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Índice
Introdução ...............................................................................................................................................5
A importância da educação financeira .................................................................................6
O que é dinheiro..................................................................................................................................7
O aparecimento do dinheiro .......................................................................................................8
A evolução do dinheiro ...................................................................................................................9
Os bancos..............................................................................................................................................12
O multiplicador da moeda .........................................................................................................13
Como a economia usa a moeda ............................................................................................14
Confiança é tudo ..............................................................................................................................17
O que é a inflação ............................................................................................................................18
Uma pequena noção do que são os juros.......................................................................18
O que altera a taxa de juro .........................................................................................................19
Noções sobre o Sistema Financeiro Nacional ................................................................20
Ganhando dinheiro nos dias de hoje ..................................................................................21
Construindo o futuro .....................................................................................................................22
Planejamento financeiro..............................................................................................................23
Administrando o seu dinheiro .................................................................................................23
O que fazer com o dinheiro que sobra ..............................................................................24
As várias formas de poupança .................................................................................................25
Títulos de renda fixa .......................................................................................................................25
A importância do mercado de ações para a economia ..........................................26
Você pode ser um dos novos sócios dessas empresas ...........................................26
A Bolsa .....................................................................................................................................................27
Como investir em ações ..............................................................................................................29
Passo a passo ......................................................................................................................................30
Bibliografia ............................................................................................................................................31
3
4
Introdução
De vez em quando, acontece de o dinheiro que recebemos (mesada)
acabar muito rápido.
“Será que não estou sabendo gastar meu dinheiro? Será que os preços
dos produtos e serviços dos quais preciso são sempre os mesmos? Se
forem, certamente não estou gastando bem meu dinheiro. Mas, e se os
preços estiverem aumentando, como lidar com minhas finanças? O que
devo fazer para que meu dinheiro não falte?”
São problemas desse tipo que tornam nossa vida mais complicada. Para
facilitar as coisas, devemos começar a pensar no futuro, a fazer nossos
planos.
Ganhar dinheiro não é nada fácil. Quem já trabalha percebe isso
claramente. Quem ainda não começou pode prestar atenção em sua
família.
De qualquer forma, vamos começar a pensar em como podemos
multiplicar nossa renda atual para que, no futuro, tenhamos nossas
coisas com mais facilidade.
É a isso que se propõe este texto: dar conhecimentos básicos para que
você administre seu dinheiro. Assim você pode melhorar sua qualidade
de vida, hoje e no futuro.
5
A importância da
educação
financeira
Na escola, aprendemos muitas coisas
importantes como, por exemplo, a
conviver com diversas pessoas. Isso nos
ajuda, e muito, no decorrer da nossa vida.
A escola é onde aprendemos e fazemos
amigos.
Entretanto, nem sempre somos educados
para mexer com dinheiro. E saber como
lidar com dinheiro é fundamental para
que possamos planejar nosso futuro.
Devemos adquirir bastante conhecimento
para não termos problemas financeiros
quando formos adultos.
Para garantir equilíbrio em nossas
decisões, é preciso disciplina e
conhecimento básico de finanças
pessoais.
6
O que é
dinheiro
“Dinheiro” são aquelas moedas e notas que usamos para
comprar tudo o que queremos ou de que precisamos.
Você já imaginou um mundo sem dinheiro?
Fica difícil imaginar como seria viver num lugar onde
não houvesse dinheiro. Contudo, na Pré-História, há
milhares de anos, os homens não usavam dinheiro
nem precisavam dele: moravam em cavernas, vestiamse com peles de animais, comiam as frutas apanhadas
diretamente das árvores e os animais que eles mesmos
caçavam.
Com o tempo, a população aumentou. Formaram-se
pequenos grupos de pessoas que viviam juntas em
comunidade. Nesses grupos, alguns caçavam, outros
guerreavam (protegiam-se) e outros, ainda, por não
caçarem nem guerrearem, eram encarregados de
produzir ferramentas, armas, vasilhas etc., além de
plantar para a subsistência do grupo.
Então, o homem acabou se fixando à terra, isto é,
escolheu um lugar para morar, fazer sua plantação
e criar animais domésticos. Se alguém precisasse de
algo que não era produzido em sua própria aldeia,
ia procurar na aldeia vizinha e trocava um objeto
por outro. Essa troca ficou conhecida pelo nome de
escambo.
Mas não era tão simples assim realizar uma troca. Era
preciso que as partes interessadas tivessem os mesmos
desejos. Por exemplo: se alguém quisesse trocar um
cavalo que já não lhe interessava por um saco de milho,
era preciso encontrar alguém que tivesse um saco de
milho e estivesse interessado em obter um cavalo.
Se isso acontecesse, tudo bem. Mas, e se o dono do
saco de milho estivesse interessado em obter um
arco-e-flecha? Seria necessário que o dono do cavalo
procurasse alguém que, tendo o arco-e-flecha, estivesse
interessado em possuir um cavalo. Se encontrasse tal
pessoa, ainda seria necessário, após realizar a troca
do cavalo pelo arco-e-flecha, ir ao encontro do dono
do saco de milho para trocá-lo. Ufa! E isso só para três
produtos! Que confusão!
7
O aparecimento
do dinheiro
Alguns objetos e alimentos eram aceitos por quase
todas as pessoas, mesmo que não estivessem
precisando deles naquele momento. Isso ocorria se
a mercadoria pudesse ser facilmente trocada por
qualquer outro objeto de que a pessoa realmente
necessitasse.
Através dos tempos, muitos objetos e alimentos
serviram como instrumento de troca (dinheiro).
Conchas do mar, peles de animais, sal, aveia, tecidos,
trigo, gado, sementes, plumas e penas de aves,
vinho, mel e até peixe seco foram utilizados como
dinheiro.
Assim, quando alguém queria comprar uma
mercadoria, usava aquele objeto que era aceito por
todos; ou quando alguém trabalhava para outra
pessoa, recebia em troca certa quantidade daquele
objeto.
