Pró-Reitoria de Graduação Curso de Comunicação Social Trabalho de Conclusão de Curso Pró-Reitoria de Graduação Curso de Comunicação Social Trabalho de Conclusão de Curso MESPE Manual de Eventos Sustentáveis para Pequenos Empreendedores Autora: Thalita Pereira Mattos Orientador: Prof.ª Dr.ª Sheila Costa Oliveira utora: Thalita Pereira Mattos ientador: Prof.ª Dr.ª Sheila Costa Oliveira Brasília - DF 2013 1 Brasília - DF THALITA PEREIRA MATTOS MESPE - MANUAL DE EVENTOS SUSTENTÁVEIS PARA PEQUENOS EMPREENDEDORES Trabalho apresentado ao curso de Graduação de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Comunicação Social. Orientadora: Prof.ª. Dr.ª Sheila da Costa Oliveira. Brasília 2013 2 Trabalho de autoria de Thalita Pereira Mattos, intitulado “MESPE – MANUAL DE EVENTOS SUSTENTÁVEIS PARA PEQUENOS EMPREENDEDORES”, apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília, em 22 de junho de 2013, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada: __________________________________________________________ Prof.ª. Dra. Sheila da Costa Oliveira Orientadora _________________________________________________________ Prof. Dra. Karina Gomes Barbosa da Silva __________________________________________________________ Prof. Msc. Fernanda Vasques Ferreira Brasília 2013 3 Dedico este trabalho a todos que procuram trazer cada vez mais a sustentabilidade, não importando os seus limites, para a nossa realidade. A todos que buscam e aos que já encontraram na área de eventos um grande motivo para levar o diferencial até as pessoas. 4 AGRADECIMENTOS Ao Ser onisciente, onipresente e onipotente que fez com que eu descobrisse o meu talento e que nele eu poderia levar um pouco mais de felicidade às pessoas. Àquele que se tornou um anjo invisível e que me guia sempre, meu grande pai. Àquela que é eu anjo visível, pequena no tamanho e enorme de coração, minha grande mãe. À Professora Orientadora Sheila Costa pela sua dedicação, amor, paciência e puxões de orelha que teve comigo em todos os momentos. Ao Rodrigo Bacelar, Digão, grande amigo da vida que me acompanha desde os meus 12 anos e que, brincando e sorrindo me disse o que era necessário dizer. Obrigada pela sua amizade e pela sua contribuição nessa etapa da minha vida. À todos que direta ou indiretamente me apoiaram, me incentivaram e me deram forças para continuar. Meus sinceros agradecimentos. 5 RESUMO MATTOS, Thalita Pereira. MESPE - Manual de Eventos Sustentáveis para Pequenos Empreendedores. 2013. 50 páginas. Curso de Comunicação Social – Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2013. O presente trabalho consiste na elaboração de um manual de eventos sustentáveis, área que tem aumentado a demanda a cada dia que passa e que, apesar dessa grande demanda, possui poucas referências sobre o assunto. Para tanto, foram procuradas informações sobre o perfil do micro e pequeno empreendedor do Distrito Federal e realizadas pesquisas sobre os universos de empreendedorismo, eventos e sustentabilidade para que obtenção de dados e informações que viriam a compor o manual. O MESPE – Manual de Eventos Sustentáveis para Pequenos Empreendedores tem como objetivo auxiliar todos àqueles que buscam referências sobre eventos e que os pequenos empreendedores, principalmente os pequenos empreendedores do Distrito Federal. Palavras-chave: empreendedorismo, eventos, sustentabilidade, manual, pequeno empreendedor, planejamento. 6 ABSTRACT This work consists of the preparation of a manual of sustainable events, an area that has increased demand with every day that passes and that despite this huge demand, has few references on the subject. Thus, we sought information on the profile of the micro and small entrepreneurs in the Federal District and conducted research on the worlds of entrepreneurship, events and sustainability to obtain data and information that would compose the manual. The MESPE - Sustainable Events Guide for Small Entrepreneurs aims to assist all those who seek references about events and small entrepreneurs, especially small entrepreneurs of the Federal District. Key words: entrepreneurship, events, sustainability, manual, small entrepreneur, planning 7 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 10 1.1 JUSTIFICATIVA ..............................................................................................................10 1.2 PROBLEMÁTICA ............................................................................................................12 1.3 OBJETIVOS ....................................................................................................................15 1.3.1 Geral ........................................................................................................................15 1.3.2 Específicos .............................................................................................................15 1.4 2. PÚBLICO-ALVO..............................................................................................................15 EMPREENDEDORISMO .............................................................................................. 16 2.1 O QUE É EMPREENDEDORISMO? ............................................................................16 2.2 MICRO E PEQUENO EMPRESÁRIO: QUAL A DIFERENÇA? ......................................17 3. 4. 5. 2.3 O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL ......................................................................17 2.4 PERFIL DO EMPREENDEDOR NO DF .......................................................................19 2.5 POR QUE UM MANUAL? ..............................................................................................20 SUSTENTABILIDADE .................................................................................................. 20 3.1 O QUE É SUSTENTABILIDADE? .................................................................................20 3.2 ÂMBITOS/DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE ...................................................22 3.3 A SUSTENTABILIDADE NO BRASIL (IDS – IBGE)....................................................23 EVENTO ....................................................................................................................... 25 4.1 O QUE É EVENTO? .......................................................................................................25 4.2 CLASSIFICAÇÃO ...........................................................................................................26 4.3 TIPOS DE EVENTO .......................................................................................................28 4.4 NÚCLEO COMUM DOS EVENTOS .............................................................................29 4.5 SUSTENTABILIDADE EM EVENTOS ..........................................................................29 4.5.1 Sustentabilidade Ambiental ................................................................................29 4.5.2 Sustentabilidade Econômica ..............................................................................30 4.5.3 Sustentabilidade Organizacional .......................................................................30 4.5.4 Sustentabilidade Social .......................................................................................31 4.5.5 Sustentabilidade Mercadológica ........................................................................31 MANUAL ...................................................................................................................... 31 8 5.1 CONCEITO......................................................................................................................31 5.2 TIPOS ..............................................................................................................................32 5.3 MODELOS .......................................................................................................................32 5.4 VANTAGENS DE UM MANUAL ....................................................................................32 5.5 RISCOS E INCONVENIENTES DE MANUAIS ATUALMENTE DISPONÍVEIS........33 5.6 DESCRIÇÃO DO MODO COMO ESSE MANUAL FOI MONTADO ..........................34 5.7 DESCRIÇÃO TÉCNICA DO DOCUMENTO ................................................................34 5.8 POSSÍVEIS MODOS DE DIVULGAÇÃO .....................................................................34 6. O PROJETO GRÁFICO ............................................................................................... 35 7. DIÁRIO DE BORDO ..................................................................................................... 35 8. CONCLUSÃO............................................................................................................... 41 9. REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 42 10. APÊNDICE ................................................................................................................... 44 9 1. INTRODUÇÃO Eventos são acontecimentos que reúnem pessoas que possuem objetivos em comum. A crescente demanda pelos eventos tem feito com que as pessoas procurem referências a respeito do assunto, porém, apesar da grande procura, ainda são poucas as fontes de informação, principalmente no que diz respeito aos eventos sustentáveis. Todo evento busca atrair a atenção do público – seja ela uma ideia, um novo produto, um reforço de marca – através de ações que se bem planejadas e executadas, irão trazer resultados positivos à empresa. Porém cada evento possui sua característica, podemos dizer que são únicos. Eles são diferentes pelo públicoalvo, objetivos, abrangência, etc. Por isso é importante saber qual o tipo de evento será feito para poder tomar as várias outras decisões. O MESPE – Manual de Eventos Sustentáveis para Pequenos Empreendedores tem como objetivo auxiliar todos àqueles que buscam referências sobre eventos e que os pequenos empreendedores, principalmente os pequenos empreendedores do Distrito Federal. 1.1 JUSTIFICATIVA Criar e transformar ideias em eventos não é uma tarefa simples. É necessário ter paciência e bastante organização já que cada evento possui sua própria característica. Um evento, se bem organizado, pode trazer grandes benefícios para um empreendimento independente do seu porte e os profissionais da área de relações públicas já tem ciência desse potencial. Porém, atualmente é bastante comum que profissionais de áreas como recursos humanos, marketing, hotelaria, turismo e vários outras, busquem referências, uma vez que perceberam que seus empreendimentos podem ser realizados através dos eventos e que isso pode agregar valores ao seu negócio. Em pleno século XXI ainda enfrentamos a falta de referências no segmento de eventos, mesmo existindo cursos voltados para esse campo em várias 10 instituições de ensino. É ainda mais escassa quando o assunto é evento sustentável. São poucos os livros e alguns poucos sites que se dedicam ao tema. Os eventos sustentáveis tendem a crescer a cada dia que passa, já que as pessoas estão se tornando mais conscientes sobre a realidade que as cercam, principalmente por meio das consequências das catástrofes ambientais, causadas por ações humanas insustentáveis, que afetam as nossas vidas direta ou indiretamente. Essa percepção faz com que consumidores procurem por produtos e/ou serviços sustentáveis, forçando as empresas a alterarem ou mudarem os seus processos rapidamente. Caso contrário, correm o enorme risco de verem suas vendas e lucros caírem rapidamente. Pequenos empreendedores também já começaram a perceber essa necessidade, tanto através da melhora do desempenho do trabalho de seus funcionários, a partir do momento que a sustentabilidade organizacional é aplicada, quanto através da redução de custos em curto, médio e longo prazo, quando a sustentabilidade ambiental é aplicada por meio de ações como reciclagem de papeis, alumínio e outros materiais que podem ter retorno financeiro (algumas cooperativas compram esses materiais) e de economia de energia, com o uso de lâmpadas brancas ou de LED. Isso significa que eles estão procurando melhorar o próprio negócio. Além desse panorama, a vontade pessoal de trabalhar na área de eventos, universo com que comecei a ter contato com aproximadamente 15 anos, cresceu. Ali iniciou a percepção de que, através dos eventos, poderia levar - e deixar - algo novo e construtivo na vida das pessoas. Procurando por referências e agrupada com a necessidade que senti de trabalhar com a sustentabilidade, percebi a carência desse tipo de material e procurei viabilizar o desenvolvimento de um material sobre o tema para esses empreendedores. 