AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU ID O PE LA LE I DE DI R EI TO AVM FACULDADE INTEGRADA EG O ESTUDO DE PRÁTICAS DE GESTÃO SOCIOAMBIENTAL NO PR OT ÂMBITO DA SECRETARIA DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E DO CU M EN TO ORÇAMENTO DO DISTRITO FEDERRAL Por: Letícia Alves Cardoso Bezerra de Melo Orientador: Profª. Cléber Moreira Gonzaga Co-orientador: Prof. Marcelo Silva Oliveira Brasília 2012 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA O ESTUDO DE PRÁTICAS DE GESTÃO SOCIOAMBIENTAL NO ÂMBITO DA SECRETARIA DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO DO DISTRITO FEDERRAL Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau especialista em Gestão Pública Por: Letícia Alves Cardoso Bezerra de Melo de AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por podermos desfrutar de todo o conhecimento necessário para o nosso crescimento pessoal e profissional Ao meu esposo pela paciência, pelo incentivo e pelas tantas horas em que não pode contar comigo. À minha filha, Mariana, pelos pequenos e constantes ensinamentos. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho para o Luis Felipe, meu marido, companheiro, grande incentivador. amigo e RESUMO O presente trabalho tem por objetivo o estudo sobre as práticas de Gestão Socioambiental no âmbito interno da Secretaria de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal e sobre as vantagens obtidas ao se estabelecer, como modelo de atuação, princípios e práticas sustentáveis. A Secretaria de Planejamento e Orçamento tem seu papel de órgão estratégico do Governo do Distrito Federal. A Secretaria é responsável, principalmente, por coordenar políticas e diretrizes relacionadas ao planejamento estratégico, modernização, desburocratização e avaliação da gestão dos órgãos e entidades da Administração Direta, Indireta, Autárquica e Fundacional do Governo do Distrito Federal. A adoção de práticas de Gestão Socioambiental no âmbito interno da Secretaria, considerando a relevância do tema ambiental, e a preocupação global em torno da necessidade de maior atenção ao desequilíbrio ambiental, é assunto de extrema importância para o reconhecimento da sua posição estratégica de destaque no governo do Distrito Federal e para a melhoria da sua cultura organizacional. Este estudo não pretende esgotar, ou se aprofundar demasiadamente, no estudo de Gestão Socioambiental. Visa tão somente, colher alguns dados sobre práticas sustentáveis a serem adotados no âmbito interno da Secretaria de Planejamento e Orçamento e, por meio de pesquisa bibliográfica, detalhar alguns princípios que podem servir de fundamentos a tais práticas. METODOLOGIA A metodologia utilizada no desenvolvimento do presente trabalho constitui na pesquisa bibliográfica, sendo realizada a leitura de livros, artigos e a pesquisa em sites e revistas que tratam do assunto, dos quais foram reunidos pontos específicos para a elaboração desta monografia. O método de abordagem a ser adotado será o dedutivo, já que a partir das informações coletadas, será realizado um estudo para a apresentação de críticas e proposições. Segundo, LAKATOS E MARCONI declaram que esse método dedutivo “tem o propósito de explicar o conteúdo das premissas, ao contrário do indutivo que tenta ampliar o alcance dos conhecimentos”. (MARCONI, & LAKATOS, 1991, p 57.). Dessa forma pode-se dizer que os argumentos dedutivos ou estão corretos ou incorretos. As autoras ainda salientam que: “Para a metodologia é de vital importância compreender que, no modelo dedutivo, a necessidade de explicações não reside nas premissas, mas, ao contrário, na relação entre as premissas e a conclusão (que acarretam). Por outro lado, não é necessário que o princípio geral aduzido seja uma lei causal: a explicação de porque algo deve ser efeito de certas causas. O modelo dedutivo pode explicar, por exemplo, em termos de propósito, já que a necessidade de explicação é lógica e não causal” (MARCONI, & LAKATOS, 1991, p 63.) A principal crítica apresentada a este método pelas autoras diz que “fornecer premissas, das quais um acontecimento pode ser deduzido, talvez não seja suficiente para ensejar esse entendimento.” (MARCONI, & LAKATOS, 1991, p 63.) Este método permite a realização de comparações entre a teoria geral existente e as observações da realidade prática, tudo isso de forma metódica. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - Responsabilidade Socioambiental 11 1.1. O que vem a ser Responsabilidade Socioambiental 11 1.2. O que é Sustentabilidade 15 1.3. Agenda 21 17 1.4. Agenda Ambiental da Administração Pública 21 1.4.1. Como Implantar a Agenda Ambiental na Administração Pública 24 CAPÍTULO II - Posicionamento Estratégico e Cultura Organizacional 27 2.1. Posicionamento Estratégico 27 2.2. Cultura Organizacional 29 2.2.1 Características e classificação 29 2.2.2 Gestão da Cultura Organizacional 31 CAPÍTULO III – Práticas e Iniciativas de Gestão Socioambiental 32 3.1. Práticas de Gestão Socioambiental 32 3.1.1 Redução do consumo de água e energia 33 3.1.2. Utilização racional dos materiais de expediente 35 3.1.3. Manutenção adequada da frota oficial de veículos 36 3.1.4. Aquisições de produtos que causem menos impactos ao meio ambiente em seu processo de fabricação 37 3.1.5. Adequação da coleta seletiva 38 3.1.6. Educação Ambiental 44 3.2. Benefícios das Práticas de Gestão Socioambiental 46 3.3. Iniciativas e Ações Sustentáveis no âmbito da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento 47 CONCLUSÃO 51 BIBLIOGRAFIA 53 ANEXOS 55 8 INTRODUÇÃO A sociedade passa por diversas mudanças no sentido de adotar uma postura diferenciada com relação às questões de responsabilidade socioambiental. Nos dias de hoje, a comunidade passou a dar mais valor aos produtos e serviços ecologicamente corretos, exigindo das empresas públicas ou privadas, administrações diretas e indiretas, uma postura mais consciente em relação ao meio ambiente. De acordo com Tachizawa (2005), a responsabilidade social nos últimos anos vem tomando força, devido à conscientização mundial, que se iniciou com um relatório apresentado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente para a ONU em 1987. A questão socioambiental nos dias de hoje é cada vez mais tratada como um elemento essencial no processo de gestão, pois seu conceito e suas práticas foram difundindo e elevando a preocupação para o nível mais estratégico na administração. Pode-se dizer que o desenvolvimento sustentável tem por objetivo alcançar o atendimento às necessidades da população sem comprometer a capacidade das gerações futuras, buscando soluções que atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico. Podemos destacar que o governo tem o papel estratégico de conduzir a sociedade a adotar novos referenciais de produção e consumo, tendo em vista o desenvolvimento socioambiental no País, que propicie um futuro promissor às próximas gerações, incluindo a implantação de uma Agenda Ambiental da Administração Pública. A questão central deste trabalho será o de conhecer se é possível a melhoria da cultura organizacional e do posicionamento estratégico da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal, por meio do aperfeiçoamento constante de práticas de Gestão Ambiental. 9 O presente trabalho tem por objetivo o estudo sobre as práticas de Gestão Socioambiental no âmbito interno da Secretaria de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal e sobre as vantagens obtidas ao se estabelecer, como modelo de atuação, princípios e práticas sustentáveis. A Secretaria de Planejamento e Orçamento tem seu papel de órgão estratégico do Governo do Distrito Federal. A Secretaria é responsável, principalmente, por coordenar políticas e diretrizes relacionadas ao planejamento estratégico, modernização, desburocratização e avaliação da gestão dos órgãos e entidades da Administração Direta, Indireta, Autárquica e Fundacional do Governo do Distrito Federal. A adoção de práticas de Gestão Socioambiental no âmbito interno da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal, considerando a relevância do tema ambiental, e a preocupação global em torno da necessidade de maior atenção ao desequilíbrio ambiental, é assunto de extrema importância para o reconhecimento da sua posição estratégica de destaque no governo do Distrito Federal e para a melhoria da sua cultura organizacional. Desta forma, o objetivo geral deste trabalho será o de conhecer a importância da Gestão Socioambiental como forma de melhorar a cultura organizacional e a visibilidade no posicionamento estratégico da Secretaria de Planejamento e Orçamento, no governo do Distrito Federal. Para tanto, buscar-se-á demonstrar que as práticas de Gestão Socioambiental e Sustentabilidade pode melhorar a cultura organizacional uma vez que torna os servidores mais conscientes a respeito da questão ambiental, em relação a crescente preocupação global em torno da necessidade de reversão do desequilíbrio ambiental. A Gestão Socioambiental com a observância da Agenda 21 brasileira e a Agenda Ambiental na Administração Pública tende a melhorar o posicionamento estratégico da Secretaria no Governo uma vez que a mesma tem como objetivo o planejamento estratégico, modernização, desburocratização do Governo do Distrito Federal como um todo, e para isso deve ser exemplo de governabilidade. 10 No Capitulo I, serão abordadas, de forma geral, as visões conceituais de Gestão e Responsabilidade Socioambiental e seu desdobramento para a administração pública, com a implementação, em alguns órgãos, da Agenda Ambiental da Administração Pública. No Capítulo II, abordaremos as questões sobre o posicionamento estratégico da organização, bem como a cultura organizacional. Por fim, o capítulo III, será estruturado a partir de práticas e iniciativas de gestão socioambiental no âmbito interno da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal, bem como em outros órgãos públicos. Além disso, tentaremos demonstrar os benefícios das práticas de gestão socioambiental e sustentabilidade, podem gerar, no toante à cultura organizacional e ao posicionamento estratégico; Este estudo não pretende esgotar, ou se aprofundar demasiadamente, no estudo de Gestão Socioambiental. Visa tão somente, colher alguns dados sobre práticas sustentáveis a serem adotados no âmbito interno da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal e, por meio de pesquisa bibliográfica, detalhar alguns princípios que podem servir de fundamentos a tais práticas. 