IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP O LÚDICO NA EDUCAÇÃO Aline Calazança dos Santos – [email protected] Andressa Piovezani – [email protected] Márcia Bassetto – [email protected] Noemi de Oliveira – [email protected] Patrícia Carlota Zuca – [email protected] Resumo: este projeto faz parte do PAE (Projeto de Ação Educativa) realizado no Unisal-Americana. Ele foi efetivado com o intuito de incorporar a ludicidade na ação educativa como um importante recurso utilizado no espaço escolar e no de educação não-formal. O tema surgiu pelo interesse de pesquisar o brincar como um elemento contribuinte para o desenvolvimento cognitivo da criança, pois de acordo com os diversos textos lidos, o brincar é uma das formas mais completa que a criança tem de se expressar, comunicar, interagir, tanto no campo cognitivo, quanto motor, físico e afetivo. O projeto foi aplicado em um espaço não-formal de educação, a Casa Abrigo Amigos do Casulo, localizado em Nova Odessa-SP. O objetivo do grupo foi o de verificar se por meio das brincadeiras é possível fixar conteúdos de maneira lúdica e eficaz. Tivemos um grande retorno avaliativo em relação aos objetivos propostos, mas há de se destacar, sem dúvida nenhuma, que as carências afetivas demonstradas pelas crianças se tornaram para o grupo uma experiência dramática, porém inesquecível. Palavras-chave: lúdico, educação não-formal, Casa Abrigo Amigos do Casulo, ONG´s. A escolha do tema e os caminhos da pesquisa bibliográfica exploratória A escolha pelo tema de pesquisa surgiu desde a nossa atuação enquanto estudante do curso de Pedagogia, no qual trabalhamos como estagiárias nas escolas públicas e particulares, onde pudemos perceber que o lúdico era trabalhado de maneira frequente tanto na educação infantil quanto no ensino fundamental. O interesse do grupo pelo tema surgiu, pela falta de ludicidade nos âmbitos de educação não-formal. 1 Alunas concluintes do curso de Pedagogia do Centro Universitário Salesiano de São Paulo – Unidade de Americana - no ano de 2009. Orientador: Prof. Dr. Marcos Francisco Martins. 1 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP Durante o 3º semestre o grupo procurou pelo tema do projeto em bibliotecas, buscamos diligentemente livros e revistas que nos falassem a respeito do mesmo, fazendo uma pesquisa interessante em material muito rico então encontrado. Acessamos também algumas bibliotecas virtuais, sites especializados em Psicopedagogia e pesquisamos nas escolas onde estamos realizando o estágio. O manual do projeto PAE foi lido por todo o grupo, e no momento seguinte discutimos entre nós o que foi lido. Reunimo-nos por várias vezes, em sala de aula ou na biblioteca do Centro Unisal para fazer a seleção dos livros a serem lidos, os classificamos segundo o nosso interesse e produzimos a seguinte lista: - Socorro é proibido brincar - Maria Luiza Teles; - Brincar prazer e aprendizado - Ângela Cristina Munhoz Maluf; - Jogar e compreender - Androula Chistofides Henriques; - Jogos Infantis - Tizuco Morchida Kishimoto; - O Direito de Brincar- A brinquedoteca - Adriana Friedmann; - Brincar e a Realidade - D. W. Winnicott; - Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a Educação - Walter Benjamin; Após serem lidos todos os livros que se encontram na bibliografia deste texto, produzimos a revisão bibliográfica, como foi sugerido pelo orientador.Vamos a ela. Considerações acerca das referencias técnicas do trabalho Para Androula, baseado em Froebel, a brincadeira incorporada como conteúdo escolar e usada na educação infantil resulta em efeitos positivos na esfera cognitiva, social e moral, mas o professor precisa dar um tempo para a livre exploração do brinquedo, oferecendo material e jogos educativos. Durante o movimento Escolanovista2 essa foi uma prática valorizada e usada pelos educadores. Escolanovista: veio para contrapor o que era considerado “tradicional”. O aluno assumia o centro dos processos de aquisição do conhecimento escolar. 