1 UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS FABÍOLA COMIN A UTILIZAÇÃO DOS TRABALHOS DA AUDITORIA INTERNA NA ORGANIZAÇÃO DOS SISTEMAS OPERACIONAIS CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2010 2 FABÍOLA COMIN A UTILIZAÇÃO DOS TRABALHOS DA AUDITORIA INTERNA NA ORGANIZAÇÃO DOS SISTEMAS OPERACIONAIS Trabalho de fim e de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do grau de Bacharel no curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Orientador: Professor Especialista Marcos Danilo Viana CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2010 3 FABÍOLA COMIN A UTILIZAÇÃO DOS TRABALHOS DA AUDITORIA INTERNA NA ORGANIZAÇÃO DOS SISTEMAS OPERACIONAIS Trabalho de fim e de Conclusão de Curso aprovado pela Banca Examinadora para obtenção do grau de Bacharel no curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com Linha de pesquisa em Auditoria Interna. Criciúma, 09 de Dezembro de 2010. BANCA EXAMINADORA Professor Esp. Marcos Danilo Viana – Orientador Professor Esp. Fernando Garcia - Examinador Professor Esp. Luciano Ducioni - Examinador 4 Aos meus pais Lirio e Dilma Às minhas irmãs Fabiana e Edilaine Porque família é tudo. 5 AGRADECIMENTOS A Deus, por me conceder forças para alcançar meus objetivos; À minha mãe Dilma e o meu pai Lirio, que sempre estiveram presentes em cada momento dessa graduação, razão por mais essa conquista; Às minhas irmãs Fabiana e Edilaine, pelo incentivo e compreensão; Ao meu orientador professor Marcos Viana pelo apoio e acompanhamento dado no desenvolvimento deste trabalho; Aos meus amigos (a) e colegas pelo convívio, aprendizado e momentos divertidos saibam que foram únicos e memoráveis; A UNESC e todo corpo docente do curso de Ciências Contábeis, pelo conhecimento proporcionado e dedicação oferecida para os acadêmicos do curso e em especial para os graduandos no decorrer destes quatro anos e meio. 6 “Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar [...], que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar”. (Willian Shakespeare) 7 RESUMO COMIN, Fabíola. A Utilização dos Trabalhos da Auditoria Interna na Organização dos Sistemas Operacionais. 2010. 119 p. Orientador: Marcos Danilo Viana. Trabalho de Conclusão do Curso de Ciências Contábeis. Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Criciúma – SC. A procura pela eficiência na realização das operações e na busca em informações sólidas para as tomadas de decisões está cada vez mais presente nas organizações, isto porque o mercado vem sofrendo mudanças e transformações com freqüência, no qual as empresas, sendo elas grandes, médias ou pequenas necessitam de dados concretos para continuar exercendo suas atividades e se aperfeiçoando. A auditoria interna surge neste contexto como uma aliada para o desenvolvimento dos negócios da sociedade sendo ela uma ferramenta de gestão aplicada às empresas. Pois, fornece a administração informações precisas sobre o desempenho da entidade, quanto: a situação patrimonial e financeira. O que possibilita a tomada de decisões, em bases de dados mais exatos, diminuindo a ocorrência de erros. A auditoria interna também detecta as fragilidades dos sistemas operacionais, ou seja, avalia o sistema de controle interno. Constatando a existência de pontos fracos, propõe a adoção de medidas de melhorias, com objetivo de se estabelecer o bom funcionamento e eficiência das rotinas operacionais, garantindo maior segurança aos bens patrimoniais da organização, assim como o registro adequado das operações e disponibilizando maior exatidão das informações. Por isso, a auditoria interna é um instrumento determinante ao sucesso e continuidade das empresas, sendo uma alternativa indispensável para todos os departamentos da entidade que proporciona assessoramento na obtenção de informações concretas. O objetivo deste estudo é apresentar a utilização dos trabalhos da auditoria interna na administração de um supermercado da região de Criciúma – SC na organização dos sistemas operacionais. No estudo em questão é apresentada a fundamentação teórica sobre a auditoria e os controles internos, com base em pesquisa descritiva. Em seguida são expostos os procedimentos realizados pela auditoria interna na companhia em estudo, apresentando os procedimentos utilizados pela área Financeira. Por fim, destaca-se o resultado da avaliação dos controles internos a partir das informações colhidas diante do questionário aplicado sobre o desenvolvimento das rotinas de trabalho dos setores envolvidos. Como resultado dessa avaliação destacou-se somente os pontos que carecem de adequações. Esse resultado do estudo indicou que a empresa utiliza os trabalhos da auditoria interna para obter segurança no patrimônio e obter informações para realizar decisões da entidade. Portanto, compreende-se que é necessária a utilização dos trabalhos da auditoria interna nas ações e melhoraria dos controles internos adequando às operações dos departamentos da empresa, garantindo melhor desempenho. Palavra-chave: auditoria interna, controles internos e tomadas de decisões. 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Como a Auditoria Interna Afeta o Desempenho Gerencial.........................40 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Características que Diferenciam a Auditoria Interna da Auditoria Externa.......................................................................................................................51 Tabela 2: Principais Diferenças entre a Auditoria Interna e Externa.........................52 10 LISTA DE SIGLAS SC – Santa Catarina CVM – Comissão de Valores Mobiliários IAIB – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil NBC – Normas Brasileiras de Contabilidade CFC – Conselho Federal de Contabilidade CRC - Conselho Regional de Contabilidade BACEN - Banco Central IN – Instrução Normativa 11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................14 1.1 Tema e Problema................................................................................................15 1.2 Objetivos da Pesquisa.......................................................................................16 1.3 Justificativa.........................................................................................................17 1.4 Metodologia........................................................................................................18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .............................................................................21 2.1 Surgimento da Auditoria...................................................................................22 2.1.1 Origem e Evolução da Auditoria....................................................................22 2.1.2 Surgimento da Auditoria no Brasil ...............................................................24 2.1.3 Causas do Crescimento da Auditoria...........................................................26 2.2 Vantagens e Reflexos dos Trabalhos da Auditoria........................................27 2.3 Tipos de Auditoria – Funções e Diferenças....................................................30 2.3.1 Auditoria Interna..............................................................................................32 2.3.1.1 Aspectos Conceituais de Auditoria Interna..............................................32 2.3.1.2 Missão da Auditoria Interna........................................................................35 2.3.1.3 Objetivos e Funções da Auditoria Interna.................................................36 2.3.1.4 Necessidade e Importância da Auditoria Interna.....................................38 2.3.1.5 Principais Motivos para a Não Implementação das Melhorias Sugeridas Pela Auditoria Interna...............................................................................................41 2.3.1.6 Normas Profissionais do Auditor Interno..................................................41 2.3.2 Auditoria Externa ou Independente .............................................................43 2.3.2.1 Aspectos Conceituais de Auditoria Independente...................................44 2.3.2.2 Objetivos da Auditoria Independente........................................................46 2.3.2.3 Necessidade e Importância da Auditoria Independente..........................47 2.3.2.4 Condições para Registro e Exercício do Auditor Independente............48 2.3.3 Diferença entre Auditoria Interna e Externa.................................................50 2.3.4 Relação entre a Auditoria Interna e a Auditoria Externa............................53 2.4 Normas e Procedimentos Aplicáveis na Execução dos Trabalhos da Auditoria.....................................................................................................................55 2.4.1 Normas e Procedimentos para os Trabalhos da Auditoria........................55 2.4.1.1 Definições e Diferenças de Normas e Procedimentos.............................55 12 2.4.1.2 Procedimentos Usuais a Auditoria - Teste de Substantivo e de Observância...............................................................................................................57 2.4.2 Normas de Auditoria Utilizadas no Brasil....................................................59 2.4.2.1 Normas Relativas à Pessoa do Auditor Independente............................59 2.4.2.2 Normas Relativas à Execução dos Trabalhos..........................................63 2.4.2.3 Papéis de Trabalho do Auditor...................................................................66 2.4.2.3.1 Conceito, Objetivo e Conteúdo dos Papéis de Trabalho......................67 2.4.2.3.2 Preparo e Descrição dos Papéis ............................................................69 2.4.2.3.3 Tipos e Formatos dos Papéis de Trabalho.............................................70 2.4.2.4 Fraude e Erro................................................................................................71 2.5 Controles Internos.............................................................................................72 2.5.1 Conceito de Controle Interno ........................................................................73 2.5.1.1 Tipos de Controle.........................................................................................74 2.5.1.2 Eficiência e Eficácia dos Controles Internos............................................76 2.5.2 Importância dos Controles Internos em uma Organização .......................77 2.5.3 Objetivos do Controle Interno.......................................................................78 2.5.4 Limitação do Controle Interno ......................................................................79 2.5.5 Custos do Controle Versus Benefícios.........................................................81 3 ESTUDO DE CASO – AVALIAÇÃO DOS CONTROLES INTERNOS DE UMA ORGANIZAÇÃO SUPERMERCADISTA ...................................................................83 3.1 Caracterização da Empresa em Estudo...........................................................83 3.1.1 Estrutura Organizacional ...............................................................................84 3.2 Levantamento dos Procedimentos Adotados Pelos Setores Financeiros da Empresa......................................................................................................................84 3.2.1 Contas a Receber ...........................................................................................85 3.2.2 Contas a Pagar................................................................................................87 3.2.3 Tesouraria........................................................................................................88 3.3 Trabalhos da Auditoria Interna.........................................................................90 3.3.1 Planejamento e Programas de Trabalho da Auditoria Interna...................90 3.3.2 Procedimentos da Auditoria Interna.............................................................92 3.4 Análises dos Procedimentos Adotados e Proposições para a Adequação dos Sistemas de Controles Internos.......................................................................94 3.4.1 Considerações Essenciais a Auditoria da Área Financeira ......................94 3.4.1.1 Auditoria Interna das Contas a Receber....................................................95 13 3.4.1.2 Auditoria Interna das Contas a Pagar........................................................97 3.4.1.3 Auditoria Interna da Tesouraria..................................................................98 3.4.2 Resultado da Análise dos Procedimentos Realizados pela Empresa em Estudo ......................................................................................................................100 3.5 Visão e Análise Sistêmica da Auditoria Interna da Empresa......................104 3.5.1 Caracterização dos Sistemas de Controles Internos da Empresa em Estudo.......................................................................................................................104 3.5.2 Custo x Benefícios dos Controles Internos no Ponto de Vista da Empresa em Estudo................................................................................................................105 3.5.6 Análise dos Controles Internos pela Auditoria Interna da Empresa em Estudo.......................................................................................................................108 3.5.7 Participação da auditoria Interna na Participação da Administração Geral ...................................................................................................................................109 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................111 REFERÊNCIAS........................................................................................................113 14 1 INTRODUÇÃO Atualmente, as irregularidades nas organizações são avaliadas dentro de enfoques globais, devido que cada decisão mal tomada influenciará na atividade econômica da entidade, ocasionando conseqüências sobre as decisões gerenciais, financeiras, patrimoniais ou até mesmo na continuidade da empresa. Com o desenvolvimento das empresas ampliam-se os riscos em relação aos controles, pois a entidade deverá ter segurança de todo o seu patrimônio e de suas atividades, com este crescimento a organização precisa de maior confiabilidade nos dados e informes, de modo a detectarem os erros e fraudes nos exercícios. O controle é um mecanismo de proteção para as organizações, no qual ao serem aplicados contribuem para o aprimoramento da empresa, sendo que para obter a eficiência é necessário utilizar os trabalhos da auditoria interna, que verifica o cumprimento e governa o sistema de controles internos. Neste sentido, o presente trabalho busca elucidar a utilização dos controles internos para obter seguranças nas informações e no patrimônio, bem como o aprimoramento do mesmo com os trabalhos da auditoria interna e a utilização destes trabalhos na organização dos sistemas operacionais. Para tanto, é realizada uma coleta de informações e dados obtidos junto às referências bibliográficas e um levantamento realizado em uma empresa da região de Criciúma. Assim, o questionário abordou assuntos que relacionam aos controles internos e ao trabalho da auditoria interna sobre os controles. Dessa forma surge a necessidade de demonstrar o tema e problema do estudo em questão, destacando os objetivos gerais e específicos a serem obtidos. Na sequência, destaca-se a justificativa onde se relata a importância do tema exposto e, por último a metodologia aplicada para o desenvolvimento da pesquisa. 15 1.1 Tema e Problema O crescimento das empresas em um ambiente com avanço tecnológico onde mudanças e transformações no mercado ocorrem com frequência, requer para as mesmas maior domínio sobre suas atividades e do seu patrimônio. Neste contexto, faz-se necessário a utilização de controles internos eficientes e seguros para que suas atividades sejam realizadas de forma mais adequadas e consistentes a fim de alcançar os seus objetivos empresariais. A Contabilidade possui como objeto de estudo o patrimônio da entidade, fornece informações quanto à situação econômica, financeira e patrimonial de um determinado período sobre a organização. Esses dados são elaborados por meio da escrituração dos atos e fatos que incide sobre as operações, sendo que o registro é realizado com base nos princípios e normas contábeis, onde são constituídos os demonstrativos e relatórios para os usuários internos e externos, que servem como informações do desempenho das atividades empresariais. Desta forma, como técnica contábil a auditoria utiliza a contabilidade para alcançar seus objetivos de demonstrar informações fidedignas sobre a posição patrimonial e financeira da organização. Sendo que as mesmas têm o patrimônio da empresa como elemento principal em seus trabalhos. A auditoria avalia todos os registros contábeis e administrativos bem como os procedimentos realizados na escrituração contábil. Assim, a auditoria é classificada como interna e externa que também é chamada de auditoria independente. Ambas as auditorias estão inseridas com intuito de permitir uma melhoria contínua nas atividades da entidade. Sendo que a auditoria interna analisa os controles internos da organização e a auditoria externa verifica a fidedignidade das demonstrações contábeis elaboradas pela contabilidade da companhia. A auditoria interna em muitas organizações também é utilizada como instrumento de gestão, uma vez que a mesma proporciona maior garantia para a administração e maior tranqüilidade aos proprietários. Isto porque a auditoria interna é uma ferramenta utilizada para alcançar as diretrizes traçadas pela alta administração. Os trabalhos da auditoria interna consistem em verificar se a política 16 dos controles internos está sendo estabelecida, ou se possuem falhas ou irregularidades. A auditoria interna inspeciona as atividades organizacionais, visando apurar a existência de eventuais desvios no patrimônio da sociedade ou processos sendo executados incorretos, e por conseqüência indicar sugestão viável para a empresa e medidas para a adequação dos sistemas operacionais. Os benefícios proporcionados com o trabalho da auditoria interna não somente agregam valor sobre as operações da companhia, mas também oferecem informações adicionais que são disponibilizadas para os órgãos da administração, para a utilização nas tomadas de decisões, como na análise no processo de planejamento estratégico ou em qualquer outra circunstância que necessite de dados concretos e mais corretos. Neste contexto é importante que as empresas utilizem à auditoria interna e os controles internos em suas operações e avaliem a importância que a mesma pode proporcionar com o seu trabalho. Diante disto, tem-se o seguinte questionamento: Como os trabalhos da auditoria interna aplicados aos procedimentos adotados pelo setor Financeiro, Contas a Receber e a Pagar e Tesouraria podem auxiliar no funcionamento e nas tomadas de decisões em uma empresa da região de Criciúma – Santa Catarina (SC)? 1.2 Objetivos da Pesquisa O presente estudo tem objetivo geral apresentar a importância dos trabalhos da auditoria interna à administração da sociedade empresarial supermercadista da região quanto à adequação dos controles internos do setor financeiro: contas a receber, a pagar e tesouraria, e a utilização desses trabalhos na organização dos sistemas operacionais. Para alcançar o objetivo geral têm-se os objetivos específicos, quais sejam: • Caracterizar os aspectos teóricos que revestem a auditoria interna e externa; a profissão do auditor; as normas e procedimentos que regulam os trabalhos do auditor; 17 • Descrever os conceitos, objetivos e a importância dos controles internos, assim como destacar os procedimentos utilizados pela empresa; • Apresentar por meio de coleta de informações os controles internos sobre os trabalhos da auditoria interna, com reflexo nas tomadas de decisões, por conseqüência e se for o caso apresentar propostas para adequação dos sistemas operacionais avaliados. 1.3 Justificativa Nos dias atuais, o mercado proporciona para as empresas disputas e concorrências, independente das atividades realizadas, a administração precisa de um sistema de controle interno, que supri as suas necessidades, auxiliando na agilidade e rapidez das operações com segurança. Ao implantar o sistema de controle interno na entidade é preciso que se estabeleça com frequência a avaliação desses controles. Para isto é necessário a aplicação dos procedimentos da auditoria interna, no qual possui profissionais especializados para verificar o cumprimento dos controles e atestar a fidedignidade e a segurança nas rotinas de trabalho realizadas pela organização. Conforme Migliavacca (2004, p. 21) sobre o desenvolvimento dos negócios com o controle interno: Esta ação de controle interno, sem dúvida, assegurará a administração melhores condições para decidir e consequentemente aumentará as perspectivas de desenvolvimento dos negócios da empresa, tornando-a mais competitiva no mercado em que atua. Portanto, considera-se que a auditoria interna controla as operações realizadas pela empresa, comprovando as informações proporcionadas pelos controles internos e garantindo a segurança e salvaguarda do patrimônio da sociedade. A auditoria interna estrutura seus trabalhos conforme a necessidade de cada departamento a ser auditado, visando a busca da eficiência e eficácia dos sistemas operacionais da empresa. Para Sá (2002, p. 469): 18 A auditoria interna é um órgão de controle que, possuindo máxima liberdade, deve “acompanhar” os comportamentos da atividade empresarial ou institucional, visando, basicamente: Confiabilidade interna dos sistemas de controle; Confiabilidade interna dos registros contábeis; Confiabilidade interna dos informes; Avaliação da eficácia das funções patrimoniais. Neste sentido, compreende-se que a auditoria interna é uma ferramenta de gestão nas empresas, pois fornece a administração informações concretas sobre toda a entidade, tais como a atual situação patrimonial e suas atividades, possibilitando que seja possível tomar decisões, com base nos dados disponibilizados, diminuindo a ocorrência de erros. A auditoria interna também detecta as fragilidades, ou seja, avalia o sistema de controle interno, caso encontre pontos fracos no sistema recomenda melhorias, garantindo um bom funcionamento e eficiência das funções. Em meio a este contexto, entende-se que a auditoria interna é um instrumento determinante ao sucesso e continuidade das empresas, sendo uma alternativa indispensável para todos os departamentos da entidade. Deste modo, esta pesquisa demonstrará os trabalhos da auditoria interna no departamento Financeiro em uma empresa, no qual objetiva à continuidade operacional e o aprimoramento no mercado, mostrando a importância dos seus trabalhos sobre o sistema de controle e transformando as informações obtidas em cada procedimento do trabalho em dados sólidos, que contribuirá em tomada de decisões. 1.4 Metodologia A metodologia, por meio de um conjunto de procedimentos utilizados com métodos e pesquisas obtém a resolução para uma determinada pesquisa. Conforme Barros e Lehfeld (2000, p. 1), “a metodologia, em um nível aplicado, examina e avalia as técnicas de pesquisa, bem como a geração ou a verificação de novos métodos que conduzem à captação e processamento de informações com vistas à resolução de problemas de investigação.” O presente estudo foi desenvolvido a partir dos objetivos por meio de pesquisa descritiva. Através da exposição dos objetivos pretende-se caracterizar o 19 profissional Auditor Interno; conceituar auditoria interna e os procedimentos que compõem a execução dos trabalhos realizado nas organizações e a utilização dos controles internos. De acordo com Oliveira (1999, p.114), “é um tipo de estudo que permite ao pesquisador a obtenção de uma melhor compreensão do comportamento de diversos fatores e elementos que influenciam determinado fenômeno.” Os procedimentos abordados neste trabalho foram feitos com base em pesquisas bibliográficas e levantamento, no qual na primeira será analisada por meio de estudos entre vários autores que emitem seus conhecimentos em livros, artigos, e revistas. No segundo item deste trabalho é apresentado o resultado do questionário aplicado ao gestor e auditor interno da empresa da região, no qual é verificado a utilização dos trabalhos da auditoria interna e os procedimentos realizados pela auditoria. Conforme Barros e Lehfeld (2000, p.15), “para realizar uma pesquisa bibliográfica, é fundamental que o pesquisador faça um levantamento dos temas e tipos de abordagens já trabalhadas por outros estudiosos, assimilando os conceitos e explorando os aspectos publicados.” O levantamento de acordo com Gil (1996, p. 56), “basicamente, procede-se a solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante analise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.” A abordagem do problema é realizada em forma de pesquisa qualitativa, descrevendo os procedimentos no qual irá identificar a complexidade da auditoria interna, realizada pelo auditor. O método quantitativo é muito utilizado no desenvolvimento das pesquisas descritivas, na qual se procura descobrir e classificar a relação entre variáveis, assim como na investigação da relação de casualidade entre os fenômenos: causa e efeito. (OLIVEIRA, 1999, p. 115) Para compor a amostra são utilizados questionários destinados ao gestor e auditor interno da empresa para contribuir na pesquisa, conforme Apollinário (2006, p.125), “amostra representa um subconjunto de sujeitos extraído de uma população por meio de alguma técnica de amostragem.” Conforme Marconi e Lakatos (2003, p.201), “questionário é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador.” 20 A utilização desses métodos de estudos deve contribuir para alcançar os objetivos propostos, norteando o desenvolvimento da pesquisa. 