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editorial
Ricardo Pinto
PESSIMISMO
Há uma estória que conta que um vendedor montou um trailer para
venda de cachorro-quente. Os sanduíches eram de ótima qualidade e o
preço, justo. Assim, as vendas dia-a-dia cresciam rapidamente.
Seu estabelecimento estava constantemente com altíssimo movimento,
chegando ao ponto de comercializar 25 mil sanduíches por mês, tendo 7
funcionários. Desta forma, o negócio prosperava, tanto que seu proprietário, de pouco estudo, pôde até enviar seu filho para cursar a faculdade,
um antigo sonho seu. Passados cinco anos, o filho do proprietário, agora
formado em Administração de Empresas, retorna para ajudar o pai.
Acompanhando pela mídia todo o processo de mudanças globais, a
diminuição do crescimento econômico mundial, a estagnação europeia,
a redução do crescimento chinês, os subsídios dos países ricos, a globalização, o filho alerta o pai de que este deve se precaver contra um futuro
negro. “Mas como?”, pergunta o pai desacorsoado.
“Devemos diminuir nossas despesas e custos ao máximo para nos
adaptarmos à grande queda do consumo que está por vir” diz o filho,
cheio de segurança.
Dito e feito! O pão mudou. Agora era do tipo mais barato. A salsicha
também. E as vendas começaram a cair... Os folhetos de propaganda não
foram mais feitos e nem distribuídos.
E as vendas caíram mais ainda...Funcionários foram dispensados. E as
vendas caíram mais. Já se vendia pouco mais de mil cachorros-quentes
por mês e apenas o proprietário e seu filho eram suficientes para tocar o
negócio, que ia de mal a pior. Certo dia, o pai diz ao filho, com ar agradecido: “ainda bem que você me alertou, filho. As vendas despencaram.
Sorte que nos adaptamos a tempo. Este não é mais um bom negócio”.
Este caso nos mostra que se agirmos apenas considerando as más notícias que nos chegam diariamente - e são muitas -, perdemos boas oportunidades de crescimento e de negócios. Não devemos, é claro, deixar
de considerar as consequências para as nossas empresas das pequenas
e grandes crises que pipocam por aí. Contudo, há muitos fatores positivos importantes que, se bem percebidos e trabalhados pelos executivos,
podem redundar em grandes oportunidades de negócios e de expansão
para suas empresas.
É importante que não nos acomodemos perante as desculpas que nos
chegam a todo momento para justificar desempenhos ruins. Muitas oportunidades surgem nas crises e os momentos ruins são propícios para nos
sobressairmos, já que muitos se deixam abater – principalmente nossos
concorrentes. Enfim, que nossas empresas não se apóiem no pessimismo
para deixarem de lutar.
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expediente
expediente
“Pessoas com metas triunfam porque sabem para onde vão.”
Earl Nightingale
“Nenhum homem pode tornar-se rico ou conseguir algum tipo de
êxito duradouro nos negócios se for um conformista.”
Paul Getty
“Para crescer, tem de estar disposto a deixar que o seu presente
e futuro sejam totalmente diferentes do seu passado.”
Alan Cohen
“Conhecimento sem transformação não é sabedoria.”
Paulo Coelho
“Gastamos muito mais tempo falando de nossos inimigos do que
elogiando nossos amigos.”
Autor Desconhecido
ANO 12 - NÚMERO 146
FEVEREIRO DE 2013
MAIS MATÉRIA COM CONTEÚDO
ESPECIAL
Nas ondas da crise
6
FÓRUM
Os players de petróleo que iriam entrar no
setor sucroenergético brasileiro seriam só
as atuais (Petrobrás, BP, Shell) ou novos
virão? Se sim, quando?
14
TECNOLOGIA AGRÍCOLA
As incertezas da cana transgênica
16
TECNOLOGIA INDUSTRIAL
Editora
Diana Nascimento
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Redação
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João Carlos de Figueiredo Ferraz
José Pessoa de Queiroz Bisneto
José Velloso Dias Cardoso
Luiz Custódio da Cot ta Mar tins
Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo
Luiz Chaves Ximenes Filho
Manoel Carlos Azevedo Or tolan
Marcos Guimarães Landell
Maurilio Biagi Filho
Osvaldo Alonso
Paulo Adalber to Zanet ti
Ricardo Pinto
Rogério António Pereira
Tomaz Caetano Cannavam Rípoli
Moendas X Difusores: quem sai
ganhando?
24
DICAS E NOVIDADES
32
POR DENTRO DA USINA
34
EXECUTIVO
Entre as nuves e os canaviais
38
FATOS E RETR ATOS
41
DROPES
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Queda de produção, falta de investimen-
berto Dalla Coletta, diretor superintenden-
tos, usinas descapitalizadas e com dívidas,
te da DC Bio, por exemplo, avalia que mais
baixa demanda por etanol no mercado in-
uma vez a crise se instala na necessidade de
terno, demissões na indústria de bens de
ter ou não ter o etanol na matriz energética.
capital para o setor sucroenergético, desin-
Além disso, ao longo desses anos, diversas
teresse pela cogeração de energia, crise. Fa-
responsabilidades foram sendo atribuídas,
tos que, ultimamente, tem rondado o setor
tanto ao produtor rural quanto ao industrial.
sucroenergético.
“Dentre elas podemos destacar a que o setor
Cansado de más notícias, o setor está
assumiu em dar melhores condições de traba-
ávido por boas notícias. Mas o cenário de
lho aos seus funcionários, principalmente aos
crise dá lugar ao pessimismo e muitas pes-
que trabalham na colheita. Nada mais justo e
soas têm o hábito de ressaltar o pessimismo,
oportuno. Entretanto, isso gerou mais custos
deixando o otimismo de lado, ofuscando-o.
na produção, que, somado aos demais aumen-
Como na típica luta entre o Bem e o Mal, o
tos nos custos dos insumos, comprometeu o
mal entra em cena e faz estragos, mas o bem
resultado positivo de toda cadeia produtiva,
sempre vence e, sempre, no final.
desestimulando o investimento. Esse deses-
As crises pelo qual o setor tem passado
tímulo gerou a fuga do crédito para investi-
merecem uma análise minuciosa. José Ro-
mento. Resolvida esta equalização de preço
tudo volta ao normal”, vislumbra.
Enquanto não volta, os estragos acontecem. Alexandre Figliolino, diretor do Itaú
BBA, afirma que desde a crise de 2008 tivemos a desativação de 43 unidades produtivas,
a grande maioria por dificuldades de ordem
financeira e algumas poucas por questão de
realocação de parque produtivo. “Com pedido
de recuperação judicial, com ou sem falência
pedida ou decretada, tivemos 30 unidades
pertencentes a 12 grupos econômicos”, diz.
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Obs: A lista de usinas paradas recentemente pode conter usinas que estão na
lista de usinas em recuperação judicial
e/ou com falência decretada
queira Costa, consultor da AgropCom.
Os números são preocupantes, mas o
setor ainda não chegou ao fundo do poço.
“Logo, não adianta esperar por um mi-
Julio Vinha, analista econômico e fi-
lagre econômico para salvar todo o setor
nanceiro da Delta Sucroenergia, cita Luiz
desta etapa, pois além das políticas econô-
Fernando Veríssimo ao dizer que “no Bra-
micas esperados do governo federal para o
sil o fundo do poço é apenas uma etapa”.
etanol é necessário que as unidades produ-
“Acredito que o setor está nesta etapa desde
toras se reestruturem administrativamen-
a crise econômica internacional de 2008.”
te, investindo na produção e na redução
Segundo ele, os ajustes que estão sendo pro-
de seus custos, criando oportunidades nos
movidos pelos países europeus e pelos Es-
principais vetores de crescimento como o
tados Unidos, o aumento da taxa de juros e
aumento da produtividade através da reno-
a menor disponibilidade de linhas de crédi-
vação do canavial, plantio com geo-referen-
tos bancárias e as dívidas atreladas ao dólar
ciamento, mecanização e eficiência do CCT,
aumentaram as dificuldades de liquidez de
utilização plena da capacidade industrial e
muitos grupos econômicos.
principalmente ampliar a cesta de produtos
“Quando 100 usinas fecharem, deveremos
Além disso, os problemas de gestão de
através da maximização do uso da biomassa
estar perto”, admite Dario Costa Gaeta, dire-
alguns grupos que assumiram dívidas des-
como fonte de energia, levedura, óleo fusel,
tor presidente da Paraíso Bioenergia.
proporcionais à sua capacidade, na tentati-
plástico, pellets e outros produtos derivados
“Os pessimistas dizem que o fundo do
va de acelerar o crescimento da produção e
da cana-de-açúcar com alto valor agregado.
poço tem um porão. Não acredito que seja o
aumentar sua parcela de mercado; a pressão
Além disso, investimentos em tecnologias
caso no setor – ainda vai ser um ano difícil
da oferta ocasionada por unidades que ne-
para aumento da produtividade e principal-
nesta safra que entra e algumas empresas
cessitavam recompor seu fluxo de caixa e
mente da logística para redução dos fretes”,
que estão com grandes dificuldades finan-
que acabaram por liquidarem suas produ-
elenca Vinha.
ceiras vão ter que tomar um caminho radi-
ções de forma desordenada a preços que fo-
Para Ricardo Pinto, sócio-diretor da RPA
cal de venda ou fechamento para não ‘que-
rem possíveis; os erros de previsão de com-
Consultoria, as usinas da região Centro-Sul
brarem’. No entanto, uma safra certamente
portamento dos preços influenciados pelos
do Brasil irão realmente enfrentar o fun-
maior vai possibilitar algumas possibilida-
bons retornos obtidos nas safras 2005-06 e
do do poço ao final desta entressafra, entre
des de saída do buraco para as empresas
2006-07, que criaram expectativas muito
março e abril de 2013, tendo que bancar os
que estejam profissionalizadas e preparadas
otimistas e pouco realistas sobre o futuro,
gastos necessários para entrar numa nova
para um novo momento”, avalia Paulo Si-
fez com que o setor permanecesse à deriva.
safra. “E mesmo que venha um aumento no
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preço do etanol por conta da subida de preço da gasolina, os grupos mais endividados
não conseguiram segurar estoques significativos de etanol. Um preço melhor irá ajudá
-los na nova safra. Logo, o mais difícil será
o caminho final até a nova safra”, adianta.
O presidente do Grupo Maubisa, Maurílio Biagi Filho, destaca que a crise internacional afetou a economia brasileira e o setor foi um dos primeiros a ser prejudicado.
“As mudanças nas prioridades no setor energético agravaram a situação. Agora, a crise
MOTIVOS PAR A AS
DIFICULDADES DE LIQUIDEZ
DOS GRUPOS ECONÔMICOS:
- os ajustes que estão sendo promovidos pelos países europeus e pelos
Estados Unidos;
- o aumento da taxa de juros;
- menor disponibilidade de linhas de
créditos bancárias;
- dívidas atreladas ao dólar
do setor energético (não só sucroalcoleiro)
Esses fatores deixaram o setor mais frágil
para efeitos climáticos na produção agrícola
e a terem um custo de produção mais alto
pela diminuição da escala de produção. Mesmo em 2010, com a recuperação dos preços,
principalmente do açúcar, algumas usinas se
encontravam na UTI pela falta de governança,
planejamento e principalmente pela geração
de caixa, que é fundamental para a reestruturação das dividas.
