ANAIS CAPACIDADES DINÂMICAS, DA SUA ORIGEM ATÉ HOJE: INCONSISTÊNCIAS, CONVERGÊNCIAS, TENDÊNCIAS E EVOLUÇÃO DE UMA TEORIA EM CONSTRUÇÃO EDUARDO JORGE BRANCO VIEIRA BARCELOS ([email protected] , [email protected]) UNIP - Universidade Paulista JOSÉ CELSO CONTADOR ([email protected]) UNIP - Universidade Paulista Resumo: Nas últimas décadas, a Estratégia Organizacional tem sido alvo de estudos com foco principalmente na busca de fontes de vantagem competitiva baseados nas capacidades organizacionais únicas das empresas (RBV), porém em ambientes relativamente estáticos. A Perspectiva das Capacidades Dinâmicas (PCD) vem com a proposta ambiciosa de sustentar a vantagem competitiva ao responder ou mesmo criar mudança ambiental. Apesar do sucesso e do potencial, a PCD tem sido alvo de críticas tanto sobre a base teórica quanto à empírica. Este artigo apresenta uma revisão da literatura, utilizando como referência os artigos mais citados e mais influentes deste campo de pesquisa, e analisa suas inconsistências, convergências e evolução, cobrindo o período de 1994 a 2015. Palavras chave: Capacidades dinâmicas; Capacidades; Competências; RBV; Tipologia. 1. INTRODUÇÃO O ambiente organizacional tem apresentado fortes e rápidas mudanças, de forma marcante a partir dos anos 1990 e independentemente do tamanho e localização das empresas, que por sua importância foram abordadas por acadêmicos e gestores. Nas últimas duas décadas, a Estratégia Organizacional tem sido alvo de estudos com foco principalmente na busca de fontes de vantagem competitiva baseados nas capacidades organizacionais únicas das empresas, mas em ambientes relativamente estáticos (BARNEY, 1991; PRAHALAD e HAMEL, 1990; NELSON, 1991). Contudo, em ambientes continuamente em mutação, a habilidade organizacional para sustentar e renovar a vantagem competitiva tornou-se imperativa (ANDREEVA e CHAIKA, 2006). Em resposta a essa necessidade das empresas, o campo da estratégia, em particular da gestão estratégica, ganhou forte impulso a partir dos primeiros estudos utilizando o conceito de capacidades dinâmicas (CDs), que de forma simplificada referem-se à capacidade das empresas em se adaptar ou mesmo moldar seus ambientes intencionalmente e com sucesso, atingindo seus objetivos e a perpetuação da organização (GUPTA, 2014). O termo foi cunhado inicialmente por Teece, Pisano e Schuen (1990) e desenvolvido posteriormente por Teece e Pisano (1994), Teece, Pisano e Schuen (1997) e em seguida por Eisenhardt e Martin (2000), estes dois últimos considerados como os artigos seminais das capacidades dinâmicas. Nos últimos dez anos, o número de pesquisas cresceu de forma significativa (vide Figura 1), como comprovam as revisões bibliográficas no campo da gestão estratégica de Furrer et al. (2008), de Di Stefano e Peteraf (2010), de Vogel e Gütell (2013) e de Di Stefano, Peteraf e Verona (2014) especificamente sobre CDs, mas utilizando diferentes metodologias 1/16 ANAIS de análise, mesmo partindo do mesmo banco de dados. Por exemplo, Di Stefano et al. (2014), a partir da análise do banco de dados da Social Science Citation Index (SSCI) da ISI Web of Science, observaram uma média de publicações de 32 artigos por ano no período de 2000 a 2005, de 137 entre 2006 e 2010 e de 201 entre 2011 e 2013. Estas revisões trazem claras evidências dos caminhos, centralidade de conceitos, tendências e evolução na perspectiva das capacidades dinâmicas (PCD), que serão abordadas com maior detalhe nos procedimentos metodológicos. Entretanto, a PCD está envolta em algumas confusões e críticas, principalmente associadas à falta de consenso na base teórica e ao limitado progresso empírico (EASTERBYSMITH, LYLES, e PETERAF, 2009; SCHILKE, 2014), à falta de fundamentação teórica (AREND e BROMILEY, 2009) e às divergências no entendimento do constructo (WILDEN, DEVINNEY, e DOWLING, 2013). Mas uma análise mais profunda mostra fragilidade de alguns desses argumentos, já que as CDs têm adequado embasamento teórico (PETERAF et al., 2010). Apesar da maior parte das publicações em CDs serem conceituais, o que é esperado para uma teoria em construção e à procura da consolidação de seus fundamentos (DI STEFANO et al., 2014), observa-se também um crescimento da quantidade de pesquisas empíricas, o que evidencia uma evolução importante na aplicação das CDs. Além das definições e dos pilares teóricos, outro tópico de controvérsia é como tratar as capacidades, já que elas são definidas no mais amplo sentido (TEECE et al., 1997; 2014; AMBROSINI e BOWMAN, 2009; HELFAT et al., 2007). Cabe, portanto, uma análise sobre o que se entende por capacidade e sobre o que as tornam dinâmicas, como a feita neste artigo. Alguns autores propuseram tipologias que permitem entender as diferentes características das capacidades dinâmicas e das capacidades. Entre elas destacam-se (vide Seção 6): 1) a seminal de Collis (1994), que propôs quatro categorias de capacidades; 2) a de Danneels (2002), que avançou em relação à de Collis (1994); 3) a de Winter (2003), que sugere três categorias; 4) a de Zahra et al. (2006), que introduziu o conceito de capacidades substantivas ou funcionais e das demais capacidades dinâmicas; 5) as de Andreeva e Chaika (2006), que distinguem capacidades essenciais das dinâmicas; 6) as Pavlou e El Sawy (2006), que seguem Winter (2003); 7) Wang e Ahmed (2007), similar as de Andreeva e Chaika (2006); e 8) a de Ambrosini et al. (2009), que sugere três categorias, incrementais, renovadoras e regenerativas. Este artigo objetiva atualizar o estado da arte sobre CDs por meio de uma revisão da literatura dos artigos de maior influência, da sua origem até o atual estágio, sem a pretensão de esgotá-lo. Mais do que isso, este estudo pretende servir de guia para os pesquisadores em CDs, ao contrastar as inconsistências ainda existentes e como elas estão sendo encaminhadas, as convergências