Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Módulo: Processo de Fabricação IX – PROCESSOS DE SOLDAGEM. 1. Conceitos Fundamentais Da Soldagem; 2. Terminologia da Soldagem; 3. Simbologia da Soldagem; 4. Processos de Brasagem e Soldagem; 4.1 Processo de Soldagem (SMAW) – Soldagem por Eletrodos Revestidos; 4.2 Processos de Soldagem (OFW) – Soldagem Oxiacetilênica; 4.3 Processo de Soldagem (GTAW) – Soldagem por TIG; 4.4 Processo de Soldagem (GMAW) – Soldagem MIG/MAG; 4.5 Processo de Soldagem (SAW) – Soldagem por Arco Submerso; 4.6 Processos de Brasagem, Soldabrasagem e Solda Branda. Prof. L.C.Simei Página 1 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA SOLDAGEM. A SOLDAGEM é um dos processos de fabricação hoje mais utilizados em nível industrial, nas mais variadas aplicações. A utilizamos desde para união microscópica de fios em pequenos circuitos eletrônicos (soldabrasagem seletiva de baixo aporte), até para união de chapas de grande espessura em equipamentos pesados, como as utilizadas em navios, vagões e vagonetas, estruturas metálicas ou em turbinas hidráulicas. Atualmente são usados mais de 50 tipos de processos diferentes de soldagem, nos mais diversos segmentos da indústria e em serviços. Desta forma os métodos de soldagem e as características das juntas soldadas podem ser totalmente diferentes para aplicações específicas ou não. Sem exceção, esta seleção de um processo ideal, dependerá muito de basicamente de 5 (cinco) fatores distintos : I. Geométricos: da forma, espessura e geometria das peças (ou conjuntos) a serem soldados; II. Metalúrgicos: do tipo de material (ou materiais) que se pretende unir – entende-se sempre pelo metal de base e de adição; III. Processo: do tipo de processo de soldagem, dominado industrialmente, comumente utilizado e disponível (máquina, consumível, mão-de-obra qualificada, etc); IV. Desempenho: do desempenho esperado para com o processo e para com os componentes soldados frente às condições de serviço e as solicitações de carga (estáticas e/ou cíclicas); V. Custo: do custo total do processo, envolvendo treinamento de pessoal, condições de segurança, materiais, etc. A soldagem é o melhor método para fixação de duas peças metálicas? Podemos refletir em cima de algumas das vantagens e desvantagens com relação a outros meio de união mais utilizados na indústria: Vantagens: Juntas de integridades e eficiências elevadas; Grande variedade de processos; Aplicável em diversos materiais (quando compatíveis); Operação manual ou automática; Prof. L.C.Simei Página 2 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Pode ser altamente portátil; Juntas podem ser isentas de vazamentos (estanques); Custo em geral, razoavelmente baixo; Junta não apresenta problemas de perda de aperto; Não existem problemas de corrosão por frestas; Uniformidade da união/junta. Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Desvantagem: Não pode ser desmontada; Pode afetar microestrutura e propriedade das partes (ZAT); Pode causar distorções e tensões residuais; Requer considerável habilidade do operador; Requer qualificação de mão-de-obra; Pode exigir operações auxiliares de elevado custo e duração (ex: tratamento térmico); Estrutura final é única e pode ser sensível a falha total; Em alguns tipos de materiais e em algumas aplicações, requer qualificação do processo e dos consumíveis; Necessidade de compatibilidade de materiais de base; Necessidade de fontes externas de energia. Histórico A história da soldagem mostra que desde as mais remotas épocas, muitos artefatos já eram confeccionados utilizando recursos de brasagem, tendo sido descobertos alguns com mais de 4000 anos; a soldagem por forjamento também tem sido utilizada há mais de 3000 anos. A técnica da moderna soldagem começou a ser moldada a partir da descoberta do arco elétrico, bem como também a sintetização do gás Acetileno no século passado, o que permitiu que se iniciassem alguns processos de fabricação de peças, utilizando estes novos recursos. Com o advento da Primeira Guerra Mundial, a técnica da soldagem começou a ser mais utilizada nos processos de fabricação; a Segunda Guerra Mundial imprimiu grande impulso na tecnologia de soldagem, desenvolvendo novos processos e aperfeiçoando os já existentes. Abaixo, um resumo cronológico da história da soldagem: Prof. L.C.Simei Página 3 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° SOLDAGEM é um termo genérico aplicado à um processo de fabricação, utilizado na união de peças metálicas (ou não), tendo como princípio termodinâmico básico a transformação das superfícies de união em estado líquido (poça de fusão), utilizando-se para isso de calor ou pressão, ou ambos simultaneamente, e com a posterior solidificação desta poça fundida. A SOLDA é o produto da soldagem, isto é, a junta resultante da operação de soldagem. As 4 (quatro)* principais fontes diretas de calor mais comuns, utilizadas na soldagem, são as seguintes: I. Chama – produzida pela combustão de um gás combustível com ar ou oxigênio. II. Arco elétrico - produzido entre um eletrodo e as peças a soldar, ou entre dois eletrodos. III. Resistência elétrica – oferecida pela passagem de corrente entre duas ou mais peças a soldar. IV. Pressão – oferecida pelo exercício de uma pressão de atrito entre os dois materiais. * Há, porém outras formas de soldagem quanto ao tipo de fonte de calor disponíveis no mercado, contudo as mesmas não serão abordadas nesta disciplina. Prof. L.C.Simei Página 4 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 1. Estrutura Atômica na União. Figura 2. Partes de Uma Junta Soldada Material de Base: É o material que constitui as partes a unir (o metal de cada lado de uma junta). Material de Adição: É o material que será usado como enchimento no processo de soldagem, capaz de preencher as folgas entre as superfícies a unir. O material Prof. L.C.Simei Página 5 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° adicional é de mesma natureza* das partes e será usado para assegurar a continuidade de propriedades, no caso da soldagem por fusão. Zona Afetada pelo Calor (ZAC ou ZAT): É a porção de metal, adjacente a região soldada, afetada pelo calor do processo de soldagem, onde ocorre as principais transformações de fases, e decorrente destas, as descontinuidades. Linha de Interface: Linha exata que se sucedeu a soldagem (linha limite da ZAC ou ZAT). Figura 3. Diagrama Fe-C, rebatido em uma junta soldada. Prof. L.C.Simei Página 6 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 4. Macrografia de uma junta de topo, com chanfro em ―X‖, atacada com solução de NITAL a 5%. Prof. L.C.Simei Página 7 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 5. Micrografia (x400) de uma Junta de Topo, Indicando microestruturas ao Longo da Solda. Nos processos de soldagem em geral, são influenciados diretamente por alguns fatores adicionais, que devem ser atentados, afim de que obtenhamos sucesso no resultado final do processo, a solda. São exatamente 4 (quatro) fatores de influência, quais podem vir a afetar negativamente (ou positivamente) uma operação de soldagem. Todos os fatores abaixo são levados em conta de uma seleção prévia do processo. São os fatores: Energia de Soldagem (relativo ao processo); Tensões Residuais; Prof. L.C.Simei Página 8 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Parâmetros de Soldagem (relativo ao processo); Soldabilidade do Metal de Base. Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Energia de Soldagem (Relativo ao processo); Os principais tipos de soldagem – no estado sólido ou por fusão – são classificados quanto à natureza da energia utilizada para promover a ligação metalúrgica, ao tipo de processo e com indicações de intensidade da fonte de energia de soldagem. A esta intensidade de calor da fonte, damos o nome de energia de soldagem (ou aporte térmico). O conceito de energia de soldagem (E) – é quantidade de energia térmica transferida à peça por unidade de tempo, sobre a unidade de área (geralmente expressa por J/mm²). A energia de soldagem é uma característica do processo de soldagem e da técnica empregados. Os processos de soldagem do tipo arco submerso (SAW) ou eletroescória (ESW), por exemplo, possuem inerentemente elevada energia de soldagem, enquanto processos muito intensos, no fator de aporte de calor, onde a área de aquecimento para fusão é pequena, como plasma (PAW) ou TIG (GTAW), são considerados de baixa energia. Quanto mais alto for a energia de soldagem (aporte de calor), maior será a quantidade de energia calorífica transferida à peça, maior a poça de fusão, mais larga a zona aquecida e menor o gradiente térmico entre a solda e o metal de base. A energia de soldagem (ou aporte térmico, ou aporte de calor) tem relação também com o tamanho da poça de fusão e com a área das regiões aquecidas, e deve ser controlado na soldagem de ligas especiais. Figura 6. Escoamento do Calor do Carão na Chapa. Prof. L.C.Simei Página 9 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 7. Exemplificação do Escoamento do Calor ao Longo da Junta. O conceito de energia de soldagem (ou aporte térmico) é muito importante no estudo dos aspectos térmicos da soldagem, e dos fenômenos diversos que ocorrem (defeitos, distorções, etc.). A energia de soldagem E também é conhecida como aporte de calor, ou aporte térmico H do inglês ―Heat Input”. O cálculo da energia de soldagem pode ser expresso através da relação: Tensões Residuais. As operações de soldagem por fusão (sem exceção), criam tensões residuais que resultam da dilatação e contração do metal aquecido e da distribuição não uniforme de temperaturas, que caracteriza-se na operação. Prof. L.C.Simei Página 10 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° O metal de solda e a zona termicamente afetada (ZAT), próxima à zona de ligação, são aquecidos em temperaturas muito maiores do que o metal de base. Há então um gradiente de temperatura bem desuniforme ao longo da junta soldada, qual caminha com direção do centro do cordão ao metal de base. Durante o aquecimento, devido às restrições físicas do restante do material não aquecido (metal de base), ocorre progressivamente na zona termicamente afetada uma compressão e deformação plástica localizada para acomodar sua dilatação. Figura 8. Demonstrativo do Progresso do Calor ao Longo da Junta. Prof. L.C.Simei Página 11 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Na medida em que a poça de fusão se solidifica, e posteriormente se resfria, começa a ocorrer (devido à forte concentração de tensão induzida pelo calor) uma volta elástica das regiões plastificadas, seguido de um tensionamento em formato de tração. Este tensionamento, que permanece residual, pode atingir valores tão elevados quanto o limite de escoamento do metal de base, e logicamente da zona termicamente afetada (ZAT). Entre os grãos do metal, chamamos este estado de tensionamento de: estado triaxial de tensões (no grão do metal, há a incidência de tensão entre os 3 eixos – x, y e z) Os principais defeitos de origem metalúrgica (trincas), provenientes da operação de soldagem, ocorrem sempre pela associação das tensões residuais e susceptibilidade ao trincamento do metal de base. Essas trincas podem ocorrer em altas temperaturas (trincas a quente); ou em baixas temperaturas (trincas a frio). Há inúmeros tipos de trincas e fatores de trincamento. A este tipo de trincas consideramos trincas mecânicas. Figura 9. Forças Contrárias que Ocorrem no Ato de Solidificação de Uma Junta Soldada. Prof. L.C.Simei Página 12 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 10. Forças de Contração de Uma Junta Soldada. Figura 11. Imagem de um conjunto soldado, onde pelo excesso de solda, e conseqüentemente pelo excesso de tensões residuais, levou a trincar prematuramente. Prof. L.C.Simei Página 13 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° As tensões residuais podem ainda gerar problemas de estabilidade dimensional (distorções), empenamentos, ruptura de elementos. Muitas vezes são a causa de falha prematura em juntas soldadas, com ocorrências graves de defeitos. Alguns fatores como: Intertravamento de estruturas; Estruturas pesadas, de grandíssimo porte, com juntas mal dimensionadas; Estruturas hiperestáticas; Anéis e/ou placas circulares com soldas de topo; Devem ser estudadas minuciosamente, e deve-se ainda, quando necessário, procurar formas de alívio e/ou espaço para contração, evitando assim uma susceptibilidade de acumulo das tensões externas, diminuindo a soma das tensões residuais da junta soldada. Soldabilidade. A soldabilidade é uma propriedade inerente