1 Edição146 Roteiro.indd 1 28/01/2013 10:56:31 2 Edição146 Roteiro.indd 2 28/01/2013 10:56:34 3 Edição146 Roteiro.indd 3 28/01/2013 10:56:36 editorial Ricardo Pinto PESSIMISMO Há uma estória que conta que um vendedor montou um trailer para venda de cachorro-quente. Os sanduíches eram de ótima qualidade e o preço, justo. Assim, as vendas dia-a-dia cresciam rapidamente. Seu estabelecimento estava constantemente com altíssimo movimento, chegando ao ponto de comercializar 25 mil sanduíches por mês, tendo 7 funcionários. Desta forma, o negócio prosperava, tanto que seu proprietário, de pouco estudo, pôde até enviar seu filho para cursar a faculdade, um antigo sonho seu. Passados cinco anos, o filho do proprietário, agora formado em Administração de Empresas, retorna para ajudar o pai. Acompanhando pela mídia todo o processo de mudanças globais, a diminuição do crescimento econômico mundial, a estagnação europeia, a redução do crescimento chinês, os subsídios dos países ricos, a globalização, o filho alerta o pai de que este deve se precaver contra um futuro negro. “Mas como?”, pergunta o pai desacorsoado. “Devemos diminuir nossas despesas e custos ao máximo para nos adaptarmos à grande queda do consumo que está por vir” diz o filho, cheio de segurança. Dito e feito! O pão mudou. Agora era do tipo mais barato. A salsicha também. E as vendas começaram a cair... Os folhetos de propaganda não foram mais feitos e nem distribuídos. E as vendas caíram mais ainda...Funcionários foram dispensados. E as vendas caíram mais. Já se vendia pouco mais de mil cachorros-quentes por mês e apenas o proprietário e seu filho eram suficientes para tocar o negócio, que ia de mal a pior. Certo dia, o pai diz ao filho, com ar agradecido: “ainda bem que você me alertou, filho. As vendas despencaram. Sorte que nos adaptamos a tempo. Este não é mais um bom negócio”. Este caso nos mostra que se agirmos apenas considerando as más notícias que nos chegam diariamente - e são muitas -, perdemos boas oportunidades de crescimento e de negócios. Não devemos, é claro, deixar de considerar as consequências para as nossas empresas das pequenas e grandes crises que pipocam por aí. Contudo, há muitos fatores positivos importantes que, se bem percebidos e trabalhados pelos executivos, podem redundar em grandes oportunidades de negócios e de expansão para suas empresas. É importante que não nos acomodemos perante as desculpas que nos chegam a todo momento para justificar desempenhos ruins. Muitas oportunidades surgem nas crises e os momentos ruins são propícios para nos sobressairmos, já que muitos se deixam abater – principalmente nossos concorrentes. Enfim, que nossas empresas não se apóiem no pessimismo para deixarem de lutar. 44 Edição146 Roteiro.indd 4 28/01/2013 10:56:38 expediente expediente “Pessoas com metas triunfam porque sabem para onde vão.” Earl Nightingale “Nenhum homem pode tornar-se rico ou conseguir algum tipo de êxito duradouro nos negócios se for um conformista.” Paul Getty “Para crescer, tem de estar disposto a deixar que o seu presente e futuro sejam totalmente diferentes do seu passado.” Alan Cohen “Conhecimento sem transformação não é sabedoria.” Paulo Coelho “Gastamos muito mais tempo falando de nossos inimigos do que elogiando nossos amigos.” Autor Desconhecido ANO 12 - NÚMERO 146 FEVEREIRO DE 2013 MAIS MATÉRIA COM CONTEÚDO ESPECIAL Nas ondas da crise 6 FÓRUM Os players de petróleo que iriam entrar no setor sucroenergético brasileiro seriam só as atuais (Petrobrás, BP, Shell) ou novos virão? Se sim, quando? 14 TECNOLOGIA AGRÍCOLA As incertezas da cana transgênica 16 TECNOLOGIA INDUSTRIAL Editora Diana Nascimento Jornalista Responsável - Mtb 30.867 [email protected] Redação Diana Nascimento [email protected] Natália Cherubin [email protected] Fotografia Mikeli Silva Rogério Pinto Gerente Financeira Patrícia Nogueira Díaz Alves [email protected] Projeto Gráfico Rogério Pinto fone: 11 5686-9044 [email protected] Gerente Comercial Paula Menta [email protected] fone: (82) 9349-7509, (82) 8879-5880, (82) 3272-1005, (82) 8132-1990 Diagramação Fernando A. Ribeiro [email protected] 8127-0984, 3237-4249 Gerente de Marketing Marlei Euripa [email protected] fone: (16) 9191-6824, 8127-0984, 3237-4249 Executivos de Contas Maycon Monsoy [email protected] CTP e Impressão Gráfica e Editora Silvamar ts ISSN 1679-5288 Administração Camila Garbino [email protected] Filipe Custódio [email protected] Mariana Miele mariana.miele@revistaideanews. com.br Departamento de Marketing Mikeli Silva [email protected] IDEANews é lida mensalmente por aproximadamente 35.000 executivos, profissionais e empresários ligados à agroindústria da cana-de-açúcar do Brasil. CONSELHO EDITORIAL Ailton António Casagrande Alexandre Ismael Elias António Carlos Fernandes António Celso Cavalcanti António Vicente Golfeto Celso Procknor Egyno Trento Filho Geraldo Majela de Andrade Silva Guilherme Menezes de Faria Henrique Vianna de Amorim João Carlos de Figueiredo Ferraz José Pessoa de Queiroz Bisneto José Velloso Dias Cardoso Luiz Custódio da Cot ta Mar tins Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo Luiz Chaves Ximenes Filho Manoel Carlos Azevedo Or tolan Marcos Guimarães Landell Maurilio Biagi Filho Osvaldo Alonso Paulo Adalber to Zanet ti Ricardo Pinto Rogério António Pereira Tomaz Caetano Cannavam Rípoli Moendas X Difusores: quem sai ganhando? 24 DICAS E NOVIDADES 32 POR DENTRO DA USINA 34 EXECUTIVO Entre as nuves e os canaviais 38 FATOS E RETR ATOS 41 DROPES 42 Diretor Geral Ricardo Pinto [email protected] Assinatura anual (12 edições): R$ 150,00 - Número avulso: R$ 15,00. Pedidos devem ser enviados ao endereço abaixo, acompanhados de cheque nominal à RICARDO PINTO E ASSOCIADOS CONSULTORIA AGRO INDUSTRIAL LTDA IDEANews não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos ar tigos assinados. Matérias não solicitadas, fotografias e ar tes não serão devolvidas. É autorizada a reprodução das matérias, desde que citada a fonte Siga-nos no Twit ter: @RevistaIdeaNews RPA Consultoria (16) 3237-4249 Revista IDEANews (16) 3602-0900 Fax RPA Consultoria e Revista IDEANews (16) 3602-0901 Rua Casemiro de Abreu, 950, Vila Seixas, Ribeirão Preto, SP, CEP 14020-060, Brasil www.revistaideanews.com.br 5 Edição146 Roteiro.indd 5 28/01/2013 10:56:40 especial Queda de produção, falta de investimen- berto Dalla Coletta, diretor superintenden- tos, usinas descapitalizadas e com dívidas, te da DC Bio, por exemplo, avalia que mais baixa demanda por etanol no mercado in- uma vez a crise se instala na necessidade de terno, demissões na indústria de bens de ter ou não ter o etanol na matriz energética. capital para o setor sucroenergético, desin- Além disso, ao longo desses anos, diversas teresse pela cogeração de energia, crise. Fa- responsabilidades foram sendo atribuídas, tos que, ultimamente, tem rondado o setor tanto ao produtor rural quanto ao industrial. sucroenergético. “Dentre elas podemos destacar a que o setor Cansado de más notícias, o setor está assumiu em dar melhores condições de traba- ávido por boas notícias. Mas o cenário de lho aos seus funcionários, principalmente aos crise dá lugar ao pessimismo e muitas pes- que trabalham na colheita. Nada mais justo e soas têm o hábito de ressaltar o pessimismo, oportuno. Entretanto, isso gerou mais custos deixando o otimismo de lado, ofuscando-o. na produção, que, somado aos demais aumen- Como na típica luta entre o Bem e o Mal, o tos nos custos dos insumos, comprometeu o mal entra em cena e faz estragos, mas o bem resultado positivo de toda cadeia produtiva, sempre vence e, sempre, no final. desestimulando o investimento. Esse deses- As crises pelo qual o setor tem passado tímulo gerou a fuga do crédito para investi- merecem uma análise minuciosa. José Ro- mento. Resolvida esta equalização de preço tudo volta ao normal”, vislumbra. Enquanto não volta, os estragos acontecem. Alexandre Figliolino, diretor do Itaú BBA, afirma que desde a crise de 2008 tivemos a desativação de 43 unidades produtivas, a grande maioria por dificuldades de ordem financeira e algumas poucas por questão de realocação de parque produtivo. “Com pedido de recuperação judicial, com ou sem falência pedida ou decretada, tivemos 30 unidades pertencentes a 12 grupos econômicos”, diz. 6 6 Edição146 Roteiro.indd 6 28/01/2013 10:56:41 especial Obs: A lista de usinas paradas recentemente pode conter usinas que estão na lista de usinas em recuperação judicial e/ou com falência decretada queira Costa, consultor da AgropCom. Os números são preocupantes, mas o setor ainda não chegou ao fundo do poço. “Logo, não adianta esperar por um mi- Julio Vinha, analista econômico e fi- lagre econômico para salvar todo o setor nanceiro da Delta Sucroenergia, cita Luiz desta etapa, pois além das políticas econô- Fernando Veríssimo ao dizer que “no Bra- micas esperados do governo federal para o sil o fundo do poço é apenas uma etapa”. etanol é necessário que as unidades produ- “Acredito que o setor está nesta etapa desde toras se reestruturem administrativamen- a crise econômica internacional de 2008.” te, investindo na produção e na redução Segundo ele, os ajustes que estão sendo pro- de seus custos, criando oportunidades nos movidos pelos países europeus e pelos Es- principais vetores de crescimento como o tados Unidos, o aumento da taxa de juros e aumento da produtividade através da reno- a menor disponibilidade de linhas de crédi- vação do canavial, plantio com geo-referen- tos bancárias e as dívidas atreladas ao dólar ciamento, mecanização e eficiência do CCT, aumentaram as dificuldades de liquidez de utilização plena da capacidade industrial e muitos grupos econômicos. principalmente ampliar a cesta de produtos “Quando 100 usinas fecharem, deveremos Além disso, os problemas de gestão de através da maximização do uso da biomassa estar perto”, admite Dario Costa Gaeta, dire- alguns grupos que assumiram dívidas des- como fonte de energia, levedura, óleo fusel, tor presidente da Paraíso Bioenergia. proporcionais à sua capacidade, na tentati- plástico, pellets e outros produtos derivados “Os pessimistas dizem que o fundo do va de acelerar o crescimento da produção e da cana-de-açúcar com alto valor agregado. poço tem um porão. Não acredito que seja o aumentar sua parcela de mercado; a pressão Além disso, investimentos em tecnologias caso no setor – ainda vai ser um ano difícil da oferta ocasionada por unidades que ne- para aumento da produtividade e principal- nesta safra que entra e algumas empresas cessitavam recompor seu fluxo de caixa e mente da logística para redução dos fretes”, que estão com grandes dificuldades finan- que acabaram por liquidarem suas produ- elenca Vinha. ceiras vão ter que tomar um caminho radi- ções de forma desordenada a preços que fo- Para Ricardo Pinto, sócio-diretor da RPA cal de venda ou fechamento para não ‘que- rem possíveis; os erros de previsão de com- Consultoria, as usinas da região Centro-Sul brarem’. No entanto, uma safra certamente portamento dos preços influenciados pelos do Brasil irão realmente enfrentar o fun- maior vai possibilitar algumas possibilida- bons retornos obtidos nas safras 2005-06 e do do poço ao final desta entressafra, entre des de saída do buraco para as empresas 2006-07, que criaram expectativas muito março e abril de 2013, tendo que bancar os que estejam profissionalizadas e preparadas otimistas e pouco realistas sobre o futuro, gastos necessários para entrar numa nova para um novo momento”, avalia Paulo Si- fez com que o setor permanecesse à deriva. safra. “E mesmo que venha um aumento no 7 Edição146 Roteiro.indd 7 28/01/2013 10:56:42 especial preço do etanol por conta da subida de preço da gasolina, os grupos mais endividados não conseguiram segurar estoques significativos de etanol. Um preço melhor irá ajudá -los na nova safra. Logo, o mais difícil será o caminho final até a nova safra”, adianta. O presidente do Grupo Maubisa, Maurílio Biagi Filho, destaca que a crise internacional afetou