FORTALECENDO A IDENTIDADE RELACIONADA À PAISAGEM
CULTURAL EM SABARÁ: O PAPEL DA TRADIÇÕES
POMPEU, Helga Maria Costa Freitas (1); PEREIRA COSTA, Staël de Alvarenga (2)
(1)Escola de Arquitetura UFMG. Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável
[email protected]
(2) Arquiteta Professora Doutora UFMG - Departamento de Urbanismo
[email protected]
RESUMO
Este trabalho é um estudo dos aspectos natural e cultural, material e imaterial presentes no município
de Sabará (Minas Gerais/Brasil), indo de encontro ao conceito de paisagem cultural estabelecido pela
UNESCO. Será abordada a formação da cidade a partir do caminho troncal, trecho de grande
importância histórica. Ao investigar o desenvolvimento desta cidade tricentenária torna-se possível a
compreensão de seus desafios atuais, já apontados em estudos anteriores, e a proposição de ações de
gestão de forma integrada. Como já indicam estudos específicos de conservação integrada, foi
diagnosticado uma falta de identificação da população com seu patrimônio histórico, sendo o
restabelecimento do pertencimento um fator decisivo na preservação. Logo, entende-se que o papel
das culturas locais e das práticas tradicionais no fortalecimento da identidade relacionada à paisagem é
necessário para se restabelecer esse vínculo. Este estudo vai aprofundar o papel de algumas das
tradições, que fazem parte de um universo maior compreendendo também outras grandes
contribuições culturais. Desta forma será estudada uma tradição trazida pelos colonizadores, a renda
turca, cuja técnica modificada em Sabará deu origem à Renda Turca de Bicos, patrimônio de natureza
imaterial do município, sendo sua difusão relacionada à atuação engajada de associações de artesãos
nessa cidade, e além disso a Palma Barroca e os subprodutos de jabuticaba. A partir de entrevista com
uma das principais difusoras deste saber fazer, Nayla Starling, discorre-se sobre a relação do trabalho
artesanal e o sentido de pertencimento ao seu território. Será abordada a maneira como esse saber
fazer se insere no cotidiano das artesãs de Sabará, a relação com o caminho troncal e também como é
percebido por moradores e visitantes. Serão utilizados conceitos relativos à identidade e
pertencimento. Propõe-se dessa forma uma abordagem da gestão das práticas tradicionais no contexto
da conservação integrada da paisagem cultural.
.
Palavras-chave: paisagem cultural; caminho troncal de Sabará; renda turca de bicos; palma
barroca; jabuticaba; tradições.
INTRODUÇÃO
Este trabalho desenvolveu-se com base em estudos anteriores que realizaram diagnósticos a
respeito da conservação do patrimônio cultural que representa o município de Sabará, uma
cidade com mais de três séculos pertencente a Minas Gerais. Inicialmente o conceito de
paisagem cultural é abordado no intuito de relacioná-lo à referida cidade, ampliando assim o
conceito de cidade histórica e possibilitando desta forma incluir toda a ambiência que constitui
esta localidade nos termos da paisagem urbana. Posteriormente utilizam-se estudos já
realizados de diagnóstico e que apontam para a conservação integrada. A contribuição desse
artigo reside na abordagem do papel das culturas locais e das práticas tradicionais para
fortalecer a identidade relacionada à paisagem. Desta forma, mais adiante, abordou-se com
mais detalhes a tradição da Renda Turca de Bicos, da Palma Barroca e dos subprodutos da
jabuticaba, relacionando esses saberes à paisagem cultural.
Paisagem Cultural: Aspectos Natural e Cultural, Material e Imaterial
Como categoria adotada pela UNESCO em 1992, as “paisagens culturais” representam um
avanço no que tange a aproximação dos aspectos culturais e naturais da paisagem. Essa
abordagem permite o surgimento de uma nova possibilidade quando se pensa nas “noções
tradicionais do campo da preservação, podendo servir, por exemplo, para ampliar a
perspectiva de visada sobre os próprios centros históricos” (CASTRIOTA, 2009, p.259). Neste
sentido os aspectos natural e cultural, material e imaterial assumem grande importância na
proposição de “estratégias integradas de intervenção que, ao combinar esses diversos
aspectos, terminam por constituir respostas muito mais completas ao complexo desafio da
conservação urbana” (idem, p.259).
Como anota BANDARIN, as paisagens culturais se constituem daquelas onde a interação
humana com seu sistema natural, ao longo de muito tempo, formou uma paisagem distintiva.
