Televisão – Um veículo para todos – Adriana Fernandes PROJETO P ROJETO D DE E LLEITURA EITURA A autora 1 Adriana Fernandes é graduada e mestra em Televisão de Qualidade para Crianças e Adolescentes pela ECA-USP. Foi produtora e diretora em programas infantojuvenis na TV Cultura, Disney Channel, Discovery Channel e SBT, além de professora universitária de televisão. Foi trabalhando no Midiativa – Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes – e participando de eventos internacionais promovidos pela fundação alemã Prix Jeunesse que Adriana consolidou e sistematizou seus conhecimentos na área. Ela acredita que os programas de televisão podem ajudar crianças e jovens a conhecer um pouco mais o mundo e a si mesmos. Para tanto, considera primordial lutar para que todas as etnias, valores, culturas e classes estejam representados na tela, de modo que crianças e jovens se reconheçam e se sintam valorizados. Assim será possível encorajar o crescimento físico e intelectual e dar forças às crianças e adolescentes que a assistem. Resenha Ficha O texto de Adriana Fernandes é resultado de uma forte síntese retrospectiva sobre a presença da imagem em nosso cotidiano e sobre como tudo começou – luz, cor, fotografia, telégrafo, cinema, rádio e televisão. O livro tem por objetivo levar o leitor a perceber que a história da televisão e a sua influência têm relação com a experiência do olhar. O homem observa objetos, cenas, a natureza e busca, por meio desse ato, satisfação, distração, conhecimento e algum tipo de resposta para seus questionamentos. Analisa, ainda, o fenômeno da televisão como meio que permite assistir não só a mundos que são fabricados em estúdios, mas também ao mundo marcado pela diversidade e pluralidade culturais. A obra Televisão – Um veículo para todos relaciona-se de forma dinâmica com outros discursos. Diversas linguagens são usadas simultaneamente, o mais das vezes amalgamadas, aproveitando-se de recursos da TV – por exemplo, ao incorporar “cortes” próprios da linguagem televisiva. Ocorre também de a autora construir a narrativa substituindo o narrador pelo ponto >> Autora: Adriana Fernandes Título: Televisão – um veículo para todos Pesquisa iconográfica e ilustrações: Adriana Fernandes, Tempo Composto e Luiz Zico Rocha Soares Formato: 17 x 24,5 cm No de páginas: 32 Elaboração: Sonia Maria Soares dos Reis Quadro sinóptico Gênero: paradidático Palavras-chave: mídias, comunicação, leitura integradora de linguagens, imagem Temas transversais: pluralidade cultural, ética, trabalho e consumo Interdisciplinaridade: Artes, Português, Matemática, Ciências Humanas e Sociais INDICAÇÃO: leitor fluente: a partir de 11 anos ensino fundamental >> Resenha de vista de uma câmera. A recepção da obra se faz mediante tal diversidade de linguagens, pois o projeto gráfico explora recursos dos jornais (boxes, infográficos etc.) e arte sequencial (planos, grafismos etc.), estabelecendo interação entre a obra e o leitor por meio do olhar criador, distante do hábito, do estereótipo, do rótulo. Como em todos os títulos da série, o livro de Adriana sugere o uso inteligente de um olhar que percebe, assimila e devolve. A televisão, assim como o livro, com suas múltiplas linguagens e propostas diversas, permite uma constante redescoberta a seu fruidor-receptor. Conversa com o professor O crítico italiano Umberto Eco afirma que a linguagem da televisão é a da imagem. Ela é uma ponte entre o homem e seu imaginário e contém forte carga emocional. Geralmente é usada para eternizar um momento agradável ou importante que está sendo vivido. A linguagem televisiva é entendida por Maury Green como resultado de três elementos característicos do processo de comunicação, canalizado por intermédio da televi2 são: a importância do visual, o culto da personalidade e a espetacularidade da informação noticiosa. Desses três componentes combinados resulta que a notícia televisiva não esteja sujeita à lógica da linguagem racional, mas à lógica de uma linguagem emocional. No filme Muito Além do Jardim (1979), de Hal Ashby, o personagem principal (Peter Sellers) é um jardineiro quarentão que aprendeu tudo o que sabe pela televisão. Durante sua vida, ele serviu a um só patrão, sem nunca ter saído de casa. Nada sabia do que se passava nas ruas, a não ser por intermédio da tela. Com a morte de seu patrão, ele foi obrigado a deixar a casa e passou a conviver com as pessoas