Teen 1 2 Índice Introdução ...............................................................................................................................................5 A importância da educação financeira .................................................................................6 O que é dinheiro..................................................................................................................................7 O aparecimento do dinheiro .......................................................................................................8 A evolução do dinheiro ...................................................................................................................9 Os bancos..............................................................................................................................................12 O multiplicador da moeda .........................................................................................................13 Como a economia usa a moeda ............................................................................................14 Confiança é tudo ..............................................................................................................................17 O que é a inflação ............................................................................................................................18 Uma pequena noção do que são os juros.......................................................................18 O que altera a taxa de juro .........................................................................................................19 Noções sobre o Sistema Financeiro Nacional ................................................................20 Ganhando dinheiro nos dias de hoje ..................................................................................21 Construindo o futuro .....................................................................................................................22 Planejamento financeiro..............................................................................................................23 Administrando o seu dinheiro .................................................................................................23 O que fazer com o dinheiro que sobra ..............................................................................24 As várias formas de poupança .................................................................................................25 Títulos de renda fixa .......................................................................................................................25 A importância do mercado de ações para a economia ..........................................26 Você pode ser um dos novos sócios dessas empresas ...........................................26 A Bolsa .....................................................................................................................................................27 Como investir em ações ..............................................................................................................29 Passo a passo ......................................................................................................................................30 Bibliografia ............................................................................................................................................31 3 4 Introdução De vez em quando, acontece de o dinheiro que recebemos (mesada) acabar muito rápido. “Será que não estou sabendo gastar meu dinheiro? Será que os preços dos produtos e serviços dos quais preciso são sempre os mesmos? Se forem, certamente não estou gastando bem meu dinheiro. Mas, e se os preços estiverem aumentando, como lidar com minhas finanças? O que devo fazer para que meu dinheiro não falte?” São problemas desse tipo que tornam nossa vida mais complicada. Para facilitar as coisas, devemos começar a pensar no futuro, a fazer nossos planos. Ganhar dinheiro não é nada fácil. Quem já trabalha percebe isso claramente. Quem ainda não começou pode prestar atenção em sua família. De qualquer forma, vamos começar a pensar em como podemos multiplicar nossa renda atual para que, no futuro, tenhamos nossas coisas com mais facilidade. É a isso que se propõe este texto: dar conhecimentos básicos para que você administre seu dinheiro. Assim você pode melhorar sua qualidade de vida, hoje e no futuro. 5 A importância da educação financeira Na escola, aprendemos muitas coisas importantes como, por exemplo, a conviver com diversas pessoas. Isso nos ajuda, e muito, no decorrer da nossa vida. A escola é onde aprendemos e fazemos amigos. Entretanto, nem sempre somos educados para mexer com dinheiro. E saber como lidar com dinheiro é fundamental para que possamos planejar nosso futuro. Devemos adquirir bastante conhecimento para não termos problemas financeiros quando formos adultos. Para garantir equilíbrio em nossas decisões, é preciso disciplina e conhecimento básico de finanças pessoais. 