRAFIA MEDINA, João Paulo S. A Educação Física cuida do corpo e “mente”. 4ª ed. Campinas: Papirus, 1985. 96 p. 3. Sugestão de Leitura 3.1. Categoria: Revista Científica Sobrenome: GONÇALVES Nome: Aguinaldo Sobrenome Autor: PIRES Nome Autor: Giovani De Lorenzi Título do artigo: Educação Física e saúde Título da revista: Motriz Local da Publicação Volume ou tomo: 5 Fascículo: 1 Página inicial:15 Página final:17 Disponível em (endereço WEB): http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/revista.htm Data de Publicação (mês.ano): Junho/1999 Comentários: O artigo sinaliza que “não é ativo quem quer, mas quem consegue” suscitando uma discussão bastante interessante que permeia o texto e na qual procuram relacionar a saúde com a sociedade. Citam exemplos de como sugestões de atividades como do projeto “mexase”ocasionaram uma conhecida epidemia de doença articular do joelho. Neste trabalho encontramos boas reflexões e ponderações sobre o tema Educação Física e saúde. 3.2. Categoria: Revista Científica Sobrenome: GUEDES Nome: D. P. Título do artigo: Educação para a saúde mediante programas de Educação Física escolar Título da revista: Motriz Local da Publicação Volume ou tomo: 5 Fascículo: 1 Página inicial: Página final: Disponível em (endereço WEB): http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/revista.htm Data de Publicação (mês.ano): Junho/1999 Comentários: O artigo discute a Educação Física escolar como componente curricular e a formação do professor da disciplina. Cita a importância da preocupação dos profissionais com a aquisição e manutenção da saúde, mas somente através de exercícios físicos. Enfatiza a formação através de conteúdos e conhecimentos que estimulem um estilo de vida permanentemente ativo e para que façam parte do seu cotidiano ao longo de toda a sua vida. 3.3. Categoria: Revista Científica Sobrenome:NAHAS Nome:Markus V Sobrenome Autor:BEM Nome Autor: Maria H.L. Título do artigo: Perspectivas e tendências da relação teoria e prática na Educação Física Título da revista: Motriz Local da Publicação Volume ou tomo:3 Fascículo: Página inicial: Página final: Disponível em (endereço WEB): http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/revista.htm Data de Publicação (mês.ano): Dezembro/1997 Comentários: Analisa as perspectivas e tendências em foco na contemporaneidade. Coloca a corporeidade como um fator central para a qualidade de vida mesmo que no sentido mais espiritual do que na corporeidade vivenciada. Fala de uma formação técnica mais crítica e reflexiva. Os autores entendem que a Educação Física brasileira está em crise e isso pode tanto significar perigo como oportunidade. Discutem a relação teoria/prática e estabelecem três concepções e abordagens em torno do tema. 4. Imagens Comentários e outras sugestões de Imagens: A imagem demonstra a mudança de hábitos motores pela inatividade física transformando e moldando os corpos. *A imagem acima foi enviada para devida validação pela equipe do Portal dia-a-dia educação sob o número 1979. 5. Sítio 5.1. Título do Sítio: Saúde Total Disponível em (endereço web): http://www.saudeparavoce.com.br/artigos/atividadefisica/default.asp Acessado em (mês.ano): Novembro/2007 Comentários: Neste site encontram-se artigos relativos a ginástica, exercícios físicos, alimentação e qualidades físicas, bem como dicas de saúde. 5.2. Título do Sítio: Scielo Disponível em (endereço web): http://www.scielo.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/ Acessado em (mês.ano): Outubro/2007 Comentários: O scielo é um site muito respeitado no meio acadêmico e com conteúdos científicos excelentes. Nele estão ótimos textos relevantes a atividade física, saúde, corporalidade, sexualidade e outros temas relativos a Educação, Educação Física e demais áreas. 5.3. Título do Sítio: educacaofisica.org Disponível em (endereço web): http://educacaofisica.org/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=152&Ite mid=2 Acessado em (mês.ano): Outubro/2007 Comentários: O site traz notícias e publicações pertinentes a educação física, saúde e atividade física. Atualmente existe nele um artigo com o título "Educação Física Escolar na Perspectiva da Promoção da Saúde: Um Estudo de Revisão", de autoria de Mauro V.G. de BARROS, Fernando José de P. CUNHA, Agostinho G.da SILVA JÚNIOR, muito interessante. Uma notícia cita que o Brasil é campeão mundial em consumo de remédios para emagrecer. O site também possui textos muito bons sobre temas variados dentro da Educação Física. 