20, 21 e 22 de junho de 2013
ISSN 1984-9354
IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE
RISCOS COMO SUBSÍDIO À
ELABORAÇÃO DE UM PROGRAMA DE
GERENCIAMENTO DE RISCOS DE UMA
PEQUENA CENTRAL HIDRELÉTRICA
Tatiana Valencia Montero
(UTFPR)
Cezar Augusto Romano
(UTFPR)
Débora Marques de Lara
(UTFPR)
Rodrigo Eduardo Catai
(UTFPR)
Resumo
A identificação e análise de riscos são fundamentais para prevenção de
acidentes em qualquer área de trabalho, assim como a gestão e
aplicação destes conhecimentos através do Programa de
Gerenciamento de Riscos. O presente estudo tem como oobjetivo
contribuir para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais no
ambiente de trabalho. O ramo escolhido foi o da geração de energia,
mais especificamente o das Pequenas Centrais Hidrelétricas, por
apresentar um crescimento significativo nos últimos anos e boas
perspectivas futuras para atender as demandas energéticas do País. O
trabalho foi realizado por meio de visitas técnicas a Usinas
Hidrelétricas e entrevistas com os trabalhadores. Foram identificados
os riscos comuns às usinas, e estes foram analisados e avaliados pelo
método de análise preliminar de risco, sugerindo-se recomendações
para a prevenção dos mesmos. Para a aplicação dos conhecimentos na
prática, apresenta-se a estrutura de referência de um Programa de
Gerenciamento de Riscos. Os resultados do estudo indicam que não é a
identificação dos riscos que necessita ser aprimorada, e sim o
gerenciamento destes, de maneira que os trabalhadores sejam melhor
informados e capacitados, diminuindo os acidentes nas Usinas.
Palavras-chaves: Pequena Central Hidrelétrica, Programa de
Gerenciamento de Riscos, Acidentes.
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1. INTRODUÇÃO
A energia, em todas suas formas, é indispensável à sobrevivência da espécie humana.
E além de sobreviver, a humanidade busca evoluir, descobrindo novas fontes e maneiras de
adaptação ao ambiente em que vive e ao suprimento de suas necessidades. Assim, a exaustão
ou escassez de determinado recurso tende a ser compensado por outro(s). Em termos de
suprimento energético, a eletricidade se tornou uma das formas mais versáteis e convenientes
de energia, transformando-se em recurso indispensável e estratégico para o desenvolvimento
socioeconômico de muitos países e regiões (ANEEL, 2008).
A energia elétrica pode ser obtida a partir de diferentes fontes fósseis. No Brasil, a
energia hidráulica é a principal fonte, uma vez que o país dispõe de uma das maiores redes
hidrográficas do mundo. As usinas de geração de energia proliferaram a partir da década de
50, dando sustentação ao forte impulso do país rumo à industrialização e ao desenvolvimento
e respondendo por quase 90% do total da energia gerada. As usinas existentes no Brasil
podem ser do tipo: Eólicas (EOL), Hidrelétricas (UHE), Termelétricas (UTE),
Termonucleares (UTN), Solar (SOL), Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) e Central
Geradora Hidrelétrica (CGH) (EPE, 2011).
A vantagem das PCHs sobre os outros empreendimentos hidrelétricos é que são menos
impactantes, devido a sua pequena área de alagamento.
Como todo empreendimento, as PCHs são passíveis de Licenciamento Ambiental.
Primeiramente são realizados diversos estudos até que seja obtida a Licença Prévia (LP),
Licença de Instalação (LI), e finalmente a Licença de Operação (LO). Um desses estudos é o
Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), parte integrante do Plano Básico Ambiental. O
PGR deve considerar as condições de segurança do empreendimento, fazendo com que o
Concessionário seja responsável pela segurança da barragem em todas as fases, desde o seu
projeto até o seu período de operação comercial, isto é, durante toda a vida útil do
empreendimento (DRAGONI, 2005).
Desta forma o PGR deve visar à gestão dos riscos sociais e ambientais decorrentes das
fases de construção e operação do empreendimento, através da identificação de possíveis
cenários acidentais e do estabelecimento de estratégias para atuação, caso esses cenários se
concretizem.
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Portanto o objetivo deste artigo foi identificar e analisar possíveis riscos em Pequenas
Centrais Hidrelétricas de maneira a contribuir com a prevenção de acidentes e doenças
ocupacionais nesta atividade. E, para que o objetivo fosse cumprido foi analisado os
principais riscos a que os trabalhadores estavam expostos durante a operação de uma usina
hidrelétrica e sugeriu-se medidas de prevenção, redução e controle dos principais riscos
identificados as quais serviram de subsídio para a elaboração de PGRs específicos para
diferentes usinas hidrelétricas.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Perspectivas do Setor Energético e Matriz Energética Brasileira
Segundo Ernst e Young (2008), em 2030 o Brasil terá um consumo de
aproximadamente 468,7 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), o que o
posicionará como sétimo maior mercado consumidor de energia. Até 2007 o país estava em
11ª posição, com consumo de 223,20 milhões de tep.
