Gioconda Belli
A oficina
das
borboletas
Ilustrações de
WOLF ERLBRUCH
Tradução de
Julia Bussius
Copyright do texto © 1994 by Gioconda Belli
Copyright das ilustrações © 1994 by Wolf Erlbruch
Primeira edição: Alemanha, 1994
Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009.
título original
Die Werkstatt der Schmetterlinge
Revisão
Viviane T. Mendes
Marina Nogueira
tratamento de imagem
Simone Ponçano
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)
(Câmara Brasileira do Livro, sp, Brasil)
Belli, Gioconda
A oficina das borboletas / Gioconda Belli; ilustrações
de Wolf Erlbruch; tradução Julia Bussius. —1a ed. ­— São
Paulo : Companhia das Letrinhas, 2013.
Título original: Die Werkstatt der Schmetterlinge.
978-85-7406-573-1
isbn
1. Literatura infantojuvenil i. Erlbruch, Wolf.
13-01419
ii.
Título.
cdd-028.5
Índices para catálogo sistemático:
1. Literatura infantil 028.5
1. Literatura infantojuvenil 028.5
2013
Todos os direitos desta edição reservados à
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Este conto de fadas é para Ana Maria,
que sorri a cada bater de asas de uma borboleta.
E para Lutz e Salva,
que sempre irão vê-la sorrir.
As borboletas não pesam praticamente nada. Elas são muito
leves, quase tão leves quanto um raio de sol. As borboletas são co­
mo um espirro do arco-íris.
Há muito, muito tempo, não existiam borboletas. Nem muitos outros animais e plantas, que ainda estavam esperando ser
criados. E esse era o trabalho dos criadores de todas as coisas.
Eles seguiam uma lei rígida: os inventores dos animais só podiam
criar animais, os das plantas só podiam fazer plantas e assim por
diante. Todos tinham que obedecer a esse regulamento. Não podiam burlar essa regra de jeito nenhum.
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Rodolfo era um desses criadores. Ele tinha mãos habilidosas e gostava de experimentar tudo o que fosse possível. Sem­
pre encontrava seus amigos numa gruta na floresta, e lá eles
con­versavam sobre quais outras coisas maravilhosas poderiam
ser criadas se não existisse essa regra tão chata. “Uma árvore
que cantasse como um pássaro... Ou um pássaro que pusesse
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maçãs em vez de ovos”, eles imaginavam. Mas no que Rodolfo mais pensava era em algo ainda mais diferente: ele queria
uma criatura que fosse ao mesmo tempo um pássaro e uma flor,
como aquela que tinha aparecido em seu sonho. Isso não saía da
cabeça dele, dia e noite, noite e dia. O que poderia ser tão belo
quanto uma flor e ao mesmo tempo voar como um pássaro?
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***
Rodolfo e seus amigos passavam tanto tempo naquela gruta da floresta que a velha sá­bia,
que cuidava de tudo por ali, começou a ficar
preocupada, e um dia ela pediu que os jovens
criadores fossem encontrá-la. Era a hora de ter
uma conversinha com eles.
— A ordem do universo — começou ela,
olhando severamente para os garotos — é baseada em leis que são ao mesmo tempo simples e perfeitas! Mesmo as menores criaturas
foram elaboradas com grande sabedoria. Para
que vocês nunca se esqueçam disso e não inventem nenhuma besteira, nós decidimos que
é melhor vocês terem um novo trabalho. A
partir de amanhã vocês irão trabalhar na oficina dos insetos.
A oficina dos insetos não tinha uma fama
muito boa. A maioria dos criadores não achava
muito digno trabalhar ali. Eles não gostavam
daquele monte de pernas rastejantes e achavam que os insetos eram pequenos e insignificantes demais. E, além de tudo, picavam e incomodavam os animais maiores, e suas larvas
comiam as folhas das árvores.
Os criadores que trabalhavam ali eram tímidos e usavam óculos com lentes bem grossas, e cada um estava sempre no seu canto.
A criação de que mais se orgulhavam eram as
aranhas — e as aranhas, na verdade, não são
exatamente insetos...
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