Faculdade de Ciências da Universidade do Porto
Qualidade Biológica da Água
do Rio Cávado
Dissertação de Mestrado em Hidrobiologia
Marta Juliana Barbosa Maciel Meira Peixoto
Porto, 2008
1
Agradecimentos
À Profa. Doutora Natividade Vieira, pela orientação dada ao longo da execução deste
trabalho, esclarecimento de dúvidas, empréstimo de material de estudo e encorajamento
e estímulo moral.
Aos meus Pais e Namorado por todo o incentivo e entusiasmo com que me estimularam
na concretização deste projecto e apoio moral com palavras de alento mesmo nos
momentos de desânimo.
Aos meus Irmãos e Cunhada por todo o incentivo na concretização deste projecto.
À Ana Sofia que para além de partilhar o laboratório comigo partilhou a sua amizade.
À Profa. Doutora Teresa Maria de Jesus pela prestabilidade demonstrada para auxiliar e
emprestar material de estudo, mas sobretudo pela forma humana como me apoiou.
À Doutora Ana Bio, por toda a disponibilidade demonstrada para colaboração.
Ao Técnico Pedro Correia por toda a colaboração na concretização deste projecto.
Ao Prof. Doutor Nuno Formigo, pela disponibilidade no esclarecimento de dúvidas e na
cedência de material de estudo.
Ao Professor Doutor Rui Cortes, pela prestabilidade demonstrada para esclarecimento
de dúvidas e empréstimo de material de estudo.
À Doutora Francisca Aguiar, pelo material, nomeadamente artigos que gentilmente
cedeu.
À Doutora Virgínia Uieda pelos artigos que gentilmente cedeu.
À Dra. Raquel Figueiredo e às Águas do Cávado, S.A., Portugal, pela solicitude em me
receber e ceder material de estudo.
Ao Dr. João Ferreira e ao INAG pela solicitude com que atenderam ao meu pedido de
material de consulta.
Às Agences de L´Eau pelo empréstimo de um livro.
2
Resumo
Este trabalho visou a avaliação biológica da qualidade da água do Rio Cávado,
utilizando comunidades de macroinvertebrados bentónicos. O estudo foi enriquecido
com a medição e cálculo de parâmetros físico-químicos e de parâmetros de qualidade do
habitat.
A investigação desenrolou-se no período de ano, sobre quatro pontos distintos,
distribuídos pela zona terminal do rio.
A análise dos resultados obtidos pelo cálculo dos diversos índices de
diversidade, bióticos, métricas e cálculos estatísticos, coadjuvados pelos resultados
físico-químicos e pela avaliação do habitat, indica que este rio tem sofrido importantes
alterações que se traduzem numa água de qualidade reduzida.
O rio em questão deverá ser alvo de monitorização e acções de preservação no
sentido de melhorar a qualidade da água.
3
Abstract
This work aimed for the biological evaluation of the Cávado River’s water
quality, using communities of benthic macro invertebrates. The study was further
increased by measuring and calculating the physical-chemical parameters and the
habitat quality parameters.
The investigation developed in the period of one year, over four distinct spots,
distributed along the river’s ending zone.
The analysis of the results obtained through the calculus of different diversity
levels, biotic, metric and statistical calculus, supported by physical-chemical results and
by the habitat evaluation, indicates that this river has passed through important changes
which originate a poor water quality.
This river should be monitored and preservation actions should take place, in
order to improve its water quality.
4
Índice
9
1. Introdução
1.1 A Água e sua Importância
10
1.2 Avaliações de Qualidade da Água, Físico-Química e Biológica
12
1.2.1 Avaliação Físico-Química
13
1.2.2 Avaliação Biológica
14
1.2.2.1 Breve Revisão da Evolução de Sistemas de Avaliação Biológica
14
1.2.2.2 Panorâmica da Avaliação Biológica Actualmente
15
1.2.2.3 Características que fazem dos Macroinvertebrados Bons Indicadores de Qualidade da
Água
1.2.2.4 Vantagens das Técnicas de Avaliação Biológica com Macroinvertebrados
16
1.2.2.5 Tipos de Métodos baseados em estudos com Macroinvertebrados
18
1.2.2.6 Tipos de Investigações praticáveis com Técnicas de Avaliação Biológica com
Macroinvertebrados
1.3 Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Cávado
17
18
19
1.3.1 Aspectos Topográficos
19
1.3.2 Aspectos Geomorfológicos
23
1.3.3 Aspectos Climatéricos
25
1.3.4 Aspectos Sócio-Económicos
25
1.3.5 Principais Fontes de Poluição
26
27
1.4 Organização e Objectivos do Trabalho
29
2. Metodologia
30
2.1 Amostragem
2.1.1 Escolha das estações
31
2.1.2 Periodicidade
36
2.1.3 Recolha
36
38
2.2 Tratamento das amostras de Macroinvertebrados
2.2.1 Preservação
38
2.2.2 Extracção
38
2.2.3 Triagem e Identificação
39
2.2.4 Contagem
39
40
2.3 Parâmetros Biológicos de Qualidade do Habitat
2.3.1 Índice de Avaliação Visual do Habitat
40
2.3.2 Índice de Qualidade do Bosque de Ribeira
40
41
2.4 Parâmetros Físico-químicos
2.4.1 Parâmetros medidos “in situ”
41
2.4.2 Parâmetros medidos no laboratório
42
2.4.3 Tratamento dos Dados Físico-Químicos
42
2.5 Parâmetros Biológicos com Macroinvertebrados
43
2.5.1 Caracterização Funcional da Comunidade
43
2.5.1.1 A Nível de Fisiologia Alimentar
43
2.5.1.2 A Nível de Fisiologia Respiratória
44
2.5.1.3 A Nível de Habitat e Mobilidade
45
5
2.5.2 Medidas Bioindicadoras
45
2.5.2.1 Índice Biótico Belga
45
2.5.2.2 Índice Iberian Biological Monitoring Working Party
46
2.5.2.3 Percentagem de Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera
47
2.5.2.4 Percentagem de Raspadores
47
2.5.2.5 Índice de Diversidade de Shannon-Weaver
48
2.5.2.6 Índice de Equitabilidade de Pielou
48
2.5.3 Tratamento dos Dados de Macroinvertebrados
49
50
3. Resultados e Discussão
3.1 Avaliação da Qualidade do Habitat
52
3.2 Avaliação Físico-Química
54
3.2.1 Temperatura Ambiente e Temperatura da Água
54
3.2.2 Luminosidade
57
3.2.3 Velocidade da Corrente
58
3.2.4 Oxigénio Dissolvido e Carência Bioquímica de Oxigénio
59
3.2.5 Sais Dissolvidos
63
3.2.5.1 Nitratos, Nitritos e Amónia
63
3.2.5.2 Fosfatos
66
3.2.6 pH
67
3.2.7 Sólidos Suspensos
68
3.2.8 Condutividade
70
71
3.3 Avaliação Biológica com Macroinvertebrados
3.3.1 Caracterização Biológica Geral
72
3.3.2 Caracterização Funcional da Comunidade
73
3.3.2.1 A Nível de Fisiologia Alimentar
73
3.3.2.2 A Nível de Fisiologia Respiratória
74
3.3.2.3 A Nível de Habitat e Mobilidade
75
3.3.3 Análise Estatística
77
3.3.4 Medidas Bioindicadoras
81
3.3.4.1 Índice Biótico Belga e Índice Iberian Biological Monitoring Working Party
81
3.3.4.2 Percentagem Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera e Percentagem de Raspadores
83
3.3.4.3 Índice de Diversidade Shannon-Weaver
84
3.3.4.4 Índice de Equitabilidade de Pielou
85
4. Conclusões
87
5. Bibliografia
89
Anexo I - Índice de Avaliação Visual do Habitat em Rios de Elevado Gradiente
100
Anexo II - Índice de Qualidade do Bosque de Ribeira (QBR)
103
Anexo III - Classificação de Macroinvertebrados de acordo com a Fisiologia Alimentar
106
Anexo IV - Classificação de Macroinvertebrados de acordo com a Fisiologia Respiratória
108
Anexo V - Classificação de Macroinvertebrados de acordo com o Habitat e a Mobilidade
110
Anexo VI - Cálculo do Índice Biótico Belga
112
Anexo VII - Cálculo do Iberian Biological Monitoring Working Party
115
Anexo VIII - Macroinvertebrados Identificados e Classificação Fisiológica
118
6
Índice de Figuras
Figura 1
Figura 2
Figura 3
Figura 4
Figura 5
Figura 6
Figura 7
Figura 8
Figura 9
Figura 10
Figura 11
Figura 12
Figura 13
Figura 14
Figura 15
Figura 16
Figura 17
Figura 18
Figura 19
Figura 20
Figura 21
Figura 22
Figura 23
Figura 24
Figura 25
Figura 26
Figura 27
Figura 28
Figura 29
Figura 30
Figura 31
Figura 32
Figura 33
Figura 34
Figura 35
Figura 36
Figura 37
Figura 38
Figura 39
Figura 40
Figura 41
Figura 42
Figura 43
Figura 44
Figura 45
Localização do rio Cávado.
Delimitação da Bacia Hidrográfica do Rio Cávado.
Afluentes e Rio Cávado.
Barragens do Rio Cávado
Localização dos Pontos de Recolha.
Ponto 1, Amares, montante.
Ponto 1, Amares, jusante.
Ponto 2, Lago, montante.
Ponto 2, Lago, jusante.
Ponto 3, Barcelos, montante.
Ponto 3, Barcelos, jusante.
Ponto 4, Marachão, montante.
Ponto 4, Marachão, jusante.
Rede de Mão.
Crivos.
Lupa Binocular.
Temperatura ambiente e temperatura da água no Ponto 1.
Temperatura ambiente e temperatura da água no Ponto 2.
Temperatura ambiente e temperatura da água no Ponto 3.
Temperatura ambiente e temperatura da água no Ponto 4.
Luminosidade que atinge a superfície da água no momento de recolha.
Velocidade da corrente.
Variação da temperatura da água, do oxigénio dissolvido e da carência bioquímica de
oxigénio no Ponto 1.
Variação da temperatura da água, do oxigénio dissolvido e da carência bioquímica de
oxigénio no Ponto 2.
Variação da temperatura da água, do oxigénio dissolvido e da carência bioquímica de
oxigénio no Ponto 3.
Variação da temperatura da água, do oxigénio dissolvido e da carência bioquímica de
oxigénio no Ponto 4.
Valores de concentração de nitratos, nitritos e amónia presentes na água no Ponto 1.
Valores de concentração de nitratos, nitritos e amónia presentes na água no Ponto 2.
Valores de concentração de nitratos, nitritos e amónia presentes na água no Ponto 3.
Valores de concentração de nitratos, nitritos e amónia presentes na água no Ponto 4.
Valores de concentração de fosfatos na água.
pH da água.
Sólidos em suspensão na água.
Condutividade da água.
Ordens identificadas em percentagem.
Categorias fisiológicas alimentares por local e por recolha.
Categorias fisiológicas respiratórias por local e por recolha.
Categorias fisiológicas de mobilidade e habitat por local e por recolha.
Distribuição percentual dos indivíduos em cada amostragem e agrupados em clusters
definidos pela técnica “K-means”.
Ordenação no espaço das amostras de macroinvertebrados bentónicos segundo a técnica nMDS, baseada numa matriz de distâncias euclidianas tendo por base a distribuição
percentual dos indivíduos em cada amostragem e agrupados em clusters definidos pela
técnica “K-means”.
Mapa com Índice Biótico Belga.
Mapa com Índice Iberian Biological Monitoring Working Party.
Índice Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera e Percentagem de Raspadores.
Índice de Diversidade de Shannon-Weaver.
Índice de Equitabilidade de Pielou.
7
20
21
22
24
31
32
32
33
33
34
34
35
35
37
38
39
54
55
55
55
57
58
60
60
61
61
64
64
64
65
66
67
68
70
72
73
74
75
77
78
81
82
83
84
85
Índice de Tabelas
Tabela 1
Índice de Avaliação Visual do Habitat e Índice de Qualidade do Bosque de Ribeira para
cada ponto de amostragem.
8
52
1. Introdução
1. Introdução
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
1.1 A Água e sua Importância
A água desempenha um papel vital e insubstituível em todo o equilíbrio
ecológico, sendo um recurso natural imprescindível à manutenção da Vida na Terra
(Rodrigues et al., 2001). As células são constituídas em grande percentagem por água,
pelo que, na sua ausência, os organismos vivos morreriam. O Ser Humano não seria
excepção (Mendes & Oliveira, 2004).
A História conta-nos que os primeiros aglomerados humanos se localizaram em
zonas onde os recursos naturais como a água eram abundantes e acessíveis (Mendes &
Oliveira, 2004). Os habitats de água doce, embora ocupem uma pequena porção da
superfície terrestre, foram desde sempre alvo da atenção humana, uma vez que
permitem o acesso à água mais directamente utilizável e de forma barata (Odum, 1997).
Mas o aumento demográfico e tecnológico a que se tem assistido tem provocado
a crescente degradação da água (Cássio, 1983). À medida que as civilizações
aumentam, aumenta a necessidade de água e a poluição da mesma (Jesus, 1996).
Actualmente é já reconhecido que as actividades humanas degradam os sistemas
aquáticos (Cortes et al., 2002). Como poluição da água, a UNESCO, no Relatório do
Programa Hidrológico Internacional (1982), definiu “… qualquer modificação, quer
natural quer artificial, que directa ou indirectamente modifique a qualidade da água e
altere ou destrua o equilíbrio dos ecossistemas e dos recursos naturais, de tal modo que:
- Provoque perigos para a Saúde Pública;
- Diminua a sua adequabilidade ou eficiência e o bem-estar do Homem e das suas
comunidades;
- Reduza os usos benéficos da água” (Mendes & Oliveira, 2004).
Também a Organização Mundial de Saúde, (1972), revelou preocupação com a
contaminação da água, que descreveu como a “introdução ou descarga na água de
organismos patogénicos ou de substâncias tóxicas, que a tornem imprópria para
consumo público e/ou usos domésticos” (Mendes & Oliveira, 2004).
Mas a crise a que se assiste é produto do crescimento populacional e do
desenvolvimento tecnológico associado. A degradação dos recursos naturais, mais
10
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
concretamente a poluição dos recursos aquáticos, resulta do efeito combinado do
consumo e da produção (Wetzel, 1993).
Nos dias de hoje, as questões relacionadas com a utilização da água ultrapassam
largamente o aspecto quantitativo, assumindo carácter também qualitativo. A água, vista
como molécula com características físico-químicas próprias, não se encontra no estado
puro na Natureza. Sob esta perspectiva, seria incolor, inodora, insípida, o que não se
verifica, pois aparece associada a outras substâncias que se encontram em suspensão ou
dissolvidas e que alteram as suas propriedades (Mendes & Oliveira, 2004). Algumas
destas substâncias devem-se à sua poluição por esgotos domésticos e actividades
agrícolas e decorrentes da industrialização (Mendes & Oliveira, 2004). Faz-se uso dos
habitats aquáticos como sistemas de tratamento de resíduos, e de modo abusivo (Odum,
1997). Verifica-se uma redução dramática na reserva de água disponível (Wetzel, 1993).
A agricultura e a indústria utilizam grandes quantidades de água, mas de forma
incorrecta. A par dos desperdícios de água, verifica-se que em algumas zonas agrícolas
existe poluição proveniente de pesticidas e de restos de fertilizantes que conduzem a
episódios de eutrofização. A eutrofização é um processo que ocorre em sistemas
aquáticos e que consiste num enriquecimento em energia e nutrientes. Ocorre um
desenvolvimento excessivo de algas, de plantas superiores imersas, emersas ou
flutuantes. Após o limite, o sistema entra em situação de risco por formação de zonas
anaeróbias, o que resulta numa redução da produtividade. “…haverá, inicialmente, uma
acção dominantemente biossintética, para, depois de atingido o máximo, se iniciar uma
fase predominantemente biodegradativa” (Mendes & Oliveira, 2004).
Mas o que se observa em determinado momento no meio aquático é resultado da
interacção ao longo do tempo de diversos factores biológicos, físicos e químicos que
estabeleceram entre si um equilíbrio dinâmico (Lévêque, 1996).
Diariamente são produzidas novas substâncias, cujas consequências de utilização
apenas se conhecem após o uso (Mendes & Oliveira, 2004). Fazer face a esta crise que
se apresenta implica compreender as “respostas metabólicas dos ecossistemas aquáticos
(…)” (Wetzel, 1993). Advém desta situação, que a legislação apenas surja tardiamente,
quando danos sobre o ambiente foram já produzidos (Mendes & Oliveira, 2004). São
levadas a cabo acções no sentido de contrariar a degradação a que se assiste, contudo
são “adaptações terapêuticas e ajustamentos e não medidas verdadeiramente
11
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
correctivas” (Wetzel, 1993). No sentido de aproximar a legislação ao que de mais actual
se tem feito ao nível da análise da água, surge a Directiva Quadro da Água no seio da
União Europeia. A monitorização do estado da água deixa de se restringir aos seus usos,
para se virar também para o seu “estado ecológico”, definido por três grupos de
elementos: biológicos, hidromorfológicos e físico-químicos (Bernardino et al., 2000).
1.2 Avaliações de Qualidade da Água, Físico-Química e Biológica
No contexto supra mencionado, compreende-se que a monitorização e avaliação
da qualidade da água se tornem necessárias. As metodologias de análise da água, até
muito recentemente baseavam-se sobretudo em parâmetros físico-químicos (AlbaTercedor, 1996), relegando para segundo plano os processos biológicos que estudam a
qualidade da água através da relação entre os organismos aquáticos e o meio, e as
relações estabelecidas entre esses próprios organismos (Agences de L´Eau, 1993;
Fontoura, 1984a). Contudo, a investigação não surtia os efeitos desejados (Cortes et al.,
2002). Por este e outros motivos, os instrumentos de análise da água tiveram e têm de
evoluir. Os custos associados à análise da água, os tempos de resposta e as lacunas no
conhecimento obrigam à procura de novas metodologias, pelo que os métodos
biológicos se apresentam como a nova metodologia a adoptar de modo a complementar
os já existentes (Mendes & Oliveira, 2004), uma vez que traduzem alterações efectivas
do ecossistema (Cortes et al., 2002). Além daquelas vantagens, os métodos biológicos
impõem-se pela capacidade de detecção da acção de poluentes quando em baixas
concentrações e/ou quando em descargas descontínuas e de situações esporádicas de
poluição tóxica, nem sempre possível através de métodos puramente físico-químicos,
para além de as respostas biológicas integrarem inúmeras condições físico-químicas
(Fontoura, 1984a; Metcalfe, 1989). A avaliação biológica é portanto, uma via de acesso
a condições existentes no passado, contrariamente aos métodos físico-químicos que
apenas dão uma visão das condições na altura de amostragem (Alba-Tercedor, 1996) e
permite fazer um diagnóstico que reflecte intervalos de tempo alargados (Bernardino et
al., 2000), pois as comunidades acumulam efeitos provocados pelos diversos tipos de
poluição, química e física do habitat, tornando-se vantajosa a sua utilização (Karr,
1998). Os organismos, porque se encontram adaptados às condições ambientais em que
12
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
estão inseridos, são afectados por qualquer tipo de perturbação (Alba-Tercedor, 1996).
As substâncias poluentes alteram as características físico-químicas da água, afectandoos (Fontoura, 1984a). A análise biológica é a avaliação directa dos efeitos da poluição
sobre as comunidades (Cortes et al., 2002). Actualmente a avaliação da qualidade da
água pode e deve ser feita através de processos físico-químicos e de processos
biológicos (Fontoura, 1984a; Cortes et al., 2002).
1.2.1 Avaliação Físico-Química
Estudar um ambiente aquático implica conhecer a interacção estabelecida entre
os organismos aquáticos e factores tais como a velocidade da corrente, a temperatura, a
oxigenação da água, o clima, a geomorfologia (Lévêque, 1996).
Os indicadores de qualidade da água mais usados eram os parâmetros físicoquímicos, por se pensar serem os mais determinantes, pelo que, toda a estratégia de
recuperação ambiental neles se fundamentava (Cortes et al., 2002).
Estes parâmetros permitem a identificação e/ou determinação de:
- oxigénio dissolvido,
- percentagem de saturação de oxigénio,
- carência bioquímica de oxigénio,
- nitritos,
- nitratos,
- fosfatos,
- amónia,
- temperatura da água,
- transparência,
- velocidade da corrente, entre outros (Fontoura, 1984a; Fontoura, 1984b ).
Através destes resultados e por comparação com valores estudados e
padronizados, pode inferir-se acerca da qualidade da água.
13
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
1.2.2 Avaliação Biológica
A poluição do meio aquático, como consequência da actividade humana provoca
perturbações nas comunidades em termos de abundância, de riqueza específica, de
comportamento e de reacções fisiológicas (Agences de L´Eau, 1993), pois as condições
do meio aquático produzem efeitos sobre as espécies que nele habitam (Lévêque, 1996).
A designação de Indicador Biológico ou Bioindicador é usado para designar um
organismo ou um sistema biológico que permite detectar uma modificação, geralmente
uma deterioração da qualidade do meio (Agences de L´Eau, 1993), que se manifesta
após ultrapassada a capacidade de adaptação das espécies (Lévêque, 1996).
A nível aquático podem distinguir-se grupos de organismos através do seu grau
de sensibilidade a determinadas alterações ambientais. Assim, determinados organismos
designam-se de Intolerantes ou Sensíveis uma vez que não conseguem sobreviver nas
novas condições, enquanto outros, porque não são afectados, constituem os Tolerantes.
Em caso de perturbação, os organismos tolerantes ocupam as áreas antes ocupadas por
intolerantes, que perante as novas condições, as abandonaram ou morreram (AlbaTercedor, 1996).
1.2.2.1 Breve Revisão da Evolução de Sistemas de Avaliação Biológica
A constatação de que havia organismos que se desenvolviam selectivamente em
águas receptoras de resíduos orgânicos levou à criação do Sistema Sapróbio por
Kolkwitz e Marsson em 1908 que identificaram organismos aquáticos indicadores
daquele tipo de poluição (Agences de L´Eau, 1993), principalmente bactérias, algas,
protozoários e rotíferos, aos quais são atribuídos valores de acordo com sua tolerância à
poluição. “O termo «sapróbio» significa a dependência de um organismo na
decomposição de substâncias orgânicas como um recurso alimentar.” (Silveira, 2004).
