CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Realização CONTANDO UM “CAUSO” CONCURSO CULTURAL SUMÁRIO O PEIXE BITELO (Edna Aparecida da Costa Nunes)..............................................................7 Noite de Terror (Marco Antonio de Camargo)................................................................8 CAUSO ALUCINANTE (Nicola D´Angelo Neto)....................................................................9 GRAND HOTEL AES (Sergio Henrique Mendes Pinto)..........................................................10 DIA DE SOL, FESTA NO MAR E UM BARQUINHO DE PAPEL (Sergio Henrique Mendes Pinto)......11 A MULA SEM CABEÇA (Sergio Henrique Mendes Pinto)......................................................12 EU QUERO SER O CHEFE (Gaspar Teles Nunes)..............................................................13 Minha Sogra Virou Criança (Débora Crivelari Tonello de Angelo)...............................14 Férias de Julho (Izabel Cristina Quadrado Simão)...........................................................15 DONA ARMINDA (José Porto)............................................................................................16 Olímpiada Senaiana (Walter Sattin).............................................................................17 Trajetória Profissional (João Bosco Marques dos Santos)......................................18 O CANTO DO SABIÁ (Paulo Osaki)...................................................................................19 PEDRINHAS DE BRILHANTES (Paulo Osaki).................................................................20 Um dia Tenebroso (Sandra Regina Amorim de Lima).......................................................21 Conhecendo a Natureza (Sandra Regina Amorim de Lima).........................................22 AUTODIDATA POR DECRETO (Antônio Camargo Leme)...................................................23 O DEFEITO ESTÁ NA CARA (Antônio Camargo Leme)......................................................24 TUPI (Walter Sattin)..............................................................................................................25 UM DIA INESQUECÍVEl (Rosana Andyara de Almeida).......................................................26 Férias de Julho (Andreia Petrilli Rossini).......................................................................27 Bendita Cacheta (José Soares de Andrade)...................................................................28 A Bola Bandida (Camila Silva Lima)...............................................................................29 O galo índio que ressuscitou no prato da morte (Alexandre da Silva Maltez).....30 TIRO DE GUERRA EM CHAMAS (Fernando Mitsuo Saji)..................................................31 Lembranças (Márcia Andrade Lopes Fernandes)...............................................................32 PRIMEIRO AMOR NA COLÔNIA (Rita de Cassia Kantowitz Schivo)....................................33 Mergulhando no Tietê (Antonio Pereira Hayashida Viana)...........................................34 CONTANDO UM CAUSO (José Natalino da Silva Gonçalo)...................................................35 O facão na mão foi a salvação (Valdir José Espíndola).........................................36 A entrevista (Afonso Schlittler Júnior)..............................................................................37 A Surpresa (Audrey Iashinishi)........................................................................................38 A Viagem Inesquecível (Alessandro Cagliari Sarzi)......................................................39 Férias Inesquecíveis (Zilda Aparecida Elias de Camargo Iashinishi)................................40 Minha pretinha (José Eduardo Scrico)..........................................................................41 Se o meu fusca falasse (Nereu Plinio Christofoletti)...................................................42 O ROUBO DA PADROEIRA (Antonio Leite Netto)..............................................................43 De Picarés e Siris em Itanhaém (Nereu Plinio Christofoletti).....................................44 3 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” BOLINHO DE CARNE DE GATO (Antonio Leite Netto)......................................................45 Quanto pesa um bom cupim? (Osmar Roldan Anderson)...........................................46 Papai, eu devo comer tudo? (Osmar Roldan Anderson)............................................47 Equívoco em Itanhaém (Ricardo Lopes)....................................................................48 SERÁ O BENEDITO (Cirso Santiago).................................................................................49 FESTA DAS CRIANÇAS NO CLUBE DE CAMPO AES (Eduardo Andrade Arraes)..........50 O CAUSO É QUE FICAMOS SURPRESOS APÓS SETE ANOS (Maria da Penha de Freitas Zamai).....51 O CAUSO É BOM MAIS FALTARAM PROVAS (Maria da Penha de Freitas Zamai)............52 CAUSO BOM TEM PROVA (Maria da Penha de Freitas Zamai).............................................53 CARA TORTA (Eleica Aparecida Stefani)...............................................................................54 O Pinguço do meu Tio (Eleica Aparecida Stefani)..........................................................55 QUARESMA (Eleica Aparecida Stefani).................................................................................56 Visão Noturna no Clube de Campo de Boracéia (Ricardo Aparecido Lopes) .....57 Causo do Computador! (Mauri Siqueira Montessi)......................................................58 Causo de Amor (Mauri Siqueira Montessi).......................................................................59 Se desligando um pouco (Luiz Carlos de Almeida Filho)............................................60 Na Boca da Noite (Iris Isabel dos Santos Parolis).............................................................61 Verão de 96 (Robinson da Mota Barbosa)...........................................................................62 LEITE TIPO “A” (“A” de água) (Miguel Simão Hibanhes)................................................63 Verdade Oculta (Edson Gallina)..................................................................................64 Um expresso, por favor! (Thais Saes Miassi)...........................................................65 Seu Alcir e o arado (Diogo Augusto Alves)..................................................................66 FUGINDO DE VÊNUS (Antonio José de Alvarenga)..............................................................67 O dia em que a AES me tirou do sério (Laura Camilo dos Santos Cruz)..................68 A VINGANÇA DOS SIRIS (Luciana Ramos Bernardo Pereira)...............................................69 AMBULANTES 0 X 1 MARIDOS (Rogério Luiz Pereira).....................................................70 A COBRA DO MECÂNICO (Rogério Luiz Pereira)...............................................................71 O CAUSO DA RESERVA TROCADA (Rogério Luiz Pereira)..............................................72 O CAUSO DO ÔNIBUS ATOLADO NA VALETA (Vicente de Paula Pereira).....................73 O CAUSO DO ZÉ ORELHÃO (Vicente de Paula Pereira)....................................................74 PATO BOTA OVO? (Luciana Ramos Bernardo Pereira)..........................................................75 QUEM PESCOU QUEM? (Vicente de Paula Pereira)............................................................76 4 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” RESULTADO DO CONCURSO Os 70 “causos” recebidos foram entregues à uma comissão de avaliadores que apresentaram o seguinte resultado: 1º LUGAR: CAUSO ALUCINANTE AUTOR: Nicola D’Angelo Neto (Aposentado) PRÊMIO: Um VALE VIAGEM no valor de R$ 2.500,00 2º LUGAR: CAUSO DO COMPUTADOR AUTOR: Mauri Siqueira Montessi (CFP 6.61 - Sertãozinho) PRÊMIO: Um TABLET SAMSUNG P3110 5 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O PEIXE BITELO Edna Aparecida da Costa Nunes Em um belo dia de sol estávamos eu, meu marido e minha filha no Clube Náutico Boracéia, sentados à beira do estaleiro, pescando no Rio Tiete. Lancei minha isca na água e ali fiquei muito ansiosa aguardando fisgar um peixe mas a hora foi passando e nada. Já estava ficando desanimada e desacreditando que iria pegar pelo menos um peixinho, quando de repente, senti que tinha um peixe ali beliscando minha isca. Puxei a vara e vi que tinha pego. Muito contente gritei: peguei, peguei! Estava realmente muito feliz por ter pego aquele peixe . Mas o peixe não era um peixe qualquer. Era enorme e estava muito pesado para puxar, até precisei da ajuda do meu marido que, também, muito animado correu para me ajudar a tirar aquele peixe para fora da água. Minha alegria era tamanha; foi realmente sorte de principiante, logo na primeira vez que eu estava pescando, pegar um peixe que pesava mais ou menos 10 quilos! Era tão grande e tão bonito que até chamou a atenção das pessoas que logo se aproximaram para observar o acontecimento. Foi o maior comentário. E, para provar que não era conto de pescador, resolvemos fotografar aquele momento. Com muito esforço e com a ajuda da minha filha, conseguimos segurar no colo aquele peixe bitelo para que fosse tirada a foto. Quando o flash disparou eu acordei e vi que tudo aquilo não passava de um sonho. 7 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Noite de Terror Marco Antonio de Camargo Tudo aconteceu em abril de 2003 quando minha esposa Noeli, minhas filhas Priscila, Juliana e eu, fomos passar o feriado de Sexta feira Santa no clube de campo da AES em Jundiaí, ficamos hospedados no chalé número seis por três dias. Viajamos na sexta-feira e divertimo-nos lá durante todo o dia. No sábado de manhã fomos até a cidade de Jarinú, vimos alguns postes com os conhecidos bonecos de Judas pendurados, típicos da festa religiosa do sábado de Aleluia. Minhas filhas, que na ocasião estavam com nove e sete anos, nunca tinham visto aquilo e ficaram bem impressionadas. Aproximava-se do meio dia, e já víamos a garotada em bandos, com seus porretes em punho, ansiosos para malhar os Judas. Insisti então para ficarmos e vermos a brincadeira. Alguns bonecos foram confeccionados com frascos de tinta vermelha no seu interior e ao passo que eram agredidos estes estouravam e sujavam os bonecos, produzindo um efeito semelhante ao sangue. Confesso que, como estava acostumado, me diverti a valer, todavia enquanto eu ria, minhas filhas ficaram assustadas com a violência, e pediram para irmos embora. Após a festa religiosa fomos almoçar, voltamos para o clube e logo chegou o anoitecer. Como é belo o céu no interior! Fora da metrópole, acreditamos que as estrelas são infinitas. Aquela era uma noite esplendida, bem estrelada e com um encantador luar. Pensando em contempla-lo, chamei minhas filhas para passearmos pelo sítio. Fomos ao parquinho, passamos pela piscina, entramos no quioscão, e ficamos lá conversando. O leitor provavelmente concordará comigo, quando estamos nos divertindo o tempo passa depressa, e assim foi. Repentinamente começou uma forte ventania trazendo nuvens de tempestade, decidimos que seria prudente retornar ao chalé. O vento forte fez o bambuzal em frente ao quioscão a balançar, fazendo os bambus baterem, e produzindo sons que pareciam com passos. Para brincar com as meninas contei que havia pessoas nos seguindo, levei imediatamente uma bronca das duas, mas não me constrangi, continuei falando que eu estava avistando no pé de goiaba, após a curva do lago, um boneco de Judas pendurado. Imediatamente elas me mandaram ficar calado, mas eu ria e enquanto a garoa caía, me empolgava e falava que iria aparecer o Saci Pererê no meio da ventania, com a mula sem cabeça e o ET. Iniciando a subida para os chalés, na curva, o vento passou forte pelos pinheiros, fazendo soar uivos agudos e longos, repentinamente nós todos ouvimos um grito horrível e vimos algo saindo do chão próximo aos pinheiros. Naquele momento eu tive de firmar as pernas na subida íngreme. Observei a cena e pensei assustado: “isso está acontecendo ou é minha imaginação?”. Foi quando caiu um relâmpago, nós todos pudemos observar com a claridade que algo estava saindo do chão. A criatura tinha chifres, olhos vermelhos e vinha em nossa direção, meu coração batia muito acelerado, minhas pernas tremiam, fiquei paralisado naquele momento de terror, a criatura continuava a sair, e tinha os olhos fixos em nossa direção, ela deu mais um grito, eu estava muito assustado, paralisado, rezando, pedindo perdão... Quando minhas filhas Juliana e a Priscila gritaram: “Corre pai! É a Coruja!”. Após ficar estático por alguns segundos a adrenalina em meu corpo abaixou, engoli minha vergonha e falei: “é mesmo, vamos para o chalé que já está na hora da novela”. No caminho para o chalé, colhi umas folhas de erva cidreira, fiz um chá, tomei, e parei de tremer. 8 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” CAUSO ALUCINANTE Nicola D’ Angelo Neto Após passar um final de semana na nossa rutilante Colônia de Férias em Itanhaém, voltando para São Paulo, fizemos uma pausa em restaurante na estrada, e no estacionamento do mesmo, vimos uma cena comovente. Uma família, pai, mãe e duas crianças, choravam copiosamente (só o pai não chorava) ao lado de um carro (fusquinha ano 70) com bagageiro no teto. De imediato, fui ver se podia ajudá-los, e foi ai que ouvi o “causo”, pelo chefe da família: -Fomos passar este domingo na praia de Itanhaém com a família, e com ordem de minha esposa, levamos minha sogra, com 90 anos (e péssima saúde). Acontece que desce a serra, fusca balançando e comendo salgadinho, chegando à praia, a velha teve um “piripaque”, ficando esticada e dura. Tentamos colocá-la dentro do Fusca para levá-la ao hospital, mas não tinha jeito, ela não cabia esticada. Ai, eu, muito ativo, enrolei a velha, bem enrolada na barraca que tínhamos e coloquei-a no bagageiro, em cima do Fusca. Voltando na estrada, as crianças pediram para parar que queriam fazer xixi e estavam com fome. E foi aqui que estacionei e entramos no restaurante. Mas, veja o que aconteceu, roubaram a barraca que estava em cima do Fusca! Algumas pessoas viram uns rapazes retirar a mesma, mas as pessoas pensaram que era deles e estavam apenas trocando de carro. Há! Há! Já pensou, quando os rapazes abriram a barraca na praia? Que susto! “Acredite se quiser” 9 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” GRAND HOTEL AES Sergio Henrique Mendes Pinto Eu estive lá: no Grand Hotel AES. O ano podia ser 1932 ou 2013. Um que já se foi há muito e outro que ainda virá. Ao entrar, fui recepcionado pelo senhor Otto Kringelein que, celebrando a descoberta de uma nova vida dentro daquele hotel fabuloso, me conduziu ao grande corredor que dava acesso a cem apartamentos que desembocavam na recepção. No Grand Hotel AES, gente vai e gente vem e tudo, “exatamente tudo”, acontece! Lá, os amigos que chegam amigos, saem mais amigos que entraram. Eles vivenciaram experiências mil. Chegaram solteiros, saíram casados; chegaram viúvos, saíram namorando; chegaram solitários e saíram acompanhados. Ao dar dois passos em direção aos elevadores, percebi que um grande barão vinha ao meu encontro. Ele seria o meu mestre de cerimônias. Ele me anunciou o seu nome: era o Barão Felix Von Geigern “Barrymore”. Foi o barão quem me apresentou o bar e o cassino. No bar, pude saborear o drink preferido do senhor Otto Kringelein, o Louisiana Flip . Quando a porta do elevador se abriu, ainda na companhia do Barão Felix Von Geigern “Barrymore”, eu esperei pela saída dela, da mais bela de todas as bailarinas: a senhorita Grusinskaya. Mas ela não veio. A porta se abriu e o elevador estava vazio. O barão, velho tubarão das relações públicas, me consolou e disse que eu me acalmasse, pois certamente a senhora Grusinskaya estaria no cassino, à noite. Esperei ansiosamente e quando me vi lá dentro do cassino, eu a procurei sem cessar. Em todas as mulheres eu via o “garbo” da bailarina Grusinskaya, mas ela não estava lá. Ela estava no theatro, dançando para o seu público que não abria mão de seus belos movimentos de garça. Mas, ao sair do cassino, voltei ao bar e encontrei a estenógrafa Flaemmchen, com quem dancei a noite toda. E esta, gentil com um sorriso esperto e de eterna promessa, só me deixou no fim da noite, depois de um sensual cumprimento de boa noite, para voltar ao trabalho. Ela iria transmitir um bilhete que seria ditado pelo encarregado das finanças do hotel, o senhor Preysing. E ele era um economista implacável e não admitia que sua estenógrafa não comparecesse ao trabalho. No Grand Hotel AES eu passei os cinco dias inesquecíveis da minha vida. Boa comida, bons drinks, jogos até o amanhecer raiar e manhã de sol em torno da piscina, espreguiçando-me na minha vida de rei ao lado das celebridades que iam e vinham e passavam por ali. Ou nos campeonatos de tênis ou de bocha, refinados esportes praticados ali. No check out, recebi um bilhete da bailarina Grusinskaya que dizia: “I want to be alone”. Ano que vem, quero voltar! 10 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” DIA DE SOL, FESTA NO MAR E UM BARQUINHO DE PAPEL Sergio Henrique Mendes Pinto A cidade escolhida foi Itanhaém e o ano 2009. Eu e minha família estávamos, há muito, querendo relaxar numa colônia de férias. Como eu havia ingressado, recentemente, no quadro de funcionários do SENAI, e me tornado associado da AES, viabilizei essa reunião familiar num fim de semana em Itanhaém. A cidade havia se tornado, no passado, lá pelos idos de 1973, uma espécie de paradigma de paraíso, mesmo dotada de toda a simplicidade do mundo, quando todos os membros de minha família acompanhavam as emoções da novela Mulheres de Areia. Naquela época, Eva Wilma era Ruth e Raquel, admirada por todos lá em casa e aniversariante sagitariana nascida em 14 de dezembro, mesmo dia em que nasceu minha mãe. Saímos de Lorena às 05:00 da manhã de um sábado de sol e partimos para a colônia da AES. E, na simplicidade de uma cidade bucólica de mar, reencontramos um pouco dos sonhos do passado, visitamos a Praia dos Pescadores, e, depois, seguimos para a colônia, onde passamos um fim de tarde de sábado e um domingo inteiro de uma vida simples e genial. Entre avó, tios e sobrinhos, brincamos no mar, tomamos banhos de sol, tomamos água de coco e comemos, à beira-mar, peixe frito temperadinho com limão. Foi uma delícia de fim de semana. Memorável, inesquecível e restaurador! Parecia que tudo conspirava para a nossa felicidade naquele fim de semana. Essa era a nossa certeza porque tudo fluía com desenvoltura e harmonia. Até as pequenas rusguinhas normais entre familiares que surgiram foram dissipadas pelas risadas, com uma certa gozação do absurdo que era se desentender no meio de tantos motivos para se harmonizar. À noite, saímos para um passeio pela noturna Itanhaém e fomos tomar sorvete no centro da cidade. Mas o melhor de tudo, muito embora estivéssemos nos despedindo de um fim de semana perfeito, foi a sensação, no domingo, na hora da partida, de termos feito uma das escolhas mais certas das nossas vidas e nos sentíamos restaurados. Pegamos estrada para voltar, com a sensação de que não deixamos nada para trás. Ao contrário, trouxemos conosco uma sensação de plenitude e alegria. Alguns riam, na volta, das brigas e dos “micos” que presenciamos, pagos por gente da família e gente que conhecemos lá. As crianças, claro, dormiram nos carros e chegaram “desmaiadas” e relaxadas às suas camas que os esperavam nas suas casas. E a noite de domingo fechou, completa e com tudo muito bem resolvido, como um inesquecível último capítulo de novela que dizia, no seu fim, a mais célebre de todas as frases já conhecidas da humanidade: E, assim, eles foram felizes para sempre. FIM! 11 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” A MULA SEM CABEÇA Sergio Henrique Mendes Pinto Era uma sexta-feira 13 quando resolvemos passar o fim de semana no clube de campo da AES em Jundiaí. Estávamos em três e, tudo combinado, sairíamos do Brás às 18:00, logo depois do expediente daquela sexta-feira e, como não era um fim de semana prolongado, não teríamos muitos problemas para acessar a Bandeirantes. Como combinado, pegamos o carro às dezoito e seguimos viagem, mas a fome era grande e não resistimos a uma parada numa padaria italiana. Sentamos e comemos, nos empanturrando com panquecas, ciabatas e fogazzas e voltamos ao caminho. O relógio já batia 20:00 quando entramos na estrada e estranhamos quando percebemos que a rodovia estava totalmente vazia. Entramos na Anhanguera e olhamos para um lado e para o outro, mas não víamos um carro sequer. Assim mesmo, corajosos, seguimos viagem. Mais adiante, ouvimos um barulho estranho perto de um descampado, parecido com o relinchar de um cavalo. Ficamos assustados pela altura com que o animal relinchava. Meu colega até reduziu bruscamente a velocidade do carro porque tivemos uma impressão de que o animal havia cruzado a pista, como um vulto, na frente do veículo. Seguimos adiante e, de novo, ouvimos o mesmo barulho. Foi nessa hora que olhamos, coincidentemente, os três, para o mesmo ponto e vimos aquela imagem gigantesca de uma potranca em pé sobre as duas patas traseiras. E o tamanho do animal era descomunal. E, pasmem! O animal não tinha cabeça. O meu colega motorista acelerou o carro e seguimos, apavorados. Não surpresos, olhamos para trás e vimos que a potranca corria atrás do veículo e com uma velocidade assustadora. O velocímetro já batia os 200 km por hora e a danada não desistia, não se rendia e não perdia ponto. Ela seguia colada ao carro, deixando-nos ainda mais apavorados. Avistamos um posto de gasolina e entramos no pátio do estabelecimento onde havia um restaurante. Entramos com caras de estarrecidos e todos nos olhavam com um olhar soturno como se soubessem o que havia ocorrido. Contamos e fomos alertados do perigo. A Mula Sem Cabeça seguia a todos naquele trecho, entre São Paulo e o meio do caminho, na segunda hora de viagem, seguindo pela Anhanguera. Um “senhorzinho” com cara de benzedor nos deu uma pata de coelho como amuleto. E disse: Pronto, filhos, agora podem seguir viagem tranquilos, porque daqui até a colônia da AES vocês estarão protegidos porque já passaram pelo trecho de domínio da “cabeçuda”. Boa viagem! 12 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” EU QUERO SER O CHEFE Gaspar Teles Nunes Parafraseando Goethe “O que quer que você seja capaz de fazer, ou imagina ser capaz, comece. Ousadia contém gênio, poder e magia.” E, com essa reflexão, reporto - me ao ano 2006, no sítio de Jundiaí, onde comemorávamos um torneio da FARAES. Nesse mesmo dia, havia uma reunião com presidente Paulo Skaf e todos os diretores das Escolas SENAI. O clima estava muito agradável! As pessoas conversavam, jogavam, brincavam, mas não ousavam ir até o quióscão. Não! No quióscão não! Ali era um encontro destinado somente para os diretores e gestores. E o torneio continuava... Como minha dupla havia perdido, comecei a reparar nas pessoas ao meu entorno, quando percebi uma criança de, aproximadamente, oito anos com um comportamento surreal. Ele fazia gestão das outras crianças, montava os grupos e dividia as tarefas; definia os prazos, as metas e as estratégias. O que mais me deixou curioso, foi a elaboração da missão para visitar o quióscão. Ele ousava tal qual o início de um namoro, da troca de olhares ao flerte, do perfume das flores ao sabor dos bombons. Nada o impedia de reproduzir, em larga escala, a criatividade, a imaginação, a possibilidade de acreditar que tudo é possível. Para garantir o êxito da missão, cada criança deveria ir até o “templo” e voltar com alguma guloseima, refrigerante, fruta ou algo que pertencesse ao ambiente misterioso. Caso o fizessem, teriam o direito de serem considerados membros da equipe. E assim o fizeram! Era um ir e vir de crianças esbaforidas e suadas, portando, até flores. Todos completaram a missão e tiveram o acesso a equipe dos cavaleiros do zodíaco, nome estabelecido pelo menino. Subitamente, uma aeronave começa a circular o céu de Jundiaí. O helicóptero era maravilhoso e deu várias voltas, preparando-se para aterrissar no campo de futebol. Todos pararam as atividades e, pouco a pouco, foram se posicionando no alambrado para ver o presidente. Até que o menino disse: Pai, quem é esse homem? E o pai respondeu. Esse é o chefe! E o menino não titubeou! Em alto e bom tom, complementou: - Quando eu crescer, eu quero ser o chefe! 