UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CENTRO DE TECNOLOGIA ENGENHARIA CIVIL PEDRO RODOLFO FREITAS DE MATOS ALTERAÇÕES NO PLANEJAMENTO DE UMA PRESTADORA DE SERVIÇOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL BUSCANDO MAIOR QUALIDADE E CUMPRIMENTO DE PRAZOS FORTALEZA 2009 PEDRO RODOLFO FREITAS DE MATOS ALTERAÇÕES NO PLANEJAMENTO DE UMA PRESTADORA DE SERVIÇOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL BUSCANDO MAIOR QUALIDADE E CUMPRIMENTO DE PRAZOS Monografia apresentada à disciplina de Projeto de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Ceará como partes dos requisitos para obtenção do título de Engenheiro Civil Prof(a) Orientador(a): Luiz Fernando M. Heineck FORTALEZA 2009 M381a Matos, Pedro Rodolfo Freitas de Alterações no planejamento de uma prestadora de serviços da construção civil buscando maior qualidade e cumprimento de prazos / Pedro Rodolfo Freitas de Matos, 2009. 53 f. ; il. color. enc. Orientador: Prof. Dr. Luiz Fernando Mahlmann Heineck Área de concentração: Construção Civil AGRADECIMENTOS Aos meus pais por sempre me darem apoio e condições para enfrentar as dificuldades dessa nossa vida. Ao professor Luiz Fernando Heineck pela orientação desta monografia e ensinamentos transmitidos através do Gercon. À professora Thais da Costa Lago Alves e José de Paula Barros Neto por todos os excelentes conceitos e experiências trocadas durante o curso de Engenharia Civil. A Luiz Armando, Renata Sindeaux, Luiz Madeira, Thompson e Ludmilla, pela amizade, conselhos e o grande aprendizado durante o período em que trabalhamos juntos. Aos colegas especiais de faculdade: Vanessa Lira, Emanuella Saraiva, Marcio Anderson, Marisônia Benevides, Jackson Cavalcanti, Luciana Barbosa, Roberto Jr, Manuella Romcy e Delane Rodrigues, uns pelo companheirismo e apoio durante o curso de Engenharia Civil e outros pela verdadeira amizade. As pessoas especiais, dentre elas, Rafael Rodrigues, Lindsay Danny, Marcos Coelho e Talita Ferreira, pelo significado que trouxeram a minha vida. Aos meus irmãos, Rogério, Roberto e Rénede, assim como aos primos, Elisa, Lara, Dandara, Tais e João Barbosa, por me inspirarem todos os dias. A Deus em último, porém em primeiro lugar, por me conceder tudo isso e a chance de seguir este caminho maravilhoso. OBRIGADO! PEDRO RODOLFO FREITAS DE MATOS ALTERAÇÕES NO PLANEJAMENTO DE UMA PRESTADORA DE SERVIÇOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL BUSCANDO MAIOR QUALIDADE E CUMPRIMENTO DE PRAZOS Monografia submetida à Coordenação do Curso de Engenharia Civil, da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial para a obtenção do grau de Engenheiro Civil. Aprovada em 04 / 12 / 09 BANCA EXAMINADORA: Luis Fernando M. Heineck, Ph.D. (UFC) (Orientador) José de Paula Barros Neto, Ph.D. (UFC) (Examinador) Eng. Luis Madeira – Enaut Engenharia e Instalações Ltda (Examinador) RESUMO Na construção civil, a existência de fatores como má qualificação da mão-de-obra, maior exigência e conhecimento por parte dos clientes em relação ao produto final, assim como a dificuldade das empresas em se lidar com a variabilidade e as incertezas existentes nas obras instigam a constante busca por melhorias. Esse trabalho tem como objetivo mostrar algumas destas melhorias no relacionamento entre empresas prestadoras de serviços na Construção Civil e as empresas construtoras. Para tanto, foram feitos pesquisa bibliográfica e um estudo de caso para a aplicação de ferramentas que se adaptem ao planejamento e a estratégia de produção de uma empreiteira. Busca-se com isso, na realização de um determinado empreendimento, a atuação conjunta entre terceirizada e construtora de forma mais eficaz e transparente. Espera-se, por parte da prestadora de serviços, uma padronização das atividades ligadas ao planejamento e execução de atividades, além de visão mais transparente dos processos, trazendo mais qualidade e eficácia no cumprimento dos prazos. Palavras-chaves: Construção Civil, Planejamento e Controle da Produção e Produção Enxuta LISTA DE FIGURAS Figura 2.1 – Operacionalização da Filosofia Lean (fonte: Empresa cearense A)..................17 Figura 2.2 – As cinco Forças de Porter....................................................................................19 Figura 2.3 – Linha de Balanço.................................................................................................23 Figura 3.1– Obra do prédio hospitalar (empresa X)................................................................28 Figura 3.2 – Exemplo de tabela com desenho de processos (Inst. Hidráulicas).....................29 Figura 3.3– Custo de mão-de-obra (instalações hidráulicas)...................................................30 Figura 3.4– Linha de Balanço (Tubulações hidráulicas, elétricas e sprinkler (incêndio)......35 Figura 3.5– Aplicação do médio prazo na empresa terceirizada.............................................35 Figura 3.6 – Gráfico de comparação entre planejado e executado (inst. elétricas)................38 Figura 3.7 – Gráfico de comparação entre planejado e executado (inst. hidráulicas).............38 Figura 3.8 – Gráfico de comparação entre planejado e executado (inst. de incêndio)...........38 Figura 3.9– Custo mensal (instalações hidráulicas)..................................................................39 Figura 3.10– Custo mensal (instalações elétricas)....................................................................40 Figura 3.11– Custo mensal (instalações de incêndio)...............................................................40 Figura 3.12 – Gráfico dos custos mensais planejado................................................................42 LISTA DE QUADROS Tabela 3.1 – – Resumo do custo de mão-de-obra (instalações hidráulicas).........................31 Tabela 3.2 – Resumo custo de mão-de-obra (instalações elétricas)......................................32 Tabela 3.3 - Resumo custo de mão-de-obra (instalações de incêndio.)................................33 Tabela 3.4 - Planejado x executado (fonte: empresa X)........................................................37 Tabela 3.5 - Resumo dos custos mensais planejados............................................................41 LISTA DE SIGLAS STP – Sistema Toyota de Produção PCP – Planejamento e Controle da Produção PSP – Projeto de Sistema de Produção SPK – Sprinkler (material da tubulação de incêndio) SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS .............................................................................................................6 LISTA DE QUADROS ...........................................................................................................7 LISTA DE SIGLAS..... ...........................................................................................................8 1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................10 1.1 CONTEXTO DA PESQUISA ......................................................................................10 1.2 PROBLEMA DE PESQUISA .................................................................................12 1.3 OBJETIVOS...... ......................................................................................................13 1.3.1 Objetivo geral ..................................................................................................13 1.3.2 Objetivos específicos .......................................................................................13 1.4 DELIMITAÇÕES DO TRABALHO.......................................................................13 1.5 METODOLOGIA....................................................................................................14 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO.............................................................................15 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................................................................................16 2.1. O papel do pensamento enxuto na formulação de um bom planejamento estratégico.................................................................................................................................16 2.2 As melhorias no planejamento e sua repercussão na estratégia e competitividade de uma empresa da construção......................................................................................................18 2.3 Aplicação da linha de balanço ......................................................................................22 2.4 A influencia do lean na relação entre construtoras e suas terceirizadas.......................24 3. ESTUDO DE CASO E RESULTADOS OBTIDOS .................................................... 26 3.1 Breve descrição da empresa.........................................................................................26 3.2 Atividades executadas no período.................................................................................27 3.2.1 Entrevista com o engenheiro ............................................................................27 3.2.2 Reuniões............................................................................................................27 3.2.3 Visitas e acompanhamento de obra...................................................................28 3.3 O desenho de Processos................................................................................................29 3.4 Tabela de análise de custo de mão-de-obra..................................................................29 3.5 A formulação da linha de balanço................................................................................34 3.6 Cronograma de médio prazo.........................................................................................36 3.7 Controle do planejado x executado...............................................................................37 3.8 Custo mensal dos serviços.............................................................................................39 4. CONCLUSÕES............................................................................................................... 