5.4. Título do Sítio: GEPEMENE Disponível em (endereço web): http://www.uel.br/grupo- pesquisa/gepemene/conteudo.asp?Area=LinhasDePesquisa&Id=2 Acessado em (mês.ano): Outubro/2007 Comentários: O site é de um grupo de pesquisa da Universidade Estadual de Londrina - UEL no qual é possível acessar várias produções na área de Educação Física. Este site traz subsídios e informações interessantes sobre temas relevantes a Educação Física Escolar. 6. Sons e Vídeos Categoria: Vídeo Título: Atividades Físicas Direção: Ministério da Saúde Produtora: Ministério da Saúde Duração (hh:mm): 00:13 Local da Publicação: TV ESCOLA Ano: Disponível em (endereço web): Comentário: O programa faz parte da série Viva Legal, ensino fundamental. Traz dicas sobre atividade física na prevenção de doenças, alimentação, combate ao sedentarismo, como e porquê da atividade física indicando como nossas decisões e escolhas permeiam a nossa saúde e bem-estar. É um vídeo interessante para o início da abordagem do tema Educação Física e saúde. Disponível no acervo de: Cinemateca 7. Notícias Categoria: Revista on-line Sobrenome: BUZZACHERA Nome: Cosme Franklim Sobrenome Autor: ELSANGEDY Nome Autor: Hassan Mohamed Sobrenome Autor: KRINSKI Nome Autor: Kleverton *Título da Notícia/Artigo: Excesso de adiposidade corporal e tempo de televisão/games em escolares da rede municipal-Curitiba *Nome da revista: Efdeportes.com/ Revista Digital Disponível em (endereço WEB): http://www.efdeportes.com/ *Acessado em (mês.ano): Novembro/2007 Comentários: O artigo traça um paralelo entre o tempo gasto em frente a TV e games e os estados nutricionais de normalidade, pré-obesidade e obesidade entre escolares de 11 a 14 anos pertencentes à rede Municipal de Curitiba-PR. A pesquisa revela que os mais obesos são os que ficam mais tempo em inatividade. Faça a leitura completa do artigo no anexo. (anexo) Excesso de adiposidade corporal e tempo de televisão/games em escolares da rede municipal de ensino da cidade de Curitiba - PR Centro de Pesquisa em Exercício e Esporte. Universidade Federal do Paraná. Curitiba, Paraná. (Brasil) Cosme Franklim Buzzachera Daniele Cristina Vitorino | Hassan Mohamed Elsangedy Kleverton Krinski | Sergio Gregorio da Silva [email protected] Resumo O objetivo do presente estudo foi descrever o tempo gasto em frente à TV/games relativo aos estados nutricionais de normalidade, préobesidade e obesidade em escolares pertencentes à rede municipal de ensino da cidade de Curitiba - PR. Participaram do estudo 311 escolares (sexo masculino, n=135; sexo feminino, n=176) com idade entre 11 e 14 anos. Os estados nutricionais de normalidade, préobesidade e obesidade foram determinados conforme os pontos de corte estabelecidos por Cole et al. (2000). O tempo de TV/games médio foi determinado através do método de auto-recordatório. Para a análise estatística utilizaram-se medidas de tendência central, variabilidade e freqüência relativa. O estado nutricional de pré-obesidade foi mais elevado em todas as idades no sexo feminino quando comparado ao sexo masculino, exceto aos 12 anos. Em relação ao excesso de adiposidade corporal, valores elevados foram encontrados aos 11 anos nas meninas (27%) e aos 14 anos nos meninos (22,9%). Além disso, verificou-se que indivíduos obesos tendem a passar mais tempo em frente a TV/games quando comparado à indivíduos não-obesos, independente do sexo. Desse modo, sugere-se que programas de saúde publica preconizem o incentivo a prática de hábitos saudáveis entre os escolares, desencorajando a manutenção de um estilo de vida sedentário, contribuindo assim para a redução dos elevados valores de adiposidade corporal observados. Unitermos: Inatividade física. Obesidade. Crianças. Abstract The purpose of this study was to describe the time watching TV/games relative to nutritional states (normality, pre-obesity and obesity) within a sample of students in public schools of Curitiba - Parana. The sample was constituted by 311 students of public schools (boys, n=135; and girls, n=176), with age between 11-14 years. The nutritional states of pre-obesity and obesity were determined in according to cutoff points proposed by The International Obesity Task Force (Cole et al., 2000). The amount of time spent watching TV/games were obtained by self-recorded method. The statistical analysis used measures of central tendency, variability and relative frequency. The nutritional status of pre-obesity was higher between girls when compared to