UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Administração Flávio Augusto da Silva Dias Julio Cesar Sgarbi Luiza dos Santos Oliveira Tatiane Giacomini dos Santos PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGENS ADOTADO PELA NATURA COSMÉTICOS S/A Cajamar-SP LINS – SP 2012 FLÁVIO AUGUSTO DA SILVA DIAS JULIO CESAR SGARBE LUIZA DOS SANTOS OLIVEIRA TATIANE GIACOMINI DOS SANTOS PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGENS ADOTADO PELA NATURA COSMÉTICOS S/A Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium curso de Administração, sob a orientação dos professores Ma. Máris de Cássia Ribeiro Vendrame e orientação técnica Profª Ma. Heloísa Helena Rovery da Silva. LINS – SP 2012 Dias, Flávio Augusto da Silva; Sgarbi, Julio Cesar; Oliveira, Luiza dos P49g Santos; Santos, Tatiane Giacomini. Planejamento e Desenvolvimento de Embalagens adotados pela Natura Cosmético S/A: Natura Cosméticos S/A / Flávio Augusto da Silva Dias; Julio Cesar Sgarbi, Luiza do Santos Oliveira, Tatiane Giacomini dos Santos. – – Lins, 2012. 151p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium – UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Administração, 2012. Orientadores: Máris de Cássia Ribeiro Vendrame; Heloisa Helena Rovery da Silva 1. Planejamento e desenvolvimento. 2. Embalagens cosméticas. 3. Design estratégico. 4. Descarte sustentável. CDU 658 FLÁVIO AUGUSTO DA SILVA DIAS JULIO CESAR SGARBI LUIZA DOS SANTOS OLIVEIRA TATIANE GIACOMINI DOS SANTOS PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGENS ADOTADO PELA NATURA COSMÉTICOS S/A Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de Bacharel em Administração. Aprovada em: ___/___/____ Banca Examinadora: Prof.ª Orientadora: Marís de Cássia de Ribeiro Vendrame Titulação: Mestre em Administração pela Universidade Metodista de Piracicaba Assinatura: _____________________________________ 1º Prof(a): _______________________________________________________ Titulação: _______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura:_____________________________________ 2º Prof(a): _______________________________________________________ Titulação: _______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura:_____________________________________ AGRADECIMENTOS Hoje, vivo uma realidade que antes era apenas um sonho, mas foi preciso muito esforço, determinação, paciência, perseverança, ousadia e maleabilidade para chegar até aqui, e nada disso eu não conseguiria sozinho. Minha terna gratidão a todos aqueles que colaboraram para que este sonho pudesse ser concretizado. Grato a Deus pelo dom da vida, pelo seu amor infinito, sem Ele nada sou. Agradeço a minha mãe por acreditar e investir em meu sonho. Obrigado por cada incentivo e orientação, pelas orações em meu favor, pela preocupação para que estivesse sempre andando pelo caminho correto. A professora Máris de Cassia R. Vendrame que, com muita paciência e atenção, dedicou parte de seu tempo para nos orientar em cada passo deste trabalho. Aos professores e funcionários do Unisalesiano pela contribuição na minha vida acadêmica e por tanta influência na minha futura vida profissional. Aos meus colegas de classe, em especial Tatiane Giacomini dos Santos, Luiza dos Santos Oliveira e Julio Cesar Sgarbi, a quem aprendi a amar e construir laços eternos. Obrigado por todos os momentos em que fomos estudiosos, brincalhões, artistas, e cúmplices. Porque em vocês encontrei verdadeiros irmãos. Obrigado pela paciência, pelo sorriso, pelo abraço, pela mão que sempre se estendia quando eu precisava. Esta caminhada não seria a mesma sem vocês. A Natura Cosméticos S/A que nos cedeu a oportunidade de realizar um estudo em suas instalações e aos funcionários, consultores e gerentes de relacionamento o qual tivemos contato direto. O nosso muito obrigado. Obrigado a todos que, mesmo não estando citados aqui, tanto contribuíram para a conclusão desta etapa. “Que todo o meu ser louve ao Senhor, e que eu não esqueça nenhuma das suas bênçãos!” Salmos 103:2. Flávio Augusto da Silva Dias AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de iniciar este curso, por dar força para enfrentar os obstáculos e em fim chegar ao seu final. Agradeço aos meus familiares, que, nos momentos mais difíceis me apoiaram, contribuindo para que eu chegasse ao final deste curso. Aos meus amigos, que, compartilharam comigo momentos de alegrias e momentos de tristezas, dando-me a mão nos momentos mais difíceis. Aos alunos e Professores do Curso de Administração do Unisalesiano, pela troca de conhecimento, experiências e situações vividas que proporcionou-me crescimento intelectual, além, é claro do vínculo de amizade que se cria dentro da sala de aula que posteriormente serão apenas lembranças... Ao Grupo de Monografia, Flavio, Luiza e Taty. Todos pensam que monografia é algo difícil, porém quando se tem um grupo como esse tudo se torna muito fácil, embora hajam obstáculos, um grupo sempre focado nos objetivos proporcionou a realização de um excelente trabalho onde foi possível alcançar os objetivos esperados. A Profª Maris, uma excelente professora, a qual tivemos o privilégio de tê-la como orientadora, transferindo-nos suas experiências acadêmicas e norteando-nos quanto o caminho a seguir. A todos os que fizeram e fazem parte da minha vida. MUITO OBRIGADO JULIO CESAR SGARBI AGRADECIMENTOS A Deus, meu criador e companhia infalível nestes anos. Seu fôlego de vida em mim me foi sustento e me deu coragem para questionar realidades e propor sempre um novo mundo de possibilidades. A minha família, por sua capacidade de acreditar e investir em mim. Em especial o cuidado e dedicação de minha mãe que amenizou o sofrimento deste caminho percorrido. A vocês também devo minhas conquistas. Aos meus amigos, pelas alegrias, tristezas e dores compartilhas. Com vocês, as pausas entre um parágrafo e outro de produção melhora tudo o que tenho produzido na vida. Aos amigos e professores do Curso de Administração- UNISALESIANO, pessoas com quem convivi ao longo desses anos, à Taty, Flávio,e Julio, que deram total abertura às novas idéias e flexibilidade para o meu trabalho nesta equipe.Lhes agradeço por suas perseveranças e por me ajudarem nesta conquista. A experiência de uma produção compartilhada na comunhão de amigos foi a melhor experiência da minha formação acadêmica. À Máris, nossa orientadora, pela dedicação, por compartilhar conosco conhecimentos e experiências profissionais, nos deixando ensinamentos que são mais do que teorias educacionais, mas sim um legado que jamais será tirado. À empresa Natura cosméticos que nos abriu suas portas, possibilitando nos a elaboração deste trabalho. A todos aqueles que de alguma forma estiveram e estão próximos de mim, fazendo esta vida valer cada vez mais a pena. “O êxito não é resultado do acaso, mas da insistência em seus objetivos” Luiza dos Santos Oliveira AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, pelo dom da vida, por ser meu companheiro fiel e amigo, por me amar incondicionalmente, por me dar forças para vencer mais esta etapa de minha vida e por me conceder o mais lindo milagre da vida, o meu bebê Arthur. A minha linda família, meus pais que me incentivaram e sempre estiveram preocupados com a minha educação. Sou muito grata por ter uma família tão especial e abençoada. AMO VOCÊS. Ao meu marido, por estar presente em todos os momentos e por me ajudar quando precisei. Aos meus amigos Flavio, Luiza e Julio, que aprendi a amar como irmãos, que mesmo com todos os obstáculos e dificuldades conseguimos vencer esta etapa. A professora Máris, pelo ensinamento e dedicação dispensados no auxilio á concretização dessa monografia. Por fim, gostaria de agradecer a todos que contribuíram direta ou indiretamente para que esse trabalho fosse realizado, meu eterno AGRADECIMENTO. Senhor, obrigada pelo fim de mais essa etapa. Tatiane Giacomini LISTA DE FIGURAS Figura 1: Estrutura Societária ........................................................................... 26 Figura 2: Natura Chronos ................................................................................. 33 Figura 3: Natura Fotoequilíbrio ......................................................................... 33 Figura 4: Natura Plant ....................................................................................... 34 Figura 5: Natura Ekos ....................................................................................... 34 Figura 6: Natura Naturé .................................................................................... 35 Figura 7: Natura Séve ....................................................................................... 35 Figura 8: Natura Faces ..................................................................................... 36 Figura 9: Natura Tododia .................................................................................. 36 Figura 10: Natura Amó ...................................................................................... 37 Figura 11: Perfumaria Natura............................................................................ 37 Figura 12: Natura Erva Doce ............................................................................ 38 Figura 13: Natura Mamãe Bebê ........................................................................ 38 Figura 14: Natura Homem ................................................................................ 39 Figura 15: Natura Kaiak .................................................................................... 39 Figura 16: Natura SR N .................................................................................... 40 Figura 17: Natura Higéia ................................................................................... 40 Figura 18: Natura Una ...................................................................................... 41 Figura 19: Natura Aquarela ............................................................................... 41 Figura 20: Rótulo em papel cola ....................................................................... 67 Figura 21: Rótulo e etiquestas autoadesivas .................................................... 68 Figura 22: Rótulo manga ou luva ...................................................................... 68 Figura 23: Rótulos termoencolhíveis................................................................. 69 Figura 24: A importância da embalagem no meio ambiente ............................. 74 Figura 25: Participação de cada segmento na indústria de embalagem ........... 92 Figura 26: Natura Naturé ................................................................................ 107 Figura 27: Natura Aquarela ............................................................................. 107 Figura 28: Natura Erva Doce .......................................................................... 108 Figura 29: Natura Chronos ............................................................................. 108 Figura 30: Natura Ekos ................................................................................... 109 Figura 31: Natura Mamãe Bebê ...................................................................... 109 Figura 32: Natura Faces ................................................................................. 110 Figura 33: Natura Sevé ................................................................................... 110 Figura 34: Natura Tododia .............................................................................. 111 Figura 35: Natura Humor ................................................................................ 112 Figura 36: Natura Fotoequilibrio...................................................................... 112 Figura 37: Natura Kaiak .................................................................................. 113 Figura 38: Natura Homem .............................................................................. 113 Figura 39: Natura Una .................................................................................... 114 Figura 40: Perfume do Brasil .......................................................................... 114 Figura 41: Natura Águas ................................................................................. 115 Figura 42: Natura Amó .................................................................................... 115 Figura 43: Perfumaria Natura.......................................................................... 116 Figura 44: Natura Higéia ................................................................................. 117 Figura 45: Natura Ekos ................................................................................... 117 Figura 46: Ekos Óleo Trifásico de Maracujá ................................................... 124 Figura 47: Rótulo adesivo ............................................................................... 125 Figura 48: Tampa Twist .................................................................................. 126 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Amplitude das embalagens .............................................................. 75 Quadro 2: Posição dos Países no Mercado de Cosméticos ............................. 79 Quadro 3: Oportunidades de trabalho geradas pelo setor ................................ 82 Quadro 4: Faturamento da Indústria de embalagem (em bilhões de R$) ......... 91 Quadro 5: Concorrentes nacionais e internacionais ....................................... 102 Quadro 6: Matriz SWOT - Natura.................................................................... 104 Quadro 7: Tabela ambiental formato horizontal .............................................. 119 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABDI - Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. ABIHPEC - Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos ABNT – Associação Brasileira de Normas e Técnicas ABRE – Associação Brasileira de Embalagens. ABRINQ – Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos. ANCAT – Associação Nacional de Carroceiros e Catadores de Materiais Recicláveis. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. BOVESPA - Bolsa de Valores de São Paulo. CAN - Serviços da Central de Atendimento Natura. CDC - Código de Defesa do Consumidor CEDAC - Comunidade Educativa. CNO: Consultora Natura Orientadora. COFINS - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social DNA: Ácido Desoxirribonucléico. EPP - Empresas de Pequeno Porte ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing. Ethos – Empresas e Responsabilidade Social. FDA – Foods and Drugs Administration. FGV – Fundação Getulio Vargas. IBRE – Instituto Brasileiro de Economia. INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia no Mercado Nacional. IEA - Associação Internacional de Ergonomia ISO - Organização Internacional para Padronização ISO/TR International Organization for Standardization/Technical Report MERCOSUL- Mercado Comum do Sul MNCR - Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. NBR ISO – Norma Brasileira Organização Internacional para Padronização ONG - Organização Não Governamental. PASEP - Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS - Programa de Integração Social P&G - Procter & Gamble. pH – Potencial Hidrogeniônico PROCON – Proteção e Defesa do Consumidor. QR Codes - Quick Response Código Resposta Rápida. RDC - Resolução da Diretoria Colegiada SEBRAE - Serviço Brasileiro de às Micros e Pequenas Empresas. ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing SIPATESP - Sindicato da Indústria de Perfumaria e Artigos de Toucador do Estado de São Paulo SWOT - Strenghts (Forças), Weakness (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças) RESUMO Desenvolvidas com o intuito de cumprir as funções primárias de proteção e armazenagem de produtos, com o advento dos supermercados, as embalagens deixaram de ser elemento secundário, ganharam relevância, tornando-se ferramenta estratégica na divulgação de produtos e marcas. Representam atualmente um dos principais instrumentos estratégicos do marketing de produtos, sendo responsável por viabilizar a inserção destes em canais de comercialização diversos, bem como, por ressaltar seus atributos de qualidade ou fazer com que auto se vendam. As embalagens são restringidas por critérios de aceitação determinados pelas legislações e órgãos normativos aplicáveis aos meios de venda e distribuição. Estas têm se despontado com alta eficiência quando se quer conquistar mais clientes, ampliar as vendas e negócios empresariais; visto que, desempenha papel fundamental na maneira em que o cliente percebe o produto, causa impacto direto no desempenho destes no mercado. O design, por sua vez, quando aplicado ao desenvolvimento de embalagens,contribui para sua diferenciação através de cores, formato ou tamanho, o que torna fundamental considerá-lo na construção do planejamento e das ações integradas ao processo produtivo dos invólucros. Nesse sentido, desenvolveu-se um estudo de caso para analisar as etapas de planejamento e condução do processo de desenvolvimento de embalagens, avaliando as alternativas, apontando as ações, métodos e ferramentas congruentes ao objetivo. As embalagens cosméticas atuam como foco de apoio ao desenvolvimento deste trabalho. A pesquisa demonstra a importância de se integrar ao planejamento de embalagens às operações logísticas e como é fundamental a temática do desenvolvimento de projetos de embalagens para o desenvolvimento econômico, tecnológico e ambiental de uma sociedade, para que os produtos sejam adequados com eficiência às necessidades e expectativas do consumidor, bem como, para a definição do posicionamento estratégico de uma empresa ou produto no segmento em que atua, consolidando-os no mercado. No decorrer do trabalho é apresentada a Natura Cosméticos S.A., unidade estabelecida em Cajamar - SP e expostos suas crenças, linhas de produtos, perfil empresarial e atuação no mercado, focalizando os critérios, técnicas, estratégias de design incorporadas ao projeto de seus envoltórios e a escolha de tecnologias de materiais que através de seus produtos ou invólucros, convergem para a manutenção da sustentabilidade e da harmonia do homem com o meio em que habita. Com o resultado da pesquisa, pôde se afirmar que as embalagens são ferramentas estratégicas que devem ser amparadas por um consistente plano de desenvolvimento, de modo que as mesmas contribuam para a maximização das vendas dos produtos oferecidos no mercado e tenham um descarte sustentável. Palavras-chave : Planejamento e desenvolvimento.Embalagens cosméticas. Design estratégico. Descarte sustentável. ABSTRACT Developed in order to fulfill the primary functions of protection and storage products, with the advent of supermarkets, the packaging is no longer a secondary element, has gained prominence, becoming a strategic tool in the promotion of products and brands. Currently represents one of the main instruments of strategic product marketing, responsible for enabling the insertion of these in various marketing channels, as well as for its quality attributes to stress or have to sell self. The packages are restricted by the acceptance criteria determined by the laws and regulatory bodies applicable to sales channels and distribution. These have emerged with high efficiency when it wants to win more customers, to expand sales and business affairs, since, plays a key role in like the customer perceives the product, direct impact on the performance of the market. The design, in turn, when applied to the development of packaging, contributes to their differentiation through color, shape or size, which makes it essential to consider in the planning and construction of integrated actions to the production process of the envelopes. Accordingly ,it was developed a case study to analyze the planning and conduct of the process of packaging development, evaluating alternatives, pointing out the actions, methods and tools matching the goal. The cosmetic packaging act as a focus of support for this work. The research demonstrates the importance of integrating the planning of logistics and packaging operations as a key theme is the development of packaging projects for economic development, environmental and technological society, so that products are appropriate to the needs and effectively consumer expectations, as well as for defining the strategic positioning of a company or product in the segment in which it operates, consolidating them in the market. Throughout the paper the Natura Cosmetics SA, a unit established in Cajamar - SP and exposed their beliefs, lines products, business profile and market performance, focusing on the criteria, techniques, design strategies incorporated in the design of its choice and wraps technology of materials through their products or wrappers, converge to maintain sustainability and harmony between man and the environment in which it dwells. With the search result, it might be said that the packages are strategic tools that should be supported by a consistent development plan, so that they contribute towards maximizing the sales of products offered on the market and have a sustainable disposal. Keywords: Planning and development. Packaging cosmetic. Strategic Design. Discard sustainable. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.................................................................................................. 19 CAPÍTULO I...................................................................................................... 21 1 A EMPRESA ........................................................................................... 21 1.1 Expansão da marca ................................................................................ 22 1.2 Projetos de expansão Natura .................................................................. 23 1.3 Estrutura organizacional Natura .............................................................. 24 1.3.1 Distribuição de cargos ............................................................................ 24 1.3.2 Organograma ......................................................................................... 25 1.4 Sistema de Gestão Natura ...................................................................... 26 1.5 Canais de comunicação Natura .............................................................. 27 1.6 Promoções .............................................................................................. 28 1.7 Propaganda ........................................................................................... 29 1.8 Missão, visão, crenças, valores da Natura. ............................................ 30 1.8.1 Missão .................................................................................................... 30 1.8.2 Visão ..................................................................................................... 31 1.8.3 Crenças ................................................................................................. 31 1.8.4 Valores ................................................................................................... 32 1.9 Estratégias de negócios: linhas de produtos e consultoria da Natura ..... 32 1.9.1 Linhas de Produtos ................................................................................ 32 1.9.2 Consultoria Natura ................................................................................. 42 1.10 Sustentabilidade Natura ......................................................................... 42 1.11 Programas Sociais da Natura................................................................. 44 1.11.1 Movimento Natura .................................................................................. 44 1.11.2 Projeto Água de Viver ............................................................................ 44 1.11.3 Projeto Canta Brasil ............................................................................... 44 1.11.4 Projeto Crer Ver ..................................................................................... 45 1.11.5 Projeto Gol de Letra ............................................................................... 45 1.11.6 Projeto Mulheres da Paz ........................................................................ 45 1.11.7 Projeto Papo de Responsa..................................................................... 46 1.11.8 Projeto Pracatum .................................................................................... 46 1.11.9 Projeto ANCAT ....................................................................................... 46 1.11.10 Projeto Respeito São Paulo ................................................................. 46 1.11.11 Projeto A Mata Atlântica....................................................................... 46 1.11.12 Programa Carbono Neutro ................................................................... 47 1.11.13 Programa Natura Campus ................................................................... 47 CAPÍTULO II..................................................................................................... 49 2 EMBALAGEM......................................................................................... 49 2.1 A evolução histórica da embalagem ....................................................... 49 2.2 Tipos de embalagens .............................................................................. 52 2.3 Classificação das embalagens ................................................................ 53 2.4 Planejamento e desenvolvimento de embalagens .................................. 55 2.4.1 Design de embalagens ........................................................................... 57 2.4.1.1 A importância do briefing e conhecimento do mercado para elaboração do design...........................................................................................................58 2.4.2 Implantação do projeto de embalagens ................................................. 59 2.4.3 Processo produtivo da embalagem ........................................................ 61 2.5 Embalagem estratégica: utilização como inteligência competitiva .......... 63 2.5.1 Posicionamento estratégico das embalagens ........................................ 65 2.5.2 Desenvolvimento da estratégia das embalagens ................................... 65 2.6 Rotulagem das embalagens ................................................................... 66 2.6.1 Rótulos ................................................................................................... 66 2.7 Tampas e dispositivos de fechamento .................................................... 70 2.8 Ergonomia das embalagens ................................................................... 72 2.9 Funções social, econômica e ambiental da embalagem ........................ 73 2.10 Embalagens para cosméticos ................................................................ 76 2.11 Tipos de cosméticos............................................................................... 78 2.12 Mercado de cosméticos ......................................................................... 78 2.12.1 Introdução de novas tecnologias ............................................................ 79 2.12.2 Expectativa de vida ................................................................................ 