43 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 44 ANEXOS ................................................................................................................................. 46 10 1. INTRODUÇÃO Neste tópico, será apresentada uma discussão sobre os conceitos que envolvem a pesquisa. Primeiramente um breve comentário de como está o mercado no ramo da Construção Civil e como as empresas estão reagindo a tais perspectivas. Depois será retratada a importância de se ter um bom planejamento das atividades não só em obras da construção civil, mas sim em qualquer campo de atuação. Será feita então uma convergência de idéias entre os conceitos de planejamento e da construção enxuta além de identificar a perspectiva estratégica e competitiva no fato de se usufruir de tais medidas para se alcançar objetivos empresariais tais como qualidade e eficiência de atuação no mercado. 1.1 Contexto de Pesquisa A partir do final da década de 80, percebeu-se uma adaptação de vários fatores no contexto de mercado da construção de edificações, os quais são classificados como econômicos, comerciais, técnicos, sociais, financeiros e legais (CARDOSO, 1996). Ou seja, podem-se observar, por exemplo, a existência de fatores como má qualificação da mão-deobra, maior exigência e conhecimento por parte dos clientes em relação ao produto final, assim como a dificuldade das empresas em lidar com a variabilidade e as incertezas existentes nas obras de construção civil. Tais fatores comportam-se com características condicionantes nestas empresas, despertando, por conseguinte, a busca de investimentos em programas de qualidade, programas de treinamento e melhorias no sistema de gestão (BARROS NETO, 1999). Alves (2000) complementa afirmando a necessidade de planejamento como forma de antecipação aos problemas relacionados à variabilidade, preparando-se o ambiente produtivo para lidar com incertezas sem prejudicar as atividades. Um bom planejamento das atividades vem a ser uma importante forma de se evitar imprevistos advindos das condições naturais do campo de atuação da construção civil. A intenção de se evitar desperdícios, reduzir custos e eliminar atividades que não agregam valor leva o direcionamento de idéias ao encontro de conceitos firmados por Koskela (1992) sobre 11 novas formas de gerenciamento. Tais conceitos originaram-se das aplicações japonesas no Sistema Toyota de Produção (STP) em suas indústrias automobilísticas. Segundo Womack et al, (1992, p.3), o STP ou Produção Enxuta visa o aumento da produção através da redução dos estoques no local de fabrica, utilização de menores quantidades de serviços, redução de tempo de ciclo e de defeitos. Ainda em relação a isso, Womack e Jones (1998) apud Alves (2000), p.21, formalizam cinco princípios visando a eliminação destas perdas: Especificação de valor (pelo cliente); Identificação da cadeia de Valor (conjunto de ações que levam ao produto final); Fluxo (ações movimentando toda a cadeia); Produção Puxada (agir sobre solicitação) e; Perfeição (entende-se aqui como uma busca a tal patamar). Autores como Formoso et al (1999) e Bernardes (2001) mostram que empresas de construção civil podem desenvolver sistemas de planejamento baseando-se nestes conceitos da construção enxuta. Sabendo que uma prestadora de serviços é parte integrante de todo um processo de atuação da empresa construtora, a primeira pode passar a se adequar a tais práticas, desenvolvendo seus próprios cronogramas e processos de atividades, fomentando relações mais transparentes quanto a prazos, equipes e materiais que serão vistoriados pela segunda. Verifica-se que o ponto de vista adotado alcança também a questão de estratégia de atuação e competitividade da empresa. Uma empresa que atua transmitindo confiabilidade no cumprimento dos prazos e qualidade nos serviços poderá ser mais bem vista pela contratante diante das demais terceirizadas. Barros Neto (1999) afirma que diante do mar competitivo em que estão inseridas as empresas, estas podem optar por atitudes que as diferenciem, tais como agregação de valor ao produto. Outra atitude seria se especializar em um determinado tipo de nicho de mercado, por exemplo, especialização em estruturas ou em instalações, entre outras, e, por fim, podem adotar uma postura competitiva simples e objetiva, trabalhando com baixos custos indiretos, controle rigoroso de custos e atenção criteriosa aos detalhes. Paralelo a isso, vem à preocupação de se ter o planejamento bem definido da execução das atividades específicas da empresa, pois é ele que garante as diretrizes que governam os processos (HOWELL & BALLARD, 1996 apud ALVES, 2000, p.30). 12 A seguir, será identificada, na realidade da construção civil, uma situação a qual é tida como um ponto passivo de melhorias e que por conta disso passa a se comportar como uma problemática de pesquisa a se trabalhar e se buscar tais objetivos. Trata-se da relação entre empresa contratante e suas prestadoras de serviços. 1.2. Problemática de Pesquisa O relacionamento entre empresas construtoras e suas empreiteiras nem sempre se dá de forma mais adequada. Esta falha é observada, por exemplo, nas divergências de prazos, no não alinhamento de cronogramas e, às vezes, na inexistência deste. Isso pode ser observado principalmente como características de empresas terceirizadas, que simplesmente tentam se adequar ao cronograma estabelecido pela contratante. Diante disto, verifica-se a necessidade de se estabelecer algumas diretrizes para estas empreiteiras no sentido de melhorar este relacionamento. Uma análise do planejamento e a adequação de ferramentas que tragam mais transparência aos processos vêm a ser um passo para tal objetivo. A atuação de uma empresa terceirizada, seja por meio de convite ou licitação em determinada obra, torna-se muito mais qualificada e competitiva quando esta se mostra totalmente segura de suas atividades, através de um cronograma bem estabelecido com atividades bem definidas e envolvimento das equipes de profissionais. Este trabalho se justifica na medida em que mostra uma experiência prática da utilização dos conceitos teóricos da Construção Enxuta e Planejamento e Controle de Produção, através de um estudo de caso em uma prestadora de serviços da Construção Civil. O estudo é pertinente, pois mostra alterações nos planos da obra para que esses se tornem eficientes em termos de prazos e visualização dos níveis de longo, médio e curto prazo do cronograma. Será visto posteriormente que a metodologia usada neste trabalho consiste basicamente em um levantamento bibliográfico sobre os conceitos postos em questão acima, bem como um estudo de caso exploratório em uma prestadora de serviços de Fortaleza, na qual serão coletados dados no escritório e em uma das obras em que a empresa é atuante. Adiante, são apresentados os objetivos que levam a execução do trabalho. 13 1.3. Objetivos 1.3.1. Objetivo geral O presente trabalho tem como objetivo geral mostrar melhorias no relacionamento entre empresas prestadoras de serviços na Construção Civil e as empresas construtoras, no que diz respeito à competitividade, qualidade nos serviços e cumprimento de prazos. Serão definidas, então, algumas ferramentas que se enquadrem ao planejamento e a estratégia de produção de uma empreiteira para que, na realização de um determinado empreendimento, a atuação conjunta entre ela e construtora seja mais eficaz e transparente. 1.3.2. Objetivos específicos Como objetivos específicos busca-se explicitar a implantação de três ferramentas no planejamento da empreiteira analisada em estudo de caso. Primeiramente os desenhos de processos, depois a análise do custo de mão-de-obra e, por fim, a formulação de um cronograma em Linha de Balanço. Para isto, será escolhida umas das obras em que atua a empreiteira, onde esta será definida como modelo para análise e registro de todos os serviços ali realizados. A idéia e buscar uma maior transparência na execução das atividades e na definição de custos e prazos, a partir do momento em que a empreiteira passa a ser proativa na execução de um cronograma mais realista de sua atuação em determinada obra. Espera-se também a consolidação do alinhamento entre os cronogramas das empresas (construtora e terceirizada). A seguir, colocam-se as informações referentes à metodologia de trabalho. 1.4. Delimitações do Trabalho O presente trabalho pôde ser realizado após a intervenção de um dos engenheiros da prestadora de serviços em questão no sentido de se adaptar novas ferramentas ao seu planejamento. Após a aceitação da diretoria da empresa, foi concedido, então, um estágio na 14 área de planejamento da empresa. Com isso, as informações aqui presentes resumem-se às coletadas no período de estágio. Buscou-se fazer um alinhamento entre construtora e prestadora de serviços através da análise de uma das obras na qual atuam as empresas, adaptando-se as ferramentas desenvolvidas a realidade da terceirizada. 