boys, exception to the 12-years-old. In relation to excessive body adiposity, the elevated values were verified in the ages of 13 years in girls (27%) and 14 years in boys (22.9%). Moreover, independently of it gender, was observed that obese individuals remained a higher time watching TV/games when compared to non-obese individuals. Therefore, the inclusion of health public programs on scholar ambient is recommended, with a purpose of education above health habits between students, avoiding the sedentary life-styles, thus contributing to reduction of elevated values of body adiposity. Keywords: Physical inactivity. Obesity. Children. Introdução Um elevado aumento na prevalência de pré-obesidade e obesidade infanto-juvenil tem sido observado em diversos países desenvolvidos (Troiano et al., 1995; Reilly e Dorosty, 1999) e em desenvolvimento (Wang et al., 2002; Galal e Hulett, 2005) nas últimas décadas. De acordo com Wang et al. (2002), uma elevação na prevalência de pré-obesidade (4,1% para 13,9%) em crianças brasileiras foi verificada entre os anos de 1975 e 1992. Esse processo de transição nutricional poderia ser devido às inúmeras modificações temporais ocorridas nos padrões alimentares e/ou comportamentais, resultando em um aumento na prevalência de hábitos sedentários entre os jovens, e consequentemente contribuindo para uma elevação no risco para diversas doenças na idade adulta (Mijailovic et al., 2001; Field et al., 2005). O enorme tempo gasto em frente da televisão em jogos eletrônicos (ou games) têm sido considerado um dos principais hábitos sedentários associados aos estados nutricionais de préobesidade e obesidade infanto-juvenil, devido prioritariamente à sua baixa demanda energética e elevada exposição a produtos industrializados (Brown, 2006). Em estudo conduzido por Janssen et al. (2004), envolvendo 5890 crianças canadenses com idade entre 11-16 anos, verificou-se uma associação direta entre IMC e tempo diário gasto em frente à televisão/games. Ainda, uma relação inversa entre IMC e tempo diário gasto na realização de atividade física foi observada. Nesse contexto, recentes posicionamentos oficiais de instituições de saúde pública ligadas ao cuidado de crianças e adolescentes tem indicado a diminuição no tempo diário gasto em frente da televisão/games como um meio fundamental para a redução da elevada prevalência de excessiva adiposidade corporal verificada na população jovem (AAP, 1999; US Preventive Services Task Force, 2006). Apesar disso, poucos estudos nacionais buscaram investigar o tempo diário gasto nessas atividades em crianças e adolescentes brasileiras (Fonseca et al., 1998). Desse modo, o objetivo do presente estudo foi descrever o tempo gasto em frente à TV/games relativo aos estados nutricionais de normalidade, pré-obesidade e obesidade em escolares pertencentes à rede municipal de ensino da cidade de Curitiba - PR. Procedimentos metodológicos O presente estudo adotou delineamento de pesquisa observacional transversal, descritivo, sendo desenvolvido na cidade de Curitiba - Paraná. A amostra foi composta por 311 escolares (sexo masculino, n=135; sexo feminino, n=176) com idade entre 11 e 14 anos, pertencentes à rede municipal de ensino. As variáveis antropométricas massa corporal (MC, em kg; balança marca Tanita, modelo 2204, precisão de 0,1 kg), estatura (EST, em cm; estadiômetro marca Sanny, modelo Standard, precisão de 0,1cm) e índice de massa corporal (IMC, em kg/m2) foram obtidas conforme procedimentos propostos por Crawford (1996). Para a determinação dos estados nutricionais de normalidade, pré-obesidade e obesidade, os pontos de corte de IMC propostos por Cole et al. (2000) foram utilizados. O tempo diário gasto em frente à TV/games foi determinado através do método auto-recordatório, mediante emprego de questionário estruturado, conduzido por um pesquisador previamente treinado. Para a análise estatística, utilizaram-se medidas de tendência central e variabilidade, como também de freqüência relativa na determinação dos estados nutricionais. Todos os procedimentos foram determinados mediante emprego do software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, versão 13.0) for Windows. Discussão de resultados O excesso de adiposidade corporal entre crianças e adolescentes tem sido considerado um importante problema de saúde pública global (AAP, 1999), pois envolve tanto países desenvolvidos (Troiano et al., 1995; Reilly e Dorosty, 1999) como também aqueles em desenvolvimento (Wang