Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão
Ambiental
Estudo de Caso: Repovoamento da Lagoa do Ibiraquera
com Pós Larva de Camarão Marinho.
Autor Principal:
Luiz Eduardo T. Brandão
[email protected]
Professor e Consultor
Fundo Nacional de Meio Ambiente/MMA
Co-autor:
Sandra Hacon
[email protected]
Professora e Consultora
Fundo Nacional de Meio Ambiente/MMA
Co-autor:
Manoel Borges de Sampaio
[email protected]
Analista de Projetos/ Pesquisador
Fundo Nacional de Meio Ambiente/MMA
Sumário
1. Introdução
2. Métodos de Valoração Econômica
3. Método do Fluxo de Caixa Descontado
4. O Projeto
5. Conclusões
6. Referencias Bibliográficas
1.
Introdução
A avaliação de projetos ambientais é um problema que há décadas desafia os economistas
devido a complexidade da análise e a grande quantidade de resultados e benefícios intangíveis.
Nos últimos anos tem sido obtidos alguns avanços no desenvolvimento de novos métodos de
valoração ambiental mais complexos visando incorporar o valor dos benefícios estratégicos e
de opção, apontando novos caminhos para atender as necessidades dos responsáveis pela
formulação e aplicação de políticas públicas, e também para a tomada de decisão de
investimento ambiental no setor privado.
Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão Ambiental
1
Este trabalho analisa o problema da valoração de um projeto ambiental através de uma
abordagem simplificada e de uso consolidado e largamente difundido, do ponto de vista de
uma aplicação prática. São também analisados os problemas advindos das incertezas que
cercam as projeções futuras, que são abordados pela ótica da análise de sensibilidade aplicada
às variáveis mais relevantes do projeto. Mostramos também que embora existam métodos que
permitam uma avaliação ex-ante dos custos e benefícios de projeto que possam ser
diretamente quantificáveis, a dificuldade maior está na valoração dos benefícios estratégicos e
de opção que estes projetos possam vir a oferecer e que apenas métodos mais complexos como
Contingent Claims Analysis ou Teoria da Opções Reais levam em consideração. Ao final do
trabalho é fornecido um roteiro com os critérios para a análise e um guia para a literatura
relevante sobre o assunto, bem como uma contribuição a análise econômica de benefícios
ambientais diretamente quantificáveis.
2.
Métodos de Avaliação Econômica
Dentre todos os métodos utilizados para valoração de ativos, o método mais utilizado
atualmente, de uso mais abrangente e de aceitação universal é o método do Fluxo de Caixa
Descontado (FCD). Ele é adotado em todo o mundo para avaliar projetos, empresas e negócios
que chegam a dezenas de bilhões de dólares. No entanto, o motivo do seu sucesso e da sua
larga utilização se deve muito mais à precariedade dos métodos alternativos existentes, do que
pelas suas próprias virtudes.
Uma das limitações do método do FCD é que ele freqüentemente deixa de levar em
consideração parcelas significantes do valor de um projeto (TRIGEORGIS, 1996)1. Dentre
estes, contam-se o valor da flexibilidade gerencial para alterar, expandir ou cancelar projetos
em resposta às condições de mercado observadas após o início do projeto, e o valor estratégico
de novas oportunidades de investimento decorrentes do desenvolvimento de uma tecnologia.
Este método também ignora eventuais sinergias que um projeto possa criar ao interagir com
outros projetos, como por exemplo, possibilitar a execução de um segundo projeto que seria
inviável sem a existência do primeiro. Em projetos de meio ambiente, onde estes benefícios
estratégicos compõem uma parcela significante do total, o uso apenas do método do FCD pode
subestimar significativamente o valor de um projeto. Essa limitação ocorre em maior grau
quando o projeto apresenta benefícios indiretos, sociais, ambientais ou estratégicos, difíceis de
quantificar, como é o caso da maioria dos projetos ambientais. Um exemplo claro disso são os
benefícios gerados por projetos de educação básica, impossíveis de quantificar e valorar, mas
que são de valor inegável. Observa-se na prática que projetos são realizados e investimentos
são feitos até por grandes empresas que adotam sofisticadas técnicas de valoração de DCF,
mesmo quando estes métodos indicam que o projeto em particular não apresenta viabilidade
econômica. Isso ocorre quando há uma clara percepção da existência de um valor estratégico,
ou de opção, neste projeto, que supera eventuais prejuízos de curto prazo que ele possa
apresentar.
1
Trigeorgis, Lenos.; “Real Options - Managerial Flexibility and Strategy in Resource Allocation”; USA,
MIT Press, 1996.
Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão Ambiental
2
Por outro lado, o método das opções reais se propõe a quantificar o valor estratégico de um
projeto fazendo uma analogia entre o valor de opção que ele apresenta (opção de crescer,
opção de abandonar, opção de ampliar, opção de esperar, etc.), denominado opção real, com o
valor de uma opção financeira, cuja fórmula foi primeiramente desenvolvida em 1973
(BLACK & SCHOLES, 1973)2. A dificuldade, no entanto, reside exatamente em saber como
fazer uma analogia confiável.