1.5. Metodologia A metodologia da pesquisa consiste primeiramente em levantamento de literatura com revisão em áreas de conhecimento tais como planejamento, estratégia de produção, competitividade e construção enxuta. Paralelo a esta busca, foi feito também um estudo de caso em uma prestadora de serviços da construção civil, do estado do Ceará, na qual se pretende implantar novas ferramentas em seu planejamento, tais como desenhos de processos dos serviços executados, análise de custos de mão-de-obra através de pacotes de produção e o cronograma em Linha de Balanço. Salienta-se também que, além da empresa terceirizada em estudo, foi possível ter acesso a um material de pesquisa que se resume o diagnóstico de um estudo feito no ano de 2008 em duas empresas construtoras cearenses. No material (relatórios, artigos e entrevistas), são encontradas informações referentes às suas estratégias de atuação, planejamento e busca de melhorias através dos conceitos Lean. O estudo foi realizado pelo Grupo de Pesquisa e Apoio da Construção Civil da Universidade Federal do Ceará (Gercon - UFC), do qual também fez parte o autor do presente trabalho. O material será utilizado como auxílio na análise do relacionamento entre empresas e suas terceirizadas. Novamente em relação à terceirizada, foi feito um acompanhamento em uma das obras na qual atua a prestadora de serviços em questão. Junto com uma estagiária da construtora que administra a obra, foram formulados alguns padrões e modelos de tabelas e gráficos e cronogramas a se realizar. Para tanto, foi dedicado um tempo de vinte horas semanais em um caráter de estágio na empresa em questão com uma duração de três meses, que foi dividido em atividades em escritório e na obra tomada como modelo. As atividades desenvolvidas em escritório concentram-se basicamente na formulação das ferramentas já citadas. O primeiro passo foi definir os pacotes de atividades executados 15 em obra, ou seja, definir os desenhos de processos nos quais foram explicitadas as atividades, equipes encarregadas e a sua duração. Paralelamente a isso foram formuladas as análises de custo de mão-de-obra, nas quais se terá uma análise da produtividade dos profissionais e dos custos dos pacotes definidos. Foi redigida, então, uma tabela com o resumo destes pacotes para se formular o gráfico em Linha de Balanço. As visitas à obra modelo serviram para coletar informações quanto à execução, equipes de produção e quantidade de materiais, no intuito de se fazer uma comparação e validação dos dados definidos em reuniões de escritório juntamente com o engenheiro chefe. A junção entre informações colhidas em reuniões de escritório e os dados coletados na obra modelo foram de suma importância para a definição de uma estratégia padrão de analise da execução de cada obra. A intenção é que a empresa passe a ver com maior transparência a realização de suas metas em determinado empreendimento, visto que é novidade para a mesma a condição de se ter uma análise minuciosa de custos de cada pacote de atividade, de se definir de forma condizente a duração destes pacotes, além da utilização de um novo método de cronograma: a Linha de Balanço. 1.6. Estrutura do Trabalho O trabalho estrutura-se da seguinte forma: o primeiro tópico introduz o trabalho, com a contextualização da pesquisa, problemática, justificativa, objetivos geral e específicos, além das delimitações do trabalho, metodologia e estrutura do mesmo. O tópico, que será apresentado no item 1.5, irá tratar do método de pesquisa realizado, além de uma breve apresentação da empresa que serviu de base para o estudo. O segundo tópico compreende a revisão bibliográfica, onde se encontram temas que serviram de base para a condução do trabalho, tais como filosofia lean, estratégia de produção, planejamento e controle da produção e linha de balanço. O terceiro tópico especifica o estudo de caso realizado na prestadora de serviços e as atividades que foram desenvolvidas durante o período de trabalho na empresa. Em seguida, 16 são apresentados os resultados obtidos e as conclusões referentes ao trabalho realizado, além de sugestões de trabalhos futuros. 2. 2.1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O Papel do “Pensamento Enxuto” na Formulação de um bom Planejamento Estratégico Direcionando-se à Construção Civil, Koskela (1992) apud Alves (2000), p.24, faz adaptações do modelo de Produção Enxuta, abrindo espaços para as novas tendências gerenciais da Filosofia Lean, ou Construção Enxuta. Para tanto, ele cita onze princípios para gestão dos processos na construção. Dentre estes, destacam-se os que serão posteriormente ressaltados neste trabalho, que são: realização de benchmarking; aumento da transparência dos processos; foco no controle do processo como um todo (interligação de diferentes níveis de planejamento) e busca da melhoria contínua dos processos. Para o atendimento destes e dos demais princípios Lean, surgem de forma conseqüente às ferramentas operacionais tais como just in time (JIT), kanban, andon, kaizen e outros. A primeira relaciona as atividades realizadas de forma puxada, ou seja, uma busca de se alcançar estoque zero, aumentando os lucros e eliminando perdas através do recebimento dos materiais no tempo e quantidade certos (SHINGO, 1996a;1996b; HOPP e SPEARMAN, 1996 apud ALVES, 2000, p.15). O kanban (figura 2.1b) vem a auxiliar essa idéia do just in time através da indicação de quanto e quando produzir, além da definição de destino dos produtos. Através do controle de bem produzidos, evita-se a superprodução e geração de estoques. (SHINGO, 1996a apud ALVES, 2000, p16). O andon (figura 2.1a), aparelho sinalizador que evita as paradas nas atividades, facilita a comunicação entre operário e sala técnica e diminui as perdas de tempo geradas por problemas como falta de material ou falha de equipamentos. 17 (a) Andom (b) Gerenciador de Kanban Figura 2.1 – Operacionalização da Filosofia Lean (fonte: Empresa cearense A) Por fim, tem-se o kaizen, que implica na busca pela perfeição e na melhoria contínua. Koskela (1992) afirma que os esforços para reduzir desperdícios e aumentar o valor do produto devem ocorrer continuamente. Porém, diante dos grandes avanços no setor operacional, é preciso haver um direcionamento destas tecnologias e suas melhorias para o planejamento. Barros Neto et al (2007) já atentava a isto afirmando que, se não houver essa visão em uma perspectiva de longo prazo, as melhorias podem não ser percebidas, podendo haver até um retrocesso na produtividade da execução de um empreendimento. Uma forma de se aplicar os conceitos Lean em uma dimensão além do operacional seria defini-los previamente a partir da formulação do planejamento estratégico da empresa. Ou seja, fazer um alinhamento estratégico entre o planejamento de longo prazo da empresa e as ferramentas Lean. Salienta-se neste ponto o cuidado apontado por Barros Neto et al (2008) em não se aplicar recursos desnecessários, pois muitas empresas implantam as ferramentas sem pensar nas prioridades estratégicas. Fazendo-se um estudo e definindo quais os objetivos estratégicos, identificam-se as etapas reais de implantação da filosofia, trazendo coerência para o processo, caso contrário, a aplicação da ferramenta pode estar comprometida. A própria busca pela transparência na definição destes processos pode ser considerada uma característica dos princípios Lean, o que mostra que tais conceitos se aplicam aos dois níveis da gestão do empreendimento; 18 planejamento e operacionalização do produto. A seguir uma explicitação da busca pela melhoria contínua através da definição do planejamento e controle da produção. 2.2 As Melhorias no Planejamento e sua repercussão na Estratégia de Produção e Competitividade de Empresas na Construção Em busca da constância nas melhorias produtivas e econômicas, as empresas têm cada vez mais se preocupado em aplicar ferramentas que venham a trazer estes resultados de forma mais objetiva e transparente. Para tanto, a estratégia de produção destas empresas deve estar bem definida e periodicamente sendo avaliada para que, no caso da ocorrência de mudanças, as adaptações aconteçam de forma natural e sem impactos. Neves (1995) identifica três tópicos importantes que devem ser trabalhados na estratégia de produção de empresas da construção civil, que são: planejamento, recursos humanos e canteiro de obras. Segundo ele, o investimento em recursos humanos implica no aumento dos índices de produção assim como a manutenção de um canteiro de obras bem planejado e organizado influencia na redução do tempo improdutivo. Sob o ponto de vista competitivo geral em que estas empresas estão inseridas, podem ser feitas algumas considerações baseado-se nos conceitos de Michael Porter e sua lógica de análise de competição. O autor define um modelo que contém cinco forças competitivas: a ameaça de novos entrantes; a intensidade da rivalidade entre os concorrentes existentes; a pressão dos produtos substitutos; o poder de negociação dos compradores e o poder de negociação dos fornecedores (PORTER, 1991), (figura 2.2). Diante dos tópicos listados acima e fazendo uma análise do mercado da construção civil, pode-se dizer que as empresas encontram-se em uma situação na qual precisam estar bem preparadas e estruturadas para lidar com aspectos como concorrência, negociação e perspectiva do cliente. Barros Neto (1999) afirma que existe uma disputa moderada entre os competidores e que é alto o índice de ameaça de novos entrantes, ou seja, empresas de outros ramos que resolvem diversificar o seu nicho de mercado e atuar na construção. 