et al., 2002; Galal e Hulett, 2005). As rápidas modificações ocorridas nos padrões nutricionais e comportamentais na população jovem nas últimas décadas poderiam ter exacerbado esse problema, contribuindo para a sedimentação de inúmeros hábitos sedentários decorrentes das facilidades proporcionadas a sociedade hodierna. Apesar de considerado um dos principais hábitos sedentários contribuintes para a ocorrência de novos casos de pré-obesidade entre crianças e adolescentes, o tempo diário gasto em frente à televisão e jogos eletrônicos (games) tem sido pouco estudado nos jovens brasileiros. Desse modo, o presente estudo buscou descrever o tempo gasto em frente à TV/games relativo aos estados nutricionais de normalidade, pré-obesidade e obesidade em escolares pertencentes à rede municipal de ensino da cidade de Curitiba - PR. O estado nutricional de pré-obesidade foi mais prevalente em todas as idades no sexo feminino quando comparado ao sexo masculino, exceto aos 12 anos. Em relação ao excesso de adiposidade corporal, os valores mais elevados foram encontrados aos 11 anos nas meninas (27%) e aos 14 anos nos meninos (22,9%) (Tabela 1). De acordo com os resultados demonstrados na Tabela 2, verificou-se que indivíduos obesos tendem a diariamente passar mais tempo em frente à TV/games quando comparado aos indivíduos não-obesos, independente do sexo, corroborando os achados de outros estudos que indicam uma associação positiva entre esse hábito sedentário e o IMC (Janssen et al., 2004; Brown, 2006) Conclusões Uma elevada prevalência de pré-obesidade e obesidade foi observada entre os jovens escolares da rede municipal de ensino da cidade de Curitiba - PR. Além disso, verificou-se que indivíduos apresentando maior adiposidade corporal permaneciam um maior tempo em frente a TV/games diariamente. Desse modo, sugere-se que programas de saúde publica preconizem o incentivo a prática de hábitos saudáveis entre esses escolares, desencorajando a manutenção de um estilo de vida sedentário, reforçando a importância da prática regular de exercícios físicos, contribuindo assim para a redução dos elevados valores observados de adiposidade corporal. Referências • TROIANO, R.P.; FLEGAL, K.M.; KUCZMARSKI, R.J.; CAMPBELL, S.M.; JOHNSON, C.L. Overweight prevalence and trends for children and adolescents: The National Health and Nutrition Examination Surveys, 1963 to 1991. Arch. Pediatr. Adolesc. Med., v.149, p.10851091, 1995. • REILLY, J.J.; DOROSTY, A.R. Epidemic of obesity in UK children. Lancet. v.354, p.18741875, 1999. • WANG, Y.; MONTEIRO, C.A.; POPKIN, B.M. Trends of obesity and underweight in older children and adolescents in the United States, Brazil, China, and Russia. Am. J. Clin. Nutr. v.75, p.971-979, 2002. • GALAL, O.M.; HULETT, J. Obesity among schoolchildren in developing countries. Food. Nutr. Bull. v.26, p.S261-266, 2005. • MIJAILOVIC, V.; MICIC, D.; MIJAILOVIC, M. Effects of childhood and adolescent obesity on morbidity in adult life. J. Pediatr. Endocrinol. Metab. v.14, p.S1339-S1344, 2001. • FIELD, A.E.; COOK, N.R.; GILLMAN, M.W. Weight status in childhood as a predictor of becoming overweight or hypertensive in early adulthood. Obes. Res. v.13, p.163-169, 2005. • BROWN, D. Playing to win: video games and the fight against obesity. J. Am. Diet. Assoc. v.106, p.188-189, 2006. • JANSSEN, I.; KATZMARZYK, P.T.; BOYCE, W.F.; KING, M.A. Overweight and obesity in Canadian adolescents and their associations with dietary habits and physical activity patterns. J. Adolesc. Health. v.35, p.360-367, 2004. • FONSECA, V.M.; SICHIERI, R.; DA VIEGA, G.V. Factors associated with obesity among adolescents. Rev. Saude Publica. v.32, p.541-549, 1998. • CRAWFORD, S.M. Physical Assessment. In: DOHERTY, D. Measurement in Pediatric Exercise Science. Champaign, IL: Human Kinetics, 1996. • COLE, T.J.; BELLIZI, M.C.; FLEGAL, K.M.; DIETZ, W.H. Establishing a standard definition for child overweight and obesity worldwide: international survey. BMJ. v.6, p.1240-1243, 2000. • AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Committee on Public Education. Media education. Pediatrics. v.104, p.341-343, 1999. • U.S. PREVENTIVE SERVICES TASK FORCE. Screening and interventions for overweight in children and adolescents: recommendation statement. Am. Fam. Physician. v.73, p.115119, 2006. 