a economia brasileira e o setor foi um dos primeiros a ser prejudicado. “As mudanças nas prioridades no setor energético agravaram a situação. Agora, a crise MOTIVOS PAR A AS DIFICULDADES DE LIQUIDEZ DOS GRUPOS ECONÔMICOS: - os ajustes que estão sendo promovidos pelos países europeus e pelos Estados Unidos; - o aumento da taxa de juros; - menor disponibilidade de linhas de créditos bancárias; - dívidas atreladas ao dólar do setor energético (não só sucroalcoleiro) Esses fatores deixaram o setor mais frágil para efeitos climáticos na produção agrícola e a terem um custo de produção mais alto pela diminuição da escala de produção. Mesmo em 2010, com a recuperação dos preços, principalmente do açúcar, algumas usinas se encontravam na UTI pela falta de governança, planejamento e principalmente pela geração de caixa, que é fundamental para a reestruturação das dividas. “Acredito que esta crise está sendo muito mais dura para as usinas do que a crise de 1999, pois, na de 1999, os preços melhora- afeta, e muito, a perspectiva de crescimen- pois grupos internacionais. A partir do ano ram logo no ano seguinte quando houve uma to do País e a confiança dos empresários. É de 2001 começou a ocorrer uma retomada queda na produção. Desta vez, houve a queda frustrante verificar que no BNDES (Banco nos preços do açúcar e do álcool. da produção e mesmo assim os preços conti- Nacional de Desenvolvimento Econômico e Mas muitas empresas, originariamente nuaram baixos. Aliás, o preço do etanol está Social) existe apenas um projeto energético familiares, não conseguiram manter o equi- baixo há mais de dois anos. Além disso, não pleiteando financiamento. Eis aí um retrato líbrio necessário de seus endividamentos, me lembro de terem ocorrido falências de usi- da crise”, exemplifica. motivo pelo qual, grandes grupos interna- nas em 1999. Em 2012 totalizamos 14 usinas cionais e nacionais, inclusive tradings, pe- falidas, ou seja, praticamente 3,4% das usinas troleiras e de outros segmentos começaram em operação faliram. Também há outras 31 a adquirir unidades, formalizando parcerias usinas em Recuperação Judicial, representan- e fusões. do 7,5% das usinas em operação. E sem falar AS ONDAS TRAIÇOEIRAS DE 1999 E A ATUAL A crise ocorrida no setor em 1999 e a crise atual são diferentes. Vale lembrar que Outras iniciaram a profissionalização de o setor sucroenergético sempre presenciou suas administrações e procederam a aber- inúmeras crises cíclicas ao longo do tempo. tura do capital, com o lançamento de IPOs Para Figliolino, na crise de 1999 o setor nas 21 usinas que pararam de processar cana no País”, observa Ricardo Pinto. Segundo Vinha, a crise de 1999 pode no mercado, acabando por alterar o quadro tinha uma dimensão bem menor do que tem se denominada de crise setorial, provoca- anteriormente existente dos grupos estrita- hoje em termos de tamanho (o Centro-Sul ti- da pela desregulamentação do setor e da mente familiares. nha 1/3 da capacidade de moagem de hoje). superprodução de cana-de-açúcar registra- A partir de então, teve início um novo ci- Porém a natureza dos problemas da época do nos países produtores, fato esse que já clo no setor que aos poucos foi se ajustando eram muito graves na medida em que a de- vinha ocorrendo nos anos anteriores. Logo, e criando novas expectativas no mercado. manda por etanol hidratado desabava com o o mercado abastecido pela oferta provocou Mas no meio do caminho, no ano de sucateamento da frota de carros a etanol. A uma queda significativa nos preços de co- 2008, o mundo deparou-se com uma nova competitividade em relação a gasolina era mercialização do açúcar e do etanol. crise. A crise financeira começou a atingir, baixa face os preços do petróleo, taxa de Em decorrência, grupos econômicos co- em efeito cascata, países desenvolvidos que câmbio vigentes a época e havia uma gran- meçaram a registrar prejuízos financeiros até então demonstravam solidez em suas de resistência do governo Fernando Henri- até então sem precedentes. Os resultados economias. que Cardoso em conceder qualquer tipo de operacionais não cobriam os custos das des- A crise mundial de 2008 de crédito no subsídio. “Lembro-me que a época algumas pesas e os endividamentos das empresas mercado e o elevado endividamento do se- correntes defendiam, como acontece hoje, a aumentavam substancialmente. tor levaram diversos grupos a requerer ju- anidrização como solução de longo prazo pa- “O que se constata é que naquele mo- dicialmente sua recuperação, mas em sua ra o problema. Naquela época numa situação mento parte das empresas do segmento não maioria sem qualquer embasamento capaz bastante crítica, sem solução a vista, dando estavam preparadas para enfrentar um ce- de assegurar o cumprimento das obrigações a impressão que o setor seria dizimado, as nário totalmente adverso e começaram a no prazo legal. Muitas empresas deixaram coisas começaram a melhorar graças a uma vender terras ou dar em pagamento parte de investir na manutenção, conservação geada seguida de seca que diminuiu substan- de seu capital para equilibrar os prejuízos e reforma de canaviais, agravando, ainda cialmente a produção de cana na safra 00/01, que se acumulavam”, lembra. mais, sua produtividade e, por consequên- a desvalorização cambial ocorrida entre 1999 Neste cenário começaram a surgir as cia, sua capacidade de gerar receitas neces- e 2002 e em 2003 o surgimento do carro flex primeiras participações de investidores no sárias para equacionar seus custos e obriga- que abriu imensas perspectivas em termos setor. Primeiro instituições financeiras, de- ções assumidas. de crescimento de demanda. Portanto 98/99 8 Edição146 Roteiro.indd 8 28/01/2013 10:56:43 9 Edição146 Roteiro.indd 9 28/01/2013 10:56:44 especial foi uma crise muito aguda, mas de duração lhões de t, principalmente em razão do cres- curta e que seguiu um período longo de for- cimento econômico dos países em desenvol- te crescimento e prosperidade.” vimento como a China, Índia e outros países Ainda na visão de Figliolino, a crise que asiáticos em franco crescimento econômico. estamos vivendo hoje parece necessitar de “Por conseguinte, esses fatores levam os um período mais prolongado de duração pa- investidores a apostarem na recuperação do ra que consigamos colocar o trem novamen- setor e as ações das principais empresas do te nos trilhos do crescimento. “Infelizmente setor estão sendo valorizadas na bolsa, tendo nada nos faz acreditar que estejamos, setor e algumas que inclusive se diversificaram com governo, perto de ter encontrado uma solu- aquisições de empresas com atividades com- ção que nos leve de volta ao bom caminho, plementares como é o caso da Cosan. Além não obstante ser este período que vivemos disso, temos o avanço da profissionalização um daqueles onde o etanol e a cogeração de do setor sucroenergético, juntamente com o biomassa são muito necessários à solução dos problemas que estamos enfrentando na área energética”, aponta. “Na minha opinião, estamos agora com o pior cenário. Nesta crise existe uma força Para Costa, o açúcar continua a ser a fonte de energia alimentar mais barata que se encontra no mundo, o etanol é um combustível limpo e a cogeração de energia elétrica a partir da biomassa será uma realidade mais cedo ou mais tarde. aumento da adoção da governança corporativa, proporcionando maior transparência entre os agentes econômicos e atraindo novos investidores”, comenta Vinha. De acordo com o BNDES, é preciso ainda a totalmente incontrolável, que não deveria pradores de biocombustíveis necessitam coordenação dos esforços de todos os players existir numa economia de mercado, ainda de informações mais transparentes, não só em busca de uma solução que não se resuma mais numa commodity. Pior do que somen- sobre aspectos econômicos e financeiros, apenas ao curto prazo, mas que também trace te por em risco a sobrevivência das usinas, mas também a respeito de questões sociais diretrizes de médio e longo prazo, de modo é fraquejar um projeto que era sustentável e ambientais”, afirma. a garantir não só a oferta adequada de etanol e fazia sentido para uma matriz energética renovável”, defende Gaeta. Hoje os investidores veem o setor com cautela. “Sempre viram com cautela e agora e de açúcar para os próximos anos, mas também a sustentabilidade futura do setor. não veem atratividade. Investir com as pre- MAR REVOLTO PODE FICAR CALMO missas atuais é muito difícil. Somente fun- POSSÍVEIS SAÍDAS dos agressivos (abutres) tem este apetite para Crises são resultados de vários fatores não Os maiores riscos em se investir no se- as usinas em dificuldade”, comenta Gaeta. facilmente identificáveis. “Acredito que pre- tor, na opinião de Gaeta, estão na combi- Para que o setor possa atrair investido- cisamos de uma ação de reconstrução conjun- nação da gestão do setor com as variáveis res, Gaeta é taxativo: “O setor deve ter eco- ta para quebrar este ciclo. Se há interesse em incontroláveis do mercado. Flutuação de nomia de mercado: sem controles de preços salvar o setor, alguém tem que dar o primeiro dólar, preços tabelados de produtos e fal- e linhas de crédito compatíveis com o ne- passo. Hoje somente o governo está em con- ta de consolidação faz com que o mar seja gócio. A cana é um investimento de longo dições disso”, argumenta Gaeta. sempre revolto. “A máxima de que ‘usina prazo (seis anos) que não tem, atualmente, Costa diz que o Governo pode contribuir não quebra, troca de mão’ é uma verdade. financiamento maior que três anos. Melho- com o setor dando-lhe maior segurança em Verdade para as usinas que não deteriora- res usinas conseguem até pré-pagamento termos de regulação. Isto vai desde o ponto ram seu patrimônio. Aquelas que não têm com cinco anos, mas ainda assim a exposi- mais óbvio que refere-se à ANP e sua políti- dívidas trabalhistas, fiscais, ambientais e ção à variação cambial é gigante. Margens ca de uso do etanol combustível até a ques- bancárias maior que seu valor. Sendo assim, pequenas não toleram surpresas.” tão complexa da aquisição de terras rurais todas as usinas que podem ser salvas com Razões para o investimentos existem: a por empresas estrangeiras. “Os participantes um plano de longo prazo trarão resultados. crescente demanda internacional por bio- diretos do setor, usineiros, produtores de ca- Como premissa elas não podem repetir os combustíveis, principalmente nos Estados na e indústria de bens de capital tem que se erros passados e devem ter uma gestão sé- Unidos e nos países da Europa, sendo que a unir de uma vez por todas para fazer um tra- ria”, pontua. partir de janeiro de 2012 o Brasil tem o mer- balho conjunto em termos de representativi- Vinha esclarece que o principal risco do cado de etanol totalmente livre, sem barrei- dade institucional. O setor precisa recuperar setor ainda está no início da profissionali- ras tarifárias que impeçam o livre comércio sua credibilidade urgentemente para voltar a zação da gestão das empresas. e a expectativa de aumento na mistura do atrair investimentos”, defende. “Algumas empresas deram um passo anidro na gasolina retornar para o percentu- Os grupos econômicos ou as unidades pra frente, porém temos muitas outras que al de 25% e o açúcar, que é uma commodity produtoras devem trabalhar, de forma cons- ainda precisam melhorar a governança cor- essencial que tem expectativas de aumento tante, na busca da competividade, do aumen- porativa, visto que os investidores e com- de consumo no mundo em torno de 20 mi- to da produtividade, da redução dos custos, 10 Edição146 Roteiro.indd 10 28/01/2013 10:56:47 20ª FEIRA INTERNACIONAL DE TECNOLOGIA AGRÍCOLA EM AÇÃO GARANTA JÁ SEU ESPAÇO - TEL.: (11) 3060-5038 - E-MAIL: [email protected] HORÁRIO: DAS 8 H ÀS 18 H DE 29 DE ABRIL A 3 DE MAIO DE 2013 WWW.AGRISHOW.COM.BR Realização: Organização e Promoção: PROIBIDA A ENTRADA DE MENORES DE 14 ANOS, MESMO ACOMPANHADOS. Edição146 Roteiro.indd 11 RIBEIRÃO PRETO SP - BRASIL 11 28/01/2013 10:56:48 especial da eficiência e