como se estivesse vivendo um papel interpretado. Foi também por essas imagens que ele conheceu uma mulher e “fez amor” com ela. Ele não tinha consciência do que fazia, apenas repetia mecanicamente os gestos que via num programa de ginástica. A imagem impacta diretamente o sentimento, modela a imaginação e, com ela, todo o modo de sentir e de reagir do personagem. Essa é uma descrição exagerada de algo que se passa na sociedade contemporânea. Reproduzimos comportamentos dados na forma de clichês pela televisão, pelo cinema etc. A imagem é autossuficiente; ela se basta. Por isso, segundo a maioria dos críticos, todos nós estamos sujeitos a ela. Atribui-se, com frequência, à televisão uma ascendência totalitária sobre o telespectador. A televisão tem o poder de simular a “realidade”, substituindo o onírico pelo imediatismo cotidiano e familiar das imagens. Ela seduz os telespectadores e os convida a participar de seu mundo, já que seu projeto é incorporá-los em seu espaço. Da mesma maneira assistimos à telenovela para repetir no plano da fantasia certas emoções, vestimos certas roupas, falamos um certo conjunto de palavras e adotamos certas atitudes que aprendemos ser as adequadas a certa imagem que queremos “vender” de nós mesmos. Ao se considerar as especificidades da linguagem televisiva, ao telespectador num primeiro estágio caberia um comportamento passivo. Sabemos, entretanto, que a televisão, assim como qualquer suporte, deixa brechas para outras leituras. Aparentemente, o espectador não teria poder algum, a não ser o de traduzir o sentido pronto no texto televisivo. Mas em toda prática de leitura existe a relação sujeito/objeto, isto é, existe um pacto de leitura que constitui >> >> Conversa com o professor o que denominamos interação leitor/ texto (correspondente a espectador/ programa televisivo). Considerando a ideia de leitura como transgressão, o leitor pode ser comparado a um viajante que encara “sondagens sucessivas e diversas”. Daí o papel da escola e dos profissionais da educação. É, portanto, necessário ressaltar a importância do trabalho com as diferentes linguagens dentro de uma abordagem intersemiótica. Por mais que a linguagem televisiva seja “um mosaico”, podemos desenvolver um olhar observador e crítico sobre a programação da TV. Em sociedades letradas, ao se considerar o desenvolvimento das habilidades de leitura no processo ensino-aprendizagem, ler envolve sempre a escolha de uma trajetória que amplia nosso universo com a ajuda de outros leitores, num incessante processo de troca. Nesse sentido, o livro Televisão – um veículo para todos, de Adriana Fernandes, é um convite fascinante à curiosidade e à imaginação. A obra tem uma abordagem sintética, porém esclarecedora, desse veículo de comunicação tão polêmico. Em relação à televisão, o crítico Artur da Távola (1984) afirma: 3 Se, por um lado, a TV rouba algumas horas de leitura, por outro, produz sensações sobre as crianças, que vão ter ampliada a carga de curiosidade. A TV é motivadora, indutora. Induz a uma leitura que completa a sua informação sempre ligeira. Operando sobre os mecanismos sensoriais, os meios eletrônicos promovem o alargamento dos canais da sensibilidade, gerando predisposições para a recepção da leitura, bem como a de outras artes. O nível de curiosidade, de aventura, de conhecimento, de participação possibilitado pela TV pode levar certas crianças a buscar, de outros modos, a aventura do conhecimento, predispondo-as a encontrar nos livros estímulos diversos. (...) Nesses casos a TV ajuda a leitura. Criança mais bem informada, se tiver livros e boa orientação, prolongará na leitura a curiosidade estimulada pela TV. O mais importante de toda a complexa relação da criança da era eletrônica com o livro é o fato de que ambos – livro e TV – não precisam ser adversários, como habitualmente se pensa. Eles são complementares! Tal afirmativa pode ser constatada na obra de Adriana Fernandes, que, por meio de constante interlocução com o receptor, estabelece a aproximação entre o leitor e o mundo televisivo, viabilizando o acesso a termos técnicos dessa mídia e mostrando que este é um universo a ser explorado – o livro convida o leitor/telespectador a ser um viajante crítico e fazer “sondagens sucessivas e diversas” pelo mundo da telinha. Televisão Console da General Electric, modelo HM 225-1939, Bridgeport, Connecticut, EUA: © Museu Schenectady; galeria da