Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador 135 “SENADOR, VOCÊ NÃO É JACK KENNEDY”: DAN QUAYLE E A NOMEAÇÃO DO PARTIDO REPUBLICANO PARA A VICEPRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS NA ELEIÇÃO DE 1988 Waldemar Dalenogare Neto1 Resumo Este artigo tem como objetivo identificar os principais fatores relacionados à nomeação de Dan Quayle, Senador de Indiana, como parceiro de George Bush na chapa Republicana, na eleição de 1988, nos Estados Unidos da América. Desde o momento de sua nomeação para a disputa da vice-presidência, Quayle deparou-se com uma série de problemas, que englobavam desde sua carreira militar até a alegada falta de experiência do jovem Senador comparado com outros políticos de seu partido. Quayle também enfrentava problemas quando era comparado com seu rival na chapa democrata, Lloyd Bentsen, um homem com um longo e respeitado currículo na vida política. A insistência de Quayle em se afirmar como um homem experiente, mas de pouca idade, culminou em uma comparação efetuada pelo próprio republicano entre si e John Kennedy. Bentsen marcou a carreira política de Quayle ao dizer “senador (Quayle), você não é Jack Kennedy” em um debate visto por 47 milhões de pessoas. Palavras-chave: Debate. Eleição. Estados Unidos. Dan Quayle é um dos políticos mais polêmicos dos Estados Unidos. Sua presença na Casa Branca, quando serviu por quatro anos como vice-presidente, causou grande discussão no meio acadêmico, político e popular estadunidense. Não é para menos: Quayle será lembrado graças a uma infeliz comparação com o presidente John “Jack” Kennedy no debate vice-presidencial de 1988. O pior estaria por vir: seu adversário na época, o experiente Senador Lloyd Bentsen, em resposta à comparação feita por Quayle, disse em rede nacional: “Senador (Quayle), eu servi com Jack Kennedy, eu conheci Jack Kennedy. Jack Kennedy era meu amigo. Senador, o senhor não é Jack Kennedy”. A difícil escolha Quatro dias antes da abertura oficial da Convenção Republicana, em New Orleans, George Herbert Walker Bush, que ocupava o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos, servindo na gestão de Ronald Reagan e candidato do Partido Republicano para as eleições presidenciais de 1988, discutia com membros de sua campanha qual político deveria 1 Graduando da Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Contatos: [email protected]. Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador integrar a sua chapa para concorrer para o cargo de vice-presidente. A lista do partido, a princípio, continha sete nomes: Bob Dole, líder da minoria republicana no Senado; Elisabeth Dole, Senadora e mulher de Bob; Jack Kemp, popular republicano membro da Câmara dos Representantes; Peter Domenici, Senador do Novo México; Alan Simpson, Senador do estado de Wyoming; John Danforth, Senador por Missouri e James Danforth “Dan” Quayle, Senador de Indiana. Bush pediu para cada um de seus quatro consultores apontarem três nomes entre a lista dos sete. De acordo com Jules Witcover, surpreendentemente o nome de Dan Quayle estava na lista de todos. Na saída da reunião, nada parecia definido. Bush levou um papel com as indicações recebidas na sua sala e dirigiu-se para sua residência (GERMOND,1989, p. 371). Um dia antes da Convenção Republicana, Jack Kemp, Bob Dole e Dan Quayle participaram de talk shows da televisão estadunidense para expor suas ideias e a vontade de ser o escolhido de Bush. Bob Dole, apontado pela mídia como favorito para integrar a chapa republicana, aproveitou o seu tempo para minimizar as diferenças ideológicas com Bush, já que eles haviam se enfrentado nas prévias Republicanas para o cargo de presidente. Kemp mostrou-se favorável à Iniciativa Estratégica de Defesa, dizendo que apoiaria totalmente Bush. E Quayle atacou os democratas dizendo que Michael Dukakis, candidato à presidência pelo Partido Democrata, não era uma opção para os Estados Unidos, considerando que ele “colocaria o país na defensiva”, menção feita devido ao fato de Dukakis ser contra um grande orçamento de defesa. (GERMOND, 1989, p. 373). Na madrugada do primeiro dia da Convenção, em 15 de agosto, estava claro para o grande público que a chapa seria composta por Kemp ou Dole. O nome de Kemp, porém, foi descartado por Bush e seus conselheiros na mesma madrugada. Seria Bob Dole, o escolhido? Uma fita contendo uma entrevista de Dole foi mostrada a Bush poucas horas antes da abertura da Convenção. Um repórter havia perguntado se Dole considerava “o processo para a escolha do