UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
SETOR DE CIÊNCIAS SOCIAS APLICADAS
MESTRADO EM CONTABILIDADE
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: CONTABILIDADE E FINANÇAS
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
CONTROLES GERENCIAIS EM PROPRIEDADES QUE UTILIZAM O MÉTODO DE
PASTOREIO RACIONAL VOISIN (PRV) NO OESTE DE SANTA CATARINA:
UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
FÁBIO MIGUEL GONÇALVES DA COSTA
CURITIBA
2010
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
FÁBIO MIGUEL GONÇALVES DA COSTA
CONTROLES GERENCIAIS EM PROPRIEDADES QUE UTILIZAM O MÉTODO DE
PASTOREIO RACIONAL VOISIN (PRV) NO OESTE DE SANTA CATARINA:
UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
CURITIBA
2010
FÁBIO MIGUEL GONÇALVES DA COSTA
CONTROLES GERENCIAIS EM PROPRIEDADES QUE UTILIZAM O MÉTODO DE
PASTOREIO RACIONAL VOISIN (PRV) NO OESTE DE SANTA CATARINA:
UM ESTUDO EXPLORATÓRIO
Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação Mestrado em Contabilidade do Setor
de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade
Federal do Paraná, como parte das exigências
para a obtenção do título de Mestre em
Contabilidade.
Orientador: Prof. Dr.º Luiz Panhoca
Co-orientador: Prof. Dr.º Gilmar de Almeida
Gomes
CURITIBA
2010
Não é no silêncio que os homens se fazem,
mas na palavra,
no trabalho,
na ação-reflexão.
Paulo Freire
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho primeiramente a DEUS, que me concedeu a vida, saúde, a
capacidade e sabedoria para chegar até aqui, e por ter colocado no meu caminho
pessoas maravilhas, as quais eu amo muito e dedico este trabalho, são elas:
A minha família
Meus pais:
Palmira Gonçalves da Costa e Miguel Benedito da Costa
Minhas irmãs:
Flaviani Gonçalves da Costa e Fabricia Gonçalves da Costa
Minha sobrinha querida:
Mariana Costa de Carvalho
Meus cunhados:
Ronie Carvalho e Alcides Marques
E a minha amada e companheira
IVANIA FREIRE DA SILVA (IVI)
Enfim,
A todos os meus familiares, meus amigos, companheiros.
Agradeço ao apoio e ao carinho dedicado a mim em todos momentos da minha vida
OBRIGADO!!!
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
É com muita satisfação que registro o meu mais sincero e especial agradecimento a
estas pessoas que são fundamentais em minha vida, contribuindo para minha
formação e a conclusão desta Pós Graduação e Mestrado em Contabilidade, pois
sem estas pessoas eu não teria conseguido.
Agradeço a esta pessoa ímpar, que realmente acreditou em meu potencial, além de
ser meu orientador, amigo, mestre, uma pessoa que eu aprendi a admirar pela sua
simplicidade, educação, discernimento e companheirismo, este é o meu chefe LUIZ
PANHOCA, e sua irmã, OLGA MARIA PANHOCA DA SILVA, que também não
mediu esforços para a realização da pesquisa, e possui as mesmas qualidades de
seu irmão.
OBRIGADOOOO por tudo,
Desejo-lhes muita Saúde, Paz e Muitas Felicidades e Realizações.
AGRADECIMENTOS
É com muita satisfação que elenco o nome de algumas pessoas que contribuíram
para a realização desta pesquisa e a conclusão desta minha Pós Graduação, o
Mestrado em Contabilidade, pois sem elas eu também não teria conseguido:
Aos meus queridos professores que compartilharam seus conhecimentos conosco:
Drº. Ademir Clemente;
Drª. Ana Paula Mussi Szabo Cherobim;
Drº. Lauro Brito de Almeida;
Drº. Luciano Márcio Scherer;
Drº. Luiz Panhoca;
Drª. Márcia Maria dos Santos Bortolocci Espejo;
Drª. Simone Bernardes Voese.
Agradeço aos professores da Universidade do Estado de Santa Catariana – UDESC,
Prof. Drº. Gilmar Almeida Gomes Prof. Drº. Weber da Silva Robazza que,
juntamente com seu grupo de pesquisa, nos concederam a oportunidade de realizar
este estudo grandioso, no qual pudemos trocar experiências e aplicá-las na prática.
Agradeço a todos os produtores rurais que nos permitiram realizar este estudo em
suas propriedades, nos concedendo à oportunidade de trocar informações, levando
ao campo parte dos conhecimentos que adquirimos na universidade, com o objetivo
de contribuir para o desenvolvimento e crescimento da região pesquisada.
Registro aqui também meus agradecimentos e reconhecimento pelo trabalho e
dedicação da coordenação do nosso mestrado em contabilidade à pessoa da Profª.
Drª. Márcia Maria dos Santos Bortolocci Espejo, para a qual eu tenho um carinho e
respeito muito grande e o nosso assistente administrativo Sr. Márcio Rogério de
Souza. Não deixando de lembrar, o nosso coordenador anterior Prof. Drº. Lauro Brito
de Almeida, a quem admiro e respeito muito, pela dedicação e empenho em sua
gestão, e lembro aqui também de nossa assistente administrativa anterior, Sra.
Joelma de Souza Passos de Oliveira.
Aos meus colegas da turma do Mestrado em contabilidade da UFPR, em particular a
turma 2008, pelos momentos alegres e de muito trabalho, em especial aos amigos
que dividimos apartamento, e aproveito aqui para lhes agradecer a amizade e a
companhia nos momentos bons e difíceis que passamos juntos, OBRIGADO:
Claudinei Terra Brandão;
Cleston Alexandre dos Santos;
Emerson Muniz Freitas;
Gerson João Valeretto;
Laurindo Panucci Filho.
Destaco aqui também algumas pessoas que foram de extrema importância na
realização de nossa pesquisa, a qual eu formalizo aqui os meus mais sinceros
agradecimentos, pela ajuda, colaboração, apoio:
No Oeste Catarinense:
Alexandre Borguezan (Merenda)
Aline Bedin Zanatta
Diego Perosa (Calouro)
Fernanda de Oliveira
Giovanni Valcareggi (Alemão)
Jane Kelly Oliveira Silva
Joceli Nepomuceno (Josy)
Jorge Luiz Zanatta
Juliana Pulita
Keliani Bordin
Leonice Rohden
Leonir Paulo Maria Junior (Thunder)
Nilva Regina Uliana
Roseli Rezende
Sara Albino Antunes
Registro aqui também os meus agradecimentos a alguns amigos, que tiveram
extrema importância na realização do trabalho, pelo apoio, carinho, torcida e
atenção a mim dispensada, os meus mais sinceros agradecimentos;
Carlos Jaelso Albanese Chaves
Celso José
Daniel Ramos Nogueira
Esmael Almeida Machado e sua esposa Sra. Vasti.
Fernando Panhoca
Paulo Camargo
Vivian Ribeiro de Oliveira
Viviane Bastos
A todos os funcionários da Universidade Federal do Paraná, ao pessoal da
Biblioteca a qual agradeço em nome da bibliotecária, Sra. Moema, pelo apoio e
colaboração. Aos funcionários do departamento administrativo, da coordenação do
curso de graduação em Ciências Contábeis, da coordenação do curso de ensino a
distancia em Administração de Empresas, na pessoa da Sra. Jorlene Maria Salomé
Kultchek, enfim a todos os funcionários e colaboradores da UFPR.
Por final agradeço ao REUNI pelo auxilio financeiro, através da bolsa concedida.
RESUMO
Produzir leite no Oeste Catarinense é um das principais atividades desenvolvidas
pelos produtores rurais em pequenas propriedades familiares. Na região de
Pinhalzinho-SC, um grupo de produtores rurais utiliza o método de Pastoreio
Racional Voisin (PRV) na produção de leite. Nesta região, há alguns problemas que
estão sendo estudados, por exemplo, a saúde destes produtores, e uma evasão de
pessoas para as áreas urbanas em busca de melhores remunerações. Este grupo
de produtores rurais se reúne para discutir suas dificuldades. Com isso, a
contabilidade se dispôs a participar deste estudo, no intuito de verificar as práticas
de controles gerenciais adotados por estes produtores, visto que na implantação
deste método estes produtores receberam treinamento e cursos no sentido de
melhorar a qualidade da gestão da propriedade. Dos setenta e três produtores rurais
que utilizam o PRV, este estudo utilizou uma amostra de sete produtores para
realizar uma pesquisa exploratória e descritiva, em relação às práticas de controles
gerenciais adotados. Constatou-se que, com a utilização do PRV, a qualidade de
vida dos produtores melhorou, pois a quantidade de trabalho pesado na propriedade
diminuiu, mas em relação aos controles adotados, dois produtores que utilizam o
PRV há 60 meses adotaram uma quantidade de controles maior que os demais com
menor tempo. Os produtores mais novos no PRV utilizam uma quantidade menor de
controles. Dos sete produtores estudados, apenas dois no momento da entrevista
não estavam escriturando os controles. Pode-se perceber que há uma falta de
divulgação da importância e a necessidade de se adotar a prática de controles
gerenciais. Estas propriedades hoje em dia são vistas como empresas rurais,
exigindo que estes produtores tenham suas atividades organizadas, no sentido de
se aproveitar melhor o consumo de recursos na propriedade, visando uma maior
rentabilidade, associada à qualidade de vida dos produtores e de sua comunidade.
Palavras-chave: Controles gerenciais, Produção de leite, Apuração de resultado.
ABSTRACT
Milk production in western Santa Catarina is one of the main activities undertaken by
farmers in small family properties. In the region of Pinhalzinho-SC, a group of farmers
uses the method of Rational Voisin Grazing (RVG) in milk production. In this region
there are some problems that are being studied, for instance, the health of producers
and the rural exodus of young people leaving for the capital or to the coast in search
of better wages. This group of farmers gets together to discuss their difficulties. This
way, the accounting was willing to participate in this study in order to check the
practices of management controls adopted by these producers. Since the
implementation of this method these producers received training and courses to
improve the quality of property management. Out of seventy-three producers and
rural cooperative registered in the study, sample of seven producers was used in the
study to conduct an exploratory and descriptive analysis in relation to the practices of
management controls adopted. It was found that, by the use of RVG, the quality of
life of producers has improved, because the amount of hard work on the property has
declined. But compared to the controls adopted, two producers that have been using
the RVG for 60 months have taken a greater amount of controls than others,
characterized by developments in the use of RVG. Newest producers using the RVG
have fewer controls. Out of seven producers studied, only two during the interview
were not carrying the controls. One can see the lack of dissemination of the
importance and the need to adopt the practice of management controls. These
properties today are seen as rural businesses, demanding from these producers to
organize their activities, in order to make better use of the resource consumption on
the property, seeking greater profitability, joint to the quality of life of the producers
and their community.
Keywords: Managerial controls, production of milk, Determination of result.
LISTA DE TABELAS
TABELA 1 – CIDADE DE NASCIMENTO DOS PRODUTORES .............................. 40
TABELA 2 – NÚMERO DE FILHOS E COLABORADORES DA PROPRIEDADE .... 41
TABELA 3 – LOCALIZAÇÃO DAS PROPRIEDADES ............................................... 42
TABELA 4 – MÉTODO DE PASTOREIO ANTERIOR À ADOÇÃO DO PRV ............ 42
TABELA 5 – TAMANHO DA PROPRIEDADE E DA ÁREA DE PASTAGEM ............ 43
TABELA 6 – TEMPO DE MORADIA NA PROPRIEDADE (ANOS) ........................... 43
TABELA 7 – CONTROLES GERENCIAIS UTILIZADOS NA PROPRIEDADE ......... 46
TABELA 8 – UTILIZAÇÃO DOS CONTROLES NA TOMADA DE DECISÃO ........... 47
TABELA 9 – CONTROLES GERENCIAIS X UTILIZAÇÃO DO PRV ........................ 48
TABELA 10 – TEMPO DE UTILIZAÇÃO DO PRV .................................................... 49
TABELA 11 - DADOS DA PRODUÇÃO DE LEITE ................................................... 51
TABELA 12 - UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS E SUPLEMENTOS .................... 52
TABELA 13 – VARIEDADES DE PASTAGENS UTILIZADAS .................................. 53
TABELA 14 – TIPO DE CORREÇÃO E PERÍODO DE APLICAÇÃO NO SOLO ...... 53
TABELA 15 - ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NA PROPRIEDADE ....................... 55
TABELA 16 – PRINCIPAIS ATIVIDADES GERADORAS DE RENDA, CUSTO E
ESFORÇO................................................................................................................. 56
TABELA 17 – COMPOSIÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS E DESPESAS ............... 58
SUMÁRIO
1
1.1
1.2
1.3
1.4
1.5
1.6
INTRODUÇÃO ................................................................................................ 14
CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA ........................................................... 15
QUESTÃO DE PESQUISA ................................................................................. 17
OBJETIVO GERAL ............................................................................................. 17
OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................... 17
JUSTIFICATIVA .................................................................................................. 18
DELIMITAÇÃO DA PESQUISA .......................................................................... 19
2
REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................. 20
2.1 CONTABILIDADE ............................................................................................... 20
2.1.1 Contabilidade Rural ........................................................................................ 21
2.1.2 Contabilidade Gerencial.................................................................................. 22
2.1.3 A Informação Contábil para a Tomada de Decisão ........................................ 23
2.1.4 Contabilidade de Custos ................................................................................. 24
2.1.5 Custos na Atividade Leiteira ........................................................................... 25
2.1.6 Ciclo de Vida................................................................................................... 26
2.1.7 Cadeia de Valor .............................................................................................. 27
2.2 ATIVIDADE RURAL SUSTENTÁVEL ................................................................. 28
2.2.1 Atividade Rural ............................................................................................... 29
2.2.2 Atividade Leiteira ............................................................................................ 30
2.2.3 Pastoreio Racional Voisin – PRV.................................................................... 31
2.2.4 Sustentabilidade ............................................................................................. 34
3
3.1
3.2
3.3
3.4
3.5
METODOLOGIA ............................................................................................. 35
CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA ...................................................................... 35
DESENHO DA PESQUISA ................................................................................. 36
AMOSTRA .......................................................................................................... 37
INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ......................................................... 38
TRATAMENTO DOS DADOS ............................................................................. 38
4
4.1
4.2
4.3
4.4
4.5
4.6
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS DO ESTUDO ...................... 40
PERFIL DO PROPRIETÁRIO ............................................................................. 40
DESCRIÇÃO DA PROPRIEDADE ...................................................................... 42
CONTROLES ADOTADOS NA GESTÃO DA PROPRIEDADE .......................... 44
ATIVIDADE LEITEIRA ........................................................................................ 49
OUTRAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS........................................................ 55
RECEITAS, CUSTOS E DESPESAS DA PRODUÇÃO DO LEITE ..................... 56
5
RECOMENDAÇÕES ....................................................................................... 60
6
CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................ 64
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 65
ANEXOS ................................................................................................................... 72
ANEXO 1 - PRINCIPAIS VERIFICAÇÕES A RESPEITO DOS RECURSOS
DISPONÍVEIS E DAS CONDIÇÕES DE MERCADO ................................................ 73
ANEXO 2 – PLANILHA DE APURAÇÃO DO RESULTADO DA ATIVIDADE
LEITEIRA .................................................................................................................. 74
ANEXO 3 – PLANILHA DE APURAÇÃO DO RESULTADO DA ATIVIDADE
LEITEIRA .................................................................................................................. 75
ANEXO 4 – VIDA MÉDIA PRODUTIVA DE ALUNS ANIMAIS .................................. 76
ANEXO 5 – ESTIMATIVA DA VIDA ÚTIL DAS CONSTRUÇÕES E
MELHORAMENTOS ................................................................................................. 77
ANEXO 6 – ESTIMATIVA DA VIDA ÚTIL DAS MÁQUINAS E IMPLEMENTOS ....... 78
APÊNDICE ................................................................................................................ 79
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO NA PESQUISA ................................. 80
14
1
INTRODUÇÃO
A produção de leite é uma das importantes atividades do estado de Santa
Catarina, e a principal da região do Oeste catarinense, diferenciando-se no cenário
nacional pela produção de leite em pequenas propriedades de unidades familiares
(MIOR, 2008). Atualmente, o setor rural local encontra-se em crise, sendo observada
uma evasão de pessoas para as áreas urbanas. Uma forma de superar este
problema é aumentar o valor agregado da produção de leite de forma a remunerar
melhor o produtor e incentivar a sua permanência no campo, fixando-o à região.