O Sistema Sapróbio distinguia Zonas Sapróbias consoante a pureza da água:
- Oligossapróbios – que se caracteriza por pureza elevada;
- β-Mesossapróbios – que revela alguma carga orgânica, mas estável e ainda com
riqueza específica;
14
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
- μ –Mesossapróbios – que possui carga orgânica considerável, sendo os processos de
redução substituídos por processos oxidativos;
- Polissapróbios – que se caracteriza pela presença de carga orgânica muito elevada, que
desencadeia crescimento acelerado de microorganismos e de bactérias e em que os
processos de oxidação dominam (Agences de L´Eau, 1993).
O conceito de zona sapróbia foi depois substituído por Classe de Qualidade em
1962 por Liebman, sendo atribuído a cada classe um número em numeração romana, I,
II, III e IV, que definiam níveis crescentes de saprobicidade (Agences de L´Eau, 1993).
Os métodos baseados no sistema sapróbio não permitem avaliar a qualidade
geral do ecossistema aquático uma vez que apenas utilizam organismos indicadores de
poluição orgânica (Agences de L´Eau, 1993).
Surgem os Índices Bióticos que estudam a relação dos organismos com todo o
tipo de poluição, sem contudo estabelecerem uma relação bem definida entre o grau de
degradação do ecossistema e o tipo de poluente (Agences de L´Eau, 1993).
Nasce deste modo o conceito de Qualidade Biológica, uma vez que, através da
composição e estrutura de comunidades de organismos se infere acerca da qualidade da
água. Determinado meio aquático tem boa qualidade biológica se nele se encontrarem
comunidades de organismos características (Alba-Tercedor, 1996).
1.2.2.2 Panorâmica da Avaliação Biológica Actualmente
A tendência a que se começa a assistir é a da realização da análise biológica nos
mesmos locais, com periodicidade constante e semelhante à da avaliação físico-química
(Cortes et al., 1999).
Actualmente os elementos biológicos incluem a análise de diferentes seres vivos
(Bernardino et al., 2000): macrófitas, microalgas, peixes e macroinvertebrados (Cortes
et al., 2002). Os elementos físico-químicos são considerados importantes na medida em
que condicionam os biológicos (Bernardino et al., 2000).
15
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
As macrófitas são um indicador simples da qualidade da água, apesar disso estão
condicionadas por condições geológicas, edáficas e climáticas, além de que são
tolerantes a poluentes temporários. As microalgas, como as diatomáceas, apesar de bem
conhecidas em termos de reacção a poluentes, são de identificação morosa. Os peixes
são de fácil identificação e por se encontrarem no topo de cadeias alimentares reflectem
todo o conjunto de situações anteriores, todavia a sua mobilidade prejudica a acuidade
do estudo (Wetzel, 1993; Charvet, 1995).
Os macroinvertebrados são seres vivos cuja abundância varia bastante, não
estando ainda as razões completamente estabelecidas (Michaletz et al., 2005), mas sabese que está relacionada com a cobertura de macrófitas (Gerrish & Bristow, 1979), com a
quantidade de determinados peixes (Svensson et al., 1999), uma vez que algumas
espécies incluem macroinvertebrados na sua dieta (Motta & Uieda, 2004a), com a
profundidade e produtividade (Hanson & Peters, 1984; Michaletz et al., 2005), com a
velocidade da corrente, tipo de substrato, e sobretudo com a poluição (Agences de
L´Eau, 1993). Esta variabilidade tem particular interesse quando se manifesta como
reacção aos contaminantes.
1.2.2.3 Características que fazem dos Macroinvertebrados Bons Indicadores de
Qualidade da Água
Os invertebrados de água doce dividem-se em Microinvertebrados e
Macroinvertebrados. Os microinvertebrados são de tamanho inferior a 1mm. Incluem
entre outros, Protozoários, alguns Platelmintes, Rotíferos, a maioria dos Nematelmintes,
Crustáceos, Cladóceros, Ostrácodes, Copépodes. Os macroinvertebrados apresentam,
salvo raras excepções, dimensões superiores a 1mm. Incluem-se neste grupo os
Oligochaetas, os Insectos, os Moluscos, alguns Crustáceos, os Hirudíneos, alguns
Platelmintes, Espongiários, Cnidários, Briozoários (Agences de L´Eau, 1993). Os
macroinvertebrados bentónicos vivem fixos quer aos sedimentos do fundo de um habitat
aquático, quer a plantas vasculares aquáticas ou algas filamentosas ou até objectos
submersos, e pertencem a vários grupos taxonómicos (Agences de L´Eau, 1993;
Campaioli et al. 1994; Odum, 1997). Nos cursos de água podem distinguir-se duas
zonas principais, a de remanso e a dos rápidos, sendo a segunda a eleita pelos
organismos bênticos, pois permanecem aderentes ou fixos sobre substrato firme,
16
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
existente nestas zonas de águas baixas e de corrente suficientemente elevada para deixar
o fundo livre de sedimentos e de materiais soltos. Em água doce são cosmopolitas
(Odum, 1997). Entre o conjunto de macroinvertebrados pode encontrar-se os que
habitam sobre substratos duros como blocos, lages, rochas, seixos, sobre vegetais vivos
como algas, plantas vasculares aquáticas e musgos e sobre materiais orgânicos
macroscópicos como ramagens, folhas, etc.
Os macroinvertebrados apresentam vantagens em relação a outros seres vivos
porque são:
- organismos que se encontram no interface do substrato do fundo com a água,
pelo que integram modificações que ocorram em ambos;
- organismos que se encontram em vários tipos de microhabitats;
- constituídos por grupos taxionómicos com diferente grau de sensibilidade à
poluição;
- organismos com carácter sedentário ou mobilidade reduzida;
- organismos com ciclos de vida relativamente longos (Agences de L´Eau, 1993;
Cook, 1976; Cortes et al., 2002; Fontoura, 1984a; Fontoura, 1985) de que advém efeitos
mais directos da sua relação com o poluente, e a possibilidade de se inferir acerca da
existência de descargas intermitentes de poluentes ou ainda sobre uma possível
exposição prolongada (Cortes et al., 2002).
1.2.2.4 Vantagens das Técnicas de Avaliação Biológica com Macroinvertebrados
As técnicas de avaliação da qualidade da água que utilizam macroinvertebrados
aquáticos como indicadores demonstraram já a sua eficácia na detecção de pontos de
alteração e na cartografia da qualidade das águas:
- pela fácil colheita;
- pelo seu baixo custo;
- pela rapidez na aplicação;
- pela fiabilidade.
- pelo grande conhecimento para a identificação dos seres;
- pela existência de chaves taxionómicas desenvolvidas para o efeito;
- pelo leque de respostas em função das condições do meio;
17
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
- pelo vasto conhecimento relativamente à reacção da comunidade e organismos
às acções dos poluentes (Agences de L´Eau, 1993; Alba-Tercedor, 1996; Cook, 1976;
Cortes et al., 1999; Cortes et al., 2002; Fontoura, 1984a; Fontoura, 1985).
1.2.2.5 Tipos de Métodos baseados em estudos com Macroinvertebrados
Existem diferentes formas de utilizar os macroinvertebrados em estudos de
qualidade da água e dos meios aquáticos, mediante os objectivos e fins pretendidos:
- Métodos baseados no Sistema Sapróbio;
- Métodos baseados na análise numérica e estatística, de que constam os Índices de
Diversidade, Índices de Similaridade, entre outros;
- Índices bióticos e Scores;
- outros (Agences de L´Eau, 1993).
1.2.2.6 Tipos de Investigações praticáveis com Técnicas de Avaliação Biológica com
Macroinvertebrados
Concluindo e generalizando, a utilização de macroinvertebrados, permite:
- avaliar a qualidade da água,
- estimar sobre o efeito de determinado poluente sobre a comunidade,
- inferir sobre a evolução temporal e espacial dos danos causados por um
poluente,
- estabelecer comparações entre diferentes cursos de água,
- inferir acerca do funcionamento de estações de tratamento de água (Fontoura,
1985).
Os macroinvertebrados, conjuntamente com outros organismos têm vindo a ser
utilizados como indicadores biológicos da qualidade da água, quer para diagnóstico,
quer para integrarem programas de monitorização (Cortes et al., 2002; Fontoura, 1985).
Mas a presença e o sucesso de um organismo ou grupo de organismos dependem
de um conjunto de condições. Qualquer condição que se aproxime ou exceda os limites
de tolerância diz-se ser um factor limitante. Torna-se pois urgente reduzir a pressão
18
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
exercida sobre os recursos aquáticos que, de outra forma, transformará a água num
factor limitante para os seres vivos (Odum, 1997). O ciclo da vida e o ciclo da água
encontram-se de tal forma interligados, que se torna indispensável a gestão sustentada
daquele recurso (Mendes & Oliveira, 2004). A água, mais do que o petróleo, é um
recurso essencial, pelo que, a sua escassez poderá ser inclusive, origem de novos
conflitos armados (Mendes & Oliveira, 2004).
1.3 Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Cávado
1.3.1 Aspectos Topográficos
A Bacia Hidrográfica do rio Cávado localiza-se a Norte de Portugal e estende-se
por uma área de 1613,1Km2 entre a região de Trás-os-Montes e o Minho. Abraça o
distrito de Vila Real e o distrito de Braga que corta completamente, fig.1 (Paredes,
1990; Soares, 2004), percorrendo aproximadamente 129Km em direcção ENE-WSW
(PBH do rio Cávado, 2000; Fontoura, 1989). Assim, nasce na Serra do Larouco, no
Distrito de Vila Real, a cerca de 1520 metros de altitude e desagua no Oceano Atlântico,
em Esposende, Distrito de Braga (PBH do rio Cávado, 2000). A altitude média da bacia
é de 564m, e apresenta forma rectangular com 16Km de largura e 100Km de
comprimento (Paredes, 1990).
O Plano da Bacia Hidrográfica do rio Cávado, fig.2, inclui não só a bacia
daquele rio, mas também algumas ribeiras e parte da bacia do rio Lima que drena para
Espanha. Este conjunto é delimitado a Norte pelas bacias hidrográficas dos rios Neiva e
Lima, faz fronteira com Espanha, a Este com a bacia hidrográfica do rio Douro e a Sul
com a bacia hidrográfica do rio Ave (PBH do rio Cávado, 2000). A sua bacia
hidrográfica inclui total ou parcialmente as serras do Larouco, Barroso, Gerês, Amarela
e Cabreira (Fidalgo & Correia, 1995).
O rio Cávado possui diversos afluentes, fig 3, entre os quais se destacam o rio
Homem na margem direita e o rio Rabagão na margem esquerda, cujas bacias ocupam
257Km2 e 246Km2 respectivamente, do total da área da bacia hidrográfica do Rio
Cávado (Paredes, 1990).
19
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Legenda
Rio Cávado
Cursos de Água da Bacia Hidrográfica
!P
MONTALEGRE
!P
Cidades Sedes de Concelho
Distrito de Vila Real
CHAVES
Distrito de Braga
!P
!P
BOTICAS
TERRAS DE BOURO
!P
!P
VILA VERDE
!P
!P
VALPACOS
VIEIRA DO MINHO
AMARES
!P
!P
!P
!P
ESPOSENDE
POVOA DO LANHOSO
RIBEIRA DE PENA
!P VILA POUCA DE AGUIAR
BRAGA
!P
!P
BARCELOS
!P
CABECEIRAS DE BASTO
!P
GUIMARAES
!P
VILA NOVA DE FAMALICAO
!P
FAFE
MONDIM DE BASTO
MURCA
!P
!P
!P
CELORICO DE BASTO
VILA REAL
!P
SABROSA
!P
ALIJO
!P
SANTA MARTA DE PENAGUIAO
!P
MESAO FRIOPESO DA REGUA
!P
!P
Fig. 1 – Localização do rio Cávado.
20
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Legenda
Rio Cávado
Cursos de Água da Bacia Hidrográfica
Distrito de Vila Real
!P
Distrito de Braga
MONTALEGRE
Bacia Hidrográfica do Rio Cávado
!P
!P
TERRAS DE BOURO
VILA VERDE
AMARES
!P
!P
ESPOSENDE BARCELOS
!P
!P
BRAGA
Fig. 2 – Delimitação da Bacia Hidrográfica do Rio Cávado.
21
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Legenda
Rio Cávado
Bacia Hidrográfica do Rio Cávado
C ov
anóias
Ribeira P
s
gadias
nt e
Rio Re
Po
Rio
d ia
Rib
La
m
as
b r il
Cá
vad
Ca
Rio
R io
ba
gã
ão
aba g
C
or
Rio R
Ribeiro Mau
ib
ei
ra
uj
ei
ra
tenca
o
ão
o To rr
i ro
R
adoMONTALEGRE
Cá v P
!
Ribeir
!P
!P Rib
e
Ra
a
ad o
C áv
BARCELOS
Rio
!P
iço
ho
Rio
l
BRAGA
o
a
im
Re
gat
Ri
oV
be
ila r
i ro
Ou
t ei
ro
r in
oL
Ri
S ap oga
!P
ed
P or
Ribeiro
ESPOSENDE
oP
i ra
Ri
o
R io
abreir
e
Rib
AMARES
o
gã
ba
Ra
o
Ri
Corga C
on
Rio C
Ribeir
eira
A ba
l
ra
a Toja
ab
!P
m
fião
aC
VILA VERDE
ávad
Rio C
Rio G
erês
ei r
H
em
Ribeira Roda
TERRAS DE BOURO
me
Rio Arado
Rib
o
Ri
om
!P
Ho
o la
so
oD
ab ro
ei r
ira S
Ribe
Rio
Rio
o
R ib
Cidades Sede de Concelho
Rio Fa
!P
Ribeira Beredo
Cursos de Água da Bacia Hidrográfica
Fig. 3 – Afluentes e Rio Cávado.
22
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
1.3.2 Aspectos Geomorfológicos
Compreender o funcionamento de um curso de água implica conhecer o
ambiente terrestre que o circunscreve pois há interdependência entre ambos,
nomeadamente a natureza geológica da bacia hidrográfica (Lévêque, 1996).
O rio Cávado, atravessa a quase todo o comprimento afloramentos de granito e
com menor relevo afloramentos de outras rochas como xistos, grauvaques,
granodioritos e outras rochas semelhantes. São marcantes os terraços formados por
areias quartzíticas, calhaus rolados e argilas. Na foz, os depósitos modernos são
relativamente espessos e constituídos por areias fluviais, lodos fluviais e depósitos
argilosos de fundo de vale (Paredes, 1990; Teixeira & Medeiros, 1969).
A fig.4 apresenta as albufeiras do Rio Cávado.
O rio Cávado pode ser dividido em três unidades:
- rio de montanha, que corresponde ao troço inicial, que de acidentado passa a
mais plano, com geologia granítica. Baixa densidade populacional, manchas
extensas e bem definidas de ocupação de solo;
- zona intermédia, de leito mais largo e movimentado suave. A densidade
populacional é mais elevada, numa área fortemente rural;
- zona final, de relevo plano, leito largo, apresentando vários meandros.
Fortíssima densidade populacional e dispersão humana, aqui também patente a
ruralidade e as fainas do mar (PBH do rio Cávado, 2000; Fidalgo & Correia,
1995).
23
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Legenda
Rio Cávado
Bacia Hidrográfica do Rio Cávado
m
R
a
d ia
eira
Rib
Ribeir
o
Cá
vad
b r il
Rio
Ca
R io
fião
ão
ra
ontenca
anóias
s
gadias
nt e
Rio Re
Po
Rio
uj
ei
ão
o To rr
as
or
Ribeir
m
a
La
abreir
i ro
Rio C
Ribeira P
C ov
o
a
im
Fig. 4 – Barragens do Rio Cávado.
ad o
Rio
l
Re
gat
Ri
oV
be
ila r
i ro
Ou
t ei
ro
ib
e
Ra
ão
ag
ab
R
o
Ri
Corga C
C
Albufeira Penide
áv
io C
oL
Ri
S ap oga
R
ho
iço
r in
P or
Ribeiro
ed
i ra
oP
ávad o
R io
ba
gã
Albufeira Salamonde
o
Albufeira Caniçada
A ba
l
ra
a Toja
ab
e
Rib
Ri
R
Rio C
Rio Fa
aC
m
Rio G
erês
ei r
Ho
Rio Arado
Rib
o
Ri
em
ad o
be
Albufeira Alto iCávado
ir
Albufeira Paradela
Ribeira Roda
Cá v
aba g
me
Rio
Rio R
Ho
o la
so
oD
ab ro
ei r
ira S
Ribe
Rio
Ribeiro Mau
R ib
Ribeira Beredo
Cursos de Água da Bacia Hidrográfica
24
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
1.3.3 Aspectos Climatéricos
A área abrangida pela Bacia Hidrográfica do rio Cávado encontra-se na região
mais pluviosa de Portugal (PBH do rio Cávado, 2000). A precipitação sobre a bacia do
rio é da ordem dos 3500hm3, sendo Janeiro o mês mais pluvioso, e só a área mais a
montante do rio apresenta estações do ano mais rigorosas (Paredes, 1990; PBH do rio
Cávado, 2000). A precipitação mais baixa regista-se em Julho (PBH do rio Cávado,
2000). O Verão é fresco e o Inverno é chuvoso. A precipitação ao longo do ano
manifesta-se com certa periodicidade. O próprio relevo da bacia condiciona a
pluviosidade, sendo que nas zonas mais montanhosas há maior precipitação, reduzindo
nas zonas de relevo mais plano e mais próximas do litoral (Paredes, 1990).
De modo simplista pode dizer-se que a área mais a montante tem clima que varia
entre fresco, húmido e muito chuvoso, e a área mais a jusante tem clima que varia entre
temperado, húmido e chuvoso (PBH do rio Cávado, 2000).
A temperatura média anual em Montalegre é de 9,5ºC e em Braga é de 15ºC, o
que permite ter uma ideia da gradação das temperaturas ao longo da bacia (Paredes,
1990).
1.3.4 Aspectos Sócio-Económicos
É importante conhecer o tipo de actividades humanas praticadas na área
circunscrita pela bacia hidrográfica, pois estas condicionam a utilização da área terrestre
que a circunscreve e desse modo os tipos de substâncias com potencial poluente que são
introduzidas (Lévêque, 1996).
São abrangidos pela bacia hidrográfica do rio Cávado os concelhos de
Montalegre, Terras de Bouro, Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Vila verde, Braga,
Barcelos e Esposende (Paredes, 1990).
As principais actividades humanas praticadas ao longo da Bacia Hidrográfica do
Cávado incluem a agro-pecuária e a indústria (PBH do rio Cávado, 2000). Paredes
(1990) apontava a indústria têxtil e vestuário, e a de produtos metálicos e máquinas. No
Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Cávado (2000) é apontada a indústria de produção
25
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
de energia hidroeléctrica e a de tinturaria. Convém também referir a exploração do rio
pela implantação de unidades de aquacultura (PBH do rio Cávado, 2000).
1.3.5 Principais Fontes de Poluição
Neste rio há excessiva introdução de nutrientes devido às actividades humanas
desenvolvidas na bacia. Como consequência ocorre um aumento da produção primária
que se espelha em todo o sistema (Cortes et al., 1999).
Relativamente à poluição urbana, na área do plano de bacia hidrográfica do rio
Cávado, o atendimento às populações em termos de sistemas de saneamento é ainda
baixo, com excepção das zonas de maior densidade urbana. A falta de tratamento das
águas residuais urbanas deve-se essencialmente aos custos de construção de
infraestruturas para servir pequenos aglomerados populacionais dispersos e ainda a
insensibilidade sobre os efeitos nocivos desta prática para o ambiente.
A poluição industrial ao nível do plano de bacia hidrográfica deve-se
essencialmente à indústria têxtil, alimentar, de papel e metalomecânica. A este nível
verifica-se a ausência de sistemas de tratamento de efluentes industriais, pelo que,
sobretudo para jusante a poluição se faça sentir (PBH do rio Cávado, 2000).
A poluição adjacente da actividade agrícola, ao nível deste rio, afecta de forma
mais intensa os concelhos de Barcelos, Póvoa de Varzim e Esposende. Estes são os
mais susceptíveis ou afectados por poluição difusa.
A criação de gado como agente poluente é mais preocupante nos concelhos de
Barcelos, Póvoa de Varzim, Esposende e Vila Verde (PBH do rio Cávado, 2000).
Estas actividades são agentes de perturbação do equilíbrio do rio, que poderão
inviabilizar as suas utilizações futuras (PBH do rio Cávado, 2000; Fontoura, 1989): a
agricultura, porque utiliza pesticidas e fertilizantes, que podem alcançar os ambientes
aquáticos por lixiviação através do perfil dos solos (Tomita & Beyruth, 2003); a
indústria porque liberta variados tipos de poluentes nos cursos de água, consoante o
tipo. No caso da aquacultura, consiste nos desperdícios derivados da alimentação dos
26
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
peixes e dos produtos resultantes do metabolismo, ou seja, alimento não ingerido, fezes,
produtos excretados, de concentração variada (Deviller et. al, 2004).
Em 1990, Paredes previa um aumento da pressão sobre a água do rio Cávado
provocada pelo consumo de água e pela rejeição de águas usadas.
No rio Cávado ao longo da década de 90 verificou-se uma degradação
generalizada da água e na albufeira do Alto Cávado um enriquecimento em matéria
orgânica e bacteriológica (PBH do rio Cávado, 2000).
O estuário do rio Cávado encontra-se integrado na Área da Paisagem Protegida
do Litoral de Esposende (APPLE) criada em 1987 pelo Decreto-Lei 357/87 de 17 de
Novembro, pelo que se pode considerar que a zona final é mais preservada e ordenada
(Fidalgo & Correia, 1995).
Tem-se vindo a observar um aumento do turismo sazonal na área terminal do
rio, que pode vir a transformar-se num impulsor de poluição (Soares, 2004).
1.4 Organização e Objectivos do Trabalho
Esta tese reporta-se a um estudo no Rio Cávado, entre os anos de 2005 e 2006,
para avaliação da qualidade das suas águas. Procurou-se:
- Fazer uma avaliação biológica da qualidade da água do rio Cávado através do estudo
das comunidades de macroinvertebrados;
- Confrontar os resultados da análise biológica com os da análise físico-química;
- Comparar a qualidade da água nas diversas estações de amostragem;
- Relacionar a qualidade da água em cada estação com o meio envolvente mais próximo
da mesma;
- Identificar, caso se verifique e se for possível, eventuais agentes de poluição;
27
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
- Identificar aspectos de requalificação ecológica das zonas alteradas a partir da
observação dos índices bióticos e ambientais calculados;
- Monitorização da qualidade da água nos pontos de amostragem e futuramente ao
longo do rio Cávado.