O estudo indica também que a demanda energética no Brasil deverá crescer na ordem
de 3,3% ao ano nas próximas duas décadas, exigindo investimentos na ordem de US$ 750
bilhões até 2030. Assim sendo, estima-se que 3,8% dos investimentos mundiais em energia
serão realizados no Brasil. Para melhor comparação entre os maiores consumidores de energia
no mundo pode-se analisar o Gráfico 1, com dados de 2007, e o Gráfico 2, com as projeções
para 2030 (ERNST e YOUNG, 2008)
Gráfico 1 - Os maiores consumidores energia em 2007 (em milhões de tep)
Fonte: ERNST e YOUNG (2008).
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A energia elétrica no Brasil deve ter um crescimento na sua demanda na ordem de
4,4% ao ano até 2030, como pode ser observado no Gráfico 3. Essa evolução da oferta de
energia acarretará também na elevação dos custos da eletricidade, projetando-se um aumento
de 31,2% no preço da energia até 2030, em razão do aumento dos custos de investimentos e
ambientais (ERNST e YOUNG, 2008).
Gráfico 2 - Os maiores consumidores de energia em 2030 (em milhões de tep)
Fonte: ERNST e YOUNG (2008)
Gráfico 3 - O consumo da energia em 2007 e em 2030
Fonte: ERNST e YOUNG (2008)
Como a previsão é de um aumento expressivo do consumo de energia elétrica no
mundo e em especial no Brasil, a única forma de atender esse aumento é por meio de
investimentos na geração, distribuição e transmissão de energia, tornando esses segmentos
muito atrativos em longo prazo.
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O Brasil é o país que detém maior quantidade de água no planeta. Na Tabela 1 é
possível observar os países com maiores recursos hídricos. Analisando a tabela nota-se a
importância do Brasil no mundo quando se trata de recursos hídricos.
Tabela 1 - Recursos Hídricos por país
Brasil
Recursos hídricos
interno ao território
(km³/ano)
5418
Recursos hídricos de
origem externa
(km³/ano)
2815
Rússia
4312,7
Canadá
Total
(km³/ano)
% do total
8233
18,81%
194,6
4507,3
10,30%
2850
52
2902
6,63%
Indonésia
2838
0
2838
6,48%
China
2812
17,2
2829,2
6,46%
Estados Unidos
2000
71
2071
4,73%
Peru
1616
297
1913
4,37%
Índia
1260,5
636,1
1896,6
4,33%
Congo
900
383
1283
2,93%
Venezuela
722,5
510,7
1233,2
2,82%
País
Mundo
43.764
43.764
100%
Fonte: FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (2003)
Todo o potencial hídrico do Brasil contribuiu para que a energia hidráulica fosse a
mais representativa na oferta de energia elétrica interna do País, atingindo 74% em 2010, o
que representa uma elevação em 3,7% em relação a 2009 (MME, 2010). No gráfico 4 pode-se
analisar a estrutura da oferta interna de eletricidade no Brasil.
Gráfico 4 - Oferta Interna de Energia Elétrica por Fonte (2010)
Fonte: Balanço Energético Nacional – MME, 2010.
2.2. Pequenas Centrais Hidrelétricas
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As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) são empreendimentos geralmente
instalados em rios de pequeno ou médio porte, com desníveis suficientes para gerar potência
hidráulica sem a necessidade de grandes volumes de água, que acarretariam em áreas alagadas
maiores (ELETROBRÀS, 2000). Geralmente uma PCH opera a fio da água, ou seja, o
reservatório não possibilita a regularização do fluxo da água. Dessa forma, em épocas de
estiagem a vazão disponível pode ficar menor que a capacidade das turbinas, o que leva a
ociosidade. Em outras circunstâncias as vazões são maiores, o que leva a passagem da água
pelo vertedouro (ANEEL, 2003). Isso faz com que o custo da energia elétrica gerada pelas
PCHs seja maior que de uma usina de grande porte, onde o reservatório pode ser operado de
forma a contornar a ociosidade ou os desperdícios de água. Porém as PCHs são usinas que
trazem um menor impacto ambiental e ajudam na geração de energia (ANEEL, 2003).