11 1.2 PROBLEMÁTICA A finalidade do MESPE é ser um diferencial dentro do universo dos manuais e dos eventos, sendo que seu foco principal é ser um facilitador para as práticas sustentáveis na área dos eventos, desde a sustentabilidade ambiental até a sustentabilidade organizacional. Através das experiências frequentes que temos com manuais, observamos que: • a linguagem é quase sempre muito complicada; • a leitura se torna “chata” e cansativa; • por diversas vezes notamos que as instruções são confusas; • o formato do manual não auxilia (vem muito dobrado); • leitura. por vezes o tamanho da fonte utilizada é muito pequena e dificulta a Com essa análise, é notável que na maioria dos casos os manuais não cumprem seu papel fundamental: dar informações específica a respeito de eventos sustentáveis de forma clara e objetiva, de maneira que tenha um resultado positivo ao final. A ideia de criar um Manual de Eventos Sustentáveis para Micro e Pequenos Empresários é um diferencial nesse tipo de material e surgiu da necessidade de orientar as pessoas, principalmente empreendedores, a executar esse tipo de evento além de desmistificar a existência da sustentabilidade somente no que refere a ecologia. Assim, para abordar de maneira eficiente este assunto, realizamos pesquisas sobre o Perfil do Empreendedor no Distrito Federal juntamente com a referências sobre o desenvolvimento sustentável do país e os principais elementos para planejar e executar um evento. Segundo o Sebrae, em estudo em parceria com o Instituto Fecomércio no ano de 2009, no Distrito Federal a maioria dos micro e pequenos empreendedores são mulheres (52,4%), com idade media abaixo dos 30 anos (36%). Além disso, desses empreendedores 37% cursou o ensino médio e 31,3% possuem renda de até dois 12 salários mínimos. Este perfil nos mostra a necessidade de elaborar um manual que tenha linguagem fácil para que cumpra o seu principal papel, o de orientar, já que a redação de manuais é extremamente polêmica e por várias vezes, trazem termos extremamente técnicos que dificultam a compreensão, acabando por gerar prejuízos ao final do processo. O desenvolvimento sustentável do Brasil foi traçado pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia Desenvolvimento “disponibilizar um e Estatística Sustentável: sistema Brasil de - 2010 informações na que publicação tem para o como Indicadores objetivo de geral acompanhamento da sustentabilidade do padrão de desenvolvimento do país” (2010, pág. 9). Neste estudo, foram analisados mais de 50 aspectos (como emissão de gases, taxa de crescimento da população, PIB, gastos com pesquisas e desenvolvimento, etc.) que são ligados direta ou indiretamente ao desenvolvimento sustentável do país e que foram agrupados em quatro grandes grupos: ambiental, social, econômico e institucional. Os elementos abordados neste manual serão os necessários para que um evento sustentável tenha sucesso, tais como: quais os tipos de eventos, o que deve ser feito antes (planejamento e organização), durante (execução) e depois de um evento (avaliação/replanejamento). Segundo Calaça, um evento pode ser entendido como sendo um acontecimento, previamente planejado, visando atingir resultados definidos junto ao seu público alvo. (2003, p. 10). A proposta aqui é instruir o empreendedor de maneira fácil sobre cada etapa do processo de produção de um evento para que, ao final, ele traga resultados positivos para seu empreendimento seja em aumento de vendas, maior fidelização, conscientização dos seus clientes, etc. Além disso, duas eram as propostas iniciais no que diz respeito ao formato final do manual. Qual atingiria melhor o objetivo? O material digital ou o material impresso? Foi feita então uma Análise SWOT - Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças) - onde foram detectados os pontos fontes e fracos de cada tipo de material, conforme tabela abaixo: 13 Manual Digital Forças Fraquezas Menor custo; Sem gasto de material gráfico: tinta, papel, energia, água, etc. Maior acessibilidade na internet; Inversão do fluxo de pesquisa: primeiro na internet, depois nos livros. Oportunidades Falta de acesso por parte de alguns empreendedores (não possuem este hábito por algum motivo); Perda da sensação física: compra, manuseio, cheiro, etc. Ameaças Rápida difusão da informação; Publicar profissionalmente. Direitos autorais. Manual Impresso Forças Maior acessibilidade; Maior visibilidade. Fraquezas Maior custo; Gasto de material gráfico: tinta, papel, energia, água, etc. Maior impacto ambiental. Oportunidades Divulgar o trabalho; O mercado necessita de algo para orientar pequenos empresários; Colocar em prática os conhecimentos adquiridos durante o curso; Realizar contato com fundos de apoio. Ameaças Inversão do fluxo de pesquisa: primeiro na internet, depois nos livros. 14 A conclusão após ambas as análises é de que a publicação do material impresso nos apresenta menor risco, já que possibilita maior aplicação dos conceitos aprendidos durante o curso e que, além de ter maior visibilidade, atende ao empreendedor no que diz respeito à acessibilidade. 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Geral Confeccionar um Manual de Eventos Sustentáveis para Pequenos Empreendedores - MESPE - buscando atender às necessidades do público-alvo, micro e pequenos empresários do Distrito Federal, viabilizando assim a realização de eventos sustentáveis (sejam de cunho social, ecológico, organizacional e etc.), de uma forma simplificada e eficaz, fornecendo para as mesmas diretrizes ou princípios de como estruturar seus eventos de modo sustentável. O MESPE será feito não apenas como objeto de estudo, mas também com a pretensão de futuras publicações e distribuição em livrarias, sindicatos e empresas. 1.3.2 Específicos • Preencher uma lacuna informacional a respeito da realização de eventos sustentáveis; • Mostrar que a sustentabilidade vai além do aspecto ambiental e que também existem formas de aplicar tal sustentabilidade nos eventos, sem deixar de lado a criatividade, o bem-estar e o aspecto econômico; • Viabilizar a realização de eventos sustentáveis por parte dos micros e pequenos empreendedores buscando alternativas que supram suas necessidades. 1.4 PÚBLICO-ALVO Este material é destinado a empreendedores, principalmente micro e pequenos empresários, do Distrito Federal que tenham interesse em realizar eventos preferencialmente sustentáveis, nas suas principais dimensões. 15 2. EMPREENDEDORISMO 2.1 O QUE É EMPREENDEDORISMO? O mundo muda a todo instante e essas transformações ocorrem em curtos espaços de tempo, principalmente no século XX, onde grande parte das invenções criadas mudaram radicalmente o estilo de vida das pessoas. Invenções essas feitas por pessoas que arriscam, questionam, querem algo diferente. Enfim, são visionárias e empreendem, são empreendedores. Segundo Pombo (2003), empreendedor é um realizador que produz novas ideias através da congruência entre criatividade e imaginação. Em geral é motivado pela autorrealização e pelo forte desejo de assumir responsabilidades e de ser, principalmente, independente. Empreendedor é, enfim, aquela pessoa que pensa sempre à frente, imagina antes das demais pessoas e parte para ação fazendo com que esse sonho se torne realidade. Alguns conceitos administrativos predominaram no século passado, consequência dos contextos culturais, sociopolíticos, culturais, etc. Segundo a evolução histórica das teorias administrativas no início do século, até a década de 20, foi o movimento de racionalização do trabalho; na década de 1930, o movimento de relações humanas. O movimento do funcionalismo estrutural predominou as décadas de 1940 e 1950; na década de 1960, o movimento dos sistemas abertos; na década de 1970 e 1980, o movimento das contingências ambientais. Atualmente não há um movimento predominante, porém, tem se dado crédito ao empreendedorismo, mudando cada vez mais a maneira de fazer negócios no mundo atual. A função do empreendedor, que sempre foi fundamental, agora tem se intensificado por conta do grande avanço tecnológico e se faz necessário um grande número de empreendedores, inclusive para sustentar a outros empreendedores. E então, o que vem a ser empreendedorismo? A palavra “empreender” tem origem no latim imprehendere e é definida pelo Dicionário Michaelis como a ação de tentar e iniciar algo, de pôr em execução, de realizar. Já a palavra empreendedorismo tem origem da tradução livre da palavra da língua inglesa entrepreneurship. Empreender nos transporta à ação de quem “faz acontecer”, que utiliza suas habilidades a fim de realizar algo que tenha valor para a sociedade e, 16 principalmente, para si. Fernando Dolabela, um dos maiores percursores do empreendedorismo no Brasil, apud Mariano e Mayer (2008, p.66), diz que: “há muitas definições do termo empreendedor, principalmente porque são propostas por pesquisadores de diferentes campos, que utilizam os princípios de suas próprias áreas de interesse para construir o conceito. (...) os economistas, associarmos empreendedor à inovação, e os comportamentalistas, que enfatizam aspectos atitudinais, com a criatividade e a intuição.” Podemos então dizer que empreendedorismo é o envolvimento simultâneo de pessoas e processos que transforma ideias em oportunidades. Essas oportunidades, quando são implantadas de maneira correta, geram negócios bem sucedidos. 2.2 MICRO E PEQUENO EMPRESÁRIO: QUAL A DIFERENÇA? A Lei Geral para Micro e Pequenas Empresas, de dezembro de 2006, diz que são consideradas microempresas aquelas que possuem faturamento máximo de R$ 240.000,01, e pequenas empresas as que faturam entre R$ 240.000,01 a R$ 2,4 milhões anuais. Dentro desses parâmetros, as empresas tendem a ter vantagens fiscais como a inclusão no Super Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), desde que não exerçam nenhuma atividade que seja impedida de participar do regime e atendam os requisitos previstos na lei LC 123/2006, de 14.12.2006. 2.3 O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL No Brasil, somente a partir dessa década 90, quando a SOFTEX e o Sebrae foram finalmente criados, é que o empreendedorismo começou a ter forma. Antes de 1990, empreendedorismo e criação de empresas não eram assuntos tão falados. Além disso, tanto a economia quanto a política do país não eram propícias para a atividade e a pessoa interessada (empreendedor) quase não encontrava informações que a ajudariam durante a caminhada. Mas isso não significa que não existiam empreendedores, pelo contrário, existiram muitos visionários que atuaram dentro de um cenário escuro, fazendo o seu melhor. 17 Com a entrada da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e da Lei do Microempreendedor Individual, em 2007 e em 2008 respectivamente, o empreendedorismo ganhou mais força e destaque. Hoje, sabemos que o Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos no que diz respeito aos pequenos empresários brasileiros, oferecendo-lhes suporte para iniciar a empresa além das consultorias que auxiliam na solução de problemas nos negócios. Este órgão tem implantado a cultura do empreendedorismo em universidades com o projeto Desafio SEBRAE, que objetiva a criação e administração de uma empresa virtual. A SOFTEX foi criada para ampliar o mercado das empresas de software através da exportação e incentivar a produção nacional por meio de projetos que capacitavam empresários de informática em gestão e tecnologia dos empresários de informática. A partir de programas criados junto a incubadoras, universidades e cursos de das várias áreas da informática, foi possível popularizar no país termo como plano de negócios, o business plan, antes ignorados pelos empresários. Mesmo com pouco tempo, o Brasil mostra que pode e mostra ações que objetivam desenvolver um dos maiores programas de ensino de empreendedorismo. Como exemplo, Dornellas (2008) cita: a. Programas SOFTEX e Genesis (Geração de Novas Empresas de Software, Informação e Serviços), criados na década de 90 e que apoiavam atividades de empreendedorismo, estimulando o ensino da disciplina nos cursos juntamente com a geração de start-ups, as novas empresas de software. b. Programa Brasil Empreendedor do Governo Federal que visava capacitar mais de 6 milhões de empreendedores em todo o Brasil. Este programa investiu 8 bilhões de reais e vigorou de 1999 a 2002. c. Programas como Empretec e Jovem Empreendedor do Sebrae, direcionados à capacitação do empreendedor e que são os mais procurados. d. Cursos e programas criados nas universidades para ensinar o empreendedorismo, como no estado de Santa Catarina com o programa Engenheiro Empreendedor. Além do programa Ensino Universitário de Empreendedorismo da CNI (Confederação Nacional das Indústrias) e do IEL 18 (Instituto Euvaldo Lodi) que visa difundir o empreendedorismo no ensino superior de todo o país, em mais de 200 instituições. e. E enfim, o enorme crescimento do movimento de incubadoras de empresas no Brasil. Dados da ANPROTEC (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas) nos informam de haviam mais de 400 incubadoras ativas no país no final de 2008. No relatório executivo do GEM (Global Entrepreneurship Monitor) de 2010, a cada 100 pessoas, aproximadamente 18 desenvolviam alguma atividade empreendedora no Brasil, isto é, havia mais de 21,1 milhões de pessoas envolvidas na criação e/ou no desenvolvimento de novos negócios, a maior taxa desde que a pesquisa GEM começou a ser realizada no país. Foi observado que ocorreu um aumento das diferentes Taxas de Empreendedores: novos, nascentes ou estabelecidos e, além disso, a Taxa de Empreendedores por Necessidade diminuiu, caindo de 5,9% para 5,4% principalmente por conta da economia que vem crescendo a cada ano com base no mercado interno, a expressiva expansão do emprego, formal no Brasil e da diminuição da Taxa de Desocupação da população economicamente ativa das principais regiões metropolitanas a níveis historicamente reduzidos. Esses mesmos fatores também explicam a Taxa de Empreendedores por Oportunidade, que aumentou em todas as faixas de níveis de escolaridade. Apesar disso e das condições macroeconômicas estarem favorecendo o empreendedorismo no Brasil se faz necessário que as políticas de apoio, infraestrutura e capital formal para os negócios evoluam já que as altas taxas de empreendedorismo brasileiro se devem muito mais ao ambiente social e cultural do que às condições favoráveis para empreender. 