1 ESCOLA NACIONAL DE BOTÂNICA TROPICAL INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BOTÂNICA DIVERSIDADE VEGETAL: CONHECER PARA CONSERVAR ANÁLISE FLORÍSTICA E ESTRUTURAL DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RJ, BRASIL ANA ANGÉLICA MONTEIRO DE BARROS Orientação: Dra DOROTHY SUE DUNN ARAUJO Rio de Janeiro 2008 2 ESCOLA NACIONAL DE BOTÂNICA TROPICAL INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BOTÂNICA DIVERSIDADE VEGETAL: CONHECER PARA CONSERVAR ANÁLISE FLORÍSTICA E ESTRUTURAL DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RJ, BRASIL ANA ANGÉLICA MONTEIRO DE BARROS Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Botânica Diversidade Vegetal: Conhecer para Conservar, como requisito para obtenção do grau de Doutor em Botânica. Orientação: Dra Dorothy Sue Dunn Araujo Rio de Janeiro 2008 3 ANA ANGÉLICA MONTEIRO DE BARROS ANÁLISE FLORÍSTICA E ESTRUTURAL DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RJ, BRASIL Apresentada em 31 de março de 2008. BANCA EXAMINADORA ______________________________________________ Dra Dorothy Sue Dunn Araujo (Orientadora) Universidade Federal do Rio de Janeiro – Departamento de Ecologia Presidente da Banca ________________________________________________ Dr. Haroldo Cavalcante de Lima Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro ______________________________________________ Dr. Rogério Ribeiro Oliveira Pontifícia Universidade Católica RJ ______________________________________________ Dra Inês Cordeiro Instituto de Botânica de São Paulo ____________________________________________ Dra Maria Cândida Mamede Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Rio de Janeiro 2008 4 B277a Barros, Ana Angélica Monteiro de. Análise florística e estrutural do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil / Ana Angélica Monteiro de Barros. – Rio de Janeiro, 2008. xii, 218 f. : il. Tese (Doutorado) – Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro/Escola Nacional de Botânica Tropical, 2008. Orientadora: Dorothy Sue Dunn Araujo. Bibliografia. 1. Florística. 2. Fitossociologia. 3. Diversidade. 4. Conservação. 5. Afloramentos rochosos. 6. Serra da Tiririca. 7. Mata Atlântica. 8. Rio de Janeiro (Estado). I.Título. II. Escola Nacional de Botânica Tropical. CDD 581.98153 5 A todos aqueles que lutam para que a natureza se perpetue. 6 S antuário de coisas vivas E splendor da Natureza R elicário de rara beleza R espira verdade ativa A inda com realeza D a bromélia e do jerivá A brigo do caiapiá T iririca, como é chamada I nsana erva, o batismo, R egaço p´ro tamanduá I ntensas fendas e abismo R eserva para o tucano ‘I nda p´ro gato do mato C actus, por cobertura A clamada, aqui estás! Mariney Klecz 7 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que contribuíram para realização desse trabalho e que lutam para que as gerações futuras ainda possam conhecer a Serra da Tiririca. À Dra Dorothy Sue Dunn Araujo, minha orientadora, por acreditar que eu era capaz de realizar tudo isso. Ao Luiz José Soares Pinto, companheiro e amigo incansável nesse trabalho. Aos amigos Jorge Antônio Pontes, Laura França, Cássio Garcez, Rosani Arruda, Eduardo Sícoli Seoane, Joel Romano Bartalini e Sérgio Tadeu Meirelles com os quais eu comecei a conhecer a Serra da Tiririca e arredores. Ao Dr. Cyl Farney Catarino de Sá pela grande ajuda e sugestões dadas a esse trabalho. A Leonor Ribas, entusiasta no estudo das trepadeiras da Mata Atlântica, pelas sugestões dadas a esse trabalho. A Dra. Regina Helena P. Andreata, pioneira nos estudos florísticos no Alto Mourão e cujo importante trabalho foi subsídio fundamental para criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Aos pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro que foram fundamentais para identificação das espécies vegetais: Alexandre Quinet, Ângela Maria S.F. Vaz, Ariane Luna Peixoto, Bruno Resende Silva, Cláudio Nicoletti Fraga, Fábio França, Elsie F. Guimarães, João Marcelo A. Braga, Haroldo C. de Lima, Lúcia d’Ávila de Carvalho, Marcus A. Nadruz Coelho, Maria de Fátima Freitas, Mássimo G. Bovini, Ronaldo Marquete, Sheila Profice e Vidal Mançano. Aos pesquisadores de outras instituições de pesquisa que também foram fundamentais para identificação das espécies vegetais: André Amorim, Arline B. de Souza, Daniela Zappi, Genise V. Somner, Ivete Silva, João Pedro Carauta, Jorge Fontella, José Rubens Pirani, Luci Senna, Maria Célia Vianna, Mário Gomes, Marccus Alves, Marcos Sobral e Roberto Lourenço Esteves. Aos alunos da ENBT e estagiários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro que sempre estiveram dispostos a dar uma olhadinha no material quase impossível de identificar e, sem eles, muitos nomes não estariam na listagem final: Adriana Q. Lobão, Berenice Chiavegato, Carine Garcia Quinet, Carlos Henrique Reif, Luciana Tachigali, Marcelo C. Souza e Michel João Pereira Barros. Ao Robson Dalmas Dias imenso agradecimento pela super ajuda com a identificação das plantas. A Alexandre Gabriel Christo imenso agradecimento pela ajuda fundamental na parte estatística. A grande amiga Inês Machline Silva que conheci durante o doutorado e que quero continuar amiga até os fins do tempo. Obrigada por todas as palavras positivas que você sempre tem para dar. As amigas de doutorado da ENBT Micheline Silva, Micheline Marcon, Raquel Azeredo Muniz e Dulce Mantuano. 8 Aos vários amigos do Mestrado da ENBT......................... São muitos........ Aos incríveis professores da ENBT........ A banca que examinou o projeto de tese e na apresentação dos resultados preliminares, dando inúmeras sugestões valiosas para realização desse trabalho: Cyl Farney Catarino de Sá, Ariane Luna Peixoto, Gustavo Martinelli, Rejan R. Guedes-Bruni, Vidal Mansano, Denise Costa e Helena Bergallo. Ao Rogério Ribeiro Oliveira que me cedeu parte da bibliografia consultada. A todos os estagiários da UERJ-FFP que participaram das coletas de campo e das aventuras pelas trilhas da Serra da Tiririca. Em especial: Pollyana W. Feteira, Leandro de Oliveira Furtado de Sousa, Wander Carvalho Brasil, Henrique Pereira Moreira, Eduardo do Nascimento Fontes, Anderson Guedes Pereira, Vanessa C. Matos, Thais de Assis M. Muritiba, Leonardo Ferreira dos Santos, Laiza Tahara Vassal, Natália Coqueiro Mendonça, Bruno de Aquino Alves e Sandra Amália. Aos amigos da ONG Protetores da Floresta que tanto tem lutado pela preservação das nossas matas: Alicia Leite, Mônica Pontes, Cristina Teper, Marta Marques, Maria Velasco, Gabriela Alejandra e Maria Collares. Aos técnicos do Laboratório de Biologia da UERJ-FFP pela paciência e fundamental ajuda em todos os momentos: Fernanda Cascaes Gonçalves, Raquel Mendonça, Kelly Araújo Lúcio, Alberto Araújo Valente, Priscilla Gomes da Silva, Silviane Franco Charret, Alexandre Raposo, Flávia Lima e Carlos Eduardo Jascone. Aos funcionários do Herbário RB, em especial a Luiz Fernando da Conceição e Rosângela da Silva Gomes pela constante ajuda. Aos secretários da ENBT: Marcinha, Abílio, Nilson e Janúsia Aos ex Diretores da Faculdade de Formação de Professores da UERJ Marisa Assis, Glauber Almeida de Lemos e Cláudio Barbosa (in memorian) pelo incentivo. Ao amigo, parceiro e ex chefe Douglas Pimentel, professor assistente da UERJ-FFPDCIEN, por tudo que fez para me ajudar a conseguir fazer o Doutorado. Aos ex-administradores do Parque Estadual da Serra da Tiririca que sempre foram parceiros e ajudaram na realização desse trabalho: Laura França, Carlos Eduardo Sícoli Seoane, Ronaldo Rolão e Alex Figueiredo. Aos Herbários consultados e seus curadores que mantém as magníficas coleções representativas da nossa flora do Rio de Janeiro: RB, GUA, RFFP, RUSU, RFA e R. A toda comunidade tradicional da Serra da Tiririca que mostrou os segredos da floresta, em especial ao Joel Bartaline, Roque, Renatão, Izaquiel, “Seu Bichinho” (Américo), Tide, Marcelo, Isaías e Dona Dalva. 9 SUMÁRIO FOLHA DE APROVAÇÃO........................................................................ DEDICATÓRIA........................................................................................... EPÍGRAFE................................................................................................... AGRADECIMENTOS................................................................................. SUMÁRIO..................................................................................................... RESUMO...................................................................................................... ABSTRACT.................................................................................................. 03 05 06 07 09 11 12 INTRODUÇÃO GERAL............................................................................. Objetivos................................................................................................... Objetivo Geral.......................................................................................... Objetivos Específicos............................................................................... Questionamentos...................................................................................... Referências Bibliográficas........................................................................ 13 15 15 15 15 16 ÁREA DE ESTUDO.................................................................................... 1. Localização.............................................................................................. 2. Histórico da Proteção Legal.................................................................... 3. Relevo, Geomorfologia, Geologia e Solo................................................ 4. Clima....................................................................................................... 5. Hidrografia............................................................................................... 6. Vegetação................................................................................................ 7. Aspectos Históricos da Ocupação........................................................... 8. Passagem dos naturalistas nos séculos XVII e XIV pela região............. 9. Referências Bibliográficas....................................................................... Anexo....................................................................................................... 18 18 20 24 26 28 29 31 41 43 47 ARTIGO I: Caracterização Fisionômico-Florística e Aspectos Conservacionistas do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil....................................................................... Introdução................................................................................................ Metodologia............................................................................................. Resultados e Discussão............................................................................ Conclusão................................................................................................ Referências Bibliográficas....................................................................... Anexo....................................................................................................... ARTIGO II: Análise Florística de Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil............................ Introdução................................................................................................ Metodologia............................................................................................. 49 50 51 52 70 71 76 79 80 82 10 Resultados e Discussão............................................................................ 83 Conclusão................................................................................................ 101 Referências Bibliográficas....................................................................... 102 Anexos..................................................................................................... 110 ARTIGO III: Trepadeiras do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil........................................................ Introdução................................................................................................ Material e Métodos.................................................................................. Resultados e Discussão............................................................................ Conclusão................................................................................................ Referências Bibliográficas....................................................................... Anexos..................................................................................................... 139 ARTIGO IV: Vegetação de afloramento rochoso no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil.............................................................................................................. Introdução................................................................................................ Material e Métodos.................................................................................. Resultados e Discussão............................................................................ Referências Bibliográficas....................................................................... Anexo....................................................................................................... 161 ARTIGO V: Análise fitossociológica do estrato lenhoso no Parque Estadual da Serra da Tiririca Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil............................................................................................................. Introdução................................................................................................ Material e Métodos.................................................................................. Resultados e Discussão............................................................................ Conclusões............................................................................................... Referências Bibliográficas....................................................................... Anexos..................................................................................................... 180 140 142 144 150 151 156 162 164 166 171 175 181 182 186 199 200 204 217 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................... 11 RESUMO A Mata Atlântica antes da chegada dos colonizadores ocupava uma área de 15% do território brasileiro. Devido aos processos históricos de ocupação e uso econômico da costa brasileira, atualmente restringese a manchas disjuntas localizadas principalmente nas regiões Sudeste e Sul. A alta taxa de desmatamento e degradação de seus ambientes tem levado ao desaparecimento de várias espécies tanto da flora quanto da fauna. Esse quadro fez com que fosse incluída entre os cinco hotspots mundiais mais importantes, ou seja, entre as regiões biologicamente mais ricas e ameaçadas do planeta. No estado do Rio de Janeiro restam apenas 16,7% da área original antes ocupada pela Mata Atlântica. Os estudos realizados mostram que os fragmentos remanescentes ainda detêm uma importante diversidade biológica, inclusive com a ocorrência de várias espécies endêmicas. A Serra da Tiririca representa uma porção da Mata Atlântica inserida no maciço costeiro da Serra do Mar, entre os municípios de Niterói e Maricá no estado do Rio de Janeiro. Nessa região foi criado em 1991 o Parque Estadual da Serra da Tiririca. A vegetação apresenta um aspecto geral escleromórfico, com intensa queda de folhas nos meses mais secos. Contudo, é caracterizada pela floresta ombrófila densa e afloramentos rochosos, sendo seu aspecto escleromórfico associado ao clima regional, proximidade com o mar e a presença de solos rasos. Tem baixa similaridade florística com outras áreas inventariadas do estado do Rio de Janeiro, porém apresentou maior relacionamento com a flora das restingas fluminenses. Cinco espécies novas para a ciência foram encontradas na área, além de 67 espécies ameaçadas, reforçando a importância da sua conservação. O inventário florístico registrou 907 espécies de Magnoliophyta pertencentes a 434 gêneros e 97 famílias, além de 122 espécies consideradas ruderais. Destacam-se as seguintes famílias quanto à riqueza de espécies: Leguminosae (85 spp.), Rubiaceae (54 spp.), Myrtaceae (55 spp.), Euphorbiaceae (42 spp.), Bromeliaceae (41 spp.), Sapindaceae (33 spp.), Bignoniaceae (29 spp.), Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25 spp.) e Asteraceae (25 spp.). As plantas arbóreas representam 35,8% da flora, seguido de trepadeiras (21,9%), ervas (18,4%), arbustos (16,9%), epífitas (4,9%), hemiepífitas (1,8%) e parasitas (0,3%). Especificamente nos afloramentos rochosos foram registradas 250 espécies, sendo que essa amostragem corresponde a 27,6% do total de espécies levantadas no PEST. Dessas, 46,4% têm ocorrência exclusiva nos afloramentos rochosos. Essas formações representam ilhas terrestres entremeadas à floresta, que contribuem de forma significativa para a diversidade florística local. As trepadeiras correspondem a uma forma de vida que se destacou no levantamento florístico e foi tratada a parte. Têm alta representatividade em várias formações vegetais, correspondendo a cerca de 25% da diversidade taxonômica das florestas tropicais. Foram relacionadas 39 famílias, 106 gêneros, 211 espécies. A maior riqueza foi das famílias Leguminosae (29 spp.), Sapindaceae (23 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) e Convolvulaceae (12 spp.). Essas famílias perfazem 71,6% do total de trepadeiras levantadas. Houve um predomínio de trepadeiras lenhosas e de formas volúveis. As trepadeiras contam a história dos impactos ambientais de uma área. A expressiva riqueza e diversidade de espécies mostram que a vegetação forma um mosaico de vários estádios sucessionais, de acordo com o processo de uso e abandono da terra. A estudo fitossociológico foi realizado em três diferentes áreas com critério de inclusão de DAP≥ 2,5 cm, utilizando-se 10 transects de 2 m X 50 m, totalizando 0,1 ha em cada área. Mediu-se indivíduos lenhosos, incluindo árvores, arbustos e trepadeiras. Foram amostrados 1.449 indivíduos, correspondendo a 215 espécies, 1 morfo-espécie, 146 gêneros e 54 famílias. 140 espécies são arbóreas, 39 arbustos e 36 trepadeiras. As dez famílias mais representativas são Myrtaceae (26 spp.), Leguminosae (24 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.), Bignoniaceae (13 spp.), Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10 spp.) e Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae (6 spp.). As espécies dominantes são Pseudopiptadenia contorta no Morro do Telégrafo, Cupania racemosa no Morrote do Córrego dos Colibris e Guapira opposita no Morro do Cordovil. No Morrote do Córrego dos Colibris a vegetação encontra-se em regeneração mais recente. Foram obtidos altos valores de diversidade (H’) no Morro do Cordovil (4,59), Morro do Telégrafo (3,24) e Morro do Cordovil (4,17). Os dados mostram que a Serra da Tiririca encontra-se em diferentes estádios de regeneração, porém vêm se recuperando naturalmente. Trata-se de um importante fragmento de floresta ombrófila densa que ainda detêm uma diversidade florística relevante e que deveria ser mais bem protegida pelo poder público. Palavras chaves: Serra da Tiririca, Mata Atlântica, fito-fisionomia, florística, estrutura, trepadeiras, afloramentos rochosos, conservação 12 ABSTRACT The Atlantic Forest, before the colonizers arrival, had occupied 15% of Brazilian territory. Due to historic process of Brazilian shore occupation and economic use, actually is restricted to isolated spots located primordially on South and Southeast regions. The high deforestment and degradation rate of their environments had been lead to the disappearing of several species, both flora and fauna. This picture motivates its inclusion among the five most important world hotspots, either the most biological rich and threatened regions of the planet. On Rio de Janeiro state, only 16.7% of Atlantic Forest original area remains. The studies show that the remaining fragments still detain an important biological diversity, including the occurrence of several endemic species. The Serra da Tiririca represents an Atlantic Forest portion inserted on coastal massif of Serra do Mar, between Niterói and Maricá districts of Rio de Janeiro state. The Serra da Tiririca State Park was created in this region in 1991. In general, the vegetation is scleromorphic with intense leaf fall during drier months. However, it is characterized by dense ombrophilous forest and rocky outcrops. The scleromorphic aspect is associated with the regional climate, proximity to the sea and shallow soils. It has low floristic similarity when compared to other areas in Rio de Janeiro state, although it was more closely related to the flora from the restingas. Five new species to science have been found in the area, plus 67 threatened ones, strengthening conservation importance. The floristic inventory registered 907 species of Magnoliophyta belonging to 434 genera and 97 families and 122 weedy species. The following families are important for their species richness: Leguminosae (85 spp.), Rubiaceae (54 spp.), Myrtaceae (55 spp.), Euphorbiaceae (42 spp.), Bromeliaceae (41 spp.), Sapindaceae (33 spp.), Bignoniaceae (29 spp.), Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25 spp.) and Asteraceae (25 spp.). Trees represent 35.8% of the flora, followed by climbers (21.9%), herbs (18.4%), shrubs (16.9%), epiphytes (4.9%), hemiepiphytes (1.8%) and parasites (0.3%). Specifically on rocky outcrops, 250 species were registered. This sample corresponds to 27.6% of total Serra da Tiririca State Park species. Between these 46.4% have exclusive occurrence on rocky outcrops. This formations represent terrestrial islands intermingled the Forest that contribute significantly to local floristic diversity. The climbers correspond to a detached life form on floristic survey and were studied separately. They have high representativity on several vegetal formations, corresponding around 25% of tropical forest taxonomic diversity. It was listed 39 families, 106 genera and 211 species. The high richness was from the Leguminosae (29 spp.), Sapindaceae (23 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) and Convolvulaceae (12 spp.) families. These families totaled 71.6 % of the total number of climbers. There were a relevant number of woody and twining climbers. The climbers tell the history of environmental impacts in an area. An expressive species richness and diversity shows that the vegetation forms a mosaic of many successional stages, according to the use process and abandonment of the land. The structure survey was realized on three different areas with DAP ≥ 2.5 cm including criteria, using 10 transects of 2 m X 50 m, totalizing 0.1 ha in each area. Woody individuals were measured including trees, bushes and climbers. 1.449 individuals were sampled, corresponding to 215 species, 1 morfo-specie, 146 genera and 54 families. 140 species are arboreal, 39 bushes e 36 climbers. The ten most representative families are Myrtaceae (26 spp.), Leguminosae (24 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.), Bignoniaceae (13 spp.), Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10 spp.) and Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae (6 spp.). The dominant species are Pseudopiptadenia contorta on Morro do Telégrafo, Cupania racemosa on Córrego dos Colibris little Hill and Guapira opposita on Morro do Cordovil. The vegetation on Córrego dos Colibris little Hill is founded on more recent regeneration. High diversity scores (H’) were obtained on Morro do Cordovil (4,59), Córrego dos Colibris (3,24) e Morro do Telégrafo (4,17). The data shows that the Serra da Tiririca is on different regeneration states, but is recovering naturally. It is a dense ombrophilous forest important fragment that still detain a relevant floristic diversity and should been well protected by the public authorities. Key Words: Serra da Tiririca, Atlantic Forest, Physiognomic-floristic, floristic, structure, climbers, rocky outcrops, conservation 13 Introdução Geral As florestas tropicais ocupam aproximadamente 7% da superfície emersa do planeta e contém mais da metade das espécies da biota terrestre (Wilson 1988). A maior extensão dessas florestas encontra-se na faixa neotropical, que corresponde a 4 milhões km2. Essa região é dividida em três blocos principais: a) Bacia dos rios Amazonas e Orinoco; b) Costa do Equador e Colômbia até a costa atlântica do México e c) Floresta pluvial atlântica compreendida na estreita faixa de florestas entre a costa atlântica brasileira, serras e planaltos interioranos (Whitmore 1990). O Brasil têm as maiores extensões de floresta tropical úmida, com área estimada em 3,6 milhões de km2, sendo que a maior parte está na Amazônia. Em conseqüência disso está entre os países que apresenta maior riqueza de espécies da flora mundial (Giulietti & Gonzáles 1990). As estimativas variam entre 55.000 – 65.000 espécies de Magnoliophyta das 220.000 conhecidas no mundo (Giulietti et al. 2005). Isso se deve a grande extensão do país, acima de 8,5 milhões km2, a ampla variação de clima, diversidade de solos e geomorfologia, que resulta na grande variabilidade de tipos de vegetação (Wanderley 2006). A Mata Atlântica antes da chegada dos colonizadores europeus possuía uma área original em torno de 1.100.000 km2 (Mori et al. 1981). Estendia-se do Cabo de São Roque no Rio Grande do Norte até Osório no Rio Grande do Sul (Joly et al. 1991). Ocupava 15% do território brasileiro em 17 estados (ISA 2001). Segundo Veloso et al. (1991) é constituída por formações diferenciadas, que inclui a floresta ombrófila densa, floresta ombrófila mista, floresta estacional semidecidual, áreas de formações pioneiras (restingas e manguezais), vegetação xeromórfica e refúgios ecológicos. Essa grande diversidade biológica, de habitats e diferentes fito-fisionomias resultam, em parte, do passado de transgressões e retrações florestais ocorridas durante as oscilações climáticas do quaternário somadas aos diversos gradientes altitudinais, 14 geopedológicos, orométricos e latitudinais (Mori et al. 1981). Dessa forma, os remanescentes são testemunhos das formações florestais mais antigas do Brasil, estabelecidas há cerca de 70 milhões de anos (Leitão-Filho 1987). Devido aos processos históricos de ocupação e uso econômico da costa brasileira, a Mata Atlântica atualmente restringe-se a manchas disjuntas concentradas principalmente nas regiões sudeste e sul. A alta taxa de desmatamento e degradação de seus ambientes tem levado ao desaparecimento de várias espécies tanto da flora quanto da fauna. Essas ações resultaram na fragmentação do hábitat e isolamento das áreas remanescentes (Tanizaki-Fonseca & Moulton 2000). Esse quadro levou Mittermeier et al. (1999) a incluir a Mata Atlântica, juntamente com o Cerrado entre os 5 hotspots mais importantes, ou seja, entre as regiões mais ricas e ameaçadas do planeta. Esses autores estimaram para a Mata Atlântica cerca de 20.000 espécies de plantas vasculares, sendo que 6.000 são endêmicas desse bioma. No estado do Rio de Janeiro a Mata Atlântica ocupava 98,6% da área total do estado de 43.305 km2 (ISA 2001). Atualmente concentra os maiores fragmentos florestais nas cadeias montanhosas da Serra do Mar acima de 500 m. Analisando em conjunto com os fragmentos menores estima-se que tenha restado cerca de 8.000 km2 de florestas (Tanizaki-Fonseca & Moulton 2000). Dados levantados pelo SOS Mata Atlântica em 2000 apontaram uma área correspondente a 16,7% do estado do Rio de Janeiro ocupada pelo que restou da Mata Atlântica, sendo que 29,8% encontram-se em Unidades de Conservação (SOS Mata Atlântica 2002). Apesar do Rio de Janeiro ser explorado em relação a coletas botânicas desde a passagem dos naturalistas a partir do século XVI, somente no século XIX Vellozo (1829) elaborou a “Florae Fluminensis”, uma importante publicação reunindo informações sobre a diversidade florística conhecida até então. No século XX a flora vem sendo documentada com esforços de levantamentos florísticos em diversas áreas. Esses estudos iniciaram em meados do século passado com levantamentos em Teresópolis (Veloso 1945), Itatiaia (Brade 1956) e Serra dos Órgãos (Rizzini 1953/54). A impulsão no conhecimento da flora fluminense se deve ao Programa de Ação em Botânica, criado pelo CNPq no fim da década de 1980 (Lima 2000) e diversas parcerias 15 com instituições financiadoras nacionais e internacionais. Sendo assim, os inventários florísticos e fitossociológicos no estado do Rio de Janeiro foram mais intensificados nos últimos 20 anos. Nesse sentido, a partir de 2006, teve início o Programa de Mapeamento e Caracterização da Diversidade Biológica da Mata Atlântica num acordo firmado entre a Secretaria de Ciência e Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro e o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Participam desse programa, herbários, pesquisadores e taxonomistas de 14 instituições com a finalidade de ampliar os conhecimentos sobre a flora, fauna e microorganismos do estado, além de mapear as áreas estratégicas para investigação e conservação (Sá 2006). Apesar disso, ainda existem lacunas de conhecimento florístico, como chama atenção Sá (2006), principalmente na região compreendida entre Cabo Frio e Niterói. Essa região corresponde à área 419 incluída entre aquelas de extrema importância biológica, sendo considerada prioritária para conservação da biodiversidade da Mata Atlântica pelo Ministério do Meio Ambiente. Nesse contexto também está inserida a Serra da Tiririca. OBJETIVO GERAL Contribuir para o conhecimento da flora e conservação do Parque Estadual da Serra da Tiririca. OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Realizar o levantamento florístico do Parque Estadual da Serra da Tiririca, incluindo todas as formas de vida; b) Caracterizar fito-fisionomicamente a vegetação; c) Comparar as áreas florestadas da Serra da Tiririca com os morros litorâneos e restingas do estado do Rio de Janeiro em termos florísticos; d) Analisar a estrutura do estrato lenhoso. QUESTIONAMENTOS 16 a) A vegetação da Serra da Tiririca se parece mais estruturalmente com a floresta ombrófila densa ou com a floresta estacional semidecídual? b) Qual o grau de similaridade entre a flora da Serra da Tiririca com outras áreas investigadas floristicamente no estado do Rio de Janeiro, incluindo as restingas fluminenses? REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Brade, A.C. 1956. A flora do Parque Nacional de Itatiaia. Boletim do Parque Nacional do Itatiaia 5: 7–85. 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LOCALIZAÇÃO A Serra da Tiririca está inserida entre os municípios de Niterói e Marica no estado do Rio de Janeiro (22º48`; 23º00’ S e 42º57`; 43º02` W) (Figura 1 e 2). Em Niterói localiza-se nos bairros do Engenho do Mato, Itaipu, Itacoatiara, Várzea das Moças e em Maricá no Distrito de Inoã. No município de Niterói a Mata Atlântica abrangia 80 - 90% do seu território, porém restam apenas 21 km2 de áreas florestadas, ou seja, 16% do município. As áreas contínuas estão restritas as Serras do Malheiro, Grande, Cantagalo e Jacaré (Reserva Ecológica Darcy Ribeiro), Serra da Tiririca e pelo conjunto formado pelos morros da Viração, Sapezal e Santo Inácio (Prefeitura Municipal de Niterói 1992). No Município de Maricá os maiores remanescentes florestais estão nas Serras do Mato Grosso, Macaco, Espraiado, Lagarto, Silvado, Barro do Ouro, Tapuaba, Calaboca, Camburi, Pedra de Inoã e Pedra de Itaocaia. Grande parte dessa região é inexplorada do ponto de vista científico. A Serra da Tiririca era conhecida como Serra de Inoã, de Maricá ou pelos nomes dos morros que compõe seu relevo, como consta em relatos de antigos moradores da região. O atual nome está relacionado com a passagem de tropas de burro que atravessavam a Serra em direção a Região dos Lagos por um caminho cheio de tiriricas. Tiriricas são plantas do gênero Cyperus da família das Cyperaceae, sendo comumente encontradas em áreas desmatadas, como beiras de caminho (Barros & Seoane 1999). Figura 1: Mapa com a localização do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói / Maricá, RJ. (Lagief – IEF-RJ 2007). 19 20 Figura 2: Foto aérea do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ mostrando em especial o Morro do Telégrafo, Morro do Elefante e o Alto Mourão ao fundo (SEMADS 2001). 2. HISTÓRICO DA PROTEÇÃO LEGAL Das Unidades de Conservação da região metropolitana do Rio de Janeiro, o Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) é o único que nasceu da vontade popular, por meios de movimentos comunitários organizados. As ações para proteção da Serra da Tiririca tiveram início em meados da década de 80 do século passado a partir da iniciativa do Dr. Cláudio Martins, professor do Departamento de Geografia da UFF, e do biólogo Jorge Antônio Lourenço Pontes através do Clube de Conservação da Natureza e Exploração Suçuarana (Primo & Carvalho-Filho 1989). Em 1987 Pontes publicou o primeiro trabalho referente à necessidade de conservação da Serra da Tiririca. Contudo, o passo decisivo para criação do PEST foi a tentativa da empresa Ubá Imobiliária em 1989 de lotear a área conhecida como Córrego dos Colibris (Barros et al. 2003). O desmatamento dessa área foi denunciado a Prefeitura de Niterói pelo biólogo 21 Paulo Carvalho Filho. Fiscais da Prefeitura, em conjunto com o Batalhão Florestal e membros da FEEMA, da Federação das Associações de Moradores de Niterói (FAMNIT) e da Associação de Moradores de Itaipu, que estavam reunidos na sede da Prefeitura Distrital da Região Oceânica, foram ao local e conseguiram flagrar o desmatamento, interrompendo-o. A Prefeitura de Niterói, constatando diversas irregularidades na planta, cancelou o projeto do condomínio (IEF et al. 1994). Esse fato desencadeou uma grande mobilização culminando com a criação da Frente Tiririca. Esse grupo congregou ONGs ambientalistas que promoveram várias ações chamando atenção para necessidade de proteger a Serra da Tiririca. Deixou de existir em 1990, porém seus integrantes fundaram em novembro de 1989 o Movimento Cidadania Ecológica. Essa ONG foi bastante atuante na defesa das questões ambientais na década de 90 do século passado. Em 1990 elaborou e encaminhou à Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro, através do Deputado Estadual Carlos Minc, o documento “Exposição de motivos para criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca”. Sendo assim, o PEST foi criado pela Lei Estadual nº 1901 de 29/11/1991, estando sua administração a cargo da Fundação Instituto Estadual de Florestas (IEF-RJ). Essa medida teve o intuito de intuito de proteger remanescentes da Mata Atlântica que se encontravam extremamente ameaçados pela especulação imobiliária, entre outras formas de atividades antrópicas. Em Niterói, a Serra da Tiririca é protegida pelo Decreto Municipal nº 5.902/90, como Área Permanente de Proteção e, posteriormente, pela Lei Orgânica do Município de 04/04/1991. Em Maricá é considerada Área de Proteção Ambiental (APA) pela Lei Orgânica promulgada em 05/04/1990, no art. 339. Foi feito seu tombamento provisório a partir da cota 100 pelo Governo de Estado (D.O./RJ de 06/03/1991). Teve seus limites em estudo previstos para uma “área em estudo” de 6,96 km2 (2.400 ha), segundo Decreto nº 18.598 de 19/04/1993. Em 10/10/1992 foi reconhecida internacionalmente como parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela UNESCO. Apesar de tantas leis de proteção, na prática a conservação dos recursos bióticos da região só existe no papel (Barros et al. 2003). A Lei que criou o PEST em seu art. 2 estabeleceu a organização da Comissão Pró Tiririca com o objetivo de determinar e participar das ações necessárias a sua delimitação e implantação, bem como da elaboração de seu plano de manejo. Após muitas discussões 22 políticas essa Comissão foi instituída pela portaria do IEF/RJ/PR nº 68 de 26 de maio de 1999. Dessa forma, juntamente com as prefeituras dos municípios de Niterói e Maricá, elaborou e apresentou ao IEF em 2001 a proposta para os limites definitivos. Esse documento previu, a redução da área do PEST de 2.400 ha para 1.800 ha, além da inclusão do Morro das Andorinhas. Faz desvios de condomínios e loteamentos já implantados e exclui áreas florestadas valorizadas pela especulação imobiliária. Abrange, principalmente, áreas de antigas fazendas que hoje pertencem a trabalhadores rurais, sitiantes e a empresas imobiliárias que aguardam a valorização dessas terras e leis mais tolerantes à urbanização. Esse documento traz à luz, a força da pressão imobiliária sobre o PEST. A proposta foi remetida à Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro (ALERJ) e após anos de discussões políticas os limites definitivos do PEST foram votados e aprovados em 14 de agosto de 2007. A Lei Estadual nº 5079 de 03 de setembro de 2007 estipula duas partes continentais e uma marinha numa área de 2.077 ha. A primeira parte continental encontra-se entre os Municípios de Niterói e Maricá e a segunda inclui o Morro das Andorinhas, localizado entre as praias de Itaipu e de Itacoatiara em Niterói. A parte marinha está inserida entre as pontas do Alto Mourão e do Costão de Itacoatiara, numa região denominada Enseada do Bananal, avançando 1.700 m mar adentro por uma linha imaginária. A lei garante os direitos das populações tradicionais de pescadores artesanais do alto do Morro das Andorinhas e sitiantes tradicionais da Serra da Tiririca. A luta agora é para reintegrar áreas perdidas. A ONG Protetores da Floresta encaminhou ao Deputado Estadual Carlos Minc em 1998 um anteprojeto de lei que visa a inclusão nos limites do PEST da Pedra de Itaocaia (383 m), o Morro da Peça e o Brejo da Penha no município de Maricá, além das Ilhas Menina, da Mãe e do Pai no município de Niterói. Contudo, essa proposta foi engavetada e não teve resposta do Deputado. Existe um esforço para incluir no PEST mais 186 ha do entorno da Laguna de Itaipu, abrangendo três sítios arqueológicos: Duna Grande, Duna Pequena e Sambaqui Camboinhas. Essa região já fez parte da Reserva Goethea, criada em 19/03/1932 pelo então Prefeito Samuel Barreira (Ato nº 11), quando a Região Oceânica de Niterói pertencia ao município de São Gonçalo. O nome é em homenagem ao centenário de morte do poeta alemão Johann Wolfgang Goethe. Tinha o objetivo de proteger a fauna e flora local, sobretudo uma planta ameaçada das restingas fluminenses que ocorria na região, Goethea 23 alnifolia Eichl. (Malvaceae), hoje denominada Pavonia alnifolia A. St. Hil. Essa foi a segunda Reserva brasileira, sendo a primeira a Reserva Florestal do Acre, criada pelo Presidente Hermes da Fonseca em 1911. Sua delimitação ficou a cargo da então Diretoria de Agricultura e Estatística do Rio de Janeiro, contudo nunca sai do papel. Independente de leis e decretos específicos para a Serra da Tiririca, sua proteção deveria estar assegurada por uma série de instrumentos legais, sendo considerada uma Área de Preservação Permanente (Barros et al. 2003) (Anexo). Além disso, o IEF-RJ, no exercício da sua atribuição fiscalizadora, autua o infrator ambiental, lavrando autos de constatação e de infração, encaminhando-os para o Conselho Estadual de Controle Ambiental (CECA). Esse órgão estipula o valor da multa e notifica o infrator para seu pagamento ou apresentação de defesa, que é examinada e decidida pelo seu colegiado. Além da CECA, existem dois outros órgãos colegiados, o Fundo Estadual de Conservação Ambiental (FECAM) e o Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONEMA), cujas ações podem subsidiar e orientar a atuação do IEF-RJ na administração do PEST (Conceição 2000). Contudo, o IEF–RJ é falho no exercício de suas atribuições. Nunca conseguiu se firmar como órgão responsável pela política florestal fluminense. É notório o sucateamento do órgão devido à falta de infra-estrutura e ao quadro precário de funcionários. No PEST, por exemplo, os administradores sempre foram contratados e, em alguns casos, despreparados para exercer o cargo. Essa situação, associada ao péssimo funcionamento da fiscalização, levou o Banco de Reconstrução Ambiental Alemã (KFW – Kreditanstal fur Wiederaufbal) a retardar a liberação de fundos para proteção florestal até que o IEF-RJ resolvesse esses problemas e se adequasse às exigências de qualidade do banco. Esse quadro vem se modificando lentamente (Vallejo 2004). A Prefeitura de Maricá doou um terreno em Itaipuaçu, onde foi construída a sede do PEST e existe uma guarita de controle de acesso ao complexo do Costão de Itacoatiara, Alto Mourão e Enseada do Bananal. Recentemente foram colocadas placas informativas em algumas localidades, mas são ações insuficientes para conter a devastação antrópica ao qual a Serra da Tiririca está sujeita. Sendo assim, a ONG Protetores da Floresta, verificando a omissão do órgão gestor do PEST na sua implantação decidiu ajuizar uma Ação Civil Pública Ambiental (ACPA), que foi encaminhada a 2º Vara de Fazenda Pública da Capital, sob o número 24 2001001059390-2, em maio de 2001. A ACPA teve como objetivo fazer com que o IEFRJ, Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMADS) e Governo do estado do Rio de Janeiro, na qualidade de réus, implantassem o PEST, conforme determinado pelo § 1° do art. 1° da Lei 1.901/91. Além disso, custear a demarcação dos limites definitivos, fiscalizar e administrar a então área de estudo (área determinada pelo Decreto Estadual 18.598/93 – combinado com a Portaria IEF/RJ/PR/N° 014/94) até a demarcação definitiva, item este com pedido de tutela antecipada (Barros et al. 2002). Essa ACPA seguiu os trâmites legais e 07 anos depois, após várias audiências e recursos previstos nas leis, ainda não foi dada à sentença final. 3. RELEVO, GEOMORFOLOGIA, GEOLOGIA E SOLO A Serra da Tiririca está inserida na porção litorânea da Serra do Mar. É formada por um conjunto de montanhas com altitude média aproximada em torno de 250 m. Apresenta sete Morros: Telégrafo (387 m), Alto Mourão (412 m), Catumbi (344 m), Serrinha (277 m), Cordovil (256 m), Costão de Itacoatiara (217 m) e Penha (128 m) (Barros & Seoane 1999) que constituem o Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST). Recentemente foi incluído na área do Parque o Morro das Andorinhas (196 m) (Figura 3). É considerada um divisor de águas de direção NE – SW, que acompanha a estruturação regional da Faixa Móvel Ribeira, contrastando com as planícies costeiras do estado do Rio de Janeiro (Bergamaschi & Almeida 2007). Sua geomorfologia é similar ao relevo característico do litoral do Rio de Janeiro, com costões de granito-gnáissicos alternados com as planícies arenosas holocênicas de origem marinha-continental. O Projeto RADAM incluiu a Serra da Tiririca na unidade geomorfológica de Colinas e Maciços Costeiros. Essa unidade tem como características marcantes o alinhamento de morros de perfis arredondados, conhecidos como “Pães de Açúcar”, além de paredões com afloramentos rochosos cobertos por uma fina camada de detritos onde cresce a vegetação. Os morros escarpados apresentam paredes que mergulham diretamente no mar ou permanecem sob estreita faixa de planície litorânea. Os Maciços Costeiros estão circundados pela unidade de Planície Costeira, localizada na faixa de dobramentos remobilizados, que se estendem ao longo da costa do estado do Rio de Janeiro (Multiservice 1995). 25 Segundo Heilbron et al. (2004) a Serra da Tiririca está situada na Província Mantiqueira, entidade geológica que consiste em faixas móveis de idade brasiliana (750 a 480 Ma) que acompanham a atual costa leste brasileira e uruguaia. Na região sudeste do Brasil aflora a Faixa Ribeira, nesta região surgem rochas ígneas e metamórficas de alto grau. A Faixa Ribeira Central (FR) é o substrato geológico do estado do Rio de Janeiro e de partes dos estados vizinhos, sendo compartimentada em terrenos representantes de antigas massas continentais. Essas massas se aproximaram e colidiram durante a Orogênese Brasiliana (650-480 Ma) devido a episódios de convergência litosférica que culminaram na formação do super continente Gondwana (Bergamaschi & Almeida 2007). A geologia também é similar a da região costeira, compreendida entre Parati e Saquarema. Nesse trecho do litoral as rochas graníticas intrusivas ou anatéticas, que datam do período Pré-Cambriano com idades entre 630 e 480 milhões de anos. Estas se estabeleceram em meio a uma grande bacia sedimentar durante a colisão continental do evento brasiliano (Bergamaschi & Almeida 2007). Compreende as unidades geológicas de gnaisse facoidal e Cassorotiba. A unidade gnaisse facoidal apresenta rochas típicas de Niterói, formando um complexo que se estende de Piratininga a Itaipu. São rochas homogêneas e caracterizadas pela presença de porfiroblastos ovais, constituídos por Kfeldspato com estrutura cristalina, dando a rocha uma textura lenticular (Penha 1999). A Unidade Cassorotiba é encontrada entre Itacoatiara e Maricá, sendo constituída por gnaisses porfiroblásticos. Estes apresentam associações complexas agrupadas em duas fases distintas de formação: uma sintectônica, representada por granitóides com face facoidal e outra por granitos pós-tectônicos (Ferrari et al. 1982). Uma estrutura bem característica dessa formação são os diques de pigmatitos e veios de quartzo orientados de nordeste para sudoeste que formam riscos nas rochas como no Costão de Itacoatiara (tupi guarani - ita= pedra, cuatiara= riscada). A decomposição das rochas originou solos rasos, onde partículas minerais foram transportadas pela ação das chuvas, ventos e, principalmente, por processos gravitacionais. Estas partículas se depositaram em rampas menos íngremes ou acumularam-se em frestas dos paredões rochosos. Os solos são do tipo alissolo crômico, luvissolo hipocrômico, neossolo litólico e formações turfosas (Multiservice 1995), adaptado de acordo com a classificação de solos proposta por Zimback (2003). O solo alissolo crômico é encontrado recobrindo as áreas mais elevadas do maciço (Multiservice 1995). 26 A C E B D F H Figura 3: Diferentes localidades do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. A. Morro do Alto Mourão – vista da Praia de Itacoatiara, Niterói, B. Morro Cordovil, Niterói; C. Costão de Itacoatiara, Niterói; D. Morro das Andorinhas, Niterói; E. Mata da Enseada do Bananal, Niterói; F. Enseada do Bananal, Niterói; G. Vale do Córrego dos Colibris, Niterói e H. Morro do Telégrafo, Maricá, vista de Itaipuaçu. 27 4. CLIMA O clima da região é influenciado pela presença das massas de ar Equatorial Continental no verão e Tropical Atlântico durante o restante do ano, além da passagem freqüente de frentes polares, principalmente durante a primavera. É enquadrado na zona climática das planícies e maciços costeiros com precipitação média entre 1.000 e 1.500 mm/ano (Barbiére & Coe-Neto 1999). Segundo esses mesmos autores, na área dos maciços costeiros a quantidade de chuva aumenta gradualmente na direção sudestenordeste, principalmente para regiões mais interioranas, onde ocorrem os primeiros sinais do clima tropical. A área do presente estudo se insere justamente na transição pluviométrica entre a planície costeira e o maciço costeiro. Na figura 4 é mostrada a variação da precipitação em três diferentes estações próximas a área de estudo, sendo as Precipitação (mm) estações do Horto Florestal e da Ilha do Modesto (Piratininga) localizadas em Niterói. Meses Figura 4: Precipitação anual nas estações metereológicas do Horto Florestal, Ilha do Modesto e Maricá, RJ (Barbiére & Coe-Neto 1999). Pela classificação de Köppen o clima é do tipo Aw, ou seja, quente e úmido, com estação chuvosa no verão e seca no inverno (maio e junho). A estação chuvosa inicia-se na primavera, culminando no verão nos meses de dezembro e janeiro, quando ocorre intensa precipitação pluviométrica. Corresponde a 60% do total anual, porém não excede 171 mm/mês. Em fevereiro há uma queda no volume das chuvas. Contudo em março, devido à chegada de massas frias, registram-se chuvas intensas. A menor precipitação se dá nos meses de julho e agosto (Figura 5), quando fica abaixo de 60 mm. A temperatura média está em torno de 23oC, sendo janeiro e fevereiro os meses mais quentes e o mais frio em junho. O vento predominante é o nordeste (Bernardes 1952). 28 200 40 Precipitação 150 30 100 20 50 10 0 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV Temperatura (o C) Precipitação (mm) Temperatura 0 DEZ Meses Figura 5: Diagrama ombrotérmico do Município de Niterói - Dados do INMET, Estação Meteorológica do Horto Florestal 1931/75. 5. HIDROGRAFIA A Serra da Tiririca compreende as nascentes de rios das macrobacias da Região Oceânica e da Baía da Guanabara, que são protegidas pela vegetação ali encontrada. A macrobacia da Região Oceânica apresenta os seguintes rios com nascentes na Serra da Tiririca: Rio João Mendes, Córrego Tiririca ou Colibri, Valão de Itacoatiara, Córrego da Moréia, Córrego da Perereca Branca e Córrego Bebedouro dos Caranguejos, que deságuam na Laguna de Itaipu. Fazem parte da macrobacia da Baía da Guanabara com nascentes na Serra da Tiririca: Rio do Ouro, Rio Várzea das Moças e Bacia do Rio Aldeia, que drenam para a Baía da Guanabara (Prefeitura de Niterói 1992). No lado do município de Maricá nascem os Rios Inoã e Itaocaia, que drenam para o Canal de São Bento, desaguando no Oceano Atlântico na altura da ponta do Alto Mourão. A bacia do Rio João Mendes é a mais importante da região e apresenta uma área de 14,6 km2, sendo caracterizada pela intensa ocupação do seu vale. Recebe toda contaminação de esgotos que são lançados in natura no seu leito. Carneiro et al. (1994), em estudo realizado na região, constataram altas concentrações de nutrientes na água dos rios, tais como nitrogênio inorgânico total (N-Nit), ortofosfato (P-PO4), carbono orgânico particulado (C.O.P.) e oxigênio dissolvido (O.D.). Esse fato caracteriza ambientes eutrofizados devido à ocupação humana. Dos demais rios e córregos não há informações sobre a qualidade da água. Durante muitos anos não existiu sistemas de tratamento ou 29 recolhimento de esgotos sanitários, sendo estes despejados nos cursos d’água e alagados que drenam para a Lagoa de Itaipu. Porém, a partir de 2000, a empresa Águas de Niterói iniciou o abastecimento de água tratada para a região e, posteriormente, estabeleceu uma estação de tratamento primário e secundário de esgoto próximo a Lagoa de Itaipu. Contudo, esse serviço não é disponibilizado para toda Região Oceânica e a situação da bacia do Rio João Mendes não se modificou. A região do Córrego dos Colibris é uma das mais importantes áreas do PEST e constantemente é alvo de pressões de empresas imobiliárias, como a Mattos & Mattos, que tenta implantar loteamentos bem próximos ao seu leito (Barros et al. 2002). Este córrego apresenta água cristalina e uma seção média de 0,50 m, com profundidade de 0,15 m. Registra-se a presença do caranguejo de rio Trichodactylus sp., um crustáceo que não tolera ambientes pouco oxigenados e/ou poluídos. Na região externa do Parque, o córrego é canalizado, passando a receber esgotos domésticos (Multiservice 1995). O Córrego da Moréia também apresenta água cristalina e possui uma seção média 0,15 m, com profundidade da ordem de 0,05 m. Este sofre constantes incêndios nas áreas próximas a sua nascente, o que vem diminuindo seu volume d’água. O Córrego Bebedouro dos Caranguejos apresenta uma vazão baixíssima, podendo secar em épocas de estiagem, com largura de apenas 0,05 m (Multiservice 1995). O número de nascentes e córregos vem diminuindo aceleradamente nos últimos anos, devido à destruição da cobertura vegetal. Isso aumenta os processos erosivos, diminui a recarga natural do lençol freático e modifica o clima. Muitos desses córregos só apresentam água nos meses de maior pluviosidade, drenando para as regiões de baixada e alimentando brejos e a Lagoa de Itaipu. 