2.3. Classificação dos Riscos Ambientais
A NR 9 considera a presença dos seguintes riscos no ambiente de trabalho: agentes
físicos, agentes químicos e biológicos. Eles são capazes de produzir danos à saúde quando
superados os limites de tolerância esses limites são fixados em razão da concentração,
natureza e tempo de exposição. Entretanto cada trabalhador tem o seu limite de tolerância em
virtude da sua suscetibilidade individual, ou seja, o que pode causar danos a alguém pode ser
indiferente a outro trabalhador. Portanto, os limites de tolerância definidos pelas normas
devem ser usados como valores de referência e nunca como valores fixos (BRASIL, 2012).
Os riscos ambientais são classificados em três categorias (BRASIL, 2012): Riscos
físicos; Riscos químicos; Riscos biológicos. Além destes podem-se considerar mais duas
categorias de risco: os riscos ergonômicos, que são as situações em que o trabalhador está
exposto e que podem gerar lesões osteomusculares relacionadas ao trabalho de forma crônica;
e os riscos de acidente, que compreendem situações em que o trabalhador está exposto e que
podem lhe trazer injúrias ou perda da sua integridade física.
2.4. Análise Preliminar de Riscos (APR)
No campo da saúde e segurança do trabalho, a análise de risco compreende uma
abordagem planejada e sistemática, aplicada de modo formal e compreensível, que a partir de
informações passadas, presentes e futuras pode identificar origens de perigo potencial, ou
situações para causar prejuízos, à saúde e segurança do indivíduo, bem como avaliar a
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combinação de severidade e probabilidade associadas a cada uma das origens e/ou situações
de perigo identificadas (BARBOSA FILHO, 2010).
A análise preliminar de risco, segundo De Cicco e Fantazzini (2003), consiste em uma
revisão, geralmente, superficial de problemas gerais de segurança, que são identificados pelo
estudo, durante a fase de concepção ou desenvolvimento prematuro de um novo projeto, com
a finalidade de avaliar se os riscos identificados serão aceitos na fase operacional.
Os princípios e metodologia da APR consistem em realizar-se uma revisão geral dos
aspectos de segurança de forma padronizada. Inicia-se descrevendo os perigos e sua
caracterização, a partir destes, são identificados as causas (agentes) e efeitos (consequências)
dos mesmos, o que permitirá buscar soluções para as possíveis falhas. A prioridade das ações
é determinada pela caracterização do risco (BARBOSA FILHO, 2010).
O risco é consequência da presença do perigo, e pode ser minimizado pela adoção de
ações, medidas ou sistemas que visam prevenir um acidente ou minimizar as suas
consequências (BARBOSA FILHO, 2010). De Cicco (1996) considera o gerenciamento de
riscos como ferramenta de fundamental importância, pois tem como função auxiliar a tomada
de decisões na área de saúde e segurança do trabalho e permitir uma melhor distribuição dos
recursos, além de dar base para o processo de definição de medidas de controle.
Para o cálculo do Índice de Risco, inicia-se com a graduação da severidade de cada
perigo, de acordo com o Quadro 1. Segue-se com a classificação do grau de probabilidade
conforme o Quadro 2, e finalmente, multiplica-se os graus obtidos e são obtidos os índices de
risco e os níveis de ação necessários, como visualizado no Quadro 3 (FARIA, 2011).
SEVERIDADE
GRAU
EFEITO
DESCRIÇÃO
AFASTAMENTO
01
Leve
Acidentes que não provocam lesões (batidas leves, arranhões).
Sem afastamento.
02
Moderado
Acidentes com afastamento e lesões não incapacitantes
(pequenos cortes, torções leves).
Afastamento de 01 a 30 dias.
03
Grande
04
Severo
Acidentes com afastamentos e lesões incapacitantes, com
perdas de substâncias ou membros (perda de parte do dedo).
Afastamento de 61 a 90 dias.
05
Catastrófico
Morte ou invalidez permanente.
Não há retorno à atividade
laboral.
Acidentes com afastamentos e lesões incapacitantes, sem
Afastamento de 31 a 60 dias.
perdas de substâncias ou membros (fraturas, cortes profundos)
Quadro 1 – Graus de Severidade
Fonte: Adaptado de Faria, 2011
FREQUÊNCIA OU PROBABILIDADE
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GRAU
OCORRÊNCIA
DESCRIÇÃO
FREQUÊNCIA
01
Improvável
Baixíssima probabilidade de ocorrer o dano
Uma vez a cada 02 anos
02
Possível
Baixa probabilidade de ocorrer o dano
Uma vez a cada 01 ano
03
Ocasional
Moderada probabilidade de ocorrer o dano
Uma vez a cada semestre
04
Regular
Elevada probabilidade de ocorrer o dano
Uma vez a cada 03 meses
05
Certa
Elevadíssima probabilidade de ocorrer o dano
Uma vez por mês
Quadro 2 – Graus de Frequência ou Probabilidade
Fonte: Adaptado de Faria, 2011
INDICE DE RISCO E GERENCIAMENTO DAS AÇÕES
TIPO DE
RISCO
INDICE DE RISCO
até 03 (severidade < 03)
NÍVEL DE AÇÕES
Riscos Triviais Não necessitam ações especiais, nem preventivas, nem de detecção.
de 04 a 06 (severidade <
04)
Riscos
Toleráveis
de 08 a 10 (severidade <
05)
Riscos
Moderados
Não requerem ações imediatas. Poderão ser implementadas em
ocasião oportuna, em função das disponibilidades de mão de obra e
recursos financeiros.
