Revist a FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA NNúmero úMERO 2, 5, maio 2012 2010 dezembro issn 2178-1672 f a c u l d a d e muito além do ensino Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 1 Revista Ano 3º, n. 5, maio/2012 ISSN 2178-1672 Editores responsáveis Sandra Mara Meireles Adolph (doutora) Faculdade Dom Bosco Salete do Rocio Cavassin Brandalize (mestre) Faculdade Dom Bosco [email protected] Conselho editorial Ariani Cavazzani Szkudlarek (doutora) Faculdade Dom Bosco Cassio Preis (mestre) Faculdade Dom Bosco e PUC-PR Claudia Chaguri de Oliveira Pellenz (mestre) Faculdade Dom Bosco Cristiane Gonçalves Ribas (mestre) Faculdade Dom Bosco e PUC-PR Cristiane Regina Gruber (mestre) Faculdade Dom Bosco e Unibrasil Eduardo Bolisenha Simm (mestre) Faculdade Dom Bosco, Faculdade Evangélica do Paraná e Unibrasil Francisco Ernesto H. Zanardini (mestre) Faculdade Dom Bosco e Faculdade Integradas Espírita Gerson Luiz Cleto Dal Col (doutor) Faculdade Dom Bosco e Universidade Tuiuti do Paraná Gilda Maria Grasse Luck (doutora) Faculdade Dom Bosco Isabel Cristina Bini (mestre) Faculdade Dom Bosco Marcia Maria Kulczycki (mestre) Faculdade Dom Bosco Maria Laura Aquino C. Assunção (mestre) Faculdade Dom Bosco Raciele Ivandra Guarda (mestre) Universidade Federal do Paraná Silvia Regina Valderramas (doutora) Faculdade Dom Bosco e Faculdade Evangélica do Paraná 2 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 D entre todos os motivos para se realizar pesquisas e estudos científicos num ambiente acadêmico, um deles é de especial importância: destinar à comunidade os conhecimentos construídos em seu interior, para que beneficiem a sociedade como um todo. A Faculdade Dom Bosco tem colaborado significativamente para dar sentido ao binômio (pesquisar/publicar), e por meio dos artigos publicados na revista Fisioterapia em Evidência apresenta resultados do trabalho de pesquisa em nossa área. Um dos artigos desta edição, bastante atual e pertinente, demonstra o impacto do Jiu-Jitsu adaptado sobre o desenvolvimento global de crianças com paralisia cerebral. Na área da fisioterapia respiratória, outro trabalho analisa a função respiratória em crianças expostas diariamente ao tabagismo passivo ambiental, situação comum nos dias de hoje e de grande interesse científico. Atentando para questões envolvendo pessoas idosas, a revista traz ainda dois artigos cujos objetivos redundam no aumento da qualidade de vida dessa população, além de um trabalho que enfoca alterações vestibulares e seu tratamento. Boa leitura a todos! Isabel Cristina Bini Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 3 Artigo 1 ............................................................................................. 5 Impacto da prática de Brazilian Jiu-Jitsu orientada por princípios de inibição e facilitação na funcionalidade de jovens com paralisia cerebral The impact of the practice of Brazilian Jiu-Jitsu guided by principles of inhibition and facilitation on funcionality of youngs with cerebral palsy Artigo 2 ........................................................................................... 14 Análise do pico de fluxo expiratório em crianças de 8 a 10 anos expostas ao tabagismo passivo ambiental Analysis of peak expiratory flow in children aged 8 to 10 years exposed to passive smoking environment Artigo 3 ........................................................................................... 20 Estudo dos efeitos do treinamento resistido e dos exercícios multisensoriais sobre o equilíbrio e risco de quedas de idosos institucionalizados Study of the effects of resistance training and exercises multisensory on balance and risk of falls institutionalized elderly Artigo 4 ........................................................................................... 29 Estudo controlado cego randomizado sobre os efeitos do tratamento fisioterapêutico utilizando os exercícios da série de Cawthorne-Cooksey associados à simulação virtual por meio do videogame Nintendo® Wii em sujeitos com distúrbios vestibulares Randomizado blind controlled study on the effects of physiotherapy exercises using the series of CawthorneCooksey associated with the virtual simulation video game by Nintendo® Wii in subjects with vestibular disorders Artigo 5 ........................................................................................... 43 Efeitos da aplicação de um protocolo de cinesioterapia sobre a qualidade de vida em mulheres acima de 40 anos, com laudo de osteopenia e/ou osteoporose Effects of the application of a protocol kinesiotherapy on quality of life in women over 40 years, with reports of osteopenia and/or osteoporosis Normas para apresentação de artigos ........................................ 56 4 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Artigo - 1 Impacto da prática de Brazilian Jiu-Jitsu orientada por princípios de inibição e facilitação na funcionalidade de jovens com paralisia cerebral The impact of the practice of Brazilian Jiu-Jitsu guided by principles of inhibition and facilitation on funcionality of youngs with cerebral palsy Daniel Alberton Batista1 Mayara Lopes2 Fernando Wagner da Silva3 Célia Bruna Farias Rodrigues4 Cristiane Gonçalves Ribas5 1. Acadêmico de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco. Contato: [email protected] 2. Acadêmica de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco. Contato: [email protected] 3. Acadêmico de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco. Contato: [email protected] 4. Acadêmica de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco. Contato: buninha_rodrigues19@hotmail. com 5. Fisioterapeuta, mestre, docente da Faculdade Dom Bosco. Contato: [email protected] Resumo O esporte adaptado desempenha papel fundamental no desenvolvimento global, e pode ser utilizado como recurso no tratamento fisioterapêutico da paralisia cerebral. Objetivo: Verificar se o Brazilian Jiu-Jitsu direcionado por princípios de inibição e facilitação contribui para a melhora da funcionalidade de jovens com paralisia cerebral. Metodologia: Oito indivíduos entre dez e quinze anos com diagnóstico clínico de paralisia cerebral foram divididos em dois grupos. Ambos realizaram fisioterapia tradicional, e apenas um recebeu treinamento de Brazilian Jiu-Jitsu durante nove semanas, com duas horas semanais. Para avaliação motora foi utilizado o teste GMFM-88 antes e após o estudo. Resultados: foram aplicados os testes de Wilcoxon pré e pós-tratamento, assim como o teste de soma de postos de Wilcoxon, não sendo detectada diferença significativa. Ao final do estudo, entretanto, constatouse que a melhora do escore total entre o começo e o fim do tratamento no grupo experimental (5,78%) foi superior àquela obtida pelo grupo controle (1,04%). Conclusão: Para a amostra em questão, o Brazilian JiuJitsu demonstrou ser uma modalidade desportiva benéfica do ponto de vista de aquisição motora. Tal resultado pode ser justificado pela melhora da condição muscular e pelo aprendizado motor adquiridos por meio das condições inerentes à prática deste esporte, como mudanças de decúbito, movimentos contrarresistidos e exigência constante de manutenção da postura e do equilíbrio. Mostrou-se assim ser importante atividade física como complementação ao tratamento fisioterapêutico. Palavras-chave: paralisia cerebral, fisioterapia, esportes, função motora. Abstract The adapted sport has a great importance for helping the global development of the individual that can be used as a therapeutic resource in the treatment of cerebral palsy. Objective: Assess if the Brazilian Jiu-Jitsu directed by inhibition and facilitation principles contribute to the improvement of the functionality of young with cerebral palsy. Methodology: Eight individuals have participated in this study between ten and fifteen years with clinical diagnostic of cerebral palsy divided in two groups. Both groups had traditional physiotherapeutic treatment, but just one group received a nine weeks training of Brazilian Jiu-Jitsu. With one hour classes twice a week. For motor evaluation was used GMFM-88 test at the Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 5 Artigo - 1 beginning and after the end of the study. Results: For statistic analysis Wilcoxon Test was applied pretreatment and post treatment as the ranksum Wilcoxon Test but no significant difference was found. However, at the end of the study was found that the improvement of the total score between the beginning and the end of the treatment in the experimental group (5,78%) was superior to that obtained by control group (1,04%). Conclusion: For the concerned sample, the Brazilian Jiu-Jitsu demonstrated itself as a sport modality with therapeutic ends from the point of view of motor acquisition. Such results can be justified by the improvement of muscular condition and by the motor learning acquired from the activities inherent to the practice of this sports as decubitus changing, counter resisted movements and constant demands of posture and balance maintenance showing itself as a important physical activity to be practiced as a complementation to the physiotherapeutic treatment. Keywords: cerebral palsy, physiotherapy, sports, motor function. Introdução As Nações Unidas, na Convenção dos Direitos da Criança ratificada por 192 nações em 1989, estabelecem que crianças com debilidades físicas ou mentais devam gozar de vida plena e 6 descente, em condições que garantam dignidade, promoção de autoconfiança e facilidade para a participação em atividades na comunidade. O artigo 27 deste documento reconhece o direito de toda criança a um padrão de vida adequado para o desenvolvimento físico, mental, espiritual, moral e social. Os mesmos direitos são citados no artigo 3 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990), colocando-os como direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. Dentre os agentes causadores de deficiência, podemos citar a paralisia cerebral (PC). A PC ou encefalopatia crônica não progressiva é uma categoria de deficiência que inclui pacientes com distúrbios crônicos não progressivos do movimento ou da postura com início precoce prematuro (NELSON, 1988). Tal condição geralmente é tratada por meio do conceito neuroevolutivo/Bobath, originalmente desenvolvido na Inglaterra no início da década de 1940 (TECKLIN, 2002). Crianças com PC possuem níveis reduzidos de atividade física quando comparadas a crianças de desenvolvimento típico (WELY, 2010). O esporte adaptado tem como objetivo a integração social de portadores de necessidades especiais, levando-os a realizar atividades que se aproximam o máximo possível das condições de normalidade, levando em conta suas individualidadesao valorizar as potencialidades do indivíduo e minimizar Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 suas limitações e dificuldades. A partir disso o sujeito é levado ao desenvolvimento de suas habilidades (COSTA, 2004). Várias modalidades desportivas já foram adaptadas para indivíduos com PC. Entretanto não há na literatura nenhum trabalho que relacione a PC com a prática do Brazilian Jiu-Jitsu (BJJ). O BJJ é uma arte marcial desportiva praticada sobre o tatame. O praticante tenta se colocar em vantagem com relação ao adversário no que se refere à biomecânica ao equilíbrio. Nessa modalidade não são permitidos golpes de impacto, como socos ou chutes. A vitória se pela desistência do adversário ou por contagem de pontos. O objetivo deste estudo é verificar se o BJJ direcionado por princípios de inibição e facilitação contribui para a melhora da funcionalidade de jovens com PC. Materiais e métodos Aprovação: O pré-projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Dom Bosco, de acordo com as normas estabelecidas pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Amostra: Oito indivíduos matriculados na Escola Especial Nabil Tacla, mantida pela Associação Paranaense de Reabilitação (APR), com perfil condizente aos critérios de inclusão e exclusão. Critérios de inclusão: • Diagnóstico clínico de PC; • Idade entre nove e quinze anos; Artigo - 1 • Concordância do responsável em assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Critérios de exclusão: • Não obedecer a qualquer um dos critérios de inclusão; • Doença associada que imponha risco à atividade desportiva; • Distúrbios cognitivos graves. Metodologia O grupo foi subdividido em grupo experimental e grupo de controle, cada qual com quatro indivíduos . Ambos foram submetidos ao tratamento fisioterapêutico oferecido pela instituição em questão, entretanto, o grupo experimental recebeu o treinamento do Brazilian JiuJitsu. Os treinamentos foram realizados entre 12 de abril e 9 de junho de 2011 (10 semanas), totalizando dezessete, com frequência de dois encontros semanais, com uma hora de duração. Os treinos foram orientados por um dos autores deste trabalho, professor de BJJ há mais de dez anos (treinador terapeuta). Análise estatística grupos para os escores por dimensão, e o escore total obtido pelos indivíduos avaliado pela GMFM-88. Aplicou-se o teste da soma de postos de Wilcoxon para amostras independentes com o objetivo de comparar os resultados obtidos pelo grupo experimental em relação ao grupo controle. Em todas as análises foi considerado nível de significância de 95% (p-valor ≤ 0,05). Resultados A variação quantitativa média dos dados obtidos pelo GMFM-88 está disposta na Tabela 1. Foi realizado o teste de Wilcoxon pré e póstratamento em ambos os TABELA 1 – RESULTADOS OBTIDOS NO TESTE GMFM-88 Dimensão A: DEITAR E ROLAR B: SENTAR C: ENGATINHAR E AJOELHAR D: EM PÉ E: ANDAR, CORRER E PULAR TOTAL M. Experimental M. Experimental Melhora média M. Controle M. Controle Melhora Mmdia Antes Após Antes Após 94,61% 87,08% 98,04% 99,17% 3,43% 12,08% 88,24% 78,75% 91,18% 80,42% 2,94% 1,67% 80,95% 35,26% 89,29% 39,10% 8,33% 3,85% 48,81% 21,79% 54,76% 12,82% 5,95% -8,97% 35,07% 66,29% 36,11% 72,06% 1,04% 5,78% 17,36% 50,66% 17,01% 51,70% -0,35% 1,04% FONTE: Elaborado pelos autores (2011). O quesito melhora média demonstra a diferença percentual entre a avaliação motora pré e pós-tratamento. Valores positivos nessa coluna indicam que o teste executado ao final do tratamento apresentou resultado superior ao teste inicial. O grupo experimental obteve melhora percentual média em todas as dimensões avaliadas, com maior alteração nas dimensões “sentar” e “engatinhar e ajoelhar”, com melhoras de 12,08% e 8,33% respectivamente, enquanto o grupo controle apresentou resultados negativos para as dimensões “em pé” e “andar, correr e pular”. O valor médio percentual do grupo experimental apresentou valores superiores aos do grupo controle em todas as dimensões avaliadas. Ao somar a variação obtida por todos os indivíduos para cada funcionalidade (item) do teste GMFM-88 constata-se que a maior alteração positiva que ocorre no grupo controle foi de três pontos, enquanto o grupo experimental obteve melhora de até oito pontos em funcionalidades específicas, como ilustrado na Tabela 2. Os resultados individuais obtidos pré e pós-treinamento estão dispostos no Quadro 9. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 7 Artigo - 1 TABELA 2 - FUNÇÕES COM MELHORA EXPRESSIVA DO GRUPO EXPERIMENTAL Item 28- Sentada de lado (D): mantém braços livres 5 segundos. 29- Sentada de lado (E): mantém braços livres por 5 segundos. 33- Sentada no tapete: gira (pivot) 90° sem ajuda dos braços. 49- Ajoelhada: atinge semiajoelhada o joelho usando braços, mantém os braços livres por 10 segundos. 50- Ajoelhada: atinge semiajoelhada sobre o joelho. Usando os braços, mantém os braços livres por 10 segundos. Melhora 7 6 8 4 4 FONTE: Elaborado pelos autores (2011). QUADRO 9 – DESEMPENHO INDIVIDUAL POR DIMENSÃO E TOTAL DO TESTE GMFM-88 FONTE: Elaborado pelos autores (2011). 8 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Artigo - 1 Discussão Ao analisar os escores totais medidos no teste GMFM-88 constata-se que a melhora obtida pelo grupo experimental (5,78% no escore total) coloca-o na faixa referida pelo estudo realizado por Hanna et al. (2009) em 657 indivíduos acompanhados num período de cinco anos. Neste artigo, cita-se que perdas de 4.7 até 7.8 pontos na escala GMFM-88 são grandes o suficiente para produzir mudanças clinicamente relevantes no desempenho de algumas tarefas importantes relacionadas com a coordenação motora ampla. A faixa citada, entretanto, não foi alcançada pela melhora média total obtida no grupo controle (1,04%). O acréscimo de coordenação motora grossa constatada é bastante encorajador, dada a faixa etária dos indivíduos estudados, de dez a quinze anos. Trabalhos anteriores indicam que um platô de desenvolvimento motor seria alcançado por volta dos sete anos de idade em sujeitos classificados com afecção leve de acordo com o sistema GMFMS. Indivíduos com grau de acometimento mais grave alcançariam esse platô cada vez mais cedo, indicando estagnação no processo de aquisição motora cada vez mais prematura, de forma que os indivíduos acometidos de maneira grave tenham o quadro estabilizado em idade próxima aos três anos (ROSEMBAUM et al., 2002; BECKUNG et al., 2007). Os acréscimos mais relevantes obtidos no grupo experimental foram os relacionados com a mobilidade de quadril (Tabela 2). Para melhor entendimento de tal impacto, deve ser feita análise específica de todos os aspectos relacionados à qualidade do movimento dos quadris. Entretanto, por ser o BJJ atividade que movimenta o indivíduo de maneira global, é improvável que um único aspecto seja responsável pelo aumento do desempenho. Dentre os prováveis fatores relacionados à melhora, citamos ganho de força muscular em membros inferiores e abdômen, desenvolvimento de equilíbrio e coordenação motora, maior dissociação de cinturas, aumento da amplitude de movimento em quadril e tornozelo, bem como outros que poderiam afetar o desempenho na execução desses movimentos em maior ou menor grau. Nenhum dos testes estatísticos demonstrou diferença significativa apesar de os valores médios terem se alterado positivamente e de maneira notável no grupo experimental. A ausência de melhora significativa apontada pela análise estatística justifica-se pela indefinição relacionada ao pequeno tamanho amostral (quatro indivíduos em cada grupo). Slaman et al. (2010) definem que para uma população com paralisia cerebral espástica que praticasse 30 minutos diários de atividade física seriam necessários no mínimo cinquenta participantes para se detectar diferença entre o grupo experimental e o grupo controle com poder 0,8 e α = 0,05. Pelo BJJ ser uma prática desportiva pouco comum para jovens acometidos por PC o treinamento foi adaptado de acordo com a ciência de reabilitação geralmente aplicada a esse tipo de indivíduo. O tempo e a frequência de treinamento são similares aos usados para exercícios de fortalecimento e resistência usados por Fragala-Pinkhan et al. (2005). Cuidados especiais foram tomados no que se refere à inibição de reflexos patológicos, assim como na facilitação dos movimentos funcionais durante a movimentação de luta. Alguns exercícios ativos utilizados durante o aquecimento foram extraídos de necessidades apontadas pelo questionário GMFM-88 que, como mencionado por Lundkvist (2009), pode ser utilizado como ferramenta para estabelecer metas em curto prazo. Como a PC é uma síndrome heterogênea tanto no grau de afecção como no tipo de acometimento, a abordagem terapêutica deve ser modificada, sendo que a reabilitação admite múltiplas possibilidades, dependendo da análise cuidadosa de cada paciente (LEITE, 2004). Embora o treinamento fosse ministrado para um grupo heterogêneo, o fato de haver um treinador e um auxiliar para cada dois alunos possibilitou adequação individualizada da prática. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 9 Artigo - 1 Enquanto o indivíduo com quadriparesia atetoide era estimulado a manter posturas antigravitárias e executar “pegadas” com maior precisão no quimono do oponente, indivíduos com diparesia espástica eram incentivados a realizar movimentos que requisitavam controle ativo dos membros inferiores. Éevidente que em ambos os casos os indivíduos poderiam apresentar dificuldades em passar da posição ajoelhada para a semiajoelhada. Em muitas situações, o mesmo movimento era utilizado para um sujeito espástico ou atetoide, evocando a terapêutica relaciona à dificuldade intrínseca subjetiva de cada praticante. A tendência do indivíduo em utilizar o corpo de maneira assimétrica foi levada em consideração pelo treinador terapeuta. Crianças com paralisia cerebral hemiplégica, por exemplo, aprendem estratégias para executar as tarefas diárias usando uma única mão e, frequentemente, o membro afetado é ignorado ou não utilizado (HOARE et al., 2011). A maioria dos sujeitos do grupo controle era composta por diparéticos, sendo necessáriaatenção redobrada do treinador terapeuta no que se refere ao estímulo e às compensações relacionadas à utilização dos MMII. O escopo deste trabalho restringiu-se à função motora grossa, entretanto, outros aspectos intrínsecos dos portadores de paralisia cerebral podem ser influenciados pela atividade 10 desportiva. Isso pode ser exemplificado por meio de um protocolo sugerido por Slaman et al. (2010) para a avaliação de atividades físicas em jovens com PC, baseado no modelo preconizado pela Organização Mundial de Saúde que padronizou a Classificação internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Entre estes aspectos estão questões relacionadas com qualidade de vida, suporte social, fadiga, nível de atividade física percebida, nível objetivo de atividade física, entre outros. O anseio por atividades físicas da população com PC pode ser demonstrado pela tabela confeccionada por Vasconcelos (2009), com base na técnica dos três desejos. O prevalente foi “situação relacionada à saúde”, como anseio de andar, correr, desenvolver as mesmas atividades que as outras crianças e ter saúde, com 62,9% das escolhas. Em seguida vem o item “atividades”, com respostas como vontade de fazer natação, jogar bola, andar de bicicleta, fazer caratê e brincar, com 11,8%. O BJJ surge como recurso coadjuvante de estímulo e motivação, amenizando dificuldades ocasionadas por motivos subjetivos de natureza volitiva relacionada aos atendimentos fisioterapêuticos realizados de maneira isolada. Esse aspecto é reforçado por Fragala-Pinkhan et al. (2005), que demonstraram aumento no nível de satisfação das crianças que realizaram Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 atividades físicas e alegaram que as crianças apreciavam o componente social relacionada a tal prática. O BJJ mostrou-se uma ferramenta interessante para o grupo em questão. Entretanto é importante ressaltar a necessidade da adaptação dessa ferramenta por um profissional que conheça profundamente a fisiopatologia da PC. Dessa maneira, o esporte pode ser praticado como instrumento terapêutico em detrimento de medidas de desempenho desportivo. O entendimento do processo de terapia neurológica para os diversos aspectos de PC faz-se necessário para que esta prática desportiva não influencie negativamente a qualidade de vida do praticante. Durante o treinamento, houve cuidados especiais para minimizar o risco de lesões. A condição relacionada à integridade óssea dos indivíduos com PC e a prática de atividade física pode ser mais crítica que na população geral. Além da osteoporose, o declínio funcional resulta em fenômenos de envelhecimento prematuro, como sarcopenia e artrite degenerativa. Aliados a isso, fatores como incapacidade funcional, contraturas, espasticidade, mobilidade reduzida, dor e isolamento psicosocial podem, direta ou indiretamente, ocasionar fraturas (SHERINDAN, 2009). De modo a minimizar a possibilidade de lesões osteomioarticulares foi estabelecido que nesse Artigo - 1 trabalho os exercícios em dupla não seriam feitos por dois indivíduos com PC. Durante o treinamento, o conhecimento das alterações ósseas a que estão sujeitos os indivíduos afetados pela PC devem ser levadas em consideração, dada a estreita relação entre o BJJ e a biomecânica. Uma queda lateral, geralmente inócua para um desportista ordinário, pode tornar-se perigosa quando realizada em sujeito com desvio equinovalgo. Enquanto o desportista comum deve ser incentivado a buscar a postura de maior equilíbrio, o indivíduo com PC deve evitá-la se essa acelerar a progressão de uma deformidade, comouma luxação de quadril decorrente do ajoelhar-se em “W”. A própria pegada na lapela pode ser influenciada pela oposição do polegar, disfunção comum encontrada em pacientes com PC espástica, condição que pode limitar severamente a funcionalidade das mãos (SMEULDERS et. al., 2011). Dentre outras deformidades ósseas que o instrutor deve ter conhecimento, citamos escoliose, aumento da curvatura lombar, subluxação de quadril, anteroversão femoral, patela alta, fragmentação da patela, condromalacia patelofemoral, genu recurvatum, pé equinovalgo e pé equinovaro (MORREL et al., 2002). Apesar de não tratar diretamente a deformidade óssea, o instrutor terapeuta deve levar em consideração a extensão do distúrbio motor, sua intensidade e, principalmente, sua caracterização semiológica (LEITE, 2004). with cerebral palsy aged 1 to 15 years. Developmental medicine and child neurology, Sahlgrenska v. 49, n. 10, p. 751-6, 2007. Conclusão BERTE, Vivian Refosco. O conceito neuroevolutivo Bobath nas disfunções motoras decorrentes de lesãocerebelar. 2004. 33 f.monografia Os resultados indicam melhoras médias do grupo que praticou o BJJ em relação ao grupo que não o praticou, sendo as principais melhoras constatadas nas dimensões B e C do teste GMFM-88. A análise estatística apontou ausência de diferença significativa no que se refere à evolução motora grossa. Entretanto, tal diferença pode ser explicada pelo pequeno tamanho amostral. O déficit amostral, por sua vez, pode ser justificado pelas dificuldades inerentes à realização prática do estudo, como limitações financeiras, laborais e temporais referentes ao estudo. É necessário, realizar mais pesquisas com grupos amostrais maiores para obtenção de dados estatísticos de maior qualidade. BOBATH, B. Hemiplegia no adulto: avaliação e tratamento. São Paulo: Manole, 1978. CASTRO, E. M. de. Atividade física adaptada. São Paulo: Tecmedd, 2005. Comitê Paraolímpico Brasileiro. Disponível em:<http://www.cpb.org.br/> Acesso em: 12 fev. 2011. ESPOSITO, I. et al. Repercussões da fadiga psíquica no trabalho e na empresa. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, v. 8, n. 32, p. 37-45, out./dez. 1979. ARAÚJO, R. de C. T. 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Método: Foi aplicado questionário com perguntas sobre o hábito tabágico familiar e identificados dois grupos: crianças expostas n = 28 e não expostas n = 50, totalizando um grupo de 78 sujeitos que participaram com idade entre 8 e 10 anos, todos estudantes de uma escola pública na cidade de Curitiba, PR. Foi realizada a mensuração do pico de fluxo expiratório máximo com o Medidor de Pico de Fluxo Assess®. Resultados: Para a análise dos dados foi utilizado o teste do Qui-quadrado, em que e o p-valor foi < 0,01, confirmando que existe diferença significativa no pico de fluxo expiratório entre o grupo de expostos ao tabagismo passivo ambiental e o grupo de não expostos. 14 Conclusão: Observou-se que há diminuição da capacidade respiratória no grupo de crianças residentes no mesmo domicílio de pai ou mãe fumante, e que, em crianças que vivem com mais de um tabagista o pico de fluxo expiratório é ainda menor. Palavras-chave: tabagismo passivo ambiental, escolares e pico de fluxo expiratório. ABSTRACT Objective: to examine whether there is a decrease of respiratory function in children exposed to passive smoking daily environmental. Method: Through a questionnaire about smoking family identified two groups: children exposed to an n = 28 and n = 50 non-exposed, bringing the group of 78 subjects who participated in the survey, aged between 8 and 10 years, all students at a public school in the city of Curitiba, PR. We performed the measurement of peak expiratory flow, with the Peak Flow Meter Assess ®. Results: For data analysis we used the chi-square where the p-value was < 0.01 confirming that there is significant difference in peak expiratory flow between the Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 group exposed to passive smoking and environmental non-exposed group. Conclusion: It was observed that there is reduced respiratory capacity in the group of children living in the same household of father or mother smoker, and that, in children where there is more than a smoker Peak expiratory flow is even smaller Keywords: Environmental Passive Smoking, Students and Peak Expiratory Flow. Introdução Tabagismo passivo é a inalação por indivíduos não fumantes da fumaça proveniente da queima de derivados do tabaco, como cigarro, cigarro de palha, cigarro de cravo, charuto, cachimbo, Narguilé e outros. Também pode ser denominado exposição involuntária ao fumo ou poluição tabágica ambiental (REICHERT, 2008). É de grande relevância o estudo dos impactos causados pela exposição da criança ao fumo passivo, pelo fato de estar com seu corpo em desenvolvimento, sendo o sistema respiratório o mais afetado (SALMÓRIA et al. 2006). Artigo - 2 As crianças com genitores fumantes são expostas por anos à poluição ambiental, inalam nicotina continuamente e podem com facilidade tornarse nicotinodependentes (ROSEMBERG, 2004). O ambiente onde a criança cresce e se desenvolve no convívio com os pais é a mais agressiva fonte de poluição ambiental no que se refere ao fumo passivo. O tabagismo é o principal poluente ambiental no interior dos domicílios brasileiros, e a maioria das pessoas não se importa com as consequências provocadas pelos poluentes existentes na fumaça do cigarro. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2008) o fumo mata quase seis milhões de pessoas por ano, dos quais mais de cinco milhões são usuários e exusuários e mais de 600.000 são não fumantes expostos à fumaça de segunda mão. Em 2004, as crianças representavam 28% das mortes atribuíveis ao fumo de segunda mão. Nos recém-nascidos, o tabagismo passivo está relacionado a déficits neurológicos e cognitivos, tremores, hipertonicidade, inquietude e hiperatividade. Crianças no período pré-escolar apresentam dificuldade de aprendizado. Na idade escolar há déficit de atenção, dificuldades na leitura, no cálculo e desenvolvimento das habilidades manuais e da linguagem falada (REICHERT, 2008). Uma forma de avaliar a função pulmonar da criança é por meio da medida do pico de fluxo expiratório máximo (PFE), método simples, não invasivo, econômico e rápido que avalia força, velocidade e saída de ar de dentro dos pulmões em L/min (SARMENTO, 2009). Para Egan (2000) as escolas são os melhores locais para educar as crianças sobre os perigos do tabagismo, e o fisioterapeuta tem papel relevante no que se refere à avaliação e orientação sobre as consequências do fumo passivo. Objetivos Objetivo geral O presente estudo teve como objetivo principal analisar a prevalência de crianças com diminuição da capacidade respiratória devido à inalação de substâncias tóxicas existentes na fumaça do cigarro em uma escola pública de uma grande capital brasileira. Objetivos específicos Estudar a fisiologia respiratória da criança exposta à fumaça de cigarro, descrever a técnica do pico de fluxo expiratório (PFE) por meio do aparelho Peak Flow e identificar e estudar possíveis formas de prevenção e orientação da criança na condição de fumante passivo. Métodos A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Dom Bosco, de acordo com a resolução nº. 196/96 do CNS, em 30 de março de 2008. De acordo com Thomas (2002), a amostragem foi aleatória estratificada, observacional e transversal. Conforme Altman (1991), o tamanho da amostra foi calculado com confiabilidade de 95%, poder de teste de 85% e diferença padronizada de 0,65 desvio padrão. A pesquisa foi realizada na Escola Municipal dos Vinhedos, em Curitiba, Paraná. Foi entregue a 190 crianças o termo de consentimento livre e esclarecido, por elas encaminhado aos pais ou responsáveis, mas somente 80 entregaram a autorização assinada. Em seguida, foi entregue questionário com perguntas sobre os hábitos tabágicos da família, a partir do qual foram identificados os grupos de estudo: expostos e não expostos à fumaça do cigarro. Duas crianças foram excluídas por patologias associadas, totalizando n = 78 crianças avaliadas na pesquisa. Foi utilizado como ferramenta o aparelho Peak Flow Meter Assess®, pelo qual se realizaram três mensurações do pico de fluxo expiratório máximo, sendo anotada a melhor medida. Os alunos foram submetidos à medida da altura por meio de fita métrica. Idade e peso também foram coletados. Todos os dados registrados foram digitados no computador em planilha Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 15 Artigo - 2 do Microsoft Office Excel, e tabelas foram elaboradas para a interpretação dos dados. Para análise estatística, os dados quantitativos foram descritos em médias e desvio padrão, e o teste Qui- quadrado foi utilizado apara avaliar a significância. Resultados De acordo com o Gráfico 1, foram avaliadas 78 crianças, sendo 31 (40%) do sexo masculino e 47 (60%) do sexo feminino, com idade entre 8 a 10 anos, sendo a média de idade 9 anos com desvio padrão dp = 0,63. GRÁFICO 1 – DISTRIBUIÇÃO DA CASUÍSTICA POR SEXO 100% 100% 80% 60% 60% 40% 40% 20% 0% Masculino Feminino Total Fonte: Dados da pesquisa (2009). O Gráfico 2 representa os dois grupos da pesquisa. O primeiro, com 64% das crianças avaliadas, não sofreu exposição tabágica no ambiente familiar; no segundo grupo, 36% sofreram exposição ao tabagismo passivo ambiental. Gráfico 2 – Grupos da pesquisa PREVALÊNCIA 70% 64% 60% 50% 40% 35% 30% 20% 10% 0% Expostos Não expostos Fonte – Dados da pesquisa (2009) 16 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Artigo - 2 Observa-se no Gráfico 3 que 64% das crianças não expostas estavam abaixo do valor de referência, enquanto 36% estão acima. Em contrapartida, 100% das crianças expostas ao tabagismo passivo ambiental estão abaixo do valor de referência. No teste do Qui-quadrado o p-valor foi de (p < 0,01), indicando que existiu diferença significativa na proporção de crianças acima e abaixo nos dois grupos de expostos e não expostos. GRÁFICO 3 – VALOR DE REFERÊNCIA DO PICO DE FLUXO GRUPO DE CRIANÇAS ABAIXO E ACIMA DO VALOR DE REFERÊNCIA DE GODFREY 100% 100% 80% 64% Não expostos 60% 40% 36% Expostos 20% 0% 0% Abaixo (VR) Acima (VR) Fonte: Dados da pesquisa (2009). No Gráfico 4 observamos que nas crianças expostas ao tabagismo passivo ambiental a média do pico de fluxo expiratório em meninos e meninas foi menor, confirmando a diminuição da capacidade expiratória da criança exposta à fumaça do cigarro. GRÁFICO 4 – MÉDIA DO PICO DE FLUXO MÉDIO DO PFE ENTRE OS GRUPOS 300 250 283 254 249 261 PFE/m 200 Não expostos 150 100 Expostos 50 0 Meninos Meninas Fonte: Dados da pesquisa (2009). No Gráfico 5 está representado o IMC do grupo de não expostos, pelo qual se constata que 38% estavam abaixo do peso, 18% com peso normal e 3% com excesso de peso. No teste Quiquadrado o resultado foi p-valor 0,3350; como é maior que 0,05, conclui-se que não existe diferença significativa entre o IMC dos dois grupos. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 17 Artigo - 2 GRÁFICO 5 – IMC ICM DOS GRUPOS AVALIADOS 38% 40% 30% 20% 18% 15% 23% 10% 3% 3% 0% Baixo peso Crianças expostas Normal Excesso de peso Crianças não expostas Fonte: Dados da pesquisa (2009). Discussão Arets e Brackel (2001) defendem que a faixa etária ideal para realização do pico de fluxo expiratório se inicia a partir dos 7 anos. Segundo Polgar et al. (1979) a partir dos seis anos de idade as técnicas de avaliação da função pulmonar podem ser utilizadas para fornecer informações precisas para o padrão de crescimento das funções fisiológicas do pulmão. O presente estudo objetivou analisar valores de pico de fluxo expiratório em crianças saudáveis entre 8 a 10 anos de idade expostas ao tabagismo passivo ambiental. Graff-Lonnevig et al. (1993) avaliaram o pico de fluxo expiratório em 457 crianças saudáveis em período escolar (235 do sexo masculino e 222 do sexo feminino), com idade entre 6 e 16 anos, todas moradoras de Ruyadh, na Arábia Saudita, utilizando dois aparelhos medidores de pico de fluxo de ar: Peak Flow Meter e Mini Peak Flow Meter. Após o estudo, concluíram que ambos os aparelhos não apresentaram diferenças nos valores estatisticamente significantes. Para a presente pesquisa foi utilizado o aparelho Wright, da marca Assess®, não havendo na literatura referência sobre o mesmo. Agaba et al. (2003) avaliaram 1.023 crianças na faixa etária de 6 a 12 de anos residentes numa área urbana da Nigéria e obtiveram valores médios de PFE de 213,3 L/m e 211 L/m para meninos e meninas, respectivamente. Os autores também relatam que os valores de PFE encontrados têm correlação significativa com parâmetros antropométricos, principalmente com a idade e a estatura. Todos os estudos citados anteriormente concordam com os achados do presente estudo, no qual se verificou que o PFE difere entre os sexos, apresentando indivíduos do masculino maior valor de PFE. A razão dessa diferença, segundo Graff-Lonnevig et al. (1993), tem sido muito discutida, mas há uma opinião geral que esse efeito pode estar relacionado à melhor condição muscular torácica apresentada por indivíduos deste sexo. 18 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Em relação ao sexo e PFE, algumas evidências podem ser levantadas. Inicialmente, o pulmão dos meninos tem o mesmo tamanho que o das meninas, mas com o aumento da idade tornamse desproporcionalmente maiores (THURLBECK, 1982). A presença de um ou mais fumantes em casa foi associada com reduções de pico de fluxo expiratório médio, e a exposição in utero ao tabagismo materno está associada à diminuição da função pulmonar em crianças em idade escolar, especialmente para os fluxos de pequenas vias aéreas. Segundo Carlsen et al. (1997), a exposição da criança à poluição ambiental e à fumaça do tabaco, mesmo antes do nascimento, influencia sua função pulmonar, causando doenças nesses órgãos e consequentemente a diminuição do PFE. Em relação à pesquisa apresentada, a média do pico de fluxo expiratório (PFE) foi menor nas crianças filhas de mães fumantes e, mais baixa ainda nas filhas de pais e mães fumantes. Primhak e Coates (1988), a fim de avaliar os efeitos da desnutrição sobre o crescimento da função pulmonar, estudaram 376 estudantes indígenas com idade entre 6 e 12 anos. Concluíram que a desnutrição atual tem efeito negativo sobre PFE, possivelmente devido à função muscular comprometida, e que a desnutrição pregressa ou crônica afeta menos o crescimento da função Artigo - 2 pulmonar do que o crescimento somático. A desnutrição causa ainda perda da forca contrátil muscular, que se torna ineficaz, alterando significativamente os valores de PFE. Após calcular o IMC de todas as crianças avaliadas na pesquisa obtivemos os seguintes valores de percentil: 53% das crianças estão com valores normais, 42% com baixo peso e 5% com excesso de peso, o que pode explicar os valores baixos de pico de fluxo expiratório nos sujeitos da presente pesquisa. Research. London: Chapman and Hall, 1991. Conclusão EGAN, DONALD F; Fundamentos da Terapia Respiratória de Egan. 7. ed. São Paulo: Manole, 2000. Foi possível observar neste estudo que no grupo das crianças expostas ao tabagismo passivo ambiental a média do pico de fluxo expiratório, tanto em meninos quanto em meninas, foi menor quando comparada à média do pico de fluxo das crianças não expostas. Isso confirma a diminuição da capacidade respiratória da criança exposta ao tabagismo passivo ambiental (TPA). A figura da mãe é fundamental para a educação dos filhos, e seus hábitos podem influenciar a decisão da futura geração em relação ao tabagismo. REFERÊNCIAS AGABA, P. A. et al. 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Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 19 Artigo - 3 Estudo dos efeitos do treinamento resistido e dos exercícios multisensoriais sobre o equilíbrio e risco de quedas de idosos institucionalizados Study of the effects of resistance training and exercises multisensory on balance and risk of falls institutionalized elderly João Erick C. dos Santos¹ Lincoln H. Miyamura¹ Marcel E. N. Dias¹ Francisco Zanardini2 Cristiane R. Gruber2 1. Acadêmico do curso de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco 2. Professores do curso de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco RESUMO Ao longo da vida, o ser humano tende a uma série de problemas motores devido ao sedentarismo, senilidade ou senescência. O presente estudo teve como objetivo identificar os efeitos dos exercícios resistidos e multisensoriais em relação ao equilíbrio e à diminuição do risco de queda em idosos institucionalizados. A amostra do estudo foi composta por doze sujeitos de ambos os gêneros (quatro homens e oito mulheres) com idades variando de 60 a 90 anos, institucionalizados em uma casa de repouso particular na cidade de Curitiba. Estes foram randomizados em três grupos (multisensorial, resistido e controle), avaliados e reavaliados por meio das escalas de equilíbrio de Berg, TUG e sentarlevantar, submetidos a um programa de exercícios 20 resistidos e multisensoriais por dois meses, com dois atendimentos semanais de 40 minutos. Houve um tempo de destreinamento de 30 dias, quando os idosos não realizaram qualquer atividade. Após esse tempo, foram reavaliados e constatou-se melhora nos dois grupos (multisensorial e resistido) nas escalas de Berg, teste de TUG e teste de sentar-levantar. Entretanto, a manutenção do equilíbrio e consequente diminuição do risco de quedas foi melhor observado no grupo multisensorial, mesmo após o período de destreinamento de 30 dias. Pôde-se concluir com esse trabalho que os exercícios multisensoriais causam efeitos duradouros em relação ao equilíbrio do idoso, sendo necessárias novas pesquisas com os exercícios aplicados nesse estudo e com grupo maior de participantes para confirmar os efeitos dos exercícios multisensoriais sobre o equilíbrio das pessoas de terceira idade. Palavras-chave: fisioterapia, envelhecimento, equilíbrio, atividade física, exercícios resistidos, exercícios multisensoriais. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 ABSTRACT The human being throughout life tends to trigger a series ofengine problems due to inactivity, old age or senescence. This study aimed to identify the effects of resistance exercises andmultisensory exercises in relation to balance and reduce the riskof falls in institutionalized elderly. The study sample consisted of 12 subjects of both sexes (4 males and 8 females) with agesranging from 60 to 90 years, institutionalized in a private nursing home inthe city of Curitiba. These were randomized into threegroups (multisensory, weathered and control), assessed andreassessed by the Berg Balance Scale, TUG and sit / stand,subject to a program of resistance exercises and multisensory two months with two weekly visits to 40 minutes in duration. There was a time of 30 days of detraining, where the elderly did not perform any activity. Being re-evaluated after that time. Improvement occurred in both groups (multisensory and resisted) in the scales of Berg, TUG test and test sit / stand. However, maintaining the balance and therefore reducing the risk of falls was observed in the multisensory best, even after the detraining period of 30 days. The conclusion from this work that the multisensory exercises cause lasting effects as regards the balance of the elderly, further research is needed with the exercises used in this study with a larger group of participants to confirm the effects of exercise on the balance of multisensoryseniors. Keywords: physical therapy, aging, balance, physical activity, resistive exercise, multisensory, BBS, TUG and sit/stand. Introdução O envelhecimento é um evento geneticamente programado, dentro da sequência normal que vai do desenvolvimento à morte, e ocorre devido ao colapso gradativo das funções celulares (PICKLES et al., 2000). No Brasil, grande proporção de idosos Institucionalizados é dependente por problemas físicos ou mentais, mas a miséria e o abandono são os principais motivos da institucionalização. O indivíduo institucionalizado sofre com a falta de um programa de exercícios para manutenção de seu equilíbrio de força, o que aumenta seu medo de cair (CARVALHO et al., 2001). A atividade física tem sido comprovada como fator de melhora da saúde global do idoso, pois oferece aos idosos maior segurança na realização de suas atividades diárias, prevenindo quedas (GUIMARÃES et al., 2004). Carvalho et al. (2001) relatam que para uma boa condição estática do equilíbrio e força de reação é necessário que os músculos estejam treinados, com isso evita-se fraquezas favoráveis para a queda. A