80 2.12.3 A inserção de novas matérias-primas e produtos .................................. 80 2.12.4 Geração y (Young Generation) .............................................................. 80 2.12.5 A mulher no mercado de trabalho .......................................................... 80 2.12.6 Os homens e o consumo de produtos de beleza ................................... 80 2.13 Desempenho do setor de cosméticos ................................................... 81 2.14 O mercado brasileiro de cosméticos a base de produtos naturais ......... 82 2.15 Potencialidades, fragilidades, oportunidades e ameaças do mercado de cosméticos a base de produtos naturais ........................................................... 83 2.16 Diferenciações dos produtos .................................................................. 86 2.17 Principais canais de distribuição ............................................................ 86 2.18 Tendências do setor ............................................................................... 87 CAPÍTULO III.................................................................................................... 89 3 INTRODUÇÃO ........................................................................................ 89 3.1 Discussão sobre Planejamento e Desenvolvimento de Embalagens na Natura ............................................................................................................... 91 3.1.1 Mercado de embalagens: desempenho e tendências ............................ 91 3.1.2 Análise do macro e micro ambiente Natura............................................ 95 3.1.3 Mercado organizacional da Natura ........................................................ 98 3.1.4 Análise SWOT das embalagens Natura .............................................. 103 3.1.5 Planejando e desenvolvendo as embalagens Natura .......................... 105 3.1.5.1 Processo produtivo das embalagens Natura.......................................105 3.1.5.2 O design das embalagens Natura.......................................................107 3.1.5.3 A escolha dos materiais dos produtos e embalagens Natura ............118 3.1.5.4 Tipos de embalagens adotados pela Natura.......................................119 3.1.5.5 Embalagens cosméticas na Natura.....................................................121 3.1.5.6 Embalagenscomo estratégia de competividade na Natura.................122 3.1.5.7 O relato do caso: a embalagem do óleo trifásico de maracujá Natura..............................................................................................................123 3.1.5.8 Estudo do produto................................................................................124 3.1.5.9 Análise da embalgem..........................................................................124 3.2 Parecer final ......................................................................................... 128 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO ................................................................... 130 CONCLUSÃO ................................................................................................. 132 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 135 APÊNDICES ................................................................................................... 140 19 INTRODUÇÃO A evolução do mercado de embalagens se reflete em toda à sociedade, principalmente, porque tal evolução é decorrente de aspectos culturais e sociais que se modificaram com o passar dos anos. Com o avanço e desenvolvimento do setor tecnológico motivado pela Revolução Industrial o progresso se acentuou refletindo em maior produtividade, maior demanda e a existência de consumidores mais exigentes, esta soma influenciou a forma de produção das mesmas e a integração de todos os setores envolvidos tornou-se primordial, pois esta favorece a utilização de informações tecnológicas e mercadológicas atualizadas e modernas. As embalagens deixaram, desde então, de apenas desempenhar o papel funcional de conter, preservar e transportar. Passaram a serem norteadas por pesquisas de mercado, com intuito de suprir as necessidades e expectativas dos consumidores em relação ao produto ofertado e os objetivos empresariais com uma produção lucrativa e de comunicação eficiente. A sociedade produtiva, desde a Revolução Industrial, acelerou o ritmo de trabalho, fazendo surgir metodologias diversas para o desenvolvimento e planejamento das embalagens e aparecimento também das instituições normativas como a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária e INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia no mercado nacional e o FDA – Foods and Drugs Administration americano que impõem condições restritivas aos projetos, a fim de que os mesmos sejam adequados ao mercado globalizado. Este trabalho tem como finalidade demonstrar a importância da embalagem na era moderna, e como seu planejamento e desenvolvimento estratégico podem maximizar o poder de competitividade empresarial no mercado propagando melhor posicionamento dos produtos ofertados. Neste quesito, os desafios da Natura é sempre desenvolver embalagens inovadoras e altamente sustentáveis, a partir de matérias-primas orgânicas da biodiversidade brasileira a fim de promover o autoconhecimento do consumidor, promovendo seu bem estar e ampliando as relações entre os consumidores e a empresa. 20 Visto a relevância do tema, os objetivos específicos deste trabalho foram: descrever a evolução histórica da Natura Cosméticos S/A; fundamentar as teorias referentes planejamento e desenvolvimento de embalagem, estratégia e sustentabilidade; descrever o processo de Planejamento e desenvolvimento de embalagem da Natura Cosméticos S/A. de um produto X. A pergunta problema que norteou este trabalho foi: As estratégias de planejamento e desenvolvimento de embalagens adotadas pela Natura contribuem para alavancagem das vendas e possibilita um descarte sustentável? Visando solucionar a incógnita, formulou-se a seguinte hipótese: As embalagens são ferramentas estratégicas que devem ser amparadas por um consistente plano de desenvolvimento, de modo que as mesmas contribuam para a maximização das vendas dos produtos oferecidos no mercado e tenham um descarte sustentável. A veracidade da hipótese foi demonstrada na prática através de: pesquisas de campo no período de fevereiro até novembro de 2012. A metodologia e técnicas utilizadas estão descritas no capítulo III deste trabalho. Este trabalho é estruturado nos seguintes capítulos: Capitulo I: Natura Cosmético S/A Capitulo II: Planejamento e desenvolvimento de embalagens no mercado de cosmético Capitulo III: A pesquisa Finalizado com a proposta de intervenção e a conclusão. 21 CAPÍTULO I NATURA COSMÉTICOS S/A. 1 A EMPRESA Fundada em 1969 por Antonio Luiz da Cunha Seabra, a Natura Cosméticos S/A na época representava apenas um laboratório e uma pequena loja na Rua Oscar Freire em São Paulo. No entanto, a visão antecipada de seu fundador, amparada pela paixão por cosméticos e relações humanas, motivava as ações da empresa e fortalecia no seu fundador a convicção do importante papel que a cosmética desempenharia no futuro, podendo influenciar positivamente a vida dos consumidores propiciando seu autoconhecimento e bem estar. (NATURA, 2012b) Em 1974, a empresa definiu como canal de distribuição dos produtos as vendas diretas, nascendo assim a consultoria Natura, o que possibilitou rapidamente a expansão de mercado desta companhia e fortaleceu a crença das relações humanas cliente-empresa e sua importância para o melhor conhecimento mútuo. (NATURA, 2012b) Anos mais tarde, respectivamente em 1979 e 1983, Guilherme Peirão Leal e Pedro Luiz Barreiros Passos ingressaram na empresa como diretores ao lado de seu fundador, suas participações favoreceram a consolidação dos processos de gestão e produção da companhia. Ainda neste último ano, a Natura tornou-se um dos primeiros fabricantes brasileiros de bens de consumo a introduzir produtos com refil como parte de seu portfólio. (NATURA, 2012b) Entre 1990 e 1992 a empresa enfatiza sua missão, visão e posicionamentos incorporando novas linhas de produtos que melhor os expressassem. Dois anos mais tarde, expande-se pela América Latina e começa a participar ativamente do movimento de ampliação da responsabilidade social corporativa no Brasil. Mais tarde em 1995, firmando seu posicionamento socialmente responsável, em parceria com a Fundação ABRINQ –Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos lança o Programa Crer para Ver, cuja finalidade é apoiar a melhoria da qualidade de 22 ensino nas escolas públicas do Brasil. E em 1998 funda o Instituto Ethos – Empresas e Responsabilidade Social. (NATURA, 2012b). O ano de 1999 representou um marco na história desta Companhia, pois mais uma vez inova ao adotar uma postura de respeito ao meio ambiente a partir do uso sustentável da biodiversidade brasileira como plataforma tecnológica de pesquisa e desenvolvimento. Tal postura consolidou como característica própria da empresa até os dias de hoje a criação de produtos desenvolvidos com ativos obtidos de plantas e frutos brasileiros. (NATURA, 2012b). Em 2001 a empresa amplia suas dependências físicas inaugurando em Cajamar-SP um moderno complexo industrial de pesquisa, desenvolvimento e de treinamento e logística. Tal expansão favoreceu, no mesmo ano, a reorganização e simplificação da estrutura societária da empresa: transferência do controle da subsidiária Indústria e Comércio de Cosméticos Natura Ltda., ou Natura Indústria, antes controlada pela Natura Empreendimentos, para o controle da Natura Cosméticos. (NATURA, 2012b). Estabeleceu-se também a Natura Logística e Serviços Ltda., com o intuito de prestar serviços de logística e administração para todas as empresas do grupo Natura e por último constituiu-se a Natura Inovação, prestadora de serviços de pesquisa e desenvolvimento de produtos para a Companhia. Mais tarde, em 2004 nova reorganização societária ocorreu e a Natura Cosméticos incorporou a Natura Empreendimentos e a Natura Participações. (NATURA, 2012b). Em 22 de abril de 2005 é inaugurada em Paris a “Casa Natura Brasil” promovendo mais uma vez a empresa no mercado internacional e difundindo a cultura e costumes do Brasil, através da oferta de produtos desenvolvidos com matéria-prima da biodiversidade brasileira. No mesmo ano, a empresa passa a operar também no México. (NATURA, 2012b). 1.1 Expansão da marca O êxito alcançado e a forte aceitação de seus produtos no mercado viabilizaram a expansão da empresa por outras regiões que além do Brasil passou também a operar na França, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, 23 Venezuela e Bolívia desempenhando o papel de distribuidora local, no entanto, a entrada em novos mercados foi dificultosa, pois se tratava de inserir nestes uma marca desconhecida. (NATURA, 2012b). No ano de 2004, tornou-se uma companhia de capital aberto com ações disponibilizadas pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), pretendendo com isso, compartilhar seus resultados e harmonizar desempenhos econômicos, sociais e ambientais. (NATURA, 2012b). Em 2006 é inaugurado mais um espaço da empresa com o intuito de proporcionar maior propagação da marca, nascia então em Campinas, interior de São Paulo, a primeira Casa Natura no Brasil, um centro de convivência e loja, destinada ao seu público consumidor para que o elo entre a marca e o mercado fosse preservado e a proximidade do consumidor com as consultoras e com seus produtos fossem viabilizados. A casa Natura além de reforçar a imagem da marca, tornou-se também um centro de benfeitorias à comunidade, as quais eram oferecidas em forma de cursos, oficinas e palestras gratuitos. Em 2009 ao completar 40 anos, a empresa já era uma das empresas de cosméticos mais reconhecidas mundialmente, principalmente por manter uma postura de respeito e valorização dos recursos naturais por meio do manejo sustentável. Atualmente, a marca destaca se no seu mercado de atuação, pois conseguiu se posicionar de forma sólida e inteligente, sendo uma das marcas mais fortes, respeitadas e valiosas do país. Tornou - se referência no conceito de sustentabilidade e alcançou posição de indústria líder no mercado de cosméticos, fragrâncias, higiene pessoal e também no setor da venda direta. (NATURA, 2012b) 1.2 Projetos de expansão Natura Nossa estratégia nos impõe buscar resultados em três perspectivas: econômico-financeira, social e ambiental. Buscamos gerar valor para todos os nossos públicos e transformar desafios socioambientais em oportunidades de negócio. (NATURA, 2012c, p. 1). A Natura almeja construir permanentemente a sua marca com foco em sua visão empresarial. Para tanto, a empresa estabelece estratégias as quais efetivarão seus objetivos, tais como: 24 a) preservar e ampliar sua posição de liderança no mercado brasileiro; b) expandir-se e tornar-se reconhecida em todos os países da América Latina como empresa líder e com participação expressiva nos segmentos atuantes; c) investir continuamente nos programas de capacitação e relacionamento, de modo a propiciar o crescimento e a inovação do seu modelo através de novas ferramentas da tecnologia da informação; d) inovar seus produtos e serviços a fim de preservar sua força competitiva; e) investir em eficiência operacional através da prevenção de perdas e redução do custo médio unitário através do redesenho do catálogo de vendas, bem como ser uma organização que estimula a aprendizagem contínua por intermédio da multiculturalidade e participação ativa dos consumidores, consultoras, colaboradores e alta gerência de modo que consolide sua gestão e cultura organizacional. 1.3 Estrutura organizacional Natura 1.3.1 Distribuição de cargos Nesta empresa os cargos estão alocados em dois órgãos principais e diferenciados de acordo com suas competências e unidades. Nela, o seu fundador – Antonio Luiz da Cunha Seabra – participa como membro do conselho e co-presidente da empresa, sua paixão por cosméticos surgiu quando foi gerente dos Laboratórios Bionat. Sua trajetória profissional foi alicerçada pela graduação em economia e experiências vividas em empresas como a Remington Rand do Brasil , onde foi superintendente. No Conselho de administração estão: a) Pedro Luiz Barreiros Passos-membro do conselho e co-presidente em exercício da presidência; b) Edson Vaz Musa - presidente do conselho de pessoas e organização e membro do comitê de administração; 25 c) José Guimarães Monforte – membro do conselho e presidente do comitê de auditoria, gestão de riscos e finanças; d) Julio Moura Neto – membro do conselho e presidente do comitê estratégico; e) Luiz Ernesto Gemignani-membro do conselho de administração. No Comitê Executivo ou Diretoria estatutária estão: a) Alessandro Giuseppe Carlucci - Diretor-Presidente; b) João Paulo Ferreira - Vice-Presidente de Operações e Logística; c) José Vicente Marino-Vice-Presidente de Negócios; d) Marcelo Cardoso - Vice-Presidente de Desenvolvimento Organizacional e Sustentabilidade; e) Roberto Pedote - Vice-Presidente de Finanças, Jurídico e Tecnologia da Informação e diretor de relações com os investidores; f) Telma Sinicio - Vice-Presidente de Inovação; g) Lucilene Silva Prado – Diretora Jurídica. 1.3.2 Organograma De acordo com Alvarez (2000), os organogramas são instrumentos ou representações gráficas utilizadas para estabelecer a estrutura formal ou funcional de uma organização representando de forma estática a configuração da empresa em toda a sua composição ou de apenas uma de suas partes. Devendo os mesmos ser atualizados e avaliados periodicamente, uma vez que o ambiente organizacional está sujeito a mudanças constantes. Para Alvarez (2000), os objetivos principais que uma organização busca ao utilizar organogramas são: a) definir e estabelecer a divisão do trabalho; b) demonstrar, definir e estabelecer as relações de autoridades; c) esclarecer, definir e estabelecer os níveis hierárquicos ; d) instituir processos de tomadas de decisões; e) designar e definir as relações em cada função para o desempenho das diversas atividades. Desta maneira, o organograma a seguir representado objetiva demonstrar a forma estrutural em que as unidades Natura estão dispostas e 26 também os níveis hierárquicos e de relacionamento em que as mesmas estão submetidas nos mais variados territórios de atuação. Figura 1: Estrutura Societária NATURA COSMÉTICOS (Brasil) Natura Indústria Nova Flora Natura Natura Brasil Natura Natura (Brasil) Inovação Cosmética Cosméticos Cosméticos (Brasil) Lda. (1) S.A. (2) de México (Portugal) (México) S.A. (1) (Brasil) (México) Natura Flora Logística (Brasil) Natura Natura Medicinal Cosméticos y Cosméticos y (Brasil) Servicios S.A. Servicios de (2) México S.A. (México) (1) (México) Natura Natura Natura Natura Natura de Commodities Cosméticos Cosméticos Cosméticos Cosméticos Colômbia Trading S.A. S.A. S.A. S.A. S.R.L. (1) Ltda. (1) (1) (Argentina) (Peru) (Chile) (Venezuela) (Colômbia) (Uruguai) Fonte: Natura (2012b) 1.4 Sistema de Gestão Natura Fenômenos econômicos em caráter mundial ou a globalização da economia tem motivado as organizações a reestruturarem o seu modo de gerenciar, seja por meio de novas técnicas, métodos de trabalho, ou por descentralização do comando. Gerir um negócio requer aptidão para perceber e reagir positivamente diante das complexidades e multiculturalidade que permeiam o ambiente de negócios, seja interno ou externo. Deste modo, fazer com que o capital 27 humano interno esteja envolvido com o processo de decisão é imprescindível para a integração e motivação pelo sucesso da empresa. (NATURA, 2010j). Neste aspecto, a Natura busca alinhar as decisões aos princípios empresariais por meio de um sistema de gestão próprio o “Sistema de gestão Natura”, cujo objetivo da empresa é que os processos desenvolvidos sejam utilizados, reproduzidos e compreendidos igualmente por todas as unidades Natura nacionais ou internacionais. Neste modelo, a empresa adota a gestão descentralizada e integrada a fim de proporcionar maior autonomia para o gestor e maior proximidade com consultoras e consumidores. O sistema é composto por doze elementos relacionados entre si os quais são caracterizados como imprescindíveis para o Sistema de Gestão Natura: liderança, planejamento estratégico, relações, sustentabilidade, aprendizagem, indivíduos, processos, marca, cultura, clientes, inovação e resultados tripple bottom line. (NATURA, 2010j). A implementação adequada do sistema por todas as unidades é monitorada e garantida através de avaliações e certificações baseadas nos princípios do Modelo de Excelência da Gestão da Fundação Nacional da Qualidade e de indicadores que a empresa estabelece para todos os processos que compõem o Sistema. 1.5 Canais de comunicação Natura Segundo Tomasi e Medeiros (2009), a comunicação estratégica da organização com o mercado é uma das ferramentas mais eficazes para a divulgação dos produtos, marcas e da identidade corporativa. Comunicar através dos canais adequados reflete o posicionamento claro e consistente da organização no mercado atuante e valida todos os esforços do marketing organizacional. Contudo, o sucesso desta ferramenta só é consolidado quando sua utilização é definida por um estudo mercadológico fundamentado; quando ocorre a correta identificação com o público-alvo, quando são mensurados os custos de sua implementação e quando são identificados os objetivos que a empresa deseja obter ao se comunicar. 28 Deste modo, para dar suporte as suas atividades de vendas, a Natura opta por diversos e estruturados canais de comunicação, onde a diversidade favorece o alcance de maior fatia de mercado. Neste sentido, ampliou o volume de pedidos feitos pela internet, otimizando suas operações internacionais e tornando mais eficiente à captação de pedidos além de possibilitar a integração entre os consultores. (NATURA, 2010j). Os pedidos através da rede são efetuados por países como: Chile, França, Argentina, Peru, Colômbia e México. O acesso é facilitado por computadores com acesso à internet em todas as Casas Natura disponibilizada para uso das Consultoras Natura. A empresa possui também o blog www.blogconsultoria.natura.net formulado para viabilizar em tempo hábil maior número de consultorias, cujo intuito tem sido alcançado, pois em 2010 fez dobrar o número de acessos, passando da média de 40 mil para 80 mil visitas por mês. (NATURA, 2010j). Para a divulgação dos produtos, seus benefícios e características, a empresa disponibiliza a Revista Natura Digital (www.natura.net). A comodidade e facilidade é também garantida aos clientes através da versão inovadora da Revista Natura Digital para iPad (leitor digital em formato tablet). (NATURA, 2010j). Para obter melhores resultados sobre as ações de comunicação a empresa entende que é necessário atentar também em como os consumidores e profissionais de venda percebem a marca, para isso, dispõe aos seus consultores os Serviços da Central de Atendimento Natura (CAN), que consiste em uma linha telefônica gratuita para a efetuação de pedidos, para sanar dúvidas, efetuar elogios, críticas e sugestões. As questões críticas são encaminhadas para a Ouvidoria Natura. 1.6 Promoções Segundo Parente (2000), promoção de vendas é uma das quatro feições do promocional mix. Reporta-se ao conjunto de ferramentas utilizados para desenvolver e aumentar as vendas de um produto ou serviço. Tem como objetivo estimular a venda a curto prazo de um produto ou serviço, através de um conjunto diversificado de incentivos, tais como: 29 a) amostras; b) cupons; c) brindes; d) recompensas por preferência; e) promoções no ponto de venda; f) concursos e sorteios; g) descontos. Neste sentido, a fim de promover maior volume de vendas, a Natura desenvolve promoções que englobam consumidores e consultoras. Para as consultoras, são desenvolvidas campanhas que garantem as mesmas vantagens diferenciadas. Como exemplo, cita-se a campanha Verão Pra Valer, cujo lançamento objetiva-se principalmente alavancar as vendas no inicio do ano. Através desta, são oferecidos brindes, sorteios de prêmios, e viagens as consultoras ativas durante os três primeiros ciclos do ano. A Revista Consultoria Natura é outro meio de promoção que além de conter material de apoio e informação importante para atividade de consultoria garante as consultoras produtos com descontos e brindes. Outra forma de promoção é o Empório Natura, o endereço eletrônico que poder ser acessado através da página da Natura, onde é possivel comprar produtos de ponta de estoque com descontos incríveis o que garante maior lucratividade às consultoras. São desenvolvidas ainda, campanhas relâmpagos que também auxiliam no aumento das vendas, onde as consultoras enviam pedidos com volume x de pontos que são revertidos em brindes. Em relação aos consumidores, são oferecidos brindes e descontos que podem ser encontrados nas revistas Natura, cujas promoções são reformuladas a cada vinte um dias. O descontos podem chegar de 15% até 30% do valor total do produto. Já os brindes, geralmente, são oferecidos em promoções do tipo: compre um produto x e ganhe um produto y. 1.7 Propaganda A Natura busca transmitir em suas propagandas conceitos de valorização da mulher, da natureza e das questões sociais. 30 Percebendo que sua publicidade clássica atingia um único segmento no mercado, a mulher perfeita, a empresa decidiu atacar um novo nicho de vendas: mães, pais, adolescentes, idosos e crianças. Atualmente, a Natura utiliza em todos os meios de publicidade o modelo internacional storytelling. De acordo com Gomes, Salvador e Domingos (2010), o processo de storytelling pode ser resumido em sete etapas: ouvir, aprender, descobrir, explorar, criar, comunicar e encantar. Este conceito do marketing busca encantar o consumidor pela história da marca ou produto. Gomes, Salvador e Domingos (2012) reforçam que para promover a venda dos produtos, o storytelling tem como principal objetivo a criação das ideias coletivas, onde as pessoas encontram-se nas histórias, e estão nelas identificadas, através dos sentimentos mais inerentes ao ser humano: o amor, o prazer, a necessidade de identidade cultural, a proteção do meio ambiente e o cuidado com ser humano. Através deste, a Natura busca formatar pensamentos e vender seus produtos, inserindo o contexto do consumidor tornando-os parte da família Natura. Em suas propagandas a empresa busca reforçar a ideia de que através da escolha por seus produtos, os consumidores Natura podem colaborar com o meio ambiente, pois escolhem produtos ambientalmente corretos, sendo criadores de um mundo melhor. As propagandas da Natura circulam na mídia impressa, televisiva e internet. Também em revistas nacionais de grande circulação como: Época, Veja, Isto é, Corpo a Corpo, Boa Forma, Caras, Ana Maria entre outras. Em suas propagandas a Natura não utiliza mensagens apelativas e não utiliza modelos famosas, a propagação dos benefícios de seus produtos se dá por meio de depoimentos de colaboradores, consultoras e através de histórias que envolvem o consumidor. 1.8 Missão, visão, crenças, valores da Natura. 1.8.1 Missão 31 A missão da Natura é proporcionar através de sua atuação soluções capazes de transformar os valores sociais e aprimorá-los permanentemente, promovendo o desenvolvimento da sociedade como um todo (NATURA, 2010j). Através da criação e comercialização de seus produtos e serviços estimula o auto conhecimento, a fim de estabelecer uma melhor relação do homem com o meio em que está inserido, consigo mesmo e com os outros. O compromisso da Natura com a melhoria é reafirmado através das participações da empresa em projetos socioambientais que potencializa a troca de informações entre os indivíduos e dissemina os valores e crenças em estimular o desenvolvimento sustentável. 1.8.2 Visão A Natura acredita que o seu comportamento empresarial e a qualidade semeada em seus produtos e serviços a conduzirão a uma posição de expressividade mundial onde a sua marca será associada ao comprometimento com a sociedade, com o meio ambiente e que por seu intermédio ocorra melhor relação do homem consigo, com os outros e com o meio ambiente. (NATURA, 2010j). 1.8.3 Crenças A Natura se apóia na convicção de que a vida é um encadeamento de relações interdependentes e que a valorização das relações cria oportunidades não exploradas e torna possível a grande revolução humana na busca da paz, da harmonia e da beleza do ser humano. (NATURA, 2010j). A empresa acredita que cada indivíduo, organização ou país têm potencial para melhorar suas ações. E que o aperfeiçoamento contínuo (o qual a empresa também almeja) é o fator gerador de maiores conquistas, enriquecimento e sabedoria. (NATURA,2010j). Deste modo, tem como objetivo atender as necessidades da sociedade, através de produtos, serviços e ações que contribuam desenvolvimento econômico e ambientalmente sustentável. para seu 32 1.8.4 Valores A empresa valoriza a qualidade, transparência das relações e compreende que o homem faz parte da natureza, da qual é dependente, por isso deve valorizá-la e interagir com a mesma de forma harmônica. Assim, busca através de seu comportamento empresarial contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade através de suas ações, seja através da produção ambientalmente responsável ou de seus programas sociais. (NATURA, 2012j). 