13 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Minha Sogra Virou Criança Débora Crivelari Tonello de Angelo Em 2011 eu e a minha família resolvemos comemorar o dia das crianças na festa realizada pela AES no Clube de Campo de Jundiaí. Não lembro com exatidão qual foi a data, mas foi um dia muito divertido. Logo na chegada, minha filha Érica, na época com 4 anos, ficou encantada com a recepção da equipe de recriação contratada para animar a festa. Mal tivemos tempo para descarregar nossos pertences no chalé que havíamos reservado, pois ela estava muito ansiosa e com pressa para chegar ao local onde estavam acontecendo às atividades. Ela brincou bastante, se divertiu com os brinquedos e com as atividades desenvolvidas pela equipe de recriação. Minha sogra também estava na festa e aproveitou para ficar “grudada” a neta o tempo todo. Conforme anunciado no início da festa, no final da tarde aconteceu um sorteio, onde foram distribuídos vários brinquedos. Durante o sorteio, minha filha, junto com as demais crianças, sentou na frente do palco para admirar os presentes e acompanhar de perto tudo que estava acontecendo. Eu, a minha sogra e o meu marido estávamos sentados um pouco mais distantes. O sorteio começou e a cada número chamado minha filha olhava para nós para perguntar se era o número dela, pois naquela época ela ainda não sabia direito identificar os números com 2 ou 3 algarismos. Nós estávamos tão focados na reação da minha filha que nem percebemos o desespero da minha sogra, que estava em pé andando de um lado para o outro. Minha sogra estava tão nervosa com o sorteio que nem conversava mais com a gente, parecia uma criança, até brinquei com o meu marido dizendo que em vez de consolar a minha filha, teríamos que consolar a minha sogra por não ter ganhado o brinquedo. De repente, quando o sorteio estava quase no fim, nosso número foi anunciado. Minha sogra ficou tão feliz que correu para o palco como se fosse criança, nem se lembrou de chamar minha filha, ficamos olhando aquela cena sem entender nada. Quando ela chegou ao palco “caiu em si” e olhou para traz percebendo que tinha esquecido a neta. Nessa hora, a Érica levantou e foi ao encontro da avó no palco para escolher o brinquedo. Minha sogra ficou tão feliz que não largou mais o brinquedo, ficou até o final da festa segurando o trenzinho, como se fosse à primeira vez que ela ganhasse alguma coisa, parecia uma criança depois de ganhar o tão esperado sorvete. Na volta para casa, olhei para o banco de traz do carro e as duas (minha sogra Eli e minha filha) estavam dormindo felizes, como duas crianças realizadas, que brincaram o do dia todo sem se preocupar com mais nada. Fiquei realizada em ver minha sogra voltando a ser criança, mesmo que só por um dia. 14 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Férias de Julho Izabel Cristina Quadrado Simão Estava uma semana maravilhosa, com um sol radiante! Nem parecia julho, mês do frio. Estávamos em 10 pessoas, todas ansiosas para chegar a sexta-feira para irmos ao Clube de Campo, em Jundiaí, passar o final de semana. Chega a sexta-feira, o dia amanhece com chuva e nublado, mas não estava frio. Saímos para viajar! No meio do caminho muita chuva, o para-brisa do carro quebrou, não enxergávamos nada. Tivemos muita dificuldade para achar um lugar para comprar um novo e, depois de muitas voltas, seguimos viagem. Quando chegamos ao clube já estava entardecendo e todos já haviam chegado. Estava chovendo e muito frio. Não pudemos nem sequer ir à piscina, mas tive que levar minha filha até lá para vê-la. À noite resolvemos sair para comer uma pizza. Toda galera sem roupas de frio. Ao chegarmos à porta da pizzaria, não tivemos coragem de entrar, pois o local era chique demais! Voltamos para o clube. Ninguém conseguia dormir. Meu marido desesperado com a rinite e esqueceu-se de levar o remédio. Resolvemos sair para comprar, mas nem imaginávamos que o portão estava fechado. Foi um desespero total! Ficamos sem dormir a noite inteira! Começamos a bater de porta em porta para ver se alguém tinha remédio. Achamos um Rinossoro, mas não resolveu. De manhã ficamos sabendo que no molho de chaves do chalé havia uma chave do portão! Foi uma gozação total! Mesmo com tantos imprevistos, foi um final de semana maravilhoso e inesquecível! Mas ainda não acabou.... No domingo resolvemos voltar para São Paulo logo cedo, para não pegar trânsito. No meio da rodovia, porém, nosso carro quebrou. Logo em seguida veio um guincho da estrada e nos levou até um posto de gasolina. Acionamos o seguro que mandou um motoqueiro, depois de 2h30. Como o carro apagou, pensamos ser parte elétrica, mas não era. Esperamos o guincho que chegou às 21h30 e nos deu a noticia de que só poderia levar o motorista do carro. Perguntamos: e eu e minhas filhas? Depois de muita conversa ele aceitou nos levar escondidas, deitadas no banco do carro. Como estava chovendo muito, o vidro do carro embaçou e ninguém enxergava nada. Viajamos até São Paulo embaixo de muita chuva. Chegamos em casa por volta das 23h30, todos com muita fome. Eu havia deixado algumas coisas no freezer. Fomos esquentar, mas para minha surpresa meu marido desligou tudo antes de sair, inclusive a geladeira! Vamos rir para não chorar! Foi inesquecível! 15 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” DONA ARMINDA José Porto Divorciei-me a três meses. Meu casamento durou menos que dois anos. Meu ex-marido sempre me chamava de “minha Rainha”. Tinha porte grego e educação britânica. Não fumava, não bebia, não cheirava. Bela recomendação. Conheci numa reunião pedagógica. Ele lecionava matemática. À primeira vista me encantou. Dois meses de noivado, sonhos, romance e....Xadrez. É ele jogava xadrez compulsivamente. Em plena lua de mel, eu acordava e ele tinha em seu colo o laptop, absorto em jogar com amigos virtuais. Compreendi por que ele chamava de “minha Rainha”. Ele era o Rei e o restante eram os ícones de pau: peões, bispos, torres, cavalos... Estou chegando do psiquiatra. Tudo confuso e uma receita de antidepressivos. Uma vizinha, com quem mantinha uma forte amizade, condoeuse de minha solidão. Era dona Arminda, velhota sessentona que me convenceu a ir com ela a passar um fim de semana na colônia da AES em Itanhaem. Era uma manhã de sol. Quando chegamos foi uma festa. Dona Arminda era muito conhecida. Fiquei assustada com a revolução que causou na colônia. Abraçou todo mundo, desde o simpático vigilante até um casal de alemães que, por acaso, a maré tinha deixado por lá. Gostaram do jeito da velhota, embora nada tivessem entendido. “- Se prepare, Bete, assim ela me chamava, ponha nossas tralhas em nosso apartamento que nós estamos esperando”. Quando voltei encontrei-a numa roda barulhenta de amigos a quem fui apresentada. Calorosa recepção com caipirinha e música. Um trazia um teclado, outro um pandeiro, violão. Fui imediatamente envolvida pela turma. Dona Arminda comandava o reboliço como uma menina de 15 anos. Cantamos, contamos piadas e até saracoteamos e ali foi programada uma porção de eventos para a tarde e para a noite. Junho, mês de festas caipiras, fomos sob comando de dona Arminda ver um grupo folclórico que exibia na praia artes coreográficas de catiras, cateretê e congado. Perdi facilmente a inibição. Conheci na praia um rapaz muito interessante que dava aulas de Ciências. Bonitão, separado depois de um casamento complicado, de nome Narciso a quem disse brincando. “Não aquele que se apaixonou por si mesmo?” E daí nossa conversa entrou pela mitologia, belo terreno para os namorados...Já passava das dez da noite quando Dona Arminda veio avisar que íamos passar o picaré porque havia expectativas de uma pescaria farta e o calor era convidativo para um arrastão. Foi uma euforia geral na colônia. Eu sabia nadar bem e, por isso, avancei à vanguarda do grupo. Dona Arminda era responsável pela ponta esquerda e enfrentava com garbo as ondas fortes da vazante. Na praia os demais ficavam esperando o fim da pescaria. Quarenta metros de rede e duas horas de descontração e companheirismo. –“Vamos recolher o picaré, já está pesado” gritavam os mais afoitos. Mas foi “o parto da montanha”. Os quarenta metros de rede apresentaram a façanha de tantos heróis para todos os expectadores verem: um baiacu, peixinho preto, venenoso e, entre restos de mariscos, uma velha dentadura que causou risadaria geral. Eu peguei a peça como um troféu para depois contar para minhas amigas. Sem peixes, os colegas voltaram para encerrar a aventura na cantina onde já havia por sorte, peixe frito. Voltei para o quarto e encontrei dona Arminda profundamente angustiada e me contou por quê. Tinha perdido sua dentadura numa refrega com as ondas. Foi um epílogo emocionante. Contei-lhe toda a aventura e pus em suas mãos a peça encontrada, sob o juramento de que ninguém ficaria sabendo do desastre. Quando já estava de volta à Capital, dona Arminda quis devolver-me uma receita de antidepressivos que eu tinha esquecido no apartamento. Pedi para que ela reduzisse a mil pedaços e que na próxima volta a colônia, jogaríamos no mar... José Porto. 16 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Olímpiada Senaiana Walter Sattin La pelos idos de 1950, a AES – Associação dos Empregados do SENAI mantinha um time de futebol formado por pessoal que trabalhava na sede ou em escolas da capital. Como não possuíamos campo, todos os sábados vivíamos aventuras diferentes, enfrentando adversários na nossa periferia ou até em outras cidades do Estado. Num desses sábados, o Presidente da Associação, Sr. Edmar Pires Meyer – chefe de Pessoal do SENAI e o Sr. Antônio Giosa – Diretor Esportivo – chefe do Setor de Transportes resolveram prestigiar os futebolistas fazendo parte do grupo que ia disputar uma partida contra um clube da Av. Sapopemba, na zona leste. Eles viajaram na cabine do caminhão, enquanto os craks iam na boléia fazendo algazarra e dirigindo gracejos para as moças que cruzavam nosso caminho. O local onde se realizaria o jogo, desde a nossa chegada não se mostrou muito agradável. Um dos jogadores do clube anfitrião se divertia chutando fortemente a bola contra a própria torcida que procurava esconder-se do vento frio, encostando-se a uma parede ao lado do campo. Como já havíamos passado por situações semelhantes, aconselhamos os companheiros a colocar a roupa no caminhão que deveria estar apontado para a saída e com o motorista ao volante. Aquilo que prevíramos acabou acontecendo, tivemos a ousadia de estar vencendo por 2 a 1 e, em determinado momento, o mesmo indivíduo que chutava a bola contra os torcedores mandou uma bola pela linha de fundo, fora da meta e saiu pulando e gritando que havia empatado a partida. Naturalmente reagimos e ele, seus companheiros e a torcida tentaram nos agredir. Numa fração de segundos nos transformamos em atletas olímpicos e mesmo sem o treinamento necessário passamos a lutar boxe e judô, luta livre, disputar arremessos de pedras, praticar esgrima e outros esportes mais. Despois de algumas escaramuças, corremos desesperadamente para o caminhão que já estava ligado e batemos em retirada. Alguns de nossos companheiros, no afã de chegar ao caminhão, conseguiram bater o recorde dos 100 metros rasos e do salto em altura, infelizmente não homologados pelo Comitê Olímpico Internacional. Possivelmente depois da rapidez com que nos afastamos do local, para a Olímpiada de 1916 que acontecerá no Brasil vai ser incluída a corrida de caminhões que já tem a pista pronta, pois a Av. Sapopemba tem mais de 30 quilômetros de comprimento. Sãos e salvos, sujos, cansados, amarrotados e com algumas escoriações, voltamos à tranquilidade de nossas casas, mas o acontecimento gerou motivo para muitos comentários e brincadeiras durante as semanas seguintes. Também, pudera! Foi a primeira e provavelmente última vez que dois importantes chefes do SENAI fugiram de uma turba enfurecida. Esse é o típico causo que é penoso de ser vivenciado, mas delicioso de ser recordado. 17 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Trajetória Profissional João Bosco Marques dos Santos Eu João Bosco Marques dos santos hoje com 46 anos, casado com Flávia Cristina, pai de três filhos Sharon, William e Tiago e avô da Laura realizei um Sonho de voltar a ser funcionário do SENAI,sonho que começou ao ver meu irmão Benê dando aula nessa Instituição. Irmão que sempre foi minha referência Profissional ,Ele foi da primeira turma que se iniciou na escola SENAI em São José dos campos em 1972 e eu, 10 anos mais novo as vezes levava almoço para Ele por ser o curso em Período integral. Depois que ele se formou e de ter passado pelas empresas Alpargatas e Eaton , passou na prova para instrutor na escola Senai em 6° lugar (na Capital Paulista) podendo escolher a escola em nossa cidade para trabalhar e esse caminho eu também trilhei,depois de ter passado na prova para cursar o Curso de mecânica Geral em 1980,me formei em 1982 e trabalhei na Engesa ,Kone , Friulli e Avìbras e em 1994 também passei a fazer parte da família SENAI e esse sonho foi interrompido em 1998 quando devido as demissões nas Empresas ,a folha de pagamento das mesmas diminuiu e automaticamente diminuiu a arrecadação para Escola e com isso fui demitido por ter acabado as turmas do noturno (onde eu trabalhava),com isso a noticia que corria ,era que o período noturno só voltaria a funcionar se fosse curso pago e ai então pensei: Agora acabou de vez,se quando o curso era gratuito alguns alunos não valorizavam e acabavam desistindo tendo muitas evasões no curso, agora pago... Mas para minha surpresa, 4 dias antes de iniciar as matriculas já se fazia fila de quarteirões para uma vaga.e no ano seguinte todas as turmas lotadas com o mínimo de evasões Aprendi com isso que infelizmente as pessoas só dão valor em serviços pagos.Com isso voltei a trabalhar na Escola como prestador de serviços. e hoje depois de 14 anos voltei a ser funcionário com carteira assinada , junto com meu irmão Benê ,o irmão que eu amo de coração. Com esse retorno a Escola SENAI e podendo ser sócio da AES pretendo desfrutar de todas os serviços disponíveis como Assistência Médica,Assistência odontológica, assistência Farmacêutica, Seguro de vida em Grupo, Seguro de Veículos e Residência e Lazer começando com esse concurso Cultural . que esta sendo muito legal em participar, pois se ganhar , já estou “viajando “ na idéia de ir para Fernando de Noronha com minha familia 18 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O CANTO DO SABIÁ Paulo Osaki Era uma tarde de sol, após a chuva ter lavado a natureza amorfa e empoeirada. Um sabiá que possivelmente fugira da gaiola, apareceu no ipê amarelo da vizinhança. Cantava bonito e tagarela, enchendo os pulmões, como querendo saudar a mãe-natureza. Há tempos que não se ouvia o sabiá. Depois da chuva benfazeja, a primavera explodindo em toda sua exuberância, depois de conseguir liberdade, quem sabe, após um longo cativeiro, não tem como não festejar. Por todos os lados, as flores vermelhas e lilás salpicavam o verde das folhagens, o seu perfume suave exalava pelos rincões e o doce sabor das amoras silvestres degustavam a alma, tudo isso trazia um novo alento a todos, humanos e animais, convidando-nos, ambos, a bailar e saltitar como um moleque travesso. Foi nesse cenário bucólico, digno de pincéis, que a ave de tantas lembranças, de uma infância que se esvoaça na estrada da vida, essa mesma ave, brasileira por excelência, ela foi alvo de uma experiência singular. Afirmam os estudiosos que a parapsicologia é uma ciência ainda no gatinhar do conhecimento humano e que esses fenômenos paranormais sempre existiram. Tive a ousadia de me concentrar e pronunciar baixinho: "sabiá, se existir essa força natural ou sobrenatural, não sei, venha pousar aqui perto da janela e venha cantar com todas as forças a glória de Deus e seu divino poder.” Passados anos, depois de uns drinques, contava eu na Colônia de Férias da AES, mais precisamente nas dependências do Clube de Praia de Itanhaém, lugar apropriado para esses papos e momentos de descontração: o pássaro das laranjeiras, após vencer mais de trinta metros, assentou-se no beiral do telhado, cantou altissonante e feliz da vida, para depois voar célere por esses espaços verdejantes do sertão. O tapete dos vales, os topes das árvores centenárias e cumes dos morros altaneiros foram testemunhos dos incríveis “loopings" encetados pelo virtuoso cantor na sua libertação sem fronteiras. Ainda num código telepático, a telepatia permite comunicação com animais, pude captar as derradeiras mensagens: “das montanhas desci aos vales meus, e lá como aqui, só vi a presença de Deus.” A metempsicose, segundo o bramanismo, religião dos hindus, é a transmigração da alma de um ser para outro. Será que o espírito de Rabindranah se manifestou no sabiá-laranjeira? Nunca tive força mental nenhuma e daí julgar-me que foi uma oportunidade ímpar de verdadeira manifestação divina. Oxalá volte o sabiá a cantar outras vezes nesta terra abençoada, exaltando as glórias de Deus e seu infinito poder. 19 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” PEDRINHAS DE BRILHANTES Paulo Osaki Apesar do ritmo sincopado de rock da vida moderna, sempre há os que relutam em manter o canal aberto, o da linguagem coloquial, teimando na sua função fática para as milongas, sonhos e fantasias. Fí-lo por diversas vezes este relato em sala de aula e até hoje o fato me deixa deveras intrigado: Era uma noite de chuva, o vento assobiava nas cabeleiras dos coqueiros e fazia gesticular os braços da mangueira grande, corno implorando clemência à Providência Divina. Ao sabor dos ventos bailava a luz do lampião. No fogão à lenha, as línguas de fogo lambiam a perna da gente, reclamando para eu descer dali por falta de postura. O frio apertava. A experiência cabocla garantia que chovendo não existe perigo de geada, baseada na ciência para afastar esse prenúncio angustiante. Essa intempérie traiçoeira poderia malograr as promessas da vovó de comprar isso ou aquilo para os pequenos, mais a máquina de costura para a mais velha que completou quinze anos e precisava se preparar para casar-se. Eis que, de repente, um clarão intenso invadiu pelas frestas das janelas o velho casarão, seguido de um estrondo ensurdecedor. Na sequência, ainda, o tombo pesado do centenário jatobá ecoou pelas várzeas e plantações. Alguém abriu um pouco a janela e dentro da noite de breu se viu as labaredas correndo como uma lama vermelha pelo tronco restante. Por medo de outro raio e chuva persistente, ninguém se atreveu a sair de casa, mas de manhã, curiosos, a criançada viu o tronco a fumegar carbonizado, e, ao leve toque dos pés de um dos primos, se desmanchara em caquinhos de carvão, semelhantes aos do parabrisa de carro em caso de batida. Juro que vi uns raros caquinhos, porém, estes de aspecto vítreo e rutilantes em meio aos dos negros do carvão. Falei que eram diamantes, mas como todos riram de mim, desisti de pegá-los. Após muito bate-papo e rodada de drinques, comentou um professor na Colônia de Férias da A E S, mais precisamente nas dependências do Clube de Praia de Itanhaém, que o diamante tem a mesma estrutura molecular do carbono, diferindo tão somente no seu arranjo e, com o avanço da tecnologia, atualmente há possibilidade técnica de se o produzir artificialmente, submetendo o carbono a pressões e temperaturas altíssimas. Voltei à sitioca por várias vezes, já de cabelos brancos, na expectativa de conferir os misteriosos cacos de vidro... Só deparei com lembranças esparramadas em cada canto da minha infância, verdadeiros diamantes dos tempos que se foram e não voltam mais... 20 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Um dia Tenebroso Sandra Regina Amorim de Lima Essa história aconteceu há pouco tempo atrás, no clube de campo em Jundiaí. Era um feriado prolongado e fizemos a inscrição para o sítio, no qual nós e duas famílias amigas tivermos a sorte de sermos sorteados. Ficamos no apartamento e eles nos chalés. Chegou então, o dia da viagem, no qual todos estavam muito animados. Combinamos o horário para chegarmos todos juntos. Infelizmente o tempo mudou para chuva e muito frio, mas estava tudo bem, porque a companhia era muito agradável. Combinamos de fazer um churrasco no quiosque que fica acima da piscina, para podermos ficar de olho nas crianças, porque mesmo com frio, sabe como elas são, tem que entrar um pouquinho na água. Nesse dia, por causa do frio, o clube estava vazio. Passamos a tarde inteira comendo, bebendo e dando muitas risadas, até que o meu amigo começou a contar histórias de terror. Como o tempo estava muito nublado e totalmente escuro, as histórias ficaram mais tenebrosas. Assim, ele resolveu contar uma história de lobisomem. Enquanto contava, ele começou a imitar e uivar como um. Só que quem já conhece o sítio sabe a mata que fica em volta. Quando ele uivava, vinha um uivo da mata como resposta. No início, estávamos achando engraçado, mas conforme foi escurecendo e ele continuava uivando e algum animal na mata respondendo, foi dando medo em todos nós. Pedimos então, pra ele parar, porque as crianças estavam muito assustadas e nós adultos também. Felizmente, ele atendeu nosso pedido, mas alguém na mata gostou da brincadeira e continuou uivando, sem se importar com nosso pedido. O jeito foi arrumar as coisas e voltar. Cada um pro seu chalé, pois ninguém tinha coragem de colocar a cara pra fora. Ainda bem que existe um novo dia para recomeçar e o sol voltar a brilhar. Isso aconteceu comigo, no Clube de Campo da AES em Jundiaí. 21 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Conhecendo a Natureza Sandra Regina Amorim de Lima Essa história aconteceu há 12 anos, em Itanhaém na colônia de férias da AES. Foi a primeira vez que levamos a nossa pequena Cássia para conhecer o mar. Chegando lá, ela ficou encantada por ver tanta água. Íamos pela manhã à praia, com direito a todos os badulaques: piscininha de bichinhos que enchíamos com a agua do mar, bloqueador solar, boné, bolachas, suquinhos, camisetas, guarda sol, cadeirinha, etc. Tudo isso para diversão e proteção da nossa pequena. Mas o fato que quero contar aconteceu dentro da colônia. Estávamos voltando do restaurante na hora do almoço. Paramos no corredor, para bater um papinho. Foi quando a minha filha Cássia ficou por ali brincando, sempre com a nossa atenção. De repente ela veio me chamando: Mamãe, mamãe, matei o bicho. Fiquei muita assustada e fui ver o bicho que ela havia matado. Era uma lagarta verde, que estava mortinha no chão. Pois é, a minha baixinha ficou a tarde inteira mostrando o bichinho a todo mundo que passava, dizendo que ela havia matado. Foi muito engraçado a vê-la pegando as pessoas pelas mãos e levando até onde estava a pobre da lagarta, mortinha da silva. 