Fundação da História Eletrônica/Corbis – LatinStock. Comentário sobre a obra Fala-se, e às vezes o tom é cético, que a sociedade atual é a da imagem, principalmente por causa do sucesso da televisão. A televisão é uma importante conquista da humanidade, que possibilita que milhões de pessoas tenham a oportunidade de ver outros mundos, de conhecer outras realidades, bem como de manter contato com os diversos pontos do planeta, envolvendo cada vez mais a população mundial na busca de soluções para os problemas universais, como também divulgando benefícios de que outras pessoas desfrutam, provocando o desejo e a consciência de que todos têm direito. Portanto, a imagem sempre esteve presente, com muita intensidade, na vida das pessoas. A televisão, o cinema, a fotografia e a internet possibilitaram alargar e ampliar esse fascínio humano, que é poder ver, olhar, observar, pensar, criar. (Adaptado de Serra, Elizabeth. Literatura e Imagem – Salto para o futuro) A coleção Comunicação Hoje propicia um processo de relações entre as produções humanas, ou seja, mostra como o ser humano transmitiu e 4 transmite seus conhecimentos, suas ideias, sentimentos e emoções cantando, pintando, modelando, escrevendo, articulando signos verbais e não verbais – as mídias ocorrem como espaço dos intercâmbios, dos conflitos, das vozes que se propagam e se influenciam sem cessar. É fundamental, entretanto, perce-ber que em momento algum os auto-res tiveram a pretensão de esgotar o assunto ou discorrer de maneira de-talhada sobre os temas enfocados em m cada título da série. Ela é um convitee à pesquisa, à interlocução e, funda-mentalmente, um convite à busca de e saberes que devem ser ensinados aoss nossos alunos, levando-se em conta a a diversidade e abrangência dessass linguagens e meios de comunicação;; daí o leitor ser um coautor. Na esteira da coleção, o livro Tele-visão – Um veículo para todos, como o alimento fértil e essencial para a ima-ginação e para a criação, apresenta-se e como objeto cultural de grande quali-dade, seja no aspecto textual e infor-mativo, seja no que se refere a ima-gens, fotos, infografias e ilustrações. A autora mostra que a televisão é,, para a maioria dos brasileiros, o maiss importante instrumento de acesso o à cultura e desmitifica o aparelho o como causador de todos os males contemporâneos. A diferença vai depender justamente do olhar crítico e construtivo dos pais, educadores e de quem orientar as crianças e os jovens sobre a TV. ATIVIDADES A TIVIDADES P PROPOSTAS ROPOSTAS Preparando a leitura 5 “Meio híbrida, a televisão recebe do cinema a expressão da imagem em movimento e o deslocamento fluente no tempo e no espaço. Do rádio, herda a voz enviada a distância. O close-up, o intimismo, a mobilidade da câmera e o superdetalhe são marcas definidas pela televisão. Este é o veículo do close.” (JESUS BARBOSA DE SOUZA, 1996) Primeiro momento Promover atividades de expressão oral significativa – rodas de conversa e debates temáticos – relacionadas à programação televisiva: Quais/ Como são os programas de maior audiência na televisão? Ela atende aos interesses dos cidadãos? A que interesses deveria atender? Quais os programas preferidos dos alunos? Por quê? Existem programas que divertem e informam? Com que programas o aluno se diverte? Depois da conversa, procurar em jornal ou revista a programação da TV e selecionar com a turma uma programação comum a todos. Assistir e incentivar o debate posterior. Segundo momento 1. Para experimentar a mobilidade da câmera, o professor deve distribuir uma folha de papel tamanho A4 aos alunos e pedir que façam uma luneta. Em seguida, deve convidá-los para observar os objetos em seu entorno: carteiras, mochilas, mesa, garrafas etc. Na sequência, pedir que utilizem a “câmera improvisada” (luneta) para enquadrar um dos objetos – distanciar-se do objeto, aproximar-se, fazer o enquadramento de cima para baixo e de baixo para cima etc. Por fim, caminhar em um ambiente aberto e exercitar o deslocamento da câmera. 