UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE EDIFICAÇÕES E AMBIENTAL AVALIAÇÃO DO CONSUMO ENERGÉTICO NO CONTROLE DE VAZÃO EM SISTEMA DE BOMBEAMENTO UTILIZANDO VÁLVULAS MECÂNICAS E INVERSORES DE FREQUÊNCIA – EXPERIÊNCIAS LABORATORIAIS E ESTUDO DE CASO ANGELO BERNARDO BRIDI PROF. DR. ARNULFO BARROSO DE VASCONCELLOS CUIABÁ-MT MARÇO – 2013 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ARQUITETURA, ENGENHARIA E TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE EDIFICAÇÕES E AMBIENTAL AVALIAÇÃO DO CONSUMO ENERGÉTICO NO CONTROLE DE VAZÃO EM SISTEMA DE BOMBEAMENTO UTILIZANDO VÁLVULAS MECÂNICAS E INVERSORES DE FREQUÊNCIA – EXPERIÊNCIAS LABORATORIAIS E ESTUDO DE CASO ANGELO BERNARDO BRIDI Dissertação apresentada junto ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso, como requisito para obtenção do título de Mestre. PROF. DR. ARNULFO BARROSO DE VASCONCELLOS CUIABÁ-MT MARÇO – 2013 DEDICATÓRIA A Deus, pela dádiva da vida, e a minha esposa Inês, pelo amor, compreensão e por todo o sacrifício despendido. AGRADECIMENTOS A Deus, pela dádiva da vida e por tudo o que a envolve. A minha esposa Inês Bridi, pelo amor, compreensão e por todo o sacrifício despendido. Ao Prof. Dr. Arnulfo Barroso de Vasconcellos, pela orientação, incentivo, apoio e confiança, ingredientes que possibilitaram a realização deste trabalho. A todos os professores do Programa de Mestrado, em Engenharia de Edificações e Ambiental, da Universidade Federal de Mato Grosso, onde transmitiram seus conhecimentos. Ao Prof. Dr. Antônio de Pádua Finazzi, pela ajuda na solução de problemas que surgiram durante o desenvolvimento dos programas computacionais utilizados neste estudo. Ao Prof. Dr. Mário Kiyoshi Kawaphara, pela colaboração e fornecimento de material importante para o desenvolvimento deste trabalho. SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS ......................................................................... i LISTA DE TABELAS ..................................................................... v RESUMO .......................................................................................... vii ABSTRACT ...................................................................................... viii 1. INTRODUÇÃO .............................................................................. 01 1.1. PROBLEMÁTICA .......................................................................... 01 1.2. JUSTIFICATIVA ............................................................................ 02 1.3. RESULTADOS ESPERADOS ........................................................ 03 1.4. OBJETIVOS ....................................................................................... 04 1.4.1. Objetivo Específico ......................................................................... 04 1.5. ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ............................................... 04 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................. 06 2.1. SISTEMA ELEVATÓRIO OU DE BOMBEAMENTO ...................... 06 2.1.1. Turbobombas ................................................................................. 06 2.1.2. Sistema de Bombeamento Comum e de Bomba Afogada ............ 07 2.2. ALTURAS GEOMÉTRICAS E MANOMÉTRICAS DE ELEVAÇÃO DE UM SISTEMA DE BOMBEAMENTO COMUM 08 2.2.1. Teorema de Bernoulli ..................................................................... 10 2.2.2. Aplicação do Teorema de Bernoulli na Obtenção da Equação que Determina a Altura Manométrica de Sucção de um Sistema Comum ............................................................................................ 11 Aplicação do Teorema de Bernoulli na Obtenção da Equação que Determina a Altura Manométrica de Recalque de um Sistema Comum ................................................................................................. 15 Desenvolvimento da Equação que Determina a Altura Manométrica Total de Elevação de um Sistema Comum .............. 18 ALTURAS GEOMÉTRICAS E MANOMÉTRICAS DE ELEVAÇÃO DE UM SISTEMA DE BOMBEAMENTO DE BOMBA AFOGADA ........................................................................ 19 2.2.3. 2.2.4. 2.3. Aplicação do T. de Bernoulli na Obtenção da Equação que Determina a Altura Manométrica de Sucção de um Sistema de Bomba Afogada ............................................................................. 21 Aplicação do T. de Bernoulli na Obtenção da Equação que Determina a Altura Manométrica de Recalque de um Sistema de Bomba Afogada .............................................................................. 23 Desenvolvimento da Equação que Determina a Altura Manométrica Total de Elevação de um Sistema de Bomba Afogada ............................................................................................ 24 DETERMINAÇÃO DA ALTURA MANOMÉTRICA EM SISTEMAS JÁ INSTALADOS ATRAVÉS DE MANÔMETROS E VACUÔMETROS ..... 24 Determinação da Altura Manométrica Total de um Sistema de Bombeamento Comum com o Uso de um Vacuômetro e um Manômetro .......................................................................................... 25 Determinação da Altura Manométrica Total de um Sistema de Bombeamento de Bomba Afogada com o Uso de Manômetros ..... 29 PERDAS DE CARGA NOS ESCOAMENTOS EM REGIME PERMANENTE DE FLUIDOS INCOMPRESSÍVEIS ATRAVÉS DE TUBOS ............................................................................................ 33 2.5.1. Perda de Carga Distribuída .............................................................. 33 2.5.2. Perdas de Carga Localizadas ou Singulares ..................................... 38 2.5.3. Perda de Carga Total na Tubulação do Sistema .......................... 43 2.6. CURVA CARACTERÍSTICA DE UM SISTEMA DE BOMBEAMENTO ................................................................................ 45 2.7. ALTURA ÚTIL DE ELEVAÇÃO Hu (m) ........................................... 46 2.8. CONVERSOR DE FREQUÊNCIA E HARMÔNICOS ....................... 47 2.8.1. Modos de Controle ......................................................................... 49 2.8.2. Modulação por Largura de Pulso ...................................................... 50 2.8.3. Distorções Harmônicas nos Sistemas Elétricos ................................. 51 2.8.3.1. Origem da Sequência de Fases dos Harmônicos ................................ 55 2.8.3.2. Níveis de Distorção Harmônica, Medição e Regulamentação ........... 58 2.8.3.3. Cálculo dos Valores Eficazes Verdadeiros e do Percentual de Distorção Harmônica Individual e Total ............................................. 60 2.3.1. 2.3.2. 2.3.3. 2.4. 2.4.1. 2.4.2. 2.5. Redução dos Harmônicos na Utilização dos Conversores de Frequência PWM e Outros Efeitos que Devem Ser Observados ..... 62 RENDIMENTO DA BOMBA DE UM SISTEMA DE BOMBEAMENTO ............................................................................ 65 2.10. RENDIMENTO DE UM MOTOR ELÉTRICO ................................... 67 3. MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................... 68 3.1. MATERIAIS UTILIZADOS NO LABORATÓRIO ............................ 68 3.1.1. Sistema de Bombeamento Utilizado ................................................. 68 3.1.2. Bancada Utilizada ................................................................................ 70 3.1.3. Instalação Provisória de um Conversor de Frequência Trifásico com Alimentação Monofásica no Sistema ......................................... 74 3.1.4. Fluido Usado no Sistema de Bombeamento ...................................... 75 3.2. MATERIAIS UTILIZADOS NOS EXPERIMENTOS DE CAMPO .. 76 3.3. PROGRAMAS COMPUTACIONAIS UTILIZADOS NA PESQUISA ............................................................................................ 80 3.3.1. Programa Para Análise de Sistemas de Bombeamento ................. 80 3.4. METODOLOGIA UTILIZADA NOS EXPERIMENTOS DE LABORATÓRIO .................................................................................. 82 Experimentos para Análise do Sistema no Ponto de Operação com Vazão Máxima e para Análise do Método de Controle da Vazão na Válvula ................................................................................. 82 Experimentos para a Análise do Método de Controle da Vazão Através da Rotação da Bomba ........................................................... 83 3.5. EXPERIMENTAÇÃO DE CAMPO ..................................................... 84 4. ANÁLISES DOS RESULTADOS DA EXPERIMENTAÇÃO ....... 85 4.1. CURVAS, PONTO DE OPERAÇÃO, RENDIMENTOS, CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA E POTÊNCIA EM CV SOLICITADA PELA BOMBA ....................................................................................... 85 Curva da Bomba – Altura Manométrica em Função da Vazão H = f (Q) ................................................................................................ 86 4.1.2. Curva Característica do Sistema de Bombeamento H = f (Q) ........ 89 4.1.3. Ponto de Operação, Altura Manométrica, Altura Representativa da Perda de Carga Total e Rendimento do Sistema de Tubulações 91 2.8.4 2.9. 3.4.1. 3.4.2. 4.1.1. 4.1.4. Cálculo do Rendimento da Bomba ................................................ 93 4.1.5. Rendimentos dos Componentes e do Sistema de Bombeamento .... 94 4.1.6. Consumo de Energia Elétrica em kWh/(m³/h) ................................. 95 4.1.7. Potência em CV Solicitada pela Bomba e Verificação dos Cálculos 95 4.2. MÉTODO DE CONTROLE DA VAZÃO ATRAVÉS DA REGULAGEM NA ABERTURA DA VÁLVULA ............................. 96 Controle da Vazão em Sistemas de Bombeamento Através da Válvula nos Serviços de Fornecimento de Água Potável ................. 99 4.2.1. 4.3. MÉTODO DE CONTROLE DA VAZÃO ATRAVÉS DA REGULAGEM NA ROTAÇÃO DA BOMBA .................................... 101 4.3.1. Controle da Vazão em Sistemas de Bombeamento Através da Rotação da Bomba nos Serviços de Fornecimento de Água Potável ............................................................................................. 106 4.4. POTÊNCIAS DEMANDADAS DA REDE E FATOR DE POTÊNCIA ........................................................................................... 107 4.5. DISTORÇÃO HARMÔNICA .............................................................. 112 4.5.1. Acionamento do Motor da Bomba Via Contator ............................. 113 4.5.2. Acionamento do Motor da Bomba Via Conversor de Frequência Trifásico com Alimentação Trifásica (Tri./Tri.) ............................. 114 4.5.3. Acionamento do Motor da Bomba Via Conversor de Frequência Trifásico com Alimentação Monofásica (Mono./Tri.) ..................... 119 4.5.4. Medições Feitas em Campo na Fonte da Água Mineral Fluente .... 4.6. OBSERVAÇÕES SOBRE AS APLICAÇÕES DOS CONVERSORES NO PROCESSO DE ENGARRAFAMENTO DA ÁGUA MINERAL FLUENTE ........................................................... 127 5. CONCLUSÕES ................................................................................. 129 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................... 135 124 i LISTA DE FIGURAS Figura 2.1 – Partes principais de uma bomba centrífuga radial [21]. ............................. 07 Figura 2.2 – Sistema de bombeamento comum com bomba centrífuga. ........................ 08 Figura 2.3 – Representação do Teorema de Bernoulli [05]. ........................................... 10 Figura 2.4 – Sistema de bombeamento com bomba centrífuga afogada. ....................... 19 Figura 2.5 – Sistema de bombeamento comum com bomba centrífuga, com vacuômetro instalado na entrada e manômetro instalado na saída da bomba [05]. ................................................................................................. 25 Figura 2.6 – Sistema de bombeamento de bomba afogada, com os manômetros instalados na entrada e na saída da bomba centrífuga [05]. ...................... 29 Figura 2.7 – Diagrama de Moody [22]. ........................................................................... 37 Figura 2.8 – Circuito de potência de um conversor de frequência trifásico com retificador controlado de seis pulsos. .......................................................... 47 Figura 2.9 – Sinal MLP com dois níveis [11]. ................................................................ 50 Figura 2.10 – Formas de onda da tensão e da corrente na modulação MLP a dois níveis [11]. ............................................................................................................. 51 Figura 2.11 – Formas de onda da tensão e da corrente na modulação MLP a três níveis [11]. ............................................................................................................. 51 Figura 2.12 – Distorção na forma de onda causada pelo conteúdo harmônico [12]. .... 52 Figura 2.13 – Diagrama de sequência de fases positiva das tensões da frequência fundamental. ............................................................................................... 56 Figura 2.14 – Diagrama de sequência zero das tensões do terceiro harmônico. ............ 56 Figura 2.15 – Diagrama de sequência negativa das tensões do quinto harmônico. ....... 57 Figura 2.16 – Diagrama de sequência positiva das tensões do sétimo harmônico. ....... 58 Figura 2.17 – Conexões da reatância de rede na entrada do conversor de frequência [08]. ............................................................................................................. 63 Figura 3.1 – Sistema de bombeamento utilizado nos experimentos de laboratório. ... 68 Figura 3.2 – Vistas frontais do armário da bancada utilizada nos experimentos de laboratório. .................................................................................................. 70 Figura 3.3 – Mesa da bancada utilizada nos experimentos de laboratório. .................. 71 Figura 3.4 – Analisador de energia MARH-21. .............................................................. 73 ii Figura 3.5 – Esquemas elétricos das conexões do MARH-21, (a) na entrada e (b) na saída do conversor de frequência Tri./Tri. .................................................. 73 Figura 3.6 – Conversor de frequência Mono./Tri. que foi instalado provisoriamente no sistema de bombeamento do laboratório. ................................................... 74 Figura 3.7 – Esquemas elétricos das conexões do MARH-21, (a) na entrada e (b) na saída do conversor de frequência Mono./Tri. ............................................. 75 Figura 3.8 – Setor de carregamento da água mineral. ..................................................... 76 Figura 3.9 – Casa da geração própria e postos de transformação do sistema de suprimento de energia elétrica na fonte da Água Mineral Fluente. ......... 77 Figura 3.10 – Vista lateral da lavadora de vasilhames do processo de engarrafamento de água mineral. .......................................................................................... 77 Figura 3.11 – Painel dos conversores de frequência da lavadora. ................................... 78 Figura 3.12 – Conjunto moto-bomba do sistema no qual foram efetuadas as medições em campo. ................................................................................................... 78 Figura 4.1 – Curva característica da bomba, do sistema utilizado nos experimentos de laboratório, fornecida pelo fabricante da mesma. ...................................... 86 Figura 4.2 – Curvas características da bomba do sistema utilizado nos experimentos de laboratório. ............................................................................................. 88 Figura 4.3 – Curvas da bomba formadas por curvas polinomiais ajustadas. ............... 89 Figura 4.4 – Curva característica do sistema de bombeamento. .................................... 90 Figura 4.5 – Ponto de operação da bomba e do sistema de bombeamento. ................. 91 Figura 4.6 – Curva do rendimento da bomba, do sistema de bombeamento utilizado nos experimentos de laboratório. ................................................................ 94 Figura 4.7 – Válvula ou registro manual instalado na tubulação de recalque [02]. ... 96 Figura 4.8 – Curvas do sistema para as regulagens na abertura da válvula eletromecânica efetuadas. ........................................................................... 97 Figura 4.9 – Curvas do sistema e da bomba para as rotações de “a” a “i”, com a utilização do conversor Tri./Tri. ................................................................. 102 Figura 4.10 – Curvas do sistema e da bomba para as rotações de “a” a “i”, com a utilização do conversor Mono./Tri. ............................................................. 102 Figura 4.11 – Localização dos pontos de operação do sistema e da bomba para as rotações de “a” a “i”, com a utilização do conversor Tri./Tri. ................. 104 Figura 4.12 – Localização dos pontos de operação do sistema e da bomba para as rotações de “a” a “i”, com a utilização do conversor Mono./Tri. ............ 104 Figura 4.13 – Potência ativa demandada da rede de alimentação. ................................... 108 iii Figura 4.14 – Potência reativa demandada da rede de alimentação. ............................... 109 Figura 4.15 – Potência aparente demandada da rede de alimentação. ............................ 110 Figura 4.16 – Fator de potência da carga, em função da vazão, do método de controle e do tipo de acionamento do motor da bomba. .............................................. 110 Figura 4.17 – Formas de onda das tensões e das correntes nas fases A, B e C do barramento de alimentação do motor da bomba. ........................................ 113 Figura 4.18 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C do barramento de alimentação do motor da bomba. ................................................................ 113 Figura 4.19 – Espectro harmônico da tensão na fase A do barramento de alimentação do motor da bomba. .................................................................................... 114 Figura 4.20 – Formas de onda das tensões e das correntes nas fases A, B e C do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. ............ 115 Figura 4.21 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. ...................................... 115 Figura 4.22 – Forma de onda da corrente na fase A do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. ................................................................ 116 Figura 4.23 – Espectro harmônico da corrente na fase A do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. ........................................................... 117 Figura 4.24 – Espectro harmônico da tensão na fase A do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. ........................................................... 117 Figura 4.25 – Forma de onda da tensão PWM na fase A, na saída do conversor com alimentação trifásica (Tri./Tri.). .................................................................. 118 Figura 4.26 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C “enxergadas” pelo motor, no acionamento via conversor de frequência Tri./Tri. .................. 118 Figura 4.27 – Espectro harmônico da corrente na fase A, no borne do motor, no acionamento via conversor de frequência Tri./Tri. .................................... 119 Figura 4.28 – Formas de onda da tensão Vab e da corrente Ia na fase A, no barramento de alimentação do conversor de frequência Mono./Tri. ............................ 120 Figura 4.29 – Forma de onda da corrente Ia na fase A, no barramento de alimentação do conversor de frequência Mono./Tri. ....................................................... 120 Figura 4.30 – Espectro harmônico da corrente na fase A, no barramento de alimentação do conversor de frequência Mono./Tri. ....................................................... 121 Figura 4.31 – Espectro harmônico da tensão Vab no barramento de alimentação do conversor Mono./Tri., com o conversor desligado. .................................... 122 Figura 4.32 – Espectro harmônico da tensão Vab no barramento de alimentação do conversor Mono./Tri., com o conversor operando em 50 Hz. ................... 122 iv Figura 4.33 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C “enxergadas” pelo motor, no acionamento via conversor de frequência Mono./Tri. ............. 123 Figura 4.34 – Espectro harmônico da corrente na Fase A, no borne do motor, no acionamento via conversor de frequência Mono./Tri. ............................... 124 Figura 4.35 – Formas de onda da tensão e da corrente, no barramento de alimentação do conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. 125 Figura 4.36 – Forma de onda da corrente, no barramento de alimentação do conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. ........................ 125 Figura 4.37 – Espectro harmônico da corrente, no barramento de alimentação do conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. ..... 126 Figura 4.38 – Espectro harmônico da tensão, no barramento de alimentação do conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. ..... 126 Figura 4.39 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C “enxergadas” pelo motor da bomba do sistema usado na lavagem de garrafões. ................... 127 Figura 4.40 – Espectro harmônico da corrente na Fase A, no borne do motor do sistema usado na lavagem de garrafões. .................................................................. 127 v LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 – Coeficientes K de perda de carga localizada de alguns elementos [02, 03]. ....................................................................................................... 40 Tabela 2.2 – Coeficiente de contração para a água determinado por Weisbach [03]. 41 Tabela 2.3 – Ordem, frequência e sequência de fases até o 17º harmônico. ................. 54 Tabela 2.4 – Distorção harmônica total de tensão (em percentagem da fundamental) [14]. ............................................................................................................. 59 Tabela 2.5 – Níveis de referência para distorções harmônicas individuais de tensão (em percentagem da fundamental) [14]. ..................................................... 60 Tabela 2.6 – Terminologia aplicável às formulações do cálculo das distorções harmônicas [14]. ......................................................................................... 60 Tabela 2.7 – Redução dos harmônicos nas instalações elétricas com a utilização dos conversores de frequência [08]. .................................................................. 64 Tabela 3.1 – Características da bomba utilizada nos experimentos de laboratório. ... 69 Tabela 3.2 – Características do motor utilizado nos experimentos de laboratório. .... 70 Tabela 3.3 – Características do conversor de frequência existente no armário da bancada, do sistema utilizado no laboratório. ............................................ 72 Tabela 3.4 – Características do conversor de frequência instalado provisoriamente no sistema de bombeamento. ........................................................................... 75 Tabela 3.5 – Características do motor utilizado no sistema no qual foram efetuadas as medições em campo. ................................................................................... 79 Tabela 3.6 – Características do conversor utilizado no sistema no qual foram efetuadas as medições em campo. ............................................................................... 79 Tabela 3.7 – Experimentos com o método de controle da vazão através da válvula – Rotação da Bomba 3.340 RPM. .................................................................. 82 Tabela 3.8 – Experimentos com o método de controle da vazão através da rotação da bomba, com o uso do conversor Tri./Tri. .................................................... 83 Tabela 3.9 – Experimentos com o método de controle da vazão através da rotação da bomba, com o uso do conversor Mono./Tri. ............................................... 83 Tabela 4.1 – Vazões e alturas manométricas correspondentes. ....................................... 88 Tabela 4.2 – Valores obtidos utilizando-se o controle da vazão através da válvula eletromecânica. ........................................................................................... 98 Tabela 4.3 – Consumo de energia elétrica no controle da vazão através da regulagem na abertura da válvula. ................................................................................ 100 vi Tabela 4.4 – Frequências programadas nos conversores, velocidades de rotação do conjunto moto-bomba e valores de k. ......................................................... 103 Tabela 4.5 – Valores obtidos utilizando-se o controle da vazão na rotação da bomba, com o uso do conversor Tri./Tri. ................................................................ 105 Tabela 4.6 – Valores obtidos utilizando-se o controle da vazão na rotação da bomba, com o uso do conversor Mono./Tri. ............................................................ 105 Tabela 4.7 – Consumo de energia elétrica no controle da vazão através da rotação da bomba, com o uso do conversor Tri./Tri. .................................................... 107 Tabela 4.8 – Consumo de energia elétrica no controle da vazão através da rotação da bomba, com o uso do conversor Mono./Tri. ............................................... 107 Tabela 4.9 – Comparação de potências demandas pelo conversor de frequência Mono./Tri. em relação ao conversor de frequência Tri./Tri. .................... 112 Tabela 4.10 – Potências e fatores de potência medidos no conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. ..................................................... 125 vii RESUMO BRIDI, A. B. Avaliação do consumo energético no controle de vazão em sistema de bombeamento utilizando válvulas mecânicas e inversores de frequência – experiências laboratoriais e estudo de caso. Cuiabá - MT, 2013. 146f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Ambiental, Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia, Universidade Federal de Mato Grosso. Este trabalho apresenta um método de análise de sistemas de bombeamento com turbobombas, para ser aplicado em sistemas já instalados que podem ser colocados em operação. Uma forma prática de determinar a altura manométrica, o rendimento do sistema de tubulações, da bomba e do sistema de bombeamento e o consumo de energia elétrica ativa, por metro cúbico de fluido bombeado, no ponto de operação do sistema. A determinação do rendimento dos componentes do sistema no ponto de funcionamento permite saber onde atuar para obter um melhor resultado na redução do consumo de energia elétrica. A análise é efetuada medindo-se a potência ativa demandada pelo motor da bomba e a vazão proporcionada pelo sistema, no ponto de operação a ser analisado. Além das medições descritas, para analisar o sistema com este método, é necessário ter o rendimento do motor, a altura geométrica do sistema, o peso específico do fluido bombeado e a curva característica da bomba da altura manométrica em função da vazão. Esta curva da bomba deve ser para o mesmo fluido com a mesma temperatura daquele que está sendo bombeado no sistema. Neste estudo, mostra-se como se determina a altura manométrica de um sistema de bombeamento através da utilização de instrumentos que medem pressões. Este método de determinação da altura manométrica possibilita a construção da curva característica da bomba, que foi citada, para o fluido que está sendo bombeado. Os métodos de controle da vazão, através da válvula e através da rotação da bomba, também são analisados. Para variar a rotação da bomba utiliza-se o conversor de frequência no acionamento do motor. São testados dois conversores de frequência trifásicos, um com alimentação trifásica e outro monofásica. Para verificar os impactos causados pelos harmônicos sobre a qualidade da energia elétrica, o conteúdo harmônico gerado com a utilização dos conversores é medido e analisado. Palavras-Chave: Sistemas de Bombeamento, Altura Manométrica, Rendimentos, Consumo de Energia Elétrica, Conversor de Frequência. viii ABSTRACT BRIDI, A. B. Evaluation of energy consumption in the flow control in a pumping system using mechanical valves and frequency converters – laboratory experiments and case study. Cuiabá - MT, 2013. 146f. Dissertation (Master’s degree) – Post-Graduation Program in Buildings and Environmental Engineering, Architecture, Engineering and Technology College, Federal University of Mato Grosso. This paper presents a system analysis method of pumping with turbopumps to be applied in systems already installed which can be put into operation. It is a practical way to determine the manometric height, the yield of the piping system, of the pump and of the pumping system and the active energy consumption, per cubic meter of pumped fluid, at the point of the system operation. The yield determination of the system components at the operating point allows knowing where to act to achieve a better result in the reduction of energy consumption. The analysis is done by measuring the active power demanded by the pump engine and the flow provided by the system, at the operation point to be analyzed. Besides the described measurements, in order to analyze the system with this method, it is necessary to have the engine yield, the geometric height of the system, the specific weight of the pumped fluid and the pump’s characteristic curve, manometric height in relation to the flow. This pump’s curve should be for the same fluid that is being pumped in the system. In this study, it is shown how the manometric height of a pumping system through the use of tools which measures pressures is determined. This method of manometric height determination allows for the construction of the pump’s characteristic curve, which was cited, to the fluid that is being pumped. The methods of flow control, through a valve and a pump’s rotation, are also analyzed. In order to vary the pump’s rotation the frequency converter in the engine’s drive is used. Two three-phase frequency converters are tested, one with a three-phase supply and another with a single-phase supply. To check the impacts caused by the harmonics in the electric energy quality, the harmonic content generated with the use of the converters is measured and analyzed. Keywords: Pumping System, Manometric Height, Yield, Electric Energy Consumption, Frequency Converter. 