19 Figura 2.2 – As cinco Forças de Porter (fonte:http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cinco_For%C3%A7as_de_Porter.png) São conhecidas as três estratégias competitivas formuladas por Porter (1991) para lidar com tal situação: Estratégia de liderança no custo total, estratégias de diferenciação e de enfoque. Ou seja, tanto no ponto de vista de empresas construtoras quanto de suas terceirizadas, pode-se buscar um reconhecimento profissional através da definição dos mais baixos custos totais dentre os outros competidores sem comprometer a qualidade do serviço. Também pode-se investir na formulação de um diferencial competitivo através de marketing, inovações nos produtos, criatividade e outros, bem como direcionar seus objetivos em um determinado alvo, seja este um nicho de mercado, um determinado cliente ou produto em especial. Com isso, fica entendido que a definição de uma boa estratégia de produção em qualquer organização vem a ser uma atitude bastante conveniente para que se obtenha dos demais integrantes do mercado (cliente, parceiros e concorrentes) um reconhecimento da qualidade e competência na execução dos serviços determinados. Se tal objetivo for alcançado, é provável que parte dele venha a ser originado através da definição de um bom planejamento. Em relação à execução dos serviços, vem a idéia de se gerenciar o planejamento destas atividades através do controle da produção. O Planejamento do Controle da Produção (PCP) induz o êxito no gerenciamento nos vários setores de um empreendimento. Segundo Laufer e 20 Tucker (1987) apud Kemmer (2001), p.27, o planejamento facilita a compreensão dos objetivos de um empreendimento, projetando as atividades que serão realizadas, os métodos, os recursos, o seqüenciamento e a programação das atividades. Sabe-se que na construção, o setor da produção difere-se da manufatura em vários aspectos. Barros Neto (1999) apresenta um detalhamento deste setor o qual será aqui comentado no intuito de se entender a sua dimensão, facilitando assim a analise do planejamento e sua importância sob o ponto de vista estratégico. Esse detalhamento compreende: o canteiro de obras, os aspectos tecnológicos, subempreiteiros e fornecedores, organização do trabalho e da produção, sistema de qualidade e, por fim, aspectos de planejamento. Ou seja, este último também é parte do ciclo que define a dimensão produtiva na construção. A busca por sua melhoria é bastante enfatizada no presente trabalho como ponto forte para o êxito no produto final de uma determinada organização. O planejamento se torna ineficiente quando não tratado como um sistema gerencial ou quando não realizado de forma proativa, ou seja, existindo apenas trocas de informações entre gerentes (engenheiros, mestres). O mesmo ocorre ainda quando se tem a aplicação de técnicas pouco consistentes. (LAUFER E TUCKER, 1987, FORMOSO, 1991 e LIRA, 1996.) Em geral, o planejamento deve conter as atividades a serem executadas, os métodos e os recursos a serem empregados e o seqüenciamento das atividades a serem realizadas. (.LAUFER E TUCKER, 1987 apud KEMMER, 2001, pag 27). Mas ao contrario disso, o planejamento e controle da produção nem sempre é gerenciado de forma a se aproveitar todas as suas potencialidades, mesmo com a afirmação de que o PCP é extremamente importante para o desempenho da empresa (BERNARDES, 2001). A bibliografia dimensiona o planejamento em dois níveis: horizontal e vertical. (LAUFER e TUCKER, 1987 e HOPP e SPEARMAN, 1996 apud ALVES, 2000, p.32 e 34, respectivamente). Segundo eles, a dimensão horizontal está dividida em etapas conforme a figura adiante, enquanto que a dimensão vertical abrange os parâmetros estratégicos, táticos e operacionais. O nível horizontal articula dois ciclos de atividades. Um com caráter ativo, onde as atividades do sistema fluem continuamente e o outro com um caráter de reflexão e análise dos resultados, no qual se tem a reestruturação do sistema e o feedback. Já em relação à dimensão vertical, tem-se que o planejamento pode ser encarado sob diferentes pontos de vista, ou seja, 21 em três diferentes horizontes. Segundo Hopp e Spearman (1996) apud Alves (2000), p.34, o horizonte estratégico (master plan) compreende uma idéia de se enxergar as atividades do empreendimento a longo prazo, dimensionando um ambiente que seja capaz de prever e traçar objetivos em relação a capacidade de produção, mão-de-obra, prazo de entrega do produto, entre outros. O horizonte tático (lookahead planning) está relacionado às atividades compreendidas no cronograma de médio prazo do empreendimento, não ultrapassando os limites do horizonte estratégico. Já o horizonte operacional (last planner) analisa as atividades em um período bem mais curto, detalhando cada grupo de serviço em questão, como por exemplo, o andamento semanal da equipe de instalações, ou da equipe de alvenaria de tijolo cerâmico. Segundo Coelho e Formoso (2003), o médio prazo tem como objetivos principais proteger a produção contra incertezas, integrar os níveis de planejamento e auxiliar no controle e na aprendizagem. Com isso, faz-se uma análise onde se identificam através desta ferramenta, as possíveis restrições que venham a interferir no andamento dos serviços. Esta análise facilita a compreensão da realização dos serviços. Geralmente em obras de incorporação, o médio prazo é delimitado em um intervalo de 5 a 12 semanas. A aplicação desta ferramenta será exemplificada no item 5.4 (aplicação do médio prazo na terceirizada). No entanto, autores como Heineck (1996) e Ballard et al (2001), dentre outros, afirmam que existe todo um escopo de decisões que antecede o PCP, onde tal escopo é contemplado em um Projeto de Sistema de Produção (PSP). Neste, destacam-se dentre as formas e natureza do sistema e dos recursos empregados: o encadeamento com os ritmos de produção e a adequação da logística dos suprimentos. Silveira et al, (2008) mostra que existem relações entre o PSP e a estratégia de produção de empresas na construção civil as quais não se restringem somente ao meio operacional do empreendimento, mas também na questão estratégica de sua execução. Para Ballard et al (2001) apud Silveira (2008), p.2, o PSP estende-se da organização global do sistema produtivo ao projeto de operações, desde as decisões de indicação de envolvidos e seus papeis até as decisões referentes aos trabalhos físicos a se realizarem. Observa-se então como estão interligados os fatores referentes ao planejamento e seus níveis com a questão estratégica e competitiva de uma empresa. Faz parte de um 22 comportamento estratégico o fato de se optar por um bom planejamento a fim de se evitar ao máximo as incertezas e a variabilidade que tanto ocorrem na construção civil. Heineck (1996) demonstra ainda aspectos que devem ser considerados no sistema de produção, os quais são ligados a estratégia produtiva, destacando-se: a programação da obra expressa por ferramentas clássicas de planejamento de obras; gestão clássica da produtividade; gestão moderna da produtividade e qualidade; organização do posto de trabalho, motivação e treinamento dos recursos humanos e adoção de novas tecnologias e procedimentos de trabalho. Em relação à programação da obra, uma das ferramentas clássicas aí referidas e que será abordada no decorrer do trabalho é a Linha de Balanço. 2.3. A Aplicação da Linha de Balanço A Linha de Balanço (LOB) é uma técnica que usa a repetição das atividades de construção e permite a visualização de quantas atividades estão sendo realizadas em determinado pavimento (no caso de edifícios), onde elas estão sendo realizadas e quais equipes estão atuando. Segundo Mendes Jr e Heineck (1997), o seu uso permite a simulação de várias alternativas de estratégia e ritmos de produção dos serviços da obra. A técnica é originária das indústrias da Goodyear (década de 40) e posteriormente desenvolvida pela marinha americana, sendo utilizada mais tarde pela Agencia Nacional de Habitação, no Reino Unido. Os objetivos eram, respectivamente, a programação das atividades repetitivas no controle de projetos e, para a marina, auxílio nos projetos repetitivos habitacionais. (SURRAIL & NEALE, 1994 apud KEMMER, 2006), p.35. Visualmente, a LOB consiste em um conjunto de linhas traçadas em um eixo que relaciona os pavimentos de um determinado empreendimento e o tempo de execução das atividades. De acordo com a figura 2.3 abaixo, a inclinação das retas indica o ritmo de execução destas atividades. 23 Figura 2.3 – Linha de Balanço Para e eficiência de sua aplicação, vários autores vem desenvolvendo metodologias de como se programar a produção através da ferramenta. Maziero (1990), Mendes Jr (1999) bem como Losso e Araujo (1995) sustentam idéias parecidas sobre o uso da LOB. Em um roteiro desenvolvido por Mendes Jr e Heineck (1997) os passos resumem-se a: - Determinação das atividades a serem programadas e suas precedências; - Obtenção das quantidades de serviços a serem executadas; - Definição do tamanho das equipes, a produtividade esperada e as durações das atividades no pavimento tipo; - Definir o prazo da obra e datas importantes; - Programar as atividades, considerando uma equipe por atividade; - Modificar a programação para atender os objetivos; Algumas das vantagens identificadas pelos autores sobre o uso da LOB são, por exemplo, a simplificação da programação de obras repetitivas, impondo unidade de repetição e ritmo (LOSSO e ARAUJO, 1995) e a fácil análise visual, identificando-se os ritmos de produção e as interferências entre as equipes. (BULHÕES et al., 2005). No entanto, Kemmer (2006), em um levantamento bibliográfico em seu estudo, define também alguns aspectos que devem ser considerados e repensados durante a aplicação da ferramenta, que são, dentre outros, a definição de ritmos constantes de produção, o que pode 24 ser questionado devido às condições naturais do setor da construção, constantemente afetado pelos fatores ligados a variabilidade e a incerteza. Outro ponto a se enfatizar seria a necessidade de elaboração de uma programação a parte para serviços não repetitivos, bem como a dificuldade de se considerar a influência do grande número de variáveis já citadas no processo construtivo. Adiante, faz-se uma analise do relacionamento entre construtoras e suas terceirizadas, considerando-se o nível no qual algumas empresas encontram-se na atualidade em relação à aplicação de novas ferramentas e conceitos. 2.4 A Influencia do Lean na relação entre Construtoras e suas Terceirizadas A implantação dos conceitos da construção enxuta por parte das empresas construtoras já esta cada vez mais consolidada. No início deste século, uma empresa de construção civil de Fortaleza inovou com esta atitude introduzindo em seus canteiros de obra ferramentas da filosofia, baseado no material didático do lean institute do Brasil, com o apoio de acadêmicos e consultores. Baseado nesta experiência, foram desenvolvidos eventos internacionais (Seminário Internacional sobre Construção Enxuta – CONENX 2004 e 2006) e um módulo de cinco meses sobre construção enxuta no INOVACON (Programa de Inovação da Construção do Estado do Ceará), despertando o interesse em outras empresas locais e de outras regiões. Diante do exposto, faz-se necessário uma discussão a respeito da aplicação destas novas tecnologias e conceitos em relação à estratégia da empresa e de seu relacionamento com fornecedores e prestadoras de serviços. Em entrevista realizada com alguns engenheiros de construtoras cearenses bem sólidas no mercado e que atuam com os princípios lean, pode-se observar alguns pontos bastante convenientes a se tratar quanto a este relacionamento empresa / terceirizada. Foram coletadas informações de duas construtoras (A e B) e uma terceirizada (X) na qual se realizou o estudo de caso. Segundo o engenheiro da empresa “A” encarregado de coordenar as ferramentas lean na empresa, a relação com seus fornecedores é importantíssima. Preza-se a sua repetição ao longo das obras, ou seja, é uma estratégia da empresa manter essa parceria para melhor criar e desenvolver as ferramentas. 