COMO REFERENCIAR ESSE ARTIGO
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SHIGUNOV, Vanessa. O bullying sob a perspectiva da psicologia corporal. In: ENCONTRO
PARANAENSE, CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS, XVII, XII, 2012. Anais.
Curitiba:
Centro
Reichiano,
2012.
[ISBN
–
978-85-87691-22-4].
Disponível
em:
www.centroreichiano.com.br/artigos. Acesso em: ____/____/____.
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O BULLYING SOB A PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA
CORPORAL
Vanessa Shigunov
RESUMO
O presente artigo abordará um assunto extremamente contemporâneo e de
imensa relevância principalmente no âmbito educacional. O bullying, conhecido
como um conjunto de comportamentos agressivos intencionais, físicos ou
psicológicos que acontecem repetitivamente entre colegas sem motivação
evidente, vem sendo um fenômeno muito presente nas escolas e outras
instituições. Neste trabalho serão traçados os perfis tanto da vítima quanto do
bullie (agressor), mencionando suas principais características. Para a
compreensão de como se forma o caráter de uma pessoa, uma breve
explicação sobre o assunto complementará o estudo. Em seguida, pontos
chave como a depressão da vítima e a agressividade e a raiva encontradas no
bullie direciona para a idéia de que ambos os sujeitos dividem um mesmo traço
de caráter, o oral.
Palavras-chave: Agressividade. Bullying. Depressão. Oralidade. Raiva.
..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..- ..-..-..-..-..-..-..-..-..-..-..
O Bullying trata-se de um assunto bastante atual e de extrema
repercussão na mídia. Sabe-se que a prática do bullying já existe há muito
tempo, no entanto, começou a ser estudado nos anos 80 e hoje esse assunto
ganha espaço nos meios de comunicação social, em pesquisas e literaturas
diversas.
O assunto recebe ainda mais relevância quando se fala de suicídio.
Como se sabe, vítimas do bullying em estado grave de depressão podem
chegar a cometer suicídio quando já não aguentam mais a situação de ameaça
e agressão. Além disso, situações como assassinatos em massa foram
causados por devido a ocorrência de bullying, neste caso, a própria vítima
tomou a iniciativa de acabar com seu sofrimento tirando a vida de seus
agressores.
Além dessas situações extremas relacionadas ao bullying, temos ainda
os problemas direcionados às questões de ensino aprendizagem na escola,
pois a vítima geralmente é prejudicada nesse aspecto.
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Nesse contexto, verifica-se a necessidade de se aprofundar em nível de
conhecimento e pesquisas a respeito dessa temática, pois estudos e
investigações podem contribuir para soluções mais precisas e reduzir casos da
prática do bullying.
Diante dessas informações este trabalho visa pontuar aspectos da
Psicologia Corporal para explicar os traços de caráter encontrados na vítima e
no agressor ampliando assim o conhecimento a respeito da temática abordada.
1 O QUE É O BULLYING?
O bullying é caracterizado como um conjunto de comportamentos
agressivos, físicos ou psicológicos, como: empurrar, chutar, apelidar,
discriminar e excluir, que ocorrem entre colegas repetidas vezes, sem
motivação evidente, sendo que um grupo de alunos ou um aluno com mais
força, vitimiza um outro que não consegue encontrar um modo para se
defender. Esses comportamentos são freqüentemente voltados para grupos
com características físicas, sócio-econômicas, de etnia e orientação sexual,
específicas (SMITH, 2002, apud ANTUNES & ZUIN, 2008). Trata-se de
situações nas quais se verificam relações de poder assimétricas entre
agente(s) e vítima(s), de modo que esta(s) apresentam dificuldade de se
defender(em). Nas literaturas específicas, adota-se também o termo de
vitimização. (MALTA et al, 2009).
As situações mencionadas acima são bastante visíveis principalmente
nas escolas e para muitos elas são consideradas normais, no entanto, para a
vítima do bullying muito sofrimento é vivenciado com as agressões, essas por
sua vez, podem ocorrer de diversas formas.