1 1. INTRODUÇÃO Os sistemas de bombeamento são aplicados em vários segmentos industriais, sua presença é necessária nas indústrias que utilizam líquidos em seus processos. A sua utilização é indispenssável nos serviços de saneamento. São utilazados para abastecer os reservatórios, que alimentam as redes de tubulações, que distribuem a água tratada nos pontos de consumo. São utilizados, também, nos sistemas de coleta de esgoto. As tubulações dos sistemas de bombeamento oferecem resistência ao escoamento do fluido. Parte da energia fornecida pela bomba ao fluido é perdida na resistência oferecida pelas tubulações ao escoamento. O motor da bomba, a bomba e o sistema de tubulações possuem um rendimento para cada ponto de operação sistema. A eficiência energética de um sistema de bombeamento depende do rendimento destes três componentes. Os custos atuais da energia elétrica não permitem mais que se trabalhe com equipamentos de baixo rendimento. Quando se trabalha com equipamentos de baixo rendimento uma grande quantidade de energia é desperdiçada. Financeiramente, isso resulta numa redução dos lucros sobre os produtos industrializados ou sobre os serviços prestados. Bons lucros são obtidos reduzindo-se ao mínimo os desperdícios. 1.1. PROBLEMÁTICA Sabe-se que muitas empresas, estatais e privadas, deste país e de muitos outros pelo mundo afora, prestadoras dos serviços de saneamento básico enfrentam dificuldades financeiras [01]. As dificuldades financeiras enfrentadas por muitas destas empresas resultam na prestação de serviços de saneamento básico: completamente inexistentes; apenas com água tratada; ou com água tratada e canalização de esgoto, porém de baixa qualidade, que são disponibilizados à população em muitas regiões urbanas do mundo inteiro. Isto afeta os corpos hídricos, a qualidade de vida e a saúde da população, trazendo doenças, epidemias, mortes e imensos gastos financeiros governamentais no setor da saúde pública. Em muitas regiões urbanas deste país, os sistemas públicos de fornecimento de água tratada são precários e muitas vezes falta água nas torneiras das residências dos moradores destas regiões. A água fornecida não recebe tratamento adequado e, 2 portanto, não é potável. Em muitos lugares não existe canalização de esgoto. Os sistemas de tratamento de esgoto, quando existem, a maioria deles não funcionam ou quando funcionam não efetuam o tratamento a nível necessário para que o mesmo possa ser aceito pelos corpos hídricos. Em muitos casos, o esgoto é lançado diretamente nos rios causando sérios danos ao meio ambiente. No entanto, percebe-se que as concessionarias de energia elétrica deste país não passam por dificuldades. Vem melhorando e ampliando seus sistemas elétricos e conseguem atender, de uma forma considerada satisfatória, os seus consumidores. Porque tamanha diferença nos serviços de saneamento básico urbano, que têm importância equivalente ou maior para a população? 1.2. JUSTIFICATIVA A energia elétrica é muito utilizada nos serviços de saneamento básico urbano. O consumo de energia representa a maior das despesas na prestação do serviço de fornecimento de água tratada à população urbana. Pois são sistemas de bombeamento, cujas bombas são movimentadas com de motores elétricos de indução, que abastecem os reservatórios e muitas vezes as próprias redes de tubulações que distribuem a água nos pontos de consumo. No tratamento de esgoto a energia elétrica é utilizada nos aeradores e nos sistemas de bombeamento para a coleta. As concessionárias de energia elétrica calculam as perdas que ocorrem para conduzir a energia até os locais de consumo. Melhoram sistemas de transmissão e de distribuição de energia elétrica, reduzindo as perdas e melhorando os lucros. Dessa forma, com um preço de custo do kWh tolerável pela renda da população, conseguem atender os consumidores de uma forma considerada satisfatória, com uma qualidade da energia elétrica razoavelmente boa, em quase todo o país. Em regiões urbanas do Estado de Mato Grosso e de outros estados deste país, existem redes de fornecimento de água tratada que não possuem reservatórios, os quais, através da força gravitacional, possibilitam manter o fornecimento de água na altura exigida pela norma após as bombas serem desligadas. Independente do consumo de água, as bombas precisam ficar ligadas durante quase às 24 horas do dia, somente durante algumas horas da madrugada é que podem ser desligadas. Com este 3 sistema de fornecimento de água, não se conhece as alturas geométricas dos sistemas de bombeamento, se torna difícil de conhecer e estabelecer limites máximos às perdas de carga e, portanto, limites mínimos de rendimento para os sistemas de bombeamento. Neste sistema de fornecimento de água, o controle da vazão e efetuado através das válvulas de controle de nível instaladas nas caixas d’água e através dos registros instalados nos pontos de consumo direto. É o uso do tradicional do método de controle da vazão através da válvula. Método de controle da vazão em que se tem o maior desperdício de energia nos sistemas de bombeamento. Dentro deste contexto, através de medições efetuadas no laboratório, num sistema de bombeamento com bomba centrífuga, o presente trabalho de pesquisa demonstra que se torna fácil determinar o rendimento do sistema de tubulações, da bomba e do sistema de bombeamento, quando se conhece a altura geométrica e a altura manométrica de elevação do sistema. Demonstra, também, a determinação do consumo de energia elétrica, em kWh/(m³/h), no ponto de operação do sistema. Mostra, ainda, que o rendimento do motor, da bomba e do sistema de tubulações são os indicadores de onde se deve atuar, para obter um melhor resultado na redução do consumo energia elétrica, no ponto de operação de um sistema de bombeamento. Neste estudo, são analisados os métodos de controlar a vazão de descarga, em regime contínuo de operação, nos sistemas de bombeamento que possuem uma única bomba, o método de controle através da válvula e o método de controle através da rotação da bomba. Neste último com a utilização do conversor de frequência. São testados dois conversores de frequência trifásicos, um com alimentação trifásica e outro com alimentação monofásica. O conteúdo harmônico gerado com a utilização dos conversores é medido e analisado. É testada também, em campo, a aplicação de conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica, no acionamento dos motores de indução trifásicos de um processo de engarrafamento de água mineral. Este processo de engarrafamento está situado num local onde existe apenas um sistema público de distribuição monofásico. 1.3. RESULTADOS ESPERADOS Com esta pesquisa espera-se poder fornecer subsídios, que possam contribuir para reduzir o consumo de energia elétrica, nos sistemas de bombeamento utilizados 4 nos serviços de saneamento. Para que as prestadoras deste serviço possam melhorar os lucros e assim, ampliar o atendimento e melhorar a qualidade dos serviços prestados neste setor importante para a saúde e a qualidade de vida da população. 1.4. OBJETIVOS Determinar a altura manométrica, o rendimento do sistema de tubulações, da bomba e do sistema de bombeamento e o consumo de energia elétrica ativa, em kWh/(m³/h), no ponto de operação do sistema. E também estudar os métodos de controle da vazão através da válvula e através da rotação da bomba com o uso do conversor de frequência. 1.4.1. Objetivo Específico Melhorar a eficiência e reduzir o consumo de energia elétrica nos sistemas de bombeamento. 1.5. ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO Dentro do contexto descrito, além do capítulo introdutório, esta dissertação obedece a estrutura de desenvolvimento descrita a seguir. Capítulo 2 – Apresenta a fundamentação teórica utilizada para o desenvolvimento deste trabalho de pesquisa, obedecendo a seguinte estrutura: sistema elevatório ou de bombeamento, partes principais, turbobombas, sistema de bombeamento comum e de bomba afogada; alturas geométricas, manométricas, Teorema de Bernoulli e demonstração da aplicação do Teorema de Bernoulli, na obtenção das equações que determinam a altura manométrica de sucção, de recalque e total, no sistema de bombeamento comum e de bomba afogada; determinação da altura manométrica total de um sistema de bombeamento, comum e de bomba afogada, através de instrumentos que medem pressões (manômetros e vacuômetros); perdas de carga e curva característica de um sistema de bombeamento; 5 altura útil de elevação Hu (m); conversor de frequência e harmônicos, modos de controle, modulação por largura de pulso, distorções harmônicas nos sistemas elétricos, redução dos harmônicos na utilização dos conversores de frequência PWM e outros efeitos que devem ser observados; rendimento da bomba e do motor elétrico de um sistema de bombeamento. Capítulo 3 – Apresenta os materiais e os métodos utilizados na experimentação. Capítulo 4 – Apresenta as análises dos resultados da experimentação. No final são descritas observações, sobre aplicações de conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica que foram feitas em campo. Este capítulo é desenvolvido obedecendo a seguinte estrutura: análise do sistema de bombeamento utilizado no laboratório, para as condições de operação: válvula eletromecânica totalmente aberta e bomba em 3.340 RPM, com o motor acionado via contator; análise do método de controle da vazão através da válvula, utilizando o sistema de bombeamento do laboratório, com o motor acionado via contator; análise do método de controle da vazão através da rotação da bomba, testando dois conversores de frequência trifásicos, um com alimentação trifásica (Tri./Tri.) e outro com alimentação monofásica (Mono./Tri.), utilizando o sistema de bombeamento do laboratório; análise das potências demandadas e do fator de potência, em função da vazão, do método de controle da mesma (na válvula ou na rotação da bomba) e do tipo de acionamento do motor da bomba utilizado (via contator ou via conversor de frequência com alimentação trifásica ou monofásica), também, utilizando o sistema de bombeamento do laboratório; distorção harmônica causada com a utilização dos conversores de frequência; observações sobre aplicações de conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica, que foram feitas para o acionar os motores de indução trifásicos do processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente. Capítulo 5 – Nesta etapa são apresentas as conclusões chegadas com este estudo. 6 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo é apresentada a fundamentação teórica que foi utilizada como base para o desenvolvimento desta pesquisa. 2.1. SISTEMA ELEVATÓRIO OU DE BOMBEAMENTO Um sistema elevatório ou de bombeamento é constituído pelo conjunto de tubulações, acessórios, bomba(s) e motor(es) necessário para transportar um fluido de um reservatório inferior ou de captação para um reservatório superior. Em geral um sistema elevatório ou de bombeamento é composto por três partes principais: tubulação de sucção: tubulação que liga o reservatório inferior ou de captação a entrada da bomba; conjunto elevatório: constituído por bomba(s) e motor(es); tubulação de recalque: tubulação que liga a saída da bomba ao reservatório superior. 2.1.1. Turbobombas As turbobombas são as bombas mais utilizadas nos sistemas de saneamento básico das regiões urbanas e nas indústrias que usam líquidos em seus processos. São máquinas nas quais a movimentação do fluido é produzida por forças que se desenvolvem na massa líquida do mesmo. Estas forças são consequência do movimento de rotação de um rotor, que é dotado de certo número de pás especiais. Este rotor é também chamado impulsor ou impelidor. Existem vários tipos de turbobombas. A distinção entre os diversos tipos é feita fundamentalmente em função da maneira que o rotor cede energia ao fluido, bem como, da orientação deste ao sair rotor. As turbobombas são classificadas em: bombas de fluxo axial, bombas centrífugas (puras ou radiais e tipo Francis), bombas de fluxo misto e bombas periféricas ou regenerativas [02]. Para grandes vazões e alturas manométricas baixas a bomba do tipo axial ou propulsora é mais apropriada. Para alturas manométricas elevadas a bomba mais adequada é a centrífuga (radial), frequentemente com dois ou mais estágios (dois ou mais rotores em série). A bomba de fluxo misto é usada para alturas manométricas e vazões moderadas, como exemplo, pode-se citar a bomba hélico-centrífuga [03]. 7 Nesta pesquisa será dada ênfase a bomba centrífuga. Dentre os diversos tipos, é o mais simples e mais empregado. Nela, a energia fornecida ao fluido é primordialmente do tipo cinética, sendo posteriormente convertida em grande parte em energia de pressão. A energia cinética pode ter origem puramente centrífuga ou de arrasto, ou até mesmo, uma combinação das duas, dependendo da forma do impelidor (rotor). A conversão de grande parte da energia cinética em energia de pressão é realizada fazendo-se com que o fluido (líquido) que sai do impelidor, passe por um conduto de área crescente, conforme pode ser observado na figura 2.1[04]. Saída Olho Corbetura Admissão Língua Impelidor Voluta Carcaça Figura 2.1 – Partes principais de uma bomba centrífuga radial [21]. 2.1.2. Sistema de Bombeamento Comum e de Bomba Afogada Conforme a posição da bomba, em relação ao nível da superfície do fluido do reservatório inferior, um sistema de bombeamento pode ser classificado como sendo comum ou de bomba afogada. Sistema comum é aquele que a bomba está instalada num nível mais elevado do que aquele da superfície do fluido do reservatório inferior. Neste sistema, a bomba precisa criar um vácuo suficiente no seu interior, para que a pressão atmosférica, agindo na superfície do fluido do reservatório inferior, empurre a coluna de fluido que está na tubulação de sucção para dentro da mesma. Sistema de bomba afogada é aquele que a bomba está instalada num nível mais baixo do que aquele da superfície do fluido do reservatório inferior. Neste sistema, a pressão na sucção pode ser positiva, ou seja, maior do que a atmosférica do local, porque existe uma coluna de fluido fazendo pressão na entrada da bomba. Para que uma turbobomba comesse a bombear deve ser escorvada, ou seja, previamente é necessário encher a turbobomba e a tubulação de sucção com o fluido a ser bombeado. Dessa forma, o ar existente no interior da tubulação de sucção e da 8 bomba é totalmente expulso e a mesma pode começar a bombear. Portanto, quando uma turbobomba para de bombear, ela e a tubulação de sucção devem ser mantidas cheias de fluido (líquido), para que quando tiver que voltar a bombear ambas já estejam cheias. No sistema comum, para manter a tubulação e a bomba cheias, instala-se uma válvula de pé no início da tubulação de sucção, ou seja, no pé da mesma. No sistema de bomba afogada este enchimento ocorre pelo desnível existente entre a bomba e o reservatório inferior. Nesse caso, a válvula de pé não é necessária. Com exceção da válvula de pé, os principais componentes utilizados em ambos os sistemas são os mesmos. Os dois sistemas são apresentados e estudados. 2.2. ALTURAS GEOMÉTRICAS E MANOMÉTRICAS DE ELEVAÇÃO DE UM SISTEMA DE BOMBEAMENTO COMUM A figura 2.2 ilustra um sistema de bombeamento comum com bomba centrífuga. Esta figura mostra os principais componentes que são utilizados neste tipo de sistema, os reservatórios (inferior e superior), a tubulação de sucção com a válvula de pé e crivo, o conjunto moto-bomba e a tubulação de recalque com a válvula de retenção e o registro de gaveta. A figura citada mostra, também, a cotação das alturas geométricas, das alturas representativas das perdas de carga e das alturas manométricas, as quais são explicadas na sequência deste estudo. Figura 2.2 – Sistema de bombeamento comum com bomba centrífuga. 9 As alturas geométricas são as alturas estáticas existentes num sistema de bombeamento. Estas são: altura estática de sucção, de recalque e total de elevação do sistema. Na figura 2.2, as alturas geométricas foram denominadas de hs, hr e Hg, sendo: hs – altura geométrica de sucção – é a diferença de altura entre o nível do centro do rotor da bomba e o nível da superfície do fluido no reservatório inferior; hr – altura geométrica de recalque – é convencionada como sendo a diferença de altura entre o nível que o fluido está sendo elevado e o nível do centro do rotor da bomba. Hg – altura geométrica total – é a diferença de altura entre o nível que o fluido está sendo elevado e o nível da superfície do fluido no reservatório inferior (nos sistemas comuns Hg é igual a soma de hs e hr). As irreversibilidades que ocorrem nos escoamentos de fluidos incompressíveis em regime permanente através das tubulações são expressas em termos de perdas de carga [03]. Essas perdas de carga são causadas pelo atrito do fluido com as paredes internas das tubulações, pela viscosidade do mesmo quando o escoamento não é completamente turbulento e pelas formas geométricas dos dutos de passagem do fluido dos elementos que são utilizados nas tubulações (pelas contrações, expansões, curvas, saliências etc. que os dutos dos elementos apresentam). Portanto, num sistema de bombeamento, além das alturas geométricas de sucção e de recalque, têm-se também as alturas representativas das perdas de carga que ocorrem no escoamento do fluido através das tubulações. A soma da altura geométrica de um sistema de bombeamento, com a altura representativa da perda de carga que ocorre no escoamento do fluido através do mesmo é denominada de altura manométrica. Na figura 2.2, as alturas manométricas são expressas como segue. Hs = hs + Δhs = hs + Js (2.1) Hr = hr + Δhr = hr + Jr (2.2) H = Hs + Hr (2.3) H = hs + hr + Js + Jr (2.4) H = Hg + Js + Jr (2.5) J = Js + Jr (2.6) Fazendo: 10 H = Hg + J (2.7) Sendo: Hs – altura manométrica de sucção; Hr – altura manométrica de recalque; Δhs e Js – altura representativa da perda de carga na tubulação de sucção; Δhr e Jr – altura representativa da perda de carga na tubulação de recalque; J – altura representativa da perda de carga total; H – altura manométrica total. A altura manométrica total é a altura representativa da energia que bomba precisa fornecer ao fluido, por unidade de peso, expressa em metros de coluna de fluido, para que escoe do reservatório inferior até a altura estática total de elevação do sistema e saia da tubulação de recalque proporcionando a vazão bombeada. 2.2.1. Teorema de Bernoulli Este teorema estabelece que no escoamento de um fluido incompressível em regime permanente através de um duto, sem perdas, a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, relativa à soma da altura representativa da energia potencial (h), de pressão (p/γ) e cinética (V2/2g) do mesmo, permanece constante ao longo de uma linha de corrente [03, 05]. A figura 2.3 mostra o que estabelece o Teorema de Bernoulli. De acordo com a esta figura, tem-se que: ( Figura 2.3 – Representação do Teorema de Bernoulli [05]. ) 11 Dessa forma, considerando-se que não há perdas no escoamento do fluido através do duto, a altura representativa da energia total do mesmo, por unidade de peso, permanece constante ao longo de uma linha de corrente, conforme expresso na equação (2.9) apresentada a seguir. ( ) Sendo: h – energia de posição (potencial) – representa o trabalho que o fluido situado a uma altura h (m) acima do solo ou acima do plano de referência pode realizar, por unidade de peso, se abandonado a ação da gravidade; P/γ – altura piezométrica – altura representativa da energia relativa a pressão do fluido é a razão entre a pressão do fluido e o seu peso específico – (kgf/m²) / (kgf/m³) = (m); V2/2g – altura cinética – altura representativa da energia relativa a velocidade do fluido (altura representativa da energia cinética) – (m/s)2 / (m/s²) = (m); g – aceleração da gravidade; γ – peso específico do fluido. O Teorema Bernoulli pode ser utilizado no desenvolvimento das equações que determinam as alturas manométricas de um sistema de bombeamento (altura manométrica de sucção, de recalque e total de elevação do sistema). 2.2.2. Aplicação do Teorema de Bernoulli na Obtenção da Equação que Determina a Altura Manométrica de Sucção de um Sistema Comum A demonstração da aplicação do Teorema de Bernoulli, na obtenção da equação que determina a altura manométrica de sucção de um sistema de bombeamento comum, é feita utilizando-se o sistema ilustrado na figura 2.2. Este Teorema é aplicado igualando-se a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, em dois pontos do escoamento. Num ponto localizado ou referenciado ao nível que inicia e num ponto localizado ou referenciado ao nível que termina a tubulação que ocorre o escoamento do fluido. Para esta demonstração, foi escolhido um ponto localizado no interior da tubulação de sucção no nível de altura h1. Este ponto foi denominado de ponto 1 e está representado na figura 2.2 pelas três 12 componentes: h1, P1, V1 (altura, pressão e velocidade do fluido no ponto 1). O outro ponto escolhido foi um ponto localizado na entrada do rotor da bomba no nível de altura h2. Este foi denominado de ponto 2 e está representado na figura 2.2 pelas três componentes: h2, P2, V2 (altura, pressão e velocidade do fluido no ponto 2). A equação apresentada a seguir expressa matematicamente a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 1, relativa a soma da altura representativa da energia potencial, de pressão e cinética do mesmo. ( ) Sendo: ET1 – altura representativa da energia total do fluido por unidade de peso no ponto 1; h1 – altura do ponto 1, referência de altura igual a zero do sistema de bombeamento comum, nível da superfície do fluido no reservatório inferior; P1 – pressão do fluido no ponto 1; V1 – velocidade do fluido no ponto 1. A altura representativa da pressão atmosférica local (Hb) é a razão entre a pressão atmosférica local (Patm) e o peso específico do fluido que está sendo escoado no sistema (γ), como mostra a equação (2.11). ( ) Quando um sistema de bombeamento como aquele ilustrado na figura 2.2 opera em regime permanente, a altura representativa da pressão existente no ponto 1 é igual a diferença entre altura representativa da pressão atmosférica local (Hb) e a altura representativa da perda de carga que ocorre na tubulação de sucção imersa no fluido do reservatório inferior, como está escrito na equação (2.12). ( Sendo: Js1 – altura representativa da perda de carga, por unidade de peso de fluido, que ocorre no escoamento do mesmo pela tubulação de sucção imersa no fluido do reservatório inferior. ) 13 Dessa forma, a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 1 (ET1) pode ser expressa através da equação (2.13). ( ) Para manter o que estabelece o Teorema de Bernoulli, na altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 2 deve ser adicionada a altura representativa da perda de carga que ocorre no escoamento do fluido do ponto 1 ao ponto 2, como está expresso na equação (2.14). ( ) Sendo: ET2 – altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 2; Js2 – altura representativa da perda de carga total, por unidade de peso de fluido, que ocorre no escoamento do ponto 1 ao ponto 2 na tubulação de sucção; h2 – altura do ponto 2, altura que está localizada da entrada da bomba e do rotor, altura geométrica de sucção hs e do início da tubulação de recalque; P2 – pressão do fluido no ponto 2; V2 – velocidade do fluido no ponto 2. Tendo-se as equações que determinam a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 1 e no ponto 2, pode-se aplicar o Teorema de Bernoulli. Nesta demonstração, este Teorema é aplicado igualando-se ET1, a soma de ET2 com a altura representativa da perda de carga Js2, conforme expresso nas equações matemáticas (2.15) e (2.16). ( ) ( ) ( ) A equação (2.16) pode ser expressa na forma da equação (2.17). A soma de Js1 e Js2, denominada de Js é igual à altura representativa da perda de carga total, por unidade de peso de fluido que escoa na tubulação de sucção. ( ) 14 Substituindo-se a soma de Js1 e Js2 por Js, na equação (2.17), obtém-se que: ( ) Considerando-se que a tubulação de sucção no ponto 1 tem o mesmo diâmetro interno que a tubulação no ponto 2, quando o sistema opera em regime permanente, a velocidade do fluido no ponto 1 é igual a velocidade do fluido no ponto 2 (V1 é igual a V2). Então, a equação (2.19) pode ser expressa matematicamente de uma forma mais simplificada, na forma da equação (2.20). ( ) ( ) Como h2 é igual a hs, h2 pode ser substituído por hs. A equação (2.21) pode ser expressa matematicamente na forma da equação (2.22). ( ) Conforme já foi abordado no início deste estudo, a altura manométrica de sucção é igual, a soma da altura geométrica de sucção com a altura representativa da perda de carga total na tubulação de sucção. ( ) Substituindo-se a soma de hs e Js por H, na equação (2.22), tem-se a equação (2.24), que é a equação que determina a altura manométrica de sucção do sistema de bombeamento ilustrado na figura 2.2. ( ) Dessa forma, aplicando-se o Teorema de Bernoulli ao sistema de bombeamento comum, cujo desenho construtivo está ilustrado na figura 2.2, foi obtida a equação que determina a altura manométrica de sucção. A equação obtida mostra que a altura manométrica de sucção pode ser determinada pela diferença entre, a altura representativa da pressão atmosférica local (Hb) e a altura representativa da pressão existente na entrada do rotor (P2 / ), que se supõe ser igual a da entrada da bomba. 15 A altura manométrica de sucção num sistema de bombeamento comum é a altura representativa da energia que bomba precisa fornecer ao fluido, por unidade de peso, para que escoe através da tubulação de sucção do reservatório inferior ou de captação até a bomba e preencha o centro do rotor para possibilitar a vazão bombeada. 2.2.3. Aplicação do Teorema de Bernoulli na Obtenção da Equação que Determina a Altura Manométrica de Recalque de um Sistema Comum A demonstração da aplicação do Teorema de Bernoulli, na obtenção da equação que determina a altura manométrica de recalque de um sistema de bombeamento comum, também, é feita utilizando-se o sistema ilustrado na figura 2.2. Aqui, também, este Teorema é aplicado igualando-se a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, em dois pontos do escoamento. Num ponto localizado ou referenciado ao nível que inicia e num ponto localizado ou referenciado ao nível que termina a tubulação que ocorre o escoamento do fluido. Para esta demonstração, foi escolhido um ponto localizado no interior da tubulação de recalque na saída da bomba, no nível de altura h3. Este ponto foi denominado de ponto 3 e está representado na figura 2.2 pelas três componentes: h3, P3, V3 (altura, pressão e velocidade do fluido no ponto 3). O outro ponto escolhido foi um ponto localizado no reservatório superior próximo a saída da tubulação de recalque, no nível de altura h4. Este foi denominado de ponto 4 e está representado na figura 2.2 por: h4, P4, V4 (altura, pressão e velocidade do fluido no ponto 4). A bomba também faz parte da tubulação do sistema de bombeamento. Nos cálculos, normalmente é considerado que o início da tubulação de recalque está localizado no mesmo nível em que termina a tubulação de sucção (no mesmo plano horizontal). Por esta razão, no sistema ilustrado na figura 2.2, foi considerado que a tubulação de recalque inicia no nível do ponto 2. A diferença de altura entre o ponto 2 e o ponto 3 foi denominada de i. O ponto 2 e o ponto 3 representam as alturas que estão localizadas a entrada e a saída da bomba, respectivamente. A equação apresentada a seguir expressa matematicamente a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 3, relativa a soma da altura representativa da energia potencial, de pressão e cinética do mesmo. 16 ( ) Sendo: ET3 – altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 3; h3 – altura do ponto 3, altura que está localizada a saída da bomba; P3 – pressão do fluido no ponto 3; V3 – velocidade do fluido no ponto 3. Pode ser observado na figura 2.2, que a altura do ponto 3 é igual a soma da altura do ponto 2 com a altura i, portanto, a altura do ponto 3 pode ser expressa através da equação (2.26). ( ) O ponto 3, escolhido para a aplicação do Teorema de Bernoulli, não está localizado no nível que inicia a tubulação de recalque. Então, ponto 3 deve ser referenciado ao nível que inicia esta tubulação (nível do ponto 2). Por esta razão, a altura h3, na equação (2.25), deve ser substituída pela soma da altura h2 com a altura i, conforme expresso na equação (2.27). ( ) Para manter o que estabelece o Teorema de Bernoulli, na altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 4 deve ser adicionada a altura representativa da perda de carga que ocorre no escoamento do fluido do ponto 3 ao ponto 4, como está descrito na equação (2.28). ( ) Sendo: ET4 – altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 4; h4 – altura do ponto 4, altura geométrica total de elevação do sistema de bombeamento comum (Hg); P4 – pressão do fluido no ponto 4, pressão existente fora da tubulação de recalque, que é a mesma da superfície do fluido do reservatório superior; 17 V4 – velocidade do fluido no ponto 4; Jr – altura representativa perda de carga total, por unidade de peso de fluido, que ocorre no escoamento do ponto 3 ao ponto 4 na tubulação de recalque. A pressão P4 no ponto 4 é a pressão atmosférica local. Portanto, a altura representativa da pressão neste ponto pode ser expressa através da equação (2.29). ( ) Substituindo (P4 / ) por Hb, na equação (2.28), tem-se a equação (2.30). ( ) Tendo-se as equações que determinam a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 3 e no ponto 4, pode-se aplicar o Teorema de Bernoulli. Nesta demonstração, este Teorema é aplicado igualando-se ET3, a soma de ET4 com a altura representativa da perda de carga Jr, conforme mostrado nas equações (2.31) e (2.32). ( ) ( ) ( ) A equação (2.32) pode ser expressa na forma da equação (2.33). Pode ser observado no desenho ilustrado na figura 2.2, que a diferença entre h4 e h2 é a altura geométrica de recalque hr e assim tem-se a equação (2.34). ( ) Substituindo-se a diferença entre h4 e h2 por hr, na equação (2.33), tem-se a equação (2.35). ( ) Considerando-se que a tubulação de recalque no ponto 3 e na boca de saída para o reservatório superior tem o mesmo diâmetro interno, quando o sistema opera em regime permanente, a velocidade do fluido no ponto 3 é igual a velocidade do fluido no ponto 4 (V3 é igual a V4). Então, a equação (2.35) pode ser expressa de uma forma mais simplificada, na forma da equação (2.36). 18 ( ) Conforme já foi abordado no início deste estudo, a altura manométrica de recalque é igual, a soma da altura geométrica de recalque com a altura representativa da perda de a perda de carga total na tubulação de recalque. ( ) Substituindo-se a soma de hr e Jr por Hr, na equação (2.36), tem-se a equação (2.38), que é a equação que determina a altura manométrica de recalque do sistema de bombeamento ilustrado na figura 2.2. ( ) Dessa forma, aplicando-se o Teorema de Bernoulli ao sistema de bombeamento comum, cujo desenho construtivo está ilustrado na figura 2.2, foi obtida a equação que determina a altura manométrica de recalque. A equação obtida mostra que a altura manométrica de recalque pode ser determinada pela diferença entre, a altura representativa da pressão existente na saída da bomba (P3 / ) e a altura representativa da pressão atmosférica local (Hb), somando-se a esta diferença a altura i (i é a diferença de altura entre a entrada e a saída da bomba). A altura manométrica de recalque é a altura representativa da energia que bomba precisa fornecer ao fluido, por unidade de peso, para que escoe do centro do rotor até a altura geométrica total de elevação do sistema e saia da tubulação de recalque proporcionando a vazão bombeada. 