AU TO RA L DE DI R EI TO U N I V E R S I D AD E C AN D I D O M E N D E S A VEZ DO MESTRE Monografia MARKETING EN TO PR OT EG ID O PE LA LE I RESPONSABILIDADE SOCIAL X MARKETING SOCIAL: AÇÃO COM OBJETIVO NA CARIDADE OU NA PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO DA EMPRESA DO CU M ERICA BARRETO DOS SANTOS HOMEM TINOCO A Ve z do Me stre – Un idade DOW NTOW N (Ba rra da Tiju ca ) Abril / 2007 ERICA BARRETO DOS SANTOS HOMEM TINOCO RESPONSABILIDADE SOCIAL X MARKETING SOCIAL: OS OBJETIVOS DESTA AÇÃO SÃO VOLTADOS PARA A CARIDADE OU PARA A PROMOÇÃO DE VENDA DE PRODUTOS E SERVIÇOS. Trabalho monográfico de conclusão do curso de Pós Graduação em Marketing do Instituto A Vez do Mestre (UNIVERSIDADE CADIDO MENDES) 2 Rio de Janeiro 2007 S U M ÁR I O I N T R O D U Ç ÃO 05 Capítulo 1: MARKETING SOCIAL: TEORIA E PRATICA 06 O que é Marketing Social? 06 Atuação Social estratégica 08 Por que as empresas divulgam as Ações Sociais que praticam? 09 Cases: Como algumas empresas, organizações e instituições praticam o Marketing Social 10 Capítulo 2:RESPONSABILIDADE SOCIAL: TEORIA E PRATICA 18 Responsabilidade Social 18 Prêmio Amanco 18 Filantropia 19 Cases: Como algumas empresas, organizações e instituições praticam o Marketing Social 19 Capítulo 3: MARKETING SOCIAL X RESPONSABILIDADE SOCIAL 21 Marketing Social X Responsabilidade Social: caridade e assistencialismo ou promoção de vendas 21 A importância da prática do Marketing Social e da Responsabilidade Social 22 Ética Social 23 Entrevistas 24 Redução de Impostos 25 3 Conclusão 27 Bibliografia 28 Glossário 28 4 I N T R O D U Ç ÃO Depois de 10 anos trabalhando em empresas de portes variados (grandes, médias e pequenas) despertou-me a curiosidade de estudar o motivo pelo qual as organizações praticam a Responsabilidade Social. Há quem diga que a Responsabilidade Social é ação promovida pelo Marketing Social. Alguns autores tratam o assunto de forma similar. A diferença entre ambas as atitudes está em sua divulgação. Quando uma empresa divulga um bem feito à sociedade, ela pratica o Marketing Social, e, quando ela não faz divulgação da ação promovida, há quem diga que a empresa agiu com Responsabilidade Social. O que leva as empresas a promoverem atividades sociais, sejam elas divulgadas ou não? É a intenção de ajudar o próximo ou a simples tática utilizada para se promover com o sofrimento alheio? Esta será a nossa discussão neste trabalho que foi desenvolvido objetivando esclarecer o profissional de marketing sobre o real escopo da Responsabilidade Social e o que deve ser feito para que uma ação social tenha cunho realmente social e não promocional. A importância deste trabalho está em esclarecer ao leitor sobre um dos meios que as empresas utilizam para conquistar a confiança do consumidor. O Marketing Social contribui na conquista de um cliente, faz mantê-lo consumidor e o fideliza. Você compraria um produto de uma empresa que repassa 10% do seu lucro para um hospital de crianças com câncer ou de uma empresa que nada realiza para a sociedade em que vive? É claro que este não é um único aspecto medido pelo consumidor para escolher uma empresa. A qualidade, o preço, a distribuição, o atendimento, entre outros fatores somados a prática da Responsabilidade Social fazem com que uma empresa conquiste o seu público. Atualmente, sou funcionária de uma multinacional chamada Prysmian Cables and Systems do Brasil S.A, antiga Pirelli Cabos e Sistemas do Brasil S/A. Atuo na área de fabricação de umbilicais para o setor petrolífero. Segundo entrevistas de alguns profissionais das áreas comercial e marketing, inclusive de diretores e gerentes, podemos perceber que a principal intenção deste profissional em produzir uma ação de Marketing Social é primeiramente para promover a empresa, e depois para ajudar o próximo. Também 5 existe a questão da redução de impostos. Quando uma empresa pratica um bem social, ela reduz o imposto pago ao governo. Entrevistando profissionais de outras empresas, podemos identificar a mesma intenção. O capítulo um deste trabalho fala sobre o que é o Marketing Social, sua atuação estratégica, quais são os objetivos de uma empresa quando ela pratica o Marketing Social e conta casos reais de Marketing Social. No capítulo dois, veremos o que é a Responsabilidade Social, o que é filantropia, algumas premiações para empresas que objetivam ações sociais e casos reais de empresas que obtiveram sucesso com a pratica social em comunidades carentes. Falaremos também sobre as diferenças entre o Marketing Social e a Responsabilidade Social no capítulo três. Ainda neste capítulo entenderemos mais um pouco sobre a importância da pratica da Responsabilidade Social e do Marketing Social, independente dos objetivos das empresas que os pratica. A Ética Social e entrevistas com profissionais sobre o Marketing Social serão assuntos abordados no capítulo três. Concluiremos este trabalho entendo um pouco melhor da pratica da Responsabilidade Social, suas características, causas, conseqüências e importância. Suas diferenças e semelhanças quando comparada com o Marketing Social. Até que ponto uma empresa ajuda ou atrapalha a sociedade em que vive. Quanto pode ser beneficiada uma empresa que pratica um bem à sociedade. Quando a pratica é bem estruturada, planejada e executada, todos são beneficiados: empresa, público, sociedade, governo, enfim, todos os envolvidos são beneficiados, portanto o Marketing Social e a pratica da Responsabilidade Social podem ser encarados sempre como uma ação positiva à sociedade. 