28
2. Metodologia
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
A execução do trabalho dividiu-se em quatro fases distintas, que dizem respeito
à recolha de água e macroinvertebrados para análise, ao tratamento das amostras
recolhidas, ao cálculo e processamento de dados físico-químicos e ao processamento de
dados biológicos.
2.1 Amostragem
Foi efectuado um reconhecimento prévio do curso de água, em que se teve em
atenção o acesso às possíveis estações de amostragem, estradas, pontes, observação da
profundidade dos pontos de recolha e características naturais e/ou artificiais.
Uma boa amostragem é crucial para a produção de resultados fidedignos. Deve
ter-se em atenção cinco passos diferentes definidos por Fontoura (1985): objectivos,
escolha das estações de amostragem, periodicidade, registo de factores abióticos e
finalmente a recolha.
30
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2.1.1 Escolha das estações
O trabalho de campo foi efectuado em quatro pontos distintos do Rio Cávado
(figura 5). No caso do trabalho efectuado, pretendendo-se com a análise biológica uma
avaliação geral da qualidade da água, o estudo foi vocacionado para a zona terminal do
rio, que reflecte, em certa medida, o seu percurso anterior. Não se fez a selecção dos
locais de amostragem por ecótipos ou por pontos de referência uma vez que o Plano de
Bacia Hidrográfica não os tem definidos segundo o Anexo II da Directiva Quadro da
Água (Bernardino et al., 2000). A primeira estação localiza-se próxima da Vila de
Amares, (figuras 6 e 7), a segunda em Lago, (figuras 8 e 9), um pouco mais para jusante
encontra-se a terceira estação em Barcelos (figuras 10 e 11), e a última já próxima de
Esposende onde se localiza a foz deste rio, na localidade de Marachão (figuras 12 e 13).
Tal como é referido por Fontoura (1989), as estações não foram escolhidas
aleatoriamente, mas tendo por base zonas já estudadas em trabalhos anteriores, para que
se pudesse estabelecer um quadro evolutivo da qualidade da água neste rio, embora os
VILA VERDE
tes
Po
n
Rio Re
gadias
Rio
Ribeira Pa
nóias
!P
Rio
Ca
bril
Rio
Cá
vad
o
Rio Fa
fião
Ra
Albufeira Salamondebagã
Ribeiro Mau
o
gã
ba
Ra
Corga Co
Rio R
abagão
ntenca
o
Albufeira Caniçada
AMARES
D
Torrão
D
Rio
Rio
ei
ra
Ribeiro
Albufeira Penide
do
áva
C
BARCELOS
Rio
!P
TERRAS DE BOURO
ado
Cáv !P
MONTALEGRE
Rio
R
ib
Albufeira Alto Cávado
ei
ra
C
or
Albufeira Paradela
uj
abreira
Rio C
D
o
ros
D
!P
iço
Por
!P
rin
h
eira
l
Sapoga
Ribeiro
ESPOSENDE
Pe
d
ra Feb
Ribei
Rib
Rio
!P
Rio G
erês
!P
Rib
eira
Aba
dia
em
Ribeira
Tojal
ra
ab
aC
m
Ho
em
om
Rio Arado
eir
Rib
o
Ri
Ribeira Roda
H
la
Do
so
abro
eiro
ira S
Rib
Ribe
Rio
Ribeira Beredo
trabalhos existentes sejam escassos.
BRAGA
Ponto de Recolha 1 - Amares
Ponto de Recolha 2 - Lago
Ponto de Recolha 3 - Barcelos
Ponto de Recolha 4 - Marachão
Legenda
0
9.560
19.120
Rio Cávado
38.240 Meters
Bacia Hidrográfica do Rio Cávado
Cursos de Água da Bacia Hidrográfica
Figura 5 – Localização dos Pontos de Recolha.
!P
Cidades Sede de Concelho
31
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Figura 6 – Ponto 1, Amares, montante.
Figura 7 – Ponto 1, Amares, jusante.
32
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Figura 8 – Ponto 2, Lago, montante.
Figura 9 – Ponto 2, Lago, jusante.
33
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Figura 10 – Ponto 3, Barcelos, montante.
Figura 11 – Ponto 3, Barcelos, jusante.
34
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Figura 12 – Ponto 4, Marachão, montante.
Figura 13 – Ponto 4, Marachão, jusante.
35
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2.1.2 Periodicidade
A amostragem foi efectuada no período de um ano, entre 2005 e 2006. Neste
intervalo de tempo procedeu-se à recolha de água e, sazonalmente, à recolha de
macroinvertebrados, pela seguinte ordem Outono, Inverno, Primavera e Verão.
2.1.3 Recolha
Foi efectuada:
- Recolha de água para análise físico-química, com auxílio de frascos de
polietileno de 2 litros, devidamente etiquetados, indicando o local e a data da colheita e
transportados até ao laboratório dentro de uma caixa térmica;
- Amostragem de macroinvertebrados. Existem métodos de amostragem
específicos para os diferentes tipos de organismos: pelágicos, perifíticos e bentónicos.
Os organismos pelágicos em geral são maus indicadores devido à sua mobilidade. Os
organismos perifíticos são recolhidos com os materiais onde vivem. No caso dos
macroinvertebrados bentónicos, o método de recolha deve ter em atenção:
- a natureza do substrato dos diversos locais de amostragem;
- a velocidade da corrente do rio;
- a profundidade do curso de água;
- tipo de amostra pretendida.
Neste trabalho utilizou-se a rede de mão porque:
- permite obter uma amostra de todo o tipo de habitats;
- é um instrumento muito versátil;
- permite fácil manejo;
- é aplicável em substrato de calhau, blocos e plantas aquáticas;
- permite obter amostras rapidamente.
Embora apresente as seguintes limitações:
- eficiência dependente do esforço de amostragem;
- amostragem semi-quantitativa;
36
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
- restrito a profundidade inferior a um metro.
A rede de mão (figura 14), usada era constituída por um saco de rede com malha
de 500µm de secção quadrangular, cabo de cerca de 1,17metros, com as seguintes
medidas:
- largura da armação - 20cm
- comprimento da armação - 26cm
- abertura da armação - 520cm2
- comprimento da rede - 49cm
Figura 14 - Rede de Mão.
A amostragem obteve-se por movimentação manual da rede de mão, em
direcção a montante. O substrato foi revolvido com a própria rede e com o auxílio dos
pés e das mãos. A amostragem é activa pois a agitação da rede desaloja os
macroinvertebrados que entram na rede por acção da água corrente, uma vez que a boca
da armação se encontra voltada para montante. Calhaus de menores dimensões, algas,
plantas e folhas foram lavados num balde com água, que depois era adicionada ao resto
da amostra, ou lavados à boca da rede. Recolheu-se sempre algumas plantas aquáticas
que poderiam conter macroinvertebrados (Fontoura, 1985; Cortes et al., 1999).
Efectuou-se a recolha como vem sendo descrito, durante 5 minutos, cobrindo
todos os habitats de forma proporcional à sua representatividade – captura por unidade
de esforço (Cortes et al., 2002).
37
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
As amostras foram colhidas para recipientes plásticos com tampa e devidamente
etiquetados, indicando o local e a data da colheita.
As recolhas de material biológico passaram ainda pelas etapas que de seguida se
descrevem.
2.2 Tratamento das amostras de Macroinvertebrados
2.2.1 Preservação
O material recolhido não foi imediatamente tratado, pelo que foi fixado com
formol a 4%.
2.2.2 Extracção
Em laboratório efectuou-se a separação dos organismos do resto do sedimento.
O processo teve início com a lavagem da amostra com jacto de água sobre crivos de
grandeza decrescente, de malhas 100μm e de 500μm, (figura 15). Após esta fase o
depósito foi vertido para um tabuleiro branco e com uma pinça e agulha os organismos
foram separados para frascos com álcool a 70%.
Figura 15 – Crivos.
38
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2.2.3 Triagem e Identificação
Os organismos foram separados e identificados por grupos taxonómicos com
auxílio de uma lupa binocular (figura 16) com diferentes ampliações (Ross, 1948;
Hynes, 1970; Fontoura, 1985; Campaioli et al., 1994; Campaioli et al., 1999; Moretti,
2004.)
Fig. 16 – Lupa Binocular
2.2.4 Contagem
Procedeu-se à contagem dos indivíduos de cada grupo, que permite a
caracterização funcional da comunidade e o cálculo dos diversos índices e métricas.
39
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2.3 Parâmetros Biológicos de Qualidade do Habitat
O cálculo de índices de avaliação biológica de qualidade do habitat foi feito
directamente “in situ”, (Anexos I e II).
2.3.1 Índice de Avaliação Visual do Habitat
Este índice, (EPA, 1999 – Anexo I), procura avaliar a viabilidade de um local no
suporte da vida aquática (Barbour, 1997).
É um índice de fácil e rápida utilização. Como o próprio nome indica, efectua-se
através de uma análise visual de parâmetros, tais como: a capacidade do substrato para
acolher a epifauna, tipo de substrato e estabilidade do mesmo, velocidade e
profundidade do canal, caracterização do corredor ripário. Efectua-se numa área com
comprimento de 100m (Resh et al., 1995).
2.3.2 Índice de Qualidade do Bosque de Ribeira
Este índice procura avaliar, como o próprio nome indica, a qualidade do bosque
de ribeira (Munne et al., 1998 – Anexo II).
É um índice de fácil e rápida utilização. Utilizam-se parâmetros relativos à
cobertura riparia e vegetal, e ao grau de naturalidade do canal. As características
ecológicas e geomorfológicas são expressas quantitativamente, traduzindo uma classe
de qualidade.
40
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2.4 Parâmetros Físico-químicos
Nas águas naturais podem definir-se substâncias habituais, para as quais há um
limite aceitável definido, contrariamente a outras substâncias, cuja presença traduz
alguma anomalia, ou cujas concentrações são excessivas, condicionando a qualidade e a
possibilidade de uso. As primeiras fazem parte dos ciclos biogeoquímicos pelo que a
Natureza se encarrega dos processos de auto-regeneração (Mendes & Oliveira, 2004).
Quando se analisa a qualidade de uma massa de água deve ter-se presente as
características dessa massa de água, que podem apresentar modificações consideráveis,
ocasionais ou periódicas, reflectindo a acção de factores internos ou externos, bióticos
ou abióticos (Mendes & Oliveira, 2004). Por este motivo, torna-se indispensável
perceber algumas das relações entre as substâncias que se encontram na água e a própria
água, e como se faz sentir a actuação de determinados agentes sobre ela e as
características apresentadas em função disso.
Alguns dos parâmetros foram medidos directamente “in situ”, outros analisados
no Laboratório de Ecologia do Departamento de Zoologia e Antropologia da faculdade
de Ciências.
2.4.1 Parâmetros medidos “in situ”
A temperatura da água e temperatura ambiente foram medidas com um
termómetro de mercúrio graduado em ºC.
A velocidade da corrente da corrente mediu-se com uma fita métrica e um
cronómetro (m/s).
A luminosidade foi medida por estimativa em percentagem.
O pH, o oxigénio dissolvido, os sólidos suspensos e a condutividade foram
medidos com um kit portátil.
41
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2.4.2 Parâmetros medidos no laboratório
Os Nitratos, Nitritos, Amónia e Fosfatos foram medidos com um Fotómetro
Multiparâmetros de bancada “Hanna Instruments Série C200”.
A Carência Bioquímica de Oxigénio foi determinada segundo o protocolo de
Apha, (1992).
2.4.3 Tratamento dos Dados Físico-Químicos
As análises espaciais e temporais foram convertidas em gráficos de dispersão de
valores utilizando o programa Microsoft Excel 2002.
Foi calculado o coeficiente de correlação de Pearson (Daniel, 1987; D´Hainaut,
1992), para verificar a existência de correlações entre os parâmetros.
Os gráficos resultantes apresentam em alguns casos mais do que um parâmetro.
42
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2.5 Parâmetros Biológicos com Macroinvertebrados
No laboratório efectuou-se a análise da comunidade de macroinvertebrados e o
cálculo das diversas medidas bioindicadoras.
2.5.1 Caracterização Funcional da Comunidade
Identificados os organismos, podem classificar-se de acordo com características
fisiológicas e ecológicas (Jesus, 2001).
2.5.1.1 A Nível de Fisiologia Alimentar
A estrutura trófica de um rio é dominada por invertebrados (Wallace et al.,
1987) e as relações tróficas estabelecidas indicam condições a que estes organismos
estão sujeitos (Fontoura, 1989).
A forma de alimentação dos macroinvertebrados influencia todo o seu
comportamento (Yule, 1996).
Segundo vários autores, os insectos aquáticos, na sua maioria são oportunistas
adaptando a sua alimentação ao que existe no ambiente em que se encontram (Motta &
Uieda, 2004). Além disso, porque na sua maioria as espécies de macroinvertebrados
«aquáticos são polifagos e não mono ou oligofagos é preferível, segundo Cummins
(1973), estabelecer uma classificação baseada no mecanismo de preensão dos alimentos
que traduz o nicho trófico dos organismos nos ecossistemas, em detrimento da
classificação tradicional baseada na natureza do alimento, isto é, Carnívoros,
Herbívoros, Detritívoros.» (Fontoura, 1989, p. 101).
De forma a examinar as alterações na composição trófica da comunidade
macrobentónica, os taxa de macroinvertebrados eram inicialmente distribuídos por
cinco grupos funcionais que se distinguiam pela forma como se alimentavam e pelo
43
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
tamanho dos detritos ingeridos e designados de: retalhadores, que utilizam matéria
orgânica grosseira transformando-a em detritos de pequenas dimensões; colectores, que
aproveitam os detritos finos; raspadores, que consomem perifiton; predadores que
consomem animais vivos; e limnívoros, que utilizam matéria orgânica que se encontra
no sedimento (Fontoura, 1989; Merritt & Cumins, 1996; Tachet et al., 2000; Jesus,
2001). Esta classificação, sobretudo no que diz respeito aos insectos aquáticos, tem
aplicabilidade no hemisfério Norte. No hemisfério Sul outras classificações têm sido
efectuadas, sendo que estes se dividem em: Detritívoros, se se alimentam de matéria
orgânica particulada; Herbívoros, se se alimentam de plantas vasculares e/ou algas;
Carnívoros, se se alimentam de animais; Consumidores de perifiton se se alimentam de
algas, de matéria orgânica e microbiota; e Omnívoros se utilizam recursos de dois ou
mais dos grupos tróficos referidos. A classificação referida é muito diferente da usada
neste trabalho, sendo que os grupos tróficos designados por consumidores de perifiton,
os herbívoros e detritívoros correspondem aos raspadores (Motta & Uieda, 2004b).
Sistematizando, obtém-se os seguintes grupos:
- Retalhadores Herbívoros;
- Retalhadores Detritívoros;
- Colectores Filtradores;
- Colectores Detritívoros;
- Raspadores Minerais;
- Raspadores Orgânicos;
- Predadores Mastigadores;
- Predadores Sugadores;
- Limnívoros (Jesus, 2001 – Anexo III).
2.5.1.2 A Nível de Fisiologia Respiratória
A classificação da fisiologia respiratória dos macroinvertebrados faz-se pelo
estudo das diferentes formas de obtenção de oxigénio, que se apresentam de seguida:
- respiração pulmonar;
- respiração cutânea;
- respiração branquial e cutânea;
- respiração branquial;
44
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
- respiração branquial e aérea;
- respiração aérea (Jesus, 2001 – Anexo IV).
2.5.1.3 A Nível de Habitat e Mobilidade
A caracterização do nível de habitat e da mobilidade dos macroinvertebrados,
permitiu criar as seguintes classificações:
- colados ou fixos;
- pouco móveis;
- mergulhadores;
- nadadores;
- patinadores;
- planctónicos;
- trepadores;
- escavadores (Jesus, 2001 – Anexo V).
2.5.2 Medidas Bioindicadoras
O cálculo de índices é uma metodologia muito usada em trabalhos de avaliação
da qualidade da água, uma vez que por «fornecerem informações de modo inequívoco,
reprodutível e traduzível (…)» (Jesus, 2001), são também facilmente comparáveis.
2.5.2.1 Índice Biótico Belga
Para calcular o Índice Biótico Belga, identificam-se os organismos pelos limites
práticos, tabela 1 do Anexo VI, de seguida utiliza-se o número de unidades sistemáticas
definidas pelo quadro padrão de Tuffery e Verneaux (1968), tabela 2 do Anexo VI, bem
como a presença ou ausência de organismos indicadores.
O valor obtido corresponde a uma classe de qualidade, pela tabela 3 do Anexo
VI.
45
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
As unidades sistemáticas obtidas pela presença de um único indivíduo não são
tidas em consideração (Fontoura, 1984).
Apresenta diversas vantagens, entre as quais, a simplicidade, a rapidez, baixo
custo, utilidade prática e segurança de resultados (Fontoura, 1984 b).
2.5.2.2 Índice Iberian Biological Monitoring Working Party
O Índice Iberian Biological Monitoring Working Party é a designação adoptada
para a Península Ibérica do Biological Monitoring Working Party’, que consiste num
sistema de pontuação de famílias de macroinvertebrados, com base na sua tolerância à
poluição (Fontoura, 1984b), sendo estes organismos distribuídos por 10 grupos de
diferente sensibilidade, tabela 1 do Anexo VII. O Biological Monitoring Working Party’
(BMWP’) resultou de uma adaptação à Península Ibérica de um sistema criado antes na
Inglaterra, o Biological Monitoring Working Party (BMWP) (Alba-Tercedor &
Sánchez-Ortega, 1988)
Após recolha de macroinvertebrados do ambiente aquático sobre o qual se vai
efectuar o estudo, aqueles organismos são separados de acordo com a Família a que
pertencem. Elabora-se um inventário e soma-se o total de pontuação para cada local de
amostragem.
O valor obtido pertence, pela tabela 2 do mesmo anexo, a uma Classe de
Qualidade que indica a qualidade da água em questão. Na rede hidrográfica considerada
marca-se cada local de amostragem da cor correspondente à sua Classe de Qualidade
(Alba-Tercedor, 1996).
Este índice é de fácil utilização e de fácil aplicabilidade à totalidade da Península
Ibérica. Por se identificarem macroinvertebrados até à Família pode ser utilizado por
quem não tem muita experiência em classificação. Todavia é um pouco limitado nas
classificações que estabelece, pois há situações em que o somatório fica no limite
intermédio entre duas classes (Alba-Tercedor, 1996).
46
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
O Índice Biótico Belga e o Iberian Biological Monitoring Working Party
“combinam o factor tolerância com o factor diversidade (especialmente o IBB)” (Cortes
et al., 1999). São os índices mais utilizados na Península Ibérica, pelo que são óptimos
para estabelecer comparações (Cortes et al., 1999).
2.5.2.3 Percentagem de Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera
Este é um índice muito simples, em que se contabilizam os organismos
pertencentes às ordens Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera e se calcula a sua
percentagem em relação ao tamanho da amostra.
EPT= nº indivíduos (Ephameroptera, Plecoptera e Trichoptera) x 100
nº total de indivíduos
O aumento da percentagem de Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera é
indicador de melhoria da qualidade da água (EPA, 1999).
2.5.2.4 Percentagem de Raspadores
Este é um índice muito simples, em que se contabilizam os organismos
Raspadores e se calcula a sua percentagem em relação ao tamanho da amostra.
%Raspadores= nº indivíduos Raspadores
x 100
nº total de indivíduos
O aumento da percentagem de Raspadores é indicador de melhoria da qualidade
da água (EPA, 1999).
47
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2.5.2.5 Índice de Diversidade de Shannon-Weaver
O índice de diversidade de Shannon-Weaver requer a contagem dos organismos
por grupos, pelos limites práticos de identificação, pelo que é independente do tamanho
da amostra (Fontoura, 1984).
S
H´ = - ∑ [(ni/N) loge(ni/N)]
i=1
S: número de grupos taxonómicos
ni: número de indivíduos do grupo taxonómico i
N: número total de indivíduos (Fontoura, 1985)
Os índices de diversidade transformam dados de abundância interespecíficas
num simples valor numérico (Washington, 1984).
2.5.2.6 Índice de Equitabilidade de Pielou
Este índice procura determinar o modo como o número de indivíduos da
comunidade se distribui pelas espécies que a constituem (Washington, 1984).
H´
E = ——––
ln(S)
H´: índice de diversidade de Shannon-Weaver
S: número de grupos taxonómicos
O valor deste índice varia de 0 a 1. Quanto mais se aproxima de 1, mais a
comunidade se encontra bem distribuída no meio, mais estável e em princípio, com
grande diversidade de indivíduos. Se se aproxima de 0, a comunidade será constituída
por menos espécies e menos estável. Sistematizando, o 1 corresponderia a uma
comunidade ideal e o 0 a uma comunidade constituída apenas por uma espécie.
48
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2.5.3 Tratamento dos Dados de Macroinvertebrados
O resultado da caracterização funcional da comunidade ao nível da fisiologia
alimentar, fisiologia respiratória, habitat e mobilidade, foi representado sob a forma de
gráficos circulares com o programa Microsoft Excel 2002, utilizando a distribuição
percentual dos indivíduos nos diferentes pontos de amostragem e ao longo do tempo.
A análise estatística consta de:
- Análise de Clusters, K-Means, feita através do programa Statistica versão 6.1;
- n-MDS e ANOSIM através do programa Primer versão 5.2.
Foram calculadas diversas medidas bioindicadoras, sendo que:
- o Índice Biótico Belga e o Índice Iberian Biological Monitoring Working Party foram
apresentados num mapa com a Bacia Hidrográfica do rio Cávado, recorrendo ao
programa ArcMap da ESRI;
- a Percentagem de Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera, a Percentagem de
Raspadores, o Índice de Diversidade de Shannon-Weaver e o Índice de Equitabilidade
de Pielou foram representados num gráfico de dispersão de valores utilizando o
programa Microsoft Excel 2002.
49
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3. Resultados e Discussão
50
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Uma das questões mais pertinentes relativamente à análise da água diz respeito
ao facto de esta incidir em amostras pontuais, realizadas em ocasiões e locais precisos, e
determinadas por parâmetros específicos. Por este motivo é complicada a extrapolação
dos resultados para um período de tempo entre duas amostragens e para uma dada área
(Mendes & Oliveira, 2004) entre dois locais de amostragem.
Assim, um resultado isolado não deve ser considerado como absoluto. Deve ser
integrado num conjunto mais vasto de informações, o conjunto de informações
disponíveis sobre a qualidade dessa água (Mendes & Oliveira, 2004).
