1
ESCOLA NACIONAL DE BOTÂNICA TROPICAL
INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BOTÂNICA
DIVERSIDADE VEGETAL: CONHECER PARA CONSERVAR
ANÁLISE FLORÍSTICA E ESTRUTURAL DO PARQUE
ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ,
RJ, BRASIL
ANA ANGÉLICA MONTEIRO DE BARROS
Orientação: Dra DOROTHY SUE DUNN ARAUJO
Rio de Janeiro
2008
2
ESCOLA NACIONAL DE BOTÂNICA TROPICAL
INSTITUTO DE PESQUISAS JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BOTÂNICA
DIVERSIDADE VEGETAL: CONHECER PARA CONSERVAR
ANÁLISE FLORÍSTICA E ESTRUTURAL DO PARQUE
ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ,
RJ, BRASIL
ANA ANGÉLICA MONTEIRO DE BARROS
Tese apresentada ao Programa de
Pós-Graduação
em
Botânica
Diversidade Vegetal: Conhecer
para Conservar, como requisito
para obtenção do grau de Doutor
em Botânica.
Orientação: Dra Dorothy Sue Dunn Araujo
Rio de Janeiro
2008
3
ANA ANGÉLICA MONTEIRO DE BARROS
ANÁLISE FLORÍSTICA E ESTRUTURAL DO PARQUE
ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ,
RJ, BRASIL
Apresentada em 31 de março de 2008.
BANCA EXAMINADORA
______________________________________________
Dra Dorothy Sue Dunn Araujo (Orientadora)
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Departamento de Ecologia
Presidente da Banca
________________________________________________
Dr. Haroldo Cavalcante de Lima
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro
______________________________________________
Dr. Rogério Ribeiro Oliveira
Pontifícia Universidade Católica RJ
______________________________________________
Dra Inês Cordeiro
Instituto de Botânica de São Paulo
____________________________________________
Dra Maria Cândida Mamede
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro
2008
4
B277a
Barros, Ana Angélica Monteiro de.
Análise florística e estrutural do Parque Estadual da Serra da
Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil / Ana Angélica
Monteiro de Barros. – Rio de Janeiro, 2008.
xii, 218 f. : il.
Tese (Doutorado) – Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio
de Janeiro/Escola Nacional de Botânica Tropical, 2008.
Orientadora: Dorothy Sue Dunn Araujo.
Bibliografia.
1. Florística. 2. Fitossociologia. 3. Diversidade. 4. Conservação. 5.
Afloramentos rochosos. 6. Serra da Tiririca. 7. Mata Atlântica. 8. Rio de
Janeiro (Estado). I.Título. II. Escola Nacional de Botânica Tropical.
CDD 581.98153
5
A todos aqueles que
lutam para que a natureza
se perpetue.
6
S antuário de coisas vivas
E splendor da Natureza
R elicário de rara beleza
R espira verdade ativa
A inda com realeza
D a bromélia e do jerivá
A brigo do caiapiá
T iririca, como é chamada
I nsana erva, o batismo,
R egaço p´ro tamanduá
I ntensas fendas e abismo
R eserva para o tucano
‘I nda p´ro gato do mato
C actus, por cobertura
A clamada, aqui estás!
Mariney Klecz
7
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos que contribuíram para realização desse trabalho e que lutam para que as
gerações futuras ainda possam conhecer a Serra da Tiririca.
À Dra Dorothy Sue Dunn Araujo, minha orientadora, por acreditar que eu era capaz de
realizar tudo isso.
Ao Luiz José Soares Pinto, companheiro e amigo incansável nesse trabalho.
Aos amigos Jorge Antônio Pontes, Laura França, Cássio Garcez, Rosani Arruda, Eduardo
Sícoli Seoane, Joel Romano Bartalini e Sérgio Tadeu Meirelles com os quais eu comecei a
conhecer a Serra da Tiririca e arredores.
Ao Dr. Cyl Farney Catarino de Sá pela grande ajuda e sugestões dadas a esse trabalho.
A Leonor Ribas, entusiasta no estudo das trepadeiras da Mata Atlântica, pelas sugestões
dadas a esse trabalho.
A Dra. Regina Helena P. Andreata, pioneira nos estudos florísticos no Alto Mourão e cujo
importante trabalho foi subsídio fundamental para criação do Parque Estadual da Serra da
Tiririca.
Aos pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro que foram fundamentais para
identificação das espécies vegetais: Alexandre Quinet, Ângela Maria S.F. Vaz, Ariane
Luna Peixoto, Bruno Resende Silva, Cláudio Nicoletti Fraga, Fábio França, Elsie F.
Guimarães, João Marcelo A. Braga, Haroldo C. de Lima, Lúcia d’Ávila de Carvalho,
Marcus A. Nadruz Coelho, Maria de Fátima Freitas, Mássimo G. Bovini, Ronaldo
Marquete, Sheila Profice e Vidal Mançano.
Aos pesquisadores de outras instituições de pesquisa que também foram fundamentais para
identificação das espécies vegetais: André Amorim, Arline B. de Souza, Daniela Zappi,
Genise V. Somner, Ivete Silva, João Pedro Carauta, Jorge Fontella, José Rubens Pirani,
Luci Senna, Maria Célia Vianna, Mário Gomes, Marccus Alves, Marcos Sobral e Roberto
Lourenço Esteves.
Aos alunos da ENBT e estagiários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro que sempre
estiveram dispostos a dar uma olhadinha no material quase impossível de identificar e, sem
eles, muitos nomes não estariam na listagem final: Adriana Q. Lobão, Berenice
Chiavegato, Carine Garcia Quinet, Carlos Henrique Reif, Luciana Tachigali, Marcelo C.
Souza e Michel João Pereira Barros.
Ao Robson Dalmas Dias imenso agradecimento pela super ajuda com a identificação das
plantas.
A Alexandre Gabriel Christo imenso agradecimento pela ajuda fundamental na parte
estatística.
A grande amiga Inês Machline Silva que conheci durante o doutorado e que quero
continuar amiga até os fins do tempo. Obrigada por todas as palavras positivas que você
sempre tem para dar.
As amigas de doutorado da ENBT Micheline Silva, Micheline Marcon, Raquel Azeredo
Muniz e Dulce Mantuano.
8
Aos vários amigos do Mestrado da ENBT......................... São muitos........
Aos incríveis professores da ENBT........
A banca que examinou o projeto de tese e na apresentação dos resultados preliminares,
dando inúmeras sugestões valiosas para realização desse trabalho: Cyl Farney Catarino de
Sá, Ariane Luna Peixoto, Gustavo Martinelli, Rejan R. Guedes-Bruni, Vidal Mansano,
Denise Costa e Helena Bergallo.
Ao Rogério Ribeiro Oliveira que me cedeu parte da bibliografia consultada.
A todos os estagiários da UERJ-FFP que participaram das coletas de campo e das
aventuras pelas trilhas da Serra da Tiririca. Em especial: Pollyana W. Feteira, Leandro de
Oliveira Furtado de Sousa, Wander Carvalho Brasil, Henrique Pereira Moreira, Eduardo do
Nascimento Fontes, Anderson Guedes Pereira, Vanessa C. Matos, Thais de Assis M.
Muritiba, Leonardo Ferreira dos Santos, Laiza Tahara Vassal, Natália Coqueiro Mendonça,
Bruno de Aquino Alves e Sandra Amália.
Aos amigos da ONG Protetores da Floresta que tanto tem lutado pela preservação das
nossas matas: Alicia Leite, Mônica Pontes, Cristina Teper, Marta Marques, Maria Velasco,
Gabriela Alejandra e Maria Collares.
Aos técnicos do Laboratório de Biologia da UERJ-FFP pela paciência e fundamental ajuda
em todos os momentos: Fernanda Cascaes Gonçalves, Raquel Mendonça, Kelly Araújo
Lúcio, Alberto Araújo Valente, Priscilla Gomes da Silva, Silviane Franco Charret,
Alexandre Raposo, Flávia Lima e Carlos Eduardo Jascone.
Aos funcionários do Herbário RB, em especial a Luiz Fernando da Conceição e Rosângela
da Silva Gomes pela constante ajuda.
Aos secretários da ENBT: Marcinha, Abílio, Nilson e Janúsia
Aos ex Diretores da Faculdade de Formação de Professores da UERJ Marisa Assis,
Glauber Almeida de Lemos e Cláudio Barbosa (in memorian) pelo incentivo.
Ao amigo, parceiro e ex chefe Douglas Pimentel, professor assistente da UERJ-FFPDCIEN, por tudo que fez para me ajudar a conseguir fazer o Doutorado.
Aos ex-administradores do Parque Estadual da Serra da Tiririca que sempre foram
parceiros e ajudaram na realização desse trabalho: Laura França, Carlos Eduardo Sícoli
Seoane, Ronaldo Rolão e Alex Figueiredo.
Aos Herbários consultados e seus curadores que mantém as magníficas coleções
representativas da nossa flora do Rio de Janeiro: RB, GUA, RFFP, RUSU, RFA e R.
A toda comunidade tradicional da Serra da Tiririca que mostrou os segredos da floresta,
em especial ao Joel Bartaline, Roque, Renatão, Izaquiel, “Seu Bichinho” (Américo), Tide,
Marcelo, Isaías e Dona Dalva.
9
SUMÁRIO
FOLHA DE APROVAÇÃO........................................................................
DEDICATÓRIA...........................................................................................
EPÍGRAFE...................................................................................................
AGRADECIMENTOS.................................................................................
SUMÁRIO.....................................................................................................
RESUMO......................................................................................................
ABSTRACT..................................................................................................
03
05
06
07
09
11
12
INTRODUÇÃO GERAL.............................................................................
Objetivos...................................................................................................
Objetivo Geral..........................................................................................
Objetivos Específicos...............................................................................
Questionamentos......................................................................................
Referências Bibliográficas........................................................................
13
15
15
15
15
16
ÁREA DE ESTUDO....................................................................................
1. Localização..............................................................................................
2. Histórico da Proteção Legal....................................................................
3. Relevo, Geomorfologia, Geologia e Solo................................................
4. Clima.......................................................................................................
5. Hidrografia...............................................................................................
6. Vegetação................................................................................................
7. Aspectos Históricos da Ocupação...........................................................
8. Passagem dos naturalistas nos séculos XVII e XIV pela região.............
9. Referências Bibliográficas.......................................................................
Anexo.......................................................................................................
18
18
20
24
26
28
29
31
41
43
47
ARTIGO I: Caracterização Fisionômico-Florística e Aspectos
Conservacionistas do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e
Maricá, Rio de Janeiro, Brasil.......................................................................
Introdução................................................................................................
Metodologia.............................................................................................
Resultados e Discussão............................................................................
Conclusão................................................................................................
Referências Bibliográficas.......................................................................
Anexo.......................................................................................................
ARTIGO II: Análise Florística de Magnoliophyta do Parque Estadual da
Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil............................
Introdução................................................................................................
Metodologia.............................................................................................
49
50
51
52
70
71
76
79
80
82
10
Resultados e Discussão............................................................................ 83
Conclusão................................................................................................ 101
Referências Bibliográficas....................................................................... 102
Anexos..................................................................................................... 110
ARTIGO III: Trepadeiras do Parque Estadual da Serra da Tiririca,
Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil........................................................
Introdução................................................................................................
Material e Métodos..................................................................................
Resultados e Discussão............................................................................
Conclusão................................................................................................
Referências Bibliográficas.......................................................................
Anexos.....................................................................................................
139
ARTIGO IV: Vegetação de afloramento rochoso no Parque Estadual da
Serra da Tiririca, Niterói e
Maricá, Rio de Janeiro,
Brasil..............................................................................................................
Introdução................................................................................................
Material e Métodos..................................................................................
Resultados e Discussão............................................................................
Referências Bibliográficas.......................................................................
Anexo.......................................................................................................
161
ARTIGO V: Análise fitossociológica do estrato lenhoso no Parque
Estadual da Serra da Tiririca Niterói e Maricá, Rio de Janeiro,
Brasil.............................................................................................................
Introdução................................................................................................
Material e Métodos..................................................................................
Resultados e Discussão............................................................................
Conclusões...............................................................................................
Referências Bibliográficas.......................................................................
Anexos.....................................................................................................
180
140
142
144
150
151
156
162
164
166
171
175
181
182
186
199
200
204
217
CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................
11
RESUMO
A Mata Atlântica antes da chegada dos colonizadores ocupava uma área de 15% do território brasileiro.
Devido aos processos históricos de ocupação e uso econômico da costa brasileira, atualmente restringese a manchas disjuntas localizadas principalmente nas regiões Sudeste e Sul. A alta taxa de
desmatamento e degradação de seus ambientes tem levado ao desaparecimento de várias espécies tanto
da flora quanto da fauna. Esse quadro fez com que fosse incluída entre os cinco hotspots mundiais mais
importantes, ou seja, entre as regiões biologicamente mais ricas e ameaçadas do planeta. No estado do
Rio de Janeiro restam apenas 16,7% da área original antes ocupada pela Mata Atlântica. Os estudos
realizados mostram que os fragmentos remanescentes ainda detêm uma importante diversidade
biológica, inclusive com a ocorrência de várias espécies endêmicas. A Serra da Tiririca representa uma
porção da Mata Atlântica inserida no maciço costeiro da Serra do Mar, entre os municípios de Niterói e
Maricá no estado do Rio de Janeiro. Nessa região foi criado em 1991 o Parque Estadual da Serra da
Tiririca. A vegetação apresenta um aspecto geral escleromórfico, com intensa queda de folhas nos
meses mais secos. Contudo, é caracterizada pela floresta ombrófila densa e afloramentos rochosos,
sendo seu aspecto escleromórfico associado ao clima regional, proximidade com o mar e a presença de
solos rasos. Tem baixa similaridade florística com outras áreas inventariadas do estado do Rio de
Janeiro, porém apresentou maior relacionamento com a flora das restingas fluminenses. Cinco espécies
novas para a ciência foram encontradas na área, além de 67 espécies ameaçadas, reforçando a
importância da sua conservação. O inventário florístico registrou 907 espécies de Magnoliophyta
pertencentes a 434 gêneros e 97 famílias, além de 122 espécies consideradas ruderais. Destacam-se as
seguintes famílias quanto à riqueza de espécies: Leguminosae (85 spp.), Rubiaceae (54 spp.),
Myrtaceae (55 spp.), Euphorbiaceae (42 spp.), Bromeliaceae (41 spp.), Sapindaceae (33 spp.),
Bignoniaceae (29 spp.), Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25 spp.) e Asteraceae (25 spp.). As plantas
arbóreas representam 35,8% da flora, seguido de trepadeiras (21,9%), ervas (18,4%), arbustos (16,9%),
epífitas (4,9%), hemiepífitas (1,8%) e parasitas (0,3%). Especificamente nos afloramentos rochosos
foram registradas 250 espécies, sendo que essa amostragem corresponde a 27,6% do total de espécies
levantadas no PEST. Dessas, 46,4% têm ocorrência exclusiva nos afloramentos rochosos. Essas
formações representam ilhas terrestres entremeadas à floresta, que contribuem de forma significativa
para a diversidade florística local. As trepadeiras correspondem a uma forma de vida que se destacou
no levantamento florístico e foi tratada a parte. Têm alta representatividade em várias formações
vegetais, correspondendo a cerca de 25% da diversidade taxonômica das florestas tropicais. Foram
relacionadas 39 famílias, 106 gêneros, 211 espécies. A maior riqueza foi das famílias Leguminosae (29
spp.), Sapindaceae (23 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) e Convolvulaceae (12
spp.). Essas famílias perfazem 71,6% do total de trepadeiras levantadas. Houve um predomínio de
trepadeiras lenhosas e de formas volúveis. As trepadeiras contam a história dos impactos ambientais de
uma área. A expressiva riqueza e diversidade de espécies mostram que a vegetação forma um mosaico
de vários estádios sucessionais, de acordo com o processo de uso e abandono da terra. A estudo
fitossociológico foi realizado em três diferentes áreas com critério de inclusão de DAP≥ 2,5 cm,
utilizando-se 10 transects de 2 m X 50 m, totalizando 0,1 ha em cada área. Mediu-se indivíduos
lenhosos, incluindo árvores, arbustos e trepadeiras. Foram amostrados 1.449 indivíduos,
correspondendo a 215 espécies, 1 morfo-espécie, 146 gêneros e 54 famílias. 140 espécies são arbóreas,
39 arbustos e 36 trepadeiras. As dez famílias mais representativas são Myrtaceae (26 spp.),
Leguminosae (24 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.), Bignoniaceae (13 spp.),
Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10 spp.) e Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae (6 spp.). As espécies
dominantes são Pseudopiptadenia contorta no Morro do Telégrafo, Cupania racemosa no Morrote do
Córrego dos Colibris e Guapira opposita no Morro do Cordovil. No Morrote do Córrego dos Colibris a
vegetação encontra-se em regeneração mais recente. Foram obtidos altos valores de diversidade (H’) no
Morro do Cordovil (4,59), Morro do Telégrafo (3,24) e Morro do Cordovil (4,17). Os dados mostram
que a Serra da Tiririca encontra-se em diferentes estádios de regeneração, porém vêm se recuperando
naturalmente. Trata-se de um importante fragmento de floresta ombrófila densa que ainda detêm uma
diversidade florística relevante e que deveria ser mais bem protegida pelo poder público.
Palavras chaves: Serra da Tiririca, Mata Atlântica, fito-fisionomia, florística, estrutura, trepadeiras,
afloramentos rochosos, conservação
12
ABSTRACT
The Atlantic Forest, before the colonizers arrival, had occupied 15% of Brazilian territory. Due to
historic process of Brazilian shore occupation and economic use, actually is restricted to isolated spots
located primordially on South and Southeast regions. The high deforestment and degradation rate of
their environments had been lead to the disappearing of several species, both flora and fauna. This
picture motivates its inclusion among the five most important world hotspots, either the most biological
rich and threatened regions of the planet. On Rio de Janeiro state, only 16.7% of Atlantic Forest
original area remains. The studies show that the remaining fragments still detain an important
biological diversity, including the occurrence of several endemic species. The Serra da Tiririca
represents an Atlantic Forest portion inserted on coastal massif of Serra do Mar, between Niterói and
Maricá districts of Rio de Janeiro state. The Serra da Tiririca State Park was created in this region in
1991. In general, the vegetation is scleromorphic with intense leaf fall during drier months. However, it
is characterized by dense ombrophilous forest and rocky outcrops. The scleromorphic aspect is
associated with the regional climate, proximity to the sea and shallow soils. It has low floristic
similarity when compared to other areas in Rio de Janeiro state, although it was more closely related to
the flora from the restingas. Five new species to science have been found in the area, plus 67 threatened
ones, strengthening conservation importance. The floristic inventory registered 907 species of
Magnoliophyta belonging to 434 genera and 97 families and 122 weedy species. The following families
are important for their species richness: Leguminosae (85 spp.), Rubiaceae (54 spp.), Myrtaceae (55
spp.), Euphorbiaceae (42 spp.), Bromeliaceae (41 spp.), Sapindaceae (33 spp.), Bignoniaceae (29 spp.),
Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25 spp.) and Asteraceae (25 spp.). Trees represent 35.8% of the flora,
followed by climbers (21.9%), herbs (18.4%), shrubs (16.9%), epiphytes (4.9%), hemiepiphytes (1.8%)
and parasites (0.3%). Specifically on rocky outcrops, 250 species were registered. This sample
corresponds to 27.6% of total Serra da Tiririca State Park species. Between these 46.4% have exclusive
occurrence on rocky outcrops. This formations represent terrestrial islands intermingled the Forest that
contribute significantly to local floristic diversity. The climbers correspond to a detached life form on
floristic survey and were studied separately. They have high representativity on several vegetal
formations, corresponding around 25% of tropical forest taxonomic diversity. It was listed 39 families,
106 genera and 211 species. The high richness was from the Leguminosae (29 spp.), Sapindaceae (23
spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) and Convolvulaceae (12 spp.) families. These
families totaled 71.6 % of the total number of climbers. There were a relevant number of woody and
twining climbers. The climbers tell the history of environmental impacts in an area. An expressive
species richness and diversity shows that the vegetation forms a mosaic of many successional stages,
according to the use process and abandonment of the land. The structure survey was realized on three
different areas with DAP ≥ 2.5 cm including criteria, using 10 transects of 2 m X 50 m, totalizing 0.1
ha in each area. Woody individuals were measured including trees, bushes and climbers. 1.449
individuals were sampled, corresponding to 215 species, 1 morfo-specie, 146 genera and 54 families.
140 species are arboreal, 39 bushes e 36 climbers. The ten most representative families are Myrtaceae
(26 spp.), Leguminosae (24 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.), Bignoniaceae (13 spp.),
Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10 spp.) and Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae (6 spp.). The
dominant species are Pseudopiptadenia contorta on Morro do Telégrafo, Cupania racemosa on
Córrego dos Colibris little Hill and Guapira opposita on Morro do Cordovil. The vegetation on
Córrego dos Colibris little Hill is founded on more recent regeneration. High diversity scores (H’) were
obtained on Morro do Cordovil (4,59), Córrego dos Colibris (3,24) e Morro do Telégrafo (4,17). The
data shows that the Serra da Tiririca is on different regeneration states, but is recovering naturally. It is
a dense ombrophilous forest important fragment that still detain a relevant floristic diversity and should
been well protected by the public authorities.
Key Words: Serra da Tiririca, Atlantic Forest, Physiognomic-floristic, floristic, structure, climbers,
rocky outcrops, conservation
13
Introdução Geral
As florestas tropicais ocupam aproximadamente 7% da superfície emersa do
planeta e contém mais da metade das espécies da biota terrestre (Wilson 1988). A maior
extensão dessas florestas encontra-se na faixa neotropical, que corresponde a 4 milhões
km2. Essa região é dividida em três blocos principais: a) Bacia dos rios Amazonas e
Orinoco; b) Costa do Equador e Colômbia até a costa atlântica do México e c) Floresta
pluvial atlântica compreendida na estreita faixa de florestas entre a costa atlântica
brasileira, serras e planaltos interioranos (Whitmore 1990).
O Brasil têm as maiores extensões de floresta tropical úmida, com área estimada
em 3,6 milhões de km2, sendo que a maior parte está na Amazônia. Em conseqüência
disso está entre os países que apresenta maior riqueza de espécies da flora mundial
(Giulietti & Gonzáles 1990). As estimativas variam entre 55.000 – 65.000 espécies de
Magnoliophyta das 220.000 conhecidas no mundo (Giulietti et al. 2005). Isso se deve a
grande extensão do país, acima de 8,5 milhões km2, a ampla variação de clima,
diversidade de solos e geomorfologia, que resulta na grande variabilidade de tipos de
vegetação (Wanderley 2006).
A Mata Atlântica antes da chegada dos colonizadores europeus possuía uma área
original em torno de 1.100.000 km2 (Mori et al. 1981). Estendia-se do Cabo de São Roque
no Rio Grande do Norte até Osório no Rio Grande do Sul (Joly et al. 1991). Ocupava 15%
do território brasileiro em 17 estados (ISA 2001). Segundo Veloso et al. (1991) é
constituída por formações diferenciadas, que inclui a floresta ombrófila densa, floresta
ombrófila mista, floresta estacional semidecidual, áreas de formações pioneiras (restingas
e manguezais), vegetação xeromórfica e refúgios ecológicos.
Essa grande diversidade biológica, de habitats e diferentes fito-fisionomias
resultam, em parte, do passado de transgressões e retrações florestais ocorridas durante as
oscilações climáticas do quaternário somadas aos diversos gradientes altitudinais,
14
geopedológicos, orométricos e latitudinais (Mori et al. 1981). Dessa forma, os
remanescentes são testemunhos das formações florestais mais antigas do Brasil,
estabelecidas há cerca de 70 milhões de anos (Leitão-Filho 1987).
Devido aos processos históricos de ocupação e uso econômico da costa brasileira, a
Mata Atlântica atualmente restringe-se a manchas disjuntas concentradas principalmente
nas regiões sudeste e sul. A alta taxa de desmatamento e degradação de seus ambientes
tem levado ao desaparecimento de várias espécies tanto da flora quanto da fauna. Essas
ações resultaram na fragmentação do hábitat e isolamento das áreas remanescentes
(Tanizaki-Fonseca & Moulton 2000). Esse quadro levou Mittermeier et al. (1999) a incluir
a Mata Atlântica, juntamente com o Cerrado entre os 5 hotspots mais importantes, ou seja,
entre as regiões mais ricas e ameaçadas do planeta. Esses autores estimaram para a Mata
Atlântica cerca de 20.000 espécies de plantas vasculares, sendo que 6.000 são endêmicas
desse bioma.
No estado do Rio de Janeiro a Mata Atlântica ocupava 98,6% da área total do
estado de 43.305 km2 (ISA 2001). Atualmente concentra os maiores fragmentos florestais
nas cadeias montanhosas da Serra do Mar acima de 500 m. Analisando em conjunto com
os fragmentos menores estima-se que tenha restado cerca de 8.000 km2 de florestas
(Tanizaki-Fonseca & Moulton 2000). Dados levantados pelo SOS Mata Atlântica em 2000
apontaram uma área correspondente a 16,7% do estado do Rio de Janeiro ocupada pelo
que restou da Mata Atlântica, sendo que 29,8% encontram-se em Unidades de
Conservação (SOS Mata Atlântica 2002).
Apesar do Rio de Janeiro ser explorado em relação a coletas botânicas desde a
passagem dos naturalistas a partir do século XVI, somente no século XIX Vellozo (1829)
elaborou a “Florae Fluminensis”, uma importante publicação reunindo informações sobre
a diversidade florística conhecida até então. No século XX a flora vem sendo
documentada com esforços de levantamentos florísticos em diversas áreas. Esses estudos
iniciaram em meados do século passado com levantamentos em Teresópolis (Veloso
1945), Itatiaia (Brade 1956) e Serra dos Órgãos (Rizzini 1953/54).
A impulsão no conhecimento da flora fluminense se deve ao Programa de Ação em
Botânica, criado pelo CNPq no fim da década de 1980 (Lima 2000) e diversas parcerias
15
com instituições financiadoras nacionais e internacionais. Sendo assim, os inventários
florísticos e fitossociológicos no estado do Rio de Janeiro foram mais intensificados nos
últimos 20 anos. Nesse sentido, a partir de 2006, teve início o Programa de Mapeamento e
Caracterização da Diversidade Biológica da Mata Atlântica num acordo firmado entre a
Secretaria de Ciência e Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro e o Instituto de Pesquisas
Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Participam desse programa, herbários, pesquisadores e
taxonomistas de 14 instituições com a finalidade de ampliar os conhecimentos sobre a
flora, fauna e microorganismos do estado, além de mapear as áreas estratégicas para
investigação e conservação (Sá 2006).
Apesar disso, ainda existem lacunas de conhecimento florístico, como chama
atenção Sá (2006), principalmente na região compreendida entre Cabo Frio e Niterói. Essa
região corresponde à área 419 incluída entre aquelas de extrema importância biológica,
sendo considerada prioritária para conservação da biodiversidade da Mata Atlântica pelo
Ministério do Meio Ambiente. Nesse contexto também está inserida a Serra da Tiririca.
OBJETIVO GERAL
Contribuir para o conhecimento da flora e conservação do Parque Estadual da Serra
da Tiririca.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
a) Realizar o levantamento florístico do Parque Estadual da Serra da Tiririca,
incluindo todas as formas de vida;
b) Caracterizar fito-fisionomicamente a vegetação;
c) Comparar as áreas florestadas da Serra da Tiririca com os morros litorâneos e
restingas do estado do Rio de Janeiro em termos florísticos;
d) Analisar a estrutura do estrato lenhoso.
QUESTIONAMENTOS
16
a) A vegetação da Serra da Tiririca se parece mais estruturalmente com a floresta
ombrófila densa ou com a floresta estacional semidecídual?
b) Qual o grau de similaridade entre a flora da Serra da Tiririca com outras áreas
investigadas floristicamente no estado do Rio de Janeiro, incluindo as restingas
fluminenses?
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Brade, A.C. 1956. A flora do Parque Nacional de Itatiaia. Boletim do Parque Nacional do
Itatiaia 5: 7–85.
Gentry, A.H., Herrera-Macbryde, O.; Huber, O.; Nelson, B.W. & Villamil, C.B. 1997.
Regional overview: South America. In: WWF & IUCN (eds) Centres of plant diversity. A
guide and strategy for their conservation. Cambridge. IUCN Publications Unit. 3: 269–307.
Giulietti, A.M. & Gonzáles, E.F. 1990. Workshop Diversidade taxonômica e padrões de
distribuição das angiospermas brasileiras. Acta Botanica Brasilica 4: 3–9.
Giulietti, A.M. et al. 2005. Biodiversity and conservation of plants in Brazil. Conservation
Biology 19(3): 632–639.
ISA. 2001. Dossiê Mata Atlântica 2001. Monitoramento participativo da Mata Atlântica.
Instituto Sócio Ambiental. 409p.
Joly, C.A.; Leitão-Filho, H.F. & Silva, S.M. 1991. O patrimônio florístico In: Cecchi, J.C.
& Soares, S.M. (eds.). Mata Atlântica / Atlantic Rain Forest. Fundação SOS Mata
Atlântica: 95–125.
Leitão-Filho, H.F. 1987. Considerações sobre a florística de florestas tropicais e subtropicais do Brasil. Instituto de Pesquisas de Estudos Florestais 35: 41–46.
Lima, H.C. 2000. Leguminosas arbóreas da Mata Atlântica: Uma análise da riqueza,
padrões de distribuição geográfica e similaridades florísticas em remanescentes florestais
do estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Ecologia). Universidade Federal do Rio
de Janeiro. 151p.
Mittermeier, R.A.; Myers, N.; Gil, P.R. & Mittermeier, C.G. 1999. Hotspots. Earth’s
biologically richest and most endangered terrestrial ecoregions. CEMEX. Conservation
International. Sierra Madre, Mexico. 430p.
Mori, S.A.; Boom, B.M. & Prance, G.T. 1981. Distribution patterns and conservation of
brazilian coastal forest tree species. Brittonia 33: 233–245.
Myers, N. 1991. Tropical forests: Present status and future outlook. Climate Change 19: 332.
17
Rizzini, C.T. 1953/54. Flora Organensis. Lista preliminar dos cormophyta da Serra dos
Órgãos. Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 13: 117–246.
Sá, C.F.C. 2006. Estrutura, diversidade e conservação de angiospermas no Centro de
Diversidade de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Ciências
Biológicas – Ecologia). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 250p.
Scarano, F.R. 2002. Structure, function and floristic relationships of plants communities in
stressful habits marginal to the brazilian atlantic forest. Annals of Botany 90: 517-524.
SOS Mata Atlântica. 2002. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica período
1995 – 2000. Relatório parcial. Estado do Rio de Janeiro [on line].
http://www.sosmatatlântica.org.br/atlas2001/dados/relatorioatlas.pdf.
Tanizaki-Fonseca, K. & Moulton, T.P. 2000. A fragmentação da mata atlântica no estado
do Rio de Janeiro. In: Bergalo, H.G.; Rocha, C.F.D.; Alves, M.A.D. & Sluys, M.V. (eds) A
fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. EDUERJ: p. 23–35.
Veloso, H.P. 1945. As comunidades e estações botânicas de Teresópolis, estado do Rio de
Janeiro. Boletim do Museu Nacional, série Botânica (3): 1-95.
Veloso, H.P.; Rangel-Filho, A.L.R.R. & Lima, J.C.A. 1991. Classificação da vegetação
brasileira adaptada a um sistema universal. Rio de Janeiro: IBGE. 124p.
Vellozo, J.M.C. 1829. Florae Fluminensis. Rio de Janeiro: Tipographia Nacionali.
Wanderley, M.G.L. 2006. Estudos sobre a flora da região Sudeste do Brasil: Situação atual
e perspectivas. In: Mariath, J.E. & Santos, R.P. (eds) Os avanços da botânica no início do
século XXI. Morfologia, fisiologia, taxonomia, ecologia e genética. Sociedade Botânica do
Brasil. p. 676-679.
Whitmore, T.C. 1990. An introduction to tropical rainforests. Oxford. Clarendon. 226p.
Wilson, E.O. 1988. The current state of biological diversity. In: Wilson, E.O. (ed)
Biodiversity. National Academy Press. Washington: 3–18.
18
Área de Estudo
Parque Estadual da Serra da Tiririca
1. LOCALIZAÇÃO
A Serra da Tiririca está inserida entre os municípios de Niterói e Marica no estado
do Rio de Janeiro (22º48`; 23º00’ S e 42º57`; 43º02` W) (Figura 1 e 2). Em Niterói
localiza-se nos bairros do Engenho do Mato, Itaipu, Itacoatiara, Várzea das Moças e em
Maricá no Distrito de Inoã.
No município de Niterói a Mata Atlântica abrangia 80 - 90% do seu território,
porém restam apenas 21 km2 de áreas florestadas, ou seja, 16% do município. As áreas
contínuas estão restritas as Serras do Malheiro, Grande, Cantagalo e Jacaré (Reserva
Ecológica Darcy Ribeiro), Serra da Tiririca e pelo conjunto formado pelos morros da
Viração, Sapezal e Santo Inácio (Prefeitura Municipal de Niterói 1992). No Município de
Maricá os maiores remanescentes florestais estão nas Serras do Mato Grosso, Macaco,
Espraiado, Lagarto, Silvado, Barro do Ouro, Tapuaba, Calaboca, Camburi, Pedra de Inoã e
Pedra de Itaocaia. Grande parte dessa região é inexplorada do ponto de vista científico.
A Serra da Tiririca era conhecida como Serra de Inoã, de Maricá ou pelos nomes
dos morros que compõe seu relevo, como consta em relatos de antigos moradores da
região. O atual nome está relacionado com a passagem de tropas de burro que
atravessavam a Serra em direção a Região dos Lagos por um caminho cheio de tiriricas.
Tiriricas são plantas do gênero Cyperus da família das Cyperaceae, sendo comumente
encontradas em áreas desmatadas, como beiras de caminho (Barros & Seoane 1999).
Figura 1: Mapa com a localização do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói / Maricá, RJ. (Lagief – IEF-RJ 2007).
19
20
Figura 2: Foto aérea do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ mostrando em
especial o Morro do Telégrafo, Morro do Elefante e o Alto Mourão ao fundo (SEMADS
2001).
2. HISTÓRICO DA PROTEÇÃO LEGAL
Das Unidades de Conservação da região metropolitana do Rio de Janeiro, o Parque
Estadual da Serra da Tiririca (PEST) é o único que nasceu da vontade popular, por meios
de movimentos comunitários organizados. As ações para proteção da Serra da Tiririca
tiveram início em meados da década de 80 do século passado a partir da iniciativa do Dr.
Cláudio Martins, professor do Departamento de Geografia da UFF, e do biólogo Jorge
Antônio Lourenço Pontes através do Clube de Conservação da Natureza e Exploração
Suçuarana (Primo & Carvalho-Filho 1989). Em 1987 Pontes publicou o primeiro trabalho
referente à necessidade de conservação da Serra da Tiririca.
Contudo, o passo decisivo para criação do PEST foi a tentativa da empresa Ubá
Imobiliária em 1989 de lotear a área conhecida como Córrego dos Colibris (Barros et al.
2003). O desmatamento dessa área foi denunciado a Prefeitura de Niterói pelo biólogo
21
Paulo Carvalho Filho. Fiscais da Prefeitura, em conjunto com o Batalhão Florestal e
membros da FEEMA, da Federação das Associações de Moradores de Niterói (FAMNIT)
e da Associação de Moradores de Itaipu, que estavam reunidos na sede da Prefeitura
Distrital da Região Oceânica, foram ao local e conseguiram flagrar o desmatamento,
interrompendo-o. A Prefeitura de Niterói, constatando diversas irregularidades na planta,
cancelou o projeto do condomínio (IEF et al. 1994).
Esse fato desencadeou uma grande mobilização culminando com a criação da
Frente Tiririca. Esse grupo congregou ONGs ambientalistas que promoveram várias ações
chamando atenção para necessidade de proteger a Serra da Tiririca. Deixou de existir em
1990, porém seus integrantes fundaram em novembro de 1989 o Movimento Cidadania
Ecológica. Essa ONG foi bastante atuante na defesa das questões ambientais na década de
90 do século passado. Em 1990 elaborou e encaminhou à Assembléia Legislativa do estado
do Rio de Janeiro, através do Deputado Estadual Carlos Minc, o documento “Exposição de
motivos para criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca”. Sendo assim, o PEST foi
criado pela Lei Estadual nº 1901 de 29/11/1991, estando sua administração a cargo da
Fundação Instituto Estadual de Florestas (IEF-RJ). Essa medida teve o intuito de intuito de
proteger remanescentes da Mata Atlântica que se encontravam extremamente ameaçados
pela especulação imobiliária, entre outras formas de atividades antrópicas.
Em Niterói, a Serra da Tiririca é protegida pelo Decreto Municipal nº 5.902/90,
como Área Permanente de Proteção e, posteriormente, pela Lei Orgânica do Município de
04/04/1991. Em Maricá é considerada Área de Proteção Ambiental (APA) pela Lei
Orgânica promulgada em 05/04/1990, no art. 339. Foi feito seu tombamento provisório a
partir da cota 100 pelo Governo de Estado (D.O./RJ de 06/03/1991).
Teve seus limites em estudo previstos para uma “área em estudo” de 6,96 km2
(2.400 ha), segundo Decreto nº 18.598 de 19/04/1993. Em 10/10/1992 foi reconhecida
internacionalmente como parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela
UNESCO. Apesar de tantas leis de proteção, na prática a conservação dos recursos bióticos
da região só existe no papel (Barros et al. 2003).
A Lei que criou o PEST em seu art. 2 estabeleceu a organização da Comissão Pró
Tiririca com o objetivo de determinar e participar das ações necessárias a sua delimitação e
implantação, bem como da elaboração de seu plano de manejo. Após muitas discussões
22
políticas essa Comissão foi instituída pela portaria do IEF/RJ/PR nº 68 de 26 de maio de
1999. Dessa forma, juntamente com as prefeituras dos municípios de Niterói e Maricá,
elaborou e apresentou ao IEF em 2001 a proposta para os limites definitivos. Esse
documento previu, a redução da área do PEST de 2.400 ha para 1.800 ha, além da inclusão
do Morro das Andorinhas. Faz desvios de condomínios e loteamentos já implantados e
exclui áreas florestadas valorizadas pela especulação imobiliária. Abrange, principalmente,
áreas de antigas fazendas que hoje pertencem a trabalhadores rurais, sitiantes e a empresas
imobiliárias que aguardam a valorização dessas terras e leis mais tolerantes à urbanização.
Esse documento traz à luz, a força da pressão imobiliária sobre o PEST.
A proposta foi remetida à Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro
(ALERJ) e após anos de discussões políticas os limites definitivos do PEST foram votados
e aprovados em 14 de agosto de 2007. A Lei Estadual nº 5079 de 03 de setembro de 2007
estipula duas partes continentais e uma marinha numa área de 2.077 ha. A primeira parte
continental encontra-se entre os Municípios de Niterói e Maricá e a segunda inclui o Morro
das Andorinhas, localizado entre as praias de Itaipu e de Itacoatiara em Niterói. A parte
marinha está inserida entre as pontas do Alto Mourão e do Costão de Itacoatiara, numa
região denominada Enseada do Bananal, avançando 1.700 m mar adentro por uma linha
imaginária. A lei garante os direitos das populações tradicionais de pescadores artesanais
do alto do Morro das Andorinhas e sitiantes tradicionais da Serra da Tiririca.
A luta agora é para reintegrar áreas perdidas. A ONG Protetores da Floresta
encaminhou ao Deputado Estadual Carlos Minc em 1998 um anteprojeto de lei que visa a
inclusão nos limites do PEST da Pedra de Itaocaia (383 m), o Morro da Peça e o Brejo da
Penha no município de Maricá, além das Ilhas Menina, da Mãe e do Pai no município de
Niterói. Contudo, essa proposta foi engavetada e não teve resposta do Deputado.
Existe um esforço para incluir no PEST mais 186 ha do entorno da Laguna de
Itaipu, abrangendo três sítios arqueológicos: Duna Grande, Duna Pequena e Sambaqui
Camboinhas. Essa região já fez parte da Reserva Goethea, criada em 19/03/1932 pelo
então Prefeito Samuel Barreira (Ato nº 11), quando a Região Oceânica de Niterói pertencia
ao município de São Gonçalo. O nome é em homenagem ao centenário de morte do poeta
alemão Johann Wolfgang Goethe. Tinha o objetivo de proteger a fauna e flora local,
sobretudo uma planta ameaçada das restingas fluminenses que ocorria na região, Goethea
23
alnifolia Eichl. (Malvaceae), hoje denominada Pavonia alnifolia A. St. Hil. Essa foi a
segunda Reserva brasileira, sendo a primeira a Reserva Florestal do Acre, criada pelo
Presidente Hermes da Fonseca em 1911. Sua delimitação ficou a cargo da então Diretoria
de Agricultura e Estatística do Rio de Janeiro, contudo nunca sai do papel.
Independente de leis e decretos específicos para a Serra da Tiririca, sua proteção
deveria estar assegurada por uma série de instrumentos legais, sendo considerada uma
Área de Preservação Permanente (Barros et al. 2003) (Anexo). Além disso, o IEF-RJ, no
exercício da sua atribuição fiscalizadora, autua o infrator ambiental, lavrando autos de
constatação e de infração, encaminhando-os para o Conselho Estadual de Controle
Ambiental (CECA). Esse órgão estipula o valor da multa e notifica o infrator para seu
pagamento ou apresentação de defesa, que é examinada e decidida pelo seu colegiado.
Além da CECA, existem dois outros órgãos colegiados, o Fundo Estadual de Conservação
Ambiental (FECAM) e o Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONEMA), cujas ações
podem subsidiar e orientar a atuação do IEF-RJ na administração do PEST (Conceição
2000).
Contudo, o IEF–RJ é falho no exercício de suas atribuições. Nunca conseguiu se
firmar como órgão responsável pela política florestal fluminense. É notório o sucateamento
do órgão devido à falta de infra-estrutura e ao quadro precário de funcionários. No PEST,
por exemplo, os administradores sempre foram contratados e, em alguns casos,
despreparados para exercer o cargo. Essa situação, associada ao péssimo funcionamento da
fiscalização, levou o Banco de Reconstrução Ambiental Alemã (KFW – Kreditanstal fur
Wiederaufbal) a retardar a liberação de fundos para proteção florestal até que o IEF-RJ
resolvesse esses problemas e se adequasse às exigências de qualidade do banco. Esse
quadro vem se modificando lentamente (Vallejo 2004). A Prefeitura de Maricá doou um
terreno em Itaipuaçu, onde foi construída a sede do PEST e existe uma guarita de controle
de acesso ao complexo do Costão de Itacoatiara, Alto Mourão e Enseada do Bananal.
Recentemente foram colocadas placas informativas em algumas localidades, mas são ações
insuficientes para conter a devastação antrópica ao qual a Serra da Tiririca está sujeita.
Sendo assim, a ONG Protetores da Floresta, verificando a omissão do órgão gestor
do PEST na sua implantação decidiu ajuizar uma Ação Civil Pública Ambiental (ACPA),
que foi encaminhada a 2º Vara de Fazenda Pública da Capital, sob o número
24
2001001059390-2, em maio de 2001. A ACPA teve como objetivo fazer com que o IEFRJ, Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMADS) e
Governo do estado do Rio de Janeiro, na qualidade de réus, implantassem o PEST,
conforme determinado pelo § 1° do art. 1° da Lei 1.901/91. Além disso, custear a
demarcação dos limites definitivos, fiscalizar e administrar a então área de estudo (área
determinada pelo Decreto Estadual 18.598/93 – combinado com a Portaria IEF/RJ/PR/N°
014/94) até a demarcação definitiva, item este com pedido de tutela antecipada (Barros et
al. 2002). Essa ACPA seguiu os trâmites legais e 07 anos depois, após várias audiências e
recursos previstos nas leis, ainda não foi dada à sentença final.
3. RELEVO, GEOMORFOLOGIA, GEOLOGIA E SOLO
A Serra da Tiririca está inserida na porção litorânea da Serra do Mar. É formada por
um conjunto de montanhas com altitude média aproximada em torno de 250 m. Apresenta
sete Morros: Telégrafo (387 m), Alto Mourão (412 m), Catumbi (344 m), Serrinha (277
m), Cordovil (256 m), Costão de Itacoatiara (217 m) e Penha (128 m) (Barros & Seoane
1999) que constituem o Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST). Recentemente foi
incluído na área do Parque o Morro das Andorinhas (196 m) (Figura 3).
É considerada um divisor de águas de direção NE – SW, que acompanha a
estruturação regional da Faixa Móvel Ribeira, contrastando com as planícies costeiras do
estado do Rio de Janeiro (Bergamaschi & Almeida 2007). Sua geomorfologia é similar ao
relevo característico do litoral do Rio de Janeiro, com costões de granito-gnáissicos
alternados com as planícies arenosas holocênicas de origem marinha-continental.
O Projeto RADAM incluiu a Serra da Tiririca na unidade geomorfológica de Colinas
e Maciços Costeiros. Essa unidade tem como características marcantes o alinhamento de
morros de perfis arredondados, conhecidos como “Pães de Açúcar”, além de paredões com
afloramentos rochosos cobertos por uma fina camada de detritos onde cresce a vegetação.
Os morros escarpados apresentam paredes que mergulham diretamente no mar ou
permanecem sob estreita faixa de planície litorânea. Os Maciços Costeiros estão
circundados pela unidade de Planície Costeira, localizada na faixa de dobramentos
remobilizados, que se estendem ao longo da costa do estado do Rio de Janeiro
(Multiservice 1995).
25
Segundo Heilbron et al. (2004) a Serra da Tiririca está situada na Província
Mantiqueira, entidade geológica que consiste em faixas móveis de idade brasiliana (750 a
480 Ma) que acompanham a atual costa leste brasileira e uruguaia. Na região sudeste do
Brasil aflora a Faixa Ribeira, nesta região surgem rochas ígneas e metamórficas de alto
grau. A Faixa Ribeira Central (FR) é o substrato geológico do estado do Rio de Janeiro e
de partes dos estados vizinhos, sendo compartimentada em terrenos representantes de
antigas massas continentais. Essas massas se aproximaram e colidiram durante a
Orogênese Brasiliana (650-480 Ma) devido a episódios de convergência litosférica que
culminaram na formação do super continente Gondwana (Bergamaschi & Almeida 2007).
A geologia também é similar a da região costeira, compreendida entre Parati e
Saquarema. Nesse trecho do litoral as rochas graníticas intrusivas ou anatéticas, que datam
do período Pré-Cambriano com idades entre 630 e 480 milhões de anos. Estas se
estabeleceram em meio a uma grande bacia sedimentar durante a colisão continental do
evento brasiliano (Bergamaschi & Almeida 2007). Compreende as unidades geológicas de
gnaisse facoidal e Cassorotiba. A unidade gnaisse facoidal apresenta rochas típicas de
Niterói, formando um complexo que se estende de Piratininga a Itaipu. São rochas
homogêneas e caracterizadas pela presença de porfiroblastos ovais, constituídos por Kfeldspato com estrutura cristalina, dando a rocha uma textura lenticular (Penha 1999). A
Unidade Cassorotiba é encontrada entre Itacoatiara e Maricá, sendo constituída por
gnaisses porfiroblásticos. Estes apresentam associações complexas agrupadas em duas
fases distintas de formação: uma sintectônica, representada por granitóides com face
facoidal e outra por granitos pós-tectônicos (Ferrari et al. 1982). Uma estrutura bem
característica dessa formação são os diques de pigmatitos e veios de quartzo orientados de
nordeste para sudoeste que formam riscos nas rochas como no Costão de Itacoatiara (tupi
guarani - ita= pedra, cuatiara= riscada).
A decomposição das rochas originou solos rasos, onde partículas minerais foram
transportadas pela ação das chuvas, ventos e, principalmente, por processos gravitacionais.
Estas partículas se depositaram em rampas menos íngremes ou acumularam-se em frestas
dos paredões rochosos. Os solos são do tipo alissolo crômico, luvissolo hipocrômico,
neossolo litólico e formações turfosas (Multiservice 1995), adaptado de acordo com a
classificação de solos proposta por Zimback (2003). O solo alissolo crômico é encontrado
recobrindo as áreas mais elevadas do maciço (Multiservice 1995).
26
A
C
E
B
D
F
H
Figura 3: Diferentes localidades do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. A. Morro do
Alto Mourão – vista da Praia de Itacoatiara, Niterói, B. Morro Cordovil, Niterói; C. Costão de Itacoatiara,
Niterói; D. Morro das Andorinhas, Niterói; E. Mata da Enseada do Bananal, Niterói; F. Enseada do Bananal,
Niterói; G. Vale do Córrego dos Colibris, Niterói e H. Morro do Telégrafo, Maricá, vista de Itaipuaçu.
27
4. CLIMA
O clima da região é influenciado pela presença das massas de ar Equatorial
Continental no verão e Tropical Atlântico durante o restante do ano, além da passagem
freqüente de frentes polares, principalmente durante a primavera. É enquadrado na zona
climática das planícies e maciços costeiros com precipitação média entre 1.000 e 1.500
mm/ano (Barbiére & Coe-Neto 1999).
Segundo esses mesmos autores, na área dos
maciços costeiros a quantidade de chuva aumenta gradualmente na direção sudestenordeste, principalmente para regiões mais interioranas, onde ocorrem os primeiros sinais
do clima tropical. A área do presente estudo se insere justamente na transição
pluviométrica entre a planície costeira e o maciço costeiro. Na figura 4 é mostrada a
variação da precipitação em três diferentes estações próximas a área de estudo, sendo as
Precipitação (mm)
estações do Horto Florestal e da Ilha do Modesto (Piratininga) localizadas em Niterói.
Meses
Figura 4: Precipitação anual nas estações metereológicas do Horto Florestal, Ilha do Modesto e Maricá,
RJ (Barbiére & Coe-Neto 1999).
Pela classificação de Köppen o clima é do tipo Aw, ou seja, quente e úmido, com
estação chuvosa no verão e seca no inverno (maio e junho). A estação chuvosa inicia-se na
primavera, culminando no verão nos meses de dezembro e janeiro, quando ocorre intensa
precipitação pluviométrica. Corresponde a 60% do total anual, porém não excede 171
mm/mês. Em fevereiro há uma queda no volume das chuvas. Contudo em março, devido à
chegada de massas frias, registram-se chuvas intensas. A menor precipitação se dá nos
meses de julho e agosto (Figura 5), quando fica abaixo de 60 mm. A temperatura média
está em torno de 23oC, sendo janeiro e fevereiro os meses mais quentes e o mais frio em
junho. O vento predominante é o nordeste (Bernardes 1952).
28
200
40
Precipitação
150
30
100
20
50
10
0
JAN
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
Temperatura (o C)
Precipitação (mm)
Temperatura
0
DEZ
Meses
Figura 5: Diagrama ombrotérmico do Município de Niterói - Dados do INMET, Estação
Meteorológica do Horto Florestal 1931/75.
5. HIDROGRAFIA
A Serra da Tiririca compreende as nascentes de rios das macrobacias da Região
Oceânica e da Baía da Guanabara, que são protegidas pela vegetação ali encontrada. A
macrobacia da Região Oceânica apresenta os seguintes rios com nascentes na Serra da
Tiririca: Rio João Mendes, Córrego Tiririca ou Colibri, Valão de Itacoatiara, Córrego da
Moréia, Córrego da Perereca Branca e Córrego Bebedouro dos Caranguejos, que deságuam
na Laguna de Itaipu. Fazem parte da macrobacia da Baía da Guanabara com nascentes na
Serra da Tiririca: Rio do Ouro, Rio Várzea das Moças e Bacia do Rio Aldeia, que drenam
para a Baía da Guanabara (Prefeitura de Niterói 1992). No lado do município de Maricá
nascem os Rios Inoã e Itaocaia, que drenam para o Canal de São Bento, desaguando no
Oceano Atlântico na altura da ponta do Alto Mourão.
A bacia do Rio João Mendes é a mais importante da região e apresenta uma área de
14,6 km2, sendo caracterizada pela intensa ocupação do seu vale. Recebe toda
contaminação de esgotos que são lançados in natura no seu leito. Carneiro et al. (1994),
em estudo realizado na região, constataram altas concentrações de nutrientes na água dos
rios, tais como nitrogênio inorgânico total (N-Nit), ortofosfato (P-PO4), carbono orgânico
particulado (C.O.P.) e oxigênio dissolvido (O.D.). Esse fato caracteriza ambientes
eutrofizados devido à ocupação humana. Dos demais rios e córregos não há informações
sobre a qualidade da água. Durante muitos anos não existiu sistemas de tratamento ou
29
recolhimento de esgotos sanitários, sendo estes despejados nos cursos d’água e alagados
que drenam para a Lagoa de Itaipu. Porém, a partir de 2000, a empresa Águas de Niterói
iniciou o abastecimento de água tratada para a região e, posteriormente, estabeleceu uma
estação de tratamento primário e secundário de esgoto próximo a Lagoa de Itaipu.
Contudo, esse serviço não é disponibilizado para toda Região Oceânica e a situação da
bacia do Rio João Mendes não se modificou.
A região do Córrego dos Colibris é uma das mais importantes áreas do PEST e
constantemente é alvo de pressões de empresas imobiliárias, como a Mattos & Mattos, que
tenta implantar loteamentos bem próximos ao seu leito (Barros et al. 2002). Este córrego
apresenta água cristalina e uma seção média de 0,50 m, com profundidade de 0,15 m.
Registra-se a presença do caranguejo de rio Trichodactylus sp., um crustáceo que não
tolera ambientes pouco oxigenados e/ou poluídos. Na região externa do Parque, o córrego
é canalizado, passando a receber esgotos domésticos (Multiservice 1995).
O Córrego da Moréia também apresenta água cristalina e possui uma seção média
0,15 m, com profundidade da ordem de 0,05 m. Este sofre constantes incêndios nas áreas
próximas a sua nascente, o que vem diminuindo seu volume d’água. O Córrego Bebedouro
dos Caranguejos apresenta uma vazão baixíssima, podendo secar em épocas de estiagem,
com largura de apenas 0,05 m (Multiservice 1995).
O número de nascentes e córregos vem diminuindo aceleradamente nos últimos
anos, devido à destruição da cobertura vegetal. Isso aumenta os processos erosivos,
diminui a recarga natural do lençol freático e modifica o clima. Muitos desses córregos só
apresentam água nos meses de maior pluviosidade, drenando para as regiões de baixada e
alimentando brejos e a Lagoa de Itaipu.
6. VEGETAÇÃO
Embora os municípios de Niterói e Maricá estejam localizados próximos aos
grandes centros de pesquisa do Rio de Janeiro são pouco conhecidos em relação à
diversidade florística da floresta ombrófila densa. Em Maricá os trabalhos concentram-se
principalmente na restinga da área de Preservação Ambiental de Barra de Maricá (Silva &
Somner 1989, Ribas et al. 1993, Pereira et al. 2001). Em Niterói as primeiras informações
foram publicadas a partir da década de 80 do século passado com os trabalhos de Araujo
& Vilaça (1981) no Morro das Andorinhas, Lopes (1992) no Alto Mourão, Meirelles
30
(1999) no Costão de Itacoatiara e Fevereiro & Santos (2001) no que sobrou da Restinga de
Itacoatiara. Embora existam outras áreas florestadas as informações florísticas estão
disponíveis apenas nas coleções de herbários, que são muito pobres em relação à flora de
Niterói.
Em levantamento realizado no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
(RB) para coletas realizadas no estado do Rio de Janeiro, Marques & Novaes (1996)
mostraram que o município de Niterói é representado por apenas 0,38% das coletas e
Maricá com 1,76%. Em Maricá essa amostragem refere-se principalmente a Restinga de
Maricá. Avaliando os dados da coleção do RB para Niterói percebem-se coletas muito
antigas com amostras obtidas por Glaziou no Morro da Viração e Morro do Cavalão, além
de J.G. Schwacke na Restinga de Itaipu, ambos no século XIX. No início do século XX
foram feitas coletas por J.G. Kuhlmann na Restinga de Piratininga, além de A.C. Brade na
Restinga de Itaipu e no Morro do Imbui. No final da década de 60 D. Sucre também
coletou nas Restingas de Itaipu e Piratininga e depois só na década de 80 foram registradas
coletas de R.H.P. Andreata, C.F.C. de Sá e G. Martinelli no Alto Mourão. Muitas áreas
ainda florestadas precisam ser investigadas em Niterói como a Reserva Ecológica Darcy
Ribeiro, Morro da Viração, Morro do Santo Inácio e o Complexo dos Fortes em Jurujuba.
A Serra da Tiririca está inserida no Bioma Mata Atlântica. No âmbito
internacional, segundo o código numérico nomenclatural e a classificação biogeográfica
mundial, a Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro é enquadrada na região
fitogeográfica nº 8 (Região Neotropical), na província biogeográfica nº 7 (Serra do Mar) e
no grupo nº 01 (Floresta Tropical Úmida). Recebe a notação 8.07.01, para fins de
caracterização e localização planetária. Pela classificação fitogeográfica de Veloso et al.
(1991) a vegetação do PEST corresponde a extensas áreas cobertas por floresta ombrófila
densa submontana. Este tipo de formação florestal ocorre na faixa de altitude entre 50 500 m no relevo da Serra do Mar, nos contrafortes litorâneos e nas ilhas (Oliveira 1985).
O relevo apresenta encostas íngrimes e pequenos vales que são cobertos por
vegetação em vários estádios sucessionais. O mosaico florestal é resultado de
transformações naturais, mas, sobretudo, de atividades humanas no local devido aos
diversos tipos de uso da terra. Parte da vegetação original foi derrubada e as encostas
ocupadas por antigos sítios que foram abandonados a cerca de trinta anos atrás. Uma
31
prática comum na região era o cultivo de banana, produção de carvão, culturas de
subsistência e recentemente capineiras para alimentação de cavalos dos haras da região.
Restam poucos bananais, presentes principalmente na encosta voltada para o Engenho do
Mato, em Niterói. Dessa forma, a floresta que veio abaixo, hoje está se recuperando
naturalmente. Embora grande parte corresponda a formações secundárias é possível
encontrar fragmentos de vegetação com alto grau de desenvolvimento sucessional nos
topos de morros.
Na Serra da Tiririca em alguns pontos do maciço cristalino aflora o gnaisse
facoidal formando os inselbers. Essa região apresenta uma fisionomia típica de ambientes
sujeitos escassez de água e solos rasos onde predominam plantas herbáceas e
subarbustivas, principalmente Cactaceae, Bromeliaceae e Cyperaceae. A rocha pode
apresentar fendas com acúmulo de sedimento e, nesse caso, observa-se plantas de porte
arbustivo. Em algumas áreas do Costão de Itacoatiara forma-se uma mata de médio porte
com presença de espécies arbóreas que podem chegar até 10 m de comprimento.
Também ocorrem áreas alagadas adjacentes a Serra da Tiririca. Forma um sistema
integrado pela água proveniente das nascentes localizadas nas encostas da Serra, que
descem pelos vales em direção a regiões mais planas formando brejos. Destacam-se
aqueles ao redor da Lagoa de Itaipu, Brejo do Telégrafo, Brejo das Pacas e o Brejo da
Penha, este último localizado próximo ao Morro da Penha, em Itaipuaçu. Essas áreas
alagadas apresentam uma biota própria que vem sendo bastante ameaçada, devido aos
aterros ilegais para ocupação de populações de alta e baixa renda. Contudo, os brejos
representam à interface entre o meio terrestre e aquático, tendo grande importância para
alimentação de aves migratórias. São ambientes onde ocorrem espécies endêmicas da
fauna aquática, que podem ser extintas facilmente. No programa de implantação do PEST,
estava previsto a inclusão do Brejo da Penha no Parque devido a sua importância como
parada de aves migratórias. Contudo, esse brejo foi bastante reduzido devido aos aterros
para invasões de baixa renda.
7. ASPECTOS HISTÓRICOS DA OCUPAÇÃO
A ocupação humana na região é muito antiga, quando grupos nômades préhistóricos de caçadores-coletores percorriam o litoral de Itaipu em busca de alimento. Os
32
estudos demonstraram faixas cronológicas de 7.958, 4.475, 2.328 e 1.410 AC (Kneip &
Pallestrini 1984). Foram hábeis na fabricação de utensílios líticos a partir dos afloramentos
rochosos de gnaisse facoidal, basalto, quartzo e quartzito das proximidades. O registro de
sambaquis na região de Itaipu é um testemunho dessa atividade (Kneip et al. 1981).
Desenvolveram uma economia mixta que englobava principalmente a pesca e coleta de
moluscos, frutos, sementes e raízes silvestres, demonstrando um amplo aproveitamento
dos recursos naturais para sobrevivência (Beltrão 1978). Os Sambaquis da Duna Grande,
Duna Pequena, Camboinhas e de Anomalocardia mostram essa antiga relação do homem
com a exploração da diversidade biológica local. O Sambaqui de Camboinhas foi
descoberto durante os trabalhos de terraplanagem da Companhia de Desenvolvimento
Territorial VEPLAN e sobre ele foi construído um apart hotel. O Sambaqui da Duna
Pequena foi destruído na construção da estrada de Camboinhas e sobre o de
Anomalocardia existe uma pequena praça de retorno na Praia de Itaipu. Contudo, ainda
resta o Sambaqui da Duna Grande, descoberto em 1960 e tombado pelo SPHAN em
26/07/1961 através da Lei Federal nº 3.924 (Kneip et al. 1981).
Mais tarde estabeleceram-se na região aldeias de índios Tamoios ou Tupinambás da
nação Tupi, que habitavam as zonas de lagunas e enseadas do litoral de Cabo Frio até
Angra dos Reis. No momento da chegada dos primeiros europeus, esses índios viviam em
aldeias ou tabas. A aldeia era a maior unidade política das sociedades indígenas. Cada uma
tinha autonomia e reconhecia como autoridade maior o seu chefe, tuxuaua, morubixaba ou
cacique. Os índios viviam da agricultura de subsistência, caça de demais recursos da
natureza. Em Niterói existiam muitas aldeias como Icaraí, Itauna, Nurucuné, Arapatué,
Urapué, Uraramery e Caramacuy (Freire & Malheiros 2000). Muitos dos nomes dos
lugarejos da região têm origem indígena fazendo referência à presença desse povo
(Tibiriçá 1985): Itaipu (ita-ypu) - fonte das pedras; Itaipuaçu (ita-ypu-açu) - fonte das
pedras grandes; Itacoatiara (ita-cuatiara) - pedra riscada; Itaocaia (ita-ocaia) - choça de
pedra; Inoã (nho-ã) - campo alto; catumbi (caá-tubi / caá-tubira) - mato cinza pardacento;
Piratininga (pira-tininga) - peixe seco.
Com a chegada dos portugueses há 508 anos atrás teve início a exploração
mercantilista do pau-brasil, para extração do corante vermelho brasilina, até meados do
Século XIX. O comércio foi tão lucrativo que em 1535 a Coroa Portuguesa declarou sua
exploração monopólio real e em 1605 o Regimento do Pau-brasil estabeleceu a pena de
33
morte aos infratores (Aoki et al. 2000). Em relatório ao seu sucessor, o vice-rei do Brasil
Dom Luiz de Almeida Portugal (Marquês do Lavradio), que governou de 1769 a 1779,
relata o intenso comércio dessa árvore na região de Niterói e São Gonçalo (Braga 1998).
Após a independência, o governo declarou o pau-brasil patrimônio nacional, sendo sua
exploração e comercialização monopólio do Estado. No século XIX a Coroa Portuguesa
regulamentou o corte do pau-brasil no Rio de Janeiro e Espírito Santo através de Decreto
datado de 20/10/1817. Apesar da legislação, sempre houve contrabando desta madeira,
como comprovado em Itaipu em 1845 por João Pinto de Lacerda, que mandou derrubar nos
matos de sua fazenda uma porção de pau-brasil (Casadei 1988). Com o advento da
revolução industrial foram desenvolvidos corantes artificiais que substituíram àqueles
extraídos diretamente das plantas. Contudo, grande parte da Mata Atlântica foi devastada,
resultando na quase extinção dessa espécie, que antes se distribuía na faixa litorânea
brasileira, do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro (Cunha & Lima 1992). Apesar disso,
ainda é possível encontrar populações nativas de pau-brasil no município de Niterói (Serra
da Tiririca, Serra do Malheiro e Morro da Viração).
A fixação do colonizador fez com que a região fosse dividida em grandes sesmarias
no século XVII em resposta a necessidade de povoamento e defesa do litoral brasileiro que
se encontrava a mercê de corsários, aventureiros e franceses. A região de Piratininga
(Figura 6) foi doada por Estácio de Sá a José Adorno (400 braças ao longo da costa e 600
braças para o interior). Mais tarde, essa sesmaria foi concedida por Martim de Sá a José
Gonçalves Malheiro no início do século XVII. Outra sesmaria importante na região foi a de
Duarte Martins Mourão, que ganhou a terra de Sua Majestade Rei de Portugal em janeiro de
1567, por combater os índios e os franceses que tentaram invadir o litoral do Rio de Janeiro.
Essas terras compreendiam 3.000 braças de costa por 4.500 braças de sertão, estendendo-se
da Praia de Itaipu até a Laguna de Maricá (Simão 1979). Em 1661, seu filho Diogo Mourão
requisitou formalmente a Sesmaria que se estendia desde a Barra da Lagoa de Piratininga
até as proximidades da Pedra de Inoã, em Maricá (Casadei 1988). Juntamente com seus
escravos iniciou o processo de ocupação da região para fins agrícolas construindo
benfeitorias no local. Hoje seu nome é referência geográfica para o Alto Mourão, também
conhecido como Pedra do Elefante ou Falso Pão de Açúcar.
34
Figura 6: Carta Portuguesa da Baía de Guanabara, Rio de Janeiro de Luiz Teixeira, datada de 1574 (Braga
1998).
Em 12/01/1755 foi criada por alvará a Freguesia de São Sebastião de Itaipu, cujas
terras pertenceram à sesmaria de José Gonçalves Malheiros. Teve origem a partir de um
povoado iniciado por volta de 1587. No período de 1779 a 1789 tinha uma população de
1.279 habitantes (Braga 1998). Em 1819 passou a compor a Vila Real da Praia Grande,
juntamente com as freguesias de São Batista de Carahy (hoje Icaraí), São Lourenço dos
Índios e São Gonçalo do Amarante (Welrs 1984). A Freguesia São Lourenço dos Índios
originou-se da sesmaria doada ao Índio Araribóia (Cobra de Tempestade – Martim Afonso
de Souza), cacique nos Temiminós, por Mém de Sá em 16/03/1568 pelos serviços prestados
na expulsão dos franceses e índios do litoral do Rio de Janeiro (Lessa 1991).
Em 1716 foi construída por padres jesuítas a capela em devoção a São Sebastião no
Morro das Andorinhas, na vertente voltada para a Praia de Itaipu. Em 1721 foi elevada a
Paróquia, entrando na classe das igrejas perpétuas pelo alvará de 12/01/1755. O primeiro
pároco foi o Padre Manuel Francisco da Costa (Pizarro & Araújo 1946). A construção
35
perdurou ao longo do tempo e hoje é a Igreja Matriz de São Sebastião de Itaipu. Em 1763
foi construída próxima a capela o Recolhimento de Santa Tereza a mando do vigário
Manoel da Rocha. Tinha o intuito de abrigar mulheres pela vocação religiosa ou “cujas
circunstâncias da vida forçavam a procurar castigo dos pecados cometidos”. Além disso,
para ali eram encaminhadas jovens e esposas de fazendeiros a serem “preservadas”,
quando eles precisavam empreender longas viagens. Durante algum tempo o recolhimento
funcionou ilegalmente, apesar de ser apoiado pelo Bispo do Rio de Janeiro e pelo Vice-Rei
da época, D. Luis de Vasconcelos, até que a Rainha Portuguesa, Dona Maria, a piedosa,
desse o seu consentimento oficial (Welrs 1984). O projeto arquitetônico foi realizado com
pedras fixadas com óleo de baleia. Hoje as ruínas dessa construção abrigam o Museu de
Arqueologia de Itaipu, vinculado ao sítio arqueológico da Duna Grande, sendo tombada
pelo patrimônio Histórico (INEPAC). Em Itacoatiara também podem ser encontradas as
ruínas da antiga capela de Nossa Senhora da Conceição, erguida no século XVIII, que
apresenta o mesmo estilo arquitetônico do Recolhimento de Santa Tereza. Hoje essa área
encontra-se dentro do Condomínio Ubá Itacoatiara, sendo o acesso restrito a visitação. No
final do século XX a administração do condomínio queria demolir o que sobrou das ruínas
para construção de área de lazer para os moradores. Também fazem parte da Paróquia as
capelas históricas de Nossa Senhora do Bonsucesso e Nossa Senhora da Assunção datadas
do século XVIII, ambas em Piratininga.
A história da região está intimamente ligada ao município de São Gonçalo, uma vez
que a Freguesia de Itaipu passou a pertencer a esse município em 22/09/1890, fazendo
limite com a freguesia de São Batista de Caray. Após várias mudanças dos limites
territoriais a reforma administrativa do estado do Rio de Janeiro, através do Decreto-Lei
estadual nº 1.055 de 31/12/1943, reincorporou definitivamente o Distrito de Itaipu a Niterói.
O Decreto-Lei estadual nº 1.056 de 31/12/1943 separou Niterói em dois Distritos (Niterói e
Itaipu). No Decreto-Lei estadual nº 1.063 de 28/01/1944 passam a ser considerados
respectivamente 1º e 2º Distritos (Welrs 1984).