atividade física é capaz de beneficiar pessoas de todos os grupos etários, mas é especialmente importante para a saúde das pessoas da terceira idade. De acordo com Costa et al. (2009), o treinamento dos mecanismos de equilíbrio, como treino de força e exercícios multisensoriais, aumenta a autoconfiança dos idosos, melhora suas capacidades funcionais e mobilidade e é utilizado para a manutenção da aptidão física relacionada ao equilíbrio. o. Os exercícios multisensoriais envolvem a manutenção da postura e são uma opção prática, simples, barata e de fácil implantação em escolas, praças, parques e postos de saúde. Isso faz da atividade a resposta ideal para o aprendizado motor relacionado ao equilíbrio (COSTA et al., 2009). Segundo Rebelatto (2007), a sarcopenia - diminuição da massa muscular - pode ser revertida com o treinamento de força, que segundo Silva et al. (2008) tem correlação com o equilíbrio. Esses fatores justificam a presente pesquisa. O objetivo do presente estudo foi identificar os efeitos dos exercícios resistidos e multisensoriais em relação ao equilíbrio e à diminuição do risco de quedas em idosos institucionalizados. Materiais e métodos A pesquisa foi realizada numa casa de repouso e avaliou idosos moradores da instituição na faixa etária de 60 a 90 anos, escore mínimo no Miniexame do Estado Mental (MEEM), não limitantes para atividade exigida pelo estudo, com marcha independente (considerando dispositivos auxiliares, como bengalas) e sedentários. Foram excluídos idosos que apresentassem amputação, alterações neurológicas (AVE, lesão medular), deficiência visual limitante, traumas ortopédicos recentes, alteração cognitiva grave, hipertensão arterial não controlada e cadeirantes. Procedimentos Os procedimentos e a coleta de dados para pesquisa foram realizados na instituição. Os idosos foram avaliados por meio das escalas Berg, sentar-levantar e Timed Up And Go antes da aplicação do programa de exercícios, ao término do tratamento (8 semanas) e após 4 semanas sem atividade física. A escala de Berg (SILVA, et al., 2008), criada em 1992 por Katherine Berg, é constituída por 14 tarefas comuns que envolvem o equilíbrio estático e dinâmico, tais como alcançar, girar, transferir-se, permanecer em pé e levantarse. A realização das tarefas Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 21 Artigo - 3 foi avaliada pela observação. A pontuação varia de 0 a 4, totalizando o máximo de 56 pontos. Tais pontos foram subtraídos caso o tempo ou a distância não fosse atingido, o sujeito necessitasse de supervisão para a execução da tarefa se apoiavasse num suporte externo ou recebesse ajuda do examinador. O teste de sentar-levantar (TSL) (LIRA, ARAÚJO, 2000) avaliou a destreza nas ações de sentar e levantar do solo independentemente, utilizando uma escala ordinal de 0 a 5. Para cada apoio utilizado nas ações um ponto era perdido, caso houvesse desequilíbrio, mais meio ponto era subtraído do escore máximo de 5. O melhor desempenho, em duas tentativas, representou o escore final para cada ação. O TSL envolveu os atos de sentar e levantar do solo, comuns nos primeiros anos de vida, mas progressivamente menos presentes no cotidiano com o passar dos anos. A lógica que permeia a avaliação é quanto maior a dificuldade do indivíduo em realizar os atos, mais apoios no solo e no próprio corpo são utilizados. A aplicação do teste demandou cerca de um minuto, e a graduação dos atos foi extremamente simples, uma vez que cada apoio utilizado resultou na redução de um ponto da nota máxima e, havendo desequilíbrio perceptível, mais meio ponto foi subtraído. O teste Timed Up And Go (PAULA, PRATA, 2007) foi realizado a partir da 22 posição sentada com as costas apoiadas na cadeira. Os sujeitos foram instruídos a levantar-se, percorrer 3 metros até um ponto marcado no chão, regressar e sentar-se novamente apoiando as costas na cadeira. Os pacientes foram orientados a não conversar durante a execução do teste e realizá-lo o mais rápido que conseguisse, mas sem correr. Programa de tratamento Os sujeitos enquadrados nos critérios de inclusão foram divididos em três grupos: GM (grupo multisensorial), GR (grupo resistido) e GC (grupo controle). O grupo controle foi avaliado e recebeu orientações sobre a prevenção de quedas, entretanto não participou do programa de exercícios. Os integrantes dos grupos multisensorial e resistido foram submetidos à realização de exercícios duas vezes por semana durante quarenta e cinco minutos, totalizando oito semanas (SKELTON & MCLAUGHLIN, 1996; SCHLICHT et al., 2001 apud ARAÚJO, 2010) de trabalho conforme protocolo elaborado pela equipe. A pressão arterial foi verificada no início e fim de cada sessão e, caso o sujeito apresentasse alguma alteração significativa - segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) pressão sistólica máxima de 160 mmHg e diastólica máxima de 89 mmHg - o treinamento era postergado. Além disso, o exercício era interrompido Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 caso o sujeito apresentasse alteração incomum, como sinais de dor ou fadiga inesperados. Os exercícios multisensoriais foram compostos por dez estações em forma de circuito, com exercícios de equilíbrio, coordenação motora e controle postural em várias posições. Cada atendimento foi composto de aquecimento com caminhada de dez minutos (SILVA et al., 2008) e exercícios multisensoriais com duração de trinta minutos. Os idosos realizaram os exercícios individualmente em tempo determinado de 3 minutos em cada estação, passando para a próxima pelo comando de voz do fisioterapeuta responsável. Descrição das estações: Estação 1: partindo da posição sentada, o idoso levantou-se e caminhou a distância de 3 metros. Contornou uma garrafa PET e retornou à posição inicial no menor tempo possível. Estação 2: o idoso passou da posição sentado para depé e caminhou sobre marcas paralelas, simulando marcha com passadas largas. Retornou ao ponto de partida, realizou um giro de 360º e sentou-se. Estação 3: ocircuito dessa estação foi composto por cinco garrafas PET distribuídas em linha reta, distante 50 cm uma da outra. O idoso caminhou em zigue-zague entre as garrafas e quando chegou ao fim do circuito voltou para a posição inicial. Estação 4: o idoso caminhou Artigo - 3 em linha reta sobre marca de três metros feita no chão, com um pé na frente do outro, sem dar espaços entre as passadas. Estação 5: num quadrado de 1,5 m2 desenhado no chão, o idoso agachou-se para pegar uma bola numa das pontas do quadrado e a levou para a ponta oposta, onde havia outra bola. Trocou as bolas, levando a que estava no chão para a ponta do quadrado onde estava a primeira bola. Estação 6: de costas, o idoso caminhou sobre uma linha reta marcada no chão e ao final fez um giro de 180°, retornando ao ponto de partida. Estação 7: o idoso realizou apoio unipodal na marca feita no chão, primeiro com o membro inferior direito e depois com o membro inferior esquerdo, mantendo o equilíbrio por 20 segundos. Estação 8: O idoso realizou marcha sem sair do lugar seguida de contagem de 10 segundos. Em seguida, marchou sobre marcas no chão, ao final das quais realizou contagem seguida de marcha sem sair do lugar e reiniciou a atividade. Estação 9: em pé sobre marca delimitada no chão, O idoso segurou uma bola entre as mãose buscou acertá-la dentro de um cesto à distância de 4 metros. Estação 10: havia dois bambolês no chão; o idoso passou por dentro do primeiro a partir da parte superior do corpo (cabeça), e o segundo a partir dos membros inferiores. Realizou o exercício quantas vezes conseguiu. Os exercícios resistidos foram realizados utilizando como resistência a gravidade, o peso corporal do indivíduo e faixas elásticas, sem implementar cargas progressivas pelo fato de os indivíduos apresentarem condições sedentárias, como dificuldade de marcha e hipotrofia muscular. Exercícios concêntricos e excêntricos tiveram duas séries de oito repetições (SILVA et al., 2008). Cada atendimento foi composto das seguintes fases: aquecimento com caminhada e duração de 10 minutos (SILVA et al., 2008), exercícios resistidos de 30 minutos de duração. Exercícios em posição de decúbito dorsal: 1) Deitado ao solo em decúbito dorsal, o idoso executou flexão de quadril até a altura do outro joelho, alternando membro direito e esquerdo em duas séries de oito repetições. 2) Deitado ao solo em decúbito dorsal, realizou flexão de quadril com os dois membros paralelos, levantou os calcanhares de 30 a 40 cm, em duas séries de dez repetições. 3) Deitado ao solo em decúbito dorsal, realizou flexão de quadril de 30° a 40° com os dois membros paralelos seguida de abertura destes membros - formando um ângulo suportável máximo para sua estrutura -, retornou com o membro elevado e o apoiou no chão, em duas séries de dez repetições. 4) Deitado ao solo em decúbito dorsal, executou flexão de joelho a 90° apoiando totalmente a parte plantar no solo, fez extensão de quadril elevando a parte glútea do solo, em duas séries de dez repetições. Exercícios em posição sentada: 1) Sentado numa cadeira comum, apoiando o membro superior na cadeira, ao lado do quadril, o idoso executou extensão de joelho total, em duas séries de 10 repetições. 2) Sentando numa cadeira comum, apoiando o membro superior a cadeira ao lado do quadril, executou uma extensão de joelho e retornou à posição inicial, emduas séries de oito repetições. 3) Sentado com os joelhos flexionados e a parte plantar apoiada no chão, uma bola entre a articulação dos joelhos, executou adução de quadril exercendo pressão sobre a bola, em duas séries de oito repetições. Exercícios em posição em pé 1) Em pé, apoiado a uma cadeira, o idoso executou flexão total de quadril com flexão total de joelho, em duas séries de oito repetições para cada membro. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 23 Artigo - 3 2) Em pé, com um elástico envolvendo os dois membros inferiores em extensão de joelho, executou abdução tencionando o elástico envolvido, em duas séries de oito repetições. 3) Em pé, apoiado a uma cadeira fazendo leve flexão de joelho, realizou agachamento que permaneceu no limite de 30° a 90°, em duas séries de oito repetições. Ao término do programa os sujeitos foram reavaliados com base nos mesmos procedimentos da avaliação inicial. Após quatro semanas do término, foram submetidos aos mesmos testes a fim de avaliar o destreinamento. Resultados A amostra foi composta por doze indivíduos na faixa etária de 60 a 90 anos de idade, contando com quatro homens (33,3%) e oito mulheres (66,7%). Esses sujeitos foram divididos igualmente em três grupos, compostos por quatro indivíduos: GM com média de idade de 80 anos, GR com média de idade de 82 anos e GC com média de idade de 80,5 anos. Os resultados a seguir apresentam as médias de cada grupo nos testes TUG (Gráfico 1), Berg (Gráfico 2) e sentar-levantar (Gráfico 3) no formato de tabela e/ou gráfico da avaliação, reavaliação e destreinamento. 24 GRÁFICO 1 - MÉDIAS DO TUG NOS TRÊS GRUPOS (MULTISENSORIAL, RESISTIDO E CONTROLE). TESTE TUG (Segundos) 60 49 50 50 54 38 40 27 30 28 20 10 10 0 7 7 Multisensorial Resistido Avaliação Controle Reavaliação Destreinamento Fonte: Elaborado pelos autores. De acordo com os dados coletados na reavalição do teste TUG (Gráfico 1), os participantes do grupo multisensorial apresentaram melhora de 30%, e Os participantes do grupo resistido de 28%. No destreinamento, o grupo multisensorial manteve o resultado da reavaliação. O grupo controle apresentou piora de 2% no tempo de execução do teste durante a reavaliação e de 8% no destreinamento. Comparando os dados coletados no teste de Berg (Gráfico 2), o grupo multisensorial apresentou melhora de 11% na reavaliação , mantendo a mesma pontuação no destreinamento. Os participantes do grupo resistido tiveram melhora de 26% na reavaliação e no destreinamento diminuíram o escore em 7%. O grupo controle apresentou piora de 10% na reavaliação e de 2% no destreinamento. GRÁFICO 2 - MÉDIAS DO BERG NOS TRÊS GRUPOS (MULTISENSORIAL, RESISTIDO E CONTROLE). TESTE BERG (Escore) 60 50 49 55 55 43 40 40 32 30 31 28 29 20 10 0 Multisensorial Avaliação Resistido Reavaliação Controle Destreinamento Fonte: Elaborado pelos autores. Comparando os dados coletados no teste sentar-levantar (Gráfico 3), o grupo multisensorial apresentou melhora na reavaliação referente ao teste de sentar e manteve praticamente Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Artigo - 3 a mesma pontuação no destreinamento. No teste de levantar, manteve a pontuação da avaliação inicial na reavaliação, e melhorou no destreinamento. Participantes do grupo resistido obtiveram melhora no teste de sentar durante a reavaliação e piora no destreinamento, e mantiveram praticamente a mesma média no teste de levantar , porém com fator decrescente. O grupo controle apresentou piora na reavaliação do teste de sentar e no destreinamento, já no teste de levantar apresentou igual desempenho na reavaliação e piora no destreinamento. GRÁFICO 3 - MÉDIAS DO TESTE SENTAR-LEVANTAR NOS TRÊS GRUPOS (MULTISENSORIAL, RESISTIDO E CONTROLE). TESTE SENTAR E LEVANTAR (Escore) 6,0 5,0 4,5 4,9 4,8 4,0 3,0 3,3 2,5 2,5 2,0 2,5 3,0 0,8 1,0 - 2,3 1,8 Multifuncional Multifuncional (sentar) (levantar) Avaliação Resistido (sentar) 0,5 0,3 Resistido (levantar) Reavaliação 1,8 1,8 0,5 0,5 0,25 Controle (sentar) Controle (levantar) Destreinamento Fonte: Elaborado pelos autores. Os testes foram avaliados por meio de análise descritiva, e os resultados não foram significativos pelo fato de a amostra de cada grupo ser inferior a dez integrantes. A melhora dos participantes em relação ao teste de BERG e TUG é considerada está relacionada a pontos fundamentais para evitar uma queda, como trofismo muscular no auxílio do equilíbrio e na resposta de reação de proteção. Ganança et al. (2005) relatam que o aumento da frequência de queda em idosos ocorre devido à involução de sistemas, como aparelho vestibular, e fatores intrínsecos, como imobilidade e incapacidade funcional para realizar atividades de vida diária, diminuição de força muscular de membros inferiores, déficit de equilíbrio, distúrbio da marcha e doenças crônicas. Também relatam que um programa de treinamento ou atividades físicas para fortalecer membros inferiores auxilia em muitas funções, como o equilíbrio, e diminuem o risco de quedas. Os dados coletados depois do treinamento apresentam resultados consideráveis para a manutenção do equilíbrio, como diminuição de tempo percorrido no teste de TUG de 30% no grupo multisensorial e de 28% no grupo resistido. Considerando o testes de Berg, o grupo resistido apresentou grande melhora na reavaliação (26%) em relação aos outros grupos, comprovando o bom resultado do treinamento. Discussão A proposta desta pesquisa foi comparar os exercícios resistidos e os multisensoriais, buscando avaliar qual é o mais efetivo para a melhora do equilíbrio e consequente, diminuição do risco de quedas em idosos institucionalizados. O estudo de Paula (2007) relata que o envelhecimento