2.2.4. Desenvolvimento da Equação que Determina a Altura Manométrica Total de Elevação de um Sistema Comum A equação da altura manométrica total de um sistema de bombeamento pode ser obtida somando-se as equações da altura manométrica de sucção e de recalque. Sendo assim, somando-se as equações (2.24) e (2.38), que representam a altura manométrica de sucção e de recalque, respectivamente, obteve-se a equação que determina a altura manométrica total de elevação do sistema de bombeamento comum, cujo desenho construtivo está ilustrado na figura 2.2. A equação (2.39) mostra a soma das referidas equações e equação (2.40) o resultado da soma. 19 ( ) ( ) A equação obtida mostra que a altura manométrica total de elevação do sistema pode ser determinada pela diferença entre, a altura representativa da pressão existente na saída da bomba (P3 / ) e altura representativa da pressão existente na entrada da bomba (P2 / ), que se supõe ser igual a da entrada do rotor, somando-se a esta diferença a altura i (i é a diferença de altura entre a entrada e saída da bomba). 2.3. ALTURAS GEOMÉTRICAS E MANOMÉTRICAS DE ELEVAÇÃO DE UM SISTEMA DE BOMBEAMENTO DE BOMBA AFOGADA A figura 2.4 ilustra um sistema de bombeamento de bomba afogada, com bomba centrífuga, em que a pressão na sucção é positiva, ou seja, maior do que a pressão atmosférica do local. Pode ser observado que, basicamente, são utilizados os mesmos componentes que são utilizados no sistema de bombeamento comum. Conforme já mencionado, neste sistema, a bomba está instalada num nível mais baixo do que aquele da superfície do fluido do reservatório inferior. Neste caso, a válvula de pé não é necessária, mas é necessário um registro na tubulação de sucção. Figura 2.4 – Sistema de bombeamento com bomba centrífuga afogada. 20 No sistema de bomba afogada, pelo fato da bomba estar instalada num nível mais baixo do que aquele da superfície do fluido do reservatório inferior, a probabilidade de ocorrer o fenômeno da cavitação na bomba é bem menor. A seguir será explicado o que é a cavitação que ocorre nas bombas dos sistemas de bombeamento. A pressão que um líquido, na temperatura a qual se encontra, entra em ebulição é denominada de pressão de vapor. Quando a pressão do líquido se iguala a pressão de vapor do mesmo ocorre a ebulição. A ebulição da água na pressão atmosférica do nível do mar ocorre na temperatura de 100 ºC. A ebulição da água pode ocorrer na temperatura ambiente se a pressão for suficientemente reduzida. Existem situações em que pressões bastante baixas aparecem em certas regiões no interior de uma bomba. Em tais circunstâncias, estas pressões podem ser iguais ou menores do que a pressão de vapor do líquido que esta sendo bombeado. Quando isto ocorre, o líquido evapora muito rapidamente. Uma bolsa de vapor ou cavidade, que se expande rapidamente, é formada e normalmente se desloca de seu ponto de origem. Esta bolsa de vapor ou cavidade, ao atingir regiões do escoamento onde a pressão é maior do que a pressão de vapor do líquido entra em colapso desaparecendo rapidamente. Este é o fenômeno da cavitação. Esta formação e extinção de bolhas de vapor afeta o desempenho das bombas hidráulicas e pode provocar erosão nas partes metálicas na região da cavitação [03]. Isto causa severos danos nas bombas e reduz a vida útil. Para que não ocorra a cavitação, a pressão existente em todas as regiões do interior da bomba deve ser maior do que a pressão de vapor do fluido que está sendo bombeado. Existe um equacionamento matemático que possibilita determinar a altura manométrica de sucção máxima do sistema de bombeamento, para evitar que este fenômeno acorra. Quando a pressão em todo interior da bomba é maior do que a pressão atmosférica do nível do mar e o fluido bombeado é a água, para que seja atingida a pressão de vapor, a temperatura da água deverá ser maior que 100 ºC. Nos sistemas de bomba afogada em que a pressão na sucção é positiva, quando o fluido bombeado é a água na temperatura ambiente não ocorre cavitação, a não ser que a pressão atmosférica seja suficientemente baixa para que isto ocorra. 21 No sistema de bomba afogada ilustrado na figura 2.4 é mostrada a cotação das aturas geométricas, das alturas representativas das perdas de carga e das alturas manométricas, para quando a pressão na sucção é positiva, ou seja, maior do que a pressão atmosférica do local. Na cotação dessas alturas, foi usada a mesma simbologia que foi usada no sistema ilustrado na figura 2.2. Portanto, nas demonstrações matemáticas que são feitas, referentes ao sistema de bomba afogada, é usada a mesma simbologia que foi usada nas demonstrações que foram feitas para o sistema de bombeamento comum. Como o significado desta simbologia já foi explicado não é repetido. A altura geométrica total de elevação do sistema de bomba afogada ilustrado na figura 2.4 é dada pela soma algébrica da altura geométrica de sucção, mais a altura geométrica recalque, conforme descrito na equação (2.41). ( ) De acordo com a cotação da figura 2.4, as alturas manométricas podem ser expressas matematicamente através das equações que seguem. – Hs = – hs + Δhs = – hs + Js (2.42) Hr = hr + Δhr = hr + Jr (2.43) H = – Hs + Hr (2.44) H = – hs + hr + Js + Jr (2.45) H = Hg + Js + Jr (2.46) J = Js + Jr (2.47) H = Hg + J (2.48) Fazendo-se: 2.3.1. Aplicação do T. de Bernoulli na Obtenção da Equação que Determina a Altura Manométrica de Sucção de um Sistema de Bomba Afogada A demonstração da aplicação do Teorema de Bernoulli, na obtenção da equação que determina a altura manométrica de sucção de um sistema de bombeamento de bomba afogada, em que a pressão na sucção é positiva é feita utilizando-se o sistema ilustrado na figura 2.4. Para esta demonstração foi escolhido o ponto 1, localizado no início da tubulação de sucção no nível de altura h1 22 (representado na figura 2.4 pelas três componentes: h1, P1, V1). O outro ponto escolhido foi o ponto 2 localizado na entrada do rotor da bomba no nível de altura h2 (representado na figura 2.4 por: h2, P2, V2). A equação apresentada a seguir expressa matematicamente a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 1, relativa a soma da altura representativa da energia potencial, de pressão e cinética do mesmo. ( ) No ponto 1, a altura representativa da pressão do fluido é dada, pela soma da altura representativa da pressão atmosférica local (Hb), com a coluna de fluido do reservatório inferior de altura igual a hs. ( ) Dessa forma, a altura representativa da energia total do fluido no ponto 1 pode ser expressa pela da equação (2.51). ( ) Para manter o que estabelece o Teorema de Bernoulli, na altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 2 deve ser adicionada a altura representativa da perda de carga que ocorre no escoamento do fluido do ponto 1 ao ponto 2. ( ) Tendo-se as equações que determinam a altura representativa da energia total do fluido, por unidade de peso, no ponto 1 e no ponto 2, pode-se aplicar o Teorema de Bernoulli. Nesta demonstração, este Teorema é aplicado igualando-se ET1, a soma de ET2 com a altura representativa da perda de carga Js, conforme expresso nas equações matemáticas (2.53) e (2.54). ( ) ( ) 23 Na figura 2.4, pode ser notado que o ponto 1 e o ponto 2 estão no mesmo nível. Considerando-se que o diâmetro interno na entrada da tubulação de sucção é igual ao diâmetro interno do tubo que conduz o fluido na entrada do rotor da bomba, V1 é igual a V2. Então, a equação (2.54) pode ser expressa de uma forma mais simplificada, na forma da equação (2.55). ( ) ( ) A equação (2.55) pode ser expressa na forma da equação (2.56). No sistema de bombeamento ilustrado na figura 2.4, pode ser verificado que a altura manométrica de sucção (– Hs) é igual, a soma algébrica da altura geométrica de sucção (– hs), com altura representativa da perda de a perda de carga que ocorre na tubulação de sucção (Js), conforme descrito na equação (2.57). ( ) Substituindo-se a soma algébrica (– hs + Js) por (– Hs), na equação (2.56), tem-se a equação (2.58), que é a equação que determina a altura manométrica de sucção do sistema de bombeamento de bomba afogada ilustrado na figura 2.4. ( ) Nesse caso, a altura manométrica de sucção (– Hs) é a altura representativa da energia possuída pelo fluido, por unidade de peso, quando chega ao rotor da bomba. Esta energia é proveniente da queda hidráulica existente entre o nível da superfície do fluido no reservatório inferior e o nível do centro do rotor da bomba. A energia possuída pelo fluido reduz a altura representativa da energia total que a bomba precisa fornecer ao mesmo, por unidade de peso, para proporcionar a vazão bombeada. Por isso, Hs é negativo. 2.3.2. Aplicação do T. de Bernoulli na Obtenção da Equação que Determina a Altura Manométrica de Recalque de um Sistema de Bomba Afogada A demonstração da aplicação do Teorema de Bernoulli, na obtenção da equação que determina a altura manométrica de recalque de um sistema de bomba afogada, em que a pressão na sucção é positiva, usando-se o sistema ilustrado na 24 figura 2.4, pode ser feita de forma idêntica aquela demonstrada para o sistema de bombeamento comum. Por isso, não é demonstrada novamente. A equação que determina a altura manométrica de recalque é a mesma para os dois tipos de sistema. 2.3.3. Desenvolvimento da Equação que Determina a Altura Manométrica Total de Elevação de um Sistema de Bomba Afogada A equação que determina a altura manométrica total de elevação de um sistema de bomba afogada, em que a pressão na sucção é positiva, também pode ser obtida somando-se a equação da altura manométrica de sucção e a equação da altura manométrica de recalque, conforme mostrado nas equações (2.59) e (2.60). ( ) ( ) Pode ser notado que a equação que determina a altura manométrica total é igual para os dois tipos sistema de bombeamento. 2.4. DETERMINAÇÃO DA ALTURA MANOMÉTRICA EM SISTEMAS INSTALADOS ATRAVÉS DE MANÔMETROS E VACUÔMETROS JÁ Conforme demonstrado através da utilização do Teorema de Bernoulli, a altura manométrica total de elevação de um sistema de bombeamento pode ser determinada pela diferença entre as alturas representativas das pressões existentes na saída e na entrada da bomba, acrescentando-se a esta diferença o desnível existente entre a saída e a entrada da mesma. Portanto, é possível através da utilização de instrumentos que medem pressões (vacuômetros e manômetros) determinar a altura manométrica de um sistema de bombeamento já instalado. Este método apresenta vantagens e maior precisão em relação aos cálculos tradicionais, não é necessário conhecer a tubulação do sistema nem o tempo de uso da mesma. Para se determinar a altura manométrica de um sistema de bombeamento através dos cálculos tradicionais, é preciso conhecer detalhadamente a tubulação do mesmo. Tratando-se de sistemas já instalados nem sempre isto é possível. Em muitos casos as tubulações, de abastecimento água principalmente, encontram-se enterradas no solo. Nesses casos, é preciso ter o projeto atualizado, no qual se possa visualizar 25 os tipos de tubos e os elementos ou acessórios que compõem a tubulação. Em muitos casos, o projeto, simplesmente, não existe ou encontra-se desatualizado. Além disso, as paredes internas das tubulações sofrem alterações. Estas alterações dependem, principalmente, do tempo de uso, do tipo de material que as peças foram fabricadas, da agressividade e das impurezas do fluido que está sendo escoado. Embora existam tabelas, que fornecem parâmetros ou fatores indicadores do estado de conservação das paredes internas das tubulações, em relação ao tempo de uso, na prática, se torna difícil de saber com que precisão um determinado parâmetro ou fator indicador condiz com a realidade que se encontram as paredes internas de uma determinada tubulação, após vários anos de uso. Por estas razões, o método que está sendo apresentado é mais seguro quando é necessário calcular a altura manométrica de sistemas elevatórios já instalados. 2.4.1. Determinação da Altura Manométrica Total de um Sistema de Bombeamento Comum com o Uso de um Vacuômetro e um Manômetro No sistema de bombeamento comum, a altura manométrica total pode ser obtida através da leitura de um vacuômetro instalado na entrada e de um manômetro instalado na saída da bomba, conforme mostra a figura 2.5. Através desta figura será desenvolvido um equacionamento matemático para demonstrar como isto é possível. Figura 2.5 – Sistema de bombeamento comum com bomba centrífuga, com vacuômetro instalado na entrada e manômetro instalado na saída da bomba [05]. 26 O sistema de bombeamento comum ilustrado na figura 2.5 usa a mesma simbologia e a mesma cotação de alturas daquele ilustrado na figura 2.2, apresentado no Tópico 2.2. O desenvolvimento da equação que determina a altura manométrica total de um sistema de bombeamento comum, já foi demonstrado no Tópico 2.2. Por esta razão, não será mais demonstrado aqui novamente. Primeiramente, serão apresentados alguns conceitos básicos sobre pressão que serão utilizados nesta demonstração. Pressão absoluta positiva: é a soma da pressão atmosférica local com a pressão relativa positiva. Pressão relativa positiva: é a diferença entre a pressão absoluta positiva num ponto considerado e a pressão atmosférica local. É medida com manômetros onde a pressão absoluta no ponto considerado é maior do que a atmosférica local. Pressão absoluta negativa: é a diferença entre a pressão atmosférica local e a pressão relativa negativa. Pressão relativa negativa: é a diferença entre a pressão atmosférica local e a pressão absoluta negativa num ponto considerado. É medida com vacuômetros onde a pressão absoluta no ponto considerado é menor do que a atmosférica local. É também chamada de vácuo relativo. A equação descrita a seguir, desenvolvida como demonstrado no Tópico 2.2, determina a altura manométrica (H) de um sistema de bombeamento comum, através das alturas representativas das pressões existentes na entrada e na saída da bomba. Considerando o sistema ilustrado na figura 2.5 em regime permanente de operação, a pressão P2 (pressão absoluta negativa existente no ponto 2) é determinada subtraindo-se da pressão atmosférica local (Patm) a pressão relativa negativa existente no ponto 2 (P2ren), conforme mostrado na equação (2.61). ( ) A pressão relativa negativa existente no ponto 2 (P2ren ), do sistema ilustrado na figura 2.5, é obtida através da equação (2.62). Considerando que a pressão negativa causada pela coluna de fluido de altura igual a i” deve ser descontada da pressão relativa negativa fornecida pelo vacuômetro. ( ) ( ) 27 Sendo: P”– valor da pressão fornecida pelo vacuômetro, instalado conforme mostrado na figura 2.5 (pressão relativa negativa); i” – diferença de altura entre o nível do ponto 2 e o nível que se encontra instalado o centro do visor do vacuômetro. Dessa forma, a pressão P2 (pressão absoluta negativa existente no ponto 2) é dada pelas equações apresentadas a seguir. [ ( ( ) )] ( ) ( ) ( ) Dividindo-se a equação (2.64) pelo peso específico do fluido obtém-se a equação (2.65). ( ) No sistema em questão, a pressão P3 (pressão absoluta positiva existente no ponto 3) é determinada pela soma da pressão atmosférica local (Patm) com a pressão relativa positiva existente no ponto 3 (P3rep), conforme expresso na equação (2.66). ( ) A pressão relativa positiva existente no ponto 3 (P3rep ), do sistema ilustrado na figura 2.5, é obtida através da equação (2.67). Ressalta-se que a pressão positiva causada pela coluna de fluido i’ deve ser somada a pressão relativa positiva fornecida pelo manômetro. ( ) Sendo: P’ – valor da pressão fornecida pelo manômetro, instalado conforme mostrado na figura 2.5 (pressão relativa positiva); i’ – diferença de altura entre o nível do ponto 3 e o nível que se encontra instalado o centro do visor do manômetro. Dessa forma, a pressão P3 (pressão absoluta positiva existente no ponto 3) é dada pela equação descrita abaixo. ( ) Considerando-se que o início da tubulação de recalque está localizado no nível do ponto 2 (no mesmo plano horizontal em que termina a tubulação de sucção) 28 e que i é a diferença de altura entre o ponto 2 e o ponto 3, a pressão causada pela coluna de fluido de altura igual a i deve ser acrescentada a pressão P3. E assim, a equação (2.68) é escrita na forma da equação (2.69), somando-se nos dois lados da igualdade a pressão causada pela coluna de fluido de altura igual a i. ( ) Dividindo a equação pelo peso específico do fluido tem-se a equação (2.70). ( ) Substituindo-se as expressões da equação que determina a altura manométrica total (H), através das alturas representativas das pressões existentes na entrada e na saída da bomba, pelas expressões equivalentes obtidas nas equações (2.65) e (2.70) tem-se o desenvolvimento matemático apresentado a seguir. ( ) ( ) ( ) ( ) Pode ser observado no sistema de bombeamento ilustrado na figura 2.5 que: ( ) ( ) Portanto, a equação (2.73) pode ser escrita na forma da equação (2.75). Sendo m – diferença de altura entre os centros dos visores dos aparelhos. Dessa forma, usando-se a equação (2.75), através da leitura da pressão fornecida por um vacuômetro e da pressão fornecida por um manômetro, instalados conforme mostra a figura 2.5, é possível determinar a altura manométrica total de elevação de um sistema de bombeamento comum [05, 06]. Nos casos em que o centro do visor do vacuômetro e o centro do visor do manômetro encontram-se instalados no mesmo nível, m é igual a zero e a altura manométrica total de elevação do sistema de bombeamento pode ser determinada através da equação (2.76) [05, 06]. 29 ( ) ( ( ) ) ( ( ) ) ( ) ( ) 2.4.2. Determinação da Altura Manométrica Total de um Sistema de Bombeamento de Bomba Afogada com o Uso de Manômetros Num sistema de bomba afogada em que a pressão absoluta na sucção é positiva, ou seja, maior do que a pressão atmosférica do local, a altura manométrica total pode ser obtida através da leitura de um manômetro instalado na entrada e de um manômetro instalado na saída da bomba [05, 06]. A figura 2.6 mostra o manômetro – E e o manômetro – S instalados no sistema. Neste tipo de sistema, se a pressão absoluta na sucção for negativa, a altura manométrica total pode ser obtida da mesma forma que foi demonstrado para o sistema de bombeamento comum. Figura 2.6 – Sistema de bombeamento de bomba afogada, com os manômetros instalados na entrada e na saída da bomba centrífuga [05]. Vale destacar, que o sistema de bombeamento de bomba afogada ilustrado na figura 2.6, também usa a mesma simbologia e a mesma cotação de alturas daquele ilustrado na figura 2.4, apresentado no Tópico 2.3. 30 A equação descrita a seguir, conforme demonstrado no Tópico 2.3, também determina a altura manométrica total (H) de um sistema de bomba afogada, através das alturas representativas das pressões existentes na entrada e na saída da bomba. No sistema ilustrado na figura 2.6, a pressão P2 (pressão absoluta positiva existente no ponto 2) é igual, a soma da pressão atmosférica local (Patm), com a pressão relativa positiva causada pela coluna de fluido existente no reservatório inferior (P2rep), conforme mostrado abaixo. ( ) A pressão relativa positiva existente no ponto 2 (P2rep ), do sistema ilustrado na figura 2.6, é obtida através da equação (2.79). Considerando que a pressão positiva causada pela coluna de fluido i” deve ser somada a pressão relativa positiva fornecida pelo manômetro – E. ( ) Sendo: P”– valor da pressão fornecida pelo manômetro – E (pressão relativa positiva); i” – diferença de altura entre o nível do ponto 2 e o nível que se encontra instalado o centro do visor do manômetro – E. Dessa forma, a pressão P2 (pressão absoluta positiva existente no ponto 2) é dada pela equação descrita abaixo. ( ) Dividindo-se a equação (2.80) pelo peso específico do fluido, tem-se que: ( ) No sistema em questão, a pressão P3 (pressão absoluta positiva existente no ponto 3) é determinada, pela soma da pressão atmosférica local (Patm) com pressão relativa positiva existente no ponto 3 (P3rep), conforme expresso na equação apresentada a seguir. ( ) A pressão relativa positiva existente no ponto 3 (P3rep ), do sistema ilustrado na figura 2.6, é obtida através da equação (2.83). Ressaltando-se que a pressão 31 positiva causada pela coluna de fluido de altura i’ deve ser somada a pressão relativa positiva fornecida pelo manômetro – S. ( ) Sendo: P’ – valor da pressão fornecida pelo manômetro – S (pressão relativa positiva); i’ – diferença de altura entre o nível do ponto 3 e o nível que se encontra instalado o centro do visor do manômetro – S. Dessa forma, a pressão P3 (pressão absoluta positiva existente no ponto 3) é dada pela equação descrita abaixo. ( ) Considerando-se que o início da tubulação de recalque está localizado no nível do ponto 2 (no mesmo plano horizontal em que termina a tubulação de sucção) e que i é a diferença de altura entre o ponto 2 e o ponto 3, a pressão causada pela coluna de fluido de altura igual a i deve ser acrescentada a pressão P3. Por esta razão, a equação (2.84) é escrita na forma da equação (2.85), somando-se nos dois lados da igualdade, a pressão causada pela coluna de fluido de altura igual a i. ( ) Dividindo a equação pelo peso específico do fluido tem-se a equação (2.86). ( ) Substituindo-se as expressões da equação que determina a altura manométrica total (H), através das alturas representativas das pressões existentes na entrada e na saída da bomba, pelas expressões equivalentes obtidas nas equações (2.81) e (2.86) tem-se o desenvolvimento matemático apresentado a seguir. ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Sabendo que: 32 A equação (2.89) pode ser escrita na forma da equação (2.91). ( ) Sendo m – diferença de altura entre os centros dos visores dos aparelhos. Dessa forma, usando-se a equação (2.91), através da leitura das pressões fornecidas pelos manômetros, instalados conforme mostra a figura 2.6, é possível determinar a altura manométrica total de elevação de um sistema de bombeamento de bomba afogada, em que a pressão absoluta na sucção é positiva [05, 06]. Nos casos em que os centros dos visores dos aparelhos encontram-se instalados no mesmo nível, m é igual a zero e a altura manométrica total do sistema de bombeamento pode ser determinada através da equação (2.92) [05, 06]. ( ) O manômetro – E, que é instalado na entrada da bomba, nos sistemas de bomba afogada em que a pressão na sucção é positiva, deverá ter uma escala para medir pressões menores do que o manômetro – S, que é instalado na saída da mesma. O método de determinação da altura manométrica total de elevação de um sistema de bombeamento com turbobomba, através da utilização de instrumentos que medem pressões, possibilita construir a curva característica da bomba do sistema denominada, altura manométrica em função da vazão (H = f (Q)). É evidente que, nesse caso, esta curva característica só poderá ser construída até a vazão máxima que o sistema pode proporcionar. A curva característica da bomba, H = f (Q), para uma determinada rotação fixa da mesma, pode ser construída variando-se a vazão de zero até a máxima proporcionada pelo sistema, através da regulagem na abertura de uma válvula ou registro, instalado no início da tubulação de recalque. Neste caso, para posteriormente construir a curva característica da bomba, registra-se vazão proporcionada pelo sistema e a altura manométrica correspondente, em cada regulagem efetuada na válvula. Em cada regulagem, a altura manométrica é calculada através das pressões fornecidas pelo vacuômetro e pelo manômetro ou pelos manômetros, utilizando-se as equações desenvolvidas neste estudo. Tendo-se a curva característica da bomba de um sistema de bombeamento denominada, altura manométrica em função da vazão, para o fluido que está sendo 33 bombeado (mesmo fluido na mesma temperatura), através desta curva é possível determinar a altura manométrica deste sistema, para uma determinada vazão medida no mesmo. A altura manométrica de um sistema de bombeamento, para uma determinada vazão proporcionada pelo mesmo, é a altura representativa da energia que a bomba precisa fornecer ao fluido, por unidade de peso, para proporcionar esta vazão. Portanto, através da curva da bomba, altura manométrica em função da vazão, pode ser avaliada a quantidade de energia fornecida ao fluido, por unidade de peso, nas diversas vazões proporcionadas pelo sistema, com as regulagens efetuadas no mesmo. Em termos de análise da eficiência energética de sistemas de bombeamento isto é fundamental. Lembrando que isto só é possível quando a referida curva é para o fluido que está sendo bombeado no sistema. É por isso que, neste estudo, foi dada ênfase especial ao desenvolvimento de equações que permitem calcular a altura manométrica de elevação de sistemas de bombeamento já instalados, através do uso vacuômetros e manômetros. Isto visa à construção desta curva da bomba. 2.5. PERDAS DE CARGA NOS ESCOAMENTOS EM REGIME PERMANENTE DE FLUIDOS INCOMPRESSÍVEIS ATRAVÉS DE TUBOS Conforme já mencionado, as irreversibilidades que ocorrem nos escoamentos de fluidos incompressíveis em regime permanente através das tubulações são expressas em termos de perdas de carga. As perdas de carga dividem-se em perda de carga distribuída e perda de carga localizada. Cada trecho retilíneo de uma tubulação provoca uma perda de carga distribuída e cada elemento ou singularidade (acessório) provoca uma perda de carga localizada. A somatória das parcelas de perda de carga distribuída, acrescida da somatória das parcelas de perda de carga localizada, dá a perda de carga total que ocorre no escoamento do fluido através da tubulação de um sistema. 2.5.1. Perda de Carga Distribuída A perda de carga distribuída é aquela relativa às perdas que ocorrem ao longo da tubulação. Este tipo de perda é função da velocidade de escoamento do fluido, do comprimento e diâmetro interno da tubulação e do coeficiente de atrito . A equação 34 de Darcy – Weisbach (2.93) é geralmente adotada nos cálculos da perda de carga distribuída em condutos cilíndricos [03]. O uso desta fórmula é recomendado pela Norma Brasileira [02]. ( ) A equação (2.94) foi deduzida a partir da equação (2.93), multiplicando-se e dividindo-se esta equação pelo quadrado da área da seção transversal do duto de passagem do fluido. ( ) Sabendo-se que a vazão (Q) é igual a velocidade do fluido multiplicada pela área da seção transversal interna da tubulação na qual o mesmo escoa, num duto cilíndrico, tem-se conforme deduzido nas equações (2.95), (2.96) e (2.97). ( ( ) ( ) ( ) ) Fazendo-se a expressão que multiplica o quadrado da vazão igual a k’, conforme mostrado na equação (2.98), obtém-se a equação (2.99). Esta equação simplificada determina a perda de carga distribuída em função da vazão numa tubulação cilíndrica. ( ) ( ) Sendo: h – altura representativa da perda de carga distribuída, tem dimensão de comprimento e é expressa em: (m ∙ N / N) ou (m ∙ kgf / kgf); – coeficiente de atrito, é um fator adimensional necessário à equação para se ter valores corretos para as perdas de carga; 35 L – comprimento da tubulação; D – diâmetro interno da tubulação; g – aceleração da gravidade; V – velocidade de escoamento do fluido na tubulação; A – área da seção transversal no interior da tubulação pela qual o fluido escoa; Q – vazão (velocidade do fluido multiplicada pela área da seção transversal interna da tubulação na qual ocorre o escoamento). Todas as grandezas da equação (2.93), exceto , podem ser medidas experimentalmente [03]. Dessa forma, medindo-se o diâmetro interno da tubulação e a vazão pode-se calcular a velocidade do escoamento do fluido. O coeficiente de atrito deve ser escolhido de maneira a produzir a perda de carga correta, portanto, não pode ser uma simples constante, deve depender das seguintes grandezas [03]: velocidade de escoamento do fluido V; diâmetro interno da tubo D; massa específica do fluido ; viscosidade absoluta do fluido ; características da rugosidade da parede interna do tubo, que são expressas por 𝜖, 𝜖’ e m. Os símbolos, 𝜖, 𝜖’ e m, são definidos como sendo: 𝜖 – medida do tamanho da projeção da rugosidade, tem dimensão de um comprimento; 𝜖’ – medida do arranjo ou espaçamento dos elementos da rugosidade, também tem dimensão de comprimento; m – fator de forma, depende do formato dos elementos individuais da rugosidade, é adimensional. O coeficiente de atrito , ao contrário de uma simples constante, é um fator adimensional que depende de sete grandezas, sendo função de V, D, , , 𝜖, 𝜖’, m. Sendo adimensional depende do agrupamento dessas grandezas em parâmetros adimensionais. Para um tubo com paredes internas lisas (𝜖 = 𝜖’ = m = zero) o coeficiente vai depender das quatro primeiras grandezas. Estas podem ser arranjadas de uma única forma adimensional (V ∙ D ∙) / , que é o número de 36 Reynolds. Para tubos rugosos os termos 𝜖 e 𝜖’ podem ser tornados adimensionais dividindo-os pelo diâmetro D do tubo [03]. Dessa forma, o coeficiente de atrito pode ser definido como sendo função das sete grandezas citadas, arranjadas de forma a se tornarem adimensionais, conforme mostrado na função (2.100). ( ’ ) ( ) A viscosidade absoluta () é igual a viscosidade cinemática do fluido (v) multiplicada pela massa específica do mesmo (), como descrito na equação (2.101). ( ) A função (2.100) pode ser expressa usando-se a viscosidade cinemática. ( ’ ) ( ) Moody construiu um dos mais convenientes ábacos para a determinação dos coeficientes de atrito em tubos comerciais limpos [03]. O Diagrama de Moody é apresentado na figura 2.7. Este diagrama exprime o coeficiente de atrito como uma função do número de Reynolds (V ∙ D) / v e da rugosidade relativa (𝜖/D). No diagrama de Moody pode ser observado o número de Reynolds crítico está entorno de 2.000, abaixo do qual o escoamento é laminar. A zona crítica está entre 2.000 e 4.000, onde o escoamento pode ser laminar ou turbulento. A zona de transição vai de 4.000 até a linha tracejada onde começa a zona turbulência completa (tubos rugosos). Na zona de transição o escoamento é laminar e turbulento. Pode ser observada, também, a zona turbulência completa (tubos rugosos) onde o escoamento é completamente turbulento. A seguir serão citadas as definições de escoamento laminar e turbulento. Escoamento laminar: é definido como aquele no qual o fluido se move em camadas, ou lâminas, uma camada escorregando sobre a adjacente, havendo somente troca de quantidade de movimento molecular. Qualquer tendência para instabilidade e turbulência é amortecida por forças viscosas de cisalhamento que dificultam o movimento relativo entre camadas adjacentes do fluido [03]. Escoamento turbulento: é aquele que as partículas do fluido têm movimento errático com uma grande troca de quantidade de movimento transversal [03]. A natureza de um escoamento, ou seja, se o mesmo é laminar ou turbulento e sua posição relativa numa escala de turbulência é indicada pelo número de Reynolds. 