Foi dessa maneira que nasceu o que hoje
chamamos dinheiro: algo aceito por todos e que
pode comprar as mercadorias das quais precisamos.
8
Dinâmica 1
Você recebeu dois cartões. Num deles,
está estampada a figura de uma
mercadoria de que você necessita com
urgência. No outro, uma mercadoria que
você está disposto a oferecer em troca.
Seu objetivo é encontrar quem tenha
a mercadoria de que você necessita.
Você deve fazer trocas com todos os
participantes até encontrar a pessoa
que tem a mercadoria que você quer e
que queira trocar pela que você possui.
Vamos tentar?
A evolução
do dinheiro
Como vimos, muitos objetos foram usados como
dinheiro no decorrer do tempo. Mas eles sempre
apresentavam algum problema e acabavam sendo
deixados de lado.
podiam dar troco, já que o gado é indivisível. Em outras
palavras, a mercadoria a ser usada como dinheiro não
podia estragar, deveria ser divisível, fácil de transportar
e de manusear.
Em certas comunidades, os vasos de barro foram
usados como dinheiro. Agora, imagine um homem que,
precisando comprar um boi que custava três vasos de
barro e, tendo esse “dinheiro”, pegou seus vasos e foi até
a fazenda que estava vendendo o boi. Mas, no meio do
caminho, ele se assustou, tropeçou e deixou cair todos
os vasos, que se quebraram.
Para resolver o problema, o homem começou a utilizar
metais preciosos como dinheiro. Os metais, de maneira
geral, não estragam, são fáceis de ser manuseados, podem
ser divididos e ninguém duvida que tenham valor.
Além de ficar sem seu boi, o homem ficou três vasos
mais pobre, pois seu dinheiro havia se quebrado.
Devagar, então, os metais preciosos começaram a ser
usados nas trocas de produtos entre os homens nas
comunidades. Inicialmente, o cobre e o ferro serviram
como dinheiro; posteriormente, o ouro, a prata e o
bronze tomaram seu lugar e permanecem até hoje.
Outra comunidade, que usava o sal como dinheiro,
tinha de tomar muito cuidado com a chuva: se o
“dinheiro” deles molhasse, estavam perdidos. Havia
também aqueles que usavam o vinho e perdiam seu
dinheiro com o tempo, pois a bebida é perecível. E
aqueles que usavam o gado como moeda nunca
Em seguida, em vez de o metal bruto ser usado para
as trocas, foi criada a moeda metálica, que, além de
todas aquelas características, dificultava a ação dos
falsários, pois tinha estampada a efígie (a face) e frases
colocadas pelos nobres, monarcas ou imperadores que
as fabricavam.
9
10
Do uso do sal como dinheiro é que
apareceu a palavra SALÁRIO.
Os soldados romanos eram pagos com
sal. Por isso, começou-se a usar a palavra
para nomear o pagamento que os
trabalhadores recebem de seus patrões.
As moedas metálicas, entretanto, eram muito pesadas
e o risco de que algum ladrão as roubasse era muito
grande. Isso fez com que aparecessem as casas de
custódia, talvez embriões dos bancos modernos. Lá,
eram depositados o ouro e a prata, e o dono da casa
de custódia emitia recibos de depósitos, que eram mais
cômodos e seguros.
A confiança que a população tinha nos donos das
casas de custódia (geralmente eram ourives) fazia com
que todo mundo aceitasse o recibo emitido por eles
nas trocas. Assim apareceu a moeda-papel. Em outras
palavras, era um papel que representava um depósito
de ouro ou prata que tinha sido feito nas casas de
custódia.
Quando o dono da moeda-papel precisava, podia
ir à casa de custódia e retirar o ouro ou a prata que
estavam depositados lá. Ou seja, podia converter a
moeda-papel (recibo emitido) em ouro ou prata para
seu uso.
No entanto, o dono da casa de custódia, pela experiência
que possuía, percebeu que nem todo mundo retirava
todo o seu ouro ou prata de uma só vez. Sempre
restava um pouco guardado, ocioso, esperando novas
movimentações. Então, os donos das casas de custódia
passaram a emprestar essas sobras, cobrando por
isso. Ou seja, acabava havendo mais recibos do que a
quantidade de ouro e prata que havia sido depositada.
Isso fez com que aparecesse o papel-moeda, o dinheiro
como nós o conhecemos hoje. Ele não podia ser
trocado por ouro ou prata, pois nem sempre existia a
quantidade necessária para isso.
Em muitos países, esse sistema foi quebrado pela
desconfiança do público em relação às casas de
custódia: quando não havia lastro (quantidade de ouro
ou prata) suficiente para converter os recibos em ouro
ou prata, todos os depositantes (ou a maioria deles)
corriam às casas de custódia querendo resgatar seus
depósitos, e a situação ficava pior ainda.
11
Os
bancos
A maioria das pessoas já entrou
em algum banco e percebeu que
todos os que lá estão vão guardar
ou retirar seu dinheiro. Pois bem,
apesar de toda a modernidade dos
bancos, eles são instituições muito
antigas. Eles apareceram muito
antes do próprio dinheiro.
Mesmo quando se praticava o
escambo, já havia lugares onde
era possível guardar bens de valor
e, quando era preciso, ir retirar.
Nessa época, os templos eram
lugares seguros e confiáveis e, por
isso mesmo, prestavam-se a esses
serviços.
Quando surgiu o dinheiro, há mais
ou menos 2.500 anos, surgiram
também pessoas que faziam
câmbio, isto é, aqueles que
trocavam um tipo de moeda por
outro, e os prestamistas, pessoas
que emprestavam dinheiro.
Na Idade Média, os ourives eram os
encarregados de guardar dinheiro
(emitiam recibos), trocar moedas
12
A palavra “banco” vem
do alemão bank, que era
um banco de madeira
usado pelas pessoas que
trocavam ou emprestavam
dinheiro. A partir da
Idade Média, as casas
que realizavam essas
atividades herdaram
o nome.
de tipos diferentes e emprestar
dinheiro. É lógico que, para prestar
esses serviços, eles cobravam.