8. Destaques Título: Saúde debate obesidade infantil Fonte: http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/161415 Comentário: Destaco esta matéria pelo crescente interesse dos setores da saúde nos municípios pela necessidade de conscientização em relação a obesidade infantil e as doenças que podem surgir nestes indivíduos no decorrer de suas vidas. A matéria refere-se a Semana de Prevenção da obesidade infantil promovida pela Secretaria de Saúde de Maringá. As atividades voltadas para os pais, crianças e profissionais de saúde, tiveram como objetivo orientar sobre a importância de manter hábitos saudáveis de alimentação e de vida. Leia a notícia na íntegra no anexo. (anexo) Texto: Cidades | Semana de prevenção | Atualizado Quarta-feira, 10/10/2007 às 17h21 Saúde debate obesidade infantil Juliana Daibert [email protected] A Secretaria de Saúde de Maringá realiza até o dia 16 a Semana de Prevenção da Obesidade Infantil. As atividades começaram na segunda-feira e são voltadas para os pais, crianças e profissionais de saúde. Orientar sobre a importância de manter hábitos saudáveis de alimentação e de vida é o principal objetivo da semana. “No mundo dos alimentos saudáveis”, peça teatral apresentada por alunos das escolas Jesuína Jesus de Freitas, Carlos Démia, Presidente Kennedy e colégio Paraná, encenada para estudantes do colégio Marista, abriu a semana. Cada unidade de saúde vai desenvolver atividades com alunos de escolas próximas, sempre com foco na prevenção da doença durante a semana. Haverá apresentação de teatro, recreação, palestras e capacitações. Quem tinha consulta marcada para a manhã desta quarta-feira no NIS Iguaçu, por exemplo, assistiu a uma aula sobre a pirâmide alimentar e recebeu uma cartilha produzida pela Secretaria com informações sobre a importância da atividade física e da alimentação correta para uma vida saudável. Uma pesquisa feita no ano passado pela nutricionista Caroline Filla Rosaneli, coordenadora do curso de Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em nove centros municipais de educação infantil de Maringá revelou que 78% das crianças ouvidas estão com peso normal para a idade, 8% estão acima do peso esperado para a idade e 3,5% têm o peso abaixo do esperado para a idade. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, 15% das crianças brasileiras estão obesas. A preocupação com a obesidade infantil e suas conseqüências no decorrer da vida adulta de quem já briga com a balança desde pequeno ganharam reforço durante a Conferência Municipal de Saúde, realizada em julho. A inclusão de nutricionistas na equipe de saúde das unidades básicas foi uma das propostas aprovadas. De acordo com a pediatra Paula Sabioni, coordenadora da Saúde da Criança da Secretaria, atualmente o atendimento na unidade é feito pelo pediatra ou médico do Programa Saúde da Família. http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/161415 acesso em: 07/11/2007 9. Investigação Disciplinar Título: Atividade física e saúde Texto: Dentro das diretrizes curriculares observa-se o desenvolvimento corporal e a construção da saúde como um elemento articulador dentro dos conteúdos propostos para a disciplina. Este trabalho está inserido no conteúdo ginástica para salientar a importância da mesma como uma atividade física voltada para a manutenção da saúde e para a prevenção de doenças, freqüentes hoje em nossa sociedade em todas as idades. Obviamente que a saúde em amplo aspecto não pode ser adquirida somente a partir da vontade individual, mas nos é possível ensinar meios com os quais nossos alunos podem ter a curto e longo prazo uma melhora substancial em sua qualidade de vida a partir de mudanças de atitude. Citando Guedes, O estado de ser saudável não é algo estático. Pelo contrário, torna-se necessário adquiri-lo e construí-lo de forma individualizada constantemente ao longo de toda a vida, apontando para o fato de que saúde é educável e, portanto deve ser tratada não apenas com base em referenciais de natureza biológica e higienista, mas sobretudo em um contexto didático-pedagógico.