Desenvolvimentos recentes no estudo de opções reais têm fornecido as ferramentas
necessárias para quantificar estes benefícios da flexibilidade gerencial e das interações
estratégicas, geralmente ignoradas pelos demais métodos quantitativos (DIXIT e PINDYCK,
1994)3. A aplicação da teoria de opções ao estudo da decisão de investimento de capital é uma
área de grande interesse para todas as instituições e órgãos envolvidos na decisão de alocação
de recursos de investimento.
O método das opções reais foi desenvolvido a partir da observação de que, freqüentemente,
gerentes têm-se mostrado dispostos a tomar decisões baseadas em considerações estratégicas e
de flexibilidade gerencial que eles consideram tão importantes quanto os fluxos de caixa
diretos gerados pelo projeto. Essa flexibilidade operacional pode ser comparada a uma opção
financeira que permite ao investidor escolher a melhor alternativa (exercer a opção, não
exercer a opção), conforme as condições futuras do mercado. Da mesma forma, o gerente
pode adaptar suas ações futuras para melhor adequar o investimento de capital as condições
futuras do mercado, aumentando o seu valor ao se aproveitar de oportunidades inesperadas
que surjam, ou limitando as suas perdas num cenário negativo, através do abandono do projeto
ou outras atitudes. A análise de investimento de capital através de opções reais permite
computar o valor estratégico e da flexibilidade gerencial de um projeto, tomando-se como
ativo básico o valor do projeto, conforme calculado pelo valor presente líquido dos seus fluxos
de caixa, descontados ao seu custo de capital.
Outro método muito utilizado para valorar projetos ambientais é o método do Contingent
Claims Valuation (MITCHELL & CARSON, 1989)4, (BJORNSTAD & KAHN, 1996)5, ou
Método do Valor Contingencial, que adota um procedimento totalmente diferente. A
valoração do projeto por este método é feita a partir de uma pesquisa de mercado com a
população diretamente afetada pelo projeto, onde se tenta quantificar através de um cuidadoso
processo de entrevista e questionário, o valor que esta população estaria disposta a pagar pela
2
Black, F., and Scholes, M.; “The pricing of options and corporate liabilities.”; Journal of Political
Economy 81 (May-June): 637-659, 1973.
3
Dixit, Avinash; Pindyck, Robert S.; “Investment under Uncertainty”; Princeton, NJ, USA, Princeton
University Press, 1994
4
Mitchell, Robert Cameron; Carson, Richard T.; “Using Surveys to Value Public Goods: the Contingent
Valuation Method”; Resources for the Future, 1989.
5
Bjornstad, David J.; Kahn, James R.; “The Contingent Valuation of Environmental Resources:
Methodological Issues and Research Needs (New horizons in Environmental Economics)”; Edward
Elgar Publisher, 1996.
Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão Ambiental
3
existência de um benefício ambiental qualquer, ou a eliminação de um malefício. Os
benefícios podem ser um parque, uma nova área para recreação, uma floresta, etc., enquanto
que a redução de danos físicos, como poluição, de risco à saúde, de degradação ambiental,
etc., configurariam malefícios a evitar. A partir daí, obtém-se uma valoração quantitativa deste
benefício e do valor da redução de dano. Para tanto, pode-se usar um processo iterativo, no
qual cada entrevistado é solicitado a optar aceitar ou não um projeto a um preço prédeterminado. Se a resposta for positiva, é novamente perguntado se aceitaria o projeto agora a
um preço pré-determinado maior. Se a resposta for negativa, pergunta-se novamente se o
projeto seria aceito a um preço ainda menor.
Um aspecto fundamental para validar a metodologia de valoração contingente é a adequada
elaboração do questionário a ser utilizado. Para que isso ocorra, se faz necessário seguir as
recomendações usuais para este tipo de entrevista adotando-se a técnica de grupos focais,
entrevistas em profundidade e questionário piloto, para definir todos os aspectos centrais
relacionados com a estrutura, linguagem, compreensão e método de determinação do preço e
verificação da consistência das respostas fornecidas. O maior problema deste método é que a
análise depende de pesquisa de mercado e entrevistas que apresentam um custo alto, sem que
as suas conclusões tenham necessariamente uma confiabilidade maior.