25 Uma das atividades que se procura desenvolver é justamente o planejamento de acordo com os três níveis (longo, médio e curto prazo) citados anteriormente. A construtora procura estimular tais terceirizadas através de treinamentos, explicitações sobre a certificação da ISO e investimentos. Ou seja, as regras já estão especificadas e a empresa tenta impor seu ritmo a aquelas terceirizadas que podem não seguir a mesma velocidade, principalmente se a relação com o fornecedor ou terceirizada for recente. Da mesma forma, segundo um dos engenheiros da empresa B, no ato da contratação de uma terceirizada em seu empreendimento, é repassada toda a metodologia aplicada pela empresa através de treinamentos na busca de igualar as formas de se pensar na obra. Portanto observa-se que a aplicação de ferramentas, como por exemplo, a Linha de Balanço, vem a trazer melhorias nos aspectos gerenciais de uma determinada empresa e, conseqüentemente, em sua estratégia produtiva. Empresas que assumem tal condição de atuação podem estar caminhando em sua linha de mercado de forma mais competitiva. A pergunta que se faz é se está existindo uma busca por parte das empresas terceirizadas em acompanhar os avanços tecnológicos das contratantes no sentido se manterem ativas no meio competitivo. Na construção civil, a introdução da filosofia lean no planejamento e no sistema de gestão destas empresas pode trazer maior sensibilidade para estas organizações na identificação das necessidades dos seus clientes e na valorização de seus produtos. Porém, identifica-se a seguinte problemática; há empresas terceirizadas que não valorizam esta nova tecnologia e essa interação beneficiadora com a construtora. Em relação à terceirizada em estudo neste trabalho, o pensamento enxuto ocorreu, mas foi de forma intuitiva e despercebida, visto que o engenheiro responsável por tal atitude, apesar de visar maior transparência nos processos de seu planejamento e de buscar novas tecnologias, não associou tais perspectivas aos princípios da construção enxuta. O próximo tópico descreve o estudo de caso realizado nesta terceirizada e em seguida, os principais resultados alcançados pela prestadora de serviços. 26 3. ESTUDO DE CASO E RESULTADOS OBTIDOS 3.1 Breve descrição da empresa A empresa é uma prestadora de serviços atuante em montagem e manutenção. Com a missão de fornecer soluções aliadas à economia e rentabilidade, vem otimizando a utilização da energia elétrica de forma a produzir mais resultado com o menor custo. Tem como objetivo usar o conhecimento de sua equipe técnica e de seus parceiros, para garantir e dar segurança quanto ao sucesso do fornecimento de mão de obra para executar trabalhos na área de engenharia, montagens industriais e ainda com equipes de profissionais trabalhando por tarefas pré determinadas ou conjuntamente com outras equipes. A terceirizada trabalha em várias vertentes, tais como: setores da construção civil, alimentício, têxtil, lojas, postos de gasolina e realiza atividades como montagem de maquinários, instalações elétricas e hidráulicas, unidades industriais (hidrantes, ar comprimido e instalação de gás), além de instalações automatizadas, incluindo o lançamento de leitos, eletrodutos e cabos para as redes de alimentação de máquinas e equipamentos industriais e comerciais. Essas atividades vêm sendo desempenhadas em caráter permanente, contribuindo com isso para o aprimoramento das técnicas de execução e com um significativo acervo de métodos e rotinas, aliados a qualidade, competitividade e confiabilidade. Após a parceria da empresa e uma construtora de Fortaleza em obras de grande porte, verificou-se, através de reuniões periódicas entre construtora e empreiteira, o nível de divergência entre o planejamento da execução dos serviços de ambas. A construtora possui um plano bem descrito e visualizado em software MsProject, enquanto a terceirizada ainda está em processo inicial desta metodologia. A partir daí surgiu a preocupação em aperfeiçoar o aspecto gerencial, através de melhorias na elaboração do planejamento das atividades. Para tal objetivo, um dos engenheiros juntamente com um estagiário formaram a equipe encarregada de implantar tais conceitos e ferramentas. A seguir, serão mostradas as principais atividades que contribuíram direta ou indiretamente para e elaboração desse novo modelo de planejamento para as suas obras. 27 3.2 Atividades executadas no período No primeiro mês de estágio (março 2009), o trabalho foi executado essencialmente em três tópicos de atividades: Uma entrevista com o engenheiro chefe, reuniões para definição de ferramentas a aplicar e visitas a uma obra que foi tomada como modelo de estudo para a terceirizada. 3.2.1 Entrevista com o engenheiro Para se ter um melhor entendimento das atividades realizadas na empresa e sua atuação no mercado, foi realizada uma entrevista com o engenheiro chefe, na qual se esclareceram duvidas quanto aos objetivos do estágio, os objetivos e as metas da empresa e as características da empresa e da obra em estudo. 3.2.2 Reuniões Reuniões foram realizadas na obra modelo em que atua a terceirizada juntamente com uma construtora cearense, onde se definiram as ferramentas a aplicar no planejamento e cronograma da obra as quais serão mostradas posteriormente. Dentre elas, destacam-se a analise do custo de mão-de-obra, desenhos de processos das atividades realizadas e a aplicação do cronograma de médio prazo e cronograma geral em Linha de Balanço. Para isso, as atividades do estagiário se concentraram em visitas periódicas a obra, além da dedicação em escritório, juntamente com o engenheiro, para definir diretrizes e coletar os dados necessários para a formulação do novo planejamento. 28 3.2.3 Visitas e acompanhamento da obra (a) Tubulações elétricas e de incêndio (b) Tubulações hidráulicas Figura 3.1 – Obra do prédio hospitalar (empresa X) (Fonte: empresa X) As visitas a obra foram importantes para a concretização dos conceitos e para a verificação dos dados projetados e mostrados posteriormente nas tabelas de custo e desenhos de processos. A obra está em andamento (figura 3.1). Durante um período de quatro meses (março a junho, 2008) se pode ter acesso a informações com o almoxarife, com os encarregados (bombeiros, eletricistas), com o arquiteto responsável e a estagiária. A seguir, é apresentada a definição de cada ferramenta estudada e aplicada bem como os principais resultados obtidos durante o período no qual se formou a parceria entre engenheiro e estagiário. Salienta-se que todos os resultados que serão mostrados referem-se ao acompanhamento da obra modelo do prédio comercial hospitalar. 29 3.3 O desenho de processos Buscando-se identificar e organizar todos os serviços que compreendem as atividades realizadas pela prestadora de serviços, formulou-se uma tabela que as define de forma eficiente: os desenhos de processos, que mostram as atividades sendo realizadas em pacotes, com cada serviço especificado e a equipe a realizar e os prazos de execução (figura 3.2). Por exemplo, as instalações hidráulicas foram divididas em pacotes por pavimento, onde, em cada pacote, se tem os serviços específicos, como marcação, passagem nas lajes, montagem de suportes e tubulação. Além disso, têm-se as durações individuais de cada uma, coletadas em campo na obra modelo e por experiências em obras anteriores. Figura 3.2- Exemplo de Tabela desenho de Processos (Inst. Hidr.) (Fonte: empresa X) No anexo 1, uma visão mais detalhada desta ferramenta mostra não só o exemplo das instalações hidráulicas, mas também elétricas e de combate a incêndio, que foram os três serviços acompanhados na obra do prédio comercial hospitalar identificado antes como obra modelo. 3.4 Tabela de análise de custo de mão-de-obra A tabela de análise de custo de mão-de-obra (figura 3.3) vai mostrar o custo de cada atividade realizada no pavimento, baseando-se nas quantidades de serviços, na duração e na produtividade de cada profissional e servente. Sabendo-se dos custos do salário mensal da mão de obra, pode-se chegar ao custo da mão-de-obra de cada serviço no pavimento. 30 A tabela possui células com quantidade de profissionais prevista e planejada, o cálculo de custo planejado, dependendo da quantidade de funcionários e duração da atividade, além do cálculo da produtividade deles. Através desta ferramenta, é possível fazer estudos sobre a produtividade dos profissionais e serventes, identificando os pontos onde, por exemplo, se tem muita demanda de serviço sendo necessários mais funcionários. Figura 3.3 – Custo de mão-de-obra (instalações hidráulicas) (Fonte: empresa X) Outra utilidade para as tabelas de análise de custo de mão-de-obra foi a possibilidade de se ter o custo de cada pacote de serviço. Assim, pode-se fazer um resumo dos custos totais de cada tipo de serviços acompanhados na obra (hidráulicos, elétricos e combate a incêndio) . Adiante, foram formuladas tabelas que resumem os custos planejados para a mão-deobra, baseada nas diárias coletadas em canteiro (ver tabelas 3.1,3.2 e 3.3). 