2 2 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP O movimento Escola Nova traz o jogo como capacidade de atender interesses e necessidades infantis, que se contrapunha ao ensino tradicional, que ignorava este recurso como um auxílio no ensino Já para Kishimoto, baseado em Piaget, o conhecimento é construído pouco a pouco pelo sujeito com a interação entre o sujeito e seu meio. Estimular a atividade mental com jogos matemáticos faz com que as crianças desenvolvam um raciocínio lógico, por meio da aprendizagem e a mediação do professor, respeitando o ritmo de cada criança conforme seu crescimento. Para Kishimoto, o lúdico é o melhor suporte para a aprendizagem e para o desenvolvimento infantil como um todo, por meio do uso de jogos de identificação, seriação, classificação, coordenação. Portanto, diferentes teóricos argumentam a favor do lúdico. Afirmam que os jogos são importantes para as crianças, tendo o educador como mediador, capaz de estimulá-las com o uso de material diferenciado e utilizando essa ferramenta como aliada na prática educativa. Encontramos neste autor, D. W. Winnicott, algumas considerações que vão além de nossa imaginação. Quando vemos os bebês brincando tão inocentemente, examinando as mãos ou os objetos, nem podemos imaginar que estão desenvolvendo aptidões extremamente importantes como organização espacial, conhecimento do próprio corpo e das pessoas ao redor. Assim, vem surgindo a capacidade cognitiva de localização: fora, dentro, acima, abaixo etc. Quantos saberes são aprendidos paulatinamente. Brincando o bebê começa a ter capacidade de criar, imaginar, inventar, originar e se relacionar com os objetos tão novos ao seu olhar perscrutador. É maravilhoso que alguém pesquise, assim descobrimos os porquês, o desenvolvimento infantil e suas causas. Analisando as crianças em ambiente escolar, nota-se que as escolas baseiam-se no brincar da criança, porém o psicanalista está mais interessado na utilização do conteúdo da brincadeira do que em olhar a criança que brinca e escrever sobre o brincar em si. A brincadeira é algo tão importante que jamais deveríamos abandoná-la, mesmo estando na mais adiantada fase da vida. O brincar é fundamental para a saúde, pois uma mente alegre produz endorfina, tão importante para nosso organismo. As brincadeiras também conduzem ao relacionamento grupal. Enfim, o brincar é complemento da formação do ser humano. 3 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP Segundo a autora Adriana Friedmann, antigamente as brincadeiras eram mais sadias, e a rua não tinha tanto perigo como hoje em dia. O brincar hoje é sinônimo de computador, televisão e videogame. Tudo isso por causa de um processo de abandono das brincadeiras no crescimento da sociedade industrial moderna, com o intuito de criar o novo homem. Assim foram surgindo as brinquedotecas: algumas possuem um espaço privilegiado para reunir a possibilidade e o potencial da ludicidade dessas para as crianças de qualquer faixa etária e faixa socioeconômica. Elas têm uma atmosfera encantadora, incentivando brincadeiras de faz-de-conta, com camarins de fantasias e maquiagem, jogos de montar, bichinhos. Crianças são crianças! Basta que lhes seja devolvido seu direito de brincar livremente, que possam dar gostosas gargalhadas e que abracem um brinquedo querido. É preciso resgatar um espaço que o brinquedo vem perdendo em nossas vidas. A Autora Maria Luiza Silveira Teles, no I capítulo de seu livro, compara a infância vivida por ela a algum tempo atrás, recheada de liberdade e prazer, com a infância que as crianças de hoje vivem com mais restrições de ambiente. Por causa da violência as crianças acabam não tendo a mesma liberdade que se tinham antigamente como: brincar na rua, colher frutas no campo etc. No capítulo II, ela faz uma observação sobre o porquê a brincadeira é importante e o que acontece com a criança que não brinca, citando algumas síndromes que podem ocorrer. Ângela Cristina Munhoz Maluf, no capítulo I, de seu livro nos mostra que o brincar é uma necessidade interior da criança e