1.9 Estratégias de negócios: linhas de produtos e consultoria da Natura 1.9.1 Linhas de Produtos A produção sustentável é característica intrínseca do portfólio Natura, cujos produtos são desenvolvidos com base na política de inovação da empresa e em plataforma tecnológica revolucionária propiciando sua participação em vários segmentos no mercado. Os produtos Natura são elaborados com a proposta de gerar maior número de soluções para diversas necessidades dos consumidores. Sendo assim, são destinados a homens e mulheres de todas as idades, inclusive bebês e crianças. São organizados em linhas de produtos, tais como: de tratamento da pele, cuidados e tratamento dos cabelos, maquilagem, perfumaria, produtos para o banho, proteção solar, higiene oral e linhas infantis. (NATURA, 2012d) As principais linhas de produtos ofertados no mercado são: a) Natura Chronos – conjunto de produtos destinados ao tratamento da pele do rosto, tais como: limpeza, tonificação e hidratação, sendo fortemente lembrados pelos produtos anti-sinais direcionados a consumidores de 30 a 45, 45 a 60 e 60 anos ou mais. Os produtos contam com a melhor combinação de ativos e tecnologia onde cada consumidor possa eleger o tratamento mais adequado a sua necessidade e idade. A diversidade de produtos dessa linha leva em 33 consideração as características anatômicas e únicas de cada pessoa; Figura 2: Natura Chronos Fonte: Natura, 2012d b) Natura Fotoequilíbrio – são produtos formulados para a proteção da pele durante o tempo de exposição ao sol, de forma que o consumidor usufrua ao máximo os benefícios do sol. Sua formulação é resistente a água, leveis e fácil de espalhar. Nesta, são disponibilizados produtos para o publico infantil e adulto, sendo composta de protetores faciais, labiais e corporais, que proporciona benefícios para cada tipo de pele: normal/seca e mista e oleosa. Figura 3: Natura Fotoequilíbrio Fonte: Natura, 2012d c) Natura Plant – produtos para o cuidado dos cabelos de acordo com cada necessidade. A Natura reconhece que autoestima da mulher esta ligada a relação que ela tem com seu cabelo. Através dessa linha reconhece essa relação e a valoriza, oferecendo produtos de 34 tratamento fio a fio, sendo diferencial no mercado quando se trata de cuidados para cabelo; Figura 4: Natura Plant Fonte : Natura, 2012d d) Natura Ekos – linha de produtos de maior força de vendas e que engloba maior parte dos segmentos de mercado da Natura. São sabonetes, xampus, condicionadores, hidratantes, perfumes e demais produtos de higiene pessoal. Representa a linha de maior relevância para a empresa, pois através dela a empresa alcança maior propagação de seus valores e maximização da consciência da riqueza do patrimônio ambiental brasileiro; Figura 5: Natura Ekos Fonte: Natura, 2012d 35 e) Natura Naturé - linha infantil destinadas às crianças entre 3 e 7 anos, que visa estimular pelo seu uso a descoberta do mundo de forma lúdica e divertida; Figura 6: Natura Naturé Fonte: Natura, 2012d f) Natura Seve – são óleos corporais para banho formulados essencialmente por óleos vegetais, que ajudam cuidar e hidratar a pele; Figura 7: Natura Séve Fonte: Natura, 2012d 36 g) Natura Faces - são produtos destinados para tratamento de pele, fragrâncias e cosméticos para inspirar a mulher jovem em todas as diversidades de estilo e formas de expressão; Figura 8: Natura Faces Fonte: Natura, 2012d h) Natura Tododia - são produtos desenvolvidos com ingredientes naturais, como o mel, açúcar e leite para uso diário em diversos segmentos; Figura 9: Natura Tododia Fonte : Natura, 2012d 37 i) Natura Amó – linha composta por fragrâncias, óleo de massagem, sabonete e desodorante, inspirada no amor e na sedução, suas fragrâncias são criadas a partir de óleos da biodiversidade brasileira que garantem um aroma exclusivo da marca; Figura 10: Natura Amó Fonte : Natura, 2012d j) Perfumaria Natura – fragrâncias combinadas com óleos essenciais e álcool vegetal orgânico cultivado de forma sustentável; Figura 11: Perfumaria Natura Fonte: Natura, 2012d 38 k) Natura Erva Doce - linha constituída por sabonetes, desodorantes e gel anti-séptico que possuem fragrância marcante e única que faz parte da memória dos consumidores. Sua formulação é suave, que limpam e hidratam e protege a pele, a fim de manter o pH natural e sensação de suavidade; Figura 12: Natura Erva Doce Fonte: Natura, 2012d l) Natura Mamãe e Bebê - produtos de higiene pessoal desenvolvidos com cores, formas e funções especiais, destinados para cuidados da mãe e do bebê desde o período de gravidez, através desta linha busca-se o fortalecimento dos vínculos e da ternura entre ambos; Figura 13: Natura Mamãe Bebê Fonte: Natura, 2012d 39 n) Natura Homem – linha desenvolvida especificamente para o público masculino, com produtos para barba, rosto, corpo e cabelos, que aliam praticidade, tecnologia e inovação; Figura 14: Natura Homem Fonte: Natura, 2012d o) Natura Kaiak – linha de perfumaria masculina com fragrância envolvente e versátil, enriquecidas com óleos essenciais da biodiversidade brasileira; Figura 15: Natura Kaiak Fonte: Natura, 2012d 40 p) Natura Sr N – produtos elaborados especialmente para cuidados da pele do rosto e corpo masculino; Figura 16: Natura SR N Fonte: Natura, 2012d q) Natura Higeia - sabonetes líquidos e lenços umedecidos, desenvolvidos para a higiene íntima e cuidado integral da mulher. A Natura acredita que a saúde começa com hábitos simples de autocuidado e por isso a linha convida a mulher a se conhecer melhor, entender as necessidades do corpo e se cuidar mais, dando o primeiro passo para uma vida mais saudável; Figura 17: Natura Higéia Fonte: Natura, 2012d 41 r) Natura Una - linha completa de maquiagem, pré – maquiagem e pincéis exclusivos produzidos com ingredientes naturais; Figura 18: Natura Una Fonte: Natura, 2012d s) Natura Aquarela – produtos de maquiagem especialmente desenvolvidos para atender a diversidade de raças e estilos da mulher brasileira com embalagens feitas de casca de madeira ecológica. Figura 19: Natura Aquarela Fonte: Natura, 2012d 42 1.9.2 Consultoria Natura A consultoria é uma estratégia comercial utilizada pela Natura para promover a concretização das vendas dos produtos ofertados e que permite também maior contato com os seus consumidores. A empresa acredita que esta atuação direta viabilizada pelos seus consultores e consultoras constitui um elo primordial para a disseminação da essência e proposta de valor da companhia. (NATURA, 2010j). A capacitação dos consultores Natura é efetivada por meio de treinamentos, tal como o Programa Encontro Natura criado em 1995. Neste, a Natura oferece treinamentos a cada 21 dias a seus profissionais de consultoria onde as gerentes de relacionamento, antes conhecidas como promotoras de vendas, desempenham o papel de orientadoras e treinadoras auxiliando no desenvolvimento dos consultores. Em 2010 a Natura registrou crescimento de 18% de seu canal venda o que representa mais de um milhão de consultoras somente no Brasil e em torno de 200 mil em operações internacionais. Tal crescimento foi influenciado pela implantação do programa Consultora Natura Orientadora (CNO), que desempenhou papel fundamental nas estratégias comerciais e de relacionamento com os consultores, e que gerou resultados satisfatórios, sendo fator relevante no crescimento saudável do canal e fortalecimento das ações de relacionamento, principalmente com os consultores menos experientes. (NATURA, 2010j) A motivação e incentivos a estes profissionais são garantidos através de promoções especiais, prêmios de destaques, de volume de vendas gerais e prêmios para aqueles que obtiverem maior volume de vendas de refil e também maior volume de vendas de produtos do programa Crer Para Ver. A empresa possui ainda, um programa de relacionamento que visa a fidelização destes profissionais por tempo de serviços prestados, ofertando prêmios distintos em cada cinco anos completados como consultores Natura. (NATURA, 2010j). 1.10 Sustentabilidade Natura 43 Conhecida pela eficiência com que lida com as questões ambientais, a Natura gerencia suas atividades, buscando minimizar os impactos negativos sobre o meio ambiente e amplificar os positivos. Desta forma, cria planos estratégicos para a manutenção e melhoria das condições ambientais, disseminando a prática e conhecimentos que são adquiridos através de sua experiência. (NATURA, 2010j). A Natura desenvolve várias atitudes sustentáveis, cumprindo os requisitos exigidos pela legislação, além de promover a melhoria em todos os processos da cadeia produtiva, reduzindo os impactos ambientais de embalagens, controlando e monitorando todas as fases de sua produção. Deste modo, desenvolve novos negócios levando em conta os princípios oferecidos pela sustentabilidade, apoiando projetos e programas voltados para a sociedade, além de difundir a responsabilidade ambiental entre colaboradores, consumidores e fornecedores. Pensando no meio ambiente a Natura busca organizar sua estrutura interna, de maneira que cada produto ou serviço desenvolvido seja planejado visando reduzir custos e aprimorando novos processos voltados para a sustentabilidade ambiental, realiza o tratamento de efluentes, promove o uso de matérias-primas renováveis, reciclagem, adota praticas de manejo florestal e processos de destinação adequada de resíduos. (NATURA, 2010j). A linha de produtos da empresa que foi destaque em utilizar o modo sustentável de fazer negócios foi a Natura Ekos que utiliza 14 ativos da biodiversidade brasileira para a produção de sua linha, tendo um cuidado especial com o meio ambiente, fortalecendo assim a economia e o desenvolvimento social. (NATURA, 2010j). Com a criação da linha Natura Ekos, surgiu à oportunidade de novas parcerias as quais foram firmadas com 19 comunidades e todas valorizam a preservação dos ativos da biodiversidade, mantem a floresta e se relacionam de forma ética e justa, além de priorizarem sistemas de manejo agro florestal e de baixo impacto ambiental. (NATURA, 2010j). Portanto, é este o compromisso da Natura, associar o conhecimento científico e a sabedoria das comunidades para o desenvolvimento de produtos de forma sustentável, para que assim todos possam se beneficiar, a natureza, os fornecedores e os consumidores. 44 1.11 Programas Sociais da Natura As diversas ações sociais desenvolvidas pela Natura objetiva proporcionar às pessoas melhores condições de sobrevivência, bem estar social e inclusão na sociedade em que vivem. Para isso, a empresa em parceria com instituições privadas e governamentais, desenvolve e apóia programas, tais como: o Movimento Natura, Carbono Neutro, Programa Natura Campus, além de ações realizadas nas comunidades com as quais a empresa mantém parceira, pois são os principais fornecedores de matéria prima para seus produtos. (NATURA, 2012i). 1.11.1 Movimento Natura O Movimento Natura consiste em transformar o país em um local melhor para se viver. A efetivação do programa ocorre por intermédio dos vários consultores espalhados pelo país e também das parcerias criadas, que tornam este programa o cenário chave para o desenvolvimento de projetos sociais como AfroReggae, que consiste em uma ONG apoiada pela Natura e que atua em comunidades populares do Rio de Janeiro ,desenvolvendo atividades de arte, cultura, música, esporte e teatro como ferramenta de inclusão social. (NATURA, 2012e). 1.11.2 Projeto Água de Viver O projeto Água de Viver, por sua vez, é realizado por grupos de Consultores Natura que monitoram a qualidade da água de rios e riachos das comunidades onde vivem. Atuam levantando questões relativas a causas e consequências das condições dos rios, em busca do engajamento da população local. (NATURA, 2012i). 1.11.3 Projeto Canta Brasil O projeto Canta Brasil é um trabalho realizado com crianças e jovens através de aulas de dança e musicalização, acompanhamento escolar e ensino 45 da língua inglesa. O grupo sociocultural é apoiado pela empresa e desenvolvido na cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. (NATURA, 2012i) 1.11.4 Projeto Crer Ver O projeto Crer pra Ver da Natura é desenvolvido através de uma linha especial de produtos, onde o lucro líquido da venda dos mesmos é revertido em ações sociais direcionadas a contribuir com a melhoria da qualidade da educação pública no país. Este projeto é realizado em parceria com o CEDAC (Comunidade Educativa) e Instituto chapada de Educação e Pesquisa. (NATURA, 2012i). 1.11.5 Projeto Gol de Letra O projeto Gol de Letra é uma ONG (organização não governamental) ONG instituída em 1998, pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo, apoiada pela Natura, atuante em comunidades populares com intuito de proporcionar outra perspectiva de vida a crianças e jovens de comunidades socialmente vulneráveis. São realizadas atividades de arte, cultura, comunicação, esporte, lazer, cidadania e educação para o trabalho. A Missão desta ONG consiste em contribuir para a formação cultural e educacional de crianças e jovens para que possam atuar com autonomia na transformação de suas realidades. (NATURA, 2012i) 1.11.6 Projeto Mulheres da Paz O projeto Mulheres da Paz consiste em promover a capacitação de líderes comunitárias em regiões desfavorecidas do Rio de Janeiro com o objetivo de promoverem a inclusão social de jovens e adolescentes em situação de risco. O projeto conta com parceria da Secretaria do Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro. (NATURA, 2012i). 46 1.11.7 Projeto Papo de Responsa O Papo de Responsa é uma iniciativa da Polícia Civil do Rio de Janeiro em parceria com o Grupo Cultural AfroReggae e apoio da Natura que trabalha com crianças e jovens do Estado do Rio de Janeiro levantando diálogos sobre direitos humanos com vistas a propagar a cultura da paz. (NATURA, 2012i) 1.11.8 Projeto Pracatum O projeto Pracatum, através de projetos desenvolvidos pela ONG na comunidade do Candeal, em Salvador, a Natura contribui para o desenvolvimento comunitário, capacitando a população local para atuar nas áreas de música, moda, áudio, fotografia e vídeo. (NATURA, 2012i). 1.11.9 Projeto ANCAT A empresa possui também, através de parcerias como Associação Nacional dos Carroceiros e Catadores de Material Reciclado (ANCAT), Avina, Dias Entregadora, Movimento Nacional dos Catadores de Material Recicláveis (MNCR), Patrus, Rapidão Cometa, Rodofly e Utilíssimo, um programa de Reciclagem que é executado por consultoras e consultores Natura que recolhem voluntariamente embalagens de produtos Natura pós-consumo que, por sua vez, são direcionados e doados para cooperativas de catadores, gerando menor impacto ambiental e inclusão social. (NATURA, 2012i) 1.11.10 Projeto Respeito São Paulo O projeto Respeito São Paulo consiste em um conjunto de ações sociais com objetivo de transformar cidadãos paulistanos em agentes de transformação nos locais onde vivem e atuam e que conta como parceiro o Movimento Nossa São Paulo. (NATURA 2012i). 1.11.11 Projeto A Mata Atlântica 47 O projeto denominado A Mata Atlântica é aqui: Ação Itinerante do Cidadão Atuante. Com o apoio da Natura, a SOS Mata Atlântica promove ações educativas relacionadas à preservação da Mata Atlântica. Além de conscientizar e educar, a ação itinerante visa mobilizar pessoas e engajá-las na luta pela preservação do que resta da Mata Atlântica. (NATURA, 2012i) 1.11.12 Programa Carbono Neutro O Programa Carbono Neutro tem o propósito de reduzir significativamente a emissão de gases do efeito estufa além de amenizar os impactos que por eles são causados. O programa tem como desafio atuar em toda a cadeia de produção da Natura, ou seja, desde a extração da matériaprima, consumo e pós-consumo. (NATURA, 2012f) 1.11.13 Programa Natura Campus O Programa Natura Campus consiste num espaço de construção das Redes de Inovação da Natura com a comunidade científica, vem se confirmando como um espaço para o aprendizado de como se pode construir uma relação efetiva e duradoura entre a empresa e instituições de ciência e tecnologia onde ambas têm em comum a prática cientifica. O caráter sistemático da Natura Campus propicia as condições para que essa relação seja plenamente entendida e possa evoluir permanentemente. O propósito da Natura é possibilitar que autores dessa relação percebam oportunidades mutuas: que as instituições de ciência possam enxergar oportunidades de geração e aplicação do conhecimento na Natura, e a Natura possa incorporar a ciência como um elemento cada vez mais importante para a execução de sua estratégia. (NATURA, 2012g) As ações que a Natura desenvolve nas comunidades onde são extraídas as essências para fabricação de seus produtos objetivam contribuir de forma inovadora e exemplar para o aperfeiçoamento da sociedade, tendo o compromisso unir esforços respeitando os costumes e tradições da comunidade colocando suas competências a serviço de um mundo melhor para todos. 48 Um exemplo disso é a Comunidade do Médio Juruá no Amazonas, fornecedora do óleo de Andiroba de Murumuru, utilizado na linha Natura Ekos. A empresa apóia a comunidade com investimentos em educação na região, oficinas de capacitação, maquinários e assessoria em gestão administrativa que resulta em melhorias da gestão das cooperativas envolvidas e na qualidade do produto, facilitando a relação comercial. (NATURA, 2012g) 49 CAPÍTULO II PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGENS NO MERCADO DE COSMÉTICOS 2 EMBALAGEM De acordo com o Código Nacional da Saúde decreto-lei 986/1969, embalagem é qualquer forma utilizada para acondicionar, guardar, empacotar ou envasar os produtos. De forma generalizada e utilizando uma linguagem comercial a embalagem funciona como um recipiente ou envoltura que armazena produtos temporariamente e serve principalmente para agrupar unidades de um produto, com vista à sua manipulação, transporte ou armazenamento. Uma embalagem é um recipiente ou envoltura que armazena produtos temporariamente e serve principalmente para agrupar unidades de um produto, com vista à sua manipulação, transporte ou armazenamento. (EMBALAGEM,2012) Segundo Negrão e Camargo (2008), além de proteger e transportar, a embalagem informa, identifica e promove produtos e marcas. 2.1 A evolução histórica da embalagem A embalagem sempre esteve presente na vida humana e foi evoluindo tecnicamente e conceitualmente conforme as necessidades e complexidade da sociedade que mudava. (MESTRINER, 2007). Segundo Negrão e Camargo (2008), a embalagem surgiu por volta de 2200 anos a.C. Inicialmente, era utilizada funcionalmente para embalar, envolver e proteger o produto, tanto para transporte, quanto para conservação e preservação das características intrínsecas do mesmo. A distância de produção e o consumo provocado pela separação entre o campo e a cidade contribuiu para as primeiras fases de desenvolvimento e posterior avanço qualitativo em virtude das funções desempenhadas pelas 50 caravanas e navegações, cuja distância exigia embalagens mais resistentes e que mantivessem a integridade dos produtos. (MESTRINER, 2007) De acordo com Moura e Banzato (1990), citados por Romano (1996), Lautenschläger (2001) e Miranda (2008) o desenvolvimento das embalagens no contexto histórico ocorreu em três fases: a) primeira fase: desde o surgimento do homem até aproximadamente 4.000 a.C., quando não existia ainda a confecção das mesmas. As embalagens provinham da utilização de objetos naturais encontrados na própria natureza como: chifres, peles ou crânios de animais, bem como a confecção de cestos rudimentares e artefatos de barro ou argila; b) segunda fase:compreendida entre 4.000 a.C. até aproximadamente 1760 d.C. marcada pelo surgimento das embalagens confeccionadas através de processos artesanais e que inicialmente foram usadas no intercâmbio de mercadorias entre o Egito e a Mesopotâmia, cita-se nesta fase os recipientes de argila e alabastro, e as embalagens dos romanos, usadas para o acondicionamento de cosméticos, bebidas e remédios; c) terceira fase: compreende os anos de 1760 d.C. aproximadamente, e os tempos atuais, nela ocorrem a adequação das tecnologias atuais e a integração das diversas funções que a mesma desempenha, tais como: proteção, comunicação, ilustração e conseqüente evolução de acordo com as condições dos produtos industrialmente processados. Por volta de 2000 a.C. o vidro foi descoberto pelos fenícios e devido ao seu alto poder de conservar as propriedades químicas de determinadas substâncias, motivou a produção de embalagens a partir deste material, sendo o mesmo utilizado até hoje nas indústrias de embalagens para alimentos, perfumes, cosméticos e medicamentos. Durante vários séculos, a embalagem foi produzida artesanalmente, porém, com a Revolução Industrial ocorrida no século XVIII, a produção passou a ser em grande escala exigindo mais e melhores embalagens, motivando o surgimento de novos materiais como a folha-de-flandres e o papel cartão. (MESTRINER, 2007) 51 Já no Brasil, seu desenvolvimento começou um pouco mais tarde, mais precisamente em 1808 com a vinda da família real e da corte portuguesa ao Brasil. A permissão de Dom João VI para o funcionamento de fábricas e manufaturas no Brasil e a abertura dos portos para negociações amistosas com o objetivo de promover a importação e exportação de produtos levou ao surgimento das primeiras fábricas de embalagens no país. O crescimento acelerado do setor foi acentuado em 1907 quando se contabilizou mais de 3.000 estabelecimentos fabris no país. Apesar da produção em massa, neste período a tecnologia e os benefícios dos materiais diversos ainda não eram usufruídos como potencial mercadológico das embalagens, pois predominavam, basicamente, quatro tipos de acondicionamentos: sacos de estopa ou papel, os potes ou garrafas de vidro, as latas e os barris de madeira. (MESTRINER, 2007) Os sacos de estopa ou papel eram utilizados para café torrado e moído, açúcar refinado, algodão. Já os potes ou garrafas de vidro eram utilizados no acondicionamento de extrato de tomate, sardinha, embutidos, doces, vinagre e bebidas. As latas por sua vez, eram utilizadas para armazenar manteiga e óleo e os barris de madeira também contribuíam para que os produtos fossem transportados. Conforme Gobe et al (2011) , a Primeira Guerra Mundial contribuiu para acelerar as embalagens individuais dos produtos , pois eram mais práticas para servir rações às tropas. A guerra lançou o mundo em uma nova era e a embalagem refletiu esse fato. Muitos rótulos de marcas do século XIX foram atualizados, e mais importantes, novas técnicas de embalagem melhoraram o acesso a produtos e modernizaram processos de lacre. (GOBE et al., 2011, p. 105) A produção em larga escala, o surgimento de novos materiais, aliados à tecnologia de impressão em cores e os novos equipamentos de produção e envase, deram início a competição no mercado de fabricantes. A combinação destes fatores fez surgir à primeira função mercadológica da embalagem, onde a mesma passou a ser embelezada e atrativa para vender mais. (MESTRINER, 2007) 52 Com o surgimento das lojas de auto serviço após a II Guerra Mundial e no Brasil em 24 de agosto de 1953 com a primeira loja Sirva-se localizada na Avenida da Consolação em São Paulo, a embalagem ganha outra função além de acondicionar e de proteger o produto, a de se auto vender, pois até então a grande maioria das embalagens de produto nem se quer trazia o próprio nome. As primeiras embalagens identificavam produtos basicamente por meio de sua forma, isto é, não continham nomes, indicações de origem, imagens ou de outros recursos visuais. Os rótulos de pano surgiram no século XV e os de papel na virada do século XVIII para o XIX. (GOBE et al., 2011, p. 105) Mestriner (2007) afirma, que o advento dos supermercados, fez acontecer à maior revolução das embalagens: gerou a embalagem moderna que consolidou o início dos conceitos adotados hoje, introduzindo transformações e alterando o antigo comércio varejista. Gobe et al. (2011) ressaltam que até meados dos anos 1900 as relações comerciais de compra e venda entre consumidores e comerciantes baseavam-se na confiança, porém, o surgimento de produtos pré-embalados representados por alguma marca, fez com que, os consumidores apoiassem na aparência dos produtos e não mais na confiança do comerciante. De acordo com Mestriner (2007), a substituição da compra mediada pelo balconista para a de auto – serviço obriga a embalagem a se encarregar das funções de se apresentar, explicar e vender o produto desencadeando verdadeira revolução no design e comunicação aplicados à embalagem. 2.2 Tipos de embalagens De acordo com Moura e Banzato (1990), as três tipologias determinadas pelo seu panorama histórico, proporcionou o surgimento das embalagens naturais, artesanais e industrias. a) embalagens naturais: o homem buscava incessantemente por alimentos e um problema sério enfrentado por ele era como transportá-lo. A maneira encontrada foi utilizar as mãos em forma de concha para se alimentar e beber, porém a água não ia longe e nem podia ser estocada. O homem voltou-se então para os crânios de animais, chifres ocos e conchas grandes. Com o tempo, ele aprendeu 53 a aproveitar os materiais encontrados na natureza e os primeiros recipientes foram feitos de escamas, folhas, peças ocas de madeira e peles de animais; b) embalagens artesanais: nesta fase o homem aprendeu a montar cestos, fabricados por fibras vegetais e calafetá-los com resinas e argila. Os recipientes eram feitos de argila ou fibras naturais tecidas e eram utilizados para o transporte de mercadorias. Na mesma época os egípcios começaram a fazer através de areias moldadas, garrafas rústicas de vidro e jarras. Muitas delas eram usadas para conter óleos, cosméticos e perfumes. Com o tempo a embalagem passou a ser mais importante do que apenas um auxílio no transporte. Era desejado que ela evitasse a contaminação e o derramamento dos produtos; c) embalagens industriais: a indústria farmacêutica foi talvez a primeira a utilizar a embalagem na venda de produtos de consumo. Outros artigos começaram a ser embalados em quantidade de consumo, contudo, a embalagem ainda era utilizada para proteger e conter o produto. Portanto, a terceira fase das embalagens, pode ser subdividida em três fases: protetiva, ilustrativa e de venda. 2.3 Classificação das embalagens De acordo com Negrão e Camargo (2008), as embalagens podem ser classificadas de diversas maneiras, segundo suas finalidades, materiais, consumo, forma de transporte, entre outras. A classificação por níveis é a que classifica de acordo com as funções, em primária, secundária, terciária, quartenária e de quinto nível. Conforme descritas abaixo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) - RDC nº 259 e por Negrão e Camargo (2008): a) nível primário: a resolução – RDC nº 259 da ANVISA, refere - se a esse tipo de embalagem por envoltório primário, considerando essa embalagem como a que está em contato direto com o produto. Tem como função proteger e conservar o produto contra a contaminação. 