6 C AP Í T U L O 1 O M AR K E T I N G S O C I AL : T E O R I A E P R ÁT I C A O que é Marketing Social? Antes de comentarmos a prática, é importante entendermos a teoria: o que é Marketing Social? Segundo a Associação Americana de marketing, o MKT é a execução das atividades que conduzem o fluxo de mercadorias e serviços do produtor aos consumidores finais, industriais e comerciais. Uma destas atividades é o Marketing Social que promove ações de caridade à sociedade e divulga esta ação, mostrando para o cliente que a empresa se preocupa com esta sociedade. Podemos entender a Responsabilidade Social como esta ação de caridade promovida pela empresa. Com isto, a empresa torna-se mais conhecida e respeitada pela sociedade. A divulgação da ação (responsabilidade social) é sempre vinculada à marca. As causa sociais podem ser relativas ao Meio-Ambiente, Saúde, Direitos Humanos, Educação entre outros temas. A prática do Marketing Social surgiu da grande concorrência que se desenvolveu entre as empresas. Há tempos atrás, bastava ter um bom produto para ser reconhecido no mercado. Hoje em dia a maioria das empresas possui produtos de grande qualidade e os consumidores necessitam de novos parâmetros de escolha no momento da compra. Observando esta falta de diferenciais no mercado e as grandes dívidas sociais que tanto incomodam os consumidores contemporâneos foi que surgiu a idéia de vender produtos que não apenas beneficiasse seus produtores, mas também ajudasse em causas sociais nas quais esses consumidores acreditavam, pois será este diferencial que trará como resultado uma lealdade com a marca e uma afinidade emocional com o produto. O Marketing Social representa importante oportunidade para as empresas diferenciarem seus produtos e melhorarem sua imagem corporativa. Por este motivo, é crescente o número de empresas que associam sua marca a atividades sociais, como forma de estimular vendas e agregar valor a sua imagem institucional. Do ponto de vista do consumidor, adquirir produtos ou contratar serviços de empresas que estejam associadas a causas sociais é uma ótima oportunidade de tornar real o desejo de participar de uma causa social. É como se quem estivesse ajudando fosse o próprio consumidor diretamente. Sabendo disto, as empresas 7 firmam acordos com entidades sem fins lucrativos e convidam os consumidores a colaborarem com a causa comprando um produto ou contratando um serviço. Para que tudo saia conforme imaginado, a empresa precisa, primeiramente, ter clareza nos objetivos, entender o que cada parte deseja e firmar um acordo, planejar com antecedência, fazer um levantamento das expectativas de ambas as partes, conectar-se com as pessoas envolvidas e os objetivos, preocupar-se com a criação de valores, desenvolver formas de trabalho em conjunto e acima de tudo, demonstrar e ter compromisso com a aliança. O Marketing Social foi definido por Miguel Fontes como “gestão estratégica do processo de inovações sociais a partir da adoção de comportamentos, atitudes e práticas individuais e coletivas, orientadas por preceitos éticos, fundamentados nos direitos humanos e na equidade social”. Esta definição é teórica, pois na prática as empresas agem assim pensando nos lucros financeiros e na fidelização da marca. Atuação Social Estratégica As empresas lançam seus produtos e serviços e obedecendo a um cliclo de vida. Neste ciclo, as etapas são as mesmas: introdução, crescimento, maturidade e declínio. O estágio de maior investimento no produto é a introdução: pesquisas de viabilidade, estudos de embalagens, testes junto ao público-alvo (1), publicidade e lançamento. Este processo leva meses para ser concluído. Os recursos aplicados na introdução de um produto ou serviço são vistos como investimentos e são projetados lucros para um determinado tempo. Pensando em ciclo de produto, é sabido que as empresas sabem fazer isto bem. Porém, os recursos direcionados à atuação social do setor privado, em muitas empresas, são vistos como gastos. Segundo Rodrigo Laro (Coordenador da John Snow Brasil), as empresas deve riam encarar a atuação social como um investimento e não como gasto. A opinião de Rodrigo demonstra que as empresas que encaram a atuação social como investimento, praticam a Responsabilidade Social objetivando retorno de venda, de conquista do target (2), de credibilidade do consumidor para comercializar produtos e serviços e não para ajudar o próximo como deveria ser. 8 Nos anos 70 e início dos anos 80 toda verba gasta em atuação social era dinheiro perdido. Nem os benefícios da imagem institucional eram bem visto pelas empresas nesta época quando ela se engajava em uma atividade socia l. Isso começou a mudar no início dos anos 90. Algumas empresas começaram a perceber que a utilização de recursos nesta atividade poderiam representar investimentos e trazer bons lucros. Agregar valor social a produtos e serviços vendidos por empresas e buscar associação da empresa a temas sociais significa investimento para muitos empresários. Embora muitas empresas encarem a atividade social como investimento, faltam recursos para aplicar no setor. Apoiar uma causa social significa agir sob orientação de políticas públicas relativas à causa. Um exemplo: empresas podem agir na transformação de crianças com possibilidade de crescerem e se tornarem bandidos e incentivá-los à leitura ou ao esporte. Existem três tipos de promoção do marketing social: implementação, financiamento ou investimento. Na implementação de tecnologias sociais, a empresa realiza a intervenção junto ao segmento beneficiado, na própria comunidade. O financiamento é o repasse de recursos financeiros para empresas do terceiro setor que executam a ação social. Já o investimento é praticado por empresas que assumem o papel de coordenação: desde a fase de pesquisas e planejamento até a execução e avaliação dos resultados. Agir pela gestão de causas sociais promove reconhecimento institucional, ganho de valor a marca, disseminação de envolvimento dos profissionais da organização, aumenta o consumo e o valor da marca e desperta a disposição dos colaboradores em agir pela causa social. Porem, como em qualquer ciclo, são necessários investimentos de médio e longo prazo para se alcançar resultados satisfatórios. Ao contrário do ciclo de produtos o ciclo do Marketing Social é garantido e não há declínio. Um exemplo é o projeto Criança Esperança da Rede Globo criado há tanto tempo, sem registro de declínio. Por que empresas praticam? divulgam as ações sociais que A questão sobre o motivo e objetivo pelo qual as empresas praticam as ações sociais depende de diversos 9 fatores. Para responder esta pergunta, precisamos saber qual o perfil da empresa e dos seus dirigentes, o ramo da empresa, como é feita a divulgação da ação social, o tamanho da empresa, o retorno e os gastos com esta divulgação, enfim, vários fatores influenciam em nossa resposta: Por que as empresas praticam o Marketing Social? Algumas empresas têm a real intenção