6. VEGETAÇÃO Embora os municípios de Niterói e Maricá estejam localizados próximos aos grandes centros de pesquisa do Rio de Janeiro são pouco conhecidos em relação à diversidade florística da floresta ombrófila densa. Em Maricá os trabalhos concentram-se principalmente na restinga da área de Preservação Ambiental de Barra de Maricá (Silva & Somner 1989, Ribas et al. 1993, Pereira et al. 2001). Em Niterói as primeiras informações foram publicadas a partir da década de 80 do século passado com os trabalhos de Araujo & Vilaça (1981) no Morro das Andorinhas, Lopes (1992) no Alto Mourão, Meirelles 30 (1999) no Costão de Itacoatiara e Fevereiro & Santos (2001) no que sobrou da Restinga de Itacoatiara. Embora existam outras áreas florestadas as informações florísticas estão disponíveis apenas nas coleções de herbários, que são muito pobres em relação à flora de Niterói. Em levantamento realizado no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB) para coletas realizadas no estado do Rio de Janeiro, Marques & Novaes (1996) mostraram que o município de Niterói é representado por apenas 0,38% das coletas e Maricá com 1,76%. Em Maricá essa amostragem refere-se principalmente a Restinga de Maricá. Avaliando os dados da coleção do RB para Niterói percebem-se coletas muito antigas com amostras obtidas por Glaziou no Morro da Viração e Morro do Cavalão, além de J.G. Schwacke na Restinga de Itaipu, ambos no século XIX. No início do século XX foram feitas coletas por J.G. Kuhlmann na Restinga de Piratininga, além de A.C. Brade na Restinga de Itaipu e no Morro do Imbui. No final da década de 60 D. Sucre também coletou nas Restingas de Itaipu e Piratininga e depois só na década de 80 foram registradas coletas de R.H.P. Andreata, C.F.C. de Sá e G. Martinelli no Alto Mourão. Muitas áreas ainda florestadas precisam ser investigadas em Niterói como a Reserva Ecológica Darcy Ribeiro, Morro da Viração, Morro do Santo Inácio e o Complexo dos Fortes em Jurujuba. A Serra da Tiririca está inserida no Bioma Mata Atlântica. No âmbito internacional, segundo o código numérico nomenclatural e a classificação biogeográfica mundial, a Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro é enquadrada na região fitogeográfica nº 8 (Região Neotropical), na província biogeográfica nº 7 (Serra do Mar) e no grupo nº 01 (Floresta Tropical Úmida). Recebe a notação 8.07.01, para fins de caracterização e localização planetária. Pela classificação fitogeográfica de Veloso et al. (1991) a vegetação do PEST corresponde a extensas áreas cobertas por floresta ombrófila densa submontana. Este tipo de formação florestal ocorre na faixa de altitude entre 50 500 m no relevo da Serra do Mar, nos contrafortes litorâneos e nas ilhas (Oliveira 1985). O relevo apresenta encostas íngrimes e pequenos vales que são cobertos por vegetação em vários estádios sucessionais. O mosaico florestal é resultado de transformações naturais, mas, sobretudo, de atividades humanas no local devido aos diversos tipos de uso da terra. Parte da vegetação original foi derrubada e as encostas ocupadas por antigos sítios que foram abandonados a cerca de trinta anos atrás. Uma 31 prática comum na região era o cultivo de banana, produção de carvão, culturas de subsistência e recentemente capineiras para alimentação de cavalos dos haras da região. Restam poucos bananais, presentes principalmente na encosta voltada para o Engenho do Mato, em Niterói. Dessa forma, a floresta que veio abaixo, hoje está se recuperando naturalmente. Embora grande parte corresponda a formações secundárias é possível encontrar fragmentos de vegetação com alto grau de desenvolvimento sucessional nos topos de morros. Na Serra da Tiririca em alguns pontos do maciço cristalino aflora o gnaisse facoidal formando os inselbers. Essa região apresenta uma fisionomia típica de ambientes sujeitos escassez de água e solos rasos onde predominam plantas herbáceas e subarbustivas, principalmente Cactaceae, Bromeliaceae e Cyperaceae. A rocha pode apresentar fendas com acúmulo de sedimento e, nesse caso, observa-se plantas de porte arbustivo. Em algumas áreas do Costão de Itacoatiara forma-se uma mata de médio porte com presença de espécies arbóreas que podem chegar até 10 m de comprimento. Também ocorrem áreas alagadas adjacentes a Serra da Tiririca. Forma um sistema integrado pela água proveniente das nascentes localizadas nas encostas da Serra, que descem pelos vales em direção a regiões mais planas formando brejos. Destacam-se aqueles ao redor da Lagoa de Itaipu, Brejo do Telégrafo, Brejo das Pacas e o Brejo da Penha, este último localizado próximo ao Morro da Penha, em Itaipuaçu. Essas áreas alagadas apresentam uma biota própria que vem sendo bastante ameaçada, devido aos aterros ilegais para ocupação de populações de alta e baixa renda. Contudo, os brejos representam à interface entre o meio terrestre e aquático, tendo grande importância para alimentação de aves migratórias. São ambientes onde ocorrem espécies endêmicas da fauna aquática, que podem ser extintas facilmente. No programa de implantação do PEST, estava previsto a inclusão do Brejo da Penha no Parque devido a sua importância como parada de aves migratórias. Contudo, esse brejo foi bastante reduzido devido aos aterros para invasões de baixa renda. 7. ASPECTOS HISTÓRICOS DA OCUPAÇÃO A ocupação humana na região é muito antiga, quando grupos nômades préhistóricos de caçadores-coletores percorriam o litoral de Itaipu em busca de alimento. Os 32 estudos demonstraram faixas cronológicas de 7.958, 4.475, 2.328 e 1.410 AC (Kneip & Pallestrini 1984). Foram hábeis na fabricação de utensílios líticos a partir dos afloramentos rochosos de gnaisse facoidal, basalto, quartzo e quartzito das proximidades. O registro de sambaquis na região de Itaipu é um testemunho dessa atividade (Kneip et al. 1981). Desenvolveram uma economia mixta que englobava principalmente a pesca e coleta de moluscos, frutos, sementes e raízes silvestres, demonstrando um amplo aproveitamento dos recursos naturais para sobrevivência (Beltrão 1978). Os Sambaquis da Duna Grande, Duna Pequena, Camboinhas e de Anomalocardia mostram essa antiga relação do homem com a exploração da diversidade biológica local. O Sambaqui de Camboinhas foi descoberto durante os trabalhos de terraplanagem da Companhia de Desenvolvimento Territorial VEPLAN e sobre ele foi construído um apart hotel. O Sambaqui da Duna Pequena foi destruído na construção da estrada de Camboinhas e sobre o de Anomalocardia existe uma pequena praça de retorno na Praia de Itaipu. Contudo, ainda resta o Sambaqui da Duna Grande, descoberto em 1960 e tombado pelo SPHAN em 26/07/1961 através da Lei Federal nº 3.924 (Kneip et al. 1981). Mais tarde estabeleceram-se na região aldeias de índios Tamoios ou Tupinambás da nação Tupi, que habitavam as zonas de lagunas e enseadas do litoral de Cabo Frio até Angra dos Reis. No momento da chegada dos primeiros europeus, esses índios viviam em aldeias ou tabas. A aldeia era a maior unidade política das sociedades indígenas. Cada uma tinha autonomia e reconhecia como autoridade maior o seu chefe, tuxuaua, morubixaba ou cacique. Os índios viviam da agricultura de subsistência, caça de demais recursos da natureza. Em Niterói existiam muitas aldeias como Icaraí, Itauna, Nurucuné, Arapatué, Urapué, Uraramery e Caramacuy (Freire & Malheiros 2000). Muitos dos nomes dos lugarejos da região têm origem indígena fazendo referência à presença desse povo (Tibiriçá 1985): Itaipu (ita-ypu) - fonte das pedras; Itaipuaçu (ita-ypu-açu) - fonte das pedras grandes; Itacoatiara (ita-cuatiara) - pedra riscada; Itaocaia (ita-ocaia) - choça de pedra; Inoã (nho-ã) - campo alto; catumbi (caá-tubi / caá-tubira) - mato cinza pardacento; Piratininga (pira-tininga) - peixe seco. Com a chegada dos portugueses há 508 anos atrás teve início a exploração mercantilista do pau-brasil, para extração do corante vermelho brasilina, até meados do Século XIX. O comércio foi tão lucrativo que em 1535 a Coroa Portuguesa declarou sua exploração monopólio real e em 1605 o Regimento do Pau-brasil estabeleceu a pena de 33 morte aos infratores (Aoki et al. 2000). Em relatório ao seu sucessor, o vice-rei do Brasil Dom Luiz de Almeida Portugal (Marquês do Lavradio), que governou de 1769 a 1779, relata o intenso comércio dessa árvore na região de Niterói e São Gonçalo (Braga 1998). Após a independência, o governo declarou o pau-brasil patrimônio nacional, sendo sua exploração e comercialização monopólio do Estado. No século XIX a Coroa Portuguesa regulamentou o corte do pau-brasil no Rio de Janeiro e Espírito Santo através de Decreto datado de 20/10/1817. Apesar da legislação, sempre houve contrabando desta madeira, como comprovado em Itaipu em 1845 por João Pinto de Lacerda, que mandou derrubar nos matos de sua fazenda uma porção de pau-brasil (Casadei 1988). Com o advento da revolução industrial foram desenvolvidos corantes artificiais que substituíram àqueles extraídos diretamente das plantas. Contudo, grande parte da Mata Atlântica foi devastada, resultando na quase extinção dessa espécie, que antes se distribuía na faixa litorânea brasileira, do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro (Cunha & Lima 1992). Apesar disso, ainda é possível encontrar populações nativas de pau-brasil no município de Niterói (Serra da Tiririca, Serra do Malheiro e Morro da Viração). A fixação do colonizador fez com que a região fosse dividida em grandes sesmarias no século XVII em resposta a necessidade de povoamento e defesa do litoral brasileiro que se encontrava a mercê de corsários, aventureiros e franceses. A região de Piratininga (Figura 6) foi doada por Estácio de Sá a José Adorno (400 braças ao longo da costa e 600 braças para o interior). Mais tarde, essa sesmaria foi concedida por Martim de Sá a José Gonçalves Malheiro no início do século XVII. Outra sesmaria importante na região foi a de Duarte Martins Mourão, que ganhou a terra de Sua Majestade Rei de Portugal em janeiro de 1567, por combater os índios e os franceses que tentaram invadir o litoral do Rio de Janeiro. Essas terras compreendiam 3.000 braças de costa por 4.500 braças de sertão, estendendo-se da Praia de Itaipu até a Laguna de Maricá (Simão 1979). Em 1661, seu filho Diogo Mourão requisitou formalmente a Sesmaria que se estendia desde a Barra da Lagoa de Piratininga até as proximidades da Pedra de Inoã, em Maricá (Casadei 1988). Juntamente com seus escravos iniciou o processo de ocupação da região para fins agrícolas construindo benfeitorias no local. Hoje seu nome é referência geográfica para o Alto Mourão, também conhecido como Pedra do Elefante ou Falso Pão de Açúcar. 34 Figura 6: Carta Portuguesa da Baía de Guanabara, Rio de Janeiro de Luiz Teixeira, datada de 1574 (Braga 1998). Em 12/01/1755 foi criada por alvará a Freguesia de São Sebastião de Itaipu, cujas terras pertenceram à sesmaria de José Gonçalves Malheiros. Teve origem a partir de um povoado iniciado por volta de 1587. No período de 1779 a 1789 tinha uma população de 1.279 habitantes (Braga 1998). Em 1819 passou a compor a Vila Real da Praia Grande, juntamente com as freguesias de São Batista de Carahy (hoje Icaraí), São Lourenço dos Índios e São Gonçalo do Amarante (Welrs 1984). A Freguesia São Lourenço dos Índios originou-se da sesmaria doada ao Índio Araribóia (Cobra de Tempestade – Martim Afonso de Souza), cacique nos Temiminós, por Mém de Sá em 16/03/1568 pelos serviços prestados na expulsão dos franceses e índios do litoral do Rio de Janeiro (Lessa 1991). Em 1716 foi construída por padres jesuítas a capela em devoção a São Sebastião no Morro das Andorinhas, na vertente voltada para a Praia de Itaipu. Em 1721 foi elevada a Paróquia, entrando na classe das igrejas perpétuas pelo alvará de 12/01/1755. O primeiro pároco foi o Padre Manuel Francisco da Costa (Pizarro & Araújo 1946). A construção 35 perdurou ao longo do tempo e hoje é a Igreja Matriz de São Sebastião de Itaipu. Em 1763 foi construída próxima a capela o Recolhimento de Santa Tereza a mando do vigário Manoel da Rocha. Tinha o intuito de abrigar mulheres pela vocação religiosa ou “cujas circunstâncias da vida forçavam a procurar castigo dos pecados cometidos”. Além disso, para ali eram encaminhadas jovens e esposas de fazendeiros a serem “preservadas”, quando eles precisavam empreender longas viagens. Durante algum tempo o recolhimento funcionou ilegalmente, apesar de ser apoiado pelo Bispo do Rio de Janeiro e pelo Vice-Rei da época, D. Luis de Vasconcelos, até que a Rainha Portuguesa, Dona Maria, a piedosa, desse o seu consentimento oficial (Welrs 1984). O projeto arquitetônico foi realizado com pedras fixadas com óleo de baleia. Hoje as ruínas dessa construção abrigam o Museu de Arqueologia de Itaipu, vinculado ao sítio arqueológico da Duna Grande, sendo tombada pelo patrimônio Histórico (INEPAC). Em Itacoatiara também podem ser encontradas as ruínas da antiga capela de Nossa Senhora da Conceição, erguida no século XVIII, que apresenta o mesmo estilo arquitetônico do Recolhimento de Santa Tereza. Hoje essa área encontra-se dentro do Condomínio Ubá Itacoatiara, sendo o acesso restrito a visitação. No final do século XX a administração do condomínio queria demolir o que sobrou das ruínas para construção de área de lazer para os moradores. Também fazem parte da Paróquia as capelas históricas de Nossa Senhora do Bonsucesso e Nossa Senhora da Assunção datadas do século XVIII, ambas em Piratininga. A história da região está intimamente ligada ao município de São Gonçalo, uma vez que a Freguesia de Itaipu passou a pertencer a esse município em 22/09/1890, fazendo limite com a freguesia de São Batista de Caray. Após várias mudanças dos limites territoriais a reforma administrativa do estado do Rio de Janeiro, através do Decreto-Lei estadual nº 1.055 de 31/12/1943, reincorporou definitivamente o Distrito de Itaipu a Niterói. O Decreto-Lei estadual nº 1.056 de 31/12/1943 separou Niterói em dois Distritos (Niterói e Itaipu). No Decreto-Lei estadual nº 1.063 de 28/01/1944 passam a ser considerados respectivamente 1º e 2º Distritos (Welrs 1984). As primeiras grandes transformações ambientais começaram a ocorrer a partir do século XVI devido às práticas extrativistas, sendo a região ocupada principalmente para fins agrícolas. No século XVIII havia quatro engenhos de cana-de-açúcar na região, Fazenda Engenho do Mato (açúcar), Ipiíba de Malheiros (açúcar, aguardente e café), Piratininga (açúcar, aguardente, café e “mantimentos”) e Santa Eulália (açúcar). Em 36 Registro de Cartório datado de 1779, Jorge Lemos Parady relata ao Vice-Rei, Marquês do Lavradio, que na região de Itaipu existiam 107 fogos (residências), além de 4 engenhos com 138 escravos e produção de 79 caixas de açúcar e 76 pipas de aguardente (Palmier 1940). Wehrs (1984) também destaca nessa época a Fazenda Arrozal (açúcar, mandioca, milho, feijão e arroz), localizada em Piratininga. Sobre a Fazenda Itacoatiara não há muita informação, consta apenas que em 1745 pertencia a Luiz José Viana, filho do antigo Capitão Mor da Cidade, Domingo Viana Bispo. Grande parte da Serra da Tiririca está inserida na antiga Fazenda Engenho do Mato (Vallejo 2005), Ipiíba de Malheiros e Itaocaia. No lado do atual município de Maricá destaca-se a Fazenda Itaocaia (açúcar e aguardente). Não foram encontrados registros de seus primeiros donos ou do ano de fundação, mas consta no livro de registro de terras datado de 01/08/1854 que pertenceu aos Visconde e Viscondessa da Vila Real da Praia Grande, Caetano Pinto de Miranda Montenegro e Maria Elisa Gurgel do Amaral e Rocha respectivamente (Casadei 1988). O estilo arquitetônico é similar às demais fazendas do século XVIII da região. A denominação da Fazenda vem da Pedra da Tocaia, onde mercadores com tropas de burro, que se dirigiam á Cabo Frio, eram tocaiados e roubados. Esse antigo caminho dos índios foi aproveitado pelos colonizadores e atravessava a Serra de Itatendiba, ligando Guaxindiba (atual Itaboraí) à Cabo Frio, passando pelas Restingas de Maricá e da Massambaba (Figueiredo 1951). A Fazenda situava-se em parte na Freguesia de São Sebastião de Itaipu e outra na de Maricá. Confrontava-se por um lado com a Fazenda Engenho do Mato e Ipiíba de Malheiros, por outro lado pelas Fazendas de Inoã e Taquaral até a Pedra de Inoã. Pelo lado do mar fazia limite com as terras do Mosteiro de São Bento até o marco que se acha na Pedra de Itaocaia, finalmente desse marco até a Serra de Itaipuaçu (Serra da Tiririca) (Casadei 1988). Quando o naturalista Charles Darwin passou pelo Rio de Janeiro, atravessou a Serra da Tiririca foi em direção a Cabo Frio por esse caminho e parou na Fazenda Itaocaia em 08/04/1832. Nessa época a Fazenda pertencia a João Machado Nunes e sua esposa Catarina Luiza Machado. No século XX a sede da fazenda foi hipotecada ao Banco do Brasil e passou por total estado de abandono. Na década de 70 foi arrendada pela MELGIL Empreendimentos Imobiliários. Hoje as terras ao redor da sede foram loteadas. 37 Outra Fazenda da região compreendia as terras do Mosteiro de São Bento (Fazenda São Bento), que têm continuidade com as da Fazenda Itaocaia, seguindo até a barra de Itaipuaçu. Os monges receberam a sesmaria do governador Rodrigo Miranda Henriques em 31/10/1635, sendo fundada com o objetivo de servir como pólo evangelizador. Mas tarde compraram a sesmaria de Duarte Martins Mourão das mãos de terceiros, além de partes de outras sesmarias. Dessa forma, a propriedade tomou um cunho agrícola e pastoril de grande porte, sendo um local centralizador e propulsor do município de Maricá (Figueiredo 1951). Os ciclos da cana-de-açúcar no século XVII e do café no século XVIII promoveram ainda mais a devastação da vegetação nativa para dar lugar a essas monoculturas. O cultivo da cana-de-açúcar ocupou principalmente áreas de baixadas, mas o café subiu as encostas dos morros. Na região de Itaipu, apenas as áreas de restingas não foram mexidas, como ao longo do litoral do estado do Rio de Janeiro, pois seu solo não se prestava para a agricultura. Contudo, com a especulação imobiliária a partir de meados do século XX esse perfil se inverteu. A devastação atingiu os maciços cristalinos durante o século XIX com o ciclo do café (Bernardes 1957). Apesar do declínio econômico das práticas agrícolas, esta continuava a ser uma atividade muito importante, principalmente até próximo à abolição da escravatura no final do século XIX (Sousa 2001). Após essa fase a floresta se recompôs, porém na década de 30 do século XX, a floresta veio abaixo novamente para dar lugar a um novo ciclo econômico com o plantio de frutas cítricas (Bernardes 1957). Devido ao ataque de fungos, esse tipo de cultura foi abandonado e o plantio de banana tornou-se uma das principais atividades agrícolas da região. Relatos de moradores antigos, como “Seu Quero-Quero”, contam que a produção era levada em lombo de burro e cavalo para comercialização no Centro de Niterói, onde hoje é a Praça São João. Palmier (1940) destaca na região a exploração mineral de caolin, argila e feldspato, além da indústria cerâmica (CROL – Cerâmica Rio do Ouro Ltda). Inclusive a argila extraída da Fazenda Engenho do Mato foi utilizada na fabricação de tijolos para construção da Siderúrgica Nacional de Volta Redonda. Outra atividade muito importante na região foi à exploração de lenha e carvão que devastou as reservas florestais. Ainda hoje, em meio à vegetação em regeneração, é possível encontrar as áreas onde existiam os ”balões de carvão”. 38 A decadência da atividade agrícola e a proximidade com o mar predispuseram a região à especulação imobiliária, o que gerou conflitos com posseiros. A construção em 1923 da estrada ligando a Região Oceânica à zona sul e centro de Niterói facilitou o acesso à região. As antigas Fazendas deram lugar aos loteamentos a partir de meados do século passado. É o caso da Fazenda de Itacoatiara, loteada por seus proprietários, Mathias Sandri e Francisco Felício, em 1938, e que deu origem ao bairro de Itacoatiara em Niterói. Em 1935 a Fazenda Itaipu é herdada por Eugênio Francisco Mendes e João das Chagas Mendes, a partir do espólio de D. Antônia das Chagas Mendes, incluindo as benfeitorias e a Laguna de Itaipu, uma área de 6.722.500 m2. Em 1939 vendem a propriedade a Albert Sampaio Coulamy, que a vende em 1942 a Cândida de Souza Guimarães. A Companhia Territorial Itaipu S/A, de propriedade de José Pizarro, comprou as terras em 1943 e deu início ao Loteamento Cidade Balneária de Itaipu (2.143 lotes) com a aprovação na prefeitura do Bairro Atlântico (Motta 1983). Em 1944 o então Prefeito de Niterói, Dr. Brandão Júnior, apresentou o Plano Urbanístico da cidade, já levando em consideração sua expansão em direção às praias oceânicas. Desde essa época o poder público já era conivente com a especulação imobiliária. Em 1946 o DNOS (Departamento Nacional de Obras e Saneamento) finalizou o Canal de Camboatá, ligando as Lagunas de Piratininga e Itaipu. Esse canal tinha o objetivo de evitar o alagamento de suas orlas (Coelho 1983), além de drenar a região para ser loteada. Essa ação reduziu em três vezes a área do espelho d’água da Laguna de Itaipu e permitiu a venda de lotes subaquáticos desde essa época. A Fazenda Engenho do Mato foi adquirida de Francisco de Paula Antunes em 24/07/1933 por Fábio de Azevedo Sodré e sua mulher Irene Lopes Sodré. Em 1939 o casal se separa e em 1941 é feita à partilha do desquite, sendo a fazenda dividida em duas partes (norte e sul). Irene fica com a parte sul onde está inserida a Serra da Tiririca. A parte da Fazenda que ficou com o Fábio de Azevedo Sodré deu origem em 1949 aos Loteamentos Maravista com 6.195 lotes e Soter Fazendinha com 2.599 lotes. Em 1946, devido a dívidas de jogo, Irene Lopes Sodré hipoteca parte da Fazenda ao Banco Português do Brasil. Com sua morte, os herdeiros contratam, em 1948, Fernando Suarez de Mendonza para implementar o primeiro loteamento, com 131 quadras e 4.135 lotes, que veio a denominar-se Jardim Fazendinha – Itaipu e o segundo com 5 quadras e 39 119 lotes, Parque da Colina. Foi excluída desse loteamento a Gleba A. Pelo mesmo contrato, Fernando Suarez de Mendonza torna-se procurador do espólio na administração dos loteamentos. Na 33º cláusula, os credores, representados pelo Banco Sul Americano do Brasil, concordam em levantar a hipoteca que recai sobre os lotes à medida que forem integralmente pagos pelos compradores. Em 1949 substabelece sua procuração para Empresa Imobiliária e Comercial Terrabraz Ltda, que passa a administrar o loteamento. Em 1953 os herdeiros de Irene Lopes Sodré passam escritura definitiva da Gleba A para Antônio Carlos França Ourívio. Em 1955 essa área dá lugar ao loteamento Vale Feliz com 542 lotes e quadras nomeadas de A - Z. Em 1959 a Terrabraz vende para Sebastião Lyra Gomes Pedrosa a antiga sede da Fazenda, datada de 1759, e 20.138 m2 que a circundam. Hoje a construção histórica pertence à Fundação Leão XIII, sendo um abrigo para moradores de rua. Em 18/01/1962 é decretada a falência da Terrabraz. Em 1968, Hirson Bezerra Fernandes adquire quotas da Terrabraz e conseqüentemente as áreas pertencentes à empresa. Essa pessoa se tornou um dos grandes problemas ambientais da região, loteando áreas dentro e fora do PEST de forma bastante questionável e com a conivência da Prefeitura de Niterói. Os problemas fundiários da região são muito antigos. Pereira (1962) já chamava atenção para reforma agrária na Fazenda Engenho do Mato. Esta compreendia uma área de 54 ha de propriedade da Terrabraz e de Antônio Carlos França Ourívio. Em 1962 estavam registrados 30 posseiros e suas respectivas famílias que ocupavam 74 alqueires da Fazenda. A produção básica na época era banana prata e hortigranjeiros que abasteciam parte do município de Niterói. Em 03 de janeiro de 1961 o Governador Roberto Silveira homologou o Decreto Estadual nº 7281 expropriando as áreas agrícolas da antiga Fazenda do Engenho do Mato, visando à criação de um núcleo agrícola. Essa foi a primeira reforma agrária do Brasil. Com a morte do Governador, seu sucessor Celso Peçanha ampliou e redefiniu as áreas desapropriadas pelo Decreto nº 7577 de 02 de agosto de 1961. Posteriormente o Decreto nº 7836 de 18 de janeiro de 1962 tratou da organização e execução do plano de colonização agrícola, estabelecendo a inalienabilidade e impenhorabilidade de cada gleba cedida aos colonos da Fazenda. A inauguração da Ponte Presidente Costa e Silva na década de 70, ligando os municípios do Rio de Janeiro a Niterói, levou a intensificação do fluxo migratório para região, incluindo Maricá e a Região dos Lagos. O que antes eram moradias de veraneio 40 passou a ser residenciais e a Região Oceânica tornou-se uma área de expansão do município de Niterói (Barros & Seoane 1999). Em 1973 a Companhia Territorial Itaipu é comprada pelo Grupo VEPLAN Residência (Companhia de Desenvolvimento Territorial Ltda), que intensifica as transformações espaciais, ambientais e sociais de Itaipu. Teve início a mais devastadora degradação ambiental da região. Com a fusão do estado da Guanabara e Rio de Janeiro em 1975, a política ambiental não era estruturada. Dessa forma, o DNOS autorizou obras de estabilização da barra da Lagoa de Itaipu, com drenagens e aterros, sistematização da orla, dragagem da lagoa e remembramento das Fazendas da Fonte, Engenhoca, Piratininga e Itaipu (Motta 1983). Em 1976 tem início o Plano Estrutural de Itaipu. Com a construção do canal permanente ligando a Lagoa de Itaipu ao mar em 1975 houve uma mudança ambiental e social sem precedentes da região. A Praia de Itaipu foi separada em duas porções, sendo a área denominada Camboinhas ocupada por loteamento de alto luxo. Os pescadores que residiam na praia foram obrigados a vender suas posses. Os que não queriam vender foram intimidados e expulsos. Parte da comunidade permaneceu comprimida no “Canto de Itaipu”, vertente do Morro das Andorinhas voltado para a Praia de Itaipu. Alguns foram morar precariamente nas ruínas do Recolhimento de Santa Tereza, outros foram ocupar áreas de baixa renda no Vale do Rio Jacaré e no Engenho do Mato. Parte da comunidade tradicional de pescadores permaneceu no topo do Morro das Andorinhas. A degradação ambiental foi tão escandalosa que em 1979 a CECA através da deliberação nº 50/79 exigiu no prazo de 60 dias a apresentação do EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto Ambiental). A deliberação nº 52/79 proibiu a VEPLAN de executar dragagens, terraplanagem, aterros ou quaisquer outros serviços e obras que pudessem ter como conseqüência a alteração do volume d’água da Lagoa. Após a apresentação do EIA/RIMA a CECA determinou através da deliberação nº 56/79 a definição da orla lagunar, além de uma série de exigências relativas ao Plano Estrutural de Itaipu. Com a falência da VEPLAN, suas propriedades foram hipotecadas ao BIAPE (Banco Interamericano de Poupança e Empréstimo) com sede em Caracas, Venezuela. Atualmente a Empresa Imobiliária Mattos & Mattos se diz detentora dos direitos sobre 41 áreas de propriedade da VEPLAN (Barros et al. 2003) e tenta ocupar áreas protegidas em Unidades de Conservação na Região Oceânica de Niterói. Junto com a empresa Ubá Imobiliária a Mattos & Mattos pretende dar continuidade a devastação iniciada em meados do século passado. Também na vertente voltada para o Município de Maricá, em Itaipuaçu, a especulação imobiliária atuou de forma devastadora. Entre as décadas de 70 e 80 do século XX, a companhia MELGIL Empreendimentos Imobiliários marcou lotes até a cumeeira da Serra da Tiririca para estabelecerem o Loteamento Morada das Águias nas terras pertencentes a antiga Fazenda Itaocaia. Com 40 empregados e 2 tratores abriu estradas na Serra e pressionou de forma questionável os sitiantes a entregarem seus sítios. Apenas três sitiantes permaneceram: Seu Dico, Noca e Joel Bartaline. A grande resistência local e um embargo pelo antigo IBDF (IBAMA) impediu a derrubada da mata. O loteamento Morada das Águias foi liberado apenas abaixo da cota 100 msm na Serra da Tiririca. Mas as estradas abertas próximo à cumeeira da Serra da Tiririca deixaram seus impactos sobre a floresta. Também na vertente de Maricá existem outros loteamentos inseridos na Serra da Tiririca como Itaocaia Valley, Floresta do Elefante e Serra Mar. Hoje a região encontra-se alterada sob os pontos de vista ambiental e social. Os últimos remanescentes florestais nas Serras da Tiririca, Malheiro, Cantagalo e Grande teoricamente encontram-se protegidos no Parque Estadual da Serra da Tiririca e Reserva Ecológica Darcy Ribeiro respectivamente. Embora toda região constitua a Área de Proteção Ambiental de Lagunas e Florestas do Município de Niterói, tal fato não assegura a conservação de outras áreas florestadas e não incluídas em Unidades de Proteção Integral no município de Niterói, como os Morros da Viração e Peça. Ficou a herança negativa deixada pelas transformações históricas na região. Ocupações de alta renda entremeadas com comunidades carentes, ambas ocupando as encostas dos morros, as orlas rios e Complexo Lagunar Piratininga/Itaipu geram um quadro caótico em termos de falta de planejamento urbano. Além disso, o problema de falta de saneamento básico fez com que os rios virassem valões de esgoto drenando para as lagoas e daí para o mar. Nas décadas de 80 e 90 do século XX a região apresentou a maior taxa de crescimento populacional, aumentando os problemas ambientais e sociais, pela ocupação desordenada e crescente do espaço territorial. Dessa forma, áreas onde a Mata Atlântica permaneceu ou se recuperou passou a sofrer com a pressão antrópica e a especulação 42 imobiliária avançou sobre as florestas com seus projetos de loteamentos de luxo. Essa região cresceu entre 1970 e 2000 656% em relação a sua população residente. No lado de Maricá na região limítrofe ao PEST a população cresceu 83% entre 1991 e 2000 (Vallejo 2005). Dessa forma, a omissão do poder público e as políticas de ocupação da região, tanto no lado de Maricá quanto em Niterói projetam um quadro nada promissor para o século XXI. Isso pode ser nitidamente percebido através da aprovação questionável do discutível Plano Urbanístico da Região Oceânica pela Câmara de Vereadores de Niterói em 2004. A criação do PEST em 1991 não resolveu os problemas ambientais da região, devido a vários fatores, principalmente pela falta de limites definitivos e pela precariedade administrativa do IEF-RJ. Os conflitos territoriais se agravaram, sendo que grileiros, posseiros e empresas imobiliárias se apropriaram de áreas ainda florestadas da Serra da Tiririca. Outra questão séria foi a atividade mineradora dentro do PEST representada pela Mineradora Inoã e Saibreira da Avenida Central que deixaram grandes áreas devastadas e degradadas. A Mineradora Inoã foi alvo de Ação Civil Pública para terminar com suas atividades e mesmo assim a Prefeitura de Niterói em 2004 cogitou transformar o buraco deixado pela mineradora no novo lixão de Niterói. Atualmente os grandes problemas do PEST estão relacionados às disputas políticas, negociatas com a especulação imobiliária e atuação inconsistente do IEF-RJ. O órgão gestor se limita a cuidar apenas das trilhas que dão acesso ao Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Enseada do Bananal. As demais áreas do PEST continuam abandonadas. Não existe plano de manejo, sendo que os desmatamentos, queimadas, caça intensa em toda área do Parque, turismo desordenado, contaminação biológica com introdução de espécies exóticas, extrativismo vegetal e mineral vêm se agravando. A situação fundiária não está resolvida e dentro da área PEST existem loteamentos e condomínios, sítios entre outras formas de ocupação. Duas comunidades tradicionais com representação legal (Associação da Comunidade Tradicional do Morro das Andorinhas e Associação de Sitiantes Tradicionais da Serra da Tiririca) lutam por seus direitos, uma vez que o Parque foi criado sem levar em consideração quem realmente vive na área determinada nos seus limites. Essas fatos distanciam o PEST dos objetivos que nortearam a sua criação em 1991, que essencialmente era a conservação da diversidade biológica. Em contrapartida a intensa atuação das ONGs vem cobrando do Governo de Estado mais empenho em relação ao PEST, fiscalizando e denunciando a agressões ao meio ambiente da região. 43 8. PASSAGEM DOS NATURALISTAS NOS SÉCULOS XVII E XIV PELA REGIÃO A visita de naturalistas nos século XVIII e XIX gerou as primeiras informações sob a biota da região. Pela Serra da Tiririca passaram visitantes ilustres como o Príncipe naturalista Maximiliano de Weid-Neuwied, que narra aspectos da travessia da Serra em 1815 (Wied-Neuwied 1958), chamando atenção para presença do Papaguaio-Chauá e do Mico-Leão-Dourado, que hoje não são mais encontrados na região. “... Aproximamo-nos agora de uma cadeia de montanhas, conhecida como Serra de Inoã. O selvático espetáculo excedeu de muito tudo quanto a minha fantasia concebera sobre as grandes cenas da natureza. Entramos num profundo vale, em que a água muito límpida ora corre sobre um leito de pedra, ora descansa em lagoa tranqüila, pouco além de uma floresta imensa. Por toda parte, as palmeiras e as magníficas árvores da região se entrelaçam tanto com as trepadeiras, que era impossível à vista penetrar aquela espécie de muralha verdejante... Quando atingimos o alto da Serra de Inoã, vimos acima das árvores, numerosos papagaios voando aos pares com grande alarido. Era o papagaio de cabeça vermelha, aí conhecidos como camutanga ou chauá... A Serra de Inoã é um braço que se projeta para o mar da altaneira cadeia montanhosa que corre paralela a costa. Cobremna densas florestas, onde existem muitas qualidades úteis de madeira... e o pequeno macaco vermelho conhecido como mariquina...Esse belo animalzinho é ai chamado de sauí-vermelho...Continuando a viagem, descemos a uma aprazível região campestre e passamos a noite na Fazenda Inoã.” Também Charles Darwin passou pela Serra da Tiririca em 1838 (Darwin s.d.), seguindo em direção a Cabo Frio. Quando chegou a Vila Real da Praia Grande (atual Niterói), Darwin foi guiado por tropeiros passando pela Freguesia de São Sebastião de Itaipu. Em seu relato destacou a exuberância das florestas da região (Darwin 1996). “A paisagem que se descortinava quando estávamos cruzando as montanhas atrás da Praia Grande...” 44 Após atravessar a Serra da Tiririca, já no município de Maricá, chega à Fazenda Itaocaia, como constatado no seu relato: “... Depois de havermos atravessado algumas áreas de terra cultivada, embrenhamo-nos por uma floresta, cujos recantos eram de inexcedível grandiosidade. Ao meio dia chegamos a Itacaia, pequena aldeia situada numa planície. Em torno da casa principal, ali existente, viam-se as choupanas dos negros... Como a lua nascesse cedo resolvemo-nos a partir na mesma tarde, a fim de pernoitarmos na Lagoa de Maricá. Estando a cair a noite, passamos sob íngrimes colinas de granito da região, tão comuns neste país. É notório este lugar, pelo fato de ter sido durante muito tempo o quilombo de alguns escravos fugitivos que, cultivando pequeno terreno próximo à vertente, conseguiram suprir-se de necessário sustento. Mas foram, um dia, descobertos e reconduzidos dali por uma escolta de soldados. Uma velha escrava, no entanto, preferindo a morte à vida miserável que vivia, lançou-se do alto do morro, indo despedaçar-se contra as pedras da base. Se se tratasse de alguma matrona romana, esse gesto seria interpretado como nobilitante amor à liberdade, mas numa pobre negra não passava de caturrice de bruto...” O caminho de Darwin através da Serra da Tiririca foi refeito em 2000 em atividade de educação ambiental, sendo a preservação da natureza discutida no contexto biológico e histórico (Selles & Abreu 2002). De certa maneira a Serra da Tiririca também contribuiu para as observações de Darwin que vieram a revolucionar o pensamento científico a partir do século XVIII. 9. 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Decreto Federal n° 99.574/90 que proíbe por prazo indeterminado o corte e respectiva exploração da vegetação nativa da Mata Atlântica. Resolução CONAMA n° 004/85 que ampliou o conceito de Reserva Ecológica em seus art. 3° e 4° e reforça ainda mais a proteção da área em questão. Esta mesma Resolução, em seu art. 5°, atribui aos estados e municípios a competência de estabelecer normas e procedimentos mais restritivos, através de seus órgãos ambientais. Constituição Estadual, em seu art. 265, define como Áreas de Preservação Permanente: III – as nascentes e as faixas marginais de proteção de águas superficiais; IV – as áreas que abriguem exemplares ameaçados de extinção, raros, vulneráveis ou menos conhecidos, na fauna e flora, bem como aquelas que sirvam como local de pouso, alimentação ou reprodução; V – as áreas de interesse arqueológico, histórico, científico, paisagístico e cultural; Por sua vez, o art. 270 determina que: As coberturas florestais nativas existentes no Estado são consideradas indispensáveis ao processo de desenvolvimento equilibrado e a sadia qualidade de vida de seus habitantes e não poderão ter suas áreas reduzidas. Lei n° 9985, de 18 de julho de 2000 e o Decreto n° 4340 de 22 de agosto de 2002 estabelecem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, enquadrando os Parques Nacionais como Unidades de Proteção Integral, que admitem apenas o uso indireto dos recursos naturais. O SNUC permite a criação deste tipo de Unidade de Conservação nas esferas estaduais e municipais. No inciso 1o fica estabelecido que (SNUC 2002): 50 “O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei.” Portaria n° 1.522/89 do IBAMA em seu art. 1º torna conhecida a lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção e no art. 2° estabelece que os animais nela constantes gozem de proteção integral. Lei Federal n° 5.197/67 de Proteção à Fauna que proíbe a perseguição e destruição de espécies da fauna silvestre em extinção. O art. 27º desta Lei, com a redação que lhe foi dada pela Lei Federal n° 7.653/88, torna esse ato em crime inafiançável. Portaria n° 006/92-N do IBAMA em relação à flora, que além dos dispositivos legais citados, a reconhece em seu art. 1º as espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção. Resolução CONAMA n° 001/86 em seu art. 6º, inciso I, item b, que estabelece que a presença de espécies ameaçadas de extinção em Área de Preservação Ambiental exige o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) para o licenciamento de qualquer obra naquela área. 51 Artigo I CARACTERIZAÇÃO FISIONÔMICO-FLORÍSTICA E ASPECTOS CONSERVACIONISTAS DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RIO DE JANEIRO, BRASIL Ana Angélica M. de Barros & Dorothy Sue Dunn Araujo Artigo a ser submetido ao Enviromental Conservation 52 CARACTERIZAÇÃO FISIONÔMICO-FLORÍSTICA E ASPECTOS CONSERVACIONISTAS DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RIO DE JANEIRO, BRASIL RESUMO – (Caracterização fisionômico-florística e aspectos conservacionistas do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil). Foram identificadas e descritas duas unidades fisionômicas do Parque Estadual da Serra da Tiririca (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W), localizado entre os municípios de Niterói e Maricá, RJ. De forma geral, a vegetação apresenta um aspecto geral escleromórfico, com intensa queda de folhas nos meses mais secos. Contudo, é caracterizada pela floresta ombrófila densa e afloramentos rochosos, sendo seu aspecto escleromórfico associado ao clima regional, proximidade com o mar e a presença de solos rasos. Tem baixa similaridade florística com outras áreas inventariadas do estado do Rio de Janeiro, porém apresentou maior relacionamento com a flora das restingas fluminenses. Apesar da vegetação ter sido muito alterada ao longo dos anos, abriga uma parcela da floresta ombrófila densa com grande relevância sob ponto de vista florístico. Algumas espécies pouco conhecidas para a ciência foram encontradas na área, além de 67 espécies ameaçadas, reforçando a importância da sua conservação. Nesse sentido, a área do Parque não deveria ter sido diminuída pela Lei Estadual nº 5079, mas sim ampliado para respeitar as diretrizes que nortearam sua criação que é a conservação da diversidade biológica. Palavras chaves: Brasil, Serra da Tiririca, Mata Atlântica, fito-fisionomia, conservação ABSTRACT- (Physiognomic-floristic characterization and conservation aspects from the Serra da Tiririca State Park, Niterói and Maricá, Rio de Janeiro, Brazil). There were identified and described in two physiognomic units from the Serra da Tiririca State Park (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W), located between Niterói and Maricá municipal districts, Rio de Janeiro. In general, the vegetation is scleromorphic with intense leaf fall during drier months. However, it is characterized by dense ombrophilous forest and rocky outcrops. The scleromorphic aspect is associated with the regional climate, proximity to the sea and shallow soils. It has low floristic similarity when compared to other areas in Rio de Janeiro state, although it was more closely related to the flora from the restingas. Although the vegetation has been greatly disturbed over the years, there are small fragments of dense ombrophilous forest with great relevance from a floristic point of view. Several species new to science have been found in the area, plus 67 threatened ones, strengthening conservation importance. In this way, the park area should not have been diminished by State law nº 5079, but extended to respect the guidelines that directed park creation, that is conservation of biological diversity. Key words: Brazil, Serra da Tiririca, Atlantic Forest, physiognomy, conservation INTRODUÇÃO O estado do Rio de Janeiro está inserido no bioma Mata Atlântica, sendo a cobertura vegetal constituída por um complexo vegetacional. Nesse contexto, Veloso et al. (1991) destacam-se as florestas ombrófilas densas, florestas estacionais semideciduais e formações pioneiras que incluem as restingas, manguezais e vegetação de influência fluvial. Sendo assim, as diferentes fito-fisionomias fluminenses são influenciadas por fatores físicos, principalmente pela topografia local, que caracteriza paisagens heterogêneas, resultando numa grande diversidade florística. Os estudos indicam que há diferenciação dos padrões florísticos quando observados os diferentes gradientes altitudinais (Guedes-Bruni 1998). Aliado a esse fator, os padrões climáticos e tipos de solo têm influência marcante sobre a vegetação local. Esses fatores fazem com que a Mata 53 Atlântica fluminense apresente vários padrões de endemismo (Mori 1981), demonstrando sua importância como centro de diversidade biológica. Segundo Scarano (2002), além das formações florestais existem áreas abertas constituídas por comunidades vegetais que são periféricas as áreas florestadas. Nesse contexto estão incluídos os afloramentos rochosos litorâneos, campos de altitude, as restingas, florestas alagadas e vegetação xeromórfica do Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio. A vegetação nessas regiões periféricas está sujeita as condições ambientais extremas, sendo muito sensível ás agressões ambientais antrópicas. A partir da década de 90 do século passado houve um incremento de inventários florísticos no estado do Rio de Janeiro, com parcerias de várias instituições de pesquisa. Essas pesquisas focaram principalmente as regiões com maiores coberturas florestais na porção serrana da Serra do Mar e os maciços costeiros, onde se insere a Serra da Tiririca. Essas áreas inspiram muitas preocupações conservacionistas, uma vez que grande parte da diversidade biológica já foi perdida irreversivelmente. Isso se deve ao processo histórico de ocupação humana, que atualmente pressiona as áreas florestadas com a expansão urbana. Esse trabalho tem como objetivo caracterizar fito-fisionomicamente a vegetação do Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) e compará-la com demais áreas inventariadas do estado do Rio de Janeiro. Além disso, avaliar as espécies endêmicas e ameaçadas da flora fluminense presentes na área de estudo. Com isso discutir os problemas relacionados à conservação do PEST. METODOLOGIA A caracterização fito-fisionômica da Serra da Tiririca foi feita com base na classificação de Veloso et al. (1991), no levantamento florístico (Barros & Araujo capítulo II) e nas observações de campo. A diversidade florística da Serra da Tiririca foi comparada com outras áreas inventariadas no estado do Rio de Janeiro. Nessa análise foram consideradas as plantas identificadas apenas até nível de específico e infra-específico. Dessa forma, o número de espécies de Magnoliophyta obtidas no levantamento florístico foi de 894. A flora da Serra da Tiririca foi comparada com listagens de levantamentos florísticos mais abrangentes das 54 seguintes localidades: Reserva Biológica de Macaé de Cima (Lima & Guedes-Bruni 1997), Área de Proteção Ambiental de Cairuçu (Marques 1997), Reserva Biológica de Poço das Antas (Lima et al. 2008), Reserva Biológica do Tinguá (Lima et al. 2008), entorno do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico, Floresta da Tijuca (Marquete 2001), Área de Proteção Ambiental de Sapiatiba (Sá 2006) e Área de Proteção Ambiental do Pau-Brasil (Sá 2006). Dessas listas foram retiradas as espécies ruderais e exóticas. Não foram considerados estudos fitossociológicos, por representarem basicamente o estrato arbóreoarbustivo. Além disso, também foi feita a comparação com listagens de diferentes biomas brasileiros: Cerrado, incluindo as matas de galeria e campos rupestres (Mendonça et al. 1998), Caatinga (CNIP 2008) e Amazônia (Ribeiro et al. 1999). A comparação com a Mata Atlântica foi feita apenas com relação às espécies da flora do estado do Rio de Janeiro, baseada numa planilha unificada das áreas inventariadas, cujas listagens foram publicadas em relação à floresta ombrófila densa (Lima & Guedes-Bruni 1997, Marques 1997, Marquete et al. 2001) e floresta estacional semidecidual (Sá 2006) ou disponíveis no site do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro da Mata Atlântica (Lima et al. 2008 e Lima et al. 2008). Para plantas das restingas fluminenses utilizou-se a listagem de (Pereira & Araujo 2000). A análise comparativa foi feita através do índice de similaridade de Sorensen pela fórmula Cs= 2j / (a+b), onde j= número de espécies comuns nas áreas amostradas, a= número de espécies de cada área a e b= número de espécies de cada área b (Magurran 1988). A classificação quanto ao status de conservação baseou-se nas listas de espécies ameaçadas do IBAMA (1992), IUCN (2008), Biodiversitas (2005) e em trabalhos publicados por especialistas para as famílias Araceae (Coelho 2000; 2004), Cactaceae (Barthlott & Taylor 1995; Taylor & Zappi 2004), Calvente et al. (2005), Cucurbitaceae (Klein 1996), Malvaceae (Bovini 2003), Moraceae (Carauta 1996), Orchidaceae (Pinheiro 1999), Passifloraceae (Pessoa & Cervi 1992) e Rubiaceae (Zappi 2003). RESULTADOS E DISCUSSÃO De forma geral, a vegetação da Serra da Tiririca apresenta um aspecto geral escleromórfico, com intensa queda de folhas nos meses mais secos. Daí advém o questionamento se essa vegetação floristicamente apresentaria mais afinidades com a floresta ombrófila densa ou com a floresta estacional semidecídual. 55 Tabela 1: Similaridade florística da flora do Parque Estadual da Serra da Tiririca relacionada com outros biomas brasileiros. Localidades Nº total de espé cies Nº de espécies compartilha das com PEST (n= 894) Similaridade (Sorensen %) Floresta Ombrófila Densa RJ 2902 557 28,8 Florestas Estacionais RJ 2054 241 24,5 Restingas RJ 1074 359 32,0 Caatinga 8293 505 10,2 Cerrado 6062 317 6,1 Amazônia 1865 52 3,3 Comparando a flora da Serra da Tiririca com formações vegetais do bioma Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro e demais biomas brasileiros verifica-se baixa similaridade com as áreas de Cerrado, Caatinga e Amazônia (Tabela 1). As espécies em comum com esses biomas, em geral, são aquelas que apresentam ampla distribuição (e.g., Tapirira guianensis, Guarea guidonia). Apesar de baixas, as maiores similaridades obtidas foram com as formações da Mata Atlântica fluminense. Dentre essas, destaque para as restingas (32%), seguida da floresta ombrófila densa (28,8%) e florestas estacionais (24,5%). Tabela 2: Similaridade florística da flora do Parque Estadual da Serra da Tiririca relacionada às Restingas do estado do Rio de Janeiro a nível específico e infraespecífico. Restingas Nº total de espécies Nº de espécies compartilhadas com PEST (n= 894) Similaridade (Sorensen %) São João da Barra 180 73 13,6 Jurubatiba 511 153 21,8 Barra de São João 239 98 17,3 Cabo Frio 618 231 30,6 Jacarepiá 386 149 23,3 Maricá 335 123 20,0 56 Grumari 197 113 20,7 Praia do Sul 252 97 16,9 Quando as restingas de todo o estado do Rio de Janeiro são analisadas em conjunto, a similaridade é maior que os demais tipos vegetacionais. Contudo, quando a análise é feita por trecho de restinga as similaridades são menores (Tabela 2). A restinga mais próxima da Serra da Tiririca é a de Maricá (20%), no entanto a maior similaridade obtida foi com Cabo Frio (30,6%). Nas restingas mais distantes a similaridade diminuiu: São João da Barra (13,6%) e Praia do Sul (16,9%). Araujo (2000) verificou o distanciamento da flora da Praia do Sul com as demais restingas, em vista da sua localização na Ilha Grande, litoral sul fluminense, por se encontrar em situação fisiográfica e regime pluviométrico diferenciado das outras restingas fluminenses. A diversidade florística do estado do Rio de Janeiro é influenciada por vários fatores. Dentre esses, um dos mais importantes é o relevo. A cadeia montanhosa mais próxima do Oceano Atlântico é a Serra do Mar, que apresenta paredões abruptos e contínuos, que corta o estado de WSW para ENE desde o limite com o estado de São Paulo até o município de Campos. Na região Sul, as escarpas emergem diretamente do mar e daí vão se afastando do litoral, seguindo paralelo à costa separada por planícies aluviais. Essa disposição do relevo tem influência marcante no clima das diferentes regiões. Ao norte forma uma série de pontões e serras isoladas (Guedes-Bruni & Lima 1996). Nesse contexto se insere a Serra da Tiririca, sendo formada por um maciço cristalino que emerge do mar, seguindo em direção NE – SW. Os fatores climáticos são fundamentais para caracterizar a vegetação de uma dada área. A Serra da Tiririca está inserida numa região de clima quente e úmido (Aw), com precipitação média entre 1.000 e 1.500 mm/ano. Apresenta 3 meses mais secos de Junho a Agosto, quando a precipitação pode ficar abaixo de 60 mm (Barbiére & Coe-Neto 1999). A temperatura média está em torno de 23oC. A área de estudo está situada justamente na zona de transição pluviométrica entre a planície costeira e o maciço costeiro. As florestas estacionais semideciduais ocorrem em regiões de baixa precipitação, com 4 a 6 meses secos por ano (Veloso et al. 1991). As áreas utilizadas para comparação (Tabela 3) encontram-se no Centro de Diversidade de Cabo Frio na zona de influência da 57 ressurgência (Barbiére & Coe-Neto 1999). Nessa área, a planície arenosa se projetada mar adentro e ocorre o afastamento da Serra do Mar da linha da costa. O clima da região é semiárido quente (BSh), segundo classificação de Köeppen, com cinco meses secos por ano e precipitação anual em torno de 1.000 mm/ano (Barbiére 1984). As temperaturas médias anuais estão em torno de 25ºC em fevereiro e 20ºC em agosto. Nos meses de verão pode chegar a 40ºC (Barbiére 1975). Os fatores responsáveis pela baixa precipitação na região são as correntes costeiras e os freqüentes ventos de quadrante nordeste quente e seco (Barbiére & Coe-Neto 1996). As florestas ombrófilas densas ocorrem em regiões de precipitação mais elevada, com 0 a 4 meses secos. As áreas utilizadas para comparação (Tabela 3) estão inseridas em diferentes pontos do estado do Rio de Janeiro, representando as formações altomontana, montana, submontana e de terras baixas. A precipitação varia em torno de 1.500 a 2500 mm/ano. A baixa similaridade (28,8%) é um reflexo desse contexto. Tabela 3: Similaridade florística do Parque Estadual da Serra da Tiririca relacionada com outras localidades inventariadas no estado do Rio de Janeiro a nível específico e infra-específico. Localidades Formação Florestal Nº de espécies compartilhadas com PEST (n= 894) Similaridade (Sorensen %) REBIO de Macaé de Cima (Nova Friburgo) Floresta densa e 827 131 15,2 REBIO de Poço das Antas (Silva Jardim) Floresta ombrófila densa de terras baixas 745 252 30,7 APA de Cairuçu (Parati) Floresta ombrófila submontana montana densa e 885 269 30,2 REBIO do Tinguá Floresta ombrófila submontana densa 717 171 21,2 Entorno do Jardim Botânico Floresta da Tijuca (Rio de Janeiro) Floresta ombrófila submontana densa 337 173 28,1 APA de Sapiatiba (São Pedro d’Aldeia) Floresta estacional semidecidual 144 91 17,5 APA do Pau-Brasil (Búzios) Floresta estacional semidecidual 182 93 17,3 (Nova Iguaçu) ombrófila montana altomontana Nº total de espécies Macaé de Cima (Lima & Guedes-Bruni 1997), Poço das Antas (Lima et al. 2006, Lima et al. 2008), Cairuçu (Marques 1997), Tinguá (Lima 2008), Entorno do Jardim Botânico (Marquete et al. 2001), Sapiatiba (Sá 2006) e Pau-Brasil (Sá 2006). 