conceituais, que mostram avanços na consolidação na base teórica da perspectiva, as tendências de pesquisa, que dão direcionamentos das áreas de interesse para aprofundamento por parte dos pesquisadores, e a evolução teórica e empírica alcançada. Para atingir esse objetivo, este estudo está dividido em sete seções: esta introdução; a seção 2 – Procedimento metodológico, que descreve os critérios para identificar a base de referências utilizadas; a seção 3 – Origem das CDs e contribuição multidisciplinar aos seus fundamentos teóricos, provavelmente uma das razões das inconsistências e confusões observadas na literatura; a seção 4 – Definições das capacidades dinâmicas mais citadas, com destaque às duas seminais (TEECE et al., 1997; e EISENHARDT e MARTIN, 2000), que além de serem diferentes são também contraditórias em alguns aspectos, e que são uma provável fonte de inconsistências e confusões; a seção 5 – Recursos e competências como 2/16 ANAIS parte das CDs; a seção 6 – Capacidades, capacidades dinâmicas e tipologia, que esclarece a diferença entre capacidades funcionais ou operacionais das capacidades dinâmicas, e as tipologias mais citadas das CDs, que permitem, por um quadro comparativo, analisar sua evolução ao longo do tempo, pois a definição original de Teece et al. (1997), por ser abrangente, dá liberdade aos teóricos de utilizarem cada um seu próprio conceito de capacidade dinâmica, o que dificulta o alinhamento e consenso; e a seção 7 – Conclusões. Essas seções compõem a base conceitual para o entendimento das capacidades dinâmicas. Entretanto, outros dois tópicos fundamentais que complementam a base teórica das CDs, a sua aplicabilidade ou operacionalização e os processos de gestão, serão abordadas em artigos futuros. O primeiro, sobre aplicabilidade e operacionalização das CDs, apresentará as áreas de concentração e resultados atingidos, enquanto o segundo dará maior ênfase aos processos organizacionais e gerenciais, sem os quais as CDs não podem ser intencionalmente criadas, estendidas ou modificadas (HELFAT et al., 2007). 2. PROCEDIMENTO METODOLÓGICO O campo da Perspectiva das Capacidades Dinâmicas (PCD) está em constante evolução, com uma quantidade exponencial de publicações ao longo do tempo (DI STEFANO e PETERAF, 2010; VOGEL e GÜTELL, 2013; DI STEFANO et al., 2014). Entretanto, apenas uma análise da quantidade de publicações ao longo do tempo (vide Figura 1) não permite verificar se as inconsistências e divergências dos primeiros anos do surgimento da PCD alcançaram consenso e convergência, ou se uma das duas principais linhas, a de Teece et al. (1997) e a de Eisenhardt e Martin (2000), se tornou dominante, ou qual o caminho e evolução da PCD, mas mostra que o tema tem se destacado recentemente no meio acadêmico, com maior força a partir 2005. Figura 1- Quantidade de citações do banco de dados ISI Web of Science entre 1994 e 2013 NÚMERO DE CITAÇÕES POR PERÍODO 250 CITAÇÕES 200 150 GÜTELL 100 DiSTEFANO 50 0 1994-1999 2000-2005 2006-2010 2010 -2013 Fonte: Adaptado de Vogel e Gütell (2013) e Di Stefano et al. (2014). Para atingir os objetivos deste estudo, foi necessário acessar as referências mais citadas e as mais influentes, entre 1994 e 2015, obtidas segundo os seguintes critérios: 1. Utilização do banco de dados do Google Scholar para obter os artigos acadêmicos, classificados pelo número de citações entre 1990 e 2015, utilizando as palavras chave: capacidade dinâmica e capacidades dinâmicas, em português, e dynamic capability e dynamic capabilities, em inglês. Excluíram-se aqueles referentes a outros campos de pesquisa como medicina, biotecnologia, psicologia, sociologia e tecnologia da informação, além das referências de livros. Adotou-se um corte relativamente 3/16 ANAIS arbitrário de 200 citações, devido à alta quantidade de artigos observados com menos de 220 citações, o que gerou a listagem dos 103 artigos mais citados entre 9/02/2015 e 13/02/2015, período em que ocorreu o levantamento bibliográfico. Um segundo corte em 500 citações foi utilizado para elaborar o Quadro 1. 2. Utilização das referências obtidas no banco de dados da Thomson-ISI Web of Science por Di Stefano, Peteraf e Verona (2014), conduzida por meio da técnica de análise de conteúdo e que considerou as sete teorias de fundamentação do constructo CD (vide origens da PCD). Com isso, os autores restringiram o levantamento aos 84 artigos e livros mais citados e de maior influência na PCD. 3. Utilização das referências obtidas no banco de dados da Thomson-ISI Web of Science por Di Stefano et al. (2010), com o objetivo de identificar os padrões de evolução da PCD, com a técnica de cocitação. Assim, os autores utilizaram o critério de cortes com baixo número de citações, para que as pesquisas mais recentes aparecessem no levantamento. O Quadro 1 apresenta, em ordem decrescente da quantidade de artigos, as 59 referências obtidas pelos critérios 1, 2 e 3 e evidencia a pequena divergência entre esses levantamentos, embora tenham partido de bancos de dados diferentes e utilizado critérios diversos. Com isso, consolida-se um grupo de 59 referências que servem de base para qualquer estudo em CDs, conceitual ou empírico. Como os critérios têm como base o número de citações, independentemente do tipo de estudo conduzido, os artigos recentes podem ter sido excluídos devido á baixa citação cumulativa, o que pode comprometer algumas referências reconhecidamente importantes. Entretanto, continua válida a relação de referências como fonte de consulta. Quadro 1 - Comparação entre as análises bibliométricas dos artigos mais citados e mais influentes do ISI Web Science e os mais citados pelo Google Scholar. ARTIGOS MAIS INFLUENTES ISI WEB SCIENCE Fonte: Di Stefano, Peteraf e Verona – 2010 e 2014 Teece et al. (1997) Eisenhardt and Martín (2000) Zahra and Gcorgc (2002) Zollo and Winter (2002) Dyer