UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS ENGENHARIA AGRÍCOLA MANEJO DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO NA CULTURA DO MILHO NO MUNÍCIPIO DE GOIÂNIA - GO Thiago Borges Pereira ANÁPOLIS-GO 2012 THIAGO BORGES PEREIRA MANEJO DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO NA CULTURA DO MILHO NO MUNÍCIPIO DE GOIÂNIA - GO Monografia apresentada à Universidade Estadual de Goiás – UnUCET, para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Agrícola. Área de concentração: Conservação de Água e Solo Orientador: Msc. João Maurício Fernandes Souza ANÁPOLIS – GO 2012 RESUMO A demanda hídrica não só do milho mais de todas as culturas varia com o seu estádio de desenvolvimento, com a época do ano e local onde está inserida. O presente trabalho teve por objetivo propor um plano de manejo da água de irrigação na cultura do milho sob um pivô central, localizado na Estação Experimental da Limagrain Guerra do Brasil, geograficamente localizada na latitude 16°43’05”S, longitude 49°24’51”O, com uma altitude de 843 metros, possuindo uma área total de 33,30 ha localizado no município de Goiânia/GO. Os dados da evapotranspiração foi obtido por meio de uma média histórica entre os anos de 1993-2011 de um tanque classe A, localizado na estação evaporimétrica de primeira classe da escola de agronomia e engenharia de alimentos da Universidade Federal de Goiás. Através dos resultados pode-se determinar a necessidade hídrica diária da cultura, bem como o consumo hídrico para todo o ciclo e uma proposta de manejo para duas safras no ano. Com o plano de manejo conseguiu-se suprir a demanda hídrica da cultura em todos os estádios de desenvolvimento. A proposta utilizando o turno de rega supriu a necessidade hídrica da cultura, porém ouve aplicação em excesso que chegaram a 536,13 m³ a cada irrigação, assim o uso da tensiometria se mostrou mais eficaz em determinar o momento de quando irrigar evitando perdas. O proposta foi baseado no clima (ETc), na planta (estádio de desenvolvimento) e no solo (Textura, Capacidade de campo, Ponto de murcha permanente e densidade). Palavras chaves: Pivô central. Demanda hídrica. Evapotranspiração. Zea mays L. iii SUMÁRIO RESUMO..................................................................................................................................iii LISTA DE TABELAS .............................................................................................................. 6 LISTA DE FIGURAS............................................................................................................... 7 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 8 2. OBJETIVO ........................................................................................................................... 9 2.1. OBJETIVO GERAL ....................................................................................................... 9 2.2. OBJETIVOS ESPECIFICOS ......................................................................................... 9 3. REVISÃO DE LITERATURA .......................................................................................... 10 3.1. FATORES QUE INFLUENCIAM A DETERMINAÇÃO DA LÂMINA DE IRRIGAÇÃO ............................................................................................................................ 10 3.1.1. Condições edáficas ............................................................................................. 10 3.1.2. Do sistema de irrigação ...................................................................................... 12 3.2. FATORES CLIMÁTICOS QUE INTERFEREM NA APLICAÇÃO DA LÂMINA DE IRRIGAÇÃO ............................................................................................................................ 13 3.3. MÉTODOS DE MANEJO DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO NA CULTURA DO MILHO .................................................................................................................................................. 14 3.3.1. Tensiometria ....................................................................................................... 14 3.3.2. Balanço hídrico climatológico ............................................................................ 16 3.4. PRINCIPAIS MÉTODOS DE ESTIMATIVA DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO DE REFERÊNCIA (ETo) ............................................................................................................... 17 3.4.1. Penman-Monteith ............................................................................................... 17 3.4.2. Tanque Classe A ................................................................................................. 18 3.5. COEFICIENTES DE CULTURA DO MILHO (Kc) ................................................... 18 3.6. CONSUMO TOTAL DE ÁGUA DA CULTURA DO MILHO .................................. 20 4. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................... 22 4.1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA .............................................. 22 4.2. CONDIÇÕES CLIMÁTICAS ...................................................................................... 22 4.3. CONDIÇÕES EDÁFICAS ........................................................................................... 23 4.4. DETERMINAÇÃO DA LÂMINA DE IRRIGAÇÃO E DO TURNO DE REGA ...... 23 4.5. DADOS DO PIVÔ CENTRAL .................................................................................... 25 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES ..................................................................................... 26 5.1 EVAPOTRANSPIRAÇÃO DA CULTURA DE REFERÊNCIA (ETo) ...................... 26 5.2. DETERMINAÇÃO DA TAXA DE INFILTRAÇÃO DE ÁGUA NO SOLO ............ 26 5.3 ANÁLISES FÍSICAS DO SOLO .................................................................................. 26 5.4. ENSAIO DE UNIFORMIDADE DO PIVÔ CENTRAL ............................................. 28 5.5. DETERMINAÇÃO DA LÂMINA DE IRRIGAÇÃO E TURNO DE REGA ............. 29 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 36 7. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 37 LISTA DE TABELAS TABELA 01 - Valores mínimos para eficiência de aplicação ................................................. 13 TABELA 02 - Valores aproximados do consumo de água pela cultura do milho, por fase do ciclo fenológico e total, em função da demanda evaporativa. .................................................. 21 TABELA 03 - Valores dos coeficientes do tanque “Classe A” ............................................... 22 TABELA 04 - Valores médios de Kc para a cultura do milho ................................................ 25 TABELA 05 - Classificação da uniformidade de distribuição de em água em pivô central .... 