21 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo apresenta-se o embasamento conceitual da auditoria e dos controles internos, destacando as características e tópicos que envolvem diretamente e indiretamente o tema em estudo. A auditoria está inserida na Ciência Contábil, sendo uma técnica da Contabilidade que examina se os documentos, livros e registros são elaborados conforme os princípios e normas contábeis. Desta forma, a auditoria é um complemento indispensável para a contabilidade, pois verifica a veracidade de seus registros de acordo com os atos e fatos ocorridos com a empresa, confirmando a real situação patrimonial. Para mensurar a adequação e confiabilidade dos registros e das demonstrações contábeis, a contabilidade utiliza-se também de uma técnica que lhe é própria, chamada auditoria, que consiste no exame de documentos, livros e registros, inspeções, obtenção de informações e confirmações internas e externas, obedecendo às normas apropriadas de procedimento, objetivando verificar se as demonstrações contábeis representam adequadamente a situação nelas demonstrada, de acordo com princípios fundamentais e normas de contabilidade, aplicados de maneira uniforme. (FRANCO E MARRA, 2001, p. 26). Com intuito de manter o aperfeiçoamento e o controle das operações financeiras os trabalhos da auditoria interna são de suma importância na empresa, pois atua como instrumento de avaliação dos controles internos, permitindo a adequação e melhoria do sistema de controle na organização. De acordo com Crepaldi (2002, p. 25): A filosofia da auditoria consiste em avaliar a política de sistema da empresa, em termos da adequação, comunicação, aceitação, aplicação e controle, se é necessária na situação, se contribui para atingir os objetivos da empresa, se permite assegurar a correta utilização dos recursos da empresa, tanto de natureza financeira, econômica e humana. Os trabalhos da auditoria interna também são utilizados como instrumento de gestão em muitas entidades, pois analisa a eficiência e eficácia dos controles internos, proporcionando maior segurança a suas operações e confiabilidade para que sejam realizadas decisões gerenciais em suas transações comerciais e operacionais. 22 2.1 Surgimento da Auditoria Nas seções a seguir apresenta-se o surgimento da auditoria abordando a sua origem e outras peculiaridades que se relacionam à sua evolução e forma de trabalho, além de outras informações pertinentes ao estudo em questão. 2.1.1 Origem e Evolução da Auditoria A origem da auditoria provém de épocas antigas, no qual era utilizada para fins de opinião sobre a situação patrimonial e empregada como controle de bens, para Sá (2002), a importância da auditoria é reconhecida há milênios, desde a antiga Suméria, no qual existem provas arqueológicas de inspeções e verificações de registros utilizados entre a família real de Urukagina e o tempo sacerdotal sumeriano e que datam de mais de 4.500 anos antes de Cristo. Com a evolução das grandes organizações mundiais a auditoria progrediu no mercado, pois com a necessidade da obtenção da exatidão dos registros contábeis, o desenvolvimento econômico e a aplicação de impostos sobre as suas atividades fizeram com que a confirmação da real situação patrimonial informada pela auditoria fosse de grande valia. Franco e Marra (2001, p.39) descrevem que: A auditoria surgiu primeiramente na Inglaterra, que, como dominadora dos mares e controladora do comércio mundial, foi a primeira a possuir as grandes companhias de comércio e a primeira também a instituir a taxação do imposto de renda, baseando nos lucros da empresas. Portanto, considera-se que a expansão da auditoria decorre do capitalismo e da taxação dos impostos, no qual as grandes organizações necessitavam de informações para aplicar os devidos tributos. Jund (2001, p. 5) sanciona que, “o berço da moderna auditoria foi à Inglaterra, que a exportou para outros países, inclusive para o Brasil, juntamente com seus investimentos [...].” Desta forma, o exercício da profissão expandiu à medida que a contabilidade disponibilizava dados sobre os capitais das organizações, sendo que 23 perante terceiros essas informações tinham veracidade com o trabalho da auditoria sobre a entidade. Conforme destaca Perez Junior (1998, p. 13), “com a evolução da Ciência Contábil, que se tornou imprescindível à administração das empresas, desenvolveuse também, de forma notável a técnica de auditoria [...].” Contudo, a expansão da profissão contábil agregou valor ao profissional contador que possuía especialidade em auditoria, abrindo novos mercados para atuarem nas empresas de grande porte. Para Crepaldi (2002, p. 97), O surgimento e o progresso da auditoria verificam-se, em todos os países do mundo, como conseqüência dos seguintes fatores: • o crescimento de empresas, cuja complexidade e ramificações tornam impossível aos administradores controlar todos os atos de seus subordinados; • o aparecimento, cada vez maior o número, das sociedades abertas; • a utilização, sempre crescente, de capitais de terceiros por parte das empresas, principalmente de financiamentos de entidades particulares e empréstimos junto ao publico; • o crescimento da importância do imposto de renda - baseado no resultado do exercício – na receita publica de muitos países; • o controle, cada vez maior, do Poder Publico, sobre as empresas particulares e entidades que exercem atividades relacionadas com o interesse publico. Assim, com a competição acirrada no mercado de trabalho, fez com o número de profissionais da auditoria aumentasse, surgindo entidade de classe que estabelece seus diretos e deveres. Para Sá (2002, p. 22), “a organização profissional de auditores mais antiga, na America, é a American Association of Public Accountants, fundada em 1887.” Ainda Sá (2008), comenta que por volta da década de 60, assuntos ligados ao tema contábil identificaram-se novas funções profissionais fortalecendo as segmentações funcionais como as de “Auditor Interno”, “Controller”, “Auditor analista” e “Consultor” por influência dos Estados Unidos intensificaram a busca por profissionais em tais funções. Com o capitalismo influenciando o crescimento das sociedades privadas e públicas as demonstrações contábeis elaboradas e apresentadas pela entidade abrangiam valor com a figura do auditor, sendo assim entendesse as razões pelo notável envolvimento e desenvolvimento da auditoria nas companhias. As causas responsáveis pelo surgimento da auditoria são atualmente determinantes por sua evolução. A grandeza econômica e comercial da Inglaterra e 24 da Holanda, em fins de séculos passados, bem como dos Estados Unidos, onde hoje a profissão é mais desenvolvida, determinou a evolução da auditoria, como conseqüência o crescimento das empresas, o aumento de sua complexidade e do envolvimento do interesse da economia popular nos grandes empreendimentos. (FRANCO E MARRA, 2000). Contudo, os trabalhos da auditoria tiveram maior transparência devido à abrangência de sua utilização por usuários internos e externo das informações emitidas pelo auditor, sendo as mesmas muitas vezes responsáveis pelo desenvolvimento das empresas. 2.1.2 Surgimento da Auditoria no Brasil No Brasil com a instalação de empresas estrangeiras em meados do século XX, as organizações já utilizavam a auditoria como confirmação de seus registros, desta forma a auditoria foi estabelecida no território. Franco e Marra (2000), consideram que com o término da Segunda Grande Guerra, muitas das grandes empresas estrangeiras instalaram-se no Brasil trazendo o habito da auditoria, sendo considerada indispensável em outros países para a confirmação do patrimônio, pois os investidores permaneciam nos países origens, controlando seus capitais a distancia. O cenário no Brasil com o surgimento da auditoria no século XX possuía empresas familiares e filiais de grande porte estrangeira, no qual a auditoria era realizada por auditores vindos do exterior, com o objetivo de enviar informações das filiais para a matriz em outros países. (JUND, 2001). Com a necessidade da auditoria nas entidades estrangeiras, vários escritórios do exterior foram instalados no território brasileiro com o intuito de examinar as atividades empresariais, originando o desenvolvimento da profissão. A primeira empresa de auditoria a estabelecer-se no Brasil foi a MC-auliffe Davis Bell & Co, em 1909, hoje com o nome de Arthur Andersen S.C. O documento que oficializou o estabelecimento da MC- Auliffe no Brasil foi uma alteração de contrato, assinada em Londres, em 1911, por Henry Thomas Mc-Auliffe, Alfred Edward Maidlow e David Bell, este ultimo na condição de sócio-residente no Brasil. (MAGALHAES, LUNKES e MULLER, 2001, p.18). 25 Desta maneira, as firmas de auditoria abriram seus escritórios no Brasil visando atender seus clientes e desenvolvendo os auditores brasileiros, no qual foram treinados e seus trabalhos supervisionados pelos auditores estrangeiros, aperfeiçoando suas funções e conhecimentos. Para Sá (2002, p. 22), “o amadurecimento de tais medidas deve-se, no Brasil, ao desenvolvimento do mercado de capitais, depois da Lei nº. 4.728, de julho de 1965.” Nas empresas com ações colocadas no mercado de capitais e com registro de emissão no Banco Central do Brasil a auditoria passou a ser obrigatória para todas estas companhias, contudo houve uma grande atuação e procura por profissionais especializados em realizar auditoria. Franco e Marra (2000), descrevem que conforme Banco Central do Brasil – Resolução nº 39, de 20-5-66 estabelece a auditoria independente seja obrigatória para as empresas que operam na Bolsa de Valores, ao mesmo tempo os trabalhos dos auditores são fiscalizados pelo órgão competente CVM - Comissão de Valores Mobiliários, além dessa disposição, outros regulamentos obrigavam à utilização dos serviços de auditoria mediante a aplicação de normas e procedimentos aplicáveis ao trabalho do auditor. Normas éticas também regulamentavam o profissional auditor. Magalhães, Lunkes e Muller (2001) possuem o mesmo entendimento que Franco e Marra, pois explanam que com o surgimento das Sociedades por Ações (Lei nº. 6404) e com a lei que criou a CVM (Lei nº 6.385) proporcionou um as bases para a consolidação da auditoria no Brasil, como principio, pois estabeleceu uma obrigatoriedade para as empresas de capital aberto em terem as suas demonstrações contábeis auditada por auditores independentes e segundo por terem estabelecido a fiscalização para a atividade de auditores independentes. Desta forma, no ano de 1977 surgiu em Brasília o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil - IAIB, que em 1978 era a instituição que agregava maior número de auditores do país. Sendo que com o advento da Lei nº 6.385, de 07-121976 o registro de auditores para o mercado de capitais passou a ser responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editando várias normas e iniciou o patrocínio de um comitê especifico para este fim. (SÁ, 2002). Para Sá (2002, p. 23): Posteriormente, o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, IAIB, transformou-se no Ibracon – Instituto Brasileiro de contabilidade – e esta é 26 a entidade que ainda hoje congrega vários auditores, dedicando-se a editar normas e princípios e reunindo profissionais de tal segmento. Diante disto, atualmente no Brasil as legislações que desenvolvem as normas e regulamentam a profissão do auditor, são provindas de embasamentos com doutrinas coerentes para a sua atuação sendo possível aplicar tais atividades e conhecimentos em diversos setores como o público e privado. 2.1.3 Causas do Crescimento da Auditoria A auditoria como ramificação da Contabilidade, utiliza os princípios contábeis para confirmar os registros elaborados e apresentados pela empresa seus trabalhos são aproveitados por vários usuários, mas de acordo com Franco e Marra (2001, p. 43) sua atuação interessa principalmente a: • • • • • • Executivos de empresas, que não podem fiscalizar todos os atos de seus subordinados; Investidores que não tomam parte ativa na administração de uma Sociedade (é o caso dos acionistas em sociedades abertas); Financiadores e fornecedores que desejam ver confirmada a possibilidade de liquidação de seus créditos; O fisco, que tem na auditoria idônea uma colaboração útil para orientação dos contribuintes e para evitar sonegação de impostos; O Poder Público, quando se trata de empresas ou entidades de interesse coletivo que devem sofrer controles e fiscalização do Estado; Os empregados das empresas, quando eles participam dos lucros e estão interessados na confirmação dos resultados apurados. Com a necessidade das confirmações dos registros contábeis e controle sobre as operações internas a auditoria é utilizada como instrumento de gestão na organização, sendo um benefício para a administração no qual utiliza os dados do trabalho da auditoria para realizar empreendimentos e domínio sobre suas atividades, contribuindo com a confiabilidade de seus registros. Conforme Franco e Marra (2001, p.31), “[...] é a auditoria que dá credibilidade as demonstrações contábeis e as informações nelas contidas.” Desta forma, os motivos que provocam o aumento da procura pelos serviços da auditoria são referentes à obtenção de transparência sobre as operações da organização, segurança para os investidores sobre as informações contábeis e subsídios necessários para realizar decisões gerenciais. 27 Na condição de desenvolvimento o país tem contribuindo no campo da auditoria no Brasil, com o surgimento de grandes empresas e até de conglomerados econômicos com ramificações no exterior a região está em progresso em todos os setores como na comunicação, nos transportes, na construção civil, nas finanças e em vários outros campos da atividade econômica, propiciando a complexidade e interligações de negócios e transações, ocorrendo à necessidade e a evolução dos controles. Assim a auditoria, como o valioso instrumento de aferição desses controles, experimentá gradativa e ascendente evolução no campo da contabilidade, custo, finanças, economia, legislação fiscal e comercial, de organização e métodos e de processo eletrônico de dados. (CREPALDI, 2002). Assim, as empresas que implantam a auditoria em suas operações colaboram para a melhoria dos controles sendo uma preciosa ferramenta de eficiência e indispensabilidade nos setores da entidade, visando à fidedignidade das informações contábeis e dos sistemas operacionais. 2.2 Vantagens e Reflexos dos Trabalhos da Auditoria A auditoria atualmente é uma tecnologia de instrumento gerencial, no qual aplica a revisão e pesquisa sobre o patrimônio da empresa e todas as suas operações realizadas e confirma a real situação patrimonial e a eficiência dos controles adotados pela entidade, tornando-se um veículo de conhecimento para os usuários. Para Crepaldi (2002, p.29) a auditoria atualmente: [...] é um meio indispensável de confirmação da eficiência dos controles e fator de maior tranqüilidade para a administração e de maior garantia para investidores, bem como para o próprio fisco, que tem na auditoria o colaborador eficiente e insuspeito, que contribui indiretamente para melhor aplicação das leis fiscais. Desta forma, com a confiabilidade e segurança proporcionada pelo auditor e os seus trabalhos, fazem com que a auditoria seja cada vez mais valorizada nas companhias. Quanto às vantagens dos trabalhos da auditoria diz-se que são inúmeras, como de controle e assessoramento nas informações para as tomadas de decisões, colaborando constantemente para o aperfeiçoamento da empresa. 28 De acordo com Franco e Marra (2001, p. 34): Para a administração da empresa, a auditoria oferece as seguintes vantagens: a) Fiscaliza a eficiência dos controles internos; b) Assegura maior correção dos registros contábeis; c) Opina sobre a adequação das demonstrações contábeis; d) Dificulta desvios de bens patrimoniais e pagamentos indevidos de despesas; e) Possibilita apuração de omissões no registro das receitas, na realização oportuna de créditos ou na liquidação oportuna de débitos; f) Contribui para obtenção de melhores informações sobre a real situação econômica, patrimonial e financeira das empresas; g) Aponta falhas na organização administrativa da empresa e nos controles internos. Para os investidores (titulares de capital), a auditoria oferece as seguintes vantagens: a) Contribui para maior exatidão das demonstrações contábeis; b) Possibilita melhores informações sobre a real situação econômica, patrimonial e financeira das empresas; c) Assegura maior exatidão dos resultados apurados. Para o fisco, a auditoria oferece as seguintes vantagens: a) Permite maior exatidão das demonstrações contábeis; b) Assegura maior exatidão dos resultados apurados; c) Contribui para maior observância das leis fiscais. Com o intuito de apresentar a fidedigna situação patrimonial à auditoria possui grande relevância para a sociedade e para o fisco, pois a mesma contribui para que os investidores apliquem seus capitais em empreendimentos de terceiros e para que o fisco como auxilie para analise dos cumprimentos das obrigações fiscais conforme a atividade realizada pela entidade. A participação do auditor e do reflexo de seu trabalho em questões e decisões também é de grande valia para as empresas, contribuindo com soluções mais acertadas e econômicas. Crepaldi (2002) demonstra que a auditoria estabelece as seguintes características: • Sistema informal de atualização dos executivos; • Instrumentos adicionais de controle das atividades e do patrimônio; • Avaliação de desempenho e sistemas de informações internas para gestão; • Assessoria na área de controle e utilização de informática; • Planos de reorganização societária (fusão, cisão, incorporação, holding), inclusive, com o objetivo de atender os planos para a abertura de capital; • Expansão de atividades, mudanças geográficas e decisões quanto à descontinuidade e linhas e unidades. 29 A utilização da auditoria nas organizações do mesmo modo que oferece suporte para a gestão também desempenha função de proteção a riqueza patrimonial, dando maior segurança aos proprietários, administradores e demais colaboradores e investidores do patrimônio. Para Jund (2001, p. 30-31) a auditoria apresenta os seguintes aspectos: Sob o aspecto Administrativo: contribui para a redução de ineficiência, negligência, incapacidade e improbidade de empregados e administradores. Sob o aspecto Patrimonial: possibilita melhor controle dos bens, direitos e obrigações que constituem o patrimônio. Sob o aspecto fiscal: é fator de mais rigoroso cumprimento das obrigações fiscais, resguardando o patrimônio contra multas e o proprietário contra penalidades decorrentes da lei de sonegação de impostos. Sob o aspecto Técnico: contribui para mais adequada utilização das contas, maior eficiência dos serviços contábeis, maior precisão das informações e garantia de que a escrituração e as demonstrações contábeis forma elaboradas de acordo com princípios e normas de contabilidade. Sob o aspecto Financeiro: resguarda créditos de terceiros – fornecedores e financiadores – contra possíveis fraudes e dilapidações do patrimônio permitindo maior controle dos recursos para fazer face a esses compromissos. Sob o aspecto Econômico: assegura maior exatidão dos custos e veracidade dos resultados, na defesa do interesse dos investidores e titulares do patrimônio. Sob o aspecto Ético: examina a moralidade do ato praticado, pois o registro poderá estar tecnicamente elaborado e o fato legalmente comprovado, porém, o ato da administração poderá ser moralmente indefensável, cabendo a auditoria apontá-lo para julgamento dos titulares do patrimônio ou de seus credores. Os aspectos oferecidos pelo trabalho da auditoria explanam ser um método de verificação adequado para averiguar o sistema de controle utilizado pela empresa, analisando a eficiência e a eficácia de suas atividades. A auditoria ainda contribui com vantagens para a sociedade em geral e para os usuários que estão relacionados direta ou indiretamente com a organização e para as demais empresas. Segundo Franco e Marra (2001, p. 35) a auditoria oferece as seguintes vantagens: a) Dá credibilidade às demonstrações contábeis dessas empresas. b) Assegura a veracidade das informações, das quais dependerá a tranquilidade quanto à sanidade das empresas e à garantia de empregos. c) Informa, através das demonstrações contábeis do conjunto das empresas, o grau de evolução e solidez da economia nacional. Contudo, compreende-se que os serviços da auditoria atuam sobre os vários setores e seguimentos, incidindo sobre os controles internos e a adequação das demonstrações contábeis conforme as normas e princípios contábeis 30 pertinentes. Sendo assim, percebe-se a auditoria uma técnica notável para o desenvolvimento da organização. 2.3 Tipos de Auditoria – Funções e Diferenças Compreende-se por auditoria a análise dos documentos, registros e livros que demonstram o controle do patrimônio, avaliando a veracidade das informações e comprovando a exatidão das demonstrações contábeis, assim como proporcionar maior segurança ao patrimônio da sociedade. De acordo Araújo, Arruda e Barretto (2008, p.1): A tarefa de conceituar auditoria não é das mais fáceis, especialmente em face de possibilidade de aplicação dessa técnica em muitas áreas do conhecimento humano. Etimologicamente, a palavra “auditoria” origina-se do latim audire (ouvir). Inicialmente, foi utilizada pelos ingleses (auditing) para significar o conjunto de procedimentos técnicos utilizados para a revisão da escrituração e evidenciação dos registros contábeis. Atualmente, possui significado muito mais abrangente. No sentido lato, auditoria é o processo de confrontação entre uma situação encontrada e um determinado critério, ou, em outras palavras, é a comparação entre o fato efetivamente ocorrido e o que deveria ocorrer. Nessa acepção, podese também afirmar que a auditoria significa o conjunto de procedimentos técnicos aplicados de forma independente sobre uma relação que envolve a obrigação de responder por uma responsabilidade conferida, objetivando emitir um informe de como essa obrigação esta sendo cumprida, ou seja, para verificar se os relatórios e as informações decorrentes dessa relação são adequados e justos. A auditoria externa envolve o exame dos documentos, livros e registros, inspeções e obtenção de informações e confirmações, internas e externas relacionadas com o controle do patrimônio, objetivando a mensurar a exatidão desses registros e das demonstrações contábeis decorrentes. (CREPALDI, 2002). Franco e Marra (2001, p. 28) defini a auditoria como: A técnica contábil que – através de procedimentos específicos que lhe são peculiares, aplicados no exame de registros e documentos, inspeções, e na obtenção de informações e confirmações, relacionados com o controle do patrimônio de uma entidade – objetiva obter elementos de convicção que permitam julgar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com os princípios fundamentais e normas de Contabilidade e se as demonstrações contábeis deles decorrentes refletem adequadamente a situação econômica-financeira do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado e as demais situações nelas demonstradas . 31 Assim, nos trabalhos da auditoria não é só somente examinar as demonstrações contábeis como também objetiva a analisar os métodos seguidos na administração com escopo de reduzir as irregularidades. Araújo, Arruda e Barretto (2008, p. 2) destacam ainda que, “a auditoria é, portanto, o ato de confrontar a condição – situação encontrada, ou o que é – com o critério – situação ideal, ou o que deve ser.” Com essa análise comparativa da real situação encontrada com a posição esperada, a auditoria levantará as recomendações apropriadas caso encontre divergência nas situações. A auditoria é classificada em auditoria interna e a auditoria externa, sendo que para obter a qualidade e adequação de seus trabalhos, ambas realizam a troca de informações. De acordo com Crepaldi (2002, p. 51) “é importante compatibilizar os métodos de trabalho da auditoria interna e dos auditores independentes, em especial nas questões relativas à avaliação dos controles internos, critérios na fixação dos testes [...].” Desta forma, os trabalhos da auditoria interna e externa são exercidos com o objetivo de manter o desempenho da organização e o aprimoramento dos controles implantados e utilizados pela empresa. Apresentando as demonstrações contábeis mais adequadas possíveis o que dá maior credibilidade aos dados da empresa auditada. Para Crepaldi (2002, p. 53) os trabalhos da auditoria devem: [...] aumentar a eficácia gerencial por meio de recomendações compatíveis, aplicáveis e inovadoras, aumentar a eficácia e eficiência do processo auditorial e trazer benefícios efetivos para a entidade auditada. A identificação das áreas onde os controles internos adotados tendem a apresentar problemas e o aprimoramento dos padrões de trabalho de ambas as partes são necessários. Por fim, aparecem como objetivo a busca da valorização profissional do auditor, independente e interno, na própria entidade e também na comunidade empresarial e profissional e a apresentação de propostas que represente avanços para a entidade, como forma de antecipar-se ao mercado em que atua. Ambas as auditorias oferecem benefícios à empresa, a seguir é realizada a definição de cada gênero de auditoria, bem como demonstrar os objetivos e importância nas organizações e destacar suas diferenças e algumas semelhanças. 32 2.3.1 Auditoria Interna A auditoria interna surgiu para garantir maior segurança, eficiência e eficácia dos controles internos, acompanhando os atos e registros da gestão, sendo uma prevenção de erros e/ou fraudes, fornecendo sugestões na política administrativas e estratégia para a organização sendo desempenhada por funcionários da própria empresa. Conforme Crepaldi (2002, p. 39): A auditoria interna é uma atividade de avaliação independente dentro da empresa, que de destina a revisar as operações, como um serviço prestado a administração. Constitui um controle gerencial que funciona por meio de análise e avaliação da eficiência de outros controles. É executada por um profissional ligado a empresa, ou por uma seção própria para tal fim, sempre em linha de dependência da direção empresarial. O auditor interno é pessoa de confiança dos dirigentes: está vinculado a empresa por contrato trabalhista continuando e sua intervenção é permanente. Sua área de atuação envolve todas as atividades da empresa; predominam a verificação constante dos controles internos, a manipulação de valores e a execução de rotinas administrativas [...]. Desta forma, os trabalhos desenvolvidos pela auditoria devem ser realizados por alguém responsável que tenha conhecimento dos setores da entidade. Atuando através de sistema que vise fornecer informações de todos os níveis para a administração. Assim, a auditoria interna possui muitas características, benefícios e importância na organização, nos próximos tópicos será destacado estes aspectos para o aprimoramento do contexto. 