UNIVERSIDADE DA AMZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS - CCET CURSO DE ENGENHARIA CIVIL SÁLUA QUEMEL BARROS ESTUDO COMPARATIVO DOS QUANTITATIVOS DE UMA PISCINA COM OU SEM FUNDAÇÕES BELÉM - PA 2013 SÁLUA QUEMEL BARROS ESTUDO COMPARATIVO DOS QUANTITATIVOS DE UMA PISCINA COM OU SEM FUNDAÇÕES Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação apresentado como exigência para a obtenção do Título de Engenharia Civil, submetido à banca examinadora da Universidade da Amazônia – UNAMA – do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas – CCET – elaborado sob a orientação do Professor Ms. Clementino José. BELÉM - PA 2013 SÁLUA QUEMEL BARROS ESTUDO COMPARATIVO DOS QUANTITATIVOS DE UMA PISCINA COM OU SEM FUNDAÇÕES Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação apresentado como exigência para a obtenção do Título de Engenharia Civil, submetido à banca examinadora da Universidade da Amazônia – UNAMA – do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas – CCET – elaborado sob a orientação do Professor Ms. Clementino José. Banca Examinadora: _______________________________ MSc. Prof. Clementino José dos Santos Filho Engenharia Civil, M. SC. Estrutura Professor Orientador DET/CCET – UNAMA ______________________________________ MSc. Prof. Evaristo C. Rezende dos Santos Jr. ______________________________________ MSc. Prof. José Zacarias Rodrigues da Silva Jr. Data da Defesa: ___/___/___ Conceito: ________________ BELÉM - PA 2013 Em memória de Badiha Chicre, Jõao Batista Quemel, e para Valéria Quemel e Haila Quemel Minha inspiração para todo sempre. AGRADECIMENTOS Ao meu orientador e mentor, professor Clementino Jósé, por sua disposição e dedicação e a banca pela apreciação a esta pesquisa. A minha mãe engenheira e matemática Valéria, pelo exemplo, orgulho e apoio ao decorrer do curso. Ao meu primo, Ramon pela sabedoria e competência nas correções textuais. Aos amigos, pelo apoio, auxílio e pelas extensas conversas praticamente diárias de incentivo. Ao meu namorado Luiz Eduardo por todo carinho, compreensão e incentivo. A minha tia Marcia por seu valioso apoio, pelo incentivo e pelas orações. A minha irmã Haila por sua exímia disponibilidade e confiança. Aos meus colegas de turma pelas companhias e pela paciência ao longo de nossa caminhada. A universidade UNAMA por disponibilizar tempo, aprendizado, experiência e compromisso com os alunos. As empresas, pela autorização de nossas visitas acadêmicas no decorrer do curso, especialmente a Ltda que forneceu o material (laudos de sondagem) para esta pesquisa, o que propiciou à realização desta pesquisa. Ao engenheiro Paulo Resque, pelo estágio, pelos projetos, consultoria e livros emprestados. RESUMO A presente pesquisa de conclusão de curso apresenta a partir de um estudo comparativo de duas piscinas que estão assentes em solos de diferentes resistência as alterações nos quantitativos de fundação e estrutural com a finalidade de demonstrar que a piscina rente a um terreno de boa resistência pode a vir ser mais econômico do que uma construída em terreno de baixa resistência. O estudo tratase de demonstrar através de laudos de sondagens tipo SPT, planta baixa e corte dos projetos estruturais e de fundação fornecidas pela empresa AMS Engenharia LTDA o aumento de custo em determinadas piscinas de concreto armado construídas em diferentes solos. Os dados são obtidos por meio da verificações dos preços dos materiais que compõe a fundação e estrutura como estaca, aço, concreto e forma de cada objeto de estudo, contando junto com a mão de obra qualificada para componente Os resultados apontam que as piscinas construídas em terrenos resistentes são caracterizados por apresentarem solos com uma profundidade rasa e não requerem fundações, proporcionando um custo menor em relação à piscina em terrenos de baixas resistências que necessitam de estacas para otimizar a profundidade encontrada do solo resistente. No entanto a cidade de Belém é rodeada por solos argilosos e muitas das vezes tais solos se encontram em locais de maior procura do metro quadrado, fato que corresponde ao grande gasto que se tem com fundação. Além de que o concreto convencional de fck 25 Mpa usado na construção é pouco resistente e não fornece uma vida útil longa para o consumidor. Palavras Chaves: Quantitativo. Estrutura. solos resistentes. Comparativo de custo. Economia. ABSTRACT This survey course presents the conclusion from a comparative study of two pools that are based in different soil strength changes in quantitative and structural foundation with the purpose of demonstrating that the pool close to a good ground resistance can the come to be more economical than one built on land of low resistance . The study is in demonstrating through reports of surveys SPT , floorplan and cutting of structural and foundation designs provided by the company AMS Engineering LTD increased cost in certain pools of reinforced concrete built on different soils. Data are obtained through checks prices for materials that make up the foundation and structure as cutting, steel, concrete and shape of each object of study, counting along with skilled labor for component The results indicate that the pools built tough terrains are characterized by exhibiting soils with a shallow depth and do not require foundations, providing a lower cost compared to pool in low resistance grounds that require stakes to optimize the depth found in the soil resistant. However, the city of Bethlehem is surrounded by clay soils and often such soils are in areas with the highest demand per square meter, which actually corresponds to the major expense you have with foundation. Apart from the conventional concrete fck 25 MPa used in construction is very resistant and provides a long service life for the consumer Key Words: Quantitative structure. Soil resistant. Comparative cost savings . LISTA DE TABELAS E QUADROS Tabela 1 - Quantitativos da Forma em lajes e vigas previsto no projeto estrutural 47 Tabela 2 - Quantitativos dos aços previsto no projeto estrutural 53 Tabela 3 - Quantitativo de concreto em vigas e lajes previsto no projeto estrutural 53 Tabela 4 - Economia do quantitativo de material 62 Quadro 1 - Preço da estaca com 21m de profundidade 57 Quadro 2 - Preço dos componentes do bloco de coroamento e estrutura 61 Quadro 3 - Preço total da piscina em solo de baixa resistente 61 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Revestimento interno do concreto armado 17 Figura 2 - Modelo de carga sobre piscinas cheia de água 18 Figura 3 - Modelo de força em piscinas vazias 19 Figura 4 - Drenagem do lençol freático durante o período de construção da piscina Figura 5 - Ensaio Tipo SPT – Esquema de ensaio a percussão movido a motor 23 Figura 6 - Equipamento para ensaio de percussão e medição do SPT em subsolo argiloso Figura 7 - Compacidade e Consistência dos solos 28 Figura 8 - Piscina construída em terreno resistente 32 Figura 9 - Piscina em Terreno de baixa resistência 34 Figura 10 - Critérios de Projetos das duas piscinas 42 Figura 11 - Laudo de sondagem de solo resistente 44 Figura 12 - Tipos de Sapatas 45 Figura 13 - Planta baixa e corte da fôrma da piscina 47 Figura 14 - Detalhamento da Armadura positiva 48 Figura 15 – Detalhamento da Armadura Negativa 49 Figura 16 - Resumo de todo quantitativo de aço presente na estrutura 50 Figura 17 - Detalhamento da Viga 1 e das ferragens 51 Figura 18 - Detalhamento da Viga 3 e sua ferragem 51 Figura 19 - Detalhamento da viga 2 e sua ferragem 52 Figura 20 - Detalhamento da viga 4 e sua ferragem 52 Figura 21 - Perfil Individual de furo de sondagem – Tipo SPT 55 Figura 22 – Planta baixa da fundação 56 Figura 23 - Corte da Fundação 56 Figura 24 - Modelo de Bloco de coroamento com estaca 58 Figura 25 - Planta e corte da armadura do bloco de coroamento 60 Figura 26 -Comparativos de concretos convencionais e CAA com fck diferentes 63 25 29 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 10 1.1 JUSTIFICATIVA 12 1.2 OBJETIVOS GERAIS 13 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 13 2 PISCINAS 14 2.1 A ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PISCINAS 14 2.2 CARACTERÍSTICAS DAS ESTRUTURAS DE PISCINAS 14 2.3 A ESCOLHA DO CONCRETO ARMADO PARA PISCINAS 16 2.4 ASPÉCTOS RELATIVOS DA NBR 15575 20 3 ESTUDO DOS SOLOS 22 3.1 A INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA DO SUBSOLO 22 3.2 CARACTERÍSTICAS DE RESISTÊNCIA DOS SOLOS 26 3.2.1 Tipos de Solos 26 3.2.2 Consistência e compacidade dos Solos 28 3.2.3 Tensão admissível 29 3.3 PISCINAS EM SOLOS DE BOA E DE BAIXAS RESISTÊNCIAS 31 4 QUANTITATIVOS 35 4.1 FUNDAÇÃO 35 4.2 FORMA 38 4.3 AÇO 39 4.4 CONCRETO 40 5 RESULTADOS 40 5.1 PISCINA EM SOLO RESISTENTE 42 5.1.1 Fundação 43 5.1.2 Forma 46 5.1.3 Aço 48 5.1.4 Concreto 53 5.2 PISCINA EM SOLO DE BAIXA RESISTÊNCIA 54 5.2.1 Fundações 54 5.2.1.1 Estacas 57 5.2.1.2 Blocos de coroamento 57 5.3 COMPARAÇÃO DOS PREÇOS 61 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 64 6.1 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 65 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 67 10 1 INTRODUÇÃO Hoje em dia a construção de piscinas em residências e apartamentos cresce a cada ano, isto se deve ao fato de que existem pessoas que não gostam de ir ao clube e preferem que a piscina esteja pronta para o uso na hora e sem precisar gastar tempo e transporte para chegar ao local. Segundo Lélio Araújo, diretor da Aquatec Piscinas de Porto Alegre. Há 30 anos, uma piscina custava o equivalente ao preço de um carro de luxo. Hoje, com R$ 3 mil já é possível comprar uma piscina. E três elementos são necessários em quem quer ter uma piscina em casa: vontade, espaço e dinheiro. (ARAÚJO apud PREÇO..., 2013, não paginado). Outro fator que vem atraindo atenção para os consumidores são as diversas opções que permitem pagar bem menos que algum tempo atrás. O preço vai depender do tipo e do tamanho da piscina que escolher. Há também a escolha para o tipo de material necessário para a construção de piscinas, visando os mais econômicos, estes que podem reduzir em até 70% o custo do produto. Segundo RODRIGO PINHEIRO, coordenador da Sibrape, empresa fabricante de piscinas os preços das piscinas de concreto armado variam, pois dependem de vários fatores, como o solo, concreto, como exemplo. "O preço inclui mão-de-obra e os equipamentos básicos como filtros, bombas, casa das máquinas, ralo e dispositivos de retorno e aspiração", afirma. Ele também relata que as piscinas de concreto podem ser instaladas em até dois meses. Um atrativo para a construção de piscinas é a facilidade do usuário em poder escolher o modelo que ela poderá ter, quando este for aprovado pelo engenheiro resignado para a obra. O comprador poderá acompanhar o “passo a passo” da criação da piscina na sua residência, sempre atento às necessidades, as mudanças, se tiverem, no projeto e nos custos dos materiais, tudo para que a estrutura fique de acordo com os seus requisitos como o formato da piscina, a profundidade, comprimento, presença de escada ou não, e dentre outros fatores minuciosos. Ainda para Lélio Araújo ele acredita que: Outro fator importante na hora de se comprar uma piscina é o espaço disponível para instalá-la. Existem diversos tamanhos e modelos de 11 piscina, o cliente tem que encontrar o que mais se adéqua ao seu espaço e assim, escolher o que mais lhe convém. (ARAÚJO apud PREÇO..., 2013, não paginado). Entretanto, apesar dos materiais, das técnicas de construção, dos equipamentos e dos acessórios estarem se tornando cada vez mais acessíveis, não se deve esquecer que, além desse tipo de lazer exigir rigorosos cuidados, principalmente na segurança de quem usa, ele também requer rigorosos cuidados antes e durante a obra, como a verificação do tipo de solo, da posição do sol e do tamanho do terreno. Como exemplo disso, devem-se conhecer as características do solo onde a piscina estará; deve-se ter um acompanhamento do profissional de engenharia e sempre ter por perto o projeto das piscinas para não se ter prejuízo, já que as características do solo são decisivas para quem pretende construir uma piscina. A escolha por optar estudar duas piscinas de concreto armado é pelo fato que de que o processo produtivo do material, apesar de hoje em dia não ser o mais em conta, é ainda o mais seguro e duradouro, tendo como principal benefício à ausência de trinca e rachaduras em comparação com as demais. Ele é versátil, pois pode ser construída em qualquer formato e tamanho, adequando-se a qualquer tipo de terreno e dessa forma o imóvel é valorizado, porque ele agrega-se a área construída. Isso se dar pelo fato de que as piscinas de concreto armado possuem uma estrutura de ferro, feitas de malha de ferragem estrutural que tem como principal função combater os esforços contrários às paredes e fundos da obra, incluindo nesse ponto o peso e a terra ao redor. A construção de piscina também é uma interessante alternativa para se observar os esforços que a estrutura sofre. A ideia que se tem é que para ter uma composição resistente é preciso que ela seja feita com um material apropriado, compacto, e impermeável. No entanto, engana-se quem acha que só com o material é capaz de se afirmar se a obra será resistente ou não. O principal fator que decide se uma piscina terá uma estrutura resistente é a composição do solo que estará localizado. Pelo estudo das camadas do subsolo, será capaz de definir o perfil e consequentemente o tipo de solo e a sua capacidade de carga apropriado para a construção. Também, a estrutura, que são os esforços das piscinas, está ligada diretamente ao tipo de solo encontrado para a construção. Dessa forma, é a partir do 12 estudo do solo e do teste de sondagem que se terá como estruturar tais piscinas. O solo também é elemento para incluir no preço da obra. O valor do imóvel, no caso a piscina, depende de várias condições, como o seu tamanho, o tipo de material usado na construção, os utensílios da casa de máquina, a arquitetura, dentre outros. Mas para o estudo em questão, as piscinas tem os mesmos revestimento, tamanho e tipo domiciliar. O que será atribuído a uma diferença rentável do valor entre os dois modelos será nos diferentes tipos de solo em que se encontram e, consequentemente, nos quantitativos do cálculo das estruturas. 