“Acredito que esta crise está sendo muito
mais dura para as usinas do que a crise de
1999, pois, na de 1999, os preços melhora-
afeta, e muito, a perspectiva de crescimen-
pois grupos internacionais. A partir do ano
ram logo no ano seguinte quando houve uma
to do País e a confiança dos empresários. É
de 2001 começou a ocorrer uma retomada
queda na produção. Desta vez, houve a queda
frustrante verificar que no BNDES (Banco
nos preços do açúcar e do álcool.
da produção e mesmo assim os preços conti-
Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Mas muitas empresas, originariamente
nuaram baixos. Aliás, o preço do etanol está
Social) existe apenas um projeto energético
familiares, não conseguiram manter o equi-
baixo há mais de dois anos. Além disso, não
pleiteando financiamento. Eis aí um retrato
líbrio necessário de seus endividamentos,
me lembro de terem ocorrido falências de usi-
da crise”, exemplifica.
motivo pelo qual, grandes grupos interna-
nas em 1999. Em 2012 totalizamos 14 usinas
cionais e nacionais, inclusive tradings, pe-
falidas, ou seja, praticamente 3,4% das usinas
troleiras e de outros segmentos começaram
em operação faliram. Também há outras 31
a adquirir unidades, formalizando parcerias
usinas em Recuperação Judicial, representan-
e fusões.
do 7,5% das usinas em operação. E sem falar
AS ONDAS TRAIÇOEIRAS DE 1999
E A ATUAL
A crise ocorrida no setor em 1999 e a
crise atual são diferentes. Vale lembrar que
Outras iniciaram a profissionalização de
o setor sucroenergético sempre presenciou
suas administrações e procederam a aber-
inúmeras crises cíclicas ao longo do tempo.
tura do capital, com o lançamento de IPOs
Para Figliolino, na crise de 1999 o setor
nas 21 usinas que pararam de processar cana
no País”, observa Ricardo Pinto.
Segundo Vinha, a crise de 1999 pode
no mercado, acabando por alterar o quadro
tinha uma dimensão bem menor do que tem
se denominada de crise setorial, provoca-
anteriormente existente dos grupos estrita-
hoje em termos de tamanho (o Centro-Sul ti-
da pela desregulamentação do setor e da
mente familiares.
nha 1/3 da capacidade de moagem de hoje).
superprodução de cana-de-açúcar registra-
A partir de então, teve início um novo ci-
Porém a natureza dos problemas da época
do nos países produtores, fato esse que já
clo no setor que aos poucos foi se ajustando
eram muito graves na medida em que a de-
vinha ocorrendo nos anos anteriores. Logo,
e criando novas expectativas no mercado.
manda por etanol hidratado desabava com o
o mercado abastecido pela oferta provocou
Mas no meio do caminho, no ano de
sucateamento da frota de carros a etanol. A
uma queda significativa nos preços de co-
2008, o mundo deparou-se com uma nova
competitividade em relação a gasolina era
mercialização do açúcar e do etanol.
crise. A crise financeira começou a atingir,
baixa face os preços do petróleo, taxa de
Em decorrência, grupos econômicos co-
em efeito cascata, países desenvolvidos que
câmbio vigentes a época e havia uma gran-
meçaram a registrar prejuízos financeiros
até então demonstravam solidez em suas
de resistência do governo Fernando Henri-
até então sem precedentes. Os resultados
economias.
que Cardoso em conceder qualquer tipo de
operacionais não cobriam os custos das des-
A crise mundial de 2008 de crédito no
subsídio. “Lembro-me que a época algumas
pesas e os endividamentos das empresas
mercado e o elevado endividamento do se-
correntes defendiam, como acontece hoje, a
aumentavam substancialmente.
tor levaram diversos grupos a requerer ju-
anidrização como solução de longo prazo pa-
“O que se constata é que naquele mo-
dicialmente sua recuperação, mas em sua
ra o problema. Naquela época numa situação
mento parte das empresas do segmento não
maioria sem qualquer embasamento capaz
bastante crítica, sem solução a vista, dando
estavam preparadas para enfrentar um ce-
de assegurar o cumprimento das obrigações
a impressão que o setor seria dizimado, as
nário totalmente adverso e começaram a
no prazo legal. Muitas empresas deixaram
coisas começaram a melhorar graças a uma
vender terras ou dar em pagamento parte
de investir na manutenção, conservação
geada seguida de seca que diminuiu substan-
de seu capital para equilibrar os prejuízos
e reforma de canaviais, agravando, ainda
cialmente a produção de cana na safra 00/01,
que se acumulavam”, lembra.
mais, sua produtividade e, por consequên-
a desvalorização cambial ocorrida entre 1999
Neste cenário começaram a surgir as
cia, sua capacidade de gerar receitas neces-
e 2002 e em 2003 o surgimento do carro flex
primeiras participações de investidores no
sárias para equacionar seus custos e obriga-
que abriu imensas perspectivas em termos
setor. Primeiro instituições financeiras, de-
ções assumidas.
de crescimento de demanda. Portanto 98/99
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foi uma crise muito aguda, mas de duração lhões de t, principalmente em razão do cres-
curta e que seguiu um período longo de for-
cimento econômico dos países em desenvol-
te crescimento e prosperidade.”
vimento como a China, Índia e outros países
Ainda na visão de Figliolino, a crise que
asiáticos em franco crescimento econômico.
estamos vivendo hoje parece necessitar de
“Por conseguinte, esses fatores levam os
um período mais prolongado de duração pa-
investidores a apostarem na recuperação do
ra que consigamos colocar o trem novamen-
setor e as ações das principais empresas do
te nos trilhos do crescimento. “Infelizmente
setor estão sendo valorizadas na bolsa, tendo
nada nos faz acreditar que estejamos, setor e
algumas que inclusive se diversificaram com
governo, perto de ter encontrado uma solu-
aquisições de empresas com atividades com-
ção que nos leve de volta ao bom caminho,
plementares como é o caso da Cosan. Além
não obstante ser este período que vivemos
disso, temos o avanço da profissionalização
um daqueles onde o etanol e a cogeração de
do setor sucroenergético, juntamente com o
biomassa são muito necessários à solução
dos problemas que estamos enfrentando na
área energética”, aponta.
“Na minha opinião, estamos agora com
o pior cenário. Nesta crise existe uma força
Para Costa, o açúcar continua a ser a fonte de
energia alimentar mais barata que se encontra
no mundo, o etanol é um combustível limpo e a
cogeração de energia elétrica a partir da biomassa
será uma realidade mais cedo ou mais tarde.
aumento da adoção da governança corporativa, proporcionando maior transparência entre os agentes econômicos e atraindo novos
investidores”, comenta Vinha.
De acordo com o BNDES, é preciso ainda a
totalmente incontrolável, que não deveria
pradores de biocombustíveis necessitam
coordenação dos esforços de todos os players
existir numa economia de mercado, ainda
de informações mais transparentes, não só
em busca de uma solução que não se resuma
mais numa commodity. Pior do que somen-
sobre aspectos econômicos e financeiros,
apenas ao curto prazo, mas que também trace
te por em risco a sobrevivência das usinas,
mas também a respeito de questões sociais
diretrizes de médio e longo prazo, de modo
é fraquejar um projeto que era sustentável
e ambientais”, afirma.
a garantir não só a oferta adequada de etanol
e fazia sentido para uma matriz energética
renovável”, defende Gaeta.
Hoje os investidores veem o setor com
cautela. “Sempre viram com cautela e agora
e de açúcar para os próximos anos, mas também a sustentabilidade futura do setor.
não veem atratividade. Investir com as pre-
MAR REVOLTO PODE FICAR
CALMO
missas atuais é muito difícil. Somente fun-
POSSÍVEIS SAÍDAS
dos agressivos (abutres) tem este apetite para
Crises são resultados de vários fatores não
Os maiores riscos em se investir no se-
as usinas em dificuldade”, comenta Gaeta.
facilmente identificáveis. “Acredito que pre-
tor, na opinião de Gaeta, estão na combi-
Para que o setor possa atrair investido-
cisamos de uma ação de reconstrução conjun-
nação da gestão do setor com as variáveis
res, Gaeta é taxativo: “O setor deve ter eco-
ta para quebrar este ciclo. Se há interesse em
incontroláveis do mercado. Flutuação de
nomia de mercado: sem controles de preços
salvar o setor, alguém tem que dar o primeiro
dólar, preços tabelados de produtos e fal-
e linhas de crédito compatíveis com o ne-
passo. Hoje somente o governo está em con-
ta de consolidação faz com que o mar seja
gócio. A cana é um investimento de longo
dições disso”, argumenta Gaeta.
sempre revolto. “A máxima de que ‘usina
prazo (seis anos) que não tem, atualmente,
Costa diz que o Governo pode contribuir
não quebra, troca de mão’ é uma verdade.
financiamento maior que três anos. Melho-
com o setor dando-lhe maior segurança em
Verdade para as usinas que não deteriora-
res usinas conseguem até pré-pagamento
termos de regulação. Isto vai desde o ponto
ram seu patrimônio. Aquelas que não têm
com cinco anos, mas ainda assim a exposi-
mais óbvio que refere-se à ANP e sua políti-
dívidas trabalhistas, fiscais, ambientais e
ção à variação cambial é gigante. Margens
ca de uso do etanol combustível até a ques-
bancárias maior que seu valor. Sendo assim,
pequenas não toleram surpresas.”
tão complexa da aquisição de terras rurais
todas as usinas que podem ser salvas com
Razões para o investimentos existem: a
por empresas estrangeiras. “Os participantes
um plano de longo prazo trarão resultados.
crescente demanda internacional por bio-
diretos do setor, usineiros, produtores de ca-
Como premissa elas não podem repetir os
combustíveis, principalmente nos Estados
na e indústria de bens de capital tem que se
erros passados e devem ter uma gestão sé-
Unidos e nos países da Europa, sendo que a
unir de uma vez por todas para fazer um tra-
ria”, pontua.
partir de janeiro de 2012 o Brasil tem o mer-
balho conjunto em termos de representativi-
Vinha esclarece que o principal risco do
cado de etanol totalmente livre, sem barrei-
dade institucional. O setor precisa recuperar
setor ainda está no início da profissionali-
ras tarifárias que impeçam o livre comércio
sua credibilidade urgentemente para voltar a
zação da gestão das empresas.
e a expectativa de aumento na mistura do
atrair investimentos”, defende.
“Algumas empresas deram um passo
anidro na gasolina retornar para o percentu-
Os grupos econômicos ou as unidades
pra frente, porém temos muitas outras que
al de 25% e o açúcar, que é uma commodity
produtoras devem trabalhar, de forma cons-
ainda precisam melhorar a governança cor-
essencial que tem expectativas de aumento
tante, na busca da competividade, do aumen-
porativa, visto que os investidores e com-
de consumo no mundo em torno de 20 mi-
to da produtividade, da redução dos custos,
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RIBEIRÃO PRETO
SP - BRASIL
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especial
da eficiência e da eficácia.
do Sul e Central, de onde nós todos – au-
No entanto, o Governo poderia intervir
toridades, técnicos e empresários – voltá-
naquilo que lhe diz respeito, como a redu-
vamos, alguns anos atrás, animados com
ção da taxa de juros e de tributos, a desone-
as perspectivas de exportar tecnologia de
ração da folha de salário, a modernização
produção de etanol de cana. Aquilo tudo
das relações trabalhistas e formalização de
era uma possibilidade muito forte diante
acordos internacionais para a exportação de
da crescente importância dos combustíveis
açúcar, etanol e derivados. Ou seja, adotar
verdes num planeta saturado pelos gases
políticas públicas capazes de dar suporte
do efeito-estufa. É quase inacreditável que
ao necessário crescimento e ajuste do setor
tantas boas perspectivas tenham ido pelo
dentro do cenário econômico em que atua.
ralo. É possível que estejam em banho-ma-
O BNDES também tem trabalhado em
ria nos escritórios e galpões industriais de
prol do setor. Linhas de crédito foram des-
Sertãozinho e arredores. Acredito que se-
tinadas para plantio e replantio de cana-de
remos capazes de recuperar a validade de
-açúcar e para a estocagem de etanol a custo
todos esses projetos fundamentais para a
competitivo. O grande problema é que estas
linhas são repassadas por bancos comerciais que exigem contrapartidas em termos
de garantias que a maior parte do setor não
Ricardo acredita que voltaremos a ver bons preços
de etanol, açúcar e talvez até de eletricidade
cogerada, bem como a volta de investimentos de
forma generalizada no setor a partir de 2014
economia brasileira”, define.