se dá de forma heterogênea, variando de pessoa para pessoa, não podendo um indivíduo ser classificado unicamente por sua faixa etária. Faria (2003) cita que o envelhecimento leva a uma série de modificações fisiológicas inevitáveis sobre os sistemas neuromúsculoesquelético e sensorial. Essas modificações podem gerar déficits de equilíbrio e alterações na marcha que predispõem o idoso a quedas e limitações funcionais. A independência funcional requer força muscular, equilíbrio, resistência cardiovascular e também motivação. Costuma-se afirmar que a deterioração dessas capacidades é inevitável com o envelhecimento, porém está claro que muito dessa deterioração pode ser atribuída ao sedentarismo. Isso significa que a implementação de um programa de exercícios terapêuticos, mesmo em idades extremas, é capaz de minimizar ou mesmo evitar o declínio funcional acentuado, amenizando os efeitos das doenças, ou mesmo Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 25 Artigo - 3 prevenindo-as (FARIA, 2003). Considerando que a queda é um evento multifatorial, no qual estão envolvidos perda do equilíbrio, alterações na marcha, nos sistema sensorial e musculoesquelético, além de fatores ambientais (PAULA, 2007), o presente estudo contemplou atividades de treinamento do equilíbrio, da marcha e treinamento muscular, contribuindo para a diminuição no risco de quedas, ponderando que depois de uma queda com consequências graves como fraturas, internações e perda de independência o idoso pode apresentar a ”síndrome pós-queda”, o que pode interferir em sua vida tanto do ponto de vista físico quanto do social. Assim, esse indivíduo passa a ter medo de sair de casa e vai limitando suas atividades (PAULA, 2007). No estudo de Soares e Sacchelli (2007), os idosos que realizaram programa cinesioterapêutico apresentaram melhora no equilíbrio, o que possivelmente diminui o risco de quedas e aumenta a independência nas atividades diárias. Essa descoberta foi comprovada no presente estudo, pois foi relatado pelos idosos atendidos maior independência para a realização das atividades diárias, como levantar de uma cadeira, sentar na poltrona, deambular, subir e descer escadas, tomar banho e fazer higiene pessoal. O equilíbrio consiste em manter o centro de gravidade (CG) dentro de uma base 26 de suporte que proporcione maior estabilidade nos segmentos corporais, durante situações estáticas e dinâmicas. O corpo deve ser hábil para responder às translações do seu CG impostas voluntária e involuntariamente (FARIA et al., 2003). O mesmo autor descreve que com base nos estudos analisados o fortalecimento muscular foi efetivo em melhorar a força dos músculos, a mobilidade funcional e o equilíbrio de indivíduos idosos. Exercícios que exigem equilíbrio estimulam o sistema de controle motor e favorecem ganho de força muscular, melhoria dos mecanismos de propriocepção, diminuição dos desequilíbrios musculares causadores de desvios posturais e maior sinergia entre os músculos durante um movimento. Exercícios que forçam o indivíduo a manter seu centro de gravidade dentro da base de suporte melhoram o equilíbrio (CAMPOS et al., 2004). Nos resultados obtidos depois do destreinamento, foi observado efeito duradouro ou manutenção dos escores na EEB, TUG e sentarlevantar pela aplicação dos exercícios multisensoriais. Com a aplicação dos exercícios resistidos, não houve manutenção dos mesmos escores de pontuação. Carvalho (2003) relata em seu trabalho que existe uma especificidade de adaptação ao treino e de desadaptação após destreino relacionada ao instrumento de avaliação utilizado. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Conclusão Após o destreinamento (30 dias sem atividades), observou-se a manutenção do equilíbrio e da qualidade da marcha apenas no grupo que realizou exercícios multisensoriais. Já no grupo que realizou exercícios resistidos houve declínio na velocidade da marcha (TUG) e no escore de Berg quando reavaliado após o destreinamento. Com isso se conclui que dentre os grupos treinados, o que praticou exercícios multisensoriais apresentou maior ganho e manutenção do equilíbrio, diminuindo dessa forma a incidência de queda e deixando claro que a falta de atividade física acarreta déficit motor devido ao sedentarismo, senilidade e/ou senescência dos idosos. Sugere-se a realização de novas pesquisas, aplicando-se as técnicas incluídas no estudo com um grupo maior de participantes e comparandose idosos institucionalizados e não institucionalizados a fim de observar com maior fidedignidade os efeitos dos exercícios físicos sobre o equilíbrio e o risco de quedas de idosos. REFERÊNCIAS ALFIERI M. F. Mobilidade funcional de idosos submetidos a exercícios multisensoriais. Motricidade On Line, 2008. ARAÚJO, M. M. Efeitos dos exercícios resistidos sobre o equilíbrio e a funcionalidade de idosos saudáveis: artigo Artigo - 3 de atualização. Revista Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 17, n. 3, p. 277-83, jul./set. 2010. institucionalização de idosos em Belo Horizonte, Brasil. Revista Saúde Pública, v. 33, n. 5, 1999. AVEIRO et al. Efeitos de um programa de atividade física no equilíbrio e na força muscular do quadríceps em mulheres osteoporóticas visando uma melhoria na qualidade de vida. 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Acadêmica do curso de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco. Contato: Raquel_ [email protected] 4. Acadêmica do curso de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco. Contato: ysa_gta@ msn.com 5. Mestre docente da Faculdade Dom Bosco pela CBES. Mestre em Tecnologia em Saúde pela PUCPR. [email protected] RESUMO Estudo controlado, cego, randomizado, do tipo aplicado e descritivo, realizado na Faculdade Dom Bosco, Curitiba, PR. O objetivo deste estudo é avaliar a eficácia do tratamento utilizando os exercícios da série de Cawthorne-Cooksey associados à simulação virtual por meio do videogame Nintendo® Wii procurando observar a evolução clínica dos pacientes frente à realidade virtual. Participaram deste estudo onze sujeitos de ambos os sexos, com diagnóstico de disfunção vestibular, entre 18 a 70 anos de idade. Foram realizados dezesseis atendimentos, dois por semana. Este estudo apresentou amostras dividas em dois grupos: A, experimental, composto por sete indivíduos; B, grupo controle, composto por quatro indivíduos. Foram utilizados a escala de Berg e o questionário de qualidade de vida SF-36 a fim de quantificar e qualificar os resultados obtidos. Os exercícios de Cawthorne e Cooksey aplicados juntamente com o videogame Nintendo® Wii foram capazes de melhorar o equilíbrio nesta amostra e, consequentemente, diminuir a possibilidade de riscos de quedas. Palavras-chave: disfunção vestibular; fisioterapia; reabilitação vestibular; realidade virtual. ABSTRACT It is a controlled, blinded, ramdomized, and descriptive of the typeapplied, held at Don Bosco School in the city of Curitiba. This study aimed to observe the clinical evolution of patients submitted to vestibular rehabilitation with virtual reality. Participated in this study, 11 subjects of both sexes with a diagnosis of vestibular dysfunction, 18 to 70 years old, totaling 16 sessions, with two weekly visits. This study had their amplesdivided into two groups: A, the experimental group, composed of 7 individuals, and B, the control group, composed of 4 individuals. We used the Berg scale and quality of life questionnaire SF-36 in order to quantify and qualify the results obtained in the research. The CawthorneCooksey exercises applied together with the Nintendo ® Wii game were able to improve the balance in our sample and, consequently, reduce dizzy spells, and improve the quality of life of individuals. Keywords: physical therapy, vestibular dysfunction, vestibular rehabilitation, virtual reality. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 29 Artigo - 4 Introdução O sistema labiríntico tem grande importância no controle postural humano, pois permite o equilíbrio do corpo sobre uma pequena base de apoio, os pés. É ao mesmo tempo um sistema sensorial e motor, com a função de fornecer ao sistema nervoso central informações sobre a posição da cabeça e direção da gravidade. Para Riccil (2010), tontura é a sensação de prejuízo no equilíbrio corporal, e vertigem é uma sensação do tipo rotativo com desorientação espacial. Segundo Doretto (1996), existem labirintites autênticas, secundárias, por processos infecciosos da orelha média e sintomáticas, que podem ocorrer devido a uma moléstia febril, cuja fisiopatogenia é desconhecida. A labirintite idiopática, de início súbito, ocorre em qualquer idade e os sintomas são intensos e severos. A vertigem postural paroxística benigna (VPPB) é a mais frequente das vestibulopatias periféricas, sendo comum em jovens, adultos e idosos. Para Ganança (20–), apesar de ser considerada uma afecção benigna quanto ao prognóstico, pode afetar consideravelmente a qualidade de vida do sujeito e tornar-se social e/ou profissionalmente incapacitante. O mesmo autor relata que a história clínica típica da VPPB se caracteriza por episódios de tontura giratória à mudança 30 de posição ou a movimentos oculares, com ou sem náuseas e vômitos associados. O sistema vestibular é uma das principais estruturas para manutenção do equilíbrio, servindo como referência aos sistemas visual e somatossensorial, os quais também participam dessa função. Horak et al., citados por Ribeiro (2005), consideram o equilíbrio como a habilidade do sistema nervoso em detectar qualquer instabilidade e gerar respostas coordenadas que possam restaurar a base de apoio do centro de massa corporal, prevenindo quedas. Dada a importante função do sistema vestibular na sensação do movimento, não é surpreendente que os sujeitos com disfunções vestibulares geralmente apresentem percepções anormais do movimento. A reabilitação vestibular (RV) é uma ferramenta terapêutica utilizada em pacientes com distúrbios do equilíbrio corporal de origem vestibular. Sua ação se baseia em mecanismos centrais de neuroplasticidade, conhecidos como habituação, adaptação e substituição, visando à compensação vestibular. A reabilitação vestibular visa a promover a reeducação dos sintomas labirínticos, diminuindo a intensidade, frequência e duração dos sintomas, proporcionando melhor qualidade de vida do indivíduo. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Objetivos Objetivo geral Este estudo teve como objetivo geral verificar os efeitos dos exercícios da série de CawthorneCooksey associados à simulação virtual por meio do videogame Nintendo® Wii na reabilitação vestibular de sujeitos com distúrbios do sistema vestibular. Objetivos especifícos Avaliar o equilíbrio estático e dinâmico dos sujeitos dos grupos A e B por meio da escala de Berg; avalia a qualidade de vida por meio do Questionário de Avaliação de Qualidade de Vida SF36, pré e pós-tratamento fisioterapêutico, aplicar o tratamento fisioterapêutico proposto para os grupos A e B; reavaliar os sujeitos para verificação de resultados. Metodologia Amostra Participaram deste estudo sujeitos de ambos os sexos, com diagnóstico de disfunção vestibular, entre 18 a 70 anos de idade, encaminhados por médicos otorrinolaringologistas de uma clínica de Curitiba e por meio de divulgação visual. Critérios de inclusão e exclusão Como fatores de inclusão foram considerados os sujeitos entre 18 e 70 anos de idade com diagnóstico de disfunção vestibular, labirintite e vertigem. Artigo - 4 Foram excluídos da pesquisa sujeitos com problemas mentais; gestantes nos três primeiros meses de gestação; obesos; sujeitos com quadro agudo de dor ou patologias associadas, como distúrbios respiratórios e cardiopatias descontroladas, tendinites e síndromes dolorosas, transtornos do aparelho locomotor ou distúrbios visuais que inviabilizassem os exercícios propostos. Procedimentos e avaliações Depois de aprovado o projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Dom Bosco, os sujeitos foram selecionados e convocados a comparecer no laboratório de práticas de TCC da Faculdade Dom Bosco. Com o termo de consentimento livre esclarecido assinado, foram iniciadas as avaliações fisioterapêuticas. Para avaliar a qualidade de vida relacionada aos aspectos de saúde foi aplicado um instrumento traduzido e validado por Ciconelli et al. (1999), a Avaliação da Qualidade de Vida SF-36. Também foi aplicada a escala de equilíbrio de Berg, que avalia o equilíbrio do indivíduo em situações referentes às atividades diárias, como ficar em pé, levantar-se, andar, inclinar-se à frente, transferir-se, virar-se, entre outras. A amostra foi dividida por meio de sorteio em dois grupos randomizados, sendo A o grupo experimental e B o grupo controle, com idêntico número de sujeitos. O grupo experimental foi submetido aos exercícios da série de Cawthorne-Cooksey associado aos softwares do Nintendo® Wii, que incentivam a correção da postura e o equilíbrio. O início do tratamento associado ao Wii é o mesmo realizado tradicionalmente. O fisioterapeuta deve avaliar fisicamente seu paciente para diagnosticar a lesão e traçar um objetivo. Para o estudo foi utilizado o console Nintendo® Wii Fit, juntamente à balança sensitiva à pressão, denominada Wii Balance Board. Dentre os jogos selecionados foram utilizados no estudo os seguintes jogos: • Soccer Heading (Figura 1), em que o indivíduo deve mudar o peso corporal para a direita ou a esquerda para inclinar o seu Mii (jogador virtual) em qualquer direção, atingindo as bolas e desviando dos objetos arremessados. FIGURA 1 – SOCCER HEADING Disponível em: <http://guides.ign.com/guides/949581/pag e_6.html>. Acesso em: 23 out. 2011. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 31 Artigo - 4 • Tilt Table (Figura 2), em que o indivíduo deve controlar a inclinação da placa deslocando o peso do corpo para a direita, esquerda, para frente ou para trás, ajustando seu peso na plataforma. FIGURA 2 – TILT TABLE Disponível em: <http://guides.ign.com/guides/949581/page_6. html>. Acesso em: 23 out. 2011. • Balance Bubble (Figura 3), em que o indivíduo deve distribuir o peso do corpo na plataforma, evitando tocar nas paredes. FIGURA 3 – BALANCE BUBLE Disponível em: <http://guides.ign.com/guides/949581/p age_ 6.html>. Acesso em: 23 out. 2011. O grupo controle foi submetido apenas aos exercícios da série de Cawthorne-Cooksey, que envolvem movimentos de olhos, cabeça e controle cervical em diferentes situações: no leito, em posição sentada, bípede estática e dinâmica, com os olhos abertos e fechados. A pesquisa com o tratamento fisioterapêutico totalizou dezesseis atendimentos, duas vezes por semana, ao término dos quais os sujeitos foram reavaliados seguindo os mesmos critérios da avaliação inicial. 