25 TABELA 06 - Média mensal da evaporação do tanque classe A (ECA) e da evapotranspiração de referência (ETo) ................................................................................................................... 26 TABELA 07 - Valores aproximados das características físico-hídricas dos solos segundo a sua classe textural ..................................................................................................................... 28 TABELA 08 - Tempo de volta do pivô central e lâmina aplicada em função da regulagem do percentímetro. ........................................................................................................................... 29 TABELA 09 - Evapotranspiração da cultura do milho para duas safras.................................. 30 TABELA 10 - Turno de rega de acordo com o desenvolvimento da cultura do milho por fase .................................................................................................................................................. 31 TABELA 11 - Demanda hídrica da cultura do milho por fase ................................................. 32 TABELA 12 - Turno de rega e lâminas de irrigação para as diferentes fases de desenvolvimento da cultura do milho, em função da velocidade da ultima torre do pivô central .................................................................................................................................................. 33 Tabela 13 - Manejo da água e lâmina de irrigação utilizando tensiometria em diferentes fases de desenvolvimento da cultura do milho, em função da velocidade da ultima torre do pivô central ....................................................................................................................................... 35 6 LISTA DE FIGURAS FIGURA 01 - Exemplo de Curva de retenção da água no solo. ............................................... 11 FIGURA 02 - Esquema ilustrativo para colocação de sensores de umidade na zona radicular. .................................................................................................................................................. 16 FIGURA 03 - Tanque Classe A ................................................................................................ 18 FIGURA 04 - Coeficientes de cultura (Kc) em função das fases do ciclo de crescimento em duas condições de clima. .......................................................................................................... 19 FIGURA 05 - Evolução do sistema radicular do milho em função da fase vegetativa. ........... 20 FIGURA 06 - Triângulo de classificação textural dos solos. ................................................... 27 FIGURA 07 - Resultado do ensaio de uniformidade distribuição de água no pivô central. .... 28 7 1. INTRODUÇÃO Segundo Bernardo (1995), é de grande importância que um projeto de irrigação não seja considerado apenas a captação e a condução, ou somente a aplicação da água dentro da parcela, e sim a operação integrada, incluindo também, a equidade na distribuição da água, as práticas culturais, a retirada do excesso d’água da área irrigada e a relação solo, água, planta e clima. Assim, a implantação de um projeto de irrigação por si só não irá conferir à cultura os benefícios da irrigação, não obstante para obter sucesso é preciso não só implantar, mas por sua vez manejar perfeitamente. Albuquerque e Durães (2008), afirmam que o manejo da água de irrigação abrange os seguintes objetivos básicos: maximizar a produtividade da cultura; melhorar a qualidade do produto; minimizar o custo de água e energia; aumentar a eficiência dos fertilizantes; diminuir a incidência de pragas e doenças; manter ou melhorar as condições químicas e físicas do solo. Bernardo (1995), completa citando a programação do cultivo, de forma a elaborar uma escala de plantio que possibilite a inserção de duas ou três culturas na área em um mesmo ano, permitindo ainda a inserção de culturas com maior valor agregado, que deste modo minimiza o risco do investimento. Albuquerque e Durães (2008), afirmam que, para o manejo da água de irrigação, é imprescindível que sejam conhecidas algumas das propriedades físicas e hídro-físicas do solo, sendo as principais: densidade do solo, capacidade de campo, ponto de murcha permanente e a curva característica de retenção de água no solo. Propriedades essas que interferem na necessidade hídrica da cultura a ser irrigada. Um estudo realizado pela CEMIG em convênio com a UFV, citado por Resende e Oliveira (2005) conclui-se que as perdas de água em 11 pivôs centrais no Estado de Minas Gerais chegaram a 17,8 %, e este mesmo estudo citado por Albuquerque et al. (2010a), constatou que os consumidores consomem em média 28% de energia elétrica em excesso na irrigação de suas lavouras, e os mesmos autores mencionam que apenas 0,3% dos consumidores utilizam pivô central e consomem 17,3% da energia destinada ao meio rural. 8 2. OBJETIVO 2.1. OBJETIVO GERAL Propor um plano de manejo da água de irrigação para cultura do milho (Zea mays L.) sob um pivô central, no município de Goiânia - GO. 2.2. OBJETIVOS ESPECIFICOS Minimizar a utilização dos recursos hídricos; Levantamento dos parâmetros edafoclimáticos da área para compor o plano de manejo; Determinar a demanda hídrica da cultura do milho em cada estádio de desenvolvimento; Determinar a regulagem do percentímetro do pivô central. 9 3. REVISÃO DE LITERATURA 3.1. FATORES QUE INFLUENCIAM A DETERMINAÇÃO DA LÂMINA DE IRRIGAÇÃO Bernardo (1995) conclui que o ponto-chave no manejo de irrigação é decidir o quando irrigar e quanto de água aplicar. Isso depende de fatores que variam com a cultura o solo e local. A aplicação de pouca água (irrigação com déficit) pode ser um desperdício óbvio, tendo em vista que a produção não poderia obter o benefício esperado. Por sua vez, a aplicação excessiva é muito mais destrutiva, pois satura o solo, o que impede sua aeração, lixivia nutrientes, induz maior evaporação e salinização e, posteriormente, eleva o lençol freático para um nível que somente pode ser drenado a um alto custo (ALBUQUERQUE e DURÃES, 2008). 