Para este estudo foi adotado o enfoque do método do Fluxo de Caixa Descontado, que apesar
de todos os problemas levantados anteriormente, é o único que pode fornecer, ainda que de
forma limitada, alguma idéia sobre o valor dos benefícios gerados por um projeto. A análise
econômica é simples e eficaz quando lida com benefícios diretos quantificáveis. Neste caso, os
benefícios indiretos, estratégicos e potenciais que não podem ser avaliados pelo método do
Fluxo de Caixa Descontado, serão apenas relacionados com comentários. A sua grande
vantagem é que o seu uso também é simples, e requer apenas o conhecimento de conceitos
básicos de finanças, matemática financeira e custos por parte do analista. A parte de cálculo
em si pode inclusive ser previamente programada em computador através de uma planilha,
para que o analista possa se concentrar no que realmente é a parte crítica do processo, que é a
coleta e análise dos dados.
3.
Método do Fluxo de Caixa Descontado
O método do FCD parte do princípio de que o valor de um projeto depende do fluxo de caixa
futuro gerado por ele, líquido de quaisquer investimentos realizados, necessários para que o
projeto seja realizado. Por Fluxo de Caixa, entendemos a diferença monetária entre os
benefícios esperados de um projeto e os seus custos. Uma vez que estes fluxos líquidos
ocorrem em datas futuras distintas, e portanto, não diretamente comparáveis, eles são trazidos
para a data atual (valor presente) adotando-se uma taxa de desconto que deve refletir o risco e
o custo de oportunidade do capital que será investindo no projeto. Este valor presente, líquido
dos investimentos no projeto, representa o valor do projeto para o seu investidor: é o Valor
Presente Líquido, ou VPL. Sempre que o VPL for positivo, a execução do projeto é indicada.
Em termos matemáticos, podemos representar esse critério da seguinte maneira:
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4
n
FCt
t
t = 0 (1 + i )
VPL = ∑
Onde
FCt =
i
=
t
=
Fluxo de Caixa do Período t
Taxa de desconto
Período correspondente (t = 0, 1, 2, ..... n)
Um outro critério de avaliação de projetos também de uso muito difundido, é o da Taxa
Interna de Retorno (TIR). O critério de decisão deste método estabelece que sempre que a TIR
for superior à taxa de desconto adotada para o projeto, a sua execução é recomendada.
Olhando isso de outra forma, se considerarmos a taxa de desconto como o custo do capital
investido no projeto, e a TIR como o retorno que ele oferece, faz sentido investir sempre que o
retorno esperado do investimento for maior do que o custo do dinheiro.
Neste tipo de análise, a confiabilidade da valoração é tão maior quanto maior for a
confiabilidade das projeções dos fluxos de caixa futuros. Para tanto, inicialmente são
estabelecidas as premissas que irão nortear essas projeções, bem como se identificam as
principais variáveis que poderão afetar o resultado da valoração. Essas premissas incluem
geralmente estimativas de preços e custos unitários, volumes de vendas e receitas previstas,
etc. Uma vez feito isso, projetam-se todos os benefícios e custos futuros incrementais
monetários esperados do projeto, inclusive impostos, para se chegar ao fluxo de caixa líquido
de cada período.
4.
O Projeto
Em 1994, a Prefeitura Municipal de Imbituba, SC, solicitou o apoio do FNMA para a
implantação de projeto de repovoamento com pós-larva de camarão visando aumentar a renda
da população de pescadores artesanais da região da Lagoa de Ibiraquera. O projeto tinha
também como objetivo o desenvolvimento de tecnologia que permitisse a sua replicação no
repovoamento de outras lagoas costeiras, comuns na região sul do Brasil, e seria executado
através da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente da Prefeitura de Imbituba.
O Município de Imbituba, com uma população 33 mil habitantes, tem como principais
atividades econômicas a agricultura, as indústrias de cerâmica, o turismo e a pesca
profissional. Como ocorre com grande parte dos pequenos municípios brasileiros, a falta de
recursos, de infra-estrutura e de planejamento urbano, aliado ao crescimento da população,
acarretam uma degradação do meio ambiente que tem reflexos nocivos nas atividades
produtivas da população.
A pesca de camarão é uma das principais fontes de sustento para a população ribeirinha da
Lagoa de Ibiraquera. No entanto, dada a sensibilidade da espécie a mudanças no seu meio
ambiente, a sustentabilidade desta atividade depende quase que exclusivamente da
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manutenção das condições ambientais da lagoa, como taxa de assoreamento, salinidade,
temperatura, oxigênio dissolvido, níveis de poluição orgânica e da periodicidade de abertura
da barra de acesso para o mar, que possibilita a entrada das larvas durante o período fértil.
Quando a oferta de camarões e siris escasseia na Lagoa, a população ribeirinha passa a pescar
peixes miúdos (50g a 100g), geralmente carapicús e tainhotas para a sua subsistência,
impedindo que eles cheguem à idade madura (300g a 800g) e interrompendo o ciclo biológico
da espécie.