As primeiras grandes transformações ambientais começaram a ocorrer a partir do
século XVI devido às práticas extrativistas, sendo a região ocupada principalmente para
fins agrícolas. No século XVIII havia quatro engenhos de cana-de-açúcar na região,
Fazenda Engenho do Mato (açúcar), Ipiíba de Malheiros (açúcar, aguardente e café),
Piratininga (açúcar, aguardente, café e “mantimentos”) e Santa Eulália (açúcar). Em
36
Registro de Cartório datado de 1779, Jorge Lemos Parady relata ao Vice-Rei, Marquês do
Lavradio, que na região de Itaipu existiam 107 fogos (residências), além de 4 engenhos
com 138 escravos e produção de 79 caixas de açúcar e 76 pipas de aguardente (Palmier
1940). Wehrs (1984) também destaca nessa época a Fazenda Arrozal (açúcar, mandioca,
milho, feijão e arroz), localizada em Piratininga. Sobre a Fazenda Itacoatiara não há muita
informação, consta apenas que em 1745 pertencia a Luiz José Viana, filho do antigo
Capitão Mor da Cidade, Domingo Viana Bispo. Grande parte da Serra da Tiririca está
inserida na antiga Fazenda Engenho do Mato (Vallejo 2005), Ipiíba de Malheiros e
Itaocaia.
No lado do atual município de Maricá destaca-se a Fazenda Itaocaia (açúcar e
aguardente). Não foram encontrados registros de seus primeiros donos ou do ano de
fundação, mas consta no livro de registro de terras datado de 01/08/1854 que pertenceu aos
Visconde e Viscondessa da Vila Real da Praia Grande, Caetano Pinto de Miranda
Montenegro e Maria Elisa Gurgel do Amaral e Rocha respectivamente (Casadei 1988). O
estilo arquitetônico é similar às demais fazendas do século XVIII da região. A
denominação da Fazenda vem da Pedra da Tocaia, onde mercadores com tropas de burro,
que se dirigiam á Cabo Frio, eram tocaiados e roubados. Esse antigo caminho dos índios
foi aproveitado pelos colonizadores e atravessava a Serra de Itatendiba, ligando
Guaxindiba (atual Itaboraí) à Cabo Frio, passando pelas Restingas de Maricá e da
Massambaba (Figueiredo 1951). A Fazenda situava-se em parte na Freguesia de São
Sebastião de Itaipu e outra na de Maricá. Confrontava-se por um lado com a Fazenda
Engenho do Mato e Ipiíba de Malheiros, por outro lado pelas Fazendas de Inoã e Taquaral
até a Pedra de Inoã. Pelo lado do mar fazia limite com as terras do Mosteiro de São Bento
até o marco que se acha na Pedra de Itaocaia, finalmente desse marco até a Serra de
Itaipuaçu (Serra da Tiririca) (Casadei 1988). Quando o naturalista Charles Darwin passou
pelo Rio de Janeiro, atravessou a Serra da Tiririca foi em direção a Cabo Frio por esse
caminho e parou na Fazenda Itaocaia em 08/04/1832. Nessa época a Fazenda pertencia a
João Machado Nunes e sua esposa Catarina Luiza Machado. No século XX a sede da
fazenda foi hipotecada ao Banco do Brasil e passou por total estado de abandono. Na
década de 70 foi arrendada pela MELGIL Empreendimentos Imobiliários. Hoje as terras ao
redor da sede foram loteadas.
37
Outra Fazenda da região compreendia as terras do Mosteiro de São Bento (Fazenda
São Bento), que têm continuidade com as da Fazenda Itaocaia, seguindo até a barra de
Itaipuaçu. Os monges receberam a sesmaria do governador Rodrigo Miranda Henriques em
31/10/1635, sendo fundada com o objetivo de servir como pólo evangelizador. Mas tarde
compraram a sesmaria de Duarte Martins Mourão das mãos de terceiros, além de partes de
outras sesmarias. Dessa forma, a propriedade tomou um cunho agrícola e pastoril de
grande porte, sendo um local centralizador e propulsor do município de Maricá (Figueiredo
1951).
Os ciclos da cana-de-açúcar no século XVII e do café no século XVIII promoveram
ainda mais a devastação da vegetação nativa para dar lugar a essas monoculturas. O cultivo
da cana-de-açúcar ocupou principalmente áreas de baixadas, mas o café subiu as encostas
dos morros. Na região de Itaipu, apenas as áreas de restingas não foram mexidas, como ao
longo do litoral do estado do Rio de Janeiro, pois seu solo não se prestava para a
agricultura. Contudo, com a especulação imobiliária a partir de meados do século XX esse
perfil se inverteu. A devastação atingiu os maciços cristalinos durante o século XIX com o
ciclo do café (Bernardes 1957). Apesar do declínio econômico das práticas agrícolas, esta
continuava a ser uma atividade muito importante, principalmente até próximo à abolição
da escravatura no final do século XIX (Sousa 2001).
Após essa fase a floresta se recompôs, porém na década de 30 do século XX, a
floresta veio abaixo novamente para dar lugar a um novo ciclo econômico com o plantio de
frutas cítricas (Bernardes 1957). Devido ao ataque de fungos, esse tipo de cultura foi
abandonado e o plantio de banana tornou-se uma das principais atividades agrícolas da
região. Relatos de moradores antigos, como “Seu Quero-Quero”, contam que a produção
era levada em lombo de burro e cavalo para comercialização no Centro de Niterói, onde
hoje é a Praça São João.
Palmier (1940) destaca na região a exploração mineral de caolin, argila e feldspato,
além da indústria cerâmica (CROL – Cerâmica Rio do Ouro Ltda). Inclusive a argila
extraída da Fazenda Engenho do Mato foi utilizada na fabricação de tijolos para construção
da Siderúrgica Nacional de Volta Redonda. Outra atividade muito importante na região foi
à exploração de lenha e carvão que devastou as reservas florestais. Ainda hoje, em meio à
vegetação em regeneração, é possível encontrar as áreas onde existiam os ”balões de
carvão”.
38
A decadência da atividade agrícola e a proximidade com o mar predispuseram a
região à especulação imobiliária, o que gerou conflitos com posseiros. A construção em
1923 da estrada ligando a Região Oceânica à zona sul e centro de Niterói facilitou o acesso
à região. As antigas Fazendas deram lugar aos loteamentos a partir de meados do século
passado. É o caso da Fazenda de Itacoatiara, loteada por seus proprietários, Mathias Sandri
e Francisco Felício, em 1938, e que deu origem ao bairro de Itacoatiara em Niterói.
Em 1935 a Fazenda Itaipu é herdada por Eugênio Francisco Mendes e João das
Chagas Mendes, a partir do espólio de D. Antônia das Chagas Mendes, incluindo as
benfeitorias e a Laguna de Itaipu, uma área de 6.722.500 m2. Em 1939 vendem a
propriedade a Albert Sampaio Coulamy, que a vende em 1942 a Cândida de Souza
Guimarães. A Companhia Territorial Itaipu S/A, de propriedade de José Pizarro, comprou
as terras em 1943 e deu início ao Loteamento Cidade Balneária de Itaipu (2.143 lotes) com
a aprovação na prefeitura do Bairro Atlântico (Motta 1983). Em 1944 o então Prefeito de
Niterói, Dr. Brandão Júnior, apresentou o Plano Urbanístico da cidade, já levando em
consideração sua expansão em direção às praias oceânicas. Desde essa época o poder
público já era conivente com a especulação imobiliária. Em 1946 o DNOS (Departamento
Nacional de Obras e Saneamento) finalizou o Canal de Camboatá, ligando as Lagunas de
Piratininga e Itaipu. Esse canal tinha o objetivo de evitar o alagamento de suas orlas
(Coelho 1983), além de drenar a região para ser loteada. Essa ação reduziu em três vezes a
área do espelho d’água da Laguna de Itaipu e permitiu a venda de lotes subaquáticos desde
essa época.
A Fazenda Engenho do Mato foi adquirida de Francisco de Paula Antunes em
24/07/1933 por Fábio de Azevedo Sodré e sua mulher Irene Lopes Sodré. Em 1939 o casal
se separa e em 1941 é feita à partilha do desquite, sendo a fazenda dividida em duas partes
(norte e sul). Irene fica com a parte sul onde está inserida a Serra da Tiririca. A parte da
Fazenda que ficou com o Fábio de Azevedo Sodré deu origem em 1949 aos Loteamentos
Maravista com 6.195 lotes e Soter Fazendinha com 2.599 lotes.
Em 1946, devido a dívidas de jogo, Irene Lopes Sodré hipoteca parte da Fazenda ao
Banco Português do Brasil. Com sua morte, os herdeiros contratam, em 1948, Fernando
Suarez de Mendonza para implementar o primeiro loteamento, com 131 quadras e 4.135
lotes, que veio a denominar-se Jardim Fazendinha – Itaipu e o segundo com 5 quadras e
39
119 lotes, Parque da Colina. Foi excluída desse loteamento a Gleba A. Pelo mesmo
contrato, Fernando Suarez de Mendonza torna-se procurador do espólio na administração
dos loteamentos. Na 33º cláusula, os credores, representados pelo Banco Sul Americano do
Brasil, concordam em levantar a hipoteca que recai sobre os lotes à medida que forem
integralmente pagos pelos compradores. Em 1949 substabelece sua procuração para
Empresa Imobiliária e Comercial Terrabraz Ltda, que passa a administrar o loteamento.
Em 1953 os herdeiros de Irene Lopes Sodré passam escritura definitiva da Gleba A para
Antônio Carlos França Ourívio. Em 1955 essa área dá lugar ao loteamento Vale Feliz com
542 lotes e quadras nomeadas de A - Z. Em 1959 a Terrabraz vende para Sebastião Lyra
Gomes Pedrosa a antiga sede da Fazenda, datada de 1759, e 20.138 m2 que a circundam.
Hoje a construção histórica pertence à Fundação Leão XIII, sendo um abrigo para
moradores de rua. Em 18/01/1962 é decretada a falência da Terrabraz. Em 1968, Hirson
Bezerra Fernandes adquire quotas da Terrabraz e conseqüentemente as áreas pertencentes à
empresa. Essa pessoa se tornou um dos grandes problemas ambientais da região, loteando
áreas dentro e fora do PEST de forma bastante questionável e com a conivência da
Prefeitura de Niterói.
Os problemas fundiários da região são muito antigos. Pereira (1962) já chamava
atenção para reforma agrária na Fazenda Engenho do Mato. Esta compreendia uma área de
54 ha de propriedade da Terrabraz e de Antônio Carlos França Ourívio. Em 1962 estavam
registrados 30 posseiros e suas respectivas famílias que ocupavam 74 alqueires da
Fazenda. A produção básica na época era banana prata e hortigranjeiros que abasteciam
parte do município de Niterói. Em 03 de janeiro de 1961 o Governador Roberto Silveira
homologou o Decreto Estadual nº 7281 expropriando as áreas agrícolas da antiga Fazenda
do Engenho do Mato, visando à criação de um núcleo agrícola. Essa foi a primeira reforma
agrária do Brasil. Com a morte do Governador, seu sucessor Celso Peçanha ampliou e
redefiniu as áreas desapropriadas pelo Decreto nº 7577 de 02 de agosto de 1961.
Posteriormente o Decreto nº 7836 de 18 de janeiro de 1962 tratou da organização e
execução do plano de colonização agrícola, estabelecendo a inalienabilidade e
impenhorabilidade de cada gleba cedida aos colonos da Fazenda.
A inauguração da Ponte Presidente Costa e Silva na década de 70, ligando os
municípios do Rio de Janeiro a Niterói, levou a intensificação do fluxo migratório para
região, incluindo Maricá e a Região dos Lagos. O que antes eram moradias de veraneio
40
passou a ser residenciais e a Região Oceânica tornou-se uma área de expansão do
município de Niterói (Barros & Seoane 1999).
Em 1973 a Companhia Territorial Itaipu é comprada pelo Grupo VEPLAN
Residência (Companhia de Desenvolvimento Territorial Ltda), que intensifica as
transformações espaciais, ambientais e sociais de Itaipu. Teve início a mais devastadora
degradação ambiental da região. Com a fusão do estado da Guanabara e Rio de Janeiro em
1975, a política ambiental não era estruturada. Dessa forma, o DNOS autorizou obras de
estabilização da barra da Lagoa de Itaipu, com drenagens e aterros, sistematização da orla,
dragagem da lagoa e remembramento das Fazendas da Fonte, Engenhoca, Piratininga e
Itaipu (Motta 1983). Em 1976 tem início o Plano Estrutural de Itaipu.
Com a construção do canal permanente ligando a Lagoa de Itaipu ao mar em 1975
houve uma mudança ambiental e social sem precedentes da região. A Praia de Itaipu foi
separada em duas porções, sendo a área denominada Camboinhas ocupada por loteamento
de alto luxo. Os pescadores que residiam na praia foram obrigados a vender suas posses.
Os que não queriam vender foram intimidados e expulsos. Parte da comunidade
permaneceu comprimida no “Canto de Itaipu”, vertente do Morro das Andorinhas voltado
para a Praia de Itaipu. Alguns foram morar precariamente nas ruínas do Recolhimento de
Santa Tereza, outros foram ocupar áreas de baixa renda no Vale do Rio Jacaré e no
Engenho do Mato. Parte da comunidade tradicional de pescadores permaneceu no topo do
Morro das Andorinhas.
A degradação ambiental foi tão escandalosa que em 1979 a CECA através da
deliberação nº 50/79 exigiu no prazo de 60 dias a apresentação do EIA/RIMA (Estudo de
Impacto Ambiental / Relatório de Impacto Ambiental). A deliberação nº 52/79 proibiu a
VEPLAN de executar dragagens, terraplanagem, aterros ou quaisquer outros serviços e
obras que pudessem ter como conseqüência a alteração do volume d’água da Lagoa. Após
a apresentação do EIA/RIMA a CECA determinou através da deliberação nº 56/79 a
definição da orla lagunar, além de uma série de exigências relativas ao Plano Estrutural de
Itaipu.
Com a falência da VEPLAN, suas propriedades foram hipotecadas ao BIAPE
(Banco Interamericano de Poupança e Empréstimo) com sede em Caracas, Venezuela.
Atualmente a Empresa Imobiliária Mattos & Mattos se diz detentora dos direitos sobre
41
áreas de propriedade da VEPLAN (Barros et al. 2003) e tenta ocupar áreas protegidas em
Unidades de Conservação na Região Oceânica de Niterói. Junto com a empresa Ubá
Imobiliária a Mattos & Mattos pretende dar continuidade a devastação iniciada em meados
do século passado.
Também na vertente voltada para o Município de Maricá, em Itaipuaçu, a
especulação imobiliária atuou de forma devastadora. Entre as décadas de 70 e 80 do século
XX, a companhia MELGIL Empreendimentos Imobiliários marcou lotes até a cumeeira da
Serra da Tiririca para estabelecerem o Loteamento Morada das Águias nas terras
pertencentes a antiga Fazenda Itaocaia. Com 40 empregados e 2 tratores abriu estradas na
Serra e pressionou de forma questionável os sitiantes a entregarem seus sítios. Apenas três
sitiantes permaneceram: Seu Dico, Noca e Joel Bartaline. A grande resistência local e um
embargo pelo antigo IBDF (IBAMA) impediu a derrubada da mata. O loteamento Morada
das Águias foi liberado apenas abaixo da cota 100 msm na Serra da Tiririca. Mas as
estradas abertas próximo à cumeeira da Serra da Tiririca deixaram seus impactos sobre a
floresta. Também na vertente de Maricá existem outros loteamentos inseridos na Serra da
Tiririca como Itaocaia Valley, Floresta do Elefante e Serra Mar.
Hoje a região encontra-se alterada sob os pontos de vista ambiental e social. Os
últimos remanescentes florestais nas Serras da Tiririca, Malheiro, Cantagalo e Grande
teoricamente encontram-se protegidos no Parque Estadual da Serra da Tiririca e Reserva
Ecológica Darcy Ribeiro respectivamente. Embora toda região constitua a Área de
Proteção Ambiental de Lagunas e Florestas do Município de Niterói, tal fato não assegura
a conservação de outras áreas florestadas e não incluídas em Unidades de Proteção Integral
no município de Niterói, como os Morros da Viração e Peça. Ficou a herança negativa
deixada pelas transformações históricas na região. Ocupações de alta renda entremeadas
com comunidades carentes, ambas ocupando as encostas dos morros, as orlas rios e
Complexo Lagunar Piratininga/Itaipu geram um quadro caótico em termos de falta de
planejamento urbano. Além disso, o problema de falta de saneamento básico fez com que
os rios virassem valões de esgoto drenando para as lagoas e daí para o mar.
Nas décadas de 80 e 90 do século XX a região apresentou a maior taxa de
crescimento populacional, aumentando os problemas ambientais e sociais, pela ocupação
desordenada e crescente do espaço territorial. Dessa forma, áreas onde a Mata Atlântica
permaneceu ou se recuperou passou a sofrer com a pressão antrópica e a especulação
42
imobiliária avançou sobre as florestas com seus projetos de loteamentos de luxo. Essa
região cresceu entre 1970 e 2000 656% em relação a sua população residente. No lado de
Maricá na região limítrofe ao PEST a população cresceu 83% entre 1991 e 2000 (Vallejo
2005). Dessa forma, a omissão do poder público e as políticas de ocupação da região, tanto
no lado de Maricá quanto em Niterói projetam um quadro nada promissor para o século
XXI. Isso pode ser nitidamente percebido através da aprovação questionável do discutível
Plano Urbanístico da Região Oceânica pela Câmara de Vereadores de Niterói em 2004.
A criação do PEST em 1991 não resolveu os problemas ambientais da região,
devido a vários fatores, principalmente pela falta de limites definitivos e pela precariedade
administrativa do IEF-RJ. Os conflitos territoriais se agravaram, sendo que grileiros,
posseiros e empresas imobiliárias se apropriaram de áreas ainda florestadas da Serra da
Tiririca. Outra questão séria foi a atividade mineradora dentro do PEST representada pela
Mineradora Inoã e Saibreira da Avenida Central que deixaram grandes áreas devastadas e
degradadas. A Mineradora Inoã foi alvo de Ação Civil Pública para terminar com suas
atividades e mesmo assim a Prefeitura de Niterói em 2004 cogitou transformar o buraco
deixado pela mineradora no novo lixão de Niterói.
Atualmente os grandes problemas do PEST estão relacionados às disputas políticas,
negociatas com a especulação imobiliária e atuação inconsistente do IEF-RJ. O órgão
gestor se limita a cuidar apenas das trilhas que dão acesso ao Alto Mourão, Costão de
Itacoatiara e Enseada do Bananal. As demais áreas do PEST continuam abandonadas. Não
existe plano de manejo, sendo que os desmatamentos, queimadas, caça intensa em toda
área do Parque, turismo desordenado, contaminação biológica com introdução de espécies
exóticas, extrativismo vegetal e mineral vêm se agravando. A situação fundiária não está
resolvida e dentro da área PEST existem loteamentos e condomínios, sítios entre outras
formas de ocupação. Duas comunidades tradicionais com representação legal (Associação
da Comunidade Tradicional do Morro das Andorinhas e Associação de Sitiantes
Tradicionais da Serra da Tiririca) lutam por seus direitos, uma vez que o Parque foi criado
sem levar em consideração quem realmente vive na área determinada nos seus limites.
Essas fatos distanciam o PEST dos objetivos que nortearam a sua criação em 1991,
que essencialmente era a conservação da diversidade biológica. Em contrapartida a intensa
atuação das ONGs vem cobrando do Governo de Estado mais empenho em relação ao
PEST, fiscalizando e denunciando a agressões ao meio ambiente da região.
43
8. PASSAGEM DOS NATURALISTAS NOS SÉCULOS XVII E XIV PELA
REGIÃO
A visita de naturalistas nos século XVIII e XIX gerou as primeiras informações
sob a biota da região. Pela Serra da Tiririca passaram visitantes ilustres como o Príncipe
naturalista Maximiliano de Weid-Neuwied, que narra aspectos da travessia da Serra em
1815 (Wied-Neuwied 1958), chamando atenção para presença do Papaguaio-Chauá e do
Mico-Leão-Dourado, que hoje não são mais encontrados na região.
“... Aproximamo-nos agora de uma cadeia de montanhas, conhecida
como Serra de Inoã. O selvático espetáculo excedeu de muito tudo quanto a
minha fantasia concebera sobre as grandes cenas da natureza. Entramos
num profundo vale, em que a água muito límpida ora corre sobre um leito de
pedra, ora descansa em lagoa tranqüila, pouco além de uma floresta imensa.
Por toda parte, as palmeiras e as magníficas árvores da região se
entrelaçam tanto com as trepadeiras, que era impossível à vista penetrar
aquela espécie de muralha verdejante... Quando atingimos o alto da Serra
de Inoã, vimos acima das árvores, numerosos papagaios voando aos pares
com grande alarido. Era o papagaio de cabeça vermelha, aí conhecidos
como camutanga ou chauá... A Serra de Inoã é um braço que se projeta para
o mar da altaneira cadeia montanhosa que corre paralela a costa. Cobremna densas florestas, onde existem muitas qualidades úteis de madeira... e o
pequeno
macaco
vermelho
conhecido
como
mariquina...Esse
belo
animalzinho é ai chamado de sauí-vermelho...Continuando a viagem,
descemos a uma aprazível região campestre e passamos a noite na Fazenda
Inoã.”
Também Charles Darwin passou pela Serra da Tiririca em 1838 (Darwin s.d.),
seguindo em direção a Cabo Frio. Quando chegou a Vila Real da Praia Grande (atual
Niterói), Darwin foi guiado por tropeiros passando pela Freguesia de São Sebastião de
Itaipu. Em seu relato destacou a exuberância das florestas da região (Darwin 1996).
“A paisagem que se descortinava quando estávamos cruzando as
montanhas atrás da Praia Grande...”
44
Após atravessar a Serra da Tiririca, já no município de Maricá, chega à Fazenda
Itaocaia, como constatado no seu relato:
“... Depois de havermos atravessado algumas áreas de terra
cultivada, embrenhamo-nos por uma floresta, cujos recantos eram de
inexcedível grandiosidade. Ao meio dia chegamos a Itacaia, pequena aldeia
situada numa planície. Em torno da casa principal, ali existente, viam-se as
choupanas dos negros... Como a lua nascesse cedo resolvemo-nos a partir
na mesma tarde, a fim de pernoitarmos na Lagoa de Maricá. Estando a cair
a noite, passamos sob íngrimes colinas de granito da região, tão comuns
neste país. É notório este lugar, pelo fato de ter sido durante muito tempo o
quilombo de alguns escravos fugitivos que, cultivando pequeno terreno
próximo à vertente, conseguiram suprir-se de necessário sustento. Mas
foram, um dia, descobertos e reconduzidos dali por uma escolta de soldados.
Uma velha escrava, no entanto, preferindo a morte à vida miserável que
vivia, lançou-se do alto do morro, indo despedaçar-se contra as pedras da
base. Se se tratasse de alguma matrona romana, esse gesto seria
interpretado como nobilitante amor à liberdade, mas numa pobre negra não
passava de caturrice de bruto...”
O caminho de Darwin através da Serra da Tiririca foi refeito em 2000 em atividade
de educação ambiental, sendo a preservação da natureza discutida no contexto biológico e
histórico (Selles & Abreu 2002). De certa maneira a Serra da Tiririca também contribuiu
para as observações de Darwin que vieram a revolucionar o pensamento científico a partir
do século XVIII.
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Aoki, H.; Lobão, D.E. & Lima. H.C. 2000. Unidades de Conservação e sua importância na
preservação do pau-brasil (Caesalpinia echinata Lam.). In: Milano, M.S. & Theulen, V.
(eds) Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação 2. Anais... Campo Grande: Rede
Nacional Pró-Unidades de Conservação. 2: p. 777–783.
Barbiére, E.B. & Coe-Neto, R. 1999. Spatial and temporal variation of the east fluminense
coast and atlantic Serra do Mar, State of Rio de Janeiro, Brazil. In: Knoppers, B.; Bidone,
45
E.D. & Abrão, J.J. (eds) Environmental Geochemistry of Coastal System, Rio de Janeiro,
Brazil. Série Geoquímica Ambiental 6: 47–56.
Barros, A.A.M.; Pontes, J.A.L.; Sathler, E.B.; Conceição, M.C.F. & Pimentel, D.S. 2003.
Aspectos ambientais e legais da conservação do Córrego dos Colibris no Parque Estadual
da Serra da Tiririca, RJ. In: Simpósio de Áreas Protegidas. Conservação no Âmbito do
Cone Sul. 2. Anais... Pelotas: Universidade Católica de Pelotas. 1 v. CD-ROM.
Barros, A.A.M.; Sathler, E.B. & Conceição, M.C.F. 2002. Implantação de Unidade de
Conservação postulada em juízo via ação civil pública: O caso do Parque Estadual da Serra
da Tiririca, RJ. In: Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação. 3. Anais...
Fortaleza: Rede Nacional de Unidades de Conservação. 2: p. 774-781.
Barros, A.A.M. & Seoane, C.E.S. 1999. A problemática da conservação do Parque
Estadual da Serra da Tiririca, Niterói / Maricá, RJ, Brasil. In: In: Vallejo, L.R. & Silva,
M.T.C. (eds) Os (Des)Caminhos do Estado do Rio de Janeiro Rumo ao Século XXI.
Anais... Niterói: Instituto de Geociências da UFF. P. 114–124.
Beltrão, M. 1978. Pré-História do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Ed. ForenseUniversitária/SEEC-RJ. 274p.
Bergamaschi, S. & Almeida, J.C.H. 2007. Levantamento de informações geológicas
básicas e avaliação das condições de poluição das águas na área do Parque Estadual da
Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. In: Araujo, F.V. Relatório FAPERJ do projeto
Aspectos biológicos, geológicos e hídricos em áreas de mata atlântica nos municípios de
Niterói e Maricá, RJ. Programa de apoio a entidades estaduais: Desenvolvimento científico
da UERJ. Impresso. 93p.
Bernardes, L.M.C. 1952. Tipos de clima do Estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de
Geografia. Rio de Janeiro (14): 57-80.
Bernardes, L.M.C. 1957. Planície litorânea e zona canavieira do Estado do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Geografia. 248p.
Braga, M.N.C. 1998. O Município de São Gonçalo e sua história. 2º edição. São Gonçalo.
216p.
Carneiro, M.E.R. et al. 1994. Diagnóstico ambiental do sistema lagunar de
Piratininga/Itaipu, RJ. Parte II: Hidroquímica. In: Simpósio de Ecossistemas da Costa
Brasileira. Subsídios a um Gerenciamento Ambiental, 3. Serra Negra. Anais... São Paulo:
Academia de Ciências do Estado de São Paulo. 1: p. 196-203.
Casadei, T.O. 1988. A Imperial Cidade de Nictheroy. Niterói: Serviços Gráficos Ímpar.
355 p.
Coelho, V.M.B. 1983. Parecer técnico sobre as obras e a urbanização da Laguna de Itaipu,
Niterói / RJ. Rio de Janeiro: FEEMA. Impresso. 53p.
46
Conceição, M.C.F. 2000. Conflito de atribuições e instrumentos de proteção de unidade de
conservação: Estudo de caso no estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em
Ciência Ambiental). Universidade Federal Fluminense. 70p.
Cunha, M.W. & Lima, H.C. 1992. Viagem à terra do pau-brasil. 63p.
Darwin, C.R. s.d. Viagem de um naturalista ao redor do mundo. Rio de Janeiro: Ed.
Sedegra, v. 1. 291p.
Ferrari, A.L.; Brenner, T.L.; Malcomo, M.T. & Nunes, H.R.C. 1982. O Pré-Cambriano das
folhas Itaboraí, Maricá, Saquarema e Baía de Guanabara In: Congresso Brasileiro de
Geologia. 32. Salvador. Anais... Sociedade Brasileira de Geologia. 1: 103–114.
Fevereiro, P.C.A. & Santos, M.G. 2001. A restinga de Itacoatiara (Niterói, Rio de Janeiro)
e a necessidade de sua conservação. In: Esteves, M.S.; Vasquez, A.C.; Gama, B.A.P.;
Ferreira, A.J. & Peixinho, M.M. Simpósio sobre meio ambiente e Direito Ambiental. 9.
Anais... UNIVERSO. 9p.
Figueiredo, E.R. 1951. Grandeza e decadência na vila rural de Maricá. Anuário Geográfico
do Estado do Rio de Janeiro 4: 41–78.
Freire, J.R.B. & Malheiros, M.F. 2000. Aldeamentos indígenas do Rio de Janeiro.
Programa de Estudos dos Povos Indígenas, UERJ. 82p.
Heilbron, M.; Pedrosa-Soares, AC.; Campos Neto, M.C.; Silva, L.C.; Trouw, R.A J.;
Janasi, V. 2004. A Província Mantiqueira. In: Mantesso-Neto, B.; Carneiro, C.D.R. e
Brito-Neves (eds) Geologia do continente Sul-Americano: Evolução da obra de Fernando
Flávio Marques de Almeida. Beca: p. 203-234.
IEF, Comissão Pró-Parque Estadual da Serra da Tiririca, Prefeitura Municipal de Niterói &
Prefeitura Municipal de Maricá. 1994. Programa de Implantação do Parque Estadual da
Serra da Tiririca, PESET, 1ª versão. Impresso 66p.
Kneip, L.M. & Pallestrini, L. 1984. Restingas do Estado do Rio de Janeiro (Niterói a Cabo
Frio): 8 mil anos de ocupação humana. In: Lacerda, L.D.; Araujo, D.S.D.; Cerqueira, R. &
Turq, B (eds) Restingas. Origem, Estrutura, Processos. CEUFF. p. 139–146.
Kneip, L.M.; Pallestrini, L. & Cunha, F.L.S. 1981. Pesquisas Arqueológicas no Litoral de
Itaipu. Rio de Janeiro: VEPLAN Companhia de Desenvolvimento Territorial. 173p.
Lessa, L.C. 1991. Araribóia. O cobra de tempestade. Rio de Janeiro: Ed. José Olympio.
129p.
Marques, M.C.M. & Novaes J.R.C. 1996. Espécies coletadas no Estado do Rio de Janeiro e
depositadas no Herbário RB. Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
107p.
Motta, R.C. 1983. Comunidade Planejada de Itaipu. Um estudo de caso sobre a ação
integrada do capital imobiliário. (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). COPPE,
Universidade Federal do Rio de Janeiro. 214p.
47
Multiservice. 1995. Avaliação de 10 Unidades de Conservação Ambiental na região
metropolitana do Rio de Janeiro. Anexo. 28p.
Oliveira, R.F. 1995. Mata Atlântica: Reserva da biodiversidade no Estado do Rio de
Janeiro. Revista FEEMA 4(18): 46-50.
Palmier, L. 1940. São Gonçalo Cinqüentenário. História, geografia e estatística. Rio de
Janeiro. 237 p.
Penha, H.M. 1999. A synthesis of geology of the east fluminense coast, state of Rio de
Janeiro, Brazil. In: Knoppers, B.A.; Bidone, E.D. & Abrão, J.J. (eds) Environmental
Geochemistry of coastal lagoon systems of Rio de Janeiro, Brazil. Universidade Federal
Fluminense, Programa de Geoquímica Ambiental. Série Geoquímica Ambiental. 6: p. 3–
10.
Pereira, I.M. 1962. Plano de ação agrária. Estudo sobre a Fazenda Engenho do Mato.
Niterói: Governo do Estado do Rio de Janeiro. 24p.
Pereira, M.C.A.; Araujo, D.S.D. & Pereira, O.J. 2001. Estrutura de uma comunidade
arbustiva da restinga de Barra de Maricá-RJ. Revista Brasileira de Botânica 24: 273-281.
Pizarro, M. & Araújo, J.S.A. 1946. Memórias históricas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro:
Imprensa Nacional.
Prefeitura de Niterói. 1992. Niterói. Diagnóstico Ambiental. Versão resumida. Niterói:
Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente, 194p.
Primo, P.B. & Carvalho-Filho, O.P.1989. Programa de Implantação do Parque Estadual da
Serra da Tiririca. 2º versão. Movimento Cidadania Ecológica. 44p.
Ribas, L.A.; Hay, J.D. & Caldas-Soares, J.F. 1993. Moitas de restinga: ilhas ecológicas?
In: Watanabe, S. (ed) Simpósio de Ecossistemas da Costa Brasileira. 3. Anais... Aciesp,
São Paulo. 3: 79-88.
Scarano, F.R. 2002. Structure, function and floristic relationships of plants communities in
stressful habits marginal to the brazilian atlantic forest. Annals of Botany 90: 517-524.
Selles, S.E. & Abreu, A. 2002. Darwin na Serra da Tiririca: Caminhos entrecuzados entre a
biologia e a história. Revista Brasileira de Educação (20): 5-22.
SEMADS (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável). 2001.
Atlas das Unidades de Conservação da Natureza do Estado do Rio de Janeiro. Ed.
Metalivros. Rio de Janeiro. 48p.
Silva, J.G. & Somner, G.V. 1989. A vegetação de Restinga no Município de Maricá, RJ.
Acta Botanica Brasilica 3(2): 253–272.
Simão, M.T.B.; Pucurull, C.A.P. & Prochnik, M.L. 1979. Vistoria para o levantamento dos
bens imóveis de valor histórico existente no Município de Maricá. Impresso. 100p.
48
SNUC, 2002. Sistema Nacional de Unidades de Conservação. IBAMA. Impresso. 36p.
Souza, A.J. 2001. Laguna de Itaipu: Histórico da ocupação territorial e ambiental.
Monografia (Bacharelado em Geografia). Universidade Federal Fluminense. 57p.
Tibiriçá, L.C. 1985. Dicionário Topônimos de Origem Tupi. Significados de Nomes
Geográficos. São Paulo: Ed. Traço. 197p.
Vallejo, L.R. 2004. Políticas de governo e as Unidades de Conservação do estado do Rio
de Janeiro. In: Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação. 2. Anais... Curitiba:
Rede Nacional de Unidades de Conservação. CD room: 774-781.
Vallejo, L.R. 2005. Conflitos territoriais em Parques Estaduais no Rio de Janeiro: Uma
avaliação à luz das políticas de governo. Revista Geo-paisagem 4(7). On line.
Veloso, H.P.; Filho, A.L.R.R. & Lima, J.C.A. 1991. Classificação da vegetação brasileira
adaptada a um sistema universal. Rio de Janeiro: IBGE. 124 p.
Wehrs, C. 1984. Niterói Cidade Sorriso. A história de um lugar. 366p.
Weid-Neuwied, M. 1958. Viagem ao Brasil nos anos de 1815 a 1817. 2º edição. São
Paulo: Ed. Companhia Nacional. 536p.
Zimback, C.R.L. 2003. Classificação de solos. Grupo de Estudos e Pesquisas Agrárias
Georreferenciadas, FCA, UNESP, Botucatu. 13p.
49
Anexo
Instrumentos legais de proteção do Parque Estadual da Serra da Tiririca:
Constituição Federal Brasileira promulgada em 1988 (art. 225) em seu inciso 4
declara a Mata Atlântica e a zona costeira como patrimônio nacional.
Lei Federal n° 6.938/81, que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente,
transformou em Reserva Ecológica as florestas e demais formas de vegetação de
preservação permanente, relacionadas no art. 2° do Código Florestal.
Decreto Federal n° 99.574/90 que proíbe por prazo indeterminado o corte e respectiva
exploração da vegetação nativa da Mata Atlântica.
Resolução CONAMA n° 004/85 que ampliou o conceito de Reserva Ecológica em seus
art. 3° e 4° e reforça ainda mais a proteção da área em questão. Esta mesma Resolução,
em seu art. 5°, atribui aos estados e municípios a competência de estabelecer normas e
procedimentos mais restritivos, através de seus órgãos ambientais.
Constituição Estadual, em seu art. 265, define como Áreas de Preservação Permanente:
III – as nascentes e as faixas marginais de proteção de águas superficiais;
IV – as áreas que abriguem exemplares ameaçados de extinção, raros, vulneráveis
ou menos conhecidos, na fauna e flora, bem como aquelas que sirvam como
local de pouso, alimentação ou reprodução;
V – as áreas de interesse arqueológico, histórico, científico, paisagístico e cultural;
Por sua vez, o art. 270 determina que: As coberturas florestais nativas existentes
no Estado são consideradas indispensáveis ao processo de desenvolvimento equilibrado
e a sadia qualidade de vida de seus habitantes e não poderão ter suas áreas reduzidas.
Lei n° 9985, de 18 de julho de 2000 e o Decreto n° 4340 de 22 de agosto de 2002
estabelecem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza,
enquadrando os Parques Nacionais como Unidades de Proteção Integral, que admitem
apenas o uso indireto dos recursos naturais. O SNUC permite a criação deste tipo de
Unidade de Conservação nas esferas estaduais e municipais. No inciso 1o fica
estabelecido que (SNUC 2002):
50
“O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas
particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que
dispõe a lei.”
Portaria n° 1.522/89 do IBAMA em seu art. 1º torna conhecida a lista oficial de
espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção e no art. 2° estabelece que os
animais nela constantes gozem de proteção integral.
Lei Federal n° 5.197/67 de Proteção à Fauna que proíbe a perseguição e
destruição de espécies da fauna silvestre em extinção. O art. 27º desta Lei, com a
redação que lhe foi dada pela Lei Federal n° 7.653/88, torna esse ato em crime
inafiançável.
Portaria n° 006/92-N do IBAMA em relação à flora, que além dos dispositivos
legais citados, a reconhece em seu art. 1º as espécies da flora brasileira ameaçadas de
extinção.
Resolução CONAMA n° 001/86 em seu art. 6º, inciso I, item b, que estabelece
que a presença de espécies ameaçadas de extinção em Área de Preservação Ambiental
exige o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA)
para o licenciamento de qualquer obra naquela área.
51
Artigo I
CARACTERIZAÇÃO FISIONÔMICO-FLORÍSTICA
E ASPECTOS CONSERVACIONISTAS DO PARQUE
ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA,
NITERÓI E MARICÁ, RIO DE JANEIRO, BRASIL
Ana Angélica M. de Barros & Dorothy Sue Dunn Araujo
Artigo a ser submetido ao Enviromental Conservation
52
CARACTERIZAÇÃO FISIONÔMICO-FLORÍSTICA E ASPECTOS
CONSERVACIONISTAS DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA
TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ, RIO DE JANEIRO, BRASIL
RESUMO – (Caracterização fisionômico-florística e aspectos conservacionistas do Parque Estadual da Serra
da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil). Foram identificadas e descritas duas unidades
fisionômicas do Parque Estadual da Serra da Tiririca (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W), localizado entre
os municípios de Niterói e Maricá, RJ. De forma geral, a vegetação apresenta um aspecto geral
escleromórfico, com intensa queda de folhas nos meses mais secos. Contudo, é caracterizada pela floresta
ombrófila densa e afloramentos rochosos, sendo seu aspecto escleromórfico associado ao clima regional,
proximidade com o mar e a presença de solos rasos. Tem baixa similaridade florística com outras áreas
inventariadas do estado do Rio de Janeiro, porém apresentou maior relacionamento com a flora das restingas
fluminenses. Apesar da vegetação ter sido muito alterada ao longo dos anos, abriga uma parcela da floresta
ombrófila densa com grande relevância sob ponto de vista florístico. Algumas espécies pouco conhecidas
para a ciência foram encontradas na área, além de 67 espécies ameaçadas, reforçando a importância da sua
conservação. Nesse sentido, a área do Parque não deveria ter sido diminuída pela Lei Estadual nº 5079, mas
sim ampliado para respeitar as diretrizes que nortearam sua criação que é a conservação da diversidade
biológica.
Palavras chaves: Brasil, Serra da Tiririca, Mata Atlântica, fito-fisionomia, conservação
ABSTRACT- (Physiognomic-floristic characterization and conservation aspects from the Serra da Tiririca
State Park, Niterói and Maricá, Rio de Janeiro, Brazil). There were identified and described in two
physiognomic units from the Serra da Tiririca State Park (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W), located
between Niterói and Maricá municipal districts, Rio de Janeiro. In general, the vegetation is scleromorphic
with intense leaf fall during drier months. However, it is characterized by dense ombrophilous forest and
rocky outcrops. The scleromorphic aspect is associated with the regional climate, proximity to the sea and
shallow soils. It has low floristic similarity when compared to other areas in Rio de Janeiro state, although it
was more closely related to the flora from the restingas. Although the vegetation has been greatly disturbed
over the years, there are small fragments of dense ombrophilous forest with great relevance from a floristic
point of view. Several species new to science have been found in the area, plus 67 threatened ones,
strengthening conservation importance. In this way, the park area should not have been diminished by State
law nº 5079, but extended to respect the guidelines that directed park creation, that is conservation of
biological diversity.
Key words: Brazil, Serra da Tiririca, Atlantic Forest, physiognomy, conservation
INTRODUÇÃO
O estado do Rio de Janeiro está inserido no bioma Mata Atlântica, sendo a
cobertura vegetal constituída por um complexo vegetacional. Nesse contexto, Veloso et al.
(1991) destacam-se as florestas ombrófilas densas, florestas estacionais semideciduais e
formações pioneiras que incluem as restingas, manguezais e vegetação de influência
fluvial. Sendo assim, as diferentes fito-fisionomias fluminenses são influenciadas por
fatores físicos, principalmente pela topografia local, que caracteriza paisagens
heterogêneas, resultando numa grande diversidade florística. Os estudos indicam que há
diferenciação dos padrões florísticos quando observados os diferentes gradientes
altitudinais (Guedes-Bruni 1998). Aliado a esse fator, os padrões climáticos e tipos de solo
têm influência marcante sobre a vegetação local. Esses fatores fazem com que a Mata
53
Atlântica fluminense apresente vários padrões de endemismo (Mori 1981), demonstrando
sua importância como centro de diversidade biológica.
Segundo Scarano (2002), além das formações florestais existem áreas abertas
constituídas por comunidades vegetais que são periféricas as áreas florestadas. Nesse
contexto estão incluídos os afloramentos rochosos litorâneos, campos de altitude, as
restingas, florestas alagadas e vegetação xeromórfica do Centro de Diversidade Vegetal de
Cabo Frio. A vegetação nessas regiões periféricas está sujeita as condições ambientais
extremas, sendo muito sensível ás agressões ambientais antrópicas.
A partir da década de 90 do século passado houve um incremento de inventários
florísticos no estado do Rio de Janeiro, com parcerias de várias instituições de pesquisa.
Essas pesquisas focaram principalmente as regiões com maiores coberturas florestais na
porção serrana da Serra do Mar e os maciços costeiros, onde se insere a Serra da Tiririca.
Essas áreas inspiram muitas preocupações conservacionistas, uma vez que grande parte da
diversidade biológica já foi perdida irreversivelmente. Isso se deve ao processo histórico
de ocupação humana, que atualmente pressiona as áreas florestadas com a expansão
urbana.
Esse trabalho tem como objetivo caracterizar fito-fisionomicamente a vegetação do
Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) e compará-la com demais áreas inventariadas
do estado do Rio de Janeiro. Além disso, avaliar as espécies endêmicas e ameaçadas da
flora fluminense presentes na área de estudo. Com isso discutir os problemas relacionados
à conservação do PEST.
METODOLOGIA
A caracterização fito-fisionômica da Serra da Tiririca foi feita com base na
classificação de Veloso et al. (1991), no levantamento florístico (Barros & Araujo capítulo
II) e nas observações de campo.
A diversidade florística da Serra da Tiririca foi comparada com outras áreas
inventariadas no estado do Rio de Janeiro. Nessa análise foram consideradas as plantas
identificadas apenas até nível de específico e infra-específico. Dessa forma, o número de
espécies de Magnoliophyta obtidas no levantamento florístico foi de 894. A flora da Serra
da Tiririca foi comparada com listagens de levantamentos florísticos mais abrangentes das
54
seguintes localidades: Reserva Biológica de Macaé de Cima (Lima & Guedes-Bruni 1997),
Área de Proteção Ambiental de Cairuçu (Marques 1997), Reserva Biológica de Poço das
Antas (Lima et al. 2008), Reserva Biológica do Tinguá (Lima et al. 2008), entorno do
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico, Floresta da Tijuca (Marquete 2001), Área de
Proteção Ambiental de Sapiatiba (Sá 2006) e Área de Proteção Ambiental do Pau-Brasil
(Sá 2006). Dessas listas foram retiradas as espécies ruderais e exóticas. Não foram
considerados estudos fitossociológicos, por representarem basicamente o estrato arbóreoarbustivo. Além disso, também foi feita a comparação com listagens de diferentes biomas
brasileiros: Cerrado, incluindo as matas de galeria e campos rupestres (Mendonça et al.
1998), Caatinga (CNIP 2008) e Amazônia (Ribeiro et al. 1999). A comparação com a Mata
Atlântica foi feita apenas com relação às espécies da flora do estado do Rio de Janeiro,
baseada numa planilha unificada das áreas inventariadas, cujas listagens foram publicadas
em relação à floresta ombrófila densa (Lima & Guedes-Bruni 1997, Marques 1997,
Marquete et al. 2001) e floresta estacional semidecidual (Sá 2006) ou disponíveis no site
do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro da Mata Atlântica (Lima et al.
2008 e Lima et al. 2008). Para plantas das restingas fluminenses utilizou-se a listagem de
(Pereira & Araujo 2000). A análise comparativa foi feita através do índice de similaridade
de Sorensen pela fórmula Cs= 2j / (a+b), onde j= número de espécies comuns nas áreas
amostradas, a= número de espécies de cada área a e b= número de espécies de cada área b
(Magurran 1988).
A classificação quanto ao status de conservação baseou-se nas listas de espécies
ameaçadas do IBAMA (1992), IUCN (2008), Biodiversitas (2005) e em trabalhos
publicados por especialistas para as famílias Araceae (Coelho 2000; 2004), Cactaceae
(Barthlott & Taylor 1995; Taylor & Zappi 2004), Calvente et al. (2005), Cucurbitaceae
(Klein 1996), Malvaceae (Bovini 2003), Moraceae (Carauta 1996), Orchidaceae (Pinheiro
1999), Passifloraceae (Pessoa & Cervi 1992) e Rubiaceae (Zappi 2003).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
De forma geral, a vegetação da Serra da Tiririca apresenta um aspecto geral
escleromórfico, com intensa queda de folhas nos meses mais secos. Daí advém o
questionamento se essa vegetação floristicamente apresentaria mais afinidades com a
floresta ombrófila densa ou com a floresta estacional semidecídual.
55
Tabela 1: Similaridade florística da flora do Parque Estadual da Serra da Tiririca
relacionada com outros biomas brasileiros.
Localidades
Nº total de
espé
cies
Nº de espécies
compartilha
das com
PEST (n=
894)
Similaridade
(Sorensen %)
Floresta Ombrófila Densa RJ
2902
557
28,8
Florestas Estacionais RJ
2054
241
24,5
Restingas RJ
1074
359
32,0
Caatinga
8293
505
10,2
Cerrado
6062
317
6,1
Amazônia
1865
52
3,3
Comparando a flora da Serra da Tiririca com formações vegetais do bioma Mata
Atlântica no estado do Rio de Janeiro e demais biomas brasileiros verifica-se baixa
similaridade com as áreas de Cerrado, Caatinga e Amazônia (Tabela 1). As espécies em
comum com esses biomas, em geral, são aquelas que apresentam ampla distribuição (e.g.,
Tapirira guianensis, Guarea guidonia). Apesar de baixas, as maiores similaridades obtidas
foram com as formações da Mata Atlântica fluminense. Dentre essas, destaque para as
restingas (32%), seguida da floresta ombrófila densa (28,8%) e florestas estacionais
(24,5%).
Tabela 2: Similaridade florística da flora do Parque Estadual da Serra da Tiririca
relacionada às Restingas do estado do Rio de Janeiro a nível específico e
infraespecífico.
Restingas
Nº total de espécies
Nº de espécies compartilhadas
com PEST (n= 894)
Similaridade
(Sorensen %)
São João da Barra
180
73
13,6
Jurubatiba
511
153
21,8
Barra de São João
239
98
17,3
Cabo Frio
618
231
30,6
Jacarepiá
386
149
23,3
Maricá
335
123
20,0
56
Grumari
197
113
20,7
Praia do Sul
252
97
16,9
Quando as restingas de todo o estado do Rio de Janeiro são analisadas em conjunto,
a similaridade é maior que os demais tipos vegetacionais. Contudo, quando a análise é
feita por trecho de restinga as similaridades são menores (Tabela 2). A restinga mais
próxima da Serra da Tiririca é a de Maricá (20%), no entanto a maior similaridade obtida
foi com Cabo Frio (30,6%). Nas restingas mais distantes a similaridade diminuiu: São João
da Barra (13,6%) e Praia do Sul (16,9%). Araujo (2000) verificou o distanciamento da
flora da Praia do Sul com as demais restingas, em vista da sua localização na Ilha Grande,
litoral sul fluminense, por se encontrar em situação fisiográfica e regime pluviométrico
diferenciado das outras restingas fluminenses.
A diversidade florística do estado do Rio de Janeiro é influenciada por vários
fatores. Dentre esses, um dos mais importantes é o relevo. A cadeia montanhosa mais
próxima do Oceano Atlântico é a Serra do Mar, que apresenta paredões abruptos e
contínuos, que corta o estado de WSW para ENE desde o limite com o estado de São
Paulo até o município de Campos. Na região Sul, as escarpas emergem diretamente do mar
e daí vão se afastando do litoral, seguindo paralelo à costa separada por planícies aluviais.
Essa disposição do relevo tem influência marcante no clima das diferentes regiões. Ao
norte forma uma série de pontões e serras isoladas (Guedes-Bruni & Lima 1996). Nesse
contexto se insere a Serra da Tiririca, sendo formada por um maciço cristalino que emerge
do mar, seguindo em direção NE – SW.
Os fatores climáticos são fundamentais para caracterizar a vegetação de uma dada
área. A Serra da Tiririca está inserida numa região de clima quente e úmido (Aw), com
precipitação média entre 1.000 e 1.500 mm/ano. Apresenta 3 meses mais secos de Junho a
Agosto, quando a precipitação pode ficar abaixo de 60 mm (Barbiére & Coe-Neto 1999). A
temperatura média está em torno de 23oC. A área de estudo está situada justamente na zona
de transição pluviométrica entre a planície costeira e o maciço costeiro.
As florestas estacionais semideciduais ocorrem em regiões de baixa precipitação,
com 4 a 6 meses secos por ano (Veloso et al. 1991). As áreas utilizadas para comparação
(Tabela 3) encontram-se no Centro de Diversidade de Cabo Frio na zona de influência da
57
ressurgência (Barbiére & Coe-Neto 1999). Nessa área, a planície arenosa se projetada mar
adentro e ocorre o afastamento da Serra do Mar da linha da costa. O clima da região é semiárido quente (BSh), segundo classificação de Köeppen, com cinco meses secos por ano e
precipitação anual em torno de 1.000 mm/ano (Barbiére 1984). As temperaturas médias
anuais estão em torno de 25ºC em fevereiro e 20ºC em agosto. Nos meses de verão pode
chegar a 40ºC (Barbiére 1975). Os fatores responsáveis pela baixa precipitação na região
são as correntes costeiras e os freqüentes ventos de quadrante nordeste quente e seco
(Barbiére & Coe-Neto 1996).
As florestas ombrófilas densas ocorrem em regiões de precipitação mais elevada,
com 0 a 4 meses secos. As áreas utilizadas para comparação (Tabela 3) estão inseridas em
diferentes pontos do estado do Rio de Janeiro, representando as formações altomontana,
montana, submontana e de terras baixas. A precipitação varia em torno de 1.500 a 2500
mm/ano. A baixa similaridade (28,8%) é um reflexo desse contexto.
Tabela 3: Similaridade florística do Parque Estadual da Serra da Tiririca relacionada com outras localidades
inventariadas no estado do Rio de Janeiro a nível específico e infra-específico.
Localidades
Formação Florestal
Nº de espécies
compartilhadas com
PEST (n= 894)
Similaridade
(Sorensen %)
REBIO de Macaé de Cima
(Nova Friburgo)
Floresta
densa
e
827
131
15,2
REBIO de Poço das Antas
(Silva Jardim)
Floresta ombrófila densa de
terras baixas
745
252
30,7
APA de Cairuçu (Parati)
Floresta
ombrófila
submontana
montana
densa
e
885
269
30,2
REBIO do Tinguá
Floresta
ombrófila
submontana
densa
717
171
21,2
Entorno do Jardim Botânico Floresta da Tijuca (Rio
de Janeiro)
Floresta
ombrófila
submontana
densa
337
173
28,1
APA de Sapiatiba (São Pedro
d’Aldeia)
Floresta
estacional
semidecidual
144
91
17,5
APA do Pau-Brasil (Búzios)
Floresta
estacional
semidecidual
182
93
17,3
(Nova Iguaçu)
ombrófila
montana
altomontana
Nº total de
espécies
Macaé de Cima (Lima & Guedes-Bruni 1997), Poço das Antas (Lima et al. 2006, Lima et al. 2008), Cairuçu
(Marques 1997), Tinguá (Lima 2008), Entorno do Jardim Botânico (Marquete et al. 2001), Sapiatiba (Sá
2006) e Pau-Brasil (Sá 2006).
58
Outro questionamento desse trabalho refere-se ao grau de similaridade entre a flora
da Serra da Tiririca com outras áreas investigadas florísticamente no estado do Rio de
Janeiro. Embora existam muitas semelhanças entre a flora do PEST e outras áreas da Mata
Atlântica fluminense quanto às famílias e gêneros (Barros & Araujo Capítulo II), o mesmo
não confere quanto às espécies. Essas áreas correspondem floresta ombrófila e floresta
estacional semidecidual (Tabela 3). Contudo, a flora da Serra da Tiririca apresentou-se
mais relacionada com as áreas de floresta ombrófila densa. Dentro desse contexto, as
maiores similaridades foram obtidas com os maciços litorâneos (Cairuçu e o entorno do
Jardim Botânico) e, principalmente, Poço das Antas. A menor similaridade também foi
com uma área de floresta ombrófila densa, porém com a formação montana e altomontana
(Macaé de Cima). Existe diferenciação da flora de acordo com as faixas altitudinais
(Guedes-Bruni 1998) e a ampliação do conhecimento florístico das áreas inventariadas no
estado do Rio de Janeiro vem evidenciando tal fato. Com as áreas mais secas (Sapiatiba e
Pau-Brasil) a similaridade foi a menor.
Os dados apresentados mostram a heterogeneidade da flora fluminense, que é dada
por um conjunto de fatores que incluem características topográficas, climáticas e edáficas.
Sendo assim, o aspecto mais seco da vegetação da Serra da Tiririca não significa que seja
considerada floresta estacional semidecidual. Na verdade está mais relacionada
floristicamente com a floresta ombrófila densa. A floresta estacional semidecidual é
considerada por Oliveira-Filho & Fontes (2000) um sub-conjunto da floresta ombrófila,
sendo que as espécies arbóreas foram selecionadas para enfrentar uma estação seca mais
prolongada. A diferença florística entre essas duas formações florestais está correlacionada
com o regime de chuvas.
A Serra da Tiririca se localiza no ponto de transição de duas zonas climáticas e
apresenta solos rasos com exposição de parte do maciço cristalino. Firme et al. (2001)
chama atenção nesse sentido para outro maciço litorâneo com características fisionômicas
semelhantes, no Pico do Itaiaci, localizado no Parque Estadual da Pedra Branca na zona
oeste do município do Rio de Janeiro. Peixoto et al. (2005) também relata uma situação
semelhante na Serra da Capoeira Grande em Pedra de Guaratiba, também inserida no
Maciço da Pedra Branca, e que apresenta restrições edáficas com solos pouco profundos e
presença de afloramentos rochosos. Tal situação restringe o desenvolvimento das árvores.
59
Além do aspecto escleromórfico, essas áreas também compartilham espécies heliófilas
presentes nas restingas, como ocorre com a Serra da Tiririca.
CARACTERIZAÇÃO FISIONÔMICO-FLORÍSTICA
O presente estudo apresenta 2 unidades fisionômicas: (a) floresta ombrófila densa
submontana, presente na mata de encosta (Figura 1) e (b) vegetação de afloramento
rochoso nos inselbergs (Alto Mourão, Costão de Itacoatiara, Morro das Andorinhas e
paredões dos Morros do Telégrafo e Cordovil) (Figura 2).
Floresta Ombrófila Densa Submontana
Na região onde está inserida a Serra da Tiririca a formação florestal ocorre entre 50
a 500 m de altitude, sendo classificada por Veloso et al. (1991) como floresta ombrófila
densa submontana. Esse é o tipo de formação vegetal predominante na Serra da Tiririca
(Figura 1).
As regiões mais degradadas são encontradas nas áreas com até 150 msm, formando
capoeiras mais próximas às ocupações humanas e onde teoricamente seriam os limites do
PEST. Esse tipo de vegetação ocorre em todos os morros que compõe a Serra da Tiririca.
O dossel é descontínuo, com presença de muitas clareiras, sendo que a altura varia entre 5 e 10 m. Isso permite que haja maior disponibilidade de luz no interior da mata. As espécies
arbóreas mais características dessas áreas são essencialmente pioneiras e secundárias
iniciais: Myrcia fallax, Tabernaemontana laeta, Piptadenia paniculata, Albizia
polycephala,
Anadenanthera
Mimosa
artemisiana,
colubrina,
Trema
Piptadenia
micrantha,
gonoacantha,
Gochnatia
Pterogyne
polymorpha,
nitens,
Cybistax
antisyphilitica, Aegiphila mediterranea, Casearia sylvestris e Sparattosperma leucanthum.
O sub-bosque apresenta uma vegetação pouco desenvolvida, onde ocorrem principalmente
espécies arbustivas como Sebastiania gaudichaudiana, Actinostemon klotzschii, Solanum
argenteum, Solanum caavurana, Solanum torvum, Cestrum laevigatum, Cordia
curassavica, Pavonia nemoralis, Clidemia hirta, Piper mollicomum e Turnera serrata. O
estrato herbáceo é pouco expressivo tendo a presença de Oeceoclades maculata e
Coccocypselum cordifolium. Trepadeiras lenhosas como, Adenocalymma trifoliatum e
Mansoa lanceolata, formam emaranhados que dificultam o deslocamento no interior da
mata. Nas bordas das matas e trilhas estão presentes tanto trepadeiras lenhosas quanto
herbáceas. Espécies epífitas são raras.
60
B
A
C
D
E
Figura 1: Floresta ombrófila densa do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. A. Imagem
aérea do PEST (Fonte: Google Earth). B. Vista geral do Morro do Telégrafo, vertente voltada para Itaipu e
Engenho do Mato, Niterói. C. Vegetação florestal na encosta do Alto Mourão. D. Interior da mata no Morro
do Telégrafo. E. Tabebuia ochracea (Cham.) Standl.
As áreas em estádio secundário um pouco mais desenvolvido apresentam o dossel
relativamente contínuo com altura variando entre 10 – 15 m, com as espécies emergentes
Miconia cinnamomifolia e Astronium graveolens. Destacam-se espécies arbóreas como:
Brosimum guianensis, Gallesia integrifolia, Miconia prasina, Cabralea canjerana,
Pseudopiptadenia
contorta,
Cupania
racemosa,
Astrocaryum
aculeatissimum,
61
Tetraplandra leandri, Guarea guidonia, Guatteria nigrescens, Bombacopsis glabra,
Nectandra oppositifolia e Pera glabrata. O sub-bosque apresenta-se mais estruturado com
espécies como: Attalea humilis, Casearia commersoniana, Eschweilera compressa,
Abutilon anodoides, Amphirrhox longifolia, Piper hoffmannseggianum, Psychotria
carthagenensis, Mollinedia glabra e Bunchosia maritima. Espécies epífitas são raras,
sendo a mais comumente observada Tillandsia stricta. Esse tipo de vegetação é encontrado
nas encostas dos Morros do Telégrafo, do Cordovil, da Serrinha e do Catumbi. Trepadeiras
lenhosas estão presentes, formando emaranhados próximo ao solo, porém também atingem
o dossel.
A vegetação em estádio secundário tardio está restrita as áreas de difícil acesso,
nas cumeeiras dos morros e regiões íngrimes com grandes matacões que não foram
utilizadas para agricultura no Morro do Telégrafo e Morro do Cordovil. O dossel é
contínuo, sendo que a altura varia entre 10 a 20 m. Apresenta espécies emergentes com até
25 m de altura, como Lecythis pisonis, Cariniana legalis e Eriotheca pentaphylla. A
disponibilidade de luz é menor que nas demais áreas. Predominam as espécies arbóreas
Euterpe edulis, Caesalpinia echinata, Caesalpinia ferrea, Couratari pyramidata, Ocotea
brachybotra, Zollernia glabra, Tabebuia ochracea, Garcinia gardneriana, Sloanea
guianensis, Sloanea monosperma, Pachystroma longifolium, Carpotroche brasiliensis,
Guarea kunthiana, Roupala montana, Simira viridiflora e Galipea jasminiflora. Nos topos
dos morros onde o maciço cristalino está exposto, a fisionomia local passa a ser dominada
pela palmeira Syagrus romanzoffiana. Isso ocorre no Morro das Andorinhas e no Alto
Mourão. O sub-bosque é bem formado, sendo caracterizado pela presença de Psychotria
leiocarpa, Psychotria tenuinervis, Adenocalymma subsessilifolium, Faramea coerulea,
Faramea stipulacea, Aphelandra prismatica, Sorocea hilarii, Rudgea interrupta e
Conchocarpus gaudichaudianus. Epífitas quase não são observadas, contudo destaca-se a
presença de Oncidium ciliatum, Oncidium pumilum e Vriesea psittacina.
No interior da mata são observados grandes blocos de rocha de gnaisse facoidal,
que formam um ambiente colonizado por vegetação específica. Esses afloramentos
constituem ilhas de diversidade vegetal na mata com ocorrência de espécies de porte
arbóreo. Não há solo formado sobre esses afloramentos, na verdade existe um acúmulo de
matéria orgânica particulada que é suficiente para o desenvolvimento de espécies
herbáceo-arbustivas. Plantas como Abutilon bedfordianum, Dichorisandra thyrsiflora,
Xylosma
ciliatifolia,
Brasiliopuntia
brasiliensis,
Anthurium
harrisii,
Neoregelia
62
sapiatibensis, Billbergia iridifolia, Cryptanthus acaulis e Jatropha gossypifolia são
encontradas nessa situação. Também são observadas outras espécies de médio e grande
porte como Ceiba crispiflora, Faramea coerulea, Sloanea monosperma, Campomanesia
laurifolia, Myrciaria guaquiea, Tibouchina granulosa entre outras. Nesses blocos de
rochas, espécies pendentes podem formar verdadeiras cortinas, dentre essas destaca-se
Codonanthe gracilis, além de raízes de Philodendron ochrostemon e Philodendrum
corcovadense.
Nesses afloramentos rochosos é comum encontrar figueiras de grande porte como
Ficus adhatodifolia, Ficus arpazusa, Ficus cyclophylla, Ficus enormis e Ficus
gommeleira. Essas plantas apresentam longas e grossas raízes que se inserem nos
interstícios da rocha estabilizando os matacões. Formam uma rede contentora importante
na fixação de grandes blocos de rocha evitando seu deslizamento. Oliveira et al. (1975)
chamam atenção para essas plantas, recomendando sua utilização em reflorestamentos nas
encostas do degradadas do município do Rio de Janeiro. A permanência de grandes
figueiras na Mata Atlântica em áreas que foram desmatadas está associada a questões
religiosas (Fonseca 2005). Além disso, entremeado as suas raízes há acúmulo de matéria
orgânica, que promove o estabelecimento de uma litosere de plantas herbáceas e
arbustivas. Comum encontrar nessa situação várias espécies de Begoniaceae (Begonia
hirtella, Begonia maculata, Begonia reniformis, Begonia salicifolia, Begonia tomentosa),
Gesneriaceae (Paliavana prasinata Sinningia aggregata, Sinningia pusilla e Sinningia
speciosa), Alstroemeriaceae (Alstroemeria caryophyllaea) e Amaryllidaceae (Hippeastrum
reginae e Hippeastrum reticulatum) entre outras.
Vegetação de Afloramento Rochoso
No estado do Rio de Janeiro as escarpas cristalinas expostas constituem parte
integrante do relevo local, sendo denominadas inselbergs por Porembski (2002). Esses
afloramentos rochosos ocorrem tanto nos maciços litorâneos quanto mais para o interior
fluminense, estando associados a duas importantes cadeias montanhosas, Serra do Mar e
da Mantiqueira. Apresentam variações altitudinais que influenciam os padrões de
distribuição das espécies, que se organizam em comunidades formando ilhas de vegetação.
No entorno da Baía de Guanabara, os inselbergs, entremeados à floresta ombrófila
densa, caracterizam a paisagem local. O conjunto formado pelos Morros da Urca, Pão de
63
Açúcar, Cara de Cão e o Pão de Açúcar são referências no município do Rio de Janeiro.
Nesse contexto, do outro lado da Baía estão presentes o Alto Mourão, o Costão de
Itacoatiara e o Morro das Andorinhas no Parque Estadual da Serra da Tiririca (Figura 2).
B
C
D
A
E
F
G
Figura 2: Afloramentos rochosos do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. A. Imagem
aérea do Costão de Itacoatiara (Fonte: Google Earth). B. Complexo formado pelos inselbergs do Alto
Mourão, Pedra do Elefante e Costão de Itacoatiara. C. Enseada do Bananal. D. Ilha de vegetação com
Neoregelia cruenta, Coleocephalocereus fluminensis e Stillingia dichotoma. E. Ilhas de vegetação de
Trilepis lhotzkiana F. Anemopaegma chamberlaynii. G. Tillandsia araujei.
64
Inicialmente os afloramentos rochosos são colonizados por cianobactérias, que
começam a preparar o ambiente para o estabelecimento de comunidades vegetais que se
fixam diretamente na rocha ou sobre sedimentos orgânicos muito rasos. Plantas rupícolas
e saxícolas formam ilhas de vegetação, gerando um mosaico de acordo com a declividade
da rocha e a profundidade do substrato. Essas ilhas apresentam a forma elíptica com
tamanhos variados, desde alguns centímetros até vários metros quadrados de área. Podem
ser considerados pequenos ecossistemas que funcionam como modelos, onde é possível
testar as teorias de ilhas. Isso se deve a presença de uma borda definida que delimita
precisamente uma área com composição florística conhecida (Meirelles et al. 1999).
A distribuição espacial e abundância de plantas nos afloramentos rochosos estão
relacionadas principalmente às variações bruscas em relação à disponibilidade de água,
que vêm da chuva e do orvalho. Sendo assim, a sobrevivência nesses ambientes é bem
difícil, exigindo das plantas uma série de adaptações, principalmente no que diz respeito
ao déficit hídrico (de Mattos et al. 1997).
Além dos inselbergs, essa vegetação também é observada em alguns pontos dos
Morros do Telégrafo e Cordovil, onde a incidência de escarpas rochosas com declives
muito acentuados dificultam o estabelecimento de espécies arbóreas e arbustivas. Sendo
assim, os paredões formam áreas abertas onde a rocha fica exposta devido a processos
erosivos. Isso resulta no deslizamento das finas camadas de solo que recobrem
parcialmente a superfície das escarpas.
Grande parte da fisionomia desses ambientes é constituída por plantas das famílias
Bromeliaceae e Cactaceae. Esse padrão também ocorre em outros inselbergs litorâneos
estudados no município do Rio de Janeiro (Oliveira et al. 1975; Carauta & Oliveira 1984).
Alcantarea glaziouana e Coleocephalocereus fluminensis são exemplos, apresentando
grandes populações dominantes no Costão de Itacoatiara, Morro das Andorinhas, Morro do
Telégrafo e Alto Mourão.
Nas vertentes mais inclinadas ocorrem muitas plantas pioneiras rupícolas, que
podem agregar ao seu redor outras espécies, contudo essas pequenas ilhas de vegetação
podem ser instáveis. Em ocasiões de fortes chuvas e ventos intensos podem desprender-se
da rocha. Isso é observado no paredão do Alto Mourão voltado para a Enseada do Bananal,
onde se encontram as últimas populações de Tillandsia dura e Vriesea botafoguensis que
65
escaparam da coleta extrativista para venda como ornamental. Tal situação também é
observada nos paredões do Costão de Itacoatiara com a bromélia Vriesea costae, cujo
typus foi coletado nessa área.
Algumas espécies podem se fixar diretamente na rocha lisa como, por exemplo,
Tillandsia araujei, Tillandsia dura, Vriesea botafoguensis, Vriesea costae, Alcantarea
glaziouana e Brassavola tuberculata. Essas plantas têm um importante papel como
pioneiras no processo de sucessão ecológica dos afloramentos rochosos. A partir da
instalação de uma espécie colonizadora ocorre o acúmulo de sedimentos, provenientes da
erosão da rocha, levando ao desenvolvimento de outras plantas mais exigentes (Meirelles
et al. 1999).