Este trabalho visa estudar, sob a ótica contábil, a produção de leite em
propriedades da região que utilizam o método de Pastoreio Racional Voisin (PRV).
Esse método prioriza a produção com o mínimo de adubo e defensivos sintéticos e é
adequado para a obtenção do leite. Segundo Canaver et al. (2006, p. 2), o PRV é
uma tecnologia que, a um só tempo, “gera rentabilidade para o produtor, protege a
biodiversidade dos ecossistemas e aumenta a produtividade sem gerar impacto
ambiental negativo”. O PRV contribui com o desenvolvimento econômico e social e
com a viabilização produtiva da unidade familiar (CANAVER, et al., 2006).
O desenvolvimento e a viabilização da pecuária leiteira no Oeste de Santa
Catarina são fatores importantes na busca de novas opções produtivas para se
alcançar a sustentabilidade dos recursos naturais e socioeconômicos (ANDREOLA,
et al., 2008). Estes produtores garantirão sua existência e a sobrevivência das
futuras gerações, preservando a sua propriedade.
A cadeia produtiva do leite se destaca no agronegócio por ser uma atividade
geradora de renda, tributos e empregos (LOPES, 2006). Os investimentos em
agronegócio caracterizam-se pelo longo ciclo de maturação, isto é, pela demora no
retorno do investimento. Tradicionalmente, a vida rural, segundo Sposito e Whitacker
(2008, p. 23), “significa uma situação humana em que a sobrevivência só é possível
com muito trabalho. O resultado desse trabalho oferece o mínimo necessário para
viver”, e acarreta a evasão rural.
Na busca por alternativas, cada nova decisão gera impactos não
necessariamente imediatos e visíveis. Estes poderão inclusive, ao longo do tempo,
serem percebidos em áreas distantes da propriedade, na comunidade, na qualidade
do ar, das águas, do solo e na biodiversidade (AB’SABER e MULLERPLANTENBERG, 2006).
15
Nesse cenário, a contabilidade pode ser fundamental para os produtores,
fornecendo informações extraídas dos controles gerenciais, que permitam o
planejamento de suas atividades vislumbrando a sustentabilidade.
Constatou-se que esta necessidade em gerar informações ao produtor já
ocorria nos Estados Unidos desde 1919, os custos na atividade leiteira foram
estudados pelos autores Hopkins Jr (1919); Pearson (1920); Erf (1921); Hopkins Jr
(1922); Babb (1981), que destacaram a importância de se conhecer o processo
produtivo e mensurar todos os custos incorridos no processo.
Os produtores rurais, na hora de decidir, enfrentam dificuldades de identificar
o resultado individual de cada atividade. Aqueles que exploram mais de uma
atividade não têm a separação de receitas, custos e resultado. A adoção de
controles gerencias nessas propriedades equaciona, em parte, essa problemática.
A falta de conhecimento aliada a controles inadequados, principalmente em
pequenas propriedades de economia familiar no Brasil, é uma das causas do êxodo
rural (EYERKAUFER, 2007). Se houvesse controle no consumo de recursos, por
exemplo, e fosse constatado o gasto excessivo, os produtores poderiam controlar o
consumo, o que consequentemente diminuiria seus custos, com isso melhoraria
seus resultados. Não seria necessário que os filhos dos produtores saíssem das
propriedades em busca de uma situação financeira melhor.
A adoção de controles pode auxiliar na conscientização da comunidade
para as vantagens de um modo de vida sustentável. Os controles não só passarão
as informações financeiras e econômicas, mas também poderão ser usados para
fins sociais e ambientais (GRAY e BEBBINGTON, 2001).
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA
Esta dissertação é parte integrante de um amplo estudo que visa à fixação
do homem no campo e a melhoria da qualidade de vida e da saúde das
comunidades, dentro dos parâmetros de sustentabilidade. Embora esta dissertação
tenha o foco contábil, ela faz parte de um projeto maior que propõe a
sustentabilidade regional. Surgiu do estudo dos fatores físico-químicos ligados à
produção de leite em propriedades que utilizam o Método PRV, formando um grupo
de pequenos produtores que discutiam suas dificuldades.
16
O trabalho, coordenado pelo prof. Dr. Gilmar de Almeida Gomes, visa
caracterizar parâmetros que influenciam a qualidade do leite produzido na região. A
identificação, e a exploração racional e controle destes parâmetros contribuirão para
o aumento da qualificação, da empregabilidade, do número de postos de trabalho e
da fixação do homem no campo.
Ao mesmo tempo, a saúde e a qualidade de vida da comunidade local foram
estudadas em projeto financiado pelo PPSUS/CNPq/FAPESC, coordenado pela
Profª. Drª. Olga Maria Panhoca da Silva.
Segundo Bidone et al. (2004, p. 183), “o crescimento econômico e
populacional tem provocado pressões severas e degradações nos sistemas
ambientais, por conta da exploração e do consumo excessivo de recursos.”
Para Hogan (2004, p. 202),
O impacto mais dramático e inescapável da degradação ambiental ocorre
na saúde humana [...] uma avaliação rigorosa das ameaças ambientais à
saúde incluiria a quantidade e a qualidade dos alimentos, levando em conta
metais pesados, aditivos, corantes artificiais e resíduos tóxicos de alimentos
industrializados; a qualidade da água [...].
Essa preocupação estende-se também para a economia e contabilidade.
Uma das respostas para esta preocupação é a ênfase atual dada à sustentabilidade.
Nessa realidade se incluem as pequenas propriedades rurais e seus proprietários.
Para esse pequeno produtor, quando o tema é produção, verifica-se também uma
disparidade entre o que é difundido na literatura e o seu dia-a-dia.
Questões históricas ou culturais implicam que os produtores, pelo menos no
Oeste Catarinense, muitas vezes acreditam que estão usando ferramentas
contábeis, desprezando uma análise contábil verdadeira, correta e eficiente.
Em seu estudo, Eyerkaufer (2007) constatou que a falta de informações
obtidas através dos controles gerenciais tem sido apontada e reconhecida como um
dos pontos críticos para o bom desempenho econômico e financeiro de uma
propriedade rural.
Todo empreendedor busca melhores resultados, maiores volumes de
vendas, menores custos e eliminar o desperdício, entre outros fatores. Segundo
Dragoo (1999, p. 11), “você não pode gerir os lucros se não for capaz de medi-los, e
estas medições devem estar disponíveis em tempo hábil para que se possa tomar
medidas corretivas e evitar o prejuízo.”
17
Dragoo (1999, p. 21) ressalta ainda que “intuitivamente, sabemos o que é
bom e onde podemos ganhar muito dinheiro, mas será que sabemos onde
perdemos?”. Por isso a importância de se conhecer a atividade executada, saber
quanto é o retorno do investimento e qual atividade é mais vantajosa. Estas
respostas estão disponíveis nos controles gerenciais estabelecidos para cada
atividade.
Para Dragoo (1999, p. 58-59), “é impossível gerir o lucro, se não for possível
medir o custo.” O produtor necessita conhecer toda a cadeia produtiva de cada
atividade executada e seus custos. Necessita também entender como as atividades
interagem influenciando o desempenho da propriedade, em termos de custos,
qualidade, serviços e diferenciação (NAKAGAWA, 1993).
1.2 QUESTÃO DE PESQUISA
Quais as práticas de controles gerenciais adotadas na apuração do
resultado da produção do leite em propriedades que utilizam o Método de Pastoreio
Racional Voisin no Oeste de Santa Catarina?
1.3 OBJETIVO GERAL
Evidenciar as práticas de controles gerenciais utilizadas para mensurar o
resultado da produção do leite em propriedades que utilizam o Método de Pastoreio
Racional Voisin no Oeste de Santa Catarina.
1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Identificar os custos e despesas;
• Identificar o tipo de mão-de-obra utilizada;
• Identificar quais são os controles utilizados pelos produtores;
• Identificar a forma usada pelos produtores para apurar o resultado;
• Estabelecer um novo modelo de apuração do resultado;
18
• Descrever a importância dos controles gerenciais para a gestão da
propriedade;
• Sugerir um modelo de apuração do resultado para a comunidade que
trabalha na produção do leite em propriedades que utilizam o método
PRV no Oeste de Santa Catarina.
1.5 JUSTIFICATIVA
Para atingir a sustentabilidade, é preciso existir uma convergência de fatores
positivos, círculo virtuoso que integra a saúde, a renda, a educação, potencializando
a dignidade humana.
Assim, este trabalho contribui para a manutenção das famílias nas
propriedades, por meio de um sistema sustentável, que visa aumentar a renda,
melhorar a saúde e qualidade de vida dessas famílias. Para melhorar a renda, é
necessário aumentar o lucro, buscando aumentar as receitas e diminuir os custos.
A utilização do método PRV proporciona um estilo de vida mais saudável,
com possibilidade de menor desgaste físico e baixo impacto ambiental.
Criar frango, suíno, gado e gado leiteiro: plantar grãos para gerar
excedentes; plantar fumo quando ocorre uma necessidade de ganho adicional no
curto prazo, é a rotina do produtor dessa região. Mas, com que base estes
produtores tomam suas decisões? Nessa região explorar mais de uma atividade é
uma prática tradicional, porém não se verifica a utilização correta da apuração dos
resultados.
O produtor não tem conhecimento do resultado de cada atividade,
porque na maioria dos casos, não utiliza controles gerenciais adequados.
Para melhorar a renda e a qualidade de vida dos produtores dessa região,
adotou-se na produção leiteira o método PRV, mesmo assim, a falta de controles
gerenciais faz com que esta produção não seja mensurada adequadamente. As
informações de produção são fornecidas na maioria das vezes pelo elo seguinte da
cadeia produtiva (cooperativa). Volumes e qualidade do leite do pequeno produtor
são controlados pela cooperativa e, poucas vezes, informações sobre a produção
são geradas por ele mesmo. Assim, as decisões relativas à redução de custos,
eficiência do processo e gestão da qualidade não levam em conta as informações
consideradas importantes pela literatura.
19
Com o desenvolvimento da pesquisa científica em contabilidade, propõe-se
elaborar a apuração do resultado por atividade, proporcionando aos produtores,
mensurar e identificar os custos e despesas incorridos, apurar o resultado e
estabelecer controles gerenciais. Essa prática permite analisar e identificar possíveis
ajustes no processo, com intuito de melhorar a qualidade da informação de seus
ganhos e, desta forma, contribuir para a manutenção das famílias nas propriedades,
obtido com um sistema sustentável de produção.
1.6 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA
Esta pesquisa foi realizada no Oeste do estado de Santa Catarina,
especificamente na região do município de Pinhalzinho em propriedades que
utilizam PRV. O universo da pesquisa está determinado pela amplitude de estudos
anteriores, que objetivaram a implantação do método PRV.
Mesmo com alguns pesquisadores comentando que o conceito de
sustentabilidade e desenvolvimento sustentável é inverossímil, adotou-se neste
trabalho o conceito que a sustentabilidade é mais do que operar a empresa sem
causar danos às gerações atuais e futuras, sem destruir o meio ambiente, e sim
restaurar e enriquecer o meio ambiente, buscar alternativas econômicas para
melhorar a qualidade de vida (SAVITZ, 2007; BIDONE et al. 2004; SOUZA FILHO,
2001).
20
2
REFERENCIAL TEÓRICO
Apresenta-se, neste capítulo, o referencial teórico. Consultaram-se livros,
revistas, artigos, dissertações de mestrado e teses de doutorado, com o intuito de
embasar teoricamente o estudo.
2.1 CONTABILIDADE
A contabilidade, por ser uma ciência social aplicada, utiliza uma metodologia
para captar, registrar, acumular, resumir e interpretar os fenômenos que afetam as
situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer entidade (FEA/USP,
2010). Dessa maneira, fornece informações úteis para a tomada de decisões dentro
e fora da entidade (MARION, 2007).
Além disso, ela fornece as demonstrações contábeis básicas (balanço
patrimonial e a demonstração do resultado do exercício). A contabilidade dispõe de
um fluxo contínuo de informações sobre os mais variados aspectos da gestão
financeira e econômica de uma entidade, proporcionando uma tomada de decisão
mais segura, indicando a posição atual e o grau de acertos ou desacertos das
decisões anteriores (FEA/USP, 2010).
A contabilidade, segundo Greco et al. (2006, p. 1):
[...] registra, estuda e interpreta (por análise) os fatos financeiros e
econômicos que afetam a situação patrimonial de determinada pessoa física
ou jurídica. Essa situação patrimonial é apresentada ao usuário (pessoa que
tem interesse em avaliar a situação da entidade) por meio das
demonstrações contábeis tradicionais e de relatórios de exceção,
específicos para determinadas finalidades.
Já para Aleixo (2005, p. 30), a contabilidade auxilia:
O gestor em sua necessidade de realizar mensuração cada vez mais
complexa, conforme são as operações empresariais, praticadas num
ambiente econômico altamente competitivo, fortemente baseado na
tecnologia da informação; na chamada sociedade do conhecimento.
Para Marion (2007, p. 26), “todas as movimentações possíveis de
mensuração monetária são registradas pela contabilidade, que, em seguida, reúne
21
os dados registrados em forma de relatórios e os entrega aos interessados em
conhecer a situação da empresa”.
2.1.1 Contabilidade Rural
No entender de Marion (2010, p. 02), “empresas rurais são aquelas que
exploram a capacidade produtiva do solo por meio do cultivo da terra, da criação de
animais e da transformação de determinados produtos agrícolas”. Marion (2010, p.
03) observa ainda que a “contabilidade rural é a contabilidade geral aplicada às
empresas rurais”.
A contabilidade pode desempenhar um importante papel como ferramenta
gerencial para os produtores rurais, fornecendo informações que permitam o
planejamento, o controle e a tomada de decisão, acompanhar a evolução do setor,
controle de custos, diversificação de culturas e comparação de resultados (BORILLI
et al., 2005).
Segundo Horngren et al. (2008, p. 4), “o objetivo da informação contábil é
ajudar alguém a tomar decisões [...] independente de quem está tomando a decisão,
o entendimento da informação contábil propicia a tomada de uma decisão melhor e
mais bem fundamentada.”
A atividade rural é explorada por duas formas jurídicas estabelecidas:
Pessoa Física e Pessoa Jurídica. Dessa forma, Marion (2010, p. 07) relata que “no
Brasil, prevalece a exploração na forma de Pessoa Física, por ser menos onerosa
que a Pessoa Jurídica, além de proporcionar mais vantagens de ordem fiscal,
principalmente em relação a pequenas atividades.”
Os pequenos e os médios produtores rurais não precisam, segundo a
legislação, fazer escrituração regular em livros contábeis. Efetuam apenas uma
escrituração simplificada no Livro-Caixa para fins de imposto de renda (MARION,
2010).
22
2.1.2 Contabilidade Gerencial
A contabilidade gerencial, segundo Souza et al. (2003, p. 41), “tem sido
reconhecida como um destacado alimentador das informações utilizadas pelos
gestores empresariais”. Segundo os mesmos autores (2003, p. 40), “o processo de
geração de informações gerenciais precisa estar apto a atender as demandas
informacionais que viabilizem, para a empresa, a manutenção da competitividade no
novo ambiente”.
Segundo Atkinson et al. (2000, p. 36), “contabilidade gerencial é o processo
de identificar, mensurar, reportar e analisar informações sobre os eventos
econômicos das empresas.”
Entretanto, Horngren et al. (2008, p. 4) comenta que “[...] a contabilidade
gerencial é o processo de identificar, mensurar, acumular, analisar, preparar,
interpretar e comunicar informações que auxiliem os gestores a atingir objetivos
organizacionais”.
Horngren et al. (2008) e Nakagawa (1995) vão mais além que Atkinson et al.
(2000), em relação as fases do processo gerencial, pois a contabilidade é um
processo lógico e intuitivo de registrar em números as atividades empíricas de um
negócio, a mensurar e motivar os gestores a tomarem decisões que privilegiam as
atividades cujo desempenho tenha como objetivo criar valor e otimizar o lucro.
Mason e Swanson (1979) enfatizam a importância que se deve dar à
questão da representatividade (Sistema Relacional Numérico - SRN) que, em nosso
caso, corresponde à Contabilidade para mensurar eventos, objetos e transações
observados nas operações (Sistema Relacional Empírico SER), ou seja, aqueles
que estão diretamente relacionados com as atividades de uma propriedade.
Com base em informações gerenciais, os produtores podem optar em
produzir determinado produto ou comprá-lo pronto, dependendo apenas de seu
custo de produção, mensurado através dos controles gerenciais (CALLADO et al.,
2007, p. 2).