cita alguns psicólogos e suas idéias sobre o brincar. Um deles é o Blow, que cita a importância de utilizar o brincar para educar e desenvolver a criança. O outro é Froebel, que concebe o brincar como atividade livre, espontânea, responsável pelo desenvolvimento físico, moral e cognitivo da criança. No Capítulo II Ângela nos fala porque é importante brincar. Afirma que a criança irá se desenvolver permeada por relações cotidianas, e assim vai construindo sua identidade, a imagem de si e do mundo que o cerca. Para as autoras Maria Luiza Silveira Teles e Ângela Cristina Munhoz Maluf o brincar é importantíssimo para o desenvolvimento físico, cognitivo e até moral da criança. Walter Benjamin foi um filósofo alemão com orientação marxista, que na busca da construção de um futuro mais solidário entre os seres humanos, começou 4 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP a prestar atenção na formação das crianças, pois a partir da educação que se oferece a elas é que se pode vislumbrar um futuro melhor. Uma das suas preocupações foi com a industrialização de brinquedos, que passaram a ser fabricados em série, retratando muitas vezes as necessidades dos adultos; ele afirma que, apesar de toda a sofisticação, nem sempre os brinquedos industrializados trazem uma satisfação plena para a criança. Nas oficinas artesanais os brinquedos são feitos com materiais apropriados a cada região, e a singularidade é propícia à imaginação infantil. Benjamim valorizava a autenticidade, tanto nos objetos quanto na comunicação do professor com o aluno; portanto, não aprovava os métodos prédeterminados que retratassem a visão burguesa, que ele traduzia como "metodologia científica". Walter Benjamin também escreveu sobre a importância dos jogos para a educação. Para ele através dos jogos consegue-se passar diversos conceitos e regras, além de ensinar a criança lidar com sentimentos de perda, raiva, ansiedade, etc. e a torna mais tolerante. Dependendo do jogo, também é possível desenvolver a coordenação motora, o raciocínio e outras habilidades, além da afetividade. Apesar das idéias estarem se desenvolvendo a todo vapor, nosso grupo ainda não tinha decidido em qual instituição iríamos aplicar o nosso projeto. Foi aqui que optamos pela Casa Abrigo Amigos do Casulo. O espaço educativo onde se aplicou o PAE Durante os encontros, em um primeiro instante o grupo pensou em aplicar o trabalho em uma escola de educação infantil, e três integrantes sondaram a possibilidade de aplicar o projeto nas escolas que elas trabalhavam. Depois desta sondagem, o grupo percebeu que no ambiente escolar já se trabalha o lúdico, então cogitamos aplicar em alguma instituição não escolar, e algumas integrantes do grupo se dispuseram a procurar e entramos em contato com dois lugares: o Lar Monteiro Lobato, que é uma instituição que cuida somente de meninos na cidade de Americana, e Casa Abrigo Amigos do Casulo, que cuida de crianças de ambos os sexos na cidade de Nova Odessa. 5 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP Após os contatos, pudemos verificar que o Lar Monteiro Lobato participa de vários projetos, enquanto que Casa Abrigo Amigos do Casulo não. Então, optamos por aplicar projeto no mesmo para poder contribuir, de certa forma, com a educação dessas crianças. Entramos em contato com a Casa Abrigo e procuramos apresentar o projeto, para saber se haveria a possibilidade de realizá-lo, e marcamos uma visita para apresentar o PAE. No primeiro momento demorou um pouco para conseguirmos marcar a visita, pois a Casa Abrigo estava passando por mudanças administrativas. Na visita que foi realizada na primeira semana de outubro de 2008, puderam participar somente três integrantes, pois as outras não puderam se ausentar do trabalho. Na visita realizada quem nos recebeu foi a Tatiana Zacarias Miguez, que cuida dos eventos da ONG e a psicóloga Ângela Cristina Picone Gazzeta. O grupo apresentou a intenção do projeto, e explicou como seria aplicado. O projeto foi aceito, então o grupo ficou de