32 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Artigo - 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Esta pesquisa teve como amostra inicial 34 sujeitos de ambos os sexos, finalizando com onze sujeitos. O grupo A, experimental, composto inicialmente por 11 sujeitos, terminou com sete; o grupo B, controle, composto inicialmente por onze sujeitos, terminou com quatro, todos com diagnóstico de disfunção vestibular, em especial a labirintite. O grupo A – experimental com o uso do videogame – finalizou a pesquisa com maior número de sujeitos, e pode-se inferir que os sujeitos aderiram mais ao tratamento quando desafiados a fazer maior pontuação nos games a cada atendimento fisioterapêutico. Como mencionado por Dias et al. (2009), “a pouca motivação gerada pelos métodos tradicionais são apontados como motivo de abandono do tratamento, caracterizando-se como uma das principais causas de falha terapêutica”. A média de idade dos sujeitos do grupo A foi de 45,67 anos, e a dos sujeitos do grupo B, 43,75 anos. Quando questionados a respeito do motivo pelo qual buscaram tratamento, sete sujeitos alegaram crises de tontura; dois, crises de labirintite; um, zumbido; um, surdez. GRÁFICO 1 – MOTIVO DE PROCURA AO TRATAMENTO 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Crises de tontura Crises de labirintite Zumbido Surdez No questionário de qualidade de vida SF-36, a média obtida na avaliação inicial dos sujeitos do grupo A foi 105,95, e no grupo B 110,95, o que indica boa qualidade de vida em ambos os grupos, porém com maior pontuação no grupo B. GRÁFICO 2 – SF-36: PRÉ-TRATAMENTO 80% 70% 71% 60% 50% 50% 50% 40% 29% 30% 20% Grupo A 10% Grupo B 0% Abaixo de 108,45 Acima de 108,45 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 33 Artigo - 4 Ao término da pesquisa, a média dos resultados obtidos no grupo A foi 125,22, e no grupo B 125,28, o que também indica boa qualidade de vida, com aumento da pontuação em ambos os grupos. GRÁFICO 3 – SF-36: PÓS-TRATAMENTO 80,00% 75% 70,00% 57,14% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 42,86% 25% 20,00% Grupo A 10,00% Grupo B 0,00% Abaixo de 125,25 Acima de 125,25 Na escala de equilíbrio de Berg, a média obtida na avaliação inicial dos sujeitos do grupo A foi 46 e na avaliação final 53 pontos, porém mais da metade dos sujeitos (57,14%) ficou acima dos 54 pontos, observando-se que neste nível cada ponto a menos é associado a aumento de 3 a 4% abaixo no risco de quedas. Já no grupo B a média obtida na avaliação inicial dos sujeitos foi 48,25 e na final foi 52,25. Isso significa que a alteração de um ponto é associada a aumento de 6 a 8% de chances de queda em ambos os grupos. GRÁFICO 4 – ESCALA DE BERG 54 52 50 48 46 Grupo A 44 Grupo B 42 Pré-tratamento Pós-tratamento Comparando o primeiro e o último atendimento percebe-se relevante melhora no desempenho dos sujeitos do grupo A no último atendimento. No último atendimento, 85,71% dos sujeitos apresentou melhor desempenho na primeira jogada, o que demonstra uma evolução dos sujeitos frente ao tratamento, visto que no primeiro atendimento a maior pontuação obtida nos jogos foi revelada na segunda jogada, o que revela também maior adaptação dos sujeitos a cada jogo. 34 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Artigo - 4 GRÁFICO 5 – COMPARAÇÃO ENTRE O PRIMEIRO E O ÚLTIMO ATENDIMENTO COM O VIDEOGAME NINTENDO® WII 600 500 464,33 446 400 200 0 356 332,5 300 100 512,5 485,5 180,84 179 147,67 124 65,34 S1 256,84 60,67 29,33 S3 S5 Primeiro atendimento S7 S9 S9 S9 Último atendimento Essa evolução no tratamento pode justificar-se pelo fato de que enquanto estão jogando, sem perceber os sujeitos realizam movimentos que julgavam difíceis, o que possibilita a evolução dos pacientes quanto suas habilidades (Cyrillo, 2010). De acordo com Souza et al. (2011), a realidade virtual não pode ser utilizada como tratamento único, pois não substitui a terapia convencional ou um fisioterapeuta na condução do equipamento e no auxílio e direcionamento dos exercícios. Deve portanto ser utilizado apenas como recurso complementar. Madeira (2011) aponta que o Nintendo® Wii pode ser usado como técnica terapêutica para reabilitação de pacientes com lesões cerebrais, funcionais e musculoesqueléticas por estimulálos a realizar movimentos por meio de maior estimulação cerebral. DADOS COLETADOS APÓS O TRATAMENTO Ao término das avaliações, os sujeitos foram questionados quanto à sua opinião sobre o tratamento; a totalidade dos sujeitos de ambos os grupos apreciaram o tratamento pela melhora obtida em relação ao equilíbrio. No grupo A, a diferença em relação às respostas do grupo B deveu-se a dois aspectos: a menção a automóveis (dirigir e observar carros em movimento sem tonturas) e a maior confiança em relação a algumas atividades, conforme relato do sujeito 1: [...] antes dirigia com muito medo [...] tinha medo de brincar com os netos, pois batia nas paredes quando levantava. (S1) Quanto ao uso de medicamentos específicos para disfunção labiríntica após o tratamento, 100% dos sujeitos do grupo A (sete sujeitos) referiram não mais usá-los e apenas um sujeito do grupo B ainda usava o medicamento A dificuldade comum apresentada em ambos os grupos foi a execução de atividades com os olhos fechados, relatada por três sujeitos do grupo A (42,85%) e dois sujeitos do grupo B. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 35 Artigo - 4 ASPECTOS REFERIDOS EXCLUSIVAMENTE PELOS SUJEITOS PERTENCENTES AO GRUPO EXPERIMENTAL APÓS O TRATAMENTO COM O VIDEOGAME NINTENDO® WII Três meses após o tratamento, 100% dos sujeitos consideraram a interação com o videogame Nintendo® Wii um diferencial no tratamento. Todos os sujeitos contatados referiram sentir-se motivados com a inserção do videogame no tratamento, e metade afirmou buscar melhores resultados a cada jogada, como relata o S1: Senti-me muito motivado, e se tivesse um aparelho em casa ia fazer todos os dias porque não enjoava de fazer, pelo contrário, é estimulante, você faz hoje e amanhã tem vontade de fazer mais ainda e bater seus próprios recordes. Questionados sobre a inexistência do videogame no tratamento, 83,33% dos sujeitos (cinco) relataram que fariam o tratamento da mesma forma, porém perceberam que o videogame foi um diferencial, como relata o sujeito 1: Se não tivesse, faria da mesma forma, porque não teria conhecimento de como seria o tratamento com o videogame, porém se tivesse feito algumas sessões com o videogame e depois as doutoras tirassem, eu não iria gostar, iria sentir que faltava alguma coisa e talvez não melhorasse tanto [...] Acho que um completa o outro. Em relação aos movimentos exigidos nos jogos, 83,33% (cinco sujeitos) referiram ter dificuldade em realizar os movimentos laterais, mençionando o jogo Balance Bubble que exige do sujeito realizar movimentos laterolaterais com o corpo para se deslocar. Isso se justifica pelo fato de o videogame Nintendo® Wii levar os jogadores a executar movimentos semelhantes aos praticados nas sessões de fisioterapia, o que promove trabalho muscular como resposta à estimulação provocada além do aumento da capacidade de concentração e equilíbrio, por estimular a atividade cerebral. As respostas reveladas pela totalidade dos sujeitos contatados (seis) demonstra que 100% relataram apresentar melhora no equilíbrio. Observou-se que, além do equilíbrio, 66,66% (quatro sujeitos), relataram sentir-se mais animados e melhoraram sua capacidade de concentração, 33,33% (dois sujeitos) apresentaram melhora na autoestima e 50% (três sujeitos) referiram sentir melhora na segurança. Um sujeito (16,67%) refere ter voltado a sentir cheiros no oitavo atendimento. Bernardi (2011) acrescenta que a introdução da realidade virtual à fisioterapia ajuda a aperfeiçoar a coordenação motora, a memória, a destreza, a agilidade e o raciocínio. 36 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Artigo - 4 Considerações finais A partir dos objetivos propostos e resultados obtidos podese concluir com este estudo que ambos os grupos tiveram evolução com o tratamento fisioterapêutico aplicado, porém foi observado que o grupo A apresentou maior sucesso no tratamento quando comparado ao grupo B, do ponto de vista quantitativo e qualitativo, concluindo-se que a associação do videogame Nintendo® Wii aos exercícios de Cawthorne-Cooksey para reabilitação vestibular mostrou-se eficaz para o tratamento das labirintopatias. A reabilitação vestibular com realidade virtual é uma medida terapêutica inovadora, havendo escassez de pesquisas de tratamento associado ao uso deste equipamento na literatura. Por esse motivo, as autoras desta pesquisa sugerem novas pesquisas na área, com número de amostra significativo, aumento na frequência e duração do tratamento. REFERÊNCIAS CONSULTADAS DARTER, B. J.; WILKEN, J. M. Gait training with virtual reality-based real-time feedback: improving gait performance following transfemoral amputation. Physther, v. 91, September 2011, p. 1385-1394. Disponível em: <http://ptjournal.apta.org/ content/91/9/1385.full.pdf+html?sid=ed14d9b9-0c53-46a7-8daf17acef91f885 > Acesso em: 21/10/2011. GAZZOLA, J. M. et al. Realidade virtual na avaliação e reabilitação dos distúrbios vestibulares. Artigo original. 6f. ACTA ORL – Técnicas em Otorrinolaringologia, v. 27, n. 1. p. 22-7, 2009. Disponível em: <http://www.actaorl.com.br/PDF/2701-04.pdf> Acesso em: 25/ out. 2011. LEVAC, D. et al. Documenting the content of physical therapy for children with acquired brain injury: development and validation of the motor learning strategy rating instrument. 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Contato: [email protected] Curso: Fisioterapia Faculdade Dom Bosco – Sede Mercês Avenida Manoel Ribas, 2181, CEP. 80810-000 Rua Paulo Martins, 298, CEP. 80710-010 Mercês, Curitiba, PR 41 3218-5550 www.dombosco.com.br RESUMO Osteoporose e osteopenia são doenças de ordem metabólica que acometem os ossos associadas à perda de osso mineralizado, o que leva ao enfraquecimento do esqueleto, ocasionando complicações como fraturas e modificações estruturais, incapacitando o indivíduo acometido por um período de tempo, levando a um decréscimo na qualidade de vida. Sabe-se que a atividade física regular tem se destacado por seus numerosos benefícios físicos e psíquicos. Objetivos: O presente estudo verifica os efeitos sobre a qualidade de vida por meio de um protocolo de cinesioterapia aplicado em mulheres acometidas por osteopenia ou osteoporose. Métodos: Participaram da pesquisa dezenove mulheres voluntárias com idade entre 50 e 82 anos que foram submetidas à avaliação física e responderam ao questionário OPAQ de qualidade de vida. As voluntárias foram divididas em dois grupos. O primeiro foi submetido a protocolo de cinesioterapia e realizandou exercícios de fortalecimento e equilíbrio orientados pelas acadêmicas com frequência de duas vezes por semana e duração de 60 minutos. O outro, a programa de caminhada com frequência de duas vezes por semana e duração de 40 minutos, recebeu orientações e ficha de acompanhamento. Os grupos foram reavaliados após oito semanas pela reaplicação do questionário OPAQ. Os dados foram analisados estatisticamente por meio do teste U- Mann Whitney. Resultados: As variáveis analisadas pelo questionário OPAQ demonstraram que não houve melhora significante. Conclusão: Os resultados obtidos neste trabalho permitem concluir que não houve alteração significante na qualidade de vida de mulheres portadoras de osteoporose ou osteopenia. Palavras-chave: osteoporose, osteopenia, atividade física, qualidade de vida. ABSTRACT Osteoporosis and osteopenia are metabolic diseases that affect the order of the bones and are associated with loss of mineralized bone, which leads to weakening of the skeleton, causing complications such as fractures and structural changes, disabling the affected individual for a period of time, causing a decrease in quality of life. It is known that regular physical activity has been noted for its many physical and psychological benefits. Objectives: Based on this, this study evaluates the effects on quality of life through a protocol of exercise applied to women affected by osteoporosis or Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 43 Artigo - 5 osteopenia. Methods: Study participants nineteen female volunteers aged between 50 and 82 years who underwent physical examination and completed the questionnaire OPAQ quality of life. The volunteers were divided into two groups, the first being subjected to a protocol of exercise by performing strengthening exercises and balance, guided by academic, two time per week, for about 60 minutes and the other a walking program, frequently two time a week lasting 40 minutes, and received the same guidelines and a form of monitoring. The groups were reevaluated after eight weeks by reapplying the OPAQ questionnaire, the dices were analyzed statistically by the test U- Mann Whitney. Results: The variables analyzed through the OPAQ questionnaire showed no significant improvement. Conclusion: The results obtained allow to conclude that did not change significantly in quality of life of women with osteoporosis or osteopenia. Keywords: osteoporosis, osteopenia, physical activity, quality of life. Introdução A presente pesquisa visa descrever as patologias osteopenia e osteoporose e relatar uma abordagem fisioterapêutica em mulheres acometidas. O tratamento aqui proposto possui como objetivo final melhorar a qualidade de vida, 44 incentivando a prática de atividade física como forma preventiva de numerosos aspectos, como perda de força muscular; risco de quedas; diminuição progressiva de massa óssea e fraturas. A osteoporose, após Conferência de Consenso realizada no Brasil, foi definida como doença sistêmica caracterizada por deterioração da microarquitetura óssea, levando os indivíduos acometidos a um quadro suscetível a fraturas, o que gera um problema de saúde pública (Segundo Conferência de Consenso realizada no Brasil). Inúmeros fatores contribuem para o surgimento da doença: genética, ambiente, idade, dieta com baixa ingestão de cálcio, baixo peso corporal, distúrbios hormonais e sedentarismo. Embora a osteoporose seja tão prevalente quanto à hipertensão arterial e o diabetes mellito, ainda é pouco divulgada no Brasil e os dados epidemiológicos são pouco consistentes. O avanço das pesquisas na área da saúde e os novos medicamentos fazem com que a população mundial ultrapasse a média de vida de gerações anteriores, todavia é importante não somente melhorar a expectativa dos anos acrescidos, mas a qualidade com que serão vividos. Sabe-se que o processo de envelhecimento gera modificações sistêmicas no organismo causando diminuição das respostas do Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 sistema nervoso central, da força muscular, deficiência visual, entre outros, elevando o índice de quedas. Estudos demonstram que 15 a 30% dos pacientes com fratura de fêmur morrem durante o primeiro ano após o trauma, fato ligado às complicações cirúrgicas como infecção, úlceras de pressão, pneumonia, trombose e problemas cardíacos. A osteoporose eleva o risco de fraturas, atuando como agente prejudicial à qualidade de vida, especialmente em mulheres na menopausa devido à baixa taxa hormonal, que em geral desenvolvem outras doenças associadas como