Atualmente, o agronegócio reveste-se da mesma complexidade e dinâmica
dos demais setores da economia, requerendo do produtor de leite nova visão da
gestão dos seus negócios, principalmente pela necessidade de abandonar a posição
tradicional de fazendeiro, para assumir o papel de empresário rural (YAMAGUCHI e
CARNEIRO, 1997 apud LOPES et al., 2000).
23
Para garantir o retorno e a sustentabilidade dos investimentos, os produtores
devem buscar e adotar novas tecnologias, como sistemas de gerenciamento,
priorizar a atualização de informações e adotar mecanismos de aprendizagem e de
formação profissional. Leva-se em conta o porte da propriedade e aplicação das
ferramentas gerenciais existentes, compatíveis com as necessidades (MARION e
SEGATTI, 2006).
No caso do produtor de leite, sua missão é fazer de sua profissão uma
atividade econômica, seu objetivo principal deve ser o aumento do lucro e não só
aumento da produção (MATOS, 2002). Isso é possível, conhecendo-se a atividade,
os custos e despesas, por meio da adoção de práticas de controles gerenciais.
2.1.3 A Informação Contábil para a Tomada de Decisão
O ponto crítico para o bom desempenho econômico e financeiro de um
empreendimento rural é a falta de informações (EYERKAUFER, 2007). Para o
pequeno produtor, a análise de custo-benefício das atividades constitui tarefa difícil,
mormente no que se refere à mensuração (FUJI e SLOMSKI, 2003).
Segundo Ching et al. (2006, p. 4), toda e qualquer organização:
Independente de visar lucro, ser uma fundação, uma cooperativa, uma
organização não-governamental (ONG) ou simplesmente um grupo de
pessoas que trabalham juntas para alcançar um objetivo – utiliza recursos
diversos, como pessoas, materiais, equipamentos e área física, entre
outros. Alguns desses recursos podem ser emprestados, comprados à vista
ou financiados. Para poder trabalhar de maneira efetiva, as pessoas em
uma organização precisam constantemente de informações a respeito do
montante dos recursos envolvidos e utilizados, da situação da dívida
contraída para financiá-los e dos resultados econômicos obtidos com a
utilização desses recursos.
A informação só é útil quando é oportuna. Independente do tamanho do
negócio, a informação deve estar disponível para aqueles que tomam as decisões,
antes de perder sua capacidade de influenciá-la (ALEIXO, 2005).
Observa-se que planejar, organizar, dirigir e controlar são funções
fundamenteis da gestão, e ao gestor requere-se que compreenda a organização
como um sistema vivo e dinâmico (ESPEJO e FREZATTI, 2008).
24
Conforme Ching et al. (2006, p. 4), “toda organização usa contabilidade,
independentemente de seu tamanho, finalidade ou constituição jurídica.” Para os
mesmos autores, a contabilidade é importante, pois além de auxiliar os gerentes a
entender mais sobre a empresa, através dos controles gerenciais, ela procura
informar os gestores do desempenho em determinado período, informa onde estão
aplicados seus recursos e como foram obtidos (CHING et al., 2006).
Um estudo, realizado por Nunes e Sarrasqueiro (2004, p. 94), mostrou que
“os empresários e gestores consideraram que as informações contábeis assumem
maior importância na tomada de decisões de investimento e decisões operacionais”.
De acordo com Fuji e Slomski (2003, p. 36), “a informação, para ser útil,
deve ser oportuna, ou seja, estar disponível ao usuário antes de perder sua
capacidade de influência”.
Adquirir ou criar bezerras, descartar ou manter na engorda, produzir leite ou
criar frango, comprar ou produzir silagem, são decisões importantes que o gestor
rural precisa tomar. Estas são informações que a contabilidade gerencial pode
fornecer (EYERKAUFER, 2007).
Para o produtor de leite que utiliza o método PRV, a informação do custo de
produção do leite à base de pasto, à base de ração, o valor recebido pelo leite
produzido e o resultado dessa atividade também são informações importantes para a
tomada de decisão.
2.1.4 Contabilidade de Custos
Para identificar e mensurar os custos de produção é necessário conhecer o
processo produtivo (DRAGOO 1999). Elaborar os custos de produção permite uma
leitura mais clara da realidade, possibilita um diagnóstico mais preciso da situação
da propriedade frente às diversas alternativas de produção (ARBAGE, 2000).
Segundo Horngren et al. (2004, p. 02) a contabilidade de custos fornece:
Informações tanto para a contabilidade gerencial quanto para a financeira.
Mede e relata informações financeiras e não financeiras relacionando ao
custo de aquisição ou à utilização de recursos em uma organização; inclui
aquelas partes, tanto da contabilidade gerencial quanto da financeira, em
que as informações de custos são coletadas e analisadas.
25
Conforme Dragoo (1999, p. 96), “o segredo de obter valor a partir dos dados
do custo é aprender a correlacionar causa e efeito. Isto lhe dará controle sobre os
seus custos e o auxiliará a identificar as oportunidades para melhorar o desempenho
de cada elemento do custo”.
Para os autores Horngren et al. (2004, p. 01):
A moderna contabilidade de custos é mais do que números, muito mais.
Trata-se de um fator essencial no processo gerencial de tomada de decisão.
A contabilidade de custos tem papel fundamental: desde fornecer
informações para o planejamento de novos produtos até a avaliar o sucesso
da mais recente campanha de marketing.
Para Nakagawa (1991), melhorar a produtividade e a qualidade, eliminar
todas as formas de desperdício e reduzir custos é a saída para o produtor vencer a
competição global. Isso exige a geração de dados e informações precisas e
atualizadas para a correta tomada de decisão, tanto das atividades como das áreas
funcionais e dos investimentos.
2.1.5 Custos na Atividade Leiteira
O objetivo de um sistema de custo, segundo Santos e Marion (1996, p. 51),
é “auxiliar a administração na organização e controle da unidade de produção,
revelando ao administrador as atividades de menor custo, as mais lucrativas, as
operações de maior e menor custo e as vantagens de substituir umas pelas outras.”
Na região estudada, o custo da atividade leiteira, em alguns casos, é
estimado com base no valor do custo total das atividades relacionadas à pecuária.
Esse valor é composto pelos custos da produção do leite e os custos da criação de
animais para reposição e outros, deduzindo o valor dos animais descartados. Dessa
forma, chega-se ao custo do leite incorreto. A organização de cada uma das
atividades envolvidas na produção do leite colabora para a eficiência do cálculo do
custo (LOPES, 2006).
Erf (1921) mostrou a forma correta de se calcular e entender os custos na
produção do leite destacando a importância de se dividir o processo produtivo em
contas, para ficar mais fácil de calcular as fases do ciclo de cada atividade e os
recursos consumidos em cada uma delas.
Segundo Eyerkaufer (2007, p. 76):
26
As preocupações com custos são pertinentes na gestão, devido a sua
importância no processo produtivo. No caso específico da produção leiteira,
em que o produtor normalmente não tem ação sobre o preço de venda e
sim, a demanda do mercado, normalmente a eficiente gestão de custos tem
sido a alternativa para a viabilidade do negócio.
Para o produtor ter uma visão geral do sistema produtivo é necessário
analisar os custos, pois com estas informações ele terá um diagnóstico da
propriedade que possibilitará obter resultado positivo (LORENZON, 2004).
Segundo Eyerkaufer (2007, p. 80):
A apuração de custos na atividade de pecuária leiteira é uma tarefa que
exige bom entendimento da atividade e de todo processo de produção, pois
existem situações, em que há consumo de custos, que eventualmente não
são da atividade em si, mas próximas da atividade, como é o caso da
criação de bezerras, ou ainda, quando há mais de uma atividade na mesma
propriedade.
Conhecer os recursos disponíveis em sua propriedade e adotar tecnologias
adequadas
possibilita
o
produtor
a
diminuir
seus
custos,
garantir
sua
sustentabilidade e a permanência na atividade (MATOS, 2002).
Segundo Shank e Govindarajan (1997, p. 4), “os dados de custos são usados
para desenvolver estratégias superiores a fim de se obter uma vantagem competitiva
sustentável.”
2.1.6 Ciclo de Vida
O ciclo de vida do produto, para Horngren, et al. (2004, p. 11), “refere-se aos
vários estágios pelos quais um produto passa, da concepção e desenvolvimento à
introdução
no
mercado,
passando
pela
maturidade
e,
finalmente
pela
descontinuidade.”
Na opinião de Silva e Batalha (2001, p. 133), “o ciclo de vida de um produto
é uma tentativa de visualizar e descrever os diversos estágios ou fases pelos quais
um produto passa desde seu lançamento, até seu desaparecimento do mercado”. O
conceito de ciclo de vida extrapola ao conceito produção. Esse inclui o ciclo de
produção e a sua sustentabilidade, é o equivalente à concepção dos princípios de
sustentabilidade, o que é chamado de "filosofia 5 re”:
27
• Re-pensar o produto e suas funções. Por exemplo, o produto pode ser
utilizado de forma mais eficiente;
• Re-colocação, ou substituição de substâncias nocivas por alternativas
mais seguras;
• Re-paração ou fazer um produto fácil de ser reparado, por exemplo,
através de módulos que podem facilmente ser alterados;
• Re-duzir energia, material de consumo e impactos sócio-econômicos ao
longo do ciclo de vida do produto;
• Re-ciclar utilizar materiais que podem ser reciclados.
Cada produto possui um ciclo de vida específico. Alguns possuem o estágio
de desenvolvimento mais longo, outros possuem vida de mercado mais curta, e
assim variam. No estágio do planejamento, os gestores devem reconhecer as
receitas e os custos de todo o ciclo de vida, pois precisam ser monitorados pela
contabilidade, permitindo o acompanhamento de seu estagio atual em relação ao
planejado, permitindo efetuar alterações quando necessário (HORNGREN et al.,
2004).
2.1.7 Cadeia de Valor
Para que uma empresa sobreviva e tenha sucesso no mercado, é
necessário entender a cadeia de valor, e as relações ambientais entre as empresas,
na perspectiva da interdependência dos valores e pesos de cada agente econômico
(HOFER et al., 2007).
A cadeia de valor de qualquer empreendimento é o conjunto de atividades
relacionadas em seu processo, a partir das fontes de matérias-primas, fornecedores,
até a entrega do produto final ao consumidor (SHANK e GOVINDARAJAN, 1997).
Segundo Horngren et al. (2004, p. 12), “a cadeia de valor é o conjunto de
funções empresariais que adicionam valor aos produtos ou serviços de uma
organização.” Essas funções, conforme os mesmos autores, são:
• Pesquisa e desenvolvimento: é o estudo e desenvolvimento de ideias
relacionadas a novos produtos ou serviços ou processos.
28
• Projetos de produtos, serviços ou processos: é o planejamento realizado
pela engenharia detalhada dos produtos.
• Produção: coordenação e montagem de recursos para produzir um
produto ou entregar um serviço.
• Marketing: maneira pela qual os indivíduos aprendem sobre o valor e as
características do produto ou serviço.
• Distribuição: mecanismo pelo qual uma empresa entrega produtos ou
serviços para os clientes.
• Serviços ao cliente: atividade de apoio oferecido ao cliente.
• Funções de apoio: atividade de apoio fornecido a outras funções internas
do negócio.
A cadeia de valor do leite segundo Hofer et al. (2007, p. 12) é:
Constituída de empresas particulares e cooperativas que competem em um
ambiente altamente sensível, tendo em vista a concorrência na produção do
leite de países com maior produtividade, como é o caso da Argentina.
Porém, a vantagem competitiva do Brasil está na produção dos derivados.
Atualmente a cadeia de valor vai além da entrega do produto ao consumidor
final, inclui-se a logística reversa, ou seja, o fabricante efetua o recolhimento do
produto, dando destinação correta no final de sua vida útil.
2.2
ATIVIDADE RURAL SUSTENTÁVEL
Uma organização para ser considerada sustentável precisa possuir o
equilíbrio entre as três dimensões que norteiam a sustentabilidade, são elas: a
econômica, ambiental e social (JAPPUR et al., 2008).
Atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das
gerações futuras satisfazerem as suas necessidades foi a definição de
desenvolvimento sustentável desde a publicação do Relatório Brundtland em 1987
(BRUNDTLAND, 1987).
As organizações sustentáveis são aquelas que caminham em direção a um
consenso de conservar o meio ambiente e melhorar o padrão de vida (SOUZA
FILHO, 2001).
29
O desenvolvimento sustentável deve idealmente melhorar a qualidade de
vida de cada indivíduo sem despender e buscar restaurar, bem como enriquecer os
recursos da Terra.
Segundo Jappur et al. (2008, p. 03), “desenvolvimento sustentável, visa
garantir a qualidade de vida para as gerações atuais e futuras, sem a destruição do
meio ambiente, com crescimento econômico e equidade social”.
Para Finatto e Salamoni (2008, p. 205), “o desenvolvimento sustentável
amparado na idéia de repensar as formas de apropriação do meio natural pelo
homem, elaborando novas estratégias produtivas na tentativa de minimizar os custos
socioambientais ocasionado pelo atual modelo produtivo.”
A produção rural sustentável utiliza baixo uso de insumos externos
reduzindo os custos e a contaminação do meio ambiente, aumentando a eficiência
destes insumos (SOUZA FILHO, 2001).
A substituição de insumos convencionais por alternativos é uma das técnicas
da agricultura orgânica, que contribui para minimizar o impacto ambiental no espaço
natural (FINATTO e SALAMONI, 2008).
2.2.1 Atividade Rural
Uma unidade de produção onde é exercida uma atividade agrícola, criação
de gado ou culturas florestais, com o objetivo de obter lucro, é considerada uma
empresa rural, seja ela familiar ou patronal, composta por um conjunto de recursos,
denominados fatores de produção, são eles: a terra, o capital e o trabalho
(CREPALDI, 2010).
Segundo Crepaldi (2010, p. 04), “o fator de produção mais importante para a
agropecuária é a terra, pois na terra se aplicam os capitais e se trabalha para obter a
produção”.
Conforme a fertilidade da terra e o relevo da região, é que se mede a
produtividade e o retorno esperado pelo produtor. A terra e os recursos aplicados
sobre a terra formam o capital, com objetivo de produzir e melhorar a qualidade do
trabalho. Sendo assim, cabe a ele conhecer a quantidade e o valor de cada item que
30
compõe seu capital, para melhor administrá-lo e cuidar de sua conservação para que
durem por vários anos (CREPALDI, 2010).
A atividade rural apresenta maior risco do que outras atividades, em razão
de suas especificidades. A atividade rural está sujeita à sazonalidade, variações
climáticas, tipos de solos e formas de manejo. Além disso, pequenas variações na
oferta fazem com que os preços dos produtos agrícolas oscilem (NANTES e
SCARPELLI, 2001).
O espectro de alternativas possíveis, na escolha do elenco de produtos pelo
qual se pode optar, parece bastante amplo. Entretanto, esse elenco se restringe à
medida que se analisem as características dos recursos disponíveis (SCARPELLI,
2001, p. 304).
A primeira questão a ser formulada é qual ou quais serão os produtos a
serem produzidos e em quais quantidades. Assim, o primeiro estágio de análise
supõe que se faça uma avaliação do potencial natural (SCARPELLI, 2001).
A segunda questão é quais os recursos disponíveis e o retorno desejado.
Busca-se otimizar o uso dos recursos produtivos. Pretende-se extrair deles o
máximo de benefícios ao longo do maior tempo possível, proporcionando o retorno
econômico desejado (SCARPELLI, 2001). Um roteiro para a formulação dessas
duas questões é apresentado no ANEXO 1.
A diversidade produtiva reduz o risco. Quando o produtor se dedica a um
único produto, este deve ocupar um nicho específico de mercado, ou ter demanda
exclusiva e contratada (SCARPELLI, 2001).
2.2.2 Atividade Leiteira
Na região Oeste de Santa Catarina a produção de leite teve início com a
chegada das famílias de agricultores de origem italiana, alemã e polonesa,
provindos do Rio Grande do Sul, que vieram povoar a região na década de 1940
(LORENZON, 2004).
No passado, as atividades econômicas tradicionais da região Oeste eram a
suinocultura e a plantação de soja, que sofreram transformações por razões
distintas. Na suinocultura, a transformação ocorreu, devido à pressão das
31
agroindústrias processadoras de carnes suínas, que exigiam aumento de escala,
modificações
no
sistema
de
produção,
adoção
de
raças,
instalações
e
equipamentos. Na cultura da soja, houve o estrangulamento e a decadência da
produção e o deslocamento para áreas mecanizadas nas fronteiras agrícolas
(LORENZON, 2004).