montar um cronograma e apresentar a Casa Abrigo. Marcamos outra visita para um final de semana, no qual todas poderiam participar, e ao decorrer do projeto manteríamos contato via e-mail e telefone. Nesta visita não conhecemos as crianças, apenas conversamos e tivemos algumas informações, tais como: a Casa mantinha dez crianças de ambos os sexos e diferentes idades; uma delas é portador de uma deficiência não definida e freqüenta a APAE; uma delas não freqüenta a escola porque é muito nova, 3 anos. A Casa Abrigo foi criada para abrigar as crianças que, por algum motivo, sofreram maus tratos e foram recolhidas pelo Conselho Tutelar; as mesmas freqüentam a escola, e o Abrigo foi criado para que funcionasse como uma casa. As crianças mantêm uma vida social normal: participam de festas, passeios, algumas recebem visitas e outras não, vão ao médico, dentista, e a casa tem regras como outra qualquer. Durante a aplicação do projeto havia uma pessoa responsável pela Casa Abrigo, a maternante como é chamada, Maria de Fátima3, que além de cuidar da alimentação das crianças e higiene também participava das atividades propostas pelo nosso grupo. 6 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP O projeto de ação educativa formulado Após o primeiro contato o grupo passou os dados colhidos ao orientador do projeto, o professor Dr. Marcos Francisco Martins, que nos auxiliou na montagem do cronograma e na elaboração das possíveis propostas. O cronograma ficou assim: Cronograma do projeto com as ações educativas Outubro/ 2008 Primeira semana O que será realizado: escolha do tema: lúdico Como: leitura de livros, histórias e brincadeiras. Materiais: Fantoches, livros e brinquedos. Segunda semana O que será realizado: visita a Casa Abrigo Terceira semana O que será realizado: produção da primeira parte do PAE Como: reunião do grupo para discutir as ações Materiais: leitura de bibliografias e revistas Novembro/2008 Primeira semana O que será realizado: nova visita Segunda semana O que será realizado: apresentação do relatório com o orientador Como: cada integrante fez sua parte Terceira semana O que será realizado: entrega do relatório 3 De acordo com termo assinado pelo grupo, estamos colocando, um nome fictício para a maternante. 7 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP Fevereiro/2009 Primeira semana O que será realizado: aplicar a 1ª parte do projeto Como: contar as histórias e tarefa: as crianças vão produzir sua história Materiais: livros, papel, lápis de cor. Segunda semana O que será realizado: aplicar a 2ª parte do projeto Como: ouvir as histórias e ensinar as brincadeiras Depois do cronograma montado, o mesmo foi enviado para o Abrigo. O grupo ficou aguardo mais uma visita, para conhecer as crianças. Infelizmente pelo motivo das mudanças ocorridas e pelo fato também de que quatro abrigados saíram da Casa, as crianças ficaram vulneráveis e sentiram muito; algumas até adoeceram e a psicóloga achou melhor a visita ser adiada para o próximo semestre, mas passou para o grupo todas as informações necessárias e ficou à disposição para outras possíveis. Ação Educativa Implantada De acordo com o Manual do PAE, o 5º semestre seria destinado à implantação das ações. Para a realização das atividades foram programadas e realizadas quatro visitas ao Abrigo Casulo, sendo em média duas por mês. 1ª Atividade: Conhecendo as crianças e o grupo Na primeira visita que o grupo fez com a responsável pelo Abrigo, uma psicóloga, ela nos passou todas as observações que deveríamos tomar ao iniciar projeto, pois as crianças do Abrigo são assistidas pela Justiça e recolhidas pelo Conselho Tutelar por maus tratos da família, dentre as orientações, uma é o sigilo absoluto de nomes e a não divulgação de fotos das crianças. 