Revista da Cia Teatral ManiCômicos em São João del-Rei e região om a alavra Janeiro a Junho de 2011 Nº 11 Dores de Campos Lagoa Dourada Perdões Resende Costa São João del-Rei São Tiago Tiradentes Mire e Veja Autores da Palavra Palavra Primeira A revista Com a Palavra é uma criação da Cia. Teatral ManiCômicos dentro do projeto Arte por Toda Parte. Cia Teatral ManiCômicos: Cyntia Botelho, Jean Fábio, Juliano Pereira e Orlando Talarico. Arte-Educadores: Elis Fernanda, Fernanda Nascimento, Luiza Fernandes, Marcia Pitança, Marcos Vinicius Fonseca, Pablo Araújo, Paula Nicolau e Rafael Soares. Monitores: Ana Maria Malta, Luis Carlos e Sônia Abreu. Administrativo: Anderson Rail, Andréia Serpa, Cida Ferreira, Flávio Rezende, Joanna Matrowitz e Priscila Natany. Alimentação: Lucilea Maria Vianini. Transporte: Chico, Pierre e Silvério. Atrizes: Eliane Abreu Rios e Gheysla Nascimento. Músicos: Gabriel Rezende, Guilherme Faria, Luiz Nascimento, Neivison Barbosa e Rafael Wolbert. Pesquisa: André Frigo. Manutenção: Helen Cristina Silva. Fotografia: Nathanael Andrade. Assistência Técnica: João Luiz Conrado. Apresentação de ‘‘Domdeandar’’ no Festival de Inverno de Congonhas do Campo/MG - julho de 2010 Revisão: Paula Lima. Arte final: Rafael Wolbert. Tiragem desta edição: 5000 exemplares. Informações e sugestões: [email protected] www.manicomicos.com.br R. Industrial Paulo Agostini, 55 Vila Nossa Sra. de Fátima (32) 3373-5892 Com o despertar de um novo ano a revista “Com a Palavra” se revigora, e alcança a região, como parte do Projeto Arte por Toda Parte, que proporciona que crianças, jovens e adultos de diversos bairros de São João del-Rei e de mais seis cidades vizinhas, Resende Costa, Lagoa Dourada, Perdões, Dores de Campos, Tiradentes e São Tiago possam se expressar, criar, se relacionar e se desenvolver no contato com a arte. Esse Projeto só é possível graças a parcerias de prefeituras, empresas, comerciantes e amigos que almejam por uma sociedade onde as oportunidades estejam ao alcance de todos e que enxergam que a arte é um possível facilitador do processo de desenvolvimento humano. E a Revista aproveita para convidar as pessoas a se envolverem cada vez mais com o Projeto Arte por Toda Parte, participando das atividades, assistindo aos espetáculos, apoiando as iniciativas e divulgando os eventos. E assim, contribuindo para que a arte esteja por toda parte. Com a por MauroBarros Colaboradores desta edição: Alunos de Resende Costa que fizeram a pesquisa: Andreína, Carla e Luís Carlos. Depois de um tempo sem nos falar, estamos de volta: “Com a Palavra” na mão, novos planos e muita emoção! Com essa rima brincalhona marcamos novo ciclo de produção de nosso editorial e de novos projetos da Cia Teatral ManiCômicos. Esse hiato no tempo, 1 ano de pausa, não nos fez desistir de escrever e conversar com você, caro leitor. Palavra na mão Cadastre-se para receber nosso boletim eletrônico. É só mandar o seu e-mail para nós e aguardar as próximas edições. Escreva para nós sua opinião é muito importante! Devido ao espaço limitado da revista, as cartas publicadas podem ser editadas, respeitando ao máximo o sentido das mesmas. Walter Baccarini, propietário do Café Soberano empresa apoiadora do Projeto Arte por Toda Parte desde 2005 Revista Com a Palavra I Janeiro a Junho de 2011 Revista Com a Palavra I Janeiro a Junho de 2011 1 ManiCômicos em 2010 . Confira: Em 2010, a Cia Teatral ManiCômicos fez PROJETO ARTE POR TODA PARTE Em São João del-Rei e seis cidades da região (Perdões, Resende Costa, Tiradentes, São Tiago, Lagoa Dourada, Dores de Campos); PROJETO CIRCULAÇÃO MANICÔMICOS Aprovado no FEC (Fundo Estadual de Cultura), levou uma oficina de criação teatral e o espetáculo “Domdeandar” para Minduri, Tiradentes, Dores de Campos, Conceição da Barra, Ijaci, Entre Rios, Ouro Branco, Carrancas, Santo Antônio do Amparo, Alfenas, São Tiago, Perdões, Lagoa Dourada, São Vicente de Minas e