58 Outro questionamento desse trabalho refere-se ao grau de similaridade entre a flora da Serra da Tiririca com outras áreas investigadas florísticamente no estado do Rio de Janeiro. Embora existam muitas semelhanças entre a flora do PEST e outras áreas da Mata Atlântica fluminense quanto às famílias e gêneros (Barros & Araujo Capítulo II), o mesmo não confere quanto às espécies. Essas áreas correspondem floresta ombrófila e floresta estacional semidecidual (Tabela 3). Contudo, a flora da Serra da Tiririca apresentou-se mais relacionada com as áreas de floresta ombrófila densa. Dentro desse contexto, as maiores similaridades foram obtidas com os maciços litorâneos (Cairuçu e o entorno do Jardim Botânico) e, principalmente, Poço das Antas. A menor similaridade também foi com uma área de floresta ombrófila densa, porém com a formação montana e altomontana (Macaé de Cima). Existe diferenciação da flora de acordo com as faixas altitudinais (Guedes-Bruni 1998) e a ampliação do conhecimento florístico das áreas inventariadas no estado do Rio de Janeiro vem evidenciando tal fato. Com as áreas mais secas (Sapiatiba e Pau-Brasil) a similaridade foi a menor. Os dados apresentados mostram a heterogeneidade da flora fluminense, que é dada por um conjunto de fatores que incluem características topográficas, climáticas e edáficas. Sendo assim, o aspecto mais seco da vegetação da Serra da Tiririca não significa que seja considerada floresta estacional semidecidual. Na verdade está mais relacionada floristicamente com a floresta ombrófila densa. A floresta estacional semidecidual é considerada por Oliveira-Filho & Fontes (2000) um sub-conjunto da floresta ombrófila, sendo que as espécies arbóreas foram selecionadas para enfrentar uma estação seca mais prolongada. A diferença florística entre essas duas formações florestais está correlacionada com o regime de chuvas. A Serra da Tiririca se localiza no ponto de transição de duas zonas climáticas e apresenta solos rasos com exposição de parte do maciço cristalino. Firme et al. (2001) chama atenção nesse sentido para outro maciço litorâneo com características fisionômicas semelhantes, no Pico do Itaiaci, localizado no Parque Estadual da Pedra Branca na zona oeste do município do Rio de Janeiro. Peixoto et al. (2005) também relata uma situação semelhante na Serra da Capoeira Grande em Pedra de Guaratiba, também inserida no Maciço da Pedra Branca, e que apresenta restrições edáficas com solos pouco profundos e presença de afloramentos rochosos. Tal situação restringe o desenvolvimento das árvores. 59 Além do aspecto escleromórfico, essas áreas também compartilham espécies heliófilas presentes nas restingas, como ocorre com a Serra da Tiririca. CARACTERIZAÇÃO FISIONÔMICO-FLORÍSTICA O presente estudo apresenta 2 unidades fisionômicas: (a) floresta ombrófila densa submontana, presente na mata de encosta (Figura 1) e (b) vegetação de afloramento rochoso nos inselbergs (Alto Mourão, Costão de Itacoatiara, Morro das Andorinhas e paredões dos Morros do Telégrafo e Cordovil) (Figura 2). Floresta Ombrófila Densa Submontana Na região onde está inserida a Serra da Tiririca a formação florestal ocorre entre 50 a 500 m de altitude, sendo classificada por Veloso et al. (1991) como floresta ombrófila densa submontana. Esse é o tipo de formação vegetal predominante na Serra da Tiririca (Figura 1). As regiões mais degradadas são encontradas nas áreas com até 150 msm, formando capoeiras mais próximas às ocupações humanas e onde teoricamente seriam os limites do PEST. Esse tipo de vegetação ocorre em todos os morros que compõe a Serra da Tiririca. O dossel é descontínuo, com presença de muitas clareiras, sendo que a altura varia entre 5 e 10 m. Isso permite que haja maior disponibilidade de luz no interior da mata. As espécies arbóreas mais características dessas áreas são essencialmente pioneiras e secundárias iniciais: Myrcia fallax, Tabernaemontana laeta, Piptadenia paniculata, Albizia polycephala, Anadenanthera Mimosa artemisiana, colubrina, Trema Piptadenia micrantha, gonoacantha, Gochnatia Pterogyne polymorpha, nitens, Cybistax antisyphilitica, Aegiphila mediterranea, Casearia sylvestris e Sparattosperma leucanthum. O sub-bosque apresenta uma vegetação pouco desenvolvida, onde ocorrem principalmente espécies arbustivas como Sebastiania gaudichaudiana, Actinostemon klotzschii, Solanum argenteum, Solanum caavurana, Solanum torvum, Cestrum laevigatum, Cordia curassavica, Pavonia nemoralis, Clidemia hirta, Piper mollicomum e Turnera serrata. O estrato herbáceo é pouco expressivo tendo a presença de Oeceoclades maculata e Coccocypselum cordifolium. Trepadeiras lenhosas como, Adenocalymma trifoliatum e Mansoa lanceolata, formam emaranhados que dificultam o deslocamento no interior da mata. Nas bordas das matas e trilhas estão presentes tanto trepadeiras lenhosas quanto herbáceas. Espécies epífitas são raras. 60 B A C D E Figura 1: Floresta ombrófila densa do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. A. Imagem aérea do PEST (Fonte: Google Earth). B. Vista geral do Morro do Telégrafo, vertente voltada para Itaipu e Engenho do Mato, Niterói. C. Vegetação florestal na encosta do Alto Mourão. D. Interior da mata no Morro do Telégrafo. E. Tabebuia ochracea (Cham.) Standl. As áreas em estádio secundário um pouco mais desenvolvido apresentam o dossel relativamente contínuo com altura variando entre 10 – 15 m, com as espécies emergentes Miconia cinnamomifolia e Astronium graveolens. Destacam-se espécies arbóreas como: Brosimum guianensis, Gallesia integrifolia, Miconia prasina, Cabralea canjerana, Pseudopiptadenia contorta, Cupania racemosa, Astrocaryum aculeatissimum, 61 Tetraplandra leandri, Guarea guidonia, Guatteria nigrescens, Bombacopsis glabra, Nectandra oppositifolia e Pera glabrata. O sub-bosque apresenta-se mais estruturado com espécies como: Attalea humilis, Casearia commersoniana, Eschweilera compressa, Abutilon anodoides, Amphirrhox longifolia, Piper hoffmannseggianum, Psychotria carthagenensis, Mollinedia glabra e Bunchosia maritima. Espécies epífitas são raras, sendo a mais comumente observada Tillandsia stricta. Esse tipo de vegetação é encontrado nas encostas dos Morros do Telégrafo, do Cordovil, da Serrinha e do Catumbi. Trepadeiras lenhosas estão presentes, formando emaranhados próximo ao solo, porém também atingem o dossel. A vegetação em estádio secundário tardio está restrita as áreas de difícil acesso, nas cumeeiras dos morros e regiões íngrimes com grandes matacões que não foram utilizadas para agricultura no Morro do Telégrafo e Morro do Cordovil. O dossel é contínuo, sendo que a altura varia entre 10 a 20 m. Apresenta espécies emergentes com até 25 m de altura, como Lecythis pisonis, Cariniana legalis e Eriotheca pentaphylla. A disponibilidade de luz é menor que nas demais áreas. Predominam as espécies arbóreas Euterpe edulis, Caesalpinia echinata, Caesalpinia ferrea, Couratari pyramidata, Ocotea brachybotra, Zollernia glabra, Tabebuia ochracea, Garcinia gardneriana, Sloanea guianensis, Sloanea monosperma, Pachystroma longifolium, Carpotroche brasiliensis, Guarea kunthiana, Roupala montana, Simira viridiflora e Galipea jasminiflora. Nos topos dos morros onde o maciço cristalino está exposto, a fisionomia local passa a ser dominada pela palmeira Syagrus romanzoffiana. Isso ocorre no Morro das Andorinhas e no Alto Mourão. O sub-bosque é bem formado, sendo caracterizado pela presença de Psychotria leiocarpa, Psychotria tenuinervis, Adenocalymma subsessilifolium, Faramea coerulea, Faramea stipulacea, Aphelandra prismatica, Sorocea hilarii, Rudgea interrupta e Conchocarpus gaudichaudianus. Epífitas quase não são observadas, contudo destaca-se a presença de Oncidium ciliatum, Oncidium pumilum e Vriesea psittacina. No interior da mata são observados grandes blocos de rocha de gnaisse facoidal, que formam um ambiente colonizado por vegetação específica. Esses afloramentos constituem ilhas de diversidade vegetal na mata com ocorrência de espécies de porte arbóreo. Não há solo formado sobre esses afloramentos, na verdade existe um acúmulo de matéria orgânica particulada que é suficiente para o desenvolvimento de espécies herbáceo-arbustivas. Plantas como Abutilon bedfordianum, Dichorisandra thyrsiflora, Xylosma ciliatifolia, Brasiliopuntia brasiliensis, Anthurium harrisii, Neoregelia 62 sapiatibensis, Billbergia iridifolia, Cryptanthus acaulis e Jatropha gossypifolia são encontradas nessa situação. Também são observadas outras espécies de médio e grande porte como Ceiba crispiflora, Faramea coerulea, Sloanea monosperma, Campomanesia laurifolia, Myrciaria guaquiea, Tibouchina granulosa entre outras. Nesses blocos de rochas, espécies pendentes podem formar verdadeiras cortinas, dentre essas destaca-se Codonanthe gracilis, além de raízes de Philodendron ochrostemon e Philodendrum corcovadense. Nesses afloramentos rochosos é comum encontrar figueiras de grande porte como Ficus adhatodifolia, Ficus arpazusa, Ficus cyclophylla, Ficus enormis e Ficus gommeleira. Essas plantas apresentam longas e grossas raízes que se inserem nos interstícios da rocha estabilizando os matacões. Formam uma rede contentora importante na fixação de grandes blocos de rocha evitando seu deslizamento. Oliveira et al. (1975) chamam atenção para essas plantas, recomendando sua utilização em reflorestamentos nas encostas do degradadas do município do Rio de Janeiro. A permanência de grandes figueiras na Mata Atlântica em áreas que foram desmatadas está associada a questões religiosas (Fonseca 2005). Além disso, entremeado as suas raízes há acúmulo de matéria orgânica, que promove o estabelecimento de uma litosere de plantas herbáceas e arbustivas. Comum encontrar nessa situação várias espécies de Begoniaceae (Begonia hirtella, Begonia maculata, Begonia reniformis, Begonia salicifolia, Begonia tomentosa), Gesneriaceae (Paliavana prasinata Sinningia aggregata, Sinningia pusilla e Sinningia speciosa), Alstroemeriaceae (Alstroemeria caryophyllaea) e Amaryllidaceae (Hippeastrum reginae e Hippeastrum reticulatum) entre outras. Vegetação de Afloramento Rochoso No estado do Rio de Janeiro as escarpas cristalinas expostas constituem parte integrante do relevo local, sendo denominadas inselbergs por Porembski (2002). Esses afloramentos rochosos ocorrem tanto nos maciços litorâneos quanto mais para o interior fluminense, estando associados a duas importantes cadeias montanhosas, Serra do Mar e da Mantiqueira. Apresentam variações altitudinais que influenciam os padrões de distribuição das espécies, que se organizam em comunidades formando ilhas de vegetação. No entorno da Baía de Guanabara, os inselbergs, entremeados à floresta ombrófila densa, caracterizam a paisagem local. O conjunto formado pelos Morros da Urca, Pão de 63 Açúcar, Cara de Cão e o Pão de Açúcar são referências no município do Rio de Janeiro. Nesse contexto, do outro lado da Baía estão presentes o Alto Mourão, o Costão de Itacoatiara e o Morro das Andorinhas no Parque Estadual da Serra da Tiririca (Figura 2). B C D A E F G Figura 2: Afloramentos rochosos do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. A. Imagem aérea do Costão de Itacoatiara (Fonte: Google Earth). B. Complexo formado pelos inselbergs do Alto Mourão, Pedra do Elefante e Costão de Itacoatiara. C. Enseada do Bananal. D. Ilha de vegetação com Neoregelia cruenta, Coleocephalocereus fluminensis e Stillingia dichotoma. E. Ilhas de vegetação de Trilepis lhotzkiana F. Anemopaegma chamberlaynii. G. Tillandsia araujei. 64 Inicialmente os afloramentos rochosos são colonizados por cianobactérias, que começam a preparar o ambiente para o estabelecimento de comunidades vegetais que se fixam diretamente na rocha ou sobre sedimentos orgânicos muito rasos. Plantas rupícolas e saxícolas formam ilhas de vegetação, gerando um mosaico de acordo com a declividade da rocha e a profundidade do substrato. Essas ilhas apresentam a forma elíptica com tamanhos variados, desde alguns centímetros até vários metros quadrados de área. Podem ser considerados pequenos ecossistemas que funcionam como modelos, onde é possível testar as teorias de ilhas. Isso se deve a presença de uma borda definida que delimita precisamente uma área com composição florística conhecida (Meirelles et al. 1999). A distribuição espacial e abundância de plantas nos afloramentos rochosos estão relacionadas principalmente às variações bruscas em relação à disponibilidade de água, que vêm da chuva e do orvalho. Sendo assim, a sobrevivência nesses ambientes é bem difícil, exigindo das plantas uma série de adaptações, principalmente no que diz respeito ao déficit hídrico (de Mattos et al. 1997). Além dos inselbergs, essa vegetação também é observada em alguns pontos dos Morros do Telégrafo e Cordovil, onde a incidência de escarpas rochosas com declives muito acentuados dificultam o estabelecimento de espécies arbóreas e arbustivas. Sendo assim, os paredões formam áreas abertas onde a rocha fica exposta devido a processos erosivos. Isso resulta no deslizamento das finas camadas de solo que recobrem parcialmente a superfície das escarpas. Grande parte da fisionomia desses ambientes é constituída por plantas das famílias Bromeliaceae e Cactaceae. Esse padrão também ocorre em outros inselbergs litorâneos estudados no município do Rio de Janeiro (Oliveira et al. 1975; Carauta & Oliveira 1984). Alcantarea glaziouana e Coleocephalocereus fluminensis são exemplos, apresentando grandes populações dominantes no Costão de Itacoatiara, Morro das Andorinhas, Morro do Telégrafo e Alto Mourão. Nas vertentes mais inclinadas ocorrem muitas plantas pioneiras rupícolas, que podem agregar ao seu redor outras espécies, contudo essas pequenas ilhas de vegetação podem ser instáveis. Em ocasiões de fortes chuvas e ventos intensos podem desprender-se da rocha. Isso é observado no paredão do Alto Mourão voltado para a Enseada do Bananal, onde se encontram as últimas populações de Tillandsia dura e Vriesea botafoguensis que 65 escaparam da coleta extrativista para venda como ornamental. Tal situação também é observada nos paredões do Costão de Itacoatiara com a bromélia Vriesea costae, cujo typus foi coletado nessa área. Algumas espécies podem se fixar diretamente na rocha lisa como, por exemplo, Tillandsia araujei, Tillandsia dura, Vriesea botafoguensis, Vriesea costae, Alcantarea glaziouana e Brassavola tuberculata. Essas plantas têm um importante papel como pioneiras no processo de sucessão ecológica dos afloramentos rochosos. A partir da instalação de uma espécie colonizadora ocorre o acúmulo de sedimentos, provenientes da erosão da rocha, levando ao desenvolvimento de outras plantas mais exigentes (Meirelles et al. 1999). Nas fendas da rocha acumulam-se sedimentos orgânicos onde plantas saxícolas podem se instalar. Em determinadas áreas o sedimento acumulado pode permitir o desenvolvimento de vegetação arbóreo-arbustiva no Costão de Itacoatiara, com porte até 5 m de altura e emergentes como Syagrus romanzoffiana com até 10 m de altura. No topo da pedra (mata do cume) e área conhecida como Pata do Gato ocorrem espécies arbóreas como Tabebuia chrysotricha, Kielmeyera membranacea, Tibouchina corymbosa, Myrcia selloi, Genipa americana, Metternichia princeps, Cupania oblongifolia, Heisteria perianthomega entre outras. Dentre as espécies arbustivas destaque para Jacaranda jasminoides, Schaueria calycotricha, Polygala albicans, Tocoyena bullata, Rinorea laevigata e Chionanthus fluminensis. No estrato herbáceo são comumente observadas Dichorisandra thyrsiflora, Calathea violacea, Neomarica candida, Begonia maculata e Lepidagathis nemoralis. Conservação e Endemismos Um dos grandes desafios do século XXI é a necessidade de se reverter o quadro crescente da perda da diversidade biológica. Segundo Primack & Rodrigues (2001), a diversidade global das espécies atingiu um grau sem precedentes no período geológico atual. Contudo, a riqueza de espécies tem diminuído sensivelmente à medida que a população humana aumenta. Tal fato ocasiona a elevação das taxas de extinção de várias espécies. 66 Estimativas feitas por Reid & Miller (1989) (apud Primack & Rodrigues 2001) indicam que para as 250.000 espécies aproximadamente conhecidas de angiospermas, 0,2% foram extintas do planeta (extinções registradas de 1600 até o presente). Embora, a princípio, esse número não seja alarmante, a tendência é o aumento da taxa de extinção, sendo que a maioria delas vem ocorrendo nos últimos 150 anos. Nesse contexto, espécies endêmicas são mais vulneráveis por serem restritas a determinados locais e apresentarem uma ou poucas populações. Em conseqüência de todas as alterações ambientais ocasionadas por ação antrópica, muitas espécies enfrentam problemas de diminuição drástica de suas populações. Sendo assim, a preocupação com a redução da diversidade biológica é tratada a nível internacional pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas. Um dos principais instrumentos legais sobre o assunto é a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), ratificada por vários países, sendo o Brasil um de seus signatários. Uma das principais colocações desse documento é a indicação da responsabilidade do poder público na conservação da fauna, flora e dos ecossistemas. Dentre as principais causas da perda de diversidade biológica pela atividade humana estão: a destruição dos habitats naturais, introdução de espécies exóticas, fragmentação, super-exploração das espécies para uso humano e o aumento da ocorrência de doenças (Primack & Rodrigues 2001). Localmente, uma das principais causas da perda de diversidade biológica no PEST é especulação imobiliária (Barros & Seoane 1999). Apesar da vegetação do PEST ter sido muito alterada ao longo dos anos, abriga uma parcela da floresta ombrófila densa com grande relevância sob ponto de vista florístico. Algumas das espécies pouco conhecidas para a ciência foram encontradas na área reforçando a importância da sua conservação. Parte dessas espécies foi considerada rara devido às poucas coletas registradas nas coleções científicas, sendo algumas conhecidas apenas pelo seu exemplar typus. É o caso de Abutilon anodoides, Guatteria reflexa, Picramnia grandifolia, Ocotea microbotrys e Rudgea discolor. Em outros casos, devido à redução de seus habitas, espécies são consideradas raras por terem suas populações muito reduzidas, sendo encontradas em poucas localidades como Anthurium luschnathianum, Anthurium validinervium, Wildbrandia glaziovii, Macrotorus utriculatus e Callisthene dryadum. Esse último, até o registro no PEST, era considerado extinto no 67 estado do Rio de Janeiro (M.C. Vianna comunicação pessoal), tendo sido coletado no Córrego dos Colibris. Essa é uma das áreas constantemente ameaçada pela especulação imobiliária. No levantamento florístico foram registradas 69 espécies endêmicas do estado do Rio de Janeiro no PEST (Tabela 4). Essas espécies merecem um cuidado especial em vista da sua vulnerabilidade. Esse grupo representa 7,6% do total das espécies relacionadas para o PEST. É uma percentagem baixa, quando comparada com outras áreas inventariadas no estado do Rio de Janeiro como, por exemplo, em Macaé de Cima (35%) (Lima & GuedesBruni 1997) e nas restingas fluminenses (21%) (Araujo 2000). Dessas, 30,4% são espécies associadas aos afloramentos rochosos dos inselbergs do Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Morro das Andorinhas, as áreas mais visitadas do PEST. Meirelles et al. (1999) já havia chamado atenção para o endemismo que é observado nos afloramentos rochosos do Rio de Janeiro. O controle da visitação nas áreas de afloramentos rochosos é exercido de maneira precária pelo IEF-RJ e os sinais de degradação promovidos pelos “ecoturistas” são crescentes. Tabela 4: Plantas endêmicas do estado do Rio de Janeiro com ocorrência no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ: ma + r espécies que ocorrem na Mata Atlântica e restinga; ma espécies que ocorrem na Mata Atlântica. Famílias ACANTHACEAE ANNONACEAE Espécies Justicia beyrichii (Nees) Lindau ma Schaueria calycotricha (Link & Otto) Nees ma Duguetia sessilis (Vell.) Maas Guatteria reflexa R.E.Fr. ARACEAE BROMELIACEAE Ocorrência ma + r ma Anthurium harrisii (Grah.) Enoll. ma + r Anthurium luschnathianum Kunth ma + r Anthurium maximiliani Schott ma Anthurium sucrei G.M. Barroso ma Anthurium validinervium Engl. ma Philodendron speciosum Schott ex Engl. ma Aechmea fasciata (Lindl.) Baker var. fasciata ma + r 68 Alcantarea glaziouana (Lemaire) Leme CACTACEAE ma Cryptanthus acaulis (Lindl.) Beer ma + r Neoregelia cruenta (R. Graham) L.B. Smith ma + r Neoregelia sapiatibensis E. Pereira & L.A. Pereira ma + r Tillandsia araujei Mez ma Vriesea costae E. Leme & B. Rezende ma Vriesea eltoniana Pereira & Ivo ma Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.) Backeb. ma Rhipsalis mesembryanthemoides Haworth ma CLUSIACEAE Kielmeyera rizziniana Saddi ma + r CONNARACEAE Connarus nodosus Baker ma + r CUCURBITACEAE Wilbrandia glaziovi Cogn. ma ERYTHROXYLACEAE Erythroxylum gaudichaudii Peyr. ma Erythroxylum magnoliifolium A. St. Hil. ma EUPHORBIACEAE Algernonia brasiliensis Baill. ma LAURACEAE Ocotea microbotrys (Meisn.) Mez ma Ocotea schotii (Miesn.) Mez LECYTHIDACEAE LEGUMINOSAE ma + r Couratari pyramidata (Vell.) Knuth ma Eschweilera compressa (Vell.) Miers ma Inga lanceifolia Benth. ma Inga lenticellata Benth. ma Machaerium firmum Benth. ma Pseudopiptadenia schumanniana (Taub.) Lewis & M. Lima ma Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger ma Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger ma LORANTHACEAE Struthanthus maricensis Rizz. ma + r MALPIGHIACEAE Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates ma + r Stigmaphyllon gayanum A. Juss. ma Stigmaphyllon vitifolium A. Juss. ma MALVACEAE Abutilon anodoides A. St. Hil. et Naud. ma MARANTACEAE Calathea sphaerocephala K. Schum. ma 69 MONIMIACEAE MYRTACEAE Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins ma + r Mollinedia lamprophylla Perkins ma Mollinedia longifolia Tulasne ma Campomanesia laurifolia Gardn. ma Eugenia excelsa O. Berg Eugenia marambaiensis M.C. Souza et M.P. Morim ma + r ma Marlierea choriophylla Kiaersk. ma + r Marlierea racemosa (Vell.) Kiaersk. ma + r PASSIFLORACEAE Passiflora farneyi Pessoa & Cervi ma + r PIPERACEAE Peperomia incana (Haw.) Hook. ma RUBIACEAE Coussarea capitata (Benth.) Benth. et Hook. f. ma + r Faramea calyciflora A. Rich. ex DC. ma Faramea macrocalyx Müll. Arg. ma Mitracarpus lhotzkyanus Cham. ma + r Posoqueria acutifolia Mart. ma + r Psychotria rauwolfioides Standl. ma Psycotria stenocalyx Müll. Arg. ma Psychotria subspathacea Müll. Arg. ma Psychotria tenuinervis Müll. Arg. ma Psychotria umbellurigera (Müll. Arg.) Standl. ma Rudgea discolor Benth. ma Rudgea eugenioides Standl. ma Rudgea interrupta Benth. ma Rudgea umbrosa Müll.Arg. ma SIMAROUBACEAE Picramnia grandifolia Engler ma SOLANACEAE Metternichia princeps Mikan var. princeps ma Algumas espécies apresentam distribuição restrita à região do entorno da Baía de Guanabara como: Abutilon anodoides (Bovini 2003), Rhipsalis cereoides, Rhipsalis mesembryanthemoides (Barthlott & Taylor 1995; Taylor & Zappi 2004; Calvente 2005), Vriesea costae (Sousa et al. 2003), Alcantarea glaziouana (Leme 1995), Rudgea interrupta 70 (Zappi 2003). Struthanthus maricensis, Banisteriopsis sellowiana e Marlieria choriophylla, embora tenham sido indicadas por Araujo (2000) como restritas as restingas fluminenses foram coletadas no PEST na floresta ombrófila densa submontana. Dessa forma, no presente estudo essas espécies tem sua região de ocorrência expandida para essa formação florestal. Ao todo no PEST ocorrem 20 espécies endêmicas que podem ser encontradas tanto na floresta ombrófila densa quanto na restinga (Tabela 4). Espécies Ameaçadas A ameaça de extinção de espécies levou a criação de várias listas vermelhas que indicam o status de conservação das espécies em escala global, regional ou local. Nesse sentido, a International Union for the Conservation of Nature and Natural Resources (IUCN) foi pioneira na elaboração das listas de espécies ameaçadas. Criou critérios de avaliação que são utilizados para apontar quais são essas espécies. As listas vermelhas tornaram-se instrumentos legais para proteção da diversidade biológica incitando o poder público a cumprir seu papel previsto na Convenção da Diversidade Biológica de 1997. No Brasil o status de conservação das espécies da flora é apontado oficialmente pela Portaria 37-N de 03/04/1992 do IBAMA (1992). Mais recentemente essas espécies foram reavaliadas e apresentadas na Lista Brasileira de Espécies da Flora Ameaçada revisada em 2005 em workshop realizado pela Fundação Biodiversitas. Não há ainda uma lista específica para o estado do Rio de Janeiro, apenas para o município do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro 2000), que não traduz a realidade para todo Estado. 3 spp. 7 spp. 15 spp. Criticamente ameaçada Em perigo 42 spp. Vulnerável Quase ameaçada Figura 3: Categorias de conservação de espécies vegetais ameaçadas no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. 71 Foram registradas no PEST 66 espécies da flora englobadas em alguma categoria de ameaça de extinção (Anexo). Esse dado corresponde a 7,2% do total de espécies amostradas. Nessa relação 21 espécies são endêmicas do estado do Rio de Janeiro. A maioria encontra-se na categoria vulnerável, (42 spp.), seguida de em perigo (15 spp.), criticamente ameaçadas (7 spp.) e quase ameaçadas (3 spp.) (Figura 3). Na lista vermelha da IUCN constam 23 espécies reconhecidas internacionalmente com algum grau de ameaça de extinção. Dessas 13 são vulneráveis, 8 em perigo e 2 criticamente ameaçadas (Eschweilera compressa e Mollinedia lamprophylla). 50 espécies que ocorrem no PEST estão incluídas na lista de espécies ameaçadas de extinção do município do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro 2000). Dentre as espécies criticamente ameaçadas inclui-se Vriesea costae, encontrada nos paredões íngrimes do Costão de Itacoatiara. Quando descrita foi considerada endêmica do PEST, contudo já foi coletada no Parque Estadual da Chacrinha, município do Rio de Janeiro. Também nessa categoria Heteropterys ternstroemiifolia, encontrada no Córrego dos Colibris, Morro do Cordovil e Morro do Telégrafo; Abutilon anodoides, espécie redescoberta na Serra da Tiririca, sendo coletada no Córrego dos Colibris e no Morro das Andorinhas. Callisthene dryadum não conta dessas listas, mas é uma espécie ameaçada, uma vez que apresenta populações reduzidas, sendo que a única conhecida até então, se localiza no Córrego dos Colibris. Na categoria em perigo destaque para Anthurium luschnathianum, que ocorre em floresta de restinga, raramente em floresta submontana até 250 msm; Anthurium sucrei, rupícola ocorre nos afloramentos rochosos da região metropolitana do Rio de Janeiro e Anthurium validinervium, raríssima e endêmica do estado do Rio de Janeiro. Também nessa categoria Euterpe edulis com apenas duas pequenas populações no Morro do Telégrafo e que foi largamente coletado de forma extrativista; Mollinedia glabra e Rudgea interrupta, características do sub-bosque; Dorstenia arifolia, que embora ameaçada, tem ampla distribuição no PEST, o que já não ocorre com D. cayapia, encontrada apenas no Alto Mourão. Cabe ressaltar a importância do registro no PEST da presença de Caesalpinia echinata, espécie considerada em perigo. Foram encontradas três pequenas populações no Morro do Telégrafo. Pensava-se que o pau-brasil estivesse completamente extinto no 72 município, como consta no Diagnóstico Ambiental de Niterói (Prefeitura de Niterói 1992). Contudo, essa espécie já foi coletada em Niterói, além da Serra da Tiririca, no Morro da Viração e na Serra do Malheiro, localizada na Reserva Ecológica Darcy Ribeiro. Essa espécie ocorre no estado do Rio de Janeiro apenas em áreas como a Serra das Emerências, Cabo Frio (Sá 2006), na Reserva Ecológica de Jacarepiá, Saquarema (Sá 1992) e APA da Serra da Capoeira Grande, Rio de Janeiro (Peixoto et al. 2005). Dentre as espécies vulneráveis destaque para: Passiflora farneyi, encontrada no Morro das Andorinhas e Costão de Itacoatiara; Mollinedia lamprophylla, apenas um registro no Morro do Cordovil; Coussapoa curranii, apenas um registro no Alto Mourão; Cattleya forbesii, observada no Costão de Itacoatiara e Córrego dos Colibris, sendo muito cobiçada por colecionadores; Constantia rupestris, pequena orquídea epífita encontrada no Costão de Itacoatiara; Macrotorus utriculatus, apenas um registro no Córrego dos Colibris; Rhipsalis cereoides, endêmico de afloramentos rochosos do entorno da Baía de Guanabara, ocorre no Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Morro das Andorinhas; Rhipsalis mesembryanthemoides, endêmico da região metropolitana do Rio de Janeiro (Calvente et al. 2005) e Alcantarea glaziouana, endêmica dos paredões rochosos da circunvizinhança do Rio de Janeiro em altitudes próximas do mar (Leme 1995). Tabela 5: Plantas presentes na lista do CITES com ocorrência no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Famílias CACTACEAE LEGUMINOSAE Espécies Anexo CITES Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A. Berg. II Coleocephalocereus fluminensis (Miq.) Backeb II Hylocereus setaceus (Salm-Dyck) R. Bauer II Lepismium cruciforme (Vell.) Miquel II Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.) Backeb. II Rhipsalis lindbergiana K. Schum. II Rhipsalis mesembryanthemoides Haworth II Rhipsalis oblonga Loefgren II Rhipsalis paradoxa (Salm-Dyck ex Pfeiff.) Salm-Dyck II Rhipsalis teres (Vell.) Steud. II Caesalpinia echinata Lam. II 73 MELIACEAE Cedrela odorata L. III ORCHIDACEAE Cattleya forbesii Lindl. II Epidendrum rigidum Jacq. II Laelia lobata (Lindl.) Veitch. I Oncidium pumilum Lindl. II Coleocephalocereus fluminensis não foi enquadrado nas listas de espécies ameaçadas consultadas. Contudo, Calvente et al. (2005) consideram essa espécie vulnerável no estado do Rio de Janeiro, por apresentar populações restritas aos afloramentos rochosos. Sofre redução de seu habitat devido à pressão antrópica como urbanização intensa, especulação imobiliária no entorno das áreas de ocorrência e queimadas. No PEST ocorrem 17 espécies que estão incluídas na lista do CITES (2008) (Convenção Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção), da qual o Brasil é signatário a partir do Decreto 76.623 de 17 de novembro de 1975. Essa convenção tem como objetivo controlar o comércio internacional de fauna e flora silvestres e, dessa forma, exercer fiscalização sobre a comercialização das espécies contidas na sua lista. Contudo, não atua sobre o comércio ilegal. As espécies sobre controle são listadas nos anexos I (inclui todas as espécies ameaçadas de extinção que são ou podem ser afetadas pelo comércio e estão sob controle rigoroso), II (inclui espécies que, embora não estejam necessariamente em perigo de extinção podem vir a extinguir-se se o comércio não estiver submetido à regulamentação rigorosa para evitar a exploração incompatível com sua sobrevivência) e III (inclui as espécies que requerem algum tipo de regulamentação para impedir ou restringir sua exploração e que necessitam da cooperação de outras partes no controle do comércio) (CITES 2008). Embora não tenha sido coletada por se encontrar em área de difícil acesso, registrase a ocorrência no PEST da orquídea Laelia lobata, que está em perigo de extinção, segundo lista de espécies ameaçadas do IBAMA (1992). Consta da lista do CITES como espécie ameaçada no anexo I. 74 CONCLUSÃO A Serra da Tiririca está inserida no maciço litorâneo da Serra do Mar e apresenta uma vegetação típica desse tipo de ambiente, constituída por floresta ombrófila densa e afloramentos rochosos. O aspecto escleromórfico dessa vegetação está associado ao clima regional, proximidade com o mar e a presença de solos rasos. Os inselbergs constituem um fator de enriquecimento para a flora local, correspondendo a ilhas de diversidade florística entremeadas a floresta ombrófila densa. A flora da Serra da Tiririca apresenta relações florísticas com outras áreas de floresta ombrófila densa e restingas do estado do Rio de Janeiro. Contudo, com baixa similaridade, devido a grande diversidade florística da Mata Atlântica fluminense, que é influenciada por fatores como relevo, solo e clima. Nesse estudo, espécies pouco conhecidas foram redescobertas, além da presença de várias outras ameaçadas. Apesar da grande relevância florística, os problemas conservasionistas do PEST são complexos. Essa Unidade de Conservação de Proteção Integral criada em 1991 foi palco de muitas discussões políticas. Efetivamente isso só contribuiu para o avanço da ocupação de áreas florestadas que eram parte integrante dos limites em estudo com 2.400 ha (Decreto nº 18.598 de 19/04/1993). A falta de limites definitivos e do plano de manejo contribuiu para o aumento da perda de diversidade biológica. Apenas em 2007 (Lei Estadual nº 5079) os limites foram aprovados pela Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro, baseados na proposta elaborada pela comissão Pró-Tiririca apresentada ao Instituto Estadual de Florestas-RJ e em emendas de deputados estaduais liberando mais áreas para a especulação imobiliária. Houve uma redução da área do PEST, quando os dados florísticos desse estudo e de Costa (2005) mostram que deveriam ter sido ampliados. Além disso, muitos exemplos mostram que a cada diminuição de dez vezes na área perde-se cerca de 30% das espécies da comunidade original (Roche & Dourojeanni 1984, apud Kageyama 1987). Dessa forma, as diretrizes de conservação da diversidade biológica que nortearam a criação do PEST se perderam nas discussões políticas, que nada contribuiu para a efetiva implantação da Unidade de Conservação. 75 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Araujo, D.S.D. 2000. Análise florística e fitogeográfica das restingas do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Geografia). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 169p. Barbiére, E.B. 1975. Ritmo de extração de sal em Cabo Frio. Revista Brasileira de Geografia 37(4): 23–109. Barbiére, E.B. 1984. Cabo Frio e Iguaba Grande, dois microclimas distintos a um curto intervalo espacial. In: Lacerda, L.D.; Araújo, D.S.D.; Cerqueira, R. & Turq, B. (eds) Restingas: Origem, estrutura, processos. Niterói, CEUFF 1: p. 03-13. 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Kew Boletin 58: 513–596. 79 Anexo Espécies ameaçadas de extinção presentes no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil. FAMÍLIAS ESPÉCIES CATEGORIA FONTE ANACARDIACEAE Myracrodruon urundeuva Allemão vulnerável IBAMA (1992) ANNONACEAE Guatteria reflexa R.E.Fr. vulnerável Biodiversitas (2005) ARACEAE Anthurium luschnathianum Kunth em perigo Biodiversitas (2005) Anthurium sucrei G.M. Barroso em perigo Coelho (2004) Anthurium validinervium Engl. em perigo Coelho (2004) Philodendron bipennifolium Schott vulnerável Coelho (2000) Philodendron speciosum Schott ex Engl. vulnerável Coelho (2000) ARECACEAE Euterpe edulis Mart. em perigo Biodiversitas (2005) BROMELIACEAE Aechmea sphaerocephala Baker vulnerável Biodiversitas (2005) Alcantarea glaziouana (Lemaire) Leme vulnerável Biodiversitas (2005) Neoregelia cruenta (R. Graham) L.B. Smith vulnerável Biodiversitas (2005) Vriesea costae E. Leme & B. Rezende criticamente em perigo Biodiversitas (2005) Vriesea eltoniana Pereira & Ivo em perigo Biodiversitas (2005) Vriesea psittacina (Hook.) Lindl. vulnerável Biodiversitas (2005) Coleocephalocereus fluminensis (Miq.) Backeb vulnerável Calvente et al. (2005) Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles ex G.D. Rowley. quase Biodiversitas (2005) Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.) Backeb. vulnerável Biodiversitas (2005); IUCN (2008); Barthlott & Taylor (1995); Taylor & Zappi (2004) Rhipsalis mesembryanthemoides Haworth vulnerável Barthlott & Taylor (1995); Taylor & Zappi (2004) COMMELINACEAE Siderasis fuscata (Lood.) Moore vulnerável Biodiversitas (2005) CONVOLVULACEAE Ipomoea daturaeflora Meissn. em perigo Biodiversitas (2005) CUCURBITACEAE Wilbrandia glaziovi Cogn. vulnerável Klein (1996) EUPHORBIACEAE Joannesia princeps Vell. vulnerável IUCN (2008) GESNERIACEAE Sinningia pusilla (Mart.) Baill. quase Biodiversitas (2005) CACTACEAE ameaç ada ameaç ada HELICONIACEAE Heliconia lacletteana Emygdio & Santos vulnerável IBAMA (1992) 80 LAURACEAE Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer vulnerável Biodiversitas (2005) Phyllostemonodaphne geminiflora (Mez) Kosterm. vulnerável; em perigo Biodiversitas (2005); IUCN (2008) Urbanodendron bahiense (Meiss.) Rohwer vulnerável; em perigo Biodiversitas (2005); IUCN (2008) Urbanodendron verrucosum (Nees) Mez vulnerável IUCN (2008) Cariniana legalis (Mart.) Kuntze vulnerável IUCN (2008) Couratari pyramidata (Vell.) Knuth em perigo IUCN (2008) Eschweilera compressa (Vell.) Miers criticamente em perigo IUCN (2008) Caesalpinia echinata Lam. em perigo IBAMA (1992); Biodiversitas (2005); IUCN (2008) Abarema cochliocarpus (Gomes) R.C. Barneby & J.W. Grimes vulnerável IUCN (2008) Inga lanceifolia Benth. vulnerável IUCN (2008) Inga lenticellata Benth. vulnerável IUCN (2008) Mimosa caesalpiniifolia Benth. vulnerável IUCN (2008) Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates vulnerável Biodiversitas (2005) Heteropterys ternstroemiifolia A. Juss. criticamente em perigo Biodiversitas (2005) Stigmaphyllon vitifolium A. Juss. vulnerável Biodiversitas (2005) MALVACEAE Abutilon anodoides A. St. Hil. & Naud. criticamente em perigo Biodiversitas (2005); Bovini (2003) MELIACEAE Cedrela odorata L. vulnerável IUCN (2008) Trichilia casaretti C. DC. vulnerável IUCN (2008) Trichilia silvatica C. DC. vulnerável IUCN (2008) Odontocarya vitis Miers em perigo Biodiversitas (2005) Ungilipetalum filipendulum (Mart.) Moldenthe vulnerável Biodiversitas (2005) Macrotorus utriculatus Perkins vulnerável Biodiversitas (2005) Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins em perigo; vulner ável IBAMA (1992); Biodiversitas (2005); IUCN (2008) Mollinedia lamprophylla Perkins vulnerável; critica mente ameaç ada Biodiversitas (2005); IUCN (2008) Coussapoa curranii S.F. Blake em perigo; vulner ável Carauta (1996); IUCN (2008) LECYTHIDACEAE LEGUMINOSAE MALPIGHIACEAE MENISPERMACEAE MONIMIACEAE MORACEAE 81 Dorstenia arifolia Lam. em perigo IBAMA (1992) Dorstenia cayapia Vell. vulnerável IBAMA (1992) Ficus cyclophylla (Miquel) Miquel em perigo IUCN (2008) Pseudomedia hirtuta Kuhlmann em perigo IUCN (2008) Campomanesia laurifolia Gardn. vulnerável Biodiversitas (2005) Eugenia oxyoentophylla Kiaersk. em perigo Biodiversitas (2005) Eugenia villae-novae Kiaersk. em perigo IUCN (2008) Plinia ilhensis G.M. Barroso vulnerável Biodiversitas (2005) OLEACEAE Chionanthus fluminensis (Miers) P.S. Green criticamente em perigo IUCN (2008) ORCHIDACEAE Cattleya forbesii Lindl. vulnerável Pinheiro (1999) Constantia rupestris Barb. Rodr. vulnerável Biodiversitas (2005); Pinheiro (1999) Passiflora farneyi Pessoa & Cervi quase Pessoa & Cervi (1992) MYRTACEAE PASSIFLORACEAE ameaç ada RUBIACEAE SAPOTACEAE Rudgea coronata (Vell.) Müll. Arg. vulnerável Biodiversitas (2005); Zappi (2003) Rudgea francavillana Müll. Arg. em perigo Biodiversitas (2005); Zappi (2003) Rudgea interrupta Benth. vulnerável Biodiversitas (2005); Zappi (2003) Rudgea minor ssp. minor Benth. criticamente em perigo Biodiversitas (2005); Zappi (2003) Sideroxylon obtusifolium (Humb. ex Roem. & Schult.) T.D. Penn. vulnerável IBAMA (1992) 82 Artigo II ANÁLISE FLORÍSTICA DE MAGNOLIOPHYTA DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RIO DE JANEIRO, BRASIL Ana Angélica M. de Barros & Dorothy Sue Dunn Araujo Artigo a ser submetido ao Morphology, Distribution, Functional Ecology of Plants 83 Análise Florística de Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil RESUMO – (Análise florística de Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil). O Parque Estadual da Serra da Tiririca está inserido na porção costeira da Serra do Mar do estado do Rio de Janeiro entre os municípios de Niterói e Maricá (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W). A vegetação corresponde à floresta ombrófila densa submontana e afloramentos rochosos presentes nos inselbergs do Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Morro das Andorinhas. É uma região com elevada riqueza florística que está bastante ameaçada pela ação humana. O inventário florístico registrou 907 espécies de Magnoliophyta pertencentes a 434 gêneros e 97 famílias, além de 122 espécies consideradas ruderais. Destacam-se as seguintes famílias quanto à riqueza de espécies: Leguminosae (85 spp.), Rubiaceae (54 spp.), Myrtaceae (55 spp.), Euphorbiaceae (42 spp.), Bromeliaceae (41 spp.), Sapindaceae (33 spp.), Bignoniaceae (29 spp.), Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25 spp.) e Asteraceae (25 spp.). As plantas arbóreas representam 35,8% da flora, seguido de trepadeiras (21,9%), ervas (18,4%), arbustos (16,9%), epífitas (4,9%), hemiepífitas (1,8%) e parasitas (0,3%). Palavras chaves: Serra da Tiririca, florística, Mata Atlântica, diversidade ABSTRACT- (Floristic analyses of Magnoliophyta from the Serra da Tiririca State Park, Brazil: Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brazil). Serra da Tiririca State Park is located on the coast of the Serra do Mar in Rio de Janeiro between Niterói and Maricá municipal districts (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W). The vegetation is dense ombrophilous forest and rocky outcrops on the inselbergs of Alto Morão, Costão de Itacoatiara and Morro das Andorinhas. It is a region with high floristic richness that is truely endangered by the human activities. The floristic inventory registered 907 species of Magnoliophyta belonging to 434 genera and 97 families and 122 weedy species. The following families are important for their species richness: Leguminosae (85 spp.), Rubiaceae (54 spp.), Myrtaceae (55 spp.), Euphorbiaceae (42 spp.), Bromeliaceae (41 spp.), Sapindaceae (33 spp.), Bignoniaceae (29 spp.), Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25 spp.) and Asteraceae (25 spp.). Trees represent 35.8% of the flora, followed by climbers (21.9%), herbs (18.4%), shrubs (16.9%), epiphytes (4.9%), hemiepiphytes (1.8%) and parasites (0.3%). Key words: Serra da Tiririca, flora, Atlantic Forest, diversity INTRODUÇÃO A flora do estado do Rio de Janeiro vem sendo investigada desde o século XVI, quando os primeiros naturalistas começaram a coletar exemplares da flora fluminense (Guedes-Bruni & Peixoto 2003), descobrindo uma série de novas espécies representativas da diversidade florística da Mata Atlântica. Os primeiros trabalhos publicados enfocaram a porção serrana da Serra do Mar, mais especificamente na Serra dos Órgãos (Veloso 1945; Rizzini 1953/54) e a Serra da Mantiqueira em Itatiaia (Brade 1956). Contudo, apenas nos últimos 30 anos, esses estudos se intensificaram. Foram feitos esforços de coletas em inventários florísticos realizado nas serranias da Serra do Mar, onde as florestas encontram-se mais preservadas (Lima & Guedes-Bruni 1994, Lima & Guedes-Bruni 1996, Lima & Guedes-Bruni 1997). A vegetação litorânea foi investigada principalmente em relação às restingas (Ule 1967, Araujo & Henriques 1984, Oliveira & Araujo 1988, Silva 84 & Somner 1989, Sá 1992, Sá 1996, Montezuma 1997, Araujo 2000, Pereira & Araujo 2000, Fernandes & Sá 2000, Costa & Dias 2001 e Cordeiro 2005). A diversidade florística da floresta ombrófila densa na região litorânea da Serra do Mar é evidenciada nos inventários realizados em remanescentes florestais localizados principalmente em Unidades de Conservação: Floresta da Tijuca (Mattos et al. 1976, Santos 1976, Marquete et al. 2001), Maciço da Pedra Branca (Oliveira & Costa 1985; Peixoto et al. 2004; Solórzano 2006), Reserva Biológica do Tinguá (Rodrigues 1996; Braz et al. 2004, Lima 2008), Área de Proteção Ambiental de Cairuçu (Marques 1997; Marques et al. 1997). Nas florestas de terras baixas destacam-se os trabalhos na Reserva União (Rodrigues 2004) e Reserva Biológica de Poço das Antas (Lima et al. 2006; Lima et al. 2008). Em relação às florestas semideciduais foram realizados estudos florísticos no Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio (Araujo 1998; Farág 1999; Sá 2006). Estudos florísticos na Serra da Tiririca foram realizados principalmente no complexo formado pelo Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Morro das Andorinhas (Araujo & Vilaça 1981), onde se encontram os afloramentos rochosos. No Alto Mourão, Lopes (1992) registrou a presença de 308 espécies pertencentes a 75 famílias, sendo em sua maioria de ocorrência restrita à Mata Atlântica. Foi dado um efoque relativo à utilização econômica das plantas em relação às espécies medicinais (Lopes & Andreata 1989, 1990, 1991, 1992) e ornamentais (Lopes et al. 2004). As informações desses trabalhos foram importantes subsídios para criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Santos & Lima (1998) fizeram uma avaliação simplificada da vegetação do PEST restrita a uma pequena localidade do Morro do Telégrafo. No Costão de Itacoatiara foram analisados outros aspectos da flora nos trabalhos de Reinert & Meirelles (1993), Arruda (1994), Meirelles et al. (1999), Santos et al. (2005) Santos & Sylvestre (2006) e Ribeiro et al. (2007). Leme & Rezende (2001) descreveram uma nova espécie de bromélia endêmica do entorno da Baía de Guanabara, Vriesea costae Leme & B.R. Silva, encontrada no paredão íngrime voltado para a Praia de Itacoatiara. Também foram estudadas com mais detalhes as famílias Orchidaceae (Pinheiro 1999) e Euphorbiaceae (Pinto 2004). Oliveira-e-Silva (2002) coordenou o projeto de levantamento de criptógamas do PEST, onde foram listadas 92 espécies de briófitas, 69 de pteridófitas e 92 de macroalgas bentônicas. 