22 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” AUTODIDATA POR DECRETO Antônio Camargo Leme Numa das temporadas de janeiro na Colônia de Férias, onde se reúnem, também, caçadores, pescadores e outros mentirosos, nos encontramos com o colega Sebastião dos Anjos, professor de português da Escola Anchieta. O Tião era perito contador de causos da sua terra natal, cidade de Jangadeiros no Amazonas. Certa noite, reunidos na sala de estar, após o jantar, ele nos brindou com o seguinte “causo”: O “coronel” Gervásio um dos políticos da sua terra resolveu sair candidato a prefeito da cidade. Era um cidadão de média cultura, mas muito inseguro em certas tomadas de decisões. Quem lhe valia nessas ocasiões, como conselheiro, era o compadre Modesto Belarmino seu braço direito para qualquer parada. Gervásio não estava convicto da sua vitória! Belarmino o incentivava: - Deixa disso compadre! Você está jogando a toalha antes de partir para luta? A sua vitória está no papo, meu amigo! Não tenha dúvida! Você já está eleito! - Pois bem compadre! Se isso acontecer mesmo garanto-lhe que vou ajeitar a vida de muita gente por aqui, principalmente a sua! - Nada disso compadre! Eu me sinto muito bem como seu cabo eleitoral! Após a vitória o novo prefeito procurou o Belarmino para cumprir a promessa feita. - Querido compadre a partir de hoje você será o novo professor da Escola Municipal! Belarmino ficou pálido, tremeu na base e respondeu apavorado: - O compadre se esqueceu que eu sou analfabeto? Que não sei ler e nem escrever? - Claro que sei, mas, não tem importância nenhuma! Isso é comum por aí! Eu já tenho tudo planejado! Vamos ao meu gabinete que eu lhe explico o meu plano!... É simples! Finalmente chegou o dia da posse! Dentro da sala, Belarmino devidamente trajado, portando um par de óculos com lentes parecendo fundo de garrafa, que lhe escorregava pelo nariz. Juntamente com o prefeito, recepcionava os velhos e os novos alunos! Após a saída do prefeito, Belarmino, de acordo com o combinado, retirou os óculos e o colocou “distraidamente” sobre sua cadeira. Passados alguns minutos do bate papo, sentou-se rapidamente ocasionando a quebra do elemento responsável pela origem deste causo! Belarmino, com uma excelente representação teatral, lamentou o ocorrido dizendo que não enxergava um palmo diante do nariz e sem os óculos não poderia fazer nada! Nesse momento um dos alunos experimentado levanta-se e parte em seu auxílio. - Professor não se preocupe! Com o nosso antigo Mestre aconteceu algo semelhante! Depois de seis meses ele conseguiu, com ajuda do antigo prefeito, adquirir um novo par de óculos numa das óticas da capital. Durante esse tempo eu e mais alguns alunos das séries mais adiantadas nos encarregamos da alfabetização dos novos alunos. As matérias da nossa série nós estudávamos em grupo através dos livros doados pela Prefeitura no início do ano. Segundo o colega Sebastião após seis meses o seu Modesto Belarmino, alem de alfabetizado, por conta própria já dominava boa parte do currículo das demais séries, revelandose, dessa forma, um excelente autodidata. 23 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O DEFEITO ESTÁ NA CARA Antônio Camargo Leme O professor Sebastião dos Anjos, professor de português da Escola Anchieta não perdia a oportunidade de nos divertir com os seus famosos “causos”. Numa das temporadas na Colônia de Férias, enquanto aguardávamos à hora do rancho, nos fez rir com o seguinte causo do qual ele foi o principal protagonista. O Sebastião, recém-formado, ainda jovem, escolheu um vilarejo muito pobre bem distante da capital amazonense e partiu para o inicio da sua carreira no magistério! Conseguiu alugar um pequeno quarto nos fundos do único armazém e boteco que existia nas redondezas. Professor Bastião, como era conhecido, muitas vezes tirava dos seus minguados proventos alguns trocados a fim de ajudar pais de família, endividados e desesperados, Foi numa dessas ocasiões de desespero que o seu Joaquim, um dos sitiantes do local teve que pedir socorro ao professor Bastião. Ele estava com o filho caçula doente e precisava ir até a cidade mais próxima, distante mais ou menos 20 quilômetros, para buscar atendimento médico, mas não tinha dinheiro. O dono do armazém iria sair às 4 horas da manhã para buscar mercadorias e se comprometeu levá-lo até a cidade desde que ele o ajudasse com a despesa da gasolina. Seu Joaquim apavorado, com o seu garoto febril, para não ficar devendo favores ao professor resolveu lhe vender o único cavalo que possuía. Eram duas horas de uma nevoenta madrugada quando ele, puxando o cavalo por uma corda, tendo ao lado sua esposa com o filho no colo, bateu na porta do quarto do professor. Seu Joaquim insistia! Batia na porta e ao mesmo tempo o chamava pelo nome. Após alguns minutos apareceu o professor Bastião segurando uma lamparina procurando reconhecer quem o chamava com tanta insistência. - Sou eu professor! O Joaquim! Estou precisando da sua ajuda! O Pedrinho, o meu caçula, está com muita febre e eu preciso levar o garoto para ser examinado lá na cidade! - Ora! Afinal de contas o que você quer, seu Joaquim? - Eu quero vender o meu cavalo pro senhor! Estou precisando de dinheiro! O professor Sebastião pensou! Pensou! E resolveu! - Está bem! Eu fico com o seu cavalo! Quanto o senhor quer pelo seu quadrúpede? - Duzentos cruzeiros, professor! - Duzentos cruzeiros? Está bem, vai! Só porque o menino está doente! Mas, eu não estou enxergando bem o cavalo! Está muito escuro! Ele não tem nenhum defeito seu Joaquim? - Olha professor! O defeito deste cavalo está na cara! - Como assim? Ele é cego seu Joaquim? - De jeito nenhum, professor! Se ele não é cego eu não vejo nenhum outro defeito! - É como lhe disse professor! O DEFEITO ESTÁ NA CARA! - Está bem! Pode amarrá-lo ali atrás do poço que eu vou pegar o dinheiro! Em seguida o Sebastião voltou a dormir! Logo pela manhã foi examinar a sua nova aquisição e para a sua surpresa viu que O DEFEITO REALMENTE NÃO ESTAVA NA CARA! Estava no traseiro! O cavalo só tinha uma das patas. Posteriormente ele foi doado para alguém transportar capim! 24 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” TUPI Walter Sattin Dizem que não dá futuro contar causos que envolvam cachorros porque quem tem, já os conhece todos e quem não tem jamais vai entender o encanto que eles provocam. Mesmo assim eu vou arriscar. Meu irmão Américo um dia chegou do trabalho e com os olhos marejados de lágrimas me pediu que fosse até a Várzea do Glicério apanhar um cachorrinho abandonado junto ao muro da Fábrica de Cigarros Sudan. Fiquei com pena dele e pensei em trazê-lo para casa, mas tive vergonha de carregá-lo no ônibus. Como ainda é jovem fica mais fácil para você fazer esse serviço Américo, daqui até o Glicério são quase 5 km, vou precisar tomar condução, gastar dinheiro, despender um tempo enorme e além disso já é quase noite. Mas ele estava determinado. O cachorrinho vai morrer de fome se não for socorrido a tempo. Eu lhe pago a passagem e ainda lhe dou um dinheiro para comprar uma “Bola de Futebol”. Diante de argumento tão forte não tive alternativa. Fui à toda velocidade cumprir a minha missão. Ao chegar ao local, quase não acreditei. O animalzinho media menos que um palmo de comprimento e quase cabia no meu bolso. Apanhei-o com todo o cuidado pensando no problema em que Américo estava se envolvendo, pois aquele ser minúsculo iria requerer muita atenção, muito carinho, muita paciência e algumas despesas que a gente não tinha condições de arcar e, além disso, teria poucas probabilidades de sobreviver. Cheguei em casa com minha preciosa carga que naturalmente causou surpresa ao Waldemar e ao Gilio, meus outros irmãos que haviam chegado há pouco e que ao mesmo tempo que ficaram alegres, acharam uma loucura manter o cãozinho que deveria, inclusive, apresentar problemas de saúde. Porém, como não havia mais jeito de recuar, foram tomadas as providências necessárias: improvisamos uma caminha numa caixa de sapatos, compramos leite e uma mamadeira com o menor bico que encontramos. No momento de alimentar o Tupi – esse foi o nome escolhido para o mais novo membro da família – compreendemos o que significa “paciência de Jó”. Quantas tentativas e malabarismos feitos por tratadores sem prática para que ele engolisse algumas gotas. Quando minha mãe chegou do trabalho, ficou comovida e ao mesmo tempo preocupada – esse bichinho não vai vingar. Quem iria cuidar dele, se todos trabalhavam ou estudavam? A essa altura ele já havia conquistado a todos e a promessa de fazer tudo por ele foi quase um coro cantado a quatro vozes. Os primeiros dias do novo hóspede foram de apreensão e de expectativa. Será que o Tupi conseguiria crescer nas mãos de quatro homens sem a menor experiência de lidar com animais? Será que ele não apresentaria sequelas por ter ficado sem beber e sem comer por várias horas ou talvez dias? Aos poucos, a criaturinha foi se fortalecendo, crescendo e tomando as formas de um belo vira-lata para alegria de toda a família. A par do crescimento físico, Tupi passou também a desenvolver uma sensibilidade espantosa e uma amizade dificilmente encontrada em seres humanos. O Tupi era mais do que um membro da família, era um amigo que sentia quando a gente estava alegre ou triste e se irmanava na tristeza ou na alegria, ajustando seu comportamento ao nosso estado de espírito. Sua sensibilidade e amor próprio ficavam evidentes quando para brincar com ele, colocávamos em seu pescoço aquelas tiras de casca de laranja, ao descasca-la de ponta a ponta sem afastar a faca. Ele se zangava, ia para baixo do tanque e lá permanecia, sem comer ou beber até que alguém fosse buscá-lo, pois penso que ele considerava esse gesto como se fosse um pedido de desculpas. Nessa ocasião, morávamos na Mooca e o ponto do bonde situava-se à aproximadamente 1500 metros. Quando o Tupi começava a mostrar-se inquieto e latindo, minha mãe sabia que um dos quatro irmãos estava chegando. Quinze minutos depois estávamos entrando em casa. Um dia a alegria foi embora, mas enquanto ele viveu iluminou nossa casa pobre, transformando-a aos nossos olhos, como o mais rico dos palácios. Por algum tempo, o rádio não foi ligado, não cantamos as músicas do Francisco Alves e aos poucos sua imagem sumiu dos nossos olhos e se entranhou nos nossos corações. Hoje, minha mãe e meus irmãos estão do outro lado da vida, provavelmente brincando novamente com o Tupi, mas eu, o único remanescente, depois de setenta anos ainda não esqueci o nosso e das alegrias e emoções que ele nos proporcionou em sua curta, mas intensa vida. 25 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” UM DIA INESQUECÍVEl Rosana Andyara de Almeida Sou funcionária do SENAI há 11 anos, tempo esse que também sou associada à AES e essa história que vou contar não sei precisar o ano em que ocorreu, mas foi a minha primeira visita a uma das áreas de lazer. Era festa do Dia das Crianças e vendo no material de divulgação as atividades que aconteceriam, fiquei empolgada e resolvi passar o dia no Clube de Campo de Jundiaí com meu filho caçula, Gabriel, e convidei minha grande amiga Cleuci, também associada, para nos acompanhar. A ocasião era perfeita para passar um tempo legal ao lado do filho vendo ele se divertir com as brincadeiras e saboreando as gostosuras oferecidas para as crianças naquele dia tão especial. Durante o dia anterior à festa choveu e como não poderia deixar de ser, o dia D amanheceu com uma chuva não muito forte, mas intermitente. Ainda assim não perdemos a motivação e bem cedinho estávamos preparados para o que seria então uma inesperada aventura. Pegamos o trem rumo ao Tatuapé onde está a ESCOLA SENAI "ORLANDO LAVIERO FERRAIUOLO". Fomos recebidos com um delicioso café e o ônibus nos esperava. Estávamos mesmo empolgados e como os demais colegas do ônibus, iniciamos a viagem com aquela chuva chata que insistia em nos acompanhar. Chegando próximo à estrada de terra que leva ao Clube de Jundiaí, tivemos que parar ainda no asfalto. Vai daqui vai de lá ficamos sabendo que um ônibus com a fanfarra de uma escola estava atolado e atravessado no meio da estrada bloqueando a passagem. Nosso ônibus permaneceu no asfalto e lá fomos nós a pé rumo ao clube num caminho onde o cenário era um caos de lama e chuva. Ainda exercitamos nosso equilíbrio segurando o guarda-chuva tentando nos manter em pé quando aconteciam os inevitáveis escorregões. Pudemos contar com a solidariedade dos moradores que muito gentilmente permitiram a nossa passagem pelos seus quintais nos pontos comprometidos com o ônibus atolado. Dava pena de ver a garotada da fanfarra segurando os uniformes brancos numa mão e os instrumentos na outra, tentado chegar ao clube e cumprir com o compromisso para o qual o grupo estava ali. Enfim chegamos ao nosso destino molhados, cheios de lama e todos nos olhavam com uma expressão desolada, mas o importante era curtir o momento e curtimos. A chuva não parava. A volta não foi menos sofrível, mas os diretores da AES que lá estavam buscaram amenizar a situação de alguma forma e naquele momento a coisa que mais ajudou foi uma caminhonete que levava as pessoas em grupo na carroceria até a metade do caminho e o restante do percurso não foi diferente da ida, ou seja, lama, chuva e escorregões. Parecia que aquele dia nunca iria acabar. Estar no ônibus para a volta foi um alívio, mas chegando a São Paulo ainda faltava enfrentar o trem até nosso destino. Eu, a Cleuci e o Gabriel com lama até os cotovelos e molhados dentro do trem, só nos restava olhar um para o outro, rir muito da situação e fazer disso uma história engraçada que contamos para os nossos amigos até hoje. Depois tivemos a oportunidade de ir a outras festas no Clube de Jundiaí e sempre com sol e tempo bom, além da cordialidade e atenção que é marca registrada do pessoal da AES. 26 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Férias de Julho Andreia Petrilli Rossini Era uma vez uma turma de amigos do interior que adoravam passar as férias de julho no Clube de Campo na cidade de Jundiaí. Tudo era festa, os carros chegavam lotados de comidas e bebidas. Claro que em pleno inverno era esperada aquela deliciosa feijoada, feita pelos cozinheiros da turma, só homens. Mas em toda turma grande que se preza cada um é bom em alguma coisa. .Então vale lembrar o dia em que foi encontrada a árvore mais bizarra do mundo. Toda manhã o “guia” da turma agitava a caminhada pelas trilhas do sitio e neste dia aconteceu de tudo. Logo na partida todos prontos o tempo começa a mudar, o experiente guia todo tranquilo explica que a chuva será de rosca para continuar o passeio que está tudo bem. Alguém conhece “chuva de rosca” que desvia para o ouro lado e nem chove? Pois é, não deve existir porque todos ficaram molhados da cabeça aos pés. E continua a caminhada da turma, claro que homens educados na frente, depois as crianças sempre pulando e gritando, afinal tudo é festa e bem atrás as mulheres. Sobe morro, desce morro, escorrega, cai , levanta e continua até aparecer uma cerca, mais uma aventura porque depois de pular a cerca aparecem as vacas e todos precisam sair correndo. Até que todos chegam no topo do morro perto da árvore e a surpresa é geral. Era uma árvore seca com calcinhas femininas penduradas em todos os galhos. .Foi só risada e o guia não perdeu a oportunidade de batiza-la como “Árvore das Carcinhas”. Tempo depois foi descoberto que era um local onde os jovens gostavam de namorar e no final da noite a tradição era pendurar a calcinha da moça. Esse é só um dos muitos causos que temos afinal foram anos fazendo esse passeio, mas hoje as crianças cresceram a vida de todos mudou e a turma não viaja mais junto nas férias. Ficam as lembranças e a saudades de tudo que foi vivido no Clube de Campo ou simplesmente sítio de Jundiaí. 27 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Bendita Cacheta José Soares de Andrade Nos idos anos 70 em certa temporada de férias, como era de costume, minha família e eu resolvemos passar um período na colônia de férias da AES em Itanhaem. Em uma bela manhã ensolarada de Janeiro terminamos de arrumar as coisas todas que teríamos de levar. As crianças como sempre muito entusiasmadas em rever seus amigos da colônia (alguns deles se mantém em contato até hoje) também a esposa e eu preocupados em não esquecer nada, colocamos todas as mochilas bolsas e malas na sala. Começamos então a transportar tudo para o carro e nestes momentos fica um vai e vem para pegar algo mais seja um brinquedo ou outra coisa qualquer, mas em verdade foram muitas idas e vindas até definitivamente resolvermos sair. Enfim começava mais uma viagem como muitas que fizemos ao longo de anos seguidos, e lá íamos nós conversando às vezes cantando e como sempre muito felizes até que chegou próximo ao pedágio foi quando dei por falta da carteira e aí começou uma procura geral no carro e como estava difícil de achar, parei no acostamento já bem próximo da praça de pedágio e reviramos tudo e nada de encontrar e então concluímos que havíamos esquecido em casa. Sem opção juntamos os poucos trocados que tinha pelo carro, mas não alcançava o valor do pedágio. Sem saber o que fazer, enquanto estava ali pensando em uma solução parou um carro um pouco atrás para que um menino fizesse “xixi” então resolvi ir lá explicar a nossa situação ao pai da criança que compreendeu a situação e foi gentil me dando o dinheiro para pagar o pedágio, naquele momento, só pude agradecer a sua solidariedade. A partir daí decidimos por unanimidade correr todos os riscos e prosseguir a viagem sem dinheiro e sem documento. Já na colônia foi natural contar o ocorrido aos amigos e logo todos ficaram sabendo. A partir da noite do primeiro dia como de praxe formou-se na sala de jogos as rodadas de cacheta, que há época eram muito concorridas, chegando frequentemente a formar duas mesas lotadas que só lá pela madrugada reduzia a uma, ficando assim quase sempre até o café da manhã com os bravos heróis dentre os quais eu sempre me incluí. Como é de conhecimento de todos associados às apostas são valores baixos apenas para dar um pouco de emoção à brincadeira e juntando aqueles trocados encontrados no carro entrei no jogo, e como num passe de mágica desde o primeiro dia e em todos os seguintes as cartas certas sempre vinham parar em minhas mãos e eu não parava de ganhar, os jogadores que não estavam participando das rodadas ficavam “sapeando” meu jogo e quase não acreditavam no que acontecia, as brincadeiras e gozações eram inevitáveis e ao final daquela semana eu tinha aumentado e muito os poucos trocados do primeiro dia. Este se tornou um “causo” que tanto eu como os amigos que lá estavam até hoje lembramos e ainda ouço brincadeiras a respeito de como sair de casa sem dinheiro, pedir dinheiro na estrada e depois voltar com dinheiro no bolso. “Bendita Cacheta” da AES! 28 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” A Bola Bandida Camila Silva Lima Estávamos todos na borda da piscina após um belo dia de sol, no clube de campo em Jundiaí, eu, meu irmão, meus pais, minha tia, meu tio e a prima da minha mãe. Todos já tinham retornado as chalés, só estávamos nós, decidimos então de forma unanime retornar também. De repente, avistamos uma linda bola entre as piscinas, não havia mais ninguém então concluímos: - Alguém esqueceu está bola. Mamãe falou: - Vamos levar para nós. E titia logo se prontificou em ir pegar a bola. Saímos todos contentes, festejando a linda bola nova. Quando estávamos na subida para irmos ao chalé, de repente escutamos gritos bem altos, os pássaros saíram voando assustados das arvores, o grito era assim: - Aaaaah booolaa! Ao escutarmos os gritos ficamos em pânico, titia que segurava a bola, ficou desesperada, não sabia se corria ou se se embrenhava no meio do mato, então mamãe disse: - Joga essa bola fora! E ficamos parados sem saber o que fazer com a prova do crime em nossas mãos. Então desesperados jogamos a bola em um cano grande que passa agua da chuva para eles acharem depois. Depois fomos para o chalé. Após algum tempo que estávamos no chalé, alguém bateu na porta, titio abriu a porta, eram dois crianças e um adulto perguntando: - Vocês viram nossa bola? Então titio respondeu educadamente por todos nós: - Não... Eles insistentemente perguntaram novamente, mãe respondeu que ela viu uma bola no cano onde passa agua, no começo da subida em que passava agua da chuva, mãe explicou direitinho. Então os inocentes foram procurar a bola, enquanto nós criminosos ficamos no chalé. Mas tarde, fomos embora e descemos a decida, avistamos a bola lá então concluímos: - Os infelizes não encontraram a bola bandida. Pensamos em pega-la novamente, mas aquela bola já nos tinha causado problemas demais! Até hoje, eu e minha família rimos dessa história todas as vezes que vamos ao clube. Sempre quando chegamos à portaria um olha para a cara do outro e grita: - Aaaaah booolaa! - Aaaaah booolaa! 29 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O galo índio que ressuscitou no prato da morte Alexandre da Silva Maltez Diego criava no fundo do seu quintal de terra algumas galinhas desde criança, sempre cultivou esse hobby apesar de morar em uma cidade grande, Guarulhos. Dentre os diversos galos que Diego possuía, havia um que ele nutria muito afeto, sempre dizendo aos amigos que aquele ele não vendia, pois era um galo forte e valente, o “Galo Índio”. Em Dezembro de 2001 Diego estava vendendo muitas aves devido ás proximidades das festas natalinas e naquele natal ele receberia uma proposta tentadora do Sr. Edson, seu vizinho: vender o galo índio por R$ 300,00! Em todas as vezes que Diego havia dito que não venderia o galo índio, jamais ele considerou a possibilidade de encher os bolsos com a venda de apenas um galo... E lá se foi o galo índio... Aquele dia foi terrível para Diego, não conseguiu dormir vários dias pensando no amigo galo. Senhor Edson preparou o prato e a faca, ferveu uma panela de água, amarrou os pés do galo e lá se foi para o fundo do quintal iniciar a degola do bichinho, após passar a noite em vigília na igreja pedindo perdão a Jesus Cristo pela crueldade que ele iria cometer na manhã seguinte. Senhor Edson começou depenando o pescoço deixando o praticamente sem penas... Porém ele não esperava encontrar aquele pescoço embaixo das penas musculoso, forte, muito diferente das galinhas que ele aprendeu a matar com sua finada avó. Isso não o intimidou, passou a faca na veia que ele julgou ser a principal do pescoço do pobre galo, deitando a cabeça da ave sobre o prato para que o sangue escorresse. Após esperar alguns minutos, Edson resolveu desamarrar os pés do galo para que fosse iniciada a retirada total das penas e o logo após o cozimento das carnes do amigo de Diego... Foi quando aconteceu o inesperado: o galo índio, forte e viril, levantou se do prato cambaleando pelo quintal cantando e batendo as asas, numa cena que causou espanto em toda a família do Senhor Edson e nele próprio, fazendo com que o mesmo saísse correndo no meio da rua gritando que o galo estava enfeitiçado, chamando atenção da vizinhança e do próprio Diego que ao ver a cena correu para o quintal do vizinho, deparando se com amigo vindo em sua direção demonstrando carinho e amor, todo ensanguentado pedindo a proteção de Diego, o que fez com que o mesmo ajoelhasse e agradecesse pelo milagre ocorrido. Naquele momento Diego abraçou o amigo galo com cuidado e levou para sua residência para tratar o ferimento, fazendo com que ele constatasse o engano ocasionado pelo Senhor Edson: ele não havia cortado a veia principal do galo, fazendo com que o mesmo permanecesse desmaiado e acordasse logo em seguida apenas ferido, não morto. Após alguns dias, galo índio encontrava se recuperado, Diego estava feliz com o novo amigo e adaptado á nova situação que o corte na garganta do galo havia proporcionado. Agora, toda vez que o galo índio comia milho nas suas refeições, a cada dez grãos que o galo ingeria três ele conseguia mandar para o estômago, o restante passava pelo corte feito pelo vizinho cruel e voltava para o chão, obrigando o coitado do galo a ingerir diversas vezes os mesmos milhos para que todos pudessem passar diretamente para seu estômago. 