Cada análise deve ser integrada no contexto em que foi efectuada, de modo a
poder tirar-se dela conclusões significativas (Mendes & Oliveira, 2004).
51
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.1 Avaliação da Qualidade do Habitat
A avaliação da qualidade do habitat foi feita através do cálculo do Índice de
Avaliação Visual do Habitat e do Índice de Qualidade do Bosque de Ribeira, índices de
cálculo simples (Vidal-Abarca & Alonso, 2000) cuja acuidade de determinação
contudo, melhora com o treino (Hannaford et al., 1997).
A tabela 1 apresenta os resultados obtidos através do cálculo daqueles índices.
Ponto de Amostragem
Índice de Avaliação Visual
Índice de Qualidade do
do Habitat
Bosque de Ribeira
Ponto 1 – Amares
115
50
Ponto 2 – Lago
132
50
Ponto 3 – Barcelos
95
30
Ponto 4 - Marachão
134
55
Tabela 1 - Índice de Avaliação Visual do Habitat e Índice de Qualidade do Bosque de Ribeira para
cada ponto de amostragem.
Os valores obtidos para os diferentes pontos de amostragem são de um modo
geral baixos para ambos os índices.
O Índice de Avaliação Visual do Habitat tem como máximo 200 (Anexo I), mas
os valores calculados afastam-se muito desse topo.
O Índice de Qualidade do Bosque da Ribeira tem máximo 100 (Anexo II), sendo
que, de acordo com as classes de qualidade definidas, em Amares, em Lago e em
Barcelos há forte alteração, ou seja, má qualidade, e em Marachão começa a haver
alterações importantes mas a qualidade é ainda aceitável.
52
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
No Ponto 1 existem terrenos agrícolas nas proximidades do rio, perturbando o
bosque de ribeira.
No Ponto 2 existem estruturas construídas pelo Homem como uma ponte e uma
represa, condicionamento do leito do rio.
O Ponto 3 apresenta-se com as pontuações mais baixas. Esta situação deve-se
não só ao facto de existirem estruturas construídas nas proximidades, mas também de
canais de saneamento a montante e a jusante da zona de recolha, cujo cheiro
nauseabundo se fazia sentir, condicionamento do leito do rio e lixo depositado pelos
transeuntes ao longo da margem do rio.
O Ponto 4 apresenta os melhores resultados do cálculo destes índices, embora
também seja uma zona alterada, nomeadamente por condicionamento do leito do rio.
Os valores baixos calculados compreendem-se se se atender à intervenção
humana nas áreas circundantes.
Já na 1ªFase do PBH do rio Cávado, foram analisados o canal e a cortina ripária
que apresentaram de maneira geral alteração, indicativa de degradação do rio, crescente
para jusante. A degradação física verificada foi explicada pela exploração agrícola
excessiva e pela poluição de origem urbana, mais intensa nos concelhos de Braga e
Barcelos. Apenas a zona mais a montante, a 8,75Km da nascente do Rio Cávado não se
encontrava degradada (Cortes et al., 1999).
53
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.2 Avaliação Físico-Química
3.2.1 Temperatura Ambiente e Temperatura da Água
A temperatura ambiente interfere sobre a queda pluviométrica, e a forma como
esta se distribui ao longo do ano é um factor determinante para os seres vivos quer estes
sejam terrestres ou aquáticos, e como tal, para os macroinvertebrados também. Varia em
função de factores como a geografia, os movimentos do ar, outros (Odum, 1997).
Nos cursos de água a temperatura varia definindo um ciclo diário e um ciclo
sazonal. Embora esta variação seja mínima, interfere sobre o desenvolvimento das
comunidades aquáticas (Cortes, 1997).
De forma indirecta, a temperatura, porque condiciona a precipitação, pode ser
responsável pelo aumento do caudal superficial de um rio, podendo fomentar os
processos naturais de autodepuração, levando a um menor grau de poluição (Cortes et
al., 2002), pelo que este foi um parâmetro medido.
A observação das figuras 17, 18, 19, e 20, permite verificar que ao longo do ano
houve oscilações de temperatura quer da Água, quer Ambiente. A temperatura
aumentou até atingir, de modo geral, um máximo em Agosto de 2006. Os valores
mínimos foram obtidos no Inverno, como seria de esperar.
30
Temperatura (ºC)
25
20
15
10
5
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Temperatura da Água
Abr. 2006
Ago. 2006
Out. 2006
Temperatura Ambiente
Figura 17 – Temperatura Ambiente e da Água no Ponto 1.
54
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
30
Temperatura (ºC)
25
20
15
10
5
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Abr. 2006
Temperatura da Água
Ago. 2006
Out. 2006
Temperatura Ambiente
Figura 18 – Temperatura Ambiente e da Água no Ponto 2.
30
Temperatura (ºC)
25
20
15
10
5
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Abr. 2006
Temperatura da Água
Ago. 2006
Out. 2006
Temperatura Ambiente
Figura 19 – Temperatura Ambiente e da Água no Ponto 3.
30
Temperatura (ºC)
25
20
15
10
5
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Temperatura da Água
Figura 20 – Temperatura Ambiente e da Água no Ponto 4.
Abr. 2006
Ago. 2006
Out. 2006
Temperatura Ambiente
55
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Verifica-se que existe grande relação entre a temperatura ambiente e a
temperatura da água. As oscilações da primeira modificam, como seria de esperar, a
segunda.
As recolhas foram efectuadas de jusante para montante, decorrendo durante o
período da manhã e início da tarde, motivo que terá condicionado o facto de
esporadicamente a temperatura da água se apresentar superior a montante (Ponto 1).
Os organismos aquáticos têm geralmente um limite de tolerância à temperatura
mais restrito do que os animais equivalentes em terra, uma vez que a amplitude de
variação da temperatura tende a ser menor na água do que na terra. “A água possui
diversas propriedades térmicas características de tal forma combinadas que minimizam
as variações de temperatura; por isso as amplitudes térmicas são menores (…)” (Odum,
1997) e as trocas de calor ocorrem com oscilações de temperatura menos intensas e
mais lentamente na água do que no ar (Odum, 1997; Wetzel, 1993), o que se pode
observar nos gráficos.
As águas superficiais podem registar, temporariamente, valores inferiores a 12ºC
e/ou superiores a 15ºC. No caso do rio analisado, apenas no mês de Fevereiro e para
todos os pontos, se registaram temperaturas inferiores aos 12ºC.
Não se registaram temperaturas extremamente elevadas em qualquer dos pontos
analisados. Mendes & Oliveira (2004) referem que seria de esperar tais resultados em
caso de poluição térmica, devido a descargas de águas de arrefecimento de fábricas nas
águas de superfície, que mesmo que moderada, teria graves consequências (Odum,
1997) como a diminuição da quantidade de oxigénio na água ou o aumento da
actividade respiratória e da velocidade das reacções químicas e bioquímicas de
organismos aquáticos (Mendes & Oliveira, 2004). Na zona em questão do rio analisado
não se pode falar, através dos resultados obtidos, desta forma de poluição.
56
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.2.2 Luminosidade
A luz é a fonte fundamental de energia, influenciando o comportamento e a
distribuição dos seres vivos e as suas características fisiológicas e morfológicas. Sem
luz, a vida não existiria. É um factor vital e um factor limitante.
A combinação da temperatura com a luminosidade, humidade e variação das
marés, controla amplamente as actividades estacionais e diárias das plantas e dos
animais. A temperatura é, com frequência, responsável pela zonagem e pela
estratificação que ocorrem nos ambientes aquáticos e terrestres (Odum, 1997).
O gráfico da figura 21 indica a percentagem de luz incidente no rio Cávado nos
pontos e momentos de recolha. A avaliação da luminosidade em cada ponto de
amostragem permite, ainda que de forma rudimentar, percepcionar diferenças de ponto
para ponto.
Luminosidade (%)
100
Ponto 1
75
Ponto 2
Ponto 3
Ponto 4
50
25
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Out. 2006
Meses de recolha
Figura 21 – Luminosidade que atinge a superfície da água no momento de recolha.
No Ponto 1 a luz incidiu sempre completamente sobre a água da zona amostrada.
No Ponto 2 não houve incidência completa, porque se encontra próximo de uma ponte,
e porque apresenta cobertura vegetal estável.
Os Pontos 3 e 4 sofreram alterações ao nível do grau de incidência de luz. Sendo
pontos que apresentam cobertura vegetal e pontes, qualquer alteração da hora de recolha
reflectiu-se na alteração do ângulo de sombra e portanto, em maior/menor luminosidade
da área de recolha.
57
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
A luminosidade da água é um factor da máxima importância, pois interfere sobre
a produção fotossintética de oxigénio. A luminosidade condiciona também a
temperatura, que tal como os sais dissolvidos, interferem sobre a capacidade da água
para conter oxigénio (Cortes, 1997; Odum, 1997).
3.2.3 Velocidade da corrente
A corrente de um curso de água contribui de forma expressiva para a
distribuição de gases vitais, sais e organismos pequenos. Por esta razão, a corrente pode
afectar muitos seres vivos, plantas e animais, que se encontrem perfeitamente adaptados
morfológica e fisiologicamente às condições do meio. Muitos seres vivos adoptam uma
posição definida na corrente e têm limites de tolerância muito restritos relativamente a
este factor. (Odum, 1997), o que também sucede com os macroinvertebrados. Além
disso, as correntes de água exercem pressão sobre as rochas de tal forma que provocam
a sua erosão. A sua acção faz-se sentir mecanica e quimicamente. Nas zonas onde a
energia cinética é menor, as substâncias depositam-se (Lévêque, 1996).
O gráfico da figura 22 apresenta os valores registados em campo.
Velocidade (m/s)
1,4
1,2
1
Ponto 1
0,8
Ponto 2
Ponto 3
0,6
Ponto 4
0,4
0,2
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Out. 2006
Meses de recolha
Figura 22 – Velocidade da corrente.
58
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Os pontos analisados apresentam uma velocidade de corrente muito inconstante,
sendo que sofre um decréscimo nos meses mais quentes e volta novamente a aumentar.
Este rio apresenta barragens hidroeléctricas que, conjuntamente com o volume de
precipitação, condicionarão estas variações.
A velocidade da corrente no Ponto 1 sofre uma inversão em Agosto. Tratando-se
do ponto com velocidade, regra geral, mais elevada, passa a ser o ponto com velocidade
de corrente mais baixa.
Concretamente no Ponto 2 as variações da velocidade da corrente devem-se ao
facto de este ponto se encontrar próximo de uma represa, pelo que, as descargas
provocavam o aumento do caudal do rio e o aumento da velocidade.
3.2.4 Oxigénio Dissolvido e Carência Bioquímica de Oxigénio
A concentração de gases na água difere com as condições ecológicas da altura e
da zona considerada, pelo que é função da actividade metabólica global (Mendes &
Oliveira, 2004). De uma maneira geral, a concentração de oxigénio e de dióxido de
carbono na água são as mais elevadas do conjunto de gases dissolvidos em águas
naturais. Em água doce tornam-se factor limitante. Parâmetros tais como a concentração
de oxigénio dissolvido e a carência bioquímica de oxigénio são frequentemente medidos
e estudados (Odum, 1997), motivo pelo qual também foram alvo deste estudo.
Tal como outros factores, a quantidade de oxigénio dissolvido varia com o
tempo e com o lugar (Odum, 1997; Agences d`Leau, 1993), como se apresenta nas
figuras 23, 24, 25, e 26.
59
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
10
30
9
O2 e CBO5 (mg/L)
7
20
6
5
15
4
10
3
2
Temperatura da Água (ºC)
25
8
5
1
0
0
Out. 2005
Dez. 2005
Oxigénio dissolvido
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Carência Bioquímica de Oxigénio
Out. 2006
Temperatura da Água
Figura 23 - Variação da temperatura da água, do oxigénio dissolvido e da carência bioquímica de
oxigénio no Ponto 1.
10
30
9
O2 e CBO5 (mg/L
7
20
6
5
15
4
10
3
2
Temperatura da Água (ºC)
25
8
5
1
0
0
Out. 2005
Dez. 2005
Oxigénio dissolvido
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Carência Bioquímica de Oxigénio
Out. 2006
Temperatura da Água
Figura 24 - Variação da temperatura da água, do oxigénio dissolvido e da carência bioquímica de
oxigénio no Ponto 2.
60
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
9
30
8
25
6
20
5
15
4
3
10
Temperatura da Água (ºC)
O2 e CBO5 (mg/L)
7
2
5
1
0
0
Out. 2005
Dez. 2005
Oxigénio dissolvido
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Carência Bioquímica de Oxigénio
Out. 2006
Temperatura da Água
Figura 25 - Variação da temperatura da água, do oxigénio dissolvido e da carência bioquímica de
oxigénio no Ponto 3.
30
10
9
O2 e CBO5 (mg/L
7
20
6
15
5
4
10
3
2
Temperatura da Água (ºC)
25
8
5
1
0
0
Out. 2005
Dez. 2005
Oxigénio dissolvido
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Carência Bioquímica de Oxigénio
Out. 2006
Temperatura da Água
Figura 26 - Variação da temperatura da água, do oxigénio dissolvido e da carência bioquímica de
oxigénio no Ponto 4.
61
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
A quantidade de oxigénio dissolvido nos Pontos 1 e 2 apresentou-se, regra geral
superior aos Pontos 3 e 4 à excepção do mês de Outubro.
Localmente não houve grandes oscilações da quantidade de oxigénio na água, à
excepção das recolhas de Abril e Agosto.
O oxigénio da água provém essencialmente de duas fontes: por acção da
fotossíntese das plantas aquáticas e por difusão da atmosfera (Cortes, 1997; Odum,
1997). De ponto para ponto de recolha há variação da quantidade de oxigénio
dissolvido, facto que provavelmente se deverá a diferentes velocidades de corrente. O
oxigénio difunde-se lentamente na água, à excepção de quando há correntes ou
movimentos de água ou ventos, facto que terá sido responsável pelos elevados valores
do Ponto 2, devido a libertação de água de uma represa, que provocou correntes de
água.
A carência bioquímica de oxigénio, que corresponde ao oxigénio consumido na
degradação de matéria orgânica por bactérias (Cortes, 1997), foi elevada nos pontos
amostrados, o que se verifica em cursos de água com elevada actividade bacteriana de
degradação de matéria orgânica, ou seja, poluídos.
A redução de oxigénio dissolvido na água ter-se-á devido à actividade de
bactérias aeróbias responsáveis pela estabilização de materiais biodegradáveis das
substâncias nela presentes e à redução das taxas de rearejamento superficiais, como
referem Mendes & Oliveira (2004) e Cortes, (1997), bem como ao aumento da
temperatura.
Verifica-se, para os quatro pontos de amostragem (figuras 23, 24, 25 e 26) que
oscilações da temperatura se fazem sentir em oscilações da concentração de oxigénio
dissolvido. Quando a temperatura baixa, a concentração de oxigénio aumenta e quando
a primeira é mais elevada, a concentração do segundo diminui. A quantidade em
solução deste gás aumenta com as baixas temperaturas e diminui com as altas (Nisbet &
Verneaux, 1970; Cortes, 1997; Odum, 1997).
62
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
De maneira geral a quantidade de oxigénio dissolvida situa-se na Classe
Satisfatória definidas por Nisbet & Verneaux (1970), sendo excepções:
- o Ponto 1 em Dezembro de 2005, que pertence à Classe Duvidosa;
- o Ponto 2 em Outubro de 2005, que pertence à Classe Boa;
- o Ponto 3 em Dezembro de 2005, Fevereiro e Abril de 2006, que pertencem à
Classe Duvidosa;
- o Ponto 4 em Fevereiro, Abril e Agosto de 2006, que pertencem à Classe
Duvidosa e em Outubro de 2006 que pertence à Classe Boa.
Os valores de carência bioquímica de oxigénio encontrados estão na sua maioria
de acordo com os definidos por Nisbet & Verneaux (1970) para as zonas inferiores de
grandes cursos de água.
3.2.5 Sais Dissolvidos
As substâncias que se encontram numa massa de água, em solução ou
suspensão, orgânicas ou inorgânicas, determinam uma cor para essa água (Mendes &
Oliveira, 2004), que se quer transparente. Além disso actuam sobre a produtividade do
próprio ecossistema: os nitratos e os fosfatos, (azoto e fósforo), até certos valores, são
limitantes nos ecossistemas de água doce (Odum, 1997; Cortes et al., 1999).
3.2.5.1 Nitratos, Nitritos e Amónia
Em estudos de qualidade de água, os Nitratos, Nitritos e Amónia não podem ser
analisados isoladamente (Nisbet & Verneaux, 1970).
As figuras 27, 28, 29 e 30, registam os valores de nitratos, nitritos e amónia
registados.
63
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
12
0,2
10
8
0,15
6
0,1
4
0,05
Nitratos (mg/L)
Amónia e Nitritos (mg/L)
.
0,25
2
0
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Amónia
Abr. 2006
Nitritos
Ago. 2006
Out. 2006
Nitratos
Figura 27 – Valores de concentração de nitratos, nitritos e amónia presentes na água no Ponto 1.
0,25
35
0,2
30
25
0,15
20
0,1
15
10
0,05
Nitratos (mg/L)
Amónia e Nitritos (mg/L)
.
40
5
0
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Amónia
Abr. 2006
Nitritos
Ago. 2006
Out. 2006
Nitratos
Figura 28 – Valores de concentração de nitratos, nitritos e amónia presentes na água no Ponto 2.
25
0,5
20
0,4
15
0,3
10
0,2
Nitratos (mg/L)
Amónia e Nitritos (mg/L) .
0,6
5
0,1
0
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Amónia
Abr. 2006
Nitritos
Ago. 2006
Out. 2006
Nitratos
Figura 29 – Valores de concentração de nitratos, nitritos e amónia presentes na água no Ponto 3.
64
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
16
14
0,5
12
0,4
10
0,3
8
6
0,2
4
0,1
Nitratos (mg/L)
Amónia e Nitritos (mg/L) .
0,6
2
0
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Amónia
Abr. 2006
Nitritos
Ago. 2006
Out. 2006
Nitratos
Figura 30 – Valores de concentração de nitratos, nitritos e amónia presentes na água no Ponto 4.
Os valores de concentração de Nitratos são elevados, o que presumivelmente se
deve ao facto de o Rio Cávado atravessar zonas agrícolas. A lixiviação dos solos
conduzirá os fertilizantes utilizados naquela actividade para o rio.
Este composto provirá quer da lixiviação dos solos, quer de efluentes agrícolas e
industriais como referem Mendes & Oliveira, (2004).
Segundo Nisbet & Verneaux (1970) as concentrações de Nitratos encontradas
definem maioritariamente Classes de qualidade 4 e 5, numa escala de 1 a 6,
correspondendo 6 à pior. As concentrações de Nitratos no Inverno são superiores
havendo no entanto no Verão e para o Ponto 2 um valor anormalmente elevado, cuja
explicação poderá ser a utilização de fertilizantes em alguma exploração agrícola
adjacente ao rio.
As classes de qualidade definidas para os Nitritos indicam a existência de
poluição insidiosa e de perturbações no ciclo do azoto, bem como poluição sensível. O
valor de Nitritos é sempre superior a 0,01mg/L, pelo que não ocorre a autodepuração.
Em águas limpas, os valores são muito baixos ou nulos, o que não é o caso.
As classes definidas para a Amónia pelos mesmos autores indicam poluição
insidiosa.
65
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.2.5.2 Fosfatos
O gráfico da figura 31 mostra os valores de fosfatos medidos em cada ponto de
amostragem nas diferentes recolhas.
Fosfatos (mg/L)
3,2
Ponto 1
2,8
Ponto 2
2,4
Ponto 3
2
Ponto 4
1,6
1,2
0,8
0,4
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Out. 2006
Meses de recolha
Figura 31 – Valores de concentração de fosfatos na Água.
Os valores obtidos encontram-se maioritariamente na Classe 4 definida por
Nisbet & Verneaux (1970), sendo indicadores de forte produtividade e de eutrofia.
Acima de 0,3mg/L para águas correntes há risco de efeitos nocivos (Nisbet & Verneaux,
1970). Esta situação verifica-se em Agosto de 2006 no Ponto 1 e em Agosto e Outubro
do mesmo ano para o Ponto 3. Estas ocorrências esporádicas dever-se-ão, no caso do
Ponto 1, à introdução de adubos fosfatados, no caso do Ponto 3, a descargas de poluição
urbana.
66
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.2.6 pH
O pH exprime a actividade do ião hidrogénio na água e varia com a origem desta
e com a natureza dos terrenos atravessados.
A figura 32 exibe o valor de pH medido nas diferentes amostras de água
recolhidas.
pH
Ponto 1
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Ponto 2
Ponto 3
Ponto 4
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Out. 2006
Meses de recolha
Figura 32 – pH da água.
Regra geral, este valor encontra-se entre os 6,5 e os 8,5. Num rio, a actividade
biológica das algas, sobretudo na estação mais quente, pode fazer ultrapassar aquela
gama (Mendes & Oliveira, 2004), o que não aconteceu para o rio analisado.
Na maioria das recolhas o pH da água medido corresponde à Classe 3, Acidez
Fraca, havendo ainda um número de amostras significativas pertencentes à Classe 2,
Acidez Média, e à Classe 4, Aproximadamente Neutro, definidas por Nisbet &
Verneaux, (1970).
As formações graníticas que abrangem o Rio Cávado induzem alguma acidez às
águas (Cortes, 1999).
67
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.2.7 Sólidos Suspensos
O teor em sólidos de uma água reflecte o contacto com materiais geológicos
diversos (Odum, 1997). A erosão na bacia hidrográfica de um rio pode promover
alterações das quantidades de sólidos presentes na água.
No caso de Portugal, esta erosão ocorre essencialmente durante as primeiras
quedas pluviométricas outonais, podendo registar-se valores superiores a 1000mg/L
(Mendes & Oliveira, 2004), o que não se verificou, figura 33.
Sólidos Suspensos (mg/L)
320
280
240
Ponto 1
200
Ponto 2
160
Ponto 3
120
Ponto 4
80
40
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Out. 2006
Meses de recolha
Figura 33 – Sólidos em suspensão na água.
Por questões logísticas, em Outubro de 2005 não foi medido o valor de Sólidos
em suspensão.