85 Apesar de todos esses trabalhos ficou uma grande lacuna de conhecimento sobre a flora da Serra da Tiririca, uma vez que apenas uma pequena porção dessa área foi estudada. Sendo assim, esse trabalho tem como objetivos realizar o inventário mais amplo das espécies de Magnoliophyta ocorrentes na área de estudo. METODOLOGIA O levantamento florístico das Magnoliophyta foi baseado em coletas mensais em várias áreas do Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) no período de março/1997 a junho/2007 pela equipe do Laboratório de Biodiversidade – Botânica Taxonômica da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, referentes ao projeto “Flórula do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ”. Também foram realizados levantamentos nos Herbários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), Alberto Castellanos (GUA), Bradeanum (HB) e Santa Úrsula (RUSU). As plantas coletadas foram herborizadas e secas em estufa 60ºC. O material testemunho foi incorporado aos Herbários da Faculdade de Formação de Professores da UERJ (RFFP) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). As espécies foram identificadas através de bibliografia especializada, comparações com os acervos dos Herbários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), FEEMA – Alberto Castellanos (GUA), Bradeanum (HB) e Universidade Santa Úrsula (RUSU), além de consultas aos especialistas. Seguiu-se o sistema de Cronquist (1988) para organização das famílias, exceto Leguminosae que foi tratada como uma única família como proposto por Polhill et al. (1981). A correção ortográfica das espécies foi feita acessando bancos de dados disponíveis na internet do Royal Botanical Garden at Kew, Missouri Botanical Garden e New York Botanic Garden. Para correção da nomenclatura dos autores adotou-se Brummit & Powell (1992). Na análise desse trabalho serão consideradas apenas as espécies não ruderais e aquelas identificadas até nível de gênero, específico e infra-específico. As espécies ruderais ou invasoras foram separadas de acordo com Kissmann (1997), Kissmann & Groth (1995) e Kissmann & Groth (1999) e apresentadas numa tabela à parte. Os dados sobre formas de vida foram obtidos através de observações em campo, complementados, quando necessário, com informações de etiquetas do material 86 herborizado dos Herbários RB e GUA e consultas a bibliografia especializada. Espécies que exibem mais de uma forma de vida foram colocadas na categoria onde comumente são mais observadas no PEST. As categorias consideradas nesse estudo seguem o trabalho de Lima & Guedes-Bruni (1997): Árvore - planta lenhosa com mais de 3,0 m de altura, tronco bem definido, ramificações acima da base e sistema radicular fixado no solo durante todo ciclo de vida. Arbusto- planta lenhosa com até 3,0 m de altura, que se ramifica desde a base e possui sistema radicular fixado no solo durante todo ciclo de vida. Erva – planta herbácea de pequeno porte, com sistema radicular fixado no solo durante todo ciclo de vida. Trepadeira – planta com ramos flexíveis que se apóiam sobre suportes, passivamente ou por meio de órgãos preensores. O sistema radicular permanece fixado ao solo durante todo ciclo de vida (inclui os arbustos escandentes). Epífita – planta em geral herbácea que desenvolve todo o seu ciclo de vida sobre outro vegetal, utilizando-o apenas como suporte e com sistema radicular não fixado no solo. Hemiepífita – planta lenhosa ou herbácea, cujo ciclo de vida é composto por uma fase epífita e outra terrestre. Parasita: planta herbácea ou lenhosa que cresce sobre outro vegetal nutrindo-se de sua seiva. Foram incluídas nessa categoria espécies saprófitas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Riqueza Taxonômica Os estudos na área do PEST tiveram início a partir de uma listagem preliminar com 351 espécies, baseada em trabalhos de Araujo & Vilaça (1981), Meirelles et al. (1999) e Lopes (1992), além de coletas aleatórias realizadas pela autora a partir de 1992. Esses trabalhos enfocaram principalmente as regiões onde estão localizados os inselbergs do PEST na entrada da Baía de Guanabara. Dessa forma, a maior parte da Serra da Tiririca era desconhecida sob o ponto de vista da riqueza florística. A partir de 1997 a equipe do Laboratório de Biodiversidade – Botânica Taxonômica da UERJ-FFP-DCIEN iniciou um levantamento florístico mais apurado, concentrando as coletas no Costão de Itacoatiara, 87 Enseada do Bananal e Córrego dos Colibris (Morro do Telégrafo). Somente em 2000 o trabalho foi estendido para outras áreas do PEST abrangendo o Morro do Telégrafo nas vertentes de Niterói e Maricá, Morro do Cordovil, Morro da Serrinha e Morro do Catumbi. No presente estudo foram coletados cerca de 4.000 espécimens, sendo registradas 1.029 espécies de Magnoliophyta (Anexo I). Dessa listagem 99,2% foram identificados a nível de espécie e 0,8% a nível de gênero. Apenas 5 espécies ficaram identificadas a nível de família (3 Capparaceae, 1 Cucurbitaceae e 1 Commelinaceae) e 5 espécies não foram identificadas. Essas não foram computadas na listagem final de espécies do PEST. Do total 122 foram consideradas espécies ruderais (Anexo II). Essas espécies estão presentes principalmente nas áreas mais próximas as casas e de sítios abandonados ou não, onde a ocupação antrópica se faz mais presente. Sendo assim, a composição florística conta com 907 espécies de Magnoliophyta, 1 híbrido (Bromeliaceae), 434 gêneros e 97 famílias (Anexo I). Com os resultados atuais houve um incremento de 65,9% no conhecimento sobre a flora do PEST. Foram registradas 6 espécies novas para a ciência: 4 Myrtaceae – Eugenia (M. Sobral & M. Souza comunicação pessoal), 1 Marantaceae Calathea (J.M.A. Braga comunicação pessoal) e 1 Bromeliaceae Vriesea costae E. Leme & B.R. Silva (Leme & Rezende 2001). Foi descrito um híbrido natural de bromélia para o Morro das Andorinhas, Hohemea itaipuana B.R. Silva & L.O.F. Sousa (Hohenbergia augustae e Aechmea ramosa var. ramosa) (Sousa et al. 2003). Destacam-se as seguintes famílias quanto à riqueza de espécies: Leguminosae (85), Myrtaceae (55 spp.), Rubiaceae (54 spp.), Euphorbiaceae (42 spp.), Bromeliaceae (41 spp.), Sapindaceae (33 spp.), Bignoniaceae (29 spp.), Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25 spp.) e Asteraceae (25 spp.) (Figura 1). Essas famílias juntas representam 46,0% da riqueza de espécies do PEST. Na mesma análise feita para as dez principais famílias das demais áreas inventariadas do estado do Rio de Janeiro (Tabela 1), esse valor variou entre 38% (Entorno do Jardim Botânico) e 48% (Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio e REBIO de Poço das Antas). O alto valor apresentado pela localidade de Macaé de Cima (62%) foi fortemente influenciado pela riqueza florística de Orchidaceae. As famílias Myrtaceae, Leguminosae, Rubiaceae, Euphorbiaceae estão entre as sete famílias com maior riqueza de espécies arbustivo-arbórea da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro (Guedes-Bruni & Peixoto 2003) e também se destacam no PEST. 88 ARACEAE Gêneros ASTERACEAE Espécies ORCHIDACEAE BIGNONIACEAE SAPINDACEAE BROMELIACEAE EUPHORBIACEAE RUBIACEAE MYRTACEAE LEGUMINOSAE 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 o N de Gêneros e Espécies Figura 1: As dez famílias com maior riqueza de espécies no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Em todas as áreas bem estudadas floristicamente no estado do Rio de Janeiro foram citadas as famílias Leguminosae, Myrtaceae e Rubiaceae entre as 10 famílias mais representativas em diferentes formações vegetais (Tabela 1). Também são as famílias mais ricas em espécies nas restingas fluminenses (Araujo 2000). Juntas representam 21,4% das espécies do PEST e nas demais áreas esse valor varia entre 15% (Macaé de Cima) e 27% (Poço das Antas). Leguminosae e Myrtaceae são consideradas as famílias mais representativas na Mata Atlântica s.l. do sudeste brasileiro, no que se refere às formações ombrófilas e semideciduais (Oliveira-Filho & Fontes 2000). Essas famílias também se destacam nas florestas tropicais de terras baixas e áreas sazonalmente secas no Neotrópico (Gentry 1982, 1988, 1995). Rubiaceae, em terceiro lugar dentre as famílias mais ricas do PEST, é considerada a terceira família mais rica em espécies lenhosas nas florestas neotropicais (Gentry 1995). No estado do estado do Rio de Janeiro também é a terceira família em número de gêneros com representantes arbóreos e arbustivos (Vaz 1992). 89 Tabela 1: As dez famílias com maior riqueza de espécies nas áreas bem estudadas florísticamente no estado do Rio de Janeiro, Brasil. *CDVCF= Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio LOCALIDADE TIPOS DE VEGETAÇÃO PARNA de Jurubatiba Macaé, Carapebus Quissamã Restinga e (n= 588) CDVCF * Armação de Búzios, Cabo Frio, São Pedro d’ Áldeia, Arraial do Cabo (n= 1.184) APA de Cairuçu Paraty (n= 972) Macaé de Cima Restinga Floresta ombrófila densa submontana Floresta estacional semidecidual Vegetação arbustiva dos morros Restinga Manguezal Floresta ombrófila densa submontana e montana Floresta ombrófila densa montana e altomontana Nova Friburgo (n=1.023) REBIO de Poço das Antas Floresta ombrófila densa de Terras baixas Silva Jardim (n=751) Entorno do Instituto Jardim Botânico do Rio de Janeiro Floresta ombrófila densa submontana Rio de Janeiro (n=431) PEST Niterói e Maricá (n= 907) Floresta ombrófila densa submontana FAMÍLIAS MAIS RICAS Spp. Leguminosae Asteraceae Cyperaceae Rubiaceae Euphorbiaceae Poaceae Myrtaceae Bromeliaceae Orchidaceae Solanaceae Leguminosae Myrtaceae Orchidaceae Rubiaceae Asteraceae Bromeliaceae Euphorbiaceae Sapindaceae Poaceae Bignoniaceae Myrtaceae Leguminosae Rubiaceae Orchidaceae Piperaceae Solanaceae Euphorbiaceae Asteraceae Bromeliaceae Bignoniaceae Orchidaceae Melastomataceae Rubiaceae Leguminosae Myrtaceae Bromeliaceae Lauraceae Asteraceae Solanaceae Piperaceae Leguminosae Myrtaceae Rubiaceae Melastomataceae Lauraceae Bignoniaceae Euphorbiaceae Moraceae Piperaceae Bromeliaceae Rubiaceae Leguminosae Orchidaceae Piperaceae Araceae Euphorbiaceae Bignoniaceae Myrtaceae Melastomataceae Bromeliaceae Monimiaceae Leguminosae Myrtaceae Rubiaceae Euphorbiaceae Bromeliaceae Sapindaceae Bignoniaceae Orchidaceae Asteraceae Araceae 44 31 30 29 23 22 21 19 15 15 42% 117 82 67 62 54 45 42 35 33 30 48% 72 63 58 54 46 30 29 27 27 26 44% 229 73 53 51 47 46 44 42 29 22 62% 89 78 36 27 25 25 21 21 22 19 48% 28 22 20 16 15 14 13 10 8 8 8 38% 85 55 54 42 41 33 29 28 25 25 46% REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Araujo et al. (2001) Sá (2006) Marques (1997) et al. Lima & GuedesBruni (1997) Lima et al. (2006) Lima et al. (2008) Marquete (2001) Esse estudo et al. 90 Leguminosae é predominante principalmente nas regiões mais litorâneas e foi a família mais rica em espécies no PEST. É considerada uma das mais amplamente distribuídas nas regiões tropicais, estando entre as três maiores famílias de fanerógamas em número de espécies. No Brasil são catalogados cerca de 188 gêneros com 2.100 espécies, com grande representatividade na floresta pluvial atlântica, principalmente no que se refere ao extrato arbóreo (Lima 2000). Tal fato também foi observado por Forero & Gentry (1988) nas florestas tropicais. Estudos realizados por Siqueira (1994) com espécies arbóreas da floresta pluvial atlântica em 63 localidades registraram 101 táxons para a família. A região Sudeste apresentou um número significativo de espécies (158) em relação à região Sul (23), mostrando uma diminuição da riqueza de espécies em latitudes mais altas. Esse mesmo padrão foi observado em análise realizada nas restingas fluminenses (Araujo 2000). Myrtaceae é uma família predominantemente pantropical e subtropical, com grande diversidade na região neotropical e na Austrália. No Brasil ocorrem 23 gêneros e aproximadamente 1.000 espécies (Souza & Lorenzi 2005). O inventário florístico do CDVCF apresentou o maior número de espécies, seguido de Poço das Antas, Cairuçu, PEST e Macaé de Cima. No PEST ocorrem 55 táxons, incluindo 4 novas espécies para a ciência. Análise feita por Oliveira Filho & Fontes (2000) mostra que Myrtaceae apresentase 40% mais rica em florestas ombrófilas do que em florestas semideciduais. Tal fato não é corroborado pelos dados mostrados por Sá (2006), uma vez que as florestas do CDVCF são semideciduais e possui maior riqueza de espécies de Myrtaceae que as demais áreas analisadas que correspondem a floresta ombrófila densa. Bromeliaceae e Orchidaceae são famílias essencialmente herbáceas que também se destacaram no PEST e nas demais áreas avaliadas. Estão entre as 5 famílias mais ricas em espécies da flora brasileira. Isso se deve a grande capacidade de se adaptarem a diferentes situações ambientais, podendo ser terrestres, epífitas, rupícolas, saxícolas e paludosas (Giulietti et al. 2005). O PEST apresenta o terceiro lugar em riqueza de espécies de Bromeliaceae das áreas mais bem estudadas floristicamente do estado do Rio de Janeiro. Tal fato se deve em grande parte a ocorrência de vários táxons nos inselbergs do Costão de Itacoatiara e Alto Mourão e Morro das Andorinhas ou sobre afloramentos rochosos no interior da mata. As espécies que ocorrem nesses ambientes correspondem a 61% das espécies de bromélias do PEST, sendo 46,3% exclusivas dos afloramentos rochosos. 91 Bromeliaceae tem maior representatividade nas restingas e Mata Atlântica do que em outros biomas brasileiros (Araujo 2000). Fontoura et al. (1991) já apontavam a grande riqueza de espécies e padrões de endemismo dessa família na flora do estado do Rio de Janeiro, sobretudo, na Mata Atlântica. Cerca de 82% das espécies brasileiras ocorrem nesse tipo de formação florestal, sendo muitas delas endêmicas. Essas autoras relacionaram 314 espécies e, quando comparadas com os dados do PEST, verificam-se 14 ocorrências novas das 41 amostradas. Isso demostra a falta de conhecimento florístico das florestas ombrófilas densas litorâneas fluminenses. Orchidaceae apresenta ampla distribuição cosmopolita, principalmente nas regiões tropicais (Christenson 2004). No Brasil estima-se 195 gêneros e 2.400 espécies (Souza & Lorenzi 2005), com grande riqueza de espécies na Mata Atlântica, que é um dos centros de diversidade da família (Barros 1996). No estado do Rio de Janeiro é bastante representativa em regiões serranas com maior pluviosidade como Macaé de Cima. Tal fato também é observado em outras regiões tropicais e subtropicais, visto a riqueza de espécies diminui das áreas montanhosas para as de baixadas (MacQueen & MacQueen 1993). Em levantamento feito por Vaz (1992), embora antigo, demonstra a importância dessa família na flora do estado do Rio de Janeiro com o maior número de gêneros, sendo os principais representantes epífitos. No PEST ocorrem apenas 28 espécies, o que corresponde a 3,1% da riqueza da flora local. Cerca de 74% dessas espécies estão associadas aos afloramentos rochosos, sendo 50% exclusivas desses ambiente. Asteraceae está entre as 10 famílias com maior riqueza de espécies nos inventários florísticos que constam da Tabela 1. É uma família cosmopolita, sendo uma das maiores dentre as Magnoliophyta. No Brasil essa família apresenta 300 gêneros e 2.000 espécies, sendo bem representada pricipalmente no Cerrado em áreas mais abertas (Souza & Lorenzi 2005). No PEST apresenta 28 espécies, além de outras 21 espécies ruderais. Na área de estudo é caracterizada principalmente por plantas herbáceas. Euphorbiaceae é a quinta família com maior riqueza de espécies no PEST com 42 espécies, além de outras 14 ruderais. Juntamente com o CDVCF apresenta maior riqueza de espécies para a família nas áreas analisadas (Tabela 1). Apenas em Macaé de Cima não aparece entre as 10 famílias mais importantes. É bem representada nos levantamentos de 92 0,1 ha realizados por Gentry (1995), principalmente em formações estacionais neotropicais. Sapindaceae e Bignoniaceae estão bem representadas na flora do PEST, principalmente por espécies trepadeiras. Essas famílias são muito expressivas em regiões de baixa altitude nas Américas, dessa forma prevalecendo nos levantamentos florísticos em florestas tropicais (Gentry 1991). Além do PEST, se destacaram apenas no CDVCF e, com menor riqueza, em Poço das Antas. Esse fato pode estar relacionado à metodologia utilizada para análise estrutural da vegetação (Barros & Araujo Capítulo 5), já que no PEST e CDVCF o levantamento quantitativo em 0,1 ha incluiu as trepadeiras. Dessa forma, houve um aumento das informações florísticas dessa forma de vida. Somente no PEST e no entorno do Jardim Botânico Araceae se destacou entre as 10 famílias mais importantes. Apresenta maior número de espécies que as demais áreas analisadas (25 spp.), seguida de Macaé de Cima (19 spp.), CDVCF (19 spp.), Cairuçu (18 spp.) e Jurubatiba (8 spp.). Muitas espécies ocorrem em afloramentos rochosos, tanto nos inselbergs quanto em grandes blocos de gnaisse facoidal encontrados no interior da mata. Nas restingas fluminenses estudadas por Araujo (2000) ocorrem também 25 espécies. Melastomataceae e Lauraceae foram mais expressivas nas florestas com maiores altitudes como em Macaé de Cima. Embora Lauraceae não seja uma família de destaque no PEST, possui grande riqueza de espécies principalmente em florestas mais preservadas da região Sudeste-Sul. O estado do Rio de Janeiro apresenta cerca de 109 espécies distribuídas em 16 gêneros, que ocorrem principalmente na floresta pluvial atlântica e restingas (Quinet 2005). O PEST conta apenas com 18,3% das espécies fluminenses. As famílias com mais de 10 gêneros perfazem 35,1% do total da flora do PEST: Leguminosae (39 gên.), Rubiaceae (22 gên.), Euphorbiaceae (22 gên.), Orchidaceae (20 gên.), Asteraceae (18 gên.), Bignoniaceae (16 gên.) e Bromeliaceae (14 gên.) (Figura 1). Nessa análise apenas 7 famílias se destacam, sendo que Myrtaceae, Araceae e Sapindaceae, importantes quanto à riqueza de espécies, são excluídas nesse momento. Essas famílias apresentam um grande número de espécies, contudo distribuídas em poucos gêneros. Os gêneros com maior número de espécies no PEST são: Eugenia (30), Psychotria (16), Solanum (15) Anthurium (13) e Rudgea (11). Eugenia, Psychotria e Solanum estão 93 entre os maiores gêneros do mundo com mais de 1.000 espécies. Segundo Oliveira-Filho & Fontes (2000), Eugenia é um dos principais gêneros em número de espécies arbóreas, tanto em florestas ombrófilas densas quanto em florestas estacionais. Também destacam outros gêneros de Myrtaceae como Myrcia, Marlieria e Gomidesia em altas e baixas altitudes. Embora Myrcia e Marlieria também tenham representantes no PEST não apresentam número significativo de espécies. Psychotria e Rudgea também predominam nas florestas ombrófilas e estacionais. Solanum é o terceiro gênero mais importante no PEST, em Cairuçu e nas restingas fluminenses, embora Solanaceae não figure entre as 10 famílias mais importantes nessas regiões. Na avaliação de Oliveira-Filho & Fontes (2000) esse gênero tem destaque nas florestas estacionais e florestas ombrófilas densas montanas. Formas de Vida Em relação às formas de vida a maior percentagem obtida foi para espécies arbóreas (35,8%), seguido de trepadeiras (21,9%), ervas (18,4%), arbustos (16,9%), epífitas (4,9%), hemiepífitas (1,8%) e parasitas (0,3%) (Tabela 2 e Figura 2). Há um predomínio de espécies arbóreas, ao contrário do que é observado nas restingas, onde nenhuma forma de vida se destaca em relação à outra (Araujo 2000). Tabela 2: Espécies, gêneros e famílias de Magnoliophyta por forma de vida do Parque Estadual da Serra da Tiririrca, Niterói e Maricá, RJ. FORMAS DE VIDA Árvore Trepadeiras Ervas Arbustos Epífitas Hemiepífitas Parasitas ESPÉCIES 325 199 167 153 44 16 3 GÊNEROS 161 101 106 78 23 6 2 FAMÍLIAS 52 38 39 35 6 2 2 350 ESPÉCIES GÊNEROS 300 FAMÍLIAS 250 200 150 100 50 0 ÁRVORES TREPADEIRAS ERVAS ARBUST OS EPÍFIT AS HEMIEPÍFIT A PARASIT AS Figura 2: Número de espécies, gêneros e famílias por formas de vida de Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. 94 ÁRVORES No PEST foram levantadas 325 espécies arbóreas, pertencentes a 161 gêneros e 52 famílias. As famílias com maior número de espécies arbóreas são: Myrtaceae (55 spp.), Leguminosae (50 spp.), Lauraceae (20 spp.), Euphorbiaceae (15 spp.), Sapindaceae (12 spp.), Moraceae (11 spp), Meliaceae (11 spp.) e Rutaceae (10 spp.) (Figura 3). Nessas oito famílias estão concentradas 56,6% das espécies arbóreas amostradas. A riqueza de gêneros e espécies das demais famílias com representantes arbóreos consta da Tabela 3. RUTACEAE Gêneros MELIACEAE Espécies MORACEAE SAPINDACEAE EUPHORBIACEAE LAURACEAE LEGUMINOSAE MYRTACEAE 0 10 20 30 40 50 60 Nº de Gêneros e Espécies Figura 3: Famílias com maior riqueza de espécies e gêneros arbóreos de Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Os gêneros mais representativos dessa forma de vida são: Eugenia (29 spp.), Inga (10 spp.), Myrcia (9 spp.), Ocotea (8 spp.), Trichilia (6 spp.) e Ficus (8 spp.). Esses gêneros são bem característicos da Mata Atlântica. Ocotea, por exemplo, apresenta 95% das espécies nesse tipo de formação florestal (Siqueira 1994), contudo é mal representado nas florestas dos maciços costeiros (Araujo et al. 1998). No estado do Rio de Janeiro ocorrem 52 espécies, muitas agupadas em complexos que necessitam de melhor delimitação (Quinet 2005). Nos levantamentos florísticos Ocotea foi relevante em Macaé de Cima (25 spp.) e no CDVCF (14 spp.). Eugenia e Inga são o segundo e terceiro gêneros respectivamente de maior ocorrência na Mata Atlântica. Também com destaque Myrcia outro gênero importante para essa formação florestal Oliveira-Filho & Fontes (2000). Ficus ocorre principalmente sobre afloramentos rochosos no interor da mata, tendo um 95 papel muito importante na estabilização dos matacões e na colonização por espécies herbáceas desse ambiente. Tabela 3: Número de gêneros e espécies/infra-espécies arbóreas do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Famílias ANACARDIACEAE ANNONACEAE APOCYNACEAE ARALIACEAE ARECACEAE ASTERACEAE BIGNONIACEAE BOMBACACEAE BORAGINACEAE BURSERACEAE CACTACEAE CAPPARACEAE CECROPIACEAE CELASTRACEAE CHRYSOBALANACEAE CLUSIACEAE CUNONIACEAE DICHAPETALACEAE ELAEOCARPACEAE ERYTHROXYLACEAE EUPHORBIACEAE FLACOURTIACEAE HIPPOCRATEACEAE LACISTEMATACEAE LAURACEAE LECYTHIDACEAE LEGUMINOSAE Gêneros 5 4 4 1 5 2 4 4 1 1 1 1 2 1 1 4 1 1 1 1 11 3 1 1 7 3 23 Espécies 9 5 6 1 6 2 5 6 7 1 1 1 3 5 2 7 1 1 3 4 15 7 1 2 20 3 50 MALPIGHIACEAE MELASTOMATACEAE MELIACEAE MONIMIACEAE MORACEAE MYRISTICACEAE MYRSINACEAE MYRTACEAE NYCTAGINACEAE OCHNACEAE OLACACEAE PHYTOLACCACEAE PROTEACEAE RUBIACEAE RUTACEAE SAPINDACEAE SAPOTACEAE SIMAROUBACEAE SOLANACEAE STECULIACEAE TILIACEAE ULMACEAE URTICACEAE VERBENACEAE VOCHYSIACEAE TOTAL 1 2 4 1 4 1 1 8 1 1 1 3 1 8 8 5 5 1 2 2 1 2 1 2 1 161 1 7 11 1 11 1 2 55 1 1 1 3 1 9 10 12 10 1 2 2 1 5 1 2 1 325 96 São observadas espécies arbóreas emergentes em área de topos de morros. Entre essas destacam-se Cariniana legalis, Miconia cinnamomifolia, Cabralea canjerana e Cordia trichotoma, que podem chegar a mais de 30 m de altura. Em algumas áreas da cumeeira do Morro do Telégrafo é comum observá-las em destaque por certo tempo e posteriormente tombam abrindo grandes clareiras. Tal fato está relacionado ao desmatamento em áreas mais baixas que vão deixando essas árvores sujeitas aos evidentes efeitos de borda. Em regiões de solos mais rasos e afloramentos rochosos destaca-se uma palmeira típica da região, Syagrus romanzoffiana, muito comum nas escostas do Morro das Andorinhas e Alto Mourão. TREPADEIRAS No PEST foram levantadas 199 espécies de trepadeiras (lenhosas e herbáceas), pertencentes a 101 gêneros e 38 famílias. As famílias mais representativas dessa forma de vida são: Leguminosae (28 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Sapindaceae (21 spp.), Malpighiaceae (18 spp.), Cucurbitaceae (10 spp.), Dioscoreaceae (10 spp.), Apocynaceae (9 spp.), Convolvulaceae (9 spp.) e Passifloraceae (9 spp.), Euphorbiaceae (8 spp.) e Convolvulaceae (7 spp.) (Figura 4). Essas famílias representam 71,4% das trepadeiras amostradas. CONVOLVULACEAE Gêneros EUPHORBIACEAE Espécies PASSIFLORACEAE APOCYNACEAE DIOSCOREACEAE CUCURBITACEAE MALPIGHIACEAE SAPINDACEAE BIGNONIACEAE LEGUMINOSAE 0 5 10 15 20 25 30 Nº de Gêneros e Espécies Figura 4: Famílias com maior riqueza de espécies e gêneros de trepadeiras de Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. 97 A forma de vida trepadeira se detacou no PEST e será tratada a parte no capítulo III dessa Tese. No estado do Rio de Janeiro as trepadeiras foram abordadas com maior ênfase apenas na flora da Reserva Ecológica de Macaé de Cima (Lima et al. 1997). ERVAS O componente herbáceo normalmente é mal representado nos levantamentos florísticos, porém são relevantes sob o ponto de vista da diversidade florística. A predominância dessa forma de vida ocorre principalmente em áreas abertas no cerrado s.l. (Mendonça et al. 1998), campos sulinos e campos de altitude. No PEST caracterizam as regiões dos afloramentos rochosos, onde formas ilhas de vegetação. Foram levantadas 167 espécies herbáceas + 1 híbrido de bromélia, pertencentes a 106 gêneros e 39 famílias. As famílias com maior riqueza de espécies são: Bromeliaceae (21 spp.), Asteraceae (20 spp.), Orchidaceae (15 spp.), Cyperaceae (11 spp), Marantaceae (11 spp.), Poaceae (10 spp.) e Araceae (9 spp.) (Figura 5). Essas sete famílias representam 58,4% das espécies herbáceas amostradas. A riqueza de gêneros e espécies das demais famílias com representantes herbáceos é apresentada na Tabela 6. ARACEAE Gêneros POACEAE Espécies MARANTACEAE CYPERACEAE ACANTHACEAE ORCHIDACEAE ASTERACEAE BROMELIACEAE 0 5 10 15 20 25 Nº de Gêneros e Espécies Figura 5: Famílias com maior riqueza de espécies e gêneros herbáceos de Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. 98 Bromeliaceae se destaca principalmente nos afloramentos rochosos dos inselbergs, sendo um componente importante na paisagem local. Das 20 espécies herbáceas registradas 12 são saxícolas e 6 rupícolas. Destaque para Alcantarea glaziouana, bromélia endêmica dos afloramentos rochosos do entorno da Baía de Guanabara. Típicas desse tipo de ambiente também podem ser citadas como Tillandsia araujei, Tillandsia dura e Vriesea botafoguensis. Orchidaceae é a família mais importante em florestas montanas – altomontanas de Macaé de Cima, apresentando grande diversidade de gêneros e espécies (229 spp.) (Lima & Guedes-Bruni 1997). Contudo, essa diverdidade diminui nas regiões costeiras, mas a família ainda se mantém como uma das importantes em termos florísticos. Nas restingas fluminenses ocupa o quinto lugar em riqueza de espécies (46 spp.) (Araujo 2000). No PEST o estudo realizado por Pinheiro (1999) apresentau 12 espécies epífitas, 7 rupícolas, 6 terrestres e 2 saxícolas. Tem grande representatividade nos afloramentos rochosos. Oceoclades maculata é a que apresenta maior distribuição na área de estudo. Tabela 4: Número de gêneros e espécies/infra-espécies herbáceas do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Famílias ACANTHACEAE AGAVACEAE ALSTROEMERIACEAE AMARANTHACEAE AMARYLLIDACEAE ARACEAE ARECACEAE ASTERACEAE BEGONIACEAE BROMELIACEAE CACTACEAE CANNACEAE COMMELINACEAE CONVOLVULACEAE COSTACEAE CRASSULACEAE Gêneros 10 1 1 1 1 2 1 15 1 11 5 1 5 1 1 1 Espécies 14 1 1 1 2 9 1 20 5 21 5 1 6 2 1 1 No PEST Asteraceae são comumente observadas nas áreas mais alteradas ou de regeneração recente ao longo das trilhas. Essa família tem maior representatividade nas formações abertas, principalmente no Famílias CYPERACEAE EUPHORBIACEAE GESNERIACEAE HELICONIACEAE IRIDACEAE LEGUMINOSAE MALPIGHIACEAE MARANTACEAE MORACEAE ORCHIDACEAE PIPERACEAE POACEAE RUBIACEAE VELLOZIACEAE Total Gêneros 7 1 2 1 1 3 1 4 1 13 1 8 3 2 106 Espécies 11 2 99 5 4 2 3 1 11 3 15 4 10 3 2 167 cerrado (Mendonça et al. 1998), do que nas formações florestais. Acanthaceae aparece com destaque no sub-bosque, apresentando várias espécies como Shaueria calycotricha, Justicia brasiliana, Justicia plumbaginifolia e Aphelandra longiflora. Das 10 espécies de Poaceae registradas no PEST, 7 ocorrem também nas restingas fluminenses. Pharus lappulaceus é uma das mais comumente encontradas nas áreas florestadas. Quanto as Cyperaceae, das 12 espécies relacionadas, apenas 2 são encontradas nas restingas (Becquerelia cymosa e Scleria secans). Cyperus hermaphroditus e Trilepis lhotzkiana têm ocorrência restrita aos afloramentos rochosos dos inselbergs. As demais espécies estão presentes preferencialmente nas beiras de trilhas. Marantaceae apresenta espécies muito importantes no estrato herbáceo, sendo o gênero Calathea o mais representativo, inclusive com uma espécie nova coletada no Córrego dos Colibris. Araceae é basicamente representada por 8 espécies de Anthurium e Asterostigma lombardii, sendo essa a segunda referência de local de ocorrência para essa espécie (Nadruz comunicação pessoal). ARBUSTOS De um modo geral, a representatividade das formas arbustivas também é subestimada nos levantamentos florísticos. Isso se deve ao maior enfoque dado ao componente arbóreo. Contudo, essa forma de vida têm uma importante contribuição na análise da diversidade florística da Mata Atlântica (Andreata et al. 1997). Tal fato também foi apontado por Gentry & Dodson (1987a) paras as florestas tropicais. Foram levantadas no PEST 153 espécies arbustivas, pertencentes a 78 gêneros e 35 famílias. As famílias com maior número de espécies são: Rubiaceae (39 spp.), Solanaceae (19 spp.), Euphorbiaceae (17 spp.), Malvaceae (8 spp.) e Piperaceae (8 spp.) (Figura 5). Essas seis famílias representam 59,9% das espécies arbustivas amostradas. A riqueza de gêneros e espécies das demais famílias com representantes arbustivos consta da Tabela 6. 100 Gêneros PIPERACEAE Espécies MALVACEAE EUPHORBIACEAE SOLANACEAE RUBIACEAE Figura 6: Famílias com maior riqueza de espécies e gêneros arbustivos do 0 5 10 15 20 25 30 35 de40Magnoliophyta 45 Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. N. de Gêneros e Espécies Rubiaceae é uma das famílias mais importantes no conjunto dos biomas neotropicais, sendo encontrada em diversas formas de vida. Contudo, na Mata Atlântica apresenta grande concentração de espécies e gêneros no estrato arbustivo (Gomes 1996). Dessa forma, foi a família mais importante em termos de riqueza de espécies arbustivas no PEST, caracterizando o sub-bosque das áreas florestadas. Na análise geral Solanaceae não se destacou dentre as famílias mais representativas, porém avaliando as formas arbustivas alcançou o segundo lugar. Também é uma família de destaque em outras áreas do estado do Rio de Janeiro, estando entre as 10 famílias mais importantes em Macaé de Cima, Cairuçu e Jurubatiba. Tabela 5: Número de gêneros e espécies/infra-espécies arbustivas do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Famílias ANNONACEAE ARALIACEAE ASTERACEAE BIGNONIACEAE BOMBACACEAE BORAGINACEAE CACTACEAE CAPPARACEAE EUPHORBIACEAE FLACOURTIACEAE LECYTHIDACEAE LEGUMINOSAE MALPIGHIACEAE MALVACEAE MELASTOMATACEAE MELIACEAE MONIMIACEAE MORACEAE Gêneros 1 1 1 2 2 2 1 3 10 2 1 3 1 3 3 1 2 1 Espécies 1 1 1 2 2 5 1 4 17 2 1 4 1 8 4 1 4 2 Euphorbiaceae se detaca tanto no estrato arbóreo quanto no arbustivo com grande diversidade de gêneros e espécies. Um dos representantes com maior freqüencia nas matas do PEST é Sebastiania gaudichaudii, que também pode chegar ao porte arbóreo. Famílias MYRTACEAE OCHNACEAE OLEACEAE PIPERACEAE POLYGALACEAE POLYGONACEAE RHAMNACEAE RUBIACEAE RUTACEAE SIMAROUBACEAE SOLANACEAE STERCULIACEAE THEOPHRASTACEAE TURNERACEAE VERBENACEAE VIOLACEAE Total Gêneros 1 1 1 1 1 2 1 10 3 1 8 1 1 1 2 2 77 Espécies 1 2 101 1 8 1 2 1 39 6 1 19 1 1 2 3 3 153 Também Actinostemon klotzschii é bastante freqüente, principalmente nas trilhas do Morro do Telégrafo em áreas que se encontram estádios iniciais de regeneração, formando densas populações. Nos afloramentos rochosos destaque para Stillingia dichotoma, um dos arbustos característicos das ilhas de vegetação. Malvaceae é uma família que se destacou apenas em relação ao estrato arbustivo. As espécies mais comuns são: Abutilon anodoides, Abutilon bedfordianum, Pavonia nemoralis e Pavonia sepium. Piperaceae é uma família bastante comum na Mata Atlântica, com vários representantes no estrato arbustivo. No PEST essa forma de vida é representada apenas pelo gênero Piper. Destaque para Piper hoffmannseggianum, Piper mollicomum e Piper arboreum, os dois últmos são observados principalmente nas áreas com regeneração mais recente. No PEST os gêneros mais representativos da forma arbustiva foram Psychotia (16 spp.), Solanum (12 spp.), Rudgea (10 spp.) e Piper (8 spp.). Esses gêneros normalmente apresentam grande número de espécies. Nas matas do entorno do Jardim Botânico Psychotria e Piper também apresentam grande diversidade arbustiva, representando 32% do total de arbustos levantados para esse local (Marquete et al. 2001). Em Macaé de Cima são gêneros arbustivos de grande relevância. Contudo, quando a análise é feita no nível de espécies verifica-se a ocorrência de táxons diferentes entre as formações montanaaltomontana e submontana da região serrana e maciços costeiros. Dentre as Psychotria, destaque para P. leiocarpa e P. tenuinervis, largamente encontradas em várias áreas do PEST, principalmente nas mais preservadas. Rudgea com várias espécies de ocorrência restrita a Mata Atlântica fluminense e ameaçadas também têm destaque no interior da mata, principalmente R. interrupta. Espécies de Solanum são encontradas com maior 102 freqüência nas áreas em regeneração mais recentes como S. torvum, S. caavurana e S. argenteum. EPÍFITAS E HEMIEPÍFITAS O epifitismo é considerado uma das mais importantes associações vegetais, promovendo a interação entre indivíduos com diferentes formas de vida. A árvore hospedeira, forófito, disponibiliza estrutura morfológica para o desenvolvimento de outras formas de vida sobre si. Vários grupos vegetais utilizam essa estratégia para sobrevivência, principalmente briófitas, pteridófitas e angiospermas. A presença de plantas epífitas numa formação florestal é um indicativo do enriquecimento da diversidade biológica, propiciando a ocupação dos diferentes estratos da floresta e com isso permitindo a manutenção da vida independente do solo (Cervi & Borgo 2007). As plantas epífitas apresentam grande riqueza de espécies nas florestas tropicais. Benzing (1983) relacionou 65 famílias de plantas vasculares com hábito epífito, sendo que 36 ocorrem na região neotropical, segundo Gentry & Dodson (1987b). Estimativas indicam que 10% das espécies conhecidas cientificamente são epífitas. No Brasil a maioria dos trabalhos enfocando plantas epífitas foi realizada na região Sul (Waechter 1986, 1998; Gonçalves & Waechter 2003; Borgo et al. 2002; Cervi & Borgo 2007 entre outros). No estado do Rio de Janeiro é possível citar o trabalho de Fontoura et al. (1997), que analisou as epífitas vasculares e hemiepífitas da Reserva Ecológica de Macaé de Cima. No PEST as plantas epífitas representam apenas 4,9% das espécies levantadas, com 44 espécies, 23 gêneros e 6 famílias. Destaque para as famílias Bromeliaceae (20 spp.), Orchidaceae (12 spp.) e Cactaceae (8 spp.) (Tabela 8). Essas são as famílias com maior riqueza de espécies epífitas na Mata Atlântica (Vaz 1992). Também são as famílias mais representativas em Macaé de Cima: Orchidaceae (184 spp.), Bromeliaceae (40 ssp.) e em levantamentos realizados na região Sul do Brasil (Cervi & Borgo 2007). Tabela 6: Número de gêneros e espécies/infra-espécies herbáceas do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Família ARACEAE BROMELIACEAE CACTACEAE Gêneros 1 8 3 Espécies 1 20 8 103 GESNERIACEAE ORCHIDACEAE PIPERACEAE Total 1 9 1 23 1 12 2 44 Excluindo da análise as pteridófitas, Macaé de Cima apresenta 254 espécies de plantas epífitas, representada principalmente pela riqueza de espécies de Orchidaceae. No PEST a diversidade é muito menor. Nas florestas montanas as condições ambientais permitem essa grande diversidade devido à alta umidade e pluviosidade. Na região onde está localizada a Serra da Tiririca a pluviosidade é bem menor que na região serrana. Além disso, somado o processo histórico de uso da terra esses fatores que contribuíram para baixa representatividade das plantas epífitas nessa região. Tal fato é comprovado por Fontoura et al. (1997), que chama atenção para maior riqueza de espécies em regiões de mata primária, sendo que em matas secundárias o número de espécies diminui. Os gêneros que se destacam são Tillandsia (5 spp.), Vriesea (5 spp.), Aechmea (5 spp.) e Rhipsalis (5 spp.). A maioria das espécies ocorre nos afloramentos rochosos ou nas matas associadas aos inselbergs. Araceae apresentou apenas 2 espécies epífitas, Anthurium scandens e Anthurium solitarium, que também têm ocorrência em Macaé de Cima, Cairuçu, no entorno do Jardim Botânico e nas restingas fluminenses. Piperaceae também com apenas duas espécies, Peperomia corcovadensis e Peperomia psilostachya. Gesneriaceae com 1 espécie, Codonanthe gracilis. As hemiepífitas constituem um grupo de plantas que apresenta durante o seu ciclo de vida duas fases distintas: uma epifítica e outra terrestre (Putz & Holbrook 1986). Kelly (1985) separa as hemiepífitas em dois grupos: (a) plantas que inicialmente se desenvolvem sobre um hospedeiro arbóreo, apresentando hábito epifítico, contudo emitem raízes para se conectarem ao solo, passando ao hábito terrestre. Nessa categoria estão as plantas estranguladoras, conhecidas popularmente como mata-paus e (b) plantas que inicialmente apresentam o hábito terrestre, desenvolvendo-se de modo escandente e cujos caules morrem gradualmente e perdem sua conexão com o solo, tornando-se epífita. Putz & Holbrook (1986) denominou essas duas categorias como hemiepífitas primárias e secundárias respectivamente. 104 Na análise feita para a flora de Macaé de Cima, Vieira & Vaz (1994) consideraram três fases de desenvolvimento para hemiepífitas primárias: (a) epifítica, que abrange desde a germinação do indivíduo até a implantção das raízes ao solo; (b) estranguladora, que inclui a fase terrestre, quando se observam as raízes em alça que abraçam o caule do hospedeiro, podendo ou não causar sua morte e (c) arbórea, que abrange a fase terrestre posterior, em que o indivíduo tornou-se independente de suporte, sendo confirmada através de vestígios remotos da presença do hospedeiro. Na flora do PEST as hemiepífitas têm pequena representatividade (1,8%), com 16 espécies, 6 gêneros e 2 famílias. Dessas, apenas 1 espécie foi classificada como hemiepífita primária, Dyssochroma viridiflora, coletada no Alto Mourão. Essa planta também pode ser encontrada na natureza nas formas arbustiva e arbórea. As demais espécies são hemiepífitas secundárias, todas da família Araceae com 15 espécies e 5 gêneros. Philodendron é o gênero que apresenta maior riqueza de espécies (9 spp.), sendo essas consideradas ornamentais por Lopes et al. (2004) em análise feita para plantas do Alto Mourão. Tem distribuição tipicamente Neotropical, com grande diversidade nas florestas tropicais, podendo ocorrer também em áreas brejosas e afloramentos rochosos (Coelho 2000). Dentre as Araceae a espécie com maior distribuição no PEST é Monstera adansonii var. klotzschiana e a mais restrita é Heteropsis rigidifolia, coletada apenas numa localidade do Morro do Cordovil. Também foram encontrados mais 2 espécies de Anthurium (A. intermedium e A. parasiticum) e Syngonium vellozianum. PARASITAS A forma de vida menos representativa é a parasita. Nessa categoria foram registradas 3 espécies: 1 Balanophoraceae (Lophophytum mirabile subsp. mirabile) e 2 Loranthaceae (Struthanthus marginatus e S. maricensis) consideradas hemiparasitas. L. mirabile é uma planta saprófita, que segundo Hansen (1980) ocorre em florestas tropicais úmidas acima de 500 msm, contudo no PEST foi coletada no Morro do Telégrafo na localidade do Córrego dos Colibris a cerca de 200 – 250 msm. Também já foi encontrado na restinga de Barra de São João (D.S.D. Araujo comunicação pessoal). Essa planta normalmente cresce sobre raízes de espécies de Leguminosae Mimosoideae, principalmente dos gêneros Inga, Piptadenia e Enterolobium (Falcão 1975). CONCLUSÃO 105 A Serra da Tiririca apresenta uma elevada riqueza florística, representada por 1.029 espécies de Magnoliophyta. Contudo, parte dessa diversidade florística foi perdida após anos de desmatamentos, ocupações irregulares e todas as formas de alterações das condições originais. As principais famílias em com maior número de espécies seguem os padrões da Mata Atântica, com destaque para Leguminosae, Rubiaceae, Myrtaceae, Euphorbiaceae e Bromeliaceae. As espécies arbóreas predominam, porém as formas de vida arbustiva, trepadeira e herbácea contribuem significativamente na composição da diversidade local. Agradecimentos Agradecemos aos taxonomistas do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Adriana Q. Lobão, Alexandre Quinet, Ângela Maria S.F. Vaz, Ariane Luna Peixoto, Berenice Chiavegato, Bruno Resende Silva, Cláudio Nicoletti Fraga, Fábio França, Elsie F. Guimarães, João Marcelo A. Braga, Haroldo C. de Lima, Lúcia d’Ávila de Carvalho, Luciana Tachigali, Marcelo C. Souza Marcus A. Nadruz Coelho, Maria de Fátima Freitas, Mássimo G. Bovini, Michel João Pereira Barros, Ronaldo Marquete, Sheila Profice, Robson Dias e Vidal Mançano. Além de taxonomistas de outras instituições de pesquisas brasileiras e extrangeiras André Amorim, Arline B. de Souza, Carlos Henrique Reif, Carine Garcia Quinet, Daniela Zappi, Genise V. Somner, Ivete Silva, João Pedro Carauta, Jorge Fontella, José Rubens Pirani, Luci Senna, Luiz José Soares Pinto, Maria Célia Vianna, Mário Gomes, Marccus Alves, Marcos Sobral e Roberto Lourenço Esteves pela identificação e/ou confirmação do material coletado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS Andreata, R.H.; Gomes, M. & Baumgratz, J.F. 1997. Plantas herbáceo-arbustivas terrestres da Reserva Ecológica de Macaé de Cima. In: Lima, H.C. & Guedes-Bruni, R.R. (eds) Serra de Macaé de Cima: Diversidade Florística e Composição em Mata Atlântica. Rio de Janeiro: Jardim Botânico do Rio de Janeiro: p. 65–73. Araujo, D.S.D. 2000. Análise florística e fitogeográfica das restingas do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Geografia). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 169p. 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Chamissoa altissima (Jack.) Kunth Chamissoa macrocarpa Kunth Pfaffia paniculata (Mart.) Kuntze Hippeastrum reginae (L.) Herb. Hippeastrum reticulatum (L.Hér.) Herb. Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng. Astronium glaziovii Mattick Astronium gracile Endl. Astronium graveolens Jacq. Myracrodruon urundeuva Allemão Schinus terebinthifolius Raddi Spondias mombin L. Spondias venulosa Mart. ex Engl. Tapirira guianensis Aubl. HÁBITO Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Erva Trepadeir Trepadeir Trepadeir Erva Erva Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore 114 ANNONACEAE (4/6) APOCYNACEAE (9/15) ARACEAE (6/25) ARALIACEAE (2/2) ARECACEAE (7/8) Annona acutifolia Mart. Duguetia sessilis (Vell.) Maas Guatteria nigrescens Mart. Guatteria reflexa R.E.Fr. Rollinia emarginata Schltdl. Rollinia parviflora A. St. Hil. Aspidosperma gomezianum A.DC. Aspidosperma parvifolium A.DC. Condylocarpon isthmicum (Vell.) A. DC. Forsteronia pilosa (Vell.) Müll. Arg. Forsteronia thyrsoidea (Vell.) Müll. Arg. Geissospermum laeve (Vell.) Miers Malouetia arborea (Vell.) Miers Mandevilla crassinoda (Gardner) Woodson Mandevilla guanabarica Cassareto ex M.F. Salles, Kin-Gouw. & A.O. Simões Peltastes peltatus (Vell.) Woodson Prestonia coalita (Vell.) Woodson. Prestonia denticulata (Vell.) Woodson Prestonia didyma (Vell.) Woodson Tabernaemontana histrix Steud. Tabernaemontana laeta Mart. Anthurium comtum Schott Anthurium coriaceum G. Don Anthurium harrisii (Grah.) Enoll. Anthurium intermedium Kunth Anthurium luschnathianum Kunth Anthurium maximiliani Schott Anthurium minarum Sakuragui et Mayo Anthurium parasiticum (Vell.) Stellfeld. Anthurium pentaphyllum (Aubl.) G. Don. Anthurium scandens (Aubl.) Engl. Anthurium sucrei G.M. Barroso Anthurium validinervium Engl. Asterostigma lombardii E.G. Gonçalves Heteropsis rigidifolia Engl. Monstera adansonii var. klotzschiana (Schott) Madison Philodendron bipennifolium Schott Philodendron corcovadense Kunth Philodendron cordatum Kunth ex Schott Philodendron crassinervium Lindl. Philodendron ochrostemon Schott Philodendron ornatum Schott Philodendron pedatum (Hook.) Kunth Philodendron propingium Schott Philodendron speciosum Schott ex Engl. Syngonium vellozianum Schott Dendropanax monogynus (Vell.) Seem. Schefflera succinea Frodin & Fiaschi Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret Attalea humilis Mart. Bactris caryotifolia Mart. Bactris setosa Mart. Desmoncus polycanthos Mart. var. polycanthos Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Árvore Erva Erva Erva Hemiepíf Erva Erva Erva Hemiepíf Hemiepíf Erva Erva Erva Erva Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Hemiepíf Arbusto Árvore Árvore Erva Árvore Árvore Trepadeir 115 ARISTOLOCHIACEAE (1/4) ASCLEPIADACEAE (5/6) ASTERACEAE (18/25) BALANOPHORACEAE (1/1) BEGONIACEAE (1/5) BIGNONIACEAE (16/29) Euterpe edulis Mart. Geonoma elegans Mart. Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman Aristolochia cymbifera Mart. et Zucc. Aristolochia odora Steud. Aristolochia raja Mart. et Zucc. Aristolochia rumicifolia Mart. et Zucc. var. oblonga Ditassa burchellii Hook. et Arn. Macroditassa grandiflora (E. Fourn.) Malme Marsdenia loniceroides E. Fourn. Marsdenia suberosa (E. Fourn.) Malme Oxypetalum banksii Schult. subsp. banksii Peplonia riedelii (E. Fourn.) Fontella & Rapini Baccharis serrulata (Lam.) Pers. Barlettina hemisphaerica (DC.) R.M. King & H. Robinson Barrosoa apiculata (Gardn.) R.M. King & H. Robinson Barrosoa organensis (Gardn.) R.M. King & H. Robinson Campuloclinium macrocephalum (Less.) DC. Chromolaena odorata (L.) R.M. King & H. Robinson Delilia biflora (L.) Kuntze Eupatorium odoratum L. Gochnatia polymorpha (Less.) Cabrera Hebeclinium macrophyllum (L.) DC. Heterocondylus vitalbae (DC.) R.M. King & H. Robinson Idiothamnus pseudorgyalis R.M. King & H. Robinson Koanophyllon tinctorium Arruda ex H. Kost. Mikania hastifolia Baker Praxelis clematidea (Griseb.) R.M. King & H. Robinson Tilesia baccata (L.) Pruski Trixis antimenorrhoea (Schrank) Kuntze Vernonia brasiliensis (Spreng.) Less. Vernonia cinerea (Less.) Less. Vernonia megaphylla Hieron Vernonia muricata DC. Vernonia persicifolia Desf. Vernonia rupestris Gardner Vernonia serrulata (Lam.) Pers. Youngia japonica (L.) DC. Lophophytum mirabile Schott et Endl. var. mirabile. Begonia hirtella Link Begonia maculata Raddi Begonia reniformis Dryander Begonia salicifolia A. DC. Begonia tomentosa Schott Adenocalymma bracteatum (Cham.) DC. Adenocalymma marginatum (Cham.) DC. Adenocalymma paulistarum Bureau & K. Schum. Adenocalymma subsessilifolium DC. Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C. Laroche Anemopaegma chamberlaynii (Sims) Bureau ex K. Schum. Anemopaegma prostratum DC. Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart. Arrabidaea leucopogon (Cham.) Sandwith Arrabidaea rego (Vell.) DC. Árvore Árvore Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Árvore Erva Erva Erva Trepadeir Trepadeir Erva Erva Erva Erva Erva Arbusto Erva Erva Árvore Erva Erva Saprófita Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Trepadeir Trepadeir Arbusto Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir 116 BOMBACACEAE (5/8) BORAGINACEAE (2/13) BROMELIACEAE (14/41) Arrabidaea selloi (Spreng.) Sandwith Arrabidaea subincana Mart. Clytostoma binatum (Thunb.) Sandwith Clytostoma sciuripabulum Bureau & K. Schum. Cybistax antisyphilitica (Mart.) Mart. Glaziovia bauhinioides Bureau ex Baill. Jacaranda jasminoides (Thunb.) Sandwith Jacaranda micrantha Cham. Lundia cordata (Vell.) A. DC. Mansoa difficilis (Cham.) Bureau & K. Schum. Mansoa lanceolata (DC.) A.H. Gentry Parabignonia unguiculata (Vell.) A.H. Gentry Pithecoctenium crucigerum (L.) A.H. Gentry Sparattosperma leucanthum (Vell.) K. Schum. Stizophyllum perforatum (Cham.) Miers Tabebuia chrysotricha (Mart. ex DC.) Standl. Tabebuia ochracea (Cham.) Standl. Tynanthus micranthus Correa de Mella ex K. Schum. Xylophragma pratense (Bureau & K. Schum.) Sprague Bombacopsis glabra (Pasq.) A. Robyns Bombacopsis stenopetala (Casar.) A. Robyns Ceiba crispiflora (Kunth) Ravenna Ceiba erianthos (Cav.) K. Schum. Ceiba insignis (K. Schum.) P.E. Gibbs & Semir Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A. Robyns Quararibea turbinata (Sw.) Poir. Cordia aberrans Johnst. Cordia curassavica (Jacq.) Roem. & Schult. Cordia guazumaefolia (Desv.) Roem. & Schult. Cordia magnoliifolia Cham. Cordia ochnacea DC. Cordia superba Cham. Cordia taguahyensis Vell. Cordia trichoclada DC. Cordia trichotoma (Vell.) Arrab. ex Steud. Tournefortia bicolor Sw. Tournefortia gardneri A. DC. Tournefortia paniculata Vent. Tournefortia salicifolia A. DC. Aechmea fasciata (Lindl.) Baker var. fasciata Aechmea floribunda Mart. ex Schult. f. Aechmea nudicaulis (L.) Griseb. var. nudicaulis Aechmea organensis Wawra Aechmea purpureo-rosea (Hook.) Wawra Aechmea ramosa var. ramosa Mart. ex Schult. f. Aechmea sphaerocephala Baker Alcantarea glaziouana (Lemaire) Leme Billbergia amoena (Lodd.) Lindl. Billbergia iridifolia (Nees & Mart.) Lindl. Billbergia pyramidalis (Sims.) Lindl. var. pyramidalis Billbergia zebrina (Herbert) Lindl. Bromelia antiacantha Bertoloni Cryptanthus acaulis (Lindl.) Beer Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Trepadeir Arbusto Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Trepadeir Árvore Árvore Trepadeir Trepadeir Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Arbusto Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Trepadeir Arbusto Arbusto Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva 117 BURSERACEAE (1/1) CACTACEAE (9/16) CANNACEAE (1/1) CAPPARACEAE (4/6) CECROPIACEAE (2/3) Edmundoa lindenii (Regel) Leme X Hohemea itaipuana B.R. Silva & L.O.F. Sousa Hohenbergia augusta (Vell.) E. Morren Neoregelia abendrothae L.B. Smith Neoregelia ampullacea (E. Morren) L.B. Smith Neoregelia cruenta (R. Graham) L.B. Smith Neoregelia sapiatibensis E. Pereira & L.A. Pereira Nidularium sp. Pitcairnia albiflos Herbert Pitcairnia flammea Lindl. Pitcairnia staminea Loddiges Pseudoananas sagenarius (Arruda da Câmara) Camargo Quesnelia liboniana (De Longhe) Mez Tillandsia araujei Mez Tillandsia dura Baker Tillandsia gardneri Lindl. Tillandsia geminiflora Brongniart Tillandsia recurvata (L.) L. Tillandsia stricta Soland. var. stricta Tillandsia usneoides (L.) L. Vriesea botafogensis Mez Vriesea costae E. Leme & B. Rezende Vriesea eltoniana Pereira & Ivo Vriesea flamea L.B. Smith Vriesea neoglutinosa Mez Vriesea procera (Mart. ex Schult. f.) Wittm. Vriesea psittacina (Hook.) Lindl. Protium widgrenii Engl. Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A. Berg. Coleocephalocereus fluminensis (Miq.) Backeb Epiphyllum phyllanthus (L.) Haw. Hylocereus setaceus (Salm-Dyck) R. Bauer Lepismium cruciforme (Vell.) Miquel Lepismium grandiflora (Haw.) Backeb. Opuntia monacantha Haw. Pereskia aculeata Mill. Pereskia grandiflora Pfeiff. subsp. grandiflora Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles ex G.D. Rowley. Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.) Backeb. Rhipsalis lindbergiana K. Schum. Rhipsalis mesembryanthemoides Haworth Rhipsalis oblonga Loefgren Rhipsalis paradoxa (Salm-Dyck ex Pfeiff.) Salm-Dyck subsp. paradoxa Rhipsalis teres (Vell.) Steud. Canna denudata Roscoe Capparidastrum brasilianum (DC.) Hutch. Capparis flexuosa (L.) L. Capparis lineata Pers. Cleome dendroidea Schult. f. Cleome diffusa Banks ex DC. Crateva tapia L. Cecropia glaziovi Snethlage Cecropia lyratiloba Miquel Coussapoa curranii S.F. Blake Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Árvore Arbusto Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Árvore Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Arbusto Arbusto Trepadeir Arbusto Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore 118 CELASTRACEAE (1/5) CHRYSOBALANACEAE (1/2) CLUSIACEAE (4/7) COMMELINACEAE (5/6) CONNARACEAE (1/1) CONVOLVULACEAE (5/10) COSTACEAE (1/1) CRASSULACEAE (1/1) CUCURBITACEAE (4/10) CUNONIACEAE (1/1) CYPERACEAE (7/11) Maytenus aquifolium Mart. Maytenus ardisiifolia Reissek Maytenus brasiliensis Mart. Maytenus communis Reiss. Maytenus commuta Reissek Hirtella hebeclada Moric. ex DC. Hirtella triandra Sw. subsp. punctulata (Miq.) G.T. Prance Clusia criuva Cambess. Clusia fluminensis Planch. & Triana Garcinia brasiliensis Mart. Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi Kielmeyera membranacea Casar. Kielmeyera rizziniana Saddi Tovomita leucantha (Schltdl.) Planch. & Triana Dichorisandra hexandra (Aubl.) Standl. Dichorisandra thyrsiflora J.C. Mikan Gibasis geniculata (Jacq.) Rohweder Siderasis fuscata (Lood.) Moore Tradescantia zanonia (L.) Sw. Tripogandra elongata (G. Mey) Woodson Connarus nodosus Baker Evolvulus glomeratus Nees & Mart. Evolvulus nummularius (L.) L. Ipomoea daturaeflora Meissn. Ipomoea philomega (Vell.) House Ipomoea syringaefolia Meissner Ipomoea tiliacea (Willd.) Choisy Jaquemontia holosericea (Weinm.) O’Donell Jacquemontia martii Choisy Merremia umbellata (L.) Hallier f. Operculina macrocarpa (L.) Urb. Costus spiralis (Jacq.) Roscoe var. spiralis Kalanchoe crenata (Andrews) Haw. Cayaponia martiana Cogn. Cayaponia fluminensis (Vell.) Cogn. Cayaponia trifoliata (Cogn.) Cogn. Cayaponia trilobata Cogn. Fevillea trilobata L. Melothria cucumis Vell. var. cucumis Melothria fluminensis Gardner var. fluminensis Wilbrandia ebracteata Cogn. Wilbrandia glaziovii Cogn. Wilbrandia verticillata (Vell.) Cogn. Lamanonia ternata Vell. Becquerelia cymosa Brongn. Cyperus dichromennaeformis Kunth Cyperus hermaphroditus (Jacq.) Standl. Cyperus laxus Lam. Cyperus pohlii (Nees) Steud. Fimbristylis littoralis Gaudich. Pleurostachys puberula Boeck. Pleurostachys stricta Kunth Rhynchospora exaltata Kunth. Scleria secans (L.) Urb. Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Erva Erva Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Erva Erva Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva 119 DICHAPETALACEAE (1/1) DILLENIACEAE (1/1) DIOSCOREACEAE (1/10) ELAEOCARPACEAE (1/3) ERYTHROXYLACEAE (1/4) EUPHORBIACEAE (22/42) Trilepis lhotzkiana Nees ex Arn. Stephanopodium sessile Rizzini Davilla rugosa Poir. Dioscorea altissima Lam. Dioscorea cinnamomifolia Hook. & Griseb. Dioscorea coronata Hauman Dioscorea debilis Uline Dioscorea dodecaneura Vell. Dioscorea mollis Mart. Dioscorea ovata Vell. Dioscorea piperifolia Humb. & Bonpl. ex Willd. Dioscorea sinuata Vell. Dioscorea sp. Sloanea garckeana K. Schum. Sloanea guianensis (Aubl.) Benth. Sloanea monosperma Vell. Erythroxylum frangulifolium A. St. Hil. Erythroxylum gaudichaudii Peyr. Erythroxylum magnoliifolium A. St. Hil. Erythroxylum pulchrum A. St. Hil. Acalypha amblyodonta Müll. Arg. (Müll. Arg.) Acalypha brasiliensis Müll. Arg. var. brasiliensis Acalypha gracilis Müll. Arg. Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax Actinostemon concolor (Spreng.) Müll. Arg. Actinostemon echinatus Müll. Arg. Actinostemon verticillatus (Klotzsch) Baill. Alchornea glandulosa subsp. iricurana (Casar.) Secco Algernonia brasiliensis Baill. Bernardia axillaris (Spreng.) Müll. Arg. Croton celtidifolius Baill. Croton compressus Lam. Croton floribundus Spreng. Croton klotzschii (Didr.) Baill. Croton lobatus L. Croton urticifolius Lam. Dalechampia alata Müll. Arg. Dalechampia brasiliensis Lam. Dalechampia convolvuloides Lam. Dalechampia micromeria Baill. Dalechampia pentaphylla Lam. Dalechampia triphylla Lam. Ditaxis simoniana Casar. Euphorbia comosa Vell. Euphorbia insulana Vell. Jatropha gossypiifolia L. Joannesia princeps Vell. Julocroton fuscescens (Spreng.) Baill. Julocroton triqueter (Lam.) Didr. Manihot leptopoda (Müll. Arg.) D.J. Rogers & Appan Margaritaria nobilis L.f. Pachystroma longifolium (Nees.) I.M. Johnt. Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. Pera leandri Baill. Erva Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Arbusto Árvore Árvore Arbusto Árvore Árvore Árvore Arbusto Arbusto Arbusto Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Arbusto Erva Erva Arbusto Árvore Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore 120 FLACOURTIACEAE (4/9) GESNERIACEAE (3/6) HELICONIACEAE (1/4) HERRERIACEAE (1/1) HIPPOCRATEACEAE (2/2) ICACINACEAE (2/2) IRIDACEAE (1/2) LACISTEMATACEAE (1/2) LAURACEAE (7/20) Romanoa tamnoides (A. Juss.) A. Radcliffe Smith Sapium glandulatum (Vell.) Pax. Sebastiania brasiliensis Spreng. Sebastiania gaudichaudii (Müll. Arg.) Müll. Arg. Sebastiania nervosa Müll. Arg. Stillingia dichotoma Müll. Arg. Tetraplandra leandri Baill. Tragia volubilis L. Carpotroche brasiliensis (Raddi) Engl. Casearia commersoniana Cambess. Casearia luetzelbergii Sleumer Casearia obliqua Spreng. Casearia oblongifolia Cambess. Casearia sylvestris Swartz Prockia crucis P. Browne ex L. Xylosma ciliatifolia (Clos) Eichler Xylosma glaberrima Sleumer Codonanthe gracilis (Mart.) Hanstein Paliavana prasinata (Ker-Gawl) Benth. Sinningia aggregata (Ker-Gawl) Wiekler Sinningia bulbosa (Ker-Gawl) Wiehler Sinningia pusilla (Mart.) Baill. Sinningia speciosa (Lood.) Hiern Heliconia angusta Vell. Heliconia episcopalis Vell. Heliconia lacletteana Emygdio & Santos Heliconia spathocircinata Aristeg. Herreria salsaparilha Mart. Hippocratea volubilis L. Salacia arborea (Leandro) Peyr. Citronella paniculata (Mart.) R.A. Howard Leretia cordata Vell. Neomarica candida (Hassl.) Sprague Neomarica gracilis (Herb.) Sprague Lacistema pubescens Mart. Lacistema serrulatum Mart. Aniba brittonii Mez Aniba firmula (Nees & Mart.) Mez Cryptocarya moschota Nees & Mart. ex Nees Cryptocarya saligna Mez Endlicheria glomerata Mez Nectandra oppositifolia Nees Nectandra puberula (Schott) Nees Nectandra reticulata (Ruiz et Pavon) Mez Ocotea aniboides Mez Ocotea brachybotrya (Meisn.) Mez Ocotea daphnifolia (Meisn.) Mez Ocotea diospyrifolia (Miesn.) Mez Ocotea elegans Mez Ocotea microbotrys (Meisn.) Mez Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer Ocotea schotii (Miesn.) Mez Ocotea tenuiflora (Nees) Mez Phyllostemonodaphne geminiflora (Mez) Kosterm. Trepadeir Árvore Árvore Arbusto Árvore Arbusto Árvore Trepadeir Árvore Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Árvore Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Trepadeir Árvore Arbusto Trepadeir Erva Erva Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore 121 LECYTHIDACEAE (4/4) LEGUMINOSAE (39/85) Urbanodendron bahiense (Meiss.) Rohwer Urbanodendron verrucosum (Nees) Mez Cariniana legalis (Mart.) Kuntze Couratari pyramidata (Vell.) Knuth Eschweilera compressa (Vell.) Miers Lecythis pisonis Camb. Abarema cochliocarpus (Gomes) R.C. Barneby & J.W. Grimes Acosmium lentiscifolium Schott. Albizia polycephala (Benth.) Killip ex Record Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F. Macbr. Bauhinia forficata Link Bauhinia longifolia (Bong.) Steud. Bauhinia microstachya (Raddi) J.F. Macbr. Bauhinia radiata Vell. Caesalpinia echinata Lam. Caesalpinia ferrea Mart. Caesalpinia pluviosa var. peltophoroides (Benth.) G.P. Lewis Camptosema isopetalum (Lam.) Taub. Canavalia parviflora Benth. Centrolobium tomentosum Guill. ex Benth. Centrosema sagittatum (Humb. & Bonpl. ex Willd.) Brandeg. ex L. Riley Centrosema virginianum (L.) Benth. Chaetocalyx scandens (L.) Urb. Chamaecrista glandulosa var. brasiliensis (Vogel) H.S. Irwin & R.C. Barneby Copaifera trapezifolia Hayne Crotalaria verrucosa L. Dalbergia frutescens (Vell.) Britton Dalbergia lateriflora Benth. Dioclea violacea Mart. ex Benth. Diplotropsis incexis Rizzini & A. Mattos Exostyles venusta Schott ex Spreng. Galactia striata (Jacq.) Urb. Inga capitata Desv. Inga congesta T.D. Penn. Inga cordistipula Mart. Inga flagelliformis (Vell.) Mart. Inga lanceifolia Benth. Inga laurina (Sw.) Willd. Inga lenticellata Benth. Inga sellowiana Benth. Inga subnuda subsp. luschnathiana (Benth.) T.D. Penn. Lonchocarpus virgilioides (Vogel) Benth. Machaerium aculeatum Raddi Machaerium angustifolium Vogel Machaerium firmum Benth. Machaerium hirtum (Vell.) Stellf. Machaerium incorruptibile Allemão Machaerium lanceolatum (Vell.) J.F. Macbr. Machaerium leucopterum Vogel Machaerium oblongifolium Vogel Machaerium pedicellatum Vogel Machaerium reticulatum Pers. Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Trepadeir Trepadeir Árvore Árvore Árvore Trepadeir Trepadeir Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Erva Árvore Erva Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Trepadeir Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Trepadeir Árvore Árvore Árvore Árvore Trepadeir Árvore Trepadeir Árvore Trepadeir 122 LOGANIACEAE (1/1) LORANTHACEAE (1/2) MALPIGHIACEAE (10/21) Mimosa arenosa (Willd.) Poiret. Mimosa artemisiana Heringer & Paula Mimosa bimucronata (DC.) Kuntze Mimosa caesalpiniifolia Benth. Mimosa extensa Benth. Mimosa schomburgkii Benth. Mimosa velloziana Mart. Mucuna urens L. Ormosia arborea (Vell.) Harms Piptadenia adiantoides (Spreng.) J.F. Macbr. Piptadenia gonoacantha (Mart.) J.F. Macbr. Piptadenia paniculata Benth. Platymiscium floribundum Vogel Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P. Lewis & M.P. Lima Pseudopiptadenia inaequalis (Benth.) Rauschert Pseudopiptadenia schumanniana (Taub.) Lewis & M. Lima Pterocarpus rohrii Vogel Pterogyne nitens Tul. Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger Senegalia sp. 1 Senegalia sp. 2 Senna affinis (Benth.) H.S. Irwin & R.C. Barneby Senna macranthera (Collad.) H.S. Irwin & R.C. Barneby var. macranthera Senna pendula (Willd.) H.S. Irwin & R.C. Barneby Sophora tomentosa L. Swartzia apetala Raddi var. apetala Swartzia langsdorffii Raddi Swartzia simplex var. grandiflora (Raddi) R.S. Cowan Teramnus volubilis Sw. Vigna adenantha (G. Mey) Maréchal, Mascherpa & Stainer Vigna speciosa (Kunth) Verdc. Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev Zornia latifolia Sm. Strychnos acuta Progel Struthanthus marginatus (Desr.) Blume Struthanthus maricensis Rizz. Amorimia rigida (A. Juss.) W.R. Anderson Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates Bunchosia maritima (Vell.) J.F. Macbr. Byrsonima laxiflora Griseb. Heteropterys bicolor A. Juss. Heteropterys chrysophylla (Lam.) Kunth Heteropterys fluminensis (Griseb.) W.R. Anderson Heteropterys leschenaultiana A. Juss. Heteropterys pauciflora A. Juss. Heteropterys sericea (Cav.) A. Juss. Heteropterys ternstroemiifolia A. Juss. Mascagnia sepium (A. Juss.) Griseb. Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Trepadeir Trepadeir Árvore Trepadeir Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Trepadeir Trepadeir Arbusto Árvore Arbusto Arbusto Árvore Árvore Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Erva Trepadeir Parasita Parasita Trepadeir Trepadeir Arbusto Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir 123 MALVACEAE (3/8) MARANTACEAE (4/11) MARCGRAVIACEAE (1/1) MELASTOMATACEAE (4/11) MELIACEAE (4/12) MENISPERMACEAE (6/6) Niedenzuella acutifolia (Cavanilles) W.R. Anderson Peixotoa hispidula A. Juss. Stigmaphyllon auriculatum (Cav.) A. Juss. Stigmaphyllon gayanum A. Juss. Stigmaphyllon lalandianum A. Juss. Stigmaphyllon paralias A. Juss. Stigmaphyllon tomentosum A. Juss Stigmaphyllon vitifolium A. Juss. Thryallis brachystachys Lindl. Abutilon anodoides A. St. Hil. & Naud. Abutilon bedfordianum (Hook.) A. St. Hil. et Naud. Abutilon pauciflorum A. St. Hil. Abutilon purpurascens (Link) K. Schum Hibiscus diversifolius subsp. rivularis (Bremek. & Oberm.) Pavonia malvacea (Vell.) Krapov. & Cristobal Pavonia nemoralis A. St. Hil. & Naud. Pavonia sepium A. St. Hil. Calathea cylindrica (Roscoe) K.Schum. Calathea eichleri Petersen Calathea sphaerocephala K. Schum. Calathea truncata (Link) K. Schum. Calathea violacea Lindley Calathea sp. nov. Maranta bicolor Ker-Gawl Maranta divaricata Roscoe Saranthe eichleri Petersen Saranthe leptostachya Eichler Stromanthe tonckat (Aubl.) Eichler Schwartzia brasiliensis (Choise) Bedell ex Giraldo-Canãs Clidemia hirta (L.) D. Don. Miconia albicans (Sw.) Triana Miconia cinerascens Miq. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naud. Miconia latecrenata Triana Miconia prasina (Sw.) DC. Miconia staminea (Desr.) DC. Ossea marginata (Desr.) Triana. Tibouchina corymbosa (Raddi) Cogn. Tibouchina grandifolia Cogn. Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. Cabralea canjerana (Vell.) Mart. ssp. canjerana Cedrela odorata L. Guarea guidonia (L.) Sleumer Guarea kunthiana A. Juss. Guarea macrophylla subsp. tuberculata (Vell.) T.D. Penn. Trichilia casaretti C. DC. Trichilia catigua A. Juss. Trichilia elegans subsp. richardiana T.D. Penn. Trichilia hirta L. Trichilia martiana C. DC. Trichilia pseudostipularis (A. Juss.) C. DC. Trichilia silvatica C. DC. Abuta convexa (Vell.) Diels. Chondrodendron platiphyllum (A. St. Hil.) Miers Trepadeir Erva Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Trepadeir Trepadeir 124 MONIMIACEAE (2/5) MORACEAE (6/16) MYRISTICACEAE (1/1) MYRSINACEAE (1/2) MYRTACEAE (8/55) Disciphania hernandia (Vell.) Barneby Hyperbaena oblongifolia (Eichler.) Chodat & Hassl. Odontocarya vitis Miers Ungilipetalum filipendulum (Mart.) Moldenthe Macrotorus utriculatus Perkins Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins Mollinedia lamprophylla Perkins Mollinedia longifolia Tulasne Mollinedia puberula Perkins Brosimum guianense (Aubl.) Huber Clarisia ilicifolia (Spreng) Lanjouw & Rossberg Dorstenia arifolia Lam. Dorstenia cayapia Vell. Dorstenia turnerifolia Fisch. & Meyer Ficus adhatodifolia Schott ex Spreng. Ficus arpazusa Casar. Ficus citrifolia Miller Ficus cyclophylla (Miquel) Miquel Ficus enormis (Mart. ex Micq.) Miquel Ficus gomeleira Kunth & C.D. Bouché Ficus luschnathiana (Miquel) Miquel Ficus tomentella (Miquel) Miquel Pseudomedia hirtuta Kuhlmann Sorocea hilarii Gaudich. Sorocea racemosa Gaudich. Virola gardneri (A. DC.) Warb. Myrsine coriacea (Sw.) R. Br. ex Roem. & Schult. Myrsine guianensis (Albl.) Kuntze Calyptranthes grandiflora O. Berg Calyptranthes lucida Mart. ex DC. Calyptranthes obovata Kiaersk. Campomanesia laurifolia Gardn. Eugenia amazonica DC. Eugenia bahiensis DC. Eugenia bunchosiifolia Nied. Eugenia candolleana DC. Eugenia cuprea (O. Berg) Nied. Eugenia excelsa O. Berg Eugenia flamingensis O. Berg. Eugenia florida DC. Eugenia jurujubensis Kiaersk. Eugenia marambaiensis M.C. Souza et M.P. Morim Eugenia microcarpa O. Berg. Eugenia monosperma Vell. Eugenia neoglomerata Sobral Eugenia oxyoentophylla Kiaersk. Eugenia prasina O. Berg Eugenia punicifolia (Kunth) DC. Eugenia rostrata O. Berg Eugenia rotundifolia Casar. Eugenia sulcata Spreng. ex Mart. Eugenia tinguyensis Cambess. Eugenia umbrosa O. Berg Eugenia uniflora L. Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Arbusto Arbusto Árvore Arbusto Arbusto Árvore Árvore Erva Erva Erva Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto 125 NYCTAGINACEAE (3/4) OCHNACEAE (1/3) OLACACEAE (1/1) OLEACEAE (1/1) ORCHIDACEAE (20/28) Eugenia villae-novae Kiaersk. Eugenia xanthoxyloides Cambess. Eugenia zucarini O. Berg Eugenia nov. sp. 1 Eugenia nov. sp. 2 Eugenia nov. sp. 3 Eugenia nov. sp. 4 Marlierea choriophylla Kiaersk. Marlierea excoriata Mart. Marlierea glazioviana Kiaersk. Marlierea obscura O. Berg Marlierea racemosa (Vell.) Kiaersk. Marlierea sylvatica (Gardner) Kiaersk. Myrcia dilucida G.M. Barroso Myrcia fallax (Rich.) DC. Myrcia innovans Kiaersk. Myrcia insularis (O. Berg) Kiaersk. Myrcia ovata Cambess. Myrcia pubipetala Miq. Myrcia richardiana (O. Berg) Kiaersk. Myrcia selloi (Spreng.) N. Silveira Myrcia vittoriana Kiaersk. Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg Myrciaria glazioviana (Kiaersk.) G.M. Barroso ex Sobral Myrciaria guaquiea (Kiaersk.) Mattos & D. Legrand Myrciaria sp. Plinia ilhensis G.M. Barroso Psidium cattleyanum Sabine Psidium guineensis Sw. Bougainvillea spectabilis Willd. Guapira opposita (Vell.) Reitz Guapira pernambucensis (Casar.) Lundell Leucaster caniflorus (Mart.) Choisy Ouratea cuspidata Tiegh. Ouratea oliviformis (A. St. Hil.) Engl. Ouratea parviflora (DC.) Baill. Heisteria perianthomega (Vell.) Sleumer Chionanthus fluminensis (Miers) P.S. Green Aspidogyne argentea (Vell.) Garay Brassavola tuberculata Hook. Campylocentrum robustum Cogn. Cattleya forbesii Lindl. Constantia rupestris Barb. Rodr. Corymborchis flava (Sw.) Kuntze Cyclopogon bicolor (Ker-Gawl) Schltr. Cyrtopodium polyphyllum (Vell.) Pabst ex F. Barros Eltroplectris triloba (Lindl.) Pabst Epidendrum denticulatum Barb. Rodr. Epidendrum filicaule (Sw.) Lindl. Epidendrum rigidum Jacq. Habenaria leptoceras Hook. Habenaria parviflora Lindl. Maxillaria marginata Fenzl Octomeria alpina Barb. Rodr. Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Trepadeir Árvore Trepadeir Trepadeir Árvore Arbusto Arbusto Árvore Arbusto Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva 126 PASSIFLORACEAE (1/9) PHYTOLACCACEAE (2/2) PIPERACEAE (2/14) POACEAE (9/11) POLYGALACEAE (2/3) POLYGONACEAE (3/3) Oeceoclades maculata (Lindl.) Lindl. Oncidium ciliatum Lindl. Oncidium fimbriatum Hoffmanns. Oncidium pumilum Lindl. Pleurothallis grobyi Lindl. Pleurothallis pardipes Rchb. f. Pleurothallis saundersiana Rchb. f. Prescottia plantaginea Lindl. Renanthera sp. Sarcoglottis fasciculata (Vell.) Schltr. Sophronites cernua Lindl. Vanilla bahiana Hoehne Passiflora alata Curtis Passiflora capsularis L. Passiflora edulis Sims Passiflora farneyi Pessoa & Cervi Passiflora mucronata Lam. Passiflora organensis Gardner Passiflora racemosa Brot. Passiflora setacea DC. Passiflora suberosa L. Gallesia integrifolia (Spreng.) Harms. Seguieria langsdorfii Miq. Peperomia arifolia Miq. Peperomia corcovadensis Gardner Peperomia incana (Haw.) Hook. Peperomia psilostachya C. DC. Peperomia rubricaulis (Nees) A. Dietr. Peperomia urocarpa Fisch. et Meyer Piper amalago var. medium (Jacq.) Yunck. Piper amplum Kunth Piper anisum (Sprengel) Angely Piper arboreum Aubl. var. arboreum Piper hispidum L. Piper hoffmannseggianum Roem. et Schult. Piper mollicomum Kunth Piper rivinoides Kunth Ichnanthus glaber (Raddi) A.S. Hitchc. Ichnanthus pallens (Sw.) Munro ex Benth. Lasiacis ligulata Hitchc. & Chase Olyra ciliatifolia Raddi Olyra latifolia L. Oplismenus hirtellus (L.) P. Beauv. Panicum racemosum (P. Beauv.) Spreng. Pharus lappulaceus Aubl. Raddia brasiliensis Bertol. Saccharum asperum (Nees) Steud. Setaria parviflora (Poir) Kerguélen Polygala albicans (A.W. Benn.) Grondona Securidaca lanceolata A. St. Hil. & Moq. Securidaca ovalifolia A. St. Hil. et Moq. Coccoloba confusa Howard Ruprechtia lundii Meisn. Triplaris americana L. Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Árvore Erva Erva Erva Erva Erva Erva Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Erva Erva Trepadeir Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Arbusto Trepadeir Trepadeir Arbusto Arbusto Árvore 127 PROTEACEAE (1/1) RHAMNACEAE (2/2) RUBIACEAE (22/54) Roupala montana Aulb. var. paraensis (Sleumer) K.S. Edwards Condalia buxifolia Reissek Reissekia smilacina (Sm.) Steud. Alseis floribunda Schott Alseis involuta K.Schum. Anisomeris brasiliana (A. Rich.) Standl. Basanacantha calycina (Cham.) K. Schum. Bathysa mendoncaei K. Schum. Borreria verticillata (L.) G. Meyer Chomelia brasiliana A. Rich. Coccocypselum cordifolium Nees & Mart. Coussarea accedens Müll. Arg. Coussarea capitata (Benth.) Benth. et Hook. f. Coussarea nodosa (Benth.) Müll. Arg. Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schum. Emmeorhiza umbellata (Spreng.) K. Schum. Faramea calyciflora A. Rich. ex DC. Faramea coerulea (Nees & Mart.) DC. Faramea macrocalyx Müll. Arg. Faramea stipulacea (Cham. & Schltdl.) DC. Genipa americana L. Hamelia patens Jacq. Ixora gardneriana Benth. Manettia mitis var. fimbriata (Cham. & Schltdl.) K. Schum. Mitracarpus lhotzkyanus Cham. Posoqueria acutifolia Mart. Psychotria brachyceras Müll. Arg. Psychotria carthagenensis Jacq. Psychotria cephalantha (Müll. Arg.)Standl. Psychotria chaenotricha DC. Psychotria deflexa DC. Psychotria leiocarpa Cham. et Schltdl. Psychotria nitidula Cham. & Schltdl. Psychotria racemosa Rich. Psychotria rauwolfioides Standl. Psycotria stenocalyx Müll. Arg. Psychotria subspathacea Müll. Arg. Psychotria subtriflora Müll. Arg. Psychotria suterella Müll. Arg. Psychotria tenuinervis Müll. Arg. Psychotria umbellurigera (Müll. Arg.) Standl. Psychotria sp. Randia armata (Sw.) DC. Rudgea coriacea (Spreng.) K. Schum. Rudgea coronata (Vell.) Müll. Arg. Rudgea discolor Benth. Rudgea eugenioides Standl. Rudgea francavillana Müll. Arg. Rudgea interrupta Benth. Rudgea minor ssp. minor Benth. Rudgea recurva Müll. Arg. Rudgea umbrosa Müll.Arg. Rudgea sp. Simira sampaiona (Standl.) Steyerm. Árvore Arbusto Trepadeir Árvore Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Erva Arbusto Erva Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Trepadeir Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Trepadeir Árvore Trepadeir Erva Árvore Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Árvore 128 RUTACEAE (11/16) SAPINDACEAE (9/33) SAPOTACEAE (5/10) Simira viridiflora (Allemão & Saldanha) Steyerm. Tocoyena bullata (Vell.) Mart. Tocoyena sellowiana (Cham. & Schltdl.) K. Schum. Almeida rubra A. St. Hil. Balfourodendron riedelianum (Engl.) Engl. Conchocarpus fontanesianus (A. St. Hil.) Kallini & Pirani Conchocarpus gaudichaudianus (A. St. Hil.) Kallunchi & Pirani Conchocarpus macrophyllus J.C. Mikan Conchocarpus ovatus (A. St. Hil. & Tul.) Kallunki & Pirani Erythrochiton brasiliensis Nees & Mart. Esenbeckia febrifuga (A. St. Hil.) Juss. Esenbeckia grandiflora Mart. subsp. grandiflora Fagara nigra (Mart.) Engl. Galipea jasminiflora (A. St. Hil.) Engl. Neoraputia alba (Nees & Mart.) Emmerich Pilocarpus spicatus A. St. Hil. Rauia resinosa Nees & Mart. Zanthoxylum rhoifolium Lam. Zanthoxylum tingoassuiba A. St. Hil. Allophylus edulis (A. St. Hil.) Radlk. Allophylus heterophylus Radlk. Allophylus puberulus (Cambess.) Radlk. Allophylus semidentatus (Miq.) Radlk. Allophylus sericeus (Cambess.) Radlk. Cupania emarginata Cambess. Cupania oblongifolia Mart. Cupania platycarpa Radlk. Cupania racemosa (Vell.) Radlk. Matayba guianensis Aubl. Paullinia coriacea Casar. Paullinia fusiformis Radlk. Paullinia meliifolia A. Juss. Paullinia micrantha Cambess. Paullinia racemosa Wawra Paullinia trigonia Vell. Serjania caracasana (Jacq.) Willd. Serjania clematidifolia Cambess. Serjania communis Cambess. Serjania corrugata Radlk. Serjania cuspidata Cambess. Serjania dentata Radlk. Serjania elegans Cambess. Serjania orbicularis Radlk. Serjania tenuis Radlk. Talisia coriacea Radlk. Thinouia mucronata Radlk. Thinouia scandens (Cambess.) Triana & Planchon Tripterodendron filicifolium Radlk. Urvillea glabra Cambess. Urvillea laevis Radlk. Urvillea stipitata Radlk. Urvillea triphylla (Vell.) Radlk. Chrysophyllum flexuosum Mart. Chrysophyllum lucentifolium Cronquist Árvore Arbusto Árvore Árvore Árvore Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Trepadeir Trepadeir Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore Árvore 129 SIMAROUBACEAE (2/2) SMILACACEAE (1/2) SOLANACEAE (10/23) STERCULIACEAE (3/3) THEOPHRASTACEAE (1/1) TILIACEAE (1/1) TRIGONIACEAE (1/3) TURNERACEAE (1/2) ULMACEAE (2/5) URTICACEAE (1/1) VELLOZIACEAE (2/2) VERBENACEAE (2/5) Ecclinusa ramiflora Mart. Pouteria caimito (Ruiz & Pavon) Radlk. Pouteria filipes Eyma Pouteria guianensis Aubl. Pouteria parviflora (Benth. ex Miq.) Radlk. Pouteria psammophila (Mart.) Radlk. Pradosia lactescens (Vell.) Radlk. Sideroxylon obtusifolium (Humb. ex Roem. & Schult.) T.D. Penn. Picramnia grandifolia Engler Simaba floribunda A. St. Hil. Smilax brasiliensis Spreng. var. grisebachii A. DC. Smilax quinquenervia Vell. Acnistus arborescens (L.) Schltdl. Athenaea anonacea Sendtn. Aureliana fasciculata (Vell.) Sendtn. Brugmansia suaveolens (Humb. & Bonpl. ex Willd.) Bercht. & J. Presl Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don Capsicum flexuosum Sendtn. Cestrum laevigatum Schltdl. Dyssochroma viridiflora Miers Metternichia princeps Mikan var. princeps Solanum alternatopinnatum Steud. Solanum arenarium Sendtner Solanum argenteum Dun. Solanum asperum Rich. Solanum caavurana Vell. Solanum campaniforme Roem. & Schult. Solanum curvispinum Dun. Solanum gnaphalocarpon Vell. Solanum megalochiton Mart. Solanum melissarum Bohs Solanum piluliferum Dun. Solanum polytrichum Sendtn. Solanum sublentum Hiern. Solanum torvum Sw. Guazuma crinita Mart. Helicteris ovata Lam. Sterculia chicha A. St. Hil. ex Turpin Clavija spinosa (Vell.) Mez Luehea paniculata Mart. Trigonia eriosperma (Lam.) Fromm & Santos Trigonia nivea Cambess. Trigonia villosa Vell. Turnera lucida Urban Turnera serrata Vell. var. latifolia Celtis chichape (Wedd.) Miq. Celtis ehrenbergiana (Klotzsch) Liebm. Celtis iguanaea (Jacq.) Sarg. Celtis pubescens (Kunth) Spreng. Trema micrantha (L.) Blume Boehmeria caudata Sw. Barbacenia purpurea Hook. Vellozia candida J.C. Mikan Aegiphila chrysantha Haykek Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Trepadeir Trepadeir Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Hemiepíf Árvore Trepadeir Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Arbusto Árvore Arbusto Árvore Trepadeir Trepadeir Trepadeir Arbusto Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Erva Erva Arbusto 130 VIOLACEAE (3/4) VITACEAE (1/5) VOCHYSIACEAE (1/1) Aegiphila mediterranea Vell. Aegiphila vitelliniflora Klotzsch ex Walp. Vitex polygama Cham. Vitex rufescens A. Juss. Amphirrhox longifolia (A. St. Hil.) Spreng. Anchietea pyrifolia var. hilariana (Eichl.) Marquete et Dan. Rinorea guianensis Aubl. Rinorea laevigata (Solander ex Gingins) Hekking Cissus paullinifolia Vell. Cissus serroniana (Glaziou) Lombardi Cissus simsiana Schult. & Schult. f. Cissus sulcicaulis (Bak.) Planch. Cissus verticillata (L.) Nicolson & C.E. Javis Callisthene dryadum A.P. Duarte Árvore Arbusto Árvore Arbusto Arbusto Trepadeir Arbusto Arbusto Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir Árvore ANEXO II Listagem de espécies ruderais encontradas no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. FAMÍLIAS ACANTHACEAE (1/1) AMARANTHACEAE (2/2) ARACEAE (1/1) ASTERACEAE (17/20) BRASSICACEAE (2/2) COMMELINACEAE (2/3) CONVOLVULACEAE (2/4) ESPÉCIES Thunbergia alata Borjer Achyranthes aspera L. Alternanthera brasiliana var. villosa (Moq.) Kuntze Dieffenbachia aff picta Schott Acanthospermum hispidum DC. Achyrocline alata (Kunth) DC. Achyrocline satureioides (Lam.) DC. Baccharis dracunculifolia DC. Baccharis trinervis Pers. Bidens pilosa L. Blainvillea dichotoma (Murray) Stewart Centratherum punctatum Cass. Chaptalia nutans (L.) Pol. Conysa canadensis (L.) Cronquist Elephantopus mollis Kunth. Elvira biflora (L.) DC. Emilia coccinea (Sims) G. Don Galinsoga parviflora Cav. Mikania nigricans Gardn. Pterocaulon virgatum (L.) DC. Tithonia diversifolia (Hemsl.) A. Gray Vernonia mariana Mart. ex Baker Vernonia scorpioides (Lam.) Pers. Wulffia stenoglossa (Cass.) DC. Brassica campestris subsp. rapa (L.) Hook. f. Crucifera virginica (L.) E.H.L. Krause Commelina benghalensis L. Commelina erecta L. Tripogandra elongata (G. Mey) Woodson Ipomoea aristolochiifolia G. Don Ipomoea ramosissima (Poir.) Choisy Merremia dissecta (Jacq.) Hallier f. Merremia macrocalyx (Ruiz et Pavon) O’Donnell HÁBIT Trepadeir Erva Erva Erva Erva Erva Erva Arbusto Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Erva Arbusto Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Trepadeir Trepadeir Trepadeir 131 CUCURBITACEAE (1/1) CYPERACEAE (3/7) EUPHORBIACEAE (7/13) HYPOXIDACEAE (1/1) LAMIACEAE (4/4) LEGUMINOSAE (6/10) LOASACEAE (1/1) LYTHRACEAE (1/2) MALVACEAE (5/8) MOLLUGINACEAE (1/1) NYCTAGINACEAE (1/1) ONAGRACEAE (1/1) OXALIDACEAE (1/3) PHYTOLACCACEAE (3/3) Momordica charantia L. Bulbostylis capillaris (L.) C.B. Clarke Cyperus distans L.f. Cyperus entrerianus Boeck. Cyperus haspan L. Cyperus iria L. Cyperus ligularis L. Eleocharis nodulosa (Roth) Schult. Acalypha communis Müll. Arg. Acalypha poiretii Spreng. Chamaesyce hirta (L.) Millsp. Chamaesyce hyssopifolia (L.) Small Chamaesyce prostrada (Ailton) Small Cnidosculos urens (L.) Arthur Croton glandulosus L. Euphorbia graminea Jacq. Euphorbia heterophylla L. Phyllanthus niruri var. amarus (Schum. & Thonn.) Leandri Phyllanthus subemarginatus Müll. Arg. Phyllanthus tenellus Roxb. Ricinus communis L. Hypoxis decumbens L. Leucas martinicensis (Jacq.) R.Br. Marsipianthes chamaedrys (Vahl) Kuntze Ocimum gratissimum L. Salvia splendens Sellow ex Wied-Neuw. Abrus precatorius L. Chamaecrista nictitans var. pilosa (Vogel) H.S. Irwin & R.C. Barneby Crotalaria pallida Ait Desmodium adscendens (Sw.) DC. Desmodium affine Schltdl. Desmodium incanum (Sw.) DC. Desmodium uncinatum (Jacq.) DC. Mimosa pudica L. Stylosanthes scabra Vogel Stylosanthes viscosa (L.) Sw. Loasa parviflora (DC.) Weigend Cuphea carthagenensis (Jacq.) J.F. Macbr. Cuphea flava Spreng. Malvastrum coromandelianum (L.) Garcke Sida cordifolia L. Sida planicaulis Cav. Sida linifolia Cav. Sida rhombifolia L. Sidastrum micranthum (L.) Fryxell Urera lobata L. Wissadula amplissima (L.) R.E. Fries Mollugo verticillata L. Mirabilis jalapa L. Ludwigia octovalvis (Jacq.) P.H. Raven Oxalis barrelieri L. Oxalis corymbosa DC. Oxalis fruticosa R. Knuth Microtea scabrida Urban Trepadeir Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeir Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva 132 PLANTAGINACEAE (2/2) PLUMBAGINACEAE (1/2) POACEAE (6/7) PONTEDERIACEAE (1/1) PORTULACACEAE (2/5) ROSACEAE (1/1) RUBIACEAE (1/1) SAPINDACEAE (1/2) SOLANACEAE (2/2) STERCULIACEAE (1/1) URTICACEAE (3/5) VERBENACEAE (2/4) Petiveria alliacea L. Rivina humilis L. Plantago tomentosa Lam. Veronica persica Poir. Plumbago auriculata Lam. Plumbago scandens L. Andropogon bicornis L. Andropogon leucostachyus Kunth Melinis minutiflora P. Beauv. Panicum maximum Jacq. Paspalum millegrana Schrad. Pennisetum setosum (Sw.) Rich. Rhychelytrum repens (Willd.) C. E. Hubb. Eichhornia crassipes (Mart.) Solms Portulaca hirsutissima Camb. Portulaca mucronata Link. Portulaca oleracea L. Talinum paniculatum (Jacq.) Gaertn. Talinum racemosum (L.) Rohrb. Rubus urticifolius Poiret Richardia grandiflora (Cham. et Schlecht.) Steudel Cardiospermum corindum L. Cardiospermum grandiflorum Sw. Lycianthes repens (Spreng.) Bitter Solanum americanum Mill. Waltheria indica Linn. Pilea nummulariifolia (Sw.) Weed. Urera baccifera (L.) Gaudich. ex Griseb. Urera caravasana (Jacq.) Gaudch. ex Griseb. Urera mitis Miq. Urtica dioica L. Lantana camara L. Lantana fucata Lindl. Lantana viscosa Pohl ex Schauer Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl Erva Erva Erva Erva Arbusto Arbusto Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Arbusto Erva Trepadeir Trepadeir Erva Erva Erva Erva Arbusto Trepadeir Arbusto Erva Arbusto Arbusto Arbusto Erva 133 Artigo III TREPADEIRAS DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RIO DE JANEIRO, BRASIL Ana Angélica M. de Barros, Leonor de Andrade Ribas & Dorothy Sue Dunn Araujo 134 Artigo a ser submetido à Rodriguésia Trepadeiras do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil RESUMO – (Trepadeiras do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil). Trepadeiras são plantas vasculares que utilizam plantas ou outros substratos como suporte, porém fixas ao solo por seu sistema radicular durante todo seu ciclo de vida. Têm alta representatividade em várias formações vegetais, correspondendo a cerca de 25% da diversidade taxonômica das florestas tropicais. São mal representadas nos levantamentos florísticos devido a dificuldades metodológicas de coleta. Estudos na floresta ombrófila densa são raros e o presente trabalho vem contribuir para o aumento do conhecimento da flora de trepadeiras dessa formação vegetal. Foram feitas coletadas no Parque Estadual da Serra da Tiririca, localizado entre os Municípios de Niterói e Maricá, RJ. O levantamento florístico relacionou 39 famílias, 106 gêneros, 211 espécies. A maior riqueza foi das famílias Leguminosae (29 spp.), Sapindaceae (23 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) e Convolvulaceae (12 spp.). Essas famílias perfazem 71,6% do total de trepadeiras levantadas. Houve um predomínio de trepadeiras lenhosas e de formas volúveis. As trepadeiras contam a história dos impactos ambientais de uma área. A expressiva riqueza e diversidade de espécies mostram que a vegetação forma um mosaico de vários estádios sucessionais, de acordo com o processo de uso e abandono da terra. Palavras chaves: Trepadeiras, florística, Mata Atlântica, diversidade, Serra da Tiririca ABSTRACT- (Climbers from Serra da Tiririca State Park, Brazil: Niterói and Maricá, Rio de Janeiro, Brazil). Climbers are vascular plants that use other plants and substrates as support, but they are fixed to the soil by a root system during their entire life cycle. They have high representativity in several vegetation formations, corresponding to ca. 25% of tropical forest taxonomic diversity. They are very badly represented in floristic surveys because of methodological difficulties in collecting. Studies on the dense ombrophilous forests are rare and this work is increasing the knowledge of the climbers of this plant formation. The survey was done in the Serra da Tiririca State Park, located between Niterói and Maricá, Rio de Janeiro. The floristic survey listed 39 families, 106 genera and 211 species. The high richness was from the Leguminosae (29 spp.), Sapindaceae (23 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) and Convolvulaceae (12 spp.) families. These families totaled 71.6 % of the total number of climbers. There was a relevant number of woody and twining climbers. The climbers tell the history of environmental impacts in an area. An expressive species richness and diversity shows that the vegetation forms a mosaic of many successional stages, according to the use process and abandonment of the land. Key Words: Climbers, flora, Atlantic Rainforest, diversity, Serra da Tiririca INTRODUÇÃO As plantas trepadeiras apresentam alta representatividade em várias formações vegetacionais. Correspondem a cerca de 25% da diversidade taxonômica das florestas 135 tropicais, sendo um importante componente florístico, estrutural e funcional (Gentry 1991; Engel et al. 1998). Têm grande variedade de formas e tamanhos, sendo que cerca da metade das famílias de Magnoliophyta possuem representantes com hábito trepador (Schenck 1892 apud Peñalosa 1984). Ocorrem abundantemente em bordas de florestas, margens de cursos d’água, clareiras e áreas sob influência antrópica. Mas também são encontradas no interior das matas. O estudo de trepadeiras vem ganhando força nos últimos anos devido à necessidade de se implementar o manejo e conservação de fragmentos florestais, uma vez que podem ocasionar alta mortalidade das árvores que servem de suporte. Dessa forma, exercem importante força seletiva na evolução do componente arbóreo nas florestas tropicais (Putz 1984). Enquanto as árvores investem em tecidos de sustentação, as trepadeiras investem em crescimento rápido direcionando-se ao dossel em busca de luz (Gentry 1991). Outra questão de destaque é que grande parte da serrapilheira das florestas tropicais provém de trepadeiras por terem alta percentagem de biomassa foliar, sendo 10 vezes maior que nas florestas temperadas (Gentry 1983). Isso significa um expressivo papel na ciclagem de nutrientes dessas formações florestais. Além disso, as trepadeiras desempenham um papel marcante na dinâmica das comunidades vegetais como fornecedora de néctar, pólen e frutos para a fauna, sendo complementar ao padrão fenológico das árvores (Morellato & Leitão Filho 1996). De uma forma geral, as trepadeiras são mal representadas nos levantamentos florísticos. Isso se deve a dificuldades metodológicas, uma vez que nem sempre é possível observá-las em estádio fértil. Tal fato é ressaltado por Gentry (1991) que as coloca como a forma de vida menos coletada em relação as demais plantas. O reflexo desse contexto é observado na pouca representatividade nas coleções dos herbários. Muitas trepadeiras atingem o dossel arbóreo em busca de luz e formam um emaranhado verde difícil de ser individualizado. Coletá-las estéreis também gera outro problema, uma vez que a descrição das espécies baseia-se principalmente nos ramos apicais, onde se localizam as flores e/ou frutos. As trepadeiras podem atingir muitos metros de comprimento e, em vários grupos, existe uma diferenciação morfológica entre as partes apicais, medianas e basais. Isso dificulta a identificação precisa das espécies, visto que as partes vegetativas são negligenciadas nessa descrição. 136 No Brasil, a partir da década de 1990 os estudos florísticos e fitossociológicos têm dado um enfoque maior às plantas trepadeiras, com trabalhos na Amazônia (Prance 1994), cerrado (Weiser 2001) e florestas estacionais semideciduais (Bernacci & Leitão-Filho 1996, Stranghetti & Ranga 1998, Morellato & Leitão-Filho 1998 e Rezende & Ranga 2005). No estado do Rio de Janeiro destaca-se o trabalho pioneiro de Lima et al. (1997) na floresta ombrófila densa montana e altomontana da Reserva Biológica de Macaé de Cima e a chave para identificação de famílias de Vaz & Vieira (1994). O método utilizado por Gentry, em várias florestas ao redor do mundo, para avaliação rápida da diversidade florística em 0,1 ha inclui as trepadeiras Essa metodologia está não só aumentando o conhecimento do seu papel na estrutura florestal, mas também em relação à diversidade florística da Mata Atlântica (Peixoto & Gentry 1990; Sá 2006). Aspectos ecológicos das trepadeiras foram abordados em Araújo & Martins (1999), Lombardi et al. (1999), Hora & Soares (2002) e Sá (2006). Também os trabalhos de anatomia de lianas como os de Carlquist (1991), Araújo & Costa (2006, 2007) e Brandes (2007) vêm ajudando na elucidação do problema de identificação das trepadeiras. Mas ainda existem lacunas a serem preenchidas como, por exemplo, a elaboração de um catálogo anatômico comparativo e que seja representativo da flora brasileira e principalmente do estado do Rio de Janeiro. A proposta deste estudo é caracterizar a composição florística das trepadeiras em formações remanescentes da floresta ombrófila densa submontana litorânea do Parque Estadual da Serra da Tiririca no estado do Rio de Janeiro. MATERIAL E MÉTODOS Área de Estudo O Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) está localizado entre os municípios de Niterói e Maricá, estado do Rio de Janeiro (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W). Foi criado pela Lei Estadual nº 1901/91 de 29 de novembro de 1991, tendo seus “limites em estudo” estabelecidos pelo Decreto nº 18.598 de 19 de maio de 1993 para uma área de 2.400 ha (Pontes 1987). A Lei Estadual nº 5079 de 03 de setembro de 2007 estipulou os limites definitivos com duas partes continentais (Serra da Tiririca e Morro das Andorinhas) e uma marinha (Enseada do Bananal) numa área de 2.077 ha. Em 1992 foi 137 considerado pela UNESCO como parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. O PEST é formado por um conjunto de montanhas com altitude média aproximada em torno de 250 m: Pedra do Elefante (412 m), Morro do Telégrafo (387 m), Alto Mourão (369 m), Morro do Catumbi (344 m), Morro da Serrinha (277 m), Morro do Cordovil (256 m), Costão de Itacoatiara (217 m), Morro da Penha (128 m) (Barros & Seoane 1999) e Morro das Andorinhas (196 m), incluído no Parque em 2007. Apresenta rochas do período Pré-Cambriano com cerca de 600 milhões de anos, compreendendo as unidades geológicas gnaisse facoidal e Cassorotiba (Penha 1999). Os solos são do tipo alissolo crômico, luvissolo hipocrômico, neossolo litólico e formações turfosas (Multiservice 1995), adaptado de acordo com a classificação de solos proposta por Zimback (2003). Na classificação de Köppen o clima é do tipo Aw, ou seja, quente e úmido, com estação chuvosa no verão e seca no inverno (maio e junho). A estação chuvosa inicia-se na primavera, culminando no verão nos meses de dezembro e janeiro, quando ocorre intensa precipitação pluviométrica, correspondendo a 60% do total anual, porém não excede 171 mm/mês. Em fevereiro há uma queda no volume das chuvas. Contudo em março, devido à chegada de massas frias, registram-se chuvas intensas. A menor precipitação se dá nos meses de julho e agosto, quando fica abaixo de 60 mm. A temperatura média está em torno de 22oC, sendo janeiro e fevereiro os meses mais quentes e o mais frio em junho. O vento predominante é o nordeste (Bernardes 1952). A Serra da Tiririca está inserida no bioma Mata Atlântica, sendo a vegetação classificada por Veloso et al. (1991), como floresta ombrófila densa, com extensas áreas cobertas pela formação submontana em vários estádios sucessionais. Nos afloramentos rochosos de gnaisse facoidal observa-se uma vegetação típica de ambientes sujeitos a escassez de água (Barros & Seoane 1999). Grande parte da vegetação corresponde a formações secundárias, mas é possível encontrar fragmentos de vegetação em estádios sucessionais mais avançados. A região foi ocupada por antigas fazendas do século XVIII e passou por vários ciclos econômicos que alteraram a vegetação original. Atualmente vem sofrendo o impacto de ocupação pela especulação imobiliária. Amostragem florística Foram realizadas coletas aleatórias de plantas férteis no período de março/1997 a agosto/2007. O material coletado foi herborizado e seco em estufa 60ºC, sendo posteriormente incorporado aos Herbários da Faculdade de Formação de Professores da UERJ (RFFP) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). As espécies foram 138 identificadas através de bibliografia especializada, comparações nos herbários fluminenses (RB, GUA, RUSU e HB) e consultas aos especialistas. A listagem foi organizada segundo o sistema de Cronquist (1988), exceto Leguminosae que foi tratada como uma única família como proposto por Polhill et al. (1981). A correção ortográfica das espécies foi feita acessando bancos de dados disponíveis na internet do Royal Botanic Garden at Kew, Missouri Botanical Garden e New York Botanical Garden. Para correção da nomenclatura dos autores adotou-se Brummit & Powell (1992). Nesse estudo foram consideradas trepadeiras as plantas vasculares que utilizam plantas ou outro substrato como suporte, porém fixas ao solo pelo sistema radicular durante todo seu ciclo de vida (Müller-Dombois & Ellenberg 1974, Gentry 1985, 1991). As trepadeiras foram classificadas de acordo com Schenck (1892) revisto por Schnell (1970) com base nos diferentes mecanismos de fixação e ascensão como: passivas ou escandentes (ESC) aquelas que apenas se apóiam sobre um suporte sem qualquer mecanismo sensível de aderência; volúvel (VOL) aquelas que se enroscam de maneira espiralada em torno de um suporte; com órgãos prensores (PRE) aquelas que possuem sensibilidade localizada na aderência ao suporte e radicantes (RAD) aquelas que se apóiam ao suporte por meio de raízes adventícias. Também foram classificadas com base na estrutura caulinar, sendo divididas em: trepadeiras herbáceas (HERB) quando apresentam caules delgados não lenhosos e trepadeiras lenhosas (LENH) quando apresentam caules lenhosos. RESULTADOS E DISCUSSÃO O inventário catalogou 39 famílias, 106 gêneros, 211 espécies com hábito trepador, incluindo 12 espécies de plantas ruderais (5,7%) (Tabela 1 e anexo). Esses dados correspondem a 20,5% do total de espécies levantadas para o PEST, estando em segundo lugar na representatividade das formas de vida, logo depois do componente arbóreo. Vaz (1992) estimou a representatividade de gêneros e famílias de plantas da floresta ombrófila densa na flora do Rio de Janeiro, baseado na coleção do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). As trepadeiras correspondem a 53 famílias e 169 gêneros (22,4% do total), estando em segundo lugar em riqueza de gêneros perdendo apenas para as famílias arbóreas/arbustivas. Comparando os dados desse estudo com trabalho de Vaz (1992) verifica-se que 73,6% das famílias e 61,5% dos gêneros de trepadeiras da floresta ombrófila densa do estado do Rio de Janeiro e registrados no herbário RB estão representados no PEST. 139 A maior riqueza de espécies foi das famílias: Leguminosae (29 spp.), Sapindaceae (23 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) e Convolvulaceae (12 spp.) (Figura 1). Essas famílias perfazem 48,8% do total de trepadeiras levantadas, indicando que apenas 5 famílias são responsáveis por quase metade da riqueza de espécies no PEST. Segundo Gentry (1991) embora muitas famílias de plantas fanerógamas do Neotrópico apresentem espécies de trepadeiras a grande diversidade se concentra em poucas famílias. Tabela 1: Número de gêneros e espécies/infra-espécies de trepadeiras por famílias botânicas da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. GÊNEROS ESPÉCIES ACANTHACEAE FAMÍLIAS 2 2 ALSTROEMERIACEAE 1 1 AMARANTHACEAE 2 3 APOCYNACEAE 5 9 ARECACEAE 1 1 ARISTOLOCHIACEAE 1 4 ASCLEPIADACEAE 5 6 ASTERACEAE 2 3 BIGNONIACEAE 12 22 LOGANIACEAE 1 1 BORAGINACEAE 1 1 MALPIGHIACEAE 7 18 CACTACEAE 1 1 MARCGRAVIACEAE 1 1 CAPPARACEAE 1 1 MENISPERMACEAE 6 6 CONNARACEAE 1 1 NYCTAGINACEAE 3 3 CONVOLVULACEAE 4 12 ORCHIDACEAE 1 1 CUCURBITACEAE 5 11 PASSIFLORACEAE 1 9 DILLENIACEAE 1 1 POACEAE 1 1 DIOSCOREACEAE 1 10 POLYGALACEAE 1 2 EUPHORBIACEAE 3 8 RHAMNACEAE 1 1 HERRERIACEAE 1 1 RUBIACEAE 3 3 HIPPOCRATEACEAE 2 2 SAPINDACEAE 5 23 LEGUMINOSAE 17 29 SMILACACEAE 1 2 SOLANACEAE 1 1 URTICACEAE 1 3 TRIGONIACEAE 1 1 VIOLACEAE 1 Gêneros 1 VITACEAE 1 Espécies 5 EUPHORBIACEAE PASSIFLORACEAE APOCYNACEAE DIOSCOREACEAE CUCURBITACEAE CONVOLVULACEAE MALPIGHIACEAE BIGNONIACEAE SAPINDACEAE LEGUMINOSAE FAMÍLIAS TOTAL GÊNEROS 106 ESPÉCIES 211 140 Figura 1: Riqueza de gêneros e espécies das famílias mais representativas de trepadeiras do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Em outros levantamentos florísticos essas famílias também são representativas em relação ao hábito trepador mudando apenas a ordem de importância, como nos estudos de Lima et al. (1997), Morellato & Leitão Filho (1998), Lombardi et al. (1999), Weiser 2001, Hora & Soares (2002) e Rezende & Ranga (2005). No trabalho de Lima et al. (1997) na floresta ombrófila densa montana e altomontana de Macaé de Cima (RJ) destacaram-se Asteraceae, Leguminosae, Sapindaceae, Malpighiaceae e Passifloraceae. No PEST a principal família foi Leguminosae, sendo que Asteraceae não teve expressividade. Leguminosae apresenta-se em segundo lugar com relação ao número de gêneros dentre as espécies trepadeiras fluminenses (Vaz 1992). Nas florestas estacionais de São Paulo Bignoniaceae é a família de maior expressão (Udulutsch et al. 2004), sendo também considerada por Gentry (1991) a família com maior riqueza de espécies nas florestas neotropicais de baixas altitudes. Esse autor também ressaltou a importância das famílias Convolvulaceae, Leguminosae, Asteraceae, Malpighiaceae, Sapindaceae, Passifloraceae, Cucurbitaceae e Apocynaceae como as mais ricas em espécies nas Américas. Bignoniaceae, Sapindaceae e Malpighiaceae são muito expressivas em regiões de baixa altitude, dessa forma prevalecendo nos levantamentos florísticos em florestas tropicais. No PEST Bignoniaceae apresentou o terceiro lugar quanto à riqueza de espécies, porém em Macaé de Cima não figura nem entre as dez famílias mais importantes. Dioscoreaceae normalmente não é citada como uma das famílias mais relevantes, possivelmente devido às dificuldades de identificação pela grande plasticidade que apresenta. Contudo no PEST representa a sétima família de maior riqueza em espécies. Vaz (1992) também mostrou que poucas famílias possuem riqueza de gêneros como Bignoniaceae, Leguminosae, Asteraceae (mais de 10 gêneros com espécies de trepadeiras). A maioria das famílias tem poucos gêneros. No PEST as famílias com maior riqueza de gêneros são Leguminosae e Bignoniaceae (Tabela 1), da mesma forma que em Macaé de Cima. Essas famílias também são as mais representativas em relação às trepadeiras do estado do Rio de Janeiro (Vaz 1992). Os gêneros com maior riqueza de espécies são: Dioscorea (10 spp.), Passiflora (10 spp.), Serjania (9 spp.), Heteropterys (7 141 spp.), Dalechampia, Paullinia, Stigmaphyllon, Senegalia e Ipomoea com 6 spp. Esses gêneros representam 31,4% das espécies amostradas no PEST. Excetuando Heteropterys e Stigmaphyllon (Malpighiaceae) que tem 7 gêneros de trepadeiras na flora fluminense e Senegalia (Leguminosae) com 22 (Vaz 1992), os demais pertencem a famílias com até 4 gêneros. Houve um predomínio de trepadeiras lenhosas (56,9%) em relação às herbáceas (43,1%). O mesmo fato foi constatado para as florestas estacionais semideciduais de São Paulo (Bernacci & Leitão-Filho 1996, Morellato & Leitão-Filho 1998 e Udulutsch 2004). Esses dados se contrapõem as estimativas de Gentry (1991) nas quais as trepadeiras lenhosas e herbáceas se equivalem quanto à representatividade nas florestas tropicais de baixas altitudes. Essa relação foi observada em florestas equatorianas do Rio Palenque (Gentry & Dodson 1987), Barro Colorado (Croat 1978) e Costa Rica (Jansen & Liesner 1980). As trepadeiras lenhosas são mais freqüentes sobre as copas das árvores (Morellato & Leitão-Filho 1998) e contribuem significativamente para a dinâmica do dossel durante os primeiros estádios sucessionais (Hegarty 1990). Contudo podem ser encontradas tanto em estádios sucessionais iniciais quanto tardios. São muito robustas e atingem vários metros chegando às copas das árvores em busca de luz e para isso utilizam diferentes estratégias de apoio. Segundo Gentry & Dodson (1987), as famílias mais representativas desse tipo de trepadeira são Leguminosae, Malpighiaceae, Sapindaceae e Bignoniaceae. O mesmo ocorre no PEST, sendo Machaerium aculeatum, Bauhinia microstachya, Heteropterys leschenaultiana, Paullinia fusiformis, Adenocalymma trifoliatum, Mansoa lanceolatae e Tynanthus micranthus representantes dessas famílias. Muito comum nas áreas em regeneração é a presença de Arrabidaea selloi, que na época de floração destacase nas trilhas e bordas de mata pelas suas flores róseas perfumadas. É interessante ressaltar que algumas trepadeiras lenhosas podem também se apresentar com hábito arbustivo como Strychnos acuta e Leretia cordata. S. acuta inclusive desenvolve ganchos como órgão prensor. As trepadeiras herbáceas normalmente estão associadas às áreas abertas degradadas como bordas de florestas e clareiras, sendo expressivas nas fases iniciais de sucessão. Contudo, nem sempre isso é evidente, uma vez nessas áreas ocorrem indivíduos jovens de trepadeiras lenhosas (Lima et al. 1997). As famílias mais representativas são Leguminosae, 142 Passifloraceae, Cucurbitaceae e Convolvulaceae. No PEST trepadeiras dessas famílias são muito comuns, destacando-se Vigna adenantha, Passiflora racemosa, Wilbrandia glaziovii, Wilbrandia verticillata e Jacquemontia martii. Em afloramentos rochosos expostos próximos ao mar, como no Costão de Itacotiara, Alto Mourão e Morro das Andorinhas, ocorrem trepadeiras como Anemopaegma chamberlaynii, Arrabidaea rego, Lundia cordata, Pereskia aculeata, Heteropterys chrysophylla, Vanilla bahiana, Passiflora farneyi, Schwartzia brasiliensis, Mimoza velloziana, Cissus verticillata, Cissus paulliniifolia entre outras. Essas espécies também podem ser encontradas no interior da mata em florestas ombrófilas densas e nas restingas. É muito comum a presença de trepadeiras em afloramentos rochosos do interior da mata como Glaziovia bauhinioides, Parabignonia unguiculata que aderem às rochas, podendo também usar árvores como substrato. As trepadeiras utilizam várias estratégias para ascender sobre o substrato. Muitas vezes a mesma espécie pode apresentar mais de uma forma de fixação. Sendo assim, predominaram as trepadeiras volúveis e volúveis com órgãos prensores, correspondendo juntas a 91,9% das espécies levantadas. Os órgãos prensores mais presentes foram gavinhas, espinhos e ganchos. As demais formas representaram 6,6% de escandentes e 0,5 com órgãos prensores (Glaziovia bauhinioides), 0,5% de radicantes (Vanila bahiana) e 0,5% de volúvel escandente com órgãos prensores e radicante (Parabignonia unguiculata). Lima et al. (1997) analisando trechos de florestas preservadas em Macaé de Cima (RJ), observou a grande incidência de trepadeiras com órgãos prensores, sendo esta a forma mais eficiente das plantas alcançarem o dossel. Gentry (1985, 1991) destaca a ocorrência de trepadeiras em estados sucessionais mais tardios com maior tendência de especialização da forma de fixação. Na Serra da Tiririca o predomínio de formas volúveis podem indicar um estado inicial de regeneração da vegetação, contudo deve-se encarar essa região como um mosaico de estados sucessionais. As formas volúveis e com órgãos prensores correspondem a 42,3% das espécies e as apenas volúveis 50%. Dessa forma, a região em estudo pode se encontrar em um estágio intermediário de regeneração, Em relação à conservação, seis espécies estão listadas em categorias de ameaça de extinção, segundo a Lista Brasileira de Espécies da Flora Ameaçada de Extinção revisada em 2005 em workshop realizado pela Fundação Biodiversitas (Biodiversitas 2005): Banisteriopsis sellowiana (vulnerável), Heterpterys terntroemiifolia (criticamente em 143 perigo), Stigmaphyllon vitifolium (vulnerável), Odontocarya vitis (vulnerável), Passiflora farneyi (quase ameaçada) e Ungilipetalum filipendum (em perigo). Wilbrandia glaziovii é considerada endêmica do estado do Rio de Janeiro, sendo enquadrada como vulnerável dentre as categorias de espécies ameaçadas de extinção por Klein (1996). Avaliando outras áreas inventariadas floristicamente no Brasil, destacam-se os dados levantados nesse estudo que mostram uma grande riqueza de espécies para as formações litorâneas do estado Rio de Janeiro (Tabela 2). Embora seja necessário avaliar o grau de perturbação de cada área, os dados mostram que a floresta ombrófila densa, representada por Macaé de Cima e Serra da Tiririca, apresentou maior riqueza de espécies do que as demais formações vegetais avaliadas. A similaridade entre essas áreas e a Serra da Tiririca mostra pouco relacionamento florístico, principalmente em relação a Reserva Ducke na Amazônia. Tabela 2: Riqueza de espécies de trepadeiras na Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado e similaridade florística entre as áreas avaliadas. Áreas de Estudo Nº de taxons Similaridade Sorensen Formação Florestal Referência (%) Reserva Ducke, AM 71 2,8 Amazônica Prance (1994) Santa Genebra, SP 136 19,5 Floresta estacional semidecidual Morellato & LeitãoFilho (1998) Rio Claro, Araras, SP 148 17,3 Floresta estacional semidecidual Udulutsch et al. (2004) Estação Ecológica do Noroeste Paulista, SP 105 12,1 Floresta estacional semidecidual Rezende & Ranga (2005) Parque Estadual de Vassununga, Gleba Maravilha, SP 120 15,0 Floresta estacional semidecidual Tibiriçá et al. (2006) Macaé de Cima, Nova Friburgo, RJ 144 16,0 Floresta ombrófila densa montana e submontana Lima et al. (1997) Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ 211 - Floresta ombrófila densa submontana Esse estudo 144 Segundo Hora & Soares (2002), a grande quantidade de espécies num fragmento florestal pode ser atribuída, em parte, à heterogeneidade de habitats, ao grau de perturbação desses fragmentos e as perturbações por causas naturais e antrópicas. Sendo assim, áreas com maior incidência de luz, como clareiras e bordas, favorecem o desenvolvimento de trepadeiras (Morellato & Leitão-Filho 1998), principalmentes as herbáceas. Segundo Engel et al. (1998) a presença de trepadeiras nas clareiras indica a perda de sustentabilidade desse tipo de ambiente. Normalmente a grande abundância de trepadeiras está associada a ambientes degradados em regeneração, formando verdadeiros emaranhados de difícil penetração e caracterizando a fisionomia dessas áreas. Sendo assim, a maior riqueza de espécies na Serra da Tiririca indica que a região se apresenta num mosaico sucessional, em diferentes estádios de recuperação após o dano ambiental sofrido. Nas bordas das matas e clareiras estão presentes trepadeiras herbáceas como Cayaponia trifoliata, Cayaponia trilobata, Dalechampia convolvuloides, Canavalia parviflora, Trigonia eriosperma, Prestonia denticulata, Mendoncia velloziana, Anchietea pyrifolia e trepadeiras lenhosas como Mascagnia sepium, Stigmaphyllon tomentosum, Mucuna urens, Serjania caracasana. No interior das matas em recuperação são observadas trepadeiras lenhosas como Adenocalymma trifoliatum, Adenocalymma bracteatum, Mansoa lanceolata, Tynanthus micranthus, Connarus nodosus, Dioscorea dodecaneura, Dioscorea altissima, Hippocratea volubilis, Bauhinia microstachya, Machaerium aculeatum, Machaerium oblongifolium, Heteropterys leschenaultiana, Chondrodendron platiphyllum entre outras. No interior da mata também ocorrem trepadeiras herbáceas como Peltastes peltatus, Aristolochia raja, Disciphania hernandia e Passiflora racemosa. Trepadeiras ruderais não têm muita expressividade em florestas maduras e habitam preferencialmente as bordas das matas. No PEST são comumente encontradas nessas condições, principalmente nas clareiras e trilhas, trepadeiras herbáceas como Thunbergia alata, Ipomoea aristolochiifolia, I. ramosissima, I. tiliacea, Merremia dissecta, M. macrocalyx, Momordica charantia, Cardiospemum corindum, C. grandiflorum e Abrus precatorius. Essas espécies são consideradas infestantes de lavouras perenes e normalmente encontradas em terrenos abandonados. Considerando todo o processo de ocupação da Serra da Tiririca e uso da terra seria de esperar encontrar essas plantas na região. Principalmente nas áreas de antigos sítios abandonados a cerca de 30 anos. Algumas espécies foram introduzidas no Brasil a partir da África, como T. alata e M. 145 charantia. A. precatorius é cosmopolita de regiões tropicais e as demais espécies têm ocorrência natural na América Tropical (Kissmann & Groth 1995, 1999). CONCLUSÃO As trepadeiras contam a história dos impactos ambientais de uma área. E considerando o histórico de uso da terra na Serra da Tiririca, a expressiva riqueza e diversidade de espécies de trepadeiras mostram um mosaico de diferentes estádios sucessionais ao qual se encontra a vegetação. Apresenta áreas mais conservadas nas cumeeiras dos morros e outras em regeneração nas encostas, antes ocupadas por sítios com produção agrícola variada. Com o abandono dessas áreas, a vegetação vem se recuperando e as trepadeiras têm um importante papel nesse contexto, uma vez que seu crescimento vai fechando as aberturas na mata. Dessa forma, muitas espécies são encontradas caracterizando as bordas dos fragmentos, ao longo das trilhas e nas clareiras. Nessa situação são observadas tanto trepadeiras herbáceas quanto lenhosas, contudo com maior incidência de espécies herbáceas. Nas áreas florestadas em regeneração ocorrem trepadeiras lenhosas com espécies encontradas tanto nas bordas quanto no interior da mata. Apenas nos trechos mais preservados a incidência de trepadeiras diminui e ocorrem espécies características de estádios de sucessão mais tardios. Nessas condições também são observadas trepadeiras mais especializadas quanto à forma de fixação, embora no geral haja um predomínio de formas volúveis. Os estudos realizados na Mata Atlântica vêm ressaltando a importância das trepadeiras na estrutura e diversidade das florestas tropicais. O que pode ser constatado tanto nas florestas ombrófilas densas quanto nas formações mais secas das florestas semideciduais. Isso demonstra a necessidade de enfocar mais essas formas de vida nos levantamentos florísticos. Agradecimentos Agradecemos aos taxonomistas Luiz José Soares Pinto, Genise Somner, Robson Dias, Haroldo C. de Lima, Michel Barros, André Amorim, João Marcelo de A. Braga, Mário Gomes, Jorge Fontella, Elsie F. Guimarães e Roberto L. Esteves pela identificação e/ou confirmação do material coletado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Araújo, F.S. & Martins, F.R. 1999. Fisionomia e organização da vegetação do carrasco no Planalto de Ibiapaba, estado do Ceará. Acta Botanica Brasilica 13(1): 1–13. 