31 RESUMO CUSTO INSTALAÇÕES HIDRAULICAS Custo Planejado Custo Planejado Custo produção/ (Profissionais) (Serventes) pavto (Profissional) Tubulação nas Garagens (S.Solo I) R$ 310,29 R$ 403,80 R$ 209,58 Tubulação nas Garagens (S.Solo II) R$ 310,29 R$ 403,80 R$ 209,58 Tubulação nas Garagens (Mezanino) R$ 310,29 R$ 403,80 R$ 209,58 Tubulação nas Garagens (Estacionam. 1 ao 4) R$ 1.241,16 R$ 1.615,21 R$ 838,30 Tubulação ( Térreo) R$ 1.861,74 R$ 1.211,41 R$ 1.925,60 Caixas e Ralos (Pav. Tipo 1 ao 18) R$ 2.234,09 R$ 1.453,69 R$ 2.539,80 Tubulação (Pav. Tipo 1 a 18) R$ 2.234,09 R$ 2.907,38 R$ 3.197,33 Tubulação aérea (pav. Tipo 1 a 18) R$ 3.351,14 R$ 4.361,07 R$ 5.751,90 Tubulações Cobertura R$ 434,41 R$ 565,32 R$ 154,63 Transição (Garagem 5) R$ 620,58 R$ 1.211,41 R$ 1.025,05 Verticais de Tubulações (PLUVIAIS) R$ 1.861,74 R$ 2.422,82 R$ 1.739,76 Verticais de Tubulações (ESOTO) R$ 1.861,74 R$ 2.422,82 R$ 1.739,76 Montagem de bombas R$ 310,29 R$ 201,90 R$ 211,82 Caixas e Ralos (Pav. Tipo 1 ao 18) R$ 2.234,09 R$ 1.453,69 R$ 2.539,80 Válvulas redutoras de pressão R$ 434,41 R$ 282,66 R$ 493,85 Hidrômetros Pavimento Tipo (pavto 1 a 18) R$ 1.675,57 R$ 1.090,27 R$ 1.904,85 Tubulações de água fria (Térreo) R$ 124,12 R$ 80,76 R$ 141,10 Tubulações de água fria (pavimento Tipo1 a 18) R$ 1.675,57 R$ 1.090,27 R$ 1.904,85 Tubulações de água fria (Cobertura) R$ 186,17 R$ 121,14 R$ 211,65 Serviços extras - teste de materiais e acessórios (pavtos) R$ 4.188,93 R$ 2.725,67 R$ 4.033,80 Louças (Térreo e pavtos tipo) R$ 2.947,76 R$ 1.918,06 R$ 3.351,13 Metais e acessórios (Pavtos) R$ 3.351,14 R$ 2.185,13 R$ 3.809,70 TOTAL R$ 33.759,64 R$ 30.532,11 R$ 38.143,40 Tabela 3.1 – Resumo Custo de mão-de-obra (inst. Hidr.) Pacotes (Fonte: empresa X) Custo produção/ pavto (Servente) R$ 280,80 R$ 280,80 R$ 280,80 R$ 1.123,20 R$ 572,40 R$ 1.652,40 R$ 2.592,22 R$ 3.402,00 R$ 177,07 R$ 672,30 R$ 2.341,28 R$ 2.341,28 R$ 146,88 R$ 1.652,40 R$ 326,70 R$ 1.239,30 R$ 91,80 R$ 1.239,30 R$ 137,70 R$ 2.660,85 R$ 2.616,30 R$ 2.478,60 R$ 28.306,37 Saldo R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ (223,72) (223,72) (223,72) (894,88) (575,15) 504,41 648,07 1.441,69 (668,04) (134,64) (203,52) (203,52) (153,50) 504,41 103,48 378,31 28,02 378,31 42,03 (219,95) 1.101,60 752,03 2.158,02 32 RESUMO INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E TELEFONICAS Pacotes Tubulação garagens (aérea / alvenaria) Tubulação Sub Solos (aérea/ alvenaria) Tubulação Mezanino (aérea/ alvenaria) Tubulação aérea e alvenaria (Térreo) Montagem do Centro de Medição (Térreo) Tubulação das alvenarias (pav. Tipo 1 a 18) Tubulação aérea (pav. Tipo 1 a 18) Tubulação dos Elevadores (Hall) Tubulação (Cobertura) Fiação (Sub solo I e II) Fiação (garagem 1 a 5) Fiação (Térreo) Fiação (Mezanino) Distribuição dos Quadros (Mezanino) Distribuição dos Quadros (Estacionamento 1 a 5) ... Montagem dos acessórios elétricos (pavimento tipo 1 a 18) Montagem dos acessórios elétricos (Cobertura) Luminárias (Sub Solo I e II) Luminárias (Térreo) Luminárias (Mezanino) Luminárias (Estacionamento 1 a 5) Luminárias (pavto Tipo 1 a 18) Luminárias (Cobertura) Serviço extra – Testes TOTAL Custo Plan. (Profissionais) Custo Plan. (Serventes) R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ Custo produção/ pavto (Prof.) 1.551,45 R$ 2.019,02 R$ 1.491,93 620,58 R$ 807,61 R$ 596,77 310,29 R$ 403,80 R$ 298,39 372,35 R$ 242,28 R$ 365,20 12.659,87 R$ 16.475,17 R$ 12.649,20 5.585,23 R$ 7.268,46 R$ 3.839,58 5.585,23 R$ 3.634,23 R$ 3.183,71 186,17 R$ 121,14 R$ 79,51 248,23 R$ 161,52 R$ 372,35 R$ 242,28 R$ 930,87 R$ 605,70 R$ 186,17 R$ 121,14 R$ 186,17 R$ 121,14 R$ 31,03 R$ 20,19 R$ 155,15 R$ 100,95 R$ ... ... ... R$ 1.117,05 R$ 726,85 R$ R$ 31,03 R$ 20,19 R$ R$ 930,87 R$ 605,70 R$ R$ 279,26 R$ 181,71 R$ R$ 186,17 R$ 121,14 R$ R$ 1.396,31 R$ 908,56 R$ R$ 3.351,14 R$ 2.180,54 R$ R$ 310,29 R$ 201,90 R$ R$ 1.675,57 R$ 1.090,27 R$ R$ 51.135,93 R$ 46.760,40 R$ 22.504,29 Tabela 3.2 – Resumo Custo de mão-de-obra (inst. elétricas.) (Fonte: empresa X) Custo produção/ pavto (Serv.) R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 615,60 246,24 123,12 221,40 12.870,60 2.935,44 3.394,22 91,80 ... 20.498,42 Saldo R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ (1.462,94) (585,18) (292,59) (28,03) (3.615,23) (6.078,67) (2.641,53) (136,00) (409,75) (614,63) (1.536,58) (307,32) (307,32) (51,22) (256,10) ... R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ (1.843,89) (51,22) (1.536,58) (460,97) (307,32) (2.304,87) (5.531,68) (512,19) (2.765,84) (54.893,62) 33 RESUMO TUBULAÇÕES DE SPRINKLER E INCENDIO Pacotes Tubulações (Subsolo) Montagem de Sprinklers (Subsolo) Extintores, mangueiras e esguichos (Subsolo) Tubulações (Subsolo II) Montagem de Sprinklers (Subsolo II) Extintores, mangueiras e esguichos (Subsolo II) Tubulações (mezanino) Montagem de Sprinklers (mezanino) Extintores, mangueiras e esguichos (mezanino) Tubulações (Estacion. 1 a 5) Montagem de Sprinklers (Estacion. 1 a 5) Extintores, mangueiras e esguichos (Estacion. 1 a 5) Tubulações (Térreo) Montagem de Sprinklers (Térreo) Extintores, mangueiras e esguichos (Térreo) Tubulações (Pavto Tipo) Montagem de Sprinklers (Pavto Tipo) Extintores, mangueiras e esguichos (Pavto Tipo) Tubulações (Coberta) Extintores (Coberta) Serviço Extra - pintura das Tubulações SPK TOTAL Custo Plan. (Profissionais) R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ Custo Plan. (Serventes) Custo produção/ pavto (Prof.) 1.117,05 R$ 1.453,69 R$ 1.414,49 186,17 R$ 121,14 R$ 196,21 - R$ 121,14 R$ 1.117,05 R$ 1.453,69 R$ 1.414,49 186,17 R$ 121,14 R$ 196,21 - R$ 121,14 R$ 1.117,05 R$ 1.453,69 R$ 1.414,49 186,17 R$ 121,14 R$ 196,21 - R$ 121,14 R$ 5.585,23 R$ 7.268,46 R$ 7.072,43 930,87 R$ 605,70 R$ 981,06 - R$ 605,70 R$ 806,76 R$ 524,94 R$ 668,40 - R$ 40,38 R$ - R$ 121,14 R$ 3.351,14 R$ 2.180,54 R$ 4.183,20 - R$ 726,85 R$ - R$ 726,85 R$ 930,87 R$ 605,70 R$ 763,60 - R$ 80,76 R$ - R$ 13.083,22 R$ 15.514,54 R$ 31.658,17 R$ 18.500,78 Tabela 3.3 – Resumo Custo de mão-de-obra (inst. incêndio.) (Fonte: empresa X) Custo produção/ pavto (Serv.) R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 1.233,09 158,11 138,89 1.233,09 158,11 138,89 1.233,09 158,11 138,89 6.165,45 790,56 694,44 395,36 55,62 114,75 2.041,20 874,80 874,80 523,80 48,60 7.435,80 24.605,45 Saldo R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 76,84 47,01 17,75 76,84 47,01 17,75 76,84 47,01 17,75 384,19 235,04 88,74 (267,94) 15,24 (6,39) 692,72 147,95 147,95 (249,18) (32,16) (5.647,42) (4.066,47) 34 Como visto nas tabelas 3.1, 3.2 e 3.3, foi feito o mesmo procedimento para as instalações elétricas e combate a incêndio (SPK - sprinklers). Na tabela 1, por exemplo, têmse na primeira coluna os pacotes de serviços definidos nos desenhos de processos. As colunas dois e três mostram os custos planejados para profissionais e serventes. As próximas duas colunas mostram o custo realmente produzido no período estipulado e em seguida tem-se o saldo na coluna 6. As células em vermelho mostram um saldo negativo, ou seja, está se pagando mais do que planejado naquele período. Com o resumo de tubulações hidráulicas, elétricas e SPK e incêndio, pode-se fazer uma comparação destas com a tabela de orçamentos da empresa para se ter uma retroalimentação nos valores destinados à mão-de-obra e materiais para os próximos empreendimentos. 3.5 A formulação da Linha de Balanço Foi finalizada uma tabela resumo de todos os serviços que compreendem as atividades da obra comercial hospitalar (anexo 2). Esta tabela resume as atividades, as equipes e as durações estimadas e reais. A coluna cor simboliza as cores que irão compor o futuro gráfico de Linha de Balanço. Para elaborá-la, usou-se a cor azul, por exemplo, para simbolizar as atividades de tubulações hidráulicas. A cor cinza são atividades de tubulações elétricas. Vermelho e amarelo indicam atividades de SPK (instalações de Sprinklers) e incêndio. Com base nisso, foi possível elaborar a Linha de Balanço. Definidos todos os serviços que formam os pacotes de atividades realizadas na obra estudada, formulou-se o cronograma destas utilizando a técnica da Linha de Balanço. A figura 3.4 exemplifica as tubulações, horizontais, hidráulicas, elétricas e combate a incêndio. 35 Tubulações hidráulicas e elétricas Tubulações de sprinkler e incêndio Figura 3.4 – Linha de Balanço (Tubulações hidráulicas, elétricas e sprinkler (incêndio) (Fonte: empresa X) Na linha de Balanço, observam-se no eixo vertical os pavimentos (no caso de um prédio) e no eixo horizontal as atividades ao longo do tempo. Dessa forma o gráfico fica com um aspecto de uma linha em crescimento. Ao final se terá um cronograma muito mais fácil de visualizar e mais eficiente quanto aos prazos. Em anexo 3, uma visualização mais detalhada das duas Linhas formuladas, já que para uma melhor organização, dividiu-se o cronograma em tubulações horizontais, ou seja, as tubulações que se repetem em cada pavimento, e o gráfico das tubulações verticais (as chamadas colunas ou prumadas). Estas são as que percorrem toda a parte vertical do prédio como as tubulações pluviais, as colunas de incêndio ou as prumadas elétricas e hidráulicas (anexo 3). Na figura 3.4, por exemplo, percebe-se em azul, o andamento das instalações hidráulicas e elétricas de forma paralela, com duração de cinco dias em cada pavimento. O gráfico em vermelho simboliza o andamento das instalações de incêndio com duração em média de três dias por pavimento. Com a formulação da linha de balanço, o acompanhamento das atividades ficou mais completo e simples de se visualizar e de se controlar possíveis imprevistos. Como conseqüência, novas ferramentas foram implantadas, trazendo uma maior variedade de 36 recursos e informações para se controlar o planejamento e o cronograma de execução da obra. Tais ferramentas serão exemplificadas a seguir. 