11 CAPÍTULO I GESTÃO E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL 1.1. O que vem a ser a Responsabilidade Socioambiental Podemos definir a responsabilidade social como sendo o relacionamento ético das empresas e organizações com todos os grupos de interesses que influenciam ou são impactados pelos stakeholders, ou seja, clientes, funcionários, servidores, fornecedores, acionistas, governo, sociedade, meio ambiente, entre outros, dentro da cultura, política, valores e estratégia da organização. Segundo Villela, O termo responsabilidade social nada mais é que o comprometimento do empresário com a adoção de um padrão ético de comportamento, contribuindo para o desenvolvimento econômico, uma estratégia que não só melhora a qualidade de vida de seus funcionários, mas a multiplica por meio de suas famílias, da comunidade, da sociedade. É a empresa atuando como agente social no processo de desenvolvimento. (VILLELA, 1999, P. 2) Desta forma, pode-se destacar que as empresas passam a se preocupar com a sociedade de forma estratégica, uma vez que a confiança adquirida com ações de responsabilidade social passa a ser sinônimo de credibilidade facilmente obticação de alguns princípios éticos. Para Grajew (1999, p. 32), trata-se “da relação ética, da relação socialmente responsável da empresa em todas as suas ações, em todas as suas políticas, em todas as suas práticas, em todas as suas relações”, tanto para seu público interno quanto para o externo. No entendimento de Garcia, O desenvolvimento da comunidade em que está inserida, a preservação do meio ambiente, uma comunicação transparente interna e externa, o investimento no ambiente de trabalho, no bemestar dos funcionários, o retorno aos acionistas, a satisfação dos clientes e a sinergia com os stakeholders são exemplos de ações 12 que caracterizam responsabilidade social empresarial. (GARCIA, 2002, p. 56) Segundo Demajorovic, (2003, p. 52), destaca-se que “conceitos como ética, desenvolvimento sustentável assumem papel cada vez mais relevantes nas estratégicas das organizações”. Com a implantação de ações de responsabilidade social pode-se conduzir muitos benefícios às organizações e também à sociedade. Conforme descreve Garcia (2002) a pratica da responsabilidade social pode melhorar vários aspectos da empresa e proporcionar melhoria no desempenho a longo prazo, desde que feito corretamente, como exemplo: a) agregar valor a imagem corporativa; b) motivar o público interno; c) posição influente nas decisões de compra; d) vantagem competitiva; e) reconhecimento dos dirigentes com lideres empresariais; f) melhoria no clima organizacional. Contudo, podemos ressaltar que a sociedade atual exige uma melhor definição do papel social das empresas, crescendo a conscientização de que não basta criar produtos, oferecer benefícios setoriais à sociedade e gerar alguns empregos sem a preocupação com eventuais resultados negativos para a população, como a degradação do meio ambiente, a poluição, entre outros. A empresa tem que demonstrar sua responsabilidade social e também sua contribuição para com o meio ambiente, buscando o bem da população. Responsabilidade Ambiental é um conjunto de práticas empresarias desenhadas para o desenvolvimento sustentável do planeta, ou seja, atitudes que podem levar em conta o crescimento econômico ajustado à proteção do meio ambiente na atualidade e para as gerações futuras, garantindo a sustentabilidade. 13 Todos esses conceitos, passaram a fazer parte de um conceito ainda mais abrangente, o de desenvolvimento ambiental sustentável. Com isso, verifica-se que a responsabilidade ambiental compreende num compromisso das organizações em atender a conscientização da própria sociedade. Para Tachizawa, a responsabilidade social e ambiental, [...] pode ser resumida no conceito de efetividade, como alcance de objetivos do desenvolvimento econômico-social. Portanto, uma organização é efetiva quando mantém uma postura socialmente responsável. A efetividade está relacionada à satisfação da sociedade, ao atendimento de seus requisitos sociais, econômicos e culturais. (TACHIZAWA, 2002, p.73) Portanto, para Lewis, (2005, p. 5) uma organização possui responsabilidades que abrangem a sua participação no desenvolvimento sustentável e que compreendem a preocupação com a qualidade de vida de todos – empregados e sociedade. Essa preocupação, com o fator responsabilidade socioambiental pode ser considerada uma forma de criar uma imagem positiva das organizações, ou ainda, uma forma estratégica de sobrevivência. Lewis (2005, p. 148), confirma a necessidade de estabelecimento de estratégias organizacionais focadas nos benefícios que uma organização pode trazer para suprir necessidades sociais. A autora afirma ainda que, devido ao atual contexto econômico, as organizações precisam produzir diferenciais que lhes garantam vantagens e sustentação no longo prazo. Segundo Peter Drucker apud Ashley, considera que: [...] é justamente em função de a empresa ser bem-sucedida no mercado que cresce a necessidade de atuação socialmente responsável, visando diminuir os problemas sociais. Assim, a responsabilidade social é um fator importante para que as companhias mantenham sua sustentabilidade. (ASHLEY, 2003, p.7). Para Demajorovic, o desenvolvimento de uma visão sistêmica, voltada ao conhecimento socioambiental, pode alterar os processos organizacionais e, com isso, a teoria do aprendizado organizacional relacionado aos aspectos socioambientais pode beneficiar as empresas em sua busca pela sustentabilidade. (DEMAJOROVIC, 2003, p.178). 14 Com a junção de todos esses conceitos a sustentabilidade começa a ser considerada como uma junção dos aspectos sociais, ambientais e econômicos do desenvolvimento. No Brasil, segundo Tachizawa (2002, p. 44), o governo passou a institucionalizar em nível federal a preservação ambiental do pais, criando em 1973 a Secretaria Especial de Meio Ambiente - SEMA, órgão especializado no trato de assuntos ambientais sob a coordenação do Ministério do Interior. As principais atribuições da SEMA era a atenção especial em relação a legislação e aos assuntos como a produção de detergentes biodegradáveis, a poluição por veículos, a demarcação de áreas críticas de poluição e a criação de unidades nacionais de conservação. Com o passar o tempo, verificou-se a necessidade de criação de um órgão que estivesse diretamente envolvido com a questão ambiental, integrado com órgãos ambientais estaduais e municipais, com entidades de classes e organizações não-governamentais. Com isso, em agosto de 1981, a Lei Federal nº 6.938, criou o Sistema Nacional de Meio Ambiente, integrado por um órgão colegiado : O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, composto por representante de ministérios e entidades setoriais da Administração Federal. Com a promulgação da Constituição Federal Brasileira - CF em 1988, consagrou-se o Meio Ambiente ecologicamente equilibrado como direito do cidadão, estabelecendo-se vínculo entre a qualidade ambiental e a cidadania. (art. 225, § 1º, VI) Para cumprimento da CF, os governos estaduais, municipais e do Distrito Federal, tem a obrigação de estruturar secretarias, departamentos e conselhos de meio ambiente que possam atender às denúncias e solicitações da população denunciante e reclamante. Cumprindo ainda o que estabelece a Carta Magna, foi editada a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, regulamentada pelo Decreto nº 4.281/2002, dispondo sobre a educação ambiental e instituindo a Política Nacional de Educação 15 Ambiental, como um processo participativo por meio do qual o indivíduo e a coletividade constróem valores sociais, adquirindo conhecimento, atitudes e habilidades voltada para a manutenção do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. As políticas públicas ambientais no Brasil, teve seu desenvolvimento de forma tardia se compararmos com as demais políticas setoriais dos países mais desenvolvidos. Segundo afirma Rigotto ( 2002, p. 23) : Se partirmos de uma visão sócio-ambiental integradora das diferentes dimensões da relação entre sociedade e natureza, devemos desenvolver uma compreensão ampla das repercussões ambientais sobre a vida social, particularmente dos efeitos das transformações ambientais sobre a saúde da população em geral. (RIGOTTO, 2002, p. 23) Por fim, podemos ressaltar que a responsabilidade socioambiental deve estar sempre presente nas organizações e na cultura das pessoas que as compõem, pois todos tem algo a mais a ser feito para beneficiar a sociedade e o meioambiente, com adoção de ações e , caso de instituições públicas, com a adoção de políticas públicas ambientais reconhecendo que todos os processos de ajuste setorial e de crescimento estão condicionados, na atualidade na prática de diretrizes ambientais. 1.2. O que é Sustentabilidade O termo sustentabilidade é utilizado para definir ações e atividades que visem suprir as necessidades atuais da população, sem comprometer as necessidades das futuras gerações. Segundo o website, de sustentabilidade, a “Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana”. <http://www.sustentabilidade.org.br/>, data de acesso, 26.06.2012) (Disponível em 16 No entendimento de Savitz e Weber (2006), o conceito de sustentabilidade é utilizado como uma definição abrangente que envolve a interdependência de todas as coisas, envolvendo-se com a ética, meio ambiente, governança corporativa, exigências sociais, direitos do consumidor, direitos trabalhistas, pobreza, fome, educação, saúde, etc., e que resulta da era da responsabilidade. Podemos ressaltar que para Savitz e Weber (2006), as ações sustentáveis estão num estágio maior do que a obrigatoriedade característica da responsabilidade social, estendendo-se às relações de cada indivíduo com a sua existência, preocupando-se com a existência das futuras gerações. De acordo com Demajorovic (2003), A sustentabilidade traz uma visão de desenvolvimento que busca superar o reducionismo e estimula um pensar e fazer sobre o meio ambiente diretamente vinculado ao diálogo entre saberes, à participação, aos valores éticos como valores fundamentais para fortalecer a complexa interação entre sociedade e natureza. (DEMAJOROVIC, 2003, p. 13) A prática sustentável continua sendo uma novidade pois necessita de um aprofundamento em conceitos e práticas para alcançar um nível satisfatório para o bem da humanidade. Segundo, Proops, Faber, Mantetten e Jöst, A sustentabilidade não é uma coisa a ser atingida, mas um processo contínuo. No entanto, um pré-requisito para a formação de uma política relativa à sustentabilidade é uma visão do estado do mundo em direção ao qual desejamos avançar. Contudo, um grande número de possíveis estados sustentáveis do mundo pode ser pensado e muitos outros se tornarão factíveis, embora estejam além do que se imagine. (PROOPS; FABER; MANTETTEN E JÖST, 1997, p. 106) Com isso, o conceito de sustentabilidade vem sendo divulgada por meio de conferências, legislação ambiental e certificação de produtos. A disseminação dessa nova forma de pensamento vem ocorrendo em razão das consequentes degradações que o meio ambiente vem sofrendo. Goodland, ressalta que: 17 Sustentabilidade ambiental significa mudança no estilo de vida que permitam manter capital natural. Manter o capital natural constante, por sua vez, significa manter inalterados os serviços ambientais tanto de fonte quanto de fossa ou desejos do ecossistema. A maior parte da sustentabilidade ambiental será alcançada na medida em que o mundo atingir a transição para a energia renovável, e para a população estável. (GOODLAND, 1997, p. 272). Para tanto, a sustentabilidade tem se voltado para um conjunto de reflexões e exigências de diversos setores sociais, fundadas na necessidade de que as empresas, organizações, órgãos públicos, preservem os recursos ambientais. Segundo Melo e Froes, Portanto, de acordo com este novo modelo, a empresa socialmente responsável e sustentável é aquela que atua nas três dimensões: proteção ambiental, apoio e fomento ao desenvolvimento econômico local, regional, e estímulo e garantia da equidade social. (MELO; FROES, 2004, p. 183) Com todos esses conceitos e fundamentos a sustentabilidade está tornando tendência no mundo de hoje. A grande preocupação com a preservação do meio ambiente é objetivo da maioria das empresas, organizações e órgãos públicos, que estão investindo cada vez mais na responsabilidade socioambiental e na sustentabilidade. 