146 Araújo, G.U.C. & Costa, C.G. 2006. Cambial variant in the stem of Serjania corrugata (Sapindaceae). IAWA Journal 27(3): 269–280. Araújo, G.U.C. & Costa, C.G. 2007. Anatomia do caule de Serjania corrugata Radlk. (Sapindaceae). Acta Botanica Brasilica 21(2): 489–497. Barros, A.A.M. & Seoane, C.E.S. 1999. A problemática da conservação do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói / Maricá, RJ, Brasil. In: Vallejo, L.R. & Silva, M.T.C. (eds) Os (Des)Caminhos do Estado do Rio de Janeiro Rumo ao Século XXI. Anais... Niterói: Instituto de Geociências da UFF. 114–124. Bernacci, L.C. & Leitão-Filho, H.F. 1996. 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Salles, Kin-Gouw. & A.O. Simões Peltastes peltatus (Vell.) Woodson Prestonia coalita (Vell.) Woodson. Prestonia denticulata (Vell.) Woodson Prestonia didyma (Vell.) Woodson Desmoncus polycanthos Mart. var. polycanthos Aristolochia cymbifera Mart. et Zucc. Aristolochia odora Steud. Aristolochia raja Mart. et Zucc. Aristolochia rumicifolia Mart. et Zucc. var. oblonga Ditassa burchellii Hook. et Arn. Macroditassa grandiflora (E. Fourn.) Malme Marsdenia loniceroides E. Fourn. Marsdenia suberosa (E. Fourn.) Malme Oxypetalum banksii Schult. subsp. banksii Peplonia riedelii (E. Fourn.) Fontella & Rapini Koanophyllon tinctorium Arruda ex H. Kost. Mikania hastifolia Baker Mikania nigricans Gardn. BIGNONIACEAE Adenocalymma bracteatum (Cham.) DC. Adenocalymma marginatum (Cham.) DC. Adenocalymma paulistarum Bureau & K. Schum. Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C. Laroche Anemopaegma chamberlaynii (Sims) Bureau ex K. Schum. Anemopaegma prostratum DC. Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart. Arrabidaea leucopogon (Cham.) Sandwith Arrabidaea rego (Vell.) DC. Arrabidaea selloi (Spreng.) Sandwith FORMA DE FIXAÇÃO VOL HÁBITO COLETOR HERB M.C.F. dos Santos 508 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 1077 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 436 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 3110 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 3082 et al. ESC LENH A.A.M. de Barros 2216 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 3032 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2945 et al. VOL LENH P.W. Feteira 212 et al. VOL HERB L.O.F. de Sousa 123 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 679 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 3125 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 2757 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 1492 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 856 VOL+PRE LENH M.C.F. dos Santos 154 et al. VOL HERB R.H.P. Andreata 487 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 407 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 1562 et al. VOL HERB P.W. Feteira 221 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 1898 et al. VOL HERB D.S.D. Araujo 3151 et al. VOL HERB L.O.F. de Sousa 66 VOL HERB A.A.M. de Barros 2373 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 768 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 433 et al. ESC HERB R.S. Oliveira 23 et al. ESC HERB R.S. Oliveira 53 et al. ESC HERB D.S.D Araujo 3763 VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 3096 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2037 et al. VOL+PRE LENH R.H.P. Andreata 354 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2039 et al. VOL+PRE LENH K.M. Leal 23 et al. VOL+PRE LENH L.J.S. Pinto 399 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1529 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2131 VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 767 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 954 et al. 151 BORAGINACEAE CACTACEAE CAPPARACEAE CONNARACEAE CONVOLVULACEAE CUCURBITACEAE DILLENIACEAE DIOSCOREACEAE Arrabidaea subincana Mart. Clytostoma binatum (Thunb.) Sandwith Clytostoma sciuripabulum Bureau & K. Schum. Glaziovia bauhinioides Bureau ex Baill. Lundia cordata (Vell.) A. DC. Mansoa difficilis (Cham.) Bureau & K. Schum. Mansoa lanceolata (DC.) A.H. Gentry Parabignonia unguiculata (Vell.) A.H. Gentry Pithecoctenium crucigerum (L.) A.H. Gentry Stizophyllum perforatum (Cham.) Miers Tynanthus micranthus Correa de Mella ex K. Schum. Xylophragma pratense (Bureau & K. Schum.) Sprague Tournefortia gardneri A. DC. Pereskia aculeata Mill. Capparis lineata Pers. Connarus nodosus Baker Ipomoea aristolochiifolia G. Don Ipomoea daturaeflora Meissn. Ipomoea philomega (Vell.) House Ipomoea ramosissima (Poir.) Choisy Ipomoea syringaefolia Meissner Ipomoea tiliacea (Willd.) Choisy Jaquemontia holosericea (Weinm.) O’Donell Jacquemontia martii Choisy Merremia dissecta (Jacq.) Hallier f. Merremia macrocalyx (Ruiz et Pavon) O’Donnell Merremia umbellata (L.) Hallier f. Operculina macrocarpa (L.) Urb. Cayaponia martiana Cogn. Cayaponia fluminensis (Vell.) Cogn. Cayaponia trifoliata (Cogn.) Cogn. Cayaponia trilobata Cogn. Fevillea trilobata L. Melothria cucumis Vell. var. cucumis Melothria fluminensis Gardner var. fluminensis Momordica charantia L. Wilbrandia ebracteata Cogn. Wilbrandia glaziovii Cogn. Wilbrandia verticillata (Vell.) Cogn. Davilla rugosa Poir. Dioscorea altissima Lam. Dioscorea cinnamomifolia Hook. & Griseb. Dioscorea coronata Hauman Dioscorea debilis Uline Dioscorea dodecaneura Vell. Dioscorea mollis Mart. Dioscorea ovata Vell. Dioscorea piperifolia Humb. & Bonpl. ex VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2336 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1736 et al. VOL+PRE LENH L.O.F. de Sousa 326 et al. PRE LENH A.A.M. de Barros 2779 et al. VOL+PRE LENH H.P. Moreira 15 et al. VOL+PRE LENH L.J.S. Pinto 422 et al. VOL+PRE LENH N. Coqueiro 270 et al. VOL+PRE+RAD LENH A.A.M. de Barros 3083 et al. VOL+PRE LENH C. Farney 740a VOL+PRE LENH R.S. Oliveira 24 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 3084 et al. VOL+PRE LENH L.O.F. de Sousa 207 et al. ESC LENH A.A.M. de Barros 2411 et al. ESC+PRE LENH A.A.M. de Barros 1480 et al. A.A.M. de Barros 824 VOL HERB VOL+PRE LENH N. Coqueiro 288 et al. VOL HERB D.S.D. Araujo 3766 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 2132 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2978 et al. VOL HERB L.O.F. de Sousa 279 et al. VOL HERB R.H.P. Andreata 538 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 1386 VOL LENH A.A.M. de Barros 3086 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 689 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 419 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 698 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 616 et al. VOL HERB L.O.F. Sousa 314 et al. VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 2211 VOL+PRE HERB L.J.S Pinto 150 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 411 et al. VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 2210 VOL+PRE HERB T.A. da Silva 87 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 230 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 340 et al. VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 611 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 570 et al. VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 1935 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 572 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1512 et al. VOL+PRE LENH L.J.S. Pinto 801 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 416 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2086 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 416 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2943 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1530 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 416 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 2087 et al. 152 Willd. EUPHORBIACEAE HERRERIACEAE HIPPOCRATEACEAE ICACINACEAE LEGUMINOSAE LOGANIACEAE MALPIGHIACEAE Dioscorea sinuata Vell. Dioscorea sp. Dalechampia alata Müll. Arg. Dalechampia brasiliensis Lam. Dalechampia convolvuloides Lam. Dalechampia micromeria Baill. Dalechampia pentaphylla Lam. Dalechampia triphylla Lam. Romanoa tamnoides (A. Juss.) A. Radcliffe Smith Tragia volubilis L. Herreria salsaparilha Mart. Hippocratea volubilis L. Leretia cordata Vell. Abrus precatorius L. Bauhinia microstachya (Raddi) J.F. Macbr. Bauhinia radiata Vell. Camptosema isopetalum (Lam.) Taub. Canavalia parviflora Benth. Centrosema sagittatum (Humb. & Bonpl. ex Willd.) Brandeg. ex L. Riley Centrosema virginianum (L.) Benth. Chaetocalyx scandens (L.) Urb. Dalbergia frutescens (Vell.) Britton Dalbergia lateriflora Benth. Diplotropsis incexis Rizzini & A. Mattos Dioclea violacea Mart. ex Benth. Galactia striata (Jacq.) Urb. Machaerium aculeatum Raddi Machaerium lanceolatum (Vell.) J.F. Macbr. Machaerium oblongifolium Vogel Machaerium reticulatum Pers. Mimosa velloziana Mart. Mucuna urens L. VOL HERB A.A.M. de Barros 3088 et al. VOL HERB P.W. Feteira 206 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 1758 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 134 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 385 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 556 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 384 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 936 VOL HERB A.A.M. de Barros 2437 et al. VOL HERB L.J.S. Pinto 380 et al. VOL+PRE LENH L.J.S. Pinto 475 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2113 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 3041 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 671 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1978 et al. ESC LENH A.A.M. de Barros 1932 et al. VOL HERB H.P. Moreira 101 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 786 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 2293 et al. VOL HERB N. Coqueiro 52 et al. VOL HERB K.A. Lúcio 97 et al. VOL LENH P.T. dos Santos 61 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2993 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2974 et al. VOL LENH L.J.S. Pinto 117 et al. VOL HERB R.H.P. Andreata 366 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 3100 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1928 et al. VOL LENH L.J.S. Pinto 187 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1099 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1100 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2204 Piptadenia adiantoides (Spreng.) J.F. Macbr. VOL LENH A.A.M. de Barros 3087 et al. Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia sp. 1 Senegalia sp. 2 Teramnus volubilis Sw. Vigna adenantha (G. Mey) Maréchal, Mascherpa & Stainer Vigna speciosa (Kunth) Verdc. Strychnos acuta Progel Amorimia rigida (A. Juss.) W.R. Anderson Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates ESC+PRE LENH D.S.D. Araujo 3219 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 3092 et al. VOL+PRE LENH R.H.P. Andreata 616 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2870 et al. VOL+PRE LENH N. Coqueiro 26 et al. VOL+PRE LENH N. Coqueiro 39 et al. VOL HERB R.S. Oliveira 07 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 2288 et al. A.A.M. de Barros 1909 VOL HERB VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2368 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1469 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2040 et al. 153 MARCGRAVIACEAE MENISPERMACEAE NYCTAGINACEAE ORCHIDACEAE PASSIFLORACEAE POACEAE POLYGALACEAE RHAMNACEAE RUBIACEAE SAPINDACEAE Heteropterys bicolor A. Juss. Heteropterys chrysophylla (Lam.) Kunth Heteropterys fluminensis (Griseb.) W.R. Anderson Heteropterys leschenaultiana A. Juss. Heteropterys pauciflora A. Juss. Heteropterys sericea (Cav.) A. Juss. Heteropterys ternstroemiifolia A. Juss. Mascagnia sepium (A. Juss.) Griseb. Niedenzuella acutifolia (Cavanilles) W.R. Anderson Stigmaphyllon auriculatum (Cav.) A. Juss. Stigmaphyllon gayanum A. Juss. Stigmaphyllon lalandianum A. Juss. Stigmaphyllon paralias A. Juss. Stigmaphyllon tomentosum A. Juss Stigmaphyllon vitifolium A. Juss. Thryallis brachystachys Lindl. Schwartzia brasiliensis (Choise) Bedell ex Giraldo-Canãs Abuta convexa (Vell.) Diels. Chondrodendron platiphyllum (A. St. Hil.) Miers Disciphania hernandia (Vell.) Barneby Hyperbaena oblongifolia (Eichler.) Chodat & Hassl. Odontocarya vitis Miers Ungilipetalum filipendulum (Mart.) Moldenthe Bougainvillea spectabilis Willd. Guapira pernambucensis (Casar.) Lundell Leucaster caniflorus (Mart.) Choisy Vanilla bahiana Hoehne Passiflora alata Curtis Passiflora capsularis L. Passiflora edulis Sims Passiflora farneyi Pessoa & Cervi Passiflora mucronata Lam. Passiflora organensis Gardner Passiflora racemosa Brot. Passiflora setacea DC. Passiflora suberosa L. Lasiacis ligulata Hitchc. & Chase Securidaca lanceolata A. St. Hil. & Moq. Securidaca ovalifolia A. St. Hil. et Moq. Reissekia smilacina (Sm.) Steud. Emmeorhiza umbellata (Spreng.) K. Schum. Hamelia patens Jacq. Manettia mitis var. fimbriata (Cham. & Schltdl.) K. Schum. Cardiospermum corindum L. Cardiospermum grandiflorum Sw. Paullinia coriacea Casar. Paullinia fusiformis Radlk. Paullinia meliifolia A. Juss. VOL LENH A.A.M. de Barros 2146 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 928 et al. VOL LENH P.W. Feteira 05 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2797 et al. VOL LENH W.B. de Carvalho 204 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2503 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2237 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1718 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 919 VOL LENH A.A.M. de Barros 1499 et al. VOL LENH P.W. Feteira 93 et al. VOL LENH L.F. dos Santos 27 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1540 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 918 VOL LENH A.A.M. de Barros 777 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1392 ESC LENH R.S. de Oliveira 15 et al. VOL LENH L.J.S. Pinto799 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 780 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 1709 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 3007 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1941 et al. VOL HERB H.P. Moreira 49 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2236 et al. ESC HERB W.B. de Carvalho 20 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1508 et al. RAD HERB L.J.S. Pinto 123 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 424 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 204 et al. VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 1713 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 159 VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 1927 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 580 et al. VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 585 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 88 et al. VOL+PRE HERB M.G. Santos 947 et al. ESC HERB A.A.M. de Barros 289 ESC LENH N. Coqueiro 309 et al. ESC LENH A.A.M. de Barros 2316 et al. VOL+PRE LENH L.J.S. Pinto 586 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 773 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 2428 et al. VOL HERB A.A.M. de Barros 2532 et al. VOL+PRE HERB L.J.S. Pinto 342 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1671 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1466 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 3051 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2140 et al. 154 SMILACACEAE SOLANACEAE TRIGONIACEAE URTICACEAE VIOLACEAE VITACEAE Paullinia micrantha Cambess. Paullinia racemosa Wawra Paullinia trigonia Vell. Serjania caracasana (Jacq.) Willd. Serjania clematidifolia Cambess. Serjania communis Cambess. Serjania corrugata Radlk. Serjania cuspidata Cambess. Serjania dentata Radlk. Serjania elegans Cambess. Serjania orbicularis Radlk. Serjania tenuis Radlk. Thinouia mucronata Radlk. Thinouia scandens (Cambess.) Triana & Planchon Urvillea glabra Cambess. Urvillea laevis Radlk. Urvillea stipitata Radlk. Urvillea triphylla (Vell.) Radlk. Smilax brasiliensis Spreng. var. grisebachii A. DC. Smilax quinquenervia Vell. Solanum alternatopinnatum Steud. Trigonia eriosperma (Lam.) Fromm & Santos Trigonia nivea Cambess. Trigonia villosa Vell. Urera caravasana (Jacq.) Gaudch. ex Griseb. Anchietea pyrifolia var. hilariana (Eichl.) Marquete et Dan. Cissus paullinifolia Vell. Cissus serroniana (Glaziou) Lombardi Cissus simsiana Schult. & Schult. f. Cissus sulcicaulis (Bak.) Planch. Cissus verticillata (L.) Nicolson & C.E. Javis VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2983 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2038 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1926 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1620 VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2206 VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2047 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1890 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2049 et al. VOL+PRE LENH W.B. de Carvalho 265 et al. VOL+PRE LENH L.T. Vassal 17 et al. VOL+PRE LENH M.C.F. dos Santos 397 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1561 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2372 et al. VOL+PRE LENH L.J.S. Pinto 379 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 1544 et al. VOL+PRE LENH R.H.P. Andreata 668 et al. VOL+PRE LENH A.A.M. de Barros 2046 et al. VOL+PRE LENH C. Farney 739 VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 2507 et al. VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 943 et al. VOL+PRE LENH K.A. Lúcio 84 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2670 et al. VOL LENH W.B. de Carvalho 225 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 2312 et al. ESC LENH A.A.M. de Barros 612 et al. VOL LENH A.A.M. de Barros 1509 et al. VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 772 et al. VOL+PRE HERB W.B. de Carvalho 49 et al. VOL+PRE HERB N. Coqueiro 28 et al. VOL+PRE LENH M.C.F. dos Santos 650 et al. VOL+PRE HERB A.A.M. de Barros 2568 et al. 155 Artigo IV VEGETAÇÃO DE AFLORAMENTO ROCHOSO NO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RIO DE JANEIRO, BRASIL Ana Angélica M. de Barros & Dorothy Sue Dunn Araujo Artigo a ser submetido à Revista Brasileira de Botânica 156 Vegetação de afloramento rochoso no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil RESUMO – (Vegetação de afloramento rochoso no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil). O Parque Estadual da Serra da Tiririca localiza-se na entrada da Baía de Guanabara entre os municípios de Niterói e Maricá, RJ (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W). É uma região inserida no bioma Mata Atlântica, sendo as encostas dos morros são cobertas por floresta ombrófila densa e áreas abertas onde o maciço cristalino fica exposto. As rochas são formadas por gnaisse facoidal com idades entre 630 e 480 milhões de anos. A vegetação de afloramento rochoso é encontrada no Alto Mourão, Costão de Itacoatiara, Morro das Andorinhas, Morro do Telégrafo e Morro do Cordovil. Registraram-se a presença de 250 espécies, pertencentes a 60 famílias e 185 gêneros de Magnoliophyta. Essa amostragem corresponde a 27,6% do total de espécies levantadas no PEST, sendo que 116 (46,4%) têm ocorrência exclusiva nos afloramentos rochosos. As principais famílias são Bromeliaceae (25 spp.), Orchidaceae (20 spp.), Euphorbiaceae (17 spp.), Myrtaceae (14 spp.), Leguminosae (13 spp.), Rubiaceae (11 spp.), Asteraceae (11 spp.) e Bignoniaceae (10 spp.). As espécies herbáceas predominam, seguida das arbóreas, trepadeiras, arbustivas e hemiepífitas. Os afloramentos rochosos são ambientes frágeis e necessitam de atenção quanto à conservação, visto que a expansão da ocupação humana, visitação sem controle, incêndios e instalação de espécies exótica invasoras vêm contribuindo para perda de diversidade biológica. Palavras chaves: Serra da Tiririca, florística, Mata Atlântica, inselberg, afloramento rochoso ABSTRACT- (Rocky outcrop vegetation at Serra da Tiririca State Park, Niterói and Maricá, Rio de Janeiro, Brazil). Serra da Tiririca State Park lies at the entrance to Guanabara Bay in Niterói and Maricá municipalities, Rio de Janeiro state (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W). This region is part of the Atlantic forest biome. The mountain slopes are covered with dense ombrophilous forest and rocky outcrops where the crystalline massif is exposed, formed by facoidal gnaisse, 630 million to 480 million years old. Rocky outcrop vegetation grows at the following localites: Alto Mourão, Costão de Itacoatiara, Morro das Andorinhas, Morro do Telégrafo and Morro do Cordovil. The survey recorded 250 species belonging to 60 families and 185 genera of Magnoliophyta. This represents 27.6% of the total number of species recorded for Serra da Tiririca State Park. A total of 116 (46.4%) are found exclusively on rocky outcrops. The most species-rich families are Bromeliaceae (25 spp.), Orchidaceae (20 spp.), Euphorbiaceae (17 spp.), Myrtaceae (14 spp.), Leguminosae (13 spp.), Rubiaceae (11 spp.), Asteraceae (11 spp) and Bignoniaceae (10 spp.). Herbs predominate, followed by trees, climbers, shrubs and hemi-epiphytes. Rocky outcrops are fragile habitats and require special attention for conservation. Human occupation, excessive visitation, fire and invasion by exotic species are contributing to the loss of biological diversity. Key words: Serra da Tiririca, floristc, Atlantic Rainforest, diversity, rock outcrop INTRODUÇÃO Nos maciços cristalinos tropicais da Serra do Mar e da Mantiqueira (RJ) ocorrem regiões escarpadas com rocha exposta que apresentam grande complexidade biológica, ecológica e geomorfológica. Os afloramentos rochosos constituem um habitat único com muitas espécies endêmicas (Meirelles et al. 1999). Essas formações são denominadas inselbergs (do alemão insel=ilha; berg=montanha) (Porembski 2002), sendo bastante características das áreas montanhosas e maciços costeiros do estado do Rio de Janeiro, principalmente no entorno da Baía de Guanabara. Ecologicamente funcionam como ilhas terrestres com a rocha exposta rodeada por vegetação arbóreo-arbustiva. De forma análoga 157 equivalem as ilhas oceânicas por apresentarem uma multiplicidade de formas, tamanhos e graus de isolamento (Conceição et al. 2007). A Mata Atântica funciona como matriz vegetacional primária onde estão inseridos os inselbergs da região Sudeste brasileira. Os processos evolutivos ocorridos ao longo de milhões de anos resultaram no estabelecimento de comunidades de plantas características desses ambientes. As oscilações climáticas e tectônicas ocorridas durante o Período Quaternário da Era Cenozóica, com alternância de períodos úmidos e secos, tiveram fortes influências sobre a geomorfologia, evolução e distribuição das espécies (Safford & Martinelli 2000). Nos últimos anos os estudos realizados nos afloramentos rochosos brasileiros vêm ganhando força com os mais diferentes enfoques (Scarano 2007). Dessa forma, é possível citar os trabalhos de Aguiar et al. (1986) e Fernandes & Baptista (1988) em morros graníticos (RS), Waldemar & Irgang (2003) no Parque Estadual de Itapuã, Viamão (RS), Caiafa & Silva (2005, 2007) nos campos de altitude do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (MG) e Conceição et al. (2007a, 2007b) na Chapada Diamantina (BA). No estado do Rio de Janeiro os estudos mais antigos foram realizados em inselbergs mais interioranos na Serra da Mantiqueira (Dusén 1955, Brade 1956, Segadas-Vianna & Dau 1965) e Serra dos Órgãos (Rizzini 1953/54). Martinelli & Bandeira (1989) e Porembski et al. (1998), estudaram a vegetação do Morro do Cuca e Campo das Antas na Serra dos Órgãos, Pico do Frade em Macaé, Pedra do Desengano em Santa Maria Madalena, Pico do Itatiaia na Serra da Mantiqueira. Martinelli & Vaz (1986/88) trabalharam os padrões fitogeográficos de Bromeliaceae dos campos de altitude. Também no planalto do Itatiaia tem os estudos de Ribeiro & Medina (2002) e Ribeiro et al. (2007). Em relação aos inselbergs costeiros um dos primeiros trabalhos a enfocar esse tipo de ecossistema foi o de Oliveira et al. (1975) nos maciços da Tijuca e Pedra Branca, além de inselbergs da Baixada de Jacarepaguá. Carauta & Oliveira (1984) descreveram a flora rupícola dos morros da Urca, Pão de Açúcar e Cara de Cão. Miranda & Oliveira (1983) estudaram as orquídeas rupícolas do Pão de Açúcar. Meirelles et al. (1999) deram um enfoque ecológico a análise da flora das Pedras da Macumba, Itanhangá e Urca no município do Rio de Janeiro, Imbuí e Costão de Itacoatiara em Niterói, Ilha de Santana em Macaé e Araras em Teresópolis. Todas essas áreas estão inseridas na Serra do Mar. A Serra da Tiririca apresenta várias áreas com afloramentos rochosos expostos. O Alto Mourão, por exemplo, já foi alvo de estudos florísticos de Lopes et al. 2004, da 158 mesma forma que Morro das Andorinhas (Araujo & Vilaça 1981). O Costão de Itacoatiara foi estudado por Meirelles et al. (1999) com enfoque na estrutura da vegetação de ilhas de solo, sendo observadas apenas 27 espécies de Magnoliophyta. Santos et al. (2005) e Santos & Sylvestre (2006) estudaram o mesmo local avaliando as pteridófitas, sendo levantadas 24 espécies. Ribeiro et al. (2007) trabalharam com anatomia de duas espécies de pteridófitas do Costão de Itacoatiara. Embora a Serra da Tiririca já tenha sido alvo de estudos envolvendo comunidades de plantas em afloramentos rochosos, ainda não há uma avaliação mais abrangente em termos florísticos. Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo caracterizar a composição florística de Magnoliophyta das áreas de afloramentos rochosos do Parque Estadual da Serra da Tiririca, além de avaliar os problemas de conservação relacionados com essas áreas. MATERIAL E MÉTODOS Área de Estudo O Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) apresenta o maciço cristalino coberto pela floresta ombrófila densa que limita áreas de afloramentos rochosos nas regiões mais íngremes e os inselbergs. Formam ilhas entremeadas pela floresta, sendo ocupadas por comunidades de plantas rupícolas e saxícolas adaptadas a condições ambientais extremas. Scarano (2002) considera essas áreas como periféricas a Mata Atlântica. Na Serra da Tiririca os inselbergs são encontrados no complexo formado pelo Alto Mourão (412 m), Costão de Itacoatiara (217 msm) e Morro das Andorinhas (196 m). Parte do maciço cristalino também fica exposto nos Morros do Telégrafo e Cordovil, onde a incidência de escarpas rochosas com declives muito acentuados dificultam o estabelecimento de espécies arbóreas e arbustivas. Nos afloramentos rochosos parte da vegetação se fixa aos sedimentos orgânicos que não constituem solo propriamente dito. O clima é do tipo Aw (quente e úmido, com estação chuvosa no verão e seca no inverno entre maio e junho) seguindo a classificação de Köppen. A estação chuvosa iniciase na primavera, culminando no verão nos meses de dezembro e janeiro, quando ocorre intensa precipitação pluviométrica. Em fevereiro há uma queda no volume das chuvas, contudo em março, devido à chegada de massas frias, registram-se chuvas intensas. A 159 menor precipitação se dá nos meses de julho e agosto, quando fica abaixo de 60 mm. A temperatura média está em torno de 22oC, sendo janeiro e fevereiro os meses mais quentes e o mais frio em junho. O vento predominante é o nordeste (Bernardes 1952). Os afloramentos rochosos do PEST estão inseridos na unidade geológica de gnaisse facoidal que forma um complexo que se estende da região de Piratininga a Itaipu. Apresenta rochas graníticas intrusivas que datam do período Pré-Cambriano com idades entre 630 e 480 milhões de anos. Estas se estabeleceram em meio a uma grande bacia sedimentar durante a colisão continental do evento brasiliano (Bergamaschi & Almeida 2007). São rochas homogêneas e caracterizadas pela presença de porfiroblastos ovais, constituídos por K-feldspato com estrutura cristalina, dando a rocha uma textura lenticular (Penha 1999). Uma estrutura bem característica dessa formação são os diques de pigmatitos e veios de quartzo orientados de nordeste para sudoeste que formam riscos nas rochas como, por exemplo, no Costão de Itacoatiara (tupi guarani - ita= pedra, cuatiara= riscada). Amostragem florística Foram realizadas coletas aleatórias de plantas férteis no período de março de 1997 a agosto de 2007. O material coletado foi herborizado e seco em estufa 60ºC, sendo posteriormente incorporado aos Herbários da Faculdade de Formação de Professores da UERJ (RFFP) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). As espécies foram identificadas através de bibliografia especializada, comparações nos herbários fluminenses (RB, GUA e HB) e consultas aos especialistas. A listagem foi organizada segundo o sistema de Cronquist (1988), exceto Leguminosae que foi tratada como uma única família como proposto por Polhill et al. (1981). Não foram consideradas espécies ruderais. A correção ortográfica das espécies foi feita acessando bancos de dados disponíveis na internet do Royal Botanic Garden at Kew, Missouri Botanical Garden e New York Botanical Garden. Para correção da nomenclatura dos autores adotou-se Brummit & Powell (1992). RESULTADOS E DISCUSSÃO Análise Florística 160 Foram listadas 250 das espécies, 60 famílias e 185 gêneros de Magnoliophyta estão presentes nos afloramentos rochosos. Essa amostragem corresponde a 27,6% do total de espécies levantadas no PEST, sendo que 116 (46,4%) têm ocorrência exclusiva nos afloramentos rochosos. Esse tipo de ambiente contribui para o enriquecimento da diversidade florística local. As famílias com maior riqueza de espécies são (Figura 1): Bromeliaceae (25 spp.), Orchidaceae (20 spp.), Euphorbiaceae (17 spp.), Myrtaceae (14 spp.), Leguminosae (13 spp.), Rubiaceae (11 spp.), Asteraceae (11 spp.) e Bignoniaceae (10 spp.). Essas famílias correspondem a 48,4% das espécies levantadas nos afloramentos rochosos da Serra da Tiririca. BIGNONIACEAE Gêneros Espécies ASTERACEAE RUBIACEAE LEGUMINOSAE MYRTACEAE EUPHORBIACEAE ORCHIDACEAE BROMELIACEAE 0 5 10 15 20 25 30 Nº de Gêneros e Espécies Figura 1: Famílias com maior riqueza de espécies dos afloramentos rochosos do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Nos afloramentos rochosos do Neotrópico predominam espécies de monocotiledôneas (Meirelles et al. 1999; Safford & Martinelli 2000; Ribeiro et al. 2007). Em termos de riqueza de espécies, esse grupo representa 45,2% (113 spp.) da flora desses ambientes na Serra da Tiririca. O predomínio de Bromeliaceae e Orchidaceae é citado em alguns estudos (Oliveira et al. 1975; Carauta & Oliveira 1984, Conceição et al. 2007a, 2007b). Essas famílias estão entre as três maiores em número de espécies dentre as monocotiledôneas no Brasil (Shepherd 2003). Bromeliaceae dos afloramentos rochosos da Serra da Tiririca representam 61% do total de espécies de Magnoliophyta levantadas no PEST e as Orchidaceae 71,4%. Dentre as orquídeas, Cattleya forbesii e Constantia 161 rupestris estão ameaçadas, sendo enquadradas na categoria vulnerável (Biodiversitas 2005; Pinheiro 1999). As bromélias são dominantes na paisagem, principalmente Alcantarea glaziouana. O gênero Alcantarea é restrito aos afloramentos rochosos na Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. A. glaziouana é endêmica dos paredões rochosos das circunvizinhanças do Rio de Janeiro em altitudes próximas do mar (Leme 1995). Outra espécie de destaque é Tillandsia araujei, uma pequena bromélia rupícola considerada pioneira no processo de sucessão para formação de ilhas de vegetação que recobrem os afloramentos (Meirelles et al. 1999). No PEST registra-se a ocorrência de híbridos naturais de bromélias, Pitcairnia albiflos x staminea no Costão de Itacoatiara e X Hohemea itaipuana B.R. Silva & L.O.F. Sousa, descrita a partir de material coletado no Morro das Andorinhas. Embora a hibridização natural em plantas seja um fenômeno comum, existem poucos relatos para a família Bromeliaceae. Contudo, trabalhos realizados por Wendt et al. (2000) e Wendt (2001) mostram a ocorrência de híbridos naturais entre bromélias em outros afloramentos rochosos do entorno da Baía de Guanabara (Morro do Corcovado e Pão de Açúcar). Esses autores estudaram populações simpátricas de quatro espécies de Pitcairnia: P. albiflos Herbert, P. staminea Loddiges, P. flammea Lindley e P. corcovadensis Wawra. A distribuição geográfica dessas quatro espécies é quase que restrita a poucos afloramentos rochosos no estado do Rio de Janeiro, exceto para P. flammea que apresenta uma distribuição geográfica mais ampla (Wendt 1994). Embora o Costão de Itacoatiara não tenha sido incluído nesses estudos, também foi palco para formação de híbridos entre P. albiflos e P. staminea. Após avaliar vários materiais encontrados nessa região verificou-se a presença apenas de híbridos entre essas duas espécies. Dessa forma, supõe-se que as espécies parentais tenham reduzido drasticamente suas população e podem não existir mais na região (T. Wendt comunicação pessoal). Embora Cactaceae seja uma família que caracteriza os ambientes rochosos, na Serra da Tiririca não se destaca entre as aquelas de riqueza de espécies, mas são importantes em termos ecológicos. São apenas 6 espécies, sendo duas ameaçadas de extinção. Rhipsalis cereoides encontra-se na categoria vulnerável (Biodiversitas 2005, Barthlott & Taylor 1995, Taylor & Zappi 2004). Coleocephalocereus fluminensis é considerado vulnerável por Calvente et al. (2005). 162 Das 27 espécies consideradas por Meirelles et al. (1999) como as mais freqüentes nos afloramentos rochosos, 14 (51,9%) têm ocorrência na Serra da Tiririca: Trilepis lhotztkiana, Vellozia candida, Coleocephalocereus fluminensis, Barbacenia purpurea, Pitcairnia staminea, Alcantarea glaziouana, Stillingia dichotoma, Euphorbia comosa, Sinningia bulbosa, Tillandsia araujei, Kalanchoe brasiliensis, Vernonia rupestris e Vriesea neoglutinosa. Quanto ao hábito destacam-se as espécies herbáceas (101 spp.), seguida de espécies lenhosas arbóreas (54 spp.), trepadeiras (53 spp.), arbustivas (40 spp.) e hemiepífitas (2 spp). É natural o predomínio de espécies herbáceas nos ambientes rochosos, como ocorre em outros tipos de vegetação aberta. Essas espécies formam ilhas de vegetação ou se inserem diretamente na rocha. Dentre as trepadeiras predominam espécies de Bignoniaceae e Leguminosae que fazem com que essas famílias se sobressaiam dentre as mais importantes. Hemiepífita Arbustos Trepadeiras Árvores Ervas 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 % de espécies Figura 2: % de espécies por formas de vida de Magnoliophyta dos afloramentos rochosos do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. O destaque para as espécies arbóreas ocorre porque nas regiões onde as fendas permitem o acúmulo de sedimentos e matéria orgânica, desenvolvendo-se uma vegetação de médio porte arbórea-arbustiva. Isso é observado nas bordas dos afloramentos em contato com a floresta adjacente, no Costão de Itacoatiara (mata do cume e Pata do Gato), no Morro das Andorinhas e Alto Mourão. Daí famílias como Myrtaceae e Euphorbiaceae se sobressaírem dentre as mais importantes. Inclusive foi coletada uma espécie nova do gênero Eugenia no Costão de Itacoatiara. As espécies arbórea-arbustivas mais comumente 163 observadas são: Syagrus romanzoffiana, Tabebuia chrysotricha, Tibouchina corymbosa, Myrcia selloi, Jacaranda jasminoides, Polygala albicans e Chionanthus fluminensis. A sobrevivência em ambientes de afloramentos rochosos implica numa série de adaptações que determinam à distribuição das plantas. O tipo de rocha, declividade, insolação e o grau de umidade são importantes na seleção das espécies. Sendo assim, algumas espécies são capazes de suportar a carência hídrica, tolerando o dessecamento, sendo denominadas poiquilohídricas. Tais plantas podem suspender suas atividades fisiológicas, levando a perda da clorofila, encolhimentos ordenados e modificações da área foliar, restringindo a perda d`água. Quando as condições hídricas se tornam mais favoráveis, rapidamente recuperam sua aparência normal (de Mattos 1997). Podem ser citadas como exemplo dessas plantas no PEST Trilepis lhotztkiana e Vellozia candida. T. lhotztkiana é uma das principais espécies dos ambientes rochosos, se destacando em outros estudos no Brasil (Meirelles et al. 1999, Ribeiro et al. 2007; Caiafa et al. 2007). Além desse mecanismo, outros tipos de plantas tolerantes, como Barbacenia purpurea, enrolam suas folhas, porém não perdem sua cor (Meirelles et al.1999). Também são encontradas plantas chamadas evitadoras, que têm como estratégia de sobrevivência a restrição das trocas hídricas com o meio ambiente (de Mattos et al. 1998), como, por exemplo, as cactáceas de maneira geral. A vegetação de afloramento rochoso está intimamente relacionada com a formação florestal que rodeia essa ilha de diversidade. A partir da floresta em direção aos afloramentos desaparecem alguns componentes e surgem novas combinações estruturais nas cumeeiras contíguas aos grandes declives das escarpas (Martinelli & Bandeira 1989). A floresta cria condições microclimáticas específicas protegendo a vegetação do afloramento rochoso. As duas formações interagem, sendo interessante observar que algumas espécies que, embora não tenham ocorrência específica nos afloramentos rochosos, são observadas nas matas de encostas na periferia desses ambientes. Na Serra da Tiririca é possível destacar espécies arbóreo-arbustivas Metternichia princeps var. princeps Rudgea minor subsp. minor, Rudgea interrupta, Rudgea francavillana, além de Tovomita leocanta, Clavija spinosa, Campomanesia laurifolia e Urbanodendron verrucosum. Não significa que essas espécies não ocorram em outras condições ambientais, tanto em substrato arenoso de restinga quanto na mata de encosta, mas no PEST são mais observadas associadas às áreas com afloramentos rochosos. 164 Conservação A fragilidade dos ambientes rochosos é apontada por vários autores (Meirelles et al. 1999; Ribeiro et al. 2007; Conceição et al. 2007a, 200b) e necessitam de atenção quanto à conservação. Uma das questões mais preocupantes é a intensa visitação que sofre o complexo formado pelo Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Enseada do Bananal. Os impactos causados pela presença humana estão levando a perda da diversidade biológica nessas áreas. Destaque para visitação desordenada que leva a compactação do solo, coleta de plantas ornamentais para comercialização, incêndios, destruição das ilhas de vegetação, pichações e introdução de espécies exóticas. Nas áreas mais inclinadas as raízes das árvores de maior porte são utilizadas como escada expondo as plantas à erosão do solo. Conseqüentemente, com o tempo, essas árvores podem tombar abrindo novas clareiras na mata. No Costão de Itacoatiara, Alto Mourão e Morro das Andorinhas o sedimento muito fino de matéria orgânica que recobre a rocha vai sendo removido com o pisoteio das pessoas. Isso expõe a rocha e dificulta o estabelecimento da cobertura vegetal. Além disso, é comum ocorrerem incêndios, devido às pontas de cigarro e queda de balões, sendo a vegetação nativa é substituída por gramíneas como o sapê (Imperata brasiliensis Trin.) e o capim-gordura (Melinis minutiflora Beauv.) no Costão de Itacoatiara e no Morro das Andorinhas. No vale formado na Enseada do Bananal, próximo aos afloramentos, parte da floresta foi subtraída e os vários incêndios promoveram a ocupação da área por capim-colonião (Panicum maximum Jacq.). Essas plantas de origem africana têm difícil controle sendo muito agressivas e impedem a recomposição da vegetação original, além de ser altamente inflamável. A presença de espécies exóticas invasoras configura a segunda causa mundial de perda de diversidade biológica. Em Unidades de Conservação de Proteção Integral representam o primeiro lugar. Quando chegam ao estádio de invasão, freqüentemente é difícil encontrar uma forma de erradicar o problema (Catharino & Silva 2007). Outro problema sério é a expansão da ocupação humana, que vem aumentando sobre as encostas e atingindo os afloramentos rochosos. No Rio de Janeiro é comum observar essas áreas sendo ocupadas por populações de baixa renda que crescem desordenadamente. Também populações de alta renda procuram essas áreas para morar 165 como observado na encosta do Morro das Andorinhas, causando danos ambientais irreversíveis. Agradecimentos Agradecemos os colaboradores que auxiliaram nas coletas de campo. À Sérgio Tadeu Meirelles que há mais de vinte anos atrás estudou ecologicamente a vegetação do Costão de Itacoatiara e abriu um novo mundo de conhecimento para seus alunos e estagiários. Aos taxonomistas Luiz José Soares Pinto, Genise Somner, Robson Dias, Marcos Nadruz, Michel Barros, João Marcelo de A. Braga, Mário Gomes, Marcelo Souza, Marcos Sobral, Daniela Zappi, Leandro de Oliveira F. Sousa e Roberto L. Esteves. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Aguiar, L.W.; Martau, L.; Soares, Z.F.; Bueno, O.L.; Mariath, J.E. & Klein, R.M. 1986. Estudo preliminar da flora e vegetação de morros graníticos da região da grande Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Iheringia, Série Botânica (34): 3-38. Araujo, D.S.D. & Vilaça, A.M.N. 1981. Avaliação da cobertura vegetal remanescente de Itaipu. In: Kneip, L.M.; Pallestrini, L. & Cunha, F.L.S. (eds) Pesquisas Arqueológicas no Litoral de Itaipu. Rio de Janeiro: VEPLAN Companhia de Desenvolvimento Territorial: p. 27–46. Barthlott, W. & Taylor, N. 1995. 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Don Anthurium sucrei G.M. Barroso Anthurium validinervium Engl. Monstera adansonii var. klotzschiana (Schott) Madison Philodendron bipennifolium Schott Philodendron corcovadense Kunth Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman Marsdenia loniceroides E. Fourn. Oxypetalum banksii Schult. subsp. banksii Peplonia riedelii (E. Fourn.) Fontella & Rapini Baccharis serrulata (Lam.) Pers. Barrosoa apiculata (Gardn.) R.M. King & H. Robinson Barrosoa organensis (Gardn.) R.M. King & H. Robinson Campuloclinium macrocephalum (Less.) DC. Eupatorium odoratum L. Heterocondylus vitalbae (DC.) R.M. King & H. Robinson Mikania hastifolia Baker Praxelis clematidea (Griseb.) R.M. King & H. Robinson Tilesia baccata (L.) Pruski Vernonia rupestris Gardner Vernonia serrulata (Lam.) Pers. Begonia maculata Raddi Begonia reniformis Dryander Begonia tomentosa Schott Adenocalymma paulistarum Bureau & K. Schum. Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C. Laroche Anemopaegma chamberlaynii (Sims) Bureau ex K. Schum. Anemopaegma prostratum DC. Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart. Arrabidaea rego (Vell.) DC. Jacaranda jasminoides (Thunb.) Sandwith Lundia cordata (Vell.) A. DC. HÁBITO Arbusto Erva Arbusto Erva Erva Árvore Árvore Trepadeira Trepadeira COLETORES W.B. de Carvalho 160 et al. A.A.M. de Barros 973 et al. F.E. Miranda 18 et al. A.A.M. de Barros 1662 et al. T. Plowman 12855 et al. A.A.M. de Barros 1922 et al. R.H.P. Andreata 696 et al. L.O.F. de Sousa 123 et al. A.A.M. de Barros 679 et al. Trepadeira Erva Erva Erva Hemiepífita A.A.M. de Barros 2757 et al. A.A.M. de Barros 1492 et al. R.S. de Oliveira 39 et al. E.N. Fontes 08 et al. T.A. da Silva 91 et al. Hemiepífita Hemiepífita Árvore Trepadeira Trepadeira Trepadeira L.O.F. Sousa 49 et al. W.B. de Carvalho 158 et al. R.S. de Oliveira 22 et al. L.O.F. de Sousa 66 A.A.M. de Barros 768 et al. L.J.S. Pinto 433 et al. Erva Erva R. de C. C. Silva 06 et al. M.G. Santos 1277 et al. Erva R.H.P. Andreata 314 et al. Erva K.A. Lúcio 25 et al. Erva Erva L.J.S. Pinto 119 et al. P.W. Feteira 50 et al. Trepadeira Erva R.S. Oliveira 53 et al. A.A.M. de Barros 1025 et al. Erva Árvore Erva Erva Erva Erva Trepadeira V.C. Matos 37 et al. L.T. Vassal 80 et al. A.A.M. de Barros 781 et al. A.A.M. de Barros 2792 et al. A.A.M. de Barros 2799 et al. A.A.M. de Barros 2798 et al. R.H.P. Andreata 354 et al. Trepadeira A.A.M. de Barros 2039 et al. Trepadeira K.M. Leal 23 et al. Trepadeira Trepadeira Trepadeira Arbusto Trepadeira L.J.S. Pinto 399 et al. A.A.M. de Barros 1529 et al. A.A.M. de Barros 767 et al. K.M. Leal 47 et al. H.P. Moreira 15 et al. 170 BOMBACACEAE BORAGINACEAE BROMELIACEAE CACTACEAE CANNACEAE CAPPARACEAE CLUSIACEAE Tabebuia chrysotricha (Mart. ex DC.) Standl. Xylophragma pratense (Bureau & K. Schum.) Sprague Ceiba erianthos (Cav.) K. Schum. Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A. Robyns Quararibea turbinata (Sw.) Poir. Cordia curassavica (Jacq.) Roem. & Schult. Cordia guazumaefolia (Desv.) Roem. & Schult. Tournefortia salicifolia A. DC. Aechmea nudicaulis (L.) Griseb. var. nudicaulis Aechmea ramosa var. ramosa Mart. ex Schult. f. Aechmea sphaerocephala Baker Alcantarea glaziouana (Lemaire) Leme Billbergia amoena (Lodd.) Lindl. Billbergia iridifolia (Nees & Mart.) Lindl. Bromelia antiacantha Bertoloni Cryptanthus acaulis (Lindl.) Beer X Hohemea itaipuana B.R. Silva & L.O.F. Sousa Neoregelia abendrothae L.B. Smith Neoregelia cruenta (R. Graham) L.B. Smith X Pitcairnia albiflos x staminea Pitcairnia flammea Lindl. Pitcairnia staminea Loddiges Pseudoananas sagenarius (Arruda da Câmara) Camargo Tillandsia araujei Mez Tillandsia dura Baker Tillandsia gardneri Lindl. Tillandsia geminiflora Brongniart Tillandsia stricta Soland. var. stricta Vriesea botafogensis Mez Vriesea costae E. Leme & B. Rezende Vriesea eltoniana Pereira & Ivo Vriesea neoglutinosa Mez Vriesea procera (Mart. ex Schult. f.) Wittm. Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A. Berg. Coleocephalocereus fluminensis (Miq.) Backeb Hylocereus setaceus (Salm-Dyck) R. Bauer Opuntia monacantha Haw. Pereskia aculeata Mill. Pereskia grandiflora Pfeiff. subsp. grandiflora Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles ex G.D. Rowley. Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.) Backeb. Canna denudata Roscoe Capparidastrum brasilianum (DC.) Hutch. Capparis flexuosa (L.) L. Cleome diffusa Banks ex DC. Crateva tapia L. Clusia criuva Cambess. Árvore K.M. Leal 03 et al. Trepadeira L.O.F. de Sousa 207 et al. Arbusto Árvore A.A.M. de Barros 1539 et al. L.J.S. Pinto 133 et al. Arbusto Arbusto Arbusto A.A.M. de Barros 1498 et al. A.A.M. de Barros 672 et al. K.A. Lúcio 91 et al. Arbusto Erva A.A.M. de Barros 2305 et al. L.J.S. Pinto 120 et al. Erva R. de C.C. Silva 58 et al. Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva T. Wendt 330 et al. L.J.S. Pinto 83 et al. L.O.F. Sousa 122 et al. A.A.M. de Barros 2070 et al. A.A.M. de Barros 3133 et al. L.O.F. Sousa 225 L.O.F. Sousa 347 et al. Erva Erva Erva Erva Erva Erva R.H.P. Andreata 204 et al. F. Pinheiro 55 et al. A.A.M. de Barros 776 et al. L.O.F. Sousa 228 A.A.M. de Barros 2878 et al. F. Pinheiro 175 et al. Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Arbusto Erva A.A.M. de Barros s.n. A.A.M. de Barros 1502 et al. L.O.F. Sousa 354 et al. L.O.F. Sousa 46 et al. L.J.S. Pinto 157 et al. R. de C.C. Silva 17 et al. A.A.M. de Barros 992 A.A.M. de Barros 788 et al. A.A.M. de Barros 790 et al. L.O.F. Sousa 203 et al. L.J.S. Pinto 458 et al. A.A.M. de Barros 2299 et al. Erva Erva Trepadeira Árvore A.A.M. de Barros 1274 A.A.M. de Barros 2301 et al. A.A.M. de Barros 1480 et al. A.A.M. de Barros 2322 et al. Erva A.A.M. de Barros 2300 et al. Erva A.A.M. de Barros 2302 et al. Erva Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Árvore A.A.M. de Barros 2221 et al. A.A.M. de Barros 2214 et al. A.A.M. de Barros 1278 L.J.S. Pinto 156 et al. A.A.M. de Barros 1731 et al. M.G. Santos 1098 et al. 171 COMMELINACEAE COMMELINACEAE CONVOLVULACEAE CRASSULACEAE CYPERACEAE DICHAPETALACEAE DIOSCOREACEAE DIOSCOREACEAE ERYTHROXYLACEAE EUPHORBIACEAE FLACOURTIACEAE GESNERIACEAE HIPPOCRATEACEAE ICACINACEAE IRIDACEAE LEGUMINOSAE Kielmeyera membranacea Casar. Dichorisandra hexandra (Aubl.) Standl. Dichorisandra thyrsiflora J.C. Mikan Siderasis fuscata (Lood.) Moore Evolvulus glomeratus Nees & Mart. Jacquemontia martii Choisy Operculina macrocarpa (L.) Urb. Kalanchoe crenata (Andrews) Haw. Cyperus hermaphroditus (Jacq.) Standl. Rhynchospora exaltata Kunth. Trilepis lhotzkiana Nees ex Arn. Stephanopodium sessile Rizzini Dioscorea mollis Mart. Dioscorea piperifolia Humb. & Bonpl. ex Willd. Erythroxylum pulchrum A. St. Hil. Acalypha amblyodonta Müll. Arg. (Müll. Arg.) Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax Actinostemon concolor (Spreng.) Müll. Arg. Bernardia axillaris (Spreng.) Müll. Arg. Croton compressus Lam. Croton klotzschii (Didr.) Baill. Dalechampia alata Müll. Arg. Dalechampia brasiliensis Lam. Dalechampia micromeria Baill. Dalechampia pentaphylla Lam. Euphorbia comosa Vell. Euphorbia insulana Vell. Jatropha gossypiifolia L. Manihot leptopoda (Müll. Arg.) D.J. Rogers & Appan Margaritaria nobilis L.f. Sebastiania brasiliensis Spreng. Stillingia dichotoma Müll. Arg. Casearia luetzelbergii Sleumer Casearia obliqua Spreng. Paliavana prasinata (Ker-Gawl) Benth. Sinningia aggregata (Ker-Gawl) Wiekler Sinningia bulbosa (Ker-Gawl) Wiehler Sinningia pusilla (Mart.) Baill. Sinningia speciosa (Lood.) Hiern Hippocratea volubilis L. Salacia arborea (Leandro) Peyr. Citronella paniculata (Mart.) R.A. Howard Neomarica candida (Hassl.) Sprague Neomarica gracilis (Herb.) Sprague Bauhinia radiata Vell. Dioclea violacea Mart. ex Benth. Inga congesta T.D. Penn. Inga cordistipula Mart. Machaerium lanceolatum (Vell.) J.F. Macbr. Mimosa velloziana Mart. Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger Árvore Erva Erva Erva Erva Trepadeira Trepadeira Erva Erva Erva Erva Árvore Trepadeira Trepadeira A.A.M. de Barros 2567 et al. D.S.D. Araujo 4779 et al. A.A.M. de Barros 663 et al. A.A.M. de Barros 3127 et al. A.A.M. de Barros s.n. A.A.M. de Barros 689 et al. L.O.F. Sousa 314 et al. W.B. de Carvalho 32 et al. A.A.M. de Barros 978 et al. A.A.M. de Barros 686 et al. A.A.M. de Barros 659 et al. M.C.F. dos Santos 221 et al. A.A.M. de Barros 1530 et al. A.A.M. de Barros 2087 et al. Árvore Arbusto L.O.F. Sousa 342 A.A.M. de Barros 1654 et al. Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Arbusto Trepadeira Trepadeira Trepadeira Trepadeira Erva Erva Arbusto Arbusto A.A.M. de Barros 653 et al. A.A.M. de Barros 974 et al. A.A.M. de Barros 2095 et al. A.A.M. de Barros 1467 et al. A.A.M. de Barros 927 et al. A.A.M. de Barros 1758 et al. L.J.S. Pinto 134 et al. L.J.S. Pinto 556 et al. L.J.S. Pinto 384 et al. A.A.M. de Barros 1113 et al. L.O.F. Sousa 277 et al. A.A.M. de Barros 2471 A.A.M. de Barros 2551 Árvore Árvore Arbusto Árvore Árvore Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeira Árvore Arbusto Erva Erva Trepadeira Trepadeira Árvore Árvore Trepadeira Trepadeira Árvore A.A.M. de Barros 2314 et al. A.A.M. de Barros 774 et al. A.A.M. de Barros 2558 R.H.P. Andreata 94 R.H.P. Andreata 914 A.A.M. de Barros 2549 R.H.P. Andreatta 542 et al. A.A.M. de Barros 2219 et al. A.A.M. de Barros 982 et al. L.J.S. Pinto 431 et al. A.A.M. de Barros 2113 et al. L.O.F. Sousa 344 W.B. de Carvalho 157 et al. A.A.M. de Barros 2920 A.A.M. de Barros 1921 et al. A.A.M. de Barros 1932 et al. L.J.S. Pinto 117 et al. A.A.M. de Barros 1116 et al. A.A.M. de Barros 2213 et al. A.A.M. de Barros 1928 et al. A.A.M. de Barros 1100 et al. F. Pinheiro 188 Árvore A.A.M. de Barros 770 et al. 172 MALPIGHIACEAE MARANTACEAE MARCGRAVIACEAE MELASTOMATACEAE MELIACEAE MENISPERMACEAE MORACEAE MYRTACEAE MYRTACEAE NYCTAGINACEAE OCHNACEAE OLACACEAE OLEACEAE ORCHIDACEAE Senegalia sp. 1 Senna affinis (Benth.) H.S. Irwin & R.C. Barneby Sophora tomentosa L. Vigna adenantha (G. Mey) Maréchal, Mascherpa & Stainer Zornia latifolia Sm. Amorimia rigida (A. Juss.) W.R. Anderson Heteropterys chrysophylla (Lam.) Kunth Niedenzuella acutifolia (Cavanilles) W.R. Anderson Peixotoa hispidula A. Juss. Stigmaphyllon auriculatum (Cav.) A. Juss. Stigmaphyllon paralias A. Juss. Stigmaphyllon vitifolium A. Juss. Thryallis brachystachys Lindl. Calathea violacea Lindley Maranta divaricata Roscoe Stromanthe tonckat (Aubl.) Eichler Schwartzia brasiliensis (Choise) Bedell ex Giraldo-Canãs Tibouchina corymbosa (Raddi) Cogn. Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. Trichilia casaretti C. DC. Chondrodendron platiphyllum (A. St. Hil.) Miers Cecropia glaziovi Snethlage Cecropia lyratiloba Miquel Ficus arpazusa Casar. Eugenia candolleana DC. Eugenia jurujubensis Kiaersk. Eugenia monosperma Vell. Eugenia oxyoentophylla Kiaersk. Eugenia punicifolia (Kunth) DC. Eugenia rotundifolia Casar. Eugenia uniflora L. Eugenia nov. sp. 1 Marlierea racemosa (Vell.) Kiaersk. Myrcia insularis (O. Berg) Kiaersk. Myrcia selloi (Spreng.) N. Silveira Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg Plinia ilhensis G.M. Barroso Psidium guineensis Sw. Bougainvillea spectabilis Willd. Guapira opposita (Vell.) Reitz Guapira pernambucensis (Casar.) Lundell Ouratea cuspidata Tiegh. Heisteria perianthomega (Vell.) Sleumer Chionanthus fluminensis (Miers) P.S. Green Brassavola tuberculata Hook. Campylocentrum robustum Cogn. Cattleya forbesii Lindl. Constantia rupestris Barb. Rodr. Cyrtopodium polyphyllum (Vell.) Pabst ex F. Barros Eltroplectris triloba (Lindl.) Pabst Trepadeira Arbusto N. Coqueiro 26 et al. L.J.S. Pinto 178 et al. Arbusto Trepadeira W.B. de Carvalho 21 et al. A.A.M. de Barros 2288 et al. Erva Trepadeira Trepadeira Trepadeira L.O.F. Sousa 73 et al. A.A.M. de Barros 1469 et al. A.A.M. de Barros 928 et al. A.A.M. de Barros 919 Arbusto Trepadeira Trepadeira Trepadeira Trepadeira Erva Erva Erva Trepadeira T.A.M. Muritiba 66 et al. A.A.M. de Barros 1499 et al. A.A.M. de Barros 1540 et al. A.A.M. de Barros 777 et al. A.A.M. de Barros 1392 A.A.M. de Barros 678 et al. A.A.M. de Barros 1896 et al. A.A.M. de Barros 2062 et al. R.S. de Oliveira 15 et al. Árvore Árvore Árvore Trepadeira A.A.M. de Barros 1388 A.A.M. de Barros 2750 et al. A.A.M. de Barros 1500 et al. A.A.M. de Barros 780 et al. Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore A.A.M. de Barros 2602 et al. M.C.F. dos Santos 478 et al. M.C.F. dos Santos 504 et al. A.A.M. de Barros 1489 et al. A.A.M. de Barros 957 et al. L.J.S. Pinto 208 L.J.S. Pinto 151 L.J.S. Pinto 137 et al. F. Pinheiro 168 et al. A.A.M. de Barros 655 et al. L.J.S. Pinto 440 et al. Árvore Árvore Árvore Árvore R.H.P. Andreata 473 et al. R.H.P. Andreata 940 et al. A.A.M. de Barros 2303 et al. A.A.M. de Barros 2795 et al. Árvore Árvore Trepadeira Árvore Trepadeira Árvore Árvore Arbusto Erva Erva Erva Erva Erva A.A.M. de Barros 2889 et al. L.O.F. de Sousa 71 et al. A.A.M. de Barros 2236 et al. A.A.M. de Barros 2504 et al. W.B. de Carvalho 20 et al. A.A.M. de Barros 1101 et al. L.J.S. Pinto 81 et al. A.A.M. de Barros 771 et al. A.A.M. de Barros s.n. L.J.S. Pinto 175 et al. L.J.S. Pinto 149 et al. F. Pinheiro 146 et al. A.A.M. de Barros 2552 Erva F. Pinheiro 161 173 PASSIFLORACEAE PIPERACEAE POACEAE POLYGALACEAE RHAMNACEAE RUBIACEAE SAPINDACEAE SAPOTACEAE SMILACACEAE SOLANACEAE TURNERACEAE Epidendrum denticulatum Barb. Rodr. Epidendrum filicaule (Sw.) Lindl. Habenaria parviflora Lindl. Maxillaria marginata Fenzl Octomeria alpina Barb. Rodr. Oncidium ciliatum Lindl. Oncidium fimbriatum Hoffmanns. Oncidium pumilum Lindl. Pleurothallis grobyi Lindl. Pleurothallis saundersiana Rchb. f. Prescottia plantaginea Lindl. Sarcoglottis fasciculata (Vell.) Schltr. Sophronites cernua Lindl. Vanilla bahiana Hoehne Passiflora alata Curtis Passiflora farneyi Pessoa & Cervi Passiflora racemosa Brot. Peperomia incana (Haw.) Hook. Peperomia rubricaulis (Nees) A. Dietr. Piper mollicomum Kunth Olyra ciliatifolia Raddi Olyra latifolia L. Oplismenus hirtellus (L.) P. Beauv. Panicum racemosum (P. Beauv.) Spreng. Saccharum asperum (Nees) Steud. Setaria parviflora (Poir) Kerguélen Polygala albicans (A.W. Benn.) Grondona Condalia buxifolia Reissek Borreria verticillata (L.) G. Meyer Coussarea capitata (Benth.) Benth. et Hook. f. Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schum. Emmeorhiza umbellata (Spreng.) K. Schum. Faramea stipulacea (Cham. & Schltdl.) DC. Genipa americana L. Manettia mitis var. fimbriata (Cham. & Schltdl.) K. Schum. Mitracarpus lhotzkyanus Cham. Randia armata (Sw.) DC. Rudgea minor ssp. minor Benth. Tocoyena bullata (Vell.) Mart. Conchocarpus ovatus (A. St. Hil. & Tul.) Kallunki & Pirani Esenbeckia febrifuga (A. St. Hil.) Juss. Esenbeckia grandiflora Mart. subsp. grandiflora Pilocarpus spicatus A. St. Hil. Cupania emarginata Cambess. Cupania oblongifolia Mart. Paullinia racemosa Wawra Serjania corrugata Radlk. Chrysophyllum lucentifolium Cronquist Smilax quinquenervia Vell. Aureliana fasciculata (Vell.) Sendtn. Metternichia princeps Mikan var. princeps Turnera serrata Vell. var. latifolia Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Erva Trepadeira Trepadeira Trepadeira Trepadeira Erva Erva Arbusto Erva Erva L.J.S. Pinto 86 et al. F. Pinheiro 195 et al. F. Pinheiro 194 F. Pinheiro 181 F. Pinheiro 173 F. Pinheiro 204 F. Pinheiro 180 F. Pinheiro 215 L.O.F. de Sousa 41 et al. F. Pinheiro 151 L.J.S. Pinto 52 et al. K.A. Lúcio 23 et al. L.O.F. de Sousa 208 et al. L.J.S. Pinto 123 et al. L.J.S. Pinto 424 et al. L.J.S. Pinto 159 A.A.M. de Barros 585 et al. A.A.M. de Barros 1184 et al. A.A.M. de Barros 929 et al. A.A.M. de Barros 1394 L.J.S. Pinto 388 et al. A.A.M. de Barros 2069 et al. Erva A.A.M. de Barros 2776 et al. Erva Erva Erva Arbusto Arbusto Erva Arbusto A.A.M. de Barros 2888 et al. P.W. Feteira 45 et al. N. Coqueiro 273 et al. E.N. Fontes 13 et al. D.S.D. Araujo 3152 et al. P.T. dos Santos 92 et al. W.B. de Carvalho 44 et al. Árvore Trepadeira Arbusto Árvore Trepadeira A.A.M. de Barros 950 et al. A.A.M. de Barros 773 et al. A.A.M. de Barros 2875 et al. F. Pinheiro 187 A.A.M. de Barros 2532 et al. Erva Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto L.J.S. Pinto 197 et al. A.A.M. de Barros 2714 et al. A.A.M. de Barros 1531 et al. L.J.S. Pinto 152 A.A.M. de Barros 2060 et al. Árvore Árvore R.H.P. Andreata 484 et al. A.A.M. de Barros 2151 et al. Arbusto Árvore Árvore Trepadeira Trepadeira Árvore Trepadeira Arbusto Árvore Arbusto A.A.M. de Barros 2334 et al. K.A. Lúcio 77 et al. A.A.M. de Barros 1903 et al. A.A.M. de Barros 2038 et al. A.A.M. de Barros 1890 et al. A.A.M. de Barros 2541 et al. A.A.M. de Barros 943 et al. A.A.M. de Barros 2473 A.A.M. de Barros 1516 et al. A.A.M. de Barros 2294 et al. 174 ULMACEAE VELLOZIACEAE VERBENACEAE VIOLACEAE VITACEAE Celtis ehrenbergiana (Klotzsch) Liebm. Barbacenia purpurea Hook. Vellozia candida J.C. Mikan Vitex polygama Cham. Anchietea pyrifolia var. hilariana (Eichl.) Marquete et Dan. Rinorea laevigata (Solander ex Gingins) Hekking Cissus paullinifolia Vell. Árvore Erva Erva Árvore Trepadeira A.A.M. de Barroos 1619 M.C.F. dos Santos 32 et al. K.M. Leal 06 et al. R.H.P. Andreata 543 et al. A.A.M. de Barros 1509 et al. Arbusto A.A.M. de Barros 2218 et al. Trepadeira A.A.M. de Barros 772 et al. 175 Artigo V ANÁLISE FITOSSOCIOLÓGICA DO ESTRATO LENHOSO NO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RIO DE JANEIRO, BRASIL Ana Angélica M. de Barros & Dorothy Sue Dunn Araujo Artigo a ser submetido à Rodriguésia 176 Análise Fitossociológica do Estrato Lenhoso no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil RESUMO – (Análise fitossociológica do estrato lenhoso no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil). Parque Estadual da Serra da Tiririca corresponde a um maciço costeiro coberto por floresta ombrófila densa situada no estado do Rio de Janeiro. O estudo foi realizado em três diferentes áreas com critério de inclusão de DAP≥ 2,5 cm, utilizando-se 10 transects de 2 m X 50 m, totalizando 0,1 ha em cada área. Apenas indivíduos lenhosos foram medidos, considerando-se árvores, arbustos e trepadeiras. Foram amostrados 1.449 indivíduos, correspondendo a 215 espécies, 1 morfo-espécie, 146 gêneros e 54 famílias. 140 espécies são arbóreas, 39 arbustos e 36 trepadeiras. As dez famílias mais representativas são Myrtaceae (26 spp.), Leguminosae (24 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.), Bignoniaceae (13 spp.), Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10 spp.) e Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae (6 spp.). As espécies dominantes são Pseudopiptadenia contorta no Morro do Telégrafo, Cupania racemosa no Morrote do Córrego dos Colibris e Guapira opposita no Morro do Cordovil. No Morrote do Córrego dos Colibris a vegetação encontra-se em regeneração mais recente. Foram obtidos altos valores de diversidade (H’) no Morro do Cordovil (4,59), Morro do Telégrafo (4,17) e Morro do Telégrafo (3,24). Os dados mostram que a Serra da Tiririca encontra-se em diferentes estádios de regeneração, porém vêm se recuperando naturalmente. Trata-se de um importante fragmento de floresta ombrófila densa que ainda detêm uma diversidade florística relevante e que deveria ser mais bem protegida pelo poder público. Palavras chaves: Fitossociologia, Mata Atlântica, Serra da Tiririca Abstract – (Structure analysis of woody strata on Serra da Tiririca State Park, Niterói and Maricá, Rio de Janeiro, Brazil). The Serra da Tiririca State Park corresponds to a coastal massif covered by dense ombrophilous forest localize on Rio de Janeiro. The structure survey was realized on three different areas with DAP ≥ 2.5 cm including criteria, using 10 transects of 2 m X 50 m, totalizing 0.1 ha in each area. Woody individuals were measured including trees, bushes and climbers. 1.449 individuals were sampled, corresponding to 215 species, 1 morfo-specie, 146 genera and 54 families. 140 species are arboreal, 39 bushes e 36 climbers. The ten most representative families are Myrtaceae (26 spp.), Leguminosae (24 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.), Bignoniaceae (13 spp.), Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10 spp.) and Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae (6 spp.). The dominant species are Pseudopiptadenia contorta on Morro do Telégrafo, Cupania racemosa on Córrego dos Colibris little Hill and Guapira opposita on Morro do Cordovil. The vegetation on Córrego dos Colibris little Hill is founded on more recent regeneration. High diversity scores (H’) were obtained on Morro do Cordovil (4,59), Morro do Telégrafo (4,17) e Córrego dos Colibris (3,24). The data shows that the Serra da Tiririca is on different regeneration states, but is recovering naturally. It is a dense ombrophilous forest important fragment that still detain a relevant floristic diversity and should been well protected by the public authorities. Key Words: Structure, Atlantic Forest, Serra da Tiririca INTRODUÇÃO O processo de ocupação do litoral brasileiro resultou na intensa degradação da Mata Atlântica alterando a paisagem, fragmentando as áreas florestadas e ocasionando perda de diversidade biológica. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica (2002), apenas 6% da cobertura original restou ao longo da costa brasileira. Embora o estado do Rio de Janeiro esteja totalmente inserido no bioma Mata Atlântica, só é possível encontrar áreas florestadas em apenas 16,73% do território fluminense, ou seja, 734.629 ha. A maioria 177 dessas áreas apresenta um relevo acidentado, o que dificultou sua ocupação histórica pela exploração econômica extrativista, práticas agrícolas e pecuárias degradadoras, além do estabelecimento das cidades e expansão urbana. Apenas 29,8% estão teoricamente protegidas em Unidades de Conservação a níveis federal e estadual (SOS Mata Atlântica 2002). As demais áreas estão à mercê das questionáveis políticas ambientais em todas as esferas do poder e aos diferentes interesses econômicos justificáveis pela tônica geração de emprego e renda. Apesar de ter sua área drasticamente reduzida, os fragmentos florestais ainda detêm importantes informações sobre a diversidade biológica da Mata Atlântica, mesmo após décadas de isolamento (Turner & Corlett 1996). Dessa forma, os estudos florísticos e fitossociológicos são estratégicos para, não só conhecer essa diversidade, mas também gerar argumentos sólidos que visem à conservação desses fragmentos florestais, associados ao restabelecimento da conectividade dessas áreas. Estudos fitossociológicos enfocando a Mata Atlântica do Rio de Janeiro vêm ganhando destaque nos últimos 20 anos (Guedes 1988; Rodrigues 1996; Guedes-Bruni et al. 1997; Pessoa et al. 1997; Kurtz & Araujo 2000; Silva & Nascimento 2001; Bórem & Ramos 2001; Bórem & Oliveira-Filho 2002; Moreno et al. 2003; Sá 2006; Guedes-Bruni et al. 2006a; Pessoa & Oliveira 2006). Esses estudos foram realizados principalmente em áreas Unidades de Conservação de Proteção Integral e Uso Sustentável nas Regiões Serrana, dos Lagos e norte fluminense. Uma grande lacuna de informações em relação à composição florística e estrutura dos maciços litorâneos foi apontada por Sá (2006) que apontou a escassez de conhecimentos sobre os remanescentes florestais entre a região de Cabo Frio e Niterói. Dessa forma o presente estudo tem a finalidade de descrever e caracterizar a estrutura e a diversidade florística em diferentes áreas do Parque Estadual da Serra da Tiririca. MATERIAL E MÉTODOS Foram escolhidas três áreas do Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) para a amostragem fitossociológica. O critério de escolha baseou-se em prospecções de campo que vinham sendo desenvolvidas de forma sistemática desde 1997. Foram consideradas áreas em diferentes estádios de conservação de acordo com o histórico de uso da terra na 178 antiga Fazenda Engenho do Mato. Outro fator importante é a acessibilidade, uma vez que o entorno do PEST é densamente ocupado por condomínios de luxo, residências de alta, média e baixa renda, além de posses e sítios particulares dentro e fora do Parque. Poucas trilhas tradicionais que levam a cumeeira dos morros permaneceram abertas e acessíveis. Desta forma, a amostragem foi realizada em dois pontos no Morro do Telégrafo e um no Morro do Cordovil: a) Morro do Telégrafo, Cumeeira da Serra da Tiririca via Trilha da Barreira (22º56’45,8”S; 43º00’16,8”W, altitude máxima 334 msm); b) Morro do Telégrafo, Morrote do Córrego dos Colibris (22º56’57,3”S; 43º01’17,2”W, altitude máxima 135 msm) e c) Morro do Cordovil no Vale das Borboletas, final da Rua 7 do Loteamento Jardim Fluminense (22º55’18,4”S; 42º59’58,2”W, altitude máxima 252 msm). A amostragem fitossociológica baseou-se na metodologia utilizada por Gentry (1982). Essa técnica permite uma avaliação rápida da diversidade vegetal lenhosa local e inclui na amostragem as trepadeiras. Como esse autor trabalhou em divesas partes do mundo usando uma metodologia uniforme, é possível comparar os dados locais com esses lugares. Em cada área foram estabelecidas 10 parcelas de 2,0 X 50,0 m sob a forma de transectos, totalizando unidades amostrais de 100 m2 (0,1 ha em cada área) distribuídas nas vertentes N e S, tomando como base a cumeeira dos morros. Estabeleceu-se 20 m mínimos de distanciamento entre os transectos. Nessas unidades amostrais todos os indivíduos lenhosos, incluindo arbustos, arvoretas, árvores e trepadeiras foram medidos, usando como critério de inclusão o Diâmetro a Altura do Peito (DAP) ≥ 2,5 cm a 1,30 m do ponto de enraizamento e altura mínima de 2,0 m. Incluiu-se na amostragem a palmeira acaule Attalea humilis, sendo medido o DAP do pecíolo. As alturas de árvores, arvoretas e arbustos foram estimadas a partir do comprimento do podão de vara. Indivíduos enraizados no limite das parcelas foram marcados quando mais da metade de seu diâmetro estava dentro da parcela. Quando os indivíduos apresentavam ramificações foram consideradas apenas aquelas que tinham DAP ≥ 2,5 cm para posterior cálculo da área basal. O DAP das trepadeiras foi medido a 1,30 m de comprimento em relação ao seu ponto de enraizamento. Quando o mesmo indivíduo apresentava mais de um ponto de enraizamento foi considerado um único indivíduo. Não foram medidas as alturas das trepadeiras. Todos os indivíduos, férteis ou não, foram coletados em campo, exceto as palmeiras, recebendo códigos para identificação da área amostrada. Esse material foi 179 herborizado e seco em estufa 60ºC. A identificação das espécies baseou-se na bibliografia especializada, comparações nos Herbários fluminenses (RB, GUA, RFFP) e consultas aos taxonomistas especialistas. Como a maior parte das plantas coletadas não estava fértil utilizou-se bibliografia com chaves de identificação para material estéril para famílias e gêneros (Gentry 1993; Vaz & Vieira 199; Lima et al. 1994). O material testemunho foi incorporado ao Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). Seguiu-se o sistema de Cronquist (1981) para organização das famílias, exceto Leguminosae que foi tratada como uma única família como proposto por Polhill et al. (1981). Os parâmetros fitossociológicos foram calculados pelo programa FITOPAC (Shepherd 1995), sendo apresentado o valor de importância (VI) de espécies como resultado do somatório dos parâmetros relativos de densidade, dominância e freqüência (Brower & Zar 1984). Os cálculos basearam-se nas seguintes fórmulas: Densidade Total (DT) DT= N.U / A Densidade Absoluta (DA) DA= (ni / A) . U Densidade Relativa (DR) DR= (ni / N) . 100 Freqüência Absoluta (FA) FA= (Pi / P) . 100 Freqüência Relativa (FR) FR= (Fai / ∑ FA) . 100 Dominância Absoluta (DoA) DoA= (Abi) . U /A Dominância Relativa (DoR) DoR= (Abi / ∑AB) . 100 Área Basal (AB) AB= π . D2 / 4 Valor de Importância (VI) VI= DRi + Fri + DoRi Valor de Cobertura (VC) VC= DRi + DoR Onde: N= número total de Indivíduos, A= área amostrada em m2, U= 10000 m2, Ni= número indivíduos da espécie i, P= número de parcelas amostradas, Pi= número de parcelas onde ocorre a espécie i, Fai= freqüência absoluta da espécie i, ∑FA=somatório das freqüências absolutas de todas as espécies, D= diâmetro, Abi= área basal da espécie i, ∑AB= somatório da área basal de todas as espécies, DRi= densidade relativa da espécie i, FRi= freqüência relativa da espécie i e DoR= dominância relativa da espécie i. O valor de importância das famílias (IVIF) foi calculado segundo fórmula proposta por Mori et al. (1983). Esse índice leva em consideração a riqueza, dominância e densidade para as famílias amostradas. IVIF= [NSpF / NTSp + NiF / NTi + ABF / ABT] . 180 100, onde: NSpF= número de espécies da família, NTSp= número total de espécies, NiF= número de indivíduos da família, NTi= número total de indivíduos, ABF= área basal da família e ABT= área basal total. A diversidade (H’) para cada área amostrada foi calculada índice de Shannon H’= ∑рi . ln pi, onde pi =ni / N é a relação entre o número de indivíduos da espécie i (ni) e o número total de indivíduos (N) e ln= logarítimo neperiano. A equabilidade (J’) foi calculada de por fórmula proposta por Pielou (1975) apud Magurran (1988) J’= H’ / ln S, onde S= número total de espécies amostradas. A similaridade entre as áreas foi calculada pelo coeficiente de Sorensen Cs= 2j / (a+b), onde j= número de espécies comuns nas áreas amostradas, a= número de espécies da área A e b= número de espécies da área B (Magurran 1988). As espécies arbóreas foram classificadas quanto a caráter sucessional em quatro categorias, segundo Gandolfi et al. (1995): a) Pioneiras: Espécies dependentes de luz que não ocorrem no sub-bosque, se desenvolvendo em clareiras ou nas bordas das matas. b) Secundárias iniciais: Espécies que ocorrem em condições de sombreamento médio ou luminosidade não muito intensa, ocorrendo em pequenas clareiras, bordas de clareiras grandes, bordas de floresta ou no sub-bosque não densamente sombreado. c) Secundárias tardias: Espécies se desnvolvem no sub-bosque em condições de sombra leve ou densa, podendo ai permanecer toda a vida ou então crescer até alcançar o dossel ou a condição emergente. d) Sem classificação: Espécies que em função da carência de informação não puderam ser incluídas em nenhuma das categorias anteriores. A classificação baseou-se em observações de campo, consulta aos especialistas quando possível e principalmente na literatura que envolve a discussão sobre dinâmica sucessional (Gandolfi et al. 1995; Sanchez et al. 1999; Dislich et al. 2001, Oliveira et al. 2001; Oliveira-Filho et al. 2004; Solórzano 2006). 181 RESULTADOS E DISCUSSÃO ANÁLISE FLORÍSTICA Nas três áreas estudadas foram amostrados 1.449 indivíduos, correspondendo a 215 espécies, 1 morfo-espécie, 146 gêneros e 54 famílias (Tabela 1). Dessas 98,1% foram identificados em nível específico, 1,4% apenas em nível de gêneros (Eugenia sp., Myrciaria sp. e Abutilon sp.) e 0,5% permaneceu sem identificação. Tabela 1: Número de gêneros, espécies/infra-espécies e morfo-espécie indeterminada da amostragem fitossociológica do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Famílias AMARANTHACEAE ANACARDIACEAE ANNONACEAE APOCYNACEAE ARALIACEAE ARECACEAE ASTERACEAE BIGNONIACEAE BOMBACACEAE BORAGINACEAE BURSERACEAE CACTACEAE CHRYSOBALANACEAE CLUSIACEAE CONNARACEAE CONVOLVULACEAE DICHAPETALACEAE DILLENIACEAE ELEOCARPACEAE ERYTHROXYLACEAE EUPHORBIACEAE FLACOURTIACEAE HIPPOCRATEACEAE ICACINACEAE LACISTEMATACEAE LAURACEAE LECYTHIDACEAE LEGUMINOSAE LOGANIACEAE Gêneros 1 1 3 3 1 3 1 9 2 1 1 1 1 3 1 1 1 1 1 1 8 2 1 2 1 7 2 16 1 Espécies 1 1 4 3 1 3 1 13 2 1 1 1 2 4 1 1 1 1 1 3 11 4 1 2 1 14 2 24 1 MALPIGHIACEAE MALVACEAE MELASTOMATACEAE MELIACEAE MENISPERMACEAE MONIMIACEAE MORACEAE MYRISTICACEAE MYRTACEAE NYCTAGINACEAE OCHNACEAE OLACACEAE PIPERACEAE POLYGONACEAE PROTEACEAE RUBIACEAE RUTACEAE SAPINDACEAE SAPOTACEAE SIMAROUBACEAE THEOPHRASTACEAE TILIACEAE TRIGONIACEAE ULMACEAE VIOLACEAE INDETERMINADA Total 4 1 2 3 3 1 5 1 8 2 1 1 1 1 1 12 3 7 4 1 1 1 1 2 2 146 4 1 3 6 3 2 6 1 26 2 2 1 1 1 1 20 4 10 6 1 1 1 2 2 2 215 182 O Morro do Cordovil foi a área que apresentou maior riqueza de espécies, seguida do Morro do Telégrafo e Córrego dos Colibris (Tabela 2). A contribuição das trepadeiras para a diversidade local variou de 19,4% no Córrego dos Colibris, 15% no Morro do Telégrafo e 13,3% no Morro do Cordovil. De forma geral, as trepadeiras correspondem a 22% no total de espécies levantadas no PEST (Barros & Araujo, capítulo 3). Tabela 2: Diversidade e formas de crescimento por espécies com DAP ≥ 2,5 cm encontradas nas áreas amostradas de 0,1 ha na Serra da Tiririca (n= de indivíduos). ESPÉCIES ÁREAS FAMÍLIAS GÊNEROS ESPÉCIES Morro do Telégrafo 44 90 113 Árvores/Arbustos 96 Trepadeiras 17 29 49 64 51 13 45 111 150 127 23 (n=506) Córrego dos Colibris (n=437) Morro do Cordovil (n=506) As 10 famílias que apresentaram maior riqueza de espécies foram: Myrtaceae (26 spp.), Leguminosae (24 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.), Bignoniaceae (13 spp.), Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10 spp.) e Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae (6 spp.) (Figura 1). Essas famílias representam 63% da riqueza total das espécies amostradas. Em Myrtaceae, Leguminosae, Lauraceae, Meliaceae, Moraceae e Sapotaceae predominaram, principalmente, espécies arbóreas. Em Rubiaceae destacaram-se espécies arbustivas e em Bignoniaceae trepadeiras. MELIACEAE Gêneros SAPOTACEAE Espécies MORACEAE SAPINDACEAE EUPHORBIACEAE BIGNONIACEAE LAURACEAE RUBIACEAE LEGUMINOSAE MYRTACEAE 0 5 10 15 20 25 30 Nº de Gêneros e Espécies Figura 1: As dez famílias mais ricas em espécies na amostragem fitossociológica no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. 183 Em outras áreas investigadas por Guedes-Bruni (1998) Myrtaceae, Leguminosae, Rubiaceae, Lauraceae, Euphorbiaceae, Melastomataceae e Moraceae representam as famílias com maior riqueza de espécies para a Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro. Gentry (1982) aponta Leguminosae, Rubiaceae Euphorbiaceae e Bignoniaceae entre as 10 mais ricas do Neotrópico. Leguminosae e Myrtaceae são famílias de destaque tanto em florestas ombrófilas densas, quanto em florestas estacionais semideciduais. Também predominam nas florestas tropicais de terras baixas e áreas sazonalmente secas no Neotrópico (Gentry 1982, 1988, 1995). Oliveira-Filho & Fontes (2000) verificaram que Myrtaceae chega a ser 40% mais rica em florestas ombrófilas do que em florestas semideciduais, principalmente no que se refere aos gêneros Eugenia, Myrcia, Marlieria e Gomidesia em altas e baixas altitudes. Mori et al. (1981) também destaca Myrtaceae como a família dominante em termos de riqueza de espécies na Mata Atlântica. A região Sudeste é considerada como o centro de diversidade desse grupo taxonômico. Na região Neotropical essa riqueza é restrita a costa brasileira, sendo típica também de muitas florestas na Austrália e Madagascar (Gentry 1988). Os estudos realizados no estado do Rio de Janeiro mostram que Myrtaceae predomina apenas na Reserva Biológica do Paraíso, no Imbé-250 m (Tabela 3) e na Serra da Tiririca (Tabela 4), todas de formação ombrófila densa submontana. A maioria desses trabalhos também destacou Leguminosae como a família com maior riqueza de espécies. Porém, Leguminosae, Myrtaceae, Euphorbiaceae, Lauraceae e Rubiaceae são indicadas como as famílias mais expressivas, mudando apenas de posição quanto à riqueza de espécies. Nas florestas ombrófilas densas com histórico de degradação é interessante notar o predomínio de Bignoniaceae arbóreas (Peixoto et al. 2004; Guedes-Bruni et al. 2006a). Gentry (in Phillips & Miller 2002) trabalhou 126 localidades na América do Sul utilizando a metodologia padrão de 0,1 ha, sendo cinco inventários realizados na região Sudeste (Tabela 4). Não foram considerados os dados de Santa Genebra, Campinas, por estarem incompletos. Esses estudos também mostram a alta riqueza de espécies em Leguminosae, Myrtaceae e Rubiaceae. Leguminosae é mais representativa nas florestas ombrófilas densas, principalmente no que se refere aos gêneros Inga e Machaerium (Oliveira Filho & Fontes 2000). 184 Tabela 3: Famílias de maior riqueza de espécies em estudos fitossociológicos de diferentes trechos de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro. Método de parcelas com diferentes critérios de inclusão de DAP. LOCALIDADE FORMAÇÃO FLORESTAL Biovert, Silva Jardim Floresta ombrófila densa submontana Imbau, Silva Jardim Floresta ombrófila densa submontana Poço das Antas, Silva Jardim Floresta ombrófila densa submontana Poço das Antas, Silva Jardim Floresta ombrófila densa submontana de Terras baixas Paraíso, Guapimirim Floresta ombrófila densa submontana Imbé, Campos – 250 m Floresta ombrófila densa submontana Imbé, Campos – 50 m Floresta ombrófila densa submontana Capoeira Grande, Rio de Janeiro Floresta ombrófila densa submontana Macaé de Cima, Nova Friburgo (antropizada) Floresta ombrófila densa montana Macaé de Cima, Nova Friburgo Floresta ombrófila densa montana Bom Jesus, Campos Mata do Carvão, Bom Jesus de Itabapoana Floresta estacional semidecidual de terras baixas Floresta estacional semidecidual de terras baixas FAMÍLIAS MAIS RICAS (% espécies) Leguminosae Lauraceae Euphorbiaceae Rubiaceae Annonaceae Leguminosae Lauraceae Rubiaceae Bignoniaceae Euphorbiaceae Euphorbiaceae Leguminosae Moraceae Lauraceae/Melatomataceae/ Myrtaceae/Monimiaceae Bignoniaceae Leguminosae Clusiaceae Myrtaceae Euphorbiaceae Myrtaceae Sapotaceae Lauraceae Rubiaceae Melastomataceae Myrtaceae Sapotaceae Leguminosae Lauraceae Moraceae Leguminosae Lauraceae Moraceae Myrtaceae Sapotaceae Leguminosae Myrtaceae Euphorbiaceae Bignoniaceae Bombacaceae Leguminosae Lauraceae Melatomataceae Solanaceae Asteraceae Melastomataceae Lauraceae Myrtaceae Leguminosae Rubiaceae Leguminosae Myrtaceae Lauraceae Euphorbiaceae Anacardiaceae Leguminosae Myrtaceae Euphorbiaceae Lecythidaceae Rutaceae REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 15,7 11,1 5,3 5,2 3,9 13,1 7,7 6,5 5,3 5,3 12,4 16,7 6,2 5,7 5,7 13,9 11,5 2,9 9,0 8,8 19,6 10,1 10,1 6,5 4,3 20,0 18,0 17,0 15,0 12,5 17,0 17,0 12,0 10,0 9,0 19,1 8,8 7,4 4,4 4,4 14,0 13,5 10,0 6,0 6,0 11,6 11,3 11,0 9,0 5,1 15,7 11,1 6,5 5,5 4,6 20,5 9,6 7,2 6,0 4,8 Bórem & Oliveira Filho (2000) Carvalho et al. (2006) Guedes-Bruni et al. (2006b) Guedes-Bruni et al. (2006a) Kurtz (2000) & Araujo Moreno et al. (2003) Moreno et al. (2003) Peixoto et al. (2004) Pessoa et al. (1997) Guedes-Bruni et al. (1997) Carvalho et al. (2006) Silva & Nascimento (2001) 185 Rubiaceae também se sobressai nos levantamentos realizados, estando entre as cinco famílias mais ricas das florestas neotropicais secas (Gentry 1995). Foi a quarta família mais rica na Serra da Tiririca e também se destacou nos estudos em florestas ombrófilas densas de Guedes-Bruni et al. (1997) em Macaé de Cima, Kurtz & Araujo (2000) em Paraíso, Guapimirim e Carvalho et al. (2006) nas Matas do Imbau em Silva Jardim. Também se sobressaiu nas áreas de floresta estacional semidecidual estudadas por Sá (2006) no Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio. Oliveira-Filho & Fontes (2000) mostraram a importância do gênero Psychotria, principalmente nas florestas ombrófilas, sendo o mesmo foi observado na Serra da Tiririca. A presença de Lauraceae entre as cinco famílias com maior riqueza de espécies se deve principalmente a amostragem feita no Morro do Cordovil. Nessa área foram registradas 12 espécies, no Morro do Telégrafo 6 espécies e no Córrego dos Colibris apenas uma, Nectandra oppositifolia, que normalmente é encontrada em áreas secundárias em regeneração. Em seu estudo no Centro de Diversidade de Cabo Frio Sá (2006) chama atenção para a importância econômica da família Lauraceae devido à madeira de boa qualidade fornecida pelas “canelas” para construção civil e fabricação de móveis. Dessa forma, a escassez de espécies dessa família nas duas áreas pode ser explicada por se localizar em áreas de antigas fazendas (Engenho do Mato e Itaipu), onde foram assentados os sitiantes da reforma agrária que ocorreu nessa região de 1962. Contudo, nas áreas onde antigos sítios foram abandonados a mata encontra-se em regeneração a cerca de 30 anos. A área onde foi realizado o trabalho é mais preservada devido ao difícil acesso, solos rasos e presença de grandes blocos de gnaisse facoidal, não sendo um bom local para agricultura. Contudo, Lauraceae pode apresentar alta riqueza de espécies tanto em áreas alteradas quanto preservadas. Em um trecho de floresta pertubada Macaé de Cima, na região serrana do estado do Rio de Janeiro foi encontrado altos índices de riqueza de espécies de Lauraceae. (Pessoa et al. 1997). Mas é preciso avaliar não só a riqueza, mas apontar as espécies que caracterizam cada área, visto que muitas Lauraceae são consideradas secundárias tardias e outras secundárias iniciais. 186 Tabela 4: Famílias de maior riqueza de espécies lenhosas em estudos fitossociológicos de diferentes trechos de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro em 0,1 ha, com critério de inclusão de DAP ≥ 2,5 cm (Gentry 1982). n= número total de espécies LOCALIDADE FORMAÇÃO FLORESTAL Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ (n=216) Floresta ombrófila densa submontana Camorim, Rio de Janeiro, RJ (n=158) Floresta ombrófila densa submontana Serra de Sapiatiba, São Pedro da Aldeia, RJ (n=140) Floresta estacional semidecidual Ilha de Cabo Frio, Arraial do Cabo, RJ (n=129) Floresta estacional semidecidual Morros da Piaçava e Mico, Cabo Frio, RJ (n=84) Floresta estacional semidecidual Armação de Búzios, RJ (n=115) Floresta estacional semidecidual Boraceia, SP (n=124) Floresta ombrófila densa Carlos Botelho, Ribeirão Branco, SP (n=148) Floresta ombrófila densa Reserva Florestal de Linhares, ES (n=219) Floresta de Tabuleiro FAMÍLIAS MAIS RICAS (% espécies) Myrtaceae Leguminosae Rubiaceae Lauraceae Bignoniaceae Leguminosae Myrtaceae Rubiaceae Sapindaceae Celastraceae/Moraceae Myrtaceae Leguminosae Bignoniaceae Rubiaceae Euphorbiaceae Myrtaceae Leguminosae Rubiaceae Lauraceae Sapindaceae Leguminosae Myrtaceae Euphorbiaceae Rubiaceae Bignoniaceae Leguminosae Rubiaceae Myrtaceae Euphorbiaceae Sapindaceae/Bignoniaceae Myrtaceae Lauraceae Leguminosae Rubiaceae Sapindaceae/Myrsinaceae Myrtaceae Leguminosae Rubiaceae Bignoniaceae Monimiaceae/Nyctaginaceae Leguminosae Myrtaceae Sapotaceae Bignoniaceae Celastraceae/Lauraceae REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 12,8 11,0 9,1 6,4 5,9 10,7 9,5 7,6 5,7 5,1 23,6 12,8 6,4 5,7 3,6 11,6 10,8 8,5 7,7 6,2 17,8 16,7 7,1 5,9 5,9 14,8 9,6 9,6 6,0 5,2 23,4 9,7 6,5 6,5 4,0 21,6 7,4 6,1 4,7 4,1 14,6 14,1 6,4 5,0 4,1 Esse estudo Gentry, Peixoto & Oliveira in Phillips & Miller (2002) Sá (2006) Sá (2006) Sá (2006) Sá (2006) Custódio-Filho & Gentry in Phillips & Miller (2002) Gentry, Dias & Franco in Phillips & Miller (2002) Gentry & Peixoto in Phillips & Miller (2002) Gentry & Peixoto (1990) Embora famílias como Arecaceae e Myristicaceae apresentem número expressivo de espécies nas florestas pluviais tropicas, são pouco representadas no PEST. Tal fato já foi 187 relatado por Peixoto & Gentry (1990) na Reserva da Vale do Rio Doce em Linhares (ES) e também é observado em outras localidades inventariadas por Gentry (Tabela 4). Em relação às formas de crescimento, as espécies de trepadeiras somam 16,2% da amostragem e as espécies arbóreos-arbustivas 83,8%. A riqueza total de 140 espécies arbóreas está distribuída 94 gêneros e 39 famílias, enquanto que a mesma avaliação para arbustos mostram 39 espécies, 27 gêneros e 18 famílias. As trepadeiras apresentam 36 espécies, 29 gêneros e 14 famílias. Contudo, cabe ressaltar que Leretia cordata e Strychnos acuta são espécies que possuem tanto o hábito trepador quanto arbustivo. S acuta foi contabilizada como arbusto por ser a forma principal com que se apresenta no PEST. L. cordata foi considerada arbusto no Morro do Telégrado e trepadeira no Morro do Cordovil. Famílias como Apocynaceae, Bignoniaceae, Icacinaceae, Leguminosae, Malpighiaceae e Sapindaceae apresentam gêneros e espécies com hábito trepador e arbustivo. A maior parte das espécies de Bignoniaceae amostradas é trepadeira (84,6%). Bignoniaceae é a família que apresenta maior riqueza de espécies dentre as trepadeiras (10 spp.), seguida por Leguminosae (6 spp.) e Sapindaceae (5 spp.). Famílias como Amaranthaceae, Apocynaceae, Connaraceae, Convolvulaceae, Dilleniaceae, Hipocrateaceae apresentaram apenas uma espécie cada com hábito trepador. As espécies arbóreo/arbustivas apresentaram maior riqueza nas famílias Myrtaceae (25 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Leguminosae (18 spp.), Lauraceae (14 spp.) e Euphorbiaceae (11 spp.). Juntas essas famílias representam 41,2% das espécies dessa forma de vida. No Morro do Telégrafo foram registradas 113 espécies, 90 gêneros e 42 famílias, sendo as principais famílias Leguminosae (15 spp.), Rubiaceae (13 spp.), Myrtaceae (8 spp.), Bignoniaceae (5 spp.) e Sapindaceae (5 spp.). Essas famílias representam 44,3% do total da riqueza de espécies amostradas para essa área (Tabela 5). Leguminosae, Rubiaceae e Myrtaceae mantêm o padrão de riqueza de espécies observadas na Mata Atlântica. Leguminosae e Myrtaceae catacterizam o dossel desse tipo de vegetação (Guedes-Bruni 1998). 188 Tabela 5: Famílias mais ricas em espécies (%) com DAP ≥ 2,5 cm encontradas nas áreas amostradas de 0,1 ha do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ (n= nº de espécies). MORRO DO TELÉGRAFO CÓRREGO DOS COLIBRIS MORRO DO CORDOVIL (n =113 spp.) (n =64 spp.) (n= 150 spp.) Leguminosae 13,3 Bignoniaceae 12,5 Myrtaceae Rubiaceae 11,5 Leguminosae 10,9 Leguminosae 9,3 Myrtaceae 7,1 Euphorbiaceae 7,8 Lauraceae 8,0 Bignoniaceae 6,2 Sapindaceae 6,2 Rubiaceae 8,0 Sapindaceae 6,2 Rubiaceae/Flacourtiaceae 6,2 Euphorbiaceae/Sapindaceae 5,3 Total (%) 44,3 49,8 15,3 51,2 No Morrote do Córrego dos Colibris foram registradas 67 espécies, 54 gêneros e 29 famílias, sendo as principais famílias Euphorbiaceae (9 spp.), Bignoniaceae (8 spp.), Leguminosae (7 spp.), Rubiaceae (4 spp.), Sapindaceae (4 spp.) e Flacourtiaceae (4 spp.), representando 53,7% do total de espécies amostradas para essa área (Tabela 5). Bignoniaceae destacou-se nessa área como a família mais rica, sendo representada principalmente por Adenocalymma trifoliatum e Mansoa lanceolata. Leguminosae também é expressiva nessa área, mas compõe-se principalmente por espécies pioneiras e secundárias iniciais. Rubiaceae não é representativa, contudo apresenta uma população com muitos indivíduos de Rudgea coriacea, que não foi observada em nenhuma outra região do PEST. No Morro dos Cordovil foram registradas 150 espécies, 11 gêneros e 45 famílias, sendo as principais famílias Myrtaceae (23 spp.), Leguminosae (14 spp.), Rubiaceae (12 spp.), Lauraceae (12 spp.), Euphorbiaceae (8 spp.) e Sapindaceae (8 spp.), representando 51,3% do total de espécies amostradas para essa área (Tabela 5). A riqueza de Myrtaceae foi expressiva, sendo Eugenia o principal gênero com 16 espécies. ANÁLISE ESTRUTURAL A curva de suficiência amostral mostra que nas três áreas estudadas seriam necessários outros transects para que haja estabilização, devido a alta diversidade local (Figura 2). Contudo, o objetivo do método de amostragem em 0,1 ha, com critério de 189 inclusão de DAP ≥ 2,5 cm, é uma avaliação rápida dessa diversidade. Isso é comum em florestas tropicais, onde raramente a curva se estabiliza. 160 Colibris Cordovil Telegrafo 140 Número de espécies 120 100 80 60 40 20 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Número de parcelas Figura 2: Curva de suficiência amostral comparativa das três áreas do estudo fitossociológico realizado no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Os Morros do Telégrafo e Cordovil apresentaram as maiores áreas basais totais e densidades relativas (Tabela 6). O Córrego dos Colibris foi a localidade que apresentou menor área basal total e densidade relativa, indicando que a recomposição da vegetação nessa área é mais recente que nas demais. Segundo Silva & Nascimento (2001) valores baixos para áreas basais são indicativos de locais perturbados. Outros estudos realizados no estado do Rio de Janeiro mostram altos valores nas florestas em estádios sucessionais mais avançados como na Estação Ecológica Estadual do Paraíso (57,28 m2/ha) (Kurtz & Araujo 2000). Tal fato também é evidenciado na floresta de Morrote em Pariquera-Açu, São Paulo, sendo um dos maiores valores obtidos em extensa área de floresta considerada em bom estádio de conservação (39,3 m2/ha) (Sztutmam & Rodrigues 2002). Em áreas com histórico de pertubação normalmente os valores são mais baixos (Silva & Nascimento 2001; Bórem & Oliveira-Filho 2002; Pessoa 2006). Contudo é necessário considerar também os fatores ambientais que podem influenciar esses valores, como observado por Peixoto et al. (2005) na Serra da Capoeira Grande. 190 Tabela 6: Área basal, densidade relativa, índice de Shannon (H’) e equabilidade (J’) nas três áreas amostradas no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Área basal (m2/ha) Densidade Relativa (%) H’ (nats/ind.) J’ MORRO DO TELÉGRAFO 49,91 50,60 4,17 0,88 CÓRREGO DOS COLIBRIS 38,80 43,70 3,24 0,78 MORRO DO CORDOVIL 62,99 50,60 4,59 0,99 As maiores diversidades foram obtidas nos Morros do Cordovil (4,59 nats/ind.) e Telégrafo (4,17 nats/ind) (Tabela 6). A equabilidade segue esse mesmo padrão, destacando o alto valor obtido no Morro do Cordovil (0,99). Esses valores são comumente encontrados na floresta ombrófila densa submontana e montana no estado do Rio de Janeiro em inventários florísticos com DAP ≥ 5 - 10 cm (Guedes-Bruni 1998). O mesmo já não ocorre no Córrego dos Colibris, que apresentou valores baixos de diversidade (3,24 nats/ind.) e equabilidade (0,78). Essa situação já foi mostrada na análise feita em fragmentos com diferentes formas e dimensões na Reserva Biológica de Poço das Antas (Pessoa & Oliveira 2006). As áreas que apresentaram maior similaridade entre si foram os Morros do Cordovil e Telégrafo (52,5%) e a menor entre o Morro do Cordovil e Córrego dos Colibris (27,1%). Entre o Morro do Telégrafo e Córrego dos Colibris a similaridade foi intermediária (38,4%). Esses dados indicam que as áreas de estudo estão em estádios sucessionais diferenciados, refletindo o histórico de uso e abandono da terra. No Morrote de Córrego dos Colibris a vegetação foi cortada para ser utilizada como carvão, porém abandonada a cerca de 30 anos. No Morro do Telégrafo o acesso é mais difícil e apresenta grandes matacões de gnaisse facoidal, sendo uma área de sítios abandonados a cerca de 40 anos. Nessa área plantou-se banana e a vegetação também foi subtraída para produção de carvão e lenha para utilização doméstica. O Morro do Cordovil é a área mais íngrime, apresentando calhas com depressões profundas que dificultaram sua utilização para fins agrícolas. Dessa forma a vegetação ficou mais preservada. Quando as áreas são avaliadas a respeito do caráter sucessional das espécies arbóreas verifica-se que o Morro do Cordovil apresentou maior percentagem de espécies secundárias tardias (74,7%), seguido de secundárias iniciais (16,7%) e a menor 191 percentagem de pioneiras (6,7%). O Morro do Telégrafo encontra-se em situação intermediária com 53,9% de espécies secundárias tardias, 31,6% de secundárias iniciais e 14,5% de pioneiras. O Morrote do Córrego dos Colibris encontra-se em estádio sucessional mais recente indicado pela presença de 48,8% espécies secundárias iniciais, 29,3% de pioneiras e 21,9% de secundárias tardias (Figura 3). As espécies sem classificação estão presentes no Morro do Cordovil e foram identificadas apenas em nível de gêneros. 80 Morro do Telégrafo 70 Córrego dos Colibris % de Espécies 60 Morro do Cordovil 50 40 30 20 10 0 Pioneira Secundária inicial Secundária tardia SC Figura 3: Distribuição percentual das espécies nos grupos ecológicos nas três áreas estudadas no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Na tabela 7 são apresentadas as 10 famílias com maiores IVI em cada área amostrada. No Morro do Telégrafo essas famílias representam 65% da amostragem, no Morrote do Córrego dos Colibris 72,5% e no Morro do Cordovil 64,8%. No Morro do Telégrafo apenas 15 famílias somam 76,5% do VI. As 5 famílias dominantes são respectivamente Leguminosae, Rubiaceae, Flacourtiaceae, Sapindaceae e Myrtaceae (Tabela 7). Os valores obtidos para Leguminosae (15 spp.) e Rubiaceae (13 spp.) resultam da maior riqueza de espécies e número de indivíduos apresentados por essas famílias. Leguminosae domina o dossel, enquanto Rubiaceae caracteriza, principalmente, o sub-bosque. O destaque dado a Flacourtiaceae deve-se a presença de muitos indivíduos de Casearia sylvestris nessa área. No Morrote do Córrego dos Colibris, 11 famílias são responsáveis por 75,6% do VI. As famílias dominantes são Sapindaceae, Moraceae, Bignoniaceae, Leguminosae e 192 Nyctaginaceae (Tabela 7). Essas famílias apresentam poucas espécies, em contrapartida usam como estratégia de ocupação densas populações com muitos indivíduos. Sapindaceae é representada principalmente Cupania racemosa e Moraceae por Brosimum guianensis. Duas famílias com espécies de trepadeiras estão entre as cinco famílias dominantes nessa área. Bignoniaceae, com predomínio de Adenocalymma trifoliatum e Mansoa lanceolata, além de Menispermaceae com Hyperbaena oblongifolia e Abutua convexa. Tabela 7: Descritores fitossociológicos das dez famílias arbóreas e trepadeiras com maiores IVI e DAP ≥ 2,5 cm amostradas em transecto de 0,1 ha no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, apresentados em ordem decrescente de valor de importância (IVI). N = número de indivíduos, No Spp.= número de espécies por famílas, DR fam = densidade relativa de famílias (%), DoR fam.= dominância relativa de famílias (%), RiqRel.= riqueza relativa, IVI= índice de valor de importância (%). FAMÍLIA N No Spp. MORRO DO TELÉGRAFO LEGUMINOSAE 62 15 RUBIACEAE 63 13 FLACOURTIACEAE 14 2 SAPINDACEAE 34 7 MYRTACEAE 22 8 NYCTAGINACEAE 25 2 ARECACEAE 38 4 EUPHORBIACEAE 31 5 BIGNONIACEAE 27 7 LAURACEAE 16 5 MORROTE DO CÓRREGO DOS COLIBRIS SAPINDACEAE 79 4 MORACEAE 76 2 BIGNONIACEAE 51 8 LEGUMINOSAE 21 7 NYCTAGINACEAE 29 1 EUPHORBIACEAE 16 4 LECYTHIDACEAE 31 1 RUBIACEAE 16 4 FLACOURTIACEAE 14 4 MENISPERMACEAE 17 3 MORRO DO CORDOVIL MYRTACEAE 52 22 LEGUMINOSAE 32 14 LAURACEAE 35 12 RUBIACEAE 47 12 MELIACEAE 28 6 MORACEAE 24 6 SAPINDACEAE 29 8 NYCTAGINACEAE 16 2 EUPHORBIACEAE 17 8 MELASTOMATACEAE 6 2 DR fam. DoR fam. RiqRel. VI IVI 12,28 12,47 2,77 6,73 4,37 4,76 7,51 6,13 5,35 3,18 19,83 4,86 16,63 3,46 3,57 8,37 2,6 3,00 1,93 5,45 13,60 11,40 1,75 6,14 7,02 1,75 3,51 4,39 6,14 4,39 45,27 28,73 21,15 16,33 14,96 14,88 13,62 13,52 13,42 13,03 15,09 9,58 7,05 5,44 4,99 4,96 4,54 4,51 4,47 4,34 18,09 17,39 11,67 4,82 6,64 3,67 7,09 3,66 3,20 3,89 16,00 12,61 3,52 9,94 16,49 8,10 4,60 2,98 1,62 1,03 6,35 3,17 12,70 11,11 1,59 6,35 1,59 6,35 6,35 4,76 40,44 33,17 27,89 25,87 24,75 18,12 13,28 12,99 11,17 9,68 13,48 11,06 9,30 8,62 8,24 6,04 4,43 4,33 3,72 3,23 10,31 6,34 6,94 9,30 5,54 4,74 5,75 3,16 3,38 1,19 5,38 11,67 4,77 2,13 9,57 10,27 6,46 11,36 4,65 9,76 14,77 9,40 8,05 8,05 4,03 4,03 5,37 1,34 5,37 1,34 30,46 27,41 19,76 19,48 19,14 19,04 17,58 15,86 13,40 12,29 10,15 9,14 6,59 6,49 6,38 6,35 5,86 5,29 4,47 4,10 193 No Morro do Cordovil 15 famílias perfazem 75,81% do VI para essa área. As famílias dominantes do dossel são Myrtaceae, Leguminosae e Lauraceae (Tabela 7). Essas famílias apresentam as maiores riquezas e espécies e muitos indivíduos. Myrtaceae é representada principalmente por Eugenia (12 spp.) e Lauraceae por Ocotea (6 spp.). Nessa análise, famílias específicas caracterizam as diferentes áreas como resultado de variações locais de fatores abióticos que incluem as condições edáficas, topográficas e, principalmente, a fatores de perturbação (Rodrigues 2004; Pessoa & Oliveira 2006). Myrtaceae e Lauraceae se destacaram na área mais preservada do Morro do Cordovil, Leguminosae ocorre com várias espécies nas três áreas. Famílias com espécies de trepadeiras se destacaram na área em regeneração mais recente do Córrego dos Colibris. No que se refere ao valor de importância das espécies (Anexo), observa-se uma variação entre os dez elementos florísticos de maior expressão para cada uma das áreas levantadas. Isso é resultado variação das diferentes densidades, freqüências e dominâncias. No Morro do Telégrafo destacaram-se Pseudopiptadenia contorta, Casearia sylvestris, Guapira opposita, Eriotheca pentaphylla, Attalea humilis, Brosimum guianense, Astronium graveolens, Tetraplandra leandri, Rudgea interrupta e Ocotea schotii. Outras 42 espécies apresentaram apenas 1 indíviduo cada, tendo baixos valores de dominância, freqüência e VI. Apenas 5 espécies perfazem 80,4% do VI para o Morro do Telégrafo. No Morrote do Córrego dos Colibris sobressaíram Cupania racemosa, Brosimum guianense, Guapira opposita, Escheweilera compressa, Pera glabrata, Astronium fraxinifolium, Adenocalymma trifoliatum, Myrcia fallax, Nectandra oppositifolia e Astrocaryum aculeatissimum. 