INCLUSÃO DIGITAL E COMUNIDADES INDÍGENAS: A INTERNET COMO PARCEIRA Alex Barbosa dos Santos Acadêmico do Curso de História Universidade Federal de Roraima – UFRR [email protected] BOA VISTA-RR INCLUSAO DIGITAL E COMUNIDADES INDIGENAS: A INTERNET COMO PARCEIRA A existência de tecnologias no mundo tem revolucionado a comunicação entre as partes distantes do planeta. Os povos indígenas não estão fora dessas formas de comunicação, se aliaram a elas para buscar novas formas de vida, assim como buscar meio para beneficiar para seus povos. Longe de ser mero hobbie, o uso da internet nas comunidades passou a ser um objeto de luta, uma ferramenta para competir com os meios de comunicação, para unir povos de vários lugares do Brasil e do mundo. As redes sociais, blogs e portais passaram a ser um movimento social em prol das comunidades indígenas. Nesse mesmo aspecto a o ensino superior passa a estar inserido dentro das comunidades, por meio de Universidades a distancia. Neste trabalho abordarei a intercultural idade no sentido de inclusão digital no Estado de Roraima. De uma forma em que os povos indígenas se apropriam dos meios de instrumentos tecnológicos, em especial a internet, para buscar meios que venham beneficiar suas comunidades, seu povo, assim como a si próprio. Darei ênfase aqui, aos trabalhos desenvolvidos pelo GESAC, programa de inclusão digital do Governo Federal junto às comunidades indígenas. Assim como também às Universidades a Distância, que implantaram laboratório de Informática em várias comunidades Indígenas. Saber coincidir, os modos de vidas tradicionais com o uso de tecnologias inovadoras, foi e é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas comunidades tradicionais. O uso da internet entre os povos indígenas, embora hoje muito comum, ainda há certos empecilhos internos e externos. Não posso deixar aqui falar dos impactos causados dentro das comunidades, gerada muitas das vezes pelo mau uso dessas novas tecnologias. Como á uma moeda, a entrada das tecnologias nas aldeias indígenas também tem seus dois lados. Um deles é o fato de se igualar a sociedade externa, em meio ás manifestações, comunicações, divulgação eletrônica e a implementação do Ensino Superior nas comunidades. O segundo lado, causados por uma parte de pessoas, que com a chegada da internet, deixaram de lado a forma de vida tradicional e caíram em um “vício eletrônico”, deixando os afazeres comunitários em um segundo plano, ou mesmo caindo em um erro repetino de pensar que a comunidade deve mudar conforme manda a sociedade em volta. Essa avaliação é precisa uma vez que, não havendo coincidência entre Internet x modo de vida comunitária, muda completamente o sentido do uso intercultural da nova tecnologia, como afirma professor José Francisco Sarmento da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em uma entrevista cedida a IHU online: “Acredito e tenho percebido que nas comunidades onde desenvolvemos projetos com este foco, em especial na nação Kaiowá, a relação está próxima das comunidades urbanas. A mudança está na percepção do acesso à informação. E digo percepção, porque a internet permite se ter uma informação rapidamente, mas nem sempre com um conteúdo bom, completo. Para se ter uma idéia dessa problemática informacional cibernética, o maior ou o mais popular “buscador” de informações, o Google, possui apenas 10% das informações disponíveis na rede. Logo, esse jovem, conectado com este universo, imagina que tem todas as informações do mundo e na verdade não as tem. As comunidades devem se preparar para discutir o que querem desses espaços virtuais, como podem aproveitar de maneira melhor do que fez e faz a nossa sociedade. Tenho ouvido relatos maduros a esse respeito entre professores indígenas. Em relação à interação das diferentes gerações, tenho percebido que há um distanciamento dialógico a respeito desses assuntos, pois o que se tem observado é que esses acessos de um modo geral acontecem na maioria das vezes no ambiente escolar”. Para um melhor entendimento, este trabalho está