da eficácia. do Sul e Central, de onde nós todos – au- No entanto, o Governo poderia intervir toridades, técnicos e empresários – voltá- naquilo que lhe diz respeito, como a redu- vamos, alguns anos atrás, animados com ção da taxa de juros e de tributos, a desone- as perspectivas de exportar tecnologia de ração da folha de salário, a modernização produção de etanol de cana. Aquilo tudo das relações trabalhistas e formalização de era uma possibilidade muito forte diante acordos internacionais para a exportação de da crescente importância dos combustíveis açúcar, etanol e derivados. Ou seja, adotar verdes num planeta saturado pelos gases políticas públicas capazes de dar suporte do efeito-estufa. É quase inacreditável que ao necessário crescimento e ajuste do setor tantas boas perspectivas tenham ido pelo dentro do cenário econômico em que atua. ralo. É possível que estejam em banho-ma- O BNDES também tem trabalhado em ria nos escritórios e galpões industriais de prol do setor. Linhas de crédito foram des- Sertãozinho e arredores. Acredito que se- tinadas para plantio e replantio de cana-de remos capazes de recuperar a validade de -açúcar e para a estocagem de etanol a custo todos esses projetos fundamentais para a competitivo. O grande problema é que estas linhas são repassadas por bancos comerciais que exigem contrapartidas em termos de garantias que a maior parte do setor não Ricardo acredita que voltaremos a ver bons preços de etanol, açúcar e talvez até de eletricidade cogerada, bem como a volta de investimentos de forma generalizada no setor a partir de 2014 economia brasileira”, define. “O ano de 2013 será mais um ano difícil para o setor, mas vejo vários sinais positivos para 2014. Lembro que as crises deste setor passar, vamos ter um setor fortalecido e costumam ocorrer a cada quatro anos. Teve Segundo informações da assessoria consolidado. A volatilidade do negócio de- a de 1999, depois uma no início de 2004, de Imprensa do BNDES, através do De- ve diminuir e a seriedade empresarial deve outra em 2008, mais uma em 2012... Como Bio (Departamento de Biocombustíveis), o imperar. A maior ameaça futura é aquela ainda estamos com capacidade industrial BNDES já está realizando iniciativas diri- que agora está sendo alimentada: a África. maior do que a disponibilidade de cana, gidas a melhorar o cenário atual e futuro. Eles serão mais competitivos e, apesar de acredito que a maior parte dos investimen- O programa BNDES Prorenova, lançado menor volume, vão fazer estragos no mer- tos do setor em 2013 ainda serão em cana, em 2012, foi renovado para 2013. cado internacional. seja em mais plantio, seja no trato dos ca- está em condições de oferecer. A carteira do BNDES Prorenova fe- A Biotecnologia será um grande aditivo naviais, e em todos os produtos e serviços chou 2012 em R$ 1,4 bilhão, dos quais e crescerá muito. Ela dará novo fôlego aos relacionados a isso”, afirma Ricardo Pinto, já foram desembolsados R$ 475 milhões. que conseguirem captar as oportunidades. que também se diz confiante de que volta- Além disso, o BNDES também preocupa-se Maurílio Biagi Filho, presidente do gru- remos a ver bons preços de etanol e açúcar, com a sustentabilidade de longo prazo do po Maubisa, crê que a longo prazo não há talvez até de eletricidade cogerada, bem co- setor. Por isso, lançou em 2011 o Paiss (Pla- dúvida de que o setor tem boas perspecti- mo a volta de investimentos de forma gene- no Conjunto BNDES-Finep de Apoio à Ino- vas, o difícil é a travessia até esse futuro ralizada neste setor a partir de 2014. vação Tecnológica Industrial dos Setores promissor. “O açúcar é uma commodity, o Otimismo é a palavra chave para Costa. Sucroenergético e Sucroquímico). O Paiss etanol caminha para sê-lo também e o se- “Particularmente, só tenho expectativas oti- selecionou planos de negócios que con- tor tem grande potencial como produtor mistas. O açúcar continua a ser a fonte de templaram o desenvolvimento, a produção subsidiário de eletricidade. O futuro dos energia alimentar mais barata que se encon- e a comercialização de novas tecnologias combustíveis verdes é inquestionável em tra no mundo. O etanol é um combustível industriais destinadas ao processamento face de tudo que vem acontecendo no pla- limpo e já temos uma frota de carros flex ne- da biomassa oriunda da cana-de-açúcar, neta, mas as disputas econômicas interna- cessitada de suprimento muitas vezes maior especialmente aqueles referentes ao etanol cionais continuam colocando em segundo do que nossa capacidade de produção. A celulósico ou de 2ª geração, que poderia plano as possibilidades de correção dos ru- cogeração de energia elétrica a partir da bio- aumentar a oferta de etanol em 50%. Atu- mos da nossa civilização, excessivamente massa vai ser uma realidade mais cedo ou almente está aprovado R$ 1,4 bilhão e es- centrada no petróleo”, diz. mais tarde. O setor está se profissionalizan- tão contratados R$ 230 milhões em proje- Biagi Filho espera que, junto com a do rapidamente e com um nível interessante tos no âmbito do Paiss. Espera-se que estes expansão da produção e oferta dos com- de concentração em mãos fortes. O que mais números aumentem ainda mais em 2013. bustíveis verdes, o Brasil consiga exportar é preciso para este setor ser bem sucedido?” equipamentos, serviços e tecnologia para A resposta vem de Biagi Filho: “O fu- o cultivo de cana e a produção de etanol. turo é promissor, mas exige persistência e “Lembro do otimismo do presidente Lula competência política, porque as outras com- em Cuba e em outros países da América petências são perceptíveis.” ENTRE AS FORTES ONDAS, O FAROL Quando a onda de “seleção natural” 12 Edição146 Roteiro.indd 12 28/01/2013 10:56:49 13 Edição146 Roteiro.indd 13 28/01/2013 10:56:50 fórum PRODUTO INFINITO “Eu acredito que com regras claras, todo o setor petrolífero virá para o Brasil porque eles sabem que têm um produto finito e que aqui o produto é infinito. Eles, com certeza, viAntônio César rão para cá porque terão que mesclar o produto deles que Salibe - presidenestá em curva decrescente com um produto genuinamente te executivo da Udop nacional e em curva ascendente.” AMBIENTE FAVORÁVEL “Essa é uma pergunta difícil de responder, mas imagino que outras empresas do ramo de petróleo devem examinar investimentos no setor. Não acredito que apenas aquelas que já Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria realizaram investimentos estão envolvidas nesse processo, mas a materialização desses investimentos vai depender de um ambiente que seja favorável a esse tipo de investimento.” 14 Edição146 Roteiro.indd 14 28/01/2013 10:56:52 fórum Márcio Costa gerente de Produção Corporativo da Usina Ruette SEM INVESTIMENTOS SUBSTITUTO PARA A GASOLINA “Com o cenário que temos atu- “Quem entrou no setor mesmo foi a almente e as adversidades, acho Petrobrás, a Shell e a BP que fala ao que isso vai dar uma brecada. mercado que ainda está com um ape- Acredito que dentro dos próximos cinco ou seis anos, nenhuma petrolífera entrará no setor, Ricardo Pinto – sócio diretor da RPA Consultoria tite muito grande. Eu acredito que a Total deva comprar alguma coisa, ela está participando de negociações há al- mas vão analisar o nosso mer- gum tempo, vai confirmar uma ou outra cado que está em turbulência.” aquisição. Há uns três anos atrás, a Konoco Phi- Gilmar Galon, diretor Industrial da usina Pitangueiras e Coordenador do Gegis BOM PARA O SETOR lips, uma grande petroleira norte-ame- “É um setor energético. E essas ricana, fez alguns estudos para entrar empresas tem uma visão que nesse segmento no Brasil e desistiu, talvez o Brasil não tenha. A Pe- mas pode voltar. Também acredito que trobrás entrou e acho que isso é a norte-americana Chevron e Konoco bom para o setor e novas entra- vão desengavetar estudos, provavel- rão, com certeza.” mente para o Brasil porque o etanol nos EUA está com problemas de viabi- Oswaldo Alonso - consultor Técnico da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) CONHECIMENTO SOBRE O SETOR lidade. Acredito que alguma petrolífera “As multinacionais que vêm pa- o contexto de que é estratégico estudar ra Brasil tem que conhecer real- e trabalhar em um substituto para a ga- mente a nossa atividade sucroe- solina, o diesel, o petróleo, da cadeia nergética. As petrolíferas veem petroquímica. Um substituto mais ba- no etanol uma soma e nossa rato e de preço competitivo aos novos produção é feita no campo e a valores do barril de petróleo. As euro- céu aberto.” peias podem vir para cá também.” chinesa possa vir para cá também com 15 Edição146 Roteiro.indd 15 28/01/2013 10:56:54 tec. agrícola Ainda em fase de testes em laboratório e campo, a previsão para uso comercial da cana transgênica ainda é indefinida. Tudo vai depender dos resultados dos testes e avaliação da CTNBio, órgão responsável pela liberação Quase todo ano institutos de pesquisa e de novas doenças e pragas, que vieram jun- canas geneticamente modificadas”, destaca empresas privadas desenvolvem e lançam to com a questão da mecanização. A única Casagrande. novas variedades de cana. Nos últimos forma de voltar a crescer é neutralizar es- Monalisa Sampaio Carneiro, pesquisa- anos, além de dar continuidade ao desen- ses problemas que tiraram todos os ganhos dora coordenadora dos projetos da Área de volvimento de novas plantas, as empresas de produtividade que tivemos nos últimos Biotecnologia PMGCA/UFSCar, diz que a e institutos têm concentrado esforços e in- anos. E a cana transgênica vem para isso”, cana, que hoje existe no melhoramento, é vestimentos para o desenvolvimento de ca- salienta Rodrigues. voltada para um teor de açúcar muito alto, Marcos Virgílio Casagrande, gerente de então os patamares de teor de açúcar, ou se- Desenvolvimento de Produto do CTC (Cen- ja, a contribuição da variabilidade genética De acordo com Antônio de Pádua Ro- tro de Tecnologia Canavieira), explica que a natural para açúcar já chegou num patamar drigues, diretor-técnico da Unica (União da entidade está em busca da cana transgênica onde os ganhos não são tão expressivos, o Indústria de Cana-de-açúcar), a busca pela porque através do material transgênico con- que faz com que se busque a transgenia. cana transgênica mostra a evolução do setor. segue-se, de forma significativa, o aumento “Os ganhos são alcançados para teores “Todo ano são lançadas variedades e o da produtividade dos canaviais, corrigindo de açúcar com base na interação com o am- alguns problemas que acometem a cana. biente, não tendo um ganho muito grande nas geneticamente modificadas, a chamada cana transgênica. setor sempre está em busca de novas variedades. No entanto, os gráficos de produti- “A broca da cana, por exemplo, é um em açúcar. Se fôssemos tratar de biomassa vidade mostram que os ganhos do passado grande problema e consome milhões para isso seria diferente, a biomassa ainda tem eram maiores dos que os alcançados nestes o controle, causando também milhões de muita variabilidade, é a busca de um obje- últimos anos, que estão próximos de zero ou prejuízos. Se tiver uma variedade que con- tivo novo dentro da cana-de-açúcar. Para algo próximo de 0,5%. Agora, por que essa trole ou seja tolerante à broca da cana, será criar uma variabilidade lançamos mão da produtividade é tão baixa? Porque ela foi uma revolução para os produtores. Saltos transgenia, que tenta inserir um ou pouco afetada e desapareceu devido à ocorrência maiores e soluções integradas virão com as genes que aumentem esse teor de açúcar e 16 Edição146 Roteiro.indd 16 28/01/2013 10:56:55 17 Edição146 Roteiro.indd 17 28/01/2013 10:56:56 tecnologia agrícola que fortaleça a questão de pragas. Isso por- As plantas não modificadas sobreviveram que, toda vez que temos tolerância a pragas apenas 15 dias sem água enquanto que as via transgenia, a gente tem uma diminuição plantas que receberam o gene sobreviveram no uso de agrotóxicos, o que reflete de ma- mais de 40 dias. Agora estamos introduzin- neira positiva no meio