Nas fendas da rocha acumulam-se sedimentos orgânicos onde plantas saxícolas
podem se instalar. Em determinadas áreas o sedimento acumulado pode permitir o
desenvolvimento de vegetação arbóreo-arbustiva no Costão de Itacoatiara, com porte até 5
m de altura e emergentes como Syagrus romanzoffiana com até 10 m de altura. No topo da
pedra (mata do cume) e área conhecida como Pata do Gato ocorrem espécies arbóreas
como Tabebuia chrysotricha, Kielmeyera membranacea, Tibouchina corymbosa, Myrcia
selloi, Genipa americana, Metternichia princeps, Cupania oblongifolia, Heisteria
perianthomega entre outras. Dentre as espécies arbustivas destaque para Jacaranda
jasminoides, Schaueria calycotricha, Polygala albicans, Tocoyena bullata, Rinorea
laevigata e Chionanthus fluminensis. No estrato herbáceo são comumente observadas
Dichorisandra thyrsiflora, Calathea violacea, Neomarica candida, Begonia maculata e
Lepidagathis nemoralis.
Conservação e Endemismos
Um dos grandes desafios do século XXI é a necessidade de se reverter o quadro
crescente da perda da diversidade biológica. Segundo Primack & Rodrigues (2001), a
diversidade global das espécies atingiu um grau sem precedentes no período geológico
atual. Contudo, a riqueza de espécies tem diminuído sensivelmente à medida que a
população humana aumenta. Tal fato ocasiona a elevação das taxas de extinção de várias
espécies.
66
Estimativas feitas por Reid & Miller (1989) (apud Primack & Rodrigues 2001)
indicam que para as 250.000 espécies aproximadamente conhecidas de angiospermas,
0,2% foram extintas do planeta (extinções registradas de 1600 até o presente). Embora, a
princípio, esse número não seja alarmante, a tendência é o aumento da taxa de extinção,
sendo que a maioria delas vem ocorrendo nos últimos 150 anos. Nesse contexto, espécies
endêmicas são mais vulneráveis por serem restritas a determinados locais e apresentarem
uma ou poucas populações.
Em conseqüência de todas as alterações ambientais ocasionadas por ação antrópica,
muitas espécies enfrentam problemas de diminuição drástica de suas populações. Sendo
assim, a preocupação com a redução da diversidade biológica é tratada a nível
internacional pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas. Um dos principais
instrumentos legais sobre o assunto é a Convenção da Diversidade Biológica (CDB),
ratificada por vários países, sendo o Brasil um de seus signatários. Uma das principais
colocações desse documento é a indicação da responsabilidade do poder público na
conservação da fauna, flora e dos ecossistemas.
Dentre as principais causas da perda de diversidade biológica pela atividade
humana estão: a destruição dos habitats naturais, introdução de espécies exóticas,
fragmentação, super-exploração das espécies para uso humano e o aumento da ocorrência
de doenças (Primack & Rodrigues 2001). Localmente, uma das principais causas da perda
de diversidade biológica no PEST é especulação imobiliária (Barros & Seoane 1999).
Apesar da vegetação do PEST ter sido muito alterada ao longo dos anos, abriga
uma parcela da floresta ombrófila densa com grande relevância sob ponto de vista
florístico. Algumas das espécies pouco conhecidas para a ciência foram encontradas na
área reforçando a importância da sua conservação. Parte dessas espécies foi considerada
rara devido às poucas coletas registradas nas coleções científicas, sendo algumas
conhecidas apenas pelo seu exemplar typus. É o caso de Abutilon anodoides, Guatteria
reflexa, Picramnia grandifolia, Ocotea microbotrys e Rudgea discolor. Em outros casos,
devido à redução de seus habitas, espécies são consideradas raras por terem suas
populações muito reduzidas, sendo encontradas em poucas localidades como Anthurium
luschnathianum, Anthurium validinervium, Wildbrandia glaziovii, Macrotorus utriculatus
e Callisthene dryadum. Esse último, até o registro no PEST, era considerado extinto no
67
estado do Rio de Janeiro (M.C. Vianna comunicação pessoal), tendo sido coletado no
Córrego dos Colibris. Essa é uma das áreas constantemente ameaçada pela especulação
imobiliária.
No levantamento florístico foram registradas 69 espécies endêmicas do estado do
Rio de Janeiro no PEST (Tabela 4). Essas espécies merecem um cuidado especial em vista
da sua vulnerabilidade. Esse grupo representa 7,6% do total das espécies relacionadas para
o PEST. É uma percentagem baixa, quando comparada com outras áreas inventariadas no
estado do Rio de Janeiro como, por exemplo, em Macaé de Cima (35%) (Lima & GuedesBruni 1997) e nas restingas fluminenses (21%) (Araujo 2000). Dessas, 30,4% são espécies
associadas aos afloramentos rochosos dos inselbergs do Alto Mourão, Costão de
Itacoatiara e Morro das Andorinhas, as áreas mais visitadas do PEST. Meirelles et al.
(1999) já havia chamado atenção para o endemismo que é observado nos afloramentos
rochosos do Rio de Janeiro. O controle da visitação nas áreas de afloramentos rochosos é
exercido de maneira precária pelo IEF-RJ e os sinais de degradação promovidos pelos
“ecoturistas” são crescentes.
Tabela 4: Plantas endêmicas do estado do Rio de Janeiro com ocorrência no Parque Estadual da Serra da
Tiririca, Niterói e Maricá, RJ: ma + r espécies que ocorrem na Mata Atlântica e restinga; ma
espécies que ocorrem na Mata Atlântica.
Famílias
ACANTHACEAE
ANNONACEAE
Espécies
Justicia beyrichii (Nees) Lindau
ma
Schaueria calycotricha (Link & Otto) Nees
ma
Duguetia sessilis (Vell.) Maas
Guatteria reflexa R.E.Fr.
ARACEAE
BROMELIACEAE
Ocorrência
ma + r
ma
Anthurium harrisii (Grah.) Enoll.
ma + r
Anthurium luschnathianum Kunth
ma + r
Anthurium maximiliani Schott
ma
Anthurium sucrei G.M. Barroso
ma
Anthurium validinervium Engl.
ma
Philodendron speciosum Schott ex Engl.
ma
Aechmea fasciata (Lindl.) Baker var. fasciata
ma + r
68
Alcantarea glaziouana (Lemaire) Leme
CACTACEAE
ma
Cryptanthus acaulis (Lindl.) Beer
ma + r
Neoregelia cruenta (R. Graham) L.B. Smith
ma + r
Neoregelia sapiatibensis E. Pereira & L.A. Pereira
ma + r
Tillandsia araujei Mez
ma
Vriesea costae E. Leme & B. Rezende
ma
Vriesea eltoniana Pereira & Ivo
ma
Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.) Backeb.
ma
Rhipsalis mesembryanthemoides Haworth
ma
CLUSIACEAE
Kielmeyera rizziniana Saddi
ma + r
CONNARACEAE
Connarus nodosus Baker
ma + r
CUCURBITACEAE
Wilbrandia glaziovi Cogn.
ma
ERYTHROXYLACEAE
Erythroxylum gaudichaudii Peyr.
ma
Erythroxylum magnoliifolium A. St. Hil.
ma
EUPHORBIACEAE
Algernonia brasiliensis Baill.
ma
LAURACEAE
Ocotea microbotrys (Meisn.) Mez
ma
Ocotea schotii (Miesn.) Mez
LECYTHIDACEAE
LEGUMINOSAE
ma + r
Couratari pyramidata (Vell.) Knuth
ma
Eschweilera compressa (Vell.) Miers
ma
Inga lanceifolia Benth.
ma
Inga lenticellata Benth.
ma
Machaerium firmum Benth.
ma
Pseudopiptadenia schumanniana (Taub.) Lewis & M. Lima
ma
Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger
ma
Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger
ma
LORANTHACEAE
Struthanthus maricensis Rizz.
ma + r
MALPIGHIACEAE
Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates
ma + r
Stigmaphyllon gayanum A. Juss.
ma
Stigmaphyllon vitifolium A. Juss.
ma
MALVACEAE
Abutilon anodoides A. St. Hil. et Naud.
ma
MARANTACEAE
Calathea sphaerocephala K. Schum.
ma
69
MONIMIACEAE
MYRTACEAE
Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins
ma + r
Mollinedia lamprophylla Perkins
ma
Mollinedia longifolia Tulasne
ma
Campomanesia laurifolia Gardn.
ma
Eugenia excelsa O. Berg
Eugenia marambaiensis M.C. Souza et M.P. Morim
ma + r
ma
Marlierea choriophylla Kiaersk.
ma + r
Marlierea racemosa (Vell.) Kiaersk.
ma + r
PASSIFLORACEAE
Passiflora farneyi Pessoa & Cervi
ma + r
PIPERACEAE
Peperomia incana (Haw.) Hook.
ma
RUBIACEAE
Coussarea capitata (Benth.) Benth. et Hook. f.
ma + r
Faramea calyciflora A. Rich. ex DC.
ma
Faramea macrocalyx Müll. Arg.
ma
Mitracarpus lhotzkyanus Cham.
ma + r
Posoqueria acutifolia Mart.
ma + r
Psychotria rauwolfioides Standl.
ma
Psycotria stenocalyx Müll. Arg.
ma
Psychotria subspathacea Müll. Arg.
ma
Psychotria tenuinervis Müll. Arg.
ma
Psychotria umbellurigera (Müll. Arg.) Standl.
ma
Rudgea discolor Benth.
ma
Rudgea eugenioides Standl.
ma
Rudgea interrupta Benth.
ma
Rudgea umbrosa Müll.Arg.
ma
SIMAROUBACEAE
Picramnia grandifolia Engler
ma
SOLANACEAE
Metternichia princeps Mikan var. princeps
ma
Algumas espécies apresentam distribuição restrita à região do entorno da Baía de
Guanabara como: Abutilon anodoides (Bovini 2003), Rhipsalis cereoides, Rhipsalis
mesembryanthemoides (Barthlott & Taylor 1995; Taylor & Zappi 2004; Calvente 2005),
Vriesea costae (Sousa et al. 2003), Alcantarea glaziouana (Leme 1995), Rudgea interrupta
70
(Zappi
2003).
Struthanthus
maricensis,
Banisteriopsis
sellowiana
e
Marlieria
choriophylla, embora tenham sido indicadas por Araujo (2000) como restritas as restingas
fluminenses foram coletadas no PEST na floresta ombrófila densa submontana. Dessa
forma, no presente estudo essas espécies tem sua região de ocorrência expandida para essa
formação florestal. Ao todo no PEST ocorrem 20 espécies endêmicas que podem ser
encontradas tanto na floresta ombrófila densa quanto na restinga (Tabela 4).
Espécies Ameaçadas
A ameaça de extinção de espécies levou a criação de várias listas vermelhas que
indicam o status de conservação das espécies em escala global, regional ou local. Nesse
sentido, a International Union for the Conservation of Nature and Natural Resources
(IUCN) foi pioneira na elaboração das listas de espécies ameaçadas. Criou critérios de
avaliação que são utilizados para apontar quais são essas espécies. As listas vermelhas
tornaram-se instrumentos legais para proteção da diversidade biológica incitando o poder
público a cumprir seu papel previsto na Convenção da Diversidade Biológica de 1997.
No Brasil o status de conservação das espécies da flora é apontado oficialmente
pela Portaria 37-N de 03/04/1992 do IBAMA (1992). Mais recentemente essas espécies
foram reavaliadas e apresentadas na Lista Brasileira de Espécies da Flora Ameaçada
revisada em 2005 em workshop realizado pela Fundação Biodiversitas. Não há ainda uma
lista específica para o estado do Rio de Janeiro, apenas para o município do Rio de Janeiro
(Rio de Janeiro 2000), que não traduz a realidade para todo Estado.
3 spp.
7 spp.
15 spp.
Criticamente ameaçada
Em perigo
42 spp.
Vulnerável
Quase ameaçada
Figura 3: Categorias de conservação de espécies vegetais ameaçadas no Parque
Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
71
Foram registradas no PEST 66 espécies da flora englobadas em alguma categoria
de ameaça de extinção (Anexo). Esse dado corresponde a 7,2% do total de espécies
amostradas. Nessa relação 21 espécies são endêmicas do estado do Rio de Janeiro. A
maioria encontra-se na categoria vulnerável, (42 spp.), seguida de em perigo (15 spp.),
criticamente ameaçadas (7 spp.) e quase ameaçadas (3 spp.) (Figura 3). Na lista vermelha
da IUCN constam 23 espécies reconhecidas internacionalmente com algum grau de
ameaça de extinção. Dessas 13 são vulneráveis, 8 em perigo e 2 criticamente ameaçadas
(Eschweilera compressa e Mollinedia lamprophylla). 50 espécies que ocorrem no PEST
estão incluídas na lista de espécies ameaçadas de extinção do município do Rio de Janeiro
(Rio de Janeiro 2000).
Dentre as espécies criticamente ameaçadas inclui-se Vriesea costae, encontrada nos
paredões íngrimes do Costão de Itacoatiara. Quando descrita foi considerada endêmica do
PEST, contudo já foi coletada no Parque Estadual da Chacrinha, município do Rio de
Janeiro. Também nessa categoria Heteropterys ternstroemiifolia, encontrada no Córrego
dos Colibris, Morro do Cordovil e Morro do Telégrafo; Abutilon anodoides, espécie
redescoberta na Serra da Tiririca, sendo coletada no Córrego dos Colibris e no Morro das
Andorinhas. Callisthene dryadum não conta dessas listas, mas é uma espécie ameaçada,
uma vez que apresenta populações reduzidas, sendo que a única conhecida até então, se
localiza no Córrego dos Colibris.
Na categoria em perigo destaque para Anthurium luschnathianum, que ocorre em
floresta de restinga, raramente em floresta submontana até 250 msm; Anthurium sucrei,
rupícola ocorre nos afloramentos rochosos da região metropolitana do Rio de Janeiro e
Anthurium validinervium, raríssima e endêmica do estado do Rio de Janeiro. Também
nessa categoria Euterpe edulis com apenas duas pequenas populações no Morro do
Telégrafo e que foi largamente coletado de forma extrativista; Mollinedia glabra e Rudgea
interrupta, características do sub-bosque; Dorstenia arifolia, que embora ameaçada, tem
ampla distribuição no PEST, o que já não ocorre com D. cayapia, encontrada apenas no
Alto Mourão.
Cabe ressaltar a importância do registro no PEST da presença de Caesalpinia
echinata, espécie considerada em perigo. Foram encontradas três pequenas populações no
Morro do Telégrafo. Pensava-se que o pau-brasil estivesse completamente extinto no
72
município, como consta no Diagnóstico Ambiental de Niterói (Prefeitura de Niterói 1992).
Contudo, essa espécie já foi coletada em Niterói, além da Serra da Tiririca, no Morro da
Viração e na Serra do Malheiro, localizada na Reserva Ecológica Darcy Ribeiro. Essa
espécie ocorre no estado do Rio de Janeiro apenas em áreas como a Serra das Emerências,
Cabo Frio (Sá 2006), na Reserva Ecológica de Jacarepiá, Saquarema (Sá 1992) e APA da
Serra da Capoeira Grande, Rio de Janeiro (Peixoto et al. 2005).
Dentre as espécies vulneráveis destaque para: Passiflora farneyi, encontrada no
Morro das Andorinhas e Costão de Itacoatiara; Mollinedia lamprophylla, apenas um
registro no Morro do Cordovil; Coussapoa curranii, apenas um registro no Alto Mourão;
Cattleya forbesii, observada no Costão de Itacoatiara e Córrego dos Colibris, sendo muito
cobiçada por colecionadores; Constantia rupestris, pequena orquídea epífita encontrada no
Costão de Itacoatiara; Macrotorus utriculatus, apenas um registro no Córrego dos Colibris;
Rhipsalis cereoides, endêmico de afloramentos rochosos do entorno da Baía de Guanabara,
ocorre no Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Morro das Andorinhas; Rhipsalis
mesembryanthemoides, endêmico da região metropolitana do Rio de Janeiro (Calvente et
al. 2005) e Alcantarea glaziouana, endêmica dos paredões rochosos da circunvizinhança
do Rio de Janeiro em altitudes próximas do mar (Leme 1995).
Tabela 5: Plantas presentes na lista do CITES com ocorrência no Parque Estadual da Serra da Tiririca,
Niterói e Maricá, RJ.
Famílias
CACTACEAE
LEGUMINOSAE
Espécies
Anexo CITES
Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A. Berg.
II
Coleocephalocereus fluminensis (Miq.) Backeb
II
Hylocereus setaceus (Salm-Dyck) R. Bauer
II
Lepismium cruciforme (Vell.) Miquel
II
Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.) Backeb.
II
Rhipsalis lindbergiana K. Schum.
II
Rhipsalis mesembryanthemoides Haworth
II
Rhipsalis oblonga Loefgren
II
Rhipsalis paradoxa (Salm-Dyck ex Pfeiff.) Salm-Dyck
II
Rhipsalis teres (Vell.) Steud.
II
Caesalpinia echinata Lam.
II
73
MELIACEAE
Cedrela odorata L.
III
ORCHIDACEAE
Cattleya forbesii Lindl.
II
Epidendrum rigidum Jacq.
II
Laelia lobata (Lindl.) Veitch.
I
Oncidium pumilum Lindl.
II
Coleocephalocereus fluminensis não foi enquadrado nas listas de espécies
ameaçadas consultadas. Contudo, Calvente et al. (2005) consideram essa espécie
vulnerável no estado do Rio de Janeiro, por apresentar populações restritas aos
afloramentos rochosos. Sofre redução de seu habitat devido à pressão antrópica como
urbanização intensa, especulação imobiliária no entorno das áreas de ocorrência e
queimadas.
No PEST ocorrem 17 espécies que estão incluídas na lista do CITES (2008)
(Convenção Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de
Extinção), da qual o Brasil é signatário a partir do Decreto 76.623 de 17 de novembro de
1975. Essa convenção tem como objetivo controlar o comércio internacional de fauna e
flora silvestres e, dessa forma, exercer fiscalização sobre a comercialização das espécies
contidas na sua lista. Contudo, não atua sobre o comércio ilegal. As espécies sobre controle
são listadas nos anexos I (inclui todas as espécies ameaçadas de extinção que são ou
podem ser afetadas pelo comércio e estão sob controle rigoroso), II (inclui espécies que,
embora não estejam necessariamente em perigo de extinção podem vir a extinguir-se se o
comércio não estiver submetido à regulamentação rigorosa para evitar a exploração
incompatível com sua sobrevivência) e III (inclui as espécies que requerem algum tipo de
regulamentação para impedir ou restringir sua exploração e que necessitam da cooperação
de outras partes no controle do comércio) (CITES 2008).
Embora não tenha sido coletada por se encontrar em área de difícil acesso, registrase a ocorrência no PEST da orquídea Laelia lobata, que está em perigo de extinção,
segundo lista de espécies ameaçadas do IBAMA (1992). Consta da lista do CITES como
espécie ameaçada no anexo I.
74
CONCLUSÃO
A Serra da Tiririca está inserida no maciço litorâneo da Serra do Mar e apresenta
uma vegetação típica desse tipo de ambiente, constituída por floresta ombrófila densa e
afloramentos rochosos. O aspecto escleromórfico dessa vegetação está associado ao clima
regional, proximidade com o mar e a presença de solos rasos. Os inselbergs constituem um
fator de enriquecimento para a flora local, correspondendo a ilhas de diversidade florística
entremeadas a floresta ombrófila densa. A flora da Serra da Tiririca apresenta relações
florísticas com outras áreas de floresta ombrófila densa e restingas do estado do Rio de
Janeiro. Contudo, com baixa similaridade, devido a grande diversidade florística da Mata
Atlântica fluminense, que é influenciada por fatores como relevo, solo e clima.
Nesse estudo, espécies pouco conhecidas foram redescobertas, além da presença de
várias outras ameaçadas. Apesar da grande relevância florística, os problemas
conservasionistas do PEST são complexos. Essa Unidade de Conservação de Proteção
Integral criada em 1991 foi palco de muitas discussões políticas. Efetivamente isso só
contribuiu para o avanço da ocupação de áreas florestadas que eram parte integrante dos
limites em estudo com 2.400 ha (Decreto nº 18.598 de 19/04/1993). A falta de limites
definitivos e do plano de manejo contribuiu para o aumento da perda de diversidade
biológica. Apenas em 2007 (Lei Estadual nº 5079) os limites foram aprovados pela
Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro, baseados na proposta elaborada pela
comissão Pró-Tiririca apresentada ao Instituto Estadual de Florestas-RJ e em emendas de
deputados estaduais liberando mais áreas para a especulação imobiliária. Houve uma
redução da área do PEST, quando os dados florísticos desse estudo e de Costa (2005)
mostram que deveriam ter sido ampliados. Além disso, muitos exemplos mostram que a
cada diminuição de dez vezes na área perde-se cerca de 30% das espécies da comunidade
original (Roche & Dourojeanni 1984, apud Kageyama 1987). Dessa forma, as diretrizes de
conservação da diversidade biológica que nortearam a criação do PEST se perderam nas
discussões políticas, que nada contribuiu para a efetiva implantação da Unidade de
Conservação.
75
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Araujo, D.S.D. 2000. Análise florística e fitogeográfica das restingas do estado do Rio de
Janeiro. Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Geografia). Universidade Federal do Rio de
Janeiro. 169p.
Barbiére, E.B. 1975. Ritmo de extração de sal em Cabo Frio. Revista Brasileira de
Geografia 37(4): 23–109.
Barbiére, E.B. 1984. Cabo Frio e Iguaba Grande, dois microclimas distintos a um curto
intervalo espacial. In: Lacerda, L.D.; Araújo, D.S.D.; Cerqueira, R. & Turq, B. (eds)
Restingas: Origem, estrutura, processos. Niterói, CEUFF 1: p. 03-13.
Barbiére, E.B. & Coe-Neto, R. 1996. Distribuição espacial da pluviosidade na vertente
atlântica da Serra do Mar no trecho Niterói - Macaé. In: Symposium International
Enviromental in Tropic Countries, 2, Cartagena. Anais... Niterói: UFF, Departamento de
Geoquímica. 3p.
Barbiére, E.B. & Coe-Neto, R. 1999. Spatial and temporal variation of the east fluminense
coast and atlantic Serra do Mar, State of Rio de Janeiro, Brazil. In: Knoppers, B.; Bidone,
E.D. & Abrão, J.J. (eds) Environmental Geochemistry of Coastal System, Rio de Janeiro,
Brazil. Série Geoquímica Ambiental. 6: 47–56.
Barros, A.A.M. & Seoane, C.E.S. 1999. A problemática da conservação do Parque
Estadual da Serra da Tiririca, Niterói / Maricá, RJ, Brasil. In: Vallejo, L.R. & Silva,
M.T.C. (eds) Os (Des)Caminhos do Estado do Rio de Janeiro Rumo ao Século XXI.
Anais... Niterói: Instituto de Geociências da UFF. p. 114–124.
Barthlott, W. & Taylor, N. 1995. Notes towards a monography of Rhipsalideae
(Cactaceae). Bradleya 13: 43–79.
Biodiversitas. 2005. http://www.biodiversitas.org.br. Arquivo da internet capturado em 02
de janeiro de 2008.
Bovini, M.G. 2003. Abutilon anodoides A. St. Hil. & Naud. (Malvaceae). Uma espécie rara
e endêmica. Bradea 9(7): 29–32.
Calvente, A.M.; Freitas, M.F. & Andreata, R.H.P. 2005. Listagem, distribuição e
conservação das espécies de Cactaceae no estado do Rio de Janeiro. Rodriguésia 56 (87):
141–162.
Carauta, J.P.P. 1996. Moráceas do Estado do Rio de Janeiro. Albertoa 4(13): 145–194.
Carauta, J.P.P. & Oliveira, R.R. 1984. Plantas vasculares dos morros da Urca, Pão de
Açúcar e Cara de Cão. Rodriguésia 36(59): 13-24.
CITES. 2008. Convenção Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em
Perigo de Extinção. www.ukcites.gov.uk/defaut.asp. Arquivo da internet capturado em 5
de janeiro de 2008.
76
CNIP. 2008. Cheklist das plantas do nordeste brasileiro. Angiospermae e Gymnospermae.
www.cnip.org.br/bdpn. Arquivo da internet capturado em 12 de janeiro de 2008.
Coelho, M.A.N. 2000. Philodendron Schott (Araceae): Morfologia e taxonomia das
espécies da Reserva Ecológica de Macaé de Cima, Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brasil.
Rodriguésia 51(78/79): 21–68.
Coelho, M.A.N. 2004. Taxonomia e biogeografia de Anthurium (Araceae) seção
Urospadix, subseção Flavescentiviridia. Tese (Doutorado em Botânica). Universidade
Federal do Rio Grande do Sul. 321p.
Costa, D.P.; Imbassahy, C.A.A. & Silva, V.A.A.V. 2005. Diversidade e importância das
espécies de briófitas na conservação dos ecossistemas do estado do Rio de Janeiro.
Rodriguésia 56(87): 13-49.
de Mattos, E.A.; Grams, T.E.E.; Ball, E.; Franco, A.C.; Haag-Kerwer, A.; Herzog, B.;
Scarano, F.R. & Lüttge, U. 1997. Diurnal patterns of chlorophyll a fluorescence and
stomatal conductance in species of two types of coastal tree vegetation in southeastern
Brazil. Trees 11: 363-369.
Firme, R.P.; Vincenz, R.S.; Macedo, G.V.; Machline-Silva, I. & Oliveira, R.R. 2001.
Estrutura da vegetação de um trecho de Mata Atlântica sobre solos rasos (Maciço da Pedra
Branca, RJ). Eugeniana 25: 3-10.
Fonseca, D.P.R. 2005. A marca do sagrado. In: Oliveira, R.R. (ed) As marcas do homem
na floresta. História ambiental de um trecho de mata atlântica. p. 11-22.
Guedes-Bruni, R.R. 1998. Composição, estrutura e similaridade de dossel em seis unidades
fisionômicas de Mata Atlântica no Rio de Janeiro. Tese. (Doutorado em Botânica).
Universidade de São Paulo. 231p.
Guedes-Bruni, R.R. & Lima, H.C. 1996. Serranias do estado do Rio de Janeiro. O
conhecimento florístico atual e as implicações para a conservação da diversidade na Mata
Atlântica. Eugeniana 22: 9- 22.
IBAMA. 1992. http://www.ibama.gov.br/flora/extincao.htm. Arquivo da internet capturado
em 02 de janeiro de 2008.
IUCN. 2008. Red List of threatened species. www.iucnredlist.org. Arquivo da internet
acessado em 06 de janeiro de 2008.
Kageyama, P.Y. 1987. Conservação in situ”de recursos genéticos de plantas. IPEF 35: 737.
Klein, V.L.G. 1996. Cucurbitaceae do Estado do Rio de Janeiro: Subtribo Melothriinae
E.G.O. Muell et F. Pax. Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 34 (2): 93–172.
Leme, E.M.C. 1995. Contribuição ao estudo do gênero Alcantarea I. Bromélia 2(3): 15 –
23.
77
Lima, H.C. 2008. Reserva Biológica do Tinguá. Lista de espécies vasculares [on line].
Disponível na internet via http//www.jbrj.gov.br/pesquisa/reservatingua/listaespecies.
Arquivo capturado em 02 de janeiro de 2008.
Lima, H.C. & Guedes-Bruni, R.R. 1997. Plantas vasculares da Reserva Ecológica de
Macaé de Cima. In: Lima, H.C. & Guedes-Bruni, R.R. (eds) Serra de Macaé de Cima:
Diversidade florística e composição em Mata Atlântica. Rio de Janeiro: Jardim Botânico
do Rio de Janeiro: p. 315-345.
Lima, H.C.; Morim, M.P.; Guedes-Bruni, R.R.; Sylvestre, L.S.; Pessoa, S.V.A.; SilvaNeto, S.V.A.; Quinet, A.; Guimarães, E.F. & Mansano, V. 2008. Reserva Biológica de
Poço das Antas. Lista de espécies vasculares [on line]. Disponível na internet via
http://graziela.jbrj.gov.br/pesquisa/pma/macaedecima/checklist/Lista_Plantas_vasculares_a
presentação.htm. Arquivo capturado em 02 de janeiro de 2008.
Magurran, A.E. 1988. Ecological Diversity and its Measurement. Princeton University
Press. Princeton, New Jersey. 179p.
Marques, M.C.M. 1997. Mapeamento da cobertura vegetal e listagem das espécies
ocorrentes na Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, Município de Parati, RJ. Série
Estudos e Contribuições. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. (13): 96p.
Marquete, R.; Valente, M.C.; Marquete, N.; Guimarães, E.F.; Marquete, O.; Giordano,
L.C.S.; Vaz, A.M.S.F.; Quinet, A.; Silva, C.N.A.; Macedo, P.B.; Mynssen, C.; Pinto, C.G.;
Pinheiro, F.C.; Garcia, R.O. & Medeiros, E.S. 2001. Checklist das espécies ocorrentes nas
áreas do entorno do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Pteridófitas
e Angiospermas. Bradea 8(37): 227–258.
Meirelles, S.T.; Pivello, V.R. & Joly, C.A. 1999. The vegetation of granite rock outcrops in
Rio de Janeiro, and the need for its protection. Environmental Conservation 26(1): 10–20.
Mendonça, R.C.; Felfili, J.M.; Walter, B.M.T.; Silva-Junior, M.C.; Rezende, A.V.;
Filgueiras, T.S. & Nogueira, P.E. 1998. Flora vascular do cerrado. In: Sano, S.M. &
Almeida, P.E. (eds) Cerrado: Ambiente e Flora. EMBRAPA, Planaltina, DF: p. 289–556.
Mori, S.A. 1981. Distribution patterns and conservation of eastern Brazilian coastal forest
trees species. Brittonia 33(2): 233-245.
Oliveira, R.F.; Coimbra-Filho, A.F. & Silva, Z.L. 1975. Sobre a litosere: Algumas espécies
para revestimento de encostas rochosas. Brasil Florestal 6(24): 3–18.
Oliveira-Filho, A.T. & Fontes, M.A.L. 2000. Patterns of floristic differentiation among
Atlantic Forest in southeastern Brazil and the influence of climate. Biotropica 32(4b): 793810.
Peixoto, G.L.; Martins, S.V.; Silva, A.F. & Silva, E. 2004. Composição florística do
componente arbóreo de um trecho de floresta atlântica na área de Proteção Ambiental da
Serra da Capoeira Grande, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Acta Botanica Brasilica 18(1): 151–
160.
78
Pereira, O.J. & Araujo, D.S.D. 2000. Análise florística das restingas dos estados do
Espírito Santo e Rio de Janeiro. In: Esteves, F.A. & Lacerda, L.D. (eds) Ecologia de
restingas e lagoas costeiras. NUPEM/UFRJ. Macaé: p. 25–63.
Pessoa, S.V.A. & Cervi, A.C. 1992. Passiflora farneyi, a new species of Passifloraceae,
subgenus Passiflora, series Serratifoliae, for Brazil. Candolea 47(2): 631–634.
Pinheiro, F.C. 1999. Orchidaceae do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói, RJ.
Dissertação. (Mestrado em Ciências Biológicas - Botânica). Universidade Federal do Rio
de Janeiro. 122p.
Porembski, S. 2002. Terrestrial habitat islands as model systems for biodiversity research.
In: Araujo, A.L.; Moura, A.N.; Sampaio, E.V.S.B.; Gestinari, L.M.S. & Carneiro, J.M.T.
(eds) Biodiversidade, conservação e uso sustentável da flora do Brasil. Universidade
Federal de Pernambuco. Recife: p. 158–161.
Prefeitura de Niterói. 1992. Niterói. Diagnóstico Ambiental. Versão resumida. Niterói:
Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente, 194p.
Primack, R.B. & Rodrigues, E. 2001. Biologia da Conservação. Londrina: E. Rodrigues.
328p.
Ribeiro, J.E.L.S.; Hopkins, M.J.G.; Vicentini, A.; Sothers, C.A.; Costa, M.A.S.; Brito,
J.M.; Souza, M.A.D.; Martins, L.H.; Lohmann, L.G.; Assunção, P.A.C.L.; Pereira, E.C.;
Silva, C.F.; Mesquita, M.R. & Procópio, L.C. 1999. Flora da Reserva Ducke. Guia de
identificação das plantas vasculares de uma floresta de terra firme na Amazônia Central.
INPA, Manaus. 816p.
Rio de Janeiro. 2000. Espécies ameaçadas de extinção no município de Rio de Janeiro:
flora e fauna. Secretaria Municipal de Meio Ambiente. 68p.
Sá, C.F.C. 2006. Estrutura, diversidade e conservação de angiospermas no Centro de
Diversidade de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Ciências
Biológicas – Ecologia). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 250 p.
Scarano, F.R. 2002. Structure, function and floristic relationships of plants communities in
stressful habits marginal to the Brazilian Atlantic forest. Annals of Botany 90: 517-524.
Sousa, L.O.F.; Silva, B.R. & Sousa, R.C.O.S. 2003. Hohenmea, a new natural intergeneric
hybrid in the Bromelioideae. Journal of Bromeliads Society 53(2): 71–76.
Taylor, N. & Zappi, D. 2004. Cacti of Eastern Brazil. Kew: The Royal Botanic Garden.
499p.
Veloso, H.P.; Rangel-Filho, A.L.R. & Lima, J.C.A. 1991. Classificação da vegetação
brasileira adaptada a um sistema universal. Rio de Janeiro: IBGE. 124p.
Zappi, D. 2003. Revision of Rudgea (Rubiaceae) in southeastern and southern Brazil. Kew
Boletin 58: 513–596.
79
Anexo
Espécies ameaçadas de extinção presentes no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de
Janeiro, Brasil.
FAMÍLIAS
ESPÉCIES
CATEGORIA
FONTE
ANACARDIACEAE
Myracrodruon urundeuva Allemão
vulnerável
IBAMA (1992)
ANNONACEAE
Guatteria reflexa R.E.Fr.
vulnerável
Biodiversitas (2005)
ARACEAE
Anthurium luschnathianum Kunth
em perigo
Biodiversitas (2005)
Anthurium sucrei G.M. Barroso
em perigo
Coelho (2004)
Anthurium validinervium Engl.
em perigo
Coelho (2004)
Philodendron bipennifolium Schott
vulnerável
Coelho (2000)
Philodendron speciosum Schott ex Engl.
vulnerável
Coelho (2000)
ARECACEAE
Euterpe edulis Mart.
em perigo
Biodiversitas (2005)
BROMELIACEAE
Aechmea sphaerocephala Baker
vulnerável
Biodiversitas (2005)
Alcantarea glaziouana (Lemaire) Leme
vulnerável
Biodiversitas (2005)
Neoregelia cruenta (R. Graham) L.B. Smith
vulnerável
Biodiversitas (2005)
Vriesea costae E. Leme & B. Rezende
criticamente
em
perigo
Biodiversitas (2005)
Vriesea eltoniana Pereira & Ivo
em perigo
Biodiversitas (2005)
Vriesea psittacina (Hook.) Lindl.
vulnerável
Biodiversitas (2005)
Coleocephalocereus fluminensis (Miq.) Backeb
vulnerável
Calvente et al. (2005)
Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles ex G.D.
Rowley.
quase
Biodiversitas (2005)
Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.) Backeb.
vulnerável
Biodiversitas (2005); IUCN
(2008); Barthlott & Taylor
(1995); Taylor & Zappi (2004)
Rhipsalis mesembryanthemoides Haworth
vulnerável
Barthlott & Taylor (1995);
Taylor & Zappi
(2004)
COMMELINACEAE
Siderasis fuscata (Lood.) Moore
vulnerável
Biodiversitas (2005)
CONVOLVULACEAE
Ipomoea daturaeflora Meissn.
em perigo
Biodiversitas (2005)
CUCURBITACEAE
Wilbrandia glaziovi Cogn.
vulnerável
Klein (1996)
EUPHORBIACEAE
Joannesia princeps Vell.
vulnerável
IUCN (2008)
GESNERIACEAE
Sinningia pusilla (Mart.) Baill.
quase
Biodiversitas (2005)
CACTACEAE
ameaç
ada
ameaç
ada
HELICONIACEAE
Heliconia lacletteana Emygdio & Santos
vulnerável
IBAMA (1992)
80
LAURACEAE
Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer
vulnerável
Biodiversitas (2005)
Phyllostemonodaphne geminiflora (Mez)
Kosterm.
vulnerável; em
perigo
Biodiversitas (2005); IUCN
(2008)
Urbanodendron bahiense (Meiss.) Rohwer
vulnerável; em
perigo
Biodiversitas (2005); IUCN
(2008)
Urbanodendron verrucosum (Nees) Mez
vulnerável
IUCN (2008)
Cariniana legalis (Mart.) Kuntze
vulnerável
IUCN (2008)
Couratari pyramidata (Vell.) Knuth
em perigo
IUCN (2008)
Eschweilera compressa (Vell.) Miers
criticamente
em
perigo
IUCN (2008)
Caesalpinia echinata Lam.
em perigo
IBAMA (1992); Biodiversitas
(2005); IUCN (2008)
Abarema cochliocarpus (Gomes) R.C. Barneby
& J.W. Grimes
vulnerável
IUCN (2008)
Inga lanceifolia Benth.
vulnerável
IUCN (2008)
Inga lenticellata Benth.
vulnerável
IUCN (2008)
Mimosa caesalpiniifolia Benth.
vulnerável
IUCN (2008)
Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates
vulnerável
Biodiversitas (2005)
Heteropterys ternstroemiifolia A. Juss.
criticamente
em
perigo
Biodiversitas (2005)
Stigmaphyllon vitifolium A. Juss.
vulnerável
Biodiversitas (2005)
MALVACEAE
Abutilon anodoides A. St. Hil. & Naud.
criticamente
em
perigo
Biodiversitas (2005); Bovini
(2003)
MELIACEAE
Cedrela odorata L.
vulnerável
IUCN (2008)
Trichilia casaretti C. DC.
vulnerável
IUCN (2008)
Trichilia silvatica C. DC.
vulnerável
IUCN (2008)
Odontocarya vitis Miers
em perigo
Biodiversitas (2005)
Ungilipetalum filipendulum (Mart.) Moldenthe
vulnerável
Biodiversitas (2005)
Macrotorus utriculatus Perkins
vulnerável
Biodiversitas (2005)
Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins
em perigo;
vulner
ável
IBAMA (1992); Biodiversitas
(2005); IUCN (2008)
Mollinedia lamprophylla Perkins
vulnerável;
critica
mente
ameaç
ada
Biodiversitas (2005); IUCN
(2008)
Coussapoa curranii S.F. Blake
em perigo;
vulner
ável
Carauta (1996); IUCN (2008)
LECYTHIDACEAE
LEGUMINOSAE
MALPIGHIACEAE
MENISPERMACEAE
MONIMIACEAE
MORACEAE
81
Dorstenia arifolia Lam.
em perigo
IBAMA (1992)
Dorstenia cayapia Vell.
vulnerável
IBAMA (1992)
Ficus cyclophylla (Miquel) Miquel
em perigo
IUCN (2008)
Pseudomedia hirtuta Kuhlmann
em perigo
IUCN (2008)
Campomanesia laurifolia Gardn.
vulnerável
Biodiversitas (2005)
Eugenia oxyoentophylla Kiaersk.
em perigo
Biodiversitas (2005)
Eugenia villae-novae Kiaersk.
em perigo
IUCN (2008)
Plinia ilhensis G.M. Barroso
vulnerável
Biodiversitas (2005)
OLEACEAE
Chionanthus fluminensis (Miers) P.S. Green
criticamente
em
perigo
IUCN (2008)
ORCHIDACEAE
Cattleya forbesii Lindl.
vulnerável
Pinheiro (1999)
Constantia rupestris Barb. Rodr.
vulnerável
Biodiversitas (2005); Pinheiro
(1999)
Passiflora farneyi Pessoa & Cervi
quase
Pessoa & Cervi (1992)
MYRTACEAE
PASSIFLORACEAE
ameaç
ada
RUBIACEAE
SAPOTACEAE
Rudgea coronata (Vell.) Müll. Arg.
vulnerável
Biodiversitas (2005); Zappi
(2003)
Rudgea francavillana Müll. Arg.
em perigo
Biodiversitas (2005); Zappi
(2003)
Rudgea interrupta Benth.
vulnerável
Biodiversitas (2005); Zappi
(2003)
Rudgea minor ssp. minor Benth.
criticamente
em
perigo
Biodiversitas (2005); Zappi
(2003)
Sideroxylon obtusifolium (Humb. ex Roem. &
Schult.) T.D. Penn.
vulnerável
IBAMA (1992)
82
Artigo II
ANÁLISE FLORÍSTICA DE MAGNOLIOPHYTA
DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA TIRIRICA,
NITERÓI E MARICÁ, RIO DE JANEIRO, BRASIL
Ana Angélica M. de Barros & Dorothy Sue Dunn Araujo
Artigo a ser submetido ao Morphology, Distribution, Functional Ecology of Plants
83
Análise Florística de Magnoliophyta do Parque Estadual da
Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO – (Análise florística de Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá,
Rio de Janeiro, Brasil). O Parque Estadual da Serra da Tiririca está inserido na porção costeira da Serra do
Mar do estado do Rio de Janeiro entre os municípios de Niterói e Maricá (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02`
W). A vegetação corresponde à floresta ombrófila densa submontana e afloramentos rochosos presentes nos
inselbergs do Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Morro das Andorinhas. É uma região com elevada
riqueza florística que está bastante ameaçada pela ação humana. O inventário florístico registrou 907 espécies
de Magnoliophyta pertencentes a 434 gêneros e 97 famílias, além de 122 espécies consideradas ruderais.
Destacam-se as seguintes famílias quanto à riqueza de espécies: Leguminosae (85 spp.), Rubiaceae (54 spp.),
Myrtaceae (55 spp.), Euphorbiaceae (42 spp.), Bromeliaceae (41 spp.), Sapindaceae (33 spp.), Bignoniaceae
(29 spp.), Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25 spp.) e Asteraceae (25 spp.). As plantas arbóreas representam
35,8% da flora, seguido de trepadeiras (21,9%), ervas (18,4%), arbustos (16,9%), epífitas (4,9%),
hemiepífitas (1,8%) e parasitas (0,3%).
Palavras chaves: Serra da Tiririca, florística, Mata Atlântica, diversidade
ABSTRACT- (Floristic analyses of Magnoliophyta from the Serra da Tiririca State Park, Brazil: Niterói e
Maricá, Rio de Janeiro, Brazil). Serra da Tiririca State Park is located on the coast of the Serra do Mar in Rio
de Janeiro between Niterói and Maricá municipal districts (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W). The
vegetation is dense ombrophilous forest and rocky outcrops on the inselbergs of Alto Morão, Costão de
Itacoatiara and Morro das Andorinhas. It is a region with high floristic richness that is truely endangered by
the human activities. The floristic inventory registered 907 species of Magnoliophyta belonging to 434
genera and 97 families and 122 weedy species. The following families are important for their species
richness: Leguminosae (85 spp.), Rubiaceae (54 spp.), Myrtaceae (55 spp.), Euphorbiaceae (42 spp.),
Bromeliaceae (41 spp.), Sapindaceae (33 spp.), Bignoniaceae (29 spp.), Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25
spp.) and Asteraceae (25 spp.). Trees represent 35.8% of the flora, followed by climbers (21.9%), herbs
(18.4%), shrubs (16.9%), epiphytes (4.9%), hemiepiphytes (1.8%) and parasites (0.3%).
Key words: Serra da Tiririca, flora, Atlantic Forest, diversity
INTRODUÇÃO
A flora do estado do Rio de Janeiro vem sendo investigada desde o século XVI,
quando os primeiros naturalistas começaram a coletar exemplares da flora fluminense
(Guedes-Bruni & Peixoto 2003), descobrindo uma série de novas espécies representativas
da diversidade florística da Mata Atlântica. Os primeiros trabalhos publicados enfocaram a
porção serrana da Serra do Mar, mais especificamente na Serra dos Órgãos (Veloso 1945;
Rizzini 1953/54) e a Serra da Mantiqueira em Itatiaia (Brade 1956). Contudo, apenas nos
últimos 30 anos, esses estudos se intensificaram. Foram feitos esforços de coletas em
inventários florísticos realizado nas serranias da Serra do Mar, onde as florestas
encontram-se mais preservadas (Lima & Guedes-Bruni 1994, Lima & Guedes-Bruni 1996,
Lima & Guedes-Bruni 1997). A vegetação litorânea foi investigada principalmente em
relação às restingas (Ule 1967, Araujo & Henriques 1984, Oliveira & Araujo 1988, Silva
84
& Somner 1989, Sá 1992, Sá 1996, Montezuma 1997, Araujo 2000, Pereira & Araujo
2000, Fernandes & Sá 2000, Costa & Dias 2001 e Cordeiro 2005).
A diversidade florística da floresta ombrófila densa na região litorânea da Serra do
Mar é evidenciada nos inventários realizados em remanescentes florestais localizados
principalmente em Unidades de Conservação: Floresta da Tijuca (Mattos et al. 1976,
Santos 1976, Marquete et al. 2001), Maciço da Pedra Branca (Oliveira & Costa 1985;
Peixoto et al. 2004; Solórzano 2006), Reserva Biológica do Tinguá (Rodrigues 1996; Braz
et al. 2004, Lima
2008), Área de Proteção Ambiental de Cairuçu (Marques 1997;
Marques et al. 1997). Nas florestas de terras baixas destacam-se os trabalhos na Reserva
União (Rodrigues 2004) e Reserva Biológica de Poço das Antas (Lima et al. 2006; Lima
et al. 2008). Em relação às florestas semideciduais foram realizados estudos florísticos no
Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio (Araujo 1998; Farág 1999; Sá 2006).
Estudos florísticos na Serra da Tiririca foram realizados principalmente no
complexo formado pelo Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Morro das Andorinhas
(Araujo & Vilaça 1981), onde se encontram os afloramentos rochosos. No Alto Mourão,
Lopes (1992) registrou a presença de 308 espécies pertencentes a 75 famílias, sendo em
sua maioria de ocorrência restrita à Mata Atlântica. Foi dado um efoque relativo à
utilização econômica das plantas em relação às espécies medicinais (Lopes & Andreata
1989, 1990, 1991, 1992) e ornamentais (Lopes et al. 2004). As informações desses
trabalhos foram importantes subsídios para criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca.
Santos & Lima (1998) fizeram uma avaliação simplificada da vegetação do PEST restrita a
uma pequena localidade do Morro do Telégrafo.
No Costão de Itacoatiara foram analisados outros aspectos da flora nos trabalhos de
Reinert & Meirelles (1993), Arruda (1994), Meirelles et al. (1999), Santos et al. (2005)
Santos & Sylvestre (2006) e Ribeiro et al. (2007). Leme & Rezende (2001) descreveram
uma nova espécie de bromélia endêmica do entorno da Baía de Guanabara, Vriesea costae
Leme & B.R. Silva, encontrada no paredão íngrime voltado para a Praia de Itacoatiara.
Também foram estudadas com mais detalhes as famílias Orchidaceae (Pinheiro 1999) e
Euphorbiaceae (Pinto 2004). Oliveira-e-Silva (2002) coordenou o projeto de levantamento
de criptógamas do PEST, onde foram listadas 92 espécies de briófitas, 69 de pteridófitas e
92 de macroalgas bentônicas.
85
Apesar de todos esses trabalhos ficou uma grande lacuna de conhecimento sobre a
flora da Serra da Tiririca, uma vez que apenas uma pequena porção dessa área foi
estudada. Sendo assim, esse trabalho tem como objetivos realizar o inventário mais amplo
das espécies de Magnoliophyta ocorrentes na área de estudo.
METODOLOGIA
O levantamento florístico das Magnoliophyta foi baseado em coletas mensais em
várias áreas do Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) no período de março/1997 a
junho/2007 pela equipe do Laboratório de Biodiversidade – Botânica Taxonômica da
Faculdade de Formação de Professores da UERJ, referentes ao projeto “Flórula do Parque
Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ”. Também foram realizados
levantamentos nos Herbários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), Alberto
Castellanos (GUA), Bradeanum (HB) e Santa Úrsula (RUSU). As plantas coletadas foram
herborizadas e secas em estufa 60ºC. O material testemunho foi incorporado aos Herbários
da Faculdade de Formação de Professores da UERJ (RFFP) e do Jardim Botânico do Rio
de Janeiro (RB).
As espécies foram identificadas através de bibliografia especializada, comparações
com os acervos dos Herbários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), FEEMA –
Alberto Castellanos (GUA), Bradeanum (HB) e Universidade Santa Úrsula (RUSU), além
de consultas aos especialistas. Seguiu-se o sistema de Cronquist (1988) para organização
das famílias, exceto Leguminosae que foi tratada como uma única família como proposto
por Polhill et al. (1981). A correção ortográfica das espécies foi feita acessando bancos de
dados disponíveis na internet do Royal Botanical Garden at Kew, Missouri Botanical
Garden e New York Botanic Garden. Para correção da nomenclatura dos autores adotou-se
Brummit & Powell (1992).
Na análise desse trabalho serão consideradas apenas as espécies não ruderais e
aquelas identificadas até nível de gênero, específico e infra-específico. As espécies
ruderais ou invasoras foram separadas de acordo com Kissmann (1997), Kissmann &
Groth (1995) e Kissmann & Groth (1999) e apresentadas numa tabela à parte.
Os dados sobre formas de vida foram obtidos através de observações em campo,
complementados, quando necessário, com informações de etiquetas do material
86
herborizado dos Herbários RB e GUA e consultas a bibliografia especializada. Espécies
que exibem mais de uma forma de vida foram colocadas na categoria onde comumente são
mais observadas no PEST. As categorias consideradas nesse estudo seguem o trabalho de
Lima & Guedes-Bruni (1997):
Árvore - planta lenhosa com mais de 3,0 m de altura, tronco bem definido,
ramificações acima da base e sistema radicular fixado no solo durante todo ciclo de vida.
Arbusto- planta lenhosa com até 3,0 m de altura, que se ramifica desde a base e
possui sistema radicular fixado no solo durante todo ciclo de vida.
Erva – planta herbácea de pequeno porte, com sistema radicular fixado no solo
durante todo ciclo de vida.
Trepadeira – planta com ramos flexíveis que se apóiam sobre suportes,
passivamente ou por meio de órgãos preensores. O sistema radicular permanece fixado ao
solo durante todo ciclo de vida (inclui os arbustos escandentes).
Epífita – planta em geral herbácea que desenvolve todo o seu ciclo de vida sobre
outro vegetal, utilizando-o apenas como suporte e com sistema radicular não fixado no
solo.
Hemiepífita – planta lenhosa ou herbácea, cujo ciclo de vida é composto por uma
fase epífita e outra terrestre.
Parasita: planta herbácea ou lenhosa que cresce sobre outro vegetal nutrindo-se de
sua seiva. Foram incluídas nessa categoria espécies saprófitas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Riqueza Taxonômica
Os estudos na área do PEST tiveram início a partir de uma listagem preliminar com
351 espécies, baseada em trabalhos de Araujo & Vilaça (1981), Meirelles et al. (1999) e
Lopes (1992), além de coletas aleatórias realizadas pela autora a partir de 1992. Esses
trabalhos enfocaram principalmente as regiões onde estão localizados os inselbergs do
PEST na entrada da Baía de Guanabara. Dessa forma, a maior parte da Serra da Tiririca
era desconhecida sob o ponto de vista da riqueza florística. A partir de 1997 a equipe do
Laboratório de Biodiversidade – Botânica Taxonômica da UERJ-FFP-DCIEN iniciou um
levantamento florístico mais apurado, concentrando as coletas no Costão de Itacoatiara,
87
Enseada do Bananal e Córrego dos Colibris (Morro do Telégrafo). Somente em 2000 o
trabalho foi estendido para outras áreas do PEST abrangendo o Morro do Telégrafo nas
vertentes de Niterói e Maricá, Morro do Cordovil, Morro da Serrinha e Morro do Catumbi.
No presente estudo foram coletados cerca de 4.000 espécimens, sendo registradas
1.029 espécies de Magnoliophyta (Anexo I). Dessa listagem 99,2% foram identificados a
nível de espécie e 0,8% a nível de gênero. Apenas 5 espécies ficaram identificadas a nível
de família (3 Capparaceae, 1 Cucurbitaceae e 1 Commelinaceae) e 5 espécies não foram
identificadas. Essas não foram computadas na listagem final de espécies do PEST. Do
total 122 foram consideradas espécies ruderais (Anexo II). Essas espécies estão presentes
principalmente nas áreas mais próximas as casas e de sítios abandonados ou não, onde a
ocupação antrópica se faz mais presente. Sendo assim, a composição florística conta com
907 espécies de Magnoliophyta, 1 híbrido (Bromeliaceae), 434 gêneros e 97 famílias
(Anexo I). Com os resultados atuais houve um incremento de 65,9% no conhecimento
sobre a flora do PEST.
Foram registradas 6 espécies novas para a ciência: 4 Myrtaceae – Eugenia (M.
Sobral & M. Souza comunicação pessoal), 1 Marantaceae Calathea (J.M.A. Braga
comunicação pessoal) e 1 Bromeliaceae Vriesea costae E. Leme & B.R. Silva (Leme &
Rezende 2001). Foi descrito um híbrido natural de bromélia para o Morro das Andorinhas,
Hohemea itaipuana B.R. Silva & L.O.F. Sousa (Hohenbergia augustae e Aechmea
ramosa var. ramosa) (Sousa et al. 2003).
Destacam-se as seguintes famílias quanto à riqueza de espécies: Leguminosae (85),
Myrtaceae (55 spp.), Rubiaceae (54 spp.), Euphorbiaceae (42 spp.), Bromeliaceae (41
spp.), Sapindaceae (33 spp.), Bignoniaceae (29 spp.), Orchidaceae (28 spp.), Araceae (25
spp.) e Asteraceae (25 spp.) (Figura 1). Essas famílias juntas representam 46,0% da
riqueza de espécies do PEST. Na mesma análise feita para as dez principais famílias das
demais áreas inventariadas do estado do Rio de Janeiro (Tabela 1), esse valor variou entre
38% (Entorno do Jardim Botânico) e 48% (Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio e
REBIO de Poço das Antas). O alto valor apresentado pela localidade de Macaé de Cima
(62%) foi fortemente influenciado pela riqueza florística de Orchidaceae. As famílias
Myrtaceae, Leguminosae, Rubiaceae, Euphorbiaceae estão entre as sete famílias com
maior riqueza de espécies arbustivo-arbórea da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro
(Guedes-Bruni & Peixoto 2003) e também se destacam no PEST.
88
ARACEAE
Gêneros
ASTERACEAE
Espécies
ORCHIDACEAE
BIGNONIACEAE
SAPINDACEAE
BROMELIACEAE
EUPHORBIACEAE
RUBIACEAE
MYRTACEAE
LEGUMINOSAE
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
o
N de Gêneros e Espécies
Figura 1: As dez famílias com maior riqueza de espécies no Parque Estadual da Serra da
Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Em todas as áreas bem estudadas floristicamente no estado do Rio de Janeiro
foram citadas as famílias Leguminosae, Myrtaceae e Rubiaceae entre as 10 famílias mais
representativas em diferentes formações vegetais (Tabela 1). Também são as famílias mais
ricas em espécies nas restingas fluminenses (Araujo 2000). Juntas representam 21,4% das
espécies do PEST e nas demais áreas esse valor varia entre 15% (Macaé de Cima) e 27%
(Poço das Antas). Leguminosae e Myrtaceae são consideradas as famílias mais
representativas na Mata Atlântica s.l. do sudeste brasileiro, no que se refere às formações
ombrófilas e semideciduais (Oliveira-Filho & Fontes 2000). Essas famílias também se
destacam nas florestas tropicais de terras baixas e áreas sazonalmente secas no Neotrópico
(Gentry 1982, 1988, 1995). Rubiaceae, em terceiro lugar dentre as famílias mais ricas do
PEST, é considerada a terceira família mais rica em espécies lenhosas nas florestas
neotropicais (Gentry 1995). No estado do estado do Rio de Janeiro também é a terceira
família em número de gêneros com representantes arbóreos e arbustivos (Vaz 1992).
89
Tabela 1: As dez famílias com maior riqueza de espécies nas áreas bem estudadas florísticamente no estado
do Rio de Janeiro, Brasil. *CDVCF= Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio
LOCALIDADE
TIPOS DE VEGETAÇÃO
PARNA de Jurubatiba
Macaé, Carapebus
Quissamã
Restinga
e
(n= 588)
CDVCF *
Armação de Búzios,
Cabo Frio, São Pedro d’
Áldeia, Arraial do Cabo
(n= 1.184)
APA de Cairuçu
Paraty
(n= 972)
Macaé de Cima
Restinga
Floresta ombrófila densa submontana
Floresta estacional semidecidual
Vegetação arbustiva dos morros
Restinga
Manguezal
Floresta ombrófila densa submontana
e montana
Floresta ombrófila densa montana e
altomontana
Nova Friburgo
(n=1.023)
REBIO de Poço das
Antas
Floresta ombrófila densa de Terras
baixas
Silva Jardim
(n=751)
Entorno do Instituto
Jardim Botânico do Rio
de Janeiro
Floresta ombrófila densa submontana
Rio de Janeiro
(n=431)
PEST
Niterói e Maricá
(n= 907)
Floresta ombrófila densa submontana
FAMÍLIAS MAIS RICAS
Spp.
Leguminosae
Asteraceae
Cyperaceae
Rubiaceae
Euphorbiaceae
Poaceae
Myrtaceae
Bromeliaceae
Orchidaceae
Solanaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Orchidaceae
Rubiaceae
Asteraceae
Bromeliaceae
Euphorbiaceae
Sapindaceae
Poaceae
Bignoniaceae
Myrtaceae
Leguminosae
Rubiaceae
Orchidaceae
Piperaceae
Solanaceae
Euphorbiaceae
Asteraceae
Bromeliaceae
Bignoniaceae
Orchidaceae
Melastomataceae
Rubiaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Bromeliaceae
Lauraceae
Asteraceae
Solanaceae
Piperaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Rubiaceae
Melastomataceae
Lauraceae
Bignoniaceae
Euphorbiaceae
Moraceae
Piperaceae
Bromeliaceae
Rubiaceae
Leguminosae
Orchidaceae
Piperaceae
Araceae
Euphorbiaceae
Bignoniaceae
Myrtaceae
Melastomataceae
Bromeliaceae
Monimiaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Rubiaceae
Euphorbiaceae
Bromeliaceae
Sapindaceae
Bignoniaceae
Orchidaceae
Asteraceae
Araceae
44
31
30
29
23
22
21
19
15
15
42%
117
82
67
62
54
45
42
35
33
30
48%
72
63
58
54
46
30
29
27
27
26
44%
229
73
53
51
47
46
44
42
29
22
62%
89
78
36
27
25
25
21
21
22
19
48%
28
22
20
16
15
14
13
10
8
8
8
38%
85
55
54
42
41
33
29
28
25
25
46%
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Araujo et al. (2001)
Sá (2006)
Marques
(1997)
et
al.
Lima & GuedesBruni (1997)
Lima et al. (2006)
Lima et al. (2008)
Marquete
(2001)
Esse estudo
et
al.
90
Leguminosae é predominante principalmente nas regiões mais litorâneas e foi a
família mais rica em espécies no PEST. É considerada uma das mais amplamente
distribuídas nas regiões tropicais, estando entre as três maiores famílias de fanerógamas
em número de espécies. No Brasil são catalogados cerca de 188 gêneros com 2.100
espécies, com grande representatividade na floresta pluvial atlântica, principalmente no
que se refere ao extrato arbóreo (Lima 2000). Tal fato também foi observado por Forero &
Gentry (1988) nas florestas tropicais. Estudos realizados por Siqueira (1994) com espécies
arbóreas da floresta pluvial atlântica em 63 localidades registraram 101 táxons para a
família. A região Sudeste apresentou um número significativo de espécies (158) em
relação à região Sul (23), mostrando uma diminuição da riqueza de espécies em latitudes
mais altas. Esse mesmo padrão foi observado em análise realizada nas restingas
fluminenses (Araujo 2000).
Myrtaceae é uma família predominantemente pantropical e subtropical, com
grande diversidade na região neotropical e na Austrália. No Brasil ocorrem 23 gêneros e
aproximadamente 1.000 espécies (Souza & Lorenzi 2005). O inventário florístico do
CDVCF apresentou o maior número de espécies, seguido de Poço das Antas, Cairuçu,
PEST e Macaé de Cima. No PEST ocorrem 55 táxons, incluindo 4 novas espécies para a
ciência. Análise feita por Oliveira Filho & Fontes (2000) mostra que Myrtaceae apresentase 40% mais rica em florestas ombrófilas do que em florestas semideciduais. Tal fato não
é corroborado pelos dados mostrados por Sá (2006), uma vez que as florestas do CDVCF
são semideciduais e possui maior riqueza de espécies de Myrtaceae que as demais áreas
analisadas que correspondem a floresta ombrófila densa.
Bromeliaceae e Orchidaceae são famílias essencialmente herbáceas que também se
destacaram no PEST e nas demais áreas avaliadas. Estão entre as 5 famílias mais ricas em
espécies da flora brasileira. Isso se deve a grande capacidade de se adaptarem a diferentes
situações ambientais, podendo ser terrestres, epífitas, rupícolas, saxícolas e paludosas
(Giulietti et al. 2005). O PEST apresenta o terceiro lugar em riqueza de espécies de
Bromeliaceae das áreas mais bem estudadas floristicamente do estado do Rio de Janeiro.
Tal fato se deve em grande parte a ocorrência de vários táxons nos inselbergs do Costão de
Itacoatiara e Alto Mourão e Morro das Andorinhas ou sobre afloramentos rochosos no
interior da mata. As espécies que ocorrem nesses ambientes correspondem a 61% das
espécies de bromélias do PEST, sendo 46,3% exclusivas dos afloramentos rochosos.
91
Bromeliaceae tem maior representatividade nas restingas e Mata Atlântica do que em
outros biomas brasileiros (Araujo 2000). Fontoura et al. (1991) já apontavam a grande
riqueza de espécies e padrões de endemismo dessa família na flora do estado do Rio de
Janeiro, sobretudo, na Mata Atlântica. Cerca de 82% das espécies brasileiras ocorrem
nesse tipo de formação florestal, sendo muitas delas endêmicas. Essas autoras
relacionaram 314 espécies e, quando comparadas com os dados do PEST, verificam-se 14
ocorrências novas das 41 amostradas. Isso demostra a falta de conhecimento florístico das
florestas ombrófilas densas litorâneas fluminenses.
Orchidaceae apresenta ampla distribuição cosmopolita, principalmente nas regiões
tropicais (Christenson 2004). No Brasil estima-se 195 gêneros e 2.400 espécies (Souza &
Lorenzi 2005), com grande riqueza de espécies na Mata Atlântica, que é um dos centros de
diversidade da família (Barros 1996). No estado do Rio de Janeiro é bastante
representativa em regiões serranas com maior pluviosidade como Macaé de Cima. Tal fato
também é observado em outras regiões tropicais e subtropicais, visto a riqueza de espécies
diminui das áreas montanhosas para as de baixadas (MacQueen & MacQueen 1993). Em
levantamento feito por Vaz (1992), embora antigo, demonstra a importância dessa família
na flora do estado do Rio de Janeiro com o maior número de gêneros, sendo os principais
representantes epífitos. No PEST ocorrem apenas 28 espécies, o que corresponde a 3,1%
da riqueza da flora local. Cerca de 74% dessas espécies estão associadas aos afloramentos
rochosos, sendo 50% exclusivas desses ambiente.
Asteraceae está entre as 10 famílias com maior riqueza de espécies nos inventários
florísticos que constam da Tabela 1. É uma família cosmopolita, sendo uma das maiores
dentre as Magnoliophyta. No Brasil essa família apresenta 300 gêneros e 2.000 espécies,
sendo bem representada pricipalmente no Cerrado em áreas mais abertas (Souza &
Lorenzi 2005). No PEST apresenta 28 espécies, além de outras 21 espécies ruderais. Na
área de estudo é caracterizada principalmente por plantas herbáceas.
Euphorbiaceae é a quinta família com maior riqueza de espécies no PEST com 42
espécies, além de outras 14 ruderais. Juntamente com o CDVCF apresenta maior riqueza
de espécies para a família nas áreas analisadas (Tabela 1). Apenas em Macaé de Cima não
aparece entre as 10 famílias mais importantes. É bem representada nos levantamentos de
92
0,1 ha realizados por Gentry (1995), principalmente em formações estacionais
neotropicais.
Sapindaceae e Bignoniaceae estão bem representadas na flora do PEST,
principalmente por espécies trepadeiras. Essas famílias são muito expressivas em regiões
de baixa altitude nas Américas, dessa forma prevalecendo nos levantamentos florísticos
em florestas tropicais (Gentry 1991). Além do PEST, se destacaram apenas no CDVCF e,
com menor riqueza, em Poço das Antas. Esse fato pode estar relacionado à metodologia
utilizada para análise estrutural da vegetação (Barros & Araujo Capítulo 5), já que no
PEST e CDVCF o levantamento quantitativo em 0,1 ha incluiu as trepadeiras. Dessa
forma, houve um aumento das informações florísticas dessa forma de vida.
Somente no PEST e no entorno do Jardim Botânico Araceae se destacou entre as
10 famílias mais importantes. Apresenta maior número de espécies que as demais áreas
analisadas (25 spp.), seguida de Macaé de Cima (19 spp.), CDVCF (19 spp.), Cairuçu (18
spp.) e Jurubatiba (8 spp.). Muitas espécies ocorrem em afloramentos rochosos, tanto nos
inselbergs quanto em grandes blocos de gnaisse facoidal encontrados no interior da mata.
Nas restingas fluminenses estudadas por Araujo (2000) ocorrem também 25 espécies.
Melastomataceae e Lauraceae foram mais expressivas nas florestas com maiores
altitudes como em Macaé de Cima. Embora Lauraceae não seja uma família de destaque
no PEST, possui grande riqueza de espécies principalmente em florestas mais preservadas
da região Sudeste-Sul. O estado do Rio de Janeiro apresenta cerca de 109 espécies
distribuídas em 16 gêneros, que ocorrem principalmente na floresta pluvial atlântica e
restingas (Quinet 2005). O PEST conta apenas com 18,3% das espécies fluminenses.
As famílias com mais de 10 gêneros perfazem 35,1% do total da flora do PEST:
Leguminosae (39 gên.), Rubiaceae (22 gên.), Euphorbiaceae (22 gên.), Orchidaceae (20
gên.), Asteraceae (18 gên.), Bignoniaceae (16 gên.) e Bromeliaceae (14 gên.) (Figura 1).
Nessa análise apenas 7 famílias se destacam, sendo que Myrtaceae, Araceae e
Sapindaceae, importantes quanto à riqueza de espécies, são excluídas nesse momento.
Essas famílias apresentam um grande número de espécies, contudo distribuídas em poucos
gêneros.
Os gêneros com maior número de espécies no PEST são: Eugenia (30), Psychotria
(16), Solanum (15) Anthurium (13) e Rudgea (11). Eugenia, Psychotria e Solanum estão
93
entre os maiores gêneros do mundo com mais de 1.000 espécies. Segundo Oliveira-Filho &
Fontes (2000), Eugenia é um dos principais gêneros em número de espécies arbóreas, tanto
em florestas ombrófilas densas quanto em florestas estacionais. Também destacam outros
gêneros de Myrtaceae como Myrcia, Marlieria e Gomidesia em altas e baixas altitudes.
Embora Myrcia e Marlieria também tenham representantes no PEST não apresentam
número significativo de espécies. Psychotria e Rudgea também predominam nas florestas
ombrófilas e estacionais. Solanum é o terceiro gênero mais importante no PEST, em
Cairuçu e nas restingas fluminenses, embora Solanaceae não figure entre as 10 famílias
mais importantes nessas regiões. Na avaliação de Oliveira-Filho & Fontes (2000) esse
gênero tem destaque nas florestas estacionais e florestas ombrófilas densas montanas.
Formas de Vida
Em relação às formas de vida a maior percentagem obtida foi para espécies
arbóreas (35,8%), seguido de trepadeiras (21,9%), ervas (18,4%), arbustos (16,9%),
epífitas (4,9%), hemiepífitas (1,8%) e parasitas (0,3%) (Tabela 2 e Figura 2). Há um
predomínio de espécies arbóreas, ao contrário do que é observado nas restingas, onde
nenhuma forma de vida se destaca em relação à outra (Araujo 2000).
Tabela 2: Espécies, gêneros e famílias de Magnoliophyta por forma de vida do
Parque Estadual da Serra da Tiririrca, Niterói e Maricá, RJ.
FORMAS DE VIDA
Árvore
Trepadeiras
Ervas
Arbustos
Epífitas
Hemiepífitas
Parasitas
ESPÉCIES
325
199
167
153
44
16
3
GÊNEROS
161
101
106
78
23
6
2
FAMÍLIAS
52
38
39
35
6
2
2
350
ESPÉCIES
GÊNEROS
300
FAMÍLIAS
250
200
150
100
50
0
ÁRVORES
TREPADEIRAS
ERVAS
ARBUST OS
EPÍFIT AS
HEMIEPÍFIT A
PARASIT AS
Figura 2: Número de espécies, gêneros e famílias por formas de vida de Magnoliophyta do
Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
94
ÁRVORES
No PEST foram levantadas 325 espécies arbóreas, pertencentes a 161 gêneros e 52
famílias. As famílias com maior número de espécies arbóreas são: Myrtaceae (55 spp.),
Leguminosae (50 spp.), Lauraceae (20 spp.), Euphorbiaceae (15 spp.), Sapindaceae (12
spp.), Moraceae (11 spp), Meliaceae (11 spp.) e Rutaceae (10 spp.) (Figura 3). Nessas oito
famílias estão concentradas 56,6% das espécies arbóreas amostradas. A riqueza de gêneros
e espécies das demais famílias com representantes arbóreos consta da Tabela 3.
