ESTUDO SOBRE A OCORRENCIA NA DENOMINAÇÃO DOS TERMOS GENÉRICOS DE CURSOS D’ÁGUA NO TERRITÓRIO BRASILEIRO Cláudio João Barreto dos Santos [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Faculdade de Engenharia Lia de Souza e Simões Figueiredo [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Faculdade de Engenharia Tamyres Vale Leal [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Faculdade de Engenharia Thiara Araújo Damasceno [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Faculdade de Engenharia Hélio Lopes Guerra Neto [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Faculdade de Engenharia Leandro Silva Camargo [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Faculdade de Engenharia Felipe Costa Carrascosa [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Faculdade de Engenharia Samara Navorro Chamaro Ferreira [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Faculdade de Engenharia Luma Costa [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Faculdade de Engenharia Vanessa Junot [email protected] Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Faculdade de Engenharia Resumo O objetivo este artigo será estabelecer uma discussão reflexiva sobre alguns aspectos conceituais com relação a ocorrência na denominação de termos genéricos de cursos d’água no território brasileiro. Este estudo demonstra que a denominação dos termos genéricos dos nomes geográficos possui uma significativa conotação regional. Pretende-se que esta questão seja respondida de forma adequada após pesquisa em ambiente de manipulação de dados Geoespaciais com a utilização da Base de Dados de Carta Digital do Brasil na Escala de 1:1.000.000 (BCIM) disponível no site do IBGE na Internet. Abstract The purpose of this article is to establish a reflective discussion of some conceptual issues regarding the occurrence in terms of generic designation of watercourses in Brazil. This study demonstrates that the name of generic terms of geographical names has a significant regional connotation. It is intended that this question is answered appropriately after research in handling geospatial data environment with the use of the Base Letter from Brazil Digital Scale 1:1,000,000 (BCIM) available on the IBGE web site . 1. Introdução ao tema Um dos conceitos basilares com relação a importância da área de conhecimento dos nomes geográficos, encontra-se ancorado no assegurar-se a capacidade de identificar, sem ambigüidade, e localizar entidades geográficas e lugares, como um sistema de referência essencial para serviços, infra-estrutura e administração pública. Neste contexto assume uma importância crucial a denominação dos cursos d’água no Brasil. Diferente de outras feições, como a denominação dos municípios e distritos brasileiros, os nomes das feições hidrográficas não são definidos em nenhum tipo de legislação seja na instância judiciária federal, estadual ou municipal. Os nomes das feições hidrográficas encontram seu cunho oficial respaldado de forma unívoca, nos documentos cartográficos oficiais produzidos pelas instituições oficiais pelo mapeamento sistemático brasileiro. A partir desta asserção, assoma a importância e a responsabilidade do assentamento desta camada informacional nos produtos cartográficos aqui produzidos. Muitas vezes profissionais que lidam com os consumidores da informação geoespacial são instados a se pronunciar sobre a diferença observada das diferentes nomeações conhecidas no Brasil. Por exemplo: qual a diferença entre Rio, Córrego, Riacho e Ribeirão? Para ficarmos apenas nos termos genéricos presentes e levantados na escala de 1:1.000.000 temos trinta destes termos que são conceituados pela geomorfologia como um curso d’água, ou seja: cursos d'água, corrente de água que flui ou desemboca no oceano, num lago ou noutro curso d'água. (GUERRA,2010) Porém, ao analisarmos as diferentes denominações assumidas por essas feições nos diferentes lugares do Brasil, nesta escala, encontram-se as seguintes denominações: Arroio, Água, Aguinha, Braço, Córgão, Corguinho, Corixão, Corixinho, Corixo, Córregão, Córrego, Corregozinho, Esgotinho, Esgoto, Igarapé, Igarapezinho, Ipixuna, Lajeado, Lajeadinho, Lajeadão, Riacho, Riachinho, Riachão, Ribeirão, Ribeirãozinho, Riozinho, Sanga, Valão, Vazante, Vazantinha. Todas estas denominações são angariadas num processo de campo chamado reambulação, que em última instância é a metodologia responsável por toda a nomenclatura das feições geográficas cartografadas nos diferentes espécimes cartográficos colocados a disposição da sociedade. Um nome geográfico é composto normalmente por duas partes: a primeira referida ao termo genérico,representando aa denominação do tipo de acidente geográfico natural ou construído pelo homem; e a segunda, fixando a denominação própria e específica, singularizando a feição geográfica nominada. (IBGE, 2010) Neste trabalho procurou-se fazer um levantamento das ocorrências dos termos genéricos citados acima, presentes nos cursos d’água no Brasil, com a utilização da base integrada na escala de 1:1.000.000 (bCIM) disponibilizada no site do IBGE , e ainda contando com a utilização de um Sistema de Informações Geográficos de plataforma livre para a manipulação dos dados geoespaciais, Quantum Gis. A seguir será explanada a metodologia utilizada e os resultados encontrados a partir da pesquisa proposta. 