2.3.1.1 Aspectos Conceituais de Auditoria Interna A auditoria interna tornou-se uma ferramenta imprescindível nas empresas, os trabalhos da auditoria estabelecem obediência às diretrizes estabelecidas pela administração na execução dos seus planejamentos e controles internos. Para Santos, Schmidt e Gomes (2006, p. 39), “a auditoria interna se constitui no conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo examinar a 33 integridade, a adequação e a eficácia dos controles internos e das informações físicas, contábeis, financeiras e operacionais da entidade.” Deste modo, as empresas ao implantar a auditoria em suas operações estabelecem controle sobre as mesmas, proporcionando segurança sobre o empreendimento. A Norma Brasileira de Contabilidade T 12 - NBC do CFC (2008, p. 398) estabelece que a auditoria interna: A Auditoria Interna compreende os exames, análises, avaliações, levantamentos e comprovações, metodologicamente estruturados para a avaliação da integridade, adequação, eficácia, eficiência e economicidade dos processos, dos sistemas de informações e de controles internos integrados ao ambiente, e de gerenciamento de riscos, com vistas a assistir à administração da entidade no cumprimento de seus objetivos. Assim, desenvolve-se o entendimento que a eficácia e eficiência do controle interno implantando pela organização são responsabilidade da auditoria interna, que possui como intuito obter o alcance das metas estabelecidas pelo órgão administrativo da companhia. De acordo com Paula (1999, p. 32): Pode-se definir a Auditoria Interna como sendo uma atividade de avaliação independente, que, atuando em parceria com os administradores e especialistas, deverá avaliar a eficiência e a eficácia dos sistemas de controle de toda a entidade, agindo proativamente, zelando pela observância às políticas traçadas e provocando melhorias, fornecendo subsídios aos proprietários e administradores para a tomada de decisão, visando ao cumprimento da missão da entidade. Com esta definição sobre as atividades da entidade, a auditoria é considerada para os gestores como um instrumento necessário com todas as informações para as tomadas de decisões. A auditoria interna também agrega valor a organização, contribuindo com os negócios da empresa e controlando as operações. As atividades da auditoria interna estão estruturadas em procedimentos, com enfoque técnico, sistemático e disciplinado e tem por finalidade agregar valor ao resultado da organização, apresentando subsídios para o aperfeiçoamento dos processos, da gestão e dos controles internos, por meio da recomendação de soluções para as não-conformidades apontadas nos relatórios. (ARAÚJO; ARRUDA; BARRETTO, 2008, p.30). Com a exposição da coleta de informações para a administração a auditoria possibilita o desenvolvimento na gestão e aumenta a sua importância nos 34 resultados na empresa, pois mantém a obediência na execução das rotinas operacionais. Com exames e análises sobre o controle interno a auditoria mantém o controle e avaliação dos controles internos. Como atividade de avaliação e medição multidisciplinar os trabalhos da auditoria interna também pode ser determinada, com o interesse em obter a revisão dos controles e das operações de forma a fornecer subsídios à administração na tomada de decisão. (PAULA, 1999). A auditoria também possui desempenho de controle gerencial que funciona por meio de medição, avaliação da eficiência e eficácia de outros controles. Devendo ser considerada como uma atividade de assessoramento a administração quanto ao desempenho de suas atribuições definidas por cada área da empresa, mediante as diretrizes políticas e objetivos determinados. A auditoria interna cumpre um papel fundamental na empresa, uma vez que ela subsidia o administrador com dados e informações tecnicamente elaborados, relativos às atividades para cujo acompanhamento e supervisão este não tem condições de realizar diretamente, e ela o faz mediante o exame da: adequação e eficácia dos controles; integridade e confiabilidade das informações e registros; integridade e confiabilidade dos sistemas estabelecidos para assegurar a observância das políticas, metas, planos, procedimentos, leis, normas e regulamentos, de sua efetiva aplicação pela empresa; eficiência, eficácia e economicidade do desempenho e da utilização dos recursos, dos procedimentos e métodos para salvaguarda dos ativos e da comprovação de sua existência, bem como da exatidão dos ativos e passivos; compatibilidade das operações e programas com os objetivos, planos e meios de execução estabelecidos. (SANTOS, SCHMIDT e GOMES, 2006, p. 40). A auditoria interna deve-se relacionar-se com as questões referentes à economicidade, eficiência, eficácia e efetividades dos controles internos, sempre buscando o aprimoramento do sistema de controle. Atividade independente de avaliação de uma organização, mediante a revisão de sua contabilidade, finanças e outras operações que servem de base a administração da empresa. Também se pode dizer que é um controle gerencial que funciona medindo e avaliando a eficácia dos controles internos. (GUZMÁN, 1991, p. 37 apud ARAÚJO; ARRUDA; BARRETTO, 2008, p. 29). Ao realizar os procedimentos da auditoria interna, deve-se ser avaliar de forma criteriosa todas as operações da empresa indiferente do porte da organização, para que seja possível obter informações precisas. 35 Uma auditoria desenvolvida de forma criteriosa e em conformidade com as disposições normativas pode contribuir para a melhoria dos controles internos, para salvaguardar os ativos, resguardar os direitos de terceiros, reduzir a ineficiência, a ineficácia e o desperdício na execução das operações, bem como coibir a prática de atos abusivos, também assegurando, consequentemente, a adequação dos demonstrativos contábeis e de outras informações financeiras e gerenciais complementares. (ARAÚJO; ARRUDA, BARRETTO, 2008, p. 8) Desta forma, compreende-se que a auditoria é um suporte que ministra a adequação e eficiência dos controles internos e a qualidade de todas as operações realizadas pela empresa em decisões empresariais com informações operacionais e contábeis. 2.3.1.2 Missão da Auditoria Interna A auditoria interna tem como missão avaliar as operações realizadas pela empresa, verificar o sistema de controle interno, bem como a execução dos seus planejamentos e o desempenho da organização nos segmentos empresarias, auxiliando a administração. Conforme Jund (2001, p. 27) a auditoria tem por missão básica: [...] assessorar e aconselhar a direção, em todos os níveis, fazendo recomendações sobre diretrizes, planos, sistemas, procedimentos, operações, transações etc., visando, entre outros resultados: Simplificar procedimentos e, portanto, otimizar os custos; Melhorar a execução e a eficiência das áreas; Corrigir problemas organizacionais, funcionais ou operacionais; Otimizar a aplicação da legislação fiscal e seus custos; Melhorar a qualidade e velocidade de informações para tomada de decisões gerenciais. O trabalho realizado pelo auditor muitas vezes é deliberado por sua motivação em analisar as perspectivas para a empresa e a avaliação de riscos em um ambiente futuro, desta forma a missão futura da empresa será a mesma missão atual, em salvaguardar protegendo e servindo organizações, público acionistas, clientes, diretores e a alta administração das empresas, contribuindo com os administradores e a empresa em geral a identificar riscos significativos, enquanto as potencias forem ainda avaliáveis, preservando deste modo os fatos e a integridade da entidade. (ATTIE, 2007). 36 Desta forma, os trabalhos realizados pela auditoria interna possuem incumbência de assessorar a administração por meio de exames na entidade de forma a contribuir para o desempenho de suas atribuições e responsabilidades, agregar valor aos bens ou serviços executados pela empresa e garantir aos acionistas a confiabilidade do gerenciamento da organização com os serviços da auditoria. Portanto, a determinação da missão da auditoria interna em uma empresa permite constituir um parâmetro no qual será conferido com os trabalhos da auditoria verificando os procedimentos realizados para atingir os objetivos propostos. 2.3.1.3 Objetivos e Funções da Auditoria Interna A auditoria interna tem como alvo ser passível de realização, no qual os objetivos devem ser alcançados considerando os recursos disponíveis e aplicados em cada circunstância. Deste modo, para Paula (1999, p. 44) os objetivos da auditoria interna são: • • • • • • • • • • assessorar a administração, gerando informações para a tomada de decisão nos seus diversos níveis, voltando-se para o exame e avaliação dos sistemas de controle, bem como da qualidade do desempenho das áreas, concorrendo para o integral atingimento dos objetivos empresariais; salvaguarda os ativos e comprovar sua existência, assim como assegurar a exatidão dos ativos e passivos; certificar se os objetivos operacionais e de negócios estão sendo atingidos e se os meios utilizados são os mais adequados e eficientes, em relação aos custos envolvidos, prazos estabelecidos e os benefícios obtidos; agregar valor aos produtos; assegurar a observância as políticas, planos, procedimentos, leis; acompanhar e avaliar providências e soluções adotadas em relação às recomendações e sugestões apresentadas nos relatórios de Auditoria; realizar análise prévia de matérias a serem apreciadas em reunião de diretoria; responder pelo atendimento e apoio ao conselho fiscal (quando houver) no desempenho de suas funções, coordenando a consecução de sua agenda de trabalho; coordenar e controlar o atendimento ao Tribunal de Contas do Estado (no caso de estatais), quanto às demandas de informações, diligências e Auditorias realizadas na empresa; identificar possíveis desvios no atingimento às diretrizes e políticas definidas pela administração, no sentido de propor medidas para a 37 • • melhoria e o aprimoramento do desempenho operacional da organização; desenvolver controles que possibilitem informar á direção os riscos que podem influir no resultado da empresa; evidenciar oportunidades a serem exploradas. As funções estabelecidas para a auditoria interna contribuem com informações que auxilia todos os membros e órgãos da administração, com o desempenho efetivo de seus objetivos e responsabilidade, disponibiliza recomendações e comentários pertinentes ao negócio da entidade e a atuação da auditoria, assim as funções exposta a auditoria englobam as áreas de contabilidade, finanças e demais setores operacionais submetidos ao exame. Na agregação de valor aos produtos a auditoria interna possui como objetivo contribuir para os negócios da empresa, sempre utilizando informações das áreas auditadas. Assim, para Santos, Schmidt e Gomes (2006, p. 42) os objetivos globais da auditoria interna envolvem atividades como: • • • • • revisão e avaliação da correção dos controles contábeis, financeiros e outros de natureza operacional, propiciando controles eficazes a um custo razoável; determinação do grau de controle dos ativos da empresa quanto à proteção contra perdas de qualquer natureza; determinação da fidelidade dos dados administrativos originados na própria empresa; avaliação da qualidade de desempenho na execução de tarefas atribuídas; recomendação de melhorias operacionais. Desta forma, compreende-se que a auditoria interna assessora a administração, com informações úteis em tomada de decisões e em avaliação dos controles internos, assegurando que os objetivos operacionais e de negócios estão sendo atingidos. Para Crepaldi (2002), mesmo que o profissional da auditoria interna seja empregado da empresa sua independência é essencial para a eficiência da auditoria interna, para obter a independência é fundamental o posicionamento na estrutura organizacional e a objetividade: na auditoria interna, o posicionamento da função na estrutura organizacional e o apoio transmitido para esta função pela administração da organização são os principais determinantes da amplitude e valor do trabalho da auditoria, no qual o responsável por executar este trabalho deve reportar-se ao executivo 38 com autoridade para aprovar uma ação efetiva com os assuntos levantados e sugestões realizadas. a objetividade é essencial a função da auditoria. O auditor deve desenvolver e implantar os procedimentos realizados os seus serviços, verificando as irregularidades que podem danificar sua independência. Sendo a função da auditoria interna na entidade necessária para contribuir com os membros da organização, fornecendo análise, avaliações, recomendações e informações referentes às atividades examinadas no seu trabalho. Deste modo, compreende-se que a função e objetivo da auditoria interna esta relacionada com a exatidão das informações proporcionadas para a empresa e realizar o controle sobre os seus bens, direito e obrigações. 2.3.1.4 Necessidade e Importância da Auditoria Interna Com o avanço da globalização e a competição no mercado motiva as empresas a obter maior controle sobre suas operações, desta forma será possível obter informações necessárias para realizar decisões gerenciais, assim à auditoria interna é uma técnica apropriada para realizar esta tarefa. A importância da auditoria interna está ligada ao crescimento das empresas e à conseqüente necessidade de delegação de poderes a terceiros. Neste ponto é que a auditoria interna tomou forma, como meio de fiscalização dos trabalhos executados e acompanhados desses em cada setor da empresa. (SANTOS, SCHMIDT e GOMES, 2006, p. 48). Assim, o trabalho de fiscalização realizado pela auditoria interna não é com intuito de punir os responsáveis por tal ocorrência e sim constatar se os controles internos estão sendo realizados corretamente e se precisa realizar alguma melhoria na política de gestão da empresa, promovendo o aperfeiçoamento nos controles. Para Paula (1999, 40) em relação à importância da auditoria interna “a flexibilidade, o conhecimento, a criatividade e a competência da ação da Auditoria são determinantes para a compreensão de sua importância.” A autora ainda expõe que a importância dos trabalhos da auditoria interna em uma empresa, pois: é parte essencial do sistema global de controle interno; 39 leva o conhecimento da alta administração o retrato fiel do desempenho da empresa, seus problemas, pontos críticos e necessidades de providências, sugerindo soluções; mostra os desvios organizacionais existentes no processo decisório e no planejamento; é uma atividade abrangente, cobrindo todas as áreas da empresa; é medida pelos resultados alcançados na assessoria à alta administração e à estrutura organizacional, quanto ao cumprimento das políticas traçadas, da legislação aplicável e dos normativos internos; apresenta sugestões para a melhoria dos controles implantados ou em estudos de viabilização; recomenda redução de custos, eliminação de desperdícios, melhoria da qualidade e aumento da produtividade; assegura que os controles e as rotinas estejam sendo corretamente executados, que os dados contábeis merecem confiança e refletem a realidade da organização e que as diretrizes traçadas estão sendo observadas; estimula o funcionamento regular do sistema de custos, controle interno e o cumprimento da legislação; coordena o relacionamento com os órgãos de controle governamental; avalia, de forma independente, as atividades desenvolvidas pelos diversos órgãos da companhia e por empresas controladas e coligadas; ajuda a administração na busca de eficiência e do melhor desempenho, nas funções operacionais e na gestão dos negócios da companhia. (PAULA, 1999, p.40) Com a dinâmica e as transformações na entidade o trabalho da auditoria interna certifica a administração e aos gestores que o sistema de controle interno e a rotina das atividades realizadas pela organização estão sendo realizadas perfeitamente. Em relação à necessidade da auditoria interna, a mesma torna-se precisa nas entidades por ser um intermédio da administração com os setores da organização, analisando todos os processos e tarefas realizadas pelos seus colaboradores, nos setores administrativos e operacionais de forma a verificar se esta sendo seguido o modelo decisório pelo gestor. Conforme Paula (1999, p. 42) a necessidade da auditoria interna está relacionada aos seguintes fatores: • • • • garantir que os procedimentos internos e as rotinas de trabalho sejam executados de forma a atender aos objetivos da entidade e às diretrizes da alta administração; porque atesta a integridade e fidedignidade dos dados contábeis e das informações gerenciais, que irão subsidiar as tomadas de decisões dos dirigentes; por salvaguardar os valores da entidade; porque, mesmo com todos os controles perfeitos, ainda existiriam pessoas em seus quadros funcionais sujeitas às naturais fraquezas humanas, para as quais não existem controles; 40 • • • • • • • • • por permitir a análise dos dados com isenção e independência; porque assessora a administração no desempenho de suas funções e responsabilidades, fortalecendo o controle interno; por sua importância como órgão de assessoramento, servindo como olhos e ouvidos de seus dirigentes; porque colabora com o fortalecimento dos controles internos e ajuda a agregar valor aos produtos; porque assegura à alta administração que as diretrizes administrativas e de ordem legal estão sendo cumpridas adequadamente; para fins de acompanhamento de fatores críticos de sucesso; por avaliar os controles internos da empresa. A sua inexistência, a médio e longo prazos, poderia ocasionar a deterioração dos controles internos de uma maneira geral; porque a auditoria Interna traduz-se num braços da alta administração; por ser obrigatório sob o aspecto legal estatuário. Neste contexto compreende-se que o assessoramento disponibilizado pelos trabalhos da auditoria interna deve ser obediente às normas internas estabelecidas pela entidade, no qual os mesmos possuem apoio da gerência para realizar os exames em cada departamento. Na Figura 1 destacam-se as atividades realizadas pela auditoria interna em monitoramento dos controles gerenciais provocam em melhorias do sistema de controle e com consequência haverá um ampliação do desempenho gerencial, proporcionando eficácia e eficiência devido à utilização proporcionadas pela auditoria interna. Figura 1: Como a Auditoria Interna Afeta o Desempenho Gerencial Fonte: Maher e Ramanan (1998, p. 27) apud Oliveira e Diniz (2001, p.99). de informações 41 Diante disto é fundamental que os trabalhos da auditoria interna em uma companhia, com o trabalho de analisar, examinar e diagnosticar o cumprimento da execução dos controles internos conforme pré-estabelecidos e a comunicação com os responsáveis de cada departamento podendo transmitir a importância dos seus serviços em cada setor empresarial. 2.3.1.5 Principais Motivos para a Não Implementação das Melhorias Sugeridas Pela Auditoria Interna Após o auditor interno realizar seus trabalhos sobre os controles internos, conferindo sua eficácia e adequação é indicada alguns pontos que podem ser melhorados ou outros que estão prejudicando a eficiência dos controles e devem ser alterados, muitas vezes as sugestões não são adotadas, nesse caso podem ser considerados alguns dos fatores, que são segundo Paula (1999): • Falta de colaboradores disponível ou qualificado para ajustar as mudanças; • Depende de outros setores da empresa não somente da área auditada; • Os departamentos não concordam os pontos que necessitam de ajustes; • Algumas recomendações teoricamente demonstram resultados, mas na pratica encontra-se barreiras e situações que desaprovam a implantação; • Falta de interesse da entidade em ajustar os pontos conforme sugerido. Contudo, esses são alguns dos motivos para a não implementação das indicações realizadas pela auditoria no término de seus trabalhos, sendo que estes pontos fracos ou que precisem de melhorias influenciam na eficiência dos controles internos, cabendo aos seus dirigentes estar cientes dessas situações. 2.3.1.6 Normas Profissionais do Auditor Interno O especialista para exercer a função de auditor interno nas organizações é regido por uma norma específica, que foi editada e alterada, conforme as exigências no mercado. 42 Atualmente, as normas profissionais do Auditor Interno são regidas pela Resolução Conselho Federal Contabilidade (CFC) nº 781 de 24 de março de 1995 NBC P 3 – Normas Profissionais do Auditor Interno, que estabelece para os requisitos necessários para o exercício da atividade, no qual se destacam os seguintes itens: 3.1 – COMPETÊNCIA TÉCNICO-PROFISSIONAL 3.1.1 – O Contador, na função de auditor interno, deve manter o seu nível de competência profissional pelo conhecimento atualizado das Normas Brasileiras de Contabilidade, das técnicas contábeis, especialmente na área de auditoria, da legislação inerente à profissão, dos conceitos e técnicas administrativas e da legislação aplicável à Entidade. 3.2 – AUTONOMIA PROFISSIONAL 3.2.1 – O auditor interno, não obstante sua posição funcional, deve preservar sua autonomia profissional. 3.3 – RESPONSABILIDADE DO AUDITOR INTERNO NA EXECUÇÃO DOS TRABALHOS 3.3.1 – O auditor interno deve ter o máximo de cuidado, imparcialidade e zelo na realização dos trabalhos e na exposição das conclusões. 3.3.2 – A amplitude do trabalho do auditor interno e sua responsabilidade estão limitadas à sua área de atuação. 3.3.3 – A utilização da equipe técnica supõe razoável segurança de que o trabalho venha a ser executado por pessoas com capacitação profissional e treinamento, requeridas nas circunstâncias. 3.3.4 – Cabe também ao auditor interno, quando solicitado, prestar assessoria ao Conselho Fiscal ou órgãos equivalentes. 3.4 – RELACIONAMENTO COM PROFISSIONAIS DE OUTRAS ÁREAS 3.4.1 – O auditor interno pode realizar trabalhos de forma compartilhada com profissionais de outras áreas, situação em que a equipe fará a divisão de tarefas, segundo a habilitação técnica e legal dos seus participantes. 3.5 – SIGILO 3.5.1 – O auditor interno deve respeitar o sigilo relativamente às informações obtidas durante o seu trabalho, não as divulgando para terceiros, sob nenhuma circunstância, sem autorização expressa da Entidade em que atua. 3.5.2 – O dever de manter o sigilo continua depois de terminado o vínculo empregatício ou contratual. 3.6 – COOPERAÇÃO COM O AUDITOR INDEPENDENTE 3.6.1 – O auditor interno, quando previamente estabelecido com a administração da entidade em que atua, e no âmbito de planejamento conjunto do trabalho a realizar, deve apresentar os seus papéis de trabalho ao auditor independente e entregar-lhe cópias, quando este entender necessário. Desta forma, há que se observarem as regras estabelecidas para o profissional da auditoria interna, como no quesito de conhecimento sobre as alterações nas normas de Contabilidade, para atuar nas entidades adequadamente. Segundo Attie (2007, p. 36), “o departamento de auditoria interna precisa assegurar-se de que os auditores possuem competência e instrução compatível com as tarefas que executarão.” Portanto, para realizar as atividades o auditor deverá ter conhecimento e capacitação para determinada função, caso ao contrário não poderá executá-la. 43 Conforme Franco e Marra (2001, p. 219): A auditoria interna é aquela exercida por funcionários da própria empresa, em caráter permanente. Apesar de seu vínculo à empresa, o auditor interno deve exercer sua função com absoluta independência profissional, preenchendo todas as condições necessárias ao auditor externo, mas também exigindo da empresa o cumprimento daqueles que lhe cabem. Ele deve exercer sua função com total obediência às normas de auditoria e o vínculo de emprego não lhe deve tirar a independência do profissional, pois sua subordinação à administração da empresa deve ser apenas sob o aspecto funcional. Assim, os serviços da auditoria devem ser realizados com independência profissional e idôneo de forma que a sua dependência com a administração seja apenas relacionada com a funcionalidade da organização. Porém, compreende-se que o auditor no exercício de sua profissão deverá manter sigilo de todas as informações relacionadas ao seu trabalho e sustentar um bom relacionamento profissional com os setores auditados, pois as informações transmitidas por cada responsável do segmento contribuirão para a eficiência de seu trabalho. Desta forma, as normas relativas à pessoa do auditor interno estabelecem os procedimentos e as regras necessárias para cumprir o seu trabalho com competência. 2.3.2 Auditoria Externa ou Independente A auditoria independente transmite aos usuários das informações sobre a situação patrimonial e financeira da empresa. Assim a auditoria confirma os dados elaborados pelas entidades, tornando as informações administrativas e contábeis lícitas perante a sociedade. Essa fiscalização, exercida pela auditoria sobre os registros e demonstrações contábeis, dá-lhe maior consistência e maior veracidade, por várias razões, entre as quais podemos citar: a) O profissional que executa os registros contábeis o faz com maior atenção e rigor, pelo simples fato de saber que o seu trabalho será examinado e seus erros apontados. b) empregados e administradores temem erros e fraudes, na certeza de que estes poderão ser apontados aos poderes superiores. c) Os titulares do patrimônio, por sua vez, prestam contas, através da auditoria, a seus credores e ao fisco. d) Outros fatores de ordem econômica e social, que exigem a atuação do auditor independente. (FRANCO e MARRA, 2001, p. 33). 44 A presença do auditor através de seus trabalhos na entidade faz com que os funcionários realizem suas atividades com maior cuidado, de modo que não ocasione nenhuma irregularidade para a companhia, contudo este não é o único favorecimento do trabalho da auditoria e sim: O auditor externo, pela relevância de seu trabalho perante o público dado a credibilidade que oferece no mercado, constitui-se numa figura ímpar que se prestam inestimáveis serviços ao acionista, aos banqueiros, aos órgãos públicos governamentais e público em geral. (CREPALDI, 2002, p.49). A auditoria externa com seu serviço confirma a fidedignidade das demonstrações contábeis e controle sobre o patrimônio, confirmando os registros dos bens, direitos e obrigações conforme os registros realizados dos mesmos. Além de proporcionar maior credibilidade as demonstrações contábeis. Assim a auditoria independente ou externa é uma classe da auditoria que possui muitas normas, benefícios e importância na organização, nos próximos tópicos serão destacados estes aspectos para o aprimoramento do contexto. 