“O ano de 2013 será mais um ano difícil
para o setor, mas vejo vários sinais positivos
para 2014. Lembro que as crises deste setor
passar, vamos ter um setor fortalecido e
costumam ocorrer a cada quatro anos. Teve
Segundo informações da assessoria
consolidado. A volatilidade do negócio de-
a de 1999, depois uma no início de 2004,
de Imprensa do BNDES, através do De-
ve diminuir e a seriedade empresarial deve
outra em 2008, mais uma em 2012... Como
Bio (Departamento de Biocombustíveis), o
imperar. A maior ameaça futura é aquela
ainda estamos com capacidade industrial
BNDES já está realizando iniciativas diri-
que agora está sendo alimentada: a África.
maior do que a disponibilidade de cana,
gidas a melhorar o cenário atual e futuro.
Eles serão mais competitivos e, apesar de
acredito que a maior parte dos investimen-
O programa BNDES Prorenova, lançado
menor volume, vão fazer estragos no mer-
tos do setor em 2013 ainda serão em cana,
em 2012, foi renovado para 2013.
cado internacional.
seja em mais plantio, seja no trato dos ca-
está em condições de oferecer.
A carteira do BNDES Prorenova fe-
A Biotecnologia será um grande aditivo
naviais, e em todos os produtos e serviços
chou 2012 em R$ 1,4 bilhão, dos quais
e crescerá muito. Ela dará novo fôlego aos
relacionados a isso”, afirma Ricardo Pinto,
já foram desembolsados R$ 475 milhões.
que conseguirem captar as oportunidades.
que também se diz confiante de que volta-
Além disso, o BNDES também preocupa-se
Maurílio Biagi Filho, presidente do gru-
remos a ver bons preços de etanol e açúcar,
com a sustentabilidade de longo prazo do
po Maubisa, crê que a longo prazo não há
talvez até de eletricidade cogerada, bem co-
setor. Por isso, lançou em 2011 o Paiss (Pla-
dúvida de que o setor tem boas perspecti-
mo a volta de investimentos de forma gene-
no Conjunto BNDES-Finep de Apoio à Ino-
vas, o difícil é a travessia até esse futuro
ralizada neste setor a partir de 2014.
vação Tecnológica Industrial dos Setores
promissor. “O açúcar é uma commodity, o
Otimismo é a palavra chave para Costa.
Sucroenergético e Sucroquímico). O Paiss
etanol caminha para sê-lo também e o se-
“Particularmente, só tenho expectativas oti-
selecionou planos de negócios que con-
tor tem grande potencial como produtor
mistas. O açúcar continua a ser a fonte de
templaram o desenvolvimento, a produção
subsidiário de eletricidade. O futuro dos
energia alimentar mais barata que se encon-
e a comercialização de novas tecnologias
combustíveis verdes é inquestionável em
tra no mundo. O etanol é um combustível
industriais destinadas ao processamento
face de tudo que vem acontecendo no pla-
limpo e já temos uma frota de carros flex ne-
da biomassa oriunda da cana-de-açúcar,
neta, mas as disputas econômicas interna-
cessitada de suprimento muitas vezes maior
especialmente aqueles referentes ao etanol
cionais continuam colocando em segundo
do que nossa capacidade de produção. A
celulósico ou de 2ª geração, que poderia
plano as possibilidades de correção dos ru-
cogeração de energia elétrica a partir da bio-
aumentar a oferta de etanol em 50%. Atu-
mos da nossa civilização, excessivamente
massa vai ser uma realidade mais cedo ou
almente está aprovado R$ 1,4 bilhão e es-
centrada no petróleo”, diz.
mais tarde. O setor está se profissionalizan-
tão contratados R$ 230 milhões em proje-
Biagi Filho espera que, junto com a
do rapidamente e com um nível interessante
tos no âmbito do Paiss. Espera-se que estes
expansão da produção e oferta dos com-
de concentração em mãos fortes. O que mais
números aumentem ainda mais em 2013.
bustíveis verdes, o Brasil consiga exportar
é preciso para este setor ser bem sucedido?”
equipamentos, serviços e tecnologia para
A resposta vem de Biagi Filho: “O fu-
o cultivo de cana e a produção de etanol.
turo é promissor, mas exige persistência e
“Lembro do otimismo do presidente Lula
competência política, porque as outras com-
em Cuba e em outros países da América
petências são perceptíveis.”
ENTRE AS FORTES ONDAS, O
FAROL
Quando a onda de “seleção natural”
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fórum
PRODUTO INFINITO
“Eu acredito que com regras claras, todo o setor petrolífero
virá para o Brasil porque eles sabem que têm um produto
finito e que aqui o produto é infinito. Eles, com certeza, viAntônio César
rão para cá porque terão que mesclar o produto deles que
Salibe - presidenestá em curva decrescente com um produto genuinamente
te executivo da
Udop
nacional e em curva ascendente.”
AMBIENTE FAVORÁVEL
“Essa é uma pergunta difícil de responder, mas imagino que
outras empresas do ramo de petróleo devem examinar investimentos no setor. Não acredito que apenas aquelas que já
Plínio Nastari,
presidente da
Datagro Consultoria
realizaram investimentos estão envolvidas nesse processo,
mas a materialização desses investimentos vai depender de
um ambiente que seja favorável a esse tipo de investimento.”
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fórum
Márcio Costa gerente de Produção Corporativo da Usina
Ruette
SEM INVESTIMENTOS
SUBSTITUTO PARA A GASOLINA
“Com o cenário que temos atu-
“Quem entrou no setor mesmo foi a
almente e as adversidades, acho
Petrobrás, a Shell e a BP que fala ao
que isso vai dar uma brecada.
mercado que ainda está com um ape-
Acredito que dentro dos próximos cinco ou seis anos, nenhuma petrolífera entrará no setor,
Ricardo Pinto
– sócio diretor da RPA
Consultoria
tite muito grande. Eu acredito que a
Total deva comprar alguma coisa, ela
está participando de negociações há al-
mas vão analisar o nosso mer-
gum tempo, vai confirmar uma ou outra
cado que está em turbulência.”
aquisição.
Há uns três anos atrás, a Konoco Phi-
Gilmar Galon,
diretor Industrial da usina
Pitangueiras e
Coordenador do
Gegis
BOM PARA O SETOR
lips, uma grande petroleira norte-ame-
“É um setor energético. E essas
ricana, fez alguns estudos para entrar
empresas tem uma visão que
nesse segmento no Brasil e desistiu,
talvez o Brasil não tenha. A Pe-
mas pode voltar. Também acredito que
trobrás entrou e acho que isso é
a norte-americana Chevron e Konoco
bom para o setor e novas entra-
vão desengavetar estudos, provavel-
rão, com certeza.”
mente para o Brasil porque o etanol
nos EUA está com problemas de viabi-
Oswaldo Alonso - consultor Técnico da
Canaoeste (Associação dos
Plantadores de
Cana do Oeste
do Estado de
São Paulo)
CONHECIMENTO SOBRE
O SETOR
lidade. Acredito que alguma petrolífera
“As multinacionais que vêm pa-
o contexto de que é estratégico estudar
ra Brasil tem que conhecer real-
e trabalhar em um substituto para a ga-
mente a nossa atividade sucroe-
solina, o diesel, o petróleo, da cadeia
nergética. As petrolíferas veem
petroquímica. Um substituto mais ba-
no etanol uma soma e nossa
rato e de preço competitivo aos novos
produção é feita no campo e a
valores do barril de petróleo. As euro-
céu aberto.”
peias podem vir para cá também.”
chinesa possa vir para cá também com
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tec. agrícola
Ainda em fase de testes em laboratório e campo, a previsão para uso comercial da cana transgênica ainda é indefinida. Tudo vai depender dos resultados dos testes e avaliação da CTNBio, órgão
responsável pela liberação
Quase todo ano institutos de pesquisa e
de novas doenças e pragas, que vieram jun-
canas geneticamente modificadas”, destaca
empresas privadas desenvolvem e lançam
to com a questão da mecanização. A única
Casagrande.
novas variedades de cana. Nos últimos
forma de voltar a crescer é neutralizar es-
Monalisa Sampaio Carneiro, pesquisa-
anos, além de dar continuidade ao desen-
ses problemas que tiraram todos os ganhos
dora coordenadora dos projetos da Área de
volvimento de novas plantas, as empresas
de produtividade que tivemos nos últimos
Biotecnologia PMGCA/UFSCar, diz que a
e institutos têm concentrado esforços e in-
anos. E a cana transgênica vem para isso”,
cana, que hoje existe no melhoramento, é
vestimentos para o desenvolvimento de ca-
salienta Rodrigues.
voltada para um teor de açúcar muito alto,
Marcos Virgílio Casagrande, gerente de
então os patamares de teor de açúcar, ou se-
Desenvolvimento de Produto do CTC (Cen-
ja, a contribuição da variabilidade genética
De acordo com Antônio de Pádua Ro-
tro de Tecnologia Canavieira), explica que a
natural para açúcar já chegou num patamar
drigues, diretor-técnico da Unica (União da
entidade está em busca da cana transgênica
onde os ganhos não são tão expressivos, o
Indústria de Cana-de-açúcar), a busca pela
porque através do material transgênico con-
que faz com que se busque a transgenia.
cana transgênica mostra a evolução do setor.
segue-se, de forma significativa, o aumento
“Os ganhos são alcançados para teores
“Todo ano são lançadas variedades e o
da produtividade dos canaviais, corrigindo
de açúcar com base na interação com o am-
alguns problemas que acometem a cana.
biente, não tendo um ganho muito grande
nas geneticamente modificadas, a chamada
cana transgênica.
setor sempre está em busca de novas variedades. No entanto, os gráficos de produti-
“A broca da cana, por exemplo, é um
em açúcar. Se fôssemos tratar de biomassa
vidade mostram que os ganhos do passado
grande problema e consome milhões para
isso seria diferente, a biomassa ainda tem
eram maiores dos que os alcançados nestes
o controle, causando também milhões de
muita variabilidade, é a busca de um obje-
últimos anos, que estão próximos de zero ou
prejuízos. Se tiver uma variedade que con-
tivo novo dentro da cana-de-açúcar. Para
algo próximo de 0,5%. Agora, por que essa
trole ou seja tolerante à broca da cana, será
criar uma variabilidade lançamos mão da
produtividade é tão baixa? Porque ela foi
uma revolução para os produtores. Saltos
transgenia, que tenta inserir um ou pouco
afetada e desapareceu devido à ocorrência
maiores e soluções integradas virão com as
genes que aumentem esse teor de açúcar e
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tecnologia agrícola
que fortaleça a questão de pragas. Isso por-
As plantas não modificadas sobreviveram
que, toda vez que temos tolerância a pragas
apenas 15 dias sem água enquanto que as
via transgenia, a gente tem uma diminuição
plantas que receberam o gene sobreviveram
no uso de agrotóxicos, o que reflete de ma-
mais de 40 dias. Agora estamos introduzin-
neira positiva no meio ambiente. A trans-
do este gene nas culturas comerciais. Esse
genia existe quando a gente não tem mais
é um processo que será obtido em longo
variabilidade natural possível ou os ganhos
prazo. Se tudo der certo, a estimativa de
são poucos”, explica Monalisa.
lançamento dessas variedades é para 2017”,
afirmou.