2. Trazer alguns livross com seleção de telas de pintores famosos para a sala ala ou pesquisar na página na do Google uma obra específica de Jan van Eyck, A Virgem do Chanceler nceler Rolin (exposta no o Museu do Louvre) e colocá-la ocá-la em transparência. Elaborar borar perguntas e suposições es acerca das característicass da linguagem plástica. Projetar a tela A Virgem do Chanceler Rolin e pedir que os alunos observem a reprodução: Como estão distribuídos os elementos nessa obra? Podemos perceber movimento nas imagens, mesmo a obra sendo estática? Como? • Em que planos ocorrem as cenas? • Quantas pessoas há no quadro de Jan van Eyck? Indiozinho, logo da TV Tupi: © acervo Iconographia Comentário sobre o quadro Para completar, sugerimos a leitura de dois títulos da Editora Melhoramentos: As Paisagens e Os Quadros, da série Minhas Primeiras Descobertas da Arte. A magia da arte vai se revelar a nossos olhos por intermédio dos filmes transparentes, enquadramentos e recortes de cenas. O aluno se surpreenderá diante das cenas da tela de Brueghel Jogos Infantis e, em particular, poderá se aproximar ou distanciar-se da cena A Virgem do Chanceler Rolin, de Jan van Eyck. A linguagem é a do enquadramento: nosso olhar desloca-se do mais amplo (plano geral) para os detalhes das cenas retratadas na tela. Terceiro momento A arte contemporânea busca, intencionalmente, a multiplicação de significados. Num único livro, o leitor é levado a conviver com uma pluralidade de histórias, gêneros e direções de leitura. Ao dirigirmos o olhar atento às manifestações mais recentes da “arte”, verificamos uma expressiva tendência à utilização, numa única obra, da combinação de variadas formas artísticas – e, na maioria delas, 6 coexistem diferentes técnicas, rompendo • Conversar sobre o enredo dos livros, salientando que os temas propostos são a barreira entre os gêneros artísticos. Pobem diferentes. E quais seriam as semedemos observar que a linguagem utilizalhanças entre eles? O que aproxima as da por uma mídia migra, naturalmente, obras? O que as distancia? para outro contexto, estabelecendo diálogo entre essas formas de arte: • A narrativa associa linguagem verbal • Mostrar a intertextualidade com livros de e não verbal ou só utiliza linguagem literatura infantojuvenil, como: Zoom, de pictórica? Quais os materiais utilizados Istvan Banyai, Ed. Brinque-Book; Dudu para a ilustração? São semelhantes ou Amigo do Mar, de Lúcia Pimentel Góes, diferentes? A linguagem e a técnica são Ed. Paulus; Noite de Cão, de Graça Lima, semelhantes? Ed. Paulinas. • Escolher um dos livros com a turma para • Dividir a turma em três grupos e fornefazer uma releitura. Com papel pardo, cer um dos títulos sugeridos para cada tesoura, cola e materiais diversificados grupo. Deixá-los folhear os livros livre(objetos concretos) etc., usar a técnica mente. de recorte e colagem (utilizada em um dos livros), empregando a linguagem • Propor os questionamentos: há outra televisiva – enquadramento, cortes e possibilidade de direção de leitura? A planos. leitura só é possível da esquerda para a direita? Trabalhando a leitura Intertextualidade: o diálogo da televisão com a música Promover a audição da música “Santa Clara”, de Caetano Veloso: Santa Clara, padroeira da televisão Que o menino de olho esperto saiba ver tudo Entender certo o sinal certo se perto do encoberto Falar certo desse perto e do distante porto aberto Mas calar Saber lançar-se num claro instante. Santa Clara, padroeira da televisão Que a televisão não seja o inferno; interno ermo, Um ver no excesso o eterno quase nada (quase nada) Que a televisão não seja sempre vista Como a montra condenada, a fenestra sinistra Mas tomada pelo que ela é de poesia. (...) 7 A abordagem do tema pelo compositor baiano Caetano Veloso toca no preconceito de atribuir aos espectadores passividade que, afinal, eles não possuem: “Que a TV não seja o inferno; interno ermo / Um ver no excesso o eterno quase nada...”. O mito do teledependente babando de olhos esbugalhados em frente ao aparelho de TV caiu de vez com o fenômeno do zapping. Mesmo que o telespectador não use esse recurso, a programação da TV – com a transmissão de mensagens, informações – exige um trabalho ativo de interpretação. “Que o menino de olho esperto saiba ver tudo...” Intertextualidade: o diálogo entre TV e arte sequencial 1. Conversar com os alunos sobre a letra da música. Em seguida relacioná-la ao capítulo “Você e a TV”, do livro de Adriana Fernandes. Depois, a tarefa é ousar inventar essas imagens, ver a canção e elaborar as imagens mentalmente. Serão necessárias algumas perguntas para orientar a atividade prática: • Quantas horas por dia você vê TV? E seus familiares? • Com que finalidade cada membro de sua família assiste à TV (distrair, divertir, obter companhia, unir a família, informar, instruir)? • Você se considera teledependente? Ou é “o menino de olho esperto”, que sabe ver tudo e entender certo o sinal certo? O professor deve dividir a turma em dois grupos e fornecer material alternativo, como papelão, sucata em geral, cartolina, cola, tesoura, tinta guache, giz de cera etc. O primeiro grupo deverá representar de forma figurada as pessoas “que ficam babando” diante da TV (pode descrever, desenhar ou fazer uma montagem com recorte e colagem); o segundo grupo deverá representar o telespectador crítico, utilizando a sua liberdade de escolha diante da programação televisiva. 