Os recibos dos ourives acabaram
circulando como se fossem dinheiro
(moeda-papel) e suas casas, onde
eram guardadas as quantias de ouro
e prata, acabaram se tornando os
primeiros bancos.
Com o aparecimento dos bancos, o
comércio ficou mais fácil e seguro.
Aqueles que faziam comércio
na própria cidade pagavam ou
recebiam por meio daqueles recibos
dos bancos. Aqueles que faziam
comércio em cidades ou até mesmo
países diferentes não precisavam
carregar sacos e mais sacos de
moedas, que, além de pesados,
eram fáceis de ser roubados.
tornaram-se cada vez mais úteis e
necessários. Com a evolução dos
bancos e dos serviços bancários, a
moeda bancária é cada vez mais
utilizada pelas pessoas que, para
efetuar transações com os recursos
disponíveis, emitem cheques ou se
utilizam dos meios eletrônicos.
Todos acabaram gostando dessa
forma de trabalhar: os comerciantes
se sentiam mais seguros e os
banqueiros podiam cobrar pela
prestação dos serviços. Com o
crescimento do comércio mundial,
os bancos também cresceram e
Na verdade, hoje é muito mais
seguro e cômodo guardar nosso
dinheiro num banco e, quando
necessário, retirá-lo; ou então fazer
pagamentos usando cheques ou
ordem de pagamento via internet,
telefone ou o cartão de débito.
O
multiplicador
da moeda
A palavra “economia”
vem do grego oikos, que
significa casa, e néimein,
que significa administrar.
Originalmente, portanto,
economia significava
administrar os bens de
uma casa.
Momento
0
1
2
3
4
5
Total
Depósitos
a vista
1.000,00
700,00
490,00
343,00
240,10
168,07
2.941,17(a)
Os bancos têm uma importante
função na economia. Eles
influenciam na oferta de moeda.
Se não existissem os bancos, a
quantidade de moeda que circularia
na economia seria constante. Vamos
ver como isso acontece:
As pessoas guardam, ou seja,
depositam seu dinheiro no banco.
O dinheiro guardado no banco é
usado pelas pessoas para fazerem
Depósito
compulsório
(30%)
300,00
210,00
147,00
102,90
72,03
50,42
882,35(b)
Saldo
livre para
empréstimos
700,00
490,00
343,00
240,10
168,07
117,65
2.058,82(c)
a - O depósito a vista inicial de R$1.000,00, com os empréstimos, multiplicou-se para R$2.941,17
b - Saldo em depósito compulsório de R$300,00 multiplicou-se para R$882,35
c - R$1.000 de depósito a vista geraram R$2.058,82 em empréstimos bancários
Figura 1 - Efeito multiplicador
pagamentos, e pelos bancos para
emprestarem a outras pessoas. É
justamente emprestando dinheiro
que o sistema bancário multiplica
a moeda. Quem controla isso
é o Banco Central, pois exige
que o banco envie a ele parte
de tudo o que é depositado. É
o que chamamos de depósito
compulsório.
Vamos supor que você receba
R$1.000,00 e deposite no banco.
Desse total, R$300,00 são enviados
ao Banco Central por meio do
depósito compulsório. Os R$700,00
restantes podem ser emprestados
a outra pessoa, que, por sua vez,
depositará esse dinheiro em outro
banco. Esse processo se repete
sucessivamente, até que não seja
mais possível. Por fim, podemos
ver que os R$1.000,00 depositados
inicialmente transformaram-se em
R$2.941,17 sob a forma de novos
depósitos, e multiplicaram-se
em R$2.058,82 em empréstimos
bancários.
13
Como a
economia
usa a
moeda
O dinheiro, como vimos, é um facilitador das
trocas que ocorrem numa economia, e hoje é
indispensável em qualquer lugar, já que os bens e
serviços são numerosos.
vendidos. Com os recursos financeiros arrecadados
na venda, o processo será repetido indefinidamente,
criando uma interação entre as diversas pessoas e
empresas que compõem o sistema econômico.
Na verdade, o dinheiro tem três funções básicas:
intermediário nas trocas que ocorrem numa
economia; unidade de valor, isto é, por meio
do dinheiro conseguimos estabelecer o valor das
diversas mercadorias e serviços produzidos numa
economia; e, finalmente, reserva de valor, isto é,
podemos guardar nosso dinheiro, pois ele ainda
terá valor no futuro.
Dessa interação, num primeiro momento, surge um
fluxo denominado pelos economistas de fluxo real.
As famílias (reunião de pessoas, donas dos fatores de
produção) fornecem seus recursos às empresas, e as
empresas produzem e fornecem às famílias os bens e
serviços de que necessitam.
Quando o homem começou a evoluir, lá no
tempo das cavernas, e se fixou à terra (escolheu
um lugar fixo para morar), ele se especializou
na realização de algumas tarefas segundo suas
habilidades: esse processo é conhecido pelo nome
de divisão do trabalho. Além disso, desenvolveu
um sistema de trocas por meio do dinheiro.
Se pararmos para pensar, vamos ver que o homem
é o dono de todos os fatores de produção. Isto
é, o homem é o dono do capital, do trabalho, da
tecnologia, dos excedentes financeiros etc.
O trabalho, o capital e a tecnologia são utilizados
para produzir os bens e serviços que serão
14
Com o auxílio da moeda, as empresas pagam as
famílias pelo uso dos recursos utilizados e, por sua vez,
as famílias, também com o auxílio da moeda, pagam
as empresas pelos bens e serviços adquiridos, o que
configura um fluxo monetário.
Percebe-se, dessa forma, que o fluxo real e o monetário
interligam os agentes econômicos, famílias e
empresas. Ao lado do fluxo real, estão o emprego dos
recursos (fatores de produção) e o suprimento de bens
e serviços necessários à economia. Do lado monetário,
se dá a remuneração dos fatores de produção e o
pagamento pelos bens e serviços adquiridos.