O Rio Cávado, atravessando afloramentos graníticos, revela valores baixos de
sólidos em suspensão. De facto, tal como seria de esperar, a sua concentração é inferior
a 30mg/L em quase todas as recolhas. No caso de zonas graníticas, os teores são em
regra baixos (inferiores a 30mg/L), atingindo, pelo contrário, valores elevados no caso
68
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
de contacto com rochas sedimentares (até mais de 1000mg/L). Segundo a Organização
Mundial de Saúde, uma água pode classificar-se de excelente qualidade em relação a
este parâmetro, quando o seu resíduo seco total for inferior a 300mg/L. Quando o seu
teor ultrapassar 1200mg/L, a água será considerada inaceitável (Odum, 1997).
A concentração de sólidos em suspensão permite classificar de boa a qualidade
da água relativamente a este parâmetro, uma vez que é sempre baixa, inferior a
300mg/L.
Nisbet & Verneaux (1970) apresentam uma classificação diferente, sendo que,
valores acima dos 150mg/L indicam poluição, o que inclui a recolha de Agosto no
Ponto 4. O valor obtido em Agosto, e para Marachão, deve ser resultado de influência
marítima, uma vez que este ponto se localiza próximo da foz. Elevados valores podem
também dever-se a influência antropogénica ou a efluentes e resíduos descarregados, ou
de materiais submetidos a processos de lixiviação, como refere Odum (1997). De facto,
Paredes (1990) constatou que a água do mar influencia o regime do troço final do Rio
Cávado, através da análise de valores obtidos para Marachão, para tempo de caudais
baixos. Marachão é uma zona do rio Cávado que se encontra sob stress pelo efeito das
marés, que se verifica pelo aparecimento de formas algais de água salobra e pelos
valores de salinidade (Costa, 1991).
Os valores mais elevados deste parâmetro foram medidos nos meses mais
quentes em que a própria temperatura deve ter influenciado a dissociação de substâncias
dissolvidas.
Substâncias em suspensão na água, de natureza orgânica ou inorgânica, podem
interferir sobre a penetração da luz. A turvação causada é muitas vezes um factor
limitante (Odum, 1997), situação que parece não se inscrever no quadro apresentado.
69
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.2.8 Condutividade
A condutividade eléctrica é um parâmetro de avaliação da qualidade da água que
permite conhecer o seu grau de mineralização. Existe uma relação entre a quantidade de
sais minerais dissolvidos e a resistência que a mesma oferece à passagem de corrente
eléctrica (Mendes & Oliveira, 2004). Quanto maior o número de iões dissolvidos numa
água, maior a sua condutividade. Os valores medidos encontram-se registados no
gráfico da figura 34.
Condutividade (mS/cm)
520
480
440
400
360
320
280
Ponto 1
Ponto 2
Ponto 3
Ponto 4
240
200
160
120
80
40
0
Out. 2005
Dez. 2005
Fev. 2006
Abr. 2006
Ago. 2006
Out. 2006
Meses de recolha
Figura 34 – Condutividade da água.
.
Por questões logísticas, em Outubro de 2005 não foi medido o valor da
Condutividade da Água (figura 34).
Tal como seria de esperar, os valores mais elevados de condutividade foram
obtidos para os meses mais quentes, uma vez que a condutividade também aumenta
com o aumento da temperatura.
O valor de condutividade medido em Marachão, em Agosto, estará relacionado
com a elevada concentração de sólidos em suspensão da mesma recolha.
70
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.3 Avaliação Biológica com Macroinvertebrados
A análise biológica consta de:
- uma apreciação global dos taxa identificados nos diversos pontos de
amostragem e por estação do ano (Anexo VIII);
- análises funcionais da comunidade incluindo grupos fisiológicos definidos a
nível alimentar, respiratório, e de habitat e mobilidade;
- análise estatística;
- cálculo de Medidas Bioindicadoras.
71
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.3.1 Caracterização Biológica Geral
A figura 35 apresenta os organismos identificados pelo Taxa a que pertencem e
em percentagem.
100
75
% 50
25
0
1
2
3
Outono
4
1
2
3
Inverno
Diptera
Ephemeroptera
Plecoptera
Gasteropoda
Odonata
Hirudinea
4
1
2
3
Primavera
Trichoptera
Megaloptera
4
1
2
3
Verão
Coleoptera
Heteroptera
Oligochaeta
Bivalve
4
Figura 35 – Taxa identificados em percentagem.
Uma apreciação global permite verificar que foram identificados diversos taxa e
que existem diferenças significativas de ponto para ponto e de umas estações do ano
para as outras.
A operação de fixação com formol no campo poderá ter feito com que alguns
Plathelminthes se tenham contraído, dificultando a sua identificação, como indica
Fontoura, (1985).
No PBH do rio Cávado, 1ªFase, 1ºVol, (Cortes et al., 1999) não foram
encontrados Plecoptera, de forma semelhante ao que aconteceu neste estudo em que
poucos organismos desta ordem foram encontrados. Sendo os Plecoptera indicadores de
qualidade da água, a sua ausência permite, pelo menos, colocar em causa a qualidade da
água nos pontos amostrados deste rio.
72
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.3.2 Caracterização Funcional da Comunidade
As reacções e adaptação dos organismos a determinado ecossistema dependem
da sua fisiologia. A compreensão desta ajudará ao entendimento de outras análises
(Usseglio-Polatera, 1994).
3.3.2.1 A Nível de Fisiologia Alimentar
A figura 36 apresenta as diferentes categorias alimentares por amostra.
Ponto 2
Ponto 3
Ponto 4
Inverno
Primavera
Verão
Recolha
Outono
Ponto 1
Retalhadores Herbívoros
Retalhadores Detritívoros
Colectores Filtradores
Colectores Detritívoros
Raspadores Minerais
Raspadores Orgânicos
Predadores Mastigadores
Predadores Sugadores
Limnívoros
Figura 36 - Categorias fisiológicas alimentares por local e por recolha.
73
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.3.2.2 A Nível de Fisiologia Respiratória
A figura 37 apresenta as diferentes categorias respiratórias por amostra.
Ponto 2
Ponto 3
Ponto 4
Verão
Primavera
Recolha
Inverno
Outono
Ponto 1
Respiração Aérea
Respiração Branquial
Respiração Branquial e Aérea
Respiração Branquial e Cutânea
Respiração Cutânea
Respiração Pulmonar
Figura 37 - Categorias fisiológicas respiratórias por local e por recolha.
74
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.3.2.3 A Nível de Habitat e Mobilidade
A figura 38 apresenta as diferentes categorias a nível de habitat e mobilidade por
amostra.
Ponto 2
Ponto 3
Ponto 4
Inverno
Primavera
Verão
Recolha
Outono
Ponto 1
S – Patinadores
F – Planctónicos
M – Mergulhadores
N – Nadadores
C – Colados ou fixos
P – Pouco móveis
T – Trepadores
E – Escavadores, construtores de tocas
Figura 38 - Categorias fisiológicas de mobilidade e habitat por local e por recolha.
75
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
A figura 36 revela de uma forma geral grande quantidade de organismos que se
alimentam de partículas orgânicas, nomeadamente Limnívoros, Colectores Filtradores,
Colectores Detritívoros (Jesus, 2001). Este resultado encontra-se em concordância com
os elevados valores de Nitratos e de fosfatos detectados um pouco por todos os pontos
de amostragem e em todas as estações do ano.
A figura 37 revela existir grande percentagem de organismos cuja respiração é
independente do meio, pelo que podem ser encontrados em ambientes com poluição
orgânica, ou seja, menos oxigenados.
A figura 38 apresenta grande percentagem de Escavadores, Mergulhadores e
Colados ou fixos, com variações de percentagem esporádicas, organismos que não
precisam de oxigénio na água para sobreviver.
76
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.3.3 Análise Estatística
O tratamento estatístico (figuras 39 e 40) constou de uma análise de Clusters (Kmeans) que estabelece um número pré-determinado de grupos de pontos atendendo à
diferente composição percentual dos taxa das amostras. Posteriormente efectuou-se uma
análise n-MDS (atendendo a dados percentuais e distâncias euclideanas) para obter uma
distribuição das amostras num espaço adimensional onde se marcaram os clusters.
Efectuou-se uma análise de similaridades (ANOSIM) e obteve-se um Rglobal de 0,823.
100
Cluster
Cluster
Cluster
Cluster
Cluster
80
1
2
3
4
5
60
%
40
20
0
Mollusca
Ephemeroptera
Odonata
Heteroptera
Trichoptera
Annelida
Plecoptera
Megaloptera
Coleoptera
Diptera
Taxa
Figura 39 –– Distribuição percentual dos indivíduos em cada amostragem e agrupados em
clusters definidos pela técnica “K-means”.
77
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Stress: 0,15
A3
Cluster
Cluster
Cluster
Cluster
Cluster
B1
C2
1
2
3
4
5
B2
B3
D3
A2
A4
C3
C1
C4
D4
D1
B4
A1
D2
A1 – Outono, Amares
A2 – Outono, Lago
A3 – Outono, Barcelos
A4 – Outono, Marachão
B1 – Inverno, Amares
B2 – Inverno, Lago
B3 - Inverno, Barcelos
B4 - Inverno, Marachão
C1 – Primavera, Amares
C2 – Primavera, Lago
C3 - Primavera, Barcelos
C4 - Primavera, Marachão
D1 – Verão, Amares
D2 – Verão, Lago
D3 - Verão, Barcelos
D4 - Verão, Marachão
Figura 40 – Ordenação no espaço das amostras de macroinvertebrados bentónicos segundo a técnica
n-MDS, baseada numa matriz de distâncias euclidianas tendo por base a distribuição percentual dos
indivíduos em cada amostragem e agrupados em clusters definidos pela técnica “K-means”.
O primeiro cluster reúne as recolhas do ponto 4, Marachão, sendo que estas se
distinguem pelos elevados valores de Heteroptera. Nesta zona estiveram reunidas
condições favoráveis à vida destes organismos, como a fraca velocidade da corrente, a
existência de macrófitas e de calhaus submersos e algas. Em parte contribuem os
Mollusca, representados por Gasteropoda, também eles limnófilos e raspadores de
microflora associada a rochas e macrófitas (Jesus, 2001). Aqueles raspadores orgânicos
e estes raspadores minerais (Jesus, 2001). O ponto C1 aparece associado a este cluster,
pois também apresentou elevado número de Heteroptera. Sendo a recolha de Primavera,
a diminuição da velocidade da corrente terá conduzido ao povoamento da área por estes
organismos.
78
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Marachão é um ponto de recolha que, como já foi referido, se classificou
relativamente à percentagem de oxigénio dissolvido e em diversas recolhas, de
Satisfatório e Duvidoso. Os Heteroptera da Família Corixidae são organismos que não
dependem da quantidade de oxigénio dissolvido na água. Estes indivíduos vêm à
superfície e captam o oxigénio, pelo que a menor quantidade de oxigénio na água não
perturba o seu metabolismo (Jesus, 2001). Além disso, nesta zona, e como já foi
referido, Costa (1991) encontrou formas algais de água salobra, o que criará ambiente
propício para estes raspadores orgânicos de algas e microflora (Jesus, 2001).
O segundo e terceiro clusters reúnem amostras de diferentes estações e pontos
de amostragem. Parece evidenciar uma homogeneidade, do troço estudado do Rio
Cávado, indicadora de má qualidade da água.
No caso concreto do segundo cluster, apesar da variedade de taxas, apresenta
uma maioria de organismos indicadores de poluição os Diptera e os Annelida. Este
grupo apresenta também grande representatividade de Heteroptera, indivíduos que
podem ser encontrados em habitats com poluição orgânica.
O terceiro cluster caracteriza-se pela predominância de amostras recolhidas no
Inverno em que a ocorrência de fortes chuvas poderá ter removido os organismos,
permanecendo os que vivem enterrados e constroem tocas no substrato como os
Mollusca, Annelida e Diptera (Jesus, 2001). Há também uma amostra do ponto 2, que
se crê estar associada às restantes devido ao represamento de água a montante que
poderá ter provocado o mesmo efeito da chuva.
O quarto cluster representa uma amostra de Outono do Ponto 3. Caracteriza-se
pela presença de Mollusca, Coleóptera e em maior percentagem de Odonata, na sua
maioria exclusivamente limnófilos. Como se verificou pela análise da velocidade da
corrente, nesta recolha existe grande discrepância entre os Pontos de amostragem 1 e 2 e
os Pontos 3 e 4. No Ponto 4 da recolha de Outono foram também identificados alguns
Mollusca e Coleóptera limnófilos, mas o elevado valor de Heteroptera ofuscou a
presença daqueles. Assim, aliada à baixa velocidade da corrente que se fazia sentir no
momento de recolha, as fortes chuvas que antecederam esta recolha terão
disponibilizado alimento aos Odonata que são seres que se alimentam de outros ou de
partes de outros organismos (Jesus, 2001).
79
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
O quinto cluster representa uma recolha de Verão, no Ponto 2, que como já foi
referido, se localiza próximo de uma represa. O elevado valor de Ephemeroptera e de
Trichoptera leva a crer que descargas de água que tenham ocorrido desde a Primavera
tenham tido nestas duas estações do ano, maior impacto, elevando o teor de oxigénio
dissolvido, pelo que se encontra grande quantidade de organismos indicadores de boa
qualidade da água. A alternância da velocidade da corrente permitiu o desenvolvimento
de organismos predominantemente reófilos, sem contudo, impedir o desenvolvimento
de alguns limnófilos. Os indivíduos encontrados são nadadores que se refugiam no
substrato por períodos de tempo no caso de haver aumento de corrente. Esta recolha
parece evidenciar melhorias na qualidade da água.
80
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.3.4 Medidas Bioindicadoras
3.3.4.1 Índice Biótico Belga e Índice Iberian Biological Monitoring Working Party
Os valores obtidos pelo cálculo do Índice Biótico Belga, mapa da figura 41,
indicam má qualidade da água. A maioria dos resultados aponta para uma água
moderadamente poluída. Em nenhuma recolha a classe de qualidade foi 1, ou seja, não
Ribeira Pa
nóias
s
Po
nte
Rio
Rio Re
gadias
o
gã
ba
Ra
Corga Co
agão
Rio R
ab
Ribeiro Mau
o
Rio
Ca
bril
Rio
Cá
vad
Rio Fa
fião
rês
Rio G
e
Ra
Albufeira Salamondebag
ntenca
ão
Albufeira Caniçada
AMARES
D
ão
!P
Rio
Rio
ira
Torr
Ribeiro
Albufeira Penide
do
áva
C
BARCELOS
Rio
D
ado
Cáv !P
MONTALEGRE
Rio
R
ib
Albufeira Alto Cávado
ei
ra
C
or
Albufeira Paradela
uj
e
abreira
Rio C
D
o
ros
D
!P
iço
P or
!P
rin
h
ra Feb
Ribei
l
Sapoga
Ribeiro
ESPOSENDE
Pe
d
eira
Rib
Rio
!P
Rib
eira
Aba
dia
Tojal
!P
Ribeira
em
VILA VERDE
!P
TERRAS DE BOURO
bra
Ca
m
Ho
Rio Arado
a
eir
Rib
o
Ri
Ribeira Roda
H
la
Do
so
abro
eiro
ira S
Rib
Ribe
Rio
em
om
Ribeira Beredo
há zonas de águas não poluídas. De modo geral a qualidade da água é baixa.
BRAGA
Ponto de Recolha 1 - Amares
Ponto de Recolha 2 - Lago
Ponto de Recolha 3 - Barcelos
Ponto de Recolha 4 - Marachão
Legenda
A – Outono
B – Inverno
C – Primavera
D – Verão
Cor
Significado
Azul
Águas não poluídas
Verde
Ligeiramente poluída
Amarelo
Moderadamente poluída
Laranja
Muito poluída
Vermelho
Fortemente poluída
Figura 41 – Mapa com Índice Biótico Belga.
81
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Os valores obtidos pelo cálculo do Índice Iberian Biological Monitoring
Working Party indicam contaminação da água, (figura 42) à semelhança do que
aconteceu para o Índice Biótico Belga. A maioria dos resultados aponta para uma água
contaminada/muito contaminada. Em nenhuma recolha a classe de qualidade foi 1, ou
seja, não há zonas de águas no melhor estado. O panorama obtido pelo cálculo deste
índice é de forma geral mais negativo do que o obtido por cálculo do Índice Biótico
Belga.
O ponto 2 no Verão apresentou água de qualidade superior para ambos os
adoMONTALEGRE
Cáv P
!
R
ib
Albufeira Alto Cávado
ei
ra
C
or
uj
e
agão
Ribeiro Mau
Rio
Rio R
ab
H
la
Do
so
abro
eiro
ira S
Rib
Ribe
Rio
em
om
Ribeira Beredo
índices, facto corroborado pela análise estatística.
o
Rio
Ca
bril
Rio
Cá
vad
Rio Fa
fião
Rio G
e
Rib
eira
Aba
dia
Tojal
s
Po
nte
Rio
Rio Re
gadias
Ribeira Pa
nóias
!P
o
gã
ba
Ra
Corga Co
ntenca
ão
Albufeira Caniçada
AMARES
D
ão
Albufeira Penide
do
áva
C
BARCELOS
Rio
D
Ra
Albufeira Salamondebag
ira
Torr
Ribeiro
D
!P
o
ros
D
rin
h
iço
P or
!P
ra Feb
Ribei
l
Sapoga
Ribeiro
ESPOSENDE
Pe
d
eira
Rib
Rio
!P
Rio
Rio
abreira
Rio C
Ribeira
!P
VILA VERDE
!P
TERRAS DE BOURO
bra
Ca
o
em
Rio Arado
a
eir
Rib
Ri
m
Ho
Ribeira Roda
rês
Albufeira Paradela
BRAGA
Ponto de Recolha 1 - Amares
Ponto de Recolha 2 - Lago
Ponto de Recolha 3 - Barcelos
Ponto de Recolha 4 - Marachão
Cor
Azul
Legenda
A – Outono
B – Inverno
C – Primavera
D - Verão
Verde
Amarelo
Laranja
Vermelho
Significado
Águas muito limpas.
Águas não contaminadas ou não alteradas de modo sensível.
Evidentes alguns efeitos de contaminação.
Águas contaminadas.
Águas muito contaminadas.
Águas fortemente contaminadas.
Figura 42 – Mapa com Índice Iberian Biological Monitoring Working Party.
82
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
A 1ªFase, 1ºVol, do PBH do rio Cávado, (1999), menciona cálculos do BMWP´
que indicam águas muito contaminadas e pelo Índice Biótico Belga água poluída e
elevado grau de degradação (Cortes et al., 1999). De destacar que segundo avaliação
feita por Bernardino et al. (2000) com onze pontos de amostragem sujeitos ao cálculo
do BMWP´ a qualidade da água não era satisfatória e apenas um tinha a classificação de
Água não contaminada. Cinco apontavam para Água pouco contaminada, um para Água
contaminada e quatro para Água muito contaminada.
3.3.4.2 Percentagem Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera e Percentagem de
Raspadores
O gráfico da figura 43 mostra a variação da percentagem de Ephemeroptera,
Plecoptera e Trichoptera e a variação da percentagem de Raspadores nos quatro pontos
de amostragem ao longo das diferentes estações.
100
75
% 50
25
Ponto 1
Ponto 2
Ponto 3
Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera
Verão
Primavera
Inverno
Outono
Verão
Primavera
Inverno
Outono
Verão
Primavera
Inverno
Outono
Verão
Primavera
Inverno
Outono
0
Ponto 4
Raspadores
Figura 43 – Percentagem Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera, e Percentagem de Raspadores por
ponto de amostragem ao longo das estações do ano.
83
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Uma primeira análise do gráfico da figura 43 revela discrepâncias na forma
como variam as duas métricas de ponto para ponto, e similaridade na forma como
variam em cada ponto particular ao longo das estações.
A percentagem de raspadores apresenta-se sempre elevada no Ponto 4 pelos
motivos anteriormente explicados. Exceptuando a recolha de Outono do Ponto 3 e a de
Inverno do Ponto 1 as duas métricas variam de forma semelhante. As diferenças deverse-ão aos diferentes substratos e diferentes velocidades da corrente.
Os resultados obtidos pelo cálculo das duas métricas entram em concordância
com os resultados obtidos pelo cálculo do Índice Biótico Belga, mas sobretudo com os
resultados do cálculo do Iberian Biological Monitoring Working Party. Quando há
aumento da Percentagem de Raspadores e da Percentagem de Ephemeroptera,
Plecoptera e Trichoptera, os outros dois índices apresentam também melhorias da
qualidade da água.
A recolha de Verão no Ponto 2 é um bom exemplo da consonância entre as
diferentes medidas bioindicadoras e análise estatística, pois todos os resultados a
apresentam com melhorias de qualidade da água. No caso das métricas em questão, a
percentagem de Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera aumentou drasticamente e os
raspadores, até esta recolha pouco evidentes, foram identificados de forma significativa.
3.3.4.3 Índice de Diversidade de Shannon-Weaver
O gráfico da figura 44 mostra apresenta os resultados do cálculo do Índice de
Diversidade de Shannon-Weaver para os diferentes pontos de amostragem ao longo de
cada uma das estações.
84
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
2,5
2
Ponto 1
1,5
Ponto 2
Ponto 3
1
Ponto 4
0,5
0
Outono
Inverno
Primavera
Verão
Figura 44 – Índice de Diversidade de Shannon-Weaver.
Os valores do índice calculado são baixos e variam bastante com o tempo e de
ponto para ponto. Parece haver alguma instabilidade da comunidade que impede o
desenvolvimento de diferentes taxa.
No Ponto 2 as alterações provavelmente devem-se ao represamento de água,
cuja corrente forte ocasional dificulta a fixação dos indivíduos.
O Ponto 4 é um ponto controverso, pois sofre influência marinha, o que intervém
na organização da comunidade de macroinvertebrados.
Os melhores valores de diversidade são os obtidos no Ponto 1 na Primavera e no
Ponto 3 no Verão.
As comunidades de macroinvertebrados são relativamente pobres em termos de
diversidade, nos diversos pontos de amostragem, o que poderá dever-se à existência de
barragens hidroeléctricas, que por provocarem variações de caudal, segundo Cortes et
al., (2002), promovem deriva e empobrecimento das comunidades, pela instabilidade do
substrato que sofre carreamento. Em águas com grande velocidade de corrente, este é o
principal factor limitante (Agences de L´Eau, 1993). Em Lago, na estação mais
rigorosa, o facto de existir um açude a montante, condiciona todo o desenvolvimento de
macroinvertebrados na estação.
85
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
3.3.4.4 Índice de Equitabilidade de Pielou
O gráfico da figura 45 mostra apresenta os resultados do cálculo do Índice de
Equitabilidade de Pielou para os diferentes pontos de amostragem ao longo de cada uma
das estações.