Requer previsão e definição de prazo (curto prazo) e
responsabilidade para a implementação das ações.
de 12 a 20
Riscos
Relevantes
Exige a implementação imediata das ações (preventivas e de
detecção) e definição de responsabilidades. O trabalho pode ser
liberado p/ execução somente c/ acompanhamento e monitoramento
contínuo. A interrupção do trabalho pode acontecer quando as
condições apresentarem algum descontrole.
> 20
Riscos
Intoleráveis
Os trabalhos não poderão ser iniciados e se estiver em curso,
deverão ser interrompidos de imediato e somente poderão ser
reiniciados após implementação de ações de contenção.
Quadro 3 – Índice de Risco e Gerenciamento das Ações
Fonte: Adaptado de Faria, 2011
3. METODOLOGIA
Para a realização do presente estudo foram visitadas 20 usinas hidrelétricas de
diferentes portes e concepções de projeto, distribuídas por diversos estados do país.
3.1 Identificação de Perigos
Para identificar os perigos a que os trabalhadores de uma PCH estão expostos foram
realizadas visitas a todos os locais de trabalho das diferentes usinas, sempre acompanhada por
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funcionários e conduzindo conversas informais com os mesmos, desde os com função
operacional até os cargos de supervisão.
Nas usinas que já possuíam riscos identificados em Mapas de Risco, estes foram
analisados, comparando as informações com as anteriormente obtidas através da inspeção
visual e contato com os funcionários.
Foram também consultados os registros de acidentes de trabalho e bibliografia
referente ao tema.
3.2 Análise, Avaliação e Tratamento dos Riscos
Utilizou-se a Análise Preliminar de Risco para associar a cada perigo suas causas,
consequências e recomendações.
Com os perigos já listados, e com suas causas e consequências associadas, atribui-se
um grau de severidade para cada um. Após a severidade, foi determinado o grau de
probabilidade dos riscos de acordo com o obtido em campo e com auxilio a bibliografia, e
finalmente, multiplicando-se o grau de severidade pelo grau de probabilidade, obtém-se o
índice de risco, que, comparado à severidade, gera o tipo de risco, que pode ser classificado
como trivial, tolerável, moderado, substancial e intolerável, definindo os níveis de ação a
serem tomados.
3.3 Modelo de Entrevista Realizada com o Funcionários
Foi realizada a entrevista com um funcionário de cada uma das 20 usinas, para que as
informações fossem mais abrangentes possíveis, independentemente do tipo da usina.
Como essas usinas já possuíam algum conhecimento difundido acerca dos riscos e
perigos procurou-se um funcionário para responder ao questionário que detivesse amplo
conhecimento do funcionamento da mesma, assim como dos programas e treinamentos
existentes em cada uma delas. Os trabalhadores que responderam ao questionário ocupavam
prioritariamente cargos de Gerente de Meio Ambiente, Engenheiro ou Técnico de Segurança
do Trabalho. Na inexistência de algum desses, o questionário foi aplicado a alguém indicado.
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Esse questionário, apresentado no quadro 4, foi elaborado com o intuito de analisar os
métodos de prevenção de riscos existentes, participação da alta gerencia, existência de
treinamentos, etc.
Também foram realizadas entrevistas de caráter complementar e informais com outros
funcionários, a fim de possivelmente obter complementações ao respondido no questionário
formal.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Depois de realizadas as entrevistas nas 20 usinas, os dados foram tabelados e
traduzidos em gráficos para uma melhor análise das perguntas. Para a avaliação dos dados
também foram utilizadas as informações obtidas informalmente durante as visitas técnicas. A
Figura 5 apresenta a ocupação dos entrevistados.
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INFORMAÇÕES PESSOAIS
Ocupação Atual:
Idade:
Tempo na Ocupação Atual:
RISCOS E ACIDENTES
SIM
NÃO
SIM
NÃO
Os trabalhadores recebem informações sobre os riscos a que estão
expostos em suas tarefas?
Existe algum tipo de sinalização dos riscos?
Existem medidas de proteção coletiva? Quais?
Quanto tempo a usina está sem acidentes?