Desta forma, o grande desafio atual de sítios considerados como paisagem cultural, reside na
formulação de um plano de gestão que considere a interação entre as pessoas e a natureza
considerada de valor marcadamente universal, mas também mantendo a integridade dos
lugares num mundo de severas mudanças socioeconômicas e climáticas:
There is however a major need to assist in site management, in managing the
complex interaction between people and nature which is considered to be of
outstanding universal value, but also in maintaining the integrity of these
places in a world of global socioeconomic change and climate change.
(BANDARIM, 2009, p.4)
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A evolução do conceito de paisagem cultural observada ao longo dos trabalhos desenvolvidos
pelo Comitê para o Patrimônio Mundial da UNESCO, da Convenção Europeia da Paisagem e
particularmente no Brasil pelo IPHAN, encontra um amplo leque de abordagens. Como aponta
RIBEIRO, torna-se necessário delimitar aspectos para balizar a abordagem sobre a paisagem
como um bem patrimonial, pois
Se quisermos utilizar essa categoria, devemos ter em mente que a paisagem
cultural deve ser o bem em si, evitando cair no erro de percebê-la como o
entorno ou ambiência para um sítio, ou para determinados elementos que
tenham seu valor mais exaltado. Isso significa que sua abordagem deve ser
realizada em conjunto, ressaltando as interações que nelas existam. A
grande vantagem da categoria de paisagem cultural reside mesmo no seu
caráter relacional e integrador de diferentes aspectos que as instituições de
preservação do patrimônio no Brasil e no mundo trabalharam historicamente
de maneiras apartadas. É na possibilidade de valorização da integração entre
material e imaterial, cultural e natural, entre outras, que reside a riqueza da
abordagem do patrimônio através da paisagem cultural e é esse o aspecto
que merece ser valorizado. (RIBEIRO, 2007,p.111)
Seguindo os preceitos dos estudos que apontam para a integração dos aspectos
mencionados acima é que se propõe uma abordagem da paisagem urbana em Sabará
considerando sua historicidade e relação com o ambiente natural.
Paisagem Urbana em Sabará: a formação do Centro Histórico
Sabará é uma cidade que pertence à região metropolitana de Belo Horizonte/ MG e
localiza-se no Alto da Bacia do Rio das Velhas. O rio Sabará margeia o centro histórico da
cidade e vai desaguar no referido rio das Velhas, principal afluente do rio São Francisco.
Conforme apontam estudos da COMTE1 o Centro Histórico “mantém uma relação com a
paisagem de entorno, emoldurada pelas encostas dos morros e é importante mencionar que,
em Sabará, o patrimônio está vivo. A população utiliza as edificações e transita pelas ruas
centenárias, com naturalidade”.
Desde sua formação, na segunda metade do século XVIII, o município passou por inúmeras
transformações que influenciaram a forma de sua ocupação até os dias de hoje. Inicialmente,
como um dos principais centros mineradores de extração de ouro enquanto o Brasil era
colônia de Portugal. Já no século XX tem-se o período da mineração quando a Companhia
Siderúrgica Mineira foi instalada em 1917, impulsionada pelo esgotamento das jazidas de
1
Em agosto de 2000, foi assinado Termo de Cooperação Técnica entre Prefeitura Municipal de
Sabará, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, Instituto Estadual do Patrimônio
Histórico e Artístico de Minas Gerais - IEPHA e Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de
Minas Gerais - CREA/MG. A parceria consolidou-se por meio da Comissão de Cooperação Técnica do
Município de Sabará, denominada COMTE.
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ouro e o incremento do setor industrial no Brasil. Atualmente observa-se um novo ciclo que
envolve ações que visam um desenvolvimento do turismo.
Como anota Jaqueline Duarte Santos (2013), em sua dissertação onde analisa as
transformações na paisagem de Sabará, apresentando neste escrito mapas desenvolvidos
pela própria autora, avalia que ao mesmo tempo a cidade preservou, em certo grau, as
características do período colonial:
As transformações nas paisagens urbanas podem ocorrer de algumas
maneiras: ora pontualmente, ora por substituição dos tecidos urbanos
inteiros, ora por acréscimo de novos tecidos urbanos adjacentes aos ditos
tradicionais. Diversas cidades coloniais mineiras se caracterizam, em sua
maioria, por terem preservados, com certo grau de inteireza, seus conjuntos e
tecidos coloniais tradicionais. A esses foram sendo, progressivamente,
justapostas novas condições e apropriações urbanas, compondo novos
tecidos e genuínas paisagens urbanas, como se pode observar em Sabará.