de ajudar o próximo. Reservam verbas para praticar a filantropia ou incentivam as pessoas a realizarem doações para a sociedade ajudada carente. Existe a pratica da ação social planejada e executada pela empresa com verba da própria empresa, existe a pratica da ação social através da persuasão, ou seja, empresas tentam convencer seu público alvo (1) de ajudarem determinado setor. Ou, existem empresas que praticam ações sociais utilizando seus funcionários. São eles os doadores de trabalho, verba, alimentos, entre outros. A redução de impostos, também é um dos objetivos das empresas que praticam a Responsabilidade Social. Existe um incentivo governamental que proporciona o direito às empresas de ajudarem a comunidade e lucrarem com a redução dos impostos pagos. Falaremos mais sobre este assunto no capítulo três. Existem empresas que praticam o Marketing Social com um único objetivo: promoção de venda. A divulgação excessiva do que se tem feito de bom à sociedade pode ser uma forma da empresa estar demonstrando que só pratica esta ação com intuito do seu público comprar mais produtos e serviços em determinada empresa porque desta forma o indivíduo também estará ajudando. E por último, existem as empresas que praticam a Responsabilidade Social por um ou mais motivos acima citados. De qualquer forma, ou por qualquer motivo, a pratica da Responsabilidade Social é um bem a humanidade. Muitas comunidades carentes já foram beneficiadas com esta ação. Muitas pessoas mudaram sua história de vida. Qualquer que seja o motivo, a ação social beneficia a todos e é muito bem vinda na sociedade. Cases (3): Como algumas empresas, instituições praticam o Marketing Social organizações e Mc Dia Feliz (Mc Donald): 10 Coordenado pelo Instituto Mc Donald, o Mc Dia Feliz é um dos principais eventos comunitários do sistema Mc Donald Brasileiro. O evento ocorre em um sábado, dia de maior movimento nos mais de 500 restaurantes da rede Mc Donald. Neste dia todo o dinheiro obtido com a venda de sanduíches Big Mac, isoladamente ou na Mc Oferta nº1 (exceto alguns impostos) é revertido para instituições participantes em cada cidade. A prática é um sucesso. Muitas pessoas compram o sanduíche com objetivo unicamente de ajudar as crianças com câncer. O evento é muito divulgado em diversas mídias tornando-se conhecido por todo seu público alvo (1). Até aqueles que não simpatizam com o sanduíche passam a comprar, pois estão ajudando a sociedade. As vendas são sempre superadas, a cada ano os números são divulgados nas mídias e nos restaurantes. Fotos dos hospitais e das crianças beneficiadas são divulgadas e o Mc Donald torna-se uma empresa responsável perante a sociedade. Esta campanha conta com recursos obtidos pela venda do sanduíche Bic Mac no Brasil, menos impostos, em uma determinada data estabelecida como o dia oficial da campanha em que os recursos arrecadados são doados para instituições que lutam contra o câncer infanto-juvenil no país e que foram previamente escolhidas por obedecerem aos critérios previamente exigidos pelo Instituto Ronald Mc Donald. As metas estabelecidas (retorno financeiro, visibilidade à marca e auxílio à causa defendida) pelo uso das estratégias de Maketing Social na campanha do Mc Dia Feliz estão sendo alcançados. Em 15 anos de campanha, já foi arrecadado mais de 51,2 milhões e com isso houve um aumento no índice de cura por diagnóstico precoce da doença de 30% para 70%. O benefício mútuo foi inevitável e se deu pelo sucesso da causa defendida: a empresa ficou conhecida socialmente responsável e hoje tem grande número de pessoas que freqüentam a lanchonete no dia do Mc Dia Feliz porque acreditam na causa e acham que vale a pena ser cliente de uma empresa que se preocupa com a sociedade. Gol Linhas Aéreas: Às 18 horas do dia 29 de setembro, o Presidente da Gol recebe a notícia que o vôo 1907 havia desaparecido enquanto sobrevoava a Amazônia. Os dias seguintes foram de pura angustia para os familiares de quem estava neste vôo. E de todos que acompanharam a triste história. A mídia divulgou a incessante busca pelos 154 corpos das vítimas. Constantino de Oliveira, presidente da Gol, focou a busca pelas vítimas e o conforto às famílias. Ele demonstrou que o dano da imagem da empresa fica em segundo plano e diz “Estamos mais 11 empenhados em apoiar e suportar as famílias. O valor da empresa não é o mais importante”. A questão é, o relato de Constantino é contraditório. Em momento nenhum ele desvaloriza a empresa com estas palavras de valorização a família, ao contrário, sua preocupação com as famílias das vítimas pode ser interpretada como uma ação de Marketing Social na tentativa de reconquistar supostos clientes perdidos. A divulgação do relato justifica a ação de marketing. Quando uma empresa demonstra preocupação com a vida e o bem estar do ser humano, ela cativa o seu público alvo (1). Esta é uma ação de Marketing Social que tenta transformar um acontecimento negativo em uma ação positiva. Acidentes aéreos tornam-se modelos de gestão de crises. São nesses momentos que o grau de compromisso e solidariedade da empresa aos familiares das vítimas são medidos. A Gol demonstrou imparcialidade e sensibilidade para uma empresa em situação de crise. Diversas atitudes da Gol foram traduzidas como ação de Marketing Social pois denotam responsabilidade com a sociedade por exemplo: a verificação da lista de ocupantes para posterior notificação aos parentes; colocação de boletins que informavam maiores detalhes sobre o acidente; a linguagem das mensagens oficiais foram adequadas à dor das muitas pessoas envolvidas; foram realizadas reuniões com parentes das vítimas buscando ações para minimizar o sofrimento (ex: a Gol arcou com as despesas de planos de saúde dos dependentes de uma das vítimas, a pedidos); todas as despesas de transporte, alimentação, despesas de translado das vítimas e de seus parentes e cerimônia de sepultamento foram pagas pela Gol. Entende-se que o compromisso com a Responsabilidade Social foi mantido durante todo o processo de reconquista do público alvo (1). Outro fato simbólico que demonstrou compromisso com os parentes das vítimas foi o emocionante minuto de silêncio em data e horário marcado em todos os aeroportos que a Gol opera. Mais de 7.000 colaboradores da empresa pararam por um minuto e deram as mãos em homenagem as vítimas. Um culto ecumênico celebrado em homenagem às vítimas no Rio de Janeiro também foi considerado um ato de solidariedade da empresa. Pequenos gestos podem demonstrar a Responsabilidade Social de uma empresa e estas ações têm poder de conquistar, fidelizar e até reconquistar clientes. 