2.3.2.1 Aspectos Conceituais de Auditoria Independente A auditoria independente é uma profissão autônoma que deve ser exercida pelo profissional hábil Contábil, conforme Perez Junior (1998, p. 14), “a auditoria é uma técnica autônoma entre as técnicas da Ciência Contábil, razão pela qual tem o objeto perfeitamente identificando e definido [...].” A profissão do auditor é uma especialização da Ciência Contábil, no qual utiliza os princípios e normas contábeis para realizar o seu trabalho nas empresas auditadas. Para Jund (2001) a auditoria é uma técnica utilizada pela contabilidade, no qual destina a examinar a escrituração e demonstrações contábeis, a fim confirmar a sua adequação, desta forma a auditoria aperfeiçoa a utilidade das informações fornecidas e dá credibilidade à contabilidade. O auditor externo não possui vínculo empregatício com a empresa, o mesmo é contratado pela auditada para expor seu parecer sobre as demonstrações contábeis, no qual envolvem os bens, direitos e obrigações da entidade. De acordo com Basso (2005, p. 35): 45 A condição de independência é fundamental e óbvia para o exercício da atividade de auditor independente. Entende-se como independência o estado no qual as obrigações ou os interesses da entidade de auditoria são suficientemente isentos dos interesses dos clientes para permitir que os serviços sejam prestados com objetividade. Em suma, é a capacidade que a entidade de auditoria tem de julgar e atuar com integridade e objetividade, permitindo a emissão de relatórios ou pareceres imparciais em relação a entidade auditada, acionistas, sócios, quotistas, cooperados e todas as demais partes que possam estar relacionadas com o seu trabalho. Os trabalhos da auditoria não só contribui para a veracidade das demonstrações contábeis como também contribui para o desenvolvimento da organização, pois com o parecer do auditor emitido sobre as demonstrações financeiras, muitos usuários investem nos empreendimentos de forma a permitir o crescimento econômico. O serviço da auditoria é praticado por contador que atuam por conta própria, credenciados por órgãos específicos (Conselho Regional de Contabilidade – CRC, Comissão de Valores Mobiliários – CVM, Banco Central – BACEN, entre outros). Por não ser subordinado a empresa e qualquer outra ligação com a entidade, o auditor acaba sendo reconhecido como auditores independentes para expressar uma opinião sobre a adequação ou não das demonstrações contábeis e demais procedimentos de controles internos. (HOOG e CARLIN, 2008). Os artifícios utilizados nos trabalhos de auditoria identificam-se conforme a empresa auditada, mas existe uma conformidade com alguns itens, como: • • • • • • comprovação, pelo registro, de que são exatos os fatos patrimoniais; demonstração dos erros e fraudes encontrados; sugestão das providências cabíveis, visando à prevenção de erros e fraudes; verificação de que a contabilidade é satisfatória sob o aspecto sistemático e de organização; verificação do funcionamento do controle interno; proposição de medidas de previsão de fatos patrimoniais, com o propósito de manter a empresa dentro dos limites de organização e legalidade. (JUND, 2001, p. 26). O parecer emitido pelo auditor sobre as demonstrações contábeis é a confirmação da situação patrimonial naquele determinado período, não avalia a viabilidade do empreendimento futuramente, conforme as Normas Brasileira de Contabilidade T 11 do CFC (2008, p. 223), “o parecer do auditor independente tem por limite os próprios objetivos da auditoria das demonstrações contábeis e não representa, pois, garantia de viabilidade futura da entidade ou algum tipo de atestado de eficácia da administração na gestão dos negócios.” 46 Desta forma, conclui-se que ao auditar uma companhia o auditor deverá apresentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis por meio de seu parecer, no qual irá expor a fidedignidade das demonstrações contábeis que será elaborada com base nos exames dos setores operacionais da entidade tendo como suporte as normas contábeis e a legislação vigente para cada operação. 2.3.2.2 Objetivos da Auditoria Independente A auditoria externa possui como objetivo o exame sobre as demonstrações contábeis elaboradas pela empresa sob a responsabilidade do Contador e da sua Administração. Cabendo ao auditor a responsabilidade pela emissão de sua opinião, divulgando a propriedade das demonstrações contábeis. Para tanto, o auditor deve analisar se os princípios contábeis foram aplicados corretamente aos fatos registrados pela organização. Para Santos, Schmidt e Gomes (2006, p. 23) o objetivo da auditoria compreende: O objetivo principal da auditoria pode ser descrito como o processo pelo qual o auditor se certifica da veracidade das demonstrações contábeis preparadas pela empresa auditada. Em seu exame, por um lado o auditor utiliza os critérios e os procedimentos que lhe traduzem provas que assegurem a efetividade dos valores consubstanciados nas demonstrações contábeis e, por outro lado, cerca-se dos procedimentos que lhe permitem assegurar a inexistência de valores ou fatos não considerados nas demonstrações contábeis que sejam necessários para o adequado entendimento da situação econômico-financeira da empresa. Neste caso, compreende-se que a auditoria externa avalia a exatidão das demonstrações contábeis e se as mesmas foram elaboradas conforme as normas e princípios contábeis. Conforme Cherman (2005) o objetivo da auditoria é emitir um parecer sobre as demonstrações contábeis, desta forma a auditoria externa não é realizada para detectar fraudes, erros ou interferir na administração da empresa, ou reorganizar o processo produtivo ou adequar o quadro funcionário. Espontaneamente durante a execução de seus trabalhos o auditor pode encontrar fraudes ou erros, mas seu objetivo não esta relacionado a isto e sim a emitir um parecer sobre as demonstrações contábeis. 47 Basso (2005, p. 93) menciona que: O objetivo da auditoria pode ser caracterizado como o conjunto de todos os elementos de controle do patrimônio administrativo, compreendendo os procedimentos e instrumentos de registros contábeis, documentos, papéis, fichas, arquivos, anotações e informações que comprovem a veracidade dos registros e a legitimidade dos atos da administração, bem como sua fidelidade na defesa dos interesses patrimoniais. Também são objeto da auditoria fatos ligados ao patrimônio, ainda que carentes de documentos, porém identificáveis por meio de outros procedimentos. Desta forma, compreende-se que o patrimônio da entidade auditada está totalmente ligado ao trabalho realizado pela auditoria e que o mesmo é a finalidade de análise do auditor. Hoog e Carlin (2008) descrevem que o objetivo da auditoria é proporcionar credibilidade as informações divulgadas através dos balanços e demais peças contábeis pelas demais sociedades em geral, fazendo com que os bens, direitos e obrigações estejam demonstrados e valorizados dentro das práticas contábeis. Diante do exposto, entende-se que a auditoria além de confirmar a real situação patrimonial da entidade também contribui com o seu desenvolvimento econômico, pois o parecer do auditor perante a sociedade transmite a confiabilidade sobre o empreendimento permitindo novos investimentos. 2.3.2.3 Necessidade e Importância da Auditoria Independente A utilização dos trabalhos da auditoria sobre as demonstrações financeiras não só contribui com a credibilidade sobre as mesmas, como também em outras situações a emissão do parecer do auditor independente é indispensável para realizar suas operações como a negociação de ações na bolsa de valores ou a aquisição de empréstimos com terceiros. Os motivos necessários que levam a uma empresa contratar os serviços auditor externo ou independente para Cherman (2005, p. 6) são: - Obrigação Legal: As companhias abertas são obrigadas por lei. - Imposição de bancos para ceder empréstimos. - Imposição estatuária. - Para efeito de fusão, incorporação cisão ou consolidação. 48 Assim, a importância da auditoria sobre as demonstrações contábeis e sobre os controles internos também equivale à redução das margens de erros sobre as informações escrituradas pela entidade. Para Hoog e Carlin (2008, p.55): Todas as organizações que possuem auditoria acabam sendo apreciadas em suas relações com o mercado com mais seguranças, haja vista que os auditores, na execução de seus trabalhos, acabam sendo avalistas das informações destas organizações. Do mesmo modo que os trabalhos da auditoria são utilizados para realizar operação com terceiros, o mesmo pode ser um instrumento de controle na gestão, desta forma o uso deste serviço contribui para a sobrevivência da entidade no mercado. 2.3.2.4 Condições para Registro e Exercício do Auditor Independente Para realizar os serviços da auditoria externa o auditor além de seguir as normas pertinentes a execução de suas atividades, deverá seguir um perfil em seu comportamento perante a empresa auditada, conforme estabelecido da CVM IN nº. 308/99. De acordo com Hoog e Carlin (2008, p. 72) o auditor deve seguir alguns aspectos na sua profissão: O auditor para ter credibilidade, quando do cumprimento do exercício profissional, deve obrigatoriamente seguir alguns princípios inerentes a sua profissão: Integridade: qualidade de que é honesto e imparcial; Ação: agir de forma escrupulosamente clara e precisa; Posicionamento: manter-se nos limites de seu labor; Objetividade: facilidade de transmitir somente aquilo que interessa; Independência: liberdade para emitir uma opinião imparcial sobre assunto que envolve dois ou mais interessados; Confidencialidade: sigilo das informações dos clientes auditados; Competência profissional: elevado grau de conhecimento técnico; Atendimento as normas técnicas tanto aquelas que regulam a profissão, quanto as que regulam determinados tipos de clientes, conforme sua atividade; Zelo: dedicação e cuidados especiais nos trabalhos. Além dos requisitos expostos acima a CVM estabelecem a Instrução nº 308 de 14 de maio de 1999 no qual demonstra os requisitos necessários para obter 49 o registro de auditor independente e poder realizar as atividades no mercado de valores mobiliários: Art. 1º - O auditor independente, para exercer atividade no âmbito do mercado de valores mobiliários, está sujeito ao registro na Comissão de Valores Mobiliários, regulado pela presente Instrução. Art. 2º O registro de auditor independente compreende duas categorias: I - Auditor Independente - Pessoa Física (AIPF), conferido ao contador que satisfaça os requisitos previstos nos arts. 3º e 5º desta Instrução; II - Auditor Independente - Pessoa Jurídica (AIPJ), conferido à sociedade profissional, constituída sob a forma de sociedade civil, que satisfaça os requisitos previstos nos arts. 4º e 6º desta Instrução. § 1º A Comissão de Valores Mobiliários manterá, ainda, cadastro dos responsáveis técnicos autorizados a emitir e assinar parecer de auditoria, em nome de cada sociedade, no âmbito do mercado de valores mobiliários. § 2º Para efeito desta Instrução, os responsáveis técnicos compreendem os sócios, diretores e demais contadores integrantes do quadro técnico de cada sociedade, que tenham atendido às exigências contidas nesta Instrução. Art. 3º Para fins de registro na categoria de Auditor Independente - Pessoa Física, deverá o interessado atender às seguintes condições: I - Estar registrado em Conselho Regional de Contabilidade, na categoria de contador; II - Haver exercido atividade de auditoria de demonstrações contábeis, dentro do território nacional, por período não inferior a cinco anos, consecutivos ou não, contados a partir da data do registro em Conselho Regional de Contabilidade, na categoria de contador, nos termos do art. III - Estar exercendo atividade de auditoria independente, mantendo escritório profissional legalizado, em nome próprio, com instalações compatíveis com o exercício da atividade, em condições que garantam a guarda, a segurança e o sigilo dos documentos e informações decorrentes dessa atividade, bem como a privacidade no relacionamento com seus clientes; IV - Possuir conhecimento permanentemente atualizado sobre o ramo de atividade, os negócios e as práticas contábeis e operacionais de seus clientes, bem como possuir estrutura operacional adequada ao seu número e porte; e V – Ter sido aprovado em exame de qualificação técnica previsto no art. 30. Art. 4º Para fins de registro na categoria de Auditor Independente - Pessoa Jurídica deverá a interessada atender às seguintes condições: I - Estar inscrita no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, sob a forma de sociedade civil, constituída exclusivamente para prestação de serviços profissionais de auditoria e demais serviços inerentes à profissão de contador; II – Que todos os sócios sejam contadores e que, pelo menos a metade desses, sejam cadastrados como responsáveis técnicos, conforme disposto nos §§ 1º e 2º do art. 2º. III – Constar do contrato social, ou ato constitutivo equivalente, cláusula dispondo que a sociedade responsabilizar-se-á pela reparação de dano que causar a terceiros, por culpa ou dolo, no exercício da atividade profissional e que os sócios responderão solidaria e ilimitadamente pelas obrigações sociais, depois de esgotados os bens da sociedade; IV – Estar regularmente inscrita, bem como seus sócios e demais responsáveis técnicos regularmente registrados, em Conselho Regional de Contabilidade; V – Terem todos os responsáveis técnicos autorizados a emitir e assinar parecer de auditoria em nome da sociedade, conforme disposto nos §§ 1º e 2º do art. 2º, exercido atividade de auditoria de demonstrações contábeis, 50 comprovada nos termos do art. 7º; dentro do território nacional por período não inferior a cinco anos, consecutivos ou não, contados a partir da data do registro em Conselho Regional de Contabilidade, na categoria de contador; VI - Terem sido todos os responsáveis técnicos aprovados em exame de qualificação técnica previsto no art. 30; VII – Manter escritório profissional legalizado em nome da sociedade, com instalações compatíveis com o exercício da atividade de auditoria independente, em condições que garantam a guarda, a segurança e o sigilo dos documentos e informações decorrentes dessa atividade, bem como a privacidade no relacionamento com seus clientes; e VIII - Manter quadro permanente de pessoal técnico adequado ao número e porte de seus clientes, com conhecimento constantemente atualizado sobre o seu ramo de atividade, os negócios, as práticas contábeis e operacionais. Desta forma, para que o auditor exerça sua profissão legalmente, deverá seguir as condições instituídas pelos órgãos que concedem o registro ao auditor externo, sendo que perante as empresas que necessitam do parecer do auditor independente o comprimento destas exigências é imprescindível. De acordo com Hoog (2008, p. 130): A auditoria tem como seu destaque as revisões de procedimentos relativos as atividades de interesse da CVM, pois a Lei 6.385/76, arts. 26 e 27 tratam do assunto, enfatizando o registro do profissional na CVM que esta normalizando as condições que consideram ideais para conceder o registro. Naturalmente é importante frisarmos que este registro da CVM só é obrigatório quando a empresa auditada esta entre aquelas relacionadas na lei, ficando fora as auditorias das sociedades empresariais que não estejam negociando ações na bolsa e que não estejam operando com valores mobiliários. Por meio destas condições para o registro e exercício da atividade de auditor independente, compreende-se a credibilidade e reverência possuída pelo profissional auditor, no qual exerce sua profissão tecnicamente instruída e hábil para o trabalho. 2.3.3 Diferença entre Auditoria Interna e Externa Embora os trabalhos da auditoria estejam relacionados com o mesmo ambiente que é que o patrimônio da empresa, ambos possuem diferenças peculiares nos seus serviços. No quadro a seguir Jund (2001, p. 29) demonstra as características que diferenciam a auditoria interna da auditoria externa, sendo nos aspectos:\ 51 Tabela 1: Características que Diferenciam a Auditoria Interna da Auditoria Externa ELEMENTOS AUDITORIA INTERNA AUDITORIA EXTERNA Profissional Funcionário da empresa (auditor interno) Exame dos processos (operacionais contábeis e sistêmicos). Promover melhorias nos controles da empresa de forma a assegurar a proteção do patrimônio. Recomendações de controle interno e eficiência administrativa. Prestador de serviços independente Ação e Objetivo Finalidade Relatório Principal Demonstrações Financeiras Opinar sobre as Demonstrações Financeiras Parecer Grau de Independência Menos amplo Mais amplo Interessados no trabalho A empresa A empresa e o público Responsabilidade Trabalhista Profissional, civil e criminal Menor Maior Maior Menor Contínuo Periódico Números de áreas cobertas pelo exame durante um período Intensidade dos trabalhadores em cada área Continuidade do trabalho Fonte: Jund (2001, p. 29) Assim compreende-se que o fator primordial das distinções entre as duas classes de auditoria é a independência do profissional no seu trabalho, no auditor interno sua independência é limitada e responde aos administradores da entidade pelos seus trabalhos, sendo dependente do emprego, já na auditoria independente seu trabalho é regido pelas normas profissionais e emite seu parecer logo após de realizar o exame sobre os demonstrativos sem intervenção da administração da organização possuindo independência profissional. Já Araújo, arruda e Barretto (2008, p. 32) destacam as principais diferenças entre a auditoria interna e externa: 52 Tabela 2: Principais Diferenças entre as Auditorias Interna e Externa AUDITORIA INTERNA É executada por empregado da organização ou empresa auditada. Portanto, é realizada por profissionais que possuem uma independência relativa. Ultimamente, tem se observado a terceirização dos serviços de auditoria interna. O auditor interno deve ser independente em relação às atividades e as pessoas cujo trabalho esta sob escopo de seu exame, devendo subordinar-se as necessidades da administração. Objetividade atender as necessidades e aos interesses da administração. Logo, a extensão (escopo) dos seus trabalhos será sempre definida em função dos anseios de alta direção. A avaliação do sistema de controle interno é realizada para, entre outras finalidades, desenvolver, aperfeiçoar e induzir ao cumprimento de normas. Não se restringe aos assuntos financeiros, englobando também as áreas operacionais. Os exames são direcionados para a identificação de erros e fraudes, que é responsabilidade primária da administração. As áreas objeto da auditoria são continuamente revisadas. A periodicidade é definida pela administração. AUDITORIA EXTERNA O profissional que a realiza não possui qualquer vínculo empregatício nem relação de interesse com a empresa auditada. O auditor externo é independente em relação à empresa auditada. Não pode ser influenciado por fatores estranhos, por preconceitos ou quaisquer outros elementos que resultem em perda, efetiva ou aparente, de sua independência. Os objetivos fundamentais são atender as necessidades de terceiros interessados pela empresa auditada, especialmente, na área privada, os acionistas que nela estão investindo capital, no que tange a adequação das informações contábeis. A revisão de controles internos atende as normas de auditoria e objetiva a determinar a extensão (escopo) do exame das informações contábeis, no caso auditoria contábil. O exame esta limitado principalmente aos aspectos financeiros. O enfoque esta voltado para as demonstrações contábeis. Os trabalhos devem ser planejados de modo a identificar erros e fraudes que ocasionem efeitos relevantes nas demonstrações contábeis. As informações comprobatórias das demonstrações contábeis são auditadas periodicamente, geralmente em base anual. Fonte: Araújo, arruda e Barretto (2008, p. 32) Ambas as auditorias possuem suas diferenças, conforme exposto no quadro acima, mas estão relacionadas ao patrimônio da empresa e demonstrar as informações fidedignas. Para Santos, Schmidt e Gomes (2006, p. 50-51) as principais e fundamentais diferenças entre a auditoria interna e externa são: a) extensão dos trabalhos: o escopo dos trabalhos realizados pelo auditor interno normalmente é determinado pela gerência, enquanto que o do auditor externo é determinado pelas normas usuais reconhecidas no país ou requerido por legislação específica; b) direção: o auditor interno dirige seus trabalhos para assegurar que o sistema contábil e de controle interno funcione eficientemente, a fim de que os saldos contábeis fornecidos à gerência apresentem os fatos com exatidão. Os trabalhos do auditor externo são determinados por seu dever de se satisfazer com que as demonstrações contábeis a serem apresentadas a terceiros que reflitam com propriedade a situação contábil 53 de uma empresa em determinada data e os resultados das operações do período examinado; c) responsabilidade: a responsabilidade do auditor interno é para com a gerência, ao passo que a responsabilidade do auditor externo geralmente é mais ampla. É evidente que o auditor interno, sendo funcionário da empresa, não tem condição de total independência que possui o auditor externo; d) métodos: não obstante as diferenças apontadas, os métodos de trabalho de ambos são efetuados em geral por métodos semelhantes. O auditor interno segue mais as rotinas de cunho interno, ou seja, observa o cumprimento rígido das normas internas, pois ele tem o domínio da cultura da empresa; já o auditor externo observa mais o cumprimento das normas associadas às leis de forma bem ampla, ele tem melhor domínio dos aspectos de interesse coletivo. Desta forma, enquanto a auditoria interna realiza o seu trabalho para que não ocorram erros e fraudes promovendo a eficiência dos controles na organização à auditoria independente objetiva emitir seu parecer com base nas analises das demonstrações contábeis e dominar as fraudes sobre os efeitos relevantes. Oliveira e Diniz Filho (2001, p. 21) avaliam que em relação aos controles internos a auditoria interna e externa se diferencia no seguinte quesito: A preocupação do auditor interno é com a eficiência do funcionamento dos controles; esse aspecto é de fundamental importância para seus trabalhos. A auditoria externa independente, por sua vez, verifica se possíveis falhas nos controles internos podem produzir efeitos relevantes nas demonstrações contábeis. Contudo, os trabalhos realizados pela auditoria interna podem ser utilizados pelo auditor externo que verifica a qualidade e eficiência do sistema de controle, procedendo com maior ênfase aos resultados da auditoria interna no seu exame dos registros e demonstrativos, contribuindo assim com a entidade que utiliza os serviços da auditoria interna e externa. 2.3.4 Relação entre a Auditoria Interna e a Auditoria Externa A existência da auditoria interna e externa em uma organização é de suma importância para a entidade, pois cada uma dispõe de objetivos diferentes que enfatizam a eficácia e eficiência dos controles internos e o desenvolvimento da companhia, sendo que ambas as classes da auditoria auxiliam-se em suas atividades. As sociedades empresárias que possuem auditoria interna, sempre contratam os serviços da auditoria externa, sendo que esta procura se 54 apoiar nos trabalhos do auditor interno para melhor avaliar os sistemas de informações e procedimentos de controle interno. (HOOG e CARLIN, 2008, p. 61). Portanto, a auditoria externa pode-se utilizar dos trabalhos do auditor interno para avaliação dos controles internos, obtendo agilidade nos trabalhos. Ambos profissionais da auditoria interna e externa ao atuarem em uma área da empresa trabalham sobre documentos comprobatórios, revisam as medidas de controle interno, elaboram relatórios e emitem seus pareceres sobre a fidelidade das demonstrações contábeis examinadas, assim como as técnicas e procedimentos administrativos, operacionais e da contabilidade. (BASSO, 2005). Basso (2005, p. 109) ainda relata que os trabalhos das auditorias se aperfeiçoam conforme a qualificação e qualidade dos mesmos, assim: [...] nada impede, entretanto, que ambas se completem, pois a auditoria interna poderá deixar de executar procedimentos que ela sabe serem executados pela auditoria externa, enquanto esta poderá determinar a profundidade de seus exames e quantidade de seus testes segundo a confiança que lhe merecer a auditoria interna, que constitui uma das formas de controle interno. Ao considerar os trabalhos da auditoria interna o auditor independente verifica o nível de organização dos auditores internos, bem como os trabalhos realizados, os relatórios elaborados, a quem foi reportado os mesmos e as recomendações sugeridas, desta forma é possível avaliar se os trabalhos da auditoria interna podendo ser aproveitados. De acordo com Crepaldi (2002, p. 50) a utilização dos trabalhos da auditoria interna na auditoria externa proporciona benefícios para a entidade da seguinte maneira: Concluindo o trabalho do auditor interno, o auditor externo examina os papéis de trabalho do serviço executado e aceita-os depois de seu julgamento, como se o serviço fosse executado por ele. Isto traz a seguinte vantagem para a empresa em exame: reduz tempo de permanência do autor externo no campo e reduz substancialmente o custo dos honorários dos mesmos, além de corroborar os trabalhos da auditoria interna. Contudo a integração dos trabalhos da auditoria interna e independente favorece os trabalhos das duas auditorias, pois disponibiliza maior segurança sobre os controles internos e nas demonstrações contábeis. 55 2.4 Normas e Procedimentos Aplicáveis na Execução dos Trabalhos da Auditoria Nesta seção demonstra-se às definições das normas e procedimentos da auditoria existentes para a realização do exercício da atividade de auditoria. Bem como as normas aplicadas no Brasil, referentes à pessoa do auditor e para a execução dos trabalhos. Expondo os processos do trabalho da auditoria como o planejamento, programas e os papéis de trabalho. 2.4.1 Normas e Procedimentos para os Trabalhos da Auditoria Neste tópico são expostas as definições e diferenças entre as normas regulamentares e os procedimentos aplicáveis no exercício da atividade de auditoria nas empresas. 2.4.1.1 Definições e Diferenças de Normas e Procedimentos As normas e procedimentos estabelecem padrões técnicos para serem realizados os trabalhos da auditoria, assim para que sejam executados os serviços com segurança e eficiência deverão ser cumpridas as regulamentações expostas. As normas da auditoria determinam aos auditores as estruturas nos exames e na preparação dos relatórios, contribuindo para verificar a qualidade dos objetivos da auditoria. Para Crepaldi (2002, p. 112) o conceito de sobre as normas de auditoria compreende: Por normas de auditoria são entendidas as regras estabelecidas pelos órgãos regulares da profissão contábil, em todos os países, com o objetivo de regulamentar o exercício da função do auditor, estabelecendo orientação e diretrizes a serem seguidas por esses profissionais no exercício de suas funções. Elas estabelecem conceitos básicos sobre exigências em relação à pessoa do auditor, a execução de seu trabalho e ao parecer que deverá por ele ser emitido. 