3.1.1. Condições edáficas A retenção de água no solo é afetada fundamentalmente pela textura do solo, uma vez que ela determina a área de contato entre a matriz do solo e a água e os diferentes tamanhos de poros. A estrutura do solo também interfere na retenção de água, por condicionar o arranjo das partículas, que por sua vez vai determinar a distribuição dos poros. A água no solo teoricamente considerada disponível às plantas é aquela armazenada entre a capacidade de campo (Cc) e o ponto de murcha permanente (Pmp) (Mello e Silva 2009). Para Bernardo (1995), o ponto de murcha é aquele em que a planta murcha pela tarde e não recupera sua turgidez durante a noite, e na manhã seguinte permanece murcha, e recupera sua turgidez, somente após uma chuva ou irrigação. O ponto de murcha é usado para representar o teor de umidade no solo, em que abaixo dele a planta não conseguirá retirar água do solo na mesma intensidade em que transpira, aumentando a cada instante a deficiência de água na planta podendo levá-la à morte. Quando o solo atinge essa umidade pode-se, então, considerar que a planta esteja gastando energia excessiva que poderia ser utilizada para a produção, somente com sua sobrevivência. Com o objetivo de maximizar a produção, a umidade do solo não deve chegar a esse ponto, sendo assim podemos considerar que esse é o momento certo de irrigar. Reichardt e Timm (2004), citam a definição de Veihmeyer e Hendrickson a respeito da capacidade de campo: “É a quantidade de água retida pelo solo após a drenagem de seu excesso, quando a velocidade do movimento descendente praticamente cessa, o que, 10 usualmente ocorre de dois a três dias após a chuva ou irrigação, em solo permeável de estrutura e textura uniforme”, este é um fator intrínseco para o uso racional dos recursos hídricos, uma vez que o solo ao atingir a capacidade de campo não comporta a inserção de lâmina d’água adicional escoando a água em excesso. Para cada amostra de solo homogêneo, a tensão de água no solo (pressão negativa exercida no solo para a extração da água) tem um valor característico para cada umidade de água. O gráfico de tensão de água em função da umidade é então uma característica da amostra e é comumente denominado “curva característica de água no solo”, ou, simplesmente, “curva de retenção” (Figura 01) (RICHARDT e TIMM, 2004). FIGURA 01 - Exemplo de Curva de retenção da água no solo. Fonte: Stone et.al., s/ d. A textura do solo refere-se à distribuição das partículas que o compõem em termos de tamanho e porcentagem de ocorrência. A importância do tamanho das partículas diz respeito ao número delas por unidade de volume ou de peso, e a superfície que elas expõem. A superfície exposta determina as propriedades de retenção de água e de nutrientes, solos bem estruturados, com alta quantidade de agregados de forma granular, são os melhores para fins agrícolas por ter maior permeabilidade e melhores condições de aeração. De modo geral, um solo raso e/ou de textura grossa, apresenta uma menor capacidade de retenção e, consequentemente, exige irrigações mais frequentes (MELLO e SILVA, 2009). A densidade do solo (ds) é uma propriedade física que reflete o arranjamento das partículas do solo, que por sua vez define as características do sistema poroso. Ela é função da textura, estrutura e grau de compactação do solo. Os valores mais comuns para ds são: solos de textura grossa, de 1,3 a 1,8 g·cm-3; solos de textura fina, de 1,0 a 1,4 g·cm-3; e solos 11 orgânicos, de 0,2 a 0,6 g cm-3 (MELLO e SILVA, 2009). Uma vez que a ds define as características do sistema poroso, interfere diretamente também a taxa de infiltração de água no solo, que por sua vez define a velocidade de aplicação da lâmina a ser aplicada. A determinação da ds é feita utilizando-se um cilindro de aço com a borda inferior bizelada, com o objetivo de facilitar sua penetração no solo sem afetar significativamente a estrutura. As dimensões desses cilindros variam de 3 a 10 cm de diâmetro e de 2 a 10 cm de altura. Então para determinação da ds, coleta-se a amostra de solo no campo e, no laboratório, é retirado o excesso de solo de tal sorte que o cilindro fique completamente ocupado pelo solo. Em seguida, coloca-se o cilindro com solo em estufa à 105 oC até que se verifique peso constante. Com o peso de sólidos e o volume do cilindro tem-se a ds. Tanto a quantidade de água de chuva quanto irrigação só devem ser consideradas disponíveis para a cultura no perfil do solo que esteja ocupado pelo seu sistema radicular, ou seja, a capacidade total de água disponível do solo somente deve ser calculada até a profundidade do solo onde corresponde à profundidade efetiva do sistema radicular.(MELLO e SILVA, 2009; BERNANDO, 1995). A velocidade de infiltração de água no solo diminui relativamente com o tempo até que o solo esteja saturado, e assim essa velocidade permanece constante até que o solo seque novamente, no caso de uma chuva ou irrigação, nos momentos iniciais o solo irá absorver toda a água, com passar do tempo dependendo da intensidade da água sobre o solo poderá ocorrer escoamento pela superfície do solo. A velocidade de aplicação da lâmina na cultura não deve ultrapassar a velocidade de infiltração do solo, assim evitando um escoamento superficial e promovendo economia de recursos hídricos (REICHARDT e TIMM, 2004). 3.1.2. Fatores do sistema de irrigação que influenciam na determinação da lâmina de irrigação Albuquerque e Durães (2008), afimam que os únicos fatores de ordem técnica que influem no desempenho de um projeto de irrigação que tem sido avaliados são os parâmetros de eficiência e uniformidade. A uniformidade de distribuição está intimamente ligada às características hidráulicas do sistema e a alguns fatores climáticos de interferência (como vento, umidade relativa do ar etc.) (ALBUQUERQUE et al., 2010b). Nos métodos de irrigação do tipo gravitacional e aspersão, o objetivo é atingir igualmente toda a superfície do solo; no caso da irrigação localizada, objetiva-se umedecer apenas parte da área. Em qualquer dos casos, entretanto, a intenção é aplicar a água uniformemente. Nenhum sistema é capaz de aplicar água de maneira 12 perfeitamente uniforme, assim é adotado universalmente que a variação na vazão não deve ser superior a 10% (ALBUQUERQUE e DURÃES, 2008). Albuquerque e Durães (2008), definem o conceito de eficiência de irrigação como a quantidade de água que é efetivamente usada para um fim específico em relação ao total de água disponibilizado para aquele fim, ou seja, o quanto de água aplicada realmente chegou ao solo, uma vez que existem fatores que interferem na aplicação da água. Como ponto de referência, pode-se adotar os seguintes valores mínimos para a eficiência de aplicação (Ea) (MELLO E SILVA, 2009): TABELA 01 - Valores mínimos para eficiência de aplicação Método Irrigação por sulcos com declividade Irrigação por faixas/bacias niveladas Irrigação por aspersão com laterais portáteis Irrigação por pivô central Irrigação por localizada Eficiência ≥ 65 % ≥ 75 % ≥ 75 % ≥ 85 % ≥ 85 % Fonte: Mello e Silva, 2009. 3.2. FATORES CLIMÁTICOS QUE INTERFEREM NA APLICAÇÃO DA LÂMINA DE IRRIGAÇÃO Carvalho e Oliveira (2012), afirmam que a radiação solar, a temperatura do ar, a umidade relativa do ar e a velocidade do vento são parâmetros climatológicos a serem considerados ao avaliar o processo de evaporação. Alguns elementos do clima, como umidade relativa do ar, velocidade do vento, radiação etc., podem influenciar a eficiência de irrigação, ocasionando desperdício de energia, de bombeamento correspondente à perda de água por evaporação e deriva das gotículas para fora da área irrigada (AZEVEDO et al., 1999). A irrigação no período noturno apresenta a vantagem de minimizar as perdas de água por evaporação e, assim, conservar água e energia. Por sua vez, a irrigação noturna depende de maior grau de automatização do sistema de irrigação e da disponibilidade de mão-de-obra, além de envolver aspectos trabalhistas (HENZ et al., 2007). Albuquerque e Durães (2008), afirmam que com aumento da temperatura do ar aumenta a capacidade de retenção de umidade do ar, o que resulta em maior demanda atmosférica, ou seja, com o aumento da temperatura do ar, torna o ar mais ávido por água, o que torna a demanda evaporativa maior, aumentando a evapotranspiração. 