RUTACEAE
Gêneros
MELIACEAE
Espécies
MORACEAE
SAPINDACEAE
EUPHORBIACEAE
LAURACEAE
LEGUMINOSAE
MYRTACEAE
0
10
20
30
40
50
60
Nº de Gêneros e Espécies
Figura 3: Famílias com maior riqueza de espécies e gêneros arbóreos de Magnoliophyta do
Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Os gêneros mais representativos dessa forma de vida são: Eugenia (29 spp.), Inga
(10 spp.), Myrcia (9 spp.), Ocotea (8 spp.), Trichilia (6 spp.) e Ficus (8 spp.). Esses
gêneros são bem característicos da Mata Atlântica. Ocotea, por exemplo, apresenta 95%
das espécies nesse tipo de formação florestal (Siqueira 1994), contudo é mal representado
nas florestas dos maciços costeiros (Araujo et al. 1998). No estado do Rio de Janeiro
ocorrem 52 espécies, muitas agupadas em complexos que necessitam de melhor
delimitação (Quinet 2005). Nos levantamentos florísticos Ocotea foi relevante em Macaé
de Cima (25 spp.) e no CDVCF (14 spp.). Eugenia e Inga são o segundo e terceiro gêneros
respectivamente de maior ocorrência na Mata Atlântica. Também com destaque Myrcia
outro gênero importante para essa formação florestal Oliveira-Filho & Fontes (2000).
Ficus ocorre principalmente sobre afloramentos rochosos no interor da mata, tendo um
95
papel muito importante na estabilização dos matacões e na colonização por espécies
herbáceas desse ambiente.
Tabela 3: Número de gêneros e espécies/infra-espécies arbóreas do Parque Estadual da Serra da Tiririca,
Niterói e Maricá, RJ.
Famílias
ANACARDIACEAE
ANNONACEAE
APOCYNACEAE
ARALIACEAE
ARECACEAE
ASTERACEAE
BIGNONIACEAE
BOMBACACEAE
BORAGINACEAE
BURSERACEAE
CACTACEAE
CAPPARACEAE
CECROPIACEAE
CELASTRACEAE
CHRYSOBALANACEAE
CLUSIACEAE
CUNONIACEAE
DICHAPETALACEAE
ELAEOCARPACEAE
ERYTHROXYLACEAE
EUPHORBIACEAE
FLACOURTIACEAE
HIPPOCRATEACEAE
LACISTEMATACEAE
LAURACEAE
LECYTHIDACEAE
LEGUMINOSAE
Gêneros
5
4
4
1
5
2
4
4
1
1
1
1
2
1
1
4
1
1
1
1
11
3
1
1
7
3
23
Espécies
9
5
6
1
6
2
5
6
7
1
1
1
3
5
2
7
1
1
3
4
15
7
1
2
20
3
50
MALPIGHIACEAE
MELASTOMATACEAE
MELIACEAE
MONIMIACEAE
MORACEAE
MYRISTICACEAE
MYRSINACEAE
MYRTACEAE
NYCTAGINACEAE
OCHNACEAE
OLACACEAE
PHYTOLACCACEAE
PROTEACEAE
RUBIACEAE
RUTACEAE
SAPINDACEAE
SAPOTACEAE
SIMAROUBACEAE
SOLANACEAE
STECULIACEAE
TILIACEAE
ULMACEAE
URTICACEAE
VERBENACEAE
VOCHYSIACEAE
TOTAL
1
2
4
1
4
1
1
8
1
1
1
3
1
8
8
5
5
1
2
2
1
2
1
2
1
161
1
7
11
1
11
1
2
55
1
1
1
3
1
9
10
12
10
1
2
2
1
5
1
2
1
325
96
São observadas espécies arbóreas emergentes em área de topos de morros. Entre
essas destacam-se Cariniana legalis, Miconia cinnamomifolia, Cabralea canjerana e
Cordia trichotoma, que podem chegar a mais de 30 m de altura. Em algumas áreas da
cumeeira do Morro do Telégrafo é comum observá-las em destaque por certo tempo e
posteriormente tombam abrindo grandes clareiras. Tal fato está relacionado ao
desmatamento em áreas mais baixas que vão deixando essas árvores sujeitas aos evidentes
efeitos de borda. Em regiões de solos mais rasos e afloramentos rochosos destaca-se uma
palmeira típica da região, Syagrus romanzoffiana, muito comum nas escostas do Morro
das Andorinhas e Alto Mourão.
TREPADEIRAS
No PEST foram levantadas 199 espécies de trepadeiras (lenhosas e herbáceas),
pertencentes a 101 gêneros e 38 famílias. As famílias mais representativas dessa forma de
vida são: Leguminosae (28 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Sapindaceae (21 spp.),
Malpighiaceae (18 spp.), Cucurbitaceae (10 spp.), Dioscoreaceae (10 spp.), Apocynaceae
(9 spp.), Convolvulaceae (9 spp.) e Passifloraceae (9 spp.), Euphorbiaceae (8 spp.) e
Convolvulaceae (7 spp.) (Figura 4). Essas famílias representam 71,4% das trepadeiras
amostradas.
CONVOLVULACEAE
Gêneros
EUPHORBIACEAE
Espécies
PASSIFLORACEAE
APOCYNACEAE
DIOSCOREACEAE
CUCURBITACEAE
MALPIGHIACEAE
SAPINDACEAE
BIGNONIACEAE
LEGUMINOSAE
0
5
10
15
20
25
30
Nº de Gêneros e Espécies
Figura 4: Famílias com maior riqueza de espécies e gêneros de trepadeiras de
Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
97
A forma de vida trepadeira se detacou no PEST e será tratada a parte no capítulo
III dessa Tese. No estado do Rio de Janeiro as trepadeiras foram abordadas com maior
ênfase apenas na flora da Reserva Ecológica de Macaé de Cima (Lima et al. 1997).
ERVAS
O componente herbáceo normalmente é mal representado nos levantamentos
florísticos, porém são relevantes sob o ponto de vista da diversidade florística. A
predominância dessa forma de vida ocorre principalmente em áreas abertas no cerrado s.l.
(Mendonça et al. 1998), campos sulinos e campos de altitude. No PEST caracterizam as
regiões dos afloramentos rochosos, onde formas ilhas de vegetação. Foram levantadas 167
espécies herbáceas + 1 híbrido de bromélia, pertencentes a 106 gêneros e 39 famílias.
As famílias com maior riqueza de espécies são: Bromeliaceae (21 spp.), Asteraceae
(20 spp.), Orchidaceae (15 spp.), Cyperaceae (11 spp), Marantaceae (11 spp.), Poaceae (10
spp.) e Araceae (9 spp.) (Figura 5). Essas sete famílias representam 58,4% das espécies
herbáceas amostradas. A riqueza de gêneros e espécies das demais famílias com
representantes herbáceos é apresentada na Tabela 6.
ARACEAE
Gêneros
POACEAE
Espécies
MARANTACEAE
CYPERACEAE
ACANTHACEAE
ORCHIDACEAE
ASTERACEAE
BROMELIACEAE
0
5
10
15
20
25
Nº de Gêneros e Espécies
Figura 5: Famílias com maior riqueza de espécies e gêneros herbáceos de Magnoliophyta do
Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
98
Bromeliaceae se destaca principalmente nos afloramentos rochosos dos inselbergs,
sendo um componente importante na paisagem local. Das 20 espécies herbáceas
registradas 12 são saxícolas e 6 rupícolas. Destaque para Alcantarea glaziouana, bromélia
endêmica dos afloramentos rochosos do entorno da Baía de Guanabara. Típicas desse tipo
de ambiente também podem ser citadas como Tillandsia araujei, Tillandsia dura e Vriesea
botafoguensis.
Orchidaceae é a família mais importante em florestas montanas – altomontanas de
Macaé de Cima, apresentando grande diversidade de gêneros e espécies (229 spp.) (Lima
& Guedes-Bruni 1997). Contudo, essa diverdidade diminui nas regiões costeiras, mas a
família ainda se mantém como uma das importantes em termos florísticos. Nas restingas
fluminenses ocupa o quinto lugar em riqueza de espécies (46 spp.) (Araujo 2000). No
PEST o estudo realizado por Pinheiro (1999) apresentau 12 espécies epífitas, 7 rupícolas,
6 terrestres e 2 saxícolas. Tem grande representatividade nos afloramentos rochosos.
Oceoclades maculata é a que apresenta maior distribuição na área de estudo.
Tabela 4: Número de gêneros e espécies/infra-espécies herbáceas do Parque Estadual da Serra da Tiririca,
Niterói e Maricá, RJ.
Famílias
ACANTHACEAE
AGAVACEAE
ALSTROEMERIACEAE
AMARANTHACEAE
AMARYLLIDACEAE
ARACEAE
ARECACEAE
ASTERACEAE
BEGONIACEAE
BROMELIACEAE
CACTACEAE
CANNACEAE
COMMELINACEAE
CONVOLVULACEAE
COSTACEAE
CRASSULACEAE
Gêneros
10
1
1
1
1
2
1
15
1
11
5
1
5
1
1
1
Espécies
14
1
1
1
2
9
1
20
5
21
5
1
6
2
1
1
No PEST Asteraceae são comumente
observadas nas áreas mais alteradas ou de
regeneração recente ao longo das trilhas.
Essa família tem maior representatividade
nas formações abertas, principalmente no
Famílias
CYPERACEAE
EUPHORBIACEAE
GESNERIACEAE
HELICONIACEAE
IRIDACEAE
LEGUMINOSAE
MALPIGHIACEAE
MARANTACEAE
MORACEAE
ORCHIDACEAE
PIPERACEAE
POACEAE
RUBIACEAE
VELLOZIACEAE
Total
Gêneros
7
1
2
1
1
3
1
4
1
13
1
8
3
2
106
Espécies
11
2
99
5
4
2
3
1
11
3
15
4
10
3
2
167
cerrado (Mendonça et al. 1998), do que nas formações florestais. Acanthaceae aparece
com destaque no sub-bosque, apresentando várias espécies como Shaueria calycotricha,
Justicia brasiliana, Justicia plumbaginifolia e Aphelandra longiflora.
Das 10 espécies de Poaceae registradas no PEST, 7 ocorrem também nas restingas
fluminenses. Pharus lappulaceus é uma das mais comumente encontradas nas áreas
florestadas. Quanto as Cyperaceae, das 12 espécies relacionadas, apenas 2 são encontradas
nas restingas (Becquerelia cymosa e Scleria secans). Cyperus hermaphroditus e Trilepis
lhotzkiana têm ocorrência restrita aos afloramentos rochosos dos inselbergs. As demais
espécies estão presentes preferencialmente nas beiras de trilhas. Marantaceae apresenta
espécies muito importantes no estrato herbáceo, sendo o gênero Calathea o mais
representativo, inclusive com uma espécie nova coletada no Córrego dos Colibris. Araceae
é basicamente representada por 8 espécies de Anthurium e Asterostigma lombardii, sendo
essa a segunda referência de local de ocorrência para essa espécie (Nadruz comunicação
pessoal).
ARBUSTOS
De um modo geral, a representatividade das formas arbustivas também é
subestimada nos levantamentos florísticos. Isso se deve ao maior enfoque dado ao
componente arbóreo. Contudo, essa forma de vida têm uma importante contribuição na
análise da diversidade florística da Mata Atlântica (Andreata et al. 1997). Tal fato também
foi apontado por Gentry & Dodson (1987a) paras as florestas tropicais.
Foram levantadas no PEST 153 espécies arbustivas, pertencentes a 78 gêneros e 35
famílias. As famílias com maior número de espécies são: Rubiaceae (39 spp.), Solanaceae
(19 spp.), Euphorbiaceae (17 spp.), Malvaceae (8 spp.) e Piperaceae (8 spp.) (Figura 5).
Essas seis famílias representam 59,9% das espécies arbustivas amostradas. A riqueza de
gêneros e espécies das demais famílias com representantes arbustivos consta da Tabela 6.
100
Gêneros
PIPERACEAE
Espécies
MALVACEAE
EUPHORBIACEAE
SOLANACEAE
RUBIACEAE
Figura 6: Famílias com maior
riqueza
de espécies
e gêneros
arbustivos
do
0
5
10
15
20
25
30
35 de40Magnoliophyta
45
Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
N. de Gêneros e Espécies
Rubiaceae é uma das famílias mais importantes no conjunto dos biomas
neotropicais, sendo encontrada em diversas formas de vida. Contudo, na Mata Atlântica
apresenta grande concentração de espécies e gêneros no estrato arbustivo (Gomes 1996).
Dessa forma, foi a família mais importante em termos de riqueza de espécies arbustivas no
PEST, caracterizando o sub-bosque das áreas florestadas. Na análise geral Solanaceae não
se destacou dentre as famílias mais representativas, porém avaliando as formas arbustivas
alcançou o segundo lugar. Também é uma família de destaque em outras áreas do estado
do Rio de Janeiro, estando entre as 10 famílias mais importantes em Macaé de Cima,
Cairuçu e Jurubatiba.
Tabela 5: Número de gêneros e espécies/infra-espécies arbustivas do Parque Estadual da Serra da Tiririca,
Niterói e Maricá, RJ.
Famílias
ANNONACEAE
ARALIACEAE
ASTERACEAE
BIGNONIACEAE
BOMBACACEAE
BORAGINACEAE
CACTACEAE
CAPPARACEAE
EUPHORBIACEAE
FLACOURTIACEAE
LECYTHIDACEAE
LEGUMINOSAE
MALPIGHIACEAE
MALVACEAE
MELASTOMATACEAE
MELIACEAE
MONIMIACEAE
MORACEAE
Gêneros
1
1
1
2
2
2
1
3
10
2
1
3
1
3
3
1
2
1
Espécies
1
1
1
2
2
5
1
4
17
2
1
4
1
8
4
1
4
2
Euphorbiaceae se detaca tanto no
estrato arbóreo quanto no arbustivo com
grande diversidade de gêneros e espécies. Um
dos representantes com maior freqüencia nas
matas do PEST é Sebastiania gaudichaudii,
que também pode chegar ao porte arbóreo.
Famílias
MYRTACEAE
OCHNACEAE
OLEACEAE
PIPERACEAE
POLYGALACEAE
POLYGONACEAE
RHAMNACEAE
RUBIACEAE
RUTACEAE
SIMAROUBACEAE
SOLANACEAE
STERCULIACEAE
THEOPHRASTACEAE
TURNERACEAE
VERBENACEAE
VIOLACEAE
Total
Gêneros
1
1
1
1
1
2
1
10
3
1
8
1
1
1
2
2
77
Espécies
1
2
101
1
8
1
2
1
39
6
1
19
1
1
2
3
3
153
Também Actinostemon klotzschii é bastante freqüente, principalmente nas trilhas do
Morro do Telégrafo em áreas que se encontram estádios iniciais de regeneração, formando
densas populações. Nos afloramentos rochosos destaque para Stillingia dichotoma, um dos
arbustos característicos das ilhas de vegetação.
Malvaceae é uma família que se destacou apenas em relação ao estrato arbustivo.
As espécies mais comuns são: Abutilon anodoides, Abutilon bedfordianum, Pavonia
nemoralis e Pavonia sepium. Piperaceae é uma família bastante comum na Mata Atlântica,
com vários representantes no estrato arbustivo. No PEST essa forma de vida é
representada apenas pelo gênero Piper. Destaque para Piper hoffmannseggianum, Piper
mollicomum e Piper arboreum, os dois últmos são observados principalmente nas áreas
com regeneração mais recente.
No PEST os gêneros mais representativos da forma arbustiva foram Psychotia (16
spp.), Solanum (12 spp.), Rudgea (10 spp.) e Piper (8 spp.). Esses gêneros normalmente
apresentam grande número de espécies. Nas matas do entorno do Jardim Botânico
Psychotria e Piper também apresentam grande diversidade arbustiva, representando 32%
do total de arbustos levantados para esse local (Marquete et al. 2001). Em Macaé de Cima
são gêneros arbustivos de grande relevância. Contudo, quando a análise é feita no nível de
espécies verifica-se a ocorrência de táxons diferentes entre as formações montanaaltomontana e submontana da região serrana e maciços costeiros. Dentre as Psychotria,
destaque para P. leiocarpa e P. tenuinervis, largamente encontradas em várias áreas do
PEST, principalmente nas mais preservadas. Rudgea com várias espécies de ocorrência
restrita a Mata Atlântica fluminense e ameaçadas também têm destaque no interior da
mata, principalmente R. interrupta. Espécies de Solanum são encontradas com maior
102
freqüência nas áreas em regeneração mais recentes como S. torvum, S. caavurana e S.
argenteum.
EPÍFITAS E HEMIEPÍFITAS
O epifitismo é considerado uma das mais importantes associações vegetais,
promovendo a interação entre indivíduos com diferentes formas de vida. A árvore
hospedeira, forófito, disponibiliza estrutura morfológica para o desenvolvimento de outras
formas de vida sobre si. Vários grupos vegetais utilizam essa estratégia para
sobrevivência, principalmente briófitas, pteridófitas e angiospermas. A presença de plantas
epífitas numa formação florestal é um indicativo do enriquecimento da diversidade
biológica, propiciando a ocupação dos diferentes estratos da floresta e com isso
permitindo a manutenção da vida independente do solo (Cervi & Borgo 2007).
As plantas epífitas apresentam grande riqueza de espécies nas florestas tropicais.
Benzing (1983) relacionou 65 famílias de plantas vasculares com hábito epífito, sendo que
36 ocorrem na região neotropical, segundo Gentry & Dodson (1987b). Estimativas
indicam que 10% das espécies conhecidas cientificamente são epífitas. No Brasil a maioria
dos trabalhos enfocando plantas epífitas foi realizada na região Sul (Waechter 1986, 1998;
Gonçalves & Waechter 2003; Borgo et al. 2002; Cervi & Borgo 2007 entre outros). No
estado do Rio de Janeiro é possível citar o trabalho de Fontoura et al. (1997), que analisou
as epífitas vasculares e hemiepífitas da Reserva Ecológica de Macaé de Cima.
No PEST as plantas epífitas representam apenas 4,9% das espécies levantadas,
com 44 espécies, 23 gêneros e 6 famílias. Destaque para as famílias Bromeliaceae (20
spp.), Orchidaceae (12 spp.) e Cactaceae (8 spp.) (Tabela 8). Essas são as famílias com
maior riqueza de espécies epífitas na Mata Atlântica (Vaz 1992). Também são as famílias
mais representativas em Macaé de Cima: Orchidaceae (184 spp.), Bromeliaceae (40 ssp.) e
em levantamentos realizados na região Sul do Brasil (Cervi & Borgo 2007).
Tabela 6: Número de gêneros e espécies/infra-espécies herbáceas do
Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Família
ARACEAE
BROMELIACEAE
CACTACEAE
Gêneros
1
8
3
Espécies
1
20
8
103
GESNERIACEAE
ORCHIDACEAE
PIPERACEAE
Total
1
9
1
23
1
12
2
44
Excluindo da análise as pteridófitas, Macaé de Cima apresenta 254 espécies de
plantas epífitas, representada principalmente pela riqueza de espécies de Orchidaceae. No
PEST a diversidade é muito menor. Nas florestas montanas as condições ambientais
permitem essa grande diversidade devido à alta umidade e pluviosidade. Na região onde
está localizada a Serra da Tiririca a pluviosidade é bem menor que na região serrana. Além
disso, somado o processo histórico de uso da terra esses fatores que contribuíram para
baixa representatividade das plantas epífitas nessa região. Tal fato é comprovado por
Fontoura et al. (1997), que chama atenção para maior riqueza de espécies em regiões de
mata primária, sendo que em matas secundárias o número de espécies diminui.
Os gêneros que se destacam são Tillandsia (5 spp.), Vriesea (5 spp.), Aechmea (5
spp.) e Rhipsalis (5 spp.). A maioria das espécies ocorre nos afloramentos rochosos ou nas
matas associadas aos inselbergs. Araceae apresentou apenas 2 espécies epífitas, Anthurium
scandens e Anthurium solitarium, que também têm ocorrência em Macaé de Cima,
Cairuçu, no entorno do Jardim Botânico e nas restingas fluminenses. Piperaceae também
com apenas duas espécies, Peperomia corcovadensis e Peperomia psilostachya.
Gesneriaceae com 1 espécie, Codonanthe gracilis.
As hemiepífitas constituem um grupo de plantas que apresenta durante o seu ciclo
de vida duas fases distintas: uma epifítica e outra terrestre (Putz & Holbrook 1986). Kelly
(1985) separa as hemiepífitas em dois grupos: (a) plantas que inicialmente se desenvolvem
sobre um hospedeiro arbóreo, apresentando hábito epifítico, contudo emitem raízes para se
conectarem ao solo, passando ao hábito terrestre. Nessa categoria estão as plantas
estranguladoras, conhecidas popularmente como mata-paus e (b) plantas que inicialmente
apresentam o hábito terrestre, desenvolvendo-se de modo escandente e cujos caules
morrem gradualmente e perdem sua conexão com o solo, tornando-se epífita. Putz &
Holbrook (1986) denominou essas duas categorias como hemiepífitas primárias e
secundárias respectivamente.
104
Na análise feita para a flora de Macaé de Cima, Vieira & Vaz (1994) consideraram
três fases de desenvolvimento para hemiepífitas primárias: (a) epifítica, que abrange desde
a germinação do indivíduo até a implantção das raízes ao solo; (b) estranguladora, que
inclui a fase terrestre, quando se observam as raízes em alça que abraçam o caule do
hospedeiro, podendo ou não causar sua morte e (c) arbórea, que abrange a fase terrestre
posterior, em que o indivíduo tornou-se independente de suporte, sendo confirmada através
de vestígios remotos da presença do hospedeiro.
Na flora do PEST as hemiepífitas têm pequena representatividade (1,8%), com 16
espécies, 6 gêneros e 2 famílias. Dessas, apenas 1 espécie foi classificada como hemiepífita
primária, Dyssochroma viridiflora, coletada no Alto Mourão. Essa planta também pode ser
encontrada na natureza nas formas arbustiva e arbórea. As demais espécies são hemiepífitas
secundárias, todas da família Araceae com 15 espécies e 5 gêneros. Philodendron é o
gênero que apresenta maior riqueza de espécies (9 spp.), sendo essas consideradas
ornamentais por Lopes et al. (2004) em análise feita para plantas do Alto Mourão. Tem
distribuição tipicamente Neotropical, com grande diversidade nas florestas tropicais,
podendo ocorrer também em áreas brejosas e afloramentos rochosos (Coelho 2000). Dentre
as Araceae a espécie com maior distribuição no PEST é Monstera adansonii var.
klotzschiana e a mais restrita é Heteropsis rigidifolia, coletada apenas numa localidade do
Morro do Cordovil. Também foram encontrados mais 2 espécies de Anthurium (A.
intermedium e A. parasiticum) e Syngonium vellozianum.
PARASITAS
A forma de vida menos representativa é a parasita. Nessa categoria foram registradas
3 espécies: 1 Balanophoraceae (Lophophytum mirabile subsp. mirabile) e 2 Loranthaceae
(Struthanthus marginatus e S. maricensis) consideradas hemiparasitas. L. mirabile é uma
planta saprófita, que segundo Hansen (1980) ocorre em florestas tropicais úmidas acima de
500 msm, contudo no PEST foi coletada no Morro do Telégrafo na localidade do Córrego
dos Colibris a cerca de 200 – 250 msm. Também já foi encontrado na restinga de Barra de
São João (D.S.D. Araujo comunicação pessoal). Essa planta normalmente cresce sobre
raízes de espécies de Leguminosae Mimosoideae, principalmente dos gêneros Inga,
Piptadenia e Enterolobium (Falcão 1975).
CONCLUSÃO
105
A Serra da Tiririca apresenta uma elevada riqueza florística, representada por
1.029 espécies de Magnoliophyta. Contudo, parte dessa diversidade florística foi perdida
após anos de desmatamentos, ocupações irregulares e todas as formas de alterações das
condições originais. As principais famílias em com maior número de espécies seguem os
padrões da Mata Atântica, com destaque para Leguminosae, Rubiaceae, Myrtaceae,
Euphorbiaceae e Bromeliaceae. As espécies arbóreas predominam, porém as formas de
vida arbustiva, trepadeira e herbácea contribuem significativamente na composição da
diversidade local.
Agradecimentos
Agradecemos aos taxonomistas do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro Adriana Q.
Lobão, Alexandre Quinet, Ângela Maria S.F. Vaz, Ariane Luna Peixoto, Berenice Chiavegato, Bruno
Resende Silva, Cláudio Nicoletti Fraga, Fábio França, Elsie F. Guimarães, João Marcelo A. Braga, Haroldo
C. de Lima, Lúcia d’Ávila de Carvalho, Luciana Tachigali, Marcelo C. Souza Marcus A. Nadruz Coelho,
Maria de Fátima Freitas, Mássimo G. Bovini, Michel João Pereira Barros, Ronaldo Marquete, Sheila Profice,
Robson Dias e Vidal Mançano. Além de taxonomistas de outras instituições de pesquisas brasileiras e
extrangeiras André Amorim, Arline B. de Souza, Carlos Henrique Reif, Carine Garcia Quinet, Daniela Zappi,
Genise V. Somner, Ivete Silva, João Pedro Carauta, Jorge Fontella, José Rubens Pirani, Luci Senna, Luiz
José Soares Pinto, Maria Célia Vianna, Mário Gomes, Marccus Alves, Marcos Sobral e Roberto Lourenço
Esteves pela identificação e/ou confirmação do material coletado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
Andreata, R.H.; Gomes, M. & Baumgratz, J.F. 1997. Plantas herbáceo-arbustivas terrestres
da Reserva Ecológica de Macaé de Cima. In: Lima, H.C. & Guedes-Bruni, R.R. (eds) Serra
de Macaé de Cima: Diversidade Florística e Composição em Mata Atlântica. Rio de
Janeiro: Jardim Botânico do Rio de Janeiro: p. 65–73.
Araujo, D.S.D. 2000. Análise florística e fitogeográfica das restingas do estado do Rio de
Janeiro. Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Geografia). Universidade Federal do Rio de
Janeiro. 169p.
Araujo, D.S.D. & Henriques, R.P.B. 1984. Análise florística das restingas do estado do Rio
de Janeiro. In: Lacerda, L.D.; Araujo, D.S.D.; Cerqueira, R. & Turcq, B. (eds) Restingas:
Origem, Estrutura, Processos. Niterói: CEUFF: p. 159-193.
Araujo, D.S.D.; Lima, H.C.; Farág, P.R.C.; Lobão, A.Q.; Sá, C.F.C. & Kurtz, B.C. 1998. O
centro de diversidade vegetal de Cabo Frio: Levantamento preliminar da flora. In:
Simpósio de Ecossistemas Costeiros: Conservação. 4. Águas de Lindóia. Anais... ACIESP.
104(3): p. 147–157.
Araujo, D.S.D. & Vilaça, A.M.N. 1981. Avaliação da cobertura vegetal remanescente de
Itaipu. In: Kneip, L.M.; Pallestrini, L. & Cunha, F.L.S. (eds) Pesquisas Arqueológicas no
Litoral de Itaipu. Rio de Janeiro: VEPLAN Companhia de Desenvolvimento Territorial: p.
27–46.
106
Arruda, R.C.O. 1994. Anatomia foliar de Trilepis lhotzkiana Nees. e Trilepis ciliatifolia T.
Koyama (Cyperaceae). Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas Botânica). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 119p.
Benzing, D.H. 1983. Vascular epiphytes: A survey with special reference to their
interactions with other organisms. In: Suton, S.L.; Whitmore, T.C. & Chadwick, A.C. (eds)
Tropical rainforest: Ecology and management. Brit. Ecol. Soc. Special Pub. Ser. (2): p. 11–
24.
Borgo, M.; Silva, M. & Petean, M.P. 2002. Epífitos vasculares em um remanescente de
floresta estacional semidecidual, Município de Fênix, PR, Brasil. Acta Biologica
Leopoldinensia 24: 121–130.
Brade, A.C. 1956. A flora do Parque Nacional de Itatiaia. Boletim do Parque Nacional do
Itatiaia 5: 07–85.
Braz, D.M.; Moura, M.V.L.P. & Rosa, M.M.T. 2004. Chave de identificação para espécies
de Dicotileôneas arbóreas da Reserva Biológica de Tinguá, RJ, com base em caracteres
vegetativos. Acta Botanica Brasilica 18(2): 225–240.
Brummit, R.K. & Powell, C.E. 1992. Authors of plants names. Royal Botanic Gardens,
Kew. 732 p.
Cervi, A.C. & Borgo, M. 2007. Epífitos vasculares no Parque Nacional do Iguaçu, Paraná
(Brasil). Levantamento preliminar. Fontqueria 55(51) 415 – 422.
Christenson, E. 2004. Orchidaceae. In: Mori, S.A.; Henderson, A.; Stevenson, D.W. &
Scott, N.H. (eds) Flowering plants of the neotropics. Princeton and Oxford, Princeton
University Press. p. 465–468.
Coelho, M.A.N. 2000. Philodendron Schott (Araceae): Morfologia e taxonomia das
espécies da Reserva Ecológica de Macaé de Cima, Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brasil.
Rodriguésia 51(78/79): 21–68.
Cordeiro, S.Z. 2005. Composição e distribuição herbácea em três áreas com fisionomias
distintas na Praia do Peró, Cabo Frio, RJ, Brasil. Acta Botanica Brasilica 19(4): 679–693.
Costa, A.F. & Dias, I.C.A. 2001. Flora do Parque Nacional de Jurubatiba e arredores, Rio
de Janeiro, Brasil: Listagem, florística e fitogeografia. Angispermas, pteidófitas e algas
continentais. Museu Nacional. Série Livros 8. 200p.
Cronquist, A. 1988. The evolution and classification of flowering plants. 2º edição. New
York Botanical Garden, New York. 556p.
Falcão, W.F.A. Balanoforáceas. In: Reitz, P.R. Flora Ilustrada Catarinense. 43p.
Farág, P.R.C. 1999. Estrutura do estrato arbóreo de mata litorânea semicaducifolia sobre
solo arenoso no Município de Búzios, RJ. Dissertação (Mestrado em Ecologia) Universidade Federal do Rio de Janeiro, PPGE. 92p.
107
Fernandes, D.S. & Sá, C.F.C. 2000. Estudo florístico preliminar das restingas
remanescentes de Armação de Búzios, RJ In: Simpósio de Ecossistemas Costeiros:
Conservação. 5. Vitória. Anais... ACIESP 109(3): p. 57–65.
Fontoura, T.; Costa, A. & Wendt, T. 1991. Preliminary checklist of the bromeliaceae of
Rio de Janeiro state, Brazil. Selbyana 12: 05–45.
Fontoura, T.; Sylvestre, L.S.; Vaz, A.M.S.F. & Vieira, C.M. 1997. Epífitas vasculares e
hemiepífitas e hemiparasitas da Reserva Ecológica de Macaé de Cima. In: Lima, H.C. &
Guedes-Bruni, R.R. (eds) Serra de Macaé de Cima: Diversidade Florística e Composição
em Mata Atlântica. Rio de Janeiro: Jardim Botânico do Rio de Janeiro: p. 89–101.
Forero, E. & Gentry, A.H. 1988. Neotropical plant distribution patterns with emphasis on
northwerstern South America: A preliminary overview. In: Vanzolini, P.E. & Heyer, W.R.
(eds) Proceedings of a Workshop on Neotropical distribution patterns. Academia Brasileira
de Ciências. Rio de Janeiro. p. 21–37.
Gentry, A.H. 1982. Patterns of Neotropical plant species diversity. Evolutionary Biology
15: 1–84.
Gentry, A.H. 1988. Changes in plant community diversity and floristic composition on
environment and geographical gradients. Annals of Missouri Botanical Garden 75: 1–34.
Gentry, A.H. 1995. Diversity and floristic composition of neotropical dry forest. In:
Bullock, S.H., Mooney, H.A. & Medina, E. (eds) Seasonally dry tropical forest. Cambridge
University Press. p. 146–194.
Gentry, A.H. & Dodson, C.H. 1987a. Contribution of nontrees to species richness of
tropical rain forest. Biotropica 19 (2): 148–156.
Gentry, A.H. & Dodson, C.H. 1987b. Diversyty and biogeography of neotropical vascular
epiphytes. Annals of Missouri Botanical Garden 74: 205–233.
Giulietti, A.M. et al. 2005. Biodiversity and conservation of plants in Brazil. Conservation
Biology 19(3): 632–639.
Gomes, M. 1996. Rubiaceae. In: Lima, H.C. & Guedes-Bruni, R.R. (eds) Reserva
Ecológica de Macaé de Cima, Nova Friburgo, RJ: Aspectos florísticos das espécies
vasculares. Rio de Janeiro: Jardim Botânico do Rio de Janeiro 2: p. 344-426.
Gonçalves, C.N. & Waechter, J.L. 2003. Aspectos florísticos e ecológicos de epífitos
vasculares sobre figueiras isoladas no norte da planície costeira do Rio Grande do Sul.
Acta Botanica Brasilica 17(1): 89–100.
Guedes-Bruni, R.R. 1998. Composição, estrutura e similaridade de dossel em seis unidades
fisionômicas de Mata Atlântica no Rio de Janeiro. Tese. (Doutorado em Botânica).
Universidade de São Paulo. 231p.
Guedes-Bruni, R.R. & Peixoto, A.L. 2003. Diversidade florística e conservação da Mata
Atlântica no Rio de Janeiro. In: Jardim, A.G.J.; Bastos, M.N.C. & Santos, J.U.M. Desafios
da Botânica brasileira no novo milênio: Inventário, sistematização e conservação da
108
diversidade vegetal. Sociedade Botânica do Brasil. Congresso Nacional de Botânica. 54. p.
195-97.
Hansen, B. 1980. Balanophoraceae. Flora Neotropica. Monograph 23, New York, New
York Botanical Garden. 80p.
Kelly, D.L. 1985. Epiphytes and climbers of a Jamaican rain forest: vertical distribution
life forms and life histories. Journal of Biogeography 12: 223–241.
Kissmann, K.G. 1997. Plantas infestantes e nocivas. Tomo I: Plantas inferiores e
monocotiledôneas. 2º edição. Ed. BASF, São Bernardo do Campo. 823p.
Kissmann, K.G. & Groth, D. 1999. Plantas infestantes e nocivas. Tomo II: Plantas
dicotiledôneas por ordem alfabética de famílias. Acanthaceae a Fabaceae. 2º edição. Ed.
BASF, São Bernardo do Campo. 978p.
Kissmann, K.G. & Groth, D. 1995. Plantas infestantes e nocivas. Tomo III: Plantas
dicotiledôneas de Geraniaceae e Verbanaceae. 1º edição. Ed. BASF, São Bernardo do
Campo. 683p.
Leme, E.M.C. & Rezende, B.S. 2001. Two apple green new species from southearstern,
Brazil. Journal of the Bromeliad Society 51(4): 147–53.
Lima, H.C. 2000. Leguminosas arbóreas da Mata Atlântica: Uma análise da riqueza,
padrões de distribuição geográfica e similaridades florísticas em remanescentes florestais
do Estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Ecologia). Universidade Federal do Rio
de Janeiro. 151p.
Lima, H.C. 2008. Reserva Biológica do Tinguá. Lista de espécies vasculares [on line].
Disponível na internet via http//:jbrj.gov.br/pesquisa/reservatingua/listaespecies. Arquivo
capturado em 02 de janeiro de 2008.
Lima, H.C. & Guedes-Bruni, R.R. 1997. Plantas vasculares da Reserva Ecológica de
Macaé de Cima. In: Lima, H.C. & Guedes-Bruni, R.R. (eds) Serra de Macaé de Cima:
Diversidade Florística e Composição em Mata Atlântica. Rio de Janeiro: Jardim Botânico
do Rio de Janeiro: p. 315-345.
Lima, H.C.; Lima, M.P.M.; Vaz, A.M.S.F. & Pessoa, S.V.A. 1997. Trepadeiras da Reserva
Ecológica de Macaé de Cima. In: Lima, H.C. & Guedes-Bruni, R.R. (eds) Serra de Macaé
de Cima: Diversidade Florística e Composição em Mata Atlântica. Rio de Janeiro: Jardim
Botânico do Rio de Janeiro: p. 75–87.
Lima, H.C.; Morim, M.P.; Guedes-Bruni, R.R.; Sylvestre, L.S.; Pessoa, S.V.A.; SilvaNeto, S.V.A.; Quinet, A.; Guimarães, E.F. & Mansano, V. 2008. Reserva Biológica de
Poço das Antas. Lista de espécies vasculares [on line]. Disponível na internet via
http://graziela.jbrj.gov.br/pesquisa/pma/macaedecima/checklist/Lista_Plantas_vasculares_a
presentação.htm. Arquivo capturado em 02 de janeiro de 2008.
Lima, H.C.; Pessoa, S.V.A.; Guedes-Bruni, R.R.; Moraes, L.F.D.; Granzotto, S.V.;
Iwamoto, S. & Ciero J.D. 2006. Caracterização fisionômico-florística e mapeamento da
109
vegetação da Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil.
Rodriguésia 57(3): 369–389.
Lima, M.P.M. & Guedes-Bruni, R.R. 1994. Reserva Ecológica de Macaé de Cima, Nova
Friburgo, RJ. Aspectos florísticos das espécies vasculares. Jardim Botânico do Rio de
Janeiro. 1. 404p.
Lima, M.P.M. & Guedes-Bruni, R.R. 1996. Reserva Ecológica de Macaé de Cima, Nova
Friburgo, RJ. Aspectos florísticos das espécies vasculares. Jardim Botânico do Rio de
Janeiro. 2. 465 p.
Lopes, R.C. 1992. Plantas medicinais e outras utilidades do Morro Alto Moirão, Itaipuaçu,
Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Monografia (Bacharelado em Ciências Biológicas).
Universidade Santa Úrsula. 170p.
Lopes, R.C. & Andreata, R.H.P. 1989. Plantas medicinais do Pico do Alto Moirão I.
Eugeniana 16: 1-9.
Lopes, R.C. & Andreata, R.H.P. 1990. Plantas medicinais do Pico do Alto Moirão II.
Eugeniana 17: 15-21.
Lopes, R.C. & Andreata, R.H.P. 1991. Plantas medicinais do Alto Moirão III. Eugeniana
18: 21 - 30.
Lopes, R.C. & Andreata, R.H.P. 1992. Plantas medicinais do Alto Moirão IV. Eugeniana
19: 1-8.
Lopes, R.C.; Coelho, M.A.N. & Andreata, R.H.P. 2004. Plantas ornamentais ocorrentes na
Mata Atlântica do Morro Alto Mourão, Niterói / Maricá, Rio de Janeiro. Publicações
Avulsas do Museu Nacional (102): 3–14.
MacQueen, J. & MacQueen, B. 1993. Orchids of Brazil. Timber Press, Portland, Oregon.
200p.
Marquete, R.; Valente, M.C.; Marquete, N.; Guimarães, E.F.; Marquete, O.; Giordano,
L.C.S.; Vaz, A.M.S.F.; Quinet, A.; Silva, C.N.A.; Macedo, P.B.; Mynssen, C.; Pinto, C.G.;
Pinheiro, F.C.; Garcia, R.O. & Medeiros, E.S. 2001. Checklist das espécies ocorrentes nas
áreas do entorno do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Pteridófitas
e Angiospermas. Bradea 8(37): 227–258.
Marques, M.C.M. 1997. Mapeamento da cobertura vegetal e listagem das espécies
ocorrentes na Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, Município de Parati, RJ. Série
Estudos e Contribuições. Jardim Botânico do Rio de Janeiro (13): 96 p.
Marques, M.C.M.; Vaz, A.S.F. & Marquete, R. 1997. Flórula da APA Cairuçu, Parati, RJ:
Espécies vasculares. Série Estudos e Contribuições. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
(14): 576p.
Mattos, C.C.L.V; Mattos, M.D.L.V. & Laroche, R.C. 1976. Aspecto do clima e da flora do
Parque Nacional da Tijuca. Brasil Florestal 7(25): 3–12.
110
Meirelles, S.T. 1990. Ecologia da vegetação de afloramentos rochosos no litoral sudeste.
Campinas. Dissertação (Mestrado em Ecologia) Universidade Estadual de Campinas. 250p.
Meirelles, S.T.; Pivello, V.R. & Joly, C.A. 1999. The vegetation of granite rock outcrops in
Rio de Janeiro, and the need for its protection. Envirommental Conservation 26(1): 10–20.
Missouri Botanical Garden. http://www.mobot.org/tropicos. Arquivo da internet acessado
no período de março de 2004 a Janeiro de 2008.
New York Botanical Garden. http://www.nybg.org. Arquivo da internet acessado no
período de março de 2004 a Janeiro de 2008.
Oliveira-e-Silva, M.I.M.N. 2002. Levantamento Taxonômico das Criptógamas do Parque
Estadual da Serra da Tiririca, Niterói, RJ. Relatório Científico, FAPERJ. 37p.
Oliveira-Filho, A.T. & Fontes, M.A.L. 2000. Patterns of floristc differentiation among
Atlantic Forest in southeastern Brazil and the influence of climate. Biotropica 32(4b): 793–
810.
Oliveira, R.R. & Araujo, D.S.D. 1988. Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul (Ilha
Grande, Estado do Rio de Janeiro): Lista preliminar da flora. Acta Botanica Brasilica 1 (2):
112–122.
Oliveira, R.R. & Costa, E. 1985. Levantamento florístico do Camorim: Dados
preliminares. Atas da Sociedade Botânica do Brasil, secção RJ 3(2): 9-13.
Peixoto, G.L.; Martins, S.V.; Silva, A.F. & Silva, E. 2004. Composição florística do
componente arbóreo de um trecho de floresta atlântica na Área de Proteção Ambiental da
Serra da Capoeira Grande, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Acta Botanica Brasilica 18(1): 151–
160.
Pinheiro, F.C. 1999. Orchidaceae do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói, RJ.
Dissertação. (Mestrado em Ciências Biológicas - Botânica). Universidade Federal do Rio
de Janeiro. 122p.
Pinto, L.J.S. 2004. Euphorbiaceae Juss. no Parque Estadual da Serra da Tiririca e
Arredores, Municípios de Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil. Dissertação (Mestrado
em Ciências Biológicas - Botânica). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 186p.
Polhill, R.M.; Raven, P.H & Stirton, C.H. 1981. Evolution and systematics of the
Leguminosae. In: Polhill, R.M. & Raven, P.H. (eds) Advances in legume systematics, part
1. Kew: Royal Botanical Garden. p. 1-26.
Putz, F.E. & Holbrook, M.N. 1986. Notes on the natural history of hemiepiphytes.
Selbyana 9: 61–69.
Quinet, A. 2005. Sinopse taxonômica da família Lauraceae no Estado do Rio de Janeiro,
Brasil. Acta Botanica Brasilica 19(3): 563-572.
111
Reinert, F. & Meirelles, S.T. 1993. Water aquisition strategy shifts in the heterophylous
saxicolous bromeliad Vriesea geniculata (Wawra) Wawra. Selbyana 14: 80-88.
Ribeiro, M.L.R.C.; Santos, M.G. & Moraes, M.G. Leaf antomy of two Anemia Sw. species
(Schizaeaceae – Pteridófita) from a rocky outcrop in Niterói, Rio de Janeiro, Brazil.
Revista Brasileira de Botânica 30(4): 695-702.
Rizzini, C.T. 1953/54. Flora Organensis. Lista preliminar dos cormophyta da Serra dos
Órgãos. Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 13: 117–246.
Rodrigues, H.C. 1996. Composição florística e estrutura fitossociológica de um trecho de
Mata Atlântica na Reserva do Tinguá, Nova Iguaçu, RJ. Dissertação (Mestrado em
Ciências Biológicas - Botânica). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 94p.
Rodrigues, P.J.F. 2004. A vegetação da Reserva União e os efeitos de borda na Mata
Atlântica fragmentada. Tese (Doutorado). Universidade Estadual do Norte Fluminense,
Campos dos Goytacazes. 153p.
Royal Botanic Garden at Kew. http://www.ipni.org. Arquivo da internet acessado no
período de março de 2004 a Janeiro de 2008.
Sá, C.F.C. 1992. A vegetação da restinga de Ipitangas, Reserva Ecológica de Jacarepiá,
Saquarema (RJ). Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 31: 87-102.
Sá, C.F.C. 2006. Estrutura, diversidade e conservação de angiospermas no Centro de
Diversidade de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Ciências
Biológicas – Ecologia). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 250p.
Santos, L.A.F. & Lima, J.P.C. 1998. Potencial florístico do Parque Estadual da Serra da
Tiririca. Floresta e Ambiente 5(1): 43–49.
Santos, M.G. et al. 2005. Cianogênese em esporófito de pteridófitas avaliada pelo teste do
ácido pícrico. Acta Botanica Brasilica 19(4): 783–788.
Santos, M.G. & Sylvestre, L.S. 2006. Aspectos florísticos e econômicos das pteridófitas de
um afloramento rochoso do estado do Rio de Janeiro, Brasil. Acta Botanica Brasilica
20(1): 115–124.
Santos, N. 1976. Plantas existentes no Parque Nacional da Tijuca. Brasil Florestal 26(1):
54–68.
Silva, J.G. & Somner, G.V. 1989. A vegetação de restinga no Município de Maricá, RJ.
Acta Botanica Brasilica 3(2): 253–272.
Siqueira, M.F. 1994. Análise florística e ordenação de espécies arbóreas na mata atlântica
através de dados binários. Dissertação (Mestrado em Botânica). UNICAMP, Deptº de
Botânica. 143p.
112
Solórzano, A. 2006. Composição florística e estrutura de dois trechos de floresta ombrófila
densa submontana no Parque Estadual da Pedra Branca, RJ. (Mestrado em Botânica)
Escola Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de
Janeiro. 140p.
Sousa, L.O.F.; Silva, B.R. & Sousa, R.C.O.S. 2003. Hohenmea, a new natural intergeneric
hybrid in the Bromelioideae. Journal of the Bromeliad Society 53(2): 71–76.
Souza, V.C. & Lorenzi, H. 2005. Botânica Sistemática. Guia ilustrado para identificação
das famílias de Angiospermas da flora brasileira, baseado em APG II. Nova Odessa: Ed.
Plantarum. 640 p.
Ule, E.A. 1967. A vegetação de Cabo Frio. Boletim Geográfico (200): 21–32.
Vaz, A.M.S.F. 1992. Diversidade de plantas vasculares da floresta atlântica do Rio de
Janeiro. Boletim do Museu Biológico. Mello Leitão 1: 77–82.
Veloso, H.P. 1945. As comunidades e estações botânicas de Teresópolis, estado do Rio de
Janeiro. Boletim do Museu Nacional, Série Botânica (3): 1-95.
Vieira, C.M. & Vaz, A.M.S.F. 1994. Espécies de hemiepífitas primárias ocorrentes na
floresta atlântica de Macaé de Cima, Nova Friburgo, estado do Rio de Janeiro. Arquivos do
Jardim Botânico do Rio de Janeiro 23: 31–38.
Waechter, J.L. 1986. Epífitos vasculares da mata paludosa do Faxinal, Torres, Rio Grande
do Sul, Brasil. Ilheringia. Série botânica 34: 39–49.
Waechter, J.L. 1998. Epifitismo vascular em uma floresta de restinga do Brasil subtropical.
Revista Ciência e Natura 20: 43–66.
113
ANEXO I
Listagem de Magnoliophyta do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil.
FAMÍLIAS
ACANTHACEAE (12/15)
AGAVACEAE (1/1)
ALSTROEMERIACEAE (2/2)
AMARANTHACEAE (3/4)
AMARYLLIDACEAE (1/2)
ANACARDIACEAE (5/9)
ESPÉCIES
Aphelandra longiflora (Lindl.) Profice
Aphelandra prismatica (Vell.) Hieron.
Chamaeranthemum beyrichii Nees
Geissomeria cincinnata Nees
Herpetacanthus rubiginosus Nees
Justicia beyrichii (Nees) Lindau
Justicia brasiliana Roth
Justicia plumbaginifolia J. Jacq.
Lepidagathis nemoralis (Nees) Kameyana
Mendoncia velloziana (Mart.) Nees
Orthotactus fulvohirsutus Rizzini
Pachystachys spicata (Ruiz et Pavon) Wassh.
Ruellia solitaria Vell.
Schaueria calycotricha (Link & Otto) Nees
Stenandrium mandioccanum Nees
Furcraea gigantea Vent.
Alstroemeria caryophyllaea Jacq.
Bomarea edulis (Tussac) Herb.
Celosia grandifolia Moq.
Chamissoa altissima (Jack.) Kunth
Chamissoa macrocarpa Kunth
Pfaffia paniculata (Mart.) Kuntze
Hippeastrum reginae (L.) Herb.
Hippeastrum reticulatum (L.Hér.) Herb.
Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng.
Astronium glaziovii Mattick
Astronium gracile Endl.
Astronium graveolens Jacq.
Myracrodruon urundeuva Allemão
Schinus terebinthifolius Raddi
Spondias mombin L.
Spondias venulosa Mart. ex Engl.
Tapirira guianensis Aubl.
HÁBITO
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Erva
Erva
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
114
ANNONACEAE (4/6)
APOCYNACEAE (9/15)
ARACEAE (6/25)
ARALIACEAE (2/2)
ARECACEAE (7/8)
Annona acutifolia Mart.
Duguetia sessilis (Vell.) Maas
Guatteria nigrescens Mart.
Guatteria reflexa R.E.Fr.
Rollinia emarginata Schltdl.
Rollinia parviflora A. St. Hil.
Aspidosperma gomezianum A.DC.
Aspidosperma parvifolium A.DC.
Condylocarpon isthmicum (Vell.) A. DC.
Forsteronia pilosa (Vell.) Müll. Arg.
Forsteronia thyrsoidea (Vell.) Müll. Arg.
Geissospermum laeve (Vell.) Miers
Malouetia arborea (Vell.) Miers
Mandevilla crassinoda (Gardner) Woodson
Mandevilla guanabarica Cassareto ex M.F. Salles, Kin-Gouw. & A.O.
Simões
Peltastes peltatus (Vell.) Woodson
Prestonia coalita (Vell.) Woodson.
Prestonia denticulata (Vell.) Woodson
Prestonia didyma (Vell.) Woodson
Tabernaemontana histrix Steud.
Tabernaemontana laeta Mart.
Anthurium comtum Schott
Anthurium coriaceum G. Don
Anthurium harrisii (Grah.) Enoll.
Anthurium intermedium Kunth
Anthurium luschnathianum Kunth
Anthurium maximiliani Schott
Anthurium minarum Sakuragui et Mayo
Anthurium parasiticum (Vell.) Stellfeld.
Anthurium pentaphyllum (Aubl.) G. Don.
Anthurium scandens (Aubl.) Engl.
Anthurium sucrei G.M. Barroso
Anthurium validinervium Engl.
Asterostigma lombardii E.G. Gonçalves
Heteropsis rigidifolia Engl.
Monstera adansonii var. klotzschiana (Schott) Madison
Philodendron bipennifolium Schott
Philodendron corcovadense Kunth
Philodendron cordatum Kunth ex Schott
Philodendron crassinervium Lindl.
Philodendron ochrostemon Schott
Philodendron ornatum Schott
Philodendron pedatum (Hook.) Kunth
Philodendron propingium Schott
Philodendron speciosum Schott ex Engl.
Syngonium vellozianum Schott
Dendropanax monogynus (Vell.) Seem.
Schefflera succinea Frodin & Fiaschi
Astrocaryum aculeatissimum (Schott) Burret
Attalea humilis Mart.
Bactris caryotifolia Mart.
Bactris setosa Mart.
Desmoncus polycanthos Mart. var. polycanthos
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Árvore
Erva
Erva
Erva
Hemiepíf
Erva
Erva
Erva
Hemiepíf
Hemiepíf
Erva
Erva
Erva
Erva
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Hemiepíf
Arbusto
Árvore
Árvore
Erva
Árvore
Árvore
Trepadeir
115
ARISTOLOCHIACEAE (1/4)
ASCLEPIADACEAE (5/6)
ASTERACEAE (18/25)
BALANOPHORACEAE (1/1)
BEGONIACEAE (1/5)
BIGNONIACEAE (16/29)
Euterpe edulis Mart.
Geonoma elegans Mart.
Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman
Aristolochia cymbifera Mart. et Zucc.
Aristolochia odora Steud.
Aristolochia raja Mart. et Zucc.
Aristolochia rumicifolia Mart. et Zucc. var. oblonga
Ditassa burchellii Hook. et Arn.
Macroditassa grandiflora (E. Fourn.) Malme
Marsdenia loniceroides E. Fourn.
Marsdenia suberosa (E. Fourn.) Malme
Oxypetalum banksii Schult. subsp. banksii
Peplonia riedelii (E. Fourn.) Fontella & Rapini
Baccharis serrulata (Lam.) Pers.
Barlettina hemisphaerica (DC.) R.M. King & H. Robinson
Barrosoa apiculata (Gardn.) R.M. King & H. Robinson
Barrosoa organensis (Gardn.) R.M. King & H. Robinson
Campuloclinium macrocephalum (Less.) DC.
Chromolaena odorata (L.) R.M. King & H. Robinson
Delilia biflora (L.) Kuntze
Eupatorium odoratum L.
Gochnatia polymorpha (Less.) Cabrera
Hebeclinium macrophyllum (L.) DC.
Heterocondylus vitalbae (DC.) R.M. King & H. Robinson
Idiothamnus pseudorgyalis R.M. King & H. Robinson
Koanophyllon tinctorium Arruda ex H. Kost.
Mikania hastifolia Baker
Praxelis clematidea (Griseb.) R.M. King & H. Robinson
Tilesia baccata (L.) Pruski
Trixis antimenorrhoea (Schrank) Kuntze
Vernonia brasiliensis (Spreng.) Less.
Vernonia cinerea (Less.) Less.
Vernonia megaphylla Hieron
Vernonia muricata DC.
Vernonia persicifolia Desf.
Vernonia rupestris Gardner
Vernonia serrulata (Lam.) Pers.
Youngia japonica (L.) DC.
Lophophytum mirabile Schott et Endl. var. mirabile.
Begonia hirtella Link
Begonia maculata Raddi
Begonia reniformis Dryander
Begonia salicifolia A. DC.
Begonia tomentosa Schott
Adenocalymma bracteatum (Cham.) DC.
Adenocalymma marginatum (Cham.) DC.
Adenocalymma paulistarum Bureau & K. Schum.
Adenocalymma subsessilifolium DC.
Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C. Laroche
Anemopaegma chamberlaynii (Sims) Bureau ex K. Schum.
Anemopaegma prostratum DC.
Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart.
Arrabidaea leucopogon (Cham.) Sandwith
Arrabidaea rego (Vell.) DC.
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Árvore
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Erva
Erva
Árvore
Erva
Erva
Saprófita
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Arbusto
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
116
BOMBACACEAE (5/8)
BORAGINACEAE (2/13)
BROMELIACEAE (14/41)
Arrabidaea selloi (Spreng.) Sandwith
Arrabidaea subincana Mart.
Clytostoma binatum (Thunb.) Sandwith
Clytostoma sciuripabulum Bureau & K. Schum.
Cybistax antisyphilitica (Mart.) Mart.
Glaziovia bauhinioides Bureau ex Baill.
Jacaranda jasminoides (Thunb.) Sandwith
Jacaranda micrantha Cham.
Lundia cordata (Vell.) A. DC.
Mansoa difficilis (Cham.) Bureau & K. Schum.
Mansoa lanceolata (DC.) A.H. Gentry
Parabignonia unguiculata (Vell.) A.H. Gentry
Pithecoctenium crucigerum (L.) A.H. Gentry
Sparattosperma leucanthum (Vell.) K. Schum.
Stizophyllum perforatum (Cham.) Miers
Tabebuia chrysotricha (Mart. ex DC.) Standl.
Tabebuia ochracea (Cham.) Standl.
Tynanthus micranthus Correa de Mella ex K. Schum.
Xylophragma pratense (Bureau & K. Schum.) Sprague
Bombacopsis glabra (Pasq.) A. Robyns
Bombacopsis stenopetala (Casar.) A. Robyns
Ceiba crispiflora (Kunth) Ravenna
Ceiba erianthos (Cav.) K. Schum.
Ceiba insignis (K. Schum.) P.E. Gibbs & Semir
Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns
Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A. Robyns
Quararibea turbinata (Sw.) Poir.
Cordia aberrans Johnst.
Cordia curassavica (Jacq.) Roem. & Schult.
Cordia guazumaefolia (Desv.) Roem. & Schult.
Cordia magnoliifolia Cham.
Cordia ochnacea DC.
Cordia superba Cham.
Cordia taguahyensis Vell.
Cordia trichoclada DC.
Cordia trichotoma (Vell.) Arrab. ex Steud.
Tournefortia bicolor Sw.
Tournefortia gardneri A. DC.
Tournefortia paniculata Vent.
Tournefortia salicifolia A. DC.
Aechmea fasciata (Lindl.) Baker var. fasciata
Aechmea floribunda Mart. ex Schult. f.
Aechmea nudicaulis (L.) Griseb. var. nudicaulis
Aechmea organensis Wawra
Aechmea purpureo-rosea (Hook.) Wawra
Aechmea ramosa var. ramosa Mart. ex Schult. f.
Aechmea sphaerocephala Baker
Alcantarea glaziouana (Lemaire) Leme
Billbergia amoena (Lodd.) Lindl.
Billbergia iridifolia (Nees & Mart.) Lindl.
Billbergia pyramidalis (Sims.) Lindl. var. pyramidalis
Billbergia zebrina (Herbert) Lindl.
Bromelia antiacantha Bertoloni
Cryptanthus acaulis (Lindl.) Beer
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Arbusto
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Árvore
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
117
BURSERACEAE (1/1)
CACTACEAE (9/16)
CANNACEAE (1/1)
CAPPARACEAE (4/6)
CECROPIACEAE (2/3)
Edmundoa lindenii (Regel) Leme
X Hohemea itaipuana B.R. Silva & L.O.F. Sousa
Hohenbergia augusta (Vell.) E. Morren
Neoregelia abendrothae L.B. Smith
Neoregelia ampullacea (E. Morren) L.B. Smith
Neoregelia cruenta (R. Graham) L.B. Smith
Neoregelia sapiatibensis E. Pereira & L.A. Pereira
Nidularium sp.
Pitcairnia albiflos Herbert
Pitcairnia flammea Lindl.
Pitcairnia staminea Loddiges
Pseudoananas sagenarius (Arruda da Câmara) Camargo
Quesnelia liboniana (De Longhe) Mez
Tillandsia araujei Mez
Tillandsia dura Baker
Tillandsia gardneri Lindl.
Tillandsia geminiflora Brongniart
Tillandsia recurvata (L.) L.
Tillandsia stricta Soland. var. stricta
Tillandsia usneoides (L.) L.
Vriesea botafogensis Mez
Vriesea costae E. Leme & B. Rezende
Vriesea eltoniana Pereira & Ivo
Vriesea flamea L.B. Smith
Vriesea neoglutinosa Mez
Vriesea procera (Mart. ex Schult. f.) Wittm.
Vriesea psittacina (Hook.) Lindl.
Protium widgrenii Engl.
Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A. Berg.
Coleocephalocereus fluminensis (Miq.) Backeb
Epiphyllum phyllanthus (L.) Haw.
Hylocereus setaceus (Salm-Dyck) R. Bauer
Lepismium cruciforme (Vell.) Miquel
Lepismium grandiflora (Haw.) Backeb.
Opuntia monacantha Haw.
Pereskia aculeata Mill.
Pereskia grandiflora Pfeiff. subsp. grandiflora
Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles ex G.D. Rowley.
Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.) Backeb.
Rhipsalis lindbergiana K. Schum.
Rhipsalis mesembryanthemoides Haworth
Rhipsalis oblonga Loefgren
Rhipsalis paradoxa (Salm-Dyck ex Pfeiff.) Salm-Dyck subsp. paradoxa
Rhipsalis teres (Vell.) Steud.
Canna denudata Roscoe
Capparidastrum brasilianum (DC.) Hutch.
Capparis flexuosa (L.) L.
Capparis lineata Pers.
Cleome dendroidea Schult. f.
Cleome diffusa Banks ex DC.
Crateva tapia L.
Cecropia glaziovi Snethlage
Cecropia lyratiloba Miquel
Coussapoa curranii S.F. Blake
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Árvore
Arbusto
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Árvore
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Arbusto
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
118
CELASTRACEAE (1/5)
CHRYSOBALANACEAE (1/2)
CLUSIACEAE (4/7)
COMMELINACEAE (5/6)
CONNARACEAE (1/1)
CONVOLVULACEAE (5/10)
COSTACEAE (1/1)
CRASSULACEAE (1/1)
CUCURBITACEAE (4/10)
CUNONIACEAE (1/1)
CYPERACEAE (7/11)
Maytenus aquifolium Mart.
Maytenus ardisiifolia Reissek
Maytenus brasiliensis Mart.
Maytenus communis Reiss.
Maytenus commuta Reissek
Hirtella hebeclada Moric. ex DC.
Hirtella triandra Sw. subsp. punctulata (Miq.) G.T. Prance
Clusia criuva Cambess.
Clusia fluminensis Planch. & Triana
Garcinia brasiliensis Mart.
Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) Zappi
Kielmeyera membranacea Casar.
Kielmeyera rizziniana Saddi
Tovomita leucantha (Schltdl.) Planch. & Triana
Dichorisandra hexandra (Aubl.) Standl.
Dichorisandra thyrsiflora J.C. Mikan
Gibasis geniculata (Jacq.) Rohweder
Siderasis fuscata (Lood.) Moore
Tradescantia zanonia (L.) Sw.
Tripogandra elongata (G. Mey) Woodson
Connarus nodosus Baker
Evolvulus glomeratus Nees & Mart.
Evolvulus nummularius (L.) L.
Ipomoea daturaeflora Meissn.
Ipomoea philomega (Vell.) House
Ipomoea syringaefolia Meissner
Ipomoea tiliacea (Willd.) Choisy
Jaquemontia holosericea (Weinm.) O’Donell
Jacquemontia martii Choisy
Merremia umbellata (L.) Hallier f.
Operculina macrocarpa (L.) Urb.
Costus spiralis (Jacq.) Roscoe var. spiralis
Kalanchoe crenata (Andrews) Haw.
Cayaponia martiana Cogn.
Cayaponia fluminensis (Vell.) Cogn.
Cayaponia trifoliata (Cogn.) Cogn.
Cayaponia trilobata Cogn.
Fevillea trilobata L.
Melothria cucumis Vell. var. cucumis
Melothria fluminensis Gardner var. fluminensis
Wilbrandia ebracteata Cogn.
Wilbrandia glaziovii Cogn.
Wilbrandia verticillata (Vell.) Cogn.
Lamanonia ternata Vell.
Becquerelia cymosa Brongn.
Cyperus dichromennaeformis Kunth
Cyperus hermaphroditus (Jacq.) Standl.
Cyperus laxus Lam.
Cyperus pohlii (Nees) Steud.
Fimbristylis littoralis Gaudich.
Pleurostachys puberula Boeck.
Pleurostachys stricta Kunth
Rhynchospora exaltata Kunth.
Scleria secans (L.) Urb.
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Erva
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Erva
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
119
DICHAPETALACEAE (1/1)
DILLENIACEAE (1/1)
DIOSCOREACEAE (1/10)
ELAEOCARPACEAE (1/3)
ERYTHROXYLACEAE (1/4)
EUPHORBIACEAE (22/42)
Trilepis lhotzkiana Nees ex Arn.
Stephanopodium sessile Rizzini
Davilla rugosa Poir.
Dioscorea altissima Lam.
Dioscorea cinnamomifolia Hook. & Griseb.
Dioscorea coronata Hauman
Dioscorea debilis Uline
Dioscorea dodecaneura Vell.
Dioscorea mollis Mart.
Dioscorea ovata Vell.
Dioscorea piperifolia Humb. & Bonpl. ex Willd.
Dioscorea sinuata Vell.
Dioscorea sp.
Sloanea garckeana K. Schum.
Sloanea guianensis (Aubl.) Benth.
Sloanea monosperma Vell.
Erythroxylum frangulifolium A. St. Hil.
Erythroxylum gaudichaudii Peyr.
Erythroxylum magnoliifolium A. St. Hil.
Erythroxylum pulchrum A. St. Hil.
Acalypha amblyodonta Müll. Arg. (Müll. Arg.)
Acalypha brasiliensis Müll. Arg. var. brasiliensis
Acalypha gracilis Müll. Arg.
Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax
Actinostemon concolor (Spreng.) Müll. Arg.
Actinostemon echinatus Müll. Arg.
Actinostemon verticillatus (Klotzsch) Baill.
Alchornea glandulosa subsp. iricurana (Casar.) Secco
Algernonia brasiliensis Baill.
Bernardia axillaris (Spreng.) Müll. Arg.
Croton celtidifolius Baill.
Croton compressus Lam.
Croton floribundus Spreng.
Croton klotzschii (Didr.) Baill.
Croton lobatus L.
Croton urticifolius Lam.
Dalechampia alata Müll. Arg.
Dalechampia brasiliensis Lam.
Dalechampia convolvuloides Lam.
Dalechampia micromeria Baill.
Dalechampia pentaphylla Lam.
Dalechampia triphylla Lam.
Ditaxis simoniana Casar.
Euphorbia comosa Vell.
Euphorbia insulana Vell.
Jatropha gossypiifolia L.
Joannesia princeps Vell.
Julocroton fuscescens (Spreng.) Baill.
Julocroton triqueter (Lam.) Didr.
Manihot leptopoda (Müll. Arg.) D.J. Rogers & Appan
Margaritaria nobilis L.f.
Pachystroma longifolium (Nees.) I.M. Johnt.
Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill.
Pera leandri Baill.
Erva
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Arbusto
Erva
Erva
Arbusto
Árvore
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
120
FLACOURTIACEAE (4/9)
GESNERIACEAE (3/6)
HELICONIACEAE (1/4)
HERRERIACEAE (1/1)
HIPPOCRATEACEAE (2/2)
ICACINACEAE (2/2)
IRIDACEAE (1/2)
LACISTEMATACEAE (1/2)
LAURACEAE (7/20)
Romanoa tamnoides (A. Juss.) A. Radcliffe Smith
Sapium glandulatum (Vell.) Pax.
Sebastiania brasiliensis Spreng.
Sebastiania gaudichaudii (Müll. Arg.) Müll. Arg.
Sebastiania nervosa Müll. Arg.
Stillingia dichotoma Müll. Arg.
Tetraplandra leandri Baill.
Tragia volubilis L.
Carpotroche brasiliensis (Raddi) Engl.
Casearia commersoniana Cambess.
Casearia luetzelbergii Sleumer
Casearia obliqua Spreng.
Casearia oblongifolia Cambess.
Casearia sylvestris Swartz
Prockia crucis P. Browne ex L.
Xylosma ciliatifolia (Clos) Eichler
Xylosma glaberrima Sleumer
Codonanthe gracilis (Mart.) Hanstein
Paliavana prasinata (Ker-Gawl) Benth.
Sinningia aggregata (Ker-Gawl) Wiekler
Sinningia bulbosa (Ker-Gawl) Wiehler
Sinningia pusilla (Mart.) Baill.
Sinningia speciosa (Lood.) Hiern
Heliconia angusta Vell.
Heliconia episcopalis Vell.
Heliconia lacletteana Emygdio & Santos
Heliconia spathocircinata Aristeg.
Herreria salsaparilha Mart.
Hippocratea volubilis L.
Salacia arborea (Leandro) Peyr.
Citronella paniculata (Mart.) R.A. Howard
Leretia cordata Vell.
Neomarica candida (Hassl.) Sprague
Neomarica gracilis (Herb.) Sprague
Lacistema pubescens Mart.
Lacistema serrulatum Mart.
Aniba brittonii Mez
Aniba firmula (Nees & Mart.) Mez
Cryptocarya moschota Nees & Mart. ex Nees
Cryptocarya saligna Mez
Endlicheria glomerata Mez
Nectandra oppositifolia Nees
Nectandra puberula (Schott) Nees
Nectandra reticulata (Ruiz et Pavon) Mez
Ocotea aniboides Mez
Ocotea brachybotrya (Meisn.) Mez
Ocotea daphnifolia (Meisn.) Mez
Ocotea diospyrifolia (Miesn.) Mez
Ocotea elegans Mez
Ocotea microbotrys (Meisn.) Mez
Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer
Ocotea schotii (Miesn.) Mez
Ocotea tenuiflora (Nees) Mez
Phyllostemonodaphne geminiflora (Mez) Kosterm.
Trepadeir
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Arbusto
Árvore
Trepadeir
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Arbusto
Trepadeir
Erva
Erva
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
121
LECYTHIDACEAE (4/4)
LEGUMINOSAE (39/85)
Urbanodendron bahiense (Meiss.) Rohwer
Urbanodendron verrucosum (Nees) Mez
Cariniana legalis (Mart.) Kuntze
Couratari pyramidata (Vell.) Knuth
Eschweilera compressa (Vell.) Miers
Lecythis pisonis Camb.
Abarema cochliocarpus (Gomes) R.C. Barneby & J.W. Grimes
Acosmium lentiscifolium Schott.
Albizia polycephala (Benth.) Killip ex Record
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F. Macbr.
Bauhinia forficata Link
Bauhinia longifolia (Bong.) Steud.
Bauhinia microstachya (Raddi) J.F. Macbr.
Bauhinia radiata Vell.
Caesalpinia echinata Lam.
Caesalpinia ferrea Mart.
Caesalpinia pluviosa var. peltophoroides (Benth.) G.P. Lewis
Camptosema isopetalum (Lam.) Taub.
Canavalia parviflora Benth.