8 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP Na Casa estavam recolhidas seis crianças de idades entre três a doze anos e uma delas era deficiente físico com deficiência não definida, porém, dependia da cadeira de rodas e apresentava grande dificuldade motora. Exceção feita à criança menor de três anos, que não freqüenta a escola, todos os outros estão regularmente matriculados e o cadeirante freqüenta a APAE. As crianças na Casa são cuidadas por maternantes que trocam os períodos. O Abrigo funciona como uma casa comum tem regras, vão a médicos, dentistas, festas, passeios e algumas crianças recebem a visita da família, dependendo do caso. O Abrigo existe há quatro anos e as crianças não têm um tempo específico para ficarem lá, depende da Justiça, que avalia cada caso. Conhecemos as crianças na segunda visita que ocorreu dia cinco de abril do ano de dois mil e nove, estávamos todas muito ansiosas para conhecermos as crianças e nem imaginávamos o que seria essa primeira visita. Fomos bem recebidos pela maternante e também pelas crianças. Sugerimos uma roda da conversa e percebemos que, de início, as crianças estavam bastante tímidas, porém, nos trataram muito bem. Após as apresentações, elas nos levaram para um painel onde estavam expostos os desenhos que as crianças fizeram sobre o tema da Páscoa. Complementamos a visita com a contagem da história: Na fazenda – adivinhe quem é?, que possibilita a interação com as crianças. Todos ficaram bastante encantados e atentos. Após a dramatização, na qual cada integrante imitou um animal, personagem do livro, aplicamos uma atividade de desenhar na sala de estudos, para registro do projeto e para expressarem o que tinham entendido do livro, entregamos folhas de papel sulfite, lápis de cor e todas as crianças participaram. Neste primeiro contato ficamos com um sentimento de alegria por saber que as crianças gostaram e que corresponderam às nossas expectativas. As crianças são totalmente atenciosas, carinhosas e carentes de afeto, se apegam muito fácil às pessoas. 9 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP 2ª Atividade: Dinâmica - do afeto Quando o grupo chegou as crianças estavam ansiosas com a nossa presença. Sugerimos a roda da conversa para depois nos reunirmos para aplicarmos a atividade que propusemos – uma dinâmica trabalhando o afeto. Nessa dinâmica, nosso objetivo era trabalhar a afetividade de todos na Casa, inclusive dos funcionários. Fizemos uma roda com todas as crianças, com o grupo e funcionária, e cada integrante pegou o brinquedo de pelúcia, cada um fez um gesto de afeto no brinquedo, e ao final todos repetiram o mesmo gesto de carinho no amigo do lado. Enfatizamos a importância do diálogo, de não brigar, bater e sempre levar um fato ocorrido a algum adulto para ajudar a resolver e se for na escola sempre falar com a professora. Cantamos várias músicas como: tomatinho vermelho, a dona aranha, coelhinho bossa nova, meu pintinho amarelinho, o sapo não lava o pé, dentre outras. Deixamos as crianças se expressarem, algumas nos contaram sobre a escola, sobre os amigos e sobre a Páscoa que estava chegando e conseqüentemente elas todas estavam ansiosas. Após a dinâmica fomos para a sala de atividades e cada criança registrou a dinâmica através de um desenho. 3ª Atividade: Jornal de Parede Nesta nova visita, fomos com o objetivo de analisar o que as crianças fizeram e como se comportaram com a dinâmica realizada na visita passada. Nossa preocupação era saber se o que foi trabalhado com elas foi absorvido por elas. A maternante que cuida das crianças disse para o grupo que as mesmas dividiram o brinquedo que deixamos cada dia com uma, e depois ficou em definitivo com uma só criança. Na opinião dela, as crianças se esforçaram para realizar a “tarefa” que o grupo deixou. As próprias crianças nos contaram que dividiram a pelúcia e que conversaram em vez de brigar. Nesta nova atividade o nosso objetivo foi o de montar um jornal de parede, no qual as crianças vão colocar dentro de seus respectivos envelopes, algo de ruim ou de bom que aconteceu para discutir entre elas mesmas. 