12 Natura: A Natura nasceu a 36 anos movida por duas paixões: a cosmética e a promoção pelo bem-estar e pela auto-estima, sobretudo pelas relações humanas. Os colaboradores da Natura acreditam que a aposta nestas paixões fizeram a empresa chegar à posição privilegiada que ocupa hoje, uma das líderes no mercado brasileiro de cosmético e higiene pessoal. Atualmente a Natura conta com cerca de 600 produtos em seu portfólio, nas categorias maquiagem, perfumaria, proteção solar, cuidado com o rosto, corpo e cabelo, entre outros produtos. Em 2004, tornou-se uma companhia de capital aberto e registrou um volume de negócios de 2,5 bilhões de reais. Mas a marca Natura não é sinônimo somente de produtos de qualidade. Ela também é constituída por crenças e valores, que são expressos na nossa forma cotidiana de fazer negócios, consolidando assim uma forma de gestão empresarial socioambiental responsável, o que significa negócios baseados em dois pilares principais: na relação ética, transparente e com canais abertos com seus públicos de relacionamento (colaboradores, fornecedores, comunidades, consultoras, consumidores, governo e acionistas); em metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável. Para a Natura, o grande desafio é incorporar a sustentabilidade aos mecanismos de gestão, de modo que este tema influencie cada decisão e permeie todas as práticas do dia-a-dia. É algo que vem sendo construído coletivamente, num processo contínuo de aprendizado e compartilhamento, avaliação e aprimoramento, envolvendo as lideranças da empresas, seus colaboradores e comunidade. A Natura busca a magnitude e a complexidade das questões do desenvolvimento sustentável, exige uma abordagem de excelência e de inovação muito mais ampla e radical, o entendimento destas questões ligadas a uma visão de mundo. Tudo que está acontecendo na Natura hoje faz parte de um só movimento em direção ao projeto de contribuir para a construção de um mundo melhor. Não é possível ter um compromisso parcial com a transformação social e com o desenvolvimento sustentável. Este compromisso precisa estar presente em todas as ações da empresa. Para isto, os líderes precisam estar conscientes de que o discurso não pode estar diferente da prática e os colaboradores precisam estar envolvidos efetivamente, assim como todos aqueles que participam da comunidade Natura. A Natura assume que uma empresa ambientalmente responsável deve gerenciar suas atividades de maneira a 13 identificar os impactos sobre o meio ambiente, buscando minimizar aqueles que são negativos e ampliar os positivos. Deve, portanto, agir para a manutenção e melhoria das condições ambientais, minimizando ações próprias potencialmente agressivas ao meio ambiente e disseminando para outras empresas as práticas e conhecimentos adquiridos na experiência da gestão ambiental. Ao assumir a política de meio ambiente como uma das três vertentes de seu compromisso com a sustentabilidade, a Natura visa também a ecoeficiência ao longo de sua cadeia gerador de valor; e, ao buscar esta ecoeficiência, favorece a valorização da biodiversidade e de sua Responsabilidade Social. As diretrizes para o meio ambiente da Natura contemplam: • A responsabilidade com as gerações futuras: no enfrentamento dos impactos ambientais resultantes de suas atividades no setor de cosméticos, saúde e fitoterápicos, tanto no Brasil, como no exterior, a empresa: o Cumpre os parâmetros e requisitos exigidos pela legislação e demais normas subscritas pela organização; o Controla-os e monitora-os em todas as fases de produção, com vistas à redução de uso de insumos de valor ambiental estratégico, a eliminação gradativa de ensaios com animais em matériasprimas para produtos cosméticos, à redução de impactos ambientais de embalagens e à pronta reparação de eventuais incidentes; o Promove a melhoria contínua dos processos em toda a cadeia produtiva, incorporando tecnologias limpas; o Trata a questão ambiental como tema transversal em sua estrutura organizacional e a inclui no planejamento estratégico; o Desenvolve novos negócios e novos modelos de negócios levando em conta os princípios e as oportunidades oferecidas pela sustentabilidade. • A educação ambiental: A Natura busca disseminar a cultura da responsabilidade ambiental, individual e coletiva, entre colaboradores, equipes de vendas, fornecedores, prestadores de serviços, e consumidores. Capacita colaboradores para a prática da sustentabilidade nas atividades profissionais e estende esse compromisso às parcerias com fornecedores, inclusive por meio de cláusulas contratuais. Desenvolve ações de educação ambiental e treinamento sobre a 14 • • prática da responsabilidade ambiental para colaboradores, estimulando o debate. Promovem campanhas internas dirigidas a familiares de colaboradores e à comunidade do entorno imediato da empresa; e participa ou apóia projetos e programas de educação ambiental voltados para a sociedade em geral. O gerenciamento do impacto do meio ambiente e do ciclo de vida de produtos e serviços: A Natura opera sistemas de gestão ambiental com ampla identificação de riscos, plano de ação, alocação de recursos, treinamento de colaboradores e auditoria. Foca sua ação preventiva nos processos que oferecem dano potencial ao meio ambiente, à saúde e risco à segurança de seus colaboradores, objetivando a prevenção à poluição, e realiza regularmente atividades de controle e monitoramento. Produz estudos de impacto em toda a cadeia produtiva; desenvolve parcerias com fornecedores visando a melhoria de seus processos de gerencialmente ambiental. A minimização de entradas e saídas de materiais: A Natura busca desenvolver projetos e orienta os investimentos visando a compensação ambiental pelo uso de recursos naturais e pelo impacto causado por atividades. Busca organizar a sua estrutura interna de maneira que o meio ambiente não seja um tema