Revist a
FISIOTERAPIA
EM EVIDÊNCIA
NNúmero
úMERO 2,
5, maio
2012 2010
dezembro
issn 2178-1672
f a c u l d a d e
muito além do ensino
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
1
Revista
Ano 3º, n. 5, maio/2012
ISSN 2178-1672
Editores responsáveis
Sandra Mara Meireles Adolph (doutora)
Faculdade Dom Bosco
Salete do Rocio Cavassin Brandalize (mestre)
Faculdade Dom Bosco
[email protected]
Conselho editorial
Ariani Cavazzani Szkudlarek (doutora)
Faculdade Dom Bosco
Cassio Preis (mestre)
Faculdade Dom Bosco e PUC-PR
Claudia Chaguri de Oliveira Pellenz (mestre)
Faculdade Dom Bosco
Cristiane Gonçalves Ribas (mestre)
Faculdade Dom Bosco e PUC-PR
Cristiane Regina Gruber (mestre)
Faculdade Dom Bosco e Unibrasil
Eduardo Bolisenha Simm (mestre)
Faculdade Dom Bosco, Faculdade Evangélica do
Paraná e Unibrasil
Francisco Ernesto H. Zanardini (mestre)
Faculdade Dom Bosco e Faculdade Integradas Espírita
Gerson Luiz Cleto Dal Col (doutor)
Faculdade Dom Bosco e Universidade Tuiuti do Paraná
Gilda Maria Grasse Luck (doutora)
Faculdade Dom Bosco
Isabel Cristina Bini (mestre)
Faculdade Dom Bosco
Marcia Maria Kulczycki (mestre)
Faculdade Dom Bosco
Maria Laura Aquino C. Assunção (mestre)
Faculdade Dom Bosco
Raciele Ivandra Guarda (mestre)
Universidade Federal do Paraná
Silvia Regina Valderramas (doutora)
Faculdade Dom Bosco e Faculdade Evangélica
do Paraná
2
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
D
entre todos os motivos para se realizar pesquisas e estudos
científicos num ambiente acadêmico, um deles é de especial
importância: destinar à comunidade os conhecimentos construídos
em seu interior, para que beneficiem a sociedade como um todo.
A Faculdade Dom Bosco tem colaborado significativamente para
dar sentido ao binômio (pesquisar/publicar), e por meio dos
artigos publicados na revista Fisioterapia em Evidência apresenta
resultados do trabalho de pesquisa em nossa área.
Um dos artigos desta edição, bastante atual e pertinente, demonstra
o impacto do Jiu-Jitsu adaptado sobre o desenvolvimento global de
crianças com paralisia cerebral. Na área da fisioterapia respiratória,
outro trabalho analisa a função respiratória em crianças expostas
diariamente ao tabagismo passivo ambiental, situação comum
nos dias de hoje e de grande interesse científico.
Atentando para questões envolvendo pessoas idosas, a revista
traz ainda dois artigos cujos objetivos redundam no aumento da
qualidade de vida dessa população, além de um trabalho que
enfoca alterações vestibulares e seu tratamento.
Boa leitura a todos!
Isabel Cristina Bini
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
3
Artigo 1 ............................................................................................. 5
Impacto da prática de Brazilian Jiu-Jitsu orientada por princípios de inibição e
facilitação na funcionalidade de jovens com paralisia cerebral
The impact of the practice of Brazilian Jiu-Jitsu guided by principles of inhibition and facilitation on
funcionality of youngs with cerebral palsy
Artigo 2 ........................................................................................... 14
Análise do pico de fluxo expiratório em crianças de 8 a 10 anos expostas ao
tabagismo passivo ambiental
Analysis of peak expiratory flow in children aged 8 to 10 years exposed to passive smoking environment
Artigo 3 ........................................................................................... 20
Estudo dos efeitos do treinamento resistido e dos exercícios multisensoriais
sobre o equilíbrio e risco de quedas de idosos institucionalizados
Study of the effects of resistance training and exercises multisensory on balance and risk of falls
institutionalized elderly
Artigo 4 ........................................................................................... 29
Estudo controlado cego randomizado sobre os efeitos do tratamento
fisioterapêutico utilizando os exercícios da série de Cawthorne-Cooksey
associados à simulação virtual por meio do videogame Nintendo® Wii em sujeitos
com distúrbios vestibulares
Randomizado blind controlled study on the effects of physiotherapy exercises using the series of CawthorneCooksey associated with the virtual simulation video game by Nintendo® Wii in subjects with vestibular
disorders
Artigo 5 ........................................................................................... 43
Efeitos da aplicação de um protocolo de cinesioterapia sobre a qualidade de vida
em mulheres acima de 40 anos, com laudo de osteopenia e/ou osteoporose
Effects of the application of a protocol kinesiotherapy on quality of life in women over 40 years, with reports of
osteopenia and/or osteoporosis
Normas para apresentação de artigos ........................................ 56
4
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Artigo - 1
Impacto da prática de Brazilian Jiu-Jitsu orientada
por princípios de inibição e facilitação na
funcionalidade de jovens com paralisia cerebral
The impact of the practice of Brazilian Jiu-Jitsu guided by principles of
inhibition and facilitation on funcionality of youngs with cerebral palsy
Daniel Alberton Batista1
Mayara Lopes2
Fernando Wagner da Silva3
Célia Bruna Farias Rodrigues4
Cristiane Gonçalves Ribas5
1. Acadêmico de Fisioterapia da Faculdade
Dom Bosco.
Contato: [email protected]
2. Acadêmica de Fisioterapia da Faculdade
Dom Bosco.
Contato: [email protected]
3. Acadêmico de Fisioterapia da Faculdade
Dom Bosco.
Contato: [email protected]
4. Acadêmica de Fisioterapia da Faculdade
Dom Bosco.
Contato: buninha_rodrigues19@hotmail.
com
5. Fisioterapeuta, mestre, docente da
Faculdade Dom Bosco.
Contato: [email protected]
Resumo
O esporte adaptado
desempenha papel
fundamental no
desenvolvimento global,
e pode ser utilizado como
recurso no tratamento
fisioterapêutico da paralisia
cerebral. Objetivo: Verificar
se o Brazilian Jiu-Jitsu
direcionado por princípios
de inibição e facilitação
contribui para a melhora da
funcionalidade de jovens com
paralisia cerebral.
Metodologia: Oito indivíduos
entre dez e quinze anos
com diagnóstico clínico de
paralisia cerebral foram
divididos em dois grupos.
Ambos realizaram fisioterapia
tradicional, e apenas um
recebeu treinamento de
Brazilian Jiu-Jitsu durante
nove semanas, com duas
horas semanais. Para avaliação
motora foi utilizado o teste
GMFM-88 antes e após o
estudo.
Resultados: foram aplicados
os testes de Wilcoxon pré
e pós-tratamento, assim
como o teste de soma de
postos de Wilcoxon, não
sendo detectada diferença
significativa. Ao final do
estudo, entretanto, constatouse que a melhora do escore
total entre o começo e o fim
do tratamento no grupo
experimental (5,78%) foi
superior àquela obtida pelo
grupo controle (1,04%).
Conclusão: Para a amostra
em questão, o Brazilian JiuJitsu demonstrou ser uma
modalidade desportiva
benéfica do ponto de vista
de aquisição motora. Tal
resultado pode ser justificado
pela melhora da condição
muscular e pelo aprendizado
motor adquiridos por meio
das condições inerentes à
prática deste esporte, como
mudanças de decúbito,
movimentos contrarresistidos
e exigência constante de
manutenção da postura e do
equilíbrio. Mostrou-se assim
ser importante atividade física
como complementação ao
tratamento fisioterapêutico.
Palavras-chave: paralisia
cerebral, fisioterapia, esportes,
função motora.
Abstract
The adapted sport has a great
importance for helping the
global development of the
individual that can be used
as a therapeutic resource
in the treatment of cerebral
palsy. Objective: Assess if the
Brazilian Jiu-Jitsu directed
by inhibition and facilitation
principles contribute to
the improvement of the
functionality of young with
cerebral palsy.
Methodology: Eight
individuals have participated
in this study between ten
and fifteen years with clinical
diagnostic of cerebral palsy
divided in two groups.
Both groups had traditional
physiotherapeutic treatment,
but just one group received
a nine weeks training of
Brazilian Jiu-Jitsu. With one
hour classes twice a week.
For motor evaluation was
used GMFM-88 test at the
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
5
Artigo - 1
beginning and after the end of
the study.
Results: For statistic
analysis Wilcoxon Test was
applied pretreatment and
post treatment as the ranksum Wilcoxon Test but no
significant difference was
found. However, at the end of
the study was found that the
improvement of the total score
between the beginning and
the end of the treatment in the
experimental group (5,78%)
was superior to that obtained
by control group (1,04%).
Conclusion: For the concerned
sample, the Brazilian Jiu-Jitsu
demonstrated itself as a sport
modality with therapeutic
ends from the point of view
of motor acquisition. Such
results can be justified by the
improvement of muscular
condition and by the motor
learning acquired from
the activities inherent to
the practice of this sports
as decubitus changing,
counter resisted movements
and constant demands
of posture and balance
maintenance showing itself
as a important physical
activity to be practiced as
a complementation to the
physiotherapeutic treatment.
Keywords: cerebral palsy,
physiotherapy, sports, motor
function.
Introdução
As Nações Unidas, na
Convenção dos Direitos da
Criança ratificada por 192
nações em 1989, estabelecem
que crianças com debilidades
físicas ou mentais devam
gozar de vida plena e
6
descente, em condições
que garantam dignidade,
promoção de autoconfiança e
facilidade para a participação
em atividades na comunidade.
O artigo 27 deste documento
reconhece o direito de
toda criança a um padrão
de vida adequado para o
desenvolvimento físico,
mental, espiritual, moral e
social. Os mesmos direitos são
citados no artigo 3 do Estatuto
da Criança e do Adolescente
(Lei nº 8.069, de 13 de julho
de 1990), colocando-os
como direitos fundamentais
inerentes à pessoa humana.
Dentre os agentes causadores
de deficiência, podemos citar
a paralisia cerebral (PC).
A PC ou encefalopatia
crônica não progressiva é
uma categoria de deficiência
que inclui pacientes com
distúrbios crônicos não
progressivos do movimento
ou da postura com início
precoce prematuro (NELSON,
1988). Tal condição geralmente
é tratada por meio do conceito
neuroevolutivo/Bobath,
originalmente desenvolvido
na Inglaterra no início da
década de 1940 (TECKLIN,
2002).
Crianças com PC possuem
níveis reduzidos de atividade
física quando comparadas a
crianças de desenvolvimento
típico (WELY, 2010). O
esporte adaptado tem como
objetivo a integração social de
portadores de necessidades
especiais, levando-os a realizar
atividades que se aproximam o
máximo possível das condições
de normalidade, levando em
conta suas individualidadesao
valorizar as potencialidades
do indivíduo e minimizar
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
suas limitações e dificuldades.
A partir disso o sujeito é
levado ao desenvolvimento
de suas habilidades (COSTA,
2004). Várias modalidades
desportivas já foram adaptadas
para indivíduos com PC.
Entretanto não há na literatura
nenhum trabalho que relacione
a PC com a prática do Brazilian
Jiu-Jitsu (BJJ).
O BJJ é uma arte marcial
desportiva praticada sobre
o tatame. O praticante tenta
se colocar em vantagem com
relação ao adversário no que
se refere à biomecânica ao
equilíbrio. Nessa modalidade
não são permitidos golpes
de impacto, como socos ou
chutes. A vitória se pela
desistência do adversário ou
por contagem de pontos.
O objetivo deste estudo é
verificar se o BJJ direcionado
por princípios de inibição e
facilitação contribui para a
melhora da funcionalidade de
jovens com PC.
Materiais e métodos
Aprovação: O pré-projeto foi
aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa da Faculdade
Dom Bosco, de acordo com
as normas estabelecidas pela
Resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde.
Amostra: Oito indivíduos
matriculados na Escola
Especial Nabil Tacla, mantida
pela Associação Paranaense de
Reabilitação (APR), com perfil
condizente aos critérios de
inclusão e exclusão.
Critérios de inclusão:
• Diagnóstico clínico de PC;
• Idade entre nove e quinze
anos;
Artigo - 1
• Concordância do
responsável em assinar o
Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido (TCLE).
Critérios de exclusão:
• Não obedecer a qualquer
um dos critérios de inclusão;
• Doença associada que
imponha risco à atividade
desportiva;
• Distúrbios cognitivos
graves.
Metodologia
O grupo foi subdividido
em grupo experimental e
grupo de controle, cada qual
com quatro indivíduos .
Ambos foram submetidos ao
tratamento fisioterapêutico
oferecido pela instituição
em questão, entretanto, o
grupo experimental recebeu o
treinamento do Brazilian JiuJitsu.
Os treinamentos foram
realizados entre 12 de abril e 9
de junho de 2011 (10 semanas),
totalizando dezessete, com
frequência de dois encontros
semanais, com uma hora de
duração. Os treinos foram
orientados por um dos autores
deste trabalho, professor de BJJ
há mais de dez anos (treinador
terapeuta).
Análise estatística
grupos para os escores por
dimensão, e o escore total
obtido pelos indivíduos
avaliado pela GMFM-88.
Aplicou-se o teste da soma
de postos de Wilcoxon para
amostras independentes com
o objetivo de comparar os
resultados obtidos pelo grupo
experimental em relação ao
grupo controle. Em todas
as análises foi considerado
nível de significância de 95%
(p-valor ≤ 0,05).
Resultados
A variação quantitativa
média dos dados obtidos pelo
GMFM-88 está disposta na
Tabela 1.
Foi realizado o teste
de Wilcoxon pré e póstratamento em ambos os
TABELA 1 – RESULTADOS OBTIDOS NO TESTE GMFM-88
Dimensão
A: DEITAR
E ROLAR
B: SENTAR
C: ENGATINHAR
E AJOELHAR
D: EM PÉ
E: ANDAR,
CORRER E PULAR
TOTAL
M. Experimental M. Experimental Melhora média M. Controle M. Controle Melhora Mmdia
Antes Após
Antes
Após
94,61%
87,08%
98,04%
99,17%
3,43%
12,08%
88,24%
78,75%
91,18%
80,42%
2,94%
1,67%
80,95%
35,26%
89,29%
39,10%
8,33%
3,85%
48,81%
21,79%
54,76%
12,82%
5,95%
-8,97%
35,07%
66,29%
36,11%
72,06%
1,04%
5,78%
17,36%
50,66%
17,01%
51,70%
-0,35%
1,04%
FONTE: Elaborado pelos autores (2011).
O quesito melhora média
demonstra a diferença
percentual entre a avaliação
motora pré e pós-tratamento.
Valores positivos nessa coluna
indicam que o teste executado
ao final do tratamento
apresentou resultado superior
ao teste inicial. O grupo
experimental obteve melhora
percentual média em todas
as dimensões avaliadas, com
maior alteração nas dimensões
“sentar” e “engatinhar e
ajoelhar”, com melhoras de
12,08% e 8,33% respectivamente,
enquanto o grupo controle
apresentou resultados negativos
para as dimensões “em pé”
e “andar, correr e pular”. O
valor médio percentual do
grupo experimental apresentou
valores superiores aos do grupo
controle em todas as dimensões
avaliadas.
Ao somar a variação obtida
por todos os indivíduos para
cada funcionalidade (item) do
teste GMFM-88 constata-se
que a maior alteração positiva
que ocorre no grupo controle
foi de três pontos, enquanto
o grupo experimental obteve
melhora de até oito pontos em
funcionalidades específicas,
como ilustrado na Tabela 2. Os
resultados individuais obtidos
pré e pós-treinamento estão
dispostos no Quadro 9.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
7
Artigo - 1
TABELA 2 - FUNÇÕES COM MELHORA EXPRESSIVA DO GRUPO EXPERIMENTAL
Item
28- Sentada de lado (D): mantém braços livres 5 segundos.