Esse é um modelo muito simplificado que representa
o funcionamento de uma economia real. Na verdade,
existe um agente econômico poderoso que deve
ser incluído nesse nosso modelo simplificado: o
governo.
A introdução dessa nova personagem não modifica
o modelo em essência, pois o governo é um agente
econômico como outro qualquer, já que tem uma
renda (obtida com a cobrança de tributos) e, ao
empregar fatores de produção, interage com as
unidades familiares, remunerando-as.
Observemos na figura 2 como ficaria,
esquematicamente, a interação das famílias (donas dos
fatores de produção), empresas (entidades que utilizam
fatores de produção para fabricar bens ou prestar
serviços) e o governo, que, como qualquer outro
agente econômico, usa os fatores de produção para dar
à sociedade os bens e serviços necessários.
Dessa interação, surgem dois tipos de agentes
econômicos, classificados quanto ao saldo de sua conta
corrente:
1) Agentes econômicos superavitários – aqueles que
têm excesso de renda sobre suas despesas. Isto é, gastam
menos do que ganham e, portanto, podem poupar.
2) Agentes econômicos deficitários – aqueles que
têm falta de renda para cobrir suas despesas. Isto é,
gastam mais do que ganham e, portanto, precisam
pedir emprestado para continuar sobrevivendo.
Em resumo: da interação dos diversos agentes
econômicos (famílias, empresas, governos etc.), nas
relações de troca, surgem os fluxos real e monetário.
Devido ao comportamento assumido por esses
agentes, eles podem se tornar agentes superavitários
ou deficitários.
Dinâmica 2
Vamos pensar um pouco
Se uma pessoa ganha mais dinheiro do
que gasta, ela está tranquila ou não?
Essa pessoa que tem dinheiro sobrando
não pode aplicar seu dinheiro e ganhar
mais dinheiro ainda?
E uma pessoa que gasta mais do que
ganha, ela vai ficar tranquila ou não?
O que ela pode fazer para suprir essa
falta de dinheiro? Quanto ela vai pagar
por isso?
Da mesma maneira, uma empresa
pode ter dinheiro sobrando e aplicá-lo
de duas formas: na própria empresa,
expandindo seus negócios, ou no
banco, ganhando juros por isso.
Por outro lado, ela pode precisar,
momentaneamente, de mais dinheiro
do que dispõe e deve recorrer às
pessoas ou empresas que têm dinheiro
sobrando.
Pense nisso: Como seria se os bancos
não existissem?
15
Unidades familiares
Empresas
Fluxo real
Fatores de produção
Produtos
Fluxo monetário
Remuneração dos fatores
Pagamento pelos produtos adquiridos
Remuneração de
fatores empregados
e pagamento de
transferências
Pagamentos pelos
produtos (bens e
serviços ) adquiridos
Bens e
serviços
Governo
Pagamento
de tributos
Tributos
Fornecimento
de fatores de
produção
Fornecimento de bens e serviços públicos e investimentos na
formação de capital fixo de interesse público (infraestrutura
econômica e social)
Figura 2 - Fluxo circular simplificado
16
Fonte: Rossetti, José Paschoal. Introdução à economia, pág. 183
Confiança
é tudo
Como percebemos, existem grupos
que têm dinheiro sobrando e querem
guardá-lo para gastar mais tarde.
E existem grupos que precisam de
dinheiro para pagar suas contas e usálo na expansão de seus negócios.
Caso esses dois grupos de pessoas não
se conhecessem, seria muito difícil um
deles pedir dinheiro emprestado ao
outro.
É aí que entram os bancos. Eles
oferecem para aqueles que têm
dinheiro sobrando uma forma segura
de guardá-lo e investi-lo, destinando-o
para empréstimos a quem precisa.
E, para aqueles que precisam de
dinheiro, os bancos oferecem os
empréstimos.
17
O que é a
inflação
Por várias razões, em determinados
momentos, a moeda pode perder seu
valor. Isso aconteceu em diversas épocas
e em todos os países. Não importa qual a
forma física que a moeda tenha, seu valor
pode diminuir por diversos motivos.
Quando dizemos que a moeda perde seu
valor, estamos dizendo que, para comprar
um mesmo produto, vamos necessitar
de uma quantidade maior de moeda. Ou
seja, estamos falando que os preços dos
produtos aumentaram. Esse aumento de
preços, de forma contínua e generalizada
numa economia, recebe o nome de inflação.
A inflação pode ocorrer por diversas
razões. Uma delas é a emissão de moeda
de forma descontrolada: governantes,
para cobrir seus gastos, acabam emitindo
moeda em quantidade maior do que a
necessária para garantir o funcionamento
da economia.
18
Uma pequena noção d
os juros
Antes de prosseguirmos, vamos ver o que são juros.
Todas as mercadorias têm um valor. Se precisamos de
um bem qualquer e não podemos viver sem ele, ou
se ele é muito importante (bem escasso), podemos
pagar o preço exigido sem discussão. Por exemplo, se
estou com muita sede, depois de um jogo de futebol
na escola, e peço uma garrafa de água na cantina,
provavelmente não perguntarei o preço da água e vou
pagar sem discutir. Se, por outro lado, meus amigos me
convidam para beber um refrigerante e não estou com
sede, certamente vou perguntar o preço da latinha e
questionar, se achar caro.
Isso quer dizer que existem várias situações que
interferem na nossa disposição de pagar pela
mercadoria ou serviço. Se existissem várias cantinas na
escola, pesquisaríamos em qual delas o copo de água
está mais barato (se existe muita oferta, o preço deve
ser mais baixo), ou, ao contrário, se não existir opção,
pagamos o preço exigido.
Pois bem, com o dinheiro acontece a mesma coisa.
Sendo o dinheiro uma mercadoria com certas
características especiais, nada mais natural do que ele
ter um preço. Uma das interpretações que podemos
dar aos juros é esta: o juro nada mais é do que o preço
do dinheiro.
o do que são
s
Esse preço, como os preços de todos os outros
produtos, sofre influência de vários fatores: a) do tempo;
b) do índice de inflação da economia; e c) do risco
envolvido.
a algo indesejável, mas não é bem assim. Risco é a
probabilidade de ocorrer um evento, que pode ser
positivo ou negativo.