1
0,8
Ponto 1
Ponto 2
0,6
Ponto 3
0,4
Ponto 4
0,2
0
Outono
Inverno
Primavera
Verão
Figura 45 – Índice de Equitabilidade de Pielou.
O cálculo deste índice revela alguns bons resultados, contudo, este índice não
deve ser estudado isoladamente. Uma comunidade pode ser estável mas contudo não
apresentar boa diversidade. Valores mais elevados de equitabilidade podem ser obtidos
quando há igual número de indivíduos nos diferentes taxa, independentemente dos taxa
em causa, ou da diversidade de taxa. A conjugação da diversidade com a equitabilidade
indica de forma mais concreta o estado da comunidade. Elevados valores de diversidade
aliados a valores de equitabilidade próximos de 1, traduzem um bom estado.
Na situação em estudo, gráfico da figura 45, existem valores de equitabilidade
próximos de 1, em que o índice de diversidade calculado (figura 44), não indica uma tão
boa diversidade. Não se pode por isso, falar de boa qualidade da água.
86
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
4. Conclusão
87
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
No final deste trabalho pode referir-se o seguinte:
- A avaliação do habitat que envolve as zonas do Rio Cávado abrangidas neste
estudo revela profundas transformações ao longo do seu percurso que se
reflectem num decréscimo de qualidade ripária.
- A análise físico-química da água revela valores que indicam poluição elevada,
nomeadamente por nitratos, fosfatos, e demonstrada através da carência
bioquímica de oxigénio. Supõe-se que tenha origem em poluição difusa por
produtos de origem agrícola e por efluentes resultantes do processamento de
produtos animais.
- O cálculo dos índices de qualidade biológica, nas zonas do Rio Cávado
abrangidas nesta investigação, apresentam resultados que permitem classificar a
água como sendo de má qualidade, uma vez que indicam poluição e
contaminação. O Índice de Diversidade apresenta valores baixos, verificando-se
a dominância de algumas espécies, situação característica de locais alterados.
Revela-se necessário a implementação de medidas de monitorização mais activa
e de acções de preservação e conservação procurando alcançar resultados mais positivos
no que concerne à qualidade da água e do ecossistema envolvente. Neste sentido, parece
pertinente a criação de uma base de dados de estudos realizados sobre a qualidade da
água deste rio e de outros, que permita compreender a evolução temporal destes
ecossistemas.
88
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
5. Bibliografia
89
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
5. Bibliografia
AGENCES DE L´EAU, 1993 – Étude bibliographique des méthodes biologiques
d´évaluation de la qualité des eaux de surface continentales. – Synthèse
bibliographique. Etude Inter Agences nº 35. I.D.E. Environnement.
ALBA-TERCEDOR, J. & SÁNCHEZ-ORTEGA, A., 1988 – Un método rápido y
simple para evaluar la calidad biológica de las aguas corrientes basado en el
Hellawell (1978). In ALBA-TERCEDOR, J., J, 1996 – Macroinvertebrados
Acuaticos y Calidad de las Aguas de los Rios.
ALBA-TERCEDOR, J., 1996 – Macroinvertebrados Acuaticos y Calidad de las Aguas
de los Rios. IV Simposio del Agua en Andalucia. Vol. II, 203 – 213, Almeria.
APHA, 1992 - Standard methods for the examination of water and wastewater, 18th Ed.
Chemistry – Italy, June – 10, 1983: 135-155
BAHLS, L. R.; BURKANTIS, R.; TRALLES, S.; 1992 – Benchmark biology of
Montana reference streams. Department of Health and Environmental Science,
Water Quality Bureau, Helena, Montana. In PARK, Y-S.; VERDONSCHOT, P.
F. M.; CHON, T-S. ; LEK, S., 2003 - Patterning and predicting aquatic
macroinvertebrate diversities using artificial neural network. Water Research
37, 1749-1758.
BARBOUR, M. T., 1997 – The re-invention of biological assessment in the U.S.
Human and Ecological Risk Assessment 3(6): 933-940.
BERNARDINO, R.; RODRIGUES, S.; RAFAEL, M. T.; ALVES, M. H.;
HENRIQUES, A. G., 2000 – Análise Comparativa da Qualidade Ecológica das
Águas Superficiais Nacionais tendo como base os Planos de Bacia
90
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Hidrográfica. Actas do II Congresso Ibérico sobre Planeamento e Gestão da
Água. Porto, 9 a 12 de Novembro de 2000.
BIGGS, B. J. F., 2000 – Eutrophication of streams and rivers: dissolved nutrientchlorophyll relationship for benthic algae. J. N. Am. Benthol. Soc. 19, 17-31. In
CAMARGO, J. A.; ALONSO, A.; PUENTE, M., 2005 - Eutrophication
downstream from small reservoirs in mountain rivers of Central Spain. Water
Research 39, 3376-3384.
CÁSSIO, F. M., 1983 – Comparação de Métodos de Amostragem de MacroInvertebrados Bênticos para Avaliação da Qualidade da Água. Seminário de 5º
ano em Biologia, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Porto.
CAMPAIOLI, S., GHETTI, P. F., MINELLI, A. ; RUFFO, S., 1994 – Manuale per il
riconoscimento dei Macroinvertebrati delle acque dolci italiane, Vol. I.
Provincia Autonoma di Trento, Litografica Saturnia.
CAMPAIOLI, S., GHETTI, P. F., MINELLI, A. ; RUFFO, S., 1999 – Manuale per il
riconoscimento dei Macroinvertebrati delle acque dolci italiane, Vol. II.
Provincia Autonoma di Trento, Nuova Stampa Rapida.
CHARVET, S., 1995 – Les méthodes biologiques d´evaluation de la qualité des eaux
basées
sur
les
macroinvetebrés
benthiques.
CEMAGREF,
Rapport
bibliographique DEA. 38pp. In JESUS, T. M. G. M., 1996 – Avaliação da
eficiência e impacto da ETAR de Albergaria-a-Velha através da análise das
comunidades de Macroinvertebrados Bentónicos. Dissertação de Mestrado em
Ecologia Aplicada da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
COOK, S. E. K., 1976 – Quest for an index of community structure sensitive to water
pollution. Environ. Pollut. 11: 269-288. In JESUS, T. M. G. M., 1996 Avaliação da eficiência e impacto da ETAR de Albergaria-a-Velha através da
análise das comunidades de Macroinvertebrados Bentónicos. Porto: Faculdade
de Ciências da Universidade do Porto. Dissertação de Mestrado em Ecologia
Aplicada.
91
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
CORTES, R. M. V., 1997 – Caracterização físico-química das águas dulciaquícolas –
Implicações biológicas. 2ª Edição, Vila Real.
CORTES, R. M. V.; TEXEIRA, A.; CRESPI, A.; OLIVEIRA, S.V.; VAREJÃO, E.;
PEREIRA, A., 1999 – Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Cávado. 1ª Fase,
Análise e Diagnóstico da Situação de Referência, Diagnóstico Preliminar, 1º
Vol, Ministério do Ambiente.
CORTES, R.; PINTO, P.; FERREIRA, M. T.; MOREIRA, I., 2002 – Qualidade
biológica dos ecossistemas fluviais. MOREIRA, I., FERREIRA, M.T.,
CORTES, R. M. V., PINTO, P. & ALMEIDA, P.R. (EDITORES) Ecossistemas Aquáticos e Ribeirinhos. Instituto da Água, Ministério das
Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, Lisboa.
COSTA, M. M. C. S, 1991 – Ecological characterization through the study of
periphyton, Activity D – Biological characterization, River Cávado, Periphyton
– Final Report. Project NATO PO-RIVERS. Instituto de Zoologia Dr. Augusto
Nobre da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Porto.
CUMMINS K. W., 1973 – Trophic relations of aquatic insects. Ann. Ver. Entomol. 18:
183-206.
DANIEL W. W., 1987 – Biostatistics: a foundation for analysis in health sciences. 4ª
ed. John Wiley & Sons.
DEVILLER, G.; ALIAUME, C.; NAVA, M.; CASELLAS, C.; BLANCHETON, J.,
2004 – High-rate algal treatment for water reuse in an integrated marine fish
recirculating system: effect on water quality and sea bass growth. Aquaculture
235, 331-344.
DECRETO-LEI nº 357/87 de Novembro.
92
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
D´HAINAUT L., 1992 – Conceitos e métodos de estatística. Vol. II. Fundação
Callouste Gulbenkian.
Directiva 2000/60/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de Outubro de
2000. Jornal Oficial das Comunidades Europeias, L372:1-72.
EPA, 1999 – Rapid bioassessment protocols use in streams and wadeable rivers:
periphyton, benthic macroinvertebrates and fish. 2nd. Ed., United States.
FIDALGO M. L. & CORREIA M. L. M. (coordenação) 1995 – Estudo de avaliação da
vulnerabilidade da capacidade de recepção das águas e zonas costeiras em
Portugal – Meios receptores e suas características estuários e sistemas lagunares.
Projecto financiado pelo Fundo de Coesão da união Europeia (pags 10-11, 44-54
e 102-103). In SOARES, A. S. G. B. P., 2004 – Relação entre a presença de
diatomáceas bentónicas e a erosão dos sedimentos do estuário do rio Cávado.
Dissertação de Mestrado de Ecologia Aplicada da Faculdade de Ciências,
Universidade do Porto, Porto.
FONTOURA, A. P., 1984a – Elaboração de uma Carta de Qualidade Biológica da
Água. Universidade do Porto, Porto.
FONTOURA, A. P., 1984b – As Comunidades de Macro-Invertebrados como
Indicadoras da Qualidade Biológica da Água – Metodologia para a sua
Utilização. Faculdade de Ciências, Universidade do Porto, Porto.
FONTOURA, A. P., 1985 – Manual de Vigilância da Qualidade das Águas Superficiais
– Avaliação Biológica da Qualidade da Água. Instituto de Zoologia Dr. Augusto
Nobre, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto, Porto.
FONTOURA, A. P., 1989 – As comunidades de macro-invertebrados num sistema
hidroeléctrico do Norte de Portugal – Avaliação de impacte ambiental e
qualidade da água, Porto: Faculdade de Ciências, Universidade do Porto. Tese
de Doutoramento.
93
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
GERRISH, N. & BRISTOW, J. M., 1979 – Macroinvertebrate associations with aquatic
macrophytes and artificial substrates. Journal of Great Lakes Research 5: 69-72.
HANNAFORD, M. J.; BARBOUR, M. T.; RESH, V.H., 1997 – Training reduces
observer variability in visual-based assessments of stream habitat. Journal of the
north American benthological society16 (4): 853-860.
HANSON, J. M. & PETERS, R. H., 1984 – Empirical prediction of crustacean
zooplankton biomass and profundal macrobenthos biomass in lakes. Canadian
Journal of Fisheries and Aquatic Sciences 41: 439-445.
HARPER, D., 1992 – Eutrophication of Freshwaters. Chapman and Hall, London. In
CAMARGO, J. A.; ALONSO, A.; PUENTE, M., 2005 - Eutrophication
downstream from small reservoirs in mountain rivers of Central Spain. Water
Research 39, 3376-3384.
HELLAWELL, J. M., 1986 – Biological indicators of freshwater pollution and
environmental
management.
London:
Elsevier.
In
PARK,
Y-S.;
VERDONSCHOT, P. F. M.; CHON, T-S. ; LEK, S., 2003 - Patterning and
predicting aquatic macroinvertebrate diversities using artificial neural network.
Water Research 37, 1749-1758.
HYNES, H. B. N., 1970 – The Ecology of Running Waters. Liverpool University press.
555pp.
JESUS, T. M. G. M., 1996 – Avaliação da eficiência e impacto da ETAR de Albergariaa-Velha através da análise das comunidades de Macroinvertebrados
Bentónicos. Dissertação de Mestrado em Ecologia Aplicada da Faculdade de
Ciências da Universidade do Porto.
JESUS, T. M. G. M., 2001 – Centrais Hidroeléctricas de Pequena Dimensão: Impacto
na Dinâmica da Comunidade de Macroinvertebrados Bentónicos e na Variação
da Qualidade da Água (Mini-hídrica de Vila Viçosa e “Cascata do Alva”).
94
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Porto: Departamento de Zoologia e Antropologia, Faculdade de Ciências,
Universidade do Porto. Tese de Doutoramento.
KARR, J. R. 1998 - Rivers as sentinels: Using the biology of rivers to guide landscape
management. Pages 502-528 in R. J. Naiman and R. E. Bilby, eds. River
Ecology and Management: Lessons from the Pacific Coastal Ecosystems.
Springer, NY. In CORTES, R.; PINTO, P.; FERREIRA, M. T.; MOREIRA, I.,
2002 – Qualidade biológica dos ecossistemas fluviais. MOREIRA, I.,
FERREIRA, M.T., CORTES, R. M. V., PINTO, P. & ALMEIDA, P.R.
(EDITORES) - Ecossistemas Aquáticos e Ribeirinhos. Instituto da Água,
Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, Lisboa.
LÉVÊQUE, C., 1996 – Ecosystèmes Aquatiques – Les Fondamentaux. HACHETTE
Livre, Paris.
MENDES, B. & OLIVEIRA, J.F.S., 2004 – Qualidade da água para consumo humano.
Lidel, Edições Técnicas, Lda, Lisboa.
MERRITT, R. W., CUMMINS, K. W. (Eds.), 1996 – An introduction to the Aquatic
Insects of North America, third ed. Kendall/Hunt Publishing Company,
Dubuque, Iowa. In CAMARGO, J. A.; ALONSO, A.; PUENTE, M., 2005 Eutrophication downstream from small reservoirs in mountain rivers of Central
Spain. Water Research 39, 3376-3384.
METCALFE, J. L., 1989 – Biological water quality assessment of running waters based
on macroinvertebrate communities : history and present status in Europe.
Environ. Pollut. 60: 101-139. In JESUS, T. M. G. M., 1996 – Avaliação da
eficiência e impacto da ETAR de Albergaria-a-Velha através da análise das
comunidades de Macroinvertebrados Bentónicos. Dissertação de Mestrado em
Ecologia Aplicada da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
MICHALETZ, P. H.; DOISY, K. E. ; RABENI, C. F., 2005 – Influences of
productivity, vegetation, and fish on macroinvertebrate abundance and size in
Midwestern USA impoundments. Hydrobiologia, 543: 147-157.
95
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
MORETTI, M. S., 2004 – Atlas de Identificação Rápida dos Principais grupos de
Macroinvertebrados Bentônicos. Instituto de Ciências Biológicas, Departamento
de Biologia Geral, Laboratório de Ecologia de Bentos. Belo Horizonte.
MOTTA, R. L. & UIEDA V. S., 2004a – Dieta de duas espécies de peixes do Ribeirão
do Atalho, Itatinga, SP. Rev. bras. Zoociências Juiz de Fora V.6 Nº2: 191-205.
MOTTA, R. L. & UIEDA V. S., 2004b – Diet and trophic groups of an aquatic insect
community in a tropical stream. Braz. J. Biol., 64 (4): 1-10.
MOTTA, R. L. & UIEDA V. S., 2005 – Food web structure in a tropical stream
ecosystem. Austral Ecology, 30, 58-73.
MUNNE, A.; SOLA, C.; PRAT, N., 1998 – Un índice rapido para la evaluación de la
calidad de los ecosistemas de ribera. Tecnología del Agua: artículos técnicos
175: 20-37.
NISBET, M. & VERNEAUX, J., 1970 – Composants chimiques des eaux courantes –
discoussion et proposition de classes en tant que bases d´interpretation des
analyses chimiques. Annls. Limnol. 6 (2), 161-190.
ODUM, E. P., 1997 – Fundamentos de Ecologia. Fundação Calouste Gulbenkian,
Lisboa.
PAREDES, A., 1990 – Monografias sobre as Bacias Hidrográficas do Norte de
Portugal – A Bacia Hidrográfica do Rio Cávado. Projecto de Gestão Integrada
dos Recursos Hídricos do Norte (PGIRH/N), Direcção Geral dos Rercursos
Naturais, Ministério do Ambiente e dos Recursos Naturais, Porto.
PARK, Y-S.; VERDONSCHOT, P. F. M.; CHON, T-S. ; LEK, S., 2003 - Patterning
and predicting aquatic macroinvertebrate diversities using artificial neural
network. Water Research, 37: 1749-1758.
Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Cávado, 2000, Volume I.
96
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Cávado, 2000, Volume III.
RESH, V. H.; NORRIS, R. H.; BARBOUR, M. T., 1995 – Design and implementation
of rapid assessment approaches for water resource monitoring using benthic
macroinvertebrates. Australian Journal of Ecology 20: 108-121.
RODRIGUES, E.; JUSTINO, A.; SANTANA, V., 2001 – Gestão e Ambiente - a Água e
a Indústria. Editora Pergaminho, Lda, Cascais.
ROSS, H. H., 1948 – A Textbook of Entomology. John Wiley & Sons, Inc. 532pp.
SILVEIRA, M. P., 2004 - Aplicação do Biomonitoramento para Avaliação da
Qualidade da Água em Rios. Documentos ISSN 1516 – 4691, 36. Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro Nacional de Pesquisa de
Monitoramento e Avaliação de Impacto Ambiental. Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento. Jaguariúna, SP.
SOARES, A. S. G. B. P., 2004 – Relação entre a presença de diatomáceas bentónicas e
a erosão dos sedimentos do estuário do rio Cávado. Dissertação de Mestrado de
Ecologia Aplicada da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Porto.
SVENSSON, J. M.; BERGMAN, E.; ANDERSSON, G., 1999 – Impact of cyprinid
reduction on the benthic macroinvertebrates community and implications for
increased nitrogen retention. Hydrobiologia 404: 99-112.
TACHET, H.; RICHOUX, P.; BOURNAUD, M.; USSEGLIO-POLATERA, P., 2000 –
Invertebrés d´Eau Douce (Systematique, Biologie, Écologie). CNRS Editions,
Paris.
In CAMARGO, J. A.; ALONSO, A.; PUENTE, M., 2005 -
Eutrophication downstream from small reservoirs in mountain rivers of Central
Spain. Water Research 39, 3376-3384.
TEIXEIRA C. & MEDEIROS A. C., 1969 – Carta Geológica de Portugal na escala
1/50000 – Notícia explicativa da folha 5-C Barcelos. Serviços Geológicos de
97
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Portugal. Lisboa 49pp. In SOARES, A. S. G. B. P., 2004 – Relação entre a
presença de diatomáceas bentónicas e a erosão dos sedimentos do estuário do
rio Cávado. Dissertação de Mestrado de Ecologia Aplicada da Faculdade de
Ciências da Universidade do Porto, Porto.
TOMITA, R. & BEYRUTH, Z., 2003 – Toxicologia de Agrotóxicos em Ambiente
Aquático; Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Protecção Ambiental,
Instituto Biológico, São Paulo, Brazil.
Extraído a 24 de Setembro de 2007 de:
http://www.biologico.sp.gov.br/biologico/v64_2/tomita.pdf
TUFFERY G. & VERNEAUX J., 1968 – Méthode de determination de la qualité
biologique dês eaux courantes. Ministére de l´agriculture. Centre National
d´Études Techniques et de Recherches Technologiques pour l´Agriculture, les
Forêts et l´equipement Rural (CERAFER). Section Pêche et Pisciculture.
USSEGLIO-POLATERA, P. H., 1994 – Theorethical habitat templets, species traits,
and species richness: aquatic insects in the Upper Rhône River and its
floodplain. Freshwater Biology 31:412-437. In JESUS, T. M. G. M., 1996 –
Avaliação da eficiência e impacto da ETAR de Albergaria-a-Velha através da
análise das comunidades de Macroinvertebrados Bentónicos. Dissertação de
Mestrado em Ecologia Aplicada da Faculdade de Ciências da Universidade do
Porto.
VIDAL-ABARCA, M. R. & ALONSO, M. L. S., 2000 – Aplicación del índice de
calidad del bosque de ribera, QBR (Munné et al., 1998) a los cauces fluviales de
la cuenca del río Segura. Tecnología del agua, 201: 33-45.
WALLACE, J. B.; BENKE, A. C.; LINGUE, A. H.; PARSONS, K., 1987 – Trophic
pathways of macroinvertebrate primary consumers in subtropical blackwater
streams. Arch. Hydrobiol., 74: 423-451. In MOTTA, R. L. & UIEDA V. S.,
2004b – Diet and trophic groups of na aquatic insect community in a tropical
stream. Braz. J. Biol., 64 (4): 1-10.
98
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
WASHINGTON, H. G., 1984 – Diversity, biotic and similarity índices. A review with
special relevance to aquatic ecossystems. Water Resources 18(6): 653-694.
WETZEL, R. G. 1993 – Limnologia. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa.
WETZEL, R. G., 2001 – Limnology, third ed. Academic Press, New York. In
CAMARGO, J. A.; ALONSO, A.; PUENTE, M., 2005 - Eutrophication
downstream from small reservoirs in mountain rivers of Central Spain. Water
Research 39, 3376-3384.
YULE, C. M., 1996 – Trophic relationship and food webs of the benthic invertebrate
fauna of two seasonal tropical streams on Bougainville Island, Papua New
Guinea. J. Trop. Ecol, 12: 517-534. In MOTTA, R. L. & UIEDA V. S., 2004b –
Diet and trophic groups of na aquatic insect community in a tropical stream.
Braz. J. Biol., 64 (4): 1-10.
99
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Anexo I
Índice de Avaliação Visual do Habitat em Rios de Elevado Gradiente
Índice de Avaliação Visual do Habitat em Rios de Elevado Gradiente
(EPA, 1999)
100
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Parâmetros a avaliar
Parâmetro
do habitat
1. Capacidade do substrato
para acolher a epifauna
Categorias
Sub-óptimo
Óptimo
Marginal
Mais de 70% de habitat
favorável à colonização
pela epifauna e à
utilização pelos peixes;
mistura de ramos,
troncos submersos,
blocos ou outros habitats
estáveis e com potencial
máximo de colonização
(ex: troncos já com um
certo tempo de
deposição).
40-70% de mistura de
habitats estáveis; boas
condições para a total
colonização; habitat
adequado para a
manutenção das
populações; presença
de substrato adicional
recentemente
depositado no canal e
ainda não
completamente apto
para a colonização.
Pontuação
20 19 18 17 16
15 14 13 12 11 10 9
2. Firmeza do substrato
(“embeddedness”)
25% de cascalho, blocos
e calhaus rolados
rodeados por sedimentos
finos. Bandas de blocos
que criam nichos
ecológicos
diversificados.
25-50% de cascalho,
blocos e calhaus
rolados rodeados por
sedimentos finos.