(SANTOS, 2013, p.15)
No município, as primeiras ocupações no século XVIII seguiram a extensão de um caminho
troncal interligando três arraiais: Arraial da Barra do Sabará (onde se encontram a igreja de
São Francisco e igreja Nossa Senhora do Carmo), Arraial da Igreja Grande (onde se situa a
Igreja Matriz) e o Arraial de Tapanhocanga (onde está a Igreja do Ó). Posteriormente à época
colonial o desenvolvimento urbano se estabelece em torno desse centro. SANTOS propõe
uma esquematização que evidencia os principais condicionantes naturais para o
desenvolvimento do centro histórico (Imagem 1). Conforme anota a autora
A proximidade ao rio Sabará foi o primeiro condicionante para ocupação dos
arraiais que compõem o atual centro histórico da cidade. Somado à
proximidade ao leito do rio, o surgimento desse núcleo urbano foi
condicionado pelas acentuadas inclinações que se desenvolvem em toda
esta área, norteando a localização das igrejas, capelas e demais edificações.
(SANTOS, 2013, p.54)
Imagem 1 – Croqui dos elementos naturais, condicionantes do desenvolvimento do centro histórico. (SANTOS,
2013, p. 54)
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Com uma área de aproximadamente 302 km² e uma população total de 126.269 habitantes
segundo o censo do IBGE em 2010, Sabará tem sua maioria populacional residindo em área
urbana. Em contrapartida, a cidade possui grandes áreas verdes e parques com significativa
importância, como o parque Chácara do Lessa que está localizado nas encostas das serras e
morros que contornam o centro histórico de Sabará. “Cercado parte pelo Cerrado e parte pela
Mata Atlântica, possui locais que ainda são intactos pelo homem. Com uma grande
diversidade de fauna é comum, durante passeios pelas trilhas, cruzar com animais silvestres
em seu habitat natural” conforme aponta a revista eletrônica Ecológico. E ainda: possui
riquezas vegetais como “o pau-brasil, árvore em extinção no país, o pau-santo, candeia,
barbatimão, jacarandá, cedro e ingá”. Nesse parque é possível observar que
Historicamente, a região possui resquícios de antigas ocupações ligadas à
exploração de ouro (trilhas e minas). Por ela passaram antigos tropeiros, que
seguiam transportando mercadorias, pedras e animais até os sertões da
Bahia. Por esse motivo, recebeu o nome de “Caminho da Bahia” ou “Caminho
dos Currais”, de importância tão significativa quanto a Estrada Real no
contexto da formação do estado e do país, a partir das primeiras ocupações
no século XVII e XVIII. (Ecológico, 2009)
Os condicionantes naturais e ambientais aliados à conformação urbana de Sabará ao longo
de três séculos, com o testemunho do barroco mineiro, propiciou as peculiaridades
observadas no município. Ao mesmo tempo trouxe desafios para a gestão se incumbir da
preservação de seu patrimônio que conceitualmente busca conexões que ampliam ainda mais
seu entendimento. Como aponta SANTOS, a construção de uma dialética entre o novo e o
antigo se dá a partir de uma urbanização decorrente da proximidade com a metrópole de Belo
Horizonte fator que impulsionou o crescimento de Sabará. Neste sentido o Plano Diretor
Municipal é um instrumento de planejamento que precisa exercer um papel significativo na
preservação do patrimônio cultural ao articular, por meio de sua legislação, as transformações
do território e seu patrimônio material e imaterial.
PAC cidades Históricas: a abordagem pela gestão integrada
Como aponta a publicação “PAC Cidades Históricas – oportunidade para a conservação
integrada?” de autoria de CASTRIOTA et al em 2010, a ideia da conservação integrada
precisa estar presente nos instrumentos de gestão do patrimônio cultural. Neste sentido
[...] a idéia de que as municipalidades “devem ser “as principais responsáveis
pela conservação” é a base das propostas do PAC-Cidades Históricas, que
também encoraja as parcerias e a “participação de organizações privadas”
nas tarefas da conservação integrada. (CASTRIOTA et al, 2010, p.108).