divido em cinco partes: primeira, a Inserção da Internet nas comunidades Indígenas de Roraima; Segunda, Povos Indígenas e Redes Sociais; Terceira: Povos indígenas e o uso da Internet para Movimento Social; Quarta, Povos indígenas e Ensino Técnico/Superior; na Quinta parte, farei Uma crítica a inserção da internet nas comunidades pelos programas do governo. Para assim poder fazer uma avaliação dos meios tecnológicos eletrônicos em meio aos povos indígenas. A INSERÇÃO DA INTERNET NAS COMUNIDADES INDÍGENAS DE RORAIMA O conhecimento sobre a internet, em relação aos povos indígenas do estado de Roraima, a principio tratava- se de casos isolados. Eram poucos indivíduos que sabiam manusear um computador, o acesso era raro. Poucos que tinha acesso a essa tecnologia, eram mais os indígenas que se deslocavam para a cidade para trabalhar, para receber algum beneficio Social, ou para morar, como ocorre em muitos casos. Esses aprendiam em escolas e lan house. Embora muitos dos indígenas que tinham acesso a cidade, retornassem as comunidades de origem, era improvável passar o conhecimento para os outros membros das comunidades, uma vez que o local de origem não dispusesse de tais tecnologias. No final dos anos 90 , vários indígenas estavam indo morar na cidade de Boa Vista, para concluir o ensino Médio, pois nas comunidades só tinha até a 8ª Série, e estes tinham acesso com mais freqüência a internet, e foram se adaptando na Cidade com esse meio de comunicação. No inicio do milênio em que vivemos, algumas comunidades indígenas dotaram-se de meios eletrônicos, para guardar os relatórios, atas, e registros de eventos que aconteciam com freqüências entre os povos Indígenas. Tratava-se de comunidades onde se encontravam os centros de Formação ou Internatos, que pertenciam a Igreja Católica ou mesmo aproximadas à cidade de Boa Vista. Em um período não muito distante, por meio de programas de governo, Local ou Nacional, em algumas comunidades foram implantadas as Antenas de Internet, entre esses programas está em destaque o GESAC, que por meio da Universidade Virtual de Roraima- UNIVIRR matem ainda vários pontos de internet nas comunidades Indígenas. A luta contínua dos povos indígenas na Raposa Serra do Sol, chamou atenção dos órgãos governamentais não só para questão da Terra, como também para os Programas Sociais, entre eles o de Inclusão Digital. De acordo com o site idbrasil, foram capacitadas mais de 7.000 pessoas em curso de informática básica até o ano de 2007, e a UNIVIRR também oferece cursos para multiplicadores, desse do qual participei, no mesmo ano, que foi oferecido na área urbana de Pacaraima, foi em especial para os alunos que estavam concluindo o Ensino Médio na Escola Indígena Padre José de Anchieta, na Região de Surumú, onde se localiza a porta de entrada da T.I Raposa Serra do Sol. No ano de 2008, várias comunidades de Roraima receberam Atenas de Internet, por meio do GESAC, e essa expansão possibilitou não só a Raposa Serra do sol, como também comunidades da Terra Indígenas Araçá, Taba Lascada, Malacacheta, e outras que puderam desfrutar do uso da internet dentro das escolas. POVOS INDÍGENAS E REDES SOCIAIS: UM CONTEXTO NACIONAL Em meios a tantas ingenuidades da internet, surge como parceiro dos povos indígenas as redes sociais. Em um contexto, em que os povos tradicionais se encontravam aflitos pela questão da Terra, onde em todo Brasil, esses povos passam sérias dificuldades, inclusive sendo massacrados pela Mídia Nacional, e Locais. Os povos indígenas passaram a usar as redes sociais como Orkut, facebook, badoo, MSN, Sonico e outros para fazer uma ponte intercultural. Nesse sentido cria-se uma rede de integração entre os povos indígenas. Entre as redes sociais, surgem o que a no meio eletrônico e virtual o que chamamos de “Comunidades” e “Campanhas”, muitas das vezes feitas para dar voz aos indígenas assim como em outras vezes para dar visibilidade aos mesmos, como por exemplo, as comunidades feitas no Orkut: Contra a Discriminação Indígena, que é seguida pela descrição “ Lei