2.4 PERFIL DO EMPREENDEDOR NO DF Segundo o SEBRAE, em estudo em parceria com o Instituto FECOMÉRCIO no ano de 2009, no Distrito Federal a maioria dos micro e pequenos empreendedores são mulheres (52,4%), com idade media abaixo dos 30 anos 19 (36%). Além disso, desses empreendedores 37% cursaram o ensino médio e 31,3% possuem renda de até dois salários mínimos. Este perfil nos mostra a necessidade de elaborar um manual que tenha linguagem fácil para que cumpra o seu principal papel, o de orientar, já que a redação de manuais é extremamente polêmica e por várias vezes, trazem termos extremamente técnicos que dificultam a compreensão, acabando por gerar prejuízos ao final do processo. 2.5 POR QUE UM MANUAL? A ideia de criar um Manual de Eventos Sustentáveis é um diferencial nesse tipo de material e surgiu da necessidade de orientar as pessoas, principalmente pequenos empreendedores, a executar esse tipo de evento, além de desmistificar a existência da sustentabilidade somente no que refere à ecologia. Assim, para abordar de maneira eficiente este assunto, realizamos pesquisas sobre o Perfil do Empreendedor no Distrito Federal, juntamente com as referências sobre o desenvolvimento sustentável do país e os principais elementos para planejar e executar um evento. 3. SUSTENTABILIDADE 3.1 O QUE É SUSTENTABILIDADE? Atualmente, muito tem se falado em sustentabilidade no âmbito eco ambiental, ou seja, em ações que visam trazer menos impacto ao meio ambiente de forma que este mantenha o equilíbrio – esgotado pelo ser humano – sem a interferência de outros. Porém a sustentabilidade possui outros campos. Segundo o Minidicionário da Língua Portuguesa Silveira Bueno (2000), sustentabilidade é algo que tem a qualidade de ser sustentável. Para Cabrera (2009), “trata-se de um conceito sistêmico, ou seja, ele correlaciona e integra de forma organizada os aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade. A palavra-chave é continuidade — como essas vertentes podem se manter em equilíbrio ao longo do tempo.” 20 A primeira pessoa a utilizar o termo “sustentabilidade” foi a norueguesa Gro Brundtland, ex-primeira ministra da Noruega, em 1987 quando presidente da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, da ONU – Organização das Nações Unidas. Nesse ano, Gro publicou o Relatório, o documento intitulado Nosso Futuro Comum (Our Common Future) onde o conceito de sustentabilidade é “…o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.” Dentre as medidas propostas, estão: Limitação do crescimento populacional; Garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) em longo prazo; Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas; Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis; Aumento da produção industrial nos países não-industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas; Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades menores; Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia). O Relatório critica o modelo de desenvolvimento adotado por países industrializados e que é reproduzido por países em desenvolvimento. Além disso, mostra a incompatibilidade entre desenvolvimento sustentável e os padrões de produção e consumos vigentes. O conceito de sustentabilidade é muito maior do que o simples fato de explicar a realidade, uma vez que se faz necessárias aplicações práticas. É necessária uma análise profunda do passando, presente e futuro para aprofundar no conceito. A sustentabilidade é assim, multidimensional. Possui interdependências entre as dimensões e compõe o sistema no qual o ser humano está inserido. 21 3.2 ÂMBITOS/DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE Para algumas pessoas, muitas vezes o termo sustentabilidade muitas vezes remete a conceitos puramente econômicos. Já para outras, remete somente a conceitos ecológicos. Porém é muito mais que isso: reflete a habilidade que as pessoas tem se se manter sem comprometerem existência e a permanência de outras pessoas. Segundo a ONU - Organização das Nações Unidas - são quatro dimensões para atuação sustentável: • Dimensão Social – Diz respeito à diversidade, empoderamento de grupos populacionais anteriormente excluídos socialmente, incentivo à resolução pacífica de conflitos e convivência saudável tanto na família e quanto sociedade. • Dimensão Econômica – Aborda o equacionamento dos recursos naturais investidos na produção de bens e serviços visando a sustentabilidade econômica, além da justiça no acesso ao sustento familiar e pessoal e economia solidária e responsável. • Dimensão Ecológica – Analisa a relação do homem com a natureza, verificando formas de mitigar ou acabar com o impacto decorrente da relação e repensar as estruturas e iniciativas que reforçam e representam a mútua dependência. • Visão de Mundo – Também é chamada de visão holística e faz referência à relação do homem consigo mesmo, a espiritualidade que mantém, as relações que estabelece com outros seres vivos juntamente com a demonstração a ética e a responsabilidade que deve existir nas ações. Ser sustentável então é pensar e agir de maneira que os impactos nessas 4 dimensões sejam o menor possível. Segundo Mendes, Sachs acrescenta a estas mais três dimensões: 22 Sustentabilidade espacial ou territorial - busca de equilíbrio na configuração rural-urbana e melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e atividades econômicas; melhorias no ambiente urbano; superação das disparidades inter-regionais e elaboração de estratégias ambientalmente seguras para áreas ecologicamente frágeis a fim de garantir a conservação da biodiversidade e do ecodesenvolvimento. Sustentabilidade cultural - respeito à cultura de cada local; garantindo continuidade e equilíbrio entre a tradição e a inovação. Sustentabilidade política - no âmbito nacional baseia-se na democracia, apropriação universal dos direitos humanos; desenvolvimento da capacidade do Estado para implementar o projeto nacional em parceria com empreendedores e em coesão social. No aspecto internacional tem sua eficácia na prevenção de guerras, na garantia da paz e na promoção da cooperação internacional e na aplicação do princípio da precaução na gestão do meio ambiente e dos recursos naturais; prevenção da biodiversidade e da diversidade cultural; gestão do patrimônio global como herança da humanidade; cooperação científica e tecnológica internacional. Por fim, a dimensão psicológica é incorporada ao estudo devido a relacionar o ser humano às dimensões culturais, sociais, políticas e econômicas. 3.3 A SUSTENTABILIDADE NO BRASIL (IDS – IBGE) No Brasil, a palavra tem ganhado mais força a cada dia. Em setembro de 2010, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – publicou o estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, o IDS 2010, onde foram analisados mais de 50 aspectos (como emissão de gases, taxa de crescimento da população, PIB, gastos com pesquisas e desenvolvimentos, etc.) que são ligados direta ou indiretamente ao desenvolvimento sustentável do país e que foram organizados em 4 grandes grupos: ambiental, social, econômico e institucional. 23 Na Dimensão Ambiental, em questões referentes a ar, terra, água, biodiversidade e saneamento, a conclusão foi de que, mesmo que os avanços tenham dado largos passos em algumas áreas e estabilizados em outras tantas, vários são os desafios a serem superados no Brasil, principalmente no que diz respeito a degradação dos ecossistemas e perda da biodiversidade. No que diz respeito a qualidade do ar, apesar da poluição atmosférica ter estabelecido nas grandes cidades, a concentração de ozônio aumentou, o que aumenta significativamente o risco de câncer e cegueira entre a população. No grupo denominado Dimensão Social foram analisadas questões relacionadas à satisfação das necessidades humanas, melhoria de qualidade de vida e justiça social, que avaliaram setores como trabalho, saúde, educação e segurança. Entre as conclusões, podemos citar: maior redução nas desigualdades de gênero, do que nas de cor e raça; queda da mortalidade infantil e aumento da esperança de vida, porém, um envelhecimento da população brasileira; condições de moradia inadequadas nos domicílios de 43% dos brasileiros e; 25,4 mortes por homicídio e 20,3 por acidente de transporte, a cada cem mil habitantes. Na Dimensão Econômica, foram avaliadas questões como Produto Interno Bruto per capita, grau de endividamento, participação de fontes renováveis na oferta de energia e, também, reciclagem. Foi concluído que nos últimos 15 anos PIB o per capita do país aumentou 21,7%; o grau de endividamento reduziu bastante; tanto a oferta quanto a distribuição de energia brasileira proveniente de fontes renováveis chega a quase 50%, em 2009 o consumo de energia anual de cada brasileiro chegou a 48,3 gigajoules – o segundo maior índice da história do país – e a eficiência energética do uso não aumentou; e mais de 90% das latas de alumínio produzidas hoje no Brasil são recicladas. Nos demais materiais, exceto embalagens longa vida (cartonadas e/ou tetrapak) os índices variam entre 45% e 55%, apresentando tendência estável ou crescente. Por último, temos a Dimensão Institucional, onde foram avaliados itens como existência de conselhos municipais de meio ambiente, gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) e acesso à internet. A conclusão foi de que, em relação aos conselhos, o aumento foi de, aproximadamente, 8% no período de 2001 a 2008. Os gastos com P&D refletem o grau de preocupação do país com o progresso científico 24 e tecnológico e tiveram um aumento de 0,7% no período compreendido entre 2000 e 2008. Isso significa um aumento de mais de 20 milhões. Já o acesso à internet teve um crescimento contínuo no mesmo período, saltando de 8,6% para 23,8%. O principal objetivo do IDS é disponibilizar um sistema de informações para o acompanhamento da sustentabilidade do padrão de desenvolvimento do País (IDS 2010). Visa também dar subsídios aos que possuem poder de decisão, aos estudiosos do tema e ao público em geral uma importante contribuição na avaliação sob como o país se desenvolve sob a ótica da sustentabilidade. 4. EVENTO 4.1 O QUE É EVENTO? Partindo do senso comum, evento é um fato que desperta ou não a atenção, podendo ou não ser notícia e, com isso, divulgar seu autor e seus participantes. Já no sentido profissional, trata-se de uma sequência estruturada de ações que visam a criar um clima de comemoração, celebração, lazer, aprendizado (Giácomo, 1993, p. 32). Também é considerado um instrumento misto de relações públicas criado com o objetivo de alterar a história da relação organização-público, conforme as necessidades observadas ao longo do tempo e que, se por acaso não acontecesse da forma certa, com a frequência necessária, essa relação poderia ser tonar problemática. Já segundo o minidicionário da língua portuguesa Aurélio (2001), evento é: o mesmo que acontecimento e sucesso. Portanto, evento tem como principal característica proporcionar o encontro das pessoas com uma finalidade específica (tema do evento) que justifique a sua realização. Segundo Zitta (2012, p. 23) “evento é um acontecimento onde se reúnem diversas pessoas com os mesmos objetivos e propósitos sobre uma atividade, tema ou assunto.” Também considera evento como reunião, onde as pessoas discutem Interesses comuns. Porém, Giácomo, ao mesmo tempo em que defende ser um componente do “mix de comunicação” também reforça que a atividade de eventos também é do 25 profissional de relações públicas. No primeiro argumento, a autora analisa o evento como o componente que tem como finalidade reduzir os esforços “fazendo uso da capacidade sinérgica da qual dispõe o poder expressivo, no intuito de engajar as pessoas numa ideia ou ação.” (1993, p. 45). Já em relação à atividade como poder do setor de relações públicas, afirma que o evento tem sido tratado, em suas dimensões teóricas e práticas, como uma realidade exclusiva da área e este fato possui estreita relação com a condição estratégica da comunicação que o profissional de relações públicas deve possuir. Segundo Maria Cecília Giacaglia (2006, p. 7): No Brasil o número de eventos é cada vez maior, com um registro de dia anual de 7% de acordo com a Associação Brasileira de Empresas Organizadoras de Eventos. De acordo com estudo realizado em 2002 pelo SEBRAE e pela Federação Brasileira dos Conventions & Visitors Bureaux, os eventos, que somam 330 mil por ano, geram negócios superiores a R$ 45 bilhões, o que representa 3,1% do PIB brasileiro. Os eventos estão atraindo um número casa vez maior de participações ou visitantes. Segundo o mesmo estudo, este número ultrapassa os 79,9 milhões de participações por ano. Além disso, Giacaglia afirma também que os eventos são úteis para todos e, por este motivo, se tornaram uma atividade em crescimento nas de empresas de pequeno, médio e grande porte e para todos os tipos de negócios seja varejo, atacado, indústrias, comércios, etc. . 