1.1 JUSTIFICATIVA O principal motivo no Brasil para o crescente comércio de piscina se deve ao fato do interesse da classe média em adquirir essa alternativa de lazer. As facilidades de construção e de financiamento são alguns fatores que têm contribuído para que o sonho de ter uma piscina em casa se torne realidade A busca por conforto, segurança e lazer em um único ambiente é o motivo plausível para que a piscina contribua para a valorização do imóvel. Isso ocorre porque cresce o interesse do consumidor em ter formas de relaxamento com privacidade que evitem o deslocamento desnecessário de sua família. De acordo com Reginaldo Andrade, proprietário da Fortal Piscinas, a piscina é um elemento decorativo. “O que torna o imóvel mais atrativo e valioso” (ANDRADE apud LETICIA, 2012). A piscina passou a ser um dos fatores decisivos para se optar por uma edificação quando esta apresenta infraestrutura e área de lazer completa. Mas também as mesmas facilidades estão acessíveis para quem mora em casa e quer valorizar o imóvel. A valorização, além de variar de acordo com a idade do imóvel e as condições da piscina, pode ser alterada pela localização. A localização do imóvel pode vir a ser uma dificuldade no que diz respeito a fundação, já que solos com baixa capacidade de carga fazem com que elevem o preço da fundação e com isso aumentam o preço final do imóvel. Em muitas cidades, bairros requisitados acabam tendo o preço do m² elevado, apresentando como um dos fatores, um solo de boa resistência em uma profundidade muito elevada, aumentando o custo da fundação. 13 Como o solo é influente, as características dele são decisivas para a construção da piscina. Com base nos cuidados que se deve ter nesse ponto, surgiu a ideia de comparar dois processos construtivos de piscinas em solos de diferentes resistências e qualificar as vantagens que um terá em relação ao outro. Este processo irá verificar qual dos dois se tornará mais econômico, evitando também a perda de tempo daqueles que não são especialistas do assunto. Na contratação e avaliação do projeto que balizará a construção do equipamento, é preciso atentar-se para questões que envolvem desde o tipo de solo onde ela será construída até a consequente necessidade ou não de fundações. A opção pela construção desses meios de lazer, além de dependerem do espaço disponível, são dependentes também do resultado do cálculo do projeto estrutural. 1.2 OBJETIVOS GERAIS Analisar o custo dos quantitativos de uma piscina de concreto armado assente em solo de boa resistência em relação à piscina de concreto armado assente em solo de baixa resistência. 1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Mostrar que as diferentes resistências entre dois solos podem influenciar no comportamento estrutural das piscinas. Apresentar informações técnicas que provem que a instalação da piscina em terreno de boa resistência em comparação com o de baixa resistência provoca uma economia maior no preço total da mesma. 14 2 PISCINAS 2.1 A ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS PISCINAS A piscina teve seu primeiro registro no antigo Egito, pelos “primeiros engenheiros” do mundo antigo. Nesse tempo, os egípcios foram os pioneiros nas construções que facilitavam o acúmulo de grandes quantidades de águas para recreação. Os relatos mais remotos de que se tem notícia são de grandes tanques encontrados em pirâmides do antigo Egito, as chamadas piscinas públicas. Depois que a ideia se difundiu, as piscinas passaram a ser, em Roma e na Grécia, o ambiente adequado para a prática de natação, passando a ser uma atividade obrigatória na educação das crianças. Segundo a REVISTA PISCINAS & SAUNA foi constatado que as primeiras piscinas construídas para utilização comercial surgiram no final do século XVIII e começo do século XIX. As piscinas então se tornaram uma solução prática e também uma nova forma de decoração em residências. Mas de acordo com a revista “Paisagismo e Foco”, antes o objeto era moda apenas paras os ricos e famosos, ou seja, era uma construção de luxo e status estre as celebridades. Com o tempo e a utilização de novos materiais, o sonho de ter uma piscina própria chegou ao alcance de mais pessoas e tornou-se cada vez mais popular. Independentemente do percentual de rentabilidade, o fato é que, com o crescimento da economia e do mercado da construção civil, a piscina deixou de ser um artigo de luxo, passando a ser incorporada em empreendimentos dos mais diversos portes. Ainda mais que a classe média, formada com o crescimento da economia do país, fez com que o mercado imobiliário se movimentasse para atender seus desejos. 2.2 CARACTERÍSTICAS DAS ESTRUTURA DE PISCINAS Nas piscinas, um dos fatores que permite a segurança delas, além da escolha do material, é o cálculo estrutural que é composto para combater as forças externas, onde se pode analisar o funcionamento do princípio estrutural, afim de entender o modelo físico e matemático que mostra como as forças serão originadas 15 e quem vai resistir a elas. O modelo serve para entender como as cargas são fornecidas e absorvidas em uma estrutura. No entanto, uma curiosidade acerca do cálculo estrutural das piscinas é que muitos críticos tem a ideia de que a piscina necessita de um suporte extremamente forte para poder suportar a água. Entretanto, nem sempre se pode apenas confiar nesta hipótese, pois dependendo do local em que ela vai ficar, sendo rente ao solo, elevada ou enterrada, a forma com que ela irá se comportar será diferenciada. Para construir uma piscina, o material das peças estruturais deve ser capaz de absorver o nível de solicitação interna gerado pelas ações externas sem comprometer a sua integridade física. O arranjo estrutural deve ser concebido de modo a ser capaz de absorver as solicitações externas e transmiti-las aos elementos de apoio mantendo-se em repouso. É de suma importância que a piscina tenha a estrutura bem projetada, visto que é na parte estrutural que é demonstrada como as cargas são fornecidas e absorvidas por ela. A estrutura tem duas finalidades principais: segurar a terra ao redor da piscina e servir de suporte para a impermeabilização e acabamento. Por conta disso, é necessário que a estrutura mantenha sua rigidez. A execução deve seguir rigorosamente o projeto estrutural, uma vez que este é calculado especificamente, prevendo a forma e o volume de água da piscina e as condições do solo do local. Esta técnica construtiva é uma das mais seguras e que apresenta a maior durabilidade, que de acordo com a NBR 15575 cerca de sessenta e três ano, o que contribui sempre para a valorização do imóvel. É importante entender que, seja qual for o sistema adotado, uma piscina é uma construção, uma obra, assim como um cômodo da sua casa. O fato de estar enterrada não facilita a construção, mas, sim, complica, porque vazia a piscina tem que suportar a pressão da terra ao redor, como uma espécie de subsolo raso. No caso de uma piscina sendo ela mesmo a fundação, em forma de sapata, toda sua massa é impulsionada para baixo de modo a se apoiar por igual no terreno. Quando o terreno precisa de fundações profundas, além da carga em direção ao solo, a estrutura começa a receber uma carga inversa, vinda de baixo para a cima, nos locais onde estão cravadas as estacas. Nas fundações profundas os cálculos das cargas recebidas em cada estaca devem considerar esse "movimento" inverso, a fim de evitar que a laje da construção sofra fissuras e outros problemas que impactem a qualidade da piscina. Sua vida 16 útil, qualidade e segurança dependem de diversos fatores técnicos de projeto, construção e manutenção, merecendo atenção rigorosa dos consumidores. Conforme as informações verifica-se que a estrutura não deve ser entendida meramente como um conjunto de pilares, vigas e lajes, tampouco de paredes e tirantes; entende-se por estrutura o conjunto de elementos (de aço, concreto, madeira, solo, rocha e etc.), com comportamentos reológicos diversos mas interagindo de forma econômica e segura para atender a uma necessidade (ou desejo) do ser humano (Hachich, 1996). 2.3 A ESCOLHA DO CONCRETO ARMADO PARA PISCINAS As piscinas de concreto e revestidas em azulejo são as mais tradicionais e as mais encontradas, no entanto muita gente tem optado pelas de fibra de vidro por serem mais baratas e fáceis de instalar, e pelas de vinil que são mais versáteis na hora de escolher o formato. Entretanto, as piscinas de concreto armado na relação custo-benefício ainda se sobressaem em comparação com as demais no mercado. De acordo com o site CAMPESTRES PISCINAS PAISAGISMO (2013), o produto revestido de concreto armado são os mais resistentes e duradouros. As piscinas possuem uma estrutura monobloco em concreto maciço com malha dupla de ferro, impossibilitando qualquer tipo de trinca e rachadura por isso é a mais resistente É volúvel, pois pode ser arquitetada em qualquer formato e tamanho, adequando-se a qualquer tipo de terreno e valorizando o imóvel. A utilização apenas do concreto como elemento estrutural não é adequado, pois esse possui uma baixa resistência a tração quando comparada com a sua resistência à compressão, geralmente apresentando resistência à tração inferior a 10% de sua resistência à compressão. Assim sendo, é imperiosa a necessidade de juntar ao concreto um material com alta resistência à tração (o aço), com o objetivo deste material, disposto a resistir às tensões de tração para que ela consiga resistir aos esforços solicitantes. Para piscinas, o concreto armado tem um aspecto visual único e diferenciado, já que quando bem projetada e construída, transmite harmonia, diversidade e requinte difíceis de serem atingidos em piscinas de outros materiais. Profissionais da construção dizem que o concreto armado utilizado na construção de 17 piscinas é a forma mais segura, resistente e definitiva. A estrutura é feita com fôrmas de madeira, preenchidas com ferragens e concreto. SOUZA (2006), explica que esse tipo de piscina é autoportante, porque sua estrutura dá total suporte, independente do terreno no qual será construída. Dessa forma no caso extremo da necessidade de esvaziar a piscina, a estrutura de concreto armando é a única que não sofrerá danos pelo deslocamento do terreno. Segundo o engenheiro calculista FLÁVIO HELENA JÚNIOR da campestre piscinas (2013), a estrutura da piscina de concreto armado é executada com uma forma externa, uma malha de ferro dupla no piso, parede e borda, e uma forma interna. O espaço entre a forma interna e a forma externa, assim como o fundo e a borda são preenchidos com concreto, formando uma peça única, com espessura média que varia entre 12 a 15 cm. Figura 1 - Revestimento interno do concreto armado Fonte:http://www.campestrepiscinas.com.br/index.php?diferenca-entrepiscinas Ainda seguindo pela mesma linha de raciocínio, Fernando Moura, dono das empresas de piscinas campestres de São Paulo, evidencia o fato de que a estrutura da piscina de concreto armado é impermeabilizada e é autoportante, ou seja, sua estrutura dá total suporte, independente do terreno no qual será construída. Isso é importante porque no caso extremo da necessidade de esvaziar a piscina, a estrutura de concreto armando é a única que não sofrerá danos pelo deslocamento do terreno (FORTE; FERRAZ, 2011). 