ambiente. A trans- do este gene nas culturas comerciais. Esse genia existe quando a gente não tem mais é um processo que será obtido em longo variabilidade natural possível ou os ganhos prazo. Se tudo der certo, a estimativa de são poucos”, explica Monalisa. lançamento dessas variedades é para 2017”, afirmou. No final de 2011, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria na qual afir- “Nossa ideia com o desenvolvimento mava que grandes empresas privadas do dessas variedades é beneficiar toda a so- setor agrícola estavam investindo milhões ciedade, desde o produtor que contará com de dólares na corrida para o lançamento, no uma tecnologia para auxiliar no aumento da produtividade e reduzir os custos da Brasil, da primeira cana-de-açúcar transgêCasagrande sobre cana transgênica do CTC: “Deverão proporcionar aumentos significativos de produtividade no campo, diminuição no custo de produção e expansão das áreas de cultivo em ambientes mais restritivos” produção, até o consumidor”, acrescentou volvimento de quatro plantas de cana trans- atenção que precisa”, diz Daniel Bachner, mitir que o Brasil mantenha a sua perfor- gênica para o mercado brasileiro. Ainda se- responsável pela área de cana-de-açúcar da mance como um dos maiores produtores gundo o jornal, as mudas estavam prontas Syngenta em entrevista concedida para o e exportadores agrícolas. “A pesquisa vai em laboratórios nos Estados Unidos, mas jornal O Estado de S.Paulo. aumentar a competitividade brasileira pela nica do mundo em escala comercial. De acordo com o jornal, a Syngenta aplicou, desde 2010, US$ 100 milhões (75% que já haviam sido gastos até 2011) no desen- Romano. Para o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, José Gerardo Fontelles, a tecnologia vai per- precisavam vencer um processo burocrá- Entre as apostas da Syngenta estão uma adoção dos meios modernos de tecnologias tico para serem aprovadas no Brasil. A re- variedade com um teor de açúcar na planta existentes em benefício da sociedade brasi- vista IDEANews entrou em contato com a até 40% maior. Também se pesquisa uma leira”, destacou. Syngenta em busca de novidades sobre o variedade com modificação da parede ce- O Brasil, como um grande fornecedor desenvolvimento, mas foi informada pela lular da planta para facilitar a produção de de alimentos, deve aumentar sua produção assessoria de comunicação da empresa que etanol de segunda geração. agrícola para acompanhar o crescimento da até o fechamento desta edição não poderia se pronunciar sobre o assunto. A Monsanto também foi contatada pa- demanda mundial. “Nosso foco é a sustenta- CANA TRANSGÊNICA: O QUE VEM POR AÍ bilidade e a preservação do meio ambiente, como por exemplo, o uso racional da água”, ra falar sobre o assunto, mas até a data do A Embrapa (Empresa Brasileira de Pes- frisou Fontelles. Todo o esforço do Governo fechamento não entrou em contato com in- quisa Agropecuária), em parceria com o Ma- já é percebido através dos resultados positi- formações sobre seu desenvolvimento. O pa (Ministério da Agricultura, Pecuária e vos obtidos na agricultura nacional. que se sabe é que a Monsanto concentra as Abastecimento), tem buscado desenvolver Hugo Bruno Correa Molinari, pesquisa- pesquisas em resistência a insetos e tole- variedades geneticamente modificadas de dor de Biotecnologia Vegetal da Embrapa, rância a herbicidas, o que promete maior cana-de-açúcar, soja, milho, arroz e trigo diz que os desenvolvimentos em cana ainda produção de açúcar por hectare. A tecno- com o objetivo de reduzir os riscos em de- não foram levados a campo. Ainda segun- logia do herbicida Roundup já é usada na corrência das mudanças climáticas. A pes- do ele, já existem os locais que teriam as soja e no milho. “Estamos falando da mes- quisa promete reduzir os custos na lavoura condições ideais para o teste de tolerância ma tecnologia, agora aplicada à cana”, disse e contribuir na preservação do meio am- à seca e frio. “Uma das ideias é testar essa ao jornal O Estado de S. Paulo, José Carlos biente. cana no Rio Grande Sul, na região Noroeste Carramate, líder de Negócios da CanaVialis, De acordo com o pesquisador da Em- do Estado em parceria com a Embrapa Cli- marca de melhoramento e tecnologias em brapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, ma Temperado. Eles já têm vários testes de cana da Monsanto. Eduardo Romano, os resultados até o mo- plantio de cana nessa região. A ideia seria Hoje, estão autorizadas no Brasil as cul- mento são promissores. “Isolamos um gene testar em dois locais da região, um seria na turas transgênicas de soja, milho, algodão relacionado à resistência ao estresse hídrico região próxima a cidade de Porto Xavier, e feijão. “A cana ficou de lado por muitos e o introduzimos em plantas modelo. Es- Noroeste do Estado e uma na região central, anos e agora finalmente está recebendo a tas se tornaram altamente tolerantes à seca. próximo a Salto do Jacuí”, conta. 18 Edição146 Roteiro.indd 18 28/01/2013 10:56:59 19 Edição146 Roteiro.indd 19 28/01/2013 10:56:59 tecnologia agrícola Ainda segundo Molinari, a característica desse material transgênico”, revela. NOVAS VARIEDADES X CANA TRANSGÊNICA: QUAL A DIFERENÇA? inserida na planta desenvolvida pela Em- Monalisa explica que quando se faz uma brapa tem um papel na tolerância a estres- cana transgênica, a performance está rela- se salino e seca. Mas a ideia agora é tentar cionada com o gene que foi inserido. “Nor- Muita gente ainda não entende qual a testar em outros estresses, como os causa- malmente estão sendo inseridos genes re- diferença entre o desenvolvimento de no- dos pela geada. “Queremos testar o máximo lacionados a resistência a pragas, estudos vas variedades e canas geneticamente mo- possível em locais com condições adversas voltados a intolerância a seca e aumento dificadas. Casagrande explica que no me- para ver como esse material se comporta. no teor de sacarose. Estes estudos são in- lhoramento genético se faz os cruzamentos E uma questão importante é o frio e a ocor- teressantes e estão acima dos padrões co- e depois busca-se as variedades melhores, rência de geadas”, explica. merciais e o incremento depende das ca- como se fosse uma peneira. De acordo com ele, por conta dos en- racterísticas.” “Quando se faz uma cana transgênica saios serem caros e da Embrapa depender Ainda segundo Monalisa, existem clo- pega-se uma variedade, por exemplo, que da liberação de custos, a primeira ação será nes no campo que já tem capacidade de se- tenha um teor de sacarose um pouco abai- montar a área em campo para conduzir um rem utilizados pelo setor produtivo, mas xo do que seria interessante e introduz um ensaio. “Vamos montar a partir de 2013 e que dependem da liberação comercial pela gene que aumenta o teor se sacarose, cor- trabalhar na parte de credenciamento da CTNBio (Comissão Nacional de Biossegu- rigindo o problema da cana e embutindo área. Feito isso, em 2014 esperamos que le- rança). “Até o momento não existe ainda um gene. Para fazer a transgenia, primeiro vemos esses materiais para que façamos as um ambiente regulatório definido para que é necessário ter uma variedade interessante primeiras conduções. Teríamos primeiro a esse processo aconteça. Assim, é difícil pre- porque ela por si só não cria nada, a trans- cana planta em 2015. Então, teríamos, após cisar uma data porque tecnicamente já es- genia depende de um bom programa de me- avaliação dos ciclos, uma nova avaliação tá disponível, mas não sabemos quando a lhoramento. Outro exemplo: temos uma va- por volta de 2018. Mas podemos jogar isso CTNBio vai exigir os testes e se estes testes riedade com excelente desempenho como a para 2020. Só aí vamos ter uma noção de irão demandar tempo. De modo geral, ou- CTC4 e introduzimos o gene BT na mesma. como ela se comporta em campo”, projeta tros grupos estão trabalhando com a data de Com isso, a CTC 4 geneticamente modifica- Molinari. 2018, mas não temos certeza se essa data da torna-se resistente a insetos, diminuindo, será possível.” por exemplo, os gastos necessários ao con- Para ele, a primeira geração de cana transgênica deverá ter resistência a herbi- O CTC já tem eventos transgênicos trole da broca. Portanto, a produção de va- cida e pragas da cana. E a outra seria os sendo testados em campo. De acordo riedades transgênicas depende de um bom gens BT. “As empresas estão trabalhando com Casagrande, o CTC deve ser um dos programa de melhoramento convencional. com a característica de aumentar sacaro- primeiros a disponibilizar as varieda- A transgenia deverá melhorar aquilo que já se. Mas acredito que características mais des transgênicas no Brasil nos próximos é bom”, detalha Casagrande. complexas como tolerância à seca e aumen- anos. Estima-se que as primeiras canas to de açúcar vão demorar mais um pouco. transgênicas do CTC estejam disponí- A ideia é lançar algumas variedades com veis em 2016/2017. “Acho que em menos Não basta desenvolver. A ideia dos herbicida e depois a questão de resistência de dez anos, mas é difícil afirmar isso e transgênicos ainda causa polêmica e dis- AINDA EXISTE RESISTÊNCIA? cussões quanto à segurança alimentar. a pragas, aumento no conteúdo de dizer o tempo correto. O grande biomassa, características diferencia- desafio agora é ter o material. O Casagrande não vê mais resistência com das para etanol de segunda geração CTC trabalha com algumas frentes relação aos transgênicos. “As plantas trans- como resistência a insetos, to- gênicas são uma realidade e o Brasil é o lerância ao estresse hídrico e segundo país no mundo na sua utilização, aumento do teor de sacarose.” ficando atrás dos EUA. No Brasil, durante Os desenvolvimentos do a safra 10/11, 83% da área de soja foi ocu- nos seus estudos em cana transgênica, instituto, segundo Casagrande, pada por transgênicos, para o milho esse segundo Monalisa. “Muito embora a deverão proporcionar aumen- valor foi 65% e para o algodão 39%. A soma tos significativos de produtivida- das áreas com transgênicos para essas três cana transgênica comercial no de no campo, diminuição no custo culturas ultrapassou 30 milhões de ha com Brasil, existem muitos estudos de produção e expansão das áreas aceitação plenamente satisfatória. A cana de liberação no campo, então já de cultivo em ambientes mais res- deverá trilhar o mesmo caminho.” se sabe a performance agrícola tritivos. e outras”, opina. A Ridesa (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento Sucroenergético) já está em uma fase bem avançada gente não tenha a liberação de uma Molinari acredita que, independente da 20 Edição146 Roteiro.indd 20 28/01/2013 10:57:00 2012 © Spectrum Art Company Composição Fósforo (P2O5) solúvel em CNA* + água 9% Fósforo (P2O5) total 14 % Cálcio (Ca) total 12 % Central de Vendas (64) 3442-4356 Catafós Fertilizantes Catalão - Goiás Em campo a nova linha de fertilizantes sustentáveis, garantia de suprimento contínuo de fósforo ● ● ● ● ● ● ● ● ● Supre o sistema solo-planta, fornecendo fósforo e cálcio em abundância. Uniformiza a fertilidade do solo, com suprimento contínuo de fósforo. Promove o crescimento das raízes, aumentando o volume de solo explorado. Recomendado para fosfatagem corretiva e adubação de manutenção. Aumenta o volume de matéria verde, o número de colmos e a altura de plantas. Potencializa a brotação das soqueiras, aumentando a longevidade do canavial. Hastes com internódios longos, mais produtivas e com elevado teor de açúcar. Otimiza os resultados da safra – é um produto sustentável e economicamente viável. Supera concorrentes com melhor custo/benefício e excelentes vantagens para o produtor. www.supraphos.com.br 21 Edição146 Roteiro.indd 21 28/01/2013 10:57:00 tecnologia agrícola cultura, vai haver a mesma cobrança e um solicitação de comercialização, segundo a “pé atrás”. “Não adianta dizer que a cana Comissão. “Sendo assim, o trâmite de um vai ser só para combustível. Até hoje não se processo está fortemente relacionado com tem nada provado de