54 Exemplo: frasco de xampu, hidratantes, caixa de ovos, bandeja de lasanha, caixa de leite; b) nível secundário: é aquele que protege a embalagem primária, permitindo a comunicação do produto com o consumidor. Sua função é reforçar a proteção do produto durante o transporte e auxiliar em sua promoção. Exemplo: caixa de lasanha, caixa de cereal, caixa de pasta de dente, o fundo de papelão como unidades de caixa de leite envolvidas; c) nível terciário: as embalagens de nível terciário contêm as embalagens de nível secundário e primário e tem como função unificar as embalagens e facilitar sua distribuição, protegendo o produto durante o transporte e armazenagem. Exemplo: caixa de papelão, de madeira e plástico; d) nível quaternário: são embalagens que facilitam a movimentação e a armazenagem, qualquer tipo de contenedor. Exemplo: palete tipo gaiola; e) embalagem de quinto nível: é a embalagem conteinerizada, ou embalagens especiais para envio a longa distância. Para Moura e Banzato (1990), as mesmas ainda podem ser classificadas: a) quanto à finalidade: - embalagem de consumo: são embalagens que tem contado direto com o consumidor; - embalagem expositora: são embalagens que valorizam a apresentação dos produtos nas gôndolas ou prateleiras; - embalagem de distribuição física: são embalagens que viabilizam a proteção dos produtos durante o transporte; - embalagem de transporte e exportação: são aquelas que exercem a função de proteger o produto nos diversos modais em que será transportada, seja no processo industrial ou de estocagem. b) quanto à movimentação: - embalagem transportada manualmente; - embalagem movimentada de forma mecânica; c) quanto à utilidade: 55 - embalagem retornável; - embalagem não retornável. Dentre as várias metodologias existentes para desenvolvimento de embalagens, opta-se por descrever o método elaborado por Mestriner (2005b) destacando cada uma de suas etapas. 2.4 Planejamento e desenvolvimento de embalagens Além de suas funções primárias, as embalagens tem sido uma estratégia crescentemente utilizada por grande parte das empresas que buscam a inovação, melhoria de sua imagem no mercado, aumento da transparência, melhor desempenho ou posicionamento, pois estas se tornaram conscientes de que a embalagem é fundamental para a elaboração de produtos de sucesso e ainda de promover a diferenciação e agregação de valor aos produtos e serviços. (IRIGARAY et al., 2004). O desenvolvimento ou adequação de uma embalagem acontece por necessidades comerciais, técnicas ou econômicas, tais necessidades são motivadas pela inexistência de vendas suficientes para suprir os custos totais, por que os lucros estão em redução; por perda de market share, (participação de mercado); pela necessidade de estabelecer uma mudança competitiva; por atualização devido mudanças dos gostos e hábitos dos consumidores; para se estabelecer novas atividades de merchandising. A produção de uma embalagem deve ser realizada visando proporcionar benefícios ao produto que será embalado e também a sociedade que será inserida, para que isto aconteça é necessário que sua produção seja feita com recursos e processos de baixo impacto ambiental. (MIRANDA, 2008). Para Mestriner (2005b), o desenvolvimento de uma embalagem ou de seu design constitui tarefas complexas que não podem ser desempenhadas sem um planejamento adequado. Torna-se essencial que o designer da embalagem esteja a serviço do planejamento de marketing da empresa, para que através da embalagem possa comunicar de forma eficiente aquilo que se pretende transmitir para a fidelização ou adesão de consumidores. Assim, a elaboração do planejamento da embalagem ou do projeto de embalagem é uma etapa fundamental que proporciona o levantamento de 56 possibilidades, a antevisão do projeto final através do conhecimento prévio das ferramentas e instrumentos adequados à sua elaboração, porém o mesmo requer como decisão inicial a identificação do tipo de desenvolvimento ou estabelecimento do conceito da embalagem, se protetiva, transporte, armazenagem , a fim de obter determinados resultados através da sua geração. (NEGRÃO, 2011). Tal prerrogativa é confirmada por Mestriner (2005b), pois para o autor, o planejamento do design de embalagens deve ser estabelecido, mediante conhecimentos prévios sobre o produto (composição, ingredientes, processo de fabricação, envase), uma vez que tal conhecimento favorecerá melhor decisão sobre o produto que será ofertado, o tipo de embalagem que o produto requererá, o processo de fabricação e as forças de marketing desejáveis para projetá-las. O planejamento nesta fase é imprescindível, pois o desenvolvimento de embalagens envolve diferentes áreas de uma empresa, custos de produção, de materiais, equipamentos, energia, mão-de-obra e seu planejamento deve ocorrer desde a fase zero do projeto até a concepção do produto.(MESTRINER, 2005b) Negrão (2011), afirmam que num projeto de embalagens devem ser refreados os comportamentos inconsequentes ou precipitados, deve-se estabelecer um objetivo, adotar uma metodologia, fundamentar as decisões. O profissional deve conhecer os conceitos da forma, materiais, processos e ambientes de venda para que o projeto alcance a excelência. Esta fase compreende a identificação do tipo de desenvolvimento que a embalagem busca criar ou inovar. Portanto, o planejamento no design de uma embalagem favorece o esclarecimento das melhores decisões inerentes ao tipo de embalagem, o design necessário para o produto estipulado, o posicionamento estratégico da embalagem, mensuração das implicações que as decisões tomadas acarretará, os custos, a logística, os impactos ecológicos, as forças de marketing, projetos do setor de marketing, público que deseja alcançar e mercado concorrente. (MESTRINER, 2005b). 57 2.4.1 Design de embalagens O design de embalagens assumiu diversos conceitos e contornos no decorrer de sua evolução, desde sua função básica até as mais complexas ligadas a cultura do homem. De acordo com Teixeira (2011), na relação homem-objeto, o design assumiu diferentes feições para se adaptar aos movimentos sociais, desenvolvimento industrial e as consequentes demandas da sociedade. Alinhou-se em diferentes momentos à arte, à produção eficiente, ao marketing, às metodologia, gestão e administração, novas tecnologias, até integrar todas as áreas em um conceito sistemático e aberto às constantes inovações e tendências do mundo globalizado. Em seu desenvolvimento, o design de embalagem que antes era responsável pelo desenvolvimento de produtos, passa se tornar agente estratégico de competitividade, integrando-se à estrutura organizacional e medidas econômicas de grandes nações. Com a constante evolução, técnica e tecnológica, permitiu que homem tivesse domínio sobre forças naturais, o que também proporcionou novas formas de percepção e desenvolvimento de produtos. Dentro desse processo, entre ideia e o produto final, abrange aspectos funcionais, comunicacionais e produtivos intrinsecamente relacionados. Segundo Teixeira (2011), o design é um processo multidisciplinar que envolve diferentes métodos e linguagens em diversas áreas do conhecimento. Sua prática está implícita nas atividades de configuração de um produto, o que supõe articular dimensões de território complexo, repleto de variáveis externas ao projeto. O design de embalagem não tem como principal objetivo atrair atenção do consumidor, mas manter uma relação permanente entre o cliente e o produto. O projeto deve criar estratégias que vençam o teste do tempo, associado a valores cognitivos e efetivos que promovam reações positivas, associadas aos desejos e necessidades de indivíduos e grupos. Neste contexto, a embalagem assume além de sua função básica de proteger e conservar o produto, elemento estratégico entre produto e seu público- alvo, assumindo relações comunicacionais cada vez mais envolvendo 58 os sentidos de forma integral. A embalagem também é um portador da imagem do produto e da empresa desde o primeiro contato visual à interpretação, compreensão e experiências de uso. Para Mestriner (2005b) a composição e proporção em que cada elemento é utilizado na embalagem alteram completamente a percepção visual do conjunto, assim, os elementos visuais devem ser compostos estabelecendo um nível hierárquico de relevância entre eles, para isso o designer deve basear-se no objetivo que a empresa busca alcançar e atentar para aspectos como: a) formato e tamanho: no design das embalagens um dos primeiros passos a serem tomados é a definição do formato e tamanho. Estes fatores estão intimamente ligados ao aspecto funcional das embalagens e à aceitação das mesmas no mercado, além de influenciar nos custos de produção e matéria-prima. b) cor: a impressão psicológica criada por uma imagem depende, fundamentalmente, da cor. As cores têm efeito significativo em nossas emoções, as combinações delas podem atrair o público-alvo ou destacar as embalagens na exposição em gôndolas. Portanto, para um projeto de embalagem, é fundamental sua adequação às necessidades psicológicas de venda e de uso de um produto para que o efeito esperado não seja inverso.Assim, o designer deve conhecer e utilizar as cores que melhor provocarão o estímulo que deseja causar nos receptores de seus produtos, pois as mesmas podem motivar a associação de reações, lembranças, ideias, sensações, podendo também transmitir refrescância, sofisticação, popularidade, dinamismo, antiguidade e outros. 2.4.1.1 A importância do briefing e o conhecimento do mercado para a elaboração do design O briefing é um termo de origem inglesa, que significa sumário ou levantamento de informações resumidas. Para Negrão e Camargo (2008), esta coleta de dados corresponde a requisitos preliminares que garantem o sucesso da elaboração de um projeto. 59 Segundo Mestriner (2005b), o profissional responsável pelo Briefing busca formar neste processo um documento com informações-chave sobre a embalagem a ser projetada para que estas não se dispersem no decorrer do projeto. As informações obtidas no Briefing devem possuir clareza de números, dados, objetivos, quantidade, tamanho, medidas e designações legais sobre o produto para auxiliar no posterior design da embalagem. Para Negrão e Camargo (2008), é imprescindível que o briefing seja elaborado por um profissional de responsabilidade da empresa para evitar o vazamento das informações estratégicas que, conseqüentemente, possam comprometer a estratégia da empresa. Mestriner (2005b), salienta que nesta fase é importante conhecer o mercado concorrente, porém, é também necessário conhecer os hábitos e atitudes dos consumidores em relação às diversas categorias de produtos e quais as aspirações sobre os produtos que consomem. De acordo com Mestriner (2005b), o design que, posteriormente, será elaborado, alcança consistente fundamentação quando no processo de briefing o profissional efetua visitas preliminares ao local onde o produto será exposto aos consumidores, devendo também estudar com antecedência os produtos do mercado concorrente e apresentá-lo à empresa contratante. É também necessária a realização de pesquisas nos vários meios midiáticos disponíveis sobre a categoria em que o produto vai competir, isto tornará suas ações bem sucedidas. Logo, esta fase é fundamental para a elaboração do design, pois: tornam conhecidos os aspectos mercadológicos do cenário atual; o histórico da empresa; o produto; as imagens de embalagens anteriores; as variações da linha de produtos; o posicionamento; a evolução dos últimos anos; as estratégias de marketing; a análise do perfil de consumidor; o estudo das embalagens do concorrente; a influência da embalagem nas vendas; a análise do mercado onde o produto atua e outros segmentos potenciais. (NEGRÃO; CAMARGO, 2008). 2.4.2 Implantação do projeto de embalagens 60 A elaboração de um projeto consiste em uma série de atividades e processos, cujo objetivo é obter determinados resultados para a solução de um problema, dentro de um orçamento e prazo pretendidos, pressupondo a antecipação do resultado desejado. Para isso, é necessário que se faça uso das ferramentas e dos instrumentos adequados para sua execução. (NEGRÃO; CAMARGO, 2008). Nesta fase busca-se transformar o design já aprovado em embalagem finalizada. Mestriner (2005b), afirma que é imprescindível que todos os envolvidos (fotógrafos, ilustradores, fabricantes, profissionais de arte final e o próprio designer) se integrem. Para ele, tal integração promove o aperfeiçoamento do processo de finalização da embalagem e a troca de informações e idéias proporcionam possíveis melhorias ao projeto final. Contudo, para que o projeto seja implementado com segurança e eficácia é essencial que a empresa convertedora do projeto em embalagem conheça todas as etapas que o gerou. Segundo Negrão (2011), um projeto geralmente pressupõe as seguintes etapas: a) natureza do projeto: pode ser a criação ou a melhoria no sistema de embalagem; b) objetivos do projeto: podem estar relacionados à redução de custo ou redução das perdas em embalagens; adequação ao público alvo, mudança de material; adequação a legislação, e outros; c) recursos disponíveis: é o estudo preliminar sobre as características físicas e químicas, resistência, manuseio, requisitos de vida útil e processos sobre os materiais que comporão o produto final; d) verificação e implantação do projeto: realização de testes de mercado e simulação dos impactos (queda e repuxo); e) o cronograma de execução: estimativa do tempo gasto para a finalização do produto final; f) controle: avaliação dos resultados obtidos e propostas de melhorias quando necessário, ou seja, o projeto é reavaliado. Mestriner (2005b), ressalta que nesta fase, é fundamental que o material e o formato (favorável ao empilhamento ou estocagem) escolhidos para a 61 produção das embalagens sejam bem estudados, uma vez que a produção satisfatória dependem destes e da escolha da tecnologia adequada para a embalagem, pois posteriormente contribuirá para a conservação ou perecividade do produto a ser embalado. No projeto de embalagem também deve se considerar os benefícios que o material trará ao produto e a sociedade. O designer e o fabricante devem obter instruções preliminares sobre as limitações que o material escolhido trará, bem como conhecer com antecedência os detalhes sobre o tipo de tampa e dispositivos de fechamento que o material requer, pois estes devem preservar a harmonia e a expressão da embalagem. (MESTRINER, 2005b). De acordo com Teixeira (2011), o projeto da embalagem começa e termina no consumidor, devendo sempre considerar suas preferências, hábitos e atitudes que o levam a decisão de compra. Aspectos culturais, sociais e econômicos também devem ser levados em conta em um projeto. Projetar consiste em um conjunto de atividades e processos cujo objetivo é o desenvolvimento de uma embalagem, pressupondo uma demanda clara, efetivada em um contexto limitado de recursos e prazos, os quais atenderão a determinados requisitos que serão controlados e avaliados. (NEGRÃO; CAMARGO, 2008 p. 115) 2.4.3 Processo produtivo da embalagem O processo produtivo das embalagens deve ser contemplado em toda a sua amplitude, logo é necessário que se entenda as principais atividades que constituem sua cadeia produtiva. Inicialmente, esta é composta por três principais fornecedores: de matéria-prima (indústria de base), de maquinários para envase e rotulagem e dos fabricantes de equipamentos. A fabricação específica das embalagens nem sempre é realizada pela empresa usuária, em muitos casos é terceirizada, o que torna essencial o claro estabelecimento prévio das características técnicas de fabricação e integração de todos os envolvidos na cadeia produtiva, inclusive das informações obtidas pelo departamento de marketing responsável por traduzir os desejos e necessidades dos consumidores em embalagens funcionais e com ótima usabilidade. (MESTRINER, 2005b) A cadeia logística também deve ser considerada, pois através da forma de distribuição e comercialização estabelecidas, poderá ser visualizada a 62 necessidade de embalagens secundárias, terciárias ou não. O gerenciamento do processo de desenvolvimento das embalagens para formar um elo entre todos os profissionais do projeto, cabe ao designer, que deverá munir a equipe de informações indispensáveis ao sucesso da embalagem final. Logo, o mesmo também deve atentar para que o projeto da embalagem atenda às normas técnicas nacionais e internacionais exigidas por entidades como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, o Instituto Nacional de Metrologia Qualidade e Tecnologia - INMETRO e o Foods and Drugs Administration - FDA - americano, não negligenciá-los sinaliza competência para atuar em mercados internacionais. Negrão (2011), estabelecem três fases principais que compõem o processo produtivo: a) pré-impressão: fase essencial, onde ainda é possível efetuar correções ou aperfeiçoamento do projeto de embalagens, a qual corresponde ao período entre a concepção da identidade da embalagens e sua reprodução completa. Nesta, prepara-se as matrizes que comporão a reprodução seriada das embalagens. Os principais elementos que compreende esta fase são: a arte final, as provas de impressão, onde é feito um protótipo preferencialmente em tamanho natural para a verificação das dobras, encaixe, cortes, cores e outros; a seleção do processo de impressão necessário e a obtenção da matriz; b) impressão: momento em que se transfere a matriz para o substrato e ocorre a reprodução gráfica da embalagem. Nesta fase, é essencial que a escolha da técnica de impressão leve em conta as características do projeto: tiragem, qualidade e acabamento. No segmento de embalagens predominam a rotogravura, que devido ao alto custo da matriz e à durabilidade é indicada para elevado número de tiragens, dependendo do equipamento reprodutor pode ser um sistema impreciso para letras reduzidas; a flexografia que é indicada para médias, altas e altíssimas tiragens, é caracterizada pelo efeito squash ou sombreamento lateral no grafismo. Também o offset que apresenta ótima legibilidade e adaptabilidade a papeis, polímeros e metalgrafia; 63 c) pós-impressão: momento final da produção gráfica das embalagens que recebem o acabamento (corte, refile, gotragem, revestimento, estampagem ou dobra), posteriormente, passam pela conversão (colagem, encadernação, laminação, corte e vinco , picotagem, puncionamento ou perfuração) e, por último, são direcionadas para a distribuição (etiquetagem, empacotamento, expedição ou armazenagem). Nesta fase, inclui a inserção do braile, caracterizada por combinação de símbolos em relevo na embalagem final. Negrão (2011), salienta que a escolha do sistema de reprodução, bem como a do fornecedor das embalagens , devem ser minuciosas, pois refletirá no custo, prazo e qualidade final, visto que a mesma será reproduzida diversas vezes. O autor ainda ressalta que é imprescindível se atentar para os acabamentos, pois os mesmos são ícones perceptíveis de qualidade das embalagens. Após ser aprovado o primeiro lote de embalagens, o trabalho do produtor gráfico é finalizado, as embalagens deixam a indústria convertedora e são direcionadas à logística de distribuição. (NEGRÃO, 2011). 2.5 Embalagem estratégica: utilização como inteligência competitiva Muito além de simples invólucro, as embalagens são essenciais para o estímulo das vendas e prospecção de uma marca no segmento atuante. Tal prerrogativa é reforçada por Mestriner (2005b) ao relatar que a embalagem moderna desempenha papel fundamental na maneira em que o cliente percebe o produto, causando impacto direto no sucesso ou insucesso do mesmo. Para Mestriner (2007), a elaboração estratégica da embalagem preconiza a utilização integral do sistema de embalagem da empresa, através da sistematização de uma série de procedimentos e atividades em que todas as ações convergem para um objetivo central. A embalagem se transformou em um agente de branding dando sustentação ao trabalho de construção da imagem da marca e do relacionamento com os consumidores. (MESTRINER, 2007). 64 Mestriner (2007), ressalta que a embalagem atua como um diferencial para as organizações, e que possibilita incorporar inovação aos componentes do design de projetos, a fim de que o produto seja levado até o consumidor, conquiste e fidelize sua preferência. Não obstante, além de ser fator decisivo na competição de mercado, as embalagens exercem impacto direto na performance do produto, por isso, alcança importância estratégica nos negócios empresariais. Devendo ser cuidadosamente planejada, visto que influencia o custo final do produto, seu desempenho na linha de produção e a logística de distribuição. Por sua contribuição e impacto nos negócios, a embalagem deixa de ser um simples insumo produtivo e torna-se um componente estratégico e de comunicação publicitária direta aos consumidores. (MESTRINER, 2007) No entanto, tais benefícios só são desfrutados, quando ocorre o rompimento da tradicional linguagem de categoria (captando as vantagens estratégicas das novas formas que conferem um dos principais atributos de personalidade ao produto) ou inserindo elementos de linguagem visual que garantam o posicionamento estratégico do produto nas gôndolas. (MESTRINER, 2007). É pertinente ressaltar, que o sucesso de ações estratégicas incorporadas à embalagem, somente ocorrem, quando as embalagens atendem também as funções primárias de conservar, conter e transportar. Mestriner (2007), afirma que a utilização da embalagem como estratégia de mercado requer: a) o distanciamento da commoditização; b) a existência de um sistema de embalagem empresarial que desenvolva ações integradas utilizando a embalagem como suporte para a conquista de objetivos empresariais; c) o monitoramento estratégico da matéria-prima e sua repercussão na embalagem ofertada pela empresa; d) a observação da escassez ou não de certa matéria-prima, possibilidade de produtos substitutos, oportunidade de utilizar vários materiais na mesma embalagem, condições de fornecimento e possibilidade de parcerias estratégicas. 65 2.5.1 Posicionamento estratégico das embalagens De acordo com Mestriner (2005b), as embalagens também são capazes de formar um cenário competitivo pela maneira em que são dispostas no mercado, neste aspecto, podem ser posicionadas da seguinte forma: a) competindo na posição de líder: ocupam a posição de liderança, mas evoluem com o mercado, o design das mesmas respeita os traços visuais que caracterizam o patrimônio da marca; b) posicionadas como rival do produto líder: é o produto que compete diretamente com o líder da categoria e para que obtenha vantagens com tal posicionamento precisa fazer uso de novas tecnologias, rótulos, recursos de impressão, devendo sempre oferecer algum valor que o produto líder ainda não oferece; c) posicionamento intermediário: neste a embalagem deve ser dotada de algum diferencial consumidores, podendo atrativo sofrer para chamar alterações a atenção radicais em dos suas características, o que favorece o máximo da criatividade e contribuição que o design pode oferecer; d) em competição com os produtos participantes: neste tipo de posicionamento a embalagem insere o produto na competição; nele o designer estuda a linguagem visual dominante das categorias e também adota os mesmos componentes visuais , com isso, amplia as chances do produto ser escolhido. 2.5.2 Desenvolvimento da estratégia das embalagens O desenvolvimento da estratégia de uma embalagem deve ser elaborado levando em consideração os objetivos que a organização almeja obter através da embalagem, seja para estabelecer-se no mercado, lançar novos produtos ou difundir seus valores e crenças. Para Mestriner (2005b), a montagem da estratégia das embalagens deve ser composta dos quatro passos abaixo abordados, além de conter conceitos inéditos para categoria em que o produto faz parte, detalhes e informações que subsidiarão a estratégia: 66 a) definir o problema - é ter em mente os objetivos a serem alcançados com a ação, e o motivo de sua utilização, neste aspecto, os principais motivos que levam uma organização a elaborar estratégias são: tentativa de vencer resistências no mercado através de novas embalagens; modernizar o produto sem perder suas características históricas e criação de um novo e original conceito de embalagens; b) analisar as conclusões - explanar as conclusões obtidas em estudo de mercado posterior, tais conclusões tornarão mais claras e fundamentadas às estratégias. Neste passo, pode-se verificar se a categoria do produto está muito uniformizada visualmente, ou se as embalagens da categoria estão defasadas bem como se o produto que a empresa oferta está fora da linguagem da categoria; c) estabelecer as premissas básicas que deve compor o design da embalagem - quais as informações e elementos visuais que precisam constar nas embalagens; d) formatar a estratégia de design - neste ponto, o talento do designer entra em cena, e o mesmo é incumbido de propor a melhor solução para o problema mediante os objetivos do projeto, de forma a exceder as exigências, promover a surpresa dos consumidores, superação dos concorrentes promovendo abertura do produto no mercado. 2.6 Rotulagem das embalagens 2.6.1 Rótulos De acordo com Gobe et al. (2011), rótulo é tudo aquilo que envolve uma embalagem proporcionando a identificação do produto e que carregam em si um nome de marca, logotipo e informações importantes sobre o produto e que assumem importante papel cooperando com as embalagens na comunicação dos produtos. Através do mesmo ser explicados termos, condições, perigos e advertência quanto ao uso dos produtos. Mestriner (2005b), relata que o rótulo surgiu com a finalidade de identificar os produtos, no entanto, hoje constitui um importante fator de 67 comunicação e diferenciação; eles permitem vários suportes e diferentes técnicas de impressões, sua vantagem é a disponibilidade de aplicações de todos recursos de design gráfico e comunicação visual conhecidos, no entanto, o grande desafio é a ampliação do seu espaço que comumente é reduzido. Para Camilo (2011a) a importância dos mesmos vai além de simples identificação ou descrição de produtos, os rótulos são capazes de torná-los mais competitivos, visto que, melhoram o gerenciamento nos estoques e são mais adequados para seguir a categoria. De acordo com Camilo (2011a), os principais são: a) rótulos em papel cola: empregados com o intuito de se obter um projeto econômico, quando o produto a ser embalado possui baixo valor agregado e não requerem características atrativas. São comumente utilizados em embalagens secundárias e de transportes, bebidas, vinhos, águas, cervejas, refrigerantes e outros; Figura 20: rótulo em papel cola Fonte: Brahma (2012). b) rótulos e etiquetas autoadesivas: são feitos de filme ou papel, recebem uma camada de adesivo no revestimento protetor, são aderidos em superfícies sob aplicação de pressão. Estes rótulos são formados por quatro camadas, a frontal: lâmina autoadesiva de qualquer material auto aderente; camada adesiva: substância capaz 68 de unir todas as superfícies, cobertura de silicone para destacar o rótulo e a camada de liner que protege o adesivo antes da aplicação; Figura 21: rótulo e etiquestas autoadesivas Fonte: Natura (2012k) c) rótulo manga ou luva : aderido à embalagem por uma faixa de cola no início e final envolvendo a embalagem 360°, utilizados para produtos de baixo valor agregado, tais como: bebidas carbonadas, produtos de limpeza e refrigerantes em garrafas PET; Figura 22: rótulo manga ou luva Fonte: Coca Cola (2012) d) heat transfer ou termoencolhíveis: aplicados por pressão, transferência termoencolhimento e outros, este tipo de rótulo é mais 69 atraente, pois permite a impressão nos dois lados e permite a visualização através do produto. Figura 23: rótulos termoencolhíveis Fonte: Assolan (2012) 2.6.1.1 Classificação dos rótulos Para Gobe et al. (2011), os rótulos podem ser classificados em: a) informativos: caracterizados por frases que chamam a atenção do consumidor quanto ao manuseio, preparo, armazenagem e componentes da formulação, exemplo: não expor ao sol, manter fora do alcance de crianças, e outros; b) classificatórios: expressam a qualidade ou atributos dos produtos. Exemplos: leite tipo A, leite desnatado, arroz integral, e outros; c) descritivos: são confeccionados com diversidade de letras, visando atrair a atenção para determinado ponto da embalagem, separar informações para diferenciar características, benefícios relevantes no produto. Mestriner (2005b) diz que é essencial que o desenho do rótulo seja elaborado de forma integrada com a embalagem em que será aplicada. 