2. Metodologia Aplicada Na primeira etapa do trabalho pesquisou-se a ocorrência dos termos genéricos em território nacional. A partir desta análise, levantou-se a incidência de cada denominação para um curso d’água em cada unidade da federação, e posteriormente cada região do Brasil. Aplicou-se métodos de consulta espacial com a utilização da plataforma de SIG livre Quantum Gis, relacionando a ocorrência da camada de informação de Curso D’água, relacionando as denominações genéricas com as respectivas Unidades da Federação. Inicialmente eliminou-se na pesquisa todas as ocorrencias de cursos d’água que se encontravam fora do território nacional, a fim de facilitar o tempo de trabalho e carregamento dos processos de consulta. Figura 1 - Delimitação dos Cursos d'agua em território nacional Após isto, trabalhou-se somente com esse shapefile criado HD_CURSOS_DAGUA_NACIONAL. Nesta primeira abordagem foi pesquisada a denominação genérica Rio para os cursos d’água, detectando-se que esta ocorrência de denominação, se fez presente em todas as unidades da federação no Brasil, conforme demonstrado a seguir, com a iluminação da referida ocorrencia destacada na cor azul mais clara: Figura 2 - Termo 'Rio' em todo território nacional. Na continuidade com o mesmo método de pesquisa, deu-se prosseguimento na pesquisa da ocorrência dos outros termos genéricos de interesse do estudo e a contagem dos estados de incidência dos termos. Primeiro, foi selecionado o termo desejado por consulta de atributo e a seguir realizada a consulta espacial relacionado-o as unidades da federação nas quais o termo pesquisado encontra-se presente. Neste caso para o termo genérico Arroio. Ao realizar a pesquisa para este termo genérico ‘Arroio’ ("nm_ngeneri" = 'Arroio') é possível visualizar uma incidência maior na região sul. Ao pesquisar em outras unidades da federação verificou-se a incidência em outras unidades da federação pertencentes a outras regiões brasileiras. Figura 3 - Consulta final com os Estados. A busca nos retornou mais seis estados além da região sul que contem o termo genérico ‘Arroio’, sendo eles: Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Piauí. Com essa etapa realizada iremos repetir o mesmo procedimento para todos os termos a seguir: Agua, Aguinha, Arroio, Braço, Corgão, Corguinho, Corixão, Corixinho, Corixo, Corregão, Córrego, Corregozinho, Esgotinho, Esgoto, Iguarapé, Iguarapezinho, Ipixuna, Lajeadão, Lajeadinho, Lajeado, Riachão, Riachinho, Riacho, Ribeirão, Ribeirãozinho, Rio, Riozinho, Sanga, Valão, Vazante, Vazantinha. Resultados Da primeira análise conseguimos definir bem a incidência de cada termo por estado em todo território. Verificou-que a denominação ‘Rio’ é generalizada em todas as Unidades da Federação, seguido dos termo genéricos ‘Córrego’, ‘Ribeirão’. Figura 4 - Termo por Estado ‘Riacho’ e Conclusão Neste trabalho abordou-se a presença das diferentes denominações dos cursos d’agua constatando-se um claro aspecto regionalizado nesta denominação. Estudos futuros poderão demonstrar que este fato pode estar relacionado com migrações internas de camadas populacionais, que nesta transmigração carreiam para os novos lugares que passam a ocupar, questões relacionadas as suas identidades e topofilia com relação aos lugares de origem, o que se materializa-se na denominação das feições fluviais. Não existe no Brasil uma regra geral ou critérios estabelecidos, em termos de fluxo , tamanho ou extensão que definam o que pode ser chamado de rio, ou córrego, ou riacho , corixo etc. Portanto, o que se pode concluir de forma clara e insofismável após a pesquisa realizada , é a constatação de uma nítida regionalização na denominação dos termos genéricos pertencentes aos nomes geográficos no território brasileiro. Bibliografia GUERRA, A.T. (2003) Novo Dicionário geológico-geomorfológico. Editora Bertrand Brasil. Rio de Janeiro. IBGE (2010) – Glossário dos termos genéricos dos nomes geográficos utilizados no mapeamento sistemático do Brasil/IBGE – Coordenação de Cartografia. Rio de Janeiro. MENEZES, P.M.L FERNANDES, M. C.. (2013) Roteiro de Cartografia. Editora Contexto. Rio de Janeiro. MENEZES, P.M.L. e SANTOS C.J.B. (2007) Geonímia: aspectos relevantes. Revista da SBC - Sociedade Brasileira de Cartografia, nº 58/03. Rio de Janeiro. SANTOS, C.J.B. (2008) - Geonímia do Brasil: A Padronização dos Nomes Geográficos num Estudo de Caso dos Municípios Fluminenses. Tese de Doutorado – Universidade Federal do Rio de Janeiro, IGEO. Rio de Janeiro.