1.3. Agenda 21 A Agenda 21 surgiu na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD/UNCED, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, em 1992 e ficou conhecida como Rio/92 ou Eco/92. A assembleia teve como objetivo propor um modelo de desenvolvimento comprometido com a preservação da vida do planeta, e produziram importantes documentos como: A Agenda 21, a Declaração do Rio, a Declaração dos Princípios sobre o uso das Florestas, o Convênio sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas. Segundo explica Fernandes, A Agenda 21 é um programa de ação consubstanciado num documento de 40 capítulos que constitui a tentativa mais abrangente 18 de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, compatibilizando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Trata-se de um documento consensual para o qual contribuíram governos e organizações da sociedade civil de 179 países num processo preparatório que durou dois anos e culminou com a realização da Conferencia das Nações Unidas. (FERNANDES, 2009, P. 138) A Agenda 21 é um documento que foi negociado por governos e organizações da sociedade civil de 179 países, aproximadamente em 2 anos, o que gerou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD/UNCED, no Rio de Janeiro em 1992, sacramentando a preocupação com as questões ambientais. Com o término da Rio/92, Estado e sociedade civil, com o amadurecimento e o contato diário com a realidade e dinâmica do processo, sentiram a necessidade de dividir a Agenda 21 em: Agenda 21 Global, Agenda 21 Brasileira e a Agenda 21 Local. A Agenda 21 Global é o documento mais abrangente o aprovado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD/UNCED, em 1992. O documento encontra-se dividido em quatro seções, de acordo com Fernandes: a) Dimensões sociais e econômicos, no qual aborda as políticas internacionais que podem propiciar a concretização do desenvolvimento, sustentável, as estratégias de combate à pobreza e à miséria e a necessidade da introdução de mudanças nos padrões de produção e de consumo; b) Conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento, que trata do manejo dos recursos naturais nos padrões de produção e de consumo; c) Fortalecimento do papel dos principais grupos sociais, que indica as ações necessárias para promover a participação, principalmente das organizações não governamentais; e por último, d) Meios de implementação, que trata dos mecanismos financeiros e instrumentos jurídicos para a implementação de projetos e programas visando ao desenvolvimento sustentável. (FERNANDES, 2009, p. 139) 19 A Agenda 21 Brasileira é um instrumento de planejamento participativo para o desenvolvimento sustentável tendo como principal objetivo a sustentabilidade, juntamente com a conservação ambiental, a justiça social e o crescimento econômico. O documento é resultado de várias consultas à sociedade brasileira, tendo seu ponto de partida às diretrizes da Agenda 21 global. Esse processo iniciouse em 1996 e foi coordenado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional – CPDS. A Agenda 21 Brasileira foi concluída em 2002, e a partir do outro ano já entrou na fase de implementação, assistida pela CPDS, como também foi elevada à condição de Programa do Plano Plurianual, (PPA 2004-2007), pelo então governo, ganhando mais força política e institucional, passando a ser instrumento fundamental para a construção do Brasil Sustentável. Segundo o website do Ministério do Meio Ambiente, A Agenda 21 brasileira, que tem provado ser um guia eficiente para processos de união da sociedade, compreensão dos conceitos de cidadania e de sua aplicação, é hoje um dos grandes instrumentos de formação de políticas públicas no Brasil. (Disponível em < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda21/agenda-21-brasileira>, DATA DE ACESSO, 27.06.2012) Segundo o manual do Ministério do Meio Ambiente, os principais desafios do Programa Agenda 21 Brasileira, são: a) Implementar a Agenda 21 Brasileira. Passada a etapa da elaboração, a Agenda 21 Brasileira tem agora o desafio de fazer com que todas as suas diretrizes e ações prioritárias sejam conhecidas, entendidas e transmitidas, entre outros, por meio da atuação da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 Brasileira (CPDS);implementação do Sistema da Agenda 21; mecanismos de implementação e monitoramento; integração das políticas públicas; promoção da inclusão das propostas da Agenda 21 Brasileira nos Planos das Agendas 21 Locais. b) Orientar para a elaboração e implementação das Agendas 21 Locais. A Agenda 21 Local é um dos principais instrumentos para se conduzir processos de mobilização, troca de informações, geração de consensos em torno dos problemas e soluções locais 20 e estabelecimento de prioridades para a gestão de desde um estado, município, bacia hidrográfica, unidade de conservação, até um bairro, uma escola. O processo deve ser articulado com outros projetos, programas e atividades do governo e sociedade, sendo consolidado, dentre outros, a partir do envolvimento dos agentes regionais e locais; análise, identificação e promoção de instrumentos financeiros; difusão e intercâmbio de experiências; definição de indicadores de desempenho. c) Implementar a formação continuada em Agenda 21. Promover a educação para a sustentabilidade através da disseminação e intercâmbio de informações e experiências por meio de cursos, seminários, workshops e de material didático. Esta ação é fundamental para que os processos de Agendas 21 Locais ganhem um salto de qualidade, através da formulação de bases técnicas e políticas para a sua formação; trabalho conjunto com interlocutores locais; identificação das atividades, necessidades, custos, estratégias de implementação; aplicação de metodologias apropriadas, respeitando o estágio em que a Agenda 21 Local em questão está. (Disponível em < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda21/agenda-21-brasileira>, DATA DE ACESSO, 27.06.2012) Já a Agenda 21 Local está estabelecida na Agenda 21 Global, que no capítulo 28 estabelece que: cada autoridade em cada país implemente uma Agenda 21 local tendo como base de ação a construção, operacionalização e manutenção da infraestrutura econômica, social e ambiental local, estabelecendo políticas ambientais locais e prestando assistência na implementação de políticas ambientais nacionais. (Disponível em < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda21/agenda-21-local>, DATA DE ACESSO, 27.06.2012) Segundo Fernandes, A importância dessa aplicação no nível local da Agenda 21 decorre da constatação de que a questão ambiental não pode ser enfrentada por programas globais porque nós não vivemos ‘globalmente’ e ninguém investe recursos para alcançar objetivos globais que não estejam diretamente ligados à necessidade locais nem tornam a vida das pessoas mais sustentável. (FERNANDES, 2007, p. 141) Podemos destacar que a Agenda 21 Local é definida como sendo um processo participativo, para se alcançar os objetivos da Agenda 21 no nível local, por meio de ações estratégicas para o desenvolvimento sustentável local. O Ministério do Meio Ambiente define a Agenda 21 Local como sendo, um instrumento de planejamento de políticas públicas que envolve a sociedade civil e o governo em um processo amplo e participativo de consulta sobre os problemas ambientais, sociais e econômicos locais 21 e o debate sobre soluções para esses problemas através da identificação e implementação de ações concretas que visem o desenvolvimento sustentável local. (Disponível em < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda21/agenda-21-local>, DATA DE ACESSO, 27.06.2012) Para o sucesso da Agenda 21 Local é necessária à ação conjunta de diversos dos grupos e indivíduos: organizações comunitárias, movimentos sociais, ONGs, produtores e empresas, governos e organizações governamentais locais e regionais, instituições de pesquisa e ensino. 1.4. Agenda Ambiental da Administração Pública A partir da consciência adotada pela Agenda 21, o Ministério do Meio Ambiente – MMA, criou em 1999 e lançou publicamente em 2001, a Agenda Ambiental na Administração Pública, conhecida pela sigla A3P, que visa implementar uma gestão socioambiental sustentável no setor público, promovendo mudanças nos padrões de produção e consumo e, mostrando, com isso, uma nova tendência de adequação dos setores públicos a uma nova política de prevenção dos impactos de suas atividades sobre o meio ambiente. A sigla A3P é originária do inglês que tem como significado Advanced Avionics Architecture and Policy, que em uma livre tradução para o português quer dizer avançada comunicação e/ou navegação da arquitetura e da política, ou seja, a Agenda Ambiental na Administração Pública é utilizada para organizar as avançadas comunicações arquitetadas para a política publica voltada para a gestão socioambiental. A A3P está fundamentada nas recomendações do Capítulo IV da Agenda 21 que indica aos países o estabelecimento de programas voltados ao exame dos padrões insustentáveis de produção e consumo e o desenvolvimento de políticas e estratégias nacionais de estímulo a mudanças nos padrões insustentáveis de consumo. 22 Na Declaração da Rio/92 em seu princípio 8 afirma que “os Estados devem reduzir e eliminar padrões insustentáveis de produção e consumo e promover políticas demográficas adequadas”. A Agenda Ambiental na Administração Pública tem como princípios, a inserção dos critérios ambientais; que vão desde uma mudança nos investimentos, compras e contratação de serviços pelo governo; até uma gestão adequada dos resíduos gerados e dos recursos naturais utilizados tendo como principal objetivo a melhoria na qualidade de vida no ambiente de trabalho. (Disponível em <http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/a3p>, DATA DE ACESSO, 06.07.2012) A A3P tem como princípios a inserção dos critérios socioambientais nas atividades organizacionais, que vão desde uma mudança nas compras e contratações de serviços pelo governo até a uma gestão dos resíduos gerados e dos recursos naturais utilizados, promovendo uma melhoria na qualidade no ambiente de trabalho. Segundo o website do MMA, a Agenda Ambiental na Administração Pública, tem como objetivo principal: - Promover a reflexão sobre os problemas ambientais em todas as esferas da administração pública; - Estimular a adoção de atitudes e procedimentos que levem ao uso racional dos recursos naturais e dos bens públicos; - Estimular e promover mudanças de hábitos dos servidores públicos, capacitando continuamente os servidores públicos em relação a aspectos socioambientais; - Reacender a ética e a autoestima dos servidores públicos. (<http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/a3p>, DATA DE ACESSO, 06.07.2012) Com esses objetivos a A3P constitui uma das principais iniciativas de construção de uma agenda de Responsabilidade Socioambiental Governamental, buscando estabelecer um novo padrão de responsabilidade nas atividades econômicas, sociais e ambientais no âmbito da administração pública. Com isso, destacamos que a A3P busca inovar o comportamento do consumo do Governo de forma a adaptá-los às normas que tratam sobre a 23 responsabilidade ambiental do setor público. Com a implementação da A3P pode-se obter diversas vantagens, como: redução de água, energia e outros insumos, estabelecimento de padrões ambientais nas compras de materiais, sempre focando a qualidade de vida no ambiente de trabalho. Ainda segundo o Ministério do Meio Ambiente, a Agenda Ambiental na Administração Pública, é uma decisão voluntária respondendo à compreensão de que o Governo Federal possui um papel estratégico na revisão dos padrões de produção e consumo e na adoção de novos referenciais em busca da sustentabilidade socioambiental. O programa tem como diretriz a sensibilização dos gestores públicos para as questões socioambientais, estimulando-os a incorporar princípios e critérios de gestão ambiental nas atividades administrativas, por meio da adoção de ações que promovam o uso racional dos recursos naturais e dos bens públicos, o manejo adequado e a diminuição do volume de resíduos gerados, ações de licitação sustentável/compras verdes e ainda ao processo de formação continuada dos servidores públicos. (<http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/a3p>, DATA DE ACESSO, 06.07.2012) A A3P é gerida por comissão gestora no MMA, conforme Portaria nº 221/2004, realizando Fóruns Nacionais sobre a responsabilidade socioambiental na administração pública. O primeiro fórum foi realizado em 2005, em parceria com o Tribunal de Contas da União – TCU, com o foco em “Licitações Públicas Sustentáveis”, onde foram avaliados e principalmente definidos critérios ambientais nos processos licitatórios, dando incentivos aos parceiros com os mesmos princípios ambientais. Em 2006, o segundo fórum foi elaborado com o apoio da Câmara dos Deputados, dando continuidade aos debates da gestão com responsabilidade socioambiental no âmbito da administração pública, e estudado casos onde a A3P foi implementada com eficiência. Ainda em 2006, foi assinado o Decreto nº 5.940, de 25 de outubro de 2006, assinado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem a seguinte redação: Institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas 24 dos catadores de materiais recicláveis, e dá outras providências. (<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20042006/2006/Decreto/D5940.htm>, DATA DE ACESSO, 10.07.2012) Resaltamos que o MMA como comprometimento com a A3P no sentido de apoiar qualquer órgão que queira inserir a questão ambiental em suas atividades. 