and Nobeoka (2000) Amit and Zott (2001) Helfat and Pctcraf (2003) Makadok (2001) Benner and Tushman (2003) Wínter (2003) Sambamurthy. Bharadwaj, and Grover (2003) Helfat (1997) Wright, Dunford, and Snell (2001) Melville, Kraerner, and Gurbaxani (2004) Danneels (2002) Wade and Hulland (2004) Zhu and Kraemer (2002) ARTIGOS MAIS CITADOS ISI WEB SCIENCE Fonte: Peteraf, Di Stefano e Verona – 2013 Teece and colleagues (1997) Eisenhardt and Martin (2000) Zahra and George (2002) Zollo and Winter (2002) Dyer and Nobeoka (2000) Winter (2003) Amít and Zott (2001) Benner anel Tushrnan (2003) Helfat and Peteraf (2003) Teece (2007) Melvillle, Kraemer, aud Gurbaxani (2004) Sambamurthy, Bharadwaj and Grover (2003) Makadok (2001) Wright, Dunford, and Snell (2001) Wade anel Hulland (2004) Subramaniam and Youndt (2005) Danneels (2002) 4/16 ARTIGOS MAIS CITADOS GOOGLE SCHOLAR Fonte: Autores – 2015 Teece, D J et al. (1997) Eisenhardt, K M e Martin, J A (2000) Zahra, S A e George, G (2002) Zollo, Winter S G (2002) Amit and Zott (2001) Teece, D J e Pisano, G (1994) Dyer and Nobeoka (2000) Teece, D J (2007) Winter, S G (2003) Benner, M J e Tushman, M L (2003) Helfat, C E e Peteraf, M A (2003) Melvillle, Kraemer, aud Gurbaxani (2004) Makadok, R (2001) Zhu and Kraemer (2002) Rindova and Kotha (2001) Wade, M e Hulland, J (2004) Wright, P M e Dunford, B B e Snell, S A (2001) ANAIS Hitt et al. (2001) Knight and Cavusgil (2004) Knight and Cavusgil (2004) Rindova and Kotha (2001) Teece (2000) Aragon-Correa and Sharma (2003) Helfat (1997) Aragon-Correa and Sharma (2003) Hitt and colleagues (2001) Zahra, Sapienza, and Davidsson (2006) Galunic and Eisenhardt (2001) Carpenter. Sanders, and Gregersen (200I) Barua et al. (2004) Zott (2003) Dunon et al. (1997) Subramaniam and Youndt (2005) Madhok (2002) Hclfat (2000) Jansen, Van Den Bosch, and Volberda (2005) Zhu and Kraemer (2002) Newberl (2007) Wheeler (2002) Rai, Patnayakuni. and Seth (2006) lreland, Hitt, and Sirmon (2003) Zott (2003) Rindova and Kotha (2001) Barua, Konana, Whinston, and Fang (2004) Sapienza and colleagues (20006) King and Tucci (2002) Williams (1992) Lavie (2006) Zollo and Singh (2004) Ireland, Hitt, and Sirmon (2003) Agarwal et al. (2004) Jarzabkowski (2004) Uhlenbruck, Meyer. and Hitt (2003) Becker (2004) Tecee (2000) Becker and Huselid (2006) Carpenter, Sanders, and Gregersen (2001) Rai, Patnayakuni, and Seth (2006) Vohora, Wright, and Lockett (2004) Jacobides and Winter (2005) Agarwa, Echambadi, Franco. and Sarkar (2004) Galunic and Eisenhardt (2001) Raisch and Bírkinshaw (2008) Malhotra, Gosain. and EI Sawy (2005) Adner and Helfat (2003) Jacobides and Winter (2005) Malhotra. Gosain. And El Sawy (2005) Becker (2004) Jarvenpaa and Leidner (1998) Rosenbloom (2000) Vohora, Wright. and Lockett (2004) Adner and Helfat (2003) Todorova and Durisin (2007) Zollo and Singh (2004) Zhu (2004) Zhu (2004) Madhok (2002) Tushman and Murmann (1998) Jansen, Van den Bosch, and Volberda (2005) Miller (2003) Jarzabkowski (2004) Kale and Singh (2007) Zahra, Sapienza, and Davidsson (2006) Lockett and Wright (2005) Luo (2002) Rugman and Verbeke (2002) Bhatt and Grover (2005) Newbert (2007) Lubatkin. Simsek , Ling, and Veiga (2006) Santos and Eisenhardt (2005) Schreyôgg and Kliesch-Eberl (2007) Colbert (2004) Dutton, Ashford, O'Neill. Hayes, and Wierba (1997) Lockett and Wright (2005) Kang, Morris. and Snell (2007) 5/16 Sambamurthy, V e Bharadwaj, A e Grover, V (2003) Danneels, E (2002) Knight and Cavusgil (2004) Tripsas,M e Gavetti, G (2000) Sirmon, D G e Hitt, M T e Ireland, D (2003) Lorenzoni, G e Lipparini, A (1999) Zahra, S A e Sapienza, H J (2006) Carpenter. Sanders, and Gregersen (200I) Zott, C (2003) Helfat, C E (1997) Aragon-Correa, e Sharma, S (2003) Teece, D J (2000) Winter, S G (2000) Winter, S G e Szulanski, G (2001) Malhotra. Gosain. andEl Sawy (2005) Schreyögg, G e Kliesch-Eberl, M (2007) Wang, C L e Ahmed, P K (2007) Helfat, C E e Raubitschek, R (2000) Becker and Huselid (2006) Agarwal, Echambadi, Franco. and Sarkar (2004) Helfat, C E e Lieberman, M B (2002) Lavie (2006) Zollo and Singh (2004) Todorova, G e Durisin, B (2007) O´Reilly, C A e Tushman, M L (2008) Vohora, Wright, and Lockett (2004) Adner, R e Helfat C E (2003) Raisch, S e Birkinshaw, J e Probst,G e Tushman,M L (2008) Jacobides, M G e Winter, S G (2005) Sapienza, H J e Autio, E e George, G e Zahra, S A (2006) Rindova, V P E Kotha, S (2001) Galunic, D C e Eisenhardt, K M (2001) Zhu (2004) Bhratt, Grover (2005) Kale, P e Singh, H (2007) Newbert (2007) Ambrosini, V e Bowman, C (2009) Kogut,B e Kulatilaka, N (2001) Colbert, B A (2004) ANAIS Colbert (2004) Bhatt and Grover (2005) Teece (2007) Ahuja and Katíla (2004) Garud and Kumaraswamy (2005) King and Tucci (2002) Fontes: Di Stefano, Peteraf e Verona – 2010 e 2014; Peteraf, Di Stefano e Verona – Lockett and Wright (2005) King and Tucci (2002) Santos and Eisenhardt (2005) 2013; Autores – 2015. 3. ORIGENS DA PERSPECTIVA DAS CAPACIDADES DINÂMICAS (PCD) Teece et al. (1990) lançaram as bases da perspectiva das capacidades dinâmicas (PCD) ao propor mecanismos pelos quais as empresas aprendem e acumulam novas habilidades e capacidades, indo além do conjunto de recursos disponíveis da empresa da Visão Baseada em Recursos – RBV – (BARNEY, 1986, 1991; WERNERFELT, 1984): os recursos simultaneamente valiosos, raros, difíceis de imitar e organizados (modelo VRIO) possibilitam ás empresas obter vantagem competitiva sustentável (BARNEY e HESTERLY. 