6 O que é dinheiro “Dinheiro” são aquelas moedas e notas que usamos para comprar tudo o que queremos ou de que precisamos. Você já imaginou um mundo sem dinheiro? Fica difícil imaginar como seria viver num lugar onde não houvesse dinheiro. Contudo, na Pré-História, há milhares de anos, os homens não usavam dinheiro nem precisavam dele: moravam em cavernas, vestiamse com peles de animais, comiam as frutas apanhadas diretamente das árvores e os animais que eles mesmos caçavam. Com o tempo, a população aumentou. Formaram-se pequenos grupos de pessoas que viviam juntas em comunidade. Nesses grupos, alguns caçavam, outros guerreavam (protegiam-se) e outros, ainda, por não caçarem nem guerrearem, eram encarregados de produzir ferramentas, armas, vasilhas etc., além de plantar para a subsistência do grupo. Então, o homem acabou se fixando à terra, isto é, escolheu um lugar para morar, fazer sua plantação e criar animais domésticos. Se alguém precisasse de algo que não era produzido em sua própria aldeia, ia procurar na aldeia vizinha e trocava um objeto por outro. Essa troca ficou conhecida pelo nome de escambo. Mas não era tão simples assim realizar uma troca. Era preciso que as partes interessadas tivessem os mesmos desejos. Por exemplo: se alguém quisesse trocar um cavalo que já não lhe interessava por um saco de milho, era preciso encontrar alguém que tivesse um saco de milho e estivesse interessado em obter um cavalo. Se isso acontecesse, tudo bem. Mas, e se o dono do saco de milho estivesse interessado em obter um arco-e-flecha? Seria necessário que o dono do cavalo procurasse alguém que, tendo o arco-e-flecha, estivesse interessado em possuir um cavalo. Se encontrasse tal pessoa, ainda seria necessário, após realizar a troca do cavalo pelo arco-e-flecha, ir ao encontro do dono do saco de milho para trocá-lo. Ufa! E isso só para três produtos! Que confusão! 7 O aparecimento do dinheiro Alguns objetos e alimentos eram aceitos por quase todas as pessoas, mesmo que não estivessem precisando deles naquele momento. Isso ocorria se a mercadoria pudesse ser facilmente trocada por qualquer outro objeto de que a pessoa realmente necessitasse. Através dos tempos, muitos objetos e alimentos serviram como instrumento de troca (dinheiro). Conchas do mar, peles de animais, sal, aveia, tecidos, trigo, gado, sementes, plumas e penas de aves, vinho, mel e até peixe seco foram utilizados como dinheiro. Assim, quando alguém queria comprar uma mercadoria, usava aquele objeto que era aceito por todos; ou quando alguém trabalhava para outra pessoa, recebia em troca certa quantidade daquele objeto. Foi dessa maneira que nasceu o que hoje chamamos dinheiro: algo aceito por todos e que pode comprar as mercadorias das quais precisamos. 8 Dinâmica 1 Você recebeu dois cartões. Num deles, está estampada a figura de uma mercadoria de que você necessita com urgência. No outro, uma mercadoria que você está disposto a oferecer em troca. Seu objetivo é encontrar quem tenha a mercadoria de que você necessita. Você deve fazer trocas com todos os participantes até encontrar a pessoa que tem a mercadoria que você quer e que queira trocar pela que você possui. Vamos tentar? A evolução do dinheiro Como vimos, muitos objetos foram usados como dinheiro no decorrer do tempo. Mas eles sempre apresentavam algum problema e acabavam sendo deixados de lado. podiam dar troco, já que o gado é indivisível. Em outras palavras, a mercadoria a ser usada como dinheiro não podia estragar, deveria ser divisível, fácil de transportar e de manusear. Em certas comunidades, os vasos de barro foram usados como dinheiro. Agora, imagine um homem que, precisando comprar um boi que custava três vasos de barro e, tendo esse “dinheiro”, pegou seus vasos e foi até a fazenda que estava vendendo o boi. Mas, no meio do caminho, ele se assustou, tropeçou e deixou cair todos os vasos, que se quebraram. Para resolver o problema, o homem começou a utilizar metais preciosos como dinheiro. Os metais, de maneira geral, não estragam, são fáceis de ser manuseados, podem ser divididos e ninguém duvida que tenham valor. Além de ficar sem seu boi, o homem ficou três vasos mais pobre, pois seu dinheiro havia se quebrado. Devagar, então, os metais preciosos começaram a ser usados nas trocas de produtos entre os homens nas comunidades. Inicialmente, o cobre e o ferro serviram como dinheiro; posteriormente, o ouro, a prata e o bronze tomaram seu lugar e permanecem até hoje. Outra comunidade, que usava o sal como dinheiro, tinha de tomar muito cuidado com a chuva: se o “dinheiro” deles molhasse, estavam perdidos. Havia também aqueles que usavam o vinho e perdiam seu dinheiro com o tempo, pois a bebida é perecível. E aqueles que usavam o gado como moeda nunca Em seguida, em vez de o metal bruto ser usado para as trocas, foi criada a moeda metálica, que, além de todas aquelas características, dificultava a ação dos falsários, pois tinha estampada a efígie (a face) e frases colocadas pelos nobres, monarcas ou imperadores que as fabricavam. 9 10 Do uso do sal como dinheiro é que apareceu a palavra SALÁRIO. Os soldados romanos eram pagos com sal. Por isso, começou-se a usar a palavra para nomear o pagamento que os trabalhadores recebem de seus patrões. As moedas metálicas, entretanto, eram muito pesadas e o risco de que algum ladrão as roubasse era muito grande. Isso fez com que aparecessem as casas de custódia, talvez embriões dos bancos modernos. Lá, eram depositados o ouro e a prata, e o dono da casa de custódia emitia recibos de depósitos, que eram mais cômodos e seguros. A confiança que a população tinha nos donos das casas de custódia (geralmente eram ourives) fazia com que todo mundo aceitasse o recibo emitido por eles nas trocas. Assim apareceu a moeda-papel. Em outras palavras, era um papel que representava um depósito de ouro ou prata que tinha sido feito nas casas de custódia. Quando o dono da moeda-papel precisava, podia ir à casa de custódia e retirar o ouro ou a prata que estavam depositados lá. Ou seja, podia converter a moeda-papel (recibo emitido) em ouro ou prata para seu uso. No entanto, o dono da casa de custódia, pela experiência que possuía, percebeu que nem todo mundo retirava todo o seu ouro ou prata de uma só vez. Sempre restava um pouco guardado, ocioso, esperando novas movimentações. Então, os donos das casas de custódia passaram a emprestar essas sobras, cobrando por isso. Ou seja, acabava havendo mais recibos do que a quantidade de ouro e prata que havia sido depositada. Isso fez com que aparecesse o papel-moeda, o dinheiro como nós o conhecemos hoje. Ele não podia ser trocado por ouro ou prata, pois nem sempre existia a quantidade necessária para isso. Em muitos países, esse sistema foi quebrado pela desconfiança do público em relação às casas de custódia: quando não havia lastro (quantidade de ouro ou prata) suficiente para converter os recibos em ouro ou prata, todos os depositantes (ou a maioria deles) corriam às casas de custódia querendo resgatar seus depósitos, e a situação ficava pior ainda. 