Isso acabou resultando na opção econômica da produção de leite que
ganhou espaço mas não é foco principal na maioria das propriedade, e o fumo é
uma atividade não só para acúmulo de capital, mas também para a estruturação de
outras atividades (LORENZON, 2004).
Segundo Eyerkaufer (2007, p. 20), “no Estado de Santa Catarina e
principalmente na região Oeste, embora a produção de leite tenha significância na
produção nacional, a grande maioria dos produtores constitui-se em pequenas
propriedades”.
A produção de leite está identificada com a agricultura familiar, caracterizada
pela policultura, a interação, cultivo e criação, e faz parte do diversificado conjunto
de atividades dos sistemas de exploração do ambiente rural (LORENZON, 2004).
A atividade leiteira é um dos meios de subsistência para os produtores, pelo
consumo do leite e derivados produzidos (queijo, nata, manteiga), e é um dos
principais meios de comercialização e renda (LORENZON, 2004).
Para melhorar a atividade leiteira e consequentemente a qualidade de vida
dos produtores do Oeste Catarinense, adotou-se um método de produção que
potencializasse os fatores de produção existentes, aumentando a renda. Entretanto,
as práticas de controles gerenciais podem ser utilizadas para orientar os produtores
a mensurar o custo da produção do leite, contribuindo para apurar o resultado do
período, e a racionalização dos recursos, além de auxiliar nos controles operacionais
(EYERKAUFER, 2007).
2.2.3 Pastoreio Racional Voisin – PRV
O método PRV, apresenta-se como opção de produção de leite à base de
pasto, viável e simples a pequenos, médios e grandes produtores rurais (CAZALE,
2006; CANAVER et al., 2006).
32
O PRV é uma tecnologia agroecológica que, a um só tempo, protege a
biodiversidade dos ecossistemas, aumenta a produtividade sem gerar impacto
ambiental negativo e é rentável ao produtor (BRUCH et al., 2007, p. 282)”.
Segundo Cazale (2006, p. 15-16), o PRV propõe:
A utilização dos pastos usando o mínimo de recursos de origem industrial,
sem o uso de fertilizantes sintéticos e agrotóxicos e máxima captação de
energia solar. Assim, conserva os recursos naturais e promove a reciclagem
dos nutrientes do solo através dos dejetos depositados pelos animais, sem
promover a aração ou gradagem do solo para que permaneça, desta
maneira, com suas propriedades originais.
O método PRV é estudado nesta pesquisa principalmente por se tratar de
um método ecologicamente correto de utilização dos recursos naturais. Esse método
diminui o consumo dos insumos industriais e o uso de defensivos agrícolas, os
principais responsáveis pela contaminação do ecossistema, inclusive do produtor
rural (MARTINS et al., 2007).
Segundo Martins et al. (2007, p. 334), “a produção animal, principalmente a
leiteira, no estado de Santa Catarina, vem sofrendo mudanças significativas no
decorrer dos anos através da iniciativa de implantação de módulos de produção
intensiva à base de pasto, com base nos princípios do pastoreio Voisin.”
Para Lorenzon (2004, p. 39), “o sistema PRV – Pastoreio Racional Voisin,
prevê o uso de pastagens divididas em parcelas, fertilização pelo próprio dejeto dos
animais, utilização do pasto em estágio de crescimento adequado e retirada dos
animais antes que possam consumir o rebrote.”
O Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural – DZR da UFSC,
contribuindo para o caráter agroecológico do método PRV, realizou estudos e
orientou os produtores a utilizar a fitoterapia e homeopatia na prevenção e controle
de parasitas e doenças (LORENZON, 2004).
Conforme Lorenzon (2004), o método PRV possui alguns critérios a serem
seguidos em sua implantação:
O primeiro é o planejamento, o qual é primordial à elaboração e à execução
do planejamento da pastagem, da criação, da qualidade, da profundidade e da
abrangência desse método.
O segundo item é a hidráulica, um importante componente do método PRV.
A água utilizada para o consumo dos animais deve ser de boa qualidade, pois
exerce forte influência na produção e desempenho dos animais e no seu bem-estar.
33
Divisão da área é o terceiro critério. Para melhorar a pastagem exige-se que
se faça a divisão do pasto em parcelas, piqueteando-o, para facilitar a circulação e o
manuseio das vacas.
Manejo e os cuidados sanitários constituem o quarto critério. Refere-se a
como se tratar os animais, à ordenha, à condução ao pasto, aos cuidados com o
pasto e solo, aos impactos ambientais causados, e a toda ação humana direta na
prevenção de doenças e manutenção da saúde dos animais.
O quinto critério é o melhoramento do pasto e o sombreamento. A
implantação de parcelas no pasto e o manejo adequado irão promover o
melhoramento gradual da pastagem. É permitido o uso de técnicas que aceleram o
processo natural de forma planejada, introduzindo-se espécies que melhoram a
qualidade da pastagem, aplicando-se corretivo ao solo, implantando-se pastagens
que se adequem à necessidade. A sombra é parte do método, pois os animais
necessitam de proteção do sol e as pastagens também têm melhor desempenho em
condições de sombreamento parcial.
O último critério é a condição físico/climática. As condições naturais não
representam empecilho para a implantação e desenvolvimento do método PRV, mas
influenciam no resultado. Incluem-se, neste critério, as diferenças naturais de solo,
relevo, clima, umidade e pedregosidade.
O PRV teve sua origem nos mais primitivos povos pastores do Oriente, que
acompanhavam seus rebanhos de ovinos e caprinos para protegê-los de predadores
ou ladrões e conduzi-los às melhores pastagens. O cientista, agricultor, bioquímico e
professor da Escola Nacional Veterinária de Alfort, Paris, André Voisin, foi um dos
primeiros pesquisadores a compreender a essência conceitual, formulou teorias e
obteve conhecimento prático, empregado e testado em "Le Talou", pequeno
estabelecimento leiteiro situado na Normandia, norte da França (SENAI, 2005).
No Brasil, o professor Luiz Carlos Pinheiro Machado foi o precursor do
método Voisin no Brasil e seu filho, Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, atua na
área e tem trabalhos no Oeste Catarinense.
34
2.2.4 Sustentabilidade
Sustentabilidade é operar a empresa sem causar danos aos seres vivos,
restaurar e enriquecer o meio ambiente sem destruí-lo. Ela proporciona benefícios
intangíveis, em que se incluem a reputação da empresa, o moral dos empregados e
a boa vontade dos clientes (SAVITZ, 2007).
Segundo Bidone et al. (2004, p. 184), em uma perspectiva econômica a
sustentabilidade requer:
[...] um processo de desenvolvimento que permita um crescimento no bemestar das gerações atuais (sobretudo o dos membros mais pobres da
sociedade), evitando, simultaneamente, custos significativos não
compensados para as gerações futuras (nesse sentido, desenvolvimento
sustentável é “o uso apropriado do meio ambiente tomado emprestado às
futuras gerações”).
Conforme Savitz (2007, p. 3), “sustentabilidade é a gestão do negócio de
maneira a promover o crescimento e gerar lucro, reconhecendo e facilitando a
realização das aspirações econômicas e não-econômicas das pessoas de quem a
empresa depende, dentro e fora da organização.”Medidas de prevenção da poluição
proporcionam a execução de processos de produção mais limpos, a otimização das
tecnologias de produção, a redução na utilização de recursos, a redução das
emissões
e
resíduos,
isso
proporciona
significativas
economias
para
as
organizações.
Na década de 1990, as empresas implantaram sistemas de gestão
ambiental (SGA), tais como a ISO 14001, para garantir a contínua melhoria do seu
desempenho (SEIFFERT, 2008).
Em 1992, antes da Cúpula Mundial no Rio, o World Business Council for
Sustainable Development (WBCSD) - (Conselho Mundial para o Desenvolvimento
Sustentável) - introduziu o conceito "eco-eficiência" para destacar a relação entre as
melhorias ambientais e os benefícios econômicos, em suma, "criar mais valor com
menos impacto" (SCHMIDHEINY, 1992).
35
3
Neste
capítulo,
relata-se
METODOLOGIA
a
metodologia
adotada
no
estudo,
sua
classificação, o desenho da pesquisa, a população utilizada, o instrumento da
pesquisa técnica de coleta de dados e a análise dos resultados apresentados.
3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
A
investigação ou pesquisa das possíveis
acontecimentos
ocorridos
no
passado,
que
têm
projeções de fatos e
influência
na
sociedade
contemporânea, é denominada de método histórico (FACHIN, 2006). Dentro dessa
proposição metodológica, foi buscada a vivência de sete produtores caracterizando
um estudo multi-caso.
Esta pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza exploratória, ou
seja, usa uma metodologia de pesquisa não-estruturada, exploratória, baseada em
um pequeno conjunto de elementos, que proporcionam conhecimento e facilitam a
compreensão do contexto do problema estudado (MALHOTRA, 2001).
Segundo Cooper e Schindler (2003), a pesquisa é classificada como
exploratória, uma vez que buscou na literatura e nas propriedades rurais as
categorias e módulos de análise a serem aplicadas na contabilização da produção
do leite. Para esses autores, este estudo também pode ser descrito como formal, na
medida em que utilizou uma metodologia e descritivo, pois utiliza uma série de
dados, quanto à dimensão tempo.
Para Mattar (1996), a pesquisa exploratória provê o pesquisador de maior
conhecimento sobre o tema ou problema de pesquisa, sendo fundamentalmente útil
quando se tem pouca informação sobre o problema de pesquisa. O estudo
exploratório auxilia o pesquisador a iniciar novos campos de pesquisa. Este
procedimento possibilitou conhecer as atividades praticadas pelos produtores.
O estudo multi-caso não exige a comparação entre os casos, mas permite
que sejam formulados e pesquisados vários elementos de um conjunto (YIN, 2001;
BEUREN, 2008).
36
Optou-se por esse modelo pela necessidade de uma compreensão
qualitativa das informações, razões e motivações que estão compreendidas e
inseridas nos dados coletados (MALHOTRA, 2001).
O ambiente da pesquisa, para Cooper e Schindler (2003), foi de pesquisa de
campo, em que as percepções das pessoas sobre a atividade pesquisada é a rotina
real. Optou-se, conforme os mesmos autores, pelo método de coleta de dados
interrogação/comunicação, cujo instrumento de coleta de dados foi o questionário
semi-estruturado, e os fatos foram estudados ex post facto.
3.2 DESENHO DA PESQUISA
Para caracterizar os casos serão utilizados dados obtidos nas entrevistas e
coleta documental, dos anos de 2004 a 2008. O estudo, conforme mostra a Figura 1,
terá as seguintes etapas:
ESPECIF.
TÉCNICAS
(GILMAR)
RAÇA DOS
ANIMAIS
QUALIDADE
DA AGUA
ADUBAÇÃO
ESPECIF.
TÉCNICAS
(GILMAR)
VALOR
ADICIONADO
DO LEITE
LEITE
CUIDADO C/
O GADO
ORDENHA
GADO
LEITEIRO
PRV
MANUTENÇÃO DO
PASTO
PASTO
ALIMENTAÇÃO
MANEJO
ATIVIDADE
ORDENHA
(TIRAR O LEITE)
INVESTIMENTOS:
- SALA DE ORDENHA
- EQUIPAMENTOS
RECURSO
CUSTOS/DESPESAS:
- MÃO-DE-OBRA
- MATERIAL DE USO
E CONSUMO
- DEPRECIAÇÃO
MANEJO
(CUIDAR DO GADO)
TRATOS CULTURAIS
(MANUTENÇÃO
DO PASTO)
INVESTIMENTOS:
- VACAS LEITEIRAS
- INSTALAÇÕES
- EQUIPAMENTOS
INVESTIMENTOS:
- TERRA
- INSTALAÇÕES
- EQUIPAMENTOS
- TRATOR/IMPLEMENTOS
CUSTOS/DESPESAS:
- MÃO DE OBRA
- ALIMENTAÇÃO
- MEDICAMENTOS
HOMEOPÁTICOS
- VETERINÁRIO
- MANUTENÇÃO
- DEPRECIAÇÃO
CUSTOS/DESPESAS:
- MÃO DE OBRA
- ADUBAÇÃO
- DEFENSIVOS
- MANUTENÇÃO
- DEPRECIAÇÃO
ESCOPO DO PROBLEMA EM ESTUDO
FIGURA 1 - ESTRUTURA DA PESQUISA DO LEITE
FONTE: O autor, 2010.
Na Figura 1, observa-se o ciclo de vida da produção desde o pasto até a
obtenção do leite. A partir das fases do ciclo de vida, caracterizam-se as atividades e
37
os recursos consumidos pelas atividades. O cálculo do valor adicionado será
constituído pelas seguintes etapas:
• Identificar o ciclo de vida do leite;
• Identificação da propriedade que terão suas atividades pesquisadas;
• Identificação das atividades desenvolvidas na propriedade;
• Identificar as atividades que geram custos e receitas, assim como as
atividades de escambo;
• Identificação dos custos e despesas fixas e variáveis utilizadas na
atividade leiteira;
• Identificação da mão-de-obra utilizada e seu custo;
• Apuração do resultado da atividade;
• Estabelecer o padrão de comportamento dos resultados entre os diversos
produtores;
• Elaborar o modelo de generalização de apuração dos resultados.
• Disponibilizar os resultados para os produtores.
3.3 AMOSTRA
Esta pesquisa foi realizada no Oeste do estado de Santa Catarina,
especificamente na região dos municípios de Pinhalzinho e Saudades, em
propriedades que produzem leite pelo método PRV.
Inicialmente,
em
estudo
anterior,
pesquisaram-se
setenta
e
três
propriedades com o objetivo de implantar o método PRV. Para este estudo foram
selecionados, por conveniência, sete dessas propriedades. O critério para a seleção
dessas sete propriedades foi cobrir todo o ciclo da implantação do método PRV.
Coletou-se, portanto, informações em propriedades que estavam no início da
implantação do método PRV até propriedades que já se consagraram por usar o
referido método.
Foram feitas duas visitas iniciais ao campo para contatos operacionais,
estudo preliminar, reconhecimento da realidade e escolha das propriedades.
Conclui-se, então, a adequação das propriedades selecionadas.
38
3.4 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
Partindo da revisão de literatura, elaborou-se um instrumento de coleta de
dados (questionário). Esse instrumento foi sendo adequado a partir de discussões
com a equipe de professores locais e alunos que haviam participado do estudo
original.
Após essas sugestões, surgiu um instrumento semi-estruturado, que foi
adequado em visita local. O instrumento de coleta foi testado em uma versão
preliminar que, pela sua adequação, foi adotado como definitivo (Anexo 1). Esse
instrumento é constituído por cinco partes:
• A primeira contemplou o perfil do proprietário;
• A segunda conteve a descrição da propriedade;
• A terceira apontou os controles adotados para a gestão da propriedade;
• A quarta descreveu as atividades executadas;
• E a quinta conteve a composição das receitas, custos e despesas da
atividade leiteira.
A aplicação do instrumento de coleta se deu com a colaboração dos alunos
do grupo de pesquisa da Universidade do Estadual de Santa Catarina. Eles
ajudaram na seleção dos produtores que seriam pesquisados, no agendamento das
visitas, estas aconteceram no período da tarde, antes da segunda ordenha do dia,
horário de menor trabalho na produção do leite. Os alunos também conduziam o
pesquisador até as propriedades, principalmente aquelas de difícil acesso e distante
da cidade.
3.5 TRATAMENTO DOS DADOS
Os dados foram compilados de acordo com cada parte do instrumento de
coleta: perfil do proprietário, descrição da propriedade, os controles adotados para a
gestão da propriedade, atividades executadas e a composição das receitas, custos e
despesas da atividade leiteira.
Para o perfil do proprietário foi usada a descrição simples.
39
Para a descrição da propriedade, utilizou-se a frequência dos produtores e,
para os dados mensuráveis matematicamente, os valores de cada propriedade e a
média desses valores.
Para os controles adotados para a gestão da propriedade, foi elaborada uma
lista de controles recomendados pela literatura contábil. Em cada propriedade foi
checada a utilização desses controles e descrita a frequência de utilização. As
atividades executadas também foram assinaladas e analisadas através de
frequência.
Os dados foram anotados formando uma série histórica do período
disponível da atividade leiteira, cada controle e cada propriedade. Formaram-se
então, as receitas, custos e despesas da atividade leiteira de cada uma das
propriedades, de acordo como o utilizado pelo produtor, obtendo-se o resultado
médio no período de 12 meses, dentre os vários meses disponibilizados para cada
propriedade.
O modelo utilizado foi comparado, surgindo então uma proposição de
controles e modelo de apuração de resultados.