(GUEDES, p.11, 1999). O professor, dentro da disciplina de Educação Física, deve discutir aspectos relevantes a saúde, à atividade física e a ginástica para levantar questões acerca dos conhecimentos pertinentes a disciplina como meio de estimular a reflexão e evitar alguns males associados ao sedentarismo que afetam a juventude, a idade adulta e a terceira idade, e que podem propiciar a construção de um pensamento mediador que o leve a aproveitar a vida conservando a saúde corporal. A problematização requer que seja feita a averiguação acerca de quais atividades e com que freqüência os alunos praticam atividades físicas, seja na escola ou em atividades cotidianas e, como se apresenta o conhecimento destes alunos frente à atividade física relacionada à saúde. O exercício físico deve ser trabalhado enquanto conteúdo da ginástica enfocando a importância deste para a manutenção da saúde física e seus benefícios frente as atividades cotidianas como meio de prevenção de males musculares, articulares e ósseos. É necessária a intervenção direta do professor na execução e na correção dos exercícios ginásticos nas aula, de modo a colocar a ginástica como um saber escolar e um conteúdo fundamental quando a escola visa educar para a vida. O objetivo deste trabalho é encontrar modos de interferir positivamente nas aulas de Educação Física levando conhecimentos e estimulando à prática de atividades e exercícios físicos que tragam prazer e conhecimento aos alunos. Não podemos desvincular o tema das diversas interferências sociais a que está condicionado, mas podemos sinalizar algumas atitudes que podem atenuar e corroborar para a manutenção da saúde e do bem-estar de nossos alunos. Conjuntamente à má alimentação, a inatividade das crianças possui relevância no aumento da obesidade infantil. Se o computador e o vídeo game substituíram o pega-pega e o jogo infantil, a mudança de hábitos gerou a mudança dos corpos. Como profissionais da educação temos a condição de preparar melhor nossos alunos para a vida e não podemos deixar de tratar conteúdos dentro da disciplina que suscitam a discussão sobre os males que surgem em nossa sociedade. Obesidade, hipertensão, anorexia, arteriosclerose, diabetes, osteoporose e outros males podem ser prevenidos ou minimizados com a atividade física e uma alimentação equilibrada, e , quanto antes hábitos saudáveis sejam compreendidos e que certos cuidados sejam tomados melhores serão os resultados futuros na vida dos alunos. Existem temas que devem ser discutidos como a questão da inclusão, da mistificação do corpo, valores sociais que atuam na concepção do corpo pela sociedade e o limite e as possibilidades singulares de cada ser social em relação a estes temas. Trabalhar com a Educação Física no ensino fundamental torna-se um desafio frente às diversidades da adolescência, hoje cada vez mais precoce de nossos alunos. Prepará-los para a vida adulta é também função da escola, e para tanto, aspectos como a valorização do corpo e as atitudes positivas que são coadjuvantes a uma vida mais saudável tornam-se um fator decisivo para a sua formação. O objetivo é pontuar a Educação Física como disciplina que pode fornecer subsídios e conhecimentos que possam auxiliar na construção de postura crítica em relação aos acontecimentos e fatos vivenciados. BIBLIOGRAFIA GUEDES, D.P. Educação para a saúde mediante programas de Educação Física escolar. Revista Motriz, v 5, n. 1, junho/1999. http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/revista.htm. Acesso em 09/07/2007. 10. Proposta de Atividades Título: Atividades Texto: As atividades propostas visam fundamentar o tema a partir de um apanhado de dados feitos na comunidade com o objetivo situar o aluno e a evolução da sociedade local com os conhecimentos a serem abordados em sala de aula. O trabalho foi elaborado para aplicação em uma turma (30 a 45 alunos), preferencialmente da sétima série do ensino fundamental ou adaptável a outras séries. A avaliação das atividades é sempre diagnóstica já que pode existir divisão de tarefas entre alunos ou grupos de alunos, segundo a finalidade e o objetivo a ser alcançado já que estas sugestões não são estanques pois dependem da evolução e do interesse diferenciado da clientela a que se destina. ● Elaborar um questionário para que os alunos apliquem aos avôs ou pessoas da terceira idade da comunidade, onde sejam perguntados sobre questões relativas aos hábitos de vida em sua infância e adolescência. Incluir questões sobre alimentação, atividades em casa, na lavoura, relacionamentos interpessoais com parentes e vizinhos, religiosidade, criminalidade, sexualidade, obesidade, mortalidade infantil e juvenil, prevalência de doenças, ocupação do tempo livre, lazer, e demais questões relacionadas a realidade local (imigrantes, peculiaridades...); Pode-se fazer entrevista com as pessoas em sala de aula. ● Debater com os alunos o estilo de vida deles (alimentação, hábitos de higiene, sedentarismo, cooperação em atividades domésticas, atitudes que consideram positivas...); ● Traçar um paralelo entre os