do material, oriunda de características metalúrgicas, que representa a facilidade com que este material pode ser soldado. Apesar da difícil quantificação, é fácil perceber que um material que exige procedimentos de soldagem mais complexos apresenta difícil soldabilidade. Os principais problemas que se traduzem em má soldabilidade, e que podem levar o material a falhas durante a soldagem, ou quando esta em serviço (em operação após a soldagem) apresenta natureza metalúrgica e estão relacionados à formação de trincas durante ou após o procedimento de soldagem. Estas trincas, diferentemente das trincas ocasionadas por tensões residuais, tem natureza similar para com todos os materiais, e que podem ser classificadas como: TRINCAS A QUENTE e TRINCAS A FRIO. Ao criarmos um determinado procedimento de soldagem, a soldabilidade deve ser levada em consideração primordial, e devemos atentar aos conceitos genéricos sobre: As características inerentes a cada região do conjunto soldado; A estrutura dos metais de base; Os consumíveis (gases, eletrodos, cobre-juntas); Os principais problemas metalúrgicos que podem surgir em materiais metálicos e suas causas. É muito importante ressaltar que qualquer tipo de trinca que possa ocorrer durante a soldagem ou durante o serviço é função do nível de tensões aplicadas + tensões residuais de soldagem, e que procedimentos para aliviar tensões serão sempre recomendados em materiais de pequena capacidade de deformação plástica. Prof. L.C.Simei Página 14 Faculdade Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Na soldagem de aços ligados (de média e alta liga), há a necessidade de atenção especial, no que tange a suscetibilidade de ocorrência de Trincas a frio e Trincas a Quente. Nestes aços, é comum a aplicação de uma formula para avaliar esta soldabilidade: As Fórmulas de Carbono Equivalente (CE). Estas fórmulas são comumente usadas para estimar a necessidade de cuidados especiais na sua soldagem (pré ou pós-aquecimento, ou ambos), afim de obter-se uma junta isenta de anomalias e defeitos. Uma expressão de CE muito difundida pode ser como a abaixo: Preferencialmente, o CE deve ser calculado para a composição real do aço a ser trabalhado. Quando esta composição não é conhecida, os teores máximos na faixa da especificação do aço devem ser considerados por segurança. Ex: Um metal base é considerado facilmente soldável com o processo SMAW quando CE < 0,40. Acima deste nível, cuidados especiais são necessários. Processos de soldagem de baixo hidrogênio devem ser usados e pode ser necessário préaquecer a junta. Quando CE > 0,60, deve-se usar pré-aquecimento para juntas com espessura acima de 20 mm. Quando CE > 0,90, um pré-aquecimento a uma temperatura levada é absolutamente necessário para todos os casos, exceto para juntas de muito pequena espessura. MATERIAIS Aço Baixo Carbono Aço Médio Carbono Aço Alto Carbono Aço Inox Aço Liga Ferro Fundido Cinzento Ferro Fundido Nodular Ferro Fundido Branco Alumínio e suas ligas Cobre e suas ligas Soldabilidade Otima Boa Regular X X Má X X X X X X X X X X Tabela 1. Tabela com informações genéricas sobre soldabilidades dos principais metais. Prof. L.C.Simei Página 15 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 2. TERMINOLOGIA DE SOLDAGEM. A terminologia de soldagem é bastante extensa e muitas vezes os termos técnicos que utilizamos em uma região geográfica não são aplicáveis em outras. O próprio nome soldagem é adotado no Brasil, enquanto em Portugal o nome mais utilizado é soldadura; vamos indicar alguns termos mais importantes utilizados. O primeiro termo a ser definido é junta – junta é a região onde duas ou mais partes da peça são unidas pela operação de soldagem. Figura 12. Posição de Soldagem de Juntas de Topo. Figura 13. Posição de Soldagem de Juntas em Angulo. Prof. L.C.Simei Página 16 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 14. Posição de Soldagem de Tubos. Para conseguirmos executar as soldas, na maioria das vezes precisamos preparar aberturas ou sulcos na superfície das peças que serão unidas – estas aberturas recebem o nome de chanfro. O chanfro é projetado em função da espessura da peça, do material, do processo de soldagem a ser adotado, das dimensões da peça e da facilidade de acesso à região de solda. Figura 15. Terminologia das Partes de Junta. Prof. L.C.Simei Página 17 Faculdade Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Figura 16. Terminologia das Partes de Juntas. Figura 17. Terminologia de Soldas Não-Enraizantes, isto é, de Superfície. Prof. L.C.Simei Página 18 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 18. Tipos de Juntas, quanto ao Posicionamento.. Figura 19. Tipos de Chanfros. Prof. L.C.Simei Página 19 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 20.Terminologia de uma Cordão. Figura 21. Passes em um Cordão. Prof. L.C.Simei Página 20 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 3. SIMBOLOGIA DE SOLDAGEM. Em soldagem utilizamos uma série de números, sinais e símbolos que representam a forma do cordão de solda, processo utilizado, dimensões, acabamento, tipos de chanfro, etc.., os quais permitem maior rapidez na confecção de projetos e evitam erros de interpretação. Conforme AWS A 2.4 temos: Figura 22. Terminologia de uma Solda em Angulo. Figura 23. Terminologia de uma Solda de Topo. Prof. L.C.Simei Página 21 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Cada símbolo básico é uma representação esquemática da seção transversal da solda em referência. Quando o símbolo básico é colocado sob a linha de referência, a solda tem que ser feita do mesmo lado em que se encontra a seta; caso contrário, a solda deve ser executada do lado oposto da seta. Mais de um símbolo básico pode ser utilizado de um ou dos dois lados da linha de referência. Figura 24. Simbologia de Soldagem (gráficos). Figura 25. Apêndices de uma Raiz de Simbologia de Soldagem. Prof. L.C.Simei Página 22 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 26. Simbologia de Soldagem (aplicação dos gráficos nas juntas). Figura 27. Simbologia de Soldagem de Cordão Descontinuo. Prof. L.C.Simei Página 23 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 28. Símbolos Complementares. Prof. L.C.Simei Página 24 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 4. PROCESSOS DE BRASAGEM E SOLDAGEM. Como já mencionado, a soldagem é um processo que visa a união localizada de materiais, similares ou não, de forma permanente, baseada na ação de forças em escala atômica semelhantes às existentes no interior do material e é a forma mais importante de união permanente de peças usadas industrialmente. Existem basicamente dois grandes grupos de processos de soldagem: Soldagem no Estado sólido e Soldagem por Fusão. A soldagem no estado sólido envolve basicamente energia mecânica para aproximar a estrutura metalúrgica dos dois materiais de base (sem os óxidos superficiais) e desenvolver uma atração atômica, seja através da ação de fricção, impacto ou pressão. Como exemplo, temos os processos de: soldagem por fricção, soldagem por explosão, soldagem por difusão ou ainda soldagem por laminação. A soldagem por fusão, ocorre com o aumento localizado da temperatura do material até que a temperatura da região onde estão os materiais a serem unidos ultrapasse a temperatura de fusão do metal ou da liga e posteriormente as partes sofram solidificação, mantendo uma continuidade física. Como exemplo, temos os processos de: soldagem a arco, arco plasma, oxi-combustível. Obs: A Brasagem, apesar de não haver fusão do metal de base, tem seu material de adição liquefeito, e por isso é considerada como uma soldagem por fusão. Um grande número de diferentes processos utilizados na fabricação e recuperação de peças, equipamentos e estruturas é abrangido pelo termo SOLDAGEM. Classicamente, a soldagem é considerada como um método de união, porém, muitos processos de soldagem ou variações destes são usados para a deposição de material sobre uma superfície, visando a recuperação de peças desgastadas ou para a formação de um revestimento com características especiais. Diferentes processos relacionados com os de soldagem são utilizados para o corte ou para o recobrimento de peças. Diversos aspectos dessas operações de recobrimento e corte, são similares à soldagem e, por isso, muitos aspectos destes processos são abordados juntamente com esta. Prof. L.C.Simei Página 25 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 28. Quadro com os Principais Métodos de Soldagem, para com As Fontes de Calor Mais Utilizadas. Prof. L.C.Simei Página 26 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 29. Quadro Resumo dos Principais Métodos de Soldagem. Prof. L.C.Simei Página 27 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Principais Processos de Soldagem. Estima-se que hoje em dia estão sendo utilizados mais de 70 processos de soldagem mundialmente, sendo este um número dinâmico, pois vários outros processos estão em desenvolvimento em nível de pesquisa e projetando para breve novas alterações no mercado de soldagem. Isto implica em grandes controvérsias na classificação dos processos, não havendo uma classificação universalmente aceita para os mesmos. A classificação mostrada na página anterior utiliza o critério de divisão em famílias, envolvendo o fenômeno físico e utilizando para as subdivisões a forma de energia empregada no processo. A seguir, será apresentado alguns dos mais importantes e mais utilizados processos de soldagem. Prof. L.C.Simei Página 28 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 4.1. PROCESSO DE SOLDAGEM SMAW. Soldagem a Arco Elétrico com Eletrodo Revestido (em Inglês Shielded Metal Arc Welding – SMAW), também conhecida como soldagem manual a arco elétrico (MMA), é um processo manual de soldagem que realizado com o calor de um arco elétrico mantido entre a extremidade de um eletrodo metálico revestido e a peça de trabalho. O calor produzido pelo arco elétrico funde o metal, a alma do eletrodo e seu revestimento de fluxo. Os gases produzidos durante a decomposição do revestimento e a escória líquida protegem o metal de solda da contaminação atmosférica durante a solidificação. Devido à sua versatilidade de processo e da simplicidade de seu equipamento e operação, a soldagem com eletrodo revestido é um dos mais populares processos de soldagem. O SMAW é amplamente utilizado na construção de estruturas de aço e na fabricação industrial. O processo é principalmente utilizado para soldar ferro e aço (incluindo o aço inoxidável), mas também podem ser soldadas com esse método: ligas de níquel, bronzes, alumínio, ferrosfundidos e cobre. Figura 30. Processo de Soldagem SMAW. Prof. L.C.Simei Página 29 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 31. Quadro Resumo do Processo SMAW. Na soldagem manual com eletrodos revestidos, estas características compreendem, entre outras: Tipo do eletrodo; Tipo de polaridade; Corrente de soldagem, Tensão de arco; Comprimento do arco; Prof. L.C.Simei Página 30 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Velocidade de soldagem; Técnica de manipulação do eletrodo; Espessura da peça x diâmetro do eletrodo. Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Para um dado tipo de eletrodo, o seu diâmetro define a faixa de corrente em que este pode ser usado – estas informações são geralmente fornecidas pelo fabricante da fonte de soldagem, dos eletrodos, ou ainda por tabelas. A seleção deste diâmetro para uma dada aplicação depende de fatores sensíveis à corrente de soldagem, como: Espessura do material; Posição de soldagem; Facilidade de acesso do eletrodo ao fundo da junta (tipo de junta e chanfro usado). A polaridade é outro fator de influencia direta, não sendo assim considerado um parâmetro da soldagem por eletrodos revestidos SMAW. A disposição da polaridade, entre a peça e o eletrodo, influencia diretamente no fluxo de corrente (fluxo de elétrons), que conseqüentemente tem uma co-influência no aquecimento – efeito Joule. Este aquecimento é sempre intensivo no ponto de partida recebimento do fluxo dos elétrons (pólo positivo), o que vem a afetar, positivamente ou negativamente, no aquecimento, na deposição e desempenho da junta. As polaridades então são definidas como: Polaridade Inversa – Eletrodo positivo, peça negativa; Polaridade Direta – Eletrodo negativo, peça positiva. Prof. L.C.Simei Página 31 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 32. Eletrodo Revestido e Escoria Destacando do Cordão. Prof. L.C.Simei Página 32 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Tabela 2. Tabela das Referências AWS para Eletrodos Revestidos. Os revestimentos apresentam diversas funções, que podem ser classificadas nos seguintes grupos: Funções Elétricas; Funções Metalúrgicas; Funções Mecânicas e Operatórias. Os eletrodos revestidos de soldagem, são classificados quanto ao seu tipo de revestimento, basicamente como: Oxidantes; Ácidos; Rutílicos; Básicos; Celulósicos; Com adição de Pó de Fe (Ferro). Prof. L.C.Simei Página 33 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 33. Classificação de Eletrodo Conforme a AWS. Prof. L.C.Simei Página 34 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Armazenagem e Conservação de Eletrodos. Caso não sejam tomados os adequados cuidados no armazenamento e manuseio, os eletrodos revestidos podem se danificar. Parte ou todo o revestimento pode se danificar, principalmente nos casos de dobra ou choque do eletrodo. Sempre que se observar qualquer alteração no estado do eletrodo, este não deve ser utilizado em operações de responsabilidade. A umidade em excesso no revestimento dos eletrodos (principalmente os básicos), é de uma forma geral, prejudicial a soldagem. Ela pode levar a instabilidade do arco, formação de respingos e porosidades principalmente no início do cordão e a fragilização e fissuração pelo Hidrogênio. O nível de umidade pode ser medido em laboratórios conforme estipulado na norma AWS A5.5-81. Pode também ser estimado praticamente, quando o teor de umidade for suficientemente alto, por duas diferentes maneiras: Verificação do comportamento do eletrodo durante a soldagem. Os eletrodos úmidos, em geral, geram um som explosivo e, quando a umidade for excessiva, haverá, no início da soldagem, desprendimento de vapor d'água do eletrodo. Além disto, ocorrendo a interrupção da soldagem com um eletrodo úmido, o revestimento tende a trincar longitudinalmente. Prof. L.C.Simei Página 35 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Verificação do som produzido pelo choque de dois ou mais eletrodos. Dois eletrodos úmidos ao se tocarem geraram um som mais abafado e grave do que eletrodos secos, que por sua vez produzem um som mais agudo e metálico. O período máximo que se recomenda para que um eletrodo permaneça fora da estufa é 2 (duas) horas. Após este tempo, há o risco de ocorrer absorção excessiva de umidade. Caso isto venha a acontecer, os eletrodos básicos devem ser recondicionados por um tratamento de ressecagem, devendo em seguida retornarem as estufas. Como os eletrodos são produzidos por diferentes fabricantes, é normal se encontrar diferenças nos tempos e temperaturas considerados ideais para a manutenção e ressecagem. Por isto as empresas devem ter procedimentos específicos para a correta armazenagem dos eletrodos levando em conta estas diferenças. Na ausência destes, as recomendações do fabricante podem ser aplicadas diretamente. Todos os tipos de eletrodos inoxidáveis têm que ser cuidadosamente protegidos contra a umidade, principalmente após a abertura do pacote. Em climas úmidos os eletrodos devem ser preferencialmente retirados dos pacotes de plástico e armazenados em uma estufa elétrica na faixa de temperatura 125-150°C. As embalagens abertas contendo eletrodos secos podem ser estocadas em estufas elétricas na faixa de temperatura 70-80°C. Observe que as embalagens de plástico não devem ser aquecidas a uma temperatura acima de 100°C, visto que o plástico derrete a uma temperatura de aproximadamente 120°C. Figura 34. Estufas de Manutenção da Secagem. Prof. L.C.Simei Página 36 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 35. Estufa de Armazenamento e Resecagem. Prof. L.C.Simei Página 37 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 4.2. PROCESSO DE SOLDAGEM OFW. Soldagem por oxi-gás (do Inglês Oxi-Fuel Welding – OFW) é um processo de soldagem por fusão, no qual a união entre os metais é conseguida através da aplicação do calor gerado por uma ou mais chamas, resultantes da combustão de um gás, com ou sem o auxílio de pressão, podendo ou não haver metal de adição. As superfícies dos chanfros dos metais de base e o material de adição quando presente, fundirão em conjunto formando uma poça de fusão única, que após o resfriamento se comportará como um único material. O sistema é simples, consistindo dos cilindros dos gases comprimidos, reguladores de pressão, manômetros, mangueiras, válvulas de retenção e uma tocha de soldagem, com bico adequado; podem ser conseguidas diferentes atmosferas pela variação da quantidade relativa de comburente e combustível. Há uma grande variedade de gases disponíveis para a soldagem a gás, sendo que normalmente o Acetileno é o preferido, tanto pelo custo, como pela temperatura de chama; entretanto outros gases combustíveis são também utilizados, tais como o Butano, Propano, Metano, Etileno, gás de rua, Hidrogênio e ainda as misturas produzidas pelas indústrias de gases. O metal de adição é uma vareta, normalmente especificada para cada caso de soldagem e de um modo geral, para a soldagem de ferros fundidos e metais não ferrosos utiliza-se um fluxo de soldagem, também chamados de fundente, que tem a finalidade de manter a limpeza do metal base na área da solda, bem com ajudar na remoção de filmes de óxidos que se formam na superfície. A soldagem pelo processo oxi-gás oferece várias vantagens: o equipamento é barato e versátil, é ótima para chapas finas, é realizada com pequenos ciclos térmicos, não usa energia elétrica e solda em todas as posições. Em compensação o processo apresenta inúmeras desvantagens tais como: chamas pouco concentradas, o que acarreta grandes zonas termicamente afetadas pelo calor, é necessária grande habilidade do soldador, não é econômica para chapas espessas, tem baixa taxa de deposição, manuseia gases perigosos e o uso de fluxo acaba gerando produtos corrosivos no metal. No processo por oxi-gás, a chama oxiacetilênica é a mais utilizada, portanto vamos conhecer os seus gases: Oxigênio É o gás comburente, apresentando-se inodoro, insípido e incolor e encontrando-se em abundância na natureza. Industrialmente pode ser obtido por liquefação e destilação do ar, reação química ou eletrólise da água. O processo mais usado é o primeiro, sendo o ar inicialmente purificado e em seguida, após várias compressões, expansões e resfriamentos sucessivos, o mesmo é liquefeito. Em uma coluna de destilação e retificação realiza-se a separação dos vários componentes do ar, obtendo-se assim no final oxigênio de alta pureza. A distribuição do Oxigênio para soldagem normalmente é realizada através de cilindros de aço sem costura, sob pressão de 150 Prof. L.C.Simei Página 38 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° kgf/cm2(147,1 bar) ou seja 7000 litros de gás comprimido, em cilindros de 46 litros aproximadamente. Em instalações de consumo elevado de Oxigênio pode-se optar por trabalhar com tanques criogênicos, os quais recebem o Oxigênio líquido; conforme o mesmo for sendo consumido, será vaporizado em evaporadores instalados na saída dos tanques. Outra maneira de fornecimento de Oxigênio que vem sendo adotada por alguns fabricantes baseia-se no fornecimento de uma pequena usina geradora de Oxigênio ao consumidor do gás, o qual passa a ter a responsabilidade da operação e fornecimento de energia à mesma; este processo utiliza a tecnologia de geração de Oxigênio pela passagem do ar através de leito de zircônia e não produz o gás com pureza suficiente para uso medicinal. Acetileno O Acetileno é obtido da reação da água sobre o Carbureto de Cálcio, que por sua vez é produzido em fornos apropriados pela reação entre o Carbono (C) e o Cal (CaO). 3 C + CaO -> CaC2 + CO – 108 Kcal.g/mol CaC2 + 2 H2O -> C2H2 + Ca( OH ) 2 (+ 400 cal/kg CaC2 ) A formação do Acetileno propriamente dito é resultante de uma reação endotérmica reversível, que melhora o rendimento calorífico da chama, mas ao mesmo tempo contribui para aumentar o perigo no manuseio do gás em caso de uma dissociação. 2 C + H2 -> C2H2 – 53.200 cal A produção do Acetileno pode ser realizada no próprio local por meio de geradores (geralmente em pequenas oficinas) ou ser armazenada em cilindros onde o mesmo se encontra dissolvido sob pressão em Acetona líquida, a qual é retida no interior do cilindro em uma massa porosa (carvão vegetal, cimento, amianto e terra infusória). Nestas condições consegue-se armazenar até 11 kg de gás em pressões da ordem de até 18 kgf/cm2 (17,6 bar) com bastante segurança, pois a Acetona consegue dissolver 575 vezes seu próprio volume para cada unidade atmosférica. O Acetileno é um gás que apresenta certa instabilidade sob pressões elevadas e corre o risco de se dissociar, gerando uma grande liberação de calor e podendo explodir; desta forma devese tomar todo o cuidado para que a pressão do mesmo na rede de distribuição não ultrapasse 1,5 bar. Prof. L.C.Simei Página 39 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 36. Instalação de um Posto de Soldagem OFW. Figura 37. Morfologia da Chama OFW. CHAMA NEUTRA OU NORMAL (r=1): Corresponde a uma alimentação do maçarico em volumes iguais de Oxigênio e Acetileno. O cone é branco, brilhante e somente visível através dos óculos de soldador. É a chama utilizada na maior parte dos casos de soldagem, soldabrasagem e aquecimento. Prof. L.C.Simei Página 40 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° CHAMA REDUTORA (r<1): Utilizada para revestimento na soldagem dos aços com o intuito de elevar o percentual de Carbono na zona de soldagem, e isto faz com que abaixe a temperatura de fusão. Esta chama ocorre quando a proporção de Acetileno é aumentada, surgindo assim um cone brilhante que se sobrepõe ao cone normal, e que cresce com o aumento da proporção de Acetileno. Esta chama contem um elevado teor de Carbono e tem o risco de enriquecer o aço com este elemento, tornando-o mais duro e mais frágil. É utilizada na soldagem de ferros fundidos, com pré-aquecimento e fundente, Alumínio e Magnésio também com o uso de fundente e aços-liga ao Cromo e ao Níquel. CHAMA OXIDANTE (r>1): A chama oxidante é resultante da mistura de Acetileno com Oxigênio em excesso, e isto faz com que o cone e a zona de combustão primária se encurtem, com o cone menos brilhante e mais azul; Simultaneamente a zona de combustão secundária fica mais luminosa. Esta chama, rica em Oxigênio, oxida o aço com o risco de formação de porosidades pela reação com o Carbono; normalmente esta chama é utilizada com o uso de fundente para a soldagem de latão, pois o Oxigênio em excesso forma óxido de zinco na superfície da poça que impede a continuidade de reações posteriores, impedindo a contínua volatilização do Zinco, o qual iria se oxidar em seguida na atmosfera. Prof. L.C.Simei Página 41 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 4.3. PROCESSO DE SOLDAGEM GTAW. O processo de soldagem GTAW (do inglês Gas Tungsten Arc Welding), mais conhecido pelo nome de TIG (siga de Tungstênio Inerte Gás), é um processo de soldagem por fusão, a arco elétrico que utiliza o calor gerado pelo arco formado entre o eletrodo de Tungstênio não consumível e a peça que se deseja soldar. A proteção da poça de fusão é conseguida com a adição de um gás inerte ou mistura de gases inertes sobre ela, sendo que o gás também tem a função de transmitir a corrente elétrica quando ionizado durante o processo e ainda auxiliar a resfriar o eletrodo; a soldagem pode ser realizada com ou sem metal de adição. A abertura do arco pode ser facilitada pela sobreposição de uma corrente de alta freqüência, para evitar que se tenha de riscar a peça com o eletrodo de Tungstênio. O arco inicial, obtido pela corrente de alta freqüência, ioniza o gás possibilitando a abertura do arco principal. Esquematização do processo TIG com sobreposição de alta frequência Figura 38. Processo de Soldagem GTAW. Eletrodo Não Consumível (W). O eletrodo não consumível utilizado para soldagem é constituído de Tungstênio puro ou ligado a diversos elementos químicos, pois a presença desses elementos de liga aumenta a capacidade de emissão de elétrons, além de permitir uma maior vida útil ao eletrodo. A classificação AWS A 5.12 apresenta os valores máximos de cada elemento químico: Prof. L.C.Simei Página 42 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Tabela 3. Tabela das Referências AWS A 5.12, para Eletrodos Não Consumíveis TIG. EWP: Este tipo de eletrodo contém um mínimo de 99,5% de W. Oferece boa estabilidade de arco quando usado com corrente alternada. A ponta do eletrodo se mantém limpa com formato arredondado. Também pode ser usado em corrente contínua, mas neste caso não fornece a iniciação de arco e as características de estabilidade que os