que alimentos trans- a eficiência do requerente em proporcionar gênicos causem mal. O material que está estudos conclusivos que permitam que a sendo produzido será usado para produzir CTNBio proceda a análise técnica do mé- etanol, açúcar e outros fins. No entanto, tem rito. É importante salientar que mesmo que que ser feito um trabalho provando que os um OGM receba a aprovação comercial na materiais foram conduzidos corretamente Comissão, ainda devem ser cumpridas as e todos os componentes de produção aten- demais etapas que as legislações nacionais dem ou tem equivalência substancial ao exigem, tais como registro de cultivares e convencional. Toda essa normatização de multiplicação de colmos (no caso da ca- como fazer e como utilizar, tanto no mer- na)”, enfatiza. cado interno quanto no externo vai ter que Para a liberação de uma cana transgênica a CTNBio leva em consideração os en- do todos os parâmetros. Como tem que ser De acordo com Molinari, a ideia é testar a cana transgênica da Embrapa na região Noroeste e Central do Rio Grande do Sul feito todos os ensaios e etapas. Tendo essa preendem o que se chama de Avaliação de de um produto geneticamente modificado, definição você consegue definir o que vem.” Risco. A legislação brasileira é baseada no regulados pela Resolução Normativa 05 da Monalisa também vê certa resistência, conhecimento científico e uso sistemático CTNBio. De forma resumida, por se tratar mas acredita que o trabalho dos cientistas de bases de informação”, afirma a CTNBio de um vegetal, são considerados todos os é justamente esclarecer melhor para a co- via assessoria de imprensa. aspectos genéticos/moleculares da caracte- ser normatizado. Por isso tem sido defini- saios regulatórios para a comercialização munidade o que é a transgenia. “Quando a O modelo da CTNBio recomenda que rística introduzida, composição química e gente faz o melhoramento, a gente restrin- as avaliações sejam caso a caso, conside- nutricional (inclusive testes toxicológicos, ge a variabilidade. Quando fazemos o me- rando a biologia da cultura, a natureza de alergenicidade e imunológicos) e estu- lhoramento usando transgenia, também da característica genética introduzida e dos ambientais. restringimos a variabilidade, quer dizer, o ambiente de uso. Além disso, deve-se “A perspectiva depende exclusivamente não é um adjetivo só da transgenia. O am- proceder uma avaliação de forma compa- dos desenvolvedores dessa cultura. Uma biente já foi afetado desde que o homem rativa, calcada no Princípio da Precaução, vez que concluam todos os requisitos dos resolveu fazer a agricultura, não necessa- onde todas as ferramentas científicas, con- ensaios regulatórios previstos na legislação, riamente quando a gente resolveu fazer forme o conhecimento atual, devem ser a CTNBio cumprirá seu papel de análise transgenia. Na questão dos riscos alimen- empregadas. científica da solicitação comercial. Desta- tares, acho que isso realmente tem que ser “Cumprida todas as fases de avaliação, camos ainda que a CTNBio já emitiu opi- comprovado e todos os testes devem ser o interessado submete para a CTNBio todos nião favorável para vários ensaios de cana realizados. Devemos respeitar a suprema- os estudos regulatórios exigidos pela legis- controlados em campo, o que representa cia, o mérito da CTNBio.” lação para se seja feita a avaliação de risco uma avançada etapa de desenvolvimento do Organismo Geneticamente Modificado da fase pré-comercial”, revela a assessoria (OGM) que se pretende comercializar. Uma de imprensa. O QUE FALTA PARA SAIR? Depois de desenvolvida e testada, a ca- vez aprovado na CTNBio, espera-se um pra- Ainda segundo a CTNBio, é importante na transgênica precisa passar por aprova- zo de 30 dias para que o CNBS (Conselho lembrar que o Brasil possui uma das mais ção da CTNBio para posteriormente ser Nacional de Biossegurança) se manifeste avançadas legislações de biossegurança viável comercialmente. quanto as questões socioeconômicas. Após no mundo e já permitiu a introdução de Diferentemente do que acontece no isso, por ser tratar de um vegetal, o interes- vários produtos agrícolas geneticamente melhoramento genético convencional, sado deve se dirigir ao Mapa para as demais modificados na cadeia produtiva de forma um vegetal geneticamente modificado so- etapas de registro e por fim disponibilizar segura. “Um produto geneticamente modi- fre um escalonamento de avaliação que seu produto ao mercado”, afirma a CTNBio. ficado ao chegar ao mercado sofreu exaus- compreende a fase laboratorial, testes em Mas em quanto tempo sairá a autori- tivas avaliações de segurança, conforme o casas de vegetação, testes controlados à zação? O tempo de avaliação da CTNBio conhecimento científico disponível, o que campo e ensaios regulatórios para libe- depende estritamente do tipo de OGM e da não se observa no melhoramento genético ração comercial. “Todas estas fases com- qualidade das informações submetidas na convencional”, conclui a CTNBio. 22 Edição146 Roteiro.indd 22 28/01/2013 10:57:03 23 Edição146 Roteiro.indd 23 28/01/2013 10:57:04 tec. industrial A discussão sobre o melhor sistema de extração sempre existiu e a escolha entre um ou outro não é tão óbvia e simples como parece Não existe um consenso. Quando se questiona sobre o me- moída por unidade de tempo. Já o termo eficiência de ex- lhor sistema de extração de caldo de cana ainda não existem tração refere-se à quantidade de sacarose extraída da cana respostas concretas. Uma discussão aberta durante o ano pas- pelas moendas.” sado no grupo Cana & Indústria da rede social e profissional Ainda segundo ele, alguns fatores que afetam a capa- Linkedin mostrou que a maioria acredita que o difusor será o cidade de moagem são: futuro das novas usinas que se instalarão nos próximos anos. • preparo da cana; No entanto, durante as discussões, os participantes do grupo • eficiência de alimentação da moenda; não conseguiram chegar a um denominador comum quanto ao • tamanho e tipo dos cilindros da moenda; melhor sistema. • regulagem da bagaceira. A extração do caldo de cana consiste basicamente no pro- Já a difusão consiste na condução da cana em apare- cesso físico de separação da fibra (bagaço) do caldo. O processo lhos conhecidos como difusores, a fim de que a sacarose é executado pela escolha de um dos processos vigentes: moa- adsorvida ao material fibroso seja diluída e removida por gem ou difusão. Para ambos os processos, a cana passa por um lixiviação ou lavagem num processo de contra-corrente. tratamento através de equipamentos que são responsáveis pela Visando reduzir a quantidade de água necessária, é feita redução da cana em pequenos pedaços. Logo em seguida é feita uma operação de retorno do caldo diluído extraído. As- a desfibração (estilhaçamento) e a cana segue para o processo sim, ao final da operação, quando o bagaço se apresenta de extração de caldo. exaurido ao máximo, faz-se a lavagem com água fresca. O De acordo com o André Ricardo Alcarde, engenheiro agrô- líquido obtido dessa lavagem, contendo alguma sacarose nomo e pesquisador da Esalq-USP (Escola Superior de Agri- que se conseguiu extrair do bagaço, é usado na lavagem cultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo), a anterior por ser um pouco mais rico e, assim sucessiva- eficiência de um terno de moenda pode ser medida por dois mente. Esse retorno pode ser efetuado de cinco a 20 vezes, parâmetros: capacidade e eficiência de extração. “Entende-se dependendo do grau de esgotamento desejado. por capacidade de um terno de moagem a quantidade de cana Segundo Alcarde, com a utilização de difusores ob- 24 Edição146 Roteiro.indd 24 28/01/2013 10:57:06 25 Edição146 Roteiro.indd 25 28/01/2013 10:57:08 tecnologia industrial inúmeras e inegáveis vantagens sobre a moenda. Ele conta que teve a felicidade de conhecer melhor o equipamento nos últimos quatro anos, desde sua engenharia até a operação. “Quem conhece o sistema profundamente, jamais iria querer voltar à moenda que, apesar dos avanços na parte de acionamento, continua sendo um equipamento arcaico, com grande desgaste de seus componentes e cara manutenção”, afirma. Ainda segundo Godoy, no Brasil existem aproximadamente 25 difusores instalados. “Acredito que isso ocorra por conta de algumas experiências mal sucedidas com o uso de difusor circular e adaptações mal feitas. Consultando o pessoal que já trabalhou com moendas e agora trabalham com difusores, percebo que a maioria não quer mais Extração por difusão (Difusor Sermatec) trabalhar com moendas. O difusor trabalha vários dias sem parada enquanto a moenda não consegue rodar 24 horas. O tém-se eficiência de extração da ordem de 98%, contra os caldo do difusor é diferente do caldo da moenda, ele tem 96% conseguidos com a extração por moendas. Os tipos mais impurezas e necessita de um tratamento diferenciado, de difusores utilizados são os difusores oblíquos (DDS), os mas o grande exemplo de que se consegue produzir açúcar difusores horizontais e os difusores circulares. No Brasil, o de excelente qualidade está na Guarani Unidade Cruz Alta modelo usado é o horizontal. O difusor traz vantagens como: que iniciou com um difusor e após alguns anos instalou o • baixo custo de manutenção; segundo”, afirma. • baixo consumo de energia; Já Ramón Orlando Villarreal, sócio da V&R Consultoria • obtenção de caldos mais puros; e Projetos, disse que a escolha do sistema de extração de- • alta extração de sacarose; pende de vários fatores como: • menor desgaste. 1) A escala de produção inicial/final do empreendimento: Se De acordo com o pesquisador, a desvantagem do uso de for 3 milhões de t cana, um difusor atenderia (e poderia difusores é que estes carregam mais impurezas com o ba- ser modular em função das fases de produção) até 20.000 gaço para as caldeiras, exigindo maior limpeza das mesmas tcd. Se a escala final é 5 milhões de t cana, neste caso um devido à pior qualidade do bagaço. único difusor não atenderia. Se a opção for moenda, uma conjunto 100” atenderia, e seria modular; DIFUSORES X MOENDAS 2) As novas unidades teriam que ter 100% colheita integral, A discussão aberta no grupo Cana & Indústria do Linke- com atenção especial para as condições de região, clima din, que contou com votos de 95 participantes, fazia o se- e solo, pois o difusor de cana é extremamente sensível às guinte questionamento: Qual o sistema de extração de caldo impurezas minerais e vegetais. Outras coisas que devem que mais será adotado nas novas usinas e destilarias que ser levadas em consideração é se haverá sistema de lim- forem instaladas no Brasil daqui para frente? peza a seco, se há cogeração e se o palhiço seria recolhido Para Jair Junior Godoy, gestor de Projetos na Sugarsoft, juntamente com a cana; todos os técnicos envolvidos com decisão de compra deve- 3) Balanço energético e potência instalada: o preparo de riam conhecer o processo de extração por difusão devido as cana precisa ser de alta eficiência no caso do difusor. A instalação de difusor tem vantagens para cogeração. A “O som da moenda rugindo e esmagando cana pode até ser poético, mas é um movimento antinatural, forçado. Sou da roça, mas me parece evidente que o difusor é muito mais civilizado e atual que a moenda.” manutenção é mais reduzida no caso de difusor (apesar de que já há apresentações de conjunto de moenda com materiais especiais em inox, de baixa manutenção). A extração do caldo com a nova matéria-prima que temos, não se consolida pois a maior extração é do difusor; 4) Água de embebição/qualidade do bagaço: o difusor utiliza 26 Edição146 Roteiro.indd 26 28/01/2013 10:57:12 27 Edição146 Roteiro.indd 27 28/01/2013 10:57:14 tecnologia industrial se colocar posterior ao difusor, pode-se compensar a perda do difusor com ternos de moenda. “Durante uma palestra de um consultor renomado e experiente em sistema de extração, afirmou-se que em difusores de cana de grande capacidade (acima de 15.000 tcd), um rolo desaguador mais um terno de secagem não