Martins (2005 apud ANTUNES & ZUIN, 2008) classifica o bullying em
três grandes tipos: diretos e físicos, que consiste em agressões físicas, roubar
ou estragar objetos dos colegas, extorsão de dinheiro, forçar comportamentos
sexuais, obrigar a realização de atividades servis, ou a ameaça desses itens;
diretos e verbais, que incluem insultar, apelidar, "tirar sarro", fazer comentários
racistas ou que digam respeito a qualquer diferença no outro; e indiretos que
incluem a exclusão de uma pessoa, fofocas e boatos, ameaças de exclusão do
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grupo com a finalidade de obter algum favorecimento, ou, de forma geral,
manipular a vida social do colega.
Existe também uma nova forma de bullying, conhecida como
cyberbullying, esse, por sua vez, tem sido observado com uma freqüência cada
vez maior no mundo e consiste no uso da tecnologia da informação e
comunicação como e-mails, telefones celulares, mensagens por pagers ou
celulares, fotos digitais, sites pessoais difamatórios, ações difamatórias online
como recurso para a prática do bullying (SHROFF PENDLEY apud LOPES
NETO, 2005).
1.1 PERFIL DA VÍTIMA
De acordo com Dawkins (1995 apud LOPES NETO, 2005) o indivíduo
que sofre do bullying pode passar a evitar a escola e o convívio social para
prevenir-se contra novas agressões. Em situações extremas e raras, a vítima
pode apresentar atitudes de autodestruição, intenções suicidas ou se sentir
compelido e adotar medidas drásticas e severas como atos de vingança,
reações violentas, portar armas ou cometer suicídio. Fatores como o tempo e a
frequência das agressões influenciam diretamente para o agravamento dos
efeitos. Além disso, o medo, a tensão e a preocupação com a imagem da
vítima podem comprometer o desenvolvimento acadêmico, além de elevar a
ansiedade, a insegurança e o conceito negativo de si próprio.
Na literatura, muitos autores mencionam sobre a questão da pessoa que
sofre o bullying não dispor de recursos, status ou habilidade para reagir ou
cessar às agressões. A maioria das vítimas é pouco sociável, insegura e
desesperançada quanto à possibilidade de adaptação ao grupo. Sua autoestima diminuída é agravada por críticas dos adultos a respeito de sua vida ou
comportamento, dificultando ainda mais a possibilidade de ajuda. Além disso,
tem poucos amigos, é passivo, retraído, infeliz e sofre com a vergonha,
depressão, medo, e ansiedade. Sua auto-estima pode estar tão comprometida
que acredita ser merecedor dos maus-tratos sofridos (LOPES NETO, 2005).
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1.2 PERFIL DO AGRESSOR
Os agressores, por sua vez, captam os sentimentos de inadaptação e
inferioridade de suas vítimas, percebendo assim sua fragilidade e tendo a
certeza de que elas não terão forças para lutar contra suas agressões,
exercendo, por fim, seu poder sobre as mesmas.
De acordo com Neto & Saavedra (2004) existe o predomínio de
agressores do sexo masculino, no entanto, não foram encontradas diferenças
entre gêneros no papel de vítimas. A questão dos meninos se envolverem mais
em atos de bullying não significa que estes sejam mais agressivos, apenas eles
têm maior possibilidade de adotar esse tipo de comportamento. As meninas
usam formais mais sutis de praticar o bullying.
Lopes Neto (2005) cita diversos autores que descrevem o perfil do autor
de bullying, segundo eles, o bullie é tipicamente popular e tende a se envolver
em uma série de comportamentos anti-sociais; ele pode ainda mostrar-se
agressivo inclusive com adultos e vê essa característica temperamental como
uma qualidade própria; geralmente é impulsivo; tem opiniões positivas sobre si;
comparado ao seu alvo é mais forte na maioria das vezes, sente prazer e
satisfação em ter o domínio, o controle, o poder e causar danos e sofrimentos a
outros. Outra característica trata-se da possibilidade da existência de um
“componente benéfico” em sua conduta, como ganhos sociais e materiais.