Centrolobium tomentosum Guill. ex Benth.
Centrosema sagittatum (Humb. & Bonpl. ex Willd.) Brandeg. ex L. Riley
Centrosema virginianum (L.) Benth.
Chaetocalyx scandens (L.) Urb.
Chamaecrista glandulosa var. brasiliensis (Vogel) H.S. Irwin & R.C.
Barneby
Copaifera trapezifolia Hayne
Crotalaria verrucosa L.
Dalbergia frutescens (Vell.) Britton
Dalbergia lateriflora Benth.
Dioclea violacea Mart. ex Benth.
Diplotropsis incexis Rizzini & A. Mattos
Exostyles venusta Schott ex Spreng.
Galactia striata (Jacq.) Urb.
Inga capitata Desv.
Inga congesta T.D. Penn.
Inga cordistipula Mart.
Inga flagelliformis (Vell.) Mart.
Inga lanceifolia Benth.
Inga laurina (Sw.) Willd.
Inga lenticellata Benth.
Inga sellowiana Benth.
Inga subnuda subsp. luschnathiana (Benth.) T.D. Penn.
Lonchocarpus virgilioides (Vogel) Benth.
Machaerium aculeatum Raddi
Machaerium angustifolium Vogel
Machaerium firmum Benth.
Machaerium hirtum (Vell.) Stellf.
Machaerium incorruptibile Allemão
Machaerium lanceolatum (Vell.) J.F. Macbr.
Machaerium leucopterum Vogel
Machaerium oblongifolium Vogel
Machaerium pedicellatum Vogel
Machaerium reticulatum Pers.
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Erva
Árvore
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
122
LOGANIACEAE (1/1)
LORANTHACEAE (1/2)
MALPIGHIACEAE (10/21)
Mimosa arenosa (Willd.) Poiret.
Mimosa artemisiana Heringer & Paula
Mimosa bimucronata (DC.) Kuntze
Mimosa caesalpiniifolia Benth.
Mimosa extensa Benth.
Mimosa schomburgkii Benth.
Mimosa velloziana Mart.
Mucuna urens L.
Ormosia arborea (Vell.) Harms
Piptadenia adiantoides (Spreng.) J.F. Macbr.
Piptadenia gonoacantha (Mart.) J.F. Macbr.
Piptadenia paniculata Benth.
Platymiscium floribundum Vogel
Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P. Lewis & M.P. Lima
Pseudopiptadenia inaequalis (Benth.) Rauschert
Pseudopiptadenia schumanniana (Taub.) Lewis & M. Lima
Pterocarpus rohrii Vogel
Pterogyne nitens Tul.
Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler & Ebinger
Senegalia lacerans (Benth.) Seigler & Ebinger
Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler & Ebinger
Senegalia mikanii (Benth.) Seigler & Ebinger
Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler & Ebinger
Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger
Senegalia sp. 1
Senegalia sp. 2
Senna affinis (Benth.) H.S. Irwin & R.C. Barneby
Senna macranthera (Collad.) H.S. Irwin & R.C. Barneby var.
macranthera
Senna pendula (Willd.) H.S. Irwin & R.C. Barneby
Sophora tomentosa L.
Swartzia apetala Raddi var. apetala
Swartzia langsdorffii Raddi
Swartzia simplex var. grandiflora (Raddi) R.S. Cowan
Teramnus volubilis Sw.
Vigna adenantha (G. Mey) Maréchal, Mascherpa & Stainer
Vigna speciosa (Kunth) Verdc.
Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev
Zornia latifolia Sm.
Strychnos acuta Progel
Struthanthus marginatus (Desr.) Blume
Struthanthus maricensis Rizz.
Amorimia rigida (A. Juss.) W.R. Anderson
Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates
Bunchosia maritima (Vell.) J.F. Macbr.
Byrsonima laxiflora Griseb.
Heteropterys bicolor A. Juss.
Heteropterys chrysophylla (Lam.) Kunth
Heteropterys fluminensis (Griseb.) W.R. Anderson
Heteropterys leschenaultiana A. Juss.
Heteropterys pauciflora A. Juss.
Heteropterys sericea (Cav.) A. Juss.
Heteropterys ternstroemiifolia A. Juss.
Mascagnia sepium (A. Juss.) Griseb.
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Arbusto
Árvore
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Erva
Trepadeir
Parasita
Parasita
Trepadeir
Trepadeir
Arbusto
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
123
MALVACEAE (3/8)
MARANTACEAE (4/11)
MARCGRAVIACEAE (1/1)
MELASTOMATACEAE (4/11)
MELIACEAE (4/12)
MENISPERMACEAE (6/6)
Niedenzuella acutifolia (Cavanilles) W.R. Anderson
Peixotoa hispidula A. Juss.
Stigmaphyllon auriculatum (Cav.) A. Juss.
Stigmaphyllon gayanum A. Juss.
Stigmaphyllon lalandianum A. Juss.
Stigmaphyllon paralias A. Juss.
Stigmaphyllon tomentosum A. Juss
Stigmaphyllon vitifolium A. Juss.
Thryallis brachystachys Lindl.
Abutilon anodoides A. St. Hil. & Naud.
Abutilon bedfordianum (Hook.) A. St. Hil. et Naud.
Abutilon pauciflorum A. St. Hil.
Abutilon purpurascens (Link) K. Schum
Hibiscus diversifolius subsp. rivularis (Bremek. & Oberm.)
Pavonia malvacea (Vell.) Krapov. & Cristobal
Pavonia nemoralis A. St. Hil. & Naud.
Pavonia sepium A. St. Hil.
Calathea cylindrica (Roscoe) K.Schum.
Calathea eichleri Petersen
Calathea sphaerocephala K. Schum.
Calathea truncata (Link) K. Schum.
Calathea violacea Lindley
Calathea sp. nov.
Maranta bicolor Ker-Gawl
Maranta divaricata Roscoe
Saranthe eichleri Petersen
Saranthe leptostachya Eichler
Stromanthe tonckat (Aubl.) Eichler
Schwartzia brasiliensis (Choise) Bedell ex Giraldo-Canãs
Clidemia hirta (L.) D. Don.
Miconia albicans (Sw.) Triana
Miconia cinerascens Miq.
Miconia cinnamomifolia (DC.) Naud.
Miconia latecrenata Triana
Miconia prasina (Sw.) DC.
Miconia staminea (Desr.) DC.
Ossea marginata (Desr.) Triana.
Tibouchina corymbosa (Raddi) Cogn.
Tibouchina grandifolia Cogn.
Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn.
Cabralea canjerana (Vell.) Mart. ssp. canjerana
Cedrela odorata L.
Guarea guidonia (L.) Sleumer
Guarea kunthiana A. Juss.
Guarea macrophylla subsp. tuberculata (Vell.) T.D. Penn.
Trichilia casaretti C. DC.
Trichilia catigua A. Juss.
Trichilia elegans subsp. richardiana T.D. Penn.
Trichilia hirta L.
Trichilia martiana C. DC.
Trichilia pseudostipularis (A. Juss.) C. DC.
Trichilia silvatica C. DC.
Abuta convexa (Vell.) Diels.
Chondrodendron platiphyllum (A. St. Hil.) Miers
Trepadeir
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
124
MONIMIACEAE (2/5)
MORACEAE (6/16)
MYRISTICACEAE (1/1)
MYRSINACEAE (1/2)
MYRTACEAE (8/55)
Disciphania hernandia (Vell.) Barneby
Hyperbaena oblongifolia (Eichler.) Chodat & Hassl.
Odontocarya vitis Miers
Ungilipetalum filipendulum (Mart.) Moldenthe
Macrotorus utriculatus Perkins
Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins
Mollinedia lamprophylla Perkins
Mollinedia longifolia Tulasne
Mollinedia puberula Perkins
Brosimum guianense (Aubl.) Huber
Clarisia ilicifolia (Spreng) Lanjouw & Rossberg
Dorstenia arifolia Lam.
Dorstenia cayapia Vell.
Dorstenia turnerifolia Fisch. & Meyer
Ficus adhatodifolia Schott ex Spreng.
Ficus arpazusa Casar.
Ficus citrifolia Miller
Ficus cyclophylla (Miquel) Miquel
Ficus enormis (Mart. ex Micq.) Miquel
Ficus gomeleira Kunth & C.D. Bouché
Ficus luschnathiana (Miquel) Miquel
Ficus tomentella (Miquel) Miquel
Pseudomedia hirtuta Kuhlmann
Sorocea hilarii Gaudich.
Sorocea racemosa Gaudich.
Virola gardneri (A. DC.) Warb.
Myrsine coriacea (Sw.) R. Br. ex Roem. & Schult.
Myrsine guianensis (Albl.) Kuntze
Calyptranthes grandiflora O. Berg
Calyptranthes lucida Mart. ex DC.
Calyptranthes obovata Kiaersk.
Campomanesia laurifolia Gardn.
Eugenia amazonica DC.
Eugenia bahiensis DC.
Eugenia bunchosiifolia Nied.
Eugenia candolleana DC.
Eugenia cuprea (O. Berg) Nied.
Eugenia excelsa O. Berg
Eugenia flamingensis O. Berg.
Eugenia florida DC.
Eugenia jurujubensis Kiaersk.
Eugenia marambaiensis M.C. Souza et M.P. Morim
Eugenia microcarpa O. Berg.
Eugenia monosperma Vell.
Eugenia neoglomerata Sobral
Eugenia oxyoentophylla Kiaersk.
Eugenia prasina O. Berg
Eugenia punicifolia (Kunth) DC.
Eugenia rostrata O. Berg
Eugenia rotundifolia Casar.
Eugenia sulcata Spreng. ex Mart.
Eugenia tinguyensis Cambess.
Eugenia umbrosa O. Berg
Eugenia uniflora L.
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Árvore
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Erva
Erva
Erva
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
125
NYCTAGINACEAE (3/4)
OCHNACEAE (1/3)
OLACACEAE (1/1)
OLEACEAE (1/1)
ORCHIDACEAE (20/28)
Eugenia villae-novae Kiaersk.
Eugenia xanthoxyloides Cambess.
Eugenia zucarini O. Berg
Eugenia nov. sp. 1
Eugenia nov. sp. 2
Eugenia nov. sp. 3
Eugenia nov. sp. 4
Marlierea choriophylla Kiaersk.
Marlierea excoriata Mart.
Marlierea glazioviana Kiaersk.
Marlierea obscura O. Berg
Marlierea racemosa (Vell.) Kiaersk.
Marlierea sylvatica (Gardner) Kiaersk.
Myrcia dilucida G.M. Barroso
Myrcia fallax (Rich.) DC.
Myrcia innovans Kiaersk.
Myrcia insularis (O. Berg) Kiaersk.
Myrcia ovata Cambess.
Myrcia pubipetala Miq.
Myrcia richardiana (O. Berg) Kiaersk.
Myrcia selloi (Spreng.) N. Silveira
Myrcia vittoriana Kiaersk.
Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O. Berg
Myrciaria glazioviana (Kiaersk.) G.M. Barroso ex Sobral
Myrciaria guaquiea (Kiaersk.) Mattos & D. Legrand
Myrciaria sp.
Plinia ilhensis G.M. Barroso
Psidium cattleyanum Sabine
Psidium guineensis Sw.
Bougainvillea spectabilis Willd.
Guapira opposita (Vell.) Reitz
Guapira pernambucensis (Casar.) Lundell
Leucaster caniflorus (Mart.) Choisy
Ouratea cuspidata Tiegh.
Ouratea oliviformis (A. St. Hil.) Engl.
Ouratea parviflora (DC.) Baill.
Heisteria perianthomega (Vell.) Sleumer
Chionanthus fluminensis (Miers) P.S. Green
Aspidogyne argentea (Vell.) Garay
Brassavola tuberculata Hook.
Campylocentrum robustum Cogn.
Cattleya forbesii Lindl.
Constantia rupestris Barb. Rodr.
Corymborchis flava (Sw.) Kuntze
Cyclopogon bicolor (Ker-Gawl) Schltr.
Cyrtopodium polyphyllum (Vell.) Pabst ex F. Barros
Eltroplectris triloba (Lindl.) Pabst
Epidendrum denticulatum Barb. Rodr.
Epidendrum filicaule (Sw.) Lindl.
Epidendrum rigidum Jacq.
Habenaria leptoceras Hook.
Habenaria parviflora Lindl.
Maxillaria marginata Fenzl
Octomeria alpina Barb. Rodr.
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Arbusto
Arbusto
Árvore
Arbusto
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
126
PASSIFLORACEAE (1/9)
PHYTOLACCACEAE (2/2)
PIPERACEAE (2/14)
POACEAE (9/11)
POLYGALACEAE (2/3)
POLYGONACEAE (3/3)
Oeceoclades maculata (Lindl.) Lindl.
Oncidium ciliatum Lindl.
Oncidium fimbriatum Hoffmanns.
Oncidium pumilum Lindl.
Pleurothallis grobyi Lindl.
Pleurothallis pardipes Rchb. f.
Pleurothallis saundersiana Rchb. f.
Prescottia plantaginea Lindl.
Renanthera sp.
Sarcoglottis fasciculata (Vell.) Schltr.
Sophronites cernua Lindl.
Vanilla bahiana Hoehne
Passiflora alata Curtis
Passiflora capsularis L.
Passiflora edulis Sims
Passiflora farneyi Pessoa & Cervi
Passiflora mucronata Lam.
Passiflora organensis Gardner
Passiflora racemosa Brot.
Passiflora setacea DC.
Passiflora suberosa L.
Gallesia integrifolia (Spreng.) Harms.
Seguieria langsdorfii Miq.
Peperomia arifolia Miq.
Peperomia corcovadensis Gardner
Peperomia incana (Haw.) Hook.
Peperomia psilostachya C. DC.
Peperomia rubricaulis (Nees) A. Dietr.
Peperomia urocarpa Fisch. et Meyer
Piper amalago var. medium (Jacq.) Yunck.
Piper amplum Kunth
Piper anisum (Sprengel) Angely
Piper arboreum Aubl. var. arboreum
Piper hispidum L.
Piper hoffmannseggianum Roem. et Schult.
Piper mollicomum Kunth
Piper rivinoides Kunth
Ichnanthus glaber (Raddi) A.S. Hitchc.
Ichnanthus pallens (Sw.) Munro ex Benth.
Lasiacis ligulata Hitchc. & Chase
Olyra ciliatifolia Raddi
Olyra latifolia L.
Oplismenus hirtellus (L.) P. Beauv.
Panicum racemosum (P. Beauv.) Spreng.
Pharus lappulaceus Aubl.
Raddia brasiliensis Bertol.
Saccharum asperum (Nees) Steud.
Setaria parviflora (Poir) Kerguélen
Polygala albicans (A.W. Benn.) Grondona
Securidaca lanceolata A. St. Hil. & Moq.
Securidaca ovalifolia A. St. Hil. et Moq.
Coccoloba confusa Howard
Ruprechtia lundii Meisn.
Triplaris americana L.
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Árvore
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Erva
Erva
Trepadeir
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Trepadeir
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Árvore
127
PROTEACEAE (1/1)
RHAMNACEAE (2/2)
RUBIACEAE (22/54)
Roupala montana Aulb. var. paraensis (Sleumer) K.S. Edwards
Condalia buxifolia Reissek
Reissekia smilacina (Sm.) Steud.
Alseis floribunda Schott
Alseis involuta K.Schum.
Anisomeris brasiliana (A. Rich.) Standl.
Basanacantha calycina (Cham.) K. Schum.
Bathysa mendoncaei K. Schum.
Borreria verticillata (L.) G. Meyer
Chomelia brasiliana A. Rich.
Coccocypselum cordifolium Nees & Mart.
Coussarea accedens Müll. Arg.
Coussarea capitata (Benth.) Benth. et Hook. f.
Coussarea nodosa (Benth.) Müll. Arg.
Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schum.
Emmeorhiza umbellata (Spreng.) K. Schum.
Faramea calyciflora A. Rich. ex DC.
Faramea coerulea (Nees & Mart.) DC.
Faramea macrocalyx Müll. Arg.
Faramea stipulacea (Cham. & Schltdl.) DC.
Genipa americana L.
Hamelia patens Jacq.
Ixora gardneriana Benth.
Manettia mitis var. fimbriata (Cham. & Schltdl.) K. Schum.
Mitracarpus lhotzkyanus Cham.
Posoqueria acutifolia Mart.
Psychotria brachyceras Müll. Arg.
Psychotria carthagenensis Jacq.
Psychotria cephalantha (Müll. Arg.)Standl.
Psychotria chaenotricha DC.
Psychotria deflexa DC.
Psychotria leiocarpa Cham. et Schltdl.
Psychotria nitidula Cham. & Schltdl.
Psychotria racemosa Rich.
Psychotria rauwolfioides Standl.
Psycotria stenocalyx Müll. Arg.
Psychotria subspathacea Müll. Arg.
Psychotria subtriflora Müll. Arg.
Psychotria suterella Müll. Arg.
Psychotria tenuinervis Müll. Arg.
Psychotria umbellurigera (Müll. Arg.) Standl.
Psychotria sp.
Randia armata (Sw.) DC.
Rudgea coriacea (Spreng.) K. Schum.
Rudgea coronata (Vell.) Müll. Arg.
Rudgea discolor Benth.
Rudgea eugenioides Standl.
Rudgea francavillana Müll. Arg.
Rudgea interrupta Benth.
Rudgea minor ssp. minor Benth.
Rudgea recurva Müll. Arg.
Rudgea umbrosa Müll.Arg.
Rudgea sp.
Simira sampaiona (Standl.) Steyerm.
Árvore
Arbusto
Trepadeir
Árvore
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Erva
Arbusto
Erva
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Erva
Árvore
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
128
RUTACEAE (11/16)
SAPINDACEAE (9/33)
SAPOTACEAE (5/10)
Simira viridiflora (Allemão & Saldanha) Steyerm.
Tocoyena bullata (Vell.) Mart.
Tocoyena sellowiana (Cham. & Schltdl.) K. Schum.
Almeida rubra A. St. Hil.
Balfourodendron riedelianum (Engl.) Engl.
Conchocarpus fontanesianus (A. St. Hil.) Kallini & Pirani
Conchocarpus gaudichaudianus (A. St. Hil.) Kallunchi & Pirani
Conchocarpus macrophyllus J.C. Mikan
Conchocarpus ovatus (A. St. Hil. & Tul.) Kallunki & Pirani
Erythrochiton brasiliensis Nees & Mart.
Esenbeckia febrifuga (A. St. Hil.) Juss.
Esenbeckia grandiflora Mart. subsp. grandiflora
Fagara nigra (Mart.) Engl.
Galipea jasminiflora (A. St. Hil.) Engl.
Neoraputia alba (Nees & Mart.) Emmerich
Pilocarpus spicatus A. St. Hil.
Rauia resinosa Nees & Mart.
Zanthoxylum rhoifolium Lam.
Zanthoxylum tingoassuiba A. St. Hil.
Allophylus edulis (A. St. Hil.) Radlk.
Allophylus heterophylus Radlk.
Allophylus puberulus (Cambess.) Radlk.
Allophylus semidentatus (Miq.) Radlk.
Allophylus sericeus (Cambess.) Radlk.
Cupania emarginata Cambess.
Cupania oblongifolia Mart.
Cupania platycarpa Radlk.
Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
Matayba guianensis Aubl.
Paullinia coriacea Casar.
Paullinia fusiformis Radlk.
Paullinia meliifolia A. Juss.
Paullinia micrantha Cambess.
Paullinia racemosa Wawra
Paullinia trigonia Vell.
Serjania caracasana (Jacq.) Willd.
Serjania clematidifolia Cambess.
Serjania communis Cambess.
Serjania corrugata Radlk.
Serjania cuspidata Cambess.
Serjania dentata Radlk.
Serjania elegans Cambess.
Serjania orbicularis Radlk.
Serjania tenuis Radlk.
Talisia coriacea Radlk.
Thinouia mucronata Radlk.
Thinouia scandens (Cambess.) Triana & Planchon
Tripterodendron filicifolium Radlk.
Urvillea glabra Cambess.
Urvillea laevis Radlk.
Urvillea stipitata Radlk.
Urvillea triphylla (Vell.) Radlk.
Chrysophyllum flexuosum Mart.
Chrysophyllum lucentifolium Cronquist
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
Árvore
129
SIMAROUBACEAE (2/2)
SMILACACEAE (1/2)
SOLANACEAE (10/23)
STERCULIACEAE (3/3)
THEOPHRASTACEAE (1/1)
TILIACEAE (1/1)
TRIGONIACEAE (1/3)
TURNERACEAE (1/2)
ULMACEAE (2/5)
URTICACEAE (1/1)
VELLOZIACEAE (2/2)
VERBENACEAE (2/5)
Ecclinusa ramiflora Mart.
Pouteria caimito (Ruiz & Pavon) Radlk.
Pouteria filipes Eyma
Pouteria guianensis Aubl.
Pouteria parviflora (Benth. ex Miq.) Radlk.
Pouteria psammophila (Mart.) Radlk.
Pradosia lactescens (Vell.) Radlk.
Sideroxylon obtusifolium (Humb. ex Roem. & Schult.) T.D. Penn.
Picramnia grandifolia Engler
Simaba floribunda A. St. Hil.
Smilax brasiliensis Spreng. var. grisebachii A. DC.
Smilax quinquenervia Vell.
Acnistus arborescens (L.) Schltdl.
Athenaea anonacea Sendtn.
Aureliana fasciculata (Vell.) Sendtn.
Brugmansia suaveolens (Humb. & Bonpl. ex Willd.) Bercht. & J. Presl
Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don
Capsicum flexuosum Sendtn.
Cestrum laevigatum Schltdl.
Dyssochroma viridiflora Miers
Metternichia princeps Mikan var. princeps
Solanum alternatopinnatum Steud.
Solanum arenarium Sendtner
Solanum argenteum Dun.
Solanum asperum Rich.
Solanum caavurana Vell.
Solanum campaniforme Roem. & Schult.
Solanum curvispinum Dun.
Solanum gnaphalocarpon Vell.
Solanum megalochiton Mart.
Solanum melissarum Bohs
Solanum piluliferum Dun.
Solanum polytrichum Sendtn.
Solanum sublentum Hiern.
Solanum torvum Sw.
Guazuma crinita Mart.
Helicteris ovata Lam.
Sterculia chicha A. St. Hil. ex Turpin
Clavija spinosa (Vell.) Mez
Luehea paniculata Mart.
Trigonia eriosperma (Lam.) Fromm & Santos
Trigonia nivea Cambess.
Trigonia villosa Vell.
Turnera lucida Urban
Turnera serrata Vell. var. latifolia
Celtis chichape (Wedd.) Miq.
Celtis ehrenbergiana (Klotzsch) Liebm.
Celtis iguanaea (Jacq.) Sarg.
Celtis pubescens (Kunth) Spreng.
Trema micrantha (L.) Blume
Boehmeria caudata Sw.
Barbacenia purpurea Hook.
Vellozia candida J.C. Mikan
Aegiphila chrysantha Haykek
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Hemiepíf
Árvore
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Arbusto
Árvore
Arbusto
Árvore
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Erva
Erva
Arbusto
130
VIOLACEAE (3/4)
VITACEAE (1/5)
VOCHYSIACEAE (1/1)
Aegiphila mediterranea Vell.
Aegiphila vitelliniflora Klotzsch ex Walp.
Vitex polygama Cham.
Vitex rufescens A. Juss.
Amphirrhox longifolia (A. St. Hil.) Spreng.
Anchietea pyrifolia var. hilariana (Eichl.) Marquete et Dan.
Rinorea guianensis Aubl.
Rinorea laevigata (Solander ex Gingins) Hekking
Cissus paullinifolia Vell.
Cissus serroniana (Glaziou) Lombardi
Cissus simsiana Schult. & Schult. f.
Cissus sulcicaulis (Bak.) Planch.
Cissus verticillata (L.) Nicolson & C.E. Javis
Callisthene dryadum A.P. Duarte
Árvore
Arbusto
Árvore
Arbusto
Arbusto
Trepadeir
Arbusto
Arbusto
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Árvore
ANEXO II
Listagem de espécies ruderais encontradas no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
FAMÍLIAS
ACANTHACEAE (1/1)
AMARANTHACEAE (2/2)
ARACEAE (1/1)
ASTERACEAE (17/20)
BRASSICACEAE (2/2)
COMMELINACEAE (2/3)
CONVOLVULACEAE (2/4)
ESPÉCIES
Thunbergia alata Borjer
Achyranthes aspera L.
Alternanthera brasiliana var. villosa (Moq.) Kuntze
Dieffenbachia aff picta Schott
Acanthospermum hispidum DC.
Achyrocline alata (Kunth) DC.
Achyrocline satureioides (Lam.) DC.
Baccharis dracunculifolia DC.
Baccharis trinervis Pers.
Bidens pilosa L.
Blainvillea dichotoma (Murray) Stewart
Centratherum punctatum Cass.
Chaptalia nutans (L.) Pol.
Conysa canadensis (L.) Cronquist
Elephantopus mollis Kunth.
Elvira biflora (L.) DC.
Emilia coccinea (Sims) G. Don
Galinsoga parviflora Cav.
Mikania nigricans Gardn.
Pterocaulon virgatum (L.) DC.
Tithonia diversifolia (Hemsl.) A. Gray
Vernonia mariana Mart. ex Baker
Vernonia scorpioides (Lam.) Pers.
Wulffia stenoglossa (Cass.) DC.
Brassica campestris subsp. rapa (L.) Hook. f.
Crucifera virginica (L.) E.H.L. Krause
Commelina benghalensis L.
Commelina erecta L.
Tripogandra elongata (G. Mey) Woodson
Ipomoea aristolochiifolia G. Don
Ipomoea ramosissima (Poir.) Choisy
Merremia dissecta (Jacq.) Hallier f.
Merremia macrocalyx (Ruiz et Pavon) O’Donnell
HÁBIT
Trepadeir
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Erva
Arbusto
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
Trepadeir
131
CUCURBITACEAE (1/1)
CYPERACEAE (3/7)
EUPHORBIACEAE (7/13)
HYPOXIDACEAE (1/1)
LAMIACEAE (4/4)
LEGUMINOSAE (6/10)
LOASACEAE (1/1)
LYTHRACEAE (1/2)
MALVACEAE (5/8)
MOLLUGINACEAE (1/1)
NYCTAGINACEAE (1/1)
ONAGRACEAE (1/1)
OXALIDACEAE (1/3)
PHYTOLACCACEAE (3/3)
Momordica charantia L.
Bulbostylis capillaris (L.) C.B. Clarke
Cyperus distans L.f.
Cyperus entrerianus Boeck.
Cyperus haspan L.
Cyperus iria L.
Cyperus ligularis L.
Eleocharis nodulosa (Roth) Schult.
Acalypha communis Müll. Arg.
Acalypha poiretii Spreng.
Chamaesyce hirta (L.) Millsp.
Chamaesyce hyssopifolia (L.) Small
Chamaesyce prostrada (Ailton) Small
Cnidosculos urens (L.) Arthur
Croton glandulosus L.
Euphorbia graminea Jacq.
Euphorbia heterophylla L.
Phyllanthus niruri var. amarus (Schum. & Thonn.) Leandri
Phyllanthus subemarginatus Müll. Arg.
Phyllanthus tenellus Roxb.
Ricinus communis L.
Hypoxis decumbens L.
Leucas martinicensis (Jacq.) R.Br.
Marsipianthes chamaedrys (Vahl) Kuntze
Ocimum gratissimum L.
Salvia splendens Sellow ex Wied-Neuw.
Abrus precatorius L.
Chamaecrista nictitans var. pilosa (Vogel) H.S. Irwin & R.C. Barneby
Crotalaria pallida Ait
Desmodium adscendens (Sw.) DC.
Desmodium affine Schltdl.
Desmodium incanum (Sw.) DC.
Desmodium uncinatum (Jacq.) DC.
Mimosa pudica L.
Stylosanthes scabra Vogel
Stylosanthes viscosa (L.) Sw.
Loasa parviflora (DC.) Weigend
Cuphea carthagenensis (Jacq.) J.F. Macbr.
Cuphea flava Spreng.
Malvastrum coromandelianum (L.) Garcke
Sida cordifolia L.
Sida planicaulis Cav.
Sida linifolia Cav.
Sida rhombifolia L.
Sidastrum micranthum (L.) Fryxell
Urera lobata L.
Wissadula amplissima (L.) R.E. Fries
Mollugo verticillata L.
Mirabilis jalapa L.
Ludwigia octovalvis (Jacq.) P.H. Raven
Oxalis barrelieri L.
Oxalis corymbosa DC.
Oxalis fruticosa R. Knuth
Microtea scabrida Urban
Trepadeir
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeir
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
132
PLANTAGINACEAE (2/2)
PLUMBAGINACEAE (1/2)
POACEAE (6/7)
PONTEDERIACEAE (1/1)
PORTULACACEAE (2/5)
ROSACEAE (1/1)
RUBIACEAE (1/1)
SAPINDACEAE (1/2)
SOLANACEAE (2/2)
STERCULIACEAE (1/1)
URTICACEAE (3/5)
VERBENACEAE (2/4)
Petiveria alliacea L.
Rivina humilis L.
Plantago tomentosa Lam.
Veronica persica Poir.
Plumbago auriculata Lam.
Plumbago scandens L.
Andropogon bicornis L.
Andropogon leucostachyus Kunth
Melinis minutiflora P. Beauv.
Panicum maximum Jacq.
Paspalum millegrana Schrad.
Pennisetum setosum (Sw.) Rich.
Rhychelytrum repens (Willd.) C. E. Hubb.
Eichhornia crassipes (Mart.) Solms
Portulaca hirsutissima Camb.
Portulaca mucronata Link.
Portulaca oleracea L.
Talinum paniculatum (Jacq.) Gaertn.
Talinum racemosum (L.) Rohrb.
Rubus urticifolius Poiret
Richardia grandiflora (Cham. et Schlecht.) Steudel
Cardiospermum corindum L.
Cardiospermum grandiflorum Sw.
Lycianthes repens (Spreng.) Bitter
Solanum americanum Mill.
Waltheria indica Linn.
Pilea nummulariifolia (Sw.) Weed.
Urera baccifera (L.) Gaudich. ex Griseb.
Urera caravasana (Jacq.) Gaudch. ex Griseb.
Urera mitis Miq.
Urtica dioica L.
Lantana camara L.
Lantana fucata Lindl.
Lantana viscosa Pohl ex Schauer
Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl
Erva
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Arbusto
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Erva
Trepadeir
Trepadeir
Erva
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Trepadeir
Arbusto
Erva
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Erva
133
Artigo III
TREPADEIRAS DO PARQUE ESTADUAL DA
SERRA DA TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ,
RIO DE JANEIRO, BRASIL
Ana Angélica M. de Barros, Leonor de Andrade Ribas & Dorothy Sue Dunn Araujo
134
Artigo a ser submetido à Rodriguésia
Trepadeiras do Parque Estadual da Serra da Tiririca,
Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO – (Trepadeiras do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil).
Trepadeiras são plantas vasculares que utilizam plantas ou outros substratos como suporte, porém fixas ao
solo por seu sistema radicular durante todo seu ciclo de vida. Têm alta representatividade em várias
formações vegetais, correspondendo a cerca de 25% da diversidade taxonômica das florestas tropicais. São
mal representadas nos levantamentos florísticos devido a dificuldades metodológicas de coleta. Estudos na
floresta ombrófila densa são raros e o presente trabalho vem contribuir para o aumento do conhecimento da
flora de trepadeiras dessa formação vegetal. Foram feitas coletadas no Parque Estadual da Serra da Tiririca,
localizado entre os Municípios de Niterói e Maricá, RJ. O levantamento florístico relacionou 39 famílias, 106
gêneros, 211 espécies. A maior riqueza foi das famílias Leguminosae (29 spp.), Sapindaceae (23 spp.),
Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) e Convolvulaceae (12 spp.). Essas famílias perfazem 71,6%
do total de trepadeiras levantadas. Houve um predomínio de trepadeiras lenhosas e de formas volúveis. As
trepadeiras contam a história dos impactos ambientais de uma área. A expressiva riqueza e diversidade de
espécies mostram que a vegetação forma um mosaico de vários estádios sucessionais, de acordo com o
processo de uso e abandono da terra.
Palavras chaves: Trepadeiras, florística, Mata Atlântica, diversidade, Serra da Tiririca
ABSTRACT- (Climbers from Serra da Tiririca State Park, Brazil: Niterói and Maricá, Rio de Janeiro,
Brazil). Climbers are vascular plants that use other plants and substrates as support, but they are fixed to the
soil by a root system during their entire life cycle. They have high representativity in several vegetation
formations, corresponding to ca. 25% of tropical forest taxonomic diversity. They are very badly represented
in floristic surveys because of methodological difficulties in collecting. Studies on the dense ombrophilous
forests are rare and this work is increasing the knowledge of the climbers of this plant formation. The survey
was done in the Serra da Tiririca State Park, located between Niterói and Maricá, Rio de Janeiro. The floristic
survey listed 39 families, 106 genera and 211 species. The high richness was from the Leguminosae (29
spp.), Sapindaceae (23 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) and Convolvulaceae (12 spp.)
families. These families totaled 71.6 % of the total number of climbers. There was a relevant number of
woody and twining climbers. The climbers tell the history of environmental impacts in an area. An
expressive species richness and diversity shows that the vegetation forms a mosaic of many successional
stages, according to the use process and abandonment of the land.
Key Words: Climbers, flora, Atlantic Rainforest, diversity, Serra da Tiririca
INTRODUÇÃO
As plantas trepadeiras apresentam alta representatividade em várias formações
vegetacionais. Correspondem a cerca de 25% da diversidade taxonômica das florestas
135
tropicais, sendo um importante componente florístico, estrutural e funcional (Gentry 1991;
Engel et al. 1998). Têm grande variedade de formas e tamanhos, sendo que cerca da
metade das famílias de Magnoliophyta possuem representantes com hábito trepador
(Schenck 1892 apud Peñalosa 1984). Ocorrem abundantemente em bordas de florestas,
margens de cursos d’água, clareiras e áreas sob influência antrópica. Mas também são
encontradas no interior das matas.
O estudo de trepadeiras vem ganhando força nos últimos anos devido à necessidade
de se implementar o manejo e conservação de fragmentos florestais, uma vez que podem
ocasionar alta mortalidade das árvores que servem de suporte. Dessa forma, exercem
importante força seletiva na evolução do componente arbóreo nas florestas tropicais (Putz
1984). Enquanto as árvores investem em tecidos de sustentação, as trepadeiras investem
em crescimento rápido direcionando-se ao dossel em busca de luz (Gentry 1991). Outra
questão de destaque é que grande parte da serrapilheira das florestas tropicais provém de
trepadeiras por terem alta percentagem de biomassa foliar, sendo 10 vezes maior que nas
florestas temperadas (Gentry 1983). Isso significa um expressivo papel na ciclagem de
nutrientes dessas formações florestais. Além disso, as trepadeiras desempenham um papel
marcante na dinâmica das comunidades vegetais como fornecedora de néctar, pólen e
frutos para a fauna, sendo complementar ao padrão fenológico das árvores (Morellato &
Leitão Filho 1996).
De uma forma geral, as trepadeiras são mal representadas nos levantamentos
florísticos. Isso se deve a dificuldades metodológicas, uma vez que nem sempre é possível
observá-las em estádio fértil. Tal fato é ressaltado por Gentry (1991) que as coloca como a
forma de vida menos coletada em relação as demais plantas. O reflexo desse contexto é
observado na pouca representatividade nas coleções dos herbários. Muitas trepadeiras
atingem o dossel arbóreo em busca de luz e formam um emaranhado verde difícil de ser
individualizado. Coletá-las estéreis também gera outro problema, uma vez que a descrição
das espécies baseia-se principalmente nos ramos apicais, onde se localizam as flores e/ou
frutos. As trepadeiras podem atingir muitos metros de comprimento e, em vários grupos,
existe uma diferenciação morfológica entre as partes apicais, medianas e basais. Isso
dificulta a identificação precisa das espécies, visto que as partes vegetativas são
negligenciadas nessa descrição.
136
No Brasil, a partir da década de 1990 os estudos florísticos e fitossociológicos têm
dado um enfoque maior às plantas trepadeiras, com trabalhos na Amazônia (Prance 1994),
cerrado (Weiser 2001) e florestas estacionais semideciduais (Bernacci & Leitão-Filho
1996, Stranghetti & Ranga 1998, Morellato & Leitão-Filho 1998 e Rezende & Ranga
2005). No estado do Rio de Janeiro destaca-se o trabalho pioneiro de Lima et al. (1997) na
floresta ombrófila densa montana e altomontana da Reserva Biológica de Macaé de Cima e
a chave para identificação de famílias de Vaz & Vieira (1994). O método utilizado por
Gentry, em várias florestas ao redor do mundo, para avaliação rápida da diversidade
florística em 0,1 ha inclui as trepadeiras Essa metodologia está não só aumentando o
conhecimento do seu papel na estrutura florestal, mas também em relação à diversidade
florística da Mata Atlântica (Peixoto & Gentry 1990; Sá 2006).
Aspectos ecológicos das trepadeiras foram abordados em Araújo & Martins (1999),
Lombardi et al. (1999), Hora & Soares (2002) e Sá (2006). Também os trabalhos de
anatomia de lianas como os de Carlquist (1991), Araújo & Costa (2006, 2007) e Brandes
(2007) vêm ajudando na elucidação do problema de identificação das trepadeiras. Mas
ainda existem lacunas a serem preenchidas como, por exemplo, a elaboração de um
catálogo anatômico comparativo e que seja representativo da flora brasileira e
principalmente do estado do Rio de Janeiro.
A proposta deste estudo é caracterizar a composição florística das trepadeiras em
formações remanescentes da floresta ombrófila densa submontana litorânea do Parque
Estadual da Serra da Tiririca no estado do Rio de Janeiro.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de Estudo
O Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) está localizado entre os municípios
de Niterói e Maricá, estado do Rio de Janeiro (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W). Foi
criado pela Lei Estadual nº 1901/91 de 29 de novembro de 1991, tendo seus “limites em
estudo” estabelecidos pelo Decreto nº 18.598 de 19 de maio de 1993 para uma área de
2.400 ha (Pontes 1987). A Lei Estadual nº 5079 de 03 de setembro de 2007 estipulou os
limites definitivos com duas partes continentais (Serra da Tiririca e Morro das
Andorinhas) e uma marinha (Enseada do Bananal) numa área de 2.077 ha. Em 1992 foi
137
considerado pela UNESCO como parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata
Atlântica. O PEST é formado por um conjunto de montanhas com altitude média
aproximada em torno de 250 m: Pedra do Elefante (412 m), Morro do Telégrafo (387 m),
Alto Mourão (369 m), Morro do Catumbi (344 m), Morro da Serrinha (277 m), Morro do
Cordovil (256 m), Costão de Itacoatiara (217 m), Morro da Penha (128 m) (Barros &
Seoane 1999) e Morro das Andorinhas (196 m), incluído no Parque em 2007. Apresenta
rochas do período Pré-Cambriano com cerca de 600 milhões de anos, compreendendo as
unidades geológicas gnaisse facoidal e Cassorotiba (Penha 1999). Os solos são do tipo
alissolo crômico, luvissolo hipocrômico, neossolo litólico e formações turfosas
(Multiservice 1995), adaptado de acordo com a classificação de solos proposta por
Zimback (2003). Na classificação de Köppen o clima é do tipo Aw, ou seja, quente e
úmido, com estação chuvosa no verão e seca no inverno (maio e junho). A estação
chuvosa inicia-se na primavera, culminando no verão nos meses de dezembro e janeiro,
quando ocorre intensa precipitação pluviométrica, correspondendo a 60% do total anual,
porém não excede 171 mm/mês. Em fevereiro há uma queda no volume das chuvas.
Contudo em março, devido à chegada de massas frias, registram-se chuvas intensas. A
menor precipitação se dá nos meses de julho e agosto, quando fica abaixo de 60 mm. A
temperatura média está em torno de 22oC, sendo janeiro e fevereiro os meses mais
quentes e o mais frio em junho. O vento predominante é o nordeste (Bernardes 1952). A
Serra da Tiririca está inserida no bioma Mata Atlântica, sendo a vegetação classificada por
Veloso et al. (1991), como floresta ombrófila densa, com extensas áreas cobertas pela
formação submontana em vários estádios sucessionais. Nos afloramentos rochosos de
gnaisse facoidal observa-se uma vegetação típica de ambientes sujeitos a escassez de água
(Barros & Seoane 1999). Grande parte da vegetação corresponde a formações secundárias,
mas é possível encontrar fragmentos de vegetação em estádios sucessionais mais
avançados. A região foi ocupada por antigas fazendas do século XVIII e passou por vários
ciclos econômicos que alteraram a vegetação original. Atualmente vem sofrendo o
impacto de ocupação pela especulação imobiliária.
Amostragem florística
Foram realizadas coletas aleatórias de plantas férteis no período de março/1997 a
agosto/2007. O material coletado foi herborizado e seco em estufa 60ºC, sendo
posteriormente incorporado aos Herbários da Faculdade de Formação de Professores da
UERJ (RFFP) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). As espécies foram
138
identificadas através de bibliografia especializada, comparações nos herbários fluminenses
(RB, GUA, RUSU e HB) e consultas aos especialistas. A listagem foi organizada segundo
o sistema de Cronquist (1988), exceto Leguminosae que foi tratada como uma única
família como proposto por Polhill et al. (1981). A correção ortográfica das espécies foi
feita acessando bancos de dados disponíveis na internet do Royal Botanic Garden at Kew,
Missouri Botanical Garden e New York Botanical Garden. Para correção da nomenclatura
dos autores adotou-se Brummit & Powell (1992).
Nesse estudo foram consideradas trepadeiras as plantas vasculares que utilizam
plantas ou outro substrato como suporte, porém fixas ao solo pelo sistema radicular durante
todo seu ciclo de vida (Müller-Dombois & Ellenberg 1974, Gentry 1985, 1991). As
trepadeiras foram classificadas de acordo com Schenck (1892) revisto por Schnell (1970)
com base nos diferentes mecanismos de fixação e ascensão como: passivas ou escandentes
(ESC) aquelas que apenas se apóiam sobre um suporte sem qualquer mecanismo sensível
de aderência; volúvel (VOL) aquelas que se enroscam de maneira espiralada em torno de
um suporte; com órgãos prensores (PRE) aquelas que possuem sensibilidade localizada na
aderência ao suporte e radicantes (RAD) aquelas que se apóiam ao suporte por meio de
raízes adventícias. Também foram classificadas com base na estrutura caulinar, sendo
divididas em: trepadeiras herbáceas (HERB) quando apresentam caules delgados não
lenhosos e trepadeiras lenhosas (LENH) quando apresentam caules lenhosos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O inventário catalogou 39 famílias, 106 gêneros, 211 espécies com hábito trepador,
incluindo 12 espécies de plantas ruderais (5,7%) (Tabela 1 e anexo). Esses dados
correspondem a 20,5% do total de espécies levantadas para o PEST, estando em segundo
lugar na representatividade das formas de vida, logo depois do componente arbóreo. Vaz
(1992) estimou a representatividade de gêneros e famílias de plantas da floresta ombrófila
densa na flora do Rio de Janeiro, baseado na coleção do Herbário do Jardim Botânico do
Rio de Janeiro (RB). As trepadeiras correspondem a 53 famílias e 169 gêneros (22,4% do
total), estando em segundo lugar em riqueza de gêneros perdendo apenas para as famílias
arbóreas/arbustivas. Comparando os dados desse estudo com trabalho de Vaz (1992)
verifica-se que 73,6% das famílias e 61,5% dos gêneros de trepadeiras da floresta
ombrófila densa do estado do Rio de Janeiro e registrados no herbário RB estão
representados no PEST.
139
A maior riqueza de espécies foi das famílias: Leguminosae (29 spp.), Sapindaceae
(23 spp.), Bignoniaceae (22 spp.), Malpighiaceae (18 spp.) e Convolvulaceae (12 spp.)
(Figura 1). Essas famílias perfazem 48,8% do total de trepadeiras levantadas, indicando
que apenas 5 famílias são responsáveis por quase metade da riqueza de espécies no PEST.
Segundo Gentry (1991) embora muitas famílias de plantas fanerógamas do Neotrópico
apresentem espécies de trepadeiras a grande diversidade se concentra em poucas famílias.
Tabela 1: Número de gêneros e espécies/infra-espécies de trepadeiras por famílias botânicas da Serra da
Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
GÊNEROS
ESPÉCIES
ACANTHACEAE
FAMÍLIAS
2
2
ALSTROEMERIACEAE
1
1
AMARANTHACEAE
2
3
APOCYNACEAE
5
9
ARECACEAE
1
1
ARISTOLOCHIACEAE
1
4
ASCLEPIADACEAE
5
6
ASTERACEAE
2
3
BIGNONIACEAE
12
22
LOGANIACEAE
1
1
BORAGINACEAE
1
1
MALPIGHIACEAE
7
18
CACTACEAE
1
1
MARCGRAVIACEAE
1
1
CAPPARACEAE
1
1
MENISPERMACEAE
6
6
CONNARACEAE
1
1
NYCTAGINACEAE
3
3
CONVOLVULACEAE
4
12
ORCHIDACEAE
1
1
CUCURBITACEAE
5
11
PASSIFLORACEAE
1
9
DILLENIACEAE
1
1
POACEAE
1
1
DIOSCOREACEAE
1
10
POLYGALACEAE
1
2
EUPHORBIACEAE
3
8
RHAMNACEAE
1
1
HERRERIACEAE
1
1
RUBIACEAE
3
3
HIPPOCRATEACEAE
2
2
SAPINDACEAE
5
23
LEGUMINOSAE
17
29
SMILACACEAE
1
2
SOLANACEAE
1
1
URTICACEAE
1
3
TRIGONIACEAE
1
1
VIOLACEAE
1
Gêneros
1
VITACEAE
1
Espécies
5
EUPHORBIACEAE
PASSIFLORACEAE
APOCYNACEAE
DIOSCOREACEAE
CUCURBITACEAE
CONVOLVULACEAE
MALPIGHIACEAE
BIGNONIACEAE
SAPINDACEAE
LEGUMINOSAE
FAMÍLIAS
TOTAL
GÊNEROS
106
ESPÉCIES
211
140
Figura 1: Riqueza de gêneros e espécies das famílias mais representativas de trepadeiras
do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Em outros levantamentos florísticos essas famílias também são representativas em
relação ao hábito trepador mudando apenas a ordem de importância, como nos estudos de
Lima et al. (1997), Morellato & Leitão Filho (1998), Lombardi et al. (1999), Weiser 2001,
Hora & Soares (2002) e Rezende & Ranga (2005). No trabalho de Lima et al. (1997) na
floresta ombrófila densa montana e altomontana de Macaé de Cima (RJ) destacaram-se
Asteraceae, Leguminosae, Sapindaceae, Malpighiaceae e Passifloraceae. No PEST a
principal família foi Leguminosae, sendo que Asteraceae não teve expressividade.
Leguminosae apresenta-se em segundo lugar com relação ao número de gêneros dentre as
espécies trepadeiras fluminenses (Vaz 1992).
Nas florestas estacionais de São Paulo Bignoniaceae é a família de maior expressão
(Udulutsch et al. 2004), sendo também considerada por Gentry (1991) a família com maior
riqueza de espécies nas florestas neotropicais de baixas altitudes. Esse autor também
ressaltou a importância das famílias Convolvulaceae, Leguminosae, Asteraceae,
Malpighiaceae, Sapindaceae, Passifloraceae, Cucurbitaceae e Apocynaceae como as mais
ricas em espécies nas Américas. Bignoniaceae, Sapindaceae e Malpighiaceae são muito
expressivas em regiões de baixa altitude, dessa forma prevalecendo nos levantamentos
florísticos em florestas tropicais. No PEST Bignoniaceae apresentou o terceiro lugar
quanto à riqueza de espécies, porém em Macaé de Cima não figura nem entre as dez
famílias mais importantes. Dioscoreaceae normalmente não é citada como uma das
famílias mais relevantes, possivelmente devido às dificuldades de identificação pela grande
plasticidade que apresenta. Contudo no PEST representa a sétima família de maior riqueza
em espécies.
Vaz (1992) também mostrou que poucas famílias possuem riqueza de gêneros
como Bignoniaceae, Leguminosae, Asteraceae (mais de 10 gêneros com espécies de
trepadeiras). A maioria das famílias tem poucos gêneros. No PEST as famílias com maior
riqueza de gêneros são Leguminosae e Bignoniaceae (Tabela 1), da mesma forma que em
Macaé de Cima. Essas famílias também são as mais representativas em relação às
trepadeiras do estado do Rio de Janeiro (Vaz 1992). Os gêneros com maior riqueza de
espécies são: Dioscorea (10 spp.), Passiflora (10 spp.), Serjania (9 spp.), Heteropterys (7
141
spp.), Dalechampia, Paullinia, Stigmaphyllon, Senegalia e Ipomoea com 6 spp. Esses
gêneros representam 31,4% das espécies amostradas no PEST. Excetuando Heteropterys e
Stigmaphyllon (Malpighiaceae) que tem 7 gêneros de trepadeiras na flora fluminense e
Senegalia (Leguminosae) com 22 (Vaz 1992), os demais pertencem a famílias com até 4
gêneros.
Houve um predomínio de trepadeiras lenhosas (56,9%) em relação às herbáceas
(43,1%). O mesmo fato foi constatado para as florestas estacionais semideciduais de São
Paulo (Bernacci & Leitão-Filho 1996, Morellato & Leitão-Filho 1998 e Udulutsch 2004).
Esses dados se contrapõem as estimativas de Gentry (1991) nas quais as trepadeiras
lenhosas e herbáceas se equivalem quanto à representatividade nas florestas tropicais de
baixas altitudes. Essa relação foi observada em florestas equatorianas do Rio Palenque
(Gentry & Dodson 1987), Barro Colorado (Croat 1978) e Costa Rica (Jansen & Liesner
1980).
As trepadeiras lenhosas são mais freqüentes sobre as copas das árvores (Morellato
& Leitão-Filho 1998) e contribuem significativamente para a dinâmica do dossel durante
os primeiros estádios sucessionais (Hegarty 1990). Contudo podem ser encontradas tanto
em estádios sucessionais iniciais quanto tardios. São muito robustas e atingem vários
metros chegando às copas das árvores em busca de luz e para isso utilizam diferentes
estratégias de apoio. Segundo Gentry & Dodson (1987), as famílias mais representativas
desse tipo de trepadeira são Leguminosae, Malpighiaceae, Sapindaceae e Bignoniaceae. O
mesmo ocorre no PEST, sendo Machaerium aculeatum, Bauhinia microstachya,
Heteropterys leschenaultiana, Paullinia fusiformis, Adenocalymma trifoliatum, Mansoa
lanceolatae e Tynanthus micranthus representantes dessas famílias. Muito comum nas
áreas em regeneração é a presença de Arrabidaea selloi, que na época de floração destacase nas trilhas e bordas de mata pelas suas flores róseas perfumadas. É interessante ressaltar
que algumas trepadeiras lenhosas podem também se apresentar com hábito arbustivo como
Strychnos acuta e Leretia cordata. S. acuta inclusive desenvolve ganchos como órgão
prensor.
As trepadeiras herbáceas normalmente estão associadas às áreas abertas degradadas
como bordas de florestas e clareiras, sendo expressivas nas fases iniciais de sucessão.
Contudo, nem sempre isso é evidente, uma vez nessas áreas ocorrem indivíduos jovens de
trepadeiras lenhosas (Lima et al. 1997). As famílias mais representativas são Leguminosae,
142
Passifloraceae, Cucurbitaceae e Convolvulaceae. No PEST trepadeiras dessas famílias são
muito comuns, destacando-se Vigna adenantha, Passiflora racemosa, Wilbrandia
glaziovii, Wilbrandia verticillata e Jacquemontia martii.
Em afloramentos rochosos expostos próximos ao mar, como no Costão de
Itacotiara, Alto Mourão e Morro das Andorinhas, ocorrem trepadeiras como Anemopaegma
chamberlaynii, Arrabidaea rego, Lundia cordata, Pereskia aculeata, Heteropterys
chrysophylla, Vanilla bahiana, Passiflora farneyi, Schwartzia brasiliensis, Mimoza
velloziana, Cissus verticillata, Cissus paulliniifolia entre outras. Essas espécies também
podem ser encontradas no interior da mata em florestas ombrófilas densas e nas restingas.
É muito comum a presença de trepadeiras em afloramentos rochosos do interior da mata
como Glaziovia bauhinioides, Parabignonia unguiculata que aderem às rochas, podendo
também usar árvores como substrato.
As trepadeiras utilizam várias estratégias para ascender sobre o substrato. Muitas
vezes a mesma espécie pode apresentar mais de uma forma de fixação. Sendo assim,
predominaram as trepadeiras volúveis e volúveis com órgãos prensores, correspondendo
juntas a 91,9% das espécies levantadas. Os órgãos prensores mais presentes foram
gavinhas, espinhos e ganchos. As demais formas representaram 6,6% de escandentes e 0,5
com órgãos prensores (Glaziovia bauhinioides), 0,5% de radicantes (Vanila bahiana) e
0,5% de volúvel escandente com órgãos prensores e radicante (Parabignonia unguiculata).
Lima et al. (1997) analisando trechos de florestas preservadas em Macaé de Cima (RJ),
observou a grande incidência de trepadeiras com órgãos prensores, sendo esta a forma mais
eficiente das plantas alcançarem o dossel. Gentry (1985, 1991) destaca a ocorrência de
trepadeiras em estados sucessionais mais tardios com maior tendência de especialização da
forma de fixação. Na Serra da Tiririca o predomínio de formas volúveis podem indicar um
estado inicial de regeneração da vegetação, contudo deve-se encarar essa região como um
mosaico de estados sucessionais. As formas volúveis e com órgãos prensores
correspondem a 42,3% das espécies e as apenas volúveis 50%. Dessa forma, a região em
estudo pode se encontrar em um estágio intermediário de regeneração,
Em relação à conservação, seis espécies estão listadas em categorias de ameaça de
extinção, segundo a Lista Brasileira de Espécies da Flora Ameaçada de Extinção revisada
em 2005 em workshop realizado pela Fundação Biodiversitas (Biodiversitas 2005):
Banisteriopsis sellowiana (vulnerável), Heterpterys terntroemiifolia (criticamente em
143
perigo), Stigmaphyllon vitifolium (vulnerável), Odontocarya vitis (vulnerável), Passiflora
farneyi (quase ameaçada) e Ungilipetalum filipendum (em perigo). Wilbrandia glaziovii é
considerada endêmica do estado do Rio de Janeiro, sendo enquadrada como vulnerável
dentre as categorias de espécies ameaçadas de extinção por Klein (1996).
Avaliando outras áreas inventariadas floristicamente no Brasil, destacam-se os
dados levantados nesse estudo que mostram uma grande riqueza de espécies para as
formações litorâneas do estado Rio de Janeiro (Tabela 2). Embora seja necessário avaliar o
grau de perturbação de cada área, os dados mostram que a floresta ombrófila densa,
representada por Macaé de Cima e Serra da Tiririca, apresentou maior riqueza de espécies
do que as demais formações vegetais avaliadas. A similaridade entre essas áreas e a Serra
da Tiririca mostra pouco relacionamento florístico, principalmente em relação a Reserva
Ducke na Amazônia.
Tabela 2: Riqueza de espécies de trepadeiras na Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado e similaridade
florística entre as áreas avaliadas.
Áreas de Estudo
Nº de
taxons
Similaridade
Sorensen
Formação Florestal
Referência
(%)
Reserva Ducke, AM
71
2,8
Amazônica
Prance (1994)
Santa Genebra, SP
136
19,5
Floresta estacional
semidecidual
Morellato & LeitãoFilho (1998)
Rio Claro, Araras,
SP
148
17,3
Floresta estacional
semidecidual
Udulutsch et al.
(2004)
Estação Ecológica do
Noroeste Paulista,
SP
105
12,1
Floresta estacional
semidecidual
Rezende & Ranga
(2005)
Parque Estadual de
Vassununga, Gleba
Maravilha, SP
120
15,0
Floresta estacional
semidecidual
Tibiriçá et al. (2006)
Macaé de Cima,
Nova Friburgo, RJ
144
16,0
Floresta ombrófila
densa montana e
submontana
Lima et al. (1997)
Serra da Tiririca,
Niterói e Maricá, RJ
211
-
Floresta ombrófila
densa submontana
Esse estudo
144
Segundo Hora & Soares (2002), a grande quantidade de espécies num fragmento
florestal pode ser atribuída, em parte, à heterogeneidade de habitats, ao grau de perturbação
desses fragmentos e as perturbações por causas naturais e antrópicas. Sendo assim, áreas
com maior incidência de luz, como clareiras e bordas, favorecem o desenvolvimento de
trepadeiras (Morellato & Leitão-Filho 1998), principalmentes as herbáceas. Segundo Engel
et al. (1998) a presença de trepadeiras nas clareiras indica a perda de sustentabilidade desse
tipo de ambiente. Normalmente a grande abundância de trepadeiras está associada a
ambientes degradados em regeneração, formando verdadeiros emaranhados de difícil
penetração e caracterizando a fisionomia dessas áreas. Sendo assim, a maior riqueza de
espécies na Serra da Tiririca indica que a região se apresenta num mosaico sucessional, em
diferentes estádios de recuperação após o dano ambiental sofrido.
Nas bordas das matas e clareiras estão presentes trepadeiras herbáceas como
Cayaponia trifoliata, Cayaponia trilobata, Dalechampia convolvuloides, Canavalia
parviflora, Trigonia eriosperma, Prestonia denticulata, Mendoncia velloziana, Anchietea
pyrifolia e trepadeiras lenhosas como Mascagnia sepium, Stigmaphyllon tomentosum,
Mucuna urens, Serjania caracasana. No interior das matas em recuperação são observadas
trepadeiras lenhosas como Adenocalymma trifoliatum, Adenocalymma bracteatum,
Mansoa lanceolata, Tynanthus micranthus, Connarus nodosus, Dioscorea dodecaneura,
Dioscorea altissima, Hippocratea volubilis, Bauhinia microstachya, Machaerium
aculeatum, Machaerium oblongifolium, Heteropterys leschenaultiana, Chondrodendron
platiphyllum entre outras. No interior da mata também ocorrem trepadeiras herbáceas
como Peltastes peltatus, Aristolochia raja, Disciphania hernandia e Passiflora racemosa.
Trepadeiras ruderais não têm muita expressividade em florestas maduras e habitam
preferencialmente as bordas das matas. No PEST são comumente encontradas nessas
condições, principalmente nas clareiras e trilhas, trepadeiras herbáceas como Thunbergia
alata, Ipomoea aristolochiifolia, I. ramosissima, I. tiliacea, Merremia dissecta, M.
macrocalyx, Momordica charantia, Cardiospemum corindum, C. grandiflorum e Abrus
precatorius. Essas espécies são consideradas infestantes de lavouras perenes e
normalmente encontradas em terrenos abandonados. Considerando todo o processo de
ocupação da Serra da Tiririca e uso da terra seria de esperar encontrar essas plantas na
região. Principalmente nas áreas de antigos sítios abandonados a cerca de 30 anos.
Algumas espécies foram introduzidas no Brasil a partir da África, como T. alata e M.
145
charantia. A. precatorius é cosmopolita de regiões tropicais e as demais espécies têm
ocorrência natural na América Tropical (Kissmann & Groth 1995, 1999).
CONCLUSÃO
As trepadeiras contam a história dos impactos ambientais de uma área. E
considerando o histórico de uso da terra na Serra da Tiririca, a expressiva riqueza e
diversidade de espécies de trepadeiras mostram um mosaico de diferentes estádios
sucessionais ao qual se encontra a vegetação. Apresenta áreas mais conservadas nas
cumeeiras dos morros e outras em regeneração nas encostas, antes ocupadas por sítios com
produção agrícola variada. Com o abandono dessas áreas, a vegetação vem se recuperando
e as trepadeiras têm um importante papel nesse contexto, uma vez que seu crescimento vai
fechando as aberturas na mata. Dessa forma, muitas espécies são encontradas
caracterizando as bordas dos fragmentos, ao longo das trilhas e nas clareiras. Nessa
situação são observadas tanto trepadeiras herbáceas quanto lenhosas, contudo com maior
incidência de espécies herbáceas. Nas áreas florestadas em regeneração ocorrem
trepadeiras lenhosas com espécies encontradas tanto nas bordas quanto no interior da mata.
Apenas nos trechos mais preservados a incidência de trepadeiras diminui e ocorrem
espécies características de estádios de sucessão mais tardios. Nessas condições também são
observadas trepadeiras mais especializadas quanto à forma de fixação, embora no geral
haja um predomínio de formas volúveis.
Os estudos realizados na Mata Atlântica vêm ressaltando a importância das
trepadeiras na estrutura e diversidade das florestas tropicais. O que pode ser constatado
tanto nas florestas ombrófilas densas quanto nas formações mais secas das florestas
semideciduais. Isso demonstra a necessidade de enfocar mais essas formas de vida nos
levantamentos florísticos.
Agradecimentos
Agradecemos aos taxonomistas Luiz José Soares Pinto, Genise Somner, Robson Dias, Haroldo C. de Lima,
Michel Barros, André Amorim, João Marcelo de A. Braga, Mário Gomes, Jorge Fontella, Elsie F. Guimarães
e Roberto L. Esteves pela identificação e/ou confirmação do material coletado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Araújo, F.S. & Martins, F.R. 1999. Fisionomia e organização da vegetação do carrasco no
Planalto de Ibiapaba, estado do Ceará. Acta Botanica Brasilica 13(1): 1–13.
146
Araújo, G.U.C. & Costa, C.G. 2006. Cambial variant in the stem of Serjania corrugata
(Sapindaceae). IAWA Journal 27(3): 269–280.
Araújo, G.U.C. & Costa, C.G. 2007. Anatomia do caule de Serjania corrugata Radlk.
(Sapindaceae). Acta Botanica Brasilica 21(2): 489–497.
Barros, A.A.M. & Seoane, C.E.S. 1999. A problemática da conservação do Parque
Estadual da Serra da Tiririca, Niterói / Maricá, RJ, Brasil. In: Vallejo, L.R. & Silva,
M.T.C. (eds) Os (Des)Caminhos do Estado do Rio de Janeiro Rumo ao Século XXI.
Anais... Niterói: Instituto de Geociências da UFF. 114–124.
Bernacci, L.C. & Leitão-Filho, H.F. 1996. Flora fanerogâmica da floresta da Fazenda São
Vicente, Campinas, SP. Revista Brasileira de Botânica 19(2): 149–164.
Bernardes, L.M.C. 1952. Tipos de clima do Estado do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de
Geografia (14): 57-80.
Biodiversitas. 2005. http://www.biodiversitas.org.br. Arquivo da internet capturado em 02
de janeiro de 2008.
Brandes, A.F.N. 2007. Antomia do lenho e dendrocronologia de lianas da família
Leguminosae ocorrentes na Mata Atlântica. Dissertação (Mestrado em Botânica). Escola
Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisas Jardum Botânico do Rio de Janeiro.
94p.
Brummit, R.K. & Powell, C.E. 1992. Authors of plants names. Royal Botanic Gardens,
Kew. 732p.
Carlquist, S. 1991. Anatomy of vine and liana stems: a review and synthesis. In: Putz, F.E.
& Mooney, H.A. (eds) The Biology of vines. Cambridge: Cambridge University Press. p.
53-72.
Croat, T. 1978. Flora de Barro Colorado Island. California, Stanford University Press.
943p.
Cronquist, A. 1988. The evolution and classification of flowering plants. 2º edição. New
York Botanical Garden, New York. 556p.
Engel, E.E. 1998. Fonseca, R.C.B. & Oliveira, R.E. Ecologia de lianas e o manejo de
fragmentos florestais. Série Técnica IPEF 12(32): 43–64.
Gentry, A.H. 1983. Lianas and the paradox of contrasting latitudinal gradients in woods
and litter production. Tropical Ecology 24(1): 63-67.
Gentry, A.H. 1985. An ecotaxonomic survey of Panamanian lianas. In: D’Arcy, W.G. &
Correa, A.M.D. (eds) The Botany of Natural History of Panama. St. Louis, Missouri
Botanical Garden: p. 29-42.
Gentry, A.H. 1991. The distribution and evolution of climbing plants. In: Putz, P.E. &
Mooney, H.A. (eds) The Biology of Vines. Cambridge: Cambrige Univ. Press: p. 3–49.
147
Gentry, A.H. & Dodson, C.H. 1987. Contribution of nontrees to species richness of
tropical rain forest. Biotropica 19(2): 148–156.
Hegarty, F.E. 1990. Leaf life-span and leafing phenology of lianes and associated trees
during a rainforest sucession. Journal of Ecology 78(2): 300–312.
Hora, R.C. & Soares, J.J. 2002. Estrutura fitossociológica da comunidade de lianas em uma
floresta estacional semidecidual na Fazenda Canchim, São Carlos, SP. Revista Brasileira
de Botânica 25(3): 323–329.
Janzen, D.H. & Liesner, R. 1980. Annotated checklist of lowland Guanacaste Provincia
Costa Rica, exclusive of grasses and nonvascular cryptogams. Brenesia 18: 15-90.
Kissmann, K.G. & Groth, D. 1995. Plantas infestantes e nocivas. Tomo III: Plantas
dicotiledôneas de Geraniaceae e Verbanaceae. 1º edição. Ed. BASF, São Bernardo do
Campo. 683p.
Kissmann, K.G. & Groth, D. 1999. Plantas infestantes e nocivas. Tomo II: Plantas
dicotiledôneas por ordem alfabética de famílias. Acanthaceae a Fabaceae. 2º edição. Ed.
BASF, São Bernardo do Campo. 978p.
Klein, V.L.G. 1996. Cucurbitaceae do Estado do Rio de Janeiro: Subtribo Melothriinae
E.G.O. Muell et F. Pax. Arquivos do Jardim Botânico Rio de Janeiro 34(2): 93–172.
Lima, H.C.; Lima, M.P.M.; Vaz, A.M.S.F. & Pessoa, S.V.A. 1997. Trepadeiras da Reserva
Ecológica de Macaé de Cima. In: Lima, H.C. & Guedes-Bruni, R.R. (eds) Serra de Macaé
de Cima: Diversidade Florística e Composição em Mata Atlântica. Rio de Janeiro: Jardim
Botânico do Rio de Janeiro: p. 75–87.
Lombardi, J.A.; Temponi, L.G. & Leite, C.A. 1999. Mortality and diameter growth of
lianas in semideciduous forest fragment in Southeasterm Brazil. Acta Botanica Brasilica
13(2): 159–165.
Missouri Botanical Garden. http://www.mobot.org/tropicos. Arquivo da internet acessado
no período de março de 2004 a Janeiro de 2008.
Morellato, L.P.C. & Leitão-Filho, H.F. 1996. Reproductive phenology of climbers in a
Southeastern Brazilian forest. Biotropica 28(2): 180–191.
Morellato, L.P.C. & Leitão-Filho, H.F. 1998. Levantamento florístico da comunidade de
trepadeiras de uma floresta semidecídua no sudeste do Brasil. Boletim do Museu Nacional
do Rio de Janeiro. Série Botânica 103: 1–15.
Müller-Dombois, D. & Ellenberg, H. 1974. Aims and methods of vegetation ecology. New
York. John Wiley.
Multiservice. 1995. Avaliação de 10 Unidades de Conservação Ambiental na região
metropolitana do Rio de Janeiro. Anexo. 28p.
148
New York Botanical Garden. http://www.nybg.org. Arquivo da internet acessado no
período de março de 2004 a Janeiro de 2008.
Peixoto, A.L. & Gentry, A. 1990. Diversidade e composição florística na mata de tabuleiro
na Reserva Florestal de Linhares (Espírito Santo, Brasil). Revista Brasileira de Botânica
13: 19-25.
Peñalosa, J. 1984. Basal branching and vegetative spread in two tropical rain forest lianas.
Biotropica 16(1): 01–09.
Penha, H.M. 1999. A synthesis of geology of the east fluminense coast, state of Rio de
Janeiro, Brazil. In: Knoppers, B.A.; Bidone, E.D. & Abrão, J.J. (eds) Environmental
Geochemistry of coastal lagoon systems of Rio de Janeiro, Brazil. Universidade Federal
Fluminense, Programa de Geoquímica Ambiental. Série Geoquímica Ambiental 6: p. 03–
10.
Polhill, R.M.; Raven, P.H & Stirton, C.H. 1981. Evolution and systematics of the
Leguminosae. In: Polhill, R.M. & Raven, P.H. (eds) Advances in legume systematics, part
1. Kew: Royal Botanical Garden. p. 1-26.
Pontes, J.A.L. 1987. Serra da Tiririca, RJ. Necessidade de conservação (1a Contribuição).
Boletim da FBCN 22: 89-94.
Prance, G.T. 1994. A comparison of the efficacy of higher taxa and species numbers in the
assessment of biodiversity in the Neotropics. Philosphical Transactins of the Royal Society
Lond. B. 345: 89-99.
Putz, F.E. 1984. The natural history of lianas on Barro Colorado Island, Panamá. Ecology
65(6): 1713–1724.
Rezende, A.A. & Ranga, N.T. 2005. Lianas da Estação Ecológica do Noroeste Paulista,
São José do Rio Preto/Mirassol, SP, Brasil. Acta Botanica Brasilica 19(2): 273–279.
Royal Botanic Garden at Kew. http://www.ipni.org. Arquivo da internet acessado no
período de março de 2004 a Janeiro de 2008.