13 Mello e Silva (2009), afirmam que os ventos influem diretamente na uniformidade de aplicação da lâmina de irrigação, uma vez que provocam a mudança na direção do jato de água. Quanto maior a velocidade do vento e menor o diâmetro de gotas maior a interferência e menor a uniformidade de aplicação. Da radiação solar absorvida pelas folhas das plantas de 1% a 5% são usados no processo de fotossíntese e de 75% a 85% são utilizadas no processo de aquecimento das folhas e do ar atmosférico logo acima do dossel da cultura (fluxo de calor sensível), e, também, no processo de evapotranspiração (fluxo de calor latente). Um aumento na radiação solar aumenta a demanda atmosférica e a temperatura do ar (ALBUQUERQUE e DURÃES, 2008). Gallárreta (2002), afirma que no verão ocorre elevada demanda evaporativa da atmosfera, devido a maior intensidade de radiação solar e temperatura do ar, fazendo com que as precipitações pluviais, em geral, sejam insuficientes para atender as necessidades hídricas das culturas. 3.3. MÉTODOS DE MANEJO DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO NA CULTURA DO MILHO 3.3.1. Tensiometria No método tensiomêtrico, a determinação da umidade do solo é feita de forma indireta, a partir da tensão com que a água esta retida no solo. Portanto, para se quantificar a umidade pelo emprego da tensiometria, faz-se necessário o conhecimento da curva de retenção de água pelo solo, que permite correlacionar o potencial matricial com a umidade do solo (CARVALHO e OLIVEIRA, 2012). Deve-se acompanhar o desenvolvimento do sistema radicular, para determinar a zona ativa das raízes e considerar a leitura do potencial, ou do conteúdo de água, feita no ponto médio dessa profundidade como a indicadora de quando irrigar (ALBUQUERQUE E DURÃES, 2008). Contudo, apresenta algumas limitações, como representatividade de área e limitação de escala de uso. Adapta-se a solos onde a maior parte da água disponível está retida a tensões superiores a - 80 kPa. A manutenção dos tensiômetros durante o funcionamento também constitui um dos problemas para seu uso, principalmente os de mercúrio (RESENDE e ALBUQUERQUE, 2010). 14 O tensiômetro consiste em uma cápsula, de cerâmica em contato com o solo, ligada a um manômetro. Quando colocado no solo, a água do tensiômetro entra em contato com o solo através dos poros da cápsula porosa e o equilíbrio tende a se estabelecer. De início, isto é, antes de colocar o instrumento, sua água está a pressão atmosférica. A água do solo que, em geral, esta a pressões subatmosféricas, exerce uma sucção sobre o instrumento e dele retira uma certa quantidade de água, causando queda de pressão hidrostática dentro do instrumento. Estabelecendo o equilíbrio, o potencial de água dentro do tensiômetro é igual ao potencial de água no solo, essa diferença de pressão é indicada pelo manômetro (REICHARDT e TIMM, 2004). O tensiômetro funciona bem até tensões superiores a –80 kPa, ou seja, correspondente a uma faixa elevada de umidade no solo. Apesar da estreita faixa do potencial matricial que é coberta pelo tensiômetro, ela constitui a faixa de interesse do manejo de irrigação para a maioria dos solos agrícolas brasileiros (de –10 a –80 kPa) (RESENDE e ALBUQUERQUE, 2002). Para instalar um tensiômetro, abre-se um furo na linha de plantio (após a germinação completa da cultura) com um trado e coloca-se o aparelho na profundidade efetiva do sistema radicular. Cheio de água, o aparelho é fechado hermeticamente, e, com o fluxo de água da capsula para o solo “seco”, estabelece-se o vácuo no interior do tubo, que é medido pelo vacuômetro (manômetro que medo pressão efetiva negativa) ou pela coluna de mercúrio. Além da pequena faixa de valores potenciais, o tensiômetro necessita de reposições de água e de um numero grande de amostragem devido a grande variabilidade espacial nas características físicas do solo (CARVALHO e OLIVEIRA, 2012). O tensiômetro deve ser alocado junto a planta conforme a Figura 02. 15 FIGURA 02 - Esquema ilustrativo para colocação de sensores de umidade na zona radicular. Fonte: Andrade et al. (2006) Para o caso do milho, o potencial de referência para se efetuar a irrigação é variável de acordo com o clima local e a época de plantio. Porém, de um modo geral, para a garantia de plantas sem estresse hídrico, pode se considerar o período para se iniciar a irrigação quando a tensão de água no solo alcançar em torno de -70 kPa (ANDRADE et al.,2006). 3.3.2. Balanço hídrico climatológico Doorenbos e Kassam citado por Carvalho e Oliveira (2012), mencionam que o consumo de água do conjunto solo-planta, conhecido também como necessidade hídrica da cultura, corresponde à quantidade de água que é transferida para atmosfera em forma de vapor (transpiração e evaporação). Em uma cultura bem estabelecida e desenvolvida, a taxa de transpiração é bem superior à taxa de evaporação do solo, do ponto de vista agronômico. Porém, as duas taxas apresentam importância, pois representam a transferência total de água para à atmosfera. O manejo da água de irrigação pelo balanço hídrico climatológico considera variáveis do clima, solo e planta, fixando uma frequência de irrigação com uma dada lâmina, e essa frequência será suplementar à chuva, ou seja, a lâmina advinda da chuva deve ser abatida da lâmina a ser aplicada considerando a taxa de infiltração de água no solo. 16 3.4. PRINCIPAIS MÉTODOS DE ESTIMATIVA DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO DE REFERÊNCIA (ETo) Atualmente, o método padrão de estimativa dos valores de ETo é o de Penman Monteith, proposto no manual da FAO-56. Contudo, dentre os vários métodos existentes para o manejo da irrigação, o do tanque classe “A” tem sido amplamente utilizado em todo o mundo, devido, principalmente, ao seu custo relativamente baixo, à possibilidade de instalação próximo da cultura a ser irrigada e à sua facilidade de operação, aliado aos resultados satisfatórios para a estimativa hídrica das culturas. No entanto, esse método requer a determinação de um coeficiente denominado coeficiente do tanque (Kp), que varia de acordo com o local e as condições climáticas (ALLEN et al., 1998). Existem diversas formas de obtenção desse coeficiente, como as propostas por Cuenca (1989), Snyder (1992) e Pereira et al., (1997), que podem resultar em valores diferentes, dependendo do local (SENTELHAS e FOLEGATTI, 2003). 