37 Figura 2.7 – Diagrama de Moody [22]. 38 No diagrama de Moody pode ser notado que as curvas dos tubos, de rugosidade relativa até 0,001, se aproximam da curva dos tubos hidraulicamente lisos, para os números de Reynolds mais baixos. Isto pode ser explicado pela existência de uma película laminar na parede interna do tubo, que diminui à medida que o número de Reynolds aumenta. Para certos intervalos do número de Reynolds na zona de transição, a película cobre quase completamente as pequenas projeções da rugosidade e o tubo rugoso apresenta um coeficiente de atrito que se aproxima daquele de um tubo liso. À medida que o número de Reynolds aumenta, a película existente na parede interna do tubo diminui e as pequenas projeções da rugosidade ficam cada vez mais expostas. Estas projeções, ficando cada vez mais expostas, vão provocando uma turbulência extra, passando a contribuir cada vez mais para a perda de carga. Para a zona chamada turbulência completa (tubos rugosos) a espessura da película existente na parede interna do tubo é desprezível, quando comparada com a altura das projeções da rugosidade e cada projeção contribui totalmente para a turbulência. A viscosidade não afeta a perda de carga nesta zona. Isto pode ser evidenciado pelo fato que o coeficiente de atrito não varia mais com o número de Reynolds. Nesta zona, a perda de carga segue a lei V 2, isto é, varia diretamente com o quadrado da velocidade e, portanto, com o quadrado da vazão [03]. 2.5.2. Perdas de Carga Localizadas ou Singulares As perdas de carga localizadas ou singulares são as que acontecem nos elementos utilizados na tubulação, exceto a tubulação propriamente dita [02]. São aquelas que ocorrem nas válvulas, registros, curvas, cotovelos, juntas, ampliações, reduções etc. Estas perdas são provocadas, principalmente, pelas alterações físicas causadas no túnel de passagem do fluido, tais como, mudanças de direção, expansões, contrações, saliências, abaulamentos etc. Sabe-se que, em escoamentos turbulentos as perdas de carga localizadas variam diretamente com o quadrado da velocidade e, portanto, com o quadrado da vazão [03]. Uma maneira conveniente de expressar estas perdas é através do uso do coeficiente K, conforme mostrado na equação (2.103) [19]. ( ) 39 A equação (2.104) foi deduzida a partir da equação (2.103). ( ) Sabendo-se que a vazão (Q) é igual a velocidade do fluido multiplicada pela área da seção transversal interna da tubulação na qual o mesmo escoa, num duto cilíndrico, tem-se conforme deduzido nas equações (2.105), (2.106) e (2.107). ( ( ) ( ) ( ) ) Fazendo-se a parcela da expressão que multiplica o quadrado da vazão igual a k”, conforme mostrado na equação (2.108), obtém-se a equação (2.109). Esta equação simplificada determina a perda de carga localizada num elemento utilizado numa tubulação cilíndrica, em função da vazão. ( ) ( ) Sendo: hL – altura representativa da perda de carga localizada no elemento utilizado na tubulação, tem dimensão de comprimento (m ∙ N / N) ou (m ∙ kgf / kgf); K – coeficiente de perda de carga localizada do elemento utilizado; V – velocidade de escoamento do fluido na tubulação que esta instalado o elemento; g – aceleração da gravidade; A – área da seção transversal interna da tubulação que está instalado o elemento; Q – vazão; D – diâmetro interno da tubulação que está instalado o elemento. Usualmente, as perdas de carga localizadas são determinadas através do uso de tabelas. Estas fornecem os valores do coeficiente K dos elementos que normalmente são utilizados nas tubulações dos sistemas, conforme a tabela 1. 40 Tabela 2.1 – Coeficientes K de perda de carga localizada de alguns elementos [02, 03]. VALORES TÍPICOS DE K Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – ACESSÓRIO Ampliação gradual Bocais Comporta aberta Cotovelo comum Cotovelo de raio médio Cotovelo de raio longo Cotovelo de 45º Entrada do reservatório para tubulação em ângulo vivo. Entrada do reservatório para tubulação, arredondada. Entrada saliente, como um tubo que se estende para dentro do reservatório. Válvula de gaveta (totalmente aberta) Válvula globo (totalmente aberta) Válvula angular (totalmente aberta) Tê comum (saída de lado) Tê comum (passagem direta) Válvula de pé Válvula de retenção (totalmente aberta) Crivo Curva de 90º Curva de 45º Curva de raio curto Saída do fluido de um tubo para atmosfera VALOR DE K 0,3 2,75 1,0 0,9 0,75 0,60 0,4 0,5 0,01 a 0,05 0,8 a 1,0 0,19 10 5 1,8 0,6 1,75 2,5 0,75 0,4 0,2 2,2 1,0 O Coeficiente K de perda de carga localizada, fornecido nas tabelas, é geralmente determinado experimentalmente. Uma exceção é a perda de carga localizada devido a uma expansão brusca numa tubulação (hexp) [03]. Nesse caso, o valor de K é determinado conforme mostrado nas equações (2.110) e (2.111). * * ( ( ) + ) + ( ) ( ) Sendo: hexp – altura representativa da perda de carga localizada na expansão brusca da tubulação; 41 D1 – diâmetro interno da tubulação antes da expansão brusca da mesma; D2 – diâmetro interno da tubulação após a expansão brusca da mesma; V1 – velocidade do fluido na tubulação antes da expansão; – g Q – aceleração da gravidade; vazão que escoa na tubulação. Se a expansão se dá de um tubo para um reservatório, onde D1 / D2 é aproximadamente ou igual a zero, o valor de K pode ser considerado igual a um (1) [03]. Então, a perda de carga localizada pode ser determinada pela equação (2.112). ( ) A perda de carga localizada devido a uma contração brusca na seção transversal de um tubo (hcon), pode ser submetida a mesma análise da expansão brusca, quando se conhece a contração do jato [03]. O coeficiente de contração (Ccon) determinado por Weisbach para água é apresentado na tabela 2. Tabela 2.2 – Coeficiente de contração para a água determinado por Weisbach [03]. A2 /A1 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 Ccon 0,624 0,632 0,643 0,659 0,681 0,712 0,755 0,813 0,892 1,00 O valor do coeficiente K, para determinar a perda de carga localizada numa contração brusca do duto de passagem do fluido, é determinado conforme mostrado nas equações (2.113) e (2.114). ( ( ) ) ( ) ( ) Sendo: hcon – altura representativa da perda de carga localizada na contração brusca da tubulação; A1 – área da seção transversal interna da tubulação antes da contração brusca; A2 – área da seção transversal interna da tubulação após a contração brusca (área da seção transversal interna do tubo de diâmetro menor que causa a contração brusca na tubulação); 42 Ccon – coeficiente de contração; – velocidade do fluido na saída do tubo de diâmetro menor que causa a V2 contração brusca na tubulação; g – Q – vazão que escoa na tubulação; D2 – aceleração da gravidade; diâmetro interno do tubo de diâmetro menor que causa a contração brusca na tubulação. Para o cálculo das perdas de carga localizadas pode-se, também, trabalhar com o método dos comprimentos equivalentes, ou seja, converter a perda de carga localizada em perda de carga equivalente a um determinado comprimento da tubulação. Isso significa que, ficticiamente, seria como substituir, por exemplo, um registro por um determinado comprimento de tubo que possui uma perda de carga distribuída equivalente à perda de carga localizada no registro. Neste método, o comprimento da tubulação equivalente às perdas de carga localizadas (Le) é determinado igualando-se a fórmula da perda de carga distribuída à fórmula da perda de carga localizada, da seguinte forma [03]: ( ) ( ) Sendo: Le – comprimento da tubulação que causa uma perda de carga distribuída equivalente ao total das perdas de carga localizadas nos elementos ou acessórios utilizados; – coeficiente de atrito da tubulação utilizada no sistema; K – somatória dos coeficientes K de perda de carga localizada, dos elementos ou acessórios utilizados na tubulação; D – diâmetro interno da tubulação. Neste procedimento, soma-se ao comprimento real da tubulação o comprimento equivalente às perdas de carga localizadas. Depois, usando-se a fórmula de determinação da perda de carga distribuída, determina-se a perda de carga total na tubulação. O valor do coeficiente de atrito , usado para determinar o 43 comprimento equivalente às perdas de carga localizadas, deve ser o real da tubulação em questão [03]. Muitas vezes, as perdas de carga localizadas nos elementos utilizados na tubulação são mais significativas do que a perda de carga distribuída nos tubos. 2.5.3. Perda de Carga Total na Tubulação do Sistema Conforme já mencionado neste estudo, a perda de carga total no escoamento de um fluido incompressível em regime permanente através de uma tubulação é dada pela somatória das parcelas de perda de carga distribuída, acrescida da somatória das parcelas de perda de carga localizada. Usando-se as equações demonstradas nos Tópicos 2.5.1 e 2.5.2, pode-se representar a perda de carga total na tubulação de um sistema de bombeamento através da equação (2.122), desenvolvida conforme demonstrado na sequência. ∑ ( ) ∑( ∑ ( * ∑ ∑ ( ) ∑( ) ∑ ( ∑ ) ) ) + ( ) ( ) ( ) ( ) Fazendo k igual às somatórias dos k’ e dos k”, tem-se a equação (2.121). 44 * ∑ ∑ + ( ) Dessa forma, tem-se a equação (2.122) que expressa a relação entre a perda de carga total e a vazão proporcionada pelo sistema. ( ) Sendo: hTotal– altura representativa da perda de carga total na tubulação do sistema, tem dimensão de comprimento (m ∙ N / N) ou (m ∙ kgf / kgf); h – altura representativa da perda de carga distribuída em cada trecho de tubulação retilínea diferente existente no sistema; hL – altura representativa da perda de carga localizada em cada elemento ou acessório utilizado na tubulação do sistema; Q – vazão que escoa no sistema de bombeamento; m – quantidade de trechos de tubulação retilínea diferente existentes no sistema; n – quantidade de elementos ou acessórios utilizados na tubulação do sistema; – coeficiente de atrito do trecho de tubulação retilínea; L – comprimento do trecho de tubulação retilínea; D – diâmetro interno do trecho de tubulação retilínea; g – aceleração da gravidade; K – coeficiente de perda de carga localizada do elemento ou acessório utilizado; k – somatória de todos os k’ e k”. Nas equações buscou-se expressar a perda de carga em função da vazão e não da velocidade do fluido. Isto simplifica as equações nas demonstrações e os cálculos das perdas de carga no sistema. Por exemplo, considerando um sistema de bombeamento simples, com uma tubulação de sucção e uma tubulação de recalque, em regime permanente de operação. Neste sistema, a vazão que escoa na tubulação de sucção é a mesma da tubulação de recalque, pois estas tubulações estão conectadas uma na entrada e a outra na saída da bomba e formam um único duto para o escoamento do fluido do reservatório inferior ao superior. Para reduzir as perdas de carga na sucção, normalmente, usa-se a uma tubulação de sucção com diâmetro interno maior do que a de recalque. Sabe-se que a vazão de um fluido, que escoa através de uma tubulação é igual a velocidade do fluido multiplicada pela área da 45 seção transversal interna na qual ocorre o escoamento. Se a vazão é a mesma em ambas as tubulações, na tubulação de sucção, que tem diâmetro interno maior e, portanto, área da seção transversal interna maior, a velocidade do fluido será menor. Sendo assim, a vazão é constante, mas a velocidade não é constante nas tubulações do sistema de bombeamento. É por esta razão, que nas equações das perdas de carga prefere-se usar a vazão e não a velocidade do fluido. 2.6. CURVA CARACTERÍSTICA DE UM SISTEMA DE BOMBEAMENTO A curva característica de um sistema de bombeamento representa a carga do sistema relacionada com a variação do fluxo. Esta curva é obtida através da equação da altura manométrica, na qual a parcela relativa às perdas de carga é calculada para diversos valores de vazão [07]. A altura manométrica é a soma da altura geométrica com a altura representativa da perda de carga, por unidade de peso, que ocorre no escoamento do fluido pela tubulação, como está expresso nas equações abaixo [19]. ( ) ( ) Nos escoamentos completamente turbulentos o valor de k passa a assumir um valor constante. Assim, é possível construir a curva característica de um sistema de bombeamento. O valor de k pode ser determinado isolando-se o mesmo na equação (2.124), conforme descrito a seguir. ( ) Dessa forma, torna-se necessário conhecer do sistema de bombeamento: altura geométrica (Hg) – medida; vazão (Q) proporcionada – medida; altura manométrica total de elevação (H) para a vazão medida – calculada. Posteriormente, com a altura geométrica (Hg) e o valor de k calculado, através da equação (2.124), obtêm-se as coordenadas dos pontos (Q, H) da curva característica do sistema, atribuindo-se diversos valores a vazão (Q), numa faixa que vai de zero a um valor maior ou igual àquele da vazão medida. 46 2.7. ALTURA ÚTIL DE ELEVAÇÃO Hu (m) A altura útil de elevação (Hu) é a energia que a unidade de peso de fluido adquire em sua passagem pela bomba. Seu valor é calculado aplicando-se a equação da conservação da energia entre as seções de saída e de entrada da bomba. Devido a essa energia o fluido escoa pela tubulação [05]. O Hydraulic Institute (1982) define essa grandeza como altura total [06]. Dessa forma, tem-se que: ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) Para os casos em que a pressão absoluta na sucção é negativa: Para os casos em que a pressão absoluta na sucção é positiva: [( ) ( ) ] Nas equações apresentadas pode ser notado, que se os diâmetros das tubulações na entrada e na saída da bomba forem iguais, V3 = V2 e Hu = H. Quando os diâmetros das tubulações na entrada e na saída da bomba forem diferentes, tem-se quase sempre, V3 > V2. O resultado final obtido para Hu será maior do que o obtido para H, por levar em conta a variação da energia cinética do fluido ao atravessar a bomba. A diferença pode ser considerada significativa dependendo da bomba e do regime de operação. Nesses casos deve-se usar as equações de Hu ao invés de H. 47 2.8. CONVERSOR DE FREQUÊNCIA E HARMÔNICOS Nas últimas décadas, com o avanço da eletrônica, os conversores de frequência passaram a ser muito utilizados no acionamento de motores de indução, particularmente, em situações em que se torna necessário controlar a velocidade de rotação do motor. Um dos casos em que se justifica a utilização do conversor de frequência é no acionamento do motor de indução de uma bomba centrífuga. Neste caso, a redução da velocidade do motor permite obter, para a vazão, um efeito igual ao que seria obtido através do estrangulamento da válvula. A figura 2.8 apresenta a topologia do circuito de potência de um conversor de frequência com retificador controlado de seis (6) pulsos. Os conversores de frequência possuem um retificador, que converte a tensão alternada de alimentação numa tensão contínua pulsante, um sistema de filtro para minimizar a ondulação desta tensão continua pulsante e uma etapa inversora, que alimentada com a tensão contínua e auxiliada pela reatância das bobinas do motor gera na saída do conversor uma corrente alternada com uma forma de onda aproximadamente senoidal. A frequência da corrente alternada e a tensão na saída do conversor variam de acordo com a frequência programada no mesmo. Figura 2.8 – Circuito de potência de um conversor de frequência trifásico com retificador controlado de seis pulsos. Variando-se a frequência da tensão de alimentação de um motor de indução, varia-se também a velocidade do campo girante e, consequentemente, a velocidade de rotação. A equação (2.134) estabelece a relação entre: velocidade de rotação, frequência da tensão de alimentação, número de polos e escorregamento de um motor de indução [08]. 48 ( ) ( ) Sendo: nm – velocidade de rotação (RPM); f – frequência da tensão alternada de alimentação do motor de indução (Hz); p – número de polos do motor de indução; s – escorregamento. O conversor de frequência deve possibilitar a variação de velocidade de rotação, porém, deve manter a capacidade do motor fornecer um torque constante. O conjugado desenvolvido pelo motor assíncrono é dado pela seguinte equação [08]. ( ) ( ) A tensão aplicada na bobina de um estator é dada por [09, 10]: Logo, o fluxo de magnetização pode ser determinado da seguinte forma: ( ) Sendo: T – φm – I2 torque do motor (N ∙ m); fluxo de magnetização (Wb); – corrente no rotor (A) (depende das características da carga); U1 – tensão aplicada nas bobinas do estator, (V); N1 – número de espiras; f1 – frequência da tensão de alimentação (Hz); k1 – constante que depende do material utilizado e do projeto da máquina. A corrente no rotor de um motor de indução (I2) depende da carga. De acordo com equação (2.137), desprezando-se a queda de tensão ocasionada pela resistência e pela reatância dos enrolamentos estatóricos, variando-se proporcionalmente a amplitude e a frequência da tensão de alimentação de um motor de indução, o fluxo de magnetização permanece constante. Mantendo-se o fluxo de magnetização constante, se a carga permanecer constante a corrente no rotor do motor permanecerá constante e de acordo com a equação (2.135), o torque também permanecerá constante. Por esta razão, a frequência da corrente alternada e a amplitude da tensão são variadas proporcionalmente na saída do conversor de frequência. 49 2.8.1. Modos de Controle Basicamente existem dois tipos de controle nos conversores de frequência eletrônicos, escalar e vetorial. O controle escalar baseia-se no conceito original do conversor de frequência, impõe no motor uma determinada tensão/frequência, visando manter a relação V/f constante. O motor trabalha com um fluxo aproximadamente constante. Isto é aplicado quando não há necessidade de respostas rápidas a comandos de torque e velocidade e é, particularmente, interessante nos acionamentos de mais de um motor com um único conversor de frequência. O controle é realizado em malha aberta e a precisão da velocidade é função do escorregamento do motor, que varia em função da carga, já que a frequência no estator é imposta. Para melhorar o desempenho do motor em baixas velocidades, alguns conversores possuem funções especiais, como a compensação de escorregamento, para diminuir a variação da velocidade em função da carga e o incremento de tensão, que é um aumento da relação V/f para compensar o efeito da queda de tensão na resistência estatórica, de maneira que a capacidade de torque do motor seja mantida. O controle escalar é o mais utilizado devido a sua simplicidade e devido ao fato de que a grande maioria das aplicações não requer alta precisão e/ou rapidez no controle do torque e da velocidade do motor [08]. O controle vetorial possibilita atingir um elevado grau de precisão e rapidez no controle do torque e da velocidade do motor. Este controle divide a corrente do estator do motor de indução em duas componentes, IM e IR. IM: é a corrente de magnetização produtora do fluxo, sendo independente da carga e está atrasada da tensão do estator de aproximadamente 90º. IR: é a corrente que produz o torque do rotor, depende das características da carga, sendo proporcional ao escorregamento e está em fase com a tensão do estator. O desafio do controle vetorial é distinguir e controlar esses dois vetores de corrente, sem separá-los em dois circuitos distintos [10]. Este controle pode ser realizado em malha aberta ou em malha fechada. Controle vetorial em malha fechada (com realimentação): requer a instalação de um sensor de velocidade, por exemplo, um encoder incremental no motor. Este tipo de controle permite a maior precisão possível no controle do torque e da velocidade do motor, inclusive em rotação zero [08]. 50 Controle vetorial em malha aberta (sensorless): é mais simples do que o controle com sensor, porém, apresenta limitações de torque principalmente em baixíssimas rotações. Em velocidades maiores é praticamente tão bom quanto o controle vetorial com realimentação [08]. 2.8.2. Modulação por Largura de Pulso Um dos métodos mais utilizados na conversão de corrente contínua em corrente alternada é a Modulação por Largura de Pulso MLP. Pode-se obter um sinal alternado de baixa frequência através de uma modulação em alta frequência. De uma maneira analógica, é possível de se obter esse tipo de modulação ao se comparar uma tensão de referência que seja a imagem da tensão de saída buscada, com um sinal triangular simétrico cuja frequência determine a frequência de chaveamento. A frequência da onda triangular (chamada de portadora) deve ser, no mínimo, 10 vezes superior à máxima frequência da onda de referência, para que se obtenha uma reprodução aceitável do sinal de referência, agora modulado na forma de onda sobre a carga, após efetuada adequada filtragem. A largura do pulso de saída do modulador varia de acordo com a amplitude relativa da referência em comparação com a portadora (triangular). Tem-se, assim, uma Modulação por Largura de Pulso, denominada, em inglês, como Pulse Width Modulation – PWM [11]. A tensão de saída, que é aplicada a carga, é formada por uma sucessão de ondas retangulares de amplitude igual à tensão de alimentação VCC e duração variável. A figura 2.9 mostra a modulação de uma onda senoidal, produzindo na saída uma tensão com dois níveis, na frequência da onda triangular. A figura 2.10 mostra as formas de onda da tensão e da corrente na modulação MLP a dois níveis. Figura 2.9 – Sinal MLP com dois níveis [11]. 51 Figura 2.10 – Formas de onda da tensão e da corrente na modulação MLP a dois níveis [11]. É possível obter ainda uma modulação a três níveis (positivo, zero e negativo). Este tipo de modulação apresenta um menor conteúdo harmônico. A produção de um sinal de três níveis é ligeiramente mais complicada para ser gerada analogicamente. A figura 2.11 mostra as formas de onda da tensão e da corrente na modulação MLP a três níveis [11]. Figura 2.11– Formas de onda da tensão e da corrente na modulação MLP a três níveis [11]. 2.8.3. Distorções Harmônicas nos Sistemas Elétricos Os harmônicos são ondas senoidais com frequências correspondentes a múltiplos inteiros da frequência de uma onda senoidal fundamental. Nos sistemas elétricos, os harmônicos podem ser de tensão ou de corrente. Dessa forma, onde a frequência da tensão alternada é 60 Hz tem-se: 60 Hz frequência fundamental; 2 ∙ 60 = 120 Hz (2º harmônico ou harmônico de 2ª ordem); 3 ∙ 60 = 180 Hz (3º harmônico ou harmônico de 3ª ordem); 4 ∙ 60 = 240 Hz (4º harmônico ou harmônico de 4ª ordem); 5 ∙ 60 = 300 Hz (5º harmônico ou de 5ª ordem) e, assim por diante. A superposição das ondas senoidais, da fundamental e dos componentes harmônicos, dá origem a uma onda senoidal distorcida, conforme mostra a figura 2.12. 52 Graph0 100.0 80.0 60.0 Fundamental 40.0 20.0 0.0 -20.0 -40.0 -60.0 -80.0 -100.0 0.0 0.001 0.002 0.003 0.004 0.005 0.006 0.007 0.008 0.009 0.01 0.011 0.012 0.013 0.014 0.015 0.016 0.017 t(s) Figura 2.12 – Distorção na forma de onda causada pelo conteúdo harmônico [12]. Os harmônicos são gerados pelas cargas não lineares, mas uma carga linear sendo alimentada por uma tensão distorcida se comporta como se fosse uma carga não linear e, dessa forma, pode contribuir para aumentar a distorção. Geralmente, a distorção de uma tensão num barramento é uma consequência da passagem de uma corrente distorcida através da impedância do mesmo. Embora uma central elétrica gere uma tensão senoidal praticamente pura, as correntes harmônicas fluindo através da impedância do sistema, causam quedas de tensão na mesma do tipo Z vezes I para cada ordem harmônica (para cada frequência harmônica). O fluxo da corrente fundamental é no sentido da fonte geradora para a carga. O fluxo das correntes harmônicas é, normalmente, no sentido oposto, da carga para a fonte geradora, pois essas correntes são geradas pelas cargas e não pela fonte geradora. De uma forma geral, pode-se afirmar que: o fluxo das correntes harmônicas é que causa o surgimento de tensões distorcidas no barramento da carga. a magnitude da distorção da tensão depende da impedância do sistema supridor e da corrente harmônica gerada pela carga. A localização da carga também é importante nesta questão. Uma carga não linear instalada em barras diferentes, causará distorções de tensão diferentes. Isto acontece porque a tensão harmônica é o resultado do produto Z vezes I, e a 53 impedância do sistema (Z), geralmente, difere de uma barra para outra. Portanto, diante dessas considerações pode-se afirmar que, na maioria casos: o controle sobre a magnitude das correntes harmônicas injetadas na barra de acoplamento do consumidor para a fonte geradora, é de responsabilidade do consumidor; se as correntes harmônicas injetadas na barra, por cada um dos consumidores conectados à mesma, proporcionam uma distorção de tensão dentro dos limites estabelecidos pelas normas, o controle sobre a distorção harmônica é de responsabilidade da concessionária, pois ela é que tem controle sobre a impedância da mesma. Nos sistemas elétricos, a distorção harmônica vem contra os objetivos da qualidade de fornecimento promovida por uma concessionária de energia elétrica, que deve fornecer aos seus consumidores uma tensão puramente senoidal com amplitude e frequência constantes. Estas perturbações afetam a qualidade da energia. Altos níveis de distorções harmônicas em uma instalação elétrica podem causar problemas aos equipamentos ali instalados, à própria instalação, para os equipamentos e instalações de outros consumidores ligados na mesma rede, para as redes de distribuição e linhas de transmissão das concessionárias. As consequências podem chegar até à parada total de equipamentos importantes de uma linha de produção de uma indústria ou de um sistema de distribuição ou transmissão de energia elétrica, acarretando prejuízos econômicos [12]. Os efeitos causados pelas distorções harmônicas podem ser divididos em dois grandes grupos. No primeiro estariam enquadrados, por exemplo, os problemas relacionados com a diminuição da vida útil dos equipamentos, tais como, transformadores, máquinas rotativas, bancos de capacitores etc. No segundo grupo estariam englobadas as questões diversas, que poderiam ser traduzidas numa operação errônea ou falha completa de um equipamento. Nesta categoria, estariam incluídos efeitos, tais como: torques oscilatórios nos motores CA, erros nas respostas de equipamentos, aumento ou diminuição do consumo de energia em kWh etc. [12]. O conversor de frequência quando utilizado no acionamento de um motor de indução, transforma o conjunto conversor-motor, para o sistema supridor de energia elétrica, numa carga não linear. Os retificadores encontrados nos conversores de 54 frequência, quando operam em condições normais, injetam na rede de suprimento de energia elétrica harmônicos de corrente característicos, cuja ordem pode ser determinada pela equação que segue. h = npul ∙ K ± 1 (2.138) Sendo: h – npul – K – ordem harmônica; número de pulsos do retificador CA/CC; valores numéricos inteiros: 1, 2, 3, 4, 5, 6, .... Os harmônicos gerados pelas cargas não lineares trifásicas, também possuem sequência de fases. A classificação é feita segundo a ordem, frequência e sequência de fases dos mesmos. A tabela 2.3 mostra esta classificação até a 17ª ordem. A natureza das distorções harmônicas geradas pelas cargas não lineares dependem de cada carga em específico. A magnitude depende da carga e da impedância do barramento que a mesma está conectada, mas duas generalizações podem ser assumidas: os harmônicos mais comuns nos sistemas de suprimento de energia elétrica são geralmente os componentes de números ímpares; a magnitude da corrente harmônica diminui com o aumento da frequência. Tabela 2.3 – Ordem, frequência e sequência de fases até o 17º harmônico. Ordem Frequência Sequência (h) (Hz) (+, –, 0) 1ª 60 + 2ª 120 – 3ª 180 0 4ª 240 + 5ª 300 – 6ª 360 0 7ª 420 + 8ª 480 – 9ª 540 0 10ª 600 + 11ª 660 – 12ª 720 0 13ª 780 + 14ª 840 – 15ª 900 0 16ª 960 + 17ª 1020 – 55 As distorções harmônicas são fenômenos contínuos, e não devem ser confundidos com fenômenos de curta duração, os quais duram apenas alguns ciclos. Os níveis destas perturbações podem ser mitigados através da utilização de filtros de linha conectados a rede de suprimento. Um filtro passivo de harmônicos é essencialmente um capacitor ou um banco de capacitores para correção do fator de potência combinado em série com um reator (indutor) [12]. 2.8.3.1. Origem da Sequência de Fases dos Harmônicos As equações (2.139), (2.140) e (2.141) permitem verificar a origem da sequência de fases dos harmônicos. Nestas equações, nota-se que a sequência de fases dos harmônicos depende diretamente da sua ordem [13]. Onde: vhamáx, vha = vhamáx ∙ sen [h ∙ (t)] (2.139) vhb = vhbmáx ∙ sen [h ∙ (t – 120)] (2.140) vhc = vhcmáx ∙ sen [h ∙ (t + 120)] (2.141) vhbmáx, vhcmáx e vha, vhb, vhc representam, respectivamente, os valores máximos (de pico) e os valores instantâneos das tensões fundamentais e dos harmônicos nas fases A, B e C, sendo que h representa a ordem. Observação: Serão considerados apenas os harmônicos de ordem ímpar, por serem os mais comuns nos sistemas de suprimento de energia elétrica. As equações de (2.142) a (2.147) descrevem o equacionamento matemático da sequência de fases positiva das tensões da frequência fundamental. A figura 2.13 ilustra esta sequência de fases no círculo trigonométrico. va = vamáx ∙ sen [1 ∙ (t)] (2.142) va = vamáx ∙ sen (t) (2.143) vb = vbmáx ∙ sen [1 ∙ (t – 120º)] (2.144) vb = vbmáx ∙ sen (t – 120º) (2.145) vc = vcmáx ∙ sen [1 ∙ (t + 120º)] (2.146) vc = vcmáx ∙ sen (t + 120º) (2.147) 56 Figura 2.13 – Diagrama de sequência de fases positiva das tensões da frequência fundamental. Para o caso do terceiro harmônico, o desenvolvimento matemático das tensões, através das equações de (2.148) a (2.153), mostra que é de sequência zero. A figura 2.14 ilustra esta sequência de fases no círculo trigonométrico. v3a = v3amáx ∙ sen [3 ∙ (t)] (2.148) v3a = v3amáx ∙ sen (3t) (2.149) v3b = v3bmáx ∙ sen [3 ∙ (t – 120º)] (2.150) v3b = v3bmáx ∙ sen (3t – 360º) (2.151) v3c = v3cmáx ∙ sen [3 ∙ (t + 120º)] (2.152) v3c = v3cmáx ∙ sen (3t + 360º) (2.153) Figura 2.14 – Diagrama de sequência zero das tensões do terceiro harmônico. 57 Para o caso do quinto harmônico, o desenvolvimento matemático das tensões, através das equações de (2.154) a (2.165), mostra que é de sequência negativa. A figura 2.15 ilustra esta sequência de fases no círculo trigonométrico. v5a = v5amáx ∙ sen [5 ∙ (t)] (2.154) v5a = v5amáx ∙ sen (5t) (2.155) v5b = v5bmáx ∙ sen [5 ∙ (t – 120º)] (2.156) v5b = v5bmáx ∙ sen (5t – 600º) (2.157) v5b = v5bmáx ∙ sen [5t – (360º + 240º)] (2.158) v5b = v5bmáx ∙ sen (5t – 240º) (2.159) v5b = v5bmáx ∙ sen (5t + 120º) (2.160) v5c = v5cmáx ∙ sen [5 ∙ (t + 120º)] (2.161) v5c = v5cmáx ∙ sen (5t + 600º) (2.162) v5c = v5cmáx ∙ sen [5t + (360º + 240º)] (2.163) v5c = v5cmáx ∙ sen (5t + 240º) (2.164) v5c = v5cmáx ∙ sen (5t – 120º) (2.165) Figura 2.15 – Diagrama de sequência negativa das tensões do quinto harmônico. Para o caso do sétimo harmônico, o desenvolvimento matemático das tensões, através das equações de (2.166) a (2.175), mostra que é de sequência positiva. A figura 2.16 ilustra esta sequência de fases no círculo trigonométrico. 