56 Deste modo as normas são padrões que devem ser adotados para realizar um trabalho de qualidade, orientando e definindo os limites a serem cumpridos. Conforme Attie (2007, p. 33) “as normas usuais de auditoria representam os requisitos básicos relacionados e a serem observados no desempenho do trabalho de auditoria.” Crepaldi (2000) diz que os procedimentos de auditoria e as Normas Brasileiras de Contabilidade NBC T 11 - Resolução CFC nº 820/97 revogada pela Resolução nº 1.203/2009 expõe que: Os procedimentos de auditoria são os conjuntos de técnicas que permitem ao auditor obter evidências ou provas suficientes e adequadas para fundamentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis auditadas, abrangendo testes de observância e testes substantivos. Os procedimentos de auditoria são aplicados para validar as informações emitidas pelo auditor, dessa forma o exposto pelo mesmo será autentico através dos procedimentos cumpridos em cada área da organização. Para Araújo, Arruda e Barretto (2008, p. 210) os procedimentos de auditoria: Os procedimentos de auditoria são os mecanismos utilizados pelo auditor para a obtenção de evidências ou provas que fundamentarão o relatório de auditoria. Representam o conjunto de técnicas ou métodos que permitem ao auditor obter elementos probatórios, de forma suficiente e adequada, para fundamentar seus comentários, opiniões e recomendações quando da elaboração de seu relatório. São os instrumentos utilizados para verificar se determinadas condição esta em conformidade com dado critério. A aplicação dos procedimentos de auditoria na empresa auditada é atrelada ao objetivo que deverá ser atingido com os trabalhos da auditoria, assim os procedimentos são realizados conforme as metas a serem almejadas, sendo que para cada auditagem é analisado todas as operações desempenhadas. Nos trabalhos de auditoria as normas são aplicadas em todos os auditores para realizar os serviços, já os procedimentos de auditoria são as ações adotadas durante uma auditoria. Enquanto as normas de auditoria são normas para controlar a qualidade do exame e do relatório, os procedimentos de auditoria descrevem as tarefas realmente cumpridas pelo auditor, na realização do exame. As normas de auditoria são claramente estabelecidas e não permite desvio algum, se pretender fazer um exame satisfatório. Em contraposição, os procedimentos de auditoria geralmente aceitos são descritos em termos genéricos, que podem ser modificados de modo a adaptarem-se a um trabalho específico de auditoria. As normas gerais referem-se, primordialmente, ao caráter, atitudes e treinamento de auditores e são também conhecidas como normas pessoais. Dizem respeito ao 57 treinamento técnico e competência do auditor, experiência e zelo profissional e atitude de independência mental. (CREPALDI, 2002, p. 111). Assim, as normas diferem dos procedimentos de auditoria, pois os procedimentos são relacionados com os atos seguidos nos trabalhos de auditoria, enquanto as normas traçam as medidas de qualidade nos serviços e a avaliação pessoal. Nos próximos tópicos serão expostas as normas relativas à pessoa do auditor e à execução dos trabalhos, sendo que as normas que regulamentam os pareceres dos auditores não será objeto de estudo. 2.4.1.2 Procedimentos Usuais a Auditoria - Teste de Substantivo e de Observância Os procedimentos aplicados na empresa auditada possibilitam ao auditor informações que comprovem sua opinião sobre as demonstrações contábeis, abrangendo os testes de observância e substantivos. Para Hoog e Carlin (2009, p.86), “os testes de observância dizem respeito à segurança dos controles internos, enquanto que os testes substantivos avaliam a qualidade dos dados contábeis.” Neste caso, com o intuito de encontrar informações autênticas sobre as operações e patrimônio são utilizados os testes da auditoria, obtendo as evidências necessárias que comprovem a emissão de sua opinião. Conforme Almeida (2003, p. 73): Testes de observância consistem em o auditor se certificar de que o sistema de controle interno levantado é o que realmente esta sendo utilizado. Acontece com frequência que uma empresa tem um excelente sistema de controle interno descrito em seu manual de procedimentos; entretanto, na prática, a situação é totalmente diferente. Caso o sistema em uso seja diferente do descritos nos manuais internos, o auditor deve alterar as informações sobre o sistema, anteriormente levantadas, de forma a ajustá-las a situação real existente. Isso que dizer que o auditor deve avaliar o sistema que efetivamente esta sendo praticado no controle dos ativos da empresa e na produção de dados contábeis confiáveis. O teste de observância destina-se a avaliar os procedimentos de controles da empresa e não a análise dos registros corretos das transações, assim esse é o escopo do teste de observância. 58 De acordo com Crepaldi (2002) o objetivo do teste de observância é proporcionar razoável segurança de que os procedimentos de controles internos adotados pela empresa estão sendo executados conforme prescrito. Com a segurança avaliada pelo testes o auditor determinar a natureza e extensão dos testes substantivos. Para Attie (2007, p. 44): Testes de observância visam à obtenção de razoável segurança de que os controles internos estabelecidos pela administração estão em efetivo funcionamento, inclusive quanto ao seu cumprimento pelos funcionários e administradores da entidade. Na sua aplicação, devem ser considerados os seguintes procedimentos: a) inspeção – verificação de registros, documentos e ativos tangíveis; b) observação – acompanhamento de processos ou procedimentos quanto de sua execução; e c) investigação e confirmação – obtenção de informações perante pessoas físicas ou jurídicas conhecedoras das transações e das operações, dentro ou fora da entidade. Portanto, compreende-se que os testes de observância estão voltados para a análise dos controles internos da organização, conferindo a extensão dos controles conforme as atividades da companhia. Em relação aos testes substantivos Attie (2007, p.44) expõe que “os testes substantivos visam à obtenção de evidências quanto à suficiência, exatidão e validade dos dados produzidos pelos sistemas de informação da entidade.” Assim, nos testes substantivos são aplicados os procedimentos para obter informações suficientes que comprovem as transações e saldos. Crepaldi (2002, p.166) relata que: O objetivo dos testes substantivos é certificar-se da correção de um ou mais dos seguintes pontos: • Existência real – que as transações comunicadas realmente tenham ocorrido e que os ativos e os passivos demonstrados existam; • Integridade – que não existam transações, ativos ou passivos além dos registrados e demonstrados; • Parte interessada – que só a empresa e nenhuma outra entidade tenha sido parte interessada nas transações divulgadas; que a empresa seja realmente proprietária e possua títulos reconhecidos do ativo; que o passivo declarado corresponda realmente a empresa; • Avaliação e aferição – que o ativo e o passivo estejam corretamente avaliados e aferidos; que as partidas da demonstração de resultado sejam bem aferidas; que os cortes sejam adequados; • Divulgação – que o ativo e o passivo e as partidas das demonstrações de resultado sejam corretamente divulgados. 59 Desta forma, com a aplicação dos testes substantivos o auditor obtém informações sobre a veracidade das informações emitidas pela empresa nos relatórios, verificando a existência do patrimônio. Contudo, compreende-se que mesmo com a utilização dos controles internos é necessário utilizar os testes de observância para avaliar a fidedignidade do cumprimento dos controles e o teste substantivo em alguns pontos que carecem de dados sobre a composição de saldos, existência de ativos e demais operações que influenciam no patrimônio da empresa, sendo os testes procedimentos de auditoria que contribuem para a execução dos trabalhos. 2.4.2 Normas de Auditoria Utilizadas no Brasil As normas aplicadas nos trabalhos da auditoria referem-se às normas relativas à pessoa do auditor e as relativas à execução dos trabalhos, ambas necessárias para que sejam realizados os serviços da auditoria com êxito. 2.4.2.1 Normas Relativas à Pessoa do Auditor Independente A Resolução do CFC nº 821 de 17 de dezembro de 1997 aprova a NBC P 1 – Normas Profissionais de Auditor Independente, sendo que para algumas dessas normas já houve resoluções alterando-as, as normas são: – Competência técnico-profissional – Independência – Resolução CFC nº. 1.267/09 de 10.12.2009 – Responsabilidades do auditor na execução dos trabalhos – Honorários – Guarda da documentação – Sigilo - Resolução CFC nº 1.100/07 de 24.08.2007 – Responsabilidade pela utilização do trabalho do auditor interno – Responsabilidade pela utilização do trabalho de especialistas Resolução CFC nº 1.023/05 – Informações anuais aos Conselhos Regionais de Contabilidade – Educação continuada – Exame de Competência Profissional Com a evolução e a crescente importância da auditoria exigem das normas atualizações e aprimoramento, mantendo as regras referentes à pessoa do 60 auditor externo em seus exercícios. Cada norma expõe condições e os fatores necessários que devem ser observados ao realizar os trabalhos da auditoria. Para Hoog e Carlin (2009) o auditor em sua competência técnicoprofissional deve manter seu nível de conhecimento atualizado sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade, principalmente das normas da auditoria e sobre a profissão do auditor e a legislação aplicada à empresa auditada e suas operações. Pode-se dizer que a competência técnico-profissional é um dos requisitos principais relativo às normas da pessoa do auditor. Esta determina que o auditor deve possuir conhecimento técnico e tenha a atualização desses conhecimentos na área da auditoria e afins. Ele analisa a complexidade das atividades da empresa auditada e avalie o grau de prudência e zelo na contratação do serviço diante da administração. Sobre a independência a Resolução CFC nº. 1.267/09 determina que: A condição de independência é fundamental e óbvia para o exercício da atividade de auditoria independente. Entende-se como independência o estado no qual as obrigações ou os interesses da entidade de auditoria são, suficientemente, isentos dos interesses das entidades auditadas para permitir que os serviços sejam prestados com objetividade. Em suma, é a capacidade que a entidade de auditoria tem de julgar e atuar com integridade e objetividade, permitindo a emissão de relatórios imparciais em relação à entidade auditada, aos acionistas, aos sócios, aos quotistas, aos cooperados e a todas as demais partes que possam estar relacionadas com o seu trabalho. A independência exige: (a) independência de pensamento - postura que permite expressar uma opinião sem ser afetado por influências que comprometem o julgamento profissional, permitindo à pessoa agir com integridade, objetividade e ceticismo profissional; (b) aparência de independência - evitar fatos e circunstâncias significativos a ponto de um terceiro bem informado, tendo conhecimento de todas as informações pertinentes, incluindo as salvaguardas aplicadas, concluir dentro do razoável que a integridade, a objetividade ou o ceticismo profissional da entidade de auditoria ou de membro da equipe de auditoria ficou comprometido. Portanto, o auditor para permanecer com a independência não pode se influenciar por fatores materiais ou afetivos que resultem na perda de sua independência. Quanto a responsabilidade do auditor na execução dos trabalhos alem de possuir capacitação profissional e treinamento, o auditor deve ter o máximo de cuidado, imparcialidade, responsabilidade e zelo na realização do trabalho e exposição de conclusões. (ARAÚJO; ARRUDA; BARRETTO, 2008). 61 Assim, a responsabilidade será determinada conforme o desempenho do auditor na execução da auditoria, verificando sua lealdade, honestidade no desempenho das atividades. Sobre os honorários Crepaldi (2002) expõe que o mesmo é determinado mediante avaliação dos serviços, no qual devem ser observados os seguintes fatores: • a relevância, o vulto, a complexidade dos serviços a executar; • o tempo para realização do trabalho; • a característica de tratar-se de cliente eventual, habitual ou permanente; • a qualificação profissional do técnico que irá participar da execução dos serviços; • o lugar em que os serviços serão prestados, definindo os possíveis custos com viagens, estadias e locomoções; • as tabelas de honorários mínimos estabelecidos pelas entidades de classes. O honorário é determinado no início da execução do trabalho, tendo como fator determinante o desencadeamento dos exercícios que será realizado e o período de auditagem. Em relação à guarda da documentação o auditor deverá conservar seus papéis de trabalho, documentação da auditoria ou relatórios que estejam ligados ao trabalho executado pelo prazo de cinco anos, a partir da data de emissão do parecer, para fins de fiscalização do exercício profissional. (ARAÚJO; ARRUDA; BARRETTO, 2008). Dessa forma, a guarda da documentação de todos os papéis e relatórios comprova a exatidão do cumprimento das normas estabelecidas no decorrer do trabalho e determina os subsídios para a emissão do parecer. A Resolução CFC nº 1.100/07 (2007, p. 02) determina que o Sigilo: O sigilo profissional do Auditor Independente deve ser observado nas seguintes circunstâncias: a) na relação entre o Auditor Independente e a entidade auditada; b) na relação entre os Auditores Independentes; c) na relação entre o Auditor Independente e os organismos reguladores e fiscalizadores; e d) na relação entre o Auditor Independente e demais terceiros. O sigilo deverá ser respeitado pelo auditor referente às informações obtidas no decorrer do trabalho da auditoria, não sendo possível divulgar para terceiros, somente com autorização da empresa auditada. 62 Sobre a responsabilidade pela utilização do trabalho do auditor interno Hoog e Carlin (2009) detalham que “a responsabilidade do auditor não será modificada quando o mesmo contribuir para a realização dos trabalhos.” Compreende-se que o auditor poderá utilizar os trabalhos executados pelo auditor interno, mas terá que avaliar todas as informações apresentadas, pois a sua responsabilidade não será alterada. A responsabilidade pela utilização do trabalho de especialistas de acordo com Araújo, Arruda e Barretto (2008, p. 97), “a responsabilidade do auditor não se altera se for utilizado o trabalho do auditor interno; todavia, fica restrita a sua competência se for utilizado especialista contratado pela empresa.” Assim, a responsabilidade do auditor ficará limitada a sua capacidade, quando o mesmo usar os trabalhos de especialistas habilitados contratados e sem vínculo empregatício, sendo que o auditor deverá mencionar tal fato no parecer. Sobre as informações anuais aos Conselhos Regionais de Contabilidade, educação continuada e o exame de competência a Resolução CFC º 821/97 detalha que: 1.9 – Informações anuais aos Conselhos Regionais de Contabilidade 1.9.1 – O auditor deverá enviar, até 30 de junho de cada ano, ao Conselho Regional de Contabilidade, na forma a ser regulamentada pelo Conselho Federal de Contabilidade: a) as informações sobre os seus clientes, cuja sede seja a da jurisdição do respectivo Conselho, e que o objeto do trabalho seja a auditoria independente, realizada em demonstrações contábeis relativas ao exercício encerrado até o dia 31 de dezembro do ano anterior; b) a relação dos nomes do seu pessoal técnico existente em 31 de dezembro do ano anterior; e c) a relação de seus clientes cujos honorários representem mais de 10% de o seu faturamento anual, bem como os casos onde o faturamento de outros serviços prestados aos mesmos clientes de auditoria ultrapassarem, na média dos últimos 3 anos, os honorários dos serviços de auditoria. 1.9.2 – Quando solicitado, o auditor deverá disponibilizar e fornecer, no prazo de trinta dias, a relação de seus clientes e outras informações necessárias à fiscalização da atividade de auditoria independente. 1.9.3 – A relação de clientes, referida no item 1.9.2, deverá identificar as companhias abertas, instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, fundos de investimento, entidades autorizadas a funcionar pela Susep – Superintendência de Seguros Privados, administradoras de consórcio, entidades fechadas de previdência privada, empresas estatais (federais, estaduais e municipais), empresas públicas, sociedade por ações de capital fechado com mais de 100 acionistas e as sociedades limitadas que tenham o controle societário, direto ou indireto, das entidades referidas neste item. 1.9.4 – As informações prestadas aos Conselhos Regionais de Contabilidade serão resguardadas pelo sigilo, nos termos previstos nestas normas. 1.10 – Educação continuada 63 1.10.1 – O auditor independente, no exercício de sua atividade, deverá comprovar a participação em programa de educação continuada, na forma a ser regulamentada pelo Conselho Federal de Contabilidade. 1.11 – Exame de Competência Profissional 1.11.1 – O auditor independente, para poder exercer sua atividade, deverá submeter-se a exame de competência profissional, na forma a ser regulamentada pelo Conselho Federal de Contabilidade. Essas normas acima regulamentam o comportamento do auditor perante a sua pessoa, devendo disponibilizar informações ao Conselho Regional de Contabilidade, o aperfeiçoamento profissional e a submissão de exames que comprovem sua competência, avaliando a sua condição para a realização da auditoria independente. “Essas normas determinam a estrutura dentro da qual o auditor decide sobre o que é necessária a elaboração de um exame de demonstrações financeiras, a realização do exame e a redação do relatório.” (CREPALDI, 2002, p. 111). Assim, as normas procuram direcionar a fatores importantes na execução do trabalho da auditoria para que o cumprimento das atividades de auditoria independente seja realizada conforme estabelecido pelo CFC. 2.4.2.2 Normas Relativas à Execução dos Trabalhos As normas relativas à execução dos trabalhos dizem repeito: ao Planejamento da Auditori; a Relevância; ao Risco de Auditoria; a Supervisão e Controle de Qualidade; ao Estudo e Avaliação do Sistema Contábil e de Controles Internos; a Aplicação dos Procedimentos de Auditoria; a Documentação da Auditoria; a Continuidade Normal das Atividades da Entidade; a Amostragem - Alterada pela Resolução CFC nº 1.012/05. Com as normas sobre a execução do trabalho o auditor obtém uma orientação no qual poderá avaliar os fatores técnicos requeridos para o cumprimento da atividade. 64 O planejamento dos trabalhos da auditoria compreende a etapa de trabalho no qual o auditor independente mostra a estratégica geral dos trabalhos que vai executar na entidade a ser auditada. Desta forma, o planejamento do cumprimento da auditoria deverá ser realizado com base em análise de todas as transações realizadas pela empresa e conhecimento de todos os setores auditados, obtendo o planejamento dos processos e preparando os programas para cada projeto. Os programas de auditoria normalmente são realizados pelos auditores nas empresas para definir as fases dos exames e avaliações do patrimônio. De acordo com Sá (2002, p. 131) o programa ou plano de auditoria compreende: [...] tarefa preliminar traçada pelo auditor, que se caracteriza pela revisão dos trabalhos que devem ser executados em cada serviço, a fim de que se cumpra integralmente as suas finalidades dentro das normas cientificas da contabilidade e da técnica da auditoria. O programa de auditoria é uma forma de o auditor demarcar as tarefas que serão realizadas não permitindo a possibilidade de realizar duplamente o mesmo trabalho, servindo também como base para tarefas futuras e aproveitando o período de auditagem nos setores. Segundo Almeida (2003) os programas de auditoria são desenvolvidos com os seguintes objetivos: • estabelecer por escrito a política da firma de auditoria; • evitar que sejam omitidos os procedimentos importantes de auditoria; • padronizar os procedimentos de auditoria dos profissionais de uma mesma organização; • melhorar a qualidade dos serviços de auditoria. Os objetivos do planejamento da auditoria podem ser atingidos de maneira eficiente, quando o planejamento é feito por escrito e quando a emissão destes objetivos resulta na elaboração de programas de auditoria. (CREPLADI, 2002). Assim, o planejamento da auditoria é necessário para o auditor aplicar os procedimentos corretos para cada setor e operação realizada pela empresa Segundo Oliveira e Diniz (2001), o auditor pode considerar a relevância quando determinar a natureza e extensão dos procedimentos, também pode considerar quando avalia o efeito de distorções de saldos e classificações das 65 contas e por último quando definir a adequação da apresentação e a exposição das informação contábil. Os exames da auditoria precisam ser planejados e executados de forma que os eventos relevantes relacionados com as demonstrações financeiras sejam reconhecidos. Sobre o risco de auditoria Crepaldi (2002, p. 123) relata que: A análise dos riscos de auditoria deve ser feita na fase de planejamento dos trabalhos, considerando a relevância em dois níveis: - em nível geral, considerando as demonstrações contábeis tomadas em seu conjunto, bem como nos negócios, qualidade da administração, avaliação do sistema contábil e de controles internos e situação econômica e financeira da entidade; e - em níveis específicos, relativos ao saldo das contas ou naturezas e volume das transações. Assim, o risco de auditoria pode ocorrer quando o auditor emitir uma opinião imprópria sobre as demonstrações contábeis, dessa forma o planejamento deverá ser realizado eficientemente para inibir esta situação. Na supervisão e controle de qualidade Oliveira e Diniz (2001, p. 47), proferem que “o auditor deve instituir um programa de qualidade, visando avaliar, periodicamente, se os serviços executados são efetuados de acordo com as normas profissionais de auditor independente.” Contudo a supervisão é realizada com base na complexidade dos serviços e examinada o cumprimento do planejamento e o grau de competência em cada processo. Sobre o estudo e avaliação do sistema contábil e de controles internos Crepaldi (2002) relata que o auditor deve efetuar o levantamento do sistema contábil e do controle interno, analisando o grau de segurança proporcionado, através dessa análise o auditor estabelece a natureza e extensão profundidade dos procedimentos de auditoria e o período adequado para aplicação dos exames. Por meio desse estudo o auditor identifica a eficiência e cumprimento do sistema contábil e de controles internos na empresa, confirmando em quais informações poderá confiar e qual setor ou operações terá que realizar exames. Quanto à aplicação dos procedimentos de auditoria deverá ser realizado com base no volume das operações e complexidade, com provas seletivas, testes de amostragem, sendo determinado pelo auditor a amplitude dos exames necessários para obter informações exatas. (OLIVEIRA; DINIZ, 2001). 66 Assim, caberá ao auditor avaliar as operações da empresa auditada e apontar os procedimentos cabíveis para cada situação, obtendo conclusões satisfatórias nos exame. Através da documentação elaborada no decorrer do trabalho da auditoria serão discriminados todas as informações alcançadas e procedimentos executados, comprovando a atividade realizada e a opinião transmitida. Na continuidade normal das atividades da entidade Oliveira e Diniz (2001, p. 51) descrevem que “a continuidade normal das atividades da entidade deve merecer especial atenção do auditor, quando do planejamento de seus trabalhos, ao analisar os riscos de auditoria, e deve ser complementada quando da execução dos exames.” Portanto o auditor ao realizar os trabalhos também deverá verificar se há indícios nas operações da empresa de falta de continuidade em suas operações, caso ocorra esta situação o auditor avaliara esta ocorrência com efeito nas demonstrações contábeis. Na execução do trabalho o auditor interno poderá realizar a amostragem quando verificar que não é possível realizar um exame completo de todas as operações da entidade. A amostragem também pode ser conceituada como um método de selecionar um determinado grupo da população auditorial para obter informações e expressar sua opinião ou comentários sobre a o resultado dos exames de amostragem. (ARAÚJO; ARRUDA; BARRETTO, 2008). Assim, a amostragem é uma forma de análise da auditoria, sendo eficiente ao proporcionar confirmações sobre os resultados obtidos. Assim, compreende-se que as normas relativas à execução dos trabalhos expõem regras que devem ser avaliadas e cumpridas ao realizar a atividades de auditoria, para seja executada os exercícios legalmente. 2.4.2.3 Papéis de Trabalho do Auditor Os papéis de trabalho possuem grande relevância para a execução e eficiência dos trabalhos da auditoria, pois proporcionam para o auditor o registro de 67 todas as informações obtidas no decorrer do trabalho da auditoria para fundamentar sua opinião. Conforme Jund (2001, p. 343): Os papéis de trabalho se destinam a: a) ajudar, pela análise dos documentos de auditoria anteriores, ou pelos coligados, quando da contratação de uma primeira auditoria, no planejamento e execução da auditoria; b) facilitar a revisão do trabalho da auditoria; c) registrar as evidências do trabalho executado, para fundamentar o parecer do auditor independente. Porém os papéis de trabalho são de grande valia para a conclusão dos trabalhos de auditoria, no decorrer deste tópico será abordado os conceitos, objetivos, tipos e preparos dos papéis de trabalho nos exercícios da auditoria. 2.4.2.3.1 Conceito, Objetivo e Conteúdo dos Papéis de Trabalho A utilização dos papéis de trabalho na auditoria possibilita ao auditor o registro de provas concretas obtidas no decorrer de seus testes sobre a empresa, demonstrando o trabalho executado. Para Attie (2007, p.169): Os papéis de trabalho formam o conjunto de formulários e documentos que contêm as informações e apontamentos obtidos pelo auditor durante seu exame, bem como as provas e descrições dessas realizações; constituem a evidência do trabalho executado e o fundamento de sua opinião. Observa-se que os papéis de trabalho são formulários e documentos que possuem anotações e registros realizados pelo auditor, no decorrer do exame da auditoria. Os papéis de trabalho podem ser entendidos como a prova de como foram conduzidos os trabalhos de campo e de forma o auditor concluiu suas tarefas, confirmando-se em testes e evidências resultantes da execução dos programas. (HOOG; CARLIN, 2009). Desta forma, os papéis de trabalho são utilizados como ferramenta de suporte á auditoria, detalhando todos os procedimentos realizados e as informações alcançadas. 68 Para tanto o auditor deve documentar as questões que foram consideradas importantes para proporcionar evidência, visando a fundamentar seu parecer da auditoria e comprovar os trabalhos realizados. Portanto, os papéis de trabalho podem ser compreendidos todas as anotações, documentos, relatórios e outros papéis que o auditor utiliza para realizar os trabalhos da auditoria. Segundo Almeida (2003, p. 88) os objetivos dos papéis de trabalho são: - atender as normas de auditoria geralmente aceita; - acumular as provas necessárias para suportar o parecer do auditor; - auxiliar o auditor durante a execução de seu trabalho; - facilitar a revisão por parte do auditor responsável, a fim dele assegurarse de que o serviço foi executado de forma correta; - servir como base para avaliação dos auditores; - ajudar no trabalho da próxima auditoria (um conjunto de papéis de trabalho bem preparados serve como guia na auditoria do outro exercício social, concorrendo para que ela seja conduzida de forma mais eficiente); - representar na justiça (no caso de ser movida uma ação contra o auditor ou a firma de auditoria) as evidências do trabalho executado. Como os papéis de trabalho estão envolvidos inteiramente com o trabalho da auditoria, os mesmos podem reunir provas necessárias para fundamentar o parecer do auditor. Para Jund (2001, p. 343) os objetivos dos papéis de trabalho são: - evidenciar o trabalho feito, as conclusões alcançadas, que serviram de base aos relatórios ou pareceres da firma, sobre as demonstrações financeiras; - servir de fonte de informação para consultas, a fim de obter detalhes de saldos de contas ou outros saldos relacionados com auditoria; - servir de meio de revisão para determinar se o serviço foi feito de forma adequada e eficaz, e julgar a solidez das conclusões enunciadas; - servir de base para modificações nos procedimentos de auditoria e no programa de trabalho para próxima auditoria; - facilitar o estudo e a avaliação dos controles internos; - servir de base para avaliação individual do desempenho do auditor. Assim, compreende-se que os objetivos dos papéis de trabalho estão relacionados em auxiliar o auditor na execução dos trabalhos da auditoria no intuito de registrar todos os procedimentos e informações alcançadas. Como forma de comprovar os trabalhos cumpridos pelo auditor os papéis de trabalhos também registram as descobertas encontradas ao realizar a auditoria, sendo anotações procedidas de documentos ou informações da companhia os papéis são exclusivos dos auditores. Sá (2002) compreende que os papéis de trabalhos ou rascunhos técnicos são utilizados para transcrever os dados, fazer as anotações, demonstrar cálculos, 69 analisar contas, refletir os levantamentos avaliados na auditoria. Deste modo, compreende-se que nos papéis de trabalhos devem conter todas as informações necessárias, sendo assim suficiente, podendo servir como instrumento de melhoramento na eficácia dos trabalhos da auditoria ou utilizado como base de consulta para o auditor. 