candidato a vice-presidência humilhante”. Bob respondeu que “tinha suas ressalvas quanto ao processo”. Após o final do primeiro dia da Convenção, que teve como principal destaque o discurso de Ronald Reagan, George Bush ligou para Bob Dole e disse que ele não seria escolhido para integrar a chapa Republicana, pois o partido preferiu escolher “outro nome” a Bob. Certamente a entrevista de Dole causou desconforto entre os republicanos, que achavam que Dole estava forçando sua entrada na chapa devido sua experiência política. No primeiro momento, Bob Dole pensou que Pete Domenici seria o escolhido de Bush e chegou a ligar para o hotel onde Domenici estava hospedado para o parabenizar. Quando Pete Domenici falou a Dole que não havia recebido nenhuma ligação do partido, Dole ficou apreensivo e perguntou-se: “Quem neste país teria um currículo melhor que o meu e o de Domenici?”. Dole já sabia que Kemp não seria indicado (GERMOND,1989, p. 374-5). 136 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador O processo de escolha de vice-presidente pode ser, de fato, um pouco humilhante. Dole deu um sorriso de nervosismo no dia 17 de agosto, último dia da Convenção, quando Dan Quayle foi revelado como parceiro de George Bush. Nas palavras de Bush, Quayle foi sua “primeira e única escolha”. Na noite da indicação de Quayle à candidatura à vice-presidência, em 17 de agosto de 1988, os noticiários políticos discutiram, em um primeiro momento, a capacidade de Dan Quayle em exercer um cargo tão importante com tão pouca idade. Na época de sua nomeação, o Senador de Indiana tinha 41 anos. Seu passado político, entretanto, chamava atenção. Quatro anos na Câmara dos Representantes e doze anos atuando como Senador fazia de Quayle um político com um currículo igual ou pouco superior a candidatos anteriores à vice-presidência. Em suas memórias, Quayle lembra o fato de que ninguém na imprensa questionou a experiência de Geraldine Ferraro quando esta foi nomeada candidata dos democratas à vice-presidência em 1984, na chapa de Walter Mondale, que enfrentava Ronald Reagan (QUAYLE, 1994, p. 42). De fato, Ferraro havia servido apenas cinco anos na Câmara dos Representantes. Os problemas de Quayle com a imprensa apenas começavam. Os questionamentos quanto a sua juventude eram contínuos. Sempre que a questão relacionada à juventude de Quayle era abordada, o republicano se esquivava gabando-se com seu trabalho no Senado. Mas seria a juventude de Quayle um empecilho? Historicamente, não. Richard Nixon tinha a mesma idade de Quayle quando foi nomeado vice-presidente dos Estados Unidos, na chapa de Dwight D. Eisenhower, em 1952. A diferença começava pelo registro militar: enquanto Nixon serviu na Segunda Guerra Mundial como auxiliar no teatro de guerra do Pacífico, Quayle entrou na Guarda Nacional, um órgão de segurança nacional de má reputação, pois no imaginário popular abrigava jovens da classe alta que não queriam ir para a Guerra do Vietnã. A polêmica em torno do serviço militar de Quayle durou até os dias finais da campanha. A comparação segue: Nixon era popular até mesmo em áreas democratas, enquanto Quayle enfrentava grande oposição no seu partido, que forçava Bush voltar atrás e chamar Bob Dole; Nixon era visto como um candidato sério, com aparência séria, enquanto Quayle, nas palavras da jornalista Meg Greenfield, parecia “um menino da escola com terno”. Nixon e Quayle, em suas determinadas épocas, foram apontados para assumir a vice-presidência por serem considerados jovens estrelas da política. Eisenhower, que primeiramente barrou a indicação de Nixon, foi convencido pelo restante do partido da capacidade de “Dick” Nixon. Com Quayle ocorreu o oposto: George Bush bancava a nomeação de Quayle, o que gerou problemas com todas as alas do Partido Republicano. Bush jamais conseguiu convencer a seus aliados quanto à capacidade do seu companheiro de chapa. Quayle cogitou comparar a sua experiência política a de Richard Nixon: não fez isto porque o nome de Nixon ficou manchado após o escândalo Watergate, 137 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador que culminou com sua renúncia ao cargo de presidente. Comparar a imagem de um jovem Senador candidato à vice-presidência com a de um político considerado “sujo” pela maior parte da população, não era a melhor forma de iniciar a campanha, na visão de Quayle. Além da alegada falta de experiência e as dúvidas quanto ao seu serviço militar, Quayle deparou-se com outro problema: no verão de 1980, o Senador de Indiana deixou