Resumindo, vamos definir os juros como sendo o preço
da mercadoria chamada dinheiro. Vamos também
ver como cada uma daquelas situações influencia o
aumento dos juros.
No mundo financeiro, existem riscos que são assumidos
pelo investidor. Esses riscos, no entanto, podem ser
medidos por meio de modelos estatísticos. Usando
esses modelos, conseguimos avaliar o risco de uma
carteira de investimentos.
O que altera a taxa de juro
Em primeiro lugar, devemos lembrar que nós não
enxergamos os juros como unidades monetárias. O que
todos os jornais noticiam é a taxa de juro.
Quando falamos que o tempo influencia as taxas de
juro pagas ou cobradas na economia, queremos dizer
que as taxas sofrem influência dos prazos envolvidos
nos negócios: dependendo do prazo, podemos ter uma
taxa de juro menor ou maior.
Dependendo do modelo de avaliação de risco, é
possível prever a perda máxima de uma carteira – com
até 95% de probabilidade de acerto.
O que devemos saber é que o risco existe sempre, em
qualquer atividade. O importante é ter consciência
dos riscos que assumimos ao fazer alguma aplicação
financeira.
Os juros são afetados pelo risco: quanto maior o risco
que estamos correndo, maior será a taxa de juro paga;
quanto menor o risco, menor a taxa de juro.
Um outro fator importante, que mexe com as taxas de
juro de uma economia, é o risco. Normalmente, quando Por último, outro fator que pode alterar os juros pagos
ouvimos dizer que alguma coisa é arriscada, associamos numa economia é a inflação.
19
Noções sobre o
Sistema Financeiro
Nacional
Há pouco, falamos que os bancos atuam no sistema
financeiro e não são só eles que podem ajudar as
pessoas e empresas a aumentar seu patrimônio.
Com a evolução dos bancos e de outras instituições
financeiras, o governo fez seu papel de criar
regras para equilibrar as relações entre os agentes
econômicos.
Conselho Monetário Nacional (CMN) – é o órgão
deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional
(SFN). Compete ao CMN estabelecer as diretrizes
gerais das políticas monetária, cambial e creditícia;
regular as condições de constituição, funcionamento
e fiscalização das instituições financeiras; e disciplinar
os instrumentos de política monetária e cambial.
Para regulamentar os bancos e demais instituições
financeiras, surgiram vários órgãos que, em seu
conjunto, formam o que se chama Sistema
Financeiro Nacional.
Banco Central do Brasil (BC) – é uma autarquia
federal integrante do SFN e exerce a função de
secretaria do CMN. Compete ao BC emitir moeda,
controlar o crédito, o capital estrangeiro, autorizar
as instituições financeiras a funcionar, fiscalizá-las e
aplicar penalidades. É também de sua competência
a compra e venda de títulos públicos federais, o
entendimento, em nome do governo brasileiro, com
instituições financeiras internacionais, a emissão
de títulos de responsabilidade própria e outras
atividades.
Apenas para dar uma ideia, vamos nomear alguns
desses órgãos, apresentando em seguida uma
pequena definição de cada um:
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) –
autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda que
visa assegurar o funcionamento eficiente e regular
dos mercados, proteger os investidores contra
irregularidades, assegurar o acesso do público
a informações e regular o mercado de capitais.
Principais funções: normativa; fiscalizadora; julgadora;
registrária; consultiva ou de orientação; e de fomento.
20
Agora que já sabemos como surgiu o dinheiro e que
os bancos têm a função de auxiliar as pessoas e as
empresas a investir, vamos retomar o assunto dos
juros.
O papel dos juros para as pessoas pode ser
dividido em:
1) Remuneração para aqueles que, controlando
seus gastos, conseguem economizar
e investem seu dinheiro, esperando a
oportunidade certa para comprar (consumir);
2) Despesa para aqueles que, não tendo
controle de seus gastos, precisam pedir
dinheiro emprestado.
Por isso a educação financeira é muito importante:
para aprendermos a controlar melhor nossos gastos e a
administrar nosso dinheiro. Enfim, aprender a dar valor
ao dinheiro ganho e gastá-lo com sabedoria e prazer.
Ganhando dinheiro nos dias de hoje
Antigamente, os pais ou parentes próximos nos
perguntavam: “o que você vai ser quando crescer?”.
Talvez essa pergunta enchesse nossa cabeça com
vários sonhos. Hoje, todavia, não se escuta mais essa
pergunta com tanta frequência. O que queremos dizer
com isso é: sempre temos vontade de vencer. Mas, para
alcançarmos nosso objetivo de ter uma vida digna,
com qualidade e, é claro, sem problemas com dinheiro,
precisamos decidir o que queremos fazer.
O que você espera do futuro? Ganhar dinheiro
atualmente é difícil, mas para quem sabe o que quer
nada é tão complicado assim. Isto é, para termos mais
chances de atingir nossos objetivos, precisamos decidir
o que queremos. Para começar, devemos pensar um
pouco e descobrir em que somos bons, o que nos dá
prazer, quais são, enfim, nossas habilidades. Esse já é
um bom começo para encontrar um trabalho ou um
negócio em que possamos vencer.
Se você já trabalha e ganha seu dinheiro,
analise se esse trabalho lhe traz prazer e
felicidade. Se traz, ótimo! Passe a pensar
no planejamento financeiro sobre o qual
falaremos mais adiante.
Dinâmica 3
Para ajudá-lo a descobrir quais são suas habilidades, algumas
questões devem ser respondidas. E só você pode encontrar essas
respostas. Por isso, pense bem e responda às questões abaixo:
Você tem alguma matéria, na escola, que goste mais do que
outras?
Na escola, como você prefere trabalhar: sozinho ou em grupo?
O que você não gosta de fazer?
Fora da escola, o que você mais gosta de fazer?