garante umidade abaixo de 52%. Ele ainda disse que em todos os novos projetos deixa espaço para a instalação (Usinas Itamarati / Crédito: Rafael Mazetti) de mais um terno de secagem. Ou seja, estamos falando de dois ternos e teremos aumento de potência. Os técnicos da indústria debatem a preferência por difusor ou moenda, mas qual é a vingança da moenda? É que o difusor não vive sem ela”, opina Villarreal. Para Marcos Vinícius Brandão, gerente Industrial da Usina Catende, deve-se analisar profundamente qual o melhor método de extração. Tradicionalmente, as limitações da moenda estavam contidas nas PHE + acionamentos, mas hoje a evolução nesses requisitos melhoraram bastante o desempenho das moendas. “Em minha humilde opinião, a opção de moenda ou difusor deve ser balizada, porém, a limitação sempre será os custos operacionais e de manutenção. Tenho uma verdadeira vocação para moendas e já trabalhamos com difusores. Sempre teremos um paradoxo porque acredito Extração por moenda que ambos os equipamentos são confiáveis. É tudo uma questão de modismo e de preferência. Esse mesmo pro- mais água que a moenda, logo produz um brix de caldo menor cesso está ocorrendo no setor de evaporação com uso de que o da moenda. A qualidade do bagaço do difusor apresen- pré-boiler, indo em desacordo com o tradicionalismo de ta maior umidade e maior conteúdo de impurezas (cinzas %), evaporação em usinas”, diz Brandão. pois o processo de lixiviação retêm todas as impurezas no ba- Emerson Rodrigo Dias Moroni, projetista técnico em gaço. A caldeira deverá ser dimensionada para esta condição; Instrumentação, Automação e Elétrica da Vetek, traba- 5) A qualidade do caldo do difusor é de turbidez menor, lhou com os dois tipos de extração e diz que o processo precisando de um sistema de tratamento de caldo de capa- por difusor é mais clean, ou seja, com menos ruídos e cidade inferior (em torno de 15% a 20%) quando comparado desgaste de equipamentos. com caldo de moenda. Em lugares muito secos (Goiás, por “No entanto, o sistema ainda depende do rolo desa- exemplo) a quantidade de lodo é muito baixa e o sistema de guador e terno de secagem. No momento de se projetar filtração é mínimo. A produção de açúcar branco direto é uma nova unidade é importante levar em conta fatores mais fácil com moenda que com difusor, devido a qualida- externos como topografia da área de plantio. O processo de do caldo. Se optar por difusor, os processos industriais de difusão também exige uma logística de colheita ade- deverão ser ajustados para tal condição; quada por conta da cana velha. O processo de difusão 6) A escolha será uma decisão técnica/econômica, em função não é eficiente nestes casos, pois devido ao endureci- do supracitado. As soluções podem ser várias, por exemplo: mento das fibras, acontece a formação de bolsões de cal- se a usina tem um difusor de cana convencional de 8.000 do e eventuais transbordamentos. Sendo assim é necessá- tcd e pretende aumentar a capacidade para 12.000 tcd, pode ria a mistura de canas novas com canas velhas”, destaca. combinar com ternos de moenda. Se colocar um terno na O consultor Paulo de Faria Júnior, acredita que o fato frente, transforma o difusor de cana para bagaço. Se estuda- do sistema de extração por difusão não estar no topo da 28 Edição146 Roteiro.indd 28 28/01/2013 10:57:17 Anun PUBLIQUE Só quem tem um Pivot Valley sente orgulho de ter esta confiança. ® Valley® é sinônimo de qualidade, tecnologia, durabilidade, precisão e eficiência. É símbolo de respeito ao meio ambiente e sustentabilidade. Significa melhor custo/benefício e rentabilidade para seu negócio. E, acima de tudo, Valley ® é marca de confiança, tem história e tem tradição, no Brasil e no mundo. Pivot Central Corner Rebocáveis Lineares Baixe um leitor de QR-Code em seu celular. Aproxime-o do código e veja o conteúdo. BaseStation2-SM Valley® VIP Pivot para pequenas áreas Águas Residuais (34) 3318.9014 | [email protected] | www.PivotValley.com.br 29 Edição146 Roteiro.indd 29 Anuncio_Valley_21x28_Agrianual2013_V3.indd 1 28/01/2013 10:57:17 14/01/13 10:40 tecnologia industrial lista deve-se a falta de aprofundamento no tema e também taminação do caldo, permitindo uma operação mais limpa por questões culturais arraigadas. “Por este e outros moti- e segura”, destaca. vos o difusor não evoluiu como deveria nestas últimas dé- Ainda segundo ele, os difusores são projetados com qua- cadas, pois os projetos dos difusores de hoje são quase os tro aquecedores, três trabalhando e um em limpeza, o que mesmos de 50 anos atrás.” permite a temperatura ideal, maior eficiência na extração Para Helio Humberto de Oliveira , assessor Industrial, e uniformidade do processo. “Sem dúvida o difusor é o fu- não resta dúvida de que tanto os difusores quanto as moen- turo na extração de caldo de cana e, com certeza, em breve das são bons equipamentos. “Hoje muita coisa foi aprimora- não haverá a necessidade de desaguador/moenda para se- da, mas a grande verdade é que não conseguimos melhorar cagem de bagaço devido a alguns trabalhos e experimentos a eficiência de embebição das moendas para atender uma que estão em andamento e que estou acompanhando bem melhor extração. Já o difusor, para o que ele foi projetado, de perto”, salienta Faria Júnior trabalha bem, possui consumo de energia menor etc. Resta Paulo Zancaner Castilho, sócio da Datagro, afirma que saber o balanço final da fábrica e o que a moenda sobrepõe além de todas as qualidades discutidas, uma usina com di- em aumento da moagem. Aproveito para colocar que mo- fusor é silenciosa e muito mais limpa e organizada. “O som enda com bom preparo e boa regulagem aproxima-se muito da moenda rugindo e esmagando cana pode até ser poético, em extração em relação ao difusor”, opina. mas é um movimento antinatural, forçado. Sou da roça, mas me parece evidente que o difusor é muito mais civilizado DIFUSORES: VENCEDORES NA VOTAÇÃO e atual que a moenda”, declara. Até o fechamento desta edição, a votação feita pelos par- De acordo com Godoy, deixando as paixões de lado, ticipantes do grupo Cana & Indústria do Linkedin mostra imagine que você deverá apresentar ao seu diretor, dados que 44% acreditam que o difusor será o principal sistema para escolha de um sistema de extração para a nova uni- de extração das novas unidades que deverão ser inaugu- dade da empresa que vai processar 2 milhões de t de cana radas nos próximos anos. Os outros 30% acreditam que as por safra e ainda sofrerá futura expansão. Se forem com- moendas continuarão dominando os parques industriais e parados quatro ternos de moenda com um difusor teremos 22% acham que as usinas terão ambos os sistemas meio a o seguinte quadro: meio. Apenas 3% aposta em um novo sistema de extração. ART % cana: 14,0% De acordo com Farias Júnior, o difusor é considerado Fibra % cana: 13,0% uma evolução tecnológica para o processo de extração da Pol esperada no bagaço: sacarose da cana-de-açúcar. Para ele, o uso do difusor pro- - moenda quatro ternos: 2,90% porciona mais eficiência e agilidade das operações, gerando - difusor: 1,10% maior rendimento. Açúcar adicional (difusor) produzido por safra: “O difusor atual traz melhorias no poder de extração 9.911 toneladas da sacarose, é econômico e proporciona melhor aprovei- Faturamento adicional a US$ 600,00/ton: US$ 5.946.900,00 tamento do caldo da cana. Nos últimos anos a área útil de Potência consumida total em HP: percolação foi aumentada e melhor distribuída, permitindo - moenda 9.276 maior percolação do caldo dentro do difusor, resultando em - difusor 4.469 maior poder de extração. O sistema de circulação do caldo Economia de potência mecânica em KW 3.581 melhorou e hoje temos melhor lavagem das células da cana, Aumento na cogeração por safra Mw/safra: 10.566 o que resulta em maior eficiência operacional. Além disso, eles estão equipados com até três baterias de descompacta- FATURAMENTO ADICIONAL COM ENERGIA POR SAFRA dores progressivos, posicionados estrategicamente ao longo US$/Safra: 369.800 do corpo do equipamento, recuperando a permeabilidade Economia em manutenção por safra: US$ 90.000,00 do colchão de cana e mantendo a eficiência na extração. O Economia em custos operacionais por safra: US$ 348.600,00 equipamento dispensa a construção de abrigos, reduzindo Ganho adicional por safra: US$ 6.755.300 o custo da manutenção de entressafra. Suas paredes, cober- “A expansão de capacidade deverá ocorrer cinco anos tura, coletores e tubulações em aço inox impedem a con- após a implantação. Então teremos um ganho de US$ 30 Edição146 Roteiro.indd 30 28/01/2013 10:57:17 tecnologia industrial 33.776.500. Agora, diante desses valores pergunte a seu diretor qual sistema ele comprará. É por isso que os difusores estão avançando no terreno das moendas”, destaca Godoy. Villarreal faz questão de deixar claro que não é a favor ou contra qualquer um dos sistemas. “Quando alguém me pergunta sobre este assunto, como todo engenheiro, a resposta inicia com um ‘depende’. Acredito que conforme as circunstâncias, as condições edafoclimáticas e sistema de colheita, o sistema escolhido pode ser um ou outro e também a combinação.” “Acho que seria interessante que o pessoal da agrícola participasse da escolha também. Afinal, antes da cana ser preparada para extração, há o processo de limpeza da cana. É aqui que do processo necessário para que o sistema de extração tenha A pesquisa, realizada em 2012, contou com a participação de 95 profissionais que fazem parte do grupo “Cana & Indústria” do Linkedin sucesso, mais ainda se for decidido trazer o palhiço junto com tes, é porque a resposta sobre a melhor solução ainda não a cana para cogeração. Agora, tudo isto é válido no estado da está clara. “Se uma delas tivesse grande vantagem sobre arte que se encontra estes equipamentos. Conforme sua evo- a outra não teríamos este bom debate.” nossos colegas da Agrícola podem contribuir na identificação lução, os usuários vão escolher aquele que se adeque mais a sua necessidade”, conclui Villarreal. Marcelo Caldato Fiodaro, gerente Industrial da Umoe BioEnergy, afirmou que se ainda existem tantas opiniões divergen- Para Ricardo Pinto, sócio-diretor da RPA Consultoria, criador e mediador do grupo Cana & Indústria do Linkedin, as discussões mostraram que a escolha não é tão óbvia ou simples quanto pareça num primeiro momento. 