Ainda, são menos satisfeitos com a escola e a família, têm maiores tendências
ao absenteísmo e a evasão escolar e a apresentarem comportamentos de risco
(uso de tabaco, álcool ou outras drogas, portar armas, brigar, etc). Martins
(2005 apud ANTUNES & ZUIN, 2008) defende que autores do bullying
costumam agir com dois objetivos: para demonstrar poder, e para conseguir
uma afiliação junto a outros colegas.
2 DA COURAÇA AO CARÁTER
Podemos encontrar em todos os seres vivos a resposta de expansão e
contração, de acordo com situações gratificantes e frustrantes. Sobre o caráter
do nosso eu, afirma Navarro (1995) que “a reação neurovegetativa e a
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muscular estão fundadas na necessidade de reprimir certos aspectos
funcionais, certas necessidades pulsionais” (p. 26), e é por meio disso que a
formação dos traços caracteriais são determinados. Dessa maneira, todo traço
caracterial é uma solução que o sujeito encontrou para reprimir uma situação
de conflito. A partir do momento que todas as situações provocam angústia,
torna-se claro que o traço caracterial bloqueia quase sempre uma situação de
angústia. Assim, nós a bloqueamos para evitá-la, criando, dessa maneira, uma
estase que consiste em um bloqueio energético que corresponde àquela
situação conflitante (NAVARRO, 1995).
Dessa forma temos nossa história marcada em nosso no corpo desde o
momento em que passamos a existir. Nossas angústias de alguma forma estão
inscritas em nós.
A formação do caráter é uma conseqüência histórica da modificação
de certas pulsões pelo ambiente que cerca o recém-nascido. Em
última análise, a formação caracterial decorre da necessidade do ser
vivo de exprimir-se ou defender-se de certas situações que possam
intervir seja do interior, situação intrapsíquica, seja do exterior,
situação interpsiquica (NAVARRO, 1995, p.16)
De acordo com Costa (1984), a repetição do bloqueio de um mesmo
segmento, emocionalmente expressivo, faz com que aconteça a perda de sua
funcionalidade. O bloqueio da angústia, realizado através de atitudes de
contenção corporal, faz diminuir o sofrimento, porém, ao mesmo tempo, faz a
sensação de vazio aumentar. Como conseqüência disso cresce a preguiça, a
depressão, a falta de iniciativa, a insegurança, a impotência diante das
situações da vida. O organismo fica cronicamente contraído e qualquer
tentativa de movimento de expansão torna-se dolorosa.
Na formação do caráter é importante ressaltar também as características
no momento de formação da couraça. Dessa forma, é relevante verificar em
que momento e situação de frustração ocorreu, também a qualidade e a
intensidade da frustração e quem foi a pessoa que frustrou, se a mãe, o pai,
irmãos, etc. (NAVARRO, 1995).
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Assim, para Navarro (1995), o caráter final de um sujeito é determinado
por aquilo que é a fixação da sua libido, dependendo do lugar que a energia foi
bloqueada.
Para Navarro (1995) “o caráter, na verdade, tornou-se a formação
necessária para manter o equilíbrio psíquico e para defender-se das
frustrações e da agressão do ambiente” (p.17). Afirma ainda que o caráter
pode ser uma forma habitual da pessoa agir e reagir às situações e aos outros
indivíduos.
Segundo Reich (1995) o caráter se forma através dos bloqueios
energéticos que ocorrem nas etapas do desenvolvimento psico-emocional
desde a existência do indivíduo. O sofrimento em uma ou mais etapas será
determinante sobre o tipo ou traço de caráter e funcionamento dessa pessoa
diante das situações da vida.