Qual foi o ultimo acidente?
Quanto tempo sem acidentes com afastamento?
Qual o último acidente com afastamento
EPIs
São fornecidos EPIs aos trabalhadores?
Os EPIs são adequados aos riscos?
São realizados treinamentos para o uso correto dos EPIs?
Quadro 4 – Modelo da entrevista aplicada aos funcionários
Gráfico 5 – Ocupação Atual do Entrevistado
11
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Pela análise do Gráfico 5, nota-se que em 85% das usinas visitadas existe um
profissional específico para a área de segurança. Isso significa que em apenas três usinas o
responsável por essa área é o gerente de meio ambiente, sendo evidenciado o foco e
preocupação das usinas com a segurança dos trabalhadores.
Também foi realizado um comparativo das idades dos entrevistados e tempo de
serviço no cargo e observou-se que a maior parcela dos responsáveis pela segurança estão na
faixa dos 25 aos 35 anos de idade, e com até 3 anos na ocupação atual. Durante as entrevistas,
constatou-se que o próprio cargo na área de segurança é relativamente novo nas usinas, e
ainda não está bem estabelecida a gestão dessa área, havendo pouco contato e intercambio
desta área com todas as demais do empreendimento.
O Gráfico 6 apresenta as respostas obtidas para se o trabalhador recebe informações
sobre os riscos a que estão expostos. Já o Gráfico 7 apresenta a resposta para a pergunta se
existe sinalização dos riscos e o Gráfico 8 a resposta se existem medidas de proteção coletiva.
Gráfico 6 – Os trabalhadores recebem informações
sobre os riscos a que estão expostos?
Gráfico 7 – Existe algum tipo de sinalização dos
riscos?
Gráfico 8 - Existem medidas de proteção coletiva?
De acordo com os Gráficos 6, 7 e 8, percebeu-se que em 75% das usinas já existem
medidas de proteção coletiva, como proteção das partes móveis de equipamentos e máquinas,
vidros e portas anti-ruído, fitas antiderrapante nas escadas, o que evidencia que mesmo que
apenas 60% fornecem sinalização dos riscos, uma porcentagem maior já possui conhecimento
para tentar diminuir os riscos aos que os trabalhadores estão expostos. Sendo assim, é
necessária uma melhoria na comunicação e divulgação de informações, pois não basta os
responsáveis estarem cientes dos riscos, e sim todos os envolvidos, e, no entanto, apenas 35%
das usinas informam os trabalhadores.
12
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Essa falta de informação dos trabalhadores evidencia uma falha na comunicação
dentro das usinas, ou seja, não existe ainda um programa de gerenciamento de riscos definido,
que parta da alta gerência e seja direcionado aos funcionários, integrando as diretrizes do
mesmo às ações de prevenção de acidentes.
Na análise de acidentes, notou-se que esses não são frequentes neste ramo, seja pelo
pequeno número de trabalhadores envolvidos ou pela consciência dos riscos e medidas de
prevenção instaladas pela alta gerência. Os últimos acidentes envolveram queimaduras de sol,
quedas de baixa altura e dores musculares. Os acidentes com afastamento são muito raros,
sendo que o último ocorreu há dois anos. Entretanto, deve-se prestar atenção nesses, pois
geralmente resultam em morte. Os últimos registros de morte em acidentes de trabalho nessas
usinas foram consequência de choque elétrico, queda de grandes alturas e queda de material
sobre o trabalhador.
Para evitar acidentes, além das medidas coletivas que devem sempre ser prioritárias, é
imprescindível a utilização de Equipamentos de Proteção Individual adequados aos riscos
oferecidos pela atividade exercida.
Em relação aos EPIs também se diagnosticou a falta de transmissão de informação e
treinamentos. Embora todas as 20 usinas forneçam os EPIs aos trabalhadores somente 75%
são totalmente adequados aos riscos oferecidos pela função. Embora tenha sido notada a
preocupação da gerência com o fornecimento de EPIs, ainda são necessárias melhorias na
realização de treinamentos para a correta utilização dos EPIs, pois como se pode visualizar,
somente 35% das empresas realizam esses treinamentos. As entrevistas forneceram dados que
comprovam que embora existam esforços para a prevenção de acidentes, como identificação
de riscos, adoção de medidas coletivas e fornecimento de EPIs, ainda não existe uma maneira
eficiente de transmitir essas informações aos trabalhadores.
O quadro 5 a seguir, mostra uma análise preliminar de riscos, no qual faz-se algumas
recomendações de acordo com o perigo e causas, bem como, consequências.