No caso de Imbituba, a especulação imobiliária, a falta de saneamento básico, o uso
desordenado do solo e a construção de pontes e estradas sem preocupação com seus impactos
ambientais, resultaram na destruição dos manguesais e no assoreamento dos canais
responsáveis pela renovação das águas e a entrada das larvas do mar para as lagoas, criadouros
naturais de camarões. Além disso, a lavoura de arroz, fumo e a pastagem representam uma
contínua agressão ao ecossistema marinho e acarretando a contínua degradação das lagoas
através da contaminação das águas superficiais por agrotóxicos.
As conseqüências deste quadro refletem diretamente na redução dos recursos naturais
marinhos e no empobrecimento dos pescadores artesanais que têm na captura do camarão sua
principal fonte de renda, e o conseqüente aumento do êxodo rural. Com a execução deste
projeto, a Prefeitura Municipal pretende minorar, e possivelmente reverter este quadro.
4.1 A Proposta
A atividade aquícola da carcinicultura é definida como o cultivo dos crustáceos (camarões,
caranguejos, lagostas, etc.), sendo os camarões marinhos do gênero Penaeus os mais
cultivados, com uma produção mundial de aproximadamente 800 mil toneladas por ano. A
produção comercial de camarões inicia com a captura dos reprodutores no ambiente natural
(mar, baías e lagunas), os quais são submetidos a um processo de reprodução induzida e
laboratório. A larvicultura, criação das larvas, é realizada em ambientes controlados até que
atinjam o estágio de pós-larvas, quando então serão levadas para as fazendas ou ambientes
naturais (repovoamento), com o objetivo de alcançarem o tamanho comercial.
O Laboratório de Camarões Marinhos (LCM/UFSC) vem trabalhando na pesquisa de
reprodução de camarão e cultivo em viveiros desde 1983. Este laboratório tem como objetivo
incrementar a produção de camarões no país realizando pesquisa, extensão e formação de
recursos humanos. Dentro do LCM existem os setores de produção de fitoplâncton marinho,
reprodução controlada de matrizes, criação de larvas em condições controladas, laboratório de
pesquisa (nutrição), patologia, manejo e biologia do cultivo, consultoria, fomento e
transferência de tecnologias. A receita de prestação de serviços do LCM é de cerca de R$
300.000,00 anuais.
O projeto será desenvolvido na Lagoa de Ibiraquera que tem 865 hectares de espelho d’água e
é responsável pelo sustento de 350 famílias de pescadores. A espécie escolhida para o
repovoamento foi a Penaeus paulensis (Camarão rosa) por ser a mais abundante na lagoa e
Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão Ambiental
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apresentar uma boa taxa de crescimento e adaptação às condições locais. Como a atividade de
pesca do camarão é sazonal, os pescadores têm outras atividades, principalmente na
construção civil ou serviço público, como funcionários subalternos da prefeitura. O tempo
diário despendido por pescador é de 2 horas em média. Este tempo é considerado marginal, e
portanto, de custo zero.
Cabe notar que na proposta original do projeto, foi incluída a participação de seis técnicos da
EPAGRI (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Difusão de Tecnologia do Estado de Santa
Catarina S.A.), da UFSC e da FAPEU, durante toda a sua duração, caracterizando dessa forma
a contrapartida obrigatória da Instituição proponente.6 Para a análise em questão foi
considerado aqui que esta mão de obra estaria superdimensionada tanto em quantidade como
em valor, acarretando um ônus desnecessário ao projeto. Em uma análise econômica, o
procedimento usual nestes casos é desconsiderar estes valores, uma vez que estes custos
existirão independente da existência do projeto (os técnicos continuarão vinculados as suas
instituições de origem e recebendo os seus salários, independente da realização ou não deste
projeto), portanto não representa um custo incremental. Neste caso, e para efeito desta análise,
tendo em vista o interesse na replicabilidade do projeto em outras regiões onde estes técnicos
não estivessem disponíveis, foi considerada a utilização apenas de dois técnicos em tempo
integral, ou equivalente, contratados no mercado. Assim, na ausência de dados mais concretos
para esta análise, considerou-se que haverá necessidade de 2 técnicos da EPAGRI para
acompanhar e orientar os pescadores, fazer as coletas das amostras d’água, etc. O custo total
destes técnicos foi também estimado em $2.000,00 mensais cada um.
Segundo informações do Laboratório de Camarões Marinhos (LCM/UFSC), o custo do
milheiro de larva é de R$ 4,00, e estima-se que o percentual de captura seja de 20% do
repovoamento, valor este que já leva em consideração a taxa de mortalidade das larvas. Para o
repovoamento da Lagoa durante um ano, serão necessários 25 milhões de larvas, que
resultarão em camarões adultos com peso variando de 7 até 20g. Estima-se que o preço de
venda do camarão no atacado varie de R$ 5/kg a R$ 10,00, de acordo com o tamanho do
camarão. Dada a grande demanda por este tipo de produto, maior do que a oferta, considerouse que desnecessário fazer estudo de mercado, partindo-se então da premissa de que toda e
qualquer produção obtida será vendida.