3.4.1. Penman-Monteith A determinação da evapotranspiração por Penman-Monteith que é considerado o método padrão pela FAO é o mais complexo de se determinar pelo fato de considerar uma série de fatores climatológicos, embora hoje existam equipamentos que determinam a evapotranspiração diária por Penman-Monteith (Equação 1). 0,408 n 0 1 900 2 3 0,34 2 eS eA 1 2 Em que: ETo = Evapotranspiração de referência [mm·dia-1] Rn = Radiação líquida na superfície da cultura [MJ·m-2·dia-1] G = Densidade de fluxo térmico do solo [MJ·m-2·dia-1] T = Temperatura do ar a 2 metros de altura [ºC] U2 = Velocidade do vento a 2 metros de altura [m·s-1] eS = Pressão de vapor de saturação [kPa] eA = Pressão de vapor atual [kPa] eS-eA = Déficit para a saturação da pressão de vapor [kPa] = Inclinação da curva de pressão de vapor [kPa·ºC-1] 17 = Constante psicrométrica [kPa·ºC-1] 3.4.2. Tanque Classe A O método do tanque “Classe A” (Figura 03) foi desenvolvido pelo Serviço Meteorológico Norte-Americano e é de uso generalizado, inclusive no Brasil (FERNANDES et al., 2010). A evapotranspiração de referência determinada pelo Tanque Classe A considera a lâmina de água evaporada do tanque em conjunto com um fator de correção (Equação 2). 0 tanque · 2 Em que: ET0 = Evapotranspiração de referência [mm·dia–1] Ktanque = Coeficiente do tanque [adimensional] ECA = Evaporação da água do tanque [mm·dia–1] FIGURA 03 - Tanque Classe A Fonte: Allen, (1998). 3.5. COEFICIENTES DE CULTURA DO MILHO (Kc) Os valores do coeficiente de cultura (kc) do milho são influenciados pelas características da variedade ou cultivar empregada, época de semeadura, estádio de desenvolvimento da cultura e condições climáticas. O milho, por ser uma cultura de ciclo curto ou anual, pode ter o seu estádio de desenvolvimento dividido em 4 fases, para efeito do estudo da evolução dos valores de Kc ao longo do tempo (ANDRADE et al., 2006). A 18 evolução dos valores de Kc do milho com o tempo pode ser visualizada de acordo com a Figura 03. FIGURA 04 - Coeficientes de cultura (Kc) em função das fases do ciclo de crescimento em duas condições de clima. Fonte: Andrade et al., (2006). Segundo dados adaptados de Allen et al. (1998), para diversas regiões do mundo, a duração do ciclo fenológico do milho para produção de grãos, varia de 120 a 180 dias, cujas fases 1, 2, 3 e 4 correspondem a 17%, 28%, 33% e 22%, respectivamente, do ciclo total. De acordo com a Figura 04, os valores de Kc na fase 1 (Kc1) é constante e é influenciado significativamente pela frequência de irrigação nessa fase. Também o valor de Kc3 é constante, sendo mais influenciado pela demanda evaporativa predominante. Os valores assumidos para as fases 2 e 4 variam linearmente entre os valores das fases 1 e 3 e fases 3 e 5, respectivamente, como está apresentado na Figura 04. O turno de rega ou de irrigação (TI) é normalmente variável de acordo com a variabilidade temporal da evapotranspiração da cultura (ETc). Entretanto, um critério de manejo de irrigação com o TI variável, apesar de ser o ideal, muitas vezes torna-se de difícil operacionalidade em condição prática. Na adoção de um TI fixo, parte-se do pressuposto que a ETc diária possui um valor constante, que pode ser obtido pela média diária prevista para todo o período de desenvolvimento da cultura ou pelo valor crítico estabelecido no dimensionamento do sistema de irrigação, mas são valores que não retratam o dia-a-dia da ETc da cultura no campo. O que se recomenda pelo menos é que se adote o TI fixo para cada uma das 4 fases relatadas no item referente à seleção do coeficiente de cultura (Kc), de modo 19 que tornar-se-á necessário que se considere a ETc média diária reinante em cada uma dessas fases. Este critério normalmente é empregado quando se trabalha com dados históricos (de no mínimo 15 anos) da evapotranspiração de referência (ETo) para o local do cultivo (ANDRADE et al., 2006) O coeficiente f estabelece o ponto da água no solo em que não haverá perda de rendimento da cultura proveniente da demanda evaporativa. Assim, maior demanda evaporativa normalmente exigirá menores valores de f e vice-versa. Já a profundidade efetiva do sistema radicular (Z) para o milho pode ser considerada variar entre 40 e 50 cm, entretanto, dependendo das circunstâncias, impedimentos no solo de ordem física e/ou química podem alterar esses valores, de modo que é preferível que se realize teste em campo para que se encontre o valor mais compatível com a realidade local. É claro que na fase inicial o sistema radicular vai se desenvolvendo a partir da profundidade de semeadura até atingir o seu pleno desenvolvimento, que deve ocorrer no término da fase 2. Pode ser considerado que o seu desenvolvimento é linear a partir da profundidade de semeadura até atingir a fase 3, como está representado na Figura 04 (ANDRADE et al., 2006). FIGURA 05 - Evolução do sistema radicular do milho em função da fase vegetativa. Fonte: Andrade et al., (2006). 3.6. CONSUMO TOTAL DE ÁGUA DA CULTURA DO MILHO O consumo total de água da cultura do milho varia em função das condições climáticas e da cultivar utilizada. Para a ocorrência de uma condição ideal de evapotranspiração máxima, ou seja, as plantas sem sofrer estresse hídrico, os valores 20 aproximados do consumo de água pela cultura por fase do ciclo fenológico (conforme a Figura 05) estão apresentados na Tabela 02, em função de demandas evaporativas baixa, moderada, alta e muito alta (ANDRADE et al., 2006). TABELA 02 - Valores aproximados do consumo de água pela cultura do milho, por fase do ciclo fenológico e total, em função da demanda evaporativa. Consumo (mm) Demanda Fase I Fase II Fase III Fase IV Total evaporativa Baixa 75 140 185 80 480 Moderada 70 150 215 85 530 Alta 65 160 255 110 590 Muito Alta 65 175 280 120 640 Valores previstos para consumo total e adaptados de Allen et al.(1998), para consumo por fase, segundo a demanda evaporativa. Fonte: Adaptado de Allen et al.