2. Ler e comentar com os alunos as informações do glossário do livro e a seção “Quer saber mais?”, informando-os de que outras mídias também utilizam essas técnicas. Em seguida, projetar (ou distribuir impresso) uma sequência de quadrinhos, chamando a atenção para a disposição das imagens, a sequência, o número de quadrinhos, o tamanho, os balões, a cor, a diagramação. Mostre, também, que a arte sequencial possui planos como elementos de grande importância. >> >> Trabalhando a leitura 3. Criar uma história ao contrário. Forme grupos com cinco alunos e peça que eles selecionem entre as revistas e jornais da classe (cantinho da pesquisa) uma história pequena em que apareçam dois personagens que se contrapõem – mocinho e bandido, princesa e bruxa, super-herói e vilão. Com todo o cuidado, faça que eles recortem balões e personagens e invertam os papéis, trocando as posições. Colem novamente e criem um novo fundo para cada situação. Apresente os trabalhos juntamente com os demais. 8 Explorando a leitura Intertextualidade: o diálogo do livro Televisão – Um veículo para todos com os gêneros televisuais O jornalista Ricardo Arnt contesta a visão concentracionista, segundo a qual os veículos de comunicação de massa estariam nas mãos de uns poucos donos do poder. Estes se serviriam da mídia para manipular espectadores passivos, telemarionetes, que passariam a acreditar no que lhes mandam acreditar e comprar acriticamente o que lhes mandam comprar. Os pesquisadores ingleses Himmelsweit, Oppenheim e Vince, após pesquisas, chegaram aos seguintes resultados: assistir à televisão favorece uma atividade mental passiva; a TV pode incentivar na criança uma preferência pela vida “fabricada”, em prejuízo da vida “real”; a TV provoca na criança uma atitude de mero espectador dos fatos e perda de iniciativa; o aparelho incapacita a criança a emoções autênticas. Atitudes antagônicas e cheias de controvérsias a respeito da TV são apontadas nessas poucas citações e, portanto, solicitam ou estimulam a rearticulação de informações pertinentes a essa mídia dentro de um contexto interdisciplinar. Sugerimos sistematizar essas relações e esclarecer os seus vínculos dentro de um projeto de redes que envolva os gêneros televisuais. 1. Artes, Português e Matemática – a telenovela A novela pauta a conversa entre vizinhos, a troca de ideias entre patrões e empregados, o programa dos pais com os filhos, o debate entre colegas de trabalho. Assistir e especular sobre o significado e os próximos acontecimentos da novela são rituais diários compartilhados por milhares de brasileiros. Fãs mais assíduos, além de seguir fielmente os capítulos diários, se informam por meio da imprensa especializada e dos programas de rádio, participam de enquetes, consomem moda, usam gírias. Fãs menos assíduos não deixam de acompanhar o mínimo necessário para não perder o fio da meada da história. Há os que fazem questão de execrar o gênero, mas, após o primeiro choque, revelam conhecimento detalhado das tramas. (E. HAMBÚRGUER – Folha de S.Paulo, 16 de setembro de 2000) >> >> Explorando a leitura 1. Reler “Telenovelas e outras formas de história” (p. 22-23) e observar que a autora chama a atenção para o poder de envolvimento das histórias televisivas: “As pessoas se envolvem tanto com as histórias das novelas que acabam se emocionando. Os telespectadores assistem a novelas à noite e passam o dia seguinte discutindo no trabalho ou na escola sobre com quem a mocinha deveria casar, como se a garota da história fosse sua melhor amiga”. • Relacionar o ponto de vista (sobre o gênero telenovela) de Adriana Fernandes e do jornalista da Folha, E. Hambúrguer. O ponto de vista deles é semelhante? Você concorda com eles? Este ano você está acompanhando alguma telenovela? E sua família? Você também troca ideias com seus colegas sobre telenovelas? 