2007). Teece e Pisano (1994) argumentam que a RBV não é suficiente para explicar como algumas empresas respondem rapidamente à mudança do ambiente externo, por meio da inovação de produtos, de forma flexível e com capacidades gerenciais que coordenem e reorganizem suas competências internas e externas. Por isso, muitas empresas falham ao não conseguir se adaptar com sucesso a ambientes em mutação (HARRELD et al., 1997). A partir dos estudos de Teece et al. (1990), Teece e Pisano (1994) e Teece, Pisano e Schuen (1997) são estabelecidos os fundamentos e as definições de CDs, partindo do argumento que as CDs podem superar as limitações da RBV, considerada por vários autores como uma visão estática (GUPTA, 2014), resultado de condições de equilíbrio como sustentam também a economia neoclássica e o modelo das 5 forças competitivas de Porter (AMBROSINI e BOWMAN, 2009). A RBV não considera a ação de fatores do ambiente externo, em especial os de rápida mutação ou as crises, que podem desgastar os recursos ou mesmo torná-los obsoletos, como no caso de novos mercados de consumo, novas tecnologias, novos produtos dos concorrentes, aumento da concorrência pela ação da globalização, rápida difusão do conhecimento e melhores práticas. Arend e Bromiley (2009, p. 81) argumentam que a PCD é uma teoria incompleta, pois simplifica um fenômeno complexo e não define claramente seus domínios de relevância. Observa-se, em contraponto, que a PCD traz no seu corpo várias influências das teorias que a suportam. Como Teece (1997; 2007; 2014) expõe, há forte influência da teoria evolucionária da mudança econômica (NELSON, WINTER, 1982) com foco nas rotinas, na dependência histórica, na necessidade de reconfigurar recursos para possibilitar a empresa se transformar e evoluir, evidenciando as raízes da teoria evolucionária da mudança econômica na PCD. A influência de Cyert e March (1963), os primeiros autores a ligarem a sociologia e a economia, também é clara, fornecendo as bases da teoria comportamental das organizações, explicando o comportamento organizacional por regras e procedimentos e descrevendo a alocação de recursos para objetivos específicos, características da PCD (TEECE et al., 1997; EISENHARDT, MARTIN, 2000). A teoria comportamental de Cyert e March (1963), ao romper com a teoria neoclássica de mercado perfeito e reconhecendo as organizações heterogêneas com diferentes desempenhos, deu nova direção ao processo de gestão estratégica e à teoria das organizações, sendo assimiladas tanto pela RBV quanto pela PCD. Segundo Teece (2014), quatro elementos da teoria comportamental das organizações fundamentam o modelo de Cyert e March (1963), que se observam em parte na PCD: 1. Objetivos organizacionais – relacionados à ação de indivíduos e coalizações de indivíduos nesses objetivos, e ao efeito dos recursos escassos, que podem levar a conflitos; 6/16 ANAIS 2. Expectativas – relacionadas aos processos de coleta de informações e interpretação do ambiente externo sob a racionalidade limitada de Simon e March (1959), e ao processo de decisão presente no modelo de Cyert e March (1963) e posteriormente na PCD; 3. Escolhas – utiliza os procedimentos operacionais padrão como regras de decisão estáveis, pouco influenciáveis pelos estímulos do mercado, mas que determinam a reação ao ambiente externo. Nesse caso, esses procedimentos podem ser chamados de "melhores práticas" que, devido às mudanças do ambiente, podem deixar de ser classificadas como tal, razão pela qual os procedimentos operacionais não podem ser considerados PCD; e 4. Controle – procedimentos de gestão utilizados para controle organizacional. Apesar da contribuição significativa no entendimento e na operação das organizações, a teoria comportamental é insuficiente para explicar como as organizações evoluem, formulam sua estratégia e dinamicamente se adaptam aos seus ambientes em mutação. A teoria evolucionária da mudança econômica (NELSON e WINTER, 1982) avança a teoria comportamental, que é relativamente estática, para uma perspectiva dinâmica e evolucionária explicando como as empresas formulam e executam suas estratégias, mas ainda insuficiente para explicar como os resultados da organização ocorrem a partir do comportamento e ações de indivíduos, como observado por Winter (1990). Deve-se destacar o papel e a influência da RBV como outro pilar teórico das CDs. A RBV, com raízes no trabalho pioneiro de Penrose (1959), desenvolvida por Wernerfelt (1984) e popularizada por Barney (1991), enfatiza o papel dos recursos e capacidades como fontes de vantagem competitiva, recursos esses distribuídos de forma heterogênea entre empresas rivais e imperfeitamente móveis, que fazem com que a heterogeneidade persista ao longo do tempo (MAHONEY e PANDIAN, 1992). Ambrosini e Bowman (2009) ressaltam que, além da RBV, a PCD traz influências das perspectivas da visão baseada no conhecimento (GRANT, 1996) e das competências essenciais (PRAHALAD e HAMEL, 1990), pois consideram as organizações um conjunto de recursos heterogêneos e dependentes das suas trajetórias, que lhes permitem obter vantagem competitiva sustentável (LOCKETT e THOMPSON, 2001). Augier e Teece (2009) consideram ainda que nos fundamentos teóricos da PCD há contribuições dos processos de destruição criativa e inovação baseada na competição de Schumpeter (1934) e dos custos de transação de Williamson (1975; 1985). Este aspecto multiteórico, tanto nos fundamentos quanto nos diferentes campos de pesquisa, provavelmente seja uma das dificuldades para o consenso e convergência teórica e empírica de centenas de contribuições publicadas por ano. Outro ponto, que pode trazer confusão aos pesquisadores, são as diferentes e até contraditórias definições observadas na literatura, principalmente as dos dois trabalhos de gênese da PCD, Teece et al. (1994, 1997) e Eisenhardt e Martin (2000). Portanto, é importante analisar o impacto e o desdobramento ao longo do tempo das definições mais relevantes, a partir das referências obtidas no procedimento metodológico. 