(1998) 21 4. MATERIAL E MÉTODOS 4.1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA O estudo ocorreu na Estação Experimental da Limagrain Guerra do Brasil, geograficamente localizada na latitude 16°43’05”S, longitude 49°24’51”O, com uma altitude de 843 metros no município de Goiânia-GO, possuindo uma área total irrigada por pivô central de 33,30 ha 4.2. CONDIÇÕES CLIMÁTICAS O clima predominante no município de Goiânia, segundo a classificação de Köeppen, é do tipo Aw, tropical úmido e se caracteriza por duas estações do ano bem distintas: uma corresponde ao inverno quase frio e seco, que resulta da atuação das massas de ar polar atlântica e tropical atlântica especialmente de maio a setembro respectivamente. A outra estação corresponde ao verão chuvoso e quente, que resulta principalmente da atuação da massa de ar equatorial continental, responsável pela maior parte das chuvas especialmente de novembro a abril. O período de temperaturas mais elevadas vai de setembro a dezembro, com temperaturas que oscilam entre 29ºC e 31ºC, podendo até ultrapassar os 35ºC. As mais baixas podem ser registradas nos meses de maio e junho, podendo a temperatura mínima chegar à 13°C (INMET, 2012). O dado climatológico utilizado foi da estação evaporimétrica de primeira classe da escola de agronomia e engenharia de alimentos da universidade federal de Goiás no município de Goiânia, cujos dados foram colhidos entre 1993-2011. Os valores de Ktanque, baseados no manual 24 da FAO, consideram um tanque instalado sobre uma área cultivada com grama e estão descritos na Tabela 03. TABELA 03 - Valores dos coeficientes do tanque “Classe A” Média de U2 (m·s-1) Mês Média da UR (%) Janeiro 4,24 70,61 Fevereiro 3,77 72,18 Março 3,08 77,46 Abril 2,19 79,86 Maio 2,53 76,91 Junho 3,01 72,60 Julho 3,39 66,93 Agosto 4,36 61,02 Setembro 5,25 61,27 Outubro 5,55 61,79 Novembro 5,40 63,92 Dezembro 5,15 65,97 Kp Tabelado FAO 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 0,75 0,70 0,70 0,60 0,60 0,60 0,60 Fonte: Doorenbos e Pruitt (1984), citado por Fernandes et al., 2010. 22 O coeficiente Ktanque, segundo manual FAO-56, pode ser obtido pela Equação (3) (ALLEN et al., 1998). p 0,108 0,0286 2 0,0422 ln 0,1434 ln 0,000631 ln 2 ln 3 em que: B = bordadura da área [m]; U2 = velocidade do vento [m·s-1]; URmed = umidade relativa média [%]. 4.3. CONDIÇÕES EDÁFICAS Para coleta das amostras de solo, destinadas às análises físicas do solo, foram delimitados quatro quadrantes. Em cada alinhamento foram marcados três pontos de coleta, e em cada ponto foram retiradas amostras nas profundidades de 0-20 cm e 20-40 cm, para obtenção da classe textural que foi realizada de acordo com a metodologia proposta por (VETTORI, 1969). Foi determinada a densidade do solo aparente levando quatro amostras de solo indeformadas, sendo uma de cada quadrante colhidas em cilindros metálicos com 7 cm de diametro e 5 cm de altura, e levados à estufa a 105°C por 24 horas de acordo com método apresentado por Cauduro e Dorfman (1992). Para a determinação da classificação textural do solo utilizou-se os dados em porcentagem de argila, silte e areia no triangulo de classificação textural. O método de campo utilizado na determinação da taxa de infiltração foi o infiltrômetro de anel, que consiste em dois cilindros concêntricos com altura de 30 cm, e diâmetro de 25 e 50 cm para os anéis interno e externo, respectivamente. O anel externo tem como finalidade reduzir o efeito da dispersão lateral da água infiltrada do anel interno. Assim, a água do anel interno infiltra no perfil do solo em direção predominante vertical, o que evita superestimativa da taxa de infiltração (BERNARDO, 1995). Para a determinação da taxa de infiltração de água no solo, a área do pivô central foi divido em quatro quadrantes. Em cada quadrante foram marcados um ponto de coleta. Foi mantida uma carga de água constante de aproximadamente 15cm em relação a superfície do solo, a qual mantida por controle manual, então anotou-se a variação da infiltração em função do tempo. 4.4. DETERMINAÇÃO DA LÂMINA DE IRRIGAÇÃO E DO TURNO DE REGA A Equação 4 que descreve a capacidade real de água no solo será dada por: 23 Cc Cra (4) z f 10 Em que: Cra = Capacidade real de água no solo [mm] Cc = Capacidade de campo [%peso] Pmp = Ponto de murcha permanente [%peso] Da = Densidade do solo aparente [g.cm-3] z = Profundidade radicular da cultura [cm] f = Fator de disponibilidade de água [adimensional] Para calcular a irrigação total necessária deve-se levar em consideração a eficiência de aplicação de água do pivô, como descreve a Equação 5: (5) Em que: ITN = Irrigação total necessária [mm]; IRN = Irrigação real necessária [mm]; EA = Eficiência de aplicação [%]. De posse da lâmina a ser aplicada pode-se definir o turno de rega, que é o intervalo entre irrigações, que por sua vez foi determinado de forma variável por cada fase de estádio de desenvolvimento da cultura, e é dada pela Equação 6: r (6) c Em que: Tr = Turno de rega [dias] IRN = Irrigação real necessária [mm] ETc =Evapotranspiração da cultura no estádio de desenvolvimento atual [mm·dia-1] Para a definição da ETc em cada fase pode ser dada pela Equação 7: c c (7) Em que: ETc = Evapotranspiração da cultura no estagio de desenvolvimento atual [mm·dia-1] ET0 = Evapotranspiração da cultura de referencia [mm·dia-1] 24 Kc = Coeficiente da cultura no estagio de desenvolvimento atual (Tabela 04) TABELA 04 - Valores médios de Kc para a cultura do milho Fases Descrição da fase Kc Duração Fase I Emergência até 10% do desenvolvimento vegetativo 0,4 20 dias Fase II Até 80% do desenvolvimento vegetativo 0,83 34 dias Fase III De 80% do desenvolvimento vegetativo até formação e maturação 1,1 40 dias Fase IV Colheita 0,52 26 dias Fonte: Doorenbos e Kassan, citado por Mello e Silva, 2009. 4.5. DADOS DO PIVÔ CENTRAL Os dados de funcionamento e uniformidade de distribuição de água do pivô foram obtidos através do ensaio proposto pela NBR 14244 (1998). A Tabela 05 mostra a classificação da uniformidade de distribuição de em água em pivô central de acordo com a norma NBR 14244 (1998). Para sistemas bem projetados com aspersores de impacto, os valores de CUC estão entre 93 e 96%. Para emissores tipo “spray” espera-se valores entre 91 e 95%. No geral, valores de CUC inferiores a 80% não são aceitáveis. Baixa uniformidade resulta em áreas sub e/ou superirrigadas dentro do campo. TABELA 05 - Classificação da uniformidade de distribuição de em água em pivô central CUC (%) Classificação <80 Ruim 80 – 84 Regular 85-89 Boa >90 Muito boa Fonte: NBR 14244/98 25 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES 5.1 EVAPOTRANSPIRAÇÃO DA CULTURA DE REFERÊNCIA (ETo) A Tabela 06 apresenta os valores médios da evapotranspiração do tanque (ET) e a evapotranspiração da cultura de referencia (Eto), de acordo com o tanque classe “A” da estação evaporimétrica de Goiânia. De acordo com o NUCLIRH (2012), o Ktanque da estação evaporimétrica foi estimado em 0,75. TABELA 06 - Média mensal da evaporação do tanque classe A (ECA) e da evapotranspiração de referência (ETo) Meses ECA(mm•dia-1) ETo(mm•dia-1) 5,59 Jan 4,19 5,03 Fev 3,77 5,05 Mar 3,79 4,91 Abr 3,69 4,47 Mai 3,35 4,37 Jun 3,28 5,24 Jul 3,93 6,59 Ago 4,95 6,73 Set 5,05 6,39 Out 4,80 5,24 Nov 3,93 5,14 Dez 3,86 Fonte: UFG, 2012. 5.2. DETERMINAÇÃO DA TAXA DE INFILTRAÇÃO DE ÁGUA NO SOLO Foi determinada a taxa de infiltração de água no solo após a infiltração se manter constante, e o valor médio encontrado foi 14,9mm·h-1. 