hábitos atuais e antigos, onde houve mudanças; ● Discutir valores sociais e suas mudanças; ● Utilizar aulas expositivas, pesquisas, vídeos, pesquisas na internet, leitura de texto e reportagens para aprofundar os temas abordados (qualidade de vida, saúde, doenças, corporeidade, atitudes positivas, alimentação, obesidade, bem-estar, afetividade, sexualidade e demais assuntos que possam surgir); ● Pesar e medir os alunos, ensinar o cálculo do IMC, explicar e situá-los na tabela; ● Nas aulas práticas estimular o aluno que perceba seu corpo, salientando a unidade e singularidade de cada um e a necessidade do respeito as diferenças, incentivar a superação e discutir sobre os limites do corpo; ● Trabalhar e incentivar a ginástica em todas as suas manifestações como forma de melhorar a aptidão física e as capacidades físicas; ● Discutir a importância da ginástica no contexto histórico social e sua implicação na melhoria do estilo de vida das pessoas. ● Estar atento na postura corporal dos alunos, estimular a auto-correção postural para sentar, andar, etc. 11. Contextualização Título: Atividade física e saúde Texto: A grande barreira a ser ultrapassada pelos professores de Educação Física não é a do conhecimento científico ou da prática da atividade física, mas sim de como, com estes saberes atingir de forma positiva um grupo heterogêneo de alunos, com histórias e anseios diferenciados. Como cita VAGO em seu artigo: “Enfim, mais do que nunca, é preciso praticar a educação física como tempo e lugar de afirmar e reafirmar a vida como ato de resistência e de criação.” (VAGO. 1999, p.44). Não podemos deixar de lado as subjetividades, os anseios e as perspectivas de vida que eles têm frente ao futuro. A aquisição de hábitos saudáveis como a prática prazerosa da atividade física, a alimentação sem excessos e a consciência da necessidade de preservação do corpo, são conhecimentos que devem ser trabalhados e discutidos dentro do ambiente escolar. A análise da sociedade na qual se insere a escola revela mudanças de hábitos ocorridas nesta localidade com o passar do tempo. Há poucos anos atrás estávamos em um meio voltado a agricultura familiar onde os instrumentos de trabalho restringiam-se a ferramentas de uso braçal e de tração animal. Onde os alimentos eram produzidos sem utilização de defensivos agrícolas, aonde a ida a cidade era feita a pé, a cavalo ou em carroças, mas acima de tudo onde a família reunia-se para conversar. Chegou então o novo tempo, da industrialização, da mecanização, dos alimentos processados e da televisão. Muitos valores foram substituídos, houve avanços em muitas áreas e muitos retrocessos nas relações humanas. Perdeu-se o hábito de compartilhar e unir família e vizinhos para a colheita ou para a divisão do trabalho. O advento das novas tecnologias e descobertas científicas afetou diretamente no modo de vida das pessoas, a “... maior mecanização das tarefas do cotidiano destinadas ao ser humano vem induzindo modificações significativas nos padrões de vida de toda a população” (GUEDES, p.12, 1999). As facilidades advindas com a mecanização na agricultura e com o uso de produtos químicos que transformaram o trabalho, dando a possibilidade de menor esforço físico para a realização de tarefas, deveriam ter propiciado mais lucro com menos trabalho. Por outro lado vemos o uso indiscriminado e sem cuidados de proteção no uso de defensivos tornando-os uma nova forma de minar a saúde dos agricultores. Não são poucos os relatos feitos pelos alunos em relação ao desenvolvimento de doenças e casos de morte por intoxicação com estes produtos, principalmente, referente à cultura do fumo. O homem do campo está mais inativo e mais exposto aos males da modernidade. Ao focar a saúde como meta, difícil de ser alcançada quando falamos de um grupo de indivíduos com meios de vida diversos, não podemos deixar de entendê-la como a reunião de requisitos fundamentais. As relações interpessoais presentes no dia a dia de cada um, seja em família, com o círculo de amigos ou na escola devem ser considerados pontos relevantes frente a busca pela saúde. O sentir-se bem em compartilhar ou em ajudar outras pessoas também pode trazer benefícios ao ser humano. Hoje, em nossa sociedade, vemos a perda constante de atitudes positivas para com o grupo em prol de um crescente egoísmo e preocupação excessiva no ter mais que o outro. Resgatar o humano dentro do ser humano é uma tarefa importante para que a vida torne-se mais leve e menos focada na mera