11 Os bancos A maioria das pessoas já entrou em algum banco e percebeu que todos os que lá estão vão guardar ou retirar seu dinheiro. Pois bem, apesar de toda a modernidade dos bancos, eles são instituições muito antigas. Eles apareceram muito antes do próprio dinheiro. Mesmo quando se praticava o escambo, já havia lugares onde era possível guardar bens de valor e, quando era preciso, ir retirar. Nessa época, os templos eram lugares seguros e confiáveis e, por isso mesmo, prestavam-se a esses serviços. Quando surgiu o dinheiro, há mais ou menos 2.500 anos, surgiram também pessoas que faziam câmbio, isto é, aqueles que trocavam um tipo de moeda por outro, e os prestamistas, pessoas que emprestavam dinheiro. Na Idade Média, os ourives eram os encarregados de guardar dinheiro (emitiam recibos), trocar moedas 12 A palavra “banco” vem do alemão bank, que era um banco de madeira usado pelas pessoas que trocavam ou emprestavam dinheiro. A partir da Idade Média, as casas que realizavam essas atividades herdaram o nome. de tipos diferentes e emprestar dinheiro. É lógico que, para prestar esses serviços, eles cobravam. Os recibos dos ourives acabaram circulando como se fossem dinheiro (moeda-papel) e suas casas, onde eram guardadas as quantias de ouro e prata, acabaram se tornando os primeiros bancos. Com o aparecimento dos bancos, o comércio ficou mais fácil e seguro. Aqueles que faziam comércio na própria cidade pagavam ou recebiam por meio daqueles recibos dos bancos. Aqueles que faziam comércio em cidades ou até mesmo países diferentes não precisavam carregar sacos e mais sacos de moedas, que, além de pesados, eram fáceis de ser roubados. tornaram-se cada vez mais úteis e necessários. Com a evolução dos bancos e dos serviços bancários, a moeda bancária é cada vez mais utilizada pelas pessoas que, para efetuar transações com os recursos disponíveis, emitem cheques ou se utilizam dos meios eletrônicos. Todos acabaram gostando dessa forma de trabalhar: os comerciantes se sentiam mais seguros e os banqueiros podiam cobrar pela prestação dos serviços. Com o crescimento do comércio mundial, os bancos também cresceram e Na verdade, hoje é muito mais seguro e cômodo guardar nosso dinheiro num banco e, quando necessário, retirá-lo; ou então fazer pagamentos usando cheques ou ordem de pagamento via internet, telefone ou o cartão de débito. O multiplicador da moeda A palavra “economia” vem do grego oikos, que significa casa, e néimein, que significa administrar. Originalmente, portanto, economia significava administrar os bens de uma casa. Momento 0 1 2 3 4 5 Total Depósitos a vista 1.000,00 700,00 490,00 343,00 240,10 168,07 2.941,17(a) Os bancos têm uma importante função na economia. Eles influenciam na oferta de moeda. Se não existissem os bancos, a quantidade de moeda que circularia na economia seria constante. Vamos ver como isso acontece: As pessoas guardam, ou seja, depositam seu dinheiro no banco. O dinheiro guardado no banco é usado pelas pessoas para fazerem Depósito compulsório (30%) 300,00 210,00 147,00 102,90 72,03 50,42 882,35(b) Saldo livre para empréstimos 700,00 490,00 343,00 240,10 168,07 117,65 2.058,82(c) a - O depósito a vista inicial de R$1.000,00, com os empréstimos, multiplicou-se para R$2.941,17 b - Saldo em depósito compulsório de R$300,00 multiplicou-se para R$882,35 c - R$1.000 de depósito a vista geraram R$2.058,82 em empréstimos bancários Figura 1 - Efeito multiplicador pagamentos, e pelos bancos para emprestarem a outras pessoas. É justamente emprestando dinheiro que o sistema bancário multiplica a moeda. Quem controla isso é o Banco Central, pois exige que o banco envie a ele parte de tudo o que é depositado. É o que chamamos de depósito compulsório. Vamos supor que você receba R$1.000,00 e deposite no banco. Desse total, R$300,00 são enviados ao Banco Central por meio do depósito compulsório. Os R$700,00 restantes podem ser emprestados a outra pessoa, que, por sua vez, depositará esse dinheiro em outro banco. Esse processo se repete sucessivamente, até que não seja mais possível. Por fim, podemos ver que os R$1.000,00 depositados inicialmente transformaram-se em R$2.941,17 sob a forma de novos depósitos, e multiplicaram-se em R$2.058,82 em empréstimos bancários. 13 Como a economia usa a moeda O dinheiro, como vimos, é um facilitador das trocas que ocorrem numa economia, e hoje é indispensável em qualquer lugar, já que os bens e serviços são numerosos. vendidos. Com os recursos financeiros arrecadados na venda, o processo será repetido indefinidamente, criando uma interação entre as diversas pessoas e empresas que compõem o sistema econômico. Na verdade, o dinheiro tem três funções básicas: intermediário nas trocas que ocorrem numa economia; unidade de valor, isto é, por meio do dinheiro conseguimos estabelecer o valor das diversas mercadorias e serviços produzidos numa economia; e, finalmente, reserva de valor, isto é, podemos guardar nosso dinheiro, pois ele ainda terá valor no futuro. Dessa interação, num primeiro momento, surge um fluxo denominado pelos economistas de fluxo real. As famílias (reunião de pessoas, donas dos fatores de produção) fornecem seus recursos às empresas, e as empresas produzem e fornecem às famílias os bens e serviços de que necessitam. Quando o homem começou a evoluir, lá no tempo das cavernas, e se fixou à terra (escolheu um lugar fixo para morar), ele se especializou na realização de algumas tarefas segundo suas habilidades: esse processo é conhecido pelo nome de divisão do trabalho. Além disso, desenvolveu um sistema de