ligados oferecem. São eletrodos de baixo custo e são usados principalmente para ligas de alumínio e magnésio. No entanto a capacidade de condução de corrente é inferior aos ligados. EW Th: Esses eletrodos oferecem melhor iniciação do arco, pois o óxido de tório melhora a qualidade de emissão de elétrons e tem a capacidade de condução de corrente mais elevada, em cerca de 20% em relação ao de tungstênio puro. Normalmente tem uma vida mais longa. Esses eletrodos foram desenvolvidos para as aplicações CCPD. Mantêm uma configuração de ponta afiada durante a soldagem. Raramente são usados em corrente alternada pela dificuldade de manter a ponta arredondada. EW Ce: Foram introduzidos no mercado americano nos anos 80, para substituir os eletrodos com Tório, pois o Cério não é um elemento radioativo e é elemento abundante da família dos ‖terras raras‖. Em relação aos eletrodos de tungstênio puro, apresentam mais facilidade para abrir o arco, oferecem melhor estabilidade de arco e reduz o ―burn-off‖. Os eletrodos EW Ce-2 operam com CA e CC em ambas polaridades. EW La: Os eletrodos de tungstênio ligados com Lantânio foram desenvolvidos na mesma época daqueles com Cério pela mesma razão de não ser radioativo. As vantagens deste tipo são semelhantes aos de Ce. EW Zr: Os eletrodos ligados com Zircônio (contém 0,25% de Zr) e as suas características geralmente estão entre aquelas do tungstênio puro e os ligados com tório. Em corrente alternada combina as características de estabilidade de arco e a ponta arredondada com a capacidade de condução de corrente e abertura de arco semelhantes as dos eletrodos com tório. Apresentam uma melhor resistência à contaminação em relação ao de tungstênio puro e são preferidos para aplicações que exigem alta qualidade radiográfica e baixa contaminação de tungstênio. Prof. L.C.Simei Página 43 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° EWG: Estes eletrodos contem outros elementos de liga ou aqueles das terras raras em proporções diferentes daqueles existentes com especificação determinada. Podem também ter uma mistura de elementos de liga. O eletrodo serve apenas como ponto focal para o direcionamento do arco, sendo que para não haver fusão do mesmo na temperatura do arco, utiliza-se o Tungstênio, que possui ponto de fusão 3370ºC; sua ponta deve ser convenientemente preparada para minimizar o diâmetro do arco conforme esquema a seguir. Preparação da ponta do eletrodo de Tungstênio. Figura 39. Preparação (afiação) do Eletrodo TIG. Nos processos de soldagem da maioria dos materiais procura-se ligar o eletrodo em CC polaridade direta, pois o calor gerado em sua extremidade é menor, comparadamente à polaridade inversa. Na soldagem do Alumínio, no entanto, muitas vezes utiliza-se a polaridade inversa, mesmo com o risco de fusão do eletrodo, pois para quebrar a camada de óxido de alumínio, de alto ponto de fusão, é necessário que o fluxo de elétrons saia do Alumínio para o eletrodo (fenômeno que recebe o nome de dispersão); melhor que utilizar CC em Alumínio é optar pelo uso de corrente alternada, que quebra a camada de óxido e não aquece em demasia a ponta do eletrodo. Para soldagem com corrente acima de 130 A devem-se utilizar tochas refrigeradas a água; para correntes menores há tochas de diferentes tamanhos, que devem ser escolhidas em função da aplicação. É um processo lento, usualmente manual, podendo ser automatizado (taxas de 0,2 a 2 kg/h) e as soldas produzidas são de excelente qualidade; não produz escória, gera poucos respingos, pouca fumaça, pequena Z.T.A. com poucas deformações e pode ser utilizado em todas as posições. Os cordões de solda são de ótimo acabamento, uniformes, geralmente não requerendo nenhum procedimento de acabamento ou limpeza posterior. A soldagem TIG é bastante adequada para espessuras finas, pois possibilita o perfeito controle da fonte de calor, sendo que muitas vezes ela é utilizada sem metal de adição, somente Prof. L.C.Simei Página 44 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° caldeando-se as bordas do metal a ser soldado. É muito comum, também utilizar o TIG para o passe de raiz na soldagem de peças espessas e de grande responsabilidade. É um processo que requer muita habilidade do soldador, uma limpeza perfeita dos metais a serem soldados, além de emitir grande quantidade de radiação ultravioleta. Estas radiações queimam rapidamente as partes da pele expostas, bem como as vistas e ainda tem capacidade de decompor solventes armazenados nas imediações, liberando gases bastante tóxicos; as radiações facilitam a geração de O3 nas proximidades. Pode-se soldar aços carbono, inoxidáveis, alumínio, magnésio, titânio, cobre, zircônio e outros metais de difícil soldagem, nas espessuras de 0,5 a 50 mm. Efeito do Tipo de Corrente e Polaridade na Soldagem TIG Tabela 4. Tabela Informativa dos Tipos de Correntes e Polaridades TIG. Gases de Proteção. Os gases de proteção mais utilizados são o Argônio e o Hélio, ou uma mistura de ambos; os gases são direcionados por bocais cerâmicos, metálicos ou por bocais tipo gás-lens. O Argônio é o gás mais utilizado, principalmente devido ao menor custo e maior disponibilidade, mas possui outras vantagens: Arco mais suave e estável, sem turbulências; Menor voltagem do arco, para um dado comprimento do arco; Menor vazão de gás para uma boa proteção; Facilita a abertura do arco (mais ionizável); Resiste mais às correntes de ar. Prof. L.C.Simei Página 45 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° O Hélio é utilizado para soldagem de materiais mais espessos, pois produz mais calor; por ter a densidade menor que a do ar, é utilizado para soldagens sobre cabeça; promove maior penetração do cordão; possui custo mais elevado que o Argônio, pois sua obtenção é difícil. É bastante utilizada a mistura de Argônio e Hélio para algumas aplicações de soldagem, sendo seu uso bem difundido na soldagem TIG das ligas de alumínio, titânio, cobre e aços inoxidáveis; o objetivo é se beneficiar das melhores características de cada gás, aumentando a largura de fusão e melhorando a aparência do cordão de solda. Em alguns casos de soldagem são utilizadas misturas especiais, contendo H2 (aços inoxidáveis). O hidrogênio atua com um agente redutor inibindo a formação de óxidos, o que resulta em superfícies mais limpas e também aumenta a energia do arco para uma determinada corrente, aumentando a penetração. O nitrogênio é freqüentemente utilizado como gás de purga ou de proteção da raiz evitando contaminação com o ar atmosférico. Atualmente é utilizado em adições menores do que 3% em combinação com Argônio nos processos TIG e MIG para a soldagem de aços inoxidáveis duplex. Não é recomendado para a soldagem de aços carbono e baixa liga. A especificação AWS A 5.32 se aplica aos gases de proteção utilizados nos processos de soldagem TIG. Os gases de proteção podem ser de um único tipo de gás (puro) ou de mistura de gases. A AWS A 5.32 identifica os componentes individuais dos gases como: A – Argônio; He – Hélio ; H – Hidrogênio ; N – Nitrogênio. Tabela 5. Tabela das Referências AWS dos Tipos de Gases Utilizados no Processo TIG. Como se podem utilizar todas as formas de corrente para soldagem TIG, normalmente se utiliza um transformador/retificador que pode fornecer tanto CC como CA. Trata-se de máquinas especialmente desenvolvidas para soldagem TIG e que incorporam as unidades de controle de fluxo de gás protetor e de geração de corrente de alta freqüência. Foram lançados no mercado equipamentos para soldagem automática de tubos, recebendo o processo a denominação de TIG ORBITAL (pelo fato de realizar o cordão de solda automaticamente em 360º). Recentemente desenvolveram-se equipamentos ainda mais específicos que incorporam uma unidade de programação e que fornece CC pulsada com freqüência na faixa de 1 a 10 Hz; tal equipamento é normalmente utilizado em aplicações automatizadas. A principal vantagem da corrente pulsada é permitir uma combinação da força, boa penetração e fusão do pulso, enquanto mantém a área de soldagem relativamente fria. Assim, é possível obter maiores penetrações do que em corrente contínua constante e trabalhar com materiais Prof. L.C.Simei Página 46 Faculdade Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica mais sensíveis ao aporte de calor com minimização das distorções. Figura 40. Ciclo da Corrente de Solda TIG Pulsada. Varetas e Arames. As varetas ou arames de metal de adição para TIG tem basicamente a mesma composição química dos materiais base; nenhuma reação química é esperada que ocorra na poça de fusão. Nas aplicações automáticas pode se utilizar o processo adicional HOT-WIRE, com préaquecimento do arame eletrodo. As varetas são utilizadas para os processos manuais, disponíveis em comprimento em torno de 1 m. Para os processos de alimentação automática se utilizam rolos de arame, similares ao do MIG, enrolados em bobinas de diferentes capacidades, com diâmetros variando entre 0,5 e 5 mm, aproximadamente. Tabela 5. Tabela das Referências AWS dos Tipos de Arames e Varetas TIG. Prof. L.C.Simei Página 47 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 4.4. PROCESSO DE SOLDAGEM GMAW. O processo de soldagem GMAW (do inglês Gas Metal Arc Welding), também conhecido no Brasil como processo MIG/MAG (das siglas Metal Inerte Gás/ Metal Ativo gás), é um processo por fusão a arco elétrico que utiliza um arame eletrodo consumível continuamente alimentado à poça de fusão e um gás como proteção. No processo MIG, o gás utilizado para proteção e um gás inerte (Ar, He, ou mistura de ambos), lançado na região de soldagem. O processo MAG é um processo de soldagem semelhante ao MIG, porém utilizando um gás ativo (CO2) para proteção da região de soldagem. Em ambos os processos geralmente o metal de adição possui a mesma composição química do metal base. O processo MIG baseou-se no processo TIG, iniciando com a soldagem do Alumínio e posteriormente estendeu-se à soldagem dos aços inoxidáveis, ao se notar que uma pequena adição de O2 ao gás inerte facilitava a abertura do arco. Posteriormente ao processo MIG, desenvolveu-se o MAG para baratear custos e concorrer com os eletrodos revestidos na maioria das aplicações, utilizando-se CO2 e mistura de gases como gás de proteção; o primeiro desenvolvimento para o MAG ficou conhecido como subprocesso MACRO-ARAME. Pelo fato das dificuldades deste subprocesso trabalhar com pequenas espessuras e soldar em todas as posições, desenvolveu-se a seguir o subprocesso MICRO-ARAME (para diâmetros até 1,2 mm); na seqüência do desenvolvimento e visando a minimização dos respingos e melhoria do formato do cordão, desenvolveu-se o subprocesso FCAW, também conhecido como Processo Arame Tubular (até diâmetro de 4 mm). Figura 40. Processo de Soldagem MIG/MAG. Todas estas melhorias permitiram um aumento na velocidade de soldagem do processo MIG/MAG em relação a outros processos, e isso vem refletindo-se na evolução da utilização do Prof. L.C.Simei Página 48 Faculdade Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica mesmo, comparativamente aos processos mais antigos, conforme quadro abaixo: Figura 41. Comparativo Entre Utilização de Processos de Soldagem ao Longo dos Anos. Princípio do Processo MIG/MAG O calor gerado para fundir o metal de enchimento é suficiente para fundir também as superfícies do metal base. A transferência do material do arco é bastante melhorada comparando-se ao processo TIG devido ao aumento da eficiência do ganho de calor causado pela presença no arco das partículas de material superaquecido. As partículas funcionam como elementos importantes no processo de transferência de calor, sendo que a transferência de material se processa a uma taxa de várias centenas de gotículas por segundo. Existem basicamente quatro tipos de transferência de material na soldagem MIG/MAG: a) GLOBULAR (MAG = Macro Arame/ Arame Tubular) - Gotas de grandes dimensões a baixas velocidades. - Utiliza altas correntes e arcos longos (75 a 900 A). Prof. L.C.Simei Página 49 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° b) JATO OU SPRAY (MIG) . - Gotas finas e altas velocidades. - Utiliza altas correntes e altas voltagens (50 a 600 A) c) CURTO CIRCUITO (Micro Arame) . - Transferências sucessivas por curto circuitos - Utiliza baixa corrente e arcos curtos (25 a 200 A) Uma gota de metal fundido é formada no fim do eletrodo. Quando ela se torna suficientemente grande para entrar em contato com a poça de fusão, o arco sofre um curto circuito. Isto eleva a corrente de soldagem e a corrente é liberada, permitindo que o arco seja ignitado novamente. O aumento da corrente causado pelo curto circuito gera respingos. 