10 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP As crianças pintaram cada uma o seu envelope e já deixaram um desenho dentro dele. Ficou combinado que, ao passar da semana, elas e as maternantes iam ler e discutir o que estava escrito. Está atividade tem como objetivo discutir os conflitos e conseguir fazer com que as crianças dialoguem e cheguem a um consenso. As crianças não fizeram esta “tarefa”, o grupo entendeu que elas não quiseram expor os seus sentimentos. 4ª Atividade: Gincanas de Festa Junina Estas atividades foram elaboradas com o objetivo de integrar as crianças, mostrar a elas que através do coletivo, conseguimos alcançar um resultado em comum, pois na Casa há divergências entre eles, as crianças maiores se impõem às menores. Escolhemos o tema focado nas típicas brincadeiras juninas, pois era o mês correspondente. - Corrida do ovo - Formamos três duplas para correrem com o ovo na colher. Ganhava a dupla que chegasse primeiro ao local determinado previamente. - Mordida na maçã – reorganizamos os componentes das duplas de acordo com a altura das crianças para que ficassem mais adequadas com a altura que a maçã seria amarrada. A dupla deveria morder a maçã dentro de um tempo determinado e venceria a dupla cuja maçã estivesse mais consumida. - Corrida das bexigas – todos deveriam levar bexigas coloridas até a criança com deficiência, que usa cadeira de rodas e tem dificuldades motoras. Então, com a ajuda de duas integrantes do grupo, esta criança estourava as bexigas. Nestas atividades ficamos satisfeitas e acreditamos que os objetivos foram alcançados, devido à cooperação e ao entrosamento das crianças. 11 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP Avaliação das atividades aplicadas De acordo com o cronograma abaixo concluímos que os objetivos foram alcançados satisfatoriamente. As crianças participaram de maneira positiva, nos acolheram, socializaram-se, interagiram com as atividades propostas. Portanto, os resultados obtidos foram positivos na avaliação do grupo. Cronograma - Dia - 10/03/2009 - Descrição da ação desenvolvida: - Roda da conversa sem assunto específico; - Contar histórias infantis. - Recursos utilizados: - Diálogo com a apresentação dos participantes do grupo, e também das crianças; - Livros. - Objetivos da ação: - Conhecer as crianças e permitir que elas nos conheça, travando um início de relacionamento baseado na confiança. - Avaliação: - O objetivo foi alcançado, pois em poucos minutos as crianças se sentiram desinibidas para conversar conosco. - Dia - 05/04/2009 - Descrição da ação desenvolvida: - Dinâmica: Círculo do afeto. - Recursos utilizados: - urso de pelúcia. - Objetivos da ação: - compreender a importância do diálogo; - não bater; - não brigar; - sempre conversar sobre os problemas com um adulto responsável. - Avaliação: 12 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP - As crianças souberam respeitar a vez dos colegas no cuidado com o brinquedo e ao surgirem conflitos conseguiram resolver sem brigas. - Dia 26/05/2009 - Descrição da ação desenvolvida: - jornal de parede. - Recursos utilizados: - Cartolina; - Sulfite; - Cola; - Lápis de cor; - Lápis de escrever; -Tesoura; - Fita Adesiva; -Caneta; - Objetivos da ação: - Discutir conflitos e fazer com que as crianças se habituem ao diálogo para que haja uma maior compreensão de si mesmo e do outro. - Avaliação: - De acordo com a maternante, todas as crianças apresentaram grande dificuldade de expressar as suas vivências e não houve nenhum texto com o relato das experiências, portanto, concluímos que o objetivo desta atividade não foi alcançado. - Dia 31/05/2009 - Descrição da ação desenvolvida: - Gincanas: - corrida do ovo, - mordida na maçã; - corrida da bexiga. - Recursos utilizados: - Ovo; - Colher; - Maçã; - Barbante; 13 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP - Bexigas; - Palito de churrasco; - Tesoura; - Suporte já existente na área externa. - Avaliação: - Todos procuraram cooperar para alcançar bons resultados e não estavam preocupados somente com a competição, mas também conseguiram se divertir. Consideramos que o objetivo foi alcançado. Avaliação do grupo: As reuniões com o orientador, Prof. Dr. Marcos