29- Sentada de lado (E): mantém braços livres por 5 segundos.
33- Sentada no tapete: gira (pivot) 90° sem ajuda dos braços.
49- Ajoelhada: atinge semiajoelhada o joelho usando braços,
mantém os braços livres por 10 segundos. 50- Ajoelhada: atinge semiajoelhada sobre o joelho. Usando os braços,
mantém os braços livres por 10 segundos.
Melhora
7
6
8
4
4
FONTE: Elaborado pelos autores (2011).
QUADRO 9 – DESEMPENHO INDIVIDUAL POR DIMENSÃO E TOTAL DO TESTE GMFM-88
FONTE: Elaborado pelos autores (2011).
8
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Artigo - 1
Discussão
Ao analisar os escores
totais medidos no teste
GMFM-88 constata-se que a
melhora obtida pelo grupo
experimental (5,78% no
escore total) coloca-o na faixa
referida pelo estudo realizado
por Hanna et al. (2009) em 657
indivíduos acompanhados
num período de cinco anos.
Neste artigo, cita-se que
perdas de 4.7 até 7.8 pontos na
escala GMFM-88 são grandes
o suficiente para produzir
mudanças clinicamente
relevantes no desempenho de
algumas tarefas importantes
relacionadas com a
coordenação motora ampla.
A faixa citada, entretanto, não
foi alcançada pela melhora
média total obtida no grupo
controle (1,04%).
O acréscimo de coordenação
motora grossa constatada é
bastante encorajador, dada
a faixa etária dos indivíduos
estudados, de dez a quinze
anos. Trabalhos anteriores
indicam que um platô de
desenvolvimento motor seria
alcançado por volta dos sete
anos de idade em sujeitos
classificados com afecção
leve de acordo com o sistema
GMFMS. Indivíduos com
grau de acometimento mais
grave alcançariam esse platô
cada vez mais cedo, indicando
estagnação no processo de
aquisição motora cada vez
mais prematura, de forma
que os indivíduos acometidos
de maneira grave tenham
o quadro estabilizado em
idade próxima aos três anos
(ROSEMBAUM et al., 2002;
BECKUNG et al., 2007).
Os acréscimos mais
relevantes obtidos no
grupo experimental foram
os relacionados com a
mobilidade de quadril (Tabela
2). Para melhor entendimento
de tal impacto, deve ser feita
análise específica de todos
os aspectos relacionados à
qualidade do movimento
dos quadris. Entretanto,
por ser o BJJ atividade que
movimenta o indivíduo de
maneira global, é improvável
que um único aspecto seja
responsável pelo aumento
do desempenho. Dentre os
prováveis fatores relacionados
à melhora, citamos ganho
de força muscular em
membros inferiores e
abdômen, desenvolvimento
de equilíbrio e coordenação
motora, maior dissociação
de cinturas, aumento da
amplitude de movimento em
quadril e tornozelo, bem como
outros que poderiam afetar
o desempenho na execução
desses movimentos em maior
ou menor grau.
Nenhum dos testes estatísticos
demonstrou diferença
significativa apesar de os
valores médios terem se
alterado positivamente e de
maneira notável no grupo
experimental. A ausência
de melhora significativa
apontada pela análise
estatística justifica-se pela
indefinição relacionada ao
pequeno tamanho amostral
(quatro indivíduos em cada
grupo). Slaman et al. (2010)
definem que para uma
população com paralisia
cerebral espástica que
praticasse 30 minutos diários
de atividade física seriam
necessários no mínimo
cinquenta participantes para
se detectar diferença entre o
grupo experimental e o grupo
controle com poder 0,8 e α =
0,05.
Pelo BJJ ser uma prática
desportiva pouco comum
para jovens acometidos
por PC o treinamento foi
adaptado de acordo com
a ciência de reabilitação
geralmente aplicada a esse
tipo de indivíduo. O tempo e
a frequência de treinamento
são similares aos usados para
exercícios de fortalecimento
e resistência usados por
Fragala-Pinkhan et al. (2005).
Cuidados especiais
foram tomados no que
se refere à inibição de
reflexos patológicos, assim
como na facilitação dos
movimentos funcionais
durante a movimentação
de luta. Alguns exercícios
ativos utilizados durante o
aquecimento foram extraídos
de necessidades apontadas
pelo questionário GMFM-88
que, como mencionado por
Lundkvist (2009), pode ser
utilizado como ferramenta
para estabelecer metas em
curto prazo.
Como a PC é uma síndrome
heterogênea tanto no
grau de afecção como no
tipo de acometimento, a
abordagem terapêutica deve
ser modificada, sendo que a
reabilitação admite múltiplas
possibilidades, dependendo
da análise cuidadosa de cada
paciente (LEITE, 2004).
Embora o treinamento
fosse ministrado para um
grupo heterogêneo, o fato
de haver um treinador e
um auxiliar para cada dois
alunos possibilitou adequação
individualizada da prática.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
9
Artigo - 1
Enquanto o indivíduo com
quadriparesia atetoide era
estimulado a manter posturas
antigravitárias e executar
“pegadas” com maior precisão
no quimono do oponente,
indivíduos com diparesia
espástica eram incentivados
a realizar movimentos que
requisitavam controle ativo
dos membros inferiores.
Éevidente que em ambos os
casos os indivíduos poderiam
apresentar dificuldades em
passar da posição ajoelhada
para a semiajoelhada. Em
muitas situações, o mesmo
movimento era utilizado
para um sujeito espástico
ou atetoide, evocando
a terapêutica relaciona
à dificuldade intrínseca
subjetiva de cada praticante.
A tendência do indivíduo em
utilizar o corpo de maneira
assimétrica foi levada em
consideração pelo treinador
terapeuta. Crianças com
paralisia cerebral hemiplégica,
por exemplo, aprendem
estratégias para executar as
tarefas diárias usando uma
única mão e, frequentemente,
o membro afetado é ignorado
ou não utilizado (HOARE
et al., 2011). A maioria dos
sujeitos do grupo controle
era composta por diparéticos,
sendo necessáriaatenção
redobrada do treinador
terapeuta no que se refere ao
estímulo e às compensações
relacionadas à utilização dos
MMII.
O escopo deste trabalho
restringiu-se à função
motora grossa, entretanto,
outros aspectos intrínsecos
dos portadores de paralisia
cerebral podem ser
influenciados pela atividade
10
desportiva. Isso pode ser
exemplificado por meio de
um protocolo sugerido por
Slaman et al. (2010) para a
avaliação de atividades físicas
em jovens com PC, baseado
no modelo preconizado
pela Organização Mundial
de Saúde que padronizou a
Classificação internacional de
Funcionalidade, Incapacidade
e Saúde (CIF). Entre estes
aspectos estão questões
relacionadas com qualidade
de vida, suporte social, fadiga,
nível de atividade física
percebida, nível objetivo de
atividade física, entre outros.
O anseio por atividades
físicas da população com
PC pode ser demonstrado
pela tabela confeccionada
por Vasconcelos (2009),
com base na técnica dos
três desejos. O prevalente
foi “situação relacionada
à saúde”, como anseio de
andar, correr, desenvolver
as mesmas atividades que as
outras crianças e ter saúde,
com 62,9% das escolhas.
Em seguida vem o item
“atividades”, com respostas
como vontade de fazer
natação, jogar bola, andar de
bicicleta, fazer caratê e brincar,
com 11,8%.
O BJJ surge como recurso
coadjuvante de estímulo
e motivação, amenizando
dificuldades ocasionadas
por motivos subjetivos
de natureza volitiva
relacionada aos atendimentos
fisioterapêuticos realizados
de maneira isolada. Esse
aspecto é reforçado por
Fragala-Pinkhan et al. (2005),
que demonstraram aumento
no nível de satisfação das
crianças que realizaram
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
atividades físicas e alegaram
que as crianças apreciavam o
componente social relacionada
a tal prática.
O BJJ mostrou-se uma
ferramenta interessante
para o grupo em questão.
Entretanto é importante
ressaltar a necessidade da
adaptação dessa ferramenta
por um profissional que
conheça profundamente
a fisiopatologia da PC.
Dessa maneira, o esporte
pode ser praticado como
instrumento terapêutico em
detrimento de medidas de
desempenho desportivo. O
entendimento do processo
de terapia neurológica para
os diversos aspectos de PC
faz-se necessário para que
esta prática desportiva não
influencie negativamente
a qualidade de vida do
praticante.
Durante o treinamento,
houve cuidados especiais
para minimizar o risco de
lesões. A condição relacionada
à integridade óssea dos
indivíduos com PC e a prática
de atividade física pode ser
mais crítica que na população
geral. Além da osteoporose,
o declínio funcional
resulta em fenômenos de
envelhecimento prematuro,
como sarcopenia e artrite
degenerativa. Aliados a isso,
fatores como incapacidade
funcional, contraturas,
espasticidade, mobilidade
reduzida, dor e isolamento
psicosocial podem, direta
ou indiretamente, ocasionar
fraturas (SHERINDAN,
2009). De modo a minimizar
a possibilidade de lesões
osteomioarticulares foi
estabelecido que nesse
Artigo - 1
trabalho os exercícios em
dupla não seriam feitos por
dois indivíduos com PC.
Durante o treinamento, o
conhecimento das alterações
ósseas a que estão sujeitos
os indivíduos afetados
pela PC devem ser levadas
em consideração, dada
a estreita relação entre o
BJJ e a biomecânica. Uma
queda lateral, geralmente
inócua para um desportista
ordinário, pode tornar-se
perigosa quando realizada
em sujeito com desvio
equinovalgo.
Enquanto o desportista
comum deve ser incentivado
a buscar a postura de maior
equilíbrio, o indivíduo
com PC deve evitá-la se
essa acelerar a progressão
de uma deformidade,
comouma luxação de quadril
decorrente do ajoelhar-se em
“W”. A própria pegada na
lapela pode ser influenciada
pela oposição do polegar,
disfunção comum encontrada
em pacientes com PC
espástica, condição que
pode limitar severamente
a funcionalidade das mãos
(SMEULDERS et. al., 2011).
Dentre outras deformidades
ósseas que o instrutor
deve ter conhecimento,
citamos escoliose, aumento
da curvatura lombar,
subluxação de quadril,
anteroversão femoral,
patela alta, fragmentação
da patela, condromalacia
patelofemoral, genu
recurvatum, pé equinovalgo
e pé equinovaro (MORREL
et al., 2002). Apesar de
não tratar diretamente
a deformidade óssea, o
instrutor terapeuta deve levar
em consideração a extensão
do distúrbio motor, sua
intensidade e, principalmente,
sua caracterização semiológica
(LEITE, 2004).
with cerebral palsy aged 1
to 15 years. Developmental
medicine and child
neurology, Sahlgrenska v. 49,
n. 10, p. 751-6, 2007.
Conclusão
BERTE, Vivian Refosco. O
conceito neuroevolutivo
Bobath nas disfunções
motoras decorrentes de
lesãocerebelar. 2004. 33
f.monografia
Os resultados indicam
melhoras médias do grupo
que praticou o BJJ em relação
ao grupo que não o praticou,
sendo as principais melhoras
constatadas nas dimensões
B e C do teste GMFM-88. A
análise estatística apontou
ausência de diferença
significativa no que se refere
à evolução motora grossa.
Entretanto, tal diferença
pode ser explicada pelo
pequeno tamanho amostral.
O déficit amostral, por sua
vez, pode ser justificado
pelas dificuldades inerentes à
realização prática do estudo,
como limitações financeiras,
laborais e temporais referentes
ao estudo. É necessário,
realizar mais pesquisas
com grupos amostrais
maiores para obtenção de
dados estatísticos de maior
qualidade.
BOBATH, B. Hemiplegia no
adulto: avaliação e tratamento.
São Paulo: Manole, 1978.
CASTRO, E. M. de. Atividade
física adaptada. São Paulo:
Tecmedd, 2005.
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Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
13
Artigo - 2
Análise do pico de fluxo expiratório em crianças de 8 a 10
anos expostas ao tabagismo passivo ambiental
Analysis of peak expiratory flow in children aged 8 to 10 years
exposed to passive smoking environment
Claudia Luciana da Sílva1
Salete do Rocio Cavassin Brandalize2
1. Fisioterapeuta graduada pela Faculdade
Dom Bosco
Contato: [email protected]
2. Professora-mestre da Faculdade Dom
Bosco
Contato: fisioterapia-faculdade@dombosco.
com.br
RESUMO
Objetivo: Analisar a função
respiratória em crianças
expostas diariamente ao
tabagismo passivo ambiental.
Método: Foi aplicado
questionário com perguntas
sobre o hábito tabágico
familiar e identificados dois
grupos: crianças expostas n
= 28 e não expostas n = 50,
totalizando um grupo de 78
sujeitos que participaram
com idade entre 8 e 10 anos,
todos estudantes de uma
escola pública na cidade de
Curitiba, PR. Foi realizada a
mensuração do pico de fluxo
expiratório máximo com o
Medidor de Pico de Fluxo
Assess®.
Resultados: Para a análise
dos dados foi utilizado o
teste do Qui-quadrado, em
que e o p-valor foi < 0,01,
confirmando que existe
diferença significativa no
pico de fluxo expiratório
entre o grupo de expostos ao
tabagismo passivo ambiental
e o grupo de não expostos.
14
Conclusão: Observou-se que
há diminuição da capacidade
respiratória no grupo de
crianças residentes no mesmo
domicílio de pai ou mãe
fumante, e que, em crianças
que vivem com mais de um
tabagista o pico de fluxo
expiratório é ainda menor.
Palavras-chave: tabagismo
passivo ambiental, escolares e
pico de fluxo expiratório.
ABSTRACT
Objective: to examine
whether there is a decrease
of respiratory function
in children exposed to
passive smoking daily
environmental.
Method: Through a
questionnaire about smoking
family identified two groups:
children exposed to an n =
28 and n = 50 non-exposed,
bringing the group of 78
subjects who participated in
the survey, aged between 8
and 10 years, all students at
a public school in the city of
Curitiba, PR. We performed
the measurement of peak
expiratory flow, with the
Peak Flow Meter Assess ®.
Results: For data analysis
we used the chi-square
where the p-value was <
0.01 confirming that there is
significant difference in peak
expiratory flow between the
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
group exposed to passive
smoking and environmental
non-exposed group.
Conclusion: It was observed
that there is reduced
respiratory capacity in the
group of children living
in the same household of
father or mother smoker,
and that, in children where
there is more than a smoker
Peak expiratory flow is even
smaller
Keywords: Environmental
Passive Smoking, Students
and Peak Expiratory Flow.
Introdução
Tabagismo passivo é a
inalação por indivíduos
não fumantes da fumaça
proveniente da queima de
derivados do tabaco, como
cigarro, cigarro de palha,
cigarro de cravo, charuto,
cachimbo, Narguilé e
outros. Também pode ser
denominado exposição
involuntária ao fumo ou
poluição tabágica ambiental
(REICHERT, 2008).
É de grande relevância
o estudo dos impactos
causados pela exposição da
criança ao fumo passivo, pelo
fato de estar com seu corpo
em desenvolvimento, sendo
o sistema respiratório o mais
afetado (SALMÓRIA et al.
2006).
Artigo - 2
As crianças com genitores
fumantes são expostas
por anos à poluição
ambiental, inalam nicotina
continuamente e podem
com facilidade tornarse nicotinodependentes
(ROSEMBERG, 2004).