2.4.2.3.2 Preparo e Descrição dos Papéis Ao preparar os papéis de trabalho o auditor deve expor às informações necessárias que evidenciem o planejamento e execução da auditoria, avaliando a extensão dos papéis de acordo com os exames realizados e as informações obtidas. Contudo, as informações transcritas nos papéis de trabalhos são elementos que comprovam a opinião do auditor exposta no parecer, sendo as mesmas originadas dos procedimentos da auditoria. Os papéis de auditoria devem observar os seguintes requisitos essenciais: a) possibilitar a execução das tarefas com um mínimo de esforços; b) proporcionar a máxima de clareza (sendo entendido com facilidade ainda que por iniciantes, no case de se referirem as tarefas essenciais de levantamentos, por exemplo); c) propiciar o menor custo (sendo, por isso, estudados previamente); d) servir de base permanente de consulta; e) disciplinar as anotações; f) ampliar as chances de uma análise retrospectiva com melhor ordem; g) estar bem identificado (título, data, empresa, cliente, revisor etc.); h) estar classificado de forma a identificar-se como plano de auditoria. (SÁ, 2002, p. 162). Os papéis de trabalhos possuem como intuito facilitar a execução dos trabalhos da auditoria registrando as informações e comprovando todos os procedimentos realizados, bem como os resultados alcançados. De acordo com Araújo, Arruda e Barreto (2008, p. 241) ao elaborar os papéis de trabalho o auditor deve considerar as seguintes regras: - Precisão: devem ser elaborados sob o extremo rigor técnico, não podendo conter informações imprecisas e inadequadas. - Concisão: devem ser concisos, de forma que qualquer interessado e conhecedor das normas e procedimentos de auditoria entenda-os sem a necessidade de explicações ou comentários adicionais de quem os elaborou. - Praticidade: devem ser práticos para economizar tempo na sua elaboração, assim como no processo de revisão. - Objetividade: devem ser claros e objetivos, de tal modo que deles de apreenda a finalidade dos exames e até onde o autor pôde chegar. 70 - Clareza: devem ser elaborados de forma clara para não prejudicar sua compreensão. - Lógica: devem ser preparados de maneira racional e lógica, na seqüência natural do objetivo a ser atingido. - Completitude: devem conter todas as informações necessárias para fundamentar a emissão da opinião do auditor. Isso quer dizer devem ser completos por si sós. Assim, compreende-se que nos papéis de trabalho devem ser expostas as informações que o auditor considerar pertinentes e significantes, alcançadas durante os trabalhos de auditoria e expor de maneira objetiva e precisa, comprovando a emissão de seu parecer. 2.4.2.3.3 Tipos e Formatos dos Papéis de Trabalho Os papéis de trabalho auxiliam os auditores na execução de suas tarefas, os mesmos podem ser folhas normais ou modelos apropriados para serem transcritos as anotações originadas na auditagem. De acordo com as normas técnicas para execução dos trabalhos da auditoria referente às formas dos papéis de trabalho, destacam-se que os papéis de trabalho padronizados podem melhorar a eficácia dos trabalhos, e sua utilização facilita a delegação de tarefas, proporcionando meio adicional de controle de qualidade. Desta forma, os papéis de trabalho são elaborados e estruturados de acordo com as circunstâncias dos trabalhos de forma a satisfazer a necessidade do auditor. Em relação aos tipos de papéis de trabalho Basso (2005) destaca os principais e mais comuns, que são: • Programa de Auditoria: o primeiro papel de trabalho é designado ao programa de auditoria, no qual serão expostos os elementos orientados das ações a serem praticadas; • Balancete de Trabalho: considerado como a base fundamental dos papéis de trabalho, as análises estão todas relacionadas a ele, a partir desse papel poderá ser elaborado a Demonstração Contábil ajustada pela auditoria, com os saldos ajustados; 71 • Análise de Contas: esse papel é adequado para anotar informações retiradas do exame das contas do razão, sendo exposta a composição do saldo da conta; • Lançamento de Ajustes e/ou de Reclassificação: nesse papel são reunidos os lançamentos de ajustes e de reclassificação recomendados pelo auditor, sendo considerado indispensável para a obtenção das Demonstrações contábeis reais e com a leal técnica contábil; • Conciliação: nesse papel de trabalho são registradas as informações decorrentes de conciliações de contas contábeis da empresa com as contas externas de várias procedências, verificando o grau de fidelidade dos registros contábeis da entidade; • Memorando: papel de trabalho considerado simples, pois possui intuito relatar acontecimentos acompanhados pelo auditor no seu trabalho e também em procedimentos descritivos de exame em documentos; • Pontos de recomendação: também considerado um papel de pouca complexidade, destinado a anotar observações quanto a falhas encontradas na empresa auditada. Assim, cada tipo de papéis de trabalho está relacionado com algum procedimento realizado na auditoria, expondo as informações inerentes a cada exame. Sendo os mesmos de suma importância para corroborar a opinião exposta pelo auditor no parecer. 2.4.2.4 Fraude e Erro No decorrer do trabalho da auditoria, o auditor encontra atividade não caracterizada normais na empresa, ao deparar com essa situação o auditor verifica a causa dessa irregularidade, se a mesma será tratada como uma fraude ou erro e registra as informações para a administração da empresa auditada. Destaca-se que o termo fraude é definido como ato intencional de omissão ou manipulação de transações, adulteração de documentos, registros e demonstrações contábeis. 72 Assim, compreende-se que a fraude é o ato propositado, ou seja, o responsável pela ação esta ciente das conseqüências que irá originar. [...] seja sempre o de boa-fé, os casos de fraude repetem-se com frequência e quase sempre são praticados por pessoas de toda confiança; por isso o auditor deve preservar-se, procurando ser tão minucioso quando possível, a fim de não comprometer o seu bom nome profissional [...]. (SÁ, 2002, p. 209 apud HOOG; CARLIN, 2009, p.93). Desta forma, a fraude pode ser ocasionada por pessoas com grande confiança da empresa, sendo que a mesma sempre será realizada para obtenção de interesses próprios. Sobre o erro Hoog e Carlin (2009, p.93), relatam que “erros é o ato não intencional resultante de omissão, desatenção ou má interpretação de fatos na elaboração de registros e demonstrações contábeis.” Pelo erro, entende-se que é o ato involuntário, no qual o responsável não esta conhecendo a falha que esta ocasionando, muitas vezes originados pela falta de conhecimento ou distração nas atividades. Deste modo, o auditor ao realizar os trabalhos da auditoria deverá verificar se todos os procedimentos aplicados estão sujeitos a detectar fraudes ou erros nas atividades da entidade auditada, caso encontre o auditor deverá expor nos seus relatórios as informações, fundamentando as diferenças encontradas. 2.5 Controles Internos A implementação e utilização dos controles internos na empresa são peculiaridades da entidade, no qual aborda a sua política de prática e treinamentos necessários aos colaboradores. Santos, Schmidt e Gomes (2006, p. 89) relatam que: A administração da empresa é responsável pelo estabelecimento do sistema de controle interno, pela verificação de que o mesmo esta sendo seguido pelos funcionários e pela sua modificação, no sentido de adaptálos as novas circunstâncias. O controle interno quando melhor e eficiente for a sua implementação e atuação na organização, mais segurança será proporcionado ao auditor em relação aos exames e analises realizada. Desta forma, esta eficiência nos controles é fator de economia e qualidade nos trabalhos da auditoria (FRANCO e MARRA, 2001). 73 Já para Araújo, Arruda e Barretto (2008) para a administração alcançar os resultados pretendidos é a fundamental a implementação de controles internos e mantê-lo garantido sua efetividade mediante constante atualização e acompanhamento, no qual poderá ser realizada pela auditoria sendo a mesma dos controles internos. Desta forma, neste capitulo será abordado o controle interno nas entidades, demonstrando conceito, objetivos, as classes de controles e demais assuntos atrelados ao mesmo. 2.5.1 Conceito de Controle Interno O sistema de controle interno abrange o domínio sobre o patrimônio da empresa e sobre suas operações, no qual obtém a salvaguarda dos ativos e verifica a exatidão das informações. Basso (2005, p. 162) sobre os controles internos possui o seguinte conceito: O sistema de controle interno, conforme as Normas de Auditoria compreende o plano de organização da entidade e o conjunto integrado de métodos e procedimentos por ela adotados na proteção de seu patrimônio, na promoção da confiabilidade e tempestividade dos seus registros e de demonstração contábeis, e da eficácia operacional. Busca-se ainda por meio do sistema de controle interno aumentar a exatidão e fidelidade dos relatórios contábeis e de outros dados administrativos e operacionais, promover e melhorar a eficiência em todos os aspectos das atividades da entidade, bem como comunicar as diretrizes administrativas, estimulando a observância das mesmas e das normas estabelecidas. Desta forma a utilização dos controles internos é também empregada para reduzir os erros e irregularidades nos setores da organização, para que não ocorra influenciando nas operações da empresa. Para Cherman (2005, p. 14) o controle interno definisse com o seguinte conceito: É o conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de: 1- Proteger os ativos. 2- Produzir dados contábeis confiáveis. 3- Ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa. 74 Os controles internos são meios planejados para governar todas as atividades, com meio de obter o cumprimento de todas as rotinas operacionais sendo eficiente para manter a administração com informações precisas para gerenciar as suas operações. De acordo com Attie (2007, p. 183): O controle tem significado e relevância somente quando é concebido para garantir o cumprimento de um objetivo definido, que seja administrativo ou gerencial. Dessa forma, o controle não é algo sem face ou sem forma, mas um dado físico que avalia uma função observável. Assim, os controles internos podem abranger todos os setores da organização sendo implantado e executado com eficiência o mesmo poderá contribuir com as metas e em decisões gerenciais da entidade. 2.5.1.1 Tipos de Controle O sistema de controle interno com o intuito de verificar todas as operações realizadas pela empresa abrange duas áreas com os controles administrativos e os controles contábeis. De acordo com Jund (2001, p. 195) “a fim de delimitar a extensão do auditor quanto à revisão do controle interno, ele foi subdividido em dois grupos: controles contábeis e controles administrativos”. Basso (2005, p. 162) conceitua os controles administrativos e os controles contábeis da seguinte maneira: a) Controles administrativos: compreende o plano de organização e os procedimentos de registros relacionados com os processos decisórios, mediante os quais a administração autoriza as transações, embora não se limite a isto. Essa autorização é uma função administrativa diretamente ligada à responsabilidade de atingir os objetivos da organização e constitui o ponto de partida para o estabelecimento de um controle contábil das transações. b) Controles contábeis: compreende o plano de organização contábil e os procedimentos de registros relacionados com a salvaguarda dos ativos e a fidedignidade dos registros financeiros, sendo consequentemente destinado a propiciar segurança mínima de que: - as transações são executadas segundo a autorização geral ou especificada da administração; - as transações são registradas na medida do necessário para: 1)permitir a elaboração das Demonstrações Contábeis em conformidade com os princípios da Contabilidade, ou quaisquer outros critérios aplicáveis as mesmas, e 2) manter a responsabilidade pelos ativos; - o acesso aos ativos só é permitido com a autorização da administração; 75 - o registro da responsabilidade pelos ativos é comparado com os bens existentes, a intervalo razoáveis, tomando-se as devidas providências quando surge alguma discrepância. Segundo Crepaldi (2002, p. 214): Em sentido amplo, o controle interno compreende controles que se podem caracterizar como contábeis ou como administrativos, como segue: a. Controles Contábeis Compreendem o plano de organização e todos os métodos e procedimentos que tem ligação com a proteção do patrimônio da empresa e integridade dos registros contábeis. b. Controles Administrativos Compreendem o plano de organização e todos os métodos e procedimentos que tem ligação direta com a eficiência das operações e com a política da empresa. Contudo ambos os controles verificam as operações realizadas com o patrimônio da empresa, no qual o administrativo analisa as transações realizadas, bem como a autorização para realizar tarefas e a segregação de funcionários nas atividades e os controles contábeis analisam a fidedignidade dos registros contábeis e acesso ao ativo da entidade. Segundo Franco e Marra (2001) os controles internos relativos com o sistema contábil se ocupam em atingir os seguintes quesitos: que as transações sejam executadas de acordo com autorização geral ou especifica da administração; que o acesso ao ativo e registros contábeis sejam permitido com autorização da administração; que seja verificado os ativos registrados com os ativos existentes, em intervalos razoáveis, quando ocorrer diferença nesta analise caberá uma medida apropriada para a situação; que todas as transações e fatos sejam registrados no valor correto, em contas apropriadas e no período exato, conforme os princípios contábeis permitindo a elaboração de demonstrações contábeis fidedigna ao patrimônio. “Os controles administrativos entendem sejam os concernentes basicamente a “eficiência operacional” e a “vigilância gerencial” e que só indiretamente são referidos.” (SÁ, 2002, p. 106). Os controles internos contábeis e administrativos controlam os ativos da empresa, bem como os direitos da mesma, verificando o sistema operacional da 76 entidade e possíveis anormalidades sendo ocasionadas, tentando eliminar no máximo as falhas nas operações. Alguns exemplos de controles contábeis são: sistema de conferência, aprovação e autorização, a segregação de funções, controle físico sobre ativos e auditoria interna. (CHERMAN, 2005). São exemplos de controles administrativos as análises estatísticas de lucratividade, treinamento de pessoal, estudo de tempo e movimentos, análises de variações entre os valores orçados e os incorridos e o controle doas compromissos assumidos, mas ainda não realizados economicamente. (CHERMAN, 2005). Assim, os controles analisam as rotinas e os métodos operacionais utilizados na empresa, sendo que a excelência do controle interno possui extrema participação do desenvolvimento da organização. 2.5.1.2 Eficiência e Eficácia dos Controles Internos A instalação e execução dos controles internos na entidade são adotadas pela administração para que tenha segurança e alcance a eficiência e eficácia nas operações. Para Müller e Penido (2005, p. 30) a eficácia em uma organização equivale a: “a eficácia na gestão de uma organização tem relação com o alcance de seus objetivos. Então, a gestão é eficaz quando, usando os recursos de que dispõe e observando toda a legislação aplicável, consegue atingir seus objetivos com a maior perfeição possível.” Segundo Paula (1999, p. 36) a eficiência dos controles interno é constituída pela seguinte maneira: “os sistemas de controle interno são estabelecidos a partir de uma meta a ser atingida.” Pode-se atingir tal meta de várias formas. O auditor deve estar preparado para indicar, se necessário, aquela que atinge o objetivo com um melhor resultado, ou seja, com qualidade e com menor custo. A eficácia e eficiência dos controles internos é a adequada quando o mesmo obtém o alcance de todas diretrizes traçadas pela administração de maneira 77 eficaz, com os recursos disponibilizados e de forma econômica e com qualidade nos resultados. Padoveze (2005, p. 15) salienta que: [...] uma empresa para ser eficaz deve ser eficiente: eficácia é quando os objetivos preestabelecidos são atingidos como resultado da atividade ou esforço, eficiência é a relação existente entre o resultado obtido e os recursos consumidos para conseguir aquele resultado. Assim, a eficiência dos controles internos esta em todos os processos realizados em cada transação cumprida e o seu consumo, enquanto a eficácia dos controles internos equivale como um todo em relação ao atingir dos objetivos projetados, a eficiência e eficácia dos controles internos possuem uma visão sistêmica na empresa, com a finalidade de ser um sistema com processamento de produtividade empresarial. 2.5.2 Importância dos Controles Internos em uma Organização A importância dos controles internos se originou com a expansão das empresas de grande porte, fazendo com que os administradores tenham maior domínio sobre o capital e informações sobre os seus empreendimentos. Para Boynton, Johnson e Kell (2002, p. 319) os fatores que contribuíram para a importância crescente de controles internos são: • • • a expansão e o tamanho das entidades com finalidade lucrativas tinham-se tornado tão complexos que a administração precisava recorrer a vários relatórios e analises para controlar eficazmente as operações; as conferências e revisões inerentes a um bom sistema de controles internos proporcionavam proteção contra fraquezas humanas e reduziam a possibilidade de ocorrência de erros e irregularidades; dadas as limitações econômicas de seus honorários, era impraticável que auditores independentes auditassem a maioria das companhias e se pudessem recorrer aos respectivos sistemas de controles internos. O controle interno na empresa perante a auditoria é um instrumento para garantir a segurança do patrimônio da entidade e permitir a elaboração da demonstração contábil exata, sendo que os controles internos integram a organização em todos os setores. 78 De acordo com Attie (2007, p. 185) “o controle interno é parte integrante de cada segmento da organização e cada procedimento corresponde a uma parte do conjunto do controle interno.” O controle interno se torna importante para cada segmento, no qual com a sua presença eliminam-se os erros ou possíveis irregularidades que venham a ocorrer no decorrer das atividades. Para Attie (2007, p. 185) “a importância do controle interno fica patente a partir do momento em que se torna impossível conceber uma empresa que não disponha de controles que possam garantir a continuidade do fluxo de operações e informações proposto.” Conforme Basso (2005, p. 162) a importância dos controles internos referem-se a: [...] busca-se ainda por meio do sistema de controle interno aumentar a exatidão e fidelidade dos relatórios contábeis e de outros dados administrativos e operacionais, promover e melhorar a eficiência em todos os aspectos das atividades da entidade, bem como comunicar as diretrizes administrativas, estimulando a observância das mesmas e das normas estabelecidas. Assim, os controles internos possuem uma importância significativa nas transações operacionais, pois são os mesmos que irão verificar a exatidão das operações e avalia se os processos administrativos e contábeis estão sendo executados conforme a política da empresa. 2.5.3 Objetivos do Controle Interno Os objetivos do controle interno em uma entidade estão relacionados com a preservação do patrimônio e de todas as operações interna ou externamente que venham a interferir no alcance de seus resultados. O sistema de controle interno deve satisfazer alguns objetivos e conforme Basso (2005, p. 164) são: - comprovação da veracidade das informações e relatórios contábeis, financeiros e operacionais gerados pela entidade; - prevenção de fraudes e, em caso de ocorrência, possibilidade de descobri-las o mais rapidamente possível, para a determinação de sua extensão e responsabilidade; - localização de erros e desperdícios, promovendo, ao mesmo tempo, a uniformidade e a correção ao se registrarem as ocorrências; 79 - estimular a eficiência do pessoal, mediante a vigilância que se exercer por meio de relatórios; - salvaguardar os ativos e de maneira geral obter um controle eficiente sobre todos os aspectos vitais do negócio da entidade. Para Franco e Marra (2001) os objetivos principais dos controles internos são: • fornecer dados corretos a contabilidade e conferir a exatidão da escrituração; • evitar alcances, desperdícios, erros e se ocorrido identificá-los. Dessa forma, o controle interno possui como desígnio o controle de todas as atividades da companhia, com as suas técnicas e ajustes é possível elaborar relatórios com informações precisas para o órgão administrativo, sendo que o mesmo poderá contribuir com sugestões caso considere algum procedimento fora do objetivo. 2.5.4 Limitação do Controle Interno Nos procedimentos de controles internos as limitações são subsídios que dificultam o desempenho eficaz dos controles, ocasionando falhas que podem ser resultante de entendimentos incertos, negligências ou fatores provocados por colaboradores. De acordo com Almeida (2003, p. 70-71) as limitações dos controles internos são em relação: • • • conluio de funcionários na apropriação se bens da empresa; os funcionários não são adequadamente instruídos com relação as normas internas; funcionários negligentes na execução de suas tarefas diárias. A empresa pode implantar e manter um excelente sistema de controle interno, mas estes pontos apontados acima devem ser considerados importantes nos procedimentos de avaliação da auditoria. Os limites inerentes dos controles internos para Franco e Marra (2001) incluem: • a exigência normal da empresa de que o custo de um controle interno não exceda os benefícios a serem obtidos; 80 • a maioria dos controles internos tende a ser direcionada para transações rotineiras em vez de serem não rotineiras; • o potencial de erro humano devido a descuido, distração, erros de julgamento e instruções mal-entendidas. Perante aos controles internos tão bem quanto tenham sido instalados e executados os mesmo não podem garantir segurança total sobre a consecução dos objetivos da empresa, pois diante do controle existe varias limitações que podem interferir nas diretrizes planejadas. Boynton, Johnson e Kell (2002, p. 322 - 323) relatam algumas limitações inerentes dos controles internos: - Erros de julgamento: ocasionalmente, administração e outras pessoas podem exercer julgamento pobre ao tomar decisões empresariais, ou realizar tarefas rotineiras, em razão de informações inadequadas, restrições de tempo ou outros motivos. - Falhas.Falhas em controles estabelecidos podem ocorrer quando pessoas não entendem instruções corretamente, ou cometem erros por falta de cuidado, distração ou cansaço. Mudanças temporárias ou permanentes de pessoal ou em sistemas ou procedimentos também podem contribuir para falhas. - Conluio. Indivíduos que agem conjuntamente – um empregado que realiza importante atividade de controle e outro empregado, um cliente ou um fornecedor, por exemplo - podem perpetrar e esconder fraude de forma tal que ela não seja detectada por controles internos. São exemplos: conluio entre três empregados dos departamentos de pessoal, produção e folha de pagamento para iniciar pagamentos a empregados fictícios, esquemas entre um empregado e do departamento de vendas e um cliente etc. -“Atropelamentos” pela administração. A administração pó “passar por cima” de procedimentos ou políticas estabelecidos, com o objetivo ilegítimos, tais como ganho pessoal, ou melhor apresentação de algum ou alguns parâmetros da posição financeira (por exemplo, lucro mais alto para aumentar o bônus anual a ser recebido, ou o valor do mercado das ações, ou para esconder violações de cláusulas contratuais restritivas, ou nãoobediência a leis e regulamentos). Entre as praticas dessa natureza, incluem-se fazer representações enganosas a auditores e outros, mediante emissão de documentos falsos para fundamentar a contabilização de vendas fictícias. - custos versus benefícios. O custo dos controles internos de uma entidade não deve ser superior aos benefícios que deles se esperam. Um vez que uma mensuração precisa de custos e benefícios geralmente não é possível, a administração deve fazer estimativas quantitativas e qualitativas e fazer julgamentos para avaliar a relação custos-benefícios. As limitações dos controles internos esta relacionado com o comprometimento dos funcionários ao realizar suas tarefas diariamente e a cautela em receber e difundir as informações sobre suas atividades e compromissos. Conforme Jund (2001), as avaliações dos controles internos realizadas para períodos futuros correm os riscos dos procedimentos ficarem defasados, 81 devido a mudanças de condições e por ser danificado o grau de observância de tais procedimentos. Assim as limitações dos controles internos são causadas pelas interferências humanas ou na decorrência dos períodos por fatores internos ou externos, dessa forma a auditoria deverá analisar estes pontos que são restrições dos controles internos. 