31 Edição146 Roteiro.indd 31 28/01/2013 10:57:18 36 + Dicas e Novidades dicas dicas ee novidades novidades BNDES CONTINUA COM INCENTIVO PARA PLANTIO DE CANA EM 2013 ISSCT 2013 VAI MOSTRAR KNOW HOW DO SETOR SUCROENERGÉTICO BRASILEIRO O Brasil será, pela terceira vez, sede do Congresso O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e da ISSCT (International Society of Sugar Cane Tech- Social) anunciou a renovação do Prorenova por mais um ano. Nova- nologists), que vai acontecer entre os dias 24 e 27 de mente, o banco vai destinar R$ 4 bilhões ao programa, que seguirá Junho de 2013, no Transamérica Expo Center, em São até 31 de dezembro de 2013. Em 2012, os recursos do Prorenova atin- Paulo, SP. Realizado a cada três anos, o evento, que tem na Na carteira de 2013, o banco de fomento tem R$ 930 milhões programação o pré e pós-congresso e uma exposição, em projetos do Prorenova. Algumas alterações foram feitas na nova reunirá mais de 5 mil profissionais do setor de diversos edição do Prorenova. Entre elas, a de aumento do limite de finan- países. Para Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricul- ciamento por hectare de cana plantado no âmbito do projeto de in- tura, Pecuária e Abastecimento e presidente honorário vestimento, que passou de R$ 4,3 mil para R$ 5,4 mil. da 28ª edição do ISSCT, a importância desse grande en- dicas e novidades giram 20% da demanda média anual por plantio de cana no Brasil. O banco informou ainda que somente poderão ser financiados contro da cadeia sucroenergética é “mostrar ao mundo projetos de plantio de cana realizados entre 1º de janeiro e 31 de o que temos feito de avanços na cadeia produtiva ca- dezembro de 2013. Entretanto, todos os gastos para a preparação navieira, o que pode nos render grandes negócios em do plantio que tenham sido feitos a partir de 1º de julho de 2012 termos globais. E não se trata de vender mais álcool ou podem ser reembolsados. açúcar, mas sim de vender know how, que vale muito Segundo Auro Pardinho, gerente de Marketing da DMB, fabri- mais”, avalia o ex-ministro. cante de plantadoras de cana e implementos agrícolas, grande parte Organizado pela STAB Nacional (Sociedade dos Téc- do que vai se plantar este ano é consequência do planejado no ano nicos Açucareiros Alcooleiros do Brasil) com operação passado. “Acredito que se o preço da gasolina for reajustado, vai fa- da Reed Multiplus, marca associada à Reed Exhibitions vorecer o consumo do etanol e assim vai motivar as usinas em refor- Alcantara Machado, o evento já registra um número re- mar mais áreas com canaviais velhos. Temos ainda a perspectiva de corde de trabalhos inscritos e contará com três plenárias aumentar as exportações de etanol principalmente para os EUA. Isso que abordarão a integração da indústria sucroalcoolei- certamente contribuirá para o aumento do plantio de cana e, con- ra envolvendo açúcar, etanol, energia e co-produtos; sequentemente, aumento da mecanização desta atividade”, afirma. a biomassa e as tecnologias futuras e o melhoramento No entanto, Pardinho diz ainda ter dúvidas quando ao Prorenova. genético da cana-de-açúcar através de técnicas tradi- “Estes recursos já estavam disponíveis desde o início do ano passa- cionais e moleculares. do e quase ninguém conseguiu utilizá-los devido às exigências do banco. Caso as exigências sejam mais abrandadas, poderá contribuir para o aumento dos investimentos em plantio mecanizado”, opina. A região Centro-Sul do Brasil já mecaniza 53% do seu plantio, segundo dados da Unica SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA PARA MELHORIA DE PROCESSOS O uso da tecnologia SIG ou GIS (Geographic Information System) dá às usinas a possibilidade de integrar equipamentos, metodologias e conhecimento especializado para uso de um grande volume de dados georreferenciados, os quais são transformados em informações que irão contribuir para uma melhoria no processo de tomada de decisão, permitindo o acompanhamento e o aprimoramento das atividades de planejamento, operação e gestão nas usinas. De acordo com Alexandre Marques, especialista em Soluções de Inteligência Geográfica da Imagem, por meio do SIG é possível atender as atividades da área agrícola e a necessidade de adequação da produção à 32 32 32 Edição146 Roteiro.indd 32 28/01/2013 10:57:20 dicas e novidades legislação ambiental vigente. “A tecnologia per- ALGUNS CRESCERAM MUITO EM 2012 mite verificar as áreas em que são necessárias Apesar da crise no setor sucroenergético em 2013, o All Group holding intervenções e, a partir de então, planejar as detentora das empresas TransEspecialista, TransLog, Assessora e Aliança, ações necessárias. Em caso de necessidade de fechou o ano com um crescimento de faturamento de 14%. reformar a área da cultura, é possível planejar Para o CEO do grupo, Ricardo Amadeu da Silva, que também é Coor- as ações com base nos dados históricos das denador do Comitê de Transporte e Logística do Ceise Br, 2012 foi um ano informações de campo, dados do ERPs (Enter- desafiador e apenas quem atuou com certa rigidez, evitando desperdício prise Resource Planning), imagens e fotografias a todo custo e com muita austeridade conseguiu romper o ciclo. aéreas, que podem ser armazenadas e sistematizadas no SIG”, explica. Com auxílio dos mapas, é possível realizar “Neste ano as usinas estão reformando melhor, buscam recuperar a indústria, muitas delas ainda estão sofrendo com a falta de crédito e com a baixa produtividade do ano anterior. Mas a lição de casa está sendo fei- diversas atividades, tais como: reforma dos ca- ta. Desperdícios estão sendo contidos de todas naviais, determinação do retalhonamento, o as formas e o setor recupera-se lentamente, levantamento da estrutura total da área proje- apesar das adversidades”, finaliza Silva. tada e perímetro, carreadores e curvas de nível. “Mesmo que as aplicações da tecnologia sejam bem distintas de acordo com a área da usina, em geral, quando é bem empregada, estima-se ganhos de 5% a 25%, com a redução de custos operacionais e acertos na estimativa da produ- Apesar de 2012 ter sido um ano desafiador, Silva acredita que o setor já começa a se recuparar tividade”, conta Marques. 3333 Edição146 Roteiro.indd 33 28/01/2013 10:57:21 por pordentro dentrodadausina usina por dentro da usina USINA CORURIPE TEM NOVO PRESIDENTE Em uma solenidade realizada na última semana, que contou com a presença de mais 1500 colaboradores no Clube Manoel Duarte, na sede da empresa em Alagoas, o ex-vice-presidente da Alesat, Jucelino Sousa, assumiu o cargo de diretor presidente da Usina Coruripe. Na oportunidade, Vitor Junior, um dos ex-diretores falou sobre a nova diretoria: “Vamos (ex-diretores) sair da parte executiva e ficar no Conselho de Administração pensando na área estratégica.” Em um discurso breve, Sousa realçou a força da história da Coruripe. “O desafio maior em ser presidente dessa empresa não será cuidar da lavoura, da eficiência industrial ou realizar bons negócios. O maior desafio será honrar as tradições do Grupo Tércio Wanderley, buscando sempre a melhoria contínua, porém preservando a cultura e os princípios construídos pelo Comendador Tércio Wanderley”, declarou. A indicação do Diretor Presidente é o desfecho do processo de profissionalização da Coruripe que foi iniciado há USINA DC BIO LANÇA PROGRAMA “NOSSO APRENDIZ” PARA FILHOS DOS COLABORADORES dois anos com a consultoria da Egon Zender Internacional. Todos os acionistas que faziam parte da antiga gestão agora integrarão o Conselho de Administração, em sistema de rodízio, que contará também com conselheiros independentes. Guarani, Jaime Stupiello, em entrevista para a TV Udop, a empresa produziu 1,6 milhão de t de açúcar e 700 milhões de l de etanol. Com intenção de descobrir novos talentos a Della Co- “A safra foi muito boa, tinha uma expectativa baixa letta Bioenergia (DC Bio) lançou um programa para incluir de produção por conta de problemas que tivemos na sa- os filhos dos colaboradores como aprendizes na empresa. fra passada, mas particularmente estava muito confiante A ideia de descobrir novos talentos é uma solução para a quando iniciamos. Com as chuvas de junho que não ocor- falta da mão de obra e também para valorizar a família de rem normalmente, a safra teve um bom desempenho em quem já é colaborador da usina. termos de produção e o resultado foi positivo”, explica. “A DC Bio tem como premissas básicas a valorização e Para a próxima temporada, 2013/14, a empresa sucro- a motivação de seus colaboradores. Criar a oportunidades alcooleira espera processar 20,4 milhões de t de cana-de de pais e filhos trabalharem lado a lado na empresa é uma -açúcar. forma de incentivar os nossos colaboradores”, afirma Janaína Campagnini, psicóloga e responsável pelo recrutamento e seleção na empresa. USINA TERÁ CAPACIDADE PARA MOER 4,1 MILHÕES DE T DE CANA Os filhos dos colaboradores serão alocados em diversas O município de Ivinhema próximo a Campo Grande áreas, do administrativo ao operacional. A ideia é contribuir vai ganhar uma usina para a produção de açúcar e etanol com a formação profissional desses jovens. Para participar com capacidade para moer 4,1 milhões de t de cana-de o adolescente precisa ter entre 14 e 17 anos, além de estar -açúcar por safra. matriculado e frequentando o ensino fundamental ou mé- O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econô- dio. A empresa vai seguir a lei do Aprendiz que determina, mico e Social) liberou um financiamento de R$ 488,6 mi- por exemplo, o valor de remuneração de cada jovem. lhões para a implantação da usina. O projeto está a cargo da empresa Adecoagro Vale do Ivinhema, controlada pelo GUARANI PROCESSOU 18,4 MILHÕES DE T EM 2012 grupo internacional Adecoagro, e prevê ainda a instalação de uma unidade de cogeração de energia elétrica com capa- A Guarani, empresa controlada pela Tereos Internacio- cidade de 120 Mw, além de linha de transmissão associada. nal, finalizou a safra 2012/13 com uma moagem de 18,4 mi- Segundo informou o BNDES, esse é o segundo projeto lhões de t de cana-de-açúcar. Segundo o diretor Agrícola da sucroenergético implantado pelo grupo econômico no Bra- 34 34 34 Edição146 Roteiro.indd 34 28/01/2013 10:57:23 35 Edição146 Roteiro.indd 35 28/01/2013 10:57:24 por dentro da usina sil. O primeiro foi a Usina Angélica Agroenergia, também localizada no Mato Grosso do Sul, e que entrou em funcio- CARGILL RECEBE BONSUCRO namento em 2008 e teve empréstimo do BNDES no valor A multinacional americana Cargill recebeu a certificação Bonsucro, organização global com o enfoque de reduzir os impactos ambientais e sociais da produção de cana-de-açúcar. Atualmente, apenas 2% dos plantios mundiais de cana detêm essa certificação. O selo permitirá à empresa exportar açúcar brasileiro por meio de sete terminais de açúcar e seis de etanol para a União Europeia, já que passaram a atender aos requisitos de rastreabilidade. “A certificação prepara a empresa para adotar critérios mais rigorosos na cadeia sucroalcooleira e, ao mesmo tempo, abre novas portas para as demandas de mercado”, explica o diretor da Cargill Global Sugar no Brasil, Alex Leite. de R$ 151 milhões. RIO GRANDE DO SUL TERÁ USINA DE ARROZ PARA PRODUZIR ETANOL Seis usinas que produzirão etanol a partir de cerais, principalmente do arroz, serão construídas no Rio Grande do Sul. O projeto receberá R$ 720 milhões e será viabilizado por meio de uma parceria entre a empresa Vinema e produtores rurais ligados à Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul). O etanol produzido nas refinarias será todo consumido no Rio Grande do Sul, que hoje importa o combustível de São Paulo, de Mato Grosso e do Paraná. “Poderemos abastecer até 46% da demanda do Estado. A capacidade de produção será de 600 milhões de litros por ano”, diz o CEO da Vinema, Vilson Machado. As obras da primeira usina, na cidade de Cristal, começam em abril e devem ser concluídas no final de 2014. A previsão é que os seis empreendimentos estejam em operação até 2020. 36 Edição146 Roteiro.indd 36 28/01/2013 10:57:26 37 Edição146 Roteiro.indd 37 28/01/2013 10:57:27 executivo José Roberto Dalla Coletta Idade 58 anos Naturalidade Cordeirópolis, SP Estado Civil Casado há 32 anos e tem dois filhos Formação Economia e pós-graduação em Gestão Empresarial pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru, SP Cargo Diretor Superintendente da Della Coletta (DC Bio) Hobbies Voar, andar de moto e de jipe Filosofia de Vida “Procuro viver meu dia a dia como se fosse o último de minha vida. Faço o possível para estar bem comigo mesmo e com as pessoas que convivem comigo.” Se por enquanto o setor não decola, pelo menos nas horas vagas, o executivo José Roberto Della Coletta, diretor superintendente da Dalla Coletta Bioenergia (DC Bio) e membro do conselho da Unica (União das Indústrias de Cana-de-açúcar), chega às nuvens. Quando tem tempo sobrando na agenda, voar é o seu passatempo favorito. Apesar de vir de uma família tradicional do setor, Dalla Coletta trabalhou durante dez anos no Banco do Brasil. “Ingressei em 1975 na cidade de São José dos Campos, SP. Posteriormente trabalhei nas agências de Bauru e Bariri, SP. Atuei na área do Crédito Rural e, na maior parte do tempo, fazia a análise de projetos e propostas de Crédito Rural. Mas mesmo trabalhando no banco me dedicava à usina trabalhando em projetos de desenvolvimento. Em setembro de 1986 deixei o banco e passei a trabalhar integralmente para a Della Coletta. Dez anos depois, me tornei o superintendente”, conta. Além da usina, o executivo ainda se dedica ao jornal da cidade de Bariri, o qual também pertence a sua família desde 1989. 