Serão necessários também alguns investimentos em equipamento, principalmente para
aquisição de um barco com motor de popa de 20hp para visitar os locais da lagoa e fazer as
medições necessárias, um veiculo utilitário para o transporte das larvas. Outras despesas
operacionais incluem despesas com material de consumo como sacos plásticos necessários
para acondicionar as larvas, telas, baldes e alimentação para o pessoal técnico envolvido. Estas
despesas foram estimadas em R$ 500,00 mensais. Além disso, há despesas com manutenção e
combustível para os veículos, da ordem de $1.500,00 mensais.
6
O custo total desta mão de obra soma a R$ 265.349,00, o que representa mais do dobro dos recursos
solicitados ao FNMA
Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão Ambiental
7
4.2 Premissas
Foram estabelecidas algumas premissas básicas para permitir a elaboração das projeções
financeiras referentes ao projeto. Apesar do período do projeto para o FNMA ser de um ano,
este prazo está muito mais relacionado com os prazos exigidos pelo FNMA para todos os
projetos submetidos aquela Instituição, do que o prazo real de execução deste projeto em
particular. Estimou-se para este projeto um prazo de duração de 4 anos, considerando que este
seria o tempo de vida útil dos equipamentos nele utilizados, e sem desconsiderar o fato que ele
pode ser continuamente replicável a cada período de 4 anos.
Estudos realizados pelo LCM/UFSC demonstram que são necessários 120 a 150 camarões
para se ter um quilo do produto, o que dá uma média de 7 a 8 gramas por camarão. Para esta
faixa de peso, o preço de venda é de R$ 4,00 e R$ 6,00 reais por quilo. Quando os camarões
são maiores, na faixa de 20 gramas, o preço pode subir até R$ 10,00 por quilo. Como não é
possível saber a priori qual será o peso futuro dos crustáceos, foi estimado que uma
percentagem dos camarões atingirão o peso de 20g enquanto que os demais ficarão com 7,5
gramas. Para calcular os valores a serem utilizados na análise, foi adotada a média do peso do
camarão ponderada com a sua distribuição na população total, estimada em 60% de camarões
entre 7 e 8 gramas, e 40% de 20g.
Esses estudos indicaram ainda que a capacidade de produção de alimentos das Lagoas é maior
do que a demanda das espécies que nele se desenvolvem, de forma que assumiu-se também
que o repovoamento pode ser quantitativamente aumentada sem causar grandes impactos na
cadeia alimentar da Lagoa.
A determinação da taxa de desconto utilizado para trazer a Valor Presente os fluxos de caixa
gerados pelo projeto é importante porque ela afeta diretamente o valor atribuído ao projeto.
Essa taxa representa o custo de oportunidade do capital investido no projeto, que é o custo do
dinheiro aportado no projeto. No caso, considerando que estes recursos são totalmente
oriundos do contrato de empréstimo celebrado entre o BID e o FNMA, este custo é de 4% a.a.
mais variação cambial, uma vez que a moeda do empréstimo é o dólar americano, que foi
estimada em 7% a.a.. Nesta taxa de variação cambial estimada está incluída uma expectativa
de inflação que precisa ser expurgada para ficar coerente com a premissa de valores reais do
fluxo de caixa do projeto. Assim, estimando a inflação anual do período em 5% a.a., chegamos
a uma variação cambial real de 2% a.a. Somando-se isso à taxa do empréstimo, temos uma
taxa de desconto real para este projeto de 6% a.a. Obviamente, esta taxa de custo de capital só
tem sentido enquanto o projeto puder ser financiado com recursos de FNMA. Possivelmente
outras fontes de recurso terão custos muito mais elevados.
A sustentabilidade da atividade de pesca do camarão, bem como a sustentabilidade econômica
e social do projeto depende das condições ambientais da lagoa, como taxa de assoreamento,
salinidade, temperatura, oxigênio dissolvido, níveis de poluição orgânica, enfim, da
manutenção dos seus parâmetros físicos e químicos dentro dos limites aceitáveis, além da
periodicidade de abertura da barra. Foi adotada a premissas de que essas condições ambientais
básicas para cultivo da espécie e da sustentabilidade do projeto serão mantidas, seja pela
Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão Ambiental
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efetiva fiscalização desse ecossistema pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, seja
pela conscientização da comunidade dos pescadores para a importância desses problemas
ambientais, ou ambos.
Estima-se que a taxa de sobrevivência das larvas aumenta com experiência adquirida no
projeto, bem como o fato de que a necessidade de repovoamento com larvas diminui com o
tempo devido à recuperação do ciclo biológico das espécies na Lagoa. Considerou-se ainda
que tanto o preço de venda quanto o custo das larvas se mantém constante durante toda
duração do projeto. Mais adiante, ao fazermos a análise de sensibilidade, relaxaremos esta
restrição para estudar que impacto teria no projeto uma variação nestes preços e custos.