30 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” TIRO DE GUERRA EM CHAMAS Fernando Mitsuo Saji Tentei relembrar os personagens que participaram desta incrível molecagem, e também a data em que ela ocorreu, para enriquecer este texto. Mas, não sei se o medo na época foi tanto, ou se o passar de tanto tempo apagou em parte as lembranças, que só me lembro de alguns detalhes. Isto ocorreu nos anos 60, e na casa do saudoso “Chuca” na Rua Barão de Jaceguai em Mogi das Cruzes, estava reunido um pequeno grupo de amigos do Instituto de Educação Washington Luis. Era época de Festas Juninas e também do Campeonato Mundial de Futebol, então resolvemos fazer um balão. Fizemos um balão até que bonito, para quem fazia um balão pela primeira vez, mas fizemos uma mecha dez vezes maior que o necessário, e a conseqüência disto foi lamentável. O balão subiu todo pomposo até uns 50 metros e daí pegou fogo, a mecha foi cair no telhado do vizinho da casa do “Chuca”, que na época era o glorioso T.G . 02-173. Para quem não sabe, o Tiro de Guerra de Mogi das Cruzes, hoje T.G. 02-052. E a mecha ficou lá a queimar, parecendo um incêndio. Tanto parecia um incêndio que todos se puseram a correr para tirar tudo de dentro do T.G. e a chamar os bombeiros de Guarulhos e São Paulo, pois na época não havia um destacamento em Mogi, até que alguém resolveu subir no telhado e verificar porque o fogo não se propagava, isto passado mais de 20 minutos, acho eu, pois a esta altura dos acontecimentos estávamos todos escondidos e apavorados com o transcorrer dos fatos. Depois de muito tempo apareceu o pai do “Chuca” com a mecha na mão, e perguntou se tínhamos sido nós os autores da molecagem, ele nem precisou da nossa resposta, pois só de olhar para nossas caras já dava para perceber. Acabou sobrando para o “Chuca” e seu irmão, pois os demais ele mandou embora, e como na época não havia Internet, Facebook. Youtube etc, não sei se saiu alguma coisa no jornal da cidade, deve ter saído pois um fato destes é um prato cheio para o noticiário de uma cidade do interior, e como os meus pais só compravam o jornal japonês, a minha família não ficou sabendo do ocorrido, senão teria apanhado também. 31 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Lembranças Márcia Andrade Lopes Fernandes Certa vez, encontrei-me caminhando sem destino e curiosamente não passava nenhum pensamento em minha mente!!!!!!!! Sentia um vazio muito grande, será que estava sonhando? Não conhecia aquele lugar onde estava, o que eu percebia é que era encantador, estava no meio de muitas árvores, com uma grama que mais parecia um tapete, caminhava por uma trilha e olhando para o céu, fiquei maravilhada quando ví aquele azul celeste, límpido , transmitindo muita paz e algumas nuvens parecendo algodão. Continuei caminhando por mais alguns minutos, talvez até horas, pois enquanto andava, parava para apreciar a vista, ouvir o canto dos pássaros e percebí que aquele vazio que sentia foi passando, comecei a pensar: como aquele lugar era tranquilo e aconchegante e a medida em que o tempo passava, sentí que estava chegando próximo a algumas pessoas, porque ouvia vozes. Fiquei curiosa querendo chegar logo para desvendar aquele mistério, porém também estava um pouco assustada, pois não sabia onde estava. Ao chegar no lugar onde ouvia vozes, avistei um lindo chalé e em frente a ele, estava a minha família a quem amo demais.Todos estavam felizes e quando me viram, vieram correndo abraçando-me e dizendo, puxa como você demorou... estávamos sentindo sua falta!!! Sentí um imenso amor e uma grande paz interior, porque não há nada mais reconfortante e maravilhoso do que compartilharmos momentos bons com aqueles a quem amamos, agradeço a Deus todos os instantes da minha vida por isso, pois o material nós precisamos , mas não existe nada mais importante do que o amor, a fé, o respeito ao próximo. Creio que se todos pensassem e agissem dessa maneira, com certeza teríamos um mundo melhor, mais humanizado e sem violência. Enquanto sorria, dei um pulo muito grande e percebí que estava sonhando e que o local onde me encontrava com minha família era o clube de campo da AES, que infelizmente conheço somente por fotos , pois não tive oportunidade de conhecer este lugar tão bonito e aconchegante a qual todos falam. Foi um sonho muito bom e até hoje mantenho em minhas lembranças, espero que em breve se torne realidade... Até breve.... 32 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” PRIMEIRO AMOR NA COLÔNIA Rita de Cassia Kantowitz Schivo Fazia uns dois anos que não passávamos uns dias na Colônia de Itanhaém, resolvemos, eu e meu marido, que em janeiro ficaríamos uma semana. Meu filho adolescente, 12 anos e cheio de marra não queria ir. Ficava bravo quando falávamos da viagem. Enfim, chegou o dia de viajar e o adolescente foi o tempo todo emburrado dentro do carro, reclamava de tudo e de todos. Chegamos à colônia no sábado de manhã, como o tempo estava nublado fomos passear em Peruíbe, voltamos ao anoitecer. No domingo, passeamos por Itanhaém pela manhã e após o almoço ficamos na piscina, a água estava uma delícia. Havia várias pessoas curtindo o sol, mesmo que por entre as nuvens. Eu e meu filho estávamos na água e ao nosso lado, três meninas brincando de bola, muitas vezes a bola caia perto de nós. Meu filho jogava a bola de volta sempre pra mesma menina, não importava se ela estava perto ou longe. Até que em uma das vezes a menina e uma das amigas estavam ao nosso lado, e meu filho entregou a bola pra ela novamente. A amiga olhou pra mim e sorriu, eu como mãe cupido disse: - Acho que rolou um clima!!!!! - Os dois ficaram envergonhados. Depois disso havia troca de olhares e sorrisos. Mas ambos, envergonhadíssimos, não se falavam. No almoço da segunda feira, a amiga da menina passou por nós no refeitório e perguntei o nome da menina a ela que sorriu e, gentilmente, me disse seu nome. Á noite meu filho e eu jogávamos sinuca, mas as brincadeiras com o Tio Clarck iam começar. Eu quis descer, mas ele queria continuar jogando. Percebi que as meninas estavam na sala ao lado, não pensei muito, fui até lá e perguntei se alguém queria jogar com meu filho. Elas aceitaram a ideia e foram jogar com ele. Não muito tempo depois ele apareceu, me disse que trocaram algumas palavras, estava feliz. Passeamos por Mongaguá na terça de manhã e quando voltamos resolvemos vir embora. Adivinhem: ele não queria voltar. Arrumamos nossas coisas e quando saiamos do apartamento encontramos as meninas no corredor. Percebi olhares. Descemos para acertar a conta no bar e elas estavam perto da porta, vi que ele foi até elas, mas logo voltou, eram tímidos demais pra trocar algumas palavras. Almoçamos e notei que ela passou várias vezes em frente ao refeitório, sempre procurando pelo meu filho. Fomos à secretaria para fechar o período e lá estavam elas, rondando. Eu, nem pensei muito, de novo! Fui falar com elas, conversamos um pouco e trocamos o endereço do face book. Viemos embora e veja a ironia do destino, o adolescente veio emburrado, de novo!!!! Quando chegou a primeira coisa que fez foi entrar na face book e solicitar a amizade da menina, mas uma semana depois ela ainda não respondeu. Quando toco em seu nome ele fica sério e quando falo se queria ter dado seu primeiro beijo ele ri e fica sem graça. Perguntei a ele se em janeiro do próximo ano ele quer voltar pra Colônia, e com toda certeza a resposta foi sim. Quem sabe, num futuro próximo, eles possam partilhar esse primeiro amor. 33 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Mergulhando no Tietê Antonio Pereira Hayashida Viana Rio Tietê, hidrônimo de origem Tupi que significa “água verdadeira”, um rio que nasce com águas límpidas passando por nossa capital ficando poluído e quando se distancia pelo interior afora vai tornando novamente limpo e piscoso. Boracéia, também de origem Tupi que significa “dança”. Quem gosta do campo e já foi a nossa colônia e “bebe daquela água”, sempre quer voltar e para completar pescar nas águas límpidas do maravilhoso Rio Tietê. Sempre que vamos a Boracéia, aproveitamos ao máximo fazendo nossos passeios e é claro; sem deixar de ir para a beirada do nosso rio para pescar uns lambarís, tilápias e outros peixes e depois saboreá-los fritinhos no fubá sentados na varanda do chalé. Certa vez, quando estávamos em Boracéia, meu filho mais velho David estava comigo no pier, montamos as tralhas e começamos a pescar, começou a beliscar vindo o primeiro lambari e o David empolgado com a fisgada começou a cantarolar dançando e numa virada quase que acrobática lá se foi para dentro do rio, quando percebi, ele já estava lá dentro com vara e tudo, a gargalhada foi total. Daí eu disse prá ele que agora pode falar para os amiguinhos que já caiu no rio tietê e eles ficariam assustados e perguntariam se ele não ficou doente, pois só conhecem o nosso poluído tietê. Este causo é verídico e sem história de pescador, pois naquele dia enchemos uma fieira de tilápias e labaris e depois subimos sorrindo do “mergulho” dele. Pois é, o David “dançou” na “água verdadeira! 34 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” CONTANDO UM CAUSO José Natalino da Silva Gonçalo Escrever sempre exige atenção e quando pretendemos externar os fatos que marcaram as nossas vidas, às vezes a emoção nos turva a razão, principalmente quando buscamos palavras que retratem com fidelidade aquilo que estamos recordando . Mas nosso causo aconteceu por volta de 1970 ,quando meu irmão , que residia em Limeira comprou um wolks-fuscão, de cor verde alguma coisa e viajou de Limeira a São Paulo, chegando em nossa casa, no Ipiranga, com minha irmã e seus dois filhos, nos convidando para no dia seguinte darmos uma chegada em Santos e curtir uma praia . Imediatamente, lembramos da colônia de férias da AES e nós os convidamos para irmos conhecê-la na cidade de Itanhaém, o que para nós seria um lazer e tanto. Iniciamos os preparativos para viagem tais como: lanches, refrigerantes e outras guloseimas. Logo pela manhã, do dia seguinte, Lia minha mulher, nossos filhos Marta e Mauro, ainda bebes e eu, também nos encaixamos dentro do enorme veículo , com todo conforto disponível. Como morávamos no Sacomã, já estávamos praticamente na via Anchieta, por onde iniciamos nossa viagem, seguindo até o Riacho Grande-SBC e aí rumamos pela estrada velha do mar, nos deliciando com a paisagem repleta de novidades e em cada curva um novo encanto acontecia, cuja beleza até hoje lembramos como verdadeiro deleite habitando as nossas memórias. Terminando a serra do mar, de onde já tínhamos avistado parte da cidade de Santos e do mar, num ritmo acelerado de renovação de emoções, entramos na rodovia Pedro Taques, tão diferente de tudo que a atualidade nos apresenta. Logo a frente estava a rodovia Padre Manoel da Nóbrega e neste novo percurso os ânimos estavam mais acirrados, pois em cada entrada em direção ao mar todos esticavam seus respectivos pescoços na esperança de ser o primeiro a avistar a praia tão sonhada para este passeio. Numa dessas olhadelas bateu uma distração e conseguimos colidir com a traseira de um outro fusca, provocando uma parada brusca na rodovia e todos que por nós passavam gritavam: “poisé”!, que era o apelido dos fuscas daquele tempo e ter um fusca” poisé” era um verdadeiro sonho para quem ainda não tinha seu próprio automóvel. Amainado os ânimos sobre o infausto impacto, seguimos viagem e logo a seguir outro envolvimento com outro poisé e todos pedem mais atenção ao volante ... Ao chegarmos em Itanhaém, procuramos a estação de trem de Camburiú e a encontramos logo após termos lanchado ali pelas proximidades. Não foi difícil encontrar a nossa sonhada colônia de férias, cujas modestas instalações constavam alguns quartos do lado direito e outros do lado esquerdo e ao fim do corredor dois sanitários, um feminino e outro masculino. Nesta oportunidade conhecemos o senhor Newton, que era o presidente da AES e sua família, verdadeiros anfitriões para um momento muito importante das nossas vidas. Ali passamos a tarde indo à praia e muitas brincadeiras com as crianças. No final do dia preparando o retorno para nossas casas, um temporal desabou naquela região e o senhor Newton, nos orientou a permanecermos na colônia, uma vez que, havia acomodação para todos e lá ficamos também no domingo. Se hoje conto este causo com orgulho da nossa primeira viagem a Itanhaém é porque ao conhecermos aquele belo recanto mudamos as nossas vidas e praticamente, foi a localidade que mais visitamos enquanto estivemos criando nossos filhos, pois lá sabíamos com quem eles estavam brincando, filhos e filhas de nossos amigos e companheiros de trabalho. Foi na colônia de férias que escrevemos as mais lindas páginas da história de lazer da vida da nossa família e por isso a ela e a todos seus dirigentes, de todos os tempos, dedicamos esta singela homenagem. 35 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O facão na mão foi a salvação Valdir José Espíndola O fato aconteceu em um feriado prolongado de 2011 que não me lembro qual era a data. Reunimos a família: eu, minha companheira, minhas filhas, meu genro e meu neto. Saímos de Mauá onde moramos em dois carros e fomos passar o feriado no clube de campo em Jundiaí. Fizemos uma boa viagem e ao chegarmos, como sempre, ficamos bem à vontade por gostarmos bastante do ambiente agradável proporcionado pelos responsáveis do clube. Nos dias seguintes acordei sempre bem cedo, pois gosto bastante de apreciar pássaros e animais que lá encontramos, e assim passamos belos dias ensolarados a beira da piscina e aos finais das tardes nos deliciamos com os tradicionais churrascos em família. Muito bem, mas deixando de lado o papo, o fato mais interessante não ocorreu propriamente dentro do clube, mas sim no caminho. O final de feriado chegou e aí vem a pior hora que é a de arrumar o carro carinhosamente chamado sempre por mim de (1113 expressão usada para um tipo caminhão de carga) devido a grande quantidade de coisas que levamos nas viagens e por volta das 15horas terminamos de arrumar e decidimos partir. Nesse momento o tempo mudou repentinamente o céu escureceu com muito vento e em seguida uma forte chuva tomou conta de tudo. Como já estávamos prontos, decidimos então partir e ao descer o caminho do chalé percebemos que algo de ruim estava por vir, pois um galho caiu em cima do carro devido ao movimento dos galhos das árvores, mas continuamos por causa da chuva, chegamos à portaria entregamos a chave e nos despedimos da moça quando naquele momento um carro de um sócio estava voltando para o clube dizendo que havia caído uma grande árvore no caminho logo abaixo e interrompeu a passagem nos dois sentidos, deduzimos que era verdade porque o clube nesse momento estava sem energia elétrica devido a algo ocorrido. Decidimos ir em frente para analisar a situação, chegando ao local vimos que realmente a árvore era bastante grande a ponto de atravessar a rua e que havia outro problema, pois os cabos elétricos estavam rompidos entre os galhos. Analisamos a situação eu e meu genro com muita chuva ainda e foi aí que lembrei que na bagagem tinha um facão e decidimos encarar, pois as informações eram que a companhia de energia só viria na segunda-feira. Empunhei o facão e comecei a cortar os galhos com atenção especial para os fios ali caídos até chegar às partes maiores da árvore. Enquanto isso meu genro ia tirando os galhos menores e nesse momento já se aglomeravam vários carros no local sem poder também passar foi então que alguns homens dos carros resolveram ajudar a tirar os galhos cortados. Depois de 30 minutos aproximadamente conseguimos liberar parte da estrada que sem dúvida foi de muita utilidade para todos que puderam passar e voltar para suas casas. Em seguida voltei até o clube e avisei a moça que já tinha conseguido liberar a estrada e aproveitei para trocar a roupa do corpo que estava ensopada utilizando-se do quartinho de ferramentas da portaria. Pois bem meus amigos, o facão na mão foi com certeza a salvação e fico muito contente em poder ajudar diretamente minha família e indiretamente os amigos que estavam nos carros parados, os moradores da vila e os colegas que ainda estavam no clube também. Essa foi minha história real e a propósito se alguém ou algum sócio que estava lá e vivenciou o fato souber quando aconteceu, por favor, me avise. Agradeço a todos pela oportunidade. 36 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” A entrevista Afonso Schlittler Júnior Era início de 1966. Acabado de completar 21 anos de idade, recém- casado, apresentei-me numa sexta-feira para entrevista na unidade 1.12 Santo Amaro; escola nova, em início de atividades. Fui encaminhado para a sala do Diretor Prof. Lísis, veterano professor de Educação Física, empossado recentemente no cargo, que me recebeu sentado em uma poltrona atrás de sua mesa. Cumprimentou-me e acenou para que sentasse em uma cadeira diante dele. Enquanto me fazia perguntas, inclusive como eu chegara até ali vindo de Rio Claro (de trem até a Luz, ônibus e bonde até aqui- dizia eu); dividia sua atenção ora pra mim, ora para uma flanela amarela sobre sua mesa que ele usava com incrível satisfação para limpar e polir uma pistola (nunca fiquei sabendo se era dele ou do vigia noturno). Assim transcorreu a entrevista. Contou-me o curioso critério que ele adotava na escolha da sua equipe de instrutores: procedência humilde e de preferência do interior (Piracicaba, Rio Claro e outros- nessa ordem). Por último, ainda em sua poltrona com flanela e arma na mão, recomendou o endereço da pensão onde os outros colegas já estavam instalados e que comparecesse às 7 horas da manhã da segunda-feira que os alunos estariam me esperando. Fui embora com um frio na barriga, eu já “estava” instrutor. 37 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” A Surpresa Audrey Lashinishi Em uma bela manhã, estava eu e minha família no Clube de Campo AES em Jundiaí. Lá parecia um lugar maravilhoso, com muita vegetação, água, sombra, sol... E de fato era um lugar maravilhoso! Entretanto minha irmã mais velha, nunca foi muito fã de piscinas e sol, por isso ela me pediu que eu a acompanhasse até um local onde tivesse sombra e vegetação. Fomos então, até um local mais afastado da concentração de pessoas, avistamos um lugar que parecia perfeito, um gramado com algumas arvores e muito sombra à disposição, não pensamos duas vezes e sentamos naquele ambiente muito agradável, ali conversamos por cerca de uns 20 minutos,logo escutamos um barulho um pouco diferente dos demais que vinham das pessoas nas piscinas, parecia algo entre as arvores se movimentando vagarosamente. Resolvemos esquecê-lo e continuar o papo. Foi então que o barulho pareceu estar se movendo em nossa direção e um pouco mais rápido que a velocidade inicial, levantei e tentei olhar entre os troncos das arvores porém não obtive nenhum sucesso, pois ali não tinha nada. Minha irmã levantou surpresa apontando para um dos galhos da arvore que estávamos embaixo... Lá havia um lindo píton albina que estava olhando diretamente para nós. Como minha irmã tem algum conhecimento sobre animais/répteis e afins ela logo identificou que as cobras dessa espécie não são venenosas. Aconteceu algo que eu realmente não esperava, minha irmã deu alguns passos em direção da cobra e a pegou, inicialmente fiquei assustada e com certo medo, chamei minha mãe que ficou muito surpresa em ver um lindo animal daquele com minha irmã. Quando meu pai chegou ao lugar do ocorrido, ele logo percebeu que a cobra não apresentava nenhuma ameaça se quer e ele logo propôs que ficássemos com o réptil como animal de estimação. Minha irmã e eu gostamos muito da ideia, pois nós a tínhamos encontrado. Voltamos para a casa ao anoitecer com o mais novo bichinho da família, Sofia a cobra amarelinha. 38 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” A Viagem Inesquecível Alessandro Caligari Sarzi Era dia 7 de janeiro de 2013 véspera de viagem e eu estava louco para ir até a colônia de férias do SENAI. Passei o dia agitado e ansioso, pois já fazia um ano que não ia à praia. Chegou o dia da viagem, porém acordei mal e com muita febre, mesmo assim nada tirava minha felicidade. Partimos depois do almoço, e meu pai resolveu fazer um caminho diferente do que nós sempre íamos, ele resolveu descer pela Anchieta, que é uma rodovia cheia de curvas onde a maioria trafegam caminhões e ônibus, mas em compensação, a paisagem é muito bonita. Chegamos na praia aproximadamente às dezoito horas, o que deu tempo de dar um mergulho no mar para “matar a saudade”, porém depois de quinze minutos começou a chover muito forte. Nós ficamos no apartamento doze, onde tomei um banho e fomos comer um lanche. No dia seguinte, ainda acordei mal, mas tomei um remédio e um café reforçado que me fez melhorar e então partimos para a o mar. O sol não apareceu, mas logo no primeiro dia já fiz várias amizades. Depois do almoço, meus amigos e eu, subimos para o salão de jogos e ficamos a tarde inteira jogando sinuca, ping-pong, pebolim, entre outros jogos. O tempo estava fechado, entretanto nada estragava nossa alegria. Mais tarde, eu conheci outro amigo que estava com violão e como eu estava com o meu, combinamos de tocar a noite. No começo foi pouca gente, depois começou a lotar o salão, e todos cantavam alegres e de bem com a vida. A principal música que tocamos foi: “Tá ruim, mas ta bão” de Gilberto e Gilmar, onde na música a pessoa sofre com algo, mas sempre está bom. No dia seguinte, choveu o dia inteiro, então ficamos tocando e jogando no salão de jogos. Foi divertido, não fomos pra praia mais ficamos na colônia e a cada vez fui fazendo mais amizades. Chegou sexta, e meus amigos queriam ir ao show do “Jeito Moleque”, foi um sacrifício de convencer meu pai, mas no final acabamos indo, e o tempo continuava ruim. Nos divertimos muito e a nossa amizade ia ficando cada vez mais forte. No outro dia, tivemos de aproveitar, pois meu pai queria ir embora, fiquei triste, mas no final das contas, pensei: o sol não apareceu, mas fiz amizades que nunca vou esquecer, estava doente, porém quando você está feliz, não se lembra da dor e juntando tudo, contando com o tempo, com as amizades posso concluir com uma expressão: “TÁ RUIM, MAS TA BAO”! 