4.2 CLASSIFICAÇÃO A classificação de um evento pode variar conforme os critérios que auxiliam na percepção das vantagens de cada um. São várias as classificações que foram adotadas para auxiliar em projetos e trabalhos em andamento. Dessa maneira, as classificações mais utilizadas são: Por área de interesse Artístico, científico, cultural, desportivo, educativo, folclórico, governamental, informativo, político, religioso, turismo de eventos, turismo de negócios, etc. 26 Por categoria e função estratégica É levada em consideração a função dentro do marketing e a sua finalidade. Público: é organizado por um órgão governamental (federal, estadual ou municipal). Privado: é organizado empresas de qualquer ramo da economia. Institucional: a finalidade é firmar, criar e/ou reforçar a imagem e o conceito da uma empresa, uma entidade, um governo ou uma pessoa. São organizados por empresas ou instituições. Promocional: objetiva a promoção de um produto ou serviço de uma empresa, uma entidade, um governo ou uma pessoa, através do apoio de marketing, com fins mercadológicos. Em relação ao público Eventos abertos: são eventos propostos a um público e podem ser por adesão - é aquele apresentado e sujeito a um segmento de público, que tem a opção de aderir mediante a inscrição gratuita e/ou pagamento de taxa de participação terminada - ou aberto em geral - atinge todas as classificações. Eventos fechados: Ocorrem dentro de situações específicas nas quais o público-alvo definido é convocado e/ou convidado a participar. Por abrangência Podem ser: locais, regionais, nacionais, mundiais ou internacionais. Por frequência Esporádicos: que acontecem entre intervalos irregulares. Permanentes: todo evento que ocorre periodicamente (mensal, semestral, anual, bienal, etc.). Únicos: característica de algumas tipologias, como lançamento de livros, noite de autógrafos. De oportunidade: ocorrem em época de grandes eventos internacionais ou de eventos marcantes da história ou tradição local, aproveitando seu 27 clima e sua divulgação como, por exemplo, eventos esportivos que acontecem nas escolas e clubes, aproveitando a Copa do Mundo. Dimensão (porte) Pequeno: até 200 participantes Médio: 200 a 600 participantes aproximadamente Grande: mais de 600 participantes Mega: milhares de participantes Âmbito Interno ou externo à instituição. 4.3 TIPOS DE EVENTO Almoço Aniversário Aula Magna Brainstorming Café da Manhã Casamento Chá da Tarde Coffee-Break Coletiva de Comício Competição Conclave Concurso Conferências Congresso Convenção Coquetel Curso Debate Desfile Dia-de-campo Encontros Exposição Exposição Feiras Festa Festival Formatura Fórum Happy-Hour Inauguração Jantar Jornada Lançamentos Mesa-Redonda Mostra Noite de Noivado Oficina Painel Posse Premiação Programa de Imprensa Autógrafos Palestras Visitas Rodada de Salão Sarau Semana Seminário Shows Simpósio Solenidade Vernissage Videoconferência Visita Workshop Negócios 28 4.4 NÚCLEO COMUM DOS EVENTOS Para que qualquer evento aconteça é necessária uma série de itens e organizações. No manual foi abordado o que é comum a todos os eventos, como: Recursos Equipe Energia Recursos humanos Geração de resíduos Água Transporte Alimentos e bebidas Juntamente com esses itens, foram abordados como o uso e a administração adequados podem reduzir os impactos ambiental, econômico, dentre outros. 4.5 SUSTENTABILIDADE EM EVENTOS 4.5.1 Sustentabilidade Ambiental A sustentabilidade ambiental busca a preservação do meio ambiente e garante o seu desenvolvimento. Para que isso aconteça, é necessário adotar medidas realistas por meio do uso inteligente dos recursos naturais. Em eventos, é necessário que todos os fornecedores e artigos produzidos, ou grande parte, façam o uso desses recursos renováveis e que procurem compensar o uso e/ou minimizar os impactos através, por exemplo, do consumo controlado da água, utilize fontes de energia limpas e renováveis (eólica, hidráulica, etc.), garanta o replantio dos recursos vegetais de florestas e matas (exemplo: empresas fornecedoras de papel para convites). Também é necessário que a organização faça a separação e reciclagem de resíduos sólidos. 29 4.5.2 Sustentabilidade Econômica No começo, imaginamos que sustentabilidade econômica está ligada somente ao financeiro. Mas é mais que isso. Sustentabilidade econômica é a capacidade de exploração que um ecossistema pode suportar de seus recursos naturais e leva em consideração aspectos como: • Análise de custo-benefício financeiro • Desenvolvimento da comunidade • Transparência e ética • Consumo consciente dos recursos naturais • Redução de resíduos e desperdícios • Conservação dos recursos • Criação de empregos locais • Utilização dos espaços gerados em benefício da comunidade • Regeneração e recuperação de áreas • Legado sustentável à comunidade local 4.5.3 Sustentabilidade Organizacional A quantidade de catástrofes relacionadas a questões ambientais, alteradas por conta do nosso comportamento e modo de vida, aumenta a cada dia e isso tem feito com que o ser humano repense a maneira como se relaciona com o meio ambiente e perceba que algo deve ser mudado. Todo esse processo criou uma grande pressão nas empresas e fez com que os consumidores passassem a exigir delas um novo comportamento tanto na produção quanto na prestação de serviços. Isso significa que elas tiveram sair da zona de conforto e criou a necessidade de mudarem ou adaptarem seus processos e formas de agir drástica e rapidamente. Caso contrário, suas vendas e lucros correriam o risco de cair rapidamente. A esse novo comportamento foi dado o nome de sustentabilidade organizacional - ou sustentabilidade empresarial - já que as 30 empresas tem que ir além dos limites contábeis (receita x lucro) e tem que melhorar a relação com a sociedade, preservando a sua transparência e a sua competência através da definição de um conjunto de práticas que demonstram o seu respeito e a sua preocupação com as condições do ambiente e da sociedade em que estão inseridas ou aonde atuam. 4.5.4 Sustentabilidade Social Sustentabilidade Social se refere a um conjunto de ações que visam melhorar a qualidade de vida da população, ações estas que devem diminuir as desigualdades sociais, ampliar os direitos e garantir acesso aos serviços (educação e saúde principalmente) que visam possibilitar as pessoas acesso pleno à cidadania. É também um dos mais importantes fatores para a mudança na sociedade e abrange a necessidade de recursos materiais e não-materiais, objetivando a igual distribuição de renda, de modo a melhorar substancialmente os direitos e as condições da população, assegurando a qualidade de vida e igualdade no acesso aos recursos e serviços sociais. 4.5.5 Sustentabilidade Mercadológica A sustentabilidade mercadológica diz respeito às vantagens, em termos de competitividade de mercado, que um empreendimento pode conseguir ao adotar medidas sustentáveis, interagindo positivamente com pessoas da empresa e da sociedade. Mas, mais que interagir positivamente, deve também preencher uma lacuna do mercado que não está sendo preenchida e atender à demanda que esse mercado solicita. Isto é, oferecer um serviço de qualidade às pessoas que o procuram. 5. MANUAL 5.1 CONCEITO Segundo o Minidicionário da Língua Portuguesa Silveira Bueno, manual é adj. de fácil manuseio; portátil; leve. s.m. livro pequeno; livro de instruções. 31 Ou seja, manual é um livro de instruções que deve ser de fácil manuseio, fácil leitura e compreensão para atingir o seu objetivo final: auxiliar as pessoas. 5.2 TIPOS Vários são os tipos de manual. Podem ser: Administrativo; De procedimentos/instruções; De identidade visual; Técnico; De boas práticas; De rotina; De instalação; De qualidade; De normas, etc. 5.3 MODELOS Existem manuais de instruções de equipamentos como notebooks, máquinas digitais, geladeiras, etc. Dentro dos Manuais de boas práticas, há os de manipulação de alimentos, de orientação para profissionais, de fabricação, entre outros. Um manual de identidade visual define a logomarca, tipografia e escala de cores de um negócio e mostra como esses elementos devem ser utilizados. 5.4 VANTAGENS DE UM MANUAL É mais fácil de compreender e manusear do que uma publicação técnica específica; É uma fonte de pesquisa e orientação para os funcionários e colaboradores; Possibilita crescimento e eficácia nos trabalhos realizados; 32 É uma maneira de restringir imprevistos inadequados que surgem das mais variadas formas; Aumenta a predisposição da equipe para assumir e compartilhar responsabilidades, uma vez que o que deve ser feito já esta estabelecido. 5.5 RISCOS E INCONVENIENTES DE MANUAIS ATUALMENTE DISPONÍVEIS Vários são os riscos de um manual se não forem observados alguns pontos: Um manual pode ser o ponto de partida para a solução de um problema, mas não é a solução de um problema por si mesmo. Quando mal produzido, traz prejuízos ao leitor em relação ao que deve ser feito, afetando a vida pessoal ou profissional do indivíduo que procura nele informações necessárias a um determinado resultado, ao mesmo tempo em que, se não for utilizado de forma adequada, perde o seu valor. Se forem muito sintéticos, não são muito úteis e se muito detalhados, tornam-se prolixos, além de brevemente poderem se tornar obsoletos. O uso pode se tornar difícil e prejudicado devido à redação deficiente, inadequada e pouco clara. Atualmente muitos são os manuais que não cumprem o seu papel - instruir o público-alvo adequadamente - pois são elaborados com linguagem extremamente técnica e confusa. Exemplo disso são alguns manuais de aparelho celular: as instruções são complicadas e as imagens ineficazes, fazendo com que o usuário procure outros meios de entender como se utiliza o aparelho. Ou seja, o manual não fez jus à proposta: informar de maneira fácil, clara e objetiva. 33 5.6 DESCRIÇÃO DO MODO COMO ESSE MANUAL FOI MONTADO Com a descoberta de que eu me identifico profissionalmente com a área de eventos, comecei a procurar por referências e senti falta de algo que fizesse referência à sustentabilidade em eventos. A partir dessa constatação, procurei reunir conteúdos sobre o assunto e identificar uma maneira fácil de levar esse tema às pessoas e donos de negócios menos instruídos com relação a ações de marketing, surgindo a ideia de construir um manual que transmitisse a ideia de que evento sustentável não é algo complicado e inatingível, como muitos pensam ser. É algo que traz muitos benefícios em curto, longo e médio prazo, tanto no que diz respeito aos recursos humanos e seu contexto mais amplo, quanto ao meio ambiente, ou seja, em todos os aspectos. Após análise, foi decidido por um manual impresso, mais acessível ao seu público-alvo principal, micro e pequenos empreendedores do Distrito Federal, com linguagem mais acessível e diagramação atraente. 5.7 DESCRIÇÃO TÉCNICA DO DOCUMENTO O presente manual será chamado MESPE – Manual de Eventos Sustentáveis para Pequenos Empreendedores – e é mais uma referência nesse vasto universo dos eventos. Confeccionado com aproximadamente 50 páginas, em papel pólen, linguagem clara e a boa diagramação, facilitará o entendimento do conteúdo pelo público-alvo. 5.8 POSSÍVEIS MODOS DE DIVULGAÇÃO O Manual será divulgado por meio impresso e em meio digital, para poder alcançar outras pessoas que também desejam saber um pouco mais sobre o assunto. Futuramente, a ideia é que também seja publicado em parceria com a CDL/DF – Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal e com o SEBRAE - 34 Agência de Apoio ao Empreendedor e Pequeno Empresário, a fim de alcançar ainda mais o público-alvo. 6. O PROJETO GRÁFICO 6.1 PAGINAÇÃO E T AMANHO Software Adobe InDesign Fontes: Franklin Gothic Medium, Minion Pro-Regular, Swiss 721 Bold Condensed BT, Swiss 721 Thin BT, Swiss 721 Lt BT Light, Swiss 721WGL4 BT Bold, Swiss 721 Hv BT Heavy. Tamanho: A5 - 148x210mm (fechado) Páginas: 50 Papel – Capa: Couché Fosco 230g/m² Papel – Miolo: Papel Pólen 80g/m² 4x4 Cores Acabamento: Canoa grampeado e refilado 6.2 SOBRE O PROJETO O manual foi projetado com cores e imagens que transmitem confiança e tranquilidade ao mesmo tempo em que remete a ligação entre empreendedorismo, eventos e sustentabilidade. Já as fontes utilizadas trazem leveza ao projeto e facilitam a leitura. Todo o projeto foi escrito com linguagem simples e diagramado de maneira que chame e prenda a atenção do leitor além de transmitr claramente a informação nele contida. 7. DIÁRIO DE BORDO O início foi mais ou menos assim: Tive contato com eventos desde cedo e aos 15 anos comecei a trabalhar com isso em eventos da igreja. Montar caravanas, ligar para as pessoas, receber pagamentos, negociar valor de ônibus, enfim, aprendi vários processos. Na faculdade escolhi Publicidade e Propaganda, mas por muito tempo me senti perdida ali. Fiquei sem saber onde eu realmente poderia trabalhar já que o tradicional formato de uma agência de publicidade nada tinha a ver comigo. Eu 35 simplesmente não me identificava e por muitas vezes pensei em mudar de curso Depois de um tempo de amadurecimento me dei conta de que tudo que gostava, desde o início, tinha um nome e chamava “evento”. Literalmente, eu estava o tempo todo trabalhando e gostava de fazer isso. Mas como eu poderia trabalhar com eventos e deixar algo de positivo para as pessoas ao mesmo tempo? Essa necessidade bateu a minha porta já que eu não queria partir somente para o lado consumista da história. Foi então que em meio a várias pesquisas e navegações internet a fora, percebi que poderia trabalhar com a sustentabilidade em eventos. Daí em diante, adicionada à ideia com a necessidade de construir um trabalho de conclusão de curso foi somente o primeiro passo de um grande caminho a ser percorrido que será contado a seguir. 