1.4.1. Como implantar a Agenda Ambiental na Administração Pública A implantação da Agenda Ambiental na Administração Pública exige planejamento e desenvolvimento de ações educativas e de treinamento, para obtenção do seu sucesso. A implementação só será realizada com o comprometimento da instituição em minimizar ou eliminar impactos ambientais, diretos ou indiretos, decorrentes de suas atividades A Agenda Ambiental na Administração Pública, segundo o MMA, tem sido implementada em vários órgãos e entidades públicas por meio da participação na Rede A3P. A Rede é um canal de comunicação permanente para promover o intercâmbio técnico, difundir informações sobre temas relevantes à agenda, sistematizar dados e informações sobre o desempenho ambiental das instituições e incentivar programas de formação e mudanças organizacionais, permitindo a troca de experiências. (<http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/a3p>, DATA DE ACESSO, 10.07.2012) O Ministério do Meio Ambiente - MMA destaca alguns pressupostos para a implantação da A3P, como: - criação e regulamentação de comissão da A3P envolvendo servidores públicos de várias áreas da instituição; - identificação dos pontos críticos e procedimentos, avaliando os impactos ambientais e de desperdício gerados; - definição de projetos e atividades, priorizando projetos e atividades de maior relevância; 25 - realização de treinamentos com introdução às mudanças necessárias; - verificação do desempenho ambiental, identificação de falhas e indicando melhoria; - avaliação sistemática, replanejamento e implementação de procedimentos, qualificação e treinamento de recursos humanos; - levantamento de impactos de riscos ambientais, identificação de ações de controle, identificação de indicadores de aprimoramento; O MMA tem por competência apoiar tecnicamente os órgãos públicos interessados em implementar a A3P. Segundo o ministério, a participação pode ocorrer por meio da adesão formal, anexo, ou através do cadastro na Rede A3P: O Termo de Adesão é o instrumento de compromisso para implantação da A3P nas instituições públicas, celebrado entre os interessados e o MMA, cuja finalidade é integrar esforços para desenvolver projetos destinados à implementação da A3P. Para aderir formalmente à A3P a instituição interessada deve enviar os seguintes documentos: Da instituição: • Ofício para encaminhamento dos documentos; • Cópia do comprovante de endereço do órgão; • Cópia do comprovante de regularidade fiscal do órgão; • Minuta do Termo de Adesão (sem assinatura e datação) em meio digital (e-mail ou cd); • Plano de Trabalho com as ações que serão implementadas no órgão (sem assinatura e datação) em meio digital (e-mail ou cd); Do representante da instituição no Termo (anexo): • Cópia autenticada do ato de nomeação; • Cópias autenticadas da Carteira de Identidade e do CPF; • Cópia de delegação de competência para a assinatura de atos (usualmente encontra-se na Lei ou Decreto que cria a instituição); (<http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/a3p>, DATA DE ACESSO, 10.07.2012) Como ressalta o MMA, a missão da A3P é sensibilizar todos os servidores públicos, tanto os da área técnica quanto os da área administrativa, para as questões ambientais. 26 Na figura a seguir, o MMA, em sua cartilha sobre a A3P, ressalta alguns indicadores que podem ser contemplados no processo de mudança, para que se alcance um melhor desempenho ambiental e de qualidade de vida no ambiente de trabalho. Figura1: Indicadores de Desempenho A A3P está baseada na construção de uma nova cultura institucional para administração pública, tendo como objetivo a qualidade de vida no trabalho, com medidas ambientais corretas e práticas sustentáveis em todos os níveis de governo, com comprometimento dos órgãos e dos servidores. Nessa proposta de implementação da Agenda Ambiental na Administração Pública, a gestão pública passa a considerar as questões socioambientais como item primordial e essencial para suas ações estratégicas, estabelecendo metas para o sucesso da A3P. 27 CAPÍTULO II POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO E CULTURA ORGANIZACIONAL 2.1. Posicionamento Estratégico Podemos descrever que o posicionamento estratégico consiste em analisar e selecionar algumas vantagens competitivas que deverão ser alcançadas com o objetivo de construir uma proposta de valor única no mercado, obtendo uma fidelidade do consumidor. Para se alcançar essa fidelidade deve ser analisada a estratégia que segundo Porter, (...) é a criação de uma posição única de valor envolvendo um conjunto de atividades diferentes das dos seus concorrentes, ou das mesmas atividades dos concorrentes, só que realizadas de forma diferente. (PORTER apud SILVA, 2006, p. 96) Estratégia é então "a principal ligação entre fins, objetivos e políticas funcionais de vários setores da empresa e planos operacionais que guiam as atividades diárias" (Hofer e Schendel,1978, p. 13), isto é, compreende escolha dos meios para se alcançar os objetivos para melhorar a visibilidade da empresa e de órgãos públicos. Como o posicionamento estratégico se planeja as condições de atuação das empresas num específico contexto, seja ele político ou não, decidindo que caminho seguir, tendo em vista as opções de futuro traçadas. Ou seja, o posicionamento estratégico está diretamente ligado às necessidades de realizar diferentes atividades sem se esquecer da escassez de recursos financeiros. Segundo Porter, existem basicamente 3 tipos de diferenciação de posicionamento: 28 1) Posicionamento baseado na variedade: oferecem-se vários tipos de produtos ou serviços, buscando atingir o maior número possível de perfis de clientes 2) Posicionamento baseado na necessidade: segmenta-se um grupo específico de clientes e busca-se entender e atender o melhor possível esse nicho de mercado. 3) Posicionamento por acesso: trabalha-se com o acesso ao produto ou serviço. Por exemplo, geograficamente (logística, distribuição, etc.). Com isso, podemos ressaltar que o posicionamento estratégico está diretamente ligado a uma escolha da empresa. Ou escolhe-se por um determinado perfil de clientes, ou determinado nicho de mercado, ou uma cadeia de valores. Essas escolhas determinam não apenas quais atividades uma empresa fará e como configurará estas atividades, mas também como estas atividades serão coordenadas para melhorar sua visibilidade, aumentando a representatividade concorrencial. Com a adoção de um posicionamento estratégico, a empresa passa a ter um melhor relacionamento com os seus diversos públicos: acionistas, clientes, fornecedores, empregados, concorrentes, Governo, mídia, comunidade, entre outros, com o objetivo de verificar se essas práticas e princípios promovem a melhoria de sua visibilidade no mercado proporcionam-lhe uma vantagem competitiva diferenciada. Os órgãos públicos devem estudar maneiras de causar impactos positivos nos servidores e na população para gerar um aumento em sua aceitação, sua identidade perante o governo e, principalmente a população. Com a preocupação da população com as questões sustentáveis, os órgãos públicos podem aumentar sua credibilidade, perante o governo e a população, focando em ações de responsabilidades socioambiental para melhor atender os anseios das gerações em relação ao meio ambiente. 29 2.2. Cultura Organizacional As organizações para se manterem competitivas em um mercado altamente globalizado e acirrado devem se adaptar rapidamente as mudanças que ocorrem nos ambientes internos e externos. Para Kisil, a mudança nas organizações significa: “deslocar-se de uma determinada posição para uma nova posição. Para isso é necessário que a organização conheça a posição que se encontra e, melhor ainda, a nova posição para a qual pretende se deslocar como parte da sociedade, ou do sistema específico ao qual pertence, ou do mercado.” ( Kisil, 1998, p. 6) A mudança pode manifestar-se em vários elementos dentro da organização e, em geral, as transformações ocorrem simultaneamente em várias dimensões. São elas: estratégia, cultura organizacional, estilos de gestão, processos, estrutura e sistemas de informação. A dimensão cultura organizacional reflete o conjunto de crenças e valores compartilhados que influenciam a vida organizacional e sua maneira de ser e cada organização tem a sua. A cultura segundo Muniz & Muniz é entendida, de forma geral, “como o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores transmitidos coletivamente e típicos de uma sociedade”. (Muniz, e Muniz, 2001. p.106) A cultura não pode ser considerada estática e imutável, uma vez que sofre interferências de variáveis tecnológicas, políticas, econômicas, legais, sociais, demográficas e ecológicas.” Sendo assim, não é algo palpável e não é percebida ou observada em si mesmo, mas, através dos seus efeitos e consequências. 2.2.1 – Características e classificações A cultura organizacional apresenta seis características principais: 1. Regularidades nos comportamentos observados: as interações entre os participantes caracterizam-se por uma linguagem comum, terminologias próprias e rituais relacionados com condutas e deferências. 30 2. Normas: são padrões de comportamento que incluem guias sobre a maneira de fazer as coisas. 3. Valores dominantes: são os principais valores que a organização advoga e espera que seus participantes compartilhem, como qualidade do produto, baixo absenteísmo, alta eficiência. 4. Filosofia: são políticas que afirmam as crenças sobre como os empregados ou clientes devem ser tratados. 5. Regras: são guias estabelecidos e relacionados com o comportamento na organização. Os novos membros devem aprender essas regras para serem aceitos no grupo. 6. Clima organizacional: é o sentimento transmitido pelo local físico, como os participantes interagem, como as pessoas tratam os outros, clientes, fornecedores etc (Chiavenato. 2008, p. 101) A cultura é transmitida para os empregados de várias formas e suas dimensões, são (Bowditch e Buono, 2004, p. 185) valores organizacionais, cultura gerencial, heróis organizacionais, histórias e mitos da organização, tabus e rituais da organização e símbolos culturais. Outra forma de classificar os elementos da cultura organizacional é a divisão em três níveis, quais sejam: 1. Artefatos: Nível mais superficial e perceptível da cultura. É aquilo que podemos notar facilmente a partir do que as pessoas falam e como se comportam. Engloba os produtos, serviços, tipo de vestuário, símbolos, histórias, heróis e cerimônias anuais das empresas, por exemplo. 2. Valores compartilhados: É o segundo nível da cultura. “São os valores relevantes que se tornam importantes para as pessoas e que definem as razões pelas quais elas fazem o que fazem. Funcionam como justificativas aceitas por todos os membros” (Chiavenato, 2008, P. 167) 3. Pressuposições básicas: “Constituem o nível mais íntimo, profundo e oculto da cultura organizacional. São as crenças inconscientes, percepções, sentimentos e pressuposições dominantes, muitas vezes não-escritas e nem sequer faladas.” (Chiavenato, 2008, P. 171) As culturas organizacionais são tradicionalmente classificadas como culturas conservadoras e culturas adaptativas. As conservadoras são mais rígidas, difíceis de serem mudadas e estão voltadas para o conservadorismo e a manutenção do status quo. Já as adaptativas são mais flexíveis e orientadas para a 31 mudança e a inovação. No contexto da globalização as organizações que possuem culturas adaptativas têm maiores chance de permanecerem competitivas. 2.2.2 – Gestão da Cultura Organizacional A gestão consiste basicamente em fortalecer a cultura quando ela já está consolidada nos padrões desejados pela alta cúpula, ou para promover mudanças quando a cultura é contrária ao desejado por ela e também quando não está favorecendo o bom desempenho organizacional. A cultura pode e deve ser gerenciada para ser tornar positiva para a organização. No entanto, esse gerenciamento não é fácil, pois exige que os líderes ou agentes de mudanças transmitam os conceitos necessários para que sejam compartilhados por todos. Caso contrário, a cultura pode se tornar uma barreira para a mudança e para que isso não ocorra é importante que as intervenções sejam feitas de maneira planejada e ética para se contribuir com o sucesso da organização. Para a efetiva mudança na cultura organizacional nos órgãos públicos os gestores devem apoiar as mudanças e serem os primeiros a abraçarem a causa, sendo isso uma das peças chave para o sucesso da mudança. Com o envolvimento de todos os gestores nessa mudança de cultura fica mais fácil a implementação de ações sustentáveis no âmbito dos órgãos públicos para se alcançar uma conscientização da importância da gestão socioambiental. 