A partir dessa análise, foi elaborada uma sugestão de intervenção.
40
4
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS
RESULTADOS DO ESTUDO
Neste capítulo, evidenciam-se os resultados obtidos na pesquisa de campo.
O perfil do proprietário, a descrição da propriedade, os controles adotados para a
gestão da propriedade, atividades executadas e a composição das receitas, custos e
despesas da atividade leiteira. Estes itens demonstram a realidade constatada no
cotidiano dos produtores de leite da região de Pinhalzinho, Oeste do estado de
Santa Catarina.
4.1 PERFIL DO PROPRIETÁRIO
Um dos fatores que caracterizaram os produtores rurais que utilizam o
método PRV na produção do leite da região de Pinhalzinho era o fato de todos os
produtores terem nascido e crescido nessa região. Na TABELA 1, nota-se que
57,1% deles nasceram em Pinhalzinho, 28,6% em Saudades e 14,3% em São
Carlos. Todos esses municípios fazem parte da região Oeste do estado de Santa
Catarina.
TABELA 1 – CIDADE DE NASCIMENTO DOS PRODUTORES
Cidade
Freqüência
%
% Acumulado
Pinhalzinho – SC
4
57,1
57,1
Saudades – SC
2
28,6
85,7
São Carlos – SC
1
14,3
100
Total
FONTE: O autor, 2010.
7
Segundo a PNAD (2008), 56,64% da população residente nos municípios de
SC são naturais do mesmo município.
Os trabalhos realizados nas propriedades, na maioria das vezes, são
efetuados pela família. O homem, a mulher e em alguns casos o filho ou a filha.
Mior (2008) relatou em seu estudo que a região Oeste do estado de Santa
Catarina tem grande participação na história da agricultura familiar. A constituição da
família desses produtores é mostrada na TABELA 2.
41
Os produtores tinham em média 1,9 filhos, sendo destes a maioria homens,
ou seja, em média 1,3 filhos homens.
Os colaboradores (trabalhadores) da propriedade eram 100% pessoas da
família, totalizando uma média de 2,2 trabalhadores por propriedade rural.
TABELA 2 – NÚMERO DE FILHOS E COLABORADORES DA PROPRIEDADE
P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 TOTAL
Quantidade de Filhos
Homens
2 2 1 2 1 1 0
9
Mulheres
0 1 0 0 1 1 1
4
Sexo dos Colaboradores
Homens
Mulheres
Tipo dos Colaboradores
Pessoas da Família
Diarista
Contratado
Outros
FONTE: O autor (2010)
MÉDIA
1,3
0,6
1
1
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
1
2
8
8
1,1
1,1
2
0
0
0
2
0
0
0
3
0
0
0
2
0
0
0
2
0
0
0
2
0
0
0
3
0
0
0
16
0
0
0
2,2
-
Nas visitas de campo, verificou-se que ao homem cabia o trabalho pesado:
buscar e levar as vacas no pasto para serem ordenhadas; trocar as vacas de
piquete; organizar os piquetes e as cercas; cuidar da alimentação das vacas e
preparar a silagem.
A mulher ficava encarregada da ordenha, principalmente da organização e
limpeza da sala de ordenha e dos equipamentos utilizados, assim como a
escrituração dos controles da produção do leite.
Essa divisão de tarefas ocorre, pois a mão-de-obra é um fator limitante nesta
região. A condução de tarefas difíceis é feita com a cooperação da comunidade, em
forma de troca de serviços.
Como é comum não se encontrar mão-de-obra disponível, os produtores
utilizam a troca de favores e de horas trabalhadas para sanar este problema.
Quando um produtor precisa fazer um trabalho extra na propriedade, ele convida um
vizinho para ajudá-lo. Assim, esse fica devendo um dia de trabalho para o outro,
quando este vizinho necessita fazer algum trabalho extra, ele cobrará o dia de
serviço realizado naquela ocasião. Dessa forma, eles conseguem suprir a carência
de mão-de-obra existente na região.
42
4.2 DESCRIÇÃO DA PROPRIEDADE
Nos municípios do Oeste de Santa Catarina, e principalmente na região de
Pinhalzinho, as áreas rurais são divididas em Linhas, formando comunidades. As
propriedades estudadas localizam-se nas linhas, Santa Lúcia, Santa Catarina,
pertencentes ao município de Pinhalzinho, e as linhas Salete e Santa Terezinha,
pertencentes ao município de Saudades (TABELA 3).
TABELA 3 – LOCALIZAÇÃO DAS PROPRIEDADES
Referente Endereço
Município
Localização
Pinhalzinho – SC
Saudades – SC
Freqüência
%
% Acumulado
Linha Santa Lucia
3
42,9
42,9
Linha Salete
1
14,3
57,1
Linha Santa Catarina
2
28,6
85,7
Linha Santa Terezinha
1
14,3
100,0
7
100,0
Total
FONTE: O autor, 2010.
Em toda comunidade há uma centro comunitário, no qual as pessoas se
reúnem para se organizar e confraternizar.
Antes de implantar o método PRV, eles utilizavam outros métodos de
pastoreio, conforme TABELA 4. O método extensivo era utilizado por 85,7% dos
produtores que substituíram este método pelo PRV. Os outros 14,3% utilizavam o
método extensivo piqueteado e confinamento, antes de adotarem o PRV.
TABELA 4 – MÉTODO DE PASTOREIO ANTERIOR À ADOÇÃO DO PRV
Método de pastoreio anterior ao PRV
Freqüência
%
% Acumulado
Extensivo
6
85,7
85,7
Extensivo, piqueteado, confinamento
1
14,3
100
Total
FONTE: O autor, 2010.
7
100,0
Investigou-se o tamanho da propriedade e a área de pastagem destinada ao
gado leiteiro, antes e depois da implantação do método PRV (TABELA 5).
Constatou-se que a área total das propriedades não se alterou com a
implantação do PRV.
43
Em relação à área de pastagem, constataram-se variações. Dois produtores
diminuíram a área de pastagem, pois verificaram que, com o novo método, poderiam
disponibilizar a área de pasto liberada para outra aplicação. Os demais aumentaram
suas áreas de pastagem, parando com outras atividades, dedicando-se apenas à
produção do leite. Isso ocorreu em virtude da necessidade e disponibilidade de área
de cada produtor, não sendo possível constatar a opção mais vantajosa.
TABELA 5 – TAMANHO DA PROPRIEDADE E DA ÁREA DE PASTAGEM
P1
P2 P3 P4 P5 P6
P7
TOTAL MÉDIA
Área da propriedade (hectares)
Com o método PRV
11,4 34,0 10,0 17,5
8,3
12,5 13,0
106,7
15,2
Antes do método PRV
11,4 34,0 10,0 17,5
8,3
12,5 13,0
106,7
15,2
Variação
0
0
0
0
0
0
0
0
0
7,0
10,0
8,0
10,5
7,3
4,5
11,0
58,3
8,3
11,4 12,0
2,0
3,0
5,0
2,0
9,0
44,4
6,4
-4,4 -2,0
6,0
7,5
2,3
2,5
2,0
13,9
2,0
Área destinada à pastagem (hectares)
Com o método PRV
Antes do método PRV
Variação
FONTE: O autor, 2010.
Como o relevo da região é montanhoso, a possibilidade de expansão das
atividades nas propriedades é pequena. Para se aumentar a renda da terra, resta
desenvolver atividades com melhor resultado ou melhorar a eficácia das atividades
desenvolvidas.
A pesquisa evidenciou que o tempo médio de moradia em suas
propriedades é de 31,9 anos (TABELA 6).
TABELA 6 – TEMPO DE MORADIA NA PROPRIEDADE (ANOS)
P1
P2 P3 P4
Tempo de moradia
FONTE: O autor, 2010.
21
22
19
57
P5
P6
P7
14
45
45
TOTAL MÉDIA
223
O produtor que está há menos tempo em sua propriedade reside há 14
anos, e o produtor com mais tempo de residência está com 57 anos na mesma
propriedade.
31,9
44
4.3 CONTROLES ADOTADOS NA GESTÃO DA PROPRIEDADE
Notou-se uma maior utilização dos controles mensais, até mesmo para
auxiliar no fechamento do mês. Este acompanhamento na maioria das vezes era
mensal, por ser um trabalho que demanda tempo, fator limitante nas propriedades.
Sobre os controles adotados pelos produtores de leite que utilizam o método
PRV, verificou-se (TABELA 7) que os mais comuns foram: controle de produção
individual de leite por vaca; produção total de leite; custo por litro do leite; valor
recebido por litro de leite; compra de equipamentos; energia elétrica. Esses controles
foram elaborados mensalmente por 71% dos produtores.
A escrituração do controle de produção individual de leite por vaca era
mensal. Segundo os produtores, esse controle era trabalhoso de ser efetuado
diariamente, sendo o registro efetuado de forma não sistemática. A produção mensal
de cada vaca é estimada com base nesses dados. O controle individual, por vaca, é
importante, tanto para a produção de leite como para a quantidade de ração
consumida (KAY, 2008).
Em relação à utilização de ração na alimentação do gado, Lorenzon (2004)
constatou que esta prática contribui para a melhoria na qualidade e quantidade de
leite produzido, entretanto, é necessário mensurar a quantidade utilizada para não
ocorrer um aumento nos custos de produção. Efetuando esse controle, o produtor
buscará
uma
maior
eficiência
na
alimentação,
diminuindo
os
custos,
consequentemente melhorando o resultado. A produção total de leite era medida
todos os dias.
O controle diário de entrega de leite ao laticínio, o controle de manutenção
dos equipamentos, compra e venda de gado, despesas com a ordenha e controle de
recebimentos, são efetuados mensalmente e realizados por 57% dos produtores
(TABELA 7).
O controle diário de consumo de ração e outros alimentos (TABELA 7) foram
efetuados por 43% dos produtores, enquanto que o nascimento de bezerros, o
tratamento de doenças, a assistência técnica e a mão-de-obra eram controladas
diariamente por 29% dos produtores. O controle diário dos pagamentos, do
recebimento e das contas a pagar, era efetuado por apenas 14%.
45
Antes da implantação do PRV, só um produtor controlava o volume mensal
de leite. Esse é um dos pontos positivos do método, que fez com que os produtores
passassem a controlar e acompanhar melhor essa atividade, buscando uma maior
eficiência em sua produção, conforme se vê na TABELA 7.
46
TABELA 7 – CONTROLES GERENCIAIS UTILIZADOS NA PROPRIEDADE
PRODUTORES QUE UTILIZARAM
DESCRIÇÃO DO CONTROLE
QTDE
%
COM O MÉTODO PRV
Produção de leite individual por vaca – mensal
5
71%
Produção de leite total – mensal
5
71%
Preço de custo por litro do leite – mensal
5
71%
Preço pago por litro do leite – mensal
5
71%
Compra de equipamentos – mensal
5
71%
Energia elétrica – mensal
5
71%
Entrega do leite ao laticínio – diário
4
57%
Manutenção dos equipamentos – mensal
4
57%
Compra de gado – mensal
4
57%
Venda de gado – mensal
4
57%
Despesas com a ordenha – mensal
4
57%
Controle de recebimentos – mensal
4
57%
Consumo de ração – diário
3
43%
Entrega do leite ao laticínio – mensal
3
43%
Outros alimentos (silagem,feno,cana) – diário
3
43%
Nascimento de bezerros – mensal
3
43%
Tratamento de doenças – mensal
3
43%
Assistência técnica – mensal
3
43%
Controle de pagamentos – mensal
3
43%
Nascimento de bezerros – diário
2
29%
Tratamento de doenças – diário
2
29%
Assistência técnica – diário
2
29%
Mão-de-obra – diário
2
29%
Controle das contas a pagar – mensal
2
29%
Troca de piquete – diário
1
14%
Manutenção dos equipamentos – diário
1
14%
Compra de gado – diário
1
14%
Venda de gado – diário
1
14%
Despesas com a ordenha – diário
1
14%
Controle de pagamentos – diário
1
14%
Controle de recebimentos – diário
1
14%
Controle das contas a pagar – diário
1
14%
Consumo de ração – mensal
1
14%
Outros alimentos (silagem, feno, cana) – mensais
1
14%
Mão-de-obra – mensal
1
14%
1
14%
ANTES DO MÉTODO PRV
Produção de leite total antes do PRV – mensal
FONTE: O autor, 2010.
47
Organizar uma propriedade rural exige que o produtor tenha alguns
controles gerenciais para auxiliá-lo na gestão da propriedade. Não basta contar com
sua memória em relação aos fatos ocorridos, mensurar corretamente todos os
recursos consumidos na propriedade é uma necessidade para se apurar o resultado
correto das atividades executadas (EYERKAUFER, 2007).
Erf (1921) evidencia a importância de se calcular devidamente os custos,
principalmente conhecer todas as atividades relacionadas no processo produtivo do
leite, todos os custos incorridos, inclusive computar o tempo gasto nestas atividades,
pois normalmente estes custos não são considerados para o cálculo do custo do
leite.
Os produtores quando implantaram o método PRV, receberam treinamento e
acompanhamento de técnicos da cooperativa, no intuito de qualificá-los, inclusive
nos controles e anotações, para acompanhar e monitorar as atividades do processo.
Constatou-se que 71,4% dos produtores utilizaram seus controles na tomada
de decisão (TABELA 8).
TABELA 8 – UTILIZAÇÃO DOS CONTROLES NA TOMADA DE DECISÃO
Frequência
%
% Acumulado
Consulto
5
71,4
71,4
Não consulto
2
28,6
100,0
Total
FONTE: O autor, 2010.
7
Esses controles também serviram de base para os produtores tomarem suas
decisões e organizar melhor a propriedade, o que inclusive proporcionou a um dos
produtores ganhar o Prêmio Micro de Pequenas Empresas (MPE) Brasil 2010, na
categoria agronegócio, cujo objetivo é reconhecer, incentivar e premiar os
empresários catarinenses de micro e pequenas empresas que aliam o seu talento
empreendedor com a excelência em gestão (MPE BRASIL, 2010).
O estudo comparou o período de utilização do método PRV com a
escrituração dos controles gerenciais (TABELA 9). Constatou-se que os dois
produtores que utilizam o PRV há 60 meses adotaram uma quantidade de controles
maior que os demais, isso se caracteriza com a evolução da utilização do PRV, os
produtores mais novos no PRV utilizam uma quantidade menor de controles.
48
Dos sete produtores estudados, dois não realizavam os controles. O único
controle efetuado por estes produtores era a entrega de leite ao laticínio. Este
controle na verdade é efetuado pelo próprio laticínio, sendo passado aos produtores
no final do mês.
TABELA 9 – CONTROLES GERENCIAIS X UTILIZAÇÃO DO PRV
PERÍODO DE UTILIZAÇÃO DO PRV - MÊS
DESCRIÇÃO DO CONTROLE
Assistência técnica – diário
Compra de gado – diário
Consumo de ração – diário
Controle das contas a pagar – diário
Controle de pagamentos – diário
Controle de recebimentos – diário
Despesas com a ordenha – diário
Entrega do leite ao laticínio – diário
Manutenção dos equipamentos – diário
Mão-de-obra – diário
Nascimento de bezerros – diário
Outros alimentos (silagem, feno, cana) – diário
Tratamento de doenças – diário
Troca de piquete – diário
Venda de gado – diário
Total dos controles diários utilizados
Assistência técnica – mensal
Compra de equipamentos – mensal
Compra de gado – mensal
Consumo de ração – mensal
Controle das contas a pagar – mensal
Controle de pagamentos – mensal
Controle de recebimentos – mensal
Despesas com a ordenha – mensal
Energia elétrica – mensal
Entrega do leite ao laticínio – mensal
Manutenção dos equipamentos – mensal
Mão-de-obra – mensal
Nascimento de bezerros – mensal
Outros alimentos (silagem, feno, cana) –
mensais
Preço de custo por litro do leite – mensal
Preço pago por litro do leite – mensal
Produção de leite individual por vaca – mensal
Produção de leite total – mensal
Produção de leite total antes do PRV – mensal
Tratamento de doenças – mensal
Venda de gado – mensal
Total dos controles mensais utilizados
TOTAL DE CONTROLES UTILIZADOS
FONTE: O autor, 2010.