2.5.5 Custos do Controle Versus Benefícios A relação dos benefícios proporcionados pelos controles internos entre os custos ocasionados são fatores que influenciam a prática dos controles em uma empresa, a entidade deverá analisar todos os procedimentos para cada setor, bem como as operações realizadas nessas áreas, avaliando os resultados de cada método com o exercício dos controles internos. O custo do controle interno não deve exceder aos benefícios que dele se espera obter. Isso quer dizer que os controles mais sofisticados (normalmente mais onerosos) devem ser estabelecidos para transações de valores relevantes, enquanto os controles menos rígidos devem ser implantados para as transações menos importantes. (ALMEIDA, 2003, p. 70). Dessa forma a analogia entre os custos e benefícios também pode ser verificada no sentido de obter maior veracidade nas operações da organização. Para Jund (2001, p. 198), a comparação dos custos e benefícios, “consiste na minimização da probabilidade de falhas e desvios quanto ao atendimento dos objetivos e metas.” Para Attie (2007, p.185): [...] a classificação pode ser dada analisando-se a eficiência dos fluxos de operações e informações e os seus custos/benefícios. A implantação ou aprimoramento de um tipo de controle é tanto viável quanto positiva for a sua relação custo/benefício. O grau máximo de avaliação dos benefícios deve ser atribuído a importância e qualidade da informação a ser gerada. Quanto ao custo, vale lembrar que sempre que possível se deve utilizar o conceito de custo de oportunidade que é muito mais amplo. Assim, os custos e benefícios estão sempre relacionados na implantação e execução dos controles internos, mas os mesmos devem ser avaliados no decorrer dos benefícios proporcionados juntamente com o custo de cada procedimento, examinando o grau de importância da operação e o padrão de custo 82 consumido pelo mesmo. Desta forma, a administração poderá alcançar um eficiente sistema de controles internos com um custo compatível com cada operação. 83 3 ESTUDO DE CASO – AVALIAÇÃO DOS CONTROLES INTERNOS DE UMA ORGANIZAÇÃO SUPERMERCADISTA Com intuito de fundamentar o desenvolvimento e aprimoramento desta pesquisa, optou-se por um estudo com fundamentação prática, objetivando a mostrar os trabalhos da auditoria interna na avaliação dos sistemas operacionais utilizados por um supermercado da região sul de SC. Para realização deste estudo elaborou-se um questionário com questões que envolvem as rotinas de trabalho de trabalho de cada setor sob exame. Essas questões foram formuladas a partir dos roteiros de procedimentos destacados em obra literária que tratam da auditoria contábil, como por exemplo: o livro Manual de Auditoria Contábil de Wilson Alberto Zappa Hoog e Everson Luis Breda Carlin e também o roteiro utilizado pelas empresas de auditoria, exemplo: OMV Auditores Independentes S/S. Este questionário enfatizou assuntos sobre o funcionamento da auditoria interna, bem como as contribuições e importâncias que a mesma pode proporcionar nas tomadas de decisões da empresa. O estudo desenvolvido referente a evidenciar a importância dos trabalhos da auditoria nas avaliações dos controles internos, por conseqüência sua utilização nas tomadas de decisões que foi desenvolvido em um supermercado da região de Criciúma, que solicitado que seus dados fossem tratados de forma confidencial e que não fosse feita a sua identificação. Desta forma, descreve-se a seguir os sistemas de funcionamento dos setores examinados e os procedimentos aplicáveis pela auditoria interna para a realização deste estudo. Baseando-se nos programas de auditoria estabelecidos conforme a necessidade da organização, determinou-se em elaborar uma síntese dos procedimentos adotados pela empresa. 3.1 Caracterização da Empresa em Estudo O presente estudo é desenvolvido em uma empresa de grande porte no ramo supermercadista da região Sul de SC, não sendo possível divulgar o nome da 84 organização será adotado um nome fictício para o desenvolvimento do estudo, dessa forma o nome será Super Big Supermercado. A empresa em questão possui a atividade da auditoria interna sobre os departamentos, neste caso o estudo é realizado no Financeiro, sobre os setores de Contas a Pagar, Contas a Receber e Tesouraria. As informações expostas foram obtidas por meio de questionário e análises no funcionamento dos setores, sendo detalhado neste tópico. 3.1.1 Estrutura Organizacional A seguir apresenta-se a estrutura funcional da área financeira da empresa em questão, que é identificada pelos seguintes setores: • Tesouraria; • Contas a Receber; e • Contas a Pagar. Estes setores movimentam o departamento financeiro da empresa, desenvolvendo as principais atividades do setor que é o recebimento e pagamento de contas, controlando as contas de receber e a pagar e as funções relacionadas a cobrança de duplicatas atrasadas. 3.2 Levantamento dos Procedimentos Adotados Pelos Setores Financeiros da Empresa Nos próximos tópicos são observadas as rotinas operacionais utilizadas pelos respectivos setores Financeiros: contas a receber, contas a pagar e tesouraria, se referindo as atividades de pagamentos e recebimentos. As informações expostas sobre as operações foram obtidas através de teste de observância. Quanto à descrição das rotinas da empresa, foi aplicado um questionário baseado no roteiro de procedimentos adotados pela auditoria interna nas atividades de Tesouraria, Contas a Receber e Contas a pagar. 85 É oportuno ressaltar para melhor compreensão que a empresa em estudo é de grande porte, sendo os poderes centralizados para cada colaborador, não havendo acumulo de funções para um único funcionário. 3.2.1 Contas a Receber A procedência das contas a receber da empresa em questão provém das vendas de produtos alimentícios, eletrônicos, utensílios e demais produtos. A entidade oferece aos seus clientes a opção de parcelar as compras. Para obter conhecimento das atividades realizadas pelo setor, passa-se a descrever alguns dos procedimentos realizados pela organização. A característica das contas a receber é a venda realizada a prazo, disponibilizando aos clientes várias formas de pagamento que podem ser escolhida pelo cliente, assim o pagamento pela aquisição de produtos que pode ser por cheques pré-datados, cartões de crédito e cartões de débito. Entre as rotinas de trabalho das contas a receber, destacam-se os seguintes procedimentos; a) Política de captação de clientes: Nas vendas dos produtos a divulgação dos mesmos é realizada por meio de entrega de panfletos, imprensa escrita (jornais) e falada (televisão e rádio), sendo realizadas promoções diariamente dos produtos. A apresentação e divulgação dos produtos em promoção são realizadas por meio de distribuição de folhetos em lugares de grande movimentação, web e em rádios. O marketing da empresa é diferencial devido ao acesso a compra on-line e entrega em domicílio e com fácil localização. b) Emissão do Faturamento: cheques e cartão de crédito. No caso de vendas à vista, o pagamento é realizado no caixa realizando a conferência dos valores físicos e inserindo no programa o recebimento do faturamento, sendo que ao realizar vendas a prazo o cliente também realizará todo o 86 procedimento no caixa, dessa forma indiferente da forma de pagamento pela venda as operações serão transcorridas pelo caixa. No caso de vendas com cheques, os mesmos são recebidos na venda e encaminhados para a tesouraria que registrar no sistema informatizado de controle da empresa, permanecendo em custódia da Tesouraria, no dia pré-determinado é realizado o depósito na conta bancária da empresa, sendo respeitado o prazo de vencimento para que não ocorra incidente. Os cheques pré-datados são contabilizados e encaminhados para a guarda física, sendo responsabilidade da tesouraria. Em casos de cheques devolvidos, o tesoureiro registra esses cheques em planilhas de controle no sistema informatizado da organização e disponibilizando para o setor de Cobrança que procede o contato com o cliente realizando sua liquidação. Os descontos são concedidos conforme as promoções do dia, não haverá nenhum outro desconto, somente os informados nos panfletos e nas mercadorias expostas nas prateleiras. Havendo uma política de promoções no decorrera da semana. Nos cartões de crédito são verificados os recebimentos nos relatórios administrativos e contábeis da empresa. c) Cobrança: Crediário e sistemas de em atrasos no pagamento: Nas vendas a crediário o setor avalia as informações periodicamente sobre os recebimentos das vendas, avaliando os valores das contas em atraso, logo após a constatação desses valores é realizado um contato com o cliente, buscando a realização do recebimento dos valores pendentes. Caso o cliente não efetue o pagamento será encaminhado o valor em aberto para o protesto e restrições comerciais. Em análise no comportamento do departamento verificou-se que essas são as principais atividades realizadas no setor, possuindo os procedimentos que devem ser seguidos em cada situação e são registradas essas rotinas em software da própria empresa, constituindo um ambiente integrado e de fácil acesso sobre os valores a receber. 87 3.2.2 Contas a Pagar As contas a pagar representam as obrigações que a empresa possui com terceiros, referentes a compras de mercadorias dos fornecedores, bens para consumo, obrigações tributárias e trabalhistas e outras compromissos que a empresa venha a obter. Podem-se destacar algumas rotinas realizadas pelo setor na organização, sendo eles: a) confirmação da existência e contratação da obrigação a pagar: A confirmação da existência ocorre logo após o recebimento da nota fiscal, no qual ocorre através do pedido do setor de Compra que avalia o estoque e solicita a autorização do responsável e com a aprovação são emitidos os pedidos de compras aos fornecedores. No recebimento das compras estas são conferidas todos os itens listados na nota com as mercadorias entreguem no depósito, após confirmar todos os elementos a nota é encaminhada para o financeiro que será conferido com o pedido de compra. Depois de confirmar os dados com as notas são registradas no sistema de controle de contas a pagar, que informa todos os dados que compõem a nota fiscal e a data de vencimento da mesma. Ao término de todo esse processo a nota é encaminhada ao setor de Contabilidade para seus devidos registros. b) Controle e programação das contas a pagar nos vencimentos: Com todas as notas registradas no sistema o setor de Contas a Pagar, este realiza um controle rígido para que nenhuma duplicata não seja paga antes do seu vencimento. Os relatórios das contas a pagar são emitidos e a programação de pagamento pelas notas é realizada com antecedência, no máximo cinco dias, no qual é encaminhado para a Tesouraria. c) Observação dos controles adotados pelo setor de Contas a Pagar: 88 No curso das atividades de contas a pagar são realizado controles para que não ocorram pagamentos em duplicidade. Dessa forma, ao se efetuar o pagamento realiza-se a baixa do valor em aberto pelo responsável, outro controle são análises das obrigações que a empresa possui em intervalos de períodos. Com isso, a empresa registra todas as suas obrigações no sistema informatizado, facilitando o acesso às consultas necessárias a confirmação das liquidações e das posições em aberto do departamento. 3.2.3 Tesouraria No setor de Tesouraria são realizadas as atividades de circularização de numerários e movimentação financeira, havendo o caixa que é operado pelo colaborador e o tesoureiro responsável pelo departamento. Algumas rotinas realizadas pelo setor compreendem: a) Estrutura do caixa da Tesouraria: As atividades de caixa realizadas pelos operadores são registradas no software adequado para a atividade, este sistema de computador é criado pela própria empresa que possui equipe especializada para desenvolver a atividade, este sistema permite a emissão do relatório de boletins de caixa, com todas as informações do período, tais como: numerário, vendas a vista e a prazo, cheques pré-datados e com cartão de crédito. Antes de iniciar as atividades os operadores são treinados e adquirem conhecimento sobre as atividades que serão realizadas juntamente com as regras estabelecidas para exercer a função. b) Pagamentos e Recebimentos da Tesouraria: O pagamento das duplicatas é realizado pela tesouraria, no qual recebe do departamento de contas a pagar o relatório com as informações de todas as notas com as demais informações juntamente com a duplicata, para realizar o pagamento. 89 As vendas realizadas com o cartão de crédito são recebidas pelo caixa e encaminhada à Tesouraria mediante registro automático no boletim de caixa. Muitos dos pagamentos das obrigações são realizados via conta corrente, com acesso pela internet. Pois o tesoureiro possui autorização para todas as contas da empresa, gerenciando e realizando transferências. Com os valores em numerários ou cheque é realizado depósito bancários, apenas será mantido sobre custódia os cheques pré-datados, a tesouraria mantém um fundo fixo para pagamento. Os valores numerários recebidos em cada caixa na rede de supermercado são realizados o depósito bancário e encaminhado a tesouraria o comprovante do depósito juntamente com as notas que comprovam as vendas. Essas operações de vendas são conciliadas com o relatório de vendas do dia que o sistema emite dessa forma, a tesouraria mantém o controle das vendas a vista ou a cheque, avaliando os valores depositados e os cheques pré-datados recebidos, sendo que os caixas sempre atuam com um valor fixo para realizar as operações. c) Garantias de segurança utilizadas na empresa: Os controles adotados na Tesouraria não permitem o acesso no departamento de colaboradores que não realizem nenhuma operação no setor. Os pagamentos das contas a pagar são realizados antes da data de vencimento, aproveitando os descontos adquiridos por pagamentos adiantados. Todas as operações de pagamento são realizadas com a autorização do tesoureiro, caso não possua a autorização não é realizado o pagamento. A empresa mantém restrições aos colaboradores para não divulgar informações sobre os valores a receber ou a pagar da organização, ou qualquer outra informação. Portanto, a Tesouraria representa a movimentação de todas as disponibilidades que a entidade possui juntamente com as suas obrigações, devendo ser seguidos todos os controles para que não ocorram irregularidades. 90 3.3 Trabalhos da Auditoria Interna Neste tópico abordam-se as etapas dos trabalhos da auditoria interna na empresa, bem como destacando os principais procedimentos utilizados na avaliação dos controles internos adotados pela entidade. A estrutura dos trabalhos da auditoria interna aplicada sobre os setores financeiro objetivando a eficiência e a eficácia dos controles internos nas situações detectadas quantos as fragilidades dos sistemas operacionais, para não ocorrer prejuízos financeiros e proporcionar informações sólidas, reduzindo a possibilidade de erros nas decisões da empresa. 3.3.1 Planejamento e Programas de Trabalho da Auditoria Interna O planejamento dos trabalhos da auditoria interna está voltado em preparar o roteiro da auditoria interna com escopo em verificar a exigibilidade dos controles internos bem como o cumprimento da política adotada pela auditada. A primeira fase da auditoria é realizar o planejamento, no qual serão elaborados os procedimentos que são realizados todo o ano, dessa forma a companhia possui um plano anual de auditoria para ser cumprido. Neste plano estão compreendidos os trabalhos que serão realizados de acordo com a definição da diretoria a qual a auditoria esta vinculada. Assim, os trabalhos são apresentados pela auditoria, contendo já sugestões de alguns trabalhos que por se tratarem de processos críticos carecerem de verificação anual. Porém é discutido com a respectiva diretoria, que avalia e sinaliza as alterações que julgar necessário, sempre atentando as prioridades da empresa para alcançar as diretrizes projetadas. A elaboração do programa de trabalho da auditoria, isto é, do roteiro de procedimento a ser utilizado pela a auditoria interna para a avaliação das operações realizadas, serve para definir a estrutura dos exames a serem realizados, e conhecer o grau de complexidade das atividades em cada setor. 91 Dessa forma, os órgãos administrativos da empresa estão vinculados com a constituição dos procedimentos da auditoria nos departamentos, visando à eficiência nos seus processos. Determinando os trabalhos avalia-se o grau de extensão dos mesmos e o número de horas que se pretende despender para examinar e obter informações. Acrescenta-se ainda, intervalos de tempo em alguns trabalhos objetivando utilização em trabalhos especiais. Os intervalos de tempo são fixados e não são superiores há uma semana, e serve tanto para avaliar ocorrências de erros ou fraudes, como também para realizar trabalhos que não estavam programados. Os trabalhos especiais são realizados pela auditoria interna e designados como trabalhos que não foram programados, eles surgem em virtude de irregularidades ou quaisquer levantamento que seja pedido fora dos trabalhos programados. Por exemplo: nos procedimentos não tem programação para fazer um levantamento de custo de produção de um determinado produto, mas a diretoria solicita, então a auditoria deve ter um período de tempo reservado para trabalhar esta solicitação. Outro exemplo, não estava programado trabalho nas despesas de importação, porém, considerando o volume financeiro das últimas importações a diretoria respectiva quer atestar a regularidade, dessa forma esses trabalhos mencionam-se como trabalho especial. Para todos os trabalhos há um programa de auditoria, onde consta no mesmo o objetivo do trabalho, a programação de tempo, qual o escopo de trabalho, procedimentos que serão adotados para realização do mesmo e um check-list para acompanhar o desenvolvimento do trabalho, ou seja, no mínimo, o que este previsto no check-list deve ser avaliado. Desse modo, o planejamento da auditoria na organização é realizado com base em estudos de todos os exames necessários para obter a eficiência dos controles internos, detectando os erros e fraudes incidentes nas operações. 92 3.3.2 Procedimentos da Auditoria Interna Os procedimentos/exames realizados nos controles internos da empresa são as formas de avaliação que, tomadas em conjunto, permitem a formação fundamentada da opinião do auditor sobre o trabalho realizado. Alguns dos procedimentos utilizados na auditoria são os de: revisão; confirmação; questionamento; conferência de cálculos; contagem; observação; repetição; exame dos documentos originais; e escrituração. Nos procedimentos de revisão a auditoria interna avalia se os controles determinado para os devidos setores se estão sendo cumpridos corretamente, atualizando as informações sobre cada procedimento e resultado proporcionado. Na confirmação, a auditoria interna avalia a eficiência dos controles internos e examina se será necessário a implementação ou ajustes para contribuir no melhoramento do seu funcionamento, essa confirmação também é realizada por meio de controle dos papéis, no qual o responsável concede a autorização sobre determinado recebimento, pagamento ou outras atividades. Em relação ao questionamento, a auditoria interna em alguns casos elabora questionários que são expostos para os colaboradores dos departamentos ou supervisores, para fim de sanar as dúvidas sobre determinados atos ou obter maiores conhecimentos sobre os controles internos do setor. Sobre a conferência de cálculos, os procedimentos são voltados na constatação dos cálculos realizados, analisando os saldos bem como as operações realizadas e os devidos cálculos aplicados. A contagem na empresa em questão é um processo de exame físico, realizando um confronto entre os números demonstrados pelos relatórios e a 93 inspeção física de contagem sobre o caixa, estoques, ativos, entre outros bens e direitos da entidade. Nos procedimentos de observações, o auditor examina se existe alguma irregularidade nos controles expondo os erros ou deficiência nas operações. Esse processo é realizado por profissionais, que possuem conhecimento. A repetição de alguns procedimentos da auditoria é realizada para obter uma informação fidedigna sobre determinada matéria auditada, tal procedimento é uma investigação minuciosa colocando neste processo todos os exames necessários para obter uma informação autêntica. Nos exames de documentos originais, o auditor examina os papéis necessários que comprovem as transações. Para considerar a operação válida é verificada a autorização determinada pelo responsável, à legitimidade das informações expostas nos documentos e se o mesmo proporcionará registros contábeis adequados. No procedimento de escrituração são analisados os registros realizados e os atos e fatos que os designaram, a apropriação de contas adequadas para cada lançamento, a composição dos saldos e a conciliação das contas. Com estes procedimentos, a empresa realiza os trabalhos da auditoria interna em todos os controles internos adotados pela entidade, assim é possível evitar as fraudes ou erros nas operações da empresa e proporcionar o melhoramento contínuo dos controles. No acompanhamento dos trabalhos da auditoria interna na organização é utilizado o check-list, sendo uma lista de verificação, no qual ao executar um trabalho são avaliados todos os pontos que deverá ser examinado e discriminado na lista ou check-list, ao verificar os pontos informados na lista, o auditor ratifica descrevendo no check-list. No decorrer dos trabalhos da auditoria interna são aplicados papéis de trabalho, registrando os pontos que estão sendo avaliados nos trabalhos, em papel físico ou virtual, havendo o máximo de cuidado com os papéis de trabalho, pois os mesmos fundamentam a posição do auditor, desta forma são necessários os devidos cuidados necessários com os mesmos. Após cumprir os procedimentos da auditoria, check-list e outras avaliações que forem relevantes no transcorrer dos trabalhos, o auditor emite um parecer sobre o resultado de sua avaliação. 94 Desta forma, o auditor elabora um relatório final, ao constituir o relatório o auditor utiliza linguagem simples, contendo objetivo e escopo dos exames; resultado dos exames e considerações finais. Ao término da elaboração do relatório, os supervisores da auditoria interna encaminham para a gerência responsável e para a diretoria, no qual irá avaliar todos os resultados alcançados. Por fim recebe-se o retorno do relatório, ou seja, a resposta e arquiva-se, para futuras auditorias. 3.4 Análises dos Procedimentos Adotados e Proposições para a Adequação dos Sistemas de Controles Internos No decorrer desta seção são abordados os trabalhos específicos utilizados na área financeira, avaliando o resultado dos procedimentos adotados pela empresa em estudo. Devido ao porte da entidade em questão o sistema de controle interno aplicado à área financeira deve ser eficiente e específico para cada operação, proporcionando segurança do patrimônio, pois caso o mesmo não divulgue informações verídicas, poderá ocasionar problemas, devido à utilização de informações incorretas. Assim, após de explanar os procedimentos utilizados pela auditoria, será destacado os exames realizados no departamento financeiro com intuito de adotar medidas de precaução e de adequação dos controles internos da companhia. 3.4.1 Considerações Essenciais a Auditoria da Área Financeira Neste tópico será exposto o resultado de avaliação dos controles internos no departamento financeiro da empresa em questão, bem como os trabalhos da auditoria nas atividades sob análise, tomando como base os procedimentos aplicáveis. 95 As informações expostas foram obtidas através de questionários realizados ao auditor interno da entidade, no qual avaliou os procedimentos e divulgou o sistema de controle interno adotado pela organização. Nos controles internos abaixo são controles administrativos e contábeis, que determinam a segurança nas operações e do patrimônio, demonstrando o objetivo da auditoria sobre a avaliação dos controles internos nos setores de Contas a Receber, Contas a Pagar e Tesouraria. 3.4.1.1 Auditoria Interna das Contas a Receber O setor de Contas a Receber na empresa representa as vendas realizadas pela entidade, dessa forma este setor é composto dos créditos realizáveis de clientes, tornando-se um direito que a organização deve receber no decorrer do período. Os procedimentos aplicáveis às Contas a Receber são realizados com base nos exames executados pela auditoria independente, sendo destacados neste tópico alguns exames realizados. a) Objetivos dos exames da auditoria nas contas a receber: Nas operações das Contas a receber a auditoria objetiva obter resultados satisfatórios nas atividades do departamento e nos controles adotados, com a aplicação dos exames a auditoria constata a adequação da política dos controles internos no contas a receber, proporcionando segurança. Avaliar se os saldos financeiros das contas representam a sua exata propriedade, também verificando se a classificação dos valores a receber está exposta nas contas corretamente. Analisar as estimativas de perdas dos valores recebíveis a prazo, bem como verificando a forma de cálculo para compor o saldo. b) Avaliação dos controles internos: 96 Os controles internos são específicos para cada setor, sendo que sempre ocorre à interação dos procedimentos de controle das contas a receber com a tesouraria ou contabilidade, abaixo segue alguns dos controles utilizados no setor: • Análise das contas a receber em atraso; • Recebimento de contas via banco; • Segregação de funções; • Conciliação entre as contas a receber e a contabilidade. c) Procedimentos usuais a auditoria no setor de Contas a Receber: O auditor durante o seu trabalho realiza procedimentos específicos para cada operação sobre os controles internos, obtendo informações sobre o controle, para realizar estes procedimentos o auditor realiza: • exames dos saldos a receber por idade; • avaliação com levantamento de quantidade física de valores a receber; • circularização das duplicatas e de contas a receber, sendo realizada uma triagem de clientes para confirmar os valores; • desenvolver os testes de observância e substantivos no departamento selecionando um período; • realizar exames de estimar os dias de vendas, visando a apurar o valor total de duplicatas a receber; e • realizar exame de vendas, avaliando toda a operação de vendas, desde sua origem até a liquidação de contas a receber; d) Cuidados especiais na auditoria no Contas a Receber: O auditor deve avaliar algumas situações de risco possíveis na auditoria no setor de contas a receber, que são: • falhas na contabilização de vendas; • saldo da conta a receber não confere com o saldo contábil; • em lançamentos de notas ficais deverá ser avaliado as devoluções e descontos concedidos; • prazo para recebimento de títulos; • data do recebimento divergente do registro contábil; • falta de cobrança de juros sobre os valores em aberto; 97 • falta de relatórios gerenciais, para controle interno com informações referentes a prazo médio de contas a receber, devoluções, principais clientes e evolução de custos em relação a comissão, descontos e garantias; e • forma de caçulo sobre as provisões de vendas e com os devedores duvidosos. 