GÊNERO E DIVERSIDADE NA ESCOLA
Natália Peixoto de Carvalho
Ana Carla Barcelos
RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo analisar as relações existentes entre Educação,
gênero e sexualidade no 9º ano do Ensino Fundamental, e o papel da escola na vida dos
alunos. Com intuito de contribuir a referida temática, o projeto apresenta a análise dos
papeis atribuídos a sexualidade e o gênero – masculino e feminino na genis cultural e os
conflitos ocorridos, o que gera comportamentos relacionados ao Bullying.
Palavras-chave: Educação, Gênero, Sexualidade e Diversidade na sala de aula.
INTRODUÇÃO
A educação no Brasil apresenta uma diversidade de gênero e sexualidade,
principalmente entre os jovens, que buscam confirmar sua identidade na sociedade, e sua
identificação segundo Paulo Freire sugere “[...] uma educação que lhe propiciasse a
reflexão sobre seu próprio poder de refletir e que tivesse sua instrumentalidade, por isso
mesmo, no desenvolvimento desse poder, na explicitação de suas potencialidades, de que
decorreria sua capacidade de opção. (FREIRE, 2003 p, 67)”. Os conflitos da fase da
adolescência geram uma tendência preconceituosa na fala e nas atitudes entre eles, pois há
uma discordância entre meninos e meninas.
A questão da diversidade dos gêneros, em que homens e mulheres são produtos da
realidade social e não decorrência da anatomia de seus corpos. E ainda há uma resistência
para com o outro, principalmente em relação ao modo de pensar, sentir e agir diante das
diversidades da sala de aula.
As leituras e debates realizados mostram que a escola tem um papel social na vida
dos alunos e alunas, de levar a reflexão sobre as suas atitudes, não se pode negar na prática
coletiva das salas de aula a particularidade do sujeito, como esclarece a OMS “A
sexualidade influência pensamentos, sentimentos, ações e integrações, e, portanto a saúde
física e mental” (Organização Mundial de Saúde, 1975).
No desenvolvimento do trabalho acontecem leituras de textos, análise crítica de
filmes, pesquisas investigativas e exposição para a comunidade da diversidade de gênero e
sexualidade existentes na sociedade.
A Diversidade na Escola
A escola tem um papel social de formar jovens cidadãos críticos que respeitam a
diversidade cultural, e o trabalho com os adolescentes na escola é fundamental, pois
através do projeto proporcionam-se ações para a valorização da diversidade, com
encontros, contatos, discussões, em busca de levar a reflexão sobre si e o outro, visto que
os jovens estão em uma confirmação de sua própria identidade, conforme Paulo Freire
afirma: “[..] por uma educação que, por ser educação, haveria de ser corajosa, propondo
ao
povo
a
reflexão
sobre
si
mesmo,
sobre
seu
tempo,
sobre
as
suas
responsabilidades...”.(Paulo Freire – 2003, p.67).
O projeto realiza-se em uma cidade pequena, no interior do Rio de Janeiro – Quatis,
que apresenta uma tendência preconceituosa ao homossexualismo, pois a sexualidade é
precoce, que gera um alto índice de gravidez na adolescência e a prática do „bullying‟,
principalmente na sala de aula, o que justifica a escolha da pesquisa. Segundo Lopes Neto
(2005), os motivos que levam a violência com palavras e até agressões físicas são
extremamente variados e estão relacionados com as experiências que cada aluno tem em
sua família e sua comunidade.
Os alunos e alunas envolvidos ao projeto são de uma comunidade carente, com
famílias desestruturas o que aumenta ainda mais a violência entre eles, foi há pouco
relacionamento afetivo entre os seus familiares.
A escolha dos envolvidos ao projeto se deu por ser a adolescência uma fase de
identificação, o que gera conflitos e a dificuldade de seguirem regras, principalmente na
escola, daí a presença de rejeição ao jeito de ser, de pensar e agir com os colegas,
comprova-se o grande índice de bullying, pois é uma fase de repensar os valores
socioideológicos (preconceituosos ou não) como afirma Bee (1997) fazer mais sentido
pensar na adolescência como o período que se situa, psicológica e culturalmente, entre a
meninice e a vida adulta, ao invés de uma faixa etária específica.
Através da leitura do livro: “Com é duro ser diferente” foram realizados analises e debates
de sua temática – bullying, com pesquisas bibliográficas. Em seguida, assistiram ao filme –
“Meninas malvadas”, realizaram-se debates e análise crítica do tema, e comparação ao
livro trabalhado. A partir dos debates surgiram questionamentos em relação à postura dos
alunos e alunas sobre o tema gênero e sexualidade.
Com pesquisas investigativas houve uma vontade de investigar e de levar a comunidade o
esclarecimento sobre o tema. Sendo assim acontecerão na Feira Cultural da escola
atividades lúdicas e questionários qual seriam os posicionamentos das pessoas em relação
ao gênero e sexualidade, e a prática do bullying nos dias atuais. Em seguida, será
apresentada uma amostragem dos resultados para toda a comunidade.
Os resultados esperados são de levar aos jovens a reflexão sobre as suas atitudes e enfatizar
a particularidade de cada sujeito, sem negar a prática coletiva na sociedade e a dificuldade
de aceitação do outro, entretanto respeitar as diversidades. Segundo Paulo Freire:
“O que importa essencialmente é que, na discussão, estes homens, seres individuais
concretos, reconheçam-se a si mesmos como criadores de cultura. Com esta discussão que
precede a alfabetização, abrem-se os trabalhos do Círculo de Cultura e se preludia a
conscientização. [...] A única maneira de ajudar o homem a realizar sua vocação
ontológica, a inserir-se na construção da sociedade e na direção da mudança social, é
substituir esta captação principalmente mágica da realidade por uma captação mais e
mais crítica. (FREIRE 1980: 51-52)”.
Referências Bibliográficas
●
BEE, H. O ciclo vital. Trad. Regina Garcez. Porto Alegre: Artes Médicas,
1997.
●
Carrara, Sergio ORG. Gênero e Diversidade na escola: Formação de
Professores em Gênero, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais.
Livro de conteúdo. Versão 2009. – Rio de Janeiro – CEPESC; Brasília:
SPM, 2009
●
Freire Paulo. Pedagogia do Oprimido. 35 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
2003.
●
LOPES NETO, A.A. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes.
Jornal de Pediatria Online. Vol. 81, nº 5 (supl.), p. 164-172, 2005.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php
●
Nicolelis, Giselda Laporta. Como é duro ser diferente!. São Paulo: Quinteto
Editorial, 2005.
●
PALACIOS, Marisa; REGO, Sergio Tavares de Almeida. Bullying: mais
uma epidemia invisível? Rer. Bras. Educ. Méd. Vol. 30 nº1. Rio de Janeiro,
2006.
Sites
●
http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v23n2/v23n2a03.pdf
●
www.bullying.org.br
Filme
●
Meninas Malvadas – Direção – Mark S. Waters – Roteiro : Tina
Fey.
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