n° 7.716 de 05/01/1989,Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor...Lei n° 7.437 de 20/12/1985 Inclui, entre as contravenções penais, a prática de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil, dando nova redação à lei n° 1.390, de 3 de julho de 1951. Lei n° 10.768,de25/05/2003. Cria a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República e dá outras providências. Decreto n° 65.810 de 08/12/1969 Promulga a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial. É importante destacar que os “donos” dessas comunidades são índios, e os seguidores na maioria também são índios e pessoas que se sensibilizam com a causa indígena. Nesse mesmo contexto, as redes sociais serviram como movimento de articulação para os povos indígenas, em formas campanhas, como o exemplo “Raposa Serra do Sol” que era um movimento que unia vários indígenas e não indígenas em busca de um ideal: a homologação da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Um caso bem recente, que prejudica os povos indígenas e que também, criou-se um movimento prócausa indígenas, foi sobre a Hidrelétrica Belo Monte, que ao ser autorizada pela Presidenta Dilma, causou revolta não só aos povos tradicionais daquela região como também a de várias outras partes do País, Nesse caso é importante, que não se tratou apenas de um movimento social em prol dos povos indígenas, como ganhou visibilidade Internacional. Nessas além de comunidades e campanhas no Orkut, teve um auto índice de observação e divulgação também no facebook e outras redes sociais. Entre as redes sociais podemos citar várias temáticas que são repetidas, como por exemplo, Denúncia: As redes sócias são usadas nessa temática, para denunciar principalmente os órgãos públicos; Eventos: é compartilhado por meio das redes sociais, eventos de interesse indígenas, Assembléias, Atos, Reuniões, Conferências, Educação e outros; Outros ainda se preocupam em divulgar a cultura, e tradição para que estes não caiam no esquecimento. As redes sociais, além de serem como o próprio nome diz sociais, passaram a ser para os povos movimento de resistências e de divulgação. Elas têm aumentado muitos nos últimos anos devido a principalmente, a desassistência do Governo junto aos povos indígenas. POVOS INDÍGENAS E O USO DA INTERNET PARA O MOVIMENTO SOCIAL Desde as décadas de 70, os povos indígenas começaram a se organizar politicamente. Desde então começa a surgir às organizações indígenas Locais, Estaduais e Nacionais. Essas organizações vêm crescendo e se estruturando com o passar do tempo. Passaram a se apropriar do uso da internet para concretizar o movimento indígena a um patamar mais elevado, passaram a criar e manter ativos portais, sites e blogs. Entre como exemplo cito o Conselho Indígena de Roraima- CIR, que utiliza como meio informativo o site (www.cir.org.br), assim como forma de denuncia, de liberdade expressão, e também como arquivo, assim como temos outras organizações que se apropriaram da Internet, para facilitar o trabalho e construir um movimento mais longo e mais expressivo, como o caso da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (www.coiab.com.br), a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas gerais e Espírito Santo (www.apoime.org.br). Além desses sites de organizações que compões movimentos sociais, quero colocar neste trabalho, dois sites que independentes de qualquer organização concretiza-se um movimento social. Primeiro o portal índios on line (www.indiosonline.org.br), e segundo o site da Ação dos Jovens Indígenas-AJI (www.ajindo.blogspot.com) e (www.jovensindigenas.org.br). O portal índios on line surgiu em 2004, e dele participavam apenas sete nações indígenas do nordeste do Brasil, em anos seguintes passou a ser um ponto de Cultura. Esta rede faz uso da internet como um instrumento ou ferramenta de empoderamento político-cultural, pois permite diminuir as distâncias, encurtar os tempos de comunicação e a difusão de conteúdos dos mesmos indígenas. Contudo outras tecnologias de informação e comunicação