Na sua casa, você ajuda em alguma coisa? Tem alguma tarefa
sob sua responsabilidade?
Você costuma receber elogios quando faz um determinado
tipo de coisa? Que coisa é essa?
Se você já trabalha, como você vê suas perspectivas de
crescimento profissional?
Quais são as habilidades e conhecimentos que seu trabalho
exige?
Respondendo a essas perguntas, talvez você comece a
perceber qual tipo de atividade lhe traz prazer e, a partir daí,
você possa começar a pensar numa profissão. Ou, se for o
caso, a planejar sua carreira.
É bom lembrar que trabalhar, atualmente, assumiu formas
diferentes daquelas que estávamos acostumados a enxergar.
Você pode escolher uma carreira em que suas atividades sejam
desenvolvidas num escritório de uma grande empresa. Ou
pode escolher uma atividade que possa ser desenvolvida em
seu escritório particular, ou até mesmo em casa.
Hoje, o que interessa é que você execute tarefas ou tenha
habilidades que superem as expectativas das pessoas. Em
outras palavras, é importante que você tenha algo a mais para
oferecer. Por isso, estudar é muito importante. É na escola que
aprendemos e que vamos nos aperfeiçoar.
21
Construindo o
futuro
Como vimos, para vencer no trabalho é
preciso, antes de tudo, gostar daquilo que
estamos fazendo. Mas, de qualquer forma,
o único jeito de termos certeza que vamos
ganhar dinheiro é trabalhando. Nesta fase que
estamos vivendo, é primordial dedicarmonos aos estudos; não podemos deixá-los de
lado. Como já dissemos, é muito importante
estudar para nos prepararmos para o futuro.
Dinâmica 4
Para organizar melhor nosso tempo,
vamos listar algumas atividades que temos
diariamente. Vejamos o que pode ser incluído
em nossa lista:
Escola – lição de casa e outras tarefas exigidas
por nossos professores, além do tempo que
passamos na escola;
Esportes – é importante também praticar
algum tipo de esporte. Além de fazermos
novos amigos, cuidamos de nossa saúde;
Refeições – o tempo para nos alimentarmos
corretamente (com alimentos saudáveis) é
muito importante. Vamos precisar de muita
energia para poder desenvolver todo o nosso
projeto de vida;
Tarefas de casa – aquelas que estão sob
nossa responsabilidade também devem ser
levadas em conta;
Compromissos familiares – encontros e
atividades com nossa família.
Lembre-se de outras coisas que você deve
fazer e amplie essa lista. Em seguida, veja se
sobrou algum tempo depois das aulas ou
mesmo no final de semana.
O estudo é o mais importante agora: é seu
primeiro “trabalho”.
Converse com seus pais e irmãos sobre
suas ideias. Eles podem ajudar. E mais: eles
podem nos dar excelentes dicas sobre como
administrar nosso tempo.
22
Planejamento
Administrando o seu
financeiro dinheiro
Trabalhando ou não, vamos ver o que podemos
fazer para guardar algum dinheiro. Para podermos
ganhar dinheiro e nos tornar um agente econômico
superavitário (que tem possibilidade de poupar),
precisamos planejar nossa vida financeira. Colaborar
com o planejamento financeiro familiar é a chave para
acabarmos com as preocupações geradas pela falta de
dinheiro.
Administrar nosso dinheiro nada mais é do que tomar
decisões a respeito do que faremos com ele. Mas, para
cuidar bem de nosso dinheiro, antes de tudo é preciso
que nos organizemos e façamos um planejamento
financeiro.
Planejar é decidir antecipadamente. Isso ajuda a
eliminar desperdícios e prevenir a falta de dinheiro
e também evita surpresas que podem ser bem
desagradáveis.
O mais indicado é elaborarmos um orçamento. Mas o
que é orçamento? Orçamento nada mais é do que um
plano que fazemos para ver com o que gastamos nosso
dinheiro e quanto gastamos com cada coisa. Vamos
experimentar fazer uma relação de tudo?
23
O que fazer com o
Dinâmica 5
Vamos fazer uma lista de todos os nossos
gastos, mesmo aqueles que consideramos
muito pequenos. Para nos auxiliar no correto
planejamento financeiro, é necessário
registrarmos nossos gastos e projetarmos
nossas necessidades futuras. Em outras
palavras, é necessário que tenhamos um
orçamento pessoal para nos basear.
Essa é uma atitude salutar, pois nos força a
verificar no que realmente gastamos nosso
dinheiro. Devemos, para bem planejar nossa
vida financeira, saber quais são nossos gastos
reais, quais são nossas despesas.
Utilize o modelo abaixo para fazer seu
planejamento financeiro:
CONTROLE DE GASTOS/MÊS
Itens
Lanche da escola
Cinema
Passeio
Revistas
Transporte
Lanchonete
Valores
R$
R$
R$
R$
R$
R$
Para fazer sobrar alguma coisa de sua renda
mensal (mesada ou salário), você deve pensar
muito bem no que economizar, sem que isso
signifique deixar de fazer coisas importantes.
24
dinheiro
que sobra
Gastar mais do que ganhamos não é
um bom negócio. Essa situação nos tira
a independência e faz com que sempre
precisemos pedir mais algum dinheiro para
nossos pais. E nossos pais, além da mesada,
têm os gastos com nossa escola, nosso
vestuário, livros, nosso telefone etc.
Contudo, se conseguirmos guardar um
pouco de dinheiro e soubermos o que fazer
com ele, vamos ter oportunidade de gastar,
no futuro, e satisfazer nossas vontades.
Portanto, vamos investir todo o dinheiro
que economizarmos!
Títulos
poupança
As várias formas de
de renda fixa
Quando falamos em poupança, logo vem à nossa
cabeça a imagem da caderneta de poupança, que
talvez seja a forma mais comum de se guardar
dinheiro. Mas ela não é a única. A caderneta de
poupança é a aplicação mais simples que existe
e pode ser utilizada para pequenas quantias de
dinheiro sem perder a liquidez.