1.Ciclo do curto circuito. 2.Período do arco. 3.Período do curto circuito. Prof. L.C.Simei Página 50 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° d) ARCO PULSANTE (Em Operações Automatizadas) - Arco mantido por uma corrente baixa principal com sobreposição de pulsos de alta corrente e transferência por spray durante os pulsos. Princípio do arco pulsado. 1.Pico da corrente de pulso. 2.Corrente de transição. 3.Corrente média de soldagem. 4.Corrente de base. A soldagem MIG pode ser usada em ampla faixa de espessuras, em materiais ferrosos e não ferrosos como Alumínio, Cobre, Magnésio, Níquel e suas ligas. O processo MAG é utilizado apenas na soldagem de materiais ferrosos, tendo como gás de proteção o CO2 ou misturas ricas nesse gás. De um modo geral pode-se dizer que as principais vantagens da soldagem MIG/MAG são: alta taxa de deposição, alto fator de trabalho do soldador, grande versatilidade de espessuras aplicáveis, inexistência de fluxos de soldagem, ausência de remoção de escória e exigência de menor habilidade do soldador, quando comparado com eletrodos revestidos. A principal limitação da soldagem MIG/MAG é sua maior sensibilidade à variação dos parâmetros elétricos de operação de soldagem, que influenciam diretamente na qualidade do cordão de solda depositado. Além disso deve ser ressaltado o alto custo do equipamento, a grande emissão de radiação ultra violeta, maior necessidade de manutenção em comparação com os equipamentos para soldagem de eletrodos revestidos e menor variedade de consumíveis. Gás de Proteção. Os gases de proteção utilizados nos processos de soldagem a arco elétrico podem ser Inertes ou Reativos. Os gases de proteção inertes são os considerados que não reagem com o metal líquido da poça de fusão. Os gases inertes mais utilizados na soldagem são Argônio e Hélio. Os gases de proteção reativos são os considerados que reagem com o metal líquido da poça de fusão, podendo alterar as propriedades metalúrgicas e mecânicas do metal de solda. Estes Prof. L.C.Simei Página 51 Faculdade Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica gases podem ser ativos ou redutores. Os gases ativos utilizados na soldagem são o CO2 Dióxido de Carbono e Oxigênio. O gás redutor que pode ser utilizado na soldagem é o Hidrogênio - H2. A especificação AWS A 5.32 se aplica aos gases de proteção utilizados nos processos de soldagem MIG/MAG, TIG, ARAME TUBULAR e PLASMA. Os gases de proteção podem ser de um único tipo de gás (puro) ou de mistura de gases. A AWS A 5.32 identifica os componentes individuais dos gases como: A – Argônio ; C – CO2 Dióxido de Carbono ; He – Hélio ; H – Hidrogênio ; N – Nitrogênio ; O – Oxigênio. Tabela 6. Classificação AWS A 5.32 para os Gases de Soldagem MIG/MAG. Metais de Adição Para MIG/MAG, os eletrodos consumíveis consistem de um arame contínuo em diâmetros que variam de 0,6 a 2,4 mm ( arame tubular até 4 mm), usualmente em rolos de 12 a 15 kg, existindo no mercado rolos de até 200 kg. Os arames são normalmente revestidos com uma fina camada de Cobre para melhor contato elétrico com o tubo de contato da pistola e para prevenir a ocorrência de corrosão na estocagem. Há arames de adição sólidos ou tubulares sendo que estes últimos são recheados de fluxos que possuem as mesmas características e funções dos revestimentos dos eletrodos revestidos. Esses arames tubulares podem ser utilizados com proteção gasosa ou ser do tipo autoprotegido, sem o uso de gases. Neste caso o fluxo contido dentro do arame gera o gás de proteção da poça de fusão, a formação de escória, a desoxidação da poça e a estabilização do arco. A tabela abaixo relaciona as especificações AWS de arames para soldagem MIG/MAG de diferentes materiais. Prof. L.C.Simei Página 52 Faculdade Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Tabela 7. Classificação AWS para os Arames Consumiveis MIG/MAG. A principal especificação para os arames-eletrodos é a AWS A 5.18 que prescreve os os requerimentos para a classificação de eletrodos sólidos ou compostos (FCAW - Arame tubular com núcleo metálico – metal cored) e varetas para os processos MIG/MAG (GMAW), TIG (GTAW) e PLASMA (PAW) na soldagem de aço carbono. A classificação dos arames para soldagem de aços pelas especificações AWS A 5.18 e A 5.28, que engloba os arames sólidos e os arames com enchimento metálico, tem o formato abaixo. Tabela 8. Classificação Acerca da Resistência Mecânica do Metal de Solda. Prof. L.C.Simei Página 53 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Tabela 9. Requisitos de Composição Química para o Arame ou Metal de solda (%peso). Equipamento Os principais componentes do sistema são apresentados na figura a seguir: 1. Carretel ou tambor; 2. Eletrodo; 3. Roletes de tração; 4. Guia do arame; 5. Conjunto de mangueiras; 6. Pistola de soldagem; 7. Bico de contato; 8. Gás de proteção; 9. Bocal do Gás de proteção; 12. Fonte de energia. Prof. L.C.Simei Página 54 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 42. Partes Principais do Processo, e seu Equipamento. Fontes de corrente contínua e de tensão constante são empregadas na maioria dos casos de soldagem MIG/MAG. Essa característica contrasta com as fontes de corrente constante utilizadas na soldagem TIG e com eletrodos revestidos. Uma fonte MIG/MAG proporciona uma tensão do arco relativamente constante durante a soldagem. Essa tensão determina o comprimento do arco. Quando ocorre uma variação brusca da velocidade de alimentação do arame, ou uma mudança momentânea da tensão do arco, a fonte aumenta ou diminui abruptamente a corrente (e, portanto, a taxa de fusão do arame) dependendo da mudança no comprimento do arco. A taxa de fusão do arame muda automaticamente para restaurar o comprimento original do arco. Como resultado, alterações permanentes no comprimento do arco são efetuadas ajustando-se a tensão de saída da fonte. A velocidade de alimentação do arame que o operador seleciona antes da soldagem determina a corrente de soldagem. Esse parâmetro pode ser alterado sobre uma faixa considerável antes que o comprimento do arco mude o suficiente para fazer o arame tocar na peça ou queimar o bico de contato. A fonte de soldagem também pode ter um ou dois ajustes adicionais para uso com outras aplicações de soldagem (por exemplo, controle de indutância). O motor de alimentação de arame e o controle de soldagem são freqüentemente fornecidos em um único módulo — o alimentador de arame. Sua principal função é puxar o arame do carretel e alimentá-lo ao arco. O controle mantém a velocidade predeterminada do arame a um valor adequado à aplicação. O controle não apenas mantém a velocidade de ajuste independente do peso, mas também regula o início e fim da alimentação do arame a partir do sinal enviado pelo gatilho da tocha. O gás de proteção, a água e a fonte de soldagem são normalmente enviados à tocha pela caixa de controle. Pelo uso de válvulas solenóides os fluxos de gás e de água são coordenados com o fluxo da corrente de soldagem. O controle determina a seqüência de fluxo de gás e energização do contator da fonte. Ele também permite o pré e pós-fluxo de gás. Muitas vezes o alimentador trabalha distante da fonte elétrica, permitindo ao soldador o controle local das variáveis do processo. Prof. L.C.Simei Página 55 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 4.5. SOLDAGEM A ARCO SUBMERSO (SAW). A soldagem SAW (do inglês Submerged Arc Welding), mais conhecida como Soldagem ao Arco Submerso é um processo de soldagem por fusão, no qual a energia necessária é fornecida por um arco (ou arcos) elétrico desenvolvido entre a peça e um eletrodo (ou eletrodos) consumível, que é continuamente alimentado à região de soldagem. O arco está submerso em uma camada de fluxo granular que se funde parcialmente, formando uma escória líquida, que sobe à superfície da poça metálica fundida, protegendo-a da ação contaminadora da atmosfera. Em seguida essa escória solidifica-se sobre o cordão de solda, evitando um resfriamento demasiado rápido. Figura 43. Processo de Soldagem SAW. Figura 44. Equipamento do Processo de Soldagem SAW. Prof. L.C.Simei Página 56 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Equipamento O equipamento para este processo consta basicamente das seguintes unidades: a) b) c) d) e) f) Fonte de energia; Unidade de controle; Conjunto de alimentação do arame (ou cabeçote); Pistola de soldagem; Alimentador de fluxo; Aspirador de fluxo. As unidades b,c,d,e constituem o elemento conhecido como cabeçote de soldagem; a figura da página anterior mostra as unidades componentes do sistema. No processo automático, o cabeçote pode mover-se ao longo da peça a ser soldada ou ser estacionário, sendo que nesse caso é a peça que se desloca sob o arco. Quando o processo é semi-automático, o alimentador de fluxo e a pistola de soldagem constituem um conjunto separado que é conduzido pelo operador ao longo da junta; esta operação é dificultada pela não visualização do cordão, diminuindo a eficiência do processo. Figura 45. Cabeçote de Soldagem SAW. Prof. L.C.Simei Página 57 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 46. Base Rotativa e Cabeçote Soldagem SAW. Como fonte de energia podem ser usados: a) Um transformador C.A. b) Um conjunto transformador-retificador C.A. / C.C. c) Um conversor C.C. Podem ser utilizadas fontes de tensão constante ou fontes de corrente constante, conforme a unidade de controle do cabeçote. As tensões usuais requeridas situam-se na faixa dos 20 a 55 Volts. As intensidades de corrente mais usuais chegam até 2000 Ampères; em casos excepcionais usam-se intensidades de até 4000 Ampères. Arames As entidades normativas possuem especificações apropriadas aos consumíveis para a soldagem a arco submerso, como por exemplo, a AWS, vistas na tabela abaixo. Prof. L.C.Simei Página 58 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Tabela 10. Classificação AWS para Arame SAW. As entidades normativas utilizam ainda a designação de um fluxo, em conjunto com a especificação do arame eletrodo. No caso de utilizarmos a especificação AWS, teremos por exemplo a especificação AWS A 5.17, que delibera sobre a utilização de arames para aços carbono e seus respectivos fluxos. Um mesmo fluxo pode ser designado F6A2-EXXX ou F7A4-EXXX, de acordo com o eletrodo (E) utilizado. Tabela 10. Especificação AWS de Resistência da Solda para com Cada Arame SAW. A tabela a seguir mostra um esquema de designação do par arame-fluxo adotado pela especificação AWS A 5.17. Prof. L.C.Simei Página 59 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Figura 47. Especificação AWS da Combinação Fluxo x Arame SAW. Os eletrodos são especificados com base em sua composição química, sendo divididos em três tipos: baixo (L), médio (M) e alto (H) teor de Manganês. Dentro de cada grupo, os arames podem ter diferentes teores de Carbono, além de teor de Silício baixo ou alto (K). Resumidamente, arames com maiores teores de Carbono, Manganês e Silício favorecem a deposição de cordões com maior resistência e dureza; o Silício aumenta a fluidez da poça de fusão, melhorando o formato de cordões depositados com elevadas velocidades de soldagem. As bitolas de arames eletrodos mais utilizados situam-se na faixa entre 1,6 e 6,4 mm; podemos também trabalhar com fitas contínuas no lugar do arame, principalmente para deposições superficiais. Para aumentar a velocidade de soldagem e a deposição do metal, pode-se usar dois ou mais arames eletrodos ou fitas; eles podem situar-se em paralelo ou em linha em relação `a junta e alimentados por uma ou mais fontes de energia. Abaixo, a tabela mostra os requisitos de composição química de eletrodos para a soldagem de aço carbono, conforme AWS A 5.17-80. Prof. L.C.Simei Página 60 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Tabela 11. Composição Química de Eletrodos, Conf. AWS. As propriedades reais do metal depositado por uma determinada combinação eletrodo-fluxo dependem do procedimento de soldagem específico usado numa determinada aplicação. Assim a seleção final de uma combinação geralmente é feita com base na soldagem de corpos de prova de qualificação, de acordo com uma norma específica, e na avaliação final ou medida das propriedades de interesse dessa solda. Fluxos Os fluxos tem diversas funções na soldagem a Arco Submerso, entre elas: estabilizar o arco, fornecer elementos de liga para o metal de solda, proteger o arco e o metal aquecido da contaminação pela atmosfera, minimizar as impurezas no metal de solda, formar escória com determinadas propriedades físicas e químicas que podem