Prados; PRÊMIO MÍRIAM MUNIZ Para a produção de um novo espetáculo da ManiCômicos com estréia prevista para o 2º semestre de 2011; O monitor Luís Carlos (Preto) e as alunas Andreina e Carla fizeram a pesquisa A Comunidade do Curralinho dos Paulas recebeu seus primeiros moradores em 1941. O que incentivou a construção das primeiras casas foi a exploração de minério na região. Esta atividade teve três momentos intensos marcados por três fortes chuvas que mexeram no solo do Curralinho indicando a presença de minério. Em 2010 os alunos transformaram esta história na peça “As três chuvas”. A seguir, um pouco da Arte presente no Curralinho dos Paulas. AGUARDEM!!! PRÊMIO CENA MINAS Apresentando o espetáculo “O Grande Dia” dentro da lona do Circo Coliseu di Roma em quatro cidades de Minas Gerais; PARTICIPAÇÃO EM FESTIVAIS Curitiba - PR; Presidente Prudente - SP; Congonhas - MG; Entre Rios - MG; Ouro Branco - MG; Paracambi - RJ; Início das atividades do PONTO DE CULTURA Espaço Cultural ManiCômicos Acesso gratuito a internet. Oficinas de arte. Atividades artísticas. Acervo literário; 5º ENCONTRO DE GRUPOS DE TEATRO DE SÃO JOÃO DEL-REI Com espetáculos, oficinas, mesas redondas e muita troca de experiências!!!! APOIADORES Campanha “Amigos do ManiCômicos – investidores solidários” (doação de 6% do imposto de renda), e dos apoiadores comerciais para o Arte por Toda Parte; CURSO DE PREPARAÇÃO PARA ATORES - parceria: Formação técnica em teatro e apresentação dos espetáculos: “...e o céu uniu dois corações”, “Odisséia – Nunca voltar para casa foi tão difícil”, “A tempestade”, “As filhas de Bernarda Alba” e “Topaze“; e mais: Participação no espetáculo “Terra de Livres”, Realização Dia da Criança Feliz em parceria com o Café Soberano, Intercâmbio com o Grupo Pontapé de Teatro de Uberlândia – MG, Conquista do Selo de Utilidade Pública, Capacitação de Arte Educadores. E além de tudo isso Espaço Cultural ManiCômicos recebeu grupos, shows e o Projeto Cantorias do Curso de Música da UFSJ; ...e em 2011, as atividades já começaram por toda parte. Informe-se: site / blog / e receba nosso boletim eletrônico cadastrando-se no email: [email protected] 2 Revista Com a Palavra I Janeiro a Junho de 2011 Maria do Joaquim Verônica – Costureira. Dona Maria tem 67 anos e nasceu no dia 25 de setembro de 1943. Começou a costurar com 12 anos de idade na máquina de mão. Por suas costuras ela recebeu de presente uma vaca e com o dinheiro que conseguiu com a venda da vaca, Maria comprou uma máquina melhor. Dona Maria fazia roupas para crianças, homens, mulheres, artigos de cama, mesa e banho. O trabalho era duro e exigente, pois a procura era grande. Hoje Maria só faz consertos de roupas, bainhas e remendos. Caça-palavras - Resende Costa Ufa! Grupo de jovens “Fonte de Água Viva” – Grupo de jovens ligados à igreja, coordenado pelo Luís Carlos (Preto). Participa da realização de atividades diversas, tais como: criação e apresentação de peças teatrais com temas religiosos, manutenção do salão social, organização das festas da comunidade. Seus integrantes também praticam atletismo e participam do Projeto Arte por Toda Parte desde 2010. O grupo existe para que cada um descubra seu dom para a realização de seu sonho e tenham mais capacidade de melhorar seu cotidiano. Adelmo de Oliveira (Dimico) – Faz Balaios de bambú. Nasceu em 18 de setembro de 1950. Começou a fazer balaios aos 10 anos de idade. Na época das colheitas os pedidos eram muitos e era difícil atender a todos. Hoje o Dimico acha que essa arte está chegando ao fim, pois a procura é pequena. Os balaios de bambu estão sendo substituídos pelos de plástico tanto nas colheitas quanto nos carvoeiros e os jovens não mostram interesse em aprender o ofício. José do Acilio – Carpinteiro. Tem 69 anos e nasceu em 4 de setembro de 1942. É carpinteiro há 25 anos e já passou por muitos altos e baixos da profissão. Sente que sua idade já não permite que ele trabalhe