De acordo com as etapas do desenvolvimento estruturadas por Volpi e
Volpi (2002 apud VOLPI; VOLPI, 2007), a primeira denomina-se etapa de
sustentação e tem seu início na fecundação e término no nascimento. O
primeiro lugar em que se encontra o bebê é o útero, neste o contato se dá com
a mãe por meio de suas paredes e do cordão umbilical, que por sua vez irá
sustentar e nutrir o bebê de forma fisiológica, emocional e energética. Se,
durante a gestação, nenhum tipo de dano severo ocorrer, o recém-nascido terá
consigo um sistema energético produtivo e adaptável. No entanto, um estresse
sofrido no decorrer dessa etapa do desenvolvimento, será registrado em seu
corpo e em seu psiquismo, formando assim uma estrutura de caráter
denominada núcleo psicótico (NAVARRO, 1995 apud VOLPI ; VOLPI, 2007).
A segunda etapa, denominada por Volpi e Volpi (2002 apud VOLPI;
VOLPI, 2007) como etapa de incorporação inicia-se após o nascimento e
estende-se até o término da amamentação. É nesta fase que o bebê sai do
útero para se unir ao seio de sua mãe, introjetando tudo que lhe for atribuído do
mundo externo, iniciando desde o bico do seio, pelo cheiro da mãe, pelo sabor
do leite, pela ternura de sua mãe, suas carícias, seu contato verdadeiro com o
bebê.
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Segundo Reich (1983 apud VOLPI, 2004) o bebê tem a capacidade de
regular suas próprias necessidades de fome, através do choro, balbucios e
agitação, no entanto uma mãe agitada e ansiosa não é capaz de perceber e
sentir as necessidades de sua criança. Logo, o desmame precoce, tardio ou
brusco, ocasiona um estresse no bebê contribuindo assim para a formação da
estrutura de caráter oral (LOWEN, 1977; REICH, 1995 apud VOLPI, 2004) ou
borderline (NAVARRO, 1995 apud VOLPI, 2004).
A etapa seguinte, de produção (VOLPI; VOLPI, 2002 apud VOLPI;
VOLPI, 2007), se inicia com o desmame e estende-se até o final do terceiro
ano de vida. Na etapa de produção, a energia da criança volta-se à construção
de pensamentos, gestos, brincadeiras, jogos, etc. Ocorre também o
desenvolvimento da autoconsciência, o que lhe permite aprimorar a capacidade
de antecipar os acontecimentos, como, por exemplo, não se sentir abandonada
pelos pais quando eles saem, por saber que eles voltarão. Nessa etapa a
criança imita os pais em busca de modelos, tem curiosidade e procura
descobrir o mundo à sua volta, exercitando também sua autonomia. As
exigências dos adultos para que a criança contenha suas necessidades
fisiológicas de excreção antes de completar 18 meses e o treino precoce ao
toalete são fatores que contribuem para o bloqueio da energia nessa etapa do
desenvolvimento. A
frustração e o
medo de ser punido inibem a
espontaneidade da criança, deixando-a numa situação de submissão ao
genitor que a frustra e confinada às rotinas diárias de seu dia-a-dia,
favorecendo a formação de um traço de caráter masoquista. Preocupações
excessivas com a ordem e/ou limpeza trazem o bloqueio nessa etapa e permite
o surgimento de um traço de caráter obsessivo-compulsivo. Ambos os traços,
masoquista e obsessivo-compulsivo, fazem parte da estrutura de caráter
Psiconeurótico (NAVARRO, 1995 apud VOLPI; VOLPI, 2007).
De acordo com Volpi e Volpi (2002 apud VOLPI; VOLPI, 2007) a partir
do quarto ano de vida se inicia a quarta etapa denominada de identificação e
estende-se até o final do quinto ano. Nessa etapa a energia se volta para a
descoberta dos genitais, dessa forma a criança descobre a diferença entre os
sexos e passa a ter uma idéia segura quanto ao que pertence. Com isso
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surgem as primeiras perguntas sobre sexo e ocorrem também as primeiras
masturbações, estas, por sua vez, devem ser encaradas com naturalidade e
sem punições.. Aos poucos, a criança começa a sair do campo familiar e voltase cada vez mais para o campo social.