influenciar o aspecto e o formato do cordão de solda, sua destacabilidade, a ocorrência de mordeduras, etc.. Os fluxos usados no processo a arco submerso são granulares e constituídos de substâncias fusíveis à base de minerais contendo óxidos de manganês, silício, titânio, alumínio, cálcio, zircônio, magnésio e outros componentes. Podem ser quimicamente neutros, ácidos ou básicos, dependendo da mistura de óxidos, não devem produzir grandes quantidades de gases durante a soldagem e devem ter características elétricas estáveis. Em termos de fabricação, os fluxos podem ser dos grupos fundidos ou não fundidos; os primeiros são produzidos pela fusão da mistura de seus componentes em fornos, sendo posteriormente resfriados, britados, moídos, peneirados e embalados. Os fluxos não fundidos podem ser subdivididos em misturados, aglomerados e sinterizados. O tipo de fluxo mais utilizado no Brasil é o aglomerado, no qual uma mistura de pós é aglomerada por um ligante, endurecido posteriormente ao forno, moído, peneirado e embalado; devido sua higroscopicidade há necessidade de controle de umidade no armazenamento. Deposição/Penetração CCPI – Produz boa taxa de deposição, ótimo controle de formato de cordão e alta penetração. CCPD – Produz alta taxa de deposição, bom controle do formato de cordão e baixa penetração. CA – Penetração intermediária entre CCPD/CCPI; não aparece o fenômeno do sopro magnético. Prof. L.C.Simei Página 61 Faculdade Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Figura 47. Diferentes Arranjos para Execução de Cordões de Solda SAW. Prof. L.C.Simei Página 62 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° 4.6. BRASAGEM, SOLDABRASAGEM E SOLDAGEM BRANDA. Os processos de brasagem podem ser divididos em 3 (três) sub-tipos: brasagem propriamente dita, soldabrasagem e soldagem branda. Os processos de brasagem distinguem-se dos outros processos de soldagem por exigir apenas a fusão do metal de adição. Não ocorrendo fusão do metal de base, nem o elevado aquecimento da zona adjacente à região de solda, o material irá manter sua natureza estrutural e, conseqüentemente, suas propriedades mecânicas originais. Como apenas o metal de adição é fundido, ele deve ter temperatura de fusão mais baixa do que a do metal de base. A partir deste conceito, pode-se melhor definir a brasagem, a soldabrasagem e a soldagem branda: Brasagem (ou soldagem forte, ―brazing‖) é o processo de soldagem onde o metal de adição tem sua temperatura (ou faixa) de fusão compreendida entre as temperaturas abaixo do ponto de fusão do metal de base e acima de, aproximadamente, 450°C. Soldabrasagem (―braze welding‖) distingue-se do processo anterior pelo tipo de conformação das extremidades do metal de base a serem unidas, e da forma de montagem, devido ao fato de que não necessita da ação da capilaridade. Soldagem Branda (ou soldagem fraca, ―soldering‖) é o processo de soldagem onde o metal de adição tem temperatura (ou faixa) de fusão compreendida entre as temperaturas abaixo do ponto de fusão do metal de base e também abaixo de, aproximadamente, 450°C. O fato de os metais de adição serem constituídos de ligas metálicas de baixo ponto de fusão, em geral à base de estanho e chumbo, a cor da solda se apresenta esbranquiçada. A preparação da junta para os processos de brasagem e de soldagem branda é realizada de forma a permitir a penetração do metal de adição por capilaridade entre as paredes das partes a serem unidas, sem modificação da forma dessas peças pela retirada de material por usinagem. Contudo, quando a preparação da junta ocorre de forma semelhante à exigida para os processos de soldagem por fusão, o processo denomina-se soldabrasagem. A figura abaixo mostra uma comparação entre juntas de topo brasadas, soldabrasadas e soldadas por fusão. Figura 48. 1. Brasagem; 2. Soldabrasagem; 3. Solda Branda. Prof. L.C.Simei Página 63 Faculdade Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Figura 49. Exemplos Comuns de Bordas para Brasagem e Soldabrasagem. Como não ocorre a fusão do metal de base, podem surgir dúvidas quanto à qualidade da aderência da solda nas faces de contato com as partes a serem unidas; na realidade, a aderência é obtida pela difusão atômica entre o metal de adição no estado líquido e o metal de base no estado sólido. Figura 50. Ilustração de Como Se dá a Adesão na Brasagem e Soldabrasagem. Para entendermos melhor os processos de brasagem, é fundamental entendermos o conceito e capilaridade, que veremos a seguir. Prof. L.C.Simei Página 64 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Capilaridade A capilaridade é um fenômeno que ocorre quando trabalhamos com fluidos em tubos muito estreitos. Veja o exemplo abaixo. Introduz-se um tubo fino e outro estreito em recipientes contendo o mesmo fluido. Os dois fluidos foram aspirados, quando cessou a aspiração o fluido do tubo fino não retrocedeu ao nível normal como no tubo largo, justamente devido ao efeito da capilaridade. Figura 51. Esquematização do Processo de Capilaridade. Esta experiência nos explica a ascensão dos líquidos (fluidos) através de corpos porosos como: algodão, papel seco, etc, cujas numerosas e estreitas concavidades comunicantes entre si, formam um conjunto de tubos capilares; nos explica também, como ocorre a ligação por difusão nos metais, obedecendo ao mesmo princípio. 4.5.1. Brasagem. A diferença essencial entre a brasagem e a soldabrasagem reside principalmente na concepção da junta e na técnica de montagem. Se a forma da junta não fosse diferente de um processo ao outro, podia-se dizer que o principio da operação é bastante semelhante. Metais de Base e Metais de Adição As propriedades da junta dependem em grande parte, da estreita zona de difusão na interface Metal de base – Metal de adição. O que caracteriza essencialmente a brasagem é o fato de que o metal de adição, no estado fundido, preencherá a junta por atração capilar. Conseqüentemente esta junta será estreita e sua espessura será função, por um lado dos metais a unir, por outro lado da natureza do metal de adição. Existe uma grande variedade de metais de adição, e podem ser classificados em quatro Prof. L.C.Simei Página 65 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° categorias: Latão para soldabrasagem Ligas ao fósforo com ou sem prata Ligas de prata Liga de alumínio-silício Os Latões são largamente utilizados para realizar junções em aço, e em menor escala para o cobre e suas ligas cujos pontos de fusão não sejam inferiores a 1050°C. Existem outros latões que comportam adições seja de prata para melhorar a fluidez, seja de silício para desoxidar, seja de níquel e manganês para melhorar a resistência mecânica. O ponto de fusão dessas ligas situa-se entre 850-950°C dependendo do teor de zinco. O cobre puro é freqüentemente empregado para brasagem do aço e às vezes para o níquel e suas ligas. Os cobres em fósforo são utilizados para brasagem das ligas de cobre. Estas últimas ligas são contra indicadas para todos os metais contendo ferro ou níquel, pois os compostos formados pelo ferro ou níquel e fósforo são fosfetos muito frágeis. Uma das principais vantagens dos cobres com fósforo consiste no fato em que a eliminação de parte do fósforo durante a brasagem tem por efeito elevar o ponto de fusão da liga depositada. Os metais de adição em fósforo não devem ser expostos a uma temperatura elevada por períodos prolongados em atmosfera de gás de rua ou em atmosfera contendo enxofre; haveria risco de corrosão. A indústria coloca à disposição dos consumidores uma grande variedade de metais de adição em prata cujo teor de prata metal varia de valores bem baixos até a prata pura. Estas ligas: Binárias: prata-cobre; Ternárias: prata-cobre –zinco; Quaternárias: prata-cobre-zinco-cádmio; apresentam uma grande gama de diversas temperaturas de fusão e de intervalos de fusão diferentes, e podem ser facilmente escolhidos em função dos metais a serem brasados e das juntas possíveis. O ouro puro e as ligas de ouro-cobre ou ouro-índio são empregados de preferência nas ligas contendo zinco e cádmio para fabricação de tubos de vácuo para uso eletrônico, tendo baixa pressão de vapor em temperaturas de funcionamento. Exemplificando, fios de ouro puro servem para brasar peças de cobre, ou cobre-telúrio, utilizados em certos tipos de magnéticos ou de válvulas de freqüência muito alta, sem que haja necessidade de fluxo. O fio de ouro na forma de anéis é colocado entre as faces a unir após cuidadoso ajuste; as faces devem ser cuidadosamente limpas. Após o aperto, esquenta-se sob Prof. L.C.Simei Página 66 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° vácuo ou em atmosfera neutra ou mesmo redutora, durante ½ a 1 hora à 400-500°C. As temperaturas são determinadas em função da natureza do vidro que constitui o invólucro da válvula. O ouro funde somente a 1063°C, mas a junção é assegurada pela fusão cobre-ouro devido à combinação dos elementos: pressão, tempo, temperatura. Não há distorção; a junta não é tão resistente mecanicamente como as juntas comuns, mas é o suficiente para estas aplicações. As ligas alumínio-silício são as mais indicadas para a brasagem dos metais leves devido seus baixos pontos de fusão. Fluxo A escolha do fluxo para a brasagem comum ou com prata não é sempre fácil, e será sempre aconselhável seguir indicações dos fornecedores de metais de adição. O fluxo é dispensável para os metais de adição de alto teor de fósforo empregados sobre cobre. O emprego de um fluxo é recomendado para a maioria dos casos, no entanto, operando-se em atmosfera inerte ou redutora ele não é tão necessário, ao menos que se esteja utilizando ligas com alto teor de zinco. Juntas Para ficarem realmente resistentes, as juntas brasadas devem ser concebidas especialmente em função do método de brasagem e do metal de adição adotados. A Figura mostra alguns exemplos de juntas brasadas. Figura 52. Tipos de Juntas para Brasagem. Prof. L.C.Simei Página 67 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° O metal de adição opera bem por atração capilar, mas é necessário reforçar este efeito com o do peso. Quando brasam-se corpos cruzados é necessário prever orifícios para a saída do ar preso entre as faces. Figura 53. Tipos de Juntas para Brasagem. Procedimentos para Brasagem. A seguir, veremos os procedimentos para se executar uma brasagem de forma adequada. Os procedimentos podem ser divididos em seis etapas: 1) Estabelecimento da folga entre as peças: Como a penetração se dá por capilaridade, é importante manter a folga, dentro de limites determinados, entre as peças a serem unidas; se a folga for maior ou menor que aquela estabelecida por esses limites, poderá não ocorrer a penetração completa do metal de adição, prejudicando a resistência da junta brasada. Os limites são determinados em função dos metais de adição e de base e geralmente ficam entre 0,02 e 0,08mm. 2) Acabamento das faces: O acabamento superficial das peças deve apresentar uma rugosidade tal que permita, pela criação de canais de alimentação de metal, a penetração do metal de adição. Este tipo de acabamento, não muito liso ou polido, pode ser obtido na usinagem comum, no lixamento e nos processos de conformação de produtos semi-manufaturados. Deve-se levar em conta que a folga é alterada pela dilatação térmica e este fator deve ser considerado principalmente quando são brasadas peças de metais dissimilares, os quais possuem coeficientes diferentes de dilatação térmica. Para se calcular esta dilatação, deve-se levar em conta as dimensões e a forma das peças na região da junta aquecida, além dos coeficientes de dilatação dos metais de base. 3) Limpeza das peças: As superfícies das peças a serem brasadas devem estar isentas de óleos, graxas, óxidos, resíduos de tintas e outras sujeiras, uma vez que o Prof. L.C.Simei Página 68 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° metal de adição só conseguirá se espalhar pelas peças, ou ―molhá-las‖ se elas estiverem limpas. Estas sujeiras impedem o contato do metal de adição com o metal de base e, em alguns casos, decompõe-se com o aquecimento, gerando dificuldades adicionais para a realização deste contato. Primeiramente, aplica-se solventes orgânicos, vapor desengraxante ou soluções alcalinas para promover o ―desengorduramento‖ da superfície. A retirada de óxidos e carepas é feita mecanicamente, através de lixamento, ou quimicamente, através de aplicação de soluções ácidas compatíveis com o metal de base. Após tratamento químico as peças devem ser lavadas e secadas para evitar a corrosão. 