como antes. O número do telefone comunitário, que dá acesso a todos esses artistas, é: 32 3357-0021 Revista Com a Palavra I Janeiro a Junho de 2011 3 Palavra de Ouro - Dores de Campos “Quantas histórias não começam assim... a nossa não vai ser diferente e fala sobre uma cidade que começou a se formarem torno de uma Figueira Encantada. Nas Minas Gerais, região próxima à cidade de Prados, existia um português que possuía um armazém que servia como ponto de parada dos muitos tropeiros que circulavam pelos Campos das Vertentes. Por ser muito alegre e gostar de uma boa prosa acabou ficando conhecido como “Patusca” e o povoado que começou a se formar ao redor do seu armazém passou a se chamar Povoado do Patusca. No início do século XIX, tem- se registro da chegada do então primeiro morador do povoado: Bernardo Francisco da Silva, que adquiriu terras com vistas à agropecuária. As atividades coureiras foram desenvolvidas pelos irmãos Antônio da Silva Sena e Manoel Justino da Silva que começaram a fabricar na cidade as primeiras selas e, posteriormente, outras manufaturas ligadas ao couro foram se desenvolvendo. Aos poucos o povoado foi crescendo e se expandindo ao redor de uma gigantesca figueira que, segundo informações possuía galhos que chegavam a se distanciar cerca de 14 metros do tronco - e virou cidade, ganhou uma praça, hoje chamada de Praça José Justino, onde os moradores se reuniam, conforme diziam os antigos, para os “folguedos”, no mesmo local onde encontramos a figueira, que poeticamente ganhou o nome de Encantada. A Figueira Encantada é testemunha de grandes momentos da história política e social local. Viu em 1938 a emancipação da cidade, vê a chegada de novos moradores e a partida de filhos da terra, saúda os nascimentos e lamenta as mortes. Comemora inicio de namoros e celebra bodas de prata e ouro. Vê o tempo passando, costumes e hábitos mudando... mas floresce de satisfação quando percebe que os moradores de Dores de Campos reverenciam seu símbolo maior, mantendo a característica local de amar profundamente tudo aquilo que é da terra. Nossa história se encerra como todas as outras. Tem um final, ou melhor... não termina aqui , ainda há muito mais a ser contado, sobre um povo, uma árvore, uma cidade...e uma figueira.” Tereza Raquel Assis de Oliveira Pugliese, integrante da SECULT (secretaria Municipal de Cultural e Turismo) Graduada em História pela FAFIDIA – Faculdade de Filosofia e Letras de Diamantina Depoimentos dos Alunos de Dores de Campos, MG – 2010 Fazer teatro significou muito para mim. Todas as quintas–feiras eu tinha alguma coisa para fazer, e nas aulas aprendi um monte de coisas que me ajudou na escola. Yvana Arruda Mayrink, 10 anos. A peça de teatro que eu fiz no ano passado me fez relembrar varias coisas interessantes da minha cidade e também descobrir mais coisas sobre a figueira. Foi uma experiência muito legal e eu adoraria fazer de novo outra peça, pois é incrível. Luciana (professora da Escola Estadual Angelina Medrado e aluna do projeto Arte por Toda Parte) Fernanda Keller Nascimento Moreira, 9 anos. 4 As aulas de teatro do projeto Arte por Toda Parte em Lagoa Dourada tiveram início atendendo jovens e adultos da cidade interessados no fazer teatral e também as crianças do tempo integral da Escola Municipal Maria Jacinta. Com a turma de jovens, inicialmente fizemos uma pesquisa relacionada às histórias da cidade. Causos, contos, lendas, histórias de medo e de graça que estimularam os alunos a conhecerem um pouco mais o lugar onde moram e as pessoas que lá vivem ou viveram. Através desta pesquisa, pudemos conhecer a rigidez do arcebispo Dom José D'Angelo Neto que separava homem de mulher na missa e que ia à casa dos fiéis dar bronca sobre como deve ser a postura dos casais. Soubemos que já houve um grupo de teatro em Lagoa e também uma Casa de espetáculos que foi demolida. “Só sobrou a bilheteria para comprovar que ela já