trocas por meio do dinheiro. Se pararmos para pensar, vamos ver que o homem é o dono de todos os fatores de produção. Isto é, o homem é o dono do capital, do trabalho, da tecnologia, dos excedentes financeiros etc. O trabalho, o capital e a tecnologia são utilizados para produzir os bens e serviços que serão 14 Com o auxílio da moeda, as empresas pagam as famílias pelo uso dos recursos utilizados e, por sua vez, as famílias, também com o auxílio da moeda, pagam as empresas pelos bens e serviços adquiridos, o que configura um fluxo monetário. Percebe-se, dessa forma, que o fluxo real e o monetário interligam os agentes econômicos, famílias e empresas. Ao lado do fluxo real, estão o emprego dos recursos (fatores de produção) e o suprimento de bens e serviços necessários à economia. Do lado monetário, se dá a remuneração dos fatores de produção e o pagamento pelos bens e serviços adquiridos. Esse é um modelo muito simplificado que representa o funcionamento de uma economia real. Na verdade, existe um agente econômico poderoso que deve ser incluído nesse nosso modelo simplificado: o governo. A introdução dessa nova personagem não modifica o modelo em essência, pois o governo é um agente econômico como outro qualquer, já que tem uma renda (obtida com a cobrança de tributos) e, ao empregar fatores de produção, interage com as unidades familiares, remunerando-as. Observemos na figura 2 como ficaria, esquematicamente, a interação das famílias (donas dos fatores de produção), empresas (entidades que utilizam fatores de produção para fabricar bens ou prestar serviços) e o governo, que, como qualquer outro agente econômico, usa os fatores de produção para dar à sociedade os bens e serviços necessários. Dessa interação, surgem dois tipos de agentes econômicos, classificados quanto ao saldo de sua conta corrente: 1) Agentes econômicos superavitários – aqueles que têm excesso de renda sobre suas despesas. Isto é, gastam menos do que ganham e, portanto, podem poupar. 2) Agentes econômicos deficitários – aqueles que têm falta de renda para cobrir suas despesas. Isto é, gastam mais do que ganham e, portanto, precisam pedir emprestado para continuar sobrevivendo. Em resumo: da interação dos diversos agentes econômicos (famílias, empresas, governos etc.), nas relações de troca, surgem os fluxos real e monetário. Devido ao comportamento assumido por esses agentes, eles podem se tornar agentes superavitários ou deficitários. Dinâmica 2 Vamos pensar um pouco Se uma pessoa ganha mais dinheiro do que gasta, ela está tranquila ou não? Essa pessoa que tem dinheiro sobrando não pode aplicar seu dinheiro e ganhar mais dinheiro ainda? E uma pessoa que gasta mais do que ganha, ela vai ficar tranquila ou não? O que ela pode fazer para suprir essa falta de dinheiro? Quanto ela vai pagar por isso? Da mesma maneira, uma empresa pode ter dinheiro sobrando e aplicá-lo de duas formas: na própria empresa, expandindo seus negócios, ou no banco, ganhando juros por isso. Por outro lado, ela pode precisar, momentaneamente, de mais dinheiro do que dispõe e deve recorrer às pessoas ou empresas que têm dinheiro sobrando. Pense nisso: Como seria se os bancos não existissem? 15 Unidades familiares Empresas Fluxo real Fatores de produção Produtos Fluxo monetário Remuneração dos fatores Pagamento pelos produtos adquiridos Remuneração de fatores empregados e pagamento de transferências Pagamentos pelos produtos (bens e serviços ) adquiridos Bens e serviços Governo Pagamento de tributos Tributos Fornecimento de fatores de produção Fornecimento de bens e serviços públicos e investimentos na formação de capital fixo de interesse público (infraestrutura econômica e social) Figura 2 - Fluxo circular simplificado 16 Fonte: Rossetti, José Paschoal. Introdução à economia, pág. 183 Confiança é tudo Como percebemos, existem grupos que têm dinheiro sobrando e querem guardá-lo para gastar mais tarde. E existem grupos que precisam de dinheiro para pagar suas contas e usálo na expansão de seus negócios. Caso esses dois grupos de pessoas não se conhecessem, seria muito difícil um deles pedir dinheiro emprestado ao outro. É aí que entram os bancos. Eles oferecem para aqueles que têm dinheiro sobrando uma forma segura de guardá-lo e investi-lo, destinando-o para empréstimos a quem precisa. E, para aqueles que precisam de dinheiro, os bancos oferecem os empréstimos. 17 O que é a inflação Por várias razões, em determinados momentos, a moeda pode perder seu valor. Isso aconteceu em diversas épocas e em todos os países. Não importa qual a forma física que a moeda tenha, seu valor pode diminuir por diversos motivos. Quando dizemos que a moeda perde seu valor, estamos dizendo que, para comprar um mesmo produto, vamos necessitar de uma quantidade maior de moeda. Ou seja, estamos falando que os preços dos produtos aumentaram. Esse aumento de preços, de forma contínua e generalizada numa economia, recebe o nome de inflação. A inflação pode ocorrer por diversas razões. Uma delas é a emissão de moeda de forma descontrolada: governantes, para cobrir seus gastos, acabam emitindo moeda em quantidade maior do que a necessária para garantir o funcionamento da economia. 