58 v7a = v7amáx ∙ sen [7 ∙ (t)] (2.166) v7a = v7amáx ∙ sen (7t) (2.167) v7b = v7bmáx ∙ sen [7 ∙ (t – 120º)] (2.168) v7b = v7bmáx ∙ sen (7t – 840º) (2.169) v7b = v7bmáx ∙ sen [7t – (2 ∙ 360º + 120º)] (2.170) v7b = v7bmáx ∙ sen (7t – 120º) (2.171) v7c = v7cmáx ∙ sen [7 ∙ (t + 120º)] (2.172) v7c = v7cmáx ∙ sen (7t + 840º) (2.173) v7c = v7cmáx ∙ sen [7t + (2 ∙ 360º + 120º)] (2.174) v7c = v7cmáx ∙ sen (7t + 120º) (2.175) Figura 2.16 – Diagrama de sequência positiva das tensões do sétimo harmônico. 2.8.3.2. Níveis de Distorção Harmônica, Medição e Regulamentação A Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, no PRODIST, Módulo 8, estabelece níveis máximos permitidos de distorção harmônica total e de distorções harmônicas individuais de tensão, em percentagem da fundamental, nos sistemas de distribuição de energia elétrica do país [14]. Esta regulamentação estabelece que os sinais a serem monitorados devem utilizar sistemas de medição, cujas informações coletadas possam ser processadas 59 por meio de recurso computacional. A capacidade de armazenamento dos sistemas de medição deve atender os requisitos do banco de dados do protocolo de medição a ser definido pela ANEEL [14]. Para os sistemas elétricos trifásicos, as medições de distorção harmônica devem ser feitas através das tensões fase-neutro nos sistemas estrela aterrada e fase-fase nas demais configurações [14]. Os instrumentos de medição devem observar o atendimento aos protocolos de medição e às normas técnicas vigentes [14]. O espectro harmônico a ser considerado para o cálculo da distorção harmônica total deve compreender desde a componente fundamental até a 25ª ordem harmônica, no mínimo [14]. Os TPs utilizados em um sistema trifásico devem ter as mesmas especificações e suas cargas devem corresponder a impedâncias semelhantes. Devem ser conectados em Y – Y aterrado, independentemente do tipo ou classe de tensão. Para os casos sem conexão à terra, podem ser utilizados arranjos para os TPs do tipo V [14]. Os valores de referência para as distorções harmônicas totais estão indicados na tabela 2.4 a seguir. Estes valores servem para referência do planejamento elétrico em termos de Qualidade da Energia Elétrica e que, regulatoriamente, serão estabelecidos em resolução específica, após período experimental de coleta de dados [14]. Tabela 2.4 – Distorção harmônica total de tensão (em percentagem da fundamental) [14]. Tensão Nominal do Barramento Vn ≤ 1 kV 1 kV < Vn ≤ 13,8 kV 13,8 kV < Vn ≤ 69 kV 69 kV < Vn < 230 kV Distorção Harmônica Total de Tensão – DTT (%) 10 8 6 3 Devem ser obedecidos também os valores das distorções harmônicas individuais indicados na tabela 2.5 a seguir. A tabela 2.6 a seguir sintetiza a terminologia aplicável às formulações do cálculo de valores de referência para as distorções harmônicas. 60 Tabela 2.5 – Níveis de referência para distorções harmônicas individuais de tensão (em percentagem da fundamental) [14]. Ordem Harmônica 5 7 11 Ímpares 13 Não Múltiplas 17 de 19 Três 23 25 >25 3 Ímpares 9 Múltiplas 15 de 21 Três >21 2 4 6 Pares 8 10 12 >12 Distorção Harmônica Individual de Tensão (%) Vn ≤ 1 kV 1 kV < Vn ≤ 13,8 kV 13,8 kV < Vn ≤ 69 kV 69 kV < Vn < 230 kV 7,5 6,5 4,5 4 2,5 2 2 2 1,5 6,5 2 1 1 1 2,5 1,5 1 1 1 1 1 6 5 3,5 3 2 1,5 1,5 1,5 1 5 1,5 0,5 0,5 0,5 2 1 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 4,5 4 3 2,5 1,5 1,5 1,5 1,5 1 4 1,5 0,5 0,5 0,5 1,5 1 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 2,5 2 1,5 1,5 1 1 1 1 0,5 2 1 0,5 0,5 0,5 1 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 Tabela 2.6 – Terminologia aplicável às formulações do cálculo das distorções harmônicas [14]. Identificação da Grandeza Distorção harmônica individual de tensão de ordem h Distorção harmônica total de tensão Tensão harmônica de ordem h Ordem harmônica Ordem harmônica máxima Ordem harmônica mínima Tensão fundamental medida Símbolo DITh% DTT% Vh H Hmáx Hmín V1 2.8.3.3. Cálculo dos Valores Eficazes Verdadeiros e do Percentual de Distorção Harmônica Individual e Total Para a quantificação do grau de distorção harmônica presente na tensão e/ou corrente, lança-se mão da ferramenta matemática conhecida por Série de Fourier. A 61 vantagem de se usar uma série de senóides para representar uma onda distorcida, está no fato de que é muito mais fácil de estudar e analisar uma onda senoidal. Nessas condições, as técnicas usuais de cálculo de circuitos elétricos podem ser aplicadas. A desvantagem está no fato de que o sistema deve ser analisado para cada frequência separadamente. Neste método, a distorção final é determinada pela superposição dos vários componentes constituintes do sinal distorcido. Conhecidos os valores das tensões e/ou correntes, fundamentais e harmônicas, nas fases A B e C do barramento que está conectada uma carga não linear, pode-se determinar os valores eficazes verdadeiros das tensões e/ou correntes das fases deste barramento, através das equações (2.176) e (2.177) descritas abaixo [15]. √ √ ( ) ( ) ∑ ∑ ( ( ) ) ( ) ( ) Sendo: VRMS VERDADEIRA – tensão eficaz verdadeira; IRMS VERDADEIRA – corrente eficaz verdadeira; V1máx – valor de pico da tensão da frequência fundamental; Vhmáx – valor de pico da tensão harmônica de ordem h; I1máx – valor de pico da corrente da frequência fundamental; Ihmáx – valor de pico da corrente harmônica de ordem h; h – ordem harmônica; hmáx – ordem harmônica máxima. O percentual de distorção harmônica individual de tensão e de corrente, em relação a fundamental é dada pelas equações (2.178) e (2.179) que seguem. ( ) 62 ( ) Sendo: DITh – distorção harmônica individual de tensão de ordem h; DIIh – distorção harmônica individual de corrente de ordem h; V1 – tensão fundamental; Vh – tensão harmônica de ordem h; I1 – corrente fundamental Ih – corrente harmônica de ordem h. A distorção harmônica total de tensão e de corrente, percentual em relação a fundamental é calculada utilizando-se as equações (2.180) e (2.181) descritas abaixo. √∑ √∑ ( ) ( ) Sendo: DTT – distorção harmônica total de tensão; DTI – distorção harmônica total de corrente. O Fator de Potência (FP) de cargas que apresentam conteúdo harmônico de corrente pode ser calculado através da equação (2.182) descrita abaixo. ( √ Onde: DTI é a distorção harmônica total de corrente, 1 ) é o ângulo de defasagem entre a tensão e a corrente da frequência fundamental, portanto, cos 1 éo chamado Fator de Deslocamento (FD). Nesta equação pode ser percebido, que quando a distorção harmônica total de corrente é igual a zero, o Fator de Potência é igual ao Fator de Deslocamento. 2.8.4. Redução dos Harmônicos na Utilização dos Conversores de Frequência PWM e Outros Efeitos que Devem Ser Observados As correntes harmônicas que circulam pelas impedâncias da rede de alimentação dependem dos valores das impedâncias presentes no circuito de entrada 63 e de saída do retificador do conversor de frequência. Provocam quedas de tensão harmônica, distorcendo a tensão de alimentação do próprio conversor de frequência. Distorções harmônicas de corrente e de tensão podem ocasionar um baixo fator de potência. Para reduzir o conteúdo harmônico da corrente e aumentar o fator de potência, uma alternativa eficaz, que pode ser utilizada, consiste em instalar uma indutância na entrada do conversor de frequência, conforme mostrado na figura 2.17. Figura 2.17 – Conexões da reatância de rede na entrada do conversor de frequência [08]. A reatância de rede provoca queda na tensão, mas é eficaz na redução de eventuais transitórios de sobretensão na rede, além de reduzir a corrente eficaz nos diodos e o ripple de corrente nos capacitores do filtro do retificador. Isto aumenta a vida útil dos semicondutores e dos capacitores. Para evitar danos ao conversor de frequência deve-se ter uma impedância mínima de rede que proporcione uma queda de tensão percentual de 1 a 2% para a corrente nominal do conversor [08]. Como critério de uso, é considerado que uma reatância de rede que apresenta uma queda de tensão percentual de 2 a 4%, para a corrente nominal do conversor de frequência, apresenta um bom desempenho em relação a queda de tensão no motor, a melhoria do fator de potência e a redução da distorção harmônica de corrente injetada na rede de alimentação [08]. O valor da indutância de rede, em henry, necessário para que se obtenha a queda de tensão percentual desejada, para os conversores com alimentação trifásica pode ser calculado através da equação (2.183) e para os conversores com alimentação monofásica através da equação (2.184) [08]. Para os conversores com alimentação monofásica utiliza-se apenas um indutor. 64 ã ( ) √ ã ( ) ( ) ( ) Sendo: VL – tensão de linha; Vf – tensão de fase; I – corrente nominal de entrada do conversor de frequência; f – frequência da rede de alimentação; L – indutância em henry. Além da alternativa apresentada, para reduzir os harmônicos gerados por um conversor de frequência PWM, existem também as soluções apresentadas na tabela 2.7 [08]. Tabela 2.7 – Redução dos harmônicos nas instalações elétricas com a utilização dos conversores de frequência [08]. A utilização de filtros passivos para harmônicos no barramento de alimentação dos conversores de frequência e de retificadores de 12 pulsos 65 (12 diodos), em vez de 6 pulsos, nos conversores, também são outras formas de reduzir o conteúdo harmônico gerado. Na utilização de retificadores de 12 pulsos os harmônicos mais expressivos serão os de 11ª e de 13ª ordem. Os harmônicos superiores geralmente possuem menor amplitude e são mais fáceis de filtrar [08]. Porém, isto implica num aumento de custo de instalação, no caso da utilização de filtros passivos e de fabricação e, portanto de aquisição dos conversores de frequência, no caso da utilização de retificadores de 12 pulsos. Além dos harmônicos existem dois efeitos presentes nos conversores de frequência PWM que devem ser observados [16]. 1) Na saída dos conversores PWM os blocos de tensão são chaveados de forma muito rápida. Nas aplicações de conversores de frequência a base de transistores IGBT acima de 500 VCA a variação de tensão em relação ao tempo é muito grande, prejudicando a isolação de motores não dimensionados para esse efeito. 2) A reflexão de ondas em aplicações de conversores de frequência PWM, também é ponto que dever ser considerado. Os pulsos de tensão emitidos pelos conversores podem ser considerados como frente de onda em movimento, que ao chegar nos terminais dos motores, são em parte refletidos. Com a reflexão das ondas, em alguns momentos, há superposição e consequentemente, picos de tensão elevados, com baixa duração, nos terminais do motor (2,6 vezes a tensão de alimentação). Isto compromete a isolação dos motores não dimensionados para esse efeito. Para se evitar esses efeitos, é preciso utilizar um filtro dV/dt na saída do conversor de frequência, que é composto por um reator que “suaviza” a subida da tensão, capacitores e diodos que limitam a tensão nos terminais do motor. O efeito de dV/dt é mais elevado em aplicações acima de 500 VCA, portanto, para estas aplicações deve ser previsto um motor com isolação especial para operação com conversores de frequência ou utilizar um filtro dV/dt na saída [16]. 2.9. RENDIMENTO DA BOMBA DE UM SISTEMA DE BOMBEAMENTO É importante conhecer o rendimento da bomba para a vazão que está sendo proporcionada por um sistema de bombeamento. Vale destacar que baixos 66 rendimentos da máquina, pode ser indício da existência de defeito na mesma, da escolha incorreta ou, ainda, da existência de defeitos na tubulação do sistema. A seguir é apresentado um desenvolvimento matemático, para obtenção de uma equação que determina o rendimento da bomba através das seguintes variáveis: peso específico do fluido bombeado; vazão proporcionada pelo sistema; altura manométrica de elevação para a vazão proporcionada; potência ativa demandada da rede; rendimento do motor da bomba. A potência motriz solicitada no eixo por uma bomba, em CV, quando transfere potência a um fluido é dada pela equação (2.185) [05]. ( ) Sendo: Pcv – potência motriz solicitada no eixo pela bomba (CV); γ – peso específico do fluido que está sendo escoado através do sistema (kgf/m³); Q – vazão proporcionada pelo sistema (m³/s); H – altura manométrica de elevação para a vazão proporcionada (m); ηb – rendimento da bomba do sistema (%). A potência ativa, em kW, solicitada da rede de fornecimento de energia elétrica por um motor, quando fornece potência motriz no eixo em CV é dada pela equação (2.186) [05]. ( ) Sendo: PkW – potência ativa solicitada da rede de fornecimento de energia elétrica pelo motor em kW; Pcv – potência motriz fornecida no eixo pelo motor em CV; ηm – rendimento do motor elétrico (%). Isolando-se a variável Pcv na equação (2.186), tem-se a potência motriz fornecida no eixo pelo motor em CV, conforme mostrado na equação a seguir. 67 ( ) Dessa forma, usando-se a potência em CV expressa em função da potência em kW e do rendimento do motor, conforme mostrado na equação (2.187), a potência motriz solicitada no eixo por uma bomba, em CV, quando transfere potência a um fluido, pode escrita na forma da equação (2.188). ( ) Isolando-se a variável b na equação (2.188) pode-se determinar o rendimento de uma bomba, conforme mostrado na equação (2.189). ( ) 2.10. RENDIMENTO DE UM MOTOR ELÉTRICO O rendimento de um motor elétrico pode ser determinado através da medição das seguintes grandezas: torque líquido fornecido à carga em N ∙ m, velocidade linear de rotação em RPM e potencia ativa demandada, conforme mostrado nas equações descritas a seguir [17]. Sendo: Po – Pi – potência líquida fornecida no eixo em W; potência ativa demandada da rede de alimentação em W; To – torque líquido fornecido pelo motor à carga em N ∙ m; Wm – velocidade angular do motor em rad/s (radianos por segundo); Nm – velocidade linear de rotação do motor em RPM. ( ) ( ) ( ) ( ) 68 3. MATERIAIS E MÉTODOS Neste Capítulo são descritos os materiais e os métodos utilizados nos experimentos para o desenvolvimento desta pesquisa. As experimentações laboratoriais foram realizadas no Laboratório de Eficiência Energética ELETROBRÁS/PROCEL, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, Estado de Mato Grosso – MT. As experimentações de campo foram realizadas na fonte da Água Mineral Fluente, no interior de Dom Aquino – MT, a 11 km da Rodovia MT 453, no km 6. 3.1. MATERIAIS UTILIZADOS NO LABORATÓRIO Aqui são descritos e apresentados os materiais que foram utilizados nos experimentos realizados no laboratório. 3.1.1. Sistema de Bombeamento Utilizado O sistema de bombeamento hidráulico utilizado está ilustrado na figura 3.1. Pode ser observado, que neste sistema, quando o reservatório inferior está cheio, a bomba fica, totalmente, num nível mais baixo do que aquele da superfície do fluido do reservatório. Portanto, é um sistema de bomba afogada. Sistema de Ar Condicionado Medidor Eletrônico de Vazão Tubulação Dupla de Retorno Válvula Eletromecânica Bomba Centrífuga Motor de Indução Figura 3.1 – Sistema de bombeamento utilizado nos experimentos de laboratório. 69 A bomba centrífuga utilizada no sistema é de um estágio (um rotor). A bancada do sistema utilizado permite selecionar motor convencional ou de alto rendimento para o acionamento da bomba. Neste trabalho de pesquisa, o motor selecionado foi o convencional, em todos os experimentos que foram realizados. A tabela 3.1 apresenta as características da bomba e a tabela 3.2 do motor utilizado. O sistema de bombeamento hidráulico possui um reservatório inferior e um superior, ambos com capacidade para 750 litros. Uma tubulação de sucção de 50 mm (2”) de diâmetro interno que liga o reservatório inferior a entrada da bomba. Uma tubulação de recalque de 38 mm (1.½”) de diâmetro interno que liga a saída da bomba ao reservatório superior. Na tubulação de recalque, próxima a saída da bomba, encontra-se instalada uma válvula eletromecânica, que permite controlar a vazão do sistema através da regulagem na abertura da mesma. O percentual de abertura desta válvula é regulado via computador. Na mesma tubulação encontra-se instalado, também, um medidor de vazão eletrônico. Uma tubulação dupla, com tubo de 100 mm (4”) de diâmetro interno, permite o retorno do fluido do reservatório superior para o reservatório inferior. Em regime permanente de funcionamento, esta tubulação de retorno, evita que ocorra variação do nível da superfície do fluido no reservatório inferior, não permitindo o acúmulo de fluido no reservatório superior. Dessa forma, em regime permanente de funcionamento, a altura geométrica de elevação do sistema permanece constante. A altura geométrica de elevação do sistema medida em regime permanente de operação com vazão máxima foi de 2,43 metros. Tabela 3.1 – Características da bomba utilizada nos experimentos de laboratório. BOMBA CENTRÍFUGA Marca Modelo Nº de Estágios Potência Tubo de Sucção Tubo de Recalque Rotação Nominal Vedação Roscas MARK DB 1 2 CV 2” 1.½” 3.500 RPM Selo Mecânico BSP 70 Tabela 3.2 – Características do motor utilizado nos experimentos de laboratório. MOTOR DE INDUÇÃO CONVENCIONAL Marca Nº de Fases Potência Frequência Tensão 220/380 V Rendimento Fator de Potência Rotação Temp. Máxima Ip/In Fs CAT Isol: Proteção WEG 3 1,5 CV 60 Hz 4,28 A / 2,48 A 78,5% 0,86 3.370 RPM 40 °C 7,5 1,15 N B IP 55 3.1.2. Bancada Utilizada A instrumentação de medição e controle da bancada utilizada nos experimentos de laboratório, exceto o computador, estão abrigados num armário. As vistas frontais desse armário, com e sem a porta, são apresentadas na figura 3.2. IHM Soft Starter Conversor de Frequência Tri./Tri CLP Contator de Acionamento do Motor Banco de Capacitores Figura 3.2 – Vistas frontais do armário da bancada utilizada nos experimentos de laboratório. 71 A bancada utilizada nos experimentos de laboratório é amplamente automatizada possui Controlador Lógico Programável (CLP), Interface Homem Máquina (IHM) e Sistema Supervisório Computadorizado. Possui, também, um banco de capacitores, de maneira que é possível operar o sistema com controle ou sem controle do fator de potência. O computador da bancada pode ser visualizado na figura 3.3. O hardware e o software instalados neste computador permitem, através do mesmo, dar partida e parar o sistema de bombeamento hidráulico e escolher o tipo de acionamento para o motor da bomba selecionado: via contator, soft starter ou conversor de frequência. Dessa forma, através destes equipamentos instalados no sistema é possível controlar a vazão do mesmo através da válvula e/ou através da rotação da bomba. Computador da Bancada Conversor de Frequência Mono./Tri. Analisador de Energia MARH-21 Notebook Garras das Ponteiras e Clamps de Corrente do MARH-21 Figura 3.3 – Mesa da bancada utilizada nos experimentos de laboratório. A tabela 3.3 apresenta as características do conversor de frequência trifásico com alimentação trifásica (Tri./Tri.) existente no armário da bancada. A instrumentação da bancada utilizada efetua a medição, em cada segundo, da vazão proporcionada pelo sistema, da velocidade de rotação do conjunto moto-bomba e das principais grandezas elétricas, tais como: tensão, corrente, potência ativa, potência reativa, fator de potência, energia ativa e energia reativa. As 72 grandezas elétricas medidas são apenas na frequência fundamental (60 Hz). Estas medições são feitas na entrada de cada sistema de acionamento do motor da bomba. As medições efetuadas pela instrumentação da bancada do sistema, em cada segundo, são registradas, juntamente com o horário em que elas foram efetuadas, em um arquivo gerado pelo software instalado no computador da bancada. Estas medições efetuadas podem ser coletadas e analisadas após o término de cada experimento. Tabela 3.3 – Características do conversor de frequência existente no armário da bancada, do sistema utilizado no laboratório. CONV. DE FREQ. TRIFÁSICO / TRIFÁSICO Marca Modelo Entrada 1F Entrada 3F Saída Motor Proteção Temp. Máxima DANFOSS VLT 2800 1 x 220 – 240 V – 15,2 A 3 x 200 – 240 V – 7,6 A 6,8 A – 2,7 kVA 1,5 kW IP 20 45 °C / 113 °F A pesquisa visa também analisar o conteúdo harmônico gerado com a utilização do conversor de frequência. Sendo assim, se torna necessário mensurar os harmônicos de corrente gerados no sistema. A instrumentação de medição das grandezas elétricas da bancada utilizada, só mede grandezas na frequência fundamental e apenas na entrada de cada sistema de acionamento do motor da bomba. Por esta razão, para a medição destas grandezas, foi utilizado o analisador de energia MARH-21 fabricado pela RMS. Este aparelho, conectado a um notebook, pode ser visto sobre a mesa da bancada na figura 3.3. Na mesma figura podem ser vistos, também, as garras das ponteiras e os clamps deste aparelho, conectados a instalação elétrica para a medição das tensões e das correntes. A figura 3.4 mostra mais detalhadamente o analisador de energia utilizado. Em todos os experimentos realizados nesta pesquisa as grandezas elétricas foram medidas e registradas na memória de massa deste aparelho. Após o término de cada experimento as grandezas medidas foram coletadas através da leitura da memória de massa. O MARH-21 disponibiliza: valores das tensões e das correntes; potência ativa, reativa e aparente por fase e total demandada pela carga; fator de deslocamento 73 e fator de potência por fase e total; conteúdo harmônico da tensão e da corrente nas fases A, B e C; DHT da tensão e da corrente; etc. Figura 3.4 – Analisador de energia MARH-21. A figura 3.5 mostra os diagramas elétricos das conexões do analisador de energia ao conversor Tri./Tri. para efetuar as medições das grandezas elétricas. (a) (b) Figura 3.5 – Esquemas elétricos das conexões do MARH-21, (a) na entrada e (b) na saída do conversor de frequência Tri./Tri. 74 3.1.3. Instalação Provisória de um Conversor de Frequência Trifásico com Alimentação Monofásica no Sistema No sistema de bombeamento hidráulico utilizado nos experimentos de laboratório, foi efetuada uma instalação elétrica provisória. Nesta instalação foi conectado, ao motor de indução da bomba hidráulica, um conversor de frequência trifásico com alimentação monofásica (Mono./Tri.). Isto possibilitou acionar o motor trifásico da bomba através de um sistema de suprimento de energia elétrica monofásico. Este incremento no sistema foi efetuado com o objetivo de analisar o desempenho do conversor de frequência, quando alimentado com sistema monofásico e quando alimentado com sistema trifásico. A comparação citada é referente à eficiência elétrica e aos impactos causados sobre a qualidade da mesma pelo conteúdo harmônico gerado. A figura 3.6 mostra o conversor de frequência trifásico com alimentação monofásica (Mono./Tri.), que foi instalado provisoriamente no sistema de bombeamento hidráulico. Este conversor, também pode ser visualizado na mesa da bancada na figura 3.3. A figura 3.7 mostra as conexões do analisador de energia MARH-21, na entrada e na saída deste conversor de frequência, para efetuar as medições das grandezas elétricas. A tabela 3.4 apresenta as características do mesmo conversor. Figura 3.6 – Conversor de frequência Mono./Tri. que foi instalado provisoriamente no sistema de bombeamento do laboratório. 75 (a) (b) Figura 3.7 – Esquemas elétricos das conexões do MARH-21, (a) na entrada e (b) na saída do conversor de frequência Mono./Tri. Tabela 3.4 – Características do conversor de frequência instalado provisoriamente no sistema de bombeamento. CONV. DE FREQ. MONOFÁSICO / TRIFÁSICO Marca Modelo Entrada V Entrada I Saída V Saída I Motor Proteção Temp. Variação SIEMENS SINAMICS G110 CPM 110 A/N 200-240 VAC + 10% 1F AC: 19,7 A – 47 a 63 Hz 3F AC: 0 – 230 V 3F AC: 7,8 A – 0 a 650 Hz 1,5 kW IP 20 -10 ºC a 40 ºC 3.1.4. Fluido Usado no Sistema de Bombeamento O fluido bombeado no sistema, em todos os experimentos de laboratório realizados, foi água limpa a 20 ºC. A temperatura da água foi controlada através do sistema de ar condicionado do laboratório. Para a medição da temperatura da água foi utilizado um termômetro comum. 76 3.2. MATERIAIS UTILIZADOS NOS EXPERIMENTOS DE CAMPO Neste trabalho de pesquisa, foram feitas aplicações reais em campo de conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica. Estas aplicações foram feitas no processo de engarrafamento de água da fonte da Água Mineral Fluente. Esta fonte de água mineral está localizada no interior de Dom Aquino – MT, a 11 km da Rodovia MT 453, no km 6. O local fica bastante afastado do núcleo urbano de Dom Aquino e lá só existe um sistema de distribuição de energia elétrica Monofilar com Retorno por Terra (MRT – 13,8/3 kV). A maioria dos equipamentos, do processo de engarrafamento de água dessa fonte, foi adquirida com motores de indução trifásicos. A solução foi instalar conversores de frequência trifásicos que operam com alimentação monofásica para acionar esses motores. Após a instalação dos conversores, no processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente, foram efetuadas medições com o MARH-21, num dos sistemas de bombeamento da lavadora dos vasilhames utilizados para o envasamento da água mineral. Esta lavadora possui dois sistemas de lavagem, um para garrafas e outro para garrafões. As medições foram efetuadas no usado para lavagem de garrafões. Este sistema de bombeamento lava, em média, 500 garrafões de 20 litros por dia. A figura 3.8 mostra o setor de carregamento da Água Mineral Fluente na fonte. A figura 3.9 mostra o sistema de suprimento de energia elétrica do processo de engarrafamento da água mineral, a casa onde está a geração própria e os dois postos de transformação monofásicos de 37,5 kVA (MRT - 13,8/√3 kV - 254/127 V). Figura 3.8 – Setor de carregamento da água mineral. 77 Figura 3.9 – Casa da geração própria e postos de transformação do sistema de suprimento de energia elétrica na fonte da Água Mineral Fluente. O processo de engarrafamento citado encontra-se em funcionamento durante dois anos, com motores de indução trifásicos sendo acionados através de conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica (Mono./Tri.). A figura 3.10 ilustra a lavadora de vasilhames do processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente. Painel dos Conversores de Frequência Lavadora de Vasilhames Analisador de Energia MARH-21 Notebook Figura 3.10 – Vista lateral da lavadora de vasilhames do processo de engarrafamento de água mineral. 78 Na figura 3.10, pode ser visto o painel que aloja os conversores de frequência, que acionam os motores das bombas dos sistemas. Pode ser visto, também, o analisador de energia MARH-21 conectado a um notebook efetuando medições. A figura 3.11 apresenta a vista frontal do painel dos conversores. Conversor de frequência do sistema que foram efetuadas as medições em campo. Figura 3.11 – Painel dos conversores de frequência da lavadora. A figura 3.12 mostra o conjunto moto-bomba do sistema de bombeamento no qual foram efetuadas as medições em campo. Nesta figura, vê-se a conexão do analisador de energia MARH-21 ao motor da bomba do sistema (as garras das ponteiras para medição das tensões e os clamps para medição das correntes). Garras das ponteiras para a medição das tensões. Clamps para a medição das correntes. Figura 3.12 – Conjunto moto-bomba do sistema no qual foram efetuadas as medições em campo. 79 A tabela 3.5 apresenta as características do motor bomba do sistema no qual foram efetuadas as medições em campo. A tabela 3.6 apresenta as características do conversor de frequência utilizado no acionamento deste motor. Tabela 3.5 – Características do motor utilizado no sistema no qual foram efetuadas as medições em campo. MOTOR DE INDUÇÃO CONVENCIONAL Marca Nº de Fases Potência Frequência Tensão 220/380 V Rendimento Fator de Potência Rotação Temp. Máxima Ip/In Fs CAT Isol: Proteção Metalcorte 3 3 CV 60 Hz 8,23 A / 4,75 A 81,5% 0,86 3.490 RPM 40 °C 7,00 1,15 N B IP 55 Tabela 3.6 –. Características do conversor utilizado no sistema no qual foram efetuadas as medições em campo. CONV. DE FREQ. MONOFÁSICO / TRIFÁSICO Marca Modelo Entrada V Entrada I Saída V Saída I Motor Proteção Temp. Variação SIEMENS SINAMICS G110 CPM 110 A/N 200-240 VAC + 10% 1F AC: 32 A – 47 a 63 Hz 3F AC: 0 – 230 V 3F AC: 13,6 A – 0 a 650 Hz 3 kW IP 20 -10 ºC a 40 ºC Os materiais utilizados nos experimentos de campo foram: 12 conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica; processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente: esteiras transportadoras de garrafas e de garrafões; conjuntos moto-bomba dos sistemas de bombeamento hidráulico da lavadora de vasilhames, da enchedora de garrafas e da enchedora de garrafões. analisador de energia MARH-21. 80 3.3. PROGRAMAS COMPUTACIONAIS UTILIZADOS NA PESQUISA Para a confecção das planilhas de cálculos, registro dos dados coletados no computador da bancada utilizada no laboratório e para o registro dos dados coletados na memória de massa do analisador de energia MARH-21 foi usado o Microsoft Excel. Para o desenvolvimento dos programas computacionais usados nos cálculos e na construção dos gráficos foi utilizado o programa MATLAB. Foram desenvolvidos dois programas computacionais no MATLAB, nomeados de: 1) “gráficos”; 1) “Programa Para Análise de Sistemas de Bombeamento”. Nesta pesquisa, todos os gráficos utilizados nas análises dos resultados da experimentação, foram construídos através destes dois programas computacionais. O programa computacional nomeado de “gráficos”, constrói gráficos de linhas e de colunas entrando-se com as coordenadas dos pontos. 3.3.1. Programa Para Análise de Sistemas de Bombeamento Neste estudo, foi desenvolvido um programa computacional no MATLAB, nomeado de “Programa Para Análise de Sistemas de Bombeamento”, para converter a curva característica da bomba de um sistema de bombeamento, denominada altura manométrica em função da vazão (H = f (Q)), para outra rotação. Este programa converte esta curva característica da bomba, para uma nova rotação, fornecendo os seguintes dados: pequena quantidade de pontos extraídos estrategicamente ao longo da curva da bomba, H = f (Q), que se quer converter para outra rotação; rotação, em RPM, que é válida a curva da bomba que se quer converter para outra rotação; rotação, em RPM, para a qual será convertida a curva da bomba. Vale ressaltar aqui, que a curva característica da bomba, H = f (Q), convertida para outra rotação, é válida apenas para o mesmo tipo de fluido que é válida aquela que deu origem a mesma. 