3.4.1.2 Auditoria Interna das Contas a Pagar As contas a pagar representam uma obrigação que a empresa possui perante terceiros, neste setor há um considerável risco, pois os valores expostos podem não ser exatos. Os procedimentos aplicáveis às Contas a Pagar são realizados com base nos exames executados pela auditoria independente, sendo destacados neste tópico alguns aspectos avaliados. a) Objetivos dos exames da auditoria nas contas a pagar: A finalidade da auditoria nos controles internos é a avaliação do cumprimento dos controles e a eficiência, no qual o auditor ao aplicar os exames verifica: • certificar de que todas as obrigações da empresa estão registradas; • avaliar se os saldo demonstram a correta situação sobre o compromisso perante terceiros; e • examinar a adequação dos controles internos adotando os métodos de segregações de funções, emissão de cheques em pagamentos nominais, conciliação dos saldos do contas a pagar com a contabilidade. b) Procedimentos comuns na auditoria no setor de Contas a Pagar: Os procedimentos aplicados no contas a pagar visam à obtenção informações verídicas sobre as operações, sendo destacado alguns dos exames relevantes para o departamento: • conferência de cálculos das provisões das obrigações; • comprovação da documentação hábil que originou a obrigação; 98 • confirmação com credores, por meio de contatos; e • avaliar a confiabilidade e adequação dos controles internos no setor. c) Cuidados especiais sobre as Contas a Pagar: No decorrer dos exames o auditor avalia várias operações para encontrar irregularidades ou ineficiência, para indicar ajustes nos controles, sempre visando a segurança do patrimônio. Podem ser destacados alguns fatores de auditoria que podem ser identificados no contas a Pagar: • realizar compras sem autorização do responsável; • avaliar as compras realizadas sem a necessidade de estoque; • mercadorias adquiridas em condições desfavoráveis para a comercialização; • compras realizadas por fornecedores não autorizados; • pedido de compra esta diferente das mercadorias recebidas; • análise se todas as mercadorias compradas possuem registro no estoque; • informações na nota diferente do pedido; • pagamento incorreto, sendo o mesmo maior ou em duplicidade; • análise se ocorre diferença no saldo do contas a pagar com a contabilidade nos períodos; • falta ou falha de contabilização das compras e os pagamentos; e • ausência de relatórios com informações sobre o prazo médio de pagamento dos fornecedores, o progresso dos preços dos materiais e a procura de novos fornecedores. 3.4.1.3 Auditoria Interna da Tesouraria Com embasamento nos procedimentos aplicáveis pela auditoria independente, são destacados alguns aspectos que são utilizados nos trabalhos da auditoria nas disponibilidades. São considerados disponibilidades o Caixa e Banco, sendo um ativo de alta liquidez, sendo que é um setor que favorece a utilização indevida dos valores. 99 Desta forma, os exames devem ser aplicados para encontrar as irregularidades e riscos, necessitando de um eficiente controle interno. a) Objetivos dos exames da auditoria no Caixa e Banco: A finalidade da auditoria na conta Caixa e Banco é avaliar a eficiência dos controles nas contas de disponibilidades, determinando a exatidão das informações. Verificando as seguintes informações: • verificar a existência monetária em caixa, banco ou terceiros; • avaliação sobre a propriedade da disponibilidade, se o valor pertence realmente a empresa; • determinar se os lançamentos foram realizados conforme os princípios contábeis para o fato e se estão classificadas corretamente; • analisar se possui restrições na utilização; e • examinar os controles internos e a sua execução. b) Avaliações aos sistemas de controle interno sobre as operações de Caixa e Banco: O controle interno sobre as operações de pagamento e recebimento devem ser adotados com o intuito de manter os seguintes aspectos: • segregação de funções entre a Contabilidade e Tesouraria; • abertura contas bancárias autorizadas pela Diretoria; • seguro de fidelidade ou carta fiança; • conciliação bancária; • controle dos valores monetários diários; e • Sistema de comunicação eficiente entre banco e empresa. Especificamente sobre as operações de recebimento das vendas o auditor deverá comparar o controle contábil das disponibilidades com o controle físico, o endosso restritivo de cheques, os depósitos dos recebimentos e as cobranças realizadas para os devedores. Sobre as atividades de pagamentos deverá ser analisado o pagamento acima do limite permitido pela empresa somente através de cheques nominais, controlar os cheques ainda não utilizados, cheques com duas assinaturas para ser compensado e inutilizar os documentos já quitados. 100 c) Procedimentos comuns na auditoria no setor de Contas a Pagar: Com a realização dos procedimentos e extensão dos exames o auditor determina o resultado do seu trabalho, pois com a aplicação de procedimentos eficazes irá obter êxito nos resultados, alguns procedimentos importantes e que são referentes ao setor são: • contagem física de caixa; • exame sobre as conciliações bancárias; • avaliação sobre as transferência de valores, bem como a quem se destina; • análise sobre as aplicações financeiras; e • transações de caixa como os pagamentos e recebimentos. d) Possíveis riscos de auditoria (Tesouraria): • pagamentos e recebimentos sem documentos que comprovem o pagamento e autorização; • perdas em decorrência de cheques não compensados; • transações de numerários por pessoas não autorizadas; • demonstração de informações inadequadas sobre a posição financeira; • apropriação indevida de valores do caixa; • aquisição de recursos com juros altos ou instituições financeiras não confiáveis; e • perda de documentos ainda não negociáveis. 3.4.2 Resultado da Análise dos Procedimentos Realizados pela Empresa em Estudo No decorrer deste tópico serão demonstradas algumas considerações fundamentais sobre o sistema de controle interno adotado no departamento Financeiro da empresa em estudo, destacando os setores de Contas a Pagar, Contas a Receber e Tesouraria, estabelecendo proteção e prevenção de risco. a) Contas a Receber 101 A auditoria interna ao analisar os procedimentos dos controles internos adotados no setor de Contas a Receber, avalia as seguintes adequações no sistema de controles internos, sendo elas: • inspeção física dos títulos e registros com presença dos responsáveis da área financeira, caso encontre valores divergentes deverá ser analisado o destino do numerário; • contas que são incobráveis devem ser organizadas e haver controle sobre os valores, arquivando os documentos em lugares adequados; • deverá haver interação com a Contabilidade e o Financeiro periodicamente, ocorrendo a troca de informações bem como disponibilizar os documentos para realizar os registros contábeis corretamente; • realizar a conciliação entre o saldo da Contabilidade e Financeiro e análises de relatórios, avaliando se possui diferenças nos valores expostos nos relatórios de contas a receber com a contabilidade; • haver segregações de funções nas operações do setor Contas a Receber, obtendo segurança nas atividades; e • avaliações periódicas dos saldos de Contas a Receber dos clientes, buscando a confirmação de saldos com funcionário que não trabalham no setor e na função de caixa. Nos exames das contas a receber da empresa a mesma possui controle interno sobre as operações, no qual é realizada por colaboradores que são específicos para esta função e possuem treinamento adequado para realizar as atividades, não possuindo nenhum outro cargo. O controle das Contas a Receber abrange outras áreas como o Caixa, Banco e faturamento da organização, é utilizado software que disponibiliza as informações dos saldos diariamente, como se trata de supermercado os produtos que possuem descontos no dia são registrados no sistema, sendo realizada a venda com o valor atualizado, não havendo outros descontos. As medidas de controle expostas acima são avaliadas na auditoria interna sendo que foi ressaltada a importância desses procedimentos para obter maior segurança nos controles internos. b) Contas a Pagar 102 No setor de Contas a Pagar para que se tenha um adequado nível de confiabilidade nas informações é destacada a utilização de alguns procedimentos que favorecem a segurança do patrimônio e valores, sendo os mesmos: • os registros das contas a pagar devem ser restritas somente ao responsável do setor, não havendo acesso aos registros os colaboradores que realiza as atividades de caixa; • realizar os pagamentos nos vencimentos previstos, tentando obter descontos no decorrer de suas quitações; • avaliações periódicas de cotações de preços, prazos e outros fatores nas condições de compra; e • conciliações do saldo de contas a pagar com a contabilidade, analisando as possíveis pendência no setor. No setor de Contas a Pagar também existem controles internos, o qual permite que a realização dos pagamentos seja efetuada por colaboradores específi cos para a devida operação. Sendo realizado por meio de autorização do responsável pelo setor, com a emissão de cheque emitido por um responsável, no entanto a maioria dos pagamentos é realizada via web. Os controles devem ser seguidos para obter a eficiência nas operações e realizar iterações com a Contabilidade e o setor de Contas a Pagar do Financeiro, avaliando as possíveis divergências e evitando omissões nas atividades do setor. c) Tesouraria (Caixa e Banco) Nas atividades do setor de Tesouraria compõem as operações de pagamento e recebimento de duplicatas, os controles adotados neste setor asseguram um melhor desenvolvimento, sendo eles: • as operações de caixa devem ser realizadas por colaboradores treinados e manter um funcionário com conhecimento da atividade, caso ocorra férias ou falta terá colaborador disponível e com conhecimento no setor para realizar as atividades; • treinamentos devem ser oferecidos aos colaboradores, para manter a eficiência nas operações; 103 • a instalação da tesouraria deve ser em um local que não seja de fácil acesso a colaboradores de outros setores; • o dinheiro disponível no caixa de loja no final do período deve ser encaminhado a tesouraria, que ficará com a guardar e no dia seguinte será disponibilizado ao caixa; • realizar conferências surpresas, verificando se há irregularidades no saldo de caixa; • deverá haver interação entre a Contabilidade e o setor de Tesouraria do Financeiro, realizando o controle nos valores deste setor e sendo realizado os registros na contabilidade; • elaborar boletins de caixa, onde conte as informações sobre a movimentação realizadas no dia, sendo assinado o relatório pelo responsável pelas operações do caixa e supervisor; • o tesoureiro deverá ser responsável nas assinaturas dos cheques juntamente com assinatura do proprietário ou administrador; • haver sempre a posse das movimentações do caixa, representando as origens e destinos dos numerários; • disponibilizar a Contabilidade os valores dos cheques depositados, por meio do extrato bancário; • nos cheques não compensados, deverá ficar na guarda do tesoureiro e deverá registrar as informações e repassar ao setor de cobrança; e • nas operações com emissão de cheque, emitir a cópia do cheque com as assinaturas e realizar a custódia. Os funcionários responsáveis pelas operações da tesouraria possuem treinamento do software utilizado pela empresa e como são realizadas as atividades no setor, possuindo conhecimento específico para a tesouraria. Dessa forma, com a utilização das medidas expostas acima é possível obter um desenvolvimento das operações eficientes e sem indícios de fraudes e erros no setor. 104 3.5 Visão e Análise Sistêmica da Auditoria Interna da Empresa Neste tópico destacam-se a sistemática da auditoria interna na entidade, determinando alguns pontos inerentes à pesquisa, os argumentos expostos neste tópico é resultado de um questionário elaborado ao gestor e supervisor da auditoria interna da empresa em estudo. A visão e análise sistêmica da auditoria interna na organização envolvem a integração de todo a política de controles internos adotados pela empresa, bem como os trabalhos da auditoria interna sobre estes controles e o resultado dela proporcionado, visando um objetivo estabelecido pela diretoria. Dessa forma, no decorrer deste tema são expostas a condição atual da auditoria interna na companhia e a análise aplicada sobre o assunto, objetivando avaliar o contexto dos controles internos a contribuição e importância da auditoria interna nas decisões da empresa. 3.5.1 Caracterização dos Sistemas de Controles Internos da Empresa em Estudo Os controles internos adotados na empresa são implantados com o intuito de evitar a ocorrência de fraudes, conluio ou erros nas operações, para obter a eficiência desse sistema a entidade dispõe dos trabalhos da auditoria interna, que mantém durante o seu trabalho o cumprimento das rotinas operacionais com eficiência e analisa irregularidades e melhorias nos controles. A eficiência dos controles internos pode ser danificada pelas limitações, muitas vezes ocasionada por falhas, conluio ou erros dos colaboradores, pois os controles internos dependem da ação humana, até mesmo aqueles automatizados, devido que são operados por funcionários da entidade. De acordo com o supervisor da auditoria interna na organização havendo conluio ou falha humana é possível que estes controles não atendam os objetivos propostos. Sendo assim é necessário que se adotem medidas mais rigorosas que possibilite abranger a eficiência e eficácia dos controles, não limitando sua 105 percepção apenas a uma determinada pessoa, momento, local ou viés de observância e análise. Ao construir um ambiente de controle integrado e abrangente, teremos possibilidade de minimizar os riscos de limitação de controle. No ambiente de controle integrado e abrangente a empresa realiza a política dos controles internos adotando os procedimentos adequados para cada operação conforme a sua necessidade. Em relação ao pessoal responsável pela fiscalização e cumprimento dos controles internos, os mesmos são de confiança e com habilidade, possuem treinamento e experiência necessários para executar satisfatoriamente as responsabilidades destinadas. Neste caso, avaliamos que os controles internos da entidade são desempenhados para assegurar a fidedignidade de todas as operações da entidade, desempenhando a veridicidade de todas as informações do patrimônio. 3.5.2 Custo x Benefícios dos Controles Internos no Ponto de Vista da Empresa em Estudo Em relação aos custos versus benefícios disponibilizados pelos controles internos a empresa em estudo possui a visão de que os mesmos são considerados como uma limitação para os controles internos. Esta posição se apresenta devido que os gastos para manter a eficiência e o cumprimento dos controles não podem ser maiores que os benefícios atribuídos durante a sua execução, assim o controle interno tem que ser econômico, caso contrário o mesmo perderá a razão de existir. É com essa visão econômica que os controles são adotados e aprimorados, sempre avaliando o custo consumido com as vantagens coletadas em todas as circunstâncias, seja em tomada de decisões da empresa, na segurança do patrimônio, na veracidade das informações contábeis e cumprimento das atividades com fidedignidade. Muitos controles ostentados pela companhia não são econômicos, mas sua atuação nos setores requer qualidade devido a amplitude das operações, assim é necessário empregar esses controles para garantir a exatidão das informações. 106 É com essa consideração sistêmica sobre os gastos utilizados versus benefícios e melhorias apropriadas, que os controles internos são adotados na empresa, sempre tendo em vista o aprimoramento da organização com economicidade. Na análise da auditoria na empresa, os trabalhos estão voltados além de manter o cumprimento dos controles internos, verificar também se as leis e regulamentações internas e externas estão sendo cumpridas e se os relatórios e controles financeiros são exatos e adequados. Em relação à revisão completa na preparação dos relatórios contábeis e financeiros para uso interno e externo das informações retiradas através da análise nos controles internos está sendo realizado pela auditoria externa na empresa, no qual avalia a fidedignidade das informações, antes de expor as mesmas. Desta forma, o auditor interno possui acesso irrestrito a quaisquer documentos, propriedades e pessoal da empresa. No plano organizacional da empresa possui a delegação e a coordenação das responsabilidades estabelecidas com a devida segregação de funções compatíveis Em relação à finalidade da auditoria interna, o auditor interno da empresa destacou alguns objetivos, que são: • a auditoria interna tem como finalidade acompanhar a eficiência dos controles internos e adequação dos mesmos em registrar e fornecer dados para um adequado controle administrativo e operacional, com aprimoramento nas tomada de decisões e otimização da utilização dos recursos existentes; • a auditoria interna analisa as diversas operações e controles da empresa, para determinar se os procedimentos e políticas estão sendo seguidos, se os padrões estabelecidos são cumpridos, se os objetivos da organização estão sendo atingidos; • ao realizar os trabalhos da auditoria e verificar alguma situação que esteja desfavorecendo a empresa, a auditoria apresenta uma sugestão de implementação destes controles internos; • agregar valor nas operações da empresa. Assim, compreende-se que a auditoria interna na entidade está voltada para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da organização, visando à obtenção de 107 informações corretas, reduzindo consideravelmente a possibilidade de erros. A importância e benefícios estabelecidos pelos trabalhos da auditoria interna são subsídios que favorecem a aplicação dos controles nas entidades, dessa forma ao considerar as contribuições e verificar as necessidades dos controles para cada estrutura da organização é empregado os trabalhos da auditoria interna. No quesito da importância e benefício dos trabalhos da auditoria interna a empresa destaca que atualmente para a entidade a auditoria interna resumi-se em segurança. De acordo com o auditor, os proprietários do negócio e usuários dos relatórios querem ter segurança quanto às informações prestadas nos demonstrativos de resultados, verificando se os controles adotados são satisfatórios, se os processos estão regulares, se os saldos de correspondem aos apresentados, enfim, se empresa possui a real situação patrimonial. Avaliando a auditoria por este ângulo, destaca-se a importância da auditoria interna, nesse sentido. Deste modo, a garantia disponibilizada pelos trabalhos da auditoria interna em cada departamento faz com que a mesma seja destaque na gestão da companhia, sendo elemento de suma precisão nos controles e benfeitorias. A auditoria também pode proporcionar benefícios no decorrer dos seus trabalhos, que são: reduzir custos, através da análise de processos; gerar ganhos, por meio da recuperação de ativos; minimizar riscos, com a análise de riscos; oferecer sustentação para os controles internos; e auxiliar os gestores na tomada de decisão mediante os trabalhos realizados. A magnitude dos trabalhos da auditoria interna proporciona para a empresa a ordem dos controles internos, tornando-os sustentável e sendo elemento de credibilidade para a entidade, perante aos gestores e colaboradores dos setores. 108 3.5.6 Análise dos Controles Internos pela Auditoria Interna da Empresa em Estudo Os trabalhos da auditoria interna refletem na análise do cumprimento do sistema de controles internos na entidade, assim todos os trabalhos são voltados para este escopo. Na execução dos trabalhos na auditoria interna a primeira etapa serve para o planejamento e a montagem do programa da auditoria, visando obter informações completas sobre o sistema de controle interno e atividades realizadas pela empresa, para determinar os procedimentos da auditoria, apesar da auditoria estar sempre avaliando o sistema de controle, algumas atividades nos departamentos é alterada, como também os colaboradores, cabendo o auditor tomar conhecimento, as principais formas de análise são: entrevista; questionários; e fluxograma do processo. Nas entrevistas o auditor interno verifica com os supervisores dos setores, formulando questões orais sobre procedimentos dos controles internos e das tarefas realizadas, sendo este um procedimento complexo, pois o colaborador pode não fornecer uma informação lícita. Em questionários o auditor expõe dúvidas sobre os pontos que carecem conhecimento e transporta para o responsável do departamento, ajustando o seu nível de informação. No fluxograma do processo o auditor verifica as instruções para realizar determinada ação, dessa forma é possível saber todos os procedimentos realizados para completar determinada operação. Por meio desses procedimentos o auditor interno atualiza as informações dos pontos do controle interno que necessitam de informações e logo após realiza o programa de auditoria interna. 109 3.5.7 Participação da auditoria Interna na Participação da Administração Geral A participação da auditoria interna nas reuniões da administração é de suma importância para o resultado das atividades serem eficientes, pois a mesma pode contribuir com informações exatas e favorecer o alcance das diretrizes estabelecidas. Na empresa em questão o auditor concorda plenamente que a função da auditoria interna na empresa se reportar ao nível máximo da organização, no entanto atualmente na entidade a área esta vinculada atualmente a diretoria de Controladoria e Finanças. Assim, as informações são expostas a controladoria que avalia todas as informações e dispõe para a administração. Dessa forma, a auditoria interna não avalia os planos e metas a fim de determinar se os objetivos são atingidos com a análise na política do controle interno, apenas estabelece os controles internos conforme definido pela administração, não obtendo informação sobre os projetos planejados para o período. De acordo com o auditor interno na empresa essa atividade de análise das diretrizes estabelecidas e os controles internos adequados para alcançá-las ainda não fazem parte do escopo de trabalho do setor. Nesse caso, avaliamos que a auditoria pode ser estabelecida como um instrumento eficaz na gestão da empresa, mas a administração poderá usufruir de forma mais abrangente de seus trabalhos e de suas informações precisas, pois com a participação do auditor interno nas reuniões administrativas irá contribuir para alcançar os objetivos estabelecidos, devido que a partir do momento que o auditor obtém conhecimento sobre os projetos, poderá adotar procedimentos nos trabalhos que favoreçam o alvo da direção. O empenho da administração com o departamento e trabalhos da auditoria favorece o desempenho das atividades, pois a auditoria interna irá receber ordens da administração, cabendo a mesma consentir os trabalhos em todos os departamentos. Na entidade o comprometimento dos níveis gerenciais com a auditoria interna e a política dos controles internos são abrangentes, os mesmos possuem a 110 visão de que a auditoria com seus trabalhos são projetados para detectar e evitar fraudes e práticas ilegais e antiéticas que ponham em risco o conceito e patrimônio da empresa. Portanto, a administração fornece a auditoria interna toda à contribuição necessária para realizar os trabalhos da auditoria interna com eficiência, favorecendo o relacionamento com os demais setores, fornecendo informações verificas. Embora a auditoria interna não participe das reuniões com a administração os trabalhos realizados pela auditoria servem de parâmetros para as tomadas de decisões, dessa forma as determinações estabelecidas são realizadas com bases sólidas, reduzindo a possibilidade de erros. A avaliação dos resultados dos trabalhos da auditoria também é avaliada nos pontos que carecem de ajustes, dessa forma a direção propõem novos métodos de controles internos e transportar essas decisões para a auditoria, que providência a implantação dos controles. Neste caso, a utilização das informações proporcionadas pelos trabalhos da auditoria é eficaz para a administração, devido que a possibilidade de tomar decisões inadequadas é pequena, em relação aos níveis de dados e análises realizadas. 111 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir da análise dos trabalhos realizados pela auditoria interna na empresa e das informações disponibilizada aos dirigentes verificaram-se a importância desses serviços da auditoria interna na manutenção da organização operacional dos setores que compõem o Financeiro. Na pesquisa para desenvolvimento deste estudo evidenciou-se os serviços desenvolvido pela auditoria interna, onde se constatou sua efetiva participação. Assim, notou-se que independentemente do porte da empresa os trabalhos da auditoria interna assessora a coordenação da empresa, no acompanhamento das rotinas de trabalho e oferecendo proteção e segurança ao patrimônio da sociedade, como também transmite maior conhecimento aos colaboradores. Deste modo, com a verificação das informações obtidas na companhia, conclui-se que os trabalhos da auditoria interna sobre os controles internos e os subsídios oferecidos com esses serviços são importantes, pois possibilitam a entidade a obter a continuidade normal de suas operações de forma que proporcionam informações verídicas e além de contribuir para a eficiência operacional. Neste sentido, também se observou que os controles internos na entidade são adequados para cada operação e sofrem ajustes frequentemente para continuar com a eficiência para alcançar as diretrizes determinadas pela diretoria. Em análise nas informações disponibilizadas pela organização considerou-se que a os supervisores poderiam participar das reuniões dos administradores para contribuir com as informações fidedignas das operações, contribuindo para a eficácia dos negócios. Com a grande concorrência e a necessidade de terem informações corretas fazem com que as empresas adotam os controles internos mais eficientes e seguros ou procuram-se adequar, mantendo melhorias ou minimizando as carências, sempre buscando o mínimo da possibilidade de risco nas suas operações e nas tomadas de decisões. 112 Dessa forma, a auditoria interna e seus trabalhos sobre os sistemas operacionais proporcionam informações mais precisas e seguras, sendo de suma importância para a entidade, obtendo a eficiência e segurança no desenvolvimento de suas operações nas rotinas de trabalho e a importância para as tomadas de decisões. Assim, o objetivo deste trabalho foi alcançado, evidenciando que os trabalhos da auditoria interna e a profissão do auditor são elementos fundamentais para o aprimoramento das atividades da empresa e sendo um cargo de alta relevância para a continuidade das atividades organizacionais. Diante disso, conclui-se que os serviços da auditoria interna são essenciais para manter a adequação dos procedimentos e o cumprimento do sistema de controle interno, bem como oferecer informações e dados precisos e corretos. Logo a auditoria torna-se um órgão de assessoramento aos dirigentes. 113 REFERÊNCIAS ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria: Um curso moderno e completo. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. 590 p. APOLLINÁRIO, Fabio. Metodologia da ciência: filosofia e pratica da pesquisa. São Paulo: Pioneira Thomson Learning , 2006. ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; ARRUDA, Daniel Gomes; BARRETTO, Pedro Humberto Teixeira. Auditoria contábil: enfoque teórico, normativo e prático. 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