18 Uma pequena noção d os juros Antes de prosseguirmos, vamos ver o que são juros. Todas as mercadorias têm um valor. Se precisamos de um bem qualquer e não podemos viver sem ele, ou se ele é muito importante (bem escasso), podemos pagar o preço exigido sem discussão. Por exemplo, se estou com muita sede, depois de um jogo de futebol na escola, e peço uma garrafa de água na cantina, provavelmente não perguntarei o preço da água e vou pagar sem discutir. Se, por outro lado, meus amigos me convidam para beber um refrigerante e não estou com sede, certamente vou perguntar o preço da latinha e questionar, se achar caro. Isso quer dizer que existem várias situações que interferem na nossa disposição de pagar pela mercadoria ou serviço. Se existissem várias cantinas na escola, pesquisaríamos em qual delas o copo de água está mais barato (se existe muita oferta, o preço deve ser mais baixo), ou, ao contrário, se não existir opção, pagamos o preço exigido. Pois bem, com o dinheiro acontece a mesma coisa. Sendo o dinheiro uma mercadoria com certas características especiais, nada mais natural do que ele ter um preço. Uma das interpretações que podemos dar aos juros é esta: o juro nada mais é do que o preço do dinheiro. o do que são s Esse preço, como os preços de todos os outros produtos, sofre influência de vários fatores: a) do tempo; b) do índice de inflação da economia; e c) do risco envolvido. a algo indesejável, mas não é bem assim. Risco é a probabilidade de ocorrer um evento, que pode ser positivo ou negativo. Resumindo, vamos definir os juros como sendo o preço da mercadoria chamada dinheiro. Vamos também ver como cada uma daquelas situações influencia o aumento dos juros. No mundo financeiro, existem riscos que são assumidos pelo investidor. Esses riscos, no entanto, podem ser medidos por meio de modelos estatísticos. Usando esses modelos, conseguimos avaliar o risco de uma carteira de investimentos. O que altera a taxa de juro Em primeiro lugar, devemos lembrar que nós não enxergamos os juros como unidades monetárias. O que todos os jornais noticiam é a taxa de juro. Quando falamos que o tempo influencia as taxas de juro pagas ou cobradas na economia, queremos dizer que as taxas sofrem influência dos prazos envolvidos nos negócios: dependendo do prazo, podemos ter uma taxa de juro menor ou maior. Dependendo do modelo de avaliação de risco, é possível prever a perda máxima de uma carteira – com até 95% de probabilidade de acerto. O que devemos saber é que o risco existe sempre, em qualquer atividade. O importante é ter consciência dos riscos que assumimos ao fazer alguma aplicação financeira. Os juros são afetados pelo risco: quanto maior o risco que estamos correndo, maior será a taxa de juro paga; quanto menor o risco, menor a taxa de juro. Um outro fator importante, que mexe com as taxas de juro de uma economia, é o risco. Normalmente, quando Por último, outro fator que pode alterar os juros pagos ouvimos dizer que alguma coisa é arriscada, associamos numa economia é a inflação. 19 Noções sobre o Sistema Financeiro Nacional Há pouco, falamos que os bancos atuam no sistema financeiro e não são só eles que podem ajudar as pessoas e empresas a aumentar seu patrimônio. Com a evolução dos bancos e de outras instituições financeiras, o governo fez seu papel de criar regras para equilibrar as relações entre os agentes econômicos. Conselho Monetário Nacional (CMN) – é o órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Compete ao CMN estabelecer as diretrizes gerais das políticas monetária, cambial e creditícia; regular as condições de constituição, funcionamento e fiscalização das instituições financeiras; e disciplinar os instrumentos de política monetária e cambial. Para regulamentar os bancos e demais instituições financeiras, surgiram vários órgãos que, em seu conjunto, formam o que se chama Sistema Financeiro Nacional. Banco Central do Brasil (BC) – é uma autarquia federal integrante do SFN e exerce a função de secretaria do CMN. Compete ao BC emitir moeda, controlar o crédito, o capital estrangeiro, autorizar as instituições financeiras a funcionar, fiscalizá-las e aplicar penalidades. É também de sua competência a compra e venda de títulos públicos federais, o entendimento, em nome do governo brasileiro, com instituições financeiras internacionais, a emissão de títulos de responsabilidade própria e outras atividades. Apenas para dar uma ideia, vamos nomear alguns desses órgãos, apresentando em seguida uma pequena definição de cada um: Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda que visa assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados, proteger os investidores contra irregularidades, assegurar o acesso do público a informações e regular o mercado de capitais. Principais funções: normativa; fiscalizadora; julgadora; registrária; consultiva ou de orientação; e de fomento. 20 Agora que já sabemos como surgiu o dinheiro e que os bancos têm a função de auxiliar as pessoas e as empresas a investir, vamos retomar o assunto dos juros. O papel dos juros para as pessoas pode ser dividido em: 1) Remuneração para aqueles que, controlando seus gastos, conseguem economizar e investem seu dinheiro, esperando a oportunidade certa para comprar (consumir); 2) Despesa para aqueles que, não tendo controle de seus gastos, precisam pedir dinheiro emprestado. Por isso a educação financeira é muito importante: para aprendermos a controlar melhor nossos gastos e a administrar nosso dinheiro. Enfim, aprender a dar valor ao dinheiro ganho e gastá-lo com sabedoria e prazer. Ganhando dinheiro nos dias de hoje Antigamente, os pais ou parentes próximos nos perguntavam: “o que você vai ser quando crescer?”. Talvez essa pergunta enchesse nossa cabeça com vários sonhos. Hoje, todavia, não se escuta mais essa pergunta com tanta frequência. O que queremos dizer com isso é: sempre temos vontade de vencer. Mas, para alcançarmos nosso objetivo de ter uma vida digna, com qualidade e, é claro, sem problemas com dinheiro, precisamos decidir o que queremos fazer. O que você espera do futuro? Ganhar dinheiro atualmente é difícil, mas para quem sabe o que quer nada é tão complicado assim. Isto é, para termos mais chances de atingir nossos objetivos, precisamos decidir o que queremos. Para começar, devemos pensar um pouco e descobrir em que somos bons, o que nos dá prazer, quais são, enfim, nossas habilidades. Esse já é um bom começo para encontrar um trabalho ou um negócio em que possamos vencer. Se você já trabalha e ganha seu dinheiro, analise se esse trabalho lhe traz prazer e felicidade. Se traz, ótimo! Passe a pensar no planejamento