5.3 ANÁLISES FÍSICAS DO SOLO Com os resultados da análise de densidade do solo obteve-se uma média de 1,35 g·cm-3. As médias da análise textural em porcentagem são: Argila: 35,14% Silte: 9,14% Areia: 55,71% Com esses dados foi possível determinar a classificação textural do solo, a classificação foi obtida utilizando os valores encontrados em porcentagem dos teores de 26 argila, silte e areia como parâmetros de entrada no triângulo de classificação textural, assim o solo pode ser classificado como franco argilo-arenoso (Figura 06). FIGURA 06 - Triângulo de classificação textural dos solos. De posse da classificação textural do solo, e densidade do solo determinaram-se os valores práticos da umidade de capacidade de campo (Cc) e umidade de ponto de murcha permanente (Pmp) (Tabela 07), de acordo com o proposto por Albuquerque (2007) para os solos brasileiros. Os dados de Cc e Pmp utilizados foram os que seguem na linha de classificação textural do solo franco, embora a Tabela 07 não possua dados para classificação determinada que é franco argilo-arenoso, foi utilizado os dados da textura franco devido a velocidade de infiltração de água no solo e densidade do solo que foi de 1,49·cm h-1 e 1,35g·cm-3 respectivamente, serem valores próximos a classificação franco, e ainda por ser um ponto médio entre as texturas franco-arenoso e franco-argiloso, a justificativa para essa decisão é de que os valores de Cc variam entre 14 e 27% e Pmp entre 6 e 13% entre as classificações franco-arenoso e franco-argiloso respectivamente. 27 TABELA 07 - Valores aproximados das características físico-hídricas dos solos segundo a sua classe textural TIAS1 Densidade CC2 PMP3 CTAD4 CTAD5 TEXTURA DO SOLO (% peso) (% peso) (% peso) (cm·h-1) (g·cm-3) (mm·m-1) 5 1,65 9 4 5 85 ARENOSO (2,5–22,5) (1,55-1,80) (6-12) (2-6) (4-6) (70-100) 2,5 1,5 14 6 8 120 FRANCO – ARENOSO (1,3-7,6) (1,40-1,60) (10-18) (4-8) (6-10) (90-150) 1,3 1,4 22 10 12 170 FRANCO (0,8-2,0) (1,35-1,50) (18-26) (8-12) (10-14) (140-190) 0,8 1,35 27 13 14 190 FRANCO ARGILOSO (0,25-1,5) (1,30-1,40) (25-31) (11-15) (12-16) (170-220) 0,25 1,3 31 15 16 210 SILTO - ARGILOSO (0,03-0,5) (1,25-1,35) (27-35) (13-17) (14-18) (190-230) 0,05 1,25 35 17 18 230 ARGILOSO (0,01-0,1) (1,20-1,30) (31-39) (15-19) (16-20) (200-250) 1 TIAS = Taxa de infiltração de água no solo. Primeiro valor representa a média e os valores entre parênteses representam a faixa de variação. 2 CC = Umidade do solo na capacidade de campo. 3 PMP = Umidade do solo no ponto de murcha permanente. 4 CTAD = Água total disponível = (CC – PMP). 5 CTAD em lâmina de água por profundidade de solo Fonte: Albuquerque, (2007). 5.4. ENSAIO DE UNIFORMIDADE DO PIVÔ CENTRAL De acordo com o ensaio de uniformidade, o equipamento apresentou um CUC de 85% (Figura 07), classificado como “bom” de acordo com a Tabela 05, a Figura 07 mostra a lâmina aplicada de acordo com a distancia do centro do pivô e os dados referentes à operação do pivô são apresentados na tabela 08. FIGURA 07 - Resultado do ensaio de uniformidade distribuição de água no pivô central. 28 Com o ensaio de uniformidade do pivô realizado, foi possível obter a lâmina que será aplicada em cada regulagem do percentímetro bem como o tempo de volta em horas e em dias cujos dados são apresentados na Tabela 08. TABELA 08 - Tempo de volta do pivô central e lâmina aplicada em função da regulagem do percentímetro. Percentímetro Lâmina (mm) Tempo de volta (horas) Tempo de volta (dias) 100% 5,28 16,96 0,71 90% 5,95 19,11 0,80 80% 6,81 21,88 0,91 70% 7,49 24,06 1,00 60% 8,32 26,73 1,11 50% 9,46 30,39 1,27 40% 10,96 35,22 1,47 30% 13,45 43,20 1,80 20% 17,39 55,85 2,33 10% 34,78 111,70 4,65 0% 5.5. DETERMINAÇÃO DA LÂMINA DE IRRIGAÇÃO E TURNO DE REGA A capacidade real de água (CRA) no solo encontrada foi de 38,88mm, a profundidade efetiva do sistema radicular (Z) foi considerado 40cm e o fator f foi considerado 0,6. A irrigação real necessária (IRN) não deve exceder a capacidade real de água no solo, evitando a aplicação de água desnecessária, assim tem-se que a IRN = CRA. De acordo com o ensaio de uniformidade do pivô central, a eficiência de aplicação foi 85%, considerado como um valor aceitável para esse método de irrigação por aspersão, com o dado da IRN e levando em consideração a eficiência de aplicação foi determinada a irrigação total necessária (ITN) que foi 45,74mm, que é a lâmina de irrigação que será aplicada. Planejou-se a inserção da cultura do milho na área a partir de 1º de abril, onde se inicia a época de estiagem na região, e uma a partir de 1º de agosto, onde se tem a evapotranspiração mais alta para a região. Assim utilizando os coeficientes da Tabela 04 com a evapotranspiração da cultura de referencia da Tabela 06 na Equação 07, podem-se obter os dados da evapotranspiração diária da cultura do milho durante todo o ciclo, como mostra a Tabela 09. 29 TABELA 09 - Evapotranspiração da cultura do milho para duas safras Fase I Kc1 ETo2 ETc3 1/04 a 20/04 0,4 3,69 1,47 0,83 0,83 3,69 3,35 3,06 2,78 1,1 1,1 1,1 3,35 3,28 3,93 3,69 3,61 4,32 4/07 a 29/07 0,52 3,93 2,04 Fase I Kc1 ETo2 ETc3 1/08 a 20/08 0,4 4,95 1,98 0,83 0,83 4,95 5,05 4,10 4,19 1,1 1,1 1,1 5,05 4,80 3,93 5,55 5,28 4,32 3,93 2,04 Fase II 21/04 a 30/04 1/05 a 24/05 Fase III 25/05 a 31/05 Todo o mês de junho 1/07 a 3/07 Fase IV Fase II 21/08 a 31/08 1/09 a 23/09 Fase III 24/09 a 30/09 Todo o mês de outubro 1/11 a 2/11 Fase IV 3/11 a 28/11 0,52 Coeficientes da cultura do milho. 2 Evapotranspiração de referência. 3 Evapotranspiração da cultura do milho. 1 Nota-se a que na safra que se inicia em 1º de agosto tem a evapotranspiração mais elevada que na safra que se inicia em 1º abril, porem a evapotranspiração do mês de novembro reduz consideravelmente, isso pode ser explicado pelo fato de neste mês se inicia o período de chuvas na região aumentando assim a umidade do ar e consequentemente reduzindo a evaporação da água no solo. Com a evapotranspiração maior na segunda safra, as irrigações tornou-se mais frequente, reduzindo o turno de rega como pode ser observado no Tabela 10. 30 Assim como a IRN não deve exceder a CRA foi adotado IRN = CRA, diante disso utilizando os dados da Tabela 09 com a Equação 06 foi determinado o turno de rega que varia em cada fase e em cada mês, como mostra a Tabela 10. TABELA 10 - Turno de rega de acordo com o desenvolvimento da cultura do milho por fase Fase I Turno de rega (dias) Duração da fase (dias) Mês 1/04 a 20/04 26 20 Abril 12 13 34 Abril Maio 10 10 8 40 Maio Junho Julho 4/07 a 29/07 19 26 Julho Fase I Turno de rega (dias) Duração da fase (dias) Mês 1/08 a 20/08 19 20 Agosto 9 9 34 Agosto Setembro 7 7 9 40 Setembro Outubro Novembro 19 26 Novembro Fase II 21/04 a 30/04 1/05 a 24/05 Fase III 25/05 a 31/05 Todo o mês de junho 1/07 a 3/07 Fase IV Fase II 21/08 a 31/08 1/09 a 23/09 Fase III 24/09 a 30/09 Todo o mês de outubro 1/11 a 2/11 Fase IV 3/11 a 28/11 Considerando que o pivô central possui uma lâmina mínima de aplicação, que é a lâmina aplicada baseando-se na velocidade da ultima torre em 100% (Tabela 08), e visando a economia dos recursos hídricos, a lâmina a ser aplicada (ITN) foi dividida pela a quantidade de dias do turno de rega, para assim encontrar a necessidade hídrica diária da cultura em todas as fases conforme apresentado na Tabela 11. 