18 O engenheiro CAMPOS (2012) afirma que piscina distribui o seu peso como cargas para o fundo e as paredes. As cargas laterais são suportadas pelas paredes, que funcionam flexionadas tanto na vertical quanto na horizontal, enquanto a carga de fundo repassa o peso da água para o fundo do recipiente. Como a piscina estudada é enterrada, tanto as paredes como o fundo estão ao redor da terra, dessa forma a carga absorvida pelas paredes e fundo irá se dissipar no solo, já que a terra também ajuda na resistência das paredes. Toda via, CAMPOS (2012) completa que não é o peso da água que as estruturas de concreto armado devem combater nas piscinas e sim, quando a piscina está enterrada, ao contrário do que muitos pensam, a armação é a necessária para combater a pressão que terreno faz nas paredes e não a água que faz peso sobre as laterais. Elas são as chamadas forças externas atuantes nas piscinas. Figura 2: Modelo de carga sobre a piscina cheia de água Fonte: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=16&Cod=111 De acordo com os engenheiros BIAZIN e FORTES (2010), isto acontece porque a terra é mais pesada que a água. Um metro cúbico de terra pesa mais ou menos 12% a mais que o mesmo volume de água, ou seja, se fizermos uma abertura na terra e enchermos de água, temos que cuidar na verdade é para que a terra fique firme, pois sua tendência, como é mais pesada, é empurrar a água e desbarrancar. Há também uma força contrária ao solo que é a presença do peso próprio quando a água é retirada da piscina. Sem o peso da água, a terra é que passa a pressionar as paredes da piscina, afinal, ela também é pesada. A lateral da piscina 19 passa a funcionar como um muro de arrimo, fazendo com que as paredes tenham esforço ao contrário. Figura 3: Modelo de força em piscinas vazias Fonte: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=16&Cod=111 Os engenheiros BIAZIN E FORTES (2010), afirmam que quando a piscina está vazia ela tende a sofrer um empuxo, e a terra tenderia a desmoronar, isto só não acontece porque está contida pelas paredes laterais da piscina, resultando em carga sobre elas. As forças exercidas com a retirada da água e da terra contra as paredes da piscina fazem com que a estrutura sofra trincas profundas, quando estas não forem protegidas pelas armaduras. Normalmente a terra pode estar mais ou menos compactada, aderida ou não às beiradas da piscina. Assim, a boa norma de projeto de laterais de piscina recomenda armação nos dois lados, ou seja, as paredes e fundo podem funcionar tanto recebendo esforço de dentro para fora quanto vice-versa, além de resistir também ao recalque diferencial, ou seja, se uma parte do solo afundar mais do que outra, a estrutura estará apta a resistir aos esforços desta mudança de apoio, sem fissuras que comprometam a estanqueidade. Entre as vantagens encontradas nas piscinas de concreto, destaca-se a durabilidade, pois uma piscina de concreto bem executada e revestida com revestimento cerâmico de qualidade são as mais duráveis. Apesar do custo das piscinas com material de concreto armado, o custo benefício, desse material em relação aos demais é mais viável, já que tanto tratamento, revestimento, durabilidade, flexibilidade, sem contar com uma leque razoavelmente bom de possibilidades para a execução em locais inusitados é melhor no concreto armado. 20 2.4. ASPÉCTOS RELATIVOS DA NBR 15575 Para HACHICH (1996), diz que para se falar em segurança de vida útil da estrutura é necessário mencionar a Norma Brasileira sobre o assunto, a NBR-15575 (2013), que é de conhecimento público suas posturas e devem ser seguidas fielmente, dado o caráter de lei que lhe é conferido pelo código de defesas do consumidor de 1991. Uma estrutura é considerada segura quando puder suportar as ações que virem a solicitá-la durante a sua vida útil sem ser impedida, quer permanente, quer temporariamente, de desempenhar as funções para as quais foi concebida. A norma da NBR 15575 foi outorgada em 19 de Julho de 2013 com o propósito de avaliar, não só edifícios de pequenos portes, mas como qualquer projetos habitacionais. Tal lei, veio para corrigir as lacunas existentes da lei de 2008 que havia imposto severas dificuldades aos construtores, aos projetistas e à indústria de materiais para se adequarem aos requisitos apresentados no documento. Hoje, a lei se faz valer de metodologias de avaliação de desempenho, afim de que os fabricantes se mobilizem para adequar seus produtos e processos de fabricação às exigências do texto. Apesar de afirmarem que, com a lei, os custos dos empreendimentos terão uma aumento de 5% à 7%, ERCIO THOMAZ (2013), pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), acredita que este acréscimo no custo final da obra “é fator de barateamento da construção", pois se for analisar todo o ciclo de vida útil de uma obra, incluindo o investimento inicial, o custo de operação e o custo de manutenção, a adequação dos projetos à NBR 15.575 a ideia é ter um controle maior sobre a obra e mais comprometimento. As empresas terão que conhecer o desempenho dos sistemas construtivos que adotam ainda mais se usarem novas tecnologias. Além disso, avalia BORGES (2013), os projetistas serão os mais impactados, pois precisarão conceber e projetar as obras pensando no seu comportamento em uso ao longo da vida útil. "Para isso, eles terão de se capacitar no tema e se aprofundar mais nas questões construtivas. Os construtores terão de valorizar mais os projetos." No caso de piscinas, a norma se encaixa para os requisitos gerais, mais especificamente na vida útil da obra e na parte que trata os sistemas estruturais da obra que atendem um conjuntos de componentes que os definem e quando se 21 objetiva a qualidade dessas estruturas, é imprescindível definir a vida útil no período de tempo durante o qual as estruturas de concreto mantêm condições satisfatórias de uso, atendendo as finalidades esperadas em projeto. Segundo HELENE (2001), nos últimos anos tem crescido o número de estruturas de concreto armado com manifestações patológicas, como resultado do envelhecimento precoce das construções existentes. Essas constatações, tanto no âmbito nacional quanto no âmbito internacional, demonstram que as exigências e recomendações existentes nas principais normas de projeto e execução de estruturas de concreto vigentes, até o final do século passado, eram insuficientes. Dessa forma, a necessidade de aumentar a vida útil do concreto foi primordial. Pode-se considerar que a vida útil é a quantificação da durabilidade que se supõe ser apenas uma qualidade da estrutura. A vida útil pode também ser entendida como o período de tempo durante o qual a estrutura é capaz de desempenhar bem as funções para as quais foi projetada (DA SILVA, 2001). Culminando com o custo excessivos de concretos com fck inferiores à 25 Mpa e consequentemente com a vida útil apresentada com mais ou menos de 28 dias, essa resistência acaba por ser mais trabalhosa do que um fck maior, pois a vida útil depende igualmente do comportamento dos elementos estruturais, como a resistência do concreto, da armadura e dos demais componentes incorporados à estrutura, porém, sem função estrutural. As exigências da qualidade para uma estrutura de concreto podem ser classificadas em três grupos distintos, referentes, respectivamente, à segurança, ao bom desempenho em serviço e à durabilidade. Os requisitos relativos à segurança e ao bom desempenho em serviço devem ser observados durante toda a vida útil prevista para as estruturas, o que significa que elas devem ser projetadas e mantidas de modo que apresentem durabilidade adequada. As medidas a serem tomadas para garantir a segurança, o bom desempenho em serviço e a durabilidade de uma estrutura são baseados nas condições de utilização e ambientais. (BRANDÃO, 1999). Segundo CASCUDO (2001), um os aspectos mais relevantes de durabilidade da estrutura e previsão de sua vida útil envolvem investigações sobre as condições da armadura (se passivada ou não). Entende-se que as armaduras são peças fundamentais para a qualidade ao longo dos anos das piscinas. 22 O período de tempo total contado a partir do término da construção até o aparecimento de uma manifestação patológica considerada grave é denominada vida útil de serviço ou de utilização (HELENE, 2001). ISAIA (2001) ensina que vida útil elevada será obtida se a microestrutura estiver isenta de falhas, que na prática vai dificultar a penetração de agentes agressivos quando expostos em seus ambientes e também quando ele mostrar uma boa resistência a fortes compressões. Isto implica dizer que quando o concreto tem uma resistência baixa e não ser devidamente dosado, ele estará propício a apresentar problemas mais cedo e o custo benefício será maior. 3 ESTUDO DOS SOLOS 3.1 A INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA DO SUBSOLO De acordo com o ROCHA (2004), afirma que o terreno faz parte integrante de qualquer construção, afinal é ele que dá sustentação ao peso e também determina características fundamentais do projeto em função de seu perfil e de características físicas como elevação, drenagem e localização e no caso de obras com o concreto armado, ele é importante para o cálculo das ferragens e da forma. Toda via, Segundo o projetista ANTÔNIO CARLOS IGNÁCIO, da Conref Engenharia de Piscinas, apesar de ser possível construir piscinas em praticamente todos os tipos de solo quando se conhece as diretrizes e regras básicas para fins estruturais da obra, o mais indicado, principalmente em relação ao custo-benefício e até em tempo, é um terreno natural resistente, firme, sem aterros e lençóis freáticos e que não precise de fundações. Dessa forma, antes de comprar qualquer terreno, independente do modelo de obra, o proprietário precisa ter conhecimento do solo e de suas propriedades, um processo de investigação do subsolo mais aplicado, verificado pelo estudo da sondagem. A sondagem possibilita validar o terreno, ou seja, a partir de uma coleta de amostras de solo de metro a metro através da ferramenta conhecida como barrilete amostrador padrão, irá ser verificado a qual profundidade se encontra a sua boa capacidade de carga. Sendo assim, toda piscina só será construída depois a realização de uma sondagem, pois ela irá ser a principal fonte de informação do solo e principal 23 requisitos de investigação da altura que se localizará um terreno resistente. Pelo experimento, é possível descobrir a que profundidade se encontra o lençol freático e evitar trabalhar com solos onde a água provoque alagamentos nas fundações e recalque nas estruturas. Somente com uma análise do terreno a fundo se torna possível identificar quais são os tipos de solo que estão sob a obra, e se precisar, qual o tipo de fundação a ser utilizado, quais deverão ser as características das estacas, profundidade e espessura, e como elas devem suportar as cargas da piscina. ANTONIO CARLOS IGNÁCIO afirma que se a resistência encontrada no solo de uma piscina em análise for a uma profundidade maior que 1,5m, serão necessários cálculos para fundações. Conforme a engenheira civil Flávia Pujadas (2013) diretora-técnica do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias (Ibape) e diretora da Archeo Engenheiros Associados, diz que a sondagem evita transtornos e preocupações futuras, porque se o serviço for contratado antes da definição do local de implantação da piscina, bem como do tipo de equipamento a ser construído, irá proporcionar uma maior viabilidade e menor custo nas escavações. Flávia Pujadas, opina que: Esses dados interferem no tipo de escavação a ser realizada, bem como no dimensionamento da estrutura da piscina, tipo de impermeabilização, além de trazer parâmetros quanto à capacidade de resistência, níveis de lençol freático, presença ou não de rochas. (PUJADAS, 2013, não paginado). Figura 4 - Drenagem do lençol freático durante o período de construção da piscina Fonte: Helena Junior (2013) 24 A sondagem consiste em um ensaio de solo a partir de uma cravação de 45cm de um amostrador barrilete padrão, utilizando um peso de 65kg que cai em queda livre de uma altura de 75cm, repetida vezes. A quantidade de vezes em que a queda acontece até a paralisação desta em um solo forte, resistente. Isto é, ela prossegue até que a percussão atinja material duro como, por exemplo, rocha, matacões, seixos ou cascalhos de diâmetro grande. Na sondagem são coletadas amostras obtidas pelo amostrador e aquelas retiradas nos avanços dos furos entre um e outro ensaio de SPT, por trado ou lavagem. A cada ensaio de SPT prossegue-se a perfuração (com o trado ou o trépano) até a profundidade do novo ensaio. de acordo com a NBR 6484, as informações alcançadas devem são consolidadas em um relatório (confeccionado de acordo com a mesma norma), Ao se realizar uma sondagem pretende-se conhecer o tipo solo atravessado através da retirada de uma amostra deformada, a cada metro perfurado; a resistência (N) oferecida pelo solo à cravação do amostrador padrão, a cada metro perfurado e a posição do nível ou dos níveis da água, quando encontrados durante a perfuração Destacando-se os seguintes resultados básicos: locação dos furos de sondagem, classificação dos solos até a profundidade de interesse do projeto, ou quando atingir a condição de impenetrável a percussão, compacidade dos solos arenosos e consistência dos solos argilosos, espessura das camadas e profundidade, posição do lençol freático (N.A.), data de execução da sondagem e o número índice de resistência do solo. Para as piscinas, normalmente a sondagem para quando ela atinge uma capada de solo firme, independente da profundidade que a piscina terá. Como já mencionado, as características do solo são decisivas para quem pretende construir uma piscina, já que é preciso conhecer o comportamento que se espera de um solo quando este receber os esforços. Para obter estes tipos de informações o teste mais econômico e elucidativo é o ensaio SPT. Ele revela as camadas do terreno e suas características. Quando não há o documento, é preciso fazer uma outra sondagem para conferir o tipo de solo adequado para resistir a cargas externas e notar a que profundidade ela se torna útil para tal fim. 25 