As instituições financeiras que trabalham com
caderneta de poupança (sociedades de crédito
e investimento, Caixa Econômica, associações
de poupança e empréstimo, bancos múltiplos)
remuneram, ou seja, pagam as aplicações com base
na TR (Taxa Referencial) mais juros de 0,5% ao mês
para que você deixe seu dinheiro investido.
A TR serve para corrigir os valores
aplicados. Lembra-se da inflação? A
TR serve para repor parte dos valores
perdidos com a inflação.
É preciso alertar, entretanto, que existem outras
formas de se corrigir o valor do dinheiro por conta
da perda imposta pela inflação. O governo calcula
outros indexadores, além da TR. E existem outros
investimentos que oferecem melhor retorno financeiro.
De forma simplificada, ao comprarmos um título
de renda fixa é como se fizéssemos um contrato
emprestando dinheiro às empresas (debêntures) ou
ao governo, e eles se comprometem a pagar juros
em intervalos regulares.
Outro título de renda fixa é o Certificado de Depósito
Bancário (CDB), um título emitido por bancos e que
paga juros pré-fixados ou pós-fixados.
Mas atenção! Devemos ter cuidado com os CDBs
que estiverem pagando taxas muito maiores que as
de mercado. Um banco que paga taxas muito altas
pode estar com dificuldades para captar recursos
no mercado, o que pode ser um indicativo de
problemas com sua saúde financeira.
Existem também os títulos públicos, que são papéis
emitidos pelos governos (federal, estadual ou
municipal) e representam uma dívida. De modo
geral, os mais negociados atualmente são os
títulos públicos federais. É possível investir neles
diretamente, via internet, por meio do Tesouro Direto.
Então, pode ser que a caderneta de poupança seja
uma maneira de começarmos a juntar dinheiro.
À medida que a quantia de dinheiro guardado
aumentar, devemos falar com nossos pais sobre
outras possibilidades de investimentos.
25
A importância do
mercado
de ações
novos
sócios
Como já vimos, o sistema financeiro possibilita o
encontro dos agentes econômicos superavitários e
deficitários. Aqueles que têm excesso de recursos
financeiros (poupadores) colocam-nos à disposição,
via mercado financeiro, daqueles que necessitam
desses recursos.
Quando os investidores negociam ações na Bolsa,
diz-se que estão recorrendo ao mercado secundário.
Essas negociações podem ser feitas pelas corretoras
de valores e distribuidoras de valores.
para a economia
As empresas podem captar recursos no mercado
financeiro por meio da emissão de valores
mobiliários, isto é, ações e debêntures, de forma
direta, ou por meio dos clubes e fundos de
investimento, de forma indireta.
Quando uma empresa deseja expandir seus negócios
ou modernizá-los, necessita de recursos adicionais e
pode, então, emitir ações, vendendo-as diretamente
aos investidores: essa é uma oferta de ações feita no
mercado primário.
26
Você pode ser um dos
dessas empresas
O mercado de ações contribui para o
desenvolvimento econômico, estimulando a
formação de poupança privada, na medida em que
permite a captação de recursos financeiros para
investimentos que geram emprego e renda.
Quem compra uma ação se torna sócio da empresa.
Podemos encontrar ações de lojas nas quais
compramos, de bancos nos quais nossos pais têm
conta, de fabricantes dos mais variados artigos que
usamos.
A
Bolsa
Dentre as alternativas de investimento, as ações
negociadas na Bolsa vêm ganhando destaque nos
últimos anos. Vamos ver do que se trata.
As bolsas de valores surgiram há muito tempo, no
século XIV. Os historiadores dizem que nessa época,
na Bélgica, na cidade de Bruges, um grupo de
comerciantes reunia-se na casa de um deles, cujo
sobrenome era Burse. O brasão da família Burse tinha
um escudo e três bolsas. A casa da família Burse ficou
conhecida, então, como a casa das bolsas.
Afinal, o que é a Bolsa? É o local que oferece
condições e sistemas necessários para a compra e
a venda de títulos e valores mobiliários, de forma
transparente. Além disso, a Bolsa possui atividade de
autorregulação, que visa preservar elevados padrões
éticos de negociação e divulgar as operações
executadas com rapidez, amplitude e detalhes.
27
A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros
(BM&FBOVESPA) centraliza as negociações com ações
e títulos de renda fixa. No mercado de derivativos,
realiza a negociação de contratos baseados em ativos
financeiros, índices, taxas, mercadorias e moedas, nas
modalidades a vista e/ou de vencimento em data
futura.
Uma “ação” é um título representativo da menor
fração do capital de uma empresa. É importante
saber que existem ações preferenciais e ações
ordinárias.
As ações ordinárias são aquelas que têm o código
ON depois do nome da empresa. Quem possui
essas ações tem direito de votar nas assembleias de
acionistas.
As ações preferenciais são identificadas pelo código
PN depois do nome da empresa. O proprietário
dessas ações tem preferência na hora de receber
dividendos.
Para ficar claro, dividendo é a parte do lucro que a
empresa distribui aos acionistas. A empresa deposita
dinheiro na conta dos acionistas por ocasião dessa
distribuição de dividendos. No Brasil, por força de lei,
25% dos lucros são obrigatoriamente distribuídos aos
acionistas.
Então, como é que posso ganhar dinheiro com o
mercado de ações?
Podemos tranquilamente aplicar em investimentos
de longo prazo ao menos uma parte de nossa sobra
28
financeira. Esse é o caso da Bolsa: o investimento em
ações é tipicamente de longo prazo, isto é, quanto
mais tempo você fica com o dinheiro aplicado, mais
chance tem de ganhar com ele.
Assim, podemos aplicar parte de nosso dinheiro e
formar uma carteira de ações. Com isso, recebemos
dividendos e, se precisarmos, podemos vender as
ações, obtendo lucro com a venda.
Essas são as duas formas que temos para ganhar
dinheiro com ações: por meio do recebimento dos
dividendos e pela valorização das ações. Precisamos,
entretanto, ter conhecimento sobre o mercado de
ações.