foram integradas como é a radio digital, celulares digitais, etc. Segundo a Ana América Ávila Paz, O Ponto de Cultura Índios On Line, através do portal www.indiosonline.org.br gerou a Rede de Articulação Indígena Índios On Line, que é uma rede autônoma, que divulga e agrega várias realizações do movimento indígena, se constituindo em um espaço de luta política por seus direitos. È importante destacar aqui que dentre os objetivos da Rede estão: Facilitar o acesso à informação e comunicação para diferentes nações indígenas, estimular o dialogo intercultural. Promover aos próprios índios pesquisarem e estudarem as culturas indígenas. Resgatar, preservar, atualizar, valorizar e projetar as culturas indígenas. Promover o respeito pelas diferenças. Conhecer e refletir sobre o índio de hoje. Salvaguardar os bens imateriais mais antigos desta terra Brasil. Disponibilizar na internet arquivos (textos, fotos, vídeos) sobre os índios nordestinos para Brasil e o Mundo. Complementar e enriquecer os processos de educação escolar diferenciada multicultural indígena. Qualificar índios de diferentes etnias para garantir melhor seus direitos. A princípio o portal índios on line, era acessado por pontos de cultura índios on line, então para era considerado um índio on line, o indivíduo se conectava de sua aldeia, ou de um ponto de cultura e era gerenciada por um indígena que tinha o papel de coordenador. Depois com o crescimento da rede os índios on line optaram por uma gestão compartilhada da rede, conforme disse Graciela Guarani, em uma entrevista virtual cedida a Xenya de Aguiar Bucchioni, “Antes como era apenas um coordenador, quase tudo era direcionado a ele, e isso meio que o sobrecarregava, dificultando assim muitas ações, pois o mesmo não tinha pernas para resolver tudo, segundo porque, este modelo de um coordenador é muito na linha do não índio, e não é assim que queremos trabalhar, pois queremos que tudo seje partilhado, então decidimos acabar com este modelo de um coordenador só, e criar um modelo mais compartilhado de coordenação. (Entrevista realizada por e-mail em 06-10-09 com Graciela Guarani, para Xenya de Aguiar Bucchioni ). Ao contrário do que aconteceu no início do projeto, a gestão compartilhada mudou o portal índios on line, e a parti de então se torna um verdadeiro movimento indígena, pois nele são feitas campanhas, petições on line e outras formas de manifestações. Com isso observa-se que ser um índio on line, era ser um índio conectado na aldeia, atualmente com a gestão compartilhada ser índio on line, é está conectado em escolas, em lan houses, em laboratórios de universidades. O que concretiza o portal índios on line como um movimento social, é o fato de nele ser expostas manifestações feitas pelos próprios povos indígenas, e solidariza com vários outros povos, que recebe apoio e outras formas de manifestação. O segundo site da qual me retenho aqui, é o da AJI, criado em 2009, trata-se de um portal que tem um diferencial do anterior, é que no índio on line, segundo Xenya de Aguiar Bucchi os temas centrais são: Cultura meio Ambiente e Educação. Já o portal e o blog da AJI entram um tem bem mais relevante para a atual questão indígena: TERRA acredita-se que pelo fato de os administradores do portal sejam de um estado onde, a demarcação e o registro das Terras Indígenas sejam muito dificultosos. Segundo Indianara Ramires, em uma entrevista cedida por e-mail, o portal saiu para “contrapor os jornais, que em geral são bancados por fazendeiros”, observa-se ai a preocupação de o indígena ocupar os meios de comunicação, no caso a internet, para ter voz, em nome de seu povo. Para a mesma, o fato de o próprio índio estar ali postando matérias e conteúdos, lhe dar certas autonomias: “Acredito que o blog e o site é uma forma de expressão nossa, do nosso jeito, é índio falando de Índio, isso que é o bacana, somos reportes, jornalistas etc.”