No final de 2011, o jornal O Estado de
S. Paulo publicou uma matéria na qual afir-
“Nossa ideia com o desenvolvimento
mava que grandes empresas privadas do
dessas variedades é beneficiar toda a so-
setor agrícola estavam investindo milhões
ciedade, desde o produtor que contará com
de dólares na corrida para o lançamento, no
uma tecnologia para auxiliar no aumento
da produtividade e reduzir os custos da
Brasil, da primeira cana-de-açúcar transgêCasagrande sobre cana transgênica do CTC: “Deverão proporcionar aumentos significativos de
produtividade no campo, diminuição no custo de
produção e expansão das áreas de cultivo em ambientes mais restritivos”
produção, até o consumidor”, acrescentou
volvimento de quatro plantas de cana trans-
atenção que precisa”, diz Daniel Bachner,
mitir que o Brasil mantenha a sua perfor-
gênica para o mercado brasileiro. Ainda se-
responsável pela área de cana-de-açúcar da
mance como um dos maiores produtores
gundo o jornal, as mudas estavam prontas
Syngenta em entrevista concedida para o
e exportadores agrícolas. “A pesquisa vai
em laboratórios nos Estados Unidos, mas
jornal O Estado de S.Paulo.
aumentar a competitividade brasileira pela
nica do mundo em escala comercial.
De acordo com o jornal, a Syngenta aplicou, desde 2010, US$ 100 milhões (75% que
já haviam sido gastos até 2011) no desen-
Romano. Para o secretário de Produção e
Agroenergia do Ministério da Agricultura,
José Gerardo Fontelles, a tecnologia vai per-
precisavam vencer um processo burocrá-
Entre as apostas da Syngenta estão uma
adoção dos meios modernos de tecnologias
tico para serem aprovadas no Brasil. A re-
variedade com um teor de açúcar na planta
existentes em benefício da sociedade brasi-
vista IDEANews entrou em contato com a
até 40% maior. Também se pesquisa uma
leira”, destacou.
Syngenta em busca de novidades sobre o
variedade com modificação da parede ce-
O Brasil, como um grande fornecedor
desenvolvimento, mas foi informada pela
lular da planta para facilitar a produção de
de alimentos, deve aumentar sua produção
assessoria de comunicação da empresa que
etanol de segunda geração.
agrícola para acompanhar o crescimento da
até o fechamento desta edição não poderia
se pronunciar sobre o assunto.
A Monsanto também foi contatada pa-
demanda mundial. “Nosso foco é a sustenta-
CANA TRANSGÊNICA: O QUE VEM
POR AÍ
bilidade e a preservação do meio ambiente,
como por exemplo, o uso racional da água”,
ra falar sobre o assunto, mas até a data do
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pes-
frisou Fontelles. Todo o esforço do Governo
fechamento não entrou em contato com in-
quisa Agropecuária), em parceria com o Ma-
já é percebido através dos resultados positi-
formações sobre seu desenvolvimento. O
pa (Ministério da Agricultura, Pecuária e
vos obtidos na agricultura nacional.
que se sabe é que a Monsanto concentra as
Abastecimento), tem buscado desenvolver
Hugo Bruno Correa Molinari, pesquisa-
pesquisas em resistência a insetos e tole-
variedades geneticamente modificadas de
dor de Biotecnologia Vegetal da Embrapa,
rância a herbicidas, o que promete maior
cana-de-açúcar, soja, milho, arroz e trigo
diz que os desenvolvimentos em cana ainda
produção de açúcar por hectare. A tecno-
com o objetivo de reduzir os riscos em de-
não foram levados a campo. Ainda segun-
logia do herbicida Roundup já é usada na
corrência das mudanças climáticas. A pes-
do ele, já existem os locais que teriam as
soja e no milho. “Estamos falando da mes-
quisa promete reduzir os custos na lavoura
condições ideais para o teste de tolerância
ma tecnologia, agora aplicada à cana”, disse
e contribuir na preservação do meio am-
à seca e frio. “Uma das ideias é testar essa
ao jornal O Estado de S. Paulo, José Carlos
biente.
cana no Rio Grande Sul, na região Noroeste
Carramate, líder de Negócios da CanaVialis,
De acordo com o pesquisador da Em-
do Estado em parceria com a Embrapa Cli-
marca de melhoramento e tecnologias em
brapa Recursos Genéticos e Biotecnologia,
ma Temperado. Eles já têm vários testes de
cana da Monsanto.
Eduardo Romano, os resultados até o mo-
plantio de cana nessa região. A ideia seria
Hoje, estão autorizadas no Brasil as cul-
mento são promissores. “Isolamos um gene
testar em dois locais da região, um seria na
turas transgênicas de soja, milho, algodão
relacionado à resistência ao estresse hídrico
região próxima a cidade de Porto Xavier,
e feijão. “A cana ficou de lado por muitos
e o introduzimos em plantas modelo. Es-
Noroeste do Estado e uma na região central,
anos e agora finalmente está recebendo a
tas se tornaram altamente tolerantes à seca.
próximo a Salto do Jacuí”, conta.
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tecnologia agrícola
Ainda segundo Molinari, a característica
desse material transgênico”, revela.
NOVAS VARIEDADES X CANA
TRANSGÊNICA: QUAL A
DIFERENÇA?
inserida na planta desenvolvida pela Em-
Monalisa explica que quando se faz uma
brapa tem um papel na tolerância a estres-
cana transgênica, a performance está rela-
se salino e seca. Mas a ideia agora é tentar
cionada com o gene que foi inserido. “Nor-
Muita gente ainda não entende qual a
testar em outros estresses, como os causa-
malmente estão sendo inseridos genes re-
diferença entre o desenvolvimento de no-
dos pela geada. “Queremos testar o máximo
lacionados a resistência a pragas, estudos
vas variedades e canas geneticamente mo-
possível em locais com condições adversas
voltados a intolerância a seca e aumento
dificadas. Casagrande explica que no me-
para ver como esse material se comporta.
no teor de sacarose. Estes estudos são in-
lhoramento genético se faz os cruzamentos
E uma questão importante é o frio e a ocor-
teressantes e estão acima dos padrões co-
e depois busca-se as variedades melhores,
rência de geadas”, explica.
merciais e o incremento depende das ca-
como se fosse uma peneira.
De acordo com ele, por conta dos en-
racterísticas.”
“Quando se faz uma cana transgênica
saios serem caros e da Embrapa depender
Ainda segundo Monalisa, existem clo-
pega-se uma variedade, por exemplo, que
da liberação de custos, a primeira ação será
nes no campo que já tem capacidade de se-
tenha um teor de sacarose um pouco abai-
montar a área em campo para conduzir um
rem utilizados pelo setor produtivo, mas
xo do que seria interessante e introduz um
ensaio. “Vamos montar a partir de 2013 e
que dependem da liberação comercial pela
gene que aumenta o teor se sacarose, cor-
trabalhar na parte de credenciamento da
CTNBio (Comissão Nacional de Biossegu-
rigindo o problema da cana e embutindo
área. Feito isso, em 2014 esperamos que le-
rança). “Até o momento não existe ainda
um gene. Para fazer a transgenia, primeiro
vemos esses materiais para que façamos as
um ambiente regulatório definido para que
é necessário ter uma variedade interessante
primeiras conduções. Teríamos primeiro a
esse processo aconteça. Assim, é difícil pre-
porque ela por si só não cria nada, a trans-
cana planta em 2015. Então, teríamos, após
cisar uma data porque tecnicamente já es-
genia depende de um bom programa de me-
avaliação dos ciclos, uma nova avaliação
tá disponível, mas não sabemos quando a
lhoramento. Outro exemplo: temos uma va-
por volta de 2018. Mas podemos jogar isso
CTNBio vai exigir os testes e se estes testes
riedade com excelente desempenho como a
para 2020. Só aí vamos ter uma noção de
irão demandar tempo. De modo geral, ou-
CTC4 e introduzimos o gene BT na mesma.
como ela se comporta em campo”, projeta
tros grupos estão trabalhando com a data de
Com isso, a CTC 4 geneticamente modifica-
Molinari.
2018, mas não temos certeza se essa data
da torna-se resistente a insetos, diminuindo,
será possível.”
por exemplo, os gastos necessários ao con-
Para ele, a primeira geração de cana
transgênica deverá ter resistência a herbi-
O CTC já tem eventos transgênicos
trole da broca. Portanto, a produção de va-
cida e pragas da cana. E a outra seria os
sendo testados em campo. De acordo
riedades transgênicas depende de um bom
gens BT. “As empresas estão trabalhando
com Casagrande, o CTC deve ser um dos
programa de melhoramento convencional.
com a característica de aumentar sacaro-
primeiros a disponibilizar as varieda-
A transgenia deverá melhorar aquilo que já
se. Mas acredito que características mais
des transgênicas no Brasil nos próximos
é bom”, detalha Casagrande.
complexas como tolerância à seca e aumen-
anos. Estima-se que as primeiras canas
to de açúcar vão demorar mais um pouco.
transgênicas do CTC estejam disponí-
A ideia é lançar algumas variedades com
veis em 2016/2017. “Acho que em menos
Não basta desenvolver. A ideia dos
herbicida e depois a questão de resistência
de dez anos, mas é difícil afirmar isso e
transgênicos ainda causa polêmica e dis-
AINDA EXISTE RESISTÊNCIA?
cussões quanto à segurança alimentar.
a pragas, aumento no conteúdo de
dizer o tempo correto. O grande
biomassa, características diferencia-
desafio agora é ter o material. O
Casagrande não vê mais resistência com
das para etanol de segunda geração
CTC trabalha com algumas frentes
relação aos transgênicos. “As plantas trans-
como resistência a insetos, to-
gênicas são uma realidade e o Brasil é o
lerância ao estresse hídrico e
segundo país no mundo na sua utilização,
aumento do teor de sacarose.”
ficando atrás dos EUA. No Brasil, durante
Os desenvolvimentos do
a safra 10/11, 83% da área de soja foi ocu-
nos seus estudos em cana transgênica,
instituto, segundo Casagrande,
pada por transgênicos, para o milho esse
segundo Monalisa. “Muito embora a
deverão proporcionar aumen-
valor foi 65% e para o algodão 39%. A soma
tos significativos de produtivida-
das áreas com transgênicos para essas três
cana transgênica comercial no
de no campo, diminuição no custo
culturas ultrapassou 30 milhões de ha com
Brasil, existem muitos estudos
de produção e expansão das áreas
aceitação plenamente satisfatória. A cana
de liberação no campo, então já
de cultivo em ambientes mais res-
deverá trilhar o mesmo caminho.”
se sabe a performance agrícola
tritivos.
e outras”, opina.
A Ridesa (Rede Interuniversitária
para o Desenvolvimento Sucroenergético) já está em uma fase bem avançada
gente não tenha a liberação de uma
Molinari acredita que, independente da
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Composição
Fósforo (P2O5) solúvel
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tecnologia agrícola
cultura, vai haver a mesma cobrança e um
solicitação de comercialização, segundo a
“pé atrás”. “Não adianta dizer que a cana
Comissão. “Sendo assim, o trâmite de um
vai ser só para combustível. Até hoje não se
processo está fortemente relacionado com
tem nada provado de que alimentos trans-
a eficiência do requerente em proporcionar
gênicos causem mal. O material que está
estudos conclusivos que permitam que a
sendo produzido será usado para produzir
CTNBio proceda a análise técnica do mé-
etanol, açúcar e outros fins. No entanto, tem
rito. É importante salientar que mesmo que
que ser feito um trabalho provando que os
um OGM receba a aprovação comercial na
materiais foram conduzidos corretamente
Comissão, ainda devem ser cumpridas as
e todos os componentes de produção aten-
demais etapas que as legislações nacionais
dem ou tem equivalência substancial ao
exigem, tais como registro de cultivares e
convencional. Toda essa normatização de
multiplicação de colmos (no caso da ca-
como fazer e como utilizar, tanto no mer-
na)”, enfatiza.
cado interno quanto no externo vai ter que
Para a liberação de uma cana transgênica a CTNBio leva em consideração os en-
do todos os parâmetros. Como tem que ser
De acordo com Molinari, a ideia é testar a cana
transgênica da Embrapa na região Noroeste e
Central do Rio Grande do Sul
feito todos os ensaios e etapas. Tendo essa
preendem o que se chama de Avaliação de
de um produto geneticamente modificado,
definição você consegue definir o que vem.”