Neste estudo, citado anteriormente, a conservação integrada é considerada de grande
relevância para preservação da paisagem urbana em Sabará, considerando ainda a
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importância da preservação de seu centro histórico. Dentro das transformações pelas quais
passou Sabará após o fim do período aurífero, e devido à sua proximidade da capital Belo
Horizonte, fundada no final do século XIX, o pequeno núcleo original constituído pelo centro
histórico de Sabará ainda se conserva preservado e é tombado em parte pelo IPHAN:
Nesse núcleo, destaca-se a Rua Pedro II, antiga Rua Direita, onde ainda se
encontra um conjunto arquitetônico significativo, com vários casarões dos
séculos XVIII e XIX, entre os quais podem se citar o Solar do Padre Correa ou
de Jacinto Dias, construído em 1773, onde funciona hoje a Prefeitura, e a
chamada Casa Azul, onde funciona uma repartição pública federal. Também
merecem destaque o conjunto da Igrejinha do Ó e o Museu do Ouro,
implantado ainda na década de 1940 em antigo casarão restaurado nos
primeiros trabalhos do IPHAN. O conjunto existente não consegue se
configurar, no entanto, como uma atração relevante, recebendo a cidade
apenas um turismo episódico e limitado, que não consegue fortalecer a
economia local, bastante frágil. (CASTRIOTA et al, 2010,p.111)
Em resposta ao edital do IPHAN quando do lançamento do Programa de Aceleração do
Crescimento das Cidades Históricas (PAC - Cidades Históricas) em 2009, desencadeou-se
um processo de planejamento, que resultou na construção de um amplo
plano de conservação urbana para o seu centro histórico. Preparado em
parceria com equipe de técnicos da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG) e do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Sustentável (IEDS),
esse plano seguiu em sua montagem, em traços gerais, a metodologia
proposta pelo IPHAN, utilizando-se de uma perspectiva participativa, como se
recomenda nas práticas da conservação integrada. (idem p.111-112)
No estudo foram identificados dois problemas principais: um planejamento ineficiente e sem
integração; a falta de conhecimento da história local e a negação da identidade. Logo, foram
propostas juntamente com “ações mais diretas sobre o conjunto histórico, que poderiam
fortalecer a percepção e o conhecimento do núcleo histórico”, e a necessidade de se
promover “uma ação institucional integrada, tornando o planejamento e a ação dos órgãos
públicos mais unificados e eficientes”. (Idem, p.115)
A falta de legibilidade do caminho troncal, apontada neste estudo, seria um dos problemas
mais graves detectados indicando a necessidade de uma legibilidade do conjunto histórico e
uma ação frente à ausência de informação e interpretação sobre o mesmo. O “caminho
troncal” de Sabará, de acordo com o plano proposto, seria o eixo central em torno do qual se
concentrariam as ações nos próximos quatro anos, seguido de outras ações fora do centro.
Juntamente com o centro também seriam contempladas outras localidades de importância
para o município descentralizando as ações de preservação considerando a ambiência da
paisagem urbana. Um plano abrangente de educação patrimonial na rede escolar de nível
fundamental, também está previsto pra ser implantado, com a intenção de “reverter o quadro
de desconhecimento da história e de falta de identificação por parte da população”.
(CASTRIOTA et al, 2010,p.116)
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Convém notar neste momento, a partir das referências apontadas pelos estudos que
embasaram as proposições deste artigo logo em sequência, que as culturas locais são
decisivas na continuidade das tradições. Ações de difusão da cultura imaterial estabelecem
lastros com o ambiente construído e a paisagem urbana influenciando consequentemente sua
possível preservação.
O papel das culturas locais e das práticas tradicionais: fortalecendo a
identidade relacionada à paisagem
Uma importante dimensão a ser considerada na valorização da paisagem cultural urbana de
Sabará consiste na abordagem da preservação do tecido social tradicional. A integridade do
patrimônio físico associada a essa dimensão é um aspecto relevante, pois no
desenvolvimento das ideias que norteiam a conservação urbana tem-se percebido uma
preocupação com “a fusão de duas ideias: a preservação de monumentos e de edifícios
históricos e de lugares, e a conservação do tecido social tradicional de uma cidade ou de uma
área urbana” (BANDARIN p.213, 2012). Como anota Bandarin, os impactos da perda da vida
tradicional em cidades como Veneza, Quebec, Marrakech e Lijiang trazem uma reflexão
quando da adoção de políticas voltadas à preservação do patrimônio. Neste sentido é
importante uma percepção totalizante e integradora:
[...] os valores a serem preservados são estritamente ligados à história de
uma comunidade particular, e não apenas em formas artísticas ou
arquiteturais, mas também simbólicas e intangíveis: se esses valores são
perdidos, a conservação perde seu propósito. Ela se torna um instrumento
para outros tipos de processos de transformação econômica e social. Uma
vez que as mudanças estão acontecendo mundo afora nessa direção, a
conservação urbana encontra a si própria num paradoxo. O desafio atual é
como redefinir a conservação histórica urbana a fim de conservar seus
valores enquanto gestão de mudanças.”(BANDARIN p.215, 2012 tradução
livre).
Os valores tradicionais, presentes na cultura local de Sabará, encontram possibilidade de
continuidade por meio da representação de associações comunitárias. Essas mobilizações
são um índice de que os próprios cidadãos têm procurado se organizar a fim de dar
continuidade às tradições reconhecidamente inseridas no contexto da cidade. Ao mesmo
tempo, encontram muitos desafios como a transmissão dos saberes tradicionais às gerações
mais novas. Logo, as ações que pretendem fortalecer as identidades relacionadas à
paisagem implicam a inserção e o entendimento da cultura imaterial.