A quinta e última etapa do desenvolvimento tem início ao final dos cinco
anos de idade e se estende até a puberdade. De acordo com Reich (1987 apud
VOLPI; VOLPI, 2007) nessa etapa se completa a formação da estrutura básica
de caráter. Ocorre a identificação da criança com o genitor do mesmo sexo, e
tendo a consciência disso passa posteriormente a assumir seu papel sexual.
Os bloqueios nessa etapa trazem a formação dos traços de caráter fáliconarcisista e histérico que pertencem à estrutura de caráter neurótico
(NAVARRO, 1995 apud VOLPI; VOLPI, 2007). Se conseguir chegar nessa
etapa sem bloqueios ou fixações das fases anteriores, a criança poderá
estruturar o chamado caráter genital, que segundo Reich (1995 apud VOLPI;
VOLPI, 2007) é maduro, auto-regulado e equilibrado.
3 O CARÁTER ORAL COMO REFERÊNCIA ENTRE OS AGENTES DO
BULLYING
Analisando o perfil dos atores no cenário do bullying e capturando a
tendência depressiva encontrada nas vítimas e a agressividade e a raiva do
agressor como os fatores mais evidentes pode-se categorizar esse indivíduos
com traços de um caráter oral ou borderline, de acordo com os parâmetros e
conceitos da Psicologia Corporal.
Para se compreender melhor a respeito da formação da estrutura de
caráter oral, precisa-se voltar no tempo e se ater no período logo após o
nascimento do bebê até o seu desmame (aproximadamente até o nono mês).
Nessa fase a criança necessita do alimento ofertado pelo seio da mãe, e esta
precisa estar disponível para saciar as necessidades do bebê. Dessa forma
frustrações ou estresses ocorridos nesse período, como por exemplo, um
desmame precoce, brusco ou mesmo tardio contribuem para a formação de
uma estrutura de caráter oral.
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Para
Navarro
(1995)
os
traços
orais
são
caracterizados
fundamentalmente pela dificuldade de contato, seja do tipo passivo
(dependência) ou do tipo ativo (agressividade oral). O modo de reagir do oral,
com a depressão ou com raiva, dois aspectos caracteriais orais são
distinguidos: o oral insatisfeito e o oral reprimido. O primeiro é a pessoa que no
fundo sempre oculta a situação depressiva, mas como, de fato, é plenamente
consciente dela, procura compensá-la com o alimento, álcool, fumo ou
qualquer substituto que possa dar-lhe satisfação no nível oral. O oral reprimido,
por sua vez, não tem consciência desse aspecto depressivo e defende-se com
um comportamento reativo raivoso.
Desse modo, comportamentos característicos de uma pessoa com
comprometimento nesse período são: dependência, medo da rejeição,
depressividade, raiva, etc. Ainda, sobre a razão predomina-se a emoção, existe
dificuldade de contato ou agressividade oral. A energia é concentrada na boca,
por isso são raivosos e mordazes (VOLPI, 2008). Podemos encontrar essas
características tanto na vítima do bullying quanto em seu agressor. Os
comportamentos mais comuns encontrados na vítima são a tendência à
depressão, a falta de energia e o medo da rejeição. De acordo com Oliveira
(2010) a pessoa deprimida não possui abrangência de suas ações, pois nunca
consegue se envolver inteiramente em alguma atividade por ser alienado de
seu corpo e de seus sentimentos. O deprimido é infeliz e ainda se torna
estático diante de seu progresso, ele é consciente a respeito de sua falta de
energia e de seu cansaço frente às situações da vida. Na depressão o
indivíduo perde suas forças para continuar lutando contra sua própria falta.
Falta esta que se refere à falta de si mesmo, do contato com suas emoções,
pois aquela criança que não teve suas necessidades satisfeitas não sabe do
que precisa.
Em relação à postura do agressor, verifica-se a raiva e a agressividade
muito presentes em suas atitudes. Ainda, a agressão praticada pelo bullie é
uma ferramenta utilizada como forma de poder para manter um grupo de
amigos sempre próximo, evidenciando assim sua dependência pelos outros.
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Sobre a raiva, sabe-se que por traz dela existe, no fundo, uma tristeza
escondida.