Risco. A legislação brasileira é baseada no
regulados pela Resolução Normativa 05 da
Monalisa também vê certa resistência,
conhecimento científico e uso sistemático
CTNBio. De forma resumida, por se tratar
mas acredita que o trabalho dos cientistas
de bases de informação”, afirma a CTNBio
de um vegetal, são considerados todos os
é justamente esclarecer melhor para a co-
via assessoria de imprensa.
aspectos genéticos/moleculares da caracte-
ser normatizado. Por isso tem sido defini-
saios regulatórios para a comercialização
munidade o que é a transgenia. “Quando a
O modelo da CTNBio recomenda que
rística introduzida, composição química e
gente faz o melhoramento, a gente restrin-
as avaliações sejam caso a caso, conside-
nutricional (inclusive testes toxicológicos,
ge a variabilidade. Quando fazemos o me-
rando a biologia da cultura, a natureza
de alergenicidade e imunológicos) e estu-
lhoramento usando transgenia, também
da característica genética introduzida e
dos ambientais.
restringimos a variabilidade, quer dizer,
o ambiente de uso. Além disso, deve-se
“A perspectiva depende exclusivamente
não é um adjetivo só da transgenia. O am-
proceder uma avaliação de forma compa-
dos desenvolvedores dessa cultura. Uma
biente já foi afetado desde que o homem
rativa, calcada no Princípio da Precaução,
vez que concluam todos os requisitos dos
resolveu fazer a agricultura, não necessa-
onde todas as ferramentas científicas, con-
ensaios regulatórios previstos na legislação,
riamente quando a gente resolveu fazer
forme o conhecimento atual, devem ser
a CTNBio cumprirá seu papel de análise
transgenia. Na questão dos riscos alimen-
empregadas.
científica da solicitação comercial. Desta-
tares, acho que isso realmente tem que ser
“Cumprida todas as fases de avaliação,
camos ainda que a CTNBio já emitiu opi-
comprovado e todos os testes devem ser
o interessado submete para a CTNBio todos
nião favorável para vários ensaios de cana
realizados. Devemos respeitar a suprema-
os estudos regulatórios exigidos pela legis-
controlados em campo, o que representa
cia, o mérito da CTNBio.”
lação para se seja feita a avaliação de risco
uma avançada etapa de desenvolvimento
do Organismo Geneticamente Modificado
da fase pré-comercial”, revela a assessoria
(OGM) que se pretende comercializar. Uma
de imprensa.
O QUE FALTA PARA SAIR?
Depois de desenvolvida e testada, a ca-
vez aprovado na CTNBio, espera-se um pra-
Ainda segundo a CTNBio, é importante
na transgênica precisa passar por aprova-
zo de 30 dias para que o CNBS (Conselho
lembrar que o Brasil possui uma das mais
ção da CTNBio para posteriormente ser
Nacional de Biossegurança) se manifeste
avançadas legislações de biossegurança
viável comercialmente.
quanto as questões socioeconômicas. Após
no mundo e já permitiu a introdução de
Diferentemente do que acontece no
isso, por ser tratar de um vegetal, o interes-
vários produtos agrícolas geneticamente
melhoramento genético convencional,
sado deve se dirigir ao Mapa para as demais
modificados na cadeia produtiva de forma
um vegetal geneticamente modificado so-
etapas de registro e por fim disponibilizar
segura. “Um produto geneticamente modi-
fre um escalonamento de avaliação que
seu produto ao mercado”, afirma a CTNBio.
ficado ao chegar ao mercado sofreu exaus-
compreende a fase laboratorial, testes em
Mas em quanto tempo sairá a autori-
tivas avaliações de segurança, conforme o
casas de vegetação, testes controlados à
zação? O tempo de avaliação da CTNBio
conhecimento científico disponível, o que
campo e ensaios regulatórios para libe-
depende estritamente do tipo de OGM e da
não se observa no melhoramento genético
ração comercial. “Todas estas fases com-
qualidade das informações submetidas na
convencional”, conclui a CTNBio.
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tec. industrial
A discussão sobre o melhor sistema de extração sempre
existiu e a escolha entre um ou outro não é tão óbvia e
simples como parece
Não existe um consenso. Quando se questiona sobre o me-
moída por unidade de tempo. Já o termo eficiência de ex-
lhor sistema de extração de caldo de cana ainda não existem
tração refere-se à quantidade de sacarose extraída da cana
respostas concretas. Uma discussão aberta durante o ano pas-
pelas moendas.”
sado no grupo Cana & Indústria da rede social e profissional
Ainda segundo ele, alguns fatores que afetam a capa-
Linkedin mostrou que a maioria acredita que o difusor será o
cidade de moagem são:
futuro das novas usinas que se instalarão nos próximos anos.
• preparo da cana;
No entanto, durante as discussões, os participantes do grupo
• eficiência de alimentação da moenda;
não conseguiram chegar a um denominador comum quanto ao
• tamanho e tipo dos cilindros da moenda;
melhor sistema.
• regulagem da bagaceira.
A extração do caldo de cana consiste basicamente no pro-
Já a difusão consiste na condução da cana em apare-
cesso físico de separação da fibra (bagaço) do caldo. O processo
lhos conhecidos como difusores, a fim de que a sacarose
é executado pela escolha de um dos processos vigentes: moa-
adsorvida ao material fibroso seja diluída e removida por
gem ou difusão. Para ambos os processos, a cana passa por um
lixiviação ou lavagem num processo de contra-corrente.
tratamento através de equipamentos que são responsáveis pela
Visando reduzir a quantidade de água necessária, é feita
redução da cana em pequenos pedaços. Logo em seguida é feita
uma operação de retorno do caldo diluído extraído. As-
a desfibração (estilhaçamento) e a cana segue para o processo
sim, ao final da operação, quando o bagaço se apresenta
de extração de caldo.
exaurido ao máximo, faz-se a lavagem com água fresca. O
De acordo com o André Ricardo Alcarde, engenheiro agrô-
líquido obtido dessa lavagem, contendo alguma sacarose
nomo e pesquisador da Esalq-USP (Escola Superior de Agri-
que se conseguiu extrair do bagaço, é usado na lavagem
cultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo), a
anterior por ser um pouco mais rico e, assim sucessiva-
eficiência de um terno de moenda pode ser medida por dois
mente. Esse retorno pode ser efetuado de cinco a 20 vezes,
parâmetros: capacidade e eficiência de extração. “Entende-se
dependendo do grau de esgotamento desejado.
por capacidade de um terno de moagem a quantidade de cana
Segundo Alcarde, com a utilização de difusores ob-
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inúmeras e inegáveis vantagens sobre a moenda. Ele conta
que teve a felicidade de conhecer melhor o equipamento nos
últimos quatro anos, desde sua engenharia até a operação.
“Quem conhece o sistema profundamente, jamais iria querer
voltar à moenda que, apesar dos avanços na parte de acionamento, continua sendo um equipamento arcaico, com grande
desgaste de seus componentes e cara manutenção”, afirma.
Ainda segundo Godoy, no Brasil existem aproximadamente 25 difusores instalados. “Acredito que isso ocorra
por conta de algumas experiências mal sucedidas com o
uso de difusor circular e adaptações mal feitas. Consultando o pessoal que já trabalhou com moendas e agora trabalham com difusores, percebo que a maioria não quer mais
Extração por difusão (Difusor Sermatec)
trabalhar com moendas. O difusor trabalha vários dias sem
parada enquanto a moenda não consegue rodar 24 horas. O
tém-se eficiência de extração da ordem de 98%, contra os
caldo do difusor é diferente do caldo da moenda, ele tem
96% conseguidos com a extração por moendas. Os tipos
mais impurezas e necessita de um tratamento diferenciado,
de difusores utilizados são os difusores oblíquos (DDS), os
mas o grande exemplo de que se consegue produzir açúcar
difusores horizontais e os difusores circulares. No Brasil, o
de excelente qualidade está na Guarani Unidade Cruz Alta
modelo usado é o horizontal. O difusor traz vantagens como:
que iniciou com um difusor e após alguns anos instalou o
• baixo custo de manutenção;
segundo”, afirma.
• baixo consumo de energia;
Já Ramón Orlando Villarreal, sócio da V&R Consultoria
• obtenção de caldos mais puros;
e Projetos, disse que a escolha do sistema de extração de-
• alta extração de sacarose;
pende de vários fatores como:
• menor desgaste.
1) A escala de produção inicial/final do empreendimento: Se
De acordo com o pesquisador, a desvantagem do uso de
for 3 milhões de t cana, um difusor atenderia (e poderia
difusores é que estes carregam mais impurezas com o ba-
ser modular em função das fases de produção) até 20.000
gaço para as caldeiras, exigindo maior limpeza das mesmas
tcd. Se a escala final é 5 milhões de t cana, neste caso um
devido à pior qualidade do bagaço.
único difusor não atenderia. Se a opção for moenda, uma
conjunto 100” atenderia, e seria modular;
DIFUSORES X MOENDAS
2) As novas unidades teriam que ter 100% colheita integral,
A discussão aberta no grupo Cana & Indústria do Linke-
com atenção especial para as condições de região, clima
din, que contou com votos de 95 participantes, fazia o se-
e solo, pois o difusor de cana é extremamente sensível às
guinte questionamento: Qual o sistema de extração de caldo
impurezas minerais e vegetais. Outras coisas que devem
que mais será adotado nas novas usinas e destilarias que
ser levadas em consideração é se haverá sistema de lim-
forem instaladas no Brasil daqui para frente?
peza a seco, se há cogeração e se o palhiço seria recolhido
Para Jair Junior Godoy, gestor de Projetos na Sugarsoft,
juntamente com a cana;
todos os técnicos envolvidos com decisão de compra deve-
3) Balanço energético e potência instalada: o preparo de
riam conhecer o processo de extração por difusão devido as
cana precisa ser de alta eficiência no caso do difusor. A
instalação de difusor tem vantagens para cogeração. A
“O som da moenda rugindo e esmagando cana
pode até ser poético, mas é um movimento antinatural, forçado. Sou da roça, mas me parece
evidente que o difusor é muito mais civilizado
e atual que a moenda.”
manutenção é mais reduzida no caso de difusor (apesar
de que já há apresentações de conjunto de moenda com
materiais especiais em inox, de baixa manutenção). A extração do caldo com a nova matéria-prima que temos, não
se consolida pois a maior extração é do difusor;
4) Água de embebição/qualidade do bagaço: o difusor utiliza
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se colocar posterior ao difusor, pode-se compensar a
perda do difusor com ternos de moenda.
“Durante uma palestra de um consultor renomado e
experiente em sistema de extração, afirmou-se que em
difusores de cana de grande capacidade (acima de 15.000
tcd), um rolo desaguador mais um terno de secagem não
garante umidade abaixo de 52%. Ele ainda disse que em
todos os novos projetos deixa espaço para a instalação
(Usinas Itamarati / Crédito: Rafael Mazetti)
de mais um terno de secagem. Ou seja, estamos falando
de dois ternos e teremos aumento de potência. Os técnicos da indústria debatem a preferência por difusor ou
moenda, mas qual é a vingança da moenda? É que o difusor não vive sem ela”, opina Villarreal.
Para Marcos Vinícius Brandão, gerente Industrial da
Usina Catende, deve-se analisar profundamente qual o
melhor método de extração. Tradicionalmente, as limitações da moenda estavam contidas nas PHE + acionamentos, mas hoje a evolução nesses requisitos melhoraram
bastante o desempenho das moendas.