A cultura imaterial em Sabará está relacionada à cultura indígena e aos primórdios da
ocupação colonial com tradições oriundas dos colonizadores e da comunidade escrava dando
origem a uma multiplicidade de ricas manifestações. Dentre as tradições identificadas
pode-se elencar: a tradição musical Bantu resgatada por músicos locais de origem africana
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que buscam disseminá-la entre os jovens; a Festa do Rosário pertencente à tradição religiosa
negra que acontece até os dias de hoje; a Folia de Reis; a Guarda de Marujo de Santo
Expedito; a Festa de Santo Antônio; o saber fazer relacionado aos subprodutos da jabuticaba
cuja árvore está presente em muitos quintais sabarenses; a culinária relativa ao ora-pró-nóbis
e à banana; a confecção de esteiras com a taquara de bambú em artefatos utilizados como
forros internos de casas coloniais, oriundos da cultura indígena; o artesanato da palha de
bananeira; a produção da Palma Barroca e a Renda Turca de Bicos.
Evidencia-se, especialmente na fala de moradores da cidade, como as tradições são
importantes na continuidade cultural. Isso pode ser percebido numa entrevista ao Instituto
Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais IEPHA/MG em 15/04/2013
quando a artesã Nayla Starling expõe os desafios na manutenção das tradições da Renda
Turca de Bicos e da Palma Barroca, ambas registradas como bem imaterial municipal:
A participação das mulheres neste tipo de trabalho é ainda incipiente, pois
elas utilizam apenas o tempo livre para dedicar-se a isso. Inexiste, ainda,
organização que administre que seja capaz de permitir que se dediquem
exclusivamente a esse fazer. Ser rendeira não é profissão no sentido como
hoje é entendida essa palavra. Fazer Renda Turca de Bicos é cuidar para
manter a memória de nossa cultura. É esse o principal ganho e afã das
rendeiras sabarenses.(IEPHA, 2013)
A artesã manifesta um grande compromisso na manutenção da tradição, mas reconhece os
desafios na transmissão deste saber fazer. Segundo o relato da artesã, o fato de estar
associada à outros artesãos ajuda no fortalecimento e continuidade da transmissão cultural.
Além da Renda Turca e da Palma Barroca, faz parte da tradição familiar da artesã a produção
de licores, geleias e compotas feitas com o fruto da jabuticabeira (imagem 2). A utilização da
jabuticaba em receitas artesanais é bastante difundida em Sabará tendo o festival da
Jabuticaba como importante evento de difusão.
Imagem2: Renda de Bicos, Palma Barroca, licor, geléia e compota de jabuticaba.
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O Festival da Jabuticaba representa uma das ações de divulgação da cultura em Sabará. É
um evento aberto ao público e aglutinador de um grande número de profissionais do município
que lidam com o saber fazer relacionado aos subprodutos da jabuticaba como licores, geleias,
molhos e vinhos bastante conhecidos. Desse modo a presença da jabuticabeira nos quintais
dos sabarenses também é um índice das possibilidades de um saber fazer intimamente ligado
ao território. Esses quintais, geralmente nos “fundos” dos lotes das casas, compõem
verdadeiros maciços verdes, conformando uma paisagem peculiar.
Indentificam-se ainda manifestações culturais de grande relevância como formas de
expressão e saberes que são, respectivamente: o “toque de sinos” e o “ofício de sineiros”
bens imateriais registrados pelo IPHAN em 2009. Estes estão presentes em Sabará e outras
cidades mineiras e constituem uma referência cultural repleta de significados: Seus habitantes
se reconhecem e se distinguem daqueles de outras cidades porque atribuem um significado
particular ao toque dos sinos, ao repertório dos toques, e ao som diferenciado de cada um dos
sinos de bronze das torres das várias igrejas das suas cidades. (IPHAN, 2009)
Essas e outras manifestações culturais presentes no município representam laços que
precisam estar associados ao cotidiano das comunidades, como herança a ser passada para
as novas gerações, pois atribuindo valor à própria cultura e possibilitando uma identificação
com seu lugar abrem-se as portas para o entendimento de seu território e as transformações
na sua paisagem. A educação patrimonial é um caminho bastante promissor pra efetivar
esses laços e deve estar presente não apenas na educação formal, mas também por meio da
atuação de agentes multiplicadores em espaços não formais de ensino como as associações
de artesãos, ONGs e museus envolvendo-se diretamente com a difusão da cultura imaterial e
principalmente relacionando-a à paisagem urbana.