Em primeiro lugar, precisamos procurar uma corretora
de valores ou uma distribuidora de valores, pois
somente por intermédio delas é que podemos
comprar ações. No site da BM&FBOVESPA (www.
bmfbovespa.com.br), podemos encontrar
informações sobre as corretoras e distribuidoras da
Bolsa. Outra maneira de investirmos em ações é por
meio de um clube ou fundo de investimento (mais
adiante falaremos deles).
As corretoras e distribuidoras de valores nos
orientam na compra e venda de ações. E é disso
que precisamos: informações confiáveis para saber
o momento certo de realizar a compra e a venda de
ações, e de quais companhias.
Ao decidir que queremos investir em ações, devemos
estar bem informados e conversar com nossos pais
sobre o assunto.
Como investir em
ações
Existem três formas de participar desse mercado.
1.
Os Clubes de Investimento são uma forma
de investimento coletivo que congrega pessoas de
seu relacionamento. É um clube mesmo. Você pode
chamar seus amigos, familiares, colegas de trabalho e
investir em ações.
Para formar um clube, é necessário cadastrá-lo
em uma corretora de valores, que atuará como
administradora e cuidará de todos os documentos
e registros necessários, orientará na elaboração do
estatuto social (documento de criação do clube) e
poderá fazer a gestão da composição da carteira de
ações do clube.
O Clube de Investimento deve ter no mínimo
três e no máximo 150 pessoas; um cotista será o
representante dos investidores que, em conjunto
com a corretora escolhida e após os registros legais,
decidirá sobre a gestão do clube.
Todo Clube de Investimento deve ter no mínimo 51% do
dinheiro aplicado em ações. Os 49% restantes poderão
ser investidos, por exemplo, em renda fixa.
2.
Os fundos de investimento são produtos de
instituições financeiras, também constituídos como
investimento coletivo. Ao aplicarmos num fundo de
investimento, estamos comprando cotas (parcelas
desse fundo) e nos tornando cotistas.
Os fundos são regulamentados e fiscalizados pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e podem ser
compostos por papéis de renda variável (ações) ou
de renda fixa (debêntures, notas promissórias, CDB,
dentre outros).
Para escolher o fundo em que aplicaremos, devemos
analisar o regulamento, a política de investimento,
quem são o administrador e o gestor, como é a
performance do fundo e quais são as taxas de
administração.
Clubes e fundos podem ser uma boa opção de
investimento para aqueles que não têm tempo
de acompanhar o mercado e seus vários detalhes.
Mas devemos estar sempre atentos aos custos
envolvidos na aplicação. O principal deles é a taxa de
administração.
3.
Há também a possibilidade de fazer nossos
investimentos individualmente, que é quando
adquirimos as ações diretamente, sempre utilizando
as corretoras como intermediárias.
Taxa de administração é uma despesa que o clube
ou o fundo tem com o administrador. Além da
taxa de administração, outros custos podem ser
cobrados: taxas de performance, despesas legais,
taxas de gestão de carteira etc. É importante estar
atento às taxas e valores cobrados, que podem
diferir entre os administradores e gestores.
29
Passo a
passo
Agora podemos investir! Vamos, então, definir quanto
de nossa carteira de investimento será direcionada ao
mercado acionário.
Decida como fará para investir: participará de um Clube
de Investimento? Aplicará num fundo de investimento
ou participará do mercado individualmente?
1 - Clube de Investimento
Se você optar pela criação de um Clube de Investimento,
deverá, antes de tudo, procurar uma corretora de valores,
pois ela é quem vai ajudá-lo e orientá-lo quanto à
documentação necessária para criar o clube, bem como
na composição da carteira de ações. Lembre-se de que,
para formar um clube, é necessário o mínimo de três
pessoas, os cotistas, que juntos definirão o estatuto que
regerá as atividades do clube. Depois de registrado, o
clube poderá iniciar suas aplicações por meio da corretora
de valores escolhida para sua administração, em conjunto
com o representante dos investidores.
2 - Fundo de investimento
Se optar por investir por meio de um fundo, cuide para
escolher o melhor. Procure conhecer o que puder sobre
seus administradores e sua política de investimento, pois,
nesse caso, a carteira será definida pelo gestor do fundo
escolhido.
3 - Investimento individual
Se quiser investir individualmente, procure uma
corretora de valores credenciada pela BM&FBOVESPA;
faça seu cadastro e converse com a corretora, que lhe
indicará as melhores oportunidades de investimento.
Depois de se decidir, envie sua ordem de compra ou
venda por telefone ou internet (Home Broker).
Importante:
A melhor forma de ter tranquilidade em relação aos
seus investimentos é diversificar a carteira, escolhendo
aplicações de características diferentes, compostas por
renda fixa, renda variável e imóveis, por exemplo.
30
Bibliografia
ASSAF Neto, Alexandre. Matemática financeira e suas aplicações. Editora
Atlas.
BRASIL, Banco Central do. Banco Central, fique por dentro. www.bcb.
gov.br
FORTUNA, Eduardo. Mercado financeiro. Editora Qualitymark.
GRANDILONE, Cláudio. Investindo sem susto. Editora Campus/Elsevier.
HALFELD, Mauro. Investimentos. Editora Fundamento.
LUQUET, Mara. Guia Valor Econômico de finanças pessoais. Editora
Globo.
RANGEL, Armênio de Souza e outros. Matemática dos mercados
financeiros. Editora Atlas.
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. Editora Atlas.
SOHSTEN, Carlos Von. Como cuidar bem de seu dinheiro. Editora
Qualitymark.
O mercado de ações e valores mobiliários em geral, assim
como os mercados futuros e de opções, não oferecem ao
investidor rentabilidade garantida. Por não oferecer garantia
de retorno, devem ser considerados investimentos de risco.
Impresso em setembro de 2010.
31
Praça Antonio Prado, 48
01010-901 São Paulo, SP
Rua XV de Novembro, 275
01013-001 São Paulo, SP
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