financeiro sobre o qual falaremos mais adiante. Dinâmica 3 Para ajudá-lo a descobrir quais são suas habilidades, algumas questões devem ser respondidas. E só você pode encontrar essas respostas. Por isso, pense bem e responda às questões abaixo: Você tem alguma matéria, na escola, que goste mais do que outras? Na escola, como você prefere trabalhar: sozinho ou em grupo? O que você não gosta de fazer? Fora da escola, o que você mais gosta de fazer? Na sua casa, você ajuda em alguma coisa? Tem alguma tarefa sob sua responsabilidade? Você costuma receber elogios quando faz um determinado tipo de coisa? Que coisa é essa? Se você já trabalha, como você vê suas perspectivas de crescimento profissional? Quais são as habilidades e conhecimentos que seu trabalho exige? Respondendo a essas perguntas, talvez você comece a perceber qual tipo de atividade lhe traz prazer e, a partir daí, você possa começar a pensar numa profissão. Ou, se for o caso, a planejar sua carreira. É bom lembrar que trabalhar, atualmente, assumiu formas diferentes daquelas que estávamos acostumados a enxergar. Você pode escolher uma carreira em que suas atividades sejam desenvolvidas num escritório de uma grande empresa. Ou pode escolher uma atividade que possa ser desenvolvida em seu escritório particular, ou até mesmo em casa. Hoje, o que interessa é que você execute tarefas ou tenha habilidades que superem as expectativas das pessoas. Em outras palavras, é importante que você tenha algo a mais para oferecer. Por isso, estudar é muito importante. É na escola que aprendemos e que vamos nos aperfeiçoar. 21 Construindo o futuro Como vimos, para vencer no trabalho é preciso, antes de tudo, gostar daquilo que estamos fazendo. Mas, de qualquer forma, o único jeito de termos certeza que vamos ganhar dinheiro é trabalhando. Nesta fase que estamos vivendo, é primordial dedicarmonos aos estudos; não podemos deixá-los de lado. Como já dissemos, é muito importante estudar para nos prepararmos para o futuro. Dinâmica 4 Para organizar melhor nosso tempo, vamos listar algumas atividades que temos diariamente. Vejamos o que pode ser incluído em nossa lista: Escola – lição de casa e outras tarefas exigidas por nossos professores, além do tempo que passamos na escola; Esportes – é importante também praticar algum tipo de esporte. Além de fazermos novos amigos, cuidamos de nossa saúde; Refeições – o tempo para nos alimentarmos corretamente (com alimentos saudáveis) é muito importante. Vamos precisar de muita energia para poder desenvolver todo o nosso projeto de vida; Tarefas de casa – aquelas que estão sob nossa responsabilidade também devem ser levadas em conta; Compromissos familiares – encontros e atividades com nossa família. Lembre-se de outras coisas que você deve fazer e amplie essa lista. Em seguida, veja se sobrou algum tempo depois das aulas ou mesmo no final de semana. O estudo é o mais importante agora: é seu primeiro “trabalho”. Converse com seus pais e irmãos sobre suas ideias. Eles podem ajudar. E mais: eles podem nos dar excelentes dicas sobre como administrar nosso tempo. 22 Planejamento Administrando o seu financeiro dinheiro Trabalhando ou não, vamos ver o que podemos fazer para guardar algum dinheiro. Para podermos ganhar dinheiro e nos tornar um agente econômico superavitário (que tem possibilidade de poupar), precisamos planejar nossa vida financeira. Colaborar com o planejamento financeiro familiar é a chave para acabarmos com as preocupações geradas pela falta de dinheiro. Administrar nosso dinheiro nada mais é do que tomar decisões a respeito do que faremos com ele. Mas, para cuidar bem de nosso dinheiro, antes de tudo é preciso que nos organizemos e façamos um planejamento financeiro. Planejar é decidir antecipadamente. Isso ajuda a eliminar desperdícios e prevenir a falta de dinheiro e também evita surpresas que podem ser bem desagradáveis. O mais indicado é elaborarmos um orçamento. Mas o que é orçamento? Orçamento nada mais é do que um plano que fazemos para ver com o que gastamos nosso dinheiro e quanto gastamos com cada coisa. Vamos experimentar fazer uma relação de tudo? 23 O que fazer com o Dinâmica 5 Vamos fazer uma lista de todos os nossos gastos, mesmo aqueles que consideramos muito pequenos. Para nos auxiliar no correto planejamento financeiro, é necessário registrarmos nossos gastos e projetarmos nossas necessidades futuras. Em outras palavras, é necessário que tenhamos um orçamento pessoal para nos basear. Essa é uma atitude salutar, pois nos força a verificar no que realmente gastamos nosso dinheiro. Devemos, para bem planejar nossa vida financeira, saber quais são nossos gastos reais, quais são nossas despesas. Utilize o modelo abaixo para fazer seu planejamento financeiro: CONTROLE DE GASTOS/MÊS Itens Lanche da escola Cinema Passeio Revistas Transporte Lanchonete Valores R$ R$ R$ R$ R$ R$ Para fazer sobrar alguma coisa de sua renda mensal (mesada ou salário), você deve pensar muito bem no que economizar, sem que isso signifique deixar de fazer coisas importantes. 