32 CAPÍTULO III PRÁTICAS E INICIATIVAS DE GESTÃO SOCIOAMBIENTAL 3.1. Práticas de Gestão Socioambiental As práticas de Gestão Socioambiental estão voltadas ao público interno e às atividades dos órgãos públicos perante a comunidade. Todos os produtos ou objetos que utilizamos são fabricados com recursos naturais, cuja extração e beneficiamento podem trazer prejuízos ao meio ambiente. Com isso, todo tipo de consumo causa impactos positivos ou negativos para a sociedade. A administração pública de um modo geral é uma grande consumidora de recursos naturais e, portanto, não pode deixá-la de fora de suas ações que tem por objetivos o de contribuir para a racionalização do uso desses recursos,e com isso, a preservação e proteção do meio ambiente. Com o intuito de melhorar essa situação, surge com a Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P a ideia do consumo consciente, que busca atender as necessidades humanas escolhendo produtos ou procedimentos que diminuam os impactos negativos e aumente os impactos positivos ao meio ambiente e, principalmente, a sociedade. Algumas ações podem ser adotadas no âmbito das administrações públicas para adoção da Gestão Socioambiental como: - redução do consumo de água e energia; - utilização racional dos materiais de expediente; - manutenção adequada da frota oficial de veículos; - aquisições de produtos que causem menos impactos ao meio ambiente em seu processo de fabricação; 33 - adequação da coleta seletiva; Abordaremos, a seguir, comentários sobre as práticas das ações descritas acima. 3.1.1. Redução do Consumo de Água e Energia Hoje, na nossa sociedade a água tem um valor econômico cada vez maior. A água é básica para a sobrevivência do ser humano e para suas atividades sociais, produtivas ou comerciais. Ações para o uso sustentável da água estão sendo difundidas no mundo inteiro. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, no Brasil, o gerenciamento das águas possui uma legislação moderna e abrangente, que busca estabelecer critérios de quantidade e qualidade, de forma democrática, para o desenvolvimento sustentável das comunidades menos abastadas e de todo o pais. (<http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/a3p>, DATA DE ACESSO, 18.07.2012) A administração pública tem papel fundamental na disseminação de informações sobre o correto uso da água e de práticas para conter seu desperdício. A Lei federal nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, define as diretrizes e princípios da política que regula o uso dos recursos hídricos no país. Para a prática de Gestão Socioambiental podemos destacar algumas ações que podem ser adotadas para economia da água nos órgãos públicos como: • utilização da água para consumo dos servidores na medida a evitar o desperdício (quantidade necessária para sanar a sede); • utilização de copos ecologicamente corretos e/ou distribuição de garrafinhas e canecas para reutilização; • consertos de torneiras, bebedouros e descargas com vazamentos em seu local de trabalho que devem ser providenciados de imediato; 34 • irrigação de jardins e plantas que deve ser feita com o uso de aspersor acoplado à mangueira, de forma controlada (tempo e quantidade de água); • preferência ao uso de baldes com água ao invés de mangueiras para lavagem de veículos; • aproveitamento de água da chuva; • criação e/ou aperfeiçoamento de sistema de reuso de água; • aproveitamento das águas servidas e não utilizadas, para outros fins como limpeza de chão; • uso de torneiras com válvulas redutoras e com temporizadores. Para a racionalização do uso da energia elétrica, a administração pública pode elaborar estudos para a viabilização técnica e administrativa criando novos hábitos para a economia. Muitas vezes, a adaptação, a modernização, a manutenção das instalações elétricas e a otimização do uso dos elevadores, ar condicionado e de outros equipamentos são providências que estão ao alcance, com soluções rápidas e econômicas. O Governo Federal com o Decreto nº 3.330, de 6 de janeiro de 2000, do Presidente da República, regulamentou o racionamento do consumo de energia na administração pública direta e indireta. Ações simples para a racionalização do uso de energia elétrica podem ser adotadas como: • utilização de escadas ao invés do elevador para subir ou descer apenas um ou dois andares. • preferência à iluminação natural abrindo janelas, cortinas e persianas. • não deixar lâmpadas acessar em ambientes vazios. 35 • não deixar computadores e aparelhos de ar condicionado ligados por mais de trinta minutos, sem uso. • automação da iluminação; • uso exclusivo de lâmpadas fluorescentes eficientes; • uso de novas tecnologias de resfriamento de ar. • manutenção periódica na rede elétrica de forma a não sobrecarregar tomadas com benjamins e fios de extensão. • pintar paredes dos locais de trabalho usando cores claras o que favorece a menor utilização da iluminação elétrica 3.1.2. Utilização Racional dos Materiais de Expediente Quanto aos materiais de expediente é preciso verificar se eles são de fato necessários e usados de forma racional. Não se pode deixar de ressaltar que os servidores públicos são cidadãos, e, portanto também pagam a conta do desperdício do governo. Com a utilização racional dos materiais de expediente, se combate o desperdício. Ações simples nesse sentido independem de vontade política de dirigentes e sim da vontade de cada um. Cada ação comprometida com a racionalização do uso de todos os tipos de bem público será visto e influenciará, em pouco tempo, outros servidores a proceder da mesma forma. Dentre os materiais de escritório, os mais desperdiçados são: • caixa arquivo; • clipes; • fitas adesivas; • prendedores; 36 • canetas; • lápis; • cartucho de tinta; • pastas; • extratores de grampos; • copos descartáveis – cada servidor poderia utilizar canecas e/ou garrafas individualizadas evitando o desperdício; • papel em banheiros; • Papel. Combater o desperdício é conviver de forma equilibrada com a natureza e fazer economia para os cofres públicos. 3.1.3. Manutenção Adequada da Frota Oficial de Veículos As revisões preventivas e periódicas sugeridas pelos fabricantes, o uso do combustível recomendado e a calibragem dos pneus são itens imprescindíveis para a manutenção adequada de veículos. Isso contribui para o prolongamento da vida útil do veículo, representa uma economia financeira e minimiza a emissão de poluentes no ar, no solo e nas águas. Os governos Federal, Estaduais, Municipais e do Distrito Federal, inclusive as fundações, autarquias e empresas de economia mista, têm por obrigação dar bom exemplo quanto à correta manutenção das suas respectivas frotas de veículos. Com o embasamento legal para tais manutenções temos Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente como a resolução nº 7, de 31 de agosto de 1993, que dispõe sobre veículos do ciclo Otto (gasolina e álcool); Resolução CONAMA nº 251, de 12 de janeiro de 1999, sobre veículos do ciclo Diesel (óleo 37 diesel); e Resolução CONAMA nº 252, de 01 de fevereiro de 1999, sobre ruídos produzidos por veículos. 3.1.4. Aquisições de Produtos que Causem Menos Impactos ao Meio Ambiente em seu Processo de Fabricação Todo órgão público tem a obrigação pela Constituição Federal de 1988, de adquirir produtos e serviços através do processo de licitação. Em dezembro de 2010, a Lei nº 12.349 alterou a Lei de Licitações, a 8.666/93, dando a seguinte redação para o seu art. 3º: “Art. 3º. A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos”. (disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8666cons.htm, data de acesso: 18.07.2012) Licitação é o processo em que a Administração Pública convoca, mediante edital ou convite, empresas interessadas e capacitadas a oferecer bens e serviços, para que seja escolhida aquela que ofereça proposta mais vantajosa às instituições públicas. O Decreto nº 7.746, de 5 de junho de 2012, regulamenta o art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, para estabelecer critérios, práticas e diretrizes para a promoção do desenvolvimento nacional sustentável nas contratações realizadas pela administração pública federal, e institui a Comissão Interministerial de Sustentabilidade na Administração Pública - CISAP. O Art. 2º, do citado Decreto, estabelece que a administração pública federal direta, autárquica e fundacional e as empresas estatais poderão adquirir bens e contratar serviços e obras considerando critérios e práticas de sustentabilidade objetivamente definidos no instrumento convocatório, conforme o disposto nesee Decreto. 38 Os critérios e práticas de sustentabilidade serão veiculados como especificação técnica do objeto ou como obrigação da contratada. O Decreto nº 7.746, de 5 de junho de 2012, passou a considerar as licitações Sustentáveis ou Verdes, que são aquelas que levam em consideração a sustentabilidade dos bens e serviços a ela relativos, sendo consideradas obrigatórias e não mais opcionais. Algumas vantagens dos bens e serviços sustentáveis: • usam menos recursos naturais; • contêm menos materiais perigosos ou tóxicos; • tem maior vida útil; • consomem menos água ou energia em sua produção ou uso; • podem ser reutilizados ou reciclados; • geram menos resíduos (ex: ser feito de material reciclado, usar menos material na embalagem ou ser reciclado pelo fornecedor); • estimulam o desenvolvimento social; • dão preferência a materiais biodegradáveis. 3.1.5. Adequação da Coleta Seletiva O excesso de produção de resíduos e a falta de tratamento adequado é uma das principais formas de contaminação das águas e do solo, tornando-se, com isso, um dos principais problemas ambientais. Para melhor ilustrar a adequação da coleta seletiva temos que destacar a diferença básica entre lixo e resíduos. 39 Segundo o manual da Agenda Ambiental na Administração Pública do MMA: Lixo (ou rejeito) são os materiais considerados não aproveitáveis, indesejados, ou desprovidos de valor. A palavra LIXO vem do latim (lix = cinza). No senso comum é associado a sujeira, inutilidade, empecilho e imundície. Para a ABNT -Associação Brasileira de Normas Técnicas, lixo são os “restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis, podendo se apresentar no estado sólido e líquido, desde que não seja passível de tratamento.” (Disponível em < http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda21/agenda-21-brasileira>, DATA DE ACESSO, 19.07.2012) E os resíduos são as sobras ou restos de qualquer material que sobra após uma ação ou processo produtivo, que podem ser reutilizados ou mesmo reciclados. O manual da Agenda Ambiental na Administração Pública do MMA ressalta que a diferença entre lixo e resíduo decorre: da forma como nos relacionamos com o que sobrou do processo de consumo. O LIXO existe de fato como sobra que não pode ser mais reaproveitada ou reciclada (exemplo: lixo hospitalar, lixo nuclear), mas também existe o RESÍDUO que é tratado como LIXO, ou seja, é desprezado em seu valor de matéria prima que poderia ser reutilizada ou reciclada. (Disponível em <http://www.mma.gov.br/responsabilidade-socioambiental/agenda21/agenda-21-brasileira>, DATA DE ACESSO, 19.07.2012) Para melhor valorização dos resíduos, podemos realizar a coleta seletiva, que é considerada um processo de separação e recolhimento dos resíduos por empresas e pessoas destinados a reciclagem ou ao descarte adequado. Para o melhor aproveitamento dos resíduos é importante uma separação adequada, e a realização de campanhas informativas junto aos servidores, convencendo-os da importância da reciclagem e orientando-os para que separe os resíduos em recipientes para cada tipo de material. O Decreto nº 5.940/2006 Institui a coleta seletiva na administração pública federal e destina os materiais recicláveis para as cooperativas de catadores. O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA aprovou a Resolução n°. 