O teste é chamado de SPT, consolidando informações a respeito do solo, de uma forma econômica. Na maioria dos casos, a interpretação dos dados SPT visa a escolha do tipo das fundações, a estimativa das taxas de tensões admissíveis do terreno e uma previsão dos recalques das fundações. Figura 5 - Ensaio Tipo SPT – Esquema de ensaio a percussão movido a motor Fonte: Schnaid (2000) As patologias em piscinas e em outras obras de engenharia podem ter causas diversas. Normalmente o baixo desempenho das fundações é refletido de maneira a comprometer aspectos estruturais, funcionais e estéticos. As fundações de uma estrutura podem ser mal dimensionadas pela incapacidade do profissional projetista, por erros de cálculos e também, ou, principalmente, por falta de conhecimento das propriedades geotécnicas do solo suporte estruturas. É notável que a estrutura armada é mais flexível na execução em diferentes solos e isto acontece porque a sua estrutura não depende do terreno para manter a forma, pois ela pode ser executada em qualquer tipo de solo, seja este arenoso, beira de praia, em cima de uma laje, na cobertura, na sacada, na superfície do solo, em balanço, em barrancos, em solo com lençol freático, dentre outros. No entanto, as piscinas de concreto armado podem sofrer alterações de valor se forem feitas em diferentes solos, modificando o número de ferros presente 26 na estrutura. O solo influencia diretamente na resistência e na capacidade de carga do terreno. Sendo assim as etapas da obra dependerá principalmente do tipo e de como foi encontrado o solo. 3.2 CARACTERÍSTICAS DE RESISTÊNCIA DOS SOLOS Considerando que o solo é o material de construção necessário nas maiorias das obras civis, abundante na natureza e serve de base para a estrutura de piscinas, é de suma importância o conhecimento de suas propriedades ligadas à capacidade de carga para o cálculo das estruturas, para que seja possível o desenvolvimento de obras aliando segurança e economia. Como o terreno irá sofrer tensões contrárias ao solo feitas pela estrutura, este por sua vez deverá apresentar resistências a essas forças, além do peso próprio da piscina. Para determinar se o solo será resistente ou não é preciso verificar o tipo de solo (se for argiloso ou arenoso), sua consistência, a tensão admissível, tensão de ruptura e a resistência ao cisalhamento. 3.2.1 Tipos de Solos De acordo com o engenheiro, SÉRGIO SARAIVA (2007) professor de mecânica dos solos, enfatiza que o tipo de solo encontrado em um lugar vai depender de vários fatores: o tipo de rocha matriz que o originou, o clima, a quantidade de matéria orgânica, a vegetação que o recobre e o tempo que se levou para se formar. A diversidade da mistura dependerá das características próprias, tais como densidade, formato, cor, consistência e formação química. Em relação ao solo brasileiro, ele é mais heterogêneo, adquirido pelo seu clima tropica, mais errático e, portanto menos resistente, sendo dessa forma o fator determinante na capacidade de carga da fundação. Há exemplo disso, são as regiões onde se tem predominação de rios, lagos, cidades litorâneas, se tem no solo espessas camadas de argila mole intercaladas com camadas de areias, caracterizando camadas de solos de baixa resistência. Os tipos de solos encontrados na região metropolitana de Belém dependem, como todos os outros, da coloração e da rocha mãe. No Pará, os solos predominantes são os Latossolos, que são profundos, porosos e permeáveis. Mais 27 especificamente na região metropolitana de Belém, que remete ao trabalho, os Latossolos amarelos são os que prevalecem. As características deste tipo de solo ocorrem em áreas de topografia suave e de relevo mais acidentado e tendo a argila muito presente, no entanto apresenta o teor de argila bastante variável em algumas partes, o que lhe confere a textura média a muito pesada. Os Podzólicos são os outros solos de maior ocorrência no Estado e também na região nordeste, onde a cidade de Belém se encontra. Para CARVALHO (2009), são relativamente profundos, bem drenados, normalmente acidificados, com textura variando de média à argilosa. Tal qual os Latossolos, também apresenta cores variantes do amarelo ao vermelho escuro diferenciando-se daqueles pela menor profundidade e, principalmente, pelo acúmulo de argila nas partes de relevo mais baixo. Todo via, para construir estruturas de moradias, de lazer ou até mesmo empreendedorismo se faz urgente conhecer o estudo de subsolos, o que é a avaliado não com o nome e sim pelas características ocorridas nas camadas de solo que apresentam comportamentos específicos, e são classificadas em argila arenosa, silte argiloso, areia silto-argilosa, silte argilo-arenosos etc. Em Belém, para traçar um perfil dos solos da cidade de Belém afim de criar um mapeamento sobre o mesmo, que serviu de estudo para a delimitação da pesquisa de solos resistentes para piscinas, foi feita uma investigação sobre o subsolo tratada por SALAME & ALENCAR JUNIOR (2006) “para fundamentação de projetos de fundação, através de resultados de sondagens SPT, indicam que a estratigrafia da área está intimamente relacionada com a cota do terreno em relação ao nível do mar.” Tendo em vistas as pesquisas de SALAME & ALENCAR JUNIOR (2006), é correto afirmar que Belém tem seu solo dividido em duas camadas; as de baixadas, próximas ao Rio Guamá, Baia do Guajará e ainda às margens dos canais que incisam boa parte da área urbana do município, e as das regiões de maior altitude, situadas em cotas de 8 a 20 metros acima do nível do mar com camadas superficiais compostas de areia siltosa ou silte arenoso fofo a pouco compacto, de 2 a 8 metros de espessura As áreas da baixadas tem como principal características solos argilosos, úmidos, que além de serem formadas por várzeas ou pântanos, são situados na cota de até 3,0 m acima do nível do mar, mas que podem acarretar em camadas de 28 profundidades muito altas e com o nível d’água logo na superfície, sendo altamente compressíveis e inadequadas para estruturas, como piscinas, sem fundações. No entanto, ainda de acordo com SALAME & ALENCAR JUNIOR (2006), existe também solos subjacentes à argilas moles. Em vários pontos se dá a ocorrência de uma camada resistente de argilas muito rijas e duras amareladas, como também casos de solos arenosos siltosos medianamente compactas a compactas em grande parte, com 1 a 4 m de espessura, comprovando que podem haver piscinas que não precisam de fundações. SCHNAID (2000) explica que existem diversos tipos de argilas em quase todo solo de Belém. Elas apresentam um comportamento menos evidente que as areias e requerem atenção especial por parte do construtor, ainda mais porque que alguns pontos da cidade por serem de maior importância econômica ou por ser onde se concentram o maior número de edificações, apresentando assim maior importância pela sua localização estão justamente situados em solos argilosos moles e úmidos. Figura 6 - Equipamento para ensaio de percussão e medição do SPT em subsolo Latossolo Fonte: Sanzonowicz (2007) . 3.2.2 Consistência e compacidade dos Solos 29 Ainda que o ensaio de resistência à penetração não possa ser considerado como um método preciso de investigação, os valores de SPT obtidos dão uma indicação preliminar bastante útil da consistência (solos argilosos) ou estado de compacidade (solos arenosos) das camadas do solo investigadas. A compacidade está diretamente ligada à solos arenoso, e eles dependem da maneira com que suas partículas sólidas se dispõem. A consistência é uma resposta do solo argiloso às forças externas que tentam deformá-lo ou rompê-lo. A compacidade dos solos arenosos (fofo, muito fofo, compacto, medianamente compacto etc.) e a consistência dos solos argilosos (mole, rijo, médio, duro.) é dada de acordo com o NSPT, conforme se mostra na figura abaixo: Figura 7 – Compacidade e Consistência dos solos Fonte: Sanzonowicz (2007) Para CARVALHO (1997), a compacidade do solo mede o estado de maior ou menor concentração de grãos ou partículas de um solo não coesivo em um dado volume. Qualitativamente, a compacidade pode ser avaliada pela dificuldade de penetração de um instrumento de sondagem ou dificuldade de escavação. Ou seja, para um solo ser resistente o grau de compacidade dele precisa ter no subsolo, areia muito compacta. Já a consistência confere o teor de umidade que o solo pode a vir a ter quando este for argiloso. Quando maior o número de Nspt, mais duro ele passa a ser e isso implica dizer que ele não se moldará. Mas mesmo esses solos sendo duros, eles não poderão ser base para fundações profundas, pois quando submetidos a grandes esforços, os torrões que os compõe se desagregam-se. 3.2.3 Tensão admissível 30 Para determinar o peso que um solo aguenta sem recalcar, ou seja, sem a construção afundar é importante notar que além do tipo de solo do local da obra, deve se conhecer, por meio do método empírico, mas bem fundamentado em teorias científicas muito bem comprovadas, o número de golpes necessários para adentrar no solo baseado em uma sondagem por percussão. Os terrenos devem ter o índice de penetração (IP) crescente, ou seja, a resistência a penetração deve aumentar. Assim, em uma determinada camada do solo a uma certa profundidade em que foram necessários n golpes para penetrar 30 cm no solo, pode-se estimar a chamada taxa do terreno que é a tensão admissível do solo, ou seja, quanto kg por cm² ele aguenta. De acordo com a NBR 6122/1996, a tensão admissível é a tensão aplicada ao solo que provoca apenas recalques que a construção pode suportar, oferecendo segurança satisfatória contra a ruptura ou a decorrência do solo ou do elemento estrutural. A tensão também pode ser estabelecida em função de índice correlacionado com a consistência ou compacidade das diversas camadas do subsolo. Ela pode ser emitida através de “métodos” teóricos, semi-empríricos, experimentos, por tabelas e por meio de prova de cargas sobre placas, todas aceitas pelas normas. Por faltar um ensaio de compressão direta para determinar a tensão admissível do solo (σa), a solução adotada é estimar a partir o Nspt, baseando-se na sondagem do Spt. A capacidade de carga de uma fundação (σr) é definida como a tensão transmitida pelo elemento de fundação, ou pela própria estrutura no caso de piscinas que são usadas como sapatas, capaz de provocar a ruptura do solo ou a sua deformação excessiva. Para medir a capacidade de carga é necessário um ensaio que procura reproduzir o comportamento da fundação direta sob a ação das cargas que lhe serão impostas pela estrutura. M. MARAGON (2012), afirma que a capacidade de carga, ou pressão de ruptura de um solo é a pressão (pr), que aplicada ao solo causa a sua ruptura. Na determinação da capacidade de carga devem-se considerar duas condições fundamentais de comportamento, a ruptura e a deformação. O cálculo da capacidade de carga do solo pode ser feito por diferentes métodos e processos, embora nenhum deles seja matematicamente exato, sendo o mais usado o método de Terzaghi (1943). 31 Segundo CINTRA et. al (2003), Os solos que apresentam tensão de ruptura, ou capacidade de carga, bem definida (σr) são denominados como solos de ruptura geral, sendo este tipo de comportamento típico de areias compactas e de argilas rijas. Caso o material não apresente uma tensão de ruptura bem definida, diz-se que o mesmo apresenta uma ruptura local, sendo este um comportamento característico de solos de baixa resistência, como por exemplo, as areias fofas e as argilas moles. Após conhecer o tipo e a capacidade de suporte do solo, é definido, a partir da sondagem, o tipo de fundação a ser executada. É importante ir de acordo com a capacidade do solo em suportar determinado peso, pois se não estiver de acordo com as cargas que deve suportar, trará graves problemas para o resto da estrutura. É a fundação que transmite ao terreno subjacente a carga da obra. A capacidade de carga das fundações depende de uma série de variáveis, como por exemplo, das dimensões do elemento de fundação, da profundidade de assentamento, das características dos solos, dentre outros, No caso de piscina não será diferente, pois se o terreno for de baixa resistência, a fundação se fará presente, mas se o terreno tiver uma boa resistência, a fundação será a própria piscina será considerado a capacidade de carga da estrutura. 3.3 PISCINAS EM SOLOS DE BOA E DE BAIXAS RESISTÊNCIAS Uma piscina pode ser instalada em qualquer terreno, segundo a arquiteta JULIANA PILETTI da 4d Arquitetura, de Porto Alegre, isso ocorre, pois é possível fazer fundações em todo tipo de solo, deixando-o pronto para receber uma piscina. Mais, dependendo do tipo do terreno, o custo poderá ser mais dispendioso ou não. JULIANA diz que: O que pode inviabilizar a instalação de uma piscina em determinado terreno é o custo para a preparação do mesmo, pois pode acontecer dos custos das fundações e manejo da área serem mais caros do que a piscina em si, sendo necessário aumentar o preço do imóvel. (PREÇO..., 2013, não paginado). Para a construção de uma piscina em concreto armado, é preciso ter um estudo preliminar do solo, pois existem distintas situações em que ele pode se encontrar. Dependendo de seu possível estado, será necessário um cuidado alternativo, ou seja, para cada tipo de solo, há um determinado meio de construção. 