a depressão. A intervenção em pacientes que apresentam baixa densidade óssea deve ir além do acréscimo de massa nas estruturas esqueléticas. Devese dar importância à melhora da autoestima, confiança e qualidade de vida por meio de exercícios terapêuticos apropriados às condições de saúde das pacientes. Metodologia O presente estudo delimitouse a avaliar a qualidade de vida em mulheres portadoras das patologias osteopenia e/ ou osteoporose. Para tal, foi utilizado como instrumento de pesquisa o questionário OPAQ (Osteoporosis Assessment Questionnaire), com intuito de identificar a percepção das mesmas em relação à sua qualidade de vida. A pesquisa foi realizada com mulheres acima de 40 anos Artigo - 5 que participaram do teste do Calcâneo na Faculdade Dom Bosco em 2009 ou por meio de outro exame de comprovação. forma controlada, e foram comparados os resultados de dois grupos. A faixa etária do grupo pesquisado foi delimitada de maneira a garantir idade compatível com o surgimento da doença (SISNEP e CONEP). Procedimento aplicado ao grupo experimental G1 De acordo com Lakatos e Marconi (2007), a presente pesquisa é aplicada, pois apresenta conhecimentos para prática; qualiquantitativa, por obter e analisar resultados. A variável quantitativa é determinada por meio de dados ou proporção numérica, e a qualitativa relaciona aspectos mensuráveis e descritivos (FACHIN, 2005, p. 79-81). Trata-se também de uma pesquisa exploratória, pois segundo Andrade (2005, p. 124) é o primeiro passo de todo trabalho científico, pois busca novos conhecimentos da área, abre hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores, com levantamento bibliográfico e documental. Segundo Andrade (2005, p. 124) essa descritiva ocorre quando os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles. Cervo (1996, p. 49) e Gil (2002, p. 42) acrescentam que a pesquisa descritiva aborda dados e problemas que merecem ser estudados e o objetivo principal é descrever um processo por meio de informações obtidas da amostra utilizada na pesquisa. Esta pesquisa se deu de O tratamento para o grupo G1, composto por nove voluntárias, teve duração de dois meses, numa frequência de duas vezes semanais, sendo estipulada uma hora em cada atendimento. As pesquisadoras participaram de forma igualitária de todos os atendimentos, orientando e auxiliando particularmente cada indivíduo. Antes da primeira sessão de exercícios, o grupo G1 foi submetido a teste para determinação das cargas de cada exercício resis¬tido. Cada sujeito realizou doze repetições com carga supostamente leve, e ao final foi questionado o nível de esforço percebido utilizando-se a escala de Borg. A carga escolhida para iniciar o protocolo de exercícios foi aquela em que o sujeito relatou esforço de intensidade fácil (nível 9 da escala de Borg). O grupo G1 realizou sequência de aquecimento por meio de caminhada rápida ao redor da sala, pequenos saltos e oscilações de MMSS (membros superiores), totalizando um período de 5 minutos, prosseguindo para um circuito de quatro estações (A, B, C e D). Em cada estação foram realizados cinco exercícios adaptados pelas autoras para facilitar a operacionalidade, com base na literatura de Kisner (2009) e Hall (2001), finalizando com uma série de alongamentos com duração de 5 minutos. Foram contraindicados exercícios de flexão e rotação da coluna pelas questões físicas relacionadas à doença e flexão de ombro acima de 90º devido ao impacto subacromial. Procedimento realizado ao grupo controle G2 O grupo G2, composto por dez participantes, foi orientado a realizar 40 minutos de caminhada com cadência média de 94 passos por minuto, numa frequência de duas vezes semanais, durante dois meses. Para determinar a cadência, foram contados os passos das participantes da caminhada por um minuto e realizada a média entre os resultados. As participantes receberam uma ficha de acompanhamento, e as dúvidas esclarecidas por contato telefônico ou pessoal. Análise dos dados e resultados Os questionários foram analisados de acordo com os objetivos da pesquisa. Envolvendo a classificação e organização das informações, estabelecendo as relações existentes entre os dados coletados, observando os pontos de convergência, divergência, tendências e tratamento estatístico (CARVALHO, 1994). Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 45 Artigo - 5 A significância dos resultados foi averiguada por meio do teste não paramétrico Wilcoxon (Qui Quadrado), com p < 0,05. A discussão dos resultados obtidos foi efetuada com base nas questões referidas e com os objetivos da pesquisa. As comparações dos domínios apresentados pelo questionário OPAQ entre os grupos experimental e controle foram efetuadas por meio do teste U de Mann-Whitney; foi elaborada tabela em percentuais por meio da planilha eletrônica Microsoft Excel. A representação visual, por meio de gráficos e tabelas, facilita a compreensão dos dados. O tratamento estatístico permite análise adequada quando as informações são coletadas por meio de questionário e protocolos (CARVALHO, 1994). GRÁFICO 1 – DISTRIBUIÇÃO DO DIAGNÓSTICO 18% Osteopenia Osteoporose 82% Fonte: Elaborado pelas autoras. GRÁFICO 2 – DISTRIBUIÇÃO POR FAIXA ETÁRIA 5% 80 - 90 Faixa Etária Para análise dos dados coletados por meio do questionário OPAQ, foram efetuados cálculos por meio do software Excel da Microsoft. Foram elaboradas duas planilhas: a primeira com informações anteriores ao tratamento proposto, a segunda com informações posteriores. 70 - 80 16% 60 - 70 21% 58% 50 - 60 0% 10%20%30%40%50% 60%70% % Fonte: Elaborado pelas autoras. Análise do grupo experimental A Tabela 1 apresenta os resultados obtidos após o tratamento com exercícios terapêuticos. Entre as categorias analisadas, apresentaram variável significante andar e inclinar-se, sono, nível de tensão e imagem corporal. O item atividade social não apresentou nenhuma variação entre o antes e o depois do tratamento; os demais itens apresentaram melhora, embora não significante para esta pesquisa. Apresentação dos dados O questionário OPAQ foi distribuído às dezenove mulheres com idade entre 50 e 82 anos selecionadas para a pesquisa.Destas, 18% apresentavam diagnóstico de osteopenia e 82% de osteoporose. 46 Análise do grupo controle A Tabela 2 apresenta os resultados obtidos após o ciclo de caminhadas. Entre as categorias analisadas, apresentaram variável significante bem-estar geral, trabalhos domésticos, movimentação e transferências, medo de quedas, fadiga, trabalho, imagem corporal, independência e atividade sexual. Os demais itens apresentaram melhora, embora não significante para esta pesquisa. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 Artigo - 5 TABELA 1 – RESULTADO DO GRUPO EXPERIMENTAL Resultados Grupo Experimental Variável Pré-teste Média (Desvio Padrão) Pós-teste Teste Wilcoxon Média (Desvio padrão) Bem-estar geral 4,72 (1,82) 3,83 (2,05) > 0,05 Mobilidade 1,67 (2,14) 1,33 (2,09) > 0,05 Andar e inclinar-se 2,67 (2,80) 1,39 (2,27) < 0,05 * Dor nas costas 3,78 (3,63) 1,78 (2,40) > 0,05 Flexibilidade 1,53 (1,77) 1,46 (3,10) > 0,05 Cuidados próprios 0,28 (0,64) 0,07 (0,21) > 0,05 Trabalhos domésticos 0,42 (0,83) 0,07 (0,21) > 0,05 Movimentação / Transferência 1,25 (2,05) 0,42 (0,88) > 0,05 Medo de quedas 4,17 (3,72) 3,33 (3,55) > 0,05 Atividade social 5,06 (1,53) 5,06 (1,51) > 0,05 Apoio de família e amigos 3,47 (3,27) 3,27 (2,74) > 0,05 Dor relacionada à osteoporose 3,17 (2,69) 2,67 (2,19) > 0,05 Sono 5,70 (2,49) 4,59 (2,17) < 0,05 * Fadiga 3,82 (1,55) 2,99 (2,40) > 0,05 Trabalho 2,36 (1,97) 2,43 (2,08) > 0,05 Nível de tensão 4,61 (1,39) 3,33 (0,97) < 0,05 * Humor 3,78 (1,50) 3,39 (1,47) > 0,05 Imagem corporal 3,06 (2,33) 1,60 (1,77) < 0,05 * Independência 4,35 (1,90) 5,19 (2,56) > 0,05 Atividade sexual 2,78 (1,90) 2,29 (1,93) > 0,05 Fonte: Elaborada pelas autoras. TABELA 2 – RESULTADO DO GRUPO CONTROLE Resultados grupo controle Variável Pré-teste Pós-teste Teste Wilcoxon Média Média (Desvio padrão) (Desvio padrão) Bem-estar geral 4,90 (1,58) 3,90 (1,90) < 0,05 * Mobilidade 3,25 (1,74) 2,60 (2,39) > 0,05 Andar e inclinar-se 4,60 (2,55) 3,75 (2,04) > 0,05 Dor nas costas 5,65 (2,70) 5,20 (1,69) > 0,05 Flexibilidade 3,31 (2,96) 2,81 (2,29) > 0,05 Cuidados próprios 0,19 (0,42) 0,31 (0,44) > 0,05 Trabalhos domésticos 1,88 (1,64) 1,31 (1,49) < 0,05 * Movimentação/transferência 1,88 (1,96) 1,38 (1,99) < 0,05 * Medo de quedas 7,15 (2,00) 5,95 (1,59) < 0,05 * Atividade social 5,30 (2,28) 4,80 (2,07) > 0,05 Apoio de família e amigos 1,81 (2,25) 1,63 (2,36) > 0,05 Dor relacionada à osteoporose 5,40 (2,48) 4,85 (2,89) > 0,05 Sono 5,19 (2,81) 4,75 (2,72) > 0,05 Fadiga 4,94 (2,89) 3,32 (2,98) < 0,05 * Trabalho 5,13 (2,87) 3,25 (2,87) < 0,05 * Nível de tensão 5,55 (2,52) 5,60 (1,61) > 0,05 Humor 4,25 (1,48) 3,35 (1,70) > 0,05 Imagem corporal 5,56 (1,57) 3,81 (2,23) > 0,05 Independência 5,25 (2,12) 4,25 (1,69) < 0,05 * Atividade sexual 3,94 (2,32) 2,81 (1,70) < 0,05 * Fonte: Elaborada pelas autoras. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 47 Artigo - 5 GRÁFICO 4 – RESULTADOS SIGNIFICATIVOS DO GRUPO CONTROLE Fonte: Elaborado pelas autoras. Análise entre os grupos experimental e controle TABELA 3 – RESULTADO ENTRE OS DOMÍNIOS GRUPO EXPERIMENTAL X GRUPO CONTROLE Comparação entre grupos - teste U de Mann - Whitney Domínios Teste U Bem-estar Pré > 0,05 Pós > 0,05 Função física Pré > 0,05 Pós > 0,05 Estado psicológico Pré > 0,05 Pós > 0,05 Sintomas Pré > 0,05 Pós > 0,05 Interação social Pré > 0,05 Pós > 0,05 Fonte: Elaborado pelas autoras Discussão A presente pesquisa aplicada demonstrou, por meio do teste U de Mann-Whitney, que não houve diferença significante a curto prazo entre os grupos experimental e controle no que se refere 48 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 aos domínios do questionário OPAQ. No estudo proposto por Madureira (2010, p. 11), em que foi aplicado programa de treino de equilíbrio, houve diferença significante na comparação dos domínios do OPAQ (inicial- final) revelando melhora significante na qualidade de vida em todos os parâmetros em relação ao grupo experimental e ao grupo controle. Participaram desse estudo 60 mulheres com idade entre 65 e 85 anos durante doze meses. O mesmo sucedeu no estudo de Auad et al. (2007, p. 26) em que o OPAQ foi aplicado após a intervenção de um programa de atividade física por oito meses em 28 idosas, ocorrendo diferença significante em todos os domínios. Com base nos estudos Artigo - 5 relatados acima, as pesquisadoras consideraram que o tempo de intervenção proposto (oito semanas) pode ter sido insuficiente para determinar melhora significante (teste U- Mann Whitney) da qualidade de vida das voluntárias. Isso leva a crer que para os efeitos de programas de exercícios serem melhor atestados, de haver tempo mais longo de aplicação (BRAVO et al., 1996 apud MADUREIRA, 2010, p. 32). Todavia, os sujeitos do estudo relataram aspectos de impacto positivo em seu cotidiano, durante e após o programa de tratamento. O programa de exercícios indicado para o grupo controle é de simples e fácil aplicação, exigindo-se supervisão mínima, o que tornou possível a prática individualizada, de acordo com orientações sugeridas pelas pesquisadoras. De acordo com Sinaki (1989 apud OCARINO) e Serakides (2006, p.166), estudos demonstram que exercícios com carga de peso moderado, como caminhadas e cooper, promovem aumento do conteúdo mineral nos ossos das mulheres portadoras de osteopenia decorrente do avançar da idade e do declínio dos esteroides sexuais. Por outro lado, a intervenção proposta ao grupo experimental demandou supervisão mais exigente, evitando-se compensações posturais, quedas e outros riscos. Segundo Bocalini et al. (apud Madureira (2010, p. 33) os pacientes portadores de osteoporose apresentam riscos intrínsecos de fraturas, o que exige orientação eficaz e particularizada. A atividade física regular é um componente crucial para a qualidade de vida em mulheres portadoras de osteoporose. A literatura acrescenta que o exercício físico sistematizado pode acarretar diversos benefícios, tanto físicos quanto mentais, proporcionando melhor qualidade de vida (MELO, 2005, p. 206). Ressalta-se que em mulheres após a menopausa ocorrem alterações no metabolismo, na absorção de cálcio e no perfil hormonalque associadas à inatividade física contribuem para balanço negativo no equilíbrio da remodelação óssea, tendo como principal consequência a osteoporose (RAISZ, 1999; BLAND, 2000; SINAKI, 1989 apud OCARINO e SERAKIDES, 2006, p. 165). Para avaliar a adesão ao tratamento, considerouse a frequência mínima de 70%, controlada por meio de lista de presença, assinada a cada encontro do grupo experimental e a cada dia de caminhada do grupo controle. Houve boa interação social entre as participantes em ambos os grupos. Segundo Young e Dinan (1999 apud MADUREIRA, 2010, p. 33), a boa interação social leva à boa adesão ao tratamento. Uma das limitações apresentadas nesta pesquisa foi a localização residencial de algumas voluntárias, visto que algumas residem na região metropolitana de Curitiba, assim como a disponibilidade de horário de algumas. Por esse fator, determinou- se não realizar um estudo randomizado garantindo a constante participação da amostra daquelas que optaram pelo grupo experimental e fidelidade das que se propuseram a realizar as caminhadas frequentemente. Apesar de as pesquisadoras não obterem diferença significante por meio do teste U - Mann Whitney, entre os grupos experimental e controle foi possível visualizar importante significância intragrupos pelo teste Wilcoxon. O grupo experimental obteve melhor resultado nos itens andar e inclinar-se, sono, imagem corporal e nível de tensão, diferentemente do grupo controle, que apresentou melhor resultado nos itens bem-estar geral, trabalhos domésticos, movimentação e transferências, medo de quedas, fadiga, trabalho, imagem corporal, independência e atividade sexual. Quando se utilizou de tabela comparativa em percentuais, o grupo experimental obteve maior diferença nos itens mobilidade (0,4%), medo de quedas (3,4%), dor relacionada a osteoporose (5,6%), sono (11,0%), imagem corporal (16,2%). Citam-se com maior relevância percentual no grupo experimental os itens andar e inclinar-se (29,5%), dor nas costas (44,9%), cuidados próprios (138,2%), trabalhos domésticos (53,0%), movimentação e transferências (39,8%), nível de tensão (28,7%). O elemento mobilidade do questionário OPAQ foi altamente relevante para este Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 49 Artigo - 5 trabalho, pois interferiu nos demais. Como exemplo, citase o trabalho de Oliveira et al. (2006, p. 01), no qual 28 sujeitos foram submetidos à comparação de suas habilidades funcionais por meio do índice de Katz. A mobilidade interferiu significantemente na realização das atividades de transferência, banho e vestuário na amostra pesquisada (ALEXANDER; NICKEL; BORESKIE, & SEARLE, 2000 apud DANTAS et al., 2002, p. 13; OLIVEIRA et al., 2006, p. 92; TINETTI, 1996 apud OLIVEIRA; FILLENBAUM et