275 de 25 de Abril de 2001, onde estabelece o sistema de cores de validade 40 nacional, inspirado em formas de codificação já adotadas internacionalmente para identificação dos recipientes na coleta seletiva. Cores padronizadas dos recipientes de resíduos são: AZUL, papel/papelão; AMARELO, metal; VERDE, vidro; VERMELHO, plástico; MARROM, orgânico; LARANJA, resíduos perigosos; PRETO, Madeira; CINZA, resíduos gerais não recicláveis ou misturados, ou contaminado não passível de separação; ROXO, resíduos radioativos; e BRANCO, resíduos ambulatoriais e de serviço de saúde. Para melhor conscientização dos servidores, podemos utilizar as políticas dos 5R’s. Reconhecida por administrar o desperdício é também utilizada como a Hierarquia da Administração do Desperdício, e é muito utilizada nas campanhas de conscientização da adequação da coleta seletiva. A políticas dos 5R’s utiliza palavras chaves como: Reduzir, Repensar, Reaproveitar, Reciclar e Recusar. O manual da Agenda Ambiental na Administração Pública do MMA, descreve os 5 R’s como: a) Reduzir – diminuir a geração de resíduos. Exemplo: diminuir a quantidade de papel usado, evitando impressões desnecessárias; escolher produtos com menos embalagens; b) Repensar – inovar as práticas de consumo. Exemplo: usar lâmpadas de Led que são mais econômicas que as fluorescentes, optar por usar pilhas recarregáveis que tem vida útil mais longa; c) Reaproveitar – dar novo uso aos resíduos. Exemplo: usar o papel descartado para fazer blocos de anotações, doar objetos obsoletos para instituições que poderão fazer uso deles; d) Reciclar – retornar os resíduos ao processo produtivo. Exemplo: papel usado virando papel novo, latas de refrigerante virando novas latas; e) Recusar – rejeitar produtos cujos resíduos gerem impactos ambientais negativos significativos. Exemplo: recusar as sacolas descartáveis de plástico; recusar garrafas de água descartáveis. (Disponível em < http://www.mma.gov.br/responsabilidadesocioambiental/agenda-21/agenda-21-brasileira>, DATA DE ACESSO, 19.07.2012) Alguns órgãos públicos utilizam concomitantemente com o 5R’s, o programa 5S para despertar a visão mais sustentável nos servidores. O programa 5S constitui-se num dos instrumentos gerenciais utilizados para alcançar e manter programas mais avançados de qualidade nas empresas, 41 pois é uma proposta de gerenciamento de forma participativa, onde cada colaborador tem a oportunidade de desempenhar sua função, através do estímulo máximo da criatividade e da delegação de autonomia com responsabilidade sobre esta função. A esse respeito, a possibilidade de influência de cada colaborador no seu local de trabalho torna-o valorizado e motivado para buscar a sua satisfação e a satisfação dos seus clientes, e consequentemente buscar resultados para a empresa. Resultados acontecem através dos colaboradores que se orgulham do que fazem. (LOURENÇO, 1999, p. 16) “5S” é uma prática desenvolvida no Japão, “no inicio da década de 50, onde os pais ensinam a seus filhos princípios educacionais que os acompanham até a fase adulta”. (LOURENÇO, 1999, p. 16) Não só os aspectos de qualidade e produtividade devem ser delegados aos funcionários, segundo Lourenço, o mesmo deve ocorrer com relação à organização da área de trabalho, gerando descarte dos itens sem utilidade, liberação de espaço, padrões de arrumação, facilitando ao próprio funcionário saber o que está certo e o que está errado, manutenção da arrumação, limpeza, áreas isentas de pó, condições padronizadas que clareiam a mente do funcionário e a disciplina necessária para realizar um bom trabalho, em equipe, e dia após dia. (LOURENÇO, 1999, p. 17) O caminho prático é a implantação dos 5s, cinco passos integrados, que, conforme descreve Lourenço, (1999, p. 18), “buscam fortalecer 5 Sensos, formando um todo único e simples que nos ajudam a encarar o ambiente de trabalho de uma maneira totalmente nova”. A denominação “5S” é devido as cinco palavras iniciadas pela letra “S”, quando pronunciadas em japonês. São elas: SEIRI – senso de utilização; SEITON – senso de arrumação; SEISO – senso de limpeza; SEIKETSU – senso de saúde; e SHITSUKE – senso de autodisciplina. 42 Seiri “significa separar o necessário do desnecessário. Manter no local de trabalho apenas o que você realmente precisa e usa, na quantidade certa”. (LOURENÇO, 1999, p. 23) Lourenço, refere-se ao senso de utilização como sendo a identificação, classificação e remanejamento dos recursos que são úteis ao fim desejado. Refere-se a eliminar tarefas desnecessárias e desperdícios de recursos, inclui uma utilização correta dos equipamentos para um aumento do tempo de vida destes. (LOURENÇO, 1999, p. 23) Lourenço, descreve alguns procedimentos para a melhor aplicação do Senso de Utilização: a) analisar tudo o que está no local de trabalho. b) separar o necessário do que é desnecessário. c) verificar utilidade de cada item perguntando agrega valor? d) manter estritamente o necessário. (LOURENÇO, 1999, p. 24) O Seiton “significa a arte de cada coisa em seu lugar para pronto uso”. (LOURENÇO, 1999, p. 25) O senso de ordenação, segundo Lourenço, refere-se a disposição dos objetivos, comunicação visual e facilitação do fluxo de pessoas, com isto há diminuição do cansaço físico, economia de tempo e facilita a tomada de medidas ermegenciais. (LOURENÇO, 1999, p. 25) Os procedimentos para o Senso de Ordenação, segundo Lourenço, são: a) definir arranjo físico da área de trabalho. b) padronizar nomes. c) guardar objetos semelhantes no mesmo lugar. d) usar rótulos e cores vivas para identificação. e) buscar comprometimento de todos na manutenção da ordem. (LOURENÇO, 1999, p. 26) Já o Seiso “significa inspeção, zelo, a arte de tirar o pó”. (LOURENÇO, 1999, p. 27) Para o senso de limpeza, os Procedimentos descritos por Lourenço, são: a) educar para não sujar b) limpar instrumentos de trabalho após uso. 43 c) conservar limpas mesas, gavetas, armários, equipamentos e móveis em geral. d) inspecionar enquanto executar a limpeza. e) descobrir e eliminar as fontes de sujeira. (LOURENÇO 1999, p. 29), O Seiketsu “significa padrões, ambientação, higiene, conservação, asseio. É a arte de manter em estado de limpeza”. (LOURENÇO, 1999, p. 31) Manter condições favoráveis de saúde, no trabalho, em casa e pessoalmente. Esse senso, refere-se a preocupação com a própria saúde a nível físico, mental e emocional. A aplicação dos 3S acima citados já faz com que o senso de saúde não seja abalado por outros aspectos que poderiam afetar a saúde. (LOURENÇO, 1999, p. 32) Os procedimentos, segundo Lourenço, são: a) pensar e agir positivamente. b) manter bons hábitos e higiene pessoal. c) manter limpos e higienizados ambientes de uso comum. d) conservar ambiente de trabalho com aspecto agradável. e) evitar qualquer tipo de poluição. f) melhorar as condições de trabalho. (LOURENÇO, 1999, p. 33) E por último, o Shitsuke, significa, segundo Lourenço, autodisciplina, educação, harmonia. A arte de fazer as coisas certas, naturalmente. Comprometimento com normas e padrões éticos, morais e técnicos e com a melhoria contínua ao nível pessoal e organizacional. (LOURENÇO, 1999, p. 34) Disciplina é à base de uma civilização e o mínimo para que a sociedade funcione em harmonia. “A disciplina é o caminho para a melhoria do caráter dos funcionários”. (LOURENÇO, 1999, p. 35) Os procedimentos propostos por Lourenço, são: a) compartilhar visão e valores. b) educar para a criatividade. c) ter padrões simples. d) melhorar comunicação em geral. e) treinar com paciência e persistência. (LOURENÇO, 1999, p. 35) 44 Somente quando os empregados se sentirem orgulhosos por terem construído um local de trabalho “digno e se dispuserem a melhorá-lo continuamente, estará realmente compreendida a verdadeira essência do 5S”. (LOURENÇO, 1999, p. 40). Por fim, para melhor adequar a coleta seletiva, algumas atitudes podem ser tomadas como: • instalação de coletores específicos para a coleta seletiva; • instalação de coletores de pilhas e baterias; • confecção de caixas para coleta de papéis a serem reutilizados e recicláveis; • impressão frente e verso; • implementação do Decreto nº 5.940/2006 Uma conscientização de uma adequada coleta seletiva diminui a geração de resíduos tanto no trabalho como na vida pessoal de cada servidor, melhorando a qualidade de vida da população como um todo. 3.1.6. Educação Ambiental Entre as práticas de gestão socioambiental podemos descrever que a educação ambiental é uma das mais importantes, pois tem como proposta a de estimular o surgimento de uma cultura interligada entre a natureza e a sociedade, por meio de formação e de atitudes ecológicas nas pessoas. A educação ambiental tem por fundamento a visão socioambiental, afirmando que o meio ambiente é um espaço de relações, é um campo de interações culturais, sociais e naturais. Jacobi destaca que a educação ambiental tem sido constantemente vinculada, tanto em documentos como nas práticas, à formação da cidadania e à reformulação de valores éticos 45 e morais, individuais e coletivos, necessários para a continuidade da vida do planeta (JACOBI, 1997, p. 398) Com base nas especificações da educação ambiental, o Governo Federal editou em 1999 a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental. A citada lei estabelece no seu Artigo 4º alguns princípios básicos para a educação ambiental e no Artigo 5º os objetivos como: Art. 4o São princípios básicos da educação ambiental: I - o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; III - o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade; IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; V - a garantia de continuidade e permanência do processo educativo; VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo; VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; VIII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural. Art. 5o São objetivos fundamentais da educação ambiental: I - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; II - a garantia de democratização das informações ambientais; III - o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social; IV - o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania; V - o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro e macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade; VI - o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia; VII - o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade. (Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999,) A educação ambiental é um caminho que utiliza o diálogo para construir bases de conhecimento e valores que possam repercutir em principalmente no nosso meio ambiente. nossa cultura e 46 Os programas ambientais utilizados no âmbito dos órgãos públicos são de suma importância nas soluções dos problemas ambientais e na melhoria da qualidade de vida dos servidores, tornando esses mesmos servidores multiplicadores da educação ambiental desenvolvida nos órgãos. 3.2. Benefícios das Práticas de Gestão Socioambiental Pode-se destacar que a gestão socioambiental está cada vez mais inserida nas atividades relativas ao sistema produtivo e a administração das organizações. Os órgãos públicos precisam direcionar e administrar melhor o meio ambiente como patrimônio de todos, na busca de uma melhoria no desenvolvimento sustentável. Com o aperfeiçoamento dos programas de gestão socioambiental e da educação ambiental podemos destacar que a administração pública obtém como benefícios: • maior satisfação dos servidores por obter uma melhor qualidade no trabalho; • melhoria da imagem da secretaria, junto aos clientes, governo, comunidade, vizinhos; • redução de custos por eliminar os desperdícios, obtidos com uma análise cuidadosa do uso da água, energia elétrica e geração de resíduos; • cultura de preocupação ambiental; • redução de riscos, pois o órgão público bem estruturado quanto a aspectos ambientais apresenta um menor risco de ter que arcar com multas, ações, por descumprimento da legislação. Pode-se dizer que os órgãos públicos com um sistema de gestão socioambiental bem planejado tem o interesse de demonstrá-lo com o objetivo de 47 obter vantagens decorrentes de sua atitude de mostrar que sua política está sendo atingida, que as ações preventivas têm prioridade sobre as corretivas, que há uma visão de melhoramento contínuo, enfim, que toma todas as medidas necessárias para evitar impactos ambientais significativos. Pode-se, ainda, construir uma nova cultura institucional, direcionada a ações mais eficientes e eficazes nas instituições públicas; uma nova cultura que contemple a integração das áreas de trabalho, a unidade de procedimentos próqualidade de vida e o desenvolvimento da sociedade. 