Sá, C.F.C. 2006. Estrutura, diversidade e conservação de angiospermas no Centro de
Diversidade de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Ciências
Biológicas – Ecologia). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 250p.
Schnell, R. 1970. Introdution a la phytogeographie des pays tropicaux. Les flores – Les
strutures. v. I . Paris: Ed. Gauthier-Villars. 499p.
Stranghetti, V. & Ranga, N.T. 1998. Levantamento florístico das espécies vasculares de
uma floresta estacional mesófila semidecídua da Estação Ecológica de São Paulo de Faria,
SP. Revista Brasileira de Botânica 21(3): 289–298.
Tibiriçá, Y.J.A.; Coelho, L.F.M. & Moura, L.C. 2006. Florística de lianas em um
fragmento de floresta estacional semidecidual, Parque Estadual de Vassununga, Santa Rita
do Passa Quatro, SP, Brasil. Acta Botanica Brasilica 20(2): 339–346.
149
Udulutsch, R.G.; Assis, M.A. & Picchi, D.G. 2004. Florística de trepadeiras numa floresta
estacional semidecídua, Rio Claro – Araras, Estado de São Paulo, Brasil. Revista Brasileira
de Botânica 27(1): 125–134.
Vaz, A.M.S.F. 1992. Diversidade de plantas vasculares da floresta atlântica do Rio de
Janeiro. Boletim do Museu Biológico Mello Leitão 1: 77–82.
Vaz, A.M.S.F. & Vieira, C.M. 1994. Identificação de famílias com espécies trepadeiras. In:
Lima, M.P.M. & Guedes-Bruni, R.R. (eds) Reserva Ecológica de Macaé de Cima, Nova
Friburgo, RJ. Aspectos florísticos das espécies vasculares. v. 1: Jardim Botânico do Rio de
Janeiro. p. 75–82.
Veloso, H.P.; Rangel-Filho, A.L.R. & Lima, J.C.A. 1991. Classificação da vegetação
brasileira adaptada a um sistema universal. Rio de Janeiro: IBGE. 124p.
Weiser, V.L. 2001. Ecologia e sistemática de lianas em um hectare de cerrado stricto sensu
da ARIE Cerrado Pé-de-Gigante, Santa Rita do Passa Quatro – SP. Dissertação de
Mestrado. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de
São Paulo. Ribeirão Preto. 188p.
Zimback, C.R.L. 2003. Classificação de solos. Grupo de Estudos e Pesquisas Agrárias
Georreferenciadas, FCA, UNESP, Botucatu. 13p.
150
ANEXO
Listagem florística de trepadeiras do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. ESC=
passivas ou escandentes, VOL= volúvel, PRE= com órgãos prensores, RAD= radicantes, HERB= trepadeira
herbácea e LENH= trepadeira lenhosa.
FAMÍLIAS
ACANTHACEAE
ALSTROEMERIACEAE
AMARANTHACEAE
APOCYNACEAE
ARECACEAE
ARISTOLOCHIACEAE
ASCLEPIADACEAE
ASTERACEAE
ESPÉCIES
Mendoncia velloziana (Mart.) Nees
Thunbergia alata Boler
Bomarea edulis (Tussac) Herb.
Chamissoa altissima (Jack.) Kunth
Chamissoa macrocarpa Kunth
Pfaffia paniculata (Mart.) Kuntze
Condylocarpon isthmicum (Vell.) A. DC.
Forsteronia pilosa (Vell.) Müll. Arg.
Forsteronia thyrsoidea (Vell.) Müll. Arg.
Mandevilla crassinoda (Gardner)
Woodson
Mandevilla guanabarica Cassareto ex
M.F. Salles, Kin-Gouw. & A.O. Simões
Peltastes peltatus (Vell.) Woodson
Prestonia coalita (Vell.) Woodson.
Prestonia denticulata (Vell.) Woodson
Prestonia didyma (Vell.) Woodson
Desmoncus polycanthos Mart. var.
polycanthos
Aristolochia cymbifera Mart. et Zucc.
Aristolochia odora Steud.
Aristolochia raja Mart. et Zucc.
Aristolochia rumicifolia Mart. et Zucc.
var. oblonga
Ditassa burchellii Hook. et Arn.
Macroditassa grandiflora (E. Fourn.)
Malme
Marsdenia loniceroides E. Fourn.
Marsdenia suberosa (E. Fourn.) Malme
Oxypetalum banksii Schult. subsp.
banksii
Peplonia riedelii (E. Fourn.) Fontella &
Rapini
Koanophyllon tinctorium Arruda ex H.
Kost.
Mikania hastifolia Baker
Mikania nigricans Gardn.
BIGNONIACEAE
Adenocalymma bracteatum (Cham.) DC.
Adenocalymma marginatum (Cham.) DC.
Adenocalymma paulistarum Bureau & K.
Schum.
Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C.
Laroche
Anemopaegma chamberlaynii (Sims)
Bureau ex K. Schum.
Anemopaegma prostratum DC.
Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart.
Arrabidaea leucopogon (Cham.)
Sandwith
Arrabidaea rego (Vell.) DC.
Arrabidaea selloi (Spreng.) Sandwith
FORMA DE
FIXAÇÃO
VOL
HÁBITO
COLETOR
HERB
M.C.F. dos Santos 508 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 1077 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 436 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 3110 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 3082 et al.
ESC
LENH
A.A.M. de Barros 2216 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 3032 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2945 et al.
VOL
LENH
P.W. Feteira 212 et al.
VOL
HERB
L.O.F. de Sousa 123 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 679 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 3125 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 2757 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 1492 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 856
VOL+PRE
LENH
M.C.F. dos Santos 154 et al.
VOL
HERB
R.H.P. Andreata 487 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 407 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 1562 et al.
VOL
HERB
P.W. Feteira 221 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 1898 et al.
VOL
HERB
D.S.D. Araujo 3151 et al.
VOL
HERB
L.O.F. de Sousa 66
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 2373 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 768 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 433 et al.
ESC
HERB
R.S. Oliveira 23 et al.
ESC
HERB
R.S. Oliveira 53 et al.
ESC
HERB
D.S.D Araujo 3763
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 3096 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2037 et al.
VOL+PRE
LENH
R.H.P. Andreata 354 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2039 et al.
VOL+PRE
LENH
K.M. Leal 23 et al.
VOL+PRE
LENH
L.J.S. Pinto 399 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1529 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2131
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 767 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 954 et al.
151
BORAGINACEAE
CACTACEAE
CAPPARACEAE
CONNARACEAE
CONVOLVULACEAE
CUCURBITACEAE
DILLENIACEAE
DIOSCOREACEAE
Arrabidaea subincana Mart.
Clytostoma binatum (Thunb.) Sandwith
Clytostoma sciuripabulum Bureau & K.
Schum.
Glaziovia bauhinioides Bureau ex Baill.
Lundia cordata (Vell.) A. DC.
Mansoa difficilis (Cham.) Bureau & K.
Schum.
Mansoa lanceolata (DC.) A.H. Gentry
Parabignonia unguiculata (Vell.) A.H.
Gentry
Pithecoctenium crucigerum (L.) A.H.
Gentry
Stizophyllum perforatum (Cham.) Miers
Tynanthus micranthus Correa de Mella ex
K. Schum.
Xylophragma pratense (Bureau & K.
Schum.) Sprague
Tournefortia gardneri A. DC.
Pereskia aculeata Mill.
Capparis lineata Pers.
Connarus nodosus Baker
Ipomoea aristolochiifolia G. Don
Ipomoea daturaeflora Meissn.
Ipomoea philomega (Vell.) House
Ipomoea ramosissima (Poir.) Choisy
Ipomoea syringaefolia Meissner
Ipomoea tiliacea (Willd.) Choisy
Jaquemontia holosericea (Weinm.)
O’Donell
Jacquemontia martii Choisy
Merremia dissecta (Jacq.) Hallier f.
Merremia macrocalyx (Ruiz et Pavon)
O’Donnell
Merremia umbellata (L.) Hallier f.
Operculina macrocarpa (L.) Urb.
Cayaponia martiana Cogn.
Cayaponia fluminensis (Vell.) Cogn.
Cayaponia trifoliata (Cogn.) Cogn.
Cayaponia trilobata Cogn.
Fevillea trilobata L.
Melothria cucumis Vell. var. cucumis
Melothria fluminensis Gardner var.
fluminensis
Momordica charantia L.
Wilbrandia ebracteata Cogn.
Wilbrandia glaziovii Cogn.
Wilbrandia verticillata (Vell.) Cogn.
Davilla rugosa Poir.
Dioscorea altissima Lam.
Dioscorea cinnamomifolia Hook. &
Griseb.
Dioscorea coronata Hauman
Dioscorea debilis Uline
Dioscorea dodecaneura Vell.
Dioscorea mollis Mart.
Dioscorea ovata Vell.
Dioscorea piperifolia Humb. & Bonpl. ex
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2336 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1736 et al.
VOL+PRE
LENH
L.O.F. de Sousa 326 et al.
PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2779 et al.
VOL+PRE
LENH
H.P. Moreira 15 et al.
VOL+PRE
LENH
L.J.S. Pinto 422 et al.
VOL+PRE
LENH
N. Coqueiro 270 et al.
VOL+PRE+RAD
LENH
A.A.M. de Barros 3083 et al.
VOL+PRE
LENH
C. Farney 740a
VOL+PRE
LENH
R.S. Oliveira 24 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 3084 et al.
VOL+PRE
LENH
L.O.F. de Sousa 207 et al.
ESC
LENH
A.A.M. de Barros 2411 et al.
ESC+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1480 et al.
A.A.M. de Barros 824
VOL
HERB
VOL+PRE
LENH
N. Coqueiro 288 et al.
VOL
HERB
D.S.D. Araujo 3766 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 2132 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2978 et al.
VOL
HERB
L.O.F. de Sousa 279 et al.
VOL
HERB
R.H.P. Andreata 538 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 1386
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 3086 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 689 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 419 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 698 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 616 et al.
VOL
HERB
L.O.F. Sousa 314 et al.
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 2211
VOL+PRE
HERB
L.J.S Pinto 150 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 411 et al.
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 2210
VOL+PRE
HERB
T.A. da Silva 87 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 230 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 340 et al.
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 611 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 570 et al.
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 1935 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 572 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1512 et al.
VOL+PRE
LENH
L.J.S. Pinto 801 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 416 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2086 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 416 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2943 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1530 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 416 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 2087 et al.
152
Willd.
EUPHORBIACEAE
HERRERIACEAE
HIPPOCRATEACEAE
ICACINACEAE
LEGUMINOSAE
LOGANIACEAE
MALPIGHIACEAE
Dioscorea sinuata Vell.
Dioscorea sp.
Dalechampia alata Müll. Arg.
Dalechampia brasiliensis Lam.
Dalechampia convolvuloides Lam.
Dalechampia micromeria Baill.
Dalechampia pentaphylla Lam.
Dalechampia triphylla Lam.
Romanoa tamnoides (A. Juss.) A.
Radcliffe Smith
Tragia volubilis L.
Herreria salsaparilha Mart.
Hippocratea volubilis L.
Leretia cordata Vell.
Abrus precatorius L.
Bauhinia microstachya (Raddi) J.F.
Macbr.
Bauhinia radiata Vell.
Camptosema isopetalum (Lam.) Taub.
Canavalia parviflora Benth.
Centrosema sagittatum (Humb. & Bonpl.
ex Willd.) Brandeg. ex L. Riley
Centrosema virginianum (L.) Benth.
Chaetocalyx scandens (L.) Urb.
Dalbergia frutescens (Vell.) Britton
Dalbergia lateriflora Benth.
Diplotropsis incexis Rizzini & A. Mattos
Dioclea violacea Mart. ex Benth.
Galactia striata (Jacq.) Urb.
Machaerium aculeatum Raddi
Machaerium lanceolatum (Vell.) J.F.
Macbr.
Machaerium oblongifolium Vogel
Machaerium reticulatum Pers.
Mimosa velloziana Mart.
Mucuna urens L.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 3088 et al.
VOL
HERB
P.W. Feteira 206 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 1758 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 134 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 385 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 556 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 384 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 936
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 2437 et al.
VOL
HERB
L.J.S. Pinto 380 et al.
VOL+PRE
LENH
L.J.S. Pinto 475 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2113 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 3041 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 671 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1978 et al.
ESC
LENH
A.A.M. de Barros 1932 et al.
VOL
HERB
H.P. Moreira 101 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 786 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 2293 et al.
VOL
HERB
N. Coqueiro 52 et al.
VOL
HERB
K.A. Lúcio 97 et al.
VOL
LENH
P.T. dos Santos 61 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2993 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2974 et al.
VOL
LENH
L.J.S. Pinto 117 et al.
VOL
HERB
R.H.P. Andreata 366 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 3100 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1928 et al.
VOL
LENH
L.J.S. Pinto 187 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1099 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1100 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2204
Piptadenia adiantoides (Spreng.) J.F.
Macbr.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 3087 et al.
Senegalia lacerans (Benth.) Seigler &
Ebinger
Senegalia martiusiana (Steud.) Seigler &
Ebinger
Senegalia mikanii (Benth.) Seigler &
Ebinger
Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler &
Ebinger
Senegalia sp. 1
Senegalia sp. 2
Teramnus volubilis Sw.
Vigna adenantha (G. Mey) Maréchal,
Mascherpa & Stainer
Vigna speciosa (Kunth) Verdc.
Strychnos acuta Progel
Amorimia rigida (A. Juss.) W.R.
Anderson
Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B.
Gates
ESC+PRE
LENH
D.S.D. Araujo 3219 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 3092 et al.
VOL+PRE
LENH
R.H.P. Andreata 616 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2870 et al.
VOL+PRE
LENH
N. Coqueiro 26 et al.
VOL+PRE
LENH
N. Coqueiro 39 et al.
VOL
HERB
R.S. Oliveira 07 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 2288 et al.
A.A.M. de Barros 1909
VOL
HERB
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2368 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1469 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2040 et al.
153
MARCGRAVIACEAE
MENISPERMACEAE
NYCTAGINACEAE
ORCHIDACEAE
PASSIFLORACEAE
POACEAE
POLYGALACEAE
RHAMNACEAE
RUBIACEAE
SAPINDACEAE
Heteropterys bicolor A. Juss.
Heteropterys chrysophylla (Lam.) Kunth
Heteropterys fluminensis (Griseb.) W.R.
Anderson
Heteropterys leschenaultiana A. Juss.
Heteropterys pauciflora A. Juss.
Heteropterys sericea (Cav.) A. Juss.
Heteropterys ternstroemiifolia A. Juss.
Mascagnia sepium (A. Juss.) Griseb.
Niedenzuella acutifolia (Cavanilles) W.R.
Anderson
Stigmaphyllon auriculatum (Cav.) A.
Juss.
Stigmaphyllon gayanum A. Juss.
Stigmaphyllon lalandianum A. Juss.
Stigmaphyllon paralias A. Juss.
Stigmaphyllon tomentosum A. Juss
Stigmaphyllon vitifolium A. Juss.
Thryallis brachystachys Lindl.
Schwartzia brasiliensis (Choise) Bedell
ex Giraldo-Canãs
Abuta convexa (Vell.) Diels.
Chondrodendron platiphyllum (A. St.
Hil.) Miers
Disciphania hernandia (Vell.) Barneby
Hyperbaena oblongifolia (Eichler.)
Chodat & Hassl.
Odontocarya vitis Miers
Ungilipetalum filipendulum (Mart.)
Moldenthe
Bougainvillea spectabilis Willd.
Guapira pernambucensis (Casar.)
Lundell
Leucaster caniflorus (Mart.) Choisy
Vanilla bahiana Hoehne
Passiflora alata Curtis
Passiflora capsularis L.
Passiflora edulis Sims
Passiflora farneyi Pessoa & Cervi
Passiflora mucronata Lam.
Passiflora organensis Gardner
Passiflora racemosa Brot.
Passiflora setacea DC.
Passiflora suberosa L.
Lasiacis ligulata Hitchc. & Chase
Securidaca lanceolata A. St. Hil. & Moq.
Securidaca ovalifolia A. St. Hil. et Moq.
Reissekia smilacina (Sm.) Steud.
Emmeorhiza umbellata (Spreng.) K.
Schum.
Hamelia patens Jacq.
Manettia mitis var. fimbriata (Cham. &
Schltdl.) K. Schum.
Cardiospermum corindum L.
Cardiospermum grandiflorum Sw.
Paullinia coriacea Casar.
Paullinia fusiformis Radlk.
Paullinia meliifolia A. Juss.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2146 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 928 et al.
VOL
LENH
P.W. Feteira 05 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2797 et al.
VOL
LENH
W.B. de Carvalho 204 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2503 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2237 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1718 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 919
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1499 et al.
VOL
LENH
P.W. Feteira 93 et al.
VOL
LENH
L.F. dos Santos 27 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1540 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 918
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 777 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1392
ESC
LENH
R.S. de Oliveira 15 et al.
VOL
LENH
L.J.S. Pinto799 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 780 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 1709 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 3007 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1941 et al.
VOL
HERB
H.P. Moreira 49 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2236 et al.
ESC
HERB
W.B. de Carvalho 20 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1508 et al.
RAD
HERB
L.J.S. Pinto 123 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 424 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 204 et al.
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 1713 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 159
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 1927 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 580 et al.
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 585 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 88 et al.
VOL+PRE
HERB
M.G. Santos 947 et al.
ESC
HERB
A.A.M. de Barros 289
ESC
LENH
N. Coqueiro 309 et al.
ESC
LENH
A.A.M. de Barros 2316 et al.
VOL+PRE
LENH
L.J.S. Pinto 586 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 773 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 2428 et al.
VOL
HERB
A.A.M. de Barros 2532 et al.
VOL+PRE
HERB
L.J.S. Pinto 342 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1671 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1466 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 3051 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2140 et al.
154
SMILACACEAE
SOLANACEAE
TRIGONIACEAE
URTICACEAE
VIOLACEAE
VITACEAE
Paullinia micrantha Cambess.
Paullinia racemosa Wawra
Paullinia trigonia Vell.
Serjania caracasana (Jacq.) Willd.
Serjania clematidifolia Cambess.
Serjania communis Cambess.
Serjania corrugata Radlk.
Serjania cuspidata Cambess.
Serjania dentata Radlk.
Serjania elegans Cambess.
Serjania orbicularis Radlk.
Serjania tenuis Radlk.
Thinouia mucronata Radlk.
Thinouia scandens (Cambess.) Triana &
Planchon
Urvillea glabra Cambess.
Urvillea laevis Radlk.
Urvillea stipitata Radlk.
Urvillea triphylla (Vell.) Radlk.
Smilax brasiliensis Spreng. var.
grisebachii A. DC.
Smilax quinquenervia Vell.
Solanum alternatopinnatum Steud.
Trigonia eriosperma (Lam.) Fromm &
Santos
Trigonia nivea Cambess.
Trigonia villosa Vell.
Urera caravasana (Jacq.) Gaudch. ex
Griseb.
Anchietea pyrifolia var. hilariana (Eichl.)
Marquete et Dan.
Cissus paullinifolia Vell.
Cissus serroniana (Glaziou) Lombardi
Cissus simsiana Schult. & Schult. f.
Cissus sulcicaulis (Bak.) Planch.
Cissus verticillata (L.) Nicolson & C.E.
Javis
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2983 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2038 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1926 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1620
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2206
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2047 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1890 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2049 et al.
VOL+PRE
LENH
W.B. de Carvalho 265 et al.
VOL+PRE
LENH
L.T. Vassal 17 et al.
VOL+PRE
LENH
M.C.F. dos Santos 397 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1561 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2372 et al.
VOL+PRE
LENH
L.J.S. Pinto 379 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 1544 et al.
VOL+PRE
LENH
R.H.P. Andreata 668 et al.
VOL+PRE
LENH
A.A.M. de Barros 2046 et al.
VOL+PRE
LENH
C. Farney 739
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 2507 et al.
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 943 et al.
VOL+PRE
LENH
K.A. Lúcio 84 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2670 et al.
VOL
LENH
W.B. de Carvalho 225 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 2312 et al.
ESC
LENH
A.A.M. de Barros 612 et al.
VOL
LENH
A.A.M. de Barros 1509 et al.
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 772 et al.
VOL+PRE
HERB
W.B. de Carvalho 49 et al.
VOL+PRE
HERB
N. Coqueiro 28 et al.
VOL+PRE
LENH
M.C.F. dos Santos 650 et al.
VOL+PRE
HERB
A.A.M. de Barros 2568 et al.
155
Artigo IV
VEGETAÇÃO DE AFLORAMENTO ROCHOSO
NO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA
TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ,
RIO DE JANEIRO, BRASIL
Ana Angélica M. de Barros & Dorothy Sue Dunn Araujo
Artigo a ser submetido à Revista Brasileira de Botânica
156
Vegetação de afloramento rochoso no Parque Estadual da
Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO – (Vegetação de afloramento rochoso no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá,
Rio de Janeiro, Brasil). O Parque Estadual da Serra da Tiririca localiza-se na entrada da Baía de Guanabara
entre os municípios de Niterói e Maricá, RJ (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W). É uma região inserida no
bioma Mata Atlântica, sendo as encostas dos morros são cobertas por floresta ombrófila densa e áreas abertas
onde o maciço cristalino fica exposto. As rochas são formadas por gnaisse facoidal com idades entre 630 e
480 milhões de anos. A vegetação de afloramento rochoso é encontrada no Alto Mourão, Costão de
Itacoatiara, Morro das Andorinhas, Morro do Telégrafo e Morro do Cordovil. Registraram-se a presença de
250 espécies, pertencentes a 60 famílias e 185 gêneros de Magnoliophyta. Essa amostragem corresponde a
27,6% do total de espécies levantadas no PEST, sendo que 116 (46,4%) têm ocorrência exclusiva nos
afloramentos rochosos. As principais famílias são Bromeliaceae (25 spp.), Orchidaceae (20 spp.),
Euphorbiaceae (17 spp.), Myrtaceae (14 spp.), Leguminosae (13 spp.), Rubiaceae (11 spp.), Asteraceae (11
spp.) e Bignoniaceae (10 spp.). As espécies herbáceas predominam, seguida das arbóreas, trepadeiras,
arbustivas e hemiepífitas. Os afloramentos rochosos são ambientes frágeis e necessitam de atenção quanto à
conservação, visto que a expansão da ocupação humana, visitação sem controle, incêndios e instalação de
espécies exótica invasoras vêm contribuindo para perda de diversidade biológica.
Palavras chaves: Serra da Tiririca, florística, Mata Atlântica, inselberg, afloramento rochoso
ABSTRACT- (Rocky outcrop vegetation at Serra da Tiririca State Park, Niterói and Maricá, Rio de Janeiro,
Brazil). Serra da Tiririca State Park lies at the entrance to Guanabara Bay in Niterói and Maricá
municipalities, Rio de Janeiro state (22º48`-23º00’ S; 42º57`-43º02` W). This region is part of the Atlantic
forest biome. The mountain slopes are covered with dense ombrophilous forest and rocky outcrops where the
crystalline massif is exposed, formed by facoidal gnaisse, 630 million to 480 million years old. Rocky
outcrop vegetation grows at the following localites: Alto Mourão, Costão de Itacoatiara, Morro das
Andorinhas, Morro do Telégrafo and Morro do Cordovil. The survey recorded 250 species belonging to 60
families and 185 genera of Magnoliophyta. This represents 27.6% of the total number of species recorded for
Serra da Tiririca State Park. A total of 116 (46.4%) are found exclusively on rocky outcrops. The most
species-rich families are Bromeliaceae (25 spp.), Orchidaceae (20 spp.), Euphorbiaceae (17 spp.), Myrtaceae
(14 spp.), Leguminosae (13 spp.), Rubiaceae (11 spp.), Asteraceae (11 spp) and Bignoniaceae (10 spp.).
Herbs predominate, followed by trees, climbers, shrubs and hemi-epiphytes. Rocky outcrops are fragile
habitats and require special attention for conservation. Human occupation, excessive visitation, fire and
invasion by exotic species are contributing to the loss of biological diversity.
Key words: Serra da Tiririca, floristc, Atlantic Rainforest, diversity, rock outcrop
INTRODUÇÃO
Nos maciços cristalinos tropicais da Serra do Mar e da Mantiqueira (RJ) ocorrem
regiões escarpadas com rocha exposta que apresentam grande complexidade biológica,
ecológica e geomorfológica. Os afloramentos rochosos constituem um habitat único com
muitas espécies endêmicas (Meirelles et al. 1999). Essas formações são denominadas
inselbergs (do alemão insel=ilha; berg=montanha) (Porembski 2002), sendo bastante
características das áreas montanhosas e maciços costeiros do estado do Rio de Janeiro,
principalmente no entorno da Baía de Guanabara. Ecologicamente funcionam como ilhas
terrestres com a rocha exposta rodeada por vegetação arbóreo-arbustiva. De forma análoga
157
equivalem as ilhas oceânicas por apresentarem uma multiplicidade de formas, tamanhos e
graus de isolamento (Conceição et al. 2007). A Mata Atântica funciona como matriz
vegetacional primária onde estão inseridos os inselbergs da região Sudeste brasileira.
Os processos evolutivos ocorridos ao longo de milhões de anos resultaram no
estabelecimento de comunidades de plantas características desses ambientes. As
oscilações climáticas e tectônicas ocorridas durante o Período Quaternário da Era
Cenozóica, com alternância de períodos úmidos e secos, tiveram fortes influências sobre a
geomorfologia, evolução e distribuição das espécies (Safford & Martinelli 2000).
Nos últimos anos os estudos realizados nos afloramentos rochosos brasileiros vêm
ganhando força com os mais diferentes enfoques (Scarano 2007). Dessa forma, é possível
citar os trabalhos de Aguiar et al. (1986) e Fernandes & Baptista (1988) em morros
graníticos (RS), Waldemar & Irgang (2003) no Parque Estadual de Itapuã, Viamão (RS),
Caiafa & Silva (2005, 2007) nos campos de altitude do Parque Estadual da Serra do
Brigadeiro (MG) e Conceição et al. (2007a, 2007b) na Chapada Diamantina (BA). No
estado do Rio de Janeiro os estudos mais antigos foram realizados em inselbergs mais
interioranos na Serra da Mantiqueira (Dusén 1955, Brade 1956, Segadas-Vianna & Dau
1965) e Serra dos Órgãos (Rizzini 1953/54). Martinelli & Bandeira (1989) e Porembski et
al. (1998), estudaram a vegetação do Morro do Cuca e Campo das Antas na Serra dos
Órgãos, Pico do Frade em Macaé, Pedra do Desengano em Santa Maria Madalena, Pico do
Itatiaia na Serra da Mantiqueira. Martinelli & Vaz (1986/88) trabalharam os padrões
fitogeográficos de Bromeliaceae dos campos de altitude. Também no planalto do Itatiaia
tem os estudos de Ribeiro & Medina (2002) e Ribeiro et al. (2007).
Em relação aos inselbergs costeiros um dos primeiros trabalhos a enfocar esse tipo
de ecossistema foi o de Oliveira et al. (1975) nos maciços da Tijuca e Pedra Branca, além
de inselbergs da Baixada de Jacarepaguá. Carauta & Oliveira (1984) descreveram a flora
rupícola dos morros da Urca, Pão de Açúcar e Cara de Cão. Miranda & Oliveira (1983)
estudaram as orquídeas rupícolas do Pão de Açúcar. Meirelles et al. (1999) deram um
enfoque ecológico a análise da flora das Pedras da Macumba, Itanhangá e Urca no
município do Rio de Janeiro, Imbuí e Costão de Itacoatiara em Niterói, Ilha de Santana em
Macaé e Araras em Teresópolis. Todas essas áreas estão inseridas na Serra do Mar.
A Serra da Tiririca apresenta várias áreas com afloramentos rochosos expostos. O
Alto Mourão, por exemplo, já foi alvo de estudos florísticos de Lopes et al. 2004, da
158
mesma forma que Morro das Andorinhas (Araujo & Vilaça 1981). O Costão de Itacoatiara
foi estudado por Meirelles et al. (1999) com enfoque na estrutura da vegetação de ilhas de
solo, sendo observadas apenas 27 espécies de Magnoliophyta. Santos et al. (2005) e
Santos & Sylvestre (2006) estudaram o mesmo local avaliando as pteridófitas, sendo
levantadas 24 espécies. Ribeiro et al. (2007) trabalharam com anatomia de duas espécies
de pteridófitas do Costão de Itacoatiara.
Embora a Serra da Tiririca já tenha sido alvo de estudos envolvendo comunidades
de plantas em afloramentos rochosos, ainda não há uma avaliação mais abrangente em
termos florísticos. Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo caracterizar a
composição florística de Magnoliophyta das áreas de afloramentos rochosos do Parque
Estadual da Serra da Tiririca, além de avaliar os problemas de conservação relacionados
com essas áreas.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de Estudo
O Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) apresenta o maciço cristalino
coberto pela floresta ombrófila densa que limita áreas de afloramentos rochosos nas
regiões mais íngremes e os inselbergs. Formam ilhas entremeadas pela floresta, sendo
ocupadas por comunidades de plantas rupícolas e saxícolas adaptadas a condições
ambientais extremas. Scarano (2002) considera essas áreas como periféricas a Mata
Atlântica. Na Serra da Tiririca os inselbergs são encontrados no complexo formado pelo
Alto Mourão (412 m), Costão de Itacoatiara (217 msm) e Morro das Andorinhas (196 m).
Parte do maciço cristalino também fica exposto nos Morros do Telégrafo e Cordovil, onde
a incidência de escarpas rochosas com declives muito acentuados dificultam o
estabelecimento de espécies arbóreas e arbustivas. Nos afloramentos rochosos parte da
vegetação se fixa aos sedimentos orgânicos que não constituem solo propriamente dito.
O clima é do tipo Aw (quente e úmido, com estação chuvosa no verão e seca no
inverno entre maio e junho) seguindo a classificação de Köppen. A estação chuvosa iniciase na primavera, culminando no verão nos meses de dezembro e janeiro, quando ocorre
intensa precipitação pluviométrica. Em fevereiro há uma queda no volume das chuvas,
contudo em março, devido à chegada de massas frias, registram-se chuvas intensas. A
159
menor precipitação se dá nos meses de julho e agosto, quando fica abaixo de 60 mm. A
temperatura média está em torno de 22oC, sendo janeiro e fevereiro os meses mais quentes
e o mais frio em junho. O vento predominante é o nordeste (Bernardes 1952).
Os afloramentos rochosos do PEST estão inseridos na unidade geológica de gnaisse
facoidal que forma um complexo que se estende da região de Piratininga a Itaipu.
Apresenta rochas graníticas intrusivas que datam do período Pré-Cambriano com idades
entre 630 e 480 milhões de anos. Estas se estabeleceram em meio a uma grande bacia
sedimentar durante a colisão continental do evento brasiliano (Bergamaschi & Almeida
2007). São rochas homogêneas e caracterizadas pela presença de porfiroblastos ovais,
constituídos por K-feldspato com estrutura cristalina, dando a rocha uma textura lenticular
(Penha 1999). Uma estrutura bem característica dessa formação são os diques de
pigmatitos e veios de quartzo orientados de nordeste para sudoeste que formam riscos nas
rochas como, por exemplo, no Costão de Itacoatiara (tupi guarani - ita= pedra, cuatiara=
riscada).
Amostragem florística
Foram realizadas coletas aleatórias de plantas férteis no período de março de 1997 a
agosto de 2007. O material coletado foi herborizado e seco em estufa 60ºC, sendo
posteriormente incorporado aos Herbários da Faculdade de Formação de Professores da
UERJ (RFFP) e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). As espécies foram
identificadas através de bibliografia especializada, comparações nos herbários fluminenses
(RB, GUA e HB) e consultas aos especialistas. A listagem foi organizada segundo o
sistema de Cronquist (1988), exceto Leguminosae que foi tratada como uma única família
como proposto por Polhill et al. (1981). Não foram consideradas espécies ruderais. A
correção ortográfica das espécies foi feita acessando bancos de dados disponíveis na
internet do Royal Botanic Garden at Kew, Missouri Botanical Garden e New York
Botanical Garden. Para correção da nomenclatura dos autores adotou-se Brummit &
Powell (1992).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Análise Florística
160
Foram listadas 250 das espécies, 60 famílias e 185 gêneros de Magnoliophyta estão
presentes nos afloramentos rochosos. Essa amostragem corresponde a 27,6% do total de
espécies levantadas no PEST, sendo que 116 (46,4%) têm ocorrência exclusiva nos
afloramentos rochosos. Esse tipo de ambiente contribui para o enriquecimento da
diversidade florística local. As famílias com maior riqueza de espécies são (Figura 1):
Bromeliaceae (25 spp.), Orchidaceae (20 spp.), Euphorbiaceae (17 spp.), Myrtaceae (14
spp.), Leguminosae (13 spp.), Rubiaceae (11 spp.), Asteraceae (11 spp.) e Bignoniaceae
(10 spp.). Essas famílias correspondem a 48,4% das espécies levantadas nos afloramentos
rochosos da Serra da Tiririca.
BIGNONIACEAE
Gêneros
Espécies
ASTERACEAE
RUBIACEAE
LEGUMINOSAE
MYRTACEAE
EUPHORBIACEAE
ORCHIDACEAE
BROMELIACEAE
0
5
10
15
20
25
30
Nº de Gêneros e Espécies
Figura 1: Famílias com maior riqueza de espécies dos afloramentos rochosos do Parque
Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Nos
afloramentos
rochosos
do
Neotrópico
predominam
espécies
de
monocotiledôneas (Meirelles et al. 1999; Safford & Martinelli 2000; Ribeiro et al. 2007).
Em termos de riqueza de espécies, esse grupo representa 45,2% (113 spp.) da flora desses
ambientes na Serra da Tiririca. O predomínio de Bromeliaceae e Orchidaceae é citado em
alguns estudos (Oliveira et al. 1975; Carauta & Oliveira 1984, Conceição et al. 2007a,
2007b). Essas famílias estão entre as três maiores em número de espécies dentre as
monocotiledôneas no Brasil (Shepherd 2003). Bromeliaceae dos afloramentos rochosos da
Serra da Tiririca representam 61% do total de espécies de Magnoliophyta levantadas no
PEST e as Orchidaceae 71,4%. Dentre as orquídeas, Cattleya forbesii e Constantia
161
rupestris estão ameaçadas, sendo enquadradas na categoria vulnerável (Biodiversitas 2005;
Pinheiro 1999).
As bromélias são dominantes na paisagem, principalmente Alcantarea glaziouana.
O gênero Alcantarea é restrito aos afloramentos rochosos na Mata Atlântica, Cerrado e
Caatinga. A. glaziouana é endêmica dos paredões rochosos das circunvizinhanças do Rio
de Janeiro em altitudes próximas do mar (Leme 1995). Outra espécie de destaque é
Tillandsia araujei, uma pequena bromélia rupícola considerada pioneira no processo de
sucessão para formação de ilhas de vegetação que recobrem os afloramentos (Meirelles et
al. 1999).
No PEST registra-se a ocorrência de híbridos naturais de bromélias, Pitcairnia
albiflos x staminea no Costão de Itacoatiara e X Hohemea itaipuana B.R. Silva & L.O.F.
Sousa, descrita a partir de material coletado no Morro das Andorinhas. Embora a
hibridização natural em plantas seja um fenômeno comum, existem poucos relatos para a
família Bromeliaceae. Contudo, trabalhos realizados por Wendt et al. (2000) e Wendt
(2001) mostram a ocorrência de híbridos naturais entre bromélias em outros afloramentos
rochosos do entorno da Baía de Guanabara (Morro do Corcovado e Pão de Açúcar). Esses
autores estudaram populações simpátricas de quatro espécies de Pitcairnia: P. albiflos
Herbert, P. staminea Loddiges, P. flammea Lindley e P. corcovadensis Wawra. A
distribuição geográfica dessas quatro espécies é quase que restrita a poucos afloramentos
rochosos no estado do Rio de Janeiro, exceto para P. flammea que apresenta uma
distribuição geográfica mais ampla (Wendt 1994). Embora o Costão de Itacoatiara não
tenha sido incluído nesses estudos, também foi palco para formação de híbridos entre P.
albiflos e P. staminea. Após avaliar vários materiais encontrados nessa região verificou-se
a presença apenas de híbridos entre essas duas espécies. Dessa forma, supõe-se que as
espécies parentais tenham reduzido drasticamente suas população e podem não existir mais
na região (T. Wendt comunicação pessoal).
Embora Cactaceae seja uma família que caracteriza os ambientes rochosos, na Serra
da Tiririca não se destaca entre as aquelas de riqueza de espécies, mas são importantes em
termos ecológicos. São apenas 6 espécies, sendo duas ameaçadas de extinção. Rhipsalis
cereoides encontra-se na categoria vulnerável (Biodiversitas 2005, Barthlott & Taylor
1995, Taylor & Zappi 2004). Coleocephalocereus fluminensis é considerado vulnerável por
Calvente et al. (2005).
162
Das 27 espécies consideradas por Meirelles et al. (1999) como as mais freqüentes
nos afloramentos rochosos, 14 (51,9%) têm ocorrência na Serra da Tiririca: Trilepis
lhotztkiana, Vellozia candida, Coleocephalocereus fluminensis, Barbacenia purpurea,
Pitcairnia staminea, Alcantarea glaziouana, Stillingia dichotoma, Euphorbia comosa,
Sinningia bulbosa, Tillandsia araujei, Kalanchoe brasiliensis, Vernonia rupestris e
Vriesea neoglutinosa.
Quanto ao hábito destacam-se as espécies herbáceas (101 spp.), seguida de espécies
lenhosas arbóreas (54 spp.), trepadeiras (53 spp.), arbustivas (40 spp.) e hemiepífitas (2
spp). É natural o predomínio de espécies herbáceas nos ambientes rochosos, como ocorre
em outros tipos de vegetação aberta. Essas espécies formam ilhas de vegetação ou se
inserem diretamente na rocha. Dentre as trepadeiras predominam espécies de Bignoniaceae
e Leguminosae que fazem com que essas famílias se sobressaiam dentre as mais
importantes.
Hemiepífita
Arbustos
Trepadeiras
Árvores
Ervas
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
% de espécies
Figura 2: % de espécies por formas de vida de Magnoliophyta dos afloramentos
rochosos do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
O destaque para as espécies arbóreas ocorre porque nas regiões onde as fendas
permitem o acúmulo de sedimentos e matéria orgânica, desenvolvendo-se uma vegetação
de médio porte arbórea-arbustiva. Isso é observado nas bordas dos afloramentos em
contato com a floresta adjacente, no Costão de Itacoatiara (mata do cume e Pata do Gato),
no Morro das Andorinhas e Alto Mourão. Daí famílias como Myrtaceae e Euphorbiaceae
se sobressaírem dentre as mais importantes. Inclusive foi coletada uma espécie nova do
gênero Eugenia no Costão de Itacoatiara. As espécies arbórea-arbustivas mais comumente
163
observadas são: Syagrus romanzoffiana, Tabebuia chrysotricha, Tibouchina corymbosa,
Myrcia selloi, Jacaranda jasminoides, Polygala albicans e Chionanthus fluminensis.
A sobrevivência em ambientes de afloramentos rochosos implica numa série de
adaptações que determinam à distribuição das plantas. O tipo de rocha, declividade,
insolação e o grau de umidade são importantes na seleção das espécies. Sendo assim,
algumas espécies são capazes de suportar a carência hídrica, tolerando o dessecamento,
sendo denominadas poiquilohídricas. Tais plantas podem suspender suas atividades
fisiológicas, levando a perda da clorofila, encolhimentos ordenados e modificações da área
foliar, restringindo a perda d`água. Quando as condições hídricas se tornam mais
favoráveis, rapidamente recuperam sua aparência normal (de Mattos 1997). Podem ser
citadas como exemplo dessas plantas no PEST Trilepis lhotztkiana e Vellozia candida. T.
lhotztkiana é uma das principais espécies dos ambientes rochosos, se destacando em outros
estudos no Brasil (Meirelles et al. 1999, Ribeiro et al. 2007; Caiafa et al. 2007). Além
desse mecanismo, outros tipos de plantas tolerantes, como Barbacenia purpurea, enrolam
suas folhas, porém não perdem sua cor (Meirelles et al.1999). Também são encontradas
plantas chamadas evitadoras, que têm como estratégia de sobrevivência a restrição das
trocas hídricas com o meio ambiente (de Mattos et al. 1998), como, por exemplo, as
cactáceas de maneira geral.
A vegetação de afloramento rochoso está intimamente relacionada com a formação
florestal que rodeia essa ilha de diversidade. A partir da floresta em direção aos
afloramentos desaparecem alguns componentes e surgem novas combinações estruturais
nas cumeeiras contíguas aos grandes declives das escarpas (Martinelli & Bandeira 1989).
A floresta cria condições microclimáticas específicas protegendo a vegetação do
afloramento rochoso. As duas formações interagem, sendo interessante observar que
algumas espécies que, embora não tenham ocorrência específica nos afloramentos
rochosos, são observadas nas matas de encostas na periferia desses ambientes. Na Serra da
Tiririca é possível destacar espécies arbóreo-arbustivas Metternichia princeps var. princeps
Rudgea minor subsp. minor, Rudgea interrupta, Rudgea francavillana, além de Tovomita
leocanta, Clavija spinosa, Campomanesia laurifolia e Urbanodendron verrucosum. Não
significa que essas espécies não ocorram em outras condições ambientais, tanto em
substrato arenoso de restinga quanto na mata de encosta, mas no PEST são mais
observadas associadas às áreas com afloramentos rochosos.
164
Conservação
A fragilidade dos ambientes rochosos é apontada por vários autores (Meirelles et al.
1999; Ribeiro et al. 2007; Conceição et al. 2007a, 200b) e necessitam de atenção quanto à
conservação. Uma das questões mais preocupantes é a intensa visitação que sofre o
complexo formado pelo Alto Mourão, Costão de Itacoatiara e Enseada do Bananal. Os
impactos causados pela presença humana estão levando a perda da diversidade biológica
nessas áreas. Destaque para visitação desordenada que leva a compactação do solo, coleta
de plantas ornamentais para comercialização, incêndios, destruição das ilhas de vegetação,
pichações e introdução de espécies exóticas. Nas áreas mais inclinadas as raízes das
árvores de maior porte são utilizadas como escada expondo as plantas à erosão do solo.
Conseqüentemente, com o tempo, essas árvores podem tombar abrindo novas clareiras na
mata. No Costão de Itacoatiara, Alto Mourão e Morro das Andorinhas o sedimento muito
fino de matéria orgânica que recobre a rocha vai sendo removido com o pisoteio das
pessoas. Isso expõe a rocha e dificulta o estabelecimento da cobertura vegetal.
Além disso, é comum ocorrerem incêndios, devido às pontas de cigarro e queda de
balões, sendo a vegetação nativa é substituída por gramíneas como o sapê (Imperata
brasiliensis Trin.) e o capim-gordura (Melinis minutiflora Beauv.) no Costão de Itacoatiara
e no Morro das Andorinhas. No vale formado na Enseada do Bananal, próximo aos
afloramentos, parte da floresta foi subtraída e os vários incêndios promoveram a ocupação
da área por capim-colonião (Panicum maximum Jacq.). Essas plantas de origem africana
têm difícil controle sendo muito agressivas e impedem a recomposição da vegetação
original, além de ser altamente inflamável. A presença de espécies exóticas invasoras
configura a segunda causa mundial de perda de diversidade biológica. Em Unidades de
Conservação de Proteção Integral representam o primeiro lugar. Quando chegam ao
estádio de invasão, freqüentemente é difícil encontrar uma forma de erradicar o problema
(Catharino & Silva 2007).
Outro problema sério é a expansão da ocupação humana, que vem aumentando
sobre as encostas e atingindo os afloramentos rochosos. No Rio de Janeiro é comum
observar essas áreas sendo ocupadas por populações de baixa renda que crescem
desordenadamente. Também populações de alta renda procuram essas áreas para morar
165
como observado na encosta do Morro das Andorinhas, causando danos ambientais
irreversíveis.
Agradecimentos
Agradecemos os colaboradores que auxiliaram nas coletas de campo. À Sérgio Tadeu Meirelles que há mais
de vinte anos atrás estudou ecologicamente a vegetação do Costão de Itacoatiara e abriu um novo mundo de
conhecimento para seus alunos e estagiários. Aos taxonomistas Luiz José Soares Pinto, Genise Somner,
Robson Dias, Marcos Nadruz, Michel Barros, João Marcelo de A. Braga, Mário Gomes, Marcelo Souza,
Marcos Sobral, Daniela Zappi, Leandro de Oliveira F. Sousa e Roberto L. Esteves.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Aguiar, L.W.; Martau, L.; Soares, Z.F.; Bueno, O.L.; Mariath, J.E. & Klein, R.M. 1986.
Estudo preliminar da flora e vegetação de morros graníticos da região da grande Porto
Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Iheringia, Série Botânica (34): 3-38.
Araujo, D.S.D. & Vilaça, A.M.N. 1981. Avaliação da cobertura vegetal remanescente de
Itaipu. In: Kneip, L.M.; Pallestrini, L. & Cunha, F.L.S. (eds) Pesquisas Arqueológicas no
Litoral de Itaipu. Rio de Janeiro: VEPLAN Companhia de Desenvolvimento Territorial: p.
27–46.
Barthlott, W. & Taylor, N. 1995. Notes towards a monography of Rhipsalideae
(Cactaceae). Bradleya 13: 43–79.
Biodiversitas. 2005. http://www.biodiversitas.org.br. Arquivo da internet capturado em 02
de janeiro de 2008.
Bergamaschi, S. & Almeida, J.C.H. 2007. Levantamento de informações geológicas
básicas e avaliação das condições de poluição das águas na área do Parque Estadual da
Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. In: Araujo, F.V. Relatório FAPERJ do projeto
Aspectos biológicos, geológicos e hídricos em áreas de mata atlântica nos municípios de
Niterói e Maricá, RJ. Programa de apoio a entidades estaduais: Desenvolvimento científico
da UERJ. Impresso. 93p.
Bernardes, L.M.C. 1957. Planície litorânea e zona canavieira do Estado do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Geografia. 248p.
Brade, A.C. 1956. A flora do Parque Nacional de Itatiaia. Boletim do Parque Nacional do
Itatiaia 5: 7–85.
Brummit, R.K. & Powell, C.E. 1992. Authors of plants names. Royal Botanic Gardens,
Kew. 732p.
Caiafa, A.N. & Silva, A.F. 2005. Composição florística e espectro biológico de um campo
de altitude no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, Minas Gerais, Brasil. Rodriguésia
56(87): 163-173.
Caiafa, A.N. & Silva, A.F. 2007. Structural analysis of the vegetation on a highland granite
outcrop in Southeast Brazil. Revista Brasileira de Botânica 30(4): 657-664.
166
Calvente, A.M.; Freitas, M.F. & Andreata, R.H.P. 2005. Listagem, distribuição e
conservação das espécies de Cactaceae no estado do Rio de Janeiro. Rodriguésia 56 (87):
141–162.
Carauta, J.P.P. & Oliveira, R.R. 1984. Plantas vasculares dos morros da Urca, Pão de
Açúcar e Cara de Cão. Rodriguésia 36(59): 13-24.
Catharino, E.L.M. & Silva, V.S. 2007. Análise preliminar da contaminação biológica para
manejo e conservação de três Unidades de Conservação da região metropolitana de São
Paulo. In: Barbosa, L.M. & Santos-Junior, N.A. (eds) A botânica no Brasil: pesquisa,
ensino e políticas públicas ambientais. São Paulo, Sociedade Botânica do Brasil: p. 400405.
Conceição, A.A.; Giulietti, A.M. & Meirelles, S.T. 2007a. Ilhas de vegetação em
afloramentos de quartzito-arenito o Morro do Pai Inácio, Chapada Diamantina, Bahia,
Brasil. Acta Botanica Brasilica 21 (2): 335–347.
Conceição, A.A.; Pirani, J.R. & Meirelles, S.T. 2007b. Floristic structure and soil of
insular vegetation in four quartizite-sandstone outcrops of Chapada Diamantina, Northeast,
Brazil. Revista Brasileira de Botânica 30(4): 641-656.
Cronquist, A. 1988. An integrated system of classification of flowering plants. Columbia
University Press, New York. 556p.
de Mattos, E.A. 1998. Perspectives on Comparative Ecophysiology of some Brazilian
Vegetation Types: Leaf CO2 and H2O gas exchange, chlorophyll a fluorescence and carbon
isotope discrimination. In: Scarano F.R. & Franco, A.C. (eds) Ecophysiological strategies
of xerophytic and amphibious plants in the neotropics. Series Oecologia Brasiliensis 4: p.
1-13.
de Mattos, E.A.; Grams, T.E.E.; Ball, E.; Franco, A.C.; Haag-Kerwer, A.; Herzog, B.;
Scarano, F.R. & Lüttge, U. 1997. Diurnal patterns of chlorophyll a fluorescence and
stomatal conductance in species of two types of coastal tree vegetation in southeastern
Brazil. Trees 11: 363-369.
Dúsen, P. 1955. Contribuições para flora do Itatiaia. Boletim do Parque Nacional do
Itatiaia 4: 9-91.
Fernandes, I. & Baptista, L.R.M. 1988. Levantamento da flora vascular rupestre do Morro
Sapucaia e Morro do Cabrito, Rio Grande do Sul. Acta Botanica Brasilica 1(2)Suplemento:
95-102.
Leme, E.M.C. 1995. Contribuição ao estudo do gênero Alcantarea I. Bromélia 2(3): 15-23.
Lopes, R.C. 1992. Plantas medicinais e outras utilidades do Morro Alto Moirão, Itaipuaçu,
Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Monografia (Bacharelado em Ciências Biológicas).
Universidade Santa Úrsula. 170p.
167
Martinelli, G. & Vaz, A.M.S.F. 1986/88. Padrões fitogeográficos em Bromeliaceae dos
campos de altitude da floresta pluvial tropical costeira no estado do Rio de Janeiro.
Rodriguésia 64/66: 3-10.
Martinelli, G. & Bandeira, J. 1989. Campos de altitude. Ed. Index, Rio de Janeiro. 159p.
Meirelles, S.T.; Pivello, V.R. & Joly, C.A. 1999. The vegetation of granite rock outcrops in
Rio de Janeiro, and the need for its protection. Environmental Conservation 26(1): 10–20.
Miranda, F.E.L.F. & Oliveira, R.R. 1983. Orquídeas rupícolas do Morro do Pão de Açúcar,
Rio de Janeiro. Acta Botanica Brasilica 1(1): 99-105
Missouri Botanical Garden. http://www.mobot.org/tropicos. Arquivo da internet acessado
no período de março de 2004 a Janeiro de 2008.
New York Botanical Garden. http://www.nybg.org. Arquivo da internet acessado no
período de março de 2004 a Janeiro de 2008.
Oliveira, R.F.; Coimbra-Filho, A.F. & Silva, Z.L. 1975. Sobre a litosere: Algumas espécies
para revestimento de encostas rochosas. Brasil Florestal 6(24): 3–18.
Penha, H.M. 1999. A synthesis of geology of the east fluminense coast, state of Rio de
Janeiro, Brazil. In: Knoppers, B.A.; Bidone, E.D. & Abrão, J.J. (eds) Environmental
Geochemistry of coastal lagoon systems of Rio de Janeiro, Brazil. Universidade Federal
Fluminense, Programa de Geoquímica Ambiental. Série Geoquímica Ambiental 6: 3–10.
Pinheiro, F.C. 1999. Orchidaceae do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói, RJ.
Dissertação. (Mestrado em Ciências Biológicas - Botânica). Universidade Federal do Rio
de Janeiro. 122p.
Polhill, R.M.; Raven, P.H & Stirton, C.H. 1981. Evolution and systematics of the
Leguminosae. In: Polhill, R.M. & Raven, P.H. (eds) Advances in legume systematics, part
1. Kew: Royal Botanical Garden. p. 1-26.
Porembski, S. 2002. Terrestrial habitat islands as model systems for biodiversity research.
In: Araujo, A.L.; Moura, A.N.; Sampaio, E.V.S.B.; Gestinari, L.M.S. & Carneiro, J.M.T.
(eds) Biodiversidade, conservação e uso sustentável da flora do Brasil. Universidade
Federal de Pernambuco. Recife: p. 158–161.
Porembski, S.; Martinelli, G.; Ohlemüller, R. & Barthlott, W. 1998. Diversity and ecology
of saxicolous vegetation mats on inselbergs in the Brazilian Atlantic rainforest. Diversity
and distribution 4: 107-119.
Ribeiro, K.T. & Medina, B.M.O. 2002. Estrutura, dinâmica e biogeografia de ilhas de
vegetação sobre rocha do Planalto do Itatiaia, RJ. Boletim do Parque Nacional do Itatiaia
10: 11–82.
Ribeiro, K.T.; Medina, B.M.O. & Scarano, F.R. 2007. Species composition and
biogeographic relations of the rock outcroup flora on the high plateau of Itatiaia. Revista
Brasileira de Botânica 30(4): 623-640.
168
Ribeiro, M.L.R.C.; Santos, M.G. & Moraes, M.G. 2007. Leaf anatomy of two Anemia Sw.
species (Schizaceae – Pteridophyte) from a rocky outcroup in Niterói, Rio de Janeiro,
Brazil. Revista Brasileira de Botânica 30(4): 695-702.
Rizzini, C.T. 1953/54. Flora Organensis. Lista preliminar dos cormophyta da Serra dos
Órgãos. Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 13: 117–246.
Royal Botanical Garden. http://www.ipni.org. Arquivo da internet acessado no período de
março de 2004 a Janeiro de 2008.
Safford, H.D. & Martinelli, G. 2000. Southeast Brazil. In: Porembski, S. & Barthlott (eds).
Inselbergs. Biotic diversity of isolated rock outcrops in tropical and temperate regions.
Ecological Studies. Springer. 146. p. 339-389.
Santos, M.G. et al. 2005. Cianogênese em esporófito de pteridófitas avaliada pelo teste do
ácido pícrico. Acta Botanica Brasilica 19(4): 783–788.
Santos, M.G. & Sylvestre, L.S. 2006. Aspectos florísticos e econômicos das pteridófitas de
um afloramento rochoso do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Acta Botanica Brasilica
20(1): 115–124.
Scarano, F.R. 2002. Structure, function and floristic relationships of plants communities in
stressful habits marginal to the Brazilian Atlantic forest. Annals of Botany 90: 517-524.
Scarano, F.R. 2007. Rock outcrop vegetation in Brazil: a brief overview. Revista Brasileira
de Botânica 30(4): 561-568.
Segadas-Vianna, F. & Dau, L. 1965. Ecology of the Itatiaia Range, southeastern Brazil. II.
Climate and altitudinal climatic zonation. Arquivos do Museu Nacional 53: 31-53.
Shepherd, G.J. 2003. Conhecimento de diversidade de plantas terrestres do Brasil.
Ministério
do
Meio
Ambiente,
Brasília.
www.mma.gov.br/estruturas/chm/_arquivos/plantas1. Arquivo da internet capturado em 12
de maio de 2006.
Taylor, N. & Zappi, D. 2004. Cacti of Eastern Brazil. Kew: The Royal Botanic Garden.
499p.
Waldemar, C.C. & Irgang, B.E. 2003. A ocorrência do mutualismo facultativo entre
Dyckia maritima Baker (Bromeliaceae) e o cupim Cortaritermes silvestrii (Holmgren),
Nasutitermitinae, em afloramentos rochosos no Parque Estadual de Itapuã, Viamão, RS.
Acta Botanica Brasilica 17(1): 37–48.
Wendt, T.; Paz, N.P.L. & Rios, R.I. 2000. A morphometric analysis of a putative hybrid
between Pitcairnia albiflos and P. staminea (Bromeliaceae). Selbyana 21 (1/2): 132-136.
Wendt, T. 2001. Hybridization and Reproductive isolation between four Pitcairnia species
in Brazilian rocky outcrops. Journal of Bromeliad Society 51: 73-79.
169
ANEXO
Listagem florística de espécies de Magnoliophyta presente nos afloramentos rochosos do Parque Estadual da
Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
FAMÍLIA
ACANTHACEAE
AGAVACEAE
ANACARDIACEAE
APOCYNACEAE
ARACEAE
ARECACEAE
ASCLEPIADACEAE
ASTERACEAE
BEGONIACEAE
BIGNONIACEAE
ESPÉCIES
Justicia brasiliana Roth
Lepidagathis nemoralis (Nees) Kameyana
Schaueria calycotricha (Link & Otto) Nees
Stenandrium mandioccanum Nees
Furcraea gigantea Vent.
Schinus terebinthifolius Raddi
Aspidosperma parvifolium A.DC.
Mandevilla crassinoda (Gardner) Woodson
Mandevilla guanabarica Cassareto ex M.F.
Salles, Kin-Gouw. & A.O. Simões
Prestonia coalita (Vell.) Woodson.
Anthurium coriaceum G. Don
Anthurium sucrei G.M. Barroso
Anthurium validinervium Engl.
Monstera adansonii var. klotzschiana
(Schott) Madison
Philodendron bipennifolium Schott
Philodendron corcovadense Kunth
Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman
Marsdenia loniceroides E. Fourn.
Oxypetalum banksii Schult. subsp. banksii
Peplonia riedelii (E. Fourn.) Fontella &
Rapini
Baccharis serrulata (Lam.) Pers.
Barrosoa apiculata (Gardn.) R.M. King &
H. Robinson
Barrosoa organensis (Gardn.) R.M. King &
H. Robinson
Campuloclinium macrocephalum (Less.)
DC.
Eupatorium odoratum L.
Heterocondylus vitalbae (DC.) R.M. King &
H. Robinson
Mikania hastifolia Baker
Praxelis clematidea (Griseb.) R.M. King &
H. Robinson
Tilesia baccata (L.) Pruski
Vernonia rupestris Gardner
Vernonia serrulata (Lam.) Pers.
Begonia maculata Raddi
Begonia reniformis Dryander
Begonia tomentosa Schott
Adenocalymma paulistarum Bureau & K.
Schum.
Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C.
Laroche
Anemopaegma chamberlaynii (Sims) Bureau
ex K. Schum.
Anemopaegma prostratum DC.
Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart.
Arrabidaea rego (Vell.) DC.
Jacaranda jasminoides (Thunb.) Sandwith
Lundia cordata (Vell.) A. DC.
HÁBITO
Arbusto
Erva
Arbusto
Erva
Erva
Árvore
Árvore
Trepadeira
Trepadeira
COLETORES
W.B. de Carvalho 160 et al.
A.A.M. de Barros 973 et al.
F.E. Miranda 18 et al.
A.A.M. de Barros 1662 et al.
T. Plowman 12855 et al.
A.A.M. de Barros 1922 et al.
R.H.P. Andreata 696 et al.
L.O.F. de Sousa 123 et al.
A.A.M. de Barros 679 et al.
Trepadeira
Erva
Erva
Erva
Hemiepífita
A.A.M. de Barros 2757 et al.
A.A.M. de Barros 1492 et al.
R.S. de Oliveira 39 et al.
E.N. Fontes 08 et al.
T.A. da Silva 91 et al.
Hemiepífita
Hemiepífita
Árvore
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
L.O.F. Sousa 49 et al.
W.B. de Carvalho 158 et al.
R.S. de Oliveira 22 et al.
L.O.F. de Sousa 66
A.A.M. de Barros 768 et al.
L.J.S. Pinto 433 et al.
Erva
Erva
R. de C. C. Silva 06 et al.
M.G. Santos 1277 et al.
Erva
R.H.P. Andreata 314 et al.
Erva
K.A. Lúcio 25 et al.
Erva
Erva
L.J.S. Pinto 119 et al.
P.W. Feteira 50 et al.
Trepadeira
Erva
R.S. Oliveira 53 et al.
A.A.M. de Barros 1025 et al.
Erva
Árvore
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeira
V.C. Matos 37 et al.
L.T. Vassal 80 et al.
A.A.M. de Barros 781 et al.
A.A.M. de Barros 2792 et al.
A.A.M. de Barros 2799 et al.
A.A.M. de Barros 2798 et al.
R.H.P. Andreata 354 et al.
Trepadeira
A.A.M. de Barros 2039 et al.
Trepadeira
K.M. Leal 23 et al.
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Arbusto
Trepadeira
L.J.S. Pinto 399 et al.
A.A.M. de Barros 1529 et al.
A.A.M. de Barros 767 et al.
K.M. Leal 47 et al.
H.P. Moreira 15 et al.
170
BOMBACACEAE
BORAGINACEAE
BROMELIACEAE
CACTACEAE
CANNACEAE
CAPPARACEAE
CLUSIACEAE
Tabebuia chrysotricha (Mart. ex DC.)
Standl.
Xylophragma pratense (Bureau & K.
Schum.) Sprague
Ceiba erianthos (Cav.) K. Schum.
Pseudobombax grandiflorum (Cav.) A.
Robyns
Quararibea turbinata (Sw.) Poir.
Cordia curassavica (Jacq.) Roem. & Schult.
Cordia guazumaefolia (Desv.) Roem. &
Schult.
Tournefortia salicifolia A. DC.
Aechmea nudicaulis (L.) Griseb. var.
nudicaulis
Aechmea ramosa var. ramosa Mart. ex
Schult. f.
Aechmea sphaerocephala Baker
Alcantarea glaziouana (Lemaire) Leme
Billbergia amoena (Lodd.) Lindl.
Billbergia iridifolia (Nees & Mart.) Lindl.
Bromelia antiacantha Bertoloni
Cryptanthus acaulis (Lindl.) Beer
X Hohemea itaipuana B.R. Silva & L.O.F.
Sousa
Neoregelia abendrothae L.B. Smith
Neoregelia cruenta (R. Graham) L.B. Smith
X Pitcairnia albiflos x staminea
Pitcairnia flammea Lindl.
Pitcairnia staminea Loddiges
Pseudoananas sagenarius (Arruda da
Câmara) Camargo
Tillandsia araujei Mez
Tillandsia dura Baker
Tillandsia gardneri Lindl.
Tillandsia geminiflora Brongniart
Tillandsia stricta Soland. var. stricta
Vriesea botafogensis Mez
Vriesea costae E. Leme & B. Rezende
Vriesea eltoniana Pereira & Ivo
Vriesea neoglutinosa Mez
Vriesea procera (Mart. ex Schult. f.) Wittm.
Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A. Berg.
Coleocephalocereus fluminensis (Miq.)
Backeb
Hylocereus setaceus (Salm-Dyck) R. Bauer
Opuntia monacantha Haw.
Pereskia aculeata Mill.
Pereskia grandiflora Pfeiff. subsp.
grandiflora
Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles ex
G.D. Rowley.
Rhipsalis cereoides (Backeb & Voll.)
Backeb.
Canna denudata Roscoe
Capparidastrum brasilianum (DC.) Hutch.
Capparis flexuosa (L.) L.
Cleome diffusa Banks ex DC.
Crateva tapia L.
Clusia criuva Cambess.
Árvore
K.M. Leal 03 et al.
Trepadeira
L.O.F. de Sousa 207 et al.
Arbusto
Árvore
A.A.M. de Barros 1539 et al.
L.J.S. Pinto 133 et al.
Arbusto
Arbusto
Arbusto
A.A.M. de Barros 1498 et al.
A.A.M. de Barros 672 et al.
K.A. Lúcio 91 et al.
Arbusto
Erva
A.A.M. de Barros 2305 et al.
L.J.S. Pinto 120 et al.
Erva
R. de C.C. Silva 58 et al.
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
T. Wendt 330 et al.
L.J.S. Pinto 83 et al.
L.O.F. Sousa 122 et al.
A.A.M. de Barros 2070 et al.
A.A.M. de Barros 3133 et al.
L.O.F. Sousa 225
L.O.F. Sousa 347 et al.
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
R.H.P. Andreata 204 et al.
F. Pinheiro 55 et al.
A.A.M. de Barros 776 et al.
L.O.F. Sousa 228
A.A.M. de Barros 2878 et al.
F. Pinheiro 175 et al.
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Erva
A.A.M. de Barros s.n.
A.A.M. de Barros 1502 et al.
L.O.F. Sousa 354 et al.
L.O.F. Sousa 46 et al.
L.J.S. Pinto 157 et al.
R. de C.C. Silva 17 et al.
A.A.M. de Barros 992
A.A.M. de Barros 788 et al.
A.A.M. de Barros 790 et al.
L.O.F. Sousa 203 et al.
L.J.S. Pinto 458 et al.
A.A.M. de Barros 2299 et al.
Erva
Erva
Trepadeira
Árvore
A.A.M. de Barros 1274
A.A.M. de Barros 2301 et al.
A.A.M. de Barros 1480 et al.
A.A.M. de Barros 2322 et al.
Erva
A.A.M. de Barros 2300 et al.
Erva
A.A.M. de Barros 2302 et al.
Erva
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
A.A.M. de Barros 2221 et al.
A.A.M. de Barros 2214 et al.
A.A.M. de Barros 1278
L.J.S. Pinto 156 et al.
A.A.M. de Barros 1731 et al.
M.G. Santos 1098 et al.
171
COMMELINACEAE
COMMELINACEAE
CONVOLVULACEAE
CRASSULACEAE
CYPERACEAE
DICHAPETALACEAE
DIOSCOREACEAE
DIOSCOREACEAE
ERYTHROXYLACEAE
EUPHORBIACEAE
FLACOURTIACEAE
GESNERIACEAE
HIPPOCRATEACEAE
ICACINACEAE
IRIDACEAE
LEGUMINOSAE
Kielmeyera membranacea Casar.
Dichorisandra hexandra (Aubl.) Standl.
Dichorisandra thyrsiflora J.C. Mikan
Siderasis fuscata (Lood.) Moore
Evolvulus glomeratus Nees & Mart.
Jacquemontia martii Choisy
Operculina macrocarpa (L.) Urb.
Kalanchoe crenata (Andrews) Haw.
Cyperus hermaphroditus (Jacq.) Standl.
Rhynchospora exaltata Kunth.
Trilepis lhotzkiana Nees ex Arn.
Stephanopodium sessile Rizzini
Dioscorea mollis Mart.
Dioscorea piperifolia Humb. & Bonpl. ex
Willd.
Erythroxylum pulchrum A. St. Hil.
Acalypha amblyodonta Müll. Arg. (Müll.
Arg.)
Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax
Actinostemon concolor (Spreng.) Müll. Arg.
Bernardia axillaris (Spreng.) Müll. Arg.
Croton compressus Lam.
Croton klotzschii (Didr.) Baill.
Dalechampia alata Müll. Arg.
Dalechampia brasiliensis Lam.
Dalechampia micromeria Baill.
Dalechampia pentaphylla Lam.
Euphorbia comosa Vell.
Euphorbia insulana Vell.
Jatropha gossypiifolia L.
Manihot leptopoda (Müll. Arg.) D.J. Rogers
& Appan
Margaritaria nobilis L.f.
Sebastiania brasiliensis Spreng.
Stillingia dichotoma Müll. Arg.
Casearia luetzelbergii Sleumer
Casearia obliqua Spreng.
Paliavana prasinata (Ker-Gawl) Benth.
Sinningia aggregata (Ker-Gawl) Wiekler
Sinningia bulbosa (Ker-Gawl) Wiehler
Sinningia pusilla (Mart.) Baill.
Sinningia speciosa (Lood.) Hiern
Hippocratea volubilis L.
Salacia arborea (Leandro) Peyr.
Citronella paniculata (Mart.) R.A. Howard
Neomarica candida (Hassl.) Sprague
Neomarica gracilis (Herb.) Sprague
Bauhinia radiata Vell.
Dioclea violacea Mart. ex Benth.
Inga congesta T.D. Penn.
Inga cordistipula Mart.
Machaerium lanceolatum (Vell.) J.F. Macbr.
Mimosa velloziana Mart.
Senegalia bahiensis (Benth.) Seigler &
Ebinger
Senegalia velutina (DC.) Seigler & Ebinger
Árvore
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeira
Trepadeira
Erva
Erva
Erva
Erva
Árvore
Trepadeira
Trepadeira
A.A.M. de Barros 2567 et al.
D.S.D. Araujo 4779 et al.
A.A.M. de Barros 663 et al.
A.A.M. de Barros 3127 et al.
A.A.M. de Barros s.n.
A.A.M. de Barros 689 et al.
L.O.F. Sousa 314 et al.
W.B. de Carvalho 32 et al.
A.A.M. de Barros 978 et al.
A.A.M. de Barros 686 et al.
A.A.M. de Barros 659 et al.
M.C.F. dos Santos 221 et al.
A.A.M. de Barros 1530 et al.
A.A.M. de Barros 2087 et al.
Árvore
Arbusto
L.O.F. Sousa 342
A.A.M. de Barros 1654 et al.
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Arbusto
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Erva
Erva
Arbusto
Arbusto
A.A.M. de Barros 653 et al.
A.A.M. de Barros 974 et al.
A.A.M. de Barros 2095 et al.
A.A.M. de Barros 1467 et al.
A.A.M. de Barros 927 et al.
A.A.M. de Barros 1758 et al.
L.J.S. Pinto 134 et al.
L.J.S. Pinto 556 et al.
L.J.S. Pinto 384 et al.
A.A.M. de Barros 1113 et al.
L.O.F. Sousa 277 et al.
A.A.M. de Barros 2471
A.A.M. de Barros 2551
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeira
Árvore
Arbusto
Erva
Erva
Trepadeira
Trepadeira
Árvore
Árvore
Trepadeira
Trepadeira
Árvore
A.A.M. de Barros 2314 et al.
A.A.M. de Barros 774 et al.
A.A.M. de Barros 2558
R.H.P. Andreata 94
R.H.P. Andreata 914
A.A.M. de Barros 2549
R.H.P. Andreatta 542 et al.