60
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
14
60
SIM
não
SIM
não
não
não
não
SIM
não
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
não
8
48
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
0
42
não
não
não
não
não
não
não
SIM
não
não
não
não
não
não
não
1
36
não
não
SIM
não
não
não
não
não
não
não
não
SIM
não
não
não
2
30
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
0
24
não
não
não
não
não
não
não
SIM
não
não
não
não
não
não
não
1
não
SIM
não
não
não
não
não
não
SIM
não
não
não
não
não
SIM
SIM
não
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
não
SIM
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
não
SIM
não
não
não
SIM
SIM
SIM
SIM
não
SIM
SIM
SIM
SIM
não
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
não
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
não
SIM
não
não
não
não
não
não
não
não
não
SIM
não
não
não
SIM
SIM
SIM
não
não
não
SIM
SIM
SIM
não
SIM
não
SIM
não
SIM
SIM
SIM
SIM
não
não
não
6
não
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
não
SIM
14
não
não
não
não
não
não
não
não
1
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
não
SIM
SIM
18
não
SIM
SIM
SIM
SIM
não
SIM
SIM
17
não
não
não
não
não
não
não
não
1
não
SIM
SIM
SIM
SIM
não
SIM
SIM
14
20
22
1
19
19
1
15
49
Eyerkaufer (2007) constatou que a contabilidade pode ser utilizada na
gestão da propriedade rural produtora de leite, mensurando devidamente os custos
das atividades realizadas, isso proporciona decisões mais precisas, contribui para
melhorar a rentabilidade e o resultado, utiliza racionalmente e controla os recursos
disponíveis.
4.4 ATIVIDADE LEITEIRA
Foram comparados os parâmetros antes e depois da adoção do método
PRV, pois em todas os propriedades já se produzia leite antes da implantação do
método. Com o PRV, aumenta-se a receita (aumenta o volume de leite produzido),
diminuem-se os custos (utiliza-se menos insumos) e a mão-de-obra (redução nos
esforços físicos com a movimentação gado), como consequência, melhora-se o
resultado (lucro), proporcionando uma melhor qualidade de vida aos produtores.
Verificou-se o tempo de utilização do PRV. Constatou-se que 57,2% dos
produtores estavam utilizando o método PRV há mais de 36 meses. O menor tempo
de utilização do método foi 24 meses, seguindo-se as outras quatro propriedades,
30, 36, 42 e 48 meses de utilização respectivamente. As mais antigas estão
utilizando o método há 60 meses, duas propriedades (TABELA 1010).
TABELA 10 – TEMPO DE UTILIZAÇÃO DO PRV
MESES
FREQÜÊNCIA
%
% ACUMULADO
24
1
14,3
14,3
30
1
14,3
28,6
36
1
14,3
42,9
42
1
14,3
57,1
48
1
14,3
71,4
2
7
28,6
100,0
100,0
60
Total
FONTE: O autor, 2010.
Comparou-se a quantidade de pessoas que trabalhavam na produção do
leite (buscar e levar as vacas ao pasto para serem ordenhadas, trocar de piquete,
organizar os piquetes e as cercas da propriedade, alimentá-las e preparar a
silagem), o tempo gasto, o tempo médio de cada ordenha e a quantidade de vacas
ordenhadas.
50
As propriedades tinham em média 2,3 pessoas trabalhando na produção do
leite (TABELA 11) enquanto que no período anterior à implantação do PRV a média
era de 2,6 pessoas por propriedade.
Em relação ao tempo diário gasto na produção de leite, verificou-se redução
de 86 minutos. Em média, antes do PRV, gastavam-se 429 minutos de trabalho, com
o PRV, gastavam-se 333 minutos (TABELA 11). Essa redução de tempo de trabalho
foi constatada em praticamente todas as propriedades, menos na propriedade dois,
onde houve um aumento de 180 minutos, devido ao aumento da quantidade de
vacas.
Antes da implantação do PRV, os produtores comentaram que perdiam
muito tempo consertando as cercas e buscando o gado que fugia para as lavouras
dos vizinhos, isso causava um grande desgaste físico aos produtores.
Em relação ao tempo de ordenha (TABELA 11), antes e depois da adoção
do método PRV, eram executadas duas ordenhas diárias em todas as propriedades,
inclusive a ordenha mecânica já era utilizada antes da implantação do método pelos
produtores.
Referente à quantidade de vacas ordenhadas diariamente (TABELA 11), um
dos produtores teve uma variação negativa de 3 vacas, esse fato ocorreu porque na
época da pesquisa essas vacas, conforme palavras do produtor, “estavam secas”,
ou seja, não produziam leite. Nas outras propriedades observou-se o aumento na
quantidade de vacas ordenhadas, antes da implantação a média era de 13 vacas,
com a implantação, subiu para 19 vacas.
Verificou-se, também, a raça destes animais, constatou-se que as
propriedades possuíam em média 22 cabeças (TABELA 11), sendo estas da raça
Mista, Jersery e Holandesa. Esses produtores possuíam ao todo 68 cabeças de
vacas mistas, uma média de 10 cabeças por propriedade. A segunda raça mais
comum era a Jersey, totalizando um rebanho de 48 cabeças e uma média de 7 por
propriedade. O total de cabeças de Holandesa era de 36, com uma média de 5 por
propriedade. A preferência pelas vacas Mistas, nascidas do cruzamento de vaca
Holandesa com Jersey, justifica-se em razão delas serem resistentes e adaptadas à
região.
51
TABELA 11 - DADOS DA PRODUÇÃO DE LEITE
PRODUTORES
P1
Pessoas que trabalham na produção do leite
P2
P3
P4
P5
P6
P7
TOTAL MÉDIA
Com o método PRV
2
2
3
2
2
2
3
16
2,3
Antes do método PRV
2
3
3
2
3
3
2
18
2,6
Variação
0
-1
0
0
-1
-1
1
-2
-0.3
Tempo gasto por dia na produção do leite [minutos]
Com o método PRV
240
420
420
360
360
240
360
2400
343
Antes do método PRV
360
240
600
480
360
360
600
3000
429
-120 -240
-600
-86
Variação
-120 180 -180 -120
0
Tempo médio da ordenha diária [minutos]
Com o método PRV
170
200
90
120
140
120
240
1080
154
Antes do método PRV
170
60
100
120
100
120
240
910
130
Variação
0
140
-10
0
40
0
0
170
24
Com o método PRV
16
32
19
25
17
6
19
134
19
Antes do método PRV
7
22
12
20
10
9
12
92
13
Variação
9
10
7
5
7
-3
7
42
6
0
0
26
26
15
5
6
26
Qtde. de vacas ordenhadas diariamente
Qtde. de vacas da propriedade no método PRV por raça
Holandesas
Jersey
Mista
Total
FONTE: O autor, 2010.
7
7
6
20
2
15
15
32
12
0
5
17
0
0
9
9
0
21
1
22
36
48
68
152
5
7
10
22
Dos produtores estudados, 90% praticavam a medicina preventiva nas
vacas. Constatou-se a preocupação dos produtores em relação à saúde e à
alimentação do gado, conforme destacado na TABELA 12.
A alimentação do gado é um fator importante para a produção de leite,
Eyerkaufer (2007) constatou em seu estudo que grande parte dos produtores rurais
produz em suas propriedades pastagem e silagem para alimentar o gado. Isso foi
verificado nas propriedades estudadas; notou-se que os produtores preparam suas
pastagens com variedade que são específicas para cada estação do ano,
principalmente no inverno e no verão. Algumas variedades são mais sensíveis que
outras para determinada época do ano. Fazer esse planejamento garantirá pasto
suficiente para alimentar o gado e manter uma média de produção de leite.
52
Em relação à utilização de suplemento (TABELA 12), verificou-se que essa é
uma prática comum entre os produtores. Constatou-se que em média 60% dos
produtores dão diariamente suplemento ao gado. Os outros 40% utilizavam
suplemento apenas no inverno.
A silagem foi o suplemento empregado por 100% dos produtores; em
segundo lugar, a ração, utilizada por 70% dos produtores; o sal mineral, por 40%; o
feno por 30%; o milho e o farelo de trigo, por 10%.
TABELA 12 - UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS E SUPLEMENTOS
PRODUTORES
P1
P2
P3
P4
P5
P6
P7
Total Média
Utiliza medicamentos preventivos
Sim Não Sim Sim Sim Sim Sim
6
0,9
Uiliza suplemento
Diariamente
Sim Sim Sim Sim Não Não Não
4
0,6
Não Não Não Não Sim Sim Sim
3
0,4
Feno
Não Não Sim Não Sim Não Não
2
0,3
Milho
Não Sim Não Não Não Não Não
1
0,1
Ração
Não Sim Sim Sim Sim Não Sim
5
0,7
Silagem
Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim
7
1,0
Sal mineral
Não Sim Não Não Sim Sim Não
3
0,4
Não Não Não Não Não Sim Não
1
0,1
No inverno
Tipo de suplemento
Farelo de trigo
FONTE: O autor, 2010.
Conforme a TABELA 13, 100% dos produtores preparam suas pastagens no
inverno com semente de Aveia e Azevém, 30% deles utilizavam a variedade Trevo e
apenas 10%, a Grama Nativa. Já no verão as variedades mudam, a Tifton apareceu
em 100% das propriedades; em segundo lugar, a Grama Nativa, em 40%; em
terceiro lugar, com 30%, as variedades Braquiária, Capim Sudão e Trevo. Outras
variedades plantadas são: Aveia, Missioneira e a Pioneira, presentes em 10% das
propriedades.
53
TABELA 13 – VARIEDADES DE PASTAGENS UTILIZADAS
PRODUTORES
P1
P2
P3
P4
P5
P6
P7
TOTAL MÉDIA
AVEIA
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
7
1,0
AZEVÉM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
SIM
7
1,0
GRAMA NATIVA
NÃO SIM NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
1
0,1
TREVO
NÃO NÃO SIM NÃO SIM NÃO NÃO
2
0,3
AVEIA
NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO SIM
1
0,1
BRAQUIÁRIA
NÃO NÃO NÃO SIM
NÃO
2
0,3
CAPIM SUDÃO
SIM
NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO
2
0,3
GRAMA NATIVA
NÃO SIM
NÃO NÃO NÃO SIM
3
0,4
TREVO
SIM
NÃO NÃO SIM
NÃO NÃO NÃO
2
0,3
TIFTON
SIM
SIM
SIM
7
1,0
MISSIONEIRA
NÃO NÃO SIM
1
0,1
1
0,1
PASTAGEM DE INVERNO
PASTAGEM DE VERÃO
PIONEIRA
FONTE: O autor, 2010.
SIM
SIM
SIM
NÃO SIM
SIM
SIM
SIM
NÃO NÃO NÃO NÃO
NÃO NÃO NÃO NÃO SIM
NÃO NÃO
A correção do solo dos pastos é outro fator importante para a produção do
leite, 100% dos produtores utilizavam adubação orgânica (TABELA 14), 70% deles
corrigem seus pastos quando o solo é analisado, 15% semestralmente e, outros
15%, anualmente.
TABELA 14 – TIPO DE CORREÇÃO E PERÍODO DE APLICAÇÃO NO SOLO
PRODUTORES
P1
P2
P3
P4
P5
P6
P7
TOTAL MÉDIA
Periodicidade da correção do pasto
Semestralmente
Não Não Não Não Sim Não Não
1
0,15
Anualmente
Não Sim Não Não Não Não Não
1
0,15
Somente quando o solo é analisado
Sim Não Sim Sim Não Sim Sim
5
0,70
Tipo de adubo utilizado na correção do solo
Só Adubo Orgânico
FONTE: O autor, 2010.
Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim
7
1,0
Os motivos e fatores citados na pesquisa que levaram os produtores a
decidir investir no PRV (QUADRO 2) foram: menor demanda de mão-de-obra e
menor custo de produção.
54
Essas foram uma das vantagens citadas pelos produtores que utilizam o
método PRV em sua propriedade, o que contribui para a melhoria da qualidade de
vida deles e de sua comunidade.
Segundo Lorenzon (2004), produtores que utilizam o sistema de parceria na
produção animal com grandes agroindústrias são submetidos a rigorosos sistemas
de produção, exigindo grandes esforços e longas jornadas de trabalho, visando
apenas à participação nos resultados.
A maioria dos proprietários não soube dizer como tomavam as decisões
para investir na propriedade, somente um relatou sentir que faltavam informações
sobre o preço de mercado do produto e outro sobre a demanda de mercado,
conforme se vê no quadro abaixo.
Porque o senhor decidiu investir no PRV?
P1
Para diminuir os custos e a mão-de-obra e melhorar a receita
P2
Menor custo e menor mão-de-obra e exigia menos agrotóxicos
P3
Uma alternativa para melhorar a atividade
P4
Uma alternativa melhor de renda
P5
Melhor alternativa e com menor mão-de-obra
P6
Proporciona menor custo
P7
Porque era uma atividade mais lucrativa com menor mão de obra
Quais os fatores que levaram à decisão de investir no PRV?
P1
Alto custo e trabalhava mais principalmente
P2
Menor custo e menor mão-de-obra e exigia menos agrotóxicos
P3
Através da divulgação do método e seus benefícios
P4
Proporciona uma renda mensal melhor e um retorno mais rápido
P5
Melhor alternativa e com menor mão-de-obra
P6
Proporciona menor custo
P7
Porque era uma atividade mais lucrativa com menor mão de obra
Sente falta de informação para decidir investir na propriedade?
P1
Preço de mercado
P2
Demanda de mercado
P3
Não falta
P4
Não soube dizer
P5
Não soube dizer
P6
Não soube dizer
P7
Não soube dizer
QUADRO 1 - OPINIÃO DOS PRODUTORES EM RELAÇÃO AO PRV
FONTE: O autor, 2010.
55
4.5 OUTRAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
O objeto de estudo era a atividade de produção de leite, entretanto,
verificaram-se
as outras
atividades desenvolvidas
nas
propriedades.
Uma
característica das atividades das propriedades da região é multiplicidade de
atividades, seja ela para renda ou consumo (TABELA 15).
Depois da atividade leiteira, a que mais se destaca é a agrícola. A agricultura
era praticada em seis propriedades, sendo que em apenas uma, a finalidade era
obter renda, nas outras cinco, consumo para alimentar o gado ou a família.
Outra atividade em destaque nas propriedades é a avicultura, presente em
três propriedades, em duas delas, com a finalidade de renda.
A suinocultura é desenvolvida em duas propriedades apenas, uma como
renda e outra para consumo.
TABELA 15 - ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NA PROPRIEDADE
PRODUTORES
P1
P2
P3
P4
P5
P6
P7
Renda
Consumo
Renda
Consumo
-
-
-
Renda
-
-
Renda Consumo
ATIVIDADE
Avicultura
Agricultura
FONTE: O autor, 2010.
Consumo Consumo Consumo Consumo
Buscou-se, na opinião dos produtores, qual era a atividade que gerava mais
renda, custo e esforço físico (trabalho) (TABELA 16).
Dos produtores analisados, dois exercem mais de uma atividade com a
finalidade de renda. Em uma dessas propriedades, a principal atividade geradora de
renda era o leite, já para a outra, o frango.
A criação de frango foi considerada por estes produtores como a atividade
que mais incorria custo e mais trabalho, principalmente nos primeiros dias, quando
recebem os pintinhos. Nesse momento, era preciso observar os pintinhos 24 horas
seguidas para que não ocorra alteração no ambiente do aviário, causando a perda
(morte) dos mesmos.
56
TABELA 16 – PRINCIPAIS ATIVIDADES GERADORAS DE RENDA, CUSTO E ESFORÇO
PRODUTORES
P1
P2
P3
P4
P5
Atividade principal
Leite
Leite
Leite
Leite
Leite
Segunda atividade
Frango
Terceira atividade
Suíno
P6
P7
Geração de renda
Frango
Leite
Leite
Geração de custo
Atividade principal
Frango
Segunda atividade
Leite
Terceira atividade
Suíno
Leite
Leite
Leite
Leite
Frango
Leite
Leite
Geração de esforço (trabalho)
Atividade principal
Frango
Segunda atividade
Leite
Terceira atividade
FONTE: O autor, 2010.
Suíno
Leite
Leite
Leite
Leite
Frango
Leite
Leite
4.6 RECEITAS, CUSTOS E DESPESAS DA PRODUÇÃO DO LEITE
Questões históricas ou culturais implicam que os produtores pesquisados,
no Oeste Catarinense, muitas vezes acreditam que estão usando ferramentas
gerenciais contábeis, desprezando uma análise contábil verdadeira, correta e
eficiente.
Eyerkaufer (2007) em seu estudo percebeu a necessidade dos produtores
conhecerem as ferramentas gerenciais que a contabilidade dispõe para gestão da
propriedade. Ele sugere aos profissionais da contabilidade buscar proximidade com
os empresários rurais, oferecendo seu apoio.
Os produtores utilizam apurar o resultado da atividade leiteira conforme
modelo destacado na TABELA 17. Este modelo foi sugerido pelos técnicos da
cooperativa que os auxiliaram na implantação do PRV.