3.3. Iniciativas e Ações Sustentáveis no âmbito da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal Desde o dia 1º de janeiro do corrente ano está em vigor o Decreto nº 32.716 que fixou a estrutura da Administração Pública do Poder Executivo do Distrito Federal atribuindo novas competências à Secretaria de Planejamento e Orçamento. Com a nova estrutura, a Secretaria de Planejamento e Orçamento – SEPLAN reforçou seu papel de órgão estratégico do Governo, sendo responsável pelo planejamento da administração pública, pela elaboração orçamentária do Governo atuando ainda na área de tecnologia da informação. A Secretaria tem como missão elaborar o orçamento público do Distrito Federal de forma que ele seja transparente e acessível à população. A SEPLAN, com o papel de órgão estratégico do Governo, continuou a coordenar o Conselho de Melhoria da Gestão Pública e o Conselho de Gestão das Organizações Sociais. Além disso, a Pasta está focada na melhoria dos serviços públicos e na construção de uma gestão para resultados. A Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento ainda não aderiu a A3P, porém está realizando um trabalho informativo para conscientizar os servidores da importância da Gestão Socioambiental. 48 Como órgão estratégico do Governo, a SEPLAN utiliza meio digital de informação nos elevadores sociais do ed. Anexo do Palácio do Buriti, para melhor divulgação de assuntos relevantes não só para os servidores da secretaria, mas, também, para todos os servidores do prédio. Esse meio de comunicação pode ser utilizado também para informar sobre práticas de gestão ambiental. Cabe à Gerência de Administração Predial, autorizar e acompanhar a realização de publicidade e campanhas dentro das dependências do edifício do Anexo do Palácio do Buriti. Com isso, as campanhas para uma gestão sustentável estão sendo veiculadas. O ponto de partida para Gestão Socioambiental na Secretaria foi a realização da “Semana do Meio Ambiente do Edifício Anexo do Buriti”, nos dias 28 de maio a 1º de junho do corrente ano, com o objetivo de alertar os servidores e frequentadores do Edifício sobre a necessidade de preservação do meio ambiente. Para conscientizar os servidores do prédio, a Gerência de Administração Predial está expondo os materiais recolhidos para reciclagem e divulgando mensagens de preservação do meio ambiente. A campanha educativa também alerta sobre a importância da separação do lixo em orgânico e seco. Posteriormente, foram veiculados nos elevadores e no rall de entrada, alertas como: • desligue o monitor que não estiver usando; • apague a luz ao sair; • evite impressões desnecessárias; • duas toalhas são suficientes para enxugar as mãos; • descarte pilhas e baterias no rall de entrada; • evitar o desperdício de água mineral; • evitar o uso de mergulhão, rádio portáteis, microndas, e outros aparelhos eletrônicos pessoais. 49 Além desses alertas, a Secretaria possui uma manutenção preventiva continuada dos elevadores. Este procedimento é aplicado por empresa contratada, por meio de contrato de prestação de serviço (processo nº 112.000.735/2007), assinado com a NOVACAP. A empresa ThyssenKrupp Elevadores Ltda é a empresa contratada responsável pela manutenção dos elevadores do edifício Anexo ao Palácio do Buriti, buscando evitar com isso, o gasto excessivo de energia, pois os elevadores são todos automatizados. Porém, a ação mais importante, no âmbito do Distrito Federal, foi a publicação no Diário Oficial do Distrito Federal a Lei nº 4.770 de 22 de Fevereiro de 2012, que determina critérios de sustentabilidade ambiental para as licitações no Governo. As regras desta lei são autoaplicáveis, não precisando de regulamentação, e entraram em vigor a partir de 24 de fevereiro de 2012. A legislação mostra em cinco capítulos como as instituições oficiais devem proceder em relação à contratação de obras, aquisição de bens e prestação de serviços. Com a nova lei, haverá uma maior preocupação com os impactos ambientais e não será levado em conta apenas o menor preço nas contratações. Pode-se destacar ainda que, para o processo de mudança com a implementação da A3P de Gestão Socioambiental é necessário um planejamento envolvendo a participação social dos agentes. Esse planejamento deve ser implementado e avaliado com base nas políticas ambientais observando sempre a cultura, a realidade e a potencialidade de cada órgão público, em conformidade com os princípios de desenvolvimento sustentável. Apesar disso, verifica-se que há muito a ser estudado e aperfeiçoado no âmbito da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal, que não possui procedimentos estruturados para a realização de uma adequada educação socioambiental para seus servidores. Falta um projeto que coloque em prática algumas ações de gestão socioambiental como: redução do consumo de água e energia; utilização racional dos materiais de expediente; manutenção adequada da frota oficial de veículos; 50 aquisições de produtos que causem menos impactos ao meio ambiente em seu processo de fabricação; adequação da coleta seletiva, revisar textos na tela do computador antes de imprimir, utilizar a Web e e-mail para comunicação interna, utilizar o papel dos dois lados, educação ambiental mais efetiva, entre outras. As práticas de ações sustentáveis criam uma cultura inovadora de aprendizado contínuo e dinamizando para que elas possam estar adaptadas às varias transformações, baseada na criação do conhecimento da organização. Destaca-se que, para um processo de mudança de hábitos e costumes do dia a dia, não basta fazer, e sim saber fazer, ou seja, para implementar a A3P na Secretaria é necessário um planejamento baseado na participação social dos agentes envolvidos, formulando, implementando e avaliando políticas socioambientais com base na cultura, realidade e potencialidades da secretaria, em conformidade com os princípios de desenvolvimento sustentável. 51 CONCLUSÃO A sociedade passa a exigir uma postura diferenciada dos órgãos públicos e empresas sobre a responsabilidade socioambiental. Passa-se a valorizar mais os produtos comercializados com uma consciência mais ecológica. O tema socioambiental é tratado hoje como sendo essencial no processo de gestão tanto de empresas quanto para os órgãos públicos, pois definir sua direção estratégica. Caso contrário, ela poderá estar dando um grande passo à rejeição da sociedade e consequentemente ao seu fracasso. Com isso a responsabilidade socioambiental passa a ser considerada como um aumenta da conscientização de todos os envolvidos, nas empresas e nos órgãos públicos, perante a sociedade com o uso responsável sem geram danos e riscos do meio ambiente. A sustentabilidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento e ao crescimento econômico e material sem denegrir o meio ambiente, utilizando os recursos naturais de forma a não comprometer a capacidade das gerações futuras, buscando soluções que atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento da população. As práticas de gestão socioambiental efetiva nos órgãos públicos com a aplicação da agenda ambiental na administração pública têm por objeto cuidar da inserção de critérios ambientais nas diversas áreas de governo e visa a diminuição ou até mesmo da eliminação dos impactos ao meio ambiente, provocados por atividades administrativas ou operacionais. Com a implantação de uma Agenda Ambiental da Administração Pública, os órgãos passam a ter por objetivo o de estimular a adoção de critérios socioambientais na gestão de seus órgãos, tendo em vista o ponto de minimizar e ou eliminar os impactos negativos de suas práticas administrativas e operacionais no meio ambiente. 52 A Agenda Ambiental da Administração Pública promove, também, adoção de ações que promovam o uso racional dos recursos naturais e dos bens públicos, além do manejo adequado dos resíduos. Com isso, cabe ao governo o papel mais estratégico o de conduzir a sociedade a adotar novos paradigmas de produção e de consumo de bens materiais, contribuindo para a construção do desenvolvimento sustentável no País. Destaca-se neste trabalho que, para o processo de mudança não basta mudar, mas sim saber mudar, ou seja, para implementar a agenda ambiental na administração pública, no caso da Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal é necessário um planejamento baseado na participação social dos agentes envolvidos e na potencialidades da secretaria, em conformidade com os princípios de desenvolvimento sustentável. Por fim, este estudo, pretendeu alertar para um novo processo de construção de uma nova cultura institucional na Secretaria, visando à introdução de técnicas de gestão socioambiental e, educação ambiental de modo a alcançar a conscientização dos servidores para a otimização dos recursos no combate ao desperdício e para a busca de uma melhor qualidade do ambiente de trabalho, buscando sempre o apoio do Ministério do Meio Ambiente e da Comissão Gestora da A3P. 53 BIBLIOGRAFIA Agenda 21, disponível em: www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./gestao/index.html&conteudo= ./gestao/artigos/agenda21 (acesso em 27.06.2012) ASHLEY, Patrícia Almeida et al. Ética e responsabilidade Social nos negócios, São Paulo, Saraiva: 2002, pp. 1-25. Bowditch, James L. Buono Anthony F. Elementos de comportamento organizacional. Pioneira Thompson, 2004, pp. 170-200. Chiavenato, Idalberto. Recursos Humanos: o capital humano nas organizações/Idalberto Chiavenatto. – 8. Ed. -4. 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A UNIÃO, por intermédio do MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, órgão da Administração Pública Federal, nos termos da Lei no 10.683, de 28 de maio de 2003 e do Decreto no 6.101, de 26 de abril de 2007, inscrito no CNPJ no 37.115.375/000298, com sede na Esplanada dos Ministérios, Bloco "B", 5o andar, Brasília/DF, neste ato representado pelo seu Secretário-Executivo, FRANCISCO GAETANI, brasileiro, divorciado, nomeado pelo Decreto Presidencial de 17 de janeiro de 2011, publicado no Diário Oficial da União de 18 de janeiro de 2011, residente e domiciliado em Brasília/DF, portador da Carteira de Identidade no 606.196-SSP/MG, inscrito no CPF sob o no 297.500.916-04, e o (a) _______________________________, inscrito no CNPJ/MF com o nº________, com sede na _______________________________, neste ato representado por___________________, portador(a) da Carteira de Identidade nº ______ (SSP-__) e inscrito no CPF sob o nº ___________, residente e domiciliado na ___________________________, no uso de suas atribuições conforme designação ________________________, doravante denominado INSTITUIÇÃO, firmam o presente TERMO DE ADESÃO, sujeitando-se aos termos da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, e alterações posteriores, no que couber, mediante as cláusulas e condições seguintes: CLÁUSULA PRIMEIRA - DO OBJETO O presente Termo de Adesão tem por finalidade integrar esforços para desenvolver projetos destinados à implantação do Programa Agenda Ambiental na 57 Administração Pública A3P, no âmbito da INSTITUIÇÃO, visando à inserção da variável socioambiental no seu cotidiano e na qualidade de vida do ambiente de trabalho. CLÁUSULA SEGUNDA - DA EXECUÇÃO Durante a execução do objeto do presente Termo de Adesão fica estabelecido que os partícipes adotarão a metodologia constante do “Manual da Agenda Ambiental na Administração Pública – Cartilha A3P”, assim como as orientações do Programa A3P. Parágrafo Primeiro. Poderão ser acrescidas outras ações, sugeridas pelos próprios agentes