39 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Férias Inesquecíveis Zilda Aparecida Elias de Camargo Lashinishi Enfim decidimos onde iríamos passar alguns dias da tão esperada “Férias Com A Família”. Bom, já que gostamos muito da natureza escolhemos o lugar e tínhamos ouvido falar o quão encantador e relaxante era o local. Estávamos ansiosos com a viagem e arrumamos as malas e partimos. Algumas horas depois chegamos ao nosso destino, lá constatamos a verdade sobre o que nos disseram inicialmente. O lugar era super limpo, bem cuidado e organizado além de ser lindo e ter bastante vegetação. Ao chegar fomos logo guardar as bagagens pois estávamos ansiosos para explorar aquele ambiente. Entramos na mata e observamos que ali estava sendo feita uma construção, concluída pela metade... Fiquei encantada, pois aquele engenheiro tão habilidoso não havia frequentado nenhuma faculdade, mas era impressionante seu trabalho. Ele era delicado, mas, ao mesmo tempo corajoso e incansável. Passamos quatro dias observando aquele construtor comprometido. Aprendi que não importa a nossa aparência ou o quanto parecemos frágeis, o que importa é a nossa dedicação e comprometimento com as coisas. Por isso, resolvi homenagear nosso querido amigo e tudo isso aconteceu no Clube de Campo do AES e Jundiaí. “Ah João... Não sei se é de barro ou não. Mas pra mim tanto faz, sua construção me satisfaz.” 40 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Minha pretinha José Eduardo Scrico Algumas pessoas desconfiavam. Outras sabiam. Certos amigos mais próximos desaconselhavam este relacionamento, até achavam-no perigoso. Mas meu coração acelera e trepida a sua lembrança. A sua voz e corpo bem feitos continuam a deslizar em minha mente à lembrança dos momentos que juntos passamos. Amanheceu um dia lindo de sol, ideal para sair com ela. Os raios de sol esgueiravam-se para entrar pelas venezianas. Havia sonhado com a preta esta noite. Minha esposa já havia se levantado e estava arrumando a casa e os filhos aprontavam-se. Vesti-me apressadamente. Sutilmente saí de casa e fui ter com ela. Abri a porta silenciosamente. Era penumbra em seu quarto. Ela ainda dormia coberta por um alvo lençol, deixando entrever suas curvas sensuais. Braços abertos como a esperar-me. Sua traseira firme e arredondada onde tanta e tanta vez acomodou-me, trocando afagos e juras de amor. Deslizei a sua volta, admirando-a. Fui descobrindo-a lentamente acordei-a e seus olhos grandes brilhavam de encontro aos meus em lampejos de paixão consentida. Havia uma marca de umidade no lençol...certamente também sonhara comigo. Deslizei a mão por seu peito. Abri minhas pernas e acomodei-a. Mãos com mãos num toque de fusão absoluta de corpos e almas. E ela já bem acordada, ligada, quente, sussurrava ritmicamente debaixo de mim. Todo meu corpo vibrava com ela. Sentia aumentar o calor vivo de seu corpo frenético. Nós nos consumávamos em amor pleno, total e eterno. Ela estava satisfeita, pronta, convidando-me para passear. Eu estava esperando. Então subitamente a porta do quarto abriu-se...era minha esposa. Surpresa? Não! Nós a aguardávamos. Cumprimentou-a, abraçando e beijando amorosamente a pretinha, esse amálgama de feiticeiro amor. E juntos, abraçados, faróis ligados, capacetes na cabeça, saímos a rasgar as estradas, rumo a Colônia de Férias da AES em Itanhaém neste belo e harmonioso triângulo amoroso: Eu, minha esposa e pretinha, a nossa motocicleta. 41 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Se o meu fusca falasse Nereu Plínio Christofoletti Corria o ano de 1975. A AES , através de sua Diretoria, estava empenhada em realizar o sonho de ampliação da Colônia de Férias de Itanhaém. A necessidade de ampliação era premente visto que o número de associados aumentara muito a partir de 1973 ,consequência do aumento de unidades do Senai ,do quadro de funcionários e por tabela, associados da AES. As vagas para o verão, na Colônia, passaram a ser disputadíssimas! Nessa época, a Colônia resumia-se em um prédio antigo, adquirido em 1947, com alguns quartos e uma cozinha anexa a um refeitório ,conjunto que apresentava problemas permanentes de manutenção exigindo ,continuadamente, reparos, pela depreciação do uso e do tempo. A mobília, então, consistia em móveis oriundos de doação ou produtos de aprendizagem das escolas de marcenaria da rede Senai. A demais ,havia muita reclamação sobre os colchões das camas! Muitos deles, velhos, deformados, manchados, rasgados e com aquele odor característico de maresia, alem de molas estouradas! Naquela época, colchões eram produtos caros e os recursos para novas aquisições, eram escassos! Preocupada com a necessidade de investimentos ,a Diretoria da Associação tinha dificuldades com o custeio e enfrentava problemas contábeis, em típica situação de cobertor curto! Situação pior apresentavam os colchões dos berços daqueles quartos! Imagine, caro leitor, os mesmos quatorze colchões- havia quatorze berços- sendo usados por quase trinta anos, sendo castigados por xixis e cocôs e ainda com a umidade normal de praia ! Havia Associado que preferia trazer de casa, o colchão para seu bebê, até por medida de higiene! Nessa época, eu tinha acabado de comprar um Fusca novo, e toda sexta-feira, depois das aulas noturnas da faculdade, dirigia-me para o interior ,na casa de minha família ,distante 100 km da capital.Era um momento prazeroso,pois não havia tráfego nem congestionamento e dava para por ordem nos pensamentos! Em um desses momentos, a par do problema dos colchões, lembrei-me que, lá na minha cidade , um parente começara uma pequena indústria e estava lançando ,como novidade , colchões de espuma e que também fabricava colchões para berço! Eureka! No sábado ,de manhã, já estava ,eu, na porta da fábrica, a esperar pelo meu parente! Após algum tempo de boa conversa, convenci-o a fazer uma doação ,à AES , dos colchões de berço, na perspectiva de que houvesse, no futuro, uma compra dos colchões de cama. Ele concordou com a doação, mas não se comprometeu a fazer o transporte até Itanhaém. E eu não me comprometi a comprar seus colchões para as camas! Foi aí que reconheci o valor do meu carrinho! Acomodei, sem muito esforço, os quatorze colchões dentro do fusca e sem nota fiscal ou guia de transporte , fui direto para a Colônia de Férias entregar os confortáveis e modernos colchões de espuma! E ainda deu tempo para "pegar" o tradicional almoço da Colônia, composto de arroz com porquinho frito! Esse foi, com a ajuda do fusquinha, um dos" tijolinhos" para a construção da nossa querida AES ! 42 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O ROUBO DA PADROEIRA Antonio Leite Netto Ele veio das bandas da fazenda S. Francisco, propriedade do Capitão Mor Manoel Fabiano de Madureira, contando uma historia estranha. Tinha que cumprir uma promessa a Nossa Senhora padroeira da vila. O zelador da capela acreditando na devoção do homem entregou-lhe as chaves para que ele fizesse as orações prometidas. Á noite quando os moradores se reuniam para rezarem o terço, a surpresa que deixou a todos boquiabertos. Onde está a santa? O pequeno altar se achava vazio. Roubaram diziam todos. Quem foi? A resposta foi a mesma de todos. O pagador de promessa que esteve na vila aquela manhã. O povo ficou revoltado. Iriam todos armados de espingarda, garrucha, facão ou qualquer coisa que servisse de armamento, para a fazenda S, Francisco e trazer a santa. Aí entrou o mais velho morador e com paciência acalmou o povo. _”Meus amigos, deixem este caso por minha conta, depois de amanhã nossa santa estará no seu altar.” Muitos se ofereceram para acompanha-lo mas ele não aceitou. Escolheu um dos seus filhos e um escravo. Tres homem bastavam para cumprir a missão. Que o povo ficasse atento nos dias seguintes. Se ouvisse três tiros de garrucha vindo do morro na entrada da vila, podia se reunir para receber a santa de volta. Um dia. Dois dias. Tres dias. Três tiros são disparados do alto do morro e o povo feliz foi receber a sua padroeira. 43 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” De Picarés e Siris em Itanhaém Nereu Plínio Christofoletti Antigamente, era comum os Associados de cada unidade escolar, reservarem, com exclusividade, um fim de semana na Colônia de Férias de Itanhaém onde, junto com suas famílias ,praticavam uma integração descontraida e proveitosa, calcada na amizade nascida no ambiente de trabalho. Na sexta-feira, após o expediente ,era uma correria para apanhar a família em casa e tentar chegar antes na Colônia para recepcionar os amigos e aproveitar ao máximo o fim-de-semana. Acomodadas e com seus respectivos quartos, as esposas e filhos tinham a opção de ver novelas ou outros programas de tv enquanto os maridos iam para a pesca, não sem antes passar no barzinho da Colônia, para "aquecer os músculos"! Pesca era modo de dizer, porque a atividade noturna na praia era, na verdade, uma caça aos Siris, caranguejos que vivem no mar e que hoje sabemos, caça ecológicamente condenável! Com uma rede de malha fina, com mais de vinte metros de comprimento, presa em cada extremidade a um pontalete com dois metros de altura, fazia -se um arrastão no mar, ao longo da praia, no escuro, ficando um "pescador" com seu pontalete, perto da areia e o outro "pescador ", dentro do mar, esticando a rede e caminhando para fazer a pesca. Era o arrastão com o Picaré! Acontece que, às vezes, o "pescador" perto da areia, abandonava o Picaré, para "'aquecer os musculos" junto aos outros colegas que, na praia, ficavam esperando,com uma lanterna, para retirar da rede os pescados. Vinte metros, dentro do mar, à noite, sem a rede esticada, porque na outra extremidade não havia ninguem, dava uma sensação de estar afundando e o medo de afogar, fazia com que o arrastão fosse logo para a areia onde os colegas apressavam-se em coletar os Siris caçados. Os de tamanho pequeno e os peixinhos que vinham na rede, eram devidamente devolvidos ao mar. Ainda bem! Essa "pescaria" durava até o amanhecer do sábado, com o grupo de "pescadores" voltando para dentro da Colônia sempre com um enorme latão cheio de Siris (e o Picaré enrolado no pescoço de tanto "aquecer os músculos")! Ato seguinte, todos sentavam-se em volta do latão para a devida evisceração e lavagem, preparando-os para o cozimento. Cabia às esposas, muito à contragosto, fazerem o cozimento dos pobres bichinhos ,alguns ainda vivos, dentro de uma enorme panela, sendo estipulado pelos "aquecidos pescadores", que o cozimento fosse feito, não com água e temperos usuais e sim, com cerveja! Talvez para "aquecer os músculos " dos Siris e torná-los mais macios! Cozidos, eram esparramados sobre uma grande mesa de pedra, que havia no pátio da Colônia e todos participavam do festim, que ,de tão bom, até o almoço normal era esquecido! Qual Associado antigo, da AES, que como eu, não viveu esses momentos? Agora, embora ecológicamente constrangido, ouso perguntar: -Será que existem ainda, no mar de Itanhaém, os saborosos Siris? 44 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” BOLINHO DE CARNE DE GATO Antonio Leite Netto Quase sete horas da manhã. Estudantes e trabalhadores caminham apressadamente pela rua que vai dar na minha escola. Abre o sinal e eis quem vejo perdido no meio daquela gente um gato de cores preta e branca. Com certeza um gato acostumado no conforto de poltronas e sofás. Teria fugido da casa para conhecer a liberdade da cidade. Nem bem atravesso a rua ouço um barulho estranho. O gato foi atropelado. Está morto. Um estudante leva o morto até a cozinha da nossa escola. No dia seguinte o café dos professores foi servido acompanhado de um delicioso bolinho. A cozinheira toda contente recebia os elogios. Alguém faz uma observação: “Eles estão mais escuros do que os da cantina.” Ninguém apoiou nem contestou. Foi então que lembraram do gato. Pra onde foi parar o gato atropelado? Ninguem respondeu. Uma suspeita correu entre todos. O bolinho foi feito com carne de gato. A cozinheira jurou por tudo que é sagrado que a carne não era de gato. Mas o boato espalhou pela escola. “Os professores comeram bolinho de carne de gato.” Passaram-se os anos. Aposentamos. Certo dia encontrei-me com a cozinheira. Conversa vai conversa vem, perguntei”: ‘Era de carne de gato aquele bolinho”?. Não. ERA DE CARNE DE GATA 45 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Quanto pesa um bom cupim? Osmar Roldan Anderson Um tema recorrente entre os Supervisores do SENAI era a gozação com o Aparecido sobre o peso de um bom cupim. Com muito tempo vivido em Araçatuba, terra do boi, praça na qual se estabelecia a cotação do boi gordo a nível nacional, o Aparecido mostrava-se excelente conhecedor e apreciador de carnes. Era nossa referência quando se tratava de saber sobre a origem e o aspecto das diversas peças vendidas nos açougues. O grupo, porém, não perdoava o fato de, na década de 1980, durante um encontro do pessoal da Supervisão e seus familiares no Clube de Campo da AES em Jundiaí, ele ter dito que assara um cupim de treze quilos. O pessoal sempre aproveitava esse dado para, nas horas de folga, iniciar algum papo e foi o que aconteceu certa vez em São José dos Campos. Estávamos em meio ao jantar, na Churrascaria Romani da Rua Luiz Jacinto, local de onde se tem uma bela vista do Banhado, quando o “dono da casa” aproximou-se da mesa para dar as boas-vindas ao grupo e trocou alguma conversa conosco. Nessa hora o Cláudio, com cara de mal-intencionado, perguntou: − Seu Márcio, faz muito tempo que o senhor tem churrascaria? O anfitrião, com toda tranquilidade, respondeu: − Olha, eu e meu irmão Celso, estamos no ramo há mais de 8 anos. − Então o senhor já serviu muita carne, não? Retornou o Claudinho. − Claro! Em nossa casa comercializamos quase duas toneladas de cortes especiais por mês; tudo assado e servido primorosamente. Completou o Sr. Márcio com certo orgulho. − O senhor já viu peça de cupim grande, não viu? Aí é que começamos a perceber para onde o Claudinho estava levando a conversa... O seu Márcio deu um sorriso largo e perguntou: − Com certeza, mas por que essa pergunta? − Eu queria que o senhor nos dissesse o peso aproximado do maior cupim que o senhor já viu. O seu Márcio, com ar de bonachão, coçou o queixo, olhou para o grupo e arriscou: − Bem, pra ser grande mesmo, eu diria uns quatro ou cinco quilos. Nessa hora o Aparecido avermelhou e atacou: − Então o senhor nunca viu cupim grande! Eu mesmo já assei cupim de mais de dez quilos. O seu Márcio parou, pensou e devolveu: − Com mais de dez quilos só se for corcova de camelo. Aí entrou a turma do deixa disso, bandeou a conversa para outro assunto e tudo acabou em festa. O fato é que até hoje não sabemos exatamente qual o peso de um bom cupim. 46 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Papai, eu devo comer tudo? Osmar Roldan Anderson Hoje vamos falar sobre os dotes culinários dos supervisores pois, na Supervisão, tínhamos vários expoentes da cozinha, cada um em sua especialidade. O Walter era especialista em massas; ele influenciou muitos de nossos colegas que passaram a produzir seus próprios pães caseiros. Também era exímio Pizzaiolo e nos encontros familiares o Walter era sempre requisitado. Demonstrava muita agilidade na organização da “linha de montagem” das pizzas que ficavam deliciosas. Nas viagens do grupo era ele quem dava as cartas na escolha da pizzaria e na sugestão das coberturas. Agora quando se tratava de preparar um bom churrasco, o dono da bola era o Mágno. Apesar de não ter nada de gaucho, empolgava-se todo diante de um convite para “assar uma carne”; arregaçava as mangas e punha-se a trabalhar. Em várias ocasiões o Mágno encarregou-se das festas da Supervisão, mas merece registro um encontro que fizemos e que reuniu todos os supervisores e seus familiares no Clube de Campo da AES em Jundiaí. Eram mais de cento e sessenta pessoas entre adultos e crianças. Vários colegas trabalharam na organização do encontro: a Célia, a Eliana, o Pasquale, o Walter, o Tadeu e o Ariovaldo, todos sob a liderança do Mágno que no dia da festa atuou como Churrasqueirochefe. Foi um evento memorável, até hoje lembrado pelos familiares dos colegas, pois tudo funcionou perfeitamente. A qualidade e apresentação da comida eram de primeira. Para finalizar tivemos até um bolo com cobertura de coco queimado. Correndo por fora, havia outros “Mestres da Cozinha” sempre com suas receitas maravilhosas. Eu mesmo cheguei a experimentar algumas delas com certo sucesso. Destaco a receita de Bobó de Camarão trazida pelo Sílvio Cruz pois, até hoje, meus irmãos comentam sobre o prato que fiz como se fosse uma especialidade minha. Também vale registrar o requinte dos pães de mel, em uma receita trazida pelo Hernani e que, até hoje, dão água na boca só de lembrar. Para não dizer que a experiência culinária da Supervisão “foi só alegria”, vou citar alguns insucessos que constituem o folclore do nosso grupo. Um dia o Hernani trouxe uma receita, bem explicadinha, para se fazer amendoim doce. Meus filhos eram pequenos e armei a maior expectativa sobre o doce que faria. Peguei todos os ingredientes (conferidos mais de dez vezes) e fui para o fogão. Coloquei na panela: o amendoim, o açúcar e o chocolate e comecei a mexer ao mesmo tempo em que contava histórias para as crianças. O fogo não estava alto mas, não sei como aconteceu, o amendoim começou a soltar um óleo e a fazer fumaça. Chegamos a um ponto em que fomos obrigados desligar o fogão e abrir portas e janelas para dispersar a fumaça; não se enxergava nada! A casa ficou defumada por vários dias e a panela ficou irrecuperável. Outra situação muito engraçada aconteceu entre o Zambanini e o Peruzzi. Era uma época em que se fazia sorvete caseiro sem emulsificante e para melhorar sua consistência usava-se um pouco de gordura vegetal. O Zambanini jura que passou a receita certa, mas o fato é que o Peruzzi adicionou quinhentos gramas de gordura vegetal ao invés de cento e cinquenta gramas. Disse o Peruzzi que o sorvete ficou bem vistoso, só que ele não provou de imediato. Sua filha de nove anos foi a primeira a encher a taça. Contou que a menina pôs-se a “mastigar” o “sorvete” e nada de conseguir se livrar dele. Depois de algum tempo ela virou-se e perguntou: “Papai, devo comer todo esse sorvete?” Ele experimentou uma colherada e disse: “Não, agora você pode ir brincar, filhinha”. 47 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Equívoco em Itanhaém Ricardo Lopes Apesar de ser outubro estava sol e o clima sugeria um passeio ao clube de campo da AES em Itanhaém. A praia Cibratel II localizada próximo ao clube de campo é um local calmo e tranquilo em épocas como aquele mês. Após o almoço no clube, minha esposa, minha filha de 2 anos e eu fomos dar um passeio de carro no centro da cidade. Minha esposa estava sem voz aquele dia, fazendo tratamento para melhorar, e isso fazia com que ela conversasse comigo apenas por gestos. Passamos em uma farmácia comprar remédio para ela e no momento em que estávamos voltando para o carro, um fato chamou-me a atenção. Havia um senhor sentado dentro do seu carro, cochilando, e embaixo do carro dele uma poça de gasolina ou óleo. Pedi à minha esposa que entrasse com nossa filhinha no carro e informei que eu ia comunicar o fato àquele senhor e em seguida seguiríamos de volta a colônia de férias da AES. – Senhor, senhor, senhor, acorde senhor! – Pois não meu jovem - Respondeu o velhinho com muita calma e sem se assustar por ter sido acordado por um estranho. – Senhor, desculpe-me acordá-lo, é que embaixo do seu carro há uma poça de combustível, acho que o senhor não deve ter visto - Informei ao velhinho. Era um escort prateado e quando o senhor recebeu a informação prontamente desceu do carro e pediu minha ajuda para averiguar. Não conseguimos identificar se era gasolina ou óleo e tampouco de onde estava vazando. Ao perguntar para o senhor se ele queria que eu o ajudasse ligando para um mecânico o mesmo me acalmou dizendo: – Não meu filho, obrigado. Fique tranquilo que na verdade já estou esperando o mecânico. Meu carro está "engorfado", eu só não sabia que ele também estava vazando. Foi bom que você viu, já aviso isso ao mecânico também. Me despedi daquele senhor e fui até meu carro para voltar à colônia de férias da AES. O centro da cidade onde estávamos é um pouco distante da colônia e no caminho fui conversando com minha esposa que, para fazer companhia para nossa filha, costumava sentar sempre ao lado da cadeirinha dela no banco de trás do veículo. Não me estranhava conversar com ela e não ser correspondido, pois a mesma estava sem voz. Eu também não podia ficar olhando nos gestos que ela fazia porque eu precisava me concentrar no caminho de volta e estava dirigindo. Ao descer do carro no estacionamento da AES abri a porta de traseira do veículo para tirar minha filha e que surpresa! Não estava lá nem minha filha, nem minha esposa. Eu vim o caminho todo conversando sozinho. Voltei imediatamente ao centro da cidade e encontro minha esposa com minha filha em uma loja. Elas nem haviam percebido que eu já havia atendido àquele senhor e que inclusive já havia ido embora e voltado. buscá-las. Ora, eu achava que ela havia entrado no carro conforme combinamos quando fui ajudar o Senhor do carro que estava com problemas. Na verdade ela não entrou e foi passear em uma lojinha de utilidades domésticas. 48 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” SERÁ O BENEDITO Cirso Santiago 1948! Eu, na adolescência, em São Paulo, cursava Ajustagem na Escola SENAI, do Belenzinho. Paralelamente, estudava música e tocava trompete. Naquela escola, conheci o Benedito. Era um dos serventes. Ainda jovem, entrosava-se bem com os alunos. Corpo de atleta, negro, alto, simpático, carismático, amigo. Depois de algum tempo engajado no Exército, onde se destacara como corneteiro, migrou para o SENAI, começando pela Escola de Taubaté, cujo Diretor era o conhecido Prof. Passos, que, algum tempo depois, assumiu a Divisão de Ensino. O que decepcionou dois ou três candidatos a esse relevante cargo. Consequentemente, o debate entre os partidários destes e daquele tornou-se eloquente... Nesse clima, qualquer mudança pedagógica seria inviável. Então, o novo Titular optou por uma ação menos complicada e de impacto rápido: solicitou a presença do seu ex- funcionário e, com a franqueza que lhe era peculiar, disse-lhe que desejava ver os alunos da Capital participando dos eventos cívicos oficiais. E, que, sabendo do seu bom desempenho no Exército, queria saber se podia contar com ele para formar uma fanfarra e preparar os demais alunos. Porém, esclareceu que essas tarefas teriam que ser conciliadas com a sua ocupação normal e que não lhe trariam qualquer acréscimo salarial. Que sinuca de bico!... No entanto, seu interlocutor, por respeito ou gratidão, não sei, se dispôs a colaborar. Daí em diante, falaram sobre os demais pormenores dessas empreitadas. Na despedida, porém, o “Grande chefe” disse-lhe: - “Benedito, se conseguirmos já nesse primeiro evento o sucesso que espero, trarei você para trabalhar nesta sala, quando, então, levaremos essa ideia para as demais cidades paulistas que tenham uma Escola SENAI”. Imagine o tamanho da emoção que envolvera esse humilde servidor. Completamente zonzo, ele retornou ao seu local de trabalho e se pôs a ruminar sobre tudo que ouviu nessa reunião. Dois dias depois, ele me procurou e, após pedir-me discrição necessária, confidenciou-me o que narrei logo acima. Embora eufórico, estava preocupado. Questionei: “Tem alguma dúvida, quanto o cumprimento dessa alvissareira promessa?”