O ambiente onde a criança
cresce e se desenvolve no
convívio com os pais é a mais
agressiva fonte de poluição
ambiental no que se refere ao
fumo passivo. O tabagismo é
o principal poluente ambiental
no interior dos domicílios
brasileiros, e a maioria das
pessoas não se importa com
as consequências provocadas
pelos poluentes existentes na
fumaça do cigarro.
Segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS,
2008) o fumo mata quase
seis milhões de pessoas por
ano, dos quais mais de cinco
milhões são usuários e exusuários e mais de 600.000
são não fumantes expostos
à fumaça de segunda
mão. Em 2004, as crianças
representavam 28% das
mortes atribuíveis ao fumo de
segunda mão.
Nos recém-nascidos, o
tabagismo passivo está
relacionado a déficits
neurológicos e cognitivos,
tremores, hipertonicidade,
inquietude e hiperatividade.
Crianças no período
pré-escolar apresentam
dificuldade de aprendizado.
Na idade escolar há déficit
de atenção, dificuldades
na leitura, no cálculo e
desenvolvimento das
habilidades manuais e da
linguagem falada (REICHERT,
2008).
Uma forma de avaliar a
função pulmonar da criança é
por meio da medida do pico
de fluxo expiratório máximo
(PFE), método simples,
não invasivo, econômico
e rápido que avalia força,
velocidade e saída de ar de
dentro dos pulmões em L/min
(SARMENTO, 2009).
Para Egan (2000) as escolas são
os melhores locais para educar
as crianças sobre os perigos do
tabagismo, e o fisioterapeuta
tem papel relevante no que se
refere à avaliação e orientação
sobre as consequências do
fumo passivo.
Objetivos
Objetivo geral
O presente estudo teve como
objetivo principal analisar a
prevalência de crianças com
diminuição da capacidade
respiratória devido à
inalação de substâncias
tóxicas existentes na fumaça
do cigarro em uma escola
pública de uma grande capital
brasileira.
Objetivos específicos
Estudar a fisiologia
respiratória da criança
exposta à fumaça de cigarro,
descrever a técnica do pico
de fluxo expiratório (PFE)
por meio do aparelho Peak
Flow e identificar e estudar
possíveis formas de prevenção
e orientação da criança na
condição de fumante passivo.
Métodos
A presente pesquisa foi
aprovada pelo Comitê de Ética
em Pesquisa da Faculdade
Dom Bosco, de acordo com a
resolução nº. 196/96 do CNS,
em 30 de março de 2008. De
acordo com Thomas (2002),
a amostragem foi aleatória
estratificada, observacional e
transversal.
Conforme Altman (1991),
o tamanho da amostra foi
calculado com confiabilidade
de 95%, poder de teste de 85%
e diferença padronizada de
0,65 desvio padrão.
A pesquisa foi realizada
na Escola Municipal dos
Vinhedos, em Curitiba,
Paraná.
Foi entregue a 190 crianças
o termo de consentimento
livre e esclarecido, por elas
encaminhado aos pais ou
responsáveis, mas somente
80 entregaram a autorização
assinada. Em seguida, foi
entregue questionário com
perguntas sobre os hábitos
tabágicos da família, a partir
do qual foram identificados
os grupos de estudo: expostos
e não expostos à fumaça do
cigarro. Duas crianças foram
excluídas por patologias
associadas, totalizando n
= 78 crianças avaliadas na
pesquisa.
Foi utilizado como ferramenta
o aparelho Peak Flow
Meter Assess®, pelo qual se
realizaram três mensurações
do pico de fluxo expiratório
máximo, sendo anotada a
melhor medida.
Os alunos foram submetidos
à medida da altura por
meio de fita métrica. Idade
e peso também foram
coletados. Todos os dados
registrados foram digitados
no computador em planilha
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
15
Artigo - 2
do Microsoft Office Excel, e tabelas foram elaboradas para
a interpretação dos dados. Para análise estatística, os dados
quantitativos foram descritos em médias e desvio padrão, e o
teste Qui- quadrado foi utilizado apara avaliar a significância.
Resultados
De acordo com o Gráfico 1, foram avaliadas 78 crianças, sendo
31 (40%) do sexo masculino e 47 (60%) do sexo feminino, com
idade entre 8 a 10 anos, sendo a média de idade 9 anos com
desvio padrão dp = 0,63.
GRÁFICO 1 – DISTRIBUIÇÃO DA CASUÍSTICA POR SEXO
100%
100%
80%
60%
60%
40%
40%
20%
0%
Masculino
Feminino
Total
Fonte: Dados da pesquisa (2009).
O Gráfico 2 representa os dois grupos da pesquisa. O primeiro,
com 64% das crianças avaliadas, não sofreu exposição tabágica
no ambiente familiar; no segundo grupo, 36% sofreram
exposição ao tabagismo passivo ambiental.
Gráfico 2 – Grupos da pesquisa
PREVALÊNCIA
70%
64%
60%
50%
40%
35%
30%
20%
10%
0%
Expostos
Não expostos
Fonte – Dados da pesquisa (2009)
16
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Artigo - 2
Observa-se no Gráfico 3 que 64% das crianças não expostas
estavam abaixo do valor de referência, enquanto 36% estão
acima. Em contrapartida, 100% das crianças expostas ao
tabagismo passivo ambiental estão abaixo do valor de referência.
No teste do Qui-quadrado o p-valor foi de (p < 0,01), indicando
que existiu diferença significativa na proporção de crianças
acima e abaixo nos dois grupos de expostos e não expostos.
GRÁFICO 3 – VALOR DE REFERÊNCIA DO PICO DE FLUXO
GRUPO DE CRIANÇAS ABAIXO E ACIMA DO VALOR DE REFERÊNCIA DE GODFREY
100%
100%
80%
64%
Não expostos
60%
40%
36%
Expostos
20%
0%
0%
Abaixo (VR)
Acima (VR)
Fonte: Dados da pesquisa (2009).
No Gráfico 4 observamos que nas crianças expostas ao
tabagismo passivo ambiental a média do pico de fluxo
expiratório em meninos e meninas foi menor, confirmando
a diminuição da capacidade expiratória da criança exposta à
fumaça do cigarro.
GRÁFICO 4 – MÉDIA DO PICO DE FLUXO
MÉDIO DO PFE ENTRE OS GRUPOS
300
250
283
254
249
261
PFE/m
200
Não expostos
150
100
Expostos
50
0
Meninos
Meninas
Fonte: Dados da pesquisa (2009).
No Gráfico 5 está representado o IMC do grupo de não
expostos, pelo qual se constata que 38% estavam abaixo do peso,
18% com peso normal e 3% com excesso de peso. No teste Quiquadrado o resultado foi p-valor 0,3350; como é maior que 0,05,
conclui-se que não existe diferença significativa entre o IMC dos
dois grupos.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
17
Artigo - 2
GRÁFICO 5 – IMC
ICM DOS GRUPOS AVALIADOS
38%
40%
30%
20%
18%
15%
23%
10%
3%
3%
0%
Baixo peso
Crianças expostas
Normal
Excesso de peso
Crianças não expostas
Fonte: Dados da pesquisa (2009).
Discussão
Arets e Brackel (2001) defendem que a faixa etária ideal para
realização do pico de fluxo expiratório se inicia a partir dos 7
anos.
Segundo Polgar et al. (1979) a partir dos seis anos de idade
as técnicas de avaliação da função pulmonar podem ser
utilizadas para fornecer informações precisas para o padrão
de crescimento das funções fisiológicas do pulmão. O presente
estudo objetivou analisar valores de pico de fluxo expiratório
em crianças saudáveis entre 8 a 10 anos de idade expostas ao
tabagismo passivo ambiental.
Graff-Lonnevig et al. (1993) avaliaram o pico de fluxo expiratório
em 457 crianças saudáveis em período escolar (235 do sexo
masculino e 222 do sexo feminino), com idade entre 6 e 16 anos,
todas moradoras de Ruyadh, na Arábia Saudita, utilizando
dois aparelhos medidores de pico de fluxo de ar: Peak Flow
Meter e Mini Peak Flow Meter. Após o estudo, concluíram que
ambos os aparelhos não apresentaram diferenças nos valores
estatisticamente significantes. Para a presente pesquisa foi
utilizado o aparelho Wright, da marca Assess®, não havendo na
literatura referência sobre o mesmo.
Agaba et al. (2003) avaliaram 1.023 crianças na faixa etária de 6 a
12 de anos residentes numa área urbana da Nigéria e obtiveram
valores médios de PFE de 213,3 L/m e 211 L/m para meninos e
meninas, respectivamente.
Os autores também relatam que os valores de PFE encontrados
têm correlação significativa com parâmetros antropométricos,
principalmente com a idade e a estatura. Todos os estudos
citados anteriormente concordam com os achados do presente
estudo, no qual se verificou que o PFE difere entre os sexos,
apresentando indivíduos do masculino maior valor de PFE.
A razão dessa diferença, segundo Graff-Lonnevig et al. (1993),
tem sido muito discutida, mas há uma opinião geral que esse
efeito pode estar relacionado à melhor condição muscular
torácica apresentada por indivíduos deste sexo.
18
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Em relação ao sexo e PFE,
algumas evidências podem
ser levantadas. Inicialmente,
o pulmão dos meninos tem
o mesmo tamanho que o
das meninas, mas com o
aumento da idade tornamse desproporcionalmente
maiores (THURLBECK, 1982).
A presença de um ou
mais fumantes em casa foi
associada com reduções de
pico de fluxo expiratório
médio, e a exposição in
utero ao tabagismo materno
está associada à diminuição
da função pulmonar em
crianças em idade escolar,
especialmente para os fluxos
de pequenas vias aéreas.
Segundo Carlsen et al. (1997),
a exposição da criança à
poluição ambiental e à fumaça
do tabaco, mesmo antes
do nascimento, influencia
sua função pulmonar,
causando doenças nesses
órgãos e consequentemente
a diminuição do PFE.
Em relação à pesquisa
apresentada, a média do pico
de fluxo expiratório (PFE) foi
menor nas crianças filhas de
mães fumantes e, mais baixa
ainda nas filhas de pais e mães
fumantes.
Primhak e Coates (1988),
a fim de avaliar os efeitos
da desnutrição sobre o
crescimento da função
pulmonar, estudaram 376
estudantes indígenas com
idade entre 6 e 12 anos.
Concluíram que a desnutrição
atual tem efeito negativo
sobre PFE, possivelmente
devido à função muscular
comprometida, e que a
desnutrição pregressa
ou crônica afeta menos
o crescimento da função
Artigo - 2
pulmonar do que o
crescimento somático. A
desnutrição causa ainda perda
da forca contrátil muscular,
que se torna ineficaz,
alterando significativamente
os valores de PFE.
Após calcular o IMC de
todas as crianças avaliadas
na pesquisa obtivemos os
seguintes valores de percentil:
53% das crianças estão com
valores normais, 42% com
baixo peso e 5% com excesso
de peso, o que pode explicar
os valores baixos de pico de
fluxo expiratório nos sujeitos
da presente pesquisa.
Research. London: Chapman
and Hall, 1991.
Conclusão
EGAN, DONALD F;
Fundamentos da Terapia
Respiratória de Egan. 7. ed.
São Paulo: Manole, 2000.
Foi possível observar
neste estudo que no grupo
das crianças expostas ao
tabagismo passivo ambiental
a média do pico de fluxo
expiratório, tanto em meninos
quanto em meninas, foi menor
quando comparada à média
do pico de fluxo das crianças
não expostas. Isso confirma
a diminuição da capacidade
respiratória da criança
exposta ao tabagismo passivo
ambiental (TPA).
A figura da mãe é
fundamental para a educação
dos filhos, e seus hábitos
podem influenciar a decisão
da futura geração em relação
ao tabagismo.
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Artigo - 3
Estudo dos efeitos do treinamento resistido e
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Study of the effects of resistance training and exercises multisensory
on balance and risk of falls institutionalized elderly
João Erick C. dos Santos¹
Lincoln H. Miyamura¹
Marcel E. N. Dias¹
Francisco Zanardini2
Cristiane R. Gruber2
1. Acadêmico do curso de Fisioterapia da
Faculdade Dom Bosco
2. Professores do curso de Fisioterapia da
Faculdade Dom Bosco
RESUMO
Ao longo da vida, o ser
humano tende a uma série
de problemas motores
devido ao sedentarismo,
senilidade ou senescência. O
presente estudo teve como
objetivo identificar os efeitos
dos exercícios resistidos e
multisensoriais em relação
ao equilíbrio e à diminuição
do risco de queda em
idosos institucionalizados.
A amostra do estudo foi
composta por doze sujeitos
de ambos os gêneros (quatro
homens e oito mulheres)
com idades variando de 60 a
90 anos, institucionalizados
em uma casa de repouso
particular na cidade de
Curitiba. Estes foram
randomizados em três grupos
(multisensorial, resistido
e controle), avaliados
e reavaliados por meio
das escalas de equilíbrio
de Berg, TUG e sentarlevantar, submetidos a um
programa de exercícios
20
resistidos e multisensoriais
por dois meses, com dois
atendimentos semanais
de 40 minutos. Houve um
tempo de destreinamento
de 30 dias, quando os idosos
não realizaram qualquer
atividade. Após esse
tempo, foram reavaliados
e constatou-se melhora nos
dois grupos (multisensorial
e resistido) nas escalas de
Berg, teste de TUG e teste de
sentar-levantar. Entretanto,
a manutenção do equilíbrio
e consequente diminuição
do risco de quedas foi
melhor observado no grupo
multisensorial, mesmo após
o período de destreinamento
de 30 dias. Pôde-se concluir
com esse trabalho que os
exercícios multisensoriais
causam efeitos duradouros
em relação ao equilíbrio do
idoso, sendo necessárias
novas pesquisas com os
exercícios aplicados nesse
estudo e com grupo maior de
participantes para confirmar
os efeitos dos exercícios
multisensoriais sobre o
equilíbrio das pessoas de
terceira idade.
Palavras-chave: fisioterapia,
envelhecimento, equilíbrio,
atividade física, exercícios
resistidos, exercícios
multisensoriais.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
ABSTRACT
The human being throughout
life tends to trigger a series
ofengine problems due
to inactivity, old age or
senescence. This study
aimed to identify the effects
of resistance exercises
andmultisensory exercises
in relation to balance and
reduce the riskof falls in
institutionalized elderly. The
study sample consisted of
12 subjects of both sexes (4
males and 8 females) with
agesranging from 60 to 90
years, institutionalized in a
private nursing home inthe
city of Curitiba. These were
randomized into threegroups
(multisensory, weathered
and control), assessed
andreassessed by the Berg
Balance Scale, TUG and sit
/ stand,subject to a program
of resistance exercises and
multisensory two months
with two weekly visits to
40 minutes in duration.
There was a time of 30 days
of detraining, where the
elderly did not perform any
activity. Being re-evaluated
after that time. Improvement
occurred in both groups
(multisensory and resisted)
in the scales of Berg, TUG test
and test sit / stand. However,
maintaining the balance and
therefore reducing the risk
of falls was observed in the
multisensory best, even after
the detraining period of 30
days. The conclusion from this
work that the multisensory
exercises cause lasting effects
as regards the balance of the
elderly, further research is
needed with the exercises
used in this study with a
larger group of participants
to confirm the effects of
exercise on the balance of
multisensoryseniors.
Keywords: physical therapy,
aging, balance, physical
activity, resistive exercise,
multisensory, BBS, TUG and
sit/stand.
Introdução
O envelhecimento é um
evento geneticamente
programado, dentro da
sequência normal que vai do
desenvolvimento à morte,
e ocorre devido ao colapso
gradativo das funções
celulares (PICKLES et al.,
2000).