11 espécies representam 75,65% de VI. Outras 25 espécies apresentaram 1 indivíduo. Espécies amostradas por único indivíduo poderiam ser consideradas raras por terem baixo recrutamento ou estarem em extinção na área. Porém a presença de espécies pioneiras nesse grupo pode indicar a ocorrência de antigas clareiras (Kurtz & Araujo 2000). É o caso de Trema micrantha, Albizia polycephala e Machaerium hirtum. 194 No Morro do Cordovil as espécies que mais contribuíram foram Guapira opposita, Miconia cinnamomifolia, Cupania racemosa, Tovomita leucantha, Guarea guidonea, Apuleia leiocarpa, Ficus cyclophylla, Rudgea interrupta, Hippocratea volubilis e Strychnos acuta. Nove espécies são responsáveis por 76,4% de VI nessa área. G. opposita têm ocorrência de destaque em todas as áreas, apresentando altos valores de dominância e freqüência com vários indivíduos. Contudo, F. cyclophylla, A. leiocarpa e M. cinnnamomifolia são representadas por poucos indivíduos, mas são árvores de grande porte, o que influenciou nos altos valores de dominância. H. volubilis, foi a única trepadeira enquadrada entre as espécies de maior VI em todas as área estudadas. Em vários inventários fitossociológicos no estado do Rio de Janeiro, G. opposita foi citada entre as dez espécies de maior VI, sendo considerada uma espécie indicadora de floresta de baixada (Guedes-Bruni 1998), o que não é o caso da Serra da Tiririca. Da mesma forma que E. pentaphylla e M. cinnamomifolia são indicadas para floresta de terras baixas. CONCLUSÕES As áreas estudadas representam amostras da vegetação em diferentes estádios sucessionais e apesar de todos os distúrbios que sofreu ao longo dos tempos está se recompondo naturalmente. Isso se deve, em parte, as áreas que escaparam do uso intensivo e permaneceram mais preservadas. Essas áreas funcionaram como matrizes para o intercâmbio de propágulos, ajudando na recuperação da vegetação. As principais famílias quanto a riqueza de espécies são Myrtaceae, Leguminosae, Rubiaceae, Lauraceae e Bignoniaceae, que seguem os padrões de outras áreas amostradas no estado do Rio de Janeiro. Em relação ao VI, a predominância de determinadas famílias depende de farores abióticos locais e graus diferenciados de perturbação. Nas áreas mais preservadas destacaram-se Myrtaceae, Leguminosae e Lauraceae e na mais perturbada Sapindaceae, Moraceae e Bignoniaceae. A reprentatividade das trepadeiras na estrutura da mata ocorre com mais intensidade nas áreas em recuperação mais recente. Nesse sentido, espécies como Adenocalymma trifoliatum, Mansoa lanceolata e Hippocratea volubilis desempenham um importante papel na cicatrização das clareiras. 195 As espécies que se destacaram em relação ao VI mostraram duas estratégias de ocupação do ambiente. A primeira com a presença de muitos indivíduos que dominam o dossel como Cupania racemosa, Pseudopiptadenia contorta, Casearia oblongifolia, Guapira opposita e Brosimum guianense. A segunda com poucos indivíduos de grande porte como Ficus cyclophylla, Apuleia leiocarpa e Miconia cinnamomifolia. O Morro do Cordovil é a área mais preservada, apresentando a maior riqueza de espécies, diversidade e presença de espécies arbóreas secundárias tardias. O Morrote do Córrego dos Colibris representa a área em regeneração mais recente com poucas espécies dominantes, menor diversidade e riqueza de espécies. O Morro do Telégrafo encontra-se em situação intermediária. Sendo assim, a cumeeira do Morro do Telégrafo e o Morro do Cordovil deveriam ser incluídos na zona núcleo do PEST, quando o plano de manejo for elaborado. Agradecimento Agradecemos aos taxonomistas Luiz José Soares Pinto, Genise Somner, Robson Dias, Haroldo C. de Lima, Ângela Vaz, Michel Barros, João Marcelo de A. Braga, Mário Gomes e Elsie F. Guimarães pela identificação e/ou confirmação do material coletado. També a ajuda dada por Naália Coqueiro e Bruno Aquino nos trabalhos de campo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Borém, R.A.T. & Oliveira-Filho, A.T. 2002. 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Jardim Botânico do Rio de Janeiro. p. 75–82. 199 ANEXO Listagem florística das espécies amostradas na análise fitossociológica do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. ST= secundária tardia, SI= secundária inicial, PI= Pioneira, SC= sem classificação. FAMÍLIA ESPÉCIE HÁBITO CATEGORIA COLETORES AMARANTHACEAE ANACARDIACEAE Paffia paniculata (Mart.) Kunth. Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng. Astronium graveolens Jacq. Annona acutifolia Mart. Duguetia sessilis (Vell.) Maas Guatteria nigrescens Mart. Guatteria reflexa R. & Fr. Condylocarpon isthimicum (Vell.) A. DC. Geissospermum laeve (Vell.) Miers Malouetia arborea (Vell.) Miers Dendropanax monogynus (Vell.) Seem. Astrocaryum aculeatissimum Mart. Attalea humilis Mart. ex Spreng. Bactris setosa Mart. Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr. Adenocalymma bracteatum (Cham.) DC. Adenocalymma subsessilifolium DC. Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C. Laroche Anemopaegma chamberlaynii (Sims) Bureau ex K. Schum. Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart. Arrabidaea rego (Vell.) DC. Arrabidaea selloi (Spreng.) Sandwith Clytostoma binatum (Thunb.) Sandwith Jacaranda micrantha Cham. Mansoa lanceolata (DC.) A. Gentry Sparattosperma leucanthum (Vell.) Schum. Stizophyllum perforatum (Cham.) Miers Tynanthus micranthus Correa de Mella ex K. Schum. Ceiba crispiflora (Kunth) Ravena Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns Cordia trichoclada DC. Protium widgrenii Engl. Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A. Berg. Hirtella hebeclada Moric. ex DC. Hirtella triandra Sw. ssp. punctulata (Miq.) G.T. Prance Garcinia gardneriana (Planch. et Triana) Zappi Kielmeyera membranacea Casar. Kielmeyera rizziniana Saddi Tovomita leucantha (Schl.) Planch et Triana Connarus nodosus Baker Ipomoea philomega (Vell.) House Stephanopodium sessile Rizzini Davilla rugosa Poir. Sloanea monosperma Vell. Erythroxylum gaudichaudii Peyr. Erythroxylum magnoliaefolium A. St. Hil. Erythroxylum pulchrum A. St. Hil. Trepadeira Árvore ST A.A.M. de Barros 2659 A.A.M. de Barros 2848 Árvore Arbusto Arbusto Árvore Arbusto Trepadeira ST SI ST - A.A.M. de Barros 3104 A.A.M. de Barros 3000 A.A.M. de Barros 2598 A.A.M. de Barros 3022 A.A.M. de Barros 2735 A.A.M. de Barros 3032 Árvore Árvore Arbusto Árvore Erva acaule Árvore Árvore Trepadeira Arbusto Trepadeira ST SI SI SI PI - A.A.M. de Barros 3037 A.A.M. de Barros 2957 A.A.M. de Barros 2982 A.A.M. de Barros 2561 A.A.M. de Barros 2956 A.A.M. de Barros 2759 A.A.M. de Barros 3096 A.A.M. de Barros 3103 A.A.M. de Barros 2955 Trepadeira - A.A.M. de Barros 3072 Trepadeira Trepadeira Trepadeira Trepadeira Árvore Trepadeira Árvore PI SI A.A.M. de Barros 3121 A.A.M. de Barros 3080 A.A.M. de Barros 2998 A.A.M. de Barros 2981 A.A.M. de Barros 3064 A.A.M. de Barros 2954 A.A.M. de Barros 2862 Trepadeira Trepadeira - A.A.M. de Barros 3093 A.A.M. de Barros 3084 Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto SI SI SI SI - A.A.M. de Barros 2947 A.A.M. de Barros 2921 A.A.M. de Barros 3055 A.A.M. de Barros 3102 A.A.M. de Barros 3143 Árvore Árvore ST ST A.A.M. de Barros 2980 A.A.M. de Barros 2922 Árvore ST A.A.M. de Barros 3112 Árvore Árvore Árvore SI ST SI A.A.M. de Barros 3075 A.A.M. de Barros 2808 A.A.M. de Barros 2979 Trepadeira Trepadeira Arbusto Trepadeira Árvore Árvore Árvore ST SI SI A.A.M. de Barros 2953 A.A.M. de Barros 2978 A.A.M. de Barros 3011 A.A.M. de Barros 3144 A.A.M. de Barros 3010 A.A.M. de Barros 3119 A.A.M. de Barros 3076 Arvore SI A.A.M. de Barros 3056 ANNONACEAE APOCYNACEAE ARALIACEAE ARECACEAE ASTERACEAE BIGNONIACEAE BOMBACACEAE BORAGINACEAE BURSERACEAE CACTACEAE CHRYSOBALANACEAE CLUSIACEAE CONNARACEAE CONVOLVULACEAE DICHAPETALACEAE DILLENIACEAE ELAEOCARPACEAE ERYTHROXYLACEAE 200 EUPHORBIACEAE FLACOURTIACEAE HIPPOCRATEACEAE ICACINACEAE LACISTEMATACEAE LAURACEAE LECYTHIDACEAE LEGUMINOSAE Actinostemon concolor (Spreng.) Müll. Arg. Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax Alchornea glandulosa Algernonia brasiliensis Baill. Joannesia princeps Vell. Pachystroma longifolium (Nees.) I.M. Johnt. Pera glabrata (Schott) Baill. Pera leandri Baill. Sebastiania gaudichaudii Müll. Arg. Sebastiania nervosa (Müll.) Arg. Müll. Arg. Tetraplandra leandri Baill. Casearia commersoniana Camb. Casearia oblongifolia Camb. Casearia sylvestris Sw. Prockia crucis P. Browne ex L. Hippocratea volubilis L. Citronella paniculata (Mart.) R.A. Howard Leretia cordata Vell. Lacistema serrulatum Mart. Aniba firmula (Nees & Mart.) Mez Cryptocarya moschota Nees et Mart. ex Nees Cryptocarya saligna Mez Endlicheria glometata Mez Nectandra oppositifolia Nees Ocotea aniboides Miq. Ocotea daphnifolia (Meiss.) Mez Ocotea diospyrifolia (Miesn.) Mez Ocotea elegans Mez Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer Ocotea schotii (Miesn.) Mez Phyllostemonodaphne geminiflora (Mez) Kosterm. Urbanodendron bahiensis (Meiss.) Rohwer Urbanodendron verrucosum (Nees) Mez Couratari pyramidata (Vell.) Knuth Escheweilera compressa (Vell.) Miers Albizia polycephala (Benth.) Killip. Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan Apuleia leiocarpa J.F. Macbr. Bauhinia microstachya (Raddi) Macbr. Dalbergia frutescens (Vell.) Britton Diplotropis incexis Rizzini & A. Mattos Exostyles venusta Schott Inga capitata Desv. Inga lenticellata Benth. Machaerium aculeatum Raddi Machaerium hirtum (Vell.) Stellf. Machaerium incorruptibile (Vell.) Fr. All. ex Benth. Machaerium oblongifolium Vogel Ormosia arborea (Vell.) Harms Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr. Piptadenia paniculata Benth. Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P. Lewis & M. Pires Pseudopiptadenia inaequalis (Benth.) Rauschert Pseudopiptadenia schumanniana (Taub.) Lewis & M. Lima Pterogyne nitens Tul. Arbusto - A.A.M. de Barros 2680 Arbusto Arvore Árvore Árvore Árvore ST ST PI ST A.A.M. de Barros 2709 A.A.M. de Barros 3145 A.A.M. de Barros 2715 A.A.M. de Barros 2997 A.A.M. de Barros Árvore Árvore Arbusto Arbusto ST PI - A.A.M. de Barros 3021 A.A.M. de Barros 3146 A.A.M. de Barros 2597 A.A.M. de Barros 2996 Árvore Arbusto Árvore Árvore Arbusto Trepadeira Arbusto SI SI PI - A.A.M. de Barros 2560 A.A.M. de Barros 2872 A.A.M. de Barros 3145 A.A.M. de Barros 3068 A.A.M. de Barros 3070 A.A.M. de Barros 2923 A.A.M. de Barros 2977 Arbusto /Trepadeira Árvore Árvore Árvore - A.A.M. de Barros 3041 SI SI ST A.A.M. de Barros 3047 A.A.M. de Barros 3042 A.A.M. de Barros 3019 Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore ST SI SI ST ST ST ST ST ST ST A.A.M. de Barros 3052 A.A.M. de Barros 2839 A.A.M. de Barros 3069 A.A.M. de Barros 2992 A.A.M. de Barros 2924 A.A.M. de Barros 3095 A.A.M. de Barros 2925 A.A.M. de Barros 3038 A.A.M. de Barros 2976 A.A.M. de Barros 3009 Árvore ST A.A.M. de Barros 3059 Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Trepadeira Trepadeira Trepadeira Árvore Árvore Árvore Trepadeira Árvore Árvore ST ST SI PI PI SI SI ST ST PI SI A.A.M. de Barros 2964 A.A.M. de Barros 2926 A.A.M. de Barros 2730 A.A.M. de Barros 3114 A.A.M. de Barros 2603 A.A.M. de Barros 2836 A.A.M. de Barros 3115 A.A.M. de Barros 3146 A.A.M. de Barros 2974 A.A.M. de Barros 2995 A.A.M. de Barros 2962 A.A.M. de Barros 3053 A.A.M. de Barros 3100 A.A.M. de Barros 3078 A.A.M. de Barros 3033 Trepadeira Árvore Árvore Árvore Árvore ST PI SI SI A.A.M. de Barros 3090 A.A.M. de Barros 3099 A.A.M. de Barros 3109 A.A.M. de Barros 3091 A.A.M. de Barros 2961 Árvore ST A.A.M. de Barros 3101 Árvore ST A.A.M. de Barros 3048 Árvore PI A.A.M. de Barros 2964 201 LOGANIACEAE MALPIGHIACEAE MALVACEAE MELASTOMATACEAE MELIACEAE MENISPERMACEAE MONIMIACEAE MORACEAE MYRISTICACEAE MYRTACEAE Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger Swartzia apetala Raddi var. apetala Swartzia simplex (Sw.) Spreng. var. grandiflora Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev Strychnos acuta Prog. Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates Bunchosia maritima (Vell.) Macbride Byrsonima laxifolia Griseb. Heteropterys leschenaultiana A. Juss. Abutilon sp. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naud. Miconia staminea DC. Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. Cabralea canjerana (Vell.) Mart. ssp. canjerana Guarea guidonia (L.) Sleumer Guarea kunthiana A. Juss. Guarea macrophylla subsp. tuberculata (Vell.) T.D. Penn. Trichilia elegans A. Juss. subsp. richardiana (A. Juss.) T. D. Penn. Trichilia martiana C. DC. Abutua convexa (Vell.) Diels. Chondrodendron patiphyllum (A. St. Hil.) Miers Hyperbaena oblongifolia (Mart.) Chodat Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins Mollinedia longifolia Tulasne Brosimum guianense Huber ex Ducke Clarisia ilicifolia (Spreng.) Lanjouw & Rossberg Ficus adhatifolia Schott Ficus cyclophylla Miquel Pseudomedia hirtula Kuhlmann Sorocea hilarii Gaudich. Virola gardnerii (A. DC.) Warb. Calyptranthes grandifolia O. Berg Calyptranthes lucida Mart. ex DC. Campomanesia laurifolia Gardn. Eugenia bahiensis DC. Eugenia bunchosiifolia Nied. Eugenia exelsa O. Berg Eugenia flamingensis O. Berg Eugenia florida DC. Eugenia marambaiensis M.C. Souza et M.P. Morim Eugenia microcarpa O. Berg Eugenia monosperma Vell. Eugenia prasina O. Berg Eugenia rostrata O. Berg. Eugenia tinguyensis Camb. Eugenia villae-novae Kiaersk. Eugenia sp. Marlierea glazioviana Kiaersk. Marlieria sylvatica (Gardner) Kiaersk. Myrcia dilucida G.M. Barroso Myrcia fallax (Richard) DC. Myrcia richardiana O. Berg Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg Myrciaria guaquiea (Kiaersk.) Mattos & D. Legrand Myrciaria sp. Plinia ilhensis G.M. Barroso Trepadeira - A.A.M. de Barros 3043 Árvore Árvore ST ST A.A.M. de Barros 3094 A.A.M. de Barros 3006 Árvore Arbusto Trepadeira ST - A.A.M. de Barros 3020 A.A.M. de Barros 2960 A.A.M. de Barros 3147 Arbusto Árvore Trepadeira Árvore Árvore Árvore SI SC PI PI A.A.M. de Barros 2991 A.A.M. de Barros 3065 A.A.M. de Barros 2990 A.A.M. de Barros 2595 A.A.M. de Barros 3049 Árvore Árvore PI SI A.A.M. de Barros 3111 A.A.M. de Barros 2973 Árvore Árvore Árvore ST ST ST A.A.M. de Barros 2903 A.A.M. de Barros 3134 A.A.M. de Barros 2816 Árvore ST A.A.M. de Barros 2959 Árvore Trepadeira Trepadeira ST - A.A.M. de Barros 3039 A.A.M. de Barros 3106 A.A.M. de Barros 2958 Trepadeira Arbusto Árvore Árvore Árvore ST ST ST A.A.M. de Barros 3007 A.A.M. de Barros 3054 A.A.M. de Barros 3045 A.A.M. de Barros 2928 A.A.M. de Barros 2989 Árvore Árvore Árvore Arbusto Arbusto Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore ST ST ST SI ST ST ST ST ST ST ST ST ST A.A.M. de Barros 3040 A.A.M. de Barros 2795 A.A.M. de Barros 2929 A.A.M. de Barros 2930 A.A.M. de Barros 3016 A.A.M. de Barros 3141 A.A.M. de Barros 3140 A.A.M. de Barros 3015 A.A.M. de Barros 2930 A.A.M. de Barros 3062 A.A.M. de Barros 2967 A.A.M. de Barros 3030 A.A.M. de Barros 3031 A.A.M. de Barros 2932 Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore ST ST ST ST ST ST SC ST ST ST PI ST ST A.A.M. de Barros 3029 A.A.M. de Barros 3148 A.A.M. de Barros 3026 A.A.M. de Barros 2972 A.A.M. de Barros 3014 A.A.M. de Barros 3024 A.A.M. de Barros 3060 A.A.M. de Barros 3027 A.A.M. de Barros 3061 A.A.M. de Barros 3149 A.A.M. de Barros 3028 A.A.M. de Barros 3008 Árvore ST A.A.M. de Barros 2814 Árvore Árvore SC ST A.A.M. de Barros 3025 202 NYCTAGINACEAE OCHNACEAE OLACACEAE PIPERACEAE POLYGONACEAE PROTEACEAE RUBIACEAE RUTACEAE SAPINDACEAE SAPOTACEAE SIMAROUBACEAE THEOPHRASTACEAE TILIACEAE TRIGONIACEAE ULMACEAE VIOLACEAE INDETERMINADA Psidium cattleianum Sabine Bougaivillea spectabilis Willd. Guapira opposita (Vell.) Reitz Ouratea olivaeformis (A. St. Hil.) Engl. Ouratea parviflora (DC.) Baill. Heisteria perianthomega (Vell.) Sleumer Piper arboreum Aubl. var. arboreum Ruprechtia lundii Meisner Roupala montana Aubl.var. paraensis (Sleumer) K.S. Edwards Chomelia brasiliana A. Rich. Coussarea accedens Müll. Arg. Coussarea nodosa (Benth.) Müll. Arg. Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schum. Faramea coerulea (Nees & Mart.) DC. Faramea stipulacea (Cham. & Schltdl.) DC. Genipa americana L. Ixora gardneriana Benth. Posoqueria acutifolia Mart. Psychotria carthagenensis Jacq. Psychotria leiocarpa Cham. et Schltdl. Psychotria nitidula Cham. & Schltdl. Psychotria tenuinervis Müll. Arg. Psychotria umbellurigera (Müll. Arg.) Standl. Randia armata (Sw.) DC. Rudgea coriacea (Spreng.) K. Schum. Rudgea interrupta Benth. Rudgea recurva Müll. Arg. Simira viridiflora (Allem. et Saldanha) Steyerm Tocoyena sellowiana (Cham. & Schltdl.) K. Schum. Conchocarpus fontanesianus (A. St. Hil.) Kallini & Pirani Conchocarpus ovatus (A. St. Hil. & Tul.) Kallunki & Pirani Galipea jasminiflora (A. St. Hil.) Engl. Zanthoxylum rhoifolium Lam. Allophylus edulis (A. St. Hil.) Radlk. Cupania oblongifolia Radlk. Cupania racemosa (Vell.) Radlk. Matayba guianensis Aubl. Paullinia fusiformis Radlk. Paullinia micrantha Camb. Paullinia racemosa Wawra Serjania clematidifolia Camb. Talisia coriacea Radlk. Urvillea glabra Camb. Chrysophyllum flexuosum Mart. Chrysophyllum lucentifolium Cronquist Ecclinusa ramiflora Mart. Pouteria filipes Eyma Pouteria guianensis Aubl. Pradosia lactescens Vell. Simaba floribunda Rizzini Clavija spinosa (Vell.) Mez Luechea paniculata Mart. Trigonia nivea Camb. Trigonia villosa Vell. Celtis iguanaea (Jacq.) Sarg. Trema micrantha (L.) Blume Amphirrhox longifolia (A. St. Hil.) Spreng. Rinorea guianensis Aubl. Indetermina sp. 1 Árvore Trepadeira Árvore Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Árvore SI SI SI SI A.A.M. de Barros 2832 A.A.M. de Barros 3150 A.A.M. de Barros 2971 A.A.M. de Barros 3066 A.A.M. de Barros 3005 A.A.M. de Barros 2066 A.A.M. de Barros 3151 A.A.M. de Barros 3113 A.A.M. de Barros 3067 Arbusto Arbusto Arbusto Árvore Arbusto Arbusto ST - A.A.M. de Barros 3050 A.A.M. de Barros 3004 A.A.M. de Barros2592 A.A.M. de Barros 3152 A.A.M. de Barros 2970 A.A.M. de Barros 2809 Árvore Árvore Árvore Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto ST ST ST - A.A.M. de Barros 3153 A.A.M. de Barros 2933 A.A.M. de Barros 2988 A.A.M. de Barros 3003 A.A.M. de Barros 2627 A.A.M. de Barros 2934 A.A.M. de Barros 2935 A.A.M. de Barros 2813 Arbusto Arbusto Arbusto Arbusto Árvore ST A.A.M. de Barros 2714 A.A.M. de Barros 3073 A.A.M. de Barros 2801 A.A.M. de Barros 2987 A.A.M. de Barros 2986 Árvore ST A.A.M. de Barros 2693 Arbusto - A.A.M. de Barros 3058 Arbusto - A.A.M. de Barros 3035 Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Trepadeira Trepadeira Trepadeira Trepadeira Árvore Trepadeira Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Árvore Arbusto Árvore Trepadeira Trepadeira Árvore Árvore Arbusto ST PI SI SI SI SI SI ST ST ST ST ST ST ST PI PI PI - A.A.M. de Barros 3002 A.A.M. de Barros 2969 A.A.M. de Barros 3098 A.A.M. de Barros 3074 A.A.M. de Barros 2984 A.A.M. de Barros 3154 A.A.M. de Barros 3051 A.A.M. de Barros 2983 A.A.M. de Barros 3117 A.A.M. de Barros 3107 A.A.M. de Barros 2936 A.A.M. de Barros 3046 A.A.M. de Barros 2937 A.A.M. de Barros 2545 A.A.M. de Barros 2773 A.A.M. de Barros 3013 A.A.M. de Barros 3012 A.A.M. de Barros 3001 A.A.M. de Barros 3036 A.A.M. de Barros 3156 A.A.M. de Barros 3044 A.A.M. de Barros 3157 A.A.M. de Barros 3081 A.A.M. de Barros 3080 A.A.M. de Barros 3158 A.A.M. de Barros 3097 Arbusto Árvore SC A.A.M. de Barros 3124 - 203 Tabelas dos inventários fitossociógicos nas 3 áreas amostradas no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. Descritores fitossociológicos de espécies arbóreas e trepadeiras com DAP ≥ 2,5 cm amostradas em transecto de 0,1 ha no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Morro do Telégrafo, Barreira, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, apresentados em ordem decrescente de valor de importância (VI). N = número de indivíduos, P = número de parcelas com ocorrência da espécie. DR = densidade relativa (%), DoR = dominância relativa (%), FR = freqüência relativa (%). ESPÉCIES FAMÍLIA N P DR DoR FR VI 1. Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P. Lewis & M. Pires 2. Casearia sylvestris Sw. LEGUMINOSAE 23 5 4,55 14,64 1,89 21,07 FLACOURTIACEAE 13 4 2,57 16,61 1,51 20,69 3. Guapira opposita (Vell.) Reitz NYCTAGINACEAE 24 7 4,74 8,35 2,64 15,74 4. Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns 5. Attalea humilis Mart. ex Spreng. BOMBACACEAE 17 4 3,36 8,26 1,51 13,13 ARECACEAE 26 8 5,14 1,64 3,02 9,80 24 6 4,74 1,37 2,26 8,38 6. Brosimum guianense Huber ex Ducke MORACEAE 7. Astronium graveolens Jacq. ANACARDIACEAE 17 7 3,36 1,78 2,64 7,78 8. Tetraplandra leandri Baill. EUPHORBIACEAE 20 3 3,95 1,92 1,13 7,00 9. Rudgea interrupta Benth. RUBIACEAE 16 5 3,16 1,93 1,89 6,98 10. Ocotea schotii (Miesn.) Mez LAURACEAE 10 6 1,98 2,55 2,26 6,79 11. Myrcia fallax (Richard) DC. MYRTACEAE 13 5 2,57 2,16 1,89 6,61 12. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naud. 13. Escheweilera compressa (Vell.) Miers 14. Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C. Laroche 15. Matayba guianensis Aubl. MELASTOMATACEAE 12 2 2,37 3,21 0,75 6,34 LECYTHIDACEAE 7 5 1,38 2,39 1,89 5,67 BIGNONIACEAE 13 7 2,57 0,24 2,64 5,45 SAPINDACEAE 6 5 1,19 2,28 1,89 5,35 16. Paullinia micrantha Camb. SAPINDACEAE 13 6 2,57 0,38 2,26 5,21 17. Amphirrhox longifolia (A. St. Hil.) Spreng. 18. Psychotria leiocarpa Cham. et Schltdl. 19. Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn. VIOLACEAE 12 5 2,37 0,67 1,89 4,93 RUBIACEAE 13 4 2,57 0,29 1,51 4,36 MELASTOMATACEAE 7 3 1,38 1,79 1,13 4,31 20. Faramea stipulacea (Cham. & Schltdl.) DC. 21. Psychotria tenuinervis Müll. Arg. 22. Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr. 23. Guarea macrophylla subsp. tuberculata (Vell.) T.D. Penn. 24. Pterogyne nitens Tul. RUBIACEAE 7 5 1,38 0,98 1,89 4,25 RUBIACEAE LEGUMINOSAE 9 6 5 3 1,78 1,19 0,19 1,48 1,89 1,13 3,85 3,80 MELIACEAE 5 5 0,99 0,89 1,89 3,77 LEGUMINOSAE 7 5 1,38 0,39 1,89 3,66 25. Exostyles venusta Schott LEGUMINOSAE 5 4 0,99 0,55 1,51 3,04 26. Ocotea diospyrifolia (Miesn.) Mez LAURACEAE 1 1 0,20 2,31 0,38 2,89 27. Astrocaryum aculeatissimum Mart. ARECACEAE 5 3 0,99 0,75 1,13 2,87 28. Ixora gardneriana Benth. RUBIACEAE 6 4 1,19 0,12 1,51 2,81 29. Bactris setosa Mart. ARECACEAE 7 3 1,38 0,21 1,13 2,73 30. Roupala montana Aubl.var. paraensis (Sleumer) K.S. Edwards 31. Machaerium aculeatum Raddi PROTEACEAE 3 3 0,59 0,94 1,13 2,67 LEGUMINOSAE 5 4 0,99 0,10 1,51 2,59 32. Hirtella triandra Sw. ssp. punctulata (Miq.) G.T. Prance 33. Protium widgrenii Engl. CHRYSOBALANACEAE 3 3 0,59 0,69 1,13 2,42 BURSERACEAE 2 1 0,40 1,63 0,38 2,40 204 34. Sparattosperma leucanthum (Vell.) Schum. 35. Malouetia arborea (Vell.) Miers BIGNONIACEAE 2 1 0,40 1,50 0,38 2,27 APOCYNACEAE 4 3 0,79 0,30 1,13 2,22 36. Stizophyllum perforatum (Cham.) Miers 37. Ruprechtia lundii Meisner BIGNONIACEAE 5 3 0,99 0,08 1,13 2,20 POLYGONACEAE 4 1 0,79 0,93 0,38 2,10 38. Ormosia arborea (Vell.) Harms LEGUMINOSAE 1 1 0,20 1,52 0,38 2,09 39. Couratari pyramidata (Vell.) Knuth LECYTHIDACEAE 5 2 0,99 0,33 0,75 2,07 40. Allophylus edulis (A. St. Hil.) Radlk. 41. Algernonia brasiliensis Baill. SAPINDACEAE 4 3 0,79 0,15 1,13 2,07 EUPHORBIACEAE 5 2 0,99 0,30 0,75 2,05 42. Cupania racemosa (Vell.) Radlk. SAPINDACEAE 3 3 0,59 0,30 1,13 2,03 43. Sorocea hilarii Gaudich. MORACEAE 4 3 0,79 0,10 1,13 2,02 44. Machaerium oblongifolium Vogel LEGUMINOSAE 4 3 0,79 0,08 1,13 2,00 45. Pseudomedia hirtula Kuhlmann MORACEAE 3 3 0,59 0,27 1,13 2,00 46. Eugenia marambaiensis M.C. Souza MYRTACEAE et M.P. Morim ANNONACEAE 47. Guatteria nigrescens Mart. 2 2 0,40 0,84 0,75 1,99 3 3 0,59 0,21 1,13 1,94 48. Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev LEGUMINOSAE 3 3 0,59 0,11 1,13 1,83 49. Geissospermum laeve (Vell.) Miers APOCYNACEAE 2 2 0,40 0,59 0,75 1,74 50. Actinostemon klotzschii (Didr.) EUPHORBIACEAE 4 2 0,79 0,17 0,75 1,72 51. Chrysophyllum flexuosum Mart. SAPOTACEAE 4 2 0,79 0,11 0,75 1,66 52. Cryptocarya moschota Nees et Mart. ex Ness 53. Paullinia racemosa Wawra LAURACEAE 2 2 0,40 0,34 0,75 1,49 SAPINDACEAE 5 1 0,99 0,11 0,38 1,48 54. Posoqueria acutifolia Mart. RUBIACEAE 3 2 0,59 0,11 0,75 1,46 55. Chrysophyllum lucentifolium Cronquist 56. Ocotea elegans Mez SAPOTACEAE 3 1 0,59 0,43 0,38 1,40 LAURACEAE 2 2 0,40 0,24 0,75 1,39 57. Zanthoxylum rhoifolium Lam. RUTACEAE 2 1 0,40 0,59 0,38 1,36 58. Piptadenia paniculata Benth. LEGUMINOSAE 2 2 0,40 0,17 0,75 1,32 59. Talisia coriacea Radlk. SAPINDACEAE 2 2 0,40 0,14 0,75 1,29 60. Tocoyena sellowiana (Cham. & Schltdl.) K. Schum. 61. Trichilia martiana C. DC. RUBIACEAE 1 1 0,20 0,67 0,38 1,25 MELIACEAE 2 2 0,40 0,08 0,75 1,23 62. Eugenia tinguyensis Camb. MYRTACEAE 2 2 0,40 0,07 0,75 1,22 63. Strychnos acuta Prog. LOGANIACEAE 2 2 0,40 0,07 0,75 1,22 2 2 0,40 0,05 0,75 1,20 Pax 64. Adenocalymma subsessilifolium DC. BIGNONIACEAE 65. Leretia cordata Vell. ICACINACEAE 2 2 0,40 0,04 0,75 1,19 66. Ouratea parviflora (DC.) Baill. OCHNACEAE 2 2 0,40 0,04 0,75 1,19 67. Hippocratea volubilis L. HIPPOCRATEACEAE 2 2 0,40 0,04 0,75 1,19 68. Coussarea nodosa (Benth.) Müll. Arg. 69. Trichilia elegans A. Juss. subsp. richardiana (A. Juss.) T. D. Penn. 70. Psychotria carthagenensis Jacq. RUBIACEAE 2 2 0,40 0,03 0,75 1,18 MELIACEAE 2 2 0,40 0,03 0,75 1,18 RUBIACEAE 2 2 0,40 0,03 0,75 1,18 71. Sebastiania gaudichaudii Müll. Arg. EUPHORBIACEAE 1 1 0,20 0,59 0,38 1,17 72. Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr. ASTERACEAE 1 1 0,20 0,57 0,38 1,15 73. Apuleia leiocarpa (Vogel) Macbr. LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,51 0,38 1,08 74. Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng. ANACARDIACEAE 1 1 0,20 0,48 0,38 1,06 205 75. Sloanea monosperma Vell. ELAEOCARPACEAE 1 1 0,20 0,48 0,38 1,06 76. Adenocalymma bracteatum (Cham.) DC. 77. Genipa americana L. BIGNONIACEAE 3 1 0,59 0,03 0,38 1,00 RUBIACEAE 1 1 0,20 0,31 0,38 0,88 78. Connarus nodosus Baker CONNARACEAE 1 1 0,20 0,28 0,38 0,86 79. Eugenia exelsa O. Berg MYRTACEAE 1 1 0,20 0,23 0,38 0,81 80. Coussarea accedens Müll. Arg. RUBIACEAE 1 1 0,20 0,16 0,38 0,73 81. Garcinia gardneriana (Planch. et Triana) Zappi 82. Inga capitata Desv. CLUSIACEAE 1 1 0,20 0,15 0,38 0,72 LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,10 0,38 0,68 83. Cupania oblongifolia Radlk. SAPINDACEAE 1 1 0,20 0,10 0,38 0,68 84. Eugenia bahiensis DC. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,10 0,38 0,67 85. Citronella paniculata (Mart.) R.A. Howard 86. Calyptranthes grandifolia O. Berg ICACINACEAE 1 1 0,20 0,09 0,38 0,67 MYRTACEAE 1 1 0,20 0,08 0,38 0,66 87. Bauhinia microstachya (Raddi) Macbr. 88. Rinorea guianensis Aubl. LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,08 0,38 0,65 VIOLACEAE 1 1 0,20 0,07 0,38 0,65 89. Heisteria perianthomega (Vell.) Sleumer 90. Eugenia umbrosa O. Berg OLACACEAE 1 1 0,20 0,07 0,38 0,64 MYRTACEAE 1 1 0,20 0,06 0,38 0,64 91. Abutua convexa (Vell.) Diels MENISPERMACEAE 1 1 0,20 0,05 0,38 0,63 92. Pradosia lactescens Vell. SAPOTACEAE 1 1 0,20 0,05 0,38 0,63 93. Cabralea canjerana (Vell.) Mart. ssp. canjerana 94. Machaerium incorruptibile (Vell.) Fr. All. ex Benth. 95. Duguetia sessilis (Vell.) Maas MELIACEAE 1 1 0,20 0,05 0,38 0,63 LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,05 0,38 0,62 ANNONACEAE 1 1 0,20 0,03 0,38 0,61 96. Eugenia microcarpa O. Berg. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,03 0,38 0,61 97. Bunchosia maritima (Vell.) Macbride 98. Pseudopiptadenia inaequalis (Benth.) Rauschert 99. Swartzia apetala Raddi var. apetala MALPIGHIACEAE 1 1 0,20 0,03 0,38 0,60 LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,03 0,38 0,60 LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,02 0,38 0,60 100. Pera glabrata (Schott) Baill. EUPHORBIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,38 0,60 101. Psychotria nitidula Cham. & Schltdl. 102. Casearia commersoniana Camb. RUBIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,38 0,60 FLACOURTIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,38 0,60 103. Randia armata (Sw.) DC. RUBIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,38 0,59 104. Davilla rugosa Poir. DILLENIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,38 0,59 105. Erythroxyllum gaudichaudii Peyr. ERYTHROXYLACEAE 1 1 0,20 0,02 0,38 0,59 106. Mansoa lanceolata (DC.) A. Gentry 107. Pfaffia paniculata (Mart.) Kunth. BIGNONIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,38 0,59 AMARANTHACEAE 1 1 0,20 0,01 0,38 0,59 108. Clarisia ilicifolia (Spreng.) Lanjouw & Rossberg 109. Anemopaegma chamberlaynii (Sims) Bureau ex K. Schum. 110. Bougainvillea spectabilis Willd. MORACEAE 1 1 0,20 0,01 0,38 0,59 BIGNONIACEAE 1 1 0,20 0,01 0,38 0,59 NYCTAGINACEAE 1 1 0,20 0,01 0,38 0,59 111. Lacistema serrulatum Mart. LACISTEMATACEAE 1 1 0,20 0,01 0,38 0,59 112. Virola gardnerii (A. DC.) Warb. MYRISTICACEAE 1 1 0,20 0,01 0,38 0,59 113. Urbanodendron verrucosum (Nees) Mez LAURACEAE 1 1 0,20 0,01 0,38 0,59 206 Descritores fitossociológicos de espécies arbóreas e trepadeiras com DAP ≥ 2,5 cm amostradas em transecto de 0,1 ha no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Morrote do Córrego dos Colibris, município de Niterói, Rio de Janeiro, apresentados em ordem decrescente de valor de importância (VI). N = número de indivíduos, P = número de parcelas com ocorrência da espécie. DR = densidade relativa (%), DoR = dominância relativa (%), FR = freqüência relativa (%). ESPÉCIES FAMÍLIA N P DR DoR FR VI 1. Cupania racemosa (Vell.) Radlk. SAPINDACEAE 72 8 16,48 15,37 5,16 37,00 2. Brosimum guianense Huber ex Ducke MORACEAE 71 9 16,25 12,03 5,81 34,08 3. Guapira opposita (Vell.) Reitz NYCTAGINACEAE 29 9 6,64 16,49 5,81 28,93 4. Escheweilera compressa (Vell.) Miers LECYTHIDACEAE 31 5 7,09 4,60 3,23 14,92 5. Pera glabrata (Schott) Baill. EUPHORBIACEAE 11 7 2,52 4,96 4,52 11,99 6. Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng. 7. Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C. Laroche 8. Myrcia fallax (Richard) DC. ANACARDIACEAE 10 5 2,29 5,71 3,23 11,23 BIGNONIACEAE 23 8 5,26 0,75 5,16 11,18 MYRTACEAE 15 7 3,43 1,53 4,52 9,48 9. Nectandra oppositifolia Nees LAURACEAE 10 4 2,29 4,32 2,58 9,19 10. Astrocaryum aculeatissimum Mart. ARECACEAE 12 5 2,75 3,15 3,23 9,12 11. Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P. Lewis & M. Pires 12. Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan 13. Mansoa lanceolata (DC.) A. Gentry LEGUMINOSAE 2 2 0,46 4,92 1,29 6,67 LEGUMINOSAE 4 3 0,92 3,51 1,94 6,37 BIGNONIACEAE 15 3 3,43 0,62 1,94 5,99 14. Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr. ASTERACEAE 3 2 0,69 3,10 1,29 5,07 15. Abutua convexa (Vell.) Diels. MENISPERMACEAE 11 3 2,52 0,38 1,94 4,84 16. Joannesia princeps Vell. EUPHORBIACEAE 2 2 0,46 2,97 1,29 4,72 17. Machaerium incorruptibile (Vell.) Fr. All. ex Benth. 18. Rudgea coriacea (Spreng.) K. Schum. LEGUMINOSAE 7 3 1,60 1,11 1,94 4,64 RUBIACEAE 8 4 1,83 0,17 2,58 4,58 19. Sorocea hilarii Gaudich. MORACEAE 5 4 1,14 0,58 2,58 4,30 20. Casearia sylvestris Sw. FLACOURTIACEAE 5 3 1,14 0,97 1,94 4,05 21. Roupala montana Aubl.var. paraensis (Sleumer) K.S. Edwards 22. Sparattosperma leucanthum (Vell.) Schum. 23. Rudgea interrupta Benth. PROTEACEAE 5 3 1,14 0,84 1,94 3,91 BIGNONIACEAE 3 2 0,69 1,75 1,29 3,73 RUBIACEAE 6 3 1,37 0,13 1,94 3,44 24. Hyperbaena oblongifolia (Mart.) Chodat 25. Celtis iguanaea (Jacq.) Sarg. MENISPERMACEAE 5 3 1,14 0,14 1,94 3,22 ULMACEAE 2 2 0,46 1,27 1,29 3,02 26. Machaerium aculeatum Raddi LEGUMINOSAE 4 3 0,92 0,10 1,94 2,95 27. Matayba guianensis Aubl. SAPINDACEAE 4 2 0,92 0,43 1,29 2,64 28. Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schum. RUBIACEAE 1 1 0,23 1,74 0,65 2,61 29. Arrabidaea rego (Vell.) DC. BIGNONIACEAE 5 2 1,14 0,11 1,29 2,55 30. Malouetia arborea (Vell.) Miers APOCYNACEAE 4 2 0,92 0,26 1,29 2,46 31. Byrsonima laxifolia Griseb. MALPIGHIACEAE 2 1 0,46 1,19 0,65 2,29 32. Trigonia villosa Vell. TRIGONIACEAE 5 1 1,14 0,36 0,65 2,15 33. Casearia commersoniana Camb. FLACOURTIACEAE 5 1 1,14 0,27 0,65 2,06 3 2 0,69 0,05 1,29 2,02 34. Ouratea olivaeformis (A. St. Hil.) Engl. OCHNACEAE 35. Serjania clematidifolia Camb. SAPINDACEAE 2 2 0,46 0,11 1,29 1,86 36. Psychotria nitidula Cham. & Schltdl. RUBIACEAE 1 1 0,23 0,94 0,65 1,81 207 37. Prockia crucis P. Browne ex L. FLACOURTIACEAE 3 1 0,69 0,29 0,65 1,62 38. Chondrodendron platiphyllum (A. St. Hil.) Miers 39. Jacaranda micrantha Cham. MENISPERMACEAE 1 1 0,23 0,51 0,65 1,39 BIGNONIACEAE 2 1 0,46 0,25 0,65 1,35 40. Indeterminada sp 1 INDETERMINADA 1 1 0,23 0,36 0,65 1,24 41. Pera leandri Baill. EUPHORBIACEAE 2 1 0,46 0,13 0,65 1,24 42. Exostyles venusta Schott LEGUMINOSAE 2 1 0,46 0,08 0,65 1,19 43. Ouratea parviflora (DC.) Baill. OCHNACEAE 2 1 0,46 0,07 0,65 1,17 44. Rinorea guianensis Aubl. VIOLACEAE 1 1 0,23 0,21 0,65 1,08 45. Annona acutifolia Mart. ANNONACEAE 1 1 0,23 0,21 0,65 1,08 46. Machaerium hirtum (Vell.) Stellf. LEGUMINOSAE 1 1 0,23 0,17 0,65 1,05 47. Cupania oblongifolia Radlk. SAPINDACEAE 1 1 0,23 0,09 0,65 0,97 48. Casearia oblongifolia Camb. FLACOURTIACEAE 1 1 0,23 0,09 0,65 0,97 49. Erythroxylum magnoliaefolium A. St. Hil. 50. Bactris setosa Mart. ERYTHROXYLACEAE 1 1 0,23 0,08 0,65 0,96 ARECACEAE 1 1 0,23 0,06 0,65 0,94 51. Trema micrantha (L.) Blume ULMACEAE 1 1 0,23 0,06 0,65 0,94 52. Albizia polycephala (Benth.) Killip. LEGUMINOSAE 1 1 0,23 0,05 0,65 0,93 53. Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax EUPHORBIACEAE 1 1 0,23 0,04 0,65 0,92 54. Miconia staminea DC. MELASTOMATACEAE 1 1 0,23 0,04 0,65 0,92 55. Chrysophyllum flexuosum Mart. SAPOTACEAE 1 1 0,23 0,04 0,65 0,92 56. Guatteria reflexa R. & Fr. ANNONACEAE 1 1 0,23 0,04 0,65 0,91 57. Eugenia florida DC. MYRTACEAE 1 1 0,23 0,03 0,65 0,90 58. Lacistema serrulatum Mart. LACISTEMACEAE 1 1 0,23 0,03 0,65 0,90 59. Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates 60. Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart. MALPIGHIACEAE 1 1 0,23 0,02 0,65 0,89 BIGNONIACEAE 1 1 0,23 0,02 0,65 0,89 61. Actinostemon concolor (Spreng.) Müll. Arg. 62. Kielmeyera membranacea Casar. EUPHORBIACEAE 1 1 0,23 0,02 0,65 0,89 CLUSIACEAE 1 1 0,23 0,02 0,65 0,89 63. Anemopaegma chamberlaynii (Sims) Bureau ex K. Schum. 64. Adenocalymma bracteatum (Cham.) DC. BIGNONIACEAE 1 1 0,23 0,01 0,65 0,89 BIGNONIACEAE 1 1 0,23 0,01 0,65 0,89 208 Descritores fitossociológicos de espécies arbóreas e trepadeiras com DAP ≥ 2,5 cm amostradas em transecto de 0,1 ha no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Morro do Cordovil, Vale das Borboletas, município de Niterói, Rio de Janeiro, apresentados em ordem decrescente de valor de importância (VI). N = número de indivíduos, P = número de parcelas com ocorrência da espécie. DR = densidade relativa (%), DoR = dominância relativa (%), FR = freqüência relativa (%). ESPÉCIES FAMÍLIA N P DR DoR FR VI 15 7 2,96 11,33 2,22 16,50 1. Guapira opposita (Vell.) Reitz NYCTAGINACEAE 2. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naud. MELASTOMATACEAE 5 3 0,99 9,61 0,95 11,55 3. Cupania racemosa (Vell.) Radlk. SAPINDACEAE 10 5 1,98 4,66 1,58 8,22 4. Tovomita leucantha (Schl.) Planch et Triana 5. Guarea guidonea (L.) Sleumer CLUSIACEAE 19 8 3,75 1,65 2,53 7,94 MELIACEAE 9 1 1,78 5,62 0,32 7,71 6. Apuleia leiocarpa J.F. Macbr. LEGUMINOSAE 2 2 0,40 5,86 0,63 6,89 7. Ficus cyclophylla Miquel MORACEAE 1 1 0,20 5,95 0,32 6,46 8. Rudgea interrupta Benth. RUBIACEAE 16 7 3,16 0,22 2,22 5,60 9. Hippocratea volubilis L. HIPPOCRATEACEAE 18 4 3,56 0,71 1,27 5,53 10. Strychnos acuta Prog. LOGANIACEAE 16 6 3,16 0,33 1,90 5,39 11. Heisteria perianthomega (Vell.) Sleumer 12. Myrcia fallax (Richard) DC. OLACACEAE 5 5 0,99 2,67 1,58 5,24 MYRTACEAE 8 7 1,58 1,41 2,22 5,21 13. Clarisia ilicifolia (Spreng.) Lanjouw & MORACEAE Rossberg 14. Guarea macrophylla subsp. tuberculata MELIACEAE (Vell.) T.D. Penn. EUPHORBIACEAE 15. Joannesia princeps Vell. 11 6 2,17 0,77 1,90 4,84 9 3 1,78 2,01 0,95 4,74 6 3 1,19 2,37 0,95 4,50 16. Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng. 17. Sloanea monosperma Vell. ANACARDIACEAE 2 2 0,40 3,32 0,63 4,34 ELAEOCARPACEAE 8 5 1,58 1,06 1,58 4,22 18. Eugenia tinguyensis Camb. MYRTACEAE 8 7 1,58 0,40 2,22 4,20 19. Guatteria nigrescens Mart. ANNONACEAE 8 6 1,58 0,40 1,90 3,88 20. Posoqueria acutifolia Mart. RUBIACEAE 8 5 1,58 0,67 1,58 3,83 21. Machaerium aculeatum Raddi LEGUMINOSAE 11 4 2,17 0,20 1,27 3,64 22. Ocotea schotii (Miesn.) Mez LAURACEAE 6 4 1,19 1,18 1,27 3,63 23. Brosimum guianense Huber ex Ducke MORACEAE 7 5 1,38 0,65 1,58 3,61 24. Chrysophyllum flexuosum Mart. SAPOTACEAE 7 6 1,38 0,32 1,90 3,61 25. Ecclinusa ramiflora Mart. SAPOTACEAE 6 3 1,19 1,44 0,95 3,58 26. Clavija spinosa (Vell.) Mez THEOPHRASTACEAE 9 5 1,78 0,17 1,58 3,54 27. Ficus adhatifolia Schott MORACEAE 1 1 0,20 2,84 0,32 3,36 28. Ipomoea philomega (Vell.) House CONVOLVULACEAE 9 4 1,78 0,15 1,27 3,19 29. Heteropterys leschenaultiana A. Juss. MALPIGHIACEAE 7 5 1,38 0,10 1,58 3,07 30. Cupania oblongifolia Radlk. SAPINDACEAE 5 4 0,99 0,80 1,27 3,05 31. Bunchosia marítima (Vell.) Macbride MALPIGHIACEAE 8 4 1,58 0,16 1,27 3,00 32. Campomanesia laurifolia Gardn. MYRTACEAE 5 3 0,99 0,99 0,95 2,93 33. Cabralea canjerana (Vell.) Mart. ssp. canjerana 34. Aniba firmula (Nees & Mart.) Mez MELIACEAE 3 2 0,59 1,68 0,63 2,91 LAURACEAE 4 2 0,79 1,47 0,63 2,90 35. Ocotea aniboides Miq. LAURACEAE 5 5 0,99 0,30 1,58 2,87 36. Piptadenia gonoacantha Mart.) Macbr. LEGUMINOSAE 1 1 0,20 2,14 0,32 2,65 37. Ceiba crispiflora (Kunth) Ravena BOMBACACEAE 1 1 0,20 2,14 0,32 2,65 209 38. Casearia oblongifolia Camb. FLACOURTIACEAE 5 3 0,99 0,65 0,95 2,58 39. Eugenia bahiensis DC. MYRTACEAE 5 4 0,99 0,20 1,27 2,46 40. Leretia cordata Vell. ICACINACEAE 8 2 1,58 0,22 0,63 2,44 41. Bactris setosa Mart. ARECACEAE 5 4 0,99 0,14 1,27 2,39 42. Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg 43. Ocotea daphnifolia (Meiss.) Mez MYRTACEAE 3 3 0,59 0,66 0,95 2,20 LAURACEAE 4 2 0,79 0,76 0,63 2,19 44. Trichilia martiana C. DC. MELIACEAE 5 3 0,99 0,22 0,95 2,16 45. Hyperbaena oblongifolia (Mart.) Chodat 46. Abutilon sp. MENISPERMACEAE 7 2 1,38 0,13 0,63 2,15 MALVACEAE 2 2 0,40 1,10 0,63 2,13 47. Annona acutifolia Mart. ANNONACEAE 4 3 0,79 0,37 0,95 2,11 48. Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns 49. Tetraplandra leandri Baill. BOMBACACEAE 2 2 0,40 1,05 0,63 2,08 EUPHORBIACEAE 3 2 0,59 0,85 0,63 2,07 50. Citronella paniculata (Mart.) R.A. Howard 51. Inga capitata Desv. ICACINACEAE 5 2 0,99 0,44 0,63 2,06 LEGUMINOSAE 3 2 0,59 0,83 0,63 2,06 52. Arrabidaea selloi (Spreng.) Sandwith BIGNONIACEAE 6 2 1,19 0,21 0,63 2,03 53. Faramea stipulacea (Cham. & Schltdl.) RUBIACEAE DC. 54. Coussarea nodosa (Benth.) Müll. Arg. RUBIACEAE 5 3 0,99 0,08 0,95 2,01 4 3 0,79 0,12 0,95 1,86 55. Coussarea accendens Müll. Arg. RUBIACEAE 3 3 0,59 0,23 0,95 1,77 56. Urbanodendron verrucosum (Nees) Mez 57. Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer LAURACEAE 4 2 0,79 0,26 0,63 1,69 LAURACEAE 4 1 0,79 0,57 0,32 1,67 58. Pachystroma longifolium (Nees.) I.M. Johnt. 59. Geissospermum laeve (Vell.) Miers EUPHORBIACEAE 2 2 0,40 0,61 0,63 1,64 APOCYNACEAE 2 2 0,40 0,61 0,63 1,64 60. Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev LEGUMINOSAE 3 3 0,59 0,09 0,95 1,63 61. Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan 62. Psidium cattleianum Sabine LEGUMINOSAE 1 1 0,20 1,10 0,32 1,62 MYRTACEAE 2 1 0,40 0,90 0,32 1,61 63. Sorocea hilarii Gaudich. MORACEAE 3 3 0,59 0,05 0,95 1,59 64. Matayba guianensis Aubl. SAPINDACEAE 4 1 0,79 0,47 0,32 1,57 65. Pradosia lactescens Vell. SAPOTACEAE 4 2 0,79 0,13 0,63 1,55 66. Chomelia brasiliana A. Rich. RUBIACEAE 3 2 0,59 0,29 0,63 1,52 67. Paullinia fusiformis Radlk. SAPINDACEAE 4 2 0,79 0,08 0,63 1,50 68. Swartzia simplex (Sw.) Spreng. Var. grandiflora 69. Pera glabrata (Schott) Baill. LEGUMINOSAE 2 2 0,40 0,43 0,63 1,46 EUPHORBIACEAE 2 2 0,40 0,42 0,63 1,45 70. Astrocaryum aculeatissimum Mart. ARECACEAE 2 2 0,40 0,37 0,63 1,40 71. Mollinedia longifolia Tulasne MONIMIACEAE 2 2 0,40 0,36 0,63 1,39 72. Eugenia flamingensis O. Berg MYRTACEAE 3 2 0,59 0,16 0,63 1,38 73. Cordia trichoclada DC. BORAGINACEAE 2 1 0,40 0,63 0,32 1,35 74. Lacistema serrulatum Mart. LACISTEMATACEAE 3 2 0,59 0,10 0,63 1,32 75. Davilla rugosa Poir. DILLENIACEAE 3 2 0,59 0,04 0,63 1,26 76. Urvillea glabra Camb. SAPINDACEAE 2 2 0,40 0,10 0,63 1,13 77. Endlicheria glometata Mez LAURACEAE 2 2 0,40 0,09 0,63 1,11 78. Pseudopiptadenia schumanniana (Taub.) Lewis & M. Lima LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,59 0,32 1,11 210 LAURACEAE 79. Urbanodendron bahiensis (Meiss.) Rohwer 80. Diplotropis incexis Rizzini & A. Mattos LEGUMINOSAE 2 2 0,40 0,06 0,63 1,09 3 1 0,59 0,15 0,32 1,06 81. Faramea coerulea (Nees & Mart.) DC. RUBIACEAE 2 2 0,40 0,02 0,63 1,05 82. Condylocarpon isthimicum (Vell.) A. DC. 83. Conchocarpus ovatus (A. St. Hil. & Tul.) Kallunki & Pirani 84. Eugenia sp. APOCYNACEAE 2 2 0,40 0,02 0,63 1,05 RUTACEAE 2 1 0,40 0,32 0,32 1,03 MYRTACEAE 3 1 0,59 0,08 0,32 0,99 85. Hirtella hebeclada Moric. ex DC. CHRYSOBALANACEAE 1 1 0,20 0,46 0,32 0,98 86. Zanthoxylum rhoifolium Lam. RUTACEAE 1 1 0,20 0,43 0,32 0,94 87. Mansoa lanceolata (DC.) A. Gentry BIGNONIACEAE 3 1 0,59 0,03 0,32 0,94 88. Simira viridifolia (Allem. et Saldanha) Steyerm 89. Abutua convexa (Vell.) Diels. RUBIACEAE 1 1 0,20 0,41 0,32 0,92 MENISPERMACEAE 2 1 0,40 0,10 0,32 0,81 90. Pouteria guianensis Aubl. SAPOTACEAE 2 1 0,40 0,09 0,32 0,80 91. Paullinia micrantha Camb. SAPINDACEAE 2 1 0,40 0,08 0,32 0,79 92. Alchornea glandulosa EUPHORBIACEAE 1 1 0,20 0,27 0,32 0,78 93. Allophylus edulis (A. St. Hil.) Radlk. SAPINDACEAE 1 1 0,20 0,25 0,32 0,76 94. Plinia ilhensis G.M. Barroso MYRTACEAE 2 1 0,40 0,03 0,32 0,75 95. Pouteria filipes Eyma SAPOTACEAE 1 1 0,20 0,22 0,32 0,74 96. Trigonia nivea Camb. TRIGONIACEAE 2 1 0,40 0,02 0,32 0,73 97. Rudgea recurva Müll. Arg. RUBIACEAE 2 1 0,40 0,02 0,32 0,73 98. Virola gardnerii (A. DC.) Warb. MYRISTICACEAE 1 1 0,20 0,21 0,32 0,73 99. Luechea paniculata Mart. TILIACEAE 1 1 0,20 0,20 0,32 0,72 100. Eugenia villae-novae Kiaersk. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,17 0,32 0,69 101. Miconia staminea DC. MELASTOMATACEAE 1 1 0,20 0,15 0,32 0,67 102. Pterogyne nitens Tul. LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,15 0,32 0,66 103. Kielmeyera rizziniana Saddi CLUSIACEAE 1 1 0,20 0,14 0,32 0,65 104. Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A. Berg. 105. Algernonia brasiliensis Baill. CACTACEAE 1 1 0,20 0,09 0,32 0,61 EUPHORBIACEAE 1 1 0,20 0,09 0,32 0,60 106. Myrciaria guaquiea (Kiaersk.) Mattos & D. Legrand 107. Erythroxylum pulchrum A. St. Hil. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,08 0,32 0,60 ERYTHROXYLACEAE 1 1 0,20 0,08 0,32 0,60 108. Marlierea sylvatica (Gardner) Kiaersk. 109. Attalea humilis Mart. ex Spreng. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,08 0,32 0,60 ARECACEAE 1 1 0,20 0,08 0,32 0,59 110. Simaba floribunda Rizzini SIMAROUBACEAE 1 1 0,20 0,08 0,32 0,59 111. Myrciaria sp. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,07 0,32 0,58 112. Dalbergia frutescens (Vell.) Britton LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,07 0,32 0,58 113. Psychotria carthagenensis Jacq. RUBIACEAE 1 1 0,20 0,05 0,32 0,56 114. Eugenia bunchosiifolia Nied. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,04 0,32 0,55 115. Inga lenticellata Benth. LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,04 0,32 0,55 116. Astronium graveolens Jacq. ANACARDIACEAE 1 1 0,20 0,03 0,32 0,55 117. Marlierea glazioviana Kiaersk. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,03 0,32 0,54 118. Trichilia elegans A. Juss. subsp. richardiana (A. Juss.) T. D. Penn. 119. Phyllostemonodaphne geminiflora (Mez) Kosterm. 120. Bougaivillea spectabilis Willd. MELIACEAE 1 1 0,20 0,03 0,32 0,54 LAURACEAE 1 1 0,20 0,03 0,32 0,54 NYCTAGINACEAE 1 1 0,20 0,03 0,32 0,54 211 121. Eugenia monosperma Vell. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 122. Eugenia microcarpa O. Berg MYRTACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 123. Tynanthus micranthus Correa de Mella ex K. Schum. 124. Stizophyllum perforatum (Cham.) Miers 125. Galipea jasminiflora (A. St. Hil.) Engl. 126. Eugenia prasina O. Berg BIGNONIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 BIGNONIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 RUTACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 MYRTACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 127. Cryptocarya saligna Mez LAURACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 128. Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax EUPHORBIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 129. Eugenia rostrata O. Berg MYRTACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 130. Myrcia dilucida G.M. Barroso MYRTACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,54 131. Ocotea diospyrifolia (Miesn.) Mez LAURACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,53 132. Dendropanax monogynus (Vell.) Seem. 133. Myrcia richardiana O. Berg ARALIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,53 MYRTACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,53 134. Sebastiania nervosa (Müll.) Arg. Müll. Arg. 135. Ouratea parviflora (DC.) Baill. EUPHORBIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,53 OCHNACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,53 136. Eugenia florida DC. MYRTACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,53 137. Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins MONIMIACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,53 138. Serjania clematidifolia Camb. SAPINDACEAE 1 1 0,20 0,02 0,32 0,53 139. Ocotea elegans Mez LAURACEAE 1 1 0,20 0,01 0,32 0,53 140. Eugenia exelsa O. Berg MYRTACEAE 1 1 0,20 0,01 0,32 0,53 141. Clytostoma binatum (Thunb.) Sandwith 142. Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger 143. Piper arboreum Aubl. var. arboreum BIGNONIACEAE 1 1 0,20 0,01 0,32 0,53 LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,01 0,32 0,53 PIPERACEAE 1 1 0,20 0,01 0,32 0,52 144. Pseudomedia hirtula Kuhlmann MORACEAE 1 1 0,20 0,01 0,32 0,52 145. Stephanopodium sessile Rizzini DICHAPETALACEAE 1 1 0,20 0,01 0,32 0,52 146. Exostyles venusta Schott LEGUMINOSAE 1 1 0,20 0,01 0,32 0,52 147. Psychotria umbellurigera (Müll. Arg.) RUBIACEAE Standl. RUTACEAE 148. Conchocarpus fontanesianus (A. St. Hil.) Kallini & Pirani RUBIACEAE 149. Ixora gardneriana Benth. 1 1 0,20 0,01 0,32 0,52 1 1 0,20 0,01 0,32 0,52 1 1 0,20 0,01 0,32 0,52 MELIACEAE 1 1 0,20 0,01 0,32 0,52 150. Guarea kunthiana A. Juss. 212 Considerações Finais A escassez de inventários florísticos mais abrangentes no estado do Rio de Janeiro é um impecílio para adoção de medidas conservacionistas, principalmente no que se refere às regiões costeiras. Apesar do esforço que está sendo empreendido para aumentar o nível de conhecimento, ainda existem várias lacunas. Em seu estudo sobre a Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio, Sá (2006) chama atenção para áreas pouco conhecidas sob o ponto de vista botânico entre os municípios de Saquarema e Niterói. Nesse sentido esse estudo no Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) vem preencher um pouco dessa lacuna da falta de conhecimento biológico. Contudo, essas áreas são estratégicas para conservação da diversidade biológica e estão sujeitas as diversas formas de ameaças ambientais. Os fragmentos florestais remanescentes de Mata Atlântica isolados não conservam essa diversidade, porém ainda detêm importantes informações florísticas. Sendo assim, é necessário um esforço no sentido de conhecer sob o ponto de vista biológico essas áreas para se propor medidas conservacionistas em conjunto. A vegetação da Serra da Tiririca apresenta um aspecto geral escleromórfico, com intensa queda de folhas nos meses mais secos. Contudo, tem baixa similaridade com as florestas estacionais do Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio. É caracterizada pela floresta ombrófila densa e vegetação de afloramentos rochosos, sendo seu aspecto escleromórfico associado ao clima regional, proximidade com o mar e a presença de solos rasos. Tem baixa similaridade florística com outras áreas inventariadas do estado do Rio de Janeiro, porém apresentou maior relacionamento com a flora das restingas fluminenses. Isso mostra que cada área representa um conjunto único que detêm espécies adaptadas as diferentes condições abióticas que ocorrem no estado do Rio de Janeiro. Essas condições são altamente influenciadas por fatores topográficos, climáticos e edáficos, que selecionam as espécies e permitem o estabelecimento de múltiplas paisagens. Os afloramentos rochosos são retratos dessas situações e constituem elementos enriquecedores da flora. Apresentam elementos florísticos específicos e adaptados a condições extremas de sobrevivência. Na verdade, são ilhas diversidade entremeadas à floresta ombrófila densa. Os dados apresentados sobre a diversidade florística do PEST mostram uma área com grande riqueza de espécies. Essa diversidade se expressa não só em termos florísticos, 213 mas também nas variadas formas de vida, ocasionadas pelos diferentes ambientes da região de estudo. Esse é um padrão para região Sudeste brasileira. É uma área com elevada riqueza florística que está bastante ameaçada pela ação humana. O inventário florístico registrou 907 espécies de Magnoliophyta pertencentes a 434 gêneros e 97 famílias, além de 122 espécies consideradas ruderais. Destacam-se as seguintes famílias quanto à riqueza de espécies: Leguminosae, Myrtaceae, Rubiaceae, Euphorbiaceae, Bromeliaceae, Sapindaceae, Bignoniaceae, Orchidaceae, Araceae e Asteraceae. As plantas arbóreas representam 35,8% da flora, seguido de trepadeiras, ervas, arbustos, epífitas, hemiepífitas e parasitas. As trepadeiras formam um grupo de destaque na Serra da Tiririca, com alta riqueza de espécies, mostrando que a vegetação encontra-se em plena regeneração em vários estádios sucessionais. Tal fato é confirmado pelo estudo fitossociológico realizado em três diferentes áreas com histórico de perturbação para utilização agrícola e produção de carvão. Os dados mostram a recuperação natural da vegetação com espécies típicas da Mata Atlântica. As árvores estão distribuídas em categorias sucessionais distintas, sendo que em cada área predominam espécies pioneiras, secundárias iniciais ou secundárias tardias. A amostragem feita é um retrato atual das condições ambientais da Serra da Tiririca, representada pela floresta em mosaico, que resulta na alta diversidade de espécies. Cerca de dezessete anos após a criação do PEST ainda existem muitas incertezas em termos conservacionistas, visto que, mesmo sendo uma Unidade de Proteção Integral e parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, não está assegurada quanto à proteção da diversidade biológica. Os impactos ambientais aos quais o PEST se expõe, atualmente são ocasionados pelo intenso crescimento urbano nos dois municípios onde se localiza e pelas políticas públicas que não estão engajadas com a conservação da região. Muito pelo contrário em 2007 o PEST teve sua área diminuída drasticamente com o estabelecimento dos limites definitivos. Por um lado resolve os problemas dos limites indefinidos que perdurou por mais de dez anos, porém fica a pergunta: O que realmente pretende-se conservar? A resposta a esse questionamento é fundamental para que as autoridades públicas estabeleçam metas e as executem para retirar o Parque Estadual da Serra da Tiririca da condição de “Parque de Papel”.