Pontuação
20 19 18 17 16
15 14 13 12 11 10 9
3.Regimes
velocidade/profundidade
Presentes os quatro
regimes de
velocidade/profundidade
(lento-profundo, lentobaixo, rápido-profundo,
rápido-baixo).
Apenas 3 dos quatro
regimes estão presentes
(se falta o regime
rápido-baixo, a
pontuação deve ser
inferior do que faltando
qualquer dos outros
regimes).
(lento é menor que 0.3
m/s, profundo é maior
que 0.5 m/s).
Pontuação
20 19 18 17
4.Deposição de sedimentos
Pouco ou nenhum
aumento da superfície de
ilhas e menos de 5% de
substrato afectado pela
deposição de sedimentos.
Pontuação
20 19 18 17
5. Homogeneidade do fluxo
de água no canal
A água corre pelos dois
lados do canal, podendo
apenas uma pequena
parte do leito do rio não
estar coberta por água.
Pontuação
20 19 18 17
7
6
8
5 4 3 2 1 0
Mais de 75% de
cascalho, calhaus
rolados e blocos
rodeados por
sedimentos finos.
5 4 3 2 1 0
Apenas 2 dos quatro
regimes estão
presentes (se falta o
regime rápidobaixo, a pontuação
deve ser inferior do
que faltando
qualquer dos outros
regimes).
Prevalência de um
único regime
(usualmente o regime
lento-profundo).
8
7
Menos de 20% de
habitats estáveis;
evidente falta de
habitats; substrato
inexistente ou
instável.
6
6
5 4 3 2 1 0
Deposição
moderada de
cascalho, areia ou
sedimentos finos em
faixas novas ou
antigas; 30-50% do
substrato afectado;
deposição de
sedimento, nas
obstruções e
constrições do
canal; deposição
moderada de
sedimento nas
poças.
Pesados depósitos de
materiais finos
aumentam a
formação de
barreiras; mais de
50% do substrato em
mudanças frequentes;
quase ausência de
poças devido à
deposição de
sedimentos.
16 15 14 13 12 11 10 9
A água corre por mais
de 75% do canal; ou
menos de 25% do canal
não está coberto por
água.
8
50-75% de cascalho,
blocos e calhaus
rolados rodeados
por sedimentos
finos.
16 15 14 13 12 11 10 9
Algum aumento de
formação de barreiras,
constituídas,
essencialmente, por
cascalho, areia ou
sedimentos finos; 530% do substrato
afectado; pequena
deposição de
sedimentos nas poças.
Pobre
20-40% de mistura
de habitats estáveis;
disponibilidade de
habitat inferior ao
desejável; substrato
frequentemente
removido ou
perturbado.
6
5 4 3 2 1 0
A água corre por 2575% do canal, e /ou
o substrato
encontra-se exposto
nas zonas de
rápidos.
Muito pouca água no
leito do rio e a maior
parte confinada a
poças.
16 15 14 13 12 11 10 9
8
7
8
7
7
6
5 4 3 2 1 0
101
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Parâmetros a avaliar
Parâmetro
do habitat
6. Alteração do canal
Categorias
Óptimo
Canalização débil ou
ausente; rio com um
padrão normal.
Sub-óptimo
Marginal
Pobre
Presente alguma
canalização,
usualmente em áreas de
pontes; podem existir
evidências de
canalização antiga
(dragagens, com idade
superior a 20 anos),
mas não existir
canalização recente.
A canalização do rio
pode ser extensiva;
taludes ou escoras
podem estar
presentes em ambas
as margens; 40-80%
do rio corre
canalizado ou com
interrupções.
Margens limitadas por
cimento ou muros;
mais de 80% do rio
corre canalizado ou
com interrupções; os
habitats aquáticos
estão fortemente
alterados ou
inteiramente
removidos
Pontuação
20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9
7. Frequência de rápidos
Ocurrência
relativamente frequente
de rápidos; razão
distância entre
rápidos/largura do rio
inferior a 7:1
(geralmente 5:7); a
variedade de habitats é a
chave. Em rios onde os
rápidos são contínuos a
localização de blocos ou
outros obstáculos
naturais assumem
grande importância.
Pontuação
20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10
8. Estabilidade das
margens (pontuação
para cada margem)
Margens estáveis; pouca
ou nenhuma evidência
de erosão ou de
derrocada das margens;
fraco potencial para
problemas futuros;
menos de 5% das
margens com problemas.
Ocurrência pouco
frequente de rápidos;
razão distância entre
rápidos/largura do rio é
de cerca de 7:15.
Margens
moderadamente
estáveis; pouca
frequência de pequenas
área erosionais; 5 –30%
das margens são áreas
de erosão.
8
7
6
Rápidos e curvas de
rio ocasionais;
contorno do leito do
rio pode propiciar
alguns habitats;
razão distância entre
rápidos/largura do
rio é 15:25
9
8
7
6
Margens
moderadamente
instáveis; 30-60%
das margens em
risco de erosão;
grande potencial de
erosão durante um
aumento de caudal.
5
4 3 2 1 0
Geralmente águas
calmas ou presença de
pequenos rápidos;
razão distância entre
rápidos/largura do rio
é superior a 25.
5
4 3 2 1 0
Margens instáveis;
muitas zonas erodidas;
áreas “feridas “
frequentes; 60-100%
das margens têm
marcas de erosão.
Pontuação (M.E.)
M. E.
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Pontuação (M.D.)
M. D.
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
9. Corredor ripário
(pontuação para cada
margem)
Mais de 90% da
superfície da margem e
da zona ripária coberta
por vegetação autóctone,
incluindo árvores,
vegetação rasteira ou
vegetação herbácea;
nudez do solo mínima
ou não evidente;
praticamente todas as
plantas com um
crescimento natural.
70-90% da superfície
das margens coberta
por vegetação
autóctone, mas com um
dos tipos de plantas mal
representado; ruptura
evidente da vegetação
rasteira, mas que não
afecta o seu potencial
de crescimento.
50-70% da superfície
das margens coberta
por vegetação;
grandes manchas
sem vegetação;
apenas metade do
terreno apresenta
potencial de
crescimento.
Menos de 50% dos
terrenos marginais se
encontram com
cobertura vegetal;
grandes espaços sem
vegetação; pouca ou
nenhuma capacidade
de crescimento de
cobertura vegetal.
Pontuação (M.E.)
M. E.
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Pontuação (M.D.)
M. D.
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
10. Largura do corredor
ripário (pontuação para
cada margem)
Largura do corredor
ripário maior que 18m;
as actividades humanas
(parqueamento de
automóveis, campismo,
campos agrícolas,
pastagens) não têm
impacto na área.
Largura do corredor
ripário entre 12 e 18m.
O impacto de
actividade humanas é
mínimo.
Largura do corredor
ripário entre 6 e 12
m. O impacto das
actividades humanas
e considerável.
Largura do corredor
ripário inferior a 6m;
pouca ou nenhuma
vegetação ripárica
devido a actividades
humanas.
Pontuação (M.E.)
M. E.
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Pontuação (M.D.)
M. D.
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
102
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Anexo II
Índice de Qualidade do Bosque de Ribeira (QBR)
103
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Índice de Qualidade do Bosque de Ribeira (QBR)
(Munné et al., 1998)
Pontuação entre 0 e 25
Grau de cobertura da zona ripária
Pontuação
25
10
5
0
+10
+5
-5
-10
>80% de cobertura vegetal na zona ripária (as plantas anuais não são contabilizadas)
50-80% de cobertura vegetal na zona ripária
10-50% de cobertura vegetal na zona ripária
<10% de cobertura vegetal na zona ripária
se a conectividade entre o bosque de ribeira e o ecossistema florestal adjacente é total
se a conectividade entre o bosque de ribeira e o ecossistema florestal adjacente é maior que 50%
se a conectividade entre o bosque de ribeira e o ecossistema florestal adjacente é entre 25 e 50%
se a conectividade entre o bosque de ribeira e o ecossistema florestal adjacente é menor que 25%
Pontuação entre 0 e 25
Estrutura da cobertura vegetal (contabiliza-se toda a zona de ribeira)
Pontuação
25
10
5
0
+10
+5
+5
-5
-5
-10
cobertura de árvores superior a 75%
cobertura de árvores entre 50 e 75%, ou cobertura de árvores entre 25 e 50% e de arbustos superior a 25%
cobertura de árvores inferior a 50% e o resto da cobertura efectuada por arbustos entre os 10 e os 25%
sem árvores e arbustos abaixo dos 10%
se na zona de inundação a concentração de helófitos ou arbustos é superior a 50%
se na zona de inundação a concentração de helófitos ou arbustos é entre 25 e 50%
se existe uma boa conexão entre a zona de arbustos e árvores com a zona de bosque adjacente
se existe uma distribuição regular dos pés de árvores e o bosque é superior a 50%
se as árvores e os arbustos se distribuem em manchas, sem continuidade
Se existe uma distribuição regular das árvores e dos arbustos e o bosque é inferior a 50%
Pontuação entre 0 e 25
Qualidade da cobertura vegetal (depende do tipo geomorfológico da zona de ribeira)
Pontuação
+5
+5
-5
número de espécies diferentes de árvores autóctones
número de espécies diferentes de árvores autóctones
número de espécies diferentes de árvores autóctones
sem árvores autóctones
se existe uma continuidade da comunidade ao longo do rio uniforme e ocupando
mais de 75% da zona de ribeira
se existe uma continuidade da comunidade ao longo do rio uniforme e ocupando
entre 50 a 75% da zona de ribeira
se existe uma disposição em galeria das diferentes comunidades
se o número de espécies diferentes é:
se existem estruturas construídas pelo homem
-5
se existe alguma árvore introduzida isolada
-10
se existem espécies de árvores introduzidas formando comunidades
-10
se existem descargas de efluentes
25
10
5
0
+10
+5
Grau de naturalidade do canal fluvial
Tipo 1
Tipo 2
Tipo 3
>1
1
-
>2
2
1
>3
3
1-2
>2
>3
>4
Pontuação entre 0 e 25
Pontuação
25
10
5
0
-10
-10
o canal do rio não está modificado
modificações das zonas adjacentes ao rio com redução do canal
sinais de alteração e estruturas rígidas intermitentes que modificam o canal do rio
rio canalizado na totalidade do sector
se existe alguma estrutura sólida dentro do leito do rio
se existe alguma represa ou outra infra-estrutura transversal no leito do rio
104
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Determinação do Tipo Geomorfológico da Zona Ripária
(Somar o tipo de desnível da direita e da esquerda da zona de inundação e somar ou retirar segundo os outros atributos)
Pontuação
Esquerda
Direita
Tipos de desnível da zona ripária
Vertical/côncavo (declive >75%), com uma
altura não superada pelas maiores cheias
6
6
Igual mas com um pequeno talude ou zona de
inundação periódica
5
5
Declive entre 45 e 75º, em escada ou não. O
declive conta-se como o ângulo entre a
horizontal e a recta entre a zona de inundação e o
último ponto da zona de ribeira.
3
3
Declive entre 20 e 45º, em escada ou não.
2
2
Declive menor que 20º, zona de ribeira uniforme
ou plana
1
1
Largura do conjunto superior a 5 m
-2
-2
Largura do conjunto entre 1 e 5 m
-1
-1
Existência de uma ou mais ilhas no meio do leito do rio
Potencialidade de suportar uma massa vegetal de ribeira. Percentagem de substrato duro com incapacidade para enraizar uma massa
vegetal permanente.
>80%
Não se pode medir
60-80%
+6
30-60%
+4
20-30%
+2
Pontuação total
Tipo geomorfológico segundo a pontuação
>8
5a8
<5
Tipo 1
Tipo 2
Tipo 3
Ribeiras fechadas, normalmente de cabeceira, com baixa potencialidade de uma zona ripária extensa
Ribeiras com uma potencialidade intermédia para suportar uma zona de vegetação, zonas médias dos rios
Ribeiras extensas, nas zonas baixas dos rios, com elevada potencialidade para possuir um bosque extenso
Classes de qualidade de acordo com o QBR
Qualidade do bosque de ribeira
QBR
Cor no mapa
Sem alteração, estado natural
95-100
Azul
Ligeiramente perturbado, boa qualidade
75-90
Verde
Início de alterações importantes, qualidade aceitável
55-70
Amarelo
Fortemente alterado, má qualidade
30-50
Laranja
Degradação extrema, péssima qualidade
0-25
Vermelho
105
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Anexo III
Classificação de Macroinvertebrados de acordo
com a Fisiologia Alimentar
106
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Classificação de Macroinvertebrados de acordo com a Fisiologia Alimentar
Categoria
SH
Retalhadores
Herbívoros
SD
Retalhadores
Detritívoros
Descrição
Alimentam-se de partículas de tecidos
vivos de plantas vasculares, com
dimensões superiores a 103μm (CPOM1),
que cortam e dividem em fragmentos
mais pequenos.
Alimentam-se de partículas em
decomposição, com dimensões superiores
a 103μm (CPOM), que cortam e dividem
em fragmentos mais pequenos.
CF
Colectores
Filtradores
Possuem adaptações (apêndices
fortemente modificados, construção de
casulos ou teias) que lhes permitem filtrar
partículas de restos orgânicos, elementos
da microflora e da microfauna, de
dimensões inferiores a 103μm (FPOM2 e
UPOM3), que se encontram em
suspensão no meio aquático.
CS
Colectores
Detritívoros
Recolhem material em decomposição
com dimensões inferiores a 103 μm
(FPOM e UPOM) que encontram no
sedimento ou sobre o substrato.
RM
Raspadores
Minerais
Têm um aparelho bucal, ligeiramente
modificado, que lhes permite raspar a
microflora (partículas com dimensão
inferior a 103μm) associada a pedras e a
macrófitas.
RO
Raspadores
Orgânicos
Têm um aparelho bucal, ligeiramente
modificado, que lhes permite raspar a
microflora (partículas com dimensão
inferior a 103μm) associada a algas.
PM
Predadores
Mastigadores
Alimentam-se de outros organismos ou
de partes de organismos.
PS
Predadores
Sugadores
Têm o aparelho bucal modificado,
permitindo-lhes sugar células e fluidos
tecidulares de outros organismos.
L
Limnívoros
Vivem enterrados no substrato e engolem
os sedimentos, aproveitando a matéria
orgânica.
Grupos Taxonómicos
Trichoptera: PHRYGANEIDAE, LEPTOCERIDAE
(Oecetis,,Triaenodes, Leptocerus, Erotesis)
Lepidoptera (Paraponix, Nymphula)
Coleoptera: HALlPLlDAE, EUBRIIDAE, HYDROCHIDAE,
HELOPHORIDAE, CHRYSOMELlDAE
Diptera: Diamesinae, EPHYDRIDAE
Plecoptera Filipalpia
Trichoptera: LlMNEPHILlDAE, LEPIDOSTOMATIDAE,
SERICOSTOMATIDAE
Coleoptera: HELODIDAE
Diptera: TIPULlIDAE, Orthocladiinae
Bivalvia
Crustacea: ATYIDAE
Ephemeroptera: SIPHLONURIDAE
Trichoptera: ECNOMIDAE, HYDROPSYCHIDAE (Hydropsiche),
PSYCHOMYIIDAE, BRACHYCENTRIDAE,
PHILOPOTAMIDAE
Lepidotera: Catac/ysta
Diptera: SIMULlIDAE, Chironomini, SYRPHIDAE, CULlCIDAE
Crustacea: GAMMARIDAE, ASELLlDAE
Ephemerotera: BAETIDAE (Baetis), EPHEMERIDAE, CAENIDAE
(Caenis), LEPTOPHLEBIIDAE (Habroleptoides, Paraleptophlebia,
Choroterpes), HEPTAGENIIDAE (Electrogena),
OLlGONEURIIDAE, POLYMITARCIDAE, EPHEMERELLlDAE
(Ephemerella),POTAMANTHIDAE
Heteroptera: GERRIDAE
Coleoptera: HYDROPHILlDAE (A), DRYOPIDAE,
LlMNEBIIDAE HYDRAENIDAE
Trichoptera: BERAEIDAE
Diptera: Corynoneurinae, CERATOPOGONIDAE
Mollusca Gasteropoda
Ephemeroptera: HEPTAGENIIDAE (Heptagenia, Rhytrogena,
Ecdyonurus), BAETIDAE (CentroptiJum, Pseudocentroptilum),
EPHEMERELLlDAE (Torleya)
Trichoptera: GOERIDAE, THREMMATIDAE,
HELlCOPSYCHIDAE, GLOSSOSOMATIDAE, MOLANNIDAE,
ODONTOCERIDAE,
Lepidoptera Acentrix
Coleoptera: ELMIDAE, EUBRIIDAE
Diptera: Prodiamesinae, TABANIDAE, DIXIDAE,
STRATIOMYIDAE, BLEPHARICERIDAE
Ephemeroptera: CAENIDAE (Brachycercus), BAETIDAE (Cloeon,
Procloeon); LEPTOPHLEBIIDAE (Habrophlebia, Thraulus),
HEPTAGENIIDAE (Epeorus)
Heteroptera: CORIXIDAE
Trichoptera: LEPTOCERIDAE (Athripsodes, Mystacides, Setodes,
Ceraclea, AdiceJla)
Diptera: Tanytarsini, PSYCHODIDAE
Plathelmintes Tricladida: Phagocata
Plecoptera Setipalpia
Odonata e Megaloptera
Trichoptera: RHYACOPHILlDAE, POLYCENTROPODIDAE,
HYDROPSYCHIDAE (Diplectrona, Cheumatopsiche)
Coleoptera: DYTISCIDAE (A), GYRINIDAE, HYGROBIIDAE,
HYDROPHILlDAE (L)
Diptera: LlMONIIDAE, CHAOBORIDAE, Tanypodinae
Plathelminthe Tricladida excepto Phagocata
Nematoda e Hirudinea
Heteroptera excepto CORIXIDAE e GERRIDAE
Hymenoptera e Neuroptera
Coleoptera: DYTISCIDAE (L)
Trichoptera: HYDROPTlLlDAE
Diptera: RHAGIONIDAE, DOLlCHOPODIDAE, ATHERICIDAE,
ANTHOMYIIDAE, EMPIDIDAE, SCIOMYZIDAE
Oligochaeta
Diptera: PTYCHOPTERIDAE
Tabela 1 - Classificação de macroinvertebrados tendo em consideração a fisiologia alimentar, segundo Jesus
(2001).
CPOM – “Coarse Particulate Organic Material”
FPOM – “Fine particulate Organic Material”
UPOM – “Ultrafine Particulate Organic Material”
DOM – “Dissolved Organic Material”
107
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Anexo IV
Classificação de Macroinvertebrados de acordo
com a Fisiologia Respiratória
108
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Classificação de Macroinvertebrados de acordo com
a Fisiologia Respiratória
Categoria
A
Respiração
Aérea
B
Respiração
Branquial
BA
Respiração
Branquial e
Aérea
BC
Respiração
Branquial e
Cutânea
Descrição
Ocorre em indivíduos que se encontram à superfície da
água, que captam o oxigénio atmosférico e o transportam
consigo, sob a forma de bolha de ar, na face ventral do
corpo ou sob os élitros. Esta bolha de ar serve de reserva
de oxigénio, funcionando também como pulmão ou
brânquia permitindo trocas gasosas com o meio aquático.
Ocorre também em indivíduos que vivem submersos e que
captam o oxigénio atmosférico através de um ou mais
filamentos tubulares que mantém à superfície e que
comunicam com os únicos espiráculos funcionais que
possuem.
São indivíduos independentes do meio aquático para
adquirir o oxigénio podendo ser encontrados em habitats
com poluição orgânica.
É utilizada por organismos que obtêm o oxigénio
directamente do meio aquático, por difusão através de
traqueobrânquias.
As traqueobrânquias são divertículos filamentosos ou em
placa que se encontram no exterior do corpo dos
indivíduos (nos Ephemeroptera, nos segmentos
abdominais; nos Plecoptera, nos segmentos torácicos e nos
Odonata no último segmento abdominal), aos quais vão ter
as traqueias que depois conduzem o oxigénio para o resto
do corpo.
São organismos que estão muito dependentes da
concentração de oxigénio dissolvido na água, sendo a sua
presença um indicativo de baixo nível ou de ausência de
poluição orgânica.
Surge geralmente em organismos cujas traqueobrânquias
são reduzidas, não permitindo a absorção de todo o
oxigénio de que necessitam, directamente do meio
aquático. Estes organismos possuem também capacidade
de captar oxigénio directamente da atmosfera e de o
armazenar no seu corpo para suprir as suas necessidades.
Surge em organismos que para além de possuírem
respiração cutânea, possuem também trauqeobrânquias.
Um caso particular é o que se passa em relação a alguns
CHIRONOMIDAE cujas traqueobrânquias, situadas na
região posterior do corpo, possuem irrigação sanguínea, (o
sangue dos Chironomus, possui hemoglobina) e funcionam
como dispositivos para captação do oxigénio, ocorrendo as
trocas gasosas a nível celular, o que lhes confere uma
grande resistência a condições de anóxia quase total.
C
Respiração
Cutânea
Ocorre em indivíduos que não possuem estruturas externas
para a respiração e efectuam as trocas gasosas por difusão
através da superfície do corpo.
P
Respiração
Pulmonar
Os indivíduos possuem a cavidade paleal desprovida de
brânquias, mas densamente vascularizada funcionando
como um pulmão. São relativamente independentes do
oxigénio existente no meio, pois muitas vezes vivem
associados a folhas de macrófitas absorvendo directamente
o oxigénio para a cavidade paleal.
Grupos Taxonómicos
Heteroptera;
Hymnoptera;
Coleóptera excepto larvas de ELMIDAE,
GYRINIDAE, HYGROBIIDAE, PSEPHENIDAE;
Díptera: DIXIDAE, PSYCHODIDAE,
TABANIDAE, PTYCHOPTERIDAE,
CHAOBORIDAE, ANTHOMYIDAE, SYRPHIDAE,
STRATIOMYIDAE, CULICIDAE
Bivalvia, Gasteropoda Posobranchia
Crustácea
Ephemeroptera
Plecoptera: PERLIDAE, Protonemura, Amphinemura
Odonata zigoptera
Megaloptera e Lepidoptera
Coleóptera: larvas de ELMIDAE, GYRINIDAE,
HYGROBIIDAE, EUBRIIDAE
Trichoptera excepto: SERICOSTOMATIDAE,
LEPTOCERIDAE (Mystacides, Triaenodes,
Erotesis), BERAEIDAE, ECNOMIDAE,
HELICOPSYCHIDAE, MOLANNIDAE,
GLOSSOMATIDAE, PSYCHOMYIIDAE
Díptera: TIPULIIDAE, LIMONIIDAE,
EMPIDIDAE, BLEPHARICERIDAE,
ATHERICIDAE
Odonata Anisoptera
Díptera: EPHYDRIDAE
Díptera: SIMULIIDAE, CHIRONOMIDAE
Turbellaria, Nematoda, Oligochaeta, Hirudinea
Plecoptera excepto PERLIDAE, Protonemura,
Amphinemura
Trichoptera: BERAEIDAE, ECNOMIDAE,
HELICOPSYCHIDAE, GLOSSOMATIDAE,
PSYCHOMYIIDAE, MOLANNIDAE,
SERICOSTOMATIDAE, LEPTOCERIDAE
(Mystacides, Triaenodes, Erotesis)
Gasteropoda pulmonata
Tabela 1 - Classificação de macroinvertebrados tendo em consideração a fisiologia respiratória, segundo Jesus
(2001).