. Considerar o simples fato de o índio ter internet, não caracteriza um movimento Social, mas no momento em que começa usar, para um bem de seu povo, para lhe da voz, para competir com a mídia, isso sim lhe dar caracteres de um movimento social. O que observamos com relação aos movimentos sociais, é que os povos indígenas têm se apossados da internet para divulgar, denunciar, e promover a inclusão social, a integração e a socialização entre eles de vários conteúdos e assuntos. POVOS INDÍGENAS E ENSINO TÉCNICO/SUPERIOR Um dos grandes empecilhos para as comunidades indígenas sempre foi a inserção de seus membros no Ensino superior. Atualmente várias universidades abriram as portas para indígenas por meio de cotas, ou por meio de ações afirmativas para inserir os indígenas no Ensino superior, entre elas há ainda aquelas que abriram cursos específicos para indígenas, como o caso dos Cursos Licenciatura Intercultural indígena (UFRR), Gestão Territorial Indígena (UFRR), Licenciatura Indígena (UFGD), Licenciatura Indígena (UFMG), Instituto Federal da Bahia (IFBA) e outras que também merecem destaques, outras optaram a oferecer vagas em cursos. Os problemas maiores enfrentados pelos acadêmicos indígenas são a permanência e o sucesso na formação. Mais o destaque aqui nesse trabalho é o Ensino Superior por meio do ensino a Distancia, por meio de Universidade que oferecem cursos, ou pro meio de universidades que trabalham apenas com os cursos a distancia. Quando pensamos em universidades, pensamos em campus, que muitas das vezes se localiza nos grandes centros urbanos. Algo que nos remete sair da comunidade e ir até as cidades. Nesta parte quero expor a importância que a internet e outros meios de comunicação possibilitaram para as comunidades indígenas, quebra de vez esses tabus. Vejamos o seguinte, a parti do momento em que as universidades passam a oferecer cursos à distância, começa a beneficiar os povos indígenas. Em um exemplo bem mais prático, em Roraima a Universidade Virtual de Roraima, em parceria com o Instituto Federal do Pará, oferecem curso de Licenciatura plena em matemática para vários indígenas macuxi da Região do Surumu, na Terra Indígena raposa Serra do Sol. A parti dessa iniciativa as universidades particulares passaram também a oferecer curso de Bacharéis á principalmente em teologia, e licenciaturas em pedagogia. Observa-se então o crescimento de indígenas no ensino superior em Roraima. Partindo do princípio onde a demanda maior das comunidades indígenas era formar professores, com a chegada de computadores, e torres de internet, abre-se as portas para a demanda de forma médicos, advogados, e outros. A inclusão digital foi à principal porta de entrada para aqueles que viviam “isolados” cursarem Ensino superior ou técnico. O importante é que a educação a distancia não se restringe a uma instituição de apenas um estado da federação, e a ele fechado. Para se ter idéia, em 2008, duzentos e quarentas profissionais da aérea de saúde, de seis municípios do Amazonas (Manacapuru, Maués e Lábrea), do Mato Grosso (São Felix do Araguaia e Juruá) e Tocantins (Palmas), realizaram curso em especialização em saúde indígena. A parti dessa analise, observa-se que a formação para o melhoramento das comunidades indígenas vem de duas formas, primeira a inclusão do indígena no Ensino superior ou técnico, e em segundo lugar, a formação de quem trabalha nas comunidades indígenas. Não há equivoco em dizer que beneficiar alguém que trabalha na causa indígena é beneficiar os povos indígenas. Observa-se que após as formações práticas in locus, nos grandes centros urbanos qualificou os professores que hoje formam os alunos do ensino Médio e fundamental nas comunidades indígenas. Com profissionais formados na área de educação, as comunidades puderam desfrutar de interesses jovens, para se formar em diversas aeras paralela ou não a educação indígena. Esses interesses foram impulsionados pelas universidades e instituto de formação técnico/superior e concretizados pelas universidades a distância, ao colocar o esses graus de formação dentro das comunidades indígenas. UMA CRÍTICA A INSERÇÃO DA INTERNET NAS COMUINIDADES INDÍGENAS Como neste trabalho já