A raiva é uma reação secundária à depressão e traz uma tristeza
encoberta. É uma forma mais ativa de tristeza, na qual o indivíduo
retira energia do pescoço para a realização de seus objetos e para a
remoção dos obstáculos. Podemos observar uma tristeza latente em
indivíduos mordazes e tiranos (OLIVEIRA, 2010, p. 22).
Ampliando o conceito da raiva, sob a visão da corporal, Lowen (1997)
impressiona com sua afirmação: “a raiva é uma emoção importante na vida de
todas as criaturas, posto que serve para manter e proteger a integridade física
e psicológica do organismo. Sem a raiva, ficamos impotentes contra os ataques
a que a vida nos sujeita” (pág. 85). Dessa forma, a raiva, que, no senso comum
é vista como algo negativo, toma outra forma quando analisada integralmente.
Sobre a agressão, o mesmo autor menciona: “a emoção da raiva é a
parte da função mais ampla da agressão, que literalmente significa “mover-se
na direção de”. Agressão é o oposto de regressão, que significa “mover-se para
trás”. (pág.86).
Diante de tais conceitos relacionados com a questão do bullying, podese dizer que o autor desse ato utiliza a raiva e a agressão como uma maneira
de se proteger e de lutar por sua vida, pois desde seu nascimento até o
período de amamentação essa defesa precisou ser engatilhada devido a
comprometimentos nessa fase. Ainda, essa raiva expressa pelo agressor pode
ser compreendida como um comportamento compensatório, sobre o qual o
bullie cria uma situação de poder e controle de sua vítima a fim de alimentar
sua autoestima, esta, por sua vez, é comprometida em resultado da
impossibilidade de dar e receber amor de maneira saudável e equilibrada no
início de sua infância. No entanto, a agressão do bullie é utilizada de modo
equivocado, pois esse recurso defensivo (a raiva e a agressão) é usado para
ferir e machucar alguém, sendo que poderia ser canalizado para algo
realmente produtivo na vida desse indivíduo, como o estudo, o trabalho, o
amor, etc. A raiva e a agressão podem e precisam ser expressas, de modo que
não machuquem outros e sejam liberadas da maneira certa e lugar seguro e
apropriado. Para Lowen (1997), no espaço terapêutico ou mesmo em casa a
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Curitiba:
Centro
Reichiano,
2012.
[ISBN
–
978-85-87691-22-4].
Disponível
em:
www.centroreichiano.com.br/artigos. Acesso em: ____/____/____.
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raiva pode ser expressa através de exercícios regulares de socar a cama,
desse modo é possível recuperar a integridade e a sensação de bem-estar.
Nesse contexto, torna-se relevante estudar a estrutura de caráter dos
atores do bullying para a melhor compreensão das reações, comportamentos,
pensamentos e intenções desses sujeitos e tomar medidas preventivas para
que o bullying não aconteça. No entanto, vale ressaltar que a estrutura de
caráter oral, relacionada com os atores do cenário do bullying não é unanime,
ou seja, não significa que todas as vítimas e todos os agressores possuem
esse traço de caráter, mas que se pode encontrar a maioria das características
mencionadas nesses indivíduos.
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REFERÊNCIAS
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Av. Pref. Omar Sabbag, 628 – Jd. Botânico – Curitiba/PR – Brasil - CEP: 80210-000
(41) 3263-4895 - www.centroreichiano.com.br - [email protected]
COMO REFERENCIAR ESSE ARTIGO
12
SHIGUNOV, Vanessa. O bullying sob a perspectiva da psicologia corporal. In: ENCONTRO
PARANAENSE, CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS, XVII, XII, 2012. Anais.
Curitiba:
Centro
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2012.
[ISBN
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978-85-87691-22-4].
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www.centroreichiano.com.br/artigos. Acesso em: ____/____/____.
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AUTORA
Vanessa Shigunov/PR – é formada em Psicologia pela Universidade Tuiuti do
Paraná e possui Especialização em Psicologia Corporal pelo Centro Reichiano,
Curitiba/PR.
E-mail: [email protected]
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