2. Retomar a atividade “história ao contrário” (item 3) e considerá-la um roteiro para a criação de uma cena típica das telenovelas: observar que houve a ruptura do padrão maniqueísta – o diálogo e os papéis dos personagens devem ser invertidos (o herói terá um discurso hipócrita e atitudes traiçoeiras, e o traidor, uma fala nobre e atitu9 des humanas e justas; a mocinha será fingida, e a vilã, boazinha). Apresentar a cena para o resto da turma. 3. “Os segmentos das telenovelas são formados por miniquadros que se desenrolam sem fortes cargas emotivas e que terminam com um quadro final emocionante. Este é geralmente fechado ao som da canção de fundo, que sobe à altura das vozes dos atores, produzindo a tensão. Após o intervalo comercial – que congela a emoção – retorna-se à cena interrompida, e a tensão desfaz-se rapidamente: os protagonistas relativizam, bagatelizam, reduzem – em suma, esvaziam a emocionalidade criada anteriormente, fraudando o telespectador que se envolveu e continuará a cair no golpe da tensão.” (FILHO, Ciro Marcondes) • Sugerir aos alunos que assistam, durante uma semana, a capítulos de algumas telenovelas e observem os conflitos apresentados, a origem dos conflitos, as características dos personagens neles envolvidos e os principais problemas detectados. • Listar em um cartaz ou painel o levantamento de dados estatísticos sobre os problemas apresentados nas telenovelas: a) Atividades criminosas ou indesejadas: chantagem, bigamia, uso de violência, assassinatos, mortes, veneno, tráfico etc. b) Problemas sociais: dificuldades nos negócios, alcoolismo, demissão, envolvimento com drogas, adoção, separação familiar e outros. c) Casos médicos: doença mental, doenças psicossomáticas, gravidez indesejada, tratamentos médicos bem-sucedidos, Aids etc. d) Problemas de amor e de relacionamento: relações amorosas em dificuldade, casamentos em crise, separações, reconciliação de cônjuges, casamentos à vista e outros. Em relação ao resultado dessa pesquisa, fazer um gráfico de colunas ou tipo pizza para evidenciar o resultado. Após a pesquisa, ler, em voz alta, a afirmativa de Ciro Marcondes Filho sobre o gênero telenovela: a observação dos capítulos durante a semana confirma o discurso do crítico? Em seguida, dividir a turma em quatro grupos. Cada um deles deverá escolher um dos problemas listados no cartaz e criar um momento cênico: o de maior carga emotiva deve ser acompanhado por fundo musical. >> >> Explorando a leitura A atividade consiste na escolha de “canções” para aumentar a tensão necessária ao envolvimento do telespectador na cena. Salientar que a música (como também a sonoplastia) deve refletir o contexto da cena, os sentimentos e as emoções dos personagens. 2. Artes, Português, Ciências e Geografia – programas educativos Vila Sésamo é um programa televisivo voltado a crianças em idade escolar e baseado na série Muppets. Foi o primeiro programa a tentar aproximar entretenimento e educação e transformou-se na série educativa infantil de maior sucesso. A série foi estruturada em quadros breves, inspirados em técnicas publicitárias de TV, possibilitando ensinar e divertir crianças, utilizando a atração da televisão e o potencial tecnológico. Em cada quadro, um objetivo pedagógico; quadros com bonecos e personagens humanos, animação e música. A TV Cultura produziu a versão brasileira em parceria com a TV Globo, que ficou no ar entre 1972 e 1977. (Adaptado de TV na Escola e os Desafios de Hoje – Módulo 2) 10 Descobrir com os alunos se eles conhecem algum programa educativo, depois ir à página 21 do livro de Adriana Fernandes e ler seu comentário sobre o gênero. Questionar qual é a função desse tipo de programa e a que público se destina. Levar para a aula a revista Veja de 27 de maio de 2007 ou consultar www.veja.abril.com.br (seção Entrevista). Procurar a entrevista com Gary Knell, o diretor de Vila Sésamo, e comentar a abordagem Vila Sésamo e a Aids. Ler alguns trechos e, se possível, trazer vídeos de programas antigos dessa série educativa. Salientar que o programa está de volta, na África do Sul, para a formação social e cidadã do povo. O professor deve conduzir alguns questionamentos: • Onde surgiu o novo programa? Na África do Sul. Por quê? Qual o objetivo do programa Vila Sésamo e a Aids? • Uma nova personagem da série – uma órfã de 5 anos portadora do HIV – convive com