38 Edição146 Roteiro.indd 38 28/01/2013 10:57:29 executivo Quando não está com a família, o executivo faz o que mais gosta: voar O executivo recebendo o Selo de Compromisso Nacional “Eu escrevo o editorial do jornal.” Dalla Coletta ainda matriz energética e no aumento dos custos de produção. participa do conselho da Unica desde sua fundação, “Resolvida esta equalização de preço, tudo volta ao normal. O setor está preparado para, a qualquer mo- em 1997. “Fiquei fora durante dois mandatos. Atualmente mento, retomar o desenvolvimento e atender toda de- estou no terceiro mandato no Conselho Fiscal. Junto manda de etanol, tanto para o mercado interno quanto com os demais conselheiros fui responsável pela nova para o externo. Isso acontecerá quando tiver equacio- dinâmica do Conselho, cujas reuniões são trimestrais”, nado o problema do aumento dos custos. O maior de- diz. Semanalmente, o executivo participa da reunião safio que o setor tem enfrentado, desde a implantação do Conselho Deliberativo, acompanhando as decisões do Proálcool, é ter que provar, a todo o momento, que tomadas, bem como apresentando sugestões. pode ser um combustível renovável importante na ma- Quando questionado sobre a nova presidente da triz energética. Que no preço final existem fatores que Unica, o executivo destaca que “é importante dizer que precisam ser considerados, o que não se resume somen- o Marcos Jank cumpriu a missão que lhe fora delegada te em menor preço ao consumidor, mas um importan- pelo Conselho, que foi a de conquistar o mercado in- te meio de redução da poluição dos grandes centros, ternacional, principalmente o americano. Neste segun- propiciando incalculáveis benefícios à saúde pública, do momento cabe à nova presidente, Elizabeth Farina, reduzindo as despesas governamentais com o tratamen- a missão de estreitar o relacionamento do setor junto to das doenças provenientes da poluição urbana, além aos interlocutores internos, buscando sinergia entre da forte geração de empregos e recursos em toda a ca- os integrantes do governo e toda a cadeia. Com isso, deia, bem como de impostos e da economia de divisas os produtores poderão ter uma visão clara e de longo com a importação de petróleo”, destaca Dalla Coletta. prazo sobre o que o País espera e Nos últimos anos, as usinas quer do etanol como biocombus- têm investido mais em produção tível. Se ele fará parte ou não da matriz energética. Além disso, é importante manter o que fora conquistado no exterior.” Apesar disso, Dalla Coletta não vê um setor em crise. Segundo ele, a crise está na necessidade de ter ou não ter o etanol na “Vamos deixar nossas vaidades de lado e, juntos, construir um setor forte e que seja respeitado pelo valor que tem e representa para o Brasil” de cana. E a DCBio não está fazendo nada diferente das demais. De acordo com o executivo, no momento a usina está renovando suas lavouras e as expandindo para suprir a lacuna deixada pelos fornecedores. Os demais investimentos que estão sendo feitos, estão 39 Edição146 Roteiro.indd 39 28/01/2013 10:57:30 executivo vens, literalmente. Um de seus passatempos prediletos é voar. “Quando não estou com a família, estou no aeródromo para fazer meus voos aos sábados e domingos à tarde”. Ele ainda gosta de andar de moto e jipe. Sua filosofia de vida explica tanta aventura: “vivo meu dia a dia como se fosse o último de minha vida. Faço o possível para estar bem comigo mesmo e com as pessoas que convivem comigo.” Viajar faz parte do calendário da família de Dalla Coletta. Sempre. Normalmente, o executivo e sua esposa viajam duas vezes em períodos de 8 a 10 dias. “Reservamos uma viagem para a praia com a companhia dos filhos, quando eles podem nos acompanhar. Também teDalla Coletta: “Minha missão na empresa é terminar o processo de crescimento e fortalecimento, preparar a sucessão e poder curtir um pouco mais a vida, se Deus permitir” mos um grupo de quatro casais amigos que convivemos desde a juventude. Então, sempre que possível viajamos juntos. Ora com um, ora com outro, isso torna o passeio restritos ao atendimento da suspensão da queima da pa- mais agradável e divertido. Os destinos são os mais varia- lha da cana. dos possíveis. Pode ser pelo Brasil ou exterior. Depende Na última safra, a DCBio moeu 1,6 milhão de t de cana- da oportunidade. Pretendemos voltar para a Itália para de-açúcar, produziu 53 milhões de l de etanol e 128 mil um passeio mais demorado e conhecer os lugares de on- t de açúcar VHP. Para este ano, a Della Coletta espera um de vieram nossos avós”, conta. incremento de 8% em sua produção de cana. Realizado, mas não acomodado. É assim que ele se sente hoje. “Minha missão na empresa é terminar o pro- POR UMA VIDA COM MAIS CURTIÇÃO cesso de crescimento e fortalecimento, preparar a su- Durante sua rotina profissional, o executivo procura cessão e poder curtir um pouco mais a vida, se Deus resolver todas as suas pendências o mais rápido e sem es- permitir. Quando tiver conseguido efetuar a sucessão, tresse. “Todo dia saio de casa logo pela manhã, volto para espero poder viajar sem compromisso com minha esposa almoçar com a família e a tarde volto para o trabalho, do e amigos. Quero poder curtir um pouco mais a vida, voar qual retorno no início da noite. Às terças-feiras normal- um pouco mais, mas sem deixar de lado o compromisso mente vou à São Paulo para participar das reuniões da de acompanhar os passos da empresa”, diz o executivo. Ele ainda acrescenta que é importante e necessária a Bioagência e da Unica”, diz Dalla Coletta. Para cuidar da saúde, o executivo concilia o Pilates valorização e a união do setor. “Os problemas são inúme- uma vez por semana, com a academia. Seu treino é fei- ros. Imagina o que seria do setor se não tivesse a Unica. to em conjunto com a esposa Rosana Aparecida Acçolini O fardo é pesado. Se mais empresas participassem, pode- Dalla Coletta, com quem é casado há 32 anos e com os fi- ríamos fazer muito mais e, talvez, não perderíamos tanto lhos, José Roberto Dalla Coletta Filho, 31 anos, e Ana Cecília Dalla Coletta, 28 anos. “É uma academia pequena, com uma personal trainer que atende por grupos de, no máximo, quatro pessoas, motivo pelo qual participa toda minha família”, explica. Para espantar todo o cansaço de uma semana de trabalho, ele vai às nu- “O maior desafio que o setor tem enfrentado, desde a implantação do Proálcool, é ter que provar, a todo o momento, que pode ser um combustível renovável e importante na matriz energética” dinheiro com a oscilação de preços, principalmente do etanol. Existe um ditado caipira que demonstra bem o que quero dizer, ao afirmar que: ‘cateto fora do grupo é comida de onça’. Vamos deixar nossas vaidades de lado e, juntos, construir um setor forte e que seja respeitado pelo valor que tem e representa para o Brasil”, finaliza. 40 Edição146 Roteiro.indd 40 28/01/2013 10:57:32 41 Edição146 Roteiro.indd 41 28/01/2013 10:57:32 Dropes RENOVAÇÃO DE CANAVIAIS PODE TRAZER MOAGEM RECORDE Devido à renovação dos canaviais, a mo- tível por esse canal, o que traz dúvidas quanto a sua competitividade frente a outros modais como ferrovia, hidrovia e principalmente rodovia. agem de cana, que chegou a recuar para ape- Estimativas elaboradas por um especialista no tema e li- nas 493 milhões de t, deverá ficar entre 580 gado a agentes do setor, apontam que ao utilizar o duto para milhões e 590 milhões na safra que se inicia fazer o escoamento da produção de etanol, só serão bene- em abril na região Centro-Sul. ficiadas usinas próximas a um raio de 180 km de Ribeirão Ao atingir esse volume, a moagem será a Preto e ao Triângulo Mineiro. Para esses produtores, o custo maior já ocorrida na região. A oferta de ca- será de R$ 42 por m³, contra os atuais R$ 50 cobrados para na, no entanto, ficará abaixo da de 2010/11, fazer o transporte por rodovia. Para 2014, quando está pre- quando o setor teve um volume superior a 600 visto o transbordo deste trecho se iniciando em Uberaba, o milhões de t. valor sairá de R$ 70 cobrados no uso das rodovias para os R$ 60 do duto. MECANIZAÇÃO ATINGE 85% DA COLHEITA DE CANA NO PAÍS Pressionadas por motivos ambientais e tra- ACORDOS DA ECO-ENERGY AMPLIAM OFERTA DE ETANOL balhistas, as usinas sucroalcooleiras conse- Dois meses após a Copersucar adquirir o controle de ca- guiram mecanizar 85% da colheita e 53% do pital da Eco-Energy, empresa que detém 10% do mercado plantio de cana da região Centro-Sul, respon- norte-americano de biocombustíveis, foram formalizados sável pela maior parte da produção brasileira dois novos acordos para comercialização exclusiva da tota- de etanol e açúcar. lidade da produção de etanol de duas novas destilarias nos De acordo com dados do Centro de Tecno- Estados Unidos: Lincolnway Energy, localizada em Nevada, logia Canavieira (CTC), o Mato Grosso do Iowa, e Corn Plus Ethanol, de Winnebago, Minnesota, com Sul detém a maior participação de produção anual, respectivamente, de 208 milhões de l e de máquinas na colheita de cana atu- 185 milhões de l. almente no País - 95% de tudo Os acordos ampliam a capacidade de oferta e de negocia- o que é colhido no Estado. Em ção da Eco-Energy em cerca de 8%, cujas operações conjuntas Mato Grosso são 90%. Já Goiás, com a Copersucar representam a maior plataforma global de Minas Gerais e São Paulo apre- biocombustíveis, com oferta total de 10 bilhões de l de etanol sentam 87% de mecanização. por ano e presença relevante nos dois principais mercados Fernando Brod, pesquisador do mundo: os Estados Unidos e o Brasil. do CTC, estima que já foram investidos cerca de R$ 14 bilhões para a aquisição das frentes de colheita. O SAFRA PASSADA TEVE AUMENTO DE 7,74% que inclui não só compra de colhedo- O volume de cana-de-açúcar processado pelas usinas do ras, tratores, caminhões como a compra Centro-Sul do Brasil no acumulado da safra 2012/13 até 31 de transbordos. de dezembro cresceu 7,74%, atingindo 531,35 milhões de t, segundo a Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar). ETANOLDUTO ESTREIA EM MEIO A INCERTEZAS O primeiro trecho do etanolduto, No mês de dezembro, o processamento totalizou 20,7 milhões de t, sendo 17,5 milhões de t na primeira quinzena e 3,18 milhões de t na segunda. que tem a Logum Logística como em- Antônio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da Uni- presa responsável pelas obras, começa ca, disse que os dados acumulados até dezembro podem a funcionar a partir de março. O trecho ser considerados como o número final da safra 2012/13. será entre Ribeirão Preto, SP, maior produtor “Apenas pouco mais de dez unidades produtoras perma- no Brasil, e Paulínia, principal distribuidor. neceram em operação após o 1º de janeiro de 2013, com Apesar de a data para a inauguração estar produção marginal relativamente ao volume total da re- próxima, ainda não está definido modelos de gião”, afirmou. Em 2011/12, o processamento total havia contrato e valores para transporte de combus- sido de 493,1 milhões de t. 42 Edição146 Roteiro.indd 42 28/01/2013 10:57:35 43 Edição146 Roteiro.indd 43 28/01/2013 10:57:36 A energia para potencializar a sua cana. 0800 0192 500 www.agro.basf.com.br Aplique somente as doses recomendadas. Descarte corretamente as embalagens e restos de produtos. Incluir outros métodos de controle de doenças/pragas/plantas infestantes (ex.: controle cultural, biológico etc) dentro do programa do Manejo Integrado de Pragas (MIP) quando disponíveis e apropriados. Para maiores informações referentes às recomendações de uso do produto e ao descarte correto de embalagens, leia atentamente o rótulo, a bula e o receituário agronômico do produto. Produto registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sob nº 8601. O seu canavial agora tem Opera®, o fungicida para a maior produtividade da cana-de-açúcar. • Mais biomassa e mais vigor; • Alta eficiência no controle de importantes ferrugens; • Mais qualidade, produtividade e rentabilidade - Benefícios AgCelence®. 44 Edição146 Roteiro.indd 44 28/01/2013 10:57:37