sua mulher Marylin em casa para jogar golfe com os representantes Tom Evans, de Dellaware e Tom Railsback, de Illinois. Junto ao trio, estava Paula Parkinson, capa da Playboy. Na época da eleição de 1988, Paula trouxe o caso para a imprensa, dizendo, em suas palavras: “Quayle queria fazer amor, mas eu não quis”. A grande mídia passou a discutir a seriedade e o caráter de Dan Quayle, que se identificava como um “protetor da família”. Por muito pouco o caso não comprometeu sua campanha: o apoio de Marilyn Quayle, que tentou minimizar as acusações de Paula, foi fundamental (RUNKEL, 1988, p. 215). Aos poucos, toda vida de Quayle foi explorada pela imprensa. Certa vez, Dan chegou a lamentar o fato ver toda manhã seu rosto nos tradicionais programas matinais da televisão estadunidense, com jornalistas discutindo sua vida pessoal, ao invés de seus registros públicos. Quayle ficou aborrecido ao notar que o jornal Washington Post, de 18 de agosto de 1988, trazia uma entrevista com seus antigos professores na universidade. As lembranças não eram as melhores. “Quayle era um aluno medíocre, que tirava notas baixas, geralmente C ou D”, lembrava um professor. Robert F. Rooser, diretor da DePauw University, na qual Quayle se formou em Ciências Políticas, dizia que “o mundo era dominado por estudantes nota C”. Um dos professores de Quayle, Michael Lawrence, disse que via em Quayle, o típico estudante nota C, citado por Robert, devido ao fato de os trabalhos de Quayle terem pouco conteúdo e sua expressão oral “ser absurdamente fraca” (GERMOND, 1989, p. 375). Conforme Quayle, agosto de 1988 foi o mês mais estranho de sua vida. Toda alegria de sua nomeação havia sido deixada de lado para apenas se defender. Quayle também cita que diferente de todos os outros candidatos à vice-presidência na história, a primeira questão feita para ele não foi “por que você quer ser vice-presidente”, mas sim “por que alguém na sua idade seria vice-presidente”. (QUAYLE, 1994, p. 43-4). Alguns apoiadores de Quayle sustentaram a teoria que a mídia liberal tolerava até certo ponto figuras do Partido Republicano como George Bush e Ronald Reagan por verem nos pensamentos destes homens um resumo das lutas de gerações passadas. No entanto, Quayle enfrentaria uma enorme dificuldade em ser o primeiro jovem da “geração Vietnã” a tentar um cargo de presidente ou vice-presidente, devido ao fato de que “a mídia jamais aceitaria um conservador jovem dominando o cenário político por quatro anos”. (QUAYLE, 1994, p. 43-5). Algumas declarações feitas por Quayle durante comícios também marcaram a imagem do candidato à vice-presidência. Certa vez, Quayle disse que o Holocausto foi “um período 138 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador obscuro na história da nação (Estados Unidos)”. Quando os repórteres corrigiram Quayle, citando que este trágico evento fazia parte da história da Alemanha, Quayle observou que “(sua) nação estava no lado da justiça”. “Quero dizer, todos fazemos parte disto porque nós vivemos neste século”, continuou. “Na verdade, eu não vivi neste século, mas na história deste século”. Charges e piadas com as frases de Quayle passaram a virar rotina nos jornais até o final das eleições. (DOLAN, 1993, p.20.). Lloyd Bentsen As coisas pareciam piorar para o candidato de Indiana quando a mídia o comparava com seu rival na disputa à vice-presidência, Lloyd Bentsen. Este democrata certamente era um dos três grandes nomes do partido em 1988, junto com Jesse Jackson e Michael Dukkakis, sendo este último o candidato à presidência na ocasião. Bentsen serviu na Segunda Guerra Mundial, inclusive passando um período no Brasil. Em 1949, iniciou carreira política, sendo representante da Câmara pelo estado do Texas por seis anos. Durante este período, conquistou a amizade de Sam Rayburn, político de grande popularidade e Presidente da Câmara dos Representantes. Em 1955, abandonou a política para se dedicar a carreira de empresário, retornando a vida pública apenas em 1970, para disputar a primária democrata do Senado do Texas contra o então Senador Ralph Yarborough. Bentsen assegurou a nomeação democrata e mais tarde, venceria George H.W Bush nas eleições gerais. Na convenção democrata de 1988, o fato de que Bentsen já havia vencido Bush era motivo de boas risadas. Bentsen também havia tentado a nomeação democrata em 1976 para presidência. Jimmy Carter, vencedor da prévia democrata, que mais tarde se tornaria presidente dos Estados Unidos, disse que Bentsen só não enfrentou Gerald Ford em seu