32 Segundo ERIBERTO SOARES, representante da loja “Hamilton piscinas”, a piscina pode ser instalada em qualquer tipo de solo, variando o custo da execução de acordo com o tipo de terreno. Dessa forma, é confirmado que não existe solo não recomendado, o que varia é o custo da execução dependendo da estrutura da piscina. HUDSON RÉGIS E OLIVEIRA, consultor da Suoli Engenharia Geotécnica, de Florianópolis, explica que piscina com terrenos resistentes são piscinas feitas em solos firmes e fortes, com grande capacidade de carga e mais resistente às ações externas. Ele é o grande responsável pela sustentação ao peso e também determina características fundamentais do projeto em função de seu perfil (TUDO..., 2013). Para LIMA (2000), as piscinas construídas em terrenos com boa capacidade de carga e resistência são possíveis quando o solo se encontra em condições normais, como quando se tem uma topografia boa, ser plano, firme, nivelado, livre de aterro, lençol freático e sem fundação. Nesse caso, a melhor solução é que a piscina funcione como uma grande sapata, com carga distribuída por igual por toda sua laje. Sendo assim, os tipos de solo mais convenientes são os arenosos, que permitem que a estrutura da piscina fique apoiada integralmente sobre o terreno, como um grande tanque de água, sem a necessidade do gasto com fundações. Contudo quando não se pode contar com o terreno ideal ao longo da obra para a construção de piscinas, muitas vezes se faz necessário o uso de fundações. Figura 8 - Piscina construída em terreno resistente Fonte: Campos (2012) 33 A piscina como sapata, tem a função de fundação rasa, já que solos encontrados com boa resistência e firmeza conseguem assegurar o peso transmitido da obra, geralmente, para o pilar que se encontra apoiado na fundação. Com ele, o custo será poupado para outras etapas da obra, já que a escavação vai ser rasa e o material de fundação utilizado tem uma economia maior em relação as estacas. Como já mostrado, por conta da proximidade do rio e pelo solo encontrado, na sua maioria ter uma presença muito forte de argila mole na sua composição, Belém tem uma quantidade expressiva de água, o tonando alagado em regiões as áreas de baixadas e consequentemente apresentando uma resistência muito baixa. Esses solos são úmidos e a sua principal dificuldade na construção de piscina é a baixa capacidade de carga. Solos úmidos não são tão resistentes, pois sua composição leva uma quantidade maior de argila do que areia, sendo caracterizado por terrenos encharcados ou alagados. Eles têm a retenção de água na sua estrutura, visto que a argila não possuem vazios, dessa forma a água não passa com facilidade, tendendo a um impermeável capaz de reter água. As piscinas construídas em terrenos úmidos e de baixa resistência, tem a necessidade de fundações profundas com estacas, ou tubulões para apoio do fundo, reforço das paredes para que a mesma pudesse ficar totalmente exposta e ser capaz de transferir a carga e força da piscina para o solo resistente encontrado pela sondagem. Ou até mesmo, uma fundação superficial com sapata, afinal, o terreno precisando de qualquer fundação, terá um aumento de gasto maior. A análise do custo do material também é de extrema importância na elaboração da composição de custos de um serviço. Os materiais entram na maioria das atividades da obra, e segundo MATTOS (2006), representam muitas vezes mais da metade do custo unitário do serviço, como é no caso da fundação, que quando o projeto se depara com um solo de baixa capacidade, a fundação será maior e consequentemente, encarecerá no custo dos materiais. Atributos intrínsecos afetam o valor do imóvel modificando o seu preço. Nessa mesma linha de raciocínio, já podemos encontrar alguns estudos que têm em conta essa análise com um viés mais qualitativo, como por exemplo, o que mostra o grau de influência no preço de venda de unidade em relação a seu tipo de solo seguro encontrado na sondagem (SILVA; BRASILEIRO, 2012). 34 Outro fator que contribui para o aumento do custo de piscinas em solos úmidos é que eles terão que ser impermeáveis. Na hora de construir a piscina é indispensável a impermeabilização para impedir que as estruturas sejam danificadas pela umidade. O procedimento protege a piscina de desgastes, fissuras, trincas, fungos, corrosão, deterioração do concreto e descolamento de revestimentos. MARIA AMÉLIA SILVEIRA, engenheira do Departamento Técnico Viapol acredita que o ideal é que a impermeabilização já esteja prevista no projeto do imóvel e que sejam avaliados os requisitos de fatores relevantes que devem ser considerados, como o tipo de solo; a quantidade de água ou umidade existente no solo ao redor da piscina; a condição das estruturas. Entretanto, não se deve esquecer que em terrenos de baixa resistência, a impermeabilização será mais uma ferramenta que encarecerá o imóvel (DICAS, 2012). Figura 9 - Piscina em Terreno de baixa resistência Fonte: Campos (2012) O que vai fazer com que seja escolhido o local será a vontade do cliente, pois esta sondagem permite traçar um perfil do terreno, podendo apontar a existência de rochas, informar a que profundidade se encontra o solo de boa resistência e o nível do lençol freático. A execução de fundações em terrenos com lençol freático próximo à superfície, em geral, causa movimentação do solo e eventuais danos nos imóveis vizinhos deficientes. 35 4 QUANTITATIVOS Para analisar os quantitativos de uma piscina, é primordial verificar o quais são os principais passos que podem alterar no valor de piscinas que tem mesmas medidas, mas feitas em solos diferentes. Antes de mais nada, para uma piscina que é construída a partir de terrenos com solos de baixa e boa resistência é necessário analisar o projeto de fundação, já que as duas terão fundações diversificadas, no entanto outro projeto entra em pauta para averiguar a mudança de preço final da obra: o projeto estrutural. Ele é o responsável pela execução da parte estrutural da obra, que no caso da investigação, se aplica nas paredes e fundo das piscinas. A funcionalidade deste projeto é atender os requisitos básicos de segurança, rigidez, durabilidade e viabilidade de acordo com as restrições legais, ambientais e condições econômicas. Após a consolidação das necessidades do projeto será executada a forma da piscina e seu revestimento. Com base nas Normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), verificou-se que o Projeto Estrutural é um projeto eu se faz presente em qualquer obra de engenharia, pois ele se torna importante no planejamento de custos uma vez que será responsável pela obtenção dos custos de Infraestrutura e Supraestrutura da obra, sem contar que ele está ligado ao tipo de fundação encontrada na dita estrutura. Contudo, no projeto estrutural, o que é destacado e usado como ponto de partida para comparar os dois tipos de quantitativo descritos neste estudo de caso, serão as formas, ferragens e concreto. Dessa forma, para validar e atender os objetivos propostos será feita a avaliação dos três quantitativos estruturais e mais a fundação para que seja feita a comparações nas duas piscinas. 4.1 FUNDAÇÃO Toda a piscina está diretamente ligada a fundação, ao solo que é a base de tudo. É a partir do conhecimento do terreno que a construção da estrutura de piscina será levantada. Portanto o projeto das piscinas está relacionado à sondagem que dependendo do tipo de solo que será feita a instalação destas, a arquitetura da obra 36 será modificada, bem como a parte estrutural, mudando consequentemente o preço final da obra. De acordo com BRITO (1999), as fundações são importantes, já que elas correspondem de 3% a 10% do custo total do edifício; porém, se forem mal concebidas e mal projetadas, podem atingir 5 a 10 vezes o custo da fundação mais apropriada para o caso, sem contar que quanto mais profundo e menos resistente o solo seja, mais caro será o seu preço. Isso acontece porque à medida que a profundidade do solo útil for maior, a necessidade de materiais de apoio, base e segurança (como estacas, pilares, lajes, ferros) será também maior. O termo fundação remete ao elemento estrutural que executa a função de transmitir a carga de toda a estrutura ao solo sem que provoque o rompimento do terreno de fundação ou do próprio elemento de ligação, cujos recalques sejam satisfatoriamente absorvidos pelo conjunto da estrutura. Para se escolher a fundação mais adequada, deve-se conhecer os esforços atuantes sobre a edificação, as características do solo e dos elementos estruturais que formam as fundações. A fundação é definida, de acordo com NBR 6122/2010 (1996) como: Elemento de fundação em que a carga é transmitida ao terreno pelas tensões distribuídas sob a base da fundação, e a profundidade de assentamento em relação ao terreno adjacente à fundação é inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação. Segundo SCHNAID (2000), considerando que a fundação é um elemento de transição entre a estrutura e o solo, seu comportamento está intimamente ligado ao que acontece com o solo quando submetido a carregamento através dos elementos estruturais das fundações, um estudo detalhado do caso tem que ser feito para que assim seja apontada uma solução técnica compatível com as condições econômicas dos proprietários. Segundo PINTO (2000), o correto ao se projetar a fundação de qualquer piscina, é conhecer bem o solo do local, pois assim pode-se testar a capacidade do solo em aguentar determinado peso, pois se não estiver de acordo com as cargas que deve suportar, trará graves problemas para o resto da estrutura. De acordo com o professor de fundações DOUGLAS CONSTACIO (2004) é a fundação que transmite ao terreno subjacente a carga da obra, pois é este que vai receber os esforços transmitidos pelas fundações e deve absorver estes esforços, 37 apresentando um desempenho satisfatório durante a vida útil do imóvel, além de apresentar outras finalidades, como manter fixo e nivelado a obra no terreno. Nos projetos de fundação, que é o documento de segurança e de pesquisa de todo engenheiro, estão detalhados o tipo de solo, a capacidade de carga que ele suporta, qual fundação usada (sapata, radier, estaca, tubulão) e principalmente a profundidade exata em que o solo firme foi encontrada. Isso, se a piscina precisar de uma fundação, porque se a mesma tiver uma boa resistência vista no exame de sondagem, não irá ser necessário esse gasto a mais. A escolha do tipo de fundação é feita analisando os perfis das sondagens, cortes longitudinais do subsolo que passam pelos pontos sondados, junto com a altura qualificada rígida para assegurar a força externa, sendo elas pelas lajes, fundo da obra, pilares, ou estacas quando necessárias. Por causa do peso próprio e externo, há a importância de pressão admissível a ser transmitida por uma fundação direta ao sol. Fundações rasa, ou superficiais são aquelas estruturas executadas em valas rasas, com profundidade máxima entre 1,5 metro à 2,0 metros, ou as que repousam diretamente sobre solo firme e aflorado. Para FABIANII (2001), as fundações diretas são aquelas que transferem as cargas para camadas de solo capazes de suportá-las sem deformar-se exageradamente. BRITO (1999) também atribui à fundação o valor de se transferir carregamentos de forças entre o solo e a estrutura. Esta transmissão é feita através da base do elemento estrutural da fundação, considerando apenas o apoio da peça sobre a camada do solo, sendo desprezada qualquer outra forma de transferência das cargas. (BRITO, 1999). São fundações onde o solo encontrado tem boa resistência e firmeza, conseguindo manter o peso transmitido da obra igualmente distribuída, geralmente, para o fundo que se encontra apoiado na fundação. Com ele, o custo será poupado para outras etapas da obra, já que a escavação vai ser rasa e o material de fundação utilizado tem uma economia maior em relação as estacas. No entanto, se uma piscina tiver uma fundação, mesmo que esta seja rasa com sapata ou até baldrame demonstrará que o solo encontrado foi a alguns metros da superfície, contando com a profundidade que a piscina escavada teve, sendo insuficientes para que a própria piscina pudesse se sustentar como elemento de 38 fundação. Em casos assim, o proprietário terá um aumento no custo, apesar de menor do que com fundações profundas com estacas. As fundações profundas são aquelas em que o peso da construção é transmitido ao solo firme por meio de um fuste, representadas por estacas ou tubulões. Elas são mais utilizadas em casos de edifícios altos, e também quando numa profundidade pequena, o solo não é capaz de receber cargas externas, só atingindo a resistência desejada em grandes profundidades. Geralmente os solos fracos são muito úmidos, deixando o terreno alagadiço. Segundo BRITO (1999), a fundação é considerada profunda se suas dimensões ultrapassam os limites permitidos como a cota de apoio superior à largura do elemento da fundação, ou seja, devido às dimensões das peças estruturais. Além das fundações indiretas e profundas, existem as indiretas que ocorrem quando as fundações transferem as cargas por efeito de atrito lateral do elemento com o solo e por efeito de ponta. Ela é caracterizada por um elemento estrutural (estaca) instalado no solo com a finalidade de suportar e transferir as cargas ao solo pela base (resistência de ponta), por sua superfície lateral (resistência de fuste) ou por uma combinação das duas. As estacas são características das fundações indiretas porque elas transmitem as cargas por atrito lateral da peça estrutural com o solo, por esse motivo são sempre de grande profundidade. É possível criar um parâmetro que defina qual o melhor custo benefício em criar uma piscina, dependendo da as localidade, e se esta for construída em um terreno não resistente, será necessário fazer o projeto de fundação e analisar a mais apropriada a ser empregada. 