No Brasil, grande proporção
de idosos Institucionalizados
é dependente por problemas
físicos ou mentais, mas
a miséria e o abandono
são os principais motivos
da institucionalização. O
indivíduo institucionalizado
sofre com a falta de um
programa de exercícios para
manutenção de seu equilíbrio
de força, o que aumenta seu
medo de cair (CARVALHO et
al., 2001).
A atividade física tem sido
comprovada como fator de
melhora da saúde global
do idoso, pois oferece aos
idosos maior segurança na
realização de suas atividades
diárias, prevenindo quedas
(GUIMARÃES et al., 2004).
Carvalho et al. (2001) relatam
que para uma boa condição
estática do equilíbrio e força
de reação é necessário que os
músculos estejam treinados,
com isso evita-se fraquezas
favoráveis para a queda. A
atividade física é capaz de
beneficiar pessoas de todos
os grupos etários, mas é
especialmente importante
para a saúde das pessoas da
terceira idade.
De acordo com Costa et al.
(2009), o treinamento dos
mecanismos de equilíbrio,
como treino de força e
exercícios multisensoriais,
aumenta a autoconfiança
dos idosos, melhora suas
capacidades funcionais e
mobilidade e é utilizado
para a manutenção da
aptidão física relacionada ao
equilíbrio. o.
Os exercícios multisensoriais
envolvem a manutenção da
postura e são uma opção
prática, simples, barata e
de fácil implantação em
escolas, praças, parques e
postos de saúde. Isso faz da
atividade a resposta ideal
para o aprendizado motor
relacionado ao equilíbrio
(COSTA et al., 2009).
Segundo Rebelatto (2007), a
sarcopenia - diminuição da
massa muscular - pode ser
revertida com o treinamento
de força, que segundo Silva
et al. (2008) tem correlação
com o equilíbrio. Esses fatores
justificam a presente pesquisa.
O objetivo do presente estudo
foi identificar os efeitos
dos exercícios resistidos e
multisensoriais em relação
ao equilíbrio e à diminuição
do risco de quedas em idosos
institucionalizados.
Materiais e métodos
A pesquisa foi realizada
numa casa de repouso e
avaliou idosos moradores
da instituição na faixa etária
de 60 a 90 anos, escore
mínimo no Miniexame do
Estado Mental (MEEM), não
limitantes para atividade
exigida pelo estudo, com
marcha independente
(considerando dispositivos
auxiliares, como bengalas) e
sedentários.
Foram excluídos idosos que
apresentassem amputação,
alterações neurológicas (AVE,
lesão medular), deficiência
visual limitante, traumas
ortopédicos recentes, alteração
cognitiva grave, hipertensão
arterial não controlada e
cadeirantes.
Procedimentos
Os procedimentos e a coleta
de dados para pesquisa foram
realizados na instituição.
Os idosos foram avaliados
por meio das escalas Berg,
sentar-levantar e Timed Up
And Go antes da aplicação
do programa de exercícios,
ao término do tratamento (8
semanas) e após 4 semanas
sem atividade física.
A escala de Berg (SILVA, et
al., 2008), criada em 1992 por
Katherine Berg, é constituída
por 14 tarefas comuns
que envolvem o equilíbrio
estático e dinâmico, tais como
alcançar, girar, transferir-se,
permanecer em pé e levantarse. A realização das tarefas
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
21
Artigo - 3
foi avaliada pela observação.
A pontuação varia de 0 a 4,
totalizando o máximo de 56
pontos. Tais pontos foram
subtraídos caso o tempo ou a
distância não fosse atingido,
o sujeito necessitasse de
supervisão para a execução
da tarefa se apoiavasse num
suporte externo ou recebesse
ajuda do examinador.
O teste de sentar-levantar
(TSL) (LIRA, ARAÚJO,
2000) avaliou a destreza nas
ações de sentar e levantar
do solo independentemente,
utilizando uma escala
ordinal de 0 a 5. Para cada
apoio utilizado nas ações
um ponto era perdido, caso
houvesse desequilíbrio, mais
meio ponto era subtraído
do escore máximo de 5. O
melhor desempenho, em
duas tentativas, representou o
escore final para cada ação.
O TSL envolveu os atos de
sentar e levantar do solo,
comuns nos primeiros anos de
vida, mas progressivamente
menos presentes no cotidiano
com o passar dos anos.
A lógica que permeia a
avaliação é quanto maior a
dificuldade do indivíduo em
realizar os atos, mais apoios
no solo e no próprio corpo
são utilizados. A aplicação
do teste demandou cerca de
um minuto, e a graduação
dos atos foi extremamente
simples, uma vez que cada
apoio utilizado resultou na
redução de um ponto da
nota máxima e, havendo
desequilíbrio perceptível, mais
meio ponto foi subtraído.
O teste Timed Up And Go
(PAULA, PRATA, 2007)
foi realizado a partir da
22
posição sentada com as
costas apoiadas na cadeira.
Os sujeitos foram instruídos
a levantar-se, percorrer 3
metros até um ponto marcado
no chão, regressar e sentar-se
novamente apoiando as costas
na cadeira. Os pacientes foram
orientados a não conversar
durante a execução do teste e
realizá-lo o mais rápido que
conseguisse, mas sem correr.
Programa de tratamento
Os sujeitos enquadrados nos
critérios de inclusão foram
divididos em três grupos: GM
(grupo multisensorial), GR
(grupo resistido) e GC (grupo
controle).
O grupo controle foi avaliado
e recebeu orientações sobre
a prevenção de quedas,
entretanto não participou do
programa de exercícios.
Os integrantes dos grupos
multisensorial e resistido
foram submetidos à realização
de exercícios duas vezes por
semana durante quarenta e
cinco minutos, totalizando
oito semanas (SKELTON
& MCLAUGHLIN, 1996;
SCHLICHT et al., 2001 apud
ARAÚJO, 2010) de trabalho
conforme protocolo elaborado
pela equipe.
A pressão arterial foi
verificada no início e fim de
cada sessão e, caso o sujeito
apresentasse alguma alteração
significativa - segundo a
Organização Mundial de
Saúde (OMS) pressão sistólica
máxima de 160 mmHg e
diastólica máxima de 89
mmHg - o treinamento era
postergado. Além disso, o
exercício era interrompido
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
caso o sujeito apresentasse
alteração incomum, como
sinais de dor ou fadiga
inesperados.
Os exercícios multisensoriais
foram compostos por dez
estações em forma de circuito,
com exercícios de equilíbrio,
coordenação motora e
controle postural em várias
posições. Cada atendimento
foi composto de aquecimento
com caminhada de dez
minutos (SILVA et al., 2008) e
exercícios multisensoriais com
duração de trinta minutos. Os
idosos realizaram os exercícios
individualmente em tempo
determinado de 3 minutos em
cada estação, passando para a
próxima pelo comando de voz
do fisioterapeuta responsável.
Descrição das estações:
Estação 1: partindo da posição
sentada, o idoso levantou-se
e caminhou a distância de
3 metros. Contornou uma
garrafa PET e retornou à
posição inicial no menor
tempo possível.
Estação 2: o idoso passou
da posição sentado para
depé e caminhou sobre
marcas paralelas, simulando
marcha com passadas largas.
Retornou ao ponto de partida,
realizou um giro de 360º e
sentou-se.
Estação 3: ocircuito dessa
estação foi composto por cinco
garrafas PET distribuídas em
linha reta, distante 50 cm uma
da outra. O idoso caminhou
em zigue-zague entre as
garrafas e quando chegou ao
fim do circuito voltou para a
posição inicial.
Estação 4: o idoso caminhou
Artigo - 3
em linha reta sobre marca de
três metros feita no chão, com
um pé na frente do outro, sem
dar espaços entre as passadas.
Estação 5: num quadrado de
1,5 m2 desenhado no chão, o
idoso agachou-se para pegar
uma bola numa das pontas
do quadrado e a levou para
a ponta oposta, onde havia
outra bola. Trocou as bolas,
levando a que estava no chão
para a ponta do quadrado
onde estava a primeira bola.
Estação 6: de costas, o idoso
caminhou sobre uma linha
reta marcada no chão e ao
final fez um giro de 180°,
retornando ao ponto de
partida.
Estação 7: o idoso realizou
apoio unipodal na marca
feita no chão, primeiro com
o membro inferior direito
e depois com o membro
inferior esquerdo, mantendo o
equilíbrio por 20 segundos.
Estação 8: O idoso realizou
marcha sem sair do lugar
seguida de contagem de
10 segundos. Em seguida,
marchou sobre marcas no
chão, ao final das quais
realizou contagem seguida de
marcha sem sair do lugar e
reiniciou a atividade.
Estação 9: em pé sobre marca
delimitada no chão, O idoso
segurou uma bola entre as
mãose buscou acertá-la dentro
de um cesto à distância de 4
metros.
Estação 10: havia dois
bambolês no chão; o idoso
passou por dentro do primeiro
a partir da parte superior do
corpo (cabeça), e o segundo a
partir dos membros inferiores.
Realizou o exercício quantas
vezes conseguiu.
Os exercícios resistidos foram
realizados utilizando como
resistência a gravidade, o peso
corporal do indivíduo e faixas
elásticas, sem implementar
cargas progressivas pelo
fato de os indivíduos
apresentarem condições
sedentárias, como dificuldade
de marcha e hipotrofia
muscular. Exercícios
concêntricos e excêntricos
tiveram duas séries de oito
repetições (SILVA et al.,
2008). Cada atendimento foi
composto das seguintes fases:
aquecimento com caminhada
e duração de 10 minutos
(SILVA et al., 2008), exercícios
resistidos de 30 minutos de
duração.
Exercícios em posição de
decúbito dorsal:
1) Deitado ao solo em
decúbito dorsal, o idoso
executou flexão de quadril
até a altura do outro joelho,
alternando membro direito
e esquerdo em duas séries
de oito repetições.
2) Deitado ao solo em
decúbito dorsal, realizou
flexão de quadril com os
dois membros paralelos,
levantou os calcanhares de
30 a 40 cm, em duas séries
de dez repetições.
3) Deitado ao solo em
decúbito dorsal, realizou
flexão de quadril de 30° a
40° com os dois membros
paralelos seguida de
abertura destes membros
- formando um ângulo
suportável máximo para
sua estrutura -, retornou
com o membro elevado e
o apoiou no chão, em duas
séries de dez repetições.
4) Deitado ao solo em
decúbito dorsal, executou
flexão de joelho a 90°
apoiando totalmente a
parte plantar no solo,
fez extensão de quadril
elevando a parte glútea do
solo, em duas séries de dez
repetições.
Exercícios em posição
sentada:
1) Sentado numa cadeira
comum, apoiando o
membro superior na
cadeira, ao lado do quadril,
o idoso executou extensão
de joelho total, em duas
séries de 10 repetições.
2) Sentando numa cadeira
comum, apoiando o
membro superior a
cadeira ao lado do quadril,
executou uma extensão de
joelho e retornou à posição
inicial, emduas séries de
oito repetições.
3) Sentado com os joelhos
flexionados e a parte
plantar apoiada no
chão, uma bola entre a
articulação dos joelhos,
executou adução de
quadril exercendo pressão
sobre a bola, em duas
séries de oito repetições.
Exercícios em posição em pé
1) Em pé, apoiado a uma
cadeira, o idoso executou
flexão total de quadril
com flexão total de joelho,
em duas séries de oito
repetições para cada
membro.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
23
Artigo - 3
2) Em pé, com um elástico
envolvendo os dois
membros inferiores
em extensão de joelho,
executou abdução
tencionando o elástico
envolvido, em duas séries
de oito repetições.
3) Em pé, apoiado a uma
cadeira fazendo leve
flexão de joelho, realizou
agachamento que
permaneceu no limite de
30° a 90°, em duas séries de
oito repetições.
Ao término do programa os
sujeitos foram reavaliados
com base nos mesmos
procedimentos da avaliação
inicial. Após quatro semanas
do término, foram submetidos
aos mesmos testes a fim de
avaliar o destreinamento.
Resultados
A amostra foi composta
por doze indivíduos na
faixa etária de 60 a 90 anos
de idade, contando com
quatro homens (33,3%) e
oito mulheres (66,7%). Esses
sujeitos foram divididos
igualmente em três grupos,
compostos por quatro
indivíduos: GM com média
de idade de 80 anos, GR com
média de idade de 82 anos e
GC com média de idade de
80,5 anos. Os resultados a
seguir apresentam as médias
de cada grupo nos testes TUG
(Gráfico 1), Berg (Gráfico 2) e
sentar-levantar (Gráfico 3) no
formato de tabela e/ou gráfico
da avaliação, reavaliação e
destreinamento.
24
GRÁFICO 1 - MÉDIAS DO TUG NOS TRÊS GRUPOS
(MULTISENSORIAL, RESISTIDO E CONTROLE).
TESTE TUG (Segundos)
60
49
50
50
54
38
40
27
30
28
20
10
10
0
7
7
Multisensorial
Resistido
Avaliação
Controle
Reavaliação
Destreinamento
Fonte: Elaborado pelos autores.
De acordo com os dados coletados na reavalição do teste
TUG (Gráfico 1), os participantes do grupo multisensorial
apresentaram melhora de 30%, e Os participantes do grupo
resistido de 28%. No destreinamento, o grupo multisensorial
manteve o resultado da reavaliação. O grupo controle
apresentou piora de 2% no tempo de execução do teste durante
a reavaliação e de 8% no destreinamento.
Comparando os dados coletados no teste de Berg (Gráfico
2), o grupo multisensorial apresentou melhora de 11% na
reavaliação , mantendo a mesma pontuação no destreinamento.
Os participantes do grupo resistido tiveram melhora de 26% na
reavaliação e no destreinamento diminuíram o escore em 7%. O
grupo controle apresentou piora de 10% na reavaliação e de 2%
no destreinamento.
GRÁFICO 2 - MÉDIAS DO BERG NOS TRÊS GRUPOS
(MULTISENSORIAL, RESISTIDO E CONTROLE).
TESTE BERG (Escore)
60
50
49
55
55
43
40
40
32
30
31
28
29
20
10
0
Multisensorial
Avaliação
Resistido
Reavaliação
Controle
Destreinamento
Fonte: Elaborado pelos autores.
Comparando os dados coletados no teste sentar-levantar
(Gráfico 3), o grupo multisensorial apresentou melhora na
reavaliação referente ao teste de sentar e manteve praticamente
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Artigo - 3
a mesma pontuação no destreinamento. No teste de levantar,
manteve a pontuação da avaliação inicial na reavaliação, e
melhorou no destreinamento. Participantes do grupo resistido
obtiveram melhora no teste de sentar durante a reavaliação e
piora no destreinamento, e mantiveram praticamente a mesma
média no teste de levantar , porém com fator decrescente. O
grupo controle apresentou piora na reavaliação do teste de
sentar e no destreinamento, já no teste de levantar apresentou
igual desempenho na reavaliação e piora no destreinamento.
GRÁFICO 3 - MÉDIAS DO TESTE SENTAR-LEVANTAR NOS TRÊS
GRUPOS (MULTISENSORIAL, RESISTIDO E CONTROLE).
TESTE SENTAR E LEVANTAR (Escore)
6,0
5,0
4,5
4,9 4,8
4,0
3,0
3,3
2,5 2,5
2,0
2,5
3,0
0,8
1,0
-
2,3
1,8
Multifuncional Multifuncional
(sentar)
(levantar)
Avaliação
Resistido
(sentar)
0,5 0,3
Resistido
(levantar)
Reavaliação
1,8 1,8
0,5 0,5 0,25
Controle
(sentar)
Controle
(levantar)
Destreinamento
Fonte: Elaborado pelos autores.
Os testes foram avaliados por meio de análise descritiva, e os
resultados não foram significativos pelo fato de a amostra de
cada grupo ser inferior a dez integrantes.