isolado, mas que permeie todas as áreas da empresa, sendo considerado a cada produto, processo ou serviço que desenvolve ou planeja desenvolver. Isso permite à empresa prevenir-se de riscos, além de reduzir custos, aprimorar processos e explorar novos negócios voltados para a sustentabilidade ambiental, favorecendo a sua inserção no mercado. Sem alterar seu padrão de tecnologia atual, a Natura procura reduzir o consumo de energia, água, produtos tóxicos e matérias-primas, e implantar processos de destinação adequada de resíduos. Investe na atualização de seu padrão tecnológico, visando a redução ou substituição de recursos de entrada; realiza o tratamento de efluentes e de resíduos em geral e promove o uso de matériasprimas renováveis. Possui processos para medir, monitorar e auditar os aspectos ambientais associados ao consumo de recursos naturais e à geração de resíduos, estabelecendo periodicamente novas metas. Procura adotar práticas de bom manejo florestal na extração de ativos e na utilização sustentável de recursos naturais básicos; promove a reciclagem e o reuso de materiais, o gerenciamento da qualidade do ar, da água e do solo, o controle de efeitos sonoros, a redução do desperdício e privilegia o uso de materiais biodegradáveis, entre outras iniciativas. 15 A Natura é uma empresa de sucesso e este sucesso se apóia no Marketing Social que ela aplica. Todas as suas ações são pensadas junto com a Responsabilidade Social aplicada e todas divulgadas de forma que o público alvo (1) entenda a Natura como empresa responsavelmente social. A sociedade é beneficiada com estas ações de Marketing Social, de forma que, a empresa é bem sucedida, pois sua estratégia é basicamente apoiada nas ações deste Marketing beneficiador de todos. Criança Esperança: “O Criança Esperança apóia projetos que promovem o fortalecimento das comunidades mais pobres, como a Pastoral da Criança. Por isto doar para o Criança Esperança é ser solidário com quem mais precisa e contribuir significa reduzir as desigualdades sociais” palavras da Dra. Zilda Arns Neumann (fundadora e Coordenadora Nacional da Pastoral da Criança). Desde 1986 o Criança Esperança já apoiou 4.840 projetos sociais. Reconhecido pela ONU como modelo internacional, o Criança Esperança incentiva o debate sobre políticas públicas e transforma vidas. Em 21 anos de campanha, mais de 161 milhões de reais em doações, foram integralmente investidos no Brasil em 5 mil projetos sociais e ONGs. Tais contribuições garantiram o direito de mais de três milhões de crianças e adolescentes, ajudaram a reduzir na mortalidade e o trabalho infantil, a combater a exploração sexual de meninos e meninas e a preparar jovens de baixa renda para o mercado de trabalho. A campanha Criança Esperança, em parceria com a UNESCO, foi lançada por um programa especial dos Trapalhões em 1986, com 9 horas de duração, e chamou a atenção da opinião pública para a situação da infância no Brasil. A partir daí, o destino de milhões de meninos e meninas começou a mudar, segundo os coordenadores do projeto. Ao longo de 20 anos de Criança Esperança, estes foram os objetivos alcançados: • Ao divulgar a Declaração Universal dos Direitos da Criança, a campanha contribuiu para a inclusão do artigo 277 na Constituição Federal de 1988 que garantia os direitos das crianças brasileiras. Dois anos depois este artigo deu origem ao Estatuto da Criança e do Adolescente; 16 • • Mais de R$ 161 milhões foram arrecadados; Mais de Três milhões e setecentos mil crianças foram beneficiadas. Os números comprovam o sucesso e impõem o desafio constante de superar expectativas. Este é o objetivo do Criança Esperança, superar, cada vez mais, os seus números. O sucesso da campanha é o sucesso da sociedade ajudada, embora, muitos relatos e fatos comprovam que o projeto Criança Esperança não é absolutamente filantrópico e sem fins lucrativos como divulgado. Muitos artistas afirmam que recebem verbas para cantar nos shows beneficentes. Os coordenadores do projeto negam a informação e afirmam que toda renda é direcionada para a caridade. Este é um projeto que age com Responsabilidade Social para beneficiar as crianças necessitadas e utiliza técnicas de Marketing para promover, divulgar, cativar e persuadir os consumidores. Os patrocinadores são beneficiados com a divulgação da marca e a promoção de venda dos seus produtos e serviços, sobretudo a Rede Globo que é valorizada pela ação que faz dela uma empresa Responsavelmente Social. Mais de 32 mil crianças foram atendidas. Em 2006, cinqüenta projetos foram selecionados para receber apoio do Criança Esperança. Ao todo, em 2007, serão beneficiadas mais de 32 mil crianças, adolescentes e jovens em 20 estados de toda a região do Brasil. Além desses projetos, o Criança Esperança apóia também a Pastoral da Criança, de âmbito Nacional, e os espaços Criança Esperança das cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Olinda. Para a seleção de 2006, a UNESCO recebeu 389 propostas de ONGs de todo o país. Os projetos são voltados à promoção dos direitos e à melhoria da qualidade de vida de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social. Há focos de atuação em diversas áreas, como educação complementar, inclusão digital, acessibilidade, combate à exploração sexual e ao trabalho infantil. Para atingir esses objetivos, as instituições desenvolvem atividades esportivas,educacionais, recreativas, culturais, de formação profissional, entre outras. A seleção de projetos considera critérios como os benefícios pretendidos, as prioridades do Brasil, a proposta pedagógica, a população beneficiada, o IDH regional, além de outros fatores. A UNESCO acompanha as ações desenvolvidas para garantir que as atividades tenham qualidade e que seus objetivos sejam sempre alcançados. 17 C AP Í T U L O 2 R E S P O N S AB I L I D A D E S O C I AL : T E O R I A E P R ÁT I C A Responsabilidade Social A Responsabilidade Social incorporada aos negócios é ação recente. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios, empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações. Características da Responsabilidade Social: • • • • Plural: As empresas passam a não dever apenas satisfação aos seus acionistas. Muito pelo contrário. As empresas passam a dever satisfações a acionistas, funcionários, mídia, governo, sociedade, comunidade que opera e meio ambiente. Distributiva: A Responsabilidade Social nos negócios é um conceito que se aplica a toda cadeia produtiva. Não somente o produto final deve ser avaliado por fatores sociais e ambientais, mas o conceito é de interesse comum e deve ser fundido ao longo de todo processo produtivo. Assim como consumidores e empresas também são responsáveis por seus fornecedores e devem fazer valer seus códigos de ética aos produtos e serviço usados ao longo de seus processos produtivos. Sustentável: A Responsabilidade Social caminha jun to com o desenvolvimento sustentável. Transparente: Empresas são obrigadas a divulgar sua performance social e ambiental, os impactos de suas atividades e as medidas tomadas para prevenção ou compensação de acidentes, publicando relatórios anuais. A Responsabilidade Social no Brasil está em fase de crescimento no sentido da profissionalização do setor e da busca por estratégias de inclusão social através do setor privado. P r ê m i o Am a n c o O Prêmio Amanco por um Mundo Melhor é uma premiação promovida pela Amanco do Brasil, que contempla 18 os 3 melhores e mais representativos Responsabilidade Social da construção civil. projetos de Filantropia A filantropia nasceu nos Estados Unidos ao final do século 19 para remediar a falta das instituições em atender os excluídos daquele tempo. Filantropia é um ato de amor à humanidade. Os dois homens mais ricos do mundo também são os dois mais filantrópicos vivos: Bill Gates e W arren Buffet. Eles chegaram a doar para a Fundação Gates 70 bilhões de dólares. Cases (3): Como algumas empresas, organizações instituições praticam a responsabilidade social e Regina Esteves: Como enfrentar o desafio brasileiro de alfabetizar 16 milhões de jovens e adultos? Em 1997 foi criada a ALFASOL (Alfabetização Solidária), uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos e de utilidade pública, que ado tou um modelo de alfabetização com baixo custo e parcerias com diversos setores da sociedade. A Organização trabalha pela redução dos altos índices de analfabetismo no país. Relato de Regina Esteves, Superintendente Executiva e Coordenadora Nacional do Projeto: “Graças a ALFASOL jovens e adultos aprenderam a ler e escrever não apenas no Brasil, mas também em países distantes como Timor Leste, Moçambique, Cabo Verde, Guatemala e São Tomé”. Há intenções promocionais no projeto de Regina? Não existem promoção e divulgação de empresas por trás do projeto, ele não tem fins lucrativos e abrange diversas sociedades e culturas, portanto, não traduz uma ação de Marketing Social e sim de Responsabilidade Social. Tecnisa: Em 2001, a Construtora decidiu implementar sua função de agente econômico e iniciou seu programa de Responsabilidade Social estratégica, com o desenvolvimento de ações sociais diretamente relacionadas com o seu negócio. Dentre elas, destacam-se os Projetos Ler e Construir que focaliza a alfabetização adulta, e Profissionais do Futuro cuja meta é a capacitação técnica, efetuada por funcionários 19 voluntários para os novos operários nas obras. Os esforços com a Responsabilidade Social foram reconhecidos em 2003 e 2004 com o Prêmio Amanco, mais importante prêmio de Responsabilidade Social do país. Com o objetivo de aumentar sua participação em ações sociais, a Tecnisa iniciou em 2002 uma parceria com a Fundação Gol de Letra. A entidade criada pelos ex-jogadores da seleção brasileira Raí e Leonardo, tem por objetivo contribuir na melhoria da qualidade de vida das crianças brasileiras menos favorecidas, desenvolvendo uma sé rie de projetos assistenciais à infância no campo da educação e dos esportes. Companhia Vale do Rio Doce: A diretoria da Companhia Vale do Rio Doce anunciou durante um encontro realizado em Brasília no ano de 2006 a suspensão da ajuda financeira por ela concedida às comunidades indígenas Xikrin do Catete e do Djudjêkô que abrigavam, na época, uma população de 900 índios. Da mesma forma que a ajuda gera uma resposta positiva ao público alvo (1) de determinada empresa, o cancelamento de uma ação social pode gerar um efeito contrário. O público alvo (1) da CVRD, neste caso, e a sociedade em geral, podem ter impressões negativas da empresa. Não importam quais foram os motivos para a suspensão da ação social. A empresa, neste caso, passa a ser a vilã. A força de uma ação social é tamanha e pode ser positiva ou negativa. Vai depender da ação escolhida pela empresa e da forma com que a sociedade recebe esta ação. 20 C AP Í T U L O 3 M AR K E I N G S O C I A L X R E S P O N S A B I L I D AD E S O C I A L Marketing Social x Responsabilidade Social: caridade e assistencialismo ou promoção de vendas O investimento social privado é a utilização voluntária e planejada de recursos em projetos de interesse social. O investimento social privado não pode ser confundido com assistencialismo. O assistencialismo é o ato de ajudar ou proteger o próximo sem beneficio próprio. Como qualquer investimento, as empresas que financiam projetos de caráter social objetivam aferir resultados alcançados. Estes resultados são as respostas positivas ou negativas de um público alvo (1) sobre uma ação social promovida por uma empresa e, é claro, divulgada para que seja possível observar os resultados e colher os frutos do trabalho realizado. Portanto, a preocupação é de ge rar um resultado positivo na sociedade. O monitoramento das atividades desempenhadas deve ser constante e envolver equipes de profissionais. O investimento social privado é uma forma de se promover o Marketing Social. Enquanto o assistencialismo é um exemplo de Responsabilidade Social. Atualmente, empresas têm investido mais recursos em projetos sociais objetivando resultados concretos e positivos. Doenças sociais do país acabam sendo combatidas por empresas do setor público e privado praticantes de ações sociais. Porém, mesmo com toda esta ajuda, será que as empresas ajudam sem interesses. Este estudo indica que não. A responsabilidade com a sociedade é ajudar sem se promover, sem divulgar, sem intenções lucrativas financeiras, sem se importar mais com a imagem institucional almejada do que com os resultados financeiros alcançados. Praticam ações com