O Trabalho Artesanal: o pertencimento ligado à tradição da Renda Turca de
Bicos, da Palma Barroca e dos subprodutos da jabuticaba.
Nayla Eliane Starling Almeida Magalhães, artesã moradora de Sabará.
Confecciona bordados com bainha aberta e a Renda Turca de bicos
(registrado como bem imaterial municipal). Também é responsável por
manter viva uma tradição de mais de 200 anos, a palma barroca. As palmas
barrocas, em cobre ou latão e banhadas a ouro ou prata, chegaram a Sabará
levadas por portugueses que acompanharam a família real lusitana, em 1808,
na fuga ao Brasil-Colônia – historiadores estimam que cerca de 15 mil
moradores de lá atravessaram o Atlântico para não sofrer nas mãos do
francês Napoleão Bonaparte. A fama das palmas foi disseminada na então
Vila de Sabarabuçu por parte desses europeus, mas, por anos neste século,
poucos artesãos dedicaram tempo à tradição. (IEPHA, 2013)
A entrevista cedida ao IEPHA pela artesã Nayla Starling, cujo trecho foi citado acima, suscitou
uma investigação sobre este saber fazer como tradição familiar. Ao ser procurada para
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conceder uma nova entrevista, a artesã se prontificou a contribuir com um trabalho
inicialmente desenvolvido para a disciplina Fundamentos da Conservação, Planejamento e
Gestão do Território do Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável da
UFMG, e do qual participei como integrante de uma equipe composta de seis pesquisadoras.
A partir do relato da artesã o trabalho para a disciplina foi desenvolvido culminando num guia
interpretativo de Sabará (imagem 3), restando ainda como material de pesquisa o conteúdo
integral da entrevista.
Imagem 3: Proposta de equipamentos e serviços para a Trilha do caminho Troncal apresentada nas
páginas 16 e 17 do Guia Interpretativo desenvolvido para a disciplina Fundamentos da Conservação,
Planejamento e Gestão do Território do Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável da
UFMG: “Desvendando Sabará”. (NEVES et al, p. 16-17, 2014).
O registro da entrevista foi então transcrito, sendo alguns trechos apresentados, para
desenvolvimento deste artigo de forma a esmiuçar a ação desta sabarense que atua como
difusora da cultura imaterial de sua cidade. A artesã reside no centro histórico, precisamente
onde seria o núcleo original da cidade, o Arraial da Barra, que se desenvolveu junto à
confluência do rio Sabará com o rio das Velhas. Foi em sua residência que recebeu a equipe
de pesquisa e concedeu uma valiosa contribuição para o entendimento da difusão de
importantes bens de natureza imaterial: o saber fazer relacionado à Renda Turca de Bicos
(imagem 4), a palma barroca e os subprodutos da jabuticaba. A seguir infere-se alguns
conceitos relacionados à trechos transcritos da entrevista:
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Imagem 4: A renda turca de Bicos e a técnica de bainha aberta
Apropriação e desenvolvimento da técnica da Renda Turca de Bicos: valor identitário
reconhecido neste bem imaterial
“O conhecimento deste saber fazer chegou aqui em Sabará na forma circular, mas não se
soube precisar com quais os colonizadores, se foram os portugueses, os espanhóis ou os
franceses [...] o fato é que esse conhecimento chegou na cidade e era ensinado na forma da
renda turca circular. Era ensinado nos colégios internos pelas freiras e posteriormente é que,
em Sabará, um grupo de senhoras desenvolveu a técnica de confecção na forma de renda de
bico. Por isso é que é chamada de renda turca de bicos de Sabará. E essa técnica foi
registrada como bem de natureza imaterial do município.”
Conforme se explicita na fala da artesã acima, a apropriação da técnica e adoção de novos
modos de fazer refletem a dinâmica cultural, estando a continuidade de saberes diretamente
relacionados à tradição de repassá-los para novas gerações para que desta forma sejam
incorporados em seus cotidianos.
A Criação de gráficos para confecção da renda: ampliando as possibilidades da
técnica
Quando a mãe de Nayla, dona Nilza, aprendeu a técnica os modelos confeccionados eram
mais básicos, e foi exatamente com o desenvolvimento de gráficos de modelos para o
processo de tecer a renda, criado por Nayla, que propiciou uma variedade maior de
composições da renda. Esse fato remonta a evolução da técnica, a incorporação de novos
padrões sugerindo uma evolução dinâmica do saber fazer. Além disso, Nayla resgatou a
técnica da bainha aberta.