Como o prazo de duração do projeto foi determinado em função da vida útil dos equipamentos
utilizados, segue-se a premissa adotada de que eles serão totalmente gastos durante o projeto.
Outro pressuposto é a ausência de impostos de qualquer natureza, o que é factível uma vez que
o projeto não tem fins lucrativos, e a distribuição de renda aos pescadores é, individualmente,
de pequena monta, muito abaixo do mínimo tributável pela legislação fiscal brasileira.
Quando da elaboração dos fluxos de caixa de um projeto, adota-se usualmente a premissa de
que os valores que são recebidos ou gastos ao longo dos anos, se concentram no final do
período, ou seja, último dia de cada ano. O objetivo desta premissa é de simplificar os
cálculos, uma vez que a alternativa seria de se fazer quatro períodos de um ano cada, 4 x 365
períodos de um dia, o que complicaria significativamente os cálculos acrescentando muito
pouco em termos de precisão. Todos os valores são nominais, isto é, nestes valores não está
considerada a inflação prevista para o período do projeto. Assim como expurgamos a inflação
da taxa de desconto do projeto, fazemos o mesmo com os valores do fluxo de caixa.
4.3 Benefícios Esperados
Os benefícios diretos esperados do projeto são o aumento da renda familiar das 350 famílias
de pescadores da Lagoa de Ibiraquera em razão direta do aumento do estoque de camarão nas
águas da Lagoa. Este é o benefício que será objeto da valoração direta neste trabalho.
Um projeto que tenha VPL negativo terá que receber um subsídio neste valor para o mesmo
seja realizado. Se o projeto tem VPL nulo, isso significa que o valor do subsídio necessário
também é nulo, o que significa dizer que o projeto é auto-sustentável. Se, ainda, o VPL for
positivo, então além de ser auto-sustentável, o projeto da um retorno monetário positivo, ou
seja, gera lucro.
A análise econômica de um projeto tem normalmente por objetivo determinar o seu valor
monetário, ou então computar a taxa anual de retorno que se pode esperar do investimento
nele realizado. No caso em pauta, o objetivo é verificar se o projeto contribui para subsistência
dos pescadores envolvidos, e portanto, a análise será orientada para a determinação da renda
mensal que cada família de pescadores poderá esperar deste projeto. Isso será feito variandose o valor desta renda mensal para mais ou para menos, até que o valor do projeto seja zero, já
que ele não tem como objetivo auferir lucros para o FNMA, mas que seja auto-sustentável.
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Assim, ao invés de valorar diretamente o projeto calculando-se um valor monetário para o
mesmo, esta análise terá como objetivo calcular qual a renda familiar máxima por pescador
que o projeto suporta, sem que o mesmo deixe de ser auto-sustentável.
Os benefícios indiretos que não são captados normalmente pelo FCD, e portanto, não são
objeto de valoração monetária, podem ser reais e significantes. Alguns destes benefícios
decorrem do fato de que com o repovoamento de larvas de camarão na Lagoa de Ibiraquera, a
pesca pode ocorrer durante todo o ano. Isto traz benefícios sócio-ambientais para o
ecossistema e para os pescadores, visto que a pressão de pesca sobre os peixes se reduz, e
permite que os peixes pequenos, principalmente tainha, atinjam a fase adulta, permitindo que a
Lagoa contribua para a reposição ao mar dos reprodutores de peixes e garantindo o ciclo
biológico das espécies.
Uma das maneiras de superar essa dificuldade de valoração é estabelecer premissas que
permitam usar o FCD, como por exemplo, estimar que caso do projeto não seja executado,
30% dos pescadores migrariam para a cidade, e que isto causaria a cidade um ônus de
R$1.000,00 anuais em serviços prestados por migrante/ano. O problema é que é difícil estimar
com alguma segurança esses valores.
A replicabilidade do projeto é um valor de opção: o bom senso indica que um projeto
replicável tem um valor maior que outro idêntico que não possua esta característica, mas
quanto, exatamente? Considerando que apenas o potencial de replicação não garante que ele
será replicado, nem que esta replicação será bem sucedida, caso realizada, esse valor só pode
ser valorado através do método das opções reais. O método do Contingent Claims Analysis
pode ser usado aqui para pesquisar quanto a população do entorno da Lagoa acredita que
valem os benefícios indiretos do aumento da biodiversidade e preservação de espécies na
Lagoa.
Esses benefícios indiretos são:
♦
Recuperação do ciclo biológico de outras espécies na lagoa, uma vez que o
aumento da pesca de camarão permite a redução da pesca de peixes pequenos,
permitindo-os atingir a fase adulta e se reproduzir.
♦
Redução nos custos do seguro desemprego
♦
Redução do êxodo rural
♦
Maior conscientização da população ribeirinha para os danos ambientais
nocivos a Lagoa e que impactam negativamente no seu próprio sustento
♦
Conscientização dos pescadores da necessidade da pesca sustentada e a
recuperação do ciclo biológico de outras espécies da lagoa.