Os itens que compõem o modelo de apuração foram analisados sob a ótica
contábil, no sentido de contribuir, para melhor apurar o resultado da atividade
leiteira, proporcionado uma informação correta e eficiente, que venha contribuir para
a tomada de decisão.
A tabela utilizada é composta por quatro agrupamentos, quantidade de leite
vendida, receita, custo variável e custo fixo.
57
No item 1 - quantidade de leite vendida é a quantidade de leite que a
cooperativa recebe. Para esse controle, seria interessante que o produtor conhecese a quantidade de leite produzida, a quantidade de leite utilizada para alimentar os
bezerros e a quantidade utilizada para consumo da família. A diferença entre a
quantidade produzida e a utilizada na propriedade seria o saldo entregue para a
cooperativa. Na verdade este bloco deveria ser aberto conforme o Anexo 2.
No item 3 – leite consumido pelos bezerros refere-se à quantidade de leite
que os bezerros consumiam, observou-se que na planilha utilizada pelos produtores
algumas vezes era considerado como uma receita e em outro como custo variável,
item 9. Nesse caso, a forma correta de se escriturar esse consumo seria considerar
como receita, uma vez que ele na contabilização na formação do bezerro seria
custo.
A aquisição de animais (item 28) é considerada como custo variável, bem
como os impostos, taxas e Funrual.
A energia elétrica (item 29 e item 37) apresenta-se nos custos variáveis e
fixos. Os investimentos também são considerados como custo.
A depreciação (item 39, 40 e 41) não é calculada corretamente, como
disciplina a legislação. A depreciação deve ser calculada para as matrizes,
reprodutores, móveis, utensílios, máquinas e equipamentos, conforme mostram as
Tabelas 18, 19 e 20.
A planilha encerra-se, sem haver um campo para apurar o resultado do leite,
não identificando se a propriedade obteve lucro ou prejuízo.
O entendimento das atividades de uma pequena propriedade é fundamental
para a obtenção de lucro. As atividades consomem recursos, demandam sacrifícios.
“Quanto me custou levantar este piquete”. Essa frase, dita pelo produtor, mostra o
sacrifício que aquela atividade consumiu. Esse sacrifício é um custo. O lucro é dado
pela fórmula LUCRO BRUTO = RECEITA – CUSTOS.
Antes de tudo, a determinação do custo e, por consequência do lucro, é uma
questão de bom senso e conhecimento da atividade e da propriedade (IUDÍCIBUS,
2004).
58
TABELA 17 – COMPOSIÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS E DESPESAS
ITEM
RECEITA, CUSTOS FIXOS E VARIÁVEIS
1
2
3
4
5
6
7
Quantidade de Leite Vendido
RECEITAS
Leite Consumido pelos Bezerros
Valor do Leite Vendido
Valor da Venda de Animais
Valor de Outras Receitas
TOTAL DAS RECEITAS
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
CUSTOS VARIÁVEIS
Leite Consumido pelos Bezerros
Leite Consumido pela Família
Desinfetantes e Detergentes
Inseminação artificial
Despesas com Veterinário
Medicamentos, vacinas e inseticidas
Ração
Milho
Farelo
Silagem/Feno
Outros Concentrados
Sal Mineral
Combustível e lubrificantes
Aluguel de Máquinas
Pasto – Conservação
Cercas – Manutenção
Adubo Químico
Adubo Orgânico
Calcário
Aquisição de Animais
P1
P2
P3
P4
P5
P6
P7
4.937
9.948
8.574
8.149
7.349
2.087
5.192
2.863,96
2.863,96
5.891,13
490,42
6.381,54
3.844,88
3.844,88
4.548,03
4.548,03
4.110,93
169,17
4.280,09
11,65
1.106,94
85,42
1.204,01
20,67
2.831,33
2.851,99
19,29
55,33
56,33
19,17
76,50
302,58
141,67
59,67
68,17
10,25
76,25
78,33
-
78,08
13,14
19,83
25,08
77,46
56,00
1.281,42
368,83
279,60
243,33
75,76
15,88
68,33
129,29
15,33
16,33
266,67
250,00
12,93
31,13
4,50
139,82
446,99
3,00
127,43
7,12
50,00
74,33
21,29
62,50
-
145,96
35,01
86,42
250,74
360,95
487,50
45,04
171,01
63,33
17,06
73,33
-
33,79
5,54
34,17
57,17
15,53
71,48
939,08
94,58
15,00
84,67
109,17
40,00
37,50
43,92
25,67
42,50
250,00
14,46
16,23
10,08
5,67
43,81
92,83
3,23
12,50
20,90
108,33
4,16
30,83
110,17
20,17
170,33
310,75
302,92
193,17
138,83
120,92
55,17
62,50
52,25
33,67
148,33
-
59
ITEM
RECEITA, CUSTOS FIXOS E VARIÁVEIS
29
30
31
32
33
34
Energia Elétrica
Frete
Impostos e taxas
Funrural
Outras Despesas
TOTAL DOS CUSTOS VARIÁVEIS
35
36
37
38
39
40
41
42
43
CUSTOS FIXOS
Mão-de-obra
Energia Elétrica
Investimentos
Depreciação
Depreciação de matrizes
Depreciação de reprodutores
Exaustão do pasto
TOTAL DOS CUSTOS FIXOS
FONTE: O autor, 2010.
P1
P2
P3
P4
P5
P6
P7
45,58
135,02
73,57
16,50
1.234,21
78,00
108,04
11,16
91,87
82,42
3.651,86
85,83
128,89
41,75
40,61
241,72
1.519,83
107,08
161,86
103,67
45,07
18,41
2.172,44
151,62
62,19
72,66
2.186,23
63,00
80,12
10,42
25,26
11,99
518,83
75,92
124,66
35,58
49,09
152,00
2.191,39
299,26
122,08
421,34
86,85
177,92
56,00
320,76
124,00
124,00
90,00
90,00
732,25
66,67
70,00
868,92
204,98
24,41
136,44
365,84
-
60
5
RECOMENDAÇÕES
Com vistas a organizar melhor a propriedade, sugere-se adotar algumas
práticas de controles gerenciais na toma da decisão.
É fundamental saber que, no século XXI, conhecer mercado; informação;
cadeia e arranjos produtivos; qualidade; sanidade; meio ambiente e globalização são
requisitos básicos para todo produtor.
Para a gestão da propriedade, precisa-se conhecer o objetivo, bem como a
finalidade do uso dos controles gerenciais para mensurar devidamente o consumo
de recurso. Conhecer todas as atividades desenvolvidas na propriedade, as
atividades da “atividade leiteira”. Separá-las é fundamental para obtenção do
resultado individual de cada atividade, inclusive o resultado da “atividade leiteira” e o
resultado total da propriedade.
Para se contabilizar qualquer atividade, precisa-se entender que a
contabilidade é útil de se pensar como uma atividade que envolve três tipos de
atividades: (1) atividades produtivas; (2) atividades de investimento; (3) atividades
financeiras. Dentro desses três tipos de atividades, é importante saber o que é
específico da atividade leite, das outras atividades e o que é da administração da
propriedade.
Os produtores necessariamente devem identificar e separar em sua
propriedade os custos, despesas e investimentos de todas as atividades
desenvolvidas na propriedade e, se possível, organizadas por atividade.
Os custos são todos os gastos ou sacrifícios econômicos relativos à
atividade de produção. Por exemplo, os produtos utilizados na ordenha serão
consumidos com a finalidade de se produzir o leite, ou seja, realizar receita. Sem os
produtos utilizados na ordenha não haveria o leite.
As despesas são todos os gastos que provocam redução no patrimônio do
produtor, por exemplo, os impostos. Esta é uma despesa que diminuirá o caixa do
produtor e não proporcionará nenhuma renda.
Os investimentos são gastos com bens ou serviços, que se incorporam ao
patrimônio da entidade, com vida útil ou de benefícios atribuíveis a períodos futuros.
Por exemplo, terra, animais, instalações, armazéns, galpões, máquinas e
equipamentos.
61
O desgaste efetivo pelo uso destes bens, pela perda da utilidade, ou seja,
sua vida útil, ou mesmo por ação da natureza ou obsolescência, segundo a Lei n°
6.404/76 (Lei das Sociedades por ações), deverão ser contabilizadas, como
depreciação, amortização e exaustão, conforme o tipo do bem. A vida útil do bem ou
direito está diretamente relacionada com o período em que ele será utilizado na
propriedade (CREPALDI, 2010).
A duração estimada da vida útil das construções e melhoramentos
realizados em propriedades agropecuárias está listada no ANEXO 05. A duração
média de máquinas e implementos utilizados pelos produtores rurais está destacada
no ANEXO 06.
A próxima sugestão é apurar o resultado da atividade leiteira. Com as
informações devidas, os produtores poderão elaborar controles gerenciais para
controlar todo o consumo de recursos em sua propriedade, principalmente os
recursos utilizados por cada atividade desenvolvida na propriedade.
A sugestão seguinte é efetuar a apuração do resultado do exercício. Apurar
o resultado do exercício é o ato de se confrontar as receitas e as despesas do
período, sugere-se efetuar a apuração do resultado para cada atividade executada
na propriedade e, por fim, comparar essas informações, para evidenciar qual
atividade lhe proporciona melhor resultado, qual consumiu mais recursos. E estas e
outras informações podem ser obtidas com os controles gerencias, que o auxiliará
na busca por mais informações a respeito do consumo de recursos e
consequentemente compará-los.
Com a contabilidade, uma empresa rural se caracteriza, pela capacidade de
acompanhar a evolução do setor, controlar os custos, diversificar as atividades e
comparar os resultados, isso através dos controles gerenciais que permitem ao
proprietário planejar e controlar sua atividade, favorecendo a tomada de decisão
(CREPALDI, 2010).
As receitas são os valores provenientes da exploração de uma determinada
atividade. No caso da atividade leiteira, a receita será o valor obtido pela venda do
leite, ou seja, ao entregar o leite à cooperativa, o produtor receberá uma importância,
este valor será sua receita.
Para facilitar a apuração do resultado, recomenda-se utilizar o modelo
proposto no ANEXO 2, o qual consiste numa planilha simples e objetiva para se
apurar o resultado da atividade leiteira.
62
Primeiramente evidenciar a quantidade de leite produzida, menos a
quantidade de leite consumida pela família, menos o consumo dos bezerros, obterse-ia a quantidade vendida.
Segundo, apurar o valor da receita do período. Venda do leite, mais a venda
de mais algum outro produto, por exemplo, a quantidade de leite consumido pelos
bezerros, que para a atividade leiteira é uma receita, uma vez que este valor será
incorporado no custo do bezerro alimentado.
Com isso, obtém-se a receita bruta da atividade leiteira.
Em seguida, apuram-se os custos variáveis e os custos fixos. O ideal seria o
produtor adotar um controle gerencial para o consumo de cada custo utilizado no
processo.
Em relação aos custos fixos, em específico para a depreciação, recomendase efetuar um controle gerencial para os bens utilizados na atividade leiteira,
registrando o valor de aquisição, data de aquisição e calcular sua depreciação
observando a vida útil de cada bem, para isso, utilize os ANEXOS 04, 05 e 06.
Efetuar esse controle para todas as atividades executadas na propriedade,
relacionando os bens utilizados em cada uma delas.
Assim, ter-se-ia o total das receitas menos o total dos custos (variáveis e
fixos), obtendo o lucro bruto.
O lucro bruto menos as despesas operacionais, que são as despesas
incorridas, que serão usufruídas por todas as atividades, por exemplo, as despesas
administrativas e as despesas de escritório. Com isso, apura-se o resultado do
período, seja, lucro ou prejuízo.
Conforme o ANEXO 3 recomenda-se efetuar a apuração de todas as
atividades em uma só planilha, para apurar o resultado geral da propriedade, para o
produtor comparar os resultados individualmente para cada atividade.
Vale ressalvar a importância de se verificar todos os custos incorridos por
atividade, durante todo o processo, para verificar se os mesmos foram aplicados de
forma correta, não havendo desperdício.
Recomenda-se o controle do fluxo de caixa para cada atividade
desenvolvida, para monitorar a entrada e saída de dinheiro, apurar o resultado
financeiro da atividade, e comparar se esta é rentável financeiramente para a
propriedade.
63
O produtor pode adotar a quantidade de controle gerencial que ele julgar
necessária para controlar o consumo de recurso em todas as fases do processo;
aquisição de animais; controle sanitário; alimentação; inseminação; troca de
piquetes; ordenha; quantidade produzida de leite; quantidade entregue a
cooperativa; compra de insumos etc.
Enfim, quanto mais controle o produtor obter, mais informação sobre sua
propriedade ele terá, contribuindo para o acompanhamento das atividades e
comparar estes números ao longo dos períodos.
O pesquisador se compromete a realizar um seminário com os produtores
rurais de leite que utilizam o método PRV na região de Pinhalzinho. Esse
compromisso se faz necessário para esclarecer aos produtores a importância de se
organizar a propriedade através das práticas de controles gerenciais, e de se efetuar
a mensuração de todos os gastos e de recursos consumidos na propriedade. No
intuito de tornar sua propriedade mais eficiente e rentável, contribuindo para
melhorar a qualidade de vida e a permanência de sua família na região.
64
6
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa proporcionou conhecer a realidade vivida por pequenos
produtores rurais da região de Pinhalzinho, Oeste de Santa Catarina, onde a
produção de leite é uma prática desenvolvida há muito tempo, e ao longo dos anos
veio se aperfeiçoando, principalmente pela adoção de novos métodos de pastoreio,
que é o caso do PRV, um método ecologicamente correto que tem potencial para
agregar valor à produção de leite da região, e que, consequentemente, melhora a
qualidade de vida dos produtores e de sua comunidade.
A empresa rural é um grande nicho de pesquisa a ser explorado pela
contabilidade, principalmente pela adoção de práticas de controles gerenciais, a qual
pode proporcionar conhecimento aos produtores que ainda se utilizam de suas
experiências de vida para gerenciar suas propriedades. Essa situação foi
presenciada no estudo, no qual dois produtores rurais, que utilizam o PRV há vários
anos, tinham parado de utilizar os controles adotados pela cooperativa, e por
motivos particulares tinham parado de fazer a escrituração.
Após o esclarecimento da importância da utilização das práticas de controles
gerenciais na propriedade, estes produtores se comprometeram a voltar a escriturar
os controles e utilizá-los como ferramenta gerencial para a tomada de decisão.
E por se tratar de pequenas propriedades, ressalta-se a necessidade de se
controlar todos os gastos e consumo de recursos na propriedade, contabilizando
todos os fatos ocorridos, para que o produtor tenha conhecimento do real resultado
de sua atividade e até mesmo de sua propriedade. Contudo, o produtor deverá
buscar um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, o que lhe proporcionará
um maior resultado.
Entretanto, o produtor que adotar as práticas de controle gerenciais em sua
propriedade conseguirá melhorar seus resultados, promovendo a manutenção
destes produtores em suas propriedades, proporcionando uma melhor qualidade de
vida para a família e a comunidade.
Ressalta-se que esta pesquisa não procurou esgotar o assunto aqui
proposto. Destaca-se o grande desafio que foi conhecer a realidade vivida pelos
produtores da região Oeste de Santa Catarina, e propor um modelo contábil como
forma de melhorar os resultados da organização rural.
65
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72
ANEXOS
73
ANEXO 1 - PRINCIPAIS VERIFICAÇÕES A RESPEITO DOS RECURSOS
DISPONÍVEIS E DAS CONDIÇÕES DE MERCADO
Principais verificações a respeito dos
recursos disponíveis
Qual é a composição do solo da região em que
se encontra a empresa rural, sua cobertura, e
que tipo de cultura e/ou criações são
recomendáveis com tais condições.
Qual é a topografia da região e quais culturas ou
criações, no espectro de culturas e criações
recomendáveis.
Considerando que cada tipo de cultura e/ou
criação tem uma diferente exigência de
disponibilidade de água, quais são as culturas
e/ou
criações
mais
adequadas
às
disponibilidades de água existentes.
Quais, entre as culturas e/ou criações possíveis
e recomendáveis para as disponibilidades de
água, são as mais adequadas às condições
climáticas da região.
Qual a aptidão histórica regional, tendo em vista
que a maior parte dos serviços de apoio e
mesmo a capacitação da mão-de-obra estejam
voltados para a produção de alguns tipos de
cultura ou criação.
Qual a possibilidade de se obter uma economia
de escopo, isto é, implementar a cada uma das
culturas ou criações recomendáveis com culturas
e/ou criações que lhe são complementares na
cadeia alimentar ou biológica.