“Em minha humilde opinião, a opção de moenda ou
difusor deve ser balizada, porém, a limitação sempre será os custos operacionais e de manutenção. Tenho uma
verdadeira vocação para moendas e já trabalhamos com
difusores. Sempre teremos um paradoxo porque acredito
Extração por moenda
que ambos os equipamentos são confiáveis. É tudo uma
questão de modismo e de preferência. Esse mesmo pro-
mais água que a moenda, logo produz um brix de caldo menor
cesso está ocorrendo no setor de evaporação com uso de
que o da moenda. A qualidade do bagaço do difusor apresen-
pré-boiler, indo em desacordo com o tradicionalismo de
ta maior umidade e maior conteúdo de impurezas (cinzas %),
evaporação em usinas”, diz Brandão.
pois o processo de lixiviação retêm todas as impurezas no ba-
Emerson Rodrigo Dias Moroni, projetista técnico em
gaço. A caldeira deverá ser dimensionada para esta condição; Instrumentação, Automação e Elétrica da Vetek, traba-
5) A qualidade do caldo do difusor é de turbidez menor,
lhou com os dois tipos de extração e diz que o processo
precisando de um sistema de tratamento de caldo de capa-
por difusor é mais clean, ou seja, com menos ruídos e
cidade inferior (em torno de 15% a 20%) quando comparado
desgaste de equipamentos.
com caldo de moenda. Em lugares muito secos (Goiás, por
“No entanto, o sistema ainda depende do rolo desa-
exemplo) a quantidade de lodo é muito baixa e o sistema de
guador e terno de secagem. No momento de se projetar
filtração é mínimo. A produção de açúcar branco direto é
uma nova unidade é importante levar em conta fatores
mais fácil com moenda que com difusor, devido a qualida-
externos como topografia da área de plantio. O processo
de do caldo. Se optar por difusor, os processos industriais
de difusão também exige uma logística de colheita ade-
deverão ser ajustados para tal condição;
quada por conta da cana velha. O processo de difusão
6) A escolha será uma decisão técnica/econômica, em função
não é eficiente nestes casos, pois devido ao endureci-
do supracitado. As soluções podem ser várias, por exemplo:
mento das fibras, acontece a formação de bolsões de cal-
se a usina tem um difusor de cana convencional de 8.000
do e eventuais transbordamentos. Sendo assim é necessá-
tcd e pretende aumentar a capacidade para 12.000 tcd, pode
ria a mistura de canas novas com canas velhas”, destaca.
combinar com ternos de moenda. Se colocar um terno na
O consultor Paulo de Faria Júnior, acredita que o fato
frente, transforma o difusor de cana para bagaço. Se estuda-
do sistema de extração por difusão não estar no topo da
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lista deve-se a falta de aprofundamento no tema e também
taminação do caldo, permitindo uma operação mais limpa
por questões culturais arraigadas. “Por este e outros moti-
e segura”, destaca.
vos o difusor não evoluiu como deveria nestas últimas dé-
Ainda segundo ele, os difusores são projetados com qua-
cadas, pois os projetos dos difusores de hoje são quase os
tro aquecedores, três trabalhando e um em limpeza, o que
mesmos de 50 anos atrás.”
permite a temperatura ideal, maior eficiência na extração
Para Helio Humberto de Oliveira , assessor Industrial,
e uniformidade do processo. “Sem dúvida o difusor é o fu-
não resta dúvida de que tanto os difusores quanto as moen-
turo na extração de caldo de cana e, com certeza, em breve
das são bons equipamentos. “Hoje muita coisa foi aprimora-
não haverá a necessidade de desaguador/moenda para se-
da, mas a grande verdade é que não conseguimos melhorar
cagem de bagaço devido a alguns trabalhos e experimentos
a eficiência de embebição das moendas para atender uma
que estão em andamento e que estou acompanhando bem
melhor extração. Já o difusor, para o que ele foi projetado,
de perto”, salienta Faria Júnior
trabalha bem, possui consumo de energia menor etc. Resta
Paulo Zancaner Castilho, sócio da Datagro, afirma que
saber o balanço final da fábrica e o que a moenda sobrepõe
além de todas as qualidades discutidas, uma usina com di-
em aumento da moagem. Aproveito para colocar que mo-
fusor é silenciosa e muito mais limpa e organizada. “O som
enda com bom preparo e boa regulagem aproxima-se muito
da moenda rugindo e esmagando cana pode até ser poético,
em extração em relação ao difusor”, opina.
mas é um movimento antinatural, forçado. Sou da roça, mas
me parece evidente que o difusor é muito mais civilizado
DIFUSORES: VENCEDORES NA VOTAÇÃO
e atual que a moenda”, declara.
Até o fechamento desta edição, a votação feita pelos par-
De acordo com Godoy, deixando as paixões de lado,
ticipantes do grupo Cana & Indústria do Linkedin mostra
imagine que você deverá apresentar ao seu diretor, dados
que 44% acreditam que o difusor será o principal sistema
para escolha de um sistema de extração para a nova uni-
de extração das novas unidades que deverão ser inaugu-
dade da empresa que vai processar 2 milhões de t de cana
radas nos próximos anos. Os outros 30% acreditam que as
por safra e ainda sofrerá futura expansão. Se forem com-
moendas continuarão dominando os parques industriais e
parados quatro ternos de moenda com um difusor teremos
22% acham que as usinas terão ambos os sistemas meio a
o seguinte quadro: meio. Apenas 3% aposta em um novo sistema de extração.
ART % cana: 14,0% De acordo com Farias Júnior, o difusor é considerado
Fibra % cana: 13,0% uma evolução tecnológica para o processo de extração da
Pol esperada no bagaço:
sacarose da cana-de-açúcar. Para ele, o uso do difusor pro-
- moenda quatro ternos: 2,90%
porciona mais eficiência e agilidade das operações, gerando
- difusor: 1,10% maior rendimento. Açúcar adicional (difusor) produzido por safra:
“O difusor atual traz melhorias no poder de extração
9.911 toneladas da sacarose, é econômico e proporciona melhor aprovei-
Faturamento adicional a US$ 600,00/ton: US$ 5.946.900,00
tamento do caldo da cana. Nos últimos anos a área útil de
Potência consumida total em HP:
percolação foi aumentada e melhor distribuída, permitindo
- moenda 9.276
maior percolação do caldo dentro do difusor, resultando em
- difusor 4.469 maior poder de extração. O sistema de circulação do caldo
Economia de potência mecânica em KW 3.581 melhorou e hoje temos melhor lavagem das células da cana,
Aumento na cogeração por safra Mw/safra: 10.566 o que resulta em maior eficiência operacional. Além disso,
eles estão equipados com até três baterias de descompacta-
FATURAMENTO ADICIONAL COM ENERGIA POR SAFRA
dores progressivos, posicionados estrategicamente ao longo
US$/Safra: 369.800 do corpo do equipamento, recuperando a permeabilidade
Economia em manutenção por safra: US$ 90.000,00 do colchão de cana e mantendo a eficiência na extração. O
Economia em custos operacionais por safra: US$ 348.600,00 equipamento dispensa a construção de abrigos, reduzindo
Ganho adicional por safra: US$ 6.755.300 o custo da manutenção de entressafra. Suas paredes, cober-
“A expansão de capacidade deverá ocorrer cinco anos
tura, coletores e tubulações em aço inox impedem a con-
após a implantação. Então teremos um ganho de US$
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tecnologia industrial
33.776.500. Agora, diante desses valores pergunte a seu diretor qual sistema ele comprará. É por isso que os difusores estão
avançando no terreno das moendas”, destaca Godoy.
Villarreal faz questão de deixar claro que não é a favor ou
contra qualquer um dos sistemas. “Quando alguém me pergunta sobre este assunto, como todo engenheiro, a resposta inicia
com um ‘depende’. Acredito que conforme as circunstâncias,
as condições edafoclimáticas e sistema de colheita, o sistema
escolhido pode ser um ou outro e também a combinação.”
“Acho que seria interessante que o pessoal da agrícola participasse da escolha também. Afinal, antes da cana ser preparada
para extração, há o processo de limpeza da cana. É aqui que
do processo necessário para que o sistema de extração tenha
A pesquisa, realizada em 2012, contou com a participação de 95
profissionais que fazem parte do grupo “Cana & Indústria” do
Linkedin
sucesso, mais ainda se for decidido trazer o palhiço junto com
tes, é porque a resposta sobre a melhor solução ainda não
a cana para cogeração. Agora, tudo isto é válido no estado da
está clara. “Se uma delas tivesse grande vantagem sobre
arte que se encontra estes equipamentos. Conforme sua evo-
a outra não teríamos este bom debate.”
nossos colegas da Agrícola podem contribuir na identificação
lução, os usuários vão escolher aquele que se adeque mais a
sua necessidade”, conclui Villarreal.
Marcelo Caldato Fiodaro, gerente Industrial da Umoe BioEnergy, afirmou que se ainda existem tantas opiniões divergen-
Para Ricardo Pinto, sócio-diretor da RPA Consultoria,
criador e mediador do grupo Cana & Indústria do Linkedin, as discussões mostraram que a escolha não é tão óbvia ou simples quanto pareça num primeiro momento. 31
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36 + Dicas e Novidades
dicas
dicas ee novidades
novidades
BNDES CONTINUA COM INCENTIVO PARA PLANTIO
DE CANA EM 2013
ISSCT 2013 VAI MOSTRAR KNOW HOW DO
SETOR SUCROENERGÉTICO BRASILEIRO
O Brasil será, pela terceira vez, sede do Congresso
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
da ISSCT (International Society of Sugar Cane Tech-
Social) anunciou a renovação do Prorenova por mais um ano. Nova-
nologists), que vai acontecer entre os dias 24 e 27 de
mente, o banco vai destinar R$ 4 bilhões ao programa, que seguirá
Junho de 2013, no Transamérica Expo Center, em São
até 31 de dezembro de 2013. Em 2012, os recursos do Prorenova atin-
Paulo, SP.
Realizado a cada três anos, o evento, que tem na
Na carteira de 2013, o banco de fomento tem R$ 930 milhões
programação o pré e pós-congresso e uma exposição,
em projetos do Prorenova. Algumas alterações foram feitas na nova
reunirá mais de 5 mil profissionais do setor de diversos
edição do Prorenova. Entre elas, a de aumento do limite de finan-
países. Para Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricul-
ciamento por hectare de cana plantado no âmbito do projeto de in-
tura, Pecuária e Abastecimento e presidente honorário
vestimento, que passou de R$ 4,3 mil para R$ 5,4 mil.
da 28ª edição do ISSCT, a importância desse grande en-
dicas e novidades
giram 20% da demanda média anual por plantio de cana no Brasil.
O banco informou ainda que somente poderão ser financiados
contro da cadeia sucroenergética é “mostrar ao mundo
projetos de plantio de cana realizados entre 1º de janeiro e 31 de
o que temos feito de avanços na cadeia produtiva ca-
dezembro de 2013. Entretanto, todos os gastos para a preparação
navieira, o que pode nos render grandes negócios em
do plantio que tenham sido feitos a partir de 1º de julho de 2012
termos globais. E não se trata de vender mais álcool ou
podem ser reembolsados.
açúcar, mas sim de vender know how, que vale muito
Segundo Auro Pardinho, gerente de Marketing da DMB, fabri-
mais”, avalia o ex-ministro.
cante de plantadoras de cana e implementos agrícolas, grande parte
Organizado pela STAB Nacional (Sociedade dos Téc-
do que vai se plantar este ano é consequência do planejado no ano
nicos Açucareiros Alcooleiros do Brasil) com operação
passado. “Acredito que se o preço da gasolina for reajustado, vai fa-
da Reed Multiplus, marca associada à Reed Exhibitions
vorecer o consumo do etanol e assim vai motivar as usinas em refor-
Alcantara Machado, o evento já registra um número re-
mar mais áreas com canaviais velhos. Temos ainda a perspectiva de
corde de trabalhos inscritos e contará com três plenárias
aumentar as exportações de etanol principalmente para os EUA. Isso
que abordarão a integração da indústria sucroalcoolei-
certamente contribuirá para o aumento do plantio de cana e, con-
ra envolvendo açúcar, etanol, energia e co-produtos;
sequentemente, aumento da mecanização desta atividade”, afirma.
a biomassa e as tecnologias futuras e o melhoramento
No entanto, Pardinho diz ainda ter dúvidas quando ao Prorenova.
genético da cana-de-açúcar através de técnicas tradi-
“Estes recursos já estavam disponíveis desde o início do ano passa-
cionais e moleculares.
do e quase ninguém conseguiu utilizá-los devido às exigências do
banco. Caso as exigências sejam mais abrandadas, poderá contribuir
para o aumento dos investimentos em plantio mecanizado”, opina.