109
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Anexo V
Classificação de Macroinvertebrados de acordo
com o Habitat e a Mobilidade
110
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Classificação de Macroinvertebrados de acordo com
o Habitat e a Mobilidade
Categoria
Descrição
Grupos taxonómicos
S
Patinadores
Vivem à superfície da água, onde se
alimentam de organismos que aí caem.
Encontram-se essencialmente em rios de
baixa ordem ou nas margens de rios de
ordem elevada.
Habitam águas abertas de fluxo lento, em
rios de ordem elevada.
Heteroptera: GERRIDAE, HEBRIIDAE,
MESOVELlIDAE, HYDROMETRIDAE
Nadam em rios de águas calmas
emergindo à superfície para capturar o
oxigénio atmosférico e voltando a
mergulhar para as macrófitas ou outros
objectos submersos,
Adaptados à natação. Refugiam-se no
substrato por curtos períodos de tempo
em casos de aumentos de corrente.
Heteroptera: CORIXIDAE, NOTONECTIDAE Coleoptera:
DYTISCIDAE (A)
F
Planctónicos
M
Mergulhadores
N
Nadadores
C
Colados ou fixos
Possuem adaptações comportamentais
(construção de redes, fios de seda) ou
morfológicas (ganchos, corpo espalmado
dorsoventralmente ou ventosas) que lhes
permitem aderir ao substrato.
P
Pouco móveis
Habitam a superfície de folhas flutuantes
de plantas vasculares ou de sedimentos
nas zonas deposicionais. Possuem
modificações
que
lhes
permitem
manterem-se no substrato (ex: corpos
pesados) com a superfície respiratória
livre de sedimentos.
T
Trepadores
Vivem e deslocam-se nas plantas
vasculares ou nos detritos vegetais (ex:
troncos, ra ízes).
E
Escavadores,
construtores de
tocas
Vivem nos sedimentos finos (e na zona
hiporreica), onde podem construir tocas e
alimentar-se do sedimento. Corpo
pequeno e filiforme (longos, cilíndricos e
finos).
VELlIDAE,
Diptera: CHAOBORIDAE
Crustacea
Ephemeroptera:
LEPTOPHLEBIIDAE,
BAETIDAE,
SIPHLONURIDAE
Coleoptera: GYRINIDAE (A), HYGROBIIDAE(A),
HALlPLlDAE (A)
Diptera: CULlCIDAE
Plathelminthe,
Hirudinea,
Mollusca
Gasteropoda
Ephemeroptera: HEPTAGENIIDAE, OLlGONEURIIDAE
Coleoptera: EUBRIIDAE, CHRYSOMELLlDAE
Trichoptera:
HYDROPSYCHIDAE,
GLOSSOSOMA
TIDAE,
HYDROPTILlDAE,
PHILOPOTAMIDAE,
ECNOMIDAE, THREMMA TIDAE, HELlCOPSYCHIDAE
Diptera:
SIMULlIDAE,
DIXIDAE,
EMPIDIDAE,
ANTHOMYIIDAE,
DOLlCHOPODIDAE,
SCIOMYZIDAE, BLEPHARICERIDAE
Ephemeroptera: CAENIDAE, POTAMANTHIDAE
Odonata Anisoptera
Heteroptera: NEPIDAE
Coleoptera: GYRINIDAE (L), HALlPLlDAE (L),
HYDROPHILlDAE, HYDRAENIDAE, LlMNEBIIDAE,
HYDROCHIDAE,
ELMIDAE,
HELOPHORIDAE,
HElODIDAE, DRYOPIDAE (A)
Trichoptera: POl YCENTROPODIDAE, PHRYGANEIDAE,
BRACHYCENTRIDAE, LlMNEPHILlDAE, GOERIDAE,
LEPIDOSTOMATIDAE, LEPTOCERIDAE, BERAEIDAE,
SERICOSTOMATIDAE, ODONTOCERIDAE
Diptera:
PSYCHODIDAE,
PTYCHOPTERIDAE,
EPHYDRIDAE, STRATIOMYIDAE, ATHERICIDAE,
SYRPHIDAE
Ephemeroptera: EPHEMERELLlDAE
Odonata Zigoptera
Coleoptera: DYTISCIDAE (L), HYGROBIIDAE (L)
Trichoptera: RHYACOPHILlDAE
Diptera: Diamesinae, Tanypodinae, Oothocladiinae
Nematoda, Oligochaeta, Mollusca. Bivalvia
Ephemeroptera:
EPHEMERIDAE,
PROSOPISTOMATIDAE, POl YMITARCIDAE,
Plecoptera
Heteroptera: PLEIDAE, NAUCORIDAE
Megaloptera, Lepidoptera, Hymenoptera
Coleoptera: DRYOPIDAE (L)
Trichoptera: PSYCHOMYIIDAE
Diptera: Chironominae, TIPULlIDAE, LlMONIIDAE,
T ABANIDAE, CERA TOPOGONIDAE, Corynoneurinae
Tabela 1 - Classificação de macroinvertebrados de acordo com o habitat e com a mobilidade, segundo Jesus
(2001).
111
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Anexo VI
Cálculo do Índice Biótico Belga
112
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Cálculo do Índice Biótico Belga
Limites Práticos de Identificação
PLATHELMINTES
género
NEMATODA
presença
OLIGOCHEAETA
família
HIRUDINEA
género
CRUSTACEA
família
PLECOPTERA
género
EPHEMEROPTERA
género
TRICHOPTERA
família
ODONATA
género
HEMIPTERA
família
DIPTERA
família (excepto Chironomus thumni e Chironomus plumosus)
MOLLUSCA
género
HYDRACARINA
presença
Tabela 1 - Limites práticos de identificação para o cálculo do Índice Biótico Belga (adaptado de Fontoura, 1984).
I
II
III
Número total de U. S.
0-1
Grupos faunísticos
2-5
6-10
11-15
≥16
Índices bióticos
1 + de uma U.S.
-
7
8
9
10
2 uma só U.S.
5
6
7
8
9
TRICHOPTERA com invólucro
1 + de uma U.S.
-
6
7
8
9
larvar
2 uma só U.S.
5
5
6
7
8
Ancylidae ou EPHEMEROPTERA
1 + de uma U.S.
-
5
6
7
8
excepto Ecdyonuridae
2 2 ou - de 2 U.S.
3
4
5
6
7
0 todas as U.S. mencionadas ausentes
3
4
5
6
7
0 todas as U.S. mencionadas ausentes
2
3
4
5
6
0 todas as U.S. mencionadas ausentes
1
2
3
-
-
PLECOPTERA ou Ecdyonuridade
Aphelocheirus ou ODONATA ou
Gammaridae ou MOLLUSCA
excepto Spharidae
Asellus ou HIRUDINEA ou
Spharidae ou HETEROPTERA
excepto Aphelocheirus
Tubificidae ou Chironomidae
dos grupos Thumni-plumosus
Eristalinae
0 todas as U.S. mencionadas ausentes
0
1
1
Tabela 2 - Quadro padrão de Tuffery e Verneaux que permite definir o índice biótico (adaptado de Fontoura,
1985).
113
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Classe
Índice Biótico
Significado
Cor
I
10-9
Águas não poluídas
Azul
II
8-7
Ligeiramente poluída
Verde
III
6-5
Moderadamente poluída
Amarelo
IV
4-3
Muito poluída
Laranja
V
2-1-0
Fortemente poluída
Vermelho
Tabela 3 - Classes de Qualidade, significado dos valores do Índice Biótico Belga (IBB) e cores a utilizar para a
representação cartográfica (adaptado de Fontoura, 1985).
114
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Anexo VII
Cálculo do Iberian Biological Monitoring Working Party
115
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Cálculo do Iberian Biological Monitoring Working Party
Famílias
Siphlonuridae, Heptageniidae, Leptophlebiidae, Potamanthidae, Ephemeridae,
Taeniopterygidae, Leuctridae, Capniidae, Perlodidae, Perlidae
Chloroperlidae
Aphelocheiridae
Phryganeidae, Molannidae, Beraeidae, Odontoceridae, Leptoceridae, Goeridae
Lepidostomatidae, Brachycentridae, Sericostomatidae
Athericidae, Blephariceridae
Pontuação
10
Astacidae
Lestidae, Calopterygidae, Gomphidae, Cordolegasteridae, Aeshnidae
Corduliidae, Libellulidae
Psychomyiidae, Philopotamidae, Glossosomatidae
8
Ephemerellidae, Prosopistomatidae
Nemouridae
Rhyacophilidae, Polycentropodidae, Limnephilidae, Ecnomidae
7
Neritidae, Viviparidae, Ancylidae, Thiaridae
Hydroptilidae
Unionidae
Corophiidae, Gammaridae, Atyidae
Platycnemididae, Coenagrionidae
Oligoneuriidae, Polymitarcidae
Dryopidae, Elmidae, Helophoridae, Hydrochidae, Hydraenidae, Clambidae
Hidropsychidae
Tipulidae, Simuliidae
Planariidae, Dendrocoelidae, Dugesiidae
6
5
Baetidae, Caenidae
Haliplidae, Curculionidae, Chrysomelidae
Tabanidae, Stratiomyidae, Empididae, Dolichopodidae, Dixidae, Ceratopogonidae, Anthonyidae,
Limoniidae, Psychodidae, Sciomyzidae, Rhagionidae
Sialidae
Piscicolidae
Hidracarina
4
Mesoveliidae, Hydrometridae, Gerridae, Nepidae,Naucoridae, Pleidae, Vellidae
Notonectidaem, Corixidae
Helodidae, Hydrophilidae, Hygrobiidae, Dytiscidae, Gyrinidae
Valvatidae, Hydrobiidae, Lymnaeidae, Physidae, Planorbidae
Bithyniidae, Bythinellidae, Sphaeridae
Glossiphoniidae, Hirudidae,Erpobdellidae
Asellidae, Ostracoda
3
2
Chironomidae, Culicidae, Ephydridae, Thaumaleidae
1
Oligochaeta (todas as classes), Syrphidae
Tabela 1 - Pontuações atribuídas às diferentes famílias de macro-invertebrados aquáticos para o cálculo do
BMWP’ (adaptado de Alba-Tercedor, 1996).
116
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Classe
Qualidade
Valor
Significado
> 150
Águas muito limpas
Cor
I
«Boa»
101-120
Águas não contaminadas ou não alteradas
de modo sensível
Azul
II
«Aceitável»
61-100
Evidentes alguns efeitos de contaminação
Verde
III
«Duvidosa»
36-60
Águas contaminadas
Amarelo
IV
«Crítica»
16-35
Águas muito contaminadas
Laranja
V
«Muito crítica»
< 15
Águas fortemente contaminadas
Vermelho
Tabela 2 - Classes de Qualidade, significado dos valores de BMWP’ e cores a utilizar para a representação
cartográfica (adaptado de Alba-Tercedor, 1996).
117
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Anexo VIII
Macroinvertebrados Identificados e Classificação Fisiológica
118
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Recolha de Outono
Estação 1 - Amares
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Gasteropoda
Hydrobriidae
Sadleriana fluminensis
5
P
RM
C
Diptera
Chironomidae
Chironomus sp.
5
BC
CF
E
Trichoptera
Thremmatidae
Thremma sardoum
15
RB
RM
C
Estação 2 - Lago
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Oligochaeta
Lumbricidae
Eiseniella tetraedra
2
C
L
E
Diptera
Chironomidae
Chironomus sp.
2
BC
CF
E
Trichoptera
Ecnomidae
Ecnomus tenellus
2
C
CF
C
Trichoptera
Limnephilidae
Potamophylax
2
B
SD
P
Estação 3 - Barcelos
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Coleoptera
Dryopidae
Dryops
3
A
CS
E
Coleoptera
Elmidae
Oulimnius
2
B
RM
P
Gasteropoda
Planorbidae
Planorbarius
3
P
RM
C
Odonata
Coenagrionidae
Coenagrion
20
B
PM
T
Estação 4 - Marachão
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Coleoptera
Dryopidae
Dryops
2
A
CS
E
Gasteropoda
Hydrobriidae
Potamopyrgus
8
P
RM
C
Heteroptera
Corixidae
Micronecta
21
A
RO
M
Odonata
Coenagrionidae
Coenagrion
6
B
PM
T
119
Recolha de Inverno
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Estação 1 - Amares
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Gasteropoda
Hydrobriidae
Sadleriana fluminensis
3
P
RM
C
Oligochaeta
Lumbriculidae
Lumbriculus variegatus
2
C
L
E
Estação 2 - Lago
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Diptera
Chironomidae
Chironomus sp.
3
BC
CF
E
Oligochaeta
Lumbricidae
Eiseniella tetraedra
2
C
L
E
Oligochaeta
Naididae
Nais
3
C
L
E
Estação 3 - Barcelos
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Coleoptera
Elminthidae
Limnius
2
A
RM
P
Diptera
Ceratopogonidae
Forcipomyia
1
C
CS
E
Diptera
Chironomidae
Chironomus sp.
119
BC
CF
E
Ephemeroptera
Baetidae
Baetis
6
B
CS
N
Ephemeroptera
Caenidae
Caenis luctuosa
10
B
CS
P
Heteroptera
Corixidae
Micronecta sp.
4
A
RO
M
Gasteropoda
Planorbidae
Ancylus
1
P
RM
C
Gasteropoda
Planorbidae
Planorbarius
3
P
RM
C
Odonata
Coenagrionidae
Coenagrion
4
B
PM
T
Oligochaeta
Lumbriculidae
Lumbricalus variegatus
3
C
L
E
Oligochaeta
Naididae
Nais
101
C
L
E
Oligochaeta
Tubificidae
Tubifex
6
C
L
E
Trichoptera
Limnephilidae
Potamophylax
6
B
SD
P
Trichoptera
Leptoceridae
Leptocerus
1
C
SH
P
Trichoptera
Odontoceridae
Odontocerum albicorne
1
B
RM
P
Trichoptera
Philopotamidae
Philopotamus
1
B
CF
C
Estação 4 - Marachão
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Bivalve
Unionidae
Anodonta
2
B
CF
E
Coleoptera
Dryopidae
Dryops
3
A
CS
E
Diptera
Chironomidae
Chironomini
18
BC
CF
E
Ephemeroptera
Caenidae
Caenis luctuosa
7
B
CS
P
Heteroptera
Corixidae
Micronecta
561
A
RO
M
Gasteropoda
Viviparidae
Viviparus
9
P
RM
C
Oligochaeta
Lumbricidae
Eiseniella tetraedra
10
C
L
E
Oligochaeta
Lumbriculidae
Lumbriculus variegatus
11
C
L
E
Oligochaeta
Naididae
Nais
7
C
L
E
Oligochaeta
Tubificidae
Tubifex
2
C
L
E
Trichoptera
Leptoceridae
Leptocerus
1
B
SH
P
Trichoptera
Limnephilidae
Limnephilinae
3
B
SD
P
120
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Recolha de Primavera
Estação 1 - Amares
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Coleoptera
Dryopidae
Dryops
4
A
CS
E
Coleoptera
Dytiscidae
Agabus bipustulatus
2
A
PM
T
Coleoptera
Elmidae
Oulimnius sp.
2
B
RM
P
Coleoptera
Haliplidae
Haliplus
2
A
SH
P
Coleoptera
Hydrophilidae
Hydrous piceus
3
A
PM
P
Coleoptera
Sphaeridiidae
Coelostoma orbiculare
2
A
CF
E
Diptera
Chironomidae
Chironomus
3
BC
CF
E
Ephemeroptera
Baetidae
Baetis
23
B
CS
N
Gasteropoda
Hydrobriidae
Sadleriana fluminensis
2
P
RM
C
Heteroptera
Corixidae
Corixidae
41
A
RO
M
Heteroptera
Corixidae
Micronecta
9
A
RO
M
Heteroptera
Corixidae
Sigara
16
A
RO
M
Heteroptera
Notonectidae
Notonecta
4
A
PS
M
Hirudinea
Haemopidae
Haemopis
2
C
PS
C
Oligochaeta
Lumbricidae
Eiseniella tetraedra
4
C
L
E
Oligochaeta
Tubificidae
Tubifex
10
C
L
E
Trichoptera
Ecnomidae
Ecnomus tenellus
2
C
CF
C
Trichoptera
Lepidostomatidae
Lasiocephala basalis
3
B
SD
P
Estação 2 - Lago
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Diptera
Ceratopogonidae
Leptoconops
3
C
CS
E
Diptera
Dolichopodidae
Dolichopus
2
C
PS
C
Hirudinea
Hirudinidae
Hirudo medicinalis
3
C
PS
C
Oligochaeta
Haplotaxidae
Haplotaxis gordioides
8
C
L
E
Oligochaeta
Lumbriculidae
Lumbriculus variegatus
8
C
L
E
Oligochaeta
Tubificidae
Tubifex
2
C
L
E
Estação 3 - Barcelos
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Diptera
Chironomidae
Chironomus
7
BC
CF
E
Diptera
Ptychopteridae
Ptychoptera
3
A
L
P
Ephemeroptera
Caenidae
Caenis luctuosa
1
B
CS
P
Heteroptera
Corixidae
Micronecta
18
A
RO
M
Oligochaeta
Haplotaxidae
Haplotaxis gordioides
5
C
L
E
Trichoptera
Leptoceridae
Leptocerus
10
C
SH
P
Trichoptera
Thremmatidae
Thremma sardoum
1
B
RM
C
121
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Estação 4 - Marachão
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos
F.Respiratória Alimentação
Habitat
Diptera
Chironomidae
Chironomus
5
BC
CF
E
Gasteropoda
Physidae
Physa
2
P
RM
C
Gasteropoda
Planorbidae
Planorbarius
26
P
RM
C
Heteroptera
Corixidae
Micronecta
143
A
RO
M
Oligochaeta
Lumbriculidae
Lumbriculus variegatus
2
C
L
E
Trichoptera
Ecnomidae
Ecnomus tenellus
3
C
CF
C
122
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Recolha de Verão
Estação 1 - Amares
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos F.Respiratória Alimentação
Habitat
Diptera
Chironomidae
Chironomus sp.
24
BC
CF
E
Ephemeroptera Leptophlebiidae
Paraleptophlebia
2
B
CS
N
Plecoptera
Perlidae
Perla
3
B
SD
E
Trichoptera
Polycentropodidae
Polycentropus
2
B
PM
P
Estação 2 - Lago
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos F.Respiratória Alimentação
Habitat
Coleoptera
Elmidae
Oulimnius sp.
2
B
RM
P
Coleoptera
Haliplidae
Haliplus sp.
3
A
SH
P
Diptera
Chironomidae
Chironomus
8
BC
CF
E
Ephemeroptera Leptophlebiidae
Paraleptophlebia
83
B
CS
N
Heteroptera
Corixidae
Sigara
2
A
RO
M
Gasteropoda
Bithyniidae
Bithynia
3
BC
RM
C
Odonata
Coenagrionidae
Coenagrion pulchellum
7
B
PM
T
Trichoptera
Glosssomatidae
Glossoma
2
B
RM
C
Trichoptera
Molannidae
3
C
RM
P
Trichoptera
Polycentropodidae
Polycentropus
2
B
PM
P
Trichoptera
PsychomyiIdae
Psychomyia
5
C
CF
E
Estação 3 - Barcelos
Ordem
Família
Género/Espécie
Coleoptera
Dryopidae
Dryops
3
A
CS
P
Diptera
Chironomidae
Chironomus sp.
38
BC
CF
E
Diptera
Limoniidae
Pedicia
2
B
PM
E
Ephemeroptera Leptophlebiidae
Paraleptophlebia
12
B
CS
N
Heteroptera
Corixidae
Micronecta
31
A
RO
M
Gasteropoda
Planorbidae
Planorbarius
4
P
RM
C
Gasteroptera
Viviparidae
Viviparus
2
P
RM
C
Hirudinea
Haemopidae
Hemopis
2
C
PS
C
Sialis
3
B
PM
E
Megaloptera
Nº de Indivíduos F.Respiratória Alimentação
Habitat
Odonata
Coenagrionidae
Coenagrion pulchellum
12
B
PM
T
Oligochaeta
Lumbricidae
Lumbriculus variegatus
6
C
L
E
Oligochaeta
Naididae
Nais
1
C
L
E
Oligochaeta
Naididae
Ophidonais
9
C
L
E
Oligochaeta
Naididae
Uncinais
6
C
L
E
Oligochaeta
Tubificidae
Tubifex
10
C
L
E
Trichoptera
Polycentropodidae
Polycentropus
2
B
PM
P
123
Qualidade Biológica da Água do Rio Cávado
Estação 4 - Marachão
Ordem
Família
Género/Espécie
Nº de Indivíduos F.Respiratória Alimentação
Habitat
Bivalve
Sphaeriidae
Sphaerium
1
B
CF
E
Coleoptera
Dryopidae
Dryops
1
A
CS
P
Coleoptera
Elmidae
Oulimnius
1
B
RM
P
Diptera
Chironomidae
Chironomus sp.
20
BC
CF
E
Ephemeroptera Leptophlebiidae
Paraleptophlebia
10
B
CS
N
Heteroptera
Corixidae
Micronecta
244
A
RO
M
Gasteropoda
Valvatidae
Valvata piscinalis
6
BC
RM
C
Gasteropoda
Planorbidae
Planorbarius
2
P
RM
C
Gasteropoda
Viviparidae
Viviparus
10
P
RM
C
Odonata
Coenagrionidae
Coenagrion
1
B
PM
T
Trichoptera
Brachycentridae
Micrasema
1
B
CF
P
Trichoptera
Ecnomidae
Ecnomus tenellus
4
C
CF
C
124
Download

Tese - Universidade do Porto