abordei os benefícios trazidos pelo programa do governo federal de inclusão digital, o GESAC, aqui pretendo fazer uma critica a esse programa. Para efetuar essa critica temos que pensar em três fases de programa: a inserção, a manutenção e a permanências desses meios dentro das comunidades indígenas. O que seria uma comunidade que sofre a exclusão digital?, Segundo Sorj (2003), pra que possa acontecer a exclusão digital depende se cinco situação da qual a comunidade, aqui no caso, não detêm: Existência de infra-estruturas físicas de transmissão; Disponibilidade de equipamento / conexão de acesso; Treinamento para uso dos instrumentos do computador e Internet; Capacitação intelectual e inserção social do usuário, produto da profissão, do nível educacional e intelectual e de sua rede social, que determina o aproveitamento efetivo da informação e das necessidades de comunicação pela Internet; Produção e uso de conteúdos específicos adequados às necessidades dos diversos segmentos da população. Partindo desse principio, observa-se que o programa aqui discutido, não se completa em termos de inclusão, pois em muitos casos, e em partes atende uma demanda que não supri as reais necessidades das comunidades indígenas. Em um exemplo claro, os prêmios sociais, projetos, e outros programas sociais do governo que são atendidos pelo GESAC, não se complementam, ou são abandonados pelas instituições financiadoras, no caso o Governo federal por meio dos Ministérios. Para isso vamos citar aqui o projeto índios on line (www.indiosonline.org.br) que inicialmente teve computadores e acesso a internet pagos pelo governo em algumas comunidades, seguido pelo ganho do premio ponto de cultura, também assistencializado pelo governo, que atendeu outras comunidades e hoje, esse projeto sofre com as dificuldades para manter esses pontos ativos, a falta de equipamento, pois uma vez inseridos nas comunidades, aumenta a demanda dos usuários, e o sucateamento dos mesmos. Atualmente o projeto atende comunidades que quase todos os estados da federação brasileira, que para manter o portal atualizado, recorrem a lan houses, laboratórios de escolas e universidades. Com esse exemplo, agora é fácil afirmar que a inclusão digital feita pelo programa do governo federal, ainda tem lacunas a serem preenchidas, pois para que se conclua essa inclusão, além da formação e capacitação para que os indígenas possam repassar aos outros membros das comunidades, é preciso adicionar o tempero da ampliação e manutenção de equipamentos. Caso contrário, aumenta a demandas das comunidades indígenas, e diminui a assistência do governo, deixando a desejar o conhecimento tecnológico para outros membros das comunidades. Para concluir esse trabalho, busquei informações com membros da rede índios on line, da qual hoje sou administrador, como também com a AJI, na pessoa de Indianara Ramires, e em outros sites e comunidades no Orkut. Além de informações não formais, com alunos da Universidade Virtual de Roraima, e de gestão Territorial indígena, do instituto Insikiran, que utilizam o facebook, badoo, e outras redes sociais para se manterem conectados e informados. O uso da internet, nas comunidades indígenas, ou em parte delas, é tão preciso como os materiais de trabalhos tradicionais, pois assim, ocorrerá o processo intercultural: conhecimento tradicional+ conhecimento adquirido= Interculturalidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BUCCHIONI, Xenia de Aguiar. Blog Diários: reflexões sobre a identidade indígena na virtualidade, Bauru 2010. GERLIC, Sebastian. Apresentação do case índios On Line/ ONG Thydewas. Outubro de 2008. PAZ, Ana America Magalhães Ávila.Relatório Final Ponto de Cultura indios on line, avaliacao externa 2004 a 2007. http://envolverde.com.br/educacao/ciencia-tecnologia/os-jovens-indigenas-e-a-inclusaodigital/. Os jovens Indígenas e a Inclusão Digital. Acessado em 22 de junho de 2011. http://www.idbrasil.gov.br, Gesac promove capacitação tecnológica comunidades indígenas no Nordeste. Acessado em 06 de agosto de 2008 em