4. DEFINIÇÕES DE CAPACIDADES DINÂMICAS As primeiras definições sobre CDs surgiram nos trabalhos de Teece, Pisano e Schuen (1990; 1997), Teece e Pisano (1994) e Teece (1996), sendo possível notar um aprimoramento ao longo do tempo entre os estudos de 1990 e 1997. Teece et al. (1997, p. 516) definem capacidade dinâmica como "a habilidade da organização em integrar, construir e reconfigurar competências internas e externas para responder rapidamente a ambientes em mutação". Ele é 7/16 ANAIS considerado o estudo mais influente neste campo de pesquisa (SCHREYOGG e KLIESCHEBERL, 2007; WITCHER, CHAU e HARDING, 2008). Posteriormente, Teece (2007) introduz o conceito de gestão empreendedora, diferenciando-a da gestão organizacional. Gestão empreendedora é perceber, capturar, implementar e aprimorar oportunidades. Teece (2007) propõe três tipos de capacidades fundamentais associadas à gestão empreendedora: capacidade (1) de identificar e acessar as oportunidades e ameaças do ambiente; (2) de mobilizar os recursos ou ativos para capturar e incorporar as oportunidades; e (3) de manter a competitividade através do aprimoramento, combinação, proteção e, quando necessário, da renovação dos ativos tangíveis e intangíveis. As definições abaixo entre aspas são exatamente as apresentadas nos textos citados. Para Collis (1994), há hierarquia nas capacidades, embora não as classifique como dinâmicas. Ele define capacidades organizacionais como as rotinas socialmente complexas que determinam a eficiência (valor econômico), através das quais as empresas transformam fisicamente entradas em saídas. Duas características das capacidades organizacionais (por exemplo, estruturas, processos, cultura, network de funcionários) se destacam: (1) estão imbricadas nas rotinas, que por sua vez são produto da organização como sistema; e (2) agem sobre os determinantes tecnológicos da eficiência produtiva. Helfat (1997, p. 340), em sua pesquisa sobre as empresas de petróleo americanas nas crises dos anos 70 e 80, segue a mesma definição de Teece e Pisano (1994, 541) e define as CDs como " o subconjunto de competências/capacidades que permitem à empresa criar novos produtos e processos e responder às circunstâncias de mercados em mutação". Eisenhardt e Martin (2000, p. 1107) desenvolveram os conceitos de CDs numa visão organizacional e não econômica como Teece et al. (1997) e as definem como "os processos organizacionais que usam recursos, especificamente para integrar, reconfigurar, obter ou liberar recursos, que se adaptam ou mesmo criam mudanças no mercado". Griffitt e Harvey (2001, 598) avançam ao definir as CDs globais como "a criação de recursos combinados difíceis de imitar, incluindo a efetiva coordenação das relações interorganizacionais numa base global que dão vantagem competitiva para a empresa". Zollo e Winter (2002, p. 340) consideram a capacidade dinâmica como "um padrão de atividades coletivas, pela qual a organização sistematicamente cria e modifica suas rotinas operacionais em busca da melhoria, eficazmente". Winter (2003, p. 991), referência na conceituação de CDs, reúne a visão de outros autores na sua, adotando conceito semelhante ao de Collis (1994) e estendendo sua própria definição (WINTER, 2000) de capacidades organizacionais: "uma rotina de alto-nível (ou grupo de rotinas) que, juntas com a implementação dos seus fluxos de entrada, confere uma gestão organizacional sobre um conjunto de opções de tomada de decisão para produzir saídas significativas de um determinado tipo". Winter (2003) propõe que as CDs governam a taxa de mudança das capacidades ordinárias e enfatiza que as capacidades de maior ordem podem atingir níveis crescentes de ordens, ad infinitum. Zahra et al. (2006, p. 918) definem CDs como as "habilidades para reconfigurar os recursos e rotinas das empresas de uma maneira visionária e consideradas apropriadas pelo seu principal tomador de decisão". A ênfase aqui é sobre a percepção das oportunidades pelo empreendedor, ou grupo de empreendedores, ou gestores seniores e sua "vontade" de transformar produtivamente as rotinas existentes ou recursos e implementá-las. Wang e Ahmed (2007, p. 35) também contribuíram, pois definem CD como "a orientação comportamental da organização para integrar, reconfigurar, renovar e recriar seus 8/16 ANAIS recursos e capacidades e, mais importante, atualizar e reconstruir suas capacidades essenciais em resposta ao ambiente em mutação para obter e sustentar vantagem competitiva". Helfat et al. (2007, p. 4) avançam além da sua primeira definição (HELFAT, 1997) baseada em Teece e Pisano (1994) e definem as CDs como "a capacidade de uma organização intencionalmente criar, estender ou modificar seus recursos base". Pode-se observar nessas definições que há um amplo consenso quanto às CDs refletirem os processos organizacionais (EISENHARDT e MARTIN, 2000; WINTER, 2003) e modificarem os recursos base das empresas. As CDs são mais criadas do que compradas (MAKADOK, 2001), são dependentes da trajetória (ZOLLO e WINTER, 2002) e estão imbricadas nas empresas (EISENHARDT e MARTIN, 2000). Segundo Di Stefano et al. (2009) em seu estudo bibliométrico, as definições de Teece et al. (1997), Eisenhardt e Martin (2000), Zollo e Winter (2002) e Helfat et al. (2007) são as de maior influência no campo de pesquisa das CDs. Convém frisar que soluções fortuitas, pontuais ou ad hoc não são consideradas CDs (WINTER, 2003; HELFAT et al., 2007; SCHREYÖGG e KLIESCH-EBERL, 2007), assim como não podem ser consideradas como mudança estratégica, embora seja um tema de estudo (AMBROSINI et al., 2009). Elas devem ter características padronizadas e assim repetíveis, além de serem intencionais e deliberadas (ZAHRA et al., 2006; HELFAT et al., 2007). Dentre as quatro definições de maior influência, a de Helfat et al. (2007) é a mais precisa e aplicável. É suficientemente aberta para dar continuidade a novos estudos e reúne aspectos chave das definições de Teece et al. (1997) como, por exemplo, responder aos ambientes em rápida mutação, e de Eisenhardt e Martin (2000) como, por exemplo, ser fonte de mudanças disruptivas, e