A.A.M. de Barros 2219 et al.
A.A.M. de Barros 982 et al.
L.J.S. Pinto 431 et al.
A.A.M. de Barros 2113 et al.
L.O.F. Sousa 344
W.B. de Carvalho 157 et al.
A.A.M. de Barros 2920
A.A.M. de Barros 1921 et al.
A.A.M. de Barros 1932 et al.
L.J.S. Pinto 117 et al.
A.A.M. de Barros 1116 et al.
A.A.M. de Barros 2213 et al.
A.A.M. de Barros 1928 et al.
A.A.M. de Barros 1100 et al.
F. Pinheiro 188
Árvore
A.A.M. de Barros 770 et al.
172
MALPIGHIACEAE
MARANTACEAE
MARCGRAVIACEAE
MELASTOMATACEAE
MELIACEAE
MENISPERMACEAE
MORACEAE
MYRTACEAE
MYRTACEAE
NYCTAGINACEAE
OCHNACEAE
OLACACEAE
OLEACEAE
ORCHIDACEAE
Senegalia sp. 1
Senna affinis (Benth.) H.S. Irwin & R.C.
Barneby
Sophora tomentosa L.
Vigna adenantha (G. Mey) Maréchal,
Mascherpa & Stainer
Zornia latifolia Sm.
Amorimia rigida (A. Juss.) W.R. Anderson
Heteropterys chrysophylla (Lam.) Kunth
Niedenzuella acutifolia (Cavanilles) W.R.
Anderson
Peixotoa hispidula A. Juss.
Stigmaphyllon auriculatum (Cav.) A. Juss.
Stigmaphyllon paralias A. Juss.
Stigmaphyllon vitifolium A. Juss.
Thryallis brachystachys Lindl.
Calathea violacea Lindley
Maranta divaricata Roscoe
Stromanthe tonckat (Aubl.) Eichler
Schwartzia brasiliensis (Choise) Bedell ex
Giraldo-Canãs
Tibouchina corymbosa (Raddi) Cogn.
Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn.
Trichilia casaretti C. DC.
Chondrodendron platiphyllum (A. St. Hil.)
Miers
Cecropia glaziovi Snethlage
Cecropia lyratiloba Miquel
Ficus arpazusa Casar.
Eugenia candolleana DC.
Eugenia jurujubensis Kiaersk.
Eugenia monosperma Vell.
Eugenia oxyoentophylla Kiaersk.
Eugenia punicifolia (Kunth) DC.
Eugenia rotundifolia Casar.
Eugenia uniflora L.
Eugenia nov. sp. 1
Marlierea racemosa (Vell.) Kiaersk.
Myrcia insularis (O. Berg) Kiaersk.
Myrcia selloi (Spreng.) N. Silveira
Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.) O.
Berg
Plinia ilhensis G.M. Barroso
Psidium guineensis Sw.
Bougainvillea spectabilis Willd.
Guapira opposita (Vell.) Reitz
Guapira pernambucensis (Casar.) Lundell
Ouratea cuspidata Tiegh.
Heisteria perianthomega (Vell.) Sleumer
Chionanthus fluminensis (Miers) P.S. Green
Brassavola tuberculata Hook.
Campylocentrum robustum Cogn.
Cattleya forbesii Lindl.
Constantia rupestris Barb. Rodr.
Cyrtopodium polyphyllum (Vell.) Pabst ex F.
Barros
Eltroplectris triloba (Lindl.) Pabst
Trepadeira
Arbusto
N. Coqueiro 26 et al.
L.J.S. Pinto 178 et al.
Arbusto
Trepadeira
W.B. de Carvalho 21 et al.
A.A.M. de Barros 2288 et al.
Erva
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
L.O.F. Sousa 73 et al.
A.A.M. de Barros 1469 et al.
A.A.M. de Barros 928 et al.
A.A.M. de Barros 919
Arbusto
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Erva
Erva
Erva
Trepadeira
T.A.M. Muritiba 66 et al.
A.A.M. de Barros 1499 et al.
A.A.M. de Barros 1540 et al.
A.A.M. de Barros 777 et al.
A.A.M. de Barros 1392
A.A.M. de Barros 678 et al.
A.A.M. de Barros 1896 et al.
A.A.M. de Barros 2062 et al.
R.S. de Oliveira 15 et al.
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeira
A.A.M. de Barros 1388
A.A.M. de Barros 2750 et al.
A.A.M. de Barros 1500 et al.
A.A.M. de Barros 780 et al.
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
A.A.M. de Barros 2602 et al.
M.C.F. dos Santos 478 et al.
M.C.F. dos Santos 504 et al.
A.A.M. de Barros 1489 et al.
A.A.M. de Barros 957 et al.
L.J.S. Pinto 208
L.J.S. Pinto 151
L.J.S. Pinto 137 et al.
F. Pinheiro 168 et al.
A.A.M. de Barros 655 et al.
L.J.S. Pinto 440 et al.
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
R.H.P. Andreata 473 et al.
R.H.P. Andreata 940 et al.
A.A.M. de Barros 2303 et al.
A.A.M. de Barros 2795 et al.
Árvore
Árvore
Trepadeira
Árvore
Trepadeira
Árvore
Árvore
Arbusto
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
A.A.M. de Barros 2889 et al.
L.O.F. de Sousa 71 et al.
A.A.M. de Barros 2236 et al.
A.A.M. de Barros 2504 et al.
W.B. de Carvalho 20 et al.
A.A.M. de Barros 1101 et al.
L.J.S. Pinto 81 et al.
A.A.M. de Barros 771 et al.
A.A.M. de Barros s.n.
L.J.S. Pinto 175 et al.
L.J.S. Pinto 149 et al.
F. Pinheiro 146 et al.
A.A.M. de Barros 2552
Erva
F. Pinheiro 161
173
PASSIFLORACEAE
PIPERACEAE
POACEAE
POLYGALACEAE
RHAMNACEAE
RUBIACEAE
SAPINDACEAE
SAPOTACEAE
SMILACACEAE
SOLANACEAE
TURNERACEAE
Epidendrum denticulatum Barb. Rodr.
Epidendrum filicaule (Sw.) Lindl.
Habenaria parviflora Lindl.
Maxillaria marginata Fenzl
Octomeria alpina Barb. Rodr.
Oncidium ciliatum Lindl.
Oncidium fimbriatum Hoffmanns.
Oncidium pumilum Lindl.
Pleurothallis grobyi Lindl.
Pleurothallis saundersiana Rchb. f.
Prescottia plantaginea Lindl.
Sarcoglottis fasciculata (Vell.) Schltr.
Sophronites cernua Lindl.
Vanilla bahiana Hoehne
Passiflora alata Curtis
Passiflora farneyi Pessoa & Cervi
Passiflora racemosa Brot.
Peperomia incana (Haw.) Hook.
Peperomia rubricaulis (Nees) A. Dietr.
Piper mollicomum Kunth
Olyra ciliatifolia Raddi
Olyra latifolia L.
Oplismenus hirtellus (L.) P. Beauv.
Panicum racemosum (P. Beauv.) Spreng.
Saccharum asperum (Nees) Steud.
Setaria parviflora (Poir) Kerguélen
Polygala albicans (A.W. Benn.) Grondona
Condalia buxifolia Reissek
Borreria verticillata (L.) G. Meyer
Coussarea capitata (Benth.) Benth. et Hook.
f.
Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schum.
Emmeorhiza umbellata (Spreng.) K. Schum.
Faramea stipulacea (Cham. & Schltdl.) DC.
Genipa americana L.
Manettia mitis var. fimbriata (Cham. &
Schltdl.) K. Schum.
Mitracarpus lhotzkyanus Cham.
Randia armata (Sw.) DC.
Rudgea minor ssp. minor Benth.
Tocoyena bullata (Vell.) Mart.
Conchocarpus ovatus (A. St. Hil. & Tul.)
Kallunki & Pirani
Esenbeckia febrifuga (A. St. Hil.) Juss.
Esenbeckia grandiflora Mart. subsp.
grandiflora
Pilocarpus spicatus A. St. Hil.
Cupania emarginata Cambess.
Cupania oblongifolia Mart.
Paullinia racemosa Wawra
Serjania corrugata Radlk.
Chrysophyllum lucentifolium Cronquist
Smilax quinquenervia Vell.
Aureliana fasciculata (Vell.) Sendtn.
Metternichia princeps Mikan var. princeps
Turnera serrata Vell. var. latifolia
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Erva
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Erva
Erva
Arbusto
Erva
Erva
L.J.S. Pinto 86 et al.
F. Pinheiro 195 et al.
F. Pinheiro 194
F. Pinheiro 181
F. Pinheiro 173
F. Pinheiro 204
F. Pinheiro 180
F. Pinheiro 215
L.O.F. de Sousa 41 et al.
F. Pinheiro 151
L.J.S. Pinto 52 et al.
K.A. Lúcio 23 et al.
L.O.F. de Sousa 208 et al.
L.J.S. Pinto 123 et al.
L.J.S. Pinto 424 et al.
L.J.S. Pinto 159
A.A.M. de Barros 585 et al.
A.A.M. de Barros 1184 et al.
A.A.M. de Barros 929 et al.
A.A.M. de Barros 1394
L.J.S. Pinto 388 et al.
A.A.M. de Barros 2069 et al.
Erva
A.A.M. de Barros 2776 et al.
Erva
Erva
Erva
Arbusto
Arbusto
Erva
Arbusto
A.A.M. de Barros 2888 et al.
P.W. Feteira 45 et al.
N. Coqueiro 273 et al.
E.N. Fontes 13 et al.
D.S.D. Araujo 3152 et al.
P.T. dos Santos 92 et al.
W.B. de Carvalho 44 et al.
Árvore
Trepadeira
Arbusto
Árvore
Trepadeira
A.A.M. de Barros 950 et al.
A.A.M. de Barros 773 et al.
A.A.M. de Barros 2875 et al.
F. Pinheiro 187
A.A.M. de Barros 2532 et al.
Erva
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
L.J.S. Pinto 197 et al.
A.A.M. de Barros 2714 et al.
A.A.M. de Barros 1531 et al.
L.J.S. Pinto 152
A.A.M. de Barros 2060 et al.
Árvore
Árvore
R.H.P. Andreata 484 et al.
A.A.M. de Barros 2151 et al.
Arbusto
Árvore
Árvore
Trepadeira
Trepadeira
Árvore
Trepadeira
Arbusto
Árvore
Arbusto
A.A.M. de Barros 2334 et al.
K.A. Lúcio 77 et al.
A.A.M. de Barros 1903 et al.
A.A.M. de Barros 2038 et al.
A.A.M. de Barros 1890 et al.
A.A.M. de Barros 2541 et al.
A.A.M. de Barros 943 et al.
A.A.M. de Barros 2473
A.A.M. de Barros 1516 et al.
A.A.M. de Barros 2294 et al.
174
ULMACEAE
VELLOZIACEAE
VERBENACEAE
VIOLACEAE
VITACEAE
Celtis ehrenbergiana (Klotzsch) Liebm.
Barbacenia purpurea Hook.
Vellozia candida J.C. Mikan
Vitex polygama Cham.
Anchietea pyrifolia var. hilariana (Eichl.)
Marquete et Dan.
Rinorea laevigata (Solander ex Gingins)
Hekking
Cissus paullinifolia Vell.
Árvore
Erva
Erva
Árvore
Trepadeira
A.A.M. de Barroos 1619
M.C.F. dos Santos 32 et al.
K.M. Leal 06 et al.
R.H.P. Andreata 543 et al.
A.A.M. de Barros 1509 et al.
Arbusto
A.A.M. de Barros 2218 et al.
Trepadeira
A.A.M. de Barros 772 et al.
175
Artigo V
ANÁLISE FITOSSOCIOLÓGICA DO ESTRATO
LENHOSO NO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DA
TIRIRICA, NITERÓI E MARICÁ,
RIO DE JANEIRO, BRASIL
Ana Angélica M. de Barros & Dorothy Sue Dunn Araujo
Artigo a ser submetido à Rodriguésia
176
Análise Fitossociológica do Estrato Lenhoso no Parque
Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá,
Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO – (Análise fitossociológica do estrato lenhoso no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e
Maricá, Rio de Janeiro, Brasil). Parque Estadual da Serra da Tiririca corresponde a um maciço costeiro
coberto por floresta ombrófila densa situada no estado do Rio de Janeiro. O estudo foi realizado em três
diferentes áreas com critério de inclusão de DAP≥ 2,5 cm, utilizando-se 10 transects de 2 m X 50 m,
totalizando 0,1 ha em cada área. Apenas indivíduos lenhosos foram medidos, considerando-se árvores,
arbustos e trepadeiras. Foram amostrados 1.449 indivíduos, correspondendo a 215 espécies, 1 morfo-espécie,
146 gêneros e 54 famílias. 140 espécies são arbóreas, 39 arbustos e 36 trepadeiras. As dez famílias mais
representativas são Myrtaceae (26 spp.), Leguminosae (24 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.),
Bignoniaceae (13 spp.), Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10 spp.) e Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae
(6 spp.). As espécies dominantes são Pseudopiptadenia contorta no Morro do Telégrafo, Cupania racemosa
no Morrote do Córrego dos Colibris e Guapira opposita no Morro do Cordovil. No Morrote do Córrego
dos Colibris a vegetação encontra-se em regeneração mais recente. Foram obtidos altos valores de
diversidade (H’) no Morro do Cordovil (4,59), Morro do Telégrafo (4,17) e Morro do Telégrafo (3,24).
Os dados mostram que a Serra da Tiririca encontra-se em diferentes estádios de regeneração, porém
vêm se recuperando naturalmente. Trata-se de um importante fragmento de floresta ombrófila densa
que ainda detêm uma diversidade florística relevante e que deveria ser mais bem protegida pelo poder
público.
Palavras chaves: Fitossociologia, Mata Atlântica, Serra da Tiririca
Abstract – (Structure analysis of woody strata on Serra da Tiririca State Park, Niterói and Maricá, Rio de
Janeiro, Brazil). The Serra da Tiririca State Park corresponds to a coastal massif covered by dense
ombrophilous forest localize on Rio de Janeiro. The structure survey was realized on three different areas
with DAP ≥ 2.5 cm including criteria, using 10 transects of 2 m X 50 m, totalizing 0.1 ha in each area.
Woody individuals were measured including trees, bushes and climbers. 1.449 individuals were sampled,
corresponding to 215 species, 1 morfo-specie, 146 genera and 54 families. 140 species are arboreal, 39
bushes e 36 climbers. The ten most representative families are Myrtaceae (26 spp.), Leguminosae (24 spp.),
Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.), Bignoniaceae (13 spp.), Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10
spp.) and Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae (6 spp.). The dominant species are Pseudopiptadenia contorta on
Morro do Telégrafo, Cupania racemosa on Córrego dos Colibris little Hill and Guapira opposita on Morro
do Cordovil. The vegetation on Córrego dos Colibris little Hill is founded on more recent regeneration. High
diversity scores (H’) were obtained on Morro do Cordovil (4,59), Morro do Telégrafo (4,17) e Córrego dos
Colibris (3,24). The data shows that the Serra da Tiririca is on different regeneration states, but is recovering
naturally. It is a dense ombrophilous forest important fragment that still detain a relevant floristic diversity
and should been well protected by the public authorities.
Key Words: Structure, Atlantic Forest, Serra da Tiririca
INTRODUÇÃO
O processo de ocupação do litoral brasileiro resultou na intensa degradação da Mata
Atlântica alterando a paisagem, fragmentando as áreas florestadas e ocasionando perda de
diversidade biológica. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica (2002), apenas 6% da
cobertura original restou ao longo da costa brasileira. Embora o estado do Rio de Janeiro
esteja totalmente inserido no bioma Mata Atlântica, só é possível encontrar áreas
florestadas em apenas 16,73% do território fluminense, ou seja, 734.629 ha. A maioria
177
dessas áreas apresenta um relevo acidentado, o que dificultou sua ocupação histórica pela
exploração econômica extrativista, práticas agrícolas e pecuárias degradadoras, além do
estabelecimento das cidades e expansão urbana. Apenas 29,8% estão teoricamente
protegidas em Unidades de Conservação a níveis federal e estadual (SOS Mata Atlântica
2002). As demais áreas estão à mercê das questionáveis políticas ambientais em todas as
esferas do poder e aos diferentes interesses econômicos justificáveis pela tônica geração de
emprego e renda.
Apesar de ter sua área drasticamente reduzida, os fragmentos florestais ainda detêm
importantes informações sobre a diversidade biológica da Mata Atlântica, mesmo após
décadas de isolamento (Turner & Corlett 1996). Dessa forma, os estudos florísticos e
fitossociológicos são estratégicos para, não só conhecer essa diversidade, mas também
gerar argumentos sólidos que visem à conservação desses fragmentos florestais, associados
ao restabelecimento da conectividade dessas áreas.
Estudos fitossociológicos enfocando a Mata Atlântica do Rio de Janeiro vêm
ganhando destaque nos últimos 20 anos (Guedes 1988; Rodrigues 1996; Guedes-Bruni et
al. 1997; Pessoa et al. 1997; Kurtz & Araujo 2000; Silva & Nascimento 2001; Bórem &
Ramos 2001; Bórem & Oliveira-Filho 2002; Moreno et al. 2003; Sá 2006; Guedes-Bruni et
al. 2006a; Pessoa & Oliveira 2006). Esses estudos foram realizados principalmente em
áreas Unidades de Conservação de Proteção Integral e Uso Sustentável nas Regiões
Serrana, dos Lagos e norte fluminense.
Uma grande lacuna de informações em relação à composição florística e estrutura
dos maciços litorâneos foi apontada por Sá (2006) que apontou a escassez de
conhecimentos sobre os remanescentes florestais entre a região de Cabo Frio e Niterói.
Dessa forma o presente estudo tem a finalidade de descrever e caracterizar a estrutura e a
diversidade florística em diferentes áreas do Parque Estadual da Serra da Tiririca.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram escolhidas três áreas do Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) para a
amostragem fitossociológica. O critério de escolha baseou-se em prospecções de campo
que vinham sendo desenvolvidas de forma sistemática desde 1997. Foram consideradas
áreas em diferentes estádios de conservação de acordo com o histórico de uso da terra na
178
antiga Fazenda Engenho do Mato. Outro fator importante é a acessibilidade, uma vez que o
entorno do PEST é densamente ocupado por condomínios de luxo, residências de alta,
média e baixa renda, além de posses e sítios particulares dentro e fora do Parque. Poucas
trilhas tradicionais que levam a cumeeira dos morros permaneceram abertas e acessíveis.
Desta forma, a amostragem foi realizada em dois pontos no Morro do Telégrafo e um no
Morro do Cordovil: a) Morro do Telégrafo, Cumeeira da Serra da Tiririca via Trilha da
Barreira (22º56’45,8”S; 43º00’16,8”W, altitude máxima 334 msm); b) Morro do Telégrafo,
Morrote do Córrego dos Colibris (22º56’57,3”S; 43º01’17,2”W, altitude máxima 135
msm) e c) Morro do Cordovil no Vale das Borboletas, final da Rua 7 do Loteamento
Jardim Fluminense (22º55’18,4”S; 42º59’58,2”W, altitude máxima 252 msm).
A amostragem fitossociológica baseou-se na metodologia utilizada por Gentry
(1982). Essa técnica permite uma avaliação rápida da diversidade vegetal lenhosa local e
inclui na amostragem as trepadeiras. Como esse autor trabalhou em divesas partes do
mundo usando uma metodologia uniforme, é possível comparar os dados locais com esses
lugares. Em cada área foram estabelecidas 10 parcelas de 2,0 X 50,0 m sob a forma de
transectos, totalizando unidades amostrais de 100 m2 (0,1 ha em cada área) distribuídas nas
vertentes N e S, tomando como base a cumeeira dos morros. Estabeleceu-se 20 m mínimos
de distanciamento entre os transectos.
Nessas unidades amostrais todos os indivíduos lenhosos, incluindo arbustos,
arvoretas, árvores e trepadeiras foram medidos, usando como critério de inclusão o
Diâmetro a Altura do Peito (DAP) ≥ 2,5 cm a 1,30 m do ponto de enraizamento e altura
mínima de 2,0 m. Incluiu-se na amostragem a palmeira acaule Attalea humilis, sendo
medido o DAP do pecíolo. As alturas de árvores, arvoretas e arbustos foram estimadas a
partir do comprimento do podão de vara. Indivíduos enraizados no limite das parcelas
foram marcados quando mais da metade de seu diâmetro estava dentro da parcela. Quando
os indivíduos apresentavam ramificações foram consideradas apenas aquelas que tinham
DAP ≥ 2,5 cm para posterior cálculo da área basal. O DAP das trepadeiras foi medido a
1,30 m de comprimento em relação ao seu ponto de enraizamento. Quando o mesmo
indivíduo apresentava mais de um ponto de enraizamento foi considerado um único
indivíduo. Não foram medidas as alturas das trepadeiras.
Todos os indivíduos, férteis ou não, foram coletados em campo, exceto as
palmeiras, recebendo códigos para identificação da área amostrada. Esse material foi
179
herborizado e seco em estufa 60ºC. A identificação das espécies baseou-se na bibliografia
especializada, comparações nos Herbários fluminenses (RB, GUA, RFFP) e consultas aos
taxonomistas especialistas. Como a maior parte das plantas coletadas não estava fértil
utilizou-se bibliografia com chaves de identificação para material estéril para famílias e
gêneros (Gentry 1993; Vaz & Vieira 199; Lima et al. 1994). O material testemunho foi
incorporado ao Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). Seguiu-se o sistema
de Cronquist (1981) para organização das famílias, exceto Leguminosae que foi tratada
como uma única família como proposto por Polhill et al. (1981).
Os parâmetros fitossociológicos foram calculados pelo programa FITOPAC
(Shepherd 1995), sendo apresentado o valor de importância (VI) de espécies como
resultado do somatório dos parâmetros relativos de densidade, dominância e freqüência
(Brower & Zar 1984). Os cálculos basearam-se nas seguintes fórmulas:
Densidade Total (DT)
DT= N.U / A
Densidade Absoluta (DA)
DA= (ni / A) . U
Densidade Relativa (DR)
DR= (ni / N) . 100
Freqüência Absoluta (FA)
FA= (Pi / P) . 100
Freqüência Relativa (FR)
FR= (Fai / ∑ FA) . 100
Dominância Absoluta (DoA)
DoA= (Abi) . U /A
Dominância Relativa (DoR)
DoR= (Abi / ∑AB) . 100
Área Basal (AB)
AB= π . D2 / 4
Valor de Importância (VI)
VI= DRi + Fri + DoRi
Valor de Cobertura (VC)
VC= DRi + DoR
Onde: N= número total de Indivíduos, A= área amostrada em m2, U= 10000 m2,
Ni= número indivíduos da espécie i, P= número de parcelas amostradas, Pi= número de
parcelas onde ocorre a espécie i, Fai= freqüência absoluta da espécie i, ∑FA=somatório das
freqüências absolutas de todas as espécies, D= diâmetro, Abi= área basal da espécie i,
∑AB= somatório da área basal de todas as espécies, DRi= densidade relativa da espécie i,
FRi= freqüência relativa da espécie i e DoR= dominância relativa da espécie i.
O valor de importância das famílias (IVIF) foi calculado segundo fórmula proposta
por Mori et al. (1983). Esse índice leva em consideração a riqueza, dominância e
densidade para as famílias amostradas. IVIF= [NSpF / NTSp + NiF / NTi + ABF / ABT] .
180
100, onde: NSpF= número de espécies da família, NTSp= número total de espécies, NiF=
número de indivíduos da família, NTi= número total de indivíduos, ABF= área basal da
família e ABT= área basal total.
A diversidade (H’) para cada área amostrada foi calculada índice de Shannon H’= ∑рi . ln pi, onde pi =ni / N é a relação entre o número de indivíduos da espécie i (ni) e o
número total de indivíduos (N) e ln= logarítimo neperiano.
A equabilidade (J’) foi calculada de por fórmula proposta por Pielou (1975) apud
Magurran (1988) J’= H’ / ln S, onde S= número total de espécies amostradas. A
similaridade entre as áreas foi calculada pelo coeficiente de Sorensen Cs= 2j / (a+b), onde
j= número de espécies comuns nas áreas amostradas, a= número de espécies da área A e b=
número de espécies da área B (Magurran 1988).
As espécies arbóreas foram classificadas quanto a caráter sucessional em quatro
categorias, segundo Gandolfi et al. (1995):
a) Pioneiras: Espécies dependentes de luz que não ocorrem no sub-bosque, se
desenvolvendo em clareiras ou nas bordas das matas.
b) Secundárias iniciais: Espécies que ocorrem em condições de sombreamento médio ou
luminosidade não muito intensa, ocorrendo em pequenas clareiras, bordas de clareiras
grandes, bordas de floresta ou no sub-bosque não densamente sombreado.
c) Secundárias tardias: Espécies se desnvolvem no sub-bosque em condições de sombra
leve ou densa, podendo ai permanecer toda a vida ou então crescer até alcançar o dossel
ou a condição emergente.
d) Sem classificação: Espécies que em função da carência de informação não puderam ser
incluídas em nenhuma das categorias anteriores.
A classificação baseou-se em observações de campo, consulta aos especialistas
quando possível e principalmente na literatura que envolve a discussão sobre dinâmica
sucessional (Gandolfi et al. 1995; Sanchez et al. 1999; Dislich et al. 2001, Oliveira et al.
2001; Oliveira-Filho et al. 2004; Solórzano 2006).
181
RESULTADOS E DISCUSSÃO
ANÁLISE FLORÍSTICA
Nas três áreas estudadas foram amostrados 1.449 indivíduos, correspondendo a 215
espécies, 1 morfo-espécie, 146 gêneros e 54 famílias (Tabela 1). Dessas 98,1% foram
identificados em nível específico, 1,4% apenas em nível de gêneros (Eugenia sp.,
Myrciaria sp. e Abutilon sp.) e 0,5% permaneceu sem identificação.
Tabela 1: Número de gêneros, espécies/infra-espécies e morfo-espécie indeterminada da amostragem
fitossociológica do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Famílias
AMARANTHACEAE
ANACARDIACEAE
ANNONACEAE
APOCYNACEAE
ARALIACEAE
ARECACEAE
ASTERACEAE
BIGNONIACEAE
BOMBACACEAE
BORAGINACEAE
BURSERACEAE
CACTACEAE
CHRYSOBALANACEAE
CLUSIACEAE
CONNARACEAE
CONVOLVULACEAE
DICHAPETALACEAE
DILLENIACEAE
ELEOCARPACEAE
ERYTHROXYLACEAE
EUPHORBIACEAE
FLACOURTIACEAE
HIPPOCRATEACEAE
ICACINACEAE
LACISTEMATACEAE
LAURACEAE
LECYTHIDACEAE
LEGUMINOSAE
LOGANIACEAE
Gêneros
1
1
3
3
1
3
1
9
2
1
1
1
1
3
1
1
1
1
1
1
8
2
1
2
1
7
2
16
1
Espécies
1
1
4
3
1
3
1
13
2
1
1
1
2
4
1
1
1
1
1
3
11
4
1
2
1
14
2
24
1
MALPIGHIACEAE
MALVACEAE
MELASTOMATACEAE
MELIACEAE
MENISPERMACEAE
MONIMIACEAE
MORACEAE
MYRISTICACEAE
MYRTACEAE
NYCTAGINACEAE
OCHNACEAE
OLACACEAE
PIPERACEAE
POLYGONACEAE
PROTEACEAE
RUBIACEAE
RUTACEAE
SAPINDACEAE
SAPOTACEAE
SIMAROUBACEAE
THEOPHRASTACEAE
TILIACEAE
TRIGONIACEAE
ULMACEAE
VIOLACEAE
INDETERMINADA
Total
4
1
2
3
3
1
5
1
8
2
1
1
1
1
1
12
3
7
4
1
1
1
1
2
2
146
4
1
3
6
3
2
6
1
26
2
2
1
1
1
1
20
4
10
6
1
1
1
2
2
2
215
182
O Morro do Cordovil foi a área que apresentou maior riqueza de espécies, seguida
do Morro do Telégrafo e Córrego dos Colibris (Tabela 2). A contribuição das trepadeiras
para a diversidade local variou de 19,4% no Córrego dos Colibris, 15% no Morro do
Telégrafo e 13,3% no Morro do Cordovil. De forma geral, as trepadeiras correspondem a
22% no total de espécies levantadas no PEST (Barros & Araujo, capítulo 3).
Tabela 2: Diversidade e formas de crescimento por espécies com DAP ≥ 2,5 cm encontradas nas áreas
amostradas de 0,1 ha na Serra da Tiririca (n= de indivíduos).
ESPÉCIES
ÁREAS
FAMÍLIAS
GÊNEROS
ESPÉCIES
Morro do Telégrafo
44
90
113
Árvores/Arbustos
96
Trepadeiras
17
29
49
64
51
13
45
111
150
127
23
(n=506)
Córrego dos Colibris
(n=437)
Morro
do
Cordovil
(n=506)
As 10 famílias que apresentaram maior riqueza de espécies foram: Myrtaceae (26
spp.), Leguminosae (24 spp.), Rubiaceae (20 spp.), Lauraceae (14 spp.), Bignoniaceae (13
spp.), Euphorbiaceae (11 spp.), Sapindaceae (10 spp.) e Meliaceae/Moraceae/Sapotaceae
(6 spp.) (Figura 1). Essas famílias representam 63% da riqueza total das espécies
amostradas. Em Myrtaceae, Leguminosae, Lauraceae, Meliaceae, Moraceae e Sapotaceae
predominaram, principalmente, espécies arbóreas. Em Rubiaceae destacaram-se espécies
arbustivas e em Bignoniaceae trepadeiras.
MELIACEAE
Gêneros
SAPOTACEAE
Espécies
MORACEAE
SAPINDACEAE
EUPHORBIACEAE
BIGNONIACEAE
LAURACEAE
RUBIACEAE
LEGUMINOSAE
MYRTACEAE
0
5
10
15
20
25
30
Nº de Gêneros e Espécies
Figura 1: As dez famílias mais ricas em espécies na amostragem fitossociológica no
Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
183
Em outras áreas investigadas por Guedes-Bruni (1998) Myrtaceae, Leguminosae,
Rubiaceae, Lauraceae, Euphorbiaceae, Melastomataceae e Moraceae representam as
famílias com maior riqueza de espécies para a Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro.
Gentry (1982) aponta Leguminosae, Rubiaceae Euphorbiaceae e Bignoniaceae entre as 10
mais ricas do Neotrópico.
Leguminosae e Myrtaceae são famílias de destaque tanto em florestas ombrófilas
densas, quanto em florestas estacionais semideciduais. Também predominam nas florestas
tropicais de terras baixas e áreas sazonalmente secas no Neotrópico (Gentry 1982, 1988,
1995). Oliveira-Filho & Fontes (2000) verificaram que Myrtaceae chega a ser 40% mais
rica em florestas ombrófilas do que em florestas semideciduais, principalmente no que se
refere aos gêneros Eugenia, Myrcia, Marlieria e Gomidesia em altas e baixas altitudes.
Mori et al. (1981) também destaca Myrtaceae como a família dominante em termos de
riqueza de espécies na Mata Atlântica. A região Sudeste é considerada como o centro de
diversidade desse grupo taxonômico. Na região Neotropical essa riqueza é restrita a costa
brasileira, sendo típica também de muitas florestas na Austrália e Madagascar (Gentry
1988).
Os estudos realizados no estado do Rio de Janeiro mostram que Myrtaceae
predomina apenas na Reserva Biológica do Paraíso, no Imbé-250 m (Tabela 3) e na Serra
da Tiririca (Tabela 4), todas de formação ombrófila densa submontana. A maioria desses
trabalhos também destacou Leguminosae como a família com maior riqueza de espécies.
Porém, Leguminosae, Myrtaceae, Euphorbiaceae, Lauraceae e Rubiaceae são indicadas
como as famílias mais expressivas, mudando apenas de posição quanto à riqueza de
espécies. Nas florestas ombrófilas densas com histórico de degradação é interessante notar
o predomínio de Bignoniaceae arbóreas (Peixoto et al. 2004; Guedes-Bruni et al. 2006a).
Gentry (in Phillips & Miller 2002) trabalhou 126 localidades na América do Sul
utilizando a metodologia padrão de 0,1 ha, sendo cinco inventários realizados na região
Sudeste (Tabela 4). Não foram considerados os dados de Santa Genebra, Campinas, por
estarem incompletos. Esses estudos também mostram a alta riqueza de espécies em
Leguminosae, Myrtaceae e Rubiaceae. Leguminosae é mais representativa nas florestas
ombrófilas densas, principalmente no que se refere aos gêneros Inga e Machaerium
(Oliveira Filho & Fontes 2000).
184
Tabela 3: Famílias de maior riqueza de espécies em estudos fitossociológicos de diferentes trechos de Mata Atlântica no
estado do Rio de Janeiro. Método de parcelas com diferentes critérios de inclusão de DAP.
LOCALIDADE
FORMAÇÃO
FLORESTAL
Biovert, Silva Jardim
Floresta ombrófila
densa submontana
Imbau, Silva Jardim
Floresta ombrófila
densa submontana
Poço das Antas, Silva
Jardim
Floresta ombrófila
densa submontana
Poço das Antas, Silva
Jardim
Floresta ombrófila
densa submontana de
Terras baixas
Paraíso, Guapimirim
Floresta ombrófila
densa submontana
Imbé, Campos – 250 m
Floresta ombrófila
densa submontana
Imbé, Campos – 50 m
Floresta ombrófila
densa submontana
Capoeira Grande, Rio de
Janeiro
Floresta ombrófila
densa submontana
Macaé de Cima, Nova
Friburgo (antropizada)
Floresta ombrófila
densa montana
Macaé de Cima, Nova
Friburgo
Floresta ombrófila
densa montana
Bom Jesus, Campos
Mata do Carvão, Bom
Jesus de Itabapoana
Floresta estacional
semidecidual de terras
baixas
Floresta estacional
semidecidual de terras
baixas
FAMÍLIAS MAIS RICAS
(% espécies)
Leguminosae
Lauraceae
Euphorbiaceae
Rubiaceae
Annonaceae
Leguminosae
Lauraceae
Rubiaceae
Bignoniaceae
Euphorbiaceae
Euphorbiaceae
Leguminosae
Moraceae
Lauraceae/Melatomataceae/
Myrtaceae/Monimiaceae
Bignoniaceae
Leguminosae
Clusiaceae
Myrtaceae
Euphorbiaceae
Myrtaceae
Sapotaceae
Lauraceae
Rubiaceae
Melastomataceae
Myrtaceae
Sapotaceae
Leguminosae
Lauraceae
Moraceae
Leguminosae
Lauraceae
Moraceae
Myrtaceae
Sapotaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Euphorbiaceae
Bignoniaceae
Bombacaceae
Leguminosae
Lauraceae
Melatomataceae
Solanaceae
Asteraceae
Melastomataceae
Lauraceae
Myrtaceae
Leguminosae
Rubiaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Lauraceae
Euphorbiaceae
Anacardiaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Euphorbiaceae
Lecythidaceae
Rutaceae
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA
15,7
11,1
5,3
5,2
3,9
13,1
7,7
6,5
5,3
5,3
12,4
16,7
6,2
5,7
5,7
13,9
11,5
2,9
9,0
8,8
19,6
10,1
10,1
6,5
4,3
20,0
18,0
17,0
15,0
12,5
17,0
17,0
12,0
10,0
9,0
19,1
8,8
7,4
4,4
4,4
14,0
13,5
10,0
6,0
6,0
11,6
11,3
11,0
9,0
5,1
15,7
11,1
6,5
5,5
4,6
20,5
9,6
7,2
6,0
4,8
Bórem & Oliveira
Filho (2000)
Carvalho et al. (2006)
Guedes-Bruni et al.
(2006b)
Guedes-Bruni et al.
(2006a)
Kurtz
(2000)
&
Araujo
Moreno et al. (2003)
Moreno et al. (2003)
Peixoto et al. (2004)
Pessoa et al. (1997)
Guedes-Bruni et al.
(1997)
Carvalho et al. (2006)
Silva & Nascimento
(2001)
185
Rubiaceae também se sobressai nos levantamentos realizados, estando entre as
cinco famílias mais ricas das florestas neotropicais secas (Gentry 1995). Foi a quarta
família mais rica na Serra da Tiririca e também se destacou nos estudos em florestas
ombrófilas densas de Guedes-Bruni et al. (1997) em Macaé de Cima, Kurtz & Araujo
(2000) em Paraíso, Guapimirim e Carvalho et al. (2006) nas Matas do Imbau em Silva
Jardim. Também se sobressaiu nas áreas de floresta estacional semidecidual estudadas por
Sá (2006) no Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio. Oliveira-Filho & Fontes (2000)
mostraram a importância do gênero Psychotria, principalmente nas florestas ombrófilas,
sendo o mesmo foi observado na Serra da Tiririca.
A presença de Lauraceae entre as cinco famílias com maior riqueza de espécies se
deve principalmente a amostragem feita no Morro do Cordovil. Nessa área foram
registradas 12 espécies, no Morro do Telégrafo 6 espécies e no Córrego dos Colibris
apenas uma, Nectandra oppositifolia, que normalmente é encontrada em áreas secundárias
em regeneração. Em seu estudo no Centro de Diversidade de Cabo Frio Sá (2006) chama
atenção para a importância econômica da família Lauraceae devido à madeira de boa
qualidade fornecida pelas “canelas” para construção civil e fabricação de móveis. Dessa
forma, a escassez de espécies dessa família nas duas áreas pode ser explicada por se
localizar em áreas de antigas fazendas (Engenho do Mato e Itaipu), onde foram assentados
os sitiantes da reforma agrária que ocorreu nessa região de 1962. Contudo, nas áreas onde
antigos sítios foram abandonados a mata encontra-se em regeneração a cerca de 30 anos. A
área onde foi realizado o trabalho é mais preservada devido ao difícil acesso, solos rasos e
presença de grandes blocos de gnaisse facoidal, não sendo um bom local para agricultura.
Contudo, Lauraceae pode apresentar alta riqueza de espécies tanto em áreas alteradas
quanto preservadas. Em um trecho de floresta pertubada Macaé de Cima, na região serrana
do estado do Rio de Janeiro foi encontrado altos índices de riqueza de espécies de
Lauraceae. (Pessoa et al. 1997). Mas é preciso avaliar não só a riqueza, mas apontar as
espécies que caracterizam cada área, visto que muitas Lauraceae são consideradas
secundárias tardias e outras secundárias iniciais.
186
Tabela 4: Famílias de maior riqueza de espécies lenhosas em estudos fitossociológicos de diferentes trechos
de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro em 0,1 ha, com critério de inclusão de DAP ≥ 2,5
cm (Gentry 1982). n= número total de espécies
LOCALIDADE
FORMAÇÃO
FLORESTAL
Serra da Tiririca,
Niterói e Maricá, RJ
(n=216)
Floresta ombrófila
densa submontana
Camorim, Rio de
Janeiro, RJ
(n=158)
Floresta ombrófila
densa submontana
Serra de Sapiatiba,
São
Pedro
da
Aldeia, RJ
(n=140)
Floresta estacional
semidecidual
Ilha de Cabo Frio,
Arraial do Cabo, RJ
(n=129)
Floresta estacional
semidecidual
Morros da Piaçava e
Mico, Cabo Frio, RJ
(n=84)
Floresta estacional
semidecidual
Armação de Búzios,
RJ
(n=115)
Floresta estacional
semidecidual
Boraceia, SP
(n=124)
Floresta ombrófila
densa
Carlos
Botelho,
Ribeirão Branco, SP
(n=148)
Floresta ombrófila
densa
Reserva Florestal de
Linhares, ES
(n=219)
Floresta de
Tabuleiro
FAMÍLIAS MAIS RICAS
(% espécies)
Myrtaceae
Leguminosae
Rubiaceae
Lauraceae
Bignoniaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Rubiaceae
Sapindaceae
Celastraceae/Moraceae
Myrtaceae
Leguminosae
Bignoniaceae
Rubiaceae
Euphorbiaceae
Myrtaceae
Leguminosae
Rubiaceae
Lauraceae
Sapindaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Euphorbiaceae
Rubiaceae
Bignoniaceae
Leguminosae
Rubiaceae
Myrtaceae
Euphorbiaceae
Sapindaceae/Bignoniaceae
Myrtaceae
Lauraceae
Leguminosae
Rubiaceae
Sapindaceae/Myrsinaceae
Myrtaceae
Leguminosae
Rubiaceae
Bignoniaceae
Monimiaceae/Nyctaginaceae
Leguminosae
Myrtaceae
Sapotaceae
Bignoniaceae
Celastraceae/Lauraceae
REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA
12,8
11,0
9,1
6,4
5,9
10,7
9,5
7,6
5,7
5,1
23,6
12,8
6,4
5,7
3,6
11,6
10,8
8,5
7,7
6,2
17,8
16,7
7,1
5,9
5,9
14,8
9,6
9,6
6,0
5,2
23,4
9,7
6,5
6,5
4,0
21,6
7,4
6,1
4,7
4,1
14,6
14,1
6,4
5,0
4,1
Esse estudo
Gentry, Peixoto
& Oliveira in
Phillips & Miller
(2002)
Sá (2006)
Sá (2006)
Sá (2006)
Sá (2006)
Custódio-Filho &
Gentry in Phillips
& Miller (2002)
Gentry, Dias &
Franco in Phillips
& Miller (2002)
Gentry & Peixoto
in Phillips &
Miller (2002)
Gentry & Peixoto
(1990)
Embora famílias como Arecaceae e Myristicaceae apresentem número expressivo
de espécies nas florestas pluviais tropicas, são pouco representadas no PEST. Tal fato já foi
187
relatado por Peixoto & Gentry (1990) na Reserva da Vale do Rio Doce em Linhares (ES) e
também é observado em outras localidades inventariadas por Gentry (Tabela 4).
Em relação às formas de crescimento, as espécies de trepadeiras somam 16,2% da
amostragem e as espécies arbóreos-arbustivas 83,8%. A riqueza total de 140 espécies
arbóreas está distribuída 94 gêneros e 39 famílias, enquanto que a mesma avaliação para
arbustos mostram 39 espécies, 27 gêneros e 18 famílias. As trepadeiras apresentam 36
espécies, 29 gêneros e 14 famílias. Contudo, cabe ressaltar que Leretia cordata e Strychnos
acuta são espécies que possuem tanto o hábito trepador quanto arbustivo. S acuta foi
contabilizada como arbusto por ser a forma principal com que se apresenta no PEST. L.
cordata foi considerada arbusto no Morro do Telégrado e trepadeira no Morro do Cordovil.
Famílias
como
Apocynaceae,
Bignoniaceae,
Icacinaceae,
Leguminosae,
Malpighiaceae e Sapindaceae apresentam gêneros e espécies com hábito trepador e
arbustivo. A maior parte das espécies de Bignoniaceae amostradas é trepadeira (84,6%).
Bignoniaceae é a família que apresenta maior riqueza de espécies dentre as trepadeiras (10
spp.), seguida por Leguminosae (6 spp.) e Sapindaceae (5 spp.). Famílias como
Amaranthaceae,
Apocynaceae,
Connaraceae,
Convolvulaceae,
Dilleniaceae,
Hipocrateaceae apresentaram apenas uma espécie cada com hábito trepador. As espécies
arbóreo/arbustivas apresentaram maior riqueza nas famílias Myrtaceae (25 spp.),
Rubiaceae (20 spp.), Leguminosae (18 spp.), Lauraceae (14 spp.) e Euphorbiaceae (11
spp.). Juntas essas famílias representam 41,2% das espécies dessa forma de vida.
No Morro do Telégrafo foram registradas 113 espécies, 90 gêneros e 42 famílias,
sendo as principais famílias Leguminosae (15 spp.), Rubiaceae (13 spp.), Myrtaceae (8
spp.), Bignoniaceae (5 spp.) e Sapindaceae (5 spp.). Essas famílias representam 44,3% do
total da riqueza de espécies amostradas para essa área (Tabela 5). Leguminosae, Rubiaceae
e Myrtaceae mantêm o padrão de riqueza de espécies observadas na Mata Atlântica.
Leguminosae e Myrtaceae catacterizam o dossel desse tipo de vegetação (Guedes-Bruni
1998).
188
Tabela 5: Famílias mais ricas em espécies (%) com DAP ≥ 2,5 cm encontradas nas áreas amostradas de 0,1
ha do Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ (n= nº de espécies).
MORRO DO TELÉGRAFO
CÓRREGO DOS COLIBRIS
MORRO DO CORDOVIL
(n =113 spp.)
(n =64 spp.)
(n= 150 spp.)
Leguminosae
13,3
Bignoniaceae
12,5
Myrtaceae
Rubiaceae
11,5
Leguminosae
10,9
Leguminosae
9,3
Myrtaceae
7,1
Euphorbiaceae
7,8
Lauraceae
8,0
Bignoniaceae
6,2
Sapindaceae
6,2
Rubiaceae
8,0
Sapindaceae
6,2
Rubiaceae/Flacourtiaceae
6,2
Euphorbiaceae/Sapindaceae
5,3
Total (%)
44,3
49,8
15,3
51,2
No Morrote do Córrego dos Colibris foram registradas 67 espécies, 54 gêneros e 29
famílias, sendo as principais famílias Euphorbiaceae (9 spp.), Bignoniaceae (8 spp.),
Leguminosae (7 spp.), Rubiaceae (4 spp.), Sapindaceae (4 spp.) e Flacourtiaceae (4 spp.),
representando 53,7% do total de espécies amostradas para essa área (Tabela 5).
Bignoniaceae destacou-se nessa área como a família mais rica, sendo representada
principalmente por Adenocalymma trifoliatum e Mansoa lanceolata. Leguminosae
também é expressiva nessa área, mas compõe-se principalmente por espécies pioneiras e
secundárias iniciais. Rubiaceae não é representativa, contudo apresenta uma população
com muitos indivíduos de Rudgea coriacea, que não foi observada em nenhuma outra
região do PEST.
No Morro dos Cordovil foram registradas 150 espécies, 11 gêneros e 45 famílias,
sendo as principais famílias Myrtaceae (23 spp.), Leguminosae (14 spp.), Rubiaceae (12
spp.), Lauraceae (12 spp.), Euphorbiaceae (8 spp.) e Sapindaceae (8 spp.), representando
51,3% do total de espécies amostradas para essa área (Tabela 5). A riqueza de Myrtaceae
foi expressiva, sendo Eugenia o principal gênero com 16 espécies.
ANÁLISE ESTRUTURAL
A curva de suficiência amostral mostra que nas três áreas estudadas seriam
necessários outros transects para que haja estabilização, devido a alta diversidade local
(Figura 2). Contudo, o objetivo do método de amostragem em 0,1 ha, com critério de
189
inclusão de DAP ≥ 2,5 cm, é uma avaliação rápida dessa diversidade. Isso é comum em
florestas tropicais, onde raramente a curva se estabiliza.
160
Colibris
Cordovil
Telegrafo
140
Número de espécies
120
100
80
60
40
20
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Número de parcelas
Figura 2: Curva de suficiência amostral comparativa das três áreas do estudo fitossociológico
realizado no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Os Morros do Telégrafo e Cordovil apresentaram as maiores áreas basais totais e
densidades relativas (Tabela 6). O Córrego dos Colibris foi a localidade que apresentou
menor área basal total e densidade relativa, indicando que a recomposição da vegetação
nessa área é mais recente que nas demais. Segundo Silva & Nascimento (2001) valores
baixos para áreas basais são indicativos de locais perturbados. Outros estudos realizados
no estado do Rio de Janeiro mostram altos valores nas florestas em estádios sucessionais
mais avançados como na Estação Ecológica Estadual do Paraíso (57,28 m2/ha) (Kurtz &
Araujo 2000). Tal fato também é evidenciado na floresta de Morrote em Pariquera-Açu,
São Paulo, sendo um dos maiores valores obtidos em extensa área de floresta considerada
em bom estádio de conservação (39,3 m2/ha) (Sztutmam & Rodrigues 2002). Em áreas
com histórico de pertubação normalmente os valores são mais baixos (Silva & Nascimento
2001; Bórem & Oliveira-Filho 2002; Pessoa 2006). Contudo é necessário considerar
também os fatores ambientais que podem influenciar esses valores, como observado por
Peixoto et al. (2005) na Serra da Capoeira Grande.
190
Tabela 6: Área basal, densidade relativa, índice de Shannon (H’) e equabilidade (J’) nas três áreas
amostradas no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Área basal (m2/ha)
Densidade Relativa (%)
H’ (nats/ind.)
J’
MORRO DO
TELÉGRAFO
49,91
50,60
4,17
0,88
CÓRREGO DOS
COLIBRIS
38,80
43,70
3,24
0,78
MORRO DO
CORDOVIL
62,99
50,60
4,59
0,99
As maiores diversidades foram obtidas nos Morros do Cordovil (4,59 nats/ind.) e
Telégrafo (4,17 nats/ind) (Tabela 6). A equabilidade segue esse mesmo padrão, destacando
o alto valor obtido no Morro do Cordovil (0,99). Esses valores são comumente
encontrados na floresta ombrófila densa submontana e montana no estado do Rio de
Janeiro em inventários florísticos com DAP ≥ 5 - 10 cm (Guedes-Bruni 1998). O mesmo já
não ocorre no Córrego dos Colibris, que apresentou valores baixos de diversidade (3,24
nats/ind.) e equabilidade (0,78). Essa situação já foi mostrada na análise feita em
fragmentos com diferentes formas e dimensões na Reserva Biológica de Poço das Antas
(Pessoa & Oliveira 2006).
As áreas que apresentaram maior similaridade entre si foram os Morros do
Cordovil e Telégrafo (52,5%) e a menor entre o Morro do Cordovil e Córrego dos Colibris
(27,1%). Entre o Morro do Telégrafo e Córrego dos Colibris a similaridade foi
intermediária (38,4%).
Esses dados indicam que as áreas de estudo estão em estádios sucessionais
diferenciados, refletindo o histórico de uso e abandono da terra. No Morrote de Córrego
dos Colibris a vegetação foi cortada para ser utilizada como carvão, porém abandonada a
cerca de 30 anos. No Morro do Telégrafo o acesso é mais difícil e apresenta grandes
matacões de gnaisse facoidal, sendo uma área de sítios abandonados a cerca de 40 anos.
Nessa área plantou-se banana e a vegetação também foi subtraída para produção de carvão
e lenha para utilização doméstica. O Morro do Cordovil é a área mais íngrime,
apresentando calhas com depressões profundas que dificultaram sua utilização para fins
agrícolas. Dessa forma a vegetação ficou mais preservada.
Quando as áreas são avaliadas a respeito do caráter sucessional das espécies
arbóreas verifica-se que o Morro do Cordovil apresentou maior percentagem de espécies
secundárias tardias (74,7%), seguido de secundárias iniciais (16,7%) e a menor
191
percentagem de pioneiras (6,7%). O Morro do Telégrafo encontra-se em situação
intermediária com 53,9% de espécies secundárias tardias, 31,6% de secundárias iniciais
e 14,5% de pioneiras. O Morrote do Córrego dos Colibris encontra-se em estádio
sucessional mais recente indicado pela presença de 48,8% espécies secundárias iniciais,
29,3% de pioneiras e 21,9% de secundárias tardias (Figura 3). As espécies sem
classificação estão presentes no Morro do Cordovil e foram identificadas apenas em
nível de gêneros.
80
Morro do Telégrafo
70
Córrego dos Colibris
% de Espécies
60
Morro do Cordovil
50
40
30
20
10
0
Pioneira
Secundária inicial
Secundária tardia
SC
Figura 3: Distribuição percentual das espécies nos grupos ecológicos nas três áreas
estudadas no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Na tabela 7 são apresentadas as 10 famílias com maiores IVI em cada área
amostrada. No Morro do Telégrafo essas famílias representam 65% da amostragem, no
Morrote do Córrego dos Colibris 72,5% e no Morro do Cordovil 64,8%.
No Morro do Telégrafo apenas 15 famílias somam 76,5% do VI. As 5 famílias
dominantes são respectivamente Leguminosae, Rubiaceae, Flacourtiaceae, Sapindaceae e
Myrtaceae (Tabela 7). Os valores obtidos para Leguminosae (15 spp.) e Rubiaceae (13
spp.) resultam da maior riqueza de espécies e número de indivíduos apresentados por essas
famílias. Leguminosae domina o dossel, enquanto Rubiaceae caracteriza, principalmente, o
sub-bosque. O destaque dado a Flacourtiaceae deve-se a presença de muitos indivíduos de
Casearia sylvestris nessa área.
No Morrote do Córrego dos Colibris, 11 famílias são responsáveis por 75,6% do
VI. As famílias dominantes são Sapindaceae, Moraceae, Bignoniaceae, Leguminosae e
192
Nyctaginaceae (Tabela 7). Essas famílias apresentam poucas espécies, em contrapartida
usam como estratégia de ocupação densas populações com muitos indivíduos. Sapindaceae
é representada principalmente Cupania racemosa e Moraceae por Brosimum guianensis.
Duas famílias com espécies de trepadeiras estão entre as cinco famílias dominantes nessa
área. Bignoniaceae, com predomínio de Adenocalymma trifoliatum e Mansoa lanceolata,
além de Menispermaceae com Hyperbaena oblongifolia e Abutua convexa.
Tabela 7: Descritores fitossociológicos das dez famílias arbóreas e trepadeiras com maiores IVI e DAP ≥ 2,5
cm amostradas em transecto de 0,1 ha no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Niterói e Maricá, Rio de
Janeiro, apresentados em ordem decrescente de valor de importância (IVI). N = número de indivíduos, No
Spp.= número de espécies por famílas, DR fam = densidade relativa de famílias (%), DoR fam.= dominância
relativa de famílias (%), RiqRel.= riqueza relativa, IVI= índice de valor de importância (%).
FAMÍLIA
N
No Spp.
MORRO DO TELÉGRAFO
LEGUMINOSAE
62
15
RUBIACEAE
63
13
FLACOURTIACEAE
14
2
SAPINDACEAE
34
7
MYRTACEAE
22
8
NYCTAGINACEAE
25
2
ARECACEAE
38
4
EUPHORBIACEAE
31
5
BIGNONIACEAE
27
7
LAURACEAE
16
5
MORROTE DO CÓRREGO DOS COLIBRIS
SAPINDACEAE
79
4
MORACEAE
76
2
BIGNONIACEAE
51
8
LEGUMINOSAE
21
7
NYCTAGINACEAE
29
1
EUPHORBIACEAE
16
4
LECYTHIDACEAE
31
1
RUBIACEAE
16
4
FLACOURTIACEAE
14
4
MENISPERMACEAE
17
3
MORRO DO CORDOVIL
MYRTACEAE
52
22
LEGUMINOSAE
32
14
LAURACEAE
35
12
RUBIACEAE
47
12
MELIACEAE
28
6
MORACEAE
24
6
SAPINDACEAE
29
8
NYCTAGINACEAE
16
2
EUPHORBIACEAE
17
8
MELASTOMATACEAE
6
2
DR fam.
DoR fam.
RiqRel.
VI
IVI
12,28
12,47
2,77
6,73
4,37
4,76
7,51
6,13
5,35
3,18
19,83
4,86
16,63
3,46
3,57
8,37
2,6
3,00
1,93
5,45
13,60
11,40
1,75
6,14
7,02
1,75
3,51
4,39
6,14
4,39
45,27
28,73
21,15
16,33
14,96
14,88
13,62
13,52
13,42
13,03
15,09
9,58
7,05
5,44
4,99
4,96
4,54
4,51
4,47
4,34
18,09
17,39
11,67
4,82
6,64
3,67
7,09
3,66
3,20
3,89
16,00
12,61
3,52
9,94
16,49
8,10
4,60
2,98
1,62
1,03
6,35
3,17
12,70
11,11
1,59
6,35
1,59
6,35
6,35
4,76
40,44
33,17
27,89
25,87
24,75
18,12
13,28
12,99
11,17
9,68
13,48
11,06
9,30
8,62
8,24
6,04
4,43
4,33
3,72
3,23
10,31
6,34
6,94
9,30
5,54
4,74
5,75
3,16
3,38
1,19
5,38
11,67
4,77
2,13
9,57
10,27
6,46
11,36
4,65
9,76
14,77
9,40
8,05
8,05
4,03
4,03
5,37
1,34
5,37
1,34
30,46
27,41
19,76
19,48
19,14
19,04
17,58
15,86
13,40
12,29
10,15
9,14
6,59
6,49
6,38
6,35
5,86
5,29
4,47
4,10
193
No Morro do Cordovil 15 famílias perfazem 75,81% do VI para essa área. As
famílias dominantes do dossel são Myrtaceae, Leguminosae e Lauraceae (Tabela 7).
Essas famílias apresentam as maiores riquezas e espécies e muitos indivíduos.
Myrtaceae é representada principalmente por Eugenia (12 spp.) e Lauraceae por Ocotea
(6 spp.).
Nessa análise, famílias específicas caracterizam as diferentes áreas como
resultado de variações locais de fatores abióticos que incluem as condições edáficas,
topográficas e, principalmente, a fatores de perturbação (Rodrigues 2004; Pessoa &
Oliveira 2006). Myrtaceae e Lauraceae se destacaram na área mais preservada do
Morro do Cordovil, Leguminosae ocorre com várias espécies nas três áreas. Famílias
com espécies de trepadeiras se destacaram na área em regeneração mais recente do
Córrego dos Colibris.
No que se refere ao valor de importância das espécies (Anexo), observa-se uma
variação entre os dez elementos florísticos de maior expressão para cada uma das áreas
levantadas. Isso é resultado variação das diferentes densidades, freqüências e
dominâncias. No Morro do Telégrafo destacaram-se Pseudopiptadenia contorta,
Casearia sylvestris, Guapira opposita, Eriotheca pentaphylla, Attalea humilis,
Brosimum guianense, Astronium graveolens, Tetraplandra leandri, Rudgea interrupta e
Ocotea schotii. Outras 42 espécies apresentaram apenas 1 indíviduo cada, tendo baixos
valores de dominância, freqüência e VI. Apenas 5 espécies perfazem 80,4% do VI para
o Morro do Telégrafo.
No Morrote do Córrego dos Colibris sobressaíram Cupania racemosa,
Brosimum guianense, Guapira opposita, Escheweilera compressa, Pera glabrata,
Astronium fraxinifolium, Adenocalymma trifoliatum, Myrcia fallax, Nectandra
oppositifolia e Astrocaryum aculeatissimum. 11 espécies representam 75,65% de VI.
Outras 25 espécies apresentaram 1 indivíduo. Espécies amostradas por único indivíduo
poderiam ser consideradas raras por terem baixo recrutamento ou estarem em extinção
na área. Porém a presença de espécies pioneiras nesse grupo pode indicar a ocorrência
de antigas clareiras (Kurtz & Araujo 2000). É o caso de Trema micrantha, Albizia
polycephala e Machaerium hirtum.
194
No Morro do Cordovil as espécies que mais contribuíram foram Guapira opposita,
Miconia cinnamomifolia, Cupania racemosa, Tovomita leucantha, Guarea guidonea,
Apuleia leiocarpa, Ficus cyclophylla, Rudgea interrupta, Hippocratea volubilis e
Strychnos acuta. Nove espécies são responsáveis por 76,4% de VI nessa área. G. opposita
têm ocorrência de destaque em todas as áreas, apresentando altos valores de dominância e
freqüência com vários indivíduos. Contudo, F. cyclophylla, A. leiocarpa e M.
cinnnamomifolia são representadas por poucos indivíduos, mas são árvores de grande
porte, o que influenciou nos altos valores de dominância. H. volubilis, foi a única
trepadeira enquadrada entre as espécies de maior VI em todas as área estudadas.
Em vários inventários fitossociológicos no estado do Rio de Janeiro, G. opposita
foi citada entre as dez espécies de maior VI, sendo considerada uma espécie indicadora de
floresta de baixada (Guedes-Bruni 1998), o que não é o caso da Serra da Tiririca. Da
mesma forma que E. pentaphylla e M. cinnamomifolia são indicadas para floresta de terras
baixas.
CONCLUSÕES
As áreas estudadas representam amostras da vegetação em diferentes estádios
sucessionais e apesar de todos os distúrbios que sofreu ao longo dos tempos está se
recompondo naturalmente. Isso se deve, em parte, as áreas que escaparam do uso intensivo
e permaneceram mais preservadas. Essas áreas funcionaram como matrizes para o
intercâmbio de propágulos, ajudando na recuperação da vegetação.
As principais famílias quanto a riqueza de espécies são Myrtaceae, Leguminosae,
Rubiaceae, Lauraceae e Bignoniaceae, que seguem os padrões de outras áreas amostradas
no estado do Rio de Janeiro. Em relação ao VI, a predominância de determinadas famílias
depende de farores abióticos locais e graus diferenciados de perturbação. Nas áreas mais
preservadas destacaram-se Myrtaceae, Leguminosae e Lauraceae e na mais perturbada
Sapindaceae, Moraceae e Bignoniaceae. A reprentatividade das trepadeiras na estrutura da
mata ocorre com mais intensidade nas áreas em recuperação mais recente. Nesse sentido,
espécies como Adenocalymma trifoliatum, Mansoa lanceolata e Hippocratea volubilis
desempenham um importante papel na cicatrização das clareiras.
195
As espécies que se destacaram em relação ao VI mostraram duas estratégias de
ocupação do ambiente. A primeira com a presença de muitos indivíduos que dominam o
dossel como Cupania racemosa, Pseudopiptadenia contorta, Casearia oblongifolia,
Guapira opposita e Brosimum guianense. A segunda com poucos indivíduos de grande
porte como Ficus cyclophylla, Apuleia leiocarpa e Miconia cinnamomifolia.
O Morro do Cordovil é a área mais preservada, apresentando a maior riqueza de
espécies, diversidade e presença de espécies arbóreas secundárias tardias. O Morrote do
Córrego dos Colibris representa a área em regeneração mais recente com poucas espécies
dominantes, menor diversidade e riqueza de espécies. O Morro do Telégrafo encontra-se
em situação intermediária. Sendo assim, a cumeeira do Morro do Telégrafo e o Morro do
Cordovil deveriam ser incluídos na zona núcleo do PEST, quando o plano de manejo for
elaborado.
Agradecimento
Agradecemos aos taxonomistas Luiz José Soares Pinto, Genise Somner, Robson Dias, Haroldo C. de Lima,
Ângela Vaz, Michel Barros, João Marcelo de A. Braga, Mário Gomes e Elsie F. Guimarães pela identificação
e/ou confirmação do material coletado. També a ajuda dada por Naália Coqueiro e Bruno Aquino nos
trabalhos de campo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Borém, R.A.T. & Oliveira-Filho, A.T. 2002. Fitossociologia do extrato arbóreo em uma
toposseqüência alterada de Mata Atlântica no município de Silva Jardim, RJ. Revista
Árvore 26(6): 727–742.
Borém, R.A.T. & Ramos, D.P. 2001. Estrutura fitossociológica da comunidade arbóreo de
uma toposseqüência pouco alterada de uma área de floresta atlântica no município de Silva
Jardim, RJ. Revista Árvore 25 (1): 131–140
Brower, J.E. & Zar, J.H. 1984. Field and Laboratory Methods for General Ecology. WmC.
Brown Publ., Dubuque, Iowa. 226 p.
Carvalho, F.A.; Braga, J.M.A.; Gomes, J.M.L.; Souza, J.S. & Nascimento, M.T. 2006.
Comunidade arbórea de uma floresta de baixada aluvial no município de Campos dos
Goyacazes, RJ. CERNE 12 (2): 157 – 166.
Cronquist, A. 1988. The evolution and classification of flowering plants. 2º edição. New
York Botanical Garden, New York. 556 p.
Dislich, R.; Cersósimo, L. & Mantovani, W. 2001. Análise da estrutura de fragmentos
florestais no Planalto Paulistano, SP. Revista Brasileira de Botânica 24(3): 321-332.
196
Gandolfi, S.; Leitão-Filho, H.F. & Bezerra, C.L. 1995. Levantamento florístico e caráter
sucessional das espécies arbustivo-arbóreas de uma floresta mesófila semidecídua no
município de Guarulhos, SP. Revista Brasileira de Biologia 55(4): 753-767.
Gentry, A.H. 1982. Patterns of neotropical plant species diversity. Evolutionary Biology
15: 1–84.
Gentry, A.H. 1988. Changes in plant community diversity and floristic composition on
environment and geographical gradients. Annals of Missouri Botanical Garden 75: 1–34.
Gentry, A.H. 1993. A field guide to the families and genera of woody plants of Northwest
South America (Colombia, Equador, Peru) with supplementary notes on herbaceous taxa.
Conservation International. Washingtom, DC.
Gentry, A.H. 1995. Diversity and floristic composition of neotropical dry forest. In:
Bullock, S.H.; Money, H.A. & Medina, E. (eds) Seasonally dry tropical forests. Cambridge
University Press. p. 146–194.
Guedes, R.R. 1988. Composição florística e estrutura de um trecho de Mata Atlântica
perturbada no Município de Magé, Rio de Janeiro. Arquivos do Jardim Bototânico do Rio
de Janeiro 39: 155–200.
Guedes-Bruni, R.R. 1998. Composição, estrutura e similaridade de dossel em seis unidades
fisionômicas de Mata Atlântica no Rio de Janeiro. Tese. (Doutorado em Botânica).
Universidade de São Paulo. 231p.
Guedes-Bruni, R.R.; Pessoa, S.V.A. & Kurtz, B.C. 1997. Florística e estrutura do
componente arbustivo-arbóreo de um trecho preservado de floresta montana na Reserva
Ecológica de Macaé de Cima. In: M.P.M. Lima & R.R. Guedes-Bruni (eds) Reserva
Ecológica de Macaé de Cima, Nova Friburgo, RJ. Aspectos florísticos das espécies
vasculares. 1. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. p. 127-145.
Guedes-Bruni, R.R.; Silva-Neto, S.J.; Morim, M.P. & Montovani, W. 2006a. Composição
florística e estrutura de trecho de floresta ombrófila densa atlântica aluvial na Reserva
Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil. Rodriguesia 57(3): 413–
428.
Guedes-Bruni, R.R.; Silva-Neto, S.J.; Morim, M.P. & Montovani, W. 2006b. Composição
florística e estrutura de trecho de floresta ombrófila densa atlântica sobre morrote
mamelonar na Reserva Biológica de Poço das Antas, Silva Jardim, Rio de Janeiro, Brasil.
Rodriguésia 57(3): 429-442.
Kurtz, B.C. & Araujo, D.S.D. 2000. Composição florística e estrutura do estrato arbóreo de
um trecho de Mata Atlântica na Estação Ecológica de Paraíso, Cachoeiras de Macacu, Rio
de Janeiro. Rodriguésia 51(78/112): 69-112.
Lima, M.P.M.; Guedes-Bruni, R.R., Vieira, C.M.; Correia, C.M.B. & Araújo, I.A. 1994.
Identificação das famílias com espécies arbustivo-arbóreas. In: M.P.M. Lima & R.R.
Guedes-Bruni (eds) Reserva Ecológica de Macaé de Cima, Nova Friburgo, RJ. Aspectos
florísticos das espécies vasculares. 1. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. p. 61- 4.
197
Lorenzi, H.; Souza, H.M.; Costa, J.T.M.; Cerqueira, L.S.C. & Ferreira, E. 2004. Palmeiras
brasileiras e exóticas cultivadas. Nova Odessa. Ed. Instituto Plantarum de Estudos da
Flora. 416p.
Magurran, A.E. 1988. Ecological Diversity and its Measurement. Princeton University
Press. Princeton, New Jersey. 179 p.
Moreno, M.R.; Nascimento, M.T. & Kurtz, B. 2003. Estrutura e composição florística do
estrato arbóreo em duas zonas altitudinais na Mata Atlântica de encosta da região do Imbé,
RJ. Acta Botanica Brasilica 17(3): 325–486.
Mori, S.A.; Boom, B.M.; Carvalino, A.M. & Santos, T.S. 1983. Ecological importance of
Myrtaceae in eastern Brazilian wet forest. Biotropica. 15(1): 68–70.
Mori, S.A.; Boom, B.M. & Prance, G.T. 1981. Distribution patterns and conservation of
eastern Brazilian coastal forest tree species. Brittonia 33: 233-245.
Oliveira, J.R.; Mantovani, W. & Melo, M.M.R.F. Estrutura do componente arbustivoarbóreo da floresta atlântica de encosta, Peruíbe, SP. 2001. Acta Botanica Brasilica 15(3):
391-412.
Oliveira-Filho, A.T.; Carvalho, D.A.; Vilela, E.A.; Curi, N. & Fontes, M.A.L. 2004.
Diversity and structure of the community of a fragment of tropical secondary forest of the
Brazilian Atlantic Forest domain 15 and 40 years logging. Revista Brasileira de Botânica
27(4): 685-701.
Oliveira-Filho, A.T. & Fontes, M.A.L. 2000. Patterns of floristic differentiation among
atlantic forest in southeastern Brazil and influence of climate. Biotropica 32(4b): 793–810.
Peixoto, A.L. & Gentry, A. 1990. Diversidade e composição florística na mata de tabuleiro
na Reserva Florestal de Linhares (Espírito Santo, Brasil). Revista Brasileira de Botânica
13: 19-25.
Peixoto, G.L.; Martins, S.V.; Silva, A.F. & Silva, E. 2005. Composição florística do
componente arbóreo de um trecho de floresta atlântica na área de Proteção Ambiental da
Serra da Capoeira Grande, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Acta Botanica Brasilica 18(1): 151–
160.