A região Centro-Sul do Brasil já mecaniza 53% do seu plantio, segundo dados da Unica
SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
PARA MELHORIA DE PROCESSOS
O uso da tecnologia SIG ou GIS (Geographic Information System) dá às usinas a possibilidade de integrar
equipamentos, metodologias e conhecimento especializado para uso de um grande volume de dados georreferenciados, os quais são transformados em informações
que irão contribuir para uma melhoria no processo de
tomada de decisão, permitindo o acompanhamento e o
aprimoramento das atividades de planejamento, operação e gestão nas usinas.
De acordo com Alexandre Marques, especialista em
Soluções de Inteligência Geográfica da Imagem, por
meio do SIG é possível atender as atividades da área
agrícola e a necessidade de adequação da produção à
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dicas e novidades
legislação ambiental vigente. “A tecnologia per-
ALGUNS CRESCERAM MUITO EM 2012
mite verificar as áreas em que são necessárias
Apesar da crise no setor sucroenergético em 2013, o All Group holding
intervenções e, a partir de então, planejar as
detentora das empresas TransEspecialista, TransLog, Assessora e Aliança,
ações necessárias. Em caso de necessidade de
fechou o ano com um crescimento de faturamento de 14%.
reformar a área da cultura, é possível planejar
Para o CEO do grupo, Ricardo Amadeu da Silva, que também é Coor-
as ações com base nos dados históricos das
denador do Comitê de Transporte e Logística do Ceise Br, 2012 foi um ano
informações de campo, dados do ERPs (Enter-
desafiador e apenas quem atuou com certa rigidez, evitando desperdício
prise Resource Planning), imagens e fotografias
a todo custo e com muita austeridade conseguiu romper o ciclo.
aéreas, que podem ser armazenadas e sistematizadas no SIG”, explica.
Com auxílio dos mapas, é possível realizar
“Neste ano as usinas estão reformando melhor, buscam recuperar a
indústria, muitas delas ainda estão sofrendo com a falta de crédito e com
a baixa produtividade do ano anterior. Mas a lição de casa está sendo fei-
diversas atividades, tais como: reforma dos ca-
ta. Desperdícios estão sendo contidos de todas
naviais, determinação do retalhonamento, o
as formas e o setor recupera-se lentamente,
levantamento da estrutura total da área proje-
apesar das adversidades”, finaliza Silva.
tada e perímetro, carreadores e curvas de nível.
“Mesmo que as aplicações da tecnologia sejam
bem distintas de acordo com a área da usina,
em geral, quando é bem empregada, estima-se
ganhos de 5% a 25%, com a redução de custos
operacionais e acertos na estimativa da produ-
Apesar de 2012 ter sido
um ano desafiador, Silva
acredita que o setor já
começa a se recuparar
tividade”, conta Marques.
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por
pordentro
dentrodadausina
usina
por dentro da usina
USINA CORURIPE TEM NOVO PRESIDENTE
Em uma solenidade realizada na última semana, que
contou com a presença de mais 1500 colaboradores no
Clube Manoel Duarte, na sede da empresa em Alagoas, o
ex-vice-presidente da Alesat, Jucelino Sousa, assumiu o
cargo de diretor presidente da Usina Coruripe.
Na oportunidade, Vitor Junior, um dos ex-diretores falou
sobre a nova diretoria: “Vamos (ex-diretores) sair da parte
executiva e ficar no Conselho de Administração pensando
na área estratégica.”
Em um discurso breve, Sousa realçou a força da história
da Coruripe. “O desafio maior em ser presidente dessa empresa não será cuidar da lavoura, da eficiência industrial
ou realizar bons negócios. O maior desafio será honrar as
tradições do Grupo Tércio Wanderley, buscando sempre
a melhoria contínua, porém preservando a cultura e os
princípios construídos pelo Comendador Tércio Wanderley”, declarou.
A indicação do Diretor Presidente é o desfecho do processo de profissionalização da Coruripe que foi iniciado há
USINA DC BIO LANÇA PROGRAMA
“NOSSO APRENDIZ” PARA FILHOS DOS
COLABORADORES
dois anos com a consultoria da Egon Zender Internacional.
Todos os acionistas que faziam parte da antiga gestão agora integrarão o Conselho de Administração, em sistema de
rodízio, que contará também com conselheiros independentes.
Guarani, Jaime Stupiello, em entrevista para a TV Udop,
a empresa produziu 1,6 milhão de t de açúcar e 700 milhões de l de etanol.
Com intenção de descobrir novos talentos a Della Co-
“A safra foi muito boa, tinha uma expectativa baixa
letta Bioenergia (DC Bio) lançou um programa para incluir
de produção por conta de problemas que tivemos na sa-
os filhos dos colaboradores como aprendizes na empresa.
fra passada, mas particularmente estava muito confiante
A ideia de descobrir novos talentos é uma solução para a
quando iniciamos. Com as chuvas de junho que não ocor-
falta da mão de obra e também para valorizar a família de
rem normalmente, a safra teve um bom desempenho em
quem já é colaborador da usina.
termos de produção e o resultado foi positivo”, explica.
“A DC Bio tem como premissas básicas a valorização e
Para a próxima temporada, 2013/14, a empresa sucro-
a motivação de seus colaboradores. Criar a oportunidades
alcooleira espera processar 20,4 milhões de t de cana-de
de pais e filhos trabalharem lado a lado na empresa é uma
-açúcar.
forma de incentivar os nossos colaboradores”, afirma Janaína Campagnini, psicóloga e responsável pelo recrutamento
e seleção na empresa.
USINA TERÁ CAPACIDADE PARA MOER 4,1
MILHÕES DE T DE CANA
Os filhos dos colaboradores serão alocados em diversas
O município de Ivinhema próximo a Campo Grande
áreas, do administrativo ao operacional. A ideia é contribuir
vai ganhar uma usina para a produção de açúcar e etanol
com a formação profissional desses jovens. Para participar
com capacidade para moer 4,1 milhões de t de cana-de
o adolescente precisa ter entre 14 e 17 anos, além de estar
-açúcar por safra.
matriculado e frequentando o ensino fundamental ou mé-
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econô-
dio. A empresa vai seguir a lei do Aprendiz que determina,
mico e Social) liberou um financiamento de R$ 488,6 mi-
por exemplo, o valor de remuneração de cada jovem.
lhões para a implantação da usina. O projeto está a cargo
da empresa Adecoagro Vale do Ivinhema, controlada pelo
GUARANI PROCESSOU 18,4 MILHÕES
DE T EM 2012
grupo internacional Adecoagro, e prevê ainda a instalação
de uma unidade de cogeração de energia elétrica com capa-
A Guarani, empresa controlada pela Tereos Internacio-
cidade de 120 Mw, além de linha de transmissão associada.
nal, finalizou a safra 2012/13 com uma moagem de 18,4 mi-
Segundo informou o BNDES, esse é o segundo projeto
lhões de t de cana-de-açúcar. Segundo o diretor Agrícola da
sucroenergético implantado pelo grupo econômico no Bra-
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por dentro da usina
sil. O primeiro foi a Usina Angélica Agroenergia, também
localizada no Mato Grosso do Sul, e que entrou em funcio-
CARGILL RECEBE BONSUCRO
namento em 2008 e teve empréstimo do BNDES no valor
A multinacional americana Cargill recebeu a certificação Bonsucro, organização global com o enfoque de reduzir os impactos ambientais e sociais da
produção de cana-de-açúcar. Atualmente, apenas
2% dos plantios mundiais de cana detêm essa certificação.
O selo permitirá à empresa exportar açúcar brasileiro por meio de sete terminais de açúcar e seis de
etanol para a União Europeia, já que passaram a atender
aos requisitos de rastreabilidade. “A certificação prepara a empresa para adotar
critérios mais rigorosos
na cadeia sucroalcooleira
e, ao mesmo tempo, abre
novas portas para as demandas de mercado”, explica o diretor da Cargill
Global Sugar no Brasil,
Alex Leite.
de R$ 151 milhões.
RIO GRANDE DO SUL TERÁ USINA DE ARROZ
PARA PRODUZIR ETANOL
Seis usinas que produzirão etanol a partir de cerais,
principalmente do arroz, serão construídas no Rio Grande
do Sul.
O projeto receberá R$ 720 milhões e será viabilizado por
meio de uma parceria entre a empresa Vinema e produtores
rurais ligados à Federarroz (Federação das Associações de
Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul).
O etanol produzido nas refinarias será todo consumido
no Rio Grande do Sul, que hoje importa o combustível de
São Paulo, de Mato Grosso e do Paraná. “Poderemos abastecer até 46% da demanda do Estado. A capacidade de produção será de 600 milhões de litros por ano”, diz o CEO da
Vinema, Vilson Machado.
As obras da primeira usina, na cidade de Cristal, começam
em abril e devem ser concluídas no final de 2014. A previsão
é que os seis empreendimentos estejam em operação até 2020.
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executivo
José Roberto Dalla
Coletta
Idade
58 anos
Naturalidade
Cordeirópolis, SP
Estado Civil
Casado há 32 anos e tem dois
filhos
Formação
Economia e pós-graduação em
Gestão Empresarial pela Instituição
Toledo de Ensino de Bauru, SP
Cargo
Diretor Superintendente da Della
Coletta (DC Bio)
Hobbies
Voar, andar de moto e de jipe
Filosofia de Vida
“Procuro viver meu dia a dia como
se fosse o último de minha vida.
Faço o possível para estar bem
comigo mesmo e com as pessoas
que convivem comigo.”
Se por enquanto o setor não decola, pelo menos nas horas
vagas, o executivo José Roberto Della Coletta, diretor superintendente da Dalla Coletta Bioenergia (DC Bio) e membro do conselho da Unica (União das Indústrias de Cana-de-açúcar), chega
às nuvens. Quando tem tempo sobrando na agenda, voar é o seu
passatempo favorito.
Apesar de vir de uma família tradicional do setor, Dalla Coletta trabalhou durante dez anos no Banco do Brasil. “Ingressei
em 1975 na cidade de São José dos Campos, SP. Posteriormente
trabalhei nas agências de Bauru e Bariri, SP. Atuei na área do Crédito Rural e, na maior parte do tempo, fazia a análise de projetos
e propostas de Crédito Rural. Mas mesmo trabalhando no banco me dedicava à usina trabalhando em projetos de desenvolvimento. Em setembro de 1986 deixei o banco e passei a trabalhar
integralmente para a Della Coletta. Dez anos depois, me tornei o
superintendente”, conta.
Além da usina, o executivo ainda se dedica ao jornal da cidade de Bariri, o qual também pertence a sua família desde 1989.