13
PERIGO
Exposição a níveis
de ruído
excessivos
Exposição ao
calor
Níveis baixos de
iluminamento ou
Iluminação abaixo
do limite de
conforto
CAUSA
CONSEQUÊNCIAS
Ruído nas Unidades
geradoras e nos
sistemas de ventilação
Redução da
sensibilidade da
auditiva
Perda da audição
Distúrbios do Sistema
Nervoso
Trabalho em ambiente
externo com carga
solar ou em ambiente
interno com
temperatura elevada
Quantidade
insuficiente de
iluminação natural ou
artificial; defeitos no
sistema de iluminação
artificial..
SEV.
FREQ. RISCO
2
2
4
4
1
4
3
1
3
Fadiga.
1
2
2
Desidratação
2
1
2
Queimaduras na pele
2
3
6
Insolação
2
2
4
Fadiga Visual,
sensações de cansaço
nos olhos,
dolorimento,
1
2
2
Adoção de posturas e
movimentos
inadequados, visando
maior conforto visual.
1
2
2
Acidentes em virtude
da baixa iluminação
2
1
2
Quadro 5 – Análise Preliminar de Riscos.
RECOMENDAÇÕES
Promover a eliminação, redução ou controle das fontes
geradoras de ruído através de manutenção, substituição
ou isolamento acústico e/ou introduzir e disciplinar
através de treinamento o uso consciente dos
Equipamentos Individuais de Proteção (Protetor
Auricular), ou reduzir o tempo de exposição.
Em áreas externas: Uso de protetor solar; proteção para a
cabeça; evitar horários de pico do sol.
Em áreas internas: solicitar o isolamento térmico das
fontes geradoras de calor; inserir sistema de exaustão,
ventilação e/ou refrigeração forçada; facilitar a entrada e
a circulação de ar no ambiente.
Aumentar a frequência de manutenção no sistema de
iluminação artificial com a introdução de mais lâmpadas
fluorescentes e/ou aumento de janelas, lanternins e telhas
translúcidas para propiciar o aumento da iluminação
natural.
PERIGO
Exposição à
umidade excessiva
Inalação de gases
CAUSA
Trabalhos em galerias
de drenagem e poços
de inspeção
Exposição a fumos de
soldagem e de corte
Contato ou
ingestão de
substancias
líquidas
Manuseio de produtos
químicos
Picada de animais
peçonhentos
Trabalhos em áreas
externas, galerias.
CONSEQUÊNCIAS
SEV.
FREQ. RISCO
Queda da imunidade,
facilitando a
ocorrência de doenças
infecciosas e
reumatismo.
1
Queda do trabalhador
devido ao chão
escorregadio
1
1
1
Intoxicação
2
1
2
Danos nas vias
respiratórias,
pneumonia,
bronquites.
2
1
2
Morte
5
1
5
Alergias
Intoxicações
1
2
3
1
3
2
Queimaduras na pele
1
2
2
Necrose de membros
4
1
4
Morte
5
1
5
1
RECOMENDAÇÕES
1
Utilização de roupas adequadas; utilizar calçados com
solados antiderrapantes e substituir o piso por um
antiderrapante.
Introdução de um sistema de exaustão dos gases,
introdução de EPI, tais como máscaras.
Utilização de EPI (luvas, roupas adequadas);
identificação dos produtos; controle ao acesso dos
produtos.
Utilização de perneiras, conhecimento dos tipos de
animais peçonhentos comuns do local para facilitar o
reconhecimento do correto antídoto a ser administrado.
Quadro 5 – Análise Preliminar de Riscos (continuação)
PERIGO
CAUSA
CONSEQUÊNCIAS
SEV.
FREQ. RISCO
Movimentos
repetitivos
Dor e/ou Fadiga
muscular
1
3
3
Postura inadequada,
esforços no transporte
manual de carga
pesada.
Dores lombares,
sobrecarga muscular.
1
3
3
Problemas
respiratórios devido a
fumaça
2
1
2
Queimaduras
3
1
3
Morte
5
1
5
Queimaduras
3
2
6
Fibrilação ventricular
do coração
3
1
3
Morte
5
1
5
Tombos
2
4
8
Lesões
1
4
4
Fraturas
Morte
3
5
2
1
6
5
Ergonômico
Incendio,
explosão
Choque Elétrico
Queda
Trabalhos com chama
aberta, corrente
elétrica e gases
comprimidos.
Descuidado durante as
instalações e
manutenções nos
sistemas elétricos.
Piso escorregadio,
baixa iluminação,
trabalho em altura.
RECOMENDAÇÕES
Reprojetar os postos de trabalho para a fim de evitar
posturas inadequadas ou movimentos repetitivos; utilizar
carro de mão e empilhadeiras manuais na realização da
movimentação de carga; disciplinar através de
treinamento o uso de postura adequadas na realização das
tarefas, bem como realizar a ginástica laboral.