4.2 FORMA A forma é a responsável por envolver o concreto armado nas lajes do fundo e das vigas nas paredes presentes na estrutura. A forma deve ser projetada de modo a ter mais resistência às ações a que possam ser submetida durante o processo de construção, considerando ação de fatores ambientais; carga da estrutura auxiliar; carga das partes da estrutura permanente a serem suportadas pela estrutura auxiliar até que o concreto atinja as características estabelecidas pelo responsável pelo projeto estrutural (NBR 14931). 39 O concreto é derramado dentro de formas convencionais de madeira ao invés de borrifar material de concreto em volta da estrutura. A sua principal função é combater os efeitos dinâmicos acidentais produzidos pelo lançamento e adensamento do concreto, em especial o efeito do adensamento sobre o empuxo do concreto nas formas, respeitando os limites estabelecidos na NBR 14931. O serviço é medido por metro quadrado (m²). A área a ser considerada, é relativa à superfície em contato com o concreto das diferentes faces das estruturas de acordo com as dimensões do projeto. Nos preços unitários contratuais estão inclusos: o fornecimento de materiais, transporte, reaproveitamento e serviços necessários a sua confecção. 4.3 AÇO Como o concreto não é autossuficiente para combater a tração natural dos esforços, a composição do material concreto e aço, surge para atender essas carências. O chamado “concreto armado”, além do concreto têm barras de aços ligadas entre si, e a este conjunto de barras, dá-se o nome de armadura ou de esqueleto da estrutura. As armaduras absorvem ou resistem às tensões de tração e o concreto resiste às tensões de compressão, no que pode ser auxiliado também por barras de aço., além de contribuir para a capacidade resistente ou para a estabilidade da estrutura; Elas Fazem com que as fissuras no concreto, sob a ação de cargas de utilização, permaneçam na ordem de grandeza de capilares (não sejam facilmente visíveis a olho nu) e limitar a abertura das fissuras devido a estados de tensão produzidos por efeitos de coação, tais como o impedimento à deformação A armadura do concreto armado é chamada “armadura passiva”, é constituída por aço, ou mais precisamente por barras de ferros, o que significa que as tensões e deformações nela aplicadas devem-se exclusivamente aos carregamentos aplicados nas peças onde está inserida. Os aços utilizados em estruturas de concreto armado no Brasil são estabelecidos pela norma NBR 7480/96. A norma classifica como barras os aços de diâmetro nominal 5 mm ou superior, obtidos exclusivamente por laminação a quente, e como fios aqueles de diâmetro nominal 10 mm ou inferior. Esses aços são o CA25 e CA-50 fabricados por laminação a quente, e o CA-60 por trefilação. 40 Atualmente, alguns fabricantes de aços estão também fornecendo armaduras prontas para uso, como armaduras de colunas e vigas que para piscinas se tornam muito úteis, já que em sua composição de paredes e fundos, é preciso fazer as colas e o fundo armado respectivamente. Toda via existem casos em que as armaduras são cortadas e montadas na própria obra é comum de se fazer as amarrações entre as barras e fios com arames recozidos, geralmente duplos e torcidos. Nas formas de madeiras há a presença de arames recozidos. O aço está presente nas barras de aço que passam de uma viga a outra que compõem as paredes, também é usada nas barras de ferro de cada viga de concreto armado, que no caso formam a armadura do próprio concreto e nas ferragens das vigas de concreto armado. O número de ferros irá ter uma variância no custo total da obra. Isto ocorre porque em terrenos de diferentes resistências e profundidade, as ferragens calculadas terão um número maior ou menor dependendo desses resquícios: 4.4 CONCRETO É um material utilizado na estrutura das duas piscinas deste trabalho de conclusão de curso, é um componente quantitativo da obra, pois o seu preço depende de muitos fatores, como volume, local, quantidade, solo, dentre outros. Em terrenos de baixa e boa resistência, o material sofrerá uma diferença em sua quantidade mesmo que para o estudo comparativo, o concreto utilizado foi o mesmo nas duas obras. Primeiramente, sabe-se que o concreto é um elemento estrutural simples, ou seja, a sua definição, conforme a NBR 6118/03 é: “Elementos estruturais elaborados com concreto que não possui qualquer tipo de armadura ou que a possui em quantidade inferior ao mínimo exigido para o concreto armado”. Todavia, as piscinas deste trabalho foram feitas de concreto armado, neste caso o concreto passa a ser associado aos aços, mas a relação entre eles não vai alterar no volume ou quantidade um do outro. O concreto é usado tanto no fundo da piscina suporte (nas vigas), como nas paredes das mesmas em pilares de concreto armado, independentemente da fundação ser em terreno resistente. No entanto, mesmo que as duas piscinas tenham as mesmas dimensões, o concreto não terá o mesmo custo uma da outra, 41 pois numa das piscinas existe o fator fundação, logo é necessário concreto para os pilares, ou os blocos de coroamento das estacas, assim, modificando o preço global das duas. Há também o cobrimento de armadura, que é a espessura da camada de concreto responsável pela proteção da armadura ao longo da estrutura. Essa camada inicia-se a partir da face externa das barras da armadura transversal (estribos) ou da armadura mais externa e se estende até a face externa da estrutura em contato com o meio ambiente (NBR 6118/03, item 7.4). O concreto usado nas duas obras foi o CPII-32 com especificação de concreto usinado fck 25,0 Mpa. No entanto ele não tem boa viabilidade econômica por causa do custo dos aditivos e hoje em dia, sua resistência nem é mais considerada como concreto. De acordo com a revista TÉCHNE, (2006) Para se adequar à NBR 6118 - Projeto de Estruturas de Concreto - Procedimento, construtoras cada vez mais utilizam concretos acima de 30 MPa em regiões urbanas, forçando as concreteiras a oferecerem preços mais competitivos". 42 5 RESULTADOS Na sequência do projeto e construção de uma piscina, existem etapas a seguir, mas algumas podem até ser feitas ao mesmo tempo em que outras. Entretanto, para a avaliação do trabalho, dois passos que alteram e muito o custo da obra estão previsto nos projetos de fundação estrutural e sondagem. Primeiramente, compararam-se dois projetos de piscinas onde o ponto principal foi a análise de sondagem e projeto estrutural. Como visto ao longo do trabalho, a sondagem serve para dizer se o solo precisará de fundação, e se de fato no modelo de piscina em solo de baixa resistência acontecer, este adicional irá elevar o custo da obra, justamente porque os materiais estruturais como estacas, fôrmas, concretos e armadura irão aumentar proporcionalmente a quantidade que será calculada na fundação. Como este trabalho baseou-se em duas piscinas de mesmas medidas e com o mesmo tipo de fornecedor de concreto, tipos de fôrma e os mesmos aços (ferragens, armadura, arame, barras), houve a necessidade de elaborar uma tabela com o intuito de destacar os principais dados que os quantitativos estruturais, como é mostrado abaixo: Figura 10 - Critérios de Projetos das duas piscinas Fonte: AMS Engenharia LTDA 43 O preço de cada quantitativo foi feito com a ajuda da tabela do Sinapi, sem contar com a mão de obra, da caixa econômica que tem como função detalhar as composições dos serviços de execução das obras civis. Vale pontuar que tanto o preço de barra de aços, concretos e formas foram reduzidos para uma única unidade de m, m³ e m² respectivamente. O mesmo remete-se aos materiais de fundação. 5.1 PISCINA EM SOLO RESISTENTE 5.1.1 Fundação Para comparar as duas piscinas, o primeiro passo foi a necessidade de verificação o tipo de solo constado no documento de sondagem e identificar sua resistência a fim de escolher o tipo de fundação. Como Belém é uma cidade que tem uma presença forte de rios envolta da região, é muito provável que se encontre solos de baixas resistências e moles. Mas existem pontos favoráveis à cidade, onde o terreno é resistente e os solos firmes podem ser encontradas a uma distância mínima da superfície, que foi o caso do terreno encontrado em um condomínio em Belém localizado no perímetro da Augusto Montenegro. No condomínio Mont. Boulevard localizado na Augusto Montenegro, Belém, a investigação da sondagem identificou o solo firme numa profundidade rasa e resistente, dispensando o uso de qualquer tipo de fundação. A presença do lençol freático não interferiu na construção, já que este se encontra abaixo do solo escolhido, verificado por meio do teste de SPT que verifica os números de golpes da sondagem, como mostra o relatório: 44 Figura 11 – Laudo de sondagem de solo resistente Fonte: AMS Engenharia LTDA Como a sondagem mostra solo com uma boa capacidade de carga à uma profundidade bem próxima a superfície, a melhor fundação seria a sapata, porque ela é uma base de concreto que busca atender as exigências encontradas descritas na definição de fundação designada pela NBR 6122/2010 “Elemento de fundação superficial, de concreto armado, dimensionado de modo que as tensões de tração nele resultantes sejam resistidas pelo emprego de armadura especialmente disposta para esse fim.” 45 Como mostra a figura a seguir, a sapata varia a base como quadrado, retângulo, círculo e de polígono da mesma forma que as dimensões que uma piscina pode ter Figura 12 – Tipos de Sapatas Fonte: Universidade Estadual de Ponta Grosa [200-] Entretanto não houve a necessidade de fazer uma outra fundação para a área da piscina, já que de acordo com a sondagem do terreno, o teste mostrou que o Nspt, que é o número de golpes para o equipamento penetrar os últimos 30 cm no solo, identificou no solo uma resistência à penetração numa profundidade à 1,57 m da superfície, sendo dispensável fazer uma fundação superficial com sapata isolada ou baldrame, pois a própria piscina, quando escavada, se torna e é usada como uma sapata, por ela apresentar comportamento semelhante à estrutura quando estas recebem cargas externas, com carga distribuída por igual por toda sua laje. De acordo com SILVANA BAIERL, do site da empresa Primeiro Mundo Tecnologia de Piscinas, afirma que as piscinas são mais indicadas terem uma profundidade de até 1,40m, e com mais 0,5 cm de lastro, ficam bem perto da profundidade do solo de cascalho arenoso com consistência e compacidade compacta que a sondagem documentou e também, ficando dentro dos padrões de limites para piscinas sem fundações, pois é permitido não utilizar fundação em piscinas de até 2m de profundidade (PRIMEIRO..., 2013). O tipo de solo encontrado foi arenoso, que permite que a estrutura da piscina fique apoiada integralmente sobre o terreno, como um grande tanque d'água, sem a necessidade de fundações. O passo seguinte foi a escavação manual. A retirada de terra do terreno é de acordo com a altura e comprimento da piscina, 46 necessário somente escavar o espaço pequeno para a colocação de um lastro de concreto magro de 5 cm de espessura. Após Decidido a profundidade, a espessura e que a piscina não teria uma fundação, já que ela própria faria o papel de sapata, o proprietário se livra dos gastos com fundação. Entretanto o passo seguinte é a construção da estrutura interna da piscina, obedecendo aos dados do projeto estrutural, dessa forma serão detalhados as armaduras, o concreto e a fôrma. 5.1.2 Forma A forma foi dimensionada em chapa de madeira de Pinho 1.4 vezes pinho 3a esp = 2.5cm para peças de concreto armado o seu preço unitário inclui o fornecimento de materiais e desmoldagem, excluindo apenas o escoramento conforme consta no documento especificado de acordo com a norma de projeto arquitetônico. As fôrmas são responsáveis por 45% dos gastos com o 'esqueleto' das estruturas e por 50% do período em caminho crítico do cronograma de uma obra. Com tanto a ser gasto, principalmente levando-se em conta a atual realidade brasileira, torna-se imprescindível o rígido controle da qualidade e execução de todas as etapas de realização de uma estrutura, principalmente no item fôrmas, elemento vital para o trinômio custo, prazo e qualidade. ClÉLIO JÚNIOR, diretor da TOR Engenharia, formado pela USP - São Carlos.) 