♦
Potencial de replicabilidade em outros cenários semelhantes, comuns na região.
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10
4.4 Análise do Fluxo de Caixa
A análise do fluxo de caixa do projeto indicou um potencial para um aumento de renda para
uma população de 350 pescadores da Lagoa, de R$ 79,82 mensais per capita, como podemos
verificar pela planilha de análise a seguir. Este é o valor que faz com que o VPL do projeto
seja zero, e sua TIR seja igual ao custo de capital do projeto, 6% .a.a. Este valor foi obtido
usando-se a função Atingir Metas da planilha Excel 5.0. Isso significa que este projeto, se
realizado conforme previsto e dentro das premissas estabelecidas, acarretará um aumento de
renda real para a população alvo e será auto-sustentável durante um período de 4 anos, com
um investimento inicial total de R$ 105.000,00. Todas as despesas e custos do projeto serão
cobertos pela sua própria receita de comercialização do camarão pescado, bem como
acrescidos de juros de 6% a.a. Com base nestas informações, e observando as premissas
estabelecidas, podemos concluir que, do ponto de vista econômico e financeiro, o projeto deve
ser realizado.
Mas podemos garantir que estes valores previstos serão alcançados no futuro? É claro que
não. Fica claro que a confiabilidade destes valores está diretamente relacionada com a
confiabilidade das projeções feitas para os próximos quatro anos de vida do projeto. Na
prática, existe um grau razoável de incerteza sobre a precisão destas projeções, e, portanto,
não temos nenhuma forma de garantir que estes resultados se realizarão no futuro. Esse é um
problema que afeta todo e qualquer exercício de valoração de projetos, e não apenas este em
particular. Por outro lado, já que não podemos garantir um resultado futuro, podemos pelo
menos usar a técnica aqui desenvolvida para nos dar estimativas de diversos cenários futuros
possíveis, para que então possamos analisar o risco que corremos ao decidir pela realização
deste projeto. A técnica usada para avaliar este risco é a análise de sensibilidade, que nos
indicam quais as variáveis que apresentam maior risco para o projeto, caso o seu valor no
futuro divirja dos valores por nós projetados.
Fluxo de Caixa do Projeto
Ano
Investimento
Infra-estrutura
Viveiros
Barco
Utilitário
Receita Incremental
Despesas
Aquisição Larvas
Transporte
Mat consumo
Mão de Obra Técnica
Mão de Obra Pescadores
Fluxo de Caixa
VPL = (0,00)
0
1
2
3
4
(15.000)
(20.000)
(30.000)
(40.000)
512.500
512.500
522.750
522.750
(48.000)
(335.230)
(80.000)
(18.000)
(6.000)
(48.000)
(335.230)
(68.000)
(18.000)
(6.000)
(48.000)
(335.230)
(68.000)
(18.000)
(6.000)
(48.000)
(335.230)
(68.000)
(18.000)
(6.000)
(48.000)
(335.230)
(105.000)
5.269
25.269
47.519
47.519
(100.000)
TIR = 6,0%
Renda mensal familiar possível =R$ 79,82
Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão Ambiental
11
4.5 Análise de Sensibilidade
A análise de sensibilidade visa identificar dentre as variáveis de um projeto, aquelas que
devem ser monitoradas de perto por serem as mais críticas. Neste projeto, identificamos três
variáveis sobre as quais temos um razoável grau de incerteza sobre o seu valor no futuro, e
queremos mensurar a sua importância para o projeto:
a) Taxa de captura dos camarões
b) Preço de venda do camarão
c) Custo do milheiro da pós-larva
Os estudos relativos a salinidade, concluíram que existe uma relação inversa entre a idade da
pós-larva que saiu do laboratório e a sua mortalidade nos primeiros dias: quanto mais jovem a
pós-larva, maior a mortalidade. A idade das pós-larvas que saem das unidades de reprodução
para o ambiente natural depende do nível de salinidade da Lagoa. Por outro lado, quanto maior
o tempo de permanência da pós-larva em laboratório, maior o custo de produção, podendo
chegar a uma média de sobrevivência acima de 90% em alguns casos, produzindo juvenis
resistentes para serem transferidos aos ambientes naturais com salinidades mais baixas. Esse
aumento na taxa de sobrevivência afeta diretamente a população de camarões na Lagoa, e com
o seu aumento, é possível aumentar a taxa de captura sem afetar o estoque da espécie. Assim,
foi feita uma análise de sensibilidade sobre a variação desta taxa no futuro com uma projeção
otimista e outra pessimista.