4) Fluxagem das peças: É feita logo após a etapa de limpeza. Os fluxos são agentes químicos que removem os resíduos de óxidos deixados pelo processo de limpeza e, principalmente, os óxidos formados durante o aquecimento necessário à brasagem. Além disso, eles criam uma atmosfera protetora na região da junção, evitando a presença do oxigênio da atmosfera ambiente. Os fluxos podem ser aplicados em formas de pastas, pincelando-se nas superfícies das peças ou na forma líquida, através de imersão das peças. A natureza dos fluxos é determinada em função da temperatura, dos tipos de óxidos formados no metal de base, dos tempos de aquecimento e principalmente do tipo de metal de base a ser brasado. 5) Montagem das peças: As peças devem ser justapostas de forma a manter a folga estabelecida durante todo o ciclo de aquecimento, penetração e solidificação do metal de adição. Sempre que possível, deve -se utilizar o próprio peso das peças para mantê-las fixas nas posições corretas. Quando isto não é possível, deve-se utilizar ferramentas e dispositivos de fixação, que devem ser feitos de materiais de baixa condutibilidade térmica, tais como os materiais cerâmicos. 6) Brasagem das peças: Deve-se, primeiramente, aquecer as peças na região a ser brasada, utilizando-se um maçarico a chama de gás. No caso de peças pequenas, o aquecimento pode ser feito em toda a peça. Este aquecimento deve ser uniforme em ambas peças, exceto no caso em que forem de materiais diferentes. Neste caso, deve-se compensar a diferença de condutibilidade térmica com maior tempo de aquecimento na peça de maior condutibilidade; da mesma forma deve-se proceder para peças de tamanhos diferentes, aquecendo por mais tempo a peça de maior massa. O aspecto do fluxo indica que se atingiu a temperatura correta para a aplicação do metal de adição; um aparecimento de estrias indica um superaquecimento. 7) Adição do Metal: O metal de adição é aplicado em forma de arame ou vareta, diretamente na junta; quando ela entra em contato com as superfícies aquecidas das peças, flui imediatamente, preenchendo a região entre elas. Os metais de adição podem se apresentar também na forma de plaquetas folhas, pós, pastas e grânulos; eles devem ser pré-colocados ou aplicados antes do aquecimento. 8) Limpeza da junta brasada: Inicialmente, os resíduos de fluxo são retirados em água aquecida (pelo menos a 50°C), por escovamento ou por outros métodos, de acordo com a natureza do fluxo e com a velocidade de produção. Nos casos do fluxo ter uma elevada aderência na junta, devido ao superaquecimento na brasagem ou ao uso de Prof. L.C.Simei Página 69 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° excesso de fluxo, deve-se empregar para a limpeza uma solução ácida, como 25% de ácido clorídrico em água, a 60-70°C. A peça aquecida pela brasagem pode ser imersa diretamente na água ou em soluções ácidas; neste último meio, o operador deve tomar cuidados especiais com os respingos. Após a remoção dos fluxos, devese retirar os óxidos por imersão em soluções de ácido sulfúrico ou clorídrico, com composições dependentes do metal de base. A lavagem e secagem das peças, após a limpeza com soluções ácidas, é necessária para evitar a corrosão; com a mesma finalidade deve-se aplicar um óleo protetor se a peça brasada for ser armazenada antes da sua aplicação. Metódos de Brasagem A seguir, serão descritos alguns dos principais métodos de brasagem. Brasagem com Maçarico. O aquecimento é feito utilizando-se um maçarico de chama de gás (a mais comum é a oxiacetilênica). O equipamento para aquecimento com maçarico é o mesmo daquele para a soldagem com maçarico. Os procedimentos de brasagem descritos acima se aplicam tanto para este método de brasagem quanto aos métodos a seguir, fazendo-se as devidas adaptações. Brasagem em forno É um método adequado para a produção em massa de juntas brasadas. Como o operador não tem acesso ao interior do forno, as peças a serem unidas e o metal de adição devem ser préposicionados e fixados, utilizando seus próprios pesos na medida do possível, antes de penetrar no forno. Na brasagem em forno são utilizadas atmosferas protetoras para livrar as peças da oxidação e também da descarbonetação (no caso dos aços). Após a passagem pelo forno, as peças são resfriadas numa câmara adjacente ao forno, também com atmosfera protetora. Dependendo da natureza desta, a aplicação do fluxo pode ser dispensada. Para a atmosfera atuar de forma protetora, e permitir que o metal de adição ―molhe‖ o metal de base, ela precisa ser redutora, no caso da brasagem de peças de aço. Uma vantagem deste método é a possibilidade de manter sob controle preciso o nível de temperatura de brasagem e a composição da atmosfera protetora. Além disso, apresenta maior uniformidade de distribuição de temperatura nas peças, quando comparado ao método com maçarico, que depende muito da habilidade do operador. Brasagem por Imersão Este método de aquecimento emprega um banho de sal fundido e protetor para receber as peças a serem brasadas; obtém-se assim, como na brasagem em forno, o aquecimento necessário para fundir o metal de adição e criar uma ação fluxante na superfície das peças. É um método mais adequado para a produção em massa e requer menor tempo de aquecimento do que o da brasagem em forno. Prof. L.C.Simei Página 70 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Brasagem por Indução. O aquecimento da peça é obtido pela dissipação de calor provocada por correntes elétricas induzidas por uma bobina conectada a uma fonte de energia elétrica de corrente alternada. O aquecimento é restrito a uma pequena área, e se propaga às áreas restantes da peça por condução ou pelo deslocamento da peça em relação à bobina. Brasagem por Resistência. Este método de aquecimento utiliza a passagem de uma corrente elétrica pelas peças, para provocar a fusão do metal de adição. A corrente é aplicada às peças através do contato direto de dois eletrodos, um de cada lado da peça, os quais também aplicam pressão para manter as peças bem justapostas e permitir a passagem uniforme de corrente elétrica. As máquinas utilizadas são as mesmas empregadas para a soldagem por fusão, pelo mesmo método de aquecimento. 4.6.2. Soldabrasagem. O processo chamado soldabrasagem recebeu este nome porque, aplica-se a peças preparadas como para a soldagem oxiacetilênica (arco ou maçarico) e também porque é realizada pela adição de ligas com alto teor de cobre, fundido entre 650 a 920°C. Empregado inicialmente nos Estados Unidos por volta de 1920 como processo auxiliar, desenvolveu-se em alguns anos nos principais países industriais. Esta expansão foi rápida, pois a soldabrasagem apresenta propriedades e vantagens ―únicas‖ largamente exploradas em certas indústrias e infelizmente pouco conhecidas em outras. Por definição, a soldabrasagem é realizada utilizando-se um metal de adição de brasagem que tenha uma temperatura liquidus acima de 450°C e, no entanto, abaixo da temperatura solidus dos metais de base a serem soldados. A diferença entre a Soldabrasagem e a Brasagem é que o metal de adição não está distribuído na junta por capilaridade. O metal de adição é adicionado à junta através de uma vareta ou é depositado através de um arco elétrico com um eletrodo. Os metais de base não se fundem, apenas os metais de adição são fundidos. Da mesma maneira que a brasagem convencional, uma ―colagem‖ ocorre entre o metal de adição depositado e os metais de base quentes e não fundidos, mas não há um fluxo intencional por capilaridade. As configurações das juntas para soldabrasagem são similares a aquelas utilizadas na soldagem oxiacetilênica. A soldabrasagem foi desenvolvida originalmente para o reparo de partes de ferro fundido trincadas ou quebradas. A soldagem com fusão do ferro fundido requer um pré-aquecimento extensivo e um resfriamento lento, para minimizar a geração de trincas e a formação de cementita dura. Utilizando-se a soldabrasagem, as trincas e a cementita são evitadas facilmente, e problemas de expansão e contração são mais difíceis de ocorrer. A maior parte das soldabrasagens é feita com uma tocha para soldagem oxi-acetilênica, uma vareta de alguma liga de cobre, e um fluxo adequado. A soldabrasagem também é feita com tochas para arco carbono, arco elétrico com gás e eletrodo de tungstênio, e para arco plasma, sem fluxo. A tocha de arco carbono é utilizada para soldar chapas de aço galvanizado. As tochas para Prof. L.C.Simei Página 71 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° GTAW e PAW, as quais utilizam uma proteção de gases inertes, fazem a soldabrasagem com metais de adição que têm uma temperatura de fusão relativamente elevada. A soldabrasagem apresenta as seguintes vantagens em relação a processos convencionais de soldagem com fusão: 1) É necessário uma menor quantidade de calor para realizar a colagem, a qual permite uma união mais rápida e um menor consumo de combustível. 2) O processo produz uma menor distorção pelas expansões e contrações térmicas e a fluência do aço é quase nula. 3) O metal de adição depositado é relativamente macio e dúctil, usinável, e sofre baixas tensões residuais. 4) As soldas apresentam resistência adequada para várias aplicações - Resistências à tração de até 60 Ksi podem ser obtidas 5) O equipamento é simples e de fácil utilização. 6) Metais frágeis, tais como ferro fundido cinzento, podem ser soldabrasados sem um pré-aquecimento extensivo. 7) O processo fornece uma maneira conveniente de se unir peças de espessuras diferentes e metais dissimilares, como por exemplo o cobre ao aço e ao ferro fundido, e ligas de níquel-cobre ao ferro fundido e ao aço; peças de natureza muito diferente, tais como aço carbono, aços ferramenta, aço inoxidável, aço cementado, ferro fundido cinzento maleável, liga cuprosa branca, alumínio, etc. 8) A tensão superficial do metal de adição líquido permite acomodar facilmente juntas ―entreabertas‖ ou irregulares, e gerar cordões de superfície mais lisa do que os feitos com a soldagem oxiacetilênica. A soldabrasagem apresenta as seguintes desvantagens: 1) A resistência da solda está limitada à resistência do metal de adição. 2) Temperaturas de trabalho das peças serão mais baixas do que as daquelas feitas através de soldagem com fusão por causa da temperatura de fusão mais baixa do metal de adição. Por exemplo, utilizando-se um metal de adição de ligas de cobre, a temperatura de serviço da peça será de no máximo 260°C. Além disso, a diferença dos coeficientes de expansão entre o metal de base e o metal de adição pode fazer com que a solda venha a quebrar, devido à dilatação diferente de cada metal. 3) A junta soldabrasada pode estar sujeita à corrosão galvânica e ataque químico diferencial. 4) A diferença no potencial eletroquímico do latão e de outros metais na presença de Prof. L.C.Simei Página 72 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° água salgada pode ser um fator limitante. 5) A cor do metal de adição de soldabrasagem pode não ser da mesma cor do metal de base. Equipamento A Soldabrasagem convencional é feita utilizando-se uma tocha de gás oxicombustível e o equipamento associado como mostrado nas figuras abaixo. Em algumas aplicações, pode ser necessária uma tocha de oxi-combustível para préaquecimento. Aplicações especiais utilizam equipamentos de arco carbono, arco com gás e eletrodo de tungstênio ou arco plasma. Metais de Base A Soldabrasagem geralmente é utilizada para unir ferro fundido ao aço. Ela também pode ser utilizada para unir cobre, níquel e ligas de níquel. Outros metais podem ser soldabrasados com os metais de adição adequados que formem uma união metalúrgica resistente com eles. Metais de Adição Os metais de adição comercializados para soldabrasagem são os latões que contêm aproximadamente 60% de cobre e 40% de zinco. Estes elementos aumentam a resistência da junta e sua ductilidade. Ligas para brasagem com pequenas adições de estanho, ferro, manganês, e silício têm uma melhor propriedade de fluxo, menor volatilização do zinco, maior poder de desoxidação e aumentam a resistência e dureza da solda. Metais de adição com adição de níquel (10%) apresentam uma coloração mais branca e uma maior resistência do metal de solda. A resistência mínima da junta será de aproximadamente 40 a 60 ksi (275 a 413Mpa). A resistência da junta cai rapidamente quando a solda está abaixo de 260°C. A corrosão deve ser considerada neste tipo de aplicação, uma vez que a soldabrasagem é feita em juntas bimetálicas. A junta completa estará sujeita à corrosão galvânica em determinados ambientes, e o metal de adição pode ser menos resistente a certas soluções químicas do que o material de base. Fluxos. O uso de um fluxo apropriado é essencial na operação de soldabrasagem. Se a superfície do metal não estiver limpa, o metal de adição não irá fluir de forma suave e nem se espalhar uniformemente sobre a área a ser soldabrasada. Até mesmo depois de uma limpeza feita com lixadeira (limpeza mecânica), certos óxidos quase sempre permanecem e atrapalham o fluxo do metal de adição. O uso do fluxo correto elimina estes óxidos. Além disso, o fluxo tem as funções de evitar a formação de novos óxidos durante o aquecimento e a deposição, reduzir a tensão superficial do metal de adição, indicar a temperatura de ligação e proteger o cordão do resfriamento rápido. Prof. L.C.Simei Página 73 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Os fluxos para soldabrasagem são componentes desenvolvidos propriamente para a soldabrasagem de determinados metais de base com varetas de metal de adição de latão. Eles são desenvolvidos para o uso em temperaturas maiores do que as encontradas em operações de brasagem, e assim eles permanecem ativos por períodos de tempo maiores na mesma temperatura do que fluxos similares utilizados para brasagem por capilaridade. Os seguintes tipos de fluxos são geralmente utilizados na soldabrasagem de ferro e aços: 1) Fluxo básico que limpa o metal de base e os cordões de solda e auxilia no prérevestimento com estanho do metal de base. É utilizado para aços e ferro fundido maleável. 