2.6.1.2 Rotulagem ambiental 70 Estes utilizam-se de simbologias que favorecem a identificação correta dos materiais e que auxiliam impreterivelmente no destaque de ações ambientais. Camilo (2011a), afirma que a simbologia nos rótulos promovem a melhoria da qualidade ambiental de produtos mediante a mobilização e conscientização de produtores e consumidores. A utilização destes devem atender às normas brasileiras, tal como a ABNT ISO/TR 14062:2004 Gestão Ambiental, estas são alinhadas às normas internacionais. Camilo (2011a), ressalta a existência de três normas de rotulagem: a) rotulagem Tipo I – NBR ISO 14024 - Programas de selo verde: esta norma estabelece os princípios e procedimentos para que sejam desenvolvidos rótulos ambientais, além de selecionar as categorias de produtos que possuem características funcionais que estão em conformidade ao requerido; b) rotulagem tipo II- NBR ISSO 14021- Auto declarações ambientais: esta norma descreve metodologias de avaliação e especifica requisitos incluindo textos, símbolos e gráficos referente aos produtos que os utilizam; c) rotulagem tipo III – ISO 14025: norma ainda em elaboração não estando consolidada tecnicamente devido sua complexidade, pois nela estará incluída a avaliação do ciclo de vida do produto. 2.7 Tampas e dispositivos de fechamento Para Mestriner (2005b), as tampas e os dispositivos de abertura e fechamento merecem igual atenção, porém, com estudo mais desenvolvido. Representam um diferencial competitivo e estético capaz de colocar um produto de certa categoria à frente da concorrência. A praticidade e conveniência são os benefícios básicos valorizados pelo consumidor, no entanto, seus atributos vão além de sua funcionalidade. Os primeiros conceitos de fechamento para embalagem foi o lacre e a rolha. O lacre, por não permitir a reutilização devido ao rompimento ao abrir cedeu espaço para a rolha, a qual permitia a abertura do recipiente ao invés de rompê-lo. 71 As embalagens de vidro foram às pioneiras na utilização de rolhas e outros dispositivos de fechamento e abertura. As indústrias de perfumes também preocupadas em atender às exigências específicas de seus produtos por serem bastante voláteis contribuíram desde o século XIX para o desenvolvimento de tampas diferenciadas. Nos cosméticos, visualiza-se a tendência da não mais utilização do design integrado, ou seja, tende a desaparecer a integração do frasco com a tampa. Visto que, na embalagem cosmética, atribui-se às tampas não só as funções básicas, mas também a tarefa de desempenhar um diferencial estético, tornando-se fundamental na diferenciação da personalidade dos produtos de consumo. (MESTRINER, 2005b) Os vários tipos de tampas requerem também diversos tipos de dispositivos de abertura e fechamentos, as quais Mestriner (2005b) podem ser: a) rolha - saca-rolhas; b) tampa lacrada - abridor de latas ; c) tampa crown - abridor de garrafas; d) tampa vincada - chavinha abridora de latas; e) tampa de rosca - vidro( twist off) ; f) tampa proof - garrafas; g) tampa easy open - latas; h) flip top - tampas plásticas e cartuchos; i) anel pull off - latas de cerveja; j) fitilho abre fácil - biscoitos; k) fecho resselável - embalagens plásticas; l) tampas child proof - segura para medicamentos; m) tampas seal foi l- potinhos de iogurte e água mineral; n) fechamentos zip lock - saquinhos plásticos; abertura picotada – cartuchos de papel cartão; selos variados - todo tipo de embalagem. Os lacres e tampas precisam ser cuidadosamente planejados, pois necessitam de atenção especial, uma vez, que se uma tampa não proporcionar a vedação total a embalagem, esta pode acarretar a depreciação do produto, e mesmo se só houver vazamento, mas se o produto não estiver estragado, mesmo assim isto impedirá a compra ocasionando despesas extras à empresa. 72 2.8 Ergonomia das embalagens O desenvolvimento das embalagens é uma atividade complexa que requer objetividade e levantamento de pontos relevantes durante a elaboração de seu design. (MESTRINER, 2005b). Mestriner (2005b), afirma que nesta fase, o designer deve estabelecer os melhores elementos que comporão visualmente a embalagem, como: cor, formato, tamanho, logotipo e tipo de fonte (letra) utilizada em sua identificação. O formato destaca-se como o mais poderoso recurso de diferenciação, e se este for desconfortável ao consumidor, pode impulsionar seu interesse por produtos concorrentes. Assim, é fundamental a elaboração cuidadosa de todos estes elementos sem negligenciar o conhecimento prévio do público-alvo a que as mesmas se destinam. (MESTRINER, 2005b). Neste sentido, torna-se fundamental a observância dos aspectos ergonômicos relacionados ao formato de embalagens que as auxiliam a exercer com precisão suas atividades primárias de conter e prover acesso ao usuário. Gomes (1995, p. 2) “destaca que além dos inúmeros focos de estudo da ergonomia, esta se relaciona inclusive com a ação do manejo, como: o ato de pegar, movimentar, manter, empunhar ou acionar produtos”. Segundo a IEA - Associação Internacional de Ergonomia (2000), a ergonomia é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos e à aplicação de teorias, princípios, dados, métodos e projetos a fim de otimizar o bem estar humano e o desempenho global do sistema. Logo, percebe-se que é uma ciência que tem o foco no homem e que busca adequar todos os elementos que o circundam ao homem e nunca o inverso. Assim, considera-se também a adequação dos produtos e embalagens ao homem, e às suas formas estruturais. Para Gomes (2003), alguns problemas ergonômicos relacionados ao manuseio de lacres e dispositivos de fechamento de embalagens ou demais objetos podem ser resolvidos pelo próprio design através da atribuição de 73 texturas tanto nas tampas ou no corpo das embalagens que proporcionam maior aderência ao agarrar e melhor manuseio. Rio e Pires (2001), concordam que o desenhista deve privilegiar os critérios que garantam a usabilidade dos produtos e embalagens, devendo observar fatores como: incapacidade (físicas) do usuário, posicionamento das articulações das mãos, aspectos que possibilitam a redução do risco de acidentes, as texturas que proporcionem maior aderência às mãos, cantos vivos (evitar), usuários destros e canhotos, diferenças sexuais, dimensões (antropometria), idade, estereótipo e hábitos da população consumidora do produto final . Neste aspecto, também se enquadram a tipologia adequada aos textos e logotipos empregados nos rótulos e embalagens, que devem proporcionar a legibilidade, principalmente em textos legais e obrigatórios. Mestriner (2005b), ressalta que a tipologia adequada às embalagens, da mesma forma que as cores, agrega valor ao produto, influencia na maneira como uma embalagem é percebida, representa ícones de qualidade e contribue para despertar o desejo de compra. Logo, ao desenvolver ou planejar embalagens, torna-se essencial a consideração dos aspectos ergonômicos a elas relacionados, pois estes contribuem para melhor desempenho das mesmas no mercado, além de evidenciar o cuidado e respeito ao homem através da adoção de tais parâmetros que permitem aos mesmos melhor usabilidade dos produtos. 2.9 Funções social, econômica e ambiental da embalagem Desde o princípio e em suas primeiras formas de utilização, as mudanças ocorridas no mundo tem contribuído para a evolução das embalagens, de modo que o seu desenvolvimento remete também o desenvolvimento do homem e sua interação em sociedade. Para Lautenschäger (2001, apud MIRANDA, 2008), a importância da embalagem na era moderna é inquestionável, pois além de contribuir para preservação, distribuição e comercialização dos produtos, é capaz também de promover, divulgar e comunicar o posicionamento de um produto no mercado, refletindo diretamente na economia e no comportamento da sociedade. 74 Para tanto, é imperativo partir de um projeto correto, pois hoje já se fala em ecodesign, atividade que tem a preocupação de minimizar os impactos ambientais que os produtos podem causar, desde a correta escolha de materiais até o processo de fabricação, decoração, envase e descarte. (CAMILO, 2011, p.364) Assim, a embalagem constitui uma ferramenta imprescindível para a redução de desperdícios quando aliada a questão da sustentabilidade devendo ser projetada de forma a minimizar impactos desde a sua concepção até o descarte sustentável, favorecendo a reutilização de insumos retirados da natureza. (CAMILO, 2011b) Mestriner (2007), reforça que sua importância devem ser conhecidas pela sociedade, uma vez que, sua cadeia produtiva movimenta parte da economia dos países, empregando milhões de pessoas e a propagação de tais benefícios faz com que os produtos sejam aprimorados proporcionando aumento da qualidade de vida da população. Figura 24: A importância da embalagem no meio ambiente Fonte: Adaptado de Mestriner (2005a) Além de sua capacidade de expressar o estágio de desenvolvimento empresarial e social de um país, a embalagem exerce papel indispensável na sociedade, visto que, sem ela muitas atividades mercantis e comerciais não poderiam ser realizadas. “A vida nas grandes metrópoles não seria possível sem a utilização intensiva de embalagens para prover o abastecimento e o consumo de seus milhões de habitantes”. (MESTRINER, 2005a, p.9). 75 Assim, Mestriner (2007), enumera uma série de contribuições sociais da embalagem: a) a manutenção da saúde pública através de embalagens para medicamentos; b) exportações de mercadorias ou produtos que contribuem para o equilíbrio da balança comercial, mas só se tornam possíveis com a existência das embalagens para conservar e transportar produtos em boas condições ao seu destino; c) manutenção do setor supermercadista que é um dos maiores geradores de emprego e que funciona por meio de produtos embalados. Mestriner (2005a), reforça que a embalagem exerce influência em diversos âmbitos que dela usufruem, seu nível de abrangência é demonstrado no quadro nº 1 a seguir. Quadro 1: Amplitude das embalagens Funções Primarias Econômicas Conter/proteger Transportar Componente do valor e do custo de produção Matérias – Primas Sistemas de acondicionamento Tecnológicas Novos materiais Conservação de produtos Chamar a atenção Mercadológicas Transmitir informações Despertar desejo de compra Vencer a barreira do preço Construir a marca do produto Conceituais Formar conceito sobre o fabricante Agregar valor significativo ao produto Comunicação e Marketing Sociocultural Meio Ambiente Fonte: adaptado de Mestriner 2005a Principal oportunidade de comunicação do produto Suporte de ações promocionais Expressão da cultura e do estágio de desenvolvimento de empresas e países Importante componente do lixo urbano Reciclagem – Tendência Mundial 76 A reciclagem de embalagem, essencial para a proteção do meio ambiente, tem ganhado força e apesar de ainda necessitar de maior reeducação e conscientização da população também oferece sua contribuição, representando importante atividade econômica e fonte de trabalho e renda familiar de milhões de brasileiros. (MESTRINER, 2007) As embalagens representam componente fundamental para a economia, saúde e emprego e bem-estar social, contudo, é conveniente salientar que tais benefícios podem ser maximizados pela estratégia de logística reversa desenvolvidas pelas empresas fabricantes. 2.10 Embalagens para cosméticos Segundo a Revista Embalagem e Tecnologias (2011), o mercado de embalagens deve acompanhar e inovar a demanda de cosméticos, higiene pessoal e perfumaria, conhecendo os anseios dos consumidores e utilizando todos os recursos possíveis para encantar e convencer o consumidor a comprar. Desta forma, a percepção que os consumidores têm do produto é obtido, na maioria das vezes pela embalagem, e se esta falhar em transmitir tais valores, todos os esforços da produção são comprometidos. A ANVISA (2004), reforça que as principais características avaliadas nas embalagens cosméticas são: capacidade de vedação, riscos, quebras e danos nos componentes da embalagem, alterações que comprometam sua integridade e aparência do produto. A utilização de materiais adequados ao produto que será embalado é essencial para a preservação de tais características. Neste aspecto alguns fatores devem ser observados e avaliados nas embalagens. De acordo com a ANVISA (2004), segue a avaliação de cada material: a) embalagem celulósica: nesta, são avaliadas as alterações que podem surgir na estrutura do papel e na formulação, pois pode ocorrer a migração destas substâncias para o produto e ocasionar a sua contaminação. Também deve-se atentar para a estabilidade físicoquímica da embalagem para que não ocorram alterações na 77 formulação em relação à cor, odor, entre outros. Exemplos: cartuchos, bandejas, displays e embalagens cartonadas; b) embalagem metálica: é considerado para critério de avaliação a delaminação, corrosão, alterações na formulação, cor, odor, aspecto e funcionalidade, reação com a fórmula, entre outros; c) embalagem plástica: considera-se para critério de avaliação: aspecto, cor, odor, interação e migração de componentes entre embalagens e produtos, porosidade ao vapor d’água, transmissão da luz, termoselagem (quando aplicável), deformações (colapsar ou abaular); d) embalagem de vidro: avaliam-se alterações na formulação, aspecto, cor, odor, funcionalidade, resistência mecânica, entre outros; e) embalagem pressurizada: as avaliações devem estar de acordo com as características dos materiais, o desempenho do produto conforme sua funcionalidade, corrosão e eletrólise, controle do verniz interno e externo (porosidade), homogeneidade do revestimento quanto à formação de bolhas, fissuras e corrosão, performance da válvula e seus componentes, odor e precipitação da formulação. De acordo com o SEBRAE / ESPM (2008), algumas legislações sobre embalagens para cosméticos, especificam que: a) todos os produtos precisam ter um lacre; b) as embalagens precisam apresentar rotulação adequada, como nome e características do produto bem como a certificação da Anvisa; c) devem constar as seguintes informações: “manter longe do alcance de crianças”, “manter ao abrigo da luz e do calor”, “prazo de validade, data de fabricação e número do lote”; d) as informações de uso e características (listagem dos ingredientes utilizados na formulação por ordem decrescente de percentual de ingredientes ativos utilizados) dos produtos podem ser impressas em uma bula, no interior do produto, porém este processo encarece o cosmético em alguns segmentos; e) os produtos precisam ser transportados com acondicionamento especial em embalagens individuais para cada segmento de produtos, com a preferência do uso de plástico-bolha (podem ser reutilizados várias vezes enquanto íntegros) para evitar atritos e impactos 78 maiores, sem sobrecarga de empilhamento para não causar qualquer dano. 2.11 Tipos de cosméticos De acordo com a definição dada pela ANVISA por meio da Resolução RDC Nº. 211, de 14 de julho de 2005, cosméticos são preparações constituídas por substâncias naturais, que podem ser utilizadas na pele, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e sistema capilar com o objetivo de perfumar, limpar, alterar a aparência, proteger e até mesmo corrigir odores corporais. De acordo com esta mesma resolução, os cosméticos são classificados em dois tipos: a) produtos grau 1: são produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, que não requerem informações detalhadas quanto ao seu método de utilização e não apresentam às características colônia, batom intrínsecas labial, restrições de uso, devido do produto. Exemplos: água de demaquilante, condicionador, cremes hidratantes, cremes, loção, gel e óleo para as mãos e outros; b) produtos grau 2: são produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, cuja formulação são destinadas para fins específicos e que a sua formulação possuem características que requer comprovação de que o produto é seguro ou eficaz para a utilização. Para estes, é imprescindível a existência de informações pertinentes aos cuidados, modo e restrições de uso. Exemplos: repelente de insetos, removedor de mancha de nicotina, produtos para pele acnéica, tintura capilar, progressiva, produtos para a área dos olhos, entre outros. 2.12 Mercado de cosméticos Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos - (ABIHPEC) (2011), o Brasil é apontado como o terceiro mercado de cosméticos mundial, conforme figura a seguir: 79 Quadro 2: Posição dos Países no Mercado de Cosméticos Higiene 2010 2011 Pessoal. US$ Bilhões Perfumaria e (preço ao Cosméticos consumidor) Mundo 387.727,1 425.866,5 1 Estados Unidos 60.744,0 63.086,4 3,9 14,8 2 Japão 43.381,7 47.267,7 9,0 11,1 3 Brasil 36.186,9 43.028,5 18,9 10,1 4 China 23.879,4 27.704,3 16,0 6,5 5 Alemanha 17.730,3 19.419,9 9,5 4,6 6 França 16.079,1 17.294,7 7,6 4,1 7 Reino Unido 15.592,8 17.019,8 9,2 4,0 8 Russia 12.373,0 14.187,0 14,7 3,3 9 Itália 12.158,1 12.964,7 6,6 3,0 10 Espanha 10.473,3 11.007,4 5,1 2,6 Top tem 248.598,6 272.980,4 9,8 64,1 US$ Bilhões (preço ao Crescimento Participação % % consumidor) 9,8 Fonte: ABIHPEC, extraído do Euromonitor International 2011 A ABIHPEC (2011), afirma que esta alavancagem ocorreu devido a uma série de fatores, entre os quais destacam-se: a) a introdução de novas tecnologias; b) a busca desenfreada pela preservação da juventude e o aumento da expectativa de vida; c) a inserção de novas matérias-primas e produtos; d) a existência da geração Y (Young Generation); e) a entrada da mulher no mercado de trabalho; f) o alto consumo dos produtos de beleza e de higiene pessoal pelo público masculino. 2.12.1 Introdução de novas tecnologias O aumento de novas técnicas de produção favoreceu maior produtividade a um menor custo, tornando-os mais acessíveis as várias classes sociais e possibilitou maior diversificação de produtos; 80 2.12.2 Expectativa de vida A necessidade de se manter mais jovem e o aumento da população da terceira idade no país são fatores que contribuíram positivamente para o crescimento deste setor. 2.12.3 A inserção de novas matérias-primas e produtos Estes fatores constituíram os principais pilares para inovação e oferta de novos produtos, sob o qual atuam as indústrias de cosméticos atuais. 2.12.4 Geração y (Young Generation) A geração Y é caracterizada por grandes avanços tecnológicos, prosperidade econômica e constante desejo de consumo; estes buscam experimentar novos produtos, conhecer suas características, vantagens e desvantagens. 2.12.5 A mulher no mercado de trabalho A entrada da mulher no mercado de trabalho foi um dos principais fatores que suscitou o crescimento do setor, pois a preocupação em manter a boa aparência no ambiente de trabalho as tornou mais envolvidas com os produtos desta categoria. 2.12.6 Os homens e o consumo de produtos de beleza Os homens descobriram que o consumo destes produtos possibilita melhor aparência pessoal e consequentemente maximiza o sucesso profissional, emocional e pessoal. Assim empresas de cosmético se voltaram para publico masculino onde ganharam cada vez mais importância nos negócios de segmento. 81 2.13 Desempenho do setor de cosméticos O desempenho do setor de cosméticos, fragrâncias e produtos de higiene pessoal no Brasil, é acompanhado por duas instituições principais, contudo, a metodologia de análise de ambas é distinta. As estatísticas ou levantamento são realizados pelo Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos e Sindicato da Indústria de Perfumaria e artigos de Toucador do Estado de São Paulo (ABIHPEC/SIPATESP), que utilizam a receita líquida das empresas fabricantes do setor e também pela Euromonitor Internacional que estima o panorama geral do mercado deste segmento, utilizando diversas fontes de levantamento de dados com base no preço praticado junto ao consumidor. Os produtos ofertados neste setor, bem como também as suas diversas atividades correlatas são restringidos ou deferidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - (ANVISA) que é o órgão regulamentador deste segmento mediante Legislação específica para esta área de atuação. As legislações são harmonizadas pelo Mercado Comum do Sul - (MERCOSUL) em concordâncias com os principais regulamentos internacionais. De acordo com a ABIHPEC até o ano de 2011, existiam 1659 empresas atuando neste setor aqui no Brasil, sendo vinte empresas de grande porte, e que apresentava 73% do faturamento total. Estando dispostas 25 unidades no Norte do país, 126 no Centro-Oeste, 139 no Nordeste, 1047 empresas no Sudeste e 322 no Sul do país. Os dados do setor apontados pela ABIHPEC/SIPATESP em relação ao período de janeiro a outubro de 2011 demonstram crescimento de 7,7%, sendo que neste ínterim de tempo a Natura manteve-se na liderança com participação de 23,2%, embora a empresa tenha tido queda de 0,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período anterior. Apesar destes números não atingirem as perspectivas de crescimento esperadas para o período, os mesmos constatam que o desempenho do setor ainda é de ascensão. É pertinente ressaltar, a importância deste mercado na geração de novos empregos. A ABIHPEC (2011), salienta que os resultados do setor em comparação com o crescimento do emprego em todas as outras atividades do 82 país foram importantes, pois foi o setor que mais contribuiu para tal crescimento. Os empregos gerados vão desde a fabricação destes produtos até a sua comercialização e distribuição nos diversos pontos de venda, conforme pode ser observado no quadro nº 3 abaixo. Quadro 3: Oportunidades de trabalho geradas pelo setor OPORTUNIDADES DE TRABALHO 1994 % CRESC. 17 % CRESC ANOS MEDIO 2011 2011/1994 INDÚSTRIA 30,1 72,8 141,9 6,1 FRANQUIA 11,0 139,1 1164,5 18,4 CONSULTORA VENDA DIRETA 510,0 2.900,0 468,6 12,3 SALÕES DE BELEZA 579,0 1.554,0 168,4 6,8 1.130,1 4.665,9 312,9 9,9 TOTAL Fonte : ABIHPEC - panorama do setor (2011 – 2012) Contudo, Machado (2006), salienta que estes postos de trabalho ainda são ocupados por profissionais desprovidos de qualificações da área de vendas, geralmente, são mulheres que almejam complementar a renda familiar com a venda destes produtos, por isso, desempenham tal função, no entanto, sem nenhuma formalidade ou proteção social. 2.14 O mercado brasileiro de cosméticos a base de produtos naturais A produção brasileira de cosméticos naturais revela um panorama positivo e dinâmico. Tal quadro é decorrente da progressiva procura por produtos ambientalmente responsáveis, também porque o país detém grande parte da matéria-prima essencial para estes, o que o torna cativante e propício a novos investimentos. Esta prerrogativa é reafirmada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – (ABDI) (2009), que considera o Brasil como o mercado de maior potencial para o crescimento, pois é rico em biodiversidade natural que constitui rica fonte de insumos e princípios ativos naturais. Visto que, a produção de cosméticos a base de compostos naturais é uma realidade 83 crescente que foi despertada pela preocupação dos consumidores deste segmento em adquirir produtos mais saudáveis, ou seja, produtos naturais ou de origem orgânica. 2.15 Potencialidades, fragilidades, oportunidades e ameaças do mercado de cosméticos a base de produtos naturais O levantamento dos fatores descritos abaixo revela as vantagens e desvantagens existentes no referido segmento em relação ao mercado brasileiro, bem como as oportunidades não exploradas. Assim, as potencialidades e fraquezas compõem as características internas da indústria de cosméticos naturais e são determinadas pelo contexto atual. As oportunidades e ameaças mostram respectivamente propostas favoráveis a serem desenvolvidas e a influência dos fatores externos. Os itens abaixo descritos pelo SEBRAE/ ESPM (2008), levaram em consideração os públicos de interesse: governo, setor e produtor (conhecidos como stakeholders). Segundo SEBRAE/ESPM (2008) as potencialidades são: a) os produtos naturais são apreciados pelo consumidor internacional, pois eles são vistos como proporcionadores de benefícios à saúde; b) as características especiais de flora e clima brasileiros potencializa sua biodiversidade; c) o Brasil tem forte potencial para aumentar sua produção de mel e óleos essenciais naturais, favorecendo os fabricantes de cosméticos naturais; d) o setor e a crescente aceitação oferecem a possibilidade de gerar e aumentar a oferta de empregos; e) o setor de cosméticos é um dos que mais avançou na regulamentação técnica no âmbito do MERCOSUL; f) os cosméticos naturais e à base de mel e derivados podem propiciar maiores margens aos seus fabricantes pelo seu valor agregado. Por outro lado, as principais fragilidades apontadas pelo SEBRAE/ESPM (2008) são: 84 a) ainda existe alta informalidade na produção e comercialização de mel e óleos essenciais; b) os conhecimentos sobre a legislação de cosméticos são desatualizados, por isso, os produtores não conseguem atender a todos os requisitos técnicos exigidos para o lançamento e comercialização dos produtos em nível nacional; c) muitas micro e pequenas empresas não seguem adequadamente os princípios básicos para a fabricação e o controle de produtos cosméticos; d) as tecnologia de ponta ainda são insuficientes para a inovação e diferenciação de produtos; e) há pouco investimentos em pesquisa e desenvolvimento no setor; f) apenas as grandes empresas brasileiras de cosméticos têm domínio sobre a biotecnologia e a nanotecnologia; g) há dificuldades de adequação dos processos produtivos as normas vigentes são entraves para as ME (micro empresas) e EPP (empresas de pequeno porte) do setor de cosméticos; h) faltam recursos financeiros para investimento em comunicação e construção de marca; i) o custo das embalagens afetam a competitividade e adequação dos produtos à legislação, então, somente 2% das empresas brasileiras conseguem diferenciar-se perante o consumidor; j) os preços dos cosméticos naturais são mais altos do que os dos cosméticos industrializados. De acordo ainda com SEBRAE/ESPM (2008), as ameaças mais relevantes são: a) a fiscalização precária na exploração de insumos naturais oferecidos no mercado brasileiro que compromete, indiretamente, a qualidade do cosmético que tem esse produto como um dos componentes principais em sua fórmula; b) a biodiversidade possui aspectos positivos e negativos, neste caso, é negativo, pois também oferece oportunidade para lançamento de 85 produtos que competem com os cosméticos à base de produtos naturais; c) existem forte atuação de grandes players na divulgação e comercialização de produtos naturais que utilizam outras matériasprimas; d) ainda existem, segundo a ABIHPEC, muitos entraves burocráticos para a instalação de uma empresa formal no setor de cosméticos. e) a aprovação do lançamento de novos produtos por parte da ANVISA ainda é dificultosa e demorada; f) os produtores informais no setor, que ficam fora de qualquer tipo de fiscalização sanitária ou fiscal. Já as oportunidades para o segmento de cosméticos a base de produtos naturais segundo SEBRAE/ESPM (2008), são: a) os frutos e sementes oleaginosas brasileiros são apreciados e valorizados pelos consumidores internacionais; b) os recursos da biodiversidade brasileira ainda são pouco explorados; c) a busca pela preservação da aparência jovem é realidade e proporciona maior tendência pelo culto ao corpo; d) parte do público masculino tornou-se consumidor de cosméticos; e) a legislação que classifica os cosméticos em graus de risco 1 e 2 permite acelerar o lançamento do produto após registro; f) a Lei do Bem prevê a redução do Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP), e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - (COFINS) para a aquisição de maquinários por empresas que exportam 80% de sua produção, e duplicação do teto de faturamento mínimo para que as Micro Empresas – (ME) se enquadrem no Simples; g) o aumento da renda na Classe C, oferece maior oportunidade para a produção e consumo dos produtos naturais; h) o consumidor da classe A prefere produtos feitos com matéria-prima inofensiva, orgânica e natural; i) o retorno sobre investimento na industrialização de produtos naturais é mais rápido, por isso, oferece risco menor ao produtor; 86 j) as altas taxas de desemprego estimulam a migração para a atividade de vendas, como venda direta de cosméticos. Os fatores acima listados reforçam a necessidade de conhecer e efetuar o planejamento de mercado antes de instalar-se ou fazer a opção pelos produtos que serão ofertados. É essencial sempre agregar em sua atuação atributos de diferenciação, inovações, além de sempre primar por promover uma produção socialmente responsável. 