existiu” disse umas das alunas do projeto. Conhecemos a história do povoado de Matutu que dizem ter recebido este nome, depois que dois amigos bebendo disputavam quem ia matar a última cachaça. “Mata”, dizia um, e o outro respondia “Mata tu” - assim deu-se o nome do povoado. A história do nadador que sempre molhava o dedão do pé antes de entrar na piscina pra conferir se ela estava cheia depois de um quase acidente; do moço que namorava a moça com o pai dela junto, aproveitou o escuro pra roubar-lhe um beijo e acabou beijando o sogro; a lenda da lusinha; do tanque grande; as histórias da festa do peão; das assombrações que aparecem na quaresma; do roubo do cristo da cidade vizinha que tinha dois; e tantas outras que se perdem na memória de quem vive por essas bandas. Com este rico material partimos para as improvisações envolvendo as histórias pesquisadas. Pouco a pouco fomos transformando-as, amarrando as cenas e montando uma peça teatral inspirada em tudo que ouvimos, experimentamos e inventamos: “Encrencas bem resolvidas”. O envolvimento dos alunos foi de grande importância para a construção da peça que estreou na Escola Estadual Angelina Medrado com casa cheia. Após a estreia, outra apresentação foi feita no Teatro Municipal de São João Del-Rei. No elenco: professores e alunos, jovens e adultos, moradores de Lagoa e de povoados vizinhos. Com os alunos do tempo integral fizemos leituras das histórias escritas pela turma de jovens. Percebemos que eles se interessavam bastante quando a história contada fazia parte do universo vivido por eles e criamos uma pequena peça teatral sobre duas lendas da cidade com uma parte igual à história original e a outra inventada pelos próprios alunos: “A lenda do Tanque Grande” e “As casas amarradas”. Vale lembrar que os alunos tiveram a oportunidade de ir ao Teatro Municipal de São João Del-Rei acompanhados dos pais para assistirem às apresentações da V Mostra de Teatro Arte por Toda Parte. Para muitos ali presentes esta foi a primeira vez que estiveram no teatro e que puderam assistir a um espetáculo. “Essa Cia de teatro vem trazendo para Lagoa Dourada muita alegria, descontração e um pouco da nossa cultura regional contada de uma forma diferente”. “Iniciei as aulas agora e já me apaixonei pelo projeto que tem atividades dinâmicas que contribuem para minha vida profissional e pessoal.” Aprender mais sobre a historia da minha cidade foi muito legal, pois me ajudou na peça e também na minha escola. Aprendi coisas que eu não sabia, como por exemplo que a figueira também era um local, onde se vendiam as peças de couro. Conheci a historia de quem ensinou a fazer a primeira peça de couro e muito mais coisas. “A parceria entre a prefeitura de Lagoa Dourada e a Cia. de teatro ManiCômicos foi à realização de um desejo latente desta comunidade, e a continuidade e ampliação deste trabalho são a certeza da importância da inserção de crianças, jovens e adultos em um universo cultural que ajudará na formação de cidadãos conscientes, pois as práticas artísticas levam o indivíduo a interagir com o meio em que vive e a valorizá-lo como parte integrante de sua vida e sua história.” Vitoria Cristina Gabriel, 10 anos. Josias Cardoso dos Santos (Superintendente de Cultura) Revista Com a Palavra Palavra por Palavra - Lagoa Dourada Era uma vez... I Janeiro a Junho de 2011 Revista Com a Palavra I Janeiro a Junho de 2011 5 Casa da Palavra - Arte: O espaço de conviver - São Tiago Marcos Fonseca, educador do Projeto Arte por Toda Parte na Cidade de São Tiago/MG no ano de 2010. São João del-Rei, 12 de março de 2011. Neste ano que se findou a pouco, o Arte por Toda Parte esteve presente na cidade Sim. O teatro e suas máscaras têm o poder de encantar. Mas alem disso, é um palco importante para a inclusão social. Não por acaso a parceria entre a APAE, a Escola Estadual Afonso Pena Júnior e da Assistência Social de São Tiago com a Companhia Teatral