31 TABELA 11 - Demanda hídrica da cultura do milho por fase Fase I LDN (mm)1 Duração da fase (dias) Mês 1/04 a 20/04 1,84 20 Abril 3,98 3,67 34 Abril Maio 4,77 4,77 5,96 40 Maio Junho Julho 4/07 a 29/07 2,51 26 Julho Fase I LDN (mm)1 Duração da fase (dias) Mês 1/08 a 20/08 2,51 20 Agosto 5,30 5,30 34 Agosto Setembro 40 Setembro Outubro Novembro Fase II 21/04 a 30/04 1/05 a 24/05 Fase III 25/05 a 31/05 Todo o mês de junho 1/07 a 3/07 Fase IV Fase II 21/08 a 31/08 1/09 a 23/09 Fase III 24/09 a 30/09 Todo o mês de outubro 1/11 a 2/11 7,95 6,82 5,30 Fase IV 3/11 a 28/11 2,51 26 Novembro Lâmina diária necessária. De acordo com os dados climáticos pode-se chegar à demanda hídrica da cultura (quantidade de água consumida) por ciclo. 1 Pode-se observar, na Tabela 11, que se deve aplicar uma lâmina de 1,84 mm para suprir a necessidade diária da cultura na fase I no mês de abril. Porem, de acordo com a Tabela 08 o pivô central funcionando com a velocidade da última torre a 90% aplica-se 5,95 mm, essa lâmina aplicada supre a necessidade hídrica do milho na fase I no mês de abril por 3 dias. Baseado nisso pode-se definir a velocidade do pivô e o intervalo entre as irrigações, para que assim possa suprir a necessidade hídrica em todas as fases da cultura de forma a minimizar consumo de água. Foi possível determinar as propostas de manejo para o pivô central, baseando-se na velocidade da ultima torre (Tabela 12). 32 TABELA 12 - Turno de rega e lâminas de irrigação para as diferentes fases de desenvolvimento da cultura do milho, em função da velocidade da ultima torre do pivô central Lâmina Próxima Fase I Kc Tr (dias)1 LDN (mm)2 VUT3 aplicada irrigação 1/04 a 20/04 0,4 26,00 1,84 90% 5,95 Após 3 dias Fase II 21/04 a 30/04 1/05 a 24/05 0,83 0,83 12,00 13,00 3,98 3,67 100% 100% 5,28 5,28 Todo dia Todo dia 1,1 1,1 1,1 10,00 10,00 8,00 4,77 4,77 5,96 100% 100% 80% 5,28 5,28 6,81 Todo dia Todo dia Todo dia 4/07 a 29/07 0,52 19,00 2,51 100% Fase I Kc Tr (dias)1 LDN (mm)2 VUT3 1/08 a 20/08 0,4 19,00 2,51 100% 5,28 Lâmina aplicada 5,28 Após 2 dias Próxima irrigação Após 2 dias 0,83 0,83 9,00 9,00 5,30 5,30 90% 90% 5,95 5,95 Todo dia Todo dia 1,1 1,1 1,1 6,00 7,00 9,00 7,95 6,82 5,30 60% 70% 90% 8,32 7,49 5,95 Todo dia Todo dia Todo dia Fase III 25/05 a 31/05 Todo o mês de junho 1/07 a 3/07 Fase IV Fase II 21/08 a 31/08 1/09 a 23/09 Fase III 24/09 a 30/09 Todo o mês de outubro 1/11 a 2/11 Fase IV 3/11 a 28/11 0,52 19,00 2,51 100% 5,28 Após 2 dias Turno de rega. 2 Lâmina diária necessária. De acordo com os dados climáticos pode-se chegar à demanda hídrica da cultura (quantidade de água consumida) por ciclo. 3 Velocidade da ultima torre. 1 Na Tabela 12, pode-se observar que as lâminas aplicadas supriram a lâmina diária necessária (LDN) no intervalo entre irrigações. A lâmina aplicada supre e até excede a LDN havendo assim excesso no consumo de água, esta é uma desvantagem em usar o turno de rega para determinar o momento de quando irrigar. Observa-se que na fase II da primeira safra no mês de abril deve-se aplicar uma lâmina de 5,28 mm, porém a cultura necessita de apenas de 3,98 mm isso representa uma perda de 1,3 mmm², que na área irrigada apresenta uma perda de 432,9 m³ a cada irrigação, como nessa fase a irrigação é diária logo a perda de água seria 33 diária, a perda por cada irrigação mais expressiva é de 536,13m³ e ocorre na fase II da primeira safra no mês de maio. O momento de quando irrigar pode ser definido também por tensiometria, que para a cultura do milho esse momento é quando a tensão de água no solo chega a -70 kPa devendo assim aplicar a lâmina indicada para a fase, e voltando a irrigar somente após atingir essa tensão novamente como mostra a Tabela 13, o método por tensiometria que define o momento de quando irrigar reduz o consumo de água uma vez que só irriga-se quando se faz necessário. 34 Tabela 13 - Manejo da água e lâmina de irrigação utilizando tensiometria em diferentes fases de desenvolvimento da cultura do milho, em função da velocidade da ultima torre do pivô central Turno de rega Lâmina Limite de tensão para a Fase I Kc LDN (mm)1 VUT2 Próxima irrigação (dias) aplicada próxima irrigação (kPa)* 1/04 a 20/04 0,4 26 1,84 90% 5,95 Após 3 dias Fase II 21/04 a 30/04 0,83 12 3,98 100% 5,28 -70 1/05 a 24/05 0,83 13 3,67 100% 5,28 -70 Fase III 25/05 a 31/05 1,1 10 4,77 100% 5,28 -70 Todo o mês de junho 1,1 10 4,77 100% 5,28 -70 1/07 a 3/07 1,1 8 5,96 80% 6,81 -70 Fase IV 4/07 a 29/07 0,52 19 2,51 100% 5,28 -70 Turno de rega Lâmina Limite de tensão para a Fase I Kc LDN (mm)1 VUT2 Próxima irrigação (dias) aplicada próxima irrigação (kPa)* 1/08 a 20/08 0,4 19 2,51 100% 5,28 Após 2 dias Fase II 21/08 a 31/08 0,83 9 5,30 90% 5,95 -70 1/09 a 23/09 0,83 9 5,30 90% 5,95 -70 Fase III 24/09 a 30/09 1,1 7 7,95 60% 8,32 -70 Todo o mês de outubro 1,1 7 6,82 70% 7,49 -70 1/11 a 2/11 1,1 9 5,30 90% 5,95 -70 Fase IV 3/11 a 28/11 0,52 19 2,51 100% 5,28 -70 1 Lâmina diária necessária. 2 Velocidade da ultima torre. * A utilização de tensiômetro só pode se feita a partir da fase II por haver diferença de posição em relação a profundidade do sistema radicular. 35 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do manejo proposto ao irrigante, com o turno de rega variável por fase de desenvolvimento da cultura e utilizando a evapotranspiração variável por mês, teve uma visão mais in loco da necessidade hídrica requerida pela cultura para Goiânia-GO. O turno de rega para a segunda safra foi menor em relação a primeira, comprovando o fato da evapotranspiração nos messes da segunda safra ser maior, necessitando de irrigações mais frequentes. A determinação do momento de quando tanto por tensiometria quanto pelo turno de rega, não permitiu que a cultura entrasse em estresse hídrico, porém ao irrigar utilizando o turno de rega têm-se perdas de até 536,13 m³ a cada irrigação, já o método que determina o momento de quando irrigar por tensiometria mostrou uma melhor economia de recursos hídricos, pois só irriga-se quando há necessidade. Como a primeira safra tem necessidade hídrica menor, o percentimetro funciona em quase todas as fases em 100%, já para a segunda safra com uma evatranspiração maior o percentimetro varia consideravelmente chegando a 60%. 36 7. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE, P. E. P.; ANDRADE, C. .L.T. Planilha eletrônica para a programação da irrigação de culturas anuais. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2001. 14 p.(Embrapa Milho e Sorgo. Circular Técnica,10). ALBUQUERQUE, P. E. P. de; DURÃES, F. O. M., Uso e manejo de irrigação. Brasília, DF. Embrapa, 2008. ALBUQUERQUE, P. E. P. de; COUTINHO, A. C.; ANDRADE, C. de L. T. de; GUIMARÃES, D. P.; DUARTE, J. de O., Manejo da irrigação em pivôs centrais no cerrado de Minas Gerais. Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas – MG, Documentos 112, ISSN 1518-4277, 2010.a ALBUQUERQUE, P. E. P de; COUTINHO, A. C; GONÇALVES, P. P; AGOSTINHO, E. 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