Responsabilidade Social, geralmente, indivíduos autônomos, que fundam ONGs assistencialistas e a única forma de divulgação é que possui interesse puramente na captação de recursos financeiros para manter o trabalho executado. Já o Marketing Social é uma ferramenta utilizada pelas empresas para promoção da marca. Ela ajuda pensando no quanto o seu público alvo (1) vai gastar em produtos e serviços dela por achar que assim estão também contribuindo com a sociedade. O Marketing Social é instrumento de divulgação. Quantas pessoas comem o Big Mac somente para 21 ajudar as crianças com câncer? Será que toda renda do sanduíche é repassada para as instituições que possuem crianças com esta doença? Quantas pessoas assistem a Rede Globo e ligam para o 0300 do Projeto Criança Esperança objetivando doar determinada quantia para instituições assistenciais? Será que todo o dinheiro arrecadado é transferido para estas instituições? Isto são fatos que levantamos, porém, nunca poderemos afirmar, pois a máscara nos impede de saber se o assistencialismo praticado foi intencionalmente para a caridade ou para a promoção de vendas. Tanto o Marketing Social como as ações de Responsabilidade Social podem promover o Assistencialismo ou promover a Transformação Social. 59% dos R$425 bilhões investidos no ano passado pelos governos federal, e staduais e municipais na área social tiveram como destino medidas assistencialistas, sendo que os 41% restantes seguiram para ações de efetiva Transformação Social. A Transformação Social é a ação ideal para a cura das doenças sociais. Para melhor compreendermos o que quero dizer neste estudo, vamos exemplificar: o Programa Bolsa Família é um tipo de Assistencialismo; a geração de novos empregos para que o indivíduo tenha condições financeiras de sustentar sua família é uma forma de Transformação Social. Transformação Social é o conjunto de práticas que visam à emancipação do indivíduo. São medidas que garantem ao cidadão condições para alcançar seus direitos. Estranho saber que a maioria dos recursos aplicados na área social são para programas assistencialistas. O Assistencialismo é paliativo e promove dependência, não contribuindo para a formação de comunidades autônomas. Outra definição para Assistencialismo: criar uma cultura de engajamento para causas comuns, tomar consciência de quais são as necessidades da comunidade ao redor e exercer a cidadania. A Importância da prática do Marketing Social ou da Responsabilidade Social Independente da prática do Marketing Social ou da Responsabilidade Social, independente dos objetivos de quem os pratica, é importante ressaltarmos os benefícios e a necessidade Global de ações tanto de Marketing como de Responsabilidade Social. Um dos maiores desafios do mundo globalizado é a transformação social e a equidade social. Torna-se indispensável nos dias de hoje inserir nas empresas e organizações a idéia da necessidade de transformação 22 social e equidade social. Embora muitas empresas as pratiquem, diante do quadro mundial, ainda é muito pouco para chegarmos aos resultados satisfatórios. Um exemplo é a IAS – Instituto Ayrton Senna, que atua em favor da criação de condições e oportunidades que viabilizem o direito das crianças e adolescentes à sobrevivência, desenvolvimento pessoal e social, integridade física, psicológica e moral. Este é um exemplo de ação que reflete o compromisso com a sociedade. São de ações como esta que o mundo necessita para inserir na mentalidade das pessoas que é possível agir em favor a sociedade e que, são estas atitudes que promovem as melhorias que tanto precisamos. Existem dois conceitos de atuação social: a parceria e as alianças estratégicas. A parceria é a atuação conjunta de dois ou mais atores sociais, de forma que a atuação de um deles complemente a do outro. O objetivo é atingir um fim comum. Já a aliança estratégica dá-se entre atores sociais que poderiam atuar isoladamente ou de forma concorrente, porém, pelo fato de compartilharem um mesmo conjunto de princípios e por terem consciência do desafio a ser enfrentado decidem atuar conjuntamente. Numa parceria busca-se superar necessidades a partir das possibilidades e disponibilidades do parceiro. Entendo assim que é fundamental para os formadores de opinião inserir a idéia da Responsabilidade / Marketing Social na consciência dos políticos, organizações e empresas. Na medida em que isto se concretize, os vários atores sociais caminharão juntos na contramão da exclusão social. A Ética Social Uma mudança social tem atingido clientes, empresas, organizações, políticos, instituições, entre outros. Pensadores afirmam sobre as mudanças no cotidiano das pessoas. Esta mudança que estou falando são principalmente nas relações sociais no âmbito dos negócios. As empresas já podem perceber o comportamento do seu público alvo (1) diante dos produtos comercializados por quem age irresponsavelmente com relação ao trabalho infantil, ao meio ambiente, as relações trabalhistas, entre outros aspectos que denunciam empresas que não trabalham com ética. As decisões tomadas nas empresas ganham aspectos novos, pois elas têm que decidir não só sobre aquilo que o 23 mercado necessita, mas também sobre como o mercado reage aos diversos comportamentos. Não basta atender as necessidades do cliente com alta qualidade e menos preço. É preciso, sobretudo, ser ético. Ser uma empresa ética requer percepção clara da ampliação de conceitos novos encontrados no Marketing Social. Estes conceitos geram estratégias próprias ao processo social e se destinam a investimentos que promovem adoção de novos comportamentos, atitudes e práticas por parte da população, potencializando ainda o capital social existente nas comunidades. As empresas devem agir como verdadeiras agentes de mudanças sociais, comprometendo-se não só com a sua sustentabilidade, mas também com a sociedade. Ganha a empresa que souber valorizar as novas metodologias trazidas pelo Marketing Social e conseguir aplicar seus conceitos. Entrevistas P a t r u s An a n i a s (participante das lutas democráticas e sociais dos anos 70 e da construção do Partido dos Trabalhadores) Como o sr. Conceitua a expressão Responsabilidade Social? Resposta: “Entendo o conceito Responsabilidade Social sob uma