obtenção de bens, valores e posição social. Passa-se grande parte da vida no trabalho e na aquisição de capital, que possamos dentro da escola valorizar o ser e não o ter, que possamos discutir a exploração do corpo no mundo do trabalho e os comprometimentos futuros em relação a saúde. Que aprendamos a ser um corpo com limites e diferenças. Outro ponto relevante aparece quando abordamos a sexualidade e das doenças sexualmente transmissíveis. Percebemos hoje uma maior liberalidade em relação ao sexo aonde a banalização do corpo vem de encontro aos valores distorcidos de uma sociedade consumista. Assistimos ao amadurecimento sexual precoce e, muitas vezes forçado, de nossas alunas que sem que haja maturação psicológica e afetiva, se vêem mães aos 12 anos de idade, colocando um novo cidadão no mundo sem ao menos sequer entender sua própria cidadania. Seja pela televisão ou em relações sociais muitas vezes conflituosas, crianças e adolescentes são impelidos para comportamentos nos quais não tem a possibilidade e o discernimento para refletir seus atos. Este é um fator determinante quando falamos em valorização do corpo para a construção da saúde. Sem reflexão torna-se difícil a mudança de atitude. Sem a participação da família as barreiras aumentam e as dificuldades se multiplicam. As mudanças corporais provenientes da maturação sexual ocorrem no período que compreende a 5ª a 8ª série do ensino fundamental, e torna-se um elemento a mais a ser considerado na relação do indivíduo e seu corpo. Encontramos em nossas escolas um crescente número de crianças acima do peso ideal, caracterizando o aparecimento precoce da obesidade sinalizando o aumento da prevalência deste mal em nossa sociedade já na infância e na adolescência. Principalmente fatores relacionados à alimentação e a inatividade são as principais causas da obesidade juntamente com os fatores genéticos. Mesmo trabalhando com indivíduos de classes sociais distintas percebe-se que seu aparecimento não é exclusivo de uma ou outra faixa social. A substituição de alimentos tradicionais como o feijão e o arroz, pelas massas, produtos bastante calóricos e alimentos processados e industrializados nos trouxeram uma alimentação diferenciada e com mais atrativos as crianças. A falta de conscientização dos pais influi diretamente nos hábitos alimentares dos filhos, bem como o distanciamento das relações familiares, principalmente na sociedade atual onde as mães estão inseridas no mercado de trabalho e tem menos tempo para estarem com os filhos. ”Muito deste tempo que as crianças passam sozinhas é dominado pela televisão e pelos jogos eletrônicos, substituindo-se deste modo uma cultura historicamente rica de interações lúdicas tradicionalmente existentes entre pais e filhos”. (NETO, p.135,1995). BIBLIOGRAFIA GUEDES, D.P. Educação para a saúde mediante programas de Educação Física escolar. Revista Motriz, v 5, n. 1, junho/1999. http://www.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/revista.htm. Acesso em 09/07/2007. NETO, Carlos Alberto Ferreira. Motricidade e jogo na infância. Rio de Janeiro: Sprint, 1995. VAGO, Tarcísio Mauro. Início e fim do século XX: Maneiras de fazer educação física na escola. Cadernos CEDES, ano XIX, n. 48, agosto/99. http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v1948a03.pdf. Acesso em 08/06/07. 12. Perspectiva Interdisciplinar Título: Atividade física e saúde Texto: Ao abordar o tema saúde em Educação Física, existe a necessidade de correlacionálo a outras disciplinas que podem trazer novas perspectivas em relação a conhecimentos e contextualizações. Na disciplina de ciências, principalmente os conteúdos desenvolvidos na sétima série do ensino fundamental, relacionados ao corpo humano, apresentam conhecimentos fundamentais para a abordagem de diversos temas na Educação Física como, por exemplo, o funcionamento dos sistemas e órgãos do corpo, questões pertinentes a manutenção da saúde, alimentação, obesidade, gasto de energia, importância da higiene, sexualidade e sexo, saúde e doença, e outros temas que possam surgir a partir de debates relativos ao tema. Em História podemos discutir como a atividade física e os modos de vida afetaram e afetam a saúde e os hábitos das pessoas no decorrer dos anos. O capitalismo é um dos conteúdos previstos em história na 7ª série onde podemos discutir o consumismo, os padrões sociais vigentes, a questão do emprego e do trabalho no contexto das conquistas do trabalhador e da utilização do tempo livre.