ManiCômicos, por meio do projeto Arte por Toda Parte, integrou alunos da rede pública estadual e da APAE na peça AMOR DE AGOSTO, que conta a estória de uma jovem que foge com o circo apaixonada pelo palhaço ladrão de mulher. Com o objetivo de estimular a auto-estima dos alunos e valorizar as diferenças, o curso foi ministrado durante todo o ano de 2010 na Escola Estadual Afonso Pena Júnior. Quem participou das atividades aprovou. Para a estudante da APAE, Aparecida de Nazaré, a oficina proporcionou um momento de relaxamento. “Gostei demais, a gente se esquece dos problemas”, afirma. Colega de Aparecida, Gustavo Resende considera importante o contato com outras pessoas. “Foi uma experiência boa conviver com todo mundo”, diz. Eu sou é eu mesmo... Marcos... Seu Marcos “Fizemos o caminho sem olhar para trás, andamos pelos trilhos e pedras da estrada, passamos pela cachoeira e pelas árvores, avistamos o carro de boi e a casinha que ao fundo faziam paisagem. Desse jeito papai resolveu sair de São João Del-Rei e levar a gente (eu e meus sete irmãos) para Tiradentes, pra um sítio ali perto do ribeirinho, que não existe mais, lá... lá na Candonga da Serra.” O menino arteiro acordava antes do sol pra fazer os afazeres do sítio, pois logo tinha que ir caminhando para escola. No caminho cruzava com os pescadores e as lavadeiras, mas gostava mesmo era de brincar nas poças d'agua em tempos de chuva. Chegava à escola sujo de barro e molhado e daí, a arte pronta, a Dona Maria ficava com dó e mandava voltar para casa. Voltava escondido da mãe e só aparecia na hora do almoço. E desse modo podia ir caçar com o pai ou ir nadar no riacho. Sou Minas Gerais! - Tiradentes No Palco da Inclusão “Tempos bons aqueles... eu andava descalço e chupava laranja no pé.” Para a professora de artes da APAE, Valéria Caputo de Castro, os resultados dos alunos participantes do projeto já podem ser sentidos em sala de aula. “Além de desenvolver o aspecto social, de inclusão, o aprendizado também melhora, já que desenvolve a criação, a espontaneidade, a imaginação. Todos os atributos de uma formação artística”. Explica. O projeto foi encerrado com a apresentação em 90% das escolas de São Tiago e também no Teatro Municipal de São João del-Rei. APAE de São Tiago, Março de 2011. Valéria Caputo de Castro Mendes Professora de Artes da APAE de São Tiago. Mas quando tinha que ficar na escola, prestava atenção mesmo era no barulho da Maria Fumaça, que trazia todos os dias os mascates que povoavam a cidade. Ficava imaginando os bigodes e o calor que esses sentiam por debaixo dos ternos. Assim o menino Marcos foi crescendo ouvindo as lendas do Morro da Mandioca, que de noite davam medo, indo com a mãe nas rezas e procissões da Igreja de Santo Antônio, e caçando com o pai. Marcos cresceu e saiu do sítio, foi morar bem próximo ao barulho da Maria Fumaça que hoje já não traz mais os mascates e sim os turistas. Casouse, teve filhos e netos. “Aquela Tiradentes... do meu tempo, eu não vou esquecer não” O menino Marcos é Marcos Conceição dos Santos... Mais conhecido como Seu Marcos! Seu Marcos com os alunos do projeto Arte por Toda Parte de Tiradentes, no Centro Cultural Yves Alves. No centro Cultural Yves Alves os alunos do Projeto Arte Por Toda Parte receberam a visita do Seu Marcos que contou suas façanhas e histórias de um tempo de criança “naquela Tiradentes antiga”! Fernanda Nascimento 6 Revista Com a Palavra I Janeiro a Junho de 2011 Revista Com a Palavra I Janeiro a Junho de 2011 7 Blablação - Perdões Oficina de teatro para jovens e adultos. Duas turmas que criaram os seguintes espetáculos: “Muuugindo para o futuro”, com a turma de jovens do Projeto Arte por Toda Parte, a partir de uma pesquisa sobre o patrimônio histórico da cidade. “Romão que rouba João também tem o seu Perdão”, criada pelos adultos do Projeto Arte por Toda Parte tendo como ponto de partida a pesquisa sobre o fundador da cidade, Romão Fagundes