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executivo
Quando não está com a família, o executivo faz o que mais gosta:
voar
O executivo recebendo o Selo de Compromisso Nacional
“Eu escrevo o editorial do jornal.” Dalla Coletta ainda
matriz energética e no aumento dos custos de produção.
participa do conselho da Unica desde sua fundação,
“Resolvida esta equalização de preço, tudo volta ao
normal. O setor está preparado para, a qualquer mo-
em 1997.
“Fiquei fora durante dois mandatos. Atualmente
mento, retomar o desenvolvimento e atender toda de-
estou no terceiro mandato no Conselho Fiscal. Junto
manda de etanol, tanto para o mercado interno quanto
com os demais conselheiros fui responsável pela nova
para o externo. Isso acontecerá quando tiver equacio-
dinâmica do Conselho, cujas reuniões são trimestrais”,
nado o problema do aumento dos custos. O maior de-
diz. Semanalmente, o executivo participa da reunião
safio que o setor tem enfrentado, desde a implantação
do Conselho Deliberativo, acompanhando as decisões
do Proálcool, é ter que provar, a todo o momento, que
tomadas, bem como apresentando sugestões.
pode ser um combustível renovável importante na ma-
Quando questionado sobre a nova presidente da
triz energética. Que no preço final existem fatores que
Unica, o executivo destaca que “é importante dizer que
precisam ser considerados, o que não se resume somen-
o Marcos Jank cumpriu a missão que lhe fora delegada
te em menor preço ao consumidor, mas um importan-
pelo Conselho, que foi a de conquistar o mercado in-
te meio de redução da poluição dos grandes centros,
ternacional, principalmente o americano. Neste segun-
propiciando incalculáveis benefícios à saúde pública,
do momento cabe à nova presidente, Elizabeth Farina,
reduzindo as despesas governamentais com o tratamen-
a missão de estreitar o relacionamento do setor junto
to das doenças provenientes da poluição urbana, além
aos interlocutores internos, buscando sinergia entre
da forte geração de empregos e recursos em toda a ca-
os integrantes do governo e toda a cadeia. Com isso,
deia, bem como de impostos e da economia de divisas
os produtores poderão ter uma visão clara e de longo
com a importação de petróleo”, destaca Dalla Coletta.
prazo sobre o que o País espera e
Nos últimos anos, as usinas
quer do etanol como biocombus-
têm investido mais em produção
tível. Se ele fará parte ou não da
matriz energética. Além disso,
é importante manter o que fora
conquistado no exterior.”
Apesar disso, Dalla Coletta
não vê um setor em crise. Segundo ele, a crise está na necessidade de ter ou não ter o etanol na
“Vamos deixar nossas
vaidades de lado e,
juntos, construir um
setor forte e que seja
respeitado pelo valor
que tem e representa
para o Brasil”
de cana. E a DCBio não está fazendo nada diferente das demais. De
acordo com o executivo, no momento a usina está renovando suas lavouras e as expandindo para
suprir a lacuna deixada pelos fornecedores. Os demais investimentos que estão sendo feitos, estão
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executivo
vens, literalmente. Um de seus passatempos prediletos
é voar. “Quando não estou com a família, estou no aeródromo para fazer meus voos aos sábados e domingos
à tarde”. Ele ainda gosta de andar de moto e jipe. Sua
filosofia de vida explica tanta aventura: “vivo meu dia a
dia como se fosse o último de minha vida. Faço o possível para estar bem comigo mesmo e com as pessoas que
convivem comigo.”
Viajar faz parte do calendário da família de Dalla Coletta. Sempre. Normalmente, o executivo e sua esposa
viajam duas vezes em períodos de 8 a 10 dias. “Reservamos uma viagem para a praia com a companhia dos
filhos, quando eles podem nos acompanhar. Também teDalla Coletta: “Minha missão na empresa é terminar o processo de
crescimento e fortalecimento, preparar a sucessão e poder curtir um
pouco mais a vida, se Deus permitir”
mos um grupo de quatro casais amigos que convivemos
desde a juventude. Então, sempre que possível viajamos
juntos. Ora com um, ora com outro, isso torna o passeio
restritos ao atendimento da suspensão da queima da pa-
mais agradável e divertido. Os destinos são os mais varia-
lha da cana.
dos possíveis. Pode ser pelo Brasil ou exterior. Depende
Na última safra, a DCBio moeu 1,6 milhão de t de cana-
da oportunidade. Pretendemos voltar para a Itália para
de-açúcar, produziu 53 milhões de l de etanol e 128 mil
um passeio mais demorado e conhecer os lugares de on-
t de açúcar VHP. Para este ano, a Della Coletta espera um
de vieram nossos avós”, conta.
incremento de 8% em sua produção de cana.
Realizado, mas não acomodado. É assim que ele se
sente hoje. “Minha missão na empresa é terminar o pro-
POR UMA VIDA COM MAIS CURTIÇÃO
cesso de crescimento e fortalecimento, preparar a su-
Durante sua rotina profissional, o executivo procura
cessão e poder curtir um pouco mais a vida, se Deus
resolver todas as suas pendências o mais rápido e sem es-
permitir. Quando tiver conseguido efetuar a sucessão,
tresse. “Todo dia saio de casa logo pela manhã, volto para
espero poder viajar sem compromisso com minha esposa
almoçar com a família e a tarde volto para o trabalho, do
e amigos. Quero poder curtir um pouco mais a vida, voar
qual retorno no início da noite. Às terças-feiras normal-
um pouco mais, mas sem deixar de lado o compromisso
mente vou à São Paulo para participar das reuniões da
de acompanhar os passos da empresa”, diz o executivo.
Ele ainda acrescenta que é importante e necessária a
Bioagência e da Unica”, diz Dalla Coletta.
Para cuidar da saúde, o executivo concilia o Pilates
valorização e a união do setor. “Os problemas são inúme-
uma vez por semana, com a academia. Seu treino é fei-
ros. Imagina o que seria do setor se não tivesse a Unica.
to em conjunto com a esposa Rosana Aparecida Acçolini
O fardo é pesado. Se mais empresas participassem, pode-
Dalla Coletta, com quem é casado há 32 anos e com os fi-
ríamos fazer muito mais e, talvez, não perderíamos tanto
lhos, José Roberto Dalla Coletta Filho,
31 anos, e Ana Cecília Dalla Coletta, 28
anos. “É uma academia pequena, com
uma personal trainer que atende por
grupos de, no máximo, quatro pessoas,
motivo pelo qual participa toda minha
família”, explica.
Para espantar todo o cansaço de
uma semana de trabalho, ele vai às nu-
“O maior desafio que o
setor tem enfrentado,
desde a implantação
do Proálcool, é ter
que provar, a todo o
momento, que pode
ser um combustível
renovável e importante
na matriz energética”
dinheiro com a oscilação de preços,
principalmente do etanol. Existe um
ditado caipira que demonstra bem o
que quero dizer, ao afirmar que: ‘cateto
fora do grupo é comida de onça’. Vamos deixar nossas vaidades de lado e,
juntos, construir um setor forte e que
seja respeitado pelo valor que tem e representa para o Brasil”, finaliza.
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Dropes
RENOVAÇÃO DE CANAVIAIS PODE
TRAZER MOAGEM RECORDE
Devido à renovação dos canaviais, a mo-
tível por esse canal, o que traz dúvidas quanto a sua competitividade frente a outros modais como ferrovia, hidrovia e
principalmente rodovia.
agem de cana, que chegou a recuar para ape-
Estimativas elaboradas por um especialista no tema e li-
nas 493 milhões de t, deverá ficar entre 580
gado a agentes do setor, apontam que ao utilizar o duto para
milhões e 590 milhões na safra que se inicia
fazer o escoamento da produção de etanol, só serão bene-
em abril na região Centro-Sul.
ficiadas usinas próximas a um raio de 180 km de Ribeirão
Ao atingir esse volume, a moagem será a
Preto e ao Triângulo Mineiro. Para esses produtores, o custo
maior já ocorrida na região. A oferta de ca-
será de R$ 42 por m³, contra os atuais R$ 50 cobrados para
na, no entanto, ficará abaixo da de 2010/11,
fazer o transporte por rodovia. Para 2014, quando está pre-
quando o setor teve um volume superior a 600
visto o transbordo deste trecho se iniciando em Uberaba, o
milhões de t.
valor sairá de R$ 70 cobrados no uso das rodovias para os
R$ 60 do duto.
MECANIZAÇÃO ATINGE 85% DA
COLHEITA DE CANA NO PAÍS
Pressionadas por motivos ambientais e tra-
ACORDOS DA ECO-ENERGY AMPLIAM
OFERTA DE ETANOL
balhistas, as usinas sucroalcooleiras conse-
Dois meses após a Copersucar adquirir o controle de ca-
guiram mecanizar 85% da colheita e 53% do
pital da Eco-Energy, empresa que detém 10% do mercado
plantio de cana da região Centro-Sul, respon-
norte-americano de biocombustíveis, foram formalizados
sável pela maior parte da produção brasileira
dois novos acordos para comercialização exclusiva da tota-
de etanol e açúcar.
lidade da produção de etanol de duas novas destilarias nos
De acordo com dados do Centro de Tecno-
Estados Unidos: Lincolnway Energy, localizada em Nevada,
logia Canavieira (CTC), o Mato Grosso do
Iowa, e Corn Plus Ethanol, de Winnebago, Minnesota, com
Sul detém a maior participação de
produção anual, respectivamente, de 208 milhões de l e de
máquinas na colheita de cana atu-
185 milhões de l.
almente no País - 95% de tudo
Os acordos ampliam a capacidade de oferta e de negocia-
o que é colhido no Estado. Em
ção da Eco-Energy em cerca de 8%, cujas operações conjuntas
Mato Grosso são 90%. Já Goiás,
com a Copersucar representam a maior plataforma global de
Minas Gerais e São Paulo apre-
biocombustíveis, com oferta total de 10 bilhões de l de etanol
sentam 87% de mecanização.
por ano e presença relevante nos dois principais mercados
Fernando Brod, pesquisador
do mundo: os Estados Unidos e o Brasil.
do CTC, estima que já foram investidos cerca de R$ 14 bilhões para
a aquisição das frentes de colheita. O
SAFRA PASSADA TEVE
AUMENTO DE 7,74%
que inclui não só compra de colhedo-
O volume de cana-de-açúcar processado pelas usinas do
ras, tratores, caminhões como a compra
Centro-Sul do Brasil no acumulado da safra 2012/13 até 31
de transbordos.
de dezembro cresceu 7,74%, atingindo 531,35 milhões de
t, segundo a Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar).
ETANOLDUTO ESTREIA EM MEIO
A INCERTEZAS
O primeiro trecho do etanolduto,
No mês de dezembro, o processamento totalizou 20,7 milhões de t, sendo 17,5 milhões de t na primeira quinzena e
3,18 milhões de t na segunda.
que tem a Logum Logística como em-
Antônio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da Uni-
presa responsável pelas obras, começa
ca, disse que os dados acumulados até dezembro podem
a funcionar a partir de março. O trecho
ser considerados como o número final da safra 2012/13.
será entre Ribeirão Preto, SP, maior produtor
“Apenas pouco mais de dez unidades produtoras perma-
no Brasil, e Paulínia, principal distribuidor.
neceram em operação após o 1º de janeiro de 2013, com
Apesar de a data para a inauguração estar
produção marginal relativamente ao volume total da re-
próxima, ainda não está definido modelos de
gião”, afirmou. Em 2011/12, o processamento total havia
contrato e valores para transporte de combus-
sido de 493,1 milhões de t.
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de produtos. Incluir outros métodos de controle de doenças/pragas/plantas infestantes (ex.:
controle cultural, biológico etc) dentro do programa do Manejo Integrado de Pragas (MIP)
quando disponíveis e apropriados. Para maiores informações referentes às recomendações
de uso do produto e ao descarte correto de embalagens, leia atentamente o rótulo, a bula e o
receituário agronômico do produto. Produto registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento sob nº 8601.
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