2.16 Diferenciações dos produtos De acordo com o Estudo de Mercado realizado pelo SEBRAE/ESPM (2008), o mercado de cosméticos a base de insumos naturais sofrem acirrada concorrência entre si e para se diferenciarem dos demais produtos da mesma categoria, agrega valor ou expande as funções de seus produtos. Este fato de acordo com Kotler, 2000, p. 305 “chama-se diferenciação que é o ato de desenvolver um conjunto de diferenças significativas para distinguir-se da oferta da concorrência”. De acordo com SEBRAE/ESPM (2008), as empresas usufruem de diversos atributos tecnológicos abrindo novas tendências, como: a) cosméticos orgânicos ou fito cosméticos - são cosméticos que são produzidos a partir de insumos provenientes de plantas, tais como, gordura e extratos vegetais; b) nanotecnologia - liberam ativos e resultados mais rápidos a partir da produção de sub-partículas milimétricas que se fixam no interior das nanopartículas com maior facilidade e ainda penetram em camadas mais profundas da pele; c) cosméticos multifuncionais - são aqueles que oferecem benefícios simultâneos, tais como: hidratação, proteção durante a exposição ao sol, resistência à água, e outros; d) cosmecêutica - são cosméticos que também oferecem tratamento cutâneo, neste segmento, destacam-se os cosméticos antiidade. 2.17 Principais canais de distribuição 87 De acordo com a ABIHPEC - Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (2011), os produtos do setor são distribuídos através de três canais principais: a) distribuição tradicional: são aquelas efetuadas em lojas físicas de atacado ou varejo, farmácias, drogarias e supermercados; b) venda direta: evolução das vendas domiciliares; c) franquia: distribuição através de loja personalizadas e especializadas neste segmento. No entanto, percebe-se que o avanço da tecnologia permite por meio da internet a viabilização do canal de vendas virtual. Para o SEBRAE/ESPM (2008), a possibilidade de distribuir produtos através de vários canais possibilita a este setor mais vantagens do que os demais setores de outras atividades. Ressalta ainda, que o principal meio de comercialização é através da distribuição tradicional. 2.18 Tendências do setor As tendências são essenciais para evidenciar as evoluções recentes ou para apontar e redirecionar os diversos nichos de mercado a posicionamentos e produções inovadoras. As perspectivas de futuro são identificadas por meio de uma visão geral das tendências, as quais são definidas como direcionamentos ou vetores que possuem certa força e durabilidade. Dessa forma, um conjunto de tendências indica como o setor poderá se comportar no futuro. (ABDI, 2009,p.191) Já a ABDI (2009), aponta as seguintes tendências: a) desenvolvimento de produtos cosméticos capazes de propiciar a sensação de melhor qualidade de vida; b) maior consumo e aceitação de produtos sócio-ambiental e eticamente corretos; c) produtos oriundos de ativos naturais e que não tenham participação de animais em suas pesquisas; d) preferência por embalagens que exigem menor consumo de energia na sua produção; 88 e) utilização de produtos que evitem o envelhecimento cutâneo e que substituem à toxina botulínica (botox like); f) aumento da população idosa que representará novo nicho de mercado favorecendo a inovação dos produtos; g) a ampliação do uso de produtos nutricosméticos (cosméticos/alimentos); h) emprego de substâncias, que reparariam danos celulares, naturais ou decorrentes da idade e exposição ao sol, substâncias estas como os fatores de crescimento e células tronco. De acordo com o SEBRAE/ESPM (2008), o setor possui tendência de rápido desenvolvimento. Tal fator aliado ao consumo de produtos globalizados propiciará ainda mais a diversificação dos produtos e intensificação do comércio internacional, haverá maiores buscas por marcas éticas e ambientalmente corretas além de segmentação nas embalagens, fórmulas ou no próprio mercado, priorização por matérias primas que garantam maior funcionalidade aos produtos, maior diversificação por especificidade e o aumento da comercialização através das vendas diretas em mercados ainda em expansão ou emergentes. 89 CAPÍTULO III A PESQUISA 3 INTRODUÇÃO Além de sua função básica de proteger, conter e viabilizar o transporte de mercadorias, as embalagens têm o poder de impelir o consumidor à aquisição de um produto. Desde modo, o projeto da embalagem de consumo deve ser voltado para a conveniência do consumidor, ter apelo de mercado e boa acomodação nas prateleiras, a fim de comunicar de forma eficiente aquilo que se pretende transmitir, conquistar simpatia e adesão de novos consumidores. A embalagem além de ser um veículo publicitário direto e atuante, sugere o nível de qualidade de seu conteúdo e é discriminada por sua forma, cor e texto fazendo com que a identificação do produto não seja feita somente por marcas. A mesma tem poder indiscutível de persuasão e sugestão contribuindo altamente com o aumento nos resultados das vendas. Assim, o planejamento de invólucros deve considerar os anseios da sociedade e do consumidor, o que torna essencial o conhecimento de mercado através do briefing e a evidente necessidade de que atendam também aos requisitos de sustentabilidade: ecológico, econômico e social, viabilizando a manutenção dos produtos no mercado. Logo, nota-se que o potencial de uma embalagem é maximizado quando as empresas as incluem em seu planejamento e executam estudos constantes do seu desempenho no mercado e na forma como são vistas pelos consumidores. Com o propósito de confirmar a importância da embalagem, bem como de seu planejamento e desenvolvimento, foi realizada uma pesquisa de campo na Natura Cosméticos unidade de Cajamar - SP, localizada na Rod. Anhanguera, KM 30,5, no período de fevereiro a outubro de 2012. A Natura Cosméticos, atualmente uma das empresas cosméticas mais reconhecidas mundialmente, diferencia-se no mercado em que atua por carregar em seu DNA a racionalidade técnica e científica que estabelece entre 90 a natureza e a ciência uma convivência harmônica, muito bem representada em produtos modernos e que privilegiam o meio ambiente. O processo científico da Natura é orientado pelo conhecimento, hábitos tradicionais do povo brasileiro e por sua opção em manter uma postura de respeito e valorização dos recursos naturais por meio do manejo sustentável. Almejando equilibrar a relação homem – natureza – ciência que fortemente transparece e que se associa a sua marca, a empresa busca incorporar a produção limpa em seus processos através de matérias - primas de consumo verde e a mercadorização de produtos e embalagens que promovem o consumo e descarte responsável. Para a realização da pesquisa utilizou-se dos seguintes métodos: Método de Estudo de Caso: foi realizado um estudo de caso na Natura unidade de Cajamar-SP, analisando aspectos voltados para o planejamento e desenvolvimento de embalagens bem como materiais utilizados. Método de Observação Sistemática: foram observados, analisados e acompanhados os procedimentos aplicados à escolha dos materiais, técnicas de rotulagem, envase das embalagens e etapas de produção das mesmas. Tais ações foram executadas a fim de oferecer suporte para o desenvolvimento do estudo de caso. Método Histórico: efetuou-se o levantamento de dados e informações relevantes sobre o contexto histórico da empresa: surgimento, mercado de atuação, produtos ofertados, missão e visão empresarial que motiva a companhia a servir a sociedade em que está inserida, bem como, sua posição no mercado atual. Tais informações foram obtidas com a finalidade de propiciar melhor conhecimento do ambiente empresarial estudado. As técnicas utilizadas para a pesquisa foram: Roteiro de Estudo de Caso (APÊNDICE A). Roteiro de Observação Sistemática (APÊNDICE B). Roteiro de Histórico da Empresa (APÊNDICE C). Roteiro de entrevista para o Proprietário da Empresa (APÊNDICE D). Roteiro de entrevista para o Profissional da Área (APÊNDICE E). Segue o relato e a discussão da pesquisa. 91 3.1 Discussão sobre Planejamento e Desenvolvimento de Embalagens na Natura 3.1.1 Mercado de embalagens: desempenho e tendências De acordo Associação Brasileira de Embalagens - ABRE (2012), os estudos macroeconômico da indústria brasileira de embalagem realizados pelo Instituto Brasileiro de Economia - IBRE Fundação Getulio Vargas - FGV revelaram resultados positivos do setor no primeiro trimestre de 2011, contudo houve uma queda da produção em relação ao ano antecedente. Todavia já era esperado o arrefecimento da produção, visto que o ano de comparação (2010) foi um período de crescimento atípico, por se tratar de um ano de recuperação dos efeitos da crise ocorrida em meados de 2008/2009. Através do quadro abaixo pode-se observar o desempenho da produção de embalagens nacional. Quadro 4: Faturamento da Indústria de embalagem (em bilhões de R$) Ano Receita Líquida de Vendas Valor Bruto da Produção 2005 29,5 29,1 2006 31,3 30,9 2007 33,2 32,9 2008 35,2 34,4 2009 35,1 33,8 2010* 40,6 39,2 2011* 43,7 42,1 *Dados estimados Empresa com 30 empregados ou mais Fonte: Adaptado de IBGE/ Pesquisa Industrial Anual (PIA) – Empresa (2009) apud ABRE (2012) A produção nacional de embalagens vem crescendo em relação aos períodos anteriores. Em 2011 a receita líquida de vendas registraram R$ 43,7 bilhões, superando os R$ 40,6 bilhões gerados 2010 (ABRE, 2012). 92 Segundo ABRE (2012), a receita líquida de 2012 deverá atingir 46 bilhões e a produção crescer 1,6% neste ano, obtendo crescimento semelhante ao de 2011. A indústria de embalagens é dividida em seis segmentos, sendo eles: madeira; papel/papelão/cartão; plástico; vidro; e metal. Através do gráfico abaixo pode-se observar a participação de cada segmento. Figura 25: Participação de cada segmento na indústria de embalagem VIDRO 8,8% MADEIRA 1,8% PAPEL, PAPELÃO E CARTÃO 32,5% METAL 26,9% PLÁSTIC O 30,0% Fonte: ABRE, 2012 Dentro desse setor a indústria de plástico é que mais emprega, em 2011 correspondia 52,49% do setor. Em seguida, vem papel ondulado que representa 15,77%, papel representa 9,26%, metálica 8,26%, madeira 6,72%, cartolina e papel cartão 4,18% e o vidro 3,32% do setor (ABRE, 2012). No ano de 2011 as exportações diretas do setor de embalagem obteve um crescimento de 13,23% em relação ao ano de 2010, com consistente desempenho da indústria de plástico, correspondente a 40% do total exportado, seguida das embalagens metálicas (28,14%), papel, cartão e papelão (21,46%), embalagens de vidro (6,11%) e madeira (4,28%). (ABRE,2012) Em relação ao crescimento das exportações por segmento, o setor de embalagens metálicas lidera com acréscimo de 45,06%, seguido das embalagens de papel/cartão/papelão (26,45%) e madeira (5,46%). Os setores 93 de embalagens de vidro e de plástico tiveram decréscimo de -15,55% e 1,58%, respectivamente. (ABRE, 2012) As importações obtiveram um crescimento de 3% comparada com ano 2010, onde movimentou 819,7 milhões. O setor de plástico é que mais contribui correspondendo 54,61% do total importado, seguido pelas embalagens de papel/papelão/cartão 16,18% e metálicas 15,35%. Quando relacionado ao crescimento de importações por segmento, o setor de embalagens de papel/papelão/cartão vem liderando, seguido por plásticos e vidro. Já as metálicas tiveram um decréscimo no período (ABRE, 2012). Quanto às tendências deste mercado, um levantamento de dados do Euromonitor Internacional (2010), apontam que fatores como as mudanças demográficas, essencialmente o envelhecimento populacional tem acarretado significantes transformações nas embalagens inclusive em invólucros cosméticos com inovações incluindo tampas amigáveis e rótulos com letras maiores. O Euromonitor Internacional (2010), ressalta que as empresas grandes tendem a investir mais em produtos para o consumo de massa devido às crises financeiras e para ampliarem participação de mercado em volume. No caso das embalagens Natura, as tendências são avaliadas sob os aspectos do design, das novas tecnologias e materiais, onde estes são alinhados com o conceito de sustentabilidade que a empresa deseja propagar através de sua marca. Tal conceito também tende a ser desenvolvido pelas demais empresas de mesmo mercado ou segmento, devendo inclusive transmitir à sociedade a origem e o destino dos materiais. O refil, em especial do tipo stand-pouch, é uma estratégia empresarial para menor utilização de insumos materiais, no entanto, não é um formato encontrado entre produtos Premium. Esta fragilidade pode ser suprida, utilizando-se frascos perolados com pinturas em ouro e pumps. De acordo com Faria e Souza (2008), as principais tendências são: a) tamanho: redução devida maior diversidade e oferta de produtos de mesma linha que geram consequentemente a diminuição dos espaços nas prateleiras dos comércios e decréscimo do tamanho das famílias, motivando com isso a diferenciação pela funcionalidade e conveniência; 94 b) embalagens auto-destrutível: que tenham um ciclo de vida curto de degradação na natureza, programação temporária através de seus polímeros (polímero = composto, cuja molécula é constituída pela associação de diversas moléculas de outro composto mais simples); c) embalagem global: estas devem conter símbolos e figuras universais que além de propagar a marca globalmente viabilizem o fácil entendimento sobre a utilização em qualquer parte do mundo; d) embalagem ecológica: recicláveis, de refis e de embalagens que ao serem descartadas podem ser reutilizadas; e) holografia: o uso de holografia poderá ser intensificado em produtos de alto valor agregado como bebidas finas, artigos domésticos e cosméticos também no Brasil, a fim de que a utilização de embalagens com impressão holográfica dificulte falsificações; f) de códigos de barras em 2D ou QR Codes: código de barras bidimensional que permite acesso por escaneamento em celulares com câmera, possibilitam interatividade do consumidor com a empresa em um endereço eletrônico interconectado; g) embalagens sensoriais: que fazem uso de artifícios que instiguem os sentidos humanos para maior percepção da peça promocional, seja através de cores, formato ou cheiro, tal como: nas embalagens de café que permitem a passagem do cheiro instigando consumidor à compra; h) embalagens seguras: utiliza-se de métodos seguros para comprovar autenticidade ou ainda a não utilização da mesma antes de chegar ao consumidor final, por exemplo as embalagens com raspadinha para garantir a autenticidade e ainda as tampas com lacre para garantir a não violação; i) códigos ou promocionais senhas e promocionais: senhas de embalagens acesso a jogos com ou códigos enquetes disponibilizados nos invólucros que são conectáveis em um site disponível, diferente dos QR Codes, o intuito destes é oferecer maior dinanismo entre a empresa e o consumidor por meio de brincadeiras ou divertimento; 95 j) braile: embalagens com informações escritas em braile para viabilizar melhor usabilidade pelos deficientes visuais. 3.1.2 Análise do macro e micro ambiente Natura Mestriner (2005b), aponta que é fundamental no desenvolvimento de embalagens o conhecimento prévio do mercado em que a mesma será inserida, logo, é altamente relevante que empresa conheça seu mercado e ambientes que podem influenciar seu desempenho no mercado atuante. Tal análise fortalecerá seu posicionamento em relação ao futuro e possibilitará a tomada de decisões de maneira mais eficiente em relação a aspectos mercadológicos de suas embalagens. Segundo Churchill e Petter (2005, p.26) a análise ambiental é “a prática de rastrear as mudanças no ambiente que possam afetar uma organização e seus mercados”. De forma sucinta, o estudo de mercado envolve a análise do macro ambiente que diz respeito a todos os acontecimentos externos à empresa afetando-a diretamente e que oferecem as oportunidades, como também do micro ambiente englobando desde as fontes humanas a documentais que uma empresa possui. Esta análise é fundamental, para o levantamento das informações a serem coletadas no briefing de embalagens que influencia o seu desempenho nas vendas, além disso favorece o conhecimento profundo do mercado em que o produto atua. Para questão de estudo de mercado da Natura não se levou em consideração a delimitação geográfica, pois além de atuar em todo o território nacional, a empresa também opera em outros países. 3.1.2.1 Ambiente político Conforme Kotler e Armstrong (2007), o ambiente político é constituído por leis, órgãos governamentais e grupos de pressão e as mudanças surgidas neste ambiente podem influenciar ou limitar várias organizações criando ou não oportunidades de negócios e até determinar a permanência das mesmas no mercado. 96 Desta forma, verifica-se que as leis que afetam os negócios da Natura, são as leis pertinentes ao mercado cosmético regidas pela ANVISA, órgão regulamentador deste mercado, tais como: estabilidade de produtos cosméticos que exigências regulatórias sobre estão fundamentadas nas Resoluções 79/2000; 335/1999; Resolução 481/1999; RDC 161/2001; RDC 162/2001 e Portaria 348/1997 no item 12.15., bem como, as resoluções que regulamentam os rótulos e embalagens. O Código de Defesa do Consumidor - (CDC), específicamente no que se refere a obrigatoriedade da indicação visível do prazo de validade na embalagem dos produtos cosméticos, está estabelecida em legislação específica, Resolução 79/00 e suas atualizações e Lei 8.078/90 - Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Ressalta-se ainda, os grupos de pressão nacionais que ocasionaram mudanças neste ambiente, os quais fazeram oposição às embalagens plásticas, essencialmente às de transporte. Também às leis de cunho ambiental. As leis mais recentes que dizem respeito ao mercado em que a Natura está inserida são de esfera nacional. 3.1.2.2 Ambiente econômico Kotler e Armstrong (2004, p.72), explicam que “o ambiente econômico é constituído por fatores que afetam o poder de compra e o padrão de consumo das pessoas. Envolve tanto as pessoas quanto suas disposições para gastos”. Indicadores como variação no comportamento dos consumidores, custo de vida, renda, poupança, empréstimos, inflação e taxa de juros são variáveis que causam grande impacto no mercado. Destaca-se como acontecimento relevante a alta de taxas inflacionárias sobre os insumos de produção o que implica na escolha da Natura por parceiros internacionais. Na ausência de soluções, o impacto negativo sobre os produtos se farão sentir, uma vez que o encarecimento deste será repassado ao consumidor que por sua vez optará por produtos menos onerosos, logo, ocasionaria a Natura a redução de seus lucros, o que a faz planejar sua produção internacionalmente para evitá-los. 97 3.1.2.3 Ambiente sociocultural Segundo a ABDI (2009), este ambiente envolve todos os fatores da cultura (influência das artes, música, religião), característica social (raças – tipos de pele e de cabelo, estratificação das classes, relacionamento entre as pessoas, cuidado pessoal) ou particulares do Brasil e do mundo que impactam na aceitação dos cosméticos. O Brasil em seu extenso território apresenta diferenças climáticas, econômicas, sociais e culturais. Tal diversidade é representada pela vestimenta, culinária, manifestações religiosas, tradições, entre outros aspectos. Para a Natura, este é um ponto favorável, que constitui como instrumento de inovações em seus produtos. Em relação a sua produção internacional, este fator não afeta seus processos, em virtude da existência do sistema de gestão próprio da Natura, que objetiva que os processos desenvolvidos sejam utilizados, reproduzidos e compreendidos igualmente por todas as unidades Natura nacionais ou internacionais, visando a produção uniforme e prospecção dos aspectos culturais do Brasil empreendidos em seus produtos e marca. Ressalta-se ainda que a Natura reage positivamente diante das complexidades e multiculturalidade que permeiam seu ambiente de negócios, gerando diversas linhas de produtos que visam salientar características cutânea da mulher brasileira, tal como a linha de produtos de maquiagem Aquarela. 3.1.2.4 Ambiente tecnológico O ambiente tecnológico é constituído pelos novos ou aperfeiçoados bens e serviços resultantes de conhecimento científico, pesquisa, invenções e inovações. (CHURCHILL; PETTER, 2000). O aspecto tecnológico é um dos fatores que mais impactam qualquer modelo de negócio, em se tratando especificamente no ramo de embalagens os reflexos são positivos, pois proporcionam melhores técnicas de produção, materiais mais atraentes e que reduzem impactos ambientais e mais eficazes 98 no condicionamento dos produtos, maior agilidade dos processos produtivos e de envase promovendo a redução do tempo de entrega ao consumidor final e a possibilidade de maiores opções de invólucros. Por outro lado, a tecnologia provoca a rápida obsolescência, onde o ciclo de vida das embalagens são encurtadas devido a maiores exigências do próprio mercado e consumidores que requer inovações constantes. A Natura investe em infra-estrutura laboratorial, em projetos de pesquisa desenvolvidos parcialmente por alunos de mestrado e doutorado através do Programa Natura Campus de Inovação Tecnológica que a mantêm atenta ao desenvolvimento de novas tecnologias e ciências, como: nanotecnologia, biotecnologia, e fisiologia. 3.1.2.5 Ambiente natural Churchill e Petter (2000), conceituam o ambiente natural como aquele que envolve os recursos naturais disponíveis para a organização, ou ofertados por ela. A oferta de bens e serviços de uma organização pode ser influenciada por vários fatores, como por exemplo: clima do local onde a organização está inserida, localização de um determinado comércio. As ações da Natura também afetam o ambiente natural, consumindo ou repondo recursos, ou ainda aumentando ou reduzindo a poluição. Neste sentido, a ABDI (2009), cita como fatores do ambiente natural influência nas formulações cosméticas, onde para a população da região norte, as fragrâncias são mais encorpadas e para as da sul do país são mais leves. Ressalta ainda a tendência de intensificação de uso de insumos naturais para as embalagens e produtos, preferencialmente os de cultura renovável ocasiona a padronização das condições de cultivo. A interação maior entre os Institutos de Ciência e Tecnologia ou a disponibilidade limitada e custo elevado de matérias-primas naturais a serem utilizados nos cosméticos ou em suas embalagens; tal como as adotadas pela empresa para produção de embalagens a partir do plástico verde. 3.1.3 Mercado organizacional da Natura 99 Segundo Kotler e Keller (2006), mercado é o ambiente formado por um grupo de pessoas e organizações com interesses e condições de efetuar transações comerciais ou trocas de bens ou serviços, este sofre transformações constantes. A análise de mercado é imprescindível ao bom desempenho do negócio, pois quanto mais informações a empresa obter do mercado que atua, mais preparada estará para conhecer e acompanhar o cliente, conhecer a concorrência, fornecedores e as ameaças que circundam à empresa. (KOTLER; KELLER, 2006). 3.1.3.1 Mercado Fornecedor De acordo com a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON), o fornecedor é toda pessoa ou empresa que vende ou oferece produtos e serviços pagos para os consumidores. “Os bons fornecedores são fontes de ideias que agregam valor, em vez de apenas vendedores de suprimentos”. (KOTLER, 2003, p. 81) A escolha de um fornecedor deve ser cuidadosamente planejada por uma organização, pois os insumos de produção adquiridos, bem como suas qualificações refletirão no produto final. Desta forma, devem ser considerados fatores como: procedência da matéria-prima, localidade do fornecedor, conduta da empresa fornecedora, qualidade requerida e outros. (NATURA, 2012a). Sendo assim, ao escolher os seus fornecedores, a Natura seleciona aqueles que apresentam as melhores metodologias de gestão, que atendem ao princípio de sustentabilidade e que estão em constante inovação. Busca aqueles que possuem os melhores padrões de excelência e que se destacam em qualidade, custo, relacionamento, logística, atendimento, os quais sejam parceiros nas práticas empresariais sustentáveis e procuram construir relações no qual criam um ambiente de aprendizado e que leva ao desenvolvimento de soluções que aumentem a competitividade e maximizem resultados ambientais, sociais e econômicos. (NATURA, 2012a). Os fornecedores Natura são pessoas ou instituições com diversas características e crenças, no entanto, devem objetivar a preservação e racionalização da matéria-prima natural. Eles possuem confiança na marca e 100 acreditam na sua capacidade de crescer e inovar. O relacionamento Natura com fornecedores é transparente pelo qual cultiva relações éticas e estreita os vínculos, para que juntos construam uma marca na qual se pode confiar, que seja verdadeira e requisitada por todos. (NATURA, 2012h). Para a produção e distribuição de produtos, a Natura compra insumos, serviços e materiais indiretos de uma variada gama de fornecedores. Os insumos para a fabricação dos produtos são ativos provenientes da biodiversidade brasileira. Já para a produção das embalagens, a empresa requer sempre insumos obtidos de materiais recicláveis ou reciclados, como o pet e vidros reaproveitados/reaproveitáveis após uso. Para produzí-las, a empresa seleciona fornecedores que melhor lhe propiciem retorno, econômico, social e sustentável, ou seja, resultados ancorados no tripple bottom line (conceito criado nos anos 1990 por John Elkington, cofundador da organização não governamental internacional SustainAbility; cujo termo representa modelo de negócios inovador que considera a performance ambiental, social e financeira da organização. Assim, a empresa valoriza aqueles que além de possuir critérios técnicos tradicionais, apresentem também diferenciais nos indicadores socioambientais, tais como: redução de emissões de gases do efeito estufa e investimento em educação. ( NATURA, 2012 j) O uso sustentável de insumos é a principal plataforma tecnológica da Natura, metodologia pela qual empresa mantém uma rede de relacionamentos, com o propósito de incentivar a conservação ambiental. (NATURA, 2012a). Hoje são 23 comunidades parceiras da Natura, que possuem uma vasta diversidade e que estão localizadas em diferentes ecossistemas. A cadeia de abastecimento também inclui empresas beneficiadoras, que transformam os insumos em matérias-primas para a fabricação dos produtos. A Natura apóia estes grupos financeiramente e ajuda no seu desenvolvimento e em suas cadeias produtivas. (NATURA, 2012a) O objetivo da Natura é estabelecer cada vez mais parcerias de longo prazo, compartilhar mais informações entre os envolvidos em sua cadeia de produção e consumo, preservar o bom planejamento, organização e maior diálogo. Ao adotar estas estratégicas, a Natura promove em toda sua linha 101 maior ganho com eficiência, qualidade e possibilita a melhoria constante em toda a organização. 