“Amazônia e o direito de comunicar”
17 a 22 de outubro de 2011 - Belém/PA
Meios de Comunicação e a Cultura de Paz: as formas de expressão dos jovens da Vila
Embratel.
Rosemeri Barros1
Maria do Socorro Costa2
Antônio Pedro Aragão3
Profa. Dra. Vera Lúcia Rolim Salles4
Resumo
O relato de pesquisa apresentado pretende tornar público os fundamentos,
metododologia e resultados parciais do projeto Meios de Comunicação e a Cultura de Paz: as
formas de expressão dos jovens da Vila Embratel que é um projeto do Departamento de
Comunicação da Universidade Federal do Maranhão. Desenvolvido na Comunidade da Vila
Embratel o projeto objetiva oportunizar aos jovens, situados na faixa etária de 14 a 24 anos,
um espaço de fala na sociedade, promovendo o protagonismo juvenil e os valores da cultura
de paz.
Palavras-chave: Meios de comunicação; Cultura de Paz e protagonismo juvenil.
INTRODUÇÃO
A proposta do projeto Meios de Comunicação e a Cultura de Paz: as formas de
expressão dos jovens da Vila Embratel está baseada na continuidade do trabalho da Profa.
Vera Lúcia R. Salles, que realizou a pesquisa de campo para a tese de doutorado intitulada
―Jovens, imaginário de paz e televisão‖, com os jovens do bairro da Vila Embratel, mais
especificamente com aqueles que freqüentam o Núcleo de Extensão da UFMA, situado
naquele bairro. A pesquisa realizada trata do papel da televisão aberta no processo de
socialização dos jovens em geral, com enfoque na relação entre juventudes, imaginário de paz
e as mensagens transmitidas pelas telenovelas e telejornais.
A referida pesquisa mostra que os jovens entrevistados revelaram que o discurso da
violência é predominante nesses gêneros televisivos e aponta para a necessidade de chamar a
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Graduanda em Comunicação Social/ Relações Públicas, Universidade Federal do Maranhão.
Graduanda em Comunicação Social/ Relações Públicas, Universidade Federal do Maranhão.
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Graduando em Comunicação Social/ Jornalismo, Universidade Federal do Maranhão.
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Professora Adjunta I do Departamento de Comunicação Social, Universidade Federal do Maranhão.
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atenção dos produtores desse tipo de programação, pois a mídia, particularmente a televisiva
desempenha papel fundamental na construção do imaginário social de paz. Os jovens
pesquisados também acreditam que os meios de comunicação de massa deveriam promover
mais a paz e ainda se preocupar em mostrar a realidade, o bairro como ele é e não
simplesmente como ―violento‖ como é visto, principalmente pela mídia local.
Entretanto, nesta experiência a abordagem é outra: não focaliza os meios de
comunicação de massa, mas possibilita que os jovens pesquisados atuem como protagonistas
mostrando suas formas de expressão e comunicação, baseadas em conteúdos relacionados aos
princípios da cultura de paz durante as oficinas que trabalham a linguagem audiovisual e
artística.
Também chamado de Comunicapaz, o projeto atua desde abril de 2010 e utiliza a
metodologia da pesquisa-ação, realizando oficinas de capacitação audiovisual e artística, a
saber, vídeo, blog, rádio, jornal, teatro do oprimido, fotografia, grafite, serigrafia, produção
textual, leitura e dança afro. As oficinas são realizadas em duas etapas, na primeira são
repassados apenas aspectos técnicos sem aprofundamento nos conteúdos da cultura de paz,
visando identificar qual o imaginário de paz destes jovens. Já, na segunda etapa, estes
conteúdos são enfatizados. Os produtos das oficinas servem como indicadores do imaginário
destes jovens antes e depois da abordagem dos valores da cultura de paz.
Até agosto de 2011 já haviam passado pelo projeto aproximadamente 150 jovens. Para
traçar o perfil dos que frequentaram as oficinas foi aplicado um questionário que abordava
questões como cidadania, vida familiar e escolar, violência e paz. Entre os resultados que
puderam ser constatados destacamos a valorização da identidade cultural, melhoria da autoestima e o reconhecimento do papel do jovem na sociedade.
MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS
A metodologia fundamenta-se na pesquisa-ação, centrada no papel ativo dos
pesquisadores em todas as fases do projeto e esses processos pressupõem estreita cooperação
entre pesquisadores e os outros participantes da equipe de trabalho, diagnosticando uma
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realidade e sugerindo, além do trabalho cientifico, a resolução de um problema coletivo: a
questão da violência cotidiana entre os jovens do bairro da Vila Embratel e as soluções para
mediá-la, em particular, trabalhando em prol da Cultura da Paz.