ainda considera que as mudanças organizacionais podem independer das mudanças ambientais e vice-versa. Como observado por Di Stefano et al. (2014), Helfat et al. (2007) e Peteraf et al. (2013), uma das principais fontes de divergências entre os estudos de CDs está relacionada aos conceitos e definições diferentes e mesmo contraditórias dos dois artigos nucleares sobre capacidades dinâmicas: Teece et al., (1997) e Eisenhardt e Martin, (2000). O Quadro 2 apresenta as principais diferenças entre essas duas definições. Alguns estudos empíricos, embora a maioria seja qualitativa, como os de Eisenhardt e Martin (2000), Eisenhardt e Sull (2001) e Andreeve e Chaika (2006), mostram que mesmo em ambientes de mudança moderada as CDs podem aumentar a competitividade das empresas e não necessariamente são rotinas padronizadas, mas também criadas a partir de "improvisação organizacional". Quadro 2 – Principais diferenças conceituais entre as definições de capacidades dinâmicas de Teece et al. (1997) e Eisenhardt e Martin (2000) PRINCIPAIS DIFERENÇAS CONCEITUAIS TEECE et al., 1997 EISENHARDT e MARTIN, 2000 O modelo se aplica a ambientes em rápida mudança O modelo se aplica tanto a ambientes em rápida como tecnológica em moderada mutação. As CDs podem ser fonte de vantagem competitiva As CDs não podem ser fonte de vantagem competitiva sustentável, ao serem difíceis de copiar pelos sustentável, em qualquer que seja a condição, concorrentes. contrapondo o principal argumento da RBV/VRIO. As CDs são fonte de vantagem competitiva, por meio da habilidade das empresas encontrarem novas formas As CDs são fonte de limitada vantagem competitiva. de competir. As CDs em ambiente moderados de mutação podem As CDs não são constituídas pelas "melhores ser constituídas pelas "melhores práticas" e assim suas práticas", pois são únicas e específicas das empresas. funcionalidades podem ser replicadas. 9/16 ANAIS As CDs são heterogeneamente distribuídas entre as empresas, que as tornam difíceis de imitar. Qualquer CD homogeneamente distribuída não tem significado estratégico. As CDs são mais homogêneas do que geralmente é assumido, portanto não raras, são substituíveis e mais fáceis de copiar. CDs são rotinas fortemente padronizadas e passíveis de repetição pela empresa. CDs, em ambiente em rápida mutação, são simples e provêm da experimentação. Em ambientes moderados, são complexas e imbricadas nas suas rotinas. Fonte: Autores Essas definições são a fonte de algumas confusões e ambiguidades observadas na literatura (MENON, 2008), relacionadas ao conceito de recursos, rotinas, competências, capacidades e capacidades dinâmicas, por não serem devidamente definidas, muitas vezes propositalmente para permitir o avanço e o debate do constructo. Portanto, o entendimento claro desses elementos chave das definições das CDs é fundamental para orientar as pesquisas sobre CDs. Por isso, será desenvolvida uma breve revisão. 5. RECURSOS E COMPETÊNCIAS De maneira geral, os estudos envolvendo as CDs são consensuais sobre a definição de recursos e adotam a da RBV/VRIO (BARNEY, 1991), isto é, os ativos específicos das empresas que são valiosos, raros, difíceis de imitar e organizados. Eles podem ser tangíveis ou intangíveis, mas os últimos são mais relevantes. Como ativos idiossincráticos por natureza, sem limites bem definidos e dependentes do contexto, geralmente são difíceis de negociar entre as empresas, pois podem envolver altos custos de transferência, como por exemplo os ativos que envolvem o conhecimento, em particular o conhecimento tácito (TEECE, 1981). Competências é um tipo particular de recurso, resultado de atividades executadas repetitivamente ou quase. As competências organizacionais permitem que as atividades econômicas sejam executadas por meio do esforço coletivo e são suportadas geralmente pelos processos ou rotinas organizacionais. As competências comuns estão relacionadas a fazer certo as atividades, formal ou informalmente, e não requerem que estejam alinhadas ao ambiente organizacional e a outros ativos ou competências (KATKALO, PITELIS e TEECE, 2010). Considerando que recursos não são fluxos, eles podem ser renovados constantemente (TEECE, 2009). Em ambientes de rápida mutação, a renovação dos recursos aumenta consideravelmente, como nos setores de alta tecnologia. 6. CAPACIDADES, CAPACIDADES DINÂMICAS E TIPOLOGIA Capacidades dinâmicas e capacidades são constructos distintos e centrais nas definições de CDs. Com essa visão de importância, alguns estudos propõem tipologias que classificam as capacidades. O Quadro 3 apresenta algumas das tipologias mais referenciadas na literatura, sua evolução ao longo do tempo, equivalência e grau de complexidade. Collis (1994) propôs quatro categorias de capacidades. A primeira é a capacidade de executar atividades básicas ou funcionais da empresa, que podem ser comparadas aos recursos base. As outras três categorias relacionam-se a processos dinâmicos. A segunda refere-se às melhorias dinâmicas das atividades funcionais da empresa. A terceira, difícil de distinguir da segunda conforme destaca Collis (1994), é considerada de maior hierarquia por reconhecer o valor dos outros recursos ou por desenvolver estratégias diferenciadas antes dos competidores. A segunda e a terceira são reconhecidas pela literatura de CDs como capacidades dinâmicas, conforme proposto por Teece et al. (1997). A quarta, embora não 10/16 ANAIS explicitada por Collis (1994), é considerada uma metacapacidade relacionada ao processo de aprender a aprender capacidades e do contínuo desenvolvimento ad infinitum e, como metacapacidade, tem a propriedade de continuamente renovar as capacidades que renovam as capacidades. O que as distingui são suas características base: a primeira estática, a segunda e terceira dinâmicas de ordem crescente e a quarta criativa. Winter (2003) propôs três categorias. As