3.1.3.2 Mercado consumidor Os consumidores Natura são todas as pessoas que valorizam os seus produtos, suas crenças, possuem bom gosto, desejo de autoestima e que estão em sintonia com o mundo da beleza. A empresa espera que os consultores e consultoras sejam seus primeiros consumidores, para que assim possam compartilhar suas experiências e demonstrar a eficiência de seus produtos de forma clara e transparente. (NATURA, 2010j). Deste modo, o objetivo da Natura é atender às necessidades dos clientes agradando-os com produtos de alta qualidade e proporcionando o bem estar dos mesmos. 3.1.3.3 Mercado concorrente e vantagens competitivas da Natura De acordo com o relatório do Serviço Brasileiro de apoio às Micros e Pequenas Empresas – (SEBRAE) e Escola Superior de Propaganda e Marketing – (ESPM) (2008), o positivo desempenho do mercado de cosméticos e seu faturamento em crescimento têm gerado maior competitividade no setor e para que as empresas deste segmento alcancem maior competitividade é necessária à identificação de nichos de mercado que as proporcione perceptível atuação diferenciada, o desenvolvimento de produtos que respeitem e atendam as necessidades intrínsecas de cada produto ofertado e que sejam produzidos levando em consideração as variáveis culturais, climáticas, de raça e grupos etários. A forte concorrência presente no mercado de cosméticos, fragrâncias e produtos de higiene pessoal têm motivado o desenvolvimento, criação e oferta de produtos inovadores. Para a sobrevivência neste setor é indispensável o posicionamento claro das marcas, cuidados com a imagem transmitida, renovação de produtos através de lançamentos periódicos e utilização correta dos canais de publicidade. 102 A Natura em seu mercado de atuação, destaca-se por ostentar produtos de alta qualidade, estratégias promocionais e de marketing bem elaboradas e consistentes, inovação demonstrada através de lançamentos constantes de novas linhas de produtos. Sua marca a colocou no patamar de liderança entre os fabricantes de cosméticos nacionais. No entanto, sua posição é almejada e a empresa enfrenta competição significativa de duas categorias: o setor de venda direta e a indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. As principais empresas competidoras da Natura na categoria de perfumaria e cosméticos são: O Boticário, que recentemente também fez opção pelas vendas diretas viabilizadas por catálogos e a Avon, empresa de renome que possui no Brasil maior parcela de seu mercado e constitui a maior competidora da Natura possuindo milhões de revendedores independentes em diversos países. (NATURA, 2012c). De acordo com a Natura (2012c) o mercado de higiene pessoal é disputado por empresas que vendem seus produtos através do varejo, possuindo maior vantagem por produzirem em maior escala e, por isso, possuem preços mais acessíveis alcançando grande parte do mercado. Neste quesito, os maiores concorrentes são: Unilever, P&G, Colgate, L’Oréal, Mary Key ( perfumaria importados) entre outras. A seguir, destacam-se alguns concorrentes nacionais e internacionais da Natura para os diversos segmentos: Quadro 5: Concorrentes nacionais e internacionais Fonte: Natura, 2012c 103 3.1.4 Análise SWOT das embalagens Natura A metodologia SWOT insere-se no campo de análise de ambientes (interno e externo) e é utilizada em processos de planejamento estratégico, para a avaliação do posicionamento da organização e de sua capacidade de competição (ABDI, 2009). Esta, possibilita a elaboração de estratégias empresariais associadas às tendências de seu mercado e ao desenvolvimento organizacional, de modo que mantenha seus pontos fortes, possibilita a identificação de pontos fracos e medidas para reduzí-los, explorar mais as oportunidades e resguardar -se de ameaças. Para Kotler (2000), a identificação das principais ameaças e oportunidades, possibilita ao gerente a determinação e conhecimento da atratividade global do negócio, onde se obtém os seguintes resultados: a) negócio ideal: apresenta muitas oportunidades e poucas ameaças; b) negócio especulativo: grandes oportunidades e ameaças importantes; c) negócio maduro: apresenta poucas oportunidades e poucas ameaças: d) negócio com problemas: apresenta poucas oportunidades e muitas ameaças. Em relação a predominância de alguma dessas variáveis , as estratégias devem ser : a) predominância de pontos fracos e ameaças, deve-se buscar a sobrevivência; b) predominância de pontos fortes e ameaças, estabelecer estratégias de manutenção; c) predominância de pontos fracos e oportunidades, estratégias que proporcionem crescimento; d) predominância de pontos fortes e oportunidades, estratégias que viabilizem desenvolvimento. Pode-se observar a seguir na matriz SWOT aplicada a Natura que existe uma predominância de pontos fortes e oportunidades, o que demonstra que a estratégia da Natura pode estar alinhadas ao desenvolvimento organizacional frente ao cenário em que se encontra. 104 Quadro 6: Matriz SWOT - Natura Ambiente interno Pontos Fracos Pontos Fortes - aumento de emissão de gases; - uso de insumos vegetais; - aumento do consumo de água; - parcerias com comunidades fornecedoras de - disponibilidade limitada e custo elevado de matérias-primas naturais; insumos da biodiversidade brasileira; - inovação constante em embalagens; - - aumento de tratamentos estéticos Ameaças - inovação constante gera reduzindo são contribui para nas o o preço ao consumidor e incentivando a fidelidade à marca; - atuações e elaborações de embalagens dos fabricantes; então que culturais - utilização de refis em diversos produtos acirrada com novos investimentos embalagens aspectos fortalecimento da marca; necessidade e disputa tecnológica - de embalagens, que acabem com as necessidades de produtos que a empresa atua; atribuição através de tabela ambiental e programa são mais terceirizadas, suscetíveis à carbono neutro; - design atrativo que transmite e fortalece a concorrência por novas empresas imagem da marca. Ambiente Externo entrantes. - aumento do reconhecimento da - programas sociais aliados a sustentabilidade marca no exterior; da embalagem; - programa estabelecido de logística reversa das embalagens; - reaproveitamento de materiais das Oportunidades embalagens produzidas; - uso de materiais reciclados e recicláveis; recicladas ou reutilizadas. utilização - embalagens com ciclo de vida mais curto; - eliminação de testes de animais; - reflorestamento; - certificação ISO 14001; - - embalagens pós-consumo a ser - - uso de refis; de embalagens retornáveis; - aderir grafismo em braile nas embalagens de nível primaria. Fonte: Elaborado pelos autores, 2012 embalagens a partir de biodegradáveis (plástico verde). materiais 105 3.1.5 Planejando e desenvolvendo as embalagens Natura O departamento de embalagem na Natura é dividido em duas equipes: a de pesquisa e a responsável pelo desenvolvimento. A equipe de pesquisa trabalha com planejamento de médio e longo prazos, seu objetivo é a pesquisa de novos materiais, processos de transformação, sistemas de abertura e fechamento, etc., que poderão ser utilizados no desenvolvimento de embalagens dos novos produtos em curto prazo. Já a equipe de desenvolvimento responsabiliza-se pelo processo criativo e conceitualização das embalagens, acompanhamento e integração de todas empresas envolvidas na cadeia produtiva, que são: de design, fornecedora de matéria-prima, empresa convertedora, até chegar a ela , a usuária final. 3.1.5.1 Processo produtivo das embalagens Natura A estrutura do desenvolvimento das embalagens é a mesma utilizada para o lançamento dos produtos Natura. Esta se principia com a fase de conceituação, que compreende a análise de mercado a fim de estabelecer estratégias de inovação, o tipo de produto e / ou invólucros a ser fabricados, avaliação financeira do projeto e tendências do mercado. A conceituação ou ideia estratégica das embalagens é elaborada de forma integrada a uma empresa selecionada para a elaboração do projeto gráfico e técnico de embalagens, bem como, para a formalização do design final. Em sequência elabora-se o briefing, onde se obtêm o detalhamento técnico e também da mensuração do índice de emissão de gases e outros componentes químicos que tal projeto pode acarretar. A terceira fase é a do protótipo, na qual a Natura seleciona a empresa fornecedora de matérias-primas, fabricantes da embalagem ou de produtos acabados terceirizados, esta firma um compromisso técnico baseado em critérios pré-estabelecidos em um sistema de seleção Natura, como: experiência, eficiência, qualidade e outros. 106 A etapa posterior é a da qualificação, quando são desenvolvidas as embalagens em moldes, porém em escala reduzida, nesta fase, efetuam-se testes da embalagem no processo industrial da empresa selecionada. A última fase é a de disponibilização, fase de produção final e em larga escala, ou seja, a industrialização completa das embalagens . 3.1.5.2 O design das embalagens Natura A Natura busca através das linhas e contornos do design gráfico de suas embalagens traduzir a sabedoria tradicional brasileira em formas e materiais que favorecem ao consumidor uma experiência sensorial, viabilizada por meio de aspectos da cultura e biodiversidade do país, onde cada embalagem remete lembranças e fortalece suas tradições, saberes populares, crenças, valores, e riquezas culturais. Logo, nota-se que além de estratégicas, as embalagens Natura são sensoriais, visam aguçar os sentidos dos consumidores por experiências já vivenciadas, a fim de criar valor e fortalecer a marca. O acondicionamento (embalagem) dos produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos tem um papel semelhante, tão importante quanto é o custo de seu conteúdo. Neste setor, a tecnologia e o design da embalagem são estratégicos para o produto e fatores de diferenciação, como também são decisivos no marketing de produtos de alto valor agregado (ABDI, 2009, p. 134) A exemplo disso, tem se as embalagens da linha Naturé onde seu nome já expressa o que é essa linha: ré, em tupi significa amigo. Naturé, portanto, amigo da natureza. A linha estimula a amizade por meios de suas embalagens que se transformam em brincadeira e contam histórias sobre a água. Os frascos possuem forma arredondada e delicada, são inquebráveis, e de fácil manuseio, o que incentiva a auto dependência da criança no banho. As embalagens carregam nomes dos produtos inspirados nas palavras que nascem dos sons das coisas, das pessoas e animais, traduzindo língua do universo infantil. Além disso, trazem elementos lúdicos como as tampas em formato de torneira para lembrar o cuidado com água, e adesivos que permite que a criança personalize seus produtos e amplie as brincadeiras para fora do banho. 107 Assim a linha Naturé tem como compromisso do produto ser um incentivo para descoberta do mundo, por meio de suas embalagens, formas, cartuchos, histórias e brincadeiras que enfatiza a importância da preservação da água. Figura 26: Natura Naturé Fonte: Natura, 2012d A linha Natura Aquarela que é inspirada na cultura das rendas. As cores das maquiagens trazem a tendência das estações, sendo uma linha de maquiagem da mulher que vive sua brasilidade com arte, mulher que valoriza tradições e reinventa suas histórias com ar moderno e contemporâneo. Figura 27: Natura Aquarela Fonte: Natura, 2012d 108 A linha Natura Erva Doce traz produtos desenvolvidos com fórmula mais vegetalizada, sensorial mais agradável, proporcionando sensação de bemestar e conforto no dia-a-dia. O design de suas embalagens são inspirados em uma planta medicinal conhecida como erva doce, trazendo nos invólucros as cores verde e branco, e imagens da erva doce, o ponto atrativo desta embalagem está nos tons claros, que sinaliza a refrescância que o uso do produto proporciona. Figura 28: Natura Erva Doce Fonte: Natura, 2012d Na linha Natura Chronos o design é inspirado em uma ampulheta, reforçado pelo rótulo que possui os mesmos traços numéricos que uma régua onde lembra a relação com tempo, idade e intensidade dos sinais. Esta embalagem expressa tecnologia e agrega valor ao produto. Figura 29: Natura Chronos Fonte: Natura, 2012d 109 O design da linha Natura Ekos é inspirado nos mercados populares brasileiro, que remete aos costumes mais antigos de transportar leite e outras bebidas em garrafas; esta ideia é reforçada através das formas, design e materiais. A linha busca transmitir a diversidade e a brasilidade que caracterizam embalagens da marca. Figura 30: Natura Ekos Fonte: Tátil, 2012 Natura Mamãe e Bebê: nesta linha os contornos e formas das embalagens são inspirados em gestantes, sendo os produtos embalados em frascos que lembram a barriga de uma gestante. Figura 31: Natura Mamãe Bebê Fonte: Natura 2012d A linha Natura Faces é uma linha voltada para o público jovem. Suas embalagens possuem design clássico presente nos produtos de mesmo 110 segmento, porém, o elemento diferenciador das mesmas, são os signos que a Natura através destas buscou transmitir. Seu design possui três referências: o branco, as listras e as mandalas. O branco é a combinação de todas as cores e simboliza o ponto de partida para o mundo de possibilidades, as listras coloridas inspiram a modernidade e inovações, as mandalas por sua vez trazem feminilidade e delicadeza para as embalagens. Figura 32: Natura Faces Fonte: Natura, 2012d Natura Séve é uma linha de óleos corporais 100% vegetais que ajudam cuidar e a hidratar o corpo. O design das embalagens da linha procura explorar as semelhanças entre as curvas das embalagens e as do corpo da mulher. Figura 33: Natura Sevé Fonte: Natura, 2012d 111 Os invólucros da linha Natura Tododia possui design inspirado no mundo da culinária, onde cada categoria de produtos tem identidade própria: os hidratantes para corpo são inspirados nas antigas garrafas de leite; os hidratantes para rosto remetem os potes de iorgutes; os sabonetes líquidos lembram as garrafinhas de sucos; os hidratantes para mãos e pés foram inspirados nas bisnagas de confeiteiro com bico e formato de estrelinha e os sabonetes em barra, nas formas de pudim. A transparência destas embalagens propositalmente permitem que tais significados sejam reforçados e usufruídos através das cores cuidadosamente escolhidas para os produtos. Figura 34: Natura Tododia Fonte: Natura, 2012d O design das embalagens da linha de perfumes Natura Humor foi inspirado na necessidade do paulistano buscar um momento de humor no seu cotidiano cheio de compromissos, por isso, necessidade do humor no seu diaa-dia, com um perfume que satisfaz suas necessidades. Os rótulos das embalagens de cartucho desta linha contém charges que tratam de situações do cotidiano, em que há falta de leveza, de alegria, de risos, portanto, de humor. Os frascos de perfumes da linha são antropomorfizados, simbolizando sexos opostos, que dialogam entre si. Seus frascos quando colocados um diante do outro, formam um casal em situação de relacionamento cotidiano. 112 Figura 35: Natura Humor Fonte: Natura, 2012d Natura Fotoequilibrio é uma linha de protetores solares, que possui textura leve e fácil de espalhar, não possuem corantes e fragrância. O design das embalagens é moderno, traz rótulos com grafismos em tons de laranja e amarelo, inspirados no clima do verão, as embalagens são higiênicas e práticas, com tampas exclusivas antiareia. Os invólucros desta linha se diferenciam dos disponíveis no mercado e de mesmo segmento pela cor, que também é utilizada para melhor se comunicar com o consumidor. Figura 36: Natura Fotoequilíbrio Fonte: Natura 2012d 113 A linha Natura Kaiak traz no design de sua embalagem uma proposta de versatilidade e movimento para codiano, suas curvas busca acentuar o movimento; seus rótulos desempenham o papel de transmitir os conceitos aqui agregados, através de palavras de efeito, como: aventura e pulso. A Natura acredita, que o homem foi feito para se mover por isso não pode ficar parado, e o Natura Kaiak aparece com visual moderno, ideal para homens urbanos. Figura 37: Natura Kaiak Fonte: Natura, 2012d Natura Homem é uma linha cujas embalagens aliam a praticidade, tecnologia e inovação. São práticas, com uma linguagem visual mais masculina reforçadas pelas cores: prata, branco e preto que promove a rápida identificação da funcionalidade de cada produto e do público a que se destinam. Figura 38: Natura Homem Fonte: Natura, 2012d 114 Natura Una é uma linha de maquiagem que desperta o prazer e os sentidos, unindo performance, tecnologia e ingredientes naturais, de um jeito único. As texturas das maquiagem são diferenciadas e sensoriais prazerosos, com cores e personalidade em uma paleta exclusiva e fórmulas que, além de retratarem a beleza, ajudam a cuidar da pele. Dentro da linha foi implantado opções de refis com uma combinação ideal da sofisticação da embalagem com redução da quantidade de plástico usado no sistema de refilagem. Figura 39: Natura Una Fonte: Natura, 2012d As embalagens do Perfume do Brasil lançado pela Natura em 2003, são elaboradas em frascos de vidro com formas orgânicas que lembram as sementes e as pedras de um rio. O frasco é protegido por uma cerâmica artesanal exclusiva e fibra natural de coco para acolher o perfume. Figura 40: Perfume do Brasil Fonte: Natura, 2012d 115 Água de banho Breu Branco, é uma das linha de águas de banho Natura que celebram a tradição dos banhos de cheiro e costumes de se banhar das Regiões Norte e Nordeste do país, cujo design remete através de embalagens curvilíneas e retorcidas, às formas das cabaças e das moringas, que em diversas regiões do Brasil são utilizadas para transportar ou guardar água. Figura 41: Natura Águas Fonte: França; Pinheiro (2010) As embalagens da linha Natura Amó remetem ao jeito brasileiro de se relacionar. Nestas, os rótulos também são estratégicos, utilizados para reforçar através dos nomes dos produtos, os gestos de amor brasileiros: chamego e amasso; as cores quentes são intencionalmente utilizadas para reforçar tal idéia, quanto ao design das embalagens, estes remetem às garrafas usadas em receitas, poções e simpatias amorosas. Figura 42: Natura Amó Fonte: Natura, 2012d 116 A Perfumaria Natura é inspirada nos ativos da natureza, enriquecidas com ingredientes exclusivos que combinados carregam a identidade da Natura e traduzem múltiplas emoções em cheiros. As qualidades relacionadas à perfumaria não derivam do luxo, e sim da criatividade, dos tesouros guardados na natureza e da graça espontânea do olhar. Dessa maneira, o design das embalagens desta linha é inspirado na biodiversidade, cultura brasileira, cotidiano do ser humano, e saberes populares. Figura 43: Perfumaria Natura Fonte: Natura, 2012d A linha Natura Higéia é composta por dois produtos, sabonete líquido íntimo e o lenço umedecido, da qual tem como proposta ser uma via de aprendizado íntimo do corpo, que fala sobre higiene de forma simples, descomplicada e sem tabus. Natura Higéia resgata a concepção de higiene que vai muito além da limpeza física, onde higiene é traduzida na prática de hábitos saudáveis – no banho e fora dele. Natura Higéia convida à rotina de autocuidados com produtos específicos para saúde íntima da mulher. Seu nome inspirou-se na mitologia grega. As embalagens foram desenvolvidas pensando no dia a dia da mulher, nas suas necessidades e ainda evitar o desperdício. As formas delicadas destas embalagens, os tons claros e pastéis 117 de seu rótulo, proporciona rápida identificação do público - alvo e fortalece a intenção de cuidado e refrescância. Figura 44: Natura Higéia Fonte: Natura, 2012d pera Amazonica Canto Azul, as curvas de seus invólucros faz referência à festa popular do Boi-Bumbá de Parintins, por meio da riqueza de e pressões gráficas e do encantamento sensorial do folclore amazonense. A disposicão dos elementos permite que, ao rodar o frasco da pera Amazonica Canto Azul, surja uma estrela brilhando no céu; ao fazer o mesmo no frasco da pera Amazonica Canto Vermelho, surja um coracão. Figura 45: Natura Ekos Fonte: Natura, 2012d 118 3.1.5.3 A escolha dos materiais dos produtos e embalagens Natura O trabalho da equipe de desenvolvimento de embalagens da Natura é apoiado em uma tabela ambiental composta por critérios a serem seguidos da concepção da ideia até a evolução completa das embalagens e produtos Natura. Esta permite o conhecimento da formulação dos produtos e da embalagem, além do acompanhamento rigoroso da evolução de cada um dos índices ao longo do tempo e dos ganhos tecnológicos da empresa em prol do meio ambiente. Ela é composta por indicadores que apontam no desenvolvimento dos novos produtos e implementação de novos projetos e processos os fatores que beneficiem o meio-ambiente. Assim, orienta a viabilidade técnica da produção de embalagens ou de produtos da empresa através de informações levantadas no briefing e percentuais calculados em relação às características dos materiais, cuja seleção é da seguinte forma: a) origem vegetal renovável: toda parte da formulação que teve sua origem de fonte vegetal tanto de substâncias naturais, como a parte vegetal das substâncias sintéticas, renováveis por serem extraídos de forma sustentável; b) vegetal natural: toda parte da formulação que teve sua origem de fonte vegetal e que não sofreu modificações em processos químicos; c) com certificação de origem: a certificação ocorre mediante avaliação de um órgão externo que vai até as áreas onde os parceiros da Natura extraem os frutos ou cultivam as plantas avaliando se a extração ou cultivo são sustentáveis; d) material reciclado: toda parte da embalagem que utiliza material reciclado pós-consumo; e) material reciclável: correspondente a parte da embalagem que é possível reciclar depois de utilizada; f) número recomendado de refilagens: consiste no número de vezes que a embalagem original pode ser refilada. Essa recomendação é feita com base na durabilidade das principais informações de rotulagem, assim como na resistência da embalagem para que sejam 119 adequadas, boas e seguras para armazenamento e a manipulação do produto. Caso estes não sejam adequados aos quesitos exigidos não devem ser utilizados. Deste modo, a empresa colabora com o meio ambiente e monitora a qualidade dos produtos ofertados através de insumos e materiais selecionados, como demonstra a tabela a seguir. Quadro 7: Tabela ambiental formato horizontal Fonte: Maranzato (2012). Além disso, a Natura faz opção por novas tecnologias em materiais, tal como a utilização do plástico verde nas embalagens dos condicionadores e dos refis da linha Natura Ekos; tal iniciativa é parte da campanha Carbono Neutro da Natura, que visa reduzir as emissões de carbono tanto dos produtos quanto da cadeia de produção, através da utilização de materiais sustentáveis, renováveis e do aumento da reciclabilidade dos recipientes. O plástico verde é produzido a partir do etanol da cana de açúcar, dispensando o uso do petróleo para sua fabricação, não comprometendo as reservas minerais esgotáveis do planeta, além de possuir menor emissão de gases quando comparados com o mesmo tipo de plástico de origem petroquímica. A escolha por insumos naturais e critérios de produção que promovem melhor decomposição e ciclo de vida curta as suas embalagens, faz da Natura uma empresa socialmente responsável, a coloca a frente da concorrência estabelecendo melhor apelo de mercado. 3.1.5.4 Tipos de embalagens adotadas pela Natura 120 O potencial das embalagens Natura é maximizado através da diversidade de materiais em sua produção, e apesar de fazer uso de insumos naturais como cerâmicas, madeiras, fibras naturais de coco, cascas de sementes ou sisal, estas não são classificadas como invólucros naturais ou artesanais. São essencialmente industrializadas. A empresa emprega embalagens de vários níveis: a) nível primário: os frascos de perfume, o saco plástico que envolve os sabonetes, os frascos de xampus, hidratantes, envoltórios de batons e maquiagens,entre outros; b) nível secundário: caixas e latas de perfumes, maquiagens e sabonetes para os proteger e facilitar seu transporte ou promoção; c) nível terciário: os envoltórios plásticos que unificam os produtos em embalagens promocionais e as caixas para presente; d) nível quaternário: no armazém vertical parte da matéria prima é armazenada em pallets; e) embalagem de quinto nível: contêiner para realizar exportações. Quanto á finalidade são utilizadas: a) embalagem de consumo: neste tipo, citam-se todos os invólucros de suas linhas de produtos; b) embalagem expositora: pelo fato da comercialização ser através da venda direta, a mesma não possui esse tipo de embalagem; c) embalagem de distribuição física: sacolas de papel distribuídas aos consumidores; d) embalagem de transporte e exportação: a Natura utiliza o contêiner, e os pallets para a armazenagem e as caixas de papelão devidamente lacradas para transportar produtos do centro de distribuição até as consultoras. Quanto à movimentação: a) embalagem transportada manualmente: 100% reciclado pós consumo sacolas feitas de papel para o transporte dos produtos adquiridos pelo consumidor; b) embalagem movimentada de forma mecânica: o pallet mecânico utilizado pela empresa. Quanto à utilidade: 121 a) embalagem retornável: esse tipo de embalagem não é utilizada, apesar de disponibilizado refis aos consumidores, estes não retornam à empresa. b) embalagem não retornável: a Natura utiliza este tipo, porém nota-se que em decorrência do uso do refil, há um descarte maior dos recipientes de refil do que da própria embalagem do produto em si. 3.1.5.5 Embalagens cosméticas na Natura A Natura acredita que é fundamental a existência de um processo de qualidade que forneça uma estrutura de segurança e qualidade dos insumos e produtos manufaturados ofertados a seus consumidores. Para isso, a empresa adota uma série de requisitos instituídos em um sistema particular de escolha de seus fornecedores, onde estes precisam atender aos procedimentos estipulados, cujos principais são : a) possuir Política de Qualidade e buscar a melhoria continua; b) controlar os riscos em todas as etapas do processo; c) comunicar a Natura qualquer mudança efetuada nos processos; d) possuir um manual de qualidade e adotar um plano de controle de todos os parâmetros dos produtos; e) adotar um processo gerenciado que irá assegurar a qualidade, a segurança e a legalidade dos materiais de embalagens; f) assinar um acordo com a Natura para a aquisição de matérias-primas proveniente da biodiversidade brasileira. Todas as especificações de produtos acabados devem ser concordadas pela Natura e os seus produtos são fabricados a partir de uma rigorosa seleção, respeitando o meio ambiente e reafirmando práticas de gestão baseadas em transparência e ética, para que assim conquiste a confiança de seus consumidores e colaboradores. Além dos requisitos próprios, os procedimentos industriais das embalagens cosméticas da Natura visam atender as mesmas orientações dadas pelos órgãos de controle sanitários como os da ANVISA. 