81 Conforme já mencionado, conhecendo-se a curva característica da bomba de um sistema de bombeamento, H = f (Q), se esta é válida para o fluido que está sendo bombeado no sistema, através desta curva é possível determinar as alturas manométricas de elevação deste sistema, correspondentes às vazões medidas no mesmo. Para que a curva seja válida para o fluido que está sendo bombeado, o fluido indicado na curva deve ser o mesmo bombeado no sistema (mesmo fluido na mesma temperatura). Tendo-se a curva da bomba de um sistema de bombeamento, H = f (Q), válida para o fluido que está sendo bombeado, para obter as alturas manométricas de elevação deste sistema correspondentes às vazões medidas no mesmo, basta fornecer ao programa desenvolvido os seguintes dados: pequena quantidade de pontos extraídos estrategicamente ao longo da curva bomba, H = f (Q), para que possam definir o perfil da mesma; rotação da bomba que é válida a curva que foram extraídos os pontos; rotação que a bomba do sistema está trabalhando; vazões medidas. O programa computacional citado constrói, também, a curva do sistema de bombeamento, fornecendo-se os seguintes dados do sistema: altura geométrica (Hg); vazão medida (Q); altura manométrica correspondente a vazão medida (H); diversos valores atribuídos a vazão, numa faixa que vai de zero a um valor maior ou igual àquele da vazão medida. Este programa computacional calcula funções polinomiais, cujas curvas das mesmas se ajustam as curvas reais da bomba, H = f (Q). Para determinar estas funções polinomiais e calcular os valores das mesmas o programa utiliza, respectivamente, as funções polyfit e polyval do MATLAB. A determinação de uma função que aproxima um conjunto de pontos ao conjunto de pontos reais pode ser usada para o cálculo de valores intermediários, tal qual a interpolação. Uma vez calculado o polinômio que aproxima um conjunto de pontos ao conjunto de pontos reais, depois é possível interpolar para qualquer ponto, recorrendo à função determinada. A grande vantagem da utilização destas funções consiste na possibilidade de construção de uma nova curva com um número reduzido de pontos extraídos ao longo da curva original. Além disso, permite calcular com boa precisão 82 o valor da ordenada, de qualquer ponto da curva, conhecendo-se o valor da abscissa. Assim, é possível interpolar e calcular a altura manométrica de um sistema de bombeamento para qualquer vazão medida no mesmo. Aqui, por se tratar da curva da bomba, H = f (Q), a abscissa é a vazão (Q) e a ordenada é a altura manométrica (H). 3.4. METODOLOGIA UTILIZADA NOS EXPERIMENTOS DE LABORATÓRIO Cada experimento realizado no laboratório foi previamente programado, em função dos dados necessários de serem coletados para as análises a serem feitas. Para aumentar a confiabilidade dos resultados, cada experimento foi realizado três vezes. 3.4.1. Experimentos para Análise do Sistema no Ponto de Operação com Vazão Máxima e para Análise do Método de Controle da Vazão na Válvula Para analisar o método de controle da vazão através da válvula e o sistema de bombeamento hidráulico utilizado no laboratório operando com a válvula eletromecânica totalmente aberta e a bomba em 3.340 RPM (ponto de operação que proporciona a vazão máxima), foram feitos os experimentos descritos na tabela 3.7. Tabela 3.7 – Experimentos com o método de controle da vazão através da válvula – Rotação da Bomba 3.340 RPM. Número do Experimento Realizado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Abertura da Válvula (%) 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Tempo de Duração do Experimento (min) 10 10 10 10 10 10 10 10 10 Total: 90 min Nestes experimentos, o acionamento do motor da bomba hidráulica foi efetuado via contator. A rotação da bomba medida com a válvula totalmente aberta foi de 3.340 RPM. Esta rotação da bomba foi considerada como sendo constante para todos os percentuais de abertura da válvula que foram experimentados. Após o término da experimentação, foram coletados os dados armazenados na memória de 83 massa do analisador de energia MARH-21 e os dados registrados no arquivo gerado pelo software do computador da bancada. 3.4.2. Experimentos para a Análise do Método de Controle da Vazão Através da Rotação da Bomba Conforme descrito na parte introdutória e nos materiais utilizados no laboratório, para analisar o método de controle da vazão através da rotação da bomba, foram utilizados dois conversores de frequência trifásicos no acionamento do motor, um com alimentação trifásica (Tri./Tri.) e outro com alimentação monofásica (Mono./Tri.). Foram efetuados os experimentos descritos nas tabelas 3.8 e 3.9. Tabela 3.8 – Experimentos com o método de controle da vazão através da rotação da bomba, com o uso do conversor Tri./Tri. Número do Experimento Realizado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Frequência de Operação do Conversor (Hz) 20 25 30 35 40 45 50 55 60 Rotação da Bomba (RPM) 1.161 1.411 1.675 1.942 2.212 2.486 2.764 3.038 3.321 Tempo de Duração do Experimento (min) 10 10 10 10 10 10 10 10 10 Total: 90 min Tabela 3.9 – Experimentos com o método de controle da vazão através da rotação da bomba, com o uso do conversor Mono./Tri. Número do Experimento Realizado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Frequência de Operação do Conversor (Hz) 20 25 30 35 40 45 50 55 60 Rotação da Bomba (RPM) 1.183 1.466 1.748 2.027 2.303 2.575 2.835 3.093 3.288 Tempo de Duração do Experimento (min) 10 10 10 10 10 10 10 10 10 Total: 90 min 84 Sabe-se que o uso dos conversores de frequência, sem a utilização de filtros de linha adequados, pode resultar em altos níveis de correntes harmônicas no sistema de fornecimento de energia elétrica e isso terá como consequência, a distorção da forma de onda senoidal da tensão do sistema de fornecimento e seus efeitos correlatos. Por esta razão, nestes experimentos, foi mensurado o conteúdo harmônico gerado, com a utilização de cada um dos conversores. Foram medidas as tensões, as correntes, as potências, o fator de potência, a DHT da tensão e da corrente, etc. O conteúdo harmônico da tensão e da corrente nas fases A, B e C foi disponibilizado pelo analisador de energia até o 31º harmônico. Nas utilizações dos conversores de frequência, as grandezas elétricas foram medidas na entrada e na saída do conversor utilizado no acionamento do motor. A vazão e a rotação da bomba foram medidas pela instrumentação da bancada do sistema de bombeamento hidráulico utilizado. Após o término da experimentação, foram coletados os dados armazenados na memória de massa do analisador de energia MARH-21 e os dados registrados no computador da bancada do sistema utilizado. 3.5. EXPERIMENTAÇÃO DE CAMPO Em campo foram efetuadas as aplicações dos conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica (Mono./Tri.), que possibilitaram o funcionamento do processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente. Estas aplicações servem para analisar a utilização de conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica, no acionamento de motores de indução trifásicos, nos locais onde só existe suprimento de energia elétrica monofásica e onde a energia não tem uma qualidade como, por exemplo, aquela encontrada num distrito industrial. A medição das grandezas elétricas foi efetuada apenas no sistema de bombeamento hidráulico usado na lavagem dos garrafões, os quais são utilizados para o envasamento da água mineral. Este sistema foi escolhido por ser o mais parecido com aquele usado no laboratório. Na ocasião em que foram efetuadas as medições das grandezas elétricas, o conversor de frequência que aciona o motor do sistema usado na lavagem dos garrafões, operou em 50 Hz. O conteúdo harmônico gerado por este conversor de frequência é analisado, é verificada a semelhança com aquele gerado na utilização mesmo tipo de conversor (Mono./Tri.) no laboratório. 85 4. ANÁLISES DOS RESULTADOS DA EXPERIMENTAÇÃO Neste capítulo, através dos dados coletados nos experimentos realizados no sistema de bombeamento do laboratório, primeiramente, é analisado um ponto de operação do sistema. Em seguida são analisados os métodos de controle da vazão através da válvula e através da rotação da bomba com o uso do conversor de frequência trifásico, com alimentação trifásica e monofásica. Posteriormente, são analisadas as potências demandadas e o fator de potência em função da vazão, do método de controle da mesma e do tipo de acionamento do motor da bomba utilizado. Prosseguindo é analisado, também, o conteúdo harmônico gerado com a utilização dos conversores de frequência. No estudo do método de controle da vazão através da válvula, é exemplificado o que pode ocorrer com a arrecadação financeira e o gasto com consumo de energia elétrica, numa prestadora do serviço de fornecimento de água potável que usa este método, para reduzir a vazão proporcionada por um sistema de bombeamento usado no abastecimento de um reservatório de distribuição de água. No estudo do método de controle da vazão através da rotação da bomba, para o mesmo caso apresentado no estudo do controle da vazão através da válvula, é mostrado o que aconteceria com a arrecadação financeira e o gasto com consumo de energia elétrica, se a prestadora do serviço de fornecimento de água potável utiliza-se este outro método para reduzir a vazão proporcionada pelo sistema de bombeamento. Finalmente, mostra-se os resultados das medições feitas em campo, e o que foi observado durante dois anos de funcionamento do processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente onde foram feitas as aplicações dos conversores de frequência. Nas análises que são feitas utilizando o sistema de bombeamento do laboratório é considerado H = Hu, pelo fato da altura representativa da energia cinética adquirida pelo fluido em sua passagem pela bomba, na vazão máxima proporcionada pelo sistema, ter sido de apenas 0,5035 m (equação 2.133). 4.1. CURVAS, PONTO DE OPERAÇÃO, RENDIMENTOS, CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA E POTÊNCIA EM CV SOLICITADA PELA BOMBA Aqui é analisado o sistema de bombeamento hidráulico utilizado nos experimentos de laboratório, para as condições de operação: válvula eletromecânica 86 totalmente aberta e bomba em 3.340 RPM, com o motor acionado via contator. Nesta parte da pesquisa é apresentada a curva característica da bomba deste sistema, H = f (Q) (altura manométrica em função da vazão), para 3.500 RPM. Demonstra-se a conversão desta curva de 3.500 RPM para 3.340 RPM. Mostra-se, também, a construção da curva característica do sistema de bombeamento, H = f (Q). Posteriormente, a curva característica da bomba, convertida para 3.340 RPM e a curva característica do sistema de bombeamento são construídas num mesmo gráfico, para obter o ponto de intersecção. O ponto de intersecção destas duas curvas é o ponto de operação da bomba e do sistema, para as condições citadas. Na sequência deste estudo, através do gráfico que contém as duas curvas características, a da bomba e a do sistema é explicado porque é possível determinar a altura manométrica do sistema de bombeamento, para uma determinada vazão medida no mesmo, através da curva característica da bomba, H = f (Q). Demonstra-se também, graficamente, a determinação da altura manométrica de elevação do sistema para a vazão de 15, 6 m³/h, a qual foi medida com o mesmo operando nas condições citadas. Posteriormente calcula-se a altura representativa da perda de carga total para a mesma vazão. Finalmente, demonstra-se o cálculo do rendimento do sistema de tubulações, da bomba e do sistema de bombeamento e o cálculo do consumo de energia elétrica em kWh/(m³/h), no ponto de operação citado. Para finalizar, é calculada a potência em CV solicitada no eixo pela bomba e é feita uma verificação dos cálculos. 4.1.1. Curva da Bomba – Altura Manométrica em Função da Vazão H = f (Q) A curva característica da bomba, H = f (Q), do sistema de bombeamento utilizado nos experimentos de laboratório é apresentada na figura 4.1. Figura 4.1 – Curva característica da bomba, do sistema utilizado nos experimentos de laboratório, fornecida pelo fabricante da mesma. 87 A curva H = f (Q) apresentada foi fornecida pelo fabricante da bomba, válida para 3.500 RPM e quando o fluido bombeado é água limpa a 20 ºC. A curva fornecida é para o mesmo tipo de fluido usado no sistema do laboratório, água limpa a 20 ºC. Portanto, não é necessário construir outra através do uso de instrumentos que medem pressões. Basta apenas converter a curva fornecida para a rotação da bomba na qual se quer analisar o sistema, neste caso, para 3.340 RPM. A conversão da curva característica da bomba, H = f (Q), de 3.500 RPM para 3.340 RPM pode ser feita utilizando-se a relação matemática descrita abaixo. Calculam-se apenas as ordenadas dos pontos da curva da nova rotação [18]. Par calcular as ordenadas dos pontos da curva da nova rotação isola-se a variável Hx na relação matemática. ( ) Sendo, as variáveis da relação: Ho – altura manométrica de um ponto qualquer (Qo, Ho) extraído do gráfico da curva característica da bomba, H = f (Q), fornecida pelo fabricante da mesma; Hx – altura manométrica do ponto calculado para a curva da nova rotação da bomba (Qo, Hx); Nx – nova rotação da bomba, em RPM; No – rotação, em RPM, que é válida a curva característica da bomba, H = f (Q), fornecida pelo fabricante da mesma. Os pontos (Qo, Ho) devem ser extraídos estrategicamente ao longo da curva da curva característica da bomba fornecida pelo fabricante e em quantidade suficiente para que possam definir o perfil da mesma. A tabela 4.1 mostra o procedimento para a conversão da curva característica da bomba, H = f (Q), de 3.500 RPM para 3.340 RPM. Pode ser observado que as abscissas dos pontos extraídos da curva da bomba fornecida pelo fabricante permanecem as mesmas. Apenas as ordenadas dos pontos da curva da nova rotação são calculadas. Nesse caso, No é igual a 3.500 RPM e Nx é igual a 3.340 RPM. 88 Tabela 4.1 – Vazões e alturas manométricas correspondentes. Abscissas Ordenadas Ordenadas Vazões Qo Alturas Manométricas Ho Alturas Manométricas Hx Extraídas da Curva Extraídas da Curva Calculadas Através da Bomba da Bomba da Relação Fornecida Pelo Fornecida Pelo Matemática Fabricante Fabricante (3.340 RPM) (3.500 e 3.340 RPM) (3.500 RPM) (m) (m³/h) (m) 0 26,5 24,1325 5 26 23,6772 10 25,3 23,0397 15 24 21,8559 18 23 20,9452 20 21,5 19,5792 22 20 18,2132 25 16,5 15,0259 26 15 13,6599 A figura 4.2 mostra as curvas da bomba construídas com os pontos da tabela 4.1. Na curva para 3.500 RPM, se vê a distribuição dos nove pontos que foram extraídos da curva da bomba fornecida pelo fabricante. Na curva para 3.340 RPM, se vê os nove pontos, cujas ordenadas foram calculadas através da relação matemática. Figura 4.2 – Curvas características da bomba do sistema utilizado nos experimentos de laboratório. Todas as curvas da bomba, H = f (Q), que foram utilizadas nas análises do sistema de bombeamento do laboratório, foram originadas dos nove pontos 89 mostrados na figura 4.2, na curva para 3.500 RPM. Foram ajustadas curvas de funções polinomiais aos pontos das curvas reais da bomba, H = f (Q). A figura 4.3 mostra curvas de funções polinomiais ajustadas aos pontos das curvas da bomba mostradas na figura 4.2. As alturas manométricas correspondentes às vazões que foram medidas nos experimentos realizados em laboratório, também, foram determinadas através de funções polinomiais ajustadas aos pontos das curvas reais da bomba, H = f (Q). Foi utilizado o programa computacional citado no Tópico 3.3 do Capítulo 3, denominado de “Programa Para Análise de Sistemas de Bombeamento”, para calcular estas funções polinomiais e determinar as alturas manométricas correspondentes às vazões que foram medidas. Figura 4.3 – Curvas da bomba formadas por curvas polinomiais ajustadas. 4.1.2. Curva Característica do Sistema de Bombeamento H = f (Q) Aqui é construída a curva característica do sistema de bombeamento utilizado no laboratório. A curva característica do sistema, H = f (Q), é construída utilizando-se a equação da altura manométrica, conforme explicado no Tópico 2.6 do Capítulo 2. O valor de k é determinado isolando se o mesmo na equação da altura manométrica. Neste caso, os valores obtidos para as variáveis da equação foram os seguintes: 90 altura geométrica de elevação do sistema (Hg), medida: 2,43 m; vazão (Q), medida nas condições de operação do sistema citadas: 15,6 m³/h; altura manométrica (H), calculada para a vazão de 15,6 m³/h pelo programa computacional, através da função polinomial ajustada aos pontos da curva da bomba para 3.340 RPM, mostrada na figura 4.3: 21,7382 m. Substituindo as variáveis da equação pelos valores obtidos para as mesmas, tem-se o valor de k: ( ) Tendo-se a altura geométrica (Hg) e o valor de k calculado, através da equação da altura manométrica, obtêm-se as coordenadas dos pontos (Q, H) da curva característica do sistema, atribuindo-se diversos valores a vazão (Q), numa faixa que vai de zero a um valor maior ou igual àquele da vazão medida. A seguir mostra-se a substituição de Hg e k na equação da altura manométrica, pelos seus valores correspondentes, para o cálculo das ordenadas dos pontos da curva. As abcissas dos pontos da curva são formadas pelos valores atribuídos vazão (Q) de 0 a 16 m³/h, com um passo de 0,5. A figura 4.4 mostra a curva característica do sistema de bombeamento construída. ( ) Figura 4.4 – Curva característica do sistema de bombeamento. 91 4.1.3. Ponto de Operação, Altura Manométrica, Altura Representativa da Perda de Carga Total e Rendimento do Sistema de Tubulações A figura 4.5 mostra a curva característica da bomba, convertida para 3.340 RPM e a curva característica do sistema, ambas, construídas num mesmo gráfico. Sabe-se que a altura manométrica é a altura representativa da energia fornecida ao fluido por unidade de peso. Então, este gráfico mostra que o sistema de bombeamento utilizado no laboratório, quando o fluido bombeado é água limpa, para proporcionar a vazão de 15,6 m³/h, com a válvula eletromecânica totalmente aberta, requer uma altura representativa de energia, por unidade de peso de fluido, de aproximadamente 21,75 m ou mais precisamente 21,7382 m. Pode ser observado, que a bomba fornece exatamente esta altura representativa de energia ao fluido por unidade de peso. É por esta razão, que o ponto de operação é o ponto de intersecção da curva H = f (Q) da bomba com a curva H = f (Q) do sistema. Sendo assim, se pode afirmar que, quando a bomba opera em conjunto com o sistema de tubulações, a energia fornecida pela bomba é igual à energia requerida pelo sistema para a vazão bombeada. Portanto, altura manométrica do sistema de bombeamento, para uma determinada vazão medida no mesmo, pode ser determinada através do gráfico da curva da bomba do sistema, H = f (Q), se esta for para o mesmo fluido que está sendo bombeado. Figura 4.5 – Ponto de operação da bomba e do sistema de bombeamento. 92 Sabe-se que a altura manométrica é igual a soma da altura geométrica com a altura representativa da perda de carga, por unidade de peso, que ocorre no escoamento do fluido através da tubulação do sistema. A figura 4.5 mostra o ponto de operação do sistema utilizado no laboratório, para as condições, válvula eletromecânica totalmente aberta e bomba em 3.340 RPM. Pode ser observado que este ponto de operação do sistema, com uma vazão de 15,6 m³/h, apresenta uma diferença muito grande entre a altura manométrica e a altura geométrica. A diferença entre a altura manométrica e a altura geométrica é a altura representativa da perda de carga, por unidade de peso, que ocorre no escoamento do fluido. A equação descrita abaixo, obtida da equação da altura manométrica isolando-se a variável da altura representativa da perda de carga, expressa o que foi descrito no texto. Sendo assim, para o ponto de operação mostrado na figura 4.5 tem-se a seguinte altura representativa da perda de carga: O rendimento de um sistema de tubulações (st), num determinado ponto de operação é obtido dividindo-se a altura geométrica pela altura representativa da energia total fornecida ao fluido por unidade de peso. Para o ponto de operação mostrado na figura 4.5 tem-se o seguinte rendimento para o sistema de tubulações: Dessa forma, tem-se o rendimento das tubulações do sistema de bombeamento utilizado nos experimentos de laboratório, para o ponto de operação mostrado na figura 4.5. Neste ponto de operação, a vazão medida foi de 15,6 m³/h e foi considerada a máxima que o sistema pode proporcionar. Portanto, este é o rendimento do sistema de tubulações quando o sistema de bombeamento opera com a vazão máxima. 93 4.1.4. Cálculo do Rendimento da Bomba A seguir é demonstrado o cálculo do rendimento da bomba para o ponto de operação do sistema mostrado na figura 4.5. O rendimento da bomba pode ser calculado através da equação (2.189) apresentada no Tópico 2.9 do Capítulo 2. Neste ponto de operação, foram obtidos os seguintes valores para as variáveis da equação. γ – Q – vazão medida: 15,6 m³/h – (15,6 / 3.600) m³/s; H – altura manométrica do sistema para a vazão medida: 21,7382 m; peso específico do fluido (água limpa a 20 ºC): 998,2002 kgf/m³; PkW – potência ativa medida na entrada do motor da bomba: 1,8070 kW; ηm – rendimento do motor: 76,5% (considerado para 50% da potência nominal). Observação: o fabricante do motor da bomba forneceu os seguintes rendimentos para o mesmo: 100% da potência nominal: 78,5%; 75% da potência nominal: 78%; 50% da potência nominal: 76,5%. A potência nominal do motor da bomba do sistema de bombeamento do laboratório é de 1,5 CV. De acordo com a equação (2.186), apresentada no Tópico 2.9 do Capítulo 2, este motor a plena carga, com um rendimento de 78,5%, deveria demandar da rede de suprimento de energia elétrica uma potência de 1,4064 kW. Para o sistema proporcionar a vazão de 15,6 m³/h, o conjunto moto-bomba operou com 3.340 RPM e o motor demandou da rede uma potência de 1,8070 kW. Portanto, o motor operou com sobrecarga. Levando-se em conta um aumento das perdas nesta condição de operação, foi considerado um rendimento de 76,5% para o motor da bomba e não o de plena carga, que é de 78.5%. E assim, resolvendo-se a equação (2.189) com os valores citados para as variáveis da mesma, tem-se o rendimento da bomba: 94 O gráfico da figura 4.6 mostra a curva do rendimento da bomba do sistema de bombeamento do laboratório. Esta curva foi fornecida pelo fabricante, válida 3.500 RPM e quando o fluido bombeado é água limpa a 20 ºC. Figura 4.6 – Curva do rendimento da bomba, do sistema de bombeamento utilizado nos experimentos de laboratório. Neste gráfico, pode ser verificado que para a vazão de 15,6 m³/h, o rendimento da bomba está em torno de 68%, ou seja, valor um pouco maior do calculado para esta vazão, que foi de aproximadamente 67%. Isto se deve ao fato de que, esta curva é válida para a bomba operando em 3.500 RPM e o rendimento que foi calculado é para a mesma operando em 3.340 RPM. 4.1.5. Rendimentos dos Componentes e do Sistema de Bombeamento No ponto de operação mostrado na figura 4.5 foram obtidos os seguintes rendimentos para os componentes do sistema de bombeamento utilizado no laboratório: rendimento do motor: 76,5% (considerado para 50% da potência nominal); rendimento da bomba: 66,7514%; rendimento do sistema de tubulações: 11,1785%. Analisando individualmente os rendimentos dos componentes do sistema de bombeamento, se torna mais fácil de visualizar onde aplicar as medidas corretivas, para obter um melhor resultado na redução do consumo de energia elétrica. O rendimento do sistema de bombeamento (sb) é obtido conforme segue: 95 4.1.6. Consumo de Energia Elétrica em kWh/(m³/h) O consumo de energia elétrica de um sistema de bombeamento (CEESB), em kWh/(m³/h), num determinado ponto de operação é dado pela equação descrita abaixo. ( ) Substituindo-se as variáveis da equação que determina o consumo de energia elétrica em kWh/(m³/h), pelos valores obtidos para as mesmas, no ponto de operação do sistema mostrado na figura 4.5, tem-se o seguinte consumo de energia elétrica: Observação: a potência ativa e a vazão, medidas no referido ponto de operação do sistema de bombeamento, são apresentadas Tópico 4.1.4. ( ) 4.1.7. Potência em CV Solicitada pela Bomba e Verificação dos Cálculos A potência motriz solicitada no eixo por uma bomba, em CV, quando transfere potência a um fluido (líquido) é dada pela equação descrita a seguir, a qual foi apresentada no Tópico 2.9 do Capítulo 2. Os valores obtidos para as variáveis da equação, no ponto de operação do sistema de bombeamento mostrado na figura 4.5, são: vazão medida: 15,6 m³/h; peso específico do fluido (água limpa a 20 ºC), tabelado: 998,2002 kgf/m³; altura manométrica correspondente a vazão medida, calculada: 21,7382 m; rendimento da bomba, calculado: 66,7514%; rendimento do motor, considerado para 50% da potência nominal: 76,5%. Resolvendo-se a equação que determina a potência, em CV, solicitada no eixo por uma bomba, aplicando-se os valores citados para as variáveis da mesma, tem-se: 96 A potência ativa, em kW, demandada da rede de alimentação por um motor elétrico, quando fornece potência mecânica no eixo é dada pela equação descrita a seguir, a qual também foi apresentada no Tópico 2.9 do Capítulo 2. Substituindo-se, na equação que determina a potência ativa demandada da rede de alimentação por um motor elétrico, as variáveis Pcv e m, pela potência em CV calculada e pelo rendimento do motor considerado, no ponto de operação mostrado na figura 4.5, tem-se a seguinte potência ativa demandada: Dessa forma, se pode concluir que os cálculos estão corretos, pois foi obtida a mesma potência ativa que foi utilizada no cálculo do rendimento da bomba. 4.2. MÉTODO DE CONTROLE DA VAZÃO ATRAVÉS DA REGULAGEM NA ABERTURA DA VÁLVULA Neste método, o controle da vazão é feito fechando-se mais ou, menos, a tubulação de recalque do sistema de bombeamento. Isto pode ser feito através de uma válvula, também chamada de registro, instalada próxima da saída da bomba ou, por exemplo, quando o bombeamento de água é feito diretamente para uma rede de distribuição, sem reservatório para sobra, através das válvulas instaladas nos pontos de consumo (registros, válvulas de controle de nível nas caixas d’água, etc.). A figura 4.7 ilustra a válvula ou registro manual instalado num sistema de bombeamento. Figura 4.7 – Válvula ou registro manual instalado na tubulação de recalque [02]. 97 Pelo fato de funcionar bem tecnicamente e as válvulas hidráulicas estarem presentes na tubulação de recalque da maioria dos sistemas de bombeamento, este método de controle da vazão é muito utilizado. Com este método de controle, quando se reduz da vazão, ocorre um aumento da perda de carga na tubulação de recalque. O aumento da perda de carga altera a curva característica do sistema de bombeamento e, portanto, o ponto de operação. Não havendo nenhuma alteração na rotação da bomba, a curva característica H = f (Q) da mesma permanece constante. A figura 4.8 foi construída através de dados coletados nos experimentos de laboratório, que foram realizados para analisar o controle da vazão através da válvula. Nesta figura podem ser observadas as alterações da curva característica do sistema, nos percentuais de abertura da válvula utilizados (20 a 100% de 10 em 10%). Os pontos de operação do sistema são os pontos de intersecção da curva característica da bomba, para 3.340 RPM, com as curvas do sistema para os percentuais de abertura da válvula utilizados. Nestes experimentos, o motor da bomba foi acionado via contator, portanto, operou em 60 Hz. A rotação da bomba medida, na vazão máxima proporcionada pelo sistema (15,6 m³/h), foi de 3.340 RPM. Esta rotação é a que foi usada nas análises deste método de controle da vazão. Figura 4.8 – Curvas do sistema para as regulagens na abertura da válvula eletromecânica efetuadas. 98 Cada ponto de operação de um sistema de bombeamento apresenta uma vazão e uma altura manométrica correspondente a esta vazão. Na figura 4.8, analisando os pontos de operação do sistema, para os percentuais de abertura da válvula utilizados nos experimentos de laboratório, nota-se que na redução da vazão, com o método de controle na válvula, ocorre uma elevação na altura manométrica do sistema. Portanto, torna-se necessário fornecer mais energia, por unidade de peso, ao fluido que está sendo bombeado. Sendo assim, já se pode concluir que este método de controle da vazão, apesar de funcionar bem tecnicamente, em termos de eficiência energética, não é eficiente. A mesma figura mostra, também, a altura geométrica medida no sistema de bombeamento. Sabendo-se que a altura representativa da perda de carga total num sistema de bombeamento é igual à altura manométrica menos a altura geométrica, pode ser verificado quanto a perda de carga total contribui na altura manométrica de elevação do sistema, em cada ponto de operação. A tabela 4.2 mostra valores quantitativos obtidos através dos experimentos realizados no laboratório, com a utilização do método de controle da vazão através da regulagem na abertura da válvula eletromecânica. Tabela 4.2 – Valores obtidos utilizando-se o controle da vazão através da válvula eletromecânica. ACIONAMENTO DO MOTOR DA BOMBA VIA CONTATOR ROTAÇÃO DA BOMBA: 3.340 RPM FLUIDO ESCOADO NO SISTEMA: ÁGUA LIMPA A 20 ºC Ab. da Válvula % Vazão Medida m³/h Altura Man. m 20 30 40 50 60 70 80 90 100 2,2823 3,9494 7,1034 10,3049 13,0055 14,0684 14,6476 15,0000 15,6000 23,9165 23,7785 23,4457 22,9715 22,4394 22,1813 22,0248 21,9233 21,7382 m b st sb (%) (%) (%) (%) 78 78,5 78 76,5 76,5 76,5 76,5 76,5 76,5 15,8417 24,5490 37,6775 49,8510 58,5794 61,6294 63,6433 64,8023 66,7514 10,1603 10,2193 10,3644 10,5783 10,8292 10,9552 11,0330 11,0841 11,1785 1,2555 1,9694 3,0459 4,0341 4,8529 5,1650 5,3717 5,4948 5,7083 Potência Consumo Ativa de Energia kW kWh/(m³/h) 1,2020 1,3260 1,5420 1,6890 1,7720 1,8010 1,8030 1,8050 1,8070 0,5267 0,3358 0,2171 0,1639 0,1363 0,1280 0,1231 0,1203 0,1158 Rendimentos para o motor da bomba (m) considerados na tabela 4.2: potência nominal, em kW, do motor de 1,5 CV, com 78,5% de rendimento: 1,4064 kW (equação 2.186, Tópico 2.9 do Capítulo 2); 99 1,2020 kW é igual a 85,4664% da potência nominal, com esta carga o rendimento do motor considerado foi de: 78% (para 75% da potência nominal); 1,3260 kW é igual a 94,2833% da potência nominal, com esta carga o rendimento do motor considerado foi de: 78,5% (para 100% da potência nominal); 1,5420 kW é igual 109,6416% da potência nominal do motor, com esta sobrecarga o rendimento do motor considerado foi de: 78% (para 75% da potência nominal); 1,6890 a 1,8070 kW (120,0939 a 128,4841% da potencia nominal do motor), nesta faixa de sobrecarga o rendimento do motor considerado foi de: 76,5% (para 50% da potência nominal). Na tabela 4.2 pode ser observado que quando se reduz a vazão através do método em questão ocorre: elevação na altura manométrica; pequena redução no rendimento do sistema de tubulações (st); redução muito mais acentuada no rendimento da bomba (b); aumento do consumo de energia elétrica em kWh/(m³/h). Dessa forma, os experimentos realizados no laboratório mostraram que o método de controle da vazão através da regulagem na abertura da válvula deve ser evitado, quando se pretende reduzir o consumo de energia elétrica em sistemas de bombeamento. 