lugar por não ter organizado sua campanha em um âmbito nacional. O fato era que Bentsen chegava em 1988 com um currículo considerado “intocável”. (GERMOND, 1989, p. 167). Lloyd era visto como um candidato com postura presidencial e sua imagem, segundo os democratas, passava confiança ao eleitor. Alguns membros de seu partido chegaram a questionar a nomeação de Bentsen, pelo fato de o Senador do Texas ter muito mais experiência do que seu parceiro de chapa, Michael Dukkakis. A tarefa de Quayle não era fácil. Além das duras e diárias criticas da imprensa, o candidato de Indiana passou a ser cobrado dentro do Partido Republicano, quando sua nomeação já estava assegurada, no começo de setembro. Quayle decidiu apelar de uma forma nunca antes vista. Lembrando-se que uma comparação com Richard Nixon seria considerada um erro grave, Quayle fez o maior erro de sua campanha: comparou-se com John “Jack” Kennedy, presidente dos Estados Unidos (1961-1963). Durante discursos no mês de setembro, Quayle comparava sua experiência no congresso e senado (16 anos, no total) com a de Kennedy (13 anos) quando este disputou a eleição de 1960 contra Richard 139 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador Nixon. Também lembrava que Kennedy era o segundo presidente mais jovem da história dos Estados Unidos2 e assim como Quayle, foi questionado quando recebeu a nomeação de seu partido por ser “muito novo” quando comparado a grandes nomes do Partido Democrata em 1960, como Lyndon B. Johnson, Wayne Morse e Hubert Humphrey. Debates: Exposição e risco na televisão Enquanto a campanha de Bush parecia não ser afetada pelo “fator Quayle”, pelo fato de as pesquisas apontarem uma boa margem de liderança, o Partido Democrata passava a concentrar suas expectativas nos dois debates presidenciais e no debate vice-presidencial. Em suas memórias, Quayle cita que, em 1988, ele tinha uma imagem estranha dos debates. “Era algo que não iria para as notícias. Na verdade, todos esperavam alguma gafe para publicar na capa do dia seguinte. Isso era debate para mídia”. (QUAYLE, 1994, p.60-1). Em parte, Quayle estava certo. O primeiro debate à presidência ocorreu em 1960. Em uma série de quatro encontros, popularizados como “Os Grandes Debates”, os encontros entre Nixon e Kennedy obtiveram um share televisivo nunca antes alcançado, em termos de política. Após 16 anos sem debates, finalmente em 1976, o então presidente Gerald Ford concordou em debater o candidato democrata Jimmy Carter. Dentre tantos assuntos discutidos no debate de 1976, os analistas consideram que Ford cometeu um erro na organização de uma frase. Ford disse que não existia dominação soviética na Europa Oriental, e que nunca haveria tal dominação caso fosse eleito. A escolha das palavras na organização da frase foi infeliz e a campanha de Ford, que já estava atrás de Carter nas pesquisas antes do debate, sofreu um grande golpe. Alguns analistas consideram que Ford perdeu a eleição por conta desta afirmação, considerando a pequena vantagem com que Carter venceu na maioria dos Estados. Com exceção de 1960, quando o debate era novo para o público e a mídia limitouse a análise e comparação entre Nixon e Kennedy, cada debate até 1988 tinha alguma frase marcante. Após a gafe de Ford em 1976, o debate de 1980 contava com a presença do presidente Jimmy Carter debateu contra o então candidato Ronald Reagan em 1980. Carter insistia que Reagan era contra um Plano de Seguro de saúde3. Em certo ponto do debate, Reagan utilizou a frase “lá vai você de novo”, como uma forma humorada de expressar que Carter utilizava constantemente o mesmo argumento para atacar Reagan. Em 1984, a mesma frase de Reagan foi utilizada contra seu criador. No debate contra o candidato Walter Mondale, “Ron” novamente utilizou a frase “lá vai você de novo”, desta vez para se 2 Kennedy assumiu a presidência em 1961 com 43 anos e 266 dias. O mais jovem presidente da história foi Theodore Roosevelt, que assumiu a presidência em 1901 com 42 anos e 322 dias. 3 National Health Insureance, no inglês. 