implementadores do Programa A3P, de comum acordo entre as partes. Parágrafo Segundo. Na implementação do presente Termo de Adesão deverão ser obrigatoriamente observados, pelos partícipes, os seguintes objetivos: I - promover a reflexão sobre os problemas socioambientais no âmbito da INSTITUIÇÃO; II - estimular a adoção de atitudes e procedimentos que levem ao uso racional dos recursos naturais e dos bens públicos, a fim de maximizar a eficiência dos serviços prestados; III - garantir a gestão integrada de resíduos pós-consumo, inclusive a destinação ambientalmente correta; e IV - melhorar a qualidade do ambiente do trabalho. Parágrafo Terceiro. Para a consecução do objeto traçado no presente Termo, o MMA/A3P e a INSTITUIÇÃO poderão, em conjunto ou separadamente gerenciar a implementação de ações cooperativas, em parceria com agência e órgãos públicos e privados, particularmente junto a universidades e centros de pesquisa com atuação e interesse na área de gestão social e ambiental, a fim de melhorar a eficiência e a eficácia dos planos de ação. CLÁUSULA TERCEIRA - DAS OBRIGAÇÕES DOS PARTÍCIPES I - Caberá à INSTITUIÇÃO: a) criar comissão que será responsável pela implementação das ações de melhoria do desempenho socioambiental da INSTITUIÇÃO; b) realizar, com participação dos servidores, diagnóstico socioambiental (avaliação inicial), identificando os aspectos socioambientais, mais relevantes para a INSTITUIÇÃO; c) elaborar, com base no diagnóstico, o plano de ações estratégicas, incluindo aspectos socioambientais como: a gestão de resíduos sólidos e perigosos gerados; redução de consumo e reaproveitamento de materiais; combate ao 58 desperdício de energia e de água, cidadania, ética, equidade, segurança e qualidade de vida no trabalho, entre outras medidas necessárias para a implementação, detectadas nos diagnósticos; d) estabelecer cronograma para implementação das ações; e) promover metodologia INSTITUIÇÃO; para mensuração do desempenho da f) estabelecer ações de substituição de insumos e materiais que provoquem danos ou riscos à saúde do servidor ou da população e ao meio ambiente; g) estabelecer avaliação periódica da implementação das ações previstas divulgando os resultados alcançados na própria INSTITUIÇÃO para redirecionamento das ações de acordo com os resultados; h) desenvolver sub-programa de formação do “servidor educador socioambiental” comprometido com os princípios da responsabilidade socioambiental e efetiva implantação da A3P. i) elaborar Relatório Técnico explicitando as ações implementadas, os resultados quali-quantitativos alcançados e as metas futuras para a continuidade do projeto, com periodicidade anual contada a partir da data de assinatura do Termo de Adesão. II - Caberá ao MMA/A3P: a) auxiliar a INSTITUIÇÃO na realização do seu diagnóstico socioambiental, bem como na elaboração de sua agenda socioambiental, incluindo ações de implementação; b) auxiliar a INSTITUIÇÃO no processo de implantação e capacitação para a coleta seletiva solidária; c) compartilhar socioambientais; experiências e conhecimentos sobre aspectos d) compartilhar conhecimentos técnicos, assessorando a INSTITUIÇÃO nas fases do processo de implementação da Agenda Socioambiental; e) viabilizar a distribuição do material de divulgação, quando houver; f) auxiliar a INSTITUIÇÃO no processo de avaliação da A3P por meio de indicadores de desempenho; g) promover intercâmbio técnico para difundir informações sobre objetivos, metodologia e implementação da Agenda Socioambiental; 59 h) auxiliar a INSTITUIÇÃO na promoção de ações educativas visando: melhorar a qualidade do meio ambiente em todos os locais de trabalho, conscientizar os servidores, estagiários e terceirizados sobre a importância de se conservar o meio ambiente e ter responsabilidade no que se refere ao uso correto dos bens e serviços da Administração Pública; i) incentivar a excelência da gestão social e ambiental visando melhorar a qualidade de vida no ambiente de trabalho da INSTITUIÇÃO. CLÁUSULA QUARTA - DA VIGÊNCIA O presente Termo de Adesão vigorará pelo prazo de cinco anos, não prorrogáveis, contados a partir da data de sua assinatura. CLÁUSULA QUINTA - DOS RECURSOS O presente Termo de Adesão não prevê a transferência de recursos financeiros entre os partícipes. CLÁUSULA SEXTA - DA PARTICIPAÇÃO NO RESULTADO DOS TRABALHOS Os resultados técnicos e todo e qualquer desenvolvimento ou inovação tecnológica decorrente de trabalhos no âmbito do presente instrumento, serão atribuídos aos partícipes, sendo vedada a sua divulgação total ou parcial sem o consentimento prévio e formal dos signatários. CLÁUSULA SÉTIMA - DA PUBLICIDADE A publicidade dos atos, programas, obras e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizam promoção pessoal de autoridade ou servidores públicos. Parágrafo Único. Em qualquer ação promocional relacionada com o objeto do presente instrumento, será obrigatoriamente destacada a participação das instituições envolvidas. CLÁUSULA OITAVA - DAS ALTERAÇÕES E MODIFICAÇÕES Este Termo de Adesão poderá ser modificado em qualquer de suas cláusulas e condições, exceto quanto ao seu objeto, mediante registro por Termo Aditivo, de comum acordo entre os partícipes, desde que tal interesse seja manifestado, previamente, por escrito. CLÁUSULA NONA - DA PUBLICAÇÃO Caberá ao Ministério do Meio Ambiente providenciar a publicação deste Termo de Adesão em extrato, no Diário Oficial da União, até quinto dia útil do mês seguinte ao da sua assinatura, devendo esta correr no prazo de vinte dias a contar daquela data, nos termos do parágrafo único do artigo 61 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993. 60 CLÁUSULA DÉCIMA - DA DENÚNCIA Este Termo poderá ser denunciado por qualquer dos partícipes, mediante notificação por escrito, com antecedência mínima de trinta dias, sem prejuízo das ações ou atividades em curso. CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA - DAS CONDIÇÕES O presente Termo de Adesão será executado em consonância com o Plano de Trabalho, parte integrante deste Instrumento, independentemente de sua transcrição. CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA - DO PESSOAL Os recursos humanos a serem utilizados na execução do presente Termo de Adesão não sofrerão qualquer alteração na sua vinculação empregatícia por desempenho de atividades relacionadas ao cumprimento deste Instrumento. CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA - DO GERENCIAMENTO E DA FISCALIZAÇÃO Nos termos do art. 67 da Lei no 8.666, de 1993, fica consignado a(o) Diretor(a) do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental para acompanhar a fiel execução do presente Termo de Adesão. CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA - DA RESCISÃO Os Partícipes poderão rescindir unilateralmente o presente acordo, sendo-lhes imputadas as responsabilidades e obrigações do prazo que tenha vigido e creditando-lhes, igualmente, os benefícios adquiridos no mesmo período. Parágrafo Primeiro. O presente Termo poderá ser rescindido, de comum acordo entre os partícipes ou por inadimplência de quaisquer cláusulas ou condições, mediante notificação escrita, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias de conformidade com a legislação em vigor. Parágrafo Segundo. Na hipótese mencionada no caput dessa cláusula, ficará assegurado o prosseguimento e conclusão dos trabalhos em curso, salvo decisão contrária acordada entre os partícipes. CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA - DA SOLUÇÃO DE CONFLITOS Na hipótese de ocorrência de controvérsias no que tange a interpretação e/ou cumprimento do presente Termo de Adesão, os partícipes concordam, preliminarmente, em tomar iniciativas para solucioná-las administrativamente e, em última instância, quando os partícipes integrarem a esfera federal, submeter eventuais conflitos à apreciação da Advocacia-Geral da União, por meio de conciliação ou arbitramento, na forma do art. 4º, inciso XI, da Lei Complementar nº 73, de 10 de setembro de 1993, e conforme as disposições contidas na Portaria AGU nº 1.281, de 27 de setembro de 2007. 61 CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA - DO FORO Os casos omissos do presente Termo de Adesão serão resolvidos pelos partícipes, ficando eleito o Foro da Justiça Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal, com renúncia expressa de qualquer outro, por mais privilegiado que seja, para dirimir quaisquer controvérsias decorrentes do mesmo e para as quais não sobrevier acordo amigável, ressalvado os casos de competência originária do STF, nos termos do artigo 102, inciso I, alínea “f” da Constituição Federal. E por estarem de acordo, os partícipes assinam o presente instrumento em 2 (duas) vias, de igual teor, para que produza, entre si, os efeitos legais na presença das testemunhas, que também o subscrevem. Brasília/DF, de FRANCISCO GAETANI Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente Instituição Testemunhas: 1RG: CPF: 2RG: CPF: de . 62 ANEXO 2 PLANO DE TRABALHO DA AGENDA AMBIENTAL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PLANO DE TRABALHO PARA IMPLANTAÇÃO DA A3P 1. DADOS CADASTRAIS Órgão CNPJ/MF Endereço Cidade UF CEP DDD/Telefone Nome do Responsável CPF CI/Órgão Exp. CEP DDD/Telefone Endereço Cidade UF 2. DESCRIÇÃO DO PROJETO Título do Projeto: Período de Execução (05 anos) Identificação do Objeto: Metas a serem atingidas: 1. Criar a Comissão Gestora da Agenda; 2. Realizar o Diagnóstico Socioambiental; 3. Elaborar o Plano de Gestão Socioambiental; 4. Realizar a Capacitação e a Sensibilização; 5. Realizar a Avaliação e o Monitoramento. 63 3. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO METAS 1. Comissão Gestora da A3P 2. Diagnóstico Socioambienta l ETAPAS 1.1. Definir os membros da Comissão Gestora; 1.2. Institucionalizar a Comissão Gestora (instrumento legal); 1.3. Definir plano de trabalho contendo cronograma de reuniões e as atividades da Comissão Gestora. 2.1. Fazer levantamento do consumo de recursos naturais; 2.2. Fazer levantamento dos principais bens adquiridos e serviços contratados pela instituição; 2.3. Fazer levantamento de obras realizadas; 2.4. Fazer levantamento sobre as práticas de desfazimento adotadas pela instituição; 2.5. Fazer levantamento de práticas ambientais já adotadas, principalmente, com relação ao descarte de resíduos; 2.6. Fazer levantamento de necessidades de capacitação. 3. Plano de Gestão Socioambienta l 3.1. Definir os objetivos do plano;; 3.2. Definir projetos, atividades e ações para a implementação da Agenda; 3.3. Definir as metas a serem alcançadas; 3.4. Definir responsabilidades institucionais do órgão e dos servidores; 3.5. Definir as medidas de monitoramento; 3.6. Identificar os recursos disponíveis para a implantação das ações. 4.1. Participar do Módulo Básico de Capacitação do MMA; 4. Sensibilização e Capacitação 4.2. Identificar as demandas de capacitação dos servidores; 4.3. Elaborar um plano de capacitação interna por meio de palestras, reuniões, cursos, oficinas, etc; Início Términ o 64 4.4. Elaborar um plano de sensibilização dos servidores por meio de campanhas com divulgação em banners, cartazes, etiquetas, intranet, projeção de vídeo, informativos, etc; 4.5. Desenvolver cartilhas educativas sobre sustentabilidade para capacitação e sensibilização dos servidores; 4.6. Celebrar as datas comemorativas relacionadas à sustentabilidade para promover a sensibilização dos servidores; 4.7. Incluir no contrato da empresa prestadora de serviços gerais, cláusula de capacitação em educação e gestão ambiental, para todos os funcionários terceirizados. 5. Avaliação e 5.1. Adotar um sistema de indicadores ambientais; o Monitoramento 5.2. Realizar avaliações periódicas do plano; 5.3. Identificar possíveis falhas e pontos de melhoria; 5.4. Reprogramar as ações se necessário; 5.5. Preencher o sistema de monitoramento do MMA. E, para a validade do que pelos partícipes foi pactuado, firma-se este PLANO DE TRABALHO, em 2 (duas) vias, de iguais teor e forma, na presença das testemunhas abaixo assinadas. Brasília/DF, de FRANCISCO GAETANI Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente INSTITUIÇÃO Testemunhas: 1RG: CPF: 2RG: CPF: de .