. Disse-me que isso não lhe passava pela cabeça, porque o Professor não prometeria o que não pudesse cumprir. Insisti em descobrir o que realmente lhe perturbava. Vendo-se sabatinado, confessou que estava assustado, porque concluiu que era muito trabalho para ele sozinho. Sugeri que pedisse um ajudante e ouvi: Saiba que vou lutar para que você seja o meu auxiliar. Concordei. E, no próximo “Dia do Trabalho” desfilamos, com garbo e eficiência, na Avenida Tiradentes. A nossa apresentação mereceu destaque na Imprensa e suscitou o aparecimento de muito ufanismo nos múltiplos ambientes “senaianos”. Voltamos à rotina e, após algum tempo, nenhuma palavra mais ouvíamos sobre o desfile. Contudo, o Benedito dizia-me: Calma, quem espera sempre alcança. De fato, um belo dia, chamaram-no à Sede e lá estava sua mesa de trabalho entre a do Prof. Passos e a do Prof. Camargo, assessor do Titular. Quando, comparecia à nossa escola de terno e gravata, brincávamos: - “Será o Benedito?”. 49 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” FESTA DAS CRIANÇAS NO CLUBE DE CAMPO AES Eduardo Andrade Arraes - Claro que isso não vai dar certo – disse Roberto, já em tom de desespero. Como você quer que eu vá à festa das crianças da AES justamente no dia do jogo do ano, semifinal do campeonato! - Não sabia que seu time era mais importante que a alegria dos seus filhos, e além do mais cada um deles já convidou um amiguinho da escola. Mas tudo bem, com não posso dirigir essa banheira que você chama de carro, vou ligar pro meu irmão Zeca e ver se ele pode nos levar. Assim, Vera saiu da sala bufando de raiva e pensando em por em prática sua ideia. Roberto, pensativo, pensou em manter sua decisão de não ir à festa, mas as palavras de Vera ficaram remoendo em sua cabeça. Não teve dúvida, tão logo acabou o programa de esportes que estava assistindo pela TV, subiu ao quarto e foi falar com Vera – Nós vamos à festa! Não há necessidade de chamar ninguém, eu mesmo vou conduzir nossa família! Entusiasmada pela nova notícia, Vera abraçou e beijou seu companheiro passando a pensar assim nos preparativos para o tão sonhado evento. Chegado o dia a família partiu em busca de sua diversão, afinal de contas era a festa das crianças da AES. Ao chegar próximo à estrada de terra que dava acesso ao clube de campo da AES, local da festa, Roberto reparou que havia um grande congestionamento. A chuva não havia dado trégua e havia um mar de lama à frente. Não demorou para que aparecessem responsáveis pela festa, dizendo que se não conseguissem transpor o caminho, a solução seria cancelar a mesma. As começaram a chorar em coro. De posse de um megafone o diretor da AES anunciava a saída: todos deveriam deixar seus carros estacionados naquele ponto e seguiriam até o clube na carreta improvisada, tracionada por um trator, evitando assim atolamentos. Após muitas viagens do trator, o público da festa estava todo reunido e feliz. Roberto ouviu um recado trazido ao presidente da AES, que nesse momento, encontrava-se ao seu lado. Não haveria mais o show do palhaço pipoca, pois o mesmo se envolveu num pequeno acidente na chuva, sem danos físicos, mas sem condições emocionais para atuar. Roberto pensou o que falaria para seus filhos e sem ter respostas procurou agir depressa. - Vera, você trouxe sua maquiagem? - Trouxe, mas o que você está pensando? - Vou me oferecer para fazer o show de palhaço e você vai me ajudar. E saindo para um lugar reservado pediu ao presidente que anunciasse o show, pois ele iria atuar. Com o rosto transformado e munido de vários adereços improvisados, Roberto foi anunciado como palhaço e fez com que as crianças rolassem de tanto rir. Seu show baseava-se em estórias engraçadas e piruetas mal finalizadas num mar de lama. Ao olhar para sua família na plateia e contemplar a alegria que aquele público irradiava sentiu um emoção sem tamanho e caiu em choro. Foi aplaudido em pé por todos e acabou nos braços de sua família. Seu ato transformou o fim de semana em algo inesquecível para os seus e todos os sócios presentes. 50 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O CAUSO É QUE FICAMOS SURPRESOS APÓS SETE ANOS Maria da Penha de Freitas Zamai Não posso esquecer as grandes emoções daquele dia, em que saímos de São Bernardo do Campo, com destino à nossa colônia de Férias em Itanhaém, percorremos os infinitos 104km, com grande ansiedade, nosso piloto parecia o Airton Senna, embora dentro da velocidade máxima permitida, não deixou o velocímetro baixar um só instante. Ao retornarmos após sete anos a este local, era grande a nossa expectativa, pois ouvimos falar sobre as reformas e despertou-nos uma vontade imensa de fazer este passeio, prosseguimos em busca de vermos a transformação de nossa colônia de férias. Foi um trajeto demorado. Ufa! Enfim chegamos. Cada minuto parecia ser uma eternidade, enquanto nosso piloto fazia o primeiro contato na recepção da portaria, esticávamos nossos pescoços como se fossem de elásticos, para tentarmos visualizar alguma coisa. Eu particularmente estava curiosa para admirar a audácia de nosso arquiteto. Embora eu seja leiga no assunto, mas em matéria de espaço para relaxar, acredito ser exigente. Adentramos e sorrateiramente caminhei em direção à novidade a qual procurávamos, é claro, a piscina! Surpreendi-me ao ver a deslumbrante ideia de nosso arquiteto, tamanha era a riqueza de detalhes, possivelmente tivera um olhar de estilista, procurando mostrar cada milímetro de sua arte, pois seria admirada por muitos. Ele valorizou cada espaço, principalmente a ligação entre a área aberta de refeição com a piscina, ficou sensacional! Quer ter certeza se o causo é verdade? É só passar por lá um dia. Você ira ver que o sol recepciona os banhistas o dia inteiro e a piscina ainda tem um Deck molhado, que maravilha! Enquanto os pais curtem seus filhotes se divertindo, ainda podem aproveitar o máximo, tudo o que a colônia tem a oferecer, isto é... para os amantes de um bom lazer. Agora, além do mar esplêndido em Itanhaém para nos deliciar; temos uma piscina reservada para nos aconchegar. Curtimos cada momento, pois o triste foi deixarmos esta maravilha e voltarmos à nossa São Bernardo, novamente para a rotina do dia a dia. Mas acredite, sete anos nunca mais, imaginem só! É claro que voltaremos em breve. 51 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O CAUSO É BOM MAIS FALTARAM PROVAS Maria da Penha de Freitas Zamai Quem não ficaria deslumbrada como eu ao observar o que presenciei. Escolhemos nosso AES Clube Jundiaí para passar alguns pouquíssimos dias de nossas férias, poucos sim! Pois descobri que aquele vale é encantador, presenteada pela mãe natureza a biodiversidade é de deixar até o aventureiro Richard Rasmussem de boca aberta. Mal chegamos ao chalé e já tivemos a certeza, nossa estadia seria muito agradável, a vista maravilhosa do vale, envolto com várias espécies de plantas, deixara este espaço de dar inveja a qualquer um. Somente a breve passagem pelo lago apreciando as trutas, tartarugas, gansos e patos, já deixaria qualquer amante da natureza satisfeito, mas este não é o causo bom, pois sabemos que nossos anfitriões cuidam para que tudo seja preservado. O que vocês não sabem me causa até arrepios, observar a natureza, é uma das coisas que mais curto na minha vida.Pena que me faltou uma câmera fotográfica potente, com uma objetiva de melhor alcance, para poder registrar aqueles momentos e deixar vocês de queixo caído. Perdi a chance de fotografar dois pica-paus que estavam a jantar em uma árvore em frente ao nosso chalé. O dia amanheceu com cânticos específicos, dos bem-te-vis, das maritacas entre outros, que parecia dizer... acorda pessoal! O sol está raiando. Após nos aprontarmos, seguimos com destino ao mirante, onde fotografei algumas corujas buraqueiras, dois esquilos que recolhiam alguns coquinhos. Ao entardecer, a chuva de verão, nos obrigou a nos recolhermos ao chalé. Vocês nem imaginam o reboliço que foi para nossa turma ao ver uma família de micos, tinha mais ou menos uns cincos se abrigando nos pinheiros logo abaixo dos nossos chalés, novamente faltou a máquina, de melhor resolução. Apenas curtimos. No dia seguinte, alucinada conversei sobre o causo com uma hóspede do chalé abaixo, que para minha surpresa ela e sua amiga no dia anterior, viram uma cobra cheia de listras, a qual não souberam identificar e também uma família de capivaras na reserva ao lado esquerdo antes da saída do clube, ambas ficaram perplexas. Bem, nossa estadia chegara ao fim e não pude ver uma das espécies que habitam na reserva, a família de veados que constantemente visita o vale, fato este mencionado pelo nosso caseiro, em uma conversa que tivemos sobre a biodiversidade. Retornaremos em breve, com certeza estarei preparada e terei mais provas concretas. 52 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” CAUSO BOM TEM PROVA Maria da Penha de Freitas Zamai Nem parecia que estávamos no verão, como nossa São Paulo sofre com mudanças climáticas, Jundiaí não ficaria de fora.Tínhamos passado um dia ensolarado e havíamos curtido o máximo, mas na virada da noite nosso vale recebia um vento frio que assobiava no meio do bambuzal em volta do lugar mais apreciado do nosso clube de campo de Jundiaí. É claro, nossa piscina, obrigando-nos recolher para o Chalé sete. Eu duvido se alguma criança ficaria para trás, depois de ter feito um passeio até o Mirante e ter o prazer de fotografar alguns esquilos, que rapidamente recolhiam coquinhos, ainda embora desconfiados com nossa presença e uma família de micos pulando de galho em galho nos pinheiros abaixo dos chalés de número um a seis, não pagaria para ver um réptil ou qualquer animal de hábito noturno que pudessem assustá-la. Então voltamos para o Chalé, e, como mãe protetora que sou, tratei logo de fechar as janelas, para que nenhum atrevido pernilongo pudesse usufruir de nosso sangue como jantar. Ao cair a noite todos já adormecidos, um som intrigante me preocupava, observei com atenção era um piado; um piado de coruja, estava certa, pois quando garota, lembro-me de que curtia muito este som, lá no interior, mas relaxei e como os demais eu adormeci. Já pela manhã novamente, nos dirigimos para a piscina, é claro! Ao transitar pela Alameda que leva ao Mirante, alguém da turma sussurrou para que não espantássemos uma ave estranha que beirava a direita da encosta, e com a câmara fotográfica em mãos, tratei logo de pedir silêncio, coloquei-a no melhor zoom, pois se desse um passo a mais, adeus oportunidade, então, tirei várias fotos de um filhote de coruja buraqueira, afim de escolher a melhor para a prova do nosso causo. Acho que na noite anterior, o piado que ouvira, era a mãe coruja que estava a procura de alguma presa.Tivemos um dia maravilhoso! Ao final nos retiramos com as crianças da piscina. Embora tenhamos tido um passeio nota dez, a tristeza estampava em nossos rostos, pois já era hora da despedida, que pena! Chegou o nosso último dia. E assim... a criançada com expressão de choro diziam, _ adeus piscina..., _ adeus tartaruga, _ adeus gansos, _ adeus patos... e foi uma verdadeira lamentação. Ao passarmos pelo portal da saída, falamos todos juntos, _ até logo Clube, nos aguarde, voltaremos em breve. 53 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” CARA TORTA Eleica Aparecida Stefani - Pai, conta aquela história outra vez. - Que história tu quer que eu conte Paulino? - Aquela que te deixou com a cara torta. - Cê sabe que não gosto de falar destas cousas. - Ah pai! Conta vai, eu adoro ela. - Tá bem filho, já que tu insistes. "Um dia eu tava saindo da Colônia e resolvi ir até o quiosque 40° do Flávio na praia Cibratel 2. Não ficava longe e como estava muito abafado dentro do apartamento resolvi ir lá tomar uma loura gelada. A cerveja tava tão boa que esqueci da hora. Faltavam trinta minutos pra meia-noite quando resolvi voltar pra colônia. - O Rogério, cê vai embora a essa hora? Fique mais, hoje teremos um luau. E vai aparecer muita gente bonita. E é bom também que eu lhe acompanho ate a colônia, pois dizem que anda aparecendo por aí, sempre à meia-noite, uma assombração. - O seu Flávio, olha pra mim, vê se um cabra macho como eu tem medo de assombração. - Bem, cê que sabe. - Passe bem seu Flávio, já vou indo. E lá fui eu pelas ruas de Itanhaém. Já fazia uns cinco minuto que eu ia andando. De repente comecei a escutar passos que pareciam estar me seguindo. Parei, olhei para trás, mas não vi nada. Continuei andando e novamente escutei os passos. Parei outra vez, olhei e não tinha nada. Comecei a ficar nervoso e a andar rápido. Quase na porta da colônia ,escutei os passos atrás de mim aumentarem a velocidade. Parei e me virei rápido. Um arrepio me correu a espinha de cima a baixo com o que vi. - E o que viu? - A mulher mais linda do mundo, nuazinha como veio ao mundo. - Uma mulher? - Sim, eu pensava que as histórias eram tudo mentira. Mas lá estava ela sorrindo para mim. - Ela quem? - A loura sem cabeça. Eu parei petrificado, queria fugir, mas minhas pernas pareciam chumbadas no asfalto. Aí ela veio andando em minha direção, me olhando. De repente a loura sem cabeça me agarrou e me deu um beijo na boca. - Mas se ela não tinha cabeça, como te beijou? - Isso eu não sei porque desmaiei na gostosura daqueles lábios. Acordei no dia seguinte com a cara torta. Fonte: www.almadepoeta.com 54 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O Pinguço do meu Tio Eleica Aparecida Stefani - Mãe, conta aquele causo do tio pinguço? - A não, nem lembro disso mais. - Por favor, mãe preciso participar do Concurso: Contando um Causo da AES. - Pra quê menina? - Uai pra eu ganhar um premio né. - Tá bomm. Eu tinha um tio chamado Chico que vivia bêbado. Um dia na venda, que ele sempre ia beber sua pinguinha, comentaram sobre uma coisa que tinha lá no cemitério da cidade de Franca. - Que coisa, mãe? - Um vulto, que pulava nas costas de quem passasse por lá à noite. - Credo, e aí? - Ele dizia que num tava nem aí pra esse vulto. Poderia passar quantas vezes quisesse na frente do cemitério, que esse coisa ruim num ia fazer nada cum ele. E todo mundo disse: Ce tá loco homem; essa estória é verdadeira. Larga de se besta, sô. Ele disse: - Ceeis que (quer) vê então? - Lá foi o Tio Chico com seu cavalo pra porta do cemitério. E começou a dizer: - Vem cá, seu coisa ruim, ta pensando que tenho medo do cê. Vem cá que vou quebrar essa sua cara, pra largar de assustar o povo, sô. Nisso, de repente, pula uma coisa em cima do cavalo do Tio Chico. O cavalo sai em disparada e o tio fica sem sentido, anda a noite inteira com seu cavalo em volta da casa onde ele morava. A Tia Zoca fica preocupada, pois o tio nunca passou uma noite na rua. Quando ela sai pro lado de fora da casa, vê o cavalo tocando de roda com o Tio Chico desmaiado em cima dele. Então, desesperada, pede socorro pros vizinhos que conseguem tirar o tio de cima do cavalo. Mas o tio não se lembra de nada. Só lembrava que na frente do cemitério alguma coisa pulou no seu cangote. - Depois o Tio Chico ficou muito ruim, nem saia da cama e falava que tinha sempre um macaco olhando pra ele debaixo da cama. - Mas o Tio Chico ficou assim pra sempre, mãe? - Não filha ,mas precisou de muita benzição pra que esse macaco saísse de perto dele. E ainda assim ficou com um medo danado. Num saia na rua sozinho nem a pau. O Tio Chico deu trabalho viu! 55 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” QUARESMA Eleica Aparecida Stefani Na cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, lá por volta de 1940 havia um fazendeiro muito rico e poderoso chamado Sr Belarmindo. Todos da cidade o respeitava, pois também era muito generoso e bondoso, mas tinha um grande defeito: fazia todas as vontades de sua filha Jussara, muito bela, porém arrogante e teimosa. Naquele ano completaria 15 aninhos no mês de março. Época de quaresma quis uma festa cheia de luxo para todos da cidade, bem na sexta-feira da Paixão. Seu Belarmindo pela primeira vez quis negar-lhe um pedido, já que sua religiosidade e crença estavam falando mais alto. Porém, sem negociação com Jussara, que berrou, emburrou, descabelou-se , acabou fazendo a grande festa. Todos da cidade que queriam comer e beber de graça foram à festa, porém apareceu um belo rapaz que nunca ninguém havia visto por ali. Com este, Jussara fez questão de dançar a noite inteira, e por volta da meia noite o rapaz inquieto quis ir embora, mas a mocinha birrenta não queria deixar. Até quando percebeu que as mãos do lindo rapaz estavam ficando ásperas, seus pés com imensas unhas e formato de pé de galinha... Então olha para o rapaz com cara de espanto e observa que no alto de sua cabeça começam apontar dois chifres. Na mesma hora começa gritar e a chorar, o rapaz sai correndo. O pai, sem entender nada, abraça sua filha, e ela chorando pede perdão e diz que nunca mais fará festa durante a quaresma, pois dançou a noite toda com demônio. 56 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Visão Noturna no Clube de Campo de Boracéia Ricardo Aparecido Lopes Cunhá, cunhá, cunhááá é o som da "gansaiada" que vem correndo para ver quem é! Salve a manhã animada, vamos logo hospedar-nos no chalé! Até que chegou a noite no clube da AES, dormia tranquilo minha esposa e a filhinha. Olhei pela janela, fiz uma prece, o que eu vi ninguém adivinha. Voava mas não era passarinho, quando ia para o chão ele pulava. Fiquei espiando de mansinho, para descobrir o que chegava. A coisa estranha subiu na árvore rapidamente, alarmou os gansos que vieram gritando observar. Quando menos espero ouço um som estridente, e os gansos pararam de tagarelar. Meu Deus que coisa é esta, que emite som e aquieta até a "gansaiada". Vou chegar mais perto daquela fresta, para dar uma espiada. Quando saio do chalé: - meu Deus do céu eu vou voltar! A coisa estranha desceu da árvore, ficou em pé, e começou a me observar. Me assustei e com razão, que medo do bicho que estava ali. Oh minha Nossa Senhora! Oh meu São João! Me ajudem a sair daqui. E o coração numa batedeira sem parar. Gritei: Que animal feio, não quero vê-lo! Minha esposa: Querido! Querido! Para de gritar! Acorda, você está tendo um pesadelo. 57 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Causo do Computador! Mauri Siqueira Montessi Sou do tempo do estêncil. Cheiro do álcool. Rodar o rolo. Até já mexi com máquina de escrever, mas com este tal de computador não sou familiarizado, não. Semana trespassada, foi-me pedido para escrever uma carta para a AES. Relatando o dia do professor para publicar no jornal da entidade. Bem, sou do SENAI há 30 anos. Quando entrei não tinha nem máquina de escrever, dirá computador. Corro do bicho mais que o diabo da cruz. Mas lá fui eu, pela causa. Sentei-me em frente à máquina, apertei o botão de ligar e o trem já deu um grito feio. Segurei-me firme. Enfiei os dedos pelas teclas a catar feijão. Em pouco tempo o texto estava uma beleza, todo colorido: o negócio do Word ia grifando um monte de palavra. Algumas estavam erradas. Corrigia, sumia o grifo. Inteligente! Mas uma não saia de jeito nenhum... Clicava daqui e dali e nada! Lá estava aquela marca horrorosa, em verde, indicando-me que havia errado, uma desonra para mim! Não podia passar por tamanha humilhação! Estava na sala de informática. Haveria alguém do lado, atrás, escondido observando que eu tinha errado? Sentia um ódio do Word, já pensava em processar a Microsoft, pedir indenização por danos morais, por estar sendo exposto ao linchamento público. Minha cabeça fervilhava, mas meu corpo permanecia estático. Com esforço, e mais lento que Rubinho Barrichello, olhei para direita e depois para esquerda, ninguém. Estava salvo! Discretamente, sem gestos bruscos para que (se por hipótese alguém ou algo a distância estivesse vigiando-me, sempre há uma câmera hoje em dia, um bisbilhoteiro) ninguém percebesse, diminuí a tela, passei o mouse por cima do texto grifado e a caixa de texto abre com a mensagem: “Essa frase contém 55 palavras. Deveria conter no máximo 50 palavras”. Que alívio imediato! Não tinha cometido um erro gramatical! Era apenas uma dica estilística! Mas quem inventou isso? Então, lembrei-me das lições de português: “Elaborar frases curtas” ou “Evitar frases longas”. Até ouvia as vozes das professoras de redação! Mas escrever período com menos de 55 palavras? Senti como se tivesse de escrever nesse tal de Twitter, que dizem ter limite. De onde tiraram esse número mágico? Recordei de ter lido recentemente que “as orações de um texto típico em português do Brasil têm, em média, cerca de 30 palavras.” Meu Deus, há muita gente que parece não ter o que fazer nesse mundo! Sempre teve isso nesse Word? Ou é novo? Será que sempre fiz errado? Será que sempre escrevi frases muito longas? Não entendia esse fato. O que explicaria tal questão? Por que meu texto está infestado destes pecados wordísticos? Era isso: a evolução!? Voltei ao texto. Como continuar? Sentia-me travado. Como escrever e falar tudo o que queria dentro de um limite? Tinha uma estranha sensação: não sabia escrever! O que tinham de inventar esse Word? Teria alguém direito de revelar a mim mesmo a minha alma? Assim, nua e crua? Esfregar na minha cara que eu não sabia escrever orações de um texto típico em português do Brasil? Olhei ao redor novamente, abaixei e puxei a tomada. Vade retro, satanás! 58 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Causo de Amor Mauri Siqueira Montessi História de amor entre professor e aluno é muito frequente quando de sexos diferentes. Mas homossexualismo é raro, pelo menos os revelados. Ocorreu numa escola SENAI e se revelou na Colônia de Férias da AES, mas prosseguiu. O professor se chamava Sineodio Valis e esse nome, como ele mesmo dizia, além de horrível, tinha sido grafado errado, pois o sobrenome da família era Vales: “o nome é muito importante para o indivíduo, eu, por exemplo, tenho que carregar um nome que é motivo de chacota; além disso, recebi uma crítica de um crítico famoso dizendo que eu jamais seria um bom escritor (ele também era “escritor”), pois até meu nome estava errado” - dizia ele sempre se vangloriando de seu nome horrível. O aluno se chamava Elanim. Não passava de um medíocre bajulador, mas amava deveras seu professor. Chegou a ponto de trair seus próprios colegas: quando estes organizaram uma manifestação contra o mestre, dedurou-os e não participou do movimento. O professor enchia seu jovem amor de presentes. Começou com a participação na Olimpíada do Conhecimento, depois um computador. Eles, porém, não eram totalmente felizes: não podiam se revelar; queriam andar de mãos dadas, tomar sorvete e limpar o canto da boca com o guardanapo um ao outro, fazer cafuné um ao outro e tudo mais como qualquer casal, mas não tinham “coragem” de se assumirem. Além do mais, o professor era casado, tinha filha já moça que, por sinal, também era homossexual. O pai falava com orgulho: “puxou ao papai” enfatizando o “papai”. Formavam um casal maravilhoso! Na classe era de dar dó ver um amor reprimido daquela maneira! Quantas coisas belas são destruídas por simples medo! Foi o que aconteceu. A falta de “coragem” fez ambos pensarem que o outro não o amava realmente. Até que eles se separaram. Elanim foi ficando isolado, pois os colegas não mais o aceitavam no círculo de amizade da classe. O professor começou a ser rejeitado pela classe. Tentava engrossar a voz, mas não adiantava. Colocava as mãos no bolso para ninguém vê-lo desmunhecando. Tudo para esconder o ex-namoro. Nada escondia, porém, o brilho, quando seus olhares se cruzavam. Tornava-se uma situação desesperadora. Todos nós já estávamos comovidos e dispostos a fazer algo por eles. Verdade que eles não tinham grandes feitos; não eram pessoas que se esforçavam para serem mais humildes e sempre agiram maquiavelicamente contra a classe. Mas, alguém que é capaz de amar como eles se amavam não merece todo o respeito do mundo? Principalmente sendo homossexuais em um mundo preconceituoso! Foi o que pensamos. Resolvemos tentar ajudar eles se entenderem. Não deu tempo! Numa noite de aula do professor, notamos que Elanim não estava na classe. Ele nunca perdera uma aula de seu professor. Ficamos pasmos. O professor não conseguia se concentrar. O inesperado já esperado aconteceu. Alguém veio avisar: Elanim se suicidara. Sineodio, ao ouvir isso, saiu correndo e se jogou ao encontro de seu pupilo por debaixo de um automóvel! 