7.1 II SEMESTRE DE 2011 Foi neste semestre que tive a disciplina Empreendedorismo em Comunicação. Apesar de vários contratempos pessoais, desânimos e dúvidas durante o caminho, foi uma das mais esclarecedoras para mim, principalmente por conta de todos os questionamentos que estavam passando pela minha cabeça. Por uma obra do destino ou acaso, a professora que administrava as aulas foi a mesma que hoje me orienta na monografia, a professora Sheila Costa. Dentre os trabalhos solicitados havia um plano de negócios. E lá vamos nós ler o Segredo de Luísa. Bom, se ela podia ia adiante com a goiabada, por que eu não poderia ir também com a ideia maluca de eventos sustentáveis? Na época conversamos, eu mais duas colegas, com a professora sobre a ideia de fazer um plano de negócios de uma empresa especializada em eventos sustentáveis. Sim, eu também já sabia do lado sustentável que ela tinha – ainda tem e com certeza manterá – mas fiquei muito mais feliz em perceber que tudo era o possível. Enfim criamos o plano de negócios da Sustenthare Eventos onde o público-alvo eram os adolescentes de Ensino Médio. Depois de pronto, mesmo que não tenha ficado tão interessante, fiquei com mais um pouco de esperança no que diz respeito a eventos sustentáveis. 36 7.2 I SEMESTRE DE 2012 Projeto Experimental I. Sim, esse pequeno nome me assustou. E agora?! Pensei em fazer um manual de eventos sustentáveis, convidei uma colega e ela topou a ideia. Mas como colocar tudo isso em um papel, como instruir outras pessoas sobre algo que eu estava bem por fora? Metemos a cara e seguimos. Muitas vezes, quase que literalmente, batemos a cara na parede. Escrevemos, escrevemos e no fim das contas não escrevemos praticamente nada do teria que ser avaliado. No meio do caminho, tivemos que conviver com problemas pessoais nada fáceis, principalmente para ela. Mas fomos em frente. Durante o processo de definição, eis que surge a questão: estamos fazendo um manual. Será impresso ou digital? Isso dependeria do público-alvo. Foi quando nos demos conta de que isso não estava tão definido assim. Havíamos pensado nos pequenos empreendedores, mas como não tínhamos dados concretos, fomos atrás para que isso fosse uma fonte de informação e justificativa do formato. Conseguimos ajeitar tudo, escrever e montar o Manual Descritivo. Nele continha Análise SWOT, cronograma, orçamentos de gráficas, enfim. Itens que seriam necessários para a conclusão de todo o projeto. No dia da apresentação, apesar de já me terem dito que era algo tranquilo, fiquei com bastante receio. “Será que daria certo? Reprovadas? Ái meu Deus do céu!” Foi assim que entrei na sala no dia da banca. Durante a apresentação, confesso que tremia por dentro igual uma vara verde. Mas passou. Nos foram passadas várias dicas, ajustes. Ufa...graças a Deus, tudo certo! Vamos lá para o Projeto Experimental II. 7.3 II SEMESTRE DE 2012 Início do Projeto Experimental II. Logo no começo tivemos que definir o Sumário do Manual. Quais e como seriam os assuntos a serem abordados, a ordem, quantidade de páginas, etc. O prazo estabelecido para entregar tudo pronto, produto e memorial, era no mês de novembro. Escrevemos mas desencontramos nas informações. Chegamos em outubro e, por um ruído na comunicação, não conseguimos fazer tudo como tinha que ser feito. Mais precisamente, esse ruído ocorreu do lado 37 das alunas para a orientadora, e não ao contrário. Pensamos que tínhamos entendido tudo no início. O desânimo tinha batido na nossa porta juntamente com o rugir do tempo. A essa altura do campeonato, fomos conversar com a professora orientadora e desistimos. Além de alguns desentendimentos com minha colega, não era o objetivo que o produto ficasse mal feito e isso iria acontecer caso fizéssemos às pressas. Formalizada a desistência, deixamos para concluir no próximo semestre. 7.4 I SEMESTRE DE 2013 Na primeira reunião com a professora, decidimos por separação da dupla. Além dos desentendimentos, eu estava começando uma nova etapa da minha vida e realmente iria ficar complicado reunirmos o tempo todo. Sozinha, iria no meu ritmo – lógico que dentro das necessidades – fazendo o que era necessário. No mês de março não consegui encontrar com a professora. Nos falávamos por e-mail. Em abril tivemos uma reunião e eis que o desespero bate a minha porta mais uma vez. Era pouco tempo para entregar tudo pronto! Até o fim de abril teria que entregar os sumários do manual e do memorial. Até meados de maio, o conteúdo completo e revisado para a diagramação ser feita. Até dia 12 de junho, tudo entregue na direção. A vontade de desistir veio à tona. Tive uma grande sensação de incapacidade mas mesmo assim insisti. Como meu estágio era à tarde, eu chegava de lá, descansava um pouco e ia escrever, pesquisar, coletar informações e aloca-las no projeto. Em vários momentos que escrevia senti dificuldade de adaptar palavras e escrever de forma simples e clara para que o manual atingisse o público-alvo principal: micro e pequenos empreendedores do Distrito Federal e isso me exigiu mais tempo ainda. Bom, eu ia dormir mesmo por volta das 4h da madrugada. Acordava 11h, me arrumava e ia para o estágio que, apesar do nome e de ser 6h somente, por muitas vezes exigiu muito de mim. Muito trabalho a fazer e problemas a resolver. Tive que aprender a separar mais ainda as coisas e a coordenar o tempo para que havendo prejuízos, fossem os menores possíveis. Porém chegou um momento que o cansaço mental não queria me deixar ir adiante. Parecia que não iria 38 sair nunca daquela situação já que tinha mais de um ano que estava trabalhando com todo o projeto. Novamente insisti. Trabalhei com o psicológico “é só mais hoje”. Enfim com tudo escrito, encaminhei para a revisão no dia 20/05. E a angústia? Faltavam 20 dias praticamente para revisão, diagramação, impressão e entrega. Uma semana depois a professora me retornou com a revisão por e-mail. Fiz as alterações, marquei as ideias no documento e encaminhei. Ufa...que alívio viu. Diagramação feita, encaminhei para a professora revisar novamente. Fui apanhar a revisão na Católica e cheguei em casa muito cansada. O planejamento era dormir e acordar mais cedo para fazer as alterações e encaminhar para o Rodrigo – meu amigo e designer. Deitei e... não consegui dormir. Comecei a sonhar com as correções de tal maneira que tive que me levantar, fazer e encaminhar para ele. E vou dizer, é muito bom ver um produto, poder olhar, montar as ideias, ver toda a produção. Mas não sob pressão de entrega marcada com o tempo rugindo! É um desgaste muito grande. A essa altura eu já havia feito orçamento com 3 gráficas conhecidas e de boa qualidade. Os dois primeiros orçamentos me fizeram pular da cadeira: mais de R$ 1.000,00 e o segundo por aproximadamente R$ 650,00 para a impressão de 5 exemplares em 4x4 cores. Santo Deus, que diferença era essa? O papel a ser utilizado, o papel pólen, é um pouco mais complicado de ser encontrado mas não é impossível. E mesmo assim, está bem espalhado na praça. Sendo até mais barato que o reciclado. O terceiro orçamento veio para a minha alegria: R$ 240,00 (impressão digital). Quase soltei fogos de artifício! Fechei com essa gráfica mas ainda faltava o material. Quando chegou a segunda versão da diagramação, me joguei na cama e fui revisar. As costas já não tinham mais posição nem sentada à mesa, nem no sofá, nem mesmo na cama, mas lá doíam menos então vamos em frente. Todos os detalhes devem ser observados, inclusive a divisão silábica das palavras. Com toda essa pressão, o que mais me cansou foi ter que observar acentuação e posição de palavras. Perdi as contas de quantas revisões foram feitas. No dia de imprimir, tive que trocar de gráfica. O rapaz disse que entregaria até quarta-feira, dia 12/06, mas que 39 não podia garantir. Pelo sim e pelo não, busquei outra gráfica e encontrei uma pessoa disposta a me auxiliar nos 45 minutos do segundo tempo. Imprimiu e fez o acabamento da primeira versão do Manual (5 exemplares) e do Memorial (4 exemplares), pelo valor total de R$ 236,00. A diferença ocorre porque a primeira gráfica que fechei terceiriza o serviço. Eu só descobri quando me foi dito que “o rapaz que eu mando imprimir disse que...”. Poderia ter dito antes que era melhor eu não ter entrado nessa fria. E como ele terceiriza, é preciso tirar o lucro. Apanhei o material as 18h e parti para a Católica, naquele trânsito da EPTG que é caótico para uma cidade do tamanho de Brasília-Taguatinga. Material entregue e eu só não comemorei mais porque estava bastante preocupada com a banca. Dia 22 de junho foi minha banca. Amanheci com algumas borboletas no estômago. Eu estava mais calma do que imaginava que estaria. Apresentação feita, ressalvas, parabéns e as examinadoras foram confabular. Foram um dos cinco minutos mais demorados da minha vida. Eu esperava uma nota mas fiquei surpresa com a nota final, talvez por conta de tudo o que já havia acontecido. Em casa, a nota virou notícia para a família toda em questão de minutos. E de tudo isso eu digo: problemas virão mas não existe problema sem solução. Agarre-se a alguma força, tenha fé, seja ela Deus, Jeová, Jah, Energia Cósmica, aquela pessoa que você ama. Se não tiver mais motivos, faça por ela. Tenha fé principalmente em você mesmo. Caso faça um produto, reserve um dinheiro para isto. Pode ser que você imprima a R$ 200,00, mas nunca se sabe quando não tem mais jeito e terá que imprimir por R$ 1000,00. E para que isso não aconteça, utilize um cronograma e faça vários orçamentos, veja novos fornecedores. Ouse nas ideias, saia da zona de conforto e seja feliz. Trabalhar com o que se gosta é mais do que um bom começo. 40 8. CONCLUSÃO O MESPE é resultado de alguns semestres de excitação com a possibilidade de inserção no mercado juntamente com alguns momentos de intensa reflexão, pesquisas, novas descobertas e por fim uma aprendizagem de que é possível levar uma nova proposta adiante. Com a orientação da Professora Sheila Costa, durante a primeira etapa pude aprender um pouco mais sobre eventos, inclusive dentro da comunicação. Fui desafiada a mergulhar um pouco mais em três universos – empreendedorismo, eventos e sustentabilidade - que , apesar de saber que tinham alguma relação, para mim esta era ainda bem distante e às vezes chegando a pensar que seria muita utopia de minha parte ver esses pontos correlacionados. A segunda etapa foi então de como iria colocar no papel um assunto tão profundo e cheio de palavras complexas de maneira clara e objetiva para o públicoalvo principal, micro e pequenos empreendedores do DF. Aqui eu tive que me reconstruir, buscar antônimos mais simples, esmiuçar algumas palavras que por si já explicavam tudo, mas que não seriam suficientes para que fossem entendidas por todos. Coloquei em prática a nossa famosa chuva de ideias - o brainstorming - sobre como disponibilizar todo o texto no suporte a ser utilizado, o papel pólen, quais cores utilizar para transmitir claramente todo o conteúdo, além de fazer orçamentos e ter mais contato com profissionais da área que me deram dicas sobre o assunto. Tudo isso contribuiu para a minha formação acadêmica e também profissional, visto que pude colocar em prática conhecimentos acadêmicos e me foram exigidos conhecimentos aprendidos além destes. Pude compreender ainda mais que a teoria sem a prática não passa de uma informação e que não podemos ficar na zona de conforto, isto é, devemos sempre nos relacionar com as outras áreas profissionais de maneira que possamos compreender nosso público, atendendo-o cada vez melhor, trazendo o consequente sucesso para o seu negócio e para nós mesmos. Aqui, cabe a famosa frase do meio: “Publicitário realmente tem que saber de tudo um pouco”. 41 9. REFERÊNCIAS A NOVARQUITETURA E A SUSTENTABILIDADE. Novarquitetura. Disponível em: < http://www.novarquitetura.com/artigos/46-sustentabilidade-leed-e-aqua.html>. Acesso em 25 mai 2013 ALLEN, Johnny; O’TOOLE, William; MCDONNELL, Ian; HARRIS, Roberte. Organização e Gestão de eventos. Tradução da 3ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. CABRERA, Luis Carlos. Afinal, o que é sustentabilidade? Planeta Sustentável. Disponível em: <www.planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_474382.sht ml>. Acesso em 30 set. 2012. CALAÇA, Thaise Coelho. Segurança Alimentar em Eventos. Universidade de Brasília, Centro de Excelência em Turismo. Brasília, 2003. CESCA, Cleuza G. Gimenes. Organização de eventos: manual para planejamento e execução. 9ª Ed. Revisada e Atualizada. São Paulo: Summus, 2008. CONCEITOS E CLASSIFICAÇÕES DE EVENTOS. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/31002558/Conceitos-e-Classificacoes-de-Eventos>. Acesso em fev. 2013. GIACAGLIA, Maria Cecília. 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ROGERS, Tony; MARTIN, Vanessa. Eventos: planejamento, organização e mercados. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL – DESENVOLVIMENTO E PROTEÇÃO. Atitudes Sustentáveis. Disponível em: <http://www.atitudessustentaveis.com.br/artigos/sustentabilidade-ambientaldesenvolvimento-e-protecao/>. Acesso em 15 mar. 2013 SUSTENTABILIDADE ORGANIZACIONAL. Consultoria Aliança. Disponível em: <http://www.consultoriaalianca.com.br/artigos.php?cod_artigo=37>. Acesso em 21 abr. 2013. VOCÊ SABE O QUE É SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL? Atitudes Sustentáveis. Disponível em: <http://www.atitudessustentaveis.com.br/sustentabilidade/voce-sabesustentabilidade-empresarial/>. Acesso em 21 abr. 2013. ZITTA, Carmem. Organização de Eventos: da ideia à realidade. 4ª Ed. Brasília: Editora Senac-DF, 2012. 43 10. APÊNDICE A partir da próxima página encontra-se o conteúdo do Manual de Eventos Sustentáveis para Pequenos Empreendedores. 44 MANUAL DE EVENTOS SUSTENTÁVEIS PARA PEQUENOS EMPREENDEDORES APRESENTAÇÃO Atualmente, a demanda por eventos está cada vez maior, juntamente com a procura por serviços que sejam cada vez mais sustentáveis. Porém, em pleno século XXI, ainda enfrentamos a falta de bibliografia no segmento de eventos, mesmo existindo cursos voltados para esse campo em várias instituições de ensino. Todo evento busca atrair a atenção do público para uma causa – seja ela uma ideia, um novo produto, um reforço de marca – através de ações que, se bem planejadas e executadas, irão trazer resultados positivos à empresa. Porém, cada evento possui sua característica, e podemos dizer que são únicos, pois são diferentes pelo público-alvo, objetivos, abrangência, participantes, etc. Por isso é importante saber qual tipo de evento será feito, para poder tomar as várias decisões que uma produção dessa natureza envolve. No entanto, a sustentabilidade ainda é considerada por muitos um conceito de luxo, o que gera produtos sustentáveis bem mais caros, difíceis de encontrar e utilizar, especialmente por uma empresa pequena. Considerando esse contexto, o objetivo deste manual é trazer a sustentabilidade para o mundo dos eventos promovidos por pequenos empresários, cumprindo o seu principal papel: informar e direcionar os pequenos empreendedores nessa caminhada, para ajudá-los a atender à crescente demanda do mercado por esse tipo de atitude/processo/produto, de maneira fácil de ser entendida e compreendida. Assim, a sustentabilidade estará cada vez mais presente, tanto nos eventos como no dia-a-dia do empreendedor, desde a sustentabilidade ambiental até a social, que se preocupa com a condição mental e física dos funcionários, colaboradores e participantes. 45 Nas próximas páginas, vamos oferecer conceitos, esclarecimentos e passo a passo que permitirão a você, pequeno empreendedor, promover um evento sustentável para você, seus parceiros e o seu público. 1.SUSTENTABILIDADE 1.1 AFINAL, O QUE É SUSTENTABILIDADE? Segundo o Dicionário Michaelis, sustentabilidade é “algo que tem a qualidade de ser sustentável”. É um conceito que relaciona e integra ao mesmo tempo aspectos culturais, sociais, econômicos e ambientais da sociedade. A palavra-chave dessa ideia é continuidade, e como tudo isso pode se manter em equilíbrio ao longo do tempo. No Relatório de Brundtland – Nosso Futuro Comum – sustentabilidade é "satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as próprias necessidades". A sua empresa está ligada nessas ideias? Se sim, parabéns! Se não, está na hora de começar! 1.2 ÂMBITOS/DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE Para algumas pessoas, o termo sustentabilidade remete a conceitos puramente econômicos. Já para outras, remete somente a conceitos ecológicos. Porém, é muito mais que isso: reflete a habilidade que as pessoas têm de se manterem sem comprometerem existência e a permanência de outras pessoas e do meio ambiente. Para a ONU - Organização das Nações Unidas - são quatro dimensões para atuação sustentável: 46 • Dimensão Social: Compreende o respeito à diversidade; emponderamento de grupos populacionais anteriormente excluídos socialmente; incentivo à resolução pacífica de conflitos e convivência saudável na família e sociedade. • Dimensão Econômica: Diz respeito à igualdade dos recursos naturais investidos na produção de bens e serviços visando à sustentabilidade econômica, à justiça no acesso ao sustento familiar e pessoal, e economia solidária e responsável. • Dimensão Ecológica: Analisa a relação do homem com a natureza, verificando formas de reduzir ou acabar com o impacto decorrente da relação e repensar as estruturas e iniciativas que reforçam e representam a mútua dependência. • Visão de Mundo: Também compreendida como visão holística, faz referência à relação do homem consigo mesmo, a espiritualidade que mantém, as relações que estabelece com outros seres vivos, demonstrando a ética e a responsabilidade que devem existir nas ações. A qual dessas dimensões a sua empresa já atende? Alguns autores consideram, também, mais três dimensões: Sustentabilidade espacial ou territorial: busca de equilíbrio na configuração rural-urbana e melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e atividades econômicas; melhorias no ambiente urbano; superação das disparidades inter-regionais e elaboração de estratégias ambientalmente seguras para áreas ecologicamente frágeis, a fim de garantir a conservação da biodiversidade e do eco desenvolvimento. Sustentabilidade cultural: respeito à cultura de cada local, garantindo continuidade e equilíbrio entre a tradição e a inovação. Sustentabilidade política: no âmbito nacional, baseia-se na democracia, apropriação universal dos direitos humanos; desenvolvimento da capacidade do 47 Estado para implementar o projeto nacional em parceria com empreendedores e em coesão social. No aspecto internacional tem sua eficácia na prevenção de guerras, na garantia da paz e na promoção da cooperação internacional e na aplicação do princípio da precaução na gestão do meio ambiente e dos recursos naturais; proteção da biodiversidade e da diversidade cultural; gestão do patrimônio global como herança da humanidade; cooperação científica e tecnológica internacional. E quanto a essas três últimas, como vai o seu negócio? 2. EVENTOS 2.1 O QUE É EVENTO? Evento é um acontecimento onde se reúnem diversas pessoas com os mesmos objetivos e propósitos sobre uma atividade, tema ou assunto, ou seja, é um acontecimento onde as pessoas discutem/compartilham interesses em comum. Os eventos são úteis para todos e, por este motivo, se tornaram uma atividade em crescimento nas empresas de pequeno, médio e grande porte, e para todos os tipos de negócios, sejam de varejo, atacado, indústrias, comércios, etc. Com certeza, a sua empresa já fez algum evento ou participou de outros tantos. Portanto, pedimos que se lembre dessas experiências enquanto lê este manual, para confirmar a necessidade do que está sendo indicado aqui e verificar outras ocasiões nas quais esses procedimentos foram adotados e renderam bons frutos. 2.2 CLASSIFICAÇÃO DE EVENTOS A classificação de um evento pode variar conforme os critérios que auxiliam na percepção das vantagens de cada um. São várias as classificações adotadas para auxiliar em projetos e trabalhos voltados a eventos: 48 Por área de interesse Artístico, científico, cultural, desportivo, educativo, folclórico, governamental, informativo, político, religioso, turístico, de negócios, etc. Por categoria e função estratégica É levada em consideração a função dentro do marketing e a sua finalidade. Público: é organizado por um órgão governamental (federal, estadual ou municipal). Privado: é organizado empresas de qualquer ramo da economia. Institucional: a finalidade é firmar, criar e/ou reforçar a imagem e o conceito da uma empresa, uma entidade, um governo ou uma pessoa. São organizados por empresas ou instituições. Promocional: objetiva a promoção de um produto ou serviço de uma empresa, uma entidade, um governo ou uma pessoa, através do apoio de marketing, com fins mercadológicos. Em relação ao público Eventos abertos: são eventos propostos a um público e podem ser por adesão - é aquele apresentado e sujeito a um segmento de público, que tem a opção de aderir mediante a inscrição gratuita e/ou pagamento de taxa de participação terminada - ou aberto em geral. Eventos fechados: Ocorrem dentro de situações específicas nas quais o público-alvo definido é convocado e/ou convidado a participar. Por abrangência Domésticos Locais Regionais Nacionais Mundiais Internacionais Por frequência Esporádicos: que acontecem entre intervalos irregulares. 49 Permanentes: todo evento que ocorre periodicamente (mensal, semestral, anual, bienal, etc.). Únicos: característica de algumas tipologias, como lançamento de livros, noite de autógrafos. De oportunidade: ocorrem em época de grandes eventos internacionais ou de eventos marcantes da história ou tradição local, aproveitando seu clima e sua divulgação como, por exemplo, eventos esportivos que acontecem nas escolas e clubes, aproveitando a Copa do Mundo. Dimensão (porte) Pequeno: até 200 participantes. Médio: 200 a 600 participantes aproximadamente. Grande: mais de 600 participantes Mega: milhares de participantes. Âmbito Interno ou externo à instituição. 2.3 TIPOS DE EVENTO Almoço Aniversário Aula Magna Brainstorming Café da Manhã Casamento Chá da Tarde Coffee-Break Coletiva de Comício Competição Conclave Concurso Conferências Congresso Convenção Coquetel Curso Debate Desfile Dia-de-campo Encontros Exposição Exposição Feiras Festa Festival Formatura Fórum Happy-Hour Inauguração Jantar Jornada Lançamentos Mesa-Redonda Mostra Noite de Noivado Oficina Painel Posse Premiação Programa de Imprensa Autógrafos Palestras 50 Visitas Rodada de Salão Sarau Semana Seminário Shows Simpósio Solenidade Vernissage Videoconferência Visita Workshop Negócios 2.4 SUSTENTABILIDADE EM EVENTOS Sustentabilidade Ambiental A sustentabilidade ambiental busca a preservação do meio ambiente e garante o seu desenvolvimento. Para que isso aconteça, é necessário adotar medidas realistas por meio do uso inteligente dos recursos naturais. Em eventos, é necessário que todos os fornecedores e artigos produzidos, ou grande parte deles, façam o uso desses recursos renováveis e que procurem compensar o uso e/ou minimizar os impactos ambientais através, por exemplo, do consumo controlado da água; da utilização de fontes de energia limpas e renováveis (eólica, hidráulica, etc.); da garantia do replantio dos recursos vegetais de florestas e matas, como é o caso de empresas fornecedoras de papel para convites, certificados, etc. Também é necessário que a organização faça a separação e reciclagem de resíduos sólidos. Sustentabilidade Econômica No começo, imaginamos que sustentabilidade econômica está ligada somente ao financeiro. Mas é mais que isso. Sustentabilidade econômica é a capacidade de exploração que um ecossistema pode suportar de seus recursos naturais e leva em consideração aspectos como: Análise de custo-benefício financeiro; Desenvolvimento da comunidade; Transparência e ética; Consumo consciente dos recursos naturais; 51 Redução de resíduos e desperdícios; Conservação dos recursos; Criação de empregos locais; Utilização dos espaços gerados em benefício da comunidade; Regeneração e recuperação de áreas Legado sustentável à comunidade local. Sustentabilidade Organizacional A quantidade de catástrofes relacionadas a questões ambientais, alteradas por conta do nosso comportamento e modo de vida, aumenta a cada dia e isso tem feito com que o ser humano repense a maneira como se relaciona com o meio ambiente e perceba que algo deve ser mudado. Todo esse processo criou uma grande pressão nas empresas e fez com que os consumidores passassem a exigir delas um novo comportamento, tanto na produção quanto na prestação de serviços. Isso significa que elas tiveram sair da zona de conforto e se criou a necessidade de mudarem ou adaptarem seus processos e formas de agir drástica e rapidamente. Caso contrário, suas vendas e lucros correm risco de cair rapidamente. A esse novo comportamento foi dado o nome de sustentabilidade organizacional - ou sustentabilidade empresarial - já que as empresas precisam ir além dos limites contábeis (receita x lucro) e devem melhorar a relação com a sociedade, preservando a sua transparência e a sua competência através da definição de um conjunto de práticas que demonstram o seu respeito e a sua preocupação com as condições do ambiente e da sociedade em que estão inseridas ou onde atuam. Sustentabilidade Social Sustentabilidade Social se refere a um conjunto de ações que visam a melhorar a qualidade de vida da população, diminuindo as desigualdades sociais, 52 ampliando os direitos e garantindo acesso aos serviços (educação e saúde principalmente) que visam possibilitar às pessoas acesso pleno à cidadania. É também um dos mais importantes fatores para a mudança na sociedade e abrange a necessidade de recursos materiais e não-materiais, objetivando a igual distribuição de renda, de modo a melhorar substancialmente os direitos e as condições da população, assegurando a qualidade de vida e igualdade no acesso aos recursos e serviços sociais. Sustentabilidade Mercadológica A sustentabilidade mercadológica diz respeito às vantagens, em termos de competitividade de mercado, que um empreendimento pode conseguir ao adotar medidas sustentáveis, interagindo positivamente com pessoas da empresa e da sociedade. Mas, mais que interagir positivamente, deve também preencher uma lacuna do mercado e atender às demandas desse mercado, isto é, oferecer um serviço de qualidade às pessoas que o procuram. 3. PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO (ANTES) 3.1 OBJETIVOS (PARA QUÊ?) O que você pretende alcançar com esse evento? Quais os resultados que você espera? Se a resposta for algo como “porque sempre fazemos nessa época do ano”, pode não ser um bom motivo e se transformar em uma perda de tempo e de dinheiro irreparáveis. Reflita e converse bastante para ter certeza de que é necessário e oportuno realizar o evento na modalidade escolhida. Todo planejamento de eventos está altamente ligado aos objetivos que se deseja alcançar com a realização do mesmo e por isso é necessário definir, com precisão, os resultados esperados e os processos que conduzirão ao sucesso do evento. 3.2 QUEM? (EQUIPE ORGANIZADORA, PARCEIROS E PÚBLICO) É necessário considerar quem serão os participantes e/ou convidados e qual a quantidade de pessoas esperadas no evento. É interessante convidar parceiros e/ou 53 os acompanhantes dos representantes? Haverá convidados especiais? Virá alguém que precisa de traslado e hospedagem, alimentação e acomodações especiais? O ‘quem’ também está ligado a algum palestrante ou oficineiro, caso seja necessário, e também à equipe organizadora, composta pelos gestores e funcionários do empreendimento, além de seus fornecedores de bens, produtos e serviços. É importante que todas as tarefas, por menores que sejam, fiquem bem visíveis e distribuídas. Dessa maneira evita-se o estresse e o desgaste, de forma que os funcionários/colaboradores não fiquem esgotados, e contribuam com atenção e entusiasmo até o final, aumentando ainda mais o sucesso do evento. 3.3 QUAL? (TIPO DE EVENTO ORGANIZADO) Qual tipo de evento você está organizando? É um curso, uma reunião de administração ou um evento de incentivo? Uma inauguração do seu novo espaço? Lançamento da nova coleção ou de novos produtos? O público terá uma postura mais passiva, de somente receber as informações, ou poderá ter mais grau de participação e interação? Que tipo de mensagem quer transmitir? É importante decidir o tipo de evento, já que isso ajudará a direcionar muitas das decisões a serem tomadas. 3.4 QUANDO? Outro item que merece bastante atenção é a data em que o evento vai acontecer. É bastante comum que se reserve pouco tempo para planejar um evento, mas isso não é ideal. Maior flexibidade e antecedência na hora de fixar a data auxilia a conseguir preços mais baratos com fornecedores, locais de aluguel, etc. Além disso, também deve ser levado em conta o provável compromisso diário dos participantes com a sua programação, checando se há outros eventos ocorrendo ao mesmo tempo - ou em um período de tempo muito próximo - que possa reduzir a quantidade de participantes, se o evento vai ser realizado em uma época mais movimentada, nas férias, no verão? Procure verificar o calendário de eventos local para fixar a data do seu evento, evitando choques que possam prejudicar a contratação de parceiros e a adesão das pessoas ao convite. 54 3.5 ONDE? Em que cidade e parte da cidade ocorrerá o evento? Em uma residência, numa loja, no shopping, na praça, na feira? É importante que o local do evento seja de fácil acesso, por meio de rodovias e/ou através do transporte público. O local deve ser bem informado, por meio de mapas anexos ao convite, e sinalizado adequadamente, para evitar que os convidados se percam. Busque uma sinalização interessante e criativa, de preferência com material de reuso e que possa ser utilizada mais de uma vez. 3.6 COMO? O conteúdo e estilo de cada programação muda conforme cada evento, mas é importante que a programação do seu evento esteja de acordo com os seus objetivos. Quanto mais dinâmico for, mais atenção do público você terá. Além disso, a escolha do palestrante (caso seja necessário), coordenadores e/ou ministrante de oficinas é decisiva para o sucesso do evento. Também é necessário cuidar dos fatores técnicos, como disposição das cadeiras, instalações de áudio e vídeo, sorteios (se houver), decoração (flores, painéis). Recepcionistas e seguranças, se necessário, devem ser contratados e corretamente informados, com todo cuidado, para um desempenho de sucesso. Se o evento permitir, é interessante que os participantes tenham momentos de interação informal e que também trabalhem em conjunto, proporcionando experiências principalmente com o local e/ou com a empresa promotora. 3.7 MANEIRAS DE REDUZIR IMPACTOS NA EXECUÇÃO DE UM EVENTO E OTIMIZAR O LUCRO O impacto e a geração de resíduos, não importando a natureza do evento, sempre existirão, desde o planejamento até a avaliação dos resultados e ao longo de toda a cadeia produtiva. Porém, eles podem e devem ser reduzidos e para isso deve ser considerado mais que o recolhimento do lixo. Confira a seguir como reduzir o impacto de um evento e como reduzir seus gastos. 55 Água No Brasil, o consumo médio de água por pessoa é de 150 litros por dia. Em um evento, todas as pessoas envolvidas utilizarão água, desde a organização até o público em geral. Fornecedores, por exemplo, precisarão da água para higiene, limpeza dos materiais e equipamento. Procure planejar a utilização, pois assim irá otimizar os recursos e evitará desperdícios. Peça que a equipe toda cuide de detalhes simples, mas indispensáveis: Evitar desperdícios. Fechar a torneira quando não estiver utilizando água; Utilizar produtos de limpeza biodegradáveis*; Evitar o descarte de produtos químicos que contaminem o lençol freático**; Descartar óleo de cozinha corretamente, em postos de coleta ou recicle, transformando-o em sabão; Utilizar vasos sanitários que tenham 2 fluxos de água (um para resíduos sólidos e outro para líquidos) e lavatórios com sensor de movimento; Fazer coleta seletiva de resíduos, possibilitando reuso, reciclagem e compostagem posteriores. *Biodegradável: é todo material que após seu uso pode ser decomposto facilmente pelas ações de micro-organismos reduzindo o impacto no meio ambiente. **Lençol freático: é um lençol de água subterrâneo formado pela infiltração da água das chuvas no solo que infiltra-se no solo até atingir uma camada de material impermeável. Energia Além da energia elétrica que é utilizada para iluminar o local e ligar equipamentos, também é utilizada a energia fóssil para o transporte de produtos, fornecedores e pessoas/participantes. Mas grande parte desses combustíveis fósseis são provenientes de fontes não renováveis. Então, como reduzir? Utilize a menor quantidade de lâmpadas possíveis, sem que isso influencie na decoração, integração dos participantes, etc; 56 Lembre-se: lâmpadas brancas economizam mais que as lâmpadas amarelas e têm maior durabilidade; Se possível for, utilize lâmpadas de LED. Apesar do investimento inicial, gastam bem menos e duram muito mais; Neutralize a emissão de carbono, decorrente da produção e, principalmente, do transporte através do plantio de árvores. Existem várias calculadoras de emissão de carbono. Utilize a calculadora de emissão de carbono e saiba quantas árvores devem ser plantadas; Se for adquirir ar condicionado, já temos no Brasil equipamentos movidos a gás natural. Além de não poluir o meio-ambiente, reduz o gasto de energia em até 60%; Caso alugue gerador de energia e procure por equipamentos movidos a biodiesel e energia solar. Transporte Apesar dos incentivos governamentais para a fabricação de carros menos poluentes, para a utilização de bicicletas em curtos deslocamentos e uso de combustíveis renováveis, nem sempre isso é praticado. Assim, dentro das melhores práticas podemos: Identificar e escolher fornecedores que estejam mais próximos do local do evento. Dessa maneira evitam-se grandes deslocamentos, podem ser utilizados meios de transportes com combustíveis menos poluentes e, além disso, você ajuda na Sustentabilidade Econômica e Social do local; Ofereça alternativas de transporte, conforme os hábitos do seu público-alvo; Incentive o uso do transporte público. Para isso o local do evento precisa estar próximo à paradas de ônibus, trens e metrôs; Incentive a carona-solidária: de acordo com a possibilidade, uma maior quantidade de pessoas por carro. 57 Materiais São vários os materiais utilizados em um evento, como folders, placas de sinalização, tecidos, fios, etc. É importante planejar o uso e a compra desses materiais, já que dessa maneira é possível avaliar o tipo e quantidade desses materiais, possíveis sobras e o que será feito após o uso. É importante detectar quais materiais podem ser reduzidos, quais podem ser substituídos por materiais sustentáveis, como reutilizar os materiais utilizados anteriormente e como poderão ser reciclados e/ou reutilizados em um próximo evento. Além disso, utilize materiais biodegradáveis e de procedência certificada. Se for necessário descartar, faça o planejamento para o descarte correto. Com tudo isso, os impactos ambientais e financeiros serão muito menores. O que isso significa? Menor poluição do meio ambiente e mais economia. Alimentos e Bebidas A sustentabilidade chegou à alimentação? Sim, chegou. Existem produtores que evitam ou realmente não utilizam fertilizantes químicos e agrotóxicos nos alimentos. Isso os torna mais saudáveis por meio da agricultura sustentável. Procure por fornecedores que utilizem alimentos cultivados longe de substâncias químicas. Outro aspecto é considerar o APL - Arranjo Produtivo Local da região. A culinária brasileira é rica e possui grande variedade por conta do clima do nosso país. Aproveite! Monte o cardápio de acordo com a proposta do seu evento, mas aproveitando esses maravilhosos ingredientes que privilegiam a produção local. Dessa maneira, possibilitamos o desenvolvimento da cultura e do negócio da região do evento. Esses negócios pagam impostos que retornam como benefícios na própria região, gerando assim um ciclo virtuoso. Com tudo isso, reduzimos a emissão de CO² decorrente do transporte desses alimentos e evitamos o custo alto causado pelo transporte diretamente no preço final. Social Por sua própria natureza, todo evento é uma atividade socioeconômica que gera impactos para a cidade, os empreendedores, a comunidade e o negócio local. 58 É também um instrumento de desenvolvimento das relações sociais, por conta das várias culturas presentes que estabelecem uma relação de troca de valores. Os participantes também se relacionam com a comunidade local que podem ter um resultado positivo ou negativo. Os impactos sociais são percebidos na comunidade, na cultura, na política, na meio-ambiente, na saúde e bem-estar e nos direitos pessoais e de propriedade. Para que o impacto seja positivo: Promova a acessibilidade e inclusão social; Respeite os direitos humanos, a diversidade e a natureza; Seja ético e trabalhe com transparência; Envolva os parceiros e os fornecedores: quando todos estão cientes com o que estão trabalhando, fica muito mais fácil; Promova e proteja a comunidade à qual pertence; Comprometa-se com o bem comum Proteja clientes/consumidores; Valorize seus funcionários e colaboradores; Sempre faça algo pelo meio ambiente. Lixo Falando de uma maneira mais prática, lixo é tudo aquilo que criamos ao jogar nossos dejetos fora sem cuidado ou consciência. Seguindo as dicas acima, muito provavelmente você já terá reduzido muito do que iria para o lixo. Mas mesmo assim, muito material ainda é jogado fora. A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece a responsabilidade de todos por tudo que consumimos e descartamos e por isso é importante estarmos informados sobre como descartar qualquer tipo de produto de forma correta. Para facilitar o bom processamento do lixo gerado no evento, contacte cooperativas para entregar ou buscarem o material a ser reciclado, pois algumas, além de fazerem a coleta do material, também pagam pelo material recebido. 59 Faça Certo Papel Papel com muita cola (tipo Post-it, fita crepe, etiquetas) Papéis carbono e celofane Papéis metalizados, plastificados e parafinados Fotografias Recibos de cartão de débito/crédito. Plástico Filme plástico (PVC) que embala alimentos Cabos de panela Isopor (certas cooperativas aceitam isopor de embalagem de eletrodomésticos) Teclados de computador Acrílicos Espumas do tipo de travesseiros/colchões Sacolas ou sacos plásticos Vidro Espelhos Cristais Vidros Temperados Materiais fabricados a partir da fibra de vidro Lentes de óculos Metais Latinhas de refrigerante Arames, pregos Cobre Chapas de metal Tampinhas de garrafa Papel alumínio Panela sem cabo 60 Canos de Metal Ferragens Etc Orgânico Cascas Caules Restos de Frutas e Vegetais Galhos Aparas de grama Madeira Ossos Sementes Carnes Cascas de Ovos Etc. Eletroeletrônico Monitores Tv’s Mouses Celulares e baterias Câmeras fotográficas Equipamentos que não funcionam mais ou estão obsoletos Medicamentos e Curativos Medicamentos vencidos ou restos devem ser entregues em farmácias Curativos, seringas, garrotes, luvas e demais materiais utilizados, devem ser descartados em lixo específico – Lixo Hospitalar 61 4. EXECUÇÃO (DURANTE) 4.1 GERENCIAR EQUIPES Conforme planejamento feito anteriormente, é necessário agora coordenar as equipes. Perceba que nem sempre as pessoas que trabalham ANTES do evento são as mesmas que trabalham DURANTE. Por exemplo, uma montagem de palco é feita antes do início do evento, enquanto a desmontagem só pode ser realizada após o término. Portanto, é necessário checar. 