A principal forma de prevenção é a inspeção das
instalações, fusíveis, ferramentas, aterramentos e
condições que possam causar um curto circuito próximo a
materiais combustíveis e inflamáveis.
Utilização de EPIs (luvas e roupas anti ), realizar a
desenergização e aterramentos antes de trabalhar em
áreas elétricas, utilização de bloqueios e impedimentos,
isolamento das partes vivas.
Sinalização das áreas com diferença de nível, ou em
manutenção e limpeza, fitas antiderrapantes em escadas,
utilização de equipamentos de segurança quando realizar
trabalhos em altura.
Quadro 5 – Análise Preliminar de Riscos (continuação).
A finalidade da APR apresentada no Quadro 5 não é esgotar todos possíveis perigos e
riscos existentes em uma usina, e sim apresentar os mais comuns e frequentes de acordo com
o estudo.
O resultado da APR reforçou o que já havia sido analisado nas entrevistas e visitas
técnicas, que não são comuns ou frequentes os riscos neste ramo.
O índice de risco pode variar de 1 a 25, no entanto o maior risco calculado nesse
estudo foi nos acidentes de queda, com índice 8, correspondente a um risco de classificação
moderado, indicando que são necessárias medidas a curto prazo para evitar esses acidentes.
Do restante, todos os riscos foram classificados como triviais ou toleráveis, pois
quando a severidade apresenta um grau elevado, o risco não é muito frequente, e vice e versa.
Os riscos que se destacam são os que podem resultar em morte, que embora raros, são
os mais preocupantes para qualquer empreendimento. No caso das usinas, o risco de morte é
devido a inalação de gases, picada de animais peçonhentos, incêndio e explosão, choque
elétrico e quedas de grandes alturas. Portanto é necessária a adoção de medidas para evitar a
ocorrência desses riscos, diminuindo assim a chance de acidentes fatais.
4.1. Apresentação da uma estrutura de referência para
elaboração de um Programa de Gerenciamento de Riscos
O Programa de Gerenciamento de Riscos, como já dito anteriormente, é um
documento que define a política e diretrizes de um sistema de gestão, com vistas à prevenção
de acidentes em atividades potencialmente perigosas.
O conteúdo da estrutura apresentada segue algumas recomendações da Norma Técnica
P4.261 – Manual de Orientação para Elaboração de Estudos de Análises de Riscos (CETESB,
2003).
Um gerenciamento de riscos deve contemplar as seguintes etapas:
−
Planejamento do Gerenciamento dos Riscos: estabelecimento de uma estrutura para
dirigir os riscos potenciais da instalação.
−
Identificação dos Riscos: todos os eventos acidentais possíveis e que podem causar
danos à saúde das pessoas, às instalações (danos materiais) ou ao meio ambiente devem ser
identificados e documentados claramente.
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−
Análise dos Riscos: os riscos identificados são avaliados de forma qualitativa e os
riscos mais significativos são avaliados de acordo com uma escala numérica que associa a
probabilidade da ocorrência e a severidade do dano.
−
Planejamento da Resposta aos Riscos: estratégias específicas são estabelecidas para
prevenir ou corrigir os riscos identificados.
−
Monitoramento e Controle do Risco: execução das medidas propostas para prevenir ou
corrigir os riscos.
Dessa forma, deve ser apresentado um relatório contendo as diretrizes do PGR, no
qual deverão estar claramente relacionadas às atribuições, as atividades e os documentos de
referência, como normais técnicas, legislações, relatórios, entre outros.
É importante que todos itens constantes do PGR sejam claramente definidos e
documentados, e devem ser aplicados tanto aos funcionários do empreendedor quanto a
terceiros.
Para o sucesso da implantação de um PGR são fundamentais as seguintes atividades:
−
Informações de segurança de processo
O PGR deve contemplar a existência de informações e documentos atualizados e
detalhados sobre as substâncias envolvidas, tecnologia e equipamentos de processo, de modo
a possibilitar o desenvolvimento de procedimentos operacionais precisos, assegurar o
treinamento adequado e subsidiar a revisão dos riscos, garantindo uma correta operação do
ponto de vista ambiental, de produção e de segurança.
−
Revisão dos riscos de processo
O estudo de análise e avaliação de riscos implementados durante o projeto inicial de
uma instalação nova deve ser revisado periodicamente, de modo a serem identificadas novas
situações de risco, possibilitando assim o aperfeiçoamento das operações realizadas, de modo
a manter as instalações operando de acordo com os padrões de segurança requeridos. A
revisão dos estudos de análise de riscos deverá ser realizada em periodicidade a ser definida
no PGR, a partir de critérios claramente estabelecidos.