140 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador defender dos ataques de Mondale, que insistia que o republicano aumentaria os impostos caso reeleito. Mondale então respondeu: Senhor presidente. Você disse: “lá vai você de novo”, certo? Relembra da última vez que você disse isto? Você disse está frase quando o presidente Carter disse que você cortaria recursos do Medicare. Você disse: “Lá vai você de novo”. E o que você fez logo depois que foi eleito? Você realmente tentou cortar 20 bilhões de dólares deste programa social. Então, quando você diz “lá vai você de novo”, as pessoas se lembram disso, sabia? E as pessoas se lembram que você assinou o maior aumento de impostos da história da Califórnia. E o maior aumento de impostos na história dos Estados Unidos. E o que você vai fazer? Você tem um déficit de 260 bilhões de dólares. Você não pode fingir que não existe. E você não aceita cortar gastos com a defesa (BLUME, 1985, p. 264-5). Quando o debate de 1984 acabou, Nancy Reagan, primeira dama dos Estados Unidos, disse que aquela era “a pior noite na vida política de Ronald Reagan”. (BLUME, 1985, p. 277). O grande ponto dos debates e o que os torna tão fundamentais, são uma combinação entre o interesse existente da população para comparar as ideias dos candidatos junto com a chamada “cobertura do dia seguinte” nos jornais e na televisão. Todas as “lições” e gafes vistas nos debates anteriores obviamente eram de conhecimento dos managers democratas e republicanos. Segundo Quayle, a orientação que ele recebeu do seu partido era muito simples: apenas não cometer gafe. Apenas alguma gafe poderia comprometer a sua campanha. Era muito mais simples discutir uma diferença de ideologia dos partidos do que um erro. Exemplos não faltavam. O debate entre Bentsen e Quayle seria apenas o terceiro debate entre candidatos à vice-presidência nos Estados Unidos. O primeiro foi realizado em 1976, entre o democrata Walter Mondale e Bob Dole. Toda atenção e discussão em torno do debate limitaram-se à polêmica declaração do republicano Dole quando este chamou as guerras do século XX de “Guerras Democratas”, associando de forma indireta os líderes democratas a morte de mais de 1 milhão e meio de estadunidenses nas duas grandes guerras.4 Em 1984, George H.W Bush encontrou Geraldine Ferraro para o segundo debate à vice-presidência da história dos Estados Unidos. Este debate é considerado por alguns dos acadêmicos como o debate mais acirrado e disputado até hoje, considerando que ambos os lados poderiam clamar vitória, devido ao fato de que nenhum dos candidatos deixou de lado a posição ideológica de seu partido para tentar fazer média com o público. (ROSE, 1994, p. 178-9). Robert Shrum era consultor do Partido Democrata nas eleições de 1988. Apesar de trabalhar nos primeiros meses de campanha apenas com Dukkakis, foi chamado para organizar a estratégia do debate de Lloyd Bentsen contra Dan Quayle. Shrum recebeu fitas 4 Dole lembrou Woodrow Wilson (presidente entre 1913-21) organizou a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial (1914-18) e que Franklin Delano Roosevelt (1933-45) colocou os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 141 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador dos discursos de Quayle, e não acreditou quando ouviu a comparação que o senador havia feito entre si e Jack Kennedy. Shrum viu uma ótima oportunidade para fazer com que Bentsen soltasse uma frase de efeito, caso a comparação Quayle – Kennedy fosse repetida. (SHRUM, 2007, p.194). Preparação para o debate Os democratas não se preocuparam em fazer uma preparação do debate com Lloyd Bentsen. Todos os conselheiros da campanha de Dukakis sabiam que o veterano senador do Texas tinha uma ótima capacidade de discurso, considerada por muitos analistas a melhor entre todos os candidatos que concorreram em 1988, seja para o cargo de presidente ou vice. Schrum e Bentsen discutiram a possibilidade de utilizar uma grande frase de efeito para estragar a noite dos republicanos, além de ganhar um ótimo material para divulgação nas propagandas eleitorais na televisão. Bentsen fazia parte do restrito círculo de amizades de John Kennedy. Ambos serviram na Segunda Guerra Mundial. Schrum questionou se Bentsen se sentia confortável em atacar Quayle utilizando referências indiretas a Kennedy. Ouviu um sim de Bentsen, que logo se retirou da reunião com um largo sorriso no rosto. (SHRUM, 2007, p.194-5). Durante o mês de setembro de 1988, Quayle percorreu o país com Bush e em pelo menos três ocasiões comparou a sua juventude e experiência a de Kennedy. Tudo isto era muito bem vindo ao comitê de Dukakis e Bentsen, e tudo indicava que Quayle poderia efetuar a mesma comparação no debate. (SHRUM, 2007, p.195). A preparação de Quayle foi um tanto diferente. O Partido Republicano organizou uma série de ensaios para o debate. O senador Bob Packwood, de Oregon, fez o papel de Bentsen em todos os ensaios. Packwood foi direto ao dizer para Quayle: “eu conheço muito