A melhora dos participantes em relação ao teste de BERG e
TUG é considerada está relacionada a pontos fundamentais
para evitar uma queda, como trofismo muscular no auxílio
do equilíbrio e na resposta de reação de proteção. Ganança
et al. (2005) relatam que o aumento da frequência de queda
em idosos ocorre devido à involução de sistemas, como
aparelho vestibular, e fatores intrínsecos, como imobilidade e
incapacidade funcional para realizar atividades de vida diária,
diminuição de força muscular de membros inferiores, déficit
de equilíbrio, distúrbio da marcha e doenças crônicas. Também
relatam que um programa de treinamento ou atividades físicas
para fortalecer membros inferiores auxilia em muitas funções,
como o equilíbrio, e diminuem o risco de quedas.
Os dados coletados depois do treinamento apresentam
resultados consideráveis para a manutenção do equilíbrio, como
diminuição de tempo percorrido no teste de TUG de 30% no
grupo multisensorial e de 28% no grupo resistido. Considerando
o testes de Berg, o grupo resistido apresentou grande
melhora na reavaliação (26%) em relação aos outros grupos,
comprovando o bom resultado do treinamento.
Discussão
A proposta desta pesquisa
foi comparar os exercícios
resistidos e os multisensoriais,
buscando avaliar qual é o
mais efetivo para a melhora
do equilíbrio e consequente,
diminuição do risco de quedas
em idosos institucionalizados.
O estudo de Paula (2007)
relata que o envelhecimento
se dá de forma heterogênea,
variando de pessoa para
pessoa, não podendo um
indivíduo ser classificado
unicamente por sua faixa
etária.
Faria (2003) cita que o
envelhecimento leva a
uma série de modificações
fisiológicas inevitáveis
sobre os sistemas
neuromúsculoesquelético e
sensorial. Essas modificações
podem gerar déficits de
equilíbrio e alterações na
marcha que predispõem o
idoso a quedas e limitações
funcionais.
A independência
funcional requer força
muscular, equilíbrio,
resistência cardiovascular
e também motivação.
Costuma-se afirmar que
a deterioração dessas
capacidades é inevitável
com o envelhecimento,
porém está claro que
muito dessa deterioração
pode ser atribuída ao
sedentarismo. Isso significa
que a implementação de
um programa de exercícios
terapêuticos, mesmo em
idades extremas, é capaz de
minimizar ou mesmo evitar o
declínio funcional acentuado,
amenizando os efeitos
das doenças, ou mesmo
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
25
Artigo - 3
prevenindo-as (FARIA, 2003).
Considerando que a queda é
um evento multifatorial, no
qual estão envolvidos perda
do equilíbrio, alterações na
marcha, nos sistema sensorial
e musculoesquelético, além de
fatores ambientais (PAULA,
2007), o presente estudo
contemplou atividades de
treinamento do equilíbrio,
da marcha e treinamento
muscular, contribuindo
para a diminuição no risco
de quedas, ponderando
que depois de uma queda
com consequências graves
como fraturas, internações
e perda de independência
o idoso pode apresentar a
”síndrome pós-queda”, o que
pode interferir em sua vida
tanto do ponto de vista físico
quanto do social. Assim, esse
indivíduo passa a ter medo
de sair de casa e vai limitando
suas atividades (PAULA,
2007).
No estudo de Soares e
Sacchelli (2007), os idosos
que realizaram programa
cinesioterapêutico
apresentaram melhora
no equilíbrio, o que
possivelmente diminui o
risco de quedas e aumenta a
independência nas atividades
diárias. Essa descoberta foi
comprovada no presente
estudo, pois foi relatado
pelos idosos atendidos
maior independência para
a realização das atividades
diárias, como levantar de uma
cadeira, sentar na poltrona,
deambular, subir e descer
escadas, tomar banho e fazer
higiene pessoal.
O equilíbrio consiste em
manter o centro de gravidade
(CG) dentro de uma base
26
de suporte que proporcione
maior estabilidade nos
segmentos corporais,
durante situações estáticas
e dinâmicas. O corpo deve
ser hábil para responder
às translações do seu CG
impostas voluntária e
involuntariamente (FARIA
et al., 2003). O mesmo autor
descreve que com base
nos estudos analisados o
fortalecimento muscular foi
efetivo em melhorar a força
dos músculos, a mobilidade
funcional e o equilíbrio de
indivíduos idosos.
Exercícios que exigem
equilíbrio estimulam o sistema
de controle motor e favorecem
ganho de força muscular,
melhoria dos mecanismos de
propriocepção, diminuição
dos desequilíbrios musculares
causadores de desvios
posturais e maior sinergia
entre os músculos durante um
movimento. Exercícios que
forçam o indivíduo a manter
seu centro de gravidade
dentro da base de suporte
melhoram o equilíbrio
(CAMPOS et al., 2004).
Nos resultados obtidos
depois do destreinamento, foi
observado efeito duradouro
ou manutenção dos escores
na EEB, TUG e sentarlevantar pela aplicação dos
exercícios multisensoriais.
Com a aplicação dos
exercícios resistidos, não
houve manutenção dos
mesmos escores de pontuação.
Carvalho (2003) relata em
seu trabalho que existe uma
especificidade de adaptação
ao treino e de desadaptação
após destreino relacionada
ao instrumento de avaliação
utilizado.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Conclusão
Após o destreinamento
(30 dias sem atividades),
observou-se a manutenção
do equilíbrio e da qualidade
da marcha apenas no grupo
que realizou exercícios
multisensoriais. Já no grupo
que realizou exercícios
resistidos houve declínio
na velocidade da marcha
(TUG) e no escore de Berg
quando reavaliado após o
destreinamento.
Com isso se conclui que
dentre os grupos treinados,
o que praticou exercícios
multisensoriais apresentou
maior ganho e manutenção do
equilíbrio, diminuindo dessa
forma a incidência de queda
e deixando claro que a falta
de atividade física acarreta
déficit motor devido ao
sedentarismo, senilidade e/ou
senescência dos idosos.
Sugere-se a realização de
novas pesquisas, aplicando-se
as técnicas incluídas no estudo
com um grupo maior de
participantes e comparandose idosos institucionalizados
e não institucionalizados a
fim de observar com maior
fidedignidade os efeitos dos
exercícios físicos sobre o
equilíbrio e o risco de quedas
de idosos.
REFERÊNCIAS
ALFIERI M. F. Mobilidade
funcional de idosos
submetidos a exercícios
multisensoriais. Motricidade
On Line, 2008.
ARAÚJO, M. M. Efeitos dos
exercícios resistidos sobre o
equilíbrio e a funcionalidade
de idosos saudáveis: artigo
Artigo - 3
de atualização. Revista
Fisioterapia e Pesquisa, São
Paulo, v. 17, n. 3, p. 277-83,
jul./set. 2010.
institucionalização de idosos
em Belo Horizonte, Brasil.
Revista Saúde Pública, v. 33,
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AVEIRO et al. Efeitos de
um programa de atividade
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muscular do quadríceps em
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visando uma melhoria
na qualidade de vida.
Revista Brasileira Ciência e
Movimento, Brasília, v. 12,
p. 33-38, set. 2004.
COSTA, J. N. de A. Efeitos
de um circuito de exercícios
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Artigo - 4
Estudo controlado cego randomizado sobre os efeitos
do tratamento fisioterapêutico utilizando os exercícios
da série de Cawthorne-Cooksey associados à simulação
virtual por meio do videogame Nintendo® Wii em
sujeitos com distúrbios vestibulares
Randomizado blind controlled study on the effects of physiotherapy exercises using
the series of Cawthorne-Cooksey associated with the virtual simulation video game
by Nintendo® Wii in subjects with vestibular disorders
Juliana Bertolino Silva1
Juliane Cumin2
Raquel de Gois Batista3
Thaísa Wolski Kokufu4
Marcia Maria Kulczycki5
1. Acadêmica do curso de Fisioterapia da
Faculdade Dom Bosco. Contato: ju.bertolino@
hotmail.com
2. Acadêmica do curso de Fisioterapia
da Faculdade Dom Bosco. Contato:ju_
[email protected]
3. Acadêmica do curso de Fisioterapia da
Faculdade Dom Bosco. Contato: Raquel_
[email protected]
4. Acadêmica do curso de Fisioterapia da
Faculdade Dom Bosco. Contato: ysa_gta@
msn.com
5. Mestre docente da Faculdade Dom Bosco
pela CBES. Mestre em Tecnologia em Saúde
pela PUCPR.
[email protected]
RESUMO
Estudo controlado, cego,
randomizado, do tipo
aplicado e descritivo,
realizado na Faculdade
Dom Bosco, Curitiba, PR. O
objetivo deste estudo é avaliar
a eficácia do tratamento
utilizando os exercícios da
série de Cawthorne-Cooksey
associados à simulação
virtual por meio do videogame
Nintendo® Wii procurando
observar a evolução clínica
dos pacientes frente à
realidade virtual. Participaram
deste estudo onze sujeitos
de ambos os sexos, com
diagnóstico de disfunção
vestibular, entre 18 a 70 anos
de idade. Foram realizados
dezesseis atendimentos,
dois por semana. Este
estudo apresentou amostras
dividas em dois grupos: A,
experimental, composto por
sete indivíduos; B, grupo
controle, composto por quatro
indivíduos. Foram utilizados a
escala de Berg e o questionário
de qualidade de vida SF-36 a
fim de quantificar e qualificar
os resultados obtidos. Os
exercícios de Cawthorne e
Cooksey aplicados juntamente
com o videogame Nintendo®
Wii foram capazes de
melhorar o equilíbrio nesta
amostra e, consequentemente,
diminuir a possibilidade de
riscos de quedas.
Palavras-chave: disfunção
vestibular; fisioterapia;
reabilitação vestibular;
realidade virtual.
ABSTRACT
It is a controlled, blinded,
ramdomized, and descriptive
of the typeapplied, held
at Don Bosco School in
the city of Curitiba. This
study aimed to observe the
clinical evolution of patients
submitted to vestibular
rehabilitation with virtual
reality. Participated in this
study, 11 subjects of both
sexes with a diagnosis of
vestibular dysfunction, 18
to 70 years old, totaling 16
sessions, with two weekly
visits. This study had their
amplesdivided into two
groups: A, the experimental
group, composed of 7
individuals, and B, the
control group, composed of
4 individuals. We used the
Berg scale and quality of
life questionnaire SF-36 in
order to quantify and qualify
the results obtained in the
research. The CawthorneCooksey exercises applied
together with the Nintendo
® Wii game were able to
improve the balance in our
sample and, consequently,
reduce dizzy spells, and
improve the quality of life of
individuals.
Keywords: physical therapy,
vestibular dysfunction,
vestibular rehabilitation,
virtual reality.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
29
Artigo - 4
Introdução
O sistema labiríntico tem
grande importância no
controle postural humano,
pois permite o equilíbrio do
corpo sobre uma pequena
base de apoio, os pés. É ao
mesmo tempo um sistema
sensorial e motor, com a
função de fornecer ao sistema
nervoso central informações
sobre a posição da cabeça e
direção da gravidade.
Para Riccil (2010), tontura
é a sensação de prejuízo no
equilíbrio corporal, e vertigem
é uma sensação do tipo
rotativo com desorientação
espacial.
Segundo Doretto (1996),
existem labirintites autênticas,
secundárias, por processos
infecciosos da orelha média
e sintomáticas, que podem
ocorrer devido a uma moléstia
febril, cuja fisiopatogenia é
desconhecida. A labirintite
idiopática, de início súbito,
ocorre em qualquer idade e
os sintomas são intensos e
severos.
A vertigem postural
paroxística benigna (VPPB)
é a mais frequente das
vestibulopatias periféricas,
sendo comum em jovens,
adultos e idosos. Para
Ganança (20–), apesar
de ser considerada uma
afecção benigna quanto
ao prognóstico, pode
afetar consideravelmente
a qualidade de vida do
sujeito e tornar-se social
e/ou profissionalmente
incapacitante. O mesmo
autor relata que a história
clínica típica da VPPB se
caracteriza por episódios de
tontura giratória à mudança
30
de posição ou a movimentos
oculares, com ou sem náuseas
e vômitos associados.
O sistema vestibular é uma
das principais estruturas para
manutenção do equilíbrio,
servindo como referência
aos sistemas visual e
somatossensorial, os quais
também participam dessa
função.
Horak et al., citados por
Ribeiro (2005), consideram
o equilíbrio como a
habilidade do sistema
nervoso em detectar qualquer
instabilidade e gerar
respostas coordenadas que
possam restaurar a base de
apoio do centro de massa
corporal, prevenindo quedas.
Dada a importante função
do sistema vestibular na
sensação do movimento,
não é surpreendente que
os sujeitos com disfunções
vestibulares geralmente
apresentem percepções
anormais do movimento.
A reabilitação vestibular
(RV) é uma ferramenta
terapêutica utilizada em
pacientes com distúrbios
do equilíbrio corporal de
origem vestibular. Sua ação
se baseia em mecanismos
centrais de neuroplasticidade,
conhecidos como habituação,
adaptação e substituição,
visando à compensação
vestibular.
A reabilitação vestibular visa
a promover a reeducação
dos sintomas labirínticos,
diminuindo a intensidade,
frequência e duração dos
sintomas, proporcionando
melhor qualidade de vida do
indivíduo.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Objetivos
Objetivo geral
Este estudo teve como
objetivo geral verificar
os efeitos dos exercícios
da série de CawthorneCooksey associados à
simulação virtual por meio
do videogame Nintendo® Wii
na reabilitação vestibular de
sujeitos com distúrbios do
sistema vestibular.
Objetivos especifícos
Avaliar o equilíbrio estático
e dinâmico dos sujeitos
dos grupos A e B por meio
da escala de Berg; avalia a
qualidade de vida por meio
do Questionário de Avaliação
de Qualidade de Vida SF36, pré e pós-tratamento
fisioterapêutico, aplicar o
tratamento fisioterapêutico
proposto para os grupos A e
B; reavaliar os sujeitos para
verificação de resultados.
Metodologia
Amostra
Participaram deste estudo
sujeitos de ambos os
sexos, com diagnóstico
de disfunção vestibular,
entre 18 a 70 anos de idade,
encaminhados por médicos
otorrinolaringologistas de
uma clínica de Curitiba e por
meio de divulgação visual.
Critérios de inclusão e
exclusão
Como fatores de inclusão
foram considerados os
sujeitos entre 18 e 70 anos
de idade com diagnóstico
de disfunção vestibular,
labirintite e vertigem.
Artigo - 4
Foram excluídos da pesquisa sujeitos com problemas mentais;
gestantes nos três primeiros meses de gestação; obesos; sujeitos
com quadro agudo de dor ou patologias associadas, como
distúrbios respiratórios e cardiopatias descontroladas, tendinites
e síndromes dolorosas, transtornos do aparelho locomotor ou
distúrbios visuais que inviabilizassem os exercícios propostos.
Procedimentos e avaliações
Depois de aprovado o projeto de pesquisa pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da Faculdade Dom Bosco, os sujeitos foram
selecionados e convocados a comparecer no laboratório de
práticas de TCC da Faculdade Dom Bosco. Com o termo de
consentimento livre esclarecido assinado, foram iniciadas as
avaliações fisioterapêuticas.
Para avaliar a qualidade de vida relacionada aos aspectos de
saúde foi aplicado um instrumento traduzido e validado por
Ciconelli et al. (1999), a Avaliação da Qualidade de Vida SF-36.
Também foi aplicada a escala de equilíbrio de Berg, que avalia
o equilíbrio do indivíduo em situações referentes às atividades
diárias, como ficar em pé, levantar-se, andar, inclinar-se à frente,
transferir-se, virar-se, entre outras.
A amostra foi dividida por meio de sorteio em dois grupos
randomizados, sendo A o grupo experimental e B o grupo
controle, com idêntico número de sujeitos.