3.6 Cronograma de médio prazo Figura 3.5 – Aplicação do médio prazo na empresa terceirizada (fonte: empresa X) O cronograma de médio prazo implantado na terceirizada foi uma forma de se ter um controle das atividades definidas como possíveis restrições que pudessem interferir no andamento dos serviços em um período de dois meses. Na figura 3.5, tem-se o andamento dos serviços no período de junho e julho deste ano. Como exemplo de restrição para as tubulações elétricas, tem-se a evolução da alvenaria interna, assim como para a montagem dos sub ramais de incêndio, as restrições são a disponibilidade dos registros e a colocação dos rosqueamentos nas tubulações. Então durante a execução dos serviços ao longo dos meses delimitados, já se tem a preocupação em evitar atrasos ou quebra de serviço devido às restrições, pois estas já foram listadas e ficam, então, sob monitoramento. 37 3.7 Controle do Planejado x Executado Tabela 3.4 – Planejado x Executado (fonte: empresa X) Este recurso (tabela 3.4) foi implantado de forma natural, pois agora era possível visualizar o andamento das atividades planejadas e acompanhá-las tanto pelas informações do engenheiro, que era a única forma que antes se planejava na empresa, como também agora pelas informações formuladas na linha de balanço, provenientes do alinhamento entre a experiência em obras anteriores e o acompanhamento da obra modelo (prédio hospitalar). Com isso, faz-se a comparação com os serviços que foram realmente executados e a partir daí, pode-se verificar a eficiência do planejamento e a eficácia da realização do serviço. A seguir os gráficos formulados em Excel onde se tem esta comparação das atividades realizadas na obra modelo. 38 Figura 3.6 – Gráfico de comparação entre Planejado e Executado (Inst. Elétricas) (Fonte: empresa X) Figura 3.7 - Gráfico de comparação entre Planejado e Executado (Inst. hidráulicas) (Fonte: empresa X) Figura 3.8- Gráfico de comparação entre Planejado e Executado (Inst. SPK e incêndio) (Fonte: empresa X) 39 De acordo com a tabela 3.4 e a figura 3.6, percebe-se que a execução das instalações elétricas está de acordo com o que foi planejado. Já em relação às instalações hidráulicas e de incêndio, percebe-se nas figuras 3.7 e 3.8, respectivamente, que houve um pequeno avanço nas atividades da primeira em relação ao planejado, enquanto que na ultima, houve um retardo. Este se deu na execução das tubulações de incêndio devido a um atraso no recebimento dos registros. Isto pode ser identificado e documentado agora de forma mais clara com a aplicação do cronograma de médio prazo e suas restrições bem como o acompanhamento através da linha de balanço (anexo 3), onde é possível perceber no mês de maio que as atividades em vermelho (cor que simboliza as atividades de incêndio) pararam por um certo período. 3.8 Custo mensal dos serviços Diante das ferramentas agora implantadas na empresa, foram desenvolvidas pelo estagiário juntamente com o engenheiro responsável pelas melhorias no planejamento as tabelas de custo mensais dos serviços. A seguir têm-se as figuras 3.9, 3.10 e 3.11, com os custos das instalações hidráulicas, elétricas e de incêndio, respectivamente, para os meses de abril e maio deste ano. Figura 3.9 – Custo mensal (instalações hidráulicas) (Fonte: empresa X) 40 Figura 3.10 – Custo mensal (instalações elétricas) (Fonte: empresa X) Figura 3.11 – Custo mensal (instalações de incêndio) (Fonte: empresa X) Para a realização das mesmas, usou-se informações advindas dos desenhos de processos (anexos 1), mais precisamente a definição dos pacotes de serviços que estão listados na primeira coluna de cada umas delas. Analisando, por exemplo, a tabela da figura 3.9, na segunda coluna tem-se o custo planejado de um determinado pacote, ou seja, um conjunto de serviços realizados em um pavimento por uma determinada equipe. Este custo foi definido através das tabelas de análise de custo de mão-de-obra, consistindo na soma dos custos planejados de profissionais e serventes (colunas dois e três da tabela 3.1). Salienta-se 41 que os valores dos custos aqui calculados equivalem ao custo de mão-de-obra estimado no determinado mês. Em seguida têm-se as colunas com as atividades realizadas em um determinado mês e o calculo do custo mensal do determinado pacote de serviço. Por exemplo, na figura 3.9, temse na terceira coluna, como indicação de atividade realizada, a tubulação hidráulica da alvenaria do quarto ao sétimo pavimento tipo do edifício. Com isso, calcula-se o custo mensal deste serviço multiplicando o custo do pacote (RS 285,64) pelo número de pavimentos feitos totalizando R$ 1142,35. Através da programação em linha de balanço, foram estimados os pacotes para os meses seguintes, com suas determinadas durações e calculados os seus devidos custos (ver figuras 3.9, 3.10 e 3.11). Juntando os valores dos custos mensais de cada pacote das instalações hidráulicas com as elétricas e as de incêndio, ao final tem-se o custo total planejado das atividades de cada mês em estudo. A tabela 3.5 mostra o percentual mensal e o acumulado do custo de mão-de-obra, baseando-se nos desenhos de processos, analise dos custos de mão-de-obra e a linha de balanço. Mês Janeiro 2009 Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro 2010 Fevereiro Março Abril Custo Mensal Acumulado R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 714,09 8.855,13 10.903,90 16.176,72 16.318,26 14.697,54 17.030,67 15.401,85 15.747,04 21.010,51 21.271,49 24.967,74 R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 714,09 9.569,22 20.473,12 36.649,83 52.968,09 67.665,63 84.696,31 100.098,16 115.845,20 136.855,71 158.127,20 183.094,94 R$ R$ R$ R$ 26.856,13 13.026,43 18.148,27 2.825,00 R$ R$ R$ R$ 209.951,07 222.977,50 241.125,77 243.950,77 Tabela 3.5 – Resumo dos custos mensais planejados. Em seguida o gráfico da figura 3.12 mostra o comportamento destes custos planejados em forma pontual (por mês), onde o valor máximo alcançado atingiu em torno de 25 mil reais 42 e o valor acumulado, onde o valor final estimado para o final da prestação de serviços está em torno de 240 mil reais. Figura 3.12 – Gráfico dos custos mensais planejados. 43 4. CONCLUSÕES A monografia tratou de mostrar alterações no planejamento de uma prestadora de serviços da construção, que por sua vez busca um melhor relacionamento com suas empresas contratantes. Para isto, foram aplicadas novas ferramentas ligadas direta ou indiretamente aos conceitos da construção enxuta e do planejamento do controle da produção (PCP). Associaram-se estes conceitos a um comportamento estratégico por parte da terceirizada, ou seja, obter melhorias no relacionamento com a construtora é pensar estrategicamente. Com isso, foram descritos no capítulo 2 os conceitos de construção enxuta e algumas de suas ferramentas, estratégia de produção e forças competitivas além do PCP e da técnica da linha de balanço. A implantação de novas ferramentas na terceirizada está trazendo uma visão mais transparente dos processos de planejamento. A linha de balanço traz melhorias no planejamento, nos prazos a se cumprir, podendo ser um ponto de partida para novas ferramentas a se aplicar tanto na prestadora de serviços, o que foi mostrado nos itens 5.4, 5.5 e 5.6, quanto na própria construtora. Espera-se com este novo comportamento da prestadora de serviços a padronização das atividades ligadas ao planejamento e execução dos serviços, além de uma visão mais transparente dos processos, trazendo qualidade e eficácia no cumprimento dos prazos. Além disso, espera-se também a continuidade dos estudos para que se tenham novas vertentes a se mostrar em trabalhos futuros. 44 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, T.C.L. Diretrizes para a gestão dos fluxos físicos em canteiros de obra; proposta baseada em estudos de caso. 2000. Dissertação (Mestrado). Escola de Engenharia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. BARROS NETO, J. P.; ALVES, T.C.L.; ABREU, L.V.M. Aspectos Estratégicos da lean Construction. V Sibragec. Campinas, 2007. BARROS NETO, J.P.; ALVES, T.C.L.; MATOS, P.R.F.M.; PASSOS PINHO,M. Análise de Aspectos Estratégicos da Lean Construction em Construtoras Cearenses. Entac, Fortaleza, 2008. BARROS NETO, J.P. Proposta de um modelo de formulação de estratégias de produção para pequenas empresas de construção Habitacional. 1999. 336p. Tese (Doutorado em Administração), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Administração, Programa de Pós-Graduação em Administração, Porto Alegre. BERNARDES, M. M. S. Desenvolvimento de um Modelo de Planejamento e Controle da Produção para Micro e Pequenas Empresas de Construção. 2001. 282p. Tese (Doutorado em Engenharia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Porto Alegre. BULHÕES, I. R.; FORMOSO, C. T.; AVELLAN, T. V. Gestão dos fluxos físicos e sua integração com o planejamento e controle da produção: caso de uma empresa de Salvador-BA. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GESTÃO E ECONOMIA DA CONSTRUÇÃO, III, 2003, São Carlos, SP. Anais... São Carlos, 2003a, CD-ROM, 10p. CARDOSO, Francisco Ferreira. Strategies d'entreprises et nouvelles formes de rationalisation de la production dans le batiment au Bresil et en France. 1996. 478 p. Tese (Doutorado) - ESC POLITÉCNICA, Universidade de São Paulo, Paris, 1996 COELHO, H. O.; FORMOSO, C. T. Planejamento e controle da produção em nível de médio prazo: funções básicas e diretrizes de implementação. III SIBRAGEC, 2003, São Carlos, SP, Brasil, 10p, 2003. FORMOSO, C.T.; BERNARDES, M. M. S.; OLIVEIRA, L. F. M.; OLIVEIRA, K. A. Termo de referência para o processo de planejamento e controle da produção em empresas construtoras. Núcleo Orientado para a Inovação da Edificação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, 1999. 73p. HEINECK, L.F.M. Estratégias de Produção na Construção de Edifícios. Congresso Técnico-Científico de Engenharia Civil. 1996, Florianópolis, SC. LOSSO, I. R.; ARAÚJO, H. N. Aplicação do método da linha de balanço: estudo de caso. In: ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO, 1995. Rio de Janeiro, RJ, 1995. p. 149 – 154. 45 MAZIERO, L. T. P. Aplicação do conceito do método da linha de balanço no planejamento de obras repetitivas. Um levantamento das decisões fundamentais para sua aplicação. 1990. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Florianópolis. MENDES JUNIOR, R.; HEINECK, L.F.M. Roteiro para a programação da produção com linha de balanço em edifícios altos. Pós Graduação de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina, 1997. MENDES JÚNIOR, R. Programação da produção na construção de edifícios de múltiplos pavimentos. 1999. 221p. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção), Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Florianópolis. NEVES; R. M. das. Algumas estratégias de Produção adotadas por Empresas de Construção Civil. Núcleo de Habitação da Amazônia. UFPA, 1995. SILVEIRA, R.F.; HEINECK, L.F.M.; ALVES, T.C.L. A Perspectiva Estratégica do Projeto de Sistema de Produção para Obras de Construção Civil. XII Encontro Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído. Fortaleza, 2008. 46 ANEXOS ANEXO 1 - Desenhos de processos (instalações hidráulicas, elétricas e de incêndio) ANEXO 2 – Tabela resumo das atividades executadas no edifício hospitalar ANEXO 3 – Linhas de balanço (empresa X) 47 ANEXO 1 Instalações Hidráulicas / Pluviais / Sanitárias - POR PAVIMENTO Dias do Ciclo Tubulação nas Garagens Subsolos; Mesanino; Estacionameto.1 a 5 Equipe: 1 Prof. + 2 Serv. UND 1º DIAS-HOMEM TRABALHADOS QUANT. Serv 0 Prof Serv 2,00 0 1 0 1 0,50 0 0,5 1 0 und 17,00 0,50 tiro no teto (2 dias) und 20,00 - passagem nas lajes (0,5 dia) und 17,00 - montagem de suportes (2 dias) UND 20,00 2,00 m 60,00 2,00 2,00 1,00 - 0,20 4,50 4,70 Limpeza (0,2 dia) - Total - - 1º-18º Tipo 1º DIAS-HOMEM TRABALHADOS Equipe: 1 Prof. + 2 Serv. UND marcação (0,5 dia) und 26 0,50 passagem nas lajes (1 dia) und 26 - 1,00 tubulação pluviais (1 dia) m 21 1,00 1,00 tubulações sanitárias (1 dia) m 10 1,00 1,00 Tubulação de água fria (1,5 dias) m 9 1,00 1,50 - 1,50 1,00 4,00 5,50 Total 0,5 1,5 1 1 4º Prof Serv 1 0 1 5º 6º Prof Serv Prof Serv 1 1 1 1 0 0,2 1 1,2 0 1 1 Prof Serv 0 0 Dias do Ciclo Tubulação Pav. Tipo Limpeza 3º Prof 0,5 marcação (0,5 DIA) tubulação pluviais (2 dias) 2º QUANT. - 2º 3º 4º 5º 6º Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv 0,5 0 0 Serv 0 0 1 1 1 1 1 1 0,5 Prof 1 1 1 1 1 1 1 1 0,5 0,5 0 1 0,5 1,5 48 INSTALAÇÕES DE SPRINKLERS E INCÊNDIO - POR PAVIMENTO PAVIMENTO TIPO 1 A 18 Tubulações tipo Equipe: 1 Prof. + 1 Serv. UND marcação (0,5 dia) Tiro no teto (fixações) (0,5 dia) Montagem da Coluna (1 dia) Montagem de sub-ramais (2 dias) und und m m 162,00 351,00 702,00 0,50 1,00 2,00 und 36,00 0,50 und 1,00 1,00 0,50 4,50 Montagem dos registros (0,5 dia) Montagem das caixas de incendio (0,5 dia) Limpeza (0,2 dia) Total Montagem de Sprinklers Equipe: 0 Prof. + 1 Serv. Montagem das ampolas (0,5 dias) Limpeza (-) Total QUANT. tipo 1º DIAS-HOMEM TRABALHADOS 0,50 1,00 2,00 2º Dias do Ciclo 4º 3º 0,5 0,20 3,70 UND QUANT. und 162,00 - 0,50 und - - 0,50 6º 1º Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv 0,5 0 0 0,5 1 1 1 1 1 1 - DIAS-HOMEM TRABALHADOS 5º 0,5 0,5 1 1º 1 2º 1 1 1 1 3º Dias do Ciclo 4º 5º 0 0,5 0 0 0 0 0 0,5 0,2 0,2 6º Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv 0 0 0,5 Prof Serv 0 0 0,5 0,5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 49 Extintores, mangueiras e esguichos Equipe: 0 Prof. + 1 Serv. Montagem das mangueiras e esguinchos (0,5 dia) Mntagem dos extintores (0,5 dia) Limpeza (0,2 dia) Total tipo UND QUANT. und und und 1º DIAS-HOMEM TRABALHADOS 3,00 1,00 - Dias do Ciclo 3º 4º 2º 5º 6º Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv 0 0,50 0,50 0,20 1,20 0 0,5 0,5 0 0,5 0 0,5 0 0 0,2 0,2 0 0 0 0 0 0 Instalações Elétricas e Telefônicas - POR PAVIMENTO PAVIMENTO TIPO Tubulação das alvenarias do pavim. Tipo Equipe: 1 Prof. + 2 Serv. marcação (0,5 dias) corte nas alvenarias (1 dia) assentamento de caixas PVC (1 dia) tubulação (1,5 dias) assentamento de quadro eletrico na sala (1 dia) Limpeza Total Dias do Ciclo 1º-18º Tipo UND QUANT. und 40,00 m 80,00 UND 30,00 vr 40,00 UND 10,00 1,00 - DIAS-HOMEM TRABALHADOS 0,50 1,00 - 1º 2º 3º 4º 5º 6º Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof Serv Prof 0 - 0,5 0 1 1,00 - 1 0 1,50 0 1 1,00 - 1,00 2,50 3,50 0,5 0 0 1 1 1 0 0,5 1 0 0 1 1 1,5 0 0 0 Serv 0 50 ANEXO 2 RESUMO DAS ATIVIDADES Obra: Edifício Hospitalar Ciclo Estimado Equipe (dias) Inst. Hidráulicas / Pluviais / Sanitárias 1/2 P P S Tubulação (pluviais, esgoto) (Subsolo I) 1 2 5 Tubulação (pluviais, esgoto) (Subsolo II) 1 2 5 Tubulação (pluviais, esgoto) (Mezanino) 1 2 5 Tubulação (pluviais, esgoto) (Estacionam. 1 ao 4) 1 2 5 Tubulação (pluviais, esgoto) (Térreo) 2 2 17 Caixas e Ralos (Pav. Tipo 1 ao 18) 1 1 4 Tubulação das Alvenarias. (Pavimento 1 a 18) 1 2 5 Tubulação aérea (Pavimento Tipo 1 a 18) 1 2 7 Tubulações Cobertura 1 2 7 Válvulas redutoras de pressão 1 1 7 Hidrômetros Pavimento Tipo 1 1 1,5 Tubulações de água fria (Térreo) 1 1 2 Tubulações de água fria (pavimento Tipo1 a 18) 1 1 1,5 Tubulações de água fria (Cobertura) 1 1 3 Serviços extras - teste de materiais e acessórios 1 1 5 Louças 1 1 2,5 Metais e acessórios 1 0 0 2 Serviços Hidráulicos Específicos Transição (Garagem 5) 2 2 10 Verticais de Tubulações (PLUVIAIS) 1 2 30 (1 mês) Verticais de Tubulações (ESOTO) 1 2 30 (1 mês) Montagem de bombas 1 1 4 Instalações Elétricas e Telefônicas Tubulação Área (S. solo I e II, Estacionamento 1 a 5) (aérea / alvenaria) 1 1 5 Tubulação aérea e alvenaria (Térreo) 1 1 6 Montagem do Centro de Medição (Térreo) 1 2 68 Tubulação alvenarias (pavimento Tipo 1 a 18) 1 2 4 Tubulação aérea (pavimento Tipo 1 a 18) 1 1 6 Tubulação Elevadores (Hall) 1 1 3 Tubulação (Cobertura) 1 1 4 Fiação (Subsolo I e II) 1 1 3 Fiação (garagem 1 a 5) 1 1 3 Fiação (Térreo) 1 1 3 Fiação (Mezanino) 1 1 3 Fiação (Pavimento Tipo 1 a 18) 1 1 2 Fiação (Cobertura) 1 1 2 Fiação nas Prumadas pavimento tipo (1 a 18) 1 1 5 Alimentadores (Subsolo I e II) 1 1 1 Alimentadores (garagem 1 a 5) 1 1 1 Alimentadores (térreo) 1 1 1 Alimentadores (mezanino) 1 1 1 Alimentadores (Pavimento tipo 1 a 18) 1 1 3 Alimentadores (cobertura) 1 1 1 Ciclo Real (dias) Ciclo Adotado Cor 5 5 5 5 5 5 5 5 4 5 5 5 5 5 1,5 1,5 1,5 10 10 4 5 5 5 5 5 5 5 5 51 Distribuição de quadros (Subsolo I e II) Distribuição de quadros (Térreo) Distribuição de quadros (Garagem 1 a 5) Distribuição de quadros (Mezanino) Distribuição de quadros (Pavimento tipo 1 a 18) Distribuição de quadros (Cobertura) Montagem dos acessórios elétricos (S Solo I e II) Montagem dos acessórios elétricos (Térreo) Montagem dos acessórios elétricos (Mezanino) Montagem dos acessórios elétricos (Estacionamento 1 a 5) Montagem dos acessórios elétricos (pavimento tipo 1 a 18) Montagem dos acessórios elétricos (Cobertura) Luminárias (Sub Solo I e II) Luminárias (Térreo) Luminárias (Mezanino) Luminárias (Estacionamento 1 a 5) Luminárias (pavimento Tipo 1 a 18) Luminárias (Cobertura) Serviço extra - Testes (acessórios, luminárias) 27 pavimentos PRUMADA ELÉTRICA SPK E INCÊNDIO Tubulações (Subsolo) Montagem de Sprinklers (Subsolo) Extintores, mangueiras e esguichos (Subsolo) Tubulações (Subsolo II) Montagem de Sprinklers (Subsolo II) Extintores, mangueiras e esguichos (Subsolo II) Tubulações (mezanino) Montagem de Sprinklers (mezanino) Extintores, mangueiras e esguichos (mezanino) Tubulações (Estacionamento 1 a 5) Montagem de Sprinklers (Estacionamento 1 a 5) Extintores, mangueiras e esguichos (Estacionamento. 1 a 5) Tubulações (Térreo) Montagem de Sprinklers (Térreo) Extintores, mangueiras e esguichos (Térreo) Tubulações (Pavimento Tipo) Montagem de Sprinklers (Pavimento Tipo) Extintores, mangueiras e esguichos (Pavimento Tipo) Tubulações (Coberta) Extintores (Coberta) Serviços Específicos (SPK e Incendio) Teste de Pressurização Pintura de Tubulações Verticais de Sprinkler (Colunas) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0 0 1 0 1 1 1 0,5 0,5 0,5 0,5 5 0,5 0,5 0,5 0,5 1 1 0,5 1 1 1 1 1 1 1 1 1 0,5 7,5 4,5 3 4,5 3 5 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 1 2 1 1 2 1 1 2 1 11 4 4 11 4 4 11 4 4 11 4 1 1 0 0 1 0 1 1 1 1 1 1 4 13 2 3 6 1 0 1 1 1 0 1 3 14 2 0 2 1 1 1 1 4 6 30 (1 mês) 6 4 11 5 6 4 11 5 3 3 10 TORRE 52 ANEXO 3 Cobertura Pavimento 18 Pavimento 17 Pavimento 16 Pavimento 15 Pavimento 14 Pavimento 13 Pavimento 12 Pavimento 11 Pavimento 10 Pavimento 9 Pavimento 8 Pavimento 7 Pavimento 6 Pavimento 5 Pavimento 4 Pavimento 3 Pavimento 2 Pavimento 1 Estacionamento 5 Estacionamento 4 Estacionamento 3 Estacionamento 2 Estacionamento 1 Mezanino Térreo SS2 SS1 Tubulações verticais de SPK e incêndio Tubulações verticais Tubulações verticais pluviais de esgoto 19-jun 18-jun 17-jun 16-jun 15-jun 14-jun 13-jun 12-jun 11-jun 10-jun 9-jun 8-jun 7-jun 6-jun 5-jun 4-jun 3-jun 2-jun 1-jun 31-mai 30-mai 29-mai 28-mai 27-mai 26-mai 25-mai 24-mai 23-mai 22-mai 21-mai 20-mai 19-mai Junho 18-mai 17-mai 16-mai 15-mai 14-mai 13-mai 12-mai 11-mai 10-mai 9-mai 8-mai 7-mai 6-mai 5-mai Maio 4-mai Local Produção 53 TORRE Cobertura Pavimento 18 Pavimento 17 Pavimento 16 Pavimento 15 Pavimento 14 Pavimento 13 Pavimento 12 Pavimento 11 Pavimento 10 Pavimento 9 Pavimento 8 Pavimento 7 Pavimento 6 Pavimento 5 Pavimento 4 Pavimento 3 Pavimento 2 Pavimento 1 Estacionamento 5 Estacionamento 4 Estacionamento 3 Estacionamento 2 Estacionamento 1 Mezanino Térreo SS2 SS1 Andamento das Tubulações de Incêndio Andamento das Tubulações hidráulicas e elétricas em paralelo 31-mai 30-mai 29-mai 28-mai 27-mai 26-mai 25-mai 24-mai 23-mai 22-mai 21-mai 20-mai 19-mai 18-mai 17-mai 16-mai 15-mai 14-mai 13-mai 12-mai 11-mai 10-mai 9-mai 8-mai 7-mai 6-mai 5-mai 4-mai 3-mai 2-mai 1-mai 30-abr 29-abr 28-abr 27-abr 26-abr 25-abr Maio 24-abr Local Produção Tubulações hidráulicas e elétricas Tubulações de sprinkler e incêndio 24-jul 23-jul 22-jul 21-jul 20-jul 19-jul 18-jul 17-jul 16-jul 15-jul 14-jul 13-jul 12-jul Junho 11-jul 10-jul 9-jul 8-jul 7-jul 6-jul 5-jul 4-jul 3-jul 2-jul 1-jul 30-jun 29-jun 28-jun 27-jun 26-jun 25-jun 24-jun 23-jun 22-jun 21-jun 20-jun 19-jun 18-jun 17-jun 16-jun 15-jun 14-jun 13-jun 12-jun 11-jun 10-jun 9-jun 8-jun 7-jun 6-jun 5-jun 4-jun 3-jun 2-jun 1-jun 54 Julho 55