59 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Se desligando um pouco Luiz Carlos de Almeida Filho Bem coisa de quem não consegue se desligar da tecnologia, é ir para o sitio e levar o computador. Pois bem, eu já fiz isso... Ao abrir minha mala já virei motivo de piada quando viram o equipamento lá dentro. Coisas como: “ê menino criado em apartamento vai curtir o Sol !”. Disseram que eu andava de Raider e meia, que jogava bolinha de gude no carpete, soltava pipa no ventilador etc... Passada a piada, me convenci de deixar o notebook no quarto e fui aproveitar o dia. Ao cair da noite, começou uma chuva torrencial. E foi todo mundo pra dentro do chalé. Na hora pensei comigo: “agora que calo a boca de todo mundo e vou mostrar que foi boa ideia ter trazido o notebook”, peguei-o e fui acessar a Internet, quando descobri que o meu 3G não tinha sinal nenhum! – Foi então mais uma rodada de piadas. Já que estava off-line fui dar uma aula de informática básica para meu irmão mais novo. Ensinando uma coisinha aqui outra acolá, ensinei alguns atalhos: CTRL + C .. CTRL + V ... Alt + F4 E no final da “aula” eu já com o notebook fechado, ele mandou essa: - Eu sei um atalho que você não sabe. - A é?! Qual? - A tecla F13. - E o que ela faz? – Disse enquanto abria o notebook para conferir. - Deixa com cara de bobo! Realmente funciona, lembrei tarde que não existe o F13... Vai só até o F12! Desde esse dia não levei mais notebook pra passeio nenhum! 60 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Na Boca da Noite Iris Isabel dos Santos Parolis Férias de inverno, sempre foram momentos mágicos, era quando a tia Ica levava a gente para o Clube de Campo em Jundiaí, ligávamos para o amigo Diego, para saber se ele e as irmãs iam ficar com a gente. Fazíamos tantas perguntas, a casa parecia ir junto com a bagagem.Saíamos à noite, as músicas e conversas durante o trajeto eram infinitas. Quero ficar no chalé engordaite, quero cachorro-quente, pipocas, doces e brigadeiro... Vamos jogar baralho, brincar de polícia e ladrão. Tia, você comprou lanterna? Marialice não vai brincar ela é pequena! Vou brincar sim, nem quero saber, respondia ela. Vamos na piscina a noite, vamos na trilha e vamos fazer fogueira? Nossa! Iniciava a aventura na Estrada da Roseira a iluminação era pouca, e a cada momento ficava mais e mais escura. Estávamos Na Boca da Noite, as mãos ficavam frias, o silêncio reinava no banco trazeiro do carro, a respiração era ofegante, e todos os sons noturnos causavam susto e uma mistura de medo e emoção. De repente um ruído; Será um lobo? Um grito estridente se misturavam as gargalhada. Era a penas o tio brincando. Silêncio! Estamos Na Boca da Noite... Precisamos tomar cuidado, pois tudo agora pode acontecer...Olha! Olha! Uma coruja! Ai, ai, meu Deus, que susto! Calem a boca seus bobos, parem de falar, senão a noite vai engolir a gente! Dizia o Saulinho, encolhido e assustado. Novamente vinham as risadas, Thamires e Maria, chamavam o primo de bobo. O Vicente era o mais danado e destemido, Vinicius o confiável e o que inventava as brincadeiras e os jogos, encontrávamos a Joyce, Jaqueline e Diego, amigos de todas as horas. Os dias passavam rápido,e um destes dias, começamos nossa atividades bem cedinho. Sobrava disposição e apesar de frio,o dia estava muito claro, e a noite prometia um grande encontro, pois íamos fazer fogueira, seria uma noite especial de grandes histórias. Limpamos o terreno juntamos os gravetos,enfim tudo preparado.Chegada a hora, saímos do chalé cada um com suas coisas, mas deixamos as lanternas ,pois a noite estava clara , estrelada, perfeita. Seguímos para a portaria, nos alocamos no terreno ao lado do clube e esperamos os amigos. Acendemos a fogueira entre risos e brincadeiras, iniciamos as histórias, engraçadas, tinha de tudo, no entanto... Começaram as histórias mais tenebrosas, só se viam as meninas juntarem-se, os meninos com os olhos brilhantes e arregalados, contos urbanos, a loira do banheiro, as assombrações, mula sem cabeça, vultos, fantasmas, demônios... Estavamos dentro da Boca da Noite, tudo parecia real, as horas avançavam e agora tínhamos apenas o clarão da folgueira, tudo estava tão emocionante, e de repente... Um grito! Alguma coisa pegou no meu pé, é aranha! Onde, onde? No meu pé? Não no seu! Um cai dali ,outro aqui,outro sai correndo, rindo, e brincando. Hora de ir dormir, pois o medo já não permitia ficarmos ali, era melhor não arriscar. Apagamos a fogueira, nos despedimos dos amigos e retornamos ao chalé, era uma escuridão só. Os meninos riam das meninas, suas medrosas e mariquinhas. Subiram na frente com a cara e a coragem. Daqui a pouco uma correria,que susto terrível, os meninos pálidos e assustados. Nossa,“ MANO”! Ouvimos um barulho, não dá para saber o que é.Tia, tia ! E agora? Ai, tô com medo, muito medo. Eu não vou subir, nem eu. Parem de bobagem, vamos embora, não tem nada, é só a noite. Lá vamos nós novamente...No meio do caminho... Um barulho estrindente, paralisou a todos. Meu Deus!!!, é um bicho enorme; Não, é assombração, é um assassino. Veio pegar a gente! (gritos e gritos) e saímos em disparada de volta para a casa do Diego. Socorro! Socorro!. O que foi? O que foi? Não sabemos, nossas pernas estão tremendo, tem um barulho, alguém, alguma coisa no caminho. Nós não vamos subir sozinhos. Vamos com a gente você conhece tudo aqui. As gargalhadas foram inevitáveis, pois era algo completamente sem sentido. Subimos todos grudados uns aos outros...Novamente o barulho, saimos em disparada, quase molhando as calças, chegamos no chalé sem fôlego. E o Diego, o que vai ser dele? Há é né engraçadinhos, há tá que vou descer sozinho, vou dormir aqui, e se assobração me pegar... A boca da noite vai me engolir inteiro e eu não vou mais votar. 61 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Verão de 96 Robinson da Mota Barbosa Estávamos na Colônia de Férias de Itanhaém, eu, minha grande família, na época só tínhamos três filhos, mais meu irmão e minha cunhada. Os dias estavam nublados e mesmo assim curtíamos nossas férias, tanto no descanso na praia quanto com as brincadeiras dos monitores. Marcaram um passeio para Juréia. Sairia na próxima manhã e seguiríamos em comboio de carros até aquele santuário da natureza. Acordamos bem cedinho, tomamos um bom café da manhã, preparei minha Brasília-76 para o passeio, entramos no carro (eu, minha esposa, minha filha Ana que na época tinha 6 anos, meu filho Gabriel com 3 anos, a Bruninha com 1 aninho, meu irmão e minha cunhada. O dia estava nublado, nada de sol. A estrada para chegar nas praias era de terra e areia e por vezes passávamos por cima de fios d’água e ao lado mata abundante, característica da Mata Atlântica. Chegamos por volta das 10 da manhã, estacionamos nossos carros...Foi aí que tudo começou...Travei o carro com a Multilock, guardei as chaves na pochete, onde já estavam os documentos e todo nosso dinheiro, pois, estava de sunga. A pochete ficou dentro da bolsa com o restante de nossas coisas. O restante do pessoal foi jogar vôlei e nós fomos passear com as crianças pela areia. Deixamos a bolsa com as roupas das crianças, alimentos para o picnic, mamadeira, fraldas e a pochete... Andamos bastante, de acordo com os passos das crianças, achamos muitas conchinhas e curtimos a paisagem. Porém, o tempo estava fechado e começou a garoar bem fininho. Voltamos para onde estava o nosso grupo. Mas não encontramos mais ninguém. Procuramos, procuramos, mas não achamos mais nenhuma alma conhecida. E o pior, levaram nossa bolsa e tudo que estava nela. Não tínhamos toalha, roupas, comida, fralda, mamadeira e nem a chave do carro... Tentei arrombar a porta da Brasília mas sem êxito. Foi quando a Bruninha começou a chorar e era de fome (apesar, todos nós estávamos com fome, nervosos, perdidos, com vontade de chorar também...). Resolvemos procurar ajuda. Algum telefone (não havia celular nem sinal) em algumas das poucas casas e comércio da região. Sem êxito. Fomos, então, num pequeno restaurante, já era hora do almoço, e contamos nossa odisseia para a dona. Ela demonstrou descrédito em nossa história, reclamou, mas nos forneceu alimento. Enquanto isso lá fora armou uma tempestade daquelas dignas de país tropical. Comemos e ficamos ali abrigados da chuva. E nada de parar de chover. Depois de passar um bom tempo a chuva deu trégua no lado de fora e começou uma tempestade no lado de dentro com a dona do restaurante reclamando que nós a havíamos enganado e que não nos queria mais em seu estabelecimento. Saí para tentar abrir o carro novamente. Encontrei um outro turista com uma Brasília e contei o ocorrido. Ele foi com sua chave e conseguiu abrir a porta. Mas a multilock impossível. Fiquei com raiva daquela segurança absurda dessa trava... Entramos todos no carro e fizemos planos de saída daquele local. Foi aí que vimos um ônibus de linha que fazia o transporte na comunidade local e de turistas. Fomos até o ônibus, eu e meu irmão. Contamos tudo o que tinha acontecido ao motorista e lá se foi meu irmão. E o tempo não passava e nem muito menos a chuva. E nós dentro do carro com as crianças cansadas e irritadas. Toda vez que a chuva dava uma trégua nós saíamos do carro e brincávamos com as crianças e tentávamos fazer daquela situação constrangedora uma aventura para rirmos no futuro, somente no futuro. Foi se acabando a tarde, nossa paciência e um pouco da esperança de sair daquele local ainda naquele dia... Foi, então, que chegaram dois carros com uns jovens da colônia juntamente com meu irmão. Graças a Deus. Eles trouxeram nossa bolsa. Destravei o carro e voltamos para a colônia. Estava muito bravo. Mas não briguei com aqueles jovens eles eram anjos. Descemos a serra naquela estradinha de terra e quando chegamos perto de um daqueles fios d’água que havíamos passado na ida. O mesmo havia virado um rio de mais de meio metro de altura. Só faltava isso, pensei. Mas a determinação de sair dali era tanto que engatei a primeira, acelerei bastante e passei pelo rio, entrou água pelos pedais. Fui em frente. Passamos por mais dois rios da mesma forma até que chegamos a Peruíbe. Dali para a colônia foi um pulinho. Chegamos! Havia um grupo nos esperando com uma sopa quente e muitos pedidos de desculpa. Minha raiva foi amenizada. Ficamos até o término de nossa estadia daquele verão e rimos muito no futuro, somente no futuro. 62 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” LEITE TIPO “A” (“A” de água) Miguel Simão Hibanhes Quando eu tinha 9 anos, isso em 1957, morava em São José de Rio Preto e junto com o meu irmão mais velho, ajudávamos meu Tio André a entregar leite na vila onde morávamos, Vila Ercília. Levantávamos às cinco horas da manhã para buscar leite em um sítio à oito Km da cidade com um caminhãozinho caindo aos pedaços, com três latões de cem litros para armazenar o leite e dois latões de cinquenta litros, um com água da torneira e outro vazio. Chegávamos no local, o tio entregava os três latões e pegavam outros três cheios de leite, porém no caminho de volta nós entrávamos na picada que tinha no mato e lá fazia vale a falcatrua, ou seja, tirávamos com uma caneca de mais ou menos um litro , doze litros de leite e colocávamos no tambor vazio de cinqüenta litros, pegávamos doze litros de água e preenchíamos cada um deixando-os com os cem litros de leite e no tambor de cinqüenta já com trinta e seis litros de leite, colocávamos o resto da água, isso era assim todo dia. Chegando na cidade, entregávamos um desses tambores de 100 litros na venda do Sr. AoKi, um japonês que um belo dia confessou para o meu tio André que tirava quinze litros de leite e colocava quinze litros de d’água no lugar, por que o leite era muito forte.Escutamos aquilo e ficamos calados. Alguns meses depois Dona Josefa, uma senhora que tinha seis crianças com diferença de um ano cada, encontrou o Tio André na rua e falou assim: Sabe eu compro leite do seu Aoki, aquele leite que o senhor traz do sitio e ele é tão forte, que eu compro dois litros e coloco um litro de água para aumentar e ficar bom de beber. Dias depois, o Tio André estava em casa e falou para os meus pais a Dona Josefa só dá água para seus filhos, todos riram muito, mas hoje quando eu penso nisso fico triste de saber que agíamos errado, porque a D. Josefa só dava este leite para os seus filhos: quero dizer água. 63 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Verdade Oculta Edson Gallina Este causo tem fato real, mas... lugar, pessoas e contador: tudo fictício, pra não complicar a vida de ninguém, nem da região. Pois é, vamos então começar a contar. Tudo se passa num lugarejo, chamado Ibirititinga, no mais longínquo de uma grande cidade brasileira. Ibirititinga deixou de ser vila, faz pouco. Pequena ainda, com poucos milhares de moradores, já estava ficando conhecida pelo povo das cidades dos arredores. O palco era a Escola Castro Alves, do Professor Leôncio, que começou a ficar famosa por causa de alguns garotos desavergonhados, pirralhos dali, que estavam se fazendo de gente matreira e passando os maus exemplos pra garotada de outras praças. O líder era o Chiquinho Leme, filho do Seu Cazuza, pai indolente que pra todas as artes só passava a mão na cabeça do filho e não tomava providência nenhuma. Só ria e falava que era coisa de criança e que, quando crescesse, tudo ia passar. Mas que nada, o tempo estava preparado para pregar uma boa peça nele e na mãe daquele infeliz. Era esperar pra ver... Dessa vez, Chiquinho Leme foi longe demais e levou junto o Zequinha Toledo, como um rastro de foguete, atrás dele. Só que o Zequinha sabia o pai que tinha – Seu Inácio Toledo, que não era de brincadeira, pra educar a “fiiarada” – mas seguiu o amigo, sem medir consequências. Então, em toda saída das aulas da tarde, professoras e alunas tinham que passar pelo jardim da única praça da cidadezinha, chamada, com orgulho, de Praça Central. O jardim era uma belezura e a passarada se divertia. Os dois e mais o bando de amigos, escondidos entre as folhagens bem crescidas, era só estilingada com milho, em certas partes das garotas e das professoras. O alvo era certo. De um lado, só risadas e vitórias, com tanto movimento que deixava as folhagens tontas. Do outro, o sofrimento era geral, com resultados bem doídos e, de longe, dava pra perceber os lamentos e as mãos nas partes atingidas. Mas, até agora, só os arteiros tinham vez. A reclamação era geral, mas cadê os pestes? Todos fugiam, mascarados e eram só gritos: “ Deixa que a gente um dia pega e vocês vão ver...” Até que, um dia, Florêncio – o guarda do jardim da Praça – ficou de espreita e pegou os dois malandros de jeito. Os demais conseguiram escapar. Foi só puxão de orelha, pescoção, cocuruto na cabeça deles, chaqualhões e levar pros pais. Seu Cazuza, como sempre, pôs Chiquinho Leme “de castigo” e piscou o olho praquele diabo, dando a entender que “ por essa vez passa, mas da outra...” Já o Zequinha Toledo não teve a mesma sorte. Seu Inácio, “garrô o muleque” e foi só lambada de cinta no “coro do fedelho”. Seu Inácio assim falava num linguajar caipirês, mas cheio de autoridade e não tinha conversa: castigo certo. Dona Laura, mãe do garoto, ficava com dó da surra, mas não desautorizava o marido, porque o pai sempre fazia justiça e precisava ensinar: ora falava, ora ralhava, ora batia, dependia da gravidade do ato daquele ou daquela que desobedecia e fizesse coisa errada que a vizinhança vinha contar. E vinha mesmo, porque sabia que dava certo. Foi só dessa vez e chega. Zequinha Toledo, hoje, Dr. José Ribamar de Toledo, advogado e importante gerente de banco, na cidade grande, sempre que volta a Ibirititinga, chega na Praça e lembra das lambadas do pai, com respeito e entendimento. Enquanto Chiquinho Leme, hoje, mora com os pais no cemitério da cidade, porque, na última que aprontou, teve o corpo parecido com tela de peneira, de tanto furo, pra não brincar mais com coisa séria, principalmente, “ cás muié dus outro”. Não fosse a educação do Seu Inácio, Zequinha Toledo ia “murá lá tumém”. 64 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Um expresso, por favor! Thais Saes Miassi Quando: Quinta-feira (véspera de Carnaval), às 22h, doida para chegar logo em casa após um dia corrido de serviço e fazer as malas para embarcar para a viagem de Itanhaém - AES Local: Próximo de um posto que acabara de inaugurar Acontecimento: Promoção de Inauguração Como assim "promoção de inauguração"? O quê? Abasteça aqui e ganhe um café expresso e pão de queijo. Hummmmm. Cairia tão bem um pãozinho de queijo quentinho antes de dormir, né? Tudo bem que eu já jantei e comi um chocolate no caminho, mas fala sério, acho que cabe perfeitamente. Moço, é verdade que se eu abastecer eu ganho essas coisas aí do painel? Isso mesmo, senhora, é a nossa promoção de inauguração do Posto do Santa Luzia. Tipo assim, não que eu esteja com fome, mas sabe que eu adoro uma promoção, por favor, coloca 10 conto aí de gasolina. Moça, enquanto abasteço, pode ir na Conveniência retirar seu brinde. Entro na Conveniência lotada. Chego timidamente ao balcão. Abasteceu, senhora? Sim. Vai querer o seu brinde? Sim. Aguardo. A atendente bem animada pelo seu primeiro dia de trabalho prepara um café expresso. Duplo, senhora? Sim, claro. O cheiro do café é forte no ar. Não sou muito fã, ainda mais ter que tomá-lo bem perto da hora de dormir, mas o que desejo é o pão de queijo quentinho. Prontinho, senhora, mas infelizmente, o pão de queijo acabou, se quiser, é só voltar amanhã e retirar um. Obrigada, atendente. Recolho-me numa mesinha no canto com uma xícara imensa de café expresso duplo com elevadíssimo teor de cafeína. Primeiro gole: quente; amargo; forte; mal desce pela garganta. Olho com esperança na estufa, quem sabe algum croassaint ajuda a descer esse "trem" amargo. Nada. Nenhuma rosquinha. Abro um saquinho de açúcar e coloco. Assim ficará suave. Não fica. Outro saquinho. Vou para o terceiro. Desisto. Parto para o adoçante, 18 gotas. Nossa! Esse café expresso é forte pra caramba. Será que terei problemas para dormir? Rodo a colherzinha numa tentativa sofrível para o café esfriar rápido. Que coisa! Encaro tudo num gole rápido. Pronto. Acabou. Agradeço a atendente sorridente e no pensamento mando ela ir passear por não ter avisado sobre o pão de queijo antes de me dar o terrível café duplo expresso amargo e forte do capeta. Olho o relógio: 2h40. Nossa! 3h15. Odeio café. 3h55. Por que eu fui querer uma “droga” de pão de queijo? 4h30. Acho que aquela atendente colocou algo no meu café. 5h30. Vou tomar banho, pois já é a hora de me arrumar para o serviço. Quando chego. Bom dia, Thais, parece que você não dormiu à noite. Que carinha de sono, vai ali na sala dos funcionários e tome um copinho de café. Respondo: tem pão de queijo. Acho que não. Ufa, fiquei traumatizada com a combinação pão de queijo e café.... quando der tempo eu conto... é uma longa história! 65 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” Seu Alcir e o arado Diogo Augusto Alves Seu Alcir era um velho senhor, dono de uma pequena loja de produtos agrícolas em Boracéia onde tem o Clube de Campo da AES. Apesar de não ser turco, seu Alcir era conhecido como um grande “Mão de Vaca”, pois não dava descontos para seus clientes, e ainda evitava vender seus produtos com medo de não receber. Na loja também trabalhava seu fiel ajudante Gino, e lá tinha de tudo um pouco, e entre os vários itens, tinha um velho arado de terras que estava lá muito tempo e ninguém o comprava devido ao preço, e por conta disso, seu Alcir vivia reclamando daquele entulho abandonado. Em um belo dia, Gino recebeu na loja um novo cliente, diferente dos que estava acostumado, pois era um Japonês, o que era muito incomum na região naquela época. O tal japonês ficou muito interessado no arado, e propôs a compra do mesmo, mas com pagamento depois da colheita, o que era comum na região. Gino, empolgado com a proposta do Japonês e lembrando-se de todas as reclamações do seu Alcir, não pensou duas vezes e fechou o negócio, mas esqueceu de anotar o nome do tal japonês, e quando seu Alcir chegou, foi correndo a contar para o patrão o acontecido. - Seu Alcir, vendi aquele arado que estava empacado na loja. - Vendeu? Para quem Gino? - Para um cliente novo, e estranho, ele era japonês, mas esqueci de anotar o nome dele, como nunca vi outros japoneses nessa região, será muito fácil de encontrá-lo, vai pagar com certeza! O que nem seu Alcir e nem o Gino sabia, era que aquele japonês fazia parte de uma nova colônia de imigrantes que chegara a pouco do Japão, e se concentravam em cerca de 80 famílias. Ao saber disso, seu Alcir ficou desesperado com a cagada que Gino tinha feito, e com medo de nunca receber o arado. - Gino, você sabe quanto custa um Arado? Como faremos para receber agora? São todos iguais! Os dois ficaram ali, pensando e pensando, até que seu Alcir teve uma grande ideia e pediu para Gino marcar um arado para cada família de japonês que vierem comprar na loja, pois quando forem pagar as contas, os que reclamarem ele tira, e o que pagar numa boa será o dono do arado. Gino fez o que pediu o patrão, e após alguns meses, ao fim da colheita, os novos clientes foram pagar suas contas, e como estavam felizes com a alta produção que tiveram, chegavam rindo e pagavam suas contas com muito gosto. Como eles não entendiam muito a língua portuguesa, e muito menos sabiam entender os garranchos que Gino escreveu, nem perceberam o arado marcado, e para surpresa do Gino e alegria do seu Alcir todas as famílias pagaram o arado sem reclamar. Não se sabe ao certo quantos arados foram pagos, mas segundo testemunhas e conhecidos, foram marcados arados para mais de 50 famílias, o que deixou seu Alcir cheio da grana, e Gino muito preocupado. - O que o Senhor vai fazer com todo esse dinheiro seu Alcir? - Gino, esse dinheiro é meu, não tem como saber pra quem devolver, são todos iguais esqueceu? Mas vou dar um jeito de recompensar a todos na colônia, vou doar um arado para eles trabalharem. - Um arado seu Alcir? O senhor vendeu apenas um arado pra eles e recebemos mais de 50, e agora vai doar só isso? Seu Alcir, parou o que estava fazendo, respirou fundo, pensou nas palavras do Gino, mexeu as sobrancelhas, franziu a testa, virou para o Gino, e na maior e mais sábias palavras de um legítimo “Mão de Vaca” virou para seu fiel ajudante e disse: - Gino, você sabe quanto custa um Arado? 