O grupo experimental foi submetido aos exercícios da série de
Cawthorne-Cooksey associado aos softwares do Nintendo® Wii,
que incentivam a correção da postura e o equilíbrio.
O início do tratamento associado ao Wii é o mesmo realizado
tradicionalmente. O fisioterapeuta deve avaliar fisicamente seu
paciente para diagnosticar a lesão e traçar um objetivo.
Para o estudo foi utilizado o console Nintendo® Wii Fit,
juntamente à balança sensitiva à pressão, denominada Wii
Balance Board. Dentre os jogos selecionados foram utilizados no
estudo os seguintes jogos:
• Soccer Heading (Figura 1), em que o indivíduo deve mudar o
peso corporal para a direita ou a esquerda para inclinar o seu
Mii (jogador virtual) em qualquer direção, atingindo as bolas
e desviando dos objetos arremessados.
FIGURA 1 – SOCCER HEADING
Disponível em: <http://guides.ign.com/guides/949581/pag e_6.html>. Acesso
em: 23 out. 2011.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
31
Artigo - 4
• Tilt Table (Figura 2), em que o indivíduo deve controlar
a inclinação da placa deslocando o peso do corpo para a
direita, esquerda, para frente ou para trás, ajustando seu
peso na plataforma.
FIGURA 2 – TILT TABLE
Disponível em: <http://guides.ign.com/guides/949581/page_6. html>. Acesso
em: 23 out. 2011.
• Balance Bubble (Figura 3), em que o indivíduo deve
distribuir o peso do corpo na plataforma, evitando tocar nas
paredes.
FIGURA 3 – BALANCE BUBLE
Disponível em: <http://guides.ign.com/guides/949581/p age_ 6.html>. Acesso
em: 23 out. 2011.
O grupo controle foi submetido apenas aos exercícios da série
de Cawthorne-Cooksey, que envolvem movimentos de olhos,
cabeça e controle cervical em diferentes situações: no leito,
em posição sentada, bípede estática e dinâmica, com os olhos
abertos e fechados.
A pesquisa com o tratamento fisioterapêutico totalizou
dezesseis atendimentos, duas vezes por semana, ao término
dos quais os sujeitos foram reavaliados seguindo os mesmos
critérios da avaliação inicial.
32
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Artigo - 4
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Esta pesquisa teve como amostra inicial 34 sujeitos de ambos os
sexos, finalizando com onze sujeitos. O grupo A, experimental,
composto inicialmente por 11 sujeitos, terminou com sete; o
grupo B, controle, composto inicialmente por onze sujeitos,
terminou com quatro, todos com diagnóstico de disfunção
vestibular, em especial a labirintite.
O grupo A – experimental com o uso do videogame – finalizou a
pesquisa com maior número de sujeitos, e pode-se inferir que os
sujeitos aderiram mais ao tratamento quando desafiados a fazer
maior pontuação nos games a cada atendimento fisioterapêutico.
Como mencionado por Dias et al. (2009), “a pouca motivação
gerada pelos métodos tradicionais são apontados como motivo
de abandono do tratamento, caracterizando-se como uma das
principais causas de falha terapêutica”.
A média de idade dos sujeitos do grupo A foi de 45,67 anos, e a
dos sujeitos do grupo B, 43,75 anos.
Quando questionados a respeito do motivo pelo qual buscaram
tratamento, sete sujeitos alegaram crises de tontura; dois, crises
de labirintite; um, zumbido; um, surdez.
GRÁFICO 1 – MOTIVO DE PROCURA AO TRATAMENTO
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Crises de
tontura
Crises de
labirintite
Zumbido
Surdez
No questionário de qualidade de vida SF-36, a média obtida na
avaliação inicial dos sujeitos do grupo A foi 105,95, e no grupo B
110,95, o que indica boa qualidade de vida em ambos os grupos,
porém com maior pontuação no grupo B.
GRÁFICO 2 – SF-36: PRÉ-TRATAMENTO
80%
70%
71%
60%
50%
50%
50%
40%
29%
30%
20%
Grupo A
10%
Grupo B
0%
Abaixo
de 108,45
Acima
de 108,45
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
33
Artigo - 4
Ao término da pesquisa, a média dos resultados obtidos no grupo A
foi 125,22, e no grupo B 125,28, o que também indica boa qualidade
de vida, com aumento da pontuação em ambos os grupos.
GRÁFICO 3 – SF-36: PÓS-TRATAMENTO
80,00%
75%
70,00%
57,14%
60,00%
50,00%
40,00%
30,00%
42,86%
25%
20,00%
Grupo A
10,00%
Grupo B
0,00%
Abaixo
de 125,25
Acima
de 125,25
Na escala de equilíbrio de Berg, a média obtida na avaliação
inicial dos sujeitos do grupo A foi 46 e na avaliação final 53
pontos, porém mais da metade dos sujeitos (57,14%) ficou
acima dos 54 pontos, observando-se que neste nível cada ponto
a menos é associado a aumento de 3 a 4% abaixo no risco de
quedas. Já no grupo B a média obtida na avaliação inicial dos
sujeitos foi 48,25 e na final foi 52,25. Isso significa que a alteração
de um ponto é associada a aumento de 6 a 8% de chances de
queda em ambos os grupos.
GRÁFICO 4 – ESCALA DE BERG
54
52
50
48
46
Grupo A
44
Grupo B
42
Pré-tratamento
Pós-tratamento
Comparando o primeiro e o último atendimento percebe-se
relevante melhora no desempenho dos sujeitos do grupo A
no último atendimento. No último atendimento, 85,71% dos
sujeitos apresentou melhor desempenho na primeira jogada, o
que demonstra uma evolução dos sujeitos frente ao tratamento,
visto que no primeiro atendimento a maior pontuação obtida
nos jogos foi revelada na segunda jogada, o que revela também
maior adaptação dos sujeitos a cada jogo.
34
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Artigo - 4
GRÁFICO 5 – COMPARAÇÃO ENTRE O PRIMEIRO E O ÚLTIMO
ATENDIMENTO COM O VIDEOGAME NINTENDO® WII
600
500
464,33
446
400
200
0
356
332,5
300
100
512,5
485,5
180,84
179
147,67
124
65,34
S1
256,84
60,67
29,33
S3
S5
Primeiro atendimento
S7
S9
S9
S9
Último atendimento
Essa evolução no tratamento pode justificar-se pelo fato de
que enquanto estão jogando, sem perceber os sujeitos realizam
movimentos que julgavam difíceis, o que possibilita a evolução
dos pacientes quanto suas habilidades (Cyrillo, 2010).
De acordo com Souza et al. (2011), a realidade virtual não
pode ser utilizada como tratamento único, pois não substitui
a terapia convencional ou um fisioterapeuta na condução do
equipamento e no auxílio e direcionamento dos exercícios. Deve
portanto ser utilizado apenas como recurso complementar.
Madeira (2011) aponta que o Nintendo® Wii pode ser usado
como técnica terapêutica para reabilitação de pacientes
com lesões cerebrais, funcionais e musculoesqueléticas
por estimulálos a realizar movimentos por meio de maior
estimulação cerebral.
DADOS COLETADOS APÓS O TRATAMENTO
Ao término das avaliações, os sujeitos foram questionados
quanto à sua opinião sobre o tratamento; a totalidade dos
sujeitos de ambos os grupos apreciaram o tratamento pela
melhora obtida em relação ao equilíbrio.
No grupo A, a diferença em relação às respostas do grupo
B deveu-se a dois aspectos: a menção a automóveis (dirigir
e observar carros em movimento sem tonturas) e a maior
confiança em relação a algumas atividades, conforme relato do
sujeito 1:
[...] antes dirigia com muito medo [...] tinha medo de brincar
com os netos, pois batia nas paredes quando levantava. (S1)
Quanto ao uso de medicamentos específicos para disfunção
labiríntica após o tratamento, 100% dos sujeitos do grupo A
(sete sujeitos) referiram não mais usá-los e apenas um sujeito do
grupo B ainda usava o medicamento
A dificuldade comum apresentada em ambos os grupos foi a
execução de atividades com os olhos fechados, relatada por três
sujeitos do grupo A (42,85%) e dois sujeitos do grupo B.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
35
Artigo - 4
ASPECTOS REFERIDOS EXCLUSIVAMENTE PELOS
SUJEITOS PERTENCENTES AO GRUPO EXPERIMENTAL
APÓS O TRATAMENTO COM O VIDEOGAME
NINTENDO® WII
Três meses após o tratamento, 100% dos sujeitos consideraram
a interação com o videogame Nintendo® Wii um diferencial no
tratamento.
Todos os sujeitos contatados referiram sentir-se motivados
com a inserção do videogame no tratamento, e metade afirmou
buscar melhores resultados a cada jogada, como relata o S1:
Senti-me muito motivado, e se tivesse um aparelho em casa ia
fazer todos os dias porque não enjoava de fazer, pelo contrário, é
estimulante, você faz hoje e amanhã tem vontade de fazer mais
ainda e bater seus próprios recordes.
Questionados sobre a inexistência do videogame no tratamento,
83,33% dos sujeitos (cinco) relataram que fariam o tratamento
da mesma forma, porém perceberam que o videogame foi um
diferencial, como relata o sujeito 1:
Se não tivesse, faria da mesma forma, porque não teria
conhecimento de como seria o tratamento com o videogame, porém
se tivesse feito algumas sessões com o videogame e depois as
doutoras tirassem, eu não iria gostar, iria sentir que faltava alguma
coisa e talvez não melhorasse tanto [...] Acho que um completa o
outro.
Em relação aos movimentos exigidos nos jogos, 83,33% (cinco
sujeitos) referiram ter dificuldade em realizar os movimentos
laterais, mençionando o jogo Balance Bubble que exige do
sujeito realizar movimentos laterolaterais com o corpo para se
deslocar.
Isso se justifica pelo fato de o videogame Nintendo® Wii levar os
jogadores a executar movimentos semelhantes aos praticados
nas sessões de fisioterapia, o que promove trabalho muscular
como resposta à estimulação provocada além do aumento
da capacidade de concentração e equilíbrio, por estimular a
atividade cerebral.
As respostas reveladas pela totalidade dos sujeitos contatados
(seis) demonstra que 100% relataram apresentar melhora no
equilíbrio. Observou-se que, além do equilíbrio, 66,66% (quatro
sujeitos), relataram sentir-se mais animados e melhoraram sua
capacidade de concentração, 33,33% (dois sujeitos) apresentaram
melhora na autoestima e 50% (três sujeitos) referiram sentir
melhora na segurança. Um sujeito (16,67%) refere ter voltado a
sentir cheiros no oitavo atendimento.
Bernardi (2011) acrescenta que a introdução da realidade virtual
à fisioterapia ajuda a aperfeiçoar a coordenação motora, a
memória, a destreza, a agilidade e o raciocínio.
36
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Artigo - 4
Considerações finais
A partir dos objetivos propostos e resultados obtidos podese concluir com este estudo que ambos os grupos tiveram
evolução com o tratamento fisioterapêutico aplicado, porém
foi observado que o grupo A apresentou maior sucesso no
tratamento quando comparado ao grupo B, do ponto de vista
quantitativo e qualitativo, concluindo-se que a associação do
videogame Nintendo® Wii aos exercícios de Cawthorne-Cooksey
para reabilitação vestibular mostrou-se eficaz para o tratamento
das labirintopatias.
A reabilitação vestibular com realidade virtual é uma medida
terapêutica inovadora, havendo escassez de pesquisas de
tratamento associado ao uso deste equipamento na literatura.
Por esse motivo, as autoras desta pesquisa sugerem novas
pesquisas na área, com número de amostra significativo,
aumento na frequência e duração do tratamento.
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42
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Artigo - 5
Análise dos fatores de risco para hipertensão
arterial em adolescentes de escola pública
comparada com escola particular de Curitiba
Effects of the application of a protocol kinesiotherapy on quality of life
in women over 40 years, with reports of osteopenia and/or osteoporosis
Daniele Merchiori1
Dayane Cavalcante Scalisse2
Elaine Pontes de Raizer3
Isabel Bini4
1. Graduanda da Faculdade Dom Bosco
Contato: [email protected]
2. Graduanda da Faculdade Dom Bosco
Contato: [email protected]
3. Graduanda da Faculdade Dom Bosco
Contato: [email protected]
4 Professora-mestre da Faculdade Dom
Bosco. Contato: [email protected]
Curso: Fisioterapia
Faculdade Dom Bosco – Sede Mercês
Avenida Manoel Ribas, 2181,
CEP. 80810-000
Rua Paulo Martins, 298,
CEP. 80710-010
Mercês, Curitiba, PR
41 3218-5550
www.dombosco.com.br
RESUMO
Osteoporose e osteopenia
são doenças de ordem
metabólica que acometem
os ossos associadas à perda
de osso mineralizado, o que
leva ao enfraquecimento
do esqueleto, ocasionando
complicações como fraturas
e modificações estruturais,
incapacitando o indivíduo
acometido por um período
de tempo, levando a um
decréscimo na qualidade
de vida. Sabe-se que a
atividade física regular
tem se destacado por seus
numerosos benefícios físicos e
psíquicos.
Objetivos: O presente
estudo verifica os efeitos
sobre a qualidade de vida
por meio de um protocolo
de cinesioterapia aplicado
em mulheres acometidas por
osteopenia ou osteoporose.
Métodos: Participaram da
pesquisa dezenove mulheres
voluntárias com idade entre
50 e 82 anos que foram
submetidas à avaliação
física e responderam ao
questionário OPAQ de
qualidade de vida. As
voluntárias foram divididas
em dois grupos. O primeiro
foi submetido a protocolo de
cinesioterapia e realizandou
exercícios de fortalecimento
e equilíbrio orientados pelas
acadêmicas com frequência
de duas vezes por semana
e duração de 60 minutos.
O outro, a programa de
caminhada com frequência
de duas vezes por semana
e duração de 40 minutos,
recebeu orientações e ficha de
acompanhamento. Os grupos
foram reavaliados após oito
semanas pela reaplicação
do questionário OPAQ. Os
dados foram analisados
estatisticamente por meio do
teste U- Mann Whitney.
Resultados: As variáveis
analisadas pelo questionário
OPAQ demonstraram
que não houve melhora
significante.
Conclusão: Os resultados
obtidos neste trabalho
permitem concluir que não
houve alteração significante
na qualidade de vida de
mulheres portadoras de
osteoporose ou osteopenia.
Palavras-chave: osteoporose,
osteopenia, atividade física,
qualidade de vida.
ABSTRACT
Osteoporosis and osteopenia
are metabolic diseases that
affect the order of the bones
and are associated with
loss of mineralized bone,
which leads to weakening
of the skeleton, causing
complications such as
fractures and structural
changes, disabling the
affected individual for a
period of time, causing a
decrease in quality of life. It is
known that regular physical
activity has been noted
for its many physical and
psychological benefits.
Objectives: Based on
this, this study evaluates
the effects on quality of
life through a protocol of
exercise applied to women
affected by osteoporosis or
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
43
Artigo - 5
osteopenia. Methods: Study
participants nineteen female
volunteers aged between 50
and 82 years who underwent
physical examination and
completed the questionnaire
OPAQ quality of life. The
volunteers were divided
into two groups, the first
being subjected to a protocol
of exercise by performing
strengthening exercises and
balance, guided by academic,
two time per week, for about
60 minutes and the other a
walking program, frequently
two time a week lasting 40
minutes, and received the
same guidelines and a form of
monitoring. The groups were
reevaluated after eight weeks
by reapplying the OPAQ
questionnaire, the dices were
analyzed statistically by the
test U- Mann Whitney.
Results: The variables
analyzed through the OPAQ
questionnaire showed no
significant improvement.