4.2 RECEPÇÃO DOS CONVIDADOS Quem irá recepcionar os seus convidados? Uma equipe da sua empresa ou irá contratar serviço terceirizado? A recepção do evento é considerada um serviço e por isso é necessário estar atento a alguns pontos: É muito importante ter um esquema de recepção definido para os participantes, os convidados, prováveis patrocinadores e apoiadores recebidos; A recepção é o primeiro contato com o “clima” do evento e o clima se torna o cartão de visita do próprio evento; Oferecer brindes como camisetas, bonés, bottom e/ou artigos que tenham relação com o evento é simpático e faz a empresa promotora ganhar pontos positivos; Caso busque algum convidado ou participante em casa, no trabalho, na rodoviária ou o encontre no local do evento, demonstre atenção e respeito aos participantes, independentemente do local em que estejam; Demonstre alegria, satisfação e seja profissional. Preocupe-se com a permanência das pessoas no evento e, se houver alguém de outra cidade, também com a permanência da pessoal na cidade (Onde está hospedado? Como será feito o transporte dessa pessoa? Necessita de auxílio, de informações? Procure se informar) ; Preocupe-se e fique atento em relação a alimentação, saúde física e mental, conforto, lazer e segurança dos participantes, convidados e todos os envolvidos no evento; 62 Informe-os sobre toda a programação do evento assim como qualquer tipo de informação que auxilie na orientação dos convidados ou participantes, principalmente quando estiver direta ou indiretamente relacionado a eles. 4.3 ARMAZENAMENTO DOS UTENSÍLIOS, ALIMENTOS E BEBIDAS, SE HOUVER Seu evento irá oferecer algum tipo de alimentação? Será coquetel ou coffeebreak? Irá oferecer almoço ou um jantar? O formato da “refeição” deve condizer com o tipo de evento e com o horário que ele irá acontecer. Caso contrate serviço terceirizado (e em muitos casos é a melhor opção) é importante disponibilizar espaço adequado para o armazenamento e manipulação de bebidas e alimentos. Isso significa ter refrigeradores/freezers, fogão com forno e outros. Observe que: Os alimentos devem estar devidamente protegidos, coberto, bem acondicionados e identificados, evitando o sério risco de contaminação. O ar condicionado só deve ser instalado/ligado quando a cozinha tiver um sistema de exaustão perfeito. Caso contrário, o local do evento corre risco de ficar com cheiro de gordura impregnado. Servirá salada? Proteja-as antes de serem levadas ao refrigerador, evitando o gosto e aparência de geladeira. As vasilhas onde os alimentos serão manipulados e servidos devem estar sempre em ordem, evitando que permaneçam restos de alimentos caídos ao redor. A mesa e o chão também devem estar limpos, sem restos de alimentos, guardanapos usados, palitos de madeira e bebidas derramadas. Identifique os pratos servidos, não importa se em muita ou em pouca quantidade, assim ninguém fica perdido sobre o que está sendo servido. As mesas devem estar bem limpas, independentemente do tipo de toalha que vá sobre elas. A falta de toalha em uma mesa empobrece qualquer refeição, portanto, não a esqueça! Os talheres devem ser individualizados ou protegidos em saquinhos ou guardanapos, nunca colocados soltos em uma bandeja ou porta-talheres para que cada pessoa pegue o seu. 63 Quem cuida da preparação dos alimentos nunca pode trabalhar com qualquer outra coisa, principalmente com manipulação de dinheiro. Os responsáveis devem estar uniformizados, com aventais limpos e com os cabelos presos e protegidos por touca ou boné. Mesas não devem estar perto do banheiro e este também não pode estar próximo à cozinha. 4.4 ATIVIDADES PARA O PÚBLICO DURANTE O EVENTO É importante que haja atividades para o público durante o evento, principalmente as que têm por finalidade integrar os participantes. Procure atividades que têm relação com o tema do seu evento, como dinâmicas, sorteio de brindes, etc. Caso necessário, contrate um equipe específica para isso, conversando bem com os integrantes para que a proposta deles seja adequada ao evento que você está promovendo. 4.5 SERVIÇO – O QUE SERÁ FEITO, POR QUEM E COM QUEM Não concentre todas ou quase todas as tarefas em apenas uma ou poucas pessoas. Delegue claramente as tarefas de cada pessoa e/ou equipe, separe, supervisione. Comunique! Para que algo seja construído, é preciso a ajuda de outras pessoas e a comunicação é essencial para organizar e unir a própria equipe. Coopere, participe, colabore e partilhe informações. Lembre-se de que delegar não é apenas passar uma tarefa e uma responsabilidade para os outros, mas é comunicar, orientar e acompanhar os resultados favoráveis e desfavoráveis da equipe. Além disso, considere a sustentabilidade social e assegure-se de que a participação na comissão organizadora seja aberta e inclusiva. Equipes são formadas por duas ou mais pessoas, ou seja, é um grupo que realiza tarefas em comum e que está, ao mesmo tempo, envolvido e comprometido com o evento em questão. Uma equipe está bem entrosada quando: As pessoas se reúnem ao mesmo tempo e lugar para realizar tarefas em comum ou quando, mesmo agindo separadamente, continuam conectadas com o propósito do grupo; 64 Os componentes têm em mente os outros membros, por meio das relações estabelecidas com o grupo; Os componentes se comunicam adequadamente atentando para os papéis de cada um no grupo. Mesmo com a tarefa sendo conhecida por todos, pode ser sentida e percebida diferentemente por cada um, devido às diferenças individuais. Por isso, alguns indicadores são fundamentais para auxiliar na compreensão da equipe: O compromisso; A cooperação; A concentração na tarefa; A comunicação; A aprendizagem; e O ‘clima’ do grupo. Este último pode facilitar ou dificultar a relação, sendo necessário observar com quem você está lidando, já que isso irá guiar a condução das atividades. Todos esses pontos auxiliam na sustentabilidade geral do evento. 4.6 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS Durante o evento é necessário ter sacos de lixo disponibilizados em pontos estratégicos e coloridos (ou identificados) conforme as cores de cada categoria, além de ter uma equipe responsável pelo gerenciamento de resíduos, já que o descarte realizado pelos participantes nem sempre é feito de maneira adequada. Para que seja feito o descarte correto, é necessário que se verifique com frequência o lixo e, caso haja material em local errado, deve ser colocado na categoria correta. Lembre-se de que para manipular lixo é necessário, no mínimo, a utilização de luvas e avental para que não haja contaminação. A separação feita durante o evento facilita o pós-evento. Dependendo da quantidade de resíduos, pode significar um menor tempo de separação depois e, em muitos casos, basta entrar em contato com a cooperativa responsável para que recolha o material separado a ser reciclado. O que não pode mais ser reutilizado ou reciclado deve ser descartado no lixo “comum”. Observe: remédios, material de 65 curativos e elementos compostos por metais pesados não devem ser descartados diretamente no lixo! 4.7 ACOMPANHAMENTO E TERMÔMETRO DO EVENTO Durante o evento, observe a reação dos convidados e participantes. Você perceberá se o evento está bom ou não pela maneira como eles estão se comportando e, provavelmente, ouvirá comentários a respeito. Se não estiver bom e ainda tiver tempo, procure melhorá-lo, reparar possíveis erros e danos. Além disso, disponibilize uma Ficha de Avaliação para que os participantes preencham. Existem modelos simples e lúdicos e também os mais formais. Escolha o que melhor se adéqua ao seu evento e lembre-se de deixar pessoas responsáveis pelo recolhimento das fichas, utilizando as informações nelas registradas para melhorar os próximos eventos. 4.8 SINALIZAÇÃO DO AMBIENTE Delegue uma equipe para sinalizar o ambiente. A sinalização deve ser feita antes do início do evento, a fim de que as pessoas não se sintam perdidas no local. Dependendo do tamanho do local e se necessário for, deixe pessoas responsáveis para auxiliar os participantes no deslocamento e na localização de setores específicos, como no estacionamento, por exemplo, ou os banheiros. 4.9 ORIENTAÇÃO DE FREQUENTADORES A depender do tipo do evento, é necessário passar orientações para os frequentadores. Em palestras, por exemplo, é de bom grado deixar o celular no modo silencioso para que não atrapalhe os demais participantes. Informações sobre a coleta seletiva também devem ser dadas logo no início, enfatizando a importância dessa separação e reforçando qual cor corresponde a que tipo de material (Lixeiras verdes para vidros, lixeiras azuis para papéis, etc.). 4.10 ATENDIMENTO DE EMERGÊNCIA Às vezes alguém não está se sentindo bem e não tem ninguém para socorrer. Isso não pode acontecer no seu evento. Deixe um profissional da área da saúde ou um brigadista a postos para atender as pessoas nesses casos. 66 Existe uma norma para determinar a quantidade de brigadistas necessários a um evento, pela quantidade de participantes envolvidos. Informe-se sobre essa norma com a Defesa Civil e contrate sempre o número de profissionais previstos. 5. AVALIAÇÃO/REPLANEJAMENTO (DEPOIS) 5.1 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS Durante o evento, uma equipe ficou responsável pela coleta e separação do lixo. Será a mesma equipe ou outra que irá concluir o trabalho? Essa divisão deve ser bem clara. Independente disso, todo o lixo gerado durante o evento deve ser separado corretamente, conforme a categoria, e ser entregue à cooperativa responsável pela reciclagem. Materiais que não podem mais ser aproveitados devem ser descartados em sacos de lixo, que por sua vez, serão colocados nos pontos de coleta do serviço de limpeza pública. Existe também o lixo orgânico, como cascas e aparas de frutas, verduras e legumes, que podem se tornar material para um adubo orgânico. 5.2 VERIFICANDO OS GASTOS E OS LUCROS Acompanhe o que foi gasto em termos financeiros, administrativos e sociais, para perceber com clareza o que gastou e o que pode ser considerado ganho, sempre pensando mais em termos globais do que em somente financeiro. 5.3 COMO FAZER COM QUE O PRÓXIMO EVENTO TENHA MENOS IMPACTO AMBIENTAL E QUE A IDEIA DE SUSTENTABILIDADE SEJA CADA VEZ MAIS BEM TRABALHADA? As Fichas de Avaliação também serão muito úteis nessa fase, pois a partir delas a organização saberá quais são opiniões dos participantes e convidados, além de prováveis sugestões sobre o que pode ser melhorado em um evento sustentável. Procure também saber as opiniões dos funcionários e colabores que trabalharam no evento, acrescentando-as às suas próprias observações. Observe também todas as áreas, o que funcionou corretamente e pode ser levado para os próximos eventos, assim como as falhas a serem corrigidas. 67 É importante que essa avaliação seja feita em até uma semana após o término do evento, já que tudo estará fresco na cabeça das pessoas. Lembre-se de que o evento deve atingir os seus objetivos dentro da sustentabilidade em todos os seus aspectos. Se uma pessoa está exausta ao final, se o lixo não foi corretamente descartado, se houve mais gastos do que lucro, e vários outros aspectos, algo está errado e não atingiu a sustentabilidade, não importando a sua dimensão. Além de estar “na moda”, a sustentabilidade veio para nos ajudar a viver melhor. Portanto, aproveite. Faça um relatório para compilar essas informações, informando o que deu certo e o que precisa ser corrigido. Assim, aumentam as chances de sucesso no seu empreendimento! 6. REFERÊNCIAS A NOVARQUITETURA E A SUSTENTABILIDADE. Novarquitetura. Disponível em: < http://www.novarquitetura.com/artigos/46-sustentabilidade-leed-e-aqua.html>. Acesso em 25 mai 2013 ALLEN, Johnny; O’TOOLE, William; MCDONNELL, Ian; HARRIS, Roberte. Organização e Gestão de eventos. Tradução da 3ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. CABRERA, Luis Carlos. Afinal, o que é sustentabilidade? Planeta Sustentável. Disponível em: <www.planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_474382.sht ml>. Acesso em 30 set. 2012. CALAÇA, Thaise Coelho. Segurança Alimentar em Eventos. Universidade de Brasília, Centro de Excelência em Turismo. Brasília, 2003. CESCA, Cleuza G. Gimenes. Organização de eventos: manual para planejamento e execução. 9ª Ed. Revisada e Atualizada. São Paulo: Summus, 2008. CONCEITOS E CLASSIFICAÇÕES DE EVENTOS. Disponível <http://pt.scribd.com/doc/31002558/Conceitos-e-Classificacoes-de-Eventos>. Acesso em fev. 2013. em: 68 GIACAGLIA, Maria Cecília. Organização de Eventos: teoria e prática. São Paulo: Pioneira, 2004. GRANDA, Alana. Consumo de água por habitante no Brasil é estável. EBC, 11 de outubro de 2011. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-0911/consumo-de-agua-por-habitante-no-brasil-e-estavel>. Acesso em 21 abr. 2013. IDS 2010 – Indicadores de Desenvolvimento Sustentável Brasil 2010. IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <http://www.ecodesenvolvimento.org/biblioteca/pesquisas/indicadores-dedesenvolvimento-sustentavel-brasil/attachment_download/arquivo>. Acesso em 15 abr. 2012. IMPORTÂNCIA DA SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA. Atitudes Sustentáveis. 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