4.2.1. Controle da Vazão em Sistemas de Bombeamento Através da Válvula nos Serviços de Fornecimento de Água Potável Aqui é apresentado um fato que pode ocorrer com uma prestadora do serviço de fornecimento de água potável, que usa o método de controle da vazão através da válvula para reduzir a vazão proporcionada por um sistema de bombeamento. Considerando que uma prestadora do serviço de fornecimento de água possui um sistema de bombeamento igual àquele que foi usado nos experimentos de laboratório, para o abastecimento de um reservatório da rede de distribuição de água potável à população de um vilarejo. Este sistema funcionava das 06h00min às 22h00min com uma vazão de 15 m³/h, dando um total de 16 horas por dia, para manter abastecido o reservatório sem transbordar. Devido a um período de seca, as pessoas deste vilarejo 100 foram conscientizadas a reduzir o consumo de água. Como o consumo foi reduzido para menos da metade, uma vazão 7,1034 m³/h, durante o mesmo período de tempo diário, foi suficiente para manter abastecido o reservatório sem transbordar. Portanto, a abertura da válvula foi regulada para 40% pela prestadora do serviço de fornecimento de água. No final de um mês de 30 dias os hidrômetros das residências destas pessoas, em média, marcaram menos da metade do consumo que vinha ocorrendo anteriormente, portanto, a fatura de água mensal de cada residência diminuiu proporcionalmente com o consumo. A tabela 4.3 mostra que, com a redução da abertura da válvula para 40%, a vazão do sistema foi reduzida para menos da metade daquela que escoava com a mesma 90% aberta, mas que o consumo de energia elétrica não reduziu na mesma proporção. Sabe-se que é difícil conscientizar as pessoas a reduzirem o consumo de água com aumento de preço. Portanto, o custo financeiro do metro cúbico de água fornecido nas residências do vilarejo não poderá ser aumentado. Então, a arrecadação financeira da prestadora do serviço de fornecimento de água potável, será proporcional a 47,3560% do consumo de água que vinha ocorrendo anteriormente. No entanto, o gasto financeiro que prestadora do serviço terá, com energia elétrica, para manter abastecido o reservatório, ficará em 85,4612% do que era anteriormente. Tabela 4.3 – Consumo de energia elétrica no controle da vazão através da regulagem na abertura da válvula. ACIONAMENTO DO MOTOR DA BOMBA VIA CONTATOR ROTAÇÃO DA BOMBA: 3.340 RPM FLUIDO ESCOADO NO SISTEMA: ÁGUA LIMPA A 20 ºC Abertura Vazão Energia Funcionamento Consumo em da Válvula Proporcionada Requerida Diário 30 dias % m³/h kWh/(m³/h) h kWh 90 15 0,1203 16 866,1600 40 7,1034 0,2171 16 740,2311 Os sistemas de bombeamento utilizados nos serviços de saneamento necessitam de controle da vazão. Os gastos com consumo de energia elétrica representam as maiores despesas na prestação dos serviços de fornecimento de água tratada e coleta de esgoto. O uso do método de controle da vazão através da válvula, o desconhecimento do rendimento dos componentes dos sistemas de bombeamento nos pontos de operação utilizados e o desconhecimento do kWh/(m³/h) consumido 101 pelos sistemas, provavelmente, são os grandes contribuintes na geração das dificuldades financeiras, que muitas prestadoras destes serviços enfrentam hoje. 4.3. MÉTODO DE CONTROLE DA VAZÃO ATRAVÉS DA REGULAGEM NA ROTAÇÃO DA BOMBA Neste método, o controle da vazão do sistema de bombeamento é efetuado através da regulagem na rotação do rotor da bomba. Nesta pesquisa, para variar a velocidade de rotação do rotor da bomba, o motor de indução da mesma foi acionado via conversor de frequência. Conforme já mencionado, foram utilizados dois conversores de frequência trifásicos, um com alimentação trifásica (Tri./Tri.) e outro com alimentação monofásica (Mono./Tri.). Isso foi feito porque o conversor de frequência trifásico com alimentação monofásica vem sendo cada vez mais utilizado no acionamento de motores de indução trifásicos, principalmente, nos locais onde só existem sistemas de fornecimento de energia elétrica monofásicos. Este tipo de acionamento permite evitar o uso do motor de indução monofásico, que tem menor rendimento que o trifásico e exige mais manutenção. Neste método, considera-se que o controle da vazão é feito sem alterar a área da seção transversal interna do duto de passagem do fluido de algum dos componentes da tubulação. Pelo fato da ação ser efetuada sobre a velocidade de rotação do rotor da bomba, este método de controle da vazão altera a curva característica da mesma, H = f (Q). Na redução da vazão, ocorre uma diminuição da perda de carga total no escoamento do fluido pelas tubulações. Em consequência disso, tem-se uma redução da altura manométrica total de elevação do sistema. As figuras 4.9 e 4.10 foram construídas através de dados coletados nos experimentos de laboratório, que foram realizados para analisar o controle da vazão através da rotação da bomba. A figura 4.9 é a correspondente ao acionamento do motor da bomba via conversor de frequência com alimentação trifásica (Tri./Tri.) e a figura 4.10 é a correspondente ao acionamento do motor da bomba via conversor de frequência com alimentação monofásica (Mono./Tri.). Estes experimentos foram realizados variando-se a frequência de operação programada nos conversores de 20 a 60 Hz de 5 em 5 Hz. Nestes experimentos, a válvula eletromecânica do sistema foi mantida sempre totalmente aberta. As curvas características da bomba de “a” a “i”, 102 mostradas nas figuras, são as correspondentes as frequências programadas nos conversores e as rotações do conjunto moto-bomba descritas na tabela 4.4. Figura 4.9 – Curvas do sistema e da bomba para as rotações de “a” a “i”, com a utilização do conversor Tri./Tri. Figura 4.10 – Curvas do sistema e da bomba para as rotações de “a” a “i”, com a utilização do conversor Mono./Tri. 103 Tabela 4.4 – Frequências programadas nos conversores, velocidades de rotação do conjunto moto-bomba e valores de k. Conv. de Freq. Mono./Tri. Ident. Freq. Valores Rot. Ord. Prog. de k RPM Alf. Hz (Val ∙ 106) 4,5728 a 20 1.183 1,3236 b 25 1.466 1,1560 c 30 1.748 1,0890 d 35 2.027 1,0979 e 40 2.303 1,0862 f 45 2.575 1,0278 g 50 2.835 1,0389 h 55 3.093 1,0332 i 60 3.288 Ident. Ord. Alf. a b c d e f g h i Conv. de Freq. Tri./Tri. Freq. Valores Rot. Prog. de k RPM Hz (Val ∙ 107) 1,5339 20 1.161 0,1434 25 1.411 0,1218 30 1.675 0,1121 35 1.942 0,1089 40 2.212 0,1075 45 2.486 0,1050 50 2.764 0,1025 55 3.038 0,1025 60 3.321 As figuras 4.9 e 4.10 mostram, também, as curvas do sistema de bombeamento para as rotações da bomba de “a” a “i” utilizadas nos experimentos. As curvas do sistema foram construídas através da equação da altura manométrica (H = Hg + k ∙ Q2), conforme demonstrado no Tópico 4.1.2 deste Capítulo. A tabela 4.4 apresenta os valores de k destas curvas. O valor de k de cada uma das curvas foi calculado utilizando-se a vazão e a altura manométrica do ponto de operação do sistema, na rotação da bomba resultante da frequência de operação do conversor. Pode ser notado, na tabela 4.4, que ao se aumentar a velocidade de rotação da bomba, o valor de k tende a um valor constante. Isto faz com que, com o aumento da rotação da bomba, as curvas fiquem cada vez mais próximas uma da outra e o sistema passe a apresentar, praticamente, uma única curva, como pode ser observado nas figuras 4.9 e 4.10. Esta curva é chamada de curva característica do sistema. A partir da rotação da bomba na qual o valor de k passa a assumir um valor constante, pode-se dizer que o escoamento do fluido é completamente turbulento. As figuras 4.11 e 4.12 mostram a localização dos pontos de operação do sistema e da bomba, para as rotações correspondentes as frequências de operação dos conversores de “a” a “i”. Pode ser observado que com a redução da rotação da bomba, a curva característica da mesma, altura manométrica em função da vazão, vai se aproximando do eixo das abscissas. Os pontos de operação do sistema e da bomba passam a apresentar uma vazão e uma altura manométrica cada vez menor. Se o 104 ponto de operação do sistema apresenta uma altura manométrica menor, torna-se necessário fornecer menos energia ao fluido, por unidade de peso, para a vazão bombeada. Figura 4.11 – Localização dos pontos de operação do sistema e da bomba para as rotações de “a” a “i”, com a utilização do conversor Tri./Tri. Figura 4.12 – Localização dos pontos de operação do sistema e da bomba para as rotações de “a” a “i”, com a utilização do conversor Mono./Tri. 105 As tabelas 4.5 e 4.6 mostram valores quantitativos obtidos através dos experimentos realizados em laboratório, na utilização do método de controle da vazão através da rotação da bomba, com o uso dos conversores de frequência. Tabela 4.5 – Valores obtidos utilizando-se o controle da vazão na rotação da bomba, com o uso do conversor Tri./Tri. ACIONAMENTO DO MOTOR DA BOMBA VIA CONVERSOR TRI./TRI. FLUIDO ESCOADO NO SISTEMA: ÁGUA LIMPA A 20 ºC Operação Vazão Altura Pot. Ativa Med. Consumo st Freq./Rot. Medida Manométrica na Entr. do Conv. de Energia (%) Hz/RPM m³/h m kW kWh/(m³/h) 20/1.161 0,6351 2,9074 83,5798 0,0963 0,1516 25/1.411 4,0469 4,2422 57,2816 0,1816 0,0449 30/1.675 6,0991 5,9266 41,0016 0,2864 0,0470 35/1.942 7,9432 7,8889 30,8028 0,4313 0,0543 40/2.212 9,5700 10,1290 23,9905 0,6185 0,0646 45/2.486 11,0984 12,6478 19,2128 0,8555 0,0771 50/2.764 12,6616 15,4197 15,7591 1,1455 0,0905 55/3.038 14,1756 18,3282 13,2583 1,4994 0,1058 60/3.321 15,5299 21,5138 11,2951 1,8983 0,1222 Tabela 4.6 – Valores obtidos utilizando-se o controle da vazão na rotação da bomba, com o uso do conversor Mono./Tri. ACIONAMENTO DO MOTOR DA BOMBA VIA CONVERSOR MONO./TRI. FLUIDO ESCOADO NO SISTEMA: ÁGUA LIMPA A 20 ºC Operação Vazão Altura Pot. Ativa Med. Consumo st Freq./Rot. Medida Manométrica na Entr. do Conv. de Energia (%) Hz/RPM m³/h m kW kWh/(m³/h) 80,7068 20/1.183 1,2831 3,0109 0,1404 0,1094 53,1729 25/1.466 4,5776 4,5700 0,2218 0,0485 37,7605 30/1.748 6,7010 6,4353 0,3289 0,0491 28,3766 35/2.027 8,5435 8,5634 0,4748 0,0556 22,2037 40/2.303 10,0250 10,9441 0,6579 0,0656 17,9681 45/2.575 11,5049 13,5240 0,8893 0,0773 15,0530 50/2.835 13,1498 16,1430 1,1279 0,0858 12,8191 55/3.093 14,3580 18,9561 1,3227 0,0921 11,4888 60/3.288 15,3240 21,1511 1,4814 0,0967 Nas tabelas 4.5 e 4.6, com exceção da frequência de operação em 20 Hz, que é a frequência de operação dos conversores na qual o sistema apresentou um consumo de energia, em kWh/(m³/h), maior do que quando os mesmos operaram em 60 Hz, pode ser observado que quando se reduz a vazão com o método em questão, 106 ocorre: redução acentuada na altura manométrica; aumento no rendimento do sistema de tubulações (st); redução do consumo de energia elétrica em kWh/(m³/h). Dessa forma, os resultados obtidos através dos experimentos realizados no laboratório, mostraram que o método de controle da vazão através da rotação da bomba, em termos de eficiência energética, é muito mais eficiente do que o método de controle através da válvula. Pois, quando se reduz a vazão através da válvula ocorre uma elevação na altura manométrica, uma redução no rendimento do sistema de tubulações e um aumento do consumo de energia elétrica em kWh/(m³/h). Quando o acionamento do motor da bomba é feito através de um conversor de frequência, deve ser utilizado o rendimento do conjunto conversor-motor e não apenas do motor, para calcular o rendimento da bomba. Neste trabalho de pesquisa, não foi possível medir o torque líquido fornecido pelo motor no eixo da bomba. Por esta razão, não foi calculado o rendimento do conjunto conversor-motor, da bomba e do sistema de bombeamento nos experimentos com os conversores de frequência. 4.3.1. Controle da Vazão em Sistemas de Bombeamento Através da Rotação da Bomba nos Serviços de Fornecimento de Água Potável As tabelas 4.7 e 4.8 mostram a mesma redução de vazão que foi apresentada Tópico 4.2.1. Aquela que foi efetuada por uma prestadora do serviço de fornecimento de água, num sistema de bombeamento igual àquele do laboratório, utilizado para o abastecimento de um reservatório da rede de distribuição de água potável à população de um vilarejo. As tabelas mostram esta redução de vazão sendo efetuada utilizando o método de controle na rotação da bomba, com o uso dos conversores de frequência. A tabela 4.7 mostra a redução de vazão sendo efetuada com o uso do conversor de frequência Tri./Tri. e a tabela 4.8 com o uso do conversor de frequência Mono./Tri. Pode ser observado, que para se reduzir a vazão de 15 m³/h para 7,1034 m³/h, a frequência de operação dos conversores, que estava programada entre 55 e 60 Hz, precisou ser reprogramada para entre 30 e 35 Hz. Com este método de controle de vazão, a arrecadação financeira da prestadora do serviço de fornecimento de água potável, continuará proporcional a 47,3560% daquela que vinha ocorrendo anteriormente à redução do consumo de água. Porém o gasto financeiro que 107 prestadora do serviço terá, com energia elétrica, para manter abastecido o reservatório, ficará: um pouco menor de 21,0428%, daquele que vinha ocorrendo anteriormente a redução do consumo de água, com o uso do conversor Tri./Tri; e um pouco menor de 27,2285%, daquele que vinha ocorrendo anteriormente a redução do consumo de água, com o uso do conversor Mono./Tri. Tabela 4.7 – Consumo de energia elétrica no controle da vazão através da rotação da bomba, com o uso do conversor Tri./Tri. FLUIDO ESCOADO NO SISTEMA: ÁGUA LIMPA A 20 ºC Freq. de Vazão Energia Funcionamento Consumo Oper. Proporcionada Requerida Diário Aprox. em 30 Hz m³/h kWh/(m³/h) h dias: kWh 55 14,1756 0,1058 55 < f < 60 15,0000 0,1222 16 879,8400 60 15,5299 0,1222 30 6,0991 0,0470 30 < f < 35 7,1034 0,0543 16 185,1430 35 7,9432 0,0543 Tabela 4.8 – Consumo de energia elétrica no controle da vazão através da rotação da bomba, com o uso do conversor Mono./Tri. Freq. de Oper. Hz 55 55 < f < 60 60 30 30 < f < 35 35 FLUIDO ESCOADO NO SISTEMA: ÁGUA LIMPA A 20 ºC Vazão Energia Funcionamento Consumo Proporcionada Requerida Diário Aprox. em 30 m³/h kWh/(m³/h) h dias: kWh 14,3580 0,0921 15,0000 0,0967 16 696,2400 15,3240 0,0967 6,7010 0,0491 7,1034 0,0556 16 189,5755 8,5435 0,0556 4.4. POTÊNCIAS DEMANDADAS DA REDE E FATOR DE POTÊNCIA Nesta parte, referentes ao sistema de bombeamento hidráulico utilizado no laboratório, são apresentados os gráficos das potências demandadas e do fator de potência, em função da vazão, do método de controle da mesma e do tipo de acionamento do motor da bomba utilizado. O fator de potência e as potências 108 demandadas foram medidas na entrada de cada sistema de acionamento do motor da bomba utilizado, nos experimentos realizados para analisar os métodos de controle da vazão através da válvula e através da rotação da bomba. Na figura 4.13 são apresentadas as curvas da potência ativa demandada da rede de alimentação. Esta figura mostra que foi obtida uma redução muito maior na demanda de potência ativa, quando a vazão foi reduzida através da rotação da bomba com o uso dos conversores de frequência, do que quando foi reduzida através da válvula. Pode ser visualizado também, na mesma figura, que nas vazões menores, a potência ativa demandada da rede de alimentação, com a utilização do conversor de frequência trifásico com alimentação monofásica (Mono./Tri.), foi um pouco maior, do que aquela demandada com a utilização do conversor de frequência trifásico com alimentação trifásica (Tri./Tri.). Nas vazões maiores nota-se que ocorreu uma inversão, a potência ativa demandada da rede de alimentação, com a utilização do conversor de frequência com alimentação monofásica, ficou menor. A potência ativa demandada da rede pelo conversor Mono./Tri. se torna consideravelmente menor nas vazões maiores do que 11,5 m³/h. Figura 4.13 – Potência ativa demandada da rede de alimentação. Na figura 4.14 são apresentadas as curvas da potência reativa demandada da rede de alimentação. Esta figura mostra que nas vazões maiores proporcionadas pelo 109 sistema de bombeamento, quando foram utilizados os acionamentos do motor da bomba com os conversores de frequência, a potência reativa demandada da rede de alimentação foi muito maior, do que aquela demandada quando foi utilizado o acionamento do motor da bomba via contator. Pode-se visualizar, também, que a potência reativa demandada da rede de alimentação com a utilização do conversor de frequência Mono./Tri., da vazão mínima até a máxima (15,3240 m³/h), foi sempre maior do que aquela demandada com a utilização do conversor de frequência Tri./Tri.. Pode ser notado, ainda, que com a redução da vazão através da válvula, a redução da potência reativa demandada da rede foi pequena. Figura 4.14 – Potência reativa demandada da rede de alimentação. Na figura 4.15 são apresentadas as curvas da potência aparente demandada da rede de alimentação. Esta figura mostra que nas vazões maiores proporcionadas pelo sistema de bombeamento, quando foram utilizados os acionamentos do motor da bomba com os conversores de frequência, a potência aparente demandada da rede de alimentação foi maior do que aquela demandada quando foi utilizado o acionamento do motor da bomba via contator. Pode ser visualizado, também, que com a utilização do conversor de frequência Mono./Tri., a potência aparente demandada da rede de alimentação foi maior do que a demandada com a utilização do conversor de frequência Tri./Tri., exceto nas vazões próximas da máxima proporcionada pelo 110 sistema. Pode-se notar, ainda, que com o controle através da válvula, na redução da vazão, foi obtida uma redução bem menor na demanda de potência aparente. Figura 4.15 – Potência aparente demandada da rede de alimentação. A figura 4.16 mostra as curvas do fator de potência da carga, em função da vazão, do método de controle e do tipo de acionamento do motor da bomba utilizado. Figura 4.16 – Fator de potência da carga, em função da vazão, do método de controle e do tipo de acionamento do motor da bomba. 111 Na figura 4.16 pode ser verificado, que nos acionamentos do motor da bomba com os conversores de frequência, o fator de potência da carga conversor-motor foi muito mais baixo do que aquele da carga motor no acionamento via contator. Pode ser notado, também, que com o aumento da vazão proporcionada pelo sistema, o fator de potência melhorou bem mais com a utilização do conversor de frequência Tri./Tri. do que com a utilização do conversor de frequência Mono./Tri.. O baixo fator de potência verificado com a utilização dos conversores de frequência é um fator que merece atenção. Distorções harmônicas de corrente e de tensão podem ocasionar um baixo fator de potência. Para cargas com potências consideráveis, de motores de indução acionados via conversores de frequência, o baixo fator de potência que pode ser ocasionado é um dos motivos para reduzir os harmônicos de corrente gerados numa instalação elétrica. A operação com um fator de potência abaixo do exigido pela legislação, numa unidade consumidora em que é medido pela concessionária é passivo de taxação na fatura de energia elétrica. Ressalta-se aqui, que no Brasil, nas UC em que o FP é medido pelas concessionarias, ainda é medido considerando apenas a componente fundamental (60 Hz). A tabela 4.9 mostra as vazões, as potências e os fatores de potência medidos na entrada e na saída dos conversores de frequência utilizados nos experimentos de laboratório, nas frequências de operação de 50, 55 e 60 Hz. Esta tabela mostra diferenças percentuais, nas potências demandadas da rede de alimentação pelo conversor de frequência Mono./Tri., em relação ao conversor de frequência Tri./Tri.. Isto, para o motor operando com uma potência ativa maior do que 75% da nominal. A seguir é analisado o comportamento dos dois conversores de frequência através da tabela 4.9, quando os mesmos operaram em 55 Hz fornecendo aproximadamente a potência ativa nominal na saída, que é de 1,5 kW. Na tabela 4.9 pode ser verificado que como a carga aplicada no eixo foi a mesma, a potência ativa demandada pelo motor, na utilização de cada um dos conversores foi praticamente igual. A potência aparente demandada da rede de alimentação pelos dois conversores, também foi aproximadamente igual. A diferença foi de apenas 2,5%. A potência ativa demandada da rede de alimentação pelo conversor Mono./Tri. foi 11,78% menor do que a demandada pelo conversor Tri./Tri., porém, a potência reativa demandada pelo conversor Mono./Tri. foi 10,80% 112 maior do que a demandada pelo conversor Tri./Tri.. A menor potência ativa demandada da rede de alimentação pelo conversor de frequência Mono./Tri., quando o motor acionado opera com uma potência ativa maior do que 75% da nominal, pode ser explorada pelos consumidores. Já que no Brasil, nas UC em que o FP é medido pelas concessionarias, ainda é medido considerando apenas a componente fundamental (60 Hz), ou seja, é medido apenas o FD (Fator de Deslocamento). Tabela 4.9 – Comparação de potências demandas pelo conversor de frequência Mono./Tri. em relação ao conversor de frequência Tri./Tri. FLUIDO ESCOADO NO SISTEMA: ÁGUA LIMPA A 20 ºC ENTRADA SAÍDA Freq. Conv. de Freq. Tri./Tri. de Oper. Hz Vazão (m³/h) Pot. Ativa (kW) Pot. Reativa (kvar) Pot. Aparente (kVA) FP Pot. Ativa (kW) FP 50 50 12,6616 13,1498 1,1455 1,1279 1,5009 1,8609 1,8881 2,1760 0,6068 0,5183 1,1004 1,1354 0,5257 0,5362 1,54% Menor 23,99% Maior 15,25% Maior 1,4994 1,3227 1,8588 2,0596 2,3882 2,4478 0,6279 0,5403 1,4550 1,4665 0,6214 0,6288 11,78% Menor 10,80% Maior 2,50% Maior 1,8983 1,4814 2,2164 2,1893 2,9182 2,6434 0,6505 0,5603 1,8627 1,8052 0,7357 0,6794 21,96% Menor 1,22% Menor 9,42% Menor Mono./Tri. Potências Demandadas pelo Conversor Mono./Tri. em Relação ao Conversor Tri./Tri. Tri./Tri. 55 55 14,1756 14,3580 Mono./Tri. Potências Demandadas pelo Conversor Mono./Tri. em Relação ao Conversor Tri./Tri. Tri./Tri. 60 15,5299 15,3240 Mono./Tri. 60 Potências Demandadas pelo Conversor Mono./Tri. em Relação ao Conversor Tri./Tri. Dessa forma, este estudo mostrou que com a utilização do controle da vazão na rotação da bomba, com o uso dos conversores de frequência, na redução da vazão, se obtém uma redução na demanda de potência ativa muito mais significativa do que com a utilização do controle da vazão na válvula. Porém, a utilização dos conversores pode ocasionar um baixo FP e isto merece atenção especial. 4.5. DISTORÇÃO HARMÔNICA Aqui são verificadas as formas de onda das tensões e das correntes, o conteúdo harmônico e as distorções harmônicas causadas com o uso dos conversores de frequência operando em 50 Hz. Esta frequência foi escolhida aleatoriamente, tendo em vista que nas demais ocorre um comportamento análogo. São considerados 113 apenas os harmônicos de ordem impar, por serem os mais comuns nos sistemas elétricos. As verificações são feitas com a válvula do sistema elevatório 100% aberta. 4.5.1. Acionamento do Motor da Bomba Via Contator Nesta primeira etapa é feita uma verificação das formas de onda, do conteúdo harmônico das tensões e da distorção harmônica total de tensão existente nas fases do barramento que alimenta o motor da bomba do sistema de bombeamento do laboratório, com o motor acionado via contator. A figura 4.17 mostra as formas de onda das tensões (Va, Vb, e Vc) e das correntes (Ia, Ib e Ic) nas fases A, B e C do barramento. A figura 4.18 mostra mais detalhadas as formas de onda das correntes. Figura 4.17 – Formas de onda das tensões e das correntes nas fases A, B e C do barramento de alimentação do motor da bomba. Figura 4.18 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C do barramento de alimentação do motor da bomba. 114 Pode ser verificado na figura 4.18, que pelo fato do motor de indução ser uma carga linear, as formas de onda das correntes Ia, Ib e Ic são praticamente senoidais. Na figura 4.17, percebe-se que as tensões do barramento de alimentação apresentam uma pequena distorção. Esta distorção de tensão é uma distorção já existente, não foi causada pela carga utilizada neste estudo. A figura 4.19 mostra o espectro harmônico da tensão na fase A deste barramento. É apresentado apenas o espectro harmônico da fase A, porque para as outras fases os espectros harmônicos obtidos foram praticamente iguais a este. A distorção harmônica total de tensão na fase A do barramento de alimentação obtida foi de 1,4153%. Foi calculada com os valores das tensões harmônicas mostradas no espectro, utilizando-se a equação (2.180) apresentada no Tópico 2.8.3.3 do Capítulo 2. Figura 4.19 – Espectro harmônico da tensão na fase A do barramento de alimentação do motor da bomba. 4.5.2. Acionamento do Motor da Bomba Via Conversor de Frequência Trifásico com Alimentação Trifásica (Tri./Tri.) Nesta segunda etapa é feita uma verificação das formas de onda das tensões e das correntes no barramento que alimenta o conversor de frequência Tri./Tri., do sistema de bombeamento do laboratório. São verificados, também, os harmônicos de corrente gerados e a distorção harmônica total de tensão acrescida no barramento de alimentação com a utilização deste conversor. É feita, ainda, uma verificação das formas de onda das correntes, do conteúdo harmônico gerado e da distorção harmônica total de corrente na saída do mesmo conversor. 115 A figura 4.20 mostra as formas de onda das tensões (Va, Vb, e Vc) e das correntes (Ia, Ib e Ic), nas fases A, B e C do barramento de alimentação do conversor Tri./Tri.. A figura 4.21 mostra mais detalhadamente as formas de onda das correntes. Figura 4.20 – Formas de onda das tensões e das correntes nas fases A, B e C do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. Figura 4.21 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. Nas figuras 4.20 e 4.21 pode ser verificado, que pelo fato do acionamento do motor via conversor de frequência transformar o conjunto conversor-motor numa carga não linear, as formas de onda das correntes Ia, Ib e Ic não são senoidais. A figura 4.20 mostra que os picos de corrente na entrada do conversor de frequência 116 com alimentação trifásica ocorrem na passagem de uma das tensões por zero. Isto acontece porque os picos de corrente no retificador trifásico tendem a ocorrer nos instantes em que a tensão entre as duas fases, responsáveis pelo pico de corrente, é máxima. Pelo fato da retificação ser de uma tensão alternada trifásica, ocorrem dois picos de corrente em cada uma das fases, em cada semi-ciclo. A figura 4.22 apresenta a forma de onda da corrente na fase A. Nas outras fases a forma de onda é semelhante. Percebe-se que a forma de onda apresenta uma simetria, por esta razão, os harmônicos de corrente predominantes serão de ordem ímpar. Figura 4.22 – Forma de onda da corrente na fase A do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. A figura 4.23 apresenta o espectro harmônico da corrente na fase A do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri., com o conversor operando em 50 Hz. Neste espectro, se pode visualizar a presença dos harmônicos de corrente caraterísticos gerados pelo retificador de seis pulsos (6 ∙ K 1). Percebe-se, também, a presença de harmônicos de sequência zero indicando que a carga trifásica não linear apresenta certo desequilíbrio. A distorção harmônica total de corrente na fase A do barramento de alimentação obtida foi de 125,5777%. Foi calculada com os valores das correntes harmônicas mostradas no espectro, utilizando-se a equação (2.181) apresentada no Tópico 2.8.3.3 do Capítulo 2. É apresentado apenas o espectro harmônico da fase A, porque para as outras fases os espectros harmônicos obtidos foram praticamente iguais a este, pelo fato da carga ser um motor trifásico. 117 Figura 4.23 – Espectro harmônico da corrente na fase A do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. A figura 4.24 mostra o espectro harmônico da tensão na fase A do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri., também, com o conversor operando em 50 Hz. É apresentado apenas o espectro harmônico da fase A, porque para as outras fases os espectros obtidos foram praticamente iguais a este. Figura 4.24 – Espectro harmônico da tensão na fase A do barramento de alimentação do conversor de frequência Tri./Tri. Nesse caso, a distorção harmônica total de tensão calculada foi de 2,0478%. Pode ser verificado, que com a utilização do conversor de frequência Tri./Tri. operando em 50 Hz, houve um aumento na distorção da tensão do barramento de 118 alimentação de 0,6325%, em relação a distorção que já existia. A distorção na tensão foi pequena, pelo fato da carga (motor de 1,5 CV) ser pequena, em relação a capacidade de carga do barramento de alimentação do conversor de frequência. O conversor de frequência com alimentação trifásica (Tri./Tri.) utilizado nos experimentos, assim como a maioria dos conversores de frequência utilizados hoje, para a conversão CC-CA, utiliza a técnica de Modulação por Largura de Pulso. A figura 4.25 mostra a forma de onda da tensão PWM na fase A, na saída do conversor. Figura 4.25 – Forma de onda da tensão PWM na fase A, na saída do conversor com alimentação trifásica (Tri./Tri.). A figura 4.26 mostra as formas de onda das correntes nas fases A, B e C “enxergadas” pelo motor da bomba, no acionamento via conversor Tri./Tri.. Figura 4.26 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C “enxergadas” pelo motor, no acionamento via conversor de frequência Tri./Tri. 119 Através das figuras 4.25 e 4.26 percebe-se, que o motor “enxerga” uma tensão pulsada (PWM) e uma corrente praticamente senoidal, portanto, os harmônicos de maior amplitude no motor são de tensão. A figura 4.27 mostra o espectro harmônico da corrente na Fase A, no borne do motor de indução da bomba, no acionamento via conversor de frequência Tri./Tri. operando em 50 Hz. É apresentado apenas o espectro harmônico da fase A, porque para as outras fases os espectros harmônicos obtidos foram praticamente iguais a este. A distorção harmônica total de corrente calculada, neste caso, foi de 4,1239%. Figura 4.27 – Espectro harmônico da corrente na fase A, no borne do motor, no acionamento via conversor de frequência Tri./Tri. 4.5.3. Acionamento do Motor da Bomba Via Conversor de Frequência Trifásico com Alimentação Monofásica (Mono./Tri.) Nesta terceira etapa é feita uma verificação da forma de onda da tensão Vab e da corrente Ia na fase A, no barramento que alimenta o conversor de frequência Mono./Tri. instalado no sistema de bombeamento do laboratório. São verificados, também, os harmônicos de corrente gerados e a distorção harmônica total de tensão acrescida no barramento de alimentação com a utilização deste conversor. É feita, ainda, uma verificação das formas de onda das correntes, do conteúdo harmônico gerado e da distorção harmônica total de corrente na saída do mesmo conversor. A figura 4.28 mostra as formas de onda da tensão Vab e da corrente Ia na fase A, no barramento de alimentação do conversor de frequência Mono./Tri.. A figura 4.29 mostra mais detalhadamente a forma de onda da corrente. 