Resgate da técnica da bainha aberta e junção com a renda de bicos
“Há doze anos agreguei duas técnicas que estavam acabando: a renda turca de bicos e a
bainha aberta, então fiz as toalhas da bainha aberta com a renda turca em baixo.”
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A possibilidade de criar e a oportunidade de pensar sobre o que é feito propiciam ao saber
fazer um modo que ultrapassa uma reprodução mecânica de técnicas. É quando o indivíduo
experimenta a criação a partir de técnicas já conhecidas ou de pesquisa daquelas que não
conhece e de sua própria observação que se desenvolvem percepções mais profundas e
interessantes. Como consequência a motivação para o fazer e sua continuidade se fundam na
curiosidade em testar as próprias invenções, vê-las concretizadas experimentando erros e
acertos.
Inserção da ação educativa da renda turca em eventos geridos pelo município
Já houve a oportunidade de se realizar cursos, ofertados com o apoio do município, para
interessados em aprender a técnica, embora represente um primeiro contato, é importante
para que a técnica seja conhecida. A permanência do saber fazer estará sempre na
dependência da vontade dos sujeitos em dar continuidade ao trabalho tradicional da renda.
A tradição familiar: o ensino às gerações mais novas e a falta de abordagem deste
saber fazer nas escolas.
No âmbito da família de Nayla o aprendizado é considerado importante, e ela pontua que não
é só para a família, mas para a cidade também. As gerações mais novas são o grande
desafio, pois não se interessam tanto por técnicas tão tradicionais. Segundo relata a artesã,
falta estímulo nas escolas para se ensinar um trabalho manual.
Um saber fazer ligado a uma atuação engajada
Para que esse saber fazer possa ser sustentável ao longo das próximas gerações Nayla preza
por repassar esse conhecimento, pois segundo ela: “eu acho que nós temos a obrigação de
zelar por isso...a própria comunidade zelar...então eu faço questão de ir em exposições onde
a gente é convidado a participar”
O papel dos gestores de museus como multiplicadores do saber fazer tradicionais
A técnica da Palma Barroca foi resgatada em 1983, por meio de um programa educativo do
Museu do Ouro desenvolvido pela diretora Maria Luíza Querini. Além desta, haviam técnicas
que estavam se perdendo: o bordado no crivo, o bordado em filó a renda de bilro a renda
renascença. Então as técnicas foram ensinadas aos moradores mais antigos e até mesmo
para moradores de outras cidades. A atuação desta gestão possibilitou a redescoberta de
saberes e sua inserção dotando-a de sentido para os habitantes de Sabará. Como desafio da
permanência deste saber fazer, coloca-se o apoio da gestão atual para o desenvolvimento de
ações permanentes de educação patrimonial e apoio em eventos de difusão cultural, bem
como a possibilidade de incentivos fiscais para a permanência do saber fazer. As práticas
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tradicionais precisam, no entanto, serem abordadas no contexto da paisagem cultural, numa
importante ligação com o sítio, o lugar.
Gestão das práticas tradicionais no contexto da conservação integrada da
paisagem cultural
Em determinado período, por volta de 1984, a renda turca de bicos, assim como a palma
barroca e outros produtos artesanais ficavam expostos na praça do coreto, a praça Santa Rita
no centro histórico de Sabará, por incentivo da mãe de Nayla, como relata a artesã. Nessa
época é que foi fundada uma associação dos artesãos a qual pertence: Associação dos
Artesãos da Praça Santa Rita de Sabará. Os produtos dos artesãos eram expostos aos
domingos, uma feira livre que convidava moradores a conhecerem, de modo informal e
integrando-se ao espaço urbano, a produção artesanal de seus habitantes. Posteriormente a
administração decidiu criar um espaço para esses artesãos como relata Nayla: “O prefeito
reservou um espaço quase em frente à igreja Nossa Senhora do Rosário para ter um local de
mostra permanente porque a gente só colocava os trabalhos na praça aos domingos, e com
esse local cedido pela prefeitura [...] o nosso produto ficava todos os dias para apreciação das
pessoas e foi a partir dessa época então, que a gente tem um espaço do lado da banca de
revistas onde é o centro de exposição da nossa Associação. São quase trinta associados e
cada um leva o seu produto que é cadastrado. Desde o ano passado os próprios artesãos é
que tomam conta do espaço”.
O trabalho artesanal é valorizado e a artesã relata encomendas feitas por moradores que se
sentem orgulhosos de presentear outras pessoas com a Renda de Bicos, representando uma
identidade coletiva associada ao seu território. Além destes, estrangeiros e visitantes
demostram um profundo interesse por essa produção artesanal.