−
Gerenciamento de modificações
O PGR deve estabelecer e implementar um sistema de gerenciamento contemplando
procedimentos específicos para a administração de modificações nas tecnologias utilizadas e
nas instalações.
−
Manutenção e garantia da integridade de sistemas críticos
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Os sistemas considerados críticos devem ser devem ser projetados, construídos e
instalados no sentido de minimizar os riscos às pessoas e ao meio ambiente. Com isso, o PGR
deve prever um programa de manutenção e garantia da integridade desses sistemas, com o
objetivo de garantir o correto funcionamento dos mesmos, por intermédio de mecanismos de
manutenção preditiva, preventiva e corretiva. Assim, todos os sistemas nos quais operações
inadequadas ou falhas possam contribuir ou causar condições ambientais ou operacionais
inaceitáveis ou perigosas, devem ser considerados como críticos.
−
Procedimentos operacionais
Todas as atividades e operações realizadas durante a construção e operação do
empreendimento devem estar contempladas em procedimentos escritos, devendo ser seguidos
por todos os envolvidos e estar em conformidade com a legislação.
Os procedimentos operacionais deverão ser revisados sempre que houver alterações
durante a fase de construção, a fim de garantir que os mesmos reflitam a prática operacional
utilizada. Todas as revisões e mudanças nos procedimentos operacionais devem ser
documentadas. Nenhum novo sistema deve partir sem um procedimento operacional escrito
formalizado.
−
Capacitação de recursos humanos
O PGR deve prever um programa de treinamento para todas as pessoas responsáveis
pelas operações realizadas na empresa, de acordo com suas diferentes funções e atribuições.
Os treinamentos devem contemplar os procedimentos operacionais, incluindo eventuais
modificações ocorridas nas instalações e na tecnologia de processo, e devem ser devidamente
documentados.
O treinamento e desenvolvimento de pessoas têm a finalidade de sanar deficiências de
conhecimentos, de habilidades e de atitudes de indivíduos, de grupos de trabalho, de
segmentos da organização ou mesmo, da organização inteira.
−
Investigação de acidentes
Todo e qualquer incidente de processo ou desvio operacional que resulte ou possa
resultar em ocorrências de maior gravidade, envolvendo lesões pessoais ou impactos
ambientais devem ser investigados. Assim, o PGR deve contemplar as diretrizes e critérios
para a realização dessas investigações, que devem ser devidamente analisadas, avaliadas e
documentadas.
As recomendações resultantes do processo de investigação devem ser implementadas e
divulgadas na empresa, de modo que situações futuras e similares sejam evitadas. A
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documentação do processo de investigação deve contemplar os seguintes aspectos: natureza
do incidente, causas básicas e demais fatores contribuintes, ações corretivas e recomendações
identificadas, resultantes da investigação.
No presente estudo são abordadas com detalhes a identificação e análise dos riscos em
Usinas Hidrelétricas e as respostas aos mesmos. Foram abordados os riscos identificados e
vale ressaltar que a análise dos riscos é subjetiva, podendo ter pesos diferentes em outras
usinas, porém a metodologia a ser seguida é a mesma aqui apresentada.
5. CONCLUSÕES
Ao longo do presente estudo são identificados os perigos, avaliados os riscos e
sugeridas medidas para prevenção e controle dos mesmos, além de avaliar a atual
preocupação com a segurança dos funcionários das usinas visitadas. Os principais riscos
identificados foram considerados triviais e toleráveis, e somente o risco de tombos foi
considerado moderado, o que corrobora para a pequena ocorrência e gravidade dos acidentes
na operação de usinas hidrelétricas. Porém, por menos frequente que seja, existe o risco de
morte, devido a inalação de gases, picada de animais peçonhentos, incêndio e explosão,
choque elétrico e quedas de grandes alturas, e devem ser tomadas as devidas precauções para
evitá-los. Também são sugeridas medidas para prevenção de acidentes, com objetivo de
minimizar os riscos a que o trabalhador está sujeito no ambiente de trabalho.
Chega-se a conclusão que, embora os acidentes não sejam frequentes e os riscos
aparentemente sejam de conhecimento do responsável, as informações não chegam aos
trabalhadores de forma documentada e precisa, favorecendo as chances de acidentes e
doenças ocupacionais.
Com a elaboração e execução do Programa de Gerenciamento de Risco acredita-se
que seja possível evitar, ou ao menos prever, os acidentes, assim como informar e capacitar os
trabalhadores para esse mesmo fim. Sendo assim, prova-se fundamental a elaboração de um
PGR, podendo tomar como base o presente estudo e a estrutura apresentada.
Para maiores complementações, sugere-se a elaboração de trabalhos acerca do Plano
de Ação de Emergência de uma PCH.
REFERÊNCIAS
AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. Resolução No 652, de 9 de dezembro de 2003.
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