Esta metodologia permite o uso de diversas linguagens no processo de aprendizagem e
troca de saberes, baseados na cultura da paz. Assim, ao mesmo tempo em que se faz um
diagnóstico da realidade dessa juventude, seus anseios, suas idéias sobre paz também se
promove a cultura de paz utilizando diferentes mídias: rádio, jornal, vídeo, fotografia e teatro
do oprimido, bem como o uso da arteducação.
A equipe de trabalho formada por professores/pesquisadores, alunos e representantes da
comunidade atuam de forma participativa em todas as fases da pesquisa que envolve
mobilização dos jovens e da comunidade, divulgação do projeto, realização das oficinas,
escolha dos facilitadores, elaboração dos produtos, aplicação e interpretação do questionário,
avaliação dos resultados e apresentação dos produtos nas praças, no Núcleo de Extensão da
UFMA e outros espaços públicos.
DESCRIÇÃO DO PROCESSO/EXPERIÊNCIA
De acordo com o autor Hugges Dionne esta pesquisa seguiu as quatro etapas da pesquisa
ação:
1. Iidentificação das situações atuais – nesta etapa o projeto se baseou nas pesquisas
realizadas por Vera Lúcia Rolim Salles que em sua tese de doutorado identificou que
havia o estigma da violência vivido pelos jovens moradores do bairro da Vila
Embratel e que este era reforçado pela mídia local:
―(...) o bairro apresenta aspectos positivos, mas o que predomina é o estigma
de ―violento‖. Em parte, esses jovens atribuem à mídia a difusão dos estigmas,
que costuma tratar a questão de forma sensacionalista e exagerada, sem
destacar os aspectos positivos (...)‖ (SALLES, p.86)
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A pesquisadora identificou ainda que há no bairro um Núcleo de Extensão – NEVE/
UFMA, também chamado de Adolescentro, reconhecido pela maioria dos jovens do
bairro como um espaço de entretenimento e pertencimento. É neste local que dispõe
de salas de aula, telecentro e auditório que acontecem as atividades do Comunicapaz
proporcionando fácil acesso dos jovens, além da estrutura adequada para o
funcionamento do projeto.
“É importante destacar que frequentar o Adolescentro trouxe, para os
jovens entrevistados, possibilidades de lazer, de trabalho, de
sociabilidade, enfim de pertencimento (...)‖ (SALLES, p.83)
2. Planejamento das ações – Desde o início do projeto são realizadas reuniões semanais
na UFMA com a participação de representantes da comunidade, alunos e professores
para que os objetivos do projeto sejam alcançados. O resultado foi o plano de ação das
atividades do Projeto.
No tocante as oficinas estas são precedidas de uma reunião estratégica que define
metodologia, carga horária, facilitador, conteúdo, quantidade de jovens atendidos, etc.
Após cada atividade o grupo de trabalho avalia o resultado obtido.
Na medida em que o projeto foi se desenvolvendo, parcerias foram se formando. No
início era somente a ONG Agência de Notícias da Infância MATRACA, depois outros
foram surgindo como, por exemplo, o Grupo Xama Teatro que cedeu facilitadores e
promoveu a oficina de Contadores de histórias, o Instituto de Cidadania Empresarial –
ICE/MA que promoveu a articulação do Coletivo Jovem em São Luís com os jovens
do Comunicapaz, a Livraria Paulinas que doou livros infanto-juvenis e organizou
mobilizações da comunidade nas praças do bairro, a Rede Imaginautas que organizou
workshops utilizando ferramentas de multimídia em parceria com o Projeto de
Extensão da UFMA Conexões de Saberes.
Além disso, foi assinado um convênio de cooperação internacional da UFMA com a
École de La Paix – Grenoble – França para troca de experiências entre os jovens da
Vila Embratel e os que residem em bairros de Grenoble e municípios vizinhos, através
dos produtos audiovisuais e artísticos. Outra etapa do convênio prevê a elaboração e
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adaptação de materiais pedagógicos com conteúdos baseados nos princípios da
Cultura de Paz.
3. Realização das atividades previstas – No primeiro semestre foram realizadas as
oficinas de rádio, vídeo, fotografia, produção de jornal e teatro do oprimido para
avaliar qual a percepção que os jovens têm da idéia de paz. Nesse momento os jovens
foram instruídos a criar produtos que representassem a paz.