24 dinheiro que sobra Gastar mais do que ganhamos não é um bom negócio. Essa situação nos tira a independência e faz com que sempre precisemos pedir mais algum dinheiro para nossos pais. E nossos pais, além da mesada, têm os gastos com nossa escola, nosso vestuário, livros, nosso telefone etc. Contudo, se conseguirmos guardar um pouco de dinheiro e soubermos o que fazer com ele, vamos ter oportunidade de gastar, no futuro, e satisfazer nossas vontades. Portanto, vamos investir todo o dinheiro que economizarmos! Títulos poupança As várias formas de de renda fixa Quando falamos em poupança, logo vem à nossa cabeça a imagem da caderneta de poupança, que talvez seja a forma mais comum de se guardar dinheiro. Mas ela não é a única. A caderneta de poupança é a aplicação mais simples que existe e pode ser utilizada para pequenas quantias de dinheiro sem perder a liquidez. As instituições financeiras que trabalham com caderneta de poupança (sociedades de crédito e investimento, Caixa Econômica, associações de poupança e empréstimo, bancos múltiplos) remuneram, ou seja, pagam as aplicações com base na TR (Taxa Referencial) mais juros de 0,5% ao mês para que você deixe seu dinheiro investido. A TR serve para corrigir os valores aplicados. Lembra-se da inflação? A TR serve para repor parte dos valores perdidos com a inflação. É preciso alertar, entretanto, que existem outras formas de se corrigir o valor do dinheiro por conta da perda imposta pela inflação. O governo calcula outros indexadores, além da TR. E existem outros investimentos que oferecem melhor retorno financeiro. De forma simplificada, ao comprarmos um título de renda fixa é como se fizéssemos um contrato emprestando dinheiro às empresas (debêntures) ou ao governo, e eles se comprometem a pagar juros em intervalos regulares. Outro título de renda fixa é o Certificado de Depósito Bancário (CDB), um título emitido por bancos e que paga juros pré-fixados ou pós-fixados. Mas atenção! Devemos ter cuidado com os CDBs que estiverem pagando taxas muito maiores que as de mercado. Um banco que paga taxas muito altas pode estar com dificuldades para captar recursos no mercado, o que pode ser um indicativo de problemas com sua saúde financeira. Existem também os títulos públicos, que são papéis emitidos pelos governos (federal, estadual ou municipal) e representam uma dívida. De modo geral, os mais negociados atualmente são os títulos públicos federais. É possível investir neles diretamente, via internet, por meio do Tesouro Direto. Então, pode ser que a caderneta de poupança seja uma maneira de começarmos a juntar dinheiro. À medida que a quantia de dinheiro guardado aumentar, devemos falar com nossos pais sobre outras possibilidades de investimentos. 25 A importância do mercado de ações novos sócios Como já vimos, o sistema financeiro possibilita o encontro dos agentes econômicos superavitários e deficitários. Aqueles que têm excesso de recursos financeiros (poupadores) colocam-nos à disposição, via mercado financeiro, daqueles que necessitam desses recursos. Quando os investidores negociam ações na Bolsa, diz-se que estão recorrendo ao mercado secundário. Essas negociações podem ser feitas pelas corretoras de valores e distribuidoras de valores. para a economia As empresas podem captar recursos no mercado financeiro por meio da emissão de valores mobiliários, isto é, ações e debêntures, de forma direta, ou por meio dos clubes e fundos de investimento, de forma indireta. Quando uma empresa deseja expandir seus negócios ou modernizá-los, necessita de recursos adicionais e pode, então, emitir ações, vendendo-as diretamente aos investidores: essa é uma oferta de ações feita no mercado primário. 26 Você pode ser um dos dessas empresas O mercado de ações contribui para o desenvolvimento econômico, estimulando a formação de poupança privada, na medida em que permite a captação de recursos financeiros para investimentos que geram emprego e renda. Quem compra uma ação se torna sócio da empresa. Podemos encontrar ações de lojas nas quais compramos, de bancos nos quais nossos pais têm conta, de fabricantes dos mais variados artigos que usamos. A Bolsa Dentre as alternativas de investimento, as ações negociadas na Bolsa vêm ganhando destaque nos últimos anos. Vamos ver do que se trata. As bolsas de valores surgiram há muito tempo, no século XIV. Os historiadores dizem que nessa época, na Bélgica, na cidade de Bruges, um grupo de comerciantes reunia-se na casa de um deles, cujo sobrenome era Burse. O brasão da família Burse tinha um escudo e três bolsas. A casa da família Burse ficou conhecida, então, como a casa das bolsas. Afinal, o que é a Bolsa? É o local que oferece condições e sistemas necessários para a compra e a venda de títulos e valores mobiliários, de forma transparente. Além disso, a Bolsa possui atividade de autorregulação, que visa preservar elevados padrões éticos de negociação e divulgar as operações executadas com rapidez, amplitude e detalhes. 27 A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBOVESPA) centraliza as negociações com ações e títulos de renda fixa. No mercado de derivativos, realiza a negociação de contratos baseados em ativos financeiros, índices, taxas, mercadorias e moedas, nas modalidades a vista e/ou de vencimento em data futura. Uma “ação” é um título representativo da menor fração do capital de uma empresa. É importante saber que existem ações preferenciais e ações ordinárias. As ações ordinárias são aquelas que têm o código ON depois do nome da empresa. Quem possui essas ações tem direito de votar nas assembleias de acionistas. As ações preferenciais são identificadas pelo código PN depois do nome da empresa. O proprietário dessas ações tem preferência na hora de receber dividendos. Para ficar claro, dividendo é a parte do lucro que a empresa distribui aos acionistas. A empresa deposita dinheiro na conta dos acionistas por ocasião dessa distribuição de dividendos. No Brasil, por força de lei, 25% dos lucros são obrigatoriamente distribuídos aos acionistas. Então, como é que posso ganhar dinheiro com o mercado de ações? Podemos tranquilamente aplicar em investimentos de longo prazo ao menos uma parte de nossa sobra 28 financeira. Esse é o caso da Bolsa: o investimento em ações é tipicamente de longo prazo, isto é, quanto mais tempo você fica com o dinheiro aplicado, mais chance tem de ganhar com ele. Assim, podemos aplicar parte de nosso dinheiro e formar uma carteira de ações. Com isso, recebemos dividendos e, se precisarmos, podemos vender as ações, obtendo lucro com a venda. Essas são as duas formas que temos para ganhar dinheiro com ações: por meio do recebimento dos dividendos e pela valorização das ações. Precisamos, entretanto, ter conhecimento sobre o mercado de ações. Em primeiro lugar, precisamos procurar uma corretora de valores ou uma distribuidora de valores, pois somente por intermédio delas é que podemos comprar ações. No site da BM&FBOVESPA (www. bmfbovespa.com.br), podemos encontrar informações sobre as corretoras e distribuidoras da Bolsa. Outra maneira de investirmos em ações é por meio de um clube ou fundo de investimento (mais adiante falaremos deles). As corretoras e distribuidoras de valores nos orientam na compra e venda de ações. E é disso que precisamos: informações confiáveis para saber o momento certo de realizar a compra e a venda de ações, e de quais companhias. Ao decidir que queremos investir em ações, devemos estar bem informados e conversar com nossos pais sobre o assunto. Como investir em ações Existem três formas de participar desse mercado. 