47 Figura 13 – Planta baixa e corte da fôrma da piscina Fonte: AMS Engenharia LTDA A fôrma, medida em metros quadrados, foi feita tanto nas 4 vigas, como na laje de fundo. O preço não variou, já que o material era o mesmo, no entanto, como o metro quadrado de vigas foi maior, por causa dos números de vigas e das áreas diferentes, o preço total foi mais caro do que as das lajes. O preço final de gasto com forma foi de R$1507,92, como é ilustrado na tabela abaixo: Tabela 1 - Quantitativos da Forma em lajes e vigas previsto no projeto estrutural Detalhe Vigas Lajes Forma m² 40,55 10,6 Unidade (R$) 29,48 29,48 Total MDO (R$) 16,22 16,22 Preço R$ 1.853,14 R$ 484,42 R$ 2.337,56 Fonte: QUEMEL, Sálua No entanto, como o concreto precisa se moldar, não só a forma, mas também a desforma é necessário para fazê-lo se desmoldar, deve-se duplicar o 48 valor da fôrma, então que seria o total de fôrma de R$ 1.507,92, se torna 3015,84 com mais a desforma dos componentes de laje e vigas. 5.1.3 Aço De acordo com o projeto estrutural, os aços estão presentes nas armaduras de concreto e em ferragens. Conforme a sondagem, a força admissível, é o carregamento que a estrutura deve aguentar e as dimensões para o possível volume da piscina, torna-se assim possível dimensionar a estrutura da piscina e calcular as armaduras. Para esta primeira piscina, foi necessária a construção de duas armaduras, a positiva e a negativa. A importância dessas armaduras é que enquanto a armadura positiva é tracionada, a armadura negativa é comprimida, sendo que para que isso ocorra, a primeira se dispõem em baixo e a segunda em cima da outra para que não haja trincas e recalques na estrutura. Segue abaixo, o detalhamento das armaduras: Figura 14 – Detalhamento da Armadura positiva Fonte: Projeto estrutural executado pela AMS Engenharia LTDA 49 Lembrando-se que por o concreto ser propício a deformidades como a força de tração, a armadura positiva é essencial a qualquer cálculo, pelo simples fato de ela combater a tração que o solo faz sobre a piscina, de modo que ela não sofra recalque para cima, ou o empuxo quando a água da piscina for esvaziada. Dessa forma as armaduras em telas soldadas devem ser posicionadas de forma que guarneçam tanto o lado interno quanto o lado externo das paredes e do fundo. Figura 15 – Detalhamento da Armadura Negativa Fonte: AMS Engenharia LTDA Considerando-se as construções atualmente existentes no mundo sob a ética do processo construtivo, pode-se dizer que o aço é um material de estrema importância na construção de estruturas de edifícios. No mercado brasileiro são encontrados diversos tipos e fios de aço destinados à confecção de armaduras passivas das peças estruturais de concreto armado. As armaduras são compostas de barras de aços, onde a quantidade de aço usado na obra variou entre os tipos 50B e 60B, com bitolas de 8mm,10mm, 12.5mm e 6mm respectivamente. Para compor a planilha de comprimento e peso de cada 50 bitola, foi necessário fazer a contagem de cada aço usado nas vigas, armaduras de fundo tanto a positiva quanto a negativa, a fim de compor uma tabela resumida do geral de cada aço, mostra a figura: Figura 16 - Resumo de todo quantitativo de aço presente na estrutura Fonte: AMS Engenharia LTDA Como se pode observar o aço CA 50 apresentou tipos de bitolas variadas e o CA 60 permaneceu com a mesma bitola. Assim, foram coletados valores do metro quadrado de cada um desses diferentes tipos de bitolas dos aços CA 50 e CA60 e calculado o preço total para que assim tenha-se uma base de quanto foi gasto com aço na piscina feita em terreno resistente e rígido. Mas, além das piscinas precisarem das armaduras das lajes com as bitolas para tais, é muito importante ter o cuidado de combater a tração que o concreto sofre vinda do solo, isto é, o desempenho das ferragens das vigas. Elas pertencem nas ligações de paredes com paredes, paredes com o fundo e o detalhe dos cantos. Para cada trecho existe uma função, como combater o empuxo da água na parede e combater a força do solo na parede e fundos. É necessário prever armações complementares das vigas, feitas com ferragem em aço convencional, de modo a garantir uma perfeita amarração de toda a piscina. Este procedimento é muito importante para garantir a estabilidade do conjunto. As ferragens que estão aderidas nas vigas são detalhadas a baixo: 51 Figura 17 - Detalhamento da Viga 1 e das ferragens Fonte: AMS Engenharia LTDA Figura 18 - Detalhamento da Viga 3 e sua ferragem Figura 18 - Detalhamento da Viga 3 e sua ferragem Fonte: AMS Engenharia LTDA 52 Figura 19 - Detalhamento da viga 2 e sua ferragem Fonte: AMS Engenharia LTDA Figura 20 - Detalhamento da viga 4 e sua ferragem Fonte: AMS Engenharia LTDA 53 O detalhamento da quantidade e dos preços dos tipos de aços e suas determinadas bitolas é especificado usando como molde de pesquisa a empresa fornecedora de aços e ferros GERDAU, como é visto abaixo: Tabela 2 - Quantitativos dos aços previsto no projeto estrutural Aço 60B 50B 50B 50B BIT (mm) 6 8 10 12.5 Preço (m) R$ 1,50 R$ 2,80 R$ 3,40 R$ 4,50 Total MDO R$ 1,50 R$ 1,50 R$ 1,50 R$ 1,50 Comp. 873 237 20 64 Total R$ 2.619,00 R$ 1.019,10 R$ 98,00 R$ 384,00 R$ 4.120,10 Fonte: QUEMEL, Sálua 5.1.4 Concreto O concreto apresenta três dimensões, logo o seu volume é comprado em m³. A piscina é composta por lajes de fundo, paredes e vigas que são concretadas quando o processo de fôrma externa e armaduras duplas forem colocadas. Para saber o carregamento que a estrutura será capaz de suportar, foi necessário calcular as vigas e lajes, no entanto antes se deve saber quanto de metro cúbico de concreto é necessário comprar. O concreto usado tanto para vigas, que formam o perímetro da piscina, e as lajes foram o mesmo, entretanto, o volume de vigas, que ao total somaram 4, foi superior ao volume das lajes. Com um total de R$ 1.364,95 a unidade do concreto de 15 cm de espessura custou R$ 380,00, de acordo com a tabela do Sinapi detalhado na tabela a seguir: Tabela 3 - Quantitativo de concreto em vigas e lajes previsto no projeto estrutura Detalhe Vigas Lajes Concreto m³ Unidade (R$) MDO (R$) 3,05 1,6 380 380 Total Fonte: QUEMEL, Sálua 50 50 Preço 1311,5 688 R$ 1.999,50 54 5.2 PISCINA EM SOLO DE BAIXA RESISTÊNCIA 5.2.1 Fundações A piscina construída em terreno de baixa capacidade de carga, localizada na avenida de 14 de Março é caracterizada por apresentar solos úmidos, culminando com baixas resistências. No entanto, mesmo com o conhecimento acerca do solo foi preciso fazer o laudo de sondagem para, além de destacar o tipo de solo, se inteirar da profundidade em que se encontra o solo com uma capacidade de carga segura para aguentar o peso próprio da estrutura e as forças externas que atuam sobre ela. Alencar, Ph. D. Julio - chama a atenção para a topografia atípica de alguns, bairros que passam por um profundo processo de verticalização. “Se você observar como se comportam as camadas de argila, verá que também formam vales. Essa inconstância do subsolo se opera em curtos espaços, de quarteirão para quarteirão. Localizada numa das regiões de cota mais baixa de Belém, a avenida 14 de Março se torna um campo de pesquisa para análise de comportamento do subsolo. O laudo de sondagem constatou que o solo propício para sustentar a estrutura teve uma profundidade de 21,45 m, o que indica que deveria haver uma fundação e que esta, deveria ser profunda. Isto ocorreu pois, para usar fundações rasas, as camadas superficiais do solo resistente não devem ultrapassar dois metros de profundidade, caso contrário, elas não suportariam a força da estrutura e iriam sofrer recalque. Para ser profunda a fundação, deverá ter quantidade de água significativa e/ou é preciso resistir a forças horizontais de grande intensidade ou mesmo pelo fato de só atingir a resistência adequada em camadas mais profundas do solo. No caso da sondagem da Travessa 14 de Março, como além da profundidade do solo com boa capacidade de carga ter sido alta, a consistência do solo e a compacidade dele mostram que o subsolo encontrou argila orgânica mole logo na superfície, tendo uma boa quantidade de água no seu interior e, portanto não sendo seguro usá-lo como base para a piscina, como mostra o laudo: 55 Figura 21 - Perfil Individual de furo de sondagem – Tipo SPT Fonte: AMS Engenharia LTDA As fundações são importante nestes solos de baixa resistências porque, além da carga em direção ao solo, a estrutura começa a receber uma carga inversa, vinda de baixo para a cima, nos locais onde estão cravadas as estacas. Os cálculos das cargas recebidas em cada estaca devem considerar esse "movimento" inverso, a fim de evitar que a laje da construção sofra fissuras e outros problemas que não permitam uma boa qualidade à piscina. 56 A fundação será feita, além de respeitar os critérios de sondagens e das características do solo, o dimensionamento da piscina também estará de acordo com o desejo do cliente. Como as medidas das piscinas foram a mesmas, a planta e corte da desta piscina, é detalhado abaixo: Figura 22 – Planta baixa da fundação Fonte: QUEMEL, Sálua Figura 23 - Corte da Fundação Fonte: QUEMEL, Sálua 57 5.2.1.1 Estacas Depois de escolhida a profundidade, é feita a seleção da estaca mais indicada para o terreno, já que são elementos estruturais que são enterrados no solo, providenciam estabilidade. Conforme o engenheiro LUCAS A. CONSTANCIO afirma que algumas das finalidades das estacas é transmitir as cargas de uma estrutura através de uma camada de solo de baixa resistência até uma camada de solo resistente que garanta o apoio adequado. A forma de trabalho das estacas assemelha-se aos pilares de uma estrutura. Também proporcionam escoramento lateral a certas estruturas para que se resistiam a forças laterais que se exerçam sobre elas, como o solo, e utilizar a ancoragem a qualquer efeito que tenha a tendência de “levantar” a piscina, como a força do solo sob-pressão quando a piscina se encontra vazia, apenas com o peso próprio. Assim, para o dimensionamento das fundações, é levado em conta resistência predominante o atrito lateral das estacas. Como se pode verificar na planta baixa da piscina, a área dela conta com quatro vigas e com cinco rincões, onde as estacas estão direcionadas. Assim o total de estacas usadas foram cinco. A dimensão das estacas foram de 30cm x 30cm em blocos. O detalhamento do quantitativo de estacas sobre o bloco na fundação é delineado logo a seguir: Quadro 1 - Preço da estaca com 21m de profundidade Estaca em solo de 21m de profundidade Material Quant. Preço Estaca 5 R$ 150,00 Fonte: QUEMEL, Sálua 5.2.1.2 Blocos de coroamento Como a fundação é um elemento de transmissão de carga entre o solo e a estrutura, existe uma ligação da superestrutura com a fundação que é feita por um bloco de coroamento. Os blocos distribuem os esforços da piscina aos elementos de fundação profunda (estacas). 58 Pode-se definir bloco de coroamento como maciços de concreto armado que solidarizam as cabeças das estacas responsáveis pela transmissão dos esforços provenientes de um mesmo pilar ou de um grupo de estacas, distribuindo para ela as cargas dos pilares até a camada resistente do solo. O bloco consiste em concreto e armadura e a para o seu dimensionamento depende da característica do solo, do seu tamanho do espaçamento mínimo entre as estacas, e principalmente da tensão admissível da estaca escolhida. O contorno do bloco de coroamento deve acompanhar o contorno das estacas de modo que “englobe” suficientemente as estacas com no mínimo 15 cm entre a face do bloco e a face da estaca. E as estacas devem manter-se inserida no bloco 5 cm Figura 24 - Modelo de Bloco de coroamento com estaca Fonte:http://www.fec.unicamp.br/~almeida/ec802/Blocos%20sobre%20estacas/Blocos_sobr e_estacas.pdf O bloco é feito de concreto e o seu volume depende da disposição da quantidade de estacas necessárias para a fundação, isto é, a forma geométrica do 59 bloco de concreto é relacionada com o número de estacas que dependem da carga admissível das estacas escolhidas. Após o dimensionamento do bloco, foi possível definir a quantidade de concreto usado e qual o seu preço. A distribuição das estacas no bloco de coroamento é feita de maneira que vise economizar para que não haja gasto excessivo. No casa da piscina, como a ligação dela não é para pilares e sim para o fundo da piscina, o dimensionamento foi feito com uma estaca para um bloco. Como o bloco foi feita para apenas uma estaca, esta fica no centro do bloco coincidindo seu centro de carga com o canto da piscina. O quantitativo dos matérias que o bloco de coroamento necessita é composto de concreto e aço. O concreto será de consistência plástica de forma geométrica em cubo de arestas com medidas de 0,60m, onde as cabeças das estacas foram inseridas no interior dos blocos. Foram usados cinco blocos e para cada um teve uma estaca fincada. A sua localidade foi também abaixo dos cinco cantos das paredes que circundam a piscina. O dimensionamento do bloco, foi feito da seguinte forma: O cálculo de um o bloco com medidas de largura, comprimento e altura, respectivamente 0,60m x 0,60mx 0,60m, resultou em um cubo de volume igual à 0,216m³, mas como foram cinco blocos para cada canto da parede da piscina, foi necessário multiplicar esse volume por cinco, que é o total de blocos na fundação. No entanto, como o concreto sozinho não é autossuficiente para vencer as forças do solo a uma grande profundidade, a armadura metálica, conhecida como bloco de coroamento se faz presente. A armadura é usada, pois a carga da piscina é transferida às estacas O equilíbrio no topo das estacas é garantido pela armadura principal de tração que serve como uma armadura construtiva, já que o bloco de uma estaca é apenas um elemento de ligação entre o pilar e a estaca. Como é ilustrado logo a seguir, a armadura do bloco de coroamento leva estribos horizontais, estribos verticais que formam uma malha de ferro e o arranque (altura do bloco). 