perspectiva republicana dos direitos e deveres das pessoas e da sociedade. Dentro dos valores republicanos, da mesma forma que aceitamos pagar impostos e respeitar o meio ambiente, assumimos também um compromisso com o bem comum. Portanto, a responsabilidade social é uma contrapartida de cada pessoa e organização com a sociedade, em retribuição aos direitos de cidadania. Penso ainda que podemos compreender a noção de Responsabilidade Social com uma derivação da função social da propriedade. O direito à propriedade não é algo absoluto pois pressupõe deveres de justiça, tais como o de impedir que as necessidades humanas fundamentais permaneçam insatisfeitas e que pereçam os homens por ela oprimidos. Dentro de um marco institucional em que o estado mantém a primazia de assegurar melhores oportunidades e condições de vida à população por meio de políticas públicas normatizadas, o conceito de Responsabilidade Social deve ser incorporado pela s ociedade civil organizada, em seus mais variados segmentos, de modo a estabelecer relações vigorosas de parceria com o poder público na promoção do bem comum.” 24 Jorge Minas Hanmal (Diretor de Marketing da Prysmian Cabos e Sistemas do Brasil S.A.) O sr. Acha que as empresas praticam ações de Responsabilidade Social para ajudarem o próximo, desenvolvendo assim ações de real caridade ou o maior objetivo é a promoção da empresa e a divulgação da marca para o público alvo? Resposta: “As empresas podem investir recursos em atividades sociais e culturais. O governo permite que as empresas destinem uma parte do Imposto a pagar a entidades sociais e culturais. Ao invés de pagar imposto, você faz uma doação do valor correspondente. Se tomarmos como exemplo a Prysmian, o critério adotado para ações de Responsabilidade Social leva em conta: integração com a comunidade onde está presente; visibilidade; qualidade da entidade; ética e moral; responsabilidade social; interesse comercial. Com esta visão creio que a maior parte das empresas desenvolve ações de real necessidade dentro da comunidade onde está inserida, mantendo uma política de bom relacionamento com o governo local.” José Renato Cassar Kfury (Gerente Regional Comercial da Prysmian Cabos e Sistemas do Brasil) O sr. Acha que as empresas praticam ações de Responsabilidade Social para ajudarem o próximo, desenvolvendo assim ações de real caridade ou o maior objetivo é a promoção da empresa e a divulgação da marca para o público alvo? Resposta: “Pelo que leio e presencio a maioria das empresas que fazem ações sociais, tem primeiramente objetivos políticos ou comerciais a fim de obter reconhecimento da população local onde esta instalada sua unidade e ou ganhar incentivos fiscais do governo, seja ele municipal, estadual ou federal.” Redução de Impostos As empresas destinam a verba que seria paga em impostos para doações, conforme determinação do governo. Este também é citado por profissionais como um dos motivos para as empresas investirem no Marketing Social. Para atividades sociais é permitido: 25 • • • A doação de 1% do Imposto de Renda a pagar para o Fundo de Amparo à Infância e Adolescência (FIA); A doação de 1% do Imposto de Renda a pagar para algumas entidades de interesse público (OSCIP); A doação de 4% do Imposto de Renda para entidades culturais (Lei Rouanet). 26 C O N C L U S ÃO Empresas socialmente responsáveis podem fazer diminuir a desigualdade de classes. O Marketing Social é questão de estratégia. Portanto, A Responsabilidade Social pressupõe buscar as melhores alternativas considerando o cenário e os recursos disponíveis. Mesmo tendo o Marketing Social nos apresentado resultados muito positivos socialmente, até porque o sucesso comercial da campanha depende de seu sucesso social, acredito que o Marketing Social é uma forma de gestão social muito mais completa e por isso é também uma forma mais vantajosa para a sociedade de se promover uma economia solidária, pois apesar de só apresentar resultados a longo prazo, estes resultados são sólidos e promovem uma transformação gradual da sociedade. Ganha a sociedade e a empresa. Se pensarmos sobre os vários estudos que apontam os ganhos sociais, econômicos e financeiros de uma criança evadida da sala de aula, de um manancial não poluído, de famílias não dilaceradas pela morte de seus filhos em acidentes de trânsito, ou viciados podemos concluir que mesmo com interesses financeiros as conseqüências do marketing social são positivas. No caso de mais empresas praticarem o marketing social, teremos resultados positivos para a sociedade e para as empresas que receberão os lucros desta ação. E a sociedade receberá o benefício que necessita para ajustar as causas sociais e curar as doenças da sociedade atual. A opinião pública parece já ter percebido o grande desafio que temos em erradicar as diferenças sociais ainda prevalecentes em nosso país. Basta pensarmos que este é um desafio único, basta a união das forças para alcançarmos a vitória esperada pela sociedade. A Responsabilidade Social nas empresas contribui muito para alcançarmos nossos objetivos. Os problemas não podem ser encarados separadamente. Eles tem que ser vistos como um único problema social. O nosso país está doente e depende de nós, sociedade e empresas unidas objetivando sararmos nosso país. As empresas só têm a ganhar na inclusão de novos parceiros sociais em seus processos decisórios. Um diálogo mais participativo representa uma mudança de comportamento da empresa e significa maior legitimidade social. 27 B I B L I O G R AF I A • • • • • • • • • • • A Folha de São Paulo de 02 de novembro de 2006 Fontes, Miguel; Marketing Social Revisitado: Novos paradigmas do Mercado Social; Cidade Futura. Jornal O Imparcial de 18 de julho de 2005; Kotler, Philip; Marketing para o século XXI; Ed. Futura; 5ª edição. Kotler, Philip; Princípios do Marketing; Ed Futura Rabaça, Carlos e Barbosa, Gustavo; Dicionário de Comunicação; Ed. Codecri. www.responsabilidadesocial.com; www.tecnisa.com.br; www.mcdonalds.com.br; www.natura.com.br; www.criancaesperanca.com.br; V O C AB U L ÁR I O (1) Público Alvo: Clientes de uma determinada empresa ou clientes que se deseja conquistar (2) Target: O mesmo que clientes / Público Alvo (3) Cases: Casos, acontecimentos ou histórias reais 28