Francisco Martins, ocorreu às quintas-feiras durante todo o semestre. Nas reuniões o orientador auxiliou o grupo na elaboração das atividades, nas dúvidas decorrentes durante a aplicação do projeto. Ele trouxe idéias para o grupo, como outras atividades, sugeriu dinâmicas para serem aplicada com as crianças do nosso projeto e propôs a troca de atividades que achou que não estaria de acordo, como exemplo na construção de brinquedos de sucata, devido ao fato de as crianças já terem feito este tipo de atividade outras vezes. Levamos a ele, a cada visita com as crianças, a ação que fizemos e as observações que todo o grupo fez durante o projeto, e discutimos a ação realizadas com as crianças e suas reações e se conseguimos alcançar os objetivos esperados. Portanto, durante toda a aplicação do projeto, o professor atendeu a todos do grupo com atenção e sempre se pôs disponível para nos atender mesmo fora do dia estipulado. Todas as integrantes do grupo participaram de todas as visitas realizadas no Abrigo: das realizações das atividades, das pesquisas bibliográficas, das reuniões na casa de cada uma para discussão das tarefas e elaboração do que seria realizada em cada visita, da montagem do relatório para entrega. Também cada uma ficou responsável pela compra de material, como: papel cartão cola papel sulfite colorido, brinquedo de pelúcia, fita crepe, palito de churrasco, ovos, maçãs, barbante dentre outros que posteriormente usaríamos para a realização das atividades e montagem das dinâmicas que fizemos durante o projeto. Nas reuniões com o orientador, por algumas vezes e por motivos particulares algumas não puderam participar, mas as demais que participaram passaram o que foi conversado e discutido para as mesmas. 14 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP Conclusão O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. A ludicidade é assunto que tem conquistado espaço no panorama nacional, por ser o brinquedo a essência da infância, seu uso permite um trabalho pedagógico que possibilita a produção do conhecimento, da aprendizagem e do desenvolvimento cognitivo, motor e nas relações sociais das crianças. Independentemente de época, cultura e classe social, os jogos e brinquedos fazem parte da vida da criança, pois elas vivem em um mundo de fantasia, de encantamento, de alegria, de sonhos, nas quais a realidade e o faz-de-conta se confundem. Nas relações sociais com mudanças aceleradas em que vivemos, como o avanço tecnológico, a introdução dos brinquedos eletrônicos e até mesmo da globalização, somos sempre levados a adquirir competências novas, pois é o individuo a unidade básica de mudança. Adentrando o século XXI, inserido na sociedade pós-industrial, caracterizada pela produção de serviços, informática, estética, símbolos e valores, o predomínio da globalização, precisamos criar um novo modelo de brincar baseado no tempo livre, na flexibilidade, na criatividade, na interação com o outro e na emotividade conjugada com a racionalidade. É evidente que o brincar perdeu seu espaço físico e temporal, evidencia Friedmann (2004), pelo crescimento das cidades, aumento das distâncias, maior dificuldade de deslocamento e encontros, ausência de espaços públicos voltados ao lazer, ida da criança para escola e preocupação exacerbada com os conteúdos, falta de segurança urbana, inserção da mulher no mercado de trabalho, alto consumo de brinquedos industrializados, globalização geradora de generalizações e perda da identidade cultural. Este projeto tentou mostrar que a utilização de brincadeiras e jogos no processo pedagógico faz despertar o gosto pela vida e leva as crianças a enfrentarem os desafios que lhe surgirem porque o “lúdico” é um instrumento indispensável na aprendizagem, no desenvolvimento e na vida das crianças. 15 IV Colóquio sobre Educação Sócio-comunitária de 11 a 14 de novembro de 2009 UNISAL -Americana/SP Bibliografia básica ALMEIDA, Anne. Ludicidade como instrumento pedagógico. 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