um boneco com aparência de urso, Kami, nessa Vila. Que tal conhecer o programa e falar um pouco sobre esse povo? • Imaginem a África, com sua diversidade de pessoas, espaços, culturas, as várias áfricas num enorme continente... O que você sabe dela? • Para falar sobre a África, que fica além-mar, trazer um mapa-múndi para a sala de aula. Pedir aos alunos que localizem o continente africano e pintem o espaço referente à África do Sul. • Formar uma roda, modo de reproduzir uma situação comum em aldeias, para contar e ouvir histórias do povo africano. Sugerimos dois autores brasileiros que resgatam histórias do povo africano: Joel Rufino dos Santos e Rogério Andrade Barbosa. Escolher algumas histórias e partilhá-las. • Questionar: se você pudesse guardar um tesouro para seus netos, o que seria? Que tal dar de presente histórias do passado? Proponha aos alunos esconder presentes para o futuro e transformar o velho em novo, fazendo brinquedos de sucata. • Conversar sobre os costumes e hábitos do povo sul-africano; organizar um álbum com fotografias do povo, de suas atividades artísticas e culturais. Socializar os conhecimentos adquiridos com toda a escola. >> >> Explorando a leitura • Discutir o enfoque do programa Vila Sésamo e a Aids. Observar os dados da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre doenças associadas à Aids na África. Como ajudar o povo e as crianças desse continente no combate à Aids? Que tal criar uma canção de solidariedade (ritmo bem brasileiro) para as crianças africanas vítimas de preconceito e enviá-la aos produtores do programa televisivo? QUER SABER MAIS? Televisão e histórias em quadrinhos – linguagens afins Quando o quadrinho traz todo o conjunto (cenário e personagens), dizemos que se trata de um “plano geral”. Se a preocupação reside em mostrar o personagem por inteiro, temos o chamado “plano total”, enquanto o “primeiro plano” limita-se a exibi-lo a partir dos ombros. O “plano médio” apresenta o herói a partir da cintura, e o “plano americano”, a partir dos joelhos. Quando apenas um detalhe é mostrado, temos o “plano de detalhe”. (IANNONE, Leila R. e IANNONE, Roberto Antônio. O Mundo das Histórias em Quadrinhos. São Paulo: Moderna, 2000, p. 64) 11 A autora, Adriana Fernandes, em alguns trechos chama atenção para o enquadramento, o plano no e o ângulo de visão das cenas gravadas adas e oferece, no final do livro, um glossário ossário com termos específicos da mídia ia televisiva. O plano pode ser panorâmico, quando aparecem diversos ersos personagens, o lugar onde estão ão e outros aspectos contextualizadores ores do espaço físico e social da cena (história). Pode ser geral, quando os personagens aparecem de corpo inteiro, teiro, mas destacados. O plano americano os focaliza do joelho o para cima, e o plano médio, apenas a partir da cintura. No primeiro plano, o rosto o se destaca. Há ainda o plaano-detalhe, em que só ó uma parte do persona-gem ou de um objeto o surge no enquadra-mento. Devem-se interpretarr essas escolhas como o significativas dentro daa história e não aleató-rias. O ângulo de visão o constitui a perspectiva a pela qual são enqua-drados os personagens: de cima para baixo, de e baixo para cima etc.,, de acordo com a intenção de dar-lhes grandeza ou de diminuí-los em importância, que pode ser social, política, psíquica ou de outra natureza. Homem se alimenta assistindo televisão ©LatinStock ANEXO A NEXO TTEÓRICO EÓRICO “Ler é dotar de sentido, tirar à luz os sentidos possíveis que a obra traz em si e em sua relação com as demais. Cada leitura é uma nova escrita do texto. O ato de criação não seria o autor, mas o leitor” (BELLA JOZEF). Ao pensarmos sobre releituras e dialogismo e no desafio do leitor em deslindar um texto com toda a sua complexidade, sentimos a necessidade de sugerir um caminho para você, professor. Por isso indicamos a Metodologia dos Três Olhares, concebida por Francisca Nóbrega, no Rio de Janeiro, e a Estética da Recepção, concebida por Hans Robert Jauss, na Alemanha, como instrumentos valiosos para auxiliar no processo de leitura de textos verbais e não verbais. Nessa metodologia, o leitor tem “a função de confirmar a existência do texto e de deslindar seus múltiplos significados, promovendo o jogo interpretativo que ele quer e exige” (OLIVEIRA, 1996). Ou seja, o texto se mostra ao leitor como algo a ser compreendido, interpretado e explorado em sua plurissignificação, reconstruído de acordo com o horizonte de experiências dele mesmo. TV digital: © Christian Charisius/Reuters. 