Que outras culturas, no caso de haver várias
alternativas
de
culturas
recomendáveis,
poderiam ser intercaladas a elas.
Qual a disponibilidade de insumos como
sementes ou matrizes, origem e qualidade,
custos de compra e transporte.
Qual a necessidade de investimento mínimo em
infra-estrutura para constituição de cultura ou
criação.
Qual o máximo capital disponível, considerados
os recursos próprios e a passível captação no
mercado.
Quais seriam, dadas todas as condicionantes
anteriores, os possíveis índices de produtividade
de cada cultura ou criação ou combinação, de
acordo com cada variedade disponível para o
produto.
Fonte: Scarpelli (2001, p. 302-305)
Principais verificações a respeito das
condições de mercado
Qual a possível escala de produção do
empreendimento individual ou coletivo na forma
de cooperativas, de modo a viabilizar por
exemplo a distribuição nacional do produto e
mesmo sua exportação.
Se há cadeias de produção coordenadas para os
produtos recomendáveis.
Se houver, se as quantidades mínimas exigidas
pelo elo sucessor da cadeia são compatíveis
com a produção máxima possível da empresa
rural, considerando o potencial natural dos
recursos disponíveis.
Se não houver cadeias coordenadas para os
produtos recomendáveis é necessário avaliar o
comportamento histórico da produção e preços,
para ter uma idéia do possível retorno bem como
os riscos do investimento, e os mecanismos de
venda.
É necessário considerar, quando da avaliação
dos indicadores de preço e produção, as safras e
entressafras dos produtos, e estar atento às
possíveis influências da superprodução de um
período no outro ou, inversamente, da quebra de
um período nas necessidades acumuladas do
outro.
É necessário considerar, especialmente no caso
de cadeias não coordenadas, se as opções de
produtos recomendáveis são de culturas perenes
ou temporárias e, no caso de criações, se são de
longo ou curto ciclo.
74
ANEXO 2 – PLANILHA DE APURAÇÃO DO RESULTADO DA ATIVIDADE
LEITEIRA
APURAÇÃO DO RESULTADO DA ATIVIDADE LEITEIRA
PRODUTOR:
ANO:
MÊS:
PRODUÇÃO DE LEITE
Quantidade produzida
Quantidade Consumida – família
Quantidade Consumida – bezerros
Quantidade Vendida
1. RECEITAS
Venda de Leite
Venda de outros produtos
RECEITA BRUTA
2. CUSTO VARIÁVEIS
Mão-de-obra para manejo do rebanho
Concentrados (ração, milho e farelo de soja)
Sal Mineral
Forragens Verdes
Silagem
Outros (alimentos para o rebanho)
Medicamentos
Material de Limpeza
Inseminação Artificial
Transporte de Leite
Energia
Combustível
Funrural
Reparos em Benfeitorias
Reparos em Máquinas e Equipamentos
TOTAL
3. CUSTOS FIXOS
Depreciação
Remuneração do Capital Fixo
TOTAL
4. CUSTO TOTAL (2 + 3)
5. LUCRO BRUTO (1 - 4)
6. DESPESAS OPERACIONAIS
Despesas Administrativas
Despesas de escritório
TOTAL
7. RESULTADO DO PERÍODO (5 - 6)
Fonte: Adaptado de Crepaldi (2010)
MÊS:
MÊS:
MÊS:
75
ANEXO 3 – PLANILHA DE APURAÇÃO DO RESULTADO DA ATIVIDADE
LEITEIRA
APURAÇÃO DO RESULTADO DAS ATIVIDADES DA PROPRIEDADE
PRODUTOR:
ANO:
MÊS: MÊS: MÊS: MÊS:
1. PRODUÇÃO DE LEITE
1.1 Vendas
1.2 ( - ) Custos Fixos
1.3 ( - ) Custos Variáveis
1.4 ( = ) RESULTADO BRUTO NA PRODUÇÃO DE LEITE
2. PRODUÇÃO AGRÍCOLA
2.1 Vendas
2.2 ( - ) Custos Fixos
2.3 ( - ) Custos Variáveis
2.4 ( = ) RESULTADO BRUTO NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA
3. PRODUÇÃO DE FRANGOS
3.1 Vendas
3.2 ( - ) Custos Fixos
3.3 ( - ) Custos Variáveis
3.4 ( = ) RESULTADO BRUTO NA PRODUÇÃO DE FRANGO
4. PRODUÇÃO DE SUÍNOS
4.1 Vendas
4.2 ( - ) Custos Fixos
4.3 ( - ) Custos Variáveis
4.4 ( = ) RESULTADO BRUTO NA PRODUÇÃO DE SUÍNOS
5. OUTRAS RECEITAS
5.1 Vendas
5.2 ( - ) Custos Fixos
5.3 ( - ) Custos variáveis
5.4 ( = ) RESULTADO BRUTO COM OUTRAS
6 TOTAL DAS RECEITAS ( 1.1 + 2.1 + 3.1 + 4.1 +5.1)
7 ( - )TOTAL DOS CUSTOS FIXOS ( 1.2 + 2.2 + 3.2 + 4.2 +5.2)
8 ( - ) TOTAL DOS CUSTOS VARIÁVEIS ( 1.3 + 2.3 + 3.3 + 4.3 +5.3)
9 ( = ) RESULTADO TOTAL BRUTO ( 6 - 7 - 8)
10. DESPESAS OPERACIONAIS
Despesas administrativas
Despesas de escritório
TOTAL DAS DESPESAS OPERACIONAIS
11. RESULTADO DO PERÍODO (9 - 10)
Fonte: Adaptado de Crepaldi (2010)
76
ANEXO 4 – VIDA MÉDIA PRODUTIVA DE ALUNS ANIMAIS
ANIMAIS
Criação
Bovinos – Reprodutor
Bovinos – Matrizes
Suínos
Trabalho
Burro de tração
Cavalo de Sela
Boi de carro
FONTE: MARION (2010, p. 53)
VIDA MÉDIA PRODUTIVA EM
ANOS
TAXA DE
DEPRECIAÇÃO
8
10
4
12,5%
10,0%
25,0%
12
8
5
8,3%
12,5%
20,0%
77
ANEXO 5 – ESTIMATIVA
MELHORAMENTOS
DA
VIDA
ÚTIL
CONSTRUÇÕES E MELHORAMENTO
Construções
Parede de tijolos, coberta de telha
Parede de madeira, coberta de telha
Parede de barro, coberta de telha
Parede de barro, coberta de sapé
Piso de tijolo, cimentado
Melhoramentos
Linha de força e luz, telefone com postes de madeira
Linha de força e luz, telefone com postes de ferro ou concreto
Cercas de pau-a-pique
Cercas de arame
Rede de água (encanamentos)
Cerca elétrica
FONTE: MARION (2010, p. 52)
DAS
CONSTRUÇÕES
E
VIDA ÚTIL EM
ANOS
TAXA DE
DEPRECIAÇÃO
25
15
10
5
25
4,0%
6,7%
10,0%
20,0%
4,0%
30
50
10
10
10
10
3,3%
2,0%
10,0%
10,0%
10,0%
10,0%
78
ANEXO 6 – ESTIMATIVA DA VIDA ÚTIL DAS MÁQUINAS E IMPLEMENTOS
MÁQUINAS E IMPLEMENTOS
Máquinas
Tratores de roda
Tratores de esteira
Microtrator
Caminhão
Carroça
Carro de bois
Carreta de trator
Implementos
Ancinho
Arado de disco e aiveca
Grade de discos
Carreta de pneus
Semeadeira de linhas
Semeadeira de grãos miúdos
Cultivador
Plaina
Colhedor de algodão
Colhedor de milho
Combinada automotriz
Combinada rebocada
Grade de dentes e de molas
Colhedeira de forragens
Ceifadeira
Plantadeira
Bico de pato
Máquina de café
Máquina de debulhar milho
Desintegrador
Picadeira de forragem
Motores Elétricos
Serraria
Pulverizador
Ensiladeira
Polvilhadeira
Ordenhadeira
Carrinho de terreiro
Roçadeira
Encerado
Secador de cereais
Saco de Colheita
Adubadeira
Jacá
Riscador
Rodo
Arreio
FONTE: MARION (2010, p. 53-54)
VIDA ÚTIL EM
TAXA DE
ANOS
DEPRECIAÇÃO
10
10
7
5
10
10
15
10,0%
10,0%
14,3%
20,0%
10,0%
10,0%
6,7%
12
15
15
15
15
20
12
15
8
10
10
10
20
10
12
10
5
10
10
20
15
15
20
10
7
10
10
8
10
6
10
3
8
2
6
2
6
8,3%
6,7%
6,7%
6,7%
6,7%
5,0%
8,0%
6,7%
12,5%
10,0%
10,0%
10,0%
5,0%
10,0%
8,3%
10,0%
20,0%
10,0%
10,0%
5,0%
6,7%
6,7%
5,0%
10,0%
14,3%
10,0%
10,0%
12,5%
10,0%
16,7%
10,0%
33,3%
12,5%
50,0%
16,7%
50,0%
16,7%
79
APÊNDICE
80
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO NA PESQUISA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ – UFPR
SETOR DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADA
MESTRADO EM CONTABILIDADE
PESQUISA PARA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO:
1. PERFIL DO PROPRIETÁRIO:
1.1 Nome: __________________________________________________________________
1.2 Naturalidade (onde nasceu): ________________________________________________
1.3 Número de Filhos: ______ Homens ______ Mulheres
1.4 Colaboradores na atividade rural: ______ Homens ______ Mulheres
Tipo de colaboração
(___) Pessoas da Família
(___) Contratado - Função ____________________
(___) Diarista
(___) Outros _______________________________
2. CARACTERIZAÇÃO DA PROPRIEDADE:
2.1 Nome da Propriedade: ______________________________________________________
Endereço: ________________________________________________________________
2.2 Município: ________________________________________________________________
2.3 Como foi a mudança para o PRV:
2.3.1 ( ) Extensivo direto para o PRV
2.3.2 ( ) Extensivo, Piqueteado e confinamento
2.4 Qual o tamanho da propriedade: (______) hectares
2.5 Qual era o tamanho da propriedade, antes da implantação do PRV: (______) hectares
2.6 A quanto tempo moram na propriedade: (______) anos
3 GESTÃO DA PROPRIEDADE
3.1 Quais os controles (anotações) utilizados e sua freqüência:
Controle
No PRV
Dia Sem Mês Ano
Produção de Leite individual por vaca
Produção de Leite total
Entrega do Leite ao laticínio
Preço de custo por litro do Leite
Preço pago por litro do Leite
Troca de piquete
Consumo de ração
Outros alimentos (silagem,feno,cana)
Compra de equipamentos
Manutenção dos Equipamentos
Compra de Gado
Venda de Gado
Nascimento de bezerros
Tratamento de doenças
Assistência técnica
Mão-de-obra
Energia Elétrica
Despesas com a Ordenha
Controle de Pagamentos
Controle de recebimentos
Controle das contas a pagar
IR
Dia
Antes do PRV
Sem Mês Ano
IR
81
3.2 Quando realiza algum investimento na atividade leiteira, como por exemplo, na compra ou na
vendeu de vacas, na compra de um resfriador ou ordenhadeiras, etc., você analisou algum de seus
controles financeiros para tomar esta decisão?
( ) Não
( ) Sim
4. DADOS DAS ATIVIDADES
4.1 Ha quanto tempo utiliza sistema PRV:
(_____) anos
4.2 Quantas pessoas trabalham na produção do leite pelo método PRV (manejo, ordenha, cuidados
com o gado e o pasto, etc):
(_____) Pessoas
4.3 E antes da implantação do método PRV, quantas pessoas trabalhavam na produção do leite
(manejo, ordenha, cuidados com o gado e o pasto, etc):
(_____) Pessoas
4.4 Quantas horas (média diária) de trabalho é gasto por dia na produção leiteira pelo método PRV
(manejo, ordenha, cuidados com o gado e o pasto, etc):
(____) horas
4.5 E antes da implantação do método PRV, quantas horas (média diária) de trabalho utilizavam por dia
na produção leiteira (manejo, ordenha, cuidados com o gado e o pasto, etc):
(____) horas
4.6 Quantas horas dura em média cada ordenha: (_____) horas no PRV:
4.7 Qual era o tipo de ordenha antes da implantação do método PRV:
( ) Manual
( ) Mecânica
4.8 Quantas horas durava em média cada ordenha antes da implantação do método PRV:
(_____) horas
4.9 Quantas vacas são ordenhadas em média diariamente:
(_______) vacas
4.10 Qual a raça e quantidade de vacas ordenhadas na propriedade:
(______) Holandesa
(______) Girolando
(_____) Jersey
(______) Mista (Jersey e Holandesa
(______)Outras _____________________
4.11 E antes da implantação do PRV, quantas vacas eram ordenhadas em média diariamente:
(______) vacas
4.12 Possui atividade de :
(
) Não. (
) Sim, para:
(
) Consumo (
) Renda
4.13 Possui atividade de avicultura:
(
) Não. (
) Sim, para:
(
) Consumo (
) Renda
4.14 Possui atividade de agricultura:
(
) Não. (
) Sim, para:
(
) Consumo (
) Renda
4.15 Possui outra atividade:
( ) Não. ( ) Sim, para:
( ) Consumo ( ) Renda
Qual? __________________________________________
4.16 Qual das atividades você considera, financeiramente (renda), sua atividade principal:
( ) Produção de leite
( ) Criação de gado de corte
( ) Criação de frango
( ) Agricultura
( ) Criação de suínos
( ) Outra (Qual?)_____________________
1 = Atividade principal 2 = segunda atividade 3 = Terceira atividade
4.17 Qual das atividades você considera, a que consome maiores custos (Despesas R$):
82
( ) Produção de leite
( ) Criação de gado de corte
( ) Criação de frango
( ) Agricultura
( ) Criação de suínos
( ) Outra (Qual?)_____________________
1 = Mais custosa 2 = Segunda mais custosa 3 = Terceira
4.18 Qual das atividades você considera, a que lha dá mais trabalho (Horas de trabalho):
( ) Produção de leite
( ) Criação de gado de corte
( ) Criação de frango
( ) Agricultura
( ) Criação de suínos
( ) Outra (Qual?)_____________________
1 = Mais Trabalhosa 2 = Segunda mais trabalhosa 3 = Terceira
4.19 Costuma fazer aplicação de medicamentos preventivos em seu rebanho? (
) Sim (
) Não
4.20 Costuma dar suplementos (silagem ou feno) ao gado leiteiro?
( ) Diariamente
( ) Apenas no inverno
( ) Apenas quando o pasto estiver baixo
( ) Não forneço suplemento ao gado
4.21 Quais os tipos de suplemento utilizado para tratar o gado?
( ) Feno
( ) Silagem
( ) Milho
( ) Aveia
( ) Cana
( ) Outros Especificar _________________
( ) Ração
4.22 Qual o tipo de pastagem utilizado em sua propriedade?
( ) Aveia
( ) Hermatria
( ) Azevém
( ) Quicuio
( ) Braquiária
( ) Trevo
( ) Capim Sudão
( ) Tifton
( ) Grama Nativa
( ) Outros Especificar _________________
4.23 Como é feita a correção (adubação) do pasto?
( ) Mensalmente
( ) Anualmente
( ) Semestralmente
( ) Somente quando é feita análise do solo
4.24 Quais os tipos de adubos utilizados para corrigir o pasto?
( ) Apenas orgânico
( ) Apenas químicos
( )Orgânico, químico em quantidade mínima ( ) Outro Especificar ________________
4.25 Por que o senhor decidiu investir no PRV?
4.26 Quais os fatores que levaram à decisão de investir em no PRV? Como tomou a decisão.
4.27 Sente falta de que informação para decidir investir na propriedade?
ANO:
RECEITAS, CUSTOS FIXOS E VARIÁVEIS
JAN
Quantidade de Leite Vendido
Valor do Leite Vendido
Valor da Venda de Animais
Valor de Outras Receitas
Desinfetantes e Detergentes
Inseminação artificial
Despesas com Veterinário
Medicamentos, vacinas e inseticidas
Sal, rações, farelos e outros alimentos
Combustível e lubrificantes
Aluguel de Máquinas
Pasto – Conservação
Cercas – Manutenção
Adubo Químico
Adubo Orgânico
Calcário
Aquisição de Animais
Energia Elétrica
Frete
Impostos e taxas
Funrural
Mão-de-obra
Investimentos
Depreciação de instalações
Depreciação de matrizes
Depreciação de reprodutores
Fonte: Autor, 2010.
FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
Download

Práticas de controles gerenciais