capacidades nível-zero são as operacionais ou comuns, associadas ao dia-a-dia da empresa. As de primeiro-nível modificam as capacidades de nível-zero e são capacidades dinâmicas. As capacidades de maior ordem são necessárias quando as CDs de primeira ordem se tornam obsoletas ou não adequadas para a empresa devido a mudanças no ambiente, o que sugere que as CDs de maior ordem são continuamente construídas dependendo das circunstâncias do ambiente. Por sua vez, Pavlou e El Sawy (2006), assim como Danneels (2002), apresentam tipologias semelhantes às de Collis (1994) e Winter (2003). Andreeva e Chaika (2006) propõem três categorias de capacidades. A primeira é a capacidade funcional ou operacional, que é a observada na maioria das empresas. A segunda corresponde às capacidades essenciais, que formam as competências essenciais (Prahalad e Hamel, 1990) e é o pilar da vantagem competitiva. A terceira são as capacidades dinâmicas que permitem à empresa renovar suas capacidades essenciais em resposta ao seu ambiente. Zahra et al. (2006) propõem duas categorias: as capacidades substantivas ou recursos utilizados para resolver problemas do cotidiano e as capacidades dinâmicas relacionadas à habilidade da empresa em mudar ou reconfigurar as suas capacidades substantivas ou comuns em novas capacidades dinâmicas. Wang e Ahmed (2007) propõem uma variação dessa categorização. Os recursos (conceito amplo) ou ordem-zero da hierarquia são a base das capacidades da empresa e podem ser fonte de vantagem competitiva se atenderem às características do modelo VRIO (Barney, 1991). As capacidades de primeira-ordem são aquelas com as quais a empresa organiza seus recursos para atingir seus objetivos. As capacidades essenciais, ou de segundaordem, são o conjunto de recursos e capacidades estrategicamente importantes, que podem ser integradas, mas limitadas no tempo por se tornarem irrelevantes, obsoletas ou incapazes de se renovar em função das mudanças do ambiente ou por possuírem rigidez essencial (LEONARD-BARTON, 1992). Dessa maneira, a empresa cria sua própria armadilha e valoriza um conjunto de capacidades pouco relevantes (TEECE et al., 1997; TALLMAN, 2003). Os recursos de terceira-ordem ou capacidades dinâmicas representam os recursos, capacidades e capacidades essenciais que a empresa intencionalmente renova, reconfigura e recria em resposta às mudanças ambientais e são responsáveis pelo desempenho de longo prazo. Recentemente, Ambrosini et al. (2009) propuseram uma tipologia que acrescenta alguns elementos às tipologias anteriormente apresentadas, já que relaciona a capacidade dinâmica diretamente com o ambiente, estável, moderado ou em rápida mutação. As capacidades incrementais estão associadas a ambientes estáveis e, mesmo nessas condições, são necessários ajustes e melhoria contínua, mas o estoque de recursos base essencialmente não é transformado. As capacidades renovadoras permitem renovar o estoque de recursos base, mais do que adaptá-los incrementalmente, e são fundamentais para a existência da empresa, pois permitem intencionalmente criar, estender ou modificar seus recursos base (HELFAT et al., 2007). As capacidades renovadoras são desenvolvidas e estão imbricadas nos processos organizacionais da empresa através da acumulação de experiência ao longo do 11/16 ANAIS tempo e de investimentos específicos (MAKADOK, 2002; MARITAN, 2001; ZOLLO e WINTER, 2002). As capacidades regenerativas são uma forma de metacapacidades e necessárias quando as atuais capacidades dinâmicas já imbricadas nos processos organizacionais precisam ser transformadas. Quadro 3 – Comparação entre as principais tipologias de capacidades dinâmicas, sua hierarquia e evolução CAPACIDADES DINÂMICAS E SUA HIERARQUIA Collis (1994) C O M P L E X I D A D E Danneels (2002) Capacidades funcionais Zahra et al. (2006) Capacidades de maiornível Capacidades criativas Capacidades associadas com as dinâmicas (podem modificar outras capacidades) Capacidades associadas com as dinâmicas Winter (2003) Capacidades dinâmicas Capacidades de primeiraordem Capacidades de primeironível Capacidade de nívelzero Capacidades dinâmicas Capacidades substantivas Andreeva e Chaika (2006) Pavlou e El Sawy (2006) Wang e Ahmed (2007) Ambrosini et al. (2009) Capacidades dinâmicas Capacidades de segundaordem Capacidades dinâmicas (3ª ordem) Capacidades dinâmicas regenerativas Capacidades essenciais (2ª ordem) Capacidades dinâmicas renovadoras Capacidades de primeiraordem Capacidades dinâmicas incrementais Recursos ou ordem-zero Recursos base Capacidades essenciais Capacidades funcionais Capacidade de primeiraordem Subprocessos básicos Fonte: Autores. Baseado em Ambrosini et al. (2009), Menon (2008) e Wang e Ahmed (2007) Helfat et al. (2007) destacam que melhorias incrementais não levam à transformação dos recursos base e capacidades, e sim a mais do mesmo, e impede a empresa de prosperar sob condições de mudança. Esse processo é particularmente acionado pela percepção dos gestores de mudanças ambientais importantes (não lineares ou descontínuas), conforme sugere D’Aveni (1994), que leva a empresa a mudar sua trajetória intencionalmente pela criação, extensão ou modificação dos seus recursos base (HELFAT et al., 2007). A literatura destaca esse ponto da incapacidade das empresas em responder adequadamente a um ambiente em mutação (DANNEELS, 2002; GILBERT, 2005). Às vezes, pela própria inércia, a organização não consegue internamente renovar suas capacidades em função das descontinuidades ou turbulências do ambiente (MILLER e FRIESEN, 1980; TUSHMAN e ROMANELLI, 1985). As capacidades dinâmicas regenerativas diferem das renovadoras por transformar (criar, estender ou modificar) as próprias capacidades renovadoras, enquanto que as renovadoras operam sobre as incrementais e estas sobre os recursos base. Esta propriedade das capacidades regenerativas