Da mesma forma, o preço de venda médio pode aumentar tanto pela procura do mercado,
quanto pelo aumento no tamanho médio do camarão capturado, que comandará um preço
maior. Dado que o custo da pós-larva varia conforme a idade da sua liberação para a Lagoa, e
isto afeta diretamente o seu custo, foi feita também uma sensibilidade calculando-se uma
variação futura neste custo. Na tabela a seguir, podemos ver as principais premissas e os
resultados obtidos com cada uma delas.
Análise de Sensibilidade: Projeção das Variáveis
Ano 1
Ano 2
Ano3
Ano4
Taxa de
captura do
camarão
Otimista
Esperado
Pessimista
20%
20%
20%
30%
25%
15%
40%
30%
15%
45%
30%
10%
Preço de
venda do
camarão
Otimista
Esperado
Pessimista
8,20
8,20
8,20
9,00
8,20
7,00
9,50
8,20
6,00
10,00
8,20
5,00
Custo do
milheiro da
Larva
Otimista
Esperado
Pessimista
4,00
4,00
4,00
3,50
4,00
4,50
3,00
4,00
5,00
2,50
4,00
5,50
Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão Ambiental
12
Valor do Benefício para cada Pescador em R$/mês
Pessimista
Esperado
Otimista
Taxa de captura do camarão
33,23
79,82
110,36
Preço de venda do camarão
56,04
79,82
93,90
Custo do milheiro da Larva
76,84
79,82
82,80
Como podemos ver pela tabela acima, a variável mais crítica para o projeto é a taxa de captura
do camarão, pois a variação do seu resultado esperado é maior para este fator, e é maior
inclusive, do que o impacto de um erro na estimativa do fator preço. Em relação ao custo da
larva, podemos observar que ele tem um impacto muito pequeno no resultado do projeto:
mesmo que o pior caso ocorra (maior custo), a redução na renda per capita é de apenas 3.74%.
Isso indica que talvez valha a pena aumentar a taxa de captura do camarão através do aumento
da taxa de sobrevivência das larvas, mesmo que isso implique em um maior custo da póslarva, pois esse custo será amplamente compensado pelo aumento do valor do projeto. No
gráfico a seguir, podemos ver como a variável Renda Familiar é mais impactada por uma
variação na taxa de captura do camarão do que por qualquer outro fator.
Análise de Sensibilidade
Renda Familiar Disponivel em R$/mês
Análise de Sensibilidade
125
100
Taxa de captura do
camarão
75
Preço de venda do
camarão
50
Custo do milheiro da
Larva
25
0
Pessimista
Esperado
Análise Econômica: Uma ferramenta para a Gestão Ambiental
Otimista
13
5.
Conclusões
Vimos que apesar de todas as limitações existentes, a análise custo benefício pode fornecer
subsídios importantes para auxiliar no processo de tomada de decisão, identificando as
variáveis chaves e chamando a atenção para os principais riscos do projeto. Infelizmente não é
possível prever o futuro, mas uma análise econômica consciente nos permite analisar as
alternativas disponíveis e nos fornece importante ferramenta para o processo decisório através
de informações sobre os fatores de risco e limites superiores e inferiores que podemos esperar
de um determinado projeto. No projeto em questão, fica claro que a taxa de captura e o peso
médio do camarão são fatores de fundamental importância para o sucesso do projeto, portanto,
quaisquer ações que somem esforços para melhorar esses parâmetros serão justificados,
mesmo que se tenha que incorrer em um maior custo de insumos (pós-larvas).
Mesmo considerando que grande parte dos benefícios do projeto não podem ser
quantificáveis, a análise realizada já nos dá um universo suficiente de informações que nos
possibilita ter agora uma visão muito mais abrangente do projeto do que antes. Sabemos o que
esperar dele em termos econômicos, sabemos quais os seus principais fatores de risco, e
sabemos ainda, que além desses benefícios monetários diretos para a população ribeirinha, o
projeto ainda contribuirá com outros que sabemos serem qualitativamente importantes.
6.
Referências Bibliográficas
BREALEY, R.; MYERS, S. C.; “Principles of Corporate Finance”; Fifth
Edition, McGraw Hill, 1996.
DIXIT, AVINASH; PINDYCK, ROBERT S.; “Investment
Uncertainty”; Princeton, NJ, USA, Princeton University Press, 1994.
under
TRIGEORGIS, LENOS;“Real Options - Managerial Flexibility and Strategy
in Resource Allocation”; USA, MIT Press, 1996.
TIETENBERG, TOM.; “Environmental and Natural Resource Economics”;
Third Edition. NY, USA, Harper Collins, 1992.
BJORNSTAD, DAVID J.; KAHN, JAMES R.; “The Contingent Valuation of
Environmental Resources: Methodological Issues and Research Needs (New
horizons in Environmental Economics)”; Edward Elgar Publisher, 1996.
SCHWARTZ, E.; CORTAZAR, G; SALINAS, M.; “Evaluating
Environmental Investments: A real options approach”; Working paper 4-96.
The Anderson School at UCLA, Los Angeles, 1996.
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