bem Bentsen. Ele é um cavalheiro. Fique tranquilo, ele não irá atacar você da maneira que eu estou fazendo aqui. Não se preocupe.” Com isto em mente, muitas questões foram trabalhadas com Quayle, geralmente sobre assuntos internos como economia e criação de empregos. Para evitar as temidas gafes, o Partido Republicano convidou figuras como Henry Kissinger para discutir assuntos específicos com Quayle. Vários assessores do partido alertaram Quayle para ter atenção com as comparações com Jack Kennedy. Kissinger sabia que os democratas utilizariam qualquer deslize de Quayle para tentar arrancar votos de Bush, já que Quayle parecia ser o fator mais vulnerável da campanha republicana. (QUAYLE, 1994, p.64-6). Entre os ensaios realizados antes do debate, o foco nunca foi direcionado para a juventude e experiência (ou falta dela) do Senador de Indiana. 142 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador O debate Finalmente, na noite do dia 5 de outubro de 1988, Quayle e Bentsen estavam frente a frente, na cidade de Omaha, no estado de Nebraska, para o único debate de vicepresidentes da campanha de 1988. Os jornalistas Tom Brokaw da National Broadcasting Company (NBC), Jon Margolis do Chicago Tribune, e Brit Hume da American Broadcasting Company (ABC) participaram do evento realizando as perguntas que seriam respondidas pelos candidatos. A moderadora do debate era Judy Woodruff. Antes das perguntas aos candidatos começarem, Woodruff lembrou que baseado na história dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial até 1988, existia uma chance de 50% em algum dos dois candidatos ser o presidente dos Estados Unidos. A primeira participação de Quayle foi proposta pela moderadora. Tendo em vista as críticas que Quayle havia recebido por ficar de fora da guerra do Vietnã, e pelo seu fraco desempenho na faculdade, Woodruff lembrou que políticos republicanos como Alexander Haig5 consideraram a nomeação de Quayle como a “decisão mais estúpida que Bush poderia ter feito”, e que Bob Dole seria um nome mais experiente. (GERMOND, 1989, p. 438). Quayle defendeu-se dizendo que dizendo “eu tenho mais experiência que muitos outros que concorreram ao cargo de vice-presidente”. Na Segurança Nacional, empregos e educação, Quayle afirmou que possuía mais experiência que o Governador de Massachusetts (Dukakis). Na réplica, Bentsen lembrou das palavras de Woodruff no começo do debate: Hoje não estamos aqui para discutir os requisitos para se tornar vicepresidente. O debate deve discutir se Dan Quayle ou Lloyd Bentsen podem ou não se tornar presidente dos Estados Unidos. Porque como você disse Judy, isto ocorreu muito no passado. E se alguma tragédia ocorrer nos vamos assumir, sem margem para erro e sem tempo para preparação, a responsabilidade do maior emprego no mundo, que é dirigir este grande país [...]. O debate de hoje é um debate sobre a presidência e uma decisão presidencial deve ser feita por você. (GERMOND, 1989, p. 438). Durante o debate de noventa minutos, outras discussões vieram à tona: as diferenças entre Dukakis e Bentsen, as propostas para a Seguridade Social, o meio ambiente, os Contras da Nicarágua, vendas de armas para o Irã, impostos e o combate às drogas. Sempre que possível Quayle usou seu tempo para atacar Dukakis, de acordo com o que foi planejado nos ensaios. Mas, novamente, Quayle deparava-se com uma questão referente à sua experiência. Brit Hume perguntou: “Se você for eleito vice-presidente e o presidente fique incapacitado, por qualquer motivo. Você então deverá tomar as rédeas do poder. Quando este momento chegar, quais seriam os seus primeiros passos, e por que você os faria?” (GERMOND, 1989, p. 439). 5 Secretário de Estado do governo Reagan (1981-83) e Chefe de Gabinete dos governos Nixon e Ford (1973-74). 143 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador “Primeiro”, disse Quayle, “eu faria uma prece para mim e para o país que eu vou liderar. E então vou reunir o pessoal do presidente e discutir sobre o país”. Até este ponto, Quayle parecia tranquilo. Mas para evitar uma resposta curta, Dan voltou a falar sobre sua experiência: “A idade, por si só, não é a única qualificação”. Novamente, ele voltou a falar de seus doze anos no congresso e seus seis anos no Senado. Por fim, concluiu que “estes anos na política deram a mim experiência para lidar com a União Soviética e como podemos tocar o país. Este é apenas um dos problemas que vou enfrentar, e eu estou preparado”. (GERMOND, 1989, p. 440). Hume, entretanto, parecia confuso após a resposta de Quayle. Quando teve a chance de fazer uma pergunta novamente a Quayle, insistiu: “Senador, você disse que faria uma oração e falou em uma reunião. O que você faria depois?”