122 Em relação aos componentes das embalagens, a Natura prima pelos mesmo estipulados pela ABDI (2009), os quais devem atender as funções específicas: a) técnicas: preservação das características físico-químicas do produto embalado dentro durante o prazo de validade; b) estéticas: design de formato atraente que evidenciem as características principais do produto; c) operacionais: apresentem funcionamento prático e ergonomicamente confortável, que dispensem continuamente o produto na dosagem adequada até o consumo total do conteúdo e dimensionamento coerente com o local de uso ou de armazenamento; d) econômicas: confeccionada com material de ampla disponibilidade no mercado, tecnologia dominada por diversos fornecedores e tenham características de peso, gramatura ou espessura das paredes que otimizem o processo de produção; e) ecológicas: fabricada com materiais recicláveis, biodegradáveis ou com alto teor de materiais recicláveis, dentre outros; f) legais: identificar o produto contido, informando ao consumidor sua finalidade, conteúdo ou peso líquido, dados legais do fabricante, rotulagem de acordo com a legislação, dentre outros. Logo, seus envoltórios são projetados em um sistema de embalagens próprio, designados para atender as necessidades técnicas, comerciais, mercadológicas ou operacionais exigida pelo produto cosmético que será embalado e almejadas pela empresa, tal fato, torna o projeto de suas embalagens capital intelectual da empresa permitindo que as mesmas sejam patenteadas. 3.1.5.6 Embalagem como estratégia competitiva da Natura Para Mestriner (2007), as embalagens estratégicas carregam em si elementos de linguagem visual que garantem o posicionamento estratégico do produto nas gôndolas; que possuem efeito comunicativo durável; fideliza clientes e promovem fácil lembrança da marca; comumente são elaboradas por empresas que possuem um sistema próprio de embalagens, como a Natura, 123 onde ocorre a sistematização de uma série de procedimentos e atividades em que todas as ações se convergem para um objetivo pré-planejado, que busca ser alcançado por meio das embalagens. Assim, percebe-se que a Natura busca diferenciar-se de seus concorrentes fazendo uso de um design estratégico rico em aspectos ergonômicos positivos que apenas com o tato o consumidor conhece que a embalagem é da Natura. Nota-se também que a empresa desponta-se no mercado e diferenciase de seus concorrentes por disponibilizar refis para os diversos produtos de suas linhas de cosméticos, além do foco ambiental, tal ação estratégica pode objetivar a redução dos custos de produção e matéria-prima, garantindo maior lucratividade à empresa. Esta ação pode também gerar a oportunidade de abrangência nos públicos da classe C por ocasião de barateamento dos produtos em refis. Outra estratégia que é facilmente percebida nas embalagens Natura é a inserção de dados da cultura brasileira em seus invólucros, que propicia maior aceitação de seus cosméticos conferindo um dos principais atributos de personalidade dos produtos e linguagem própria da marca Natura. A empresa alia todos os pontos acima observados, aos materiais inovadores e que possuem fácil decomposição no ambiente, assim, tanto seus produtos quanto as embalagens destes, privilegiam os materiais de origem orgânica, que facilmente transparece a opção da organização pela inovação tecnológica avançada. 3.1.5.7 O relato do caso: a embalagem do óleo trifásico de maracujá Natura O desenvolvimento de uma embalagem deve reunir atributos úteis e de fácil compreensão do projeto. Quando estes são agrupados de forma equilibrada ao design pode ocasionar o rejuvenescimento de um produto, aguçar a atenção do consumidor e consolidar uma marca ou produto no mercado por seus traços personalizados. Deste modo, a análise descrita a seguir levou em consideração as premissas do layout do design e as funções básicas dos envoltórios, com enfoque teórico para sustentar a análise de qualquer embalagem cosmética. 124 3.1.5.8 Estudo do produto A embalagem em análise, óleo trifásico de maracujá, faz parte da linha Ekos da Natura, na qual a empresa busca conscientizar o povo brasileiro da riqueza e patrimônio ambiental do país. Alinhados ao conceito de sustentabilidade, os produtos desta linha são biodegradáveis e suas embalagens são projetadas para a redução de impactos ambientais, para isso contêm: materiais reciclados, recicláveis e plásticos provenientes de insumos orgânicos, como a cana-de-açúcar. Com isso, maximiza-se o poder de competitividade da empresa, oferece maior economia e reaproveitamento de embalagens pós-consumo. Figura 46: Ekos Óleo Trifásico de Maracujá Fonte: Natura (2012k) 3.1.5.9 Análise da embalagem A análise considerou as principais funções descritas por Mestriner (2005b): a) atrativa: chama atenção do consumidor no momento da exposição; b) comunicativa: transmite a informação básica de forma rápida e de fácil compreensão; c) ressalta atributos inerentes do produto; d) agrega valor ao produto. 125 Partiu-se então para a análise dos pontos fortes e fracos desta embalagem. Pontos fortes: a) cor: quando se trata de uma indústria da beleza, a dispersão de cores da embalagem é um fator importante. Na referida embalagem, nota-se a tendência da atribuição da cor pelo produto, viabilizadas por embalagens transparentes, conforme Mestriner (2005b). Nesta, como em muitas outras utilizadas pela Natura, a visibilidade do produto pela embalagem quer reforçar o conceito de transparência das relações empresa-consumidor-fornecedor que a Natura privilegia. Além disso, os produtos trazem as cores e tons dos ativos da biodiversidade brasileira o que possibilita melhor identificação da marca, contudo, esta embalagem não inibe a possibilidade de utilização de cores especiais; b) aspectos ergonômicos: as linhas delicadas, as curvas finas do gargalo da embalagem, bem como, o tamanho da mesma facilmente se encaixa ao formato, posição das articulações e empunhadura das mãos no ato de pegar. No entanto, percebe-se que aderência às mãos é apenas conquistada através do rótulo adesivo; Figura 47: Rótulo adesivo Fonte: Natura (2012k) 126 c) dispositivo de fechamento e abertura: comumente utilizada quando o consumidor está com mãos molhadas, a usabilidade destas embalagens eram dificultadas no ato de rosquear e desrosquear as tampas, o que ocasionava maior gasto energético e força na empunhadura das mesmas, todavia, este problema foi sanado, pela inserção da tampa twist, que vai e volta . Estas também proporcionam melhor vedação à embalagem evitando vazamento, as texturas inseridas nestas tampas também proporcionam maior aderência a pega e melhor manuseio; Figura 48: Tampa Twist Fonte: Natura (2012k) d) material: a escolha do plástico para esta embalagem é positiva, pois, é inerte, higiênico, não interfere no aroma, na composição do perfume, e garante a qualidade original do seu conteúdo. Além disso, está alinhado ao conceito de sustentabilidade da marca e a tendência mundial, pois, é proveniente de 50% de plástico reciclado e 100% reciclável; e) formato: este fator está intimamente ligado ao aspecto funcional das embalagens e à aceitação das mesmas no mercado, influencia nos custos de produção e matéria-prima. O formato desta embalagem oferece, apresentação agradável, qualidade identificável, ressalta-se que o mesmo proporciona padronização a esta linha de produtos e oferece opções de elementos decorativos e de rotulagem dando suporte às estratégias de marketing da Natura; 127 f) impressão: a escolha da técnica de impressão leva em conta as características do produto, a qualidade e o acabamento. A técnica em rótulos e etiquetas autoadesivas permitiu maior precisão na impressão dos grafismos e adaptabilidade ao material da embalagem. A monocromia dos grafismos e tonalidade do rótulo dos produtos dessa linha facilita a redução dos custos da produção, deixa a embalagem alinhada ao conceito sustentável da marca e permite maior legibilidade evitando a fadiga visual; g) diagramação: Para Mestriner (2005b) diagramação é a arte de dispor os elementos visuais com intuito de compor informações significantes. Dessa forma, percebe-se que o uso da tabela de informação ambiental facilita a identificação e leitura dos componentes da embalagem e também a disposição dos textos informativos no rótulo frontal permite facilmente a identificação da marca, da linha do produto, tipo de produto e seus componentes; h) design: a embalagem é composta por design atrativo que maximiza a personalidade do produto criando um conceito forte e moderno, ressaltando a proposta intencional da empresa através de linhas finas e delicadas com contour que garante a identidade da marca e que possibilitam o reconhecimento imediato da mesma que fica registrada na mente do consumidor; i) tipologia do rótulo frontal: de acordo com Mestriner (2005b) a tipologia também agrega valor ao produto. No rótulo frontal desta embalagem, verifica-se que as várias fontes utilizadas, bem como seus tamanhos, permite fácil visibilidade dos elementos chaves: marca, linha de produto, tipo de produto e modo usar. Pontos fracos: a) cor da tipologia de rótulo traseiro: ponto negativo é o uso de tons claros na tipologia para produtos que também apresentam cores claras, ocasionando fadiga visual e maior esforço no ato da leitura. Nota-se ainda a falta de exploração de indicadores de manuseio, advertência ou composição em diferentes tamanhos de letras, que poderiam ser melhorados utilizando vários tons para cada assunto e tópicos de textos, para facilitar a localização de assuntos e agilizar a 128 busca de informações e atender às necessidades dos consumidores mais envelhecidos; b) ausência de texturas: a ausência de texturas no corpo desta embalagem ou no inferior da mesma prejudica consideravelmente o seu manuseio e melhor usabilidade pelos consumidores mais idosos, tal fato pode ser melhorado através da inserção de caracteres em braile no inferior das mesmas, que possibilitaria melhor identificação na hora do banho pelos deficientes visuais, além de permitir a existência de garras de aderência às mãos. Após análise, constatou-se que esta embalagem cumpre aos requisitos de atratividade, comunicação, ressaltar e agregar atributos e valores dos produtos Natura. 3.2 Parecer final A Natura trata a questão ambiental como tema transversal em sua estrutura organizacional e a inclui no planejamento estratégico de seus produtos e envoltórios, visto que os mesmos mantém contato direto com o público consumidor. O modelo empresarial adotado pela Natura pode ser resumido por seus três pilares: econômico, social e ambiental. A preocupação com a biodiversidade nada mais é do que a preocupação com o meio ambiente, o 3° pilar da sustentabilidade, que se estende à embalagem onde, sempre que tecnicamente possível, incorpora-se ao seu desenvolvimento os 4Rs do design ecológico: que objetiva a redução da utilização de material; utilização de material reciclado e reciclável, refilagem e reutilização. Menciona-se ainda, que a função ambiental das embalagens Natura está alinhada à utilização de matérias-primas biodegradáveis e de biopolímeros provenientes de fontes renováveis, como os produzidos a partir de milho e da cana de açúcar. Salienta-se ainda: a) a inclusão da análise de ciclo de vida na produção das embalagens Natura, utilizado para a mensuração do impacto causado pelo desenvolvimento dos produtos e embalagens; 129 b) a implantação da calculadora de carbono, que avalia a emissão dos gases do efeito estufa; c) a adoção de refis para muitos produtos e a substituição das embalagens por outras mais simplificadas, que utilizam material reciclado, de modo a viabilizar a função das mesmas ambientalmente de maneira menos impactantes. Quanto ao aspecto social, a Natura procura desenvolver embalagens que utilizam tecnologia limpa, matéria-prima sustentável e gestão de resíduos, a fim de que haja harmonia entre economia e meio ambiente. Adota práticas que visam à sustentabilidade, a fim de promover e realizar o desenvolvimento econômico e social respeitando às regras ambientais, de modo que se possa utilizar e conservar os recursos naturais, preocupando-se com gerações presentes e futuras. Neste sentido, a empresa acompanha os seus riscos ambientais, minimiza as atividades agressivas ao meio ambiente e dissemina os seus conhecimentos adquiridos na experiência da gestão ambiental para as outras empresas ou através do desenvolvimento de programas próprios de gestão de resíduos, que contempla também parceiros, terceiros e consumidores e que pretende transformá-los em uma alavanca para a geração de novos negócios, envolvendo um processo contínuo de inovação, construção coletiva, adaptação e inclusão social. O conceito do tripple bottom line também é extensivo às embalagens Natura, a qual busca considerar os três pilares, inclusive o econômico, sendo este balisado entre os demais no processo de desenvolvimento dos invólucros e relaciona-se à intenção de lucro e ao partilhamento das melhorias com a sociedade. Para mensuração deste pilar, a empresa possui um indicador que mostra quanto do faturamento da empresa é proveniente da venda de refis, onde busca-se aumentar esse índice porque a empresa acredita que, promovendo o consumo de refil, está claramente contribuindo com a redução do volume de material descartado , bem como, com a lucratividade da empresa. Adicionalmente, há uma melhoria nos índices econômicos do país. 130 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO Verificou-se por meio da pesquisa realizada, as etapas de planejamento e condução do processo de desenvolvimento das embalagens Natura, as quais possibilitaram a avaliação das alternativas, ações, métodos e ferramentas promovidas pela empresa na elaboração de seus envoltórios. Através destes, observou-se que os valores, hábitos e costumes culturais e regionais do Brasil são cenários fundamentais e estratégicos para a elaboração dos mesmos. No quesito ambiental, nota-se os esforços da Natura em preservar os insumos materiais, por meio da viabilização de refis para seus diversos produtos e da utilização de materiais com ciclo de vida curto ,de forma que tais ações se convergem seus para o alcance da sustentabilidade social, econômica e ambiental através de produtos e invólucros . Em função dos resultados da pesquisa, tornou-se perceptível algumas oportunidades inexploradas, que poderiam contribuir para a continuidade do sucesso e maior aceitação no mercado, as quais propõe-se : a) embalagem retornável: na Natura esse tipo de embalagem não é utilizado, embora seja disponibilizado o refil, este não retorna à empresa, nota-se que em decorrência de tal uso, há um descarte maior dos recipientes de refil do que da própria embalagem do produto em si; b) utilização de grafismos em braile nas embalagens de nível primário: pelo qual a empresa passaria explorar um novo nicho de mercado e ampliar os movimentos dos quais a empresa preza na prática da responsabilidade social empresarial, além disso, promoveria maior independência aos deficientes visuais, garantindo a estes melhor usabilidade desta embalagens; c) na linha Naturé, propõe-se, explorar o uso dos QR Codes, ou códigos promocionais que promovam a conectividade de crianças com a marca através de brincadeiras, como cruzadinhas disponibilizadas em um endereço eletrônico que reforçam a imagem da marca e conquistem consumidores mais cedo; d) na linha de óleo trifásico, por motivo do envelhecimento populacional brasileiro, indica-se a adoção de embalagens secundárias que no 131 interior das mesmas contenham instruções em letras maiores em seus rótulos ou mesmo em bulas; e) embalagem de alumínio: sugere-se um projeto de logística reversa onde em certa quantidade acumulada pelo consumidor (estipulada pela empresa), devem ser devolvidas aos consultores. O consumidor acumulará pontos que se reverterá em descontos ou brindes na próxima compra. A devolução deve ser intermediada pelas consultoras. Esta proposta viabilizará economia de produção, por meio da reutilização de insumos materiais, menos extração de minérios do meio ambiente e maior credibilidade à marca; f) embalagens de alumínio: propõe se a produção de bisnagas plásticas ao invés das de alumínio. 132 CONCLUSÃO As embalagens cosméticas devem contemplar o atendimento de requisitos técnicos específicos para este segmento, bem como, aos parâmetros normativos oriundos de órgãos técnicos nacionais e/ou internacionais ou institutos e associações ligadas ao desenvolvimento de embalagens nas suas diversas categorias. Os envoltórios cosméticos comumente são desenvolvidos em torno de universos temáticos que podem estar impressos, em grafismos e figuras nos rótulos, no próprio nome do produto, materializadas através de formas, cores e texturas e em configurações subjetivas e abstratas. Os temas geralmente referem-se à natureza; ao corpo humano; aos artefatos e sistemas do cotidiano; às produções culturais; aos elementos místicos ou formas geométricas. Na Natura, fazem referência aos hábitos e cultura regionais brasileiras. Nesse mercado as empresas competem por diferenciação e especificamente no caso da empresa Natura, as principais estratégias de diferenciação adotadas são por novas tecnologias de material e produção, utilização de insumos proveniente da biodiversidade brasileira e design estratégico que insere aspectos da cultura do país, impelindo seus consumidores a pensar também a partir de atributos emocionais e filosóficos, de forma que suas embalagens garantam a identidade da marca com formas que maximizam a possibilidade e o reconhecimento imediato da marca bem como, garantam com eficácia seus atributos funcionais de conter, preservar e transportar. No processo de planejamento e desenvolvimento de embalagens cosméticas deve-se levar em consideração aspectos materiais que não interferem no aroma, na composição e que garantam a qualidade original de seu conteúdo. E fundamental selecionar os materiais e processos de fabricação considerando a disponibilidade de recursos financeiros e o posicionamento desejado do produto no mercado pretendido. Esta definição é estabelecida no momento da execução do projeto, cujo planejamento prévio, permite a elaboração de processos e atividades de design orientados à sustentabilidade, pois contempla com antecedência as características gerais 133 das embalagens, podendo optar por recursos naturais e energéticos que propiciam a eficiência da fabricação e que o custo seja compatível com os benefícios agregados. Nesta fase, é importante ponderar a possibilidade de utilizar cores especiais nos envoltórios, pois estas aumentam a percepção da embalagem e do produto e dão suporte às estratégias de marketing. Na Natura, estas são estrategicamente utilizadas nos produtos que possuem as cores dos insumos da biodiversidade brasileira, no entanto, em algumas delas, permite-se a transparência para reforçar este conceito nas relações que a empresa privilegia. A Natura acredita que a dispersão de cores da embalagem é um fator importante, assim como a eliminação de qualquer tipo de marca de processo visível, por isso, em algumas linhas de produtos são utilizadas para representar alguns signos e remeter a significados os quais a empresa deseja transmitir. Além disso, é essencial que o design seja projetado para atender às exigências variadas nos processos de envasamento, fechamento, selagem e decoração, a fim de oferecer a possibilidade de colocação do produto no mercado e permita inovações que garantam todas as conveniências para o consumidor, com formatos que asseguram uma diferenciação visual do produto nos pontos de venda e que principalmente ofereçam ao consumidor benefícios de conveniência como manuseio simples, facilidade na remoção dos produtos, apresentação agradável, produtos com qualidade identificável, sistemas protetores de fechamento e disponibilidade de tamanhos variados, para consumo individual ou familiar. Ressalta-se ainda que crescente preocupação com questões ambientais também tem favorecido o desenvolvimento e diferenciação das embalagens, onde o desenvolvimento sustentável representa a chave para o futuro da indústria de embalagens. A reciclagem e o reaproveitamento de embalagens são questões atuais e fundamentais na contemporânea “sociedade verde”. Esta tendência leva a indústria produtora a repensar no impacto ambiental da embalagem durante todo o seu ciclo de vida desde o início de sua produção até o seu descarte. Diante do exposto, concluí-se que a pergunta problema foi respondida e a hipótese de que as embalagens são ferramentas estratégicas que devem ser 134 amparadas por um consistente plano de desenvolvimento, de modo que as mesmas contribuam para a maximização das vendas dos produtos oferecidos no mercado e tenham um descarte sustentável foi comprovada. O assunto não está esgotado podendo outros acadêmicos aprofundálo,redirecioná-lo ou atualizá-lo. 135 REFERÊNCIAS ABERGO, O que é ergonomia, Disponível em: <www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_ergonomia> Acesso em: 27 mai. 2012. ABDI, Estudo prospectivo: higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Brasília, 2009. Vol.13. 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Serão coletadas informações por meio de entrevista para o proprietário da Natura Cosmética S/A, e os profissionais das áreas envolvidas. Visitas de observação nos setores da empresa. 1.2 Discussão Através da pesquisa será realizado confronto entre a teoria apresentada nos primeiros capítulos e a prática apresentada no capítulo da pesquisa de campo. 1.3 Parecer Final Parecer final sobre o caso e sugestões sobre melhoria da embalagem. 142 APÊNDICE B – ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO SISTEMÁTICA I DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Empresa: Localização: Cidade: Estado: Atividade: II ASPECTOS A SEREM OBSERVADOS 1 O processo de planejamento da embalagem. 2 O processo de desenvolvimento da embalagem. 3 O processo de descarte sustentável. 4 Atratividade da Embalagem. 5 Instruções atrativas da Embalagem. 6 Embalagem como atratividade de compra. 7 Embalagem projetada para períodos de sazonalidade ( Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia dos Namorados, Natal, Ano Novo, Páscoa). 8 Parecer sobre os resultados pesquisados da embalagem. 143 APÊNDICE C – ROTEIRO DO HISTÓRICO DA EMPRESA I DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Empresa: Localização: Cidade: Estado: Atividade: Data da Fundação: II ASPECTOS HISTÓRICOS DA EMPRESA NATURA COSMÉTICOS S/A. 1 Surgimento 2 Missão, Visão, Valores, Crenças 3 Evolução 4 Processos produtivos 5 Produtos 6 Concorrentes 7 Clientes 8 Fornecedores 9 Projeto de Expansão 10 Organograma 11 Responsabilidade Social e Ambiental 12 Propagandas e Promoções 144 APÊNDICE D – ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA O PROPRIETÁRIO DA EMPRESA I DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Cargo: Escolaridade: Experiências Profissionais: Outras Experiências: Residência / Local: II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1 A embalagem é um fator importante para o sucesso dos cosméticos, diante do mercado competitivo? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 1.1 Se sim, por que? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 2 De que maneira o planejamento da embalagem auxilia para que ela se torne atrativa para o consumidor? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 3 Quem são os responsáveis por desenvolver a embalagem? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 1.1 Elas estão de acordo com as normas e técnicas exigidas? 145 _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 2 O que você acha da qualidade da embalagem, é de fácil manuseio? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 4.1 Tem as informações necessárias que o consumidor necessita? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 3 Você acredita que a embalagem é uma ferramenta de marketing e uma forma de comunicação e venda que o produto oferece? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 3.1 Justifique. _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 6 Durante a fase de desenvolvimento da embalagem, foram enfatizados fatores ecológicos, visando a minimização dos impactos ambientais? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 6.1 Se sim, quais? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 7 Na sua opinião, o design da embalagem define o conceito da marca do seu produto? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 7.1 Se sim, por que? 146 _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 147 APÊNDICE D – ROTEIRO DE ENTREVISTA PARA O PROFISSIONAL DA ÁREA I DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Cargo: Escolaridade: Experiências Profissionais: Outras Experiências: Residência / Local: II – PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1. No processo de planejamento e desenvolvimento de embalagens leva- se em consideração os requisitos de Qualidade da ISO 14001? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 1.1 Se sim, por que? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 2 Quanto tempo em média demora-se para planejar e desenvolver uma embalagem para um determinado produto x? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 3. Na sua opinião, quais os aspectos mais importantes para o design de uma embalagem? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 148 4 A pessoa da criação leva em consideração as tendências da moda no tocante a cor e design? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 5 Como vocês selecionam as informações pertencentes a uma embalagem? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 5.1 Existe uma lei que determina quais as instruções obrigatórias que as mesmas devem possuir? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 5.2 Que tipo de informações chamam mais atenção do consumidor? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 5.3 Que tipo de informações tornam o produto mais atrativo no tocante a credibilidade ambiental? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 5.4 Vocês testam as embalagens para verificar a aceitação das mesmas pelos clientes? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 5.5 Os consultores Natura tem participação no processo de planejamento e desenvolvimento de embalagens? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 149 5.6 Existe algum comitê de clientes que dão o feedback dos design? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 6 As Técnicas de Merchandising auxiliam na alavancagem das vendas dos produtos? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 7 Qual é o custo (em percentual) de uma embalagem em relação ao produto desenvolvido? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ 150 APÊNDICE E – VISITA Á NATURA COSMÉTICO S/A EM 11 DE ABRIL DE 2012.