66 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” FUGINDO DE VÊNUS Antonio José de Alvarenga Era feriado prolongado de Corpus Christi, estávamos acampados às margens do Rio Jaguari, no município de Morungaba, na expectativa de quatro dias em contato com a natureza. Naquele ponto existia uma clareira natural no meio da floresta, e, como havia uma pequena cachoeira a alguns metros acima, o rio formava uma minúscula praia. Cingida por pequenas fazendas, distantes a mais de um quilômetro, a prainha era o local ideal para sentir todo o esplendor da natureza. O grupo era composto por vinte e uma pessoas, nove mulheres e doze homens, dispostos em quatro barracas, armadas em meia lua na clareira, com a frente para a prainha. As noites, sem luar e sem nuvens, permitiam vislumbrar as mais de oito mil estrelas visíveis a olho nu, além dos diversos satélites que circundam a esfera da órbita terrestre. Assim, alguns dos componentes do grupo dedicavam longas horas para observar a abóbada estrelada e discutir os mistérios do universo, na esperança de visualização de algum óvni. No último dia daquele feriado prolongado, preparou-se uma grande fogueira, não só para afugentar o frio daquela noite outonal, mas também para possibilitar melhor aproveitamento da vida noturna na floresta. Como faltavam poucos dias para o solstício de inverno, ocasião em que a duração da noite é a mais longa do ano, a tarde morria rapidamente, dando lugar àquela noite que iniciava com o esplendor das estrelas pingando no céu, inicialmente como uma leve chuva de prata, e, num piscar de olhos, transformando-se numa grande chuva dourada. Nesse admirável cenário, com muita euforia, acendeu-se a fogueira ! Noite alta, quiçá madrugada. Discurso caloroso, muitas garrafas vazias, gelo já não existia mais. De repente, na outra margem do rio, uma pequena árvore é envolvida por uma grande luminosidade. Esse fato havia iniciado lentamente, de forma que muitos presentes ainda não haviam percebido, porém alguns, talvez mais temerosos, observavam desde o início, com atenção e surpresa, aquele fenômeno. Nesse instante, alguém perguntou: Estão vendo aquela luz atrás da árvore? Todos olharam, e com temor, vislumbraram a intensa luminosidade prateada, de forma arredondada, como um grande farol. Outro afirmou: o reflexo no rio caminha para a outra margem, o que significa que, seja o que for, aquele objeto está vindo na nossa direção. Com essa afirmação, emergiu em todos um medo súbito, desespero e pânico. Nesse cenário conturbado, sem exceção, todos fugiram desordenadamente. Verificou-se mais tarde que alguns procuram abrigo até mesmo dentro das frágeis barracas. Apenas sei que, como outros, fugi para a floresta sem medo de ser atacado por cobras, outros répteis ou outro animal qualquer. No meio da floresta, longe dali, subi numa árvore de caule relativamente fino e alongado. Do alto pude observar a calada da madrugada na floresta e a paz que aquela luz, naquele ponto, irradiava. Conclui então que aquele objeto luminoso não poderia oferecer perigo. Com essa dedução, iniciei, timidamente, a volta para a clareira. Quando cheguei, constatei que muitos tinham feito o mesmo. Nesse instante, indagou-se: Que horas são? Tendo como resposta: Quatro horas e vinte e sete minutos. Então o interlocutor, aliviado, exclamou: O que nos causou grande pavor foi a Estrela da Manhã! Todos sentiam, silenciosamente, o ridículo de terem fugido do esplêndido, belo e formoso reflexo expelido pelo planeta Vênus. O relógio indicava vinte minutos para cinco horas. Magnífica, calma, e até mesmo zombeteira, como a rainha da madrugada, brilhava no céu risonho a imponente Estrela D’Alva. 67 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O dia em que a AES me tirou do sério Laura Camilo dos Santos Cruz Sábado, enfim o merecido descanso. Manhã nublada em São Paulo. Desde cedo, preparávamos para descer a serra ao encontro do tão esperado fim de semana na colônia de férias. - Mãe lá é legal mesmo? Inquietava-se o menorzinho. - Espero que sim. Era nossa primeira vez na colônia de férias, em Itanhahem. O sítio, em Jundiaí já era nosso conhecido de velhos tempos. Íamos sempre, ao final do ano, confraternizar com os colegas, mas nunca quis ir à colônia, pois meu pensamento era de que o lugar que é de todos não tem dono. Todos se sentem donos dos direito, sem nenhum dever. Deveria ser uma zona. A viagem foi demorada e cansativa. Descendo a serra, a paisagem típica do lugar úmida e garoenta foi aumentando o nosso temor. - Mãe, vamos voltar antes que isso piore, vociferou o mais velho. De repente começou a típica serração. Tão densa que parecia garoa. A velocidade diminuiu, paramos. - Sai de cima de mim - berrou o mais velho – que mininu chato. Mãe tira ele daqui senão eu vou socar o nariz dele. - Parem já com isso. Já estamos chegando. 30 minutos, duas horas. Tudo ainda parado. Com as chuvas da madrugada uma barreira caíra e o trânsito foi interrompido. Não tinha como sair dali. Já me arrependia de ter aceito o convite insistente da Antonia para passar o fim de semana em Itanhahem. As crianças não paravam de se estranharem e, a essa altura, até eu já não me continha e perdi completamente a paciência.Quatro horas e trinta e cinco minutos de tortura foi o nossa primeira experiência para, enfim, conhecer a colônia. Nem mesmo a deslumbrante visão do sol, nascendo por entre as árvores da serra do mar, conseguiu melhorar meu humor. Estávamos cansados, com sede e fome. Agora só faltavam poucos quilômetros para chegar. Embiquei o carro no portão que se abriu. O simpático porteiro nos recebeu com um caloroso. Bom dia. - Nem tão bom assim, retruquei. É a primeira vez que venho aqui, não sei como funciona. Ele prontamente deu-me todas as orientações. - Mãe quero ir na piscina, tô com fome, tô com calor, quero nadar. - Calma temos ainda que entrar... O apartamento simples e cheirando à limpeza, convidou-nos a um descanso rápido. Pelo menos algo bom, pensei, com a possibilidade de usar a internet, as crianças vão sossegar um pouco. Meu humor ainda não melhorara. Dirigimo-nos ao restaurante. A Antonia avistou-nos de longe e veio ao nosso encontro. - Poxa, pensei que tivesse mudado de idéia. E aí, gostou da colônia? Já foram na piscina, já almoçaram? A comida está boa e tem a lanchonete... Não, não precisa pagar nada agora, somente na saída. - Onde estão os meninos? A piscina é funda, tem guarda-vidas. O menorzinho veio correndo. - Mãe, posso comer batatinha frita com coca-cola? “Claro que não, comer besteiras, vamos almoçar”, pensava em responder-lhes quando a Antonia antecipou minha resposta. - Pode. - Vamos, vamos, você precisa relaxar. – disse puxando-me pelo braço e me conduzindo até um lugarzinho aconchegante ao lado da piscina.- - Duas caipiroscas, para nós. Fritas e provolone à milaneza! - Nem pensar! Comer besteiras? E além do mais eu não posso beber, quem vai olhar as crianças? - Elas! – respondeu, encarando-me. - Vamos beba já! E coma, relacha, curta! - Virei o copo de uma vez e caímos em uma gargalhada. As crianças? Só me lembro da música. 68 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” A VINGANÇA DOS SIRIS Luciana Ramos Bernardo Pereira Fomos num grupo para Itanhaém e um de nossos colegas resolveu ficar na praia, bebendo uma cervejinha gelada e comendo casquinha de Siri. O colega bebeu demais e acabou adormecendo na praia. De manhã, durante o café na Colônia AES, encontramos o amigo se retorcendo de dor e evitando sentar-se. Perguntamos a ele: - “O que houve?; Você não vai sentar-se?; Por onde andou a noite ?” Ele fez uma pausa, suspirou, olhou para os lados e desabafou : - “Vou contar, mas mantenham segredo, beleza !!?? Ontem a noite eu estava tomando uma caipirinha e algumas cervejinhas na praia, e petiscando casquinhas de siri, mas de repente, peguei no sono ao relento. Eu devia estar cansado. Durante a noite sonhei que estava sendo carregado de um lado para o outro, por siris. Vocês acreditam ??? Parecia tão real. Eles ( os siris ) me davam beliscadinhas, que até faziam cócegas. De repente eles me carregavam para as ondas e noutro momento me traziam para a areia. Por volta de 6 horas da manhã, recebi um beliscão forte na bochecha, para não citar outras partes do corpo. Acordei com o chefe dos siris em cima do meu peito. Ele tinha uns dois metros. Estava me encarando com um olhar de ódio. Passados alguns instantes, ele disse em tom de ameaça, segurando meu pescoço com suas garras super afiadas”. - “DA PRÓXIMA VEZ, VÁ COMER CASQUINHA DE SORVETE !!” Todos ficaram olhando para a história do amigo sem entender nada e para finalizar, o rapaz ainda disse: - “A partir de hoje, eu não quero mais saber de frutos do mar” !!! 69 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” AMBULANTES 0 X 1 MARIDOS Rogério Luiz Pereira - “Mulher, você já vai gastar dinheiro com vestido, tangas etc. Não aguento mais estes ambulantes. É só a gente chegar na praia, e eles aparecem.” - “Marido, mas eu não tenho no guarda-roupa o modelo de vestido que eles vendem por aqui, afinal, a moda sempre muda” E neste dia as mulheres gastaram muito dinheiro, e se deliciavam experimentando os vestidos. Os maridos ( associados AES ) fizeram uma reunião entre as ondas do mar, pois, dessa forma, as mulheres não podiam ouvi-los. No dia seguinte, os maridos saíram bem cedo, dizendo para esposas que iriam jogar futebol. Num certo ponto da praia vestiram-se com as próprias roupas de suas esposas. Desejavam simular um grupo de mulheres interessadas em realizar compras de roupas “moda praia”. Conseguiram parar todos os ambulantes em volta deles e ali ficaram horas e horas. Conseguiram distrair os ambulantes o dia inteiro, afinal, experimentavam todos os tipos de vestidos. Enquanto isso, na outra ponta da praia, as mulheres se questionavam: - “Uai meninas, por onde andam os ambulantes e os nossos maridos ? Eles sumiram ? Será que eles se perderam ? Vamos voltar para a Colônia AES, pois, eles devem estar lá “ !! Os homens retornam para a Colônia AES e os ambulantes voltam para suas casas, se lamentando por não terem vendido nada naquele dia. No hotel, as esposas encontraram os seus maridos e perguntaram à eles: “Rapazes, vocês sumiram. Por onde andaram?” Os maridos responderam: “Vocês nem imaginam. Hoje finalmente, os seus maridos ganharam um jogo. O placar foi somente por 1 x 0, mas suamos a camisa !!!!” 70 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” A COBRA DO MECÂNICO Rogério Luiz Pereira Cumpadi AES, cá pras banda da Franca, ossié minero, uai, ossié parente de minero, sô !!! Intón, tudo si começô quando os tar de banderante tavam precurando os oro. De tanto andar, os tar de banderante si cansaru. Intón, resuveru esticar as canelas por um tempo. Passados alguns dias, os tar de banderante decidiru muntá uma cidade e nada mais naturar que batizar o locar com o nome de Arraial Bonito do Capim Mimoso. Depois de muito tempo, mais ou menos lá pras bandas de 1824, um tar de coroner resolveu tirar o nome que nóis deu e o local ficô conhecido como é até hoje, ou seja, Franca. Naquela época num existia churrascaria e por isso todo gado que criavam, ou virava churrasco ou pele para si proteger do frio ... Aliás, achu que foi daí que a região iniciou sua vocação para trabalhar com o Couro. Cês da capitar repararam sô ... Nóis caipira tem muita estória, curtura e riqueza pra mostrar. Nóis caipira gosta de contar uma mentirinha, uma nerdota, rsrsrrsrsr ...Bom, já que os tar de banderante tiveram este trabaião todo para construir a cidade, então os moço da cidade .. um século depois é claro, fizeram o SENAI ... pois, assim, os moços que dá aula podia ajudar os moços que trabaiavam nas fábrica a trabalhar com o coro e com o carçado. Tem cada butina aqui em Franca, que é um cidadão de 300 mil cumpadis. Um dia, assim como os tar de banderante, oiei pra muiê ( pra minha muiê, é craro ) e disse: Vamu munta nas mula e parti pra Franca. Assim aconteceu e em 2006, saimu de Ribeirão Preto, e fomu desbravar o mundão da Franca. Depois de muito suar a camisa, trabaiando é craro, fui presentado à AES. Desde intão num nos largamu mais. Cá pras bandas de Franca tem um timinho de futebol, mas é enguiçado. Um povo que pareci que veio da roça. Quando vê uma bola, pensa logo que tá com uma inchada na mão e vai logo roçando a lavoura. Eita povinho que tem a chatice argentina, a raiva irlandesa, a ira basca e a fúria espanhola ... té parece us nervoso de Batatais sô, mas esta é otra estória. Certa vez, os primo ( nóis, associados AES ) dos bandeirante partirum pra desbravar o litorar, rumo ao Torneio dos Vice da AES, ou seja, um torneio de futebol da AES. Minino, ... juntamos a bicharada toda, os fio, a muierada, a parentaiada toda, mucuvada dentro de mini ônibus pequeninho e fomu rumo ao litorar pra sarga o corpo. Nhô Eder, um cumpadi que veio lá de Santa Cruz de Rio Pardo, lá onde Judas perdeu suas botas, logo na saída de Franca, identificou um baruio estranho no ônibus. Toda a hora que o motorista mudava de marcha, o tar baruio se ouvia. Até parecia um bicho sendo estrangulado. Mas cerveja pra dentro e pé na estrada, aliás, como todo mundo já tinha jantado as 17h00, como dizemu aqui em Franca, barriga cheia, pé na areia ... E chuvia neste dia, e o ônibus andava, e o baruio aumentava cada vez mais ... O motorista dizia que era normal, afinal em noites de lua cheia tudo era possível. Mas aí eu falava pro nHô Pardal ... Diacho, que raio de lua cheia é essa, tá chovendo pra acaba o mundo. Bom, depois de 8 horas, chegamos à Itanhaém, toda a família se divertiu, jogamos o torneio e de quebra, levamos o caneco dos vices .. Isto é que é título. Pelo menos, melhor que ser campeão da Série B, nóis é !!!! Na vorta pra casa, chegando nas Serras de Cravinhos, o motorista avisou que não conseguia mudar a marcha. Depois do susto, todos desceram para o acostamento, tudo escuro, ... O motorista não entendia por que o ônibus parou de mudar as marchas. Então foi oiá embaixo do ônibus com uma caixa de fósforo. Foi então que ouvimos um grito ... GRIMMMMMMMMMMMMMM, ... gente ... parecia ferro retorcido, baruio de cabo de aço esticando .... e não era de nenhum bicho, nóis pensava, sô. De repente o motô: “DESCOBRI o barulho do ônibus ...Todos correram ( menos nhô Carlão que estava ocupado no meio do mato ) para ver, e no meio daquele breu da estrada, iluminada apenas pelas luzes dos celulares e da caixa de fósforo, percebemos que debaixo do ônibus, havia uma sucuri de 30 metros. Ela de tanto se esticar acabou se desgastando demais, mas antes de morrer, sussurrou com lágrimas no olhar, em nossos ouvidos: “Meu sonho era fazer parte da equipe”. E foi seu último suspiro, aonde morreu de distenção muscular. Ouvi o motorista falar baixinho: “Diacho daquele mecânico, bem que ele falou que ia ter que improvisar o cabo de aço que estava em falta no estoque. Cada pisada na embreage era um suspiro do bichinho. Depois de algumas horas, chegou o nosso resgate e por volta de 2h da madrugada, vortemo pra Franca. A cobra, depois da autorização do IBAMA, virou artefato ( bolsa, cinto, carteira ). Nossas muiês ficaram felizes e a cobra realizou o seu sonho, pois, tornou-se definitivamente, parte de nossa equipe, como acessório de moda. 71 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O CAUSO DA RESERVA TROCADA Rogério Luiz Pereira Um professor de eletrônica me pediu para ajudá-lo a reservar um chalé no Clube de Campo em Jundiaí. Neste mesmo dia, outro colega, este da Contabilidade, me pediu para reservar 01 apartamento na Colônia de Férias em Itanhaém. Além disso, um outro colega da manutenção solicitou que eu fizesse uma reserva no Clube Náutico em Boracéia. Liguei na AES e a fizeram as reservas. Passados alguns dias, informei aos associados que as reservas já estavam feitas. Mais alguns dias se passaram, boletos pagos, reservas garantidas, chegou o tão esperado dia da viagem. Para fazer uma surpresa aos associados, consegui um patrocínio para contratar 03 vans para levá-los aos clubes de lazer da AES. No dia da viagem embarquei-os, cada qual na sua respectiva Van. O melhor de tudo, é que eles nem precisaram pagar pelo transporte. O único detalhe é que tiveram que sair todos de madrugada, por volta de 02 horas da manhã. O primeiro a chegar foi o professor de eletrônica. O segundo foi o colega da contabilidade e por último chegou o colega da Manutenção. Quando o sol raiou, o professor de eletrônica tomou um susto, pois, estava em Boracéia e não Jundiaí. Aconteceu o mesmo com o amigo da contabilidade, pois, ele havia parado em Jundiaí e não em Itanhaém. Por fim, o mais espantado era o amigo da Manutenção, pois, saiu para dar uma volta no Rio Tietê e quando viu, estava diante do Oceano Atlântico. Passado o susto inicial, e as confusões, na hora de fazer o check in, tudo foi resolvido. Eles me ligaram falando da confusão, mas apesar de tudo, todos ficaram satisfeitos com a surpresa que a confusão causou. Fui verificar o que havia acontecido e logo percebi a confusão que criei. Eu havia trocado a lista de passageiros e endereços, e na hora de orientar os motoristas, criei uma baita confusão !!! Por sorte, os colegas levaram tudo na esportiva, afinal, todos os clubes de lazer da AES, são aconchegantes e oferecem condições de bem-estar a toda a família. 72 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O CAUSO DO ÔNIBUS ATOLADO NA VALETA Vicente de Paula Pereira Após uma longa e cansativa viagem de 8 horas, entre Franca e Itanhaém, finalmente estávamos chegando à Colônia de Férias, e de repente, escutando um estrondo... BRUMMMMMMM... e em seguida um forte ronco no motor e pneus patinando no asfalto... Todos se perguntaram... “mas o que foi isso... !!!” Fui até a cabine do motorista no 1º andar e aí veio a notícia de que o ônibus havia encalhado na valeta da rua. O detalhe é que esta valeta fica cerca de 100 metros da Colônia da AES. Descemos do ônibus e depois de muito refletir, decidimos colocar uma tábua debaixo dele. Tiramos todos os passageiros e bagagens para o ônibus ficar mais leve. Fixamos a tábua por debaixo do ônibus, para fazer uma espécie de gangorra. Juntamos vinte associados para pularmos juntos em cima da madeira e tentar levantar a traseira do ônibus. Aconteceu assim: “Motorista, quando a gente gritar 3, você liga o ônibus e arranca, certo?” O motorista disse: “Eu acho que esta idéia não vai acabar bem, mas vamos tentar”. Os vinte associados estavam prontos e de repente, um gritou: “um, dois e trêêêssssss... Vai motôOOO!!!! Todos pularam e adivinhem... !!! O ônibus não saiu do lugar, mas a cena dos vinte e tantos associados pulando juntos num pedaço de madeira, foi hilariante, pois, da mesma forma que pularam, caíram para trás e no chão, impulsionados pela tábua de madeira, que virou um verdadeiro trampolim humano. Moral da história: da próxima vez, chame um guincho... !!!!! 73 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” O CAUSO DO ZÉ ORELHÃO Vicente de Paula Pereira Motorista, vamos para Itanhaém!! Professor, o senhor deseja ir para Belém? Não... eu quero ir para Itanhaém? Professor, eu devo seguir pela Rodovia Anhanguera ou pela Rodovia Bandeirantes? Vamos pela Rodovia Anhanguera! Via Itaquera, professor? Não, Anhanguera, motorista!!! Professor, devo parar num restaurante? Sim, vamos descansar em Jundiaí. Vamos mudar a rota da viagem para o Estado do Piauí, professor? Não, motorista !! Eu disse pra parar em Jundiaí, Jundiaí ... você entendeu? Ahhhh bommm, agora entendi, professor. Vamos para o Clube Náutico em Itapuí, certo? Motorista, você está surdo? Eu disse Jundiaí!! Além do mais, o outro Clube de Lazer da AES fica na cidade de Boracéia. Ohhh professor, me desculpe!!! Agora entendi. Devemos ir para o Clube de Campo em Jundiaí, correto? Não, motorista !!! Você está doido. Devemos parar num restaurante em Jundiaí, pois, vamos para a cidade de Itanhaém, lembra? Ah, sim, professor. Te peço perdão, pois, eu tinha esquecido que a gente ia retornar para Belém. Motorista, você quer me deixar louco???!! Estamos viajando para Itanhaém, Itanhaém!!! Oh, professor! O senhor devia ter me explicado antes. Agora que o senhor gritou ITANHAÉM, finalmente eu consegui entender. Na semana que vem eu lhe prometo que vou trocar o meu aparelho auditivo. O senhor sabia que ele está vencido há mais de 6 meses... Motorista, você não existe!!! Oh Professor, não desiste da viagem, não. Pode confiar que agora nós vamos chegar lá... em ITANHAÉM!!! 74 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” PATO BOTA OVO? Luciana Ramos Bernardo Pereira Num belo dia de sol, no Clube Náutico AES, em Boracéia, falei para o filho do caseiro: - “Ei menino !! Você gostaria de ver um ovo, equilibrado em cima de um pedaço de barbante?” O filho do caseiro respondeu: “Tio, você é muito mentiroso, pois, isso é impossível!!! Solicitei ao menino: “Corre lá na sua casa e pede pra sua mãe um pedaço de barbante, e aproveita pra pegar uns ovos lá no galinheiro”. O filho do caseiro indagou: “No galinheiro?” Então falei: “Você entendeu!!! Pega um ovo lá no pateiro!!!” O filho do caseiro disse novamente: “Mas não é pateiro que se diz!!!” Voltei a dizer: “Vai lá e traz o ovo, pois, você entendeu a idéia, espertinho!!” Depois de alguns minutos o moleque voltou com um pedaço de barbante e o ovo. Ele estava muito curioso em ver a mágica. Foi aí que disse ao menino: “Então, agora eu vou pegar este pedaço de barbante e equilibrar o ovo em cima dele.” O menino arregalou os olhos. Suava de tanta expectativa em ver um ovo em cima do barbante. Como seria possível tal façanha?! Voltei a falar com o menino: “Agora vou começar a mágica, fique vendo, bem atento”. Fiz um pouco de suspense. Peguei o pedaço de barbante. Coloquei no chão e fiz uma série de círculos com o barbante, tipo um ninho de passarinho. Em seguida, peguei o ovo e coloquei-o sobre o pedaço de barbante ... Adivinhem ...??!!; ... o ovo parou em cima do pedaço de barbante e o menino gritou: “Ah, assim não vale, dessa forma eu também faço!! Você fez um ninho com o pedaço de barbante e colocou o ovo no meio. Você me enganou!! Voltei a dizer para o menino: “Uai sô, você também me enganou, pois, eu te pedi pra trazer um ovo de pato, e eu só conheço até hoje, ovo de pata. Estamos quites ... rsrsrr!!! Quem enganou quem!!!??!!” Para finalizar, disse: “Afinal, pato não bota ovo ... rsrsrsr ... !!!” 75 CONCURSO CULTURAL CONTANDO UM “CAUSO” QUEM PESCOU QUEM? Vicente de Paula Pereira Dois amigos foram pescar nas águas do Rio Tietê, lá no Clube Náutico em Boracéia. Pegaram um barquinho e logo começaram a navegar pelas águas turvas do rio. Fizeram as iscas e lançaram suas varas de bambu no rio. Nada de alta tecnologia. Nada de molinetes automáticos e linhas especiais. Os pescadores ( associados AES ) usavam varas artesanais, afinal, o que valia era a diversão. Passados alguns minutos, o primeiro pescador conseguiu fisgar um dourado de 10 quilos. Mais alguns minutos e o outro amigo consegue tirar da água com muita dificuldade, uma tilápia com mais de 20 quilos. De repente a vara dos dois amigos começaram a puxar ao mesmo tempo e com muita força. Os dois pescadores lutaram bravamente, tentando puxar o peixe para o barco. Eles não entendiam como um peixe poderia ser tão forte. O que será que estaria debaixo d’água!!! Após mais de 5 horas, “brigando com o peixe”, os dois amigos conseguiram trazer o que estava no anzol. Naquele momento, eles perceberam que suas linhas estavam entrelaçadas, juntamente com os anzóis. Então, eis que aparece uma pequena sardinha, não mais que um quilo. Os pescadores estavam impressionados com a força do pequeno peixe e num ato de entusiasmo, perguntaram à sardinha: - “De onde vem tanta força?” A sardinha responde: “Vocês não viram nada, pois, eu fui fisgada apenas por um anzol. O outro eu ainda estou segurando, afinal, tenho que puxar um pintado com mais de 60 quilos, que está com as nadadeiras machucadas. Os dois amigos ajudaram a sardinha a puxar o peixão e no final da pescaria, cada um pode levar boas lembranças para casa. Bom, com relação aos peixes (sardinha e o pintado), os pescadores devolveram-nos ao rio, pois, como diz o ditado: um dia do pescador, o outro é do pescador!!! 76 Associação dos Empregados do SENAI Alameda Barão de Limeira, 539 - Térreo Santa Cecília - São Paulo/SP - CEP: 01202-001 Telefone: (11) 3363-6573 | Site: www.aessenai.org.br