60 Figura 25 - Planta e corte da armadura do bloco de coroamento Fonte:http://www.fec.unicamp.br/~almeida/ec802/Blocos%20sobre%20estacas/Blocos_sobr e_estacas.pdf Para preencher o bloco de coroamento de concreto e aço, é preciso o envolvimento do mesmo com a fôrma de madeira e também a desforma dela. Quanto a execução do sistema de fôrmas, deve-se prever a retirada de seus diversos elementos separadamente, se necessário. A desforma somente deve ser iniciada quando decorrido o prazo necessário para que o concreto obtenha a resistência especificada e o módulo de elasticidade necessário. Para isso, teve-se a busca da unidade, em metro, do preço da madeira usada para tais execuções. Para se ter a garantia de que uma estrutura ou qualquer peça de concreto armado seja executada fielmente ao projeto e tenha a forma correta, depende da exatidão e rigidez das fôrmas e de seus escoramentos. Também é notável que as fôrmas podem variar cerca de 40% do custo total das estruturas do bloco de coroamento. Dessa forma é obrigação racionalizar ou otimizar a fôrma, pois assim ela pode corresponder a 8% do custo de construção. No caso do bloco, a escolha por fazer cinco blocos de coroamento com cada uma estaca fincada em seu interior, economizou fôrma e desforma, porque como os blocos têm um volume de 0,216m³, a metragem da forma foi de 7,20 m². Se o bloco fosse dimensionado envolvendo o terreno inteiro, como uma forma geométrica de pentágono com cinco estacas, iriam ter gastos de fôrmas excessivos. O 61 detalhamento do quantitativo dos componentes do bloco de coroamento como volume de concreto usado na fundação, aço e da fôrma e desforma, segue abaixo: Quadro 2 - Preço dos componentes do bloco de coroamento e estrutura Bloco de Coroamento Material MDO Preço Concreto R$ 50,00 R$ 380,00 Ferragem R$ 1,50 R$ 4,50 Forma R$ 6,80 R$ 10,20 Desforma R$ 6,80 R$ 10,20 Fonte: QUEMEL, Sálua Componentes 1,08 102,6 17 17 Unidade m³ Kg m² m² Total R$ 464,40 R$ 615,60 R$ 289,00 R$ 289,00 Depois da construção da fundação usando estacas, veio sobre elas a estrutura da piscina, com o lastro de 50 cm, as fôrmas as lajes, vigas e paredes da mesma. Sobre as vigas que circundam o perímetro da piscina vieram blocos estruturais de concreto, com ferros colocados na vertical. O conjunto de ferros resultou nos pilares. Para a construção da piscina não teve diferença quanto a outra, mantendo o mesmo gasto da piscina anterior, no entanto o valor total da piscina em terreno de baixa resistência teve o acréscimo do custo da fundação com mais o valor detalhado da piscina de boa resistência, como pode ser vista a seguir: Quadro 3 – Preço total da piscina em solo de baixa resistente Material Concreto Aço Forma Desforma Estaca Piscina com 21m de profundidade Fundação Estrutura R$ 464,40 R$ 1.999,50 R$ 615,60 R$ 4.120,10 R$ 289,00 R$ 2.337,56 R$ 289,00 R$ 2.337,56 R$ 15.750,00 Obra final Total R$ 2.463,90 R$ 4.735,70 R$ 2.626,56 R$ 2.626,56 R$ 15.750,00 R$ 28.202,71 Fonte: QUEMEL, Sálua 5.3 COMPARAÇÃO DOS PREÇOS A diferença do custo das duas piscinas é justamente no encarecimento da piscina em solos não resistente por incluir o preço da fundação. Com o acréscimo de 62 material como estacas e os quantitativos do bloco de coroamento, houve um aumento no final da obra que é mostrado na tabela a seguir: Tabela 4 - Economia do quantitativo de material Quantitativo Fundação Estrutural Orçamento Total Comparação do preço das duas piscinas Terreno resistente Terreno de baixa resistência R$ 17.408,00 R$ 10.794,71 R$ 10.794,71 R$ 10.794,71 R$ 28.202,71 Fonte: QUEMEL, Sálua A economia que a piscina em terrenos resistentes teve em relação à outra foi de R$ 6.613,29, ou de 38% do preço da piscina de baixa resistência. Seria um uma porcentagem abaixo da metade, mas significativa para o custo da obra. Essa quantia poderia ser muito bem poupada para outra parte da obra, ou até mesmo para outro fim. A fundação foi o componente mais caro da obra, até mesmo da parte estrutural, visto que só as estacas têm o seu valor líquido superior do que os demais quantitativos da estrutura e da própria fundação. Elas têm um percentual de 56%, praticamente mais da metade do custo da estrutura interna da obra. Ainda deve-se lembrar que o preço total da obra ainda abrange a revestimento externo, impermeabilização, os acessórios hidráulicos e elétricos e o deck da piscina. Todavia, como as piscinas tiveram as mesmas dimensões de projetos, o preço dos demais utensílios foram os mesmo para ambas as piscinas, ou seja, o custo foi aumentado igualmente para a parte externa. Outro quesito que encareceu a piscina foi a escolha de optar usar o concreto com fck de 25 Mpa. O concreto apresenta problemas como o aparecimento de nichos e o acabamento não satisfatório, sem falar que a sua vida útil é em torno de 28 anos. Uma solução e até uma maneira mais tecnológica de construir piscinas, visando o custo benefíco, seria usar o concreto auto-adensável. O material, pode até ter um alto custo, ainda mais que ele apresenta fck de 50 Mpa, mas ele apresenta como vantagem a redução a mão-de-obra, equipamentos e consumo de energia elétrica antes necessários, como a vibração. De acordo com a revista TÉCHNE (2006), por ter maior trabalhabilidade, o CAA aumenta a velocidade de execução da estrutura. Com concreto tradicional leva- 63 se em média quatro horas para concretar uma laje e com o auto-adensável esse tempo cai para uma hora e meia. E apesar do custo final da piscina sofrer um aumento de 5% com o material do auto-adensável, a sua durabilidade, vida útil e viabilidade econômica será melhor. Se usasse o concreto auto adensável, em se tratando de ter uma piscina a longa prazo seria mais vantajoso, pois além do produto ser tecnológico, ele apresenta características que fazem com que ele seja mais econômico em sua vida útil do que o concreto convencional de 25 Mpa. Como pode se verificar na figura abaixo, quanto maior o fck do concreto, ao contrário do que se pensa que a construção se torne mais caro, com o uso do CAA, ela pode vir a ser uma ótima alternativa e mais em conta. Figura: Comparativos de concretos convencionais e CAA com fck diferentes Fonte: Revista TÉCHNE 2011 Ele apresenta excelente acabamento, podendo ser bombardeado a grandes distâncias com maior velocidade. Irá otimizar e reduzir a mão-de-obra; será mais rápido na execução da obra; sofrerá redução na vibração, que no caso será a diminuição no gasto de energia, a concretagem se tornará possível mesmo em estruturas densamente armadas e ainda terá mais possibilidades de trabalho em fôrmas pequenas ou muito detalhadas e maior durabilidade. Isto implica dizer que o CAA irá abater nos quantitativos de mão de obra, e reduzirá os excessos de formas e dos gastos dos aços em armaduras, sem contar na abatimento do uso de energia, já que o CAA não faz uso de vibradores, ele contribui para uma redução no consumo de energia elétrica e também da poluição sonora. 64 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Após estudar os materiais utilizados e seus custos tanto para as piscinas de concreto armado em solos de boa resistência, quanto para solos de baixa resistência, chega-se à conclusão de que o custo da execução de piscinas de concreto armado em terrenos de baixa resistência é superior se comparado ao de terrenos de alta resistência. Segundo os resultados obtidos a construção de piscinas em terrenos de pouca resistência, geralmente em solos argilosos, necessitam de uma fundação profunda, determinada pelo estudo da sondagem. A sondagem, como já vista, serve para encontrar o solo mais seguro para a base de sustentação almejando combater o peso da piscina, sendo seu peso próprio (quando vazia) ou quando estar carregada de água. Com base nos 2 laudos de sondagem de investigações geotécnicas do tipo SPT, deu-se continuidade ao trabalho com a confirmação de zonas de ocorrência de diferentes camadas de solos da cidade de Belém-PA. Enquanto um mostrou um solo resistente quase na superfície do terreno, o outro lado mostra um perfil de subsolo resistente a uma grande profundidade. Como já mostrada, a sondagem da residência habitada na Travessa. 14 de março, encontrou solo “seguro” muito profundo, havendo a necessidade de um reforço de estacas e blocos para otimizar a distância deste até o fundo da piscina e assegurar a força vertical que o solo irá adquirir. Além de que o sobre apoio de fundo da mesma foi feita sobre lajes reforçadas e madeiras. Em todo os casos dos quantitativos analisados das piscinas, a que estava fincada em terreno resistente apresentou um custo menor. Obteve-se economia de concreto, fôrma e aço, pois nas piscinas em terrenos não resistente, tanto o volume de concreto, como o peso do aço e o metro quadrado das fôrmas foram maiores. As planilhas de custo de concreto nas piscinas de solo de baixa resistente apresentam um custo elevado em relação a outra porque por precisar de fundação, o dimensionamento dela mostra que é necessário construir cinco blocos de coroamento, sendo assim aumentando o volume e quantidade de concreto, o que gera um aumento quantitativo também em fôrma e armadura. A fôrma sofreu um aumento de custo de 12,33 % do metro quadrado total da obra, enquanto o aço subiu 24,81 de peso no preço da estrutura. 65 A piscina que teve maior percentual de economia é também a que possui o menor peso por metro de aço. Primeiro por precisar dos utensílios nas fundações, e segundo pelo números de blocos de coroamento calculado para o terreno. Demonstra-se assim que com a fundação, a piscina será mais cara e ainda terá um tempo de construção maior, pois os quantitativos de fundação requerem determinados períodos e andamentos diferentes. Além da espera de tempo da cura do concreto na estrutura, também deve-se esperar a concretagem e a cura do mesmo na fundação, fato que na piscina de solo resistente, não há. Dessa forma, acontece que o custo da fundação que abrange a piscina domiciliar se torna tão absurdo e alto que, para compensa o gasto, é preciso ter uma aumento no custo total do metro quadrado e do imóvel. Em prédios, o custo de fundação pode ocasionar no aumento de preço dos pavimentos, pois assim irá recompensar o gasto que se teve com a fundação. Em Belém constatou-se que um dos locais (Travesse 14 de março) mais procurados tem o metro quadrado mais caro, pois este encontra-se em solos de baixa resistência. Então se não quiser gastar muito com construção de piscinas pra residências, deve-se procurar um local que apresente um laudo de sondagem que mostre uma profundidade bem próxima a superfície para não ter gastos excessivos com as fundações, como é notável verifica na sondagem na Augusto Montenegro. E se a piscina fosse feita em CAA, a sua vida útil junto com o custo iria se sobrepor a analisada, até mesmo a piscina sendo feita em terreno de baixa resistência, porque o custo gasto tanto com a mão de obra, energia, fôrma e armadura iriam ser menores, sem falar que o concreto auto adensável, apesar de mais caro, com um fck de 50 Mpa consegue, analisando toda a estrutura, uma economia bem maior do que o convencional de 25 Mpa. A pesquisa comparativa dos quantitativos das piscinas que alteram o valor do imóvel se fez valer dos objetivos propostos desse trabalho onde foram atendidos e encontrados benefícios de trabalhar com piscinas em solos resistente à uma profundidade rasa e confirmando o economia desta em relação a piscina de solo de baixa resistência. 6.1 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Como sugestões para trabalhos futuros sugere-se: 66 Fazer um estudo comparativo de quantitativo e custo de estruturas de piscinas também dimensionadas em concreto armado, uma em solos resistente e outra em solo desnivelado e que precise de aterro. Fazer um estudo comparativo de quantitativo e custo de estrutura de piscinas de concreto armado sem fundações e com fundações de sapatas. Fazer um estudo comparativo de quantitativo e custo de estrutura de piscinas de concreto armado e de alvenaria Analisar uma piscina feita em concreto convencional e de concreto auto adensável, ambos com fck igual a 50 Mpa e verificar a economia dos quantitativos da obra. Fazer um estudo comparativo de quantitativo e custo de estruturas analisadas comparativamente com estruturas com fundação também profunda, mas que o dimensionamento do bloco de coroamento seja apenas um abrigando todas as estacas do terreno. 67 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A empresa AMS Engenharia LTDA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto e execução de obras de concreto armado. Rio de Janeiro, 2000. ______. NBR 6122: Projeto e Execução de Fundações. Rio de Janeiro, 1996. ______. NBR 14931: Execução de estrutura de concreto. Procedimento. Rio de Janeiro, 2004. ______. NBR 7480: Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado. Rio de Janeiro, 1996. ______. 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