120 Figura 4.28 – Formas de onda da tensão Vab e da corrente Ia na fase A, no barramento de alimentação do conversor de frequência Mono./Tri. Figura 4.29 – Forma de onda da corrente Ia na fase A, no barramento de alimentação do conversor de frequência Mono./Tri. Na figura 4.28 pode ser observado que a tensão Vab se comporta como se fosse uma tensão monofásica, porém 3 vezes maior. Nesse caso, também, pelo fato do acionamento do motor via conversor de frequência transformar o conjunto conversor-motor numa carga não linear, a forma de onda da corrente Ia na fase A não é senoidal. A figura 4.28 mostra, também, que os picos de corrente na entrada do conversor de frequência com alimentação monofásica ocorrem com certo adianto em relação aos picos de tensão. No retificador monofásico os picos de corrente ocorrem 121 mais espaçados do que no retificador trifásico, portanto, a etapa inversora CC-CA para fornecer a energia exigida pela carga do motor precisa utilizar mais energia armazenada no banco de capacitores do filtro do conversor. Esta energia precisa ser recarregada no banco de capacitores. Por esta razão, os picos de corrente no retificador monofásico do conversor apresentam uma característica mais capacitiva, ocorrem mais adiantados em relação aos picos de tensão. Na utilização do conversor de frequência com alimentação trifásica a carga utilizada foi a mesma, os picos de corrente ocorreram praticamente juntos com os picos de tensão entre as duas fases. Nesse caso, bem menos energia precisou ser recarregada no banco de capacitores. Na figura 4.29, percebe-se que a forma de onda da corrente apresenta uma simetria. Portanto, os harmônicos de corrente predominantes serão de ordem impar. A figura 4.30 apresenta o espectro harmônico da corrente na fase A no barramento de alimentação do conversor Mono./Tri., com o conversor operando em 50 Hz. Neste espectro, se pode visualizar a presença dos harmônicos de corrente caraterísticos gerados pelo retificador de dois pulsos (2 ∙ K 1). Neste caso, pode ser notado que a os harmônicos de ordem ímpar de sequência zero fazem parte dos harmônicos de corrente característicos gerados pelo retificador de dois pulsos. Figura 4.30 – Espectro harmônico da corrente na fase A, no barramento de alimentação do conversor de frequência Mono./Tri. A distorção harmônica total da corrente na fase A do barramento de alimentação obtida foi de 160,0151%. Foi calculada com os valores das correntes 122 harmônicas mostradas no espectro. A figura 4.31 mostra o espectro harmônico da tensão Vab no barramento de alimentação do conversor Mono./Tri., com o conversor desligado. A distorção harmônica total da tensão Vab calculada foi de 1,0383%. Figura 4.31 – Espectro harmônico da tensão Vab no barramento de alimentação do conversor Mono./Tri., com o conversor desligado. A figura 4.32 mostra o espectro harmônico da tensão Vab no barramento de alimentação do conversor Mono./Tri., com o conversor operando em 50 Hz. Figura 4.32 – Espectro harmônico da tensão Vab no barramento de alimentação do conversor Mono./Tri., com o conversor operando em 50 Hz. Nesse caso, a distorção harmônica total de tensão calculada foi de 1,9357%. Percebe-se, que com a utilização do conversor de frequência Mono./Tri. operando 123 em 50 Hz, houve um aumento na distorção da tensão Vab no barramento de alimentação de 0,8974%, em relação a distorção que já existia. A distorção na tensão foi pequena, pelo fato da carga (motor de 1,5 CV) ser pequena, em relação a capacidade de carga do barramento de alimentação do conversor de frequência. O conversor de frequência trifásico com alimentação monofásica (Mono./Tri.) utilizado nos experimentos de laboratório, também, para conversão CC-CA, utiliza a técnica de Modulação por Largura de Pulso (PWM). Afigura 4.33 mostra as formas de onda das correntes nas fases A, B e C “enxergadas” pelo motor da bomba, no acionamento via conversor Mono./Tri. Da mesma forma que na utilização do conversor de frequência Tri./Tri, o motor “enxerga” uma tensão pulsada (PWM) e uma corrente praticamente senoidal. Portanto, os harmônicos de maior amplitude no motor são de tensão. Figura 4.33 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C “enxergadas” pelo motor, no acionamento via conversor de frequência Mono./Tri. A figura 4.34 mostra o espectro harmônico da corrente na Fase A, no borne do motor de indução da bomba, no acionamento via conversor de frequência Mono./Tri. operando em 50 Hz. É apresentado apenas o espectro harmônico da fase A, porque para as outras fases os espectros harmônicos obtidos foram praticamente iguais a este. A distorção harmônica total de corrente calculada foi de 6,6189%. Nota-se, que a distorção harmônica total da corrente é maior do que aquela calculada com a utilização do conversor de frequência Tri./Tri. 124 Figura 4.34 – Espectro harmônico da corrente na Fase A, no borne do motor, no acionamento via conversor de frequência Mono./Tri. 4.5.4. Medições Feitas em Campo na Fonte da Água Mineral Fluente Nesta quarta e última etapa são apresentados os resultados das medições feitas em campo, no sistema de bombeamento hidráulico da lavadora de vasilhames utilizado para lavagem de garrafões. Conforme já abordado, esta lavadora pertence ao processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente. As medições feitas em campo apresentaram resultados muito semelhantes daqueles obtidos em laboratório. Isto, no que se refere ao conteúdo harmônico de corrente gerado e a distorção harmônica total de tensão causada no barramento de alimentação, com a utilização do conversor de frequência trifásico com alimentação monofásica operando em 50 Hz. O conversor de frequência utilizado, para conversão CC-CA, também utiliza a técnica de Modulação por Largura de Pulso (PWM). As formas de onda das correntes verificadas, tanto na entrada como na saída do conversor, foram praticamente as mesmas que foram verificadas nos experimentos de laboratório. Por esta razão, as figuras que são apresentadas não são mais explicadas como foi feito para os experimentos de laboratório. A figura 4.35 mostra as formas de onda da tensão e da corrente, no barramento de alimentação do conversor de frequência Mono./Tri. do sistema usado na lavagem de garrafões. A figura 4.36 mostra mais detalhadamente a forma de onda da corrente. Aqui, o motor de 3 CV operou com apenas 22,5% da potência nominal, que é de 2,7092 kW para um rendimento de 81,5%. Nesse caso, a capacitância do 125 filtro do conversor de frequência fornece potência reativa para o motor, melhorando assim o fator de potência na entrada, como pode ser observado na tabela 4.10. Figura 4.35 – Formas de onda da tensão e da corrente, no barramento de alimentação do conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. Figura 4.36 – Forma de onda da corrente, no barramento de alimentação do conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. Tabela 4.10 – Potências e fatores de potência medidos no conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. FLUIDO ESCOADO NO SISTEMA: ÁGUA LIMPA NA TEMPERATURA AMBIENTE ENTRADA SAÍDA Freq. Conv. de Freq. Mono./Tri. de Oper. Hz 50 Vazão (m³/h) Pot. Ativa (kW) Pot. Reativa (kvar) Pot. Aparente (kVA) FP Pot. Ativa (kW) FP 0,6298 0,9847 1,1689 0,5390 0,6096 0,2965 126 As figuras 4.37 e 4.38 mostram o espectro harmônico da corrente e da tensão no barramento de alimentação, com o conversor Mono./Tri. operando em 50 Hz. Figura 4.37 – Espectro harmônico da corrente, no barramento de alimentação do conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. Figura 4.38 – Espectro harmônico da tensão, no barramento de alimentação do conversor de frequência do sistema usado na lavagem de garrafões. Pode ser percebido, que os espectros harmônicos apresentados são muito parecidos daqueles obtidos no laboratório, com o uso do mesmo tipo de conversor de frequência (Mono./Tri.). A distorção harmônica total de corrente calculada foi de 152,7306% e a distorção harmônica total de tensão calculada foi de 2,2506%. A figura 4.39 mostra as formas de onda das correntes nas fases A, B e C “enxergadas” pelo motor. A figura 4.40 apresenta o espectro harmônico da corrente 127 na fase A, no borne do motor. A distorção harmônica total da corrente na fase A calculada foi de 4,0377%. Nas outras fases a distorção foi praticamente igual. Figura 4.39 – Formas de onda das correntes nas fases A, B e C “enxergadas” pelo motor da bomba do sistema usado na lavagem de garrafões. Figura 4.40 – Espectro harmônico da corrente na Fase A, no borne do motor do sistema usado na lavagem de garrafões. 4.6. OBSERVAÇÕES SOBRE AS APLICAÇÕES DOS CONVERSORES NO PROCESSO DE ENGARRAFAMENTO DA ÁGUA MINERAL FLUENTE As aplicações dos conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica (Mono./Tri.), no acionamento dos motores de indução trifásicos, possibilitaram o funcionamento do processo de engarrafamento da Água Mineral 128 Fluente. Os conversores usados, para a conversão CC-CA, utilizam a técnica de Modulação por Largura de Pulso (PWM). Este processo de engarrafamento encontra-se em funcionamento durante dois anos. Nos dois anos de funcionamento do processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente, não houve a queima de nenhum conversor de frequência e de nenhum motor acionado via conversor, apesar de muitas faltas e afundamentos na tensão terem sido verificados. Dois motores monofásicos utilizados no processo de engarrafamento, acionados através de chaves com contatos elétricos, foram encaminhados para a manutenção, numa oficina de reparos em motores elétricos, durante este período. Dessa forma, as aplicações dos conversores de frequência no processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente, serviram para comprovar a possibilidade de utilização do motor de indução trifásico nos locais onde só existe suprimento de energia elétrica monofásica e onde a energia não tem uma qualidade como, por exemplo, aquela encontrada num distrito industrial. Os motores elétricos de indução trifásicos geralmente possuem rendimento melhor do que os motores elétricos de indução monofásicos e requerem menos manutenção. Os rendimentos podem ser verificados, por exemplo, no catálogo de motores elétricos de indução do fabricante Weg [20]. No referido catalogo, pode ser verificado, que para os motores elétricos de indução trifásicos convencionais de dois pólos, de 0,25 a 10 CV, o rendimento varia de 61,9% a 87,6%. No entanto, para os motores elétricos de indução monofásicos convencionais de dois pólos, de 0,25 a 10 CV, o rendimento varia de 55% a 86,2%. É claro, que com a utilização do conversor de frequência no acionamento do motor existem as perdas no conversor, que também devem ser consideradas. Porém, segundo o Guia Técnico Weg [08], os conversores de frequência estáticos apresentam rendimento elevado, da ordem de 97% ou mais. Existe, ainda, o aumento das perdas causado pelo conteúdo harmônico gerado que, também, deve ser levado em conta. 129 5. CONCLUSÕES Não obstante os comentários realizados ao longo de cada capítulo considera-se essencial que neste momento sejam enfocadas as principais constatações passíveis de extração do trabalho como um todo. O capítulo 1 (introdução) foi concentrado nas justificativas do tema, considerando as dificuldades financeiras enfrentadas por muitas empresas prestadoras dos serviços de saneamento básico, que resultam na prestação de serviços: completamente inexistentes; apenas com água tratada; ou com água tratada e canalização de esgoto, porém de baixa qualidade, que são disponibilizados à população em muitas regiões urbanas do mundo inteiro. Neste capítulo foi citado, como exemplo, o atendimento de melhor qualidade fornecido à população pelas concessionárias de energia elétrica deste país, relacionado com a melhoria constante dos sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Foi ressaltada importância de melhorar a eficiência dos sistemas de bombeamento utilizados nos serviços de saneamento, a fim de reduzir o consumo de energia elétrica, melhorar os lucros e assim a qualidade dos serviços prestados neste setor. No capítulo 2 foi apresentada a fundamentação teórica utilizada para o desenvolvimento desta pesquisa. Inicialmente foram descritas as partes principais de um sistema de bombeamento, as bombas mais utilizadas nas indústrias que usam líquidos em seus processos e nos serviços de saneamento (as turbobombas) e os dois tipos sistemas de bombeamento normalmente encontrados (comum e de bomba afogada). Através da aplicação do Teorema de Bernoulli, foi demonstrado matematicamente o desenvolvimento das equações que determinam as alturas manométricas de sucção, de recalque e total, num sistema de bombeamento comum e de bomba afogada. Os desenvolvimentos matemáticos efetuados mostraram que a equação que determina a altura manométrica total é a mesma para os dois tipos de sistema. Dando prosseguimento ao trabalho, foram desenvolvidas as equações das alturas representativas das pressões existentes na entrada e na saída da bomba, também, para o sistema de bombeamento comum e de bomba afogada. Através 130 destas equações foi demonstrado matematicamente que é possível determinar a altura manométrica total de um sistema de bombeamento através de instrumentos que medem pressões (vacuômetros e manômetros), instalados na entrada e na saída da bomba. O domínio deste método de determinação da altura manométrica total possibilita construir a curva característica da bomba, altura manométrica em função da vazão, para o fluido que está sendo bombeado. A bibliografia consultada sobre a dinâmica dos fluidos salientou, que a experiência mostra que a perda de carga nos escoamentos turbulentos, de fluidos incompressíveis, em regime permanente, através de tubulações varia praticamente proporcional ao quadrado da velocidade do fluido e, portanto, praticamente proporcional ao quadrado da vazão [03, 05]. Isto pode ser evidenciado nas equações que foram apresentadas sobre as perdas de carga. A equação que determina a perda carga total nas tubulações é de extrema importância para a análise de um sistema de bombeamento, pois a equação da altura manométrica é obtida somando-se a esta equação a altura geométrica do sistema. A equação da altura manométrica é utilizada para construir a curva característica de um sistema de bombeamento. A bibliografia consultada salientou, também, que quando os diâmetros das tubulações na entrada e na saída da bomba são diferentes, tem-se quase sempre a velocidade na saída maior do que a velocidade na entrada da bomba (D3 < D2). Nesses casos, o resultado final obtido para Hu (altura útil de elevação) será maior do que o obtido para H (altura manométrica de elevação), por levar em conta a variação da energia cinética do fluido ao atravessar a bomba. Ressaltou, ainda, que a diferença pode ser considerada significativa dependendo da bomba e do regime de operação e que nesses casos, deve-se optar pelo uso das equações de Hu ao invés de H, quando se quer maiores precisões nas análises do sistema. A teoria apresentada sobre o conversor de frequência forneceu conhecimentos importantes, que ajudaram a entender o funcionamento e analisar os dados coletados nos experimentos realizados com a utilização deste equipamento eletrônico. Entre estes conhecimentos podem ser citados como principais: modos de controle (escalar e vetorial); conversão CC-CA através da modulação por largura de pulso (PWM); harmônicos característicos gerados pelos retificadores utilizados nos conversores de frequência; redução dos harmônicos na utilização dos conversores de frequência. 131 Finalmente foram apresentadas equações para determinar o rendimento de uma bomba e de um motor elétrico. O conhecimento do rendimento destes componentes é muito importante para melhorar a eficiência elétrica de um sistema de bombeamento. O Capítulo 3 foi dedicado aos materiais utilizados e a metodologia usada na experimentação para o desenvolvimento desta pesquisa. Conforme já mencionado, cada experimento realizado no laboratório foi previamente programado, em função dos dados necessários de serem coletados para o tipo de análise a ser efetuada. Para aumentar a confiabilidade dos resultados, cada experimento foi repetido três vezes. Dessa forma, através dos experimentos realizados em laboratório foi possível fazer perfeitamente todas as análises previstas neste estudo. Os resultados obtidos através das medições efetuadas em campo, na entrada e na saída do conversor de frequência trifásico com alimentação monofásica (Mono./Tri.), foram utilizados para verificar a semelhança com aqueles que foram obtidos através das medições efetuadas em laboratório, com a utilização do mesmo tipo de conversor. As semelhanças verificadas foram no diz respeito, às formas de onda da tensão e da corrente e ao conteúdo harmônico gerado. O comportamento das aplicações dos conversores de frequência trifásicos com alimentação monofásica efetuadas no processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente foi verificado, através de algumas visitas feitas no local, durante os dois anos de funcionamento. No Capítulo 4 constam as análises da experimentação realizada no laboratório e em campo. Primeiramente foi analisado o sistema de bombeamento utilizado no laboratório, com a válvula eletromecânica totalmente aberta e a bomba operando em 3.340 RPM, sendo o motor acionado via contator. Nestas condições de operação foi medida a vazão máxima proporcionada pelo sistema, 15,6 m³/h. Foi construído um gráfico contendo duas curvas, uma curva polinomial ajustada aos pontos da curva real da bomba, altura manométrica em função da vazão, para o fluido bombeado no sistema e a curva característica do sistema de bombeamento. O ponto de intersecção destas duas curvas mostrou o ponto de operação do sistema para as condições citadas. Este ponto forneceu a altura manométrica correspondente a vazão de 132 15,6 m³/h. Dessa forma, conhecendo-se a altura geométrica, foi possível determinar a perda de carga total, o rendimento do sistema de tubulações, da bomba e do sistema de bombeamento, neste ponto de operação. A medição da potência ativa demandada e da vazão possibilitou determinar o consumo de energia elétrica em kWh/(m³/h). Observando individualmente os rendimentos dos componentes do sistema de bombeamento utilizado no laboratório, percebeu-se que o rendimento do sistema de tubulações é extremamente baixo no ponto de operação analisado. Dessa forma, este estudo mostrou, que o conhecimento do kWh/(m³/h) consumido pelo sistema de bombeamento no ponto de operação, não é suficiente para se analisar a eficiência energética do mesmo. Os rendimentos dos componentes (motor, bomba e sistema de tubulações) precisam ser conhecidos. O conhecimento do rendimento de cada um dos componentes possibilita saber onde atuar, para melhorar a eficiência energética e obter um melhor resultado na redução do consumo de energia elétrica. As análises dos dados coletados nos experimentos realizados, para analisar os métodos de controle da vazão em sistemas de bombeamento, através da válvula e através da rotação da bomba, mostraram que o método de controle através da válvula deve ser evitado. Este método de controle da vazão tem eficiência energética muito menor, do que o método de controle através da rotação da bomba com o uso do conversor de frequência. Portanto, este último é o método que deve ser utilizado nos sistemas que requerem controle da vazão. No entanto, foi constatado nesta pesquisa, que o método de controle da vazão através da válvula, em sistemas de bombeamento utilizados nos serviços de fornecimento de água tratada em regiões urbanas, ainda é muito utilizado. Isto ocorre onde bombeamento de água é feito diretamente para a rede de distribuição e a rede não possui reservatório para a sobra. A utilização dos conversores de frequência, no acionamento dos motores de indução das bombas centrífugas, para o controle da vazão proporcionada pelos sistemas de bombeamento, mostrou eficiência elétrica, porém foi verificado que afeta a qualidade da energia no sistema de suprimento. Os harmônicos de corrente gerados, mesmo as cargas acionadas sendo de baixa potência (motor de 1,5 CV no laboratório e motor de 3 CV no campo), distorceram perceptivelmente a tensão no barramento de alimentação. Esta distorção foi mais acentuada com a utilização do conversor de frequência trifásico com alimentação monofásica (Mono./Tri). Portanto, 133 os harmônicos de corrente gerados com a utilização destes equipamentos eletrônicos merecem atenção especial. Medidas mitigadoras devem ser aplicadas, a fim de que, os harmônicos de corrente gerados, não causem distorções nas tensões do barramento de alimentação, maiores do que as permitidas pela legislação vigente. O baixo fator de potência verificado com a utilização dos conversores de frequência é outro fator que merece atenção especial. Distorções harmônicas de corrente e de tensão podem ocasionar um baixo fator de potência. Para cargas com potências consideráveis, de motores de indução acionados via conversores de frequência, o baixo fator de potência que pode ser ocasionado é um dos motivos para reduzir os harmônicos de corrente gerados nas instalações elétricas. Os resultados obtidos através das medições feitas em campo, com a utilização do conversor de frequência trifásico com alimentação monofásica, mostraram-se muito parecidos com aqueles obtidos nas medições feitas em laboratório. Isto serviu para aumentar a confiabilidade da experimentação efetuada em laboratório. As aplicações dos conversores de frequência no processo de engarrafamento da Água Mineral Fluente serviram para comprovar a possibilidade de utilização do motor de indução trifásico nos locais onde só existe suprimento de energia elétrica monofásica. O motor elétrico de indução trifásico tem rendimento melhor do que o monofásico e requer menos manutenção. E para finalizar, este estudo realizado mostrou que com a utilização de reservatórios superiores nos sistemas de bombeamento, as prestadoras dos serviços de saneamento podem trabalhar de forma semelhante daquela que trabalham as concessionárias de energia elétrica. Conhecer as alturas geométricas, determinar a perda de carga total e os rendimentos dos componentes (motor, bomba e sistema de tubulações) nos pontos de operação utilizados nos sistemas de bombeamento. A utilização de reservatórios superiores de distribuição, nos serviços de fornecimento de água tratada, possibilita também, através da força gravitacional, manter o fornecimento de água na altura exigida pela norma, após as bombas serem desligadas. Isto permite que as bombas dos sistemas de bombeamento sejam desligadas quando os reservatórios estiverem cheios, assim não precisam permanecer ligadas durante quase às 24 horas do dia, independente do consumo de água. Dessa forma, se torna possível montar um processo de melhoria constante da eficiência 134 energética dos sistemas, minimizando o consumo de energia elétrica. Com isso, as prestadoras dos serviços de saneamento podem aumentar seus lucros e assim fornecer uma melhor qualidade de serviços prestados neste setor importante para a saúde e a qualidade de vida da população. Embora os principais objetivos do trabalho tenham sido atingidos, assim como para qualquer outra área de conhecimento, investigações complementares e similares, com certeza, ainda se fazem necessárias. Entre estas são sugeridas as que seguem. 1. Fazer as mesmas análises que foram feitas nesta pesquisa no sistema de bombeamento hidráulico do laboratório, porém agora construindo a curva característica da bomba, altura manométrica em função da vazão, que será utilizada. Neste caso, primeiramente será necessário instalar os instrumentos que medem pressões na entrada e na saída da bomba. Depois, para obter as alturas manométricas correspondentes as vazões medidas no sistema, através da leitura das pressões fornecidas pelos instrumentos, podem ser usadas às equações as quais foram demonstradas no desenvolvimento desta pesquisa. 2. Determinar a altura manométrica, a perda de carga total, o rendimento do sistema de tubulações, da bomba e do sistema de bombeamento e o consumo de energia elétrica ativa, em kWh/(m³/h), no ponto de operação de um sistema de bombeamento real utilizado no abastecimento de um reservatório de distribuição de água. Neste caso, se não estiverem instalados, será necessário instalar no sistema os instrumentos que medem as pressões, na entrada e na saída da bomba, para construir a curva característica H = f (Q) da mesma. Um medidor de vazão para medir a vazão proporcionada pelo sistema, também deverá ser instalado. Neste trabalho, pode ser usado o procedimento que foi abordado neste estudo. 3. Fazer um estudo semelhante ao que foi feito para o sistema de bombeamento hidráulico do laboratório, porém agora adaptado a um sistema de turbina hidráulica utilizada para geração de energia elétrica. 135 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [01] Programa de Modernização do Setor Saneamento – PMSS; Unidade de Gerenciamento de Programa – UGP/PMSS; O Pensamento do Setor Saneamento no Brasil: Perspectivas Futuras, 135 p. Brasília - DF, Dez 2002. [02] Kawaphara, Mário Kiyoshi; Utilização Racional da Energia Elétrica, 259 p. Curso de Especialização em Análise da Qualidade e Eficiência no Uso da Energia Elétrica – UFMT (2008, 2009), Cuiabá - MT, Jul 2008. [03] Streeter, Victor Lyle & Wylie, E. Benjamin; Mecânica dos Fluidos, 585 p. Editora McGraw-Hill do Brasil Ltda, São Paulo, 1982. [04] Departamento de Engenharia Mecânica e Mecatrônica; Bombas, 10 p. Faculdade de Engenharia – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Disponível em: <http://www.em.pucrs.br/lsfm/alunos/luc_ gab/bombas1.html>. Acesso em 17 Nov 2011. [05] Barun, Amilcar de Oliveira; Disciplina de Máquinas Hidráulicas. Curso de Graduação em Engenharia Elétrica – Universidade Católica de Pelotas – UCPEL (Ago a Dez de 1987), Pelotas - RS. [06] Coelho, Welington Ricardo; Dissertação (Mestrado), Análise do Fenômeno de Cavitação em Bomba Centrífuga. Universidade Estadual Paulista – UNESP, Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira, Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, Ilha Solteira, Jan 2006. Disponível em: <http://www.dem.feis.unesp.br/ppgem/teses_dissertacoes/2006/dissertac ao_wrcoelho.pdf>. Acesso em 13 Dez 2012. [07] Moreira, Regina de Fátima Peralta Muniz & Soares, José Luciano; Bombas, 14 p. EQA 5313 - Operações Unitárias de Transferência de Quantidade de Movimento; Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos – Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Disponível em: <www.enq.ufsc.br/muller/operacoes_unitarias_qm/BOMBAS.pdf>. Acesso em Jun 2012. 136 [08] Weg, Guia Técnico; Motores de indução alimentados por inversores de frequência PWM. Disponível em: <http:// www.weg.net>. Acesso em 11 Dez 2012. [09] Franchi, Claiton Moro; Acionamentos Elétricos, 250 p. Disponível gratuitamente no Site: <http://www.baixebr.org/cursos-e-apostilas/livros/ ebook-acionamentos-eletricos/>. Acesso em 10 Jun 2011. [10] Franchi, Claiton Moro; Inversores de Frequência Teoria e Aplicações, 192 p. Editora Érica Ltda, 2ª edição, São Paulo, 2009. [11] Lambert, José Antônio; Eletrônica Industrial, 122 p. Curso de Especialização em Análise da Qualidade e Eficiência no Uso da Energia Elétrica – UFMT (2008, 2009), Cuiabá - MT, Abr 2008. [12] Carvalho, Bismarck Castillo; Qualidade da Energia Elétrica, 49 p. Curso de Especialização em Análise da Qualidade e Eficiência no Uso da Energia Elétrica – UFMT (2008, 2009), Cuiabá - MT, Out 2008. [13] Annunciação, Luiz; Dissertação (Mestrado), Estudo do impacto do sistema de acionamento de um motor de indução trifásico na eficiência energética e na qualidade da energia elétrica: um estudo de caso – elevador de canecas. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Ambiental, Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá - MT, Mar 2011. Disponível em: <http://www.concur sospublico2012.com/ppgeea/sistema/dissertacoes/33.pdf >. Acesso em 21 Abr 2011. [14] Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL; Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional – PRODIST; Módulo 8 – Qualidade da Energia Elétrica. [15] Vasconcellos, Arnulfo Barroso; Matemática Aplicada a Engenharia, 134 p. Curso de Especialização em Análise da Qualidade e Eficiência no Uso da Energia Elétrica – UFMT (2008, 2009), Cuiabá - MT, Fev 2008. 137 [16] SIEMENS DRIVES; Instruções para Instalações de Conversores de Frequência. Disponível em: <http://www.siemens.com.br/acionamentos>. Acesso em 13 Out 2012. [17] Souza, Cláudio Lemos; Estudos Especiais de Máquinas Elétricas, Módulo I – Motor de Indução Trifásico, 29 p. Curso de Especialização em Análise da Qualidade e Eficiência no Uso da Energia Elétrica – UFMT (2008, 2009), Cuiabá - MT, Jun 2008. [18] Rodrigues, Wlamir & Luvizotto Júnior, Edevar; Inversor de Frequência em Sistemas de Bombeamento, 11 p. Disponível em: <http://www.semasa.sp. gov.br/documentos/assemae/trab_32.pdf>. Acesso em 7 Jun 2012. [19] Porto, R. M.; Hidráulica Básica, 540 p. São Carlos: EESC-USP, 2006. [20] Weg, Motores Elétricos: linhas de produtos, características, especificações, instalações e manutenções. Disponível em: <www.weg.com.br>; <[email protected]>. Acesso em 22 Jun 2008. [21] Carlos Eduardo; Sistemas Elevatórios, Aula 14. Disponível em: <http://www.em.ufop.br/deciv/departamento/~carloseduardo/Sist%20Elevat %2001.pdf>. Acesso em 6 Dez 2012. [22] Moody-diagram; Disponível em: <http://www.engineeringtoolbox.com/ moody-diagram-d_618.html>. Acesso em: 28 Set 2012. 138 ARTIGOS ORIGINADOS DESTA DISSERTAÇÃO APRESENTADOS EM EVENTOS NACIONAIS 1. Título: Análise da Qualidade e Eficiência de Energia Elétrica em Um Sistema de Bombeamento de Água Acionado Através do Conversor de Frequência Autores: Angelo Bernardo Bridi, Arnulfo Barroso de Vasconcellos, Bismarck Castillo Carvalho, Erika Tiemi Anabuki, Fernando Novelo. Evento: IX Conferência Brasileira Sobre Qualidade da Energia Elétrica Local e data: Cuiabá - MT – Ago de 2011. 2. Título: Utilização de Conversores de Frequência no Acionamento de Máquinas Motrizes: Estudo de Caso - Bombeamento Hidráulico Autores: Angelo Bernardo Bridi, Arnulfo Barroso de Vasconcellos, Bismarck Castillo Carvalho, Erika Tiemi Anabuki, Fernando Novelo. Evento: IV Congresso Brasileiro de Eficiência Energética Local e data: Juiz de Fora – MG – Ago de 2011. ARTIGO ORIGINADO DESTA DISSERTAÇÃO APRESENTADO EM EVENTO INTERNACIONAL 1. Título: Electrical Efficiency on Systems of Mechanical Load Driven Frequency Converters: Cases Studies Autores: Angelo Bernardo Bridi, Arnulfo Barroso de Vasconcellos, Erika Tiemi Anabuki, Fernando Novelo, Teresa Irene Ribeiro de Carvalho Malheiro. Evento: 9º Congresso Latino-Americano em Geração e Transmissão de Eletricidade (CLAGTEE 2011) Local e data: Mar del Plata – Argentina – Nov de 2011.