Há ainda o relato da artesã sobre o processo de criação da renda, pois mesmo desenvolvendo
gráficos e modelos, incentiva aqueles que com ela aprendem a técnica, a buscar inspiração
na natureza circundante que emoldura a cidade, por exemplo, para escolha de cores e
padrões. Estabelecer um diálogo que considere a percepção estética de seu espaço físico e
as relações sociais que nele acontecem, sejam monumentos ou lugares simbólicos da
paisagem cultural, e associá-los à tradição de produção do trabalho artesanal, pode propiciar
um acesso ao sentido de pertencimento ao lugar. Dessa forma o ambiente natural e o
construído fundam escolhas não divorciadas do território, inspiram a criação desta atividade
marcadamente incorporada aos modos de vida de seus cidadãos. Como contribuição
identifica-se que a inserção de um espaço expositivo para que artesãos possam divulgar seus
produtos logo no início do caminho troncal de Sabará contextualiza e torna essa produção um
bem assumidamente essencial para perpetuação deste saber fazer no município.
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A educação patrimonial, que toma como assunto a paisagem cultural urbana de Sabará, pode
contribuir para que seus cidadãos possam lidar com os desafios da permanência de suas
tradições ao longo das gerações, e construam, eles próprios, maneiras de interpretar e se
integrar ao seu patrimônio cultural gerindo as inevitáveis mudanças. Pode-se dizer que a
construção de uma ideia de patrimônio junto a uma comunidade implica investigar suas
experiências prévias e desenvolver práticas que possam inserir essa comunidade num
diálogo com seu próprio espaço. A passagem do homem pelo mundo pode se traduzir no
patrimônio histórico-cultural sua forma de produzir, de se relacionar, de construir e destruir, de
interpretar o que está à sua volta. Esse movimento tem caráter coletivo, diz respeito não
apenas ao homem, individualmente, mas aos homens inseridos no tempo em determinado
espaço. (FIGUEIREDO, 2002 p. 56). Desta forma a preservação do patrimônio cultural
precisa, antes de mais nada, ser uma necessidade da própria comunidade e compreendida a
partir de suas identidades. Nesse contexto, a ideia antropológica de pertencimento confere
legitimidade à ação de preservar. Tem-se, portanto que: Somente quando se sente como
parte integrante de uma cidade ou de uma comunidade é que o cidadão irá valorizar as suas
referências culturais, integrando-se aos processos de preservação dos elementos que
constituem a memória local percebida através do patrimônio cultural. (RANGEL, 2002 p.
23-24). É importante salientar ainda, no contexto da possibilidade de novas conexões do
sujeito com seu ethos (morada) em todas as escalas, a necessidade de uma “reconexão do
sujeito com seu passado viabilizando uma participação consciente em seu presente”.
(SANTIAGO, 2014).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As organizações da sociedade civil em Sabará encontram desafios na continuidade e
proteção de seus bens imateriais, ao mesmo tempo em que sua paisagem cultural urbana, em
constante mudança, revela dificuldades na configuração de seu centro histórico como atração
relevante
implicando
em
fragilidade
da
economia
local.
Torna-se
imperativo
o
desenvolvimento de caminhos mais promissores para a continuidade das tradições culturais
por meio das gerações atuais que as repassarão para as próximas. Ao mesmo tempo, há
apontamentos que indicam a necessidade de uma gestão participativa em que as políticas
gestoras incorporem ações que valorizem o papel destas tradições na paisagem urbana. Por
essa razão a integração entre material e imaterial, cultural e natural precisa estar presente nas
ações de gestão.
A gestão do patrimônio cultural e consequentemente da paisagem urbana com a qual se
relaciona, deve, portanto, ser empreendida a partir de premissas de sustentabilidade
estruturadas numa gestão compartilhada com a sociedade. As ações sustentáveis serão
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aquelas cujas práticas tradicionais se fortalecem na permanência de uma cultura e sua
disponibilização às gerações que se sucedem ao longo do tempo. Neste sentido, a ação
engajada das associações em comunidades que difundem sua cultura imaterial pode ser
considerada um fator preponderante a impulsionar a preservação de sua paisagem cultural,
devendo, contudo constar nos planos de gestão do município. Espera-se que uma perspectiva
de gestão participativa possa fortalecer as identidades relacionadas à paisagem uma vez que
compartilhando desafios podem surgir propostas e apoio para gerir as mudanças. Como foi
apontado, ações permanentes numa abordagem integrada de educação patrimonial e apoio a
eventos de difusão cultural assim como incentivos fiscais para a permanência do saber fazer
tradicional, são possibilidades de instrumentos de gestão da cultura imaterial que acabam por
refletir na postura dos sabarenses em relação à sua paisagem urbana cultural.
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