. Quayle, ofegante, respondeu: “Não acredito que este seja o momento para lidar com situações hipotéticas como esta”. Dan complementou a questão novamente falando sobre sua experiência no congresso. “Viajei muito. Fui muitas vezes a Genebra. Conheci líderes como Thatcher e o Chanceler Kohl. Eles sabem quem sou eu. Estarei preparado para liderar o país”, finalizou. (GERMOND, 1989, p. 440). Desta vez, foi Tom Brokaw que não ficou satisfeito com a resposta de Quayle: Talvez a questão de Hume fosse apenas hipotética, disse Brokaw: E ela é (hipotética) sim, senhor, aliás, esta é a razão de você estar aqui hoje, porque você não está concorrendo apenas a vice-presidente. Se você cita a experiência que você teve no congresso, certamente você deve ter algum plano em mente sobre o que você faria no caso de você se tornar o Presidente dos Estados Unidos, como aconteceu com tantos outros vicepresidentes apenas nos últimos 25 anos, por exemplo. (TRUMAN, 2008, p. 170-1). Com aparente nervosismo e ofegante Quayle respondeu: Vou tentar responder esta questão novamente, da maneira mais clara possível. [...]. Eu estarei preparado, não apenas pelo meu serviço no congresso, mas por causa da minha habilidade de comunicação e liderança. Não se trata apenas de idade: são feitos, são experiências. Eu tenho muito mais experiência que tantos outros que tentaram assumir o lugar de vicepresidente deste país. Eu tenho a mesma experiência no Congresso que Jack Kennedy teve, quando ele disputou a presidência. Estarei preparado para lidar com as pessoas na administração Bush se este trágico evento ocorrer. (TRUMAN, 2008, p. 171). Quayle havia desrespeitado os conselhos do Partido Republicano e havia feito uma menção direta a Jack Kennedy. Sem nenhum outro tipo de consideração para fazer sobre o assunto, Quayle apostou, inocentemente, que uma comparação com Kennedy iria passar despercebida por Bentsen. O acadêmico Alan Schroeder acredita que Quayle apenas citou o nome de Kennedy para evitar responder de forma igual à mesma questão por quatro vezes. No momento que Quayle citou o nome de Kennedy, a equipe de edição cortou a 144 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador imagem frontal de Quayle para uma imagem lateral, que conseguiu captar um rosto surpreso de Bentsen. (SCHROEDER, 2008, p. 156-8). A resposta dada pelo Senador Bentsen entraria para a história política dos Estados Unidos: “senador. Eu servi com Jack Kennedy, eu conheci Jack Kennedy. Jack Kennedy era meu amigo. Senador você não é Jack Kennedy.” Rapidamente grande parte da plateia levantou-se para aplaudir a declaração de Bentsen, em meio de tímidas vaias dos republicanos presentes. (SCHROEDER, 2008, p. 156-8). Na sala reservada de controle do Partido Republicano, Mitch Daniels, abaixou a cabeça e gritou: “Que diabos é isto! Falamos para Quayle não falar sobre Kennedy!”. Daniels atribuiu a frase à falta de paciência de Quayle, que parecia querer a todo custo impor que era um candidato experiente, apesar da pouca idade. (WITCOVER, 1992, p. 351). Ao final do debate, parecia que o republicano havia sido fortemente castigado. As pesquisas apontaram uma vitória esmagadora de Bentsen. Em suas memórias, Quayle lembra que apenas três pessoas foram dar apoio para ele após o debate: o seu parceiro de chapa George Bush, que fez questão de levantar a moral do jovem senador, Henry Kissinger e George Shultz. (QUAYLE,1994, p. 65). Mas a reação dos republicanos foi a pior possível. A ala mais radical do partido chegou a fazer pressão para que Quayle desistisse da nomeação, fato considerado absurdo na visão geral dos republicanos. Alguns críticos consideram que mesmo que Quayle tivesse feito um debate perfeito, apenas a frase de Bentsen seria suficiente para criar danos na campanha republicana. (BENOIT, 1999, p.133). De fato, a frase apenas comprometeu ainda mais uma exibição insegura e tímida de Quayle. Além de sofrer um “nocaute político” por Bentsen, Quayle também foi infeliz ao dizer que tinha um ótimo histórico de comprometimento ambiental, mesmo depois de o questionador citar o histórico de Quayle nas votações do Senado relacionadas a este assunto. O registro de Quayle nas questões ambientais, considerado ridículo por defender abertamente no começo da sua carreira política os interesses das indústrias, arrancou risadas da plateia. Os