2) Fluxo que realiza as mesmas funções do fluxo básico e também evita formação de fumos de óxido de zinco. 3) Fluxo que é formulado especificamente para a soldabrasagem de ferro fundido cinzento ou maleável. Ele contém óxido de ferro ou dióxido de manganês para combinar com o carbono livre na superfície do ferro fundido e então removê-lo. O fluxo deve ser aplicado por um dos quatro métodos seguintes: 1) A vareta de metal de adição aquecida pode ser mergulhada no fluxo e este então ser transferido para a junta durante a soldagem. 2) O fluxo pode ser aplicado à junta através de escova ou pincel antes da brasagem 3) A vareta de metal de adição pode ser pré-revestida com o fluxo. 4) O fluxo pode ser introduzido através da chama de gás oxi-combustível O maior uso da soldabrasagem se dá no reparo de partes quebradas ou defeituosas de aço ou ferro fundido. Uma vez que componentes grandes podem ser recuperados no local de serviço, isto resulta em uma economia significante. A soldabrasagem une rapidamente chapas finas e tubos de aço carbono onde a soldagem por fusão seria difícil. Dutos de aço galvanizado são soldabrasados utilizando-se uma fonte de calor ao arco carbono. A temperatura de brasagem é mantida abaixo da temperatura de vaporização do zinco. Isto minimiza a perda do revestimento protetor de zinco das superfícies dos aços, mas expõe o soldador a um nível significante de fumos de zinco, o que requer uma exaustão e ventilação adequadas. A espessura dos metais que podem ser soldabrasados vai de chapas finas a seções bastante espessas de ferro fundido. Soldas de filete e de chanfro são utilizadas para fazer soldas em juntas de topo, em ângulo, inclinadas e em T. Abaixo são explicitados alguns exemplos de aplicações da soldabrasagem: Serralheria e Construção Civil (Ferro fundido). Prof. L.C.Simei Página 74 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Na técnica para construção de esquadrias de vidraças, etc, a soldabrasagem é quase sempre necessária por causa da pouca distorção que provoca, pelo aspecto liso dos cordões e pela excelente união das superfícies. Pode-se fazer graças a ela, grades, balaustradas, lustres de ferro forjado, nos quais as partes implicadas e trabalhadas, tais como flores, folhas, letras, são feitas de ferro fundido cinzento ou ferro fundido maleável, depois encaixados pela soldabrasagem sobre um suporte em ferro laminado e curvado, numa execução fácil, rápida e econômica. Alimentícia e Decoração (Peças de Aço Niqueladas). A soldabrasagem de peças niqueladas efetua-se sem dificuldade. Deve-se levar em conta que a camada protetora do aço desaparece nas proximidades do cordão e não podemos pensar neste processo a não ser para os reparos. Construção Mecanica Leve (Montagem de Peças Galvanizadas). As folhas, tubos, união em aço ou ferro fundido maleável galvanizados mantém-se facilmente pela soldabrasagem, sendo o ponto de fusão do metal de adição inferior ao ponto de ebulição do zinco (905°C), o que permite soldar com metal de adição, tanto no aço sem revestimento como também no aço com a camada de zinco. Às vezes a diferença de cor é significante, mas o conjunto resiste à corrosão com a condição do ferro ser inteiramente recoberto. Realizamse assim instalações de água ou de gás com tubos de aço galvanizado. Constroem-se reservatórios, barcaças, grandes chaminés, com chapas, cantoneiras, placas pré-galvanizadas, que são montadas pela soldabrasagem. Obtém-se geralmente conjuntos melhores e mais baratos que pela galvanização do conjunto; evitam-se empenamentos, rupturas, fendas ocasionadas pelas diferenças de dilatação entre as partes finas que esquentam-se rapidamente no banho e aquelas mais grossas que esfriam mais lentamente. Montagem de Peças em Alumínio. A soldabrasagem é também utilizada para confecção de alguns tipos de peças em alumínio, tais como o tanque de combustível de um carro de corrida, Montagem de Circuitos de Refrigeração. Utiliza-se a soldabrasagem para unir conexões de tubos de cobre e/ou de aço galvanizado de circuitos de refrigeração de refrigeradores, garantindo a estanqueidade da união. Tipos de Soldas Soldas de chanfro, filete, e de face são usadas para soldabrasar juntas feitas de chapas e placas, tubos e dutos, barras, revestimentos, e forjamentos. Para se obter uma boa resistência da junta, é necessária uma área de união adequada entre o Prof. L.C.Simei Página 75 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° metal de adição de soldabrasagem e o metal de base. A geometria do chanfro deve fornecer uma área da face adequada, de tal forma que a junta não falhe ao longo das interfaces. Abaixo seguem exemplos de juntas para soldabrasagens de tubos, barras circulares e barras quadradas: Figuras 54, 55 e 56. Tipos de Juntas para Soldabrasagem. Soldabrasagem dos Metais Ferrosos Procedimentos As peças a serem soldabrasadas são preparadas como para a soldagem oxiacetilênica. Os ferros fundidos cinzentos não podem ser soldabrasados sobre a superfície de uma fenda; esta se propaga para as regiões de menor resistência mecânica, isto é, para o plano das lamelas de Prof. L.C.Simei Página 76 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° grafite. A grafite não pode ser soldabrasada, e ainda, ela elimina com o calor os gases que absorveu. As faces desses ferros fundidos a serem soldabrasados devem ser usinadas, ou melhor, limadas, de maneira que as lamelas de grafite fiquem quase todas cortadas transversalmente sobre a superfície de aderência. Durante este preparo, deve-se evitar esmerilhagens violentas, usinagens em ferramentas sem fio que abalem ou desloquem o fundido acima do seu ponto de transformação que se situa cerca de 770-780°C. O operador deve abordar seu trabalho com a habilidade de um soldador de funilaria, preocupado antes de tudo com a ―aderência‖ do metal de adição, ao passo que o soldador que utiliza o processo oxiacetilênico, fica preocupado em levar as bordas a serem soldadas até quase a fusão, superaquecendo-as acima das temperaturas de aderência. A zona das temperaturas de aderência vai de 720 a 850°C para o aço doce e 650 a 820°C para o ferro fundido. Estes limites são aproximados e, particularmente para o ferro fundido cinzento, a temperatura é igualmente limitada pelo ponto de transformação. Ligas de Metal de Adição Deve aderir e ―molhar‖ facilmente os ferrosos num intervalo de temperaturas convenientes, ter um ponto de fusão bastante baixo para não provocar no metal base alterações estruturais sensíveis e desfavoráveis, escorrer bem, possuir durante todo o resfriamento resistência e ductilidade suficientes para evitar defeitos. Diversas ligas preenchem estas condições, entretanto empregam-se quase sempre latões especiais cuja composição aproximada é mostrada abaixo: O níquel pode estar presente; o chumbo ao contrário é uma impureza nociva; ele opõe-se a aderência do metal de adição nas peças a serem soldadas. Os metais de adição para brasagem e soldabrasagem são portanto geralmente preparados com metais novos. A liga acima funde ao redor de 890°C, temperatura próxima a de ebulição do zinco (905°C). Deve-se evitar a evaporação deste metal durante a soldabrasagem, pois ela apresenta diversos inconvenientes, tais como alteração da liga e sobretudo emissão de fumaças de óxido de zinco bastante incômodas para o soldador e ligeiramente tóxicas. Na nova soldabrasagem, são sobretudo o manganês e o silício que formam na superfície da liga fundida (em atmosfera oxidante), compostos de estrutura e natureza química mal definidos, mas que se opõe à evaporação do zinco. O manganês permite em particular, a obtenção de varetas de ótima qualidade que oferecem toda segurança. Mas um excesso de silício tornará a aderência mais difícil. Qualquer soldabrasagem do tipo acima parece ter um ponto de transformação entre o solidus e 450°C. Um resfriamento brusco, na água, por exemplo, deve ser evitado; provoca um aumento da dureza e diminuição do alongamento. Prof. L.C.Simei Página 77 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° Soldabrasagem de Metais Cuprosos O cobre desoxidado, ou não, pode ser soldabrasado. O cobre não desoxidado, cuja soldagem oxiacetilênica dá lugar a inconvenientes, pode ser soldabrasado mais facilmente. Com efeito, o metal de base não entra em fusão e há menos riscos de porosidade causada pela produção de vapor. O risco de inclusão de gás será evitado com a regulagem da chama oxidante. Esta regulagem apresenta a vantagem de limitar a volatilização do zinco na vareta de adição. Na soldabrasagem de ligas de cobre, o metal de base deve ter uma linha solidus superior à linha liquidus do metal de adição, ou seja, maior que 920°C. Isto explica porque fora os cobres que contenham pequenas adições, somente as ligas cobre-silício e cobre-níquel são soldáveis desta maneira. Com as ligas cobreníquel, é necessário utilizar um metal de adição especial que contenha níquel. Na prática, pode-se soldabrasar a maioria dos latões e dos bronzes com um latão com 40% Zn, mas ocorre geralmente a fusão do metal de base, o que leva a adoção de uma técnica especial. Com as ligas cobre-alumínio e algumas outras ligas de cobre, são necessários fluxos especiais. Com as ligas cobre-alumínio adota-se uma chama com excesso de acetileno (chama carburante). Os bronzes com estanhonecessitam, ao contrário, de uma chama oxidante. Soldabrasagem do Alumínio E Suas Ligas O alumínio puro funde a 658°C. Os metais de adição fundem de 550 a 620°C. Por não existirem metais de adição com pontos de fusão baixos o suficiente, são numerosas as ligas de alumínio que não são passíveis de brasagem ou soldabrasagem. A pequena diferença dos pontos de fusão limita o processo e impõe restrições estritas as técnicas de aquecimento. Outro problema é a dificuldade de dissolver a camada de óxido (Al 2O3) que se forma na superfície das ligas leves. Ela só começa a ser eliminada em quantidade suficiente pelos fluxos fundidos a partir de 500°C. É portanto imprescindível que ―o solidus‖ do metal de adição seja superior a esta temperatura, pois a presença de um metal fundido diminuiria a eficácia do fluxo. Os metais de adição empregados na soldabrasagem são os mesmos que aqueles usados na brasagem, são ligas-alumínio-silício: Com 5% Si, com intervalo de fusão 565/600°C Com 7% Si, com intervalo de fusão 565/575°C Com 12% Si, com intervalo de fusão 550/590°C A liga com 7% Si, serve quase que unicamente para plaqueamento sobre uma ou duas faces de chapas ou de tubos de alumínio ou suas ligas. Estas chapas plaqueadas simplificam bastante o posicionamento do metal de adição. Além desta forma particular, existem metais de adição na forma de fios redondos, varetas, Prof. L.C.Simei Página 78 Faculdade NOTAS DE AULAS - IX SENAI “Roberto Simonsen” Disciplina: Manutenção Mecânica Data: Mar/2013 Ver: 1 Semestre: 3° chapas circulares ou folhas para serem cortadas. Os fluxos são constituídos essencialmente de fluoretos (de sódio ou potássio) misturados ou não com cloretos ou brometos para abaixarem o ponto de fusão. Podem-se apresentar na forma de pasta ou pó. O tipo de chama a ser utilizado para soldabrasar alumínio deve ser suave e levemente comburente. Prof. L.C.Simei Página 79