1. Os Clubes de Investimento são uma forma de investimento coletivo que congrega pessoas de seu relacionamento. É um clube mesmo. Você pode chamar seus amigos, familiares, colegas de trabalho e investir em ações. Para formar um clube, é necessário cadastrá-lo em uma corretora de valores, que atuará como administradora e cuidará de todos os documentos e registros necessários, orientará na elaboração do estatuto social (documento de criação do clube) e poderá fazer a gestão da composição da carteira de ações do clube. O Clube de Investimento deve ter no mínimo três e no máximo 150 pessoas; um cotista será o representante dos investidores que, em conjunto com a corretora escolhida e após os registros legais, decidirá sobre a gestão do clube. Todo Clube de Investimento deve ter no mínimo 51% do dinheiro aplicado em ações. Os 49% restantes poderão ser investidos, por exemplo, em renda fixa. 2. Os fundos de investimento são produtos de instituições financeiras, também constituídos como investimento coletivo. Ao aplicarmos num fundo de investimento, estamos comprando cotas (parcelas desse fundo) e nos tornando cotistas. Os fundos são regulamentados e fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e podem ser compostos por papéis de renda variável (ações) ou de renda fixa (debêntures, notas promissórias, CDB, dentre outros). Para escolher o fundo em que aplicaremos, devemos analisar o regulamento, a política de investimento, quem são o administrador e o gestor, como é a performance do fundo e quais são as taxas de administração. Clubes e fundos podem ser uma boa opção de investimento para aqueles que não têm tempo de acompanhar o mercado e seus vários detalhes. Mas devemos estar sempre atentos aos custos envolvidos na aplicação. O principal deles é a taxa de administração. 3. Há também a possibilidade de fazer nossos investimentos individualmente, que é quando adquirimos as ações diretamente, sempre utilizando as corretoras como intermediárias. Taxa de administração é uma despesa que o clube ou o fundo tem com o administrador. Além da taxa de administração, outros custos podem ser cobrados: taxas de performance, despesas legais, taxas de gestão de carteira etc. É importante estar atento às taxas e valores cobrados, que podem diferir entre os administradores e gestores. 29 Passo a passo Agora podemos investir! Vamos, então, definir quanto de nossa carteira de investimento será direcionada ao mercado acionário. Decida como fará para investir: participará de um Clube de Investimento? Aplicará num fundo de investimento ou participará do mercado individualmente? 1 - Clube de Investimento Se você optar pela criação de um Clube de Investimento, deverá, antes de tudo, procurar uma corretora de valores, pois ela é quem vai ajudá-lo e orientá-lo quanto à documentação necessária para criar o clube, bem como na composição da carteira de ações. Lembre-se de que, para formar um clube, é necessário o mínimo de três pessoas, os cotistas, que juntos definirão o estatuto que regerá as atividades do clube. Depois de registrado, o clube poderá iniciar suas aplicações por meio da corretora de valores escolhida para sua administração, em conjunto com o representante dos investidores. 2 - Fundo de investimento Se optar por investir por meio de um fundo, cuide para escolher o melhor. Procure conhecer o que puder sobre seus administradores e sua política de investimento, pois, nesse caso, a carteira será definida pelo gestor do fundo escolhido. 3 - Investimento individual Se quiser investir individualmente, procure uma corretora de valores credenciada pela BM&FBOVESPA; faça seu cadastro e converse com a corretora, que lhe indicará as melhores oportunidades de investimento. Depois de se decidir, envie sua ordem de compra ou venda por telefone ou internet (Home Broker). Importante: A melhor forma de ter tranquilidade em relação aos seus investimentos é diversificar a carteira, escolhendo aplicações de características diferentes, compostas por renda fixa, renda variável e imóveis, por exemplo. 30 Bibliografia ASSAF Neto, Alexandre. Matemática financeira e suas aplicações. Editora Atlas. BRASIL, Banco Central do. Banco Central, fique por dentro. www.bcb. gov.br FORTUNA, Eduardo. Mercado financeiro. Editora Qualitymark. GRANDILONE, Cláudio. Investindo sem susto. Editora Campus/Elsevier. HALFELD, Mauro. Investimentos. Editora Fundamento. LUQUET, Mara. Guia Valor Econômico de finanças pessoais. Editora Globo. RANGEL, Armênio de Souza e outros. Matemática dos mercados financeiros. Editora Atlas. ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. Editora Atlas. SOHSTEN, Carlos Von. Como cuidar bem de seu dinheiro. Editora Qualitymark. O mercado de ações e valores mobiliários em geral, assim como os mercados futuros e de opções, não oferecem ao investidor rentabilidade garantida. Por não oferecer garantia de retorno, devem ser considerados investimentos de risco. Impresso em setembro de 2010. 31 Praça Antonio Prado, 48 01010-901 São Paulo, SP Rua XV de Novembro, 275 01013-001 São Paulo, SP +11-2565-4000 www.bmfbovespa.com.br 32