al., 1999 apud OLIVEIRA et al., 2006, p. 92). Estudos demonstram que a atividade física permite retardar ou reverter o decréscimo de mobilidade, que contribui para doenças e incapacidades em idosos (BUCKWATER, 1997 apud DANTAS et al., 2002, p. 13). Todavia notou-se neste estudo que não houve diferença significante intergrupos no teste U Mann Whitney. Na tabela, em percentuais, ambos os grupos obtiveram melhor desenvolvimento em sua mobilidade, comparando-se o pré e pós-tratamento. Mesmo sendo mínina a diferença percentual intergrupos, a vantagem desse elemento do questionário OPAQ é impactar nos demais itens por ser elemento da função física extremamente importante, constituindo prérequisito para a execução das atividades de vida diária e a manutenção da independência, fatores que contribuem para a melhora da qualidade de vida, pois mantendo-se 50 uma mobilidade adequada é possível aperfeiçoar a habilidade de um indivíduo portador de osteoporose nas atividades cotidianas, como buscar ou manter a destreza, andar e inclinar-se, levantar-se e alcançar algum objeto acima da cabeça (ALEXANDER, NICKEL, BORESKIE, & SEARLE, 2000 apud DANTAS et al., 2002, p. 13; (OLIVEIRA et al., 2006, p. 92; TINETTI, 1996 apud OLIVEIRA; FILLENBAUM et al., 1999 apud OLIVEIRA et al., 2006, p. 92). O item andar e inclinar-se, influenciado pela mobilidade, apresentou variação percentual de 47,9% dentro do grupo experimental comparandose pré e pós-tratamento, diferentemente do grupo controle, que variou 18,5%. No item movimentações e transferências a variação percentual foi de 66,4% no grupo experimental e 26,6 % no grupo controle. Quanto ao item medo de quedas, houve variação percentual de 20,1% no grupo experimental e 16,8% no controle, comparandose pré e pós-teste, variando percentualmente intergrupos o valor de 3,4%. Segundo Kirkwood et al. (1999 apud HENRIQUES, 2004, p. 54), a prática de atividade física pode melhorar as condições musculoesqueléticas, dessa forma, melhora postura, força muscular, amplitudes de movimento e equilíbrio, fatores de risco para queda. Segundo eles, os maiores prejuízos associados a essas alterações estão relacionados à marcha, contribuindo para maior risco de quedas e fraturas e para Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 episódios frequentes de dor. Segundo Foorwood e Larsen (2000 apud HENRIQUES, 2004, p. 22) um ótimo padrão para a prevenção das fraturas osteoporóticas inclui manter a força do osso, aumentar a massa óssea e minimizar o trauma. Sinaki (1996 apud HENRIQUES, 2004, p. 22) complementa que convém estimular a atividade física durante toda a infância e na idade adulta. MarquesNeto e Lederman (1995), Forwood e Larses (2000 apud Henrriques, 2004, p. 22) relatam que além de aumentar o condicionamento físico e reduzir a perda de massa óssea, o exercício pode melhorar o padrão da marcha, do equilíbrio, as reações de propriocepção e defesa, além de contribuir para a prevenção de quedas e risco de fraturas, pois proporciona ganho de força muscular e consequente melhora da qualidade de vida. Os autores citam ainda que o benefício primário do exercício nos ossos de adultos não é o aumento de massa óssea, e sim a conservação dos níveis de massa. O estudo de Aveiro (2005, p. v) realizado com doze mulheres por doze semanas por meio de alongamentos, caminhada, fortalecimento e treino de equilíbrio demonstrou não haver diferença significante na questão sono do questionário OPAQ quando foi agrupado na categoria nível de tensão, porém as voluntárias relataram maior disposição ao acordar e diminuição da dificuldade de dormir. Na presente pesquisa, o elemento sono representou variação percentual de 11,0% Artigo - 5 intergrupos, sendo a maior variação pré e pós-tratamento registrada no grupo experimental (19,5%). Existem algumas hipóteses para justificar a melhoria do sono em pessoas que praticam atividade física, entre elas, a termorregulatória e a conservação de energia. A termorregulatória esclarece que, com o aumento da temperatura corporal como consequência do exercício físico, facilita-se o início do sono graças à ativação dos mecanismos de dissipação do calor e de indução do sono, processos controlados pelo hipotálamo (DRIVER; TAYLOR; LU; GRECO; SHIROMANI; SAPER, 2000 apud MELLO, 2005, p. 204). A hipótese da conservação de energia relata que o aumento do gasto energético promovido pelo exercício durante a vigília aumentaria a necessidade de sono a fim de alcançar um balanço energético positivo, restabelecendo uma condição adequada para um novo ciclo de vigília (DRIVER HS; TAYLOR S., 2000 apud MELLO et al., 2005, p. 204). Segundo Ferriani e Bossemeyer (2001 apud LORENZI, 2006, p. 315), o exercício físico aumenta a secreção de b-endorfinas hipotalâmicas, aliviando as ondas de calor e melhorando o humor, além de aumentar a densidade mineral óssea, diminuir a frequência cardíaca de repouso, melhorar o perfil lipídico e normalizar a pressão arterial. Enfim, a atividade física melhora a imagem corporal, aumentando a autoestima feminina. Uma das vantagens deste estudo se refere ao item imagem corporal; as pesquisadoras obtiveram diferença em percentual de 16,2% intergrupos, sendo muito considerável a variação no grupo experimental (47,7%). O impacto significativo da imagem corporal pode estar relacionado à melhora de humor e diminuição do estresse, fatores relatados pelas voluntárias desta pesquisa. Na intervenção aqui proposta, evidenciou-se no item dor nas costas melhora significante em percentual no pós-tratamento do grupo experimental (52,9%), contrastando com o grupo controle (8,0%). Relacionamos o mesmo à dor relacionada à osteoporose, visto que este conteve relevância percentual entre os grupos no póstratamento (5,6%), sendo analisada variação maior no grupo experimental (15,8%). Vários estudos apontam a atividade física como fator proeminente para diminuição da dor causada pelo quadro da osteoporose, bem como a dor nas costas. De acordo com Lamichhane et al. ( 2005) e Chiang (2006 apud DRIUSSO et al., 2008, p. 255), o desarranjo na microarquitetura óssea que ocorre em portadores de osteoporose leva a micro e macrofraturas, a princípio, em pontos onde o osso trabecular é dominante; a partir dessas lesões desencadeia-se evidente quadro clínico que inclui dor, fraturas, alterações posturais. Nevitt et al. (2005), Gaber et al. (2002) e Gass, (2006 apud DRIUSSO et al., 2008, p. 255) completam que a dor não é originada pela osteoporose, mas pelo evidente quadro clínico que se manifesta como lombalgia, relacionada às microfraturas vertebrais. Os colapsos vertebrais resultam em redução na altura da região anterior dos corpos vertebrais, causando deformidades como cifose dorsal, redução da estatura, sobrecarga dos músculos e consequente diminuição da qualidade de vida do paciente. No estudo proposto por DRIUSSO et al. (2008, p. 254) com participação de quinze mulheres com idade entre 56 e 72 anos, observa-se que após 28 semanas consecutivas de tratamento, constituído por caminhadas, exercícios livres de membros superiores e inferiores e relaxamento, houve redução da dor na coluna lombar e melhora da qualidade de vida das participantes, sendo esses dados avaliados por meio do questionário OPAQ. A mobilidade, aqui já discutida, representa indiretamente os cuidados pessoais, a interação social e as atividades cognitivas de um indivíduo (OLIVEIRA et al., 2006, p. 92; TINETTI, 1996 apud OLIVEIRA; FILLENBAUM et al., 1999 apud OLIVEIRA et al., 2006, p. 92). Segundo Lorenzi et. al., (2006, p. 316) a mulher atribui à menopausa sintomas decorrentes de comorbidades clínicas ou dificuldades emocionais prévias, o que distorce sua percepção dessa fase de sua vida. Desse modo, a escolaridade oferece maior compreensão das mudanças corporais dessa fase, amortizando os níveis de ansiedade e estimulando Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 51 Artigo - 5 o autocuidado. Salientamos que o item cuidados próprios, demonstrado no questionário OPAQ, apresenta grande impacto na qualidade de vida das mulheres acometidas por osteoporose e na presente pesquisa foi constatada relevância percentual intergrupos bastante expressiva (138,2%). A literatura atual cita pesquisas no qual mulheres sedentárias apresentaram índices de depressão e patologias mais elevadas quando comparadas às mulheres ativas. Um estudo realizado no Japão com indivíduos de idade entre 65-70 anos, praticantes de exercícios diários, demonstrou que os idosos reduziram os sintomas de depressão (Novaes, 2004 apud Mazo et al., 2005, p. 46). Cooper (1982 apud STELLA et al., 2002, p. 95) ressaltam que o exercício físico, em particular o aeróbico, realizado por no mínimo 30 minutos, é capaz de proporcionar alívio do estresse ou tensão, devido ao aumento da taxa de um conjunto de hormônios denominados endorfinas, que agem sobre o sistema nervoso e diminuem o impacto estressor do ambiente, consequentemente previnem ou reduzem transtornos depressivos. O presente programa de atividade física implicou em variação percentual de 28,7% entre os grupos no pré e póstratamento, ressaltando no grupo experimental 27,8% no pós-tratamento quando analisado o item nível de tensão. Conclusão 52 A curto prazo, o protocolo de exercícios cinesioterapêuticos aplicados em mulheres acima de 40 anos com laudo comprobatório de osteoporose ou osteopenianão apresentou diferença significante entre pré e pós-tratamento do grupo controle e experimental em nenhum dos domínios do questionário OPAQ., quando avaliado por meio do teste U-Mann Whitney, Na análise intragrupos pré e pós-tratamento por meio do teste Wilcoxon foi observada diferença significante em vários elementos do questionário OPAQ, citados e discutidos anteriormente. Com base nos relatos anteriores, as pesquisadoras sugerem maior tempo de aplicação do protocolo de cinesioterapia proposto, com maior amostragem, visto que diversas pesquisas obtiveram maior sucesso considerando esses critérios. REFERÊNCIAS AMERICAN COLLEGE OF RHEUMATOLOGY. Organization is for physicians, health professionals, and scientists that meets the mission through programs of education, research, advocacy and practice support. Atlanta, 2008. 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Responsabilidade e ética O conteúdo e as opiniões expressas serão de inteira responsabilidade dos autores. Artigos de pesquisa envolvendo sujeitos humanos devem indicar expressa aprovação do Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos da instituição responsável. Pesquisas referentes a animais precisam da aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Animais. Formato e conteúdo Os textos deverão ser digitados em Word 972003, em tamanho A4, com espaçamento de linhas duplo e fonte 12 tipo Times New Roman. Exige-se o formato ABNT em todo o texto. Página de rosto – deve conter: a) título do trabalho e sua versão para o inglês; 56 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 b) nome completo dos autores com indicação da titulação acadêmica e inserção institucional, nome do departamento, curso ou laboratório dessa instituição, acompanhada de endereço completo, incluindo cidade, estado e país; c) título condensado (máximo de 50 caracteres) – running title; d) endereços eletrônico e postal do autor principal; e) indicação de órgão financiador de parte ou todo do projeto de estudo, se for o caso. Resumo – deve permitir visão panorâmica do trabalho, conter no máximo 250 palavras e versão em inglês. Para os artigos originais, o resumo deve ser estruturado em objetivos, métodos, resultados e conclusões. Unitermos ou palavras-chave – máximo de seis, relacionados após o resumo e o sumário. Como guia, consulte descritores em ciências da saúde (http://decs.bvs.br). Estrutura do texto • Editoriais – a convite do editor, sob tema específico, devem conter no máximo duas mil palavras. • Artigos originais – devem conter estruturalmente as partes introdução, objetivos, métodos, resultados, discussão e conclusão. São contribuições destinadas a divulgar resultados de pesquisa original inédita, passíveis de ser replicados e/ ou generalizados. Devem atender aos princípios de objetividade e clareza da questão norteadora, conter o máximo de cinco mil palavras; tabelas e figuras não podem exceder a sete. • Relato de caso – com a mesma estrutura dos artigos originais – no máximo mil e quinhentas palavras e três tabelas. Recomenda-se não citar iniciais do paciente • Artigos de revisão – compreende avaliações críticas e ordenadas da literatura sobre determinado assunto, devendo conter objetivo (por que a revisão da literatura foi realizada, indicando se ela enfatiza algum fator em especial), fonte de dados (critérios de seleção de artigos e métodos de extração e avaliação da qualidade das informações), síntese dos dados (principais resultados quantitativos e/ou qualitativos da pesquisa) e conclusões (com as respectivas aplicações). Incluem-se os procedimentos adotados e a delimitação do tema. A extensão limita-se a três mil palavras. • Cartas ao editor – comentários, discussões e críticas a artigos publicados recentemente nesta revista, relatos de pesquisas originais ou achados científicos significativos. Extensão limítrofe de mil palavras. Referências As referências devem seguir o modelo da Associação Brasileira de Normas e Técnicas (ABNT). Veja exemplos: DAHER, S.; MATTAR, R.; SASS, N. Doença hipertensiva específica da gravidez: aspectos imunológicos. In: Sass N, Camano L, Moron AF, editores. Hipertensão arterial e nefropatias na gravidez. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. p. 45-56. BLIDDAL, H.; HELLESEN, C.; DITLEVSEN, P.; ASSELBERGHS, J.; LYAGER, L. Soft-laser therapy of rheumatoid arthritis. Scand. J. Rheumatol. 1987. 16(4):225-8. HERZOG NETO, G.; CURI, R.L.N. Características anatômicas das vias lacrimais excretoras nos bloqueios funcionais ou síndrome de Milder. Rev Bras Oftalmol [periódico eletrônico]. 2003 [citado 2006 jul. 22];62(1):[cerca de 5 p.]. Disponível em: <www.sboportal.org.br>. FREIRE, M. Exercícios aeróbicos e lombalgia [dissertação]. São Paulo: Disciplina de Reumatologia, Universidade Federal de São Paulo, Unifesp, 2000. SACCO, I.C.N.; COSTA, P.H.L.; DENADAI, R.C.; AMADIO, A.C. Avaliação biomecânica de parâmetros antropométricos e dinâmicos durante a marcha em crianças obesas. In: VII Congresso Brasileiro de Biomecânica, Campinas, 28-30 maio 1997. Anais. Campinas: Editora Unicamp, 1997. p. 447-52. Agradecimentos Quando pertinentes, dirigidos a pessoas ou instituições que contribuíram para a elaboração do trabalho, são apresentados ao final das referências. Apresentação eletrônica da versão final Após comunicação do aceite ao artigo, o autor deverá proceder a eventuais ajustes sugeridos pelos editores, no prazo de cinco semanas. Com a versão final editada, o editor poderá solicitar novos ajustes e esclarecimentos. Neste caso, o prazo será de duas semanas. Enviar artigos para [email protected]. Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012 57 58 Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012