12 Método dos três olhares à luz da estética da recepção Bibliografi g a MOMENTOS DO OLHAR o o o 1. MOMENTO Olhar receptivo 2. MOMENTO Olhar mediador 3. MOMENTO Olhar ativo Encontro do leitor com um mundo que não conhece Encontro do leitor com o mundo significativo Encontro do leitor com o mundo novo que agora conhece O que faz Uma leitura que apanha os elementos significativos, sinais, referentes Uma leitura de diálogo com o texto, por meio da pergunta e da resposta Uma leitura de cruzamento do ver e do sentir, do exterior e do interior, ou seja, cruzar experiências Como faz Olha e vê Olha, vê, interroga e busca Olha, encontra, associa, reúne, interioriza, vê e lê O que acontece O que importa Reconhecer os elementos significativos, sinais, referentes O exame da realidade representada, por meio do questionamento da busca dos porquês, causas e motivos A integração do novo que se vê e do antigo que é a experiência do já visto, fusão de horizontes, ampliação de conhecimento O que resulta Compreensão VER-POR-CONHECER Interpretação VER-E-PENSAR Aplicação VER-PENSAR-LER FILHO, Ciro Marcondes. Televisão – A vida pelo vídeo. São Paulo: Moderna, 1988. MORIN, Edgar. Cultura de Massas no Século XX. Rio de Janeiro: Forense, 1980. SOUZA, Jesus Barbosa de. Meios de Comunicação de Massa – Jornal, televisão, rádio. São Paulo: Scipione, 1996. TÁVOLA, Artur da. A Liberdade do Ver. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. Outras obras BANYAI, Istvan. Zoom. Rio de Janeiro: Brinque-Book, 1995. DELAFOSSE, Claude e JEUNESSE, Gallimard. Os Quadros. São Paulo: Melhoramentos, 1996. —. As Paisagens. São Paulo: Melhoramentos, 1996. GÓES, Lúcia Pimentel. Dudu, Amigo do Mar. São Paulo: Paulus, 2006. SANDRONI, Luciana. Ludi na TV – Outra Odisseia da Marquesa. São Paulo: Salamandra, 1994. Este projeto de leitura está com a Nova Ortografia conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa 13 Filmes sugeridos 1. O Poder da Imagem Título original – The Image /1989 Produção – Estados Unidos/1989 Direção – Peter Werner e Distribuição – Warner Home Vídeo 2. Ladrões de Sabonete Título original – Ladri di Saponette Produção – Itália/1989 Direção – Maurizio Nichetti eo Distribuição – Alvorada Vídeo 2 3 4 1 5 16 10 6 8 3. Ginger e Fred d Fred Título original – Ginger and Produção – Itália/1985 Direção – Federico Fellini wyn Mayer Distribuição – Metro Goldwyn 15 7 9 14 12 4. Muito Além do Jardim Título original – Being There e /1979 Produção – Estados Unidos/1979 Direção – Hal Ashby s/Warner Distribuição – United Artists/Warner Bros 14 1 Atores Representam uma história como se fosse de verdade. 2 Operador de áudio Posiciona o microfone na cena para captar o que as pessoas falam. 3 Contrarregra Monta e desmonta o cenário e ajuda no que mais for preciso. 4 Apresentador É quem apresenta um programa. Se for um telejornal, ele tem de ser formado em jornalismo. 5 Diretor É o chefão que organiza tudo. Escolhe o que a câmera mostra, como o ator ou apresentador devem falar, se a cena é rápida ou lenta, que música vai ser tocada… 6 Iluminador Cria e monta a luz do programa. 7 Cabo man Sempre fica um atrás do operador de câmera para enrolar o cabo da câmera (para este não se enroscar e cair). 11 13 8 Operador de câmera Grava tudo com a câmera (com ela no ombro ou em um tripé). 9 Produtor Deixa tudo prontinho para o diretor gravar um programa: chama os atores, vê se o cenário está pronto… 10 Diretor de TV Controla todos os equipamentos (as câmeras, os microfones etc.) e põe a imagem no ar. 11 Sonoplasta É um editor especializado em colocar música e efeitos sonoros. 12 Editor Organiza as imagens na ilha de edição, tira as cenas ruins, coloca efeitos especiais, legendas etc. 13 Roteirista Escreve a história da novela ou a ordem em que vão aparecer os fatos em um documentário. 14 Cenógrafo Cria os cenários. Desde a mesa do apresentador do jornal até as casas que aparecem nas novelas. 15 Maquiador/Cabeleireiro Maquia e/ou penteia os atores e repórteres. 16 Figurinista Cria ou escolhe as roupas que os atores ou repórteres vão vestir. Quem o auxilia são as camareiras. Num telejornal ainda tem o repórter (jornalista que realiza as entrevistas na rua) e o editor-chefe (o chefão do telejornal, que escolhe as notícias que vão ao ar e o modo como elas serão contadas).