só permite sua ação indiretamente sobre os recursos base, o que sugere um processo em cascata das capacidades regenerativas sobre as renovadoras e destas sobre as incrementais que operam nos recursos base. O Quadro 3 mostra um relativo consenso entre os autores que propuseram tipologias de CDs entre 1994 e 2009. Verifica-se que todas partem dos recursos (base) da empresa, considerado como o estoque de recursos que a empresa possui ou controla internamente ou externamente. Como recursos heterogêneos distribuídos pelas empresas que competem entre si e que podem ser valiosos, raros, inimitáveis e organizados, são fundamentais para obter vantagem competitiva em condições estáveis e de equilíbrio. Essa condição, contudo, revela uma fragilidade do RBV (BARNEY, 1991, 2001) e está relacionada a não transformação destes recursos sob a ação de um ambiente em moderada ou rápida mutação. Para responder a ambientes em mutação, Collis (1994), Danneels (2002), Winter (2003), Zahra et al. (2006), Andreeva e Chaika (2006), Pavlou e El Sawy (2006), Wang e 12/16 ANAIS Ahmed (2007) e Ambrosini et al. (2009) propuseram, por meio de classificações detalhadas das capacidades dinâmicas, como elas funcionam, operam e sua hierarquia, na qual as de maior ordem atuam sobre as de menor ordem, desdobrando-se em cascata até os recursos, dando uma melhor compreensão à formulação original de Teece et al. (1997). As capacidades dinâmicas de alto grau, ou metacapacidades, têm a propriedade de se modificar, renovar e recriar recursos, capacidades e competências de forma intencional pela empresa (HELFAT et al., 2007) ou de ter a habilidade de aprender a aprender capacidades (COLLIS, 1994). 7. CONCLUSÕES Este artigo objetiva atualizar o estado da arte de pesquisa sobre capacidades dinâmicas (CDs) por meio de uma revisão da literatura dos artigos de maior influência, da sua origem até o atual estágio, sem a pretensão de esgotá-lo. As CDs têm ocupado nas duas últimas décadas um papel importante na estratégia organizacional, como se pode observar pelo número de publicações, eventos e mais recentemente livros relevantes, que procuram contribuir para a construção de uma teoria com potencial teórico e prático para explicar e dar ferramentas gerenciais e organizacionais às empresas sob a ação de ambientes em moderada ou rápida mutação. Em contrapartida, a divergência e contradições entre as definições de CDs, em particular dos artigos seminais de Teece et al. (1997) e Eisenhardt e Martin (2000), são consideradas fontes de inconsistências e da confusão existente na literatura (EASTERBYSMITH, LYLES E PETERAF, 2009; HELFAT, 2011; SCHILKE, 2014; PETERAF, 2014). Enfatize-se que a polarização das publicações a partir desses dois artigos seminais, observada pelos estudos de Di Stefano et al. (2014) e Vogel e Gütell (2013), mostra que a maturação e o consenso podem levar maior tempo do que se poderia esperar, como também limitar a evolução do constructo CDs (AREND e BROMILEY, 2009), mas a substancial quantidade de estudos, debates e pesquisas empíricas recentes não baseadas em dados secundários (WANG e AHMED, 2007) são evidências do progresso da Perspectiva das Capacidades Dinâmicas (PCD). A definição de Helfat et al. (2007), ao consolidar os fundamentos de Teece et al. (1997) e Eisenhardt e Martin (2000), evidencia a evolução das CDs. Entretanto, apenas uma análise da quantidade de publicações ao longo do tempo (vide Figura 1) não permite verificar se as inconsistências e divergências dos primeiros anos do surgimento da PCD alcançaram consenso e convergência, nem se uma das duas principais linhas, a de Teece et al. (1997) e a de Eisenhardt e Martin (2000), se tornou dominante, e nem qual o caminho e evolução da PCD. Como uma das principais fontes de divergências entre os estudos de CDs está relacionada aos conceitos e definições diferentes e mesmo contraditórias desses dois artigos nucleares sobre CDs, este artigo procura lançar alguma luz ao analisar e explicitar no Quadro 2 as principais diferenças conceituais entre essas duas linhas. O Quadro 3 apresenta algumas das tipologias mais referenciadas na literatura, como as de Collis (1994), Danneels (2002), Winter (2003), Zahra et al. (2006), Andreeva e Chaika (2006), Pavlou e El Sawy (2006), Wang e Ahmed (2007) e Ambrosini et al. (2009), e compara sua evolução ao longo do tempo, equivalência e grau de complexidade. Como discutido na seção 6, esses autores propuseram como as CDs funcionam, operam e sua hierarquia, na qual as de maior ordem atuam sobre as de menor ordem, desdobrando-se em cascata até os recursos, dando uma melhor compreensão à formulação original de Teece et al. (1997). Nota-se relativa convergência entre elas, já que há consenso sobre a separação das 13/16 ANAIS capacidades funcionais ou operacionais das CDs e sobre serem as de maior ordem capazes de transformar, renovar, modificar as capacidades dinâmicas de menor ordem. A discussão feita na seção 6 é outra tentativa de contribuir para a melhor compreensão das CDs. Outra das contribuições deste artigo é servir de guia para os pesquisadores em CDs, ao contrastar as inconsistências ainda existentes e como elas estão sendo encaminhadas, as convergências conceituais, que mostram avanços na consolidação na base teórica da perspectiva, as tendências de pesquisa, que dão direcionamentos das áreas de interesse para aprofundamento por parte dos pesquisadores, e a evolução teórica e empírica alcançada. O Quadro 1, por exemplo, consolida um grupo de 59 referências que servem de base para qualquer estudo em CDs, conceitual ou empírico. Enfim, com este estudo, espera-se ter contribuído para o melhor entendimento do que sejam capacidades dinâmicas, ao apresentar de forma comparativa e crítica suas inconsistências, convergências e evolução, no período de 1994 e 2015. 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