do Amaral. Estas peças foram apresentadas: ŸNas escolas da cidade, em três períodos, para um público de aproximadamente mil e quinhentos alunos; Ÿna VI Mostra do Projeto Arte por Toda Parte, no Teatro Municipal de São João Del-Rei; Ÿe na 1ª Mostra do Projeto Arte por Toda Parte em Perdões E mais: e tá c u lo o e s p Teatral ção d ia ta C n e s a atriz. Apre r” d ça da M eanda “Domd micos na Pra ô ManiC Apresentação da Chiquita Troupe, grupo teatral de Perdões com seu espetáculo “Médico à força” no Espaço Cultural ManiCômicos em São João del-Rei. Aprese n “O Gra tação do e n ManiC de Dia” da spetáculo ô Cia Te a Cultura micos no 1º Inv tral l de Pe erno rdões. Outras atividades realizadas na cidade: Os alun filme participaram os do Projeto ainda o do lain” ã ç do V i b i o u Ex de Teatro de Encontro de Grupos lie Po Espaç São João Del “Ame e Cultura a -Rei. d r u a t s l a u C C Vivência teatral oferecidas s a i n ferecida Ma urino, o para duzentas crianças do ensino público s. de Fig Oficina jovens e adulto para “A experiência de cada educando foi única e visível em cada olhinho que brilhava depois de cada apresentação. Ficará guardada para sempre na vida de cada um. Todo processo dos encontros foi compartilhado por todos, como sempre ensina o arte educador Orlando Talarico e com certeza, juntos ainda vislumbraremos muita arte e cultivaremos a cultura do Teatro em nossa Perdões”. Helga Maria Resende Lacerda Chefe do Departamento Cultural de Perdões Agende-se! Espaço Cultural ManiCômicos - 26 de Abril - Canto UFSJ, apresentação dos alunos do curso de canto popular (samba canção), às 20h. - 29 e 30 de Abril e 01 de Maio - Oficina de Clown, Cícero Silva (Palhaço Titete), 20 vagas, carga horária 18h, público alvo: iniciantes em palhaçaria e estudantes de artes cênicas. - 29 de Abril e 01, 14 e 15 de Maio - Alunos do CPPA (Curso de preparação para atores), apresentação do espetáculo “A Odisseia”, às 20h. - 18 de Junho - Formatura dos alunos do CPPA, apresentação do espetáculo “A Odisseia”. 8 Revista Com a Palavra I Janeiro a Junho de 2011 Empresas da cidade e a construção da Cidadania “... a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada.” Guimarães Rosa A Cia Teatral ManiCômicos tem como base de suas ações uma vontade que se tornou um compromisso social: proporcionar a crianças, jovens e adultos uma vivência teatral que vai além dos fins estéticos. E isso se dá através da prática de um trabalho que contribui para o desenvolvimento humano, a partir de aspectos da identidade de comunidades, muitas vezes esquecidas e desvalorizadas da nossa região. Focado nessa idéia surge o Projeto Arte por Toda Parte, movido pelo sonho da Cia de melhorar a realidade do seu meio social. Os caminhos para vivenciar esse Projeto não são lineares, mas esse sonho a Cia não sonha sozinha. Nessa caminhada entraram em cena Amigos e Apoiadores do ManiCômicos - pessoas e empresas que compreenderam a importância e a necessidade de aliar arte e educação como um caminho para a transformação da sociedade. Acreditar e, principalmente, fazer parte dessa ação significa voltar o olhar para o próximo e entender que a mudança se dá a partir do envolvimento e colaboração de todos para assim ocorrer transformação. Tal transformação não está apenas no campo das palavras. Ela está presente no agir de seres que se preocupam com os rumos da sociedade, que se preocupam com crianças e jovens que crescem nas ruas, que vivem à margem da sociedade, que não têm acesso a manifestações artísticas e que não reconhecem o valor histórico e cultural de suas comunidades dentre outras desigualdades sociais. Contar com a sensibilização e colaboração dessas pessoas nos torna capazes de desenvolver essa ação contribuindo para que a arte alcance um número cada vez maior de crianças e jovens que passam a se apropriar dos inúmeros benefícios que ela proporciona! 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