Pessoa, S.V.A.; Guedes-Bruni, R.R. & Kurtz, B.C. 1997. Florística e estrutura do
componente arbustivo-arbóreo de um trecho secundário de floresta montana na Reserva
Ecológica de Macaé de Cima. In: M.P.M. Lima & R.R. Guedes-Bruni (eds) Reserva
Ecológica de Macaé de Cima, Nova Friburgo, RJ. Aspectos florísticos das espécies
vasculares. 1. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. p. 147-67.
Pessoa, S.V.A. & Oliveira, R.R. 2006. Análise Estrutural da vegetação arbórea em três
fragmentos florestais na Reserva Biológica de Poço das Antas. Rodriguésia 57(3): 391–
411.
Phillips, O.L. & Miller, J.S. 2003. Global patterns of plant diversity: Alwyn H. Gentry’s
forest transect data set. Monographys in Sistematic Botany from the Missouri Botanical
Garden. 89: 319 p.
198
Polhill, R.M.; Raven, P.H & Stirton, C.H. 1981. Evolution and systematics of the
Leguminosae. In: Polhill, R.M. & Raven, P.H. (eds) Advances in legume systematics, part
1. Kew: Royal Botanical Garden. p. 1-26.
Rodrigues, H.C. 1996. Composição florística e estrutura fitossociológica de um trecho de
Mata Atlântica na Reserva do Tinguá, Nova Iguaçu, RJ. Dissertação (Mestrado em
Ciências Biológicas - Botânica). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 94 p.
Rodrigues, P.J.F.P. 2004. A vegetação da Reserva Biológica União e os efeitos de borda na
Mata Atlântica fragmentada. Tese (Doutorado). Universidade Estadual do Norte
Fluminense. Campos dos Goytacazes. 153 p.
Sá, C.F.C. 2006. Estrutura, diversidade e conservação de angiospermas no Centro de
Diversidade de Cabo Frio, estado do Rio de Janeiro. Tese (Doutorado em Ciências
Biológicas – Ecologia). Universidade Federal do Rio de Janeiro. 250p.
Sanchez, M.; Pedroni, F.; Leitão-Filho, H.F. & Cesar, O. 1999. Composição florística de
um trcho de floresta ripária na Mata Atlântica em Picinguaba, Ubatuba, SP. Revista
Brasileira de Botânica 22(1): 31-42.
Silva, G.C. & Nascimento, M.T. 2001. Fitossociologia de um remanescente de mata sobre
tabuleiros no norte do estado do Rio de Janeiro (Mata do Carvão). Revista Brasileira de
Botânica 214(1): 51–62.
Shepherd, G.J. 1995. FITOPAC 1 – Manual do Usuário. Departamento de Botânica.
Universidade Estadual de Campinas. 93p.
Solórzano, A. 2006. Composição florística, estrutura e história ambiental em áreas de Mata
Atlântica no Parque Estadual da Pedra Branca, Rio de Janeiro, RJ. Dissertação (Mestrado
em Botânica). Escola Nacional de Botânica Tropical, Rio de Janeiro. 140p.
SOS Mata Atlântica. 2002. Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica período
1995–2000. Relatório parcial. estado do Rio de Janeiro [on line].
http://www.sosmatatlântica.org.br/atlas2001/dados/relatorioatlas.pdf.
Sztutmam, M. & Rodrigues, R.R. 2002. O mosaico vegetacional numa area de floresta
contínua da planície litorânea, Parque Estadual da Campina do Encantado, Pariquera-Açu,
SP. Revista Brasileira de Botânica 25(2): 161-176.
Turner, I.M. & Corlett, R.T. 1996. The conservation value of small, isolated fragments of
lowland tropical rain forest. Trends in Ecology and Evolution 11(8): 330-333.
Udulutsch, R.G.; Assis, M.A. & Picchi, D.G. 2004. Florística de trepadeiras numa floresta
estacional semidecídua, Rio Claro – Araras, Estado de São Paulo, Brasil. Revista Brasileira
de Botânica 27(1): 125–134.
Vaz, A.M.S.F. & Vieira, C.M. 1994. Identificação de famílias com espécies trepadeiras. In:
Lima, M.P.M. & Guedes-Bruni, R.R. (eds) Reserva Ecológica de Macaé de Cima, Nova
Friburgo, RJ. Aspectos florísticos das espécies vasculares. 1. Jardim Botânico do Rio de
Janeiro. p. 75–82.
199
ANEXO
Listagem florística das espécies amostradas na análise fitossociológica do Parque Estadual da Serra da
Tiririca, Niterói e Maricá, RJ. ST= secundária tardia, SI= secundária inicial, PI= Pioneira, SC= sem
classificação.
FAMÍLIA
ESPÉCIE
HÁBITO
CATEGORIA
COLETORES
AMARANTHACEAE
ANACARDIACEAE
Paffia paniculata (Mart.) Kunth.
Astronium fraxinifolium Schott ex
Spreng.
Astronium graveolens Jacq.
Annona acutifolia Mart.
Duguetia sessilis (Vell.) Maas
Guatteria nigrescens Mart.
Guatteria reflexa R. & Fr.
Condylocarpon isthimicum (Vell.) A.
DC.
Geissospermum laeve (Vell.) Miers
Malouetia arborea (Vell.) Miers
Dendropanax monogynus (Vell.) Seem.
Astrocaryum aculeatissimum Mart.
Attalea humilis Mart. ex Spreng.
Bactris setosa Mart.
Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr.
Adenocalymma bracteatum (Cham.) DC.
Adenocalymma subsessilifolium DC.
Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C.
Laroche
Anemopaegma chamberlaynii (Sims)
Bureau ex K. Schum.
Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart.
Arrabidaea rego (Vell.) DC.
Arrabidaea selloi (Spreng.) Sandwith
Clytostoma binatum (Thunb.) Sandwith
Jacaranda micrantha Cham.
Mansoa lanceolata (DC.) A. Gentry
Sparattosperma leucanthum (Vell.)
Schum.
Stizophyllum perforatum (Cham.) Miers
Tynanthus micranthus Correa de Mella
ex K. Schum.
Ceiba crispiflora (Kunth) Ravena
Eriotheca pentaphylla (Vell.) A. Robyns
Cordia trichoclada DC.
Protium widgrenii Engl.
Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A.
Berg.
Hirtella hebeclada Moric. ex DC.
Hirtella triandra Sw. ssp. punctulata
(Miq.) G.T. Prance
Garcinia gardneriana (Planch. et Triana)
Zappi
Kielmeyera membranacea Casar.
Kielmeyera rizziniana Saddi
Tovomita leucantha (Schl.) Planch et
Triana
Connarus nodosus Baker
Ipomoea philomega (Vell.) House
Stephanopodium sessile Rizzini
Davilla rugosa Poir.
Sloanea monosperma Vell.
Erythroxylum gaudichaudii Peyr.
Erythroxylum magnoliaefolium A. St.
Hil.
Erythroxylum pulchrum A. St. Hil.
Trepadeira
Árvore
ST
A.A.M. de Barros 2659
A.A.M. de Barros 2848
Árvore
Arbusto
Arbusto
Árvore
Arbusto
Trepadeira
ST
SI
ST
-
A.A.M. de Barros 3104
A.A.M. de Barros 3000
A.A.M. de Barros 2598
A.A.M. de Barros 3022
A.A.M. de Barros 2735
A.A.M. de Barros 3032
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Erva acaule
Árvore
Árvore
Trepadeira
Arbusto
Trepadeira
ST
SI
SI
SI
PI
-
A.A.M. de Barros 3037
A.A.M. de Barros 2957
A.A.M. de Barros 2982
A.A.M. de Barros 2561
A.A.M. de Barros 2956
A.A.M. de Barros 2759
A.A.M. de Barros 3096
A.A.M. de Barros 3103
A.A.M. de Barros 2955
Trepadeira
-
A.A.M. de Barros 3072
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Árvore
Trepadeira
Árvore
PI
SI
A.A.M. de Barros 3121
A.A.M. de Barros 3080
A.A.M. de Barros 2998
A.A.M. de Barros 2981
A.A.M. de Barros 3064
A.A.M. de Barros 2954
A.A.M. de Barros 2862
Trepadeira
Trepadeira
-
A.A.M. de Barros 3093
A.A.M. de Barros 3084
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
SI
SI
SI
SI
-
A.A.M. de Barros 2947
A.A.M. de Barros 2921
A.A.M. de Barros 3055
A.A.M. de Barros 3102
A.A.M. de Barros 3143
Árvore
Árvore
ST
ST
A.A.M. de Barros 2980
A.A.M. de Barros 2922
Árvore
ST
A.A.M. de Barros 3112
Árvore
Árvore
Árvore
SI
ST
SI
A.A.M. de Barros 3075
A.A.M. de Barros 2808
A.A.M. de Barros 2979
Trepadeira
Trepadeira
Arbusto
Trepadeira
Árvore
Árvore
Árvore
ST
SI
SI
A.A.M. de Barros 2953
A.A.M. de Barros 2978
A.A.M. de Barros 3011
A.A.M. de Barros 3144
A.A.M. de Barros 3010
A.A.M. de Barros 3119
A.A.M. de Barros 3076
Arvore
SI
A.A.M. de Barros 3056
ANNONACEAE
APOCYNACEAE
ARALIACEAE
ARECACEAE
ASTERACEAE
BIGNONIACEAE
BOMBACACEAE
BORAGINACEAE
BURSERACEAE
CACTACEAE
CHRYSOBALANACEAE
CLUSIACEAE
CONNARACEAE
CONVOLVULACEAE
DICHAPETALACEAE
DILLENIACEAE
ELAEOCARPACEAE
ERYTHROXYLACEAE
200
EUPHORBIACEAE
FLACOURTIACEAE
HIPPOCRATEACEAE
ICACINACEAE
LACISTEMATACEAE
LAURACEAE
LECYTHIDACEAE
LEGUMINOSAE
Actinostemon concolor (Spreng.) Müll.
Arg.
Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax
Alchornea glandulosa
Algernonia brasiliensis Baill.
Joannesia princeps Vell.
Pachystroma longifolium (Nees.) I.M.
Johnt.
Pera glabrata (Schott) Baill.
Pera leandri Baill.
Sebastiania gaudichaudii Müll. Arg.
Sebastiania nervosa (Müll.) Arg. Müll.
Arg.
Tetraplandra leandri Baill.
Casearia commersoniana Camb.
Casearia oblongifolia Camb.
Casearia sylvestris Sw.
Prockia crucis P. Browne ex L.
Hippocratea volubilis L.
Citronella paniculata (Mart.) R.A.
Howard
Leretia cordata Vell.
Lacistema serrulatum Mart.
Aniba firmula (Nees & Mart.) Mez
Cryptocarya moschota Nees et Mart. ex
Nees
Cryptocarya saligna Mez
Endlicheria glometata Mez
Nectandra oppositifolia Nees
Ocotea aniboides Miq.
Ocotea daphnifolia (Meiss.) Mez
Ocotea diospyrifolia (Miesn.) Mez
Ocotea elegans Mez
Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer
Ocotea schotii (Miesn.) Mez
Phyllostemonodaphne geminiflora (Mez)
Kosterm.
Urbanodendron bahiensis (Meiss.)
Rohwer
Urbanodendron verrucosum (Nees) Mez
Couratari pyramidata (Vell.) Knuth
Escheweilera compressa (Vell.) Miers
Albizia polycephala (Benth.) Killip.
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan
Apuleia leiocarpa J.F. Macbr.
Bauhinia microstachya (Raddi) Macbr.
Dalbergia frutescens (Vell.) Britton
Diplotropis incexis Rizzini & A. Mattos
Exostyles venusta Schott
Inga capitata Desv.
Inga lenticellata Benth.
Machaerium aculeatum Raddi
Machaerium hirtum (Vell.) Stellf.
Machaerium incorruptibile (Vell.) Fr.
All. ex Benth.
Machaerium oblongifolium Vogel
Ormosia arborea (Vell.) Harms
Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr.
Piptadenia paniculata Benth.
Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P.
Lewis & M. Pires
Pseudopiptadenia inaequalis (Benth.)
Rauschert
Pseudopiptadenia schumanniana (Taub.)
Lewis & M. Lima
Pterogyne nitens Tul.
Arbusto
-
A.A.M. de Barros 2680
Arbusto
Arvore
Árvore
Árvore
Árvore
ST
ST
PI
ST
A.A.M. de Barros 2709
A.A.M. de Barros 3145
A.A.M. de Barros 2715
A.A.M. de Barros 2997
A.A.M. de Barros
Árvore
Árvore
Arbusto
Arbusto
ST
PI
-
A.A.M. de Barros 3021
A.A.M. de Barros 3146
A.A.M. de Barros 2597
A.A.M. de Barros 2996
Árvore
Arbusto
Árvore
Árvore
Arbusto
Trepadeira
Arbusto
SI
SI
PI
-
A.A.M. de Barros 2560
A.A.M. de Barros 2872
A.A.M. de Barros 3145
A.A.M. de Barros 3068
A.A.M. de Barros 3070
A.A.M. de Barros 2923
A.A.M. de Barros 2977
Arbusto
/Trepadeira
Árvore
Árvore
Árvore
-
A.A.M. de Barros 3041
SI
SI
ST
A.A.M. de Barros 3047
A.A.M. de Barros 3042
A.A.M. de Barros 3019
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
ST
SI
SI
ST
ST
ST
ST
ST
ST
ST
A.A.M. de Barros 3052
A.A.M. de Barros 2839
A.A.M. de Barros 3069
A.A.M. de Barros 2992
A.A.M. de Barros 2924
A.A.M. de Barros 3095
A.A.M. de Barros 2925
A.A.M. de Barros 3038
A.A.M. de Barros 2976
A.A.M. de Barros 3009
Árvore
ST
A.A.M. de Barros 3059
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeira
Árvore
Árvore
ST
ST
SI
PI
PI
SI
SI
ST
ST
PI
SI
A.A.M. de Barros 2964
A.A.M. de Barros 2926
A.A.M. de Barros 2730
A.A.M. de Barros 3114
A.A.M. de Barros 2603
A.A.M. de Barros 2836
A.A.M. de Barros 3115
A.A.M. de Barros 3146
A.A.M. de Barros 2974
A.A.M. de Barros 2995
A.A.M. de Barros 2962
A.A.M. de Barros 3053
A.A.M. de Barros 3100
A.A.M. de Barros 3078
A.A.M. de Barros 3033
Trepadeira
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
ST
PI
SI
SI
A.A.M. de Barros 3090
A.A.M. de Barros 3099
A.A.M. de Barros 3109
A.A.M. de Barros 3091
A.A.M. de Barros 2961
Árvore
ST
A.A.M. de Barros 3101
Árvore
ST
A.A.M. de Barros 3048
Árvore
PI
A.A.M. de Barros 2964
201
LOGANIACEAE
MALPIGHIACEAE
MALVACEAE
MELASTOMATACEAE
MELIACEAE
MENISPERMACEAE
MONIMIACEAE
MORACEAE
MYRISTICACEAE
MYRTACEAE
Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler &
Ebinger
Swartzia apetala Raddi var. apetala
Swartzia simplex (Sw.) Spreng. var.
grandiflora
Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev
Strychnos acuta Prog.
Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B.
Gates
Bunchosia maritima (Vell.) Macbride
Byrsonima laxifolia Griseb.
Heteropterys leschenaultiana A. Juss.
Abutilon sp.
Miconia cinnamomifolia (DC.) Naud.
Miconia staminea DC.
Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn.
Cabralea canjerana (Vell.) Mart. ssp.
canjerana
Guarea guidonia (L.) Sleumer
Guarea kunthiana A. Juss.
Guarea macrophylla subsp. tuberculata
(Vell.) T.D. Penn.
Trichilia elegans A. Juss. subsp.
richardiana (A. Juss.) T. D. Penn.
Trichilia martiana C. DC.
Abutua convexa (Vell.) Diels.
Chondrodendron patiphyllum (A. St.
Hil.) Miers
Hyperbaena oblongifolia (Mart.) Chodat
Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins
Mollinedia longifolia Tulasne
Brosimum guianense Huber ex Ducke
Clarisia ilicifolia (Spreng.) Lanjouw &
Rossberg
Ficus adhatifolia Schott
Ficus cyclophylla Miquel
Pseudomedia hirtula Kuhlmann
Sorocea hilarii Gaudich.
Virola gardnerii (A. DC.) Warb.
Calyptranthes grandifolia O. Berg
Calyptranthes lucida Mart. ex DC.
Campomanesia laurifolia Gardn.
Eugenia bahiensis DC.
Eugenia bunchosiifolia Nied.
Eugenia exelsa O. Berg
Eugenia flamingensis O. Berg
Eugenia florida DC.
Eugenia marambaiensis M.C. Souza et
M.P. Morim
Eugenia microcarpa O. Berg
Eugenia monosperma Vell.
Eugenia prasina O. Berg
Eugenia rostrata O. Berg.
Eugenia tinguyensis Camb.
Eugenia villae-novae Kiaersk.
Eugenia sp.
Marlierea glazioviana Kiaersk.
Marlieria sylvatica (Gardner) Kiaersk.
Myrcia dilucida G.M. Barroso
Myrcia fallax (Richard) DC.
Myrcia richardiana O. Berg
Myrciaria floribunda (H. West ex Willd.)
O. Berg
Myrciaria guaquiea (Kiaersk.) Mattos &
D. Legrand
Myrciaria sp.
Plinia ilhensis G.M. Barroso
Trepadeira
-
A.A.M. de Barros 3043
Árvore
Árvore
ST
ST
A.A.M. de Barros 3094
A.A.M. de Barros 3006
Árvore
Arbusto
Trepadeira
ST
-
A.A.M. de Barros 3020
A.A.M. de Barros 2960
A.A.M. de Barros 3147
Arbusto
Árvore
Trepadeira
Árvore
Árvore
Árvore
SI
SC
PI
PI
A.A.M. de Barros 2991
A.A.M. de Barros 3065
A.A.M. de Barros 2990
A.A.M. de Barros 2595
A.A.M. de Barros 3049
Árvore
Árvore
PI
SI
A.A.M. de Barros 3111
A.A.M. de Barros 2973
Árvore
Árvore
Árvore
ST
ST
ST
A.A.M. de Barros 2903
A.A.M. de Barros 3134
A.A.M. de Barros 2816
Árvore
ST
A.A.M. de Barros 2959
Árvore
Trepadeira
Trepadeira
ST
-
A.A.M. de Barros 3039
A.A.M. de Barros 3106
A.A.M. de Barros 2958
Trepadeira
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
ST
ST
ST
A.A.M. de Barros 3007
A.A.M. de Barros 3054
A.A.M. de Barros 3045
A.A.M. de Barros 2928
A.A.M. de Barros 2989
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
ST
ST
ST
SI
ST
ST
ST
ST
ST
ST
ST
ST
ST
A.A.M. de Barros 3040
A.A.M. de Barros 2795
A.A.M. de Barros 2929
A.A.M. de Barros 2930
A.A.M. de Barros 3016
A.A.M. de Barros 3141
A.A.M. de Barros 3140
A.A.M. de Barros 3015
A.A.M. de Barros 2930
A.A.M. de Barros 3062
A.A.M. de Barros 2967
A.A.M. de Barros 3030
A.A.M. de Barros 3031
A.A.M. de Barros 2932
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
ST
ST
ST
ST
ST
ST
SC
ST
ST
ST
PI
ST
ST
A.A.M. de Barros 3029
A.A.M. de Barros 3148
A.A.M. de Barros 3026
A.A.M. de Barros 2972
A.A.M. de Barros 3014
A.A.M. de Barros 3024
A.A.M. de Barros 3060
A.A.M. de Barros 3027
A.A.M. de Barros 3061
A.A.M. de Barros 3149
A.A.M. de Barros 3028
A.A.M. de Barros 3008
Árvore
ST
A.A.M. de Barros 2814
Árvore
Árvore
SC
ST
A.A.M. de Barros 3025
202
NYCTAGINACEAE
OCHNACEAE
OLACACEAE
PIPERACEAE
POLYGONACEAE
PROTEACEAE
RUBIACEAE
RUTACEAE
SAPINDACEAE
SAPOTACEAE
SIMAROUBACEAE
THEOPHRASTACEAE
TILIACEAE
TRIGONIACEAE
ULMACEAE
VIOLACEAE
INDETERMINADA
Psidium cattleianum Sabine
Bougaivillea spectabilis Willd.
Guapira opposita (Vell.) Reitz
Ouratea olivaeformis (A. St. Hil.) Engl.
Ouratea parviflora (DC.) Baill.
Heisteria perianthomega (Vell.) Sleumer
Piper arboreum Aubl. var. arboreum
Ruprechtia lundii Meisner
Roupala montana Aubl.var. paraensis
(Sleumer) K.S. Edwards
Chomelia brasiliana A. Rich.
Coussarea accedens Müll. Arg.
Coussarea nodosa (Benth.) Müll. Arg.
Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schum.
Faramea coerulea (Nees & Mart.) DC.
Faramea stipulacea (Cham. & Schltdl.)
DC.
Genipa americana L.
Ixora gardneriana Benth.
Posoqueria acutifolia Mart.
Psychotria carthagenensis Jacq.
Psychotria leiocarpa Cham. et Schltdl.
Psychotria nitidula Cham. & Schltdl.
Psychotria tenuinervis Müll. Arg.
Psychotria umbellurigera (Müll. Arg.)
Standl.
Randia armata (Sw.) DC.
Rudgea coriacea (Spreng.) K. Schum.
Rudgea interrupta Benth.
Rudgea recurva Müll. Arg.
Simira viridiflora (Allem. et Saldanha)
Steyerm
Tocoyena sellowiana (Cham. & Schltdl.)
K. Schum.
Conchocarpus fontanesianus (A. St. Hil.)
Kallini & Pirani
Conchocarpus ovatus (A. St. Hil. & Tul.)
Kallunki & Pirani
Galipea jasminiflora (A. St. Hil.) Engl.
Zanthoxylum rhoifolium Lam.
Allophylus edulis (A. St. Hil.) Radlk.
Cupania oblongifolia Radlk.
Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
Matayba guianensis Aubl.
Paullinia fusiformis Radlk.
Paullinia micrantha Camb.
Paullinia racemosa Wawra
Serjania clematidifolia Camb.
Talisia coriacea Radlk.
Urvillea glabra Camb.
Chrysophyllum flexuosum Mart.
Chrysophyllum lucentifolium Cronquist
Ecclinusa ramiflora Mart.
Pouteria filipes Eyma
Pouteria guianensis Aubl.
Pradosia lactescens Vell.
Simaba floribunda Rizzini
Clavija spinosa (Vell.) Mez
Luechea paniculata Mart.
Trigonia nivea Camb.
Trigonia villosa Vell.
Celtis iguanaea (Jacq.) Sarg.
Trema micrantha (L.) Blume
Amphirrhox longifolia (A. St. Hil.)
Spreng.
Rinorea guianensis Aubl.
Indetermina sp. 1
Árvore
Trepadeira
Árvore
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Árvore
SI
SI
SI
SI
A.A.M. de Barros 2832
A.A.M. de Barros 3150
A.A.M. de Barros 2971
A.A.M. de Barros 3066
A.A.M. de Barros 3005
A.A.M. de Barros 2066
A.A.M. de Barros 3151
A.A.M. de Barros 3113
A.A.M. de Barros 3067
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
Arbusto
Arbusto
ST
-
A.A.M. de Barros 3050
A.A.M. de Barros 3004
A.A.M. de Barros2592
A.A.M. de Barros 3152
A.A.M. de Barros 2970
A.A.M. de Barros 2809
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
ST
ST
ST
-
A.A.M. de Barros 3153
A.A.M. de Barros 2933
A.A.M. de Barros 2988
A.A.M. de Barros 3003
A.A.M. de Barros 2627
A.A.M. de Barros 2934
A.A.M. de Barros 2935
A.A.M. de Barros 2813
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Arbusto
Árvore
ST
A.A.M. de Barros 2714
A.A.M. de Barros 3073
A.A.M. de Barros 2801
A.A.M. de Barros 2987
A.A.M. de Barros 2986
Árvore
ST
A.A.M. de Barros 2693
Arbusto
-
A.A.M. de Barros 3058
Arbusto
-
A.A.M. de Barros 3035
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Trepadeira
Árvore
Trepadeira
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Árvore
Arbusto
Árvore
Trepadeira
Trepadeira
Árvore
Árvore
Arbusto
ST
PI
SI
SI
SI
SI
SI
ST
ST
ST
ST
ST
ST
ST
PI
PI
PI
-
A.A.M. de Barros 3002
A.A.M. de Barros 2969
A.A.M. de Barros 3098
A.A.M. de Barros 3074
A.A.M. de Barros 2984
A.A.M. de Barros 3154
A.A.M. de Barros 3051
A.A.M. de Barros 2983
A.A.M. de Barros 3117
A.A.M. de Barros 3107
A.A.M. de Barros 2936
A.A.M. de Barros 3046
A.A.M. de Barros 2937
A.A.M. de Barros 2545
A.A.M. de Barros 2773
A.A.M. de Barros 3013
A.A.M. de Barros 3012
A.A.M. de Barros 3001
A.A.M. de Barros 3036
A.A.M. de Barros 3156
A.A.M. de Barros 3044
A.A.M. de Barros 3157
A.A.M. de Barros 3081
A.A.M. de Barros 3080
A.A.M. de Barros 3158
A.A.M. de Barros 3097
Arbusto
Árvore
SC
A.A.M. de Barros 3124
-
203
Tabelas dos inventários fitossociógicos nas 3 áreas amostradas no Parque Estadual da Serra
da Tiririca, Niterói e Maricá, RJ.
Descritores fitossociológicos de espécies arbóreas e trepadeiras com DAP ≥ 2,5 cm amostradas em transecto
de 0,1 ha no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Morro do Telégrafo, Barreira, Niterói e Maricá, Rio de
Janeiro, apresentados em ordem decrescente de valor de importância (VI). N = número de indivíduos, P =
número de parcelas com ocorrência da espécie. DR = densidade relativa (%), DoR = dominância relativa (%),
FR = freqüência relativa (%).
ESPÉCIES
FAMÍLIA
N
P
DR
DoR
FR
VI
1. Pseudopiptadenia contorta (DC.)
G.P. Lewis & M. Pires
2. Casearia sylvestris Sw.
LEGUMINOSAE
23
5
4,55
14,64
1,89
21,07
FLACOURTIACEAE
13
4
2,57
16,61
1,51
20,69
3. Guapira opposita (Vell.) Reitz
NYCTAGINACEAE
24
7
4,74
8,35
2,64
15,74
4. Eriotheca pentaphylla (Vell.) A.
Robyns
5. Attalea humilis Mart. ex Spreng.
BOMBACACEAE
17
4
3,36
8,26
1,51
13,13
ARECACEAE
26
8
5,14
1,64
3,02
9,80
24
6
4,74
1,37
2,26
8,38
6. Brosimum guianense Huber ex Ducke MORACEAE
7. Astronium graveolens Jacq.
ANACARDIACEAE
17
7
3,36
1,78
2,64
7,78
8. Tetraplandra leandri Baill.
EUPHORBIACEAE
20
3
3,95
1,92
1,13
7,00
9. Rudgea interrupta Benth.
RUBIACEAE
16
5
3,16
1,93
1,89
6,98
10. Ocotea schotii (Miesn.) Mez
LAURACEAE
10
6
1,98
2,55
2,26
6,79
11. Myrcia fallax (Richard) DC.
MYRTACEAE
13
5
2,57
2,16
1,89
6,61
12. Miconia cinnamomifolia (DC.)
Naud.
13. Escheweilera compressa (Vell.)
Miers
14. Adenocalymma trifoliatum (Vell.)
R.C. Laroche
15. Matayba guianensis Aubl.
MELASTOMATACEAE
12
2
2,37
3,21
0,75
6,34
LECYTHIDACEAE
7
5
1,38
2,39
1,89
5,67
BIGNONIACEAE
13
7
2,57
0,24
2,64
5,45
SAPINDACEAE
6
5
1,19
2,28
1,89
5,35
16. Paullinia micrantha Camb.
SAPINDACEAE
13
6
2,57
0,38
2,26
5,21
17. Amphirrhox longifolia (A. St. Hil.)
Spreng.
18. Psychotria leiocarpa Cham. et
Schltdl.
19. Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn.
VIOLACEAE
12
5
2,37
0,67
1,89
4,93
RUBIACEAE
13
4
2,57
0,29
1,51
4,36
MELASTOMATACEAE
7
3
1,38
1,79
1,13
4,31
20. Faramea stipulacea (Cham. &
Schltdl.) DC.
21. Psychotria tenuinervis Müll. Arg.
22. Piptadenia gonoacantha (Mart.)
Macbr.
23. Guarea macrophylla subsp.
tuberculata (Vell.) T.D. Penn.
24. Pterogyne nitens Tul.
RUBIACEAE
7
5
1,38
0,98
1,89
4,25
RUBIACEAE
LEGUMINOSAE
9
6
5
3
1,78
1,19
0,19
1,48
1,89
1,13
3,85
3,80
MELIACEAE
5
5
0,99
0,89
1,89
3,77
LEGUMINOSAE
7
5
1,38
0,39
1,89
3,66
25. Exostyles venusta Schott
LEGUMINOSAE
5
4
0,99
0,55
1,51
3,04
26. Ocotea diospyrifolia (Miesn.) Mez
LAURACEAE
1
1
0,20
2,31
0,38
2,89
27. Astrocaryum aculeatissimum Mart.
ARECACEAE
5
3
0,99
0,75
1,13
2,87
28. Ixora gardneriana Benth.
RUBIACEAE
6
4
1,19
0,12
1,51
2,81
29. Bactris setosa Mart.
ARECACEAE
7
3
1,38
0,21
1,13
2,73
30. Roupala montana Aubl.var.
paraensis (Sleumer) K.S. Edwards
31. Machaerium aculeatum Raddi
PROTEACEAE
3
3
0,59
0,94
1,13
2,67
LEGUMINOSAE
5
4
0,99
0,10
1,51
2,59
32. Hirtella triandra Sw. ssp.
punctulata (Miq.) G.T. Prance
33. Protium widgrenii Engl.
CHRYSOBALANACEAE
3
3
0,59
0,69
1,13
2,42
BURSERACEAE
2
1
0,40
1,63
0,38
2,40
204
34. Sparattosperma leucanthum (Vell.)
Schum.
35. Malouetia arborea (Vell.) Miers
BIGNONIACEAE
2
1
0,40
1,50
0,38
2,27
APOCYNACEAE
4
3
0,79
0,30
1,13
2,22
36. Stizophyllum perforatum (Cham.)
Miers
37. Ruprechtia lundii Meisner
BIGNONIACEAE
5
3
0,99
0,08
1,13
2,20
POLYGONACEAE
4
1
0,79
0,93
0,38
2,10
38. Ormosia arborea (Vell.) Harms
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
1,52
0,38
2,09
39. Couratari pyramidata (Vell.) Knuth
LECYTHIDACEAE
5
2
0,99
0,33
0,75
2,07
40. Allophylus edulis (A. St. Hil.)
Radlk.
41. Algernonia brasiliensis Baill.
SAPINDACEAE
4
3
0,79
0,15
1,13
2,07
EUPHORBIACEAE
5
2
0,99
0,30
0,75
2,05
42. Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
SAPINDACEAE
3
3
0,59
0,30
1,13
2,03
43. Sorocea hilarii Gaudich.
MORACEAE
4
3
0,79
0,10
1,13
2,02
44. Machaerium oblongifolium Vogel
LEGUMINOSAE
4
3
0,79
0,08
1,13
2,00
45. Pseudomedia hirtula Kuhlmann
MORACEAE
3
3
0,59
0,27
1,13
2,00
46. Eugenia marambaiensis M.C. Souza MYRTACEAE
et M.P. Morim
ANNONACEAE
47. Guatteria nigrescens Mart.
2
2
0,40
0,84
0,75
1,99
3
3
0,59
0,21
1,13
1,94
48. Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev LEGUMINOSAE
3
3
0,59
0,11
1,13
1,83
49. Geissospermum laeve (Vell.) Miers
APOCYNACEAE
2
2
0,40
0,59
0,75
1,74
50. Actinostemon klotzschii (Didr.)
EUPHORBIACEAE
4
2
0,79
0,17
0,75
1,72
51. Chrysophyllum flexuosum Mart.
SAPOTACEAE
4
2
0,79
0,11
0,75
1,66
52. Cryptocarya moschota Nees et
Mart. ex Ness
53. Paullinia racemosa Wawra
LAURACEAE
2
2
0,40
0,34
0,75
1,49
SAPINDACEAE
5
1
0,99
0,11
0,38
1,48
54. Posoqueria acutifolia Mart.
RUBIACEAE
3
2
0,59
0,11
0,75
1,46
55. Chrysophyllum lucentifolium
Cronquist
56. Ocotea elegans Mez
SAPOTACEAE
3
1
0,59
0,43
0,38
1,40
LAURACEAE
2
2
0,40
0,24
0,75
1,39
57. Zanthoxylum rhoifolium Lam.
RUTACEAE
2
1
0,40
0,59
0,38
1,36
58. Piptadenia paniculata Benth.
LEGUMINOSAE
2
2
0,40
0,17
0,75
1,32
59. Talisia coriacea Radlk.
SAPINDACEAE
2
2
0,40
0,14
0,75
1,29
60. Tocoyena sellowiana (Cham. &
Schltdl.) K. Schum.
61. Trichilia martiana C. DC.
RUBIACEAE
1
1
0,20
0,67
0,38
1,25
MELIACEAE
2
2
0,40
0,08
0,75
1,23
62. Eugenia tinguyensis Camb.
MYRTACEAE
2
2
0,40
0,07
0,75
1,22
63. Strychnos acuta Prog.
LOGANIACEAE
2
2
0,40
0,07
0,75
1,22
2
2
0,40
0,05
0,75
1,20
Pax
64. Adenocalymma subsessilifolium DC. BIGNONIACEAE
65. Leretia cordata Vell.
ICACINACEAE
2
2
0,40
0,04
0,75
1,19
66. Ouratea parviflora (DC.) Baill.
OCHNACEAE
2
2
0,40
0,04
0,75
1,19
67. Hippocratea volubilis L.
HIPPOCRATEACEAE
2
2
0,40
0,04
0,75
1,19
68. Coussarea nodosa (Benth.) Müll.
Arg.
69. Trichilia elegans A. Juss. subsp.
richardiana (A. Juss.) T. D. Penn.
70. Psychotria carthagenensis Jacq.
RUBIACEAE
2
2
0,40
0,03
0,75
1,18
MELIACEAE
2
2
0,40
0,03
0,75
1,18
RUBIACEAE
2
2
0,40
0,03
0,75
1,18
71. Sebastiania gaudichaudii Müll. Arg. EUPHORBIACEAE
1
1
0,20
0,59
0,38
1,17
72. Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr. ASTERACEAE
1
1
0,20
0,57
0,38
1,15
73. Apuleia leiocarpa (Vogel) Macbr.
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,51
0,38
1,08
74. Astronium fraxinifolium Schott ex
Spreng.
ANACARDIACEAE
1
1
0,20
0,48
0,38
1,06
205
75. Sloanea monosperma Vell.
ELAEOCARPACEAE
1
1
0,20
0,48
0,38
1,06
76. Adenocalymma bracteatum (Cham.)
DC.
77. Genipa americana L.
BIGNONIACEAE
3
1
0,59
0,03
0,38
1,00
RUBIACEAE
1
1
0,20
0,31
0,38
0,88
78. Connarus nodosus Baker
CONNARACEAE
1
1
0,20
0,28
0,38
0,86
79. Eugenia exelsa O. Berg
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,23
0,38
0,81
80. Coussarea accedens Müll. Arg.
RUBIACEAE
1
1
0,20
0,16
0,38
0,73
81. Garcinia gardneriana (Planch. et
Triana) Zappi
82. Inga capitata Desv.
CLUSIACEAE
1
1
0,20
0,15
0,38
0,72
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,10
0,38
0,68
83. Cupania oblongifolia Radlk.
SAPINDACEAE
1
1
0,20
0,10
0,38
0,68
84. Eugenia bahiensis DC.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,10
0,38
0,67
85. Citronella paniculata (Mart.) R.A.
Howard
86. Calyptranthes grandifolia O. Berg
ICACINACEAE
1
1
0,20
0,09
0,38
0,67
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,08
0,38
0,66
87. Bauhinia microstachya (Raddi)
Macbr.
88. Rinorea guianensis Aubl.
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,08
0,38
0,65
VIOLACEAE
1
1
0,20
0,07
0,38
0,65
89. Heisteria perianthomega (Vell.)
Sleumer
90. Eugenia umbrosa O. Berg
OLACACEAE
1
1
0,20
0,07
0,38
0,64
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,06
0,38
0,64
91. Abutua convexa (Vell.) Diels
MENISPERMACEAE
1
1
0,20
0,05
0,38
0,63
92. Pradosia lactescens Vell.
SAPOTACEAE
1
1
0,20
0,05
0,38
0,63
93. Cabralea canjerana (Vell.) Mart.
ssp. canjerana
94. Machaerium incorruptibile (Vell.)
Fr. All. ex Benth.
95. Duguetia sessilis (Vell.) Maas
MELIACEAE
1
1
0,20
0,05
0,38
0,63
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,05
0,38
0,62
ANNONACEAE
1
1
0,20
0,03
0,38
0,61
96. Eugenia microcarpa O. Berg.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,03
0,38
0,61
97. Bunchosia maritima (Vell.)
Macbride
98. Pseudopiptadenia inaequalis
(Benth.) Rauschert
99. Swartzia apetala Raddi var. apetala
MALPIGHIACEAE
1
1
0,20
0,03
0,38
0,60
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,03
0,38
0,60
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,02
0,38
0,60
100. Pera glabrata (Schott) Baill.
EUPHORBIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,38
0,60
101. Psychotria nitidula Cham. &
Schltdl.
102. Casearia commersoniana Camb.
RUBIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,38
0,60
FLACOURTIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,38
0,60
103. Randia armata (Sw.) DC.
RUBIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,38
0,59
104. Davilla rugosa Poir.
DILLENIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,38
0,59
105. Erythroxyllum gaudichaudii Peyr.
ERYTHROXYLACEAE
1
1
0,20
0,02
0,38
0,59
106. Mansoa lanceolata (DC.) A.
Gentry
107. Pfaffia paniculata (Mart.) Kunth.
BIGNONIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,38
0,59
AMARANTHACEAE
1
1
0,20
0,01
0,38
0,59
108. Clarisia ilicifolia (Spreng.)
Lanjouw & Rossberg
109. Anemopaegma chamberlaynii
(Sims) Bureau ex K. Schum.
110. Bougainvillea spectabilis Willd.
MORACEAE
1
1
0,20
0,01
0,38
0,59
BIGNONIACEAE
1
1
0,20
0,01
0,38
0,59
NYCTAGINACEAE
1
1
0,20
0,01
0,38
0,59
111. Lacistema serrulatum Mart.
LACISTEMATACEAE
1
1
0,20
0,01
0,38
0,59
112. Virola gardnerii (A. DC.) Warb.
MYRISTICACEAE
1
1
0,20
0,01
0,38
0,59
113. Urbanodendron verrucosum
(Nees) Mez
LAURACEAE
1
1
0,20
0,01
0,38
0,59
206
Descritores fitossociológicos de espécies arbóreas e trepadeiras com DAP ≥ 2,5 cm amostradas em transecto
de 0,1 ha no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Morrote do Córrego dos Colibris, município de Niterói,
Rio de Janeiro, apresentados em ordem decrescente de valor de importância (VI). N = número de indivíduos,
P = número de parcelas com ocorrência da espécie. DR = densidade relativa (%), DoR = dominância relativa
(%), FR = freqüência relativa (%).
ESPÉCIES
FAMÍLIA
N P
DR
DoR
FR
VI
1. Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
SAPINDACEAE
72
8
16,48
15,37
5,16
37,00
2. Brosimum guianense Huber ex Ducke
MORACEAE
71
9
16,25
12,03
5,81
34,08
3. Guapira opposita (Vell.) Reitz
NYCTAGINACEAE
29
9
6,64
16,49
5,81
28,93
4. Escheweilera compressa (Vell.) Miers
LECYTHIDACEAE
31
5
7,09
4,60
3,23
14,92
5. Pera glabrata (Schott) Baill.
EUPHORBIACEAE
11
7
2,52
4,96
4,52
11,99
6. Astronium fraxinifolium Schott ex
Spreng.
7. Adenocalymma trifoliatum (Vell.) R.C.
Laroche
8. Myrcia fallax (Richard) DC.
ANACARDIACEAE
10
5
2,29
5,71
3,23
11,23
BIGNONIACEAE
23
8
5,26
0,75
5,16
11,18
MYRTACEAE
15
7
3,43
1,53
4,52
9,48
9. Nectandra oppositifolia Nees
LAURACEAE
10
4
2,29
4,32
2,58
9,19
10. Astrocaryum aculeatissimum Mart.
ARECACEAE
12
5
2,75
3,15
3,23
9,12
11. Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P.
Lewis & M. Pires
12. Anadenanthera colubrina (Vell.)
Brenan
13. Mansoa lanceolata (DC.) A. Gentry
LEGUMINOSAE
2
2
0,46
4,92
1,29
6,67
LEGUMINOSAE
4
3
0,92
3,51
1,94
6,37
BIGNONIACEAE
15
3
3,43
0,62
1,94
5,99
14. Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr.
ASTERACEAE
3
2
0,69
3,10
1,29
5,07
15. Abutua convexa (Vell.) Diels.
MENISPERMACEAE
11
3
2,52
0,38
1,94
4,84
16. Joannesia princeps Vell.
EUPHORBIACEAE
2
2
0,46
2,97
1,29
4,72
17. Machaerium incorruptibile (Vell.) Fr.
All. ex Benth.
18. Rudgea coriacea (Spreng.) K. Schum.
LEGUMINOSAE
7
3
1,60
1,11
1,94
4,64
RUBIACEAE
8
4
1,83
0,17
2,58
4,58
19. Sorocea hilarii Gaudich.
MORACEAE
5
4
1,14
0,58
2,58
4,30
20. Casearia sylvestris Sw.
FLACOURTIACEAE
5
3
1,14
0,97
1,94
4,05
21. Roupala montana Aubl.var. paraensis
(Sleumer) K.S. Edwards
22. Sparattosperma leucanthum (Vell.)
Schum.
23. Rudgea interrupta Benth.
PROTEACEAE
5
3
1,14
0,84
1,94
3,91
BIGNONIACEAE
3
2
0,69
1,75
1,29
3,73
RUBIACEAE
6
3
1,37
0,13
1,94
3,44
24. Hyperbaena oblongifolia (Mart.)
Chodat
25. Celtis iguanaea (Jacq.) Sarg.
MENISPERMACEAE
5
3
1,14
0,14
1,94
3,22
ULMACEAE
2
2
0,46
1,27
1,29
3,02
26. Machaerium aculeatum Raddi
LEGUMINOSAE
4
3
0,92
0,10
1,94
2,95
27. Matayba guianensis Aubl.
SAPINDACEAE
4
2
0,92
0,43
1,29
2,64
28. Coutarea hexandra (Jacq.) K. Schum.
RUBIACEAE
1
1
0,23
1,74
0,65
2,61
29. Arrabidaea rego (Vell.) DC.
BIGNONIACEAE
5
2
1,14
0,11
1,29
2,55
30. Malouetia arborea (Vell.) Miers
APOCYNACEAE
4
2
0,92
0,26
1,29
2,46
31. Byrsonima laxifolia Griseb.
MALPIGHIACEAE
2
1
0,46
1,19
0,65
2,29
32. Trigonia villosa Vell.
TRIGONIACEAE
5
1
1,14
0,36
0,65
2,15
33. Casearia commersoniana Camb.
FLACOURTIACEAE
5
1
1,14
0,27
0,65
2,06
3
2
0,69
0,05
1,29
2,02
34. Ouratea olivaeformis (A. St. Hil.) Engl. OCHNACEAE
35. Serjania clematidifolia Camb.
SAPINDACEAE
2
2
0,46
0,11
1,29
1,86
36. Psychotria nitidula Cham. & Schltdl.
RUBIACEAE
1
1
0,23
0,94
0,65
1,81
207
37. Prockia crucis P. Browne ex L.
FLACOURTIACEAE
3
1
0,69
0,29
0,65
1,62
38. Chondrodendron platiphyllum (A. St.
Hil.) Miers
39. Jacaranda micrantha Cham.
MENISPERMACEAE
1
1
0,23
0,51
0,65
1,39
BIGNONIACEAE
2
1
0,46
0,25
0,65
1,35
40. Indeterminada sp 1
INDETERMINADA
1
1
0,23
0,36
0,65
1,24
41. Pera leandri Baill.
EUPHORBIACEAE
2
1
0,46
0,13
0,65
1,24
42. Exostyles venusta Schott
LEGUMINOSAE
2
1
0,46
0,08
0,65
1,19
43. Ouratea parviflora (DC.) Baill.
OCHNACEAE
2
1
0,46
0,07
0,65
1,17
44. Rinorea guianensis Aubl.
VIOLACEAE
1
1
0,23
0,21
0,65
1,08
45. Annona acutifolia Mart.
ANNONACEAE
1
1
0,23
0,21
0,65
1,08
46. Machaerium hirtum (Vell.) Stellf.
LEGUMINOSAE
1
1
0,23
0,17
0,65
1,05
47. Cupania oblongifolia Radlk.
SAPINDACEAE
1
1
0,23
0,09
0,65
0,97
48. Casearia oblongifolia Camb.
FLACOURTIACEAE
1
1
0,23
0,09
0,65
0,97
49. Erythroxylum magnoliaefolium A. St.
Hil.
50. Bactris setosa Mart.
ERYTHROXYLACEAE
1
1
0,23
0,08
0,65
0,96
ARECACEAE
1
1
0,23
0,06
0,65
0,94
51. Trema micrantha (L.) Blume
ULMACEAE
1
1
0,23
0,06
0,65
0,94
52. Albizia polycephala (Benth.) Killip.
LEGUMINOSAE
1
1
0,23
0,05
0,65
0,93
53. Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax
EUPHORBIACEAE
1
1
0,23
0,04
0,65
0,92
54. Miconia staminea DC.
MELASTOMATACEAE
1
1
0,23
0,04
0,65
0,92
55. Chrysophyllum flexuosum Mart.
SAPOTACEAE
1
1
0,23
0,04
0,65
0,92
56. Guatteria reflexa R. & Fr.
ANNONACEAE
1
1
0,23
0,04
0,65
0,91
57. Eugenia florida DC.
MYRTACEAE
1
1
0,23
0,03
0,65
0,90
58. Lacistema serrulatum Mart.
LACISTEMACEAE
1
1
0,23
0,03
0,65
0,90
59. Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B.
Gates
60. Arrabidaea conjugata (Vell.) Mart.
MALPIGHIACEAE
1
1
0,23
0,02
0,65
0,89
BIGNONIACEAE
1
1
0,23
0,02
0,65
0,89
61. Actinostemon concolor (Spreng.) Müll.
Arg.
62. Kielmeyera membranacea Casar.
EUPHORBIACEAE
1
1
0,23
0,02
0,65
0,89
CLUSIACEAE
1
1
0,23
0,02
0,65
0,89
63. Anemopaegma chamberlaynii (Sims)
Bureau ex K. Schum.
64. Adenocalymma bracteatum (Cham.)
DC.
BIGNONIACEAE
1
1
0,23
0,01
0,65
0,89
BIGNONIACEAE
1
1
0,23
0,01
0,65
0,89
208
Descritores fitossociológicos de espécies arbóreas e trepadeiras com DAP ≥ 2,5 cm amostradas em transecto
de 0,1 ha no Parque Estadual da Serra da Tiririca, Morro do Cordovil, Vale das Borboletas, município de
Niterói, Rio de Janeiro, apresentados em ordem decrescente de valor de importância (VI). N = número de
indivíduos, P = número de parcelas com ocorrência da espécie. DR = densidade relativa (%), DoR =
dominância relativa (%), FR = freqüência relativa (%).
ESPÉCIES
FAMÍLIA
N
P
DR
DoR
FR
VI
15
7
2,96
11,33
2,22
16,50
1. Guapira opposita (Vell.) Reitz
NYCTAGINACEAE
2. Miconia cinnamomifolia (DC.) Naud.
MELASTOMATACEAE
5
3
0,99
9,61
0,95
11,55
3. Cupania racemosa (Vell.) Radlk.
SAPINDACEAE
10
5
1,98
4,66
1,58
8,22
4. Tovomita leucantha (Schl.) Planch et
Triana
5. Guarea guidonea (L.) Sleumer
CLUSIACEAE
19
8
3,75
1,65
2,53
7,94
MELIACEAE
9
1
1,78
5,62
0,32
7,71
6. Apuleia leiocarpa J.F. Macbr.
LEGUMINOSAE
2
2
0,40
5,86
0,63
6,89
7. Ficus cyclophylla Miquel
MORACEAE
1
1
0,20
5,95
0,32
6,46
8. Rudgea interrupta Benth.
RUBIACEAE
16
7
3,16
0,22
2,22
5,60
9. Hippocratea volubilis L.
HIPPOCRATEACEAE
18
4
3,56
0,71
1,27
5,53
10. Strychnos acuta Prog.
LOGANIACEAE
16
6
3,16
0,33
1,90
5,39
11. Heisteria perianthomega (Vell.)
Sleumer
12. Myrcia fallax (Richard) DC.
OLACACEAE
5
5
0,99
2,67
1,58
5,24
MYRTACEAE
8
7
1,58
1,41
2,22
5,21
13. Clarisia ilicifolia (Spreng.) Lanjouw & MORACEAE
Rossberg
14. Guarea macrophylla subsp. tuberculata MELIACEAE
(Vell.) T.D. Penn.
EUPHORBIACEAE
15. Joannesia princeps Vell.
11
6
2,17
0,77
1,90
4,84
9
3
1,78
2,01
0,95
4,74
6
3
1,19
2,37
0,95
4,50
16. Astronium fraxinifolium Schott ex
Spreng.
17. Sloanea monosperma Vell.
ANACARDIACEAE
2
2
0,40
3,32
0,63
4,34
ELAEOCARPACEAE
8
5
1,58
1,06
1,58
4,22
18. Eugenia tinguyensis Camb.
MYRTACEAE
8
7
1,58
0,40
2,22
4,20
19. Guatteria nigrescens Mart.
ANNONACEAE
8
6
1,58
0,40
1,90
3,88
20. Posoqueria acutifolia Mart.
RUBIACEAE
8
5
1,58
0,67
1,58
3,83
21. Machaerium aculeatum Raddi
LEGUMINOSAE
11
4
2,17
0,20
1,27
3,64
22. Ocotea schotii (Miesn.) Mez
LAURACEAE
6
4
1,19
1,18
1,27
3,63
23. Brosimum guianense Huber ex Ducke
MORACEAE
7
5
1,38
0,65
1,58
3,61
24. Chrysophyllum flexuosum Mart.
SAPOTACEAE
7
6
1,38
0,32
1,90
3,61
25. Ecclinusa ramiflora Mart.
SAPOTACEAE
6
3
1,19
1,44
0,95
3,58
26. Clavija spinosa (Vell.) Mez
THEOPHRASTACEAE
9
5
1,78
0,17
1,58
3,54
27. Ficus adhatifolia Schott
MORACEAE
1
1
0,20
2,84
0,32
3,36
28. Ipomoea philomega (Vell.) House
CONVOLVULACEAE
9
4
1,78
0,15
1,27
3,19
29. Heteropterys leschenaultiana A. Juss.
MALPIGHIACEAE
7
5
1,38
0,10
1,58
3,07
30. Cupania oblongifolia Radlk.
SAPINDACEAE
5
4
0,99
0,80
1,27
3,05
31. Bunchosia marítima (Vell.) Macbride
MALPIGHIACEAE
8
4
1,58
0,16
1,27
3,00
32. Campomanesia laurifolia Gardn.
MYRTACEAE
5
3
0,99
0,99
0,95
2,93
33. Cabralea canjerana (Vell.) Mart. ssp.
canjerana
34. Aniba firmula (Nees & Mart.) Mez
MELIACEAE
3
2
0,59
1,68
0,63
2,91
LAURACEAE
4
2
0,79
1,47
0,63
2,90
35. Ocotea aniboides Miq.
LAURACEAE
5
5
0,99
0,30
1,58
2,87
36. Piptadenia gonoacantha Mart.) Macbr.
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
2,14
0,32
2,65
37. Ceiba crispiflora (Kunth) Ravena
BOMBACACEAE
1
1
0,20
2,14
0,32
2,65
209
38. Casearia oblongifolia Camb.
FLACOURTIACEAE
5
3
0,99
0,65
0,95
2,58
39. Eugenia bahiensis DC.
MYRTACEAE
5
4
0,99
0,20
1,27
2,46
40. Leretia cordata Vell.
ICACINACEAE
8
2
1,58
0,22
0,63
2,44
41. Bactris setosa Mart.
ARECACEAE
5
4
0,99
0,14
1,27
2,39
42. Myrciaria floribunda (H. West ex
Willd.) O. Berg
43. Ocotea daphnifolia (Meiss.) Mez
MYRTACEAE
3
3
0,59
0,66
0,95
2,20
LAURACEAE
4
2
0,79
0,76
0,63
2,19
44. Trichilia martiana C. DC.
MELIACEAE
5
3
0,99
0,22
0,95
2,16
45. Hyperbaena oblongifolia (Mart.)
Chodat
46. Abutilon sp.
MENISPERMACEAE
7
2
1,38
0,13
0,63
2,15
MALVACEAE
2
2
0,40
1,10
0,63
2,13
47. Annona acutifolia Mart.
ANNONACEAE
4
3
0,79
0,37
0,95
2,11
48. Eriotheca pentaphylla (Vell.) A.
Robyns
49. Tetraplandra leandri Baill.
BOMBACACEAE
2
2
0,40
1,05
0,63
2,08
EUPHORBIACEAE
3
2
0,59
0,85
0,63
2,07
50. Citronella paniculata (Mart.) R.A.
Howard
51. Inga capitata Desv.
ICACINACEAE
5
2
0,99
0,44
0,63
2,06
LEGUMINOSAE
3
2
0,59
0,83
0,63
2,06
52. Arrabidaea selloi (Spreng.) Sandwith
BIGNONIACEAE
6
2
1,19
0,21
0,63
2,03
53. Faramea stipulacea (Cham. & Schltdl.) RUBIACEAE
DC.
54. Coussarea nodosa (Benth.) Müll. Arg. RUBIACEAE
5
3
0,99
0,08
0,95
2,01
4
3
0,79
0,12
0,95
1,86
55. Coussarea accendens Müll. Arg.
RUBIACEAE
3
3
0,59
0,23
0,95
1,77
56. Urbanodendron verrucosum (Nees)
Mez
57. Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer
LAURACEAE
4
2
0,79
0,26
0,63
1,69
LAURACEAE
4
1
0,79
0,57
0,32
1,67
58. Pachystroma longifolium (Nees.) I.M.
Johnt.
59. Geissospermum laeve (Vell.) Miers
EUPHORBIACEAE
2
2
0,40
0,61
0,63
1,64
APOCYNACEAE
2
2
0,40
0,61
0,63
1,64
60. Zollernia glabra (Spreng.) Yakovlev
LEGUMINOSAE
3
3
0,59
0,09
0,95
1,63
61. Anadenanthera colubrina (Vell.)
Brenan
62. Psidium cattleianum Sabine
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
1,10
0,32
1,62
MYRTACEAE
2
1
0,40
0,90
0,32
1,61
63. Sorocea hilarii Gaudich.
MORACEAE
3
3
0,59
0,05
0,95
1,59
64. Matayba guianensis Aubl.
SAPINDACEAE
4
1
0,79
0,47
0,32
1,57
65. Pradosia lactescens Vell.
SAPOTACEAE
4
2
0,79
0,13
0,63
1,55
66. Chomelia brasiliana A. Rich.
RUBIACEAE
3
2
0,59
0,29
0,63
1,52
67. Paullinia fusiformis Radlk.
SAPINDACEAE
4
2
0,79
0,08
0,63
1,50
68. Swartzia simplex (Sw.) Spreng. Var.
grandiflora
69. Pera glabrata (Schott) Baill.
LEGUMINOSAE
2
2
0,40
0,43
0,63
1,46
EUPHORBIACEAE
2
2
0,40
0,42
0,63
1,45
70. Astrocaryum aculeatissimum Mart.
ARECACEAE
2
2
0,40
0,37
0,63
1,40
71. Mollinedia longifolia Tulasne
MONIMIACEAE
2
2
0,40
0,36
0,63
1,39
72. Eugenia flamingensis O. Berg
MYRTACEAE
3
2
0,59
0,16
0,63
1,38
73. Cordia trichoclada DC.
BORAGINACEAE
2
1
0,40
0,63
0,32
1,35
74. Lacistema serrulatum Mart.
LACISTEMATACEAE
3
2
0,59
0,10
0,63
1,32
75. Davilla rugosa Poir.
DILLENIACEAE
3
2
0,59
0,04
0,63
1,26
76. Urvillea glabra Camb.
SAPINDACEAE
2
2
0,40
0,10
0,63
1,13
77. Endlicheria glometata Mez
LAURACEAE
2
2
0,40
0,09
0,63
1,11
78. Pseudopiptadenia schumanniana
(Taub.) Lewis & M. Lima
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,59
0,32
1,11
210
LAURACEAE
79. Urbanodendron bahiensis (Meiss.)
Rohwer
80. Diplotropis incexis Rizzini & A. Mattos LEGUMINOSAE
2
2
0,40
0,06
0,63
1,09
3
1
0,59
0,15
0,32
1,06
81. Faramea coerulea (Nees & Mart.) DC.
RUBIACEAE
2
2
0,40
0,02
0,63
1,05
82. Condylocarpon isthimicum (Vell.) A.
DC.
83. Conchocarpus ovatus (A. St. Hil. &
Tul.) Kallunki & Pirani
84. Eugenia sp.
APOCYNACEAE
2
2
0,40
0,02
0,63
1,05
RUTACEAE
2
1
0,40
0,32
0,32
1,03
MYRTACEAE
3
1
0,59
0,08
0,32
0,99
85. Hirtella hebeclada Moric. ex DC.
CHRYSOBALANACEAE
1
1
0,20
0,46
0,32
0,98
86. Zanthoxylum rhoifolium Lam.
RUTACEAE
1
1
0,20
0,43
0,32
0,94
87. Mansoa lanceolata (DC.) A. Gentry
BIGNONIACEAE
3
1
0,59
0,03
0,32
0,94
88. Simira viridifolia (Allem. et Saldanha)
Steyerm
89. Abutua convexa (Vell.) Diels.
RUBIACEAE
1
1
0,20
0,41
0,32
0,92
MENISPERMACEAE
2
1
0,40
0,10
0,32
0,81
90. Pouteria guianensis Aubl.
SAPOTACEAE
2
1
0,40
0,09
0,32
0,80
91. Paullinia micrantha Camb.
SAPINDACEAE
2
1
0,40
0,08
0,32
0,79
92. Alchornea glandulosa
EUPHORBIACEAE
1
1
0,20
0,27
0,32
0,78
93. Allophylus edulis (A. St. Hil.) Radlk.
SAPINDACEAE
1
1
0,20
0,25
0,32
0,76
94. Plinia ilhensis G.M. Barroso
MYRTACEAE
2
1
0,40
0,03
0,32
0,75
95. Pouteria filipes Eyma
SAPOTACEAE
1
1
0,20
0,22
0,32
0,74
96. Trigonia nivea Camb.
TRIGONIACEAE
2
1
0,40
0,02
0,32
0,73
97. Rudgea recurva Müll. Arg.
RUBIACEAE
2
1
0,40
0,02
0,32
0,73
98. Virola gardnerii (A. DC.) Warb.
MYRISTICACEAE
1
1
0,20
0,21
0,32
0,73
99. Luechea paniculata Mart.
TILIACEAE
1
1
0,20
0,20
0,32
0,72
100. Eugenia villae-novae Kiaersk.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,17
0,32
0,69
101. Miconia staminea DC.
MELASTOMATACEAE
1
1
0,20
0,15
0,32
0,67
102. Pterogyne nitens Tul.
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,15
0,32
0,66
103. Kielmeyera rizziniana Saddi
CLUSIACEAE
1
1
0,20
0,14
0,32
0,65
104. Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A.
Berg.
105. Algernonia brasiliensis Baill.
CACTACEAE
1
1
0,20
0,09
0,32
0,61
EUPHORBIACEAE
1
1
0,20
0,09
0,32
0,60
106. Myrciaria guaquiea (Kiaersk.) Mattos
& D. Legrand
107. Erythroxylum pulchrum A. St. Hil.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,08
0,32
0,60
ERYTHROXYLACEAE
1
1
0,20
0,08
0,32
0,60
108. Marlierea sylvatica (Gardner)
Kiaersk.
109. Attalea humilis Mart. ex Spreng.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,08
0,32
0,60
ARECACEAE
1
1
0,20
0,08
0,32
0,59
110. Simaba floribunda Rizzini
SIMAROUBACEAE
1
1
0,20
0,08
0,32
0,59
111. Myrciaria sp.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,07
0,32
0,58
112. Dalbergia frutescens (Vell.) Britton
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,07
0,32
0,58
113. Psychotria carthagenensis Jacq.
RUBIACEAE
1
1
0,20
0,05
0,32
0,56
114. Eugenia bunchosiifolia Nied.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,04
0,32
0,55
115. Inga lenticellata Benth.
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,04
0,32
0,55
116. Astronium graveolens Jacq.
ANACARDIACEAE
1
1
0,20
0,03
0,32
0,55
117. Marlierea glazioviana Kiaersk.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,03
0,32
0,54
118. Trichilia elegans A. Juss. subsp.
richardiana (A. Juss.) T. D. Penn.
119. Phyllostemonodaphne geminiflora
(Mez) Kosterm.
120. Bougaivillea spectabilis Willd.
MELIACEAE
1
1
0,20
0,03
0,32
0,54
LAURACEAE
1
1
0,20
0,03
0,32
0,54
NYCTAGINACEAE
1
1
0,20
0,03
0,32
0,54
211
121. Eugenia monosperma Vell.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
122. Eugenia microcarpa O. Berg
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
123. Tynanthus micranthus Correa de
Mella ex K. Schum.
124. Stizophyllum perforatum (Cham.)
Miers
125. Galipea jasminiflora (A. St. Hil.)
Engl.
126. Eugenia prasina O. Berg
BIGNONIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
BIGNONIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
RUTACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
127. Cryptocarya saligna Mez
LAURACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
128. Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax
EUPHORBIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
129. Eugenia rostrata O. Berg
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
130. Myrcia dilucida G.M. Barroso
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,54
131. Ocotea diospyrifolia (Miesn.) Mez
LAURACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,53
132. Dendropanax monogynus (Vell.)
Seem.
133. Myrcia richardiana O. Berg
ARALIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,53
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,53
134. Sebastiania nervosa (Müll.) Arg.
Müll. Arg.
135. Ouratea parviflora (DC.) Baill.
EUPHORBIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,53
OCHNACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,53
136. Eugenia florida DC.
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,53
137. Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins
MONIMIACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,53
138. Serjania clematidifolia Camb.
SAPINDACEAE
1
1
0,20
0,02
0,32
0,53
139. Ocotea elegans Mez
LAURACEAE
1
1
0,20
0,01
0,32
0,53
140. Eugenia exelsa O. Berg
MYRTACEAE
1
1
0,20
0,01
0,32
0,53
141. Clytostoma binatum (Thunb.)
Sandwith
142. Senegalia pteridifolia (Benth.) Seigler
& Ebinger
143. Piper arboreum Aubl. var. arboreum
BIGNONIACEAE
1
1
0,20
0,01
0,32
0,53
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,01
0,32
0,53
PIPERACEAE
1
1
0,20
0,01
0,32
0,52
144. Pseudomedia hirtula Kuhlmann
MORACEAE
1
1
0,20
0,01
0,32
0,52
145. Stephanopodium sessile Rizzini
DICHAPETALACEAE
1
1
0,20
0,01
0,32
0,52
146. Exostyles venusta Schott
LEGUMINOSAE
1
1
0,20
0,01
0,32
0,52
147. Psychotria umbellurigera (Müll. Arg.) RUBIACEAE
Standl.
RUTACEAE
148. Conchocarpus fontanesianus (A. St.
Hil.) Kallini & Pirani
RUBIACEAE
149. Ixora gardneriana Benth.
1
1
0,20
0,01
0,32
0,52
1
1
0,20
0,01
0,32
0,52
1
1
0,20
0,01
0,32
0,52
MELIACEAE
1
1
0,20
0,01
0,32
0,52
150. Guarea kunthiana A. Juss.
212
Considerações Finais
A escassez de inventários florísticos mais abrangentes no estado do Rio de Janeiro
é um impecílio para adoção de medidas conservacionistas, principalmente no que se refere
às regiões costeiras. Apesar do esforço que está sendo empreendido para aumentar o nível
de conhecimento, ainda existem várias lacunas. Em seu estudo sobre a Centro de
Diversidade Vegetal de Cabo Frio, Sá (2006) chama atenção para áreas pouco conhecidas
sob o ponto de vista botânico entre os municípios de Saquarema e Niterói. Nesse sentido
esse estudo no Parque Estadual da Serra da Tiririca (PEST) vem preencher um pouco dessa
lacuna da falta de conhecimento biológico. Contudo, essas áreas são estratégicas para
conservação da diversidade biológica e estão sujeitas as diversas formas de ameaças
ambientais. Os fragmentos florestais remanescentes de Mata Atlântica isolados não
conservam essa diversidade, porém ainda detêm importantes informações florísticas.
Sendo assim, é necessário um esforço no sentido de conhecer sob o ponto de vista
biológico essas áreas para se propor medidas conservacionistas em conjunto.
A vegetação da Serra da Tiririca apresenta um aspecto geral escleromórfico, com
intensa queda de folhas nos meses mais secos. Contudo, tem baixa similaridade com as
florestas estacionais do Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio. É caracterizada pela
floresta ombrófila densa e vegetação de afloramentos rochosos, sendo seu aspecto
escleromórfico associado ao clima regional, proximidade com o mar e a presença de solos
rasos. Tem baixa similaridade florística com outras áreas inventariadas do estado do Rio de
Janeiro, porém apresentou maior relacionamento com a flora das restingas fluminenses.
Isso mostra que cada área representa um conjunto único que detêm espécies adaptadas as
diferentes condições abióticas que ocorrem no estado do Rio de Janeiro. Essas condições
são altamente influenciadas por fatores topográficos, climáticos e edáficos, que selecionam
as espécies e permitem o estabelecimento de múltiplas paisagens. Os afloramentos
rochosos são retratos dessas situações e constituem elementos enriquecedores da flora.
Apresentam elementos florísticos específicos e adaptados a condições extremas de
sobrevivência. Na verdade, são ilhas diversidade entremeadas à floresta ombrófila densa.
Os dados apresentados sobre a diversidade florística do PEST mostram uma área
com grande riqueza de espécies. Essa diversidade se expressa não só em termos florísticos,
213
mas também nas variadas formas de vida, ocasionadas pelos diferentes ambientes da região
de estudo. Esse é um padrão para região Sudeste brasileira. É uma área com elevada
riqueza florística que está bastante ameaçada pela ação humana. O inventário florístico
registrou 907 espécies de Magnoliophyta pertencentes a 434 gêneros e 97 famílias, além de
122 espécies consideradas ruderais. Destacam-se as seguintes famílias quanto à riqueza de
espécies:
Leguminosae,
Myrtaceae,
Rubiaceae,
Euphorbiaceae,
Bromeliaceae,
Sapindaceae, Bignoniaceae, Orchidaceae, Araceae e Asteraceae. As plantas arbóreas
representam 35,8% da flora, seguido de trepadeiras, ervas, arbustos, epífitas, hemiepífitas e
parasitas. As trepadeiras formam um grupo de destaque na Serra da Tiririca, com alta
riqueza de espécies, mostrando que a vegetação encontra-se em plena regeneração em
vários estádios sucessionais.
Tal fato é confirmado pelo estudo fitossociológico realizado em três diferentes
áreas com histórico de perturbação para utilização agrícola e produção de carvão. Os dados
mostram a recuperação natural da vegetação com espécies típicas da Mata Atlântica. As
árvores estão distribuídas em categorias sucessionais distintas, sendo que em cada área
predominam espécies pioneiras, secundárias iniciais ou secundárias tardias. A amostragem
feita é um retrato atual das condições ambientais da Serra da Tiririca, representada pela
floresta em mosaico, que resulta na alta diversidade de espécies.
Cerca de dezessete anos após a criação do PEST ainda existem muitas incertezas
em termos conservacionistas, visto que, mesmo sendo uma Unidade de Proteção Integral e
parte integrante da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, não está assegurada quanto à
proteção da diversidade biológica. Os impactos ambientais aos quais o PEST se expõe,
atualmente são ocasionados pelo intenso crescimento urbano nos dois municípios onde se
localiza e pelas políticas públicas que não estão engajadas com a conservação da região.
Muito pelo contrário em 2007 o PEST teve sua área diminuída drasticamente com o
estabelecimento dos limites definitivos. Por um lado resolve os problemas dos limites
indefinidos que perdurou por mais de dez anos, porém fica a pergunta: O que realmente
pretende-se conservar? A resposta a esse questionamento é fundamental para que as
autoridades públicas estabeleçam metas e as executem para retirar o Parque Estadual da
Serra da Tiririca da condição de “Parque de Papel”.
Download

Tese Ana Angélica M_ de Barros - Instituto de Pesquisas Jardim