Conclusion: The results
obtained allow to conclude
that did not change
significantly in quality of life
of women with osteoporosis
or osteopenia.
Keywords: osteoporosis,
osteopenia, physical activity,
quality of life.
Introdução
A presente pesquisa visa
descrever as patologias
osteopenia e osteoporose
e relatar uma abordagem
fisioterapêutica em mulheres
acometidas. O tratamento
aqui proposto possui como
objetivo final melhorar
a qualidade de vida,
44
incentivando a prática de
atividade física como forma
preventiva de numerosos
aspectos, como perda de força
muscular; risco de quedas;
diminuição progressiva de
massa óssea e fraturas.
A osteoporose, após
Conferência de Consenso
realizada no Brasil, foi definida
como doença sistêmica
caracterizada por deterioração
da microarquitetura óssea,
levando os indivíduos
acometidos a um quadro
suscetível a fraturas, o que gera
um problema de saúde pública
(Segundo Conferência de
Consenso realizada no Brasil).
Inúmeros fatores contribuem
para o surgimento da doença:
genética, ambiente, idade,
dieta com baixa ingestão de
cálcio, baixo peso corporal,
distúrbios hormonais e
sedentarismo.
Embora a osteoporose seja
tão prevalente quanto à
hipertensão arterial e o
diabetes mellito, ainda é
pouco divulgada no Brasil e
os dados epidemiológicos são
pouco consistentes.
O avanço das pesquisas na
área da saúde e os novos
medicamentos fazem com
que a população mundial
ultrapasse a média de vida de
gerações anteriores, todavia
é importante não somente
melhorar a expectativa
dos anos acrescidos, mas a
qualidade com que serão
vividos.
Sabe-se que o processo
de envelhecimento gera
modificações sistêmicas
no organismo causando
diminuição das respostas do
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
sistema nervoso central, da
força muscular, deficiência
visual, entre outros, elevando
o índice de quedas. Estudos
demonstram que 15 a 30%
dos pacientes com fratura
de fêmur morrem durante
o primeiro ano após o
trauma, fato ligado às
complicações cirúrgicas como
infecção, úlceras de pressão,
pneumonia, trombose e
problemas cardíacos.
A osteoporose eleva o
risco de fraturas, atuando
como agente prejudicial
à qualidade de vida,
especialmente em mulheres
na menopausa devido à baixa
taxa hormonal, que em geral
desenvolvem outras doenças
associadas como a depressão.
A intervenção em pacientes
que apresentam baixa
densidade óssea deve ir além
do acréscimo de massa nas
estruturas esqueléticas. Devese dar importância à melhora
da autoestima, confiança e
qualidade de vida por meio
de exercícios terapêuticos
apropriados às condições de
saúde das pacientes.
Metodologia
O presente estudo delimitouse a avaliar a qualidade de
vida em mulheres portadoras
das patologias osteopenia e/
ou osteoporose. Para tal, foi
utilizado como instrumento de
pesquisa o questionário OPAQ
(Osteoporosis Assessment
Questionnaire), com intuito
de identificar a percepção
das mesmas em relação à sua
qualidade de vida.
A pesquisa foi realizada com
mulheres acima de 40 anos
Artigo - 5
que participaram do teste do
Calcâneo na Faculdade Dom
Bosco em 2009 ou por meio de
outro exame de comprovação.
forma controlada, e foram
comparados os resultados de
dois grupos.
A faixa etária do grupo
pesquisado foi delimitada
de maneira a garantir idade
compatível com o surgimento
da doença (SISNEP e CONEP).
Procedimento aplicado ao
grupo experimental G1
De acordo com Lakatos e
Marconi (2007), a presente
pesquisa é aplicada, pois
apresenta conhecimentos para
prática; qualiquantitativa,
por obter e analisar
resultados. A variável
quantitativa é determinada
por meio de dados ou
proporção numérica, e a
qualitativa relaciona aspectos
mensuráveis e descritivos
(FACHIN, 2005, p. 79-81).
Trata-se também de uma
pesquisa exploratória,
pois segundo Andrade
(2005, p. 124) é o primeiro
passo de todo trabalho
científico, pois busca novos
conhecimentos da área, abre
hipóteses pesquisáveis para
estudos posteriores, com
levantamento bibliográfico
e documental. Segundo
Andrade (2005, p. 124) essa
descritiva ocorre quando
os fatos são observados,
registrados, analisados,
classificados e interpretados,
sem que o pesquisador
interfira neles. Cervo (1996,
p. 49) e Gil (2002, p. 42)
acrescentam que a pesquisa
descritiva aborda dados e
problemas que merecem
ser estudados e o objetivo
principal é descrever um
processo por meio de
informações obtidas da
amostra utilizada na pesquisa.
Esta pesquisa se deu de
O tratamento para o grupo
G1, composto por nove
voluntárias, teve duração de
dois meses, numa frequência
de duas vezes semanais,
sendo estipulada uma hora
em cada atendimento. As
pesquisadoras participaram
de forma igualitária de todos
os atendimentos, orientando
e auxiliando particularmente
cada indivíduo.
Antes da primeira sessão
de exercícios, o grupo G1
foi submetido a teste para
determinação das cargas de
cada exercício resis¬tido.
Cada sujeito realizou
doze repetições com carga
supostamente leve, e ao
final foi questionado o
nível de esforço percebido
utilizando-se a escala de
Borg. A carga escolhida
para iniciar o protocolo de
exercícios foi aquela em que
o sujeito relatou esforço de
intensidade fácil (nível 9 da
escala de Borg).
O grupo G1 realizou
sequência de aquecimento
por meio de caminhada
rápida ao redor da sala,
pequenos saltos e oscilações
de MMSS (membros
superiores), totalizando
um período de 5 minutos,
prosseguindo para um
circuito de quatro estações
(A, B, C e D). Em cada
estação foram realizados
cinco exercícios adaptados
pelas autoras para facilitar a
operacionalidade, com base
na literatura de Kisner (2009)
e Hall (2001), finalizando com
uma série de alongamentos
com duração de 5 minutos.
Foram contraindicados
exercícios de flexão e rotação
da coluna pelas questões
físicas relacionadas à doença
e flexão de ombro acima
de 90º devido ao impacto
subacromial.
Procedimento realizado ao
grupo controle G2
O grupo G2, composto
por dez participantes, foi
orientado a realizar 40
minutos de caminhada
com cadência média de 94
passos por minuto, numa
frequência de duas vezes
semanais, durante dois meses.
Para determinar a cadência,
foram contados os passos das
participantes da caminhada
por um minuto e realizada a
média entre os resultados.
As participantes
receberam uma ficha de
acompanhamento, e as
dúvidas esclarecidas por
contato telefônico ou pessoal.
Análise dos dados
e resultados
Os questionários foram
analisados de acordo com
os objetivos da pesquisa.
Envolvendo a classificação e
organização das informações,
estabelecendo as relações
existentes entre os dados
coletados, observando os
pontos de convergência,
divergência, tendências
e tratamento estatístico
(CARVALHO, 1994).
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
45
Artigo - 5
A significância dos resultados
foi averiguada por meio
do teste não paramétrico
Wilcoxon (Qui Quadrado),
com p < 0,05. A discussão
dos resultados obtidos
foi efetuada com base nas
questões referidas e com os
objetivos da pesquisa.
As comparações dos domínios
apresentados pelo questionário
OPAQ entre os grupos
experimental e controle foram
efetuadas por meio do teste
U de Mann-Whitney; foi
elaborada tabela em percentuais
por meio da planilha eletrônica
Microsoft Excel.
A representação visual, por
meio de gráficos e tabelas,
facilita a compreensão dos
dados. O tratamento estatístico
permite análise adequada
quando as informações
são coletadas por meio de
questionário e protocolos
(CARVALHO, 1994).
GRÁFICO 1 – DISTRIBUIÇÃO DO DIAGNÓSTICO
18%
Osteopenia
Osteoporose
82%
Fonte: Elaborado pelas autoras.
GRÁFICO 2 – DISTRIBUIÇÃO POR FAIXA ETÁRIA
5%
80 - 90
Faixa Etária
Para análise dos dados
coletados por meio do
questionário OPAQ, foram
efetuados cálculos por
meio do software Excel da
Microsoft. Foram elaboradas
duas planilhas: a primeira
com informações anteriores
ao tratamento proposto, a
segunda com informações
posteriores.
70 - 80
16%
60 - 70
21%
58%
50 - 60
0% 10%20%30%40%50%
60%70%
%
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Análise do grupo experimental
A Tabela 1 apresenta os resultados obtidos após o tratamento
com exercícios terapêuticos. Entre as categorias analisadas,
apresentaram variável significante andar e inclinar-se, sono,
nível de tensão e imagem corporal.
O item atividade social não apresentou nenhuma variação entre
o antes e o depois do tratamento; os demais itens apresentaram
melhora, embora não significante para esta pesquisa.
Apresentação dos dados
O questionário OPAQ foi
distribuído às dezenove
mulheres com idade entre
50 e 82 anos selecionadas
para a pesquisa.Destas, 18%
apresentavam diagnóstico
de osteopenia e 82% de
osteoporose.
46
Análise do grupo controle
A Tabela 2 apresenta os resultados obtidos após o ciclo de
caminhadas. Entre as categorias analisadas, apresentaram
variável significante bem-estar geral, trabalhos domésticos,
movimentação e transferências, medo de quedas, fadiga,
trabalho, imagem corporal, independência e atividade sexual.
Os demais itens apresentaram melhora, embora não significante
para esta pesquisa.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
Artigo - 5
TABELA 1 – RESULTADO DO GRUPO EXPERIMENTAL
Resultados Grupo Experimental
Variável
Pré-teste
Média
(Desvio Padrão) Pós-teste
Teste Wilcoxon
Média
(Desvio padrão)
Bem-estar geral
4,72 (1,82)
3,83 (2,05)
> 0,05
Mobilidade
1,67 (2,14)
1,33 (2,09)
> 0,05
Andar e inclinar-se
2,67 (2,80)
1,39 (2,27)
< 0,05 *
Dor nas costas
3,78 (3,63)
1,78 (2,40)
> 0,05
Flexibilidade
1,53 (1,77)
1,46 (3,10)
> 0,05
Cuidados próprios
0,28 (0,64)
0,07 (0,21)
> 0,05
Trabalhos domésticos
0,42 (0,83)
0,07 (0,21)
> 0,05
Movimentação / Transferência
1,25 (2,05)
0,42 (0,88)
> 0,05
Medo de quedas
4,17 (3,72)
3,33 (3,55)
> 0,05
Atividade social
5,06 (1,53)
5,06 (1,51)
> 0,05
Apoio de família e amigos
3,47 (3,27)
3,27 (2,74)
> 0,05
Dor relacionada à osteoporose
3,17 (2,69)
2,67 (2,19)
> 0,05
Sono
5,70 (2,49)
4,59 (2,17)
< 0,05 *
Fadiga
3,82 (1,55)
2,99 (2,40)
> 0,05
Trabalho
2,36 (1,97)
2,43 (2,08)
> 0,05
Nível de tensão
4,61 (1,39)
3,33 (0,97)
< 0,05 *
Humor
3,78 (1,50)
3,39 (1,47)
> 0,05
Imagem corporal
3,06 (2,33)
1,60 (1,77)
< 0,05 *
Independência
4,35 (1,90)
5,19 (2,56)
> 0,05
Atividade sexual
2,78 (1,90)
2,29 (1,93)
> 0,05
Fonte: Elaborada pelas autoras.
TABELA 2 – RESULTADO DO GRUPO CONTROLE
Resultados grupo controle
Variável
Pré-teste
Pós-teste
Teste Wilcoxon
Média
Média
(Desvio padrão) (Desvio padrão)
Bem-estar geral
4,90 (1,58)
3,90 (1,90)
< 0,05 *
Mobilidade
3,25 (1,74)
2,60 (2,39)
> 0,05
Andar e inclinar-se
4,60 (2,55)
3,75 (2,04)
> 0,05
Dor nas costas
5,65 (2,70)
5,20 (1,69)
> 0,05
Flexibilidade
3,31 (2,96)
2,81 (2,29)
> 0,05
Cuidados próprios
0,19 (0,42)
0,31 (0,44)
> 0,05
Trabalhos domésticos
1,88 (1,64)
1,31 (1,49)
< 0,05 *
Movimentação/transferência
1,88 (1,96)
1,38 (1,99)
< 0,05 *
Medo de quedas
7,15 (2,00)
5,95 (1,59)
< 0,05 *
Atividade social
5,30 (2,28)
4,80 (2,07)
> 0,05
Apoio de família e amigos
1,81 (2,25)
1,63 (2,36)
> 0,05
Dor relacionada à osteoporose
5,40 (2,48)
4,85 (2,89)
> 0,05
Sono
5,19 (2,81)
4,75 (2,72)
> 0,05
Fadiga
4,94 (2,89)
3,32 (2,98)
< 0,05 *
Trabalho
5,13 (2,87)
3,25 (2,87)
< 0,05 *
Nível de tensão
5,55 (2,52)
5,60 (1,61)
> 0,05
Humor
4,25 (1,48)
3,35 (1,70)
> 0,05
Imagem corporal
5,56 (1,57)
3,81 (2,23)
> 0,05
Independência
5,25 (2,12)
4,25 (1,69)
< 0,05 *
Atividade sexual
3,94 (2,32)
2,81 (1,70)
< 0,05 *
Fonte: Elaborada pelas autoras.
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
47
Artigo - 5
GRÁFICO 4 – RESULTADOS SIGNIFICATIVOS DO GRUPO CONTROLE
Fonte: Elaborado pelas autoras.
Análise entre os grupos experimental e controle
TABELA 3 – RESULTADO ENTRE OS DOMÍNIOS
GRUPO EXPERIMENTAL X GRUPO CONTROLE
Comparação entre grupos - teste U de Mann - Whitney
Domínios
Teste U
Bem-estar
Pré
> 0,05
Pós
> 0,05
Função física
Pré
> 0,05
Pós
> 0,05
Estado psicológico
Pré
> 0,05
Pós
> 0,05
Sintomas
Pré
> 0,05
Pós
> 0,05
Interação social
Pré
> 0,05
Pós
> 0,05
Fonte: Elaborado pelas autoras
Discussão
A presente pesquisa aplicada demonstrou, por meio do teste U
de Mann-Whitney, que não houve diferença significante a curto
prazo entre os grupos experimental e controle no que se refere
48
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
aos domínios do questionário
OPAQ. No estudo proposto
por Madureira (2010, p. 11),
em que foi aplicado programa
de treino de equilíbrio, houve
diferença significante na
comparação dos domínios do
OPAQ (inicial- final) revelando
melhora significante na
qualidade de vida em todos
os parâmetros em relação ao
grupo experimental e ao grupo
controle. Participaram desse
estudo 60 mulheres com idade
entre 65 e 85 anos durante
doze meses. O mesmo sucedeu
no estudo de Auad et al. (2007,
p. 26) em que o OPAQ foi
aplicado após a intervenção
de um programa de atividade
física por oito meses em 28
idosas, ocorrendo diferença
significante em todos os
domínios.
Com base nos estudos
Artigo - 5
relatados acima, as
pesquisadoras consideraram
que o tempo de intervenção
proposto (oito semanas)
pode ter sido insuficiente
para determinar melhora
significante (teste U- Mann
Whitney) da qualidade de
vida das voluntárias. Isso leva
a crer que para os efeitos de
programas de exercícios serem
melhor atestados, de haver
tempo mais longo de aplicação
(BRAVO et al., 1996 apud
MADUREIRA, 2010, p. 32).
Todavia, os sujeitos do estudo
relataram aspectos de impacto
positivo em seu cotidiano,
durante e após o programa de
tratamento.