democratas, por outro lado, saíram com o espírito renovado. Durante o começo da campanha, Michael Dukakis pouco explorou a imagem de Bentsen, com o argumento de que “jamais um candidato à vice-presidente pode ofuscar um candidato a presidente”. Apesar de este argumento ser válido, logo na noite após o debate, mais de dois terços das propagandas democratas estampava a imagem de Bentsen. Além da célebre frase do Senador do Texas, as propagandas questionavam algumas considerações feitas por Dan Quayle ao longo de sua campanha, como por exemplo, a possível nomeação de Quayle para ser o líder da força tarefa para o combate às drogas, que na visão dos democratas, exigiria uma pessoa com vasta experiência na área. (BENOIT, 1999, p.95). 145 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador A campanha de 1988: considerações finais Pode-se apenas especular o quanto o “fator Quayle” prejudicou a campanha de George Bush em 1988. A ideia inicial de Bush apontava Dan Quayle como uma pessoa capaz de trazer os votos da juventude para os republicanos. A eleição ocorreu no dia 8 de novembro e os republicanos mantiveram a presidência, carregando 40 estados em quase 49 milhões de votos, contra 10 estados de Dukakis, além do distrito de Washington, e cerca de 42 milhões de votos, fazendo do resultado final, uma vitória de Bush por 426 votos eleitorais contra 111 dos democratas. “Senador, você não é Jack Kennedy”, virou uma frase de impacto nos Estados Unidos. Em 1992, Ronald Reagan disse: “Governador (Clinton), você não é Thomas Jefferson”. Obviamente, a frase não foi o suficiente para mudar o resultado da eleição, mas teve grande importância para as mudanças de estratégias empregadas pelos assessores de candidatos à presidência (WOODWARD, 1999, p. 167). Curiosamente, o debate vice-presidencial de 1988 foi o último que apresentou uma vantagem grande de um candidato sobre o outro. Os debates posteriores tornaram-se, na visão de Schoreder, mais profissionais, contando com o fato de que nenhum outro político queria repetir o desempenho desastroso de Quayle, sabendo que isto poderia custar preciosos votos para a eleição. Com isto, uma grande organização em torno dos candidatos foi feita, preparando-os para o pior. Bush e Quayle assumiriam a presidência e vice-presidência, respectivamente, em 20 de janeiro de 1989. Em 1992, perderiam a eleição para a chapa democrata composta por Bill Clinton e Al Gore Jr. O ano de 1992 também marcou o fim da carreira política de Quayle, que, apesar de ter tentado concorrer à presidência em 2000, nunca mais teve apoio do Partido Republicano para qualquer cargo, muito devido à visão negativa que Quayle herdou durante seu período como vice-presidente. Referências BAUMGARTNER, Jody. The American vice presidency reconsidered. Westport: Praeger Publishers, 2006. BENOIT, William. Seeing spots. Westport: Greenwood Publishing Group, 1999. BIRDSELL, David. Presidential debates: The Challenge of Creating an Informed Electorate. Oxford: OUP, 1990. DAILEY, William. Politeness in presidential debates: shaping political face in campaign debates from 1960 to 2004. Lanham: Rowman & Littlefield, 2008. DOLAN, Frederic. Rhetorical republic. Boston: UMP, 1993. GERMOND, Jack. Whose Broad Stripes and Bright Stars?: The Trivial Pursuit of the Presidency 1988. Nova York: Warner Books, 1989. KRAUS, Sidney. Televised presidential debates and public policy. Londres: Routledge, 2000. 146 Revista Historiador Número 05. Ano 05. Dezembro de 2012 Disponível em: http://www.historialivre.com/revistahistoriador MAISEL, Louis. Parties and Elections in America. Lanham: Rowman & Littlefield, 2009. MINOW, Newton. Inside the Presidential Debates: their improbable past and promising future. Chicago: UCP, 2008. QUAYLE, Dan. Standing Firm: A Vice-Presidential Memoir. Nova York: HarperCollins, 1994. ROSE, Gary. Controversial issues in presidential selection. Nova York: Suny Press, 1994. RUNKEL, David. Campaign for President: the managers look at '88. Westport: Greenwood Publishing Group, 1989. SCHROEDER, Alan. Presidential Debates: fifty years of high-risk TV. Nova York: Columbia University Press, 2008. SAFIRE, William. Safire's Political Dictionary. Oxford: Oxford University Press, 2008. TRUMAN, Joseph. Political Communication in American Campaigns. Boston: SAGE, 2008. WITCOVER, Jules. Crapshoot: rolling the dice on the vice presidency. Nova York: Crown Publishers, 1992. WOODWARD, Bob. Shadow: Five Presidents and The Legacy Of Watergate. Nova York: Simon and Schuster, 1999. 147