As atividades artístico-culturais foram divididas por semestre e, no início de cada
período letivo, foram feitas intervenções na comunidade para apresentação dos
produtos. No final do primeiro semestre foi realizada um evento na praça do
Bacurizeiro que contou com: exibição do teatro e de intervenções artísticas
mobilizadoras dos moradores do bairro da Vila Embratel.
No segundo semestre de 2010 o projeto reiniciou suas atividades com um seminário
realizado no dia 24 de setembro de 2010. As atividades aconteceram inicialmente no
NEVE com a participação do grupo de hip-hop e jovens da Vila Embratel. Neste
evento foram realizadas ações como: rádio na praça, apresentação de hip-hop com
letras de música criada pelo próprio grupo alusivas à paz e audição dos programas
produzidos pelos jovens na oficina de Rádio.
As oficinas realizadas no segundo semestre (Blog, Rádio, Teatro do Oprimido, Vídeo)
aprofundaram os conceitos de cultura de paz para permitir uma análise comparativa
entre os produtos destas e os produtos das oficinas do primeiro semestre. A oficina de
Blog aconteceu nos dias 9 e 23 de outubro e resultou na criação de dez blogs
interligados ao blog do Comunicapaz com o objetivo de estabelecer uma rede
colaborativa de cultura de paz.
A oficina de Rádio realizada nos dias 13 e 20 de novembro resultou na criação de uma
radionovela interpretada pelos jovens da Vila Embratel.
No Seminário de encerramento foram entregues certificados de participação nas
oficinas realizadas no segundo semestre de 2010 e distribuídos livros para os jovens,
além de cadernos destinados a relatar suas histórias de vida.
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Foi elaborado um questionário que teve como objetivo identificar o perfil dos jovens
atendidos pelo projeto Comunicapaz através de dados como: Cidadania; Vida escolar;
Vida familiar na infância/adolescência; Violência e paz; Educação e trabalho;
Religião; Redes Sociais e Consumo. Os dados já foram transcritos e tabulados e serão
interpretados.
Em 2011 já foram realizadas as oficinas de origami, serigrafia e teatro do oprimido.
Os encontros do teatro do oprimido ocorreram aos sábados e o objetivo destas oficinas
foi buscar um pensamento reflexivo e uma nova atitude de vida.
No dia 14 de maio de 2011 foram realizadas as oficinas de origami, destacando as
técnicas de corte de papel e dobraduras na qual jovens produziram borboletas e
pássaros da paz. Na oficina de serigrafia foram confeccionadas as sombrinhas da paz
(que foram pintadas com palavras e imagens alusivas a paz). Também ocorreu neste
dia a apresentação do teatro do oprimido no dia 19 de maio, durante a visita do
fundador da École de La paix, Richard Pétris que veio assinar o convênio com a
UFMA.
No momento estão sendo realizadas as oficinas de Dança-afro, teatro do oprimido,
leitura e produção textual, que pretendem trabalhar a figura Martin Luther King uma
referência da luta contra o racismo utilizando os métodos da não violência.
4. Avaliação dos resultados – através das reuniões semanais, da observação nas oficinas,
dos relatórios semanais, envolvendo a participação do grupo de trabalho, alunos e
professores.
RESULTADOS PARCIAIS
A pesquisa ainda está em andamento e vai se encerrar em dezembro deste ano com a
produção de relatórios, artigos científicos, análise dos resultados finais e exposição dos
produtos elaborados pelos jovens.
Um dos resultados do Comunicapaz é o Projeto TV Vila Embratel (TVVE) que visa
elaborar um canal de TV online, produzido por alunos do Curso de Comunicação Social da
UFMA, jovens do Comunicapaz e da comunidade, para difundir os aspectos positivos do
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bairro, que está sob a coordenação do Profº Márcio Carneiro, do Departamento de
Comunicação Social da UFMA.
A partir dos questionários também foi possível observar a importância da metodologia
da pesquisa-ação, pois esta proporciona uma proximidade dos jovens da Vila Embratel com o
grupo de pesquisa. Assim, os jovens se sentiram mais a vontade durante a aplicação dos
questionários facilitando a coleta das informações.
Além disso outros resultados foram observados, tais como:
Interesse dos jovens por outras áreas do conhecimento como a comunicação.
Apropriação das ferramentas da tecnologia audiovisual, promovendo o protagonismo
juvenil.
Valorização e fortalecimento da auto-estima.
Melhoria da sociabilidade entre os jovens atendidos.
Identificação do projeto Comunicapaz como espaço de interação, diálogo e paz.
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REFERÊNCIAS
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<http:// www.unesdoc.unesco.org>
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