O programa de exercícios
indicado para o grupo controle
é de simples e fácil aplicação,
exigindo-se supervisão
mínima, o que tornou possível
a prática individualizada,
de acordo com orientações
sugeridas pelas pesquisadoras.
De acordo com Sinaki (1989
apud OCARINO) e Serakides
(2006, p.166), estudos
demonstram que exercícios
com carga de peso moderado,
como caminhadas e cooper,
promovem aumento do
conteúdo mineral nos ossos
das mulheres portadoras
de osteopenia decorrente
do avançar da idade e do
declínio dos esteroides
sexuais. Por outro lado, a
intervenção proposta ao grupo
experimental demandou
supervisão mais exigente,
evitando-se compensações
posturais, quedas e outros
riscos. Segundo Bocalini et
al. (apud Madureira (2010, p.
33) os pacientes portadores
de osteoporose apresentam
riscos intrínsecos de fraturas,
o que exige orientação eficaz e
particularizada.
A atividade física regular
é um componente crucial
para a qualidade de vida
em mulheres portadoras de
osteoporose. A literatura
acrescenta que o exercício
físico sistematizado pode
acarretar diversos benefícios,
tanto físicos quanto mentais,
proporcionando melhor
qualidade de vida (MELO,
2005, p. 206). Ressalta-se
que em mulheres após
a menopausa ocorrem
alterações no metabolismo, na
absorção de cálcio e no perfil
hormonalque associadas à
inatividade física contribuem
para balanço negativo no
equilíbrio da remodelação
óssea, tendo como principal
consequência a osteoporose
(RAISZ, 1999; BLAND, 2000;
SINAKI, 1989 apud OCARINO
e SERAKIDES, 2006, p. 165).
Para avaliar a adesão ao
tratamento, considerouse a frequência mínima de
70%, controlada por meio de
lista de presença, assinada
a cada encontro do grupo
experimental e a cada dia de
caminhada do grupo controle.
Houve boa interação social
entre as participantes em
ambos os grupos. Segundo
Young e Dinan (1999 apud
MADUREIRA, 2010, p. 33), a
boa interação social leva à boa
adesão ao tratamento.
Uma das limitações
apresentadas nesta pesquisa
foi a localização residencial de
algumas voluntárias, visto que
algumas residem na região
metropolitana de Curitiba,
assim como a disponibilidade
de horário de algumas.
Por esse fator, determinou-
se não realizar um estudo
randomizado garantindo a
constante participação da
amostra daquelas que optaram
pelo grupo experimental
e fidelidade das que se
propuseram a realizar as
caminhadas frequentemente.
Apesar de as pesquisadoras
não obterem diferença
significante por meio do
teste U - Mann Whitney,
entre os grupos experimental
e controle foi possível
visualizar importante
significância intragrupos
pelo teste Wilcoxon. O
grupo experimental obteve
melhor resultado nos itens
andar e inclinar-se, sono,
imagem corporal e nível
de tensão, diferentemente
do grupo controle, que
apresentou melhor resultado
nos itens bem-estar geral,
trabalhos domésticos,
movimentação e transferências,
medo de quedas, fadiga,
trabalho, imagem corporal,
independência e atividade
sexual. Quando se utilizou
de tabela comparativa
em percentuais, o grupo
experimental obteve maior
diferença nos itens mobilidade
(0,4%), medo de quedas (3,4%),
dor relacionada a osteoporose
(5,6%), sono (11,0%), imagem
corporal (16,2%). Citam-se com
maior relevância percentual
no grupo experimental os
itens andar e inclinar-se
(29,5%), dor nas costas (44,9%),
cuidados próprios (138,2%),
trabalhos domésticos (53,0%),
movimentação e transferências
(39,8%), nível de tensão
(28,7%).
O elemento mobilidade
do questionário OPAQ foi
altamente relevante para este
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
49
Artigo - 5
trabalho, pois interferiu nos
demais. Como exemplo, citase o trabalho de Oliveira et
al. (2006, p. 01), no qual 28
sujeitos foram submetidos
à comparação de suas
habilidades funcionais por
meio do índice de Katz.
A mobilidade interferiu
significantemente na realização
das atividades de transferência,
banho e vestuário na amostra
pesquisada (ALEXANDER;
NICKEL; BORESKIE, &
SEARLE, 2000 apud DANTAS
et al., 2002, p. 13; OLIVEIRA
et al., 2006, p. 92; TINETTI,
1996 apud OLIVEIRA;
FILLENBAUM et al., 1999 apud
OLIVEIRA et al., 2006, p. 92).
Estudos demonstram que
a atividade física permite
retardar ou reverter o
decréscimo de mobilidade,
que contribui para doenças
e incapacidades em idosos
(BUCKWATER, 1997 apud
DANTAS et al., 2002, p. 13).
Todavia notou-se neste estudo
que não houve diferença
significante intergrupos no
teste U Mann Whitney. Na
tabela, em percentuais, ambos
os grupos obtiveram melhor
desenvolvimento em sua
mobilidade, comparando-se o
pré e pós-tratamento.
Mesmo sendo mínina
a diferença percentual
intergrupos, a vantagem desse
elemento do questionário
OPAQ é impactar nos demais
itens por ser elemento da
função física extremamente
importante, constituindo prérequisito para a execução das
atividades de vida diária e a
manutenção da independência,
fatores que contribuem para
a melhora da qualidade
de vida, pois mantendo-se
50
uma mobilidade adequada
é possível aperfeiçoar a
habilidade de um indivíduo
portador de osteoporose nas
atividades cotidianas, como
buscar ou manter a destreza,
andar e inclinar-se, levantar-se
e alcançar algum objeto acima
da cabeça (ALEXANDER,
NICKEL, BORESKIE, &
SEARLE, 2000 apud DANTAS
et al., 2002, p. 13; (OLIVEIRA
et al., 2006, p. 92; TINETTI,
1996 apud OLIVEIRA;
FILLENBAUM et al., 1999 apud
OLIVEIRA et al., 2006, p. 92).
O item andar e inclinar-se,
influenciado pela mobilidade,
apresentou variação percentual
de 47,9% dentro do grupo
experimental comparandose pré e pós-tratamento,
diferentemente do grupo
controle, que variou 18,5%.
No item movimentações
e transferências a variação
percentual foi de 66,4% no
grupo experimental e 26,6 %
no grupo controle.
Quanto ao item medo de
quedas, houve variação
percentual de 20,1% no
grupo experimental e 16,8%
no controle, comparandose pré e pós-teste, variando
percentualmente intergrupos o
valor de 3,4%.
Segundo Kirkwood et al. (1999
apud HENRIQUES, 2004, p.
54), a prática de atividade física
pode melhorar as condições
musculoesqueléticas, dessa
forma, melhora postura, força
muscular, amplitudes de
movimento e equilíbrio, fatores
de risco para queda. Segundo
eles, os maiores prejuízos
associados a essas alterações
estão relacionados à marcha,
contribuindo para maior risco
de quedas e fraturas e para
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
episódios frequentes de dor.
Segundo Foorwood e Larsen
(2000 apud HENRIQUES,
2004, p. 22) um ótimo padrão
para a prevenção das fraturas
osteoporóticas inclui manter
a força do osso, aumentar
a massa óssea e minimizar
o trauma. Sinaki (1996 apud
HENRIQUES, 2004, p. 22)
complementa que convém
estimular a atividade física
durante toda a infância e
na idade adulta. MarquesNeto e Lederman (1995),
Forwood e Larses (2000
apud Henrriques, 2004, p.
22) relatam que além de
aumentar o condicionamento
físico e reduzir a perda de
massa óssea, o exercício pode
melhorar o padrão da marcha,
do equilíbrio, as reações de
propriocepção e defesa, além
de contribuir para a prevenção
de quedas e risco de fraturas,
pois proporciona ganho de
força muscular e consequente
melhora da qualidade de vida.
Os autores citam ainda que o
benefício primário do exercício
nos ossos de adultos não é o
aumento de massa óssea, e sim
a conservação dos níveis de
massa.
O estudo de Aveiro (2005, p. v)
realizado com doze mulheres
por doze semanas por meio
de alongamentos, caminhada,
fortalecimento e treino de
equilíbrio demonstrou não
haver diferença significante na
questão sono do questionário
OPAQ quando foi agrupado
na categoria nível de tensão,
porém as voluntárias relataram
maior disposição ao acordar e
diminuição da dificuldade de
dormir. Na presente pesquisa,
o elemento sono representou
variação percentual de 11,0%
Artigo - 5
intergrupos, sendo a maior
variação pré e pós-tratamento
registrada no grupo
experimental (19,5%).
Existem algumas hipóteses
para justificar a melhoria
do sono em pessoas que
praticam atividade física, entre
elas, a termorregulatória e
a conservação de energia. A
termorregulatória esclarece
que, com o aumento da
temperatura corporal como
consequência do exercício
físico, facilita-se o início do
sono graças à ativação dos
mecanismos de dissipação
do calor e de indução do
sono, processos controlados
pelo hipotálamo (DRIVER;
TAYLOR; LU; GRECO;
SHIROMANI; SAPER, 2000
apud MELLO, 2005, p. 204).
A hipótese da conservação de
energia relata que o aumento
do gasto energético promovido
pelo exercício durante a vigília
aumentaria a necessidade de
sono a fim de alcançar um
balanço energético positivo,
restabelecendo uma condição
adequada para um novo
ciclo de vigília (DRIVER HS;
TAYLOR S., 2000 apud MELLO
et al., 2005, p. 204).
Segundo Ferriani e Bossemeyer
(2001 apud LORENZI, 2006, p.
315), o exercício físico aumenta
a secreção de b-endorfinas
hipotalâmicas, aliviando as
ondas de calor e melhorando
o humor, além de aumentar
a densidade mineral óssea,
diminuir a frequência cardíaca
de repouso, melhorar o
perfil lipídico e normalizar
a pressão arterial. Enfim, a
atividade física melhora a
imagem corporal, aumentando
a autoestima feminina. Uma
das vantagens deste estudo
se refere ao item imagem
corporal; as pesquisadoras
obtiveram diferença
em percentual de 16,2%
intergrupos, sendo muito
considerável a variação no
grupo experimental (47,7%).
O impacto significativo
da imagem corporal pode
estar relacionado à melhora
de humor e diminuição do
estresse, fatores relatados pelas
voluntárias desta pesquisa.
Na intervenção aqui proposta,
evidenciou-se no item dor nas
costas melhora significante em
percentual no pós-tratamento
do grupo experimental (52,9%),
contrastando com o grupo
controle (8,0%). Relacionamos
o mesmo à dor relacionada
à osteoporose, visto que este
conteve relevância percentual
entre os grupos no póstratamento (5,6%), sendo
analisada variação maior no
grupo experimental (15,8%).
Vários estudos apontam a
atividade física como fator
proeminente para diminuição
da dor causada pelo quadro da
osteoporose, bem como a dor
nas costas.
De acordo com Lamichhane
et al. ( 2005) e Chiang (2006
apud DRIUSSO et al., 2008,
p. 255), o desarranjo na
microarquitetura óssea que
ocorre em portadores de
osteoporose leva a micro e
macrofraturas, a princípio, em
pontos onde o osso trabecular
é dominante; a partir dessas
lesões desencadeia-se evidente
quadro clínico que inclui dor,
fraturas, alterações posturais.
Nevitt et al. (2005), Gaber et
al. (2002) e Gass, (2006 apud
DRIUSSO et al., 2008, p. 255)
completam que a dor não é
originada pela osteoporose,
mas pelo evidente quadro
clínico que se manifesta como
lombalgia, relacionada às
microfraturas vertebrais. Os
colapsos vertebrais resultam
em redução na altura da região
anterior dos corpos vertebrais,
causando deformidades
como cifose dorsal, redução
da estatura, sobrecarga dos
músculos e consequente
diminuição da qualidade de
vida do paciente.
No estudo proposto por
DRIUSSO et al. (2008, p. 254)
com participação de quinze
mulheres com idade entre
56 e 72 anos, observa-se que
após 28 semanas consecutivas
de tratamento, constituído
por caminhadas, exercícios
livres de membros superiores
e inferiores e relaxamento,
houve redução da dor na
coluna lombar e melhora
da qualidade de vida das
participantes, sendo esses
dados avaliados por meio do
questionário OPAQ.
A mobilidade, aqui já
discutida, representa
indiretamente os cuidados
pessoais, a interação social e
as atividades cognitivas de um
indivíduo (OLIVEIRA et al.,
2006, p. 92; TINETTI, 1996 apud
OLIVEIRA; FILLENBAUM et
al., 1999 apud OLIVEIRA et al.,
2006, p. 92). Segundo Lorenzi
et. al., (2006, p. 316) a mulher
atribui à menopausa sintomas
decorrentes de comorbidades
clínicas ou dificuldades
emocionais prévias, o que
distorce sua percepção dessa
fase de sua vida. Desse
modo, a escolaridade oferece
maior compreensão das
mudanças corporais dessa
fase, amortizando os níveis
de ansiedade e estimulando
Revista FISIOTERAPIA EM EVIDÊNCIA – maio 2012
51
Artigo - 5
o autocuidado. Salientamos
que o item cuidados próprios,
demonstrado no questionário
OPAQ, apresenta grande
impacto na qualidade de vida
das mulheres acometidas por
osteoporose e na presente
pesquisa foi constatada
relevância percentual
intergrupos bastante
expressiva (138,2%).
A literatura atual cita pesquisas
no qual mulheres sedentárias
apresentaram índices de
depressão e patologias mais
elevadas quando comparadas
às mulheres ativas. Um estudo
realizado no Japão com
indivíduos de idade entre
65-70 anos, praticantes de
exercícios diários, demonstrou
que os idosos reduziram
os sintomas de depressão
(Novaes, 2004 apud Mazo
et al., 2005, p. 46). Cooper
(1982 apud STELLA et al.,
2002, p. 95) ressaltam que o
exercício físico, em particular
o aeróbico, realizado por no
mínimo 30 minutos, é capaz de
proporcionar alívio do estresse
ou tensão, devido ao aumento
da taxa de um conjunto de
hormônios denominados
endorfinas, que agem sobre o
sistema nervoso e diminuem
o impacto estressor do
ambiente, consequentemente
previnem ou reduzem
transtornos depressivos.
O presente programa de
atividade física implicou em
variação percentual de 28,7%
entre os grupos no pré e póstratamento, ressaltando no
grupo experimental 27,8%
no pós-tratamento quando
analisado o item nível de
tensão.
Conclusão
52
A curto prazo, o protocolo de
exercícios cinesioterapêuticos
aplicados em mulheres
acima de 40 anos com laudo
comprobatório de osteoporose
ou osteopenianão apresentou
diferença significante entre
pré e pós-tratamento do grupo
controle e experimental em
nenhum dos domínios do
questionário OPAQ., quando
avaliado por meio do teste
U-Mann Whitney,
Na análise intragrupos pré e
pós-tratamento por meio do
teste Wilcoxon foi observada
diferença significante
em vários elementos do
questionário OPAQ, citados e
discutidos anteriormente.
Com base nos relatos
anteriores, as pesquisadoras
sugerem maior tempo de
aplicação do protocolo de
cinesioterapia proposto, com
maior amostragem, visto que
diversas pesquisas obtiveram
maior sucesso considerando
esses critérios.
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do tema. A extensão limita-se a três mil
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significativos. Extensão limítrofe de mil
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Referências
As referências devem seguir o